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Numero do processo: 13629.720397/2011-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo.
DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR O FATO GERADOR. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE DA LEI ORDINÁRIA.
Não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. A permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com os artigos 142 e 149, inciso VII, todos do CTN.
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PATENTES.
Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza.
Numero da decisão: 2202-004.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS PRATICADOS COM A FINALIDADE DE DISSIMULAR O FATO GERADOR. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE DA LEI ORDINÁRIA. Não há que se falar em regulamentação do art. 116 do CTN para que a autoridade lançadora efetue lançamento sobre atos considerados dissimulados. A permissão legal que a autoridade fiscal tem para realizar lançamento sobre atos dissimulados decorre da combinação do art. 116, parágrafo único, com os artigos 142 e 149, inciso VII, todos do CTN. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO. PATENTES. Está sujeita ao pagamento do imposto de renda a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 03 97 /2 01 1- 85 Fl. 639DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0954.089, proferido pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), que julgou procedente o lançamento, mantendo a cobrança do crédito tributário. Foi lançado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo aos anos calendário 2008, 2009 e 2010, no montante de R$ 746.286,39 (setecentos e quarenta e seis mil duzentos e oitenta e seis reais e trinta e nove centavos), incluídos multa de ofício e juros de mora. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão da DRJ/JFA, que resume os fatos narrados pela auditoria fiscal: Conforme Relatório Fiscal de fls. 13/21, em 25/04/2008 foi celebrado contrato pelo qual a empresa Magnesita Refratários S/A adquiriu a totalidade das 500.000 quotas da empresa Insider Insumos Refratários para Siderurgia Ltda, da qual o contribuinte fiscalizado era um dos sócios com 11% do total das quotas. Informa a autoridade lançadora que parte do preço de aquisição foi paga parceladamente em datas posteriores ao fechamento do negócio, incidindo juros sobre tais parcelas, conforme previsto no contrato. Com a fundamentação de que juros recebidos na alienação de bens ou direitos não compõem o valor de alienação, ou seja, o cálculo do ganho de capital, devendo ser tributados como rendimento sujeito à tabela progressiva, a Fiscalização lançou os juros recebidos pelo contribuinte como omissão de rendimentos, nos valores RS 131.407,38 e RS 87.642,01, relativos respectivamente aos anoscalendário 2009 e 2010. Motivou também o lançamento a omissão de ganhos de capital na alienação de direitos sobre patente, tendo a autoridade Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13629.720397/201185 Acórdão n.º 2202004.749 S2C2T2 Fl. 640 3 lançadora reclassificado o valor de RS 2.140.000,00, recebido pelo contribuinte a título de assessoria técnica e operacional, segundo constou em contrato de prestação de serviços com Magnesita Refratários S/A, para remuneração sobre direitos de patente. Esclarece o AuditorFiscal que, na transação em que a empresa Magnesita adquiriu a empresa Insider, constou cláusula contratual que exigia a transferência à adquirinte, a título gratuito, do direito à patente SIRI UM (modelo de utilidade) nº 84027940, pertencente ao contribuinte. Contudo, a Fiscalização formou a convicção de que o objeto do pagamento do valor de RS 2.140.000,00 foi o direito sobre a patente, e não a prestação dos serviços, detalhando em seu relatório os fatos que a levaram a este julgamento. Cientificado da autuação, apresentou impugnação (fls. 362/368), julgada improcedente pela DRJ/JFA, cujo acórdão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALIENAÇÃO A PRAZO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. JUROS. Os juros recebidos em face da alienação de participação societária integram a base de cálculo do imposto renda na declaração anual de ajuste. VALIDADE DOS ATOS PRATICADOS. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO Devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais praticados deramse em direção contrária a norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação. O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da DRJ/JFA em 10/09/2014 (fls. 451), o recorrente apresentou Recurso Voluntário em 09/10/2014, apenas para a parte relativa ao Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital na cessão da patente, repisando os argumentos da impugnação, que em síntese são os seguintes: Fl. 641DF CARF MF 4 · a patente foi registrada em seu nome porque estava à frente do projeto, mas ela pertencia à Insider, por isso houve acordo para que a transferência fosse gratuita; · pela experiência no negócio, o recorrente foi convidado a prestar serviços para a Insider e a Magnesita, por isso constituiu a empresa MMC; · foram realizados dois negócios distintos, a venda e compra de quotas da Insider, e a prestação de serviços mediante remuneração, sobre os quais houve recolhimento de tributos; · o art. 116 do CTN não é autoaplicável; Quanto ao crédito tributário relativo aos juros recebidos pelo contribuinte como omissão de rendimentos, informou que irá efetuar o pagamento. Dos pedidos O recorrente requer: · seja decotada a parte do imposto de renda incidente sobre juros, para pagamento imediato; · provimento do recurso e cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da matéria não impugnada O recorrente não recorreu do lançamento referente ao imposto de renda sobre juros, informando que iria recolher essa parte. Nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal no âmbito da União, consolidase administrativamente a matéria que não tenha sido expressamente impugnada, operandose em relação a ela a preclusão processual: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13629.720397/201185 Acórdão n.º 2202004.749 S2C2T2 Fl. 641 5 Em conseqüência, as matérias que deixaram de ser expressamente questionadas na impugnação não serão objeto de análise, vez que não se tornaram controvertidas. Do mérito O recorrente afirma que o equipamento foi desenvolvido pela Insider Insumos Refratários para Siderurgia Ltda (INSIDER), mas que o depósito da invenção foi feito em seu nome porque estava a frente do projeto, sendo um mero expediente burocrático. Por isso a patente da SIRI sempre foi dessa empresa, que por meio dele se destacou e se valorizou no mercado, além de ela ter custeado todos os investimentos no desenvolvimento da patente. Em razão disso, esta nunca constou na declaração de bens e direitos do recorrente. Assevera que se a patente fosse sua, teria maior participação societária na INSIDER, mesmo que a título de royalties pela suposta invenção ou cessão do uso; ou ainda poderia ter se retirado da sociedade e ganhado mais dinheiro explorando o negócio sozinho. Explica que durante o due diligence para conclusão da transação com a Magnesita Refratários S/A (MAGNESITA), foi constatado que a patente da SIRI, pertencente à INSIDER estava registrada em nome do recorrente, por isso ficou acordado entre os vendedores das quotas da empresa, que a patente da SIRI seria transferida gratuitamente para a INSIDER. Não há como acolher os argumentos do recorrente. Ele alega que a INSIDER era proprietária da patente, entretanto, não apresenta qualquer prova dessa situação. Tudo que se tem nos autos são documentos que comprovam que a patente pertencia a ele, conforme se verifica às fls. 483. Da mesma forma, diz que a INSIDER arcou com todos os custos de invenção da patente, mas nem sequer apresenta qualquer documento relativo a esses custos. Portanto, tratamse de alegações genéricas, desprovidas de qualquer elemento para confirmá las. O defendente arrazoa que a transferência foi gratuita, porque no preço das quotas estavam incluídos todos os ativos operacionais da INSIDER, inclusive a patente, que se constituía como um dos ativos de maior valor dessa sociedade. Assim, o negócio com a MAGNESITA era pacote fechado, por isso que constou em contrato como condição suspensiva a cessão e transferência, a título gratuito, da propriedade da patente SIRI. A alegação do recorrente é contraditória; primeiro, porque não foram apresentadas provas de que a patente realmente pertencia a INSIDER, e se não pertencia não havia porque fazer parte da venda; segundo, se o valor da patente como ele diz já estava incluso no valor dos ativos, e a negociação se deu a pacote fechado, por que foi estipulado em contrato a cessão gratuita da patente e os direitos sobre ela? Ora, se estava incluso no pacote de venda, a cessão não se deu de forma gratuita. Ademais, faltam provas de que o valor da patente estava inclusa no pacote de vendas. É certo que no contrato de venda das participações societárias há a condição de cessão dos direitos sobre as patentes pelo recorrente, sem que se diga qual o percentual do total do negócio correspondia à patente. O recorrente acrescenta que, quando da negociação com a MAGNESITA, recebeu proposta para permanecer no negócio como consultor do Grupo MAGNESITA, tendo firmado com aquela empresa e a Magsé Participações Ltda. (MAGSÉ), um Memorando de Entendimentos, por meio do qual se obrigava a prestar serviços para a INSIDER e para o Fl. 643DF CARF MF 6 Grupo MAGNESITA; por isso, constituiu em 24/05/2008 a sociedade MMC Consultoria e Participações Ltda. (MMC), que foi contratada em 31/10/2008 pela INSIDER e pelo Grupo Magnesita, cuja remuneração se daria por remuneração inicial, mensal, por performance, e anual, sendo que o valor de R$ 2.000.000,00 correspondeu à remuneração inicial, que foi paga de uma só vez pela MAGNESITA à sociedade MMC. Tal forma de remuneração foi aceito pela MAGNESITA, em função da expertise de qualificação do recorrente. Aduz que o contrato firmado entre as partes possuía todos os requisitos de validade, e que o fato de o imposto retido na nota fiscal não constar na DIRF da MAGNESITA, só pode ser imputado a esta, não sendo indício de fraude ou simulação. Assevera que os vendedores das quotas da INSIDER cooperaram com a MAGNESITA durante o período de transição, mas tal fato não tem relação com esta empresa ter proposto ao recorrente que continuasse como seu prestador de serviços. Comunica que prestou serviços para a MAGNESITA por meio da MMC por 5 anos (20082012), por força do contrato de trabalho, sendo nomeado Diretor de Operações de Talco em 27/06/2011, e que a vinculação de seu CNPJ às atividades rurais decorre do fato de ter adquirido propriedades rurais após a venda de suas quotas. Novamente, as alegações do recorrente não se sustentam. Conforme se verifica no anexo constante ao Memorando de Entendimentos firmado entre o recorrente e o Grupo MAGNESITA (fls. 510), há a previsão de apresentação de relatórios de atividades desenvolvidas pela MMC, entretanto, como relatado pela auditoria só foram apresentadas as notas fiscais emitidas e os contratos, mesmo após intimação para apresentação de tais relatórios, como forma de provar que o negócio se tratava realmente de prestação de serviços: 2.2 Os serviços da Contratada deverão ser prestados à Contratante diretamente pelo Sr. Marcio Moraes de Castro ("MMC"), ou por funcionários designados e diretamente supervisionados por ele, os quais deverão ter comprovada experiência no setor de atuação da Contratante, além de ilibada reputação. 2.3 A Contratada deverá apresentar, sempre que solicitado pelos sócios da Contratante, informações irrestritas acerca das atividades por ela desenvolvidas, além de relatórios discriminando tais atividades. Diante das alegações da auditoria acerca da simulação quanto à prestação de serviços, o recorrente deveria ter apresentado provas robustas para contradizer o afirmado pelo autuante, além daquelas apresentadas durante o procedimento fiscal que não se prestaram a provar que a remuneração inicial recebida por ele, decorreu tão somente da prestação de serviços. Aliás, é incomum receber uma remuneração tão disforme das praticadas no mercado por serviços de consultoria, ainda mais por um serviço ainda não prestado. Diante das provas constantes nos autos, firmo meu entendimento de que a MAGNESITA estabeleceu com o recorrente um contrato de compra e venda da patente da SIRI, travestido de contrato de prestação de serviços profissionais pela MMC, que incluiu como parte do negócio o repasse de conhecimentos do recorrente em relação ao SIRI, e a remuneração inicial de R$ 2.140.000,00 pagos pela MAGNESITA foi a contrapartida dessa compra, e o diferencial entre o recebido pelo recorrente por ser o proprietário da patente, em relação ao recebido pelos demais sócios. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13629.720397/201185 Acórdão n.º 2202004.749 S2C2T2 Fl. 642 7 Ora, sendo ele um dos sócios e proprietário da patente, quando do pagamento proporcional dos valores recebidos em função da venda das cotas da INSIDER, o valor destinado a cada um deveria manter relação com o número de quotas deles. E a forma encontrada para "compensar" o recorrente pela propriedade da patente foi esse valor inicial, seguida da condição de repassar os conhecimentos técnicos da SIRI para a empresa compradora, fato que quem só poderia fazer seria o proprietário, que o desenvolveu e detinha os conhecimentos técnicos sobre o produto. Tivesse a negociação incluído o valor da patente, todos os sócios receberiam pela patente, que não os pertencia, por isso, a patente foi negociada a parte por meio de um Memorando de Entendimentos entre o recorrente e o Grupo Magnesita e um contrato de prestação de serviços profissionais entre o recorrente e a INSIDER. Isso explica as Notas Fiscais (fls. 532/533), que representam a suposta remuneração inicial terem sido pagas pela MAGNESITA, e não pela INSIDER, apesar de o contrato de prestação de serviços (fls. 523/531) ter sido firmado entre esta empresa e o recorrente. Analisando o contrato de prestação de serviços entre a Insider e a MMC, extraemse os seguintes trechos: 6.2 A Contratada comprometese ainda, por si e seus sócios, administradores e funcionários, a não usar qualquer informação confidencial para benefício próprio ou benefício de qualquer pessoa física ou jurídica que não seja a Contratante, incluindo, mas não se limitando, a informações sobre o SIRI e os produtos desenvolvidos a partir de sua utilização. [...] 7.5 O presente Contrato também poderá ser imediatamente rescindido pela Contratante na hipótese de (i) a Contratada violar qualquer disposição deste Contrato ou MMC violar qualquer disposição do Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, celebrado em 25 de abril de 2008 entre Magnesita Refratários S.A., Contram Serviços Industriais Ltda., MMC e os Srs. Fernando Carlos Miranda e Nilson Ussem, (ii) MMC, por qualquer motivo, não ser mais sócio, administrador ou funcionário da Contratada ou deixar de prestar os serviços nos termos deste Contrato, ou (iii) ocorrência de danos causados à Contratante resultantes de atos praticados com dolo ou culpa pela Contratada, sendo que, nestes casos, não serão devidas, pela Contratante, qualquer tipo de indenização, ficando a Contratada obrigada a pagar (a) uma multa não compensatória no valor correspondente a 10% (dez por cento) do valor deste Contrato, sem prejuízo dos demais remédios legais aplicáveis, e (b) a indenização prevista na Cláusula 7.4 acima. (Grifei). Percebese que o contrato da MMC está vinculado ao contrato da venda INSIDER. Assim, vejo o contrato de prestação de serviços como um complemento do contrato de compra de venda da INSIDER, entretanto, firmado de forma separada apenas em decorrência da patente, pois se fosse um único contrato, o valor de venda total deveria ser dividido entre os demais, que receberiam pela patente da qual não eram proprietários. Ora, no contrato de cessão gratuita da patente firmado entre a INSIDER e o recorrente, este ficou responsável por repassar todos os conhecimentos sobre ela, de forma similar ao que ficou ajustado no contrato firmado entre a MMC e o Grupo Magnesita: Fl. 645DF CARF MF 8 (i) enviar à Cessionária todos os desenhos, planos e outros documentos técnicos existentes que sejam necessários ou úteis para a utilização da Patente e fabricação dos produtos relacionados à Patente, assim como fornecer todo o knowhow e informação técnica de que disponha e que seja necessários ou úteis para dita utilização e fabricação pela Cessionária; (ii) proporcionar à Cessionária todos os materiais necessários ou úteis, assim como prestar os serviços de assistência técnica e formação de pessoal da Cessionária que sejam necessários e adequados à execução deste Instrumento, incluindo, se necessário e mediante prévio acordo expresso entre as Partes, através de deslocamento do Cedente. As Partes definirão de comum acordo, caso a caso, a atribuição do ônus e responsabilidade de pagamento dos custos e despesas envolvidos no deslocamento (inclusive passagens aéreas internacionais), hospedagem e alimentação do Cedente; (iii) abster da prática de qualquer ato que implique em obstáculo ou empecilho à livre fruição e utilização da Patente e dos direitos decorrentes da Patente nela Cessionária: e (iv) não requerer, de qualquer modo, direta ou indiretamente, no Brasil ou em qualquer outra jurisdição, o registro da Patente ou solicitar qualquer outra forma de proteção de propriedade intelectual com relação à Patente. (Grifei). Como se percebe, a cessão da patente inclui a prestação dos "serviços de assistência técnica e formação de pessoal da Cessionária que sejam necessários e adequados à execução deste Instrumento.", o que guarda relação com o contrato de prestação de serviços firmado entre a MMC e o Grupo MAGNESITA, corroborando o entendimento que neste contrato não se tratou apenas de prestação de serviço, mas da compra e venda da patente em que estavam inclusos os serviços de assistência técnica e formação do pessoal. Ora, se o recorrente já tinha se comprometido com a INSIDER, por meio do contrato de cessão gratuita da patente, a prestar serviços de assistência técnica e repassar os conhecimentos sobre o SIRI tanto para a INSIDER quanto para empresas do Grupo MAGNESITA, não haveria razão para o recorrente, por meio de uma empresa, ter firmado contrato com o Grupo MAGNESITA para que fossem prestados os mesmos serviços. Como a MAGNESITA aceita pagar um elevado valor, por um serviço que já tinha obtido gratuitamente, por meio do contrato de cessão gratuita da patente? E mais, se a cessão foi gratuita, por que o recorrente se comprometeu com a MAGNESITA, por meio da MMC, a prestar serviços que incluía a mesma transferência de knowhow, recebendo logo de início um valor pela celebração do acordo? Contrato da INSIDER com MMC Instrumento particular de cessão total e transferência de direitos sobre patente (fls. 625) II. OBJETO 2.1 Constitui objeto do presente Contrato, a prestação de serviços de consultoria empresarial pela Contratada à Contratante, ao Grupo Magnesita ou a qualquer outra empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da Contratante e do Grupo Magnesita, tendo como escopo (i) desenvolver projetos, auxiliar na gestão da Contratante e demais atividades relacionadas com o objeto social da Contratante, de acordo com os termos e condições gerais estabelecidos pelos seus administradores ou sócios; IV. DAS OBRIGAÇÕES DO CEDENTE (i) enviar à Cessionária todos os desenhos, planos e outros documentos técnicos existentes que sejam necessários ou úteis para a utilização da Patente e fabricação dos produtos relacionados à Patente, assim como fornecer todo o knowhow e informação técnica de que disponha e que seja necessários ou úteis para dita utilização e fabricação pela Cessionária; (ii) proporcionar à Cessionária todos os materiais necessários ou úteis, assim como prestar os serviços de assistência técnica e formação de pessoal da Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13629.720397/201185 Acórdão n.º 2202004.749 S2C2T2 Fl. 643 9 (ii) cumprir as estratégias, as metas e OS objetivos fixados e aprovados pelos sócios da Contratante para a sua área específica de atuação; (iii) prestar assessoria técnica e operacional com relação ao SIRI Sistema de Injeção Rotativa Insider" ("SIRI"), incluindo a realização de treinamentos relacionados à construção, instalação, operacionalização, funcionamento e comercialização de produtos desenvolvidos a partir do SIRI e, conforme o caso, do próprio SIRI, aos funcionários e clientes designados pela Contratante; (iv) auxiliar na comercialização de produtos desenvolvidos a partir do SIRI e outros produtos desenvolvidos e/ou produzidos pela Contratante, prestando assessoria em todas as etapas da comercialização, entrega e manutenção; (v) participar na divulgação dos produtos oferecidos pela Contratante, participando de seminários, palestras e reuniões com clientes ou fornecedores; (vi) prospectar novos clientes e auxiliar no desenvolvimento de novas tecnologias e novos produtos; (vi) respeitar o Contrato Social e as atividades compreendidas no objeto social da Contratante, preservando a imagem e as boas relações com os clientes e fornecedores da Contratante; e (vii) representar a Contratante, nos termos e limites das procurações eventualmente outorgadas pela Contratante. Cessionária que sejam necessários e adequados à execução deste Instrumento, incluindo, se necessário e mediante prévio acordo expresso entre as Partes, através de deslocamento do Cedente. As Partes definirão de comum acordo, caso a caso, a atribuição do ônus e responsabilidade de pagamento dos custos e despesas envolvidos no deslocamento (inclusive passagens aéreas internacionais), hospedagem e alimentação do Cedente; (iii) abster da prática de qualquer ato que implique em obstáculo ou empecilho à livre fruição e utilização da Patente e dos direitos decorrentes da Patente pela Cessionária; e (iv) não requerer, de qualquer modo, direta ou indiretamente, no Brasil ou em qualquer outra jurisdição, o registro da Patente ou solicitar qualquer outra forma de proteção de propriedade intelectual com relação à Patente. Tanto no Memorando de Entendimentos entre o recorrente e o Grupo MAGNESITA (fls. 510), quanto no contrato de prestação de serviços entre a Insider e a MMC (fls. 523) consta que este contrato só foi firmado porque o recorrente detinha os conhecimentos técnicos em relação ao SIRI: Memorando de Entendimentos Considerando que: (A) MMC, Fernando Carlos Miranda, Nilson Ussem e Contram Serviços Industriais Ltda. (em conjunto, "Vendedores") e Magnesita, celebraram nesta data o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças ("Contrato"), que estabelece os termos e condições para transferência da totalidade das quotas de emissão da Insider Insumos Refratários para Siderurgia Ltda. ("Insider") de titularidade dos Vendedores para a Magnesita; (B) O Grupo Magnesita tem interesse em que MMC continue prestando serviços à Insider e passe a prestar serviços às demais sociedades pertencentes ao mesmo grupo econômico do Grupo Magnesita; (C) MMC pretende constituir uma nova sociedade para prestação dos serviços mencionados no Considerando (B) acima ("Newco Márcio"); Contrato de prestação de serviços IV. Obrigação Adicional da Contratada Fl. 647DF CARF MF 10 4.1 A Contratada reconhece que o conhecimento técnico de MMC em relação ao SIRI é de fundamental importância para a prestação dos serviços ora contratados, e concorda em designar, sempre que solicitado, MMC para prestar os serviços à Contratante relacionados ao SIRI, sendo que, na hipótese do serviço não ser prestado por MMC, este deverá instruir e supervisionar diretamente o funcionário da Contratada que irá prestar o serviço. 4.2 A Contratada concorda, ainda, como parte dos serviços ora contratados, em fazer com que todo o conhecimento técnico detido por MMC em relação ao SIRI seja transmitido aos funcionários da Contratante. (Grifei) A meu ver, como o recorrente já tinha cedido os direitos da patente para a INSIDER e se comprometido a não divulgar esses conhecimentos sobre o SIRI, inclusive com a obrigação de assessorar e repassar os conhecimentos sobre esse produto, não há razão para um contrato separado para empresa de sua propriedade para prestar os mesmos serviços, que já haviam sido "oferecidos" a título gratuito, a não ser que a suposta remuneração não fosse nada mais do que "recompensa" pela transferência da patente, travestida na forma de pagamento por serviços prestados: V. Remuneração: 5.1 A Contratada terá o direito de receber as seguintes remunerações (conforme definidas abaixo): (i) Remuneração Inicial; (ii) Remuneração Mensal; (iii) Remuneração por Performance; e (iv) Remuneração Anual (em conjunto, "Remunerações"'). 5.2 Pela celebração do presente Contrato e o comprometimento da Contratada pelo cumprimento das obrigações aqui estabelecidas, será pago à Contratada, neste ato, o valor bruto de R$2.000.000,00 (dois milhões de reais) ("Remuneração Inicial"), mediante Transferência Eletrônica Disponível ("TED") na conta corrente n.° 18, de titularidade da Contratada, mantida junto à Caixa Econômica Federal, Agência 3286 ("Conta"). 5.3 Como contraprestação pelos serviços a serem prestados à Contratante, a Contratada receberá, mensalmente, remuneração no valor bruto de R$40.000,00 (quarenta mil reais), a qual deverá ser paga mediante TED na Conta, até o 5o (quinto) Dia Útil (conforme definido abaixo) do mês subseqüente ao dos serviços prestados, mediante apresentação de nota fiscal ("Remuneração Mensal"). 5.4 Pelo cumprimento das metas definidas anualmente em conjunto pelas Partes, a Contratada terá direito a receber uma remuneração adicional anual, cujo valor corresponderá a até 20 (vinte) vezes o valor da Remuneração Mensal ("Remuneração por Performance"), sendo que as metas a serem cumpridas no primeiro ano de vigência deste Contrato deverão ser definidas em até 2 (dois) meses contados a partir desta data, e constarão de termo aditivo a este Contrato. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13629.720397/201185 Acórdão n.º 2202004.749 S2C2T2 Fl. 644 11 5.4.1 A Remuneração por Performance deverá ser paga pela Contratada mediante TED na Conta até o último Dia Útil (conforme definido abaixo) do mês de março de cada ano calendário. 5.5 A cada 12 (doze) meses completados como prestadora de serviços à Contratante, e pelo período máximo de 5 (cinco) anos contados desta data, a Contratada terá o direito de receber, mediante TED na Conta, o valor bruto de R$1.000.000,00 (um milhão de reais) ("Remuneração Anual"), sendo que este valor será corrigido pela variação do índice Geral de Preços de Mercado IGPM, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas ("IGPM") ou, caso o IGPM seja extinto ou deixe de ser divulgado, por índice equivalente que venha a substituílo, acrescido de juros de 2% (dois por cento) ao ano, calculado pro rata temporis. Portanto, diante dessas evidências, não me restou convencida de que a remuneração paga ao recorrente, decorreu de prestação de serviço, mas da transferência de sua patente, que incluiu o fornecimento do conhecimento técnico sobre ela. Fica evidente que o negócio foi um pacote onde estava incluso o valor da patente condicionada ao repasse do conhecimento técnico sobre ela pelo prazo de 5 (cinco) anos pago em parcelas, deduzidas conforme remuneração acima transcrita. O recorrente alega ainda que, o art. 116 do CTN não é autoaplicável e a autoridade administrativa não poderia desconsiderar os negócios. Sem respaldo a alegação do recorrente. O art. 149 do CTN estabelece os casos em que é cabível o lançamento de ofício, trazendo em seu inciso VII, a hipótese de simulação. Por seu turno, o art. 142 desse Código estabelece a competência da autoridade administrativa para constituir o crédito tributário pelo lançamento, cabendo a ele verificar a ocorrência do fato gerador. Neste ponto, ressalto que, para verificar essa ocorrência a autoridade deve analisar todas as circunstâncias e elementos que permeiam esse fato gerador, inclusive descartando falsas evidências que poderiam deixálo encoberto aos "olhos" do Fisco. Assim, o art. 149 deu à autoridade fiscal a competência para efetuar o lançamento fiscal nos casos em que ocorre simulação. E o parágrafo único do art. 116 chancelou essa competência, ao estabelecer que essa autoridade pode desconsiderar atos ou negócios que dissimulam a ocorrência do fato gerador do tributo. Portanto, a autoridade fiscal pode, ao contrário do que entende o recorrente, desconsiderar os atos e negócios, amparada pelo parágrafo único referido, corroborado pelo inciso VII do art. 142, e art. 146, todos do Código Tributário Nacional. Nesse sentido, o parágrafo único do art. 116 do CTN não engessou a atuação da autoridade fiscal, que ao verificar a ocorrência do fato gerador se depara com casos de simulação. Ao contrário, o Auditor Fiscal deve efetuar o lançamento nos termos do art. 142 do CTN. Assim, ele não age aleatoriamente, mas obedece a procedimentos regulamente estabelecidos e de acordo com dispositivos legais específicos aplicados a cada tributo. Na verificação da ocorrência do fato gerador, o autuante relata vários fatos que o levaram a concluir que o negócio celebrado não se tratou de prestação de serviços (fls. 16/17): Fl. 649DF CARF MF 12 o Houve retenção na fonte (na Nota Fiscal) para pagamento do valor em questão, porém não consta na Dirf da Magnesita; Intimada a apresentar a Dirf correspondente, a Magnesita apresentou um recibo onde aparece o nome da empresa MMC Consultoria e Participações Ltda, porém NÃO CONSTA na Dirf que está nos sistemas de dados da Receita Federal, o nome da empresa como beneficiária, revelandose tal documento em descompasso com os dados constantes dos sistemas da Receita Federal, conforme cópia de consulta juntada ao processo administrativo fiscal. Curiosamente, esse recibo veio acompanhando expediente de autoria, conforme lá consta, do contador Leonardo Figueiredo Moreira, porém não foi assinado; o O pagamento foi feito no início do contrato, em valor total, circunstância bastante incomum nesses tipos de contrato de prestação de serviços; o Um melhoramento numa máquina já utilizada nas indústrias correlatas requer alteração na sua operação, mas jamais essa operacionalização exigiria o pagamento de dois milhões de reais para ser transmitida. Ressaltese que o conhecimento da invenção e seus direitos respectivos são objetos da patente em si, e o pagamento por direitos de patente são tributáveis como rendimentos do inventor, no caso, Márcio. Com efeito, os direitos sobre a patente incluem, conforme cláusulas 4.1.i e 4.1.ii do Instrumento Particular de Cessão Total e Transferência de Direitos sobre Patente, "4.1.i enviar à Cessionária todos os desenhos, planos e outros documentos técnicos existentes que sejam necessários ou úteis para a utilização da Patente e fabricação dos produtos relacionaods à Patente, assim como fornecer todo o knowhow e informação técnica de que disponha e que seja necessários (sic) ou úteis para dita utilização e fabricação pela Cessionária; 4.1.ii proporcionar à Cessionária todos os materiais necessários ou úteis, assim como prestar os serviços de assistência técnica e formação de pessoal da Cessionária que sejam necessários e adequados à execução deste Instrumento, incluindo, se necessário e mediante prévio acordo expresso entre as Partes, através de deslocamento do Cedente. As Partes definirão de comum acordo, caso a caso, a atribuição do ônus e responsabilidade de pagamento dos custos e despesas envolvíaos no deslocamento (inclusive passagens aéreas internacionais), hospedagem e alimentação do Cedente;" Ora, isto tudo incluído no Contrato de Compra e Venda das Quotas, impossível existirem outras obrigações adicionais relacionadas à Patente que justificassem o pagamento de mais de dois milhões de reais, senão o próprio direito sobre a Patente; o O Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, pelo qual a Magnesita adquire a totalidade das quotas da Insider, estabelece, em suas cláusulas 2.1.9 e 2.5, que os vendedores prestarão todo tipo de cooperação, durante o período de transição (mais de seis meses). Essa cooperação envolve todos os aspectos, incluindo gestão, financeiro, operacional, etc. Logo, o conhecimento sobre a operação da máquina objeto da patente está incluída nessa cláusula e não poderia gerar um contrato de prestação de serviços adicional, mormente no valor de dois milhões de reais; Além disso, às fls. 16, ressalta: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13629.720397/201185 Acórdão n.º 2202004.749 S2C2T2 Fl. 645 13 Em 13/11/2008 a empresa MMC Consultoria e Participações Ltda, CNPJ 09.545.618/000101, cujo sócio majoritário é o Márcio, recebeu da Magnesita Refratários SA o total de R$ 2.140.000,00 (dois milhões e cento e quarenta mil reais), a título de "Assessoria técnica/operacional", segundo consta, em conformidade com Contrato de Prestação de Serviços e Outras Avenças. Porém, tal pagamento deve ser classificado como remuneração sobre direitos de patente, e não como prestação de serviços de consultoria. Com efeito, o direito sobre a patente MU 8402794 é da pessoa física de Márcio Moraes de Castro, que a transferiu, por exigência da Magnesita, à Insider. Tal operação se justifica tão somente como contrapartida da transmissão do direito da patente para a Insider, que evidentemente não seria gratuita. Diante dos fatos acima apurados, a autoridade fiscal considerou que os negócios firmados entre o recorrente e demais empresas citadas ao longo desse voto não condiziam com a verdade real. A despeito de o recorrente não ter apresentado provas que pudessem contradizer o afirmado pela fiscalização, e que pudessem convencer esta relatora do contrário, entendo que o contrato de prestação de serviços foi uma contrapartida da compra e venda não gratuita da patente pertence ao recorrente, passível de tributação. Por essas considerações, entendo que não merece reforma o acórdão recorrido, devendo a exigência fiscal ser mantida. Quanto à solicitação do recorrente para que seja decotada a parte do crédito tributário relativo ao imposto de renda sobre juros, o procedimento deve ser feito junto à Unidade de Origem. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 651DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973126/2012-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO.
Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revela-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o despacho decisório e/ou a decisão recorrida que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
DACON. NATUREZA JURÍDICA.
A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A DCTF é instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário.
APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL.
Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração.
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE.
Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente-se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória.
Numero da decisão: 3001-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, bem como o pedido de diligência, ambos suscitados no Recurso Voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indefere-se pedido de diligência quando sua realização revela-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório e/ou a decisão recorrida que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Saliente-se que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 DILIGÊNCIA. PEDIDO. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando sua realização revelase prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório e/ou a decisão recorrida que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 DACON. NATUREZA JURÍDICA. A Dacon não é declaração, mas demonstrativo de apuração, e os valores nele expressos não configuram confissão de divida, por expressa inexistência de disposição legal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DCTF é instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 31 26 /2 01 2- 32 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 97 2 argumentos do contribuinte quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. PEDIDO COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, bem como o pedido de diligência, ambos suscitados no Recurso Voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0260.938, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE que, em sessão de julgamento realizada em 14.10.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 11210.40391.290611.1.3.044082, transmitido em 29.06.2011. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 44 a 52), verbis: Relatório DESPACHO DECISÓRIO Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 98 3 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 40236605, emitido eletronicamente em 05/11/2012, referente ao PER/DCOMP nº 11210.40391.290611.1.3.044082. O Per/Dcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$ 48.508,12, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/01/2007. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que não obstante a Intimação do DD ter sido emitida em total contradição com a legislação tributária, há de se observar o direito de a requerente ter o prosseguimento do seu recurso, assegurado pela Lei nº 9430/96; que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o DD; que a autoridade administrativa quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da Legalidade, Motivação e Observância das formalidades; que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; que a única conclusão que resta é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido e o crédito declarado em DCTF; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 99 4 que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 900/2008; que a autoridade administrativa furtouse em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; que o despacho é totalmente nulo por ausência de motivação; que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; que a requerente, ao calcular a Cofins, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, incluiu não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôla; que se utilizou de algumas teses tributárias já julgadas pelo STF de forma favorável aos contribuintes; que o pedido formulado tem como base a declaração de inconstitucionalidade, em total consonância com o disposto na Lei 9430, de 1996; que a requerente postulou o reconhecimento do crédito somente pela via administrativa, já que a inconstitucionalidade desta ampliação já foi declarada e cuja ação já transitou em julgado; que é legítima a pretensão da recorrente em verse restituída do que foi pago sobre base de cálculo indevidamente ampliada; que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pedese que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, que seja acatada a preliminar de nulidade, que sejam promovidas as diligências necessárias à Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 100 5 comprovação do crédito, que este seja reconhecido e que a compensação seja homologada. Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese da "INTIMAÇÃO Nº 14/20154" (e fl. 53) e Aviso de Recebimento "AR" (efl. 64), conheceu do teor do acórdão vergastado em 16.09.2015, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 15.10.2015, registra a apresentação do presente recurso voluntário, é o que expressa o "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 94). Do recurso voluntário Após ser cientificado da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário (efls. 66 a 93), pleitear a nulidade e/ou reforma do referido acórdão de manifestação de inconformidade. Destaquese, afora os argumentos tecidos no sentido de ver anulado o acórdão recorrido, faz uso deste expediente recursal para basicamente reprisar os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Não obstante a similitude dos referidos argumentos, faço questão de sintetizá los. Vejamos, que: 01 a IN RFB nº 900, de 2008, ao disciplinar a forma como se processa a restituição e/ou compensação, impõe condições e obrigações que dizem respeito ao direito material de restituir ou compensar, extrapolando o limite de sua competência, razão pela qual entende que deve ser reconhecida a nulidade da decisão administrativa, porquanto o suposto fundamento jurídico, que consiste na simples afirmativa de que o crédito postulado está utilizado para pagamento de débito declarado, não encontra supedâneo na Lei; Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 101 6 02 o procedimento fiscal, diferentemente do aduzido no acórdão combatido, não, desrespeitou o princípio da eficiência administrativa, do dever de motivação e do contraditório e ampla defesa; 03 a autoridade administrativa, ao se manifestar acerca da DComp, informa que não há crédito porque o valor pretendido está vinculado a outro débito já declarado anteriormente, ou seja, à época de sua apuração; porém, não obstante a falta de amparo legal, impõe a retificação da DCTF correspondente, para fins de amparar seu pleito restituitório/compensatório; 04 a apuração do débito se deu em conformidade à legislação, bem assim a interpretação desta legislação firmada à época da apuração da ocorrência do fato gerador, e por esta razão, recolhido e declarado como tal, enquadrandose perfeitamente ao conceito de ato jurídico perfeito; 05 não subsiste o fundamento de que sem tornar disponível o crédito, através da retificação da DCTF, não pode ser ele reconhecido, seja pela inexistência de amparo legal para esta exigência, tanto na Lei como na Instrução Normativa, constituindo verdadeira afronta ao primado da Legalidade; 06 o que está se questionando é o fato de a autoridade julgadora pretender reduzir um direito constitucionalmente garantido a uma simples obrigação acessória, haja vista que a discussão encampada até então, está no âmbito das normas infralegais, ou seja, se há o dever de retificar ou não a DCTF, posto que em nenhum momento o crédito foi alvo de análise; 07 não consta no despacho decisório, confirmado pelo acórdão recorrido, motivação para a negativa do pedido formulado em Per/DComp; 08 com as alterações legislativas, introduzidas pela Lei nº 12.844, de 2013, que modificou as disposições do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 2002, determinouse que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STF e STJ, inclusive, com a revisão de ofício dos lançamentos realizados; 09 o cenário jurídico atual permite a aplicação das decisões dos tribunais superiores aos demais contribuintes não envolvidos naquela relação processual e mais, determina que com base nessas decisões, seja feira a revisão dos lançamentos dentro do prazo prescricional de cinco anos; 10 diante desta nova ordem jurídica, a própria RFB formulou consulta à PGFN no sentido de entender a repercussão no âmbito de suas atribuições desta nova sistemática, que em resposta a esta provocação, foi aprovado o Parecer PGFN nº 396, de 2013; contudo, não foi assim que agiu a autoridade julgadora, devendo, portanto, ser reformada a sua decisão; 11 por ser optante pelo Lucro Presumido, apurando o Pis e Cofins cumulativos, nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, devese observar o conceito de faturamento, tal como preconizado pelos RE's 357.950, 390.840 e 346.084; 12 nos referidos recursos o STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que pretendeu a ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, para incidir sobre todas as receitas, retornandose a incidência do Pis e Cofins Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 102 7 cumulativos somente sobre o conceito de faturamento, assim entendido o resultado da venda de bens e serviços; 13 para o deslinde do caso, devese considerar a possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do Pis e da Cofins, de igual modo já julgado pelo RE 240.785, posto que o Pis e Cofins devem incidir somente sobre o faturamento de forma que o valor cobrado a título de ICMS não se trata sequer de sua receita, quiçá cumprir os requisitos do conceito de faturamento; 14 não há que prevalecer o argumento da decisão recorrida, no sentido da preclusão de apresentação de prova documental, porquanto não apresentado em sede de manifestação de inconformidade, na medida que este não é o momento certo para a produção de provas, a teor do artigo 226 combinado com o artigo 305, inciso III, da Portaria MF nº 203 de 2012, que determina a competência para a Derat para análise de restituição e/ou compensação, importando em matéria não apresentada anteriormente, até mesmo pela própria administração, além de contrariar o que atualmente é determinado pela Lei nº 12.844, de 2013, que determina a revisão dos lançamentos, amoldandose à figura do direito superveniente, preconizado pela alegada alínea "b" do parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Do todo exposto, requer: (I) a reforma do acórdão recorrido, para fins de julgar improcedente a decisão que não homologou a compensação pretendida; (II) alternativamente, seja o julgamento convertido em diligência, para que a unidade fiscal de origem produza as provas com o escopo de demonstrar a legitimidade do crédito declarado em Per/DComp; e (III) por derradeiro, a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, em especial prova documental, bem assim a realização das diligências requeridas acima, necessárias à solução do litígio em questão. Do encaminhamento Em razão disso, em 16.10.2015, os presentes autos ascenderam ao Carf (efl. 95) que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 103 8 de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 15.10.2015, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 16.09.2015; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência Quanto ao pedido de diligência efetuado pelo recorrente, entendo que todos os elementos necessários à formação da convicção deste julgador se encontram presentes nos autos, o que, por si só, já responde à condicionante corretamente suscitada pelo interessado, ao assentar que "Se assim entender a Autoridade Julgadora o julgamento pode ser convertido em diligência para análise dos documentos ora juntados". Destarte, aplicase o artigo 18 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, que dispõe que a "autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". Embora o comando legal inserido na norma em referência esteja direcionado ao julgador administrativo de primeira instância, entendo também aplicável a esta instância recursal diante de eventual necessidade de esclarecimento de fatos necessários ao julgamento da lide, o que não ocorre no presente caso. Neste sentido, indefiro pleito. Das alegações de inconstitucionalidade Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pelo recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade e outras) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22.12.2009 a seguir ementada, verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. Da preliminar de nulidade De plano, esclareço que pactuo com os argumentos e conclusões do Relator do voto condutor do acórdão recorrido. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 104 9 Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e, por conseguinte, da decisão recorrida, por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão ao recorrente. Como bem aventado pelo próprio interessado, o instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002 dispõe, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos de Cofins, e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a Cofins 11210.40391.290611.1.3.044082, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. Esclareçase, a analise eletrônica do Per/Dcomp se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Cabe também salientar que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da Per/Dcomp, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor da demanda/pretensão, demonstrar seu direito. Por certo, na sistemática da análise dos Per/Dcomp de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 105 10 situação no conta corrente, disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual era de se esperar que fosse descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Não foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente, somente nesta fase recursal, contextualizou a origem do indébito, porém e uma vez mais esquivouse de juntar a documentação comprobatória que embasaria o seu direito. Não obstante esta constatação, que será mais minudentemente tratada, evidenciase a não caracterização da argumentada nulidade se o reclamante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório. Da preclusão consumativa Apesar de aventar a possibilidade de complementar suas alegações, bem como a correspondente documentação comprobatória, em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, salientase que o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235, de 1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório contestado. Neste sentido, é de esclarecer que eventuais informações coligidas, em face de DCTF retificadora e documentos colacionados são meros indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. No caso em tela, diferentemente do aduzido pelo recorrente, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de Per/Dcomp à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido na IN SRF nº 583, de 2012. 2005, vigente à época (cuja prescrição vem de longa data e ainda se é mantém), abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte, verbis: (...) Da Retificação da DCTF Art. 12. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 106 11 valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao anocalendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, que resulte em redução da receita bruta auferida ou do valor do somatório dos débitos declarados nas DCTF, poderá apresentar pedido de dispensa de apresentação da DCTF Mensal, mediante a formalização de processo administrativo. § 5º O pedido de dispensa de que trata o § 4º será formalizado pela pessoa jurídica, perante a unidade da SRF de seu domicílio tributário, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento da condição de obrigada à apresentação da DCTF Mensal. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 7º Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 8º A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 107 12 (...) Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF, que, como já pronunciado, considero tratarse de prova indiciária, em qualquer fase do pedido de restituição ou compensação, desde que anteriormente à inscrição em dívida ativa, sendo que este somente pode ser deferido após a comprovação do direito creditório. Não obstante o aqui evidenciado, verdade é que a extensa reclamatória do recorrente, acerca da DCTF retificadora, mostrase absolutamente descontextualizada, pois em momento algum do presente procedimento fiscal foilhe imposto a apresentação de DCTF retificadora para fins de viabilizar seu pleito restituitório/compensatório; logo, é sem sentido sua alegação de que o não reconhecimento de seu pleito está sedimentado na não retificação da DCTF; não obstante tal constatação, o que causa ainda mais estranheza é o fato de o recorrente não carrear aos autos qualquer elemento que pudesse demonstrar sua resistência à suposta imposição fiscal. Portanto, o que se observa, para falarse o mínimo, é a completa falta de razoabilidade de seus argumentos defensivos, não merecendo qualquer reparo ao que restou decidido no voto condutor do acórdão recorrido, acerca da absoluta ausência de prova do direito creditório pleiteado. Da juridicidade da DCTF Convém salientar que desde o anocalendário 1998, a DCTF passou a ser instrumento específico de confissão irretratável de dívida e de constituição do crédito tributário. Nesse sentido, transcrevo alguns excertos do Parecer PGFN 1.372, de 2012, verbis: (...) 10. Sobre as diferenças normativas entre a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e a DIPJ, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, teceu, entre outras, as seguintes considerações: "27. Não é demais repetir que a previsão de inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DCTF existe desde a publicação da IN SRF nº 126, de 1998, que a criou, mantendose vigente, até os dias atuais, ex vi do art. 8º, § 1º, da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010: Art. 8º. (...) § 1º. Os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, informados na DCTF, bem como os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, serão objeto de cobrança administrativa com os acréscimos moratórios devidos e, caso não liquidados, enviados para inscrição em dívida ativa. (...) 29. Outro ponto que evidencia a natureza diversa das duas declarações reside no fato de constar, do recibo de entrega da DCTF, a informação expressa de que a declaração Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 108 13 correspondente constitui confissão de dívida e que os valores ali declarados e não pagos serão encaminhados para inscrição em DAU, nos exatos termos a seguir transcritos: O presente Recibo de Entrega da DCTF contém a transcrição da Ficha Resumo da referida declaração, que constitui confissão de dívida, de forma irretratável, dos impostos e contribuições declarados. Fica o declarante ciente de que os impostos e contribuições declarados na DCTF e não pagos serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, conforme o disposto no parágrafo 2º do artigo 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984. (...) 12. Como visto, o Parecer PGFN/CAT/Nº 632, de 2011, concluiu que a DIPJ não tem o efeito de se constituir em declaração capaz de configurar lançamento por homologação, porque a DIPJ tem efeito meramente informativo, não constituindo o crédito tributário nem se configurando como confissão de dívida. (...) De se ver, portanto, que a DCTF é consagradamente instrumento de confissão de dívida e suficiente para a inscrição em dívida ativa da União. Com efeito, o Superior Tribunal de Justiça STJ, no rito dos recursos repetitivos, decidiu que a DCTF é modo de constituição do crédito tributário (Resp 1.120.295/SP). Reproduzo trecho da ementa, verbis: “4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo e constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 962.379/RS)” Por seu turno, o CTN, em seu artigo 141, prevê que o crédito tributário, regularmente constituído, somente pode ser alterado nas modalidades do artigo 145 e o artigo 156 estabelece os modos de extinção do crédito tributário; observese, por fim, que todas essas modalidades, incluindo a compensação, ensejam a extinção, mas não a desconstituição, do crédito tributário. Evidentemente, a compensação extingue na exata medida do que for compensado. Destarte, dos presentes autos, ao menos até a data da apresentação do Per/Dcomp em apreço, que não foi homologada pela autoridade fiscal, não há notícia de que a DCTF transmitida pelo recorrente, que embasou o indeferimento de seu pleito tinha sido objeto de retificação, e de fato não o foi pelos próprios argumentos recursais, significando, pois, que o crédito utilizado pelo recorrente em sua compensação é juridicamente inexistente. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 109 14 Neste caso, não haveria que se falar, juridicamente, no alegado pagamento a maior, o que retiraria do crédito pretendido a liquidez e certeza que a lei impõe para que este possa ser objeto de repetição, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Portanto, ainda que fosse o caso de se efetuar a retificação da DCTF, restaria evidenciado o transcurso do prazo de cinco anos contado da data de ocorrência do fato gerador do débito nela originalmente declarado, nos termos do caput do artigo 168 do CTN, de forma que a pretensa retificação não produziria quaisquer efeitos tributários, o que torna dispensável a análise fática do direito material do suposto crédito tributário perseguido pelo recorrente, em face da sua peremptoriedade jurídica. Não havendo, portanto e uma vez mais qualquer reparo quanto a decisão recorrida. Da ausência de prova Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que sanados esses erros teria o crédito informado na Per/Dcomp, notase que o recorrente limitase a alegar o fato, porém sem apresentar qualquer prova do que alega. De fato, o recorrente limitase a alegar a existência de erro de preenchimento da DCTF, a fim de corrigir o débito da Cofins, originandose no crédito declarado na respectiva Dcomp. Tal argumento não pode ser acolhido uma vez que a manifestação de inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito do contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ, DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do despacho decisório. Ora, como o próprio manifestante reconhece, não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e Dacon e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Somente na manifestação de inconformidade é que o Fisco teve ciência da alegação do contribuinte quanto ao suposto erro no preenchimento desta declaração. Cabe salientar ao reclamante que a conduta Fisco Federal é pautada em documentos formais e oficiais e, se o contribuinte resta inerte e não promove a tempo as retificações cabíveis nas suas declarações (obrigações acessórias), não cabe ao Fisco promovê las. Neste sentido, ressaltese que a RFB não está à disposição de particulares para satisfazer interesses privados e, ademais, a comprovação que qualquer direito creditório alegado, é tarefa exclusiva dos contribuintes, não sendo cabível impor ao Fisco a promoção das alterações em declarações fiscais para reconhecer suposto direito creditório que o contribuinte julga possuir. Aliás, convém atentar que a simples alegação, nesse momento do rito processual, não é prova suficiente, ao contrário, seus argumentos defensivos deveriam vir acompanhados dos necessários elementos comprobatórios do aventado equívoco, cometido quando da elaboração da DCTF. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 110 15 Assim, como já ressaltado pela decisão a quo, o contribuinte deveria ter acostado aos autos não somente suas DCTF, Dacon, etc originais e retificadoras, mas, e sobretudo também, sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa, ou, ao menos outros elementos que conduzissem à percepção da veracidade dos registros contidos em sua escrita contábil. No entanto, limitouse a protestar pela produção de todos os meios de prova, apresentação de documentos, inclusive diligencias, para corroborar sua argumentação. Conforme já comentado quanto à previsão contida no parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que seria possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação, in casu, da manifestação de inconformidade. Cabe aqui, uma vez mais ressaltar, que comungo do entendimento segundo o qual é passível de superar os obstáculos procedimentais acaso o recorrente apresente elementos indiciários suficientes para, ao menos, instalar dúvida razoável quanto à demonstração do erro que fundamenta e, por conseguinte, justifica a retificação da respectiva declaração, em conformidade com o disposto no artigo 147 do Código Tributário Nacional, caput e parágrafo primeiro. Tal não ocorreu, o contribuinte não instruiu suas peças de defesa com quaisquer das informações, declarações de apresentação obrigatória ou documento contábil fiscal, restringindo a tecer argumentos desconexos com os fatos em concreto e/ou já tecidos na manifestação de inconformidade, o que inviabiliza, de todo, como já descartada, a conversão do feito em diligência para que seja verificada a procedência de suas alegações, uma vez que, pela legislação de regência, lhe é defeso proferir questionamentos genéricos. Ainda mais que nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado continua a ser do contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação. Logo, sendo obrigação do contribuinte demonstrar, ainda que por meio da apresentação de provas indiciárias, o que alega, preferindo não fazêlo, não é pertinente a sua inversão para fins de demandar à fiscalização a promoção de ações nesse sentido, devendo este julgador examinar e decidir o processo com os elementos nele constantes. Nessas circunstâncias, não demonstrado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil para, ao menos, impor dúvida razoável, a pretensão de se alterar os valores declarados anteriormente não encontra guarida. Além disso, não bastasse tudo o que já delineado, cabe, por oportuno frisar que tal como a DIPJ, a Dacon tem natureza meramente informativa, não possuindo atributo de confissão de dívida. Dessa forma, não há como aquilatar, por absoluta ausência de prova, sobre a possibilidade de se atender o pleito atinente à inconstitucionalidade do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que versa sobre a ampliação da base de cálculo do PIS e Cofins cumulativos, bem como à exclusão do ICMS da base da cálculo das referidas contribuições, o que torna impraticável, também, apreciar o pleito sob a ótica da alterações legislativas, introduzidas pela Lei nº 12.844, de 2013, que modificou as disposições do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 2002, determinouse que sejam aplicadas as decisões proferidas pelo STF e STJ, se ainda cabível fosse sua revisão de ofício, primeiro em face da extrapolação do prazo prescricional de cinco Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.973126/201232 Acórdão n.º 3001000.542 S3C0T1 Fl. 111 16 anos e segundo por não se estar tratando de lançamento de ofício; logo, também por esses motivos, é inaplicável os pareceres PGFN aventados pelo recorrente. Portanto, não há qualquer reparo quanto à análise e consequente conclusão chegada pela instância a quo. Da conclusão Com estas considerações, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, bem como o pedido de diligência, ambos suscitados no Recurso Voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13681.000523/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Exercício: 2008
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO.
Para os contribuintes que optaram voluntariamente pelo Simples Nacional, a data limite para a formulação de eventual pleito de exclusão da nova sistemática de tributação, retroativa a 01/07/2007, foi 31/08/2007, conforme fixado pela Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 6º, § 12.
Numero da decisão: 1302-000.930
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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EXCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO. Para os contribuintes que optaram voluntariamente pelo Simples Nacional, a data limite para a formulação de eventual pleito de exclusão da nova sistemática de tributação, retroativa a 01/07/2007, foi 31/08/2007, conforme fixado pela Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 6º, § 12. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Marcos Rodrigues de Mello – Presidente Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Eduardo de Andrade, Cristiane Silva Costa e Marcos Rodrigues de Mello. Relatório Fl. 131DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13681.000523/200761 Acórdão n.º 130200.930 S1C3T2 Fl. 131 2 VALMIR CARLOS NIZA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0922.385, de 04/02/2009, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. O ilustre relator do processo em primeira instância descreve de forma sintética e objetiva o ocorrido, conforme segue: Tratase de pedido de exclusão datado de 27/12/2007 (fl. 01) do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006), negado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Montes Claros/MG por expiração de prazo (fls. 16 e 17). Cientificado da decisão retro em 27/02/2008 (fl. 22), o contribuinte interpôs a competente manifestação de inconformidade em 28/03/2008 (fls. 29 a 25), na qual alega, breve síntese, que desde a constituição da empresa esta recolhe seus tributos pelo regime de tributação do Lucro Presumido e que desconhecia estar no regime do Simples Nacional. Informa ainda que o ato de opção pelo Simples Nacional pode ter sido fruto de um equívoco do contribuinte. Consta exclusão ao Simples Nacional efetuada, pelo contribuinte, em 21/01/2008 com efeito a partir de 01/01/2008 (fl. 14). A 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora/MG analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0922.385, de 04/02/2009 (fls. 85/88), consideroua improcedente com a seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Exercício: 2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO RETROATIVA. PRAZO EXPIRADO. Para os contribuintes que optaram voluntariamente pelo Simples Nacional, a data limite para a formulação de eventual pleito de exclusão da nova sistemática de tributação, retroativa a 01/07/2007, foi 31/08/2007, conforme fixado pela Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 6º § 12. Ciente da decisão de primeira instância em 11/08/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 90, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/09/2009 conforme carimbo de recepção à folha 91. No recurso interposto (fls. 91/93), a interessada argumenta que recolhera seus tributos federais (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL) no regime do lucro presumido, bem assim as contribuições para a Previdência Social, pagando a quota patronal e de terceiros de todos os funcionários da empresa, conforme documentos que colaciona. Acrescenta e ratifica que “a opção para o regime do Simples Nacional em questão, pode ter ocorrido por um equívoco de um funcionário da empresa”. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13681.000523/200761 Acórdão n.º 130200.930 S1C3T2 Fl. 132 3 A recorrente assevera que não haveria qualquer prejuízo ao erário público em acatar sua pretensão, visto que o regime do lucro presumido, no qual efetuou os pagamentos, conduziria a valores devidos superiores àqueles calculados na sistemática do SIMPLES NACIONAL. Colaciona jurisprudência do TRF3 que entende aplicável. Salienta que, caso mantida a decisão recorrida, “o contribuinte estaria enquadrado em duas modalidades contributivas ao mesmo tempo, o que é fato impossível para o direito tributário nacional”. A interessada conclui reiterando seu pedido para que seja excluída do SIMPLES NACIONAL retroativamente a 01/07/2007, até 31/12/2007. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Trata o processo de pedido de exclusão do Simples Nacional, protocolizado em 27/12/2007. A pretensão da interessada é de que seu pedido produza efeitos retroativamente, a partir de 01/07/2007, o que foi negado pela DRF de origem, bem assim pela DRJ que apreciou o pedido em primeira instância. Releva observar que o enquadramento da contribuinte no Simples Nacional a partir de 01/07/2007 não decorreu de migração automática, mas sim de opção voluntária, a qual recebeu da Autoridade Administrativa deferimento imediato, como se verifica no extrato de fl. 12. A interessada não nega essa opção, mas sustenta que isso pode ter ocorrido por equívoco de um seu funcionário. A decisão recorrida bem sintetizou a legislação que rege a matéria, no excerto que transcrevo a seguir: Dita o art. 16 da LC nº 123, de 2006: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 2º A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo. § 4º Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1º de julho de 2007, as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem Fl. 133DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13681.000523/200761 Acórdão n.º 130200.930 S1C3T2 Fl. 133 4 impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar. (Redação dada pela Lei Complementar nº 127, de 2007) § 5º O Comitê Gestor regulamentará a opção automática prevista no § 4º deste artigo. (negrejado acrescido) Desse dispositivo exsurgem duas modalidades de opção pelo Simples Nacional: a voluntária (art. 16, caput) e a automática (art. 16, §4º). A regulamentação de tais hipóteses veio com a Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, arts. 17, 18, § 6º.: Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional, em 1° de julho de 2007, as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 20, de 15 de agosto de 2007) § 6º Os contribuintes inscritos no Simples Nacional na forma do caput poderão cancelar sua opção no período de que trata o caput do art. 17, mediante aplicativo específico disponível na internet. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 16, de 30 de julho de 2007) Observese, entretanto, que existiu a possibilidade de retratação, com efeitos para o próprio anocalendário de 2007, tanto para aqueles que a opção foi automática, quanto para aqueles que voluntariamente optaram pelo regime em consideração. A regulamentação ficou por conta da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, art. 6º, § 12: Art. 6º A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: § 12. Excepcionalmente para o anocalendário de 2007, na hipótese de a ME ou a EPP excluirse do Simples Nacional entre o primeiro dia útil de julho de 2007 e o dia 31 de agosto de 2007, por opção, os efeitos dessa exclusão darseão a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 19, de 13 de agosto de 2007) Diante do fato de que o enquadramento no Simples Nacional se deu por opção voluntária, e de que a retratação foi feita muito após o período reservado pela legislação para tanto, não se há de admitir que os efeitos de tal retratação possam retroagir, como pretende a interessada. Não se trata, aqui, do enquadramento simultâneo em dois regimes de pagamento – lucro presumido e Simples Nacional –, como entende a interessada. O regime pelo qual optou a contribuinte foi o segundo, e quaisquer pagamentos feitos em outra modalidade por certo poderão ser objeto de restituição ou compensação, na forma da lei, como bem alertou o julgador a quo. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13681.000523/200761 Acórdão n.º 130200.930 S1C3T2 Fl. 134 5 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Waldir Veiga Rocha Fl. 135DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002443/2010-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Assim, mantém-se o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa.
Numero da decisão: 1001-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1352; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 62 1 61 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.002443/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.761 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL Recorrente ROBERTO ANASTACIO DE ANDRADE ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. PRAZO LEGAL PARA REGULARIZAÇÃO. INOBSERVÂNCIA. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débito deste Regime Especial, com exigibilidade não suspensa. Assim, mantémse o ato declaratório de exclusão se não elidido o fato que lhe deu causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 24 43 /2 01 0- 18 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10855.002443/201018 Acórdão n.º 1001000.761 S1C0T1 Fl. 63 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Belém (PA), mediante o Acórdão nº 0129.415, de 11/06/2014 (efls. 47/50), objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 01/04), de 20/10/2010, ao Ato Declaratório Executivo DRF/SOR N° 449934, de 01 de setembro de 2010 (fl. 05) que excluiu o contribuinte do Simples Nacional – Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP) –, de que trata o artigo 12 da Lei Complementar nº 123/2006, com efeitos a partir de 1°/01/2011. 2. O motivo da exclusão foi existência de débitos deste Regime Especial com a Fazenda Pública Federal cuja exigibilidade não estava suspensa: Período de Apuração Valor Originário* Período de Apuração Valor Originário* Período de Apuração Valor Originário* 07/2007 R$ 5.648,44 08/2007 R$ 6.349,89 09/2007 R$ 3.888,87 10/2007 R$ 5.573,56 11/2007 R$ 4.532,71 12/2007 R$5.420,68 3. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, ((fls. 01/04), de 20/10/2010, através da qual vem alegar: (...) ... pleiteou (Doc. 2 ) conforme processo n° 10855.002798/200710, protocolado em 27/09/2007, sua inclusão no SIMPLES NACIONAL conforme previsto na LC n° 123 de 2006, com as alterações introduzidas pela LC n° 127 de 2007; O pleito em questão foi acatado (Doc. 3) com validade de inclusão, retroativamente à 01 de julho de 2007, porém a requerente apenas tomou ciência em data posterior ao encerramento do ano calendário conforme faz prova o encaminhamento do processo (Doc. 2) em questão ao Arquivo Geral da GRA SP em 27 de junho de 2008; Obedecendo ao estabelecido no artigo 79 da Lei Complementar n° 127, de 14 de agosto de 2007, a requerente efetuou recolhimentos, relativos ao período de 01 de julho a 31 de dezembro de 2007, dos Tributos e Contribuições administrados pela Receita Federal com base no Lucro Presumido, como fazem prova cópias dos DARFS (Doc. n° a ) juntadas a esta peça. (...) Seria muito mais plausível e obedeceria ao principio de economia processual que a Autoridade Administrativa verificasse: 1. A priori, se existiriam recolhimentos relativos à este período efetuados pela requerente e a devida apropriação, se entendidos como indevidos, para quitação das pendências; Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10855.002443/201018 Acórdão n.º 1001000.761 S1C0T1 Fl. 64 3 2. Alternativamente encaminhasse à mesma, anteriormente a edição do Ato Declaratória, cobrança destes débitos o que possibilitaria o deslinde da questão sem a necessidade de adoção de todos estes procedimentos, inclusive obrigatoriedade de manifestação para correção de um situação que já teria sido resolvida, apenas com a utilização de instrumento a disposição desta mesma autoridade (...) A edição de legislação tributária, permitindo a adoção de atos retroativos no meio de um ano calendário,, porém condicionando a aprovação de pleitos posteriores à aplicação das mesmas, geram enorme insegurança jurídica aos contribuintes; A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 Ementa Será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 14/07/2014, conforme Aviso de Recebimento à efl. 53, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 13/08/2014 (efls. 55/56), conforme Termo de Solicitação de Juntada à efl. 54. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No seu recurso voluntário a recorrente reitera "toda a argumentação oferecida na inicial ..." e requer que seja concedido "a utilização, via alocação, dos valores originais efetivamente recolhidos..." Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10855.002443/201018 Acórdão n.º 1001000.761 S1C0T1 Fl. 65 4 Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância. Por concordar com todos os seus termos e conclusões, peço vênia para transcrever os excertos a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF, completandoo ao final: (grifos não constam no original) 5. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) 6. Já o art. 30 da LC 123/2006 prescreve que a exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, dar seá, obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas.. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória. “Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou” 7. Segundo o § 2° do art. 31 da LC 123/ 2006, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão. 8. Conforme admite em sua impugnação, o contribuinte pleiteou (conforme processo n° 10855.002798/200710, protocolado em 27/09/2007) sua inclusão no SIMPLES NACIONAL conforme previsto na LC n° 123 de 2006, com as alterações introduzidas pela LC n° 127 de 2007; O pleito em questão foi acatado. Em função da inclusão no Simples Nacional, o contribuinte apresentou em 20/06/2008 (fl. 41) Declaração Anual do Simples Nacional (DASN), compreendendo os débitos do período 01/07/2007 a 31/12/2007, com validade de inclusão, retroativamente a 01 de julho de 2007. A partir da declaração dos débitos deveria pagálos. O § 15 do art 21 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 versa sobre o parcelamento dos tributos apurados no Simples Nacional, válidos a partir de 10 de novembro de 2011. “§ 15. Compete ao CGSN fixar critérios, condições para rescisão, prazos, valores mínimos de amortização e demais procedimentos para parcelamento dos recolhimentos em atraso dos débitos tributários apurados no Simples Nacional, observado o disposto Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10855.002443/201018 Acórdão n.º 1001000.761 S1C0T1 Fl. 66 5 no § 3º deste artigo e no art. 35 e ressalvado o disposto no § 19 deste artigo.( Incluído pela Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011 )“ 9. Logo, para regularizar os débitos (conforme o § 2° do art. 31 da LC 123/ 2006) descritos no Ato Declaratório Executivo DRF/SOR N° 449934, de 01 de setembro de 2010 (fl. 05) que excluiu o contribuinte do Simples Nacional, o contribuinte deveria pagálos. Os créditos pagos em regime diverso (lucro presumido) poderiam ser reavidos por pedido de restituição conforme os ditames legais (em especial a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012), não podendo ser compensados via impugnação, como pleiteia o Impugnante, por falta de previsão legal. 10. Logo, devese indeferir a manifestação de inconformidade. Em suma, não havia à época dos fatos previsão legal para o parcelamento ou compensação dos tributos devidos pela sistemática do Simples Nacional, passando a vigorar somente com a entrada em vigência da Lei Complementar nº 139, de 10 de novembro de 2011. Assim, ao interessado só restava o pagamento, do débito apontado, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento do ato de exclusão do Simples Nacional. Considerando que a recorrente não tomou as medidas cabíveis para a suspensão ou pagamento dos débitos no prazo estipulado, não há que se falar em reforma da decisão recorrida, estando escorreita a sua exclusão do Simples Nacional. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.001275/2007-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000
VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário.
LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE AO TEMPO DA LAVRATURA FISCAL. MULTA DE OFÍCIO SUPERVENIENTE. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA AO TEMPO DO PAGAMENTO/PARCELAMENTO.
Era aplicável a multa de mora ao tempo da lavratura fiscal. A superveniência da multa de ofício não pode ser analisada no âmbito do contencioso administrativo, cabendo a apreciação sobre a aplicação do princípio da retroatividade benigna (artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional - CTN) quando do pagamento/parcelamento do crédito tributário subsistente.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DE FATOS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE.
Constitui infração passível de aplicação de penalidade o fato do contribuinte registrar fatos contábeis em contas distintas da real natureza dos mesmos, registrando aquisição de cestas básicas em conta contábil relativa a brindes e doações, e pagamentos de prestadores de serviços autônomos como adiantamentos diversos, havendo contas contábeis específicas para estes registros na contabilidade.
Numero da decisão: 2301-005.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000 VÍCIOS DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE AO TEMPO DA LAVRATURA FISCAL. MULTA DE OFÍCIO SUPERVENIENTE. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA AO TEMPO DO PAGAMENTO/PARCELAMENTO. Era aplicável a multa de mora ao tempo da lavratura fiscal. A superveniência da multa de ofício não pode ser analisada no âmbito do contencioso administrativo, cabendo a apreciação sobre a aplicação do princípio da retroatividade benigna (artigo 106, inciso II, alínea c, do Código Tributário Nacional - CTN) quando do pagamento/parcelamento do crédito tributário subsistente. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DE FATOS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Constitui infração passível de aplicação de penalidade o fato do contribuinte registrar fatos contábeis em contas distintas da real natureza dos mesmos, registrando aquisição de cestas básicas em conta contábil relativa a brindes e doações, e pagamentos de prestadores de serviços autônomos como adiantamentos diversos, havendo contas contábeis específicas para estes registros na contabilidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. LANÇAMENTO. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE AO TEMPO DA LAVRATURA FISCAL. MULTA DE OFÍCIO SUPERVENIENTE. VERIFICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA AO TEMPO DO PAGAMENTO/PARCELAMENTO. Era aplicável a multa de mora ao tempo da lavratura fiscal. A superveniência da multa de ofício não pode ser analisada no âmbito do contencioso administrativo, cabendo a apreciação sobre a aplicação do princípio da retroatividade benigna (artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN) quando do pagamento/parcelamento do crédito tributário subsistente. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DE FATOS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Constitui infração passível de aplicação de penalidade o fato do contribuinte registrar fatos contábeis em contas distintas da real natureza dos mesmos, registrando aquisição de cestas básicas em conta contábil relativa a brindes e doações, e pagamentos de prestadores de serviços autônomos como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 75 /2 00 7- 50 Fl. 363DF CARF MF 2 adiantamentos diversos, havendo contas contábeis específicas para estes registros na contabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase de lançamento de crédito tributário previdenciário abrangendo imposição de penalidade pecuniária consubstanciada no Auto de Infração DEBCAD nº 35.011.3769 A fiscalização, com fundamento no artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do artigo 293 do Regulamento, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, lavrou o presente AI por ter a empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios da sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto no inciso II, artigo 32 da Lei nº 8.212/91. Especificamente, a infração se materializou na seguinte ocorrência: Salário indireto alimentação (cesta básica) sem convênio com o Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, uma vez que, para os anos de 1995 e 1996, a empresa lançou na conta Doações, Brindes e Presentes (CONTA 3.1.2.01.4.062014), a qual deveria ter sido lançada na conta Cesta Básica, conta esta existente no seu Plano de Contas (conta 3.1.2.01.2.060930). Portanto, a empresa infringiu o artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91. Ressalta que a empresa agiu dolosamente ou de máfé, pois existia uma conta específica de cesta básica no seu plano de contas e mesmo assim contabilizou as cestas básicas fornecidas aos seus segurados em outra conta totalmente diferente (Doações, Brindes e Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 3 3 Presentes), conta esta que não se refere a fato gerador de contribuição para a Seguridade Social. Corroborando, com o fato relatado, no Livro de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, anos de 1995 e 1996, as Notas Fiscais foram caracterizadas como cestas básicas e não doações, brindes ou presentes. Livro Razão nº 05 a 08/95, ano de 1995; 09 a 12, ano de 1996. A empresa registrou e lançou na sua contabilidade, no dia 31/08/1999, o pagamento efetuado ao advogado Saladino Sgaib, meses 06 e 07/99, na conta Adiantamento Diversos (1.1.2.03.2.015594), pagamento este que se constitui como fato gerador de contribuição previdenciária, infringindo o artigo 32, inciso II da Lei nº 8.212/91, pois o lançamento correto deveria ser feito em uma conta de despesa com o subtitulo DespesaHonorários AdvocatíciosPF. A fiscalização traz um longo e farto trabalho sobre os fatos e circunstâncias verificados no procedimento fiscal, seja em relação ao sujeito passivo autuado, seja em relação às empresas a ele ligadas, denominandoo de Relatório Geral. Este Relatório (fls. 25/57), contém o contexto de fato em relação ao qual se apurou os institutos do lançamento por solidariedade e afastamento do fenômeno da personificação jurídica. Assim se manifesta a fiscalização: TÓPICO “INTRODUÇÃO” Ficou constatado através de provas documentais que as empresas envolvidas constituem entre si grupo econômico de fato. Há, porém, duas particularidades: a primeira diz respeito à constituição de empresas de "fachada" (ou fantasmas); e a segunda diz respeito aos sócios "laranja" das empresas de fachada. Os trabalhos foram desenvolvidos nos estabelecimentos das empresas que estavam em atividades comercias, que são: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda (encerrou suas atividades de fato em 05/2000), Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e O.C.A. Comercial Ltda. No município de Vila Rica, apesar da empresa Frigorífico Vila Rica Ltda ter paralisado suas atividades, a sua documentação em parte foi apresentada aos Auditor Fiscal da Previdência Social AFPS. As demais empresas situadas nos Municípios de São José dos Quatro Marcos, Alta Floresta, Colider, Cuiabá e Vila Rica desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da sua documentação, juntamente com os seus respectivos sócios. Houve a apreensão, pelos Auditores da Secretaria da Fazenda do Mato Grosso, de vários documentos das empresas Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda. Foram constatados, também, durante as ações fiscais, os fatos abaixo elencados: a) empresas de fachada e seus respectivos sócios "laranja"; b) diretor empregado sem registro; e, c) segurados empregados e sócio de empresa ao mesmo tempo. TÓPICO “CONSTATAÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” Fl. 365DF CARF MF 4 Da análise de vários documentos encontrados em poder dos Fiscais de Tributos EstadualFTE/MT e de outros documentos posteriormente apreendidos e verificados pela fiscalização previdenciária, esta última afirma os seguintes aspectos relativos ao funcionamento de um "esquema" montado pelo Grupo Quatro Marcos: O Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, conhecido como Sr. Douglas, é sócio gerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos (conhecido como "Sr. Luís Olavo"), pessoa de sua inteira confiança, é empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda na função de Diretor, conforme constatação documental e in loco através de várias diligências fiscais realizadas pelos AuditoresFiscais da Previdência Social AFPS. O Sr. Sebastião Bueno Xavier, conhecido na região como "SR. CHICO", é pai de Sebastião Douglas Sorge Xavier e fundador do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; a família "BIRTCHE" exerce suas atividades comerciais exclusivamente nos Municípios de Colider/MT e de Alta Floresta/MT, por intermédio do Sr. Creudevaldo Birtche, conhecido na região como “TUCURA". O "esquema" do Grupo Quatro Marcos assim funcionava, segundo a fiscalização: a) Preliminarmente, os sócios e diretores do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA escolheram quatro Municípios do Estado de Mato Grosso, provavelmente onde existia uma grande concentração de rebanho de bovinos, sendo eles os Municípios de Alta Floresta, Colider, Vila Rica e São José dos Quatros Marcos; posteriormente, em cada local desses, constituíam uma unidade frigorífica (empresa), normalmente tendo como sóciogerente efetivo o Sr. Douglas e/ou Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos. Estas empresas são denominadas pela fiscalização de empresas "quentes", ou seja, empresas que realmente existiram ou existem tanto de fato como de direito. b) Ao mesmo tempo, o Grupo Quatro Marcos constituía paralelamente as essas unidades frigoríficas outras empresas que atuavam no ramo de frigorífico, sem, no entanto, possuir qualquer instalação frigorífica nem capital de giro e financeiro para a prática comercial de suas atividades. A fiscalização chama estas empresas como empresas de "fachada" ou "fantasmas". Estas empresas "de fachada" simulam um contrato de arrendamento com as empresas que realmente construíram as unidades frigoríficas, as quais estão em nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e/ou do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos. c) Entretanto, os sócios das empresas "de fachada" (ou fantasmas) são pessoas que apenas emprestam o nome para fazerem parte do contrato social, denominados pela fiscalização de sócios "laranjas", sem jamais exercerem qualquer atividade de gestão, comercial ou administrativa nestas empresas. Constatouse que geralmente os sócios "laranjas" são empregados de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. Além disso, os supostos sócios (laranjas) residem em localidade diversa da sede (ou estabelecimento) das empresas de fachada (ou fantasmas), na maioria dos casos verificados. d) A administração e a direção das empresas de "fachada" (ou fantasmas), na realidade, eram exercidas pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a ajuda de uma empresa no Estado de São Paulo, a Phoenix Administração e Participações Ltda, onde o Sr. Luiz Carlos Caldereli Nanni enviava instruções de operação para todas as empresas do Grupo Quatro Marcos, tanto "as de fachadas" (ou fantasmas) como as verdadeiras (quentes), indistintamente. Com essa forma de funcionamento, as operações que geravam fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias eram realizadas pelas empresas de fachada Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 4 5 que, após qualquer procedimento de fiscalização, encerravam de fato suas atividades e seus sócios desapareciam misteriosamente, bem como sua documentação fiscal. Observa a fiscalização o curioso fato de que, tão logo encerrada a atividade da empresa, imediatamente era constituída outra empresa de fachada, com o mesmo objeto mercantil de atividade, mesmo quadro pessoal, mesma administração e gerência da empresa de fachada anterior, inclusive instalada no mesmo local. Este procedimento tornava inviável e infrutífera qualquer tentativa de satisfação do débito tributário. Cita o exemplo da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, que firmou um parcelamento junto ao INSS em 1996, decorrente da NFLD n° 32.344.9883, e, após a fiscalização iniciar seus procedimentos de auditoria fiscal, a empresa desapareceu misteriosamente, consequentemente a partir da competência 09/1999 até o momento de conclusão dos trabalhos não pagou mais nenhuma parcela daquele parcelamento. O Cartório de Registro de Imóveis em Colider/MT, este informou que não existia Registro de imóveis em nome de Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. O Grupo Quatro Marcos utilizouse das empresas de fachadas (ou fantasmas) com o intuito de efetivar a supressão ou redução dos tributos, então arrecadados pelo INSS, principalmente a contribuição social decorrente da comercialização dos produtos rurais referente à subrogação, usandose de ações ou omissões desonestas e contrárias às leis de regência, ou seja, tinha a vontade ou a consciente aceitação de lesar, total ou parcialmente, o Erário, ludibriando a Administração Tributária (INSS) e a fé pública, através da falta da verdade em declarações, documentos e atos, como, por exemplo, as figuras dos sócios "laranjas". Tal fato tinha o intuito de sonegar informações de conteúdo econômico, e, portanto, esconder da fiscalização o verdadeiro responsável pelos atos e fatos sujeito à incidência de normas de tributação, até mesmo mediante falsificação e alteração de documentos, como ocorreu na adulteração das formalidades extrínsecas de Livros Contábeis na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda (Livro Diário) verificado pelas fiscalizações anteriores do INSS (NFLD n° 32.345.3368/1996). TÓPICO “COMPOSIÇÃO DO GRUPO QUATRO MARCOS” A fiscalização traz a seguinte composição geral do Grupo Quatro Marcos: · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA – FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA CNPJ 01.311.661/000109; · AMAZONAS COM. IND. IMP. E EXPORTAÇÃO LTDA – CNPJ 00.923.654/000197; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 1 CNPJ 02.291.563/000292; · FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FILIAL – CNPJ 01.311.661/000605; · PHOENIX ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 62.400.247/000152; · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA FILIAL 2 CNPJ 02.291.563/000454; Fl. 367DF CARF MF 6 · FLAMINGO ALIMENTOS LTDA – MATRIZ CNPJ 00.291.563/000101; · ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA – CNPJ 01.994.076/000142; · FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 02.630.132/000122; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA FILIAL 1 – CNPJ 02.974.627/000250; · FRIGORÍFICO COLIDER LTDA CNPJ 00.135.198/000110; · FRIGOLIDER IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA – CNPJ 00.897.034/000120; · IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA – CNPJ 02.974.627/000179; · VILA RICA ALIMENTOS LTDA CNPJ 02.399.553/000194; · FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA CNPJ 02.977.200/000124. TÓPICO “DAS AÇÕES FISCAIS” FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA (FRIGORÍFICO QUENTE) Após análise da documentação da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA foi constatado pela fiscalização que esta empresa vinha praticando atos de sonegação de tributos, ao criar no Município de São José Dos Quatro Marcos/MT duas empresas fantasmas: Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, que funcionavam na realidade com suas atividades comerciais paralelas à empresa FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA, constituído, tecnicamente na gíria contábil, um caixa "2" do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA. Para confirmar tal fato, a fiscalização procedeu a várias diligências fiscais nesse Município (São José dos Quatro Marcos), onde se situavam as empresas fantasmas, conforme Contrato Social, e, em nenhum momento, conseguiu detectar os sócios das supostas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazona Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda, sendo que no endereço do Contrato Social os vizinhos informaram que jamais funcionaram tais empresas, inclusive, uma boa parte da população desse Município nos informou que as empresas procuradas pela fiscalização funcionaram dentro da unidade frigorífica da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Além do mais, os vários depoimentos (Termo de Declaração) prestados aos Ministérios Públicos de Mato Grosso, Federal e Estadual, por exempregados e outras pessoas ligadas ao Grupo Quatro Marcos, confirmam o entendimento da fiscalização. Verificouse também que os sócios dessas empresas fantasmas eram geralmente empregados de uma das empresas do Grupo Quatro Marcos. Outro fato marcante é que as empresas fantasmas exerciam suas atividades comerciais apenas por um lapso de tempo muito curto, em torno de 2 (dois) anos, sem nenhuma instalação frigorífica para realização de abate dos animais, firmando apenas um contrato de prestação de serviço entre as empresas fantasmas e a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, os sócios laranjas jamais Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 5 7 promoveram a dissolução de direito das empresas fantasmas perante a Junta Comercial nem comunicaram ao INSS a paralisação das empresas. Existiam outras empresas "fantasmas" (de fachada) estabelecidas no Município de São José dos Quatro Marcos/MT, que foram verificadas pela ação fiscal desenvolvida pelo INSS, ano 1996, ensejando inclusive um crédito tributário, o qual foi objeto da lavratura NFLD n° 32.345.3368, lançada no próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda, CNPJ 01.311.661/000109. As empresas Flamingo Alimentos e Amazonas, assim como as empresas fantasmas antecedentes, foram constituídas para funcionarem apenas por um período de tempo, onde uma substituía a outra, e com a finalidade exclusiva de burlar a arrecadação e a fiscalização do INSS. Portanto, a empresa fantasma que aparentemente estava em atividade comercial, de acordo com cada período de tempo, forjava a operação de compra de bovinos e venda de sua respectiva carne, e, posteriormente, depois de praticar a sonegação dos tributos, desaparecia misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação contábil ou de seus sócios. Diante disso, a carga tributária incidente sobre a produção rural, decorrente da sub rogação das contribuições sociais devidas à Seguridade Social e as destinadas aos terceiros, incidentes sobre a comercialização do produto rural proveniente do produtor rural pessoa física e, na época, do produtor rural pessoa jurídica, era parcialmente sonegada, já que a empresa fantasma realizava um recolhimento pequeno para o INSS, apenas para constar nos arquivos do conta corrente desta instituição e, com esse expediente, não deixava qualquer suspeita de procedimento que ensejasse uma fiscalização. Coincidentemente as empresas fantasmas constituídas no Município de São José dos Quatro Marcos possuíam o mesmo objeto mercantil da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda e não possuíam capital de giro (conforme Contrato Social), no mínimo, condizente que respaldasse a grande movimentação de abate que empreenderam na sua curta existência, verificada nas Notas Fiscais de Simples Remessas e nos registros do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso INDEA/MT (Guia de Trânsito de Animais GTA). TÓPICO “PROVAS E FATOS QUE COMPROVAM OS RELATOS EXPOSTOS NESTE RELATÓRIO GERAL NO MUNICÍPIO DE SÃO JOÃO Q. MARCOS” a) o abate dos animais das empresas fantasmas era feito com exclusividade nas instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; b) as autorizações para a emissão de cheques da Flamingo Alimentos, Amazonas e do Frigorífico Quatro Marcos Ltda são idênticas, pois todas essas empresas utilizam documentos de controle idênticos, além do mais eram assinados pelas mesmas pessoas, sendo pelo "DIRETOR" Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos e pelo "FINANCEIRO" Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, ficando evidenciado que as empresas eram administradas financeira e gerencialmente pelos mesmos diretores do SX Frigorífico Quatro Marcos LTDA. c) as despesas da empresa Flamingo Alimentos Ltda são autorizadas também pelo Sr. Varderlei Roberto Stropp Martin e pelo Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, que são diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, inclusive os pagamentos das despesas relativas à remuneração dos empregados, do pro labore dos sócios, dos fornecedores etc. Fl. 369DF CARF MF 8 d) em 28/07/97, o Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin e o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, respectivamente, gerente financeiro e diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, autorizaram o pagamento de despesa da empresa Amazonas, referente aos serviços do Sr. Franklin, no valor de R$ 900,00. e) as testemunhas que aparecem nos contratos (contrato social e alterações; contrato de locação de imóveis) firmados pelas empresas Flamingo Alimentos Ltda e Amazonas são empregados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: Sr. Dalmo Macedo Chaves, Sr. Nilton Carvalho Júnior, Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos e Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin. f) o Sr. Nilton de Carvalho Júnior era procurador da empresa Amazonas e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. g) o Sr. Vagner Alberto Gouveia era procurador da empresa Flamingo Alimentos Ltda e, ao mesmo tempo, era empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. h) as empresas fantasmas não possuem quaisquer bens imobilizados para realização de suas atividades. i) tanto a Flamingo Alimentos quanto a Amazonas, sempre estiveram com endereços ignorados, conforme diligências realizadas in loco e nos órgãos públicos municipais e estaduais. j) as duas empresas fantasmas sempre utilizavam as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos. k) o Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, assinou notas promissórias rurais da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, e era, ao mesmo tempo, a pessoa que tomava as decisões comerciais em nome Frigorífico Quatro Marcos Ltda. l) em 09/04/99, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, apôs sua assinatura em documento com o logotipo (emblema; marca) da empresa Flamingo Alimentos Ltda, autorizando inclusive um desconto no preço da carne. m) o Sr. Nilton Carvalho Júnior era quem também fazia as vendas das mercadorias (carnes) relacionadas com a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação, inclusive utilizandose do telefone do Frigorífico Quatro Marcos Ltda 2511201. n) o capital social integralizado de constituição das empresas fantasmas é imensamente desproporcional para o volume de compras de animais realizados mensalmente, caracterizando um fato contábil muito vultoso em relação ao seu próprio capital de giro, ficando evidenciado que tanto a Flamingo Alimentos Ltda como a Amazonas Comércio Ind. Imp. e Exportação Ltda não possuíam patrimônio mínimo que lhes permitissem desenvolver as suas atividades. o) as empresas fantasmas não possuíam bens imobilizados para realização de suas atividades, nem ao menos um veículo, um telefone etc, tendo utilizado todos os bens imobilizados do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 6 9 p) as duas empresas fantasmas utilizavam sempre as instalações físicas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda para a realização de seus próprios atos comerciais, inclusive para a compra de bovinos e venda de carnes; q) os supostos empregados da empresa fantasma Flamingo Alimentos Ltda, Sr. José Zagui e Sr. Jadir José de Oliveira, recebiam salário indireto Cesta Básica – do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda. r) o sócio "laranja" da empresa fantasma Amazonas Comércio Ind. Imp. E Exportação Ltda, Sr. Pedro Olinto Ribeiro, era na realidade empregado de outras empresas do Grupo Quatro Marcos, na cidade de Colider/MT. s) em depoimento prestado ao Ministério Público Estadual (Termo de Declarações), datado de 05/04/00, a Sra. Rosa Pianezzer Ribeiro, que é esposa do Sr. Pedro Olinto Ribeiro, declarou desconhecer completamente que seu marido era sócio da empresa Amazonas, sendo que a empresa esteve formalmente ativa por mais de dois anos. t) em 06/12/96, a empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ao apresentar contestação da NFLD n° 32.344.9816, lançada pelos auditores fiscais do INSS, explica o fato do "sumiço" de documentos da empresa, afirmando a função de motorista do Sr. Pedro Olinto Ribeiro. u) em Termo de Declarações, a Sra. Rosimar Hoesker, expatroa do outro proprietário da firma Amazonas (Sr. Nelson Francisco Barbieri), declarou que ele foi seu funcionário por aproximadamente um ano e recebia um salário em torno de R$ 500,00; e no início de 1998 deixou a empresa. Afirmou, ainda, que conhece o Sr. Nelson Francisco Barbieri desde criança e que sua atual esposa trabalhava para ela como empregada doméstica; disse ainda que nunca tomou conhecimento que o Sr. Nelson tivesse sido proprietário de um Frigorífico, mas sim que ele tinha sido empregado de um Frigorífico; sabe, no entanto, que ele leva uma vida modesta e não tem bens em seu nome. v) foi constatado pela fiscalização que no período de 1997, quando o Sr. Nelson Francisco Barbieri trabalhava para Sra. Rosimar Hoesker, a empresa que estava em seu nome, Amazonas, fez a maior movimentação de compra de bovinos. Constatação verificada nas Notas Fiscais de simples remessa para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda: v.1) em 31/01/2000, a empresa Atlântica Brasil Industrial Ltda, CNPJ 60.398.914/000184, compradora de carne do Grupo Quatro Marcos, informou ao Ministério Público Federal e Estadual de Mato Grosso que o responsável pelos contatos para compra de carnes das empresas Amazonas era o Sr. Luis Olavo Sabino dos Santos, diretorempregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, e o telefone de contato era 251 1201, também de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda; v.2) em 20/08/97, o Sr. Luiz Nanni, controlador das empresas do Grupo Quatro Marcos, enviou um Relatório Preliminar ao Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e ao Sr. Luís Olavo S. dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), mencionando claramente o movimento de caixa da empresa Amazonas AM, com seus respectivos relatos da conciliação bancária, explicitando inclusive as contas movimentadas pela Amazonas. Neste mesmo documento, também, contém instruções de procedimentos para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda; Fl. 371DF CARF MF 10 v.3) em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni, administrador e controlador do Grupo Quatro Marcos, enviou ao Sr. Vanderlei, diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, uma solicitação de um boletim financeiro completo, incluindo claramente as empresas: Amazonas e Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Este mesmo documento foi enviado por cópia para o Sr. Douglas Direção SP, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Os fatos narrados demonstram que as relações comerciais entre as empresas Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e Frigorífico Quatro Marcos Ltda possuem a essência, de fato, de um Grupo Econômico, onde as duas primeiras possuem dependência econômica fática em relação ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, dependência esta observada em diversos campos: dependência física/operacional, financeira e de recursos humanos, compreendidas as pessoas responsáveis pela administração, principalmente na pessoa do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, mantendo ligação administrativa umas com as outras, vinculandose aos negócios e aos interesses em comum das empresas envolvidas. TÓPICO “ALTA FLORESTA IND. FRIGORÍFICA LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO SÓCIO O SR, DOUGLAS); E FRIALTO IND. E COM. DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída, no Município de Alta Floresta/MT, a empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, em 24/07/97, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/06/98, foi constituída uma empresa de fachada, a Frialto Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. Esta firmou um contrato de arrendamento de toda a unidade frigorífica daquela. A empresa Alta Floresta jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no Contrato Social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente uma outra empresa (Frialto), com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sob administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que, na realidade, a Frialto foi constituída para servir de anteparo para a empresa Alta Floresta, ou seja, aquela era apenas uma empresa de fachada, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, ao chamar a carga tributária sobre si e desaparecendo posteriormente. Nesse contexto, apresenta os seguintes elementos de provas: 1) na empresa Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda consta no seu contrato social, como um dos sócios fundadores, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). 2) apesar de existir um contrato de arrendamento somente das unidades frigoríficas, a firma Frialto é quem paga as várias despesas da Alta Floresta, evidenciando que na realidade eram uma única empresa, administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. 3) em Romaneio de Abate, 30/11/98, da empresa Frialto, houve simulação de venda de 357 cabeças de bovinos para o Sr. Newton Vieira Barbosa; porém, o pagamento foi feito ao Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos (diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como adiantamento de R$ 47.946,40 e ao Sr. Sebastião Bueno Xavier, Sr. Chico (pai do Sr. Douglas, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no valor de R$ 57.558,58. Esse é outro fato que evidencia a dependência da Frialto com o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, intitulada nas pessoas do seu diretor e do seu sócio. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 7 11 4) na administração da empresa fantasma Frialto o Grupo Quatro Marcos tinha a ajuda do Sr. Clodiomar Birtche (conhecido na região como "KOI"), que aparece ao mesmo tempo como sócio no contrato social da Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda. Diante disso, constatouse que a empresa Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda faz parte de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão aos cofres públicos, utilizandose da criação de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas", com o fim exclusivo de servir de anteparo para a incidência de tributos e que após algum tempo se esvaem misteriosamente sem arcar com as contribuições sociais devidas à União. TÓPICO “O.C.A. COMERCIAL LTDA (NOVA DENOMINAÇÃO SOCIAL DO FRIGORÍFICO COLIDER LTDA), EMPRESA EM NOME DO DIRETOR E SÓCIO DO FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA; FRIGOLIDER IND. E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA (EMPRESA DE FACHADA); IND. FRIGORÍFICA NORTE COLIDENSE LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” A empresa Frigorífico Colider Ltda foi constituída no Município de Colider/MT, em 04/08/94, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 01/12/95, foi constituída uma outra empresa de fachada a Frigolider Ind. E Comércio de Alimentos Ltda. A primeira empresa firmou um contrato de arrendamento de toda a sua unidade frigorífica com a segunda. A empresa Frigorífico Colider Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no seu contrato social e assim que a empresa terminou a construção civil da obra da unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigolider) com o mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Na realidade, a Frigolider foi constituída para servir de anteparo ao Frigorífico Colider Ltda e ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização. No Município de Colider, assim que começaram a desenvolver as ações fiscais da Secretaria de Fazenda, acompanhadas pelo Ministério Público Estadual de Mato Grosso, no Grupo Quatro Marcos, em 04/99, a empresa de fachada Frigolider desapareceu imediatamente, juntamente com os seus sócios laranjas, sem deixar qualquer paradeiro, surgindo imediatamente outra empresa de fachada, a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol, com mesmo objeto mercantil, mesmo endereço, mesmo quadro pessoal de empregados e com os mesmos diretores e administradores das anteriores, ou seja, o Grupo Quatro Marcos, com a ajuda da família "Birtche" (Sr. Creudevaldo Birtche), era quem administrava financeira e gerencialmente a Frigolider e a Fricol. Apresenta as seguintes provas sobre os fatos: 1) no período de 12/95 a 03/99 atuava uma empresa de fachada, Frigolider Indústria e Com. de Alimentos Ltda, que desapareceu misteriosamente, juntamente com os sócios, após o início dos trabalhos do fisco estadual SEFAZ/MT. O seu sócio laranja, Sr. Edson Carlos Padilha, continuou recebendo remuneração (salário e cesta básica) da firma Fricol. 2) de 04/99 em diante, após o desaparecimento da Frigolider Ind. e Com de Alimentos Ltda, surgiu imediatamente uma outra empresa de fachada, a Indústria Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol sendo que os seus sócios fazem parte da família Birtche que pelos elementos levantados, podese considerálos como "testa de ferro" do Grupo Quatro Marcos. Fl. 373DF CARF MF 12 3) o Sr. Pedro Olinto Ribeiro, sócio laranja da empresa fantasma Amazonas, que funcionou como um "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, sempre recebeu, no Município de Colider, remuneração das duas empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, quais sejam: Frigolider e Fricol. 4) as despesas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, referente à Fazenda Santa Laura eram pagas pela empresa de fachada Fricol. 5) o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira, que desapareceu misteriosamente com a documentação da Frigolider, na qual era sócio laranja, recebeu dinheiro da Fricol referente à venda de bovinos. Os bovinos são de propriedades de outras pessoas, alternando entre pessoa física e jurídica, mas quem recebe o dinheiro é o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira. 6) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 22.566,03 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade da Agropecuária Vale Carapa Ltda. 7) Em 27/09/99, o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 3.648,97 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Roberto Calozari e outros. 8) Em 06/01/00, novamente o Sr. Carlos R. D. Bandeira recebeu R$ 5.000,00 da firma Fricol, referente à venda de bovinos de propriedade do Sr. Oscar Nunes da Silva. Após verificação dos documentos da Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, encontrouse um "cartão" da empresa “Círculo Quatro Compra e Transporte de Bovinos” onde se percebe que o Sr. Carlos Roberto Dutra Bandeira mora no mesmo endereço da Sra. Cleonice Birtche Bandeira. O mesmo foi um comprador de bovinos na região de Colider, provavelmente do Grupo Quatro Marcos, e jamais dono de qualquer Frigorífico. A firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Luís Olavo Sabino Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, caracterizando simulação do Grupo Quatro Marcos, pois uma pessoa empresta o nome para aparecer na nota fiscal e outra recebe o dinheiro. Estes documentos constatados pela fiscalização totalizaram um valor de R$ 183.964,36 depositados diretamente na conta do Sr. Luís Olavo. Novamente, a firma Fricol, ao pagar os fornecedores de bovinos, deposita o dinheiro diretamente na conta do Sr. Sebastião Bueno Xavier, pai do Sr. Douglas sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 04/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de carne do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial de Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Em 09/11/99, a firma Fricol, realizou novo pagamento de despesas diversas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, filial Jandira/SP, depositando o dinheiro diretamente na conta corrente do Sr. Tupanangil Tricai Magalhães, na época Diretor desta filial. Estes dois documentos (doc. 6.2.g e doc. 6.2.h) evidenciam claramente que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, além de exercerem um controle na parte gerencial, também exerciam um controle na parte financeira das empresas de fachada. Ademais, esses documentos também comprovam que a contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda jamais espelhou a realidade, pois o fato do dinheiro ser depositado diretamente na conta corrente do diretor e não na conta corrente da empresa, evidencia um fato completamente contrário à legislação fiscal e comercial, constituindo motivo de desconsideração da contabilidade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, como deflui do § 6º Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 8 13 do artigo 33 da Lei nº 8.212/91, e do art. 235 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. A firma Fricol, em 15/07/99, efetuou o pagamento de despesas de locomoção à cidade de SINOP/MT para o Escritório Universal, relacionando todas as empresas do Grupo Quatro Marcos no Município de Colider/MT, inclusive pagando despesas de todas elas indistintamente. Em diligência fiscal realizada em 05/04/2000, juntamente com os Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, encontrouse nas dependências da empresa Fricol vários documentos referentes aos Certificados de Registros e Licenciamentos de Veículos das Sras. Susete Jorge Xavier e Rosana Jorge Xavier e do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier, sócios dos Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 09/09/99, o Sr. Luiz Olavo Sabino dos Santos, diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, determinou ao Sr. Tucura (Creudevaldo Birtche), um dos sócios da Fricol, que este efetuasse o depósito na conta corrente do Sr. Pedro Bernardo dos Santos, o mais rápido possível. Para explicar o fato de que uma empresa precede a outra, no caso em tela, a firma Fricol sucede à Frigolider; as despesas desta, referente ao mês de abril, foram pagas pela primeira. O fato comprovado nestes documentos é que as empresas de fachada foram constituídas para funcionarem apenas por um lapso de tempo e desaparecem misteriosamente, surgindo imediatamente outra empresa de fachada. Exemplificando, no início do mês abril/99 de fato a Frigolider deixou de exercer suas atividades comerciais e surge a Fricol, no mesmo endereço, mesmo objeto mercantil, mesmo quadro pessoal e administrada pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em 07/04/99, a firma Fricol depositou diretamente na conta corrente do Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, o valor de R$ 1.080,00 referente à despesa de manutenção do P.A.B.X. realizada pela empresa Telefonia Engenharia de Telecomunicações Ltda, comprovando que o Sr. Nilton do Amaral pagava as despesas das empresas de fachada na cidade de Cuiabá/MT e, posteriormente, prestava conta ao controlador do Grupo Quatro Marcos (Sr. Luiz Nanni) que autorizava o ressarcimento. No período de 16/09/99 a 30/09/99, os empregados do Grupo Quatro Marco dos Municípios de São Paulo e Alta Floresta prestaram serviços em Colider/MT, na firma Fricol. Este fato demonstra de maneira clara que se trata de um grupo econômico de fato, pois os empregados de uma localidade são deslocados para prestar serviços em outra unidade frigorífica, no setor de desossa. Alerta a fiscalização que a firma Fricol iniciou suas atividades comerciais a partir do mês 04/99 e o documento demonstra que os empregados foram admitidos no ano de 1998. O Sr. Ronaldo A. dos Santos da Rocha, empregado do Frigorífico Colider Ltda (posteriormente denominado de O.C.A. Comercial Ltda) enviou documentos da firma Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol para o Sr. Paulo Medeiros, o Sr. Gerson Medeiros e Audicontabil Auditores Independentes S/C, respectivamente, advogados e prestador de serviço da Fricol, caracterizando mais uma vez que tanto a Fricol como a O.C.A. Comercial Ltda pertencem aos mesmos sócios. Fl. 375DF CARF MF 14 A empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos foi constituída em nome de sócios laranjas, ou seja, pessoas físicas que emprestaram o nome para fazer parte do contrato social da empresa, quando, na realidade, eram apenas empregados da própria Frigolider ou de outra empresa do Grupo Quatro Marcos. O suposto sócio Sr. Edson Carlos Padilha sempre foi empregado do Grupo Quatro Marcos. No notebook (máquina de informática) apreendido pelos Fiscais de Tributos Estadual MT existem arquivos onde pode se ver claramente que as suas despesas de remuneração (salários) estão registradas junto com os demais empregados da empresa; neste mesmo arquivo também existem registros específicos de pro labore para o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier juntamente com o seu pai Sr. Sebastião Bueno Xavier (Sr. Chico), que, de fato, eram sócios do Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Em 01/04/1996, o suposto sócio, Sr. Edson Carlos Padilha, foi admitido na empresa Frigolider com uma remuneração mensal de R$ 395,87, e em 02/12/1996 aparece como sócio dessa mesma empresa, onde, observando o princípio da primazia da realidade, verificase como sócio "laranja". Ademais, no período de 05/1993 até 02/1996 esse sócio "laranja" trabalhou na empresa Indústria de Móveis 3 Irmãos, CNPJ 82.767.641/000130, como empregado na função de auxiliar de produção e de lustrador, sendo que o seu último salário foi de R$ 314,60 mensais. Outro fato marcante foi a constatação de que após a paralisação de fato da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, o Sr. Edson Carlos Padilha continuou recebendo remuneração (salário em pecúnia e salário indireto) de outra empresa de fachada, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda – Fricol, como segurado não inscrito no Regime Geral de Previdência Social RGPS, utilizando o artifício de "FRICOL U", sendo que na competência 12/1999 recebeu R$ 1.035,00 e apôs sua assinatura no recibo de pagamento; os salários indiretos foram constatados na listagem do sacolão (cesta básica) onde também apôs sua assinatura. Os sócios efetivos das empresas relatadas no Tópico VI do Relatório Geral são: o Sr. Sebastião Bueno Xavier, o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e o Sr. Creudevaldo Birtche. Diante disso, conclui a fiscalização que as empresas Frigorífico Colider Ltda (hoje O.C.A. Comercial Ltda), Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda (Fricol) fazem parte de um mesmo grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), no qual há a lesão os cofres públicos, utilizandose de empresas de "fachada" ("fantasmas"), juntamente com os seus respectivos sócios "laranjas". TÓPICO “VILA RICA ALIMENTOS LTDA (EMPRESA QUE TEM COMO UM DOS SÓCIOS O SR. DOUGLAS) E FRIGORÍFICO VILA RICA LTDA (EMPRESA DE FACHADA)” Foi constituída no Município de Vila Rica/MT a empresa Vila Rica Alimentos Ltda, em 01/01/98, como uma unidade frigorífica para o abate de bovinos e, paralelamente, em 10/02/99, foi constituída a empresa de fachada Frigorífico Vila Rica. Aquela empresa firmou um contrato de arrendamento de toda sua unidade frigorífica com esta. A empresa Vila Rica Alimentos Ltda jamais exerceu a atividade do objeto mercantil estabelecido no contrato social e, assim que a empresa terminou a construção civil da obra da sua unidade frigorífica, surgiu imediatamente a empresa de fachada (Frigorífico Vila Rica Ltda), com o Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 9 15 mesmo objetivo mercantil, com o mesmo endereço e sobre administração financeira e gerencial do Grupo Quatro Marcos. Diante disso, a fiscalização verificou que na realidade a empresa Frigorífico Vila Rica Ltda foi constituída para servir de anteparo à Vila Rica Alimentos Ltda, com a finalidade exclusiva de burlar a fiscalização, já que aquela não tem qualquer bem econômico registrado em seu nome para pagar os tributos sonegados. Constatouse, através de diligência fiscal realizada no Município de Vila Rica/MT, que a empresa Vila Rica Alimentos Ltda nunca funcionou no endereço do seu contrato social. O proprietário do imóvel (Sr. José Manoel Garcia, RG: 11.636.844 SSP/SP) onde deveria funcionar a empresa informou "que apenas manteve um contato com os proprietários desta empresa em 1998, mas jamais a mesma funcionou neste endereço: Avenida Brasil 38 A, Centro, Vila Rica/MT, nem em outro endereço dentro da cidade de Vila Rica". TÓPICO “PROVAS GERAIS DO GRUPO QUATRO MARCOS” Depois de várias diligências fiscais nos Municípios de atuação do Grupo Quatro Marcos, arrecadouse diversos documentos que comprovam, de maneira lúcida e transparente, o envolvimento dos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, com as empresas de fachadas (ou fantasmas) Amazonas, Frigolider, Flamingo, Fricol, Frialto e Frigorifico Vila Rica. Além disso, existem diversos documentos apreendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual de Mato Grosso FTE/MT, aos quais teve acesso a fiscalização do INSS, que confirmam os fatos relatados no Relatório Geral. A fiscalização lista as seguintes provas: 1) As despesas de manutenção das empresas de fachada (ou fantasmas) eram administradas pelo Sr. Luis Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos). Em documento aprendido pelos FTE/MT (doc. 8.1), o Sr. Nilton do Amaral, empregado do Grupo Quatro Marcos, apresenta ao Sr. Luiz Nanni Relação de Prestação de Contas, mês 05/99, das despesas que teriam sido efetuadas com as seguintes empresas: Flamingo: aluguel da sala 403, R$ 500,00 (05/05/99); pagamento de telefone, R$ 449,93 (10/05/99); Frigolider: pagamento de telefone, R$ 42,42 (10/05/99); Amazonas: aluguel da sala, R$ 301,59 (03/05/99); Sr. Douglas, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda: pagamento de registro de arma, R$ 686,00 (14/05/99); Sra. Rosana Jorge Xavier: despesas de sedex, R$ 14,70 (14/05/99). Nesta mesma relação de prestação de contas há a provisão de pagamento dos salários da Sra. Sandra e Sra. Celiane, respectivamente, empregadas da Flamingo e Frigolider, e também provisão do pagamento de energia elétrica das empresas Amazonas, Flamingo e Frigolider, e também da energia do Edifício Marselha, onde o Sr Sebastião Douglas Sorge Xavier reside. 2) A empresa Phoenix, através do controlador Sr. Luiz Nanni, envia aos empregados do Grupo Quatro Marcos, o Sr. Vanderlei (na época diretor financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e o Sr. Nilton do Amaral (na época empregado na função de Contador do Frigorífico Colider Ltda), instruções de procedimentos às firmas Amazonas e Frigolider, ambas empresas de fachada (ou fantasmas). Assim, considerando que o Sr. Nilton do Amaral era empregado do Frigorífico Colider Ltda, não há como entender o fato dele receber instruções do Sr. Luiz Nanni orientando na elaboração de Relatórios Financeiros e de Vendas (doc. 8.2.a e doc. 8.2.b) da firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, com a qual o Sr. Nilton do Amaral não possuía qualquer vínculo empregatício. Em 24/02/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei e ao Sr . Nilton do Amaral, contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro. Fl. 377DF CARF MF 16 No rodapé do documento consta a observação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção SP, sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda (doc. 8.2.a.). Salta aos olhos da fiscalização que a empresa Frigolider recebe instruções de preenchimento de documentos da Phoenix de São Paulo, porém não está constituída em nome do Sr. Douglas ou qualquer outra pessoa de sua família. Diante disso, só existiria uma explicação : a Frigolider é uma empresa de fachada, sendo efetivamente administrada pelo Sr. Douglas. Em 07/03/97, o Sr. Luiz Nanni enviou carta ao Sr. Vanderlei Chefia de Escritório FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA contendo instruções de como proceder na elaboração de Boletim Financeiro, solicitando inclusive que a separação deve englobar as empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda e Amazonas. No rodapé consta a informação de que foi enviada cópia ao Sr. Douglas Direção –SP (doc. 8.2.b.). Em carta datada de 01/04/97, proveniente da empresa Phoenix de Jandira/SP, consta o seguinte: "DE: Luiz Nanni Administração SP" para "Srs. Vanderlei Ger. Adm. Financeira FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA/AM e Newton – Depto Contabilidade Frigolider", envia instruções de como proceder no Relatório de Vendas. Em anexo a essa carta, o Sr. Luiz Nanni envia um modelo contendo as vendas do dia 29/03/97 da firma Amazonas. Neste documento (doc. 8.2.c), além de instruir a firma de fachada Frigolider, a Phoenix passa instruções para a Amazonas, representada pelo Sr. Vanderlei Roberto Stropp Martin, Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Novamente, no rodapé consta a informação de que foi enviada cópia para o Sr. Douglas. Em 09/07/97, o Sr. Vanderlei enviou ao Sr. Luiz Nanni um documento, através de facsímile, com uma minuta de contrato a ser firmado com o Carrefour e, em letra manuscrita, escreveu um bilhete "A/C Sr. LUIZ NANNI FAVOR VERIFICAR SE DEVE SER ASSINADO ENTRE AMAZONAS X CARREFOUR" (constatação do Sr. Vanderlei pela assinatura). Em outro bilhete apenso, manuscrito e assinado pelo Sr. Luiz Nanni, a resposta: "VANDERLEI: ASSINAR 10/07 Douglas autorizou". Em suma, o Diretor e Gerente Financeiro do Frigorífico Quatro Marcos Ltda pergunta ao Controlador do Grupo Quatro Marcos se a Amazonas deve assinar o Contrato com Carrefour (doc. 8.2.d.). 3) A extelefonista da Frigolider e exsecretária da Flamingo, Sra. Adriana Guedes, afirmou que os sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, juntamente com a família Birtche (Sr. Creudevaldo Birtche), administravam efetivamente as empresas de fachada e confirmou também a relação com o Sr. Luiz Nanni (doc. 8.3). 4) A exsecretária da Frigolider, Sra. Celiane da Costa Bispo, afirma em Termo de Declaração que o Sr. Nilton do Amaral administrava a Frigolider e a Flamingo (doc. 8.4). O Sr. Nilton do Amaral é funcionário contratado pelas empresas do Grupo Quatro Marcos. 5) O Sr. Napoleão Mendes Neto, empregado da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 00.897.034/000120, afirmou em Termo de Declarações também o envolvimento do Sr. Sebastião Xavier ("Chico"), Sr. Douglas e da família Birtche com as empresas de fachada. 6) Em vários depoimentos constantes nos Termos de Declarações, prestados ao Ministério Público Estadual, os Srs. Antonio Claudemir Zirondi, Jose Alves Barbosa, Ricardo Rezende e Maria Ester da Paz Silva confirmam a constatação e composição do Grupo Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 10 17 Quatro Marcos. Também afirmam nos Termos de Declarações quem são os efetivos proprietários das empresas de fachada (doc. 8.6). 7) Os contatos para compra de carnes das empresas que fazem parte do Grupo Quatro Marcos, ou seja, os clientes do grupo, eram feitos através de sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em diligência fiscal realizada na firma Frigorífico Quatro Marcos Ltda, constatouse na documentação contábil da empresa que o telefone (011) 7929 3588 pertencia à firma Phoenix Adm. e Participações Ltda, que tem como sócias as irmãs do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Porém, as despesas desse telefone são pagas pela filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, em Jandira/SP. Em ofício datado de 17/12/99, a COOP Cooperativa de Consumo, CNPJ 57.508.426/000144, afirmou que o contato para compra de carnes do Grupo Quatro Marcos, do qual fariam parte os seguintes frigoríficos: Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, Pontal do Araguaia Alim. Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. de Alimentos Ltda, Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda, era efetuado com o Sr. Tupanangil Tricai Magalhães (conhecido como "Tupã" ou "Tupã Magalhães"), que era Diretor da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda em Jandira/SP e, ao tempo da fiscalização, Diretor da matriz Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588 (doc. 8.7.a). Em ofício datado de 25/02/2000, a empresa Saito & Saito Supermercado Ltda afirma que as compras de carne tanto da Flamingo como da Frigolider eram realizadas com o vendedor Sr. Tupanangil Magalhães (fone: 011 79293588) (doc.8.7.b). Em ofício de 28/02/2000, a empresa Ralimar Distribuidora de Miúdos Ltda atesta que as compras de carne das firmas Fricol, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda eram realizadas no mesmo telefone (011 79293588), com as seguintes pessoas: Cláudia, Davilson e Tupã (doc. 8.7.c). A empresa Carrefour atestou que o próprio Sr, Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) era o contato para as compras de carne que realizou com as firmas Amazonas, Frigolider e Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no telefone (011) 79293588. Já as compras do Flamingo Alimentos e as algumas do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foram realizadas com Sr. Tupã, no mesmo telefone (doc.8.7.d). Em 09/03/2000, a firma Espetinho Churra Bom Ltda atestou que o entreposto das empresas Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. Com. Alimentos Ltda e Amazonas Com. Ind. Imp. Exp. Ltda era realizado no mesmo endereço (Rua Pureza Marques de Oliveira, 83 Distrito Industrial Pres. Wilson, Jandira/SP) (doc. 8.7.e). Este endereço é o da filial do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e o mesmo endereço onde funcionou uma filial da firma Flamingo Alimentos Ltda. Em 29/02/2000, a firma Olhos D'Agua Ind. e Comércio de Carnes Ltda atestou que as compras de carne dos Frigoríficos: Guaray Comércio Ind. Exp. e Imp. Ltda, Frigorífico Quatro Marcos Ltda, Flamingo Alimentos Ltda, Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Frigolider Industria Comércio de Alimentos Ltda, Frialto Ind. e Comércio de Alimentos Ltda, Fricol Industria Frigorífica Norte Colidense Ltda e Frigorífico Vila Rica Ltda eram efetuadas diretamente no frigorífico em seu escritório em São Paulo através do telefone (11) 79293588 com as seguintes pessoas: Claudia, Jose Roberto, Douglas, Freitas, Dante e Tupã (doc 8.7.f). 8) Em carta datada de 27/05/98, o Sr. Luiz Nanni (controlador do Grupo Quatro Marcos) afirmou para o Sr. Vanderlei Gerente Administrativo e financeiro GAF do Fl. 379DF CARF MF 18 FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA que estava enviandolhe a alteração contratual da empresa Guaray novo endereço feita na JUCEMAT. (doc. 8.8). A Guaray (CNPJ 74.075.268/000129) é empresa fantasma antecessora da Amazonas que também desapareceu misteriosamente após a fiscalização do INSS em 1996 (NFLD DEBCAD nº 32.345.3368). É inexplicável o fato do Sr. Vanderlei e do Sr Douglas receberem alteração contratual original de empresa que está com suas atividades de fato encerradas, não tendo nenhum vinculo com Frigorífico Quatro Marcos Ltda. No rodapé desta carta consta que foi enviada cópia para arquivo (Sr. Douglas). 9) A confusão entre as empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos era tão grande que o Frigorífico Colider, CNPJ 00.135.198/000110, identificase com o CNPJ da Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 00.897.034/000120), ao apresentar demonstrativos contábeis para a obtenção de Certidão Negativa de Débitos CND junto ao INSS. (doc. 8.9). Neste mesmo documento o Sr. Nilton do Amaral assina como contador do Frigorífico Colider Ltda. 10) Em ofício de 04/07/2000, o Sr. Franklin Nogueira Hoyer, Cmt. Do CINDACTA I, atestou que a aeronave PTWSX de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda realizou vários vôos para Alta Floresta/MT, no período de 01/01/97 a 31/12/99 (doc. 8.10). A aeronave era utilizada pelo Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) para a realização das visitas e vistorias das empresas de fachada nos Municípios de Alta Floresta/MT e Colider/MT. Neste Município não há aeroporto para pouso de aeronaves, por isso que no relatório do CINDACTAI não o consta. Ficou evidenciado que no mínimo uma ou duas vezes o Sr. Douglas e/ou algum Diretor do Frigorífico Quatro Marcos Ltda iam a Alta Floresta e Colider. Corroborando este entendimento a respeito do uso da aeronave, o Sr. Napoleão Mendes Neto afirmou em Termo de Declarações (doc. 8.5) que: o Sr. Douglas e o Sr. Chico vinha para esta cidade (Colider) de avião. 11) A Sra. Adna Pereira da Silva, exsecretária do Sr. Paulo Pitaluga e ex empregada da Flamingos Alimentos Ltda, afirma em Termo de Declaração que "...a empresa Flamingo aparentemente não desenvolvia nenhuma atividade comercial, pois não vendia nada e nem comprava, não recebia mercadoria e nem despachava...” (doc. 7.11). Neste mesmo documento a Sra. Adna Pereira da Silva afirmou que a empresa Flamingo era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda e que o Sr. Luiz Nanni trabalhava junto com o Sr. Douglas e por vezes vinha ao escritório em Cuiabá. Também afirmou que o Sr. Paulo Pitaluga, Sr. Nilton do Amaral e o Sr. Luiz Nanni diziam claramente que o proprietário de todas as empresas era o Sr. Douglas juntamente com o seu pai conhecido por "Chico". 12) A imobiliária Âncora Locação de Imóveis Ltda, representada pelo Sr. Marco Antônio Tolentino de Barros, afirmou que a funcionária da Flamingo era quem fazia o pagamento do aluguel da Amazonas e da Frigolider. Em depoimento à Delegacia Especializada de Polícia Fazendária, o gerente de locação da Imobiliária Ancora declara que os aluguéis da sala da Amazonas e outros problemas eram resolvidos com a funcionária da Flamingo Alimentos Ltda, Sra. Adriana, e que era ela também que mantinha contato sobre qualquer problema com a sala alugada para a empresa Frigolider (doc.8.12). Neste mesmo documento, o referido gerente declarou, ainda, que quem procurou a Âncora para alugar uma sala para funcionamento da firma Amazonas foi Sr. Paulo Pitaluga e que jamais conheceu os seus respectivos sócios, como também não conheceu os sócios da Frigolider. Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 11 19 13) Vários boletins financeiros, cartas e atas de reuniões, aprendidos pelos Fiscais de Tributos Estadual/MT, comprovam o relacionamento do Sr. Luiz Nanni na controladoria do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, bem como o seu relacionamento direto com Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier no controle do Grupo Quatro Marcos (doc 8.13). 14) Outro fato que deixa transparente a formação do Grupo Quatro Marcos grupo econômico de fato foram dois fax urgentes enviados pela empresa Audicontábil, datados de 08/08/97 e 13/08/97, para a empresa Frigorífico Colider Ltda, à atenção do Sr. Nilton do Amaral Contabilidade, que era empregado da Ind. de Couros e Insumos Colider Ltda, onde o mesmo recebeu informações sigilosas referente aos projetos da SUDAM tanto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda como também do Frigorífico Colider Ltda (doc. 8.14). 15) Em fiscalização realizada pelo INSS na empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, ano 1996, NFLD DEBCAD no 32.344.9883, o Sr. Nilton do Amaral já informava a dependência e o envolvimento desta empresa com Frigorífico Quatro Marcos Ltda, quando no Relatório Fiscal os Srs. Auditores Fiscais discorrem: "...entramos em contato com o Sr. Nilton do Amaral e este nos informou de que iria contactar com o Frigorífico Quatro Marcos para saber quem havia retirado tais documentos e onde estavam." (doc. 8.15). 16) Durante diligência fiscal desenvolvida pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT, realizada em 27/05/99, o Sr. Nilton do Amaral foi flagrado tentando fugir com documentos das empresas Amazonas, Frigolider e Flamingo. A FTE Sra. Wilce flagrou o Sr. Nilton do Amaral, acompanhado de outra pessoa não identificada, tentando fugir com diversos documentos que já estavam no porta malas do carro que se encontrava no estacionamento ao lado do Edifício Master Center, onde a Amazonas alugava uma sala. Estranhamente, havia documentos de 03 firmas, aparentemente distintas, Amazonas, Frigolider e Flamingo (doc. 8.16). 17) Durante diligência fiscal realizada em 25/05/99 pela fiscalização estadual MT, na sala alugada pela firma Flamingo, também foi feita a apreensão de uma máquina de informática (notebook), que estava em poder do Sr. Nilton do Amaral, a qual tinha um programa específico para a contabilidade da empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda (doc. 8.17). 18) As empresas que compõem o Grupo Quatro Marcos utilizam o mesmo modus operandi para dar sumiço misteriosamente em sua documentação fiscal. Em 30/07/1996, o Sr. Carlos Eduardo de Oliveira Sebim registrou um Boletim de Ocorrência afirmando que toda a documentação da Amazonas foi furtada de um veículo, sendo que este era de propriedade do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. É inexplicável o fato da documentação estar dentro de um veículo do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. (doc. 8.18). Em 11/05/99, o Sr. José Zagui compareceu ao Departamento de Polícia Militar DPM de São José dos Q. Marcos e relatou que todos os documentos da Flamingo foram furtados de um veículo. (doc. 8.18). No Relatório Fiscal da NFLD DEBCAD no 32.344.9883, os Srs. Auditores Fiscais relatam que a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda também não apresentou qualquer documentação fiscal (doc. 8.15). Fl. 381DF CARF MF 20 Em 20/12/96, a firma Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda tornou público, em Diário Oficial de Mato Grosso, que foram furtados do interior de um veículo vários documentos fiscais e contábeis (doc. 8.18). Em 21/01/91, o Sr. Moisés Ferreira Borges, empregado do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, compareceu à Delegacia de Polícia de São J. Q. Marcos e registrou uma Ocorrência Policial n° 20/91. Na época, afirmou que os documentos da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda tinham sido destruídos em acidente de veículo, seguido de incêndio (doc. 8.18). 19) Corroborando ainda mais com entendimento de que os diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda também administravam as empresas de fachada (ou fantasmas), em 28/10/98, a Sra. Adriana "DRI", exsecretária da firma Flamingo, mandou um bilhete ao Sr. Vanderlei (diretor financeiro do FRIGORÍFICO QUATRO MARCOS LTDA), para que o mesmo providenciasse o pagamento da energia elétrica da firma Amazonas (doc. 8.19). 20) A participação do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), no comando das empresas de fachada do Grupo Quatro Marcos, é tão evidente que, em 18/12/97, o Fundo de Aperfeiçoamento dos Serviços Jurídicos da Procuradoria Geral do Estado de Mato Grosso FUNJUS ao receber a importância de R$ 50,00 da firma Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, incluiu também claramente o nome do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier e da sua irmã Sra. Rosana Jorge Xavier (doc. 8.20). 21) Os elementos que comprovam o grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) são tão evidentes, que a firma Fricol chega a pagar as despesas de estadas do Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e do Sr. Francisco Sérgio B. Figueiredo (suposto sócio do Frigorífico Vila Rica Ltda) na cidade de Colider, quando estes vão administrar as unidades frigoríficas da região. Inclusive, no movimento de caixa (Banco c/c 06384), aparece de maneira expressa o débito dessas despesas (Saídas) referente às Despesas Adm. Viagens e Estadas, lançamento 6147 (doc. 8.21.a). Em 02/10/99, a firma Fricol pagou as despesas de estadas do Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), referente aos dias: 26 a 27/08/99 e 23 a 24/09/99; neste mesmo dia também pagou as despesas de estadas do Sr. Francisco S. B. Figueiredo (Frigorífico Vila Rica Ltda) referente aos dias 21 a 22/09/99 (doc. 8.21.b). Este documento demonstra uma agravante, uma vez que referente as despesas de estadas do Sr. Douglas passaram corretivo (tipo liquid paper) em cima do campo hóspede Palace Hotel para ocultar e alterar o seu nome, mas se colocar o documento em visualização sobre a luz percebese que está escrito "SR. DOUGLAS". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais da contabilidade e a legislação fiscal. 22) As despesas do Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), como da aeronave PTVKW, referente aos vôos para cidade de Colider, levando o Sr. Douglas (sócio do Frigorífico Quatro Marcos Ltda), também são pagas pela firma Fricol. Em 20/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis (doc. 8.22.a) e de táxi aéreo (doc. 8.22.b) da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider Ltda, pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral, em viagens do Sr. Douglas. Em 27/09/99, a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade do Frigorífico Colider (O.C.A. Comercial Ltda), pilotada pelo Sr. Aguiar C. Amaral em viagem do Sr. Douglas (doc. 8.22.c). Em 03/02/00, a firma Fricol pagou as despesas com alimentação do Piloto Sr. Aguiar Coelho do Amaral referente à Nota Fiscal 7615 Churrascaria Kaskata's (doc. 8.22.d). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 12 21 Em 27/09/99, a Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW no valor de R$ 539,97 (doc. 8.22.e). Em 17/12/99, novamente a firma Fricol pagou as despesas de combustíveis da aeronave PTVKW de propriedade da O.C.A. Comercial Ltda, a qual era pilotada pelo Sr. Aguiar Coelho do Amaral (piloto do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) (doc. 8.22.f). 23) As despesas de combustíveis em vôos realizados pela aeronave PTVKW, em viagens do Sr. Luís Olavo Sabino dos Santos (diretor geral do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) à cidade de Colider, também foram pagas pela firma Fricol (doc. 8.23), caracterizando mais uma vez que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), que administra a empresa Fricol. 24) As despesas aéreas do Sr. Nilton do Amaral, que sempre foi contador do Grupo Quatro Marcos, também são pagas pela firma Fricol. Em 12/11/99, a firma Fricol pagou as passagens aéreas do Sr. Nilton do Amaral, cujo itinerário foi: SINOP/Cuiabá e Cuiabá/Sinop (doc. 8.24). Neste documento a firma, na pessoa dos seus responsáveis, cometeu um ilícito ao passar corretivo (tipo liquid paper) sobre o "nome" do boleto da empresa Passaredo e, por sua vez, alterando e ocultando o nome do Sr. Nilton do Amaral. Colocando este documento sobre a visualização da luz, percebese claramente o seguinte nome "AMARAL/NILTON". Esta prática de ato é contrária aos princípios fundamentais de contabilidade e a legislação fiscal. 25) Em 19/10/99, a firma Fricol recebeu dos fornecedores a matériaprima bovinos, e, ao realizarlhes o pagamento, depositou o valor pecuniário diretamente na conta corrente da empresa de fachada Frialto (docs. 8.25), caracterizando uma permuta do credor e evidenciando a composição de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos), pois tal ato depende no mínimo de uma autorização expressa. 26) A situação é tão confusa que uma empresa de fachada chegou a pagar a sua despesa referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda em outra firma de fachada. Em 04/10/99, a firma Fricol, ao pagar despesas de fornecedores, referente ao Frigorífico Quatro Marcos Ltda (SP), depositou o dinheiro diretamente na conta da firma Frialto (doc. 8.26). Este ato é contrário aos Princípios Fundamentais de Contabilidade (princípio da entidade e princípio da competência Resolução n° 750/93CRC) e, também, contrário à própria legislação fiscal e à comercial. 27) Outro fato que deixa transparecer a composição do Grupo Quatro Marcos é um depósito em dinheiro, realizado pela firma Fricol, diretamente na conta corrente da Ind. de Couros Insumos Colider Ltda, uma vez que aquela é quem fornece os couros (matéria prima) para esta. Diante disso, evidencia que a segunda também faz parte das empresas que compõe o Grupo Quatro Marcos (doc. 8.27). 28) O Sr. Milton Zana Corbalan, que se diz sócio das empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda e do Frigorífico Vila Rica Ltda, as quais fazem parte do Grupo Quatro Marcos, foi empregado sempre no setor de construção civil em outras empresas do Grupo Quatro Marcos, a seguir detalhado: período de 06/96 a 09/97 no Frigorífico Colider Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 08/96 no valor de R$ 717,25 (docs. 8.28.a); no período de 03/98 a 05/98 na Alta Floresta Ind. Frigorífica Ltda, onde a maior remuneração mensal recebida foi em 05/98 no valor de R$ 596,74 (docs. 8.28.b). Estas duas últimas empresas onde o Sr. Milton Zana Corbalan trabalhou tinha como sócio o Sr. Sebastião Douglas Sorge Xavier (sóciogerente do Frigorífico Quatro Marcos Ltda). Diante disso, percebese claramente que o Sr. Milton Zana Corbalan é mais uma pessoa que apenas Fl. 383DF CARF MF 22 emprestou o nome para fazer parte no contrato social das empresas de fachada explicitadas no item 8.28 do Relatório Geral. Durante a diligência fiscal realizada no município de Vila Rica, na empresa Frigorífico Vila Rica Ltda, o próprio empregado Sr. Willian (departamento pessoal do Frigorífico) não conhecia o seu Sr. Milton Zana Corbalan. Além disso, nos documentos analisados, não se encontrou qualquer documento de ato do comércio assinado pelo mesmo (docs. 8.28.c), sendo que o contrato social dispõe na cláusula VIII que: "A sociedade será administrada pelo sócio Milton Zana Corbalan, na qualidade de gerente o qual assinará todos os atos relativos aos interesses da sociedade ..." (doc. 8.28.d). Dentre os fatos evidenciados e relatados, fica evidenciado que se trata de um grupo econômico de fato Grupo Quatro Marcos , o qual foi articulado e montado pelos sócios e diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Assim, o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66) estabelece, nos incisos I e II do seu art. 124, que existe responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Além disso, a Lei de Custeio da Seguridade Social – Lei n° 8.212/91, em seu inciso IX do art. 30, também prevê expressamente a solidariedade entre si das empresas componentes de Grupo Econômico, sendo lícito ao Fisco cobrar de qualquer delas. Portanto, o Fisco, baseado no instituto da solidariedade, tem o direito de cobrar o crédito fiscal (crédito previdenciário) de qualquer pessoa que compõe o "Grupo Quatro Marcos", uma vez que na seara das obrigações tributárias não se comporta benefício de ordem. TÓPICO “CONCLUSÃO DO ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO GRUPO QUATRO MARCOS" O Grupo Quatro Marcos, pelas evidências apresentadas, vem sonegando contribuições sociais à Fazenda Pública ao longo dos últimos anos, pois abre uma empresa "fantasma" ou de "fachada" (empresas que não existem de fato) em cada Município, onde já possui as suas unidades frigoríficas "quentes" (empresas em nome dos sócios ou dos diretores do Frigorífico Quatro Marcos Ltda) e, após um determinado lapso de tempo de funcionamento comercial, a empresa de fachada (ou fantasma) desaparece, repentinamente, sem deixar qualquer paradeiro. Portanto, o esquema de sonegação fiscal funciona com a simulação da criação de uma empresa de fachada (ou fantasma), onde os empregados das empresas do Grupo Quatro Marcos, às vezes registrados em livro ou fichas de registro de empregados, ou não, são levados a emprestar seus nomes e passam a figurar como supostamente sóciosproprietários do frigorífico de fachada (ou fantasma), mas nunca praticam qualquer ato de gerência ou administração nesta empresa. Na realidade este ato é realizado pelos diretores e sócios do Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ocorre que a empresa de fachada (ou fantasma) geralmente recolhe apenas um valor simbólico dos tributos, passando então a praticar a sonegação e, a mesmo tempo, utilizandose de meios fraudulentos para a realização de tal intento, uma vez que essas empresas na realidade constituem um verdadeiro "CAIXA 2" do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o qual possui uma movimentação financeira diferente da contabilidade apresentada ao fisco. De um modo geral, as empresas de fachada (ou fantasmas) funcionam ativamente em torno de 02 (dois) anos e, após este lapso de tempo, desaparecem, inclusive seus sócios, e imediatamente são substituídas por outras empresas de fachada (ou fantasmas), mudando a razão social e o CNPJ. Consequentemente aparecem novos sócios. Outro fato marcante é que, quando a fiscalização inicia seus trabalhos, geralmente a empresa de "fachada" (ou fantasma) desaparece, seus sócios não são encontrados e todos os documentos e livros contábeis são misteriosamente furtados ou queimados. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 13 23 Portanto, fica caracterizado que duas ou mais pessoas, no intuito de enganar o fisco, recorrem a um ato simulado, quer para esconder um outro negócio que se pretende dissimular, com a criação de empresas de fachada (ou fantasmas), quer para fingir de uma relação jurídica com o fato gerador da obrigação tributária, com a criação de sócios laranja. Tratase, portanto, de burla intencionalmente construída em conluio pelas partes que almejam disfarçar a realidade, enganando a Fazenda Pública e fraudando a legislação fiscal. Portanto, o Grupo Quatro Marcos utilizase de condutas dolosas e fraudulentas com fito específico de driblar a arrecadação dos Tributos (contribuição social), lesando simultaneamente a fé pública e a Administração Tributária desenvolvida pelo INSS. TÓPICO “NOTAS GERAIS” A empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda sofreu anteriormente ações fiscais pelo INSS, abrangendo até a competência 07/1996, no qual foram levantados débitos correlacionados com as empresas: Guaray Com. Ind. de Exp. e Importação Ltda, CNPJ 74.075.268/000129; e Amazonas Com. Ind. Imp. e Exportação Ltda, CNPJ 00.923.654/0001 97. Porém, este levantamento feito pela fiscalização encontrase consolidado no DEBCAD no 32.345.3368/1996. Também foi verificado pela fiscalização anterior do INSS os mesmos fatos explicitados nos itens 4.1, 4.2, 4.3, 4.4 e 4.7 do Relatório Geral. Corroborando com o entendimento desta fiscalização, que se trata de um grupo econômico de fato (Grupo Quatro Marcos) constituído com fim específico de burlar à Fazenda Pública, é que as empresas de fachada (ou fantasmas), que têm como sócios a figura dos laranjas, jamais apresentaram os Livros Contábeis (Livros Diário e Livros Razão) à fiscalização, sendo que as empresas são obrigadas a têlos, já que pagam o Imposto de Renda com base no lucro real. As empresas de fachada (ou fantasmas) Amazonas Com. Ind. Imp. E Exportação Ltda, Flamingo Alimentos Ltda e a Frigolider Ind. Com. de Alimentos Ltda, que desapareceram misteriosamente sem deixar qualquer paradeiro da documentação fiscal e comercial, sempre alegam a mesma desculpa de que os Livros Contábeis e sua respectiva documentação foram furtados ou roubados de um veículo. As empresas de fachada Frialto Ind. e Com. de Alimentos Ltda, Frigorífico Vila Rica Ltda e a Ind. Frigorífica Norte Colidense Ltda Fricol , também não apresentaram os Livros Contábeis (Livro Razão e Livro Diário), sempre com as mesmas alegações de que tiveram algum problema na informática ou que estão apontandoos e brevemente vão entregálos. Tendo apenas uma única exceção, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda, que também compõe o Grupo Quatro Marcos, foi a única a apresentar a contabilidade (Livro Razão e Livro Diário), porém, esta não espelha a realidade financeira nem contábil da empresa, já que existem várias irregularidades em seus documentos fiscais, conforme alguns relatos no Relatório Geral e conforme constatação de diligência fiscal anterior, realizada pelo INSS em 11/09/98, que na época evidenciaram a adulteração nas formalidades extrínsecas dos Livros Contábeis (Livros Diários) n° 24, 25, 26 e 27 do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, os quais foram encobertos com tinta corretora (tipo liquid paper) (doc. 11.1.a). O Laudo de Exame Documentoscópio n° 437/98 Departamento de Polícia Federal/MJ Instituto Nacional de Criminalística Seção de Criminalística/MT, confirmou as adulterações explicitadas anteriormente nos Livros Contábeis (doc. l l . l .b). Fl. 385DF CARF MF 24 A seguir, apresenta notas estatísticas referentes à unidade frigorífica de São Jose dos Quatro Marcos, quais sejam: 1) Aumento expressivo dos valores das contribuições sociais rural ocorridas após o início das ações fiscais desenvolvidas pelos Fiscais de Tributos Estadual FTE/MT , em 04/99. Constatouse através da análise do gráfico que as contribuições decorrentes da subrogação (comercialização de produtos rurais por pessoa física) efetuadas mensalmente no período de 01/99 a 04/99 não ultrapassam a casa dos R$ 17.000,00 (dezessete mil reais) de contribuições, e, a partir da competência 05/99 a 12/99, os valores das contribuições chegaram a ultrapassar a casa dos R$ 119.000,00 (cento e dezenove mil reais) mensais, havendo, portanto, um acréscimo de 700 % no mês 12/99. Diante disso, a empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda utilizandose praticamente do mesmo número de empregados (na média), setor de matança, onde no período de 08/96 a 05/00 observase uma constante de 76 empregados e as mesmas instalações, aumentou sua capacidade de abate repentinamente na escala em que foi constatado. 2) Através de dados levantados na própria empresa, no mês 07/99, foi constatado que foram abatidos 19.669 (dezenove mil seiscentos e sessenta e nove) cabeças de bovinos, o que dá uma média diária de 819 (oitocentos de dezenove) animais abatidos, no caso em tela, considerando a semana de 06 (seis) dias, como foi constatado in loco durante as ações fiscais desenvolvidas na empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Em suma, a capacidade de abate de bovinos na unidade frigorífica do Frigorífico Quatro Marcos Ltda é em torno de 800 a 900 cabeças diariamente. 3) Fazendo um cotejamento no ano de 2000, até a competência 05/00, a menor contribuição ocorreu no mês 02/2000, onde o valor de R$ 71.726,77 (setenta um mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos) foi recolhido ao INSS decorrente da contribuição social referente à subrogação da comercialização dos bovinos por pessoa física, com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoas físicas feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 3.260.307,72 (três Milhões, duzentos e sessenta mil e trezentos e sete reais e setenta e dois centavos), foram abatidos 7.484 cabeças, sendo 6.224 cabeças decorrente da compra à pessoa física e 1.260 de pessoa jurídica; e, em tempo, no mês 05/2000 foram recolhidos R$ 119.242,03 (cento dezenove mil, duzentos e quarenta e dois reais e três centavos) com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 5.420.092,27 (cinco milhões, quatrocentos e vinte mil, noventa e dois reais e vinte e sete centavos), foram abatidos 14.541 cabeças, sendo 11.271 cabeças compra de pessoa física e 3.270 compra de pessoa jurídica. 4) Constatouse também que no período de 08/96 a 04/99, a maior contribuição social rural da empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda ocorreu no mês 10/98, no valor de R$ 19.694,40 (dezenove mil, seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos), com um volume de comercialização (compra de bovinos de pessoa física feita pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda) na ordem de R$ 865.199,79 (oitocentos e sessenta e cinco mil, cento e dezenove reais e setenta e nove centavos), neste mês foram abatidos 2.172 cabeças (compras exclusivamente de pessoa física), o que corresponde ao abate diário de 91 cabeças de bovinos. Neste período (08/96 a 04/99), o número de empregados do setor de matança é semelhante ao número de empregados dos meses 05/99 a 05/00, os quais foram constatados durante as ações fiscais. Além disso, na competência 07/99, maior mês de abate de bovinos verificado pela fiscalização (19.669 animais abatidos), o número de empregados do setor matança é praticamente igual ao número de empregados do mês 05/97, menor mês de abate de bovinos constatado pela fiscalização (419 animais abatidos) (doc. 12.e.). Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 14 25 5) No período de 04/96 a 02/98, há participação de uma empresa considerada e constatada pela fiscalização como de fachada (ou fantasma) Amazonas Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda, constituída pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. A firma Amazonas alega que se utiliza os serviços do próprio Frigorífico Quatro Marcos Ltda no abate de animais. Mas a realidade é outra, sabendo muito bem disfarçar o verdadeiro objetivo para o qual foi constituída, objetivo este que é o de ludibriar à Fazenda Pública, recolhendo apenas parte dos valores devidos para que o conta corrente do mesmo, ao ser analisado, não denunciasse qualquer procedimento de fiscalização, no entanto, o verdadeiro volume de comercialização era outro. Ao analisarse os números de animais abatidos pela firma Amazonas (doc. 12.f), no período de 04/96 a 02/98 (período de sua existência), constatouse que o maior volume de abate de animais ocorreu no mês 12/97, onde 6.201 (Seis mil duzentos e um) animais foram abatidos, o que dá uma média de 258 animais abatidos por dia; no mesmo mês, o número de abate do Frigorífico Quatro Marcos Ltda foi de 1.331 (512 pessoa física e 819 pessoa jurídica), o que dá uma média diária de 55 animais. Portanto, no mês 12/97 no total foram abatidos 7.532 animais, dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, o que corresponde a uma média diária de abate de 314 animais. 5.1) Ao se trabalhar com estes dados em relação aos abates de animais feitos dentro das instalações do Frigorífico Quatro Marcos Ltda, onde este já chegou a abater no mês 07/99 a quantia de 19.669 animais, percebese claramente que do potencial de abate existente, apenas parte dele foi utilizado, ficando grande parte dos equipamentos em ociosidade, o que acreditase não ter ocorrido, e, portanto, conferindo maior segurança quanto ao levantamento do crédito fiscal com base nas informações do órgão oficial que controla o trânsito de animais que são encaminhados ao abate para o Frigorífico Quatro Marcos Ltda, no caso, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso INDEA/MT (doc. 12.h). 6) Outra empresa que foi criada após a paralisação ou sumiço da Amazonas foi a Flamingo Alimentos Ltda, cujo início de atividade é 03/98, coincidência ou não, foi constituída com os mesmos prérequisitos da Amazonas e teve sua paralisação em torno do mês 05/99. O modus operandi da Flamingo foi idêntico ao utilizado pela Amazonas, ou seja, compra de bovinos em seu nome e o abate feito sob a forma de prestação de serviço pelo Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Forma esta que desde o início, quando detectados pela fiscalização do INSS em ações fiscais realizadas no ano de 1996, não foi aceita e veementemente repudiada naquela ocasião. No período em que a Flamingo esteve em atividade 03/98 a 06/99 (doc. 12.g), ela afirma que o maior número de abate de animais ocorreu no mês 02/99, onde foram abatidos 9.304 (nove mil trezentos e quatro), média diária de 388 animais; no mesmo mês, o Frigorífico Quatro Marcos Ltda afirma que só abateu, decorrente de sua compra, 2.361 (dois mil trezentos e sessenta e um) animais, média diária de 98. Portanto, no mês 02/99 foram abatidos 11.665 animais, com uma média diária de 486 bovinos abatidos. Diante disso, aparentemente o Frigorífico Quatro Marcos Ltda estava com boa parte dos seus equipamentos e mãodeobra (setor matança) em ociosidade e com isso causando prejuízo para o mesmo, consideração lógica se analisarmos a capacidade dos equipamentos na demonstração da movimentação ocorrida a partir do mês 05/99. O contribuinte apresentou impugnação inicial (fls. 104/106), ainda sob a égide da Secretaria da Receita Previdenciária, aduzindo, em síntese: 1) Foi indevida a descaracterização da personalidade jurídica das empresas, pois manteve com elas relações temporárias estritamente comerciais. Fl. 387DF CARF MF 26 2) Solicitou às empresas citadas providências necessárias junto a esse Órgão; 3) Todos os documentos contábeis e fiscais foram apreendidos e remetidos para o MPF e MPE em Cuiabá, em atendimento aos Mandados de Busca e Apreensão emitido pelo Juízo da 2a Vara da Justiça Federal do Mato grosso, nos autos dos processos 1999.36.00.0043865 (15/06/1999 MT) e 1999.36.00.00051937 (13/06/1999SP); 4) Os documentos foram disponibilizados de forma totalmente desorganizada e misturados entre si, praticamente impossibilitando sua conferência e reorganização. Porém foi detectada a falta de vários documentos, que ficaram sob a guarda do MPF/MPE, os quais segundo informações preliminares estariam extraviados. 5) Postulou pela suspensão da exigibilidade da exação; reabertura do prazo de defesa, depois de decorridos 90 dias da efetiva devolução dos documentos apreendidos; e, produção de prova pericial. Processado o feito, sobreveio o julgamento pela procedência do lançamento, consubstanciado na DecisãoNotificação nº 10.104.4/0193/2001, de fls. 256/260. Contudo, sobreveio a sentença n° 801/2002, exarada pelo julgamento da ação de Mandado de Segurança nº 2002.36.00.0020087, cujo objeto era a nulidade dos processos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Referido ato judicial assim determinou: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais... 35.166.2650, 35.166.2677, 35.166.2618, 35.166.2596, 35.166.2626, 35.011.3734, 35.166.2553, 35.166.2642, 35.011.3742, 35.166.2669, 35.011.3777, 35.011.3769, 35.011.3750, 35.166.2570, 35.166.2685, 35.166.2634, 35.166.2588, 35.166.2600 ... Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2a. Vara de Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. Interposto recurso de apelação pelo INSS, ao mesmo foi negado provimento. Os autos, que se encontravam inscritos em Dívida Ativa da União, então, retornaram à fase administrativa em 11/01/2007, para que o processo administrativo fosse reiniciado, tendo em vista a ausência de condições para o exercício do contraditório e da ampla defesa, atendendo a determinação judicial, a fim de que seja concedido o prazo legal de defesa/impugnação ao devedor. A Seção de Contencioso Administrativo em Cuiabá/MT, encaminhou os autos referenciados no Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087 à Seção de Contencioso Administrativo, em Osasco, tendo em vista a mudança do estabelecimento centralizador do sujeito passivo para o CNPJ 01.311.661/000605, localizado à Rua Pureza Marques de Oliveira, 83, Jandira/SP; A Delegacia da Receita Previdenciária DRP, em Osasco reabriu o prazo para apresentação de defesa. O contribuinte apresentou impugnação em 15/05/2007, onde informa que “os documentos administrativos, contábeis e fiscais, apreendidos, ainda não foram devolvidos”. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 15 27 Requer, ainda, que a impugnação seja admitida com efeito suspensivo “e, na sequência, a anulação das intimações questionadas e a devolução do prazo integral previsto em lei para a futura defesa de mérito, uma vez decorridos os 90 dias da efetiva entrega pelo MPF/DPF de todos os documentos de sua propriedade, prazo este imprescindível para a conferência, tentativa de reorganização e de análise dos mesmos, objetivando o oferecimento da Impugnação cabível.” Conforme Despacho, emitido pela 10a Turma de Julgamento DRJSPOII, em 07/01/2008, os autos retomaram à DRF jurisdicionante “para providenciar o cumprimento da ordem judicial e demais providencias.” Em 28/07/2011, os autos retornaram a DRJ Campinas. A então competente 7a. Turma de Julgamento exarou a Resolução de fls. 358/363, devolvendo os autos à DRF de origem e determinando que: Visto que, por força de sentença judicial, o lançamento fiscal está em fase de ciência ao contribuinte e, este procedimento só poderá ocorrer quando todos os documentos apreendidos forem devolvidos à empresa autuada; a DRF, em Osasco, por dever de ofício, deverá promover a devolução desses documentos à empresa, quer seja solicitando diligência fiscal ao Juízo 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso, quer seja acionando a Procuradoria da Fazenda Nacional PGFN. Após a ciência do lançamento ao contribuinte, na forma da sentença prolatada pelo Juízo da 3a Vara da Seção Judiciária do Estado de Mato Grosso nos autos do Mandado de Segurança 2002.36.00.0020087, os autos deverão retornar à DRJ em Campinas somente quando estiver comprovado nos autos que os documentos foram totalmente devolvidos e findo o novo prazo concedido à empresa para a impugnação, reitero, após ela estar com a posse dos documentos apreendidos. Ainda, atendidas as solicitações do parágrafo anterior, deverão ser cientificadas as empresas componentes do referido grupo econômico, sendolhes concedido prazo regular para impugnar este lançamento. (grifos no original) Aos autos foram juntados os elementos de fls. 401/413, consubstanciados em cópias dos elementos constantes dos autos dos processos judiciais nº 99.51937, ação cautelar preparatória de busca e apreensão em trâmite pela 2a Vara Federal da Seção Judiciária da Justiça Federal do Mato Grosso, e, 1999.36.00.0051937, ação penal em curso perante a 5a. Vara Federal da mesma Seção Judiciária. Ao contribuinte e devedor solidário foi dada nova ciência quanto ao lançamento, agora sob a égide da Receita Federal do Brasil, concedendolhe prazo de 30 dias para apresentação de impugnação administrativa, na forma do Decreto nº 70.235/72. Somente o autuado compareceu aos autos pelo instrumento de fls. 473/480, aduzindo, em síntese: Da Prescrição Intercorrente no Âmbito Administrativo A prescrição pode ser conceituada como “a perda do direito da Fazenda Pública de ajuizar ação de cobrança, mais propriamente execução fiscal, relativamente a crédito não pago, pelo decurso do tempo". Fl. 389DF CARF MF 28 No caso em tela, verificase que os créditos ora impugnados são originários do Auto de Infração n° 35.166.2677, datado de 02/10/2000, cujos fatos geradores referemse aos períodos de 06/99 a 12/99. Ocorre que estes créditos foram objetos de Ação Mandamental n° 2002.36.00.0020087, a qual pleiteava a nulidade de procedimentos administrativos fiscais, em razão de cerceamento de defesa. Menciona que em 15/10/2002 foi proferida sentença nos autos do Mandado de Segurança, sendo concedida a segurança, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais. A decisão foi questionada, por meio de recurso de apelação, o qual teve seu provimento negado. Salienta que em 13/09/2006 ocorreu o trânsito em julgado da decisão, oportunidade esta em que o INSS deveria aguardar a devolução integral dos documentos apreendidos e posteriormente, iniciar o processo administrativo, notificando o contribuinte do lançamento e oportunizando o contraditório e a ampla defesa. Ocorre que somente no corrente ano, por meio do Edital 18/2015, foi reiniciado o procedimento, administrativo, conforme determinou sentença proferida nos autos da Ação Mandamental n° 2002:36.00.0020087, com trânsito em julgado em 13/09/2006. Desta forma vislumbrase a existência da prescrição do crédito ora impugnado, uma vez que o fisco autuante deixou transcorrer o lapso temporal superior a cinco anos, contados da data do trânsito em julgado da Ação Mandamental, ou seja, 13/09/2006, até a expedição do Edital n° 108/2015, o qual determina a reabertura de prazo de 30 (trinta) dias para impugnação ou pagamento do Auto de Infração. Logo, caracterizado o desinteresse do autuante pela demanda. Conforme acima descrito, resta comprovado que o processo permaneceu pelo prazo superior a cinco anos aguardando diligência do fisco para ser reiniciar toda a fase administrativa, porquanto, consumada está a prescrição. Do Mérito Da Suposta Formação de Grupo Econômico e da Ilegitimidade Passiva Primeiramente, cumpre esclarecer que no caso em tela a fiscalização autuou a impugnante por fato supostamente cometido pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda. Alegando suposta solidariedade ante a formação de grupo econômico o fisco pretendeu ver a impugnante responsável pela quitação dos débitos. No entanto, nos autos não possuem provas robustas capazes de comprovar a formação deste suposto grupo, logo, os atos praticados pela empresa Frigolider Ind. Comércio de Alimentos Ltda, não podem ser imputados à empresa Frigorífico Quatro Marcos Ltda. Ademais, o instituto da solidariedade prescinde da concorrência de dois ou mais devedores ou dois ou mais credores na mesma obrigação. No caso em tela, a impugnante não detinha a mesma obrigação vinculada a empresa que supostamente cometeu o ilícito motivo pelo qual não pode ser considerada responsável solidária pelo débito. Assim ante a ilegitimidade passiva da impugnante deve o Auto de Infração ser anulado. Da Ausência de Vínculo Empregatício Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 16 29 Consta, ainda do Auto de infração, que a empresa supostamente deixou de inscrever no Regime Geral da Previdência o nome do senhor Pedro Olinto Ribeiro, no entanto, estes argumentos não possuem qualquer fundamento, eis que a empresa impugnante sempre cumpriu com todas as suas obrigações, principalmente no que concerne aos Registros de seus empregados no Regime Geral de Previdência Social. Frisase que até o presente momento o Fisco não foi capaz de comprovar, qualquer vínculo envolvendo a pessoa de Pedro Olindo Ribeiro com empresa Frigorifico Quatro Marcos ou mesmo com a Frigolider, quer seja a prestação do serviço, a continuidade da prestação, a subordinação, a onerosidade da relação ou, ainda o caráter pessoal da suposta prestação de serviço, conforme prescreve o art. 3o da CLT. Em suma o fisco, não foi capaz de comprovar a existência de qualquer vínculo empregatício entre o senhor Pedro Olindo Ribeiro e o Frigorífico Quatro Marcos nem com a Frigolider. Diante do exposto não resta argumentos para a manutenção do Auto de Infração. Quanto à Aplicação da Multa Exigida A multa aplicada mediante o indigitado Auto de Infração não pode prosperar. Nossos tribunais têm reconhecido a impossibilidade de cobrança de multas que se apresentem desproporcionais em relação ao valor do tributo. A título ilustrativo, transcreve julgado rechaçando a cobrança de multa acima de 60% (sessenta por cento), por ser confiscatória e desproporcional. Sendo assim, não pode subsistir a cobrança da multa em aplicada na autuação, por esta possuir caráter confiscatório. Mas ainda que se assim não se entenda, o percentual da multa deve ser reduzido para, no máximo, 2%. A jurisprudência de nossos tribunais não mais vem admitindo a imposição de multas em percentual exorbitante. Temse fixado que a multa a ser paga pelo contribuinte/responsável tributário não deverá ser superior a 2% (dois por cento). Nesse sentido, transcreve decisão proferida pelo MM. Juiz da 2a Vara Cível da Comarca de Ijuí, nos autos dos Embargos à Execução no 62.935/2000. Portanto, a seguir a corrente jurisprudencial, cujo entendimento se encontra consolidado na decisão anteriormente transcrita, não deve prevalecer o percentual de multa imposto à ora impugnante, sendo imperiosa a sua redução a, no máximo, 2%. Em suma, por todos os caminhos e a todos os títulos fica patenteada a improcedência da autuação, impondo se, por conseguinte, seu cancelamento. O Acórdão 1459.198 (fls. 286) julgou a impugnação improcedente, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2000 a 30/10/2000 LANÇAMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 391DF CARF MF 30 Confirmado nos autos que ao contribuinte foram concedidas várias oportunidades para recuperação de documentos apreendidos pela Justiça Federal, de forma a produzir, em tempo hábil, a instrução de seu instrumento de impugnação, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE DA SUA PRODUÇÃO. PRECLUSÃO. Caracteriza a preclusão temporal o decurso do prazo previsto em ato normativo para que o contribuinte junte aos autos os documentos que entender cabíveis, não havendo que se falar, fora das hipóteses previstas no Decreto no 70.235/72, na concessão de nova oportunidade para o cumprimento tardio de seu ônus probatório. A preclusão é confirmada pela verificação, a partir de elementos dos autos, de que o contribuinte teve oportunidade de resgatar os documentos apreendidos, deixandoos serem destruídos pela Justiça Federal. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. MOROSIDADE NA SUA INSTAURAÇÃO. FATO ALHEIO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. IRRELEVÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não configura hipótese de nulidade a morosidade na instauração de novo processo administrativo fiscal quando esta demora seja decorrente de atos e fatos externos, alheios à responsabilidade da Administração Pública Fazendária. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. É inaplicável ao processo administrativo fiscal a prescrição intercorrente, uma vez que esta pressupõe uma pretensão exigível, somente verificável quando da constituição definitiva do crédito tributário, consumada pelo exaurimento do contencioso administrativo tributário. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DE FATOS EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. Constitui infração passível de aplicação de penalidade o fato do contribuinte registrar fatos contábeis em contas distintas da real natureza dos mesmos, registrando aquisição de cestas básicas em conta contábil relativa a brindes e doações, e pagamentos de prestadores de serviços autônomos como adiantamentos diversos, havendo contas contábeis específicas para estes registros na contabilidade. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 4 de dezembro de 2015, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 313 e seguintes), reiterando os argumentos trazidos na impugnação, isto é: (i) prescrição do crédito tributário; (ii) ausência de irregularidade por parte do contribuinte; e (iii) nulidade e inconstitucionalidade da multa aplicada. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 17 31 É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto O recurso voluntário é tempestivo, no entanto, o Recorrente argui a inconstitucionalidade da multa aplicada. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, conheço em parte do recurso voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade supramencionada. Da Questão da Prescrição Intercorrente A Recorrente argumenta que teria ocorrido a prescrição no âmbito do processo administrativo fiscal, uma vez que decorreu o prazo de cinco anos entre a data do trânsito em julgado da ação de mandado de segurança no. 2002.36.00.0020087 (13/09/2006) e a data da intimação para apresentar novo instrumento de impugnação, após anulação do processo administrativo anterior pela referida ação mandamental. A prescrição consiste no decurso do tempo em relação ao exercício do direito de ação em face da pretensão titularizada pelo sujeito passivo. No âmbito tributário, a pretensão sobre a qual recai a prescrição consiste na execução do crédito tributário, promovendose a sua inscrição em Dívida Ativa da União. Nesse sentido, o contribuinte, em face de peculiaridades ocorridas em ações fiscais múltiplas às quais esteve sujeito, impetrou mandado de segurança, gerando o processo judicial nº 2002.36.00.0020087. Nesta ação, o contribuinte obteve provimento jurisdicional favorável, determinando a nulidade dos processos administrativos fiscais instaurados pelo então competente INSS, e, dentre tais, o processo administrativo anteriormente instaurado em face da exigência tributária contida nos presentes autos. Nesse sentido, eis as palavras da decisão: Ante o exposto, CONCEDO A SEGURANÇA, declarando a nulidade dos processos administrativos fiscais 35.166.2570, 35.166.2588, 35.166.2553, 35.166.2685, 35.166.2642, 35.166.2618, 35.166.2626, 35.166.2600, 35.166.2596, 35.166.2634, 35.166.2669, 35.166.2677, 35.166.2650, 35.011.3750, 35.011.3785, 35.011.3734, 35.011.3742, 35011.3793 35.011.3777 e 3576171 determinando ao Impetrado que reinicie esses processos, desta feita concedendo o prazo legal de defesa/impugnação APÓS a devolução integral dos documentos que foram apreendidos. Fl. 393DF CARF MF 32 Caso os documentos já tenham sido devolvidos, o Impetrado poderá reiniciar de pronto os processos administrativos fiscais ora anulados, caso não, deverá aguardar tal devolução. Para evitar futuras nulidades, a data da devolução deve ser comprovada nos processos administrativos pela juntada da certidão emitida pela 2° Vara da Justiça Federal, a qual estão afetos os processos de busca e apreensão que originaram a presente lide. É importante observar que a decisão não anulou o lançamento do crédito tributário em si mesmo, mas, somente, o processo administrativo instaurado a partir da ciência do contribuinte quanto ao próprio lançamento, justamente pelo fato de que o contribuinte não dispunha, à época, dos elementos materiais necessários ao pleno exercício de sua ampla defesa e contraditório. Assim, a decisão não subordinou a instauração de novo processo administrativo em face do mesmo lançamento à observância de qualquer interregno temporal; ao contrário, condicionou a sua instauração à demonstração efetiva da devolução dos documentos ao contribuinte. De outro lado, a demora quanto à nova intimação para apresentação de novo instrumento de impugnação não deve ser oposta à Administração Tributária. Com efeito, ao longo dos anos, vários foram os expedientes enviados à Justiça Federal como forma de se saber se houve ou não a devolução integral ao contribuinte dos documentos apreendidos. A certeza quanto a esta devolução somente veio ao conhecimento da Administração Fazendária em 01/10/2014, conforme elementos fls 1.937, de forma que somente a partir de então o Fisco poderia dar andamento ao processo administrativo, como o fez. Por fim, de rigor reconhecerse que a prescrição intercorrente não tem cabimento no âmbito do processo administrativo por duas razões. A primeira de ordem legal, no sentido de que não há previsão normativa de qualquer espécie que permita a sua adoção. A segunda, de ordem lógica, pois, a prescrição pressupõe a definitividade do lançamento do crédito tributário e enquanto pendente a esfera administrativa, não há esta definitividade, de forma que não há que se falar sequer da possibilidade de ajuizamento da execução fiscal, daí advindo a impossibilidade de transcurso do prazo prescricional. Este entendimento tem seu fundamento no artigo 151, inciso III do Código Tributário Nacional – CTN que prevê a suspensão da exigibilidade (na verdade, inexistência preliminar dela) quando pendente recurso administrativo: Diante da ausência de exigibilidade do crédito tributário, uma vez que ainda não constituído definitivamente, não há que se falar em pretensão do Fisco, e, dessa forma, não se pode cogitar da prescrição, sequer sob a forma intercorrente. Vale citar ainda a Súmula CARF n. 11 que estabelece que a prescrição intercorrente não é aplicável no processo administrativo fiscal, conforme pode ser observado abaixo: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Ante o exposto, não carece razão à Recorrente no tocante à prescrição intercorrente. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 18 33 Da Questão da Nulidade da Multa prevista no Regulamento da Previdência Social A Recorrente argumenta que o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99 não seria aplicável à espécie, vez que os fatos geradores ocorreram anteriormente à sua entrada em vigência. O Decreto no. 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social – RPS, foi publicado no Diário Oficial da União em 07/05/1999, entrando em vigor nesta mesma data. Assim, a princípio, para os fatos geradores anteriores a esta data, pareceria correto alegar a sua inaplicabilidade. Ocorre, contudo, que a questão não pode ser vista com tamanha superficialidade. A obrigação de prestar informações relacionadas aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outros dados de interesse do INSS – Instituto Nacional do Seguro Social – foi instituída pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997. O documento a ser utilizado para prestar estas informações – GFIP – foi definido pelo Decreto nº 2.803, de 20/10/1998, e corroborado pelo Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e alterações posteriores. Decreto nº 2.803/98 – Regulamenta o artigo 32 da Lei nº 8.212/91. Art. 1º A empresa é obrigada a informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto. ... omissis ... § 3º As informações prestadas na GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo INSS, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do nãorecolhimento. § 4º Os valores das contribuições incluídos na GFIP, não recolhidos ou não parcelados, serão inscritos na Dívida Ativa do INSS, dispensandose o processo administrativo de natureza contenciosa. § 5º A entrega da GFIP deverá ser efetuada em meio magnético, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, ou mediante formulário, na rede bancária, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. § 6º A GFIP será exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 7º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da GFIP são de inteira responsabilidade da empresa. Fl. 395DF CARF MF 34 ... omissis .... Art. 2º A infração ao disposto no artigo anterior sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, em função do número de segurados, pela não apresentação da GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: ... omissis ... II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; III cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 106 do ROCSS, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da GFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do auto de infração. Art. 3º Para efeito do disposto no art. 33 do ROCSS, a pessoa jurídica apresentará, ainda, os recibos de entrega da GFIP. Neste decreto há previsão da aplicação da multa idêntica ao Decreto nº 3.048/99. Com efeito, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, em seus artigos 225 (previsão de obrigações acessórias) e 283 a 289 (previsão das multas fixas para tipo de penalidade), apenas trouxeram a regulamentação das obrigações e penalidades já previstas na Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99, possui seu fundamento de validade na Lei nº 8.212 (lei de custeio). Cita se: Lei nº 8.212 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (CFL 67, 68, 69 e 81) Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 19 35 § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Art. 284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso anterior, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores; e Assim, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, nada mais fez do que disciplinar em caráter regulamentar, função esta permitida ao regulamento no direito brasileiro, as obrigações acessórias já devidamente previstas em lei formal, no caso, a lei de custeio (Lei nº 8.212/91), consistindo no instrumento normativo vigente à data de lavratura do Auto de Infração, devendo ser o fundamento legal a embasar o lançamento, vez que possui aplicabilidade imediata e estava em vigência ao tempo da lavratura fiscal. Ou seja, não foi o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99 que previu a infração, mas a própria lei de custeio ou a de benefício, conferindo ao Fl. 397DF CARF MF 36 Regulamento da Previdência Social – Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, a mera função de disciplina pormenorizada da sua ocorrência. Com relação à penalidade, o entendimento do contribuinte não merece melhor sorte. Com efeito, a Lei nº 8.212/91 é taxativa ao prever: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Ora, vêse que a Lei nº 8.212/91 expressamente determinou a aplicação de penalidades às previsões contidas em Regulamento, cabendo a este graduar, conforme a infração, o valor aplicável. Outrossim, a atualização dos valores das penalidades foi devidamente autorizada pela Lei nº 8.213/91, que assim se posicionou: Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Assim previa a própria Lei nº 8.212/91: Art. 102. Os valores expressos em cruzeiros nesta Lei serão reajustados, a partir de abril de 1991, à exceção do disposto nos arts. 20, 21, 28, § 5º e 29, nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social, neste período. E o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no. 3.048/99: Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, não se pode pretender a inaplicabilidade de uma penalidade expressamente prevista no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, quando validamente determinado pela Lei nº 8.212/91 que, ao prever as obrigações acessórias e suas respectivas infrações, sujeitou a previsão da penalidade a instrumento normativo hierarquicamente inferior, mas com força normativa suficiente para tal finalidade. Portanto, em que pese os fatos constados se referirem a momento anterior à vigência do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto no 3.048/99, de rigor verificarse que a violação da obrigação acessória já contava com previsão na Lei nº 8.212/91, de forma que não há violação ao princípio da legalidade tributária. Outrossim, quanto ao valor da multa aplicada em relação ao momento de ocorrência dos fatos geradores, o pensamento do contribuinte não assume procedência. Com efeito, a penalidade aplicável no caso de descumprimento de obrigações acessórias é aquela prevista no momento da constatação do seu descumprimento pela autoridade fiscal, ou seja, no momento da lavratura do Auto de Infração, não havendo ligação quanto ao momento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações principais. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13896.001275/200750 Acórdão n.º 2301005.430 S2C3T1 Fl. 20 37 Da Infração Propriamente Dita A fiscalização sustenta os seguintes fatos que motivariam a lavratura fiscal sob análise: 1) Salário indireto alimentação (cesta básica) sem convênio com o Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT, uma vez que, para os anos de 1995 e 1996, a empresa lançou na conta Doações, Brindes e Presentes (CONTA 3.1.2.01.4.062014), a qual deveria ter sido lançada na conta Cesta Básica, conta esta existente no seu Plano de Contas (conta 3.1.2.01.2.060930). Portanto, a empresa infringiu o art. 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91. 2) Livro Razão nº 05 a 08/95, ano de 1995; 09 a 12, ano de 1996. A empresa registrou e lançou na sua contabilidade, no dia 31/08/1999, o pagamento efetuado ao advogado Saladino Sgaib, meses 06 e 07/99, na conta Adiantamento Diversos (1.1.2.03.2.015594), pagamento este que se constitui como fato gerador de contribuição previdenciária, infringindo o artigo 32, inciso II da Lei nº 8.212/91, pois o lançamento correto deveria ser feito em uma conta de despesa com o subtitulo DespesaHonorários AdvocatíciosPF. Quanto ao primeiro motivo, a folha do Livro Razão juntada à fl. 66 dos autos do processo administrativo nº 13896.001181/200781 demonstra a contabilização da várias notas fiscais de aquisição de produtos integrantes de cestas básicas ao longo das competências 04/96 a 06/96 na conta 3.1.2.01.4.062014 – Doações, Brindes e Presentes. O mesmo processo administrativo nº 13896.001181/200781 demonstra, à fl. 97, a nota fiscal nº 97, no valor de R$ 8.944,40, emitida por Favorito Com. Prod. Alimentícios em 10/06/1996 (arroz mirassol, feijão novo carioca, óleo de soja soya, sal, açúcar, farinha de mandioca, macarrão etc), tendo sido registrada na conta 3.1.2.01.4.062014 – Doações, Brindes e Presentes. Estes elementos, por si só, já bastam à materialização da infração, pois a conta correta para o registro de aquisição de alimentos não é a conta na qual houve o registro das operações, mas, como bem diz a fiscalização, a conta “Cestas básicas”. Quanto ao segundo motivo, convém trazer à colação as palavras da fiscalização constantes do Relatório Fiscal nos autos do processo administrativo nº 13896.001277/200749, em relação ao qual o contribuinte não aduz qualquer inconformismo e restaram demonstrados pelos elementos materiais contidos naqueles autos: Esclarece a fiscalização que apesar de existir uma ação fiscal desenvolvida até a competência 07/96 pelo INSS, retroagiu o levantamento até a competência 04/96, uma vez que tal fato não foi observado pelos fiscais anteriores, em virtude da empresa esconder o fato contábil na conta Doações, Brindes e Presentes (3.1.2.01.4.0620141). Tal registro incorreto na contabilidade da empresa foi objeto do Auto de Infração DEBCAD n° 35.011.3769. (...) as remunerações pagas, creditadas ou devidas ao segurado contribuinte individual (segurado autônomo), Sr. Saladino Sgaib, referentes aos Fl. 399DF CARF MF 38 honorários advocatícios das competências 06/99 e 07/99, constituído através do levantamento "CI1". A constatação das remunerações foi verificada através de Recibo de pagamento e depósito bancário em conta individual do próprio segurado Saladino Sgaib, datados de 31/08/1999; se por acaso, fosse serviço prestado por pessoa jurídica teria nota fiscal de serviço e o pagamento teria sido feito a pessoa jurídica e não pessoa física, conforme foi constatado pela fiscalização. Pelo exposto, fica perfeitamente caracterizado como contribuinte individual (segurado autônomo) o Sr. Saladino Sgaib, em face disso, foi lançado o débito, tributandose, como salário de contribuição (base de cálculo), a remuneração contabilizada, em 31/08/1999, na Conta Diversos 1.1.2.03.2.015504, aplicandose a alíquota de 15%, conforme determinava a Lei Complementar n° 84/96. Dessa forma, resta materializada a infração ao artigo 32, inciso II da Lei nº 8.212/91. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 400DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.909579/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA.
Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada.
EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO.
Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 3401-005.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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IMPROCEDÊNCIA. Constatada a utilização de crédito acima do permitido, correta a não homologação da parte excedente, com repercussão na Declaração de Compensação vinculada. EXIGÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O DÉBITO NÃO COMPENSADO. Incide multa de mora nos casos de quitação do débito após a data de vencimento, de conformidade com o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 90 95 79 /2 01 1- 68 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 18470.909579/201168 Acórdão n.º 3401005.194 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 15/09/2009, transmitiu PER/DCOMP nº 08652.88259.150909.1.1.010006 com pedido de ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 4º Trimestre de 2006 no valor de R$ 58.934,51 tendo por base o registro fiscal de entradas e apuração do IPI (efls.2 a 41), vinculado a duas Declarações de Compensação nº 31428.55409.090210.1.3.010779 e 19799.76973.130710.1.3.018892. Do Despacho Decisório A DRF Rio de Janeiro II, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.42), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 34.111,54 pela ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, resultando insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 31428.55409.090210.1.3.010779 e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP 19799.76973.130710.1.3.018892. Foi intimada a interessada a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados, atualizados para pagamento até 30/09/2011: Principal Multa Juros 12.225,27 2.445,05 1.949,54 Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.47), fazendo os seguintes comentários: a) primeiro sobre a inovação e peculiaridades do programa eletrônico de transmissão de PER/DCOMP, que por sua evolução ultrapassou a capacidade técnica da contribuinte, necessária ao atendimento das exigências do programa; b) que não cometeu, em momento algum, irregularidades fiscais, eventuais erros podem ser atribuídos ao programa do PER/DCOMP, que acumulou os saldos credores de cada trimestre; c) que as multas de ofício não são devidas, visto que o contribuinte não provocou esta situação, sendo de total responsabilidade da própria RFB; d) cita decisão proferida em mandado de segurança da Justiça Federal do RN, que em nada lhe auxilia na presente lide; e) ao final reconhece os valores relativos à compensação indevida, com o acréscimo da Taxa SELIC, mas repugna a cobrança de Multa de Mora. Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 134DF CARF MF Processo nº 18470.909579/201168 Acórdão n.º 3401005.194 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 2ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: De plano constato que a manifestante não contesta a redução do direto creditório, limitandose a impugnar a multa moratória. Portanto, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto nº 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Com relação à multa moratória, sua cobrança encontra amparo legal no art. 61 da Lei nº 9.430/96... Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.104) contra a decisão de primeira instância administrativa, com alegações de que: a) incorreu em falha no preenchimento do formulário eletrônico do Programa PER/DCOMP, pois quando se abria um novo trimestre, às vezes o próprio sistema, por si só, trazia o saldo anterior do trimestre anterior, duplicando, por conseguinte, o valor da compensação; b) que quitou os valores referentes à esta duplicação mediante parcelamento voluntário de débitos; c) que a manifesta inconformidade foi tão somente sobre a cobrança descabida da multa exofício, no que resulta, também, o pedido recursal. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início declarase que não assiste razão a Recorrente. No Recurso Voluntário se repete a justificava de atribuir a responsabilidade pelos erros cometidos quando do preenchimento do PER/DCOMP, para o programa eletrônico disponibilizado pela SRF, o qual teria contribuindo para a utilização de crédito de IPI além do permitido para o trimestre em referência. Além de se restringir a mera alegação, dispensa qualquer comentário pela sua inconveniência. O segundo item do Recurso de que teria havido a quitação de parte do débito através de parcelamento voluntário, também, se restringe ao campo das alegações, pois nenhum documento juntou aos autos. Caso isso tenha ocorrido, ampara o contribuinte o art. 156 do CTN por ser o pagamento uma das modalidades de quitação do débito, que nesse caso seria parcial. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 18470.909579/201168 Acórdão n.º 3401005.194 S3C4T1 Fl. 5 4 Quanto a multa de mora incidente na cobrança do débito, nada tem a haver com a glosa do crédito indevidamente utilizado, cujo erro já foi reconhecido e não foi objeto de contestação, mas sim, com o não pagamento do débito devido no seu vencimento. A incidência da multa moratória encontra amparo no art. 61 da Lei 9.430/96, cujo texto já fez parte da decisão recorrida. Portando, é dever de ofício da autoridade administrativa exigila juntamente com o tributo devido quando quitado fora do prazo legalmente estabelecido. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.959862/2009-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/01/2005
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material.
Nos termos da legislação de regência a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
Numero da decisão: 3001-000.502
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o Despacho Decisório, por vício material.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/01/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos da legislação de regência a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o Despacho Decisório, por vício material. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1764; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 544 1 543 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.959862/200916 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.502 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO COFINS DCTF RETIFICADORA Recorrente CLUBE DE DIRETORES LOJISTAS DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/01/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO PARCIALMENTE HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Despacho decisório proferido com fundamento em discordância às informações de DCTF retificadora, entregue a tempo de se proceder regular auditoria de procedimentos é nulo por vício material. Nos termos da legislação de regência a DCTF retificadora admitida tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o Despacho Decisório, por vício material. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário (efls. 451 a 459) interposto contra o Acórdão 0261.370, da 1ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE que, na sessão de julgamento realizada em 27.10.2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 440 a 443). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 98 62 /2 00 9- 16 Fl. 544DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 545 2 Dos fatos Do relatório da decisão recorrida Por sua clareza e síntese, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, verbis: Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins nãocumulativa, relativo ao fato gerador de 31/01/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual homologa parcialmente a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito da empresa, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 29/09/2009 (fl. 17), o contribuinte apresentou, em 29/10/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 19, alegando, em síntese, que a DCTF retificadora transmitida em 07/06/2006 foi retificada, posteriormente, em 06/05/2009. Logo, o despacho decisório está trabalhando com valores da DCTF cancelada em 06/05/2009. Por fim, requer o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Do despacho decisório Em face do pedido de compensação, foi exarado o Despacho Decisório Número de Rastreamento 846601175, verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 56.898,06. Valor do crédito original reconhecido: 3.849,78 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF Fl. 545DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 546 3 Diante do exposto HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 51.928,00 10.385,60 5.993,82 Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita,fazenda.gov.br , opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto "Restituição...Compensação, Item PER/DCOMP, Despacho Decisório. Enquadramento legal: Arts, 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Da manifestação de inconformidade Inconformado com a forma com que foi fundamentado o Despacho Decisório, nº de rastreamento, relativamente à homologação parcial da compensação feitas através de Per/Dcomp 05099.72026.141206.1.3.043827, transmitido em 14.12.2006, o contribuinte apresentou em 29.10.2009, manifestação de inconformidade para aduzir que, ipsis litteris: (...) CLUBE DE DIRETORES LOJISTAS DO RIO DE JANEIRO, com sede à Rua da Alfândega, 101,103,107 e 111, Cep 20070 901, Rio de Janeiro RJ, CNPJ 33.611.401/000137, não se conformando com o Despacho Decisório acima referido, do qual foi notificado em 29/09/2009, vem, respeitosamente, no prazo legal com amparo no que dispõem o art. 15 do Dec. 70.235 172, apresentar sua manifestação de inconformidade, pelos motivos de fato e de direito que se seguem: I OS FATOS A DCTF retificadora nº 29.31.85.95.9728 transmitida em 07/06/2006, utilizada no Despacho Decisório nº 846601175 foi retificada, posteriormente, em 06/0/2009 nº do recibo 13.44.07.01.16.43. Logo, o Despacho Decisório está trabalhando com valores da DCTF cancelada em 06/05/2009. Segue em anexo, as DCTF's acima especificadas e cópia do Despacho Decisório. 111. 2 A CONCLUSÃO Fl. 546DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 547 4 A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, esper(sic) e requer o manifestante seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. (...) Da ementa do acórdão recorrido A 1ª Turma da DRJ/BHE, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão, cuja ementa colacionase, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2005 AUSÊNCIA DE PROVAS DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. Na ausência de provas, a DCTF retificadora não pode ser considerada instrumento hábil para conferir certeza ao crédito indicado na declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário para, em apertada síntese, após tecer longa consideração jurídica acerca do princípio da verdade material, argumentar que com a trazida das provas agora apresentadas resta sobejamente comprovado que o valor original do crédito pleiteado é de R$ 56.898,06, apurado na competência de janeiro de 2005, sendo que desde valor R$ 18.473,22 referemse ao pagamento indevido de Cofins sobre receitas financeiras e R$ 38.424,84 referemse aos insumos não apropriados à época como crédito de Cofins. A vista do exposto, requer o acolhimento do presente recurso para o fim de homologar o crédito vindicado e, por consequência, cancelar o débito atinente ao respectivo Per/Dcomp. Do encaminhamento O presente processo digital foi encaminhado em 26.06.2017 para ser analisado por este Carf (efl. 543), sendo, posteriormente, distribuído para este relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Fl. 547DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 548 5 Da competência para julgamento do feito Observo, ainda, a competência deste Colegiado, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, na medida em que foi entregue nos Correios, em 07.08.2015, conforme documentação acostada às efls. 531/532, após ciência em 10.07.2015, conforme observase do Aviso de Recebimento AR juntado à efl. 448, uma vez que respeitouse o trintídio legal, conforme exige o artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Do mérito Já em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte informa que foi notificado do Despacho Decisório nº de rastreamento 846601175 em 29.09.2009, que havia sido emitido em 21.09.2009, esclarece também que os fatos nele narrados diziam respeito à DCTF retificadora (recibo nº 29.31.85.95.9728) transmitida em 07.06.2006; assevera, porém, que referida DCTF foi também retificada, desta feita em 06.05.2009, conforme recibo nº 13.44.07.01.16.43. De se ver, portanto, que a questão fundamental que ora nos é apresentada concerne ao fato de existir uma DCTF retificadora recibo nº 13.44.07.01.16.43 transmitida em 06.05.2009, portanto, em data anterior à emissão do Despacho Decisório nº de rastreamento 846601175, ocorrida em 21.09.2009, que referese aos fatos narrados no Per/Dcomp 05099.72026.141206.1.3.043827, que foi criado e transmitido em 14.12.2006, que no entender do recorrente atesta a existência de crédito da Cofins pelo pagamento a maior, no valor de R$ 56.898,06, que não foi considerado pela fiscalização, na medida em que somente reconheceu o montante original de R$ 3.849,78, daí a homologação parcial da compensação declarada no respectivo Per/Dcomp. Neste sentido esclareço, por oportuno, que a 3ª Turma da CSRF, no Acórdão 9303005.396, de 25.07.2017, já firmou entendimento ao confirmar a decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Neste diapasão, temse também a decisão encartada no Acórdão 3201 003.071, de 27.07.2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Processo 19740.900036/200904, da lavra do Ilmo. Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujo entendimento, peço licença para adotar como fundamento no presente voto, verbis: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do Fl. 548DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 549 6 despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 549DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 550 7 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja Fl. 550DF CARF MF Processo nº 15374.959862/200916 Acórdão n.º 3001000.502 S3C0T1 Fl. 551 8 implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Da conclusão Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, para cancelar o Despacho Decisório Número de Rastreamento 846601175, por vício material. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 551DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003130/2005-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 04/08/1999 a 09/01/2002
CPMF. DECADÊNCIA:
O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de cinco anos, conforme a Súmula Vinculante nº 08, do STF, contados, se não houver pagamento, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.
LANÇAMENTO DE OFICIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA.
Informada à Administração Tributária a falta de retenção ou recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação.
CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. TITULAR DE CONTA-CORRENTE.
O contribuinte da CPMF é o titular de conta-corrente bancária, não se cogitando, na espécie, da existência de estabelecimento matriz ou filial.
CPMF. PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. RETIFICAÇÃO.
O pagamento de tributos e contribuições somente aproveita ao responsável identificado no documento de arrecadação. A retificação de recolhimento somente se efetiva com o atendimento dos requisitos fixados na legislação tributária.
Numero da decisão: 3301-004.835
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões
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DECADÊNCIA: O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de cinco anos, conforme a Súmula Vinculante nº 08, do STF, contados, se não houver pagamento, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. LANÇAMENTO DE OFICIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção ou recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. CPMF. SUJEIÇÃO PASSIVA. TITULAR DE CONTA CORRENTE. O contribuinte da CPMF é o titular de contacorrente bancária, não se cogitando, na espécie, da existência de estabelecimento matriz ou filial. CPMF. PAGAMENTO. BENEFICIÁRIO. RETIFICAÇÃO. O pagamento de tributos e contribuições somente aproveita ao responsável identificado no documento de arrecadação. A retificação de recolhimento somente se efetiva com o atendimento dos requisitos fixados na legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 30 /2 00 5- 45 Fl. 698DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado no Acórdão no 05 21.130 3a Turma da DRJ/CPS (fls. 431 e seguintes), a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira — CPMF, fls. 193/231, que constituiu o crédito tributário total de R$ 517.585,91, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 31/10/2005. No Termo de Verificação de Infração CPMF de fls. 226/230, a autoridade autuante contextualiza da seguinte forma o lançamento: A Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001, em seu art. 45 (.), determinou os procedimentos a serem adotados pelas instituições responsáveis pela retenção da (..) (CPMF), em relação aos valores que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada. Em cumprimento ao disposto no inciso IV do art. 45 da MP em referência, as instituições apresentaram (.) as informações necessárias para o lançamento de oficio (vide fls. 09 a 14) (.). ... Posteriormente, o contribuinte nos apresentou cópias das medidas judiciais relacionadas ao questionamento da cobrança da CPMF, anexas fls. 45 a 154, bem como documentos e demonstrativos de valores pagos através de DARF's (conforme fls. 155 a 177). Conforme explicitaremos adiante, tais DARF's foram recolhidos pelo contribuinte inscrito no CNPJ sob n°57.029.431/000106 (estabelecimento matriz). ... Fl. 699DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 698 3 De acordo com os valores apresentados no demonstrativo anexo fls. 156/157, o contribuinte reconhece como procedentes as informações enviadas à Secretaria da Receita Federal pelas instituições financeiras (fls. 09 a 14) com relação aos valores da CPMF que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogado, relativamente ao contribuinte objeto da presente ação fiscal (estabelecimento filial inscrito no CNPJ sob n°57.029.431/000289). Entendemos que o cerne do procedimento fiscal realizado reside no fato de que, em consonância com a sistemática de apuração da CPMF, o contribuinte da CPMF é o titular da contacorrente mantida junto à instituição financeira, sendo cada estabelecimento considerado um contribuinte distinto. Desta forma, ainda que se tenha realizado recolhimentos através de DARF's (vide demonstrativo elaborado pelo contribuinte anexo fl. 158), com o código de receita 8536 CPMF AÇÃO JUDICIAL (ARTS 45/46 MP203721/00), os recolhimentos foram efetuados pelo estabelecimento matriz (.) quando o correto seria que os recolhimentos dos valores devidos da CPMF constantes nas fls. 09 a 14 tivessem sido efetuados pelo estabelecimento filial (.). Assim, constatamos que não houve qualquer recolhimento efetuado pelo contribuinte (..), em relação aos valores de CPMF devidos do período de 08/1999 a 01/2002 que não foram retidos e recolhidos por força de medida judicial posteriormente revogada. A autoridade fiscal informa ainda a existência das seguintes ações judiciais: a) Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0296396 que teve a liminar concedida, mas foi julgado improcedente o pedido. A apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo, tendo sido interposta medida cautelar n° 2000.03.00.0207145 pleiteando a concessão de efeito suspensivo ao recurso. O pedido foi deferido e posteriormente a cautelar foi julgada prejudicada por perda do objeto diante do Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança. O Acórdão do Tribunal Regional Federal da 3a Região negou provimento à apelação e, após acolhimento de embargos de declaração, transitou em julgado em 26/08/2002; b) Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0308334 com fim de suspender a exigibilidade do crédito tributário alusivo aos encargos moratórios de multa e juros equivalentes a taxa SELIC sobre os valores devidos a título da contribuição CPMF no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001. Foi concedida liminar em 11/12/2001, estando os autos conclusos para sentença. A União impetrou agravo de instrumento, recebido em 22/03/2002, com despacho/decisão concedendo o efeito suspensivo requerido. Fl. 700DF CARF MF 4 Cientificado do lançamento em 21/11/2005, o sujeito passivo apresentou impugnação em 21/12/2005, fls. 234/260, alegando, em síntese: a) da redação do § 3°, do art. 5°, da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, concluise, sem margem de erro, que a responsabilidade supletiva do contribuinte não poderia ser simplesmente substituída pela responsabilidade principal das instituições financeiras, devendo qualquer procedimento fiscal, no que se incluem as autuações, voltarse, num primeiro momento, às instituições financeiras, e posteriormente, em caráter supletivo, aos contribuintes, caracterizando a supressão deste procedimento a ilegitimidade passiva do contribuinte e, conseqüentemente, a nulidade da peça impugnatória; b) de acordo com o disposto no § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional, ocorreu a decadência dos créditos correspondentes aos fatos geradores verificados entre agosto de 1999 e 20 de novembro de 2000, dado que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 21/11/2005; c) a exigência de ofício no valor principal de R$ 199.750,58 é improcedente diante dos pagamentos feitos pela contribuinte. Conforme comprovado, por ocasião do procedimento fiscal, parte deste valor, ou seja, R$ 140.308,71, foi recolhido pelo contribuinte aos 28/12/2001, mediante DARF de valor maior, ou seja, R$ 2.243.810,34 (doc 5). Já o valor, de R$ 59.441,87, foi recolhido através de 03 (três) DARF, sendo um deles no valor principal de R$' 2.169,79, aos 26/12/2001 (doc. 6) e outros dois nos valores de R$ 12.644, 54 (doc 7) e R$ 44.627,12 (doc. 8) aos 31/01/2002, remanescendo, em relação ao valor total acima mencionado, pequena difèrença a pagar, no valor de R$ 0,42. Cumpre salientar que o darf no valor de R$ 2.243.810,34 englobou não só os valores devidos pela filialDivisão ACTATOOLS, ora autuada (CNPJ 57.029.431/000289) como também de sua matriz (CNPJ 57.029.431/000106 — R$ 1.899.206,45) e de outra filialDivisão CMT (CNPJ 57.029.431/002141 — R$ 204.295,18) conforme fazem prova a planilha e DARFs anexos (docs 9/12). Da mesma forma, os outros três darfs no valor de R$ 2.169,79, R$ 12.644,54 e R$ 44.627,12, devidos pela autuada, foram recolhidos pelo CNPJ da matriz (.). Reconhece o agente autuante, tendo constado expressamente do auto de infração (.), que o contribuinte comprovou o recolhimento da exação reclamada, para o CNPJ da filial ora autuada, contudo o fez através dos DARFs que comprovam recolhimentos efetuados de forma unificado pelo estabelecimento matriz (.). Ocorre que referidos esclarecimentos foram \ desconsiderados pela fiscalização, ao argumento de que estes recolhimentos deveriam ter sido efetuados pelo CNPJ do titular da conta corrente (..). A planilha anexa (doc 13), elaborada com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal, evidencia que a empresa matriz (.) deveria ter recolhido a título de CPMF a importância de R$ 2.169.577,28. Referido demonstrativo e respectivas guias darfs evidenciam que o contribuintematriz recolheu valor superior ao devido, ou seja, R$ 2.183.843,42, tendo este recolhimento sido efetuado da seguinte forma: (1) R$ 1.899.206,45, através do DARF de maior valor (R$ 2.243.810,34 docs 5 e 9) e R$ Fl. 701DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 699 5 284.636,97, por meio das DARFs ora anexadas (docs. 14/24). Portanto, se considerarmos que todos os recolhimentos feitos pelo CNPJ da matriz a ela pertencem com exclusividade, teríamos que considerar então que a matriz recolheu a título de CPMF o valor correspondente à somatória dos valores representados pelos DARFs ora anexados (R$ 2.342.672,50doc 5 e R$ 284.636,97 docs 14/24), que totalizam a importância de R$ 2.627.329,50, valor este superior ao devido por referido CNPJ — R$ 2.183.843,42. Ora, se assim fosse (.), teria o contribuinte o direito de compensar esse pagamento feito a maior, face ao imaginário débito dos estabelecimentos filiais (.), o que por igual, importaria na extinção do crédito tributário impingido ao contribuinte. Portanto (.), em que pese a acusação fiscal, inexiste fundamento legal que justifique a cobrança em duplicidade da exação validamente recolhida pelo contribuinte, de maneira unificado, pelo CNPJ da matriz (.), quando as próprias guias DARFs fizeram referência à origem das contas correntes que originaram os recolhimentos; d) inexiste, de outro lado, dispositivo legal que obrigue o contribuinte a efetuar os recolhimentos da CPMF por CNPJs distintos, até porque, para fins de CPMF, a pessoa jurídica é una, não vigorando para este tipo de exação, o princípio da autonomia dos estabelecimentos (..). Contudo (..), optou o contribuinte por promover a retificação dos referidos DARFs, mediante pedidos de REDARFs (docs. 25/30), separando e retificando os recolhimentos efetuados em relação ao CNPJ da matriz para cada filial (.), requerendo a impugnante o acolhimento da presente impugnação para declarar extintos os créditos tributários (.); e) como relatado, a exigibilidade da contribuição estava suspensa no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001 por força de Mandado de Segurança e, posteriormente, de medida cautelar. Em outra ação obteve a suspensão da exigibilidade dos encargos moratórios de multa e juros sobre os valores que tiveram sua exigibilidade suspensa. Embora referido despacho liminar tenha sido objeto de recurso de agravo de instrumento por parte da União Federal, como alega o sr. auditor fiscal, cumpre evidenciar que a decisão que suspendeu a liminar deferida ao contribuinte encontrase em vigor, porque em face do despacho que concedeu o efeito suspensivo no TRF, foram apresentados embargos declaratórios interpostos pelo contribuinte (doc. 31), que ainda se encontram pendentes de julgamento, não tendo se aperfeiçoado desta forma a prestação jurisdicional (doc. 32). Assim, houve suspensão da exigibilidade, fazendose indevida a cobrança do principal e dos encargos morat6rios. O art. 63 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, determina a lavratura do auto sem multa de ofício nos casos em que for suspensa a exigibilidade do tributo. Dados os provimentos judiciais obtidos em seu favor, não se implementou a mora, pelo que não há que se falar em cobrança de encargos moratórios; Fl. 702DF CARF MF 6 f) demais disso, é notório que, no presente caso, verificouse a denúncia espontânea do tributo: o mesmo foi recolhido pelo contribuinte, sem qualquer prévia ação fiscal de cobrança; g) outro aspecto a considerar reside no fato de que, diante do incontestável pagamento dos valores principais, ainda que devida fosse a aplicação de qualquer multa isolada (.), não deveria ela ser mensurada sobre o valor originário da obrigação tributária principal, que foi devidamente recolhido (..) e sim, apenas, sobre as supostas diferenças correspondentes à multa moratória. O lançamento sobre o total devido representa afronta ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e ao princípio da isonomia; h) os valores devidos a título de CPMF foram informados pelas instituições financeiras e ratificadas pela contribuinte, não exigindo qualquer trabalho de ofício para sua apuração, o que torna descabida qualquer multa de ofício; i) por conta da inexistência da mora, pela suspensão de sua exigibilidade por decisão judicial e pela sua ilegalidade e inconstitucionalidade, é inaplicável de juros moratórios calculados pela Taxa Selic. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou parcialmente procedente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 04/08/1999 a 09/01/2002 CPMF. DECADÊNCIA: O prazo decadencial das contribuições destinadas à seguridade social é de dez anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. LANÇAMENTO DE OFICIO. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR INSTITUIÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. Informada à Administração Tributária a falta de retenção/recolhimento da contribuição, correta a formalização da exigência, com os acréscimos legais, contra o sujeito passivo na sua qualidade de responsável supletivo pela obrigação. CPMF. Sujeição Passiva. Titular de ContaCorrente. O contribuinte da CPMF é o titular de contacorrente bancária, não se cogitando, na espécie, da existência de estabelecimento matriz ou filial. CPMF. Pagamento. Beneficiário. Retificação. O pagamento de tributos e contribuições somente aproveita ao responsável identificado no documento de arrecadação. A Fl. 703DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 700 7 retificação de recolhimento somente se efetiva com o atendimento dos requisitos fixados na legislação tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o do direito de lançar cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Lançamento Procedente Foi apresentado Recurso Voluntário (fls. 471 e seguintes), no qual a Recorrente reiterou seus argumentos apresentados na primeira instância e requereu provimento ao seu recurso. O Recurso Voluntário foi julgado pelo Acordão nº 3802001.778 – 2ª Turma Especial (fls. 526/534), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 04/08/1999 a 09/01/2002 EXAME DE ALEGAÇÃO SOBRE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. À autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. CPMF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. A contagem do prazo decadencial ditada pelo Código Tributário Nacional aplicase às contribuições sociais, dentre as quais a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF. Tal sistemática foi definida pelo STF, que julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91, questão objeto de sua Súmula Vinculante no 8. Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Fl. 704DF CARF MF 8 Recurso a que se dá parcial provimento. A contribuinte apresentou Embargos de Declaração (fls. 627/672), que foram admitidos e julgados pelo Acordão nº 3301003.964– 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls. 680 e seguintes), com a seguinte Ementa ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/08/1999 a 09/01/2002 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES E OMISSÕES CONSTATADAS. RECURSO VOLUNTÁRIO CONHECIDO APENAS EM PARTE. NULIDADE DA DECISÃO EMBARGADA. Nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972, as constatadas contradições e omissões do julgado embargado levam ao necessário reconhecimento da sua nulidade por cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Em razão das particularidade do caso concreto aqui analisado, resta forçoso reconhecer que a existência de contradições entre a decisão recorrida e os seus fundamentos e a ausência de fundamentação quanto a tópicos essenciais à solução da lide levam a uma verdadeira insegurança quando ao conteúdo do julgamento outrora proferido, em especial quando se verifica que o Recurso fora conhecido apenas em parte, quando deveria ter sido conhecido em sua integralidade. Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, para fins de anular o acórdão embargado. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Alegou em preliminar, a Recorrente que "Equivocouse a autoridade julgadora ao entender aplicáveis ao caso, para fins de contagem de prazo decadencial do direito de constituição do crédito, as disposições contidas no artigo 45 da Lei 8.212/91" e asseverou que " Equivocouse a autoridade julgadora ao entender aplicáveis ao caso, para fins de contagem de prazo decadencial do direito de constituição do crédito, as disposições contidas no artigo 45 da Lei 8.212/91" De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, Fl. 705DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 701 9 portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo, tendo em conta que não houve pagamento, é aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Dessarte, no presente caso, tendo em conta que o Auto de Infração foi cientificado ao contribuinte em 21 de novembro de 2005, assiste razão à Recorrente quando assevera ter se consubstanciado a decadência em relação aos créditos referentes somente ao ano de 1999, nos termos do art. 173, I, do CTN. Alegou a Recorrente que o autuado não teria legitimidade passiva. Sobre esse aspecto, colacionamos o entendimento constante da decisão da Delegacia de Julgamento, com o qual comungamos: No exame da questão, cabe analisar de forma mais focada o artigo 50 da Lei n° 9.311, de 1996. In verbis: Art. 50 É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2'; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2°; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2°. § 1° A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2o, valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7° sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2° Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Decorre da leitura do §3° do art. 5° da Lei n° 9.311, de 1996, que o diploma que instituiu a CPMF cuidou de estabelecer a responsabilidade supletiva do contribuinte pelo recolhimento da CPMF, caso a instituição financeira não procedesse à retenção do tributo. O comando em tela encerra, portanto, a permissão para que o Fisco dirija o lançamento e a cobrança da CPMF não recolhida diretamente ao contribuinte, caso o tributo não tenha sido retido e recolhido pela instituição financeira onde o fato gerador tenha se materializado. Sobressai da leitura do apontado § 30 ainda, que é incondicional a atribuição de responsabilidade supletiva ao Fl. 706DF CARF MF 10 contribuinte. Em decorrência dessa compreensão, não cabe ao intérprete cogitar das razões fáticas que concorreram para a falta de retenção da CPMF pela instituição bancária. A responsabilidade do correntista se destaca ainda mais nos casos em que a instituição financeira estava impedida de realizar retenção por força de iniciativa do próprio sujeito passivo, como é o caso das ações judiciais que suspenderam temporariamente a exigibilidade do tributo. Portanto, exigir a CPMF diretamente do contribuinte, nos casos de imobilidade da instituição financeira responsável, como autorizou a Lei n° 9.311, de 1996, é determinação que viaja ao encontro do instituto da responsabilidade supletiva, introduzida no ordenamento tributário pelo art. 128 do Código Tributário Nacional (CTN), que tem a seguinte redação: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Luciano Amaro, ao comentar o conceito, afirma que o contribuinte, quando designado no desenho da espécie tributária como responsável suplente nos termos do artigo 128 do CTN, mantémse na relação tributária em posição de suplente, para suprir ou complementar o pagamento caso o terceiro responsável não solva o débito tributário ou o faça com insuficiência. Confirase: O art. 128 admite que, eleito o terceiro, a lei exclua a responsabilidade do contribuinte ou mantenha este como responsável subsidiário (ao prever que ao contribuinte pode ser atribuída responsabilidade em caráter supletivo caso o responsável nada pague ou pague menos que o devido). Observese que, ao falar em "responsabilidade" do contribuinte, o Código não está usando o vocábulo no sentido correspondente ao art. 121, parágrafo único, II, em que se cuida do responsável como sujeito passivo que não se confunde com o contribuinte (ou que não "reveste" a condição de contribuinte). Aqui se fala de responsabilidade do contribuinte no sentido de sujeição do contribuinte ao cumprimento da obrigação. Se atribuída a "responsabilidade" supletiva ao contribuinte, ele se mantém na relação tributária, em posição subsidiária, de modo que, na hipótese de o terceiro responsável não adimplir a obrigação ou fazêlo com insuficiência, o contribuinte pode ser chamado para suprir ou complementar o pagamento. (LUCIANO AMARO, DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO. 6a ed. Ed Saraiva. 2001. p. 297) Assim, não tendo havido retenção da CPMF por parte das instituições financeiras, deve o Fisco exigir do contribuinte, devedor principal e responsável supletivo por dívida própria, a satisfação do crédito tributário. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 702 11 Defendeu a Recorrente que teria se dado a extinção do crédito tributário pelo pagamento. A Recorrente informou que juntou os DARF que comprovam que o tributo em pauta foi devidamente recolhido, esclareceu que os pagamentos foram feitos no CNPJ da matriz, ainda que contendo valores relativos ao CNPJ da filial e explicou: O auto de infração lavrado constituiu o crédito tributário no importe de R$ 517.585,91, correspondendo este valor ao resultado da aplicação de juros de mora e de multa ao valor principal de R$ 199.750,58, referente à contribuição supostamente devida pelo recorrente. 44. Ainda que já tenha apresentado os comprovantes desse recolhimento em sua impugnação ao auto de infração, o recorrente novamente os apresenta, para o fim de demonstrar seu direito. Nesse sentido, o valor de R$ 199.750,58 já foi recolhido pelo recorrente da seguinte forma: a) Darf no valor de R$ 2.243.810,34 (doc. 04) recolhido em 28/12/2002; b) Darf no valor de R$ 2.169,79 (doc. 05) recolhido na data de 26/12/2001; c) Darf no valor de R$ 12.644,54 (doc. 06) recolhido aos 31/01/2002 e d) Darf no valor de R$ 44.627,12 (doc. 07) também recolhido aos 31/01/2002. 45. No valor constante do Darf descrito na letra "a" acima, está embutido o valor de R$ 140.308,71 que, quando somado ao valor descrito nas letras "b", "c" e "d", resulta na importância de R$ 199.750,16, sendo este o valor recolhido pelo recorrente, o qual assim comprova o pagamento da importância cobrada no auto de infração. 46. Vale dizer que, se subtrairmos o valor cobrado pela Autoridade Fiscal (sem os encargos) do valor de R$ 199.750,16, constatamos uma pequena diferença em favor do Fisco, no montante de R$ 0,42 (quarenta e dois centavos), o que se mostra irrelevante e imaterial diante do valor autuado e mantido pelo V. Acórdão. 47. Cumpre salientar que o Darf no valor de R$ 2.243.810,34 englobou, além do valor de R$ 140.308,71 correspondentes à parte do crédito cobrado pelo julgador, outros valores devidos a título de CPMF pela matriz da recorrente e, também, por outra filial. Assim, todos os pagamentos de CPMF devidos, tanto pela matriz quanto pelas filiais, foram alocados unicamente no CNPJ da matriz, qual seja, 57.029.431/000106. 48. Nesse sentido, o DARF em comento compunhase do valor devido de CPMF pela Matriz (CNPJ 57.029.431/000106) referente a R$ 1.899.206,45; do valor devido a titulo de CPMF pela recorrente (divisão administrativa "ACTA") CNPJ 57.029.431/00289 referente a R$ 140.308,71 e de parte do valor devido a titulo de CPMF por outra filial (CNPJ No. 57.029.431/002141), no montante de R$ 204.295,18. A outra parte do valor devido a titulo de CPMF pela recorrente encontra Fl. 708DF CARF MF 12 se recolhida por meio dos DARFs descritos nas letras "b", "c" e "d" do item 44 do presente recurso. 49. A autoridade julgadora afirmou serem inconsistentes os documentos apresentados pela recorrente, aduzindo ainda que a menção dos números das contas correntes inseridos nos DARFs não seria suficiente para estabelecer correlação entre o valor constante do documento de arrecadação e o valor devido como CPMF, em vista do fato de, nos DARFs, ter sido aposto somente o CNPJ da matriz. 50. Ora, tal argumento não nos parece forte o suficiente para prevalecer. O recorrente, no objetivo de comprovar que era o titular das contas correntes indicadas nos DARFs, apresenta documento emitido pela Instituição financeira FINASA S.A., o qua), não deixa dúvidas a respeito da titularidade da conta corrente informada nos documentos de arrecadação ora anexados(doc. 08). 51. Assim, os DARFs em questão apresentam, no campo "observações", o número das contas correntes vinculadas ao Banco Finasa Nos. 47422508 e 47422400, sendo que tal fato torna induvidoso que referidos DARFs revelam o pagamento de importâncias devidas de CPMF relativamente a tais contas e, sendo estas de titularidade do recorrente, inquestionável se mostra o pagamento do crédito tributário cobrado. 52. Conforme o V.Acórdão, o fato de os DARFs terem sido recolhidos, ainda que contendo os valores relativos à CPMF das filiais, com indicação somente do CNPJ da matriz, seria determinante para invalidar a extinção por pagamento do crédito tributário. Segundo a decisão de piso, os documentos trazidos aos autos para comprovar a iniciativa de retificação são incapazes de atingir seus objetivos. Com efeito, observouse que os Pedidos de Retificação de DARFREDARF, juntados às fls. 339/343, não apresentam sinais de que tenham sido entregues à unidade da Administração Tributária que jurisdiciona o domicílio tributário da contribuinte, conforme determina a Instrução Normativa SRF n° 403, de 11/03/2004. Da mesma forma, não constam dos autos documentos que atestem à entrega em meio eletrônico do pedido de retificação, conforme regramento instituído pelo Ato Declaratório Executivo CORAT/COTEC n° 66, de 06/08/2004. Os documentos de fls. 323/325, não atendem aos requisitos deste último ato, não se prestando a provar a alegada retificação. Importante notar ainda que a alteração de CNPJ, que seria uma das informações a serem retificadas, não é admitida para retificação por via eletrônica. Observouse ainda que, caso a intenção da juntada de tais documentos tenha sido a formalização da retificação, a impugnação não é o meio próprio de fazêlo, devendo ser observados os ritos próprios para tanto. Também consta da decisão recorrida que a conclusão de que não houve a tentativa de modificação dos documentos de arrecadação ou que esta foi indeferida pela Administração os documentos de fls. 369/372, que mostram que os dados dos recolhimentos não foram alterados nos controles eletrônicos da Administração Tributária. Cumpre colacionar excerto da decisão de piso: Neste ponto, é oportuno fixar que, no desenvolvimento da relação processual, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo do seu direito. No caso, a ocorrência da falta de Fl. 709DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 703 13 recolhimento foi demonstrada pela fiscalização com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras em que a contribuinte manteve contascorrentes e na ausência de pagamentos em nome da autuada nos registros eletrônicos da Administração Tributária. Dessarte, seguimos na esteira da decisão de piso, ou seja, no sentido de manter o entendimento que o conjunto dos documentos que compõem os autos não permitem estabelecer uma relação direta e segura entre os valores devidos pelos contribuintes individuais, discriminados nos informativos em função da titularidade das contascorrentes, e os pagamentos efetuados todos em nome de um só, a matriz. Defende não serem aplicáveis os encargos moratórios e os juros de mora. Assevera a Recorrente que obtivera liminar deferida em sede cautelar, mantendo a suspensão da exigibilidade da CPMF até 19/11/2001. A partir desta data (19/11/2001) é que deverseia computar o prazo de 30(trinta) dias para recolhimento da CPMF. Entende a Recorrente que prazo para recolhimento do tributo não se iniciou com a publicação do acórdão proferido na apelação interposta na ação principal, ocorrida aos 04/05/2001, tendo em vista que a liminar que se encontrava em vigor não era mais aquela inicialmente deferida no mandado de segurança, mas sim aquela proferida em sede cautelar. Defende a Recorrente que, no momento do trânsito em julgado do acórdão proferido nos embargos de declaração, já havia recolhido voluntariamente a CPMF do período em que a sua exigibilidade esteve suspensa, fazendo jus à exoneração da multa moratória. Informa também que distribuiu perante a 15a Vara da Justiça Federal em São Paulo, Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0308334, obtendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário alusivo aos encargos moratórios de multa e juros equivalentes à taxa SELIC sobre os valores devidos a título da contribuição CPMF no período de 30 de junho de 1999 a 19 de novembro de 2001, período em que a sua exigibilidade esteve suspensa por força de medidas liminares anteriormente deferidas; e que a sentença afastou a multa de mora. Contudo, cumpre transcrever a decisão do Tribunal Regional Federal da 3a Região no Mandado de Segurança n° 2001.61.00.0308334 (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO/REEXAME NECESSÁRIO Nº 0030833 78.2001.4.03.6100/SP 2001.61.00.0308334/SP), publicada no dia 09/05/2011 (disponível no sítio: http://web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/1286869 e consultado no dia 10 de maio de 2018): "AGRAVO LEGAL. CPMF MULTA DE MORA E JUROS DE MORA DURANTE PERÍODO EM QUE VIGORAVAM MEDIDAS LIMINARES PAGAMENTO DEVIDO SÚMULA 405 DO STF PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. 1. Pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça quanto à validade dos juros e da multa moratória de débito fiscal não recolhido, com ressalva apenas da interrupção da mora entre a decisão suspensiva da exigibilidade e o período de 30 dias contados da publicação da decisão que considerar devido o tributo, nos termos do artigo 63, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Todavia, no caso em apreciação, em decorrência do Princípio da Fl. 710DF CARF MF 14 Especialidade, afastase o disposto no art. 63, § 2º da Lei 9.430/96. Prevalece, assim, a regra contida no artigo 45, inciso III, da Medida Provisória 2037/00 (reeditada sob o n. 2.158 35/2001) e no art. 2º, § 2º, I e II, da IN/SRF 89/2000, sendo devidos os encargos moratórios no período em questão. A corroborar esse entendimento, o disposto na Súmula nº 405 do STF: "Denegado o Mandado de Segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária". 2. A liminar sede de Mandado de Segurança é sempre um juízo provisório, passível de alteração a qualquer tempo, quer pelo próprio juiz prolator da decisão, quer pelo Tribunal ao qual encontrase vinculado. 3. A parte que se beneficia da medida acautelatória fica sujeita à sua cassação, devendo arcar com os consectários decorrentes do atraso ocasionado pelo deferimento da medida, cuja cassação tem eficácia ex tunc. Assim, é devida a multa moratória. Os juros moratórios, por serem remuneratórios do capital, como a correção monetária, também são devidos ante a cassação do provimento judicial provisório, bastando que tenha sido recolhido após o prazo previsto legalmente. 4. Retornando os fatos ao status quo ante, em razão de ter sido cassada a liminar anteriormente deferida, cabe ao Fisco a cobrança do crédito tributário na sua integralidade, inclusive quanto aos encargos decorrentes da mora. O valor da CPMF, portanto, deverá ser acrescido de juros de mora e multa, conforme a previsão do art. 2º, § 2º, I e II, da IN/SRF 89/2000, bem como do art. 17, § 2º, incisos I e II, da IN SRF nº 42/01. Nesse sentido, a jurisprudência do STJ: STJ, Segunda Turma, AGRESP 742280, Relator Ministro Herman Benjamin, DJE em 19/12/08 ; STJ RESP 200401096865, RESP RECURSO ESPECIAL 675192, PRIMEIRA TURMA, REL. MIN. DENISE ARRUDA, PUBL. DJ DATA:14/06/2007 PG:00254 ; STJ RESP 00702850738, RESP RECURSO ESPECIAL 1011609, PRIMEIRA TURMA, REL. MIN. LUIZ FUX, PUBL. DJE DATA:06/08/2009 ; STJ RESP 200401096865, RESP RECURSO ESPECIAL 675192, PRIMEIRA TURMA, REL. MIN. DENISE ARRUDA, PUBL. DJ DATA:14/06/2007 PG:00254. No mesmo sentido, o seguinte precedente desta Turma: TRF 3ª Região, Terceira Turma, AG 145830, Relator Juiz Federal Convocado Renato Barth, DJU em 08/08/07, página 147. 5. Agravo legal a que se nega provimento". (grifouse). Nesse contexto, nos termos da decisão judicial e em consonância com a decisão de piso, concluise que os encargos moratórios são devidos, pois tanto os juros moratórios, por serem remuneratórios do capital, quanto a correção monetária (taxa Selic) são devidos ante a cassação do provimento judicial provisório, bastando que tenha sido recolhido após o prazo previsto legalmente. Defende a Recorrente que houvera a denúncia espontânea nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional. Contudo, tendo em conta que a Recorrente não tivera êxito Fl. 711DF CARF MF Processo nº 19515.003130/200545 Acórdão n.º 3301004.835 S3C3T1 Fl. 704 15 em demonstrar o pagamento do tributo devido, requisito essencial da denúncia espontânea em matéria tributária, não é aplicável o instituto da denúncia espontânea ao presente caso. Segundo a Recorrente caso fosse devida qualquer multa, esta não deveria incidir sobre o valor originário, mas somente sobre algum eventual saldo remanescente depois de deduzidos os pagamentos efetuados pela Recorrente. Mais uma vez, como não logrou comprovar o pagamento do tributo, não prospera também esse argumento. Seria inexigível a multa de ofício porque as informações relacionadas aos valores principais foram prestadas pelas instituições financeiras, afirma a Recorrente: Outro aspecto ainda a considerar é o de que as informações relacionadas aos valores principais devidos a título de CPMF pela recorrente foram obtidas pela fiscalização através das instituições financeiras, por força do disposto no artigo 11, parágrafo 2°, da lei 9.311/96, informações estas que foram ratificadas, dispensandose assim, qualquer trabalho de oficio para apuração de valores, mostrandose, por tais razões, totalmente descabida qualquer multa de ofício. Alega também que a multa de ofício seria confiscatória. Cumpre observar que a Recorrente não teve êxito em comprovar o recolhimento do tributo em pauta e nem a retificação das declarações, de forma que cumpriramse as condições legais para o lançamento da multa de ofício. Sobre o caráter confiscatório da multa de ofício, cumpre destacar que a multa foi aplicada na forma e nos percentual previsto na Lei e, conforme a Súmula no 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, defende a Recorrente a possibilidade de arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa, o que, conforme a súmula anteriormente transcrito, não encontra respaldo no entendimento consolidado neste CARF. Portanto, não assiste razão aos argumentos da Recorrida quanto à multa de ofício e à possibilidade de arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 712DF CARF MF 16 Fl. 713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914519/2011-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA
Demonstrados no despacho decisório e nos anexos que o acompanham e integram, com absoluta clareza, os fatos e motivos que ensejaram o não reconhecimento parcial do direito creditório e a não-homologação, também parcial, da DCOMP, é de se rejeitar a preliminar argu¨ida, por total falta de fundamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório e nos anexos que o acompanham e integram, com absoluta clareza, os fatos e motivos que ensejaram o não reconhecimento parcial do direito creditório e a nãohomologação, também parcial, da DCOMP, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 45 19 /2 01 1- 03 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.914519/201103 Acórdão n.º 3301005.076 S3C3T1 Fl. 136 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 120 a 129) interposto pelo Contribuinte, em 29 de outubro de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0946.520 (fls. 114 a 117), de 13 de setembro de 2013, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 92 a 99). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Em análise no presente processo os PERDCOMP de fls. 08/91, por intermédio dos quais o contribuinte retro identificado pretendeu utilizar o saldo credor do IPI apurado no trimestre 3º/2006, no valor de R$ 172.761,72, para a extinção de débitos, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99. Da análise do pleito resultou o Despacho Decisório de fls. 02 que deferiu em parte o direito creditório pleiteado e homologou parcialmente a(s) compensação(ões) declarada(s) a ele vinculada(s). Cientificado do despacho decisório em 21/07/2011 [fls. 07], manifestou o contribuinte a sua inconformidade em 19/08/2011, por intermédio do arrazoado de fls. 92/99, no qual alega, em apertada síntese, a “ausência de justificativa para o não acolhimento do pedido efetuado”, resultando em ofensa aos princípios da motivação e do devido processo legal; falta de fundamentação quanto à utilização do saldo credor passível de ressarcimento em períodos posteriores. Requer, ao final, a nulidade do despacho decisório e seja proferida nova decisão devidamente motivada. Diante do entendimento da DRJ/JFA, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário com o intuito de reformar a decisão ora recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0946.520 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.914519/201103 Acórdão n.º 3301005.076 S3C3T1 Fl. 137 3 Pretende o Contribuinte por intermédio do seu recurso reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório e nos anexos que o acompanham e integram, com absoluta clareza, os fatos e motivos que ensejaram o não reconhecimento parcial do direito creditório e a nãohomologação, também parcial, da DCOMP, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário o Contribuinte repisa os argumentos e suas razões já expostos quando da interposição de sua Manifestação de Inconformidade. Alega que a decisão consubstanciada no Acórdão ora analisado feriu o princípio da motivação e, consequentemente, do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, uma vez que considera impossível a compreensão de quais foram as glosas efetuadas, e, ainda (fls. 126 e 127): De nada adianta a oportunidade de apresentar defesa, se não há indicação das razões de não homologação. (...) No caso vertente, simplesmente consta que não houve homologação do crédito pleiteado, sem apontar por qual motivo se deu o indeferimento. Sinônimo de ausência de fundamentação é, também, dizer que o saldo credor passível de ressarcimento teria sido utilizado em outros períodos, sem declinar pormenorizadamente quais seriam estes. Portanto, com esses fundamentos, o Contribuinte requer que a decisão recorrida seja considerada nula por vício quanto à forma e que se profira nova decisão. Em que pesem os argumentos do Contribuinte, observo no voto do ora recorrido Acórdão, que não há ausência de fundamentação ou motivação na decisão, e para bem esclarecer e também como razões para decidir, cito trecho do referido (fls. 116 e 117): Alega o contribuinte, em sua defesa, a nulidade do despacho decisório, sob o argumento, em síntese, de falta de motivação, fundamentação, justificativa, explicitação e detalhamento dos fatos que levaram à insuficiência do direito creditório pleiteado para a homologação integral da compensação, que resultariam no cerceamento do direito de defesa. Da análise dos autos verificase a total improcedência da alegação de violação ao amplo direito de defesa. Frisese, de início, que os motivos do indeferimento parcial encontramse indicados no despacho decisório, nos seguintes termos: “O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.914519/201103 Acórdão n.º 3301005.076 S3C3T1 Fl. 138 4 Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Notese que o despacho decisório enviado ao contribuinte é absolutamente claro ao explicitar, logo depois do quadro demonstrativo do valor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados que, “Para informações sobre a análise de crédito, detalhamento da compensação efetuada e identificação dos PER/DCOMP objeto da análise, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereço www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Da análise do detalhamento do crédito [fls. 03/06] que acompanha e integra o despacho decisório notase, no demonstrativo de créditos e débitos, a inexistência de glosa de créditos, de reclassificação de créditos ou da apuração de débitos em procedimento fiscal, ou seja, tais valores [de débitos e créditos] refletem aquelas informações prestadas pelo contribuinte no PERDCOMP. Verificase, ainda, no Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível, que o saldo credor ressarcível é exatamente igual ao valor pleiteado pelo contribuinte. Ocorre, no entanto, que a etapa seguinte da verificação consiste em analisar se os créditos passíveis de ressarcimento apurados ao final do trimestrecalendário a que se refere o pedido (Saldo Credor Ressarcível), se mantêm na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do(s) PERDCOMP. Vale dizer, devese verificar se o saldo credor apurado ao fim do trimestrecalendário foi utilizado para abater débitos informados no PGD ou apurados pela Fiscalização. Nesse propósito foi elaborado o Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento, cuja análise revela que o saldo credor ressarcível apurado ao final do trimestre calendário de referência [3º/2006] foi parcialmente “consumido” pelo débito informado no mês de outubro/2006, da ordem de R$ 210.925,80, decorrente da informação prestada pelo contribuinte na DCOMP nº 26741.19994.060309.1.7.018034 [fl. 78] na Ficha Livro Registro de Apuração do IPI Após o Período do Ressarcimento, quadro Demonstrativo de Débitos, campo “Saídas para o Mercado Nacional”. Portanto, a disponibilização à interessada [mediante registro de tal informação no despacho decisório, como visto] do detalhamento do crédito [parte integrante do despacho decisório] lhe possibilitou, sim, identificar o motivo da insuficiência do saldo credor pleiteado para compensar integralmente o débito indicado na(s) DCOMP(s), qual seja, a sua utilização parcial, na escrita fiscal, em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, conforme indicado no despacho decisório. Bastava, para tanto, uma rápida análise do Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento, como demonstrado no item precedente deste voto. Revelase, assim, a total improcedência das alegações de “ausência de justificativa para o não acolhimento do pedido efetuado”; falta de fundamentação quanto à utilização do saldo credor passível de ressarcimento em períodos posteriores e ofensa aos princípios da motivação e do devido processo legal. As razões do Contribuinte não procedem, visto que a autoridade administrativa fiscal elaborou Demonstrativo de Apuração e este não foi contestado, tanto na Manifestação de Inconformidade, quanto no Recurso Voluntário. Entendo assim que não há Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.914519/201103 Acórdão n.º 3301005.076 S3C3T1 Fl. 139 5 cerceamento no direito de defesa e no exercício do contraditório por ausência de motivação do ato administrativo. Portanto, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável ao caso, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo o entendimento consubstanciado no Acórdão ora recorrido. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.001823/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA
217.
De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES.
Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
Numero da decisão: 1301-003.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 CÁLCULO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadram-se como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ - Recursos Repetitivos.
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PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. REPETITIVO STJ TEMA 217. De acordo com o decidido em sede de Recurso Repetitivo, a tese firmada no Tema 217 do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." SERVIÇOS DE IMAGEM, DIAGNÓSTICOS. SERVIÇOS HOSPITALARES. Enquadramse como serviços hospitalares, os serviços de imagem e diagnósticos, que se sejam diretamente ligados à promoção da saúde, nos termos do Tema 217, do STJ Recursos Repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 18 23 /2 00 9- 11 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.001823/200911 Acórdão n.º 1301003.268 S1C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da insuficiência de crédito para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento a maior de IRPJ, com base no lucro presumido calculados inicialmente a 32%, sendo alterada, posteriormente, para 8%, nos termos do arts. 15, III, e 20, da Lei 9.249/95. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que suas atividades são desenvolvidas em unidade própria e são voltadas para a realização de exames radiográficos, ultrassonográficos, mamográficos, biópsias, punções e densiometria óssea para apoio a diagnósticos médicos. E que tais atividades fazem jus ao tratamento tributário diferenciado, na apuração do IRPJ e da CSLL, na modalidade de lucro presumido, mediante a aplicação do percentual de 8%, na forma da lei acima citada. O Acórdão recorrido afastou preliminar de nulidade da decisão proferida, e no mérito, afastou precedentes jurisprudenciais, e entendeu que a interessada, sendo sociedade civil de prestação de serviços de diagnóstico por imagem, não configura o conceito de "serviços hospitalares" para fazer jus ao benefício concedido pela norma. Baseou seu entendimento na Solução de Consulta 319/2011 SRF/8ª Região Fiscal e outras normas internas. Acrescenta, ainda, que somente a partir da vigência da Lei 11.727/2008 é que ela poderia ter direito à redução, mas não a fatos anteriores. Além disso, argumentou que para o ano calendário em questão, a interessada não apresentou nenhum elemento capaz de comprovar que prestava serviços hospitalares e que suas atividades se inseriam no conceito de atividade hospitalar definida nos normativos legais. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que não foi realizada pela autoridade fiscal nenhuma diligência para aferir se cumpria requisitos do Ministério da Saúde; bem como traz à tona que a matéria já se encontra pacificada nos tribunais superiores, nos termos do Resp 1.116.399/BA, que já dispensou a necessidade de Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.001823/200911 Acórdão n.º 1301003.268 S1C3T1 Fl. 4 3 verificação de existência de estrutura organizada para atendimento. Que a recorrente possui atividades voltadas para a prestação de serviços de diagnósticos por imagens, obtidas das mais diversas formas de energia, como Raio X, Ultrassom, Tomografia e outros, sendo atividade ligada diretamente à promoção da saúde, que demanda maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. Desnecessária também, qualquer comprovação de estrutura nos termos da Lei 11.727/08, requerendo a homologação das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.264, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.001817/2009 55, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.264): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pagos a maior, em razão da alteração do percentual de 32% para 8% sobre a receita bruta, em razão da sua atividade. Alega a recorrente que presta serviços de diagnósticos por imagens, como Raio X, ultrassom, tomografia e outros, atividades essas ligadas diretamente à promoção da saúde, que demandam maquinário específico e ambiente hospitalar ou assemelhado. E que sobre a matéria não pende mais discussão diante do Resp 1.116.399/BA, que foi decidido sob o rito dos recursos repetitivos. Tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido entenderam que a atividade prestada pela recorrente não era de serviço hospitalar, já que não prestada num ambiente hospitalar e diante disso, não faria jus à redução do percentual. A lei 9.249/95, em seu artigo 15, III trata da questão: Lei 9.249, de 26/12/1995, artigo (art.) 15, § 1º, inciso III, alínea “a”: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n.º 8.981, de Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.001823/200911 Acórdão n.º 1301003.268 S1C3T1 Fl. 5 4 20 de janeiro de 1995. § 1.º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III – trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares;” Lei 11.727, de 23/06/2008, arts. 29 e 41, VI: Segue abaixo a Ementa do citado julgado do STJ: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.001823/200911 Acórdão n.º 1301003.268 S1C3T1 Fl. 6 5 mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. Matéria, conforme acima, acerca do se trata como serviços hospitalares: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde, independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no artº 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1ºde janeiro de 2009, segundo a qual o percentual reduzido será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. E como verificamos, por se tratar de fatos relativos a período anterior, inaplicável aqui. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.001823/200911 Acórdão n.º 1301003.268 S1C3T1 Fl. 7 6 Desta feita, considerando que em momento algum o recorrente foi intimado para comprovar o efetivo crédito, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise efetivamente a existência do crédito pleiteado, oportunizando ao recorrente a possibilidade de apresentação de documentos, superandose a discussão acerca da possibilidade de redução do percentual, já que decidido sob a sistemática de Recursos Repetitivos do STJ, e ao qual o CARF se submete, de acordo com o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF Portaria MF 343/2015." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 224DF CARF MF
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