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Numero do processo: 10865.900847/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.317
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DCOMP. Recorrente ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Cassio Shappo. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 08 47 /2 01 2- 11 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório ELO COMERCIO DE COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF LIMEIRA emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou, em síntese, que comercializa alguns produtos sujeitos à tributação monofásica (alíquota zero sobre as suas vendas), que foram indevidamente tributados, o que deu origem aos créditos informados no PER/Dcomp. Procurando demonstrar a existência do direito creditório junta ao processo cópia da DCTF retificadora. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 08026.226. A DRJ fundamentou que a simples retificação da DCTF não é suficiente para comprovar o pagamento indevido ou a maior que o devido, e que a contribuinte não trouxe aos autos elementos comprobatórios do direito creditório utilizado na compensação declarada. Em seu recurso voluntário a Recorrente traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório decorre da inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição, de receitas oriundas da venda de produtos sujeitos à alíquota 0%, conforme anexo I da Lei nº 10.485/2002 (SILENCIOSO componente do sistema de escapamento NCM 87.08.92.00), que já teriam sofrido tributação obedecendo ao critério monofásico; b) afirma que procurou comprovar o direito creditório com a manifestação de inconformidade acompanhada da DCTF retificadora, mas que, agora, junta aos autos demonstrativo mais detalhado e minucioso (listagem de notas fiscais com indicação dos produtos vendidos com respectivas alíquotas aplicáveis, cópia do Registro de Saídas e da GIA correspondentes), servindo para o reconhecimento de seu direito de crédito ou, pelo menos, para justificar a realização de diligência (cita a Resolução nº 3803000.330 como precedente); c) caso o Colegiado decida pela realização de diligência, informa que todas as notas fiscais relacionadas nos demonstrativos estão sob sua guarda, à disposição do Fisco; Fl. 111DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 3 d) sustenta que a decisão recorrida negou seu direito atendose a aspecto meramente formal, sem observar o princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.316, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.316): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 70 a 78 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Fortaleza/3ª Turma, nº 0826.232, de 20 de agosto de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Agora, já no recurso voluntário, o interessado aporta aos autos novos documentos, que não haviam sido oferecidos à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 112DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 4 [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...]Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.”. Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 5 Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam trataremse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitem o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 6 O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "a simples retificação da DCTF sem que o contribuinte tenha juntado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovem as alterações efetuadas não pode servir como justificativa de eventual erro no preenchimento da DCTF" (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "a manifestação de inconformidade procura justificar o erro na declaração DCTF Original mediante retificação da DCTF, após a ciência do Despacho Decisório, sem apresentação de elementos comprobatórios do direito creditório pleiteado no citado PER/DCOMP. (grifei) A propósito dos documentos que instruem a peça recursal (demonstrativos do faturamento mensal, do cálculo dos créditos de PIS e Cofins e das compensações, bem como cópia do registro de saídas e da apuração do ICMS), verificase que o contribuinte anexou uma relação de Notas Fiscais de 7 (sete) páginas de extensão, fls. 79 a 85, afirmando que tal providência o dispensaria da anexação de todas estas notas emitidas no período, em face de seu "grande volume". Quanto à esta alegação, deve ser contraposto que o presente processo já foi instaurado na forma digital, o que em muito facilitaria a juntada da totalidade das referidas notas fiscais. Embora ressalte que todas estas Notas estariam sob sua guarda e poderiam ser imediatamente disponibilizadas na hipótese de realização de diligência, o interessado sequer procurou juntar algumas Notas como amostragem, o que ao menos denotaria um mínimo esforço no sentido de comprovar o efetivo teor das mesmas. Ainda, também não se preocupou em demonstrar a origem das mercadorias que teria revendido, mediante a apresentação das Notas Ficais de aquisição das mesmas, no sentido de comprovar que de fato o fabricante/fornecedor operava sob o regime da tributação monofásica. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à supremacia da verdade material sobre a verdade formal, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de todas estas notas, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. O recorrente invoca o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 7 Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem quaisquer provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Pelo exposto, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. Como se vê, a documentação juntada ao recurso voluntário não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, inclusive a citada Resolução nº 3803000.330, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10865.900847/201211 Acórdão n.º 3201002.317 S3C2T1 Fl. 0 8 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por EUNICE AUGUSTO MARIANO, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000414/2006-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DE MATÉRIA EMBARGADA. ELEMENTOS DE PROVA.
Não se conhecem de embargos que visam unicamente ao reexame do conjunto probatório sob a alegação de contradição ou omissão de exame da matéria em sede de primeiros embargos interpostos.
Numero da decisão: 1302-001.133
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ALEGAÇÃO DE CONTRADIÇÃO OU OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DE MATÉRIA EMBARGADA. ELEMENTOS DE PROVA. Não se conhecem de embargos que visam unicamente ao reexame do conjunto probatório sob a alegação de contradição ou omissão de exame da matéria em sede de primeiros embargos interpostos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 14 /2 00 6- 51 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 1302001.133 S1C3T2 Fl. 1.323 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos por ATL TELECOM LESTE SA (SUCEDIDA POR CLARO SA), em face do Acórdão de Embargos nº 130200.740 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 18/10/2011, com a seguinte ementa: Não demonstrada a contradição alegada, rejeitamse os embargos quanto esta alegação e corrigese a omissão constatada. O colegiado decidiu, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, rejeitar a existência de contradição e solucionar a omissão alegada, negando provimento ao recurso também em relação aos valores de R$ 1.985.393,12 e R$ 773.897,86. Cientificada em 02/03/2012, a interessada, com base no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs embargos de declaração em 09/03/2012, sustentando que: Nos Embargos de Declaração opostos em 29.10.10, especificamente no que tange ao "item omissão de receitas — estorno de vendas", composto pelo questionamento de 03 lançamentos contábeis, a Embargante reputa que demonstrou à saciedade que o acórdão n° 130200.119 restou contraditório, pois, a despeito de reconhecer que a exclusão da receita se deu em virtude do estorno de uma provisão, manteve o lançamento ao argumento de que não foi demonstrado que a receita real foi reconhecida em outro lançamento contábil, alterando substancialmente o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa responsável pelo lançamento, o que é vedado nos termos do artigo 146, do CTN. (grifos cfe. Original) A despeito da alteração do critério jurídico, de modo a contrapor as razões do acórdão, visando a tão almejada justiça fiscal, a Embargante providenciou toda a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o posterior reconhecimento e tributação das receitas (reais) que foram estornadas, quais sejam: R$ 1.958.3939,12 (sic) (comissão de vendas Dealers); R$ 773.897,86 (Interface) e R$ 33.333.804,97 (Detraf). [...] Com efeito, referidos documentos comprovam, ao fim e ao cabo, os lançamentos contábeis que reconhecem a receita e sua respectiva tributação, mas o acórdão recorrido deixou de analisálos, aduzindo, equivocadamente que haveria "falta de prova sobre o reconhecimento posterior da receita que foi estornada", configurando omissão a ensejar os presentes embargos de declaração. (grifos cfe. Original) [...] Por fim, o acórdão ora embargado foi omisso ainda quanto alegação relacionada á receita de "Dealers", de que sequer haveria necessidade de demonstração da tributação da respectiva receita real. Isto porque a contrapartida da provisão constituída e posteriormente estornada são contas de despesa, como se verifica do livro diário juntado ás folhas 505 a 508, ou seja, o resultado mantevese Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 1302001.133 S1C3T2 Fl. 1.324 3 neutro, havendo que ser rechaçada a acusação de omissão de receita também em relação a este item. Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento dos presentes embargos para sanar as omissões acima apontadas, manifestandose expressamente este Colegiado sobre os documentos de fls. 1166/1216 e demais argumentos suscitados, com o necessário provimento integral do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 1302001.133 S1C3T2 Fl. 1.325 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega a interessada, ora embargante, que a decisão recorrida ao rejeitar os primeiros embargos, anteriormente opostos, deixou de apreciar as provas por ela apresentadas de que as receitas tidas como omitidas foram devidamente oferecidas à tributação. As provas se referem a três valores identificados como: : R$ 1.985.393,12 (comissão de vendas Dealers); R$ 773.897,86 (Interface) e R$ 33.333.804,97 (Detraf). No que se refere ao valor de R$ 33.333.804,97 (Detraf). A embargante alegara nos primeiros embargos, que o acórdão de recurso voluntário (nº 130200.119), havia incorrido em contradição. O acórdão embargado rejeitou a existência da contradição alegada, nos seguintes termos: Em relação à contradição alegada pela embargante quanto ao valor de R$ 33.333.804,97, não vislumbro tal defeito. Reproduzo o trecho do acórdão que trata do tema: Analisando os documentos apresentados com a impugnação, em especial páginas do diário de fls. 502/503, verifico que a recorrente lança o valor de RS 33.333.804,97 a crédito da conta de receita 4112151101 e cm abril, lança o mesmo valor a débito da mesma conta, anulando a receita. No entanto, observo a fls. 130, que a contribuinte justifica tal procedimento afirmando que referese a reversão da provisão de receita feita cm março/2002, pelos recebimentos em abril/2002 também terem sido lançados à receita , O que se observa no diário, entretanto, não é isso. há um lançamento em março reconhecendo a receita e em abril, no mesmo valor, estornando tal receita, sem que se demonstre que a receita foi reconhecida em outro lançamento. Diferente do que afirma a recorrente, entendo o que explana no plano teórico. Ela pode fazer uma "provisão" .. no mês, atendendo o regime de competência, sem ainda ter o valor definitivo de sua receita do mês. No mês seguinte, se houver receita menor, poderia estornar parte da receita que foi reconhecida e submetida à tributação ou tributar a diferença se reconheceu receita menor que a real. O que não pode é anular totalmente a receita, exceto se houvesse situação de nada ter auferido de receita. Não é o caso dos autos, conforme reconhece a própria recorrente nos autos (fls.130). Caso tivesse ocorrido o afirmado, bastaria a recorrente identificar quais são os lançamentos que reconhecem a receita. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 1302001.133 S1C3T2 Fl. 1.326 5 Fica evidente que não houve dúvida sobre a sistemática alegada, mas sim falta de prova sobre o reconhecimento posterior da receita que foi estornada. Não demonstrada a contradição alegada, rejeito os embargos sobre esta matéria. Assim, o acórdão embargado analisou e rejeitou os embargos quanto a esta matéria, afastando a contradição apontada, inexistindo assim a omissão alegada, pelo que os presentes embargos não podem ser conhecidos quanto a este ponto. Nos que concerne aos outros dois valores discutidos R$ 1.985.393,12 (comissão de vendas Dealers) e R$ 773.897,86 (Interface), o acórdão embargado reconheceu a omissão contida no Acórdão nº 130200.119 (Recurso Voluntário) e analisou as matérias nestes termos: Quanto ao valores de R$ 1.958.393,12 (comissão de vendas — Dealers) e R$ 773.897,86 (Interface), assiste razão à embargante quanto á omissão. Passo a analisar a matéria. Da mesma forma que em relação ao item acima, a embargante alega: Quanto ao lançamento de valor R$ 1.985.393,12 se refere a comissão de vendas (DEALERS) e foi estornado dentro do próprio mês de abril de 2002, sem qualquer impacto fiscal, consoante comprovam as planilhas gerenciais do sistema SAP e as copias do Diário da iMPUGNANTE (Doc. n° 15). Por fim, o lançamento de valor R$ 773.897,86 em abril de 2004 representa o cancelamento de receitas diferidas contabilizadas pela IMPUGNANTE no mês anterior (Doc. Nº16), como estimativa de serviços que serão aturados apenas no mês subseqüente. Da mesma forma que no valor de R$ 33.333.804,95, a recorrente afirma que teria feito um lançamento em um mês (ou no mesmo mês) por estimativa e depois estornaria o valor quando fazia o lançamento real. No entanto, novamente não demonstra que tenha feito o novo lançamento (real). Como se vê do acórdão embargado, a decisão reconheceu a omissão e analisou o mérito das alegações, negando provimento ao recurso voluntário. Não há que se falar em omissão, especialmente quanto à análise das provas dos autos, pois os embargos não se prestam ao reexame do conjunto probatório, devidamente analisados pelo acórdão recorrido. Assim, os embargos também não podem ser conhecidos quanto às matérias acima suscitadas, por não haver qualquer omissão a ser sanada. Resta analisar um último argumento da recorrente em relação á receita de "Dealers" (R$ 1.985.393,12), de que “sequer haveria necessidade de demonstração da tributação da respectiva receita real. Isto porque a contrapartida da provisão constituída e posteriormente estornada são contas de despesa, como se verifica do livro diário juntado ás Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E Processo nº 18471.000414/200651 Acórdão n.º 1302001.133 S1C3T2 Fl. 1.327 6 folhas 505 a 508, ou seja, o resultado mantevese neutro, havendo que ser rechaçada a acusação de omissão de receita também em relação a este item”. Este aspecto, suscitado nos primeiros embargos apresentados pela interessada, não foram de fato apreciados pelo acórdão embargado. Ocorre, todavia, que a embargante não demonstrou que tal alegação tenha sido trazida no seu recurso voluntário, de modo que os embargos não podem ser conhecidos também sob este aspecto. Ante ao exposto, voto no sentido de não se conhecer dos embargos interpostos. Sala de sessões, em 09 de julho de 2013. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 31/07/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24 /07/2013 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por EDUARDO DE ANDRAD E
score : 1.0
Numero do processo: 10540.001494/2008-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2006
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS.
O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação.
Numero da decisão: 9202-004.286
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a tributação sobre os rendimentos tributáveis constantes da DIRPF e os rendimentos com apenas identificação do depositante, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento e Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(Assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2006 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo ano-calendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação.
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decisao_txt : Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para restabelecer a tributação sobre os rendimentos tributáveis constantes da DIRPF e os rendimentos com apenas identificação do depositante, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento e Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Quando da constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo, de se aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, presumida, assim a omissão de rendimentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. O montante de rendimentos tributados na declaração de ajuste anual somente deve ser excluído dos valores creditados em conta de depósito e tributados a título de presunção para o respectivo anocalendário quando plausível admitir que transitaram pela referida conta, estando assim abrangidos nos depósitos objetos de tributação. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para restabelecer a tributação sobre os rendimentos tributáveis constantes da DIRPF e os rendimentos com apenas identificação do depositante, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento e Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 14 94 /2 00 8- 51 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (Assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2801003.563, proferido pela 1º Turma Especial/2ª Seção de Julgamento do CARF. Tratase o presente processo de Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente à dedução indevida de despesas de LivroCaixa na Declaração de Ajuste Anual, referente ao exercício 2003, no valor de R$ 25.935,00, e omissão de rendimentos tributáveis ante a existência de depósitos bancários de origem não comprovada no período compreendido entre 31/01/2005 a 31/12/2005, no montante de R$ 495.255,26. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 195/199, da qual a 3ª Turma da DRJ julgou a Impugnação procedente em parte (fls. 231/235). O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 240/245, alegando, em sua defesa, que o Decreto nº 3000 (RIR/33), em seu art. 75, não restringe a utilização do Livro Caixa aos profissionais autônomos, podendo dele valerse o recorrente que recebe rendimentos do trabalho nãoassalariado. Aduziu que, no ano de 2005, além de ocupar o cargo de prefeito do Município de Encruzilhada, explorava uma pedreira no Município de Encruzilhada e era um intermediário entre os fornecedores primários e terceiros adquirentes, razão pela qual, para facilitar os negócios, cedia sua contacorrente para depósitos dos compradores e estes eram repassados aos produtores, não havendo, portanto, fato gerador do imposto de renda acréscimo de patrimônio ou ganho de riqueza nova. Acrescenta que os recibos fornecidos são prova cabal e suficiente de sua idoneidade fiscal. Ainda pretende que o valor dos rendimentos declarados de R$ 106.963,34 seja excluído da base de cálculo, uma vez que fez parte dos R$ 495.255,26 transitados em sua conta corrente. Por fim, alegou que a multa aplicada, além de não encontrar guarida na atualidade nacional, tem caráter confiscatório. A 1ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 250/256, deu provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada em relação à glosa da dedução a título de livro caixa, reduzindoa ao percentual de 75%; e excluir da base de cálculo lançada o valor de R$ 106.963,34, referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 10 3 Do acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 259/260), os quais foram rejeitados pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 263/265, julgando inexistir vício na decisão. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 267/283, apontando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e outros julgados em relação a três matérias: (a) exclusão de valores em DIRPF: O acórdão recorrido interpretou que o valor oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. (b) necessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas: Argumentou que o acórdão recorrido considerou comprovado o numerário cobrado pelo Fisco, sem que houvesse uma exata correspondência entre os recursos indicados como origem, com os depósitos bancários individualmente em datas e valores, e (c) preclusão: Ponderou que o contribuinte, no recurso, se limitou a arguir que a penalidade de 150% era confiscatória e que violava os princípios constitucionais, não tendo feito qualquer alusão ao motivo que ensejou o emprego do referido percentual (conduta fraudulenta). No entanto, o acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para “afastar a multa qualificada em relação à glosa da dedução a título de livro caixa, reduzindoa ao percentual de 75%” . Às fls. 285/293, em Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso, considerando ter identificado os pressupostos de admissibilidade do recurso, determinando o prosseguimento dos autos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Ana Paula Fernandes O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase o presente processo do Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, referente à dedução indevida de despesas de LivroCaixa na Declaração de Ajuste Anual, referente ao exercício 2003, no valor de R$ 25.935,00, e omissão de rendimentos tributáveis ante a existência de depósitos bancários de origem não comprovada no período compreendido entre 31/01/2005 a 31/12/2005, no montante de R$ 495.255,26. O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso para afastar a multa qualificada em relação à glosa da dedução a título de livro caixa, reduzindoa ao percentual de 75%; e excluir da base de cálculo lançada o valor de R$ 106.963,34, referente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do voto da Relatora. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise três temas: a) necessidade de demonstrar a efetiva origem dos recursos depositados, individualizadamente; b) necessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas; e c) preclusão do direito de requerer a redução da penalidade ao percentual de 75%, como entendeu a decisão recorrida, tendo o contribuinte se limitado a alegar a confiscarioriedade da penalidade de 150%. Observese que a discussão em tela trata de presunção legal, que permite à Fazenda tributar depósitos bancários sem origem e/ou tributação justificados, cabendo prova em contrário, por parte da contribuinte. Utilizase aqui das lições de Alfredo Augusto Becker, para que possamos compreender o sentido axiológico do instituto em discussão. Assim, "presunção é o resultado de processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável (Teoria Geral do Direito Tributário, 3. ed. São Paulo : Lejus. 1998. pg. 508). No caso da técnica de apuração baseada em presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96, o fato conhecido é a existência de depósitos bancários, que denotam, a priori, acréscimo patrimonial. Tendo em vista que renda, para fins de imposto de renda, é considerada como o acréscimo patrimonial em determinado período de tempo, a existência de depósitos sem origem e sem tributação comprovados levam à presunção de que houve acréscimo patrimonial não oferecido à tributação; logo, omitido o fato desconhecido de existência provável. Vejamos o que diz o artigo: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. “ Podemos deste dispositivo destacar os comandos principais: caracterizase omissão de receitas + contribuinte regularmente intimado + não comprove origem com documentação hábil e idônea. Isso significa que temse uma autorização legal para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Não há dúvidas, portanto, de que o art.42 da Lei 9430/96 é uma presunção legal a favor do fisco que inverte o ônus da prova, trazendo ao contribuinte (caso não se trate de omissão) o dever de fazer prova em contrário capaz de refutar essa presunção disposta em lei. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 11 5 Contudo, se cabe ao contribuinte fazer prova a seu favor, isso rende a esta "presunção legal" uma nota de relatividade. Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. O Recurso apresentado pela Fazenda Nacional aborda três aspectos do acórdão recorrido, as quais passo a analisar individualizadamente: (A) EXCLUSÃO DE VALORES EM DIRPF: O acórdão recorrido interpretou que o valor oferecido à tributação na Declaração de Ajuste Anual – DAA pode ser considerado como prova de origem de depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Nesse tópico, a discussão fica por conta de considerar omitidos também aqueles depósitos cujos valores estejam englobados na declaração de imposto de renda pessoa física DIRPF. Ou seja, para os valores constantes da DIRPF também são necessária aa comprovações pormenorizadas da origem dos depósitos? A insurgência apontada pela Fazenda consiste na alegada necessidade de comprovação da origem mesmo quando se tratar de rendimentos declarados. A insurgência principal do contribuinte neste caso é o de que os valores por ele declarados em suas Declarações de Imposto de Renda não foram excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos, quando deveriam ter sido. Deixo de proceder a análise probatória dos depósitos e das provas, pois a valoração probatória não cabe a esta Câmara Superior, cabendo aqui neste caso tão somente decidir a respeito da tese jurídica matéria que foi admitida qual seja, se os valores declarados na DIRPF prescindem ou não de comprovação de origem, tais como os depósitos não declarados (omitidos). O acórdão recorrido deu razão ao contribuinte, conforme excerto abaixo: Por outro lado, entendo que merece acolhida a pretensão do Interessado de excluir os rendimentos declarados de R$ 106.963,34 da base de cálculo relativa à infração de depósitos bancários com origem não comprovada. Destaco que a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem avançado no sentido de mitigar o rigor da análise individualizada dos créditos, permitindo, por exemplo, que os rendimentos informados nas declarações de ajuste anual da pessoa física, desde que não expressamente vinculados aos depósitos bancários de origem não comprovada, pois nesse caso seriam excluídos pela própria fiscalização, sejam excluídos em bloco. Neste sentido, cito os Acórdãos nº 210200.430 (2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/2ª Seção/CARF), sessão de 03/12/2009, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, por unanimidade; 220200.415 (2ª Turma Ordinária/2ª Câmara/2ª Fl. 314DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Seção/CARF), sessão de 04/02/2010, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, por maioria. A questão é que não parece plausível defender que somente os rendimentos informados na declaração de ajuste anual não tenham transitado pelas contas bancárias, o que implicaria dizer que somente os rendimentos omitidos transitam pelas contas bancárias. Ora, é razoável compreender que, na espécie, além dos rendimentos omitidos, os ingressos de recursos declarados oportunamente pelo Contribuinte transitaram, igualmente, pelas contas bancárias do fiscalizado, devendo, portanto, o valor reclamado ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, eis que tais valores não foram objeto de alteração pela autoridade fiscal, ou seja, restaram confirmados." Neste ponto, entendo que assiste razão ao acórdão recorrido, pois o valor declarado pelo sujeito passivo como rendimento da DIRPF deve ser considerado como prova de origem, pois uma vez que não foi objeto de glosa, não precisa provar identidade entre fonte e depósito. Assim, os valores declarados nas DIRPF's deveriam ser excluídos da base de cálculo da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, já que tais rendimentos não foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, ou seja, estes recursos foram tacitamente confirmados pelo Fisco. (B) NECESSIDADE DE COINCIDÊNCIA DE DATAS E VALORES PARA DEMONSTRAR A ORIGEM DAS RECEITAS OMITIDAS: Argumentou que o acórdão recorrido considerou comprovado o numerário cobrado pelo Fisco, sem que houvesse uma exata correspondência entre os recursos indicados como origem, com os depósitos bancários individualmente em datas e valores, Remetendo a análise das provas dos autos, sob as quais se manifesta pontualmente o acórdão recorrido. Observando o acórdão "a quo" percebese que na análise das provas carreadas aos autos o colegiado considerou que o contribuinte logrou êxito em comprovar a origem dos depósitos, elencando um a um dos responsáveis pelos depósitos realizados em sua conta bancária. Registrando ainda, que as pessoas físicas e jurídicas neles constantes foram intimadas ao longo do procedimento de fiscalização, e afirmaram ter feito depósitos junto a conta corrente do recorrente. Para além disso, observase que houve equívoco da Fiscalização ao realizar o lançamento do tributo com base no art. 42, da Lei n. 9.430/96, isso por que, após os esclarecimentos trazidos pelo contribuinte era possível se verificar se as informações prestadas por ele durante o procedimento de fiscalização, bem como os registros das movimentações nos extratos, eram ou não verdadeiros. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 12 7 E nesse ponto entendo que assiste razão ao contribuinte, e o voto recorrido foi escorreito neste sentido. Não há dúvidas de que quando regularmente intimado cabe ao contribuinte colaborar com a fiscalização e indicar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, pois é ônus seu elidir a imputação tributária que lhe esta sendo apresentada, por força do art. 42 da Lei 9430/96, o que ocorreu no caso dos autos cujos esclarecimentos trazidos pelo contribuinte trouxeram elementos suficientes para que o fiscal fosse em frente com sua investigação. Contudo, tendo sido identificada a origem dos depósitos, a Fiscalização deveria proceder à apuração do imposto de acordo com as regras específicas do rendimento apurado, ou seja, de acordo com a natureza do imposto sonegado. Pois, quando a fiscalização consegue identificar a origem e inicia um procedimento de fiscalização contra a fonte pagadora, ainda que a fiscalização não especifique a causa do pagamento, pessoalmente, entendo que não há mais condições para um lançamento baseado na presunção de omissão de rendimentos por origem não comprovada. Repiso aqui meu entendimento de que após a indicação da origem dos depósitos, não se trata mais da utilização do art. 42 em comento, e por este motivo entendo que o lançamento padece de capitulação legal e fundamentação válida, pois deveriam ter sido enquadradas como omissão de rendimentos de pessoa física e omissão de rendimentos de pessoa jurídica, conforme o caso. Desta forma, havendo erro na tipificação e no enquadramento legal, quanto aos depósitos transcritos, estes devem ser excluídos da base de cálculo, por preterição do direito de defesa do contribuinte. Cabe a fiscalização o correto enquadramento do ilícito tributário, não podendo lançar o auto de infração com base em dispositivo genérico, quando dentro do procedimento fiscal lhe foram dados os componentes necessários para o enquadramento específico. (C) PRECLUSÃO: Ponderou que o contribuinte, no recurso, se limitou a arguir que a penalidade de 150% era confiscatória e que violava os princípios constitucionais, não tendo feito qualquer alusão ao motivo que ensejou o emprego do referido percentual (conduta fraudulenta). No entanto, o acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para “afastar a multa Fl. 316DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 qualificada em relação à glosa da dedução a título de livro caixa, reduzindoa ao percentual de 75%” . Neste quesito, adoto o posicionamento da relatora, que ao negar provimento aos embargos declaratórios propostos pela Fazenda Nacional, apontou as mesmas razões de decidir que tenho aplicado em casos semelhantes: "Em relação à aplicação da correspondente multa de oficio qualificada mantida pela decisão de primeira instância, impende verificar se a conduta estampada nos autos coadunase aos tipos abstratos da qualificação previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ou seja, se está comprovado o evidente intuito de fraude, como definido nos arts. 71, 72, 73 da Lei nº 4.502/1964. As infrações decorrentes de glosas de despesas ou omissões de rendimentos são apenadas, como regra, com multa de ofício de 75%. Inclusive, foi editada a Súmula CARF nº 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”, a demonstrar que a simples omissão de receitas ou rendimentos não autorizam a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, para qualificar a multa de ofício, mister a ocorrência de uma conduta delituosa que exceda a simples omissão de rendimentos ou a glosa de despesas. Neste último caso, como exemplo, a qualificação da multa deve ser mantida quando o contribuinte utiliza um documento que se reputa falso, ideológica ou materialmente, para alicerçar a despesa declarada. Não foi o que aconteceu nestes autos. Tratouse, na espécie, de glosa de despesas de Livro Caixa, para as quais o Contribuinte não comprovou ter percebido rendimentos do trabalho não assalariado no anocalendário de 2003, não apresentou o livro escriturado nem os documentos correspondentes. Como se vê, não foi demonstrada a utilização de documentos, material ou ideologicamente, falsos, aí sim, uma hipótese que autorizaria a qualificação para o caso vertente. Portanto, deve ser afastada a multa qualificada, reduzindo a multa de ofício ao percentual de 75%.” Ademais, entendo que não há que se falar em julgamento extra petita na espécie, tendo em vista que o Recorrente contestou a aplicação da penalidade de 150%. Ainda, é de se salientar que o julgador independe de provocação da parte para examinar a regularidade processual e questões de ordem pública aí compreendido o princípio da estrita legalidade que deve nortear a constituição do crédito tributário. Não resta dúvida de que a insurgência do contribuinte contra a multa qualificada. Embora este não requerido a nulidade do auto de infração nem tenha se manifestado quanto a acusação de fraude, foi objetivo em apontar em seu recurso que não concordava com a quantificação da multa no importe de 150%, pois não havia inferido em nenhum dos seus ensejadores. Diante do exposto, analisadas as três matérias suscitadas no Recurso Especial, voto no sentido de conhecer do Recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento, mantendo o acórdão recorrido na sua integralidade. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 13 9 É o voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao mérito do recurso, exclusivamente nas matérias de: (a) necessária coincidência de datas e valores para justificar omissão de rendimentos imputada. (b) possibilidade de exclusão de valores constantes da DIRPF; Quanto aos depósitos em litígio e objeto de tributação, estabelece o art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, verbis: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou dei nvestimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais).(Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997)(Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 §5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Quanto à aplicação do referido dispositivo, adoto posicionamento bastante restritivo no que diz respeito à comprovação capaz de elidir a aplicação da presunção, que, para tal fim, deve ser feita de forma individualizada, com correspondência de datas e valores e através de documentação hábil e idônea, que comprove não só a procedência, mas a origem dos recursos, aqui abrangida sua natureza. Mais detalhadamente a propósito, é cediço que, a partir de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, em seu art. 42 e parágrafos, estabeleceu uma presunção legal (g.n.) de omissão de rendimentos, autorizando o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprovasse, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Do dispositivo acima, defluem: a) a força probatória de extratos onde constem créditos em contas titularizadas pelo contribuinte, bem como, b) a nítida inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, ou seja, o contribuinte titular da conta de depósito bancário é quem deve demonstrar a origem do numerário creditado (dos depósitos), sob pena da autoridade fiscal poder, com base na presunção legal, caracterizá los como renda tributável deste, que é o contribuinte legalmente determinado. Caberia ao autuado, na forma disposta pela Lei, refutar a presunção legal através de documentação hábil e idônea, pois a previsão legal em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem de seus créditos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa passível de prova em contrário. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, José Luiz Bulhões Pedreira defende com muita clareza essa posição: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Por comprovação de origem, repitase aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, Fl. 319DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 14 11 mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Ainda quanto à citada presunção, entendo, ainda, que decorre de disposição expressa do §3o. do art. 42 em questão a necessidade de se comprovar cada depósito de forma individualizada, vedado assim que se tente justificar determinado somatório de depósitos de forma genérica. Quanto à necessidade de coincidência de datas e valores, entendo que se deva, porém, fazer ressalva. Em meu entendimento, o que deve haver é uma correspondência (e não coincidência) unívoca entre cada depósito realizado e a respectiva documentaçãosuporte, hábil e idônea comprobatória de sua origem (abrangendo sua natureza), permitido, assim, haver divergência entre datas e valores dos documentos comprobatórios e dos depósitos realizados, mas somente, notese, no caso em que tal divergência seja devidamente esclarecida pelo autuado, também com base em suporte probatório hábil e idôneo. Assim, tanto quanto ao valor principal constante da documentaçãosuporte e àquele que compõe eventual diferença, necessária a anexação, pelo autuado, de elementos que comprovem que os recursos provenientes da transação alegada como origem de recursos transitaram pela contacorrente em questão. Exemplificando sob uma ótica prática, entendo que possa se aceitar que o valor da nota fiscal de determinada operação mercantil sirva como comprovação para depósito de valor mais elevado realizado posteriormente à transação, uma vez que se deva esta diferença a encargos pactuados pela dilação do prazo de pagamento, desde que, notese, reste devidamente comprovada a incidência de tais encargos e o pagamento de principal e encargos pelo devedor referente à transação na conta do credor. Ressaltese, todavia, que somente seria de se aventar de tal hipótese (ou de qualquer outra como a acima descrita) caso o autuado alegasse tal motivação para existência de diferença de valores e prazos, produzindo, ainda, provas acerca da veracidade da sua alegação, incabível, assim, em meu entendimento, que a autoridade fiscal ou o julgador possa assumir que a não coincidência de datas e valores se deva a este ou àquele motivo, considerandose, aqui, o ônus da prova claramente estabelecido pelo dispositivo de forma a recair, in casu, sobre o contribuinte. Ou seja, na hipótese acima exemplificada e em outras de natureza similar, entendo que, ainda que não haja a exata coincidência de datas e valores entre a documentação suporte e o depósito efetuado, podese, sim, a partir de detalhada alegação acompanhada do devido suporte probatório, estabelecer a correspondência unívoca entre a documentação comprobatória apresentada (abrangendo a natureza da operação) e o depósito efetuado, sendo, uma vez estabelecida tal correspondência, também nestas hipóteses de se elidir a aplicação da presunção do referido art. 42. Feita tal digressão, atenhome agora ao caso em concreto sob análise. Aqui, a partir da análise dos autos, verifico que, consoante, muito bem relatado pela autoridade fiscal, em seu Relatório à efl. 17: (...) · Os recibos apresentados para provar que os recursos depositados nas contascorrente não pertenceriam ao fiscalizado apresentam indícios de não serem idôneos Fl. 320DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 pelos seguintes motivos: recibos elaborados em folhas novas, aparentemente no mesmo computador e impressora, assinados com o mesmo tipo de caneta; os beneficiários, com exceção de um deles, não trabalham com este tipo de atividade; Nenhum dos supostos beneficiários declarou à RFB os rendimentos firmados naqueles recibos, apesar de estarem enquadrados em critério de obrigatoriedade para apresentação de DIRPF. · Os recibos, apesar de na maioria dos casos apresentar correspondência com os depósitos feitos na conta do fiscalizado, não apresentam nenhuma correspondência com os desembolsos desta conta bancária. Ora, se os recibos representam um pagamento feito a um beneficiário, este deveria corresponder a um saque respectivo da conta bancária da fonte pagadora e não o contrário. · Não foi apresentada pelo fiscalizado qualquer prova de que explorava uma pedreira, também não há indicação dessa atividade na DIRPF apresentada; · Numa análise rápida, observandose apenas aqueles créditos que traziam a informação do depositante no próprio corpo dos extratos bancários, observase que aqueles depositantes, a princípio, não têm similitude de compradores típicos de pedras de calçamento, como podese observar na tabela abaixo: Data Tipo Depositante Valor 05/01/2005 TED Arquibaldo Pereira Macedo 49.500,00 07/07/2005 TED Com. Café Rio Grande 18.500,00 03/08/2005 TED Atende Logística Ltda 12.000,00 10/10/2005 DOC Publio Factoring F M Ltda 4.212,00 10/10/2005 DOC Publio Factoring F M Ltda 4.500,00 10/10/2005 DOC Publio Factoring F M Ltda 4.500,00 (...) Os subsídios mensais recebidos pelo exercício do cargo de Prefeito e registrados em Dirf não guardam relação em datas e valores com os depósitos efetuados nas contas bancárias analisadas. Portanto, tais valores não poderão ser considerados como justificativa de origem dos depósitos; (...) A relação de depósitos sem origem comprovada enviada através do Termo de Intimação com data de 07/01/2008, continha apenas aqueles créditos em contacorrente que não eram oriundos de transferências de outras contas da própria pessoa física, de resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc. Portanto, Fl. 321DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 15 13 não procede a informação de que R$ 26.120,69 corresponderiam a depósitos em duplicidade. Também não pode ser aceita a informação de que este valor pertenceria a terceiros sem contas bancárias de sua titularidade, pela falta de comprovação. Assim, compulsando os presentes autos, ao confirmar as afirmações supra, concluo que: 1. Não se pode estabelecer qualquer vinculação, a partir dos elementos probatórios carreados aos autos, entre os depósitos (ou parcela destes) e alegada atividade de exploração de pedreira, uma vez que também aqui não há qualquer prova que houve trânsito de recursos desta alegada atividade na(s) conta(s) onde se efetuou(aram) os depósitos tributados; 2. Também não se verifica necessária a correspondência pagamentos depósitos tributados para os subsídios mensais recebidos pelo autuado junto à Prefeitura Municipal de Encruzilhada. 3. Os elementos carreados aos autos não permitem que se conclua que se tratam os recursos de terceiros e não do autuado. Assim, entendo que não há como se considerar que os depósitos aqui em litígio restaram individualmente comprovados para fins de afastamento da presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996 e, destarte, me posiciono pela reforma do recorrido, de forma a que sejam considerados como não comprovados todos os depósitos objeto de tributação. Quanto à possibilidade de exclusão de valores em DIRPF, com a devida vênia aos que se posicionam de forma diversa, cediço que, no caso específico de haver rendimentos tributáveis declarados pelo autuado, passa a depender a correta aplicação da presunção, caso se opte por tributar a totalidade dos depósitos não comprovados (ou seja, sem qualquer exclusão dos rendimentos já oferecidos a tributação), de pressuposto adicional, qual seja, de não estarem os rendimentos tributáveis declarados contidos em tais depósitos, ou, mais propriamente, dos rendimentos tributados constantes da Declaração de Ajuste Anual (DAA) não terem transitado por contas de depósito ou investimento. É este também o entendimento majoritário em vigor neste CARF, muito bem exposto, de forma resumida, pelo seguinte excerto do Acórdão CARF 10617.117, verbis: "(...) Antes de tudo, devese ter em mente que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 criou uma presunção de omissão de rendimentos a partir dos depósitos de origem não comprovada. Ademais, o art. 42, § 3°, da Lei n° 9.430/96 determinou que os créditos na conta bancária serão objeto de uma análise individualizada, porém já excepcionando duas situações em que os valores não poderiam ser considerados, especificamente quando houver transferências entre contas da própria pessoa fisica, o que é óbvio, já que a mera transferência não poderia ser criadora de riqueza nova, e quando os valores estiveram abaixo de determinado teto. Entretanto, como toda presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, a do art. 42 da Lei n° 9.430/96 deve ser utilizada Fl. 322DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 cum grano salis. Ora, não parece plausível defender que os rendimentos ofertados à tributação não tenham transitado pelas contas bancárias do recorrente. (g.n.) Assim, por exemplo, na experiência judicante deste Primeiro Conselho de Contribuintes, temse observado que a própria fiscalização, às vezes, abate os rendimentos declarados do total de depósitos bancários de origem não comprovada. Como exemplo, vejase o processo n° 10540.000250/00690, recurso n° 154.826, julgado na sessão de 11/09/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Acórdão n° 10617.051 (vide fls. 17, 21, 26, 31 e 231). (...)" Referendando tal posicionamento, de se citar, ainda, os Acórdãos CARF Acórdãos nºs 280102.085, de 30 de janeiro de 2011, 2102001.079, de 10 de fevereiro de 2011, 210202.220, de 14 de agosto de 2012, 220200.415, de 04 de fevereiro de 2010 e 2801 003.568, de 17 de julho de 2014. Ainda que, como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito desta mesma Turma, este Conselheiro aceda, na maior parte dos casos, ao posicionamento acima, rejeito sua aplicação especificamente no caso em questão, justamente por sua falta de plausibilidade. Explico. Está a se tratar, in casu, na DIRPF do anocalendário em litígio (2005), de rendimentos tributáveis declarados oriundos da Prefeitura de Encruzilhada. Todavia, em se tratando de tal origem, plausível de se esperar a plena coincidência entre datas e valores de pagamentos constantes em DIRF e dos depósitos auditados. Em não havendo tal coincidência plausível (como se observou no caso), é de se entender que os recursos recebidos da referida Prefeitura não estão abrangidos no conjunto de depósitos efetuados. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional para que seja restabelecida a tributação sobre o conjunto de depósitos, cuja origem não restou comprovada, vedada ainda a exclusão dos rendimentos tributáveis constantes da DIRPF. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 323DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10540.001494/200851 Acórdão n.º 9202004.286 CSRFT2 Fl. 16 15 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por ANA PAULA FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assina do digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10680.721296/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador.
ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE.
Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO.
Deve ser reconhecido o Valor da Terra Nua constante em Laudo Técnico de Avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, quando o arbitramento for realizado com base no sistema SIPT que não leve em consideração a aptidão agrícola do imóvel.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.866
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Por força do $ 5º do art. 58 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), foi considerado o voto proferido na sessão de 18/10/2016 pela Conselheira Alice Grecchi e não foi colhido o voto do conselheiro Alexandre Evaristo Pinto.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2010 ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Deve ser reconhecido o Valor da Terra Nua constante em Laudo Técnico de Avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, quando o arbitramento for realizado com base no sistema SIPT que não leve em consideração a aptidão agrícola do imóvel. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para negar-lhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Por força do $ 5º do art. 58 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), foi considerado o voto proferido na sessão de 18/10/2016 pela Conselheira Alice Grecchi e não foi colhido o voto do conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
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ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. ÁREA DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de Reserva Particular do Patrimônio Natural na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO. Deve ser reconhecido o Valor da Terra Nua constante em Laudo Técnico de Avaliação, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, quando o arbitramento for realizado com base no sistema SIPT que não leve em consideração a aptidão agrícola do imóvel. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para negarlhes provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 12 96 /2 01 3- 71 Fl. 323DF CARF MF 2 Por força do $ 5º do art. 58 do RICARF (Portaria MF nº 343/2015), foi considerado o voto proferido na sessão de 18/10/2016 pela Conselheira Alice Grecchi e não foi colhido o voto do conselheiro Alexandre Evaristo Pinto. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Júlio César Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório Tratase de notificação de lançamento nº 06101/00028/2013 resultante de lançamento suplementar do ITR/2010, incidente sobre o imóvel rural denominado “Rio do Peixe e Outros” (NIRF 1.322.4611), com área total declarada de 12.039,0ha, localizado no município de Nova Lima/MG. Na descrição dos fatos, a autoridade fiscal informou que o contribuinte averbou somente 598,4ha da área declarada como reserva legal (total declarado: 1077,90ha) e não foi feita averbação da RPPN na matrícula do imóvel. Também foi desconsiderado o VTN declarado, por falta de apresentação de laudo de avaliação, de R$ 23.228.046,00, arbitrandoo em R$ 298.174.969,38, conforme demonstrativo de efl. 07. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, a qual foi julgada parcialmente procedente, em 16/10/2013, pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília DRJ/BSB, para restabelecer, de forma parcial, uma área de reserva legal de 1.047,1 ha e de RPPN de 912,0 ha e para acatar o VTN apresentado no Laudo de Avaliação, nos termos do Acórdão nº 0356.034 (efls. 282/301): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo a contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE RESERVA PARTICULAR DO PATRIMÔNIO NATURAL (RPPN) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10680.721296/201371 Acórdão n.º 2301004.866 S2C3T1 Fl. 324 3 Com base em prova documental hábil, cabe restabelecer, parcialmente, a área de reserva legal e de reserva particular do patrimônio natural (RPPN), para efeito de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). DO VALOR DA TERRA NUA Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preço do ano abrangido pela ação fiscal. No mesmo ato, a DRJ/BSB recorreu de ofício a este Colegiado, por força do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972 e Portaria MF nº 03/2008, tendo em vista a redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$10.343.250,97 para R$980.265,18. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 310/318), alegando em síntese: a) que toda a área de Reserva Legal (ARL) declarada deve ser reconhecida como isenta, uma vez que as averbações comprovadas nos autos totalizam 1.087,65ha e não 1.047,1ha como reconheceu a DRJ; e b) que a isenção referente à área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) independe de prévia averbação na matrícula do imóvel, bastando a informação em ADA tempestivamente protocolado junto ao IBAMA. É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificados os pressupostos de admissibilidade, conheço dos Recursos de Ofício e Voluntário. Recurso de Ofício Com relação ao Recurso de Ofício, a decisão recorrida pugnou pela procedência parcial do lançamento, reconhecendo uma área de reserva legal de 1.047,1 ha e de RPPN de 912,0 ha e acatando o VTN apresentado no Laudo de Avaliação, resultando na redução do imposto suplementar de R$10.343.250,97 para R$980.265,18. Conforme informado na Notificação de Lançamento, às efls. 5/6, após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. Portanto o mesmo foi desconsiderado e arbitrado novo valor com base no Sistema de Preços de Fl. 325DF CARF MF 4 Terra SIPT, instituído através da Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, informado pela Secretaria Estadual de Agricultura de Minas Gerais para o exercício de 2010, em R$ 24.767,42/ha para o município de Nova Lima/MG. Em sede de impugnação, o sujeito passivo apresentou referido Laudo de avaliação, acompanhado de ART, registrada no CREA (efls. 244/276), o qual foi considerado pela DRJ/BSB como suficiente para comprovar o VTN total de R$ 94.456.067,76, bem superior ao declarado de R$ 23.228.046,00. Decisão recente da CSRF entendeu ser impróprio o arbitramento do VTN com base em SIPT que não leve em consideração a aptidão agrícola do imóvel, nos termos do Acórdão nº 9202003.749, sessão de 29/01/2016, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. No presente caso, pela similitude fática, entendo que deve prevalecer o laudo de avaliação apresentado, e portanto, nego provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Área de Reserva Legal Com relação à área de reserva legal devidamente averbada, entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que suas alegações são no sentido de que a DRJ haveria incorrido em equívoco ao somar as áreas averbadas, verbis: Como se vê, cuidamse de 4 (quatro) averbações distintas, contendo, respectivamente, áreas de RL de 239,04 + 118,25 + 439,5 + 250 = 1.087,65 ha, e não 1.047,1 ha, como equivocadamente registrado no v. acórdão recorrido, área total esta inclusive superior a que fora declarada pelo contribuinte. (grifamos) Entretanto, verificase que o equívoco na soma das áreas está na peça recursal, e não no acórdão atacado. Basta uma simples conferência da soma ali destacada para tal conclusão. Portanto, sem reparos a decisão de piso. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Neste quesito, o cerne da discussão trazida pelo recorrente é sobre a desnecessidade de averbação prévia da ARPPN no registro de imóveis para fins do gozo da isenção do ITR. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10680.721296/201371 Acórdão n.º 2301004.866 S2C3T1 Fl. 325 5 Com relação a este tópico, transcrevo as razões da DRJ, que muito bem explicita a necessidade de averbação no registro de imóveis, verbis: Em relação à área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) declarada de 1.044,4 ha, há, também, a exigência, de caráter específico, que trata da necessidade de averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, encontrandose prevista, inicialmente, no art. 6º da Lei nº 4.771/1965. Posteriormente, o Decreto nº 98.914/1990, ao regulamentar o art. 6º da Lei nº 4.771/65, dispôs especificamente quanto a essa exigência no § 1º do seu art. 4º. Outrossim, a Lei nº 9.985/2000 traz, além da definição da RPPN, a exigência legal de averbação da mesma à margem da matrícula do imóvel, em seu artigo 21. ... No presente caso, a contribuinte comprovou nos autos a averbação tempestiva, à margem da matrícula do imóvel, de uma área de RPPN de 912,0 ha, em 20.12.1999, às fls. 61, área essa, contudo, menor do que a declarada. (grifos no original) Entendo que a decisão a quo sobre os quantitativos da área de RPPN está em conformidade com a documentação probatória trazida aos autos; averbação de RPPN na fazenda Morro Velho, com área de 912ha, gravado sob o nome de RPPN Mata do Jambreiro, em caráter perpétuo (doc. efl. 61). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para negarlhes provimento. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 327DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721716/2015-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE.
São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Comprovado pelo contribuinte que incorreu em despesas com pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, faz jus a dedução dessas despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. São admissíveis as deduções incluídas em Declaração de Ajuste Anual quando comprovadas as exigências legais para a dedutibilidade, com documentação hábil e idônea. Comprovado pelo contribuinte que incorreu em despesas com pensão alimentícia decorrente de acordo homologado judicialmente, faz jus a dedução dessas despesas da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, nos termos do art. 8º, II, f, da Lei nº. 9.250/95. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Tendo a contribuinte apresentado documentação comprobatória de seu direito, deve ser afastada a glosa. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 17 16 /2 01 5- 69 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.721716/201569 Acórdão n.º 2202003.516 S2C2T2 Fl. 82 2 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Rosemary Figueiroa Augusto, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Cecília Dutra Pillar, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12448.721716/201569, em face do acórdão nº 0958.317, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA) no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem, que assim os relatou: Para o(a) contribuinte, já qualificado(a) nos autos, foi lavrada Notificação de Lançamento, pela DRF/Rio de Janeiro I/RJ, que lhe deu o direito à restituição de R$ 26.251,79, a ser atualizada, em detrimento ao valor de R$ 27.823,18 pleiteado na DAA/2014. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pelo(a) interessado(a), relativa ao exercício financeiro de 2014, quando foi constatada, conforme a Descrição dos Fatos, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$ 5.714,16, “com base nos comprovantes de rendimentos apresentados”. O(A) notificado(a) apresenta impugnação, instruída por elementos, os quais, no seu entender, comprovam a dedução glosada pela autoridade fiscal, argumentando o que segue: O valor contestado referese a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual. O contribuinte sofreu desconto de valores referentes à pensão judicial pagos diretamente pela Petrobrás, Petros e INSS. Tais valores foram declarados, verificados e considerados corretos pela RFB. Entretanto, além dos descontos diretamente realizados pela Petrobrás, Petros e INSS, foi criada a seguinte situação: com Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.721716/201569 Acórdão n.º 2202003.516 S2C2T2 Fl. 83 3 a aposentadoria do contribuinte a exempregadora (Petrobrás) não poderia mais realizar os descontos previstos no divórcio. Desta forma, enquanto não ficou regularizada a situação na Petros e INSS, a pensionista não recebeu a pensão prevista. Assim sendo, o contribuinte realizou o pagamento diretamente à pensionista, conforme comprovante de efetivo pagamento e declaração, anexos. Agendamos um atendimento no Plantão Fiscal – Malhas (10/FEV/2015 – Senha ATM56) com o objetivo de entender exatamente qual era o motivo da glosa do valor declarado. Foi sugerido que poderia ser o formato do recibo apresentado. Desta forma, anexamos à impugnação uma declaração de recebimento, formal e com firma reconhecida. Memória de Cálculo do pagamento realizado. Apresentamos cópia do Acordo do Divórcio homologado judicialmente (...). O valor glosado é um valor inferior a 10% da pensão paga e a única diferença é que tal valor não foi descontado diretamente pelas fontes pagadoras. Uma vez que foi necessária a emissão, pela Justiça, de novas correspondências à Petros e ao INSS. Não existe dúvida que o valor pago é devido, conforme demonstrado no item 2 – Memória de Cálculo. Tão logo as correspondências foram emitidas, pela Justiça, os descontos diretos foram regularizados. É importante observar que o período de tempo para a regularização dos descontos na fonte, considerando o complexo processo judicial, foi muito pequeno e de apenas três meses. Efetivamente, o motivo da glosa não foi apresentado e, muito pelo contrário, os motivos apresentados (Lei 9250 art. 4º, IN/SRF Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.721716/201569 Acórdão n.º 2202003.516 S2C2T2 Fl. 84 4 15/2001, arts. 49 e 50, Decreto 3000/99, arts. 73, 78 e 83) são os que suportam a dedução realizada. (...). A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 52/56, onde são reiterados os argumentos já lançados em impugnação. Ainda, apresenta em anexo ao recurso voluntário os documentos de fls. 57/75, quais sejam: · Anexo 1 Audiência de ratificação de divórcio; · Anexo 2 Certidão de casamento com a averbação do divórcio; · Anexo 3 Declaração de Recebimento; · Anexo 4 Impugnação nº 2014/0102000001775; · Anexo 5 Extrato Mensal completo do mês de julho/2013, emitido pelo Banco Santander; · Anexo 6 Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de IR Fonte anocalendário 2013. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, quanto aos documentos juntados em anexo ao recurso voluntário, entendo que devem ser recebidos como prova do alegado, por força do princípio da verdade material e formalismo moderado. Há que se observar, acerca da dedução de pensão alimentícia, o que dispõe a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II (matriz legal do art. 78 do RIR/1999), com alterações posteriores: Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.721716/201569 Acórdão n.º 2202003.516 S2C2T2 Fl. 85 5 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) O RIR/1999, em seu art. 73, §1º, estabelece: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretoslei nº 5.844, de 1943, art. 11 e § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Foi com base nessa legislação que a autoridade fiscal intimou o contribuinte a comprovar os pagamentos por ele realizados a título de pensão alimentícia, aceitando como dedutíveis os valores informados, como tal, nos Comprovantes Anuais de Rendimentos de suas fontes pagadoras, apresentados pelo fiscalizado. Alegou o impugnante que o valor glosado, R$ 5.714,16, foi pago diretamente à Sra. Ângela Maria Diogo (alimentanda), haja vista problemas havidos nas fontes pagadoras para implementar os descontos em folha, em face do Acordo de Divórcio homologado judicialmente. Entendo que os documentos acostados aos autos, em anexo ao recurso voluntário, ratificam os documentos anexados em impugnação que efetivamente demonstram que houve o pagamento pelo contribuinte, da quantia de R$ 5.714,16, a título de pensão alimentícia determinada judicialmente. Em fl. 17 dos autos há cópia do acordo judicial, onde o contribuinte se compromete a pagar o valor de 20% do seu salário a título de pensão alimentícia. Em fls. 58/59 consta a homologação deste acordo em audiência de ratificação (realizada em 26.04.2006). O comprovante do efetivo pagamento encontrase à fl. 15 dos autos, sendo demonstrado através de extrato bancário do contribuinte (em fls. 67/74 há o inteiro teor do extrato) que foi realizado uma transferência bancária no valor de 5.714,76 no dia 08/07/2013. Há, ainda, o recibo (fls. 14 e 16) da Sra. Angela Maria Diogo (alimentanda), onde este declara que recebeu do contribuinte o valor de R$ 5.714,76. O recibo possui data de 09/07/2013. Por fim, registro que o contribuinte apresentou memória de cálculo, de modo a demonstrar que o valor de R$ 5.714,76 equivale a 20% de sua remuneração referente aos meses de março, abril e maio de 2013. A pensão judicial, conforme referido é de 20% sobre o valor da remuneração do contribuinte. A remuneração recebida pelo contribuinte no período foi R$ 28.570,81. Ou seja, 20% deste valor perfaz exatamente o valor glosado (R$ 5.714,76). Portanto, pelo demonstrado pela prova dos autos, não há razões para manter a glosa impugnada. Portanto, prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser afastada glosa de pensão alimentícia no valor de R$ 5.714,76, consubstanciada na notificação de lançamento. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 12448.721716/201569 Acórdão n.º 2202003.516 S2C2T2 Fl. 86 6 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, afastandose a glosa no valor de R$ 5.714,76, em relação a dedução de pensão alimentícia. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 07/10/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 10/10/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722202/2013-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Numero da decisão: 2201-003.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada) pois admitiam a prova acostada, reconhecendo-a insuficiente.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RECIBOS DE PAGAMENTO. REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Carlos César Quadros Pierre e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada) pois admitiam a prova acostada, reconhecendoa insuficiente. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Denny Medeiros da AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 22 02 /2 01 3- 10 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10830.722202/201310 Acórdão n.º 2201003.359 S2C2T1 Fl. 271 2 Silveira (Suplente convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF, que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Este processo trata da impugnação em face da Notificação de Lançamento Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 214/222), resultante da revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF – do exercício de 2011 (ano 2010). A notificação tratou da omissão de rendimentos (R$ 4.853,80 IRRF de R$ 495,19, e das deduções indevidas de despesas médicas (R$ 3.240,00), de pensão alimentícia (R$ 35.292,00), de livro caixa (R$ 50.381,90) e de instrução (R$ 2.830,84), todas pelo não atendimento à intimação. Como resultado, foi apurado o imposto suplementar de R$ 15.638,67, mais multa de ofício e juros de mora, em detrimento do saldo de imposto a restituir declarado de R$ 8.248,09. Sua ciência ocorreu em 26/03/13 (fl. 225), e a impugnação foi apresentada em 22/04/13 (fls. 2/7), acompanhada dos documentos às fls. 8/213. O Contribuinte concorda expressamente com a omissão de rendimentos. Defende a dedutibilidade de todas as despesas glosadas, apresentando diversos comprovantes. Em relação às despesas médicas, alega que houve o esquecimento de outras despesas que requer sejam incluídas por acreditar que não lançadas. Tece considerações acerca da intimação anterior à autuação e ao seu estado de saúde, alegando não ter havido qualquer tentativa de retardar o processo da RFB ou de se furtar a apresentar os comprovantes. Traz esclarecimentos acerca dos rendimentos recebidos da Prefeitura de Sumaré (pagamento via 2 CNPJs diferentes, arredondamento de valores na DIRPF) e do informe de rendimentos correspondente que não obteve. A Autoridade Lançadora procedeu à Revisão do Lançamento (fls. 234/237), decidindo por exonerar o crédito tributário exigido e restabelecer o imposto a restituir no valor parcial de R$ 1.114,07, mantendo somente a omissão de rendimentos e a glosa parcial das despesas com livro caixa. Cientificado (fls. 239/241), o Contribuinte apresentou manifestação em 23/02/15 (fls. 243/247), acompanhada dos documentos às fls. 248/249. O Contribuinte acolhe os ajustes das deduções, mas discorda da omissão lançada no quadro 1 da Revisão de Lançamento, alegando se tratar de rendimento recebido a título de auxílio doença do Fundo de Previdência Social do Município de Sumaré. Alega que esse rendimento foi incorretamente informado na DIRF do instituto, tendo solicitado sua revisão e sua retificação, conforme protocolo anexado, requerendo prazo para a posterior juntada de documentos. A DRJ não conheceu da impugnação, considerando que: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10830.722202/201310 Acórdão n.º 2201003.359 S2C2T1 Fl. 272 3 Quanto à omissão de rendimentos, verificouse que em sua impugnação entregue em 22/04/13 (fl. 2), o contribuinte não contestou expressamente tal infração. Nesse cenário, incidiu a aplicação do disposto no art. 58 do Decreto nº 7.574/11, consolidando administrativamente o lançamento correspondente (fl. 228). Ocorre que, em 23/02/15 (fl. 243), quando de sua manifestação em relação à revisão do lançamento, o contribuinte discordou da "omissão lançada no quadro 1 da Revisão de Lançamento", alegando se tratar de rendimento recebido a título de auxílio doença do Fundo de Previdência Social do Município de Sumaré, que incorretamente fora informado na DIRF correspondente. A teor dos arts. 56 e 57 do mesmo Decreto nº 7.574/11, o contribuinte deveria ter apresentado na impugnação todos os pontos de discordância e os elementos probatórios necessários e suficientes a sustentar sua argumentação. Quanto à glosa parcial do livro caixa mantida pela autoridade revisora, considerouse que o contribuinte não contestou essa parte do lançamento, uma vez que, em sua manifestação após a revisão do lançamento, o mesmo acolheu os "demais valores ajustados, conforme Demonstrativo apresentado pela D. AFRFB" (fl. 247). Remanesceu, assim, também essa glosa parcial. Em relação às despesas médicas, apesar de o contribuinte alegar ter se esquecido de lançar outras despesas médicas e de requerer sua inclusão como deduções, restou esclarecido que, ainda que comprovados, o que não ocorreu nos autos, tais despesas não seriam analisadas, uma vez que não fizeram parte da lide e que não foram pleiteadas oportunamente na declaração de rendimento em análise Cientificado do acórdão da DRJ em 06/08/2015, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 08/09//2015, tempestivamente, alegando em síntese que: O acórdão recorrido não analisou o documento acostado ao processo, tendo sido solicitado à Prefeitura Municipal de Sumaré a correção do documento enviado à Receita Federal dos rendimentos recebidos a título de auxílio doença pagos pelo Fundo de Previdência Social do Município de Sumaré. De acordo com o art. 57, § 4º do Decreto nº 7574/2011 a prova documental não precluirá, nos casos em que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. O órgão julgador de primeira instância ignora os documentos juntados o que caracteriza cerceamento ao direito de defesa, o que deve ser reparado. O procedimento deve ser julgado de modo imparcial. A ampla defesa significa ilimitação de defesa, não podendo a lei ou normas administrativas vedar ao cidadão a invocação de determinado argumento ou a utilização de determinado elemento de prova em defesa de seu interesse. Requer a devolução do processo à primeira instância para análise dos documentos apresentado, sob pena de nulidade. Outrossim, requer um recálculo do valor da restituição, considerando ser maior de 65 (sessenta e cinco) anos. Voto Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10830.722202/201310 Acórdão n.º 2201003.359 S2C2T1 Fl. 273 4 Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator O Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. O inconformismo do contribuinte tem como ponto fulcral a ausência da apreciação pelo colegiado de primeira instância, de um requerimento dirigido ao Fundo de Previdência Social do Município de Sumaré. Referido documento solicita uma correção da natureza jurídica dos valores recebidos para isento e não tributável, eis que supostamente seriam decorrentes de pagamentos de auxílio doença. Ocorre que, por ocasião da impugnação à notificação de lançamento, o recorrente expressamente concordou com a omissão de rendimentos, o que deu à matéria cunho de definitividade na esfera administrativa. Pretendeu o recorrente, após ser intimado para manifestação acerca da revisão do lançamento perpetrada pela autoridade lançadora, rediscutir a matéria, o que não foi aceito pela decisão de primeira instância, tendo firmado o entendimento de que o lançamento já foi consolidado administrativamente. O recorrente, por sua vez, manifesta inconformismo, sustentando suas alegações no art. 57, § 4º do Decreto nº 7574/2011, argumentando que a produção da prova documental não precluirḠnos casos em que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Entretanto, o recorrente não demonstrou a impossibilidade da produção de prova no momento oportuno, nem o motivo de força maior. Relevante destacar, ainda, que o documento carreado aos autos é um mero requerimento de correção da DIRF, não sendo prova de que a omissão de rendimentos verificada tratavase, em verdade, de rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de recebimento de auxíliodoença. Com relação à apresentação de provas o Decreto nº 70.235/1972 dispõe em seu art.16: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10830.722202/201310 Acórdão n.º 2201003.359 S2C2T1 Fl. 274 5 V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993). § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993.) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). (Grifouse). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; ( Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente ;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997.) Desse modo, entendo que agiu com acerto a decisão de primeira instância ao não conhecer da impugnação apresentada, e por consequência deixar de apresentar documento extemporâneo acerca de matéria já consolidada na via administrativa. De outro lado, impende ressaltar que o trâmite do presente processo administrativo fiscal obedece rigorosamente à legislação de regência. O julgamento é realizado de modo imparcial pelos órgãos competentes e todos os meios e recursos inerentes ao princípio da ampla defesa estão sendo oportunizados ao sujeito passivo, não guardando nexo as assertivas utilizadas nas razões recursais referentes a julgamento imparcial e ilimitação de defesa. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10830.722202/201310 Acórdão n.º 2201003.359 S2C2T1 Fl. 275 6 Não merece guarida o pleito recursal de um recálculo do valor da restituição considerando ser maior de 65 (sessenta e cinco) anos. A Declaração de Ajuste Anual é feita pelo próprio contribuinte, não tendo as instâncias julgadoras competência para analisar eventuais retificações na DIRPF. A autoridade lançadora efetuou uma revisão de ofício do lançamento, não tendo havido mais nenhum elemento novo que ensejasse uma revisão mais ampla, seja por ocasião da impugnação, seja em face do vertente recurso voluntário. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.725950/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1102-000.286
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento em favor da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente TAM LINHAS AÉREAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para julgamento em favor da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por TAM LINHAS AÉREAS S/A contra acórdão proferido pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo – DRJ/SP1, assim ementado: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. A comprovação da existência de direito creditório líquido e certo é inerente à certificação da legítima e correta compensação. INTIMAÇÃO DESATENDIDA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 25 95 0/ 20 11 -0 5 Fl. 939DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.725950/201105 Resolução nº 1102000.286 S1C1T2 Fl. 3 2 O processo não pode culminar em decisão favorável ao sujeito passivo quando o mesmo se furta a atender a intimação fiscal tendente à certificação da liquidez e certeza do crédito alegado. COMPENSAÇÃO.PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Intrínseco à apreciação da restituição e subjacente ao exame da compensação existe uma pretensão creditória no mesmo montante do valor que se quer restituído ou compensado, cabendo ao contribuinte provar sua legitimidade. ORIGEM DO CRÉDITO. Ao declarar à autoridade tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir uma dívida, o contribuinte assume a incumbência de demonstrálo, especificando as razões, de fato e de direito, pelas quais os valores reivindicados foram considerados indevidamente recolhidos, sem o que não prospera a extinção do crédito tributário da União Federal mediante compensação. DILIGÊNCIA. É de se considerar, de plano, não formulado o pedido de diligência quando desacompanhado dos quesitos referentes aos exames que seriam desejados. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DIREITO CREDITÓRIO LÍQUIDO E CERTO. A comprovação da existência de direito creditório líquido e certo é inerente à certificação da legítima e correta compensação. INTIMAÇÃO DESATENDIDA. O processo não pode culminar em decisão favorável ao sujeito passivo quando o mesmo se furta a atender a intimação fiscal tendente à certificação da liquidez e certeza do crédito alegado. COMPENSAÇÃO.PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Intrínseco à apreciação da restituição e subjacente ao exame da compensação existe uma pretensão creditória no mesmo montante do valor que se quer restituído ou compensado, cabendo ao contribuinte provar sua legitimidade. ORIGEM DO CRÉDITO. Ao declarar à autoridade tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir uma dívida, o contribuinte assume a incumbência de demonstrálo, especificando as razões, de fato e de direito, pelas quais os valores reivindicados foram considerados indevidamente recolhidos, sem o que não prospera a extinção do crédito tributário da União Federal mediante compensação. DILIGÊNCIA. É de se considerar, de plano, não formulado o pedido de diligência quando desacompanhado dos quesitos referentes aos exames que seriam desejados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 940DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.725950/201105 Resolução nº 1102000.286 S1C1T2 Fl. 4 3 Direito Creditório Não Reconhecido” No que interessa a essa instância recursal, pleiteia o Contribuinte a compensação de débitos fiscais com créditos oriundos de PIS e de COFINS concernentes a períodos de apuração de janeiro de 2002 a 2007. Ante o julgamento que considerou a sua manifestação de inconformidade improcedente, para não reconhecer o crédito pleiteado e não homologar as compensações apresentadas, o Contribuinte interpõe recurso voluntário a esta Corte Administrativa, o qual foi distribuído para julgamento a esse Colegiado. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, a competência para exame de pleitos que versem sobre aplicação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), quando não se tratar de procedimento conexo, decorrente ou reflexo do IRPJ, é de uma das Turmas de Câmaras da Terceira Seção desta Corte Administrativa, conforme dispositivos abaixo transcritos: “Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV demais tributos, quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; (...) Art. 4° À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Contribuição para o PIS/PASEP e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), inclusive as incidentes na importação de bens e serviços; (...) Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, Fl. 941DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 10880.725950/201105 Resolução nº 1102000.286 S1C1T2 Fl. 5 4 inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. (...)” Em vista dos citados dispositivos regimentais, concluo que a competência para o julgamento do presente recurso é da Terceira Seção desta Corte, para onde este processo deve ser encaminhado. Nestes termos, voto por declinar da competência para julgamento em favor da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 942DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 10/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 10980.724978/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS.
As subvenções para investimento - in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS - diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão - inclusive qualitativa - de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. A Concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o Estado do Paraná, dentre eles a concessão de créditos presumidos de ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento de estoque de capital na pessoa juridica subvencionada, mediante a incorporação de recursos ao seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos.
Numero da decisão: 1401-001.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos De Aguiar Villas Boas, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Aurora Tomazini De Carvalho.
Nome do relator: Relator
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Glosa de exclusão de subvenção. Multas isoladas sobre estimativas. Recorrente POSITIVO INFORMÁTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. CRÉDITOS PRESUMIDOS DE ICMS. As subvenções para investimento in casu, correspondentes a créditos presumidos de ICMS diferenciamse das subvenções de custeio, tão somente, na medida em que as primeiras são concedidas com o fito de estimular investimentos regionais ou setoriais, operados mediante instalação ou expansão inclusive qualitativa de empreendimentos econômicos. Ao contrário do quanto aduzido pelo Parecer Normativo CST nº 112/78, a caracterização de dado benefício fiscal como subvenção para investimento não pressupõe a aplicação direta e exclusiva das cifras subvencionadas a projeto predeterminado. A Concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o Estado do Paraná, dentre eles a concessão de créditos presumidos de ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da Pessoa Jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento de estoque de capital na pessoa juridica subvencionada, mediante a incorporação de recursos ao seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 49 78 /2 01 3- 51 Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 638 2 Documento assinado digitalmente. Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos De Aguiar Villas Boas, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Aurora Tomazini De Carvalho. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 639 3 Relatório Trata o presente processo de exigência fiscal em face da pessoa jurídica POSITIVO INFORMÁTICA S/A – CNPJ nº 81.243.735/000148 consubstanciada nos autos de infração de imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ e Multa isolada por estimativas de IRPJ não pagas no valores principais de R$ 74.489.248,55 e R$ 46.282.013,42 respectivamente e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e multa isolada por estimativas não pagas de IRPJ e CSLL nos valores de R$ 26.824.769,47 e R$ 16.665.844,83 respectivamente. Sobre os valores lançados de IRPJ e CSLL foram acrescidos a multa de ofício de 75% e os juros moratórios até julho de 2013 compondo um crédito tributário de R$ 198.206.747,38 no auto de infração de IRPJ e de R$ 71.375.839.82 no auto de infração de CSLL. Por bem descrever os fatos até o momento, peço vênia para transcrever o relatório contido na decisão de piso: Em seu relatório, a decisão recorrida assim descreveu o caso: A descrição dos fatos dos autos de infração mencionam que houve exclusão indevida para efeito de cálculo do Lucro real e base tributável da CSLL de valores sob o título de subvenção para investimento. Em decorrência do crédito constituído pelos autos de infração as bases de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL foram reconstituídas conforme balanço ou balacete de suspensão e redução e lançada a multa isolada prevista no inciso II, “b” do artigo 44 da Lei nº 9430/96 com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/07. Os autos de infração remetem para o Termo de Verificação Fiscal (TVF) .acostado às fls 38/47. Em resumo o TVF contém as seguintes informações: 1 A fiscalização foi iniciada para verificar exclusões na apuração do lucro real decorrentes de subvenção de ICMS usufruídas pela autuada. 2 A subvenção decorre do crédito presumido de ICMS instituído pelo artigo 3º do Decreto estadual (PARANÁ) nº 5.375/2002 e alterações dadas pelos Decretos nºs 1.478, 1525 e 1669 ao longo de 2007 ficando o dispositivo atualizado como segue: Art. 3°. Fica concedido crédito presumido, opcionalmente ao previsto na Lei n. 13.214, de 29 de junho de 2001, ao estabelecimento industrial que atenda às disposições do art. 4o da Lei Federal n. 8.248, de 23 de outubro de 1991, por ocasião da saída dos produtos adiante discriminados, que estejam relacionados em portaria conjunta dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, baixada por força do art. 6° do Decreto Federal n. 792, de 2 de abril de 1993, ou do art. 2° da Lei n. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto Federal n. 1.885, de 26 de abril de 1996, no percentual que resulte na carga tributária correspondente a 3%: Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 640 4 (...) Parágrafo único. A opção pela utilização do crédito presumido de que trata este artigo fica condicionada: c) a indústria tenha seus projetos de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação aprovados mediante portaria interministerial publicada no Diário Oficial da União e assinada pelos Ministérios da Fazenda, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia; d) a indústria realize investimentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme definido no art. 11 da Lei Federal n. 8.248/91, sendo que: 1. percentual não inferior a 1%, de que trata o inciso I do parágrafo único do referido art. 11, deve ser aplicado mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; 2. percentual não inferior a 2,7% dos investimentos fixados no referido art. 11, deve ser aplicado internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, conforme disposto no § 5° do art. 9° do Decreto Federal n. 3.800, de 20 de abril de 2001. 3 Essa redação permaneceu vigente até 31/07/2011, em função do Decreto n° 8.503, de 8 de julho de 2011 que assim estabeleceu: Art. 1°. Fica concedido, ao estabelecimento industrial fabricante, que atenda às disposições do art. 4° da Lei Federal n. 8.248, de 23 de outubro de 1991, por ocasião da saída dos produtos adiante discriminados, com suas respectivas classificações na NCM, que estejam relacionados em portaria conjunta dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e da Fazenda, baixada por força do art. 6o do Decreto Federal n. 792, de 2 de abril de 1993, ou do art. 2° da Lei n. 8.387, de 30 de dezembro de 1991, regulamentada pelo Decreto Federal n. 1.885, de 26 de abril de 1996, sem prejuízo da redução da base de cálculo de que trata o art. 3° da Lei n. 13.214, de 29 de junho de 2001, crédito presumido do ICMS, equivalente a sete por cento sobre o valor das saídas em operações internas, a doze por cento sobre o valor das saídas em operações interestaduais sujeitas à alíquota de doze por cento e a sete por cento sobre o valor das saídas em operações interestaduais sujeitas à alíquota de sete por cento: (...) Art. 2°. O benefício previsto neste Decreto se estende também às operações com produtos de informática e automação promovidas por estabelecimento industrial que fabrique ao menos um produto que atenda aos requisitos das leis e decretos federais citados no art. 1°. Art. 3o. Fica revogado o art. 3° do Decreto n. 5.375, de 28 de fevereiro de 2002. Art. 4°. Este Decreto entrará em vigor na data da sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1/ 8/.2011. 4 A redação estadual vigente em 01/01/2009 do art. 3o do Decreto n°. 5.375/02 deixou poucas obrigações para a empresa ter direito ao crédito presumido de ICMS. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 641 5 5 A alínea "c" previa a necessidade de Portaria Ministerial federal, o que já era uma obrigação prevista para a fruição do benefício do IPI, ou seja, não se trata de obrigação adicional. Em resposta ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, o sujeito passivo informou todas as Portarias MCT/MDIC/MF a ele relacionadas, demonstrando satisfeita a condição. 6 A alínea "d" traz 2 obrigações específicas para o benefício do Estado do Paraná, quais sejam: aplicar um percentual dos investimentos mediante convênio com centros ou institutos de pesquisa ou entidades de ensino, oficiais ou reconhecidas, com sede no Estado do Paraná; aplicar parte dos investimentos internamente na própria indústria, em atividades de pesquisa e desenvolvimento em tecnologia da informação, evitandose a contratação de terceiros que poderiam estar sediados em outra Unidade da Federação. 7 Realmente se tratam de obrigações adicionais contidas na alínea "d", mas sem necessidade de adicionais dispêndios por parte do candidato ao benefício fiscal, bastando o direcionamento dos referidos gastos para dentro do Estado do Paraná. Não foi analisado se essa condição foi plenamente atendida pelo sujeito passivo, posto que desnecessário para a configuração do tipo da subvenção concedida, como será abordado adiante. 8 A partir de 01/08/2011, com a vigência do Decreto do Estado do Paraná n° 8.503/11, retiraramse as obrigações contidas na alínea "d". Dessa forma, configurouse claramente um benefício unilateral, sem contrapartidas diretas. Para incentivar determinado setor industrial, o Governo Estadual abre mão de receitas, podendo o beneficiário utilizar a isenção fiscal como bem desejar. 9 – O Regime Tributário de Transição de apuração do Lucro Real (RTT), instituído pela Lei nº 11.941/09 e pelo qual a contribuinte optou traz as seguintes regras para as subvenções para investimento em seus artigos 18 e 21: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei àssubvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do Decreto Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3° do art. 177 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; II excluir do Livro de Apuração do Lucro Real o valor decorrente de doações ou subvenções governamentais para investimentos, reconhecido no exercício, para fins de apuração do lucro real; III manterem reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, a parcela decorrente de doações ou subvenções governamentais, apurada até o limite do lucro líquido do exercício; IV adicionar no Livro de Apuração do Lucro Real, para fins de apuração do lucro real, o valor referido no inciso II do caput deste artigo, no momento em que ele tiver destinação diversa daquela referida no inciso III do caput e no § 3°. deste artigo. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 642 6 § 1° As doações e subvenções de que trata o caput deste artigo serão tributadas caso seja dada destinação diversa da prevista neste artigo, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 2° O disposto neste artigo terá aplicação vinculada à vigência dos incentivos de que trata o § 2° do art. 38 do Decreto Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, não se lhe aplicando o caráter de transitoriedade previsto no § 1° do art. 15 desta Lei. § 3o Se, no período base em que ocorrer a exclusão referida no inciso II do caput deste artigo, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela decorrente de doações e subvenções governamentais, e neste caso não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do inciso III do caput deste artigo, esta deverá ocorrer nos exercícios subsequentes, (original não grifado) (...) Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e II o valor do prêmio na emissão de debêntures, de que trata o art. 19 desta Lei. 10 – O caput do artigo 18 é claro no sentido de que o legislador federal entende que subvenção para investimento é aquela concedida"como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos". Não basta apenas a intenção de desenvolvimento regional, mas é necessária a sua utilização em empreendimentos econômicos. Aquela subvenção que se consome é de custeio ou operação, pois a para investimento deve permanecer na empresa. (Transcre parte da exposição de motivos da MP nº 449/2008 convertida na lei nº. 11.491/09 a seguir reproduzida) “11. O art. 38 do Decreto Lei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, isenta do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ as importâncias relativas a subvenções para investimento e doações recebidas do Poder Público, bem como o prêmio na emissão de debêntures, desde que tais valores sejam mantidos em reserva de capital. O Estado abre mão da tributação para capitalizar a empresa, razão Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 643 7 pela qual tal valor deve ser mantido em reserva e não distribuído sob qualquer forma. Ocorre, porém, que o art. 195A, inserido pela Lei n° 11.638, de 2007, na Lei n° 6.404, de 1976, criou um obstáculo ao gozo da isenção,ao determinar que tais valores transitem pelo resultado da empresa e que possam compor a base de cálculo dos dividendos obrigatórios. Assim, para que tais isenções sejam mantidas sem perder a finalidade para a qual foram criadas a capitalização das empresas são propostos os arts. 18 e 19 do Projeto, os quais excluem tais valores da base tributável do imposto de renda, desde que mantidos em reservas de lucros, ainda que tenham transitado pelo resultado da empresa, (original não grifado)” 11 Vêse claramente que não há abertura para desenvolvimento regional na subvenção para investimento, uma vez que o recurso serve para capitalizar a própria empresa. O investimento na própria empresa está relacionado à implantação ou expansão do empreendimento econômico, pois, se diferente fosse, seria uma subvenção para custeio ou operação. Quando há implantação ou expansão do empreendimento econômico, deve ocorrer a aplicação de valores no ativo imobilizado para se configurar a existência do investimento. Caso isso não ocorra, mostrase claro o caráter de custeio, pois o recurso foi consumido. 12 O sujeito passivo cumpriu as obrigações do art. 18 da Lei n°. 11.941/09 no período fiscalizado para tentar evitar a tributação da subvenção usufruída. Entretanto, não basta apenas seguir essas regras para que o benefício usufruído deixe de ser tributado. Fazse necessário que a subvenção seja, de fato, para investimento. 13 Não basta apenas ser classificada como subvenção para investimento a fim de se afastar a tributação do imposto de renda, devendo estar presente uma das situações previstas nos incisos do artigo 443 do RIR/99. Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (Decreto Lei n°.1.598, de 1977, art. 38, § 2° e Decreto Lei n° 1.730, de 1979, art. 1o, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. 14 O RIR/99 não traz detalhamento adicional das diferenças entre subvenções de custeio e investimento, ficando o delineamento desses conceitos a cargo de atos interpretativos, doutrina e jurisprudência. 15 Para suprir essa lacuna foi publicado o Parecer Normativo CST n°. 112, de 29/12/1978 que, embora com idade avançada, continua vigente e serve como orientação oficial dentro da RFB, em função de sua alta qualidade interpretativa. A fiscalização cita a seguir trechos do parecer que julgou relevantes (observação do relator): SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO ou SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO são expressões sinônimas. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 644 8 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála no seu conjunto de despesas. SUBVENÇÃO PARA OPERAÇÃO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála nas suas operações, ou seja, na consecução de seus objetivos sociais. As operações da pessoa jurídica, realizadas para que alcance as suas finalidades sociais, provocam custos ou despesas, que, talvez por serem superiores às receitas por ela produzidas, requerem o auxílio de fora, representado pelas SUBVENÇÕES. O CUSTEIO representa, portanto, em termos monetários, o reflexo de operação desenvolvida pela empresa. Daí porque julgamos as expressões como sinônimas. (...) II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. 16 No caso em tela, o crédito presumido de ICMS, concedido pelo Estado do Paraná e usufruído pelo sujeito passivo, não está sujeito a nenhum impedimento para sua utilização. As condições impostas pelo governo estadual estão desatreladas ao crédito concedido. A necessidade da publicação de portarias ministeriais é uma formalidade prévia e necessária, mas não gera efeitos sobre o recurso usufruído. A questão de direcionamento regional dos investimentos também não indisponibiliza o crédito presumido, uma vez que esses investimentos já eram obrigatórios para se ter direito ao crédito do IPI. 17 O crédito presumido paranaense não garante desenvolvimento regional, mas apenas tenta direcionar recursos a pessoas jurídicas sediadas no Estado, sem comprometimento com a destinação final do dinheiro. Há um nítido caráter de guerra fiscal.Nada impede que o crédito presumido seja destinado a sócios das empresas beneficiadas através de pessoas jurídicas ou físicas interpostas, pois não há imobilização dos recursos. 18 Tenho para mim que conceituar a subvenção para investimento como sendo meramente para desenvolvimento regional ou setorial é simplificar demais o assunto, afastando a análise do campo tributário. Seria uma definição própria para um dicionário, que não possui obrigação de analisar a obrigação tributária decorrente. 19 A definição contida no Parecer Normativo CST n° 112, de 1978, além de obrigatória a este servidor público, é contemporânea ao Decreto Lei n° 1.598, de 1977, e completa na análise frente à hipótese de incidência do imposto de renda. 20 Quando há implantação ou expansão do empreendimento econômico, deve ocorrer a aplicação de valores no ativo imobilizado para se configurar a existência do investimento. Caso isso não ocorra, mostrase claro o caráter de custeio, pois o recurso foi consumido. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10980.724978/201351 Acórdão n.º 1401001.622 S1C4T1 Fl. 645 9 21 Entre 01/01/2009 e 30/09/2011, os efeitos da subvenção do ICMS foram registrados nas contas de resultado abaixo, sendo o saldo registrado ao final excluído da apuração do lucro real. 22 Grande parte do montante recebido da subvenção foi consumida por custos e despesas do sujeito passivo, havendo os seguintes impactos na conta "2604001002 Lucro do exercício", que possui o tratamento de reserva de lucros. 23 Nos anos calendário 2009 e 2010, o sujeito passivo somente conseguiu obter lucro líquido societário em função das subvenções usufruídas. Em 2011, mesmo considerando a subvenção, foi registrado prejuízo, como se nota no quadro a seguir. 24 Devese registrar também que os dividendos distribuídos são tributáveis quando provenientes de subvenção para investimento. Conforme se verificou nas DIPJ apresentadas, houve a correta adição ao lucro real dos valores citados, ou seja, a efetiva exclusão para apuração do lucro real foi: EFEITO NO RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA 25 Em decorrência da infração já relatada, foram reconstituídas as bases de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL, acrescendose os valores não oferecidos à tributação em época própria. Fl. 646DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720041/2012-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO
ILÍCITO.
Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado.
USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO.
Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública.
MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS.
Aplica-se a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo.
MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO.
A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO.
A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revele-se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora.
Numero da decisão: 3402-003.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 00 41 /2 01 2- 00 Fl. 351DF CARF MF 2 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revele se prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro apresentou declaração de voto. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao Cofins nãocumulativo associado a operações de exportação, referente ao 2º trimestre de 2008. Por razões de economia se recorrerá ao relatório da decisão recorrida para relatar o feito: A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fl. 69, com base no Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 139/2012 em fls. 58/68, decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, em decorrência, não homologar as compensações declaradas. No referido Parecer consta consignado, em resumo, que: a) O contribuinte exerce atividade de comércio atacadista de café em grão; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 3 3 b) O contribuinte atendeu à intimação para apresentação das notas fiscais referentes à compra de café, acompanhada dos respectivos comprovantes de pagamento da fornecedora Cafeeira Centenário Imp. E Exp. Ltda, bem como o nome e CPF das pessoas físicas que efetuaram essas vendas; c) Intimada, a empresa apresentou notas fiscais e respectivos números de registro de exportação ou da declaração de exportação de diversas vendas realizadas em 2008 e 2009, informando que os créditos solicitados estão vinculados às receitas no mercado externo; d) No curso de diversas ações fiscais, a DRF/Vitória verificou uma mudança de comportamento no mercado cafeeiro após alterações legislativas relativas ao PIS e à COFINS. Detectou que grande parte dos tradicionais fornecedores de café, produtores rurais pessoas físicas haviam sido substituídas por empresas atacadistas desconhecidas até então. Investigadas, constatouse que não passavam de pseudoatacadistas, empresas inexistentes, com sócios “laranjas” ou “testas de ferro”, capital social diminuto, sem instalações físicas e os recursos humanos mínimos necessários à realização desse tipo de negócio. Foram instaurados processos administrativos para declaração de inaptidão das mesmas; e) Foram reproduzidas no Termo, algumas reportagens acerca das operações “Tempo de Colheita”, deflagrada em 2007 e a “Broca”, empreendida em 2010; f) Adame Café Importação e Exportação Ltda e Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda foram diligenciadas em 2008. Foram coletados Termos de Declaração dos sócios dessas empresas, corroborando o entendimento da fiscalização de que se trata de fornecedores de fachada; g) Em março de 2012, a RFB emitiu Atos Declaratórios Executivos declarando a baixa de ofício das empresas citadas; h) Foram determinados os valores de compras de fornecedores de fachada. Ante o fato de os créditos reivindicados terem sido gerados através da simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente foram de produtores rurais pessoas físicas, impôsse a elaboração de nova apuração da contribuição devida, segundo a realidade fática apresentada; i) Foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Descontar – PIS nãocumulativo” com os ajustes procedidos nas bases de cálculo e a apuração dos créditos passíveis de ressarcimento; j) Foram excluídos da base de cálculo dos créditos os valores de aquisição de bens de empresas inaptas. Tais operações foram consideradas como tendo sido realizadas com produtores rurais pessoas físicas e apurado o crédito presumido previsto na legislação. Fl. 353DF CARF MF 4 Cientificada em 16/10/2012 (fl. 75), a Interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 77/134, em 13/11/2012, na qual alega, em síntese, que: a) Em nenhum momento, a Fiscalização traz a informação de que nenhum diretor da recorrente foi sequer citado na Operação Broca, ou seja, não houve denúncia, indiciamento, mandados de prisão ou de busca e apreensão com relação a Exportadora Yalkins Sons; b) É absurdo dizer que a recorrente se beneficiou desse suposto esquema, uma vez que, se não houvesse esses compradores com preços irresistíveis (atacadistas), os produtores rurais seriam obrigados a vender para as exportadoras, como sempre fizeram; c) As provas documentais trazidas pela fiscalização são produto unilateral de terceiros, originadas de buscas e apreensões. Mesmo que implicassem em alguma prova contra a recorrente, se a fiscalização tem por fraudadores aquelas empresas, não deveria usálas para afastar a boafé de uma empresa que sequer é citada na Operação Broca; d) Todas as mercadorias compradas da Cafeeira Centenário foram entregues, registradas na contabilidade da empresa e os pagamentos foram feitos através de depósitos, TEDs ou DOCs. Além disso, a empresa estava ativa na época das compras, como se verifica do CNPJ e SINTEGRA; e) As baixas da Cafeeira Centenário e da Adame Café foram realizadas somente em 28/02/2012; f) A recorrente não negocia diretamente com os produtores. Os documentos em anexo comprovam que as compras são realizadas através de corretores; g) Em nenhum momento provouse que a Recorrente deu início a empresas “laranjas” ou sabia que elas não recolhiam seus impostos, bem como que notas dos produtores eram substituídas por uma de venda emitida pela pseudoatacadista; h) Nos depoimentos acostados aos autos jamais se afirma que os gestores da Recorrente sabiam da suposta interposição fraudulenta. Não há depoimentos de produtores rurais nos autos; i) As alegações da Fiscalização são meras presunções de máfé, o que é vedado pelo nosso ordenamento jurídico; j) É dever e obrigação exclusiva do Fisco lançar e cobrar dessas empresas os créditos tributários devidos (art. 145 da CF, 142 do CTN, 904 do RIR e Lei 11.457/07). A negligência e a omissão da Fiscalização não podem dar margem à punição dos contribuintes; k) A legitimidade dos créditos está patente ainda quando se analisa o art. 43 da IN/RFB 200/2002, precisamente o § 5o; l) O art. 3o da Lei 10.637/2002 não condiciona à requerente a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias; Fl. 354DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 4 5 m) Como prevê a Lei 12.350/2010 em seu art. 56A e parágrafos, as empresas que possuem direito a créditos presumidos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, na forma do § 3o do art. 8o da Lei 10.925/2004, podem utilizálos para a quitação de outros tributos ou, em caso de sobra, requerer seu ressarcimento; n) Como a atividade da Requerente é considerada produção, não há dúvida de que ela pode usar os créditos presumidos, tão bem calculados pela Fiscalização nos demonstrativos de fls. 68/69 para o pagamento de quaisquer tributos administrados pela RFB; o) Caso seja mantida a glosa de créditos, deve ser determinada à autoridade fazendária a apuração e restituição dos valores pagos a título de IR e CSLL, uma vez que os valores glosados estão inclusos nas mencionadas bases de cálculo; p) Requer a realização de diligência ou perícia, visando confirmar as alegações acima, certificar a efetiva entrada de mercadorias, pagamentos, legalidade das notas fiscais, escrituração contábil e fiscal e a composição exata dos créditos glosados, sob pena de nulidade do procedimento fiscal. Nomeia perito e formula quesitos. Em 13/03/2013, a empresa interessada solicitou a juntada aos autos do requerimento em fls. 225/227, acompanhado dos documentos de fls. 228/244, onde informa que no dia 14/11/2012, a Primeira Turma Especializada do TRF da 2a Região, analisando o Hábeas Corpus nº 001431181.2012.4.02.000, em face de ato do Juízo Federal de ColatinaES que instaurou a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383, por unanimidade, concedeu a ordem para o fim de trancar a referida Ação Penal. Entende, assim, que os argumentos que motivaram o Parecer SEORT e o Despacho Decisório foram rechaçados definitivamente pelo TRF da 2a Região, reafirmando a natureza inverídica das alegações do Fisco. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Fl. 355DF CARF MF 6 Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MEIO IMPRÓPRIO. A manifestação de inconformidade não se presta à formulação de pedido de restituição, compensação ou de parcelamento, devendo estes ser formalizados em procedimentos autônomos. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência ou perícia quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reitera as razões de sua Impugnação, aduzindo também a) Da nulidade do acórdão de DRJ, no tange a extinção da ação penal nº 2008.50.05.005383 (Operação Broca); b) Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este colegiado. Em razão dos diversos pontos trazidos pela peça recursal, será feita uma análise item a item para abarcálos inequivocamente, buscando nos esquivarmos de eventuais omissões. 1. Das Nulidades do Acórdão da DRJ e do Processo 1.1 Da Extinção da Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 (Operação Broca) Fl. 356DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 5 7 Alega o Recorrente que o PAF foi instruído por provas ilícitas provenientes da "Operação Broca", de modo que o trancamento da Ação Penal nº 2008.50.05.0005383 implicaria em rechaçar dos argumentos que motivaram a autuação. Em primeiro lugar, devese frisar que o trancamento da referida ação não se deu em razão de qualquer vício nas provas lá produzidas, o que poderia comprometer a sua utilização no âmbito administrativo. O fundamento se deu pela ausência de decisão definitiva acerta da constituição do crédito tributário, como se vê no acórdão, acostado em fl. 513: Em segundo lugar, as provas utilizadas para justificar a oposição ao creditamento pretendido pela Recorrente foram, principalmente, aquelas que indicaram a inexistência das empresas das quais ela comprou o café para exportar. Tratase, pois, dos termos de declaração de fls. 2838, produzidos no âmbito de atividade fiscalizatória da própria Receita Federal e cuja utilização no âmbito do presente processo não é corresponde a nulidade alguma, haja vista ter sido franqueado à Recorrente pleno contraditório dessas provas, conforme previsto pelo art.372 do CPC, verbis: Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindolhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório. No caso, os requisitos inerentes ao contraditório e à ampla defesa foram observados tanto no processo de origem como no de destino, com a ciência integral do Despacho Decisório, contra o qual o contribuinte pode deduzir robusta defesa, apresentando a competente Impugnação dentro do prazo legal. Logo, não houve cerceamento de defesa. Por outro lado, tendo sido o lançamento efetuado por autoridade competente com todos os requisitos estabelecidos na legislação de regência, é de se rejeitar a preliminar de nulidade suscitada, em consonância ao que determina o Decreto 70.235/72, art. 59, II. 1.2. Da ausência de análise dos documentos anexados e de argumentos aduzidos na impugnação administrativa. Alega o recorrente que a relatora da decisão a quo apenas reproduz a fundamentação do auto de infração, sem enfrentar os argumentos da peça impugnatória, especialmente em razão da ausência do nome da Recorrente nas investigações das operações "Broca" e "Tempo de Colheita", além de não ter enfrentado a aplicação do Recurso Especial nº 1.148.444 do STJ. Invoca jurisprudência do CARF. Em primeiro lugar, não há qualquer irregularidade formal em fundamentar a decisão no auto de infração e seus componentes, nos termos do art.50, §1º da lei 9.784/99, verbis: Fl. 357DF CARF MF 8 Art.50. (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Além disso, a decisão a quo trata das "pseudoatacadistas" e da relação entre elas e a Recorrente, para justificar a impossibilidade de tomada do crédito integral, considerandoo como se a passagem por aquele fosse meramente simulada. Exemplo disto são os parágrafos das fls.554559, que tratam especificamente disto. Inclusive trata da questão da nota inidônea no trecho abaixo, fl.558: O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem ?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. Desse modo, também não deve prosperar a presente preliminar de nulidade da decisão recorrida. 1.3. Das Provas Ilícitas e do Ônus probatório O Recorrente traz longo arrazoado sobre as provas ilícitas e de como elas são rechaçadas pela doutrina e jurisprudência pátrias, mas sem indicar em qualquer momento quais seriam as provas ilícitas e qual o fundamento da ilicitude. Além disso, faz novo arrazoado sobre o ônus da prova de cunho absolutamente doutrinal e jurisprudencial, mas sem indicar a razão do ônus probatório da fiscalização não ter sido atendido a despeito de farta documentação sobre a natureza dos pseudoatacadistas concluindo que em razão do Recorrente e nenhum de seus sócios terem sido citados na "operação broca" haveria nulidade do auto de infração, o que, a meu ver, não faz sentido. A fiscalização na fica adstrita aos limites da investigação policial, podendo à partir dos dados apurados no inquérito e em investigações próprias constatar ilícitos tributários que fujam à competência policial. Desse modo, não deve prosperar essa preliminar de nulidade processual. 2. Da possibilidade de creditamento e da boafé da Recorrente. A Recorrente faz longo arrazoado explicando a dinâmica do mercado de café, para sustentar que sua boafé está comprovada pelo fato do processo de inaptidão das "pseudo atacadistas" ter se iniciado apenas em 2011, tendo a Recorrente verificado o CNPJ e SINTEGRA das mesmas, nos sistemas da Receita Federal e Estadual, respectivamente. Fl. 358DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 6 9 Aqui reside, a meu ver, o cerne da discussão de mérito, qual seja, a possibilidade das notas fiscais, emitidas à partir de operações de compra de café de empresa, realizadas no 2º trimestre de 2008, considerada posteriormente inidônea, gerarem créditos integrais nessa aquisição. Ao enfrentar a matéria, a decisão a quo afirmou: Uma vez demonstrado que as fornecedoras da contribuinte não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de “guiar o café”, conclui se que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda tampouco poderia ter havido a compra, a contrario sensu, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria”, o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei nº 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: “de quem ?”. E as provas dos autos direcionam para a resposta de que “comprou, pagou e recebeu a mercadoria” de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar “empresas” sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. Por outro lado, o Recorrente sustenta o direito ao crédito por ter agido com boafé, ao verificar o CNPJ e SINTEGRA das vendedoras, e por ter prova do pagamento das compras de café, com comprovação da entrega de mercadorias, conforme apurado em relatório de diligência de fls. 726730, o que ensejaria a aplicação do parágrafo único do art.82 da Lei 9.430/94, verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. (g.n.) Naturalmente, tal dispositivo tem como escopo claro a proteção daqueles que, agindo de boafé, realizaram negócios jurídicos com empresas que posteriormente sofreram a sanção de inaptidão, garantindo que aqueles documentos produzidos (neste caso, notas fiscais) tenham os efeitos tributários adequados. Em razão da diligência solicitada pelo relator pretérito, restou plenamente reconhecido pela Receita Federal o pagamento das operações e o efetivo recebimento da Fl. 359DF CARF MF 10 mercadoria, o que já se presta a justificar a aplicação do art.82, par. único, da lei 9.430, que exige tais comprovações para sua incidência. Todavia, em se tratando de inexistência de fato das "pseudoatacadistas", verificase que se trata claramente de uma interposição simulada de terceira pessoa, nos termos do art. 167, §1º, I do Código Civil, que tem plena aplicabilidade na configuração dos fatos geradores tributários por força dos arts. 109 do CTN: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Há que se pontuar brevemente a distinção entre simulação e dissimulação (ou simulação relativa). Ambos são vícios do negócio jurídico, mais precisamente em relação à ocorrência dos atos ou negócios declarados pelas partes envolvidas. Nesse sentido pontua Humberto Ávila: Quando aquilo que as partes declararam ter feito simplesmente não ocorreu, dizse ter havido simulação. Simular é não fazer o que se declara fazer. Quando aquilo que as partes declararam ter feito não ocorreu como elas declararam, dizse ter havido dissimulação. Dissimular é fazer algo diferente do que se declara fazer. (ÁVILA, Humberto. A Prestação de Serviços Personalíssimos por Pessoas Jurídicas e sua Tributação: o Uso e Abuso do Direito de criar pessoas jurídicas e o poder de desconsiderálas. In: ROCHA, Valdir de Oliveira. Grandes Questões Atuais de Direito Tributário, v.17. São Paulo: Dialética, 2013. P.140) Na citação feita anteriormente de trecho da decisão recorrida, se verifica que a relatora reconhece a ocorrência de uma operação comercial com o café, mas diverge quanto a quem seria o efetivo vendedor se o produtor rural ou o "pseudoatacadista" concluindo que o café seria vendido pelo produtor rural, devendo a Recorrente ter direito apenas ao crédito presumido. A passagem pela atacadista seria puramente simulada, já que, como apurado em fls.2840, elas sequer teriam armazéns ou capacidade operacional/financeira para o montante de café vendido no período, tendo como sócios pessoas humildes e sem capacidade econômica para operar competitivamente nesse mercado. Fica clara a intenção de apenas "guiar o café" no depoimento de Jasson Quirino Dias, sócio da Cafeeira Centenário, ao afirmar que trabalhava com o seu pai realizando a venda do café utilizando a nota do produtor rural, mas que as compradoras (grupo ao qual podese racionalmente presumir fazer parte a Recorrente, diante das largas operações que Fl. 360DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 7 11 realizara com essa atacadista) passaram a não aceitar nota do produtor rural, exigindo a criação das pseudoatacadistas, o que é respaldado no depoimento de Samuel Quirino (fl.38): Daí, no depoimento de Celso Francisco Tavares sócio da Cafeeira Centenário e gestor da Adame Café (no período das aquisições em questão) resta claro que ambas as atacadistas foram abertas apenas para emissão das notas fiscais, haja vista que não possuíam patrimônio algum, não recolhiam quaisquer tributos federais, e não possuíam armazéns para o café adquirido. Tal fato é provado pela fiscalização, conforme registrado na decisão a quo: Registrese, de passagem, que os dois únicos fornecedores da contribuinte no período em exame foram constituídos após o advento da MP nº 66, de 29/08/2002, que passou a dispor sobre a apuração nãocumulativa do PIS/Pasep, e que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002. Cafeeira Centenário Importadora e Exportadora Ltda foi constituída em 25/07/2005 e Adame Café Importação e Exportação Ltda em 18/10/2007. Conforme registrado pela autoridade fiscal, por ocasião da análise dos autos, ambas já haviam sido declaradas inaptas por motivo de inexistência de fato. (...) Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador, porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Como verificado na fiscalização, as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte interessado, constituídas como visto já em pleno regime da não cumulatividade, estiveram sempre em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos. Além disso, é fantasioso achar que tais empresas operavam efetivamente, conforme relatado pela decisão recorrida: Fl. 361DF CARF MF 12 No conjunto, essas duas empresas movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a Exportadora Yalnik Sons) R$ 1.397.500,00, mas nada recolheram de PIS/Cofins. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de inaptidão declarada, se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística (conforme informações constantes dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão). Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Não restam dúvidas que, A DESPEITO DA EXISTÊNCIA DE FARTA DOCUMENTAÇÃO FISCAL QUE DEMONSTRE AS OPERAÇÕES ENTRE A RECORRENTE E A ATACADISTA, que esta era pessoa jurídica simulada interposta em relação aos produtores rurais. Portanto, podese dizer que a compra ocorria, de fato, dos produtores rurais. Diante disso, procedeu da seguinte forma a fiscalização (fl.56): Entendo correta a posição da fiscalização, por se tratar a venda para o atacadista de uma operação simulada (simulação absoluta), o que permite à autoridade fiscal desconsiderar tal operação e verificar quem foi o real adquirente da mercadoria, para fins tributários. Caso se estivesse tratando de uma operação dissimulada (simulação relativa), a fiscalização estaria tolhida de desconsiderar o negócio realizado diante da ausência de regulação legal do art.116, parágrafo único do CTN, mas não é o caso. Tal fato foi reconhecido também pela decisão a quo: No conjunto, essas duas empresas movimentaram no ano de 2008 (considerando apenas as operações envolvendo a Exportadora Yalnik Sons) R$ 1.397.500,00, mas nada recolheram de PIS/Cofins. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total de tributos recolhidos, acrescentado de situação de inaptidão declarada, se junta mais um fato, constatado em diligências nas empresas: nenhuma das empresas diligenciadas possui patrimônio ou capacidade operacional, nenhum funcionário contratado, nenhuma estrutura logística (conforme informações constantes dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão). Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a Fl. 362DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 8 13 existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrandose, ao invés disso, pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. Tudo indica que as autodenominadas “atacadistas” são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, uma existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. Portanto, diante da comprovação de inexistência fática das atacadistas, mas mera existência simulada para "guiar o café", pode a fiscalização, independente da inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão à época das transações cuja verificação foi efetivamente realizada pela Recorrente através do CNPJ e SINTEGRA considerar a operação como realizada entre o produtor rural e o Recorrente, eliminandose o intermediário. Frisese que as alegações de desconhecimento são irrelevantes porque, independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovada a ocorrência de simulação, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa Diante disso, caberia a aplicação do art.82, p.u. da lei 9.430, para reconhecer os efeitos tributários dos documentos que comprovam as operações de aquisição de bens feitas pelo Recorrente. Todavia, por força do art.167, §1º, I do Código Civil, devese considerar as aquisições como realizadas diretamente do produtor rural, como considerado pela fiscalização na sua autuação. Portanto, a despeito da comprovação da regularidade do pagamento e do recebimento da mercadoria, o referido dispositivo do art.82, p.u. da lei 9.430 não deve ser lido isoladamente, mas contextualizado com o art. 149, VII do Código Tributário, para reconhecer os efeitos tributários da documentação fiscal apresentada pela Recorrente, mas considerando a aquisição como efetuada diretamente do produtor rural, e não dos atacadistas simulados. Considerando, assim, que as aquisições foram feitas diretamente do produtor rural, é mister aplicar a sistemática de créditos presumidos do art. 8º da lei 10.925/2004, suficientemente explanada no termo de verificação fiscal e na decisão recorrida, pelo que faço referência ao conteúdo destes. Uma consideração especial deve ser feita em relação aos processos fundamentos utilizados no voto proferido no processo nº 15586.720615/201231, onde se analisou pedido de ressarcimento de crédito de Cofins nãocumulativo referente ao 3º trimestre de 2008, e no processo nº 10786.721822/201263, pedido de ressarcimento de crédito de PIS Fl. 363DF CARF MF 14 nãocumulativo referente ao 3º trimestre de 2008, que tiveram idêntico fundamentos nas suas decisões de 1ª instância. Ocorre que a glosa descrita no Parecer se refere a créditos apurados em relação a aquisições de café junto às pseudoatacadistas no 2º trimestre de 2008 (PIS e Cofins), especificamente no mês de Junho. Por razões de brevidade, reproduzo abaixo a decisão a quo, que também fez esta ressalva: De acordo com o Parecer, a autoridade fiscal afastou os créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação às aquisições de empresas declaradas inaptas e apurou, em substituição, o crédito presumido, reduzindo, desta forma, o crédito a ressarcir/compensar pleiteado pelo contribuinte nos PER/DCOMPs que compõem os processos administrativos nº 15586.720615/201231 e 10786.721822/201263. Mencionadas glosas e os respectivos ajustes na base de cálculo do crédito a descontar produziram reflexo na análise do crédito pleiteado no presente processo (3o trimestre de 2008), na medida em que alterou o saldo de crédito vinculado ao mercado interno a ser transferido do mês de junho para julho, o que pode ser verificado através do Demonstrativo de Calculo dos Créditos a Descontar – COFINS nãocumulativa e PIS não cumulativo (fls.4245), que integram o Parecer SEFIS. Em relação especificamente ao 3o trimestre de 2008, houve equívoco por parte da inconformada, uma vez que não há glosa de crédito promovida pela autoridade fiscal, o que facilmente se constata através do mencionado Demonstrativo de Cálculo. O crédito a descontar apurado pela fiscalização no mês de setembro corresponde a R$ 11.928,96, exatamente o crédito pleiteado pelo contribuinte. Ocorre, no entanto, que o crédito apurado foi integralmente utilizado na dedução da contribuição devida no mesmo período, no valor de R$ 16.296,53 restando ainda, saldo de Cofins a pagar no valor de R$ 4.367,57, cuja exigência foi formalizada através de auto de infração lavrado neste processo. O mesmo aconteceu em relação ao PIS, com diferenças apenas nos valores. Na manifestação de inconformidade apresentada nos processos mencionados acima, a interessada contesta as glosas efetuadas relativas a créditos calculados sobre o valor de aquisições junto a empresas de fachada. Como dito acima, os créditos glosados são pertinentes ao 2º trimestre de 2008, período analisado nos processos nº 15586.720041/201200 e 15586.720039/201222. Desse modo, o deslinde dos processos 15586.720615/201231 e 10786.721822/201263 está estritamente condicionado àqueles que julgam os créditos apurados no 2º trimestre de 2008. Já em relação aos débitos apurados nos meses de julho, agosto e setembro de 2008, nos valores indicados no Demonstrativo de Cálculo, a interessada não apresentou contestação específica, devendose ter por definitivos tais valores, consoante disposto no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis:. “Art. 17 – Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Pois bem. Feito esse esclarecimento, e com base no entendimento firmado neste processo, julgado conjuntamente com os demais processos relativos à ressarcimento/compensação, que deram origem ao presente lançamento, concluise que mantidas as glosas e não contestados os valores das contribuições devidas nos períodos de julho, agosto, setembro e novembro, consideradas no Demonstrativo de Cálculo dos Créditos a Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 9 15 Descontar – PIS e COFINS nãocumulativos, prevalecem os créditos tributários exigidos de ofício relativos às diferenças apuradas e não recolhidas de PIS e COFINS no que se refere ao principal lançado. Resta analisar a imposição da multa de 150%. 3. Das Multas Aplicadas Sobre os valores lançados de ofício relativos a diferenças a pagar de PIS e Cofins nos períodos de agosto, setembro e novembro de 2008, a autoridade autuante aplicou a multa qualificada de 150%, com base no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Além disso, foi lavrado auto de infração relativo à multa isolada de 150% calculada sobre os valores dos débito indevidamente compensados, conforme previsto no art. 18 da Lei 10.833/2003 com redação dada pela Lei 11.488/2007. Não há nos autos de infração contestados, a imposição de multa de mora de que trata o art. 61 da Lei 9.430/96 citada pelo contribuinte. Também não há nos Pareceres e despachos decisórios proferidos nos processos de compensação qualquer menção à aplicação de multa de mora, conforme alegado no Recurso Voluntário. 3.1. Do Bis in idem A Recorrente requer seja afastada a dupla imposição de multas sobre a mesma base de cálculo, tanto no que se refere ao art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96 e o art. 61 da Lei 9.430/96, quanto ao art. 18 da lei 10.833/2003 e o § 15 do art. 74 da Lei 9.430/96, pois a base de cálculo das duas primeiras é a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento e as duas últimas têm como base de cálculo o valor do débito indevidamente compensado. Mais uma vez não procede a alegação da autuada. Conforme já apontado anteriormente neste voto, não há, nos autos de infração contestados, exigência de multa de mora prevista no art. 61 da Lei 9.430/96. Da mesma forma, não há nos autos exigência de multa com base o art. 74, § 15 da Lei 9.430/96, citado pelo contribuinte, dispositivo este que estabelece a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, razão pela qual deve ser afastada a alegação da impugnante. Logo, não há que prosperar este pleito. 3.2. As infrações imputadas Em primeiro lugar, há que se verificar o art.18 da lei 10.833/2003, que prevê a multa isolada sobre débitos indevidamente compensados: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por sua vez, o art.44 da Lei 9.430/96 estabelece: Fl. 365DF CARF MF 16 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; À partir do Parecer SEFIS, dos processos de compensação e do Termo de Verificação Fiscal, a DRJ entendeu pela falsidade nas compensações declaradas, em razão de conduta específica e concreta do contribuinte, em relação às suas obrigações fiscais, que teria a intenção de reduzir o montante dos tributos devidos e forjar créditos de PIS e Cofins não cumulativos. A relatora da decisão recorrida aduziu que: O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos de PIS e COFINS, utilizou de uma ‘indústria’ erguida, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Já quanto à multa do art. 44, §1º da Lei 9.430, essa tem sua multa aumentada nos casos dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por seu turno, os arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/1964, assim define as infrações que agravam essa multa: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 10 17 Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Novamente entendeu a fiscalização e a decisão a quo que o contribuinte exibiu inequívoco dolo em reduzir o montante dos tributos devidos mediante a forja de créditos referentes ao regime da nãocumulatividade. Parecenos que o ponto, neste caso, diz respeito à existência de dolo específico de falsear a declaração de compensação e de redução do montante dos tributos devidos. O contribuinte, por sua vez, aduziu que realizou pesquisas do CNPJ e SINTEGRA das "pseudoatacadistas" no momento da realização dos negócios e que as mesmas estariam regulares perante as administrações federal e estadual, alegando que isso comprovaria a sua boafé e a ausência de dolo. Além disso, alegou que a empresa foi vítima da inação da fiscalização em declarar a inaptidão das pseudoatacadistas. É impossível, ou pelo menos extraordinariamente improvável, que a Recorrente não tivesse ciência de que as atacadistas somente existissem para "guiar o café", permitindo o aproveitamento do crédito integral das aquisições, sobretudo quando ambas as empresas simuladas existiam em locais absolutamente incompatíveis com a prática da venda de café no atacado, sem funcionários, e sem qualquer outro indício de funcionamento regular e efetivo. Não se presume aqui a máfé do contribuinte, como o mesmo acusa a fiscalização, mas se prova a simulação ocorrida para, a partir dela, racionalmente se inferir a participação da Recorrente, o que caracteriza inequivocamente o seu dolo tanto em relação à falsidade das informações declaradas nas compensações, bem como para a redução do montante de tributos devidos. Não há presunção de dolo ou de máfé, mas sim comprovação. Como afirmado na decisão recorrida, os procedimentos descobertos no trabalho de fiscalização evidenciaram consciente intuito de se ter por restituído, sob a forma de ressarcimento e/ou compensação, tributo que sequer chegou a ser objeto de recolhimento ao longo das etapas anteriores da cadeia produtiva, capaz de, supostamente, dar direito à apropriação dos créditos correspondentes, impondo à autoridade fiscal a aplicação da pena pecuniária de 150% sobre os valores dos débitos indevidamente compensados. Em seguida a Recorrente alega que os débitos exigidos já haviam sido declarados em DCTF, declaração esta que dispensaria o lançamento de ofício. Além disso, entende que a declaração espontânea é suficiente para afastar a suposição de fraude. A alegação é totalmente improcedente. Em pesquisa às DCTFs do 1º e 2º semestre de 2008 (fls. 523/525), verificase que a empresa declarou débitos de PIS e Cofins apenas no mês de dezembro, período este não abrangido pelos autos de infração. As contribuições formalizadas nos autos de infração se referem a diferenças apuradas e não declaradas ou pagas, impondose a constituição de ofício dos valores calculados pela fiscalização, com o acréscimo da multa de ofício e juros de mora. Fl. 367DF CARF MF 18 Desse modo, não procedem as alegações da Recorrente relativas às multas aplicadas. 4. Da possibilidade de aproveitamento do crédito presumido para a quitação de outros tributos federais Requer a Recorrente que seja deferido o direito à utilização dos créditos presumidos para quitação de outros tributos federais, com bae no art.56A da Lei 12.350/2010. Em primeiro lugar, esclareçase que a questão foge ao escopo do presente processo, em que se analisa crédito tributário lançado de ofício, já tendo sido apreciada quando da análise das manifestações de inconformidade apresentadas nos processos de compensação. Ademais, não merece prosperar esse pleito, haja vista que se tratam nesse processo de créditos apurados em 2008, anteriormente ao regime de compensação que pretende utilizar a Recorrente. O Código Tributário, arrimado na irretroatividade das leis tributárias consagrada no art. 150, III, a da Constituição Federal, estabelece hipóteses taxativas de retroação em seu art.106: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Não se tratando, neste caso, de nenhuma das hipóteses de aplicação da lei a ato ou fato pretérito, não há que se reconhecer o direito do recorrente ao regime de compensação pretendido. 5. Da desnecessidade de novas diligências Quanto ao pedido para realização de perícia com a finalidade de acrescentar novas provas a fim de demonstrar os valores efetivamente pagos e mercadorias efetivamente recebidas deve ser indeferida de plano, dado a inutilidade de tal comprovação. As provas acostadas aos autos reputamse suficientes à convicção do julgador, logo, mais diligência aqui, se deferida, apenas procrastinaria a solução do contencioso, fato incompatível com o ideal de celeridade processual e segurança jurídica. Neste sentido, dispõe o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícia, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis, ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei nº 8.748/1993) Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 11 19 6. Pedido de Restituição de IR e CSLL Finalmente a Inconformada pede, se indeferidos os pedidos anteriores, seja determinada a restituição dos valores pagos a título de Imposto de Renda (25%) e Contribuição Social sobre o Lucro (9%). Entretanto, o pedido de reconhecimento de direito creditório (ou mesmo de compensação) devem ser formulados em procedimentos próprios, não se prestando a manifestação de inconformidade de veículo a tais pretensões. 7. Conclusão Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, mantendo a integralidade das autuações realizadas. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Declaração de Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 1. Conforme já relatado tratase de Auto de Infração que redundou a exigência de PIS e COFINS contra a Recorrente. Segundo a acusação fiscal, a Recorrente teria arquitetado um esquema fraudulento que, dentre outras medidas, teria implicado a criação de empresas para intermediar a compra de café entre seus produtores e a Recorrente. Este suposto ardil teria por escopo gerar créditos (nãocumulatividade) de PIS e COFINS para a Recorrente. 2. Não obstante, ainda segundo se constata dos autos, no presente caso, este suposto esquema fraudulento teria sido apurado apenas com a juntada de depoimentos de supostos envolvidos no esquema fraudulento (responsável pelas empresas intermediárias fls. 28/39) e que são egressos de outros processos administrativos, o que resta atestado pela inexistência de simetria entre os números de mandados de procedimentos fiscais do presente caso com aquele em que colhidos tais depoimentos. 3. Em outros termos, tais declarações colhidas unilateralmente pela Receita Federal do Brasil e em outros processos administrativos que não o aqui tratado, configuraram o elemento probatório que desqualifica o creditamento aproveitado pela Recorrente e de todas as demais “provas” aqui apuradas. É exatamente aí que se encontra a nulidade absoluta a macular o processo administrativo em epígrafe. 4. Para se chegar à sobredita conclusão, insta desde já destacar que a natureza predominantemente inquisitorial de um procedimento fiscalizatório por parte do Fisco não lhe Fl. 369DF CARF MF 20 atribui um poder, ou melhor, um deverpoder absoluto, até porque inexistem direitos absolutos (seja ele do Fisco ou do contribuinte) no ordenamento jurídico nacional1. 5. O que se quer dizer com isso é que, apesar da fiscalização ter o dever poder de ouvir depoimentos/testemunhos em sede fiscalizatória – o que não se limita pelo presente voto –, não pode fazêlo com portas cerradas, como se estivesse conduzindo um processo inquisitório de idos medievais2. Em tempo de pósmodernidade não se pode olvidar que mesmo um procedimento inquisitorial está inserido e, portanto, contextualizado, em um Estado Democrático de Direito, devendo, pois, respeitar os valores e limites próprios deste modelo de comunidade histórica, dentre os quais destacamos o devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., o contraditório e a ampla defesa. 6. Logo, não há vedação para que a fiscalização, em fase inquisitorial, colha declarações/depoimentos que venham contribuir com a apuração dos fatos em cotejo e objeto de fiscalização. O que não se admite é que tais declarações sejam colhidas sem a substancial participação do contribuinte fiscalizado ou do interessado. Assim, em situações como essa, é dever da fiscalização intimar o contribuinte para que (i) lhe seja dado ciência do dia e local em que as declarações serão colhidas, bem como para que, nesta oportunidade, (ii) lhe seja franqueada a possibilidade dele (contribuinte) também realizar questionamentos ao declarante/depoente. 7. Nem se alegue que a ulterior intimação do contribuinte para se manifestar a respeito das declarações colhidas unilateralmente pelo Fisco seria suficiente para pretensamente legitimar as garantias fundamentais aqui tratadas. Por se tratar de uma prova dinâmica, a colheita de declarações/testemunhos também pressupõe um contraditório dinamizado, ou seja, que garanta, na realização do ato (colheita dos depoimentos), a oportunidade para que a parte interessada efetivamente participe da produção da prova, ou seja, do seu processo de enunciação. Simplesmente permitir que o contribuinte se manifeste a respeito das declarações já enunciadas, ou seja, depois de já produzidas e materializadas de forma documental, é apequenar indevidamente as garantias aqui tratadas e reduzilas a uma questão de forma3. 8. Ademais, não há que se falar em incidência da súmula n. 46 deste Tribunal Administrativo4. Referido enunciado sumular é passível de convocação quando o Fisco, munido previamente de documentos formados e apresentados pelo contribuinte fiscalizado 1 Convém lembrar que mesmo o direito a vida, o mais importante bem jurídico salvaguardado pelo direito, não constitui um direito absoluto. Nesse esteio, basta a leitura do art. 5º., inciso XLVII, alínea “a” da CF, bem como algumas excludentes de ilicitude próprias do direito penal, mais precisamente a legítima defesa e o estado de necessidade, para afastar esse tipo de “fundamentalismo”. 2 A clássica obra de Beccaria, Dos delitos e das penas, já tratou disso em 1764, ano da sua publicação. 3 Acontece que o due processo of law tratase de uma garantia fundamental que vai para muito além de forma. Como já dito, é um dos pilares essenciais para a material existência de um Estado Democrático de Direito. Logo, deve ser tutelado sob uma perspectiva eminentemente substancial. Nesse sentido: O princípio do devido processo legal, contudo, não pode e não deve ser entendido como mera forma de procedimentalização do processo, isto é, da atuação do Estadojuiz em determinados modelos avalorativos, neutros, vazios de qualquer sentido ou finalidade mas, muito além disto, ele diz respeito à forma de atingimento dos fins do próprio Estado. É o que parcela da doutrina acaba por denominar “legitimação” pelo procedimento, no sentido de que é pelo processo devido (e, por isto não é qualquer processo que se faz suficiente) que o Estado Democrático de Direito terá condições de realizar amplamente suas finalidades.(...). O princípio do devido processo legal, neste contexto, é amplo o suficiente para se confundir com o próprio Estado Democrático de Direito. (BUENO, Cássio Scarpinella. Curso sistematizado de direito processual civil – volume 01. 4ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 138.) (grifos do Autor). 4 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15586.720041/201200 Acórdão n.º 3402003.299 S3C4T2 Fl. 12 21 (v.g., notas fiscais, livros e demais documentos fiscais), lavra a autuação exclusivamente com base em tais documentos. De fato, nesta hipótese não há que se falar, ao menos em tese, em ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos, já que referida documentação é de conhecimento prévio do contribuinte, já que por ele produzido. Não é esse, todavia, o caso dos autos, já que as provas aqui debatidas – e que deflagraram todo o procedimento fiscalizatório que se seguiu – são testemunhais e, portanto, produzidas no bojo do processo fiscalizatório do presente processo administrativo ou, o que é ainda mais grave, em outro processo administrativo onde a Recorrente sequer figura como parte ou interessado. 9. Não obstante, ainda em relação às limitações do caráter inquisitorial das declarações/depoimentos colhidos em sede de processo administrativo fiscal, convém destacar que tais balizas devem ser aqui prestigiadas (no âmbito tributário) com um maior rigor, na medida em que tais declarações são colhidas (processo de enunciação) pela parte diretamente interessada no seu resultado (enunciado), quer dizer, pelo Fisco. O Fisco colhe as declarações para, eventualmente, delas se aproveitar ulteriormente na lavratura de uma exigência fiscal acrescida de multa. Fundamental, portanto, que o processo de produção desta prova também seja franqueado ao contribuinte interessado, de modo a existir um contraponto minimamente válido aos interesses do Fisco enquanto parte. 10. Tal fundamentação também serve para aqueles testemunhos/depoimentos acostados nos autos na qualidade de prova emprestada. Ressaltese, desde que já, que entendemos perfeitamente válida a utilização de prova emprestada no processo administrativo fiscal, haja vista o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/1972, arts. 24 e 64 do Decreto 7.574/2011 e, ainda, o que prevê o art. 332 do Código de Processo Civil, o qual se aplica aqui subsidiariamente. 11. A validade, todavia, quanto ao uso da prova emprestada no processo administrativo não lhe afasta de certas limitações. Nesse sentido, o primeiro aspecto a se destacar é que a prova emprestada é utilizada no processo onde será aproveitada com a mesma natureza probatória que lhe fora atribuída no processo em que produzida. Assim, em se tratando de um testemunho/depoimento emprestado, referida prova, embora se materialize documentalmente, mantém a natureza de prova testemunhal, motivo pelo qual é imprescindível que se dê oportunidade para que o contribuinte interfira no seu processo de produção (enunciação) e não para que apenas fale a seu respeito após a sua juntada nos autos no qual será emprestada (enunciado)5. A única exceção admissível ocorreria na hipótese do testemunho/depoimento ter sido produzido no processo de origem com a efetiva participação do contribuinte67 contra a qual o testemunho/depoimento será direcionado no processo para o qual a prova será emprestada, sob pena de nulidade da prova emprestada, bem como de todas as provas daí derivadas (fruits of the poisonous tree)8. 5 Neste diapasão: DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de direito processual civil – volume 02. 10ª. ed. Salvador: JusPodivm. 2015, pp. 131/132. 6 Ainda que na qualidade de interessado, haja vista o teor do disposto no art. 3o., inciso II da lei n. 9.784/99. 7 Quando se fala em “efetiva participação” o que se quer dizer é que o Fisco deverá oportunizar ao contribuinte/interessado a possibilidade de interferir ativamente no processo de construção do testemunho que será colhido, o que consiste em franquear ao contribuinte a possibilidade de realizar perguntas ao depoente. 8 A teoria dos frutos da árvore envenenada já vem sendo acolhida pelo Supremo Tribunal Federal de longa data, conforme se observa do julgado cuja ementa segue abaixo transcrita: PROVA ILÍCITA: ESCUTA TELEFÔNICA MEDIANTE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL: AFIRMAÇÃO PELA MAIORIA DA EXIGÊNCIA DE LEI, ATÉ AGORA NÃO EDITADA, PARA QUE, "NAS HIPÓTESES E NA FORMA" POR ELA ESTABELECIDAS, POSSA O JUIZ, NOS TERMOS DO ART. 5., XII, DA CONSTITUIÇÃO, AUTORIZAR A INTERCEPTAÇÃO DE COMUNICAÇÃO TELEFÔNICA PARA FINS DE INVESTIGAÇÃO Fl. 371DF CARF MF 22 12. Em não se tratando da exceção alhures não haveria que se falar em permissão para o uso da prova emprestada. Neste caso, deveria a fiscalização novamente colher os depoimentos que ela (fiscalização) entendesse pertinentes à apuração dos fatos fiscalizados, oportunizando ao contribuinte a possibilidade de conteudisticamente participar da produção da enunciação da referida prova, conforme já mencionado anteriormente. 13. Dito isso e analisando o caso decidendo é possível constatar que os depoimentos/testemunhos foram fundamentais para a autuação do Recorrente e para a derivação das demais provas acostadas no presente processo administrativo. Fazendo um exercício de abstração e imaginando inexistir nos autos tais declarações, o que se encontraria aqui seriam os seguintes elementos de prova: (i) notas fiscais de saída regularmente emitidas pelas empresas intermediárias para a Recorrente; (ii) registro de entradas das referidas notas fiscais pela Recorrente; (iii) pagamento das mercadorias retratadas em tais notas fiscais, o que foi feito pela Recorrente em favor das empresas intermediárias por meio de depósito bancário; (iv) empresas intermediárias idôneas à época dos fatos aqui narrados, bem como existentes, em sua maioria, antes do benefício fiscal que teria sido gozado pelo Recorrente, o que afastaria a ilação de que tais intermediárias teriam sido criadas com o propósito exclusivo de permitir o gozo do aludido benefício; e, por fim (v) registro e utilização regular do crédito de PIS e COFINS aqui debatido. 14. Percebese, portanto, que as provas acima referidas e que, em princípio, atestavam a licitude da operação perpetrada pela Recorrente só foram retiradas deste contexto a partir dos depoimentos/testemunhos já mencionados e que, a nosso ver, encontramse calcados de notória ilegalidade. 15. Ex positis, ouso divergir do r. Relator do caso para reconhecer a nulidade das provas produzidas nos autos e, por conseguinte, dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. 16. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Conselheiro CRIMINAL; NÃO OBSTANTE, INDEFERIMENTO INICIAL DO HABEAS CORPUS PELA SOMA DOS VOTOS, NO TOTAL DE SEIS, QUE, OU RECUSARAM A TESE DA CONTAMINAÇÃO DAS PROVAS DECORRENTES DA ESCUTA TELEFÔNICA, INDEVIDAMENTE AUTORIZADA, OU ENTENDERAM SER IMPOSSÍVEL, NA VIA PROCESSUAL DO HABEAS CORPUS, VERIFICAR A EXISTÊNCIA DE PROVAS LIVRES DA CONTAMINAÇÃO E SUFICIENTES A SUSTENTAR A CONDENAÇÃO QUESTIONADA; NULIDADE DA PRIMEIRA DECISÃO, DADA A PARTICIPAÇÃO DECISIVA, NO JULGAMENTO, DE MINISTRO IMPEDIDO (MS 21.750, 24.11.93, VELLOSO); CONSEQUENTE RENOVAÇÃO DO JULGAMENTO, NO QUAL SE DEFERIU A ORDEM PELA PREVALÊNCIA DOS CINCO VOTOS VENCIDOS NO ANTERIOR, NO SENTIDO DE QUE A ILICITUDE DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA A FALTA DE LEI QUE, NOS TERMOS CONSTITUCIONAIS, VENHA A DISCIPLINÁLA E VIABILIZÁLA CONTAMINOU, NO CASO, AS DEMAIS PROVAS, TODAS ORIUNDAS, DIRETA OU INDIRETAMENTE, DAS INFORMAÇÕES OBTIDAS NA ESCUTA. (FRUITS OF THE POISONOUS TREE), NAS QUAIS SE FUNDOU A CONDENAÇÃO DO PACIENTE. (STF; HC 69912 segundo, Relator: Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, Tribunal Pleno, julgado em 16/12/1993, DJ 25031994 PP06012 EMENT VOL0173801 PP00112 RTJ VOL0015502 PP00508). Fl. 372DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.720049/2004-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas de Administração Tributária
Fato gerador: 31/10/2001
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - PROVA - Faz-se
necessário que o direito material a ser restituído seja liquido, certo e comprovado com documentação hábil. É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido.
Numero da decisão: 1802-000.431
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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I • • VI 9 MA ! EDITADO EM: Presidentez Relatora; .N.0 Oa DF C7ARF MP' F . 371 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Proce-,so n° 10235.720049/2004-14 ecurso n° 160.754 Voluntário Acórdlo n° 1802-00.431 — r Turma Especial Sessio de 06 de abril de 2010 Matéria CSLL Recorrente A R FILHO & CIA LTDA O Recorrida la Turma/DRJ/Belém/PA Assunto: Normas de Administração Tributária Fato gerador: 31/10/2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO - PROVA - Faz-se necessário que o direito material a ser restituído seja liquido, certo e comprovado com documentação hibil.É do sujeito passivo o ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram da s ao de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de • Sousa, Jose De Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista (Suplente convocado), Nelso Kichel, Edwal Casoni De Paula Fernandes Júnior e Jo-do Francisco Bianco. Ausente justificadamente o conselheiro Leonardo Lobo De Almeida. trupresso ern Ü3!U4f2Of2 per ANDREA FERNANDES CARDiA - VERSO EM BRANCO 44 ) ea FL 372 4, S1-TE02 Fl. 2 DF .CAR F NIL • •• Processo n° 10235.720049/2004-14 Acórdão n.° 1802-00.431 • Cientificada, em 28106/2007, do Acórdão acima mencionado (AR A f1.27), a empresa interpôs, em 26/07/2007, tempestivamente, o Recurso de fls.28 a 31, no qual apresenta os seguintes argumentos, em síntese: - que durante o ono calendário de 1995 o regime de tributação da recorrente era pelo lucro real mensal, totalizando o montante recolhido de R$ 164.291,86, e que no fechamento do referido ano calendario, apurou-se o imposto devido de R$ 77.694,54, ficando um crédito a compensar de R$ 36.397,12; - que, fato idêntico aconteceu no ano de 1996, quando foi pago R$ 180.110,83, e apurado na D23, o valor de R$ 64.412,06, ficando um saldo a compensar de R$ 115.698,77; - que, em 1997, de janeiro a julho foi pago R$ 144.053,53, enquanto que foi apurado como devido apenas R$ 51.037,22, ficando um saldo de R$ 93.016,31. Considerando que não houve compensação, o saldo de crédito acumulado de 1995 a 1997, totalizou R$ 295.312,20; - que, a partir de 1998, os débitos apurados foram compensados com os créditos existentes, estendendo aos anos de 1999 e 2000, conforme DCTF dos respectivos períodos; - que, em 30/10/2001, a recorrente constatou que tinha efetuado recolhimento indevido no valor de R$ 37.738,91, conforme PERDCOlVEP (fl.01), cujo valor atualizado totalizou o montante de R$ 52.792,96, deste montante parte foi utilizada para quitação da CSLL (1 0 trimestre de 2003 no valor corrigido de R$ 26.114,54, ficando ainda um crédito original remanescente de R$ 19.071,00. Este é o crédito que alega possuir e que, pretende compensar com débitos da CSLL existentes em 2001. A recorrente insurge-se contra a decisão de primeira instancia, alegando que o Razão analítico é prova da existência do crédito, e, como reforço faz juntada dos DARFs e planilha de resumo dos pagamentos para dizer que os créditos a serem compensados não são frutos de ficção, mas de apuração contábil real e legitima. Os DARFs e planilha referem-se a pagamentos efetuados por estimativa (código 2484) no período de 1995 a 1997. . Afirma que, o crédito no valor de R$ 117.476,88 corresponde ao valor do saldo total do crédito acumulado em 2001, e, que está apenas compensando o valor de R$ 17.738,91, que corresponde ao débito apurado no 3° trimestre de 2001, dai a possível divergência entre os valores, conforme alegado pelo julgador "a quo". Por fim, requer a reforma da decisão para reconhecer o direito da recorrente de restituir/compensar o valor de R$ 18.667,91, e que, seja realizada diligência para aferir a certeza e liquidez e legalidade dos registros contábeis. o relatório. 3 Impress° etn 03f04120 2 mir ANDREA FERNANDES GARCiA - VERSO EM BRANCO ster arqu DF EAR F MI; Fl. 373 • Processo n° 10235.720049/2004-14 Sl-TE02 Acórdão n.° 1802-00.431 Fl. 3 O indébito tributário poderia ser comprovado, minimamente, casbri o contribuinte tivesse juntado aos autos pelo menos as Declarações (DCTF), e a justificativa de modo a comprovar, de forma clara e evidente, que o pagamento por meio do DARF superou a divida confessada. Não o fez. A recorrente requer seja realizada diligência para aferir a certeza e liquidez e legalidade Jos registros contábeis. A admissibilidade de diligencia, depende do livre convencimento do julgador como meio de melhor apurar os fatos, na apuração da prova. Apesar de a recorrente pugnar por realização de diligência, em nada prova a sua r..cessidade haja vista serem os elementos acostados aos autos suficientes para a análise conclusiva da lide. • • Não pode o contribuinte transferir ao órgão fazenclario • o Onus para comprovar o indébito tributário, mediante diligência, porque o requerente alega que efetuou recolhimento indevido ou a maior do que o devido, sem sequer trazer aos autos os documentos necessários para que o julgador possa firmar sua convicção acerca do alegado e da necessidade da diligência. Aqui cabe muito bem a maxima "Alegar e não comprovar é mesmo que não alegar". Apesar de a Recorrente alegar o indébito tributário, não traz aos autos a prova do pagamento indevido ou a maior. Cabe ao interessado comprovar a liquidez e certeza do alegado indébito tributário para fins de restituição. A simples alegação de que possui crédito tributário não faz prova por si só do indébito tributário. É do sujeito passivo. ônus de reunir e apresentar conjunto probatório capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido: - Destarte, bá de se manter o indeferimento do direito Creditório, belt como a não homologação da compensação pleiteada. • Diante do exposto o sentido de NEGAR provimento ao recurso. 5 travesso em 03104f2012 pc ANDREA R ANDES GARUA - VERSO EM ERI;NCO
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