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Numero do processo: 10880.990001/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA.
A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS
A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas.
A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.088
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 PIS. DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendo-lhe vedado fundamentá-la em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado.
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DCTF. RETIFICAÇÃO PÓS DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da DCTF pelo contribuinte, que reduz o valor devido de PIS originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DCOMP. CRÉDITO. PROVAS NO PROCESSO TRIBUTÁRIO. EFEITOS A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação das compensações declaradas. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir certeza às argumentações do recorrente. Será na prova assim produzida que irá o julgador formar sua convicção sobre os fatos, sendolhe vedado fundamentála em elementos desprovidos da segurança jurídica que os princípios e normas processuais acautelam. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 00 01 /2 00 9- 71 Fl. 140DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase o presente processo em que a empresa IOB INFORMAÇÕES OBJETIVAS PUBLICAÇÕES JURÍDICAS LTDA., ingressou com Declaração de Compensação alegando pagamento a maior de PIS. Conforme o Despacho Decisório Eletrônico acostado aos autos, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A Recorrente cientificada da decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva onde alega, em síntese, que: a) em procedimento de auditoria e verificação interna, verificouse que a empresa pagou PISa maior. Como a legislação lhe dá guarida, realizou compensação do valor apurado a maior, com demais tributos a pagar; b) desta forma, ingressou com Declaração de Compensação de pagamento a maior. Cita fundamentação do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A RFB considerou que o pagamento realizado foi utilizado na quitação de débitos informados em DCTF, o que não ocorreu; c) alega que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido indevidamente. A única justificativa da Receita Federal ao proferir tal despacho, foi ter se baseado na DCTF original. Se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação; e d) considerando a retificação da DCTF, requer a homologação da compensação realizada. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por entender que a mera retificação da DCTF é insuficiente para o reconhecimento do direito creditório vindicado, quando desacompanhada de provas hábeis para tal. Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual alega em síntese que: ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF. Desta forma, apropriouse integralmente do valor recolhido a maior; que a única justificativa da RFB ao proferir o despacho decisório, foi ter se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora. Caso tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação realizada; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.990001/200971 Acórdão n.º 3402005.088 S3C4T2 Fl. 3 3 quanto a existência de documentos suficientes para análise do PER/DCOMP, aduz que a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a recorrente demonstrou o quantum que a RFB no Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PER/DCOMP insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação; da demonstração da existência do Crédito Compensado: em caso da necessidade de a Recorrente juntar outros elementos para embasar a existência do crédito corretamente compensado, evidenciase o pagamento a maior e correspondente direito à compensação, existindo prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN; não há como se admitir o não conhecimento da ulterior juntada de documentos no presente caso, eis que o despacho decisório era fundado em matéria estritamente formal (decorrente da divergência de DCTF); tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF); o CARF reconhece a ulterior juntada de provas em atendimento aos princípios do contraditório e ampla defesa; Ao final, considerando as provas carreadas nos autos, requerse o conhecimento e provimento do presente recurso voluntário, com a conseqüente homologação da compensação realizada. Os autos, então, foram encaminhados a este CARF para apreciação e julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.069, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.977028/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.069): "1 Da admissibilidade do Recurso Voluntário Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 142/147, é tempestiva e foi conhecida como recurso voluntário. 2 Objeto da lide Fl. 142DF CARF MF 4 A empresa ingressou com Declaração de Compensação através de PER/DCOMP nº 04014.84529.071205.1.3.048793, de pagamento a maior de COFINS, referente ao mês de março/2001, no valor (principal) de R$ 2.343,83. Ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou sua DCTF e apropriouse integralmente do valor recolhido a maior. No entanto, ao analisar os autos no Despacho Decisório, a RFB considerou que o pagamento realizado foi totalmente utilizado na COFINS devida, correspondente ao mês de março de 2001 (no valor de R$ 215.529,03), não homologando a compensação realizada. Como se vê, a lide diz respeito em que a Recorrente não apresentou prova documental juntamente com a Manifestação de Inconformidade, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na Declaração de Compensação em exame. 3. Das provas trazidas aos autos Primeiramente, aduz a Recorrente em seu recurso que, a decisão recorrida não poderá prevalecer em relação à necessidade de juntada de novas provas, eis que a Recorrente demonstrou suficientemente que a RFB, em seu Despacho Decisório, desconsiderou a DCTF retificadora na composição do saldo supostamente devedor. Nesse sentido, não há razão para se exigir outros documentos senão a DCTF desconsiderada na análise do PEDCOMP supostamente insubsistente, nos termos da Instrução Normativa vigente na época da compensação. Pois bem. As normas de vigentes à época da apresentação da Declaração de Compensação e legislação superveniente, são: IN SRF 460, de 2004; IN SRF 600, de 2005, e IN RFB 900, de 2008. Na forma da legislação acima, eventual crédito passível de restituição ou ressarcimento pode ser utilizado na compensação com débitos do sujeito passivo. Contudo, a homologação da compensação está sujeita ao anterior reconhecimento do direito creditório, tendo em vista que a compensação somente pode ser efetuada com credito liquido e certo. Aduz a Recorrente que ao verificar que o tributo foi pago a maior, retificou a DCTF. Para tanto, junta aos autos, cópia da DCTF retificadora referente ao 10 trimestre de 2001, enviadas em 30/09/2009 (fls. 19/90). Como a justificativa da Fiscalização ao proferir o Despacho que não homologou a compensação, foi ter se baseado na DCTF original, se tivesse considerado a declaração retificadora, não teria por que não homologar a compensação. Há que se ressaltar que a Recorrente, em 30/09/2009, após a emissão do Despacho Decisório, de 24/08/2009, retificou as DCTFs referente ao 10 trimestre de 2001, na qual reduz o valor devido de COF1NS e pleiteia a compensação dos valores supostamente recolhidos a maior. É cediço que a Declaração retificadora apresentada, reduzindo o valor devido de COFINS, não é suficiente para demonstrar a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.990001/200971 Acórdão n.º 3402005.088 S3C4T2 Fl. 4 5 existência do credito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do credito seja comprovada por documentação hábil que de suporte aos valores declarados (necessidade de se apensar documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada). O credito pleiteado somente fica assegurado, quando respaldado por documentação hábil e idônea. Agora, no recurso voluntário, visando demonstrar a existência do crédito compensado, a Recorrente alega "existir prova do crédito compensado pelos documentos ora juntados. Através dos correspondentes documentos juntados, resta claro que sobreveio o pagamento indevido e o direito ao crédito consubstanciado no art. 170 do CTN". Solicita o conhecimento de tais provas. No entanto, manuseando as peças dos autos, verifico que junto com o Recurso Voluntário, foram acostados as seguintes cópia de documentos: identificação da OAB do procurador; procuração; alteração do Contrato Social e cópia do Acórdão DRJ recorrido (documentos de fls. 148/170). Verificase que, diferente do alegado, a defesa não apresentou prova documental juntamente com a manifestação de inconformidade e nem em seu recurso, ou seja, não comprovou com a documentação correspondente, a existência do suposto crédito informado na declaração de compensação em exame. Continua aduzindo a Recorrente que: (...) Tal providencia, inclusive, vem ao encontro dos princípios da Verdade Real e Material, o qual baliza o reconhecimento de provas no processo administrativo fiscal (PAF), impondo a ampla análise e igualdade em oportunizar ao contribuinte opor se aos argumentos fazendários, os quais, no caso, apresentaram se no acórdão recorrido e não no despacho decisório escorreitamente, enfrentado pela manifestação de inconformidade". Sabemos que o momento apropriado para apresentação das provas que comprovem suas alegações é na propositura da Impugnação, no caso a Manifestação de Inconformidade. Temos conhecimento, também, que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo Legislador Nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do Novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo Fl. 144DF CARF MF 6 administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário, e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Em virtude dessas considerações, é importante relembrar alguns preceitos que norteiam a busca da verdade real por meio de provas materiais. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. Em outras linhas, um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A verdade encontrase ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Regressando aos autos, como já mencionado, a Recorrente não apresentou indícios mínimos de prova seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de sorte que me sinto na obrigação de julgar com os dados constantes nos autos. Neste contexto, não vislumbro razões para reformar a decisão de primeira instância uma vez que sua decisão foi baseada nos fundamentos jurídicos constantes dos autos e a consequente subsunção aos fundamentos legais que regiam a matéria à época dos fatos geradores. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos. 4. Conclusão Posto isto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e NEGARLHE provimento, mantendose a decisão recorrida." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, o interessado tampouco trouxe provas de seu direito (como planilha demonstrativa e cópia dos livros contábeis e fiscais), de tal sorte que há identidade na situação cotejada. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.990001/200971 Acórdão n.º 3402005.088 S3C4T2 Fl. 5 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 146DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721762/2013-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
PEDIDO DE IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
Correto o entendimento da instância a quo, tendo em vista que a referida matéria refoge do lançamento fiscal, não sendo de competência das instâncias julgadoras a sua análise, nos termos do decreto 70.235/72. Eventual dissenso devo ser resolvido no âmbito da Delegacia da Receita, inclusive para promoção de recurso no âmbito daquela unidade da Receita Federal.
Numero da decisão: 2401-005.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 PEDIDO DE IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO APÓS INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. Correto o entendimento da instância a quo, tendo em vista que a referida matéria refoge do lançamento fiscal, não sendo de competência das instâncias julgadoras a sua análise, nos termos do decreto 70.235/72. Eventual dissenso devo ser resolvido no âmbito da Delegacia da Receita, inclusive para promoção de recurso no âmbito daquela unidade da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal.
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Correto o entendimento da instância a quo, tendo em vista que a referida matéria refoge do lançamento fiscal, não sendo de competência das instâncias julgadoras a sua análise, nos termos do decreto 70.235/72. Eventual dissenso devo ser resolvido no âmbito da Delegacia da Receita, inclusive para promoção de recurso no âmbito daquela unidade da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 17 62 /2 01 3- 25 Fl. 1457DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Alfredo Duarte Filho e Rayd Santana Ferreira. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Fernanda Melo Leal. Fl. 1458DF CARF MF Processo nº 10140.721762/201325 Acórdão n.º 2401005.261 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratam os presentes de Auto de Infração de fls. 3/19, acompanhado do demonstrativo de fl. 2 e do Termo de Verificação Fiscal de fls. 20/51, relativo ao imposto sobre a renda de pessoa física dos anoscalendário 2009 a 2012, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 1.413.057,96, composto da seguinte forma: R$ 490.029,31 relativo ao Imposto; R$ 187.984,66 de Juros de mora (calculados até 30/09/2013); e R$ 735.043,99 de Multa Proporcional. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 5/6), que o lançamento é decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por juros recebidos de pessoa jurídica e ganho de capital na alienação de bens e direitos. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 20/51), a Autuada alienou participações nas empresas SEBIVAL SEGURANÇA BANCÁRIA INDUSTRIAL E DE VALORES LTDA, CNPJ 03.269.974/000163 e SETAL SERVIÇOS ESPECIALIZADOS TÉCNICOS E AUXILIARES LTDA CNPJ 03.915.345/000163, e apurou e recolheu parcialmente o imposto sobre o ganho de capital correspondente, bem como o imposto sobre os juros relativos às parcelas do preço postergadas. O ganho de capital e o correspondente imposto devido estão demonstrados no Anexo II do Termo de Verificação Fiscal, fl. 53 dos autos, e os juros recebidos estão demonstrados no Anexo III, fl. 58. As multas aplicadas foram qualificadas, conforme consta da Seção VI do Termo de Verificação, fl. 44. Devidamente cientificada, a Interessada apresentou, tempestivamente, impugnação parcial (fls. 1.372/1.376), estabelecendo como ponto controverso a qualificação da multa, vez que não houve omissão de parcelas recebidas do preço, nem omissão relativa à venda da SETAL (cujas informações estavam disponíveis para o Fisco por meio das declarações de rendimentos e de outras fontes de informação), nem conduta ajustada ou conluio entre os membros da família Dodero, que apenas tiveram entendimento uniforme quanto à aplicação da isenção prevista no artigo 4°, alínea “d”, do DecretoLei n° 1.510/1976. Quanto ao não recolhimento do imposto sobre o recebimento do preço parcelado, alega que decorreu de simples lapso não doloso. Além disso, informa que parcelará o imposto não contestado e por fim requer: i) imputação dos recolhimentos efetuados após o início do procedimento, referidos no item 88 do relato fiscal, com a multa de 75% (inciso I, artigo 44 da Lei n° 9.430/96) reduzida de 50% pelo pagamento no prazo de 30 dias de ciência do lançamento; Fl. 1459DF CARF MF 4 ii) exclusão da multa qualificada, mantendose a multa do inciso I, artigo 44, da Lei nº 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0435.617 da 4ª Turma da DRJ/CGE, às fls. 1.383/1.391, julgando procedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em parte. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ISENÇÃO DO DECRETOLEI Nº 1.510, DE 1976. REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELA LEI Nº 7.713, DE 1988. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE DIREITO ADQUIRIDO. Para as ações adquiridas após a revogação do Decretolei nº 1.510, de 1976, sob a égide da Lei nº 7.713, de 1988, inaplicável o instituto do direito adquirido, para efeito do benefício da isenção do ganho de capital na alienação das ações. A alienação de participação societária adquirida sob a égide do artigo 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, não garante o direito à isenção, que pode ser modificada ou revogada, por lei, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária. QUALIFICAÇÃO DA MULTA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de condutas previstas para tanto. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte” Após o julgamento, em 10/09/2014, a Secretaria da Receita Federal do Brasil proferiu despacho de encaminhamento nos seguintes termos (fl. 1.399): Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 10140.721762/201325 Acórdão n.º 2401005.261 S2C4T1 Fl. 4 5 Sr. Chefe, Em face de possíveis inconsistências na alimentação do resultado do julgamento no sistema Sief, propomos o retorno do presente processo a DRJ/CGE para análise. Na sequência, em 11/09/2014 os autos retornaram à unidade preparadora com o seguinte despacho de encaminhamento (fl. 1.403): A unidade preparadora devolveu o processo em face de possíveis inconsistências na alimentação do resultado do julgamento no sistema sief (fls. 1399), o que se confirma confrontando o acórdão com o extrato do siefprocessos às fls. 1393/1394. Realizada a correção do resultado do julgamento no siefprocessos, conforme extrato às fls. 1401/1402, encaminhamos à unidade preparadora para prosseguimento. Adiante, às fls. 1.405/1.407 a Recorrente apresentou requerimento informando ter efetuado a quitação do parcelamento referente ao Processo 10140.722086/201315, e que no entender dela, resta ser apreciado apenas o item 4.1 da Impugnação, já que a multa aplicada foi reduzida em face da opção pela Lei nº12.996/14. Em razão disso, em 15/09/2014 a Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB proferiu novo despacho de encaminhamento para nova análise e correção de planilha de cálculo (fl. 1.410). Confirase: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Sr. Chefe,Considerando que tivemos que retornar o presente processo a DRJ/CGE para correção do resultado de julgamento e que o contribuinte apresentou requerimento informando que efetuou a quitação do parcelamento do proc 10140.722086/201315 e que no entender dele resta ser apreciado apenas o item 4.1, já que a multa aplicada foi reduzida em face da opção pela Lei 12.996/14.Sendo assim,encaminhamos o processo a SACAT/CAJ para que seja efetuada uma nova análise e correção na planilha de cálculo. Por fim, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande/MS proferiu informação fiscal contida na folha 1.418 propondo o seguinte: Fl. 1461DF CARF MF 6 A contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª instância em 09/03/2015, conforme Aviso de recebimento (AR) de fl. 1.444. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.446/1.448), argumentando o que segue: (i) entende a Recorrente que o Julgador singular deveria ter se manifestado quanto a multa aplicável quando do cálculo da imputação pela utilização dos recolhimentos de 28.12.12 no valor de R$ 59.651,19 para quitação de créditos tributários do PA: janeiro/2009. Caberia, dizer se existindo crédito em favor da Recorrente, a imputação se faria levando em consideração a multa lançada de ofício reduzida de 150% (§ I o do art. 44 da Lei n° 9.430/96) ou a multa de ofício reduzida em decisão de 1ª instância para 75% (inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96). (ii) A omissão do julgador singular levou a unidade preparadora a imputar o recolhimento de 28.12.12, no valor de R$ 59.651,19 em desacordo com o conteúdo do acórdão recorrido que reduziu a multa de ofício para 75% nos termos previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. (iii) Isto posto, espera o acolhimento do presente Recurso, com a conseqüente aplicação da multa reduzida na decisão singular, para efeito da imputação do recolhimento de 28.12.12, por ser medida de inteira J US T I Ç A. É o relatório. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10140.721762/201325 Acórdão n.º 2401005.261 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 09/03/2015 conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 1.444, e o Recurso Voluntário foi interposto, TEMPESTIVAMENTE, no dia 02/04/2015, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1. Da multa de ofício. Inferese dos autos, que a Turma julgadora em primeira instância administrativa deu provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte, no que se refere a multa de ofício, entendendo ser incabível a qualificação da multa de ofício aplicada ao lançamento, devendo esta ser reduzida para 75%, nos termos do disposto no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430, de 1996. O Recorrente se insurge no sentido de que a decisão recorrida deveria ter se manifestado quanto a multa aplicável quando do cálculo da imputação pela utilização dos recolhimentos de 28.12.12 no valor de R$ 59.651,19 para quitação de créditos tributários do PA: janeiro/2009. Sustenta que a omissão do julgado levou a unidade preparadora a imputar o recolhimento de 28.12.12, no valor de R$ 59.651,19 em desacordo com o conteúdo do acórdão recorrido que reduziu a multa de ofício para 75% nos termos previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Assim, requer o provimento do presente Recurso, com a consequente aplicação da multa reduzida na decisão de primeira instância administrativa, para efeito da imputação do recolhimento de 28.12.12. Com efeito, não pairam dúvidas de que a decisão proferida pelo colegiado da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande afastou a qualificação da multa de ofício, mantendoa no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do inciso I, do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Todavia, inferese que a decisão da DRJ não conheceu dos pedidos de Imputação de Pagamentos após o início da ação fiscal, por ser providência a ser adotada pela unidade reparadora da Receita Federal. Fl. 1463DF CARF MF 8 Correto esse entendimento já que a análise de referida matéria por este Colegiado, refoge do lançamento fiscal, não sendo de competência das instâncias julgadoras a que alude o Decreto nº 70.235/72. Desse modo ratifico a decisão de piso, que decidiu que a matéria guerreada deve ser resolvida no âmbito da RFB, e em caso de dissenso, o Contribuinte deve apresentar recurso no âmbito daquela Unidade da Receita Federal. Ressaltese ainda que a decisão da DRJ foi pela exclusão da aplicação da multa qualificada de 150%, estipulando o patamar da multa em 75%. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário da Recorrente para, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1464DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.901054/2012-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2004
DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO
O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza.
Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.158
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/09/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini.
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente IRMÃOS GONCALVES COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/09/2004 DIREITO À RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO O art. 165 do CTN garante ao contribuinte o direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, é dele o ônus de comprovar sua liquidez e certeza. Uma vez que não foi carreada aos autos a necessária documentação suporte, os créditos não devem ser reconhecidos. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Henrique Mauri (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 10 54 /2 01 2- 23 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13227.901054/201223 Acórdão n.º 3301004.158 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF JIPARANÁ emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório. A empresa apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: · vende mercadorias também para clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, saídas estas sujeitas à alíquota zero para incidência de PIS e Cofins por força da norma prescrita no artigo 2º da Lei 10.996, de 2004; · refez sua apuração de PIS e Cofins em face da tributação indevida de receita tributada à alíquota zero e apurou novos valores de débitos, todos demonstrado em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarado sua DCTF à época revelaramse maiores que os efetivamente devidos; · não efetuou a retificação das DCTFs para que ficasse também demonstrado nela o pagamento efetivamente efetuado. A DRJ em Juiz de Fora (MG) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 09054.492. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e, com o fito de comprovar o direito ao crédito, derivado de pagamento indevido de PIS e COFINS sobre receitas com vendas de mercadorias para a Zona franca de Manaus, carreia aos autos cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13227.901054/201223 Acórdão n.º 3301004.158 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.146, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.901042/201207, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.146): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A recorrente alega que o crédito objeto do Pedido de Restituição (PER) deriva de pagamentos indevidos de PIS sobre vendas para a Zona Franca de Manaus, cuja alíquota se encontrava reduzida a zero (art. 2° da Lei n° 10.996/04). Confessa que, realmente, não retificou a DCTF, para reduzir o valor do débito declarado a maior. Porém, informa que retificou o DACON, onde a apuração estaria demonstrada. Aduz que o DACON encontrase no banco de dados do Fisco, por onde pode ser consultado. E traz cópias da parte do Livro de Apuração do ICMS destinada às saídas de mercadorias e indica que foram escrituradas sob o CFOP 6109 ("Venda de produção do estabelecimento, destinada à Zona Franca de Manaus ou Áreas de Livre Comércio"). Em despacho Eletrônico (fl.05), a unidade de origem indeferiu o PER, sob a alegação de que está vinculado a débito devidamente declarado em DCTF. A DRJ ratificou este argumento e frizou que o DACON é um mero informativo, sendo a DCTF o instrumento de formalização do lançamento. Que o contribuinte, diante do erro em seu preenchimento, deveria têlo retificado. Conclui pela improcedência do PER, destacando que a peça de defesa não trouxe demonstração da apuração do crédito, lastreada em documentação hábil. O art. 165 do CTN dispõe que o contribuinte tem direito à restituição de tributos pagos a maior. Contudo, o ônus de provar a liquidez e certeza do direito incumbe àquele que alega detêlo (art. 333 do antigo Código de Processo Civil CPC, em vigor nas datas da apuração do crédito e da emissão do Despacho Decisório, e reproduzido pelo art. 373 do Novo CPC). O fato de a DCTF não ter sido retificada, por si só, definitivamente, não teria o condão de elidir o direito ao crédito garantido pelo art. 165 do CTN. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13227.901054/201223 Acórdão n.º 3301004.158 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, para que pudéssemos reconhecêlo, a recorrente deveria ter carreado aos autos demonstrativo da apuração do PIS, devidamente conciliada com os livros contábeis, e, ao menos, significativa amostra das notas fiscais das vendas que alega terem sido realizadas sob o amparo do benefício de redução a zero da alíquota. Ainda que se encontrasse disponível nos autos o DACON, este informativo, combinado com as cópias do livro de Apuração do ICMS, não se me afigurariam como suficientes para comprovação do crédito. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.724767/2013-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/11/1999 a 30/08/2003
VALORES DECLARADOS EM DCTF. INDICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS JUDICIAIS PRECÁRIOS, DE TERCEIROS E RELATIVOS A CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO.
A exigência de valores de débitos declarados em DCTF, indicando compensação com créditos judiciais precários, de terceiros e relativos a crédito-prêmio de IPI, dispensa a formalização de lançamento de ofício, por já estar confessado o débito.
Numero da decisão: 3401-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição a Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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INDICAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS JUDICIAIS PRECÁRIOS, DE TERCEIROS E RELATIVOS A CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. A exigência de valores de débitos declarados em DCTF, indicando compensação com créditos judiciais precários, de terceiros e relativos a créditoprêmio de IPI, dispensa a formalização de lançamento de ofício, por já estar confessado o débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição a Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 72 47 67 /2 01 3- 47 Fl. 575DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição de fls. 3/41, datado de 11/09/2013, em relação a parcelas pagas em Programa de Parcelamento instituído pela Medida Provisória no 470/2009, alegando a recorrente que constatou, após a quitação, que haveria períodos afetados pela decadência. No pedido de restituição, detalhase (fls. 16 a 31) que: (a) a empresa utilizou, de 1999 a 2003, para quitação de tributos, compensações com “créditoprêmio de IPI” e “crédito de IPI sobre insumos” cedidos por terceiros (DecretoLei no 491/1969), com fundamento em decisões judiciais; (b) em que pese o decurso de prazo de cinco anos sem manifestação de discordância com o procedimento realizado, a empresa aderiu ao Programa de Parcelamento instituído pela Medida Provisória no 470/2009, e incluiu os referidos tributos no programa; (c) apesar de os procedimentos sujeitaremse ao competente lançamento de ofício, este não foi efetuado no prazo de cinco anos, pois, segundo entendimento da RFB e da PGFN, tais compensações são consideradas “não declaradas”; (d) portanto, no momento da adesão ao parcelamento, tais tributos já estavam afetados pela decadência; e (e) há precedente administrativo assegurando o direito a restituição em situação idêntica, e decisão do STJ em sede de recursos repetitivos (REsp no 1.355.947/SP) sobre o tema. Em 28/05/2014, noticiase (à fl. 339) a apensação a este processo do processo administrativo no 11610.011621/200901, que trata do parcelamento. Às fls. 362 a 367 há cópia de ofício da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (Justiça Federal), recebido em 23/03/2015, noticiando decisão liminar em mandado de segurança impetrado pela recorrente, entre outras empresas, determinando a análise dos pedidos de restituição em cinco dias. No Despacho Decisório de fls. 368 a 374, informase que “o documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória (DCTF) comunica a existência de crédito tributário e constitui confissão de dívida” e que, “nesses casos, o próprio sujeito passivo constitui o crédito tributário, mediante a entrega da declaração que configure confissão de dívida, sem necessidade de realização do ato administrativo de lançamento, razão pela qual descabe cogitar a ocorrência de decadência tributária”, pelo que deve ser indeferido o pedido. Ciente do despacho decisório em 06/04/2015 (fl. 376), a empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 27/04/2015 (fls. 401 a 424), reiterando o alegado no pedido, e afirmando que: (a) a RFB confundiu as situações que envolvem declaração de tributos em DCTF, e que as DCTF “podem ou não representar confissão de dívida”, e que quando “o contribuinte declara o tributo devido, mas informa sua quitação por qualquer meio, não há nenhuma confissão de tributo devido”, sendo que para débitos declarados em DCTF como compensados, é indispensável o lançamento, como já decidiu o STJ; (b) o artigo 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, não se aplica ao caso; e (c) as alterações promovidas pela Medida Provisória no 135/2003 somente são aplicáveis a lançamentos referentes a fatos geradores posteriores a sua vigência. Em 29/06/2016 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 466 a 471), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) não há sentido na interpretação de que 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 576 3 somente estão confessados os valores registrados como saldos a pagar do débito, pois os valores informados como créditos vinculados demonstram que os débitos foram reconhecidos e de alguma forma pagos ou compensados; (b) a aplicação da Lei no 10.833/2003 foi imediata, não sendo mais possível o lançamento em casos de débitos confessados em DCTF, mesmo em períodos anteriores, como se revela em precedente do CARF; e (c) a lavratura de auto de infração em 2006, em caso análogo, para a exigência de débitos, foi desnecessária, já que, como discorrido, os valores já estavam confessados. Cientificada da decisão de piso em 14/09/2016 (fl. 492), a empresa apresentou recurso voluntário em 13/10/2016 (fls. 496 a 515), reiterando as razões expressas em sua manifestação de inconformidade, e endossandoas com precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão no 9303003.506). O processo foi enviado ao CARF em 08/03/2017 (fl. 518). Em 30/01/2018, juntouse ao processo mandado judicial (fls. 568 a 574), com decisão proveniente da 16ª Vara Federal Cível do Distrito Federal, determinando o julgamento de diversos processos, entre os quais o presente, em 30 dias. No CARF, o processo foi a este relator distribuído, por sorteio, em 28/02/2018, e incluído em pauta na primeira sessão subsequente do colegiado correspondente. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O processo é submetido a julgamento na presente sessão, imediatamente posterior à distribuição, por força de decisão judicial. O cerne da discussão jurídica travada no presente processo se refere a ter ou não havido confissão de dívida em DCTF, em relação aos montantes que foram indicados como vinculados a compensações e posteriormente incluídos em parcelamento. Nem a Fazenda nem a recorrente parecem discordar que os débitos foram informados em DCTF. Na manifestação de inconformidade, demonstra a defesa, exemplificativamente, como foram declarados em DCTF os valores posteriormente informados em compensações e incluídos em parcelamento (fl. 416): Fl. 577DF CARF MF 4 Às fls. 441 a 451, a defesa traz DCTF referentes aos demais períodos de apuração, algumas idênticas ao exemplo e outras indicando “compensação sem DARF”. Assim, é incontroverso que os valores referentes aos débitos em discussão no presente processo foram, de fato, declarados em DCTF como compensados com “crédito prêmio de IPI” (DecretoLei no 491/1969) de terceiros, por força de decisão judicial, resultando em DCTF com resultado, em tese, “zerado”. Nas folhas 56 a 74, são encontradas cópias de quatro “Declarações de Compensação”, um “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros”, e três “Documentos Comprobatórios de Compensação” registrados, indicando créditos (“crédito prêmio de IPI” decorrente de decisão judicial não transitada em julgado) de outros CNPJ, nos seguintes valores: Valor do crédito R$ e data do pedido Processo Justificativa 44.422,65 (12/09/2003) 10410.005688/200216 – 10410.003929/200373 (p. jud. 2002.80.00.0068575 “Coopertrading”) Crédito originário do CNPJ 08.426.389/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não transitada em julgado. 11.037,51 (03/02/2003) 10410.000030/0011 (p. jud. 99.00080319 – “Ind. Porto Rico”) Crédito originário do CNPJ 12.217.832/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não transitada em julgado. 27.285,00 (08/01/2003) 10410.000030/0011 (p. jud. 99.00080319 – Crédito originário do CNPJ 12.217.832/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 577 5 “Ind. Porto Rico”) transitada em julgado. 57.471,00 (26/07/2002) 10410.000030/0011 (p. jud. 99.00080319 – “Ind. Porto Rico”) Sem detalhamento da origem do crédito, mas remetendo a crédito originário do CNPJ 12.217.832/000143 (créditoprêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não transitada em julgado. 1.199,18 (29/04/2003 Pedido) 10410.000933/0010 – 10410.001572/200399 (p. jud. 2002.80.00.0068575) Crédito originário do CNPJ 12.265.245/000120 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não transitada em julgado. 27.252,52 (data pouco legível, ao que parece 13/03/2002 Documento) 10410.000030/0011 – 10410.002124/200221 (p. jud. 99.00080319 – “Ind. Porto Rico”) Crédito originário do CNPJ 12.217.832/000143 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não transitada em julgado. No processo n. 10410.002124/200221 consta “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro”, datado de 19/04/2002. 38.043,49 (17/07/2002 Documento) 10410.000031/0075 – 10410.001844/200270 (p. jud. 99.00080319 – “Coop. Açúcar e Álcool/AL”) Crédito originário do CNPJ 12.733.937/000155 (crédito prêmio de IPI de terceiro), por força de decisão judicial não transitada em julgado. No processo n. 10410.001844/200270 consta “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro”, datado de 09/04/2002. Compensação considerada não declarada em 22/06/2009, nos autos do processo n. 10410.001844/200270, determinandose a cobrança imediata dos débitos confessados (fl. 130 daqueles autos). Cartacobrança recebida em 14/08/2009, cf. fl. 135 daqueles autos. 73.628,18 (09/02/2001 Documento) 10410.004676/9917 – 10410.0006276/0015 – 10410.000257/200182 (p. jud. não indicado) Crédito originário do CNPJ 12.718.011/001081, sem indicação de origem. No processo n. 10410.0006276/0015 consta “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro”, datado de 29/12/2000, no valor de R$ 42.592,99. E, no processo n. 10410.000257/200182 consta “Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro”, datado de 17/01/2001, no valor de R$ 31.035,19. E indicação do processo judicial 99.00046390, referente a créditoprêmio de IPI. Não constam no presente processo maiores detalhamentos sobre o andamento dos pedidos de compensação ou dos processos judicias e administrativos correspondentes. A única menção a tais andamentos consta à fl. 111, onde se noticia que a empresa possui decisão desfavorável em duas das três ações que movia, havendo apenas uma decisão parcialmente favorável (em Mandado de Segurança impetrado em Alagoas sob o no 99.00046390, para suspender a cobrança dos débitos relativos às compensações já realizadas até julgamento do RE no 886.074/AL, em nome de “Central Açucareira Santo Antonio LTDA”). Em nome da verdade material, pesquisei a situação do referido RE no 886.074/AL, no sítio web do STJ, encontrando como transitada em julgado (em 17/08/2010) decisão judicial que acolhe renúncia da “Central Açucareira Santo Antonio LTDA”, efetuada em 03/12/2009 (no que concerne ao créditoprêmio do IPI e ao creditamento de IPI decorrente de aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero). Não encontrei, na referida ação, menção a outras empresas que teriam cedido créditoprêmio de IPI à recorrente. E não foi possível verificar se o crédito demandado nas compensações se refere efetivamente a tais rubricas, objeto da desistência. Não obtive sucesso, ainda, nas consultas ao sítio web da Justiça Federal em Alagoas, no que se refere aos processos judiciais n. 2002.80.00.0068575, 2002.80.00.006857 Fl. 579DF CARF MF 6 5 e n. 99.00080319, assim como no que se refere ao já citado processo judicial n. 99.0004639 0. No entanto, como as razões de indeferimento do despacho decisório constante neste processo não passam pelo andamento das ações judiciais, mas pelo fato de estarem os débitos compensados inseridos em parcelamento previamente confessados em DCTF, sigo na análise das compensações e do parcelamento. À fl. 77, consta discriminação de débitos incluídos em parcelamento, conforme solicitação datada de 27/11/2009. Entre os débitos a parcelar estão os relacionados nos citados quatro pedidos, na declaração de compensação e nos três “documentos comprobatórios de compensação”: Destaco que, na planilha, elaborada pela recorrente, ou nos documentos anexos, há, dois erros de digitação, corrigidos durante a análise do parcelamento. Os valores indicados como “35.035,19” e “27.257,52”, de acordo com os documentos anexos, seriam, respectivamente “31.035,19” e “27.252,52”. Os processos foram consolidados no correspondente ao parcelamento (processo administrativo no 11610.011621/200901, apenso). Às fls. 93 a 103 constam cópias de pagamentos do parcelamento. No despacho de fls. 88 a 92, datado de 27/11/2012, consta que foi deferido o pedido de parcelamento. Até o momento, temse, em síntese, que a recorrente informou em DCTF que débitos seus, relativos aos períodos de 12/1999, 06/2000, 09/2000, 12/2000, 11/2001, 12/2001, 06/2002, 11/2002, 12/2002, 03/2003 e 07/2003 foram objeto de “outras compensações e deduções” ou “compensação sem DARF”, detalhando em Pedidos de Compensação e DCOMP registrados em 29/12/2000, 17/01/2001, 09/04/2002, 19/04/2002, 26/07/2002, 08/01/2003, 03/02/2003, 29/04/2003 e 12/09/2003, que tais compensações se referiam a “créditoprêmio de IPI” (DecretoLei no 491/1969), de terceiros, e “créditos de IPIinsumos”, também de terceiros, por força de decisões judiciais não definitivas, em relação às quais houve desistência, para adesão a parcelamento. E o valor que deseja restituir se refere exatamente às parcelas pagas em tal programa de parcelamento. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 578 7 Alega a recorrente que não havendo cobrança pela fiscalização, via auto de infração, de tais débitos, à data em que solicitou seu parcelamento (27/11/2009), os respectivos montantes estariam afetados pela decadência, em face de sua não constituição. Um dos argumentos que a recorrente usa para endossar seu raciocínio é o fato de que débitos que estariam em situação idêntica, mas relativos a CPMF, de outra empresa, foram objeto de lavratura de Auto de Infração, no processo administrativo no 19515.001185/200600 (fl. 26): Consultando o referido número de processo, no sistema eprocessos, obtive a informação de que a numeração era inexistente. Pelo número do CNPJ constante à fl. 113 (61.490.561/000100), consultei todos os lançamentos constantes no sistema eprocessos no ano de 2006, também sem sucesso. De qualquer modo, eventual lançamento efetuado por unidade da RFB em relação a sujeito passivo diverso não enseja necessidade de lançamento no presente caso, nem enseja o entendimento de que estariam não constituídos os montantes em discussão no presente processo. Tomese o já citado processo administrativo no 10410.001844/200270, que trata exatamente de uma das compensações presentes neste contencioso, referente a R$ 38.043,49 cf. Pedido de Compensação registrado em 09/04/2002), vinculado ao processo judicial no 99.00080319, ajuizado por “Cooperativa Regional dos Produtores de Açúcar e Álcool e outros”, versando sobre “créditoprêmio de IPI”. Como se narra naqueles autos (fl. 65), a recorrente pretende compensar crédito tributário de COFINS, do período de 12/2001, com créditoprêmio de IPI da empresa “Triunfo Agro Industrial S.A.”, cf. Ação judicial n. 99.00080319, e, nos autos do processo 2001.80.000078175, no TRF5, a sentença do juízo a quo havia sido anulada, sendo julgado improcedente o pedido, havendo remessa dos autos ao STJ, e não constando do processo nenhuma ordem judicial determinando o cumprimento da compensação em favor da recorrente, recomendandose a cobrança. A recorrente se manifesta em 13/04/2006 (fls. 67 a 70), sobre processo já verificado no PROFISC como “em cobrança final”, entendendo ilegal a cobrança por afrontar a decisão judicial, e que o “Documento Comprobatório de Compensação” constituiria “expressa homologação do procedimento de compensação”, requerendo o cancelamento da cobrança e a exclusão do referido processo do status “em cobrança”. Às fls. 101 a 114 daqueles autos, consta ainda a decisão do TRF5 no processo correspondente (AC no 236.037AL). Ainda em relação ao processo administrativo no 10410.001844/200270, a unidade local, em 20/04/2007, decide manter o processo na situação “cobrança final com Fl. 581DF CARF MF 8 pendência de compensação” (fls. 125 a 127 daqueles autos), tendo em vista estar a compensação efetuada sob condição resolutória de ulterior homologação. Acrescentese que, em relação à referida ação (AC no 236.037AL), o STJ deu provimento ao recurso da Fazenda (no REsp no 582.776AL), considerando que o pedido havia sido efetuado em 1999, mais de cinco anos depois de extinto o benefíciofiscal do créditoprêmio do IPI, aplicável às exportações realizadas após 04/10/1990. E a reclamação da empresa no STF (Rcl. no 7.772AL) não obteve êxito quanto à liminar, e, no mérito, a questão ficou afeta aos RE no 577.302 e no 577.348. Em consulta ao sítio web do STF, percebese que o tribunal, por unanimidade de votos, não conheceu do RE no 577.302, e negou provimento ao RE no 577.348, em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI 491/1969 (ART. 1º). ADCT, ART. 41, § 1º. INCENTIVO FISCAL DE NATUREZA SETORIAL. NECESSIDADE DE CONFIRMAÇÃO POR LEI SUPERVENIENTE À CONSTITUIÇÃO FEDERAL. PRAZO DE DOIS ANOS. EXTINÇÃO DO BENEFÍCIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO E DESPROVIDO. I O créditoprêmio de IPI constitui um incentivo fiscal de natureza setorial de que trata o do art. 41, caput, do Ato das Disposições Transitórias da Constituição. II – Como o créditoprêmio de IPI não foi confirmado por lei superveniente no prazo de dois anos, após a publicação da Constituição Federal de 1988, segundo dispõe o § 1º do art. 41 do ADCT, deixou ele de existir. III – O incentivo fiscal instituído pelo art. 1º do DecretoLei 491, de 5 de março de 1969, deixou de vigorar em 5 de outubro de 1990, por força do disposto no § 1º do art. 41 do Ato de Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição Federal de 1988, tendo em vista sua natureza setorial. IV Recurso conhecido e desprovido.” (DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 26/02/2010 ATA Nº 4/2010. DJE nº 35, divulgado em 25/02/2010) Aliás, tal entendimento restou consagrado com Repercussão Geral no julgamento do RE no 561.485/RS, publicado em 26/02/2010, vinculando as decisões judicias e administrativas, e está também assentado na sistemática dos recursos repetitivos, no STJ, cf. tema 226 (termo final de vigência do créditoprêmio). Recordese, no caso, que a compensação levada a cabo no processo administrativo no 10410.001844/200270, e que versa sobre crédito que aqui se objetiva restituir, foi considerada não declarada em 22/06/2009, nos autos do referido processo administrativo, determinandose a cobrança imediata dos débitos confessados. Nos dizeres da decisão (fl. 130 daqueles autos), datada de 22/06/2009: Proclamo nãodeclaradas as compensações objeto do presente processo. Dêse prosseguimento à cobrança dos débitos confessados, com as providências de estilo, conforme proposto. (grifo nosso) Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 579 9 Ao ser cientificada da cobrança, em 14/08/2009, naqueles autos, a recorrente indicou que havia peticionado em juízo, nos autos do processo no 2001.80.00.0004570, determinando o Poder Judiciário, em 13/08/2009, que os débitos em cobrança não fossem incluídos em Dívida Ativa, até o trânsito em julgado da ação, e que a RFB se abstivesse de negar o fornecimento de Certidão Negativa ou Positiva com efeito de Negativa no que pertine aos referidos débitos. Outra decisão judicial obtida pela empresa, em 14/10/2009, e que se aplica a dezenas de processos de diversas empresas, entre os quais vários dos constantes no presente processo administrativo, é mais enfática (fls. 156 e 157 do processo administrativo no 10410.001844/200270): Após a decisão judicial, veja como s manifesta a unidade local, no citado processo administrativo, em 05/11/2009: Ou seja, a cobrança já havia iniciado, sendo obstado apenas seu prosseguimento por decisão judicial, que não prejudicou posterior continuidade após a decisão judicial transitar em julgado, ainda mais por revelar a unidade estarem constituídos em DCTF os débitos. Fl. 583DF CARF MF 10 A invocada isonomia, para casos semelhantes, alegada pela defesa, parece melhor se amoldar, a nosso ver, ao caso aqui citado do que à pretensa autuação de CPMF de empresa diversa. Adicionese que em 27/11/2009, cerca de um mês depois da decisão judicial, e dias depois da manifestação da unidade da RFB, a recorrente já havia, recordese, solicitado a inclusão dos débitos em parcelamento, desistindo de eventuais recursos interpostos. Vejase que há, em relação aos citados débitos, expressa cobrança administrativa, e que a empresa busca, com sucesso, em juízo, obstar tal cobrança, ao menos até o trânsito em julgado de ação judicial. Ação judicial esta da qual desiste, passando a incluir os débitos em parcelamento, parcelamento este que sustenta agora tratar de débitos para os quais operou a decadência, pois não constituídos. A negativa de direito ao crédito, no caso, é tão flagrante que a recorrente limitase a afirmar que as quotas pagas no parcelamento são indevidas porque teria se configurado decadência. Decadência esta que teria ocorrido em função de a RFB não exigir mediante auto de infração quantias que derivariam de compensações registradas pela empresa, fundadas em ações judicias a respeito das quais a própria empresa desistiu, para aderir a parcelamento. Diante desse cenário, remete a empresa seus argumentos pela ocorrência de decadência ao Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005, e a precedentes do STJ (REsp no 1.205.004/SC) e do CARF (Acórdãos no 9303001.956 e no 3401001.746). A tese encampada nos julgados é a de que só haveria confissão de dívida no caso de haver saldo devedor em DCTF, e não no caso de declaração em DCTF de débitos compensados (“zerando os débitos com os créditos a compensar, ainda que pendentes de evento futurohomologação das compensações”). Passamos a analisar os principais argumentos externados em tais julgados (essencialmente os administrativos, que analisam mais detalhadamente o tema), iniciando pela fundamentação legal explícita que relaciona a declaração do sujeito passivo disciplinada em norma infralegal (no caso, a DCTF) à “confissão de dívida” o art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984: “Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, Fl. 584DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 580 11 de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” (grifo nosso) A normatização infralegal estava a cargo da IN SRF no 126/1998 (que expressamente afirmava disciplinar o art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984, assim como a Portaria MF no 118/1984), e que estabelecia, em seu art. 7o, na redação original: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no art. 5o do Decretolei No 2.124, de 13 de junho de 1984, e na Portaria MF No 118, de 28 de junho de 1984, resolve: (...) Art. 7o. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. (...) § 3o Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF No 094, de 24 de dezembro de 1997, e No 077, de 24 de julho de 1998.” (grifo nosso) Daí alguns sustentarem que naquele período somente o “saldo a pagar” é que constituía confissão de dívida, privilegiando tal comando infralegal em detrimento do dispositivo legal que ele disciplina. Não é esse o entendimento externado por nós, e, ao que parece, nem pelo precedente invocado pela defesa, o Acórdão no 3401001.746, no qual o voto condutor, majoritariamente acolhido pelo colegiado, consigna: “Então, nessa linha, podese dizer que até esse momento, e, especialmente em face do §2o do artigo 7 da IN SRF 126, de 1998, com a redação que lhe deu a IN SRF 16, de 2000, acima transcrito, não somente o “Saldo a Pagar” informado em DCTF restaria confessado, mas, também, os débitos informados em compensação.”(grifos no original) Percebase que, sem que houvesse qualquer alteração legal, a redação do dispositivo infralegal (IN SRF no 126/1998) foi modificada pela IN SRF no 16/2000, para melhor adaptação ao comando legal, passando a dispor: “Art. 7o. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após a entrega da DCTF. § 2 o Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Fl. 585DF CARF MF 12 Normativa SRF Nos 21, de 10 de março de 1997, alterada pela Instrução Normativa SRF No 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento.” (grifo nosso) Foi nesse período (fatos geradores de 12/1999 a 01/2001) que a recorrente apresentou, no caso em análise, seus pedidos de compensação datados de 29/12/2000 e 17/01/2001. Em 27/08/2001, no entanto, com a publicação da 35ª edição da Medida Provisória no 2.158, foi a ela acrescentado um artigo 90, dispondo: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” A norma é procedimental: diferenças apuradas em declarações prestadas pelo sujeito passivo (o que incluiria, em tese, a DCTF) decorrentes de compensação, indevida ou não comprovada, ensejavam lançamento (e não mais remessa direta a cobrança e inscrição em Dívida Ativa). Aliás, foi exatamente isso que desejou o Poder Executivo, como se percebe do item 13 da Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda no 163, de 22/08/2001: 13. Quanto ao art. 90, este objetiva, em relação aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, estabelecer, com precisão, o tratamento a ser dispensado nas hipóteses em que haja diferenças, apuradas nas declarações prestadas pelos sujeitos passivos, em decorrência de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, hipótese em que se propõe a adoção do lançamento de ofício para fins de constituição do consequente créditos (sic) tributário”. Assim, acordamos, a priori, com os precedentes, e com o próprio intuito do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001, no sentido de que após 27/08/2001, as compensações, ainda que declaradas em DCTF, mas consideradas em auditoria interna como indevidas ou não comprovadas, deveriam ser objeto de lançamento de ofício, e não mais de imediato encaminhamento para cobrança (salvo que norma legal ulterior alterasse tal comando que, recordese, é procedimental). Mas a exegese do dispositivo não é tão simples. A norma não deixa claro se abrange somente compensações registradas a partir de 27/08/2001, ou se estabelece, a partir de 27/08/2001, procedimento a ser aplicado pelo fisco em relação a compensações (sejam elas anteriores ou posteriores a 27/08/2001, confessadas ou não). Entendemos que a norma é procedimental (recordese, na exposição de motivos, que o objetivo é “estabelecer, com precisão, o tratamento a ser dispensado”), e faz com que, a partir de 27/08/2001, toda exigência de crédito tributário decorrente de compensações, ainda que declaradas em DCTF, mas consideradas em auditoria interna como indevidas ou não comprovadas, seja efetuada por meio de lançamento de ofício. Por óbvio, a norma que estabelece o procedimento não prejudica as exigências até então efetuadas de outro Fl. 586DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 581 13 modo, seguindo o art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984, e não implica “desconfissão” de débitos já confessados. Apenas estabelece rito procedimental a ser seguido para uniformizar a exigência. Por isso é inadequada a menção, no caso, a dispositivos do CTN atinentes ao lançamento, reportados ao “fato gerador” (abrangendo disposições materiais como base de cálculo, alíquota, hipótese de incidência...). O que o comando legal estabelece, no caso, é a simples forma de exigência. Por certo que se uma norma extingue, v.g., o documento intitulado “notificação de lançamento” em 2003, e afirma que as exigências serão feitas via “auto de infração”, uma exigência efetuada em 2004, relativa a fato gerador de 2002, será efetuada via “auto de infração”, embora remeta à legislação substantiva/material (alíquota, base de cálculo...) de 2002. Foi nesse período (fatos geradores de 11/2001 a 06/2002) que a recorrente apresentou, no caso em análise, seus pedidos de compensação datados de 09/04/2002, 19/04/2002 e 26/07/2002. Recordese que a compensação registrada em 09/04/2002, no processo administrativo no 10410.001844/200270, foi considerada não declarada em 22/06/2009, nos autos do referido processo administrativo, determinandose a cobrança imediata dos débitos confessados. Antes que houvesse disciplina infralegal, outra Medida Provisória, de no 66, foi editada sobre o tema, em 30/08/2002, estabelecendo, em seu art. 49, nova redação ao art. 74 da Lei no 9.430/1996, que institui a previsão legal para a declaração de compensação. Tal Medida Provisória foi convertida na Lei no 10.637/2002, em 31/12/2002, que assim dispõe em seu art. 49, dando nova redação ao citado art. 74 da Lei no 9.430/1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. Fl. 587DF CARF MF 14 (...)." A RFB editou, então, a IN SRF no 210, de 30/09/2002, que trata, entre outros temas, de compensação, esclarecendo em seus arts 22 e 23: “Art. 22. Constatada pela SRF a compensação indevida de tributo ou contribuição já confessado ou lançado de ofício, o sujeito passivo será comunicado da nãohomologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento do débito no prazo de trinta dias, contado da ciência do procedimento. Parágrafo único. Não ocorrendo o pagamento ou o parcelamento no prazo previsto no caput, o débito deverá ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para inscrição em Dívida Ativa da União, independentemente da apresentação, pelo sujeito passivo, de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento de seu direito creditório. Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de ofício do crédito tributário. Parágrafo único. O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação, cientificado do lançamento de ofício e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência.” (grifo nosso) Pareceu aí a RFB se distanciar da restrição estabelecida no art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001, ou interpretar que tal restrição não se aplicava a casos em que a declaração prestada configurasse confissão de dívida (em entendimento de que não teria o art. art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984 sido mitigado pelo art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001). O tema é, certamente, controverso, e chamou a atenção da Administração para a abrangência que se estava dando à leitura do art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001. Isso certamente foi decisivo para a edição de outra Medida Provisória, de no 75, em 25/10/2002 (com republicação em 28/10/2002), passando a limitar a leitura do citado art. 90: “Art. 3o A aplicação do disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, fica limitada aos casos em que as diferenças apuradas decorrem de: I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; c) inexistente de fato; Fl. 588DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 582 15 d) fundados em documentação falsa; II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fica caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” (grifo nosso) Nesse cenário, foi editada outra disciplina infralegal, já tomando em conta as duas Medidas Provisórias citadas. A IN SRF no 255, de 11/12/2002, que revogou a de no 126/1998, dispôs, em seu art. 8o: “O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III e XVIII do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n o 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 5 o do Decretolei n o 2.124, de 13 de junho de 1984, no art. 16 da Lei n o 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001, no art. 90 da Medida Provisória n o 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 7 o da Lei n o 10.426, de 24 de abril de 2002, e nos arts. 2 o e 3 o da Medida Provisória n o 75, de 24 de outubro de 2002, resolve: (...) Art. 8o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. (...) § 3o Os débitos apurados em procedimentos de auditoria interna, inclusive aqueles relativos às diferenças apuradas decorrentes de informações prestadas na DCTF sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade indevidas ou não comprovadas serão enviadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos. § 4o Serão objeto de lançamento de ofício, com multa agravada, as diferenças apuradas na DCTF, conforme disposto no § 3o, quando decorrerem de: I na hipótese de compensação, direito creditório alegado com base em crédito: a) de natureza não tributária; b) não passível de compensação por expressa disposição normativa; Fl. 589DF CARF MF 16 c) inexistente de fato; d) fundados em documentação falsa; II demais hipóteses, além das referidas no inciso I, em que também fique caracterizado o evidente intuito da prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964.” (grifo nosso) Art. 9o Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. § 1o Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem assim os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, com os acréscimos moratórios devidos.” (grifo nosso) Vejase que a nova IN harmonizava as disposições do art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001 à Medida Provisória no 66 (à época já convertida na Lei no 10.637/2002) e à Medida Provisória no 75 (à época ainda não convertida em lei, nem rejeitada). A Medida Provisória no 75/2002 acabou, no entanto, rejeitada em 18/12/2002. Foi nesse período (fatos geradores de 11/2002 a 07/2003) que a recorrente apresentou, no caso em análise, seu pedido de compensação datado de 03/02/2003, e as DCOMP datadas de 08/01/2003 e 12/09/2003. A restrição ao art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001 veio novamente (embora com outra roupagem) no texto do art. 18 da Medida Provisória no 135, de 31/10/2003, que acabou convertida na Lei no 10.833/2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. (...)” Desde então, embora tenha havido várias alterações ao citado dispositivo (que atualmente vige com a redação dada pela Lei no 11.488/2007), jamais se voltou a afirmar que devem ser lançados de ofício valores correspondentes a tributos, limitandose o lançamento de ofício sempre à multa correspondente. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 583 17 E a mesma Lei no 10.833/2003 alterou o art. 74 da Lei no 9.430/1996, que passou a contar com os §§ 5o a 12 (aqui transcritos somente os diretamente relacionados à análise do contencioso): “§ 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (...)" (grifo nosso) Reparese que o texto do § 6o parece desafiar os exegetas que se apegam à expressão “confissão de dívida” para afirmar que ela se referiria apenas a saldo, por não haver propriamente uma “dívida” a confessar. Após a vigência da Lei no 10.833/2003, não há dúvidas em relação ao fato de que não devem mais ser lançados tributos, em caso de compensação indevida, mas apenas multas. Tal disciplina restou evidenciada também nas normas infralegais posteriores: IN SRF no 482/2004, que revoga a de no 255/2002 (sobre DCTF), e IN SRF no 460/2004, que revoga a de no 210/2002 (sobre compensações, entre outros). Ambas as normas infralegais, atualmente, já foram substituídas por outras, sem alteração substancial de conteúdo no que se refere ao tema aqui analisado. Há que se trazer à baila também norma constante da Lei no 11.051, de 29/12/2004, que deu a seguinte redação aos §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei no 9.430/1996: “§ 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3o deste artigo; II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; Fl. 591DF CARF MF 18 d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo.” Veja que o legislador determinou não se aplicarem as disposições dos §§ 2o (que afirma estar o crédito tributário extinto pela compensação, sob condição resolutória da homologação) e 5o a 11 (que tratam de prazo para homologação, consideração da DCOMP como confissão de dívida, e rito processual de exigência/contencioso) exatamente a casos que as compensações eram expressamente vedadas pela legislação, mas ainda assim registradas pelos sujeitos passivos. No caso em análise, as compensações versavam sobre “créditoprêmio”, se referiam a créditos de terceiros e estavam calcadas em decisão judicial precária, embora registradas antes da referida lei. Mas as vedações já existiam na legislação anterior, como se comenta no Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005, adiante. A recorrente, por paradoxal que pareça, busca se utilizar da agravante de que tentou efetuar compensação triplamente vedada, justamente em seu benefício, afirmando que o fato de a compensação ser considerada não declarada ensejaria o lançamento de ofício dos tributos, o que não foi feito no prazo decadencial. E invoca em seu favor o Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005, que dispôs: Fl. 592DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 584 19 Percebase que o parecer, apesar de enfatizar que as disposições da Lei no 11.051/2004 somente se aplicam a compensações pretendidas a partir de sua publicação (o que não é o caso deste contencioso, em que todas as compensações são registradas antes de 2004), deixa claro que os pedidos de compensação fundados em “crédito prêmio”, assim como os decorrentes de créditos de terceiros (ambos os atributos presentes no caso em análise) não foram convertidos em declarações de compensação, e não constituem “confissão de dívida”. Isso não significa, no entanto, que seja obrigatório o lançamento de ofício. Vejase que o próprio parecer exemplifica a questão com a DCTF: E, no caso, é incontroverso que os valores de créditos e débitos referentes às compensações estavam declarados em DCTF. Ao tratar de decisões judiciais não transitadas em julgado, o mesmo parecer traz semelhante raciocínio, novamente afirmando que o lançamento de ofício não constitui a única solução ao caso, e mencionando expressamente que o lançamento será restrito a valores não confessados: Mais adiante, o parecer trata do art. 18 da Lei no 10.833/2003, esclarecendo que: Fl. 593DF CARF MF 20 E, pelo parecer, deveria ter a autoridade fiscal, no presente caso, efetuado o lançamento da multa isolada a que alude o referido art. 18 da Lei no 10.833/2003: De fato, não consta ter sido lançada, no caso, a citada multa, assunto que aqui assume menor importância, pelo fato de a multa ter sido dispensada no parcelamento no qual foram incluídos os débitos. No entanto, não vemos no referido parecer, lido sistematicamente, nenhuma obrigação de lançamento de ofício em relação a débitos confessados em DCTF e vinculados a compensações. Pelo contrário, a única obrigação de lançamento de ofício, após a Lei no 10.833/2003, se refere a multa. Pelo exposto, o raciocínio empreendido no Acórdão no 9303001.956, citado pela defesa, e majoritariamente acolhido no colegiado administrativo (em que pese tratar aquele processo de discussão sobre pertinência do lançamento, e não sua obrigatoriedade), merece aparas: “Realmente, tem razão a Câmara quando reafirma que no momento da lavratura do auto de infração já vigiam as novas disposições legais que apenas obrigavam ao lançamento da multa isolada. Além disso, acrescento, vigia também a Instrução Normativa 462 da SRF, que, modificando a de no 16/2000, expressamente restabelecia o atributo de confissão de dívida pleno às DCTF.” Há, no excerto, claro equívoco em relação à vigência das IN SRF, pois a IN SRF no 462 (em verdade, no 482/2004) nem modifica a de no 16/2000, que já estava revogada, por limitarse a alterar a IN SRF n no 126/1998, posteriormente revogada pela IN SRF no 255/2002, por sua vez revogada pela no 482/2004, nem é responsável pelo restabelecimento da chamada “confissão de dívida plena” às DCTF. A declaração em DCTF, como aqui esclarecido, sempre constituiu confissão de dívida, mesmo no período que vai da publicação da Medida Provisória no 2.15835/2001 à publicação da Lei no 10.833/2003. O único efeito da alteração em tal interregno é procedimental, dirigido à autoridade fiscal, buscando uniformizar procedimentos, com o lançamento de ofício das diferenças, em caso de lavratura de auto de infração, comando Fl. 594DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 585 21 superado por norma procedimental superveniente, Lei no 10.833/2003, que estabeleceu que apenas a multa, restrita a determinados casos, é que deveria ser objeto de lançamento. A decisão, a nosso ver, confunde a aplicação ao lançamento, no tempo, de normas materiais/substantivas (v.g., hipótese de incidência, base de cálculo) e procedimentais/adjetivas (forma de exigência). E também há equívoco da defesa ao interpretar a referida decisão. No caso analisado pelo Acórdão no 9303001.956, houve lançamento de ofício em 2006 para exigir débitos de COFINS de fatos geradores ocorridos entre maio de 2002 e fevereiro de 2003. E em tal lançamento de ofício constaram os tributos e a multa (multa essa afastada na DRJ, em função da restrição imposta ao art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001 pela legislação posterior). A decisão do colegiado foi no sentido de que o lançamento dos tributos, ainda que efetuado em 2006, deveria se reportar à legislação procedimental vigente à época dos fatos geradores (2002/2003), e, por isso, seria procedente mesmo sendo efetuado após o advento da Lei no 10.833/2003, que o restringiu à multa. Eis o que foi, de fato, julgado. Aplicando tal raciocínio ao caso em análise, que tem fatos geradores de 1999 a 2003, (P.A. de 12/1999, 06/2000, 09/2000, 12/2000, 11/2001, 12/2001, 01/2002, 06/2002, 11/2002, 03/2003 e 07/2003), apenas parte constituiria dívida “confessada”, no entender do relator daqueles autos, pois anterior à Medida Provisória no 2.15835/2001, quando ainda não havia sido “mitigado”, na visão ali externada, o comando do art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984. No outro Acórdão mencionado pela defesa, de no Acórdão no 3401001.746, o voto condutor majoritariamente acolhido pelo colegiado expressa: “tenho que admitir – revendo posicionamento anterior que de 14/02/2000 até 24/08/2001, o procedimento para se exigir um crédito tributário decorrente de compensações informadas em DCTF e posteriormente não confirmadas pelo Fisco, deveria se dar unicamente por meio de lançamento de ofício, e não mais por meio de mera cobrança de um valor tido como confessado. Essa necessidade do lançamento de ofício para esses casos vigorou até a dição da MP no 135, de 30/10/2003, convertida na Lei no 10.833, de 29/12/2003... ...ou seja, a partir de 31/10/2003, o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário, mesmo no caso de DCTF apresentadas antes dessa data, não mais poderia ser efetuado, por falta de amparo legal”. (grifo nosso) Tal caso trata de auto de infração lavrado em 28/05/2003, portanto, antes da vigência da Lei no 10.833/2003. E cabe destacar que o teor da decisão, se lido sistematicamente, é absolutamente avesso ao precedente anterior, que permitiu o lançamento de tributos em 2006. Em síntese, os precedentes invocados e o citado parecer da PGFN, além de não vincularem o entendimento deste colegiado, não colaboram para remediar a inconsistência da argumentação da defesa. Fl. 595DF CARF MF 22 Ademais, as situações analisadas em tais julgamentos, recordese, estão longe de corresponder à presente neste processo: compensações declaradas em DCTF, remetendo a créditos prêmio de IPI de terceiros, fundados em decisão judicial precária (na qual houve posterior desistência/julgamento desfavorável), tendo a empresa obstado judicialmente a cobrança em um processo, e depois inserido todos os débitos em programa de parcelamento, desejando agora restituir o valor das parcelas pagas. Difícil apresentar, então, precedente mais conectado à realidade fática deste contencioso, encontrando julgamento que abarque tamanho número de variáveis. No entanto, entendo oportuno trazer à discussão julgado recente deste colegiado, no qual se decidiu unanimemente: “CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. IMPEDIMENTO AO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. A verificação de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário não é obstáculo à constituição do crédito respectivo, porquanto se trata de atividade administrativa vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN. DCTF. INSTRUMENTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF consubstancia confissão de dívida e constitui instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário nela inserto, no entanto, a sua entrega apenas dispensa o lançamento, não o inibindo, por ser atividade administrativa vinculada e obrigatória, devendose adotar as cautelas necessárias a evitar a cobrança em duplicidade. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. AÇÃO JUDICIAL. DECISÃO DENEGATÓRIA. Não se mostra válida e eficaz a compensação de tributos com créditos de terceiros quando o Poder Judiciário, em ação patrocinada pelo próprio contribuinte, não acolhe a sua realização.” (grifo nosso) (Acórdão 3401003.789, de 23/05/2017, unânime, composição do colegiado: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl (relator), Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Rodolfo Tsuboi, Fenelon Moscoso de Almeida e Renato Vieira De Ávila. Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) (o processo se refere a lançamento efetuado em relação a débitos anteriores e posteriores à Lei no 10.833/2003). Além de estarem, no caso em análise, os montantes declarados em DCTF (não só os créditos, que se soube serem posteriormente indevidos, seja pela improcedência ou pela desistência detectada em juízo ou por se tratarem de “créditoprêmio” de terceiro – mas também os débitos), não foram os pedidos de compensação convertidos em declaração, com os efeitos correspondentes, conforme legislação de regência, não havendo que se falar em prazo fatal de homologação, ou em obrigatoriedade de lançamento de tributo, em período posterior à Lei no 10.833/2003 (embora pudessem eles ser lançados, dentro do que decidiu a turma). Assim, quando a recorrente aderiu ao parcelamento, desistindo de ações judiciais e, inclusive, ingressou com novas ações, para impedir a continuidade de cobrança administrativa, não se configurava qualquer vestígio de decadência. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 586 23 Ademais, endossamos as considerações da DRJ, no que se refere à inquestionável informação dos valores compensados em DCTF (ainda mais após o advento da Lei no 10.833/2003): ...não há sentido na interpretação de que somente estão confessados os valores registrados como saldos a pagar do débito. Na verdade, o valor reconhecido é o débito apurado. Os valores informados como créditos vinculados demonstram que os débitos foram reconhecidos e de alguma forma pagos ou compensados. O fato de declarar que o débito foi apurado e informar erroneamente que o débito foi compensado, não anula o reconhecimento do débito. E, havendo confissão em DCTF, não cabe suscitar decadência, nem confundir tal confissão com eventual outra decorrente das compensações ou do pedido de parcelamento. Eis, claramente, as razões de indeferimento do pedido (fl. 371), que invoca, ainda, precedentes em seu favor: “Nesses casos, não cabe cogitar contagem de prazo decadencial, exatamente porque não existe crédito tributário a ser constituído pelo fisco, mediante lançamento. Os valores informados na declaração que revista a natureza de confissão de dívida – situação em que se enquadram as DCTF – estão aptos a ser inscritos na Dívida Ativa da União, sem que caiba pugnar pela necessidade de realização de lançamento tributário. A esse respeito, colacionamse, a título exemplificativo, os seguintes julgados:” (grifo nosso) Vejase que as eventuais (re)confissões posteriores figuram apenas como argumento paralelo, endossando a negativa (fl. 372): “Paralelamente, é imperioso denotar aqui ainda que o presente processo trata de contribuinte Pessoa Jurídica Limitada cuja principal atividade é a participação em outras sociedades, como acionista, quotista ou associada e a administração de bens próprios. Este contribuinte reconheceu por várias vezes o crédito tributário alegado aqui como indevido: primeiramente efetuando a compensação; posteriormente confessando a dívida; e por último realizando os pagamentos.” (grifo nosso) E, tendo havido confissão de dívida em DCTF, não há que se falar em “nova confissão” em compensação ou em sede de parcelamento, não havendo relação do presente contencioso com o disposto no precedente do STJ, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, por meio do REsp no 1.355.947/SP, obviamente limitado a parcelamento de débitos não confessados anteriormente. Entende a defesa que estaria sendo ignorado tal precedente do STJ, cuja ementa abaixo se transcreve: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. CONFISSÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS PARA Fl. 597DF CARF MF 24 EFEITO DE PARCELAMENTO APRESENTADA APÓS O PRAZO PREVISTO NO ART. 173, I, DO CTN. OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 1. Não cumpre ao Superior Tribunal de Justiça analisar a existência de "jurisprudência dominante do respectivo tribunal" para fins da correta aplicação do art. 557, caput, do CPC, pela Corte de Origem, por se tratar de matéria de fato, obstada em sede especial pela Súmula n. 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 2. É pacífica a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que o julgamento pelo órgão colegiado via agravo regimental convalida eventual ofensa ao art. 557, caput, do CPC, perpetrada na decisão monocrática. Precedentes de todas as Turmas: AgRg no AREsp 176890 / PE, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18.09.2012; AgRg no REsp 1348093 / RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 19.02.2013; AgRg no AREsp 266768 / RJ, Terceira Turma, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 26.02.2013; AgRg no AREsp 72467 / SP, Quarta Turma, Rel. Min. Marco Buzzi, julgado em 23.10.2012; AgRg no RMS 33480 / PR, Quinta Turma, Rel. Min. Adilson Vieira Macabu, Des. conv., julgado em 27.03.2012; AgRg no REsp 1244345 / RJ, Sexta Turma, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 13.11.2012. 3. A decadência, consoante a letra do art. 156, V, do CTN, é forma de extinção do crédito tributário. Sendo assim, uma vez extinto o direito, não pode ser reavivado por qualquer sistemática de lançamento ou autolançamento, seja ela via documento de confissão de dívida, declaração de débitos, parcelamento ou de outra espécie qualquer (DCTF, GIA, DCOMP, GFIP, etc.). 4. No caso concreto o documento de confissão de dívida para ingresso do Parcelamento Especial (Paes Lei n. 10.684/2003) foi firmado em 22.07.2003, não havendo notícia nos autos de que tenham sido constituídos os créditos tributários em momento anterior. Desse modo, restam decaídos os créditos tributários correspondentes aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1997 e anteriores, consoante a aplicação do art. 173, I, do CTN. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e nessa parte não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008.” (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/06/2013, DJe 21/06/2013 – grifo nosso) Ocorre que o referido precedente, como resta claro na própria ementa, impede que o crédito não constituído seja “reavivado” após a inclusão em parcelamento, ou seja, impede constituição do crédito decaído, por qualquer forma, após a inclusão em parcelamento. E não é disso que trata o presente processo, no qual a imputação fiscal é no sentido de que o crédito não estava decaído, como resta claro do despacho decisório (fl. 368): Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13804.724767/201347 Acórdão n.º 3401004.407 S3C4T1 Fl. 587 25 “DÉBITOS INFORMADOS EM DCTF. EXIGIBILIDADE DOS/ /DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO. O documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória (DCTF) comunica a existência de crédito tributário e constitui confissão de dívida. Nesses casos, o próprio sujeito passivo constitui o crédito tributário, mediante a entrega da declaração que configure confissão de dívida, sem necessidade de realização do ato administrativo de lançamento, razão pela qual descabe cogitar a ocorrência de decadência tributária.” (grifo nosso) Por óbvio, se o crédito tributário não estava decaído ao tempo do parcelamento, não há que se falar na aplicação do referido precedente do STJ. Assim, ainda que encontremos irregularidades em relação à derradeira inexistência de amparo administrativo e judicial para as compensações de fato apresentadas, que são triplamente avessas à legislação (crédito tributário por decisão judicial precária/não procedente ao fim, de terceiros, e referente a “créditoprêmio”), cabe restringir a análise à motivaçãomor para o indeferimento alegada pela unidade da RFB, e mantida pela DRJ: inexistência de decadência, com a consequente alocação dos pagamentos aos débitos confessados em DCTF, amparada no CTN, no citado Parecer PGFN/CAT no 1.499/2005 e no DecretoLei no 2.124/1984, alegação esta que, como se destaca no presente voto, mantémse hígida sob o ponto de vista jurídico e lógico. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 599DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000824/2008-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 30/05/2003, 31/12/2003
GANHO DE CAPITAL. EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO. ATO CONSTITUTIVO.
A extinção do condomínio é ato constitutivo de direito, na medida em que os co-proprietários passam a ter o domínio total de determinados bens, dos quais anteriormente só possuíam uma parte proporcional ao seu quinhão; não se podendo apurar o ganho de capital considerando uma universalidade de bens, mas sim a partir de cada operação de forma individualizada.
GANHO DE CAPITAL. DATA DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL.
A data de extinção do condomínio deve ser considerada como data de aquisição da parcela de propriedade que é incorporada ao patrimônio de cada um dos condôminos.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DO GANHO DE CAPITAL APURADO.
Consolida-se o crédito relativo a parcela não impugnada, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 2201-004.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 30/05/2003, 31/12/2003 GANHO DE CAPITAL. EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO. ATO CONSTITUTIVO. A extinção do condomínio é ato constitutivo de direito, na medida em que os co-proprietários passam a ter o domínio total de determinados bens, dos quais anteriormente só possuíam uma parte proporcional ao seu quinhão; não se podendo apurar o ganho de capital considerando uma universalidade de bens, mas sim a partir de cada operação de forma individualizada. GANHO DE CAPITAL. DATA DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. A data de extinção do condomínio deve ser considerada como data de aquisição da parcela de propriedade que é incorporada ao patrimônio de cada um dos condôminos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DO GANHO DE CAPITAL APURADO. Consolida-se o crédito relativo a parcela não impugnada, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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EXTINÇÃO DO CONDOMÍNIO. ATO CONSTITUTIVO. A extinção do condomínio é ato constitutivo de direito, na medida em que os coproprietários passam a ter o domínio total de determinados bens, dos quais anteriormente só possuíam uma parte proporcional ao seu quinhão; não se podendo apurar o ganho de capital considerando uma universalidade de bens, mas sim a partir de cada operação de forma individualizada. GANHO DE CAPITAL. DATA DE AQUISIÇÃO DO IMÓVEL. A data de extinção do condomínio deve ser considerada como data de aquisição da parcela de propriedade que é incorporada ao patrimônio de cada um dos condôminos. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PARTE DO GANHO DE CAPITAL APURADO. Consolidase o crédito relativo a parcela não impugnada, a teor do art. 17 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 08 24 /2 00 8- 64 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 364 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte contra decisão da DRJRJ2 que manteve o lançamento em parte de Imposto de Renda sobre a omissão de ganho de capital durante o exercício de 2003 em decorrência de diversas transferências pela contribuinte de imóveis para fins de integralização ao capital social da empresa 3A Esteves Empreendimentos Ltda. em que era sócia com seu cônjuge. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 324/332) por sua clareza e precisão: “Tratase de lançamento de crédito tributário de Imposto de Renda da Pessoa Física relativo aos fatos geradores ocorridos em 05/2003 e 12/2003, consubstanciado no Auto de Infração, de fls. 280/287, lavrado em 22/05/2008, em face da contribuinte acima identificada. O montante do crédito apurado é de R$ 260.647,60, sendo R$ 107.051,68 de imposto; R$ 73.307,17 de juros de mora calculados até 30/04/2008 e R$ 80.288,75 de multa proporcional de 75%sobre o valor do principal. Conforme Termo de Constatação Fiscal, de fls. 23/25, datado de 22/05/2008, foi apurada omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos Fl. 364DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 365 3 adquiridos em reais, determinada pela diferença positiva entre o valor da alienação e o custo de aquisição do imóvel. Esclarece o auditor fiscal responsável pelo procedimento que foram confrontados todos os imóveis constantes da Declaração de Ajuste Anual de 2004, ND 07.26.309.555 com as Escrituras de Incorporações lavradas no 7 °. Oficio de Notas do Rio de Janeiro, que foram lavradas com intuito de integralizar o capital da empresa 3 A Esteves Empreendimentos Ltda, CNPJ n° 05.453.192/000105 pelos seus sócios Alberto Artur Esteves e Marilene Arantes Esteves. A contribuinte, cientificada do lançamento, em 24/05/2008, conforme Aviso de Recebimento emitido pelos Correios, fl. 288, apresentou impugnação, que foi formalizada no processo n° 13708.002105/200843, fls. 01/02, em 23/06/2008, argumentando, em síntese, que: Foi feita, novamente, a apuração de ganhos de capital, juntando formulários de novas apurações, bem como cópias xerox das certidões do RGI da aquisição dos imóveis, provando que houve erros de datas de aquisição dos mesmos. Está juntando a escritura de extinção do condomínio entre Alberto Artur Esteves e Candida Guilherme Esteves, a fim de provar que não ocorreu a compra de direitos e sim divisão, sem ônus de bens, havendo, portanto, erro do auditor fiscal. Solicita que seja impugnado o valor total de R$ 46.253,83 de imposto de ganho de capital, conforme relação que anexa, juntando também cópia xerox dos formulários de apuração da auditoria fiscal. A interessada apresentou na defesa cópia do Auto de Infração lavrado em 21/05/2008, que apresenta imposto de renda de R$ 107.150,24; juros de mora de R$ 73.366,58 e multa proporcional de R$ 80.362,67.” Fl. 365DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 366 4 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: 4 – O contribuinte interpõe recurso voluntário às fls. 337/339, mantendo a mesma linha da defesa. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 366DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 367 5 5 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 6 – Será apenas analisado a matéria impugnada relativa aos imóveis objeto do contrato de extinção de condomínio de fls. 22/29 dos autos do PAF nº 13708.002105/200843 uma vez que as demais matérias, tal como bem analisado pela decisão recorrida, não foram objeto de impugnação, verbis: 7 – Em síntese, em seu recurso, a contribuinte entende que quando houve a extinção de condomínio entre a contribuinte e seu cônjuge Sr. Alberto Artur Esteves e os demais condôminos Srs. Candido Guilherme Esteves e Yolanda Conceição de Almeida Esteves dos diversos imóveis relacionados no lançamento, não houve ganho de capital, pois além de não ter ocorrido nenhum tipo de reposição ou torna entre os contratantes não há na Lei 7.713/88 disposição que indique a extinção de condomínio como forma de alienação de bens e portanto não houve qualquer tipo de ganho. 8 – Além disso, entende que por conta disso, os bens foram todos adquiridos em 1938, 1956 e 1958. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 368 6 9 – No caso em tela, entendo acertada a decisão recorrida, pois o contribuinte está questionando no lançamento a alienação anterior ocorrida com a extinção de condomínio que na realidade de acordo com art. 3º, § 3º da Lei 7.713/88 é uma modalidade de alienação de bens. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. 10 – Na realidade o lançamento foi feito em decorrência da alienação ocorrida pela contribuinte quando da integralização dos imóveis para a empresa 3A Esteves Empreendimentos Ltda. e não em decorrência da alienação ocorrida com a extinção de condomínio operação anterior ocorrida. 11 – Os bens imóveis integralizados ao capital da empresa 3A Esteves Empreendimentos Ltda. foram adquiridos após extinção de condomínio efetuada em 15/09/1999 (fls. 22/29 do PAF nº 13708.002105/200843), mesma data indicada pela contribuinte em sua DIRPF como aquisição do patrimônio e utilizada como custo de aquisição para o lançamento dos valores do ganho de capital no item 9 de fls. (10 a 15 desse PAF). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 369 7 12 – A decisão recorrida deixa claro a forma do lançamento e entendo como correta a forma de apuração, me servindo dos fundamentos de seus fundamentos como razão de decidir, verbis: Fl. 369DF CARF MF Processo nº 18471.000824/200864 Acórdão n.º 2201004.106 S2C2T1 Fl. 370 8 Conclusão 13 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito NEGO PROVIMENTO mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13016.000531/2001-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto
Paulo Roberto Duarte Moreira- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Relatório
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório elaborado no acórdão nº 30301.435 que decidiu converter o julgamento em diligência, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 01), protocolizado em 20/11/2001, no montante de RS 5.902.130,45 (cinco milhões e novecentos e dois mil, cento e trinta reais e quarenta e cinco centavos) relativos a crédito financeiro oriundo de quotas de contribuição sobre as importações de café em grão cru, efetuada pela empresa Tristão Companhia de Comércio Exterior, CNPJ 27.001.247/000189, com sede em Vitória, ES. Os recolhimentos foram efetuados em março de 1989 (v. relação de fls. 46/48 e DARFs cópias autenticadas de fls. 49/105). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 30 16 .0 00 53 1/ 20 01 -6 4 Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 3 2 A restituição requerida decorre da ação de repetição de indébito n° 94.001080, movida contra a União Federal, pela empresa citada acima, sendo esta a Autora. Feita a devida contestação (fls. 109/113) [efl. 445/449], apresentada as contrarazões em 12/04/1994 (fls. 115/124) [efl. 452/461] e o proferimento da sentença fls. 133/135 [efl. 471/494], esta julgou procedente o pleito em parte, a fim de declarar a inconstitucionalidade e a ilegalidade da exigência questionada, condenando a União a restituir a quantia recolhida indevidamente. Remetido os autos ao Egrégio TRF/2º região, nos autos da apelação Cível n° 94.00.010800, a Segunda Turma deu parcial provimento à apelação da Autora e negou provimento à remessa e ao apelo da União (fls. 697/698). O v. Acórdão transitou em julgado em 20 de agosto de 1999 (fls.277) [efl. 632]. E, em 20 de abril de 2001 foi firmado o instrumento de cessão de créditos entre a empresa e a Recorrente (fls.322/331) [efl. 685/693]. Posteriormente, em 04 de maio de 2001, a Recorrente ingressou com o pedido de substituição no pólo ativo, por força no artigo 567, II, do CPC, em virtude da cessão de crédito efetuada entre as partes (fls. 313/315) [efl. 676/677]. A Procuradoria UF foi notificada em 25/07/2001 e aceito o pedido pela MM. Juiz da 1ª Vara da Justiça Federal do Espírito Santo, por decisão prolatada em 24 de outubro de 2001, determinando que a recorrente passasse a ser assistente litisconsorcial, nos termos do artigo 4, § 2o, do CPC (fls. 430/434) [e fl. 797/801].Em 10/11/00, a contribuinte requereu o sobrestamento por 30 dias dos embargos a execução (fl.487). Este foi um breve histórico do processo judicial anexo às fls. 02 a 299 e 302 a 488. O pleito do recorrente foi indeferido às fls. 495/498 [efls. 870/875] através do Parecer DRF/CXL/Saort n° 01, de 06/02/2002, da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul/RS sob os seguintes argumentos: 1. não sendo a quota de contribuição instituída pela Instrução n° 205 de 12 de maio de 1961, inexiste previsão legal para a restituição e/ou compensação pela SRF; 2. visto que o indébito foi reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a restituição deste deve seguir o regime jurídico do precatório, sendo que a execução do julgado fora formalizado junto ao Poder Judiciário; 3. é incabível a modificação da coisa julgada via administrativa, conforme o artigo 5o, inciso XXXVI, da CF/1988, visto que o julgado declara apenas o direito à restituição.Como a decisão faz lei entre as partes, deverá o recorrente utilizar a via judicial para pedir os seus direitos. Ciente do indeferimento, através da Notificação de fl. 504 [efl. 879], o recorrente apresentou tempestiva Manifestação de Inconformidade (fls. 507/550) [efl. 882/925], na qual em síntese aduz: Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 4 3 1. ao contrário do que afirma a DRF em Caxias do Sul /RS, a exação foi recolhida e administrada pela SRF, com fulcro na Instrução Normativa n° 73 SRF de 19/05/1997; 2. depreende se da referida IN transcrita , em seu item 5, que a exação poderia ser realizada em qualquer agência da SRF; 3. conforme demonstram as DARFs, anexas nos autos, os tributos foram pagos diretamente à Receita Federal; 4. quanto a responsabilidade de ressarcir quanto a quota de exportação, citase jurisprudência favorável do 3o Conselho dos Contribuintes; 5. sendo possível a exação do referido tributo através da SRF, e perfeitamente possível a compensação através deste; 6. por todo exposto, concluise que a quota de exportação de café é espécie de tributo, administrada e cobrado pela SRF, conforme a IN n° 73/87 e 12/90 e pela Lei 7739/89, que permite que a SRF autue as empresas pelo não recolhimento da referida quota. Instruem a manifestação de inconformidade os documentos anexos às fls. 551 a 556. Por fim, requereu que a impugnação fosse integralmente provida, sendo seus pedidos de compensação totalmente deferidos. O processo foi encaminhado à DRJ de Florianópolis para julgamento, que deferiu a solicitação do recorrente em parte, sob a seguinte ementa (fls. 559/563) [efls. 934/938]: "Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1988 a 31/12/1988 Ementa: QUOTA DE CONTRIBUIÇÃO AO IBC. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal é competente para apreciar pedido de restituição e/ou compensação de valores relativos à extinta quota de contribuição ao IBC. DESPACHO DESCISÓRIO. NULIDADE. É nulo despacho decisório proferido por Delegado da Receita Federal, abstendose de conhecer de pedidos de restituição e/ou compensação de valores relativos à extinta quota de contribuição ao IBC. Despachos nulos Solicitação Deferida em Parte" Conforme determinação do acórdão supracitado, o pedido foi devolvido ao órgão de origem e foi analisado através do Despacho Decisório/CXL/Gabinete, de 22/11/2004 (fls. 611/618) [efls. 998/995], sendo que o pedido restou indeferido pelos seguintes argumentos: 1. o recorrente é parte ilegítima para requerer a restituição/compensação dos indébitos tributários, visto que o trânsito em julgado da decisão judicial ocorreu em 28/08/1999 e a cessão de Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 5 4 crédito foi realizada em 20 de abril de 2001, ou seja, posterior ao trânsito em julgado, a sentença, portanto, referese somente entre a União e a empresa Tristão Companhia de Comércio Exterior Ltda; 2. A legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação; cita o art. 74 da lei n° 9.340, de 1996, na redação dada pelo artigo 49 da Lei n° 10.637, de 2002; artigos 21, 26 da IN SRF n° 210, de 2002; artigo 40 da IN n° 460/2004; artigo 123 do CTN; 3. a compensação em Direito Tributário só poderá ocorrer nas hipóteses previstas em lei, o que não ocorre no devido processo; 4. a União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional se opôs à cessão de créditos a terceiros, visto que a liquidez está sendo discutida via judicial; 5. se nem a autora pode pedir a compensação, este não cabe a cessionária desses créditos; 6. determina o artigo 170 do CTN que os créditos para serem compensados devem ser líquidos e certos. Contudo, no caso em tela verificase que os créditos não estão líquidos, sendo que o crédito ainda está sendo debatido na esfera judicial; 7. não há provas de homologação pelo Poder Judiciário, a fim de comprovar que houve a desistência, renúncia e execução, assim como, assunção de todas as custas do processo e os honorários advocaticios; 8. constatouse que não houve desistência do processo de execução, pois em consulta ao sítio da Seção Judiciária do Espírito Santo consta que o processo ainda estava tramitando; 9. o processo tramita concomitante tanto na via administrativa quanto judicial; 10. citase o Ato Declaratório Normativo n° 03/1996 COS1T; 11.não há sentido para apreciação de pedido do recorrente, visto o deslocamento da lide para o Poder Judiciário, desta forma, a União é onerada duas vezes com o mesmo débito. À fl. 622 [efl. 999] consta o Aviso de Recebimento AR cientificando o recorrente acerca do despacho decisório, que juntou a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 626/653 [efls. 1.003/1.030], na qual em suma alega: 1. O despacho decisório deve ser reformado por ser contrário aos documentos juntados no pedido de compensação e ser embasado em dispositivos legais inaplicáveis ao caso; 2. Resta também superada a questão acerca da ilegitimidade passiva da interessada, pois a decisão judicial transitada em julgado homologou o contrato de cessão de créditos entre a empresa TRISTÃO E CIA DE COMERCIO EXTERIOR LTDA. E VINHOS SALTON S/A E COMERCIO, e para tanto foram observados os requisitos e pressupostos processuais de uma convenção particular para efeito de Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 6 5 terceiros e para definir que o legítimo credor das quantias indevidamente são de pura exclusividade do recorrente; 3. outros tópicos que merecem reforma são acerca da compensação, liquidez e execução; 4. quanto a compensação, esta atende as modalidades prevista em lei, conforme o artigo 66, da Lei 8383/91, artigo 74, da Lei 9.430/96, Decreto n. 2138/97, da Instruções Normativas 21/97,73/97,210/202, da Lei 10.637/2002; 5. não assiste razão a decisão recorrida quanto a ilegitimidade da recorrente, pois com a cessão de créditos, esta passou a reivindicar credito próprio, além de não haver óbice judicial que impossibilite a transferência de crédito por meio de instrumento particular; 6. quanto a liquidação e execução judicial em andamento, o recorrente optou pelo pedido de compensação de créditos legítimos e desistiu da execução, através do arquivamento dos embargos à execução. 7. logo, a União não foi compelida a pagar duas vezes, conforme o artigo 368, do novo Código Civil; 8. não pode a autoridade Fiscal lavrar auto de infração, visto a situação processual dos procedimentos administrativos originais com pendência de julgamento, ferindo o disposto no artigo 151, 111 do CTN; 9. além de serem aplicadas legislações posteriores ao pedido de compensação; 10. quanto aos autos de infração referente a multa isolada o Ato Declaratório Interpretativo da SRF n° 17/2002, dispõe em seu parágrafo único que não pode ser aplicada a multa isolada quando o pedido de compensação for baseado em decisão judicial; 11. a aplicação da multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n. 9.430/96 referese nos casos evidentes do intuito de fraude, definido no artigo 71 (trata de sonegação), artigo 72 (trata de fraude), e 73 (trata de conluio) da Lei n° 4.502/64; 12. para a aplicação da multa neste importe é necessário que no caso concreto seja comprovada a ocorrência inequívoca de intuito fraudulento. 13. para que ocorra a hipótese de incidência do artigo 44, II da lei n°9.430/96 , não basta que possuas as características descritas, sendo necessário que atenda as previsões contidas no artigos 71,72 e 73 da Lei n° 4.502/64; 14. jamais houve por parte do recorrente qualquer intuito fraudulento. 15. quanto a possibilidade de compensação não se aplica o artigo 123 do CTN, pois não se trata de transferência da obrigação tributária de divida ou dever legal e sim de crédito, e não há lei que impeça o credor de transferir o crédito para outro; Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 7 6 Em razão da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação no presente processo e no de n° 13016.000366/200141, estes foram encaminhados à Seção de Fiscalização da DRF cm Caxias do sul RS, para o lançamento da oficio decorrente da compensação indevida, prevista no artigo 18 da Lei n° 10.833/2003 e as demais providências cabíveis. Desta forma, originouse os processos de n° 11020.000730/200510 (CSLL), 11020.000726/200543 (IRPJ), 11020.000728/200532 (IRRF) e 11020.000729/200587 (PIS). Visto as alterações no PROFISC, para a inclusão da multa de mora, o contribuinte foi cientificado e este apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 738/820) [efls. 1.118/1.200], onde contesta a multa moratória, no qual resumidamente afirma: 1. Por preterição ao direito de defesa por ausência de fundamentação legal, sendo assim, deve ser aplicada a interpretação mais benigna ao contribuinte; 2. É evidente a violação aos princípios da Legalidade e da Irretroatividade, já que as normas que autorizam a imputação da multa foram promulgadas posteriormente ao pedido de compensação (Instrução Normativa da SRF n° 460, de 2004 e § 7o do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, incluído pelo artigo 17 da Lei 10.833, de 2003); 3. Pela caracterização de denúncia espontânea, já que o pedido de compensação equivale a pagamento, tomado a ilegal a multa moratória; 4. Afirma não ter sentido sofrer os autos de infração para a cobrança dos tributos, já que o processo de compensação continua pendente e os autos de multa de mora; 5. o embasamento legal utilizado no relatório da auditoria foi o artigo 30 da Instrução Normativa 460/04, do qual depreendese que as compensações não homologadas serão exigidas com os respectivos acréscimos legais e sobre a multa isolada; 6. não deve prosperar a inclusão da multa, pois os pedidos de compensação ainda estão pendentes de julgamentos, portanto, com a exigibilidade suspensa, conforme determinação do artigo 150, III, do CTN, sobretudo por que estes processos são decorrentes do processo judicial transitado em julgado, com desistência da execução; 7. Para corroborar seus argumentos cita os princípios constitucionais e tributários da hierarquia e irretroatividade das leis, além da possibilidade da aplicação da cessão de créditos previsto no antigo e atual Código Civil, sendo este fonte subsidiária do direito tributário; 8. quanto a irretroatividade, afirma que as legislações contidas no relatório da auditoria são posteriores ao pedido de compensação; 9. quanto a cessão de crédito, houve despacho homologatório do Juízo Federal competente, passando o contribuinte a integrar a lide na qualidade de autora credora: Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 8 7 10. quanto a hierarquia, o regulamento é subordinado à lei, sendo limitada a prover a fiel execução desta; 11. não há previsão legal para a inclusão da multa de mora na hipótese do indeferimento do pedido de compensação na primeira instância administrativa, não sendo possível Instrução Normativa regulamentar leis existentes e as leis utilizadas pelo fisco a fim de justificar o indeferimento da compensação são posteriores ao pedido; a lei só poderá retroagir nas hipóteses previstas em lei; 12. a funcionária pública fundamentou a imposição da multa no art. 30 da IN n. 460/2004 da SRF, porém, em análise do dispositivo utilizado, concluise que o ou a funcionária equivocouse quanto a aplicação da fundamento legal ou imputa a mesma multa duas vezes, pois a multa já fora aplicada em outros processos administrativos; 13. se realmente cobrada duas vezes a mesma multa, não há outra interpretação, senão a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes artigo 5o, LV da Constituição Federal e artigo 59, II, da lei 70.235/72; 14. a imputação do presente recurso infringe o princípio da segurança jurídica; 15. a interpretação da lei de forma mais favorável, quando houver dúvidas sobre a capitulação legal do fato imputado pela autoridade administrativa, nos moldes do artigo 112 do CTN; 16. quanto a irretroatividade, esta é a regra, porém o art. 106, I, do CTN possibilita que as leis retroajam; 17. logo, a lei nova não poderá agravar a situação do contribuinte, em vista o principio da segurança jurídica, respeitando o direito adquirido, ato jurídico perfeito e a coisa julgada, previstos no inciso XXXVI e no artigo 6o da LICC; 18. a legislação utilizada no relatório do auditor fiscal não poderá ser posterior ao pedido de compensação; 19. quanto a cessão de crédito realizada, esta teve por base os artigos 1.065 a 1.078, do antigo Código Civil Brasileiro e artigos 286 a 298 do novo Código Civil. A cessão poderá ocorrer por força da convenção particular, bem como por decisão transitada cm julgado; 20. isto posto, não há de se aplicar as vedações contidas nas IN publicadas após a lei n° 9.430/96, visto não se tratar de credito de terceiros e ser permitido legalmente a compensação do crédito tributário com terceiros; 21. por força da celebração do instrumento particular de cessão de crédito, com o devido registro, poderá o adquirentecessionário, pleitear a restituição e compensação, conforme o artigo 567, II, do CPC; 22. isto posto, o contribuinte encontrase amparado no artigo 74, da Lei 9.430/96; Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 9 8 23. a coisa julgada incorporou o crédito ao patrimônio do recorrente; 24. o contribuinte assumiu o risco da optar pela cessão de crédito no final da liquidação, mas subsiste o direito de crédito, e este é líquido e certo; 25. por fim pede: 26. o acolhimento da preliminar de nulidade da inclusão da multa moratória em razão do efeito suspensivo em razão da interposição dos processos n° 13016.0003667200141 e 13016.000531/200164, que estão em fase de julgamento; 27. a nulidade do auto de infração tendo em vista a Instrução Normativa n° 460, de 2004 não pode ser aplicada ao caso já que foi definitivamente julgado o pedido de compensação; 28. que seja reconhecido que houve a realização de forma correta da compensação, não existindo assim, qualquer diferença entre o valor declarado e o valor da escriturado, já que foram observadas as normas ditadas pela Lei n° 9430; 29. que sejam julgados procedentes os pedidos de compensação. Instruem o presente recurso os documentos anexos às fls. 821 a 829, sendo estes as Notificação n° 2/184/05, a solicitação da cobrança dos juros de mora, as DARFs relativa ao ano de 1980 e carta de cobrança, respectivamente. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis SC, esta indeferiu o pleito do contribuinte sob a seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/05/2001 a 30/09/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO É vedada a compensação de tributo que o sujeito passivo deva à União com crédito adquirido de terceiro, objeto de ação judicial, cuja sentença conferiu, apenas, o direito à restituição. Assim, não é de se homologar pedido de compensação que tenha por base tal crédito. AÇÃO JUDICIAL. DIREITO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS ESPECÍFICOS. EFEITOS. A inexistência de expressa desistência no processo judicial, em nome da autora da ação, versando sobre direito de restituição, cujo julgamento a favor da impetrante já transitou em julgado, inviabiliza a utilização administrativa do correspondente crédito para compensação de débitos específicos, conforme consta em DCTF. Solicitação indeferida." Ciente da decisão (AR fls. 878) [efl. 1.258], o recorrente interpôs recurso voluntário, instruído pelos documentos de fls. 926 a 1061 [e Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 10 9 fls. 1.263/1.306], no qual reitera os argumentos anteriores e acrescenta a seguir: 1. a decisão "a quo" não apreciou a imposição de multa de mora em decorrência do julgamento procedente dos recursos que determinou a anulação de multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o valor que pretende compensar; 2. como não é possível a aplicação das multas em conjunto, a Receita Federal, impôs de mora de 20% (vinte por cento) sobre todos os créditos nos quais a Recorrente pretende compensar; 3. é ilegal e inconstitucional a negação do exercício de jurisdição administrativa, em razão do direito do contribuinte de ampla defesa, vulnerando, assim, o artigo 59, II, da LEF (decretolei 70.235/72). Para corroborar seus argumentos colaciona respeitável jurisprudência. Requer por fim, o total provimento do recurso, reformando o acórdão anterior. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro, em cinco volumes, constando numeração até às fls. 1063, última. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos da Portaria MF n° 314, de 25/08/99. Distribuído o presente processo por sorteio em Turma do CARF, o relator constatou a existência de processo da mesma recorrente versando a mesma matéria, o de nº 13016.000366/200141 e propôs em Despacho (fls. 1.442/1.445) à Presidente da Turma a reunião de ambos e a determinação de distribuição para si daquele outro em razão da prevenção. No despacho de 31/01/2007 (fl. 1.446), a conselheirapresidente negou o apensamento, porém, determinou que por ocasião do sorteio do processo 13016.000366/2001 41 os relatores se ajustassem para julgamento em pauta na mesma data. Em 29/10/2008 (fls. 1.469/1.474), a recorrente peticionou a conexão entre os processos indigitados sob o fundamento de que julgamentos apartados poderia resultar divergências nas decisões e acarretarlhe prejuízos. O pedido foi indeferido em despacho da DRF em Caxias do Sul/RS (fl. 1.490). Verificase que o processo nº 13016.000366/200141 foi julgado nesta mesma Turma em 22/06/2016, sendo prolatado o Acórdão nº 3201002.233, negado, por unanimidade, provimento ao recurso da contribuinte com a ementa transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1988 a 31/12/1988 DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A partir do trânsito em julgado de sentença proferida em ação judicial de repetição de indébito, o contribuinte terá a faculdade de optar pelo Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 11 10 recebimento do crédito por via de precatório ou proceder, administrativamente, à compensação tributária, não sendo possível a restituição administrativa, sob pena de violação ao art. 100 da Constituição Federal. Submetido o presente processo a julgamento em Turma extinta deste CARF, na sessão de 18/06/2008, decidiu seus conselheiros em converter o julgamento em diligência para que retornasse à Unidade competente para aguardar o trânsito em julgado do processo judicial no tocante à substituição de polo ativo na demanda, findo o qual retornasse instruído com cópias de eventuais recursos e decisões proferidas. O relator fundamentou sua proposta conforme extraise do excerto: (...) O objeto dos presentes autos é a compensação levada a cabo pela recorrente, de débitos tributários seus com créditos que lhe foram cedidos por Instrumento Particular de Cessão, previamente reconhecidos em ação judicial com trânsito em julgado. A cessão de tais créditos se consumou através de pacto celebrado entre cedente e cessionária, o que motivou o ingresso da última no pólo ativo do processo judicial já em fase de execução, em substituição à cedente. Ato contínuo, a nova titular dos créditos optou por aproveitálos na forma de compensação, realizada na esfera administrativa. Ate o presente momento, as instâncias administrativas ordinárias negaram o direito à compensação, sob o principal argumento de ilegitimidade ativa de parte (no presente processo administrativo), já que a sentença judicial proferida na fase de conhecimento, fora em favor da então cedente, não podendo, portanto, ser aproveitada pela ora recorrente, mesmo diante da cessão formal de créditos noticiada. (...) Sucede que após detida análise dos autos, verifiquei que o pedido formulado nos autos do processo judicial em fase de execução, para a substituição da cedente pela cessionária no pólo ativo daquela demanda, foi impugnado pela Fazenda Nacional, através de embargos à execução. Embora os presentes autos não contenham cópias dos últimos atos processuais praticados naqueles processos, em consulta realizada no sítio eletrônico do Tribunal Regional Federal da 2a Região, foi possível verificar que os autos dos embargos à execução e do processo principal se encontram conclusos para sentença desde 29/10/2007, (autos n°s. 2000.50.01.0037404 e 94.00010800, respectivamente), havendo ainda um agravo pendente de julgamento no TRF da 2ª Região (autos n° 2007.02.01.0076726). Observase, portanto, que a questão referente à substituição processual se encontra sub judice. Como a questão que ainda espera julgamento na esfera judicial é central para a solução da presente controvérsia, já que irá definir Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 12 11 quem é (ou se tomou) titular do direito reconhecido judicialmente, penso que não há como se avançar na análise do presente recurso antes de dirimida a controvérsia submetida ao crivo do Poder Judiciário. Pelo exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que o presente processo lá permaneça até decisão final da questão atinente à substituição de pólo ativo na demanda judicial, devendo a Autoridade Administrativa responsável pelo acompanhamento de ações judiciais repassar informações a esta Terceira Câmara, com a máxima periodicidade possível, sobre o andamento da ação judicial originária dos créditos cedidos, incluindo o acompanhamento de seus incidentes processuais (decisões, recursos, processos correlatos, etc), devendo o processo retomar a esta Eg. Câmara para julgamento após o trânsito em julgado da questão judicial, devidamente instruído com cópias de eventuais recursos e decisões ali proferidas. (...) Por meio de despacho de fl. 1.559, em 24/02/2017, a Delegacia da RFB em Caxias do Sul/RS encaminhou extratos das decisões e movimentações processuais dos processos judiciais relacionados ao feito (fls. 1.508/1.547), com destaque para decisão proferida no REsp nº 1.371.533/ES promovido pela ora recorrente em que se deu provimento ao recurso especial para admitir a possibilidade de ingresso da cessionária na fase de execução da sentença, com o trânsito em julgado em 19/11/2014, como segue: (...) Observa, pois, que o acórdão recorrido deve ser cassado, [sic]lendo em vista que o fundamento por ele utilizado confronta com a jurisprudência do STJ. Em face disso, os autos deverão retornar ao Tribunal de origem para que ele prossiga no julgamento do agravo de instrumento, a fim de analisar as demais objeções suscitadas pela Fazenda Nacional à validade de cessão apresentada nos autos. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial, para cassar o acórdão recorrido, determinando o retorno do autos à Corte de origem, a fim de que, admitida a possibilidade de ingresso do cessionário na fase de execução independentemente de anuência do devedor, prossiga no julgamento do agravo de instrumento, dirimindo as demais questões suscitadas pelo ente público quanto à validade da cessão (eSTJ fls. 5565). Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 17 de setembro de 2014. Cumprida a diligência o processo retornou para este CARF e redistribuído em razão da extinção da turma em que se iniciou o julgamento. É o relatório. Voto Fl. 1578DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 13 12 Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator. O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Precedeu este julgamento a Diligência determinada pela Turma anterior em razão da negativa ao direito à compensação sob o argumento da ilegitimidade ativa da recorrente como parte ativa no processo de execução. A resolução teve por finalidade aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial em que se discutia a legitimidade da recorrente no polo ativo da ação de execução da restituição do indébito Entendo que a situação originária fundamento da diligencia ainda persiste, ou seja, ausência de definitividade na decisão quanto à legitimidade da recorrente no polo ativo da execução. A razão está no recurso especial no qual o STJ apenas admitiu a possibilidade de ingresso do cessionário na fase de execução, independentemente de anuência do devedor, para, a seguir, determinar o prosseguimento no julgamento do agravo de instrumento, dirimindo as demais questões suscitadas pelo ente público quanto à validade da cessão. De ressaltar ainda que no Relatório noticiouse o processo nº 13016.000366/200141, igualmente formalizado para tratar do pretenso direito creditório da Vinícola Salton, assemelhado ao presente quanto à matéria e fases judiciais, diferenciandose, conforme afirmado pela recorrente, quanto à autoria original da ação de repetição de indébito. Verificado naquele processo, por meio de baixa para diligência, que os débitos a serem compensados forma objetos de parcelamento, restando, portanto, o litígio acerca do pedido de restituição. No presente processo não se tem qualquer menção a parcelamento de débitos objeto de compensação. Contudo, por eficiência e a necessária delimitação da lide, entendo prudente verificar tal situação, pois que em tal hipótese o processo deixaria de versar sobre compensação limitandose ao pedido de restituição de indébito concedido por sentença judicial. Diante de tudo ante exposto, verifico que o processo não se encontro apto a acolher uma decisão neste momento, sobretudo por pender decisões que carecem de definitividade verificada em sede de Resolução anterior, que motivou aquela diligência. Neste sentido, proponha a conversão do julgamento em nova diligência para que a Unidade de Origem: 1. Intime o contribuinte, com a concessão do prazo de 30 (trinta) dias prorrogáveis uma única vez, a: Apresentar as peças processuais relativas à tramitação do Agravo de Instrumento em sede do TRF/2ª Região, que se seguiram à decisão no REsp nº 1.371.533; Informar, e se for o caso, apresentar documentos acerca da adesão à programa de parcelamento dos débitos que constam do pedido de compensação deste processo; Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 13016.000531/200164 Resolução nº 3201001.148 S3C2T1 Fl. 14 13 Comprovar, com a apresentação de pedido formal e decisão homologatória, a desistência na ação de execução de direito creditório reconhecido por sentença judicial condenatória; e Outras providências que a autoridade administrativa julgar convenientes ou necessárias a dirimir dúvidas concernentes às matérias objeto desta diligência. 2. Apresente relatório de diligência com as conclusões obtidas do cumprimento da intimação ao contribuinte e das decisões judiciais pertinentes; 3. Dê ciência ao contribuinte para manifestarse em relação ao Relatório de Diligência, se assim o quiser, no prazo de 30 (trinta) dias improrrogáveis. 4. Devolva o processo com juntada dos documentos para prosseguir o julgamento na Turma. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002309/2006-60
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, anexo II, art. 67, § 3º). Verificada a incidência da Súmula CARF nº 83 no caso sob exame o recurso especial não deve ser conhecido.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105)
Numero da decisão: 9101-003.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO ESPECIAL. INADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, anexo II, art. 67, § 3º). Verificada a incidência da Súmula CARF nº 83 no caso sob exame o recurso especial não deve ser conhecido. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105)
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INADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso (RICARF, anexo II, art. 67, § 3º). Verificada a incidência da Súmula CARF nº 83 no caso sob exame o recurso especial não deve ser conhecido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 23 09 /2 00 6- 60 Fl. 701DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 702 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório FAZENDA NACIONAL e COOPERATIVA REGIONAL AGROPECUÁRIA DE CAMPOS NOVOS COPERCAMPOS recorrem a este Colegiado, por meio dos Recursos Especiais de efls. 554 a 564 e 589 a 602 (3º Volume digitalizado), respectivamente, contra o Acórdão nº 1202000.294, de 18 de maio de 2010 (efls. 529 a 549, 3º Volume digitalizado), que deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência da CSLL em relação aos resultados auferidos pela interessada com a prática de atos cooperados. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COOPERATIVA ATOS COOPERADOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. A cooperativa, uma vez não descaracterizada sua natureza, tem regime jurídico próprio no tratamento legal concedido sobre seus resultados decorrentes dos atos cooperados, não havendo possibilidade de se exigir tributos sobre esses atos. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. AÇÃO CAUTELAR. EFEITO NÃO VINCULATIVO. EC 33/2001 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. A decisão exarada em Ação Cautelar pelo Supremo Tribunal Federal, a respeito da imunidade das contribuições sociais sobre as receitas de exportação, instituída pela EC 33/2001, só tem validade entre as partes e, portanto, não tem o condão de alterar a incidência da tributação da CSLL sobre essas receitas aos demais sujeitos passivos. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. INÍCIO DO PRAZO. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 703 3 A multa isolada, pela falta de pagamento das estimativas mensais da CSLL a que está sujeita a pessoa jurídica, pode ser aplicada concomitantemente com o multa de ofício pela falta de pagamento da CSLL anual porque os fundamentos legais e os bens jurídicos protegidos são distintos. A data de início do prazo para imposição da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais do ano calendário de 2001 somente se inicia em 01/01/2002, nos termos do art. 173, I, do CTN. Os recursos apresentados foram admitidos, respectivamente, pelo Despacho de efls. 582 a 584 e pelo Despacho de efls. 694 a 696. Recurso da Fazenda Nacional A Fazenda Nacional suscita divergência jurisprudencial em relação à incidência da CSLL sobre os resultados apurados em atos cooperativos. Aponta como paradigma o acórdão a seguir, cuja ementa, na parte de interesse, está assim redigida: Acórdão nº 10513.823 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO SOCIEDADES COOPERATIVAS O resultado positivo obtido pelas Sociedades Cooperativas nas operações realizadas com associados, os chamados atos cooperados, integra a base de cálculo da Contribuição Social. Exegese do artigo 111 da Lei n° 5.764/71, artigos 1°, 2° e 40 da Lei n° 7.689/88 e artigos 15, 22 e 23 da Lei n° 8.212/91. Em suas razões recursais, a Recorrente aduz, em essência, que, com base no disposto nas Leis nº 5.764/61, 7.689/88 e 8.212/91, é legítima a incidência da CSLL sobre o resultado positivo apurado pelo contribuinte nos atos denominados cooperados. Sinteticamente, os argumentos formulados pela Recorrente são os seguintes: a) Aponta que a Lei nº 5.764, de 1961, não infirma o fato de que a sociedade cooperativa pode apurar resultado financeiro positivo ao final de um período, o qual, após deduções e exclusões, é rateado entre os contratantes proporcionalmente à sua participação nas operações da cooperativa; a essa quantia a lei chama de "sobra líquida". Logo, essa "sobra líquida" advém da apuração anterior de um resultado financeiro positivo ao fim de determinado período, que é a base de cálculo da CSLL; b) Afirma existir no presente caso "uma confusão entre os conceitos de base de cálculo da CSLL devida pela cooperativa e base de cálculo do imposto de renda, que, conforme a Lei nº 5.765/61, somente é exigido da sociedade cooperativa quando houver a prática de atos não cooperados", conforme dispõe o artigo 111 da referida lei. Adverte, entretanto, que "consoante iterativa jurisprudência deste CARF, a base de cálculo da CSLL e do imposto de renda não são em nada semelhantes"; Fl. 703DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 704 4 c) Entende que os artigos 15 e 23 da Lei nº 8.212, de 1991, corroboraram a incidência da CSLL sobre o resultado positivo do exercício auferido pelas cooperativas, resultante da interpretação da norma instituidora do tributo, uma vez que "determina expressamente ser a cooperativa sujeito passivo da contribuição social sobre o lucro"; d) Destaca que o artigo 195 da Constituição Federal prevê que "a Seguridade Social deverá ser financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta", mediante recursos provenientes inclusive de contribuições sociais. Nesse sentido, com base no artigo 10 da Lei nº 8.212, de 1991, no artigo 4º da Lei nº 7.689, de 1988, e na Instrução Normativa SRF nº 198, de 1988, a PFN afirma que a CSLL "é devida por todas as sociedades cooperativas e incide sobre todos os seus resultados, sejam eles relativos às operações com associados ou não"; e) Acrescenta que "a tributação das cooperativas não representa ofensa às disposições constitucionais de estímulo do cooperativismo". Além disso, alerta que o "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo", previsto no artigo 146, inciso III, alínea "c", não é sinônimo de isenção; nem trata de tratamento tributário privilegiado. Pontua que "no que se refere a CSLL inexiste qualquer norma da legislação infraconstitucional que conceda isenção às sociedades cooperativas";. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose a exigência fiscal exonerada. A Contribuinte apresentou contrarrazões (efls. 661 a 669, 4º Volume digitalizado) defendendo, em essência, a impossibilidade de incidência da CSLL sobre o ato cooperativo, uma vez que, quando da prática desses atos, as sociedades cooperativas não auferem lucro e sim sobras, o que afasta a base de incidência para a exigência da contribuição. Em síntese, os argumentos apresentados pela Recorrida são os seguintes: a) Cita o artigo 2º da Lei nº 7.689, de 1988, que estabelece que a base de cálculo da CSLL "é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda". Entende que a partir desse dispositivo podese reconhecer que "ressalvados os ajustes pertinentes, a base de cálculo da contribuição, como o próprio nome diz textualmente, é o lucro obtido pela pessoa jurídica", de forma que "sem que exista lucro" não haveria espaço para falarse em IRPJ e em CSLL; b) Afirma que é entendimento pacificado que em se tratando de sociedades cooperativas as únicas operações com aptidão para gerar "lucro" são as praticadas com não associados. Os resultados das operações com associados, por sua vez, denominamse "sobras", que não podem ser confundidas com o lucro suscetível de tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Isso porque a sociedade cooperativa não pode ter finalidade lucrativa, realizandose o lucro nas pessoas dos associados, "legais destinatários das receitas obtidas pela Cooperativa em razão da venda de seus bens ou serviços, como também os responsáveis pelas despesas incorridas pela sociedade". Assim, "os resultados da empresa não representam qualquer acréscimo patrimonial, vez Fl. 704DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 705 5 que devem retornar aos associados". Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e do CARF. Por fim, a Contribuinte requer seja negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, "para o fim de que reste confirmada a decisão recorrida sobre a impossibilidade de incidência da CSLL sobre o ato cooperativo". Recurso da Contribuinte A Contribuinte apresenta, ainda, divergência jurisprudencial quanto à incidência concomitante da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Aponta como paradigmas os acórdãos a seguir, cujas ementas, na parte de interesse, estão assim redigidas: Acórdão nº 180300.258 Assunto: IRPJ Exercícios: 2001 a 2004 (...) IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Acórdão nº 0105.843 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Fl. 705DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 706 6 A Recorrente defende a impossibilidade de exigirse cumulativamente a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Em suas razões recursais, apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: a) Entende que o recolhimento de parcelas mensais "encerra um caráter meramente acessório de antecipação do tributo", de forma que "a imposição da multa isolada, decorrente da não quitação das estimativas, deverá ser aplicada somente durante a vigência do ano calendário correlato, ou seja, antes que se aperfeiçoe o fato gerador complexivo da CSLL". Aperfeiçoando se a CSLL, "somente será aplicável a multa por lançamento de ofício, no percentual de 75%, pela falta de recolhimento do tributo"; b) Aduz que a exigência cumulativa das multas em questão, "calculadas sobre as mesmas bases de cálculo ou, em outras palavras, sobre bases de cálculo que, embora apresentem valores diferentes (...), originamse dos mesmos negócios realizados pelo contribuinte", ofende o princípio da proporcionalidade, porque significa penalizar duplamente o contribuinte pela mesma falta. Aponta que a jurisprudência do CARF possui entendimento consolidado no sentido da ilegitimidade da aplicação concomitante da multa de ofício com a multa isolada. Ao final, pede que seja provido o recurso especial interposto, reformandose a decisão recorrida. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da Contribuinte (conforme manifestação de ciência à efl. 698). É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora As duas questões trazidas a este colegiado são eminentemente jurídicas e de solução direta, com lastro em posições consolidadas do CARF. Recurso Especial da Fazenda Nacional O recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (efls. 554 a 564) demonstrou a divergência de entendimento entre decisões do CARF, de forma clara e objetiva. Contudo, nos termos do artigo 67, § 3º, do anexo II do Regimento Interno do CARF, o recurso não pode ser conhecido: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 707 7 (...) § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Nesse contexto, verificase que os argumentos veiculados pela Fazenda Nacional contrariam o disposto na Súmula CARF n. 83: Súmula CARF n. 83: O resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus cooperados não integra a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mesmo antes da vigência do art. 39 da Lei no 10.865, de 2004. Com efeito, a parte da autuação, a título de CSLL, que foi afastada pela decisão recorrida diz respeito ao resultado obtido pela contribuinte a partir de atos cooperados, praticados nos anoscalendário entre 2001 e 2004. Os paradigmas que ensejaram o enunciado da Súmula n. 83 confirmam o entendimento de que o resultado positivo obtido pelas sociedades cooperativas nas operações realizadas com seus associados, chamados de atos cooperados, não integram a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, entendimento que se amolda perfeitamente ao caso sob exame. Esta Câmara Superior tem decidido que, na hipótese, o recurso especial não deve ser conhecido, a exemplo do que ocorreu nos julgamentos dos processos n. 10925.002628/200675 (acórdão nº 9101002.687) e 10925.002516/200614 (acórdão nº 9101 002.688) ambos de relatoria do Cons. Luís Flávio Neto, julgados na sessão de maio de 2017, em que o voto condutor do Relator foi seguido, à unanimidade, pelo Colegiado. Portanto, em virtude da absoluta paridade entre o caso em tela e a posição proferida naqueles julgados, somada ao fato de que as decisões desta CSRF têm por objetivo a uniformização da jurisprudência administrativa, não há margem para acolher a pretensão da Fazenda Nacional, razão pela qual voto por não conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. Recurso Especial do Contribuinte No que tange à matéria trazida à discussão no recurso especial apresentado pela contribuinte, relativa à impossibilidade de cobrança concomitante da multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas de CSLL com a multa lançada de ofício, a questão também se encontra pacificada no âmbito deste Conselho, a partir da edição da Súmula n. 105, que vaticina: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo Fl. 707DF CARF MF Processo nº 10925.002309/200660 Acórdão n.º 9101003.411 CSRFT1 Fl. 708 8 tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Como os lançamentos se referem aos períodos entre 2001 e 2004, inexiste dúvida quanto à aplicação do entendimento sumulado na hipótese dos autos, razão pela qual o recurso da contribuinte deve ser conhecido e provido, para afastar a exigência das multas isoladas relativas à CSLL. Diante do exposto, votase por não conhecer do recurso apresentado pela Fazenda Nacional e por conhecer e dar provimento ao recurso da Contribuinte. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 708DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722752/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.505
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Goiás, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar. Declarou-se suspeito o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira..
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCO ROGÉRIO BORGES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição ao conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira), Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem determinar o retorno dos autos à Unidade Local a fim de que o sujeito passivo seja intimado a demonstrar a adoção, pelo Estado de Goiás, das providências estabelecidas na cláusula segunda do Convênio ICMS 190/17, ficando o julgamento sobrestado até que seja demonstrado tal fato ou até 28/12/2018, data limite para esse procedimento, o que ocorrer em primeiro lugar. Declarouse suspeito o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) MARCO ROGÉRIO BORGES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 16 .7 22 75 2/ 20 12 -1 1 Fl. 6046DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.047 2 convocado em substituição ao conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira), Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro.Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 6047DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.048 3 Relatório: Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 2a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DF que julgou IMPROCEDENTE, a impugnação do contribuinte em epígrafe. Preliminarmente, cabe destacar, antes de adentrar no relatório e discussões de mérito do presente processo, que o presente incorreu em alguns incidentes processuais, que serão expostas oportunamente. Apenas cabe frisar que o presente já foi julgado no presente colegiado, em 24 de março de 2015, e então, a solução de litígio foi por uma questão processual, tendo sido considerado intempestivo o recurso voluntário, o que foi mantido na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Irresignada, a recorrente recorreu ao Poder Judiciário, em que houve decisão de retornar o presente para ser pautado novamente, e ser discutido o mérito. Isto posto, de forma sucinta, passo ao relatório e, na sequência, ao meu voto. Da autuação: Trata o presente processo decorrente autuação de IRPJ e CSLL (fls. 02 a 43), resumidamente, nos seguintes termos: infração "a": exclusões indevidas não autorizadas na apuração do lucro real, a título de "crédito outorgado de ICMS", benefício concedido pelo Estado de Goiás, não enquadrado como subvenção para investimento. Anoscalendário de 2008, 2009 e 2010. Há autuação reflexa na CSLL. infração "b": multa exigida isoladamente sobre a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada. Referese aos ajustes na apuração da estimativa mensal em decorrência das glosas efetuadas conforme a infração retrocitada, e também em decorrência de outro procedimento fiscal (processo administrativo nº 13116.722101/201141), referente aos anos de 2007 a 2010, em que foi apurada omissão de receitas sobre a recorrente. O montante dos autos de infração do presente processo é de R$ 1.095.000.479,45, em valores corrigidos até novembro de 2012. Discriminandoos, em síntese, os valores envolvidos são os seguintes: Infração "a" valores corrigidos até novembro de 2012 Em R$ Fl. 6048DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.049 4 Imposto Juros Multa Total IRPJ 278.490.823,80 75.638.055,41 208.868.117,85 562.996.997,06 CSLL 100.522.833,98 27.374.516,79 75.392.125,50 203.289.476,27 Total 379.013.657,78 103.012.572,2 284.260.243,35 766.286.473,33 Infração "b" valores corrigidos até novembro de 2012 IRPJ R$ 242.095.426,44 CSLL R$ 86.618.579,68 Sobre o relatório fiscal da autuação fiscal, por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida do primeiro grau administrativo: “Tratase de autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica CAOA MONTADORA DE VEÍCULOS S.A. para exigir IRPJ e CSLL referentes aos anos calendário de 2007, 2008, 2009 e 2010, no valor total de R$ 1.095.000.479,45. Nos referidos lançamentos, a autoridade fiscal imputou à contribuinte a prática de (1) exclusão indevida do lucro líquido, a título de “crédito outorgado de “ICMS”; e (2) falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada, em função de balanços de suspensão ou redução. 1. Da acusação de exclusão indevida do lucro líquido, a título de “crédito outorgado de “ICMS” A autoridade fiscal lavrou, em 17/04/2012, o Termo de Início do Procedimento Fiscal, por meio do qual foram solicitados, entre outras, as seguintes informações: a) esclarecer a retirada das doações e das subvenções para investimento do cômputo do lucro real, informando a natureza, o valor e o tratamento contábil/tributário dispensado a elas; b) informar os valores tomados a título de financiamento de acordo com o Programa PRODUZIR do Estado de Goiás, apresentando cópia dos documentos relacionados; c) informar os valores utilizados a título de crédito outorgado de ICMS, segundo autorização legal emanada pelo Estado de Goiás, apresentando cópia dos documentos relacionados. Em resposta, sobre a exclusão do lucro real dos valores concernentes a “doações e subvenções para investimento”, a Fiscalizada informou: “(...) 1.2 A exclusão dos valores relativos às doações e subvenções para investimento, quando da determinação do lucro real se deu com fundamento no art. 443 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, combinado com o que dispõe a Lei n° 11.941/2009, art. 18; 1.3 O tratamento contábil dado às doações e subvenções para investimento foi o previsto no art. 18 da Lei n° 11.941/2009.” Fl. 6049DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.050 5 A partir da análise conjunta da escrituração das contas de Receita de Incentivos Fiscais, extraída da contabilidade digital da Fiscalizada e das DIPJ, o agente fiscal constatou que a pessoa jurídica excluiu da apuração do Lucro Real (a título de doações e subvenções para investimento) os valores concernentes ao crédito outorgado de ICMS e ao crédito presumido de IPI. Com relação ao crédito presumido de IPI, o assunto foi tratado em outro MPF, cujo resultado foi materializado nos processos administrativos nºs 13116.722101/201141 e 13116.722102/201195. Informou também a autoridade fiscal que o crédito outorgado de ICMS utilizado pela contribuinte surgiu com a Lei Estadual n° 14.800, de 08 de junho de 2004 e está previsto no art. 2°, inciso II, alínea “l”, e §§ 18 a 22 do caput, e nos artigos 2°A e 2°B da Lei Estadual n° 13.194, de 26 de dezembro de 1997. Posteriormente, o mencionado benefício denominado crédito outorgado de ICMS foi revogado, a partir de 1º de agosto de 2008, pela Lei Estadual n° 16.286, de 30 de junho de 2008. Entretanto os contratos já celebrados e em vigor à época da revogação do benefício permanecem vigentes, conforme Lei Estadual n° 13.194/1997. Prosseguindo, assevera o agente fiscal: “27. A condição para o uso do crédito outorgado de ICMS está prevista no § 18 do art. 2° da Lei Estadual n° 13.194/1997: § 18. Somente pode ser beneficiário dos créditos previstos na alínea ‘l’ do inciso II do caput deste artigo o industrial que: I tiver aprovado seu projeto junto ao Conselho Deliberativo do Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás CD/ PRODUZIR e que, após o término da fase préoperacional, fabricar pelo menos 30.000 (trinta mil) veículos por ano e gerar mais de 1000 (mil) empregos diretos ao término da implantação do projeto; II celebrar termo de acordo de regime especial com a Secretaria da Fazenda, para tal fim. 28. O mesmo texto transcrito acima foi previsto no § 14 do art. 11 do Anexo IX do Regulamento do CTE. 29. A fruição do crédito outorgado de ICMS foi prevista na cláusula quarta do Termo de Acordo de Regime Especial – TARE n° 0126/04 GSF, de 23 de setembro de 2004 (a cópia do instrumento consolidado foi juntada às folhas nos 3.316 a 3.327): Cláusula quarta. A ACORDANTE pode creditarse de montante equivalente: I – a aplicação do percentual de: a) 92,53% (noventa e dois inteiros e cinqüenta e três centésimos por cento) sobre o valor do imposto devido, relativo à parte não incentivada pelo PRODUZIR, nas operações incentivadas por esse programa; b) 98% (noventa e oito por cento) sobre o valor da receita de operação não incentivada pelo PRODUZIR, decorrente da saída de veículos Fl. 6050DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.051 6 automotores e de suas peças e partes importados do exterior, inclusive por meio de “trading company”, e destinados à comercialização; II – (...) (...) 30. De acordo com o Razão das contas de Receita de Incentivos Fiscais, o crédito outorgado de ICMS utilizado pela Contribuinte durante os anoscalendário 2008 a 2010 está previsto nas alíneas “a” e “b” do inciso I da cláusula quarta do TARE n° 0126/04GSF. (...) 31. Mais adiante o referido TARE prescreve: Cláusula décima quarta. A ACORDANTE se compromete a implantar a unidade industrial especificada no preâmbulo deste regime especial, aplicando na construção, instalação e aquisição de maquinaria e equipamento os recursos advindos da celebração deste termo de acordo, conforme cronograma físico e financeiro constantes dos anexos deste termo de acordo. Parágrafo único. A utilização do crédito outorgado sem o correspondente cumprimento do cronograma físico e financeiro implica a perda do benefício relativamente ao mês dessa ocorrência e no ressarcimento, imediato, deste valor ao Tesouro Estadual. 32. Há dois pontos a serem ressaltados a respeito do que dispõe a cláusula décima quarta transcrita acima: I) o TARE n° 0126/04GSF, além do crédito outorgado de ICMS, trata também dos recursos provenientes do PRODUZIR (ver cláusulas primeira a terceira), concernente ao financiamento previsto no art. 20 da Lei Estadual n° 13.591, de 28 de janeiro de 2000 (cópia da Lei foi juntada às folhas nos 2.777 a 2.797 – cópia do respectivo Decreto n° 5.265/2000 foi juntada às folhas nos 2.798 a 2.895); II) em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 02, a Fiscalizada informou que “não existem cronogramas vinculados aos TARES, os cronogramas encontramse inseridos nos respectivos projetos do Produzir” (folhas nos 3.364 e 3.365). 33. A Fiscalizada apresentou cópia do contrato de mútuo previsto no art. 20, inciso X, da Lei Estadual n° 13.591/2000, referente ao Programa PRODUZIR (folhas nos 4.041 a 4.051). A cópia do respectivo termo aditivo foi juntada às folhas nos 4.052 a 4.055. Da leitura dos mencionados documentos, depreendese que os recursos serão utilizados como “reforço do seu capital de giro”. 34. A cópia do projeto vinculado ao Programa PRODUZIR, a que se refere o art. 15, inciso I, da Lei Estadual n° 13.591, de 18 de janeiro de 2000, apresentado pela Contribuinte, foi juntada às folhas nºs 4.056 a 4.168. A cópia do requerimento de readequação do projeto foi juntada às folhas nos 4.169 a 4.241. 35. Da análise do projeto original e de sua readequação, observase que os recursos provenientes do Programa PRODUZIR serão utilizados como reforço do capital de giro. Fl. 6051DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.052 7 Constatase ainda que não existe qualquer referência aos recursos vinculados ao crédito outorgado de ICMS. 36. Concluise, portanto, que os cronogramas integrantes dos projetos vinculados ao Programa PRODUZIR em nada vinculam os recursos provenientes do benefício denominado crédito outorgado de ICMS. 37. E ainda, observase que o valor dos investimentos previstos no projeto de readequação é bem inferior ao valor financiado pelo Programa Produzir (folhas nos 4.230 a 4.233). Para constar, a Fiscalizada apresentou cópia das auditorias realizadas pela Gerência de Controle de Incentivos Fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás quanto aos investimentos previstos no projeto vinculado ao Programa PRODUZIR (folhas nos 4.242 a 4.307). (…) 40. Os recursos provenientes do benefício fiscal denominado crédito outorgado de ICMS não se enquadram como subvenção para investimento, pois lhe faltam dois dos três requisitos necessários para caracterizálos como tal: I) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destinálos para investimento, representada pela estrita VINCULAÇÃO e SINCRONIA dos recursos com as aplicações em bens e direitos, AJUSTADAS por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; II) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. 41. Não houve o cumprimento do requisito descrito no item I do parágrafo anterior, porque não foi apresentado qualquer instrumento que impusesse à Contribuinte a obrigatória vinculação dos recursos recebidos aos investimentos previstos, em evidente sincronia. 42. Também não foi cumprido o segundo item, pois, conforme planilha constante do projeto de readequação do Programa PRODUZIR (folhas nos 4.230 a 4.233), todo o investimento previsto será realizado com recursos não provenientes do benefício denominado crédito outorgado de ICMS e não provenientes do financiamento do Programa PRODUZIR (destinado a reforçar capital de giro). 43. Além de não cumprir os requisitos enumerados acima, o crédito outorgado de ICMS possui características que impedem definitivamente sua classificação como subvenção para investimentos: I) de acordo com os parágrafos nos 25 e 27 acima, o benefício não possui limites de tempo e de valor para fruição pelo beneficiário; está condicionado apenas à existência de um projeto aprovado pelo CD/PRODUZIR, à confecção de um Termo de Acordo firmado com a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás e a metas de produção; II) conforme parágrafo n° 25, a Lei Estadual n° 16.286/2008, que revogou o benefício, manteve os TARES em vigor; Fl. 6052DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.053 8 III) consoante parágrafos nos 32, 35 e 36, os recursos obtidos a título de crédito outorgado de ICMS são de livre utilização pela Contribuinte, pois o projeto do PRODUZIR não vincula a utilização dessa receita, os cronogramas desse projeto não fazem referência ao benefício e não existem cronogramas relacionados aos TARES firmados com a Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás; IV) os valores auferidos a título de crédito outorgado de ICMS ultrapassam em muito os investimentos previstos no projeto do PRODUZIR (com previsão de serem realizados com recursos próprios), no valor de R$ 282.267.741,46 (folha n° 4.230), consoante se observa da leitura da planilha abaixo (ver folhas nos 99, 158, 191 e 4.328) AnoCalendário Valor do Crédito Outorgado de ICMS Usufruído Até 2007 R$ 207.276.692,77 2008 R$ 303.366.033,20 2009 R$ 456.160.437,07 2010 R$ 598.825.482,40 TOTAL R$ 1.565.628.645,44 Nesse contexto, concluiu a autoridade fiscal que o benefício do crédito outorgado de ICMS não é subvenção para investimento e que os recursos recebidos a esse título não poderiam ser excluídos do Lucro Real. Assim, procedeu o agente fiscal à glosa da citada exclusão, com fulcro no art. 443 do Decreto n° 3.000, de 1999, e nos arts. 15 a 18 e 21 da Lei n° 11.941, de 2009. 2. Da falta de pagamento do IRPJ e da CSLL incidentes sobre a base de cálculo estimada, em função de balanços de suspensão ou redução Ressaltou a autoridade autuante que, como o crédito outorgado de ICMS não preenche as características de uma subvenção para investimento, não podendo ser excluído da apuração do lucro real, também não pode ser excluído da apuração da estimativa mensal. Assim, o agente fiscal aplicou a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL com fulcro no art. 44, inciso II, alínea “b”, combinado com os artigos 2° e 28, todos da Lei n° 9.430, de 1996. A respeito, informou o autor do feito que, em outro procedimento fiscal (processo administrativo n° 13116.722101/201141), referente aos anos de 2007 a 2010, foi apurada omissão de receitas em face da Fiscalizada. Esclareceu, então, o AuditorFiscal que ao seguir a metodologia de cálculo da estimativa por meio balanço ou balancete de suspensão ou redução, o valor que deve ser considerado na apuração da multa isolada é a omissão acumulada até o mês de referência (período de apuração). Informou, por fim, o agente fiscal que, no cálculo da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL, foi deduzido aquele valor já lançado no aludido procedimento fiscal, que gerou o citado processo n° 13116.722101/201141. 3. Da responsabilidade solidária Ressaltou o autor do feito que cabe precipuamente aos administradores a regular condução dos negócios da Pessoa Jurídica, valendose dos seus poderes de gerência, vigilância e fiscalização. Fl. 6053DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.054 9 No caso, houve infração à lei ( 1) omissão de rendimentos apurada no procedimento que gerou o processo n° 13116.722101/201141; e (2) exclusão indevida do lucro líquido, da receita correspondente ao benefício denominado crédito outorgado de ICMS por cuja observância deveriam os administradores zelar. Concluiu o agente fiscal, com espeque no art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, que os diretores à época dos fatos geradores devem ser alçados à condição de responsáveis solidários com a Fiscalizada em relação ao crédito tributário de que trata o presente processo administrativo, quais sejam: Carlos Alberto de Oliveira Andrade, Emanuelle Carmesette do Ó Andrade e José Rodrigues Seara. Assim, o autor do feito fiscal lavrou os competentes Termos de Sujeição Passiva Solidária (fls. 217/222) em face dos citados administradores. Cientificados dos referidos Termos de Sujeição Passiva Solidária, conforme AR de fls. 5.070/5.072, os mencionados diretores não apresentaram impugnação. Da Impugnação: Inconformada com a autuação, a recorrente apresentou impugnação, a qual aproveito a sua descrição no relatório do v. acórdão recorrido: Cientificada dos lançamentos, e irresignada, a pessoa jurídica autuada apresentou a impugnação de fls. 5.075/5.124, por meio da qual, apoiandose em doutrina de Humberto Ávila e Leonardo Freitas de Moraes e Castro, sustenta, em síntese, o que segue. (1) A caracterização das subvenções para investimento depende da satisfação de apenas dois requisitos: a) a destinação de recursos, como transferência de capital, pelo subvencionador (necessariamente o Poder Público), com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; e b) a manutenção dos valores renunciados pelo subvencionador, em conta de reserva de lucros do subvencionado, com a posterior integralização ao capital social. (2) Os incentivos fiscais recebidos do Estado de Goiás, como estímulo à implantação e expansão de empreendimento industrial, possuem a natureza jurídica de subvenção para investimento, estando fora da incidência do IRPJ e CSLL. (3) As referidas subvenções para investimento foram corretamente contabilizadas em subconta "Reserva de Lucros", atendidos os requisitos de não distribuição do valor das subvenções para investimento e não restituição aos acionistas de capital integrado pela incorporação daquelas subvenções. (4) As subvenções para investimento não estão restritas à aquisição de bens ou direitos destinados ao ativo fixo. (5) As condições e prazos da subvenção constituem condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário, não havendo como fazer incidir IRPJ ou CSLL enquanto pendente tal condição. (6) Tratandose de subvenção para investimento, o valor do crédito outorgado de ICMS compõe o valor de investimento, conforme apontado nos projetos. Fl. 6054DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.055 10 (7) Não há qualquer exigência legal sobre perfeita sincronia cronológica entre a subvenção recebida e seu efetivo investimento. (8) A jurisprudência atual do CARF adota um conceito de subvenção para investimento mais próximo daquele obtido por meio da interpretação literal dos dispositivos legais da matéria (artigos. 38, do DecretoLei n° 1.598/77, 443, do RIR/99, 18 e 21, da Lei n° 11.941/09), passando a considerar apenas e tão somente o propósito de quem transfere os recursos como requisito fundamental à caracterização do instituto. O ato do registro do valor nesta ou naquela conta contábil passa a ser questão secundária. (9) Externam esse entendimento os Acórdãos nºs 10705.912, 10193.716, 910100.556, 110300.555, 120200691 e 110100661. (10) Anteriormente à Lei n° 11.638/07 era exigida a contabilização dos valores da subvenção para investimento na conta de "Reserva de Capital". No entanto, com a supressão dessa determinação pela revogação da alínea "d", do § 1o, do artigo 182, da Lei n° 6.404/76, veio a lume a Lei n° 11.941/09, a qual disciplinou a nova forma de tratamento contábil e fiscal da mencionada rubrica, agora mantida em conta de "Reservas de Lucros", mas sem qualquer prejuízo ao benefício de exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. (11) No que se refere ao prazo para destinação das subvenções para investimento, entendese que, na omissão da legislação federal, sobre prazos em geral, eventuais valores remanescentes de subvenção para investimento, devidamente contabilizados, somente poderão ser oferecidos à tributação caso o prazo para entrega do projeto, nos moldes delineados pelo Estado, tenha expirado. (12) No caso dos autos, o incentivo fiscal é o denominado Programa PRODUZIR, que consiste no financiamento de parcela do ICMS e na redução do valor remanescente, mediante o recebimento de créditos outorgados, como estímulo ao desenvolvimento regional, segundo as condições estabelecidas nas Leis Goianas n°s 13.591/00 e 13.194/97, às normas contidas nos artigos 443, do RIR/99, e 18, da Lei n° 11.941/09. (13) No caso presente, o requisito da transferência de capital, com a intenção expressa de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, está integralmente preenchido, pois é a própria Lei n° 13.591/00, em seus artigos 1o e 2o, que define expressamente a intenção e o objeto da subvenção praticada, atrelandoos ao objetivo de estimular a implantação e expansão de empreendimentos no setor industrial do Estado de Goiás. (14) Já a Lei n° 15.124/05, estabeleceu as condições e prazos (15 anos) para aplicação do capital transferido, ou seja, a subvenção vinculada ao programa PRODUZIR. (15) Em atenção ao princípio da eventualidade, a impugnante assevera, sob a ótica da suposta necessidade de existência de contrapartida entre a concessão do benefício fiscal e os atos da autuada, que a manutenção do benefício previsto no Programa PRODUZIR está estritamente vinculada ao projeto de investimento, ao cumprimento de seu cronograma físicofinanceiro, além de exigências outras como o volume mínimo de produção superior a 30.000 (trinta mil) carros/ano e a geração de mais de 1.000 (mil) empregos diretos, salvaguardando a sua natureza única e indissociável de subvenção para investimento, consoante dispõe o § 18 do art. 2º da Lei Estadual nº 13.194/97. Fl. 6055DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.056 11 (16) Não é verdadeira a premissa constante do Relatório Fiscal de que "os valores auferidos a título de crédito outorgado de ICMS ultrapassam em muito os investimentos previstos no projeto do PRODUZIR (com previsão de serem realizados com recursos próprios), no valor de R$ 282.267.741,46 (folha n" 4.230)". (17) Afirma a impugnante: “(...), o valor mencionado referese, no projeto original de implantação do empreendimento industrial, ao investimento previsto em bens e direitos do ativo fixo adquiridos com recursos próprios da Recorrente. Esse valor foi majorado para R$ 582.924.236,23 (quinhentos e oitenta e dois milhões, novecentos e vinte e quatro mil, duzentos e trinta e seis reais e vinte e três centavos) fl. 4.227, no projeto de readequação. Tratandose de subvenção para investimento, o valor do crédito outorgado de ICMS compõe o valor de investimento, conforme apontado nos projetos (fl. 4.227), a ser realizado em até 15 (quinze) anos, limitado a 31 de dezembro de 2020 e ao valor total de R$ 3.902.850.000,00 (três bilhões, novecentos e dois milhões, oitocentos e cinquenta mil reais), conforme Cláusula Primeira, parágrafo único e Cláusula Décima Oitava do Termo de Acordo de Regime Especial TARE n° 162/04 GSF (fls. 3.316 a 3.327). A Recorrente está autorizada, até tal data limite, a receber a subvenção e realizar todos os investimentos a ela vinculados. Se não o fizer, deverá devolver os recursos não investidos ao Estado de Goiás, conforme se depreende da previsão contida no parágrafo único, da Cláusula Décima Quarta, do TARE n° 162/04GSF, momento em que, caso efetivado este evento, serão oportunamente reconhecidos como receita ao longo do período necessário para confrontar com as despesas que a subvenção pretende compensar.” (18) As condições e prazos da subvenção constituem condição suspensiva à aquisição de sua livre disponibilidade pelo seu beneficiário e, portanto, não satisfaz o seu interesse lucrativo, mas, sim, os fins públicos que motivaram o seu pagamento. Enquanto pendente esta condição suspensiva, não há como considerar tais valores como passíveis de subsunção às normas que delimitam as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (cita precedente do CARF). (19) A autuação implica em interferência na política de renúncias fiscais concedidas pelo Estado de Goiás, como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. (20) A incorporação do valor renunciado pelo Estado de Goiás à base de cálculo dos tributos federais acarreta um desfalque em seu valor numérico, na medida em que uma parcela das importâncias renunciadas será repassada aos cofres da União Federal. Essa interferência, por parte da União, na competência tributária privativa do Estado de Goiás, representa uma afronta à garantia Constitucional do Pacto Federativo, no que tem sido rechaçada pelo Poder Judiciário (cita precedentes). (21) Transferência de capital não configura renda ou receita, não havendo como fazer incidir IRPJ ou CSLL. (22) É vedada a exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas depois de encerrado o respectivo anocalendário e realizados os fatos geradores do IRPJ e da CSLL (cita precedentes do CARF). Fl. 6056DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.057 12 (23) É vedada a cumulação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL com a multa de ofício pelo não recolhimento dos tributos em comento (cita precedentes do CARF). (24) A multa aplicada foi definida em patamar desproporcional e confiscatório, em total descompasso com as orientações legais e constitucionais aplicáveis (cita precedentes judiciais). (25) A aplicação de multa tem como função apenas a punição ao contribuinte pelo descumprimento de determinada obrigação, e não a de efetuar a recomposição do Erário (cita entendimento doutrinário). (26) É ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, uma vez que inexiste permissivo legal para tanto, nos termos dos artigos 3o e 161, do Código Tributário Nacional, e 84, inciso I, da Lei n° 8.981/95. (27) Não foi comprovada, na autuação, a atuação dolosa ou culposa de cada diretor, devendo ser cancelada a responsabilidade solidária dos mesmos. (28) Caberia à autoridade fiscal demonstrar, por meio de provas robustas e de fundamentação fática e jurídica, a presença de abuso de poder por parte das pessoas físicas. (29) A impugnante legitimamente acreditou, como acredita, estar diante de provada subvenção para investimento, com comprovação de todos os requisitos legais exigidos para tanto, tendo mantido tais subvenções em subconta de "Reserva de Lucros". Portanto, todos os indícios e provas concorrem para demonstrar que a impugnante agiu conforme a lei e seus estatutos sociais, quando excluiu as referidas subvenções para investimento da base tributável do IRPJ e CSLL. Da decisão da DRJ: A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 0351.937 (fls. 5.1525.176) de 26/04/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. ANO CALENDÁRIO ENCERRADO. NÃO CONCOMITÂNCIA. A lei autoriza a imposição de multa isolada sobre a falta ou insuficiência de recolhimento das estimativas mensais após encerrado o anocalendário, não se confundindo esta penalidade com a multa de ofício sobre o imposto devido apurado no encerramento do período. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ÓRGÃOS ADMINISTRATIVOS. APRECIAÇÃO. Fl. 6057DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.058 13 FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar a constitucionalidade de lançamento fiscal cujos fundamentos encontramse amparados em lei. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ADMINISTRADORES. IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. No caso de pluralidade de sujeitos passivos, em que o lançamento é constituído em face da pessoa jurídica na condição de contribuinte e dos administradores na condição de responsáveis, a irresignação quanto à responsabilidade solidária dos administradores deve ser apresentada por meio de (1) petição conjunta da contribuinte com os responsáveis; (2) petição própria de iniciativa de cada um dos administradores da pessoa jurídica; ou (3) petição conjunta dos referidos administradores. A impugnação apresentada pela pessoa jurídica, em que sustenta a ilegitimidade da inclusão dos seus administradores no polo passivo da relação jurídica tributária, não merece ser conhecida, por lhe faltar legitimidade Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário:2007, 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTOS. Descaracterização. Incentivos Fiscais. Crédito Outorgado de ICMS. Inexistência de Vinculação. Descaracterização. Os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitandose, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento do imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente relativo à CSLL.” Dessa decisão, a interessada foi cientificada em 24/05/2013 (A.R. de fl.5.182). Fl. 6058DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.059 14 Em 30/07/2013 foi lavrado termo de perempção, fl. 5.183, com efeitos a partir de 26/06/2013, por haver transcorrido o prazo regulamentar de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972, sem que a interessada tenha apresentado recurso à instância superior. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em 22/07/2013 (fls. 5.1855249), em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação, acrescentando argumentos sobre a tempestividade do recurso. Apesar de serem praticamente similares a sua peça impugnatória, destacase o seu pedido : Discussão Administrativa da Intempestividades Conforme já enunciado no preâmbulo do presente relatório, em sessão ocorrida em 24 de março de 2015, através do Acórdão 1402001.944, este mesmo colegiado proferiu decisão não reconhecendo do recurso voluntário apresentado, pela sua intempestividade. Então, não houve nenhuma apreciação do mérito. Incidentes Processuais Administrativos e Processuais decorrentes da intempestividade A partir do acórdão que declarou intempestiva a peça recursal, a fl. 5322 a 5315, houve a apresentação de embargos da recorrente. Houve a admissibilidade apenas de parte dos embargos, que nada afetou a decisão manifestada anteriormente por este colegiado, e apenas retificou o acórdão anterior. Fl. 6059DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.060 15 Houve a apresentação de recurso especial, que foi admitido (f. 5655 a 5659). Em 21 de setembro de 2016, foi proferido acórdão 91101.002.443, da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 5673 a 5691), em que, por maioria dos votos, em conhecêlo, mas negálo provimento no mérito. Posteriormente, houve embargos da recorrente, que foram negados. Contudo, houve decisão judicial (fl. 5870 e segs.) à qual determinou que ocorresse o julgamento de mérito do recurso voluntário interposto pela recorrente. Tudo posto, retornou a este colegiado, e dado que não mais exerce o mandato o antigo Conselheiro, foi redistribuido a este Conselheiro, para relatoria. Contrarrazões da PGFN A Procuradoriageral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário, de fls. 5721 a 5315. É o relatório. Fl. 6060DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.061 16 Voto: Conselheiro Marco Rogério Borges Considerando as preliminares apresentadas na sua peça recursal como superadas, em decorrência da decisão judicial supracitada, e baseado na mesma, conheço do recurso voluntário. Proposta de resolução: O benefício fiscal foi tratado como subvenção para custeio na decisão a quo, em contraponto ao alegado pela recorrente, que entende que é subvenção de investimento, conforme transcrição da parte final do seu voto sobre o tema: Da leitura do Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978, depreendese que as subvenções para investimento apresentam as seguintes características: (1) a intenção do subvencionador (Poder Público) de destinálas para investimento, representada pela estrita vinculação e sincronia dos recursos com as aplicações em bens e direitos, ajustadas por meio de instrumento hábil que imponha a necessária obrigatoriedade; (2) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e (3) o beneficiário da subvenção deve ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Portanto, à luz do Parecer Normativo CST nº 112, de 29/12/1978, os valores correspondentes ao benefício fiscal do Crédito Outorgado de ICMS que não possuam vinculação com a aplicação específica dos recursos em bens ou direitos referentes à implantação ou expansão de empreendimento econômico não se caracterizam como subvenção para investimentos, devendo ser computados na determinação do lucro real. Forçoso é concluir que os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, constituem estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e devem ser computados no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. A subvenção para investimento é regrada pelo artigo 443, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Fl. 6061DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.062 17 Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. No caso destes autos, tratase de benefício do Estado de Goiás, cujo o incentivo fiscal é o denominado Programa PRODUZIR, que consiste no financiamento de parcela do ICMS e na redução do valor remanescente, mediante o recebimento de créditos outorgados, como estímulo ao desenvolvimento regional, segundo as condições estabelecidas nas Leis Goianas n°s 13.591/00 e 13.194/97, às normas contidas nos artigos 443, do RIR/99, e 18, da Lei n° 11.941/09. Já a Lei n° 15.124/05, estabeleceu as condições e prazos (15 anos) para aplicação do capital transferido, ou seja, a subvenção vinculada ao programa PRODUZIR. Ocorre que é foi recentemente aprovada a Lei Complementar nº 160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade: Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2º As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1º ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; Fl. 6062DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.063 18 II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3º Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 4 º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) § 5 º O disposto no § 4º deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017) As novas regras, estabelecidas pela Lei Complementar nº 160, portanto, tem efeitos retroativos para aplicação aos processos administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal, na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no próprio artigo 30. Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais sejam: (i) intenção do Estado da em estimular a implantação e expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros. Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea g, da Constituição Federal: Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...) XII cabe à lei complementar: (...) Fl. 6063DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.064 19 g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. A Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em desacordo com o artigo 155, desde que atendidas exigências de registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos artigos 10 e 3º: Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5o do art. 30 da Lei no 12.973, de 13 de maio de 2014, aplicase inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal por legislação estadual publicada até a data de início de produção de efeitos desta Lei Complementar, desde que atendidas as respectivas exigências de registro e depósito, nos termos do art. 3º desta Lei Complementar.” Art. 3º O convênio de que trata o art. 1o desta Lei Complementar atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas pelas unidades federadas: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais abrangidos pelo art. 1o desta Lei Complementar; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária, que será instituído pelo Confaz e disponibilizado em seu sítio eletrônico. § 1º O disposto no art. 1o desta Lei Complementar não se aplica aos atos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, não tenham sido atendidas, devendo ser revogados os respectivos atos concessivos. § 2 º A unidade federada que editou o ato concessivo relativo às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS de que trata o art. 1o desta Lei Complementar cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas é autorizada a concedêlos e a prorrogálos, nos termos do ato vigente na data de publicação do respectivo convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar: Fl. 6064DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.065 20 I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados ao fomento das atividades agropecuária e industrial, inclusive agroindustrial, e ao investimento em infraestrutura rodoviária, aquaviária, ferroviária, portuária, aeroportuária e de transporte urbano; II 31 de dezembro do oitavo ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades portuária e aeroportuária vinculadas ao comércio internacional, incluída a operação subsequente à da importação, praticada pelo contribuinte importador; III 31 de dezembro do quinto ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados à manutenção ou ao incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o real remetente da mercadoria; IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto àqueles destinados às operações e prestações interestaduais com produtos agropecuários e extrativos vegetais in natura; V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do respectivo convênio, quanto aos demais. § 3º Os atos concessivos cujas exigências de publicação, registro e depósito, nos termos deste artigo, foram atendidas permanecerão vigentes e produzindo efeitos como normas regulamentadoras nas respectivas unidades federadas concedentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS, nos termos do § 2o deste artigo. § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato concessivo ou reduzir o seu alcance ou o montante das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais antes do termo final de fruição. § 5º O disposto no § 4o deste artigo não poderá resultar em isenções, incentivos ou benefícios fiscais ou financeirofiscais em valor superior ao que o contribuinte podia usufruir antes da modificação do ato concessivo. § 6º As unidades federadas deverão prestar informações sobre as isenções, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais vinculados ao ICMS e mantêlas atualizadas no Portal Nacional da Transparência Tributária a que se refere o inciso II do caput deste artigo. § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais referidos no § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território, sob as mesmas condições e nos prazoslimites de fruição. § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeirofiscais concedidos ou prorrogados Fl. 6065DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.066 21 por outra unidade federada da mesma região na forma do § 2º, enquanto vigentes. Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017, que estabelece procedimento para reconhecimento dos benefícios fiscais:: Cláusula segunda As unidades federadas, para a remissão, para a anistia e para a reinstituição de que trata este convênio, devem atender as seguintes condicionantes: I publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante no Anexo Único, relativos aos benefícios fiscais, instituídos por legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal; II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária CONFAZ, da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais mencionados no inciso I do caput desta cláusula, inclusive os correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária instituído nos termos da cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ. § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendemse aos atos que não se encontrem mais em vigor, observando quanto à reinstituição o disposto na cláusula nona. § 2º Na hipótese de um ato ser, cumulativamente, de natureza normativa e concessiva, devese atender ao disposto nos incisos I e II do caput desta cláusula. § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabilizase pela guarda da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito. O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula Terceira do Convênio: Cláusula terceira A publicação no Diário Oficial do Estado ou do Distrito Federal da relação com a identificação de todos os atos normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve ser feita até as seguintes datas: I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017; Fl. 6066DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.067 22 II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de 2017. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do modelo constante no Anexo Único. Cláusula quarta O registro e o depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas: I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do depósito; II 28 de dezembro de 2018, para os atos não vigentes na data do registro e do depósito. Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018, devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos dos benefícios fiscais. Após a publicação dos atos normativos no diário oficial do Estado, como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas perante o CONFAZ, como estabelece o inciso II, a publicação será disponibilizada pelo próprio Portal Nacional da Transparência Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta: Cláusula quinta A publicação no Portal Nacional da Transparência Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve ser realizada pela Secretaria Executiva do CONFAZ até 30 (trinta) dias após o respectivo registro e depósito. Os citados prazos ainda não decorreram com relação ao benefício fiscal ora analisado (PRODUZIR). Ademais, pondero que não há notícias de registro e disponibilização das normas relacionadas ao citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ. Não obstante isso, há regras claras sobre a aplicação da Lei Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos para publicação das normas (pelo Estado) e registro perante o CONFAZ até 29/12/2018. Nesse contexto, em processo similar ao presente, a CSRF em sessão de janeiro, decidiu pelo sobrestamento do processo, com a baixa dos autos à unidade de origem. Fl. 6067DF CARF MF Processo nº 13116.722752/201211 Resolução nº 1402000.505 S1C4T2 Fl. 6.068 23 Com efeito, a providência revelase cautelosa, na medida em que a própria Lei Complementar nº 160/2017 prevê a sua aplicação aos processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos Estados da Federação para, desta forma, assegurar a aplicação regular das disposições da LC 160 e Convênio ICMS acima citados, A despeito da falta de previsão expressa para suspensão do processo administrativo no Decreto nº 70.235/1972 e RICARF (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de Processo Civil, verbis: Art. 313. Suspendese o processo: (...) V quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa ou da declaração de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto principal de outro processo pendente; b) tiver de ser proferida somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo; Diante disso, VOTO PELO SOBRESTAMENTO DO PROCESSO e remessa dos autos à unidade de origem, que deve intimar o contribuinte em 29/12/2018 para que comprove o cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de 2017. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator Fl. 6068DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.008271/2009-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1887; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1.208 1 1.207 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10830.008271/200931 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.524 – 2ª Turma Sessão de 27 de fevereiro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ABSA AEROLINHAS BRASILEIRAS S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 82 71 /2 00 9- 31 Fl. 1208DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 2301004.106, prolatado em 12/08/2014, pela 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária , interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Na origem, a autuação por descumprimento de obrigação acessória, deu origem ao DEBCAD 37.235.9922. Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº 240100.127 (proferido pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF) e nº 9202003.401 (da 2ª Turma da CSRF), considerados aptos para embasar a divergência. O Contribuinte apresenta Contrarrazões pugnando pela manutenção do a quo. Apresentou, ainda, Recurso Especial que restou não conhecido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 10830.008271/200931 Acórdão n.º 9202006.524 CSRFT2 Fl. 1.209 3 Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV Fl. 1210DF CARF MF 4 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 10830.008271/200931 Acórdão n.º 9202006.524 CSRFT2 Fl. 1.210 5 previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 1212DF CARF MF 6 dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10830.008271/200931 Acórdão n.º 9202006.524 CSRFT2 Fl. 1.211 7 somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira Fl. 1214DF CARF MF 8 “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10830.008271/200931 Acórdão n.º 9202006.524 CSRFT2 Fl. 1.212 9 (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de Fl. 1216DF CARF MF 10 auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10830.008271/200931 Acórdão n.º 9202006.524 CSRFT2 Fl. 1.213 11 acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 1218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.001725/00-37
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES
Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando comprovado a existência de contradição entre os fundamentos do acórdão e o resultado proferido.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173,I DO CTN.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543-C do CPC, em relação a aplicação do prazo decadencial, determinam que inexistindo a comprovação de recolhimento antecipado a decadência será aplicada sob a égide do art. 173, I do CTN.
Numero da decisão: 9900-001.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-000.967, de 09/12/2014, sanar o erro material apontado, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ACOLHIMENTO. CONTRADIÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES Devem ser acolhidos os embargos de declaração para sanar a contradição apontada, quando comprovado a existência de contradição entre os fundamentos do acórdão e o resultado proferido. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173,I DO CTN. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do art. 543C do CPC, em relação a aplicação do prazo decadencial, determinam que inexistindo a comprovação de recolhimento antecipado a decadência será aplicada sob a égide do art. 173, I do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303000.967, de 09/12/2014, sanar o erro material apontado, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 17 25 /0 0- 37 Fl. 500DF CARF MF Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900001.009 CSRFPL Fl. 358 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração para corrigir contradição apontada na decisão de anterior julgamento de Embargos de Declaração, também apresentado pela União em face ao Acórdão nº 9900000.760 Pleno (e fls. 419 a 424). Tratase de pedido de restituição de valores supostamente recolhidos, a título de Contribuição para o Finsocial, negado sob o motivo de que estava expirado o prazo de cinco anos para o pedido de restituição. O Contribuinte apresentou impugnação alegando, às fls. 32/40, em síntese: que o prazo de cinco anos de repetição deve ser contado a partir da extinção do crédito, que no caso do Finsocial ocorre com a homologação tácita, que se opera em cinco anos contados da data do fato gerador, resultando num prazo prescricional de 10 anos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 78 e ss., julgou pelo indeferimento da solicitação. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos, pleiteando o direito da restituição. Às fls. 317 e ss., a 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a arguição de decadência do direito de pleitear a restituição e determinar a devolução do processo à repartição de origem para apreciar a questão de mérito. O acórdão restou assim ementado: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DIREITO RECONHECIDO PELA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. DECADÊNCIA. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900001.009 CSRFPL Fl. 359 3 O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data em que o contribuinte teve seu direito reconhecido pela Administração Tributária, no caso a da publicação da MP 1.110/95, que se deu em 31/08/1995. Destarte, a decadência só atinge os pedidos formulados a partir de 01/09/2000, inclusive, o que não o caso dos autos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Às fls. 333/344, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, discutindo o termo inicial para a contagem do prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição do FINSOCIAL. O acórdão recorrido considerou que o termo inicial para a contagem do prazo de cinco anos é a data da publicação da Medida Provisória nº 1.110/95, ato normativo que reconheceu o caráter indevido da cobrança do FINSOCIAL. Porém, a União alegou que, conforme artigos 165, inc. I e 168, inc. I, ambos do CTN, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial do tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. À fl. 349, a 2ª Câmara do 3ª Conselho de Contribuintes realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso. O Contribuinte foi intimado às fls. 353. Às fls. 357 e ss., a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais NEGOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial da União. Às fls. 366 e ss., a Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário, arguindo divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma apresentado, relativamente sobre a forma de contagem do prazo prescricional para pedido de restituição. O acórdão paradigma, mesmo analisando caso de tributo declarado inconstitucional, entendeu serem inafastáveis as previsões do CTN que determinam a contagem do prazo para restituição a partir do pagamento indevido. Tratavase, na espécie, da inconstitucionalidade do art. 35 da Lei nº 7.713/88, que previa o Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL. Naqueles autos o Contribuinte apresentou, em 24/07/2002, pedido de restituição do ILL recolhido nos autos de 1990 a 1993, com base na declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Extraise do voto paradigma que a Câmara Superior posicionouse no sentido de que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, prescreve com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. Ocorre, portanto, a divergência na medida em que o acórdão recorrido desconsiderou o CTN, em seu art. 168, fixando, sem qualquer ressalva, a data do pagamento indevido como sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional. Às fls. 383/384, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em Exame de Admissibilidade do Recurso Extraordinário, DEU SEGUINTO ao recurso, relativamente a forma de contagem do prazo: na decisão recorrida extrapola cinco anos do pagamento, já no acordão paradigma este prazo é rígido. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900001.009 CSRFPL Fl. 360 4 Intimado por Edital, à fl. 389, o Contribuinte mantevese inerte. Às fls. 419 e ss., o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais NEGOU SEGUIMENTO ao Recurso Extraordinário da União, restando assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1990, 1991 FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. 5 (CINCO) ANOS PARA HOMOLOGAR (ARTIGO 150, § 4º, DO CTN) MAIS 5 (CINCO) ANOS PARA PROTOCOLAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (ARTIGO 168, I, DO CTN). IRRETROATIVIDADE DO ARTIGO 3º DA LC 118/2005. ARTIGO 65A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Este Conselho está vinculado às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF, bem como àquelas proferidas pelo STJ em recurso especial repetitivo. Com efeito, cabe a aplicação simultânea dos entendimentos proferidos pelo STF no julgamento do RE nº 566.621, bem como aquele proferido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.002.932 (tese dos 5 + 5), para pedidos de restituição/compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido protocolados antes da aplicação, em 09/06/2005, da Lei Complementar 118, a qual não é interpretativa, conforme entendimento do STF. Em se tratando a contribuição para o FINSOCIAL de tributo sujeito a lançamento por homologação, bem como do fato de o pedido de restituição/compensação ter sido protocolado em 11/08/2000, antes de ser aplicada a Lei Complementar 118/2005, plenamente cabível a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4º, do CTN somado ao de 5 (cinco) anos previsto no artigo 168, I, desse mesmo diploma legal para o contribuinte pleitear restituição/compensação. Assim, afasto a prescrição do pedido de restituição/compensação da totalidade dos valores de FINSOCIAL objeto dos presentes autos, os quais se referem ao período de apuração de julho de 1990 a setembro de 1991. Recurso Extraordinário Negado. A Fazenda Nacional apresentou EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, às fls. 426 e ss., arguindo que a decisão embargada concedeu o período expresso em anos calendário de 1990 e 1991. Ao explicitar o período de apuração em termos mensais, foi ajustado o mesmo ao tributo em questão, Finsocial, que é apurado em termos mensais. Neste caso, portanto, o período relatado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, que a mesma entende como correto, iria de agosto de 1990 a setembro de 1991, no contexto de aplicação da tese dos "cinco mais cinco". Em virtude do Colegiado haver considerado todo o período de restituição como não alcançado pela decadência, incorreu em contradição entre a decisão e seus fundamentos, uma vez que, aplicandose a tese dos 5 + 5, a competência julho de 1990 foi alcançada pela prescrição. Às fls. 433/437, o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais DEU PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, para afastar a decadência do direito de pedir a Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900001.009 CSRFPL Fl. 361 5 restituição em relação ao fato gerador de 07/90, rerratificando o Acórdão nº 9900.000.760, que já aplicou a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ. Novamente, às fls. 493 e ss., a Fazenda Nacional apresentou EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, arguindo contradição, tendo em vista que, conforme redação da decisão de embargos, a decadência foi aplicada ao direito de pedir a restituição em relação ao fato gerador de 07/90, e não afastada. Às fls. 497 e ss., o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os Embargos de Declaração e determinou sua inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração para corrigir contradição apontada na decisão de anterior julgamento de Embargos de Declaração, também apresentado pela União em face ao Acórdão nº 9900000.760 Pleno (e fls. 419 a 424). Assiste razão a Fazenda Nacional quanto ao segundo EMBARGOS DE DECLARAÇÃO manejados, arguindo contradição, tendo em vista que, conforme redação da decisão de embargos, a decadência foi aplicada ao direito de pedir a restituição em relação ao fato gerador de 07/90, e não afastada. Conforme muito bem explicitado pelo despacho de recebeu os embargos, há nítida contradição entre o corpo do acórdão e o dispositivo constante do voto da relatora, eis que, enquanto neste está consignado o afastamento da “decadência do direito de pedir a restituição em relação ao fato gerador de 07/90”, o acórdão foi no sentido de considerar decaído o direito de se pedir a restituição em relação ao mesmo período. Verificada a contradição no próprio dispositivo do voto da relatora, explicitada entre o seu veredito de “DAR PROVIMENTO” aos embargos da Fazenda, seguido do pronunciamento – incompatível com esse resultado – para afastar a decadência do período pleiteado pela Fazenda – embargante, reside a eminente necessidade do saneamento solicitado. Seguindo a linha de raciocínio da própria relatora, bem como decisum publicado em ata, que deu provimento aos Embargos da Fazenda Nacional, há de se corrigir o dispositivo final do acórdão, alterando o comando “afastar” pelo comando “aplicar” que se coaduna com a argumentação defendida no voto. E deste modo, retificase o dispositivo para a seguinte redação: Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10855.001725/0037 Acórdão n.º 9900001.009 CSRFPL Fl. 362 6 No entanto, uma vez acolhidos os embargos, e pelo princípio da celeridade processual, voto no sentido de acolher os embargos, e assim, DAR PROVIMENTO ao recurso extraordinário da Fazenda para aplicar a decadência do direito de pedir a restituição em relação ao fato gerador de 07/90, rerratificando o Acórdão nº 9900.000.760, que já aplicou a decisão definitiva de mérito proferida pelo STJ. Diante do exposto voto por admitir e prover os embargos interpostos pela Fazenda Nacional para no mérito rerratificar o acórdão de embargos de declaração anterior, deixando claro que a decadência atingiu a competência julho de 1990 não sendo possível, portanto, compensar o tributo desta competência. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 505DF CARF MF
score : 1.0
