Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,299)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,206)
- Primeira Turma Ordinária (16,161)
- Primeira Turma Ordinária (16,119)
- Segunda Turma Ordinária d (15,869)
- Segunda Turma Ordinária d (14,477)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,440)
- Segunda Turma Ordinária d (12,383)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,002)
- Terceira Câmara (67,587)
- Segunda Câmara (56,071)
- Primeira Câmara (20,360)
- 3ª SEÇÃO (16,206)
- 2ª SEÇÃO (11,281)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (125,675)
- Segunda Seção de Julgamen (114,657)
- Primeira Seção de Julgame (76,728)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,919)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- HELCIO LAFETA REIS (3,784)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,778)
- ROSALDO TREVISAN (3,230)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,753)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,840)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,578)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (14,732)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 11080.013637/95-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO.
Como a Fazenda Nacional não apontou que a r. decisão recorrida, ao não receber a simples petição como embargos de declaração, teria violado algum dispositivo legal ou mesmo contrariado a prova dos autos, não merece ser conhecido o recurso especial que não impugna o fundamento que serviu de norte para a r. decisão recorrida e, por conseqüência, não apontou as razões que justificariam a sua reforma.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
Numero da decisão: 9303-002.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial. Os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO. Como a Fazenda Nacional não apontou que a r. decisão recorrida, ao não receber a simples petição como embargos de declaração, teria violado algum dispositivo legal ou mesmo contrariado a prova dos autos, não merece ser conhecido o recurso especial que não impugna o fundamento que serviu de norte para a r. decisão recorrida e, por conseqüência, não apontou as razões que justificariam a sua reforma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11080.013637/95-47
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384152
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-002.931
nome_arquivo_s : Decisao_110800136379547.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RODRIGO CARDOZO MIRANDA
nome_arquivo_pdf_s : 110800136379547_5384152.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial. Os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
id : 5643374
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254243213312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1783; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 319 1 318 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.013637/9547 Recurso nº 107.550 Especial do Procurador Acórdão nº 9303002.931 – 3ª Turma Sessão de 03 de junho de 2014 Matéria IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ARREPAR PARTICIPAÇÕES S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DAS RAZÕES DE DECIDIR DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO. Como a Fazenda Nacional não apontou que a r. decisão recorrida, ao não receber a simples petição como embargos de declaração, teria violado algum dispositivo legal ou mesmo contrariado a prova dos autos, não merece ser conhecido o recurso especial que não impugna o fundamento que serviu de norte para a r. decisão recorrida e, por conseqüência, não apontou as razões que justificariam a sua reforma. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso especial. Os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão votaram pelas conclusões. Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 36 37 /9 5- 47 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martinez López e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014, e o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 331 a 343) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 319 a 327) que, por maioria de votos, não conheceu dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. O objetivo do recurso especial, em síntese, é reformar o v. acórdão, cujo voto condutor baseouse apenas e tão somente na impossibilidade de se receber simples petição como embargos de declaração. De se destacar, a propósito, que referida petição foi atravessada pela Fazenda Nacional após o julgamento de embargos de declaração opostos por ela mesma, sendo que nesses embargos não se apontou as nulidades que posteriormente foram argüidas na referida petição. A ementa do v. acórdão, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/1994 a 10/09/1994 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PETIÇÃO. FUNGIBILIDADE RECURSAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não obstante o processo estar eivado de vícios, sanados pelo Colegiado em momento e tempo oportuno, não tem a simples petição o condão de buscar a reforma daquela decisão e/ou esclarecimentos sobre a mesma, nem sob o enfoque da possível aplicabilidade do princípio da fungibilidade recursal, pois a aplicação desse decorre não só da interposição do recurso equivocado no mesmo prazo do correto, mas, também, da existência de dúvida objetiva acerca do recurso a ser interposto e da nãoocorrência de erro inescusável quanto à escolha do instrumento processual. Embargos não conhecidos. (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial, alegando, em síntese, apenas quanto às pretensas nulidades constantes dos autos, contrariedade à prova dos autos e violação aos artigos 27 do RICC vigente à época; 28, caput, e 38, incisos XII e XIII c/c incisos III e IV do artigo 37 do RICC vigente à época; 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80; 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72; e 53 da Lei nº 9.784/99. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 11080.013637/9547 Acórdão n.º 9303002.931 CSRFT3 Fl. 320 3 Nada disse, todavia, quanto à possibilidade de recebimento da simples petição como embargos de declaração. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 348 a 350. Contrarrazões da contribuinte às fls. 354 a 367, em que se apontou, em síntese, a intempestividade do recurso especial e o não enfrentamento da matéria que fundamentou a r. decisão recorrida, qual seja, a impossibilidade de recebimento da petição como embargos de declaração. Além disso, a contribuinte refutou as nulidades apontadas pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Inicialmente, entendo que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não merece ser conhecido. Com efeito, a despeito da intempestividade apontada nas contrarrazões, cuja aferição guarda uma certa complexidade face à intrincada marcha processual dos autos, certo é que a Fazenda Nacional não apontou que a r. decisão recorrida, ao não receber a simples petição como embargos de declaração, teria violado algum dispositivo legal ou mesmo contrariado a prova dos autos. A Fazenda Nacional, ao revés, se bastou em apontar que diversos dispositivos legais teriam sido violados em razão do não reconhecimento das nulidades. Nada disse quanto ao que realmente norteou a r. decisão recorrida. Tais violações, de fato, só poderiam ser analisadas se tivesse sido superado um primeiro momento, que seria o de recebimento da referida petição como embargos. Esta que deveria ser a decisão objeto de pretensa reforma. A Fazenda Nacional, como ressaltado, não traçou nenhuma linha a esse respeito, e, por conseguinte, o recurso especial, por não trazer as razões de reforma da r. decisão recorrida, não merece ser conhecido. De toda forma, mister salientar que o voto condutor do v. acórdão recorrido, da lavra do Ilustre Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, não comporta qualquer reparo, mas, ao contrário, merece ser ressaltado pela sua proficiência. Nesse sentido, pedindo vênia para adotálo como razão de decidir, destaco os seguintes excertos, verbis: (...) A Fazenda Nacional, em petição atravessada nestes autos, frisese, por relevante, juntada sem data de protocolo e sem estar devidamente datada, pugna pela declaração de nulidade do processo, na medida em que esse Colegiado teria julgado Fl. 398DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO 4 embargos de declaração opostos pela interessada, cuja cópia original não foi devidamente juntada aos autos, sem o necessário despacho prévio de admissibilidade. Não obstante não vislumbrar a alegada nulidade absoluta dos atos processuais e meritórios praticados no processo; entendo que o pedido fazendário esbarra em questão preliminar e de ordem processual: o recebimento de seu pleito como se recurso de embargos de declaração fosse. Na hipótese em comento, o ConselheiroRelator Emanuel Carlos Dantas de Assis, recebeu essa petição apresentada pela Fazenda Nacional como recurso de embargos de declaração, observando para tanto o princípio da fungibilidade recursal. Ocorre, entretanto, que se inconformidade há a propósito de atos supostamente acometidos de vícios e praticados por esse Colegiado, o recurso cabível seria o especial, regimentalmente previsto, como muito bem salientado pelo Conselheiro Eric Castro e Silva. Minha não aceitação para com a conversão do simples e mencionado petitório em recurso de embargos de declaração se deve ao fato do Superior Tribunal de Justiça e da doutrina processual pátria, já terem firmado entendimento no sentido de que “a aplicação do princípio da fungibilidade recursal decorre não só da interposição do recurso equivocado no mesmo prazo do correto, mas, também, da existência de dúvida objetiva acerca do recurso a ser interposto e da não ocorrência de erro inescusável quanto à escolha do instrumento processual.” (Agravo Regimental no Recurso Especial nº 882.572, Ministra relatora Denise Arruda, acórdão publicado no DJU, Seção I, de 30/04/2007) Assim, tecidas essas razões de decidir, voto pelo não conhecimento da aceitação da petição promovida pela Fazenda Nacional como se recurso de embargos de declaração fosse, uma vez que não preenchidos os requisitos para aplicação da fungibilidade recursal. Não tendo a mesma, friso, o condão de alterar julgamento anterior levado a efeito por este Colegiado. É como voto. (grifos e destaques nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 399DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 11080.013637/9547 Acórdão n.º 9303002.931 CSRFT3 Fl. 321 5 Fl. 400DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 13/09/2 014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002069/2007-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2002
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCIPAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO POSITIVA OU NEGATIVA.
O Código Tributário Nacional divide a obrigação tributária em principal e acessória; a primeira consiste no recolhimento do tributo; a segunda consiste na prática ou abstenção de condutas previstas em lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização.
A obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuição previdenciárias em GFIP, bem como prestar informações do interesse do Fisco está diretamente atrelada à obrigação principal de recolher o tributo.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.359
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, (i) para excluir da autuação as competências até 11/1999, frente à decadência com fulcro no artigo 173, I do Código Tributário Nacional; (ii) para excluir da autuação os valores não informados em GFIP relativos a aluguéis que foram tomados como remuneração de contribuintes individuais na NFLD 35.576.769-4, cujos débitos não persistiram na esfera administrativa, (ii) para que a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 DEBCAD 37.349.832-2, relativamente às contribuições previdenciárias principais constantes das NFLD's 35.576.769-4, 35.676.768-6 e 35.576.767-8, seja recalculada, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, na estrita hipótese do valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao contribuinte, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2002 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCIPAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO POSITIVA OU NEGATIVA. O Código Tributário Nacional divide a obrigação tributária em principal e acessória; a primeira consiste no recolhimento do tributo; a segunda consiste na prática ou abstenção de condutas previstas em lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização. A obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuição previdenciárias em GFIP, bem como prestar informações do interesse do Fisco está diretamente atrelada à obrigação principal de recolher o tributo. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13706.002069/2007-57
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387744
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.359
nome_arquivo_s : Decisao_13706002069200757.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 13706002069200757_5387744.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, (i) para excluir da autuação as competências até 11/1999, frente à decadência com fulcro no artigo 173, I do Código Tributário Nacional; (ii) para excluir da autuação os valores não informados em GFIP relativos a aluguéis que foram tomados como remuneração de contribuintes individuais na NFLD 35.576.769-4, cujos débitos não persistiram na esfera administrativa, (ii) para que a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 DEBCAD 37.349.832-2, relativamente às contribuições previdenciárias principais constantes das NFLD's 35.576.769-4, 35.676.768-6 e 35.576.767-8, seja recalculada, tomando-se em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, na estrita hipótese do valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao contribuinte, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
id : 5658668
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254246359040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 734 1 733 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.002069/200757 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.359 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de setembro de 2014 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2000 a 31/10/2002 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. No auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, não há hipótese de recolhimento parcial devendo ser aplicado o artigo 173, I do Código Tributário Nacional. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCIPAL. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO POSITIVA OU NEGATIVA. O Código Tributário Nacional divide a obrigação tributária em principal e acessória; a primeira consiste no recolhimento do tributo; a segunda consiste na prática ou abstenção de condutas previstas em lei, no interesse da arrecadação ou da fiscalização. A obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuição previdenciárias em GFIP, bem como prestar informações do interesse do Fisco está diretamente atrelada à obrigação principal de recolher o tributo. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 20 69 /2 00 7- 57 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, (i) para excluir da autuação as competências até 11/1999, frente à decadência com fulcro no artigo 173, I do Código Tributário Nacional; (ii) para excluir da autuação os valores não informados em GFIP relativos a aluguéis que foram tomados como remuneração de contribuintes individuais na NFLD 35.576.7694, cujos débitos não persistiram na esfera administrativa, (ii) para que a multa do Auto de Infração de Obrigação Acessória CFL 68 DEBCAD 37.349.8322, relativamente às contribuições previdenciárias principais constantes das NFLD's 35.576.7694, 35.676.7686 e 35.576.7678, seja recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, na estrita hipótese do valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao contribuinte, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13706.002069/200757 Acórdão n.º 2302003.359 S2C3T2 Fl. 735 3 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do sujeito passivo acima identificado, em 08/07/2005, com ciência em 12/07/2005, e referese ao descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispunha o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter sido informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s das competências de 01/1999 a 12/2004, todas as remunerações pagas aos segurados empregados a título de “auxilio filhos excepcionais, abonos indenizatórios e participação nos lucros e resultados”, assim como os valores pagos aos contribuintes individuais e os valores relativos ao saláriomaternidade nas competências de 03/2000 a 10/2002, conforme demonstrativos de fls. 63/343. Após a apresentação da defesa, DecisãoNotificação de fls.396/404, julgou procedente a autuação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo onde alega em síntese a decadência do período até 07/2000, que as infrações foram anteriores à incorporação, que as rubricas expostas não possuem natureza salarial e o mérito está sendo discutido nas notificações fiscais de lançamento de débito. Aduz que as contribuições relativas aos contribuintes individuais e saláriomaternidade foram parcialmente recolhidos, devendo a multa aplicada ser reduzida e requer a extinção do crédito lançado. Os autos vieram a julgamento e Resolução desta 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, exarada em 02/12/2010, converteu o julgamento em diligência, porque as obrigações principais relativas às rubricas consideradas como salário de contribuição estavam sendo discutidas em notificações próprias DEBCAD's 35.576.7678; 35.576.7686 e 35.576.7694, e somente após o julgamento das mesmas é que se poderia julgar este auto de infração que trata do descumprimento de obrigação acessória decorrente daquelas obrigações principais. Os autos retornaram para julgamento com apenas um Acórdão exarado pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes em 03/07/2008, relativo às rubricas de salário indireto auxilio filhos excepcionais, complemento auxílio doença e abono, consubstanciados na NFLD n.º 35.576.7686. O Acórdão exarado pugnou pela procedência parcial do lançamento, reconhecendo a decadência das contribuições previdenciárias até a competência 06/2000. Como as demais NFLD’s também conexas ao Auto de Infração ora examinado, de números 35.576.7678 e 35.576.7694, encontravamse no CARF para julgamento, conforme telas de fls. 505/508 e informação de fls. 510, novamente, o julgamento foi convertido em diligência, através da Resolução 2302000197, deste Colegiado em 22/01/2013, para que o Auto de Infração seja julgado conjuntamente com a notificações correlatas, ou no caso de que já tenham sido proferidos Acórdãos, que os mesmos sejam anexados ao presente processo. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Em resposta a diligência foram juntados: * Acórdão 230201.630, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara exarado em 08/02/2012, que negou provimento ao Recurso de Ofício que excluiu do lançamento valores pagos a título de aluguéis que tinham sido considerados como remuneração de contribuintes individuais e deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir o período atingido pela fluência do prazo decadencial até 11/1999, conforme entendimento do artigo 173,I, do Código Tributário Nacional. Este acórdão referese ao DEBCAD 35.576.7694. *Acórdão 2401003.046, da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, proferido em 18/06/2013, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as competências já homologadas tacitamente até 06/2000, na aplicação do artigo 150,§4º, do Código Tributário Nacional e no mérito negou provimento às rubricas Participação nos Lucros e Resultados e Bônus Executivo, configurando os pagamentos havidos como salário indireto. A seguir, os autos vieram para julgamento. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13706.002069/200757 Acórdão n.º 2302003.359 S2C3T2 Fl. 736 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Decadência O auto de infração compreende as competências de 03/2000 a 10/2002 e a ciência ao contribuinte se deu em 12/07/2005. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo ser observada a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional CTN. Assim, quando há o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, por se tratar de auto de infração, onde não há hipótese de recolhimento antecipado, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/1999, inclusive esta: Fl. 739DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13706.002069/200757 Acórdão n.º 2302003.359 S2C3T2 Fl. 737 7 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Auto de Infração de Obrigação Acessória x Responsabilidade do Sucessor Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio de Notificação Fiscal de Lançamento de débito. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Quanto à arguição da recorrente de que não deve arcar com a multa pela não inclusão de valores na GFIP, já que é sucessora de outra empresa que teria praticado a infração, tenho a dizer que de acordo com o prescrito pelos artigos 132 e 133, do Código Tributário Nacional ao sucessor se impõe a responsabilidade integral tanto pelos tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato: I. integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II. subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Ademais é de se ver do explanado em parágrafos anteriores, que descumprida a obrigação acessória, de fazer ou não fazer, ao ser lavrado o pertinente auto de infração, a penalidade pecuniária exigida convertese em obrigação principal, conforme o parágrafo 3º, do artigo 113 do CTN, também já transcrito acima. Portanto, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória é de responsabilidade do sucessor, conforme corroboram os seguintes julgados: “Ementa: .... a sociedade incorporadora ou aquela que resultar da fusão, quando tal ocorre, é que responde pelos débitos fiscais da primitiva sociedade (art. 132 do CTN). ....” (STF. RE 97625/RJ. Rel.: Min. Aldir Passarinho. 2ª Turma. Decisão: 08/11/ 83. DJ de 02/12/83, p. 19.042.) “Ementa: .... II. Os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se Fl. 741DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13706.002069/200757 Acórdão n.º 2302003.359 S2C3T2 Fl. 738 9 incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. Portanto, é devida a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo, visto ser ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento. ....” (STJ. REsp 432049/SC.Rel.: Min. José Delgado. 1ª Turma. Decisão: 13/08/02. DJ de 23/09/02, p. 279.) “Ementa: .... I. Em decorrência do disposto no art. 132 do Código Tributário Nacional, a pessoa jurídica de direito privado resultante da incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica de direito privado incorporada. ....” (TRF3ª Região. AC 95.03.0992222/SP. Rel. p/ acórdão: Des. Federal Souza Pires. 4ª Turma. Decisão: 14/04/99. DJ de 17/03/00, p. 1.768.) “Ementa: .... O art. 133, I, do Código Tributário Nacional confere aos sucessores de empresa a responsabilidade tributária pelos débitos do sucedido. ....” (TRF1ª Região. AC 2000.35.00.0186418/GO. Rel.: Des. Federal Hilton Queiroz. 4ª Turma. Decisão: 21/05/03. DJ de 11/06/03, p. 119.) “Ementa: .... I. O disposto no art. 123 do CTN, que veda a modificação do pólo passivo da relação tributária, mediante convenção particular, não se aplica na ocorrência de sucessão da empresa ou fundo de comércio, ex vi do art. 133 do mesmo diploma legal, que confere aos sucessores a responsabilidade tributária pelos débitos do sucedido.....” (TRF1ª Região. Ag 1999.01.00.0040926/MA. Rel.: Des. Federal Mário César Ribeiro. 4ª Turma. Decisão: 14/12/99. DJ de 17/03/00, p. 548.) No caso em tela, temos a lavratura do Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória de informar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. Como já visto que o acessório segue o principal, mister se fez saber a destinação das obrigações principais, consubstanciadas em Notificações Fiscais de Lançamento de Débito, para saber da procedência ou não da autuação delas decorrentes. Assim, analisando os dados trazidos pela diligência efetuada, temos que: NFLD n.º 35.576.7686 relativa às rubricas de salário indireto auxilio filhos excepcionais, complemento auxílio doença e abono, teve negativa de provimento quanto ao mérito, mantendo o lançamento das rubricas, mas provimento parcial para reconhecer a decadência das contribuições previdenciárias até a competência 06/2000. Acórdão 20601.043, da Sexta Câmara da Segunda Seção do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em 03/07/2008. NFLD 35.576.7694, relativa às contribuições incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais, teve negado provimento ao Recurso de Ofício que Fl. 742DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 excluiu valores relativos a aluguéis da base de cálculo contributiva, manteve o mérito do lançamento, apenas excluindo período decadente até 11/1999, conforme entendimento do art. 173, I do CTN. Acórdão 230201.630, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF, exarado em 08/02/2012, NFLD 35.576.7678, relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados e Bônus Executivo. Acórdão 2401003.046, da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, proferido em 18/06/2013, que deu provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as competências já homologadas tacitamente até 06/2000, na aplicação do artigo 150,§4º, do Código Tributário Nacional e no mérito negou provimento às rubricas Participação nos Lucros e Resultados e Bônus Executivo, configurando os pagamentos havidos como salário indireto. Desta forma, se mostram inócuas as alegações da recorrente em suas razões, quanto à natureza não salarial das verbas, porquanto este auto de infração de obrigação acessória limitase ao que foi decidido nas NFLD’s referentes a obrigação principal. Também se mostra improcedente a alegação de que recolheu as contribuições devidas sobre a rubrica salário maternidade e sobre a remuneração dos contribuintes individuais, posto que já restou evidenciado neste voto que a empresa é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias que vem definidas em legislação, independentemente da adimplência do tributo devido. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não informar os valores relativos a todos os pagamentos efetuados aos segurados a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Multa A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Fl. 743DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13706.002069/200757 Acórdão n.º 2302003.359 S2C3T2 Fl. 739 11 Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, Fl. 744DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, Fl. 745DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13706.002069/200757 Acórdão n.º 2302003.359 S2C3T2 Fl. 740 13 Voto pelo provimento parcial do recurso: a) para excluir da autuação as competências até 11/1999, frente à decadência com fulcro no artigo 173, I do Código Tributário Nacional; b) para excluir da autuação os valores não informados em GFIP relativos a aluguéis que foram tomados como remuneração de contribuintes individuais na NFLD 35.576.7694, cujos débitos não persistiram na esfera administrativa, conforme decisão de primeira instância submetida a Recurso de Ofício que teve seu provimento negado; e c) para que nas rubricas não informadas em GFIP, mas consideradas como salário de contribuição nos julgamentos proferidos em segunda instância administrativa das NFLD's 35.576.7694, 35.676.7686 e 35.576.7678, a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da lei n.º 8.212/91, com a redação da Lei n.º 11.941/2009, na estrita hipótese de se mostrar mais benéfíca ao contribuinte, conforme artigo 106, II do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 746DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/10/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906359/2012-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/05/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.657
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 18/05/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.906359/2012-47
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5389683
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.657
nome_arquivo_s : Decisao_10935906359201247.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
nome_arquivo_pdf_s : 10935906359201247_5389683.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
id : 5664242
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254273622016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 121 1 120 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.906359/201247 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3802002.657 – 2ª Turma Especial Sessão de 25 de março de 2014 Matéria PIS/PASEP Recorrente JUMBO ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/05/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/05/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 59 /2 01 2- 47 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.807, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 04907.01893.110209.1.2.043604, rastreamento nº 041907024, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 2.030,08, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 30/04/2007, efetuado em 18/05/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906359/201247 Acórdão n.º 3802002.657 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/05/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906359/201247 Acórdão n.º 3802002.657 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906359/201247 Acórdão n.º 3802002.657 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906359/201247 Acórdão n.º 3802002.657 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003446/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Cancela-se a exigência fiscal sob este pórtico, quando comprovado o erro da fonte pagadora na apresentação da DIRF.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e/ou dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimento no valor de R$4.623,87.
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Cancela-se a exigência fiscal sob este pórtico, quando comprovado o erro da fonte pagadora na apresentação da DIRF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e/ou dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.003446/2009-13
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401449
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-003.163
nome_arquivo_s : Decisao_10830003446200913.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10830003446200913_5401449.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimento no valor de R$4.623,87. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5735490
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:23 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254305079296
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1869; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 89 1 88 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.003446/200913 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102003.163 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria Omissão de Rendimentos Recorrente THEBES SOAVE GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Cancelase a exigência fiscal sob este pórtico, quando comprovado o erro da fonte pagadora na apresentação da DIRF. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e/ou dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimento no valor de R$4.623,87. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Bernardo Schmidt, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 34 46 /2 00 9- 13 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/1 1/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 03/05, para exigência de imposto suplementar da DIRPF do exercício de 2007, decorrente da glosa de deduções indevidas de despesas médicas no montante de R$21.923,66 e omissão de rendimentos no valor de R$4.623,87. Em sua impugnação ao lançamento (fl. 01), a contribuinte apenas faz referência a juntada de comprovantes que embasaram o preenchimento de sua DIRPF. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau, em votação unânime (Acórdão nº 1749.095 – fls. 32/37), julgou procedente em parte a impugnação, para restabelecer a dedução com despesas médicas informadas nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fls. 21, 23 e 24), no valor de 6.943,66, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também os correspondentes pagamentos. Artigo 73 e 1º, 80, §1º, III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/99). OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM E SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Constituemse em base de incidência de imposto de renda da pessoa física rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas. Inteligência dos artigos 1º, 2º e 3º, e §§ da Lei nº 7.713/88 e artigo 43 e 45 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF (fls. 49/51), a recorrente alega que os recibos de serviços odontológicos apresentados, onde constam o nome e CPF do profissional é válido para comprovação dos gastos. Argumenta que o fisco exige a apresentação de mais provas (é um acinte requerer a apresentação de extrato bancário ou canhoto de cheque), sem antes esgotar todos os meios que dispõe para esse mister, como verificar a declaração do profissional emitente do recibo. Em relação à omissão de rendimentos, afirma que declarou exatamente os valores indicados no Comprovante de Rendimentos fornecido pela fonte pagadora Camprev, que conferem com os valores dos holerites. Entende que o fisco é que deve solicitar explicações à Camprev sobre a divergência entre o Informe de Rendimentos e a DIRF. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/1 1/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003446/200913 Acórdão n.º 2102003.163 S2C1T2 Fl. 90 3 O julgamento foi convertido em diligência, nos termos da Resolução de nº 2102000.178 (fls. 66/68), retornando os autos ao CARF com os documentos às fls. 74/86. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio a infração de omissão de rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica (Notificação de Lançamento às fls. 06/10), no valor de R$4.623,87, resultado da diferença entre o informado pela contribuinte e o informado em DIRF pela fonte pagadora, e a glosa da despesa odontológica no valor de R$14.980,00. A fonte pagadora Instituto de Previdência Social do Município de Campinas, CNPJ nº 06.916.689/000185, foi intimada a esclarecer a divergência entre os rendimentos tributáveis informados nos Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Imposto de Renda Retido na Fonte às fls. 20/21, relativo ao exercício de 2007/anocalendário de 2006, no montante de R$23.821,65, e a DIRF à fl. 31, que indica o montante de rendimento tributável de R$28.445,52. Em resposta (fl. 74), esclarecido que o valor correto é R$23.821,65, consoante documentos às fls. 76/85. Desta forma, devese cancelar a infração de omissão de rendimento, excluindose da base de cálculo o valor de R$4.623,87. No que tange à glosa da despesa odontológica, a decisão de primeiro grau está em consonância com as decisões deste Colegiado sobre a matéria. Como é cediço, as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e limitamse a pagamentos especificados e comprovados. Vejamos o que dispõe o artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... Fl. 91DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/1 1/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Por sua vez, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Conforme assinalado na decisão recorrida, além das despesas pleiteadas serem elevadas, 23% dos rendimentos declarados, os recibos apresentados somente em impugnação ao lançamento, pois não foi atendida a prévia intimação realizada pela fiscalização (descrição dos fatos à fl. 04), está em desacordo a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou elementos de prova relativos à necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. A autuada é aposentada e pensionista da Prefeitura Municipal de Campinas e recebe a integralidade dos proventos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar o efetivo pagamento da despesa mantida na decisão de primeiro grau, no valor de R$14.980,00. Vale observar que o Código Civil quando estabelece os requisitos básicos, por exemplo, para que um documento seja considerado prova de quitação, o faz tendo em vista a oposição deste documento em relação aos seus signatários, não em relação à Administração Pública. Aliás, a presunção de veracidade, como estatui o artigo 219 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), operase somente em relação aos participantes do ato, razão pela qual o fisco pode solicitar a comprovação do efetivo pagamento: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/1 1/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10830.003446/200913 Acórdão n.º 2102003.163 S2C1T2 Fl. 91 5 Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. A presunção de veracidade não alcança terceiros, entre os quais o sujeito ativo da obrigação tributária, que mantém uma relação jurídica distinta e completamente independente daquela entre os signatários. Em contrapartida, a exigência de comprovação de efetivo pagamento tem justamente por finalidade a confirmação dos fatos por meio de outros elementos de prova, vale dizer, que sejam independentes de uma simples afirmação de suposta verdade. Com efeito, quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Neste sentido, o Superior Tribunal de Justiça já teve oportunidade de afirmar que a presunção juris tantun de veracidade do conteúdo do instrumento particular é invocável tãosomente em relação aos seus subscritores (STJ, Ac. Unân. 4a T. Resp. 33.2003/SP, rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira, in RSTJ 78:269). E também o entendimento da doutrina abalizada de Washington de Barros Monteiro: "Salientese, entretanto, que a presunção de veracidade só prevalece contra os próprios signatários, não contra terceiros, estranhos ao ato". (Curso de Direito Civil", 10 vol., 34a Edição, p. 257 e 258). É certo que o sistema protege o documento que se reveste de presunção de veracidade, permitindo redução do seu valor probatório somente diante de prova em contrário. Contudo, o documento que não se reveste de presunção de veracidade, como recibos e declarações particulares, são passíveis de serem rejeitados como prova, desde que haja outros motivos, pois a estes documentos atribuise valor probatório ordinário. Assim, o ônus da prova do fato declarado compete ao interessado na prova da sua veracidade, sendo legitima a exigência pelo fisco de elementos complementares a estes documentos, com a finalidade de formar juízo de verossimilhança dos fatos declarados. Para a situação revelada no caso em exame, há que se comungar com o entendimento manifestado pela fiscalização, que encontra suporte na jurisprudência majoritária deste Conselho, expresso nas ementas abaixo colacionadas, dentre muitas outras, no mesmo diapasão: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas, quando impugnadas Fl. 93DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/1 1/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 pelo Fisco, depende da comprovação do efetivo pagamento e/ou da prestação dos serviços. (Acórdão 10422781, Sessão de 18/10/2007) DESPESAS MÉDICAS GLOSA Tendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas por não comprovação dos gastos, não há justificativa para seu restabelecimento sem confirmação do efetivo desembolso e da prestação do serviço. (Acórdão 10248922, Sessão de 25/01/2008). Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento a omissão de rendimento no valor de R$4.623,87. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 94DF CARF MF Impresso em 26/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/1 1/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13971.005406/2010-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa.
Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão.
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN.
O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando-se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude.
ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA.
A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interpostas pessoas jurídicas.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Ronaldo de Lima Macedo Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizando-se dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizando-se de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.005406/2010-23
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401788
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-004.378
nome_arquivo_s : Decisao_13971005406201023.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : RONALDO DE LIMA MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 13971005406201023_5401788.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5737365
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254323953664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2630; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.005406/201023 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.378 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria SIMULAÇÃO E DECADÊNCIA Recorrente VOG COMERCIAL TÊXTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 30/06/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de obscuridade na caracterização do fato gerador e da multa. Na decisão de primeira instância, o julgador não é obrigado a fundamentar o acórdão em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. ARTS 45 E 46 LEI 8.212/1991. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o que dispõe o art. 150, § 4º, ou o art. 173 e seus incisos, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não, respectivamente. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O lançamento foi efetuado em 08/12/2010, data da ciência do sujeito passivo, e os fatos geradores das contribuições apuradas ocorreram nas competências 10/2005 a 06/2010. Com isso, as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência, permitindo o direito de o Fisco constituir o crédito tributário por meio de lançamento fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 142 E 149 DO CTN. O lançamento é efetuado de oficio pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 54 06 /2 01 0- 23 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 simulação. Quando os elementos probatórios indicam a existência de duas ou mais empresas com a mesma atividade econômica, utilizandose dos mesmos empregados e meios de produção, isso configura simulação ou fraude. ASPECTOS SUBJETIVOS. DOLO OU CULPA NO ATO DE CONSTITUIÇÃO DA EMPRESA. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pela obrigações tributárias independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA. PROCEDÊNCIA. A multa de ofício qualificada de 150% é aplicável quando caracterizada a prática de sonegação com o objetivo de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco e de reduzir o montante das contribuições devidas, utilizandose de interpostas pessoas jurídicas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Ronaldo de Lima Macedo – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 10/2005 a 06/2010. O Relatório Fiscal (fls. 70/95) informa que os fatos geradores das contribuições lançadas são oriundos das remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços às pessoas jurídicas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Isso porque, em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, nas referidas empresas, todas optantes pelo SIMPLES, constatouse que estas não dispunham de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social, que foram instituídas com o propósito de abrigar a mão de obra necessária ao desenvolvimento das atividades da autuada, sendo que todos os recursos eram provenientes desta. Dessa forma, a autuada deixou de recolher a contribuição previdenciária patronal devida, incidente sobre a remuneração dos segurados, pois 95% dos empregados foram registrados nos CNPJ das empresas vinculadas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 08/12/2010 (fls. 02). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 423/477), alegando, em síntese, que: 1. a fiscalização, na tentativa de vincular a impugnante às empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, inscrita no SIMPLES, se se apegou a algumas questões, valendose de parcas provas, sem se atentar à realidade das operações de natureza têxtil, onde é muito comum a abertura de empresas por antigos empregados, para regularmente atender aos antigos patrões, algumas vezes com caráter de exclusividade e outras não. Os depoimentos colhidos pela fiscalização não se prestam ao fim pretendido, pois são fruto de perguntas direcionadas e tendenciosas, tudo com o objetivo de montar uma realidade inexistente de fato; 2. ela mantém contratos de prestação de serviços com as empresas Patrick Malhas e Novatextil, a teor de tais instrumentos a contratada é responsável por todos os encargos trabalhistas, previdenciários e sociais, relativos aos empregados utilizados na execução dos serviços objeto deste contrato, tampouco estabelecem qualquer vínculo empregatício em relação ao pessoal que a contratada empregar para execução dos serviços ora contratados; Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. quanto às alegadas transferências de empregados de uma empresa para outra, afirma que as mesmas se deram conforme as conveniências de cada uma das empresas envolvidas, sendo que a ausência de pagamento das verbas rescisórias decorre, única e tão somente, da relação de confiança instalada entre elas, no sentido de que os trabalhadores não terão os seus direitos preteridos. O fato de a contabilidade de todas as empresas ser de responsabilidade do Sr. Raul de Oliveira é irrelevante, pois é dado aos profissionais desta área atender a vários clientes simultaneamente; é perfeitamente possível que a sociedade outorgue procuração para que um estranho ao quadro societário a represente; 4. no tocante as despesas, pretensamente suportadas pela impugnante, cumpre dizer que, além de não comprovadas as referidas alegações, ainda que esta situação fosse verdade, isto seria facilmente explicável, vez que as terceiras empresas, por conta das industrializações procedidas, têm créditos contra a impugnante, que poderiam ser parcialmente compensados com estas despesas; 5. no tocante ao maquinário, aduz é muito normal à cessão de uso, a título gratuito, por empresas que encomendam industrialização de terceiros, para que estes o operem; em muitos casos há máquinas "encalhadas" de um lado e pessoas interessadas em utilizálas de outro, havendo empréstimos apenas por questões de amizade ou relações comerciais; tanto isto é verdade que a Patrick Malhas, por ex., recebeu em comodato máquinas da empresa Erdeck Comércio e Representações; além disso, consoante documentos anexos 6, comprovam que as referidas empresas também o adquirem, em seu nome, máquinas e equipamentos, o que obviamente desqualifica a pretendida vinculação patrimonial; 6. no ramo de confecções é comum a montagem apenas de um setor administrativo, para conduzir a industrialização procedida por terceiras empresas. O que vale, em tais negócios, é o knowhow dessas pessoas; o envio de insumos, para terceiros os transformarem em produtos acabados é uma atividade tipicamente industrial e licita, não havendo motivos para lhe aplica a pecha de fraude; ao contrário do alega a fiscalização não há em ordem de serviços, mas, sim, “direito a exigir eficiência e qualidade na fabricação dos produtos”; 7. inexiste prova material de pessoalidade, nãoeventualidade, subordinação e nem de onerosidade entre a impugnante e os funcionários/sócios das terceiras empresas, não havendo, ao contrário do que pretende a fiscalização, como se falar em relação de emprego; 8. no que tange ao levantamento das contribuições incidentes sobre os supostos valores pagos por fora da folha de pagamento cumpre registrar que, diante da falta da lavratura do termo de apreensão dos recibos que serviram de base para a fiscalização, não foram respeitadas as formalidades inerentes ao processo previstas no art. 9º, do Decreto 70.235/1972, logo, os referidos documentos não podem ser convalidados e conseqüentemente, o levantamento padece do vício de nulidade; nos termos da teoria dos frutos podres, toda e qualquer Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 4 5 pretensa evidência, colhida de uma prova inválida, também deve ser tida por improcedente; 9. na base de cálculo das contribuições em análise foram incluídas diversas verbas indevidas, tais como: auxiliadoença, salário maternidade, terço constitucional de férias, férias indenizadas, aviso prévio indenizado, 13 ° salário auxilio creche e adicionais noturno, de insalubridade, de periculosidade e de horasextras, devendo eles ser excluídos, mas como não é possível proceder de tal forma, forçosamente se conclui pela incerteza e iliquidez do débito reclamado, impondo como medida de justiça o seu cancelamento por completo. Caso não se repute totalmente nulas as notificações fiscais, então deverão ser excluídos os valores acima mencionados, mediante a formalização das diligências necessárias e reabertura de prazo para defesa; 10. o agente fiscal cometeu um grande equivoco ao fundir as duas espécies de penalidade aplica (multa isolada + multa de oficio), mediante aplicação retroativa da Lei 11.941/2009. Enquanto a multa em tese cabível neste auto de infração decorre do não recolhimento de tributo, o ilustre fiscal alterou a natureza da penalidade, tratando da multa isolada e da multa de oficio como se fossem uma única coisa, o que não subsiste, frente às regras vigentes ao tempo dos fatos geradores; assim, na remota hipótese de se entender pela subsistência de alguma das penalidades, deve ser aplicada ao caso em concreto as disposições contidas no art. 35, da Lei 8.212/1991, que como se sabe tem sua multa iniciada em 12%, progressiva no tempo, podendo chegar a até 100%; 11. o pressuposto para a aplicação da multa de oficio majorada, tanto na redação original do art. 44, da Lei 9.430/1996, como na redação atual, dada pela Lei 11.488/2007, é que esteja configurada ao menos uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, todos da Lei 4.502/1964; da leitura dos referidos dispositivos se colhe que todas as condutas neles descritas somente podem ser consideradas como efetivamente ocorridas nos casos em que se observe ação ou omissão dolosa por parte do contribuinte, no intuito de encobrir o surgimento da obrigação tributária. Imprescindível, portanto, a prova da prática dolosa dos crimes de sonegação, fraude e/ou conluio, eis que o dolo é elemento ínsito a essas condutas, sendo certo que o dolo não se presume, se prova, o que não ocorreu no caso em comento, inconcebível, portanto a sua aplicação; 12. afirma que as contribuições apuradas na competência 11/2005 e anteriores restam fulminadas pelo instituto da decadência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Florianópolis/SC – por meio do Acórdão 0731.807 da 6a Turma da DRJ/FNS (fls. 942/952) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas na caracterização do fato gerador e na aplicação da multa. Assim, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador e das multas lançadas. Tratandose de lançamento de ofício, a multa a ser aplicada é a de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, ou a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996, conforme determina o art. 35A da Lei 8.212/1991, dependendo da data do fato gerador da contribuição, haja vista as alterações da legislação pertinente, introduzida pela MP nº 449 de 04/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Esses fundamentos legais foram devidamente registrados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e nas planilhas de cálculos comparativos da aplicação da multa. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/420) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 70/95) e seus anexos (fls. 01/69 e 96/420) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Discriminativo Sindético de Debito (DSD); planilhas de cálculos comparativos de aplicação da multa; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/420) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Dentro desse contexto, a Recorrente alega que a decisão de primeira instância não examinou os itens 145 a 161 da sua peça de impugnação e, com isso, deixou de apreciar, no cálculo da multa, as GFIP’s apresentadas pelas terceiras pessoas. Tal alegação não será acatada, já que a decisão de primeira instância mencionou que “(...) os argumentos apresentados pela defendente não desqualificam o procedimento fiscal, ou porque são irrelevantes, ou porque não trouxeram aos autos nenhuma prova de suas alegações, ou porque tais não podem ser analisados isoladamente como pretende. O que prevalece, no presente caso, é o somatório de fatos importantes, que se fossem analisados isoladamente seriam apenas indícios, mas é o conjunto probatório, harmônico entre si e no mesmo sentido, que conduz à inevitável conclusão de que as empresas estão intimamente interligadas, fato que não acontece em simples relações comerciais”. Além disso, a decisão de primeira instância registrou que apreciou as folhas de pagamento das terceiras pessoas no momento em que mencionou que “(...) os valores constantes dos levantamentos FO, FF, FS e F7 e desdobramentos, foram extraídos das folhas Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 6 9 de pagamento das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA. ME e Confecções Sevem LTDA. ME, sendo por elas declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, observadas as peculiaridades devidas das rubricas declaradas”. E, nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Recorrente, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n. 799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão – no caso em tela a utilização de terceiras pessoas na contratação de mão de obra –, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Com relação à alegação de que os recibos de pagamentos por fora (extrafolha) não foram entregues pela Recorrente e nem houve o termo de apreensão desses recibos, cumpre esclarecer que a Recorrente foi devidamente intimada para a apresentação das pastas referentes aos documentos dos empregados, e, junto a estes documentos, encontravam Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 se tais recibos de pagamentos. Os valores constante dos recibos de pagamentos não constavam da folha de pagamento, tampouco foram declarados em GFIP, conforme cópias de fls. 250/356. Com isso, esses valores foram lançados como salário de contribuição (base de cálculo), sendo, portanto, correto o procedimento adotado pelo Fisco e não será acatada a alegação da Recorrente de nulidade desse procedimento. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal e da decisão de primeira instância são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega que seja declarada, em parte, a extinção do crédito tributário ora analisado, pois os créditos apurados até a competência 11/2005 teriam sido atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Tal alegação não será acatada pelos motivos fáticos e jurídicos a seguir delineados. Esclarecemos que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08 STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 45/2004. in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 7 11 O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O lançamento fiscal em tela referese às competências 10/2005 a 06/2010 e foi efetuado em 08/12/2010, data da intimação e ciência do sujeito passivo (fl. 02). Contudo, no caso ora em análise, verificase que a conclusão fiscal foi de que a empresa simulou ou fraudou uma situação que não aparenta a realidade dos fatos contábeis, eis que o Fisco evidenciou que, do ponto de vista formal, havia apenas uma empresa, a Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Recorrente, conforme os fatos delineados no Relatório Fiscal (itens 9 a 11, fls. 70/95). Tais fatos evidenciaram que a escrituração contábil da Recorrente não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, escampando para uma simulação na contratação da mão de obra por meio de interpostas pessoas jurídicas (empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME), e serão enumerados no item seguinte. Ao contrário do afirmado pela Recorrente e considerando que o próprio art. 150, § 4º, do CTN, excetua a sua aplicação na ocorrência dessa situação (simulação ou fraude), entendese pela aplicação da regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN, para considerar que nenhuma competência lançada foi abrangida pela decadência tributária. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores das contribuições não recolhidas em época determinada pela legislação vigente –, a alegação de decadência não será acatada, eis que as competências posteriores a 12/2004 não foram abarcadas pela decadência e o lançamento fiscal referese ao período de 10/2005 a 06/2010, fora do período decadencial, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. Diante disso, rejeito a alegação de decadência tributária ora examinada, e passo ao exame das demais questões. Com relação à caracterização da relação jurídica material dos segurados empregados, constatase que o Fisco concluiu que, durante o período fiscalizado, havia apenas uma única empresa, qual seja, a Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente). E, afirma que essa relação material dos empregados era distinta da relação formal estabelecida com as empresas: Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, todas optante pelo SIMPLES a época dos fatos geradores. No presente caso analisado, os elementos informativos apontam que não há três empresas, relativamente aos trabalhadores remunerados, mas apenas uma, a saber, a Recorrente (Vog Comercial Têxtil Ltda), pelos seguintes motivos: 1. a Recorrente iniciou suas atividades em 01/10/2002, com o nome de Novatêxtil Ltda, tendo como sócios o casal Odete e Vilmar Glasenapp (sócio da Villa Confecções Ltda., até 01/10/2002), ambos com 50% de participação e objeto social o ramo de indústria e comércio e representação de confecções em malha, com sede na Rua: Gustavo Zimmermann, número 4.075, Bairro Itupava, Blumenau/SC. Em janeiro de 2003 o sócio Vilmar foi substituído na sociedade pela sua filha menor, representada pelo pai. Odete Glasenapp passou a responder pela empresa. E em sua 5ª alteração alterou o nome empresarial para VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda., e o seu objeto social passou a ser "desenvolvimento de produtos da moda em malha, show room, indústria, comércio e exportação de artigos do vestuário em geral, tendo como atividade secundária o fornecimento de alimentos através de seu próprio refeitório"; 2. a Novatêxtil Ltda – ME, iniciou suas atividades em 01/08/2003, tendo como sócios Alirio José Nardeli (administrador) – exfuncionário de Villa Confecções Ltda., no período de 02/05/2000 a 30/08/2003 –, e Gisela de Souza também era funcionária da Villa Confecções Ltda. até 03/2003, e objetivo social de explorar o ramo de "indústria, comércio e facção de artigos do vestuário em geral. Em 20/07/2004, Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 8 13 Alirio José Nardeli foi substituído na sociedade por Raul de Oliveira (contador) e a partir de 01/08/2004, foi registrado na própria empresa como encarregado do setor de costura. Enquanto que Gisela de Souza, além de fazer parte do quadro societário da empresa Novatêxtil Ltda. – ME, a partir de 01/05/2008 foi registrada pela Recorrente como inspetora de qualidade de produtos oriundas das facções. Várias foram as alterações contratuais relativas à mudança de endereço, todas no sentido de acompanhar as mudanças de endereço da VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda. Atualmente os segurados empregados de ambas empresas trabalham juntos no mesmo endereço; 3. a Patrick Malhas Ltda ME iniciou suas atividades em 01/08/2003. Seu objetivo era a "industrialização de artigos têxteis, corte de malhas, estampa e embalagem de artigos em malha, tendo como sócios Nelson Stolb (administrador) que até 01/08/2003 também era funcionário da Villa Confeccções Ltda., Lorimar Rohweder e René Beck. Na 3º alteração contratual (abril de 2010), o seu objeto social passou a ser "fabricação de tecidos de malha por conta e ordem de terceiros" e novos sócios Renaldo Testoni e Bianca Testoni assumiram a sociedade. A maioria dos seus empregados também no mesmo endereço que os empregados das empresas Novatêxtil Ltda. – ME, e VOG COMERCIAL TÊXTIL Ltda; 4. A Confecções Sevem Ltda – ME, foi constituída em 01/05/1997, tendo como sócios Nilson Nivaldo de Oliveira e Rosane Fiedier de Oliveira exfuncionária da Villa Confecções Ltda. Mas, apesar de manter 45 empregados registrados e trabalhando em um endereço fora da sede da autuada, em entrevista Rosane Fiedier de Oliveira declarou “que o Sr. Vilmar Glasenapp é responsável pelo pagamento de salário dos seus empregados, todas as despesas, tributos, processos trabalhistas, etc..., inclusive paga um salário” pra ela na condição de sócia gerente. Ou seja, eles são “sócios” mas não correm nenhum risco econômico; 5. as despesas como água, luz, telefone, refeitório, matérias de consumo, matéria prima, despesas operacionais e as demandas trabalhistas, incorridas pelas contratadas são todas suportadas pela Recorrente; 6. apesar de cada uma das empresas vinculadas possuírem conta em banco, existem procurações envolvendo todos os “supostos sócios”, o contador, a financeira e Vilmar Glasenapp, dando plenos poderes para estes movimentarem as referidas contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com a relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da autuada em anexo. Os documentos de caixa apresentados pelas empresas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela impugnante. Dentre os poucos papéis se pode ver que o Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível, vale transportes, aluguéis, dentre outros. Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da Recorrente como responsável. Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a Iracema Baer responsável pelo setor financeiro e para Vilmar Glasenapp e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações leva a marca "novatêxtil"; 7. o contador deixou de apresentar a contabilidade das empresas vinculadas, justificandose que as mesmas são optante pelo Simples. Apresentou apenas o razão da conta caixa, o qual, haja vista a discrepância existente entre os dados apresentados e as contas pagas, não serve para qualquer análise. As referidas empresas apresentam as contas como pagas por ela, sem, no entanto, registrar esses pagamentos porque na verdade foram pagos pelo caixa/financeiro da Recorrente; 8. as máquinas e equipamentos são de propriedade da Recorrente, os quais, por meio de um Contrato de Comodato e Prestação de Serviços foram transferidos para o imobilizado da empresas “simuladas”, sem qualquer garantia ou fiador. No referido contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral". Ou seja, frise – se novamente, os empregados registrados nas empresas optante pelo SIMPLES fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas a título de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na autuada cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio; 9. no período fiscalizado, da análise do demonstrativo de resultado das empresas, fls. 88 e 89, verificase que faturamento das interpostas pessoas jurídicas não era suficiente para cobrir as despesas com as suas respectivas folhas de pagamento, enquanto que a folha de pagamento da Recorrente não chegou a 3% do seu faturamento. A Recorrente é o único cliente destas, para quem as mesmas fornecem toda a mão de obra através de contrato de prestação de serviço com exclusividade. A requerente encaminha toda a matériaprima por meio de nota de remessa para industrialização por encomenda enquanto que as supostas prestadoras de serviço devolvem as mercadorias como serviço prestado; 10. entrevistas realizadas com os segurados das empresas arroladas e informações extraídas do sistema informatizado CNIS, extratos de fls. 214/237 demonstraram o movimento de registro de empregados entre as empresas, os quais na maioria das vezes permaneceram executando as mesmas funções no mesmo local. Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 9 15 Esses elementos fáticos probatórios apontados acima, no meu entendimento, caracteriza a fraude objetiva ou simulação objetiva da relação empregatícia em decorrência da relação obrigacional com as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME ser apenas formal e não material. E, estando presentes os requisitos da relação de emprego (pessoalidade, subordinação, não eventualidade, onerosidade e alteridade – art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, e arts. 2º e 3º da CLT), numa determinada prestação ou relação de trabalho, é indiferente para a relação empregatícia a presença ou não do consilium fraudis (elemento subjetivo a máfé, o intuito malicioso de prejudicar) entre as partes ou mesmo da conscientia fraudis (elemento subjetivo com a consciência ou vontade de fraudar) por parte do empregador, com o consequente afastamento dos atos fraudulentos e o reconhecimento da real relação obrigacional tributária entre as partes: segurados empregados e a Recorrente. Dizse objetiva a fraude nas relações empregatícias porque, ao contrário do que ocorre no direito civil, para a sua averiguação “(...) basta a presença material dos requisitos da relação de emprego, independentemente da roupagem jurídica conferida à prestação de serviços (parceria, arrendamento, prestação de serviços autônomos, cooperado, contrato de sociedade, estagiário, representação comercial autônoma, etc.), sendo irrelevante o aspecto subjetivo consubstanciado no animus fraudandi do empregador, bem como eventual ciência ou consentimento do empregado com a contratação irregular, citandose, v.g, nesta última hipótese, a irrelevância dos termos de adesão às falsas cooperativas pelos trabalhadores com vistas a alcançar um posto de trabalho dentro de determinada empresa; a inscrição, e consequente prestação de serviços, como autônomo ou representante comercial, apesar da existência de um vínculo empregatício; a exigência de constituição de pessoa jurídica (“pejotização”) pelo trabalhador para ingressar no emprego etc., posto que constituem instrumentos jurídicos insuficientes para afastar o contratorealidade entre as partes” (artigo Fraudes nas Relações de Trabalho: Morfologia e Transcendência. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, n. 36, 2010; pág. 170/171). Com esse mesmo entendimento o doutrinador Américo Plá Rodrigues afirma que “(...) a existência de uma relação de trabalho depende, em consequência, não do que as partes tiverem pactuado, mas da situação real em que o trabalhador se ache colocado, porque [...] a aplicação do Direito do trabalho depende cada vez menos de uma relação jurídica subjetiva do que de uma situação objetiva, cuja existência é independente do ato que condiciona seu nascimento. Donde resulta errôneo pretender julgar a natureza de uma relação de acordo com o que as partes tiverem pactuado, uma vez que, se as estipulações consignadas no contrato não correspondem à realidade, carecerão de qualquer valor” (Apud DE LA CUEVA, Mario; Princípios de Direito do Trabalho; São Paulo; LTr, 2002, pág. 340) (g.n.). A Recorrente alega que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, nem poderia aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco poderá descaracterizar a relação formal existente e considerar, para efeitos do lançamento fiscal, a relação real entre as empresas, identificando corretamente o sujeito passivo da relação jurídica tributária, desde que haja elementos probatórios apontado o real sujeito passivo da obrigação tributária, que foi o caso dos autos. De mais a mais, a legislação tributária, expressamente, confere atribuição à autoridade fiscal para impor “sanções” sobre os atos ilícitos e viciados verificados no sujeito Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, conforme regras previstas nos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada. Portanto, é certo que a autoridade do FiscoPrevidenciário, no intuito de aplicar a norma previdenciária ao caso em concreto, detém autonomia ou poderes para caracterizar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, e, para tanto, está perfeitamente autorizada a desconsiderar atos e negócios jurídicos, em que se vislumbra manobras e condutas demonstradas ilegais, com intuitos inequivocamente evasivos. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ......................................................................................................... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; (...) VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; (g.n.) Para tanto, o Fisco informa que o lançamento fiscal tem como fundamento o fato de que as empresas vinculadas estão sendo utilizadas pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela, e delineia, dentre outros, os seguintes motivos: “[...] CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS 9. Introdução 9.1. A VOG mantém em torno de 280 empregados alocados nessas empresas vinculadas, constituídas para serem optantes pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. Tais empresas estão em nome de seus empregados e operam exclusivamente para a VOG em suas instalações ou em tomo dela, usando seus próprios maquinários e equipamentos, sendo administradas por ela através do seu financeiro, ou seja, ela paga todas as despesas desses CNPJ vinculados como energia elétrica, água, telefone, alimentação, tributos, folhas de pagamentos etc. (...) DA CONTABILIDADE BLUMECON Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 10 17 0 contador Raul de Oliveira é outro parceiro do Sr. Vilmar desde a Villa Confecções. É dele a responsabilidade de constituir essas ME e "sócio" da Novatêxtil. E o assessor direto do proprietário e tem procuração para administrar a VOG e as firmas vinculadas. Curioso é que a Blumecon paralisou as suas atividades previdenciárias de abril de 2004 até fevereiro de 2010. Simplesmente não registrou ninguém, não declarou nada e não contribuiu com nada para o INSS (nem mesmo sobre o pró labore). Mas como assessorar um negócio do tamanho da VOG, envolvendo vários CNPJ e outros pequenos terceirizados sozinho. Simples. Utilizando a mão de obra de empregados registrados em outras ME. Alessandro Muller (o Sandro), conhecido no bairro como "sócio" do sr. Raul e responsável por todas as folhas de pagamento e GFIP geradas pela Blumecon Sandra Helena de Oliveira (esposa do sr. Raul) eram registrados na Stolle de fevereiro/2005 até março/2010;e Fabiana Jensen registrada na Confecções Seven. Só a partir de abril de 2010, esses empregados foram registrados na Blumecon. Sobre o trabalho de Sandra Helena na Representada, na entrevista com o encarregado do setor Sr. Nelson Stolb , que era o "sócio" dessa firma até o final de 2009, declarou desconhecer essa empregada e que jamais trabalhou na estamparia. (...) DA ESTRATÉGIA DE MARKETING Como se pode observar no organograma, no setor industrial/produção (na base da pirâmide) estão os colaboradores registrados no CNPJ das firmas do SIMPLES (que abrigou os funcionários vindos da Novatêxtil e sua filial e da Stolle) e no setor administrativo, que comprovadamente mantém o controle empresarial, estão os registrados na VOG. Enquanto que a Contabilidade Blumecon, sob a supervisão do sr. Raul de Oliveira, é a responsável pelo departamento pessoal, RH, controle de ponto, seleção e admissão do pessoal sob as ordens do Sr. Vilmar, direcionando o pessoal selecionado para os CNPJ convenientes. Recordo que até o inicio de 2010, a Blumecon exerceu suas atividades com a colaboração de empregados, cujos registros se deram nos CNPJ dessas firmas do Simples. (...) Os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família administra o negócio de forma única, com certeza. A Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados –, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp – VOG. (...) DO REFEITÓRIO e ANIVERSARIANTES DO MÊS Em fevereiro de 2007 quando da 4a . alteração contratual da empresamãe para incluir um segundo objetivo social "fornecer alimentação aos colaboradores..." a VOG formalizou o fornecimento de refeição para todos os seus colaboradores, registrados em diversos CNPJ (Novatêxtil e filial , Stolle, Seven e VOG), incluindo em seu mobilizado todo o mobiliário da cozinha, sendo que o registro do pessoal da cozinha sempre esteve na Representada. Refeições à parte, toda a despesa com alimentação do pessoal (supermercado, padaria, lanchonete etc) como podemos ver nos documentos de caixa sempre foi pago pela VOG. A lista de consumo mensal nas padarias da região vem discriminada nos valores dos recibos o nome do responsável de cada firma, por ex., Rosane da Seven, Bernadete da filial, Odete da Novatêxtil, Nelson da Estamparia (Stolle) com os recibos em nome da empresamãe (carimbo padrão da empresa – era Novatêxtil). É no restaurante que a empresa também comemora o aniversário de todos os empregados que trabalham no mesmo local, cuja lista de aniversariantes é de responsabilidade da recepcionista (registrada na VOG) e que mensalmente é exposta ali. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS e PROCURAÇÕES Apesar dessas empresas vinculadas terem conta em banco, entre eles existem as procurações envolvendo todos os "supostos sócios", o contador, a financeira e o sr. Vilmar para eles movimentarem as contas. Algumas dessas procurações são públicas e outras não, de acordo com o relevância do compromisso de modo que as contas são pagas conforme a disponibilidade do caixa e quando não pela transferência entre as contas bancárias como se pode ver nos lançamentos contábeis e extratos da VOG. Os documentos de caixa apresentados pelas firmas vinculadas em todo o período fiscalizado não enchem uma caixa de arquivo e se restringem a comprovante de contas pagas de fato pela empresamãe. Mesmo dentro destes poucos papéis se pode ver que o carimbo "novatêxtil" nos recibos de pagamentos é o mesmo usado para as despesas de todos os CNPJ envolvidos, seja para pagamento de advogado, padaria, oficina, combustível!, vale transportes, aluguéis, etc. Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 11 19 Os pagamentos de tributos, FGTS das empresas do Simples são identificados com o telefone 33386362 da VOG como responsável. Os recados da contabilidade para os pagamentos e fluxo de caixa são encaminhados para a sra. Iracema e para o Sr. Vilmar e envolve todos os empregados. Independente de onde estejam registrados, as informações levam a marca "novatêxtil". DOS PAGAMENTOS POR FORA (EXTRAFOLHA) (...) Solicitado a pasta de documentação dos empregados, foi constatado através de recibos de pagamentos que os funcionários de destaque recebem "por fora" quantias muito superiores às declaradas em GFIP. Esses recibos são assinados e arquivados mensalmente em suas pastas no RH. Os valores não sofrem o desconto do INSS e o FGTS vem somado a mais nos recibos. Assim são os ordenados dos seguintes funcionários: 1. Iracema Baer – financeira – registrada na Novatêxtil e na VOG. 2. Manfredo Baer (esposo de Iracema) – chefe do PCP – registrado na VOG. 3. Gisela Krueger – inspetora de qualidade das facções – registrada na VOG e sócia da Representada. 4. Astrid Litzenberger – encarregada de corte – registrada na Novatêxtil. 5. Ledir Lunelli – carregada da talhação – registrada na VOG. 6. Renaldo Testoni – encarregado da fiação – registrado na Stolle. DO CONTROLE DO VALE TRANSPORTE, DOS ALUGUEIS e VÍCIOS / ERROS SEMELHANTES Outro exemplo que a VOG administra os empregados registrados em seus diversos CNPJ é o controle de pagamento do vale transporte encontrado nos documentos de caixa da empresamãe: cada qual com a guia de pagamento em cada CNPJ (em nome do Consórcio Siga) e a relação nominal discriminada acompanhando o boleto de cobrança emitido pela administração da empresa. Assim também o pagamento de quem usa o transporte por Vans. Não é diferente o pagamento do aluguel, ele vem em planilha para a VOG, discriminando a firma, mas controlado e quitado pela VOG, embora a contabilidade procure encaminhar para o registro contábil de cada uma delas. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 Os "sócios" dessas firmas de fato são empregados da VOG. Tiramos por ex. os pagamentos dos 13o salários de todo o período fiscalizado. Embora sob o titulo de prólabore, a empresa faz questão de pagar o salário do "sócio empregadores" e é lançado na folha de pagamento de cada um desses CNPJ como para os demais funcionários. Mais um detalhe semelhante: o contador deixou de encaminhar a GFIP e pagar o INSS do 13o salário de 2006 de todas essas firmas do SIMPLES (da Novatêxtil e sua filial, da Stolle e da Seven). Ou seja, na condição de que o que faz para uma dessas firmas, faz para as demais; quando paga um documento, paga para todas as outras, quando deixa de pagar para uma, deixa para todas. São erros (ou vícios) semelhantes de quem administra todo o negócio de forma única. DO RELATÓRIO DE PAGAMENTO DE DUPLICATAS e OPERADOR DA CONTA A VOG emitia um relatório apenas para controlar as duplicatas a pagar em ordem de vencimento em nome dela e no final da página anotava à mão (manuscrito) o valor do material consumido em cada um de seus CNPJ. Outra prova da administração da VOG pelo sr. Vilmar Glasenapp são os vários protocolos de autorização de movimentação da conta Rail Bankline da empresa como sendo ele próprio o operador do sistema para o pagamento das despesas de todas as firmas. DO COMODATO DOS EQUIPAMENTOS E MAQUINAS e PRESTAÇÃO DE SERVIÇO Como tudo é administrado pela empresamãe, a opção encontrada para "simular' a operação de empresa independente dando transparência de legalidade ao ato de transferir o imobilizado para os CNPJ vinculados, sem cobrar aluguel dele mesmo , foi o uso de "CONTRATO DE COMODATO e PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS", onde a VOG entra no negócio com todos os equipamentos, as máquinas, o pagamento de todos os custos industriais e os encargos e a Representada registra os empregados para a mão de obra da produção. Sequer garantia as empresas firmam entre elas nem fiador. No contrato, as empresas deixam claro que o objetivo do contrato é a prestação de serviços (locação de mão de obra para confecção) "na fabricação e risco, infesto, corte, costura, bordado, estamparia, embalagem e expedição de malha em geral" (no ex. do contrato com a Novatêxtil). Significa, portanto, que os empregados registrados nessas ME fazem toda a parte industrial (o trabalho bruto), usando os equipamentos e as máquinas cedidas pela empresamãe a titulo de comodato para a confecção dos artigos solicitados enquanto que os registrados na VOG cuidam do desenvolvimento do produto, compra, venda e administração do negócio. Numa rápida análise, percebese que o faturamento dessas fumas do Simples não é o suficiente para cobrir a folha de pagamento. O comodato justificaria o não pagamento dos Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 12 21 equipamentos e das máquinas: imobilizados fundamentais para a execução dos serviços. Ou seja, os CNPJ dessas empresas vinculadas existem exclusivamente para o registro de cerca de 95% dos empregados do grupo na prestação de serviço de mão de obra, apenas. DA TRANSFERÊNCIA DE EMPREGADOS Entrevistas realizadas com os funcionários e documentos do FGTS/CNIS demonstram o movimento de registros entre as empresas e esses empregados permaneceram, em sua maioria, executando suas funções no mesmo local. 0 RH e a contabilidade são os mesmos para todas as firmas e usam o mesmo sistema de informação/software da VOG e trabalha com os dados de todos os empregados ao mesmo tempo como se fosse uma única empresa, dividida em departamentos (inclusive para os funcionários da Seven). Portanto tudo é gerado ali. De fato, única empresa. Foram mais de 40 entrevistas com empregados registrados em todos esses CNPJ citados e a praticamente 100% afirmaram que "os donos disso tudo são o casal Vilmar e Odete" Glasenapp e eles quem administram. (...) DA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIAMENTO FINANCEIRO A gestão administrativofinanceira da VOG e dessas ME é exercida pelos proprietários do negócio. Seus parentes, amigos e empregados estão no contrato social dessas empresas apenas como parte figurativa do processo, isto 6, a sociedade possui um único comando, independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores. Tudo é feito na sua administração: o atendimento, a compra, a venda, o expediente, a produção, a execução do serviço tem a marca VOG / NOVATEXTIL e são realizados sob o comando dos srs. Vilmar e Odete Glasenapp. Esses CNPJ na verdade foram utilizados para simular a terceirização de serviço de mão de obra com exclusividade. O sr. Vilmar (e os mentores do negócio) tem procuração entre si com poderes ilimitados para gerir as firmas vinculadas e a VOG e assim movimentar suas contas conforme as suas necessidades como podemos ver nos pagamentos feitos via internet onde ele paga as contas ao mesmo tempo de todas as empresas ou nos extratos bancários onde aparecem pagamentos, DOC, TED e transferência entre as contas para todos os CNPJ envolvidos. O objetivo da utilização dessas firmas é desenvolver a atividade com várias empresas paralelas: nas do SIMPLES estão registrados 95% dos empregados e contabilizadas os custos da mãodeobra e na VOG (lucro presumido) registra poucos Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 empregados e é usada exclusivamente para o faturamento. Essas ME de fato só existem para registrar os empregados, no papel. Ela não dispõem de patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo. Tratase de uma "simulação" quando comprovadamente uma empresa optante pelo SIMPLES não cumpre o seu objeto social; tem massa salarial incompatível com seu faturamento; "desenvolve" suas atividades utilizando bens constantes no ativo permanente da empresamãe sem nenhum vínculo jurídico justificador dessa utilização; igualmente possui despesas operacionais referentes a pagamentos da manutenção desses bens etc. Concluise que esses CNPJ vinculados estão sendo utilizados pela VOG Comercial Têxtil Ltda com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada por ela. [...]”. (Relatório Fiscal, fls. 70/95) Além da outorga de poderes explícitos ao Fisco para identificar o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, nos termos do art. 142 do CTN, supõe que se reconheça, ainda que por implicitude, à autoridade responsável pelo lançamento fiscal a titularidade de meios destinados a viabilizar a concretude da regra prevista no art. 149, inciso VII, do CTN, permitindo, assim, que se confira efetividade aos fins legais nessa empreitada de caracterizar a real sujeição passiva da obrigação tributária decorrente de fraude ou simulação objetiva. Se assim não fosse esvaziarseiam, por completo, as atribuições legais expressamente concedidas ao Fisco em sede de lançamento fiscal de ofício oriundo do fato de que o sujeito passivo agiu com fraude ou simulação, já que os elementos informativos acostados aos autos apontam para a inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e para a efetiva contratação dos segurados empregados pela Recorrente. Insta mencionar ainda que, ao considerar o real sujeito passivo da relação tributária, o Fisco não está aplicando a regra prevista no art. 116 do CTN – nem está realizando a desconsideração de pessoa jurídica prevista no art. 50 do Código Civil –, já que a sua ação não está voltada para fins relacionados exclusivamente ao direito civil, mas sim ao cumprimento fiel e irrestrito da legislação previdenciária e tributária, e encontra respaldo legal nesses artigos 142 e 149, inciso VII, do CTN. Cumpre esclarecer que as alegações da Recorrente, registradas na peça recursal e na peça de impugnação, não estão consubstanciadas em documentos probatórios e sim em meros relatos de que o Fisco não poderia desconsiderar a constituição da empresa Candói Indústria de Pasta e Papel Ltda nem aplicar os artigos 116 e 149 do CTN. Essas alegações da Recorrente, desacompanhadas de elementos subjacentes ao fato que se pretende comprovar, não constituem, por si só, elementos de prova. Além disso – visando comprovar a fidedignidade dos registros contidos nos seus documentos declaratórios do pacto firmado entre a Recorrente e as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, expostos na sua tese de defesa –, caberia à Recorrente apresentar documentos, contemporâneos à prestação de serviços, contábeis e fiscais que demonstrassem o contrário do que foi apontado e comprovado pelo Fisco como a real inexistência das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME. Esse entendimento está consubstanciado na regra estabelecida pelo art. 333 do CPC, eis que cabe ao autor (Fisco) o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito – no qual entendo que foi materializado no Relatório Fiscal (fls. 70/95, processo 13971.005406/201023) e nos Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 13 23 documentos acostados aos autos de fls. 96/420 –, e cabe à Recorrente comprovar à existência de qualquer fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. Código de Processo Civil – CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (g.n.) Assim, uma vez ausente a autonomia organizacional das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, e sem assunção ativa (propriedade dos meios de produção) e passiva (responsabilidade pelos riscos do empreendimento), acrescida do fato de serem os sócios da empresa Vog Comercial Têxtil Ltda (Recorrente) procuradores dessas empresas intermediárias, estáse diante de típica relação de fraude ou simulação objetiva, o que invoca a aplicação dos artigos 142 e 149, inciso VII, ambos do CTN. É importante frisar que, para fins tributários, a comprovação da relação obrigacional não depende exclusivamente da demonstração da ocorrência de dolo, culpa ou fraude no ato de constituição das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que originou a relação jurídica tributária. A obrigação da empresa é recolher a contribuição social previdenciária decorrente dos segurados empregados, devidamente relacionados e caracterizados diante da realidade fática evidenciada pelo Fisco, não cabendo a este analisar os motivos subjetivos do não recolhimento dos tributos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Na peça recursal, a Recorrente alega que o Fisco não pode desconsiderar a personalidade jurídica das empresas intermediárias Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas LTDA ME e Confecções Sevem LTDA ME, que foram legalmente constituídas, e apurar as pretensas contribuições sociais previdenciárias. Tal argumento é impertinente ao presente processo, eis que restou demonstrado nos autos que não houve desconsideração da personalidade jurídica, sendo que a apuração das contribuições lançadas decorre dos documentos contábeis e fiscais da Recorrente e da realidade fática encontrada na atividade laboral dos prestadores de serviços, já que houve a demonstração de que as empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME não tinham quaisquer relação empregatícia com os segurados empregados. Com efeito, o Fisco tem competência para afastar os efeitos de negócios jurídicos formalizados com aparência de licitude tributária, quando, de acordo com os elementos fáticos evidenciados no procedimento de auditoria fiscal, revelarem que foram celebrados com o objetivo de não possibilitar a incidência da contribuição social previdenciária Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 no real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, haja vista que relativamente ao plano da eficácia, tais negócios não são oponíveis ao Fisco. Nesse sentido, deve o auditor fiscal efetuar o lançamento, constituindo o crédito tributário, como determinam os artigos 142 e 149, inciso VII. Com relação à base de cálculo, a Recorrente afirma que houve a inclusão de verbas com caráter indenizatório e solicita a exclusão de tais verbas dos valores lançados. Tal alegação não será acatada, eis que não houve a comprovação de que as verbas mencionadas pela Recorrente compuseram a base de cálculo dos valores lançados, tratandose apenas de afirmações sem a devida comprovação. Acrescentase a isso que as verbas pagas aos segurados empregados a título de saláriomaternidade, horasextras, bem como os adicionais noturno, de periculosidade e de insalubridade, possuem natureza salarial e compõem a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, a teor do art. 28 da Lei 8.212/1991. Por sua vez, as verbas oriundas do auxíliodoença (15 primeiros dias), do terço constitucional de férias, do avisoprévio indenizado, das férias indenizadas e do auxílio creche possuem natureza indenizatória e, caso houvesse a comprovação nos autos de que tais verbas compuseram a base de cálculo, elas poderiam ser excluídas dos valores lançados, fato este não evidenciado nos autos. Além disso, as remunerações (verbas) lançadas no presente Auto Infração foram declaradas em GFIP pelas empresas vinculadas, exceto o levantamento PF “salário por fora”. Logo, rejeitase a pretensão recursal. No que tange à multa qualificada de 150%, entendo que houve a demonstração dos fundamentos fáticos e jurídicos da multa agravada pelo Fisco. A multa qualificada no percentual de 150% foi aplicada sobre os valores lançados para as competências 12/2008 a 06/2010. Quando das infrações aqui em comento, tinha vigência a regra do art. 44 da Lei 9.430/1996 para as multas oriundas da legislação previdenciária (Lei 8.212/1991). Aplica se a multa qualificada nos casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Esses fundamentos jurídicos foram esposados nos Fundamentos Legais do Débito (FLD) e no Relatório Fiscal, nos seguintes termos: “[...] 15. Da Multa Qualificada Nos próximos parágrafos, abordaremos os aspectos relacionados A aplicação da multa de oficio prevista no art. 44 da Lei 9.430/96. Em suma, demonstraremos que no presente caso, é de se aplicar a multa em seu percentual duplicado, 2 x 75% = 150%, por restar caracterizada a prática de fraude prevista no art. 72 a Lei 4.502/64. 15.1. A aplicação da multa qualificada se dará a partir da competência 12/2008, tendo em vista que os dispositivos acima citados aplicamse as contribuições previdenciárias a partir da edição da Medida Provisória n° 449 de 04/12/2008. (...) Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 14 25 15.4. Devemos verificar se os fatos anteriormente narrados, que detalham a conduta da fiscalizada, se encaixam em uma das definições estampadas nos arts. 71, 72 e 73, acima transcritas. A conduta a ser analisada no presente caso 6: simular a contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas (as três empresas vinculadas), constituídas em separado para ser optante pelo SIMPLES e com o objetivo de afastar as contribuições patronais destinadas à seguridade social. 15.5. Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, não há como não deixar de enquadrar a simulação na contratação de empregados pela VOG Comercial através de interpostas pessoas jurídicas com o objetivo de afastar as contribuições patronais sobre a folha de pagamento na definição de fraude contida no art. 72 da Lei 4.502/64, já transcrito. 15.6. Desta forma, a multa de oficio de 75% sobre as contribuições previdenciárias não recolhidas será duplicada na forma do artigo 44, §1o da Lei 9.430/96 (Redação dada pela Lei n°11.488, de 2007) para as competência 12/2008 a 06/2010.[...]” Assim, entendese que a multa aplicada de 150% foi tipificada legalmente nos Fundamentos Legais do Débito (FLD), conforme os tipos abstratos do art. 44 da Lei 9.430/96 combinados com os arts. 71, 72, 73 da Lei 4.502/1964. Nesse caminhar, o Relatório Fiscal delineou que o negócio jurídico estabelecido entre a Recorrente e as empresas intermediárias (Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME) ocorreu com a finalidade de simular a realidade fática, concluindo que esta foi constituída com o fim de absorver a mão de obra empregada no processo produtivo da própria Recorrente, para obter os benefícios do “Simples” na redução dos encargos tributários. Esse raciocínio decorre dos elementos fáticos registrados nos itens 9 a 11 do Relatório Fiscal (fls. 70/95), que também foram devidamente registrados na decisão de primeira instância nos seguintes termos: “[...] Para melhor descrever a situação de fato antes transcrita vale transcrever a conclusão do auditor fiscal “os empregados são jogados de uma pessoal jurídica para outra, a maioria deles sem saber de nada, haja vista que não ocorre a rescisão do contrato de trabalho quando da mudança, mantendo a mesma data da sua primeira admissão. Esta prática é permitida conforme a CLT para transferências de empregados de mesmo grupo econômico, cisão e fusão de empresas. A família Glasenapp administra o negócio de forma única, com certeza. A partir da central telefônica – a mesma para todos os empregados, email, material de expediente, marketing, centro administrativo, loja da fábrica, mesmo endereço, mesmo refeitório, RH, financeiro, contabilidade, enfim, única empresa, cujos diretores estão no topo do organograma e se chamam Vilmar e Odete Glasenapp” [...]”. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 Percebese, então, que a Recorrente utilizouse das empresas Novatêxtil Ltda ME, Patrick Malhas Ltda ME e Confecções Sevem Ltda ME para simular a realidade fática evidenciada pelo Fisco, visando esconder o fato gerador da contribuição previdenciária, já que ficou demonstrado que a Recorrente utilizouse de interpostas pessoas jurídicas para absorver a mão de obra empregada no seu processo produtivo. Logo, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada que houve a prática de interpostas pessoas na contratação da mão de obra. O mesmo entendimento, apenas sendo distinta a espécie de tributos, foi manifestado no enunciado da Súmula CARF nº 34: “Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Em relação ao pretenso aspecto confiscatório da multa lançada, melhor sorte não socorre a Recorrente, a teor do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal de 1988 que positivou o princípio do nãoconfisco. Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Como estampado no art. 3° do Código Tributário Nacional (CTN), tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio nãoconfisco. Vêse, claramente, que o CTN extrema os conceitos de tributo e de multa, não havendo identidade entre estes. O princípio do não confisco (art. 150, IV) somente se aplica a tributos. Com isso, rejeitase a pretensão recursal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). 1 Lei 8.212/1991: Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 15 27 De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 28 Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13971.005406/201023 Acórdão n.º 2402004.378 S2C4T2 Fl. 16 29 Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 30 Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/11/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 25/11/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10530.720324/2008-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§ 1º e 2º , do RICARF.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente
(assinado digitalmente)
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveuira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201307
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10530.720324/2008-99
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5392678
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2101-000.133
nome_arquivo_s : Decisao_10530720324200899.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10530720324200899_5392678.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62-A, §§ 1º e 2º , do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveuira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
id : 5684727
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254337585152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2139; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 263 1 262 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.720324/200899 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2101000.133 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 18 de julho de 2013 Assunto Sobrestamento Recorrente SAMUEL ANTONIO OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, resolvem em sobrestar a apreciação do presente Recurso Voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto no artigo 62A, §§ 1º e 2º , do RICARF. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente (assinado digitalmente) GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Gonçalo Bonet Allage, Gilvanci Antonio de Oliveuira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka e Celia Maria de Souza Murphy. Tratase de recurso voluntário (fls.169/260) interposto em 08 de junho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) (fls.155/160), do qual o Recorrente teve ciência em 13 de maio de 2011, que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 23/33, lavrado em 31 de outubro de 2008, em decorrência de classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, como sendo rendimentos isentos e não tributáveis, nos anos calendários de 2004 a 2006, no valor de R$ 54.341,73 mais cominações legais. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 20 32 4/ 20 08 -9 9 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.720324/200899 Resolução nº 2101000.133 S2C1T1 Fl. 264 2 O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do artigo 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls.169/260), por meio do qual reitera as razões apresentadas na impugnação à quo, alegando, em apertada síntese: (I) Preliminarmente a ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e (II) No Mérito: a) a natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; b) a quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem; c) a aplicação de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal; d) a desconsideração pela autoridade fiscal das deduções cabíveis no cálculo do imposto; e) a não exclusão de parcelas isentas e de tributação exclusiva no cálculo do imposto; f) a responsabilidade tributária da fonte pagadora e a boafé do contribuinte; g) a exclusão dos juros de mora e da correção monetária no cálculo da diferença da URV. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 262, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.720324/200899 Resolução nº 2101000.133 S2C1T1 Fl. 265 3 Antes de adentrar no mérito, propriamente dito, das alegações veiculadas na peça recursal, observo que o presente recurso versa a respeito de rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. Nesse esteio, compulsando os autos, especialmente em razão da decisão de fls. 155/160 e dos demonstrativos de fl. 28/31, verifico que o lançamento tributário, precisamente no que atine à alíquota aplicável, seguiu o disposto no artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Ou seja, o cálculo fora efetuado com base no regime de caixa. O dispositivo acima transcrito, foi levado à apreciação, em caráter difuso, do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema, nos seguintes termos: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614.406 AgRQORG, Relatora Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043, DIVULG 03/03/2011) Com fulcro no reconhecimento da repercussão geral do tema, pois, pelo Supremo Tribunal Federal, verificase que a metodologia utilizada como fundamento para o cálculo do tributo devido na espécie, consoante se extrai dos “Demonstrativo do Imposto de Renda Apurado”, anexo ao auto de infração, deve ter sua eficácia suspensa enquanto perdurar a discussão judicial a respeito do tema, qual seja, se o imposto deverá ser calculado sobre o regime de caixa ou de competência. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10530.720324/200899 Resolução nº 2101000.133 S2C1T1 Fl. 266 4 Assim, em razão do caráter vinculatório do lançamento tributário, na forma preconizada pelo art. 142 do CTN, para evitar possível violação aos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, entendo por bem suspender o julgamento do recurso voluntário em espeque. Vale frisar, nesse sentido, que foi alterado (Portaria MF n.º 586/2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256/09, determinandose, explicitamente, o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal. A este respeito, confirase o teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, in verbis: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Eis os motivos pelos quais voto no sentido de determinar o sobrestamento do julgamento do presente recurso, até o trânsito em julgado da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 614.406, nos termos do disposto pelos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.905354/2009-22
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO
A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10940.905354/2009-22
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5394470
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-003.704
nome_arquivo_s : Decisao_10940905354200922.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
nome_arquivo_pdf_s : 10940905354200922_5394470.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5690040
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254358556672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1624; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 81 1 80 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.905354/200922 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802003.704 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PRIDELI IND E COM DE PAPEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO A compensação tributária só é possível nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 53 54 /2 00 9- 22 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Trata o presente processo da Declaração de Compensação – DCOMP nº 24804.56578.170209.1.7.041137 (retificadora da DCOMP nº 00958.66612.150206.1.3.042300), por meio da qual a contribuinte, valendose de um crédito de R$ 29.334,54, relativo ao DARF de Cofins cumulativa (código 2172), recolhido em 15/04/2002, extinguiu os débitos de Cofins não cumulativo (código 5856) dos períodos de apuração de julho e agosto de 2005, com vencimentos em 15/08/2005 e 15/09/2005, nos valores principais de R$ 36.406,74 e R$ 30.531,81. Em 07/10/2009 foi emitido despacho decisório de homologação parcial da compensação (Rastreamento 848583625), pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP acima identificada estava parcialmente utilizado para a quitação dos débitos de Cofins cumulativa dos períodos de apuração de março (R$ 29.312,86) e junho de 2002 (R$ 20,90), restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido (R$ 0,78) e insuficiente para a compensação dos débitos indicados na DCOMP. Cientificada do despacho decisório em 20/10/2009 a interessada apresentou, em 27/10/2009, a manifestação de inconformidade acompanhada de cópia dos instrumentos societários e de um demonstrativo de crédito (relativo ao DARF de Cofins recolhido em 15/04/2002). Na manifestação a interessada sustenta a existência de crédito (relativamente ao pagamento Cofins utilizado na DCOMP) invocando a aplicação do princípio da Igualdade Tributária em relação às Instituições Financeiras. Afirma que as empresas dessa atividade econômica gozam do direito à exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais no apuração da base de cálculo da COFINS e do PIS, consoante as previsões contidas nas Leis n.° 9.718/98 e 10.637/2002, recolhendo as referidas contribuições sobre o Lucro Bruto, enquanto que as empresas em geral recolhem sobre as Receitas. Sustenta que tal situação colide com os princípios constitucionais de igualdade, equidade, e da capacidade contributiva. Diz que não existe razão para a concessão desse privilégio somente a uma categoria empresarial e que não resta outra alternativa senão estender o benefício às demais pessoas jurídicas. Para fundamentar o seu entendimento transcreve diversas Jurisprudências acerca do assunto. Requer, à vista do exposto o reconhecimento do direito à restituição, referente ao pagamento indevido a título de COFINS, e a não incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/CTA no 0635.684, de 29/02/2012, proferida pelos membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.905354/200922 Acórdão n.º 3802003.704 S3TE02 Fl. 82 3 Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INOCORRÊNCIA. A denúncia espontânea não ocorre nos casos de compensação não homologada, tendo em vista que esse benefício exige a quitação do tributo devido e dos juros de mora conjuntamente com o declaração do débito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COFINS. PRINCÍPIO DA ISONOMIA. EMPRESAS COMERCIAIS. As empresas comerciais sujeitamse à contribuição de acordo com as normas tributárias estabelecidas para o seu tipo de atividade econômica, não sendo possível invocar a aplicação do princípio da isonomia tributária para fazer incidir para as mesmas as normas aplicáveis às instituições financeiras. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O julgamento foi no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer o mesmo privilégio concedido às instituições financeiras, permitindo se a dedução/compensação, na base de cálculo da COFINS e do PIS, das despesas operacionais incorridas em sua operação. Anexa planilhas onde o mesmo vem recolhendo a COFINS e o PIS sem as devidas exclusões a que tem direito. Sendo assim, não resta dúvida acerca do direito ao crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior desde aquela competência até os dias atuais. Assim como, não deve incidir a multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. O processo digitalizado foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Mérito Fl. 83DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Versa o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a recorrente amparado de um crédito, requer a extinção total do débito. Através do despacho decisório observa a homologação parcial da compensação, onde verifica que resta saldo disponível inferior ao crédito pretendido e insuficiente para a compensação do débito indicado na DCOMP. A Recorrente solicita o reconhecimento do seu direito à restituição, referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Inicialmente, para que a compensação declarada pela recorrente possa ser homologada pela autoridade administrativa, e surta os efeitos desejados, ou seja, a extinção de um crédito tributário fazse necessário a existência do direito creditório informado na DCOMP. A recorrente invoca a aplicação de regras tributárias concernentes às empresas financeiras, no entanto, esse aproveitamento feriria o princípio da legalidade, criando novas regras de tributação em detrimento daquelas já legalmente estabelecidas. Para que se possa promover a compensação dos pretensos créditos, necessário se faz o preenchimento dos requisitos da liquidez e certeza decorrentes do art. 170 do Código Tributário Nacional. E é justamente aqui se esbarra o direito do contribuinte. A compensação tributária só ocorre nas condições estipuladas pela lei, entre créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos do sujeito passivo. Relembrando o que dispõe o art. 170 do CTN: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Destarte, o CTN é expresso ao dispor sobre a permissão da compensação. No entanto, o êxito só decorre desde que seja feita com a utilização de créditos líquidos e certos, o que não restou configurada essa possibilidade. Multa moratória Por fim, para fruição do benefício do art. 138 do CTN (denúncia espontânea), exigese do sujeito passivo, como condição primordial, que ele, efetue o pagamento do tributo devido e dos juros de mora concomitantemente com a declaração do débito. Como é sabido, a compensação tributária, equivalente ao pagamento, extingue o crédito, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, nos termos do § 2° do art. 74 da lei de n° 9.430/96. No caso, não confirmando a existência de crédito total, não há o pagamento integral do tributo, restando um débito e em mora, daí perfeitamente aplicável a incidência da multa moratória. Por todo o exposto NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, prejudicados os demais argumentos. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10940.905354/200922 Acórdão n.º 3802003.704 S3TE02 Fl. 83 5 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 85DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 1/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720284/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE RECEITAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, incumbiria ao contribuinte a prova de que as receitas teriam origem em operações não sujeitas à incidência da contribuição para o PIS. Não trazida aos autos esta prova, mantém-se a autuação.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA.
Tratando-se de omissão de receitas apurada com base em presunção legal, uma vez provada pelo Fisco a ocorrência do fato indiciário, e não infirmada a presunção pelo sujeito passivo, a receita presumida por lei passa a ser tida como receita conhecida, para todos os fins de direito. E é sobre ela, a receita conhecida, que se dará o arbitramento do lucro, em face da não apresentação dos livros obrigatórios.
Numero da decisão: 1302-001.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário. No que toca à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a decisão foi por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Quanto às demais matérias, a decisão foi unânime.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE RECEITAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, incumbiria ao contribuinte a prova de que as receitas teriam origem em operações não sujeitas à incidência da contribuição para o PIS. Não trazida aos autos esta prova, mantém-se a autuação. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Tratando-se de omissão de receitas apurada com base em presunção legal, uma vez provada pelo Fisco a ocorrência do fato indiciário, e não infirmada a presunção pelo sujeito passivo, a receita presumida por lei passa a ser tida como receita conhecida, para todos os fins de direito. E é sobre ela, a receita conhecida, que se dará o arbitramento do lucro, em face da não apresentação dos livros obrigatórios.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.720284/2013-13
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395830
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.518
nome_arquivo_s : Decisao_19515720284201313.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720284201313_5395830.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário. No que toca à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a decisão foi por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Quanto às demais matérias, a decisão foi unânime. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5700263
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254362750976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2136; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2.007 1 2.006 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720284/201313 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.518 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de setembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente DHJ COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 SIGILO BANCÁRIO. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, na vigência do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Tratandose de omissão de receitas apurada com base em presunção legal, uma vez provada pelo Fisco a ocorrência do fato indiciário, e não infirmada a presunção pelo sujeito passivo, a receita presumida por lei passa a ser tida como receita conhecida, para todos os fins de direito. E é sobre ela, a receita conhecida, que se dará o arbitramento do lucro, em face da não apresentação dos livros obrigatórios. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 84 /2 01 3- 13 Fl. 2007DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.008 2 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE RECEITAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, incumbiria ao contribuinte a prova de que as receitas teriam origem em operações não sujeitas à incidência da COFINS. Não trazida aos autos esta prova, mantémse a autuação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2010 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ALEGAÇÃO DE RECEITAS NÃO SUJEITAS À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de omissão de receitas apuradas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, incumbiria ao contribuinte a prova de que as receitas teriam origem em operações não sujeitas à incidência da contribuição para o PIS. Não trazida aos autos esta prova, mantémse a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado em negar provimento ao recurso voluntário. No que toca à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a decisão foi por voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Quanto às demais matérias, a decisão foi unânime. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório DHJ COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1648.449, de 12/07/2013, da 13ª Turma da Delegacia da Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.009 3 Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. DA AUTUAÇÃO 1. Conforme Termo de Verificação Fiscal TVF, acostado às fls. 1.624/1.630, tratase de crédito lançado contra o Contribuinte acima identificado em relação ao ano calendário de 2009, vez que em decorrência do procedimento fiscal realizado foi constatada omissão de registro de receitas, referente a valores identificados como créditos e depósitos bancários em contas correntes da Fiscalizada, não declarados nem contabilizados, o que resultou na lavratura dos Autos de Infração incluídos no presente processo (acompanhados de demonstrativos de apuração dos valores devidos e demonstrativos de acréscimos legais – multa e juros). O montante do crédito tributário em epígrafe perfez R$ 20.656.161,80 (vinte milhões e seiscentos e cinquenta e seis mil e cento e sessenta e um reais e oitenta centavos). 1.1. Do conteúdo descrito no referido Termo de Verificação Fiscal e dos elementos acostados aos autos, destacamse as seguintes intimações, documentos e informações: 1.2. A atividade fiscal, apoiada no Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.90.002012005028, teve início com o Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF, fls. 53/4, cientificado à Fiscalizada via Edital de Intimação nº 52/2012, afixado em 29/03/12 e desafixado em 16/04/12, conforme fls. 58. 1.3. Às fls. 61/2, temse o Termo de Intimação Fiscal e respectiva ciência, destinado ao Sr. Marcelo Dahruj (sócio), para o fim de atualização das informações cadastrais da Fiscalizada. 1.4. Às fls. 67/9, está o Termo de Reintimação Fiscal por intermédio do qual a Autoridade Fiscal solicita, novamente, o quanto requerido no TIPF. A ciência de tal ato se deu por meio do Edital de Intimação nº 110/2012, afixado em 22/06/12 e desafixado em 09/07/12. Ademais, foi enviado à empresa e ao sócio (Marcelo) termo ratificando o acima relatado (fls. 70/3). 1.5. Foi emitido Termo de Embaraço Fiscal, fls. 74/5, cientificado à Fiscalizada via Edital de Intimação nº 152/2012, afixado em 13/08/12 e desafixado em 29/08/12, conforme fls. 76, em virtude do não atendimento às intimações fiscais. 1.6. Às fls. 77/107, temse Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF nº 08.1.90.002012004897, nº 08.1.90.002012004889, nº 08.1.90.002012004870, nº 08.1.90.002012004862, nº 08.1.90.00201200485 4, nº 08.1.90.002012004846, nº 08.1.90.002012004838, nº 08.1.90.002012 004820, nº 08.1.90.002012004803, nº 08.1.90.002012004811 e nº 08.1.90.00 2012005850, enviadas às instituições financeiras com as quais a Fiscalizada operou no ano sob análise e os correspondentes comprovantes de recebimento. 1.7. Em 04/10/2012, a Autoridade Fiscal intimou a Fiscalizada, Termo de Intimação Fiscal, fls. 108 (Edital de Intimação nº 217/2012), a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea a origem dos recursos movimentados (créditos) em suas contas bancárias. Planilha com a discriminação dos valores/lançamentos cujos esclarecimentos foram solicitados estão às fls. 110/272. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.010 4 1.8. Em 22/11/2012, a Autoridade Fiscal intimou, novamente, a Fiscalizada, Termo de Intimação Fiscal, fls. 276 (Edital de Intimação nº 276/2012), a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea a origem dos recursos movimentados (créditos) em suas contas bancárias. Planilha com a discriminação dos valores/lançamentos cujos esclarecimentos foram solicitados estão às fls. 278/443. 1.9. Em resposta às solicitações feitas, a Fiscalizada, fls. 448, pronunciouse para apresentar alguns dos documentos exigidos (fls. 449/475). 1.10. Às fls. 477 a Autoridade Fiscal reintima a Fiscalizada para apresentação de documentação hábil e idônea a origem dos recursos movimentados, vez que não atendida. 1.11. Às fls. 646/673, encontrase a DIPJ 2010 da Fiscalizada, cuja opção de tributação se deu na figura do Lucro Real. 1.12. Às fls. 677/1.623, foram acostados os extratos bancários e demais informações obtidas por intermédio das RMF encaminhadas, segregadas por instituição financeira. 1.13. Por fim, em virtude da falta de justificativa, de comprovação e/ou demonstração da origem, da causa e do oferecimento à tributação dos créditos/depósitos bancários reclamados, restou caracterizada a omissão de receita prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96. 1.14. Ademais, a Autoridade Fiscal informa no seu TVF que em virtude da falta de apresentação das informações contábeis, o lucro da empresa foi arbitrado nos termos do art. 530, III, do RIR/99. 1.15. Em consequência do exposto, foram lavrados os combatidos Auto de Infração, acompanhados da descrição dos fatos e enquadramento legal, cientificados via postal – AR, em 01/03/2013, consoante fls. 1.817 e 1.822, com os respectivos valores de crédito apurado e anexos de demonstrativo de apuração e de demonstrativo de multa e juros: Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Arbitrado, valor de crédito apurado: R$ 7.201.193,10; Auto de Infração e descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 04/14; Demonstrativo de Apuração Detalhado, fls. 15/8; Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 19; CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – Lucro Arbitrado, valor de crédito apurado: R$ 3.267.015,53; Auto de Infração e descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 20/6; Demonstrativo de Apuração Detalhado, fls. 27/30; Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 31; COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Regime Cumulativo), valor de crédito apurado: R$ 8.388.740,71; Auto de Infração e descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 32/6; Demonstrativo de Apuração Detalhado, fls. 37; Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 38; PIS – Programa de Integração Social (Regime Cumulativo), valor de crédito apurado: R$ 1.799.212,46; Auto de Infração e descrição dos fatos e enquadramento legal, fls. 39/43; Demonstrativo de Apuração Detalhado, fls. 44; Demonstrativo de Multa e Juros de Mora, fls. 45; 1.16. Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.011 5 Às fls. 1.631/1.815, encontrase o Anexo do TVF que, em forma de planilha, individualiza os lançamentos bancários presumidos como receita omitida da Fiscalizada. 1.17. Às fls. 03, encontrase o Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo. 1.18. Anotase que consta no bojo de cada Auto de Infração a respectiva fundamentação legal relativa ao tributo e aos acréscimos legais (multa e juros). 1.19. Destacase, por fim, que foi impingida multa de ofício agravada (112,5%), em função do não atendimento às intimações fiscais, com fundamento no art. 44, I e § 2º da Lei nº 9.430/96. 1.20. O enquadramento legal dos juros de mora aplicado consta do artigo 61, § 3º, da citada Lei nº 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO 2. A Autuada apresentou, tempestivamente (fls. 1.921), impugnação às autuações (fls. 1.836/1.851). Suas alegações, em síntese, foram: 2.1. Após síntese dos fatos procedimentais que culminaram na lavratura em tela, pugna pela declaração de nulidade do procedimento fiscal na medida em que os atos praticados estariam em confronto com o que determina o art. 5º, XII, da CF. Colaciona jurisprudência. 2.2. Em acréscimo, sustenta que os critérios utilizados para arbitramento efetuado não encontra amparo na legislação do imposto de renda, razão por que deve ser julgada procedente a Impugnação apresentada. 2.2.1. Hostiliza o fundamento normativo utilizado pela Autoridade Fiscal (art. 532 do RIR) vez que, por tratarse de determinação de receita com esteio em presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/96 a efetiva receita era desconhecida e, assim, para fins de arbitramento, deveria ser utilizada a previsão do art. 535 do mesmo diploma. Colaciona julgamento administrativo. 2.2.2. Ademais, articula que os termos receita presumida e receita conhecida são conflitantes ou mesmo excludentes. 2.3. Alternativamente, assevera que foram considerados dentre os créditos bancários meras transferências entre contas correntes de titularidade da própria Insurgente, bem como valores recebidos de outras empresas com as quais mantém relação comercial e havia firmado contrato de conta corrente. 2.3.1. Desta sorte, articula que alguns dos valores considerados não se enquadram na hipótese do art. 42 da Lei nº 9.430/96 (TED D e DOC D), por força do previsto no § 3º, I do referido artigo. 2.4. Lado outro, sustenta que os lançamentos atinentes ao PIS e à COFINS, em virtude do ramo de atividade da Defendente, concessionária de veículos, sujeitavamse, no período em tela, ao regime monofásico e, ainda, as receitas decorrentes da venda de automóveis estavam alcançadas por alíquota zero. 2.4.1. Fundamenta seu entendimento na Lei nº 10.485/02, a partir do que o recolhimento das contribuições contestadas passou a ser feito, exclusivamente, pelo Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.012 6 fabricante ou importador de veículos não afetando, assim, a Impugnante (comerciante). 2.5. Ainda, hostiliza a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício por falta de previsão legal para tanto, fundamentando o seu entendimento no art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/96 que se refere a débitos decorrentes de tributos e contribuições, não se aplicando à multa que não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagálo. Suscita, ainda, o art. 43 e parágrafo único da mesma lei para entender que quando quis a lei determinar a incidência dos juros moratórios sobre a penalidade o fez de forma expressa. Menciona julgados administrativos. 2.6. Diante do que expõe, requer seja julgada procedente sua Impugnação e declarados nulos os AI atacados. 2.7. Por fim, intenta provar o quanto alegado por todas as formas em Direito admitidas, especialmente a juntada de documentos e a realização de diligências. A 13ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 1648.449, de 12/07/2013 (fls. 1948/1971), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela Fiscalização encontra fundamento na Lei Complementar nº 105/01 e no Decreto nº 3.724/01, não há de ser cogitada quebra de sigilo bancário, muito menos ilegal. IMPUGNAÇÃO ACOMPANHADA DE PROVAS. NÃO ATENDIMENTO. A Impugnação, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, deve ser apresentada com as provas que suportem os motivos de fato e de direito em que se fundamente precluindo o direito de apresentar as provas que possuir em outro momento, excetuadas as previsões legais expressamente ressalvadas, conforme art. 16 e § 4º do Decreto 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.013 7 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ, acarreta o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Por relevante, esclareço que o provimento parcial se deveu à exclusão, dos créditos tomados como receitas omitidas, de transações para as quais não restou dúvida tratar se de transferências entre contascorrentes de titularidade da então impugnante. Ciente da decisão de primeira instância em 31/07/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1977, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/08/2013 conforme carimbo de recepção à folha 1979. No recurso interposto (fls. 1981/2000), a recorrente alega preliminarmente a nulidade do procedimento adotado pela Fiscalização, por desrespeito a garantias constitucionais invioláveis, tais como privacidade e sigilo de correspondências, consubstanciados no art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988. Por sua ótica, seu sigilo bancário teria sido quebrado sem prévia autorização do Poder Judiciário. Colaciona jurisprudência que entende suportar sua tese. No mérito, traz os argumentos abaixo sintetizados: Afirma que seria ilegal o arbitramento do lucro com alicerce nos valores dos depósitos/créditos bancários. Quanto a este ponto, reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, no sentido de que a “receita presumida” não poderia ser tomada como “receita conhecida”, para fins do arbitramento. Assim, o caminho escolhido pela fiscalização (arbitramento com base na receita conhecida) não poderia subsistir, o que levaria ao cancelamento da exigência fiscal. Sustenta a improcedência dos autos de infração de PIS e COFINS. Aduz que seu faturamento seria composto, essencialmente, pelas receitas decorrentes da comercialização de veículos da marca Fiat, da qual era concessionária. Essas contribuições estariam sujeitas ao regime monofásico, concentração das exações no início da cadeia produtiva, por força da Lei nº 10.485/2002. Conclui que “parte dos valores creditados nas contas correntes da Recorrente decorre da comercialização de veículos automotores, Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.014 8 enquadrados na hipótese do art. 1º da Lei nº 10.485/02, não podendo ser considerados nas bases de cálculo das contribuições sociais em questão”. Questiona a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Preliminarmente, a recorrente alega a nulidade do procedimento adotado pela Fiscalização, por desrespeito a garantias constitucionais invioláveis, tais como privacidade e sigilo de correspondências, consubstanciados no art. 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988. Por sua ótica, seu sigilo bancário teria sido quebrado sem prévia autorização do Poder Judiciário. A Turma Julgadora, em primeira instância, não lhe deu razão. Também assim o faço. De plano, cabe lembrar que este Colegiado não tem competência para se pronunciar sobre alegações de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No entanto, para que não fiquem sem resposta os reclamos da recorrente, considero pertinente tecer as considerações a seguir. Examinemos as disposições dos arts. 1º e 6º da Lei Complementar nº 105/2001, a seguir transcritos (grifos não constam do original) Art. 1º As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. [...] § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: [...] VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. [...] Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.015 9 aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como facilmente se observa, a Lei autoriza o acesso das autoridades tributárias diretamente aos registros das instituições financeiras, sem que haja violação do dever de sigilo, desde que haja procedimento fiscal em curso, e que os exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. A regulamentação do art. 6º, ou seja, a perfeita delimitação das condições a que a lei se refere, foi feita pelo Poder Executivo mediante o Decreto nº 3.724/2001. Não há que se falar, portanto, em reserva de jurisdição. Aliás, mesmo para aqueles que entendem que o sigilo bancário pode ser compreendido como espécie do direito à intimidade, em um sentido amplo, protegido pelo inciso X do art. 5º da Constituição Federal de 1988 (o que não é pacífico), há que se notar que o texto constitucional, neste caso, é silente quanto à necessidade ou não de prévia autorização judicial. Quando quis, o legislador constitucional fez constar explicitamente a competência exclusiva do Poder Judiciário para determinadas matérias, como, por exemplo, a busca domiciliar, prevista no inciso XI, a interceptação telefônica (inciso XII) e a decretação de prisão de qualquer pessoa, ressalvada a hipótese de flagrância (inciso LXI, todos do art. 5º). Eis o texto dos dispositivos constitucionais invocados pelos recorrentes: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; [...] XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; Ainda quanto ao conceito de intimidade, conquanto possa ser tido de maneira mais ampla, quase como sinônimo de privacidade, abrangendo também a vida privada, a honra e a imagem, o fato é que a Constituição fez questão de separar esses aspectos, o que nos leva a adotar um conceito mais restrito. José Afonso da Silva, citando René Ariel Dotti, ensina que a intimidade se caracteriza como “a esfera secreta da vida do indivíduo na qual este tem o poder Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.016 10 legal de evitar os demais”1. O mesmo autor cita conceito de Adriano de Cupis, que define a intimidade como “o modo de ser da pessoa que consiste na exclusão do conhecimento de outrem de quanto se refira à pessoa mesma”2. Vejase que estes conceitos não têm precisa linha demarcatória, correndo o risco de ambiguidade ou de referências circulares. No entanto, a linha comum a ser observada é que a intimidade vela sobre segredos e particularidades do foro moral e íntimo do indivíduo. Já quanto à vida privada, separada da intimidade pelo texto constitucional, mais uma vez é de se recorrer a José Afonso da Silva3: ... a vida das pessoas compreende dois aspectos: um voltado para o exterior e outro para o interior. A vida exterior, que envolve a pessoa nas relações sociais e nas atividades públicas, pode ser objeto das pesquisas e das divulgações de terceiros, porque é pública. A vida interior, que se debruça sobre a mesma pessoa, sobre os membros de sua família, sobre seus amigos, é a que integra o conceito de vida privada, inviolável nos termos da Constituição. A próxima etapa da análise é verificar se a movimentação bancária estaria abrangida pela proteção constitucional. Considerando o exposto anteriormente, seria uma distorção admitir que sim. Afinal, os dados bancários de uma pessoa refletem aspectos de seu patrimônio, que em princípio nenhuma relação têm com seu foro moral e íntimo, e apenas indiretamente poderiam ser aspecto da vida interior a que se refere José Afonso da Silva. Seria mais adequado caracterizar o sigilo bancário como um dos instrumentos de defesa da propriedade, como proteção contra a curiosidade sem justo motivo de terceiros ou concorrentes. Essa linha de raciocínio ganha ainda mais força ao analisar a possível aplicabilidade do dispositivo constitucional às pessoas jurídicas, no que tange à proteção à intimidade e à vida privada. Ora, tratase de valores típicos da pessoa humana, de conceitos atinentes à dimensão interna da entidade (pessoa). Inaplicáveis, assim, às pessoas jurídicas, criações abstratas do Direito, despossuídas de intimidade. Em se tratando de empresas, fica ainda patente que a movimentação bancária pode revelar tão somente aspectos patrimoniais, não abrangidos pelo inciso X do art. 5º da CF/88. Passemos, então, à análise do inciso XII do art. 5º, que trata da proteção das comunicações. O segredo das correspondências desde longa data tem reclamado proteção, praticamente ao mesmo tempo da criação de um serviço postal. A facilidade de comunicação surgida para os particulares trouxe fundados receios da divulgação e da utilização indevida das informações. O surgimento de novas formas de comunicação, como o telégrafo e o telefone, fez com que a proteção fosse ampliada, com os mesmos fundamentos. A Constituição anterior (1967) estabelecia que “é inviolável o sigilo de correspondência e das comunicações telegráficas e telefônicas”. 1 SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 15ª ed. rev. e atual., São Paulo, Malheiros Editores, 1998, pág. 210. 2 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 210. 3 SILVA, José Afonso da. Obra citada, pág. 211. Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.017 11 O constituinte de 1988 inovou, ao introduzir a palavra “dados”. A propósito, cabe transcrever o comentário de Bastos e Martins4 em 1989, ainda no calor do surgimento do novo texto constitucional: De logo fazse mister tecer críticas à impropriedade desta linguagem. A se tomar muito ao pé da letra, todas as comunicações seriam invioláveis, uma vez que versam sempre sobre dados. Mas pela inserção da palavra no inciso vêse que não se trata propriamente do objeto da comunicação, mas sim de uma modalidade tecnológica recente que consiste na possibilidade das empresas, sobretudo financeiras, fazerem uso de satélites artificiais para comunicação de dados contábeis. Em que pese a existência de opiniões em contrário, a melhor interpretação é a de que a proteção de que trata esse inciso recai sobre as comunicações, em suas diversas modalidades, e não sobre os dados ou informações que estão sendo comunicados. Assim também pensa Ferraz Jr5.: “Obviamente, o que se regula é comunicação por correspondência e telegrafia, comunicação de dados e telefonia”. Quanto às informações contidas nessa comunicação, sua proteção se dará pela legislação constitucional ou mesmo infraconstitucional específica, conforme seu conteúdo. Assim, se a comunicação versar sobre aspectos íntimos das pessoas, estarão sob o manto da proteção à intimidade (inciso X do art. 5º). Se foram informações sobre movimentação bancária, será aplicável a legislação que rege essa matéria. O que a Constituição veda é que um terceiro, que nada tem a ver com a relação comunicativa, entre na transmissão (por qualquer de seus modos) e acesse indevidamente os dados transmitidos. Se, por hipótese, um magistrado, em situação prevista legalmente, determina o acesso do fisco à movimentação financeira de um determinado contribuinte, não se há de cogitar da interceptação das ordens de pagamento feitas eletronicamente, emitidas pelo titular da conta. Deve, entretanto, o banco repassar ao fisco as informações armazenadas em sua base de dados. Não cabe falar, aqui, em sigilo de dados. Em reforço dessa linha interpretativa, de que apenas o ato comunicacional está protegido pelo inciso XII, Ferraz Jr.6 lembra que o texto constitucional estabelece essa vedação em caráter absoluto, com ressalva apenas quanto às comunicações telefônicas. E o faz em face de sua volatilidade. Nas comunicações por correspondência, telegráfica e de dados, na presença do interesse público, é possível a reconstituição das informações transmitidas e a obtenção de provas com base nos vestígios materiais da comunicação: a carta guardada, o telegrama, as informações armazenadas em um computador. Ao contrário, o conteúdo das conversas telefônicas se perderia por completo, se não fosse a permissão, nos casos especificados, de suas gravações, comumente denominadas “grampos telefônicos”. Pelo exposto, resta demonstrada a inaplicabilidade dos incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal de 1988 ao sigilo bancário. 4 BASTOS, Celso Ribeiro, e MARTINS, Yves Gandra da Silva. Comentários à Constituição do Brasil. vol. 2, São Paulo, Editora Saraiva, 1989, pág. 73. 5 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Sigilo Fiscal e Bancário. In: PIZOLIO, Reinaldo, e GAVALDÃO Jr., Jayr Viégas (Coordenadores). Sigilo Fiscal e Bancário. São Paulo, Quartier Latin, 2005, pág. 25. 6 FERRAZ Jr., Tércio Sampaio. Obra citada, pág. 27. Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.018 12 Observese, ademais, que o acesso do fisco às informações bancárias é, em última análise, um mero teste de veracidade e consistência das informações já anteriormente oferecidas à administração tributária. O dever original de informar sobre suas operações sujeitas ou não à incidência tributária é do contribuinte, antes mesmo de iniciado qualquer procedimento fiscal. Assim, o acesso a tais informações não deve ser encarado como quebra de sigilo ou prerrogativa excepcional, e sim como forma de se aferir a veracidade das informações que originariamente deveriam ter sido prestadas pelo próprio sujeito passivo da obrigação tributária. Em se tratando de pessoas físicas, as informações já deveriam constar de suas declarações anuais de rendimentos, quer se trate de rendimentos auferidos, tributáveis ou não, quer se trate de informações sobre variações patrimoniais tais como aquisição e/ou alienação de bens, saldos de contas bancárias e de aplicações financeiras, entre outras. Se for o caso de pessoas jurídicas, com muito mais razão as informações já deveriam estar disponíveis ao fisco, em face da obrigação de escriturar detalhadamente todas as suas operações (inclusive bancárias/financeiras) e de comprovar sua escrituração com documentação hábil e idônea. No caso em tela, ressaltese, a movimentação financeira objeto de autuação não se encontrava adequadamente escriturada nos livros contábeis nem suportada por documentos hábeis e idôneos, como seria obrigação da recorrente, a teor do disposto nos artigos 251, 258 e 259, todos do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). Aliás, os livros contábeis sequer foram apresentados ao Fisco. Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, eLei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 258. Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5º). [...] Art. 259. A pessoa jurídica tributada com base no lucro real deverá manter, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário, mantidas as demais exigências e condições previstas na legislação (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, eLei nº 8.383, de 1991, art. 62). Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.019 13 §1º A escrituração deverá ser individualizada, obedecendo à ordem cronológica das operações. §2º A não manutenção do livro de que trata este artigo, nas condições determinadas, implicará o arbitramento do lucro da pessoa jurídica (Lei nº 8.218, de 1991, art. 14, parágrafo único, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 62). [...] Adicionalmente, devem ser observadas as disposições do art. 145, § 1º, da Constituição Federal vigente: Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I impostos; II taxas, ...; III contribuição de melhoria, ... . § 1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. O caput do artigo traz a competência para a instituição dos tributos, fonte de recursos para o Estado. Seu parágrafo primeiro delimita parâmetros para a exigência tributária, no que é conhecido na doutrina como o princípio da capacidade contributiva, embora o constituinte tenha preferido a expressão capacidade econômica. Não obstante o fato de que o texto constitucional se refere aos impostos, não são poucos os autores que estendem sua aplicação às demais espécies tributárias. Esse conceito está subordinado à idéia de justiça distributiva, busca fazer com que cada um pague de acordo com sua riqueza, e encontra raízes no vetusto preceito do direito romano de que a justiça consiste em dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere). Ao estabelecer esse parâmetro para a exigência tributária, o constituinte se preocupou com a efetividade de sua aplicação. Para que esse dispositivo constitucional não viesse a se tornar letra morta, à administração tributária foi facultado, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. Quando o art. 145 da Constituição Federal faculta (ou, em se tratando de um poderdever, ordena) à administração a identificação do patrimônio, rendimentos e atividades econômicas dos contribuintes, nada mais faz do que reforçar o princípio da igualdade, permitindo a tributação em paridade de condições daqueles que se encontram em situação econômica semelhante. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.020 14 Nesse diapasão devem ser compreendidos os artigos 195 e 197 do Código Tributário Nacional: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. [...] Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Afasto, assim, as alegações da recorrente quanto à necessidade de ordem judicial para a obtenção de informações acerca de sua movimentação bancária, bem assim de supostas ofensas a garantias constitucionais. Inexiste, aqui, qualquer nulidade a ser reconhecida. No mérito, a recorrente afirma que seria ilegal o arbitramento do lucro com alicerce nos valores dos depósitos/créditos bancários. Quanto a este ponto, reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação, no sentido de que a “receita presumida” não poderia ser tomada como “receita conhecida”, para fins do arbitramento. Assim, o caminho escolhido pela fiscalização (arbitramento com base na receita conhecida) não poderia subsistir, o que levaria ao cancelamento da exigência fiscal. Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.021 15 Tampouco aqui assiste razão à recorrente, conforme bem demonstrado em primeira instância. A acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.022 16 Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados nas contacorrentes da pessoa jurídica. A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido ou optantes pelo SIMPLES. Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Estabelecida pelo Fisco a ocorrência do fato indiciário, e não infirmada a presunção pelo sujeito passivo, a receita presumida por lei passa a ser tida como receita conhecida, para todos os fins de direito. E é sobre ela, a receita conhecida, que se dará o arbitramento do lucro. Rejeito, assim, também esse argumento, e nego provimento ao recurso, quanto a este ponto. Na sequência de seus argumentos, a recorrente sustenta a improcedência dos autos de infração de PIS e COFINS. Aduz que seu faturamento seria composto, essencialmente, pelas receitas decorrentes da comercialização de veículos da marca Fiat, da qual era concessionária. Essas contribuições estariam sujeitas ao regime monofásico, concentração das exações no início da cadeia produtiva, por força da Lei nº 10.485/2002. Conclui que “parte dos valores creditados nas contas correntes da Recorrente decorre da comercialização de veículos automotores, enquadrados na hipótese do art. 1º da Lei nº 10.485/02, não podendo ser considerados nas bases de cálculo das contribuições sociais em questão”. Sobre a matéria, o julgador a quo assim se manifestou (fls. 1959/1960): 6.3.1. Primeiramente, importa mencionar que, consoante o Contrato Social Consolidado acostado às fls. 1.855/9, o objeto social da Autuada (cláusula quinta) compreendia a exploração do ramo de comércio de veículos automotores, peças e acessórios, oficina mecânica, funilaria e pintura, donde se extrai, sem espaço para dúvidas, que a atuação comercial da Autuada não se limitava, apenas, ao comércio de veículos automotores. 6.3.2. Adicionalmente, a Defendente sustenta que no período objeto da presente Autuação mantinha contrato de concessão firmado com a Fiat Automóveis S/A e, em decorrência de tal avença, o respectivo faturamento compunhase, em Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.023 17 essência, das receitas decorrentes da comercialização de veículos. Os fatos suscitados, contudo, não restaram comprovados nos autos. 6.3.3. Ademais, no corpo da Contestação apresentada (item ‘49’) a Defendente assevera que parcela significativa da movimentação financeira daquele período corresponde a receitas provenientes de venda de automóveis, sem, no entanto, identificar quais seriam tais receitas, nem comprovar, documentalmente, os fatos alegados. 6.3.4. Ainda, como consabido e adiante tratado, no caso das presunções legais o ônus da prova resta invertido, competindo, assim, ao Contribuinte demonstrar a inaplicabilidade/afastamento da presunção legal. Não merecem reparos as observações acima. Com efeito, a presunção legal não tem o condão de identificar a origem das receitas omitidas, sendo tão somente forma de permitir sua quantificação. A receita omitida se torna conhecida (como antes ressaltado) no que respeita ao seu montante, mas não no que toca a sua origem. A própria recorrente reconhece que apenas “parte” dos valores creditados em suas contascorrentes teria origem na comercialização de veículos, mas se mostra incapaz de especificar e comprovar qual seria essa “parte”. Diante disso, permanecem hígidos os lançamentos de PIS e COFINS, devendo o recurso ser rejeitado, quanto a este ponto. Finalmente, a interessada questiona a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício. A Turma Julgadora em primeira instância rejeitou, fundamentadamente, este pedido, em decisão à qual não faço reparos. A matéria tem sido objeto de discussões ao longo do tempo, comportando decisões por vezes divergentes. A incidência de juros sobre a multa proporcional, aplicada no lançamento de ofício, conforme procedimento das Autoridades Administrativas, encontra seu fundamento no artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e, ainda, no art. 161 c/c art. 139, ambos da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional – CTN), os quais transcrevo para maior clareza: Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.024 18 Lei nº 5.172/1966 (CTN): Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A polêmica gira em torno da abrangência que se há de atribuir à expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos”, presente no caput do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Tenho que os débitos decorrentes de tributos não podem se restringir ao principal, mas igualmente devem abranger os débitos pelo descumprimento do dever de pagar, ou seja, as multas proporcionais aplicadas de ofício ao lançamento. Nesse sentido, a abrangência dos débitos para com a União deve ser a mesma atribuída ao crédito tributário de que trata o CTN. O débito do contribuinte para com a União, visto pela ótica do sujeito passivo da obrigação tributária, é o crédito tributário em favor da União, visto pela ótica do sujeito ativo da mesma obrigação. Essa discussão já foi travada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Peço vênia para transcrever, por sua clareza e por espelhar com exatidão meu pensamento sobre o assunto, excerto do voto condutor do acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007, da lavra do ilustre Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Desde já, adoto seus fundamentos também aqui como razões de decidir (grifo consta do original). Consoante relatado, a matéria ora posta à apreciação deste Colegiado se circunscreve à questão atinente a incidência de juros de mora, à taxa SELIC, sobre a multa de oficio proporcional aplicada. O art. 139 do CTN determina que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O art. 113 do CTN, por sua vez, determina, em seu parágrafo primeiro, que a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como da penalidade pecuniária dela decorrente. Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. Observese que tanto o tributo quanto a multa de oficio proporcional serão devidos com a consumação do fato gerador. A multa de oficio proporcional, embora seja um acréscimo ao tributo, não se trata de obrigação acessória, que se caracteriza pelo objeto não pecuniário, classificandose como uma obrigação de fazer. A obrigação tributária principal consiste, assim, em todo e qualquer pagamento devido, incluindose o tributo, a multa ou penalidade pecuniária. Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.025 19 O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. Frisese, por oportuno, que dito parágrafo terceiro determina a aplicação dos juros sobre o valor dos débitos indicados no caput do artigo, e não sobre seu valor acrescido da multa de mora prevista no mesmo caput. Por outro lado, se o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 admite a aplicação da multa de mora sobre valor que, a depender das circunstancia do lançamento, pode (considerando, por exemplo, a espontaneidade ou não do pagamento e o beneficio da denuncia espontânea), estar acrescido da multa de oficio proporcional, cabe ao aplicador da norma afastar a respectiva concomitância, cuja eventual aplicação, contudo, não tem o condão de modificar a legislação sobre a matéria, afastando a inclusão da multa de oficio proporcional na obrigação principal. Não é correta a afirmação de que toda penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é decorrente da observância de obrigação acessória. Não pagar tributo é o descumprimento de uma obrigação principal, constituindo parte desta. O fato de o dispositivo legal atribuir, à penalidade por descumprimento de obrigação acessória, a natureza de obrigação principal, não significa que toda e qualquer penalidade pecuniária é, em sua origem, uma obrigação acessória. Ou seja: a multa de oficio proporcional não é resultante do descumprimento de obrigação acessória, mas de obrigação principal. É obrigação principal em sua natureza, independentemente de conversão. Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9430/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. Adicionalmente, especificamente quanto ao art. 43 da Lei n° 9.430/96, invocado pelo Contribuinte em sua defesa, destaquese que esse dispõe sobre a hipótese de "Auto de Infração Sem Tributo", razão pela qual não disciplina a aplicação da juros sobre a multa de oficio proporcional, que somente é exigida com o tributo. Ao final, por maioria de votos, a Câmara Superior decidiu conforme ementa abaixo: JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL— A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Ac. CSRF/04 Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.720284/201313 Acórdão n.º 1302001.518 S1C3T2 Fl. 2.026 20 00.651, de 18/09/2007, proc. 16327.002231/200285, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) A matéria retornou à discussão na Câmara Superior em março de 2010, sendo prolatado o acórdão assim ementado, confirmando o entendimento aqui exposto: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Ac. 910100.539, de 11/03/2010, proc. 16327.002243/9971, Rel. Cons. Valmir Sandri, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) Pelas mesmas razões, nego provimento, quanto a esta matéria, ao recurso voluntário interposto. Em conclusão, diante de todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007163/2004-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos Presidente
Assinado digitalmente
Núbia Matos Moura Relatora
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Primeira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.007163/2004-36
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401839
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2102-000.104
nome_arquivo_s : Decisao_10830007163200436.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10830007163200436_5401839.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
id : 5737850
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254378479616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1509; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 4.228 1 4.227 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007163/200436 Recurso nº De Ofício e Voluntário Resolução nº 2102000.104 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 21 de novembro de 2012 Assunto Sobrestamento de julgamento Recorrentes DEMETRIUS ELI MODOLO DE SOUZA DIAS FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de debate sobre a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 28/11/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eivanice Canário da Silva, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 07 16 3/ 20 04 -3 6 Fl. 5168DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.229 2 Relatório Contra DEMETRIUS ELI MODOLO DE SOUZA DIAS foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/10, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 1999 a 2001, exercícios 2000 a 2002, no valor total de R$ 120.893.260,00, incluindo multa de ofício agravada e qualificada, no percentual de 225%, e juros de mora, estes últimos calculados até 30/11/2004. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 782/793, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A multa de ofício foi aplicada na sua forma majorada e qualificada, no percentual de 225%, pelas seguintes razões extraídas do Termo de Verificação Fiscal: DO AGRAVAMENTO DA PENALIDADE 20) Em 06/10/2004 E 26/11/2004, conforme consta no item 13 (DOS FATOS/DA AÇÃO FISCAL), acima referido, o contribuinte fora intimado e reintimado dentre outras a comprovar as origens dos depósitos bancários mediante documento hábil, não atendendo a solicitação, mesmo após a postergação de prazo requerida. Ressaltase que tal prática se alinha em relação ao Termo de Início de Fiscalização, quando em resposta a referido Termo, tenta invocar preceitos Constitucionais para não apresentação ou atendimento das solicitações nele contido; 21) Em vista deste fato, conforme dispõem as Leis n° 9.430/96, art. 44, parágrafo 2º e n° 9.532/97, art. 70 inciso I, que prevê que no caso de não atendimento pelo contribuinte, no prazo marcado, em intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos serão agravadas. Sendo assim toda omissão de receitas com base na comprovação das origens dos valores creditados/depositados nas contas correntes do contribuinte terão suas penalidades agravadas. MAJORAÇÃO DAS PENALIDADES NOS CASOS DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE 22) Tornase evidente o intuito de fraude constatado no presente procedimento fiscal e está caracterizado, conforme os fatos abaixo a serem descritos, pela prática sistemática e reiterada adotada pelo contribuinte em omitir receitas ao Fisco em todos anos calendário fiscalizados. 22.1 É claro e evidente o intuito doloso do contribuinte no sentido de impedir, ou ao menos entravar temporariamente, o alcance, por parte desta fiscalização, às infrações tributárias praticadas sistemática e reiteradamente no período de 01/01/99 a 31/12/2001, o qual sucessivamente se valeu de artifícios protelatórios, para ocultar a realidade dos rendimentos auferidos, uma vez que havia oferecido à tributação, através Declarações de Rendimentos de DIRPF, valores muito inferiores aos realmente devidos ao Fisco Fl. 5169DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.230 3 Federal, considerando os estapafúrdios montantes de depósitos apurados em suas contas bancárias; 22.2 Desde o início da ação fiscal, o contribuinte, sempre representado por seus procuradores, tentou embaraçar, ou no mínimo atrasar o bom andamento desta fiscalização, invocando o direito Constitucional do sigilo bancário; 22.3 Posteriormente, diante da possibilidade de ser lavrado Termo de Embaraço, passou então a adotar outra estratégia: atender as solicitações fiscalização ainda que parcialmente; 22.4 Porém, quando efetivamente fora intimado a comprovar a origem/motivação de cada depósito apurado em suas contas bancárias, uma vez que, não apresentou resposta aos Termos lavrados em 06/10/04 retornando a postura praticada no início desta ação fiscal; 22.5 Então, em última tentativa, foi dada a oportunidade ao contribuinte de apresentar as comprovações pendentes, quando foi lavrado novo Termo de Intimação e Constatação Fiscal em 26/11/2004; 22.6 Para surpresa desta fiscalização, o contribuinte selou por vez sua conduta em não colaborar: não atendeu a solicitação, permanecendo apenas suas alegações evasivas. anteriores, sem apresentar qualquer prova de extravio dos livros/documentos que pudesse justificar a reiterada recusa da sua exibição; 23) Concluindo, em função dos fatos acima descritos, não deixa dúvida a esta fiscalização quanto à intenção do contribuinte em fraudar o Fisco Federal, onde tal pratica abrangeu não apenas um mês, mas todo o período aditado, não comprovando a origem dos depósitos bancários, estando portanto, enquadrado na situação prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, pela prática prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/64. implicando na majoração da multa de ofício para 150%; Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 803/850, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII, de 01/04/2009, fls. 4335/4372: Inicia com a preliminar de cerceamento de defesa por ter ocorrido acusação com base em prova não disponibilizada. Tal prova seria a representação fiscal de 20/06/2003 que apontaria atos ilícitos ocorridos no ano de 1999 envolvendo o contribuinte Dispetro. Aponta, ainda como preliminar, que a utilização de informações obtidas em razão da cobrança da CPMF para lançamento de outros tributos estava vedada, o que tornaria ilícitas as provas que contém tais informações. Protesta contra a quebra do sigilo bancário sem qualquer tipo de requisição judicial e em relação a operações feitas antes da entrada em vigor da LC 105/2001. Entende que só poderia haver quebra de seu sigilo bancário por autorização judicial. Como no caso isso não Fl. 5170DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.231 4 ocorreu, as provas utilizadas para o lançamento são provas ilícitas que contaminam todo o procedimento. Argumenta que houve ofensa ao princípio da irretroatividade previsto no art.150, inciso II, "a" da Constituição Federal na aplicação da LC 105/2001 e da Lei 10.174/2001 para o presente caso que representa ano anterior à entrada em vigor das referidas leis. Entende que mesmo que a obtenção dos extratos pelo fisco fosse autorizada por Lei, é necessário o atendimento dos requisitos do Decreto 3.724/2001 que determina que os exames das contas de depósitos devem ser indispensáveis. A par disso e considerando que a fiscalização não demonstrou serem os exames indispensáveis, conclui que os extratos obtidos consubstanciam prova ilícita. Sustenta ter ocorrido erro na determinação do momento da ocorrência do fato gerador, pois a fiscalização considerou que os fatos geradores ocorreram em 31 de dezembro, contrariando a determinação legal de tributar a omissão com base em depósitos bancários no mês em que os depósitos forem considerados recebidos (art. 42 da Lei.9430/96). Pretende que seja considerada a ocorrência da decadência nos moldes revistos no art. 150, §4° do CTN, insistindo não ter ocorrido hipótese de fraude nos autos. Passando para o mérito, argumenta que depósitos bancários não sustentam a presunção legal de omissão de rendimentos. Reconhece a existência do art. 42 da Lei 9.430/96, mas entende existirem vários óbices para sua aplicação, pois inexistiria correlação lógica direta e segura entre depósitos bancários e omissão de rendimentos. Conclui que a tributação dos depósitos estaria em ofensa ao art. 43 do CTN, citando jurisprudência administrativa e judicial para amparar seus argumentos. Ressalta que não ocorreu acréscimo patrimonial que justificasse a tributação da renda nos moldes do art. 43 do CTN, observando que tal constatação foi feita pela própria fiscalização. Justifica a existência dos depósitos bancários devido ao exercício de atividade empresarial, previamente informada à fiscalização. Nesse sentido, os depósitos bancários seriam o marco inicial da investigação, mas nunca seu ato final. Alega que exercia a atividade de intermediação de compra e venda de derivados de petróleo e que possuía alguns postos revendedores de combustíveis. Afirma que solicitou à fiscalização maior prazo para apresentar microfilmes de cheques que demonstrariam ter atuado como intermediador de compra e venda de combustíveis, mas a fiscalização concedeulhe um prazo exíguo para tanto, o que resultou na lavratura do auto de infração que não considerou tais documentos. Por isso, anexa com a impugnação cópia do livro caixa de 1999 e 2000 e cópias de microfilmes de cheques emitidos por ele. Os cheques anexados seriam amostras e existiriam muitos pagamentos com a mesma natureza. Fl. 5171DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.232 5 Requer diligência para a confirmação das operações de intermediação na contabilidade dos fornecedores para responder a quesitos que apresenta. Informa que os cheques recebidos dos postos revendedores não podem ser identificados, pois, muitas vezes, eram cheques de clientes dos postos que eram repassados aos fornecedores de combustíveis. Entendendo estar comprovada a atividade empresarial, conclui que a concentração de recursos financeiros não é vedada, sendo prática usual em grupos econômicos. Sua conta corrente serviria como "caixa" único das empresas do grupo do qual era sócio. Estando comprovada a prática inequívoca do exercício de atividade empresarial, a metodologia adotada pela fiscalização restaria inadequada. Entende que a legislação do imposto sobre a renda permite que as pessoas físicas que recebem rendimentos do trabalho nãoassalariado deduzam as despesas de custeio necessárias à percepção da receita que estejam anotadas no livro caixa. Acrescenta que o RIR/99 equipara a tributação das empresas individuais com aquela das pessoas jurídicas, o que obrigaria fosse o contribuinte intimado a apresentar escrituração contábil que permitisse apurar o lucro real ou, na impossibilidade de apuração deste, deveria ter sido aplicada a técnica do arbitramento do lucro. Se tivesse sido aplicado o arbitramento, o lucro teria sido apurado com a aplicação do percentual de 1,92% sobre a receita bruta atestada pelos depósitos bancários. Como a fiscalização desrespeitou tais normas do RIR/99, o lançamento seria imprestável. Argumenta que não é possível a comprovação direta dos depósitos uma vez que a dinâmica empresarial adotada consistia em arrecadar valores diários em postos revendedores, inclusive cheques de terceiros e prédatados, valores que eram depositados em conta corrente do impugnante que, posteriormente, emitia cheques para pagamentos dos fornecedores de combustíveis. Sendo assim, protesta pela comprovação indireta dos depósitos baseandose na existência de cheques que comprovam o pagamento aos fornecedores, pois seria óbvio que os recursos que ingressaram na conta do impugnante seriam advindos de vendas de combustíveis pagos com os cheques cujas cópias são apresentadas. Imaginar que os depósitos foram a título gratuito feriria a lógica, o bom senso e a racionalidade. Requer diligência junto aos postos revendedores para os quais teria intermediado a compra de combustíveis, tendo apresentado quesitos para tanto. Aponta alguns erros do lançamento: • algumas transferências entre contas bancárias não foram expurgadas. Estariam tais depósitos gravados com o nome de "Transferência" e deveriam ser afastados do lançamento, conforme lista que apresenta em fls. 840/841 que ressalta ser apenas exemplificativa; • alguns resgates de poupança não foram expurgados, conforme lista exemplificativa de fls. 841/842 que apresenta; Fl. 5172DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.233 6 • cheques depositados, devolvidos e redepositados foram considerados em duplicidade, conforme lista exemplificativa de fls. 843/844; • o desbloqueio de cheques depositados foram considerados em duplicidade, conforme lista de fls. 844. Haveriam outro erros similares com relação aos quais não foi possível a identificação, pois teria ocorrido um depósito único de vários cheques que, posteriormente, foram desbloqueados individualmente, dificultando a identificação; • há operações repetidas que foram consideradas em duplicidade no ano de 1999, fls. 407/409 e 750/754; Considerando tais erros apontados, requer o cancelamento total do lançamento pela ausência de certeza. Entende não ter ocorrido embaraço ou fraude que justifique a aplicação da multa de 225%. Sustenta que em nenhum momento ficou demonstrada a prática de fraude, sendo que esta, a fraude, não se presume. O embaraço poderia ter ocorrido em relação aos extratos do primeiro semestre de 1999, mas a própria fiscalização limitou, no Termo de Início de Fiscalização, seu pedido de documentos ao segundo semestre de 1999. Apresenta pedido de perícia contábil, indicando o perito e formulando os quesitos para o profissional. Protesta pela aplicação de juros de mora, conforme entende determinado pelo CTN, no percentual de 1%, pois a Taxa Selic seria ilegal como juros de mora por ter caráter remuneratório e não meramente moratório. Ao final requer a juntada posterior de provas. A DRJ São Paulo II determinou a realização de diligência, conforme Resolução nº 431, de 03/02/2005, fls. 2167/2171, cujo resultado encontrase registrado no Termo de Encerramento – Diligência Fiscal, fls. 4270/4302, sendo então proferido o Acórdão DRJ/SPOII, de 01/04/2009, fls. 4335/4372, onde julgouse procedente em parte o lançamento para reduzir o imposto devido para R$ 27.160.219,36 e reduzir o percentual da multa de ofício de 225% para 112,5%. Da referida decisão recorreuse de ofício, em razão do limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008. Cientificado da decisão de primeira instância, por edital, fls. 4378, afixado em 11/05/2009, o contribuinte apresentou, em 25/06/2009, recurso voluntário, fls. 4148/4222, no qual reproduz e reitera as mesmas alegações apresentadas na impugnação, acrescentado o que se segue: que é nula a intimação que cientificou o contribuinte, por edital, da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, posto que somente teve um dia para preparar o recurso voluntário, sendo importante observar que a ciência por via postal foi encaminhada para endereço antigo, posto que o recorrente informou seu novo endereço na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2009, ano calendário 2008, cuja cópia segue anexa ao recurso. que há nos autos robustas provas de que a movimentação financeira efetivada nas contas bancários do recorrente são provenientes da intermediação de compra e venda Fl. 5173DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.234 7 de combustível por conta própria, sendo certo que outras provas foram produzidas durante a diligência fiscal, cujos resultados foram menosprezados e até negados pela autoridade fiscal ao fim dos trabalhos. que a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício não encontra amparo em qualquer ordenamento jurídico, não podendo, portanto, prosperar. É o Relatório. Fl. 5174DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.235 8 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deveriam as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica em recurso administrativo, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. A interpretação conjunta da cabeça e do parágrafo primeiro do dispositivo regimental citado indicava que bastava o reconhecimento da repercussão geral para o sobrestamento do trâmite do recurso administrativo fiscal, não se fazendo maiores considerações sobre o procedimento de sobrestamento dos recursos extraordinários do próprio judiciário, como condicionante para o sobrestamento dos recursos da via administrativa. Essa era a interpretação das Turmas de julgamento do CARF. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, as controvérsias sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e a incidente a partir da transferência compulsória do sigilo bancário dos contribuintes para o Fisco (e aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001) vinham tendo o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF havia reconhecido a repercussão geral em ambas as matérias, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 225 Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001; b) Aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. RE 601.314 – Relator o Min. Ricardo Lewandowski. Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Com a publicação da Portaria CARF nº 001/2012, que objetiva disciplinar os procedimentos do sobrestamento no âmbito do CARF, surgiram dúvidas sobre o cabimento do sobrestamento para o Tema 225, acima, em decorrência da redação do art. 1º, parágrafo único, da referida Portaria, pois o STF não teria determinado o sobrestamento dos recursos extraordinários que versavam sobre a transferência compulsória do sigilo bancário para o Fisco (e retroatividade da Lei nº 10.174/2001), como se poderia ver na decisão que reconheceu a repercussão geral para o tema, no RE 601.314. Apreciando a controvérsia acima, no julgamento do processo 19647.009419/200653, sessão de 09 de fevereiro de 2012, pela Resolução 2102000.045, esta Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção entendeu que a controvérsia espelhada no Tema 225 do STF deveria continuar tendo os julgamentos administrativos sobrestados, pois “o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por si só, tem como consectário lógico e inafastável o sobrestamento do julgamento de todos os recursos extraordinários sobre a mesma matéria, pois não se pode imaginar que o STF reconheça a repercussão geral e os RE possam continuar a tramitar, isso sem qualquer possibilidade de julgamento no STF, pois na Suprema Corte somente se apreciará o RE leading case”. E como exemplo do entendimento que tem obstado o julgamento dos recursos extraordinários, com Fl. 5175DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.007163/200436 Resolução nº 2102000.104 S2C1T2 Fl. 4.236 9 devolução do apelo extremo aos tribunais de origem no Tema 225, vejase despacho no Recurso Extraordinário 611.139, relator o Min. Luiz Fux, decisão de 07 de fevereiro de 2012. Ora se há o sobrestamento dos recursos extraordinários no rito da repercussão geral, aplicável o art. 62A, § 1º, do RICARF nos recursos com o Tema 225 no âmbito administrativo. Por tudo, no caso de controvérsias sobre a transferência compulsória do sigilo bancário (Lei complementar nº 105/2001) e retroatividade da Lei nº 10.174/2001, considerando que o STF também vem sobrestando o julgamento dos recursos extraordinários dessa matéria, devemse igualmente sobrestar os julgamentos administrativos nesta Turma de Julgamento, na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF, aguardando que o STF resolva em definitivo a controvérsia sobre o Tema 225. No presente caso, o contribuinte traz em seu recurso voluntário alegações acerca da irretroatividade da Lei Complementar nº 105 e da Lei nº 10.174, ambas de 2001 Assim, devese sobrestar o julgamento dos recursos voluntário e de oficio, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Ante o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento dos recursos de ofício e voluntário. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 5176DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.726011/2011-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando o paradigma sequer trata da matéria suscitada ou, quando dela trata, prevê requisito plenamente atendido pelo Contribuinte, no caso do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Relatora
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando o paradigma sequer trata da matéria suscitada ou, quando dela trata, prevê requisito plenamente atendido pelo Contribuinte, no caso do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10730.726011/2011-93
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388400
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.383
nome_arquivo_s : Decisao_10730726011201193.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 10730726011201193_5388400.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5659346
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254397353984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 6 1 5 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10730.726011/201193 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.383 – 2ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARIA THEREZA CARMEN MONDINO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando o paradigma sequer trata da matéria suscitada ou, quando dela trata, prevê requisito plenamente atendido pelo Contribuinte, no caso do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 60 11 /2 01 1- 93 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório Em sessão plenária de 16/10/2013, foi julgado o Recurso de Ofício s/n, prolatandose o Acórdão nº 2202002.496 (fls. 298 a 307), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE LAUDO TÉCNICO ADA. São áreas de preservação permanente legalmente estipuladas as hipóteses do art. 2º da Lei n. 4.771/65. São áreas determinadas por lei, de maneira que o ADA, neste caso, tem natureza puramente declaratória, pois o reconhecimento da APP depende de laudo técnico que comprove sua existência. As áreas de preservação permanente passíveis de reconhecimento por órgão ambiental são aquelas descritas no art. 3º da Lei n. 4.771/65, neste caso é preciso declaração de órgão ambiental competente que grave a parcela da terra com restrição ambiental para que reste reconhecida a APP. Recurso de ofício negado.” O processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 09/12/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 308) e, em 10/12/2013, foi interposto o Recurso Especial de fls. 309 a 319 (Despacho de Encaminhamento de fls. 320), visando rediscutir a manutenção do restabelecimento da APP – Área de Preservação Permanente que, por abranger a área total do imóvel, resultou no cancelamento do lançamento, que incluiu o arbitramento do VTN – Valor da Terra Nua. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 12/12/2012 (fls. 321 a 323). No apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese, a necessidade de apresentação de ADA – Ato Declaratório Ambiental tempestivo, para exclusão da APP – Área de Preservação Permanente da tributação do ITR. Cientificado do acórdão, do Recurso Especial e do despacho que lhe deu seguimento em 30/12/2013 (AR – Aviso de Recebimento de fls. 329/330), o representante da Contribuinte quedouse silente (Despacho de fls. 373). Fl. 377DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.726011/201193 Acórdão n.º 9202003.383 CSRFT2 Fl. 7 3 Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir acerca do cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade. Não foram oferecidas Contrarrazões. Antes de proceder à análise da admissibilidade do apelo, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, em face de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas. No caso do acórdão recorrido, há um conjunto probatório extremamente robusto, que motivou inclusive o provimento em Primeira Instância, remarcado no voto condutor do julgado guerreado: “No presente caso, a contribuinte provou exaustivamente a existência de área de preservação permanente. As provas apresentadas foram declaração do IBAMA à fl. 224, declaração do INCRA à fl. 226, declaração do INEA à fl. 275 do eprocesso e laudo técnico ambiental às fls. 82128. Quanto ao ADA, a contribuinte não protocolizou o documento para o exercício de 2008, mas havia realizado esse procedimento para os anos de 2005 e 2007 (fl.250/252 do eprocesso).” Quanto aos paradigmas, as situações fáticas neles retratadas em nada se assemelham à do recorrido, conforme será demonstrado a seguir. Quanto ao primeiro paradigma – Acórdão nº 2801000.875 – este trata tão somente de ARL – Área de Reserva Legal, portanto sequer existe uma situação fática atinente a APP – Área de Preservação Permanente, que pudesse ser comparada com a situação fática do acórdão recorrido. Confirase trechos deste primeiro paradigma: Voto vencido “Conforme se depreende da leitura dos autos verificase que o objetivo do presente Recurso Voluntário é atacar a glosa total, realizada pela autoridade fazendária, dos 910,0 ha declarados a titulo de área de Reserva Legal na DIRT/2001. (...)” Voto vencedor “(...) Observase que, relativamente a área utilização limitada/reserva legal no valor de 901,0 ha, o interessado somente comprova a averbação em 27/05/2003, conforme Registro de Imóveis de fl. 35. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 Neste contexto, deve ser mantida a glosa por não constar comprovado nos autos que o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, havia informado a órgão ambiental estadual ou federal sobre a existência da aludida área, aliado ao fato dessa área não ter sido averbada no Registro de Imóveis competente até 01/01/2002.” No que tange ao segundo paradigma – Acórdão nº 30239.414 – a Fazenda Nacional limitase a colacionar a respectiva ementa, conforme a seguir: “ÁREA DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. UTILIZAÇÃO DE ADA. É obrigatória a utilização do ADA para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, nos termos da Lei. ELEVAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IMPOSTO EM DECORRÊNCIA DA GLOSA DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. A glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal resulta na redução automática do grau e utilização da terra. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO..” Conforme a ementa acima, exigese como único requisito necessário à aceitação da APP – Área de Preservação Permanente, genericamente, o ADA – Ato Declaratório Ambiental. Com efeito, o trecho reproduzido pela Fazenda Nacional sequer esclarece qual seria o exercício tratado, tampouco especifica que o ADA apto a comprovar a área requerida teria de ser específico para o exercício objeto da autuação. Ressaltese que o ônus de demonstrar a alegada divergência é do Recorrente, conforme o art. 67, § 6º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ora, a exigência genérica de ADA, sem que necessariamente se refira ao exercício objeto da autuação, foi atendida, no caso do acórdão recorrido. Com efeito, foram apresentados três ADA anteriores ao fato gerador objeto da autuação, além de farta documentação comprobatória, tanto assim que a própria DRJ considerou procedente a Impugnação, daí o Recurso de Ofício. Confirase trecho do voto condutor do acórdão de Primeira Instância: “No que diz respeito à exigência do ADA, de caráter genérico, aplicada a qualquer área ambiental, seja de preservação permanente ou de utilização limitada (RPPN, Servidão Florestal, Área Imprestável/Declarada como de Interesse Ecológico, Reserva Legal ou coberta por florestas nativas), a mesma advém desde o ITR/1997 (art. 10, § 4º, da IN/SRF nº 043/1997, com redação dada pelo art. 1º da IN/SRF nº 67/1997), e, para o exercício de 2008, encontrase prevista na IN/SRF nº 256/2002 (aplicada ao ITR/2002 e subsequentes), no Decreto nº 4.382/2002 – RITR (art. 10, § 3º, inciso I), tendo como fundamento o art. 17O da Lei nº 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1º, cuja atual redação foi dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10730.726011/201193 Acórdão n.º 9202003.383 CSRFT2 Fl. 8 5 Para o exercício de 2008, o prazo expirou em 30.09.2008, prazo final para a entrega da DITR/2008, de acordo com a IN/SRF nº 857/2008 c/c a IN/IBAMA nº 76/2005. No presente caso, a requerente comprovou a protocolização do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, para o exercício de 2007, em 01.11.2007, às fls. 252, com a informação de uma área de interesse ecológico de 12.690,4 ha, área essa igual à declarada, em 2008, como de preservação permanente. Além disso, apresentou dois ADA protocolados em 08.11.2005 e 22.11.2005, respectivamente às fls. 250 e 251, ambos contendo a informação de uma área de interesse ecológico de 12.690,4 ha, também, igual a área declarada em 2008 como sendo de preservação permanente. Não obstante a protocolização do ADA, para o exercício de 2008, não ter sido ter sido efetuada, além de a impugnante ter apresentado três ADA protocolados anteriormente, como citado, contendo a informação da área declarada, foi juntada aos autos Declaração do IBAMA, às fls. 244, assinada pelo Engenheiro Florestal Mário de Sá Almeida Júnior, matrícula 1445296, na qual é declarado que a área total do imóvel, de 12.690,4 ha, é totalmente destinada a área de preservação permanente. (...) Além da Declaração do IBAMA, foi carreada aos autos, a Declaração do INCRA, às fls. 247, assinada por Rosemeire Soares Correa, Coordenadora da Sala do Cidadão do INCRA, atestando que toda a área da Fazenda Cachoeira Macaé de Cima, de 12.690,4 ha, é destinada a área de Preservação Natural e Reserva Ecológica. Ainda, para fazer prova de que a área do imóvel possui relevância hidrográfica da área lá preservada,a impugnante juntou aos autos Declaração do CEDAE, às fls. 240, que é o órgão encarregado da distribuição das águas no Estado do Rio de Janeiro, informando, que o imóvel é ‘indispensável ao abastecimento da Malha Urbana e Rural da Região Nordeste do Estado do Rio de Janeiro’. Consta, também, nos autos documento, às fls. 273/276, expedido pelo Instituto Estadual do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (INEA), integrante da Secretaria do Estado do Ambiente (SEA), informando que a área do imóvel é de aproximadamente 102 km2, sendo que a área inserida no Parque Estadual dos Três Picos, criado pelo Decreto Estadual nº 31.343/2002, é de aproximadamente 85,71 km2 e que a área inserida na APA Macaé de Cima, criada pelo Decreto Estadual nº 29.213/2001, é de 11,82 km2, o que representaria uma área de 95,63% do imóvel totalmente inserida nessas duas Unidades de Conservação da Natureza. Ademais, foi carreado aos autos o Laudo Técnico, às fls. 107/122, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo José Roberto Scremin, com ART anotada no CREA, às fls. 154/155, no qual Fl. 380DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 consta a informação que 89,2% do imóvel está inserido na área de Preservação Permanente do Parque Estadual dos Três Picos (PETP) e da APA (Área de Proteção Ambiental) Macaé de Cima, enquanto que os 10,8% restantes estão inseridos no entorno do PETP, às fls. 111, corroborando as informações prestadas pelo INEA, CEDAE, IBAMA e INCRA, de que o imóvel é uma área de preservação permanente de relevante interesse ecológico, por estar em inserido em duas Unidades de Conservação da Natureza, previstas na Lei nº 9.985/2000, e no seu entorno. Esses documentos formam a convicção de que a área de 12.690,4 ha, do imóvel em questão, é de preservação permanente e/ou de interesse ecológico e, desse modo, toda a área do imóvel cabe ser considerada, para fins de exclusão do ITR/2008, nos termos do art. 10, § 1º, II, da Lei nº 9.393/1996.” Assim, não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, já que o primeiro paradigma sequer trata da matéria suscitada. Quanto ao segundo paradigma, ainda que se reconhecesse divergência jurisprudencial, concluise que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não teria utilidade, já que a situação fática do recorrido atende perfeitamente ao requisito preconizado no paradigma. Diante do exposto, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 381DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
