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Numero do processo: 16327.001288/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC.
Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte.
Numero da decisão: 1302-001.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Júnior - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 PEDIDO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS PERC. Retificação da declaração. Diminuição do valor destinado. Possibilidade. A única conseqüência da posterior retificação da declaração seria que eventuais valores já recolhidos e aplicados no fundo passariam a ser considerados aplicação com recursos próprios do contribuinte. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Júnior Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. EDITADO EM: 27/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 88 /2 01 0- 77 Fl. 585DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 2 Relatório BANCO BRADESCO S.A., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR – DRJ/CTA, que, por unanimidade, considerou improcedente a manifestação de inconformidade para manter o Despacho Decisório que indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em 15/08/2012, contra o indeferimento de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) referente ao ano calendário 2007, exercício 2008, formulado em 23/09/2010. O indeferimento do pleito para revisão de Ordem de Emissão Incentivo Fiscal referente PERC, exercício 2008, FINAM, foi ocasionado pelo fato de o contribuinte ter apresentado a declaração retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores que pretendia aplicar em incentivos fiscais, contrariando o disposto no Ato Declaratório Normativo CST nº 26/1985 e a Nota SRF/Cosar nº 131/2001. Cientificado do indeferimento, apresentou em 27/11/2012 a manifestação de inconformidade de fls. 431448, onde alega que: se trata de processo administrativo de Pedido de Revisão de Ordem de Incentivo Fiscal ("PERC") referente ao ano calendário 2007, exercício 2008, formulado pela Requerente e apresentado em 23.09.2010; transmitiu a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica ("DIPJ") de 2008, por meio da qual declarou: (i) na ficha 12B, Imposto de Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") devido, sob a alíquota de 15% e antes dos ajustes, no valor de R$ 530.878.230,30; e (ii) na "Ficha 27 Aplicações em Incentivos Fiscais", destinou parcela do Imposto de Renda Pessoa Jurídica ("IRPJ") ao Fundo de Investimentos da Amazônia ("FINAM"), no montante de R$ 52.733.546,87; em 06.01.2009, transmitiu DIPJ/2008 retificadora, alterado os valores acima mencionados, para R$ 549.096.912,48 e R$ 51.407.922,10, respectivamente; a Fiscalização emitiu Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais, desconsiderando, integralmente, os valores aplicados no FINAM, não reconhecendo, assim, à Requerente o gozo do benefício fiscal mencionado. a autoridade fiscal entendeu que a Reclamante não faria jus ao referido benefício fiscal, sob as seguintes alegações: (i) "contribuinte com declaração entregue após 31.12.2008"; (ii) "contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (art. 60, Lei n.° 9.069/05)"\ e (iii) "contribuinte com pendências relativas a contribuições previdenciárias" (fls. 03 dos autos). inconformada apresentou o mencionado PERC, o qual foi indeferido pela d. Delegacia Especial de Instituições Financeiras ("DEINF"). De fato, as autoridades fiscais reconheceram a inexistência de débitos exigíveis na data da opção ao benefício fiscal, afastando as alegações dos itens (ii) e (iii) acima. Entretanto, entendeu a d. DEINF que a DIPJ Retificadora apresentada pela Requerente seria fato Fl. 586DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 1302001.524 S1C3T2 Fl. 586 3 suficiente para desconsiderar a integralidade do montante aplicado no FINAM, uma vez que transmitida após o encerramento do exercício de 2008 (anocalendário 2007). o entendimento exarado no despacho decisório proferido pela DEINF e ora combatido não pode prosperar, devendo essa C. Turma Julgadora, com base na legislação e jurisprudência, determinar a reforma integral do Despacho Decisório. É o que se passará a demonstrar. II DO DIREITO Da Existência do Direito Às Aplicações no FINAM Possibilidade de Retificação da DIPJ O DecretoLei n.° 1.376, de 12.12.1974, instituiu o Fundo de Investimentos da Amazônia, o qual é operado pelo Banco da Amazônia S.A. Confirase: [...] que o referido fundo foi instituído com o intuito de mobilizar recursos para Região Norte do País, incentivando empreendimentos econômicos capazes de promover o desenvolvimento regional, em face da patente escassez de recursos existentes na referida Região. que, além de cumprir o objetivo acima citado, a criação do mencionado Fundo também foi acompanhada da instituição de benefício fiscal, pelo qual as empresas podem aplicar parte de seu IRPJ devido em tal Fundo. Com efeito, a Receita Federal do Brasil ("RFB"), com base no montante aplicado pelo Contribuinte, determina a emissão de certificados de investimentos em favor das pessoas jurídicas optantes, os quais representam quotas do FINAM. Conforme disciplina o Decreto n.° 3.000/99 (RIR/99), a opção pelo benefício fiscal é irretratável, e será manifestada por meio da entrega da DIPJ ou quando do pagamento da primeira parcela do IRPJ, mediante DARF específico. Confirase, in verbis: [...] que pela leitura do dispositivo legal acima transcrito, notase que, para o ano calendário em tela, caso a Requerente optasse pela destinação de parcela do IRPJ ao FINAM, deveria aplicar o percentual de 12% sobre o montante do imposto devido. Dessa equação, surgiria o montante a ser aplicado no FINAM, fazendo jus, assim, ao benefício fiscal. que na DIPJ/2008 transmitida em 28.06.2008, a Requerente procedeu tal como determina os dispositivos legais acima mencionados, ou seja: (i) manifestou a sua opção pelo benefício na DIPJ; e (Ii) aplicou o percentual de 12% sobre o imposto devido. que a DEINF simplesmente desconsiderou a totalidade do benefício pleiteado pela Requerente pelo simples fato de que, no intuito de corrigir informação transmitida erroneamente para o Fisco, a Requerente, cm 06.01.2009, retificou a DIPJ/2008, modificando o IRPJ devido no ano calendário de 2007 e, conseqüentemente, o montante a ser destinado ao FINAM. que o Delegado fundamentou a negativa de concessão do referido benefício à existência de DIPJ retificadora, apresentada após o encerramento do exercício de 2008, afirmando que o indeferimento do PERC em tela seria motivado pelo Ato Declaratório CST n.° 26, de 18.11.1985, e pela Nota SRF/Cosar n.° 131/2001, abaixo transcritos, verbis: [...] Fl. 587DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 4 que em um primeiro momento, analisando a redação isolada do Ato Declaratório acima, até se poderia cogitar que, nos casos em que o contribuinte apresentar "declaração de rendimentos ou retificação desta fora do exercício de competência", o contribuinte não faria jus ao benefício fiscal do FINAM. que, no entanto, o ordenamento jurídico, mais especificamente a "legislação tributária" de que trata o art. 96, do Código Tributário Nacional ("CTN"), é composto por "leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim sendo, é necessário interpretar a "legislação tributária" em conjunto, e não a partir de atos normativos isolados. que, interpretandose o referido Ato Declaratório de maneira sistemática, notase que, em verdade, o intuito da mencionada norma complementar é a de fixar um limite temporal para o contribuinte manifestar a sua opção de fruição do benefício fiscal, opção esta que, conforme já mencionado, é irretratável. que caso o contribuinte pretenda aderir ao FINAM, deve manifestar a sua opção no exercício competente, não podendo aderir ao benefício em exercício posterior. Não há, na redação do Ato Declaratório, qualquer indício de que o Fisco pretendeu desconsiderar o benefício fiscal nos casos em que o contribuinte retificar o valor do benefício, e sim nos casos em que o contribuinte fizer sua primeira manifestação da opção em declaração original ou retificadora após o encerramento do exercício de competência. que quer esclarecer que é vedada a manifestação, por meio de declaração retificadora enviada após o exercício de competência, da opção pelo benefício fiscal do FINAM, não havendo de se falar em impedimento de apenas modificar o valor a ser destinado ao fundo, valor esse modificado tão somente pelo fato de que a Requerente declarou equivocadamente o IRPJ devido no exercício! que, a Nota SRF/Cosar n.° 131/2001, também citada pelas autoridades fiscais, em que pese aceitar a possibilidade de envio de DIPJ retificadora com opção pela aplicação em incentivo fiscal, manifesta o entendimento de que a opção pelo incentivo fiscal somente poderá ser aceita caso a DIPJ retificadora não altere o valor destinado ao Fundo. Ora, além de ser manifestamente ilegal, como será melhor abordado no próximo tópico de defesa, carece de lógica o determinado por tal Nota. que não é plausível que a Requerente seja punida por pretender cumprir seu dever de informar ao Fisco o montante real devido a título de IRPJ, montante esse que foi retificado pela Requerente e que, conseqüentemente, acabou por alterar o valor a ser destinado ao FINAM. Digase também que na declaração retificadora a Requerente não alterou o fundo a ser destinada a parcela do imposto devido nem o seu percentual, não havendo, portanto, em que se falar de suposta retificação da opção ao benefício fiscal. que assim, interpretando o Ato Declaratório e a Nota SRF/Cosar em conjunto com o ordenamento jurídico vigente, notase que referidas normas complementares pretenderam tão somente evitar que os contribuintes optassem e destinassem a parcela do IRPJ devido em exercício posterior. Ou seja, o Ato Declaratório e a Nota Cosar vieram institucionalizar a proibição nos casos em que os contribuintes deixem de optar pelo incentivo na DIPJ original, exercendose a opção mediante a entrega de declaração retificadora após o encerramento do exercício, o que não ocorreu no presente caso. que tal proibição se deve ao fato de que, conforme já explicado, após o processamento da declaração, a Secretaria da Receita Federal do Brasil informa ao Fundo competente o montante que será destinado a titulo de investimento. Acaso pudesse o contribuinte optar pelo benefício fora do exercício, criarseiam Fl. 588DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 1302001.524 S1C3T2 Fl. 587 5 dificuldades operacionais para a RFB, vez que teria que transmitir essas informações posteriormente, além de poder interferir, diretamente, no montante de recursos efetivamente destinados aos cofres públicos, a título de receita derivada. que o simples fato de haver retificação do montante da destinação não implica em simplesmente desconsiderar valor que supera 50 milhões de reais! que outro não é a assente jurisprudência do E. CARF, que admite a possibilidade de manutenção no benefício fiscal quando da apresentação de DIPJ retificadora. Confirase: [...] que vale transcrever o seguinte trecho, por oportuno, do ultimo acórdão transcrito: [...] que restando claro que a Requerente, tempestivamente, manifestou a sua opção pelo benefício fiscal em tela, mediante o registro em DIPJ original, sendo certo que a DIPJ retificadora foi transmitida com manutenção de sua opção e em mesmo percentual, resta claro que a Requerente faz jus ao investimento destinado ao FINAM, pelo que deverá ser reformada totalmente o Despacho Decisório objeto do Termo de Ciência n.° 926. Da Ilegalidade do Ato Declaratório CST n.° 26/85 e da Nota SRF/Cosar n.° 131/2001 que inobstante já se ter demonstrado a total lisura do procedimento adotado pela Requerente e a existência de seu direito às aplicações no FINAM, importante se faz asseverar que os atos infralegais invocados pelas autoridades fiscais para indeferir o PERC da Requerente são absolutamente ilegais e, portanto, impassíveis de aplicação no presente caso. que conforme já explanado, as autoridades fiscais alegaram que o disposto no Ato Declaratório CST n.° 26/85 e na Nota SRF/Cosar n.° 131/2001 teria o condão de levar ao indeferimento do Ph^C da Requerente, já que, de acordo com tais normas, a apresentação de DIPJ retificadora, com opção por aplicação no FINAM mas com redução do valor destinado a este título, após o término do exercício competente, implicaria na impossibilidade de fruição do incentivo, ainda que se tenha feito primeiramente a opção na DIPJ original. que, por oportuno, confirase novamente a redação de citadas normas infra legais, ipsis litteris:[...] que consoante o demonstrado no tópico anterior, a correta interpretação desses dispositivos, conforme reconhecido pelo CARF, é a de que existem apenas para impor um limite temporal no exercício da opção pela aplicação em incentivos fiscais, a qual deve se dar em DIPJ original ou retificadora transmitida dentro do exercício competente. Contudo, não se deve entender existir vedação ao envio de DIPJ retificadora com redução do valor destinado aos incentivos fiscais, após o término do exercício. que, ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, há de se afirmar que tais mandamentos infralegais violaram as normas legais sobre o tema e, com isso, encontramse inquinadas de ilegalidade. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 6 que os referidos dispositivos trouxeram restrições ao direito de aplicação em incentivos fiscais que não constam nas normas legais de regência do assunto. De fato, verifiquese o que dispõe o artigo 601 do RIR/99, in verbis: [...] que depreendese da leitura deste artigo do RIR/99, todo ele lastreado em dispositivos de lei em sentido estrito, que não existe qualquer restrição quanto à apresentação de DIPJ retificadora em que sejam reduzidos os valores destinados aos incentivos fiscais. Desse modo, não poderiam o Ato Declaratório CST n.° 26/85 e a Nota SRF/Cosar n.° 131/2001 inovar o ordenamento jurídico e trazer restrição não prevista em lei, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. que é sabido, conforme expressa previsão constitucional, quaisquer obrigações e proibições devem ser instituídas, inauguralmente, por lei em sentido estrito, a teor do que preconiza o artigo 5o, inciso II4, e artigo 150, inciso I5, da Constituição de 1988. Registrese o entendimento dos EE. Tribunais Regionais Federais ("TRF") e do E. Superior Tribunal de Justiça ("STJ") sobre a hierarquia das leis em relação aos atos administrativos: [...] que, um Despacho Decisório, como o ora combatido, pode e deve ser rechaçado também pelos órgãos julgadores administrativos, uma vez que o controle de legalidade de atos de lançamento pressupõe a validade, dentro do sistema de direito positivo, da norma em que se baseou. que, em uma decisão publicada recentemente, o E. CARF afastou dispositivo de Instrução Normativa que dispunha de forma contrária à lei. Confirase a ementa do julgado: [...] que não é em outro sentido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, a saber: que, é de rigor o afastamento da aplicação de normas inválidas pelos órgãos administrativos de julgamento, cuja função precípua é o controle da legalidade dos atos da Administração. Citese, a esse titulo, o art. 2o, caput, da Lei n° 9.784/99, que é claro ao eleger a legalidade como um dos pilares da atividade da Administração Pública: [...] mencionese, ainda, a Súmula n° 473 do STF, nos sentido de que compete à Administração afastar atos eivados de vício de ilegalidade, in verbis: "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.” Destarte, estando claro que: (i) o Ato Declaratório CST n° 26/85 e a Nota SRF/Cosar n° 131/2001 estabeleceram restrições ao direito de aplicação nos incentivos fiscais não previstas em lei; e ii) não podem atos infralegais extrapolarem os limites do quanto estabelecido em lei, cabendo aos órgãos de julgamento afastar a sua aplicação; é de rigor a reforma total do Despacho Decisório objeto do Termo de Ciência n.° 926, com o conseqüente reconhecimento da regularidade e validade de todas as aplicações feitas pela Requerente ao FINAM Ao final, pede e espera que seja dado provimento à presente Manifestação de Inconformidade, para o fim de que seja reformado o Despacho Decisório recorrido, reconhecendose o direito ao benefício fiscal, como medida de Direito e Justiça. Juntou os documentos de fls. 449/484. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 1302001.524 S1C3T2 Fl. 588 7 A ora Recorrente, devidamente cientificada do acórdão recorrido, apresenta recurso voluntário tempestivo, onde repisa os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, reiterando os mesmos pedidos que já haviam sido formulados. É o relatório. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, portanto, dele conheço. Conforme consignado no relatório, o PERC foi indeferido pela DEINF/SPO/DIORT pelo motivo de a contribuinte ter entregue DIPJ Retificadora após o encerramento do exercício com alteração no valor do incentivo fiscal, o qual foi contestado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. A contribuinte pauta toda a defesa na tese de que a retificação da DIPJ/2008 não representou, de forma alguma, uma "nova" opção ao incentivo fiscal, tampouco acarretou o aumento desta. Corrobora a alegação sustentando que a opção já havia sido manifestada no próprio exercício da respectiva competência, quando da entrega de sua DIPJ/2008 original, não tendo sido retificado seu percentual e/ou modalidade. Ataca ainda os dispositivos mencionados no despacho decisório, taxandoos de ilegais e defende a tese de que inexiste previsão legal que impeça a apresentação de declaração retificadora. Razão assiste à Recorrente! O Ato Declaratório COSIT nº. 26/85 não se presta a justificar o indeferimento, visto que a Opção fora apresentada no exercício de competência e em conformidade com a legislação de regência do incentivo em questão. A Nota SRF/COSAR nº 131, de 15 de agosto de 2001 também não se presta ao indeferimento, porque a Nota pressupõe opção de aplicação em declaração retificadora, o que não é o caso, eis que a opção foi exercida na declaração original. A alteração da retificadora não apresenta nova opção, posto que não houve acréscimo à opção já exercida, mas mantevese a sua modalidade original – FINAM – bem como o percentual de contribuição – 12%. Por último, importante salientar que os dispositivos legais que regem o assunto não estabelecem que a retificação da declaração faz com que a pessoa jurídica perca o direito à opção, não havendo nada na lei de regência dos incentivos versando sobre os possíveis efeitos de uma retificação da declaração depois de exercida a opção pelo contribuinte na declaração retificada. De acordo com os dispositivos legais que regem a matéria, a pessoa jurídica deve exercer sua opção para aplicação em incentivos fiscais na declaração, mediante a indicação do fundo em que pretende investir e do respectivo percentual (Decretolei 1.376/74, art. 11). A Secretaria da Receita Federal, por sua vez, com base nas opções exercidas pelos contribuintes, e no controle dos recolhimentos, deve encaminhar, para cada ano calendário, aos mencionados fundos, registros de processamento eletrônico de dados que constituirão ordens de emissão de certificados de investimentos, em favor das pessoas jurídicas optantes, bem como deve expedir, em cada anocalendário, à pessoa jurídica optante, extrato de contacorrente contendo os valores efetivamente considerados como imposto e como aplicação Fl. 592DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO Processo nº 16327.001288/201077 Acórdão n.º 1302001.524 S1C3T2 Fl. 589 9 nos Fundos de Investimento. (art. 15 do DL n° 1.376/74, com a alteração do art. 1º do DL 1.752/79, e art. 3º do DL 1.752/79). Não há qualquer dispositivo legal que vede a manutenção da opção (fundo e percentual) em declaração retificadora, que, afinal, substitui em tudo a retificada. Reduzidos os valores do imposto, mantido o fundo e o percentual, ficam reduzidos, na mesma proporção, os valores considerados como incentivo e os certificados emitidos corresponderão a quotas dos Fundos de Investimento. A tão só retificação da declaração reduzindo o imposto e, na mesma proporção, o valor do incentivo, não justifica o indeferimento. Não consta alegação de falta de recolhimento do imposto. Se a empresa recolheu integralmente o imposto devido (parte a título de imposto e parte a título de dedução do imposto para aplicação no fundo), a única conseqüência razoável da posterior retificação da declaração seria que o valor já recolhido e aplicado no fundo não poderia ser retificado e restituído, e a parcela reduzida passaria a ser considerada aplicação com recursos próprios. Por todo o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para deferir o PERC e determinar a emissão da OIEF, limitando o valor do benefício ao montante efetivamente pago e efetivamente declarado na DIPJ Retificadora. Valores superiores deverão ser considerados como aplicação no FINAM com recursos próprios da Recorrente. Sala de Sessões, em 21 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) HÉLIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO – Relator Fl. 593DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 4/11/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por HELIO EDUARDO DE P AIVA ARAUJO
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Numero do processo: 15586.720977/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/04/2012, 30/09/2012
SICOBE. MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO.
A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas aplica-se no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2 CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3101-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Elias Fernandes Eufrásio e Luiz Roberto Domingo. O conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes Relator
EDITADO EM: 07/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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MULTA. PREJUÍZO AO NORMAL FUNCIONAMENTO. PREVISÃO LEGAL. OMISSÃO. AUSÊNCIA DE RESSARCIMENTO. A multa prevista no art. 30 da Lei no 11.488/2007, por ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas aplicase no caso de omissão caracterizada pela falta de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, responsável pela manutenção preventiva /corretiva. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2 CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Elias Fernandes Eufrásio e Luiz Roberto Domingo. O conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes –Relator EDITADO EM: 07/10/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 09 77 /2 01 2- 22 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase (fls. 104 a 109): Em julgamento o auto de infração de fls.17/24, que exige da contribuinte o montante de R$ 21.990.281,82 e que conta com a seguinte motivação fática: O estabelecimento industrial procedeu omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, não efetuando o pagamento do Ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, desde que o mesmo foi instalado na industria. Multa prevista no artigo 13 da IN RFB N.° 869, de 12 de agosto de 2008 com as modificações previstas na IN RFB N.° 972 de 19 de novembro de 2009, devido à falta de manutenção preventiva e corretiva do SICOBE, comunicada pela Casa da Moeda do Brasil à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em virtude da ausência de ressarcimento de que trata o artigo 11 da IN RFB N.° 869, de 12 de agosto de 2008, a que estão sujeitos os estabelecimentos que industrializam os produtos de que trata o artigo 58A da Lei N.° 10.833 de 29 de dezembro de 2003, incluído pela Lei N.° 11.827/2008. O SICOBE foi instalado na indústria em junho de 2010, e passou a controlar a produção de refrigerantes da industria até 09 de novembro de 2011, quando foram desligados os equipamentos do Sistema. O estabelecimento não havia recolhido nenhum valor de ressarcimento. Nos termos das instruções determinadas pela RFB, a Casa da Moeda comunicou à Secretaria da Receita Federal do Brasil através do Relatório Técnico de Ocorrências SICOBE N.° 21/2011 de 11/10/2011 do Departamento Técnico DETEC da Divisão de Implantação e Acompanhamento de Projetos Especiais DVAP, informando do impacto no normal funcionamento do SICOBE, em especial a falta do recolhimento do ressarcimento entre os meses de abril de 2011 a agosto de 2011, cuja ciência tomou o contribuinte em 18/10/2011 através do Termo de Diligência Fiscal N.° 01/2011. O Termo de Diligência Fiscal N.° 01/2011 dava ciência entre outras, do Relatório Técnico citado e da intimação para regularização do pagamento do ressarcimento no período de abril a agosto de 2011, sob pena da caracterização da anormalidade do funcionamento do SICOBE, nos termos do §2º do artigo 13 da IN RFB nº 869/2008. Devidamente intimado a regularizar a situação, o contribuinte não regularizou o pagamento do Ressarcimento, mesmo tendo a Fiscalização atendido a diversas solicitações de dilação do prazo, de forma que no Fl. 160DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 160 3 final não recolheu um centavo de Ressarcimento à Casa da Moeda, invibializando a manutenção do SICOSE em seu estabelecimento, o que nos levou a efetuar esta cobrança de multa prevista. O contribuinte devidamente intimado para a regularização do pagamento do Ressarcimento à Casa da Moeda em 18/10/2011 não efetuou o pagamento, o que obrigou a Receita Federal do Brasil a publicar um Ato Declaratório em 04/11/2011, caracterizando a anormalidade no funcionamento do SICOBE. Em 09/11/2011 a Fiscalização lavrou no estabelecimento um Termo de Acompanhamento Fiscal, para registrar o desligamento das impressoras do SICOBE. De forma que ficou caracterizado a anormalidade no funcionamento do SICOBE com a consequente cobrança de multa de 100% sobre o valor dos refrigerantes produzidos a partir de 01/04/2012 até 30/09/2012, conforme mapas de produção fornecidos pelo próprio contribuinte e o valor comercial dos refrigerantes retirado de suas Notas Fiscais de Venda emitidas no período de 01/04/2012 até 30/09/2012. Observe que a infração do contribuinte é continuada, pois já foi intimado através do Auto de Infração que abrangeu o período que vai desde o desligamento das impressoras (09/11/2011) até 30/03/2012, no entanto, o contribuinte passados os meses de abril até setembro deste ano não apresentou pedido de religamento do SICOBE à SRFB, daí a continuidade da cobrança desta multa de 100% do valor comercial das bebidas produzidas e não controladas pelo SICOBE, como determina a Lei brasileira. A base legal para a cobrança da multa é o artigo 30 da Lei N.° 11.488/2007, combinado com o artigo 58T da Lei N.° 10.833/2003, com a redação dada pela Lei N.° 11.827/2008. Acompanha este Auto de Infração planilha com o cálculo dos valores comerciais da venda de refrigerantes entre 01/04/2012 até 30/09/2012. A insurgência deuse pelo arrazoado de fls.51 a 78 e assim vai resumida: ...a vertente autuação arrimouse no Termo de Diligência Fiscal nº 01/2011, o qual intimou a Impugnante para, no prazo de 10 (dez) dias, regu1rizar o ressarcimento devido em relação às obrigações relativas ao período de 09/11/2011 até 30/03/2012. Inconformada com os valores absurdos lançados em Auto de Infração pretérito e diante da discordância quanto à aplicação de sanção pecuniária bem como de desligamento das máquinas, a Impugnante, à época, apresentou Impugnação, erigindo, sobretudo, a abusividade da multa e a ilegalidade da sanção política de desligamento das máquinas. Ou seja, resta sob análise dos órgãos administrativos da Receita Federal do Brasil a legalidade do desligamento das máquinas aqui aventados, o que torna qualquer exigibilidade futura desta obrigação dependente deste julgamento Fl. 161DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 Nesse passo, a despeito do narrado, mediante a lavratura de novo Auto de Infração, o Ilustre Auditor da Receita Federal do Brasil declarou uma suposta continuidade de descumprimento dos deveres em comento, porquanto já ter sido intimado em momento anterior a regularizar tal situação, culminando, inclusive, em Auto de Infração diverso. Sendo assim, constatou nova anormalidade no funcionamento das máquinas ante a continuidade na não regularização e religamento do SICOBE, conquanto existir Impugnação vergastando legalidade de tal desligamento. Ainda, diante de tais fatos, foi aplicada multa punitiva em desfavor da Impugnante na monta exorbitante de R$ 21.990.281,82 (vinte e um milhões, novecentos e noventa mil, duzentos e oitenta e um reais e oitenta e dois centavos) correspondentes ao percentual de 100% sobre o valor venal dos refrigerantes produzidos a partir de 01/04/2012 até 30/09/2012, período em que as máquinas continuaram desligadas por ato da Receita Federal do Brasil, consoante comando inserto no artigo 30, da Lei 11.488/2007, combinado com o artigo 58T da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei 11.827/2008, nos exatos termos assim retirados do auto de infração em epígrafe. Entretanto, em análise detida dos dispositivos legais supra, não vislumbramos nenhuma hipótese de multa decorrente da ausência de pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, tampouco a existência de norma que configure tal fato em hipótese de omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento das máquinas do SICOBE e seu consequente desligamento... A exação pretendida decorre de mera instrução normativa expedida pela Receita Federal do Brasil, mais especificamente o artigo 13, §, 2, da IN RFB nº 869/2008, com redação dada pela IN RFB n° 972/2009, sendo de notório conhecimento que NÃO compete a Receita Federal do Brasil, órgão pertencente ao Poder Executivo, legislar sobre matérias de reserva legal, notadamente quando extrapola os limites já determinados e balizados por esta, inovando nas hipóteses de aplicação de multa. Logo, enxertouse obrigação não constante na própria Lei que institui a exação em comento, e pior, por vias de Instrução Normativa, o que não só caracteriza a invasão de competência exclusiva do Poder Legislativo pelo Executivo, como fulmina o princípio da legalidade, postulado este primordial e regente dos atos da Administração Pública. DA FALTA DE INTIMAÇÃO Noutro giro, ademais, inexiste nos autos qualquer menção do valor supostamente devido a titulo de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, e mais, analisando perfunctoriamente o Processo, vislumbrase que a necessária intimação da Impugnante para que regularize a situação no prazo de 10 dias não existe. Ora, como aplicar uma multa em desfavor da Impugnante sem que a mesma seja intimada a regularizar sua situação, ou seja, efetuar o pagamento do ressarcimento? Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 161 5 Nessa linha, suponhamos que a Impugnante desejasse satisfazer sua suposta obrigação, como procederia diante da total inexistência desse valor nos autos? Ademais, segundo o comando inserto no artigo 13, § 3º, da IN RFB 869, imprescindível para aplicação da multa sub examine a prévia intimação da Impugnante para, querendo, regularizar sua situação no prazo de 10 (dez) dias... Ou seja, somente depois de constatada a inércia da Impugnante que restaria autorizado ao Auditor aplicar a multa! Destarte, o Auditor não só deixou de grafar qual seria o suposto valor devido à Casa da Moeda do Brasil, como também descumpriu dispositivo sine qua non à lavratura do presente Auto de Infração, caracterizando o cerceamento do direito de defesa desta Impugnante, que nunca teve o conhecimento prévio de sua obrigação. De outra banda, não há que se falar em continuidade na cobrança da multa, como pretende o Ilustre Auditor, porquanto o lançamento anterior ter sido tempestivamente Impugnado, versando em sua tese somente a legalidade no desligamento das máquinas. Logo, a absurda característica de continuidade arbitrariamente imputada pelo Auditor resta afastada, haja vista a pretérita Impugnação suspender tal particularidade. Nessa esteira, percebese a inexistência de qualquer evento que dê ensejo à multa imputada à Impugnante, ao passo que a autuação fiscal materializa a extirpação da legalidade, razão pela qual a exigência impositiva a surpreendeu, motivando, assim, a apresentação da presente Impugnação, instrumento processual apto a sanar as eivas aventadas. DAS PRELIMINARES – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Trazemos a lume a arbitrariedade no ato do AFRFB que, além de desrespeitar o crivo da estrita legalidade, fulminou o direito de defesa da Impugnante. Em consagração de tais preceitos, foi introduzido na IN RFB 869, o §3º do artigo 13, determinando a todos os agentes públicos que observassem a necessidade de intimação do Contribuinte para que, no prazo de 10 dias, regularizassem suas pendências em relação ao ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil. Percebese que em benevolência da não arbitrariedade, é imprescindível que a intimação seja realizada, sob pena de se aplicar multa em patamares altíssimos desacompanhadas de supedâneo necessário que lhe dê regularidade. Nesse raciocínio, há de se trazer a lume que o dispositivo que supostamente culmina a sanção conquanto não ser a via normativa Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 adequada tem como critério material de sua regra matriz de incidência a FALTA de pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, fato este que caracteriza o mal funcionamento do SICOBE e gera a aplicação da multa. Assim, para que se possa ocorrer o fenômeno da subsunção, necessário que haja a falta de pagamento, pormenorizadamente descrita, discriminada e liquidada na intimação de que trata o § 3º, do artigo 13 supra, principalmente para que possa o sujeito passivo pagar ou se defender de um valor porventura majorado unilateralmente pela Receita Federal do Brasil. Contudo, a indolência do Auditor o fez trazer fatos que não se subsumem a nenhuma hipótese normativa de aplicação da multa aqui observada, caracterizando de forma unilateral a Impugnante em continuidade delitiva, decorrente da já engendrada intimação quando da aplicação da multa em períodos pretéritos, a saber, de 09/11/2011 a 30/3/2012. No entanto, não obstante tal fato não subsumirse a nenhum critério material conhecido, a Impugnante, quando da lavratura do auto de infração referente aos períodos de 09/11/2011 a 30/3/2012, apresentou tempestiva impugnação, combatendo in totum as alegações que levaram a lavratura do mesmo, sobretudo a ilegalidade do SICOBE. Dessa forma, mesmo que considerássemos legal a aplicação absurda de continuidade desta Impugnante, esbarraríamos ainda na suspensão de tal hipótese, porquanto impugnada e ainda não decidida pelos órgãos de julgamento da RFB. Noutro giro, ademais, olvidouse o auditor quanto a inexorável atenção ao primado da estrita legalidade que deve reger seus atos. O comando inserto no § 3º do artigo 13, da IN 869 é claro) devese intimar a Impugnante para pagar o valor supostamente devido no prazo de 10 (dez) dias. Não se admite aqui, de forma alguma, aproveitarse de um ato pretérito que intimou a Impugnante a satisfazer créditos outros sem nenhuma correlação de período ou montante com os aqui aventados, não obstante a inexistência de apontamento de tais valores. A intimação anterior tratava de valores devidos a título de ressarcimento à Casa da Moeda no período compreendido entre 09/11/2011 à 30/03/2012, completamente destoado do presente, qual seja, 01/04/2012 à 30/09/2012. Logo, para que se possa ao menos discutir o mérito da aplicação da multa em tela) necessário que se observe detidamente o comando legal do artigo 13, § 3º da IN RFB 869, o que torna o presente auto de infração eivado de legalidade, haja vista o desrespeito aos postulados do contraditório, da ampla defesa e da estrita legalidade. DO MÉRITO Cumpre, primeiramente, assentar a incompetência da Receita Federal do Brasil em acrescentar hipóteses de aplicação de multa em Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 162 7 dissonância com a Lei, desrespeitando a égide da reserva legal e, principalmente, ao crivo da estrita legalidade, porquanto os artigos 27, 28, 29 e 30, da Lei 11.488/2007, combinado com o artigo 58T da Lei 10.833/2003, que instituíram a obrigação de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil, não trouxeram, em seus arquétipos normativos, a regra matriz de incidência da multa ora aplicada. Salta aos olhos que não há qualquer previsão legal de desligamento dos equipamentos como medida punitiva à falta de pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda. Da mesma forma, é visceral a inexistência de aplicação de multa nos casos em que o estabelecimento obrigado ao uso das máquinas deixar de efetuar os pagamentos do ressarcimento. Destarte, a falta de pagamento à Casa da Moeda configurase unicamente uma inadimplência com esse Órgão, não guarnecendo nenhuma parcela de hipótese de multa e, principalmente, não sendo abarcado pela materialidade do artigo 30 supra. Assim, para que houvesse a incidência da penalidade aplicada, a norma deveria descrever este exato acontecimento fático. DA INEXISTÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DO VALOR SUPOSTAMENTE DEVIDO A TÍTULO DE RESSARCIMENTO A CASA DA MOEDA DO BRASIL. Compulsando o processo que ensejou o Auto de Infração em voga, inevitavelmente percebemos a omissão do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil em apontar qual seria o valor devido a título de ressarcimento à Casa da Moeda do Brasil. Conforme já exposto no articulado fático acima, tal ressarcimento é devido pela manutenção preventiva e corretiva junto ao SICOBE, sistema responsável pelo controle de bebidas produzidas nas Indústrias do ramo. Não obstante, para que se caracterize a aplicação da multa vergastada, imperioso que haja inadimplência no ressarcimento à Casa da Moeda relativa à manutenção do SICOBE. Para tanto, mister que o Auto de Infração lance, discriminadamente, o valor devido à Casa da Moeda, para que possa o Contribuinte se defender ou, até mesmo, quitar a obrigação não satisfeita. Doutro modo, contudo, in casu, não vislumbramos nenhum lançamento quanto à inadimplência que ensejou a presente multa, o que, presumidamente, nos faz inferir que inexiste o próprio inadimplemento. Consubstanciado em tal ilação, retirada da mais pura e simples lógica jurídica, mormente se nos arrimarmos na máxima do Direito que a prova cumpre a quem alega, o Auto de Infração sob análise é flagrantemente nulo, vez que inexistente a ocorrência do critério Fl. 165DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 material da multa (falta de pagamento do ressarcimento) no mundo real, não operando o fenômeno da subsunção, justamente por não haver o fato. É de se concluir que o Auditor tornou despiciendo hipótese imprescindível para aplicação da multa guerreada, denotando o caráter nulo do auto de infração, sendo precisamente este o pleito aqui requerido. DA ABUSIVIDADE DA MULTA Por óbvio, uma multa tão elevada revelase manifestamente desproporcional e confiscatória, além de ferir diretamente o princípio do livre exercício da atividade econômica e, até mesmo, em uma espécie de enriquecimento ilícito da União. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, em sessão realizada em 28 de junho de 2013, acordou, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Acórdão 0944.785 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 30/09/2012 IPI. SICOBE. FALTA DE RECOLHIMENTO À CASA DA MOEDA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela CMB à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 da IN RFB nº 869/2008 caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do citado sistema, estando o infrator sujeito a multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO JUNTO À CASA DA MOEDA DO BRASIL. EFEITOS. UNICIDADE DA INTIMAÇÃO. A intimação a que se refere o §3º do artigo 13 da IN RFB 869/2008 é única e seus efeitos, para aplicação da penalidade, perduram até o religamento do sistema SICOBE, que se dará a partir da eliminação das pendências junto à Casa da Moeda do Brasil. O não cumprimento da intimação poderá dar lugar a tantos lançamentos quantas forem as constatações de permanência das irregularidades apontadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada, regularmente cientificada do Acórdão da DRJ Juiz de Fora, interpôs o Recurso Voluntário, onde reprisa as alegações trazidas na impugnação, em síntese: (i) ilegalidade do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil; (ii) ausência de intimação prévia ao lançamento; e (iii) violação ao principio do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 163 9 O processo foi encaminhado a esta Seção de Julgamento e posteriormente distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A recorrente requer o provimento de seu Recurso Voluntário para reformar o Acórdão 0944785, pela nulidade do Auto de Infração lavrado, ante as seguintes alegações: (i) a ilegalidade da multa aplicada, seja por ausência de previsão legal, seja pela desproporcionalidade do valor; (ii) a ausência de intimação da recorrente nos termos do §3º, art. 13 da IN RFB nº 869/2008. DA ILEGALIDADE DO RESSARCIMENTO DEVIDO À CASA DA MOEDA DO BRASIL A recorrente alega que a multa aplicada revestese de patente ilegalidade, por inexistir, na hipótese legal, (a) a aplicação de multa por ausência de pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil; ou (b) a existência de norma que configure tal fato como omissão a prejudicar o normal funcionamento das máquinas do SICOBE e seu desligamento. A autuação foi lavrada para exigência da multa prevista no art. 30 da Lei nº 11.488/2007: Art. 30. A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados, poderá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais): I se, a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado para a entrada em operação do sistema, os equipamentos referidos no art. 28 desta Lei não tiverem sido instalados em virtude de impedimento criado pelo fabricante; II se o fabricante não efetuar o controle de volume de produção a que se refere o § 2o do art. 27 desta Lei. § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput deste artigo, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo fabricante tendente a impedir ou retardar a instalação dos equipamentos ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2º A ocorrência do disposto no inciso I do caput deste artigo caracteriza, ainda, hipótese de cancelamento do registro especial de que Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 trata o art. 1o do DecretoLei no 1.593, de 21 de dezembro de 1977, do estabelecimento industrial. (grifo nosso) Os equipamentos referidos no art. 28 da lei são contadores de produção, inicialmente concebidos para a indústria de cigarros, mas estendidos às empresas fabricantes de determinadas bebidas pelos arts. 58A, 58T e 58V da Lei nº 10.833/2003. Art. 58A. A Contribuição para o PIS/PASEP, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, a Contribuição para o PIS/PASEP Importação, a COFINS Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados Tipi, aprovada pelo Decreto n° 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58B a 58U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. (Incluído pela Lei n° 11.727, de 23 de junho de 2008 ) Art. 58T. As pessoas jurídicas que industrializam os produtos de que trata o art. 58A desta Lei ficam obrigadas a instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem, ainda, a identificação do tipo de produto, de embalagem e sua marca comercial, aplicandose, no que couber, as disposições contidas nos arts. 27 a 30 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. ( Redação dada pela Lei n° 11.827, de 20 de novembro de 2008 ) O art. 58T combinado com o art. 58A determinam que as pessoas jurídicas fabricantes de refrigerantes devem instalar equipamentos contadores de produção, que possibilitem a identificação do tipo do produto, de embalagem e sua marca comercial. O art. 58T estendeu a aplicação das regras esculpidas nos artigos 27 a 30 da Lei nº 10.488/2007 para os fabricantes de refrigerantes. No caso em análise, como relatado, o SICOBE foi instalado na indústria em junho de 2010, e passou a controlar a produção de refrigerantes da industria até 09 de novembro de 2011, quando foram desligados os equipamentos do Sistema. O estabelecimento não havia recolhido nenhum valor de ressarcimento. Nos termos das instruções determinadas pela RFB, a Casa da Moeda comunicou à Secretaria da Receita Federal do Brasil através do Relatório Técnico de Ocorrências SICOBE N.° 21/2011 de 11/10/2011 do Departamento Técnico DETEC da Divisão de Implantação e Acompanhamento de Projetos Especiais DVAP, informando do impacto no normal funcionamento do SICOBE, em especial a falta do recolhimento do ressarcimento entre os meses de abril de 2011 a agosto de 2011, cuja ciência tomou o contribuinte em 18/10/2011 através do Termo de Diligência Fiscal N.° 01/2011. O contribuinte devidamente intimado para a regularização do pagamento do Ressarcimento à Casa da Moeda em 18/10/2011 não efetuou o pagamento, o que obrigou a Receita Federal do Brasil a publicar um Ato Declaratório em 04/11/2011, caracterizando a anormalidade no funcionamento do SICOBE. Dessa forma, constatase que a recorrente não impediu ou retardou a instalação dos equipamentos, mas foi imputada a conduta de prejudicar o normal funcionamento após a instalação, por omissão. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 164 11 Diferente do alegado pela recorrente, entendo que as penalidades a ele impostas estão previstas em lei, e a IN RFB nº 869/2008, apenas regulamentou a forma, os limites e prazos das Leis nº 10.833/20032 e 10.488/2007. Assim dispõe a referida Instrução Normativa: Art. 13 . A cada período de apuração do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), deverá ser aplicada multa de 100% (cem por cento) do valor comercial da mercadoria produzida, sem prejuízo da aplicação das demais sanções fiscais e penais cabíveis, não inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), se: ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009 ) I a partir do 10º (décimo) dia subseqüente ao prazo fixado de acordo com o disposto no art. 8º, o Sicobe não tiver sido instalado em virtude de impedimento criado pelo estabelecimento industrial; II o estabelecimento industrial não prestar as informações sobre os volumes de produção a que se refere o §6º do art. 7º.(Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009 ) § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput, considerase impedimento qualquer ação ou omissão praticada pelo estabelecimento industrial tendente a impedir ou retardar a instalação do Sicobe ou, mesmo após a sua instalação, prejudicar o seu normal funcionamento. § 2º A falta de manutenção preventiva e corretiva junto ao Sicobe, comunicada pela CMB à RFB, em virtude da ausência do ressarcimento de que trata o art. 11 ou pela negativa de acesso dos técnicos da CMB ao estabelecimento industrial, caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe, sem prejuízo de outras que venham a ser constatadas durante a sua operação. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 972, de 19 de novembro de 2009) § 3º Na ocorrência das hipóteses mencionadas nos §§ 1º e 2º, o estabelecimento industrial será intimado a regularizar sua situação no prazo de 10 (dez) dias, findo o qual iniciarseá a contagem do prazo para fins de aplicação da penalidade prevista no caput. A Instrução Normativa RFB nº 869/2008 apenas disciplinou a forma, os limites, as condições e os prazos para a aplicação do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (SICOBE), cujas regras gerais de implantação foram introduzidas pelas Lei nº 10.833/2003 e 11.488/2007, que previram as penalidades pela não observância. A IN RFB nº 869 não cria penalidade, nem institui ou majora tributo, pelo que se afasta ainda a acusada violação à legalidade, ou mesmo à legalidade estrita tributária. O que faz a referida Instrução Normativa é disciplinar tanto a multa quanto o ressarcimento estabelecidos em lei, com a permissão desta (art. 58T, § 1º da Lei nº 10.833/2003, na redação dada pela Lei nº 11.827/2008), sem extrapolar os seus limites. Portanto, o não recolhimento do ressarcimento pelos serviços prestados pela CMB gerou prejuízos ao funcionamento do SICOBE e, como quem deveria efetuar o recolhimento era o fabricante, claro está que houve por parte do sujeito passivo ação/omissão Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 12 tendente a prejudicar o normal funcionamento do equipamento, incidindo a multa de 100% do valor comercial da mercadoria produzida. A jurisprudência do CARF não destoa desse entendimento, conforme recentes julgados na Terceira Turma da Quarta Câmara (Acórdão 3402002.011, Rel. Cons. Gilson Macedo Rosenburg Filho, e Acórdão 3403002.799, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan). Quanto a alegação de inconstitucionalidade da multa, pela violação aos princípios do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, os Órgãos Judicantes do Poder Executivo não tem competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. . A matéria já está inclusive sumulada neste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO A recorrente alega a ausência de intimação prévia ao lançamento, visto que apenas recebeu uma única intimação referente ao período de 09/11/2011 a 30/03/2012, e o período do lançamento da multa referese a 01/04/2012 a 30/09/2012. De acordo com os termos anexados ao presente processo, constatase que a intimação para regularização do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, conforme previsto na IN RFB nº 869/2008, foi esta realizada nos termos do Termo de Diligência Fiscal nº1/2011 (fls. 09 a 10), que transcrevemos parcialmente a seguir: No exercício das funções de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil damos início à diligência fiscal com base no art. 13, §§ 1º, 2ºe 3º, da Instrução Normativa RFB nº 869/2008, ficando o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a regularizar, no prazo de 10 (dez) dias o ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil no período de abril a agosto de 2011, conforme descrito no Relatório Técnico emitido pela Casa da Moeda do Brasil, cópia em anexo. Fica o sujeito passivo acima identificado ciente: a) Que a ocorrência constante do Relatório Técnico emitido pela Casa da Moeda do Brasil caracterizase como prática prejudicial ao normal funcionamento do Sicobe, nos termos do art. 13, §§ 1ºe 2º, da Instrução Normativa RFB nº869/2008; b) Que o não atendimento à presente intimação implica caracterização de anormalidade do funcionamento do Sicobe, nos termos dos arts. 8°A e 13, § 4o, da Instrução Normativa RFB nº 869/2008, e início da contagem do prazo para fins de aplicação da penalidade de que trata o art. 13, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 869/2008, amparada pelo art. 30, inciso I, da Lei nº 11.488/2007, até que seja regularizada a ocorrência; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 165 13 [...] (grifo nosso) Não há dúvidas de que a intimação ocorreu em 17/10/2011 por meio o Termo de Diligência Fiscal nº 01/2011. Entretanto, a recorrente alega a inexistência do Termo de Intimação para os fatos referentes a 01/04/2012 a 30/09/2012, visto que aquele Termo referia se ao período de abril a agosto de 2011. Corretamente o julgador a quo afirma que, “como bem asseverou o autuante, os efeitos do Termo de Diligência se propagam no tempo até que a situação infracional descrita pela Casa da Moeda no Relatório Técnico seja afastada. Isso quer dizer que enquanto perdurar a inadimplência pormenorizadamente descrita por aquele órgão no citado documento de constatação, perduram os efeitos da intimação inicial diante da imutabilidade de seu fato ensejador de existência”. No próprio Termo de Diligência Fiscal n 01/2011 consta que da ciência ao sujeito passivo que o não atendimento à intimação implicaria na caracterização de anormalidade do funcionamento do Sicobe, até que fosse regularizada a ocorrência. Não consta dos presentes autos a regularização da situação. Foram lavrados dois autos de infração pelo mesmo evento, mas para períodos subseqüentes: o primeiro, inserto no processo 15586.720728/201237, abrangeu o período de novembro de 2011 a março de 2012; e o segundo, inserto no presente processo, que englobou o intervalo de abril a setembro de 2012. O fato que caracterizou a incidência da sanção para os dois processos foi a falta de pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda. Devidamente intimada para regularizar o fato, a ora recorrente omitiuse. Dessa forma, enquanto perdurar a omissão por parte do sujeito passivo, devida será a multa por prática prejudicial ao normal funcionamento do SICOBE, na trilha do disposto no art.13, §2º, da IN RFB nº 869/2008. A intimação legitimadora dos lançamentos já tomou lugar na forma do Termo de Diligência nº 1/2011, com efeito jurídico permanente, prolongado até a regularização dos ressarcimentos não satisfeitos. DAS CONCLUSÕES Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das sessões, em 16 de setembro de 2014. [assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 14 Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Inobstante os relevantes argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, ouso descordar de suas conclusões em face da ausência da estrita legalidade na fixação do tipo penal. Como o tema não é novo neste Conselho e considerando a excelente argumentação trazida no Acórdão nº 3402002.205, de 26/09/2013, adoto como razões de decidir o voto o Eminente Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça, redator designado: Inicialmente anoto que em nosso sistema jurídico as Instruções Normativas, obviamente não podem instituir obrigações tributárias, que se acham sob reserva da lei (art. 97, incs. III e V do CTN) e à qual devem estrita subserviência (arts. 99 e 100, inc. I do CTN). Nesse sentido o E. STJ tem reiteradamente proclamado que: “o ato administrativo, no Estado Democrático de Direito, está subordinado ao princípio da legalidade (CF/88, arts. 5º, II, 37, caput, 84, IV), o que equivale assentar que a Administração só pode atuar de acordo com o que a lei determina. Desta sorte, ao expedir um ato que tem por finalidade regulamentar a lei (decreto, regulamento, instrução, portaria, etc.), não pode a Administração inovar na ordem jurídica, impondo obrigações ou limitações a direitos de terceiros. (...) Consoante a melhor doutrina, ‘é livre de qualquer dúvida ou entredúvida que, entre nós, por força dos arts. 5º, II, 84, IV, e 37 da Constituição, só por lei se regula liberdade e propriedade; só por lei se impõem obrigações de fazer ou não fazer. Vale dizer: restrição alguma se impõem à liberdade ou à propriedade pode ser imposta se não estiver previamente delineada, configurada e estabelecida em alguma lei, e só para cumprir dispositivos legais é que o Executivo pode expedir decretos e regulamentos.’ (Celso Antônio Bandeira de Mello. Curso de Direito Administrativo. São Paulo, Malheiros Editores, 2002, págs. 306/331)” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 584.798PE, Reg. nº 2003/01571957, em sessão de 04/11/04, Rel. Min. LUIZ FUX, publ. In DJU de 06/12/2004 p. 205) Mais recentemente a Suprema Corte assentou que; “a reserva de lei em sentido formal qualificase como instrumento constitucional de preservação da integridade de direitos e garantias fundamentais. O princípio da reserva de lei atua como expressiva limitação constitucional ao poder do Estado, cuja competência regulamentar, por tal razão, não se reveste de suficiente idoneidade jurídica que lhe permita restringir direitos ou criar obrigações. Nenhum ato regulamentar pode criar obrigações ou restringir direitos, sob pena de incidir em domínio constitucionalmente reservado ao âmbito de atuação material da lei em sentido formal.” (cf. Ac do STF Pleno na ACOQO nº 1048RS, em sessão de 30/08/07, Rel. Min. CELSO DE MELLO, publ. in DJU de 31/10/07, pág. 077, EMENT VOL0229601 PP00001). Assim, conclui a Suprema Corte que “as instruções regulamentares, quando emanarem de Ministro de Estado, qualificarseão como regulamentos executivos, necessariamente subordinados aos limites jurídicos definidos na regra legal a cuja implementação elas se destinam, pois o exercício ministerial do poder regulamentar não pode transgredir a lei, seja para exigir o que esta não exigiu, seja para estabelecer distinções onde a própria lei não distinguiu, notadamente em tema de direito tributário”. (cf. Ac. do STF Pleno na ADIMC nº 1075DF, em sessão de Fl. 172DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 15586.720977/201222 Acórdão n.º 3101001.695 S3C1T1 Fl. 166 15 17/06/98, Rel. Min. CELSO DE MELLO, publ. in DJU de 24/11/06, pág. 059, EMENT VOL0225701 PP00156) Como também é curial, consectário lógico do Princípio da Legalidade Penal, o Princípio da Tipicidade exige, não só que as condutas puníveis e as respectivas sanções delas decorrentes, sejam prévia e exaustivamente tipificadas pela lei, mas que a punibilidade de uma conduta somente se dê quando ocorra sua adequação exata ao tipo legal, sendo vedada a invocação de analogias, presunções, deduções e outras circunstâncias análogas mencionadas em outras leis distintas, não previstas expressamente na descrição da lei penal especifica que define a infração e a sanção. Em decorrência do aludido princípio incorporado ao Direito Tributário sancionatório, a obrigação tributária que tem por objeto penalidade pecuniária, somente surge com a ocorrência do fato gerador previsto em lei, e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente (arts. 97, inc. V, 113, § 1º e 114 do CTN), sendo incabível o emprego de analogia ou interpretação extensiva, para a instituição ou imputação de obrigação tributária (arts. 108, § 1º e 111, inc. III do CTN). Na mesma ordem de idéias, a Jurisprudência do E. STJ já assentou que “em obediência aos princípios da legalidade e tipicidade fechada, inerentes ao ramo do direito tributário, a Administração somente pode impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp nº 636377SP, Reg. nº 2003/02180123, em sessão de 21/09/06, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, publ. in DJU de 02/10/06 p. 248), sendo “descabida, assim, a aplicação de sanção administrativa à conduta que não está prevista como infração” (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 19510GO, Reg. nº 2005/00047108, em sessão de 20/06/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. In DJU de 03/08/06 p. 202; no mesmo sentido cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RMS nº 21274GO, Reg. nº 2006/00076016, em sessão de 26/09/06, rel. Min. DENISE ARRUDA, publ. in DJU de 16/10/06 p. 292). No caso concreto, como ressaltado na r. decisão recorrida, não ficou evidenciada a prática de retardamento culposo na instalação dos equipamentos de controle do SICOBE; ou a não instalação definitiva dos equipamentos de controle de produção, imputáveis à Recorrente, que autorizassem a aplicação da severa multa sobre valor comercial da mercadoria produzida, não se justificando a mantença da referida multa aplicada, por absoluta atipicidade da conduta da Recorrente. Pois bem, neste caso, conforme se verifica do relatório, “o estabelecimento industrial procedeu omissão tendente a prejudicar o normal funcionamento do Sicobe, não efetuando o pagamento do Ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil, desde que o mesmo foi instalado na industria”, donde se conclui que, ainda que o “não pagamento do ressarcimento devido à Casa da Moeda do Brasil”, pudesse ser considerado tendente à prejudicar o normal funcionamento do SICOBE, este não constitui “prática de retardamento culposo na instalação dos equipamentos de controle do SICOBE; ou a não instalação definitiva dos equipamentos de controle de produção”, motivo pelo qual não se pode aplicar a penalidade. Ora, o inadimplemento por parte da indústria não pode ser considerado como elemento relevante para o livre exercício da atividade de fiscalização por parte da administração, uma vez que esta não decorre daquela. A atividade de fiscalização é autônoma e independe de qualquer pagamento, uma vez que deve ser exercida pelo agente público de forma obrigatória e vinculada. A lei não instituiu o ressarcimento como mecanismo da atividade fiscal. De modo que o não pagamento do valor devido à Casa da Moeda em razão Fl. 173DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 16 da manutenção preventiva e corretiva do medidor de produção não autoriza a interrupção da nem impede a atividade de fiscalização por parte da administração. No mesmo sentido, Acórdão nº 330201.507 da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, Proc. nº 10120.008115/200986, em sessão de 22/03/12, Rel. Cons. Walber José da Silva e o já mencionado Acórdão nº 3402002.205 da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 3a Seção do CARF, Proc. nº 15586.001006/200984, em sessão de 26/09/2013, Rel. Cons. Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 08/10/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Numero do processo: 10920.907152/2012-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 71 52 /2 01 2- 59 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 5 4 Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 6 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 7 6 decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 8 7 VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.907152/201259 Acórdão n.º 3801002.685 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19515.000042/2005-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.158-35, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo.
JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5.
0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios.
Recurso Voluntário Negado..
Numero da decisão: 3801-002.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade não se conhecer do recurso voluntário na parte em que trata da exigência da contribuição para o PIS com base na Lei nº 9.718/98 sobre as receitas que não sejam decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços. Na parte conhecida, negou-se provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Antônio Borges votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso em face da concomitância. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Aryna Martins Dias Rangel, OAB/DF 30.299.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.158-35, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo. JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios. Recurso Voluntário Negado..
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CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. O regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo 30, §1º da MP 2.15835, de 2001, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro deste artigo. JUROS DE MORA. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMINAR. SÚMULA CARF Nº 5. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente de liminar deferida em ação de mandado de segurança não afasta a exigência dos juros moratórios. Recurso Voluntário Negado.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade não se conhecer do recurso voluntário na parte em que trata da exigência da contribuição para o PIS com base na Lei nº 9.718/98 sobre as receitas que não sejam decorrentes da venda de mercadorias ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 00 42 /2 00 5- 91 Fl. 650DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 3 2 prestação de serviços. Na parte conhecida, negouse provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcos Antônio Borges votou pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Sidney Eduardo Stahl, e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que não conheciam do recurso em face da concomitância. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Aryna Martins Dias Rangel, OAB/DF 30.299. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1623.184, julgado na sessão de 15 de outubro de 2009, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I (DRJ/SPOI), referente ao processo administrativo n° 19515.000042/200591, em que foi julgada improcedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “DA AUTUAÇÃO De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 260/265), em procedimento fiscal realizado na empresa em epígrafe, foi apurada falta/insuficiência de recolhimento e/ou declaração em Fl. 651DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 4 3 DCTF de contribuições de PIS incidentes sobre variações monetárias ativas e outros rendimentos operacionais não incluídos na base de cálculo desta contribuição, com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. 2. Em razão desta constatação, foi lavrado e cientificado ao sujeito passivo, em 12/01/2005, o seguinte auto de infração: 2.1. Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS (fls. 271/273): Crédito tributário no valor total de R$ 147.193,27 (cento e quarenta e sete mil, cento e noventa e três reais e vinte e sete centavos), incluídos tributo e juros de mora calculados até 30/12/2004, com enquadramento legal descrito as fls. 273, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 267/270. Crédito tributário lançado com exigibilidade suspensa por força de decisão judicial. DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com a presente autuação, a empresa, tempestivamente, apresentou a impugnação de fls. 276/311, acompanhada de documentos (fls. 312/399 e 402/482), alegando em síntese que: 3.1. Nos casos em que a matéria discutida no procedimento administrativo não houver sido abordada na esfera judicial, conquanto seja decorrente dela, não há renúncia nos termos do Decretolei n° 1.737/1979 e art. 38, parágrafo único, da Lei n° 6.830/1980, devendo a impugnação ser conhecida. 3.2. A Impugnante impetrou o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0348390, visando a garantir seu direito liquido e certo de recolher a contribuição para o PIS com base de cálculo e aliquota previstas na Lei n° 9.715/1998, afastandose, na via incidental, por inconstitucionais, os dispositivos da Lei n° 9.718/1998, bem como para compensar os valores recolhidos com as parcelas vincendas da mesma exação. 3.3. A impugnação versa somente sobre decadência par incidência dos juros de mora sobre o crédito supostamente devido. 3.4. Como o lançamento é posterior à medida judicial proposta, fica clara a impossibilidade lógicotemporal de discussão das questões ora debatidas naqueles autos. Portanto, não se pode arguir que o objeto da impugnação seja similar ao da aludida medida judicial. 3.5. É improcedente o lançamento quanto aos meses de abril, junho, agosto, novembro e dezembro de 1999 em razão da decadência (fls. 280/291). 3.6. O auto de infração é nulo, pois seus valores estão equivocados, conforme se pode depreender dos documentos acostados à impugnação, gerando agravamento na apuração da base de cálculo com infringência do art. 142 do CTN e dos Fl. 652DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 5 4 princípios da reserva legal e da segurança jurídica (fls. 291/293). 3.7. "De fato, a presente autuação decorre apenas da exigência do PIS sobre as receitas decorrentes da variação cambial." (fls. 294). 3.8. "Para obtenção de recursos para sua atividade, a Impugnante celebrou, junto a MERRILL LYNCH CAPITAL CORPORATION, Contrato de Empréstimo Externo ("Contratos de Repasse"), nos termos da legislação do Banco Central do Brasil e do Conselho Monetário Nacional (Doc. 02B). Referido Contrato de Repasse, como se pode observar, possuem cláusula de correção cambial, pelo dólar norteamericano, do valor mutuado." (fls. 294). 3.9. Dessas operações, a Impugnante poderia vir a auferir ganho ou perda decorrente da variação cambial, dependendo da cotação da moeda estrangeira. Porém, estes resultados somente poderiam ser verificados no final do contrato, submetendo os ganhos tributação. 3.10. Ocorre que, por força da legislação comercial e tributária, a Impugnante está obrigada a contabilizar suas receitas e despesas pelo regime de competência, portanto, poderá obter ao longo dos meses perdas e lucros sem que isso configure acréscimo patrimonial. 3.11. Tal forma de contabilização não tem implicação nos tributos que oneram o lucro (IRPJ e CSLL), porém, o mesmo não ocorre em relação ao PIS, já que os resultados negativos não podem ser descontados dos positivos. Na verdade, são falsas receitas que não representam qualquer acréscimo patrimonial, devendo, nas variações cambiais, ser confrontadas as receitas com as despesas. 3.12. Não são todas as entradas que configuram receitas, mas somente aquelas que representam riqueza nova. 3.13. 0 ingresso positivo de variação cambial, antes da finalização do contrato de repasse, jamais poderia ensejar a tributação do PIS, o que importa na nulidade da autuação. 3.14. De acordo com o art. 30 da Medida Provisória n° 2.158/34, de 27/06/2001, que prevê o reconhecimento das receitas e despesas decorrentes da variação cambial pelo regime de caixa, permitindo, em seu parágrafo 1°, a opção pelo competência, o qual, segundo a fiscalização, deveria ser adotado para todos os tributos COFINS, CSLL e IRPJ) é uma interpretação ilegal. 3.15. "Portanto, concluise que o reconhecimento das receitas e despesas decorrentes de uma determinada operação deveria ser consumado pela Impugnante somente para fins de cálculo do PIS, sendo este mais um elemento a atestar a sustentação dos procedimento pretendido." (fls. 300). Fl. 653DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 6 5 3.16. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário oriunda da liminar e da sentença concedidas no Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0348390 toma incabível a imputação de juros de mora e da multa de oficio (fls. 300/306). 3.17. Não é admissível a lavratura de auto de infração estando a exigibilidade do crédito tributária suspensa, pois a formalização do crédito tributário pelo lançamento não se confunde com o auto de infração, o qual pressupõe a ocorrência de ilícito, o que não houve no presente caso, sendo, assim, descabida a imposição de qualquer penalidade, restando clara a impossibilidade de aplicação de juros moratórios (fls. 306/310). 3.18. Diante do exposto, requer a decretação da decadência do crédito tributário, o reconhecimento de sua nulidade, bem como a desconstituição do crédito tributário, notadamente, quanto aos juros de mora (fls. 311). É o relatório.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente em parte. O acórdão da DRJ/SPOI conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto, antes ou posteriormente à autuação, importa em renúncia às instâncias administrativas. Quando forem diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PIS. A Contribuição para o Programa de Integração Social PIS é um tributo, em regra, sujeito a lançamento por homologação. Em caso de pagamento do tributo, ainda que parcial, e não ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial rege se pela norma contida no art. 150, § 4, do CTN. Do contrário, a regra a ser observada é aquela prevista no art. 173 do CTN. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR A DECADÊNCIA. O crédito tributário não declarado/recolhido que seja objeto de discussão judicial ainda não superada por decisão definitiva deve ser lançado de oficio a fim de prevenir a decadência. FALTA DE DECLARAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. CABIMENTO. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 7 6 A falta de declaração de crédito tributário, com a exigibilidade suspensa ou não, enseja a lavratura de auto de infração por autoridade fiscal no local de sua verificação. VARIAÇÃO CAMBIAL. REGIME DE COMPETÊNCIA. As variações cambiais ativas de direitos e obrigações em moeda estrangeira compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS e, se tributadas pelo regime de competência, conforme opção do contribuinte, devem ser reconhecidas a cada mês, independentemente da efetiva liquidação das operações correspondentes. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. VARIAÇÕES CAMBIAIS PASSIVAS. DESPESAS FINANCEIRAS. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas financeiras, dentre elas as variações cambiais ativas, compõem a base de cálculo do PIS, prevista nos arts. 2° e 3 0 da Lei n°9.718/1998, da qual não podem ser deduzidas as variações cambiais passivas (despesas financeiras) por absoluta falta de previsão legal neste sentido e pelo fato de que tal exação se caracteriza pela incidência sobre a receita bruta. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.CABIMENTO. legitima a inclusão de juros morat6rios em lançamento de oficio destinado a prevenir a decadência, ainda quando a exigibilidade dos débitos lançados esteja suspensa por medida judicial (Decreto lei n° 1.736/1979). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete A esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. LANÇAMENTO. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/1972. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Inconformada com a improcedência parcial da impugnação, a contribuinte interpôs, em 13.09.2011, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 543/564, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 8 7 Fl. 656DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Postula a ora recorrente a reforma do acórdão da DRJ de origem. Consoante relatado a DRJ de origem entendeu que diante da concomitância do Processo Administrativo Fiscal e de processo judicial, devia ser indeferida a impugnação quanto a este ponto. Logo, necessário que a recorrente apresentasse em sua razões argumentos contrários a tal fato, ou que provasse que não havia concomitância das ações, o que não o fez. Diante dos documentos juntados aos autos referentes ao Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0348390, resta claro que a contribuinte está buscando também pela via judicial o reconhecimento do seu crédito. Ainda que as razões do presente recurso voluntário não apresente fundamentos para a modificação do julgado, necessário que seja apreciada a matéria por este Egrégio Conselho, pelo princípio da verdade material. Diante disso, analisando o acórdão recorrido, percebo que ele não merece reparos. Ocorre que a discussão concomitante de matérias nas esferas judicial e administrativa enseja a renúncia nesta, pelo princípio da inafastabilidade e unicidade da jurisdição. Em igual sentido, este Egrégio Conselho editou a Súmula 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Deste modo, entendo que há clara renúncia da contribuinte ao presente Processo Administrativo Fiscal. Em arrimo com o ora decidido, há diversos acórdãos deste Conselho, o que pode ser demonstrado pelos arestos abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCalendário: 2003, 2004, 2005, 2006. MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITANCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo Fl. 657DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 10 9 coincidência de objetos nos dois processos, devese trancar a via administrativa. Em nosso sistema de direito, prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF n°1 (DOU de 22/12/2009), verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Recurso Voluntário Negado. (Acórdão n° 2102001.259. Sessão de 15/04/2011 grifouse) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 06/01/2006 RECINCIA (sic) À ESFERA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. A concomitância de discussão administrativa e judicial de mesma matéria importa em renúncia a esfera administrativa. Súmula 01 do CARF. COMPETÊNCIA. APRECIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (SÚMULA N°2 do CARF) PERÍCIA CONTABIL. DEFINIÇAO DA BASE DE CALCULO. Justificase a realização de perícia para confirmação da base de calculo, por convicção do julgador, a partir de sólidos argumentos do Requerente que demonstrem a irregularidade ou a impropriedade do valor apurado no lançamento. PIS IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇAO. BASE DE CALCULO. Irrelevante a analise da alteração dos critérios de apuração da base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação uma vez que os fatos imponiveis ocorreram ern momento posterior a tais alterações, não sendo influenciados pelo período de aperfeiçoamento da norma. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3101 000.546. Sessão de 27/10/2010 grifouse) Por sua vez, diante das alegações de inconstitucionalidade, necessário destacar que, consoante dispõe a Súmula 02 do CARF, não compete a esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a legalidade ou constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Em relação as variações cambiais, entendo que os argumentos da contribuinte vão de encontro a jurisprudência deste Egrégio Conselho, consoante se observa pelo aresto abaixo: FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE RECEITA FINANCEIRA. VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. Apurada em procedimento de fiscalização a falta de contabilização da receita financeira decorrente de variação cambial ativa, impõese Fl. 658DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 11 10 o lançamento de ofício da diferença levantada, caracterizada como omissão de receita, com respectiva multa de ofício e juros de mora. (Acórdão n° 1802001.338– 2ª Turma Especial, julgado em 07 de agosto de 2012, de relatoria do Conselheiro NelsoKichel) Por fim, entendo que já resta amplamente superado por este Conselho a discussão quanto a possibilidade da RFB fazer lançamentos para evitar decadência, podendo incluir os juros moratórios, não havendo ilegalidade em tal ato. Contudo, compreendo que possui razão a contribuinte, pois havendo o trânsito em julgado da ação judicial, e sendo este favorável a contribuinte não importa para caracterizar a concomitância e a renúncia à esfera administrativa. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR CONHECIMENTO ao recurso voluntário interposto, em face da concomitância de processo movido pelo contribuinte. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado O processo se iniciou com auto de infração, formalizado com suspensão de exigibilidade, por meio do qual se exige o valor de R$ 147.193, 27, dos quais R$ 82.226,02 como contribuição para o PIS/Pasep; R$ 64.967,25, referentes a juros de mora calculados até 30/12/2004. No recurso voluntário, a obrigatoriedade do lançamento e a decadência não são discutidas. Esta última havia sido reconhecida para alguns dos períodos lançados no julgamento de primeira instância administrativa, tendo sido exoneradas as exigências referentes aos fatos geradores ocorridos no período de 30/04/1999 a 31/12/1999. As alegações apresentadas no recurso voluntário são as seguintes: i) As variações cambiais, porque definidas no art. 9º, da Lei nº 9.718, de 1998, como receitas financeiras, estão alcançadas pela decisão judicial que exclui da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep receitas que não se enquadrem no conceito de faturamento. Fl. 659DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 12 11 ii) O CARF deve aplicar a decisão judicial que assentou a inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, por força do RICARF. iii) A contribuinte adota o regime de competência quanto aos demais tributos e o de caixa quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, o que lhe é permitido pelo art. 30, §1º, da MP nº 2.15835, de 2001. iv) Por adotar o regime de caixa para a Contribuição para o PIS/Pasep, o fato de a variação cambial ativa estar contabilizada não é suficiente para considerála receita, antes da liquidação. A variação cambial só pode ser tributada pela contribuição após a liquidação da operação. v) Tendo em vista que obteve liminar favorável antes da lavratura do auto de infração, os juros de mora não poderiam ter sido exigidos. Analisando a decisão exarada no mandado de segurança nº 2000.61.00.0348390/SP, apresentada com memorial entregue pela recorrente por ocasião da sessão de julgamento, verifico que o TRF/3ª Região decidiu: 1) Dada a declaração de inconstitucionalidade do §1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, a base de cálculo do PIS é a prevista na LC nº 7, de 1970. 2) Diferença paga a maior é causa legítima para o pedido de restituição. 3) A alíquota incidente sobre a base de cálculo é a prescrita na Lei nº 9.718, de 1998, pois a inconstitucionalidade restringiuse ao art. 3º, §1º, da lei, não alcançando o art. 8º, cujo vício foi invocado apenas pelos Ministros Cezar Peluso e Celso de Melo. 4) Atualização monetária pelos índices adotados na jurisprudência consolidada do STJ. 5) A compensação é possível, desde que atendida exigência de prévia autorização da RFB em resposta a requerimento do contribuinte, conforme art. 73, caput, da Lei nº 9.430, de 1996, e art. 7º do DecretoLei nº 2.287, de 1986. 6) Expurgos inflacionários de julho a agosto de 1994 não são cabíveis. Verifico na petição inicial do mandado de segurança que a contribuinte solicitou a concessão de medida liminar para, relativamente ao período base de agosto de 2000 e subseqüentes, suspender a exigibilidade da contribuição para o PIS efetuada com base na Lei nº 9.718/98, ou seja, sobre as demais receitas que não as decorrentes da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, garantindo à impetrante o direito de recolhêla com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei nº 9.715/98; e, para o período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, que fosse resguardado o direito de proceder à compensação de valores indevidamente recolhidos com parcelas vincendas da mesma exação. Reproduzo trecho da Certidão de Objeto e Pé da ação: “OBJETO: Recolhimento da contribuição para o PIS, com a base de cálculo e alíquota previstas na Lei n°9.715/98, afastandose, via incidental, por inconstitucionais, os dispositivos da Lei . n° 9.718/98, bem como para resguardar o Fl. 660DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 13 12 direito da impetrante de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos no período de fevereiro de 1999 a julho de 2000, com parcelas vincendas da mesma exação, acrescidos da tam de juros do SELIC a partir de 1996, conforme determinado pela Lei n° 9.250, de 27.12.95, tendo o seguinte andamento: (..)” Logo, há concomitância com processo judicial em relação a todos os períodos autuados. Aplicase ao caso a Súmula CARF nº 1, verbis: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Duas matérias discutidas no recurso voluntário devem ser apreciadas, porque não são objeto do processo judicial: A primeira diz respeito à alegação da contribuinte de que pode adotar regime de tributação diferente para a contribuição para o PIS/Pasep em relação aos demais tributos tratados no art. 30 da MP nº215835, de 2001. Nesta matéria, sem razão a recorrente. Compartilho da interpretação do acórdão recorrido do art. 30, §1º, da MP nº 2.15835, de 2001, amparada na jurisprudência do CARF e na judicial: o regime de tributação adotado pela contribuinte deve ser único em relação aos tributos IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja geral, conforme o caput do artigo, seja, opcionalmente, de competência, conforme o parágrafo primeiro. Nesta questão, adoto as razões da decisão recorrida como fundamento deste voto. A segunda referese aos juros de mora. Diz o art. 161 do Código Tributário NacionalCTN: “Art. 161. 0 crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.” O art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que não sejam exigidas as multas de ofício e de mora. Juros não são penalidade, logo, não estão excluídos da exigência fiscal. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19515.000042/200591 Acórdão n.º 3801002.961 S3TE01 Fl. 14 13 A alegação de que a obtenção de liminar favorável antes da lavratura do auto de infração afastaria a exigência de juros de mora não pode ser acatada, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 5 assim enunciada: “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.” Pelo exposto, voto por não conhecer o recurso voluntário, na parte em que trata da exigência da contribuição para o PIS com base na Lei nº 9.718/98 sobre as receitas que não sejam decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços. Na parte conhecida, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 662DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 16/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA S ILVEIRA, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 15956.000397/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Ementa OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Tributa-se como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, bem assim as receitas escrituradas no livro Caixa e não oferecidas à tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE.
Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ((art. 135 e 124, I, do CTN).
Numero da decisão: 1301-001.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Meneses (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas e Roberto Massao Chinen.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Ementa OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, bem assim as receitas escrituradas no livro Caixa e não oferecidas à tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ((art. 135 e 124, I, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Valmar Fonseca de Meneses (Presidente). Participou do julgamento o Conselheiro Roberto Massao Chinen (Suplente Convocado). Presidiu o julgamento o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 03 97 /2 00 9- 64 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas e Roberto Massao Chinen. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15956.000397/200964 Acórdão n.º 1301001.459 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do SIMPLES, ou seja, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 73.734,80 (fl. 17), Contribuição para o PIS no valor de R$ 53.889,43 (fl. 27), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 74.951,96 (fl. 37), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 219.922,87 (fl. 47) e Contribuição para Seguridade Social (INSS) de R$ 633.748,42 (fl. 57), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário de R$ 2.234.392,19 (fl. 04), em virtude das seguintes irregularidades assim descritas no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais: 001 Omissão de receitas depósitos bancários não escriturados. A base de cálculo foi obtida nos extratos bancários do Banco Bradesco S/A através das operações com as denominações "deposito cheque/dinheiro", "liquidação de cobrança", "depósito em dinheiro", "depos transf autoat", e "depos cc autoat", não escriturados no livro caixa do ano calendário 2006, conforme descrito no Termo de Conclusão da Ação Fiscal (fls. 491 a 498). 002 Diferença de base de calculo A diferença de base de cálculo foi obtida através da subtração entre a receita de venda escriturada no livro caixa e a receita bruta declarada no PJSI2007 – ano calendário 2006, conforme descrito no Termo de Conclusão da Ação Fiscal (fls. 491 a 498). 003 Insuficiência de recolhimento Caracterizada através dos percentuais descritos no art. 5º da Lei n° 9.317/96, de acordo com os depósitos líquidos mensais dos extratos bancários descritos nas planilhas I, II e III do Termo de Conclusão da Ação Fiscal TCAF (fls. 491 a 498), aplicados na receita bruta declarada no PJSI2007, deduzidos dos valores recolhidos. O procedimento fiscal teve início em 16/03/2009 com a ciência do Termo de Início de fls. 85/86, por meio do qual foi a empresa intimada a apresentar, relativamente ao período de janeiro a dezembro de 2006, o Contrato/Estatuto Social e suas alterações; o Livro Diário e Razão, no caso de possuir escrituração na forma da legislação fiscal e comercial, ou o Livro Caixa. Exigiuse também, no caso de possuir, o Livro de Registro de Entradas, com as correspondentes notas fiscais; o Livro Registro de Saídas, com as correspondentes notas fiscais; o Livro Prestação de Serviços; o Livro Registro de Apuração do ISS; o Livro Registro de Apuração de ICMS; os Livros auxiliares da escrituração, caso adote a escrituração em partidas mensais, na forma da legislação fiscal e comercial; e o Livro Registro de Inventário. Em resposta, a empresa apresentou os documentos relacionados à fl. 87 e pediu o prazo de 20 dias para apresentação do Livro Caixa e do Livro de Apuração do ICMS. Fl. 717DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Posteriormente, conforme Termo de Devolução de Documentos TDD nº 001/2009 (fls. 243/246), foram devolvidos à contribuinte cópias das notas fiscais de saída, para que pudessem escriturar o Livro Caixa, tendo em vista que parte delas não havia sido escriturada. Ao analisar os documentos apresentados, a fiscalização constatou que, além da empresa não existir no domicilio fiscal constante no sistema da RFB, faltavam várias notas fiscais de saídas e que, entre as apresentadas, não seguiam uma ordem cronológica em suas emissões; que a receita bruta anual declarada na DSPJ 2007 no valor de R$ 78.334,31 (fls. 64 a 81) era menor que a lançada no LRS (R$ 198.393,30), e que as duas receitas anteriores individualmente eram menores que a somatória das notas fiscais de saída (R$ 225.056,21). De posse do Livro Caixa e dos extratos bancários do Banco Bradesco S/A (Agência 03921 Conta Corrente 287075) e do Banco Nossa Caixa S/A (Agência 01236 Conta Corrente 04.001.0763) apresentados pela contribuinte, a fiscalização efetuou a conciliação bancária das duas contas acima citadas, excluindose do total de entradas (créditos) as operações referentes a devolução de cheques depositados, débito de desconto de cheques e operação irregular de autoatendimento. Analisando os documentos, a fiscalização constatou a existência de erros de escrituração do Livro Caixa, conforme destacado no Termo de Constatação e Intimação Fiscal no 002/2009 (fls. 351/384) e no Termo de Constatação e Reintimação Fiscal nº 001/2009 (fls. 387/423), tais como créditos bancários (depósito em cheque, liquidação em cobrança, e outros) não lançados como receita no Livro Caixa; saídas (débitos) nos extratos bancários (devolução de cheques depositados e outros) não deduzidos do Livro Caixa. Em decorrência de intimação, a empresa apresentou o Livro Caixa reescriturado e os extratos bancário do Banco Bradesco S/A do período de 01/11/2006 a 31/12/2006 e, após conciliação bancária e comparação com os lançamentos no Livro Caixa reescriturado, somadas as constatações anteriormente descritas com este Livro, foram elaboradas as planilhas de fls. 498/508, com os devidos esclarecimentos a respeito da apuração da base de cálculo dos tributos e contribuições. A fiscalização atribuiu ao Sr. Francisco Rodrigues do Santos a responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado, com fulcro no art. 124, I, da Lei no 5.172/66 (CTN), pelas seguinte razões: Paralelamente a análise das informações financeiras/bancárias da fiscalizada, a fiscalização buscou também coletar informações, por amostragem, de alguns dos clientes da fiscalizada. A obtenção de informações tinha a intenção de identificar a ocorrência de outras práticas de sonegação que viessem a provar e tornar mais objetiva e contundente a prática de sonegação da fiscalizada. Em virtude disso foram selecionados alguns clientes da fiscalizada e estes foram intimados a apresentar os originais das notas fiscais e comprovantes de pagamento emitidas para a fiscalizada no período sob fiscalização. Cabe informar que a fiscalizada declarou, conforme Livro Registro de Saídas, ter efetuado vendas no valor total de R$ 225.056,21 ao longo do anocalendário de 2006. Como resultado das diligências, por amostragem, na proporção de 13 para 30 clientes, destacamos, com relação solidariedade passiva do Sr. Francisco Rodrigues dos Santos, que a diligência efetuada na empresa Frigorífico Suíba Ltda, CNPJ nº 05.676.719/000160 (fls. 465 a 478), foi respondido através de requerimento juntando as notas fiscais no 000036 e 000073, extrato de banco com a compensação dos cheques utilizados para Fl. 718DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15956.000397/200964 Acórdão n.º 1301001.459 S1C3T1 Fl. 13 5 o pagamento das referidas notas fiscais, e, dois recibos datados de 12/04/2009 dando quitação as notas fiscais acima citadas, e assinados pelo Sr. Francisco Rodrigues dos Santos. Em diligência especifica na empresa Francisco Rodrigues dos Santos Guariba EPP, localizada na rua Tufic José Abimussi, nº 0 Jardim Progresso, na cidade de Guariba / SP, intimamos o titular, o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos, para prestar informações / esclarecimentos. Em seu comparecimento nesta Delegacia, esclareceu: que é o efetivo proprietário da fiscalizada; que a fiscalizada existiu no endereço da rua Francisco Volch, no 563 em meados dos anos 2005 e 2006; que a movimentação financeira da fiscalizada é decorrente de troca de cheques e ausência de emissão de notas fiscais; que a fiscalizada foi constituída com o objetivo de ser a parte comercial encarregado das vendas e a empresa individual (em seu nome) a parte industrial encarregada de matar os animais; que os cheques emitidos pela fiscalizada, em algum momento, eram assinados por ele como procurador; que a fiscalizada não tinha organização, tendo em vista existirem vários talões de nota fiscal abertos ao mesmo tempo, motivo da sua irregular seqüência numérica e cronológica; que a fiscalizada utilizou em seu Livro Caixa despesas da empresa individual, tendo em vista aquela ter sido aberta para desconto de cheques; que a Sra. Michele Cristina Rodrigues dos Santos é a sócia de direto, e a empresa individual a fiadora; e que acha que possui procuração pública da fiscalizada, pois assinava cheques. Através do Oficio no 102/2009/DRF/RPO/SEFIS encaminhado ao titular do Tabelião de Notas e Protesto de Letras e Títulos solicitando cópia de procuração da fiscalizada ao Sr. Francisco Rodrigues dos Santos, respondeu juntando uma procuração pública com poderes de administração geral, inclusive para representar a fiscalizada em instituições financeiras (fls. 455 a 460). A sóciaadministradora Michele Cristina Rodrigues dos Santos foi empregada da empresa Francisco Rodrigues dos Santos Guariba EPP, da qual o Sr. Francisco é titular, no período de 01/04/2005 a 15/02/2008, dentre outros períodos anteriores, conforme relatório de vínculos do Cadastro Nacional de Informações Sócias CNIS (fls. 490), e que a relação familiar entre os dois é de pai e filha, conforme Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF anocalendário 2003 do Sr. Francisco constante dos sistemas da RFB. Com relação sócia administradora Jussiara Rodrigues Pereira, reside no endereço localizado a rua Francisco Volch, 563 Vila Amorim, na cidade de Guariba SP, mesmo endereço da Michele e do Sr. Francisco, conforme consta nos sistemas da RFB. O Sr. Francisco possui poderes de administrador (portador de procuração pública), declara em seu termo de esclarecimento informações pormenorizadas do funcionamento financeiro (emissão e desconto de cheques), econômico (utilização do livro caixa) e estrutural ("...existirem vários talões de nota fiscal abertos ao mesmo tempo,...") da fiscalizada, que, entendemos, presumese em interesse comum com a fiscalizada nos resultados econômicos dos fatos geradores da obrigação tributária principal, bem como do beneficio da lucratividade, que resulta na solidariedade de fato e estabelece a satisfação do tributo ou contribuição resultante. Desta forma, concluímos que o Sr. Francisco Rodrigues do Santos pertence ao grupo de sócios de fato da fiscalizada, constituindose em responsável solidário, conforme definido no art. 124, inc. I da Lei no 5.172/66 (CTN). Inconformada, a empresa ingressou com a impugnação de fls. 535/548 alegando, inicialmente, que foi desrespeitado o art. 2º, § 2º da Lei nº 9.317/96, pois, não pode ser considerada como receita bruta toda a movimentação financeira da fiscalizada, mesmo Fl. 719DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 porque toda movimentação financeira encontrada nas duas contas bancárias fiscalizadas não correspondem ao produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria ou resultado nas operações em conta alheia. Alegou que a partir de 28 de maio de 2009, não são mais devidas, pelas empresas tributadas pelo regime cumulativo, a tributação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre receitas não decorrentes da atividade da empresa, como por exemplo, as receitas financeiras, as decorrentes de aluguel de imóveis, quando essas atividades não fazem parte do objeto social da pessoa jurídica, dentre outras. Acrescentou que a questão em tela em face do bom senso a ser utilizado pela Receita Federal, deverá utilizarse do conceito de receita bruta e faturamento para tributar a empresa enquadrada no SIMPLES da mesma forma que anunciado pelo STF quanto ao PIS e COFINS. Quanto ao mérito alegou que muito embora exista um valor de R$ 9.172.495,77 referente à receita bruta, esta não deverá ser utilizada para apuração de base de calculo para incidência das alíquotas da EPP e acrescentou: Somente de cheques devolvidos encontramos a cifra de R$ 1.031.477,88 e referente a descontos comerciais um valor equivalente a R$ 3.826.091,55, portanto, a base de cálculo a ser utilizada deveria ser R$ 4.314.926,34, diferentemente do apurado pelo Sr. Fiscal (fls. 499/509). Portanto, fica impugnado a base de calculo utilizada pela Receita Federal em face da desconsideração dos cheques devolvidos e dos descontos comerciais, todos estampados nos extratos já juntados em fls. 271/342, 444/452, 343/344, uma vez que o valor apurável como base de cálculo para os tributos provenientes do SIMPLES federal não podem levar em consideração receita que não seja o efetivo FATURAMENTO da empresa, pois, de outra forma, estaríamos cobrando tributo de receita ou faturamento que na verdade nunca existiu. Os DESCONTOS COMERCIAIS referemse a descontos de cheques e duplicatas. Uma vez antecipado, não deve ser lançado na base de cálculo, sendo que o mesmo já foi informado em meses anteriores. (...) No caso concreto a empresa somente no mês de julho de 2006 é que atingiu o máximo do faturamento permitido, fato este que além dos 11,61% teve a esta um acréscimo de 0,54% de IRPJ, 0,54% de CSSL, 1,60% de COFINS, 0,38% de PIS, 4,60% de INSS e 3,95% de ICMS. (...) A empresa fiscalizada poderia ter se beneficiado dos parcelamentos, benefícios e descontos que poderiam chegar a 100% concedidos pela Lei 11.941/2009 caso a Receita Federal tivesse terminado o processo fiscalizatório dentro do prazo legal, o que não ocorreu, portanto, a fiscalizada foi prejudicada em face da demora que não deverá ser imputada a esta. Pelo prejuízo causado à fiscalizada deverá a Receita Federal conceder os benefícios autorizados pela Lei 11.941/2009 como forma de justiça. Com relação à solidariedade alegou o seguinte: Fl. 720DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15956.000397/200964 Acórdão n.º 1301001.459 S1C3T1 Fl. 14 7 No momento em que o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos (fls. 482/484) presta esclarecimentos, no item 1 e diz que de fato a empresa é dele, este esclarecimento se deve em função da procuração que tem para gerenciar os negócios da empresa, pois, como é pessoa de baixa instrução confunde a responsabilidade de fato com de direito, ou seja, quem responde fato e de direito pela fiscalizadas são as sócias integrantes do Contrato Social. Esclarece também que em algum momento assinou cheques da fiscalizada como procurador desta, porém, o fato de assinar cheques não justifica enquadrálo juridicamente de forma solidária pela movimentação da empresa Rodrigues. O fato de a fiscalizada descontar cheques também não deverá solidarizar o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos. No momento em que esclarece que quem responde oficialmente pela fiscalizada junto a bancos, clientes, fornecedores e outros é a Sra. Michele deixa claro que somente administrava a fiscalizada e, portanto, não merece responder solidariamente pelas autuações realizadas. De todo exposto, fica claro e evidente que a relação existente entre o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos e a empresa Rodrigues & Santos Distribuidora de Carnes Ltda. ME é pura e simplesmente um relação de gerenciamento que não se confunde com solidariedade, haja vista, que quando diz que a empresa de fato é sua está informando que o gerenciamento é seu, pois, a empresa que encontrase em seu nome é Francisco Rodrigues dos Santos ME, firma individual que não se confunde com a empresa Rodrigues. (...) O Sr. Francisco Rodrigues dos Santos não agiu com dolo ou culpa, haja vista que possuía uma procuração pública em que lhe dava poderes para administrar a empresa Rodrigues e, mais, nos termos do art. 265 do Código Civil, A SOLIDARIEDADE NÃO SE PRESUME, RESULTA DA LEI OU DA VONTADE DAS PARTES, portanto, a imputação de solidariedade ao Sr. Francisco juntamente com a fiscalizada esta veementemente IMPUGNADA, mesmo porque, o Sr. Fiscal não trouxe prova aos autos para demonstrar a solidariedade imputada. A DRJ/RIBEIRÃO PRETO (SP) decidiu a matéria por meio do Acórdão 14 41.616, de 26/04/2013, julgando improcedente a impugnação, com a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Tributase como omissão de receita os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, bem assim as receitas escrituradas no livro Caixa e não oferecidas à tributação. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos Fl. 721DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE. Os administradores, mandatários, prepostos e empregados são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, bem assim as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (art. 135 e 124, I, do CTN). É o relatório. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15956.000397/200964 Acórdão n.º 1301001.459 S1C3T1 Fl. 15 9 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário á tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Dos autos verificamse duas infrações imputadas à empresa ora recorrente. 001 Omissão de receitas depósitos bancários não escriturados (a diferença de base de cálculo foi obtida através da subtração entre a receita de venda escriturada no livro caixa e a receita bruta declarada no PJSI2007 – ano calendário 2006), e 002 Insuficiência de recolhimento (caracterizada através dos percentuais descritos no art. 5º da Lei n° 9.317/96). O recurso voluntário traz as mesmas argumentações iniciais (impugnação), a seguir sintetizadas: I Foi desrespeitado o art. 2o. parágrafo 2o. da Lei 9.317/96, pois, não pode ser considerada como receita bruta toda a movimentação financeira da fiscalizada, principalmente pela inconstitucionalidade do parágrafo 1o. do artigo 3o. da Lei 9.718/98 declarada pelo STF; II Com relação à solidariedade tributária atribuída ao Sr. Francisco Rodrigues dos Santos (fls. 482/484), repete as alegações de que a relação existente entre o mesmo e a empresa Rodrigues & Santos é pura e simplesmente uma relação de gerenciamento que não se confunde com solidariedade; III Com relação à base de calculo para apuração dos tributos alega, primeiro que por se tratar de omissão de receitas deverá ocorrer a inversão do ônus da prova e, segundo a base de cálculo deveria ser de R$ 4.314.926,34, pois não foram considerados os cheques devolvidos e os descontos comerciais, e IV Por último, alega prejuízo causado pela Receita Federal por não se contemplar dos benefícios da Lei 11.941/2009 (parcelamento) visto que os trabalhos da fiscalização se encerraram após o prazo da lei. Requer os benefícios. Pois bem. Quanto ao mérito, nada a acrescentar ao que já foi decidido pela autoridade julgadora a quo, senão vejamos. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Cabe, por melhor situar a matéria, reproduzir trechos do voto recorrido, com os quais concordo e adoto como razões de decidir: I Com relação à revogação do artigo 3o. , parágrafo 1o. da Lei 9.718, de 1998, a questão restou resolvida no julgamento precedente, nos seguintes termos “A contribuinte é optante pelo Simples que é um sistema que se constitui em uma forma simplificada e unificada de recolhimentos de tributos e contribuições, os quais são calculados mediante a aplicação de percentuais favorecidos e progressivos sobre a base de cálculo que é o seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/1998, e o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por esta a totalidade das receitas auferidas pela empresa, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, conforme dispõem os artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Ressalvada as exclusões (vendas canceladas e os descontos incondicionalmente concedidos), é vedado, para fins da determinação da receita bruta apurada mensalmente, procederse a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota incidente ou de tratamento tributário diferenciado, tais como, substituição tributária, diferimento, crédito presumido, redução de base de cálculo e isenção, aplicáveis às demais pessoas jurídicas não optantes pelo Simples (Lei nº 9.317 de 1996, art. 2º, § 2º e IN SRF nº 250/2002, art. 4º, §1º, e art. 19). Ademais, a própria contribuinte reconheceu que o seu entendimento aplicaria a partir de 28 de maio de 2009 e o caso aqui tratado referese ao anocalendário de 2006, portanto anterior a Lei nº 11.941 de 2009.” II Da solidariedade passiva Em relação à solidariedade passiva atribuída ao Sr. Francisco Rodrigues dos Santos a impugnante limitouse a alegar que, quem responde de fato e de direito pela fiscalizada são as sócias integrantes do Contrato Social; que o fato de assinar cheques não justifica enquadrálo juridicamente de forma solidária; que ficou claro e evidente que a relação existente entre o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos e a empresa Rodrigues & Santos Distribuidora de Carnes Ltda. ME é pura e simplesmente um relação de gerenciamento que não se confunde com solidariedade. Conforme Certidão de fls. 466/468, o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos tinha poderes quase ilimitados de administração da empresa. E, conforme foi apurado pela fiscalização, o Sr. Francisco exerceu os poderes que lhe foram atribuídos tais como assinar cheques, dar quitação, movimentar as contas da empresa, etc. Conforme Termo de Declarações e Esclarecimentos prestados pelo Sr. Francisco Rodrigues dos Santos (fls. 491/493, ele próprio declarou ser o efetivo proprietário da empresa e demonstrou não só conhecer os negócios da empresa fiscalizada mas também participar efetivamente dos negócios, ficando evidente que tinha interesse comum com a empresa fiscalizada nos resultados econômicos dos fatos geradores da obrigação tributária principal, bem como do beneficio da lucratividade. Diante disso, em conformidade com os fatos relatados e documentos juntados, é de se concluir que o Sr. Francisco Rodrigues dos Santos tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador dos tributos lançados e era responsável pelas obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dado o fato de que atuou efetivamente como sócio de fato da empresa com poderes ilimitados de administração. É indubitável que a falta de recolhimento do tributo devida à constatação de omissão Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 15956.000397/200964 Acórdão n.º 1301001.459 S1C3T1 Fl. 16 11 de receitas constitui, por si só, uma ilicitude, porquanto configura o descumprimento de um dever jurídico decorrente de leis tributárias. Portanto, seja em razão das disposições do art. 124, I, ou do art. 135, III, do CTN, e diante das evidências expostas no trabalho fiscal, está correto o procedimento no que diz respeito à identificação do Sr. Francisco Rodrigues dos Santos como responsável tributário solidário, uma vez que está patente que, legalmente, esse sócio estava no exercício da administração dos interesses da empresa autuada e agiu ao arrepio da lei, deixando de declarar suas receitas com o fim de recolher menos tributos, e, por isso, na qualidade de administrador era de sua responsabilidade cumprir os ditames da lei tributária. Em não agindo dessa forma, cometeu o ilícito. Também não há dúvida de que ele, por ter tido interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, é responsável solidária pelo crédito tributário, nos termos do art. 124, I, do CTN. III BASE DE CALCULO e IV BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009 Dos cheques devolvidos e dos descontos comerciais. A contribuinte insurgiuse contra a base de cálculo alegando que muito embora exista um valor de R$ 9.172.495,77 referente à receita bruta, haveria de deduzir os cheques devolvidos no total de R$ 1.031.477,88 e também os descontos comerciais no valor de R$ 3.826.091,55, todos estampados nos extratos já juntados às fls. 271/342, 444/452 e 343/344, sendo que os descontos comerciais referemse a descontos de cheques e duplicatas, os quais, uma vez antecipado, não deveria ser lançado na base de cálculo, pois o mesmo já fora informado em meses anteriores. Conforme consta do Relatório Fiscal, a fiscalização efetuou a conciliação das contas bancárias, excluindose do total de entradas (créditos) as operações referentes a devolução de cheques depositados, débito de desconto de cheques e operação irregular de auto atendimento. Ora, se outros valores deveriam ser excluídos, deveria a contribuinte não apenas relacionar individualmente os valores mas também demonstrar que tais valores não deveriam fazer parte da base de cálculo, seja em razão de tratarse de cheques devolvidos, seja em razão de estar sendo computado em duplicidade. No caso, nada disso foi apresentado, limitandose a contribuinte a informar os totais mensais que, no seu entendimento, deveriam ser excluídos. Assim, por ausência de comprovação de suas alegações, deve ser mantida a base de cálculo dos tributos e contribuições apurada pela fiscalização. Da insuficiência de recolhimento. Em razão da mudança de faixa de receita bruta acumulada, provocada pela constatação de omissão de receita, os valores declarados pela contribuinte sofreram mudanças de alíquotas, gerando insuficiência de recolhimento, sendo, portanto, exigidas de ofício. Observese que os valores declarados como devidos foram considerados na apuração. Apesar de não constar na peça impugnatória contestação expressa quanto à essa infração, é de se considerála implicitamente impugnada, uma vez que a exigência é conseqüência da infração referente à omissão de receita, e caso esta fosse considerada improcedente, aquela também o seria. Entretanto, como a decisão Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 foi pela procedência do lançamento por omissão de receitas, impõese a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. Quanto ao pleito da contribuinte em ter os benefícios de parcelamento autorizados pela Lei n° 11.941/2009, tratase de matéria que foge da competência das Delegacia de Julgamento. Concluindo, restou provado que a contribuinte apresentou a declaração de IRPJ/2007 (AC/2006) registrando a receita bruta no valor de R$ 78.334,31, enquanto consta registrado no Livro de Registro de Saídas o valor de R$ 198.393,30; todavia, a somatória das notas fiscais de saídas totaliza R$ 225.056,21. Verificase, de plano, que todas as alegações do contribuinte são insubsistentes, pois, nos autos de infração foram observadas rigorosamente as disposições da Lei 9.317/1996, especialmente no que concerne aos percentuais aplicados sobre as receitas consideradas pela autoridade fiscal. Assevero que à luz da presunção legal veiculada no art. 42 da Lei 9.430/1996 toda receita omitida deve ser tratada como receita operacional, logo, a tributação é exatamente a mesma que a contribuinte sofreria na sistemática do Simples Federal, caso tivesse escriturado no Livro Caixa todas as suas receitas nos exatos termos das notas fiscais emitidas. Além do mais por se tratar de presunção legal, na omissão de receita, (depósitos bancários não comprovados), ocorre a inversão do ônus da prova. No caso, a afirmação do Sr. Francisco Rodrigues dos Santos de que os créditos em conta bancária da fiscalizada não serem provenientes de sua atividade comercial não elide a prova (Termo de Declaração e Esclarecimentos de fls.480/485). LANÇAMENTO REFLEXO. CSLLS/IMPLES, COFINS/SIMPLES, PIS/SIMPLES e CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSS/SIMPLES. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ/Simples), devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 08/10/2014 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10630.720280/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. ARL - ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE
A falta de averbação da ARL - Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 11/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARL ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. IMPRESCINDIBILIDADE A falta de averbação da ARL Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora EDITADO EM: 11/11/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 63 0. 72 02 80 /2 00 7- 98 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de exigência de ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa ao imóvel rural denominado “Fazenda Guanabara”, no Município de Medina/MG. Em sessão plenária de 28/07/2010, foi julgado o Recurso Voluntário nº 343.536, prolatandose o Acórdão nº 210200.732 (fls. 249 a 254), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 1TR. EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ADA. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A despeito de ser obrigatória desde o exercício 2001 a apresentação do ADA ao Ibama corno condição para a exclusão das áreas de reserva legal e preservação permanente para fins de tributação pelo ITR, a lei não estabelece um prazo para a sua apresentação. Assim, não pode este prazo ser estipulado em Instrução Normativa, restringindo um direito do contribuinte. ITR. CALAMIDADE PÚBLICA. GRAU DE UTILIZAÇÃO. Nos termos do art.10, §6° da Lei n° 9.393196, deve ser considerada para fins de cálculo do ITR como efetivamente utilizada a área do imóvel que comprovadamente esteja situada em área de ocorrência de calamidade pública decretada pelo Poder Público, e desde que da calamidade resulte frustração de safras ou destruição de pastagens. Não havendo nos autos qualquer prova de que a calamidade tenha afetado a propriedade do contribuinte, não há como se considerar a sua propriedade como sendo 100% aproveitada. ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO DA ÁREA NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. A averbação cartorária da área de reserva legal é condição imperativa para fruição da benesse em face do ITR. Recurso provido em parte.” A decisão foi assim registrada: Fl. 349DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10630.720280/200798 Acórdão n.º 9202003.464 CSRFT2 Fl. 6 3 “ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reconhecer a existência da área de 300,00 ha de reserva legal na propriedade auditada. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora) que dava provimento em maior extensão para considerar a área de reserva legal de 936,6 ha. O Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos acompanhou a Relatora no que diz respeito à calamidade pública pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Braga Rios, OABMG nº 77.838. Cientificada do acórdão em 12/11/2010 (fls. 255), a Fazenda Nacional opôs, em 15/11/2010 (fls. 258), os Embargos de Declaração de fls. 258/259, prolatandose o Acórdão de Embargos nº 2102002.264, de 15/08/2012 (fls. 262/263) assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constatado que os fundamentos do acórdão embargado foram expostos com contradição, cabe conhecer dos embargos com a finalidade de esclarecer onde necessário. Embargos Acolhidos” A decisão foi assim resumida: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos pela contradição, rerratificando o Acórdão no 210200.732, com o efeito infringente de alteração do dispositivo como segue: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (Relatora) que dava provimento para considerar a área de reserva legal de 963,6 ha. O Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos acompanhou a Relatora no que diz respeito à calamidade pública pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo Braga Rios, OAB/MG nº 77.838.” Em síntese, a decisão de Primeira Instância acatou a área de 300,00 hectares, averbada tempestivamente, remanescendo a glosa de 663,6 hectares, o que foi mantido no acórdão recorrido. Cientificado do acórdão em 23/01/2013 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 270), o Contribuinte interpôs, em 04/02/2013, o Recurso Especial de fls. 271 a 305, visando rediscutir a necessidade de averbação da Área de Reserva Legal – ARL. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o despacho s/n de 08/05/2013 (fls. 308). Fl. 350DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 No apelo, o Contribuinte alega, em síntese, a desnecessidade de averbação da ARL – Área de Reserva Legal, para que seja excluída da tributação do ITR, podendo dita área ser comprovada por meio de laudo técnico. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 18/09/2013 (fls. 309), a Fazenda Nacional ofereceu, em 19/09/2013 (fls. 311), as Contrarrazões de fls. 312 a 317, em que pede que se negue provimento ao Recurso Especial, mantendose a decisão do acórdão recorrido. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de glosa da ARL – Área de Reserva Legal no total de 963,6 hectares, relativamente ao ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2005. A decisão de Primeira Instância acatou a área de 300,00 hectares, averbada tempestivamente, remanescendo a glosa de 663,6 hectares, o que foi mantido no acórdão recorrido. Por outro lado, em sede de Recurso Especial o Contribuinte pede que seja acatada a área de 1.590,28 hectares, conforme Laudo Técnico de fls. 148. De plano, esclareçase ser incabível o reconhecimento de Área de Reserva Legal – ARL superior ao quantitativo declarado, o que demandaria a apresentação de DITR Retificadora, à época própria. Quanto à ARL – Área de Reserva Legal, no entender desta Conselheira há um requisito específico para a sua exclusão da tributação do ITR, qual seja, a averbação tempestiva no registro de imóveis competente. Tal obrigação encontra amparo na Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 1989. Destarte, ao fazer referência à Lei Ambiental, a Lei nº 9.393, de 1996, na verdade condiciona a exclusão da tributação da ARL – Área de Reserva Legal à averbação tempestiva no respectivo registro de imóveis. Assim, a Lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal), com as alterações da Lei nº 7.803, de 1989, determinava a averbação da ARL Área de Reserva Legal, conforme a seguir: “Art. 16 (...) § 2.º A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área”. (grifei) Entretanto, no caso em apreço, no que tange à parte da ARL – Área de Reserva Legal declarada, cuja glosa foi mantida, no total de 663,6 hectares, não foi providenciada a necessária averbação, o que inviabiliza a sua exclusão da tributação do ITR. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10630.720280/200798 Acórdão n.º 9202003.464 CSRFT2 Fl. 7 5 Muito menos seria cabível o reconhecimento de ARL que, além de não ter sido averbada, sequer fora declarada pelo Contribuinte. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 352DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.004278/2007-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2002,2003,2004,2005,2006
NULIDADE. FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA.
O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração.
Numero da decisão: 1803-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO. AGENTE COMPETENTE. INOCORRÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário, relativo a tributos e contribuições administrados pela SRF, realizando o lançamento, nos termos do art. 142 do CTN, mediante a lavratura de auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 78 /2 00 7- 69 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 3 2 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa CEAZZA DISTRIBUIDORA DE FRUTAS, LEGUMES E VERDURAS LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJ/FOR) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito. 2. De acordo com a descrição dos fatos, a fiscalização apurou diferenças no Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) entre os valores escriturados no razão contábil, os valores declarados em DCTF e os recolhimentos efetuados pelo contribuinte. 3. A fiscalização elaborou “demonstrativo de diferenças apuradas” onde são confrontadas os valores escriturados, os declarados em DCTF e os valores recolhidos, resultando ao final diferenças nos meses abaixo relacionados tanto para o IRPJ quanto para o CSLL nas competências 12/2002, 12/2003, 12/2004, 12/2005 e 12/2006. 4. Uma segunda intimação, em 17/12/2007, solicitou ao contribuinte esclarecimentos referente as diferenças constantes no citado demonstrativo. No entanto, o contribuinte não trouxe aos autos, nenhuma justificativa para as diferenças encontradas pela fiscalização. 5. Após devidamente intimado do lançamento em 31/12/2007 o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 95/127. No entanto a Delegacia da Receita manteve o lançamento, o acórdão restou ementado nos seguintes termos: “Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Incabível cogitar sobre nulidade do Auto de Infração, se o lançamento foi efetuado com observância dos pressupostos legais. ASSINATURA DO CHEFE DO ORGÃO EXPEDIDOR DO AUTO DE INFRAÇÃO. DESCABIMENTO. No caso de Auto de Infração, não ha a exigência da assinatura do chefe do órgão expedidor. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES DO ATO ADMINISTRATIVO. Não cabe invocar a teoria dos motivos determinantes do ato administrativo, eis que o motivo determinante do lançamento, consistente na diferença apurada entre o valor escriturado e declarado/pago, não se revela falso, inexistente, nem incorretamente qualificado pela autoridade fiscal autuante. o auto de infração ostenta todos os requisitos básicos, notadamente a motivação, elemento fundamental do ato administrativo vinculado. PROCESSOS FORMALIZADOS NA MESMA DATA. DUPLICIDADE DE LANÇAMENTO. Não tem fundamento a alegação sobre duplicidade de lançamento, uma vez que este processo trata de lançamento relativo a diferenças constatadas entre os valores de IRPJ e CSLL escriturados e declarados e/ou pagos, enquanto os demais processos formalizados na mesma data versam sobre tributos de outras espécies ou de matéria totalmente alheia à tratada nestes autos. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 4 3 CERCEAMENTO DE DEFESA. VISTA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. DEMORA NA SUA DISPONIBILIZAÇÃO. Não há que se falar em cerceamento de defesa, quando a autuação foi baseada em livros contábeis apresentados pelo próprio contribuinte e a este foi fornecida cópia dos autos de infração, termos e demonstrativos elaborados pelo fisco, com todos os detalhes referentes à apuração do crédito tributário. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal não prescreve prazo para vista do processo e eventual demora no atendimento, que, no caso, sequer ficou cabalmente demonstrado, não traz consequências processuais. PRODUÇÃO DE PROVAS. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 40 do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete própria interessada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ • Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. A falta ou insuficiência de declaração e de recolhimento dos débitos apurados com base na escrituração do sujeito passivo enseja o lançamento de oficio. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFICIO Nos casos de lançamento de oficio, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de oficio ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DIFERENÇA ENTRE VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS. A falta ou insuficiência de declaração e de recolhimento dos débitos apurados corn base na escrituração do sujeito passivo enseja o lançamento de oficio. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de constitucionalidade ou legalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário; não cabe à Administração proceder a tal exame a fim de afastar a aplicação de lei corretamente inserida no ordenamento. MULTA DE OFÍCIO Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 5 4 Nos casos de lançamento de oficio, em que se verificou declaração inexata e falta de pagamento, é exigível multa de oficio ao percentual de 75%, por expressa determinação legal. JUROS DE MORA. SELIC. Sobre o crédito tributário que deixou de ser recolhido na data do vencimento, são exigidos juros de mora com base na taxa SELIC, calculados até a data do efetivo pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (f. 156/158) 6. Em sede recursal, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 179/200) no qual pleiteia em síntese: a) Preliminarmente busca a nulidade do auto de infração sob os seguintes argumentos: a. por entender que o auto de infração foi lavrado por pessoa incompetente, tendo em vista que este foi assinado pelo auditor fiscal da receita e não pelo Delegado da Receita Federal de Fiscalização em São Paulo; b. o auditor fiscal possuía fundamentação para fiscalizar a recorrente relativamente ao ano calendário de 2003, no entanto, não apresentou motivo para fiscalizar o período de 2002 a 2006; c. cerceamento de defesa do contribuinte pois faltam elementos comprobatórios das irregularidades apontadas pelo Fisco o que, de certo modo, implicou em uma inversão do ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que não cometeu a infração; d. violação ao princípio constitucional da razoável duração do processo, tendo em vista que entre o protocolo da defesa e a intimação da decisão decorreram mais de cinco anos. Assim, diante da patente violação ao princípio da celeridade, da segurança jurídica e da razoabilidade, sustenta que o presente auto de infração deve ser extinto tendo como fundamento o instituto da prescrição intercorrente; e. o auto de infração está eivado de vício formal, pois não há a clara e exata indicação do dispositivo legal supostamente infringido; f. houve bis in idem na lavratura do auto de infração, pois o contribuinte foi autuado várias vezes pelo mesmo objeto, por falta de previsão legal que permita tal ocorrência; b) No mérito, eis os argumentos recursais: a. Deve ser cancelado o auto de infração pois o fisco agiu precipitadamente, tendo em vista que antes mesmo de expirar o Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 6 5 prazo para apresentar as justificativas, a autoridade fiscal já solicitou a formalização do processo administrativo objetivando a lavratura do auto de infração; b. Sustenta que as diferenças apontadas pela fiscalização não existem. Tratamse de movimentações financeiras da empresa não consideradas pela fiscalização; c. Considera incorreta a base de cálculo do IRPJ e CSLL, pois o Fisco não aguardou a recorrente apresentar as justificativas das supostas diferenças apuradas e não provou durante todo o processo administrativo, que as supostas diferenças constituem fato gerador de tributo; d. Não houve declaração inexata, posto que não se justifica a aplicação da multa; e. Por fim, não reconhece a ocorrência do fato gerador do tributo, tampouco a, consequente, obrigação acessória correlata. 7. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Artur José André Neto, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento. DA ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA NULIDADE – INCOMPETÊNCIA 2. A recorrente alega a nulidade do lançamento na medida em que teria sido desrespeitado o art. 11 do Decreto n° 70.235/1972, quando de sua formalização. Sustenta que, não tendo sido o auto de infração lavrado pelo chefe do órgão expedidor ou outro servidor autorizado, o lançamento é nulo, nos termos do art. 59 do mesmo diploma. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 7 6 3. No entanto, não merece razão a recorrente, pois o artigo 11 do Decreto nº 70.235/1972, trata da notificação de lançamento que é uma das formas de exigir o crédito tributário de ofício, ao lado do auto de infração, conforme dispõe o art. 9º do mesmo decreto. 4. Ocorre que o lançamento sob exame foi realizado por meio de auto de infração, cujos requisitos estão fixados no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972. O dispositivo citado estabelece que o auto de infração deve ser lavrado por servidor competente. 5. Ademais, assim também disciplina o Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Da Competência para Efetuar Lançamento Art. 31 . O lançamento de ofício do crédito tributário compete: I a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração (Decreto n o 70.235, de 1972, arts. 7 o e 10; Lei n o 10.593, de 6 de dezembro de 2002, arts. 5 o e 6 o , com a redação dada pela Lei n o 11.457, de 2007 , art. 9 o ); ou II ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento (Decreto n o 70.235, de 1972, art. 11; Lei n o 10.593, de 2002, art. 6 o ). Nesse mesmo sentido, tem decidido esse conselho, in verbis: “CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 COFINS. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. AUDITOR DA RECEITA FEDERAL. COMPENSAÇÃO REALIZADA COM BASE EM DECISÃO JUDICIAL INEXISTENTE. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. E competente para a lavratura do auto de infração, nos termos do art. 142 do CTN e art. 2º, I, a, do Decreto n° 6.641/08, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. A compensação realizada com base em decisão judicial inexistente está sujeita a lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado. (Ac. 3801 000.377. 1ª Turma especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF. data do julgamento 16/3/10). NULIDADE – TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES 6. Segundo a recorrente o auditor fiscal possuía fundamentação para fiscalizar a recorrente relativamente ao ano calendário de 2003, no entanto, não apresentou motivo para fiscalizar o período de 2002 a 2006. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 8 7 7. Afasto também esse argumento de nulidade. Isso porque o procedimento em epígrafe, resta autorizado pela Portaria da Secretaria da receita Federal do brasil nº 6.087/2005, art. 7º, § 1º, que há época da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) estava em vigência. 8. Tal dispositivo autoriza as chamadas “verificações obrigatórias” relativas à correspondência entre os valores declarados eos apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos e contribuições administrados pela SRF, cujos fatos geradores tenham ocorrido nos cinco anos que antecedem a emissão do MPF e no período de regência. NULIDADE – CERCEAMENTO DE DEFESA, RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO, VÍCIO FORMAL 9. Como bem destaca a DRJ, a autuação segue os parâmetros legais de lançamento. Em comum, de fato, há somente o período de apuração, sendo que cada processo protocolizado referese a tributos e condutas distintas do contribuinte, 19515.004277/200714 – IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e COFINS; 19515.004276/200770 – apuração de diferenças entre os valores de PIS escriturados e os declarados/pagos em DCTF (anoscalendário de 2003 e 2004); 19515.004278/200769 – apuração de diferenças entre os valores de IRPJ c CSLL escriturados e os declarados/pagos em DCTF; assim também ocorre com o processo n. 19515.004277/2007 14 que versa sobre diversa desses autos. 10. Quanto a alegação e bis in idem, a simples leitura dos artigos 9º, 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972 (PAF), legitima a conduta da autoridade fiscal, uma vez que o lançamento do crédito tributário darseá em autos de infração ou notificação de lançamento distintos por (i) imposto, (ii) contribuição ou penalidade, in verbis: Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com Iodos os lermos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748. de 1993) 11. Dessa forma, resta claro que o procedimento fiscal está de acordo com o determinado pela legislação e regência. 12. De igual modo, não procede a alegação de cerceamento de defesa, tendo em vista que a fiscalização promoveu o devido enquadramento da conduta da recorrente, fundamentando o lançamento e fornecendo ao contribuinte cópia detalhada de todo o procedimento fiscal, desde a apuração até a consolidação do montante devido. Diante disso, estava a recorrente de posse de todos os fundamentos da autuação, bem como lhe foi oportunizado apresentar documentos de sua própria contabilidade para embasar a apuração do tributo. Pelos mesmos motivos afasto também a arguição de vício formal por ausência de indicação clara e exata do dispositivo legal infringido, tendo em vista que estes constam devidamente identificados no relatório da autuação fiscal. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 9 8 13. Afastase, inclusive os argumentos de nulidade relacionados ao prazo de duração do processo, nada trouxe aos autos para comprovar que o princípio da razoável duração do processo foi maculado. De todo modo, a legislação não estabelece prazo para que seja concluído o procedimento fiscal. 14. Além desses argumentos, a recorrente ainda insiste na nulidade do processo, fundamentado que o auditor fiscal antes de expirar o prazo dado na intimação, solicitou a formalização do processo administrativo. No entanto, inócuo tal argumento, na medida em que a efetiva lavratura do auto de infração só ocorrem em 31/12/2007, ou seja, mais de dez dias depois do termino do prazo para apresentação de informações. 15. Por fim, ressaltese que nenhum dos argumentos amoldase às hipóteses que a legislação elenca como vícios hábeis a caracterizar a nulidade do processo. Estas elencadas no art. 59 do Decreto Federal n 70.235/1972, quais sejam: são nulos (i) os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (ii) os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por tais razões, afasto a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. DO MÉRITO 16. Sustenta que as diferenças apontadas pela fiscalização não existem. Tratamse de movimentações financeiras da empresa não consideradas pela fiscalização. 17. Para a recorrente, a fiscalização sequer comprovou o acréscimo patrimonial ou gastos incompatíveis com os rendimentos declarados que levassem à convicção de ocorrência do fato gerador. 18. O auto de infração foi lavrado após a identificação de diferenças entre os valores de IRPJ e CSLL, apuradas mediante análise de documentos fornecidos pela própria recorrente e a comparação com os valores declarados em DCTF, conforme termo de verificação fiscal, fls. 56/58. 19. Confunde a recorrente o motivo da lavratura do auto de infração com a identificação de omissão de receitas, essa conduta caracterizase por deixar de computar acréscimos tributáveis no resultado do período, ou seja, é omitirse em contabilizar receita ganha, isto é, obtida de modo definitivo e intencional. Esse caso de autuação, ao contrário do caso em análise, requer, na prática, a produção de prova pela fiscalização, que tem o dever de demonstrar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A fiscalização deve apresentar provas robustas sobre a natureza da eventual receita omitida. 20. Portanto, não merece razão o acolhimento das razões recursais nesse ponto, visto que, evidentemente inaceitável o argumento de inexistência de diferenças apurados pela fiscalização, da mesma forma, inquestionável a base de cálculo do tributo, pois esta foi consolidada com base em valores escriturados no livro razão analítico da recorrente. Ressalte se que procedeu de maneira correta o fisco ao lavra o presente auto de infração, quando, mesmo devidamente intimada, a ora recorrente, eximiuse de apresentar esclarecimentos comprovados a respeito da conduta evidenciada. 21. Das mesma forma, que não se pode acolher a alegação de que o Fisco não aguardou a recorrente apresentar as justificativas das supostas diferenças apuradas, pois ela foi Fl. 213DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.004278/200769 Acórdão n.º 1803002.208 S1TE03 Fl. 10 9 devidamente intimada a se manifestar, mas assim não o fez. Tampouco merece guarida a falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, pelos motivos já esposados supra. DA MULTA 22. Estabelece o art. 44, inciso I, da Lei n. 9.430/1996 que nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de: (i) falta de pagamento ou recolhimento; (ii) pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e, (iii) falta de declaração e nos (iv) de declaração inexata. 23. Assim, em casos de lançamento de ofício, devese obrigatoriamente aplicar a penalidade mencionada, correspondente a 75% sobre o valor do tributo. Correta a aplicação da multa. CONCLUSÃO 24. Diante do exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Artur José André Neto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 03/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 15758.000046/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.364
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para o Fisco esclareça se a decisão que cancelou a isenção patronal das contribuições previdenciárias da recorrente é definitiva.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para o Fisco esclareça se a decisão que cancelou a isenção patronal das contribuições previdenciárias da recorrente é definitiva. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leonardo Henrique Pires Lopes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 57 58 .0 00 04 6/ 20 10 -2 3 Fl. 507DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15758.000046/201023 Resolução nº 2302000.364 S2C3T2 Fl. 507 2 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado em 22/03/2010 e cientificado ao sujeito passivo em 24/03/2010, referese às contribuições previdenciárias patronais e às relativas ao SAT, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de 01/2006 a 12/2007. O Relatório Fiscal de fls. 42/48, diz que a entidade teve cancelada a isenção patronal das contribuições previdenciárias através do Ato Cancelatório n.º 21434/003/2005, por não atender aos requisitos constantes dos incisos IV e V do artigo 55, da Lei n.º 8.212/91. a entidade apresentou recurso contra o cancelamento objeto do Processo Administrativo Fiscal 35431.000542/200518, que se encontra pendente de julgamento no CARF. Aduz o relatório que o auto de infração foi emitido com suspensão da exigibilidade, apenas para prevenir a decadência. Após impugnação, Acórdão de fls. 389/397, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) a nulidade do auto de infração pela violação do Decreto n.º 70.235/72, porque não trouxe a disposição legal infringida nem a penalidade aplicada; b) que a Lei 12101/2009, dispõe que somente no caso de descumprimento do seu artigo 32 é que será lavrado o auto de infração, o que não ocorreu; c) no período de 01/2006 a 12/2007 o agente fiscal não tomou como base qualquer infração legal, pautando as infrações apenas no período de 01/1997 a 12/2003; d) que não descumpriu os requisitos para ser isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias; e) que possui CEBAS em todo o período; f) que não remunera diretor; g) que aplica suas rendas nas suas finalidades, o que é confirmado por sua escrituração contábil; h) que há uma diferença de R$ 974,99, na base levantada e que desde a impugnação solicitou perícia para dirimir a dúvida; i) que os valores lançados não se coadunam com a folha e o auditor não provou o seu levantamento; Fl. 508DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15758.000046/201023 Resolução nº 2302000.364 S2C3T2 Fl. 508 3 j) que está amparada no instituto da isenção; k) que preenche todos os requisitos para o gozo da isenção e não está obrigada ao recolhimento das exações lançadas, sendo indevidos os juros de mora; l) que os juros devem ser limitados a 12% ao ano; m) requer a realização de perícia e nomeia seu perito; n) requer a anulação do auto de infração, ou que os juros não ultrapasse 1% ao mês e a supressão dos valores objeto da majoração da base de cálculo. É o relatório. Voto O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade devendo ser conhecido. Entretanto, é de se observar que o lançamento se refere às contribuições devidas pela perda da isenção que a recorrente gozava, através da emissão de Ato Cancelatório. Na peça recursal os argumentos da autuada versam apenas sobre a perda da isenção, cujo Ato que cassou o benefício, ainda não teria decisão administrativa definitiva, estando pendente de recurso junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como não consta dos autos informação do Fisco acerca do trânsito em julgado do recurso interposto quanto ao Ato Cancelatório, entendo que não é possível prosseguir com o julgamento sem a informação concreta sobre a situação de fato existente. Neste lançamento estão sendo cobradas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, em virtude da cassação da imunidade usufruída pela entidade. Ocorre que este assunto já tem que estar resolvido na área administrativa para que se possa julgar o mérito do auto de infração de obrigação principal, porque não cabe aqui tecer ainda considerações a cerca do descumprimento dos requisitos essenciais para a manutenção do benefício legal Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que o Fisco esclareça se a decisão que cancelou a isenção patronal das contribuições previdenciárias da recorrente é definitiva. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 509DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/11/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.007945/2006-13
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE.
A utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR, é obrigatória.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.698
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Carlos César Quadros Pierre que davam provimento parcial ao recurso para restabelecer área de reserva legal de 56,69 ha. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR, é obrigatória. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobram-se juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Carlos César Quadros Pierre que davam provimento parcial ao recurso para restabelecer área de reserva legal de 56,69 ha. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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INOCORRÊNCIA. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do lançamento. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. APRESENTAÇÃO DE ADA. NECESSIDADE. A utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR, é obrigatória. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora e multa de ofício pelos percentuais legalmente determinados. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Tânia Mara Paschoalin (Relatora) e Carlos César Quadros Pierre que davam provimento parcial ao recurso para restabelecer área de reserva legal de 56,69 ha. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 79 45 /2 00 6- 13 Fl. 146DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 147 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/CGE/MS. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: 1. Trata o presente processo de Auto de Infração/Anexos, fls. 01, 76/83, através do qual se exige do interessado, o Imposto Territorial Rural ITR, relativo ao exercício de 2002, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 9.361,35, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Álamos", com NIRF Número do Imóvel na Receita Federal 1.635.8201, localizado no município da Lapa/PR. 2. Constou na descrição dos fatos fls. 80/82, que, analisada a documentação apresentada pelo contribuinte ficou constatado que a área total do imóvel era menor que a declarada, por isso ela foi alterada de 1.005,2 ha para 992,4 ha; o contribuinte foi alertado em 2004, pela fiscalização que, o imóvel declarado possui áreas de fração ideal e áreas de titularidade de terceiros, que não são consideradas confrontantes com as dos documentos apresentados; que ficou comprovada da consulta efetuada na base fornecida pelo Ibama que as áreas de preservação permanente e reserva legal indicadas, no ADA, eram 22,9 ha e 152,8 ha, respectivamente; que a área ocupada com benfeitorias com base na documentação apresentada foi alterada para 22,0 ha; que a área utilizada com produtos vegetais foi retificada para 581,6 ha, com base no laudo apresentado; que o valor da terra nua foi ajustado de forma proporcional de R$ 830.586,76 para R$ 820.010,25, o mesmo ocorrendo com o valor total do imóvel. 3. O interessado apresentou impugnação, fls. 86/90, onde, argumenta, em síntese que: 3.1 O fiscal autuante efetuou os ajustes na DITR com base no ADA, considerando como preservação permanente 22,9 ha e reserva legal 152,8 ha; Fl. 147DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 148 3 3.2 A medida fiscal é resultante de equívoco interpretativo do Fisco, devendo os fatos ser ponderados para determinação do ITR devido; 3.3 O Decreto n° 4.382, base legal para a exigência do ADA, contraria o estabelecido na Medida Provisória 2.16667, que alterou o Código Florestal Brasileiro; 3.4 O Ibama não tem competência para estabelecer normas de tributação de ITR; 3.5 O STJ se posiciona no sentido da não obrigatoriedade de apresentação do ADA, com fulcro no art. 7° da Lei 9.393/96 e no art. 106 do Código Tributário Nacional; 3.6 Transcreveu ementas de vários julgados do STJ; 3.7 Por último, requer cancelamento do crédito tributário, uma vez que não foram consideradas as áreas de preservação permanente de 185,1 ha e reserva legal de 209,4 ha; 3.8 Requer, ainda, produção de provas em direito admitidas, notadamente pela prova documental, testemunhal, pericial e outras que se façam necessárias. 4. Instruiu a impugnação com a cópia do documento de fls. 91/98. O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 104/113, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 PEDIDO DE PERÍCIA Há de ser indeferido o pedido de perícia que visa, unicamente, levantar provas a favor do contribuinte, as quais poderiam ser produzidas por ele, por outros meios. TRIBUTAÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. RESERVA LEGAL. Deve ser mantida para efeito de tributação a glosa relativa às áreas de preservação permanente e reserva legal no quantum apurado pela fiscalização, quando não restar comprovado, nos autos, os argumentos da impugnação. JUROS DE MORA. DA MULTA LANÇADA É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação c Custódia (Selic), e da multa de ofício por expressa previsão legal. Lançamento Procedente Fl. 148DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 149 4 Regularmente cientificado daquele acórdão em 13/08/2008 (fl. 117), o Interessado interpôs recurso voluntário de fls. 118/142, em 11/09/2008. Em sua defesa, requer: a) O conhecimento e provimento do Recurso Voluntário; b) A decretação da nulidade do Lançamento, considerandose a incompetência do agente fiscal para emissão de juízos de valor em matéria ambiental; c) Seja o lançamento julgado improcedente, por todo o exposto; d) Seja o Laudo Técnico juntado acolhido em todos os seus termos; e) Sejam as áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal retificadas, passando a representar 185,15 hectares e 209,49 hectares, respectivamente, conforme Laudo Técnico. f) A não incidência de Juros de Mora e Multa, nos temos expostos. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Quanto à suscitada nulidade do auto de infração, essa não merece acolhida, uma vez que a competência do auditor fiscal para proceder à fiscalização e formalizar o lançamento de tributos e contribuições administrados pela SRF é atribuída por lei. Portanto, cumpre ao auditor fiscal verificar se o Contribuinte logrou apresentar a documentação exigida pela legislação de regência para fruir dos isentivos tributários concernentes ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. No que tange à exclusão das áreas de preservação permanente e de utilização limitada (onde se encontra também a área de reserva legal) da incidência do ITR, há que se esclarecer que a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17 O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, em seu art. 9o, §3o, inciso I , determinava a entrega no prazo Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 150 5 de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. Entretanto, como a lei não fixou prazo para a apresentação do documento, muitos passaram a defender não ser possível se admitir que isso fosse feito por atos infralegais. Após longos debates, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal, desde que as áreas deduzidas fossem devidamente comprovadas com documentação complementar. Veja se, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Ou seja, o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 151 6 ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, consoante entendimento dominante da CSRF, aceito a apresentação intempestiva do ADA ou da comunicação da existência da áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. No caso, a fiscalização levou a efeito para fins de reconhecimento das áreas isentas o ADA, apresentado em 19/06/1998, que registra 152,8 ha de área de reserva legal e 22,9 ha de área de preservação permanente. Pelo que dos autos consta, não houve apresentação de outro ADA pelo Contribuinte posteriormente. O Recorrente defende a desnecessidade da excessiva documentação exigida pelo Fisco; e mais, que o Laudo Técnico comprova a existência de 185,15 ha de área de preservação permanente e 209,49 ha de reserva legal. Assim, no exame do caso concreto, se faz necessário investigar se o Contribuinte, até o início do procedimento fiscal, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência de áreas de preservação permanente e reserva legal superiores àquelas consideradas pelo Fisco (consignadas no ADA, apresentado em 19/06/1998), com a correspondente averbação da área de reserva legal. Na “Descrição do Fatos”, à fl. 85, o fiscal autuante informa: Quanto às áreas de utilização limitada, constatase, através do laudo apresentado e da análise das cópias das matriculas entregues, a existência de duas averbações de termos de responsabilidade de conservação de floresta, conforme Av. 5 3.622 e Av. 313.050, totalizando 209,49 hectares. No protocolo do ADA localizado, o contribuinte informa 152,8 hectares classificados como área de reserva legal, sendo acatada esta área na presente revisão, com alteração da área de utilização limitada originalmente declarada, de 225,8 hectares para 152,8 hectares. Verificase que os termos de responsabilidade de conservação de floresta mencionados pelo fiscal autuante foram averbados em 1982 e 1987, portanto, antes da data de ocorrência do fato gerador (01/01/2002). Dessa forma, restando comprovada a comunicação a órgão de fiscalização ambiental e averbação da de reserva legal de 209,49 ha antes da ocorrência do fato gerador, tal área deve ser aceita para fins de exclusão da área tributável pelo ITR. Por conseguinte, deve ser restabelecida a diferença 56,69 ha, eis que a fiscalização já aceitou 152,8 de área de reserva legal. No que diz respeito à área de preservação permanente, não merece reparos o lançamento, uma vez que o Recorrente não logrou comprovar a existência da reclamada área de 162,25 ha mediante documentação comprobatória, qual seja Ato Declaratório Ambiental – ADA (ou comunicação da existência das áreas isentas ao órgão de fiscalização ambiental). Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 152 7 Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer área de reserva legal de 56,69 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.007945/200613 Acórdão n.º 2801003.698 S2TE01 Fl. 153 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Redator Designado Permitome discordar da Ilustre Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin, pelos motivos que passo a expor. O § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938/1981, na redação dada pela Lei nº 10.165/2000, vigente no ordenamento jurídico pátrio, espancou qualquer dúvida sobre a obrigatoriedade do Ato Declaratório Ambiental – ADA para fruição do benefício fiscal previsto na alínea “a” do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393/1996, ao eleger tal ato como requisito formal necessário à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base tributável do ITR. Oportuna é a transcrição do dispositivo mencionado: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (...) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) A norma do § 1º poderia ser lida, sem qualquer alteração de seu conteúdo, da seguinte forma: a utilização do ADA, para fins de exclusão das áreas de interesse ambiental da base tributável do ITR, dentre elas as APP e as ARL, é obrigatória. Na espécie, o ADA apresentado em 1998 revela que o Recorrente informou 152,8 hectares classificados como área de reserva legal, área esta que foi acatada pela Fiscalização em detrimento da área declarada de 225,8 hectares. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10935.906429/2012-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/01/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/01/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 25/01/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/01/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 64 29 /2 01 2- 67 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.877, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 04014.27992.181010.1.2.049849, rastreamento nº 041907608, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 6.346,26, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/12/2009, efetuado em 25/01/2010, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906429/201267 Acórdão n.º 3802002.727 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 25/01/2010 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906429/201267 Acórdão n.º 3802002.727 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906429/201267 Acórdão n.º 3802002.727 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906429/201267 Acórdão n.º 3802002.727 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 15/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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