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Numero do processo: 10280.004867/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2802-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.Ausente justificadamente o conselheiro Carlos Andre Ribas de Mello. Relatório O presente processo versa sobre crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração (fls.160/167), em decorrência da Apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, consubstanciada nas informações constantes no Dossiê Integrado (fls.03/08) e principalmente, em operações com cartão de crédito. No início da fiscalização foi solicitada ao contribuinte a apresentação de todos os comprovantes dos pagamentos de seus cartões de crédito; bem como a comprovação, mediante documentos hábeis e idôneos, da origem e tributação dos recursos utilizados para os pagamentos efetuados (fls.24). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .0 04 86 7/ 20 06 -9 2 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.004867/200692 Resolução nº 2802000.186 S2TE02 Fl. 302 2 Em resposta, o contribuinte se manifestou enviando extrato incompleto dos cartões de crédito (fls.34/41). Por essa razão foi emitida Requisição de Informação Financeira (RMF), solicitando a Credicard Banco SA e HSBC BANK BRASIL S/A, as informações de operações com cartão de crédito e pagamento efetuado com valor de cada compra do mês, no período de 01/01/2003 e 31/12/2003 (fls.42/43). A documentação enviada pelo Banco Citicard SA e HSBC está acostada ao processo às fls.54/77 e 78/133, respectivamente. Conforme informações constantes do relatório do RMF (fls.48), verificase que: “1 – ORIGEM DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal foi motivada por determinação interna/SRF, operação 913 dispêndios/repasses de cartão de crédito, tendo como interessado para apuração GABINCOFISDRFBLM. (...) 4 CONCLUSÃO Concluise que é imprescindível o acesso aos comprovantes dos pagamentos efetuados relativos aos cartões de crédito do contribuinte no período de 01/01/2003 a 31/12/2003, referente aos Bancos relacionados acima, de forma a permitir determinar com precisão a materialidade da infração à legislação tributária, a data de ocorrência do(s) fato(s) gerador(es), bem como a titularidade de fato dos recursos.” É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Dos autos, depreendese o lançamento foi efetuado com base em informações solicitadas diretamente as intuições financeiras, através da quebra do sigilo bancário do contribuinte, sem autorização judicial. As informações dos cartões de crédito do contribuinte foram solicitadas diretamente as instituições financeiras, através RMF. Apesar de se tratar de tema submetido a Repercussão Geral no STF (RE 601314, Relator Min. Ricardo Lewandowski), não há determinação expressa do STF pelo sobrestamento dos feitos nas instâncias inferiores, o que em tese, impõe o julgamento do feito, nos termos da determinação contida no parágrafo único do artigo 1º da Portaria CARF n. 1/2012. Entretanto, de se constatar, que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário n.º 601.314, a seguir: Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.004867/200692 Resolução nº 2802000.186 S2TE02 Fl. 303 3 DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente. (RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator (AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.004867/200692 Resolução nº 2802000.186 S2TE02 Fl. 304 4 extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente (RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Sendo assim, é inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09 (RICARF), ratificado pelas decisões acima transcritas, que impedem a apreciação do mérito do feito. Nesses termos, proponho o sobrestamento do presente feito, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário n.º 601.314, pelo STF. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.004867/200692 Resolução nº 2802000.186 S2TE02 Fl. 305 5 (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900608/2012-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/12/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.
Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
PAULO SERGIO CELANI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
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secao_s : Terceira Seção De Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1787; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.900608/201253 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 3801003.674 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente PROCOLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a nãohomologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 06 08 /2 01 2- 53 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900608/201253 Acórdão n.º 3801003.674 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou PER/DCOMP transmitida pela contribuinte com o objetivo de compensar débitos nele declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior. Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho: “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o despacho é eletrônico e não passou pelo crivo de um auditor fiscal, sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema informatizado e que lhe falta fundamentação e motivação devendo ser declarado nulo; que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos e poderá determinar a realização de diligência fiscal; que transmitiu Declaração de Compensação de COFINS, apurado em 30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia nenhum débito anterior a ele vinculado e que, agora, a RFB vem inquirir que o Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900608/201253 Acórdão n.º 3801003.674 S3TE01 Fl. 4 3 crédito utilizado na compensação foi utilizado antes para quitação do débito de COFINS de 30/06/04 quando já havia perecido o direito do Fisco de cobrar o pretenso débito; que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de suspensão da exigibilidade; que passou mais de 5 anos e o débito não pode ser exigido, pois com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência. Requer a reavaliação do Despacho Decisório A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte: “DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente.” No recurso voluntário, a contribuinte alega que não houve qualquer antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não foi homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que a contribuinte pagasse o débito; que, em decorrência disto tudo, “não há que se falar em crédito tributário constituído pelo lançamento, motivo pelo qual, em face de sua inércia, deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art. 150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.” É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900608/201253 Acórdão n.º 3801003.674 S3TE01 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no recurso voluntário. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza Apesar de a recorrente não atacar os fundamentos do despacho decisório, traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada. O fundamento legal está expresso no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum. E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Não foi atendido o art. 170 do CTN que diz que a lei poderá autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900608/201253 Acórdão n.º 3801003.674 S3TE01 Fl. 6 5 E a liquidez e certeza não foram comprovada pela contribuinte, a quem incumbia esse ônus, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante. Vejase, como exemplo, a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios. Transcrevo a parte que interessa do primeiro: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. (...)” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados ou restituídos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900608/201253 Acórdão n.º 3801003.674 S3TE01 Fl. 7 6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário. A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário. A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações recursais. Destaco o seguinte: Com base no art. 5º, §1º, do DecretoLei nº 2.124, de 1984, concluise que a DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário nela declarado. Com fundamento no § 2º do art. 74 da Lei n.º 9.430, 27/12/1996, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. O § 5º deste artigo diz que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Transcorrido esse prazo após a transmissão do PER/DCOMP e não tendo o fisco se manifestado, considerase extinto o débito nele confessado, independentemente da confirmação do crédito utilizado: operase a homologação tácita. No caso, como a própria contribuinte reconhece, a homologação tácita não ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da transmissão do PER/DCOMP. Os parágrafos 6º e 7º do mesmo artigo determinam que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação com as seguintes palavras: “Fica o sujeito passivo CIENTIFICADO deste despacho e INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência deste, efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no mesmo prazo, nos termos dos §§ 7º e 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. Não havendo pagamento ou apresentação de manifestação de inconformidade, os débitos indevidamente compensados, com os acréscimos legais, serão inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.” Dos fundamentos acima, decorre que não é necessário auto de infração ou notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado Fl. 68DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900608/201253 Acórdão n.º 3801003.674 S3TE01 Fl. 8 7 em DCTF ou em DCOMP, logo, não há que se falar em decadência do direito de lançar o crédito tributário no caso presente. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10855.724094/2011-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2007, 2008, 2009
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE.
Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questioná-lo, descabe fazê-lo em momento processual posterior.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.
Afastada a glosa de despesas, desaparece de igual modo a insuficiência no recolhimento de estimativas, que dava causa ao lançamento de multas exigidas isoladamente. Essas multas devem, pois, ser também afastadas.
Numero da decisão: 1302-001.508
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008, 2009 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INCORPORAÇÃO REVERSA. DEDUTIBILIDADE. Após a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), é dedutível a amortização de ágio decorrente da anterior aquisição de participação societária em negócio firmado entre partes independentes, em condições de mercado, baseado em expectativa de rentabilidade futura da investida e efetivamente pago à alienante do investimento. A incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) é operação prevista em lei, bem assim seus efeitos tributários. Se, no momento do lançamento, o Fisco teve acesso ao demonstrativo que fundamentava o ágio e deixou de questionálo, descabe fazêlo em momento processual posterior. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. 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(assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 40 94 /2 01 1- 70 Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.317 2 Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório FÁBRICA DE PEÇAS ELÉTRICAS DELMAR LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0431.815, de 21/05/2013, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande/MS, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, apurando falta de recolhimento de IRPJ e de CSLL decorrente de amortização de ágio, formalizou a exigência de crédito tributário no montante de R$ 15.289.736,91, compreendendo os dois tributos, acrescidos de juros de mora e de multa vinculada e isolada, tendo por fundamento legal o art. 3º da Lei nº 9.249/1995 e demais dispositivos indicados nos autos de infração de fls. 521 a 539 e 540 a 556. Os fundamentos de fato e de direito que dão suporte à exigência do crédito tributário foram descritos no Relatório Fiscal de fls. 511 a 520, no qual a Fiscalização aponta a existência de planejamento tributário baseado em negócios jurídicos simulados. Disse a autoridade lançadora que, em 09/05/2005, foi constituída a sociedade empresária Hubbell do Brasil Sistemas de Energia Ltda., tendo como sócias duas companhias sediadas no exterior, denominadas respectivamente Hubbell Luxembourg Sarl e Wepawaug Canadá Corp. O diretor era Jobelino Vitoriano Locateli, que, segundo a Fiscalização, é presença assídua em operações de planejamento tributário, já tendo sido responsável perante a Receita Federal por mais de trezentas empresas. Em 07/07/2005, ou seja, dois meses depois de sua constituição, a empresa Hubbell do Brasil adquiriu a totalidade do capital social da Fábrica de Peças Elétricas Delmar Ltda. A operação teria gerado um ágio no valor de R$ 22.810.069,60, tendo como fundamento econômico a expectativa de rentabilidade, atestada no laudo denominado Offering Memorandum, elaborado por Ribeiro & Associados International Services Ltda. Em 31/12/2005, a empresa controlada, a Fábrica de Peças Delmar Ltda., incorporou a controladora, a Hubbell do Brasil. Esta, conforme revela o exame de sua escrita fiscal, não realizou qualquer operação comercial, o que, a juízo da autoridade lançadora, evidencia que a criação da empresa foi movida pelo exclusivo propósito de gerar ágio a ser transferido posteriormente para a Fábrica de Peças Delmar, mediante reorganização societária chamada incorporação às avessas. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.318 3 Ressaltou a autoridade lançadora, como indício de simulação, o fato de que Edson Alves de Oliveira, antigo sócio da Fábrica de Peças Delmar, ter se retirado formalmente da sociedade, mas ainda assim permanecido à frente da empresa, na condição de diretor. Disse a Fiscalização que a incorporação às avessas (incorporação da empresa controladora pela empresa controlada) se apresenta como uma hipótese fora do perfil objetivo do instituto, exigindo para sua legitimidade a presença de uma razão específica e relevante. Supôs a Fiscalização que o único motivo a impulsionar as empresas Hubbell e Delmar a realizarem a incorporação às avessas era a possibilidade de deduzir ágio por expectativa de rentabilidade. Assim sendo, estaria evidenciada a prática de simulação, com o propósito de ocultar a ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL, o que justificaria, além da exigência do tributo, a imposição de multa qualificada. Não resignada, a contribuinte arguiu preliminarmente a decadência do direito de questionar o ágio, registrado pela Hubbell do Brasil, quando da aquisição do capital da Fábricas de Peças Delmar. Isso porque o ágio foi contabilizado em dezembro de 2005 (embora a amortização só tenha gerado efeitos em 2006, 2007 e 2008). O lançamento, entretanto, é de novembro de 2011. No mérito, alegou contra o lançamento os seguintes pontos: 1) Na aquisição de participações societárias sujeitas à equivalência patrimonial, a pessoa jurídica adquirente é obrigada a desdobrar o custo de aquisição em valor do patrimônio líquido do investimento adquirido e valor do ágio, sendo este a diferença entre preço de aquisição e patrimônio líquido. Assim, caso haja liquidação do investimento adquirido, mediante incorporação, fusão ou cisão, envolvendo a empresa adquirente e a participação societária adquirida, a pessoa jurídica sobrevivente a esse processo tem o direito de amortizar o ágio (fundado na expectativa de rentabilidade), em no mínimo cinco anos, desde que exista um estudo técnico dando suportando ao ágio. 2) A regularidade da dedução do ágio depende das respostas às seguintes indagações: a) houve aquisição de participação societária? b) o custo de aquisição foi superior ao valor de patrimônio líquido da participação adquirida? c) o ágio teve origem na expectativa de rentabilidade em períodos futuros? d) o investimento adquirido com ágio foi liquidado mediante incorporação, fusão ou cisão? A resposta a todas essas perguntas é positiva. A empresa Hubbell do Brasil adquiriu a totalidade do capital social da Impugnante, fazendo o pagamento à vista e em dinheiro. O preço pago atingiu a quantia de R$ 29.840.683,27. O valor do patrimônio líquido era de R$ 7.030.613,67, sendo a diferença, R$ 22.810.069,60, contabilizada como ágio. 3) O ágio se justifica pela expectativa de rentabilidade da empresa adquirida, respaldada em laudo de avaliação econômicofinanceira, elaborado por Ribeiro & Associados International, utilizando o método de fluxos de caixa descontados. Disse a impugnante que o laudo não foi questionado pelas autoridades fiscais; ao contrário, teriam elas reconhecido expressamente que o ágio registrado pela Hubbell do Brasil teve por fundamento a expectativa de rentabilidade futura. Portanto, todas as condições para a amortização do ágio estariam presentes. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.319 4 4) Não existiu simulação nas operações em exame. Tratase de aquisição de participação societária entre partes não relacionadas, seguida de incorporação de uma pela outra. Foram duas operações inteiramente lícitas, realizadas em período de tempo razoável, cada uma com resultado compatível com o tipo de negócio jurídico realizado e com a vontade declarada pelas partes. O preço foi pago mediante depósito em dinheiro na conta corrente dos vendedores. As sócias da Hubbell do Brasil decidiram unir as duas empresas, tendo em vista que já não havia necessidade de manter as duas estruturas empresarias. A Hubbell do Brasil foi constituída com a finalidade de viabilizar a aquisição da Fábrica de Peças Delmar. As razões para a utilização dessa forma podem ser resumidas nos seguintes pontos: a) proteção do patrimônio da Hubbell Incorporated e de suas subsidiárias de eventuais medidas legais iniciadas após a aquisição contra a empresa adquirida; b) transferência do preço de aquisição para a empresa controlada antes da data do fechamento (especialmente importante nas aquisições fora dos Estados Unidos); c) controlar o pagamento do preço aos vendedores e controlar valores que seriam mantidos em conta de garantia para liberação após o fechamento da aquisição. Concluiu, por tudo quanto foi exposto, que houve um verdadeiro motivo negocial para a criação da Hubbell do Brasil, tendo em vista a aquisição da Fábrica de Peças Delmar. Depois de concluída a operação e liquidadas as respectivas obrigações, deixou de existir razão para manter as duas empresas ativas no Brasil, de forma que a Hubbell foi incorporada pela Impugnante, cuja atividade deveria prosseguir no País. Vêse, portanto, que a existência de ganho fiscal é mera decorrência das operações realizadas, as quais teriam sido estruturadas exatamente da mesma forma, ainda que não houvesse previsão legal expressa de dedução do ágio. 5) Negou a Impugnante que a Hubbell do Brasil fosse uma empresa veículo. Disse que Edson Alves de Oliveira era sócio da Fábrica de Peças Delmar e, após a venda de sua participação para a Hubbell, foi convidado a ser diretor da empresa, mercê de sua larga experiência no setor. 6) Contestou ter havido incorporação às avessas, a qual só ocorreria se a incorporadora tivesse prejuízos fiscais acumulados e incorporasse uma empresa superavitária. Na hipótese dos autos, houve incorporação de empresa controladora pela controlada, mas essa incorporação não pode ser considerada “às avessas”, uma vez que a empresa sobrevivente, era a que tinha o maior volume de operações e cuja estrutura operacional veio a ser conservada. Além do mais, a forma adotada não tem qualquer efeito sobre a amortização do ágio, que é permitida tanto no caso da incorporação da controlada pela controladora, como na hipótese inversa. 7) Negou, por outro lado, que Jobelino Vitoriano Locateli fosse sócio fundador da Hubbell do Brasil, afirmando que ele foi contratado para ser diretor da sociedade e representála em território nacional. 8) Alegou erro na determinação do montante tributável, já que os valores glosados não corresponderiam à amortização anual do ágio relativo à aquisição da Fábrica de Peças Delmar. A autoridade fiscal teria glosado também o ágio registrado na compra da empresa Comércio e Indústria de Produtos de Alta Tensão – CIPAT, que não foi objeto do presente lançamento. Esse ágio não chegou sequer a ser questionado durante o procedimento de fiscalização, muito menos analisado pela autoridade lançadora em seu relatório fiscal. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.320 5 A impugnante incorporou a CIPAT em abril de 2007, com ágio fundado na expectativa de rentabilidade futura, e já no mês de maio do mesmo ano passou a amortizar parte desse ágio na apuração do IRPJ e da CSLL. Inadvertidamente, a autoridade fiscal incluiu, no valor glosado, parte do ágio pago na aquisição da CIPAT, nos montantes de R$ 349.877,00 e R$ 524.815,00, relativos respectivamente aos anos de 2007 e 2008. 9) Quanto à CSLL, alegou que o lançamento deixou de mencionar os dispositivos legais que dão base à glosa. Disse ainda que, em relação a essa contribuição, não há lei que estabeleça a não dedutibilidade da amortização do ágio. 10) Questionou a aplicação da multa qualificada, alegando que não houve prática de negócio jurídico simulado, nem fraude ou conluio. A impugnante não teria omitido informação, nem prestado informação falsa, nem praticado ato simulado. Ademais, os autos de infração carecem de fundamentação que justifique a exasperação da multa. A penalidade, por outro lado, teria caráter nitidamente confiscatório. Arguiu também a impossibilidade de cumulação da multa vinculada com a multa isolada, já que incidentes sobre a mesma situação fática. Nesse caso, a infração maior absorve a menor Além disso, a cumulação de penalidades torna a sanção extremamente gravosa, ofendendo os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Alegou, por fim, a impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência dos autos de infração. A 2ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0431.815, de 21/05/2013 (fls. 909/921), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário contase a partir do momento da amortização do ágio e não da data em que o ágio é registrado contabilmente. AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO. EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE. LAUDO TÉCNICO. O laudo técnico que atesta a expectativa de rentabilidade como fundamento econômico do ágio pago na aquisição de participação societária deve ser elaborado ao tempo da negociação, de forma a refletir as condições e os fatores econômicos existentes no momento. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO NÃO COMPROVADO. DOLO. CARACTERIZAÇÃO. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.321 6 O registro contábil e a subsequente amortização de ágio cuja existência não tenha sido comprovada caracteriza conduta dolosa, autorizando a aplicação de multa qualificada. MULTA ISOLADA. MULTA VINCULADA AO TRIBUTO. CUMULAÇÃO. VALIDADE. É válida a cumulação da multa isolada com a multa vinculada ao tributo, porquanto cada uma delas corresponde a uma infração distinta e autônoma. MULTA. VEDAÇÃO AO CONFISCO. EXAME NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao órgão administrativo o exame da constitucionalidade da lei e de eventuais ofensas pela norma legal a princípios constitucionais, inclusive aquele que veda tributo confiscatório. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. FATO NÃO OCORRIDO. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão julgador conhecer da impugnação para apreciar a matéria preventivamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CSLL E IRPJ. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento da CSLL as mesmas razões de decidir aplicáveis ao lançamento do IRPJ, quando ambos recaírem sobre a mesma base fática. Ciente da decisão de primeira instância em 31/05/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 927, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 28/06/2013 conforme carimbo de recepção à folha 929. No recurso interposto (fls. 930/987), após historiar o ocorrido, sob sua ótica, a recorrente desenvolve seus argumentos conforme os tópicos a seguir sintetizados: Preliminar – Nulidade da decisão de primeira instância por modificação do critério do lançamento. Segundo a recorrente, o único fundamento empregado pelo julgador em primeira instância para manter o lançamento seria que o laudo técnico apresentado não poderia ser aceito como prova do fundamento econômico para o ágio. No entanto, tal aspecto não teria sido contestado pelo Fisco, por ocasião do lançamento. Requer, então, a nulidade da decisão de primeira instância ou, alternativa e sucessivamente, que o julgamento em segunda instância se faça nos limites da lide originalmente estabelecida. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.322 7 Preliminar – Nulidade da decisão de primeira instância por modificação do lançamento em relação ao ágio da CIPAT. Também aqui a recorrente reclama que o lançamento teria sido mantido com base em argumentos que não constaram do lançamento original, especialmente quanto às provas apresentadas. Requer a nulidade da decisão recorrida, sob esse aspecto, e o cancelamento das exigências calculadas sobre o ágio na operação da CIPAT. No mérito, a recorrente insiste nos argumentos sobre a correção de seus procedimentos e a dedutibilidade da amortização do ágio, de forma semelhante ao anteriormente trazido em sede de impugnação. Especialmente, trata dos seguintes itens: · Laudo que fundamentou o ágio – a recorrente sustenta que o laudo por ela apresentado seria suficiente para fundamentar o ágio. Os argumentos empregados pelo julgador em primeira instância para manter o lançamento não teriam fundamento na legislação e não seriam condizentes com a realidade dos fatos. · Mudança da administração da empresa – também aqui o argumento do julgador em primeira instância não teria respaldo legal. Acrescenta que o Sr. Edson Alves de Oliveira era, anteriormente, sócio da Delmar. Após a aquisição pelo grupo estrangeiro, foi convidado a permanecer na condição de diretor, com poderes limitados, em conjunto com outro diretor estrangeiro e sob a supervisão dos novos sócios. · Regular registro e amortização do ágio, segundo os arts. 385 e 386 do RIR/99. · Inexistência de simulação. Descabimento da multa qualificada. · Precariedade do lançamento fiscal (por itens). · Falta de dispositivo legal para tributação da CSLL, o que implicaria o cancelamento da exigência dessa contribuição. · Impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada. · Impossibilidade de aplicação de juros moratórios sobre multa de ofício. · Decadência do direito do Fisco de questionar o ágio registrado no anocalendário em 2005. Também a D. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no exercício de suas prerrogativas garantidas pelo art. 48, § 2º, do Anexo II do RICARF vigente, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1218/1252), as quais podem ser resumidas como segue, acompanhandose os tópicos em que se divide o documento: · Inocorrência de nulidade da decisão de primeira instância. Sustenta a PGFN que o lançamento foi mantido porque o ágio registrado pelo contribuinte não existe e que o fato econômico a justificálo não foi provado pela impugnante, tal como apurado pelo lançamento. · Inexistência da decadência. A PGFN reitera e reforça os fundamentos de que lançou mão o julgador em primeira instância para não reconhecer a decadência. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.323 8 · Impossibilidade de aproveitamento do ágio. A PGFN historia o ocorrido, por sua ótica, traz doutrina sobre a matéria, e sustenta que o ágio cuja despesa foi deduzida pela empresa não cumpriria as condições e requisitos impostos pelo art. 386 do RIR/99. Quem de fato teria arcado com o ônus da aquisição da Delmar seriam os investidores estrangeiros. Assim, não teria ocorrido a “confusão patrimonial” da mais valia com o investimento que lhe deu causa por ocasião da incorporação. Além disso, reitera que o valor do ágio não foi comprovado pela recorrente, posto que sustentado em documento elaborado quase três anos antes das operações de aquisição, tal como entendeu a DRJ. Conclui que o ágio não seria válido nem eficaz para ser amortizado pela recorrente. · Simulação e multa qualificada. A PGFN expõe os motivos pelos quais entende correta a acusação de simulação e, por consequência, a qualificação da multa. · Aplicação concomitante das multas de ofício e isolada. Juros de mora sobre a multa de ofício. A PGFN defende a correção do lançamento, também quanto a estes aspectos. Em 27 de fevereiro de 2014 chegou às mãos deste Relator, para análise, documento encaminhado pela recorrente, com pedido de juntada aos autos e admissão como prova no processo. Tratase de documento intitulado MODELO REFERENTE À NOVA AVALIAÇÃO ECONÔMICOFINANCEIRA DA EMPRESA FÁBRICA DE PEÇAS ELÉTRICAS DELMAR LTDA., elaborado por empresa de consultoria a pedido da Recorrente. O documento foi juntado ao processo (fls. 1292/1315), sem qualquer manifestação sobre se será ou não admitido como prova nesta fase processual, muito menos sobre sua força probante. A PGFN se manifestou (fls. 1282/1283), opondose ao pedido de juntada do documento, em face da preclusão. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. O ponto central do litígio é a glosa, levada a efeito pelo Fisco, de amortizações de ágio, contabilizado pela ora recorrente nas operações societárias descritas no relatório que antecede a este voto. Da leitura do Relatório Fiscal (fls. 511/520), resta evidenciado que o motivo fundamental da autuação foi a consideração da presença de simulação. Os pontos mencionados pelo Fisco, a embasar sua conclusão, foram, em síntese: “a prática de operações estruturadas em sequência, sendo que o objetivo almejado (amortização de ágio) somente foi obtido com a conclusão do conjunto das operações” (fl. 515); a utilização de “empresa veículo” (fl. 517); a “incorporação às avessas” (fls. 517/518), sem um motivo plausível (no dizer da fiscalização) para que não houvesse ocorrido uma “incorporação convencional”. Esse pontos, reunidos, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.324 9 conduziram à conclusão de que os atos societários seriam simulados, com o propósito de evitar a ocorrência do fato gerador dos tributos. Acrescento que, à fl. 517, o AuditorFiscal menciona que a então fiscalizada havia informado que o fundamento econômico para o ágio, então sob exame, seria a expectativa de rentabilidade futura da Delmar, e teria apresentado o documento intitulado “Offering Memorandum”, datado de 31/12/2002, elaborado por Ribeiro & Associados International Services Ltda. O Fisco não teceu qualquer comentário adicional sobre esse assunto, seja no sentido de expressamente aceitálo ou refutálo. No entanto, ao longo de todo o Relatório Fiscal, em momento algum se diz que o fundamento econômico do ágio seria outro, diverso daquele informado pela recorrente, ou que o registro contábil do ágio teria deixado de atender às disposições legais relativas ao demonstrativo a ser arquivado como prova do lançamento. O motivo para a glosa foi claramente o entendimento da presença de operações societárias simuladas, conforme parágrafo anterior. Ao examinar o acórdão recorrido, verifico que a Autoridade Julgadora se ateve ao exame do mencionado “Offering Memorandum”. Confirase o excerto abaixo (fl. 917): Em resumo, o laudo não é contemporâneo à aquisição da Fábrica de Peças Delmar, foi elaborado por empresa aparentemente não habilitada a fazêlo e foi assinado por pessoa não identificada. Portanto, considerando todas essas razões, o laudo não pode ser aceito como prova da existência de fundamento econômico para o ágio. A propósito, cabe frisar que não procede a alegação de que a autoridade lançadora teria aceitado o laudo técnico. Tal afirmação é contrária à lógica dos fatos. Isso porque, se a aquisição da Fábrica de Peças Delmar pela Hubbell do Brasil e a subsequente incorporação da controladora pela controlada foram consideradas como simulação, não teria sentido admitir como válido o laudo técnico, que é apenas uma peça inserida nesse contexto e, por isso, contaminada pelo mesmo propósito ilícito de evasão fiscal. Com a devida vênia, penso que ocorreu uma indevida mudança no foco da discussão. Muito embora, em tese, seja de se concordar com algumas das considerações do julgador em primeira instância, creio que o julgamento deve se dar sobre o litígio instaurado. E não se estabeleceu litígio sobre o laudo. A acusação do Fisco, de simulação, foi abordada de forma tangencial no acórdão recorrido quando, ao manter a multa qualificada, se afirmou (fl. 919) que “no caso em tela, o comportamento doloso ficou caracterizado pelo artificialismo do ágio registrado na escrita contábil, com a finalidade única de dar ensejo a amortizações dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Retomo, então, a discussão nos termos do litígio originalmente estabelecido, a fim de verificar se procedem as conclusões do Fisco, de que teria havido simulação, diante da presença de operações estruturadas em sequência, uso de empresa veículo e incorporação às avessas, tudo com o único objetivo de economia tributária. A possibilidade de dedução do ágio, nas condições aqui discutidas, foi tratada nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.325 10 participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n°1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;(Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Por sua vez, o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977, referido no art. 7º, acima, possui o seguinte teor: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.326 11 As operações societárias realizadas em sequência (um dos motivos invocados pelo Fisco para concluir pela simulação) revelaramse, a meu ver, aquelas indispensáveis à conclusão do negócio pretendido. Desde o início, buscavase, claramente, a transferência do controle societário da Delmar para o grupo estrangeiro Hubbell, não se verificando qualquer ligação entre o grupo nacional (Delmar) e o estrangeiro. A constituição de empresa no Brasil (Hubbell do Brasil), controlada diretamente pelo grupo estrangeiro e o subsequente aporte de recursos para permitir a aquisição da Delmar teve seus motivos satisfatoriamente esclarecidos, além de inexistir qualquer vedação legal, nesse sentido. Não vislumbro, aqui, qualquer simulação. Ao verificar as condições da aquisição da Delmar pela Hubbell do Brasil, o Fisco, entre outros aspectos, teve acesso ao documento que teria embasado o registro de ágio, com fundamento na expectativa de rentabilidade futura. Mas, pelo anteriormente exposto, convençome de que nem o laudo de avaliação, muito menos seu fundamento econômico, foram decisivos para a negativa do Fisco em admitir a amortização do ágio. Em assim sendo, entendo que descabe invocar qualquer eventual ou hipotética irregularidade quanto a esse aspecto em momento posterior, e também aqui não o faço. Devo, então, concluir que as provas dos autos levam ao convencimento de que a operação que originou o ágio foi firmada entre partes independentes, em condições de mercado, baseada em expectativa de rentabilidade futura da investida, cujo laudo não foi objeto de questionamento por parte da Administração Tributária, seja durante a fiscalização, seja no momento do lançamento. A segregação do valor do negócio em valor de patrimônio líquido e ágio decorre da aplicação direta da lei, e esses aspectos igualmente deixaram de ser questionados pelo Fisco. De igual modo, não há questionamento quanto a ter efetivamente ocorrido o pagamento, do que encontro provas nos autos. Na etapa seguinte ocorre a incorporação reversa, na qual a investida Fábrica de Peças Elétricas Delmar Ltda. incorpora a investidora Hubbell do Brasil Sistemas de Energia Ltda. Ora, o art. 8º da Lei nº 9.532/1997 admite expressamente a possibilidade de amortização do ágio, ainda que a empresa incorporada seja aquela que detinha a propriedade da participação societária, ou seja, na situação de incorporação reversa, o que é precisamente a situação dos autos. Também aqui, a operação e seus efeitos tributários são previstos em lei, não havendo motivos para sua desconsideração. Quanto a este ponto, portanto, deve ser dado provimento ao recurso voluntário para reconhecer a improcedência da glosa das despesas de amortização de ágio. Deixo de me manifestar acerca das supostas irregularidades no lançamento, no que toca aos valores de amortização de ágio em outra companhia, a CIPAT. Diante da decisão de afastar a glosa, como um todo, este ponto perde relevância. O mesmo ocorre com o documento acostado aos autos pela recorrente (fls. 1292/1315), por sua irrelevância para a solução do litígio. Finalmente, afastada a glosa, também deixam de existir as multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas. Em conclusão, voto pelo provimento do recurso voluntário, cancelando integralmente a exigência. (assinado digitalmente) Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10855.724094/201170 Acórdão n.º 1302001.508 S1C3T2 Fl. 1.327 12 Waldir Veiga Rocha Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 14098.000188/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2009
DCOMP. RETIFICAÇÃO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. VALIDADE.
Devem ser aceitos os efeitos da DCOMP retificadora transmitida antes do início da ação fiscal, desde que preenchidos os requisitos legais para tanto.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO COMPENSADO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Se, após iniciada a ação fiscal, o contribuinte compensa o débito constatado pelo fisco, por meio de declaração de compensação, cabe apenas a cobrança da multa de ofício, uma vez que o débito já se encontra extinto e confessado.
LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES.
Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1401-001.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito em NEGAR provimento ao recurso, encidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso nos termos da DRJ
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relato
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. Ausente, momentaneamente, Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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RETIFICAÇÃO ANTES DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. VALIDADE. Devem ser aceitos os efeitos da DCOMP retificadora transmitida antes do início da ação fiscal, desde que preenchidos os requisitos legais para tanto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO COMPENSADO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Se, após iniciada a ação fiscal, o contribuinte compensa o débito constatado pelo fisco, por meio de declaração de compensação, cabe apenas a cobrança da multa de ofício, uma vez que o débito já se encontra extinto e confessado. LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, em REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito em NEGAR provimento ao recurso, encidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos que negavam provimento integral ao recurso nos termos da DRJ (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 01 88 /2 01 0- 49 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relato Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Sérgio Luiz Berra Presta. Ausente, momentaneamente, Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14098.000188/201049 Acórdão n.º 1401001.101 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL referente aos anoscalendário 2006 a 2009, decorrente de divergência entre valores declarados e escriturados pela própria contribuinte. Pela sua clareza, adoto e transcrevo o relatório da decisão proferida no âmbito da DRJ, in litteris: O lançamento ocorreu, em síntese, pela constatação de divergências entre os valores declarados espontaneamente e os valores escriturados pela contribuinte no terceiro trimestre de 2006 e nos primeiro e segundo trimestres de 2009. Devidamente notificada em 18/08/2010 (fls. 09 e 18), e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, em 17/09/2010, as suas razões de defesa em relação ao lançamento do IRPJ, às fls. 238 a 257, acompanhada de documentos (fls. 258/365), alegando, preliminarmente, a nulidade do lançamento, por: i) negligência quanto à indicação do dispositivo legal sustentáculo para o lançamento, caracterizando o cerceamento ao seu direito de defesa, obrigandoa a se utilizar de suposições para impugnar presente ato; ii) violar o princípio de magnitude constitucional, disciplinado ainda, por lei federal, que rege a prática dos atos administrativos, vinculados, obrigatórios e condizentes com a legalidade; iii) exigir, indevidamente, o duplo recolhimento do IRPJ, sem qualquer motivação que ampare a constituição de crédito tributário relativo à obrigação principal, desconsiderando as compensações efetuadas mediante PER/DCOMPs envidadas tempestivamente, por ocasião do tributo ora exigido. Quanto ao mérito, alegou em síntese o seguinte: a) foi equivocada a constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ, no período em questão, pois, conforme os recibos de entrega de DCOMP, submeteu à tributação os valores apurados correspondentes aos primeiro e segundo trimestres de 2009, conforme: Fl. 783DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 b) revisando sua apuração, verificou equívoco na quantificação do IRPJ compensado, e apresentou as DCOMP retificadoras, conforme a seguir: c) ato contínuo, e no intuito de cumprir com as suas obrigações, enviou em 03/05/2010 a DCTF retificadora, informando os valores devidos a título de IRPJ devido, e compensado; d) no resumido relatório da ação fiscal constou que foi tornado sem efeito a DCTF retificadora apresentada em 03/05/2010, e mencionouse que caberia à contribuinte proceder à retificação da mesma; e) no lançamento não constou a motivação e o embasamento para a determinação de retificação da DCTF, nem fixou prazo para tanto, devendo o processo ser baixado em diligência, com fixação de prazo para tanto; f) a peça fiscal é manifestamente ilegal, pois os créditos relativos ao IRPJ devidos nos 1º e 2º trimestres de 2009 foram extintos, na data do vencimento, por compensação tributária, nos termos da legislação vigente; g) não houve prejuízo ao Erário, pois atendeu à obrigação principal, através do recolhimento do tributo apurado em sua escrita, no vencimento; h) a multa aplicada, prevista para os casos de desatendimento de obrigações acessórias, deve ser igualmente cancelada, pois desatendeu a IN/RFB nº 974/2009, que prevê a aplicação de multa em percentual máximo de 20%; i) com relação ao IRPJ correspondente ao 3º trimestre de 2006, a impugnante junta o comprovante de recolhimento, ocorrido em 15/09/2010, com redução de 50% da multa. Às fls. 366/385 foi juntada a impugnação contra o lançamento da CSLL, praticamente repetindo os mesmos argumentos contidos na impugnação contra o lançamento do IRPJ. Afirmou que submeteu à tributação os valores apurados correspondentes aos primeiro e segundo trimestres de 2009, pela apresentação de Dcomp onde confessou os débitos, conforme: Fl. 784DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14098.000188/201049 Acórdão n.º 1401001.101 S1C4T1 Fl. 4 5 Depois, afirmou que, revisando sua apuração, verificou equívoco na quantificação da CSLL compensada nas Dcomp originais, e apresentou as DCOMP retificadoras, conforme a seguir: Com relação à CSLL correspondente ao 3º trimestre de 2006, a impugnante junta o comprovante de recolhimento, ocorrido em 15/09/2010, com redução de 50% da multa. Em julgamento, o lançamento foi parcialmente mantido, tendo a decisão sido consolidada com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2009 LANÇAMENTO. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. Não é nulo o auto de infração lavrado por autoridade competente e quando se verificam presentes no lançamento os requisitos exigidos pela legislação tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSUBSISTÊNCIA. É insubsistente o crédito tributário constituído por meio de auto de infração, quando o mesmo crédito já tenha sido objeto de compensação através de PER/Dcomp, por se constituir confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO COMPENSADO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Se, após iniciada a ação fiscal, o contribuinte compensa o débito constatado pelo fisco, por meio de declaração de compensação, cabe apenas a cobrança da multa de ofício, uma vez que o débito já se encontra extinto e confessado. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Houve a interposição de recurso de ofício e, por parte do contribuinte, recurso voluntário, em que repisa as alegações de impugnação. É o relatório. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14098.000188/201049 Acórdão n.º 1401001.101 S1C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Os recursos são tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, deles conheço. PRELIMINAR DE NULIDADE Em sede de preliminar, aduz, a recorrente, a nulidade do lançamento por ausência de embasamento legal para constituição do crédito tributário de IRPJ e CSLL. Como bem enfrentado pela DRJ, não existe tal vício. Tanto a descrição fática quanto o enquadramento jurídico estão suficientemente apresentados no lançamento, o que proporcionou a adequada defesa do contribuinte, como bem realizada em sede de impugnação. Por outro lado, aquilo que o contribuinte reclama como nulidade na constituição do lançamento confundese, em verdade, à questão de mérito, razão pela qual a preliminar deve ser rejeitada. MÉRITO Tanto o recurso voluntário quanto o recurso de ofício têm por base o mesmo enquadramento: a contribuinte, com relação ao IRPJ e CSLL dos períodos em referência, apresentou DCOMP’s com o objetivo de liquidar o crédito tributário. A autoridade fiscal, apesar de referidas compensações, entendeu por bem realizar o lançamento do crédito tributário acrescido de multa de 75%. Com relação ao 1º trimestre de 2009, a decisão recorrida identificou que houve a transmissão de DCOMP antes do início da ação fiscal, razão pela qual excluiu totalmente o lançamento. De fato, tendo o contribuinte pago o tributo por compensação antes do início da ação fiscal, não há razão para aplicação da penalidade. Neste sentido, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 No que toca ao 2º trimestre de 2009, a decisão foi apenas, diferindo apenas o valor de R$97.791,36 que foi objeto de liquidação por meio de DCOMP complementar, após o curso da ação fiscal. Com relação a este valor, foi mantida a multa de ofício. Com relação à CSLL do 1º trimestre de 2009, deuse o seguinte: A contribuinte apresentou em 29/04/2009, antes do vencimento legal da contribuição do 1º trimestre/2009 (30/04/2009), as Dcomp nº 34127.35617.290409.1.3.090206 e 23748.86290.290409.1.3.088009, compensando débito de CSLL do referido trimestre, nos valores de R$ 57.430,38 e 183.733,71. Posteriormente, em 29/04/2010, apresentou a Dcomp Retificadora nº 08826.82087.111110.1.7.099712, alterando a primeira Dcomp, mantendo o valor da CSLL de R$ 57.430,38. Esta Dcomp Retificadora já foi processada, tendo sido emitido despacho decisório, com a não homologação por inexistência de crédito. No mesmo dia, apresentou a Dcomp Retificadora nº 03767.25157.290410.1.7.084085, alterando a segunda Dcomp, reduzindo o valor da CSLL de R$ 183.733,71 para R$ 150.000,00. Esta segunda Dcomp Retificadora foi processada com homologação parcial. Em vista do anteriormente exposto, tendo o débito do auto de infração sido informado nas citadas Dcomp originais e retificadoras, a CSLL do 1º trimestre de 2009 deve ser reduzido no montante de R$ 207.430,38 (R$ 57.430,38 + R$ 150.000,00). Já quanto à Dcomp nº 41636.00739.111110.1.3.097352, onde a contribuinte compensou débito de CSLL no valor de R$ 11.437,32, não pode ser considerada para reduzir o crédito tributário constituído no auto de infração em análise, pois o pedido de compensação foi transmitido em 11/11/2010, após a ciência do lançamento de ofício, que ocorreu em 18/08/2010. Já com relação à CSLL do segundo trimestre, ocorreu o seguinte: A contribuinte apresentou em 29/07/2009, antes do vencimento legal da contribuição do 2º trimestre/2009 (31/07/2009), a Dcomp nº 28104.77566.290709.1.3.080690, compensando débito de CSLL do referido trimestre, no valor de R$ 398.781,24. Posteriormente, em 29/04/2010, apresentou a Dcomp Retificadora nº 41678.46312.290410.1.7.089980, alterando a primeira Dcomp, aumentando o valor do débito da CSLL para R$ 437.276,60, mas esta Dcomp retificadora não foi admitida, pois aumentava o valor do débito compensado. Em 27/05/2010 apresentou nova Dcomp Retificadora, de nº 09369.39022.270510.1.7.080467, reduzindo o valor da CSLL de R$ 398.781,24 para R$ 38.495,36. Esta segunda Dcomp Fl. 788DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 14098.000188/201049 Acórdão n.º 1401001.101 S1C4T1 Fl. 6 9 Retificadora foi novamente retificada pela Dcomp nº 12571.29766.250412.1.7.080537, mas que manteve o débito de CSLL. Essa última Dcomp retificadora foi processada e emitido despacho decisório em 04/04/2013, com homologação total. Em vista do anteriormente exposto, tendo o débito do auto de infração sido informado na citada Dcomp original e retificadoras, a CSLL do 2º trimestre de 2009 deve ser reduzido no montante de R$ 38.495,36. Já quanto às Dcomp nº 22406.05029.040511.1.3.084085, 34361.74597.130112.1.3.087205 e 06592.42118.040511.1.3.09 7702, onde a contribuinte compensou débito de CSLL no valor de R$ 220.000,00, R$ 2.536,24 e R$ 217.276,60, não podem ser consideradas para reduzir o crédito tributário constituído no auto de infração em análise, pois os pedidos de compensação foram transmitidos em 04/05/2011 e 13/01/2012, após a ciência do lançamento de ofício a ciência do lançamento de ofício, que ocorreu em 18/08/2010. Deve assim, no mérito, serem negados tanto o recurso de ofício quanto o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 789DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906365/2012-02
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/10/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 19/10/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 19/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 65 /2 01 2- 02 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.813, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 08131.71659.110209.1.2.047485, rastreamento nº 041907055, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.685,72, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/09/2007, efetuado em 19/10/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906365/201202 Acórdão n.º 3802002.663 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 19/10/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906365/201202 Acórdão n.º 3802002.663 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906365/201202 Acórdão n.º 3802002.663 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906365/201202 Acórdão n.º 3802002.663 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10283.005534/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004
PER/DCOMP. POSTERGAÇÃO.
Identificada a postergação no oferecimento de receita à tributação, é possível promover-se os respectivos ajustes de forma a reconhecer o saldo negativo passível de restituição.
Numero da decisão: 1401-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a receita de crédito presumido do IPI da apuração do saldo negativo do anocalendário de 2003.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003, 2004 PER/DCOMP. POSTERGAÇÃO. Identificada a postergação no oferecimento de receita à tributação, é possível promover-se os respectivos ajustes de forma a reconhecer o saldo negativo passível de restituição.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a receita de crédito presumido do IPI da apuração do saldo negativo do anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 PER/DCOMP. POSTERGAÇÃO. Identificada a postergação no oferecimento de receita à tributação, é possível promoverse os respectivos ajustes de forma a reconhecer o saldo negativo passível de restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a receita de crédito presumido do IPI da apuração do saldo negativo do anocalendário de 2003. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 55 34 /2 00 7- 31 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Relatório Por bem retratar a questão posta em debate, adoto e transcrevo o relatório da DRJ, lavrado nos seguintes termos: Versa o presente processo sobre declarações de compensação n's 18319.81065.140705.1.3.024286 (fls.2/5), 29045.41528.310804.1.3.027023 (fls.6/9), 00558.33875.310804.1.7.029000 (fls.10/16) e 39274.47196.310804.1.7.024601 (fls.17/20) em que o contribuinte informa crédito de saldo negativo IRPJ ano calendário 2003 no valor de R$ 3.220.642,45 para compensar débitos próprios. Segundo consta da DCOMP 00558.33875.310804.1.7.029000 (fls.12/14), o crédito em questão teria sido originado por imposto de renda retido na fonte IRRF e por estimativas compensadas com saldo de períodos anteriores. Através do PARECER DRF/MNS/SEORT N° 187/2009 e respectivo Despacho Decisório de 03/08/2009 (fls.314/321), a unidade de origem reconheceu parcialmente o direito creditório no valor de R$ 1.777.255,91 e considerou parcialmente homologadas as compensáveis. Para fundamentar o não reconhecimento integral do direito creditório, a autoridade fiscal afirma que alterou os seguintes dados da DIPJ/2004: 1. Adicionou ao resultado do exercício os valores atinentes ao crédito presumido do IPI apurado nos 4 (quatro) trimestres de 2003 no montante de R$ 618.956,56 uma vez que o contribuinte não ofereceu referida receita à tributação; 2. Após consulta aos sistemas informatizados da RFB, foi reconhecido IRRF no valor total de R$ 3.326.214,52, enquanto que o contribuinte informou na DCOMP 00558.33875.310804.1.7.029000 IRRF de R$ 4.597.478,02; 3. Na DCTF existe a informação de que a estimativa IRPJ de nov/2003 foi objeto da DCOMP 29828.57918.301203.1.3.02 2553, a qual foi retificada pela DCOMP 29196.91323.130204.1.7.025492, tendo sido esta última analisada nos autos do processo administrativo 10283.005542/200788, cuja decisão foi pela não homologação, Tendo tomado ciência do PARECER/DESPACHO DECISÓRIO em 07/08/2009 (fl.322), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 08/09/2009 (fls.336/346), via procurador (fls.347/348), alegando em síntese que: 1. A manifestação de inconformidade é tempestiva; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.005534/200731 Acórdão n.º 1401001.022 S1C4T1 Fl. 3 3 2. A apuração da base tributável do IRPJ pressupõe o embate das receitas e das despesas do período para a posterior adição, exclusão e compensação de valores expressamente determinados pela legislação; 3. A correta aplicação desse método exige que receitas, e despesas correlacionadas sejam registradas tão apenas simultaneamente, mas no período em que foram efetivamente geradas, segundo o 'principio da competência; 4. 0 registro antecipado 'ou adiado de uma despesa ou receita pode levar à indevida redução do lucro real do período, postergando o IRPJ devido pelo contribuinte; 5. Tal procedimento foi tipificado pelo art.6° do DecretoLei n° 1.598/77; (transcreve a norma) 6. Nestes termos, ficou consignado , que, para fins de determinação do lucro real, o eventual registro extemporâneo do período base corrente, de receita ou despesa referente a outro período base, surtirá efeito somente na apuração do lucro real do período base originário da receita ou despesa, via adição ou exclusão desse valor retroativamente; 7. Essa diretiva já havia sido consolidada pela Administração Tributária no Parecer Normativo CST n° 57/1979, sendo reafirmada no Parecer Normativo CST n° 2/1996, que esclarece o seguinte; (transcreve trechos desse segundo parecer) 8. Tomando como exemplo a hipótese de postergação no reconhecimento de uma receita, a ação do contribuinte deve ser a de excluíla do lucro liquido do período base em que reconhecida, para adicionála ao lucro liquido do período base de sua ocorrência; 9. No caso concreto, a recorrente deixou de adicionar na determinação do lucro real do anocalendário 2003 as receitas decorrentes do reconhecimento de crédito presumido de IPI acumulado entre janeiro e dezembro de 2003; 10. Entretanto, referido erro foi espontaneamente corrigido no anocalendário 2004, já que a recorrente efetuou o ajuste devido na apuração do lucro real do anocalendário 2003, ao reconhecer tais valores contabilmente com recuperação de despesas, consoante atesta o livro diário anexo (Doc.4); 11. Por essa razão, não procede o entendimento do Auditor Fiscal que novamente pretende adicionar tal receit6a na apuração do lucro real do anocalendário 2003, de forma a reduzir os saldos negativos de IRPJ a compensar, uma vez que a própria recorrente já regularizou espontaneamente o reconhecimento dessa receita; 12. Ao determinar a adição das receitas com os crédito presumidos de IPI à apuração do lucro real do anocalendário 2003 e, Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 conseqüentemente, reduzir o saldo negativo apurado, o que está sendo realizado na prática é o lançamento do IRPJ que supostamente não teria sido recolhido pela recorrente em 31/12/2003; 13. Tendo em vista que a decisão ora combatida foi prolatada em julho de 2009, o pretenso lançamento cujo fato gerador ocorreu em 31/12/2003 não poderia ser objeto de questionamento por ter se operado a decadência; 14. Não se está aqui a questionar o prazo de que dispõe o Fisco para homologar a declaração de compensação, mas sim o prazo _para o lançamento do IRPJ; 15. 0 IRPJ subsumese à letra do art.150, §4° do Código Tributário Nacional CTN, sendo portanto um imposto cujo lançamento é feito por homologação; 16. Por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, o Fisco dispõe do prazo de 5 (cinco) anos a contar da data do fato gerador para homologar o procedimento realizado pelo contribuinte para o seu recolhimento; 17. Desse modo, a fiscalização teve prazo até o dia 31/12/2008 para lançar o IRPJ supostamente não recolhido pela recorrente; 18. É nulo de pleno direito o ato de revisar a declaração de compensação entregue pela recorrente para ajustar o impacto que deveria ter sido verificado na apuração do lucro real da recorrente no anocalendário 2003; 19. Com relação ao IRRF, a requerente anexa à presente os informes de rendimentos (Doc.5) que não foram apreciados pelo Auditor Fiscal, cujas retenções neles consignadas, acrescidas ao saldo já homologado, perfazem o total de R$ 4.517.042,20; 20. Requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer a liquidez e certeza dos créditos pleiteados, bem como para homologar as compensações; 21. Protesta, com fundamento no art.16, §4° do Decreto 70.235/72, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Constam ainda autos os seguintes documentos que merecem destaque: DIPJ exercício 2004 (fls.36/47 e 56/59), Demonstrativo do Crédito Presumido (fls.48/55), telas do SINAL (fls.60161), DIRF's (fls.62/71), termo de intimação (fl.72), balancete analítico (fls.86/122), LALUR (fls.123/190), tela de DCTF (fl.191), termo de intimação (fl.202), procuração (fls.2081209), cópia de identidade (fl.210), informes de rendimentos financeiros (fls.213/225 e 364/365), Razão Analítico Contábil (fls.226/235), demonstrativo retenções IRRF (fls.236/237), demonstrativos de compensação – CODAC (fls.310/313), cópia de folhas do Diário (fls.362/363), despacho (fl.373) e telas de DIRF (fls.374/375. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.005534/200731 Acórdão n.º 1401001.022 S1C4T1 Fl. 4 5 Em julgamento o feito perante a DRJ de Belém, a douta Turma Julgadora reconheceu o saldo negativo de R$3.065.903,25, homologando parcialmente as compensações postuladas, restando um saldo devedor de R$193.196,68 em relação ao débito de PIS, com vencimento em 15/07/2005. A parte do crédito não reconhecida decorreu (a) não comprovação do IRRF registrado como tendo sido retido pelas empresas e (b) não adoção do regime de competência no registro do crédito presumido do IPI. Em sede de recurso, alega, a Recorrente, o seguinte: a) postergação não reconhecimento de receitas; b) decadência do direito de constituir o crédito tributário, uma vez que promoveu a revisão da DIPJ de tributo que já teria sido alcançado pela decadência; c) no mérito, que a totalidade do IRRF foi comprovada, conforme anexo 5 da impugnação. É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os demais requisitos de lei, dele conheço. Inicialmente, importante atentar para o posicionamento da DRJ quanto a existência de postergação no presente feito: "a receita de crédito presumido de IPI do anocalendário 2003 que foi oferecida à tributação no anocalendário 2004 deve ser excluída da base de cálculo desse anocalendário (2004) e adicionada ao lucro líquido de seu período de competência (2003)" A DRJ reconheceu a postergação, e o oferecimento da receita para tributação no anocalendário 2004 pelo regime de competência, No entanto, determinou que fosse excluída da base de cálculo deste período e adicionada ao período de competência de 2003. Independentemente de se tratar da possibilidade, ou não, de retroação para discussão do efeito da não inclusão da receita no saldo de apuração no ano calendário 2003, o efeito seria de postergação, o que não afetaria o reconhecimento do direito creditório do Recorrente, ainda que, para tanto, tivesse havido o lançamento. Por outro lado, o Recorrente corrigiu espontaneamente o equívoco, ofertando a receita à tributação no período de competência de 2004 na DIPJ de 2005. A questão controvertida se apresenta de forma clara pelos documentos que instruem o processo administrativo em referência. Não houve omissão de receita pelo recorrente, pois os créditos presumidos de IPI foram ofertados à tributação no anocalendário de 2004. Optante pelo regime de competência, a Recorrente pode retificar o equívoco dos créditos presumidos de IPI na DIPJ de 2005, de maneira que não houve qualquer irregularidade no procedimento adotado, vez que a receita apurada pelo fisco foi oferecida a tributação e prejuízo algum existiu. No que diz respeito às alegações sobre decadência, não assiste razão o Recorrente. Não se está diante de uma situação na qual há possibilidade ou não de lançamento de tributo, mas de verificação da postergação por análise da DECOMP. Contase o prazo desde a data em que o Fisco verificou a ocorrência da postergação, e não há que se falar em lançamento, vez que a discussão não percorre pela análise da constituição do crédito tributário, tão somente sobre a compensação. Portanto, inaplicável o artigo 150 do CTN. Dessa feita, voto por dar parcial provimento ao recurso, no sentido de excluir, da apuração do saldo negativo do ano calendário 2003, a imputação de receita de crédito presumido de IPI, devendo a Autoridade Fiscal liquidar o referido saldo, levando em Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 10283.005534/200731 Acórdão n.º 1401001.022 S1C4T1 Fl. 5 7 consideração os créditos de IRRF que deixaram de ser comprovados, homologando as compensação no limite do crédito liquidado. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/11/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018340/2008-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Tratando-se de penalidade imposta pela falta de apresentação dos Livros Diários, considera-se como fato gerador a data em que verificada tal ocorrência. No presente caso, verificou-se que o contribuinte não respeitou a data limite estipulada pela fiscalização para apresentação dos Livros, tampouco solicitou sua prorrogação ou buscou apresentar a documentação antes do término da fiscalização.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL.
A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos créditos tributários, no qual se incluem multa e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS (REPLEG). PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO INFORMATIVO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NÃO ENCONTRADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 88.
O relatório de representantes legais (REPLEG) não implica na atribuição de responsabilidade tributária aos sócios, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo.
ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de ilegalidade/inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratando-se de penalidade imposta pela falta de apresentação dos Livros Diários, considera-se como fato gerador a data em que verificada tal ocorrência. No presente caso, verificou-se que o contribuinte não respeitou a data limite estipulada pela fiscalização para apresentação dos Livros, tampouco solicitou sua prorrogação ou buscou apresentar a documentação antes do término da fiscalização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos créditos tributários, no qual se incluem multa e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS (REPLEG). PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO INFORMATIVO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NÃO ENCONTRADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 88. O relatório de representantes legais (REPLEG) não implica na atribuição de responsabilidade tributária aos sócios, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo. ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de ilegalidade/inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.018340/200859 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.306 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 07 de outubro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente PROMOVE PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Tratandose de penalidade imposta pela falta de apresentação dos Livros Diários, considerase como fato gerador a data em que verificada tal ocorrência. No presente caso, verificouse que o contribuinte não respeitou a data limite estipulada pela fiscalização para apresentação dos Livros, tampouco solicitou sua prorrogação ou buscou apresentar a documentação antes do término da fiscalização. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos créditos tributários, no qual se incluem multa e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS (REPLEG). PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO INFORMATIVO. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NÃO ENCONTRADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº 88. O relatório de representantes legais (REPLEG) não implica na atribuição de responsabilidade tributária aos sócios, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 83 40 /2 00 8- 59 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 ARGUIÇÕES DE ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a incidência da lei em razão de ilegalidade/inconstitucionalidade, salvo nos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018340/200859 Acórdão n.º 2402004.306 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 05/11/2008 para exigir multa em virtude de a Recorrente não ter apresentado à fiscalização os Livros Diários dos exercícios de 2003 a 2007, em ofensa ao art. 33 §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/91 c/c os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social. Foram responsabilizadas, conforme Termos de sujeição passiva” (fls. 89/153 do processo nº 15504.018344/200837) as seguintes empresas: Educação Infantil e Ensino Fundamental Savassi Ltda. (CNPJ nº 05.385.879/000150), Educação Infantil e Ensino Fundamental Pampulha Ltda. (CNPJ nº 05.401.768/000190), Pampulha Ensino Fundamental Ltda. (CNPJ nº 06.001.557/000123), Educação Infantil e Ensino Fundamental Mangabeiras Ltda. (CNPJ nº 05.401.766/000100), Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda. (CNPJ: 05.392.395/000139), Mangabeiras Ensino Fundamental Ltda. (CNPJ nº 06.001.546/000143), Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda. (CNPJ nº 04.901.337/000120), Centro Mineiro de Ensino Superior CEMES Ltda. (CNPJ nº 02.636.995/000107), Promove Serviços Educacionais Ltda. (CNPJ nº 05.376.559/000134), Promove Cursos Livres e Mercantil Ltda. (CNPJ nº 42.975.896/000174), Magle Edição Comércio e Distribuição de Livros Ltda. (CNPJ nº 05.399.437/000163), Sociedade Educacional Sistema Ltda. (CNPJ nº 23.840.945/000117) e Associação Educativa do Brasil SOEBRAS (CNPJ nº 22.669.915/000127). As Recorrentes interpuseram impugnação (fls. 44/489) requerendo a total improcedência do lançamento. A empresa Associação Educativa do Brasil SOEBRAS interpôs impugnação (fls. 492/632). A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, ao analisar o presente caso (fls. 641/660), julgou o lançamento procedente, entendendo que: (i) constitui infração à legislação previdenciária deixar de exibir à fiscalização todos os documentos e livros relacionados com as contribuições sociais, quando solicitados; (ii) não houve decadência; (iii) é devida a inclusão de empresas que compõem o mesmo grupo econômico no polo passivo do lançamento, por solidariedade; (iv) a alegação de que a multa é confiscatória não pode ser discutida na esfera administrativa, haja vista que se trata de exigência legal; (v) é obrigação do Auditor Fiscal lavrar Representação Fiscal para Fins Penais sempre que constatada hipótese de crime contra a seguridade social; (vi) a prova documental deve ser produzida no momento da impugnação; (vii) a pessoa jurídica que adquiri outra e continua a explorar sua atividade responde pelos tributos devidos até a data do ato; (viii) não há nulidade no MPF. As Recorrentes interpuseram recurso voluntário (fls. 714/820) argumentando que: (i) o período de 04/2003 a 10/2003 está decaído; (ii) o uso da marca pela SOEBRAS não pode culminar na sua responsabilidade solidária pelos débitos da PROMOVE; (iii) deverão ser excluídos do polo passivo todos os sócios do sujeito passivo e das empresas tidas como Fl. 838DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 responsáveis solidárias; (iv) a multa é confiscatória; (v) há duplicidade de cobrança nos autos nº 37.124.2312 e 37.124.2320; (vi) a SOEBRAS é imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018340/200859 Acórdão n.º 2402004.306 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que as empresas Promove Participações Ltda., Colégio Sete Lagoas Ensino Fundamental Ltda., Educação Infantil e Ensino Fundamental Sete Lagoas Ltda. – EPP, Sistema Educacional Sistema Ltda., e Promove Serviços Educacionais Ltda., (fls. 822/826) foram intimadas por meio de edital após a interposição do recurso. Considerando que tais empresas interpuseram, juntamente com as demais responsáveis, o recurso dentro do prazo previsto, considerando a data de intimação destas, concluise pela tempestividade do recurso. Preenchendo este a todos os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As Recorrentes pretendem, preliminarmente, afastar a presente penalidade por motivo de decadência, haja vista que o lançamento ocorreu em 11/2008 e o período autuado se refere supostamente a 02/2003 a 10/2003. No entanto, cumpre esclarecer que a presente penalidade decorreu da falta de apresentação dos Livros Diários dos exercícios de 2003 a 2007, infração esta que ocorreu na data limite estipulada pela fiscalização para apresentação dos Livros, o que no presente caso foi em 07/04/2007 (TIAF de fl. 20). Ressaltase ainda que o contribuinte não buscou prorrogar a solicitação, tampouco apresentou os Livros Diários antes do término da fiscalização. Assim, não há que se falar em decadência. A título de informação, ainda que se considerasse o fato gerador em 2003, a penalidade não estaria decaída. Isto porque, em se tratando de aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória, deve ser aplicada a regra geral de decadência prevista no art. 173, inc. I, do CTN1. 1 A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica neste sentido: “MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF DECADÊNCIA: O prazo decadencial para realização de lançamento com vistas à cobrança de multa regulamentar somente tem início no primeiro dia do ano seguinte ao da ocorrência da infração.” (CARF, PAF nº 10980.007811/200511, Recurso nº 336.813, 3ª Câmara, Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro, Sessão de 27/03/2008) “Multa pelo atraso na entrega da DITR. Decadência. O CTN disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 4o, específico para tributos pagos sem prévio exame da autoridade administrativa; e no artigo 173, inciso I, que alcança o lançamento das penalidades.” (CARF, PAF nº 10680.007018/200416, Recurso nº 334.722, 3ª Câmara, Rel. Tarásio Campelo Borges, Sessão de 23/05/2007) Fl. 840DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 Desta forma, na hipótese de o fato gerador ter ocorrido em 2003, o termo inicial do prazo decadencial seria em 01/01/2004 e o termo final em 01/01/2009, permanecendo exigível, portanto, o presente débito constituído em 11/2008. Defendem as Recorrentes que a SOEBRAS não pode ser responsabilizada pelas dívidas do grupo PROMOVE, haja vista que apenas arrenda o uso da marca “Promove”, sendo uma entidade sem fins lucrativos com autonomia e personalidade jurídica própria. Para compreensão do tema, vale destacar trechos do Relatório Fiscal que tratam da responsabilização da SOEBRAS (fls. 13/15): “6. A empresa Associação Educativa do Brasil SOEBRAS, CNPJ 22.669.915/000127, com sede à Rua Dos TIMBIRAS 1532, 14°. Andar SI. 1401, Bairro Funcionários, Belo HorizonteMG, CEP 30.140902, inicialmente, adquiriu das empresas PROMOVE, inclusive da AUTUADA, o direito de uso da marca PROMOVE, conforme contrato particular de "LICENÇA DE USO DE MARCA" datado de 01/11/2006, onde a licenciada (SOEBRAS) deveria utilizar a marca PROMOVE "de forma ampla, efetiva e permanente, em igual ou superior número de unidades educacionais, propiciando a manutenção ou a elevação de seu valor de mercado", ficando, inclusive, investida de "todos os poderes necessários para a defesa da marca PROMOVE, sem prejuízo dos seus próprios direitos". 6.1 A licenciada (SOEBRAS) nos termos do contrato acima mencionado, se responsabilizaria também pelo pagamento das obrigações trabalhistas das empresas licenciantes. 6.2 As licenciantes (empresas PROMOVE) outorgaram à Licenciada, ainda, através do ato mencionado supra, procuração específica, conferindo a esta os poderes para, perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, praticar todos os atos necessários à prorrogação do prazo de validade da marca PROMOVE e adoção de todo e qualquer ato que se destinasse à manutenção e proteção de seus registros. 6.3 A licenciada (SOEBRAS) inscreveu, para o exercício das atividades assim pactuadas, novos estabelecimentos no CADASTRO NACIONAL DE PESSOA JURÍDICA CNPJ, mantendo os mesmos endereços e CNAE CADASTRO NACIONAL DE ATIVIDADE ECONÔMICA dos estabelecimentos das empresas PROMOVE: 6.4 Em segundo ato a SOEBRAS, por contrato particular intitulado "CONTRATO PARTICULAR DE ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL TRESPASSE", adquiriu das empresas mencionadas no item 4, todo o complexo de bens organizado para exercício da atividade, compostos da titularidade do estabelecimento empresarial, portanto "todos os direitos, incluindo ativo e passivo (inclusive para os termos do art. 133 do Código Tributário Nacional e Art. 11° e 448 das Consolidações das Leis do Trabalho), bem como a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis e semoventes e afins (...)". 6.5 Além deste mencionado contrato, a SOEBRAS fez constar em seu Balanço Patrimonial em 31/12/2007, a aquisição supra mencionada, lançando em seu Ativo Diferido o montante de R$ 14.383.436,00, referente à incorporação dos estabelecimentos de ensino PROMOVE COLÉGIOS e PROMOVE FACULDADES, "incluindo a propriedade de todos os seus elementos corpóreos e incorpóreos, imóveis, móveis, semoventes e afins". 6.6 Contudo, a AUTUADA não procedeu às devidas anotações nos Órgãos Oficiais de Registro, ou. seja, não efetuou a sua baixa de estabelecimento, não arquivando na JUCEMG qualquer alteração contratual de dissolução ou liquidação, sendo seu último arquivamento neste órgão o Contrato de Alienação mencionado no item 6.4 registrado na JUCEMG sob o n°. 3817071. Tampouco cumpriu as obrigações frente à administração tributária, permanecendo ainda como ativa no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ da Receita Federal do Brasil, Fl. 841DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018340/200859 Acórdão n.º 2402004.306 S2C4T2 Fl. 5 7 entregando, inclusive a Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ Ano Calendário 2007 Exercício 2008.” Com base nos fatos apontados acima, a responsabilização da SOEBRAS foi fundamentada no art. 133, inc. II do CTN, segundo o qual: “Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: (...) II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.” Analisando as informações acima, bem como os Contratos Particulares de Alienação de Estabelecimento Empresarial – TRESPASSE, não há dúvidas de que a SOEBRAS adquiriu toda a atividade empresarial da Promove Participações, dando continuidade ao negócio. Este Conselho, em situações semelhantes, reconheceu a responsabilidade subsidiária do adquirente quando este dá continuidade à atividade alienada, sob a mesma ou outra razão social, senão vejamos: “CONTRIBUINTE. ALIENAÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU ESTABELECIMENTO COMERCIAL. CONTINUIDADE DAS ATIVIDADES. Provado que a pessoa jurídica alienou, a qualquer título, fundo d e comércio ou estabelecimento onde se deu a infração e que cont inuou suas atividades, esta responde pela obrigação tributária n a condição de contribuinte. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO CO MERCIAL. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pel os créditos tributários, no qual se incluem multas e juros, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato, subsidiariamente com o alienante que prosseguir na exploração da atividade no mesmo ou em outro ra mo de comércio, indústria ou profissão.” (CARF, 1ª Seção, 2ª T. Especial, PAF nº 11516.721812/201241, Cons. Rel. Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. Sessão de 04/06/2014) Outrossim, as alegações das Recorrentes se referem tão somente ao uso da marca pela SOEBRAS, não havendo qualquer contestação dos fatos apurados pela fiscalização. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 Em vista disso, vislumbrase que a responsabilização da SOEBRAS é devida, não devendo ser realizado qualquer reparo neste ponto. Pleiteiam as Recorrentes ainda o afastamento da responsabilidade dos sócios do grupo Promove. No entanto, vale salientar que os sócios do Grupo Promove não foram responsabilizados, não havendo qualquer “Termo de Sujeição Passiva” lavrado em seus nomes. O fato de eles terem sido elencados no “REPLEG – Relatório de Representantes Legais” (fl. 06) não implica na atribuição de responsabilidade tributária, haja vista que tal procedimento administrativo é meramente informativo. Nesse sentido, vale transcrever a Súmula nº 88 do CARF: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, sem razão as Recorrentes. Pretendem as Recorrentes discutir a inconstitucionalidade da multa e dos juros aplicados, por violação ao princípio do nãoconfisco. Todavia, impende ressaltar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para afastar a aplicação da lei com base na sua suposta inconstitucionalidade e ilegalidade, com exceção dos casos previstos no art. 103A da CF/88 e no art. 62, parágrafo único do Regimento Interno do CARF. Posto isso, não há como se acatar os argumentos das Recorrentes. As Recorrentes sustentam também que há duplicidade nas cobranças ocorridas nos autos de infração nº 37.124.2312 e 37.124.2320. Inobstante as Recorrentes não terem demonstrado em seu recurso qual a duplicidade contida em ditos autos de infração, verificase que estes não fazem parte do presente processo (auto de infração nº 37.197.5751). Desta forma, verificase que tal insurgência deve ser apreciada nos respectivos processos administrativos, motivo pelo qual deixo de apreciar este ponto. Sustentam as Recorrentes que a SOEBRAS detém imunidade tributária, por ser supostamente uma associação sem fins lucrativos. No entanto, verificase que as Recorrentes não juntaram qualquer documento que comprove a direito da SOEBRAS à imunidade tributária, fazendo alusão apenas à legislação, estatuto social e a decisões judiciais de terceiros, com efeitos inter partes. Assim, não se vislumbra a possibilidade de se atestar a imunidade tributária da SOEBRAS. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 15504.018340/200859 Acórdão n.º 2402004.306 S2C4T2 Fl. 6 9 Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/10/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 14041.000159/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 59 /2 00 9- 07 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000159/200907 Acórdão n.º 2402004.411 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 145DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 15983.000962/2010-08
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
IRPF. GLOSA DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA CARF Nº 40.
A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício.
IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO.
O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem.
IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. USO DE RECIBOS INIDÔNEO. DEMAIS RECIBOS NÃO DECLARADOS INIDÔNEOS.
A declaração de inidoneidade de recibos de um profissional não implica necessariamente a inidoneidade de recibos de outros profissionais utilizados pelos mesmo contribuinte. Dessa forma, a falta de identificação do paciente, apontada somente na fase contenciosa, não legitima a glosa de deduções.
IRPF. DESPESA COM PLANO DE SAÚDE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE O CONTRIBUINTE ARCOU COM O ÔNUS.
Cabe ao recorrente contestar expressamente as razões da decisão de primeira instância e trazer as provas correspondentes. Dessa forma, mantém-se a glosa quando o recorrente não contesta a decisão de primeira instância quanto á falta de força probante de que foi quem arcou com a despesas consignada no documento emitido pelo Plano de saúde.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
O uso de recibos inidôneos autoriza a qualificação da multa alusiva à glosa das deduções respectivas, mas não a de outras despesas, para as quais exige-se do Fisco a prova do dolo, quanto a estas últimas, afasta-se a qualificação da multa de ofício em virtude de o Fisco não ter cumprido seu dever de provar o dolo.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas de R$24.920,00 (vinte e quatro mil e novecentos e vinte reais) e afastar a qualificação da multa de ofício em relação à glosa de despesas com Unimed e com as profissionais Maria Emília Tellaroli, Alessandra Cabral e Douglas Rocca Naolisk, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 09/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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GLOSA DESPESAS MÉDICAS. SÚMULA CARF Nº 40. A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO. O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem. IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. USO DE RECIBOS INIDÔNEO. DEMAIS RECIBOS NÃO DECLARADOS INIDÔNEOS. A declaração de inidoneidade de recibos de um profissional não implica necessariamente a inidoneidade de recibos de outros profissionais utilizados pelos mesmo contribuinte. Dessa forma, a falta de identificação do paciente, apontada somente na fase contenciosa, não legitima a glosa de deduções. IRPF. DESPESA COM PLANO DE SAÚDE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE O CONTRIBUINTE ARCOU COM O ÔNUS. Cabe ao recorrente contestar expressamente as razões da decisão de primeira instância e trazer as provas correspondentes. Dessa forma, mantémse a glosa quando o recorrente não contesta a decisão de primeira instância quanto á falta de força probante de que foi quem arcou com a despesas consignada no documento emitido pelo Plano de saúde. IRPF. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 09 62 /2 01 0- 08 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 O uso de recibos inidôneos autoriza a qualificação da multa alusiva à glosa das deduções respectivas, mas não a de outras despesas, para as quais exige se do Fisco a prova do dolo, quanto a estas últimas, afastase a qualificação da multa de ofício em virtude de o Fisco não ter cumprido seu dever de provar o dolo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas de R$24.920,00 (vinte e quatro mil e novecentos e vinte reais) e afastar a qualificação da multa de ofício em relação à glosa de despesas com Unimed e com as profissionais Maria Emília Tellaroli, Alessandra Cabral e Douglas Rocca Naolisk, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 09/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Guilherme Barranco de Souza (suplente), Ronnie Soares Anderson, Nathalia Correia Pompeu (suplente) e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2006, 2007 e 2008, anoscalendário 2005, 2006 e 2007, decorrente de glosa de dedução de despesas médicas, por falta de comprovação de pagamento e por utilização de documentos inidôneos, objeto de Súmulas Administrativas de Documentação Tributariamente Ineficaz, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls. 11/16. A multa de ofício é exigida no percentual de 150% e houve Representação Fiscal para Fins Penais. O contribuinte insurgiuse contra as glosas e a multa aplicada, juntou documentos no intuito de comprovar as despesas com profissionais da área de saúde e plano de saúde da Unimed Santos em benefício da dependente Hermínia Garbi Monay no ano calendário 2005. A impugnação foi indeferida sob fundamento de que o contribuinte não apresentou prova robusta da prestação dos serviços e dos respectivos pagamentos a que se referem os recibos objetos da referida Súmula Administrativa, posto que os recibos acompanhados de declarações firmadas por essas profissionais, desacompanhados de provas subsidiárias do pagamento são insuficientes para assegurar a veracidade das informações. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15983.000962/201008 Acórdão n.º 2802003.167 S2TE02 Fl. 317 3 Quantos aos recibos das demais profissionais, apontouse a ausência dos endereços das emitentes (fls. 104/106 e 108/111) e os emitidos por Silvia Maria Darmé Dadazio, Ana Paula Bontempi e Márcia Dias cavalheiro (fls. 113/117, 119/122) não indicam os beneficiários dos serviços prestados. Assim, todos esses recibos desatendem os requisitos da Lei 9.250/1995. Concluiuse que esses recibos não foram declarados inidôneos e sim inábeis como suporte fático das despesas pleiteadas (fls. 295/296). O acórdão recorrido reportouse à Súmula CARF nº 40 e manteve a qualificação da multa em decorrência do uso dos recibos inidôneos. A ciência do acórdão ocorreu em 17/06/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 15/07/2011 assentado nas alegações adiante resumidas: 1. somente houve intimação, por meio de Termo de diligência Fiscal, em relação aos recibos de Prescila Scandiussi e Miriam Delter Nogueira, tendo sido solicitado apresentar os recibos originais; não há qualquer apontamento em relação ao motivo pelo qual os recibos dos demais profissionais foram tidos como inidôneos; 2. os recibos são documentos hábeis e idôneos a provar o pagamento das despesas médicas, pois a Fiscalização não comprovou a inidoneidade dos mesmos, posição que é adotada nas decisões administrativas mais atualizadas; a força probante dos recibos também tem amparo no art. 109 do CTN e no art. 113 do Código Civil; 3. apresentou todos os recibos contendo os requisitos legais e, quanto aos profissionais Miriam Delter Nogueira, Silvia Maria Marmé Dadazio e Maria Emília Tellarolli Ramos apresentou, também, declarações nas quais as profissionais confirmam que efetuaram os serviços e receberam o pagamento em espécie; 4. as despesas com Plano de saúde da Unimed/Santos têm como beneficiária a Srª Hermínia Garbi Monay e devem ser admitidas; e 5. incabível a multa de 75% ou a de 150%. Não foram apresentados documentos comprobatórios com o recurso voluntário. A procuração que outorgou poderes ao signatário do recurso voluntário consta às fls. 280. O processo foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de julho de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Despesas médicas cujos recibos são objeto de Súmula Parte da glosa referese às profissionais Prescila Scandiussi e Miriam Detter Nogueira para as quais foi emitida Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz (fls. 79/87; 88/89; 90/97 e 97/98). Essas deduções foram de R$7.000,00 (2005) e R$7.680,00 (2006) relativa a Prescila e R$7.000,00 (2005) e R$6.000,000 (2006), referente a Miriam. O recorrente apresenta recibos declarados inidôneos e declarações emitidas pelas mesmas profissionais, nos quais afirmam que o serviço foi prestado ao declarante e/ou dependentes e que os pagamentos foram realizados em dinheiro, o que nas circunstâncias dos autos não é suficiente para comprovar a realização dos serviços e os pagamentos. Aplicase a Súmula CARF nº 40 A apresentação de recibo emitido por profissional para o qual haja Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Ineficaz, desacompanhado de elementos de prova da efetividade dos serviços e do correspondente pagamento, impede a dedução a título de despesas médicas e enseja a qualificação da multa de ofício. Despesas com outros profissionais da área de saúde Não é correta a assertiva do recorrente que não fora intimado quanto à comprovação dessas despesas, posto que houve a intimação de fls. 99. A razão da exigência comprobatória foi descrita às fls. 12: a apresentação de recibos e declarações firmadas pelos profissionais não é suficiente em razão do que previsto no art. 73 do RIR1999, especialmente, em razão de existir dúvidas acerca da efetiva realização das despesas médicas informadas pelo contribuinte, levantadas com a utilização dos recibos médicos inidôneos. Os recibos e declarações correspondentes constam às fls. 103/122. A autoridade lançadora não fez qualquer imputação de que a falta de indicação do paciente estivesse a desabonar os recibos emitidos por Silvia Maria Darmé Dadazio, Ana Paula Bontempi e Márcia Dias Cavalheiro (fls. 113/117, 119/122). Esses recibos não podem ser maculados unicamente por terem sido usados recibos inidôneos de outro profissional. Por outro lado, não se pode manter a glosa unicamente sob fundamento apontado exclusivamente no acórdão recorrido. Portanto, devese restabelecer a dedução correspondente a: a) Silvia Maria Darmé Dadazio – R$3.720,00 em 2006; b) Ana Paula Bontempi – R$11.600,00 em 2007; e c) Márcia Dias Cavalheiro – R$9.600,00, em 2007. Quantos aos recibos de fls. 104/106 e 108/111 entendese que a falta do endereço, como requisito expressamente previsto em lei, não pode ser dispensada diante das circunstâncias apontadas na fase de Fiscalização e da oportunidade de que dispunha o recorrente para sanar a deficiência. Glosa que deve ser mantida. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15983.000962/201008 Acórdão n.º 2802003.167 S2TE02 Fl. 318 5 Despesas com Plano de Saúde Unimed Santos Hermínia é dependente somente no anocalendário 2005 (fls. 17 e ss). O comprovante da Unimed Santos não a indica como beneficiária do plano de saúde Fls. 123/124 Não foram admitidos em primeira instância sob fundamento de que os documentos (fls. 275/276 ) não são prova robusta de que o contribuinte arcou com os encargos mencionados. É um fato de relevância, sobretudo porque o comprovante relativo ao plano familiar (fls. 123/124) não menciona essa pessoa. O recorrente alega que os documentos demonstram que a beneficiária é a Srª Hermínia, sem fazer qualquer contraponto ao óbice anotada em primeira instância: a comprovação de que foi o recorrente quem arcou com as despesas consignadas no documento emitido pela Unimed. Tomase como fato incontroverso que impede restabelecer a glosa. Da multa de ofício É correta a aplicação da multa de ofício posto que decorre de mandamento legal, todavia a sua qualificação em 150% legitimase, quanto aos recibos inidôneos, de Prescila e Miriram, tal como previsto na súmula CARF nº 40. Contudo, quanto às demais glosas mantidas, se de um lado o recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o direito à dedução; de outro, o Fisco não cumpriu seu dever de provar o dolo, restando afastar a qualificação da multa. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas médicas de R$24.920,00 (vinte e quatro mil e novecentos e vinte reais) e afastar a qualificação da multa de ofício em relação à glosa de despesas com Unimed e com as profissionais Maria Emília Tellaroli, Alessandra Cabral e Douglas Rocca Naolisk. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 320DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 14/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 09 /10/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10972.720017/2011-12
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2009
COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO.
Para usufruir o direito de compensação decorrente do resultado do Mandado de Segurança por Associação Comercial e Industrial a recorrente deve fazer parte do quadro associativo desde a data da ação, nos termos do art. 2o-A, § único da Lei 9.494/97.
Extingue-se em 5 anos o direito de se pleitear compensação de pagamento indevido, nos termos do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.697
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Recorrente SOCIEDADE EDUCACIONAL JEAN CHRISTOPHE SC LIMITADA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/11/2009 COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. Para usufruir o direito de compensação decorrente do resultado do Mandado de Segurança por Associação Comercial e Industrial a recorrente deve fazer parte do quadro associativo desde a data da ação, nos termos do art. 2oA, § único da Lei 9.494/97. Extinguese em 5 anos o direito de se pleitear compensação de pagamento indevido, nos termos do CTN. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Ricardo Magaldi Messetti, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 72 00 17 /2 01 1- 12 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 514 2 Relatório DO LANÇAMENTO Os autos se referem à infração 37.323.4120 (glosa de compensação), 37.323.4139 (cfl 78) e 37.323.4147 (cfl 68), lavrados em 29/4/2011. Consta do Relatório Fiscal, fls 14/29: O sujeito passivo compensouse das contribuições incidentes sobre pró labore e autônomos referentes ao período 9/1989 a 8/1994 utilizandose da sentença exarada nos autos 1998.38.02.0016040 impetrado por ACIU – Associação Comercial e Industrial de Uberaba, no período 1/2002 a 11/2009. Sua filiação à associação se deu em 1/1999, posterior à impetração da ação, que ocorreu em 8/1998. Em parecer no processo 10650.000985/200323, a Procuradoria da Fazenda Nacional se posicionou no sentido de que os efeitos da coisa julgada formada no mandado de segurança coletivo 1998.38.02.0016040 abrangeria somente as associadas à época da impetração, ressalvados eventuais decisões judiciais que ampliem os efeitos da ação. Apenas com a publicação, em 19/4/1995, da Resolução do Senado 14/1995 se inicia o prazo para a efetivação da compensação das contribuições havidas por inconstitucionais, findando, nos termos da legislação, cinco anos após, em 18/4/2000. Ainda assim, a auditoria verificou os valores compensados, fez o encontro de contas, constatando compensação a maior. De acordo com os índices e expurgos inflacionários definidos na sentença judicial, todo o montante foi utilizado até 6/2007 sendo indevida a compensação efetuada posteriormente. Considerando ainda o trânsito em julgado da sentença em 18/1/2002, as compensações efetuadas a partir de 5 anos dessa data estariam extemporâneas, sendo que, como em 2007 o sujeito passivo começou a efetuar compensações em 4/2007, estas foram então também glosadas. Houve aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória relativo à informação incorreta em GFIP das compensações efetuadas nos fundamentos dos artigos 32, IV e 32A da Lei 8.212/1991. Foi observada a aplicação da multa mais benéfica. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento. O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: Fl. 514DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 515 3 possui direito de crédito sobre o pagamento indevido não só pelo Mandado de Segurança impetrado pela ACIU – Associação Comercial e Industrial de Uberaba, como também pela Resolução do Senado Federal nº 14 de 19 de abril de 1995 que atribuiu efeito erga omnes e vinculante à decisão de inconstitucionalidade da lei; a decisão recorrida ao aplicar a regra do ar. 168 do CTN desprezou as alterações ocorridas após a edição da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005. O prazo prescricional para o STJ é de cinco mais cinco; deve ser aplicada a taxa selic; requer diligência fiscal para definir divergência sobre os cálculos. É o relatório. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 516 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passase ao exame das questões suscitadas. Para usufruir o direito de compensação decorrente do resultado do Mandado de Segurança nº 1998.38.02.0016040, 1ª Vara Federal de Uberaba, impetrado pela ACIU – Associação Comercial e Industrial de Uberaba, a recorrente deveria fazer parte do quadro associativo desde a data da ação, nos termos do art. 2oA, § único da Lei 9.494/97, que disciplina a aplicação da tutela antecipada contra a Fazenda Pública, altera a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, e dá outras providências. Lei nº 9.494/97 Art.2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator.(Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) Parágrafo único.Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços.(Incluído pela Medida provisória nº 2.18035, de 2001) Nesse sentido corrobora a decisão da Segunda Turma do STJ no Agravo Regimental AgRg no REsp 1340628 CE 2012/01798747, que se transcreve: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFEITOS DA SENTENÇA PROFERIDA EM SEDE DE AÇÃO COLETIVA. ART. 2ºA DA LEI 9.494/97. LIMITAÇÃO TERRITORIAL. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ. ACÓRDÃO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 83/STJ. ALEGADA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COM O DECIDIDO NO RESP 1.243.887/PR, JULGADO SOB O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. SITUAÇÕES FÁTICO JURÍDICAS DESSEMELHANTES. ALEGAÇÃO DE INAPLICABILIDADE, NO CASO DE SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 517 5 (...). III. O Tribunal de origem adotou a jurisprudência do STJ, no sentido de que a sentença civil, proferida em ação de caráter coletivo, proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator, nos termos do art. 2ºA da Lei 9.494/97. Nesse sentido: STJ, AgRg no REsp 1.349.795/CE, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 20/11/2013; AgRg no Resp 1.385.686/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 13/11/2013; AgRg no REsp 1.387.392/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 17/09/2013; REsp 1.362.602/CE, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, DJe de 07/05/2013. Tratando da mesma questão, ainda, os seguintes precedentes monocráticos: STJ, Resp 1.431.200/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe de 28/02/2014; REsp 1.415.390/CE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 14/11/2013; AgRg no AgRg no Resp 1.366.615/CE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, DJe de 14/02/2014, e REsp 1.349.795/CE, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe de 15/10/2013. IV. Incide, in casu, a inviabilizar o conhecimento do Recurso Especial, por ambas as alíneas do permissivo constitucional, a Súmula 83/STJ: "Não se conhece do Recurso Especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." (...) (AgRg no REsp 1340628/CE, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/06/2014, DJe 13/06/2014) A Decisão proferida no Acórdão 20601374/2008 da Sexta Câmara, Segundo Conselho de Contribuintes, é no mesmo sentido: Ementa Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias (...). MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. EMPRESA ASSOCIADA POSTERIORMENTE À DECISÃO JUDICIAL. Os efeitos da decisão judicial exarada nos autos de ação, in casu, mandado de segurança coletivo, impetrada por Associações somente amparam as empresas associadas à época do ajuizamento do “writ”, não alcançando seus efeitos a eventuais pessoas jurídicas que vierem a se associar em momento posterior. Recurso Voluntário Negado. A autoridade fiscal reconheceu o direito à restituição/compensação estabelecido na Resolução do Senado Federal nº 14 de 1995 que atribuiu efeito erga omnes e vinculante à decisão de inconstitucionalidade da lei, considerando o prazo para efeito do cálculo prescricional, nos termos do art. 168 do CTN, art. 253 do Decreto 3.048/99, como consta do relatório fiscal, item 5.2.2 e item 8, fls. 20 a 24 dos autos digitalizados. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 518 6 Desta forma, como a empresa não poderia terse utilizado das condições estabelecidas na sentença da ACIU para efetuar as compensações, estas contribuições previdenciárias, recolhidas no período de 09/1989 a 08/1994, a título de “PróLabore” e “Autônomo”, consideradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, só poderiam ser compensadas de acordo com o disposto no artigo 168 da Lei 5.172/66 e artigo 253 do Decreto 3.048/99, acima citados, dentro dos 5 anos da publicação da Resolução nº 14/95 do senado Federal, de 19/04/1995, ou seja, o prazo prescricional para a propositura da ação de repetição de indébito da Contribuição Social sobre o prólabore/autônomos, cobrado com base no art. 3o, I, da Lei 7.787/89 iniciouse, portanto, em 19 de abril de 1995, data em que foi publicada a Resolução n° 14/95 do Senado Federal, findando em 18 de abril de 2000. Todavia, como a empresa só começou a compensar as contribuições a partir de janeiro de 2002, o direito de efetuar estas compensações já estava extinto. (...) 8 Da apuração das compensações feitas a maior (Glosas de Compensações) Considerandose o disposto no art. 168 da Lei 5.172/65, e no art. 253 do Decreto 3.048/99, e como o trânsito em julgado da sentença ocorreu em 18/01/2002, as compensações efetivadas a partir de 5 (cinco) anos desta data, deveriam ser glosadas. Assim sendo, como em 2007 a empresa começou a efetuar compensações partir do mês de abril de 2007, os valores desta competência e das posteriores foram glosados, conforme fica claramente demonstrado na planilha; "Quadro II Demonstrativo dos valores que serjam passíveis de serem compensados, dos valores que foram compensados pela empresa, e apuração das compensações feitas a maior. que serão glosadas". Desta forma, ainda que fossem adotados os índices e as condições estabelecidas na sentença acima referida, todas as compensações efetivadas em 2007 (competências: 04, 05 e 08/2007), deveriam ser glosadas. Mas conforme demonstrado nos subitens 5.1.1 e 5.1.2 acima, a empresa não poderia se utilizar destas condições estabelecidas na sentença, visto não estar amparada pela mesma, de acordo com o contido no final do ofício n. 668/2010/EAC1/DRF UBB/SRRF/RFB/MFMG, da Delegacia da Receita Federal em Uberaba, de 25/10/2010: (...) E conforme subitens 5.2.1 e 5,2.2 acima, os valores recolhidos, considerados inconstitucionais, só poderiam ser compensadas dentro dos 5 anos da publicação da Resolução n°. 14/95 do Senado Federal, de 19/04/1995, de acordo com o disposto no artigo 168 da Lei 5.172/66, e artigo 253 do Decreto 3.048/99, sendo que já estaria extinto o direito à compensação em todo o período compensado pela empresa (01/2002 a 11/2009). Fl. 518DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 519 7 (...) Assim sendo, a recorrente não tem o direito de usufruir da decisão do Mandado de Segurança em epígrafe. O direito de pleitear restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, contados da data do pagamento da obrigação, de acordo com o art. 168, I da Lei 5.172/66 (CTN) c/c art. 3º da Lei Complementar 118/05. Não houve desprezo as alterações ocorridas após a edição da Lei Complementar 118/05. A prescrição ocorreu tanto pela regra do art. 168 do CTN quanto pela Resolução do Senado Federal nº 14 de 1995. Não há como se aplicar taxa selic sobre restituição/compensação indevida. Os cálculos dos valores glosados pela fiscalização foram demonstrados no relatório fiscal acompanhados das razões e fundamentação legal. A recorrente não apresentou documentos comprobatórios que justificassem a revisão do lançamento fiscal. Não houve cerceamento de defesa, pois o pedido de produção de diligência/prova pericial não cumpriu os requisitos necessários pelo requerente. O devido processo legal tributário, disciplinado pelo decreto 70.235/72, disciplina o momento de produção de provas e requerimento de perícia. Todos os elementos de prova devem ser apresentados na impugnação. Considerarseá como não formulado o pedido de diligência/perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, inciso IV, c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Ademais, não há necessidade de diligência fiscal para confrontar os cálculos da fiscalização quando o contribuinte não apresenta dados/cálculos em contrário. Cabe a autoridade administrativa aplicar as determinações legais e zelar pelo cumprimento da obrigação tributária, respeitando o princípio da legalidade. A lei em vigor, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não foi declarada, deve ser cumprida pela administração pública por força do ato vinculado. Não é possível, no âmbito administrativo, afastar aplicação de legislação nos termos do art. 26A do Decreto 70.325/72, bem como, art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria GMF 256, de 22 de junho de 2009. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo de Débito, a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10972.720017/201112 Acórdão n.º 2803003.697 S2TE03 Fl. 520 8 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 520DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/ 10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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