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Numero do processo: 12448.736682/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS
Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa referente à obrigação acessória o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada no lançamento por descumprimento de obrigação principal a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.Sustentação oral: Rubem Perlingeiro. OAB: 71.430/RJ.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Adriano Gonzáles Silvério Relator ad hoc março de 2014.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS Para ocorrer a isenção fiscal sobre os valores pagos aos trabalhadores a título de participação nos lucros ou resultados, a empresa deverá observar a legislação específica sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 10.101/2000, as quantias creditadas pela empresa aos empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. O PRL pago em desacordo com o mencionado diploma legal integra o salário de contribuição. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. MULTA LIMITADA A 20%. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei 9.430/1996, se for mais benéfica ao contribuinte. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 66 82 /2 01 1- 83 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa referente à obrigação acessória o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada no lançamento por descumprimento de obrigação principal a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.Sustentação oral: Rubem Perlingeiro. OAB: 71.430/RJ. (assinado digitalmente) Marcelo de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Relator ad hoc março de 2014. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 497 3 Relatório 1. Cuidase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte BANCO BRASCAN S.A. em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal da infração (fls. 18/37), a constituição do crédito tributário referese às contribuições devidas à seguridade social incidentes sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados (PLR), correspondentes à parte patronal e destinada ao financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT); e à devida a outras entidades e fundos terceiros: Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Salário Educação) e Incra. 3. Consta ainda que, em razão de não inclusão de todos os fatos geradores nas Guias de Recolhimento do FGTS (GFIP), foi aplicada multa em razão desse descumprimento de obrigação acessórias. Consta do relatório: 8. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas nos autos de infração lavrados por esta auditoria fiscal referemse aos pagamentos de remunerações aos empregados, destinados a retribuir o trabalho, efetuados pela autuada, não oferecidos à tributação previdenciária e não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, cujas rubricas estão descritas a seguir: II.1.1 – Da Participação nos Lucros e Resultados 9. Nas folhas de pagamento apresentadas (Anexo VII) constam valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados a empregados, rubrica 0040 “Participação Lucros”, nas competências 02/2007 e 08/2007. (...) 21. O que podemos perceber dos itens anteriores é que a empresa vem tentando fundamentar para distribuição de valores aos seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, sem o recolhimento das contribuições sociais, um Plano de Participação nos Resultados, elaborado em 1998, em que não houve participação de representante do sindicato, dando o mínimo de equilíbrio na negociação entre empregados e empregadores, e vem prorrogando tal instrumento, tentando legitimar essa prorrogação e algumas alterações, por meio de comissões em que também não houve participação do Sindicato. A entidade sindical dos trabalhadores, como restou comprovado, nega o arquivamento do instrumento de acordo justamente por não ter participado das negociações, porque não teve a oportunidade de participar da elaboração do Plano de Participação dos Resultados de 29 de julho de 1998, visto, ainda, que não fora devidamente Fl. 597DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 notificado para isso, e os acordos seguintes vieram somente para ratificar este Plano, com algumas alterações. Tal instrumento ainda afronta o texto do parágrafo 1º, da Lei 10.101/00 por deixar de prever o “período de vigência e prazos para revisão do acordo”, sendo que a última alteração do mesmo foi realizada em 7 de janeiro de 2000, segundo a empresa, não havendo alterações posteriores e foi aplicado para pagamento do PLR aos empregados em 2007. Mesmo diante da não participação do Sindicato nas negociações e das diversas outras irregularidades, a empresa preferiu aplicar as regras do Plano de Participação nos Resultados de 1998, com algumas alterações posteriores, mesmo existindo uma Convenção Coletiva de Trabalho sobre Participação dos empregados nos lucros ou resultados dos bancos para 2007, celebrada entre o Sindicato dos empregados e dos empregadores no setor bancário.(destaquei) 22. Sendo assim, pelos fatos mencionados acima, consideramse os pagamentos efetuados em 02/2007 e 08/2007 como fatos geradores de contribuição previdenciária passando a ter natureza salarial, não fazendo jus à benesse previdenciária da não incidência das contribuições sociais sobre tais valores pagos aos segurados empregados. 4. Além disso, informa que houve Representação para Fins Penais (fls. 2/7 e fls. 40), consubstanciado nos autos do processo administrativo fiscal 12448736682/201183. 5. Após ser devidamente intimado, o contribuinte apresentou impugnação tempestivamente (fls. 215/240). Ao analisar os argumentos colacionados pelo contribuinte, o Colegiado de primeira instância julgou procedente o lançamento tributário (fls. 346/359), restando ementado nos termos que transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2007 a 31/08/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. A participação nos lucros ou resultados da empresa paga em desacordo com a lei 10.101/2000 integra o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/91. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES (TERCEIROS). É devida a contribuição a Outras Entidades Terceiros (Art. 3° da Lei 11.457/07 e art. 33 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 11.941/2009), incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados. OMISSÃO DE FATO GERADOR EM GFIP. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição, devendo a omissão de tais valores em GFIP sujeitar o infrator à incidência da capitulação contida no art. 32,IV e § 5º da Lei nº 8.212/91. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 598DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 498 5 6. Inconformado com a decisão proferida, o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo (fls. 363/386), no qual aduz, em síntese: a) o sindicato foi regularmente convocado para participar da negociação, mas não compareceu, ou seja, a falta de participação do sindicado no acordo do PLR se deu por culpa exclusiva deste; b) o TST adotou, nos autos do RO em Ação Anulatória 562.430/1999.1, o entendimento de que a falta de participação do sindicato na negociação do programa de PLR não retira a validade do acordo; c) ainda que a recorrente não tivesse convocado o sindicato na celebração do acordo, os pagamentos de PLR efetuados não poderiam ser descaracterizados como tal, uma vez que esta suposta irregularidade não afetaria a verdadeira natureza dos pagamentos a título de PLR; d) quanto ao caráter eventual dos pagamentos, colaciona ementa de acórdão proferido pelo CARF, o qual conceitua ganho eventual como as importâncias pagas em razão de evento futuro e incerto, sendo irrelevante o fato de o seu pagamento ter sido previamente ajustado entre as partes em instrumentos de negociação; e) a multa aplicada deve ficar limitada ao percentual de 20%, nos termos do art. 61, da Lei 9.430/96; e f) é aplicável a multa do art. 32A, da Lei nº 8.212/91, aos casos de descumprimento de obrigação acessória, mesmo quando há, simultaneamente, suposto descumprimento de obrigação principal. 7. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Relator Adriano Gonzáles Silvério – ad hoc em março de 2014 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DO MÉRITO DO PAGAMENTO DE PLR 2. Narra o auditor fiscal que o lançamento teve como base de cálculo os pagamentos e créditos efetuados a funcionários a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR). A fiscalização considerou que tais pagamentos não estavam isentos de incidência de contribuição previdenciária, por não atenderem aos requisitos exigidos pela Lei 10.101/200, que regula a participação do sindicato para negociação coletiva. 3. Em síntese os pagamentos efetuados pela recorrente estariam eivados de vícios tendo em vista que, segundo o agente fiscalizador, não teria havido participação nem posterior arquivamento no sindicato: 21. O que podemos perceber dos itens anteriores é que a empresa vem tentando fundamentar para distribuição de valores aos seus empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados – PLR, sem o recolhimento das contribuições sociais, um Plano de Participação nos Resultados, elaborado em 1998, em que não houve participação de representante do sindicato, dando o mínimo de equilíbrio na negociação entre empregados e empregadores, e vem prorrogando tal instrumento, tentando legitimar essa prorrogação e algumas alterações, por meio de comissões em que também não houve participação do Sindicato. A entidade sindical dos trabalhadores, como restou comprovado, nega o arquivamento do instrumento de acordo justamente por não ter participado das negociações, porque não teve a oportunidade de participar da elaboração do Plano de Participação dos Resultados de 29 de julho de 1998, visto, ainda, que não fora devidamente notificado para isso, e os acordos seguintes vieram somente para ratificar este Plano, com algumas alterações. Tal instrumento ainda afronta o texto do parágrafo 1º, da Lei 10.101/00 por deixar de prever o “período de vigência e prazos para revisão do acordo”, sendo que a última alteração do mesmo foi realizada em 7 de janeiro de 2000, segundo a empresa, não havendo alterações posteriores e foi aplicado para pagamento do PLR aos empregados em 2007. (destaquei) 4. A PLR, segundo o artigo 2º da Lei 10.101/2000, para que uma empresa possa efetuar aos pagamentos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos, como a participação de um representante sindical: Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos Fl. 600DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 499 7 procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. 5. Contudo o Superior Tribunal de Justiça analisando a incidência da contribuição previdenciária sobre PLR vem firmando posição no sentido de que nem todas as irregularidades apontadas pela fiscalização possuem o condão de descaracterizar o benefício, a exemplo disso é o Recurso Especial 865489, no qual o Ministro Luiz Fux preleciona que “a ausência de homologação de acordo no sindicato, por si só, não descaracteriza a participação nos lucros da empresa a ensejar a incidência da contribuição previdenciária”. 6. Nesse sentido, me filio à tese de que as regras estipuladas pela Lei 10.101/2000 devem ser postas com vistas a preservar os direitos do empregado, observando o princípio da razoabilidade, de maneira que meras irregularidades não desnaturem o benefício. 7. Voltando ao presente caso concreto, consta nos autos que houve comunicação ao sindicato respectivo para que participasse da negociação, a exemplo da carta (fls. 184) recebida pelo Departamento Jurídico daquela instituição, sem, todavia, ter sido ativa, contendo o registro de participação efetiva da Comissão de Empregados (fls. 185), além dos representantes patronais, certamente conferindo o equilíbrio na negociação. 8. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) adotou igual posicionamento, como se verifica na decisão nos autos do Recurso Ordinário em Ação Anulatória 562.430/1999.1: ACORDO COLETIVO SOBRE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS CELEBRADO ENTRE COMISSÃO DE EMPREGADOS E A TELEPARÁ. RECUSA DO SINDICATO PROFISSIONAL A INTEGRAR A COMISSÃO DE NEGOCIAÇÃO. A participação nos lucros e resultados é um direito, dos trabalhadores, mas condicionado à negociação entre as partes. A recusa do sindicato profissional a integrar a comissão de negociação composta por empregados da empresa, embora reiteradamente convidado para tal, contraria a sua própria razão de existir, que é a defesa dos interesses individuais e coletivos da categoria representada. E nenhum sindicato, por seus dirigentes, pode assumir postura contrária ao interesse dos membros da categoria, o qual, nesta hipótese, era restrito aos empregados da Telepará.Recurso Ordinário provido para restabelecer a validade do acordo firmado diretamente pela comissão de empregados com a Telepará. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 (TST , Relator: José Luciano de Castilho Pereira, Data de Julgamento: 09/09/2004, Seção Especializada em Dissídios Coletivos,) 9. Além disso, houve clara e expressa determinação de critérios para os funcionários fazerem jus ao pagamento de PLR, como consta no Programa de Avaliação (fls. 193/205), 10. Com efeito, resta claro o cumprimento normativo pela empresa para concessão de PLR a seus funcionários, afastandose, portanto, a incidência de contribuição previdenciária sobre tais valores, considerados pelo agente fiscalizador a parte patronal, ao financiamento dos benefícios em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), a parte devida a terceiras entidades, e, consequentemente, a não aplicação de multa por não serem fatos geradores para que constassem na GFIP. DA APLICAÇÃO DA MULTA 11. Se, todavia, for vencido quanto ao provimento deste recurso, profiro meu voto quanto à aplicação da multa, tanto por recolhimento em mora quanto por descumprimento de obrigação acessória. DAS MULTAS 12. Sobre a multa aplicada, cumpre ressaltar que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 13. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 14. E o supracitado art. 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, assevera que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 602DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 500 9 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 15. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de cem por cento, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 16. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, até 11/2008, se for mais benéfica para o contribuinte. MULTA – DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 17. Por fim, no que se refere à multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória – apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – entendo que o lançamento deve ser reformado. 18. Isso porque a Lei 11.941, de 2009, alterou a Lei 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. Fl. 603DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. 19. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 20. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 21. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 22. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 23. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 501 11 ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 24. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 25. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 605DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 26. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. 27. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 28. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 606DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 502 13 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 29. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 30. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 31. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 14 Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 32. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO 33. Do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO nos termos alinhavados. (assinado digitalmente) Adriano Gonzáles Silvério – Relator ad hoc em março de 2014. Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Redatora Designada. Permitome divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator, em relação ao PLR, pelas razões a seguir expostas. O Conselheiro vota por dar provimento ao recurso por entender que a parcela a título de Participação nos Lucros e Resultados foi paga em consonância com o estabelecido na Lei 10.101/2000 e não integra, portanto, o salário de contribuição. Sustenta a tese de que as regras estipuladas pela Lei 10.101/2000 devem ser postas com vistas a preservar os direitos do empregado, observando o princípio da razoabilidade, de maneira que meras irregularidades não desnaturem o benefício. Porém, a fiscalização observou que o sindicato não integrou a comissão que negociou e elaborou os termos do acordo que criou o PLR da empresa. Constatase que, de fato, o documento resultante da negociação entre as partes não foi assinado por representante do sindicato. A Lei 10.101/00 estabelece, em seu art. 2o, na redação vigente à época, que: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; O inciso I, transcrito acima, estabelece, de forma cristalina, que o sindicato deveria integrar a comissão escolhida pelas partes. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12448.736682/201183 Acórdão n.º 2301003.752 S2C3T1 Fl. 503 15 Assim, entendo que a não participação do sindicato nas negociações do PLR da empresa implica descumprimento o dispositivo legal transcrito acima. Tal entendimento encontra esteio no Supremo Tribunal Federal que já se pronunciou no sentido de que a negociação requerida para fins da PLR é coletiva, não sendo prescindível a participação do sindicato, consoante ADIn nº 1.3611 DTF – TRT 3ª R., 1ª T., RO nº 8.610/96, Rel. Mônica S. Lopes, DJMG 12/10/96, p. 5. Dessa forma, concluise que a PLR da recorrente foi paga em desacordo com a Lei 10.101/00, devendo, por esse motivo, integrar o salário de contribuição. Nesse sentido, Voto por negar provimento ao recurso, no sentido de manter o lançamento relativo ao PLR. É como voto Bernadete de Oliveira Barros – Redatora. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 31 /03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11020.003640/2005-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.001375/2005-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Verificada omissão na apreciação das matéria aduzidas em Recurso, cabem embargos de declaração para suprir a tutela.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Embargos Acolhidos em Parte
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3101-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração e por voto de qualidade, negar provimento a parte acolhida. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
HENRIQUE PINHEIROS TORRES
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
RODRIGO MINEIRO FERNANDES
Redator designado
Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingos, Waldir Navarro Bezerra (suplente) e Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 31/12/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Verificada omissão na apreciação das matéria aduzidas em Recurso, cabem embargos de declaração para suprir a tutela. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração e por voto de qualidade, negar provimento a parte acolhida. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. HENRIQUE PINHEIROS TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingos, Waldir Navarro Bezerra (suplente) e Vanessa Albuquerque Valente.
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ADMISSIBILIDADE. Verificada omissão na apreciação das matéria aduzidas em Recurso, cabem embargos de declaração para suprir a tutela. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Embargos Acolhidos em Parte Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração e por voto de qualidade, negar provimento a parte acolhida. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro (relatora), Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Designado para proferir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 75 /2 00 5- 38 Fl. 626DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.469 S3C1T1 Fl. 4 2 HENRIQUE PINHEIROS TORRES Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora RODRIGO MINEIRO FERNANDES Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Luiz Roberto Domingos, Waldir Navarro Bezerra (suplente) e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração manejados pelo Contribuinte, em face do acórdão 3101001.358 de 19 de março de 2013 da lavra desta relatora, cujo voto aqui reproduzo: “O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos os requisitos de admissibilidade. Tratase o presente processo de cobrança de débitos de Cofins não recolhida, não decaída e nem declarada de diversos débitos do período de 04/2000 a 12/2003. A Recorrente, preliminarmente pugna pela nulidade da r. decisão recorrida porque o julgador supostamente teria se furtado de enfrentar: a) impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de lançamento de ofício e b) postergação da execução do julgado ao termino da discussão judicial. Nesse aspecto, não acato a preliminar arguida, primeiro que o Recurso Voluntário tem todo o aspecto de ser procrastinatório, com toda razão de ser, para esperar uma solução para esse imbrólio judicial que esse tema se tornou, ou seja, a exigência da COFINS sobre as prestadoras de serviço. Da análise do voto condutor da decisão recorrida, é claro que o julgador não se furtou de enfrentar qualquer matéria que não estivesse ao alcance da concomitância. No mérito, impõese a concomitância, pelas mesmas razões da decisão recorrida. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.469 S3C1T1 Fl. 5 3 Diante do todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para manter a decisão recorrida na integra. É como voto Relatora Valdete Aparecida Marinheiro” No entanto, a embargante embarga a decisão denunciando ter havido omissão no acórdão embargado, no sentido de que o voto acima incorreu na mesma omissão da autoridade julgadora singular, ou seja, quanto a “impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de lançamento de ofício” já que ambos lançaram nos respectivos votos apenas considerações a respeito da “exigência da COFINS sobre as prestadoras de serviços”. Para a pretensão da Embargante, alega: a) que a prestação jurisdicional a que ela tem direito constitucional ao enfrentamento da matéria atinente à nulidade da decisão recorrida no Recurso Voluntário manterá irretorquível omissão que, se não sanada em termos de retorno dos autos à instância de origem para desate da questão, implicará na supressão de uma instância defensória; b) que a Embargante não compactua com o voto acima de que o julgador da primeira instância não se furtou de enfrentar qualquer matéria que não estivesse ao alcance da concomitância; c) ainda, alegou renovar as argumentações aduzidas desde o início da discussão a respeito da cobrança formulada pela Delegacia da Receita federal, além do principal, dos juros e da multa, também traz em seu bojo a exigência ilegal de juros sobre a multa de ofício e que, ainda, que se considere a inexistência dos juros sobre a multa no corpo do auto de infração, esse se nota, inclusive, no DARF acostado à decisão de primeira instância. Finalmente, não tendo dúvidas sobre a omissão perpetrada pela r.decisão embargada, requereu a Embargante sejam acolhidos os presentes Embargos Declaratórios para se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância e se determinar o retorno dos autos aquela instância de origem para que outra decisão seja proferida na boa e devida forma. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, Relatora Os presentes embargos de declaração são tempestivos e atendem os demais requisitos para sua admissibilidade. Embora seja defeso a interposição de embargos de declaração a acórdãos, conforme e por pessoas previstas no Regimento do CARF, é bom lembrar que o mesmo tem por objetivo combater eventuais omissões, contradições ou obscuridades na decisão do colegiado. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.469 S3C1T1 Fl. 6 4 Portanto, o acórdão atacado nos presentes embargos, para ter sido viciado pela omissão deve ter adotado premissas intimas inconciliáveis, justificandose a sua desintoxicação. Por sua vez, se contem o vício da omissão, lembrando que o acórdão aqui combatido é a decisão desse colegiado, deve ter se abstido de apreciar as questões de fato e de direito suscitadas ou não pelas partes, embora o contraditório legitime o resultado obtido, desde que se configure pertinência com os elementos do processo. Assim, não vejo presente no presente acórdão combatido e o voto condutor da decisão desse colegiado a ocorrência da omissão apontada quanto a “impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de lançamento de ofício. A decisão recorrida da primeira instância, analisou e julgou o lançamento tributário existente na peça inaugural desse litígio, ou seja, o auto de infração e nesse não existe a tal incidência da taxa de juros sobre a multa de ofício. A decisão da DRJ dispondo sobre a taxa de juros e sua legalidade foi satisfatória para o lançamento tributário e a impugnação apresentada. Nessa parte não conheço dos embargos de declaração a ponto de anular a decisão da DRJ. Também, no meu entendimento o Recurso Voluntário prestouse a julgar uma decisão anterior, como já dito, o julgamento do lançamento tributário iniciado pelo auto de infração. Portanto, o Recurso voluntário não se presta a julgar o processo de cobrança, ou seja, a emissão correta ou não de um documento de arrecadação, ou seja, o DARF. Entretanto, como a matéria foi trazida no Recurso Voluntário, reconheço a omissão e nessa parte acolho os embargos para propor a discussão desse colegiado sobre a sua competência para tratar desse assunto. Mas, como fui vencida nessa questão em sessão, voto por entender que não cabe os juros sobre a multa de mora, por equiparar a uma atualização monetária, a muito inexistente no ordenamento jurídico nacional. Isto posto, voto por acolher parcialmente os embargos de declaração e na parte acolhida darlhe provimento. Esse é meu voto. VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Voto Vencedor Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, redator designado. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.469 S3C1T1 Fl. 7 5 A divergência referese ao conhecimento dos Embargos pela ocorrência da omissão apontada quanto a “impossibilidade de incidência da taxa Selic sobre a multa de lançamento de ofício”, e no mérito, a incidência de juros sobre a multa de mora, que a Relatora dava provimento. A matéria foi objeto de discussão semelhante na Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu, na apreciação do processo 10835.000536/0021, em sessão de julgamento de 15/08/2013, que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior. Adotamos no presente voto as razões de decidir do Acórdão nº 9303 002.399 da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, que também participou do presente julgamento: A teor do relatado, a matéria que se apresenta a debate versa sobre a incidência de juros de mora sobre multa de ofício não paga na data de seu vencimento. Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão trazida a debate pelo especial fazendário. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 1art. 113 do CTN. Ao seu turno o art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual Fl. 630DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.469 S3C1T1 Fl. 8 6 tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá será, justamento, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a Hermes ou a uma Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 19515.001375/200538 Acórdão n.º 3101001.469 S3C1T1 Fl. 9 7 Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Diante do exposto, voto por CONHECER PARCIALMENTE os Embargos, reconhecendo a omissão quanto à incidência dos juros sobre a multa de ofício, e no mérito, NEGAR PROVIMENTO quanto à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Rodrigo Mineiro Fernandes – redator designado. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 23/04 /2014 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2014 por RODRIGO MINEIRO FERN ANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 19515.003325/2003-23
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/01/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA.
Não se pode usar a presunção de legitimidade dos atos administrativos para manutenção de auto de infração ao desamparo de elementos probatórios suficientes para imputar conduta irregular à autuada.
Numero da decisão: 3403-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. IMPOSSIBILIDADE. CARÊNCIA PROBATÓRIA. Não se pode usar a presunção de legitimidade dos atos administrativos para manutenção de auto de infração ao desamparo de elementos probatórios suficientes para imputar conduta irregular à autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 25 /2 00 3- 23 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre Autos de Infração (fls. 102 a 106, e 261 a 264)1 lavrados em 17/09/2003, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP (no valor de R$ 11.679,71, aí já incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%), e de COFINSprocesso juntado de no 19515.003326/200378 (no valor de R$ 53.906,45, também já incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%), em função de diferença entre os valores escriturados e declarados/pagos, para fatos geradores de 31/01/2001 e 31/12/2001. Nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 98/99 e 255/258, explicase que nos meses de janeiro e dezembro de 2001 a empresa não recolheu integralmente as contribuições. Nas impugnações de fls. 108 a 114 e 234 a 243, a empresa alega que: (a) sempre cumpriu com rigor a legislação tributária; (b) a fiscalização resulta de levantamento baseado em premissas equivocadas, utilizandose de presunções; (c) o lançamento é nulo por decorrer de levantamento fiscal permeado de vícios e equívocos; (d) o auditor não compreendeu os lançamentos fiscais efetuados pela empresa; e (e) a Taxa SELIC é inaplicável como índice para o cálculo dos juros de mora. O julgador de piso, em 09/07/2010 (fls. 272/273), baixa o processo em diligência para que a fiscalização junte fontes e suportes documentais para as bases de cálculo constantes da autuação, e elabore relatório de diligência explicando os critérios utilizados. A fiscalização, então, intima a empresa a apresentar cópias de contratos sociais e livro de registro de saídas e entradas do anocalendário de 2001, em 12/02/2009 (AR à fl. 277). Em resposta (fl. 278), a empresa apresenta os contratos sociais e informa que não localizou em seus registros o livro demandado. Em nova intimação (efetuada em 21/08/2009 fl. 292), o fisco solicita livro diário, livro razão e livro registro de inventário referentes a 2001, bem como balancetes de verificação mensais de tal ano, ou quaisquer documentos nos quais estejam escrituradas as atividades da empresa, referentes ao ano de 2001. Novamente a recorrente informa não ter localizado os documentos solicitados (fl. 293). No Relatório de Diligência Fiscal (fl. 295/297), declarase prejudicado o propósito da diligência, diante do não atendimento das intimações pelo contribuinte, tendo este tomado ciência do relatório em 09/09/2009 (fl. 297). Em 26/11/2009, a DRJ acorda pela improcedência da impugnação (fls. 299 a 307), sustentando que em função de os atos administrativos gozarem de presunção de veracidade e legitimidade, incumbe ao sujeito passivo o ônus de produzir provas que infirmem o lançamento tributário, e que a aplicabilidade de juros à Taxa SELIC é matéria já sumulada no CARF. Cientificada da decisão da DRJ em 22/08/2013 (AR à fl. 313), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 23/09/2013 (fls. 318 a 329), argumentando que: (a) o auto de infração é nulo, por ausência de requisitos ao lançamento (descrição do fato , disposição legal infringida, penalidade aplicável e determinação da exigência), devendo o fisco na autuação trazer “todas as elementares fáticas e respectivas provas que conduziram à imputação a fim de que reste viabilizado ao contribuinte avaliar a pertinência da exação e, se for o caso, deduzir a defesa cabível”, e “a fiscalização não cuidou de trazer um elemento probatório sequer”; (b) não bastassem tais vícios, os MPF colacionados aos autos concorrem para objeto de fiscalização incompatível com a empreendida nos autos (anocalendário 1999), sendo a 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 417DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.003325/200323 Acórdão n.º 3403003.030 S3C4T3 Fl. 417 3 empresa intimada a apresentar documentação genericamente referenciada (v.g. livros e documentos referentes a “TRIBUTO:IRPJ E REFLEXOS”) em cinco dias, prazo exíguo; (c) a conversão em diligência se deu porque a fiscalização não indicou as fontes utilizadas para detecção das diferenças; (d) a nova intimação para apresentar documentos se deu em momento tardio, vez que entre os anos de 2007 e 2008, parcela significativa dos documentos da recorrente foi apreendida no contexto da ação policial denominada “Operação Persona”; (e) no mérito, reitera sua boafé e afirma que não existem elementos nos autos que admitam a validação das autuações; e (f) endossa a argumentação já expressa na impugnação sobre a inaplicabilidade da Taxa SELIC a título de juros de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As discussões em sede de recurso voluntário são basicamente pela nulidade da autuação. Sustenta a recorrente que os elementos acostados aos autos não atendem aos requisitos legalmente estabelecidos (v.g. descrição do fato , disposição legal infringida, penalidade aplicável e determinação da exigência). E que os MPF colacionados aos autos concorrem para objeto de fiscalização incompatível com a empreendida nos autos (ano calendário 1999), sendo a empresa intimada a apresentar documentação genericamente referenciada (v.g. livros e documentos referentes a “TRIBUTO:IRPJ E REFLEXOS”) em cinco dias, prazo exíguo. Compulsandose os autos, percebese que os MPF que se encontram às fls. 5 e 141 realmente são para fiscalização de IRPJ, do período de 01/1999 a 12/1999. E nas prorrogações de fls. 6 a 9 e 142 a 145 não se percebe extensão da amplitude da fiscalização. Nos Termos de Início de Fiscalização (fls. 11 e 147), já aparece a expressão “TRIBUTO: IRPJ E REFLEXOS”, solicitandose documentação do anocalendário de 1999. A partir daí, são lavrados os autos de infração de que trata o presente processo, para cobrança de COFINS e de Contribuição para o PIS/PASEP referentes a janeiro de dezembro de 2001. Não há, no presente processo, nenhum indício de que tenha efetivamente havido autuação de IRPJ, e/ou de que o presente processo seja dela decorrente, o que macularia a competência desta turma (em verdade, desta Terceira Seção) de julgamento, o que nos faz prosseguir na análise do processo. Nas autuações (fls. 104 e 230), o fisco afirma que “durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados conforme Termo de Verificação n. 01”. E nos referidos Termos (fls. 98 e 222), a descrição dos fatos é absolutamente sintética: “A empresa, nos meses de janeiro e dezembro de 2001 não recolheu integralmente o valor do PIS / da COFINS. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 Em virtude do exposto estamos constituindo o crédito tributário sobre as diferenças apuradas.” Em tais descrições, remetese aos documentos de fls. 97 e 221 (demonstrativos de situação fiscal apurada). Nos demonstrativos, são anotados os valores apurados pelo AFRFB, os débitos declarados, os créditos apurados e as diferenças (R$ 1,95 em janeiro de 2001 e R$ 5.660,53 em dezembro de 2001 para Contribuição para o PIS/PASEP e R$ 9,00 em janeiro de 2001 e R$ 26.125,53 em dezembro de 2001 para COFINS). Não há qualquer detalhamento da origem das diferenças, ou de como o fisco chegou aos valores indicados. Tão genérica quanto a autuação é a impugnação, não se sabendo exatamente qual a matéria em discussão quando da chegada do processo à DRJ. Por isso o julgador baixa o processo em diligência, nos seguintes termos (fl. 272): “Embora não tenha a impugnante esclarecido quais seriam as acusadas impropriedades e equívocos, tampouco apresentando comprovação documental de que as bases de cálculo das contribuições não foram superiores às bases sobre as quais calculou os débitos que pagou ou declarou, conforme “demonstrativos de situação fiscal apurada” de fls. 72 e 186, também a autoridade fiscal não apresentou as fontes utilizadas para detecção das apontadas diferenças de bases de cálculo, apenas as nominou, nos referidos demonstrativos, com termos pouco discriminadores: “planilha de base de cálculo, apuração de débitos e planilha de pagamentos”. Cabe ressaltar que o julgador não pode pressupor que a verificação foi realizada, por exemplo, pelo confronto da DIPJ com os livros fiscais e contábeis da contribuinte. Isso porque, no processo administrativo fiscal, a apreciação da lide está adstrita aos elementos que integram os autos. É certo que o ônus da prova contrária às diferenças apuradas pela fiscalização recai sobre a impugnante, mas esse ônus não pode ser suportado se a fiscalização não indica/demonstra os critérios e fontes documentais das diferenças encontradas, como ocorre nos presentes autos.” A diligência buscava essencialmente que o fisco esclarecesse as razões da autuação, e não que efetuasse nova fiscalização na recorrente. Contudo, o fisco intima e reintima sem sucesso a recorrente a apresentar documentos, e diante do não atendimento, envia o processo à DRJ para julgamento sem qualquer alteração ao estado em que se encontrava. O que impressiona é que o mesmo órgão julgador que revelava ter dúvidas quanto ao detalhamento do lançamento fiscal, passa a afirmar (fl. 303), sem qualquer fato novo, que: “As referidas divergências estão demonstradas de forma perfeitamente clara nas planilhas anexas às fls. 72 (Pis) e 186 (Cofins), elaboradas pelo autor do feito, as quase apresentam o cálculo do (sic) valores devidos, a partir das respectivas bases de cálculo, cotejandoos em seguida com os valores declarados e com os recolhidos.” Ou seja, exatamente as mesmas planilhas que não indicavam/demonstravam os critérios e fontes documentais das diferenças encontradas agora estavam demonstrando de Fl. 419DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.003325/200323 Acórdão n.º 3403003.030 S3C4T3 Fl. 418 5 forma perfeitamente clara as divergências. Patente a incongruência ou a mudança de posicionamento do órgão após demandar a diligência (que se revelou inócua). E entre os posicionamentos da DRJ, parecenos mais consentâneo ao ordenamento jurídico pátrio, e às normas que disciplinam o processo administrativo tributário, aquele primeiro. Se as autuações apenas indicavam os valores apurados pelo fisco (sem informar como se chegava a eles) e os cotejavam com os valores declarados e recolhidos pela empresa, não há como o autuado refutálas a contento, visto que sequer sabia exatamente sua origem. Quando a DRJ baixa em diligência o processo, não o faz (nem poderia fazê lo) para suprir ônus probatório do fisco, mas apenas para que este explicasse sua autuação. Também não se presta a diligência a possibilitar a defesa da recorrente, visto que se assim o fosse padeceria a autuação da nulidade de que trata o art. 59, II do Decreto no 70.235/1972 (por preterição do direito de defesa na autuação). Ao não detalhar a autuação (ainda que por falta de colaboração da própria autuada) o fisco não se desincumbe de seu mister probatório, chegando a dificultar (embora não a impossibilitar) a defesa, visto que a empresa, de posse dos documentos não apresentados ao fisco, poderia identificar, com um esforço maior, as matérias controversas. Mas o fisco imputa à autuada um descumprimento de legislação que não logra comprovar. E, por certo, não se pode usar a presunção de legitimidade dos atos administrativos para manutenção de auto de infração ao desamparo de elementos probatórios suficientes para imputar conduta irregular à autuada. Improcedente a autuação, desnecessário tratarse da matéria referente à Taxa SELIC para os juros de mora (em que pese ser o tema já sumulado neste CARF Súmula no 4). Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Fl. 420DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 19679.008899/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO - NULIDADE - ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DE FATO NO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA - Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo administrativo em nome do contribuinte, limitando-se a indicar como dado concreto "PROC INEXIST NO PROFISC" e o contribuinte demonstra a existência do processo, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes.
Numero da decisão: 3402-002.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles constantes no ato do lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 88 99 /2 00 3- 15 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: Em ação fiscal levada a efeito em face do contribuinte acima identificado foi apurada falta de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep relativa aos fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de janeiro de 1998 a março de 1998 e julho de 1998 a dezembro de 1998, declarados na DCTF, pois foi constatado “Proc inexistente no Profisc”, razão pela qual foi lavrado o Auto de Infração de fls. 9 e 10, integrado pelos termos e documentos nele mencionados, apurandose o crédito tributário composto pela contribuição, multa proporcional e juros de mora, calculados até 30/06/2003, perfazendo o total de R$1.176.720,02 (um milhão e cento e setenta e seis mil e setecentos e vinte reais e dois centavos), com o seguinte enquadramento legal: Art. 1º e 3º, alínea “b”, da Lei Complementar nº 07/70; art. 83 inc. III, L.8981/95; art 1º, L 9249/95; art. 2º e inc. I, par Un, 3, 5, 6 e 8 inc. I, MP 1623/9727 e reed; art. 2 e inc. I e par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8, inc. I MP 1676/9834 e reed; art. 2 e inc. I e par 1, e arts. 3, 5, 6 e 8, inc. I L 9715/98. 2. Inconformado com a autuação, da qual foi devidamente cientificado em 11/08/03 (AR à fl. 35 e 84), o contribuinte protocolizou, em 10.09.2003, a impugnação de fls. 1 a 5, acompanhada dos documentos de fls. 634, na qual alega: 2.1. Preliminarmente, não há no presente auto de infração que se discutir qualquer questão de mérito, tendo em vista que o mesmo exige o recolhimento de tributos já liquidados pela impugnante. 2.1.1. O tributo exigido no presente auto de infração foi liquidado por via de pedidos de compensações, conforme se pode ver pelo “Anexo I – Demonstrativo dos Créditos Não Confirmados”, do presente auto de infração, onde constam todas as compensações efetuadas, informando inclusive os números dos processos que sustentam os créditos, que no presente caso, foram os processos nº 10980.015533/9713 e 10980.013337/98 95. 2.1.2. Não pode o fisco exigir o recolhimento de tributos que já foram objeto de compensação, sendo que os processos que deram a origem aos créditos utilizados nessa compensação estão sob verificação por órgão da própria Atuante. 2.1.3. Desta forma, ante a comprovação da liquidação dos débitos exigidos no presente auto de infração, deve o mesmo ser declarado nulo de pleno direito. 2.2. Ainda que os créditos utilizados no presente auto forem considerados improcedentes, a impugnante terá o direito de compensar os débitos com outros créditos que possui, e não incidir na multa exigida. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.008899/200315 Acórdão n.º 3402002.384 S3C4T2 Fl. 126 3 2.2.1. Portanto, requer que no caso de serem os créditos dos processos nº 10980.015533/9713 e 10980.013337/9895 considerados improcedentes, seja dispensada a exigência da multa e os débitos compensados com outros créditos da impugnante. 2.2.2. Caso os tributos do presente auto de infração fossem exigíveis, a multa nunca poderia ser superior a 20%. Pois é esse o limite imposto pela lei para tributos recolhidos por atraso, visto que no presente caso tratarseia apenas de atraso de recolhimento. Reproduz o art. 61 da Lei nº 9.430/96. 2.2.3. Assim, é notoriamente inconstitucional a multa fixada em 75% do valor do crédito referencial do SELIC e na taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal operação, configuradose em flagrante e ilegítimo confisco, na esteira dos julgados citados e de acordo com o Art. 150, IV da Constituição Federal. 2.3. Por fim requer: 2.3.1. Nulidade do auto de infração por exigência de recolhimento de tributos já liquidados por compensação, conforme comprovam os documentos anexos. 2.3.2. Na remota hipótese de não acolhimento da preliminar, requer a impugnante que seja dispensada a exigência da multa, tendo em vista a possibilidade da compensação com outros créditos da empresa, ou ainda, seja a multa reduzida ao percentual de 20%, nos termos da lei, e dos argumentos retro expostos. 2.3.3. Defira à reclamante, a qualquer tempo, a juntada de tantas provas quantas julgue necessárias para o seu perfeito deslinde. 3. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal DERAT/EQAAR em São PauloSP que, trabalhando com a hipótese da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, exarou o Despacho em 28/02/2011 (fl. 85), onde consta que: “O contribuinte alega compensação com créditos mediante processos de nº 10980.015533/9713, 10980.013337/9895 e 10950.000307/9894, em análise preliminar constatase a compensação parcial de alguns débitos objetos do auto de infração”. 3.1. Assim, revisou de ofício o lançamento na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), cancelando os débitos conforme Extrato do Processo (fls. 8283): (...) 3.2. Restaram em litígio os seguintes débitos: (...) Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 A 9ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo (SP) julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1634.755, de 11 de novembro de 2011, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 31/03/1998, 01/07/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE NULIDADE Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto n.º 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo diploma legal, não há que se falar em nulidade do procedimento administrativo. PRODUÇÃO DE PROVAS. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. PIS. DÉBITOS REMANESCENTES. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DÉBITOS NÃO CONFESSADOS. Os débitos informados no Pedido de Compensação disciplinado no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 entregue anteriormente à vigência da MP nº 135/2003 publicada em 31/10/2003, não constitui confissão de dívida, portanto enseja a manutenção do lançamento no Auto de Infração. MULTA DE OFÍCIO RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 18 DA LEI Nº 10.833/2003. Com a edição da MP nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, não cabe mais imposição de multa excetuandose os casos mencionados em seu art. 18. Sendo tal norma aplicável aos lançamentos ocorridos anteriormente à edição da MP nº 135/2003 em face da retroatividade benigna (art. 106, II, “c” do CTN), impõese o cancelamento da multa de ofício lançada. Impugnação Procedente em Parte Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) A Delegacia de Julgamento inovou os motivos determinantes do auto de infração causando cerceamento do direito de defesa; b) Ocorreu a decadência de o Fisco realizar o lançamento tributário referente aos períodos de apuração 02/1998 e 03/1998, uma vez que transcorreu 5 anos entre a data da declaração e a ciência do auto de infração. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.008899/200315 Acórdão n.º 3402002.384 S3C4T2 Fl. 127 5 Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para fins de declarar a nulidade do lançamento tributário em face da inobservância do comando legal que impõe o dever de complementação do lançamento quando modificados os seus critérios pela Autoridade Julgadora, alternativamente, que seja declarada a decadência do direito do Fisco realizar o lançamento referente aos períodos de apuração compreendidos entre 02/1998 e 03/1998. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A discussão em pauta diz respeito à possibilidade da DRJ mudar o fundamento jurídico do auto de infração. O auto de infração foi fundamentado na falta de comprovação do sujeito passivo ser parte na ação judicial informada em DCTF. A decisão da DRJ manteve o lançamento tendo como supedâneo a falta de crédito por parte do contribuinte para realização de compensação. Ou seja, afastou o motivo determinante do auto de infração e analisou o meritum causae. O Acórdão nº 930301.060, da lavra do conselheiro Henrique Pinheiro Torres, proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão do dia 23 de agosto de 2010, o qual subscrevi, mutatis mutandis, retrata meu pensamento sobre esta lide, de sorte que peço vênia para reproduzilo: (...) Compulsando os autos, verificase que a fundamentação do lançamento de ofício foi ter o sujeito passivo informado compensação em DCTF arrimada em decisão judicial, mas que tal ação não fora comprovada. Daí a fiscalização haver utilizado como premissa para a glosa de crédito o suposto fato de que a ação judicial alegada pelo sujeito passivo não existira No julgamento da impugnação, a DRJ reconheceu a comprovação produzida pela empresa quanto à existência do processo judicial informado e a sua vinculação à matéria alegada, todavia, justificou o lançamento sob o argumento de que se o crédito tributário existisse, a compensação somente poderia ter sido efetuada, a partir do trânsito em julgado da decisão judicial que reconhecesse os créditos em favor do sujeito passivo, o que não era o caso dos autos. Razão tem a autoridade julgadora de primeira instância quando alega a necessidade do trânsito em julgado para que se possa proceder à compensação desses créditos com débitos de origem tributária do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional. De outro lado, não se pode esquecer que o Processo Administrativo Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no estado democrático de direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a glosa deuse sob a premissa de que a ação judicial informada pelo sujeito passivo, como base para a compensação por ele efetuada, não existiria. Ora, se essa era a acusação: “proc jud não comprova”, se o sujeito passivo comprovou a existência da ação judicial informada na DCTF, a acusação fiscal tornouse insubsistente, não sendo lícito ao órgão de julgamento modificar a fundamentação do lançamento. Se a fiscalização entender que deve, pode fazer nova acusação, desta feita retratando, corretamente, os fatos imputados ao sujeito passivo, e, de preferência, os descrevendo em Português vernacular, sem abreviações ou frases inacabadas, como a constante do auto de infração em comento (proc jud não comprova). Essa descrição dos fatos, de per si, já representaria cerceamento de defesa, posto ser ininteligível para o homem de conhecimento médio que não seja afeito às questões fazendárias, o que, se alegado pela parte, culminaria na nulidade dos auto de infração, mas como não o foi, não se pode, de ofício, pronunciála, posto que só a parte prejudicada é que tem legitimidade para argüir o prejuízo advindo do cerceio de defesa. É um direito personalíssimo e subjetivo do ofendido. De outro lado, a mudança de critério jurídico realizada pela decisão de primeira instância, não tem o condão de macular o lançamento fiscal, mas sim, a própria decisão, pois quem a proferiu não detinha competência legal para agravar o lançamento fiscal, modificando os seus fundamentos. Desta feita, entendo que o órgão julgador de primeira instância, ao modificar os fundamentos do auto de infração, extrapolou de suas competências, o que torna nula a decisão proferida. Todavia, deixo de pronunciar tal nulidade, pois, no mérito, como dito linha acima, o lançamento é improcedente, já que as provas trazidas aos autos põem por terra a acusação fiscal, já que restou comprovado pelo sujeito passivo que a ação judicial por ele informada na DCTF existe e versa sobre o direito creditório controvertido nestes autos. Assim, a acusação fiscal do “proc. Jud. não comprova”, não encontra respaldo nos autos. Aliás, tal “fundamentação” desses malfadados autos de infração “eletrônicos”, a rigor, apenas indica que o processo judicial informado não existe. Isso é, por óbvio, o máximo que pode fazer um sistema informatizado, já que não tem capacidade de “interpretar” o conteúdo da decisão Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 19679.008899/200315 Acórdão n.º 3402002.384 S3C4T2 Fl. 128 7 proferida para definir se dá cobertura à compensação pretendida. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p. 184), recomenda o seguinte. "Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração". No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento". Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de oficio efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no curso do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarrazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatora e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do feito, eis que, a meu juízo, sem que o processo seja saneado, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial”. Retornando ao processo em análise, com dito alhures, o auto de infração eletrônico teve como fundamento a inexistência do processos administrativos informados em Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 DCTF, que tratavam da compensação pretendida pelo recorrente, na base do sistema “profisc” da RFB. A recorrente provou que havia protocolado os processos nº 10980015533/97 17 e nº 10980.013337/9895, que tratavam das compensações administrativas. A Delegacia de Julgamento manteve parte do lançamento sob outro fundamento, não mais pela falta de comprovação dos processos de compensação. Respeitosamente, considero que manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que diz respeito à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. Pelos fatos arrolados, resta evidente que o pressuposto fático que deu suporte ao auto de infração é falso. Logo, o auto de infração deve ser cancelado pela inexistência e falta de veracidade dos motivos apontados como fundamento. Forte nestes argumentos, dou provimento ao recurso do sujeito passivo e cancelo o auto de infração. Sala das Sessões, em 27/05/2014 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 19515.003562/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005
DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA.
Excluem-se da presunção de omissão de receitas os valores contabilizados cujos valores estão lastreados em documentação apresentada pelo sujeito, cuja inveracidade a fiscalização não demonstrou.
ARBITRAMENTO DO LUCRO-
Se os elementos dos autos não permitem concluir que a escrituração contém vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou determinar o lucro real, não se sustenta o arbitramento assim motivado.
Numero da decisão: 1301-001.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. Presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Fabrício Henrique de Souza OAB/SP 129374.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente Substituto), Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Excluemse da presunção de omissão de receitas os valores contabilizados cujos valores estão lastreados em documentação apresentada pelo sujeito, cuja inveracidade a fiscalização não demonstrou. ARBITRAMENTO DO LUCRO Se os elementos dos autos não permitem concluir que a escrituração contém vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira ou determinar o lucro real, não se sustenta o arbitramento assim motivado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PPRRIIMMEEIIRRAA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri (Relator) e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes. Presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Fabrício Henrique de Souza OAB/SP 129374. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente Substituto AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 62 /2 00 9- 80 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães (Presidente Substituto), Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). Relatório Em julgamento, recurso interposto em face da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo que, por maioria de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada por Contibrasil Comércio e Exportação de Grãos Ltda., contra os autos de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e decorrentes (CSLL, PIS e Cofins), alcançando fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 351 a 358), a fiscalização acusa o contribuinte de omissão de receitas apuradas a partir da presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (Depósitos Bancários de Origem não Comprovada). A fiscalização apurou o resultado segundo o lucro arbitrado. O relato fiscal informa que em diligência junto ao endereço da empresa encontrou se uma sala comercial fechada, sem a permanência no local de nenhuma pessoa ou funcionário. Na mesma data foi enviado, por via postal, Termo de Início de Ação Fiscal , que foi devolvido com o registro “ausente” (Aviso de Recebimento à fl. 9) Foi, então encaminhado Termo de Início de Ação Fiscal à sócia da contribuinte, Sra. Fernanda de Abreu Duarte (CPF 178.279.75801), para o endereço constante de seu cadastro na RFB (fl. 10). Nesse termo, foi a empresa intimada a apresentar em 20 dias, relativamente ao ano calendário 2005, Livros Comerciais obrigatórios e auxiliares (inclusive livros fiscais nos quais se encontram transcritas as operações da empresa), documentação fiscal e contábil que forneceu suporte à escrituração da empresa no período, Contrato/Estatuto Social e Alterações, Extratos de todas as contas bancárias mantidas no Banco ABN Amro Real S/A e Banco Schahin S/A, consignandose que, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 86/2001, caso a contribuinte tivesse utilizado sistemas de processamento eletrônico de dados para escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, estaria automaticamente intimada a apresentar arquivos magnéticos em formato txt, com os respectivos layouts. Às fls. 35/37 encontrase a Carta de apresentação de documentos datada de 15/05/08, acompanhada de Procuração, Contrato Social e Alterações e requerimento de prazo adicional de 20 dias para entrega da documentação restante. Após o Termo de Reintimação Fiscal nos mesmos termos do anterior (ciência por AR em 11/06/2008) acostouse Carta de apresentação de documentos (fl. 104) Fl. 511DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 4 3 acompanhada de cópia do Demonstrativo de Movimentação para Conferência do Banco Schahin, referente ao período de 14/12/05 a 30/12/05 (fl. 105), e cópia de solicitação de extrato bancário ao Banco ABN Amro Real (fl. 106), posteriormente apresentado em 08/07/08 (fls. 107 a 144)), Quanto aos livros contábeis e fiscais, a carta informou que se encontravam à disposição na Itamarati Assessoria Contábil (Rua Aurora nº 817, 3º andar – fl. 107). A pessoa jurídica foi intimada a comprovar, no prazo de vinte dias, a origem dos valores creditados/ depositados em suas contas bancárias, conforme cópias de extratos apresentados e resumidos na Planilha de fls. 146 a 165, com esclarecimento por escrito, coincidente em datas e valores (Termo de Intimação Fiscal fls. 145, recebido em 18/07/08), e reintimada no mesmo sentido (Termo de Reintimação Fiscal, fl. 167, recebido em 20/08/08, reenviado e recebido novamente em 14/10/08, fl. 170). Em 13/11/08 a fiscalização recebeu, por via postal, correspondência datada de 07/11/08 (acompanhada de cópias de Procurações e documentos diversos (fls. 179 a 227)), com o seguinte teor: (...) A ora requerente entregou documentos a essa fiscalização, no intuito de demonstrar a sua movimentação financeira no período fiscalizado. Em atenção ao questionamento sobre a origem dos recursos, disponibiliza neste ato, documentos consistentes em cessão de créditos e confissões de dívidas, bem como atas de assembleias societárias e livros fiscais (conf., CD Room anexo). Sendo assim é a presente para dirimir dúvidas no sentido de que os recursos ora questionados, têm origem no pagamento da dívida assumida pela pessoa jurídica ACT Asian Commercial Trade Ltd., com sede na Isle of Man PÓ Box 28, tower Street Ramsey Isle of Man, inscrita no CNPJ/MF sob a n° 06.146.149/000160, perante a ora requerente a título de aquisição de quotas sociais, conforme termo de confissão de dívida, cessão de créditos e ata de assembleia. Os recursos foram recebidos de terceiros, por conta e ordem da ACT Asian Commercial Trade Ltd., quitando assim a sua obrigação perante a ora requerente. Diante do exposto é a presente para requerer que V. Sa. dê por atendida a intimação, considerando a documentação apresentada como hábil para tanto. (...). Após análise da documentação, a autoridade fiscal assentou que o contribuinte apenas demonstrou ter efetuado a escrituração dos valores contidos nos extratos bancários, através dos arquivos apresentados em meio magnético, mas não apresentou nenhum documento hábil, coincidente em data e valor, solicitados nas intimações. E reintimou o contribuinte a apresentálos. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 5 4 Em atendimento, o contribuinte, a fim de comprovar a origem dos créditos das contas bancárias, enviou, por via postal recibos de pagamentos, instrumentos particulares de contrato de mútuo, contratos de cessão de créditos, instrumento particular de contrato de prestação de serviços e Ata de reunião dos sócios realizada em 20 de junho de 2005. Na correspondência de encaminhamento, relacionou alguns valores com as operações descritas nos documentos apresentados. Após analisálos, a autoridade fiscal concluiu que não foi atendida a intimação para comprovar a origem dos depósitos/créditos questionados, e lavrou o auto de infração com base no lucro arbitrado. Concluiu a autoridade fiscal não haver outro caminho, senão o arbitramento dos lucros. Em impugnação tempestiva a interessada alegou, em síntese, que: Não foi observado o art. 148 do CTN, que estatui que quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, pode arbitrar aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações o os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. As razões que fundamentem a desconsideração das informações prestadas pelo sujeito passivo devem ser expostas circunstancialmente na motivação do ato administrativo de lançamento que suceder dito arbitramento. Em momento algum a fiscalização demonstrou com provas objetivas que a escrituração do contribuinte não merece fé. Não há omissão de receitas, eis que todas as informações requeridas pelo fisco foram apresentadas, comprovando a origem dos valores e depósitos. O autuante buscou fundamentar seus entendimentos no sentido de desconsiderar os negócios jurídicos realizados pela ora recorrente, sem levar em conta o art. 389, inciso I, do CPC, que reza que "Incumbe o ônus da prova quando se tratar de falsidade de documento, à parte que a argüir”, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. No caso, cabe ao autante o ônus de provar sua alegação de que “a requerente praticou outro ato diverso do registrado em sua contabilidade e por isso tem o dever de provar.” A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2005, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005 Fl. 513DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 6 5 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. IMPRESTABILIDADE. ARBITRAMENTO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão e 08 de agosto de 2012, foi apresentado recurso em 21 do mesmo mês. Alega a Recorrente que as várias intimações foram fielmente cumpridas, e foram apresentados volumosos documentos comprovando a origem de toda a movimentação financeira, os quais a autoridade fiscal entendeu insuficientes para a comprovação dos créditos e depósitos. Aduz que o relatório fiscal em momento algum registra vícios formais ou materiais em sua escrituração, ou se outras contas patrimoniais ou de resultado estariam desamparadas de documentação hábil e idônea que poderiam levar à imprestabilidade de toda a escrituração. Também não há indicação de que a fiscalizada tenha deixado de apresentar os livros contábeis ou fiscais requeridos pelo autuante. Portanto, se o autuante não mostrou interesse em examinar os livros contábeis e fiscais, não havia como concluir que eles estariam eivados de vícios para fins de arbitramento com supedâneo no art. 530, II. b Diz que o contribuinte foi intimado a comprovar a origem de depósitos bancários, o que não dá margem ao auditor para arbitrar o lucro na suposição de falta de apresentação de lucros da escrituração. E nesse caso, a hipótese legal seria o inciso III do art. 530 do RIR/99, e não o inciso II apontado. Alega que a autoridade fiscal está confundindo método de apuração de omissão de receitas com forma de tributação do lucro. Diz que quando o contribuinte informou que seus livros estavam à disposição do autuante e este não demonstrou interesse em examinálos, implicitamente aceitou como adequada a opção pela tributação da fiscalizada. Posteriormente, quando sucessivamente intimada, deixou de comprovar a origem dos depósitos bancários, teria ocorrido outra hipótese infracional, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Argumenta que caberia ao autuante tributar a omissão de receitas segundo a forma escolhida pelo contribuinte, que foi o lucro real. Afirma que todos os documentos apresentados à fiscalização demonstram a movimentação financeira e mais a escrituração para apurar o lucro real, conforme se constata do relatório do próprio fiscal. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 7 6 Pondera que o fiscal não pode lançar mão do arbitramento por razões subjetivas, e que em momento nenhum o auditor mostrou, com provas objetivas, que a escrituração do contribuinte não merece fé, não sendo plausível o arbitramento. Da mesma forma, não há omissão de receitas, eis que todas as informações requeridas foram apresentadas, comprovando a origem dos valores depositados. Assim, caberia ao auditor o ônus de provar que os atos praticados pela recorrente são diversos dos registrados em sua contabilidade. No mais, discorre sobre doutrina a respeito da superação da antiga ideia de que a presunção de legitimidade dos atos administrativos exonera de prova o fisco, requer a anulação do lançamento e provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Recurso tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A fiscalização acusou a empresa de omissão de receitas, apurada a partir da movimentação financeira de origem não comprovada e, não obstante o contribuinte tenha transmitido sua DIPJ no formulário do lucro real, lavrou o auto de infração com base no lucro arbitrado. O procedimento fiscal foi motivado pela alta movimentação financeira, incompatível com a DIPJ apresentada, e todas as intimações tiveram que ser dirigidas ao domicílio tributário da sócia porque a empresa não existe de fato no seu endereço cadastrado (existe apenas uma sala comercial fechada, não permanecendo no local nenhuma pessoa/funcionário). A Recorrente tem seu capital divido entre dois sócios, uma pessoa jurídica estrangeira (177.999 quotas) e uma pessoa física brasileira (1 quota), e sua atividade econômica, segundo informado em sua DIPJ, é o comércio atacadista de produtos alimentícios. A partir dos extratos bancários (Banco Real e Banco Schahin), a fiscalização intimou a contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados na referidas contas, mediante apresentação de documentação hábil, coincidente em datas e valores. Os valores a serem comprovados foram relacionados em dois anexos, um para o Banco Real, contendo 19 folhas (mais de 900 depósitos), e um para o Banco Schahin, contendo uma 1 folha (30 depósitos). Em atendimento, foi apresentada uma série de documentos (termo de confissão de dívida, cessão de crédito, ata de assembleia), à guisa de justificar os depósitos como oriundos de pagamento da dívida assumida perante a recorrente pela pessoa jurídica ACT Asian Commercial Trade Ltd., a título de aquisição de quotas sociais, e que os recursos teriam sido recebidos de terceiros, por conta e ordem da ACT Asian Commercial Trade Ltd., quitando assim a sua obrigação perante a ora recorrente. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 8 7 Assim, houve apenas uma justificação em tese, sem a comprovação exigível, que é a apresentação de documentos hábeis, coincidentes em datas e valores com os depósitos questionados. Reintimada, a empresa juntou recibos de pagamentos, instrumentos particulares de contrato de mútuo, contratos de cessão de créditos, instrumento particular de contrato de prestação de serviços e Ata de reunião dos sócios realizada em 20 de junho de 2005. Sobre eles, a Fiscalização assim se manifestou: Dessa resposta e documentos, verificamos trataremse todos de cópias simples de docs. particulares, ou seja, recibos de venda de títulos antigos (sem comprovação de propriedade, valor ou aquisição), tais como: Apólice da Divida Pública, da República dos Estados Unidos do Brasil Decreto 4330 de 28/01/1902; Apólice de Empréstimo do Estado da Guanabara Brasil Lei n° 14 de 24/10/1960; Obrigações do Reaparelhamento Econômico 410 cupões de resgate séries 1954 e 1955 e Titulo de Obrigação de Guerra Decreto 4.789 de 05/10/1942, ambos da República dos Estados Unidos do Brasil. Contratos de mútuo e de cessão de créditos, sem registro, origem, demonstração de vinculo, contrato de prestação de serviços sem a devida comprovação ou nota fiscal e cópia da Ata já apresentada anteriormente. Concluímos que, apesar de todo prazo decorrido, o Contribuinte não atendeu ao que foi solicitado na nossa Intimação para comprovar a origem dos depósitos/créditos questionados. Para confirmar a acusação de omissão de receitas a decisão recorrida assentou que “Tendo em vista que a defendente não atendeu o pleito da fiscalização, os valores creditados em contas bancárias da contribuinte cujas origens não foram comprovadas foram considerados não escriturados, constando relação completa dos mesmos, bem como a totalização mensal às fls. 146 a 165, destacandose que a recorrente foi receptora de créditos bancários, no ano calendário 2005, no valor de R$ 62.553.162,65, tendo declarado em sua Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica receita bruta zerada (fls. 14 a 34)”. O fato de os documentos se constituírem em cópias simples de documentos particulares, a meu ver, por si só, não os invalida. Recibos não são inábeis, contratos de mútuo e de cessão de créditos não necessitam ser lavrados por instrumento público. Se houver coincidência de data e valor entre os documentos e os registros contábeis, cabe à fiscalização comprovar que são inverídicos. Quanto ao fato de serem cópias simples, se a fiscalização duvidasse de sua autenticidade, poderia intimar a contribuinte a apresentar os originais. Os documentos trazidos são os seguintes: DEMONSTRATIVO I Descrição Comentário Fls. 257: Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Robison Elias C. Batista Valor R$ 33.306,00 Data 19/10/2005. Entre os depósitos questionados, há um TED nesse valor, em 19/10/2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam Fl. 516DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 9 8 descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 259 Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Artesanato UniArt Valor R$ 63.820,00 Data 09/11/2005 Entre os depósitos questionados não há, em 09/11/2005, nenhum nesse valor. Fls. 262: Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Robison Elias C. Batista Valor R$ 31.400,00 Data 14/09/2005. Entre os depósitos questionados, há um TED nesse valor, em 14/09/2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 264: Recibo pela venda de apólices de Títulos da Dívida Pública a Lacerda e Firenze Advogados Valor R$ 50.000,00 Data 16/8/2005. Entre os depósitos questionados, há um depósito nesse valor, em 16/08//2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 267: Recibo pela venda de apólices de Obrigações de Reaparelhamento Econômico a Luiz Antônio Duarte Ferreira Valor R$ 104.400,00 Data 16/8/2005. Entre os depósitos questionados, há um TED nesse valor, em 16/08//2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. 268 Recibo declaratório pelo qual Maria Dolores Aranda declara que recebei de Asian Commercial Trade R$ 1.000,00 referente aas obrigações Obrigações de Reaparelhamento Econômico Valor R$ 1.000,00 – Data 05/06/2005 Tratase de comprovação da compra, pela ACT, dos títulos vendidos a Luiz Antônio Duarte Ferreira. Valor não corresponde a depósito. Fls. 274: Recibo pela venda de apólices de Obrigações de Reaparelhamento Econômico a Quanta Brasil Importação e Exportação Valor R$ 49.000,00 Data 10/8/2005 Entre os depósitos questionados há um TED nesse valor, em 10/08//2005. Contudo, o valor corresponde a venda de título, sendo, portanto, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fls. 276 Contrato de mútuo (mutuante Itamarati, mutuária Contibrasil) Data 01/09/2005 Valor R$ 338.000,00 Fls. 280 Recibo referente ao contrato de mútuo acima Data 06/09/2005 Valor R$ 338.000,00 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 209) o valor está contabilizado com o histórico “recebimento, parcela única ref. contrato de mútuo firmado em 01/09/3005 Itamarati Terraplenag. Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a receita. Fl. 281 Cessão de crédito junto a Cooperativa Agrícola Cotia, cedido pela Contibrasil à Florida, tendo sido cedido R$ 170.000, pelo preço de R$ 137.400,00, a ser pago até 05/08/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 206) o valor está contabilizado com o histórico “recebimento n/data ref. venda de créditos da Cooperativa Agrícola de Cotia...” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 283 Contrato de Mútuo entre Contibrasil (mutuante) e Wellness firmado em 04/02/2004 principal R$ 143.000,00 Fls. 285 Recibo referente ao contrato de mútuo acima, discriminando o principal e os encargos, e dando quitação de uma parcela paga em 12/09 e o Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 211) o valor está contabilizado com o histórico “recebimento quitação contrato de mútuo firmado com Fl. 517DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 10 9 complemento em 27/09. Data 29/09/2005 Valor R$ 100.000,000 Wellness......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fls. 285 Recibo referente à 1º parcela paga do contrato de mútuo acima. Data 13/09/2005 Valor R$ 122.969,000 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 210) o valor está contabilizado com o histórico “depósito efet. c/c ref pagto parcial contrato de mútuo Wellness......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 287 Contrato de Mútuo entre Contibrasil (mutuante) e Têxtil Cryb firmado em 01/07/2004 no valor principal de R$ 120.000,00 Fl. 289 a 291 Recibo de quitação do mútuo acima Data: 09/08/2005 Valor R$ 102.558,00 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 206) o valor está contabilizado com o histórico “crédito efet. c/c ref recebto. Contrato de mútuo c/Têxtil Crib...” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fls. 292 Recibo pela venda de Título (Obrigações de Guerra) a Carlos Leduar Valor R$ 46.571,24 Data 09/08/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 206) o valor está contabilizado como recebimento de Carlos Leduar pela venda de 01 título (obrigação de guerra). Como o valor corresponde a venda de título, representa, em tese, receita, e não há outros elementos correlacionados que permitam descaracterizar o ingresso como tal. Fl. 304 Contrato de Mútuo entre Metalkork (mutuante) e Cntibrasil (mutuária) firmado em 01/07/2004 no valor de R$ 689.255,47,00, firmado em 03/10/2005 Fl. 308 Recibo de Metaltork, referente ao mútuo acima, de parcela de R$ 58.589,48, depositado em 18/10/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 213) o valor está contabilizado com o histórico “vr. depósito efet. c/c ref recebimento parc mútuo Metaltork......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 309 Recibo de Metaltork, referente ao mútuo retro, de parcela de R$ 98.037,82, datado de 14/10/2005 Entre os depósitos questionados encontrase um TED coincidente em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 213) o valor está contabilizado com o histórico “crédito c/c ref recebimento parc mútuo Metaltork......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 310 Recibo de Metaltork, referente ao mútuo retro, de parcela de R$ 530.000,00, datado de 13/10/2005, e efetuado por seis depósitos nos valores de R$ 99.999,00. R$ 98.000,00. R$ 97.000,00, R$ 95.000,00, R$ 51.000,00 e R$ 90.000,00. Entre os depósitos questionados encontramse seis TEDs coincidentes em data e valor.. Na cópia do Razão (fl. 213) o valor de R$ 530.000,00 está contabilizado com o histórico “crédito c/c ref recebimento parc mútuo Metaltork......” Portanto, comprovado que o recurso não corresponde a omissão de receita Fl. 311 Contrato prestação de serviços (prestadora Contibrasil) firmado em 26/01/2005 pelo preço de US$ 130.000 Fl 312 Este os depósitos questionados no dia 18 encontramse Fl. 518DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 11 10 Recibo dos serviços acima, datado de 19/08/2005, no valor de R$ 250.172,00 um no valor de R$ 167.172,00 e um no valor de R$ 83.000,00. No Razão o valor R$ 250.172,00 está contabilizado como receita (fl 207), que realmente é.. Fls. 321: Recibo pela venda de cautelas de Títulos da Dívida Pública a Quanta Brasil Imo. Exp. Valor R$ 172.350,00 Data 10/08/2005. Tratandose de valor correspondente a venda de título, não é possível, sem outros elementos, descaracterizálo como receita. Fl. 338 Cessão de crédito junto a Cooperativa Agrícola Cotia, cedido pela Contibrasil à Sammar, tendo sido cedida parcela, pelo preço de R$ 200.000,00, a ser pago até 05/10/2005 Há um depósito de R$200.000,00 no dia 5/10 questionado pela fiscalização, e que está contabilizado no Razão(fl. 212) como DEPOSITO EFETUADO EM C/C REF. CESSAO DE CREDITO NO VALOR DERS 1.136.947,88 DA COOP. AGRICOLA Contrato de Mútuo entre ACT Asian Commercial Trade (mutuante) e Contibrasil (mutuária) firmado em 31/10/2005, de crédito rotativo no valor de R$ 7.600.000,00 Os valores creditados parceladamente estão analisados no Demonstrativo I, a seguir: DEMONSTRATIVO II Nº seq. data Valor Análise em relação ao depósito questionado. 1 2 3 4 5 6 7 8 31/10/2005 01/11/2005 04/11/2005 07/11/2005 08/11/2005 09/112005 09/11/2005 10/112005 263.412,00 483.510,00 567.872,83 138.155,20 69.031,11 455.350,83 427.230,00 155.229,72 Os depósitos questionados nesse dia somam 263.412,00 Os depósitos questionados nesse dia somam 560.510,00, havendo dois depósitos nos valores de 55.000,00 e 22.000,00. Por diferença, encontrase o valor contabilizado de 483.510,00 Os depósitos questionados nesse dia somam 567.872,83 Os depósitos questionados nesse dia somam 138.155,20 O depósito questionado nesse dia é de 69.031,11. Os dois valores contabilizados como creditados por ACT Asian em 09/11 somam R$ 882.580,83. O total dos depósitos questionados nesse dia somam R$ 919.178,02. Esse somatório pode conter os depósitos efetivados por ACT Asian, mas não foi possível identificar os valores que justificaram os dois lançamentos para aquele dia. Caberia ao contribuinte fazer a correlação entre cada depósito e o valor contabilizado. Da mesma forma que para o dia 09/11, Fl. 519DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 12 11 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 10/112005 10/11/2005 11/11/2005 11/11/2005 14/11/2005 14/11/2005 16/11/2005 17/11/2005 18/11/2005 18/11/2005 21/11/2005 22/11/2005 22/11/2005 23/11/2005 23/11/2005 24/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 28/11/2005 28/112005 447.538,33 110.500,00 77.134,23 300.000,00 29.163,25 635.000,00 410.441,94 12.500,00 131.660,70 79.556,59 15.729,50 19.929,89 24.000,00 213.522,50 70.000,00 385.700,00 85.000,00 116.256,20 97.960,00 8.838,23 569,00 94.000,00 não há coincidência entre os valores contabilizados no dia 10 e os depósitos questionados, e não foi possível estabelecer a correlação entre os depósitos questionados e o valor contabilizado como crédito de ACT Asian, o que caberia ao contribuinte fazer. No dia 11 há um depósito questionado no valor de R$ 300.000,000 e mais três depósitos que somam R$ 77.134,23. Os valores contabilizados coincidem em data e valor com os depósitos questionados no dia 14/11. O valor contabilizado coincide com a soma dos depósitos questionados no dia 16/11. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 17/11. A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 21/11. A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. (10.000,00 + 9.929,49 + 24,000,00). A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. Não há coincidência entre o valor contabilizado e o depósito questionado; Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 25/11. Os valores contabilizados coincidem com Fl. 520DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 13 12 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 28/11/2005 29/11/2005 30/11/2005 30/11/2005 01/12/2005 01/12/2005 02/12/2005 05/12/2005 06/12/2005 06/12/2005 08/12/2005 09/12/2005 13/12/2005 14/12/2005 15/12/2005 19/12/2005 21/12/2005 22/12/2005 28/12/2005 240,00 3.376,50 3.168,24 23.700,00 200.000,00 8.092,00 11.950,00 150.000,00 14.110,46 35.000,00 32.238,98 6.188,00 333.195,53 148.700,00 174.500,00 157.300,00 12.499,20 82.000,00 70.447,72 os depósitos questionados no dia 28/11. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 29/11. Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 30/11. Os valores contabilizados coincidem com os depósitos questionados no dia 01/12. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 02/12. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 05/12. A soma dos valores contabilizados coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. O valor contabilizado no dia 08 corresponde à soma de depósito de R$ 2.500,00 efetuado no dia 08 e um depósito de R$ 29.738,98 efetuado no dia 9. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia 09/12 O valor contabilizado coincide com a soma dos depósitos questionados no dia. O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia O valor contabilizado coincide com depósito questionado no dia O valor contabilizado no dia 19 coincide com depósito questionado no dia 20. Não há crédito nesse valor e data questionado para esse dia. Não há crédito nesse valor e data questionado para esse dia. Não há crédito nesse valor e data questionado para esse dia. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 14 13 A presunção legal não existe para que a autoridade fiscal se exima de auditar, de investigar. Se o contribuinte apresenta documentos para justificar a origem dos recursos, a autoridade fiscal deve analisálos e justificar, objetivamente, o resultado da análise. Como já dito acima, o fato de se tratar de documentos particulares não os torna inábeis, e quanto a terem sido apresentados por cópia, se a autoridade duvidava de sua autenticidade, deveria ter intimado a contribuinte a trazer os originais para autenticação das cópias. A escrituração faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza (contratos e recibos são documentos hábeis), cabendo à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados (Decretolei nº 1.598/77, art. 9º, § 2º). Se os depósitos questionados são coerentes com fatos registrados em conformidade com os documentos apresentados, a contribuinte cumpriu sua parte do ônus que a lei lhe atribui (provar a origem dos recursos), retornando à autoridade o ônus de provar a inveracidade. A partir do exposto, tenho que restou demonstrada a origem dos recursos correspondentes aos créditos a seguir relacionados: DEMONSTRATIVO III Data Valor R$ 06/09/2005 05/08/2005 12/09/2005 13/09/200 09/08/2005 18/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 14/10/2005 31/10/2005 01/11/2005 04/11/2005 07/11/2005 08/11/2005 11/11/2005 11/11/2005 14/11/2005 14/11/2005 16/11/2005 338.000,00 135.400,00 100.000,00 122.969,00 102.558,00 58.589,48 98.037,82 99.999,00 98.000,00 97.000,00 95.000,00 51.000,00 90.000,00 263.412,00 483.510,00 567.872,83 138.155,20 69.031,11 77.134,23 300.000,00 29.163,25 635.000,00 410.441,94 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 15 14 17/11/2005 18/11/2005 18/11/2005 21/11/2005 22/11/2005 22/11/2005 23/11/2005 23/11/2005 25/11/2005 25/11/2005 25/1/2005 25/11/2005 28/11/2005 28/112005 28/11/2005 29/11/2005 30/11/2005 30/11/2005 01/12/2005 01/12/2005 02/12/2005 05/12/2005 06/12/2005 06/12/2005 08/12/2005 09/12/2005 13/12/2005 14/12/2005 15/12/2005 12.500,00 131.660,70 79.556,59 15.729,50 19.929,89 24.000,00 213.522,50 70.000,00 85.000,00 116.256,20 97.960,00 8.838,23 569,00 94.000,00 240,00 3.376,50 3.168,24 23.700,00 200.000,00 8.092,00 11. 950,00 150.000,00 14.110,46 35.000,00 32.238,98 6.188,00 333.195,53 148.700,00 174.500,00 Resolvida a questão da omissão de receita, de cujo valor apurado pelo fiscal devem ser reduzidas as parcelas acima listadas, passo à segunda questão do litígio, que é a tributação pelo lucro arbitrado. Argumenta a Recorrente que caberia ao autuante tributar a omissão de receitas segundo a forma escolhida pelo contribuinte, que foi o lucro real. De fato, o art. 24 da Lei nº 9.249/95 dispõe que, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. A primeira indagação a ser feita é se se pode dizer que o contribuinte, no período de que se trata, estava submetido à tributação pelo lucro real pelo simples fato de ele ter transmitido sua declaração utilizando o formulário para esse fim. A DIPJ para o anocalendário de 2005 foi apresentada no formulário de lucro real, informando todos os campos de receitas, custos e despesas zerados (DIPJ fls. 15 e seguintes). Os únicos campos da DIPJ preenchidos com valores diferentes de zero são os dados Fl. 523DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 16 15 do balanço patrimonial, cujas contas, tanto de ativo como de passivo, apresentam saldo em 31/12/2004 idêntico ao de 31/12/2005. Vêse, claramente, que a contribuinte não optou por nenhuma forma de tributação, apenas entregou um formulário para, muito provavelmente, não chamar a atenção da fiscalização na condição de “omissa”. A segunda indagação é se seria razoável considerar que a contribuinte, por ter utilizado o formulário de lucro real, deveria ter sua “opção” respeitada, adicionandose as receitas omitidas, mesmo sem nenhum custo ou despesa computado. Obviamente, não, e a tributação pelo lucro arbitrado mostrase mais consentânea à realidade. Contudo, é preciso verificar se a autoridade fiscal cumpriu os passos que a autorizavam a arbitrar o lucro. Do que se depreende dos autos, a autoridade motivou o arbitramento por entender que a escrituração contém vícios, erros ou deficiências que a tornam imprestável para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária (art. 530, II, “a” do RIR/99). De fato, a fiscalização concentrouse na pesquisa da movimentação financeira, e atestou que a contribuinte demonstrou ter efetuado a escrituração dos valores contidos nos extratos bancários, através dos arquivos apresentados em meio magnético. Em 26/09/2009, ao reintimálo para apresentar documentos hábeis, coincidentes em data e valor, que devam respaldo aos valores contabilizados, alertouo que a falta de apresentação na forma solicitada, torna sua escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Ao receber os documentos, considerouos inábeis por serem cópias simples de documentos particulares, e contratos sem registro, não se prestando a provar a origem dos recursos e, portanto tornando sua escrituração imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira. Conforme explicitei quanto analisei a questão da omissão de receitas, não acho que a inversão do ônus da prova veiculada pela presunção legal chegue a tal ponto que a fiscalização possa recusar a prova trazida sem uma motivação consistente (que não seja apenas formal). Assim, a meu ver, não se configurou a hipótese invocada para o arbitramento. Como o lançamento não poderia ter sido feito com base no lucro real a partir do consignado na declaração (que, como dito, não apurou nada), caberia prosseguir na investigação, para verificar, nos livros fiscais e contábeis da contribuinte (nos quais estaria transcrita a apuração do lucro líquido e do lucro real), o lucro real apurado e adicionar as receitas omitidas. Poderia a autoridade fiscal intimar o sujeito passivo a apresentar na repartição os livros (que supostamente estavam à sua disposição em escritório de contabilidade), sob pena de arbitramento por recusa de apresentação. Subscrevo as considerações do julgador Eduardo Shimabukuro, quando consignou, em sua “Declaração de Voto, que “(...) é de se presumir que a contribuinte tinha uma escrituração suficiente para que fosse determinado o resultado tributável, motivo pelo qual caberia ao autuante, observando a forma de tributação escolhida originalmente pela Fl. 524DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI PPrroocceessssoo nnºº 19515.003562/200980 AAccóórrddããoo n.º 1301001.414 SS11CC33TT11 Fl. 17 16 fiscalizada, no caso, o lucro real anual, intimála a apresentar a demonstração do lucro líquido do exercício, com as adições e exclusões previstas na legislação tributária e, a partir dessa informação, adicionar o montante correspondente às receitas omitidas, efetuando o correspondente lançamento.” Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL, e reduzir da matéria tributável relativa ao PIS e à COFINS aos valores relacionados no Demonstrativo III no corpo deste voto. É como voto. Sala das Sessões, em 13 de fevereiro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 525DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 30/06/2014 por WI LSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000799/2009-16
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
MULTA REGULAMENTAR. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
A multa de oficio aplicável sobre compensação não declarada refere-se à conduta de ter realizado compensação apontando crédito defeso por lei. Essa exigência não se confunde com eventual sanção relativa ao fato de não ter extinguido os respectivos créditos tributários no prazo legal.
Numero da decisão: 1801-002.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. A multa de oficio aplicável sobre compensação não declarada referese à conduta de ter realizado compensação apontando crédito defeso por lei. Essa exigência não se confunde com eventual sanção relativa ao fato de não ter extinguido os respectivos créditos tributários no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques e Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 07 99 /2 00 9- 16 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14033.000799/200916 Acórdão n.º 1801002.063 S1TE01 Fl. 104 2 Relatório DATA CONSTRUCOES E PROJETOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 03047.069 (fl. 64), pela DRJ Brasília, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração para exigir multas regulamentares aplicadas em razão de ter sido considerada não declarada a DCOMP nº 41978.19631.310105.1.3.542587, que extinguia vários débitos da empresa autuada (fls. 05/29). A referida DCOMP aponta como crédito a ação judicial nº 199734000165270, da 17ª Vara Federal do Distrito Federal. A DRF Brasília constatou que o processo apontado trata de crédito de terceiros, uma vez que o referido processo tem como autora a empresa Banco OK de Investimentos S.A. Assim, considerou a DCOMP não declarada, conforme o Despacho Decisório de fls. 30/40, em sede do processo administrativo nº 14033.000772/200915. Em consequência, foi aplicada a multa em análise. Inconformado, o autuado apresentou a impugnação de fls. 44/48, em que alega, em síntese que: i) não merece prosperar o lançamento efetuado, em virtude de ter aderido, em 27/11/2009, ao parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, quando a ciência do auto de infração se deu posteriormente, em 14/12/2009 e ii) foi solicitado o pedido de cancelamento da referida Dcomp, em 25/11/2009, antes da ciência dos autos de infração, ocorrida e 14/12/2009. A DRJ Brasília julgou improcedente a impugnação, ementando assim a sua decisão (fl. 64): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anoscalendário: 2004, 2005 Exigência de Multa Isolada Crédito de Terceiro – Compensação NãoDeclarada Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada nãodeclarada (hipótese em que o crédito é de terceiro). Pedido de Cancelamento de Dcomp – Rito Geral do Processo Administrativo A petição interposta em face de despacho da autoridade da DRF que indefere o pedido de cancelamento de Declaração de Compensação não está sujeita ao rito processual do Processo Administrativo Fiscal (PAF), submetendose ao rito geral do processo administrativo federal. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14033.000799/200916 Acórdão n.º 1801002.063 S1TE01 Fl. 105 3 Cientificado dessa decisão em 10/05/2012, por meio de remessa postal (fl. 72), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 74/101), em 06/06/2012, em que repisa os mesmos argumentos já apresentados em sua impugnação: É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. Em seu primeiro argumento de defesa, o recorrente afirma que o fato de ter incluído os débitos em tela no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2009, antes da ciência do auto de infração, torna inválidos os presentes autos de infração. Todavia, não assiste razão ao recorrente, uma vez que as multas hora exigidas referemse à conduta de ter realizado compensação apontando crédito de terceiros, o que é defeso por lei. Essa exigência não se confunde com eventual sanção relativa ao fato de não ter extinguido os respectivos créditos tributários no prazo legal. Esta última poderia ser afetada pela satisfação das obrigações tributárias, mas essa questão extrapola o escopo do presente processo. Em seu segundo argumento, o recorrente afirma que foi solicitado o cancelamento da referida Dcomp antes da ciência dos autos de infração. Contudo, como ele mesmo informa, a DRF Brasília indeferiu o cancelamento pleiteado, em razão de ter sido solicitado posteriormente a intimação fiscal que visava esclarecer o crédito declarado. Portanto, persiste a decisão de considerar não declarada a referida DCOMP, o que dá ensejo às multas exigidas. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 105DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10380.721030/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.142
Decisão:
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 IPI INDÚSTRIA DE BEBIDAS SISTEMA DE CONTROLE DE PRODUÇÃO DE. BEBIDAS (SICOBE) MULTA REGULAMENTAR FALTA OU RETARDAMENTO CULPOSO NA INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS TIPICIDADE DA CONDUTA. A lei somente autoriza a aplicação da severa multa de 50% sobre valor comercial da mercadoria produzida, prevista para a infração à obrigação de instalação de equipamentos contadores de produção de bebidas (MP nº 2.158 35/01), na comprovada ocorrência das hipóteses de retardamento culposo ou falta definitiva na instalação dos equipamentos imputáveis ao fabricante de bebidas, ocorrentes no caso, assim configurandose a tipicidade da conduta da Recorrente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 MULTA INFRAÇÃO À OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E TIPICIDADE FECHADA ATIPICIDADE DA CONDUTA. Em obediência aos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do Direito Tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência da multa, ou seja, sua descrição típica, justificandose a aplicação de sanção administrativa quando tipificada a conduta prevista em lei como infração. Precedentes do STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 10 30 /2 01 0- 60 Fl. 518DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso nos termos do voto do relator. SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Monica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente), Luiz Carlos Simoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 495/ 509) contra o Acórdão DRJ/BEL nº 0122.489 de 02/08/11 constante de fls. 483/489 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Belém PA que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o lançamento” original de Multa consubstanciado no Auto de Infração (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico MPF nº 0310100/00900/09), notificado em 30/02/10 (fls. 04), no valor total de R$ 15.466.410,07, que acusou o ora Recorrente de “não instalação do Sistema de Controle de Bebidas (SICOBE), no período de 10/10/06 a 30/06/09, razão pela qual se lhe aplicou a multa de 100% do valor das mercadorias capitulada no art. 36 a 38 da MP n° 2.15835/01 e art. 5° da Lei nº 11.051/04 nos seguintes termos: “001 MULTAS PROPORCIONAIS AO VALOR DA MERCADORIA NAO INSTALAÇÃO/FUNCIONAMENTO INADEQUADO DE MEDIDORES DE VAZÃO E CONDUTIVIMETROS O estabelecimento industrial é envasador de refrigerantes, bebida classificada na posição 2202 da Tabela de Produtos Industrializados TIPI. Possui 01 (uma) linha de produção instalada, com capacidade nominal de enchimento de 25.344.000 litros por ano, dado informado pelo contribuinte em atendimento ao nosso Termo de Início de Ação Fiscal. Além disso, a matriz da empresa, localizada em RecifePE, dispõe de outras 04 (quatro) enchedoras de cerveja e/ou refrigerante em situação normal de operação, com capacidade instalada aproximada de 230.000.000 de litros por ano, conforme Termo de Constatação Fiscal relativo à ação fiscal objeto do MPF n.° 0410100/00034/2009 (em anexo). Fl. 519DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 3 3 A Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, dispõe, em seu art. 36, que os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de Vazão e de condutividade, bem como de aparelhos para controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. A mesma MP, em seu art. 38, estabelece que, a cada período de apuração do imposto, poderá ser aplicada multa de cinquenta por cento do valor comercial das mercadorias produzidas, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), se, a partir do décimo dia subsequente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 36 não tiverem sido instalados em razão de impedimento criado pelo contribuinte. Em 20 de dezembro de 2002 foi publicada a Instrução Normativa SRF n° 265 (posteriormente revogada pela IN SRF n° 587/2005), que determinava, em seu art. 2°, parágrafo 2°, que os estabelecimentos industriais dos produtos classificados Nas posições 2202 e 2203 da TIPI estão obrigados, ao uso dos equipamentos acima referidos, que compõem o sistema de Medição de Vazão (SMV), no prazo de 06 (seis) meses contados a partir da primeira homologação e credenciamento dos equipamentos e respectivos fabricantes, efetuada pela CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE) publicado no Diário Oficial da União (DOU). O Ato Declaratório Executivo Cofis n° 7, de 20 de maio de 2004, em seu art. 18, dispôs que os estabelecimentos industriais envasadores sujeitos à instalação e operação do Sistema de Medição de Vazão (SMV) deverão apresentar, para cada enchedora, o pedido de homologação do sistema, indicando a empresa integradora credenciada pela SRF. Em 13 de março de 2006 foi publicado o Ato declaratório Executivo Cofis n° 13, que revogou o ADE Cofis n° 7/2004 e estabeleceu prazos para a instalação do SMV nas indústrias envasadoras de refrigerantes, prazos esses alterados posteriormente pelo ADE Cofis n° 23, de 23 de setembro de 2007. Registrese que os prazos foram fixados em função da capacidade instalada de produção anual da pessoa jurídica e tal capacidade foi definida como o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes dos estabelecimento industriais envasadores da pessoa jurídica. Sendo o contribuinte fiscalizado estabelecimento industrial envasador de refrigerantes e sendo a capacidade instalada de produção anual da pessoa jurídica superior a 200.000.000 de litros, de acordo com a forma de cálculo estabelecida pelo ADE Cofis n° 13, estava o mesmo obrigado à instalação do SMV em sua enchedora até 30 de setembro de 2006, por força do ADE Cofis n° 13/2004. Ocorre que o sujeito passivo, até a presente data, ainda não formalizou o pedido de homologação do Sistema de Medição de Vazão. Dessa forma, lavramos o presente Auto de Infração Fl. 520DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 4 para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 38, inciso I, da MP 2.15835/2001, que corresponde a 50% do valor comercial das mercadorias produzidas no período compreendido entre 1° de outubro de 2006 e 30 de junho de 2009 (final do período determinado para esta fiscalização), conforme planilha em anexo. Os dados que serviram de base para apuração da multa foram obtidos dos relatórios de Registro da Produção Diária e de planilhas, todos disponibilizados pelo contribuinte. Data Ocorrência Valor Multa Regulamentar 10/10/2006 R$164.032,32 (...) 30/06/2009 R$483.244,84 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 36 a 38 da Medida Provisória n° 2.15835/01; Art. 5° da Lei n° 11.051/04”. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 483/489 da 3ª Turma da DRJ de Belém PA houve por bem “julgar improcedente a impugnação”, mantendo integralmente o lançamento” original de Multa consubstanciado no Auto de Infração fls. 167/186 exarado pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto SP, houve por bem “julgar improcedente a impugnação” mantendo integralmente o lançamento” original de Multa aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2009 SISTEMA MEDIDOR DE VAZÃO. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro e gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Receita Federal. Para fins de definição dos prazos para instalação dos SMV, considerase, para determinação da capacidade instalada de produção anual, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes, classificados nas posições 2203 e 2202 da Tipi, dos estabelecimentos industriais envasadores da pessoa jurídica e das coligadas, controladas e controladoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 (cinco mil e seiscentos e noventa e quatro) horas por ano. FALTA DE INSTALAÇÃO DO SMV EM FUNÇÃO DE Fl. 521DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 4 5 IMPEDIMENTOCRIADOPELAEMPRESA. O impedimento que desoneraria o contribuinte da aplicação da multa poderia ser, p. ex., de ordem técnica, ou decorrente de caso fortuito ou força maior, mas jamais atribuído exclusivamente ao próprio contribuinte, como seria o caso em que foi demonstrada a sua inércia diante da obrigação acessória instituída em favor do Fisco federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 495/ 509) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve, tendo em vista: a) preliminarmente a nulidade do lançamento por nulidade por cerceamento ao direito de defesa, vez que não lhe teria sido notificada do MPF n°. 0310100/00900/09 nem da conclusão do levantamento fiscal, além de suposta ausência de provas da acusação fiscal; b) no mérito, que muito embora a Recorrente “não deixou de cumprir com seus deveres fiscais, recolhendo todos os tributos devidos. Ou seja, a possível não homologação (ou a não instalação do SMV) não gerou prejuízos ao erário, nem mesmo serviu para o Contribuinte deixar de recolher devidamente seus impostos, uma vez que a não instalação do SMV somente ocorrera por impossibilidade temporária da empresa Autuada” em face “dos elevados custos inerentes a instalação de tais equipamentos impossíveis de serem custeados pela empresa Autuada”; c) a inconstitucionalidade da multa em face dos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade; d) reitera a necessidade de perícia rejeitada pela r. decisão recorrida eis que “a Autuada adéquase ao disposto no art. 1°, II do ADE n°. 23, de setembro de 2007, pelo qual o Contribuinte cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros, teria o prazo de até 30 de junho de 2008 para efetuar a instalação; d) finalmente reitera a inocorrência de qualquer dano ao erário e que a impossibilidade da instalação do Sistema de Medição de Vazão – SMV, não foi causa de nenhum descumprimento de obrigação principal, não podendo ser entendida como responsabilidade objetiva desta empresa ora autuada. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário reúne as condições de admissibilidade e, no mérito não merece ser provido. Inicialmente rejeito as preliminares de cerceamento de defesa bem repelidaas pela r. decisão recorrida cujos fundamentos adoto como razões de decidir. A par da discussão sobre a constitucionalidade da multa, que não pode ser editada em sede administrativa restrita ao exame da legalidade, releva notar que cumprindo sua Fl. 522DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 6 vocação constitucional de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação tributária (art. 146, inc. III, alínea “b” da CF/88), a Lei Complementar faz clara distinção entre a obrigação tributária principal ou substancial (de dar), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art. 113, §1º do CTN), e as obrigações tributárias acessórias (de fazer e não fazer), que são instituídas por lei “no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos” (arts. 113, §§ 2º e 3º e 115 do CTN) com a finalidade exclusiva de tutelar o cumprimento da obrigação principal. Da mesma forma, conforme o tipo de obrigação tributária violada e a gravidade do dano dela decorrente, distinguemse claramente as infrações tributárias substanciais das infrações tributárias formais, configurandose as primeiras (infrações substanciais), quando um dos sujeitos da relação jurídicotributária (contribuinte ou responsáveis) violar ou deixar de cumprir a obrigação tributária principal, resultando em falta ou insuficiência do pagamento do tributo, e as segundas (infrações formais), quando o sujeito da relação jurídicotributária violar ou deixar de cumprir uma das obrigações tributárias acessórias instituídas para tutelar o cumprimento da obrigação tributária principal, geralmente consubstanciadas no cumprimento de requisitos e formalidades na emissão de declarações, livros e documentos fiscais, que possibilitam a fiscalização e controles de arrecadação do tributo. No caso cogitase de multa prevista para a infração à obrigação acessória, sem falta de recolhimento do tributo. Como é curial, consectário lógico do Princípio da Legalidade Penal, o Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas puníveis e as respectivas sanções delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a punibilidade de uma conduta somente se dê quando ocorra sua adequação exata ao tipo legal, sendo vedada a invocação de analogias, presunções, deduções e outras circunstâncias análogas mencionadas em outras leis distintas, não previstas expressamente na descrição da lei penal especifica que define a infração e a sanção. Em decorrência do aludido princípio incorporado ao Direito Tributário sancionatório, a obrigação tributária que tem por objeto penalidade pecuniária, somente surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei, e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114 do CTN), sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN). Na aplicação do aludido princípio a Jurisprudência Administrativa já assentou que “a tipicidade cerrada do fato gerador e a estrita legalidade são impeditivas a interpretações da legislação para a efetivação ou sustentação de lançamento tributário em condições ou circunstâncias legais e expressamente não autorizadas, sendo, neste contexto, incabível o emprego de analogia (C.T.N., artigo 108, § 1º)” (cf. Ac. nº 10415653 da 4ª Câm. do 1º CC, rec. nº 113010, Proc. nº 10980.007402/9617, em sessão de 09/12/1997, Rel. Cons. Roberto William Gonçalves), assim como “incabível a aplicação de multa por analogia ou extensão” (cf. Ac. nº 30130351 da 1ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 124733, Proc. nº 11128.001023/0068, em sessão de 17/09/2002, Rel. Cons. CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO) “visto que o agente fiscal não pode ter o arbítrio de subsumir o fatoespécie de infração a um gênero legal de tal amplitude” já que “a apenação não pode ser imputada por via analógica” (cf. Ac. 30128.458, de 23/07/97, do 3º CC DOU de 26/03/98). No mesmo sentido a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “a utilização de analogias ou de interpretações ampliativas, em matéria de punição (...), longe de conferir ao administrado uma acusação transparente, pública, e legalmente justa, afronta o princípio da tipicidade, corolário do princípio da legalidade, segundo as máximas: nullum crimen nulla Fl. 523DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 5 7 poena sine lege stricta e nullum crimen nulla poena sine lege certa, postura incompatível com o Estado Democrático de Direito.” (cf. Ac. da 5ª Turma do STJ no RMS 16264GO, Reg. nº 2003/00601654, em sessão de 21/03/06, Rel. Min. LAURITA VAZ, publ. in DJU de 02/05/06 p. 339) No caso concreto, consoante esclarece a r. decisão recorrida com base na legislação de regência: “5. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, determina, no que diz respeito ao medidores de vazão: “Art. 36. Os estabelecimentos industriais dos produtos classificados nas posições 2202 e 2203 da TIPI ficam sujeitos à instalação de equipamentos medidores de vazão e condutivímetros, bem assim de aparelhos para o controle, registro gravação dos quantitativos medidos, na forma, condições e prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. ........... Art.38. A cada período de apuração do imposto, poderão ser aplicadas as seguintes multas: I de cinqüenta por cento do valor comercial da mercadoria produzida, não inferior a R$10.000,00(dez mil reais): a) se, a partir do décimo dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 36 não tiverem sido instalados em razão de impedimento criado pelo contribuinte; e b) se o contribuinte não cumprir qualquer das condições a que se refere o §2º do art. 36; II no valor de R$10.000,00(dez mil reais), na hipótese de descumprimento do disposto no art. 37.”(grifouse) 6. Conforme delegação prevista no art. 36, a Receita Federal expediu ato normativo dispondo sobre a instalação dos equipamentos de vazão. No período objeto do lançamento encontravase em vigor a Instrução Normativa SRF n° 587, de 21 de dezembro de 2005, que prescrevia: “Art. 2º A CoordenaçãoGeral de Fiscalização (Cofis), por intermédio de Ato Declaratório Executivo (ADE), publicado no Diário Oficial da União(DOU), deverá estabelecer: I as condições de funcionamento e as características técnicas e de segurança do SMV; II os procedimentos relativos à instalação, verificação de conformidade, homologação e intervenção no SMV; Fl. 524DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 8 III os limites mínimos de produção ou faturamento, a partir do qual os estabelecimentos ficarão obrigados à instalação do SMV; IV os prazos nos quais os estabelecimentos industriais envasadores dos produtos classificados nas posições 2201 e 2202 da Tipi estarão obrigados instalação do SMV. §1º A homologação de que trata o inciso II do caput será efetuada pela Cofis, por intermédio de ADE publicado no DOU. .............”(grifouse) 7. Por sua vez, vigente no período em discussão, o ADE Cofis nº 13, de 13 de março de 2006, com alterações promovidas pelos ADE Cofis nº 23, de 12 de setembro de 2007, e nº 14, de 14 de abril de 2009, dispunha: “Art. 4º Os prazos para instalação do SMV pelas pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes obedecerão aos seguintes critérios: I – até 30 de setembro de 2006, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 200 (duzentos) milhões de litros; II – até 30 de junho de 2008, para pessoas jurídicas cuja capacidade instalada de produção anual seja superior a 30 (trinta) milhões e igual ou inferior a 200 (duzentos) milhões de litros; (Redação dada pelo ADE Cofis n° 23, de 12 de setembro de 2007) III até 30 de junho de 2010, para as demais pessoas jurídicas obrigadas à instalação do SMV (Redação dada pelo Ato Declaratório COFIS nº 14, de 14 de abril de 2009.) §1º Para fins do disposto neste ADE, considerase, para determinação da capacidade instalada de produção anual, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras de cervejas e refrigerantes, classificados nas posições 2203 e 2202 da Tipi, dos estabelecimentos industriais envasadores da pessoa jurídica e das coligadas, controladas e controladoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 (cinco mil e seiscentos e noventa e quatro) horas por ano. §2º As pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes que deixaram de atender tempestivamente à exigência do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 587, de 2005, deverão instalar o SMV no prazo de seis meses, contado da publicação deste ADE. Art. 5º Fica dispensada da instalação do SMV a pessoa jurídica cuja capacidade instalada de produção anual seja igual ou inferior a 5(cinco) milhões de litros, e que tenha auferido, no anocalendário de 2004, receita bruta igual ou inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), considerados todos os seus estabelecimentos e os das pessoas jurídicas coligadas, controladas e controladoras. .......”(grifouse) Fl. 525DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 6 9 8. Temse então que, na forma prevista pelo ADE acima transcrito, os prazos para a instalação do SMV foram definidos levandose em conta a “capacidade instalada de produção anual” das pessoas jurídicas, sendo que o §1º do art. 4º define expressamente que deverá ser considerado, para a determinação da referida capacidade instalada, o somatório das capacidades nominais de envasamento de todas as enchedoras, em litros por hora, multiplicado por 5.694 horas por ano. 9. Afastase, assim, a necessidade da perícia requerida, uma vez que o prazo definido na norma independia da real produção do estabelecimento. Extinção do Auto por erro na descrição e pela falta de provas. 10. Na contestada descrição dos fatos do Auto, o Fiscal responsável descreveu: “Sendo o contribuinte fiscalizado estabelecimento industrial envasador de refrigerantes e sendo a capacidade instalada de produção anual da pessoa jurídica superior a 200.000.000 de litros, de acordo com a forma de cálculo estabelecida pelo ADE Cofis n° 13, estava o mesmo obrigado à instalação do SMV em sua enchedora até 30 de setembro de 2006, por força do ADE Cofis n° 13/2004. Ocorre que o sujeito passivo, até a presente data, ainda não formalizou o pedido de homologação do Sistema de Medição de Vazão. Dessa forma, lavramos o presente Auto de Infração para aplicação da multa regulamentar prevista no art. 38, inciso I, da MP 2.15835/2001, que corresponde a 50% do valor comercial das mercadorias produzidas no período compreendido entre 1º de outubro de 2006 em 30 de junho de 2009 (final do período determinado para esta fiscalização), conforme planilha em anexo.”(grifouse) 10. Ora, vêse claramente que a autoridade fiscal lançou a multa em função do descumprimento do prazo para instalação do sistema, tal qual previsto na legislação, sendo a homologação um passo seguinte previsto no ADE/Cofis, não tendo razão a impugnante em sua contestação. 11. Relativamente ao argumento de que não teria ficado caracterizado o impedimento criado pela empresa, cumpre esclarecer que o próprio legislador já definiu, na norma instituidora da obrigação, a sua dispensa, a juízo exclusivo da Receita Federal, em função de limites de produção ou faturamento (art. 36, §1º, II), de modo a desonerar da obrigação aqueles contribuintes que os apresentassem abaixo desses limites, conforme art.5º do ADE acima transcrito. 12. Percebase que, enquanto a intenção do legislador foi controlar a produção, com claro desejo de combater a sonegação fiscal e, por via de conseqüência, obstar o desequilíbrio concorrencial no mercado de bebidas, a limitação referida, em função da produção ou do faturamento, pondo à margem da obrigação uma parcela de indústrias do setor, visou tornar efetivos os princípios da proporcionalidade e da Fl. 526DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA 10 onerosidade excessiva, de forma, inclusive, a promover a observância do princípio da isonomia em matéria tributária, tratando desigualmente os contribuintes que se encontram em situação também desigual. 13. Assim, o impedimento que desoneraria o contribuinte da aplicação da multa poderia ser, p. ex., de ordem técnica, ou decorrente de caso fortuito ou força maior, mas jamais atribuído exclusivamente ao próprio contribuinte, como seria o caso em que foi demonstrada a sua inércia diante da obrigação acessória instituída em favor do Fisco federal.” Dos preceitos retro transcritos verificase que para a infração à obrigação de “instalação de equipamentos contadores de produção”, a lei somente autoriza a aplicação da severa multa de 50% sobre valor comercial da mercadoria produzida, na comprovada ocorrência de uma das duas condutas tipificadas e consubstanciadas, seja na hipótese de “impedimento criado pelo fabricante” na instalação dos equipamentos, assim considerado “qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento”, seja na hipótese de o fabricante definitivamente “não efetuar o controle de volume de produção”. No caso concreto desde logo verificase que ocorreu a hipótese de o fabricante definitivamente “não efetuar o controle de volume de produção”, pois cmo comprovou a d. Fiscalização “o sujeito passivo, até a presente data, ainda não formalizou o pedido de homologação do Sistema de Medição de Vazão”, sem indicar qualquer motivo que justificasse retardamento ou a omissão culposa que lhe foi imputado. Inserindose nas condutas tipificadas na norma capitulada na peça acusatória, não há como deixar de manter a exigência fiscal, ou justificar conduta diversa da estabelecida na lei pois como já assentou a Jurisprudência deste E. Conselho “a aplicação de penalidade depende da verificação suficiente e necessária do fato descrito como infracional, para que o ato a ele afrontoso permita a aplicação da penalidade cominada, em respeito ao princípio da tipicidade cerrada” (cf. Ac. nº CSRF/0201.845 da 2ª Turma da CSRF, Rec. nº 202099209, Proc. nº 10907.000178/9562, em sessão de 11/04/2005, rel. Cons. Rogério Gustavo Dreyer). Portanto, considerando que Recorrente praticou as condutas típicas (retardamento culposo e não instalação definitiva dos equipamentos de controle de produção) que justifica a aplicação da penalidade imposta, por tipicidade da conduta da Recorrente. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para manter a r. decisão recorrida e as multas aplicadas no Auto de Infração vestibular, porque aplicadas na presença dos pressupostos legais. É como voto. Sala das Sessões, em 25 de março de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 527DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Processo nº 10380.721030/201060 Acórdão n.º 3402002.347 S3C4T2 Fl. 7 11 Fl. 528DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 12/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Numero do processo: 23034.042303/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.309
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz., Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz., Leo Meirelles do Amaral. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 42 30 3/ 20 06 -1 0 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042303/200610 Resolução nº 2302000.309 S2C3T2 Fl. 543 2 Relatório e Voto Trata o presente de Notificação para Recolhimento de Débito constituída pelo FNDE – Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação, cientificada ao sujeito passivo em 21/12/2006, e referente à glosa de deduções efetuadas em relação ao número de alunos beneficiados na modalidade “Indenização de Dependentes”, relativas ao período de 01/1996 a 12/2003. Após a impugnação apresentada, Acórdão de primeira instância às fls. 511/521, pugnou pela procedência parcial do lançamento, em vista da decadência, excluindo da notificação as competências até 12/2001, com fulcro no artigo 150,§4º, do Código Tributário Nacional e recorreu de ofício a este Colegiado. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) que tem direito à dedução do valor da contribuição do Salário Educação na modalidade indenização de dependente; b) que possui milhares de funcionários e por isso se torna impossível a juntada de todos os documentos para comprovar que estão corretas as deduções efetuadas; c) que pela impossibilidade material de juntar os documentos, devido ao volume dos mesmos, é que solicitou a realização de perícia; d) que a negativa do deferimento da perícia cerceou a defesa da recorrente; e) que deve ser buscada a verdade material e que o levantamento se baseou apenas nos dados constantes dos sistemas informatizados. Requer o provimento do recurso para determinar a realização da prova pericial para que seja encontrado o verdadeiro crédito. É o relatório. Com relação ao Recurso de Ofício, a decisão de recorrida pugnou pela procedência parcial do lançamento, frente à extinção do crédito pela homologação tácita, nos moldes do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional. A Notificação para Recolhimento de débito foi cientificada ao sujeito passivo em 21/12/2006, compreendendo o período de 01/1996 a 12/2003. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042303/200610 Resolução nº 2302000.309 S2C3T2 Fl. 544 3 Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Fl. 544DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042303/200610 Resolução nº 2302000.309 S2C3T2 Fl. 545 4 Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso em tela, onde os lançamentos referemse à glosa de dedução do salário educação, por certo houve recolhimento antecipado, mesmo que parcial, para o FNDE devendo ser aplicado o disposto no artigo 150,§ 4º, do Código Tributário Nacional, que tem como marco inicial para a contagem da decadência, a ocorrência do fato gerador, salientandose ainda, a ausência de provas nos autos quanto à existência de dolo, fraude ou simulação: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Desta forma, esta correta a decisão recorrida que excluiu do lançamento as competências até 07/2001, (última competência lançada de 2001), já que a ciência do lançamento se deu em 21/12/2006. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042303/200610 Resolução nº 2302000.309 S2C3T2 Fl. 546 5 Quanto ao Recurso Voluntário, é de se ver que o débito do contribuinte junto ao FNDE foi apurado com base nas avaliações realizadas nas informações prestadas ao Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental e referese a divergência de valores deduzidos e o número de alunos indicados pela sociedade empresária. A Notificação para Recolhimento de Débito (NRD) emitida pelo FNDE teve por base informações prestadas pela própria recorrente. Ou seja o levantamento se deu na análise conjunta das deduções efetuadas pela empresa com as informações dos beneficiários, também por ela prestadas, como se vê das fls. 01 dos autos: Tratase de Apuração Especial das deduções de valores devidos a contribuição social do SalárioEducação, tributo previsto no art. 212, § 50,1 da Constituição Federal, regulamentado pelas Leis n"s 9.424/96, 9.766/98 e 10.832/03 e pelos Decretos n°s 3.142/99 e 4.943/03¡, referentes ao beneficio instituído pelo Sistema de Manutenção do Ensino Fundamental SME, programa pelo qual a empresa propiciava o ensino fundamental a seus empregados e a dependentes desses, no exercício de direito adquirido anteriormente à Emenda Constitucional n° 14/96. 2. O exame em questão visou identificar as deduções realizadas indevidamente, na modalidade "indenização de dependentes", baseandose nas informações constantes no Sistema de Gestão da Arrecadação SIGA desta Autarquia. 3. O critério do levantamento consistiu em verificar, a partir do 2° semestre de 1996, conforme o Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, em anexo, se o valor deduzido é equivalente ao número de alunos informado pela empresa na Relação de Alunos Indenizados RAI. Nas suas razões de defesa e recurso, a recorrente insiste em dizer que não poderia ter ocorrido a autuação apenas com base nos sistemas informatizados, sendo premente a análise física dos livros e documentos que dispõe, mas que pelo elevado número deve ser apreciado através de perícia técnica. Quando da defesa, foram juntados aos autos os documentos de fls. 34/202; 206/412 e 416/496, referentes a Relações de Empregados Beneficiados, por competência e valor deduzido; Atestados de Indenização; Declaração de Percepção de Indenização Escolar; Declaração dos Estabelecimentos de Ensino quanto aos bolsistas; Recibos de Pagamento e cópia do Razão. A recorrente diz que a juntada se fez por amostragem devido ao grande número de documentos a serem examinados e que toda a documentação está a disposição para ser periciada. A decisão recorrida se manifesta pela procedência do lançamento dizendo da obrigatoriedade da recorrente prestar as informações no prazo, sob pena de ter os valores deduzidos glosados e que não foram juntados todos os documentos para elidir o débito. Todavia, entendo que frente aos vários documentos juntados por ora da defesa, mesmo que por amostragem, o Fisco deveria examinálos para ver da procedência ou não das alegações do contribuinte. Ainda que as informações tenham sido prestadas pelo próprio, não Fl. 546DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 23034.042303/200610 Resolução nº 2302000.309 S2C3T2 Fl. 547 6 quer dizer que esteja impedido de fazer retificações ou apresentar justificativas para as deduções havidas. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que a documentação relativa à glosa efetuada seja verificada, em busca da verdade material. Do resultado da diligência deve ser dada ciência ao contribuinte e aberto prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 547DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10660.905855/2011-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 55 /2 01 1- 70 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905855/201170 Acórdão n.º 3803006.017 S3TE03 Fl. 164 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da contribuição para o PIS, no valor de R$ 13.713,89. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 23 de dezembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de janeiro de 2014, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905855/201170 Acórdão n.º 3803006.017 S3TE03 Fl. 165 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905855/201170 Acórdão n.º 3803006.017 S3TE03 Fl. 166 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 166DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905855/201170 Acórdão n.º 3803006.017 S3TE03 Fl. 167 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 167DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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