Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 19515.720507/2014-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AÇÃO FISCAL - COMPETÊNCIA PARA REALIZAÇÃO.
Valida a ação fiscal e os lançamentos dela decorrentes realizada por Auditor Fiscal da Receita Federal no exercício de suas atribuições legais.
PRESCRIÇÃO. CRÉDITO DECLARADOS.
Tendo a autoridade fiscal efetuado o lançamento no prazo quinquenal, não há que se falar em prazo prescricional, uma vez que o artigo 151, III, do CTN é claro ao dispor que as impugnações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP.
A homologação da compensação sujeita-se às mesmas regras do lançamento por homologação. Sendo assim, não ocorrendo o pagamento, o prazo deverá ser contado a partir do 1º dia do exercício seguinte.
DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
De acordo com o REsp nº 973.733 (submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 473- C do Código de Processo Civil/73) não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou quando não tiver ocorrido o pagamento, como é o caso dos autos.
NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO.
Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal.
NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO SEM A INSTAURAÇÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.
Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários.
INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária.
COMPENSAÇÃO. GLOSA. VERBAS INDENIZATÓRIAS.
A compensação deverá ser glosada quando não comprovados os recolhimentos em virtude dos quais teriam sido apurados os créditos compensados.
DA MULTA ISOLADA DE 150%
Correta a imposição da multa isolada nas hipóteses em que o contribuinte não comprova o recolhimento dos valores declarados como crédito.
GLOSA DAS RETENÇÕES DECLARADAS EM GFIP.
Caberia ao Contribuinte apresentar cada uma das notas fiscais/faturas com os respectivos valores destacados das retenções, contabilizados e vinculados a folhas de pagamento e GFIP, de cada um dos tomadores de seus serviços. Na falta de apresentação dos referidos documentos é correto que a fiscalização considerar apenas os recolhimentos de retenções que puderam ser constatados, glosando, assim, aqueles valores que são correspondentes às diferenças entre os deduzidos pelo Contribuinte e não confirmados pelos correspondentes recolhimentos.
DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA EM VALOR SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO PRINCIPAL.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO PARA QUE PUDESSE IMPOR APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 124 E 135 DO CTN.
A apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do e conclusão do trabalho fiscal.
DESNECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ARROLAMENTO DE BENS DO SÓCIO.
Não se está imputando responsabilidade exclusiva do sócio e sim responsabilidade solidária dos crédito exigidos no lançamento. Nesse caso, não há que se falar em necessidade de desconsideração da personalidade jurídica.
Numero da decisão: 2202-003.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar de decadência relativa às competências de janeiro a abril de 2009. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720507/2014-15
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5804968
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.853
nome_arquivo_s : Decisao_19515720507201415.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 19515720507201415_5804968.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar de decadência relativa às competências de janeiro a abril de 2009. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto.
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
id : 7037988
ano_sessao_s : 2017
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AÇÃO FISCAL - COMPETÊNCIA PARA REALIZAÇÃO. Valida a ação fiscal e os lançamentos dela decorrentes realizada por Auditor Fiscal da Receita Federal no exercício de suas atribuições legais. PRESCRIÇÃO. CRÉDITO DECLARADOS. Tendo a autoridade fiscal efetuado o lançamento no prazo quinquenal, não há que se falar em prazo prescricional, uma vez que o artigo 151, III, do CTN é claro ao dispor que as impugnações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP. A homologação da compensação sujeita-se às mesmas regras do lançamento por homologação. Sendo assim, não ocorrendo o pagamento, o prazo deverá ser contado a partir do 1º dia do exercício seguinte. DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. De acordo com o REsp nº 973.733 (submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 473- C do Código de Processo Civil/73) não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou quando não tiver ocorrido o pagamento, como é o caso dos autos. NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO. Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO SEM A INSTAURAÇÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. COMPENSAÇÃO. GLOSA. VERBAS INDENIZATÓRIAS. A compensação deverá ser glosada quando não comprovados os recolhimentos em virtude dos quais teriam sido apurados os créditos compensados. DA MULTA ISOLADA DE 150% Correta a imposição da multa isolada nas hipóteses em que o contribuinte não comprova o recolhimento dos valores declarados como crédito. GLOSA DAS RETENÇÕES DECLARADAS EM GFIP. Caberia ao Contribuinte apresentar cada uma das notas fiscais/faturas com os respectivos valores destacados das retenções, contabilizados e vinculados a folhas de pagamento e GFIP, de cada um dos tomadores de seus serviços. Na falta de apresentação dos referidos documentos é correto que a fiscalização considerar apenas os recolhimentos de retenções que puderam ser constatados, glosando, assim, aqueles valores que são correspondentes às diferenças entre os deduzidos pelo Contribuinte e não confirmados pelos correspondentes recolhimentos. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA EM VALOR SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO PRINCIPAL. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO PARA QUE PUDESSE IMPOR APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 124 E 135 DO CTN. A apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do e conclusão do trabalho fiscal. DESNECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ARROLAMENTO DE BENS DO SÓCIO. Não se está imputando responsabilidade exclusiva do sócio e sim responsabilidade solidária dos crédito exigidos no lançamento. Nesse caso, não há que se falar em necessidade de desconsideração da personalidade jurídica.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736715436032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1858; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2.008 1 2.007 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720507/201415 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2202003.853 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrentes EMBRASE EMPRESA BRASILEIRA DE SEGURANÇA E VIGILÂNCIA LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AÇÃO FISCAL COMPETÊNCIA PARA REALIZAÇÃO. Valida a ação fiscal e os lançamentos dela decorrentes realizada por Auditor Fiscal da Receita Federal no exercício de suas atribuições legais. PRESCRIÇÃO. CRÉDITO DECLARADOS. Tendo a autoridade fiscal efetuado o lançamento no prazo quinquenal, não há que se falar em prazo prescricional, uma vez que o artigo 151, III, do CTN é claro ao dispor que as impugnações e recursos administrativos suspendem a exigibilidade do crédito tributário HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP. A homologação da compensação sujeitase às mesmas regras do lançamento por homologação. Sendo assim, não ocorrendo o pagamento, o prazo deverá ser contado a partir do 1º dia do exercício seguinte. DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. De acordo com o REsp nº 973.733 (submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 473 C do Código de Processo Civil/73) não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou quando não tiver ocorrido o pagamento, como é o caso dos autos. NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA SEM A EMISSÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ESPECÍFICO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 07 /2 01 4- 15 Fl. 2008DF CARF MF 2 Improcedente a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim, uma vez que a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. NULIDADE DO TERMO DE ARROLAMENTO SEM A INSTAURAÇÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. Nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. COMPENSAÇÃO. GLOSA. VERBAS INDENIZATÓRIAS. A compensação deverá ser glosada quando não comprovados os recolhimentos em virtude dos quais teriam sido apurados os créditos compensados. DA MULTA ISOLADA DE 150% Correta a imposição da multa isolada nas hipóteses em que o contribuinte não comprova o recolhimento dos valores declarados como crédito. GLOSA DAS RETENÇÕES DECLARADAS EM GFIP. Caberia ao Contribuinte apresentar cada uma das notas fiscais/faturas com os respectivos valores destacados das retenções, contabilizados e vinculados a folhas de pagamento e GFIP, de cada um dos tomadores de seus serviços. Na falta de apresentação dos referidos documentos é correto que a fiscalização considerar apenas os recolhimentos de retenções que puderam ser constatados, glosando, assim, aqueles valores que são correspondentes às diferenças entre os deduzidos pelo Contribuinte e não confirmados pelos correspondentes recolhimentos. DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA EM VALOR SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO PRINCIPAL. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO PARA QUE PUDESSE IMPOR APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 124 E 135 DO CTN. A apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do e conclusão do trabalho fiscal. DESNECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ARROLAMENTO DE BENS DO SÓCIO. Fl. 2009DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.009 3 Não se está imputando responsabilidade exclusiva do sócio e sim responsabilidade solidária dos crédito exigidos no lançamento. Nesse caso, não há que se falar em necessidade de desconsideração da personalidade jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que acolheram a preliminar de decadência relativa às competências de janeiro a abril de 2009. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP): O presente processo é composto pelos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 51.008.3161 – glosas de compensações e de deduções que a Fiscalização considerou não terem sido demonstradas pelo Contribuinte (período de janeiro a dezembro de 2009). 2. DEBCAD 51.008.3170 – multa isolada por realização de compensações consideradas irregulares pela Fiscalização. O Relatório Fiscal (fls. 744/749) informa que, tendo sido iniciada a ação fiscal em 26/10/2012 (Termo de Início de Procedimento Fiscal, fls. 4/6), o Contribuinte foi sucessivamente intimado (seis vezes, por Termos de Intimação Fiscal – fls. 361/363, 364/365, 366/368, 369/370, 371/372 e 373/374, este de 29/04/2014) para apresentar os documentos que comprovassem e demonstrassem as regularidades das deduções de retenções que teria sofrido e das compensações que incluiu em GFIP. Fl. 2010DF CARF MF 4 Consta, entretanto, que, não obstante os pedidos de dilação de prazo, o Contribuinte não apresentou os documentos requisitados. I – Glosas de deduções de retenções (artigo 31 da Lei 8.212/1991). A Fiscalização informa que, em 2009, o Contribuinte realizou compensações de retenções no montante de R$ 6.677.854,78 (anexo 1), tendo, entretanto, informado em GFIP, considerados os tomadores de serviços, apenas R$ 2.409.951,22 (anexo2), sendo que para a diferença o próprio Contribuinte consta como o tomador de seus serviços, do que extrai a conclusão de que “... configurando portanto em uma evidente tentativa de fraude visando diminuir o valor a ser recolhido para a previdência social ...”. A Fiscalização acrescenta que “... Outro dado importante a se destacar, e que corrobora a tentativa de fraude...” é justamente a constatação de que o montante apurado de recolhimentos efetivamente realizados pelos tomadores de serviços foi de R$ 2.358.756,89 (anexo 3), bastante próximo do montante informado em GFIP, que, como se viu, foi de R$ 2.409.951,22. De qualquer forma, para realizar o respectivo lançamento a Fiscalização levou em conta os valores apurados de recolhimentos de retenções, pois o Contribuinte não demonstrou a exatidão dos valores declarados em GFIP, ao deixar de exibir os respectivos documentos fiscais com os devidos destaques dos valores retidos. Assim, foram lançados os valores correspondentes às diferenças entre o montante das deduções (R$ 6.677.854,78) e os recolhimentos efetivamente apurados pela Fiscalização (R$ 2.358.756,89), discriminados no anexo 4 e separados entre os estabelecimentos do Contribuinte (matriz e filial) e incluídos no lançamento DEBCAD 51.008.3161. Considerando, ainda, tais circunstâncias, a Fiscalização aplicou a penalidade do artigo 35A da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 44, § 1º da Lei 9.430/1996 (com as alterações da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009) – multa de 150%, que foi agravada em 50%, com fundamento no § 2º do artigo 44 da mesma Lei 9.430/1996, incluída no lançamento DEBCAD 51.008.3170. II – Glosas de compensações. A Fiscalização também promoveu a glosas de compensações, realizadas pelo Contribuinte através de GFIP, para as quais, também não obstante ter formalmente intimado, não apresentou os documentos necessários para demonstrar a origem e regularidade dos valores compensados (montante de R$ 2.879.530,12 – anexo 5), glosas estas incluídas no lançamento DEBCAD 51.008.3161. Também com fundamento no artigo 35A da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 44, § 1º da Lei 9.430/1996 (com as alterações da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009) e § Fl. 2011DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.010 5 2º do artigo 44 da mesma Lei 9.430/1996, a Fiscalização aplicou sobre os respectivos valores a multa de 150%, agravada em mais 50%, constantes do lançamento DEBCAD 51.008.3170. III – Sujeição Passiva do sócioadministrador. Com base nos documentos coligidos na ação fiscal e pelas razões e fundamentos que informa no Relatório Fiscal (item 11, fl. 748), o sócio Wagner Martins foi considerado responsável tributário por solidariedade. IV – Outras providências da Fiscalização. A Fiscalização informa que também foram elaborados o Termo de Arrolamento de Bens (processo 19515.720575/201484) e a Representação Fiscal para Fins Penais (processo 19515.720605/201452), assim como também foi lavrado lançamento fiscal para cobrança de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, valores estes incluídos no processo 19515.720506/201471. O Contribuinte apresenta Impugnação (fls. 986/1.022), defendendo incialmente que, por se tratar de crédito “... que já havia sido constituído e declarado pelo Impugnante...”, o lançamento seria manifestamente improcedente e que a medida legal cabível seria simplesmente a de “inscrição em dívida”. Transcreve as disposições do artigo 74 da Lei 9.430/1996. Invoca a Portaria DERAT/SP 187/2011, para extrair a conclusão de que seria atribuição daquele órgão a competência para cobrança de contribuições declaradas e confessadas pelo Contribuinte, do que resultaria conclusão de que “o lançamento [seria]manifestamente improcedente”. Argumenta, então, que, como a constituição do crédito darseia “mediante entrega da GFIP pelo contribuinte”, “o crédito discutido encontrase fulminado pela prescrição”, assim: 1. Prescreveria em cinco anos o prazo da ação de cobrança do crédito tributário. 2. A entrega da declaração (a GFIP, no caso), dispensaria a “Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado que pode ser imediatamente exigido”. Aplicarseia, assim, as disposições dos artigos 156 e 174 do CTN. Valendose do § 5º artigo 74 da Lei 9.430/1996 e da Instrução Normativa RFB 900/2008 defende que as compensações realizadas “entre o dia 04 de fevereiro e 05 de maio de 2009 foram homologadas tacitamente, tendo em vista que foram declaradas pela Impugnante há mais de 05 (cinco) anos sem a devida manifestação da Impugnada”. Menciona, a seguir, as disposições do § 4º do artigo 150 do CTN, para defender a ocorrência da decadência em relação às competências de janeiro a abril de 2009. Fl. 2012DF CARF MF 6 Quanto à apresentação dos documentos requisitados pela Fiscalização, nega que o Contribuinte tenha se negado a fazêlo; que os “... entregou, embora parcialmente” e procura justificar as dificuldades em atender às requisições da Fiscalização, inclusive com os pedidos formulados de prorrogação de prazos. Quanto às compensações declara que “O crédito compensado existe e decorre de pagamentos indevidos que foram realizados pelo Impugnante sobre verbas não salariais que foram indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salários”. Menciona e transcreve jurisprudência. Informa, então, que “Com base no posicionamento adotado por nossos Tribunais, o Impugnante compensou o crédito existente sobre os pagamentos que foram realizados com a inclusão indevida de verbas que não possuem natureza salarial..., quais sejam: (...)”. Informa, então, quais seriam: quinze primeiros dias de auxílio enfermidade e acidente do trabalho, férias e respectivo terço constitucional, aviso prévio indenizado, prêmio e adicional de risco de vida não habituais. Acrescenta que tais créditos estariam demonstrados com a impugnação Ressalva que as compensações foram realizadas com base no artigo 66 da Lei 8.383/1991, artigo 74 da Lei 9.430/1996 e artigo 44 da Instrução Normativa 900/2008. Quanto à glosa de deduções sustenta que a Fiscalização não teria procedido de acordo com as disposições do artigo 31 da Lei 8.212/1991; que não há vinculação do direito de compensar retenções à confirmação de que tais valores foram recolhidos pelos tomadores dos serviços, “Além disso, a norma não atribui ao prestador a obrigação de fiscalizar o recolhimento pelos tomadores, antes de efetuar o abatimento...”. (...) Contesta, a seguir, a incidência da multa isolada sobre as compensações consideradas indevidas. Transcrevendo o artigo 89 da Lei 8.212/1991 e artigo 44 da Lei 9.430/1996, conclui: Na hipótese dos autos não houve nenhum tipo de comprovação de falsidade nas declarações entregues pelo Impugnante até porque o próprio fiscal afirma que não foi possível identificar à que se refere a compensação declarada em decorrência do pagamento indevido. (...). Além disso, na hipótese dos autos, descartase qualquer tese tendente a caracterizar a ocorrência de fraude haja vista que as compensações foram devidamente declaradas na GFIP do Impugnante. Não estaria, assim, “cabalmente” demonstrada a prática de “conduta fraudulenta”; tratarseia, pois, de “mera presunção”. Repete os mesmos argumentos em relação às glosas de deduções, quanto à incidência de multa isolada. Fl. 2013DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.011 7 Contesta também o agravamento da multa em 50%, defendendo que: Ocorre que na hipótese dos autos ainda que seja admitido, por hipótese, que o Impugnante não apresentou os documentos e/ou esclarecimentos exigidos pela autoridade fiscal, ainda assim não seria possível, com base neste fato, agravar a multa de ofício em 50%. Isso porque a suposta falta de atendimento da intimação já havia sido utilizada como fundamento para a glosa de retenções declaradas em GFIP e constituição do crédito tributário. Conclui: Com efeito, se considerarmos válido o agravamento da multa com base neste fundamento, uma única conduta daria ensejo para a aplicação de duas penalidades distintas (...). Ressalva que, em face da aplicação do princípio da razoabilidade, do que decorreria que os percentuais das multas aplicadas seriam excessivamente elevados, desproporcionais, o que caracterizaria o confisco, devendo a multa ser reduzida a no máximo 100%. Segue: \sendo indevidos os créditos lançados, devem ser cancelados os termos de arrolamentos de bens, até porque “... ainda que se considere a remota possibilidade de que parte dos débitos ora debatidos seja mantida, certamente o patrimônio do Impugnante seria maior que 30% dos débitos lançados pelo agente fiscal”. Requer que a Impugnação seja julgada totalmente procedente, cancelandose o lançamento e o termo de arrolamento de bens. (...) Impugnação do responsável solidário. O responsável solidário, dirigente do Contribuinte, apresentou sua Impugnação, com a qual (fls. 1.665/1.685): 1. Nega que tenha sido demonstrada “... que o Impugnante tenha praticado ato com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto...”. 2. Defende que, quanto ao termo de arrolamento não teria sido expedido um Mandado de Procedimento Fiscal para tal, como seria legalmente exigível. 3. Invoca as disposições dos artigos 124, 135 e 137 do CTN, para defender que é necessário estabelecer de quem seria a responsabilidade, ou seja, a própria sociedade ou o sócio, “à revelia da sociedade”. 4. Defende a desnecessidade de arrolamento dos bens do sócio, na medida em que já houve arrolamento dos bens da sociedade. Fl. 2014DF CARF MF 8 5. Argumenta que não haveria demonstração de infração à lei ou estatuto pelo sócio. 6. Reitera, na seqüência, que não haveria provas de “... que o Impugnante agiu com excesso de poderes, infração à lei, contrato social ou estatutos”; que a indicação do próprio Contribuinte como tomador de serviços em GFIP teria constado incorretamente e que os valores já declarados em GFIP decorreriam de "informações fornecidas pela contabilidade do Impugnante através de GFIP, fato que descaracteriza qualquer intuito doloso ou infração à lei, arrematando seus argumentos a respeito: Ou seja, se o Impugnante tivesse a intenção de utilizar de valores indevidos, o que se admite apenas a título de argumentação, não informaria os valores ao Fisco através de GFIP. 7. Quanto à possibilidade de arrolamento de bens do responsável solidário, defende que o artigo 64 da Lei 9.532/1997 prevê apenas a possibilidade de que tal se dê em relação ao sujeito passivo, que, neste caso, seria apenas o Contribuinte propriamente, não podendo o responsável solidário ser incluído por força das disposições da Instrução Normativa RFB 1.171/2011. 8. Valendose mais uma vez das disposições dos artigos 124 e 135 do CTN, defende que a possibilidade de arrolamento de bens do responsável tributário seria possível somente com a definitiva constituição do crédito tributário, e, ainda “... as supostas infrações à lei não foram comprovadas...”. 9. Acrescenta outros requisitos à validade do arrolamento: existência de previsão legal, “comprovação de dolo específico” e “crédito tributário apurado através de processo administrativo transitado em julgado”. Ao que acrescenta: A desconsideração da personalidade jurídica, com a conseqüente invasão no patrimônio dos sócios para fins de satisfação de débitos da empresa, é medida de caráter excepcional, sendo apenas admitida nas hipóteses expressamente previstas no art. 135 do CTN ou nos casos de dissolução irregular da empresa, que nada mais é que infração à lei. 10. Assim, conclui, nas presentes circunstâncias, inexistiria a possibilidade de arrolamento dos bens de Wagner Martins. 11. Requer a “desconsideração” do Impugnante, “como solidariamente responsável” e o cancelamento do termo de arrolamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) negou provimento à Impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 2015DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.012 9 AÇÃO FISCAL NECESSIDADE COMPETÊNCIA PARA REALIZAÇÃO. A regular atividade do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício de suas obrigações funcionais, assegura a plena validade da ação fiscal e respectivos lançamentos, quando realizados com as pertinentes disposições legais. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS REGRA GERAL E EXCEÇÕES. Em face da incidência da Súmula Vinculante 8/2008 do STF e demais legislação pertinente, o prazo decadencial, em matéria de contribuições previdenciárias, é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto nas hipóteses da parte final do § 4º do artigo 150 do CTN, para as quais se aplica a regra do artigo 173 do CTN. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Além das disposições gerais, estabelecidas no CTN (especialmente artigo 170A, em caso de vigência de lei que determina a incidência tributária), às compensações de contribuições previdenciárias aplicamse as específicas, previstas na Lei 8.212/1991 e na legislação pertinente. MULTA FIXAÇÃO DO MONTANTE OU DE PERCENTUAL APLICADO ALEGAÇÃO DE INFRAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS INOCORRÊNCIA EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Tendo sido atendidos pelo lançamento fiscal os limites e parâmetros legais pertinentes, não há o que considerar, no âmbito do processo administrativo fiscal, quanto às alegações de inobservância de princípios administrativos e constitucionais (tais como razoabilidade ou vedação ao confisco) em relação ao montante da multa aplicada. MULTA ISOLADA APLICABILIDADE PRESENÇA DOS REQUISITOS LEGAIS EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A prática do Contribuinte de prestar informação, através de canal formal e oficial GFIP de que seria credor de tributos (pagos a maior ou indevidamente pagos), quando, na realidade, era mero detentor de suposto crédito decorrente de legislação eventualmente inconstitucional (mas formalmente vigente e não afastada por decisão judicial definitiva), constitui clara situação em que, valendose de um instrumento tributário dotado de efeitos legais (a transmissão de informações à Receita Federal do Brasil através de GFIP), o Contribuinte prestou informação diversa da realidade, fazendo constar, nos registros oficiais de controle da tributação, a existência de débito tributário inferior ao efetivamente devido. ARROLAMENTO DE BENS. Fl. 2016DF CARF MF 10 Compete e até mesmo constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil elaborar o Termo de Arrolamento de Bens. Entretanto, a discussão da sua regularidade deve se dar no processo próprio, na medida em que em o presente cuida especificamente de lançamento fiscal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA DE SÓCIO ADMINISTRADOR. Presentes e demonstrados os requisitos legais pertinentes, deve ser atribuída responsabilidade tributária solidária ao sócio administrador. SUSTENTAÇÃO ORAL FALTA DE PREVISÃO LEGAL. No âmbito do processo administrativo fiscal não há a previsão legal da realização de sustentação oral. Cientificado em 05/03/2015 por meio do Domicílio Tributário Eletrônico DTE (fls. 1827) a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. (1832 à 1873), no qual reitera as alegações já suscitadas em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos preenchem os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DE DÉBITOS JÁ CONSTITUÍDOS ATRAVÉS DE GFIP E INCOMPETÊNCIA DO AGENTE FISCAL PARA GLOSA DE COMPENSAÇÕES DECLARADAS. O Recorrente alega, preliminarmente, que o lançamento tomou como base os valores por ele declarados em GFIP e que, sendo assim, não se trata de lançamento complementar. Diante desse fato, entende que, nos termos da Súmula 436 do Superior Tribunal de Justiça e do Parecer PGFN/nº 1617/2008 a declaração realizada pelo contribuinte é suficiente para constituir o crédito tributário, o que ensejaria a nulidade do presente lançamento. Todavia, como bem observado pela decisão recorrida, as compensações declaradas em GFIP não podem produzir efeitos pelos seguintes motivos: Está absolutamente fora das hipóteses legais previstas no caput do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991: não se trata de recolhimentos indevidos, muito menos realizados a maior, mas sim de Fl. 2017DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.013 11 recolhimentos realizados por força de lei formal e plenamente vigente. 2. E, estando fora das disposições do artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, não poderia ser realizado através de GFIP (a qual obviamente pressupõe apenas as duas hipóteses: pagamento indevido ou a maior). Ou seja: quando o Contribuinte apura as contribuições previdenciárias e as declara em GFIP, para se compensar, está declarando que, ou realizou recolhimento de contribuições previdenciárias indevidas, ou a maior. Nestas circunstâncias, considerandose credor de contribuições previdenciárias, em face do entendimento de que a lei, com base na qual são cobradas, é inconstitucional, não se enquadrando, pois, nas hipóteses legais de compensação autorizadas pela Lei n° 8.212/1991, caberia ao Contribuinte duas alternativas: o requerimento administrativo ou o recurso ao Judiciário, podendo concretizar a compensação somente após autorização do competente Órgão da Administração ou com a obtenção de decisão judicial transitada em julgado, autorizando o procedimento (na forma estabelecida pelo CTN) ou obtenção de liminar específica. Este é, pois, o contexto legal, em que se deve dar a compensação dos tributos em geral (disposições do CTN) e, particularmente, a compensação das contribuições previdenciárias (Lei n° 8.212/1991 e normas legais pertinentes). Destas premissas, é possível extrair as conclusões de que o Contribuinte, ao realizar as compensações através de GFIP, incorreu na ilegal prática de inserir em documentos dotados de efeitos legais relevantes3 informação não correspondente à realidade, pois realmente não dispunha de créditos decorrentes de recolhimentos indevidos ou a maior, mas, na melhor das hipóteses, encontravase imbuído da convicção de que teria direito à compensação, na medida em que estava se submetendo à exigência legal que considerava inconstitucional. Reiterando, portanto: no caso das contribuições previdenciárias (agora também administradas pela Receita Federal do Brasil), a compensação se opera nas condições da Lei n° 8.212/1991 e demais legislação pertinente, que prevê a materialização do procedimento via GFIP. A Recorrente alega também que o lançamento seria nulo, nos termos do artigo 59, I do Decreto nº 70.325/72, uma vez que teria sido lavrado por servidor incompetente. Isso porque, no caso de contribuições previdenciárias, a competência seria da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo, conforme previsto na Portaria DERAT/SP nº 187/2011 (Regimento Interno) no artigo 9, inciso I, o qual dispõe: Art. 9º À EQCOB compete em relação aos créditos tributários administrados pela RFB, com exceção das contribuições previdenciárias declaradas e confessadas pelo sujeito passivo e das contribuições previdenciárias lançadas pela Autoridade Administrativa (NFLD e Autos de Infração) anteriores a 01/01/2007. Fl. 2018DF CARF MF 12 I desenvolver as atividades relativas à cobrança e ao recolhimento de créditos tributários nos termos da presente portaria. Alega ainda que, especificamente em relação às Compensações das Contribuições Previdenciárias, compete exclusivamente à EQCOP analisar as mesmas, conforme previsto no artigo 3º, inciso I da mesma Portaria. Diante dos dispositivos acima transcritos, conclui a Recorrente que "o despacho decisório que homologa ou indefere a compensação efetuada é de competência privativa do Chefe da DERAT, não sendo permitido ao Auditor fiscal, com MPF emitido pela DEFIS Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo, realizar a mesma cobrança através do Auto de Infração lavrado" Nesse ponto, corretas as observações da decisão recorrida, ao dispor que: Sob o aspecto da designação da fiscalização, da qual resultaram os lançamentos fiscais em análise, há que se considerar o que consta do respectivo Mandado de Procedimento Fiscal (fl. 2), combinado com o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 4/5), que enunciam, inclusive, as disposições legais que atestam a regularidade do procedimento fiscalizatório. A Portaria mencionada pela Impugnação integra, portanto, um conjunto de disposições administrativas, que objetivam operacionalizar a execução do planejamento tributário, não opondo, inclusive, óbices às determinações legais do CTN, quanto às atribuições e responsabilidades do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) Assim, estando o Agente Público no regular exercício de suas obrigações funcionais (não há dúvidas sobre tal fato), e considerando as pertinentes disposições legais (notadamente o próprio CTN), está assegurada a plena validade dos lançamentos fiscais em análise. É irrelevante que a ação fiscal tenha sido designada por um ou outro Órgão da Receita Federal, em atenção às disposições de determinado ato da Administração (por exemplo, a Portaria a que se refere a Impugnação), na medida em que constituem atos da Administração Pública visando a gestão administrativa, não se sobrepondo ao Código Tributário Nacional, tampouco às leis tributárias e ao Decreto n° 70.235/1972. 1.2) DA PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO QUE JÁ HAVIA SIDO DECLARADO E CONSTITUÍDO. Partindo da premissa exposta no item anterior (que o lançamento já teria ocorrido com a declaração) alega a Recorrente que o dies a quo do prazo prescricional se daria com a entrega da GFIP e, sendo assim, os valores lançados estariam fulminados pela prescrição. No entan to, como já dito, uma vez que a autoridade fiscal efetuou o lançamento no prazo quinquenal, não há que se falar em prazo prescricional. Isso porque o artigo 151, III, do CTN é claro ao dispor que as impugnações e recursos administrativos suspendem a Fl. 2019DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.014 13 exigibilidade do crédito tributário. Dessa forma, o prazo prescricional previsto no artigo 174 do CTN só começará a fluir após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual só ocorrerá quando concluído o presente processo administrativo fiscal. 1.3) HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS EM GFIP PELA RECORRENTE De acordo com o Recorrente, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96 os valores compensados já estariam extintos pela homologação tácita. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) §5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Menciona também os artigos 33 e 34 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 "Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. "Art. 37 O sujeito passivo será cientificado da não homologação da compensação e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados no prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação. (...) §2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da declaração de compensação. Art. 44 O sujeito passivo que apurar crédito relativo às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a" a "d" do inciso I do parágrafo único do art. 1º, passível de restituição ou reembolso, poderá utilizálo na compensação de contribuições previdenciárias correspondentes a períodos subsequentes. (...) Fl. 2020DF CARF MF 14 §7º A compensação deve ser informada em GFIP na competência de sua efetivação. Sendo assim, alega a Recorrente que as compensações informadas via GFIP, entre os dias 04 de fevereiro e 05 de maio de 2009, foram homologadas tacitamente, tendo em vista que foram declaradas pela Recorrente há mais de 05 (cinco) anos sem a devida manifestação da Recorrida. A questão é que a constituição do débito pressupõe a sua extinção o que só ocorrerá com a homologação do crédito. A homologação da compensação sujeitase às mesmas regras do lançamento por homologação. Sendo assim, não ocorrendo o pagamento, o prazo deverá ser contado a partir do 1º dia do exercício seguinte. 1.4) DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Alternativamente, alega o Recorrente que, na hipótese de não serem acolhidas as preliminares suscitadas anteriormente, ocorreu a decadência do direito de lançar, uma vez que houve antecipação do pagamento, motivo pelo qual, seria aplicável a norma prevista no artigo 150, §4º do CTN. Sendo assim, o lançamento relativo às competências compreendidas entre janeiro a abril de 2009 teriam sido atingidos pela decadência. Improcedentes as alegações. Como já dito no item anterior, o prazo em questão é decadencial. Como se trata de um lançamento por homologação, o prazo, em princípio, seria o do artigo 150, §4º. Tal prazo, todavia, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não se aplica quando demonstrada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação ou quando não tiver ocorrido o pagamento. É o que está dito no Recurso Especial nº 973.733, submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 473 C do Código de Processo Civil/73, nestes termos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150,§4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do contribuinte. 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar os casos de tributos sujeitos à lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.015 15 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210) 3.O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro, 3ªed, Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 183/199) 5 In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação. (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifamos) Nesse mesmo sentido é a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 9900000.267, mencionado pelo Recorrente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1993, 1994, 1995 DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo previsto no art. 173, I do CTN. Fl. 2022DF CARF MF 16 Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Provido. (grifamos) Dessa forma, tanto a decisão do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do REsp 973733 quanto o Acórdão nº 9900000.267 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mencionados pelo Recorrente, são claros em afirmar que, na ausência de pagamento, aplicase a norma do artigo 173, I, do CTN. No caso em questão, a extinção do débito seria feita por compensação, ao invés do pagamento. Sendo assim, inexistindo o crédito mencionado na compensação, não há que se falar em "pagamento" o que, nos termos das decisões acima transcritas, desloca o prazo de lançamento para o primeiro dia do exercício seguinte. 1.5) NULIDADE DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIO E DO TERMOS DE ARROLAMENTO FORMALIZADO SEM A INSTAURAÇÃO DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL Em seu recurso, o sócio incluído como devedor solidário alega que, nos termos dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, todo ato ou procedimento no âmbito da RFB devem ser precedidos de um Mandado de Procedimento Fiscal. A discussão sobre a regularidade do arrolamento bens (conforme será esclarecido detalhadamente no item 1.7 da presente decisão) não merece ser conhecida. Isso porque, nos termos do artigo 3º do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 356/2015) e 17 da Instrução Normativa nº 1565/2015, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Improcedente, por sua vez, a alegação de que a imputação de responsabilidade solidária demandaria a emissão de um Mandado de Procedimento Fiscal específico para esse fim. Isso porque a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Além disso, o fato gerador é o mesmo. Dessa forma, estranho seria que a fiscalização emitisse mandado de procedimentos fiscais distintos (um para fiscalização da empresa e outro do sócio) antes mesmo que o trabalho fiscal fosse desenvolvido. Isso porque, a responsabilidade tributária não é presumida. 1.6) INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Alega o Recorrente que, nos termos dos artigos 2º, §5º, I, da Lei nº 6.830, bem como do artigo 202, I, do CTN a identificação de responsável solidário pelo crédito tributário é de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional (PGFN). Ora, os artigos citados referemse à inscrição em dívida ativa, providencia que ocorre após a constituição definitiva do crédito tributário. A competência para que a autoridade fiscal determine o devedor solidário está claramente prevista no artigo 142 do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.016 17 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifamos) Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional a expressão "sujeito passivo" da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da responsabilidade solidária. 1.7) IMPOSSIBILIDADE DE FORMALIZAÇÃO DE TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS DO SÓCIO FACE A INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. De acordo com o Recorrente o termo de arrolamento não pode ser formalizado em nome de terceiro (sócio solidário), uma vez que, nos termos do artigo 64 da Lei nº 9.532/97 esse só poderá ser formalizado em desfavor do sujeito passivo. Ora, como afirma o próprio Recorrente, o artigo 64 da Lei nº 9.532/97 utiliza a expressão "sujeito passivo" ao invés de "contribuinte". Assim, o arrolamento de bens poderá incidir sobre bens do contribuinte e do responsável tributário. O parágrafo único do artigo 121 do Código Tributário Nacional define a abrangência do "sujeito passivo" nos seguintes termos: "Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Dessa forma, ao utilizar a expressão "sujeito passivo" a lei deixou claro que o arrolamento pode abranger a figura do responsável tributária. É o que conclui Marco Aurélio Greco ao comentar a figura do arrolamento: "Quanto ao segundo aspecto, é importante sublinhar que os créditos tributários que podem dar ensejo ao arrolamento não são apenas os créditos resultantes da condição de contribuintes diretos. Prevê a lei que os créditos que autorizam o arrolamento são os créditos "de responsabilidade do sujeito passivo". Ora, alguém pode ser sujeito passivo direto (contribuinte), indireto (responsável ou por substituição), alguém pode ter responsabilidade pelo fato de ser quotista e sócio gerente da empresa devedora etc. A Lei nº 9.532/97 não restringe; isto significa que, na hipótese de uma pessoa jurídica ser devedora de IPI ou Contribuição Social sobre o Lucro, o arrolamento poderá atingir até mesmo os sócios que, em tese, podem vir a ser chamados a responder pelo respectivo débito. (GRECO, Marco Aurélio, Arrolamento Fiscal e Quebra de Sigilo in "Processo Administrativo Fiscal, 3º Vol. coord. Valdir de Oliveira Rocha, ed. Dialética, p. 165) Fl. 2024DF CARF MF 18 Além disso, a mencionada alegação não deve ser conhecida. Isso porque, conforme já decido por esta turma no Acórdão nº 2202003.694, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, merece transcrição parte do voto da Conselheira Relatora Rosemary Figueiroa Augusto: Nos termos do art. 3º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 356, de 09 de junho de 2015, as matérias de competência do CARF, especificamente da 2ª Seção de Julgamento, se restringem à: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF); II IRRF; III Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. (...) Como se depreende do art. 17, da Instrução Normativa RFB nº 1565, de 11/05/2015, a seguir transcrito, a apreciação da matéria relativa ao arrolamento de bens no âmbito administrativo é de competência da unidade da Receita Federal do Brasil (RFB) do domicílio tributário do sujeito passivo. Art. 17. É facultado ao sujeito passivo apresentar recurso administrativo no processo de arrolamento de bens e direitos, no prazo de 10 (dez) dias contado da data da ciência da decisão recorrida, nos termos dos arts. 56 a 65 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. § 1º O recurso será apreciado pelo chefe da divisão, do serviço, da seção ou do núcleo competente para realizar as atividades de controle e cobrança do crédito tributário da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo que, se não o acatar, o encaminhará ao titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º A decisão proferida pelo titular da unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo será definitiva na esfera administrativa. Logo, não se conhece dessas alegações. Em face do exposto, as alegações sobre a regularidade do arrolamento de bens do sócio, não devem ser conhecidas. Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.017 19 2) MÉRITO. 2.1) DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO QUE FOI DECLARADO EM GFIP (DEBCAD Nº 51.008.3170) Em relação ao mérito, alega a Recorrente que os créditos por ela utilizados em suas compensações decorrem de pagamentos indevidos realizados à título de verbas não salariais (quinze primeiros dias de auxílio acidente e doença, férias e seu respectivo terço constitucional, aviso prévio indenizado e seus reflexos e adicional de insalubridade) e que natureza não salarial das mencionadas verbas já teria sido reconhecida pela jurisprudência do STJ em decisão submetida à sistemática dos recursos repetitivos. Conclui a Recorrente que "não se trata, portanto, de compensação sem causa como deseja fazer crer a autoridade tributária. O crédito compensado existe e decorre de pagamentos indevidos que foram realizados pela Recorrente sobre verbas não salariais que foram indevidamente incluídas na base de cálculo da contribuição previdenciária incidente sobre folha de salários". A decisão recorrida, negou provimento à Impugnação sob os seguintes fundamentos: Compensações em GFIP – a Impugnação limitase a apresentar “planilha de verbas não salariais” (fls. 1.224/1.245) e de resumos sintéticos de folhas de pagamento (fls. 1.248/1.662), com as quais: · Não é possível, simplesmente com base nas “planilhas de verbas não salariais”, constatar que o Contribuinte tenha efetivamente realizado recolhimentos indevidos de contribuições previdenciárias, até porque rubricas como “sal. maternidade”, “férias”, “dif. férias” e “prêmio”, por exemplo, têm previsão legal de incidência de contribuições previdenciárias, não sendo possível, apenas com base em decisões jurisprudenciais ou posições doutrinárias, extrair a conclusão da existência de créditos compensáveis em GFIP (como ainda se verá adiante, com mais detalhes). Ainda que fosse possível (ou seja, ainda que houvesse algum recolhimento realmente feito a maior ou indevido), seria necessária a análise das folhas de pagamento, devidamente contabilizadas, para apuração das contribuições efetivamente devidas, cotejandoas com contribuições efetivamente recolhidas, para apurar eventuais diferenças. · Ora, nem mesmo as regularidades das deduções das retenções foram provadas (veja tópico anterior). Por isso, como o Contribuinte pretende defender que existem recolhimentos compensáveis (realizados indevidamente ou a maior, a título e contribuições sobre “verbas indenizatórias”), se nem mesmo provou que os recolhimentos realmente devidos nas respectivas competências foram integralmente realizados, na medida em que também realizou compensações de retenções, para as quais igualmente não demonstrou a regularidade? Fl. 2026DF CARF MF 20 Sendo assim, mesmo que se admita a aplicação obrigatória do precedente do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.230.957 submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, por força do que dispõe o artigo 62 §1ºdo Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015) a compensação discutida no presente processo deveria ser indeferida. Isso porque não se discute aqui apenas se as verbas podem ser consideradas pagamento indevido para fins de compensação. No caso em questão, além da discussão jurídica sobre a natureza das verbas, a compensação foi indeferida porque o contribuinte não comprovou os recolhimentos. Sendo assim, mesmo que se conclua pela aplicabilidade do precedente do Superior Tribunal de Justiça acima mencionado, a compensação deverá ser indeferida em face da ausência de comprovação do recolhimento que o Recorrente entende indevido. 2.2) IMPROCEDÊNCIA DAS MULTAS ISOLADAS SOBRE AS COMPENSAÇÕES DECORRENTES DE PAGAMENTOS INDEVIDOS (DEBCAD Nº 51.008.3170) Alega ainda o Recorrente que a multa isolada aplicada no montante de 150% seria indevida, uma vez que esta pressupõe a declaração de informação falsa, o que não teria ocorrido no caso. A mencionada multa está prevista no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, que assim dispõe: Lei nº 8.212/91 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado; Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.018 21 Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como já exposto no item anterior, se o Recorrente tivesse se aproveitando de créditos de verbas pagas que considerou indevidas em razão da decisão do Superior Tribunal de Justiça, entendo que multa em questão não seria aplicável. Isso porque, a "informação falsa" que justifica a imputação da penalidade qualificada de 150% está relacionada a ocultação de fato e não questionamento sobre o seu significado jurídico. Todavia, no caso em questão, o contribuinte se aproveitou de "créditos" cujo recolhimento não foi comprovado. Nesse caso, entendo correta a imputação fiscal. 2.3) DA IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DAS RETENÇÕES DECLARADAS EM GFIP (DEBCAD Nº 51.008.3161) Alega a Recorrente que o acórdão recorrido incorreu no mesmo erro da fiscalização ao considerar somente as compensações dos valores retidos cujos recolhimentos foram confirmados pelos tomadores. Todavia, em nenhum momento a legislação vinculou o direito a dedução dos valores retidos à confirmação de que os mesmos foram recolhidos pelos tomadores. Tais alegações são improcedentes. Isso porque a fiscalização não indeferiu os créditos em razão da ausência de prova do efetivo recolhimento por parte dos tomadores. Como bem exposto na decisão recorrida: Os documentos constantes dos autos (DIPJ 2010/2009 – fls. 33/122, DACON – fls. 375/486 e DCTF 487/743) foram juntados pela Fiscalização para demonstrar a inconsistência entre os valores declarados pelo Contribuinte em GFIP e os valores apurados como recolhimentos de retenções, não sendo, pois, suficientes para demonstrar os reais montantes das retenções sofridas (até porque apenas consolidam informações prestadas por iniciativa e responsabilidade do Contribuinte, estando, por isso, também sujeitos à obrigação de ter sua regularidade e exatidão demonstradas). 2. Caberia ao Contribuinte apresentar cada uma das notas fiscais/faturas com os respectivos valores destacados das retenções, contabilizados e vinculados a folhas de pagamento e GFIP, de cada um dos tomadores de seus serviços. Se o tivesse feito, ou seja, se o Contribuinte tivesse comprovado a integral e efetiva regularidade das retenções, não teria realmente responsabilidade pelos recolhimentos das retenções, responsabilidade esta que efetivamente caberia aos tomadores de serviços que realizaram as retenções. Entretanto, justamente por não ter exibido todas as notas fiscais com o destaque das retenções, tampouco ter comprovado as regulares contabilizações de tais documentos, laborou corretamente a Fiscalização ao considerar apenas os recolhimentos de retenções que puderam ser constatados, glosando, assim, aqueles valores que são correspondentes às diferenças entre os deduzidos pelo Contribuinte e não confirmados pelos correspondentes recolhimentos. Portanto: Fl. 2028DF CARF MF 22 1. É irrelevante a alegação genérica, quanto à apresentação de documentos, de que os “... entregou, embora parcialmente”. O direito de deduzir valores retidos depende evidentemente da comprovação inequívoca de todas as retenções que pretendeu deduzir, o que pressupõe necessariamente o cumprimento das pertinentes obrigações tributárias acessórias. A circunstância de têlos apresentado “embora parcialmente” constitui concreto motivo para que não se possa aceitar todas as deduções realizadas. Aliás, as glosas se justificam exatamente pelos documentos não apresentados. 2. Carece, também, de relevância a alegada circunstância de ser considerável a quantidade de documentos a ser apresentada; ou de que parte deles estaria na posse ou sob a guarda de terceiros. Nenhuma destas circunstâncias exime legalmente o Contribuinte de suas obrigações (considerando, inclusive, o prazo excessivamente dilatado que teve ao seu dispor). 3. Na condição de empregador e contratante de dezenas, centenas ou milhares de segurados da Previdência Social, o Contribuinte deve aparelharse dos meios legais e burocráticos necessários para satisfazer as exigências trabalhistas e previdenciárias de cada um de seus empregados, sob pena de lesálos nos seus mais importantes direitos trabalhistas e sociais, o que seria inadmissível, sob qualquer ponto de vista. 4. Está claro que a Fiscalização não condicionou as deduções à comprovação dos recolhimentos (que deveriam ter sido feito pelos tomadores de serviços). Condicionouas obviamente à comprovação dos respectivos destaques nas correspondentes notas fiscais/faturas, assim como tentou vincular os documentos fiscais às folhas de pagamentos/GFIP e aos registros contábeis, mas esbarrou no obstáculo intransponível da falta de documentos que deveriam ser exibidos pelo Contribuinte. 5. Aliás, foi justamente por não ter o Contribuinte demonstrado a regularidade e integralidade das retenções declaradas, que a Fiscalização somente considerou aquelas para as quais foi possível confirmar os recolhimentos. (grifamos) 2.4) DO EFEITO CONFISCATÓRIO DA MULTA APLICADA EM VALOR SUPERIOR AO VALOR DO TRIBUTO PRINCIPAL. Alega a Recorrente que o percentual da multa teria natureza confiscatória, uma vez que supera o montante de 100% do tributo devido. Tal alegação não pode ser conhecida, uma vez que, de acordo com a súmula CARF nº 2 "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2.5) IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DO TERMO DE ARROLAMENTO FORMALIZADO. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 19515.720507/201415 Acórdão n.º 2202003.853 S2C2T2 Fl. 2.019 23 Alega a Recorrente que o arrolamento de bens realizado em função do presente processo ofende os princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, uma vez que não existe informação nos autos de que foi autuado outro processo administrativo para o termo de arrolamento em questão. Conforme já exposto no item 1.7 da presente decisão, o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários 2.6) INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE E ARROLAMENTO DE BENS SEM A COMPROVAÇÃO DE DOLO ESPECÍFICO. De acordo com o Recorrente seria indevida a atribuição de solidariedade passiva ao sócio, uma vez que, nos termos do artigo 135 do Código Tributário Nacional, essa só poderia ser imputada nos casos em que os diretores, gerentes e representantes de pessoas jurídicas de direito privado agissem de forma contrária aos interesses da sociedade, acarretando, assim, a responsabilidade pessoal destes. Conforme já exposto no item 1.7 da presente decisão o CARF não possui competência para analisar matéria relativa a arrolamento de bens, uma vez que esse procedimento não diz respeito à determinação e exigência de créditos tributários 2.7) INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO DEFINITIVAMENTE CONSTITUÍDO PARA QUE PUDESSE IMPOR APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 124 E 135 DO CTN Questiona ainda o Recorrente que a responsabilidade solidária do sócio somente poderia ter sido imputada após a finalização do trabalho fiscal. Improcedente a referida alegação. Isso porque, como já dito no item 1.5 desta decisão, a apuração de atos que conduzem à responsabilidade fiscal dos sócios só será detectada com o desenvolvimento do trabalho fiscal. Além disso, o fato gerador é o mesmo. Sendo assim, os atos que conduzem a responsabilidade tributária não é presumida, no caso dos autos, só poderão ser detectados após a finalização do trabalho fiscal. 2.8) NECESSIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E ARROLAMENTO DE BENS DO SÓCIO. Por fim, alega a Recorrente que a responsabilidade solidária do sócio só poderia ocorrer mediante o procedimento de desconsideração da personalidade jurídica da empresa. Incorreta a alegação. Isso porque, no caso dos autos, não se está imputando responsabilidade exclusiva do sócio, mas, como reconhece o próprio recorrente, responsabilidade solidária dos crédito exigidos no lançamento. Sendo assim, não há que se falar em necessidade de desconsideração da personalidade jurídica. Fl. 2030DF CARF MF 24 3) CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 2031DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.904174/2012-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA.
Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.679
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10925.904174/2012-17
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5807999
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-004.679
nome_arquivo_s : Decisao_10925904174201217.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 10925904174201217_5807999.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
id : 7058523
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736723824640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.904174/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.679 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Matéria PERDCOMP. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente I.J.G. SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO/RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação/restituição se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. RETIFICAÇÃO DE DACON PARA REDUÇÃO DE DÉBITO SEM A CORRESPONDENTE RETIFICAÇÃO DA DCTF. INEFICÁCIA. Não produz efeito a retificação do Dacon para redução de base de cálculo sem a correspondente retificação da DCTF ou comprovação do novo valor reduzido. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 41 74 /2 01 2- 17 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10925.904174/201217 Acórdão n.º 3302004.679 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação – PERDCOMP, com base em suposto crédito de contribuição social (PIS/Cofins), sendo que a DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico não reconhecendo o direito creditório/não homologando a compensação, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição e compensação dos débitos informados no PerDcomp. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que a empresa se dedica ao comércio varejista de mercadorias em geral, com predominância de produtos alimentícios, tendo verificado que estava tributando PIS e Cofins de produtos sujeitos à alíquota zero. Diante disso, constatouse pagamento indevido ou a maior em alguns meses. Assevera que foram retificados os Dacon e feito um pedido de restituição do crédito referente ao pagamento do Darf e, posteriormente, feito um pedido de compensação vinculado ao pedido de restituição. Assim, o manifestante não pode ter a DCOMP indeferida sem que se analise o crédito que lhe deu origem como demonstra comprovante em anexo, tendo destacado que não se justifica a não homologação da compensação, já que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior. Ao final, requer seja homologada a compensação, cujo crédito está demonstrado em Dacon e objeto de pedido de restituição e, se assim não for decidido, que seja determinada a apreciação e julgamento do pedido de restituição mencionado, para que se confirme o crédito pleiteado na forma da legislação. O Acórdão a quo manteve o indeferimento do pleito, nos termos do Acórdão 02056.323. Cientificada daquela decisão a Recorrente apresentou recurso voluntário, onde repisa os argumentos apresentados na primeira instância, e acrescenta que não apresentou a DCTF retificadora correspondente ao Dacon retificador, com débito reduzido, porque não sabia desta exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.659, de Fl. 40DF CARF MF Processo nº 10925.904174/201217 Acórdão n.º 3302004.679 S3C3T2 Fl. 4 3 29 de agosto de 2017, proferido no julgamento do processo 10925.902188/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.659): "O Recurso deve ser conhecido por ter sido apresentado tempestivamente e atender os demais pressupostos e requisitos de admissibilidade. Segundo a decisão recorrida, os fatos ocorreram na seguinte sequência: Vêse que para a retificação do Dacon em 22/11/2007 não houve a correspondente retificação obrigatória da DCTF1. Em 04/10/2007 foi transmitido o PER pedindo restituição de R$ 608,37, antes mesmo de ser retificado o Dacon acima, restando sem análise. Em 17/10/2007, também antes de ser entregue o Dacon retificador, foi transmitida a Dcom indicando como valor original do crédito o mesmo valor de R$ 608,37. finalmente, em 05/07/2011 foi emitido o despacho decisório correspondente à PerdComp 29929.28859.171007.1.3.040235, constante na fl. 2 indicando a não homologação e consequente emissão de DARF para pagamento. 1 Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005 Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 4ºA pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10925.904174/201217 Acórdão n.º 3302004.679 S3C3T2 Fl. 5 4 Na análise da matéria, inicialmente verificase que está correta a decisão a quo quando afirma que a Dcomp anula o Per anterior, pois evidentemente o mesmo crédito não pode ser restituído e compensado simultaneamente, pois constituiria dupla repetição de indébito. Evidenciase que o erro cometido pela recorrente ao deixar de apresentar a DCTF retificadora vinculada ao Dacon retificador prejudicou a análise tanto do seu pedido de restituição (Per) quanto da declaração de compensação (Dcomp), estranhamente transmitidos antes do Dacon retificador, uma vez que o débito anteriormente declarado na DCTF original não foi alterado e com isso ele absorveu todo valor do DARF, nada havendo a restituir ou a compensar. Nos autos não existe prova de que a Recorrente teria direito ao crédito pleiteado, pois a retificação do Dacon em si mesmo não produz efeito probatório, mormente quando desacompanhada da correspondente retificação da DCTF que levaria o fisco a intimar a declarante para comprovação. Pedido de reconhecimento de crédito realizado sem as formalidade acima exigem que a requerente desde o início carreie para os autos as provas das suas alegações. A simples menção à legislação que reduziu à zero a alíquota do PIS e da Cofins para determinados produtos não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas na DCTF, não retificada, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido. Assim sendo, por falta de provas sobre a existência de crédito líquido e certo, não há como se admitir a compensação pleiteada. Conclusão Isto posto voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a Recorrente não retificou a DCTF e nem trouxe aos autos escrituração e/ou documentos fiscais, não logrando comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720671/2015-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE.
As perdas na realização de créditos somente podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, quando devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência.
REGIME DE COMPETÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. ESCRITURAÇÃO DE DESPESA EM PERÍODO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE.
Sendo o regime de competência de observância obrigatória pelas empresas submetidas ao lucro real e balizador que define a autonomia dos exercícios financeiros e sua independência, incabível a alocação de valores pertencentes a um período em outro futuro, mormente quando afetam o resultado tributável, sob pena de infringência aos parâmetros legais fixados no artigo 177, da Lei nº 6.404, de 1976 e Decreto-lei nº 1.598/1977, artigo 7º.
DESPESAS COM FRAUDES. DEDUTIBILIDADE.
Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
MULTA ISOLADA. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIALConstatando-se a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo dos valores das estimativas mensais, a qual não considerou o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, é possível autorizar a revisão do lançamento para fins de reconhecer o valor efetivamente apurado.
TAXA SELIC. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE.
Sendo a multa isolada classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento.
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa.
Numero da decisão: 1402-002.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na apuração da multa isolada. Vencidos em primeira votação quanto ao mérito da exigência os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente aos itens 2 e 3 do auto de infração. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência da multa isolada. Designado o Conselheiro Marco Rogério Borges para redigir o voto vencedor em relação às duas primeiras votações.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Marco Rogerio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos somente podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, quando devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. ESCRITURAÇÃO DE DESPESA EM PERÍODO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Sendo o regime de competência de observância obrigatória pelas empresas submetidas ao lucro real e balizador que define a autonomia dos exercícios financeiros e sua independência, incabível a alocação de valores pertencentes a um período em outro futuro, mormente quando afetam o resultado tributável, sob pena de infringência aos parâmetros legais fixados no artigo 177, da Lei nº 6.404, de 1976 e Decreto-lei nº 1.598/1977, artigo 7º. DESPESAS COM FRAUDES. DEDUTIBILIDADE. Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. MULTA ISOLADA. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIALConstatando-se a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo dos valores das estimativas mensais, a qual não considerou o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, é possível autorizar a revisão do lançamento para fins de reconhecer o valor efetivamente apurado. TAXA SELIC. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Sendo a multa isolada classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720671/2015-32
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5814622
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-002.753
nome_arquivo_s : Decisao_16327720671201532.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
nome_arquivo_pdf_s : 16327720671201532_5814622.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na apuração da multa isolada. Vencidos em primeira votação quanto ao mérito da exigência os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente aos itens 2 e 3 do auto de infração. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência da multa isolada. Designado o Conselheiro Marco Rogério Borges para redigir o voto vencedor em relação às duas primeiras votações. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogerio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
id : 7077559
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736730116096
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-12-18T19:50:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-12-18T19:50:16Z; Last-Modified: 2017-12-18T19:50:16Z; dcterms:modified: 2017-12-18T19:50:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:251e64ce-413b-436c-a6b7-8c8909876f58; Last-Save-Date: 2017-12-18T19:50:16Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-12-18T19:50:16Z; meta:save-date: 2017-12-18T19:50:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-12-18T19:50:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-12-18T19:50:16Z; created: 2017-12-18T19:50:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 38; Creation-Date: 2017-12-18T19:50:16Z; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-12-18T19:50:16Z | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 908 1 907 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720671/201532 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.753 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente FINANCEIRA ITAU CBD S.A. CREDITO, FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos somente podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, quando devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. ESCRITURAÇÃO DE DESPESA EM PERÍODO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. Sendo o regime de competência de observância obrigatória pelas empresas submetidas ao lucro real e balizador que define a autonomia dos exercícios financeiros e sua independência, incabível a alocação de valores pertencentes a um período em outro futuro, mormente quando afetam o resultado tributável, sob pena de infringência aos parâmetros legais fixados no artigo 177, da Lei nº 6.404, de 1976 e Decretolei nº 1.598/1977, artigo 7º. DESPESAS COM FRAUDES. DEDUTIBILIDADE. Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 71 /2 01 5- 32 Fl. 911DF CARF MF 2 MULTA ISOLADA. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIALConstatandose a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo dos valores das estimativas mensais, a qual não considerou o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL, é possível autorizar a revisão do lançamento para fins de reconhecer o valor efetivamente apurado. TAXA SELIC. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Sendo a multa isolada classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para considerar o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na apuração da multa isolada. Vencidos em primeira votação quanto ao mérito da exigência os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira que votaram por dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente aos itens 2 e 3 do auto de infração. Vencidos em segunda votação os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar integralmente a exigência da multa isolada. Designado o Conselheiro Marco Rogério Borges para redigir o voto vencedor em relação às duas primeiras votações. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Marco Rogerio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 912DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 909 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do v. acórdão recorrido proferido nos autos, que abaixo transcrevo: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF), parte integrante dos autos de infração, a contribuinte é instituição financeira obrigada a apuração anual e apresentou as DIPJs dos anoscalendário 2010 e 2011, ambas em regime anual com estimativas com base em balancetes de suspensão/redução. Dentro do presente procedimento de fiscalização foi lavrada autuação anterior de IRPJ e CSLL em relação aos anos calendário 2010 e 2011, processo 16327.720.489/201581. As razões de autuação discriminadas no TVF estão resumidas a seguir. INFRAÇÃO Nº 1 Perdas em operações de crédito não atendimento aos requisitos do artigo 9º da Lei 9.430/96 Falta de documentação comprobatória Despesas indedutíveis: Com o objetivo de verificar a exclusão na apuração do Lucro Real do valor de R$ 535.341.505,06, a título de "Despesas com provisões para Operações de Crédito e Perdas" Linha 25 da Ficha 05 B da DIPJ AC 2011, a autuada foi intimada a apresentar relação analítica dos contratos baixados e respectivos enquadramentos legais, bem com escrituração contábil e descritivos dos produtos financeiros comercializados. Em procedimento de fiscalização, ficou constatado o incorreto registro de valores a título de dedução de perdas no recebimento de créditos em desacordo com a Lei nº 9.430/96. Intimada e reintimada, a autuada apresentou esclarecimentos e documentos, na intenção de comprovar as deduções. Da análise da documentação apresentada, diversos contratos de cobrança administrativa foram glosados, total ou parcialmente, conforme resumo abaixo: [...] INFRAÇÃO Nº 2 Despesas de serviços de terceiros despesas relativas a ajustes de períodos anteriores Despesas indedutíveis: Fl. 913DF CARF MF 4 A contribuinte deduziu despesas com prestação de serviços no valor de R$ 239.034.785,47. Após analisar os esclarecimentos e documentos apresentados pela autuada em atendimento às intimações efetuadas, a fiscalização concluiu que houve dedução indevida, em abril de 2011, do valor de R$ 12.702.538,14, relativo a acerto de pendências decorrentes da transferência do acordo operacional do Banco Investcred Unibanco S.A. junto ao Grupo Globex (Ponto Frio), verificada em agosto de 2009. Tais deduções foram consideradas pela contribuinte como "Ressarcimento de despesas à GLOBEX despesas com Marketing, Contratos Fraudulentos e infraestrutura" e foram explicadas da seguinte forma (trecho do TVF que copia resposta à intimação): A fiscalização considerou que o caso em questão está caracterizado como ajuste de períodos anteriores em decorrência de retificação de erro, conforme abaixo (excerto do TVF): A contribuinte não teria obedecido ao disposto no art. 186 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.), que deixa bem claro que os ajustes anteriores não devem afetar o resultado do exercício, determinando que seus efeitos sejam registrados diretamente na conta integrante do patrimônio líquido, lucros ou prejuízos acumulados. O valor de R$ 12.702.538,14 deduzido do lucro real foi glosado por falta de previsão legal que permita a dedução de despesas referentes a ajustes de períodos anteriores na apuração do lucro real. INFRAÇÃO Nº 3 Outras despesas operacionais despesas relativas a ajustes de períodos anteriores Despesas indedutíveis: Fl. 914DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 910 5 Consta deduzido, na DIPJ referente ao anocalendário 2011 (linha 30 da ficha 5B da DIPJ), o valor de R$ 364.372.516,74 a título de outras despesas operacionais. A autuada deduziu, em abril de 2011, o valor total de R$ 15.157.008,38 relativo a acerto de outras pendências com a Globex, pendências estas diferentes das citadas anteriormente. Da análise dos esclarecimentos e documentos apresentados pela autuada em atendimento às intimações efetuadas, a fiscalização concluiu que houve deduções indevidas, em abril de 2011, do valor de R$ 13.453.474,01, todas referentes a despesas de exercícios anteriores e parte delas, além de ser de períodos anteriores, teria sido deduzida em duplicidade. Abaixo, excertos do TVF a respeito do tema: Novamente, a contribuinte teria desobedecido ao disposto no art. 186 da Lei nº 6.404/76 (Lei das S.A.), que deixa bem claro que os ajustes anteriores não devem afetar o resultado do exercício, determinando que seus efeitos sejam registrados diretamente na conta integrante do patrimônio líquido, lucros ou prejuízos acumulados. Fl. 915DF CARF MF 6 O valor de R$ 13.453.474,01 deduzido do lucro real foi glosado por falta de previsão legal que permita a dedução de despesas referentes a ajustes de períodos anteriores na apuração do lucro real. Parte dessas despesas também teria sido deduzida em duplicidade. INFRAÇÃO Nº 4 Prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto Despesas de "SinistrosInspetoria" e "Perdas por Fraudes" não atendimento ao artigo 364 do RIR/99 Despesas indedutíveis: A contribuinte incluiu na DIPJ, a título de outras despesas operacionais (valor total de R$ 364.372.516,74), a dedução de despesas cadastradas na conta "SINISTROS INSPETORIA", no valor de R$ 17.533.253,22, e na conta "PERDAS POR FRAUDES", no valor de R$ 961.938,51. Após análise dos esclarecimentos e documentos apresentados pela autuada em atendimento às intimações efetuadas, a fiscalização concluiu por glosar os valores deduzidos nessas duas rubricas por não atenderem ao disposto no art. 364 do RIR/99, que determina como condição para a dedução de despesas com prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto a existência de inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. A autuante conclui dizendo que "ausente a queixa perante a autoridade policial, obviamente se torna indedutível a despesas, sendo que para todos os casos de fraudes causadas por terceiros, a FIC não apresentou este documento" e procedeu à glosa do valor de R$ 18.474.349,21. INFRAÇÃO Nº 5 Anoscalendário de 2010 e 2011. IRPJ/CSLL. Apuração da estimativa mensal com base em balanço ou balancete de suspensão/redução. Valores não incluídos na base de cálculo. Multa pelo não recolhimento da estimativa: Foi lançada multa de ofício pelo não recolhimento das estimativas mensais de que trata o artigo 44, II, "b", da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007, em razão da redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL através da contabilização mensal de amortização de ágio da não adição de despesas indedutíveis de JCP, o que teria gerado insuficiência de recolhimento mensal. Dos ajustes nos saldos de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL: Trecho do TVF: Fl. 916DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 911 7 Do lançamento decorrente: Houve o lançamento da CSLL em decorrência da fiscalização do IRPJ, com os mesmos fundamentos daquele lançamento, visto ter ocorrido a recomposição da base de cálculo da contribuição. Do recolhimento: Após cientificada do auto de infração, a impugnante recolheu parte dos valores lançados. Abaixo, trechos da informação fiscal que registra os pagamentos: Fl. 917DF CARF MF 8 Em seguida apresentou impugnação. A DRJ de Porto Alegre, decidiu negar provimento a impugnação, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITO. DEDUTIBILIDADE. As perdas na realização de créditos somente podem ser consideradas como despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, quando devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. REGIME DE COMPETÊNCIA. INOBSERVÂNCIA. A apropriação extemporânea de despesas constitui fundamento para lançamento dos tributos quando há redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. DESPESAS COM FRAUDES. DEDUTIBILIDADE. Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita e furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 912 9 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO MENSAL DAS ESTIMATIVAS. A insuficiência de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devido por estimativa, após o término do anocalendário, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. Por decorrerem de infrações distintas, é cabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. TAXA SELIC. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE. Sendo a multa isolada classificada como débito para com a União, decorrente de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros à taxa Selic a partir de seu vencimento. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando cerceamento do direito de defesa e nulidade do v. acórdão devido ao julgado não ter tratado de todos os argumentos de defesa postos na impugnação e aponta como exemplo a falta de prestação jurisdicional em relação a alegação do equivoco na base de cálculo utilizada para aplicar a multa isolada e a falta de analise pelo julgado das alegações e documentos relativos a infração 4 do AI, restringindose a afirmar que o artigo 364 do RIR/99 era aplicável ao presente caso. De resto, repisa os argumentos da impugnação. Fl. 919DF CARF MF 10 É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 913 11 Voto Vencido Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado, não contraria Súmula deste E. Tribunal e trata de matérias distintas dos créditos que foram parcelados, motivo pelo qual dele conheço. Preliminar de nulidade do v. acórdão. A Recorrente alega que o v. acórdão restou eivado de nulidade, devido ao fato de não ter analisado todos os argumentos apresentados na impugnação. Alega que a decisão "a quo' deixou de analisar importantes argumentos de defesa da Recorrente e que se ateve apenas em reproduzir os fundamentos do Termo de Verificação Fiscal. Entendo que tal preliminar não deve ser acolhida. O v. acórdão analisou todos os principais pontos dos autos, tanto os fundamentos da acusação, como as alegações da Recorrente feitas em sua impugnação. Todas as infrações indicadas no TVF e no Auto de Infração foram analisadas, fundamentadas com artigos, motivadas com argumentos para a não aceitação das provas e, no entendimento dos D. Julgadores da DRJ, a acusação foi correta, bem como restou devidamente comprovada. O fato de os Julgadores interpretarem dispositivos de lei e as provas constantes nos autos de modo diferente ao da Recorrente, não significa que deixaram de analisar os argumentos importantes feitos por ambas as partes e que constam nos autos. Existem casos, que basta o Julgador entender que determinado dispositivo se aplica ao caso concreto, ou está relacionando a ato praticado pelo contribuinte que contraria o determinado no texto do artigo supostamente infringido, não sendo necessário analisar todas as hipóteses indicadas pela defendente em sua impugnação para motivar sua decisão baseada em seu livre convencimento. Fl. 921DF CARF MF 12 Colacionar partes da acusação ou da defesa do contribuinte para fundamentar o voto do julgador, não acarreta nulidade da decisão. Transcrever partes do TVF para motivar o voto, significa dizer que, ao menos nesta parte, o julgador concorda com a autuação nos termos em que foi produzida. Tal pratica do julgador não significa que deixou de analisar os argumentos de defesa postos na impugnação da Recorrente ou que deixou de motivar sua decisão nos termos do artigo 93 da C.F. ou não está de acordo com as legislação do processo administrativo tributário e do processo civil. Ademais, em relação à suposta necessidade de se refutar todos os argumentos de defesa, nem mesmo o § 1º, do art. 489 do CPC/2015 alberga tal entendimento. Inclusive, este entendimento foi confirmado por unanimidade por todos os Ministros da Primeira Seção do STJ, no julgamento dos Embargos de Declaração no Mandado de Segurança nº 21.315DF, cuja parte de interesse da ementa reproduzse a seguir: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinamse a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. [...] 4. Percebese, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. Sendo assim, afasto a preliminar de nulidade do v. acórdão, eis que foram analisadas e motivadas todas as alegações feitas pela Recorrente na impugnação. Das infrações 2 e 3 do Auto de Infração: Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 914 13 Tais infrações são relativas a despesas com serviços de terceiros (infrações 2) e outras despesas operacionais (infração 3), ambas despesas relativas a ajustes de períodos anteriores. As despesas formalmente incorram em 2010 e o acerto contábil e fiscal ocorreram em 2011. As deduções de despesas que ocorreram em 2011 foram relativas a acertos de pendências decorrentes da transferência do acordo operacional do Banco Investcred Unibanco S.A. junto ao Grupo Globex (Ponto Frio), todas incorridas em anos anteriores. Os valores de R$ 12.702.538,14 e de R$ 13.453.474,01 referentes a despesas com prestação de serviços de terceiros e outras despesas operacionais, respectivamente, foram glosados por falta de previsão legal que permita a dedução de despesas referentes a ajustes de períodos anteriores na apuração do lucro real decorrente de retificação de erro. Cumpre ressaltar, que o TVF não analisou a necessidade, usualidade ou o efetivo pagamento das despesas, restringindose em desconsiderálas devido a ausência de legislação que permita a dedução de despesas referentes a ajustes de períodos anteriores ao da apuração do lucro real, decorrente de retificação do erro de períodos anteriores. Ou seja, segundo a fiscalização foi desrespeitado o artigo 186 da Lei 6.404/76 (Lei das SA), bem como Pronunciamento Técnico CPC 23. Vejamos a parte do TVF que fundamenta o entendimento da autuação relativa a estas duas infrações: Fl. 923DF CARF MF 14 Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 915 15 Conforme o trecho do TVF acima colacionado, para a fiscalização os erros nos ajustes anteriores não podem afetar o resultado do exercício posterior, determinando que seus efeitos sejam registrados diretamente na conta integrante do patrimônio liquido, lucros/prejuízos acumulados. Com base neste entendimento, a fiscalização decidiu lançar utilizando como base de cálculo o valor da despesa de serviços de terceiro outros serviços (infração 2 fl. 18 do TVF item 3.3) e os valores relativos a indenizações civis, despesas com TI e Telefonia de outubro de 2009 a dezembro de 2010 (fl.26 do TVF 4.3). Em relação as despesas de Indenização Cíveis, de TI e Telefonia ocorridas entre 1 de outubro de 2009 e 28 de fevereiro de 2010, a fiscalização as glosou tanto por falta de legislação para deduzilas em períodos posteriores, como por terem sido deduzidas em duplicidade em abril de 2011. Vejamos a parte do TVF relativa a este ponto: Termo de Verificação Fiscal, fl. 20: Fl. 925DF CARF MF 16 Termo de Verificação Fiscal fl . 26: Para tais despesas do período de 1 de outubro de 2009 até 28 de fevereiro de 2010, do item 3 do Auto de Infração, entendo que a Fiscalização agiu corretamente, eis que foram deduzidas em duplicidade, não restando alternativa senão manter esta parte da glosa. Entretanto, com exceção destas despesas relativas a outubro de 2009 à fevereiro de 2010, do item 3 do AI, acima indicadas, em relação as demais despesas a autuação não analisou se ocorreu prejuízo ao Fisco quando a Recorrente as deduziu no ano de 2011, ou se já foram utilizadas em períodos anteriores conforme determina o artigo 273 do RIR/99. Ou seja, como a Fiscalização não verificou tal fato, deixou de comprovar nos autos (no TVF) se a Recorrente teve lucro ou prejuízo, ou utilizou determinadas despesas nos dois períodos anteriores de 2009 e 2010, bem como se acarretou prejuízo ao Fisco no ano de 2011 com a dedução. A acusação glosou a despesa referente ao ajuste de períodos anteriores por entender que não poderia ter sido deduzida na apuração do lucro real posterior (onde foi feita a retificação do erro), exclusivamente devido a ausência de legislação fiscal/tributária para tal procedimento, fundamentandose em interpretação do próprio Agente Fiscal relativa a dispositivo pertencente a Lei das S.A. para lavra os AIs exigindo o crédito em discussão. Tal interpretação para a glosa do crédito não me parece suficientemente fundamentada, eis que deveria ter sido feito o cotejo por meio de documentos se houve ou não prejuízo ao Fisco, ou se a Recorrente tinha nos referidos períodos anteriores lucro ou prejuízo. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 916 17 Ou seja, a acusação não produziu a analise necessária, contida no artigo 273 do RIR/99 (dispositivo pertencente a legislação tributária), se houve ou não prejuízo ao Fisco, ou lucro nos dois períodos anteriores, para fundamentar a glosa em discussão. Tais constatações são de tamanha importância no meu entendimento, pois se não ocorreu prejuízo ao Fisco na postergação das despesas, não poderia ter ocorrido o lançamento como foi feito. Inclusive, a necessidade de restar comprovado tais pontos nos autos, não é exclusivo deste Relator conforme pode ser visto no v. acórdão da C. Câmara Superior, de numero 1101001.037, onde a declaração de voto da Conselheiro Ideli Pereira Bessa registrou o seguinte fundamento: [...] Todavia, tal investigação se faz necessária ante os contornos da acusação fiscal. Isto porque, ao observar que as despesas com tributos corresponderiam a períodos de apuração anteriores ao fiscalizado, a autoridade lançadora invocou o disposto no art. 273, inciso II do RIR/99, do qual extraise a orientação de que a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de custo ou dedução somente constitui fundamento para lançamento de imposto se dela resultar a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. E, em tais condições, a redução do lucro real no anocalendário 2009 somente poderia ser classificada como indevida se o sujeito passivo já houvesse deduzido os mesmos valores nos competentes períodos de apuração, ou pretendesse reduzir o lucro real do período com a utilização de valores que integrariam prejuízos passados, mas sem a observância do limite de 30% legalmente estabelecido. Em outras palavras, para afirmar indevida a redução do lucro real no anocalendário 2009 por tributos devidos de 1996 a 2001, a autoridade fiscal deveria exigir da contribuinte a prova de que os débitos tributários não foram contabilizados no passado, e não afetaram a apuração da base de cálculo tributável, aferindo os efeitos de sua regular contabilização à época para apurar se, no anocalendário 2009, teria ocorrido redução indevida do lucro real, ou apenas postergação do registro de uma despesa que veio, tardiamente, a reduzir a base tributável. Neste segundo caso haveria, em verdade, antecipação do recolhimento de tributos, e frente a esta possibilidade, não excluída pela Fiscalização, impõese concluir que a acusação fiscal não reúne elementos suficientes para sua sustentação. [...] No mesmo sentido e para demonstrar que não são entendimentos isolados, recentemente foi proferido o v. acórdão de numero 1401001.920, da C. 4 Câmara, da 1 Fl. 927DF CARF MF 18 Turma Ordinária, da 1 Seção, de lavra da D. Conselheira Relatora Lívia Germano, onde restou consignado a importância de tais pontos restarem comprovados nos autos: Quanto ao item i, relativo aos ajustes de exercícios anteriores, a decisão recorrida havia negado provimento a este item por entender que não havia provas nos autos que permitissem inferir que as receitas não operacionais, que compuseram o lucro líquido, e que depois foram excluídas do lucro real (valor total de R$3.591.606,88), são compostas de ajustes do ativo da Recorrente. Por sua vez, a diligência concluiu que a exclusão glosada corresponde a ajustes de contas do ativo. Reproduzo abaixo a Tabela 1 (fl. 284285) elaborada pela decisão recorrida a partir dos documentos trazidos aos autos pela Recorrente (fl. 172), a qual foi confirmada na diligência posteriormente efetuada: [...] Sobre os ajustes de exercícios anteriores, a Lei 6.404/1976 prevê que estes devem ser contabilizados em contas de patrimônio líquido e os conceitua no art. 186: "§ 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes.". A Receita Federal esclarece o tratamento tributário dos ajustes de exercícios anteriores na Seção "Perguntas e Respostas", afirmando que "A regularização, como ajustes de exercícios (períodos) anteriores, não provoca qualquer reflexo no resultado do período em que for efetuada sua escrituração (não afeta o lucro líquido do período de apuração)." (...) "Porque não sendo de competência do período da escrituração em que ocorrer a regularização, a despesa ou a receita não deve afetar o lucro líquido desse período de apuração." Assim, se havia algum questionamento quanto ao procedimento adotado pela ora Recorrente, este não se restringia à glosa dos valores lançados a título de ajustes de exercícios anteriores, que são neutros para fins tributários conforme reconhece a própria Receita Federal. Sendo assim, face a jurisprudência acima colacionada, entendo que a glosa das despesas baseada apenas na falta de legislação para deduzilas em período de apuração posterior, sem ter sido produzida a analise da possibilidade de a Recorrente ter lucro e prejuízo acumulado para a constatação de prejuízo ao Fisco, nos termos do artigo 273 do RIR/99 e da seção de "Perguntas e Respostas" da Receita Federal, não é suficiente para manter os créditos. Deveria ter sido produzida no momento da fiscalização e demonstrado na acusação (TVF), a análise mais aprofundada do lucro e prejuízo acumulado, para constatar a ocorrência de prejuízo ao Fisco, fato este que ai sim impediria a dedução das despesa. Fl. 928DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 917 19 Como a fiscalização não fez este minucioso cotejo para demonstrar que ocorreu prejuízo ao Fisco, incorreu em falta de prova para lastrear a acusação, não restando alternativa senão cancelar a autuação. Da Infração 1 do Auto de Infração: Para esta acusação, a Recorrente aderiu a parcelamento, requerendo a desistência em relação a maior parte dos valores, restando apenas R$ 558.136,07 relativo ao item 2.3.1.3 infração de glosa de despesa no recebimento de créditos, conforme informação fiscal de fls. 752/753. A lide relativa a este valor restante da infração, se refere a divergência entre os valores escriturados (levados a efeito na apuração do IRPJ e CSLL) como perdas em recebimento de crédito, com o procedimento administrativo de cobrança. Ou seja, os valores escriturados como despesas com perdas em recebimento de crédito não são os mesmos que estão apontados nos procedimentos administrativos de cobrança dos créditos/débitos dos clientes dos Recorrente. Segundo a Recorrente esta diferença se refere ao fato de que não pode cobrar/ negativar nas agencias de proteção ao crédito, todas as parcelas do contrato que ainda estão para vencer (parcelas vincendas), pois de acordo com a legislação do Código de Defesa do Consumidor só se pode adotar procedimento de cobrança em relação a parcela que efetivamente não foi paga (que se encontra realmente em débito). Tal alegação da Recorrente é relativa a Direito do Consumidor e não pode ser usada para afastar regra específica tributária que regulamenta a forma para a dedução dos tipos de créditos em discussão nesta infração do AI. Para o tipo de contrato que prevê que a falta de pagamento de uma ou mais parcelas implique no vencimento automático das demais parcelas vincendas, que gerou a despesa glosada nestes autos, a legislação determina que o procedimento administrativo seja em relação a todo o valor de crédito do contrato não recebido. Para o montante de despesa relativa a perda no recebimento de crédito, o procedimento administrativo de cobrança é um dos principais meios de prova de que a Instituição Financeira não irá receber o crédito, sendo necessário que esta prova se relacione perfeitamente com os valores de despesa que se pretende deduzir. Sendo assim, voto por manter o v. acórdão recorrido em seus termos e colaciono a parte relativa a esta infração abaixo para fundamentar meu voto. INFRAÇÃO Nº 1 Perdas em operações de crédito não atendimento aos requisitos do artigo 9º da Lei 9.430/96 Falta de documentação comprobatória Despesas indedutíveis: Fl. 929DF CARF MF 20 Em relação às perdas em operações de crédito objeto deste processo, temos que o litígio estabeleceuse apenas em relação à divergência entre o valor deduzido como perda e o valor constante na cobrança administrativa: [...] Na determinação do lucro real, as perdas no recebimento de créditos podem ser deduzidas de acordo com as regras estabelecidas nos artigos 9º a 12 da Lei nº 9.430/96, a seguir reproduzidos: “Perdas no Recebimento de Créditos Dedução Art. 9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no § 5º. § 2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. § 3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. Fl. 930DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 918 21 § 4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. § 5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. § 6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas. Registro Contábil das Perdas Art. 10. Os registros contábeis das perdas admitidas nesta Lei serão efetuados a débito de conta de resultado e a crédito: I da conta que registra o crédito de que trata a alínea a do inciso II do § 1o do art. 9o e a alínea a do inciso II do § 7o do art. 9o; (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) II de conta redutora do crédito, nas demais hipóteses. § 1º Ocorrendo a desistência da cobrança pela via judicial, antes de decorridos cinco anos do vencimento do crédito, a perda eventualmente registrada deverá ser estornada ou adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao período de apuração em que se der a desistência. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior, o imposto será considerado como postergado desde o período de apuração em que tenha sido reconhecida a perda. § 3º Se a solução da cobrança se der em virtude de acordo homologado por sentença judicial, o valor da perda a ser estornado ou adicionado ao lucro líquido para determinação do lucro real será igual à soma da quantia recebida com o saldo a receber renegociado, não sendo aplicável o disposto no parágrafo anterior. § 4º Os valores registrados na conta redutora do crédito referida no inciso II do caput poderão ser baixados definitivamente em contrapartida à conta que registre o crédito, a partir do período de apuração em que se completar cinco anos do vencimento do crédito sem que o mesmo tenha sido liquidado pelo devedor. Encargos Financeiros de Créditos Vencidos Art. 11. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro Fl. 931DF CARF MF 22 real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo. § 1º Ressalvadas as hipóteses das alíneas a e b do inciso II do § 1o do art. 9o, das alíneas a e b do inciso II do § 7o do art. 9o e da alínea a do inciso III do § 7o do art. 9o, o disposto neste artigo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 2º Os valores excluídos deverão ser adicionados no período de apuração em que, para os fins legais, se tornarem disponíveis para a pessoa jurídica credora ou em que reconhecida a respectiva perda. § 3º A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro líquido, para determinação do lucro real, os encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data. § 4º Os valores adicionados a que se refere o parágrafo anterior poderão ser excluídos do lucro líquido, para determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma. Créditos Recuperados Art. 12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. § 1º Os bens recebidos a título de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor.” (Redação dada pela Lei nº 12.431, de 2011). § 2º Nas operações de crédito realizadas por instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, nos casos de renegociação de dívida, o reconhecimento da receita para fins de incidência de imposto sobre a renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ocorrerá no momento do efetivo recebimento do crédito. (Redação dada pela nº 12.715, de 2012) Os dispositivos acima reproduzidos estabelecem os requisitos e as condições que devem ser observados em cada hipótese legal de dedução de perda. Ressaltase por oportuno que as normas específicas, contidas nos mencionados artigos 9º ao 12 da Lei 9.430/96, de dedutibilidade de despesas com perdas no recebimento de crédito, aqui aplicadas, estão harmonizadas com o comando do Fl. 932DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 919 23 artigo 299 do RIR/99, de caráter geral, que as considera despesas operacionais da empresa. A respeito das divergências entre o valor deduzido como perda e o constante na cobrança administrativa, o TVF registra: A autuada alega, em síntese apertada, que os valores são divergentes porque "muitas vezes, no momento da negativação, o cliente encontravase em atraso apenas de parte das prestações, não podendo ser punido por um débito que ainda não se encontrava no estado de total inadimplência, ou nos casos em que parte do (sic) da dívida foi paga e outra parte não foi quitada, ocorrendo a negativação apenas da parcela em aberto" e que teria obedecido o disposto no art. 12 da Lei 9.430/96 e o art. 24 da IN 93/1997 (atualmente IN 1.515/2014). A autuante não questiona a legalidade das deduções efetuadas, apenas seus valores. Ocorre que a impugnante deduziu valores maiores do que aqueles constantes dos seus contratos de cobrança administrativa e não trouxe nenhum comprovante de que tais deduções tenham sido efetuadas de acordo com a legislação de regência. A autuante demonstrou individualizadamente cada um dos valores glosados e a defesa poderia apontar em quais casos há divergência e comprovar suas alegações caso a caso, o que não foi feito. Assim, não há elementos de provas nos autos que tenham o condão de afastar as conclusões do fisco quanto à não comprovação do dispêndio no valor de R$ 25.630.981,67, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetuada. Desta forma, voto por manter a glosa do crédito restante relativa ao valor de R$ 558. 136,07. Fl. 933DF CARF MF 24 Da infração 4 do Auto de Infração: Esta infração é relativa a dedução de prejuízo por desfalque, apropriação indébita e furto Despesas por "SinistroInspetoria" e "Perdas Por Fraude", que segundo a fiscalização a Recorrente não atendeu o requisito do artigo 364 do RIR/99. Tais despesas são referentes a compras efetuadas indevidamente por terceiros com a utilização de cartões de crédito de clientes da Recorrente, obtidos mediante furto, clonagem, emissão com documentos furtados, dentre outros métodos. A Recorrente não juntou aos autos queixa perante a autoridade policial, requisito previsto no artigo 364 do RIR/99 para dedução deste tipo de despesa. A Recorrente alega que tais crimes com os cartões de crédito não são fraude, mas na realidade é crime de estelionato e por tal motivo, as despesas não se enquadrariam ao artigo 364 do RIR/99. Entretanto, tal alegação não deve prosperar, eis que a própria Recorrente escritura tais despesas como sendo fraude e as deduz. Ademais, a Recorrente entende que tais despesas são enquadradas pela artigo 299 do RIR/99, eis que para sua atividade empresarial (Banco) as fraudes com cartão de crédito são comuns e usuais. Colaciona parte do voto do Conselheiro Marcos Takata no v. acórdão 1103 000.766, onde equipara, com fundamento na razoabilidade, tais despesas com fraude à "quebras e perdas", entendendo que a ausência de boletim de ocorrência não impediria a dedução de tais perdas. Tal alegação no meu entender não pode ser provida. Para tais despesas, existe regra específica prevista na legislação para sua comprovação, determinando que a contribuinte apresente queixa perante a autoridade policial. Entendo que o requisito previsto no dispositivo acima indicado é importante para comprovar a despesa que se pretende deduzir. Este, inclusive, é o entendimento desta C. Turma ao analisar processos com está matéria. Sendo assim, em relação a este item, voto por manter a autuação. Em relação a multa isolada, concomitante com a multa de ofício: Para este item do Auto de Infração, entendo que a alegação da Recorrente em relação a concomitância das multas deve ser provida. Para motivar meu voto, utilizo as razões de decidir do D. Conselheiro Demetrius Macei. Fl. 934DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 920 25 A questão não é nova e, com a devida vênia dos que pensam diferente, de fato, não é possível admitirse a concomitância da multa de ofício com a multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre estimativas mensais, notadamente em razão da falta de recolhimento pelo contribuinte ter decorrido de glosa de despesas, que também afetaram a constituição do crédito tributário ao término do anocalendário. A norma contida no art. 44, II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei nº 11.488/07) dirigese ao contribuinte do IRPJ e CSLL, sujeito ao regime de tributação com base no Lucro Real Anual, que deixar de promover a antecipação dos tributos devidos em razão de estimativas mensais positivas (base de cálculo) apuradas pelo contribuinte mensalmente. O parágrafo 3º, do citado art. 44, traz, textualmente, que “a pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano”, exceto nos casos de incorporação, fusão, cisão ou extinção da pessoa jurídica. Ou seja, os valores pagos mensalmente, com base em estimativas, são apenas uma antecipação do tributo, por opção do contribuinte, que será apurado, efetivamente, apenas no encerramento do anocalendário. Nesse contexto, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido, a título de IRPJ e CSLL, é o apurado mensalmente sobre as estimativas; após o encerramento do anocalendário e apuração definitiva do IRPJ e da CSLL pelo lucro real, não há dúvidas de que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após adições, exclusões e compensações legais. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, in verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro do período em curso (art. 35 da Lei nº 8.891/95)”.1 O que se observa, à vista da lição do mestre, é que um contribuinte pode, ao longo do anocalendário, ter bases positivas para a apuração de IRPJ e CSLL sobre estimativas, como prejuízo, em cada competência. Nas que houver prejuízo, não há base de cálculo para apuração e recolhimento antecipado; e, ainda que haja uma base positiva após um prejuízo, se Fl. 935DF CARF MF 26 aquela for menor que esta e, no acumulado do ano, o que já foi antecipado supera o devido, mesmo tendo a base positiva, não haverá o recolhimento da antecipação. Assim, se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício, a base para a imposição da multa isolada é o valor devido a título de IRPJ e CSLL por antecipação até o momento do lançamento; após o encerramento do anocalendário, já haverá a apuração definitiva do tributo devido e este valor apurado passa a ser o limite quantitativo da imposição de multa isolada. Em outras palavras, o valor a ser antecipado pelo contribuinte pode, inclusive, ser suspenso ou reduzido, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado, já pago, exceder o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso (art. 39, § 2º, da Lei 8.383/91), demonstrando que não há, de fato, fatos jurídicos autônomos que justifique a imposição de duas penalidades distintas ao contribuinte, em concomitância. Pedese vênia para, neste ponto, transcreverse abaixo trecho do voto do i. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, proferido no julgamento do processo administrativo nº 10480.720836/201355 pela 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, em conclusão lógica quanto ao acima exposto: “(...) Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que não tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela do tributo devido que deixou de ser paga na forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar multa isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser Fl. 936DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 921 27 deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual. Concluise, portanto, que impor sanção pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, apurada através de lançamento de ofício com os anoscalendário já finalizados, com a respectiva multa proporcional de 75%, e, ao mesmo tempo, impor multa isolada de 50% como sanção pelo não recolhimento de antecipações devidas em competência compreendidas anteriormente, é penalizar o contribuinte duas vezes pelo mesmo tributo e, neste caso, uma penalidade é excludente da outra, não se admitindo a concomitância. Afasto, desta forma, o lançamento da multa isolada no presente caso, mantendo, tão somente, a multa proporcional de 75%. Em relação a alegação da Recorrente de impossibilidade da cobrança do juros de mora sobre a multa de ofício: Está matéria já está pacificada nesta C. Turma Julgadora, restando vencido o entendimento de que se deve incidir os juros de mora sobre a multa de ofício. Para fundamentar meu entendimento, utilizo a parte relativa a esta matéria do voto do D. Conselheiro Paulo Mateus Ciccone no processo administrativo 11080.732740/2011 43. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Rebelase a recorrente contra a possibilidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no lançamento. Embora ressalve, de plano, que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizeres do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 937DF CARF MF 28 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 938DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 922 29 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a Fl. 939DF CARF MF 30 totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Acresçase que a matéria já está amplamente consolidada nesta Corte no âmbito das três turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou parcial provimento para cancelar as infrações 2, 3 e a multa isolada aplicada ao Auto de Infração em epígrafe, mantendo o restante em seus termos. Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Fl. 940DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 923 31 Voto Vencedor Conselheiro Marco Rogério Borges Redator Designado Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento adotado pelo I. Conselheiro Relator, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, em seu profundo e preciso voto. Das infrações 2 e 3 do Auto de Infração: Tais infrações são relativas a despesas com serviços de terceiros (infrações 2) e outras despesas operacionais (infração 3), ambas despesas relativas a ajustes de períodos anteriores. As despesas formalmente incorreram em 2010 e o acerto contábil e fiscal ocorreram em 2011. As deduções de despesas que ocorreram em 2011 foram relativas a acertos de pendências decorrentes da transferência do acordo operacional do Banco Investcred Unibanco S.A. junto ao Grupo Globex (Ponto Frio), todas incorridas em anos anteriores, o que no caso, infringiu ao regime de competência. O regime de competência é a apropriação das receitas, custos e despesas ao período de sua realização, independentemente do efetivo recebimento das receitas ou do pagamento dos custos e/ou despesas quando incorridos. Objetiva, principalmente, a possibilidade de previsão, ou seja, trazer à contabilidade o futuro da entidade. Destarte, podemos definir o regime de competência como aquele momento em que as receitas são computadas a partir do momento que nasce o direito do seu respectivo recebimento, e os custas e as despesas são computadas a partir do momento do surgimento da respectiva obrigação de pagálas. O regime de competência contrapõese ao regime de caixa, em qual as receitas e os custos e/ou despesas serão computadas quando do efetivo recebimento ou pagamento, respectivamente. Destarte, a importância do regime de competência está na essência das normas contábeis, que gerarão os impactos tributários decorrentes. A sua definição contábil, em última versão, mas sempre mantendo o mesmo sentido, está na Resolução CFC Nº 1.374/11, que define a estrutura conceitual para a elaboração e apresentação das demonstrações contábeis: Fl. 941DF CARF MF 32 O regime de competência retrata com propriedade os efeitos de transações e outros eventos e circunstâncias sobre os recursos econômicos e reivindicações da entidade que reporta a informação nos períodos em que ditos efeitos são produzidos, ainda que os recebimentos e pagamentos em caixa derivados ocorram em períodos distintos. Isso é importante em função de a informação sobre os recursos econômicos e reivindicações da entidade que reporta a informação, e sobre as mudanças nesses recursos econômicos e reivindicações ao longo de um período, fornecer melhor base de avaliação da performance passada e futura da entidade do que a informação puramente baseada em recebimentos e pagamentos em caixa ao longo desse mesmo período. A Lei 6.404/76, que rege a legislação societária e comercial, estabeleceu como regra, a observância obrigatória do regime de competência, através de seu art. 177, a seguir transcrito: Escrituração Art. 177. A escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial e desta Lei e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Aqui não se trata de apenas uma regra geral, e sim, a regra para a totalidade dos casos. A única exceção contida na legislação societária (Lei 6.404/76) está no §1º do art. 186: ... § 1º Como ajustes de exercícios anteriores serão considerados apenas os decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser atribuídos a fatos subseqüentes. Ou seja, de acordo com a legislação societária em vigor, os eventuais ajustes de exercícios anteriores, e que não possam ser atribuídos a fatos subsequentes, devem ser levados diretamente à conta contábil Lucros ou Prejuízos Acumulados, sem afetar o resultado do período em que contabilizados. Fl. 942DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 924 33 Tais conceitos foram acolhidos pela legislação fiscal, no art. 7º do Decreto Lei nº 1.598/77: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. Ou seja, todo o acima exposta, resta inegável que os contribuintes que estão submetidos ao regime de apuração pelo Lucro Real não podem prescindir da obediência irrestrita ao regime de competência, sob pena de desvirtuamento de seus resultados, tanto no âmbito societário, quanto, no caso aqui tratado, fiscal. Com o advento do DecretoLei nº 1.598/77, de 1977, no seu art. 6º, §§ 5º a 7º, absorvidos pelo art. 273 do RIR/99, temse a seguinte redação deste: Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). Fl. 943DF CARF MF 34 Ou seja, há uma determinação, no seu inciso II, que em caso de inobservância do regime de competência, ocorrerá uma infração à legislação tributária. Como se observa no v. acórdão recorrido, na sua fundamentação: O art. 273 do RIR/99 contém a determinação de que, em caso de a inobservância do regime de competência importar em redução indevida do lucro real (inciso II), há infração de ordem tributária. As despesas foram incorridas em anoscalendário anteriores ao de 2011 e percebese a não apuração de resultado tributável, inclusive com prejuízo fiscal, sendo que as deduções em foco ocorreram apenas no anocalendário de 2011, ano em que a autuada apurou lucro real. Inquestionavelmente, as despesas em lide constituíram redução indevida do lucro apurado, enquadrandose na previsão do inciso II do art. 273 do RIR/99. Ou seja, baseado nos eventos do desrespeito ao regime de competência, a recorrente postergou despesas de um ano que teria prejuízo fiscal, para outro que teria lucro tributável. E, distintamente do alegado pela recorrente na sua peça recursal, analisando as DIPJS apostas no processo, houve prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2010, ou seja, todo o contexto indicaria um prejuízo ao fisco nesta postergação das despesas praticada para o anocalendário de 2011, que redundou numa diminuição do lucro real apurado. E há, ainda, todo uma questão material de qual o período de competência destes valores glosada pela autoridade fiscal, que justamente causa o desvirtuamente na apuração fiscal. De qualquer forma, há nesta postergação de despesas, sem amparo legal, uma compensação de lucro de um período com o prejuízo de outro, desrespeitando o regime de competência e gerando um prejuízo ao fisco. Adicionalmente, embora possa não ser o caso dos autos, mas apenas como fixação de conceitos assumidos neste voto, se passarmos a aceitar que os contribuintes, ao seu alvedrio, assumem quando e como registrarão os fatos contábeis, estarseia, além de ilegal e contra os princípios norteadores da contabilidade, criando a possibilidade de que custos, despesas e receitas possam ser alocados livremente em quaisquer períodos onde sejam mais convenientes, ou seja, oos primeiros (custos e despesas) quando existam lucros para a eles serem contrapostos, e as últimas (receitas) quando estiverem diante de prejuízos apurados. Pelo exposto, e o que mais consta nos autos, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário no que tange às infrações 2 e 3 supramencionadas. Em relação a multa isolada, concomitante com a multa de ofício (infração 5): Fl. 944DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 925 35 Divirjo do brilhante voto exarado pelo Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves em relação à imposição da chamada “multa isolada” nos casos de ausência ou insuficiência de recolhimentos a título de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, por fazer uma leitura diferente da que fez o I. Relator sobre a matéria. A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Fl. 945DF CARF MF 36 Por pertinentes, faço minha as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento Fl. 946DF CARF MF Processo nº 16327.720671/201532 Acórdão n.º 1402002.753 S1C4T2 Fl. 926 37 temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto da aplicação concomitante de multa isolada com o multa de ofício, ressalvado o item abaixo, que apontou erro material na apuração dos valores. Em relação ao equívoco de cálculos das multas isoladas matéria de fato: Na sua peça recursal, o recorrente alega erro de matéria de fato no que tange à apuração da base de cálculo das multas isoladas, a qual não houve manifestação no v. acórdão recorrido. A recorrente alega que a autoridade fiscal não efetuou a compensação do saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na apuração da multa isolada, e demonstra o prejuízo do valor lançado através de planilhas apostas às fls. 749 e 750 dos autos. Analisandose os elementos da planilha supracitada, com base no valor autuado, notase realmente que a autoridade fiscal não considerou os prejuízos fiscais indicados no Lalur, até o limite de 30%, na apuração da base de cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL. Há, inclusive, na planilha indicativos de erros de cálculo que devem ser considerados para a efetiva apuração do valor correto das multas isoladas. Destarte, voto em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para considerar o saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL na apuração da multa isolada, excluindose da apuração da infração 5 o montante de R$ 5.924.965,16, conforme planilha às fls. 749/750 dos autos. Fl. 947DF CARF MF 38 (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 948DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904420/2011-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/08/2005
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
Em face de a DCTF retificadora ter a mesma natureza e efeitos da declaração original, é imprestável os fundamentos do despacho decisório proferido com fundamento nesta última, quando consta dos autos a informação de que a DCTF retificadora fora entregue a tempo de se proceder à sua regular auditoria de procedimentos.
Numero da decisão: 3001-000.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Em face de a DCTF retificadora ter a mesma natureza e efeitos da declaração original, é imprestável os fundamentos do despacho decisório proferido com fundamento nesta última, quando consta dos autos a informação de que a DCTF retificadora fora entregue a tempo de se proceder à sua regular auditoria de procedimentos.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.904420/2011-81
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5828871
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 08 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.158
nome_arquivo_s : Decisao_13603904420201181.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 13603904420201181_5828871.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7109351
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736740601856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1696; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 52 1 51 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.904420/201181 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.158 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 25 de janeiro de 2018 Matéria DCOMP ELETRÔNICO COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente APAIL DIESEL AUTOPEÇAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2005 DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Em face de a DCTF retificadora ter a mesma natureza e efeitos da declaração original, é imprestável os fundamentos do despacho decisório proferido com fundamento nesta última, quando consta dos autos a informação de que a DCTF retificadora fora entregue a tempo de se proceder à sua regular auditoria de procedimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 42 a 49) interposto contra o Acórdão 02 41.014, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG DRJ/BHE (fls. 75 a 80), que, na sessão de 23.10.2012, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente (fls. 12/13), não reconhecendo o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 44 20 /2 01 1- 81 Fl. 52DF CARF MF 2 direito creditório postulado e não homologando a compensação declarada, mantendo, por conseguinte, a decisão exarada pela autoridade administrativa na repartição fiscal de origem. Do pedido de ressarcimento/compensação O requerente, por meio dos "Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação" PER/DCOMP 26509.09049.301007.1.3.048977, transmitido em 30.10.2007 (fls. 02 a 06), que dispõe: Crédito Pagamento Indevido ou a Maior Informado em Processo Administrativo Anterior: NÃO Número do Processo: Natureza: Informado em Outro PER/DCOMP: NÃO Nº do PER/DCOMP Inicial: Nº do Último PER/DCOMP: Crédito de Sucedida: NÃO CNPJ: Situação Especial: Data do Evento: Percentual: Grupo de Tributo: COFINS Data de Arrecadação: 15/09/2005 Valor Original do Crédito Inicial 16.548,90 Crédito Original na Data da Transmissão 16.548,90 Selic Acumulada 28,03% Crédito Atualizado 21.187,56 Total dos débitos desta DCOMP 14.961,54 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 11.685,96 Saldo do Crédito Original 4.862,94 Darf COFINS 01.Período de Apuração: 31/08/2005 CNPJ: 23.360.605/000199 Código da Receita: 5856 Nº de Referência: Data de Vencimento: 15/09/2005 Valor do Principal 22.643,36 Valor da Multa 0,00 Valor dos Juros 0,00 Valor Total do DARF 22.643,36 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13603.904420/201181 Acórdão n.º 3001000.158 S3C0T1 Fl. 53 3 Data de Arrecadação: 15/09/2005 DÉBITO IRPJ Débito de Sucedida: NÃO CNPJ: 23.360.605/000199 Grupo de Tributo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS Código da Receita/Denominação: 022001 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Balanço trimestral Período de Apuração: 3º Trim. / 2007 Data de Vencimento do Tributo/Quota: 31/10/2007 Débito Controlado em Processo: NÃO Número do Processo: Principal 14.961,54 Multa 0,00 Juros 0,00 Total 14.961,54 DEMONSTRATIVO CRÉDITO CNPJ do Crédito: 23.360.605/000199 Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior Ação Judicial: NÃO Informado em Processo Administrativo Anterior: NÃO Informado em PER/DCOMP Anterior: NÃO Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP 11.685,96 DÉBITOS COMPENSADOS CNPJ do Débito: 23.360.605/000199 Grupo de Tributo: IRPJ Código da Receita: 022001 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Balanço trimestral Período de Apuração/Exercício/AnoCalendário: 3º Trim. / 2007 Data de Vencimento: 31/10/2007 Número do Processo: Principal 14.961,54 Multa 0,00 Fl. 54DF CARF MF 4 Juros 0,00 Total 14.961,54 TOTAL 14.961,54 Do despacho decisório Em face do referido pedido, foi exarado o despacho decisório Número de Rastreamento 952424883 (fl. 07): (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 16.548,90 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/09/2011. PRINCIPAL MULTA JUROS 14.961,54 2.992,30 6.107,30 Para verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar www.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro" opção "PER/DCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento Legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Da manifestação de inconformidade Diante da decisão supra, cientificada em 23.09.2011, o contribuinte apresentou, em 19.10.2011, manifestação de inconformidade para aduzir, em apertada síntese, que: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13603.904420/201181 Acórdão n.º 3001000.158 S3C0T1 Fl. 54 5 (i) informou indevidamente na DCTF o valor do imposto código 5856 (Cofins não cumulativo), tendo posteriormente, em 29.10.2009, corrigido o valor conforme retificadora anexada aos autos; (ii) considera que realizou os procedimentos necessários para a compensação dos valores pagos indevidamente; (iii) demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório, requer seja acolhida a impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o referido despacho decisório. Da decisão de 1ª instância Sobreveio a decisão contida no voto condutor do já referido acórdão vergastado, cuja ementa transcrevo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do recurso voluntário Irresignado ainda com o feito, o contribuinte interpôs recurso voluntário, que veio a reprisar, em suma, os mesmos argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Os trechos a seguir transcritos confirmam essa identidade, vejamos, que: (...) (i) apurou os créditos e através do PERDCOMP pediu a compensação dos mesmo. Via de consequência, existindo o crédito não apropriado serodiamente, os valores informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e aquele recolhido tempestivamente no DARF a época do fato gerador estão além daquele efetivamente devido; (ii) a simples alegação de que o quantum declarado e aquele recolhido estavam corretos, não pode inviabilizar a compensação/ressarcimento de valores que à época foram recolhidos a maior em razão da não apropriação; (iii) a manutenção do argumento constante no acórdão esvazia o princípio da presunção relativa, retirando do Contribuinte a possibilidade de rever valores recolhidos a maior, ferindo a Fl. 56DF CARF MF 6 capacidade contributiva e ainda dando azo ao odioso confisco ao apropriar de valores recolhidos sem causa; (iv) a retificação da DCTF não retira do contribuinte o direito ao crédito, ele existe, e, em momento algum foi questionado; (v) o procedimento adotado e a origem do crédito é idêntica. Não há que se falar inexistência de crédito liquido e certo. A divergência quanto aos créditos apontados refletem exatamente o valor pleiteado; (vi) se o valor foi informado incorretamente na DTCF e posteriormente corrigido através de retificação do documento, o direito da recorrente é inconteste; (vii) espera a reforma da decisão cotejada no acórdão recorrido, declarando, por conseguinte, o direito a compensação dos valores pagos indevidamente e via de consequência julgando improcedente o lançamento que exige o recolhimento dos valores compensados. Apresenta, juntamente com o recurso voluntário, a cópia do Acórdão 02 41.017, da 2ª Turma da DRJ/BHE, cuja decisão foi proferida na sessão de julgamento de 23.10.2012, referente ao processo 13603.904423/201114 e cópia do "Extrato do Processo" 13603904.710/201124, que informa que o crédito exigido foi extinto por compensação, cujo valor originário era de R$ 5.036,53, com vencimento em 30.04.2008, referente ao tributo de código de receita 0220, do trimestre calendário de 01/2008. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O recurso voluntário, conforme se depreende do carimbo aposto na petição em análise, foi protocolado na DRF/CONTAGEMMG, em 11.03.2013 (segundafeira). A ciência da decisão de 1º (primeiro) grau, conforme carimbo aposto no Aviso de Recebimento "AR" (fl. 40), ocorreu em 18.02.2013 (segundafeira). Portanto, nos termos do artigo 73 do Decreto 7.574 de 29.09.2011, combinado com o artigo 33 do Decreto 70.235 de 06.03.1972, é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Prolegômeno Antes de tratarmos da questão de fundo do presente litígio, em vista dos documentos acostados à peça de defesa recursal do contribuinte, faço questão de esclarecer, de antemão, que quanto ao mencionado "Extrato do Processo 13603904.710/201124", consultando o sistema eprocesso colhese a informação de que inexiste registro do mencionado processo, e quanto ao Acórdão 0241.017, cuja decisão foi proferida pela mesma turma julgadora e na mesma data em que exarada a decisão ora sob exame, é suficiente para demonstrar o equívoco interpretativo do contribuinte trazer à colação o trecho do mencionado julgado que evidencia quais foram os fundamentos e razão de decidir naquele litígio. Vejamos: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13603.904420/201181 Acórdão n.º 3001000.158 S3C0T1 Fl. 55 7 (...) O contribuinte, visando à comprovação do direito creditório, anexou aos autos cópia da DCTF retificadora apresentada em 07/05/2009. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo, apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior, confirmando os dados informados na DCTF retificadora. Temse ainda que, no sistema de processamento mantido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o crédito apurado está reservado para o presente processo e para a DComp relacionada. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...) Portanto, diferentemente da situação posta nos autos do presente processo, no caso do processo 13603.904423/201114 Acórdão 0241.017 a turma julgadora constatou que (i) a apuração do PIS e da Cofins estava consolidada no respectivo Dacon), (ii) o valor apurado no Dacon, apresentado antes da ciência do despacho decisório, evidenciava a existência de pagamento indevido ou a maior, (iii) tais informações foram confirmadas com os dados informados na DCTF retificadora, (iv) no sistema de processamento da RFB referido crédito apurado encontravase, justamente reservado para aquele processo e para a DComp nele relacionada; ou seja, tudo o que o contribuinte não logrou demonstrar e/ou comprovar nos autos do presente processo, conforme veremos em seguida. Do mérito A questão fulcral que se apresenta no presente processo diz respeito a existência de uma DCTF retificadora transmitida em data anterior à PER/DCOMP, que no seu entendimento atesta a existência de crédito da COFINS pelo pagamento a maior/indevido, que não foi levada em consideração quando da emissão do despacho decisório em apreço. Salientese que a divergência apontada pelo tribunal a quo somente passou a existir com a recepção pelo fisco da DCTF retificadora, quando comparados a DACON original com a DCTF retificadora. A 3ª Turma da CSRF no Acórdão 9303005.396, de 25.07.2017, já firmou entendimento ao confirmar a decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, de “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. outro norte, temse o Acórdão 3201003.071, de 27.07.2017, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, Processo 19740.900036/200904, Fl. 58DF CARF MF 8 da lavra do Conselheiro Relator Paulo Roberto Duarte Moreira, cujas razões de decidir passo a adotar para fundamentar o presente voto: Com efeito, com base na DCTF original não haveria pagamento a maior de Cofins e, por conseguinte, nenhum direito creditório, o que demonstraria o acerto do despacho decisório original, proferido em 07/10/2009. Ocorre que antes da prolação do despacho decisório, a recorrente após correção e ajustes informados em seu recurso, transmitiu DCTF retificadora, em 18/09/2009, portanto, em data anterior ao término da análise de sua DCOMP. No ponto, importa decidir se o despacho decisório deveria ser proferido em observância à DCTF retificadora que constava na base de dados da Secretaria da Receita Federal RFB; e mais, questão fundamental é saber se a recorrente, na eminência da prolação de despacho decisório, eralhe permitido retificar a DCTF para reduzir valor de tributo devido, que corresponderia ao direito ao crédito do valor pago a maior. Depreendese do despacho decisório que a unidade de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Este procedimento, eletrônico digase de passagem, é efetuado segundo os princípios da compensação, que nada mais é que o encontro de contas entre débito e crédito, este caracterizado pelo pagamento a maior ou indevido, consubstanciado, no caso em apreço, em um DARF. Quanto ao débito, é o valor extraído do documento hábil no qual o contribuinte confessa sua dívida tributária, qual seja, a DCTF válida que consta da base de dados da RFB. Assim, uma vez que no presente caso a não homologação da compensação declarada decorrera apenas da vinculação do pagamento ao débito informado na DCTF original, deve ser aceita como prova a DCTF retificadora transmitida antes da emissão do despacho decisório, desde que não haja impedimento normativo à sua utilização. À época dos fatos vigia a IN RFB nº 903/2008 que dispunha do Capítulo V para tratar da retificação de declarações. Seu art. 11 rezava: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13603.904420/201181 Acórdão n.º 3001000.158 S3C0T1 Fl. 56 9 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Os dispositivos não carecem de maiores interpretações. A DCTF retificadora, quando admitida, tem a mesma natureza e efeitos da declaração original. De acordo com a IN citada acima não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado e a cobrança já tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados no despacho decisório. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Quanto ao pedido da recorrente de não declarar a nulidade na hipótese do mérito lhe ser favorável, entendo não ser a melhor solução à lide. Isto porque possível enfrentamento do mérito pela Turma somente se efetivaria diante de elementos carreados aos autos que permitissem decidir o direito, e tais elementos não prescindiriam de diligência à unidade de origem, providência que julgo menos eficiente que novo despacho decisório. Ademais, não pode o CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação, pois à luz do art. 10 da IN RFB nº 903/2008: "Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna". De se observar que procedimento algum fora realizado em relação à apuração dos valores da compensação, sejam débitos ou créditos. Fl. 60DF CARF MF 10 Não podem as autoridades administrativas omitiremse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF. Nesse sentido, decisão do STJ: Quando o poder conferido a um determinado órgão ou entidade é distribuído pelas autoridades que o integram, sob o critério de hierarquia, nenhuma delas, seja a de grau inferior, seja a de grau superior, pode realizar ato válido na esfera de competência da outra, se inexiste lei que autorize a atividade de que se trata. A competência administrativa, sendo um requisito de ordem pública, é intransferível e improrrogável ad nutum do administrador, só podendo ser delegada ou avocada de acordo com a lei regulamentadora da administração." (cf. Ac. do STF Pleno no MS n° 21.1172DF, em sessão de 28/05/92, Rei. Min. limar Galvão, publ. in DJU de 14/10/94 e in JSTF/LexVol. 195, pág. 135) Da conclusão Pelo exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.000300/2009-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS.
Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 9303-005.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inserem-se no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10945.000300/2009-29
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5789988
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.657
nome_arquivo_s : Decisao_10945000300200929.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10945000300200929_5789988.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
id : 6989249
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:08:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736775204864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1510; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10945.000300/200929 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.657 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria PIS CONCEITOS DE INSUMOS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FRIMESA COOPERATIVA CENTRAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Inseremse no conceito de insumos, para fins de créditos da não cumulatividade do PIS e da Cofins, os bens consumidos diretamente no processo produtivo do produto destinado a venda, nos termos dos art. 3º, inc. II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Sousa, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 03 00 /2 00 9- 29 Fl. 6552DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67 do antigo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3102002.043, de 25/09/2013, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. NÃO CUMULATIVIDADE. Sob o regime de incidência não cumulativa e para fins de dedução de créditos, para verificar se determinado bem ou serviço pode ser qualificado como insumo, é necessário analisar seu grau de inerência (um tem a ver com o outro) com a produção ou o produto, e o grau de relevância desta inerência (em que medida um é efetivamente importante para o outro ou se é apenas um vínculo fugaz sem maiores consequências). NÃO CUMULATIVIDADE. CUSTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS. ATENDIMENTO AO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Por força do que prescreve o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, dão direito ao crédito os custos com frete no transporte, realizado entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte, de matériasprimas aplicadas no processo de produção. DESPESA COM FRETE REFERENTE AO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE O ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL E O ESTABELECIMENTO DISTRIBUIDOR. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, as despesas com frete realizadas no transporte de produtos acabados entre o estabelecimento industrial e distribuidor da mesma pessoa jurídica não integra a base de cálculo para cálculo de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 6553DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 4 3 Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, apurados no regime de incidência não cumulativa exportação, relativos ao ano calendário de 2007, que foram cumulados com pedidos de compensação. A Fazenda Nacional pede o provimento do seu recurso especial em relação aos seguintes itens: (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes; (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. O recurso especial foi admitido nos termos do Despacho de Exame de Admissibilidade, efls. 6536/6543, exarado pelo então Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte foi cientificado do acórdão recorrido, bem como do recurso especial e do despacho de admissibilidade e não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Relator. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS/Pasep no regime da nãocumulatividade previsto na Lei 10.637/2002. Como visto, no Acórdão recorrido adotou como critério o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido tenha uma relação de pertinência entre os bens e serviços adquiridos e a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Fl. 6554DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 5 4 Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º da Lei nº 10.637/2002, que trata das possibilidades de creditamento do PIS: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. Fl. 6555DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 6 5 IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) Ora, segundo este dispositivo legal, somente geram créditos da contribuição custos com bens e serviços utilizados como insumo na fabricação dos bens destinados a venda. Note que o dispositivo legal descreve de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita não necessitaria ter sido elaborado desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não necessitaria ter descido a tantos detalhes. Passamos então a analisar os itens objeto do recurso da Fazenda Nacional: Fl. 6556DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 7 6 (1) direito creditório relativo a bens indicados no CFOP 1.556 e 2.556, relativos às exigências da vigilância sanitária, quais sejam, produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. Quanto a esse item, importante transcrever abaixo trecho do voto constante do Acórdão da DRJ para deixar claro que a insurgência do contribuinte não é total quanto aos itens glosados, veja a seguir: (...) A interessada comentou o entendimento do fisco, de que os bens classificados no CFOP 1.556/2.556, não se enquadrariam no conceito de insumo e que representariam bens de uso e consumo, glosando, da base de cálculo de créditos, o montante de R$ 6.763.448,36 (representado por 8.803 notas fiscais, relacionadas As fls. 4722/4983); a contribuinte concorda com tal glosa até o montante de R$ 4.240.897,69, dizendo que, por outro lado, o valor remanescente (R$ 2.522.550,67) seria referente a bens utilizados no processo industrial, tais como matériasprimas, insumos de produção e embalagem, o que lhe conferiria direito ao correspondente crédito, anexando, às fls. 6255/6325, lista de tais bens. (...) Quanto a esses itens, o Acórdão recorrido concedeu o direito ao crédito em relação aos seguintes itens, destacados no trecho abaixo transcrito do voto da relatora: (...) Feito este esclarecimento e tendo em vista que a Recorrente se dedica à produção de carne e leite para consumo humano, por óbvio que se devem incluir no conceito de insumo os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos. (...) Quero registrar que a própria Receita Federal já afastou a necessidade de que para ser insumo e ter direito ao crédito, haja necessidade do desgaste do bem consumido, pelo contato físico com o bem em produção. Tal fato pode ser constatado pelo que foi disposto na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016. Abaixo transcrevo a sua ementa em relação ao PIS que é idêntica da Cofins: Fl. 6557DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 8 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CREDITAMENTO. INSUMOS. DIVERSOS ITENS. 1. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, a possibilidade de creditamento, na modalidade aquisição de insumos, deve ser apurada tendo em conta o produto destinado à venda ou o serviço prestado ao público externo pela pessoa jurídica. 2. In casu, tratase de pessoa jurídica dedicada à produção e à comercialização de pasta mecânica, celulose, papel, papelão e produtos conexos, que desenvolve também as atividades preparatórias de florestamento e reflorestamento. 3. Nesse contexto, permitese, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 3.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos que, no interior de um mesmo estabelecimento da pessoa jurídica, suprem, com insumos ou produtos em elaboração, as máquinas que promovem a produção de bens ou a prestação de serviços, desde que tais dispêndios não devam ser capitalizados ao valor do bem em manutenção; 3.b) combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos e veículos diretamente utilizados na produção de bens; 3.c) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados diretamente na produção de bens para venda; 4. Diferentemente, não se permite, entre outros, creditamento em relação a dispêndios com: 4.a) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em máquinas, equipamentos e veículos utilizados em florestamento e reflorestamento destinado a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.b) serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, pois a possibilidade de creditamento deve ser analisada em relação ao bem adquirido; 4.c) serviços de transporte, prestados por terceiros, de remessa e retorno de máquinas e equipamentos a empresas prestadoras de serviço de conserto e manutenção; Fl. 6558DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 9 8 4.d) partes, peças de reposição, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos utilizados no transporte de insumos no trajeto compreendido entre as instalações do fornecedor dos insumos e as instalações do adquirente; 4.e) combustíveis e lubrificantes consumidos em veículos utilizados no transporte de matéria prima entre estabelecimentos da pessoa jurídica (unidades de produção); 4.f) bens de pequeno valor (para fins de imobilização), como modelos e utensílios, e ferramentas de consumo, tais como machos, bits, brocas, pontas montadas, rebolos, pastilhas, discos de corte e de desbaste, bicos de corte, eletrodos, arames de solda, oxigênio, acetileno, dióxido de carbono e materiais de solda empregados na manutenção ou funcionamento de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades de florestamento e reflorestamento destinadas a produzir matéria prima para a produção de bens destinados à venda; 4.g) serviços prestados por terceiros no corte e transporte de árvores e madeira das áreas de florestamentos e reflorestamentos destinadas a produzir matériaprima para a produção de bens destinados à venda; 4.h) óleo diesel consumido por geradores e por fontes de produção da energia elétrica consumida nas plantas industriais, bem como os gastos com a manutenção dessas máquinas e equipamentos. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Instrução Normativa SRF nº 247, de 2002, art. 66; Lei nº 4.506, de 1964, art. 48; Parecer Normativo CST nº 58, de 19 de agosto de 1976; DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 76, de 23 de março de 2015, publicada no Diário Oficial da União de 30 de março de 2015. Parcialmente vinculada à Solução de Consulta Cosit nº 16, de 24 de outubro de 2013, publicada no Diário Oficial da União de 06 de novembro de 2013. (...) Penso que esta interpretação está mais coerente, sobretudo com o disposto no inc. II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, na medida em que se exige que o bem ou serviço seja aplicado e consumido diretamente no processo produtivo do bem destinado a venda. Entendo que não há espaço para estender para outros bens ou serviços utilizados na etapa préindustrial ou em período posterior ao encerramento do processo produtivo. Fl. 6559DF CARF MF Processo nº 10945.000300/200929 Acórdão n.º 9303005.657 CSRFT3 Fl. 10 9 Neste sentido pelo que foi exposto no voto do Acórdão recorrido, pareceme que os produtos químicos, produtos de limpeza, detergentes, indumentária e produtos de higienização indispensáveis para o cumprimento das exigências sanitárias impostas pelo Poder Público relativamente à indústria de processamento de alimentos, atende ao conceito de insumos erigidos pela Lei, na medida em que são utilizados e consumidos no processo produtivo propriamente dito do produto destinado a venda. Compreendo que a utilização destes produtos têm o mesmo alcance dos itens 3a e 3c da Solução de Divergência acima transcrita. (2) relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes Nesta mesma linha de entendimento, o acórdão recorrido reconheceu a legitimidade dos créditos relativos à manutenção de máquinas e equipamentos e lubrificantes utilizados também no processo produtivo. Ante a falta de evidência de que não se destinam ao uso e consumo dentro do processo produtivo, penso que não há como não acatar referidos créditos, pelas mesmas razões já expostas no item anterior. (3) gás liquefeito de petróleo GLP utilizados na queima do pêlo suíno para abate. Compreendo que se trata de insumo utilizado diretamente no processo industrial do contribuinte, ou seja, na elaboração e beneficiamento do produto alimentar. Assim, por se tratar de bens utilizados e consumidos dentro do processo produtivo do produto destinado a venda, nego provimento ao RE da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 6560DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008218/2007-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 17/11/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. INÍCIO DA CONTAGEM DECADENCIAL.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. AUTOS DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÕES DISTINTAS. FALTA DE CORRELAÇÃO PARA APLICAÇÃO DA MULTA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o dissídio jurisprudencial, em vista da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à decadência e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 17/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. INÍCIO DA CONTAGEM DECADENCIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. AUTOS DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÕES DISTINTAS. FALTA DE CORRELAÇÃO PARA APLICAÇÃO DA MULTA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o dissídio jurisprudencial, em vista da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10680.008218/2007-39
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800744
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-006.064
nome_arquivo_s : Decisao_10680008218200739.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680008218200739_5800744.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à decadência e, no mérito, na parte conhecida, acordam em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7020490
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736787787776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.008218/200739 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.064 – 2ª Turma Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria CSP OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KAEFER ISOBRASIL LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 17/11/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. INÍCIO DA CONTAGEM DECADENCIAL. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. AUTOS DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÕES DISTINTAS. FALTA DE CORRELAÇÃO PARA APLICAÇÃO DA MULTA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o dissídio jurisprudencial, em vista da ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à decadência e, no mérito, na parte conhecida, acordam em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 82 18 /2 00 7- 39 Fl. 208DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.025.4120, lavrado, em 17/11/2006, contra o contribuinte identificado acima, em decorrência do descumprimento da obrigação acessória de Fundamento Legal 69 (apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas, em relação aos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias) nas competências 01/1999 a 12/2005. Conforme informações contidas no relatório fiscal (fls. 21/22 e anexos), a empresa apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP’s com dados incorretos ou omissos nos seguintes campos: “Data e Código de mOvimentação”, “Código de FPAS”, “Código de Terceiros” e “Categoria”. O Relatório Fiscal registra a inexistência de circunstâncias agravantes descritas no art. 290 do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e nem a atenuante prevista no artigo 291 do mesmo Regulamento. Pela infração incorrida, foi aplicada a multa prevista no art. 32, IV, §6º da Lei nº 8.212/91 e art. 284, III do RPS, e o valor da multa aplicável corresponde a 5% (cinco por cento) do valor mínimo, que em 11/2006 corresponde a R$ 1.156,95, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, em função do número de empregados. Assim, a multa para cada campo omisso ou informado incorretamente é de R$ 57,84 (cinqüenta e sete reais e oitenta e cinco centavos). O valor total da multa representa o somatório dos valores apurados em cada uma das competências e o valor da multa aplicada foi de R$ 10.123,75 (dez mil, cento e vinte e três reais e setenta e cinco centavos). A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado o lançamento procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/03/2011, foi dado provimento Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 9202006.064 CSRFT2 Fl. 3 3 parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301001.872 (fls. 166/177), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir – devido à regra decadencial do I,art. 173 do CTN – os fatos que ensejaram o cálculo da multa até 12/2000, anteriores a 01/2001, nos termos do voto do Relator; e II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à recorrente, ao cálculo da multa, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Leôncio Nobre de Medeiros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei nº 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I,considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/04/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional opôs, tempestivamente, em 03/05/2011, Embargos de Declaração (fls. 181/181) alegando contradição na contagem do prazo decadencial do fato gerador ocorrido em dezembro de 2000, de acordo com o artigo 173, I, do CTN. Alega que para o fato gerador ocorrido em dezembro de 2000, o lançamento somente poderia ser efetuado em 01/01/2001, fazendo com que o início do prazo decadencial fosse para o dia 1º de janeiro; contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 31/12/2006; e como a ciência do auto se deu em novembro de 2006, concluise que o lançamento não aconteceu a destempo para esse período. Tais embargos foram rejeitados. Fl. 210DF CARF MF 4 Novamente, o processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 24/08/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 26/08/2011, Recurso Especial (fls. 188/202). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) correta interpretação da contagem do prazo decadencial, de acordo com o art. 173, I, do CTN e b) retroatividade benigna Obrigação Acessória. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 388/2012, da 3ª Câmara, de 01/06/2012 (fls.203/204). O recorrente traz como alegações: · em relação ao item “a” correta interpretação da contagem do prazo decadencial, de acordo com o art. 173, I, do CTN, que o termo inicial da decadência, segundo o dispositivo legal acima citado, corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e não ao primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador, uma vez que a contagem da decadência, de acordo com o citado dispositivo legal do CTN, deve seguir a sua literalidade, por ser esta a jurisprudência reiterada do STJ – Resp nº 973.733/SC. · acrescenta que, ao mencionar que o dies a quo, segundo o art. 173, I, do CTN, corresponderia ao primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível, quis o STJ afastar a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Código Tributário. · em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2301001.872, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 02/07/2012, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 9202006.064 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 203. As questões objeto do recurso referemse, resumidamente, a regra para aferição da decadência quinquenal para competência "DEZEMBRO", bem como, a retroatividade benigna quanto à natureza das multas aplicadas nos autos de infração de contribuições previdenciárias após a MP 449/2008, convertida na lei nº 11.941/2009. Embora não tenha havido qualquer questionamento e sede de contrarrazões em relação ao conhecimento, quando da análise do mérito da matéria "retroatividade benigna", observo a impossibilidade de seu conhecimento, pela ausência de cumprimento de seus pressupostos de admissibilidade. O Recurso Especial da PGFN, nessa parte, traz as seguintes considerações para demonstrar a divergência entre os julgados: 1.2. DA MULTA APLICADA. O entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, e está representado em acórdão, cuja ementa está abaixo transcrita: Acórdão 240100.127: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, tratase de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória decorrente de Notificação Fiscal, onde fora reconhecida a decadência do artigo 150, § 4o, do CTN, impondo seja levada a efeito a mesma decisão nestes autos em face da relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO INFRAÇÃO Consiste em descumprimento de obrigação acessória, a empresa apresentar a GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não Fl. 212DF CARF MF 6 correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL PRINCÍPIO DA RETRO ATIVIDADE BENIGNA APLICAÇÃO Na superveniencia de legislação que se revele mais favorável ao contribuinte no caso da aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, aplicase o princípio da retroatividade benigna da lei aos casos não definitivamente julgados, conforme estabelece o CTN. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE". (Grifos nossos) (Doe. 03) Em que pese não restar consignado na ementa qual o dispositivo legal aplicável à espécie, em seu voto, que restou vencido apenas no que tange à decadência, o eminente relator do acórdão consigna que: "Entretanto, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida provisória n° 449/2008. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionada a GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: (...) Entretanto, a MP 449/2008, também acrescentou o art. 35~A que dispõe o seguinte: ¿ Art. 35~A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei 9.430, de 1006.' 0inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;' Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado". (Grifos nossos) Insta aqui consignar que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que hora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Naquela ocorrência, consignouse que havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei n° 8.212/91, que nos remete ao art. 44,1, da Lei n° 9.430/96, e não o art. 32A da Lei n° 8.212/91, conforme entendeu a e. Câmara a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/91, sob pena de bis in idem. E o eminente relator do acórdão paradigma segue consignando que: Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 9202006.064 CSRFT2 Fl. 5 7 "Asseverese que todas as contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio das notificações já mencionadas e, a meu ver, tendo havido lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. (...) No caso das notificações conexas e já julgadas, prevaleceram os valores de multa aplicados nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, o qual previa uma multa máxima de cinqüenta por cento, ou seja, inferior ao percentual se setenta e cinco por cento estabelecido na nova regra. Assim, para evitar o bis in idem, o cálculo da multa deve ser efetuado pela aplicação do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996, excluindose os valores das multas lançadas nas notificações correspondentes." Vêse, portanto, que a e. Câmara a quo entendeu que, por se tratar de infração relacionada à apresentação da GFIP, o dispositivo legal que deve retroagir para regulamentar a multa aplicada é o art. 32A da Lei n° 8.212/91, independentemente de ter havido ou não lançamento de ofício. Em posicionamento diametralmente oposto, a Ia Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF considerou ser legítima a aplicação da multa nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/91, em situação análoga à presente, por entender que, havendo lançamento de ofício das contribuições previdenciárias vinculadas à infração em análise, não mais deve ser aplicado o art. 32A do mesmo diploma legal, sob pena de bis in idem. Importante destacar que, ao contrário do narrado pela ilustre procuradora, no lançamento em questão, a fundamentação legal é diversa da hipótese trazida no paradigma. Senão vejamos: Já pelo contrário, no acórdão paradigma: Fl. 214DF CARF MF 8 Ou seja, não há como demonstrar a divergência, pois as situações objeto de lançamento não são idênticas. Enquanto no paradigma, tratase de AIOA com fundamento legal AI 68, em que o sujeito passivo omitiu em GFIP fatos geradores vinculados a obrigação principal e não recolhidos, gerando o lançamento também de uma obrigação principal (AIOP); no recorrido, tratase de lançamento de AIOA com fundamento legal AI¨69, ou seja, fundamentado na omissão/erro de informações em GFIP não relacionados diretamente a obrigação principal. Assim, tratandose de lançamentos sobre fundamentações distintas, e que o AI 69 não possui correlação direta com o AIOP, não há como existir interpretação divergente em relação a matéria retroatividade benigna, razão pela qual NÃO CONHEÇO DO RECURSO. Passemos agora a análise da matéria decadência, a qual concordo com os termos do despacho proferido. Do mérito Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das NFLD ou dos AI de obrigações principais (AIOP), constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados., dessa forma, correta a aplicação da decadência a luz do art. 173, I do CTN. No Acórdão de Recurso Voluntário, fls. 166, o Colegiado, por unanimidade de votos, acordaram em dar provimento parcial no que diz respeito a decadência, pautados na regra do art.. 173, I do CTN, excluindo as contribuições até a competência 12/2000, inclusive. Ou seja a única matéria submetida a nova apreciação é em relação a decadência do art, 173, I do CTN para competência dezembro. Nesse sentido, pela aplicação do REsp 973.733/SC, destacando a inexistência de recolhimento antecipado, conforme podemos identificar no relatório de documentos apresentados, apreciou o acórdão recorrido a decadência porém quando da análise interpretou pela exclusão até a competência 12/2000. Contudo, não entendo ter sido a interpretação adotado no acórdão a mais acertada. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10680.008218/200739 Acórdão n.º 9202006.064 CSRFT2 Fl. 6 9 A decadência a luz do art. 173, I do CTN será computada para competência dezembro do primeiro dia do exercício seguinte ao do vencimento da obrigação, no caso janeiro. Esse é o entendimento majoritário adotado pelo CARF, tanto que foi publicada súmula esclarecendo a questão. Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, no lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 17/11/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 24/11/2006. Os fatos geradores sob reapreciação envolvem a competência 12/2000. Dessa forma, considerando que para competência 12/2000 o inicio do prazo decadencial apenas será iniciado em 01/1/2001, não há que falar em decadência, razão pela qual DOU PROVIMENTO para que seja restabelecido o lançamento para essa competência. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER EM PARTE do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, na parte conhecida, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que seja afastada a decadência das competências 12/2000 . É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.001075/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
RETENÇÃO NA FONTE DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. UTILIZAÇÃO.
A pessoa jurídica, optante pelo deferimento do pagamento das contribuições sociais até a data do recebimento do preço, somente poderá utilizar o crédito a ser descontado da contribuição devida, na proporção das receitas efetivamente recebidas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.073
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira votou pelas conclusões.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
José Henrique Mauri - Presidente substituto.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 RETENÇÃO NA FONTE DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica, optante pelo deferimento do pagamento das contribuições sociais até a data do recebimento do preço, somente poderá utilizar o crédito a ser descontado da contribuição devida, na proporção das receitas efetivamente recebidas. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11543.001075/2008-52
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5797397
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 01 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3301-004.073
nome_arquivo_s : Decisao_11543001075200852.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 11543001075200852_5797397.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira votou pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri - Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
id : 7002789
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736791982080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 499 1 498 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.001075/200852 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.073 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de setembro de 2017 Matéria PIS/PASEP RETENÇÃO NA FONTE NÃO UTILIZAÇÃO Recorrente FLEXIBRAS TUBOS FLEXÍVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RETENÇÃO NA FONTE DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica, optante pelo deferimento do pagamento das contribuições sociais até a data do recebimento do preço, somente poderá utilizar o crédito a ser descontado da contribuição devida, na proporção das receitas efetivamente recebidas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira votou pelas conclusões. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Henrique Mauri Presidente substituto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 10 75 /2 00 8- 52 Fl. 499DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1248.712, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, o qual deu por improcedente manifestação de inconformidade apresentada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: Trata o presente processo de declarações de compensação em formulário, por meio das quais a contribuinte busca compensar crédito decorrente de excesso de retenção da PIS, no valor de [...] com débitos de sua responsabilidade. A Delegacia da Receita Federal em Vitória/ES reconheceu parcialmente o direito creditório, no valor original de [...] (fl.359), tendo homologado as compensações até o limite do crédito reconhecido. No parecer Seort (fls.347/354), a autoridade responsável pelo trabalho fiscal, apontou que a contribuinte pretendeu utilizar crédito decorrente de retenção na fonte da COFINS, no próprio mês que ocorreu a retenção, porém em momento anterior ao do oferecimento da respectiva receita à tributação. Consignou a autoridade que, nos termos do artigo 7º da Lei nº 9.718/1998, a contribuinte difere o recolhimento das contribuições para o PIS e a COFINS para o recebimento do preço, e não quando da entrega da mercadoria/serviço. Isto se confirmou no cotejo entre as informações das DIPJ, balancete, DACON e DIRF. A autoridade constatou que a contribuinte não inclui na base de cálculo das contribuições os valores recebidos a título de adiantamentos. Consignou que por outro lado, a contribuinte considera as retenções sobre os adiantamentos como valores que compõe o total dos créditos a serem utilizados no abatimento da contribuição devida, e em caso de excesso, passíveis de restituição/compensação Assim, verificou a autoridade a ocorrência de três situações distintas da contribuinte num mesmo período de apuração: recebe o adiantamento e não fatura; recebe o pagamento do preço e fatura; efetua o faturamento, mas não há recebimento. Por fim, tendo concluído pela impossibilidade da contribuinte utilizar crédito decorrente de retenção na fonte da PIS em momento anterior ao do oferecimento da respectiva receita à tributação, a autoridade refez os cálculos Fl. 500DF CARF MF Processo nº 11543.001075/200852 Acórdão n.º 3301004.073 S3C3T1 Fl. 500 3 das contribuições, demonstrados nas planilhas de folhas 379/382, de forma a apurar as retenções proporcionais às receitas tributadas e os valores disponíveis para compensação, chegandose ao valor parcial do crédito pleiteado. A contribuinte, inconformada com o teor do Despacho Decisório, apresentou manifestação de inconformidade, fls. 402/412, através da qual argumenta: o fato gerador da retenção das contribuições sociais ocorre no momento em que é feito o pagamento da antecipação, conforme a IN SRF nº 480/2003; o Fiscal se confunde quando diz que a retenção é uma antecipação do que vier a ser devido, buscando vincular a retenção da contribuição ao valor da contribuição que seria devido quando da apuração futura da receita vinculada ao adiantamento ocorrido; o Fiscal conclui que não se poderia tomar como crédito algo que é antecipação do que ainda não é devido (contribuição que incidirá somente no futuro, quando do reconhecimento daquela receita); ocorre que este tipo de vinculação simplesmente não existe dentro da própria sistemática de apuração da contribuição; a antecipação via retenção corresponde a PIS que será devida sobre todas as receitas auferidas em determinado mês, e se aquele mês houve retenções, serão utilizados desde logo para que seja feito o devido abatimento no referido mês; a apuração é global, sendo o adiantamento correspondente a um valor de contribuição que seria pago em cada mês de apuração e cujo eventual saldo a maior poderá ser objeto de restituição ou de compensação com outros tributos; não existe previsão legal para o casamento entre o valor retido e a espera pelo reconhecimento da receita respectiva para que então possa ser utilizado; o Decreto nº 6.662/2008, que regulamenta o artigo 5º da Lei nº 11.727/2008, prevê a possibilidade de as pessoas jurídicas utilizarem os valores de PIS retidos na fonte nos pagamentos feitos a seu favor para abater o total do tributo devido no mês, calculado sobre toda a base de cálculo do período, e após o abatimento, utilizarem eventual saldo credor para compensação com débitos de outros tributos; inferese que inexiste a condição suscitada pelo Fiscal na decisão combatida; a única condição imposta é a de que o montante retido deve ultrapassar o valor da respectiva contribuição a pagar mo mesmo mês; Fl. 501DF CARF MF 4 as Soluções de Consulta nº 175 e nº 388, ambas da 8ª Região Fiscal, além da Solução de Consulta nº 94 da 6ª Região Fiscal demonstram que o descasamento entre retenção e receita é freqüente, e por isso mesmo aceito e devidamente regulado pela legislação; o fato da contribuinte não oferecer à tributação pela PIS os adiantamentos efetuados pela PETROBRÁS no mês em que estes são percebidos, mas somente quando da liquidação da fatura se deve ao deferimento previsto no artigo 7º da Lei nº 9.718/1998; pelo fundamento da decisão recorrida, a contribuinte demoraria meses ou até anos para poder utilizar o crédito das retenções a seu favor, de acordo com o prazo de entrega dos bens/prestação de serviços estabelecidos no contrato firmado com a PETROBRÁS. No pedido, a contribuinte espera o provimento à manifestação de inconformidade apresentada, com reconhecimento integral do crédito pleiteado e a homologação total das compensações. O citado acórdão decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007 RETENÇÃO NA FONTE DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. UTILIZAÇÃO. A pessoa jurídica, optante pelo deferimento do pagamento das contribuições sociais até a data do recebimento do preço, somente poderá utilizar o crédito a ser descontado da contribuição devida na proporção das receitas efetivamente recebidas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte. Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, reproduzindo vários dos argumentos apresentados em sede de impugnação. Basicamente argumenta que: a lei não determina que se postergue a utilização das retenções para o mês do oferecimento da respectiva receita à tributação; ao contrário, a norma é clara ao estabelecer o momento do aproveitamento da retenção; e não há legislação que ampare a decisão da DRJ, mencionando o princípio constitucional da legalidade. O Presidente deste Conselho foi comunicado pelo Parecer de Força Executória n. 00148/2017/COASPEQUAD/PRU1R/PGU/AGU, objeto do edossiê nº 10040.000056/051712, que o Juiz Federal da 14ª Vara Cível da SJDF deferiu a liminar e concedeu a segurança nos autos do MS nº 100234543.2017.4.01.3400, para determinar à autoridade impetrada que proceda ao julgamento conclusivo dos recursos administrativos Fl. 502DF CARF MF Processo nº 11543.001075/200852 Acórdão n.º 3301004.073 S3C3T1 Fl. 501 5 interpostos no bojo dos PAF 11543.001075/200852 e 11543.001073/200863 "no prazo máximo de 30 (trinta) dias contados da intimação desta decisão". Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 503DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O acórdão de primeiro grau bem delimita o núcleo da questão: [...] enfrentar se a contribuinte poderia ou não utilizar as retenções sofridas nos adiantamentos recebidos da cliente PETROBRÁS, em contratos para entrega futura, como abatimento da contribuição devida no próprio mês da retenção, de forma que seu excesso (da retenção) seja passível de compensação, nos termos do artigo 5º da Lei nº 11.727/2008. (grifos deste relator). Visitemos as disposições da Lei nº 11.727/2008 em pauta: Art. 5o Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput deste artigo quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2o Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1o deste artigo, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3o A partir da publicação da Medida Provisória no 413, de 3 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo. O caput combinado com os parágrafos 1o e 2o do artigo em foco trata da restituição ou compensação com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pelo Fisco federal dos valores retidos na fonte não deduzidos das contribuições devidas, por estarem em excesso do valor de cada contribuição a pagar. Já o parágrafo 3o do mesmo artigo criou nova hipótese de aproveitamento dos tais excessos, a ser regulamentado pelo Executivo. A autoridade que, ao emitiu parecer Seort, reconheceu parcialmente o direito creditório, consignou que "a contribuinte considera as retenções sobre os adiantamentos como valores que compõe o total dos créditos a serem utilizados no abatimento da Fl. 504DF CARF MF Processo nº 11543.001075/200852 Acórdão n.º 3301004.073 S3C3T1 Fl. 502 7 contribuição devida, e em caso de excesso, passíveis de restituição/compensação" (grifos do relator). E o fêz com base na norma exposta. No entanto, a contribuinte também se utiliza do diferimento do recolhimento das contribuições para o momento do recebimento do preço e não quando da entrega da mercadoria / serviço, prevista no art. 7º da Lei nº 9.718/1998. É o que foi consignado pela autoridade no mesmo parecer Seort; o que foi confirmado no cotejo entre as informações das DIPJ, balancete, DACON e DIRF; tendo constatado que a contribuinte não inclui na base de cálculo das contribuições os valores que lhe foram adiantados. A recorrente confirma tal procedimento: Visitemos então a norma do dito diferimento: Lei nº 9.718/1988: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] Art. 7º No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, o pagamento das contribuições de que trata o art. 2º desta Lei poderá ser diferido, pelo contratado, até a data do recebimento do preço. [...] (Grifos do relator). Assim, a contribuinte se creditou dos valores retidos pela PETROBRÁS a título de contribuição, referentes a valores por esta adiantados; mas não ofereceu à tributação tal faturamento adiantado, neste momento; justamente por ter diferido o pagamento das contribuições para a data do recebimento do preço. O acórdão da Delegacia de julgamento então assevera a incompatibilidade entre os referidos diferimento e aproveitamento de crédito: Fl. 505DF CARF MF 8 Se a própria contribuinte optou por uma situação específica diferir o pagamento da contribuição social para o momento do recebimento do preço, não há permissivo legal que permita a antecipação do crédito de retenção na fonte em momento anterior ao faturamento da respectiva receita. O relator do voto condutor do acórdão de primeiro grau assim prossegue sua argumentação: Em relação à compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a Lei nº 9.430/1996, notadamente o artigo nº 74, dispõe que somente os créditos passíveis de restituição ou compensação poderão ser utilizados pelo sujeito passivo na compensação de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. [...] Já em relação à retenção na fonte de contribuição social, a matéria é também regida pela mesma Lei nº 9.430/1996, no artigo 64. Conforme o disposto no parágrafo terceiro do citado dispositivo, (e também no artigo nº 36 da Lei nº 10.833/2003), o valor da contribuição social retido na fonte será considerado como antecipação do que for devido pelo contribuinte em relação à contribuição. [...] Depois, traz a lume o art. 7º da Lei nº 10.833/2003 o qual, em sua parte final, estabelece restrição com relação ao crédito a ser descontado na forma do art. 3º da mesma lei ou seja, descontado do valor apurado com a aplicação da respectiva alíquota sobre a base de cálculo apurada das contribuições. Art. 7º No caso de construção por empreitada ou de fornecimento a preço predeterminado de bens ou serviços, contratados por pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, a pessoa jurídica optante pelo regime previsto no art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, somente poderá utilizar o crédito a ser descontado na forma do art. 3º, na proporção das receitas efetivamente recebidas. Tal disposição se aplica tanta à Cofins, inserida que está no diploma que estabeleceu seu regime nãocumulativo, como à PIS/Pasep, por força do art. 15, IV da mesma lei. O art. 5º da Lei nº 11.727/2008, caput combinado com parágrafos 1o e 2o, núcleo da discussão, trata da restituição ou compensação dos valores retidos na fonte não deduzidos das contribuições devidas por estarem em excesso do valor a pagar. Esta dedução, por óbvio, é aquela do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Portanto, no caso do diferimento previsto no art. 7º da Lei nº 9.718, que é o caso em pauta, às deduções na sistemática do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que antecedem as restituições ou compensações pretendidas, aplicase a restrição da parte final do art. 7º da Lei nº 10.833/2003: somente na proporção das receitas efetivamente recebidas. Ora, como se dá um recebimento efetivo e se efetiva um recebimento: com o ingresso do numerário nas contas da contribuinte e com seu registro no Fl. 506DF CARF MF Processo nº 11543.001075/200852 Acórdão n.º 3301004.073 S3C3T1 Fl. 503 9 faturamento desta, para que, sobre tal valor, incidam as contribuições devidas, reconhecendose tais valores como receita. A Lei nº 10.637/2003, em seu art. 1º e § 1o, estabelece que " a PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas” e que “o total das receitas compreende a receita bruta de [...]e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica [...]". Portanto, um dos efeitos de ser receita é que a sobre ela incida a contribuição, ou seja, quando integra a base de cálculo desta, oferecendoselhe à tributação, o que não fêz a contribuinte no que se refere aos valores sob autuação. Assim, entendo que, se os valores recebidos não foram oferecidos a tributação, o recebimento não foi efetivado, vedando a lei a utilização do crédito respectivo. Chancelo, portanto, a unidade de origem quando reconheceu parcialmente o direito creditório computando apenas as retenções proporcionais às receitas tributadas e os valores disponíveis para compensação. A recorrente aduz que o entendimento da RFB "se baseia mero preciosismo contábil", não encontrando amparo na legislação tributária". Afirma que "a regra legal tributária é cristalina em relação ao momento do aproveitamento do crédito da retenção. No entanto, o art. 7º da Lei nº 10.833/2003 estabelece exceção no caso do diferimento, somente podendo ser utilizado o crédito, na proporção das receitas efetivamente recebidas, tal como procedeu a fiscalização. Há, portanto, legislação a amparar o entendimento da DRJ, não tendo sua decisão sequer arranhado o princípio da legalidade. A contribuinte argumenta que o "fato gerador " da retenção das contribuições ocorre no momento da mera antecipação de pagamento, nos termos da IN SRF nº 480/2004. Não resta dúvida, mas tal afirmação não afeta a conclusão em pauta. As soluções de consulta emitidas pela Receita Federal trazidas pela recorrente apenas repetem os termos do art. 5º, § 3º, da Lei nº 11.727/2008: após a MP 413, a restituição ou compensação se estende a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, nos termos de sua regulamentação. Traz também orientação da Divisão de Tributação da 6ª Região Fiscal, reproduzida abaixo, inaplicável ao presente caso, posto que trato de situação inversa: quando a retenção é posterior ao faturamento: Fl. 507DF CARF MF 10 Assim, por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15532.720035/2014-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPROVAÇÃO DE DESPESAS
Os documentos carreados ao processo, ao revés de comprovar a ocorrência de despesas, operam no sentido oposto, isto é, a suspensão do cumprimento de obrigações no caso de caso fortuito ou força maior, o que importa a inexistência de despesas decorrentes.
Numero da decisão: 1401-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Os documentos carreados ao processo, ao revés de comprovar a ocorrência de despesas, operam no sentido oposto, isto é, a suspensão do cumprimento de obrigações no caso de caso fortuito ou força maior, o que importa a inexistência de despesas decorrentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15532.720035/2014-31
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805683
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-002.115
nome_arquivo_s : Decisao_15532720035201431.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 15532720035201431_5805683.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7051371
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736810856448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 834 1 833 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15532.720035/201431 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.115 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente CIEN COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS Os documentos carreados ao processo, ao revés de comprovar a ocorrência de despesas, operam no sentido oposto, isto é, a suspensão do cumprimento de obrigações no caso de caso fortuito ou força maior, o que importa a inexistência de despesas decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 53 2. 72 00 35 /2 01 4- 31 Fl. 834DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do feito, sirvome do relatório elaborado na decisão recorrida: Tratase de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 212, lavrados para exigir de CIEN – COMPANHIA DE INTERCONEXÃO ENERGÉTICA, pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real, a retificação no saldo de prejuízo fiscal apurado no anocalendário de 2008, eliminando a exclusão indevida do valor de R$ 39.948.402,11 do lucro líquido do período. 2. Tal exclusão foi verificada inicialmente no Processo Administrativo Fiscal – PAF – nº 10730.720421/201473, que havia sido apensado a este feito, juntamente com o PAF nº 10730.902018/201380. Ambos processos envolvem restituição e compensação de tributos. 3. No primeiro daqueles PAF foi proferida, em 04/08/2014, pela DRF/NiteróiRJ, despacho decisório, às fls. 1524, homologando inteiramente as DCOMP de nº 28361.81848.141113.1.7.022560, de nº 04495.89380.190809.1.7.025940, de nº 26335.69264.041109.1.7.020010, de nº 13053.36797.041109.1.7.020986, e também a de nº 09782.95493.041109.1.7.029122. No que diz respeito, porém, a uma das DCOMP, a de nº 00857.34947.041109.1.7.022328, houve homologação apenas parcial por insuficiência de crédito. Restou sem compensação o montante de R$ 217.620,52, que veio a ser cobrado por meio do PAF nº 10730.721771/201457. 3.1 Todos os débitos do Processo nº 10730.902018/201380 foram inteiramente homologados. 4. A decisão proferida pela DRF/Niterói decorre de que uma exclusão do lucro líquido da quantia de R$ 39.948.402,11 promovida indevidamente pela contribuinte na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ – 2009, AnoCalendário – A/C – 2008. Referida glosa implicou redução do saldo negativo do período de R$ 11.791.915,54 para 10.630.335,05. 5. O resumo a seguir, reproduzido na folha 21 deste PAF, sintetiza o entendimento da autoridade fiscal a quo: Ao postergar para 2008 as despesas no valor de R$ 39.948.402,11 (trinta e nove milhões, novecentos e quarenta e oito mil, quatrocentos e dois reais e onze centavos) que deviam ser lançadas em 2007 (ano em que já havia apurado prejuízo), o contribuinte modificou o resultado de seu lucro do ano de 2008 que na verdade deveria ser de R$ 6.774.745,63 (...) no prejuízo declarado no valor de R$ 33.173.656,48 (...) Os prejuízos fiscais poderão ser compensados independentemente de qualquer prazo, observado em cada período de apuração o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Ao consultarse o Saldo do Prejuízo Fiscal a Compensar com Lucro Real no final do ano de 2007 (fls. 373/374), verificouse um acumulado de R$ 69.082.104,35 (...) Considerando que o lucro no ano de 2008 foi de R$ 6.774.745,63 (...), e que o contribuinte pode compensar o valor de R$ 2.032.423,69 (...) referente 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões, é de se concluir que o lucro real no ano de 2008 após as compensações de prejuízos acumulados de períodos anteriores seria de R$ 4.742.321,94 (quatro milhões, setecentos e quarenta e dois mil, trezentos e vinte e um reais e noventa e quatro centavos). O registro das despesas indicadas pelo contribuinte, sem observância ao princípio da competência caracteriza, neste caso, burla ao limite de compensação de prejuízo fiscal. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 15532.720035/201431 Acórdão n.º 1401002.115 S1C4T1 Fl. 835 3 Considerando o acima exposto, resta claro ser indevida a exclusão das despesas indicadas pelo contribuinte em atendimento a Termo de Intimação, e necessária sua desconsideração para a outorga de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Com a desconsideração da exclusão, é aumentado o imposto devido e consequentemente reduzido o valor das estimativas e retenções, antecipações do IRPJ devido, a serem devolvidos. 6. Ato contínuo, a autoridade fiscal determinou que, depois de ser dada ciência daquele despacho decisório à contribuinte, os autos retornassem ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela sua elaboração para que lavrasse auto de infração de redução do prejuízo então apurado, vide fl. 24. 7. Referido despacho decisório enfrentou manifestação de inconformidade que, afinal, foi julgada parcialmente favorável à contribuinte, por meio do Acórdão nº 06050.914, proferido em 28/01/2015, por esta Primeira Turma e cujo teor será abordado adiante neste voto. 8. Devidamente cientificada em 26/08/2014, conforme Termo de Ciência Fiscal às fls. 1314, a contribuinte apresentou, em 25/09/2014, impugnação, às fls. 5977, acompanhada de documentos comprobatórios às fls. 107767, firmadas por representante com poderes conferidos por procuração e documentos pessoais e societários às fls. 79106. 9. Em caráter preliminar, alega que os autos de infração são nulos porque está decaído o direito do Fisco de exigir a retificação do prejuízo fiscal tendo em vista a expiração do prazo de 5 anos estabelecido pelo art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional – CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, afinal, a contribuinte foi intimada dos presentes Autos de Infração em 26/08/2014, e eles se referem a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2008 – quando se procedeu à dedução discutida. “Não há dúvida” – alega – “já se operou a decadência”. Acosta aos autos respeitável jurisprudência administrativa, às fls. 6768. 10. Quanto ao mérito, repete os argumentos apresentados no processo de compensação nº 10730.720421/201473, e, em breve resumo, sustenta que: a) no ano calendário de 2008, apurou prejuízo fiscal no valor e R$ 33.173.656,48; tal prejuízo levou em conta a realização de uma exclusão na parte A do LALUR no valor total de R$ 39.948.402,11, em dezembro de 2008; valor este composto por duas parcelas: a primeira no montante de R$ 8.970.062,64, referente a provisão de encargos e a segunda, de R$ 30.978.338,47 proveniente de despesas de transporte de energia elétrica; b) a sociedade empresária CIEN foi constituída em 09/07/1997, sob leis brasileiras, com o propósito específico de intercambiar energia elétrica entre o Brasil e a República Argentina, nos termos estatuídos pela Declaração do Rio de Janeiro, de 27/04/1997 e do Memorando de Entendimentos de 13/08/1997, acordados pelos dois países; c) celebrou contratos de compra de energia e disponibilização de potência com as sociedades empresárias argentinas: Central Costanera S.A (em 1998) e com a Comercializadora de Energia do Mercosur S.A. – CEMSA (em 2004), cujas cópias integrais, traduzidas para a língua portuguesa, foram acostadas ao feito às fls. 122481; d) a cláusula 6 de ambos os contratos, estabelece que a interessada deveria reembolsar as sociedades contratadas pelos custos fixos de transporte e de Fl. 836DF CARF MF 4 disponibilidade da rede de transmissão argentina, tais dispêndios são, portanto, despesas decorrentes da operação de importação de energia elétrica; e) a partir de meados de 2005, porém, os contratos foram suspensos por motivo de força maior (crise energética no país vizinho), o que impediu o cumprimento do contrato; naquela ocasião – acrescenta – o governo brasileiro reduziu a zero o lastro da CIEN; f) em face da incerteza enfrentada, decidiu agir de forma conservadora e adicionar a referida despesa prevista na cláusula 6 para fins de apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; g) seguiuse a publicação da Resolução Autorizativa ANEEL n° 1.368/2008, precedida pelo Acordo de Entendimentos em Matéria Energética para o Período Transitório de 09/12/2005, em Montevidéu, (ACORDO), cujos critérios foram fixadas por meio da Resolução n° 3, de 24 de abril de 2008, do Conselho Nacional de Política Energética e ainda no Acordo Complementar formalizado em Brasília em 2 de maio de 2008; h) após a publicação dos novos marcos regulatórios no anocalendário de 2008, a CIEN entendeu que havia segurança jurídica para dar continuidade aos contratos celebrados com as parceira estrangeiras e, por esse motivo, excluiu as despesa estipuladas pela referida na cláusula 6; i) em relação à provisão de encargos de R$ 8.970.062,64, a interessada entende que sua exclusão foi equivocada e acata o teor do despacho decisório; j) toda questão envolve, pois, despesas operacionais incorridas por meio de contrato regular, de acordo com o estatuto da entidade, e que são dedutíveis, nos termos do art. 299 do RIR de 99; k) insiste que escriturou corretamente as despesas em sua contabilidade, cf. copias de documentos às fls. 557634, porém, em virtude da crise energética antes referida, teve dúvidas quanto à exeqüibilidade dos contratos firmados e por isso as adicionou para fins de apuração da Lucro Real e da Base de Cálculo da CSLL; l) após a solução do problema regulatório, reconheceu, então, o equívoco cometido e excluiu, para fins de apuração do IR e da CSLL, naquele ano calendário de 2008, as despesas decorrentes dos dois contratos, no valor de R$ 30.978.338,47, controlados na parte A do LALUR; cf. estabelece o art. 186 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 – Lei das SA; m) o ajuste ocorrido em dezembro de 2008 não prejudicou os cofres públicos, pois não produziu efeito diverso do obtido caso as despesas tivessem sido excluídas no ano de 2007, haja vista que não haveria, de toda forma, imposto a pagar; n) como apurou prejuízo fiscal no anocalendário de 2007 (R$ 10.012.793,25), caso a exclusão da despesa discutida (R$ 30.978.338,47) ocorresse naquele período, isso implicaria aumentar o prejuízo fiscal para R$ 40.991.131,72, nessas circunstâncias não apuraria prejuízo fiscal em 2008, mas o lucro contábil de R$ 6.774.745,63 – antes da compensação do imposto de renda – e imposto de renda a pagar no valor de R$ 1.161.580,48, o) no ano de 2008, porém, apurou lucro tributável passível de compensado com o prejuízo fiscal do ano anterior (observando a limitação de 30%), nessas circunstâncias, ainda que a exclusão da despesa de 30.978.338,47 tivesse Fl. 837DF CARF MF Processo nº 15532.720035/201431 Acórdão n.º 1401002.115 S1C4T1 Fl. 836 5 ocorrido em 2007, da mesma forma, não pagaria valor de imposto de renda em 2008 – junta tabelas com os referidos cálculos às fls.7374; p) o Conselho de Contribuintes em caso semelhante, decidiu que a simples inobservância do princípio da competência não basta para a não aceitação da exclusão – CC Ac. 10706728, Processo nº 10680.014845/0006, DO 21/08/2002. 11. Requer, que seja acolhida a questão preliminar e, ad argumentandum tantum, caso ela seja superada que se reconheça a improcedência do lançamento e, assim, seja cancelada a determinação de retificação do prejuízo fiscal ora exigida. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão de primeiro grau (fls. 770780) negou provimento parcial à impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento por homologação e não estando caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador, se houver pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa; inexistindo pagamento antecipado, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DOS NEGÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DESPESAS. Malgrado a apresentação de documentos que comprovam a existência de contratos celebrados entre a contribuinte e empresas estrangeiras fornecedoras de energia elétrica, em face da suspensão desses negócios jurídicos por motivo de força maior no país de origem da energia, as despesas antes acertadas, não se concretizaram e, assim, não podem ser deduzidas, correta a exclusão constante do despacho decisório atacado. Em relação à preliminar de decadência, o julgador aduziu a inexistência de recolhimentos de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2008, o que importa afastar a regra de decadência para tributos lançados por homologação. Desse modo, o início da contagem do prazo decadencial é 01/01/2010 como seu término em 31/12/2014. Como o lançamento foi cientificado em 26/09/2014, não ocorreu a extinção pela decadência. No mérito, a DRJ concluiu que as despesas seriam, em tese, operacionais e teriam sido escrituradas de forma correta. Nada obstante, aduziu que o contribuinte não comprovou que incorreu nas referidas despesas. Manteve, assim, a autuação por despesa inexiste por falta de comprovação de terem sido incorridas. Fl. 838DF CARF MF 6 Com base na análise dos contratos, o julgador entendeu ser necessário para o surgimento da obrigação perante o fornecedor e, portanto, da despesa que este disponibilize o fornecimento de energia, ainda que o contribuinte não a demande. A autoridade julgadora, para formar sua convicção de que a despesa não foi incorrida, aduz que o contribuinte não carreou aos autos nenhum documento que corrobore a contabilização da despesa, tais como pagamentos, contratos de câmbio, ou mesmo, iniciativas de cobrança dos valores por parte dos fornecedores argentinos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O sujeito passivo apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 792 a 813. Nessa peça, consignou as mesmas razões oferecidas na impugnação ao lançamento; aliás, em grande medida, de forma literal. Aduziu, porém, mais alguns pontos para contraditar diretamente a decisão recorrida. Reitera que os custos fixos e de disponibilidade são incorridos mesmo na ausência da transmissão de energia, o que seria análogo à Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e à Remuneração Anual Permitida (RAP) de acordo com previsão da ANEEL. Aduz que, apesar da incerteza da contribuinte no período, os contratos jamais foram suspensos, nem rescindidos e as empresas envolvidas jamais poderiam se negar a cumprir as determinações dos governos argentino e brasileiro, caso achassem oportuno promover a importação e exportação de energia. Os documentos publicados pela ANEEL, apesar de dizerem respeito a outro período, trouxeram a certeza de que os contratos continuavam em vigor. Discorre sobre a tese de que, no regime de competência, a contabilização das despesas independe do desembolso dos valores incorridos. Por fim, protesta pela produção de todas as provas admitidas pelo direito, pela juntada de novos documentos e por perícia e diligência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator A principal razão de decidir do julgador de primeiro grau para a manutenção do auto de infração é a ausência de disponibilização da energia (a potência) e não a ausência do uso dessa energia. Isso está claro em várias passagens do seu voto, como em: (...) a disponibilização da energia negociada é prérequisito para o surgimento da despesa e que essa consiste em contrapartida paga pela energia elétrica ou potência colocadas à disposição, o que não ocorreu no período em questão (...) Fl. 839DF CARF MF Processo nº 15532.720035/201431 Acórdão n.º 1401002.115 S1C4T1 Fl. 837 7 Noutro trecho da decisão, reiterase a mesma assertiva: Em reforço a esse entendimento, os próprios artigos relacionados à execução dos contratos demonstram que tais despesas somente poderiam ser cobradas se a potência e a energia fossem efetivamente colocadas a disposição (...) E ainda: Dado que a execução dos contratos estava suspensa em virtude de problemas vivenciados pelo país vizinho, o acordo de vontades, nos termos dos contratos apresentados, não imputam à CIEN qualquer despesa que pudesse ser deduzida, ou mesmo contabilizada, posto que nem a potência foi disponibilizada (...) No entanto, ao contraditar a decisão de primeira instância, a defesa assevera que "esses custos fixos de transporte e disponibilidade da Rede são incorridos inclusive quando não há transmissão de energia". O recorrente, assim, e talvez por estratégia de defesa, ignora o efetivo fundamento e se defende de outro, como se a DRJ tivesse calcado sua decisão na ausência tão somente do fornecimento de energia. Essa ausência de fornecimento é até citada na decisão, mas claramente como argumento de reforço. O cerne diz respeito à falta de disponibilização de potência, ou seja, a falta da possibilidade de o contribuinte efetivamente demandar e consumir a energia. Em suma, o recorrente se defende de um fundamento diverso daquele que levou a autoridade julgadora de primeiro grau a manter a autuação. Reitero: não foi a ausência de transmissão de energia que levou o julgador a considerar inexistente a obrigação e, portanto, a despesa. Seu fundamento está calcado na ausência de colocar a energia à disposição. Ao se defender de fundamento diverso daquele estampado na decisão de primeiro grau, o recorrente tece algumas analogias com exigências nacionais, como a Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD) e a Remuneração Anual Permitida (RAP), que são devidas independentemente da transmissão de energia, mas é necessário a sua disponibilidade. No caso dos autos, os fatos são diversos. Não se restringiram à falta de transmissão, mas também à falta da própria possibilidade de transmissão. Mesmo que a recorrente quisesse adquirir a energia, não conseguiria por fato alheio à sua vontade. Ora, é no mínimo inusitado que tenha uma obrigação por algo que está impossibilitado de usufruir. Também merece atenção outra razão de defesa que não guarda relação com os fundamentos da decisão. A contribuinte mais uma vez se defende de algo que não foi acusada ao aduzir que a autoridade julgadora rejeitou os contratos. O julgador, porém, apenas asseverou que, no período de ausência de disponibilização de energia, a contribuinte não estava sujeita a cumprir qualquer obrigação perante o fornecedor (isso não significa a revogação do contrato) e, portanto, não incorria em qualquer despesa. Fl. 840DF CARF MF 8 Ambos os contratos estabelecem duas obrigações e a remuneração respectiva: uma relativa à disponibilidade de potência, outra pela efetiva transmissão de energia. No contrato com a CEMSA, consta literalmente que "CIEN deverá pagar a potência colocada a disposição mais o total da energia entregue" (fl. 128 do eprocesso) é há cláusula de quantificação do preço definida por potência disponibilizada e por energia transmitida (fls. 138140). O próprio valor do contrato dependia da potência disponibilizada. Não é um preço definido com base na alegada disponibilização de ativos. No contrato com a COSTANERA (fls. 379 e seguintes), as cláusulas são similares: a CIEN tem que pagar pela "potencia colocada a disposição mais o total da energia entregue", a definição do preço é feita em função da potência colocada à disposição (U$ 5,10 por kWmês) mais a energia consumida e o faturamento pela COSTANERA. Nada obstante, os valores aqui em debate não dizem respeito à remuneração pela potência, nem pela transmissão da energia. Eles decorrem das cláusulas 6 e 7 de ambos os contratos. No contrato com a CEMSA, consta (fls. 132136): Fl. 841DF CARF MF Processo nº 15532.720035/201431 Acórdão n.º 1401002.115 S1C4T1 Fl. 838 9 Já no contrato com a COSTANERA há disposições similares (fls. 391), que abaixo reproduzimos: Fl. 842DF CARF MF 10 Pois bem, apesar da linha adotada pela recorrente de se defender de fundamentos diversos daqueles que orientaram a decisão de primeiro grau, haveria a possibilidade, pela consideração isolada das cláusulas acima transcritas, de serem devidas as obrigações apontadas e, portanto, incorridas as respectivas despesas. Nada obstante, outras questões devem ser também consideradas. Na cláusula 23 (fls. 196202) do contrato com a CEMSA, há previsão de suspensão do cumprimento de obrigações, no caso de caso fortuito ou força maior e não há ressalvas para as obrigações das cláusulas 6 e 7. Apesar de não ter localizado cláusula similar no contrato com a COSTANERA, essa é o tipo de consequência própria para a hipótese. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 15532.720035/201431 Acórdão n.º 1401002.115 S1C4T1 Fl. 839 11 Todavia, o que me chama mais atenção é o fato de uma vez mais a defesa se esquivar de outro argumento de que o julgador de primeiro grau se valeu para formar a sua convicção: a ausência de pagamento e cobrança dos valores. A defesa esquivase do fundamento da decisão recorrida acerca da ausência de comprovação documental das despesas ao aduzir simplória e genericamente que, segundo o regime de competência, não é o pagamento que impõe o registro e a dedução das despesas. Ora, claro que não, mas nunca foi isso que a autoridade julgadora consignou em seu voto. Apenas aduziu que, em razão do ano bastante antigo, deveria haver pagamentos das referidas despesas, seus contratos de câmbio ou, caso não tenham sido pagas, deveria haver documentos de iniciativa das fornecedoras argentinas para cobrar o contribuinte. Nada disso, que seria uma prova cabal e fácil de ser produzida, foi carreado pela defesa. Pelo contrário, silenciou a esse respeito. A redação dos contratos aliada a ausência da apresentação de provas de simples produção que seriam capazes de informar a acusação me leva à convicção de inexistir as referidas obrigações e, portanto, de não terem sido incorridas as despesas registradas. Por fim, não vejo razões para deferir o pedido para produção de provas e juntada de documentos, assim como para a realização de perícias e diligências, em razão do seu caráter genérico. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 844DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18184.000624/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18184.000624/2007-66
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5805035
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.273
nome_arquivo_s : Decisao_18184000624200766.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 18184000624200766_5805035.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7038196
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736830779392
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18184.000624/200766 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.273 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de outubro de 2017 Matéria OBRIGAÇÃOACESSÓRIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MARCOS EDUARDO TRIBST Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 4. 00 06 24 /2 00 7- 66 Fl. 733DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 18184.000624/200766 Acórdão n.º 2202004.273 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 735DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.008904/2004-82
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
OMISSÃO RECEITA. INAPLICABILIDADE DAS REGRAS. ARBITRAMENTO.
Constatada a omissão de receita, bem como que a obrigação de escriturar seus documentos contábeis não fora cumprida e não tendo o contribuinte comprovado a origem das receitas omitidas, correta a utilização das regras do artigo 530, para apurar o crédito tributário do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 9101-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rêgo, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 OMISSÃO RECEITA. INAPLICABILIDADE DAS REGRAS. ARBITRAMENTO. Constatada a omissão de receita, bem como que a obrigação de escriturar seus documentos contábeis não fora cumprida e não tendo o contribuinte comprovado a origem das receitas omitidas, correta a utilização das regras do artigo 530, para apurar o crédito tributário do IRPJ e da CSLL.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10980.008904/2004-82
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801332
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-003.136
nome_arquivo_s : Decisao_10980008904200482.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10980008904200482_5801332.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rêgo, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7024136
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049736839168000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1439; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 883 1 882 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.008904/200482 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.136 – 1ª Turma Sessão de 3 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MAXCEL ELETRÔNICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 OMISSÃO RECEITA. INAPLICABILIDADE DAS REGRAS. ARBITRAMENTO. Constatada a omissão de receita, bem como que a obrigação de escriturar seus documentos contábeis não fora cumprida e não tendo o contribuinte comprovado a origem das receitas omitidas, correta a utilização das regras do artigo 530, para apurar o crédito tributário do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Adriana Gomes Rêgo, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 89 04 /2 00 4- 82 Fl. 823DF CARF MF 2 Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional diante do Acórdão 130100.042, que exonerou autuação de IRPJ e CSLL realizados com base em presunção de omissão de receitas, ao entendimento de que sendo tal omissão de receitas em montante vultoso, a. evidenciar enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real, de modo que tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado. Na origem, tratase de autuação para cobrança de IRPJ, CSLL PIS e COFINS, relativos ao anocalendário 1999, diante da constatação, pela fiscalização de omissão de receita operacional caracterizada pela falta de escrituração nos Livros contábeis do Contribuinte da movimentação financeira realizada, constante em seus extratos bancários. Alegou a fiscalização que ficou constatado através de análise dos livros fiscais/contábeis e dos extratos bancários fornecidos, que a empresa não escriturou a totalidade da movimentação bancária. A impugnação apresentada foi julgada procedente em parte, para exclusão de valores cuja origem foi comprovada, o que ensejou a interposição de Recurso Voluntário. No julgamento do Voluntário a Turma decidiu por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, exonerando a autuação de IRPJ e CSLL realizados com base em presunção de omissão de receitas, ao entendimento de que sendo tal omissão de receitas em montante vultoso, a. evidenciar enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real, de modo que tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado, conforme ementa e decisão abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA COMPROVAÇÃO PARCIAL Se o contribuinte logra comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, a origem de parte dos depósitos bancários que motivaram a acusação de omissão de receitas correta a decisão de primeira instância que exonerou os créditos tributários correspondentes as parcelas comprovadas. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA. A Fazenda Pública dispõe de 5 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, para promover o lançamento de impostos e contribuições sociais enquadrados na modalidade do art. 150 do CTN, a do lançamento por homologação. ARBITRAMENTO ESCRITA IMPRESTÁVEL Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa Fl. 824DF CARF MF Processo nº 10980.008904/200482 Acórdão n.º 9101003.136 CSRFT1 Fl. 884 3 prevista no art. 42 da Lei n°_ 9.430/1996, e sendo tal omissão de receitas em montante vultoso, a evidenciar enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a , tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado. Não tendo o crédito tributário sido constituído por essa forma de apuração, a exigência de IRPJ e CSLL deve ser exonerada. PIS COFINS OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada é aplicável também ao PIS e à COFINS. Se o contribuinte não logra comprovar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos créditos bancários, tais créditos são, por presunção legal, tidos como receitas omitidas, e integram as bases de calculo das referidas contribuições. As alegações da recorrente, sobre tratarse de operações de factoring, não podem afastar a tributação, por absoluta falta de comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Recurso de oficio: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficios. Recurso voluntário: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: 1) Acolher parcialmente a preliminar de decadência em relação ao PIS e COFINS, afastando a tributação relativa aos meses de janeiro a outubro de 1999. 2) No mérito, AFASTAR a tributaçãO relativa ao IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro José Carlos Passuello. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial. Seu Recurso foi admitido, conforme despacho de admissibilidade, para fins de análise da matéria possibilidade de arbitramento do lucro, diante da constatação de omissão de receitas. Em suas razões, alega a Fazenda que: ü A legislação tributária enumera exaustiva e taxativamente as hipóteses de arbitramento, de modo que não se admite que essa forma de tributação seja adotada senão quando se observa que a situação de fato coincide estritamente com as prescrições legais. Assim é porque, em tese, o arbitramento é o método mais gravoso para o contribuinte, e porque a lei apenas o prescreve para condições excepcionais; ü Não constitui fundamento legitimo para o arbitramento do lucro a omissão de receita, ainda que em volumes significativos e vultosos Fl. 825DF CARF MF 4 em relação A receita declarada. Ao contrário, dentro do capitulo do RIR 1999 que dispõe sobre o assunto, a omissão de receita não é mencionada no artigo 530, único destinado à enumeração das hipóteses legais de arbitramento. Dela se trata apenas no artigo 537, segundo o qual, verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente. Ou seja, a omissão de receita não é tratada como causa do arbitramento, mas apenas com circunstância que deve ser levada em conta na determinação do lucro arbitrado; ü Não se sustenta o argumento do Contribuinte Recorrido segundo o qual as circunstâncias da infração imputada pela Fiscalização configurariam a hipótese de arbitramento prevista no artigo 530, inciso II, do RIR 1999. Essa disposição somente se aplica quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou para determinar o lucro real. Cientificado, a Contribuinte apresentou contrarrazões, pugnando, exclusivamente, pelo não conhecimento do Recurso da Fazenda, com base nos seguintes fundamentos: · O cenário fático trazido no paradigma difere do cenário fático do presente caso, pois consubstanciase na omissão de receitas comprovada pelo confronto entre a contabilidade da autuada e informações das fontes pagadoras, em um volume que não ficou demonstrado no conteúdo do voto condutor da decisão paradigma; · A discussão em nenhum momento indicou se era aplicável a disposição contida na letra a) ou b), do inciso II, do artigo 530 do RIR/99, já que era perfeitamente plausível a manutenção da sistemática adotada pela empresa por não se justificar, no dizer da autoridade julgadora (paradigma) " ... o arbitramento somente pode ser utilizado nas hipóteses taxativamente dispostas no referido artigo, sendo este um método mais gravoso aplicado em casos excepcionais, não sendo a omissão de receitas um deles." · Já, no presente processo, o voto condutor da decisão recorrida identificou precisamente o dispositivo legal que determina, de forma vinculante, à fiscalização o procedimento de arbitramento; · diferentemente do acórdão paradigma, em que não se constatou qualquer possibilidade de desclassificação da escrituração contábil, quer por imprestabilidade na apuração do lucro real ou por identificação da efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, no presente processo, podese: · a) — Entender que se a receita omitida realmente se apresentou no valor mensurado de 11.514% das receitas declaradas, sem imputação de qualquer custo ou despesa operacional em correlação razoável (principio da correlação entre a receita e os custos e despesas Fl. 826DF CARF MF Processo nº 10980.008904/200482 Acórdão n.º 9101003.136 CSRFT1 Fl. 885 5 operacionais), o que representa que a escrituração é imprestável para a apuração do lucro real, já que em situação de extrema excepcionalidade (letra b) do inciso II do artigo 530 do RIR/99; · b) — Aplicar expressamente a letra a) do inciso II do art. 530 do RIR/99, A que a escrituração do contribuinte não permite identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, o que fica por demais claro já que representa ela 11.514% das receitas declaradas. · No presente processo, igualmente claro o cenário fático caracterizado pela necessidade de arbitramento dos resultados da empresa, tanto pela imprestabilidade de sua escrituração para a apuração do lucro real quanto pelo imenso volume de valores relativos à sua movimentação financeira à margem da contabilidade, sendo de se destacar que não houve qualquer consideração dos custos e despesas operacionais correlatos à essa movimentação financeira (11.514% das receitas declaradas), mostrando a adequação da decisão recorrida; · Portanto claramente diferentes as situações fáticas apreciadas no paradigma e no presente processo, o que afasta a existência da jndispensável divergência jurisprudencial. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre o conhecimento do Recurso da Fazenda, diante da alegação do contribuinte, passo à sua análise. Sobre a decisão paradigma, importante trazer o seguinte trecho: Quanto à nulidade do lançamento pela forma de tributação utilizada pela autoridade fiscal, ou seja, lucro real e não com base no lucro arbitrado argumenta a Recorrente que, por não confiar o fisco na contabilidade da autuada, em razão da receita informada não chegar sequer a 20% dos valores informados pelas seguradoras, deveria ter partido para o arbitramento do lucro para fins do lançamento de oficio, conforme determina o disposto no art. 47 da Lei n. 8.981/95, c/c os arts. 10 . e 27 da Lei n. 9.430/96. (...) Assim, independentemente do percentual da receita omitida pelo contribuinte, ela não é causa do arbitramento do lucro, eis que tal hipótese não se encontra enumerada no artigo 530 do RIR/99, aliado ao fato de haver tratamento especifico na legislação tributária (art. 24, da Lei n. 9.249/95), para o caso da fiscalização verificar a pratica de omissão de receitas. Fl. 827DF CARF MF 6 Já o acórdão recorrido traz o seguinte entendimento, exposto já em sua ementa: Uma vez detectada omissão de receitas com uso da presunção relativa prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, e sendo tal omissão de receitas em montante vultoso, a evidenciar enorme descompasso entre as receitas omitidas e aquelas declaradas, fica evidenciada a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o Lucro Real. Nesse caso, a tributação deve ser apurada pelo Lucro Arbitrado. Não tendo o crédito tributário sido constituído por essa forma de apuração, a exigência de IRPJ e CSLL deve ser exonerada. Vêse, portanto, que no entendimento do paradigma, a omissão de receita, ainda que em montantes vultosos, não enseja a aplicação do lucro arbitrado. Por outro lado, no recorrido ficou expresso o entendimento de que a omissão de receitas em montante vultoso evidencia a imprestabilidade da escrita contábil para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL pelo lucro real, de modo que deveria ter se apurado tais tributos pelo lucro arbitrado. Nesse contexto, compreendo que não assiste razão o Contribuinte, de modo que deve ser conhecido o Recurso da Fazenda. Passo à análise de mérito. Como visto, Na origem, tratase de autuação para cobrança de IRPJ, CSLL PIS e COFINS, relativos ao anocalendário 1999, diante da constatação, pela fiscalização de omissão de receita operacional caracterizada pela falta de escrituração nos Livros contábeis do Contribuinte da movimentação financeira realizada, constante em seus extratos bancários. Alegou a fiscalização que ficou constatado através de análise dos livros fiscais/contábeis e dos extratos bancários fornecidos, que a empresa não escriturou a totalidade da movimentação bancária. Pois bem. O artigo 530, II, alíneas "a" e "b", do RIR/99, determinam que o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando (i) a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou (ii) determinar o lucro real verbis: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; b) determinar o lucro real; Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10980.008904/200482 Acórdão n.º 9101003.136 CSRFT1 Fl. 886 7 No presente caso, o Contribuinte apurava seus tributos pelo regime do Lucro Real no período em questão. O artigo 251, do RIR/99 prescrevia quais escriturações ele estava obrigado a manter, nos seguintes termos: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). No entendimento do recorrido, pelo fato de tais livros não conterem toda a movimentação financeira do contribuinte, identificada pelo cruzamento de seus extratos bancários com os documentos contábeis, para o cálculo dos tributos sobre o lucro aplicavase a regra do artigo 530, II, "a" ou "b". Para a Fazenda, a regra do artigo 42, da Lei 9.430/96, por ser posterior e específica para as hipóteses de constatação de omissão de receitas, devese apenas incluir as receitas encontradas na apuração dos tributos. Vale então a transcrição do referido artigo 42, da Lei 9.430/96, notadamente seu §2º, o qual considero relevante para a interpretação do presente caso: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Destaquese que referida regra contida no §2º determina que, quando comprovada a origem da receita omitida e esta não houver sido computada na base de cálculo dos impostos e contribuições, submeterseão às normas de tributação específicas. Ou seja, comprovada a origem de receitas de prestação de serviços omitida por contribuinte optante pelo lucro real em determinado período, essa receita será tributada por tais regras. Porém, quando não comprovada a origem da receita omitida, a qual regra se deve recorrer para sua tributação? Quer me parecer que as regras de arbitramento de lucro devem ser utilizadas nessa situação, integrando perfeitamente o ordenamento jurídico tributário, ante a constatação de omissão de receita. Fl. 829DF CARF MF 8 Isso porque os vícios na escrituração do contribuinte são suficientes para se por em dúvida a credibilidade das informações ali constantes e, consequentemente, o crédito tributário apurado com base nessas informações. Para essa hipótese que surgem as regras de arbitramento do lucro. Mas não somente por isso. Há, ainda, que se considerar que efetuar a tributação da receita como se lucro fosse, sem avançar na análise da eventual omissão de despesa, podese tributar grandeza que não foi tida como base de cálculo dos tributos sobre o lucro, infringindo o artigo 43, do CTN. Vale dizer, é possível se tributar a receita e não o lucro. Nesse contexto, penso que agiu acertadamente a turma a quo quando assim se manifestou: Compulsando os autos constato que, no anocalendário de 1999, o contribuinte declarou receitas no total de R$ 57.218,91 (linha 07A/07 da DIPJ, fl. 279), custos zero (linha 07A/18, fl. 279), despesas operacionais de R$ 24.138,72 (linha 07A/30, fl. 279), chegando, afinal, a um lucro liquido antes do I.R. no valor de R$ 31.866,37 (linha 07A/51, fl. 279 e linha 10A/01, fl. 280). 0 lucro real apurado no ano foi de R$ 36.211,39 (linha 10A/38, fl. 280). Constato, ainda, que o total das receitas omitidas, apuradas pelo Fisco com base em depósitos bancários de origem não comprovada foi de R$ 6.588.219,77 (fl. 333), ou 11.514% das receitas declaradas. Considerandose o total mantido em primeira instância, as receitas omitidas seriam R$ 1.781.985,65 (fl. 636), ou 3.114% das receitas declaradas. Diante de tais números, não ha como negar razão à recorrente. De fato, a se admitir a omissão de receitas de R$ 6.588.219,77 (ou mesmo de R$ 1.781.985,65), tais receitas teriam sido auferidas mediante esforço empresarial, ao qual necessariamente corresponderiam custos e despesas. Por menores que fossem esses custos/despesas, não há como entender que estariam incluídos entre os pouco mais de 28 mil reais declarados. Assim, simplesmente adicionar as receitas omitidas àquelas declaradas conduz a um desequilíbrio evidente entre as receitas e os custos, levando à conclusão inevitável de que a contabilidade apresentada, em face das receitas tidas por omitidas, não se presta A. determinação do lucro real. A solução legal para a situação descrita é o arbitramento dos lucros. Ao estabelecer o percentual aplicável, a lei faz presumir os custos e despesas inerentes a cada tipo de atividade (comércio, serviços etc), fazendo com que o imposto incida sobre o lucro (confronto entre receitas e custos/despesas), e não sobre as receitas, simplesmente. Não tenho reparos a fazer em tal conclusão. Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10980.008904/200482 Acórdão n.º 9101003.136 CSRFT1 Fl. 887 9 Fl. 831DF CARF MF
score : 1.0
