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Numero do processo: 13807.002571/2006-49
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000
RESTITUIÇÃO. PROVA. DILIGÊNCIA
Não tendo a Contribuinte, mesmo após diligência, comprovado a existência do direito creditório, deve ser negado o direito à restituição.
Numero da decisão: 1401-001.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.002571/200649 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1401001.084 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de novembro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente STARVESA SERV TEC ACESSÓRIOS E REVENDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 RESTITUIÇÃO. PROVA. DILIGÊNCIA Não tendo a Contribuinte, mesmo após diligência, comprovado a existência do direito creditório, deve ser negado o direito à restituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Karem Jureidini Dias, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 25 71 /2 00 6- 49 Fl. 205DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.12391.4YTZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório STARVESA SERV TEC ACESSÓRIOS E REVENDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou improcedente seu pleito, requerendo sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Em 24.03.2006 o contribuinte acima identificado apresentou declaração de compensação por meio da qual pretendeu utilizar direito creditório relativo ao IRPJ apurado com base no Lucro Real do período de apuração 31.03.2000, no valor de R$ 15.885,76, com débito de IRPJ do período de apuração 31.12.2002, no valor de R$ 13.885,76. A autoridade fiscal verificou que o pagamento correspondente ao direito creditório utilizado na compensação foi realizado em 30.06.2000, concluindo daí pela decadência do direito de pleitear a restituição, nos termos do artigo 168 do Código Tributário Nacional e artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, consequentemente concluindo pela não homologação da compensação. Cientificado da decisão em 03.07.2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 17.07.2009. Afirma que, anteriormente à edição da Lei Complementar nº 118/2005, era entendimento pacífico no Superior Tribunal de Justiça que o prazo para repetição de indébito no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação era de 10 anos, contandose os cinco anos previstos no artigo 168 do CTN a partir da homologação expressa ou tácita do lançamento, momento em que seria considerado extinto o crédito tributário. Como o pagamento em questão ocorreu anteriormente à entrada em vigor da referida lei complementar (que se deu em 09.06.2005), entende que deve ser aplicada a disposição legal anterior, ou seja, a contagem de "cincomaiscinco", por não se tratar de lei de cunho interpretativo, mas sim de natureza material, que afeta o direito ao crédito, não podendo, portanto, ser aplicada de forma retroativa, o que acarretaria a violação do princípio da segurança jurídica. Informa que o STJ já se pronunciou pela irretroatividade do artigo 3º da Lei Complementar nº 118/2005, considerando que a norma não é meramente interpretativa, e estabelecendo que, relativamente aos pagamentos efetuados anteriormente à sua vigência, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. Entende que a autoridade administrativa pode e deve acatar a posição dominante do Poder Judiciário, o que não se confunde com deixar de aplicar a norma por entendêla inconstitucional. Requer, ao final, que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade para homologar o crédito discutido. A decisão recorrida está assim ementada: DECADÊNCIA DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. O prazo para pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior é de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado do crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 206DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.12391.4YTZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002571/200649 Acórdão n.º 1401001.084 S1C4T1 Fl. 3 3 Após decorrido esse prazo, tornase impossível a utilização do respectivo direito creditório para efetuar compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória no sentido que até a edição da Lei Complementar 118/2005 o prazo para pleitear restituição deve ser contado na forma do entendimento do Superior Tribunal de Justiça (5 anos + 5 anos), ao final, requer o provimento. Colocado o feito em julgamento perante a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Sessão, o processo foi baixado em diligência no seguinte sentido: Conforme relatado, tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório relativo a recolhimento que teria sido efetuado a maior no anocalendário de 2000 (30/06/2000) a título de cota do IRPJ do 1o. Trimestre de 2000 (lucro real trimestral). Abstraindo a questão do prazo para pleitear a restituição/compensação, embora o contribuinte alegue que teria efetuado o recolhimento a maior, junte a prova do pagamento e cópia de seus registros contábeis (fls. 1620), não foi juntado aos autos a DIPJ/2001 (relativa ao anocalendário 2000), tampouco as DCTF apresentadas pelo contribuinte relativo ao aludido período de apuração. Aliás, não consta no pedido do contribuinte qualquer justificativa o motivação de seu pleito quanto a origem do direito creditório. Diante do exposto, propugno seja o julgamento convertido em diligência para: 1) intimar o contribuinte a esclarecer a origem do recolhimento a maior, e apresentar cópia do Lalur e demonstração dos resultados do exercício: 2) juntar cópia das DCTF e DIPJ apresentadas à RFB (relativa ao periodo), bem como retificadoras, procedimento a cargo da autoridade encarregada da diligência. 3) Confirmar nos sistemas da RFB a disponibilidade do aludido pagamento, ou se está alocado a algum outro débito. Ao final deve ser lavrado relatório consubstanciado e reaberto o prazo de 30 dias para o contribuinte se manifestar. Fl. 207DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.12391.4YTZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Em cumprimento à diligência, o Contribuinte foi intimada a apresentar a documentação descrita na diligência, bem como proceder às informações solicitadas no documento de 141 (AR fls. 142). Diante dessa intimação, a Contribuinte manifestouse no sentido de estar com grande dificuldade para apresentar a documentação solicitada. Diante disso, procedeuse a Autoridade preparadora apresentou o seguinte relatório: O débito da 3ª quota do IRPJ do período de apuração 1º Trim/2000, cód.0220, no valor principal de R$ 15.618,78, foi confessado em DCTF e encontrase extinto pela alocação do pagamento do DARF cuja restituição é pleiteada pelo contribuinte, nos termos da IN SRF nº 126, de 30/10/1998 e alterações, combinada com o art. 5º do decretolei nº 2.124/1984 e Portaria MF nº 118, de 28/06/1984. Intimado a comprovar o recolhimento indevido, face à aplocação supracitada do pagamento sob análise, apresentando, necessariamente, a demonstração do resultado do trimestre, o LALUR, a origem e o controle de prejuízos fiscais compensados e os comprovantes de impostos de renda retidos na fonte, o contribuinte nada respondeu. Assim, não se verifica qualquer hipótese legal que permita a revisão da alocação do DARF cuja restituição é pleiteada. Intimada da decisão, a Contribuinte mantevese silente. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.12391.4YTZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13807.002571/200649 Acórdão n.º 1401001.084 S1C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos de lei, dele conheço. Para que se proceda a restituição de valores pagos indevidamente, é necessário que o contribuinte comprove, por meio de sua documentação e livros fiscais, a insubsistência do pagamento realizado, de forma a permitir a sua restituição. No caso dos autos, não tendo havido a demonstração, pela Recorrente, do pagamento indevido, posto que alocado em débito do mesmo ano calendário, deve ser negada a restituição, bem como a homologação das compensação a ele vinculadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 209DF CARF MF Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0218.12391.4YTZ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 10/02/2014 15:47:00. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 10/02/2014. Documento assinado digitalmente por: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA em 21/02/2014 e ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA em 10/02/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/02/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0218.12391.4YTZ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 313B676C82C5DF9A0522C7D7DF092EF80F5FDFB6 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13807.002571/2006-49. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10711.007388/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 21/12/2007
ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria.
Numero da decisão: 3402-004.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 73 88 /2 00 9- 53 Fl. 163DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de autos de infração lavrados para a cobrança de Imposto de Importação, CofinsImportação e Pis/PasepImportação considerados devidos em face do registro da Declaração de Importação n.° 07/17861273, em 21/12/2007, referente A nacionalização de três guindastes autopropulsados sobre pneumáticos, próprios para empilhamento de conteineres (Reach Stacker), conforme a descrição A fl. 03, classificado na posição tarifária da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8426.41.90. Pretendeu a autuada que a operação fosse cursada no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), a qual se sujeita ao exame de similaridade para fins de emissão da Licença de Importação emitida pelo DECEX. Relata a auditoria fiscal que foi efetuado o desembaraço aduaneiro em cumprimento à tutela antecipada deferida pelo Juizo da 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, nos autos da Ação Ordinária n°2007.51.01.0303046. Informa, ainda, que o lançamento foi efetuado visando a prevenir o respectivo crédito tributário dos efeitos da decadência, estando suspensa a sua exigibilidade, por força do disposto no artigo 151, incisos II e IV do CTN. Cientificada, a autuada apresentou Impugnação na qual aduz, em síntese: Comunica que é beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), conforme ADE nº 01/2005, da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Aduz que, somente no caso do Imposto de Importação, a referida suspensão fica condicionada à inexistência de similar nacional. Para os demais tributos, a suspensão depende somente de o equipamento ter sido adquirido por beneficiário do REPORTO e ser destinado ao Ativo Imobilizado do operador portuário para utilização na carga, descarga e movimentação de mercadorias. Assim, por preencher estes requisitos, devem ser cancelados os lançamentos do PIS e COFINS. Alega que, diante do atraso na análise da questão da existência de similar nacional pelo DECEX, propôs a ação judicial, na qual foi deferida a liminar transcrita. Aduz que, ante a ausência de posicionamento do Decex, não pode o fisco exigir o pagamento do Imposto de Importação, pois é condição essencial para a sua incidência a existência de similar nacional, motivo pelo qual o lançamento deve ser cancelado. A DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação, reconhecendo: I) Quanto à alegação de ilegalidade na cobrança do II, por inexistência de produto similar nacional, reconheceu a ocorrência de concomitância com a Ação Ordinária n°2007.51.01.0303046. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10711.007388/200953 Acórdão n.º 3402004.766 S3C4T2 Fl. 3 3 II) Quanto à ilegalidade da cobrança de PISImportação e COFINS Importação, deuse provimento à impugnação. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando a inocorrência de concomitância. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Em primeiro lugar, devese frisar que com o desmembramento do presente processo, resta nestes autos apenas a parcela do crédito tributário cuja procedência não foi reconhecida pela DRJ, de modo que resta à análise aqui apenas o Recurso Voluntário. O Recurso Voluntário é tempestivo. Do exame da Lei nº 11.033/2004, especificamente seus arts. 13 a 16, com a regulamentação dada pelo Decreto nº 5.281/2004, podemos concluir que o legislador delimitou as condições para a aplicação do benefício fiscal da suspensão do pagamento dos tributos, que, ao final de cinco anos, se converteria numa isenção fiscal, no caso do Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos IndustrializadosVinculado, e, em alíquota zero (0%), no caso do Pis/Pasep e CofinsImportação, quais sejam: I) os bens devem ser adquiridos ou importados diretamente pelos beneficiários do Reporto; II) os bens devem ser destinados ao seu ativo imobilizado, para utilização exclusiva em portos na execução de serviços de carga, descarga e movimentação de mercadorias; e, III) no caso do Imposto de Importação, a suspensão somente será aplicada ao bem que não possua similar nacional. No caso em concreto, não há controvérsia de que a empresa importadora dos bens é beneficiária do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária (REPORTO), conforme o ADE nº 01/2005, da Alfândega do Porto do Rio de Janeiro. Também não há notícia nos autos de que os bens estejam sendo utilizados em desacordo com a previsão legal acima transcrita. Replico abaixo trecho da decisão recorrida, como fundamento da minha decisão, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99: Quanto ao Imposto de Importação, como visto acima, existe ainda outra condição para a sua suspensão, a de que não exista similar nacional para o bem importado sob amparo do Reporto. Fl. 165DF CARF MF 4 E, conforme a Portaria SECEX nº 35/2006, em seu art. 27, o exame de similaridade deve ser realizado pelo Decex. No caso vertente, verifico que o contribuinte ingressou com a Ação Ordinária n.º 2007.51.01.0285950, em trâmite na 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela para determinar o desembaraço aduaneiro de um portainer importado pela autora retido no Porto pelo não recolhimento do Imposto de Importação ou comprovação, mediante declaração do DECEX, de inexistência de similar nacional. Ofereceu o bem como garantia do Imposto de Importação, cuja suspensão da exigibilidade é objeto daquele litígio judicial. Assim, constatado que existe concomitância entre a questão colocada para a apreciação administrativa e aquela levada ao escrutínio do Poder Judiciário, concluo que esta autoridade julgadora deve se eximir do exame dos argumentos suscitados. Pois a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, devendo ser proferida decisão declaratória da definitividade da exigência discutida, conforme dispõe o Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, em seu art. 62: Art.62.A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, importa renúncia às instâncias administrativas. Parágrafo único.O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Na esteira dos dispositivos citados, o Ato Declaratório Normativo nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) determinou que a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal declaratória da definitividade da exigência discutida: a) a propositura pelo contribuinte, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição o contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança) do art. 151 do CTN; Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10711.007388/200953 Acórdão n.º 3402004.766 S3C4T2 Fl. 4 5 e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC).” No mesmo sentido, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais –CARF, publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, conforme abaixo: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A conclusão da regra em referência tem natureza legal e lógica porque a decisão do Poder Judiciário se sobrepõe à decisão administrativa. A via judicial é uma opção adotada pela contribuinte no seu livre exercício de escolha. Nesse sentido, o artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988, declara que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. O ordenamento jurídico brasileiro não alberga o instituto da dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial como direito público subjetivo. E, finalmente, cumpre esclarecer que, bem ao contrário do que aduz a impugnante, justamente ante a ausência de declaração do Decex acerca da inexistência de similar nacional, deve o fisco exigir o pagamento do Imposto de Importação, pois, então, não estariam satisfeitas as condições para a suspensão do Imposto de Importação, prevista no Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária. Não compete ao fisco provar a existência de similar nacional, mas à contribuinte provar exatamente o contrário, motivo pelo qual o lançamento pode ser efetuado e mantido enquanto não satisfeita esta condição, especialmente ao se considerar que o presente crédito tributário foi feito com o intuito de prevenir a decadência, ante a pendência judicial. Basta que se analise as fls. 117118 do processo, onde constam os pedidos feitos na ação judicial movida pela Recorrente, para que se verifique que a mesma se insurge contra a cobrança do Imposto de Importação, pelo mesmo motivo que alega administrativamente, qual seja, a inexistência de produto similar fabricado no Brasil: Fl. 167DF CARF MF 6 Desse modo, não restam dúvidas quanto à ocorrência de concomitância, não devendo o presente Recurso Voluntário ser conhecido, com fundamento na Súmula CARF nº 01. Ante o exposto, voto por NÃO CONHECER do presente Recurso Voluntário. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 168DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679916/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 23/11/2006
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.142
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: Leonardo Ogassawara de Araújo Branco
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 23/11/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, e Tiago Guerra Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 99 16 /2 00 9- 29 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de despacho decisório eletrônico, emitido pela Delegacia de Administração Tributária que não homologou as compensações declaradas em virtude de não ter havido apuração de pagamento indevido, uma vez que o pagamento foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. 2. Intimada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em síntese: (i) possuir "elevada quantia creditícia" perante a RFB, a título de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, que teria utilizado para quitar débitos de COFINS, referentes ao período de apuração dos anocalendário 2006 e 2007, mediante PER/DCOMP; (ii) alega que juntamente com o Despacho Eletrônico em comento, foram emitidos outros 147 Despachos Decisórios, todos decorrentes da falta de homologação de PER/DCOMP, apresentados pela contribuinte; (iii) reconhece que deixou de retificar as DCTF relativas aos períodos que entende ter havido recolhimentos a maior de IRRF, CIDE, PISImportação e COFINSImportação, entendendo ser esta a razão do indeferimento das compensações; (iv) alega que mero equívoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB; (v) discorre a respeito do efeito suspensivo dos débitos declarados em compensações, citando dispositivos legais para defender sua tese; (vi) alega carência de fundamentação do despacho decisório, violação ao princípio do contraditório e ampla defesa, alegando que não foram atendidas as garantias constitucionais na decisão proferida no despacho decisório, entendendo ser nulo o ato impugnado; (vii) discorre sobre o principio da verdade material para alegar que o mero erro de preenchimento da DCTF não geraria crédito em favor da Fazenda Nacional, reclamando que "se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações antes de sofrer a autuação, certamente a Fazenda Nacional pouparia preciso tempo desta Delegacia de Julgamento com cobranças infundadas como esta" (sic); (viii) alega que qualquer agente fiscal que "(...) analisasse com a mínima cautela a situação apresentada nos fatos, notaria que houve tão somente um erro no preenchimento da declaração, o que não justifica a glosa" em apreço; (ix) ter declarado em DCTF débito que foi pago em DARF que, após revisão interna teria constatado que os cálculos estavam sendo feitos de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de IRRF após a correção do montante efetivamente devido; (x) a necessidade da observância aos princípios da capacidade contributiva e da busca da verdade material para afirmar que não se admite cobrança de tributo decorrente de erro na prestação de informações ao Fisco, citando decisão do TRF da 1ª Região que embasaria o que alega, além de acórdão do Conselho de Contribuintes e doutrina; (xi) exigüidade do prazo para apresentar 148 defesas em apenas trinta dias e informa que "(...) já estaria levantando toda a documentação comprobatória de seu direito, mormente a DCTF retificadora que comprovaria a existência do crédito"; (xii) a necessidade de suspensão da cobrança dos débitos declarados em PER/DCOMP; (xiii) a nulidade do despacho decisório; e (xiv) a conversão do julgamento em diligencia para ser comprovado o que alega. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 4 3 3. A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) proferiu o Acórdão DRJ nº 1627.704, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: COFINS Data do fato gerador: 23/11/2006 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÔS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL — NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Creditório Não Reconhecido 4. A contribuinte, intimada, interpôs, recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.105, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.679797/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.105): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: "A manifestação de inconformidade apresentada atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Dela tomase conhecimento. Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. Realmente, o caso presente se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 01, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. A contribuinte alega falta de fundamentação para a não homologação mas deveria ser obvio até mesmo para contribuinte que ela apresenta DCTF informando determinado débito e efetua recolhimento desse debito , em DARF, no exato valor declarado em DCTF, não há apuração de qualquer pagamento a maior, estando essa informação perfeitamente clara no citado despacho decisório e a contribuinte pode se defender amplamente como o fez. Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 6 5 Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER?DCOMP , observase que a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCOMP retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. A retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e de compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais , tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório. Ora, como a própria manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência que agora a contribuinte entende ter havido erro no preenchimento das DCTF. Cabe lembra à douta reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se a contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Não e demais ressaltar que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo tarefa do Fisco promover alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que a contribuinte julga possuir. Aliás a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equívoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Ao final da manifestação de inconformidade, a requerente protesta pela produção de todos os meios de prova, apresentação Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 7 6 de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. O processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/1972 que em seu art. 16, I1I assim dispõe, in verbis: Conforme expressamente previsto no Decreto n° 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4% somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Como se vê do dispositivo transcrito, a ocasião para apresentação de provas, visando a comprovar o equívoco cometido no preenchimento da DCTF, é no ato de apresentação da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de a contribuinte fazêlo em outra oportunidade. Cabe ressaltar que, até a presente data, dez meses após a apresentação da manifestação de inconformidade , nenhuma documentação foi apresentada nela contribuinte, que se limitou a apresentar DCTF retificadora , não embasada por qualquer documentação comprobatória. Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: (...). (...) No caso presente, sendo obrigação da contribuinte apresentar provas do que alega , preferindo não fazêlo, a Receita Federal não promove qualquer ação a respeito, limitando a julgar o processo com os documentos constantes no processo. Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, considerandose que essa DCTF retificadora foi apresentada após o despacho decisório, que apreciou as compensações declaradas. Em face do exposto, e para concluir, VOTO por considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não reconhecendo qualquer direito creditório e não homologando a PER/DCOMP" (seleção e grifos nossos). 7. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 8 7 disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 8. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 9. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 10. Tal, no entanto, não ocorreu, tendo a contribuinte realizado defesa genérica com fundamento de que teria tido de se defender de um grande número de despachos decisórios em um exíguo espaço de tempo. Contudo, reservouse a ora recorrente a repetir os mesmos argumentos em suas razões de recurso voluntário, demorandose longamente em questões doutrinais ou de constitucionalidade, o que inviabiliza, de todo, até mesmo a proposta de eventual conversão do feito em diligência para que se verifique a procedência de suas alegações, uma vez que não há de se realizar questionamento genérico em tal momento processual. 11. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10880.679916/200929 Acórdão n.º 3401004.142 S3C4T1 Fl. 9 8 12. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 13. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.904103/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3402-004.736
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em rejeitar a preliminar de sobrestamento do processo até a decisão final no Recurso Extraordinário 574.706 RG/PR, conforme proposição do Conselheiro Diego Ribeiro, vencido juntamente com os Conselheiros Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel; e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Diego Ribeiro. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 41 03 /2 01 2- 03 Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Versa o processo sobre pedido de restituição fundado em suposto pagamento indevido ou a maior face suposta inclusão indevida do ICMS na base de cálculo das contribuições. No que tange esta matéria, o pedido restou indeferido conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificada desta decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A DRJ, através do Acórdão nº 06041.462, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O julgador de primeira instância não acolheu as razões de defesa da impugnante, tendo em vista que não há, na legislação de regência, previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98. A contribuinte foi cientificada dessa decisão, tendo apresentado recurso voluntário tempestivo, onde alega que o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da Cofins e do PIS, por não estar abrangido nos conceito de "faturamento", tratandose de mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.699, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10935.902211/201233, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão, (Acórdão 3402004.699): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 4 3 Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/771 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR2, sob a sistemática do art. 543C do 1 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. 2 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 5 4 CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 6 5 sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 7 6 n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 8 7 das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10935.904103/201203 Acórdão n.º 3402004.736 S3C4T2 Fl. 9 8 Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito creditório decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 65DF CARF MF
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Numero do processo: 14041.000464/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO- CUB.
Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região.
Numero da decisão: 2201-003.879
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. IRREGULARIDADES NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO CUB. Quando a escrituração contábil não registra o movimento real de remuneração dos segurados empregados em obra de construção civil ou existam discrepâncias que comprometam a confiabilidade desses registros, o lançamento pode ser realizado por arbitramento da base de cálculo das contribuições previdenciárias com uso da tabela do custo unitário básico da região. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 04 64 /2 00 7- 29 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 182 2 Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão da DRJ Brasília, que julgou improcedente a impugnação apresentada. Os principais aspectos do lançamento estão delineados de forma clara e elucidativa no relatório da decisão de primeira instância (processo nº 14041.000458/200771), o qual reproduzimos por se tratar de matéria idêntica, nos seguintes termos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra PALLISSANDER ENGENHARIA LTDA., através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD 37.085.8808)cujo montante consolidado em 27/06/2007 é de R$ 334.839,82, cientificado o contribuinte em 29/06/2007. Conforme o Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 30/39, o notificante informa em síntese: que o objeto do lançamento são as contribuições sociais relativas à parte patronal, devidas pela empresa e não recolhidas em época própria, correspondentes ao emprego de mãodeobra na execução de obra ou de serviços de construção civil, as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as contribuições dos segurados empregados não descontadas pela empresa e as destinadas a outras Entidades e Fundos. que constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou serviço de construção civil; que foram solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD em anexo), de 15 de janeiro de 2007 (data de ciência pelo contribuinte), todos os documentos relativos às obras de construção civil, sendo que a empresa apresentou as folhas de pagamento em relação à matrícula CEI fiscalizada (23.001.00094/75), com as seguintes ocorrências: Fl. 182DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 183 3 A empresa apresentou as folhas de pagamento de 1997, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Apresentou as folhas de pagamento de 1998, porém foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 1999, porém faltando as 13/1999, sendo que foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; A empresa apresentou as folhas de pagamento 2000 até a competência 10/2000, porém para as competências 01/2000 e 02/2000 foram apresentadas apenas as totalizações ou resumos mensais não discriminando os nomes dos segurados e não indicando cargo, função ou serviço prestado; Foi emitido um novo TIAD (em anexo), em 23 de janeiro de 2007, reiterando o pedido das folhas de pagamentos, sendo que a empresa apresentou um documento, em anexo, informando que toda a documentação referente às obras já havia sido entregue na ocasião do primeiro TIAD, motivo pelo qual foram emitidos os AutosdeInffação n. 37.085.8760 e n. 37.085.8778. que em relação aos Registros Contábeis, mais especifícamente os Livros Diário e Razão foi verificado que em diversas matrículas CEI de obras de construção civil, apesar de a empresa ter apresentado diversas folhas de pagamentos, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; que foram emitidos dois TIADs, ambos em anexo, de 14 de fevereiro de 2007 e 2 de março de 2007, solicitando informações específicas sobre o número do Livro Diário, bem como os números das contas e das páginas dos registros contábeis de 1997 até 2006 dos fatos geradores de todas as contribuições sociais a cargo da empresa, as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as decorrentes de subrogação, as retenções, bem como os totais recolhidos para as obras de construção civil matriculadas no CEIs ns° 230010018073, 369400072574, 230010016976 e 2300100171 75, sendo que a empresa apresentou documentos, em anexo, declarando não ser possível identificar as solicitações; que por ser a escrituração contábil indivisível, conforme art. 380 do Código de Processo Civil, uma vez constatado que parte da contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, esta será desconsiderada na sua totalidade e utilizada como meio de prova do não cumprimento Fl. 183DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 184 4 da obrigação acessória prevista no II, do art. 32 da Lei n. 8.212/91, combinado com o inciso II do § 13 do art. 225 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06 de maio de 1999, por isso a contabilidade foi desconsiderada para todas as obras nos exercícios de 1997 até 2006, motivo pelo qual foi lavrado o Auto de Infração n. 37.085.8786. que diante da apresentação deficiente da documentação relativa à obra e da conseqüente falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil, bem como da constatação pela fiscalização de que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço referente à essas obras, fezse necessário a utilização do procedimento da Aferição Indireta para apuração da base de cálculo das contribuições sociais, como preconiza os §§ 3o, 4o e 6o do art. 33 da Lei n. 8.212/91; que segundo informações prestadas pela Pallissander, as obras dos lotes 05 e 06 não foram executadas pela empresa, apesar de constarem na respectiva matrícula CEI, como a empresa não apresentou as alterações na matrícula CEI, o procedimento foi feito de ofício, passando a constar no cadastro apenas o Lote 07, Blocos “A” e “B” com a sua respectiva área; que tratase da construção de dois Edifícios Residenciais (Blocos “A” e “B” com área total de 8.045,04 m2, conforme Alvará de Construção, que foi considerado como início da obra 29 de março de 19996 (Nota Fiscal de aquisição de concreto usinado vinculada à obra) e quanto ao término da obra a empresa apresentou o Habitese Parcial do Bloco “A”, com área de 6.984,72 m2; que foi verificado a conclusão de 6.984,72 m2 através das Cartas de Habitese parcial (Bloco “A”), logo o enquadramento foi feito pela área total do projeto, submetida à aplicação de redutores, apurandose as contribuições proporcionalmente à área já construída, constantes dos habitese parciais entregues pela empresa, em consonância com o art. 464 da IN SRP n. 03 que o enquadramento da obra foi realizado de acordo com os procedimentos descritos nos arts. 436, 437, 438, 439, 440 e 441 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) n. 03, de 14 de julho de 2005. que o Custo Global da Obra foi obtido a partir do enquadramento e mediante a multiplicação do CUB Custo Unitário Básico, correspondente ao tipo de obra, pela sua área total, submetida à aplicação de redutores, conforme previsto no art. 449 da IN SRP n. 03. Ressaltouse que foi utilizada a tabela CUB divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal, publicadas no mês da apuração do débito, referentes ao CUB obtido para o mês anterior. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 185 5 que no cálculo da área construída, que equivale à área total submetida à aplicação de redutores, foi aplicado o redutor (50% áreas cobertas) para área de Subsolo (1.409,10 m2 Bloco “A” e 390,9 m2 Bloco “B”), conforme discriminado no Alvará de Construção; que a Remuneração da MãodeObra (RMT) despendida na obra foi calculada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 443 da IN SRP n. 03 na proporção do escalonamento por área, sobre o Custo Global da Obra, e somando os resultados obtidos em cada etapa; que foram observadas as determinações contidas no arts. 446 e 447 da IN SRP n. 03, em relação às contribuições recolhidas com vinculação inequívoca à obra, para a conversão da remuneração relativa ao recolhimento em área regularizada; que para a conversão da remuneração em área regularizada foi verificada a existência de NFLD ou LDC, relativos à obra, de valor pago a cooperativa de trabalho, cuja nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviço esteja vinculado inequivocamente à obra, bem como de nota fiscal ou fatura de aquisição de concreto usinado, de massa asfáltica ou de argamassa usinada, utilizados inequivocamente na obra, conforme preconiza o art. 448 da IN SRP n. 03, de 14 de julho de 2005. que os quadros demonstrativos das remunerações consideradas para conversão em área regularizada encontramse anexos ao relatório; que os cálculos da área a regularizar e da área regularizada foram feitos através do sistema informatizado DRO, conforme ARO, em anexo; que como o débito foi apurado por aferição indireta, não ficou constatada a retenção pela empresa da contribuição dos segurados, não se configurando, portanto, o crime de apropriação indébita; DA IMPUGNAÇÃO Cientificada em 29 de junho de 2007, a notificada, em 24 de julhó de 2007, tempestivamente, contestou o lançamento, por meio do instrumento constante às folhas 130 a 133, alegando, em síntese que: . que foram fornecidos ao auditor a tempo e hora, tudo que foi solicitado, de maneira íntegra e decente; que esclarece terem sido emitidos TIADs, sendo que nas correspondentes respostas aos mesmo a empresa alegou a impossibilidade de identificar as solicitações feitas nestas solicitações, deuse não por ato furtivo, muito menos por falta de interesse por parte da empresa, mas simplesmente pelo fato de que os documentos através dos quais, se extrairía o esclarecimento das informações Fl. 185DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 186 6 solicitadas já estavam de posse da Auditoria, restando assim a impossibilidade real da empresa em atender a demanda requerida; que a fiscalização optou pelo Sistema de Aferição Indireta para realizar o Levantamento dos Diferenciais, sendo que dentro desse próprio levantamento, para tanto, a fiscalização apropriouse de Notas Fiscais, Documentos e Recolhimentos dentro da correspondente competência. Sendo assim, não resta dúvida que, para o cumprimento do Princípio da Justiça, entende ser necessária a aplicação da competência no saldo de contribuições remanescentes, sendo que a forma como foi feito o levantamento penaliza sobremaneira a empresa; que caso não seja devidamente desconsiderada e nula a presente NFLD, solicita que sejam feitos novos cálculos, respeitandose a Competência. Esse cálculo deve apresentar a divisão da Área a Regularizar pelos meses de construção para depois multiplicar se o CUB do mês pela quantidade de metros quadrados; tv que os imóveis construídos foram sob Regime de Cooperativa destinados à rede de funcionários públicos e profissionais liberais, optouse por um acabamento de menor custo, o que caracteriza dentro da tabela SINDUSCON, enquadramento ao nível baixo; que foram efetivamente construídos pela Construtora somente uma área de 6.984,72 m2 correspondente ao Bloco “A” do Alvará de Construção, sendo que o Bloco “B” teve sua área de terreno vendida, portanto a área de 1.060,32 é de responsabilidade do Adquirente do terreno e não da Construtora; por fim requer nulidade e desconsideração total da NFLD, tendo em vista a fragilidade dos trabalhos feitos pela fiscalização, uma vez que existem fatos concretos de que não foram apropriados todos os valores que foram recolhidos e que a sistemática, em si, já fere de morte o princípio constitucional da ampla defesa. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: OBRA DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil é obtido mediante cálculo da mãode obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de Fl. 186DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 187 7 circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil. Cientificado do inteiro teor da decisão em 30/06/2008 (fl. 157), o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, tempestivamente, em 29/07/2008 (fls. 227/257), alegando, em síntese, que: 1) Preliminarmente Não ocorreu o fato gerador; A decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário. 2) No mérito relata o procedimento de aferição indireta efetuado para ao final requerer o provimento do recurso. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Prejudicial de mérito Decadência Após a Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal STF, que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido da imprescindibilidade de pagamento parcial do tributo para que seja aplicada a regra decadencial do artigo 150, §4° do CTN, o CARF sumulou o entendimento acerca do que se entende por pagamento parcial para fins de aplicação da regra decadencial. De acordo com a Súmula nº 99, considerase que houve pagamento parcial ainda quando os recolhimentos efetuados não se refiram à parcela remuneratória objeto do lançamento: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 188 8 De acordo com o Aviso de Regularização da Obra ARO de fls. 61/63 e documentos que servemlhe de fundamento, a obra de construção civil vertente teve início em 06/08/2002 e foi finalizada em 20/02/2006. Referido documento aponta a existência de 46 recolhimentos, com regularização parcial da obra. Todavia, não se constatou recolhimento parcial dentro de uma mesma competência, atraindo a incidência do prazo de contagem estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. A ciência do presente lançamento se deu em 29/06/2007 (fl.02). Assim, não há período decadente no presente lançamento. Destarte, o recurso voluntário não merece provimento. Preliminarmente Alegação de inexistência do fato gerador Em sede de preliminar, a recorrente alega que inexistiu o fato gerador da contribuição previdenciária. O fato gerador da contribuição previdenciária no caso vertente foi descrito pela autoridade lançadora no relatório fiscal da seguinte forma: Constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, a prestação de serviços remunerados pelos segurados empregado, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou de serviços de construção civil. Em suas razões recursais o sujeito passivo alega de maneira gerérica a inocorrência do fato gerador, não explicitando os motivos pelos quais entende que não existiu o fato gerador. Tratase, pois, de uma alegação evasiva desacompanhada de argumentação e meios probatórios. A princípio, cabe verificar se o presente lançamento foi confeccionado em consonância com o art. 142 do CTN, in verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do dispositivo transcrito verificase que um dos requisitos indispensáveis ao lançamento é a verificação da ocorrência do fato gerador. De fato, se o fisco não se desincumbir do ônus de demonstrar que efetivamente a hipótese de incidência tributária se concretizou no mundo fático, o lançamento é imprestável. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 189 9 O lançamento objeto da autuação se refere a crédito de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, lançado por arbitramento, de acordo com a área construída e ao padrão da obra, com base na tabela regional do CUB Custo Unitário Básico, fornecida pelo Sindicato da Indústria de Construção Civil SINDUSCON. Todavia, não é essa situação que os autos revelam. O relato da auditoria aponta que os fatos geradores das contribuições lançadas foram as pelos segurados empregados, contribuinte individual e cooperado intermediado por cooperativa de trabalho na execução de obra ou de serviços de construção civil. Impende ressaltar que o presente processo versa sobre o não pagamento de contribuições sociais previdenciárias no prazo estipuldado de vencimento. Estamos aqui a tratar de caso de descumprimento da obrigação principal, ou seja, do dever do contribuinte de pagar o tributo devido ao sujeito ativo da relação jurídicotributária. A obrigação tributária possui duas espécies, principal e acessória, sendo a primeira sempre de dar e a segunda podendo ser fazer, não fazer, tolerar algo no interesse público da fiscalização dos tributos, tendo o ente tributante, direito de constituir crédito em desfavor do particular. O art. 113 do Código Tributário Nacional define que “a obrigação tributária é principal ou acessória”, sendo que a principal, conforme seu § 1°, “surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente” e a acessória, conforme § 2°, “decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”, cabendo ainda uma conversão da acessória em principal, sempre que aquelas versarem sobre penas pecuniárias, no tocante ao § 3°, do art. 113 do mesmo diploma legal. Eis o disciplinamento legal: Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. No que concerne ao fato gerador da obrigação principal, temos como uma situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Ocorrendo a situação, surge a obrigação recolher aos cofres públicos o tributo devido. De outro lado, o fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que impõe a a prática de ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 190 10 Estabelece o CTN: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O Auto de Infração e seus anexos demonstram a contento a situação fática que deu ensejo à exigência fiscal, inclusive os elementos que foram analisados para se identificar a ocorrência dos fatos geradores. As bases de cálculo se encontram bem explicitadas no Relatório de Lançamentos. As alíquotas, por sua vez, podem ser visualizadas sem dificuldades pela leitura do Discriminativo Analíticod o Débito DAD. O Relatório Fundamentos Legais do Débito traz a discriminação, por período, da base legal utilizada para constituição do crédito previdenciário, além de que no próprio corpo do relatório fiscal houve menção aos dispositivos que levaram a auditoria a concluir pela concretização da hipótese de incidência tributária. Assim, não enxergo motivo para que se anule o Auto de Infração sob julgamento, posto que os requisitos formais e a motivação apresentadas foram suficientes para que o sujeito passivo exercesse o seu direito de defesa com amplitude, nem mereça reforma a decisão de primeira instância. Do mérito A recorrente não refuta, em sede recursal, expressamente o crédito tributário, limitandose a fazer um breve relato do lançamento e requerer de modo genérico o provimento do recurso voluntário. Ainda que não haja litígio a ser dirimido, não custa salientar que ultrapassada a questão da decadência parcial, o crédito tributário fora perfeitamente lançado. Desse modo, os procedimentos adotados para o levantamento estão de acordo com a legislação em vigor na data do lançamento, isto é, o artigo 33. §§ 4° e 6° da Lei 8.212/91. art. 234 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, "in verbis": § 4° Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. ('Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009). (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão Fl. 190DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 191 11 apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O Decreto n.° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) determina seu artigo 234 que: “na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos para a execução de obra de construção civil, pode ser obtido mediante o cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão da execução da obra, de acordo com os critérios estabelecidos pelo INSS. cabendo ao proprietário, dono da obra, incorporador, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário” No caso, a fiscalização constatou que a escrituração contábil não espelha a realidade econômicofinanceira da empresa, tendo optado pela desconsideração da contabilidade e o arbitramento das contribuições sociais previdenciárias e para terceiros sobre a obra de construção civil fiscalizada, de acordo com a área construída e o padrão de execução de obra de construção civil, conforme previsto nos parágrafos 3°. 4° e 6° do art. 33 da Lei n.° 8.212/91. Em conclusão, o lançamento referese a crédito de contribuições previdenciárias próprias da recorrente devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil de pessoa jurídica, sendo que o uso da aferição indireta, de acordo com o CUB Custo Unitário Básico, ocorreu em virtude de fatos legalmente descumpridos pela recorrente, dentre os quais a inconsistência dos registros contábeis. Destarte, não merece reforma a decisão de primeira instância. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 191DF CARF MF Processo nº 14041.000464/200729 Acórdão n.º 2201003.879 S2C2T1 Fl. 192 12 Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721522/2012-28
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. LEI 8.023/1990, ART. 2º, INCISOS IV E V. ABATE. VINICULTURA. SUINOCULTURA. TRANSFORMAÇÃO NA ÁREA RURAL EXPLORADA.
O abate de aves e suínos descaracteriza a atividade rural, por não se tipificar como avicultura e suinocultura, regidas pelo inciso IV, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990
Nos termos do inciso V, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990, a transformação de produtos agrícolas e pecuários apenas se ajusta ao conceito de atividade rural se a produção ocorrer na área rural explorada. É irrelevante a utilização de equipamentos de alta tecnologia.
POSTERGAÇÃO. DECRETO-LEI Nº 1.598/1972, ART. 6º, §5º. RIR/1980, ARTS. 154 E 171. PROVA.
Caberia ao auditor fiscal autuante aplicar os efeitos da postergação, com lançamento de diferença de imposto, correção monetária e juros de mora. A prova de eventual equívoco no lançamento, por falta de aplicação dos efeitos da postergação, compete ao contribuinte. Sem que tenha sido provado qualquer equívoco, é mantido o lançamento tributário.
MULTA. SUCESSORA. CTN, ART. 132.
O incorporador responde pelas multas devidas pela incorporada, conforme acórdão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo.
Numero da decisão: 9101-003.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à caracterização de atividade rural, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rêgo e (ii) quanto à postergação, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. LEI 8.023/1990, ART. 2º, INCISOS IV E V. ABATE. VINICULTURA. SUINOCULTURA. TRANSFORMAÇÃO NA ÁREA RURAL EXPLORADA. O abate de aves e suínos descaracteriza a atividade rural, por não se tipificar como avicultura e suinocultura, regidas pelo inciso IV, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990 Nos termos do inciso V, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990, a transformação de produtos agrícolas e pecuários apenas se ajusta ao conceito de atividade rural se a produção ocorrer na área rural explorada. É irrelevante a utilização de equipamentos de alta tecnologia. POSTERGAÇÃO. DECRETO-LEI Nº 1.598/1972, ART. 6º, §5º. RIR/1980, ARTS. 154 E 171. PROVA. Caberia ao auditor fiscal autuante aplicar os efeitos da postergação, com lançamento de diferença de imposto, correção monetária e juros de mora. A prova de eventual equívoco no lançamento, por falta de aplicação dos efeitos da postergação, compete ao contribuinte. Sem que tenha sido provado qualquer equívoco, é mantido o lançamento tributário. MULTA. SUCESSORA. CTN, ART. 132. O incorporador responde pelas multas devidas pela incorporada, conforme acórdão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo.
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DESCARACTERIZAÇÃO. LEI 8.023/1990, ART. 2º, INCISOS IV E V. ABATE. VINICULTURA. SUINOCULTURA. TRANSFORMAÇÃO NA ÁREA RURAL EXPLORADA. O abate de aves e suínos descaracteriza a atividade rural, por não se tipificar como avicultura e suinocultura, regidas pelo inciso IV, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990 Nos termos do inciso V, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990, a transformação de produtos agrícolas e pecuários apenas se ajusta ao conceito de atividade rural se a produção ocorrer na área rural explorada. É irrelevante a utilização de equipamentos de alta tecnologia. POSTERGAÇÃO. DECRETOLEI Nº 1.598/1972, ART. 6º, §5º. RIR/1980, ARTS. 154 E 171. PROVA. Caberia ao auditor fiscal autuante aplicar os efeitos da postergação, com lançamento de diferença de imposto, correção monetária e juros de mora. A prova de eventual equívoco no lançamento, por falta de aplicação dos efeitos da postergação, compete ao contribuinte. Sem que tenha sido provado qualquer equívoco, é mantido o lançamento tributário. MULTA. SUCESSORA. CTN, ART. 132. O incorporador responde pelas multas devidas pela incorporada, conforme acórdão do Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de recurso repetitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à caracterização de atividade rural, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 15 22 /2 01 2- 28 Fl. 1260DF CARF MF 2 por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Adriana Gomes Rêgo e (ii) quanto à postergação, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de processo originado por Autos de Infração de IRPJ quanto ao ano calendário de 2007, diante da glosa de depreciação acelerada incentivada, pois o auditor fiscal entendeu que a atividade desenvolvia pelo contribuinte não seria rural, com imposição de multa de 75%. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 15/27) (...) No dia 07/07/2011, a empresa BRF – BRASIL FOODS S/A, na qualidade de sucessora por incorporação da empresa AVIPAL NORDESTE S/A, apresentou os seguintes documentos e esclarecimentos: No que se refere à operação de incorporação da empresa Avipal Nordeste S/A pela BRF – Brasil Foods S/A, esclareceu que solicitou baixa perante a Receita Federal do Brasil em 08/09/2010, através do programa CNPJ, conforme documento de “Acompanhamento da solicitação CNPJ via internet”, em anexo. Que a solicitação foi aprovada pela RFB em 29/10/2010, porém, por se tratar de cadastro sincronizado, a baixa por incorporação ainda está condicionada a baixa também na Secretaria da Fazenda Estadual, a qual ainda está em tramitação, conforme “Acompanhamento” em anexo. (...) Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.261 3 3. Termo de Constatação e Intimação fiscal nº 002/2011 Após a análise da documentação apresentada, constatamos os seguintes fatos que foram relatados no termo acima descrito e entregue ao contribuinte no dia 04/10/2011 e intimamos o mesmo a apresentar os seguintes documentos/esclarecimentos: (...) 2. Que através do procedimento fiscal de Diligência instaurado anteriormente à presente fiscalização, conforme MPFD 05102002010002408, o fisco constatou que a empresa AVIPAL NORDESTE S/A, sucedida pela empresa BRF – BRASIL FOODS S/A, tinha seu processo produtivo dividido em 3 (três) fases: ➢ Fase 01 → Criação própria de aves denominadas avós e matrizes, efetuada na Granja de Recria de Matrizes JAÍBA. Ali permaneciam durante 22 semanas, recebendo ração, água, medicamentos e vacinas. Depois eram transferidas para as Granjas de Produção (GRANJA LIMOEIRO e GRANJA CAMUNDONGO) para produção dos ovos férteis incubáveis. Os ovos eram coletados diariamente e enviados para sala de refrigeração para posterior envio à empresa terceirizada, responsável pela incubação. O transporte era feito em caminhões climatizados. Quando do nascimento dos pintos, os mesmos eram devolvidos à AVIPAL. ➢ Fase 2 → Os pintos eram encaminhados para criação com parceiros, pessoas físicas (terceiros), da empresa, que eram responsáveis pelo manejo e estrutura, tais como, água, luz e equipamentos. Os pintos, ração, vacinas e assistência técnica eram fornecidos pela AVIPAL. Após 44 dias saíam dessas propriedades, destinandose ao abatedouro. ➢ Fase 3 → Após as aves chegarem ao ponto de abate, elas iam para a unidade fabril da empresa, onde eram recepcionadas (descarregadas dos caminhões), penduradas pelas patas, uma ao lado da outra, em Pendurador Automático e através de trilhos eram levadas para insensibilização elétrica, ocasionando o atordoamento das aves, para posterior sangria automática das mesmas e repasse feito manualmente. Nesses mesmos trilhos as aves entravam em tanque de escaldagem, saíam em direção à depenagem, entravam na depenadeira, saindo apenas as carcaças das aves. Através de um Despendurador automático, as mesmas eram retiradas e encaminhadas para pendura em nórea de área limpa. Esta pendura era feita em 1 ponto (pescoço) com destino a tanque de escaldagem dos pés para retirada das cutículas, depois entravam no depilador de patas, saindo com os pés limpos. O Coreamento (corte na pele do pescoço) era feito manualmente para facilitar a retirada da traquéia e papos. Neste mesmo pendurador, efetuavam a pendura agora em três pontos, incluindo as patas, para retirada da cloaca (feita com equipamento próprio, manuseado por funcionário) e eventração (exposição das vísceras para inspeção e posterior coleta dos miúdos). Inspeção Federal: inspeção sanitária das carcaças. Fl. 1262DF CARF MF 4 Após a Inspeção Federal, vinha a retirada dos miúdos (coração, fígado e moela, com retirada de queratina). Os miúdos seguem por tubulação para pré resfriamento. Posteriormente, ocorria a revisão das carcaças, conferindo a retirada das vísceras e miúdos comestíveis. Através de equipamento, também manuseado por funcionário, retirase o pulmão das aves. É feito o corte do pescoço e a revisão final das carcaças, visando retirada de contaminações biológicas. Nos mesmos penduradores (de 3 pontos) as carcaças vão para câmaras de pré resfriamento. Posteriormente, ocorre a pendura de carcaças encaminhadas para a sala de corte e pendura de carcaças destinadas a embalagem de frango inteiro. Para estes, são colocados os pacotes de miúdos (2 pés, moela, fígado e cabeça) nas carcaças, antes da embalagem. O coração é sempre destinado à embalagem individual e a moela excedente também é embalada em pacotes ou bandejas. Após a colocação do pacote de miúdos o frango é embalado em embalagem primária, através de um equipamento de funilamento, depois é feito o grampeamento das embalagens. O frango é colocado em embalagem secundária (caixas) e encaminhado, através de esteiras, para o túnel de congelamento. As carcaças destinadas à sala de corte passam por desossa e os cortes, tais como, peito, coxa, sobrecoxa, coxinha da asa, etc, são embalados também em embalagens primárias e depois são colocados em embalagens secundárias (caixas), seguindo em esteiras para congelamento. Após o congelamento dos produtos (frango e cortes), os mesmos passam por plastificadora e são paletizados para posterior expedição. (...) 6. Termo de Constatação Fiscal nº 005/2011 1. Analisando as respostas apresentadas, verificamos que a empresa AVIPAL NORDESTE S/A, sucedida por incorporação pela BRF – BRASIL FOODS S/A, durante o anocalendário 2007, considerou como receitas da Atividade Rural a soma das vendas dos produtos “in natura”. Pelo que foi possível concluir, a empresa considerava produtos “in natura” as aves abatidas e congeladas, vendidas inteiras, em cortes, seus miúdos e outros produtos das aves. Os produtos vendidos, considerados como atividade geral, eram os frangos temperados; produtos beneficiados, como mortadela, linguiça, salsicha, etc; Leite e seus derivados. (...) 4. No caso em concreto, constatamos que a empresa AVIPAL NORDESTE S/A, incorporada pela BRF – BRASIL FOODS S/A somente possuía criação própria de aves denominadas avós e matrizes (ativo imobilizado), cujo propósito era a produção de ovos férteis. Tais ovos eram enviados à empresa GLOBOAVES S/A, responsável pela incubação dos mesmos, e quando do nascimento dos pintos, os mesmos eram devolvidos à AVIPAL. Os pintos eram encaminhados pela AVIPAL para criação por terceiros (parceiros da empresa – pessoas físicas), os quais eram responsáveis pelo manejo e estrutura, tais como: água, luz e equipamentos. Ração, vacinas e assistência técnica eram fornecidas pela AVIPAL aos seus parceiros. Notase que a própria atividade de avicultura, assim definida como a criação Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.262 5 de aves para produção de alimentos, notadamente a carne e os ovos, não era feita exclusivamente pela empresa AVIPAL, e sim, através de parcerias. (...) 5. Mas o ponto crucial, assim entendido pelo fisco, está no inciso V, do artigo 58, onde está previsto que os meios utilizados na transformação dos produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, devem ser feitos com equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural. A intenção do legislador é justamente diferenciar o que seria considerado Atividade Rural do que seria considerado Industrialização, de forma que produtores rurais tenham uma tributação mais benéfica do que pequenas, médias ou grandes indústrias. É fato que os equipamentos utilizados pela AVIPAL no seu processo produtivo não são equipamentos considerados usuais na atividade rural. São equipamentos industriais, automatizados e de grande capacidade produtiva (cerca de 140.000 aves por ano – aproximadamente 400 aves por dia). 6. Diante das constatações acima, o fisco desconsiderará os benefícios fiscais decorrentes da atividade rural escriturada pela empresa AVIPAL NORDESTE S/A, sucedida pela BRF – BRASIL FOODS S/A, durante o anocalendário 2007 e cobrar, através de Auto de Infração, os tributos devidos considerando que toda a atividade exercida pela empresa era decorrente de Atividade Geral (Industrialização) (...) DESCRIÇÃO DAS IRREGULARIDADES 001 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA Valor referente ao Saldo de Depreciação Acelerada Incentivada, controlado na Parte B do LALUR, referente a bens adquiridos em períodos anteriores, aplicados na atividade rural, que ora foi descaracterizada pelo fisco. 002 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA Valor referente às aquisições de bens aplicados na atividade rural, no anocalendário 2007, cujos valores totais foram objeto de exclusão do lucro líquido na apuração do lucro real a título de Depreciação Acelerada Incentivada. Tal benefício foi desconsiderado pelo fisco em virtude da descaracterização da atividade rural, pois o trabalho de auditoria fiscal concluiu que a empresa, na verdade, exerceu atividade geral. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador julgou procedente a impugnação administrativa apresentada (fls. 994/1.015): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ATIVIDADE RURAL. EQUIPAMENTOS. UTENSÍLIOS. INTERPRETAÇÃO. Fl. 1264DF CARF MF 6 A expressão “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais”, a que se refere o inciso V, art. 2º da Lei nº 8.023/1990, deve ser interpretada como “todo aquele equipamento e utensílio que tenha pertinência e adequação para a transformação de produtos advindos de referida exploração econômica, desde que tais procedimentos (mesmo que industriais) mantenham as características e composição do produto ‘in natura’”. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. CRIADOR. RISCOS. Para efeito do direito ao benefício da depreciação acelerada incentivada, interpretase o termo “criador” como aquele que assume os riscos inerentes ao caráter cíclico da atividade rural. Diante desta decisão, o processo foi remetido para julgamento de recurso de ofício. A 1ª Turma da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de parcial provimento ao recurso de ofício, restabelecendo o tributo sem a imposição de multa punitiva na sucessão, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ATIVIDADE RURAL. DESCARACTERIZAÇÃO. A aplicação de equipamentos e utensílios que contrastam com aqueles usualmente empregados nas atividades rurais descaracteriza a atividade de transformação de produtos decorrentes da atividade rural, para efeitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, devendo o registro dos rendimentos correspondentes constar como receitas da atividade geral. DEPRECIAÇÃO ACELERADA INCENTIVADA. ATIVIDADE RURAL. Constatado que a pessoa jurídica autuada desenvolve atividade tipicamente industrial, concluise que a mesma não se enquadrava na situação de gozo dos benefícios fiscais almejados (depreciação acelerada incentivada). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SUCESSÃO EMPRESARIAL. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTAS PUNITIVAS. IMPOSSIBILIDADE O sucessor é responsável apenas pelos tributos pertinentes ao fundo ou estabelecimento adquirido, não, porém, pela multa que, mesmo de natureza tributária, ostenta caráter punitivo (CTN, arts. 132 e 133). Os autos foram remetidos à Procuradoria em 12/04/2016, que interpôs recurso especial em 11/05/2016. Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da responsabilidade de sucessor, nos termos do artigo 132 e 133, do Código Tributário Nacional. Indicou como paradigmas os acórdãos: (i) 2401003.650, no qual se decidiu "a empresa sucessora, in casu, por incorporação, responde pelos tributos, bem como pelas multas de natureza punitiva decorrente do descumprimento de obrigações Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.263 7 acessórias, da empresa sucedida" e (ii) 9101001.195, constando desta decisão que "O princípio da boafé não pode amparar a sucessora se o sócioadministrador era também o responsável pela administração da empresa incorporada e mentor da conduta fraudulenta que ensejou a qualificação da multa. Responsabilidade integral da sucessora pelos créditos tributários lançados, inclusive da multa de ofício qualificada, uma vez comprovado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula nº 47 do CARF)". O recurso especial da Procuradoria foi admitido por decisão do Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo), às fls. 1.106. A comparação entre os acórdão demonstra, claramente, a divergência de interpretação dada pelos colegiados ao dispositivo do art. 132, do CTN. Assim, enquanto no acórdão recorrido a turma de julgamento entendeu que os arts. 132 e 133, do CTN, dispõem que o sucessor por incorporação responde apenas pelos tributos devidos pelo incorporado, a turma que julgou o paradigma tomou direção contrária, assentando que referido dispositivo legal art. 132 do CTN, e jurisprudência administrativa e judicial, determina que o sucessor, além de responder pelos tributos, também responde pelas multas punitivas e moratórias. (...) Verificase, assim, que os casos em tudo se assemelham, mas as conclusões a que chegaram as Turmas de Julgamento foram totalmente opostas, o que caracteriza o dissenso jurisprudencial. (...) Tendo em vista o que foi acima exposto e examinado, e nos termos da competência que me foi atribuída pelo art. 68, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09/06/2015, e alterações posteriores, decido DAR SEGUIMENTO ao recurso, em face da caracterização de divergência jurisprudencial. O contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo seja negado provimento ao recurso especial (fls. 1.117/1.121). Ademais, o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 1.124/1.179), no qual sustenta divergência quanto aos seguintes temas: (i) caracterização da atividade rural, nos termos do artigo 2º, V, da Lei nº 8.023/1990, aplicada ao cultivo de cana de açúcar, indicando como paradigmas: (i.a) 10709.548 no qual se decidiu que "A utilização de equipamentos de elevada tecnologia, pelo criador de aves, na atividade de transformação, sem que haja alteração da composição e nas características do produto in natura, não tem o condão de desvirtuar o pressuposto legal para configuração de atividade rural. Tal exegese se extrai da interpretação finalística e funcional do preceito, bem como de interpretação histórico evolutiva." e Fl. 1266DF CARF MF 8 (i.b) 11000.014, do qual consta: "Caracteriza atividade rural a produção de cortes de aves e de suínos in natura integralmente realizada pelo criador, com assunção de riscos econômicos, utilizando a sua própria matéria prima originária da atividade rural". (ii) postergação do imposto, apontando como paradigma o acórdão nº 01 93.388, do qual se extrai: "fac à adição ao líquido para a determinação do lucro real das despesas normais de depreciação contabilizadas nos anos subsequentes, os efeitos fiscais foram anulados e se houve infração a legislação tributária deveria ter sido apurado na forma do Parecer Normativo COSIT nº 02/96" O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, conforme razões a seguir reproduzidas: Prestado o esclarecimento, verifico que o objetivo da análise é examinar a admissibilidade de Recurso Especial de divergência interposto BRF BRASIL FOODS S/A (fls. 1.124/1.179) contra o acórdão nº 1401001.521, de 01/02/2016, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento (fls. 1.050/1.073), mediante o qual, maioria de votos, deu provimento parcial ao Recurso de Ofício para restabelecer parcialmente a exigência lastreada na descaracterização da atividade rural no âmbito da depreciação acelerada incentivada, sem a parcela correspondente à multa punitiva na sucessão. (...) Inconformada, a Recorrente contesta o entendimento perfilhado mediante o qual foi descaracterizada a natureza rural da atividade desenvolvida pela sucedida, restando afastado o enquadramento na situação de gozo da depreciação acelerada incentivada, dedutível na apuração do Lucro Real, matéria que, pela leitura da ementa, preenche o requisito do prequestionamento recursal. Na abordagem, com o objetivo de demonstrar o dissenso, indicamse os paradigmas derivados dos Acórdãos nºs 107 09.548 (7ª Câmara do antigo Conselho de Contribuintes) e 1101 00.014 (1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento CARF), cujos teores, a despeito de estarem anexados à petição, são parcialmente reproduzidos pela Recorrente na petição, tomando os seguintes destaques: (...) Ponderando sobre a controvérsia, compreendo que, mediante o cotejo entre os acórdãos, seja perceptível a divergência de interpretação atribuída pelos colegiados. O tema tratado nos julgados dispõe de semelhança entre os fatos narrados, contudo, a decisão recorrida e paradigmas tratam de forma distinta a caracterização da atividade rural exercida pela pessoa jurídica, para fins de constituição da depreciação acelerada incentivada, cuja natureza é dedutível na apuração do IRPJ e da CSLL pela sistemática do Lucro Real. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retro expostas que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO TOTAL ao Recurso Especial em que se discute a caracterização Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.264 9 da atividade rural desenvolvida pela pessoa jurídica, capaz de permitir o enquadramento na situação de gozo da depreciação acelerada incentivada, dedutível na apuração do Lucro Real, tal como determina o caput do art. 68 do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 29/08/2016 (fls. 1.226), que apresentou contrarrazões em 01/09/2016 (fls. 1.227/1.234). Em síntese alega que: (i) o contribuinte Recorrente não desenvolveria atividade rural, diante da interpretação do artigo 2º, V, da Lei nº 8.023/1990, especificamente da interpretação da expressão “equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais”, empregada por tal dispositivo legal, tendo em vista a complexidade do seu processo produtivo; (ii) o contribuinte não se limitaria À exploração da agricultura, pois também teria atividades de “abate, resfriamento, congelamento, corte e embalagem em larga escala de aves”; (iii) o artigo 111, do Código Tributário Nacional definiria que a interpretação seria literal quanto à outorga de isenção, suspensão ou exclusão do crédito tributário; Como não foi apreciada pelo Presidente da Câmara a alegada divergência na interpretação da lei tributária a respeito da postergação do imposto, matéria tratada pelo contribuinte em seu recurso especial com a devida identificação de acórdão paradigma (101 93.388), os autos foram remetidos para complemento do despacho de admissibilidade (fls. 1.236/1.239). Nesse contexto, foi proferida decisão pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção (Conselheiro Rafael Vidal de Araújo) admitindo o recurso especial do contribuinte também quanto ao tema postergação do imposto, verbis: A recorrente também demonstrou, a meu ver, que a Turma recorrida emprestou interpretação distinta daquela encontrada no acórdão 10193.388, apontado como paradigma da divergência. (...) De fato, pelo exame do acórdão paradigma é possível concluir que o órgão julgador, mesmo não dispondo de provas da efetivo pagamento dos tributos nos anos subsequentes ao de sua competência, afastou a exigência por entender que o lançamento deveria ter sido realizado nos termos do Parecer Normativo COSIT n° 02/96. (...) De acordo. Com base nas razões expostas, ADMITO o recurso especial do sujeito passivo também relação à matéria referente à postergação do imposto. (fls. 1.240/1.245) Os autos foram novamente remetidos à Procuradoria em 26/07/2017 que apresentou contrarrazões complementares, alegando que: Fl. 1268DF CARF MF 10 (i) o contribuinte não teria provado o recolhimento de tributo de modo postergado; (ii) como não haveria recolhimento comprovado, não se afiguraria a hipótese do artigo 273, do RIR; (iii) e mesmo que houvesse comprovação da postergação, tal fato não implicaria na nulidade do lançamento, mas apenas redução do lançamento efetuado. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O recurso especial do contribuinte é tempestivo e foi admitido pelo Presidente da Câmara quanto a dois temas: (i) caracterização do exercício de atividade rural; (ii) postergação. O recurso especial da Procuradoria foi admitido para análise da multa na sucessora. Adoto as razões do Presidente de Turma para admitir ambos os recursos especiais. Passo à análise do mérito. Descaracterização da Atividade Rural Nos presentes autos, discutese a depreciação acelerada incentivada, na forma autorizada pela Medida Provisória nº 2.159/2001, que em seu artigo 6º prevê: Art. 6º Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano da aquisição. O benefício, portanto, depende dos seguintes requisitos: (a) pessoa jurídica exploradora de atividade rural; (b) sejam bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, sujeitos à depreciação. O recurso especial ora analisado trata do primeiro destes requisitos, qual seja, a definição do que seja pessoa jurídica exploradora de atividade rural, para gozo deste benefício. Destaco trecho do Termo de Verificação Fiscal que acompanha o auto de infração, para elucidar a matéria em debate: 6. Termo de Constatação Fiscal nº 005/2011 1. Analisando as respostas apresentadas, verificamos que a empresa AVIPAL NORDESTE S/A, sucedida por incorporação pela BRF – BRASIL FOODS S/A, durante o anocalendário Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.265 11 2007, considerou como receitas da Atividade Rural a soma das vendas dos produtos “in natura”. Pelo que foi possível concluir, a empresa considerava produtos “in natura” as aves abatidas e congeladas, vendidas inteiras, em cortes, seus miúdos e outros produtos das aves. Os produtos vendidos, considerados como atividade geral, eram os frangos temperados; produtos beneficiados, como mortadela, linguiça, salsicha, etc; Leite e seus derivados. (...) 4. No caso em concreto, constatamos que a empresa AVIPAL NORDESTE S/A, incorporada pela BRF – BRASIL FOODS S/A somente possuía criação própria de aves denominadas avós e matrizes (ativo imobilizado), cujo propósito era a produção de ovos férteis. Tais ovos eram enviados à empresa GLOBOAVES S/A, responsável pela incubação dos mesmos, e quando do nascimento dos pintos, os mesmos eram devolvidos à AVIPAL. Os pintos eram encaminhados pela AVIPAL para criação por terceiros (parceiros da empresa – pessoas físicas), os quais eram responsáveis pelo manejo e estrutura, tais como: água, luz e equipamentos. Ração, vacinas e assistência técnica eram fornecidas pela AVIPAL aos seus parceiros. Notase que a própria atividade de avicultura, assim definida como a criação de aves para produção de alimentos, notadamente a carne e os ovos, não era feita exclusivamente pela empresa AVIPAL, e sim, através de parcerias. (...) 5. Mas o ponto crucial, assim entendido pelo fisco, está no inciso V, do artigo 58, onde está previsto que os meios utilizados na transformação dos produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, devem ser feitos com equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural. A intenção do legislador é justamente diferenciar o que seria considerado Atividade Rural do que seria considerado Industrialização, de forma que produtores rurais tenham uma tributação mais benéfica do que pequenas, médias ou grandes indústrias. É fato que os equipamentos utilizados pela AVIPAL no seu processo produtivo não são equipamentos considerados usuais na atividade rural. São equipamentos industriais, automatizados e de grande capacidade produtiva (cerca de 140.000 aves por ano – aproximadamente 400 aves por dia). 6. Diante das constatações acima, o fisco desconsiderará os benefícios fiscais decorrentes da atividade rural escriturada pela empresa AVIPAL NORDESTE S/A, sucedida pela BRF – BRASIL FOODS S/A, durante o anocalendário 2007 e cobrar, através de Auto de Infração, os tributos devidos considerando que toda a atividade exercida pela empresa era decorrente de Atividade Geral (Industrialização) (...) A Lei nº 8.023/1995 trata da definição da atividade rural, destacandose os incisos IV e V tratados no Relatório que acompanha o auto de infração: Art. 2º Considerase atividade rural: Fl. 1270DF CARF MF 12 I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas. (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) Tal dispositivo foi reproduzido no RIR/1999, conforme artigo 58, que prevê: Art. 58. Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VI o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). Lembro que o conceito amplo de atividade rural prestigiado pela Lei nº 8.023/1990 contempla a "exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais" (inciso IV, do art. 2º). Fl. 1271DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.266 13 Ocorre que, como consta do Termo de Verificação Fiscal, a AVIPAL NORDESTE S/A, incorporada pela Recorrente (BRF – Brasil Foods S/A), fundamentalmente, possuía aves avós e matrizes, mas enviava os ovos para parceira (GLOBOAVES S/A) para incubação. Depois do nascimento, os pintos eram remetidos a outros parceiros para criação. A AVIPAL apenas os recebia para abate ao final na unidade fabril da empresa. A avicultura, portanto, era atividade exercida pelos parceiros. Ressalto, ainda, que o abate – que é a atividade principal desenvolvida diretamente pela AVIPAL descaracteriza a avicultura e suinocultura. Com efeito, a avicultura é prevista no código de atividades do IBGE dentro da Seção A, Divisão 01, Grupo 015, Classe 01555, Subitem 01555/01: Seção A Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura Divisão 01 Agricultura, Pecuária e serviços relacionados Grupo 015 Pecuária Classe 0155 Criação de aves Subclasse 01555/01 Criação de frangos para corte Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: a criação de frangos para corte Esta subclasse não compreende: a produção de pintos de 1 dia (01555/02) a criação de outros galináceos, exceto para corte (01555/03) a produção de ovos de galinha (01555/05) o abate de aves (10121/01) a preparação de produtos de carne (10139/01) a preparação de subprodutos do abate (10139/02) (grifo nosso) A suinocultura é prevista no código de atividades do IBGE dentro da Seção A, Divisão 01, Grupo 015, Classe 01547, Subitem 01547/00: Seção A Agricultura, Pecuária, Produção Florestal, Pesca e Aquicultura Divisão 01 Agricultura, Pecuária e serviços relacionados Grupo 015 Pecuária Classe 0154 Criação de suínos Subclasse 01547/00 Criação de suínos Notas Explicativas: Esta subclasse compreende: a criação de suínos para carne e banha Fl. 1272DF CARF MF 14 Esta subclasse compreende também: a produção de sêmen de suínos Esta subclasse não compreende: o abate de suínos em frigoríficos (10121/03) o abate de suínos em matadouros (10121/04) a preparação de produtos de carne, banha e salsicharia (1013 9/01) a preparação de subprodutos do abate (10139/02) o curtimento e outras preparações do couro (15106/00) (grifo nosso) As atividades da AVIPAL, portanto, não se amoldam à atividade de avicultura e suinocultura, como definidos pelo IBGE e pelo inciso IV, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1995. O contribuinte ainda não se amolda à previsão do artigo V, do artigo 2º, da Lei nº 8.023/1990, que prevê Art. 2º Considerase atividade rural: (...) V a transformação de produtos agrícolas ou pecuários, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura e não configure procedimento industrial feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. Não entendo que seja determinante a utilização de equipamentos de alta tecnologia, como também expresso no acórdão paradigma (10709.548). Destaco trecho do voto do exConselheiro Marcos Takata neste precedente: De plano, algumas conclusões são facilmente extraíveis. A transformação de produtos pecuários, antes infensa à configuração de atividade rural, atualmente não gera essa conseqüência, desde que feita pelo próprio criador e não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura (com equipamentos usualmente empregados na atividade). A transformação em tais termos quer configure ou não "procedimento industrial" é indiferente para a caracterização da atividade como rural. Aliás, desfigurar a atividade como rural pelo fato de a transformação em questão caracterizar "procedimento industrial" seria quase uma contradição de termos. Qual transformação, com utilização de equipamentos, não constitui "procedimento industrial", segundo a legislação do IPI? Restaria somente a atividade artesanal. Mas isso tornaria o preceito letra morta para pessoas jurídicas. A solução seria dar outra conotação para "procedimento industrial", menos ampla que à da legislação do IPI, para não tornar inócua a disposição para pessoas jurídicas. Ou mesmo um exercício exegético que ignorasse o termo "não configure procedimento industrial". Mas, como se disse, resulta claro agora que, mesmo havendo caracterização de procedimento industrial, a atividade rural não Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.267 15 resulta desfigurada, desde que atendidos os demais pressupostos legais. O ponto, assim, é o que se deve entender por "equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais". Mas, antes disso, é de se ver se a recorrente tem por atividade: a) a criação de aves; e b) "transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura". (...) Posto isso, a atividade da recorrente atende a esse aspecto do pressuposto legal do inciso V do art. 2° da Lei 8.023/90, vez que dita transformação é de produtos da exploração da avicultura (inciso IV do art. 2° da citada lei). Também, a mencionada transformação praticada pela recorrente que na presente lei certamente não é a mesma da definida pela legislação do IPI não traz alteração na composição e nas características do produto in natura. Afinal, o abate de aves, sua limpeza, acondicionamento e congelamento não importam em alteração na composição e nas características do produto in natura. Resta apreciar o ponto relativo a emprego de "equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais". A lei, de fato, não disse o que seriam equipamentos usualmente empregados nas atividades rurais. E nem faria sentido a lei definir isso, sob pena de ela perder sua funcionalidade e finalidade em breve espaço de tempo, além de contribuir para o não desenvolvimento, por ex., da atividade agrícola e pecuária. Isso porque seria um estímulo à não aquisição de equipamentos que gerassem ganho de escala, ou provocaria uma carga tributária maior, por descaracterização de atividade rural, o que também impactaria a competitividade internacional tal como o referido estímulo negativo. O que seriam, pois, equipamentos usuais no desenvolvimento da atividade em comentário? Não vejo como emprego de equipamentos inusuais o fato de se usarem equipamentos de alta tecnologia, que implicam ganho de produção em escala. Aliás, o desenvolvimento tecnológico em matéria agrícola e mesmo pastoril ou pecuária temse dado a uma velocidade significativa, notadamente, em comparação com algumas décadas atrás. (...) Ademais, notese que o termo "e não configure procedimento industrial" presente na redação primitiva do inciso V do art. 2° da Lei 8.023/90 foi expungida pela Lei 9.250/95. Logo, também sob o viés de uma interpretação históricoevolutiva, a conclusão seria de que a lei não interdita o emprego de equipamentos e maquinário de avançada tecnologia para a caracterização de atividade rural. O acórdão paradigma acima referido (nº 10709.548) foi mantido pela CSRF (acórdão 9101001.235). No entanto, ressalvou a Relatora (exConselheira Karem Jureidini) Fl. 1274DF CARF MF 16 que acompanhava que no caso então julgado “jamais mencionou que o contribuinte não promove a criação”: Por fim, importante esclarecer que no Processo Administrativo nº 13897.000840/200247, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, nesta mesma sessão, analisou a situação de contribuinte com objeto social semelhante, concluindo, naquele caso, pela descaracterização da atividade rural. Acompanhei o relator pelas conclusões, visto que naquele caso, além de se tratar de período distinto, a acusação fiscal apontou que o contribuinte efetuava parceria rural avícola com avicultores, para que estes criassem as aves, posteriormente enviadas ao contribuinte para abate. Ou seja, limitavase à atividade de abate de aves, enquanto que a criação era exercida por avicultores com quem o contribuinte celebrava “parceria rural”. No referido caso, acompanhei o relator pelas conclusões, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, já que a condição para que a transformação possa ensejar a depreciação acelerada está expressa no inciso V, artigo 2º, da Lei 8.023/90, que determina que tal transformação deve ocorrer em produtos decorrentes da atividade rural, sem alteração de sua característica e que aquele que transforma é o mesmo que cria, é o próprio criador. Ou seja, equiparouse a atividade rural, para efeito do benefício concedido na lei, à transformação, que é instituto afeto ao processo de industrialização. Vinculouse à transformação, entretanto, a condição de relação com a atividade rural, que se pretende beneficiar. No presente caso, a acusação fiscal jamais mencionou que o contribuinte não promove a criação, como inclusive consta dentre suas atividades no contrato social. De acordo com o que se verifica das fls. 137/140, a acusação fiscal está suportada substancialmente na existência de equipamentos modernos, nos investimentos e na tecnologia empregada no processo, bem como na declaração para o IPI, o que é insuficiente para descaracterizar a atividade como equiparada a rural para fins de utilização do benefício da depreciação acelerada. De fato, o inciso V exige para caracterização de atividade como rural com transformação de produtos agrícolas ou pecuários, que seja utilizada matéria prima produzida na área rural explorada. Este não é o caso da AVIPAL, como explicita o Termo de Verificação Fiscal, ao tratar da remessa dos ovos para incubação por parceiro (Globoaves) e criação das aves também por parceiros: 4. No caso em concreto, constatamos que a empresa AVIPAL NORDESTE S/A, incorporada pela BRF – BRASIL FOODS S/A somente possuía criação própria de aves denominadas avós e matrizes (ativo imobilizado), cujo propósito era a produção de ovos férteis. Tais ovos eram enviados à empresa GLOBOAVES S/A, responsável pela incubação dos mesmos, e quando do nascimento dos pintos, os mesmos eram devolvidos à AVIPAL. Os pintos eram encaminhados pela AVIPAL para criação por terceiros (parceiros da empresa – pessoas físicas), os quais eram Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.268 17 responsáveis pelo manejo e estrutura, tais como: água, luz e equipamentos. Ração, vacinas e assistência técnica eram fornecidas pela AVIPAL aos seus parceiros. Notase que a própria atividade de avicultura, assim definida como a criação de aves para produção de alimentos, notadamente a carne e os ovos, não era feita exclusivamente pela empresa AVIPAL, e sim, através de parcerias. (...) Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte quanto à caracterização de atividade rural. Postergação O acórdão recorrido julgou o tema da forma seguinte, conforme voto condutor, do Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos: Analisandose o caso concreto, verifico que não assiste razão à contribuinte. Constitui elemento consagrado pela jurisprudência que “não basta a simples alegação de ocorrência de postergação no pagamento de tributos, sendo necessária a comprovação de seus efeitos” (...) No caso concreto, a contribuinte restringiuse ao campo das alegações, abstendose de comprovar o efetivo recolhimento de imposto a maior nos anoscalendários subsequentes. Consequentemente, em conformidade com a jurisprudência consagrada no âmbito deste CARF, deve ser mantida a exigência fiscal. O contribuinte apresenta recurso especial alegando divergência na interpretação tributária a respeito dos efeitos da postergação, sustentando que “seria um dever do Fisco a aplicação da referida legislação e não uma questão de prova” (folha 1141, do recurso especial). Pede, assim, seja julgado improcedente o lançamento, com a aplicação do artigo 6º do DecretoLei nº 1.598 e Parecer Normativo COSIT 02/96. O DecretoLei nº 1.598/1972 tratava da postergação, conforme artigo 6º, §5º, verbis: Art 6º Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária. (...) § 5º A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar: a) a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou Fl. 1276DF CARF MF 18 b) a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 6º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro períodobase a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. § 7º O disposto nos §§ 4º e 6º não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência. A previsão foi reproduzida no RIR/1980 (Decreto nº 85.450/1980), aplicável ao caso destes autos, considerando a ocorrência de fato gerador em 1988), nos seguintes termos: Art. 154. Lucro real é o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Regulamento (arts. 387 e 388) (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°). Parágrafo único. Os valores que, por competirem a outro períodobase forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do exercício, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 4º). Art. 171. A inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, correção monetária ou multa, se dela resultar (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para exercício posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao períodobase de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no parágrafo único do art. 154 (Decreto Lei n° 1.598/77, art. 6°, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo único do art. 154 e no parágrafo 1° deste artigo não exclui a cobrança de correção monetária e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei n° 1.598/77, art. 6°, § 7º). No contexto das normas acima reproduzidas, o auditor fiscal autuante que constatasse a inexatidão quanto ao períodobase de escrituração de receita, rendimento, custo Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.269 19 ou dedução e mesmo do reconhecimento de lucro – deveria aplicar os efeitos da postergação, lançando diferença de tributo (se existente), correção monetária e juros de mora. Ocorre que se houvesse qualquer equívoco do auditor fiscal, por não aplicar os efeitos da postergação quando deveria fazêlo, tal fato deveria ser comprovado pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo. Ocorre que não foram acostados aos autos quaisquer declarações (DIRPJ, DIPJ, DCTF) ou guias (DARF), que pudessem demonstrar que houve pagamento de imposto em período base distinto, para fins de retificação do Auto de Infração, por falta de aplicação dos efeitos da postergação. Esclareço que, no entendimento desta relatora, caso provado pelo contribuinte o equívoco da Fiscalização, poderia ser retificado o lançamento, mas não seria caso de seu cancelamento. De toda sorte, sequer é caso de retificação do lançamento, diante da falta de prova pelo contribuinte da submissão dos rendimentos à tributação em período distinto. Esta Turma da CSRF, recentemente, decidiu de forma similar conforme acórdão nº 9101003.015, do qual colaciono ementa a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1988 PROVISÃO PARA CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA. Os créditos decorrentes de operações de mútuo com empresa interligadas somente podem compor a base de cálculo da provisão para créditos de liquidação duvidosa quando se tratar de operação objeto da atividade operacional da empresa. POSTERGAÇÃO. DECRETOLEI Nº 1.598/1972, ART. 6º, §5º. RIR/1980, ARTS. 154 E 171. PROVA. Caberia ao auditor fiscal autuante aplicar os efeitos da postergação, com lançamento de diferença de imposto, correção monetária e juros de mora. A prova de eventual equívoco no lançamento, por falta de aplicação dos efeitos da postergação, compete ao contribuinte. Sem que tenha sido provado qualquer equívoco, é mantido o lançamento tributário. Diante disso, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo o acórdão recorrido. Responsabilidade da sucessora Diante disso, passo à análise do recurso especial da Procuradoria, que trata da responsabilidade da sucessora. O acórdão recorrido afastou a responsabilidade, interpretando o artigo 132, do Código Tributário, por entenderem os Conselheiros que “a responsabilidade do sucessor abrange apenas os tributos devidos pelo sucedido, não alcançando as multas punitivas”. A respeito da discussão sobre a possibilidade de responsabilização tributária do sucessor pelas multas da empresa incorporada, entendo que este Conselho está adstrito à decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial regido pelo Fl. 1278DF CARF MF 20 artigo 543C, do anterior Código de Processo Civil, por força do artigo 62, II, b, do Regimento Interno deste Conselho (Portaria nº 343/2015). Sobreleva destacar o teor da decisão do Superior Tribunal de Justiça a esse respeito, que teve trânsito em julgado em 04/06/2013: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. INCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO. DESCONTOS INCONDICIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. LC N.º 87/96. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1111156/SP, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) 3. A base de cálculo possível do ICMS nas operações mercantis, à luz do texto constitucional, é o valor da operação mercantil efetivamente realizada ou, consoante o artigo 13, inciso I, da Lei Complementar n.º 87/96, "o valor de que decorrer a saída da mercadoria". 4. Desta sorte, afigurase inconteste que o ICMS descaracterizase acaso integrarem sua base de cálculo elementos estranhos à operação mercantil realizada, como, por exemplo, o valor intrínseco dos bens entregues por fabricante à empresa atacadista, a título de bonificação, ou seja, sem a efetiva cobrança de um preço sobre os mesmos. (...) Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.270 21 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012, Primeira Seção, DJe 24/06/2010) O E. Superior Tribunal de Justiça ainda julgou embargos de declaração nos autos do Recurso Especial nº 923.012, rejeitandoos, conforme ementa transcrita a seguir: EMBARGOS DECLARATÓRIOS EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS (INCORPORAÇÃO). ICMS. BASE DE CÁLCULO. VALOR DA OPERAÇÃO MERCANTIL. EXCLUSÃO DE MERCADORIAS DADAS EM BONIFICAÇÃO DESDE QUE INCONDICIONAL. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1a. SEÇÃO, NO RESP. 1.111.156/SP, REL .MIN. HUMBERTO MARTINS, DJE 22.10.2009, SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. ASSERTIVA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DE QUE NÃO FICOU COMPROVADA ESSA INCONDICIONALIDADE, NA HIPÓTESE DOS AUTOS. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DO JULGADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. É da tradição mais respeitável dos estudos de processo que o recurso de embargos de declaração, desafiado contra decisão judicial monocrática ou colegiada, se subordina, invencivelmente, à presença de pelo menos um destes requisitos: (a) obscuridade, (b) contradição ou (c) omissão, querendo isso dizer que, se a decisão embargada não contiver uma dessas falhas, o recurso não deve ser conhecido e, se conhecido, deve ser desprovido. Não se pode negligenciar ou desconsiderar a necessidade da observância rigorosa desses chamados pressupostos processuais, muito menos usar o recurso como forma de reversão pura e simples da conclusão do julgado. 2. As omissões e contradições apontadas, em verdade, não ocorreram; o que se constata é que o contribuinte pretende reverter o resultado do julgamento, tentando fazer prevalecer seu ponto de vista sobre os temas discutidos. 3. Quanto ao pedido de exclusão da base de cálculo do ICMS das mercadorias dadas em bonificação, restou assentado pelo acórdão recorrido, consoante trecho transcrito no aresto ora embargado, que somente os descontos incondicionais estão livres de integrar a base de cálculo do imposto, e que a empresa não fez qualquer prova de que as bonificações concedidas foram dadas dessa forma, ou seja, sem vinculação a qualquer tipo de condição; esse entendimento não diverge daquele assentado em inúmeros julgados desta Corte. 4. Tanto o tributo quanto as multas a ele associadas pelo descumprimento da obrigação principal fazem parte do patrimônio (direitos e obrigações) da empresa incorporada que se transfere ao incorporador, de modo que não pode ser cingida a sua cobrança, até porque a sociedade incorporada deixa de ostentar personalidade jurídica. 5. O que importa é a identificação do momento da ocorrência do fato gerador, que faz surgir a obrigação tributária, e do ato ou fato originador da sucessão, sendo desinfluente, como restou assentado no aresto embargado, Fl. 1280DF CARF MF 22 que esse crédito já esteja formalizado por meio de lançamento tributário, que apenas o materializa. 6. Embargos Declaratórios rejeitados. (EDcl no REsp 923012, DJe 24/04/2013) A questão foi ainda consolidada em Enunciado nº 554 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: Na hipótese de sucessão empresarial, a responsabilidade da sucessora abrange não apenas os tributos devidos pela sucedida, mas também as multas moratórias ou punitivas referentes a fatos geradores ocorridos até a data da sucessão. Em julgamentos realizados nesta Turma da CSRF, entendi pela aplicação do antigo Enunciado nº 47, da Súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para afastar a responsabilidade tributária de sucessor quando ausente controle comum, interpretando o artigo 132, do Código Tributário Nacional e a Súmula referida. Não obstante isso, o Presidente do CARF revogou a Súmula 47, conforme Portaria nº 72, de 17 de outubro de 2017. O PRESIDENTE DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF), no uso de suas atribuições, tendo em vista o disposto no art. 74, § 1º do Anexo I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e considerando o que consta da Nota Técnica ASTEJ/PRESIDÊNCIA/CARF/MF n° 03, de 11/10/2017, resolve: Art. 1° Fica revogada a Súmula CARF n° 47. Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Nesse contexto, voto por dar provimento ao recurso especial da Procuradoria, aplicando o acórdão repetitivo do E. Superior Tribunal de Justiça. Conclusão Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte e dar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10983.721522/201228 Acórdão n.º 9101003.226 CSRFT1 Fl. 1.271 23 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto Não tendo sido apresentada no prazo regimental (Portaria MF 343/2015, artigo 63, §6º e §7º), considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1282DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.008214/2002-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/10/1997, 31/12/1997, 31/07/1998, 30/09/1998, 30/11/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 31/12/1999
LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não incide multa de ofício e juros de mora sobre parcelas de valores depositados judicialmente tempestivos, mantém-se a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas.
Numero da decisão: 9303-005.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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JUROS DE MORA. DEPÓSITOS JUDICIAIS TEMPESTIVOS. IMPOSSIBILIDADE. Não incide multa de ofício e juros de mora sobre parcelas de valores depositados judicialmente tempestivos, mantémse a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 82 14 /2 00 2- 91 Fl. 1096DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, contra Acórdão nº 330100.478, proferido pela 3º Câmara/1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que sejam excluídos do lançamento a multa de oficio e os juros de mora, lançados e exigidos sobre os valores depositados judicialmente, mantendoos apenas sobre as diferenças nãodepositadas. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de recurso voluntário interposto contra a decisão proferida pela DRJ Brasília, DF, que julgou procedente o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) referente aos fatos geradores dos meses de competência de abril, outubro e dezembro de 1997, julho, setembro e novembro de 1998, janeiro a abril, junho, julho, setembro, outubro e dezembro de 1999. O lançamento corresponde aos valores mensais da contribuição devida, apurada com base na escrituração contábil e fiscal. Embora a recorrente tenha efetuado depósitos judiciais por conta das parcelas lançadas e exigidas, o autuante lançouas pelos valores integrais sob o argumento de que os depósitos foram em montantes inferiores aos devidos. Em face da insuficiência dos valores depositados, o crédito tributário foi constituído sem suspensão da exigibilidade e com a exigência de multa de oficio e juros de mora sobre os valores totais. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente interpôs a impugnação As fls. 524/527, alegando, em síntese, que, para os fatos geradores ocorridos até junho de 1999, depositou em juizo os valores da contribuição devida, e, para os demais meses, recolheu os valores lançados e exigidos, devendo, portanto, o lançamento ser cancelado. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgou o lançamento procedente, conforme acórdão n° 05.037, As fls. 660/662, assim ementado. "0 que suspende a exigibilidade do crédito tributário é o depósito do montante integral." Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs o recurso voluntário As fls. 671/678, requerendo a sua reforma a fim que se julgue improcedente o lançamento, na parte em que considerou litigiosa, alegando, em síntese, que depositou em juízo a contribuição devida, sendo que em alguns meses os valores depositados foram a maior e em outros a menor e, além dos depósitos judiciais, efetuou pagamentos complementares. Alegou, ainda, que são indevidos os valores exigidos a titulo de juros de mora e multa de oficio, em face da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por meio da ação judicial interposta. Analisado o recurso voluntário, os Membros da Primeira Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes não conheceu dele, por falta de Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10120.008214/200291 Acórdão n.º 9303005.878 CSRFT3 Fl. 1.097 3 apresentação de arrolamento de bens, no percentual de 30,0 % do crédito tributário discutido, conforme acórdão n°20178.242, As fls. 704/706. Intimada desse acórdão, a recorrente interpôs o mandado de segurança n° 2006.34.00.0238471, cópia As fls. 760/786, visando A concessão de liminar, em caráter definitivo, para que fosse apreciado o seu recurso voluntário pela Primeira Câmara daquele Conselho de Contribuintes. A liminar foi então concedida pelo MM Juiz Federal determinando que aquela câmara apreciasse o mérito do recurso. Por meio da Resolução n° 20100.765, As fls. 797/800, os Membros daquela câmara baixaram os autos em diligência para que fossem esclarecidas as seguintes questões: "1) houve trânsito em julgado? Em que data? Houve conversão dos depósitos em renda da Unido? Qual a situação atual do processo judicial? 2) Os depósitos judiciais eram integrais, relativamente aos valores lançados? Apresentar demonstrativos; 3) elaborar demonstrativo indicando os valores lançados, os valores declarados, os valores pagos, os valores depositados e os valores eventualmente convertidos em renda da União; 4) foi atendido o requerimento sobre a retificação dos depósitos judiciais? De que modo?" Em atendimento A. diligência, foram carreados aos autos os documentos às fls. 802/818. O Acórdão de decisão recorrida restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/10/1997, 31/12/1997, 31/07/1998, 30/09/1998, 30/11/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 31/12/1999 DEPÓSITOS JUDICIAIS. COMINAÇÕES LEGAIS Não incidem multa punitiva e juros de mora sobre as parcelas dos valores depositados judicialmente, mas tão somente sobre as diferenças da contribuição devida e nãodepositadas. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDAÇÃO Os valores depositados judicialmente e convertidos em renda da Unido Federal devem ser deduzidos do crédito tributário lançado e exigido na data de sua liquidação. Recurso Voluntário Provido Parcialmente". Fl. 1098DF CARF MF 4 Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o presente Recurso de Divergência, a fim de ser reformado em parte o Acórdão recorrido, restaurando a multa de oficio e os juros de mora incidentes sobre o valor depositado judicialmente pelo contribuinte, que haviam sido excluídos indevidamente da decisão recorrida. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma, o Acórdão nº CSRF/0105.148. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 3º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso. Devidamente cientificada, a Contribuinte articulou contrarrazões ao Recurso da Fazenda Nacional, requerendo o improvimento do Recurso interposto, para manter o que foi decidido pela decisão recorrida, impedindose assim, o lançamento de valores que foram depositados judicialmente. É o relatório. Voto Demes Brito Conselheiro Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito unicamente a exoneração ou não da multa de oficio e dos juros de mora sobre os valores depositados judicialmente, bem como, a manutenção dessas parcelas em relação as diferenças não depositadas. Com efeito, bem decidiu o acórdão recorrido, como dito, o lançamento em discussão não levou em conta os depósitos judiciais efetuados pela Contribuinte. A contribuição devida mensalmente foi lançada pelo valor integral, acrescida de juros de mora e multa de oficio. O depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. Neste sentido, a Lei nº 6.830, de 1980, dispõe o seguinte: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...). § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10120.008214/200291 Acórdão n.º 9303005.878 CSRFT3 Fl. 1.098 5 Deste modo, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora incidentes sobre parcelas do crédito tributário depositados judicialmente e tempestivos. Contudo, sobre os valores das parcelas que não foram depositadas, deve ser mantida a exigência da multa de ofício e dos juros de mora nos termos da lei. Este entendimento, encontrase em sintonia com o acórdão nº 9303003.221, desta E. Câmara Superior, de Relatoria do Ilustre Ex. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, o qual ficou decidido que não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositados judicialmente. Vejamos: CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDAÇÃO Os valores depositados judicialmente e convertidos em renda da Unido Federal devem ser deduzidos do crédito tributário lançado e exigido na data de sua liquidação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DEPÓSITOS JUDICIAIS. LANÇAMENTO DE OFICIO. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício de crédito tributário, objeto de discussão judicial, dispensase a exigência de juros de mora e de multa de ofício sobre os valores depositados, tempestivamente, mantendose a exigência apenas sobre as parcelas correspondentes às diferenças não depositadas. Recurso Negado. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1100DF CARF MF 6 Fl. 1101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.980818/2011-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o deferimento do pedido de restituição.
APRESENTAÇÃO DE DCOMP. PRAZO DECADENCIAL NÃO OBSERVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO
A Declaração de Compensação apresentada após o prazo decadencial previsto no artigo 168 do CTN para a repetição do indébito deverá ser não homologada.
Numero da decisão: 1301-002.672
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório requerido, com exceção do valor a que se refere o PER/DCOMP nº 19453.18898.210910.1.3.02-3410, homologando-se as compensações declaradas até o limite desse crédito, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o deferimento do pedido de restituição. APRESENTAÇÃO DE DCOMP. PRAZO DECADENCIAL NÃO OBSERVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO A Declaração de Compensação apresentada após o prazo decadencial previsto no artigo 168 do CTN para a repetição do indébito deverá ser não homologada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório requerido, com exceção do valor a que se refere o PER/DCOMP nº 19453.18898.210910.1.3.02-3410, homologando-se as compensações declaradas até o limite desse crédito, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o deferimento do pedido de restituição. APRESENTAÇÃO DE DCOMP. PRAZO DECADENCIAL NÃO OBSERVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO A Declaração de Compensação apresentada após o prazo decadencial previsto no artigo 168 do CTN para a repetição do indébito deverá ser não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 08 18 /2 01 1- 56 Fl. 175DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório requerido, com exceção do valor a que se refere o PER/DCOMP nº 19453.18898.210910.1.3.023410, homologandose as compensações declaradas até o limite desse crédito, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10880.980818/201156 Acórdão n.º 1301002.672 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Trata o processo das seguintes Declarações de Compensação, na qual a interessada pretende utilizar crédito de saldo negativo de IRPJ, do ano calendário de 2003, no valor de R$ 16.951.763,54: Em procedimento informatizado, foi emitido o Despacho Decisório nº 005613931, fls. 10, reconhecendo parcialmente o direito creditório, no valor de R$ 13.001.340,07. A utilização deste crédito para compensação dos débitos homologou a maioria das declarações de compensação, exceto as que seguem: Fl. 177DF CARF MF 4 Ainda, de acordo com a decisão, o direito creditório foi reconhecido parcialmente, pois as parcelas que formam o saldo negativo não foram totalmente confirmadas, conforme quadro abaixo: Com base no relatório Análise do Crédito, fls. 12/13, não foram confirmados todos os valores do imposto de renda retido na fonte, uma vez que não restou comprovado o oferecimento dos rendimentos, sobre os quais incidiram a retenção, na apuração do lucro real. Além disso, consta ainda que a DCOMP nº 19453.18898.210910.1.3.023410 foi transmitida após o prazo decadencial de 5 (cinco) para utilização do direito creditório. A ciência da decisão ocorreu em 17/10/2011. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 11/11/2011, fls. 25/36, alegando: em preliminar, alega a nulidade do Despacho Decisório, por apenas citar a legislação sem a indicação precisa da sua correlação com o fato, objeto do indeferimento, o que resulta em desrespeito ao direito de defesa. se o valor do crédito glosado é de R$ 3.950.423,07, não restou claro porque a exigência do débito não compensado é de R$ 6.540.223,57. quanto mérito, afirma que ofereceu os rendimentos no valor de R$ 19.752.109,37, relativo aos juros auferidos nas operações de “swap”, registrados contabilmente na conta nº 3410141 – “juros diversos”. informou estes rendimentos na DIPJ/2004 – Ficha 53, juntamente com o IRRF, que foi aproveitado para formação do saldo negativo de IRPJ, conforme Ficha 12 A. as importâncias foram devidamente informadas pelas fontes pagadoras dos juros. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10880.980818/201156 Acórdão n.º 1301002.672 S1C3T1 Fl. 4 5 quanto a DCOMP n° 19453.18898.210910.1.3.023410, afirma que, para crédito de saldo negativo, o artigo 890 do RIR não prevê prazo para o seu aproveitamento, o que impede a aplicação do artigo 168 do CTN. se fosse aplicável o artigo 168 do CTN, a contagem do prazo decadencial deveria se dar a partir da data da apresentação da DCOMP. A decisão da autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 149 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisitos necessários para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido de restituição. APRESENTAÇÃO DE DCOMP. PRAZO DECADENCIAL NÃO OBSERVADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO A Declaração de Compensação apresentada após o prazo decadencial previsto no artigo 168 do CTN para a repetição do indébito deverá ser não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de primeira instancia em 19/12/2013, o contribuinte apresentou, fl. 159 e segs, em 02/01/2014, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 19/12/2013, o contribuinte interpôs o mesmo no dia 02/01/2014. Atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Preliminar Nulidade do despacho decisório cerceamento de defesa Conforme relatado, em preliminar, o contribuinte alega a nulidade do Despacho Decisório, por apenas citar a legislação (Art. 168 do CTN, artigos 4 e 36 da IN 900/08 e artigo 6, inciso II, parágrafo 1º e 74 da Lei 9.430/96) sem a indicação precisa da sua correlação com o fato, objeto do indeferimento, o que resulta em desrespeito ao direito de defesa. Defende, em síntese, que o auto de infração deve conter obrigatoriamente descrição do fato e indicação da norma infringida, além da penalidade cabível, conforme artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Cita, ainda, o artigo 59, inciso II do mesmo decreto. Com toda vênia, me parece que o contribuinte se equivocou ao suscitar dispositivos legais aplicáveis a lavratura de auto de infração, o que invalidaria a maioria de seus argumentos, tendo em vista não ser o caso ora analisado decorrente autuação pela Receita Federal. De qualquer forma, entendo, em linha com a decisão de primeira instância, que não houve cerceamento de defesa, posto que o despacho decisório foi claro que não houve confirmação de todas as parcelas que compõem o saldo negativo por suposta falta de oferecimento de determinados rendimentos à tributação. Ademais, deixa claro que a DCOMP nº 19453.18898.210910.1.3.023410 não foi homologada pois foi transmitida após o prazo decadencial de 5 (cinco) para utilização do direito creditório. Ademais, as peças de defesa do contribuinte, que apresentam pormenorizadamente seus motivos de irresignação, confirmam que houve pleno entendimento dos motivos que fundamentaram o despacho decisório, uma vez que permitiu que o mesmo exercesse o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Desta forma, nego provimento a alegação de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento de defesa. Mérito Oferecimento à tributação das receitas sobre as quais houve retenção na fonte A principal insurgência recursal cingese a afirmação pelo contribuinte de que as parcelas glosadas de crédito tributário referemse a receitas devidamente oferecidas a Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10880.980818/201156 Acórdão n.º 1301002.672 S1C3T1 Fl. 5 7 tributação pelo contribuinte, a despeito do que foi, contrariamente, afirmado pelo despacho decisório e mantido pela decisão de primeira instancia. A decisão recorrida defende que não houve comprovação de oferecimento dos respectivos rendimentos a tributação, uma vez que os lançamentos contábeis/tributários da contribuinte demonstrariam a falta de inclusão dos mesmos na base tributável do IRPJ (Linha 21 – Ganhos Auferidos no Mercado de Renda Variável – Exceto DayTrade R$ 0). O contribuinte, por sua vez, alega que todo o valor sobre qual recaiu o imposto de fonte foi oferecido a tributação. Neste sentido, junta aos autos: 1. Balancete e livro razão (fl. 47 e 74) em que constam, na conta Juros diversos 3410141", como receita financeira, o valor total discutido (R$ 19.752.109,37); 2. DIPJ ficha 12 (fl 88) em que consta retenção do valor de R$ 16.951.763,54; 3. DIPJ ficha 53 (fl. 138) em que consta o rendimento bruto no valor total oferecido a tributação e o IRRF incidente nos exatos valores questionados (Bank Boston R$ 18.047.427,00 e Banco Votorantim R$ 1.704.690,35). 4. Informe de rendimentos do Bank Boston e Banco Votorantim demonstrando o valor tributado (fl. 141 e 142). De acordo com a legislação de regência, para que determinada retenção seja considerada como antecipação de imposto e, por conseguinte, parte componente do saldo negativo do IRPJ, o contribuinte deve apresentar os respectivos comprovantes de retenção (§ 2º do art. 923 do RIR/99) e, ademais, comprovar que os rendimentos a que se referem foram computados na determinação do lucro real (inciso III do §4º do Art. 2º da Lei 9.430/96). Neste mesmo sentido, dispõe a Sumula CARF 80: "Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto." Tendo em vista a documentação apresentada, entendo que os requisitos legais foram preenchidos de forma a garantir a necessária liquidez e certeza de que se exige do credito tributário para fins de compensação, conforme art. 170 do CTN. Dcomp nº 19453.18898.210910.1.3.023410 + 5 anos Conforme relatado, no que se refere à PER/DCOMP 19453.18898.210910.1.3.023410, entendeu o despacho decisório que não seria possível a homologação da compensação porquanto a referida PER/DCOMP teria sido transmitida em 21/09/2010, extrapolando o prazo de cinco anos, contado da data de apuração do saldo negativo (31/12/2003). A decisão recorrida entende que o saldo negativo de IRPJ/CSLL deve ser tratado como indébito tributário, devendo ser aplicada toda a legislação pertinente, inclusive o artigo 168 do CTN, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para pedir a restituição, contados da Fl. 181DF CARF MF 8 data do fato gerador. No presente caso, como o fato gerador ocorreu em 31/12/2003 e a DCOMP apresentada em 21/09/2010, não poderia aproveitar este crédito. O contribuinte por sua vez aduz que o saldo negativo do IRPJ não configura um indébito tributário em sentido estrito, isto é, um pagamento indevido ou um pagamento a maior de imposto, suscetível de restituição. Tratase, como é curial, de um resultado decorrente da apuração anual do imposto de renda da pessoa jurídica a ser aproveitado nos exercícios subsequentes. Alega que não se enquadra dentre as hipóteses do artigo art. 890 do RIR, eis que não se está diante de erro, duplicidade ou inexistência de débito a liquidar, e tampouco erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota, no cálculo do montante do débito ou na elaboração de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento. O saldo negativo é um resultado circunstancial, decorrente do fato de que o que foi retido e/ou recolhido ao longo do exercício sobejou aquilo que foi apurado em razão do resultado apurado. Por fim, defende que a falta de específica previsão legal para o aproveitamento do resultado negativo impede que se tome por empréstimo a regra de que trata o artigo 168 do Código Tributário Nacional, que fixa como quinquenal o prazo para se reclamar o indébito. E ainda que este "empréstimo" pudesse ser feito, o que se admite apenas para efeito de argumentação, o prazo de cinco anos há de ser contado não a partir da data da apuração do resultado negativo e sim da data da entrega da PERD/COMP inicial, posto que é nesta data que o contribuinte comunica ao fisco sua intenção de aproveitar o crédito para compensação (já que o crédito, a rigor, já foi informado na própria DIPJ). Entendo que não merece acolhida os argumentos trazidos na defesa, pois o saldo negativo de IRPJ/CSLL deve ser tratado como indébito tributário, devendo ser aplicada toda a legislação pertinente, inclusive o artigo 168 do CTN, que prevê o prazo de 5 (cinco) anos para pedir a restituição, contados da data do fato gerador. Contrariamente ao sustentado pelo contribuinte, entendo que o saldo negativo se enquadra dentre as hipóteses previstas pelo artigo 890 do Regulamento do Imposto de Renda, mais especificamente o inciso I do parágrafo 3º, vejamos: Art. 890. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de imposto de renda, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto de renda, apurado em períodos subseqüentes. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º Entendese por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior aquele proveniente de: I cobrança ou pagamento espontâneo de imposto, quando efetuado por erro, ou em duplicidade, ou sem que haja débito a liquidar, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao recolhimento ou pagamento; Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10880.980818/201156 Acórdão n.º 1301002.672 S1C3T1 Fl. 6 9 III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (grifei). Desta forma, em linha com a decisão de primeira instancia, como a data de inicio de contagem de prazo é 31/12/2003, a DCOMP apresentada em 21/09/2010 não poderia aproveitar este crédito. Caso o pedido de restituição tivesse sido apresentado até 31/12/2008, não haveria qualquer impedimento a apresentação de DCOMP após esta data, resguardadas as demais limitações legais. Conclusão Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000245/2008-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS.
Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite - caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matéria-prima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. PRODUTOS QUÍMICOS. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. TRATAMENTO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento de resíduos industriais.
Numero da decisão: 9303-005.643
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para não considerar como insumo os produtos utilizados no tratamento dos resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconelo, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONFEPAR AGROINDUSTRIAL COOPERATIVA CENTRAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS NA ASSEPSIA E HIGIENIZAÇÃO DOS TANQUES DE TRANSPORTE DE LEITE, SILOS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS. Os produtos químicos utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite caminhões, silos e equipamentos industriais são considerados essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis ser obrigatória a referida assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. O que, por conseguinte, há de se considerar a constituição de crédito das contribuições sobre os gastos com a aquisição dos referidos produtos químicos, em respeito à prevalência do critério da essencialidade para fins de conceituação de insumo para a geração do direito ao referido crédito. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. PRODUTOS QUÍMICOS. RESÍDUOS INDUSTRIAIS. TRATAMENTO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre gastos com aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento de resíduos industriais. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para não considerar como insumo os produtos utilizados no tratamento dos resíduos industriais, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconelo, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 45 /2 00 8- 93 Fl. 440DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3802001.475, da 2ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário para: · Restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; · Restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizados na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e · Homologar as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, requerendo a reforma do acórdão recorrido para restabelecer a glosa efetivada em relação aos produtos químicos utilizados na higienização dos equipamentos e no tratamento dos resíduos industriais. Apresenta, dentre outras, as seguintes razões: · Os produtos químicos utilizados na higienização de equipamentos e no tratamento dos resíduos industriais, embora não sejam bens do ativo permanente, não tiveram contato físico direto, nem exerceram diretamente ação no produto industrializado, assim não se enquadram na condição de insumo, tampouco podem ser aproveitados como créditos da contribuição. · A decisão ora recorrida, ao alargar o conceito de insumos dado pelos arts. 3º, II, da Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 c/c o disposto na IN´s SRF nºs 247/2002 e 404/2004, em razão de uma interpretação equivocada, acabou por criar dispensa de pagamento de tributo não prevista em lei. Por este motivo, deve ser restabelecida a decisão de primeira instância, a ratificadas. Em Despacho do Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 4 3 Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, cujos principais argumentos foram: · Os materiais informados nas contas 7.0.0.00.09 e 7.1.0.00.09 – produtos químicos são utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite – caminhões, silos e equipamentos industriais conforme nota da inspeção federal (SIF); · Os equipamentos operam com ciclos determinados sendo obrigatório a assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado; · O setor de laticínio gera resíduos industriais que necessitam ser tratados na estação de tratamento, devido ao grande teor de partículas gordurosas a utilização de reagentes químicos é necessário para o efetivo tratamento dos resíduos, a água tratada é destinada ao Ribeirão Cambezinho de acordo com a legislação ambiental, são utilizados os seguintes insumos: soda cáustica, ácido peracético, ácido nítrico, ácido sulfúrico, peróxido de hidrogênio, polímero aniônico, policloreto de alumínio, nutrientes e aminoácidos; · Por conseguinte, restam enquadrados no conceito de insumo, eis que a intenção da lei é favorecer a cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303 005.641, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 16366.000239/200836, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.641): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o despacho de exame de admissibilidade. Contrarrazões devem ser consideradas, eis que tempestivas." Fl. 442DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 5 4 Do Mérito "Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 6 5 “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 7 6 Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 8 7 § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; Fl. 446DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 9 8 e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 10 9 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 11 10 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos. ” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, manifesto minha concordância com o entendimento expressado pelo nobre conselheiro José Fernandes do Nascimento – que peço licença para transcrever parte: “[...] No caso em apreço, a higienização dos equipamentos industriais e o tratamento dos resíduos decorrentes do processo de industrialização são exigências do próprio Poder Público que devem ser cumpridas pela Recorrente, sob pena de inviabilizado o processo produtivo. Em consequência, os gastos com a aquisição dos produtos químicos utilizados nessa atividade são considerados insumos, posto que são essenciais à manutenção do processo de fabricação. No Acórdão nº 930301.740, ao analisar questão similar, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) manifestou o mesmo entendimento, conforme explicitado na ementa a seguir transcrita: COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF. 3ª Turma. Ac. 930301.740, de 9/11/2011, rel. Nanci Gama). Com base no exposto, fica demonstrado que os gastos com a aquisição dos produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e no tratamentos dos resíduos industriais, enquadramse no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, portanto, deve ser computado na base de cálculo dos créditos da Cofins.” Fl. 449DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 12 11 Ora, tal como exposto pelo sujeito passivo, os produtos químicos em questão são utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transportes do leite – caminhões, silos e equipamentos industriais conforme nota da inspeção federal (SIF) e tais equipamentos operam com ciclos determinados, sendo, assim, obrigatório a assepsia para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado. " (...)1 "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre os gastos incorridos com produtos químicos para o tratamento de resíduos industriais. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.833/2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Importante explicar, que minha concordância com a relatora em relação à manutenção dos créditos relativos a higienização dos equipamentos industriais, deuse porque entendo que efetivamente são itens consumidos diretamente no processo produtivo do leite. Porém não concordo com as razões motivadas por ela para aceitação do crédito, no sentido que para tanto, basta conferir a sua essencialidade em relação às atividades produtivas da empresa. Como está claro no meu voto, esta tese extrapola os limites estabelecidos pela lei. O objeto de discussão no recurso do contribuinte é quanto à possibilidade de manutenção de créditos da não cumulatividade da Cofins sobre as aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento de resíduos industriais. O acórdão recorrido entendeu pela possibilidade de tal creditamento, afirmando que tais produtos integram o conceito de insumos utilizados na produção dos bens produzidos e vendidos pelo produtor/vendedor. A Fazenda Nacional insurgese contra esta possibilidade argumentando em apertada síntese pela falta de previsão legal para a concessão dos créditos nesta hipótese. Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da essencialidade, adotado pelo acórdão recorrido e pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da Cofins: 1 Deixouse de transcrever o fragmento do voto do paradigma no qual a relatora reconhecia, também, o direito de créditos sobre as aquisições de produtos químicos utilizados no tratamento dos resíduos industriais, pois esse entedimento foi vencido, não se aplicando à solução do presente litígio (íntegra no processo paradigma). Fl. 450DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 13 12 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 451DF CARF MF Processo nº 16366.000245/200893 Acórdão n.º 9303005.643 CSRFT3 Fl. 14 13 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que os produtos químicos adquiridos para o tratamento de resíduos industriais não constituem insumos dos produtos fabricados e vendidos pelo contribuinte nem foram utilizados diretamente na produção dos bens produzidos/vendidos. Observe que a sua utilização somente realizase após a conclusão da fabricação ou produção do bem. Tratase de insumo utilizado após o fim do processo industrial. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto considerando que tais gastos não se enquadram no conceito de insumos nem foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos não é possível tal creditamento. Assim, por se tratar de despesas com bens que não foram utilizados no processo de produção dos bens produzidos/vendidos, mas no tratamento de resíduos industriais, as glosas dos créditos da contribuição, efetuadas pela autoridade administrativa, devem ser mantidas. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para não considerar como insumo os produtos utilizados no tratamento dos resíduos industriais. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 452DF CARF MF
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Numero do processo: 11543.720070/2013-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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