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Numero do processo: 10166.908043/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2005
ERRO FORMAL - PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL - PREVALÊNCIA.
Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3302-002.203
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 80 43 /2 00 9- 42 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/0 4/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Trata se de compensação de crédito decorrente de pagamento a maior de PIS e Cofins em virtude de apuração equivocada por parte da contribuinte. Ocorre que a contribuinte, constatado o erro de apuração, procedeu à retificação da DIPJ, mas não retificou as respectivas DCTF’s. O despacho decisório foi pelo indeferimento da compensação em vista do crédito ter sido considerado inexistente. Após o Despacho Decisória a contribuinte retificou as DCTF’s e recorreu do indeferimento da compensação promovida. Com detalhes segue o relato da decisão de primeira instância administrativa que reproduzo, verbis: “Tratase de Declaração de Compensação – Dcomp n° 12898.08511.141106.1.7.044101, transmitida eletronicamente em 14/11/2006, com base em suposto crédito de Pis oriundo de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico pela não homologação da compensação, fundamentando na inexistência de crédito. Cientificada desse Despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade alegando em síntese, que de janeiro de 2004 a fevereiro de 2006, foram pagos Pis e Cofins sobre toda a receita de venda de mercadorias, sem a devida exclusão da base de calculo dos produtos monofásicos. Esclarece que a atividade da empresa é bar e restaurante, com grande volume de venda de chopp, cervejas e refrigerantes, tendo sido pago Pis a maior, haja vista a não observância do tratamento tributário adequado. Informada do erro na apuração dos impostos, apresentou Declaração de Informações Econômico fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ retificadora do período, corrigindo as informações referentes ao Pis e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do Pis e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, por meio de PER/DCOMP. Inteirada do referido Despacho Decisório, procurou o plantão fiscal da Receita Federal, com todos os documentos a respeito do assunto, sendo informada da necessidade de apresentar DCTF retificadoras. Desta forma, com a apresentação das DCTF retificadoras, solicita a baixa dos débitos referentes aos Despachos Decisórios, estaremos a disposição para a apresentação de outros documentos.” Após analisar as razões da Recorrente a 4 ª Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília DRJ/BSB – proferiu o acórdão n° 0347.819, o qual restou da seguinte forma ementado, verbis: Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/0 4/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908043/200942 Acórdão n.º 3302002.203 S3C3T2 Fl. 11 3 “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2005 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAISDCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente.” Em resumo, as autoridades administrativas de primeira instância entenderam que a Recorrente apenas retificou sua DCTF, sem contudo comprovar a existência de seu direito, razão pela qual indeferiram a compensação pleiteada. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário reiterando as razões de impugnação e rogando pela aplicação do princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/0 4/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Voto CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Da análise dos autos verificase que a DIPJ e a DCTF indicam a existência de saldo credor de contribuições de Pis e Cofins. Informa a Recorrente não ter realizado, à época devida, a exclusão das respectivas bases de cálculo dos valores referentes aos produtos monofásicos. Vale notar que em momento algum do processo a autoridade fiscal questionou as informações da Recorrente. A abordagem da DRJ foi estritamente no sentido de que a simples retificação de DCTF não seria suficiente para a constituição do crédito tributário. Ou seja, não questionou o fato de a Recorrente deduzir da base de cálculo os valores referentes aos produtos monofásicos. Pois bem, muito embora tenha razão a DRJ ao afirmar que a simples retificação de DCTF e DIPJ não é suficiente para comprovar a existência do crédito tributário, fato é que se o contribuinte comprova que há um erro na DCTF e procede à retificação das informações, constitui outro valor como devido, o que não pode ser desconsiderado. Vale dizer, o processo administrativo tributário, regido pelo princípio da verdade material, não permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas, uma vez que se constate que os fatos se deram de forma distinta daquilo que foi declarado. Assim, mero erro formal do contribuinte, consubstanciando erro nas informações prestadas em declarações obrigatórias não prevalece, quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência deste Tribunal corrobora este entendimento, tendo cancelado diversos lançamentos quando comprovada a ocorrência de mero erro formal, por equivoco do contribuinte na prestação de informações em suas declarações. Destaco: “AUDITORIA DE DCTF. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. No caso de lançamento decorrente de auditoria interna de DCTF, estando demonstrado nos autos que o valor recolhido pelo sujeito passivo a título de IRPJ corresponde ao informado na DIPJ, é de se admitir como incorreto o valor divergente informado pelo contribuinte na DCTF.(...)” (CARF 1ª Seção, 2ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 140200.189) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das Fl. 62DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/0 4/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10166.908043/200942 Acórdão n.º 3302002.203 S3C3T2 Fl. 12 5 circunstâncias.(...)” (CARF 3ª Seção, 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGÊNCIA EM DUPLICIDADE. FORMALIDADE PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E DA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. CANCELAMENTO. De se cancelar a exigência fundada em erro formal cometido pelo sujeito passivo, que, embora não corrigido mediante a entrega de DCTF retificadora antes do inicio do procedimento fiscal, teve sua comprovação demonstrada nos autos de maneira a evidenciar a duplicidade de lançamento. Prestígio dos princípios da verdade material e da moralidade administrativa em detrimento de formalidade dispensável diante das circunstâncias. (...)” (CARF – 3ª Seção – 1ª Turma da 4ª Câmara, Acórdão 340100.891) “(...) IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Recurso provido.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, Acórdão 10808.689) “(...) VALOR DA TERRA NUA. DITR ERRO NO PREENCHIMENTO Constatado erro no preenchimento da DITR, a autoridade administrativa deve rever o lançamento, para adequálo aos elementos fáticos reais. Havendo erro no Valor da Terra Nua declarado e inexistindo nos autos elementos que permitam a manutenção da base de cálculo do tributo, adotase o valor fixado na IN pertinente. Embargos de declaração da Fazenda Nacional acolhidos.Recurso especial da Fazenda Nacional negado.” (CSRF, 3ª Turma, Acórdão CSRF/0304.471) As decisões acima apresentadas fundamentamse no princípio da verdade material, que impede que o formalismo se sobreponha à matéria e à verdade dos fatos. O processo administrativo fiscal tem por fim a busca da verdade material justamente por permitir, nesta instância, a análise irrestrita e profunda dos fatos, visando justamente estabelecer como se deram de modo que a tributação não ultrapasse seus limites. Em observância a tais princípios, uma vez constatado que houve erro nas informações prestadas pelo contribuinte, de se considerar a verdade dos fatos, ainda que elas sejam diversas das informações em que se baseou o Fisco na execução de seus atos – seja na lavratura de um auto de infração, ou, como no presente caso, na não homologação de uma compensação. Ressaltando, contudo, que esta decisão não significa a homologação da compensação pleiteada, uma vez que o crédito tem de ser avaliado pela autoridade administrativa competente. A questão é que não há impedimento legal para que a retificação seja realizada posteriormente, sendo permitido o procedimento adotado pela Recorrente. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/0 4/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Ante o exposto, conheço do presente para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da Recorrente, para reconhecer o direito ao procedimento de compensação, ficando ressalvado à fiscalização a apuração do crédito tributário pleiteado. É como voto, 27 de junho de 2013. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 64DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 26/0 4/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904091/2012-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 64 1 63 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904091/201228 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801002.845 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria RESTITUIÇÃO Recorrente PARATI SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 40 91 /2 01 2- 28 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904091/201228 Acórdão n.º 3801002.845 S3TE01 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904091/201228 Acórdão n.º 3801002.845 S3TE01 Fl. 66 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904091/201228 Acórdão n.º 3801002.845 S3TE01 Fl. 67 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904091/201228 Acórdão n.º 3801002.845 S3TE01 Fl. 68 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904091/201228 Acórdão n.º 3801002.845 S3TE01 Fl. 69 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.904091/201228 Acórdão n.º 3801002.845 S3TE01 Fl. 70 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 70DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10920.911417/2012-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei. (Súmula CARF nº 2). Não configurada nenhuma das exceções à regra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 14 17 /2 01 2- 13 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911417/201213 Acórdão n.º 3803005.666 S3TE03 Fl. 51 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito creditório, alegando que o indébito decorreria da falta de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Segundo o então Manifestante, tratarseia o ICMS de um ônus fiscal que não se confundiria com o faturamento, pois este decorreria de um negócio jurídico consistente na venda de mercadorias ou na prestação de serviços. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do despacho decisório e de documentos societários. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório, arguindo que, ainda que se superasse a questão de direito relativamente à inexistência de previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos fiscais que demonstrassem a quantificação do suposto crédito. Cientificado da decisão em 19 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16 de dezembro do mesmo ano e requereu o deferimento do pedido de restituição, alegando (i) ausência de previsão legal exigindo a retificação da DCTF como condição para a restituição, (ii) ofensa aos princípios da legalidade tributária, da verdade material e do formalismo moderado e (iii) inconstitucionalidade e ilegalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, conforme teor do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio de Mello no julgamento do RE 240.7852. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911417/201213 Acórdão n.º 3803005.666 S3TE03 Fl. 52 3 Requereu também o Recorrente, com base no art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, o sobrestamento do julgamento dos presentes autos até o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito do RE 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele conheço. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, registrese que não cabe na esfera administrativa a discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei, nos termos contidos no art. 26A e parágrafo único do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), com redação dada pela Lei n° 11.941/2009, bem como no art. 62 e parágrafo único do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RI/CARF. O presente caso não se subsume em nenhuma das exceções que autorizam o afastamento da aplicação de lei, tratado internacional ou decreto por parte dos julgadores administrativos, exceções essas previstas nos atos normativos identificados no parágrafo anterior. Além disso, temse que, de acordo com a Súmula CARF nº 2, “[o] CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No mérito, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, 1 ADC n° 18/DF Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911417/201213 Acórdão n.º 3803005.666 S3TE03 Fl. 53 4 inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal (grifei). Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. Para a análise da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911417/201213 Acórdão n.º 3803005.666 S3TE03 Fl. 54 5 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias ou da prestação de serviços configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo incluso na receita bruta de vendas, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Por outro lado, ainda que direito houvesse ao Recorrente de excluir da base de cálculo da contribuição o valor do ICMS, nenhum benefício obteria o ora Recorrente, pois nenhum elemento de prova hábil e idôneo foi apresentado para comprovar o direito arguido. O despacho decisório de não homologação da compensação decorreu da constatação de que todo o valor pago por meio de DARF já havia sido alocado na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte, não tendo este demonstrado e comprovado o seu direito, com base na escrituração contábilfiscal e documentos que a lastreiam, independentemente da retificação da DCTF. Destaquese que a Delegacia de Julgamento já havia alertado o contribuinte da necessidade de comprovação do direito pleiteado, não tendo ele se desincumbido de tal ônus nem mesmo na presente fase recursal, não tendo trazido aos autos qualquer elemento de prova. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, prevalece o princípio do dispositivo, em que a atividade probatória se desenvolve nos limites do pedido formulado pelo sujeito passivo. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911417/201213 Acórdão n.º 3803005.666 S3TE03 Fl. 55 6 Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova só pode ser produzida pelo próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, a ele cabe o ônus de provar a efetiva existência do indébito reclamado. A não apresentação de provas efetivas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 19722, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF). O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações presentes em seus sistemas internos, muitas delas declaradas pelo próprio sujeito passivo, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.911417/201213 Acórdão n.º 3803005.666 S3TE03 Fl. 56 7 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 09/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 27/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904635/2012-32
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/09/2004
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 35 /2 01 2- 32 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904635/201232 Acórdão n.º 3801002.411 S3TE01 Fl. 62 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904635/201232 Acórdão n.º 3801002.411 S3TE01 Fl. 63 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904635/201232 Acórdão n.º 3801002.411 S3TE01 Fl. 64 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904635/201232 Acórdão n.º 3801002.411 S3TE01 Fl. 65 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10073.900264/2008-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da negativa de homologação de compensação declarada. Ocorre homologação tácita após cinco anos sem tal comunicação.
Numero da decisão: 1103-000.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/2003-81.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da negativa de homologação de compensação declarada. Ocorre homologação tácita após cinco anos sem tal comunicação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/2003-81. Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo da negativa de homologação de compensação declarada. Ocorre homologação tácita após cinco anos sem tal comunicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/200381. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Manoel Mota Fonseca e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 02 64 /2 00 8- 21 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.900264/200821 Acórdão n.º 1103000.898 S1C1T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1228.777/2010, da 8ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 133)1. Extraise do relatório da decisão contestada: "O presente processo tem como objeto a declaração de compensação de fls 01/05, transmitida eletronicamente em 03/02/04, através da qual a interessada pretende formalizar encontro de contas que envolve os seguintes débitos e créditos: Crédito: Crédito no valor de R$ 12.743,80, parte integrante do darf no valor total de R$ 20.390,08 código 2372 (CSLL – Lucro Presumido), período de apuração correspondente ao 3º trim/2002, data de recolhimento 31/10/2002; Débito: Débito de IRPJ, Cód 2089, no valor de R$ 12.009,75, período de apuração correspondente ao 3º trim/2002, data de vencimento 31/10/2002. Conforme despacho decisório eletrônico de fls 06, do qual a interessada teve ciência em 05/05/2008 – (fls 09) a Administração Pública declarou não homologada a compensação pretendida. A fundamentação que consta do ato em referência é a de o crédito pleiteado já teria sido utilizado para extinguir débito de CSLL, cód de receita 2372, referente ao 3º trim de 2002." A contribuinte apresentou tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 12). O órgão de primeira instância julgou a contestação improcedente, por maioria, vencido o Julgador Júlio César J. Santos que votou pelo reconhecimento da homologação tácita das compensações declaradas. O acórdão restou assim resumido: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". Fl. 152DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.900264/200821 Acórdão n.º 1103000.898 S1C1T3 Fl. 4 3 Anocalendário: 2002 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Havendo sido comprovado, nos autos, que o Darf indicado como origem do crédito pleiteado já se esgotou para quitação de outros débitos, conforme instruções de preenchimento do próprio documento de arrecadação, concluise pela inexistência de crédito adicional a ser reconhecido" Cientificada do acórdão em 20/04/2010, conforme registro na página 4 da própria decisão (fls. 136), a contribuinte interpôs o recurso no dia 5 do mês seguinte (fls. 141). Alegou ocorrência de homologação tácita da compensação declarada, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996, e afirmou discordar do acórdão que "pretende, indevidamente, manter a locupletação indevida da União". É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Não há contestação de mérito. A recorrente informou que a matéria ora examinada já fora objeto do processo nº 10708.001383/200381, no qual teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996, tendo em vista a compensação declarada em 28/01/2003 e rejeitada neste processo (nº 10073. 900264/200821) em 24/04/2008, de cujo despacho tomou ciência no dia 5 do mês seguinte, mais de cinco anos após a declaração, portanto. Em resumo, alegase homologação tácita ocorrida entre a declaração de compensação tratada no processo nº 10708.001383/200381 e o despacho decisório deste processo (fls. 07). Fl. 153DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.900264/200821 Acórdão n.º 1103000.898 S1C1T3 Fl. 5 4 Consta dos autos cópia integral do citado processo (fls. 119/131), juntada a pedido da contribuinte por ocasião da manifestação de inconformidade. O exame da questão pela Turma a quo foi assim exposto no voto condutor do acórdão: "Da análise do referido processo, constatase que o mesmo tem como objeto duas declarações de compensação, apresentadas em papel em 28/01/2003 e 27/01/2003, respectivamente. Intimada e reintimada a apresentar documentos tidos como necessários a análise do pleito e não havendo a interessada atendido às referidas intimações, os autos foram arquivados, não constando registro de que tenha havido decisão do órgão competente quanto às compensações pretendidas. Em que pese o fato de não ter sido prolatada decisão administrativa para o processo 10708001383/200381, constatase que as compensações que dele são objeto foram novamente formuladas através do presente, bem como dos processos 10073.900266/200810 e 10073901467/200834, 10073900233/200870 e 10073900238/200801, havendo a própria interessada demonstrado ciência, na manifestação de inconformidade de fls 11/15, de que aquele primeiro processo fora arquivado. À vista do exposto, considerando que a interessada aquiesceu quanto ao arquivamento do PA 10708001383/200381, tanto que optou por formular as mesmas compensações por meio de outros processos, inclusive deste, passo a análise da declaração de compensação que é objeto do presente. Desde já ressalto que, conforme cópias juntadas ao presente, os documentos que integraram o PA 10708001383/200381 não trazem esclarecimentos ou provas que já não integrassem estes autos." A informação de arquivamento no caso de não atendimento à intimação não exclui a obrigatoriedade legal de expedição de comunicado da efetivação do ato de arquivamento à contribuinte. A omissão da autoridade local impediu a contribuinte de manifestar inconformidade e abrir a discussão da matéria no âmbito do Decreto 70.235/1972, como facultado pelos parágrafos 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei 9.430/1996. Com efeito, ocorreu a homologação tácita alegada no recurso, no âmbito do processo nº 10708.001383/200381. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10073.900264/200821 Acórdão n.º 1103000.898 S1C1T3 Fl. 6 5 Dessa forma, o exame da declaração de compensação objeto deste processo deve ser realizado pela unidade de origem sob o enfoque da homologação tácita ocorrida no processo nº 10708.001383/200381, proferindose novo despacho decisório no qual sejam consideradas as conseqüências correspondentes, observandose as prescrições do art. 74, §§ 7º, 9º, 10 e 11, da Lei 9.430/1996. Conclusão Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para determinar o retorno deste processo ao órgão de origem (DRF) para exame da compensação levando em consideração a ocorrência de homologação tácita das compensações declaradas no processo nº 10708.001383/200381. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 155DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901323/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal, apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento/compensação, os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. O conselheiro Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo dava o crédito também em relação ao frete. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 23 /2 01 2- 63 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Andrada Márcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas e Jaques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Juiz de Fora (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu o Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor da Cofins não cumulativa, apurado para o 2º trimestre de 2006, às fls. 02/05. A DRF em Uberaba (MG) glosou os créditos apurados e escriturados pela recorrente sob o argumento de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram calculados não geram créditos daquela contribuição, nos termos da legislação tributária vigente, conforme Despacho Decisório às fls. 14/48. Inconformada com o indeferimento do seu pedido, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, requerendo a sua reforma a fim de que fosse reconhecido o seu direito ao ressarcimento pleiteado, alegando razões, assim resumidas por aquela DRJ: O crédito da COFINS não cumulativa reconhecido através de despacho decisório da Autoridade Administrativa, relativo ao período de 01/2006 a 31/12/2008 totalizou R$2.141.712,25, portanto, tratase de matéria incontroversa. ........................ Quanto ao lançamento de ofício que apurou COFINS devida a pagar relativo ao fato gerador ocorrido em 02/2008, que resultou na exigência tributária de R$257.176,06, sendo R$116.327,15 de COFINS não cumulativa devido e R$87.245,36 de multa de ofício e R$53.603,55 de juros de mora, a impugnante concorda com a exigência tributária e já efetuou a compensação com o crédito da contribuição reconhecido pelo Delegado da Receita Federal em Uberaba – Minas Gerais (matéria incontroversa), tendo como fulcro o artigo 6º da Lei nº 8218/91 e alterações posteriores e o artigo 170 do CTN... ............................... A petição apresentada pela requerente, onde impugna o ato decisório que negou o direito ao ressarcimento de parte do pedido formulado na inicial que se constituiu no processo nº 13646.000074/200949, está em conformidade com o que dispõe o artigo 15 do Decreto nº 70.235/72, portanto, deve ser admitida como tempestiva. ...a impugnante se insurge contra o ato da autoridade administrativa que não consignou no seu despacho Decisório o crédito da COFINS não cumulativa homologado tacitamente, relativamente a este período (4º trimestre de 2004 e Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901323/201263 Acórdão n.º 3301002.300 S3C3T1 Fl. 195 3 período de janeiro a dezembro de 2005), visto que é parte integrante do objeto do pedido de que trata o processo administrativo nº 13646.000074/200949. A impugnante se insurge, também, no que tange ao direito creditório contra a Fazenda Pública Federal, relativo ao período de 01/2006 a 08/2007, que foi atingido pela decadência e a Autoridade Fiscal, através do despacho decisório, de forma extemporânea, não reconheceu o direito creditório, violando o §4º do artigo 150 e § único do artigo 149, ambos do CTN e o princípio da segurança jurídica. A impugnante se insurge, ainda, contra o despacho decisório da autoridade fiscal que não admitiu a restituição dos créditos da COFINS não cumulativa, não atingidos pela decadência, já que decisão recente do CARF reconheceu alargamento da base de cálculo da contribuição para efeitos dos créditos incidentes sobre custos, despesas e encargos na manutenção da empresa, portanto, o despacho decisório emanado pela Autoridade Fiscal, relativamente a esta matéria deve ser revisto para restabelecer tais créditos. ......................... Como a impugnante não tem como utilizar os créditos da COFINS na compensação de débitos administrados pela SRFB, a vedação ao ressarcimento em espécie dos créditos pela Autoridade Fiscal, sob o argumento de que inexiste norma procedimental regulamentadora a ser adotada para conceder o ressarcimento em espécie, além de tornar a lei inócua, a conduta omissiva da Administração – falta de emissão dos atos administrativos regulamentadores do exercício do direito da contribuinte – caracteriza enriquecimento sem causa da própria Administração EM RAZÃO DE SUA TORPEZA. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0944.718, datado de 27/06/2013, às fls. 138/153, sob as seguintes ementas: “ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. PRAZO. A legislação vigente não prevê prazo para a necessária verificação da liquidez e certeza do direito creditório postulado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. COMPETÊNCIA. Compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ apreciar a manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento de direito creditório ou a não homologação da compensação, e não apreciar originariamente pedido de ressarcimento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSAS EFETUADAS. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pela interessada. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. INCIDÊNCIA. NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 158/177), requerendo, literalmente: “I – Determinem à Autoridade administrativa competente que efetue a homologação da compensação e declare a extinção do crédito tributário na forma do artigo 156, II do CTN – Lei n 5.172/66; II – a Decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Juiz de Fora em Minas Gerais seja reformada e seja reconhecido o direito ao ressarcimento em espécie da quantia remanescente de R$ 1.884.536,19, tendo como fulcro o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005; III – Seja reconhecida a decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente, relativo à COFINS não cumulativa relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007, com fulcro o § 4º do artigo 150 e do parágrafo único do artigo 149 do CTN, em razão de inexistência de crédito tributário constituído via auto de infração, o que exclui a aplicabilidade do artigo 173, I do CTN – Lei nº 5.172/66 à matéria objeto do contraditório; IV – Reconhecida a homologação tácita do lançamento, sejam restabelecidos os valores glosados pela Fiscalização a título de COFINS não cumulativa, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 08/2007 no valor de R$ 6.006.174,08; V – Subsidiariamente, caso seja reconhecido o direito da Fazenda Pública de efetuar a revisão do lançamento relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/2007 a 08/2007, tendo como fulcro o artigo 173, I do CTN, que seja reconhecido expressamente a decadência do direito de lançar relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 2006 (janeiro a dezembro), e restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18; VI – Seja revisado o despacho decisório para incluir e/ou restabelecer o direito creditório, relativo à COFINS não cumulativa, cujos fatos geradores ocorreram no período de 01/2006 a 08/2007, tendo como fulcro o § 4º do artigo 150 e o parágrafo único do artigo 149 do CTN, face à inaplicabilidade do artigo 173, I do CTN à matéria objeto do contraditório; VII – Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições da COFINS, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901323/201263 Acórdão n.º 3301002.300 S3C3T1 Fl. 196 5 em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide. VIII – Os créditos da COFINS objeto da lide sejam ressarcidos à Autuada em espécie, conforme dispõe o artigo 16, II da Lei nº 11.116/2005, e com fulcro no princípio geral de direito que veda o enriquecimento sem causa, aplicável, indistintamente, ao direito público e ao direito privado.” Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: “1 – DOS FATOS; II – DA APLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA ECONOMIA PROCESSUAL DA CELERIDADE PROCESSUAL, DA FUNGIBILIDADE DOS RECURSOS E DA UTILIDADE (EFETIVIDADE) DO PROCEDIMENTO À LIDE (MATÉRIA DECORRENTE DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE QUE TRATA O PROCESSO DE nº 13646.000074/200949); III – DO CONTRADITÓRIO: III.1 – DA COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO DEVIDO APURADO EM AUTO DE INFRAÇÃO, COM CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA FAZENDA NACIONAL (MATÉRIA INCONTROVERSA); III.2 – DOS CRÉDITOS DE COFINS NÃO CUMULATIVA, RECONHECIDOS PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA E OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO EM ESPÉCIE; III.3 – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR; III.4 – CRÉDITOS DA COFINS NÃO CUMULATIVA OBJETO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO, NÃO ATINGIDOS PELA DECADÊNCIA”; concluindo, ao final, que tem direito ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso recurso voluntário apresentado pela recorrente, inclusive, tratando de matérias estranhas à discutida neste processo, tais como: (i) homologação de compensação e extinção do crédito tributário; (ii) decadência do direito de revisar o lançamento homologado tacitamente; (iii) reconhecimento da homologação tácita do lançamento e restabelecimento dos valores glosados para o período de 01/2006 a 08/2007, no valor de R$ 6.006.174,08; (iv) reconhecimento da decadência do direito de lançar, em relação aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a dezembro de 2006, e seja restabelecidos os créditos objeto de glosa de R$ 3.302.900,18, a questão a ser decidida neste processo é o ressarcimento do saldo credor da COFINS não cumulativa, apurado para o 2º trimestre de 2006, no valor original de R$919.912,51, ficando prejudicada a análise e julgamento de outras matérias. Conforme consta do Despacho Decisório, às fls. 14/48, e também da decisão recorrida, o indeferimento do pedido de restituição, objeto deste processo, teve como fundamento a inexistência do saldo credor reclamado, tendo em vista as glosas efetuadas pela Fiscalização sob os argumentos de que os custos dos bens e serviços sobre os quais foram apurados os créditos não estão amparados na Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Segundo aquele despacho, foram glosados créditos sobre os custos/despesas de: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão, milho, etc); 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café); 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho); 5) bens para venda adquirido com alíquota zero; 6) receita somada irregularmente aos bens (bônus recebidos na comercialização do leite dos associados); 7) bens utilizados como insumo, de fato contabilizado sob esta rubrica, mas revendidos (calcário bicálcio, fosfato e uréia); 8) bens fornecidos por pessoas físicas e jurídicas associadas (lenha de eucalipto); 9) serviços utilizados como insumos (fretes sobre aquisições de bens para revenda); 10) despesas com contraprestações de arrendamento mercantil; 11) bens do ativo imobilizado encargos de depreciação; 12) bens do ativo imobilizado depreciações com base no valor de aquisição; e, 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero. A recorrente, em seu recurso voluntário, não fundamentou sua discordância contra cada uma das glosas, se limitando a afirmações genéricas, literalmente: “Quanto à matéria não atingida pela decadência, seja restabelecido o direito creditório das contribuições do PIS/PASEP não cumulativo, visto que esta Egrégia Corte decidiu por unanimidade, com base no voto do Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior ao Julgar o Recurso Voluntário nº 369.519, pela ampliação do conceito de insumos, para efeitos de apuração da base de cálculo e do crédito do PIS/PASEP não cumulativo, adotando as regras para apuração de custos, despesas e encargos utilizados pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, para efeitos de apuração do lucro real, entendimento que restabelece, em parte, o princípio previsto na alínea ‘c’ do inciso III do artigo 146 da Constituição Federal e o princípio da reserva absoluta de lei formal previsto no artigo 150, I da CF aplicável à lide.” A Lei nº 10.833. de 29/12/2003, que instituiu o regime não cumulativo para a Cofins, assim dispõe quanto aos créditos e ressarcimento: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901323/201263 Acórdão n.º 3301002.300 S3C3T1 Fl. 197 7 [...]. § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...]; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2o Não dará direito a crédito o valor: [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...}. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...]. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...].” Já a Lei nº 10.925, de 23/07/2004, assim determina: “Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: [...]; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901323/201263 Acórdão n.º 3301002.300 S3C3T1 Fl. 198 9 III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...]. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1o O direito ao crédito presumido de que trata o caput deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 2o O montante do crédito a que se refere o caput deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das aquisições, de alíquota correspondente a 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa na hipótese de venda de produtos in natura de origem vegetal, efetuada por pessoa jurídica que exerça atividade rural e cooperativa de produção agropecuária, para pessoa jurídica tributada com base no lucro real, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 4o É vedado o aproveitamento de crédito pela pessoa jurídica que exerça atividade rural e pela cooperativa de produção agropecuária, em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...].” De acordo com o Despacho Decisório às fls. 14/48, todos os créditos da COFINS glosados pelo autuante correspondem a créditos básicos, calculados à alíquota de 7,6 % sobre os custos/despesas de bens e serviços destinados à revenda e/ ou utilizado na produção de bens. Nem o autuante nem a recorrente referiramse ao crédito presumido da agroindústria. Segundo o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, citado e transcrito anteriormente, aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 contribuição, não dão direito a créditos passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assim, passemos a análise de cada uma das rubricas cujos valores foram glosados: 1) produtos adquiridos de pessoas físicas; segundo o § 3º, incisos I e II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente dão direito a créditos os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas e os custos e despesas incorridas e pagas pessoas jurídicas, todas domiciliadas no País, desde que onerados pela contribuição; 2) produtos recebidos de associados (leite, café, caroço de algodão e milho); de acordo com art. 9º, II e III, da Lei nº 10.925, de 2004, além de grande parte ter sido adquirida/recebida de pessoas físicas, tratase de produtos comercializados com suspensão da contribuição, assim não dão direito a crédito, inclusive, os adquiridos/recebidos de pessoas jurídicas; 3) bens revendidos com suspensão da contribuição (leite, milho e café) também não geram créditos por serem comercializados com suspensão da contribuição e/ ou adquiridos de pessoas físicas, mesmo fundamento do item 2; 4) bens para revenda (leite, café, caroço de algodão e milho) também sob o mesmo fundamento dos itens 2 e 3 não geram créditos; 5) bens para venda adquiridos com alíquota zero, de acordo com § 2º, II, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, não geram créditos; 6) bônus recebidos na comercialização do leite dos associados e a estes repassados, por representarem custo do leite entregue também não geram créditos porque o leite comercializado saiu com suspensão da contribuição e/ ou foi adquirido de pessoas físicas; 7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o cálcário bicálcio e o fosfato, por terem sido adquiridos com alíquota zero, não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento; 8) lenha de eucalipto adquirida de pessoas física e jurídica; as aquisições de pessoas físicas não geram créditos, conforme já fundamentado anteriormente; já as aquisições de pessoas jurídicas geram créditos, conforme dispositivo citado no item anterior (7), desde que o insumo tenha sido utilizado na fabricação de produto destinado à venda e sujeito à contribuição, o que não ocorreu; 9) fretes sobre aquisições de bens para revenda, desonerados da contribuição; estes custos compõem o custo das mercadorias vendidas e, portanto, gerariam créditos, contudo, no presente caso, como se trata de insumos desonerados da contribuição, não geram créditos; 10) de contraprestações de arrendamento mercantil; conforme demonstrado no Despacho Decisório, na realidade, tratase de encargos de depreciações, contudo não foi provada a aquisições dos bens; a recorrente não contestou esta fundamentação; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10650.901323/201263 Acórdão n.º 3301002.300 S3C3T1 Fl. 199 11 11) encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado; segundo o Despacho Decisório, as glosas correspondem aos valores apurados sobre bens cujas aquisições não foram comprovadas (planilha às fls. 38) e a bens não utilizados na fábrica de ração (produção – planilha às fls. 39); segundo o VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, somente máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, geram créditos; 12) depreciações de bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição, tratase de depreciação acelerada, correspondente a 1/48 do valor de aquisição; contudo todas as despesas foram apropriadas sobre aquisições efetuadas até 30/04/2004; segundo o art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, somente geram créditos as aquisições efetuadas depois daquela data; 13) devoluções de vendas de bens sujeitos à alíquota zero, somente dão direito a créditos a devoluções de bens que foram tributados pela contribuição quando de suas vendas. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia, cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o valor, efetuar sua compensação e/ ou ressarcilo, nos termos da legislação tributária vigente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 29 /04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10935.904703/2012-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/03/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/03/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 47 03 /2 01 2- 63 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904703/201263 Acórdão n.º 3801002.426 S3TE01 Fl. 81 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904703/201263 Acórdão n.º 3801002.426 S3TE01 Fl. 82 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904703/201263 Acórdão n.º 3801002.426 S3TE01 Fl. 83 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904703/201263 Acórdão n.º 3801002.426 S3TE01 Fl. 84 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 90DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002791/00-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
RECURSO DE OFÍCIO - NÃO CONHECIMENTO - VALOR DE ALÇADA - PORTARIA MF Nº 3/2008.
Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixa-se de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato com efeito retroativo.
Recurso de Ofício não conhecido.
Numero da decisão: 2202-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
RAFAEL PANDOLFO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1997 RECURSO DE OFÍCIO - NÃO CONHECIMENTO - VALOR DE ALÇADA - PORTARIA MF Nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixa-se de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato com efeito retroativo. Recurso de Ofício não conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. RAFAEL PANDOLFO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez.
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AMBRIEX SA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIMENTO VALOR DE ALÇADA PORTARIA MF Nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$1.000.000,00, estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07/01/08, deixase de conhecer do recurso de ofício por se tratar de regra processual aplicável de imediato com efeito retroativo. Recurso de Ofício não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por perda de objeto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. RAFAEL PANDOLFO Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 27 91 /0 0- 41 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Rafael Pandolfo, Márcio de Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Junior e Antonio Lopo Martinez. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.002791/0041 Acórdão n.º 2202002.528 S2C2T2 Fl. 180 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização A recorrente foi intimada de termo de início de fiscalização, em 20/03/00, requisitandoa a apresentar: a) livro diário; b) livro ou fichas do razão; c) livro de apuração do lucro real; d) livro de registro de entrada, saída e apuração de ICMS e IPI; e) livro de inventário; f) demonstrativo das bases de cálculo do PIS e COFINS juntamente com as respectivas DCTF’S e DARF’S correspondentes e referentes aos cinco últimos anos; g) demonstrativo da composição do passivo circulante consoante planilha entregue ao contribuinte (fls.0405). Em 28/06/00, a Fiscalização lavrou termo de intimação fiscal informando que em exame fiscal realizado junto ao contribuinte constataramse movimentações financeiras nas seguintes contas: 2.1.1.80.001 0101 – Credores Diversos – Matriz RJ e 2.1.1.80.001 Credores Diversos Filial SP. Tendo em vista que tais movimentações financeiras poderiam ser consideradas ingressos de recursos de origem não comprovada ou saída de recursos para pagamentos a beneficiários não identificados, o contribuinte foi intimado a apresentar por escrito, e comprovar por meio de documentações hábeis e idôneas a origem do numerário e beneficiário do seu destino para todos os lançamentos contábeis efetuados nas respectivas contas e suas contra partidas, consoante anexos juntados ao termo de intimação (fl.06). Dando continuidade ao procedimento fiscal desenvolvido junto ao contribuinte, a autoridade fazendária, em 28/06/00, lavrou termo de verificação fiscal aludindo que verificou que a empresa mantinha em sua escrituração contábil, de forma individualizada, contas a receber de seus clientes, tais como: 1.1.2.01.004 – Clínica Medtower Ltda, 1.1.2.01.025 – Bio Clínica Lavoisier Anal Clin e 1.1.2.01.032 – CNPq, dente outras, todavia observou que o contribuinte mantém escrituradas as seguintes contas: 2.1.1.80.001– 0101 – Credores Diversos Matriz RJ e 2.1.1.80.010201 – Credores Diversos Filial SP, e que essas duas contas apresentaram movimentações financeiras ao longo do período examinado constatouse que a maioria de seus lançamentos a débito ou a crédito não indica vinculação com suas contas de clientes. Ademais, alega que notou que, em geral, os históricos utilizados nos lançamentos efetuados eram: Baixo Faturamento Futuro, Faturamento Entrega Futura, Reembolso Adiantamento Faturamento Futuro, o que, em princípio deveria estar vinculado a recebimentos antecipados e baixas de quitação de suas faturas junto a seus clientes, contudo, o que se percebeu foi que as contra partidas utilizadas, via de regra, foram lançadas em disponibilidades, isto é, contas Caixa e Bancos, o que poderia vir a caracterizar movimentações de ingressos de recursos sem origem comprovada e pagamentos a beneficiários não identificados. Para que o contribuinte pudesse esclarecer a situação detectada, foi lavrado termo de intimação fiscal (fl.07). Tendo em vista que o contribuinte não apresentou a documentação solicitada, o mesmo foi reintimado, em 04/07/00, a apresentar aos documentos requeridos, sob pena de os montantes apurados serem considerados como infrações fiscais (fl.11) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em face de ausência de manifestação por parte do contribuinte, a autoridade administrativa encerrou o procedimento de fiscalização. 2 Notificação do Lançamento Em 24/10/00, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.51 60), embasado no fato de a sociedade manter em sua escrituração contábil as contas “Credores Diversos Matriz RJ” e “Credores Diversos Filial SP”, e de que, ao longo do período examinado, a referida conta suportou lançamentos a título de Débitos tendo como contrapartidas a título de Créditos diversas contas Bancárias e conta Caixas, contudo os lançamentos geraram pagamento a beneficiários sem que houvesse comprovação das efetivas entregas. Aos valores tributáveis foi aplicada alíquota de 35%. O total do crédito tributário constituído foi de R$1.354.129,15, incluídos IRRF, multa de ofício de 75% e juros moratórios calculados até 29/09/00. O contribuinte tomou ciência da notificação em 24/10/00 3 Impugnação Indignado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação (fls.6872) tempestiva, em 22/11/00, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a nulidade do auto de infração, uma vez que o agente fazendário deixou de observar o disposto no art. 844 do Decreto nº 3.000/99; b) é representante da empresa Prolab Sales, Inc, 11601 Wilshire Blvd # 500 Los Angeles, CA, EUA, e importa materiais diversos para uso hospitalar, e encarregase de repassar referidos materiais aos clientes da representada no Brasil. Em uma segunda etapa fica, por conta e ordem da representada, obrigada a receber os direitos creditórios da empresa no exterior, para assim remetêlos posteriormente; c) muitos dos recursos recebidos, por conta e ordem da empresa representada, não foram repassados, ficando devedora do repasse de recebimentos ocorridos; d) a pedido da representada foram efetuados diversos pagamento à empresa Sistema – Comercial de Filmes Ltda., por sua conta e ordem, em razão de serviços prestados por essa empresa à Prolab Sales, de modo que a outra parte dos valores debitados nas contas “Credores Diversos” referemse a numerários entregues à empresa Sistema – Comercial de Filmes Ltda, o que pode ser comprovado através de recibos de pagamento e de contratos. Anexo à impugnação, o recorrente apresentou: a) cópia autenticada de ata e da consolidação de estatuto da empresa Ambriex S.A publicado em Diário Oficial (fls.7475); b) documento de representação comercial entre Imp. Ind. E Com. Ambriex S/A e Prolab Sales, Inc. (fls.7982); Fl. 182DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.002791/0041 Acórdão n.º 2202002.528 S2C2T2 Fl. 181 5 c) cópia do contrato de cambio de remessa de valores para Prolab Sales, Inc. (fls.8486); d) recibos de pagamento efetuados à empresa Sistema – Comercial de Filmes Ltda. em 1997 (fls.88115); e) cópia de contrato de representação comercial (fls.117118); 4 Termo de revelia Embora o recorrente tenha apresentado impugnação, foi declarada equivocadamente, em 01/12/00, sua revelia ao final do transcurso do prazo para pagamento ou impugnação do lançamento. (fl.64). Tal termo foi posteriormente cancelado. 5 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado parcialmente procedente pela 6ª Turma da DRJ/RJ por unanimidade (fls.120125), para retificar a exigência de IRRF para R$ 24.010,34, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Os fundamentos foram os seguintes: a) o contribuinte se equivoca quanto à aplicação do art. 844 do RIR/99, pois não atentou para a ressalva do art. 926. Ao verificar infração às disposições legais, a autoridade fiscal tem autonomia para lavrar o auto de infração, independentemente de qualquer solicitação ao contribuinte, que dispõe da fase impugnatória para fazer sua defesa e expor suas razões; b) comparando os valores relacionados pelo contribuinte no Anexo I. de fl. 14, com os comprovantes juntados às fls. 84 e 88/115, verificase que a maioria encontrase justificada pelo documentos. Entretanto, aqueles que não foram comprovados permanecem na exigência; c) os seguintes valores da Matriz Rio de Janeiro restaram comprovados: R$22.818,09 (06/01/97), R$7.264,97 (22/01/97), R$5.610,00 (04/02/97), R$12.600,00 (24/03/97), R$29.000,00 (23/04/9), R$12.179,20 (13/06/97), R$50.000,00 (04/07/97), R$56.440,00 e R$43.560,00 e R$150.000,00 (08/08/97), R$12.511,00 (15/08/97), R$16.000,00 (05/09/97), R$12.000,00 e R$15.590,00 (18/09/97), R$16.434,00 (09/10/97), R$9.552,00 (30/10/97), R$6.200,00 (11/12/97) e R$21.345,00 (16/12/97); d) os seguintes valores da Filial São Paulo restaram comprovados: R$11.540,86 e R$8.000,00 e R$12.000,00 e R$10.000,00 (31/01/97), R$6.200,00 e R$20.670,00 (10/01/97), R$13.544,86 e R$12.383,80 (31/03/97), R$247.517,89 (17/04/97) e R$24.500,00 (28/05/97); e) os valores a seguir não restaram comprovados: R$16.288,81 – total da Matriz Rio de Janeiro e R$7.721,53 – total da Filial São Paulo. f) o crédito tributário exonerado, de R$909.758,15, ultrapassa o limite da alçada prevista pelo art. 34 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O contribuinte tomou ciência da decisão em 20/01/04. Por ter significado redução de tributo superior ao definido na Portaria MF nº 375, de 07/12/01, a 6ª Turma da DRJ/RJ determinou a interposição de Recurso de Ofício, e enviou os autos ao CARF para reanálise. 5 Manifestação do contribuinte Em 24/07/12 o contribuinte apresentou petição (fls.166168 do eprocesso) mencionando que: a) o valor de exoneração do crédito tributário a ensejar a interposição de Recurso de Oficio foi reajustado pela Portaria nº 3/2008; b) embora a Portaria tenha entrado em vigor após a propositura do Recurso de Ofício, o CARF tem entendido que, por se tratar de norma processual, seus efeitos possuem aplicabilidade imediata também sobre os recursos em andamento; c) no caso, o valor exonerado do crédito tributário foi de R$909.758,15, ou seja, valor inferior àquele previsto na Portaria nº 3/2008 e, por conseguinte, insuficiente para a manutenção do Recurso de Ofício, razão pela qual é forçoso que ele não seja conhecido. 6 Resolução CARF A 2ª Turma Especial, 1ª Seção de Julgamento do CARF, em 03/07/12, resolveu por unanimidade de votos declinar competência para a 2ª Seção de Julgamento, em razão da matéria, conforme Resolução nº 180200.082 (fls.169171 do eprocesso). É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.002791/0041 Acórdão n.º 2202002.528 S2C2T2 Fl. 182 7 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O presidente da 6ª Turma da DRJ/RJ interpôs Recurso de Ofício com base no art. 34 do Decreto nº 70.235/72, e no limite de alçada fixado no art. 2º da Portaria MF nº 375, de 07/12/01, vigente à época. In verbis Decreto nº 70.235/72 Art. 2º A autoridade administrativa de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I – exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. Portaria MF nº 375/01 Art. 2º O Presidente da turma de julgamento das DRJ deve recorrer de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento do tributo e encargos de multa de valor total (lançamento parcial e decorrentes) superior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). No caso, o contribuinte foi exonerado da quantia de R$909.758,12. Tal valor, como se percebe, ultrapassava o limite da alçada previsto na Portaria vigente à época e ensejava a oposição de Recurso de Ofício. Contudo, com a edição da Portaria MF nº 03, de 03/01/08, o limite de alçada para que a autoridade administrativa a quo recorra de ofício da decisão foi alterado, passando de R$500.000,00 para R$1.000.000,00. Além da alteração do limite, houve a revogação expressa da Portaria MF nº 375, de 07/12/01, conforme texto da nova Portaria: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso II, do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e tendo em vista o disposto no inciso I do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e no § 3º do art. 366 do Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, com redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 6.224, de 4 de outubro de 2007, resolve: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Ainda que a referida Portaria tenha entrado em vigor após a interposição do Recurso de Ofício, entendo que esta é norma processual que define o novo limite de alçada, e, portanto, tem aplicação imediata aos casos ainda pendentes de julgamento na data de sua vigência, como o presente. Ademais, a fixação de novo valor de alçada para a interposição de recurso de ofício por parte do Ministro da Fazenda pode ser entendida como uma renúncia a todos os recursos relativos a exonerações inferiores ao limite estabelecido, de modo que os recursos já interpostos são atingidos por essa desistência. Desta forma, os recursos de ofício pendentes de julgamento, mesmo que opostos na vigência da Portaria MF nº 375, de 07/12/01, devem ser conhecidos apenas se o valor exonerado estiver em consonância com a Portaria MF nº 03, de 03/01/08 por se tratar de norma processual que revogou expressamente a outra Portaria. A jurisprudência deste Conselho tem entendimento de que a alteração do valor de alçada, ainda que por ato superveniente à interposição do Recurso de Ofício, implica em seu não conhecimento em decorrência da retroatividade da norma processual: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ Exercício: 1994 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO – ABAIXO DO LIMETE DE ALÇADA – RETROATIVIDADE DE REGRA PROCESSUAL – PORTARIA MF nº 3/2008. Verificando que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela regra administrativa constante da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07.01.2008, deixase de conhecer o recurso de ofício, por se tratar de regra processual aplicável de imediato com efeito retroativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE – INAPLICABILIDADE. Súmula nº 11 desse Primeiro Conselho de Contribuintes: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” SUPRIMENTO DE CAIXA E SALDO CREDOR DE CAIXA – FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM E EFETIVIDADE DA ENTREGA – Uma vez inexistentes elementos contraditórios das presunções legais de omissão de receitas, posto que não contestados, mediante documentação hábil e idônea, a origem, entrega e utilização de valores em caixa, não há como afastar a Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15374.002791/0041 Acórdão n.º 2202002.528 S2C2T2 Fl. 183 9 presunção relativa imputada ao sujeito passivo. Recurso de Ofício Não conhecido. Recurso Voluntário Negado. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária. Ac. 10809.766. Rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno Julg. 13/11/08). Observo que o montante exonerado nos presentes autos, conforme consta da própria decisão recorrida (fl.125), resulta em R$909.758,12, estando dentro do limite de alçada e desautorizando o recurso de ofício que, consequentemente, não deve ser conhecido por este Colegiado. Neste sentido é o entendimento deste Conselho: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES. PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/05/1991 A 31/07/1991, 01/09/1991 A 31/03/1992. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. DEVE SER IMEDIATAMENTE APLICADO O NOVO LIMITE DE ALÇADA. DEVE SER IMEDIATAMENTE APLICADO O NOVO LIMITE DE ALÇADA PARA IMPEDIR A APRECIAÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO INTERPOSTO QUANDO VIGENTE LIMITE ANTERIOR. COM A PUBLICAÇÃO DA PORTARIA MF Nº3, DE 3 DE JANEIRO DE 2008, O LIMITE DE ALÇADA PARA QUE O PRESIDENTE DA TURMA DA DRJ RECORRA DE OFÍCIO DA DECISÃO TOMADA, PASSOU DE R$500.000,00 PARA R$1,000.000,00 O QUE IMPEDE O CONHECIMENTO DE RECURSO DE OFÍCIO NO QUAL A DESONERAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO TENHA SIDO INFERIOR A ESTE NOVO VALOR. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS PRESENTES AUTOS. ACORDAM OS MEMBROS DO COLEGIADO, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, NOS TERMOS DO RELATÓRIO E VOTO QUE INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (CARF, 3ª Seção de Julgamento. 2ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 320100.475. Rel. Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Julg. 25/05/10). Diante disto, voto por NÃO CONHECER o Recurso de Ofício pela perda do objeto, uma vez que o valor exonerado pela decisão de primeira instância é inferior ao valor de alçada atualmente vigente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/01/2014 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10735.003175/00-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência.Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que foi substituída pelo Conselheiro André Almeida Blanco. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita OAB/SP 119076.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo Viviane Vidal Wagner, André Almeida Blanco, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto,Orlando José Gonçalves Bueno.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência.Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta, que foi substituída pelo Conselheiro André Almeida Blanco. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Selmo Augusto Campos Mesquita – OAB/SP 119076. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo Viviane Vidal Wagner, André Almeida Blanco, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto,Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase de recurso voluntário da contra a determinação de suspensão da imunidade no ano calendário de 1996. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .0 03 17 5/ 00 -1 1 Fl. 2563DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 28 2 Por bem descrever os fatos, adotase parte do relatório da decisão recorrida nos seguintes termos: A Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu (RJ) abriu fiscalização contra a interessada, fls. 467/468, em 14/04/2000, a fim de verificar o cumprimento das condições legais para fruição de isenção de imposto de renda, conforme pleiteado em sua Declaração de Isenção de Pessoa Jurídica – Exercício de 1997 (fls. 03/04). A notificação Fiscal se deu em 27/11/2000, após longa investigação por parte do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu (RJ), pelas razões que poderiam ensejar a suspensão da referida isenção, consoante estabelecido pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo como enquadramento legal o art. 32, §1º. A interessada esta registrada como sociedade civil, sem fins lucrativos, beneficente, filantrópica e de assistência social e de saúde, conforme o Estatuto Social, fls. 05. No entanto, a entidade não pleiteou, na declaração apresentada ao Fisco, a imunidade assegurada à sua natureza, qual seja, instituições de assistência social sem fins lucrativos, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal, mas sim, a isenção de que trata o art. 30 da Lei nº 4.506, de 20 de novembro de 1964, conferida às sociedades de caráter beneficente, filantrópico etc. Diante da opção manifestada pela Interessada, a ação fiscal passou a verificar o cumprimento das condições para gozo da isenção, previstas no supracitado art. 30, quais sejam: I – não remunerar a entidade seus dirigentes, nem distribuir lucros a qualquer titulo; II – aplicar a entidade seus recursos, integralmente, na manutenção e desenvolvimento dos objetivos sociais; III – manter a entidade escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades que assegurem a respectiva exatidão; e IV – prestar a entidade às repartições lançadoras do imposto as informações determinadas em lei e recolher os tributos retidos sobre os rendimentos pagos ou creditados. Entretanto, de uma forma ou de outra, considerando a entidade como isenta, ou como imune, o fato é que as infrações que motivaram a suspensão da isenção também motivaram a suspensão da imunidade, exceção feita apenas ao quesito da remuneração dos dirigentes. Em relação dos fatos determinantes da suspensão da isenção, senão vejamos: Confrontados os dados da RAIS – Relação Anual de Informações Sociais (fls. 27/46) com a relação dos membros que compunham a diretoria da Interessada (doc. Fls. 23/24), constatase que vários dirigentes receberam salários no ano de 1996, sendo estas as remunerações diretas (item B. I.1): Com base, ainda, nas informações prestadas pela própria Interessada (doc. Fls. 44), notase que vários dirigentes foram beneficiados com planos de assistência médica no ano de 1996, sendo estas, remunerações indiretas (item B.I.2): Fl. 2564DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 29 3 Houve aplicação de recursos fora da manutenção ou do desenvolvimento dos objetivos sociais (at. 159, inciso II, do RIR/1994; art. 30, inciso II, da Lei nº 4.506/1964) (item B.II) Ocorrendo redução indevida de “superávit” em decorrência de pagamentos efetuados sem documentação (despesas não comprovadas) ou por mera liberalidade (despesas desnecessárias), vez que, conforme apurado na ação fiscal, a Interessada efetuou diversos gastos sem comprovação, além disso, incorreu em despesas desnecessárias à sua atividade – foram consideradas necessárias apenas as despesas relacionadas com operações exigidas pela atividade social, observados os requisitos de usualidade e normalidade previstos no art. 47 da Lei nº 4.506/1964 (item B.II.1): B.II. 1.1) DESPESAS NÃO COMPROVADAS LOTE 2003, 09/01/1996 CONTA 372130200.00000000.29101 VALOR: R$ 34.048,31 Apesar de regularmente intimada (fls. 45/46 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 10028, 31/12/1996 CONTA 372190100.00000000.29101 VALOR: R$ 3.425,00 Apesar de regularmente intimada (fls. 45/46 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 11310, 31/12/1996 CONTA 365210000.00000000.11000 VALOR: RS 607.732,66 Apesar de regularmente intimada (fls. 49/50 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 11164, 31/07/1996 CONTA 365210000.00000000.11000 VALOR: R$ 283.736,00 Apesar de regularmente intimada (fls. 49/50 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 14513, 05/03/1996 CONTA 372110200.00000000.15201 VALOR: R$ 68.000,00 Apesar de regularmente intimada (fls. 53/54 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 145675, 14/10/1996 CONTA 372110200.00000000.15201 VALOR: R$ 50.000,00 Apesar de regularmente intimada (fls. 53/54 e 59), a Fl. 2565DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 30 4 Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 51013, 30/12/1996 CONTA 373380000.00000000.29101 VALOR: RS 37.949,98 Apesar de regularmente intimada (fls. 55/56 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 10015, 12/12/1996 CONTA 378110000.00000000.15201 VALOR: R$ 179.539,86 Apesar de regularmente intimada (fls. 55/56 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 10584, 30/12/1996 CONTA 378110000.00000000.29513 VALOR: R$ 18.779,00 Apesar de regularmente intimada (As. 55/56 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 11346, 31/12/1996 CONTA 382210000.00000000.11000 VALOR: R$ 228.052,02 Apesar de regularmente intimada (ffs. 55/56 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. LOTE 11346, 31/12/1996CONTA 382210000.00000000.11000VALOR: R$ 299.648,60 Apesar de regularmente intimada (fls. 55/56 e 59), a Interessada não comprovou com documentos hábeis e idôneos a despesa em questão. B.II .1.2) DESPESAS DESNECESSÁRIAS LOTE 14567, 18/01/1996 CONTA 372130100.00000000.11000 VALOR: R$ 8.913,33 Intimada a comprovar a referida despesa (fls. 45/46), a Interessada apresentou cópia de um recibo passado pelo Sr. Osmar R. Poncioni (doe. fl. 63), em favor do Hospital São Lucas S.A. Tal despesa, por haver sido realizada em benefício de outra entidade, não foi considerada necessária à manutenção dos objetivos da Interessada. LOTE 29415, 23/12/1996 CONTA 373190000.00000000.29645 VALOR: R$10,368,31 Intimada a comprovar a referida despesa (fls. 55/56), a Interessada apresentou cópia de nota fiscal de serviço, emitida pela empresa Elétrica e Hidráulica Caxambu Ltda ME em favor de Golden Cross Seguradora S.A. (doe. fl. 66). Tal despesa, por haver sido realizada em beneficio de outra entidade, não foi considerada necessária à manutenção dos objetivos da Interessada. CONTA 3.7.4.1.2.00.00 VALOR: R$ 15.798,68 Tratase de despesas com aquisição de brindes, conforme consta do balancete de verificação do mês de dezembro de 1996 (fls. 67). Por serem consideradas indedutíveis na apuração do lucro real, conforme dispõe o art. 13, inciso Vil, da Lei nº 9.249/1995, tais Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 31 5 despesas não foram consideradas necessárias à manutenção dos objetivos da Interessada. A aplicação de recursos em empréstimos (item B.II.2), através da análise nas operações de mútuo praticadas ao longo do ano de 1996, verificase que a interessada aplicou parte considerável de seus recursos na concessão destes empréstimos a empresas e entidades ligadas. (anexo I, fls. 001/143). Tais operações não estão previstas nos estatutos da entidade, que admitem apenas que empréstimos sejam contraídos, nunca concedidos (Estatuto Social, art. 4º, fls. 09). Observase que a interessada não cobrava juros nos empréstimos concedidos a entidades ligadas, exigindo somente atualização monetária. No caso específico do IGASE – Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (anexo I, fls. 126/142), verificase, ainda, a existência de um instrumento de remissão de dívida no valor de R$ 8.445.000,00 (anexo I, fls. 143). Contudo, quando tomava empréstimos junto a instituições financeiras, a Interessada pagava juros de mercado, conforme provam os contratos celebrados com diversos bancos, conforme anexo I e II. A aplicação de recursos fora dos objetivos institucionais está mais claramente evidenciada nas duas planilhas que seguem: A primeira, (fls. 70) demonstra que os empréstimos concedidos excederam os empréstimos contraídos em quase todos os meses de 1996: A segunda planilha (fls. 71) revela que as despesas financeiras suportadas em razão dos empréstimos contraídos excederam, em todos os meses, as receitas financeiras advindas dos empréstimos concedidos, o que já era de se esperar, tendo em vista que a Interessada emprestava sem cobrar juros; Aplicações de recursos em doações (item B.II.3) foram efetuadas pela Interessada diversas vezes, sob forma de bolsas de estudo, reembolsos de despesas com tratamentos médicos, aluguéis etc., em desacordo com suas finalidades institucionais, conforme relação de fls. 72/75: Beneficiário Maria da Conceição G. Oliveira Felipe de Azevedo Branco Pádua Natureza da Doação Marcelo de Azevedo Branco Pádua Bolsa 75% Col. Sto. Inácio Bolsa Poliane Cristina Leal 75% Col. Sto. Inácio Bolsa 50% Viviane Leal Curso Morais e Silva Bolsa 80% Marcos Beltrão Azevedo Fac. Luiza Marilac Bolsa 60% Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 32 6 Adriana Fernandes de Amorim Campelo Univ. Gama Filho Bolsa 100% Josefa R. Pinheiro Ribeiro ACEL Bolsa 100% Fac. Luiza Luis Felipe Calasans de Moraes Marilac Bolsa 75% Creche Flávia Reis Gressler Acalanto Bolsa 50% Inst. Adv. Luciana Reis Gressler S. Paulo Bolsa 50% Inst. Adv. S Angelina Rogério de Medeiros Paulo Bolsa 50% Univ. Gama Centro de Pesq. e Assist. em Reprod. Humana Filho Despesas de manutenção Maria Helena da Silva 80% do aluguel 80% do aluguel Kátia Lúcia de Carvalho e condomínio Despesas Medicai S.A. Medicina Ind. e Comércio administrativas Construção e Maria Rosa Romualdo reforma Posto médico trailler Odonto Barão da Taquara Ltda. Prótese cirúrgica O estatuto Social da Interessada, no seu art. 3º, item “a”, define como objetivo da instituição: “Proporcionais assistência filantrópica médicohospitalar, social e educacional aos menos favorecidos e desamparados em todo país, de maneira indiscriminada e gratuita” (fls. 03). Portanto, segundo se extrai do referido estatuto, a Interessada deverias atender de forma indiscriminada e gratuita aos carentes de recursos. Sendo este o pressuposto para reconhecimento da imunidade tributária, conforme o entendimento da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, manifestado no Parecer CST nº 301/1988: “Não se caracteriza como entidade imune, na forma do preceito constitucional, a pessoa jurídica cujo objetivo não seja representado pelo fim público, isto é, o atendimento indiscriminado e gratuito aos carentes de recursos (...)” No caso da bolsa de estudo, a condição para o gozo da isenção teria sido desrespeitada na medida em que a Interessada deixou de comprovar que os beneficiários eram pessoas carentes e necessitadas. Ademais, não esclareceu os critérios utilizados na escolha dos bolsistas, das instituições de ensino e dos percentuais concedidos. A título de exemplo, observase o caso das bolsas de estudo de 75% concedidas a dois beneficiários que estudam em uma instituição de ensino (Colégio Santo Inácio) cujo acesso só seria possível a um aluno carente se a bolsa fosse integral, sendo assim, os alunos não se enquadram na condição de “menos favorecidos”. É bem verdade que as empresas sujeitas à tributação pelo lucro real podiam, no ano de 1996, conceder bolsas de estudos, deduzindoas como despesa operacional. Porém, para tanto, deveriam realizar concurso público, de livre inscrição, com condições previamente divulgadas e com julgamento organizado de modo a garantir Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 33 7 decisão objetiva e imparcial (art. 304, § 2º, alínea “b”, do RIR/1994). Todavia, no presente caso, a Interessada não teria sequer colocado à disposição do Fisco as solicitações de concessão das bolsas. Em referencia às demais doações, realizadas sob a forma de reembolsos de despesas com tratamentos médicos, reformas e aluguéis, ou com despesas de manutenção de outras entidades, faltou a comprovação de que os beneficiários fossem carentes e necessitados, no caso de pessoa física, ou de que os beneficiários fossem empregar os recursos em favor dos carentes e necessitados, no caso de pessoa jurídica. Diante o exposto, as doações acima relacionadas foram consideradas aplicações de recursos fora dos objetivos institucionais, não tendo sido admitidas como ato de filantropia ou de assistência social. Das alegações da entidade Cientificada da situação, a Interessada apresentou em 22/12/2000, com amparo no art. 32, §2º, da Lei nº 9.430/1996, as alegações de fls. 104/118, acompanhadas dos documentos de fls. 119/347, rebatendo cada um dos itens apontados pela fiscalização: Referente ao objeto da suspensão, a AIS – Associação para Investimento Social é uma entidade assistencial sem fins lucrativos. Por enquadrarse no art. 150, inciso IV, alínea “c” da CF de 88 e por atender também as condições previstas no art. 9, § 1º, e no art. 14 do Código Tributário Nacional, tem direito à imunidade tributária. Assim, o fato de ter assinalado, equivocadamente, a condição de isenta, não modifica a sua natureza de entidade imune, até porque sempre invocou a condição de imunidade nos processos que tramitaram anteriormente na Receita Federal. A respeito da relação dos fatos determinantes da suspensão da isenção, pagamento de remunerações a dirigentes, remunerações diretas, argumenta que a vedação a esta prática não foi elencada nos arts. 9 e 14 do CTN, como restrição para gozo da imunidade. O que o dispositivo proíbe é a distribuição de lucro. Segundo o entendimento consagrado pelos tribunais, não se pode vedar às entidades imunes e isentas que remunerem o trabalho de seus dirigentes, sobretudo quando tal remuneração não exceda os valores de mercado. Do contrário, estarseia obrigando a entidade a valerse de trabalho exclusivamente voluntário, condenandoa praticamente à extinção. Ainda que se admitisse a vedação de remuneração de dirigentes, ainda assim não seria esse o caso em questão, vez que os beneficiários apontados pela Fiscalização não são dirigentes, mas sim empregados da entidade, conforme comprovam os contratos de trabalho devidamente registrados. No ano de 1996, os únicos diretores estatutários da entidade, de acordo com a definição contida no Parecer Normativo CST nº 109, de 03/10/1975 e na Instrução Normativa SRF nº 02, de 12/09/1969, eram o Sr. Paulo César Carvalho da Silva Afonso, o Sr. Fernando Rodrigues dos Santos e o Sr. Olivio Vieira Filho (conforme ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 12/04/1994, fls. 123/124) Em referência as remunerações indiretas, a interessada aduz que a extensão de planos de assistência médica aos funcionários não pode ser considerada como “remuneração indireta”, haja vista que a concessão de tais benefícios integra o próprio Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 34 8 objeto social da entidade. E novamente, ainda que se trate de remuneração indireta, seria esta de empregados e não de dirigentes. A respeito da aplicação de recursos fora da manutenção ou do desenvolvimento dos objetivos sociais e da redução de “superávit” em decorrência de pagamentos efetuados sem documentação (despesas não comprovadas) ou por mera liberalidade (despesas não necessárias), a Interessada rebateu item por item: Despesas não comprovadas (B.II.1.1) 1) Lote 20003, de 09/01/1996 Conta 372130200.00000000.29101 Valor: R$ 34.048,31 A despesa em questão referese a serviços de digitação prestados por Spool Informática Ltda (does. fls. 126/135). 2) Lote 10028, de 31/12/1996 Conta 372190100.00000000.29101 Valor: R$ 3.425,00 A despesa em questão referese a serviços de consultoria em informática, comprovados por Hecibo de Pagamento a Autônomo RPA (doe. fls. 137). 3) Lote 11310, de 31/12/1996 Conta 365210000.00000000.11000 Valor: R$ 607.732,66 A acusação, neste item, é formalmente Invalida. Segundo se depreende do Termo de Intimação n° 10/96 (cópia fls. 140/141), da resposta fornecida pela entidade (fls. 142/143) e do Termo deReinfimação n° 01/96 (cópia fls. 144), o valor apontado pela Fiscalização já teria sido comprovado. Os Itens apontados na Intimação como não atendidos dizem respeito a duas outras despesas: a primeira, no valor deR$ 1.576.182,69, referese a juros de empréstimos (does. fls. 146/158); a segunda, no valor de RS 283.736,00, será objeto do item B.H 1.1.4, explicado a seguir. 4) Lote 11164, de 31/07/1996 Conta 365210000.00000000.11000 Valor: R$ 283.736,00 A despesa em questão diz respeito a juros de empréstimos contraídos junto ao Banco Bradesco (does. fls. 160/166). 5) Lote 14513, de 05/03/1996 Conta 372110200.00000000.15201 Valor:R$68.000,00 A acusação, também aqui, é formalmente inválida. Segundo se depreende do Termo de Intimação n° 11/96 (cópia fls. 168/169), da resposta fornecida pela entidade (fls. 170/171) e do Termo de Reintimação n° 01/96 (cópia fls. 172), o valor apontado pela Fiscalização já teria sido comprovado. 6) Lote 145675, de 14/10/1996 Conta 372110200.00000000.15201 Valor:R$ 50.000,00 A despesa em questão diz respeito a serviços profissionais de advocacia, devidamente comprovados por contrato, documento desolicitação de pagamento e recibo do cheque emitido (does. fls. 174/177). 7)Lote 51013, de 30/12/1996 Conta 373380000.00000000.29101 Valor: R$ 37.949,98 Tratase de despesa com divulgação da marca, no intuito de manter e ampliar o quadro de contratantes de plano de saúde. Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 35 9 8)Lote 10015, de 12/12/1996 Conta 378110000.00000000.15201 Valor iv$ 179.539,86 Tratase de despesa suportada pela Interessada em razão de acordo judicial promovido nos autos do processo movido contra EBAM S/À Empresa Brasileira de Assistência Médica (does. ils. 179/226). 9)Lote 10584, de 30/12/1996 Conta 378110000.00000000.29513 Valor: R$ 18.779,00 Tratase de despesas suportadas péla Interessada em razão de condenações judiciais e acordos promovidos na esfera do Judiciário. 10)Lote 11346, de 31/12/1996 Conta 382210000.00000000.11000 Valor: R$228.052,02 Tratase de perda com equivalência patrimonial relativamente a investimento no Laboratório Médico Dr. Sérgio Franco (does. fls. 228/230). 11)Lote 11346, de 31/12/1996 Conta 382210000.00000000.11000 Valor: R$299.648,60 Tratase de perda com equivalência patrimonial relativamente a investimento na Seguradora Roma S/A (does. fls. 228/230). Despesas desnecessárias (B.II.1.2) O conceito de despesa operacional necessária, de que trata o art. 47 da Lei n° 4.506/1964, só diz respeito às empresas sujeitas à apuração do lucro real, não se aplicando às entidades sem fins lucrativos. Quanto às despesas propriamente ditas, cumpre esclarecer que: Lote 14567, de 18/01/1996 Conta 372130100.00000000.11000 Valor: "R$ 8.913,33 A despesa em questão diz respeito a serviços de despachante prestados pelo Sr. Osmar Rocha Poncioní, em favor da Interessada, para fins de obtenção de certidões imobiliárias (does. fls. 232/235). Lote 29415, de 23/12/1996 Conta 373190000.00000000.29645 Valor: R$ 10.368,31 Tratase de pagamento pertinente a elemento de uso comum da Interessada e da Golden Cross Seguradora, empresa instalada no mesmo edificio. A referida despesa, muito embora contabilizada como débito da Interessada, foi objeto de estorno em 30/12/1996 (doe. fls. 237). Conta 3.7.4.1.2.00.00 Valor: R$ 15.798,68 Tratase de despesas com aquisição de brindes (does. fls. 242/7327). Tais gastos são indispensáveis à preservação da marca Golden Cross junto ao mercado, estando vinculados á captação de clientela e à manutenção de contratos. Quanto às vedações constantes do art. 13, inciso VII, da Lei n° 9.249/1995, invocadas pela Fiscalização, as mesmas só se aplicam ao regime de apuração do lucro real, não podendo servir de critério para aceitação de despesas de entidades assistenciais imunes. Quanto as aplicações de recursos em empréstimos, aduz não proceder as alegações do Fisco, segundo a qual as operações de concessão de empréstimo fugiram aos objetivos institucionais da Interessada. A realização de mútuos civis não constitui e nem poderia constituir, uma atividadefim da entidade. Nem por isso, entretanto, tais Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 36 10 operações lhe são vedadas, até porque representam atos de gestão de recursos relacionados com a atividade social. Referente às despesas financeiras decorrentes dos empréstimos contraídos junto aos bancos, diz que há que se levar em conta que tais encargos eram normais e até mesmo inferiores aos de mercado, conclusão a que se chega analisando os prazos e condições de cada uma das operações. Por outro lado, a abertura de linhas de crédito a entidades ligadas inserese na busca de melhor gerencia em otimização dos recursos financeiros disponíveis, de modo a proporcionar àquelas entidades condições de bem desempenharem suas funções. Finalmente, no tocante à remissão da divida do IGASE – Instituto Geral de Assitência Social Evangélica, esclarece que a referida instituição também é entidade assistencial, com a qual a interessada sempre atuou em estreita ligação e da qual foi sócia benemérita durante três anos. Justificando o intercambio e a cooperação mútua pela compatibilidade e complementaridade dos seus objetivos. Quanto as aplicações de recursos em doações, afirma que as doações em questão se referem a pagamentos de bolsas de estudo e reembolsos de despesas com tratamentos médicos, creches e aluguéis, efetuados em favor de entidades assistenciais e educacionais, sem fins lucrativos, bem assim em favor de funcionários e não funcionários da Interessada, após analises individuais das solicitações recebidas. Afirma que a exigência de comprovação do estado de necessidade do beneficiário da doação, não possui amparo legal, além de mostrarse esdrúxula, no caso de pessoas jurídicas, já que de longa data nosso ordenamento jurídico suprimiu, para todos os fins, a produção de documento oficial com o fim de reconhecer o estado de pobreza das pessoas físicas. Por definição, o assistencialismo importa em atender a quem quer que seja independentemente do “estado de necessidade” do beneficiário. Este, inclusive, o sentido expresso do Parecer CST 301/88, citado pelos agentes fiscais. Por fim, as restrições quanto à dedutibilidade de bolsas de estudo, invocadas pela Fiscalização, dizem respeito apenas à apuração do lucro real, não se aplicando às entidades imunes. Das contraalegações da Fiscalização Ao apreciar as alegações da recorrente, a Fiscalização apresentou contra alegações em 03/01/2001, emitindo, parecer pela suspensão da isenção, conforme Representação Fiscal fls. 338/344: Quanto ao objeto da suspensão, a Fiscalização não poderia ter proposto a suspensão da imunidade, uma vez que a Interessada pleiteou isenção. De qualquer forma, tendo sido constatado que a entidade aplicou recursos fora de seus objetivos institucionais, resta claro que descumpriu não apenas as condições para fruição da isenção, mas também os requisitos para gozo da imunidade. Em relação aos fatos determinantes da suspensão da isenção, pagamento de remunerações a dirigentes, remunerações diretas e indiretas, aduz que a remuneração de dirigentes não constitui, em tese, óbice para reconhecimento da imunidade das entidades assistenciais. No caso em tela, porém, tal remuneração apresentou aplicação de recursos fora de seus objetivos institucionais, haja vista o que dispõe o art. 6º do Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 37 11 Estatuto Social: “A associação não tem finalidade lucrativa, não distribuindo lucros, dividendos ou participações a seus associados e não remunera, a nenhum título, direta ou indiretamente, diretores e conselheiros, aplicando integralmente no País toda a sua renda no atendimento das suas finalidades” (fls. 09/10). Referente ao termo “dirigentes”, este abrange o presidente, vicepresidente e os diretores da entidade, não importante que a Interessada possuísse apenas três diretores estatutários em seus quadros, o dispositivo que veda a remuneração a dirigentes não faz distinção entre diretores empregados e diretores estatutários. Equivocase, ainda, a Interessada quando cita o Parecer Normativo nº 109/1975 e a Instrução Normativa SRF n° 02/1969, vez que estes atos não tratam da definição de dirigente, mas sim da de administrador. Ademais, a expressão “remuneração de dirigente” alcança qualquer modalidade de remuneração, quer direta quer indireta. A legislação tributária que dispõe sobre a outorga de isenção deve ser interpretada de forma literal (art. 111, inciso II, CTN). Por fim, registrase que a remuneração indireta abrange pagamentos de despesas particulares de dirigentes, entre as quais os benefícios de assistência médica, conforme entendimento expresso no item 12 do Parecer Normativo COSIT nº11, de 30 de setembro de 1992. Em relação as despesas não comprovadas: Lote 20003, de 09/01/1996 Conta 372130200.00000000.29101 Valor: R$34.048,31 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas. Lote 10028, de 31/12/1996 Conta 372190I00.00000000.2910I Valor: R$ 3.425,00 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada não comprovam satisfatoriamente as despesas com consultoria de informática. A simples apresentação do Recibo de Pagamento a Autônomo JRPA não demonstra a efetividade do serviço prestado. Lote 11310, de 31/12/1996 Conta 365210000.00000000.11000 Valor: R$ 607.732,66 No que diz respeito a este item, os elementos apresentados pela Interessada não comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas, sobretudo porque a entidade não forneceu a pertinente documentação bancária. Lote 11164, de 31/07/1996 Conta 365210000.00000000.11000 Valor: R$283.736,00 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas. Lote 14513, de 05/03/1996 Conta 3721102ÕO.00000000.15201 Valor: R$ 68.000,00 À Interessada tem razão quando diz que a despesa em questão já havia sido comprovada. Na verdade, o desembolso que carece de comprovação è o de R$4.946,00, conforme indicado no Termo de Intimação n° 11/1996 (item 13, ffs. 54), e reiterado no Termo de Reintimaçao n° 01/1996 (fls. 59). Lote 145675, de 14/10/1996 Conta 372110200.00000000.15201 Valor: R$ 50.000,00 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas. Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 38 12 Lote 51013, de 30/12/1996 Conta 373380000.00000000.29101 Valor: R$37.949,98 No que diz respeito a este item, a Interessada não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem as despesas questionadas Lote 10015, de 12/12/1996 Conta 378110000.00000000.15201 Valor: R$ 179.539,86 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas. Lote 10584, de 30/12/1996 Conta 378110000.00000000.29513 Valor: R$18.779,00 No que diz respeito a este item, a Interessada não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem as despesas questionadas. Lote 11346, de 31/12/1996 Conta 382210000.00000000.11000 Valor: R$228.052,02 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas. Lote 11346, de 31/12/1996 Conta 382210000.00000000.11000 Valor: R$299.648,60 No que diz respeito a este item, os documentos apresentados pela Interessada comprovam satisfatoriamente as despesas questionadas. Em relação as despesas desnecessárias: Não procede a alegação da Interessada de que o conceito de despesa necessária só se aplica ao regime de apuração do lucro real. Se a legislação do imposto de renda considera indedutiveis as despesas desnecessárias, com mais forte razão tais despesas deverão ser recusadas no caso de uma entidade isenta, obrigada ela que está a aplicar seus recursos integralmente nos objetivos institucionais. No que diz respeito a cada uma das despesas questionadas, cumpre observar o seguinte: 1) Lote 14567, de 18/01/1996 – Conta 372130100.00000000. 11000 Valor: R$8.913,33 Apesar de comprovada a efetividade da despesa, não ficou demonstrada sua necessidade para a manutenção de seus objetivos sociais. Lote 29415, de 23/12/1996 Conta 373190000.00000000.29645 Valor: R$ 10.368,31 A Interessada não demonstrou que a despesa em questão fosse referentes a elemento de uso comum, tampouco apresentou contrato em que estivesse discrirninado o rateio dos gastos com a Golden Cross Seguradora S.A. Quanto ao alegado estorno, apesar de tratarse do mesmo valor, o lançamento diz respeito a uma despesa efetuada em 23/12/1996, e de um lote distinto daquele do valor questionado. Conta 3.7.4.1.2.00.00 Valor R$ 15.798,68 Os gastos efetuados com aquisição de brindes constituem mera liberalidade, não se mostrando, portanto, Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 39 13 necessários à manutenção dos objetivos da entidade. De observar, ademais, que o art. 13, inciso VII, da Lei n° 9.249/1995, considera tais despesas indedutiveis na apuração do lucro real. Referente às aplicações de recursos em empréstimos, aduz que o descumprimento dos requisitos legais não está propriamente no fato de a Interessada ter realizado mútuos civis, mas o que causou estranheza à Fiscalização foi a constatação de que o montante dos empréstimos concedidos era superior ao dos contraídos. E mais que isso, o total das receitas financeiras decorrente dos empréstimos concedidos era inferior ao das despesas financeiras dos empréstimos contraídos, o que caracteriza negócio de favorecimento entre empresas ligadas. Enquanto a maioria dos contratos de empréstimos concedidos não continha cláusula de cobrança de juros, os relativos a empréstimos contraídos eram ajustados conforme taxas de mercado. Por fim, a remissão da divida em beneficio do IGASE Instituto Geral de Assistência Social Evangélica, no expressivo quantum de R$ 8.445.000,00, configura aplicação de recursos não prevista no estatuto da Interessada, sendo irrelevante o fato de ligação anterior entre as entidades. Quanto as aplicações de recursos em doações, diz que não se exigiu da interessada qualquer prova de estado de carência de empresas nem mesmo algum documento oficial que reconhecesse o estado de pobreza das pessoas físicas beneficiadas, mas sim, a comprovação de que as doações eram destinadas a pessoas carentes e necessitadas, conforme prevê o estatuto social. Portanto, bastaria que a entidade apresentasse cópias dos processos de concessão de bolsas de estudo e de solicitação de doações, documentos estes, não exibidos no decorrer da ação de fiscalização. Por fim, afigurase esdrúxulo que uma instituição dita imune, ou isenta, doe recursos para entidades com fins lucrativos. Da suspensão suspensiva do benefício Em 04/01/2001, após examinar as alegações e contraalegações supracitadas, o DelegadoSubstituto da Receita Federal em Nova Iguaçu – RJ decidiu pela suspensão da imunidade/isenção da Interessada no anocalendário de 1996, entendendo que houve descumprimento tanto dos requisitos do art. 14 do CTN, como do art. 30 da Lei nº 4.506/1964, conforme despacho decisório fls. 345. Do ato declaratório da suspensão Em 08/01/2001, foi expedido o competente ato declaratório de suspensão (fls. 346), em obediência ao disposto no art. 32, §3º, da Lei nº 9.430/1996. Em 10/01/2001, publicouse o referido ato no Diário Oficial da União (fls. 469). Da manifestação da inconformidade Em 13/03/2001, a interessada impugnou o ato declaratório, com amparo no art. 32, §6º, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, alegando: Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 40 14 Preliminarmente, do vicio de motivação do ato impugnado. O ato declaratório limitouse a invocar “as conclusões contidas no Termo de Notificação Fiscal” e as “alegações constantes do processo”, sem explicar, todavia, os motivos que fundamentaram a decisão da autoridade tributária, conforme determina o art. 32, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Do mérito As infrações apontadas pela Fiscalização não justificam a suspensão da imunidade, conforme razões já expendidas na peça de alegações apresentada em 22/12/2000 (fls. 104/118). Do saneamento do feito Recebida a impugnação pela turma julgadora, resolveuse preliminarmente, dar ciência à Interessada do inteiro teor da decisão proferida pelo DelegadoSubstituto da receita Federal em Nova Iguaçu – RJ, inclusive do parecer que lhe serviu de fundamento, conforme intimação fls. 393. Cientificada da decisão em 29/05/2002 (AR fl. 395), a Interessada nada aditou. Diligencias Dando seguimento à instrução probatória, o órgão julgador requisitou do Serviço de Fiscalização da DRF / Nova Iguaçu – RJ, informações a respeito das doações citadas no Termo de Notificação Fiscal. Em atendimento ao solicitado, a Fiscalização anexou comprovantes fornecidos pela Interessada (fls. 406/450), bem como planilhas com os valores recebidos por cada um dos beneficiários (doc. Fls. 403): Dos demais documentos anexados aos autos Complementam a instrução do feito os seguintes documentos: cópia do Termo de Inicio de Fiscalização, bem assim do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 467/468); cópia da página 21, Seção 1, do Diário Oficial da União de 10/01/2001, em que foi publicado o ato declaratório de suspensão de imunidade (fls. 469) cópias das folhas dos balancetes de verificação em que estão Indicados, mês a mês, os saldos da conta 3.9.3.0.0.00.ÓO Despesas de Filantropia (fls. 470/485); cópias das folhas dos balancetes de verificação em que estão indicados, mês a mês, os montantes de receitas e despesas (fls. 486/496); pesquisas fiscais de cada um dos beneficiários das doações relacionadas no item B.II.3 do Termo de Notificação Fiscal (fls. 497/583) Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 41 15 Ao apreciar todo alegado, a autoridade julgadora a quo assim decidiu: Como tempestiva a impugnação protocolizada pela Interessada. Quanto a alegação de vício de motivação do ato declaratório, a mesma perdeu seu objeto na medida em que o órgão julgador deu ciência à Interessada do inteiro teor da decisão suspensiva do beneficio, reabrindolhe, inclusive, prazo para complementação de sua defesa, conforme fls. 393. Do mérito: Primeiramente se faz necessário saber se a Interessada goza, propriamente da imunidade ou da isenção. Pois, ou a entidade é imune e não há de se falar em isenção, ou a entidade não é imune e ai cogitase a isenção. A Constituição Federal em seu art. 150, inciso VI, alínea “c”, assegura imunidade de imposto de renda às instituições de assistência social sem fins lucrativos. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, évedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; § 4" As vedações expressas no inciso VI, alíneas "ô" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Quanto ao que vem a ser uma “instituição de assistência social”, há grande divergência tanto na jurisprudência quanto na doutrina, não obstante, o art. 203 da CF oferece algumas balizas para a delimitação do núcleo “assistência social”. Desta forma, é razoável dizer, que para fins de reconhecimento da imunidade, a “instituição de assistência social” é toda pessoa jurídica de direito privado que colabora com o Poder Público, sem intuito de lucro, na realização de pelo menos um dos objetivos traçados no art. 203 da Constituição Federal. Este tem sido, aliás, o entendimento da Coordenação do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal. Art. 203. A assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente da contribuição à seguridade social, e tem por objetivos: I a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice; II o amparo às crianças e adolescentes carentes; 111a promoção da integração ao mercado de trabalho; IV a habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; V a garantia de um salário mínimo de beneficio mensal à pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem não possuir meios de prover à própria manutenção ou de têla provida por sua família, conforme dispusera lei. Analisando os estatutos da Interessada (fls. 08/09), verificase que a mesma foi constituída como associação beneficente, sem fins lucrativos, voltada precipuamente para a assistência filantrópica, médicohospitalar, social e educacional, em favor dos desamparados, de maneira indiscriminada e gratuita. Então, levandose em conta os objetivos descritos no estatuto, é licito concluir que a Interessada se enquadra no conceito de instituição de assistência social sem fins lucrativos e, portanto, ao menos em tese tem direito à imunidade tributária do Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 42 16 art. 150, inciso VI, alínea “c”, da CF. Não importando que na declaração apresentada ao Fisco tem se classificado como isenta, pois tratase de mera imprecisão terminológica, que não desfigura seu direito de ser reconhecida como entidade imune, uma vez atendidas as condições estabelecidas em lei, quais sejam, as do art. 14 do CTN: Art. 14. 0 disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9o é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. §1 ° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1 "do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. §2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Quanto ao pagamento de remunerações a dirigentes, que foi a primeira infração identificada no Termo de Notificação Fiscal, tendo entendido a Fiscalização, que tais remunerações constituem causa de suspensão da isenção do imposto de renda, em virtude da vedação contida no art. 30, inciso I, da Lei nº 4.506/1964, faz um reparo, vez que, conforme demonstrado alhures, o objeto da suspensão é a imunidade e não a isenção. Assim sendo, as condições a serem observadas pela Interessada são as do art. 14 do CTN e não as do art.30 da Lei nº 4.506/1964. Então, à época em que ocorreram os fatos aqui examinados, o art. 14, inciso I, do Código Tributário Nacional, impunha que a entidade não distribuísse qualquer parcela do seu patrimônio ou de suas rendas a título de lucro ou de participação no resultado. Aduz que, o pagamento de salários a dirigentes, desde que em valores compatíveis com os serviços prestados, não caracteriza distribuição de lucro nem participação no resultado. Como se vê nas conclusões contidas no Parecer Normativo CST nº 71 de 04/06/1973 (D.O.Tl de 21/08/1973), da Coordenação do Sistema de Tributação da Receita Federal, ao examinar, ainda sob a égide Emenda Constitucional nº 01, de 1969, a questão das remunerações de dirigentes de Instituições de educação sem fins lucrativos: "A remuneração atribuída a administradores ou dirigentes de instituições de educação, pela prestação de serviços ou execução de trabalho, não desfigura a imunidade tributária prevista no art. 19, 111, "c", da Constituição Federal. O gozo do beneficio, entretanto, condicionase ao atendimento das exigências estabelecidas no § Io do art. 9o, e no artigo 14 e parágrafos da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)." Bem como, na ementa de acórdão recentemente proferido pela 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, tratando desta mesma matéria: "INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA As instituições de educação podem ter a imunidade tributária suspensa, aos precisos termos do parágrafo 1º, do artigo 14, do Código Tributário Nacional, por descumprimento dos incisos I e II do mesmo artigo. Porém, o pagamento regular de salários e outros benefícios aos diretores não caracteriza a distribuição de lucros ou rendas a dirigentes ou participação nos resultados pelos seus administradores, por terem sido considerados Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 43 17 excessivos" (Acórdão n° 10193916, sessão de 21/08/2002, Relator Cons. Paulo Roberto Cortez). Aduz que frequentemente muitas instituições pagam a seus dirigentes salários exorbitantes, com o nítido propósito de distribuir lucro, entretanto, isso não se verifica no caso em tela, haja vista, considerandose o porte da entidade, extensão dos seus serviços e etc., não será absurdo que um diretor jurídico e um diretor de medicina de grupo recebam salários da ordem de R$ 15.000,000 ou R$ 20.000,00. Nem parecerá exagerado que alguns vice presidentes e diretores regionais sejam remunerados na faixa de R$ 6.000,00 a R$ 12.000,00. Quanto ao fato de a Interessada haver oferecido planos de assistência médica a seus dirigentes, também não vislumbra excessos que justifiquem a suspensão da imunidade. Tomando por base as informações contidas no documento de fls. 44, verifica que o valor médio mensal dos benefícios beira os R$1.500,00 por dirigente, cifra esta certamente generosa, mas que não chega a caracterizar distribuição de lucros Reconhece, por fim, que os abusos cometidos por algumas entidades ditas "filantrópicas" levaram o legislador a estabelecer, a partir da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, condições mais rígidas para o gozo da imunidade, notadamente no que diz respeito à vedação expressa de qualquer forma de remuneração a dirigentes. A própria Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, alterou a redação do inciso I do art. 14 do Código Tributário Nacional, substituindo a expressão "a título de lucro ou participação no resultado" péla cláusula "a qualquer título". Todavia, nenhum destes dispositivos pode retroagir para alcançar os fatos ocorridos no anocalendário de 1996. Por todos estes motivos, entende que o item B.I do Termo de Notificação Fiscal, relativo a remuneração de dirigentes, não configura, aqui, causa de suspensão da Imunidade. Ao que versa sobre as despesas não comprovadas e/ou desnecessárias, que é a segunda infração, correspondente ao item B.II.1 do Termo de Notificação Fiscal, no entender da Fiscalização, tais pagamentos teriam caracterizado aplicação de recursos fora dos objetivos institucionais, infringindo conseqüentemente o disposto no art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Portanto, fezse o exame item a item, primeiramente das despesas tidas por não comprovadas (subitem B.II.1.1): 1) Lote 20003, de 09/01/1996 Conta 372130200.00000000.29101 Valor: R$34.048,31 À despesa acima identificada está fora de questionamento. À Fiscalização já acolheu como válidos os comprovantes apresentados péla Interessada no curso da ação fiscal (cfr. Representação Fiscal, subitem B.ÍI. 1.1.1, fls. 341). 2) Lote 10028, de 31/12/1996 Conta 372190100.00000000.29101 Valor: R$ 3.425,00 A despesa em questão referese a serviços de consultoria em informática. A Interessada apresenta, como comprovante, um Recibo de Pagamento a 4fc Autônomo RPA emitido pelo Sr. Marcelo Fonseca de Medeiros (doc. fls.138). A Fiscalização alega que o referido recibo não comprova a efetividade dos serviços prestados. Determinados serviços são, de fato, de difícil comprovação. Nestes casos, o julgador M que se guiar pelos parâmetros do bom senso, da razoabilidade. Senão vejamos. O valor questionado é de R$3.425,00. A despesa, relativamente modesta, faz crer tratarse de consultoria de pequena complexidade, não sendo razoável esperar que a Interessada possua relatórios circunstanciados, projetos de desenvolvimento ou documentos similares. É de se presumir, por outro lado, que uma entidade do porte da Interessada necessite da informatização de seus serviços e controles. Sendo assim, dou por comprovada a referida despesa. 3) Lote 11310, de 31/12/1996 Conta 365210000.00000000.11000 Valor: Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 44 18 R$ 607.732,66 A despesa acima identificada está fora de questionamento. Segundo se depreende do Termo de Intimação n° 10/96 (cópia fls. 140/141), da resposta fornecida pela entidade (fls. 142/143) e do Termo de Reintimação n° 01/96 (cópia fls. 144), o valor apontado pela Fiscalização já teria sido comprovado no curso da ação fiscal. 4) Lote 11164, de 31/07/1996 Conta 365210000.00000000.11000 Valor: R$ 283.736,00 A despesa acima identificada está fora de questionamento. A Fiscalização já acolheu como válidos os comprovantes apresentados pela Interessada no curso da ação fiscal (cfr. Representação Fiscal, subitem B.II.1.1.4, fls. 341). 5) Lote 14513, de 05/03/1996 Conta 372110200.00000000.15201 Valor: R$ 68.000,00 A despesa acima identificada está fora de questionamento. Segundo se depreende do Termo de Intimação n° 11/96 (cópia fls. 168/169), da resposta fornecida pela entidade (fls. 170/171) e do Termo de Reintimação n° 01/96 (cópia fls. 172), o valor apontado pela Fiscalização já teria sido comprovado. 6) Lote "145675, de 14/10/1996 Conta 37211020D.D0000000.15201 Valor: R$ 50.000,00 A despesa acima identificada está fora de questionamento. A Fiscalização já colheu como validos os comprovantes apresentados pela Interessada no curso da ação fiscal (cfr. Representação Fiscal, subitem B.II.1.1.5, fls. 342). 7) lote 51013, de 30/12/1996 Conta 373380000.00000000.29101 "Valor: R$ 37.949,98 A Interessada alega tratarse de despesas com divulgação de sua marca. Não apresentou, todavia, documentos babeis e idôneos que comprovassem os referidos gastos. 8) Lote 10015, de 12/12/1996 Conta 378110000.00000000.15201 Valor: R$ 179.539,86 A despesa acima identificada está fora de questionamento. A Fiscalização já acolheu como válidos os comprovantes apresentados pela Interessada no curso da ação fiscal (cfr. Representação Fiscal, subitem B.II. 1.1.8, fls. 342). 9) Lote 10584, de 30/12/1996 Conta 378110000.00000000.29513 Valor: R$ 18.779,00 A Interessada alega tratarse de despesas decorrentes de condenações e acordos judiciais. Não apresentou, todavia, documentos hábeis e idôneos que comprovassem os referidos gastos. 10) Lote 11346, de 31/12/1996 Conta 382210000.00000000.11000 Valor: R$ 228.052,02 A despesa acima identificada está fora de questionamento. A Fiscalização já acolheu como válidos os comprovantes apresentados pela Interessada no curso da ação fiscal (cfr. Representação Fiscal, subitem B.II. 1.1.10, fls. 342/343). 11) Lote 11346, de 31/12/1996 Conta 382210000.00000000.11000 Valor: R$ 299.648,60 Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 45 19 A despesa acima identificada está fora de questionamento. A Fiscalização já acolheu como válidos os comprovantes apresentados pela Interessada no curso da ação fiscal (cfr. Representação Fiscal, subitem B.II. 1.1.10, fls. 342/343). Com relação às despesas tidas por desnecessárias (subitem B.II. 1.2 do Termo de Notificação Fiscal), a Interessada discorda do critério adotado pela Fiscalização, por entender que o conceito de "despesa necessária", contido no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30/11/1964, só se aplica às empresas sujeitas à apuração do lucro real. Aduz ser a alegação pertinente. A aferição da "necessidade"" da despesa há que se dar à luz, não do art. 47 da Lei n° 4.506/1964, mas sim do art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Sendo assim, o que importa saber, no presente caso, é se os recursos foram aplicados na manutenção dos objetivos institucionais. Vejamos: 1) Lote 14567, de 18/01/1996 Conta 372130100.00000000.11000 Valor: R$ 8.913,33 Tratase de despesa com serviços de despachante, considerada desnecessária pela Fiscalização por haver sido supostamente realizada em favor de outra entidade, no caso o Hospital São Lucas. Ora bem. O recibo de fls. 63, passado pelo despachante Osmar Rocha Poncioni, indica que o referido profissional foi contratado pela Interessada com o Intuito de providenciar a documentação necessária para a formalização de escrituras de compra e venda de dois imóveis, um dos quais pertencente ao Hospital São Lucas. O serviço consistia, mais especificamente, em levantar as certidões dos referidos imóveis e das pessoas dos respectivos proprietários. Claro está que a beneficiária dos serviços foi a Interessada, e não o Hospital São Lucas. Talvez se estranhe o fato de a Interessada haver providenciado, às suas expensas, certidões que, a princípio, deveriam ser fornecidas pelos proprietários dos imóveis. Esta, porém, é uma prática relativamente comum no mercado. Muitas vezes, por medida de segurança, o promitente comprador prefere assumir, ele mesmo, o ônus de levantar as certidões que ficariam a cargo do vendedor. Tal Iniciativa, longe de configurar liberalidade, pressupõe prudência na administração dos interesses. Por este motivo, reconheço a despesa como necessária. 2) Lote 29415, de 23/12/1996 Conta 373190000.ÒÓÒOÔOOO.29645 – Valor: R$ 10.368,31 Tratase de pagamento feito à empresa Elétrica Hidráulica Caxambu Ltda ME, por conta da reforma da filial da Golden Cross na cidade de Cuiabá MT, conforme indicado na respectiva nota fiscal de serviços (doe. fls. 66). A despesa não foi aceita pela Fiscalização, pelo fato de a nota fiscal ter sido emitida em nome de outra pessoa jurídica, no caso a Golden Cross Seguradora SA. A Interessada argumenta que o imóvel objeto da reforma era utilizado em comum com a Golden Cross Seguradora SA. A questão, de todo modo, já se encontraria superada, na medida em que a impugnante estornou a referida despesa em 30/12/1996. Ora, bem. A alegação de que o imóvel era de uso comum não encontra respaldo em nenhum documento. Tsto não obstante, é de se reconhecer que a despesa foi, de fato, estornada em 30/12/1996, conforme comprova o lançamento efetuado no Livro Diário tf 0322, p. 916 (doe. fls. 237). Diante disso, a referida despesa está fora de questionamento. 3) Conta 3.7.4.1.2.00.00 Valor: R$ 15.798,68 Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 46 20 Tratase de gastos com aquisição de brindes: camisas, canetas, calculadoras, chaveiros, bonés, flores, colares etc. (does. fls. 247/337). Tais despesas não foram aceitas pela Fiscalização, sob o argumento de que seriam indedutíveis na apuração do lucro real, conforme estabelece o art. 13, inciso VII, da Lei ri0 9.245, de 26/12/1995. À Interessada, por sua vez, pondera que os gastos com brindes são indispensáveis à preservação da marca "Golden Cross" junto ao mercado, estando vinculados à captação de clientela e â manutenção de contratos. Antes de mais nada, há que se ter em mente que a mencionada regra do art. 13, inciso VTÍ, da Lei n° 9.245/Í995 só se aplica às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real. No presente processo, não há que se falar em lucro real, nem mesmo em apuração de imposto de renda, vez que estamos numa fase de investigação anterior, cujo objeto limitase à verificação de cumprimento das condições para gozo da imunidade. O que cabe verificar aqui, portanto, é, apenas e tão somente, se as despesas com brindes estão vinculadas à manutenção dos objetivos institucionais, conforme exige o art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Tudo leva a crer que sim. Considerandose que boa parte dos recursos da Interessada provém de contratos de planos de saúde, pareceme bastante razoável que a entidade ofereça brindes com vistas à promoção de seus produtos e à captação de novos clientes. De mais a mais, os gastos com brindes, no presente caso, mostramse bastante moderados em face da receita bruta da entidade, não havendo nada que evidencie aplicação indevida de recursos. Por todos estes motivos, reconhece a despesa em questão como necessária. Em resumo, de um total questionado de R$ 1.926.191,75, relativo a despesas tidas por incomprovadas e/ou desnecessárias, a Interessada demonstrou a efetividade e/ou necessidade de R$ 1.869.462,77, cifra que representa mais de 97% dos itens glosados. Aduz que por seu juízo, as despesas que restaram incomprovadas, R$37.949,98 (Lote 51013, de 30/12/1996 Conta 373380000.00000000.29101) e R$ 18.779,00 (Lote 10584, de 30/12/1996 Coma 378110000.00000000.29513), revelamse, inexpressivas diante do volume de recursos movimentados pela instituição no período. Para que se tenha uma noção do pouco significado dos valores em apreço, basta dizer que as despesas mensais da Interessada beiram a casa das centenas de milhões de reais (cfr. balancetes, fls. 486/496). Não parecendo justo, portanto, aplicar uma medida tão gravosa, como é a suspensão da imunidade, por conta de valores tão pouco representativos. Princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que devem orientar o julgador na interpretação do art. 14, inciso 11, do Código Tributário Nacional. Quanto as aplicações de recursos em empréstimos, terceira infração constatada pela fiscalização e que corresponde ao item B. II. 2 do Termo de Notificação Fiscal, diz respeito a suposta violação do art. 14, inciso II do CTN. Conforme apurado pela Fiscalização, a Interessada tomava dinheiro emprestado junto a instituições financeiras, pagando juros de mercado e depois repassava os recursos a entidades ligadas, sem cobrança de juros. A Interessada argumenta que seus estatutos não lhe proíbem conceder empréstimos. Pondera, também, que a abertura de linhas de crédito a entidades ligadas tem por objetivo a melhor gerência e otimização dos recursos disponíveis. No entanto, a Irregularidade, segundo argumenta, não está em haver a Interessada emprestado dinheiro a outras entidades. A bem da verdade, nem o artigo 14 do Código Tributário Nacional nem os estatutos da impugnante estabelecem qualquer restrição quanto à concessão de empréstimos a outras pessoas, físicas ou jurídicas. Se uma entidade Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 47 21 assistencial empresta pequenos valores, de forma episódica e eventual, nenhum mal há. O problema está no enorme volume de recursos que a Interessada emprestava, sem que tivesse folga financeira para fazêlo. Prova disso é que recorria quase que diariamente aos bancos, suportando pesados encargos financeiros, com a finalidade de obter capital de giro. A situação é tanto mais grave porque a Interessada, via de regra, tomava emprestado no curto prazo e repassava o dinheiro a longo prazo: — todos os empréstimos concedidos tinham por base generosas linhas de crédito, com prazo de vencimento de um ano, mas que acabavam sendo invariavelmente repactuadas (cfr. Anexo I, contratos de fls. 03/16). Observems, a propósito, os saldos das contas de empréstimos, a receber e a pagar, ao longo do anocalendário de 1996 (cfr. demonstrativo de fls. 70): Empréstimos no Empréstimos no Rea Empréstimos a Ativo Circulante lizável a Longo Prazo Receber (Total) 01 71996 3.746.775,38 119.367.913,58 123.114.688,96 02 /1996 3.672.832,15 129.793.366,21 133.466.198,36 03 /1996 4.702.574,02 138.604.920,84 143,307.494,86 04/ 1996 4.772.102,95 140.353.162,25 145.125.265,20 05 /'1996 4.667.904,14 146.978.879,74 151.646.783,88 06/1996 4.458.215,56 135.669.343,71 140.127.559,27 07 / 1996 5.540.111,66 138.153.050,67 143.693.162,33 08/1996 5.155.984,47 144.974.112,44 150.130.096,91 09 /1996 5.348.061,38 160.228.847,54 165.576.908,92 10/1996 5.278.819,80 158.264.290,58 163.543.110,38 11/1996 5.302.566,19 93.325.206,16 98.627.772,35 12/1996 5.325.620,76 96.897.724,50 102.223.345,26 Mês/ Ano Empréstimos no Empréstimos no Exi Empréstimos a Passivo Circulante gível a Longo Prazo Pagar (Total) 01 /1996 46.422.165,03 37.370.559,52 83.792.724,55 02/1996 36.245.963,55 43.354.094,94 79.600.058,49 03 / 1996 45.615.566,75 48.380.664,96 93.996.231,71 04/1996 41.925.080,65 50.058.563,01 91.983.643,66 05 / 1996 49.073.327,35 50.140.641,19 99.213.968,54 06/1996 53.796.341,98 44.674.715,18 98.471.057,16 07 / 1996 44.214.853,47 47.176.185,32 91.391.038,79 08 / 1996 49.112.009,87 57.267.905,51 106.379.915,38 09/ 1996 51.794.162,78 68.494.309,14 120.288.471,92 10/1996 46.389.214,58 69.750.092,55 116.139.307,13 11/1996 53.811.097.36 75.928.292,45 129.739.389,81 12 /1996" 47.612.868,13 55.125.173,98 102.738.042,11 Assim, ante esse desequilíbrio no seu fluxo de caixa, a Interessada viase obrigada a recorrer a sucessivos empréstimos bancários. Resultado, só no ano de 1996, foram gastos DOZE MILHÕES DE REAIS com juros. Juros desnecessários, suportados graciosamente em benefício de outras entidades, algumas delas sem qualquer finalidade assistencial. A entidade pondera que as taxas de juros pactuadas com as instituições bancárias eram normais e até mesmo inferiores às de mercado, ora, de nada adianta, se por outra parte, a Interessada repassava os recursos a entidades ligadas sem cobrar um centavo de juros. Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 48 22 Acerta que a assunção de tal volume de encargos financeiros, sempre em prol de outras entidades, foge inteiramente aos objetivos de uma instituição de assistência social. Entra na esfera da liberalidade desproporcionada. Cumpre ter em mente que uma das condições para o gozo da imunidade é a de que a entidade aplique seus recursos, integralmente na manutenção dos objetivos institucionais. Emprestar tão largas quantidades de dinheiro a empresas com fins lucrativos não é finalidade institucional de entidades de assistência social, mas sim de instituições financeiras. Estes fatos, por si sós, já constituem prova contundente de que a Interessada descumpriu as condições estabelecidas pelo art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Mas não pára por aí. Examinando os documentos reunidos pela Fiscalização, verifica, ainda, que a Interessada perdoou dívidas de mais de OITO MILHÕES DE REAIS — mais exatamente R$ 8.445.000,00 — que tinha a receber do IGASE Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (cfr. Anexo I, fls. 143). A explicação para tanta generosidade é de que o IGASE também seria entidade assistencial, com a qual a Interessada sempre atuou em estreita ligação e da qual foi sócia benemérita durante três anos. O intercâmbio e a cooperação mutua justificarseiam, assim, pela compatibilidade e complementaridade dos objetivos institucionais. Diante de todo o exposto, se declara absolutamente convencido de que os fatos descritos no Item B.II.2 do Termo de Notificação Fiscal constituem causa suficiente para suspender a imunidade tributária da Interessada no anocalendário de 1996, por claro descumprimento da condição prevista no art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Por fim, referente a quarta e ultima infração, as aplicações de recursos em doações, identificada como item B. II. 3 do Termo de Notificação Fiscal, diz respeito as doações feitas pela Interessada, a titulo de filantropia, com suposta violação de suas finalidades institucionais, faz a relação dos itens questionados: Beneficiário Natureza da Doação Valor (RS) Felipe de Azevedo Branco Pádua Bolsa 75% Col. Sto. Inácio 315,54 Marcelo de Azevedo Branco Pádua Bolsa 75% Col. Sto. Inácio 355,80 Poliane Cristina Leal Bolsa 50% Curso Morais e Silva 65,12 Viviane Leal Bolsa 80% Fac. Luiza Marilac 271,66 Marcos Beltrão Azevedo Bolsa 60% Univ. Gama Filho 722,16 Adriana Fernandes de Amorim Campelo Bolsa 100% ÁCEL 570.00 Josefa R. Pinheiro Ribeiro Bolsa 100% Fac. Luiza Marilac 339,58 Luis Felipe Calasans de Moraes Bolsa 75% Creche Acalanto 363,86 Flávia Reis Gressler Bolsa 50% Inst. Adv. S. Paulo 280,07 Luciana Reis Gressler Bolsa 50% Inst. Adv. S. Paulo 271,22 Um primeiro e rápido exame revela que as doações em questão representam despesas modestíssimas, quase todas elas da ordem de poucas centenas de reais. Para que se tenha uma idéia da insignificância dos valores envolvidos, basta dizer que os gastos mensais da Interessada com filantropia estão na casa dos milhões de reais, chegando, em alguns meses, a dezenas de milhões de reais (cfr. Balancetes, fls. 470/485): Saldo da Conta “Despesas com Filantropia” 01/1996 ........................................................................................ 1.582.844,25 02/1996 ....................................................................................... 2.739.824,20 03/1996 ........................................................................................ 2.896.816,08 04/1996 ........................................................................................ 2.946.059,49 05/1996 ........................................................................................ 4.516.387.55 06/1996 ....................................................................................... 25.562.390,93 Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 49 23 07/1996 ........................................................................................ 4.227.255,95 08/1996 ....................................................................................... 5.881.682,26 09/1996 ....................................................................................... 4.851.253,89 10/1996 ....................................................................................... 4.048.636,48 11/1996 ........................................................................................ 71.013.940,52 12/1996 ........................................................................................ 14.014.885,49 Aduz ser claro que uma auditoria completa, que abrangesse todos os gastos com filantropia, seria absolutamente impraticável, dado o enorme volume de documentos a analisar. Natural que a Fiscalização tivesse procedido a uma investigação por amostragem. Dentro, porém, de um universo de despesas da ordem de dezenas de milhões de reais, não concluiu razoável suspender a imunidade da instituição com base numa amostra tão pouco representativa, que mal soma dez mil reais. E não fosse só pela questão dos valores envolvidos, confessa, também, que nenhuma das razões invocadas pela Fiscalização o convence de que tenha havido aplicação de recursos fora dos objetivos institucionais. No que diz respeito, especificamente, às bolsas de estudo, a Fiscalização argumenta que a concessão de tais benefícios só seria admissível se a Interessada tivesse atendido às exigências do art. 304, §2°, alínea "b", do RIR/1994, a saber: — realização de concurso publico, de livre inscrição, com condições previamente divulgadas; e julgamento organizado de modo a garantir decisão objetiva e imparcial. No caso concreto, os requisitos legais teriam sido descumpridos, na medida em que a Interessada deixou de Informar quais os critérios utilizados para a escolha dos bolsistas e para a fixação dos percentuais das bolsas, não tendo sequer colocado à disposição do Fisco as solicitações de concessão. Entretanto, entende que as exigências acima referidas só se aplicam às pessoas jurídicas submetidas as regras de apuração do lucro real. No caso em questão, não há que se falar em lucro real, nem mesmo em imposto de renda, uma vez que estamos numa fase de Investigação anterior, cujo objeto consiste em verificar, apenas e tão somente, o cumprimento das condições para gozo da imunidade tributária, que são as do art. 14 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, qualquer critério adotado pela Interessada, será aceitável, desde que os favorecidos sejam pessoas carentes e necessitadas e as bolsas sejam concedidas de forma indiscriminada e gratuita. Pois bem. Segundo afirma, ainda, a Fiscalização, a Interessada não comprovou que os beneficiários das doações fossem pessoas carentes e necessitadas, ou que tivessem empregado os recursos recebidos em favor dos carentes e necessitados. Admite ser a preocupação dos agentes fiscais, justificável. Em se tratando de doações promovidas por uma Instituição de assistência social, o mínimo que se pode esperar è que os favorecidos sejam pessoas carentes. É dever da entidade assistencial zelar pela correta destinação dos recursos doados, assegurandose de que os beneficiários sejam pessoas efetivamente necessitadas. Por outro lado, nem sempre é fácil provar junto ao Fisco, por meio de documentos, que o beneficiário da doação é carente. A exigência da apresentação de atestados de pobreza, de dependência econômica, de idoneidade moral ou bons antecedentes, já foi, de fato abolida da vida civil brasileira pelo Decreto nº 83.936 de 06/09/1979. As entidades assistenciais não tem poderes investigativos que lhe permitam acessar constas bancárias e declarações de rendimentos dos beneficiários, de modo a conhecer sua real situação econômicofinanceira. Pensa, portanto, que o mais razoável seja repartir o ônus da prova, a instituição de assistência social cumpre, de sua parte, demonstrar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a correta destinação dos recursos doados, identificando claramente a natureza da doação e o respectivo beneficiário. Ao Fisco, por sua vez, se quiser desqualificar a doação, Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 50 24 cumprelhe provar que os recursos ou bem deixaram de ser empregados nos fins assistenciais, ou bem reverteram em proveito de pessoas não necessitadas. Ora, analisando, no caso concreto, o perfil econômicofiscal dos beneficiários das doações, a partir das respectivas declarações de rendimentos e das informações prestadas pelas fontes pagadoras, percebe que, na maior parte dos casos, os favorecidos são pessoas com presumível insuficiência de recursos. Senão vejamos, por exemplo: Felipe de A. Branco Fádua —R$315,54—Bolsa 75% Col. Sto. Inácio • Marcelo de A. Branco Pádua — RS 355,80 — Bolsa 75% Col Sto. Inácio Tratase de duas bolsas de estudo, concedidas a Felipe de Azevedo Branco Pádua e Marcelo de Azevedo Branco Pádua, respectivamente, cobrindo 75% da manutenção escolar de cada um no Colégio Santo Inácio (doe. fls. 408). Os valores acima indicados correspondem às parcelas reembolsáveis das mensalidades de novembro e dezembro de 1995 (does. fls. 409/4IO). À época dos fatos, ambos os beneficiários eram menores (pesquisa fls. 497/500), Seu pai, o Sr, Paulo Sérgio de Pádua, vem apresentando suas declarações, desde 1999, na condição de isento (fls. 501/502). Em 1996, não consta que tenha recebido qualquer rendimento do trabalho sujeito a retenção de imposto na fonte (fls. 503/504). Sua mãe, a Sra. Elisabeth de Azevedo Branco, não está inscrita no Cadastro de Pessoa Física (fls. 505). Poliane Cristina Leal—RS 65,12 — Bolsa 50% Curso Morais e Silva • Viviane Leal — R$ '271,66 — Bolsa 80% Fac. Luiza Marílac Tratase de duas bolsas de estudos: — uma concedida a Poliane Cristina Leal, cobrindo 50% de suas despesas escolares com o Curso Morais e Silva; e a outra concedida a Viviane Leal, cobrindo 80% de suas despesas com a Faculdade Luiza Marilac (doe. fls. 411). Os valores Indicados referemse ãs parcelas reembolsáveis do mês de março de 1996 (does. fls. 412). As beneficiárias não possuem qualquer renda declarada em 1996 (fls. 506/508). Com relação à sua mãe, a Sra. Maria do Carmo Silva Leal, não consta que tenha recebido, naquele ano, qualquer rendimento do trabalho sujeito a retenção de imposto na fonte (fls. 509/511). • Marcos Beltrão Azevedo — R$ 722,16 — Bolsa 60% Univ. Gama Filho Tratase de bolsa de estudos concedida a Marcos Beltrão Azevedo, correspondendo a 60% de sua manutenção escolar na Universidade Gama Filho (doe. fls. 413). O valor acima indicado corresponde à parcela reembolsável das mensalidades de fevereiro e março de 1996 (does. fls. 414). O beneficiário apresentou declarações de rendimento na condição de isento até 1999 (fls. 512/513). Em 1996, não consta que tenha recebido qualquer rendimento do trabalho sujeito a retenção de imposto na fonte (fls. 514/515). Em alguns casos, talvez se possa questionar o estado de necessidade dos beneficiários, por se tratar de jovens de classe média ou então pessoas jurídicas: Adriana Fernandes de Amorim Campelo—RS 570,00 — Bolsa 100% ACEL Tratase de bolsa integral concedida a Adriana Fernandes de Amorim Campelo para custear seus estudos na ACEL Adm. Cursos Educ. S/C Ltda. (doe. fls. 415). O valor indicado corresponde às mensalidades de fevereiro e março de 1996 (does. fls. 416/417). A beneficiária não está inscrita no Cadastro de Pessoa Física (fls. 516). Seu provedor é, supostamente, o Sr. Ayr Fleury Campeílo, que auferiu, em 1996, RS 44.810,35 a título de proventos de aposentadoria (fls. 517/521). Sua esposa, Sra. Neide Maria de Amorim Campelo, auferiu, naquele mesmo ano, R$ 8.943,96, a título de rendimentos do trabalho assalariado (fls. 522/526). Centro de Pesquisas e Assistência em Reprodução Humana de São Paulo — R$ 300,00 — Contribuição para manutenção Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 51 25 Tratase de doação feita ao Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana de São Paulo (CePARHSP), a título de "contribuição mensal para manutenção — mês de fevereiro" (doe. fls. 429). De acordo com as informações cadastrais colhidas do Sistema CNPJ, o CePARHSP é uma entidade sem fins lucrativos, voltada para a prestação de serviços sociais com alojamento (fls. 575/576). De qualquer forma, mesmo em relação aos casos acima mencionados, acredita que seria prematuro concluir, de plano, pela existência de irregularidades com respeito à destinação dos recursos. Cada uma das situações mereceria, segundo pensa, uma análise mais aprofundada. Inexistindo, enfim, prova de que uma quantidade minimamente razoável de doações tenha sido realizada em desacordo com os objetivos institucionais, resta descaracterizada a infração descrita no item B.II.3 do Termo de Notificação Fiscal. Princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que devem orientar o julgador na Interpretação do art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional. Conclusão Assim sendo, vota no sentido de confirmar a suspensão da imunidade da Interessada no anocalendário de 1996, reconhecendo, todavia, como única causa determinante de tal suspensão, a infração descrita no B.II.2 do termo de Notificação Fiscal, qual seja, a aplicação de recursos em empréstimos. Devidamente notificada, a Recorrente, não se conformando com a r. decisão proferida pela 8a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, interpôs Recurso Voluntário. Diante do fato da 8ª Turma de Julgamento da Delegacia da receita Federal ter afastado quase na totalidade os apontamentos identificados pela D. Fiscalização como causa de revogação da imunidade, restando apenas um único, qual seja, o de empréstimos de receitas a empresas coligadas, é neste sentido que a Recorrente apresenta o seu recurso, requerendo que tal apontamento de empréstimos também não serve de elemento identificador de descumprimento dos requisitos legais para uso e gozo de sua imunidade, os quais, por expresso entendimento jurisprudencial e doutrinário, são somente aqueles previstos no art. 14 do CTN e não os veiculados por lei ordinária ou por normas infraconstitucionais, sob pena de inconstitucionalidade. Pedindo: (A) que seja anulado, em sede de preliminar a decisão recorrida em razão da falta de adequação dos fundamentos utilizados para a descaracterização da imunidade, ou (B) caso assim não entenda o DD. Conselheiros, o que se admite apenas em prol do principio da eventualidade, que seja reformada a decisão recorrida, afastandose a alegação de não observância ao requisito previsto no inciso II, art. 14 do CTN em razão de: (B) (I) a r. decisão ter conferido interpretação equivocada à norma veiculada pelo inciso II, do art. 14 do CTN, já que a mesma veda a remessa e/ou a utilização das receitas auferidas para a realização da assistência social no exterior; e (B) (II) os fatos apontados na r. decisão recorrida (concessão de empréstimos com encargos de correção monetária, com base em UFIR e IGPM), tidos como hábeis para afastara imunidade da Recorrente em razão da previsão contida no inciso II, do art. 14, do CTN, em verdade, Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 52 26 não podem se subsumir à regra veiculada pelo mencionado inciso, ou então (C) caso ainda assim não entendam os mesmos DD. Conselheiros, que seja reformada a decisão de modo a considerar que a Recorrente, na verdade, obteve receitas a longo prazo, para então: (C) (I) primandose pela legalidade e pela possibilidade de obtenção de recursos para manutenção de suas atividades institucionais, afastese a declaração de suspensão de sua imunidade; Na data de 06 de julho de 2005, foi o processo inserido pauta de sessão de julgamento, pelo que se deliberou, por proposta do relator, converter o mesmo em diligência, nos termos da Resolução 101.02.476, a fim de que: “Assim, em face a necessidade de decidir, posto que se trata de exame de imunidade/isenção de tributos/contribuições, objeto do presente processo, e que gerará, certamente, reflexos nos demais processos em andamento, sejam autonomamente, sem incluídos no REFIS, sou por propor a conversão do julgamento em diligência para que adote a providência de se reunir os demais processos fiscais tributários, do mesmo período de 1996, assim como esclarecer os processos incluídos no REFIS e a atual situação da contribuinte sobre tal programa de parcelamento, retornando os autos para competente apreciação desta E.Câmara.! Consta no eprocesso que os autos foram reunidos e que foram juntados igualmente as informações sobre o REFIS. Eis o relatório. VOTO Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO Processo nº 10735.003175/0011 Resolução nº 1202000.236 S1C2T2 Fl. 53 27 Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, relator Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal, dele se toma conhecimento. Verificase que a Resolução nº 101.02.476, de 06 de julho de 2005, da 1ª Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes foi cumprida pela autoridade de origem, contudo, também se constata que não há intimação do sujeito passivo para sua manifestação como de direito sobre o cumprimento efetivo da diligência. Assim, em face a necessidade, e a fim de se evitar argüição de cerceamento do direito de defesa, importante a intimação, pela autoridade de origem, do sujeito passivo, a fim de que se pronuncie sobre o resultado da diligência nestes autos. Por isso, votase no sentido de converter, novamente, o julgamento em diligência, a fim de suprir tal formalidade processual necessária, ao bom e regular andamento dos autos, e preparação correta do competente julgamento, devendo a autoridade de origem intimar o sujeito passivo para que, no prazo de 30 (trinta) dias, se pronuncie a respeito do resultado da citada diligência. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 20 /05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 17/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVE S BUENO
score : 1.0
Numero do processo: 10945.902206/2012-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 19/12/2008
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 19/12/2008 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 22 06 /2 01 2- 10 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 10 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 11 3 Relatório Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba (DRJ/CTA), referente ao processo administrativo nem que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/CTA, que assim relatou os autos: Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp, devido à inexistência de crédito pleiteado, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 6912), estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal –STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório. Assim, entendeu a DRJ/CTA por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/CPS por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 12 4 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parteintegrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do COFINS, se mostra legítimo, comportando a compensação desses créditos com débitos de tributos federais. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852, onde este conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do COFINS Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro Jose Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar Fl. 74DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 14 6 provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, Fl. 75DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 15 7 quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). Contudo, em que pese as considerações acima trazidas, necessário igualmente analisar o mérito do recurso, que vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 94 22/02/1994 DJ 28.02.1994 ICMS Base de Cálculo FINSOCIAL A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo deixar de ser incluídos no cálculo do COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10945.902206/201210 Acórdão n.º 3801003.095 S3TE01 Fl. 16 8 Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 05/05/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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