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Numero do processo: 15987.000684/2009-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.709
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 06 84 /2 00 9- 15 Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.976, de 27 de maio de 2014, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Fl. 1336DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 4 3 Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas requerendo que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.692, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 10845.720753/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.692): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 5 4 Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boafé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 6 5 “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 7 6 o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 8 7 Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 9 8 específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 10 9 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 15987.000684/200915 Acórdão n.º 9303006.709 CSRFT3 Fl. 11 10 De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1344DF CARF MF
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Numero do processo: 13558.900708/2011-79
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que autoridade fiscal competente da repartição de origem manifeste-se acerca das informações constantes nos documentos acostados ao recurso voluntário, em confronto àquelas constantes na tela juntada no voto condutor da decisão recorrida, que trata da consulta ao sistema IRPJ, relativa ao estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 06.142.278/0001-80, para o exercício de 2007, ano-calendário de 2006.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que autoridade fiscal competente da repartição de origem manifestese acerca das informações constantes nos documentos acostados ao recurso voluntário, em confronto àquelas constantes na tela juntada no voto condutor da decisão recorrida, que trata da consulta ao sistema IRPJ, relativa ao estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 06.142.278/000180, para o exercício de 2007, ano calendário de 2006. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. RELATÓRIO Dos fatos Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1054.531 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS DRJ/POA que, em sessão de julgamento realizada em 10.04.2015, a unanimidade, rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Transcrevo, por sua clareza e precisão, o relatório do acórdão recorrido (efls. 79 a 81): RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 58 .9 00 70 8/ 20 11 -7 9 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13558.900708/201179 Resolução nº 3001000.074 S3C0T1 Fl. 109 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade das fls. 2 a 8 ante o Despacho Decisório eletrônico da fl. 20, emitido em 4 de maio de 2011 pelo delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Itabuna, que indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI apurado no 1º trimestre de 2006, no montante de R$ 148.422,11, objeto do PERDCOMP nº 14590.56022.281106.1.3.014360 (fls. 32 a 61), reconhecendo o valor de R$ 142.865,07, em razão da ocorrência de glosas de créditos considerados indevidos e a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Tais particularidades estão explicitadas nas informações complementares da análise do crédito às fls. 21 e 22. Segundo o mesmo DDe o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 39491.08853.290407.1.3.010513 (fls. 72 a 75) e não há valor a ser ressarcido para o PER/DCOMP nº 09109.56437.280407.1.1.012787 (fls. 68 a 71). Inconformada, a interessada, por meio de seu procurador habilitado nos autos, se insurge alegando, preliminarmente, a nulidade do Despacho Decisório por não conter os motivos de fato e de direito que levaram a não homologação total das compensações inviabilizando o direito constitucional da ampla defesa. Quanto ao mérito, alega que as glosas promovidas pela autoridade fiscal sob fundamento de que o estabelecimento emitente das notas fiscais seria optante pelo SIMPLES não procedem, pois as mesmas foram emitidas pela pessoa jurídica ARTESPUMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob o nº 06.142.278/000180, que segundo pesquisa feita pela manifestante no site da própria RFB, não há registro do enquadramento da empresa no referido regime de apuração. Além disso, aduz que, conforme se observa nas notas fiscais, houve destaque do IPI sem qualquer alusão ao regime de tributação pelo SIMPLES. Encerra, pedindo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório. É o relatório. Da decisão de 1ª Instância A 3ª Turma da DRJ/POA, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13558.900708/201179 Resolução nº 3001000.074 S3C0T1 Fl. 110 3 GLOSA DE CRÉDITOS. MATÉRIASPRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAIS DE EMBALAGEM ADQUIRIDOS DE EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. Não geram direito a créditos as aquisições de MP, PI e ME adquiridos de empresa optante pelo SIMPLES. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NULIDADE. Somente são nulos os atos lavrados por pessoa incompetente e as decisões e despachos proferidos por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, em 15.05.2015, segundo o "Aviso de RecebimentoAR" (efl. 84), tomou conhecimento dos termos da decisão formalizada pelo acórdão recorrido. Irresignado com a referida decisão, protocola perante à IRF/ILH/EAT, em 08.06.2015, o recurso voluntário, acompanhado de demais documentos (efls. 86 a 105). Do recurso voluntário No Recurso Voluntário, para o que interessa ao momento, o recorrente aduz em sua defesa o que segue reproduzido, ipis litteris: 14. A partir das informações contidas no demonstrativo de análise de crédito, a autoridade administrativa promoveu a glosa dos créditos relativos às notas fiscais de entrada nsº 314, 321 e 329, sob o fundamento "7", qual seja, empresa eminente da nota fiscal optante do SIMPLES. 15. As notas fiscais em questão foram emitidas pela pessoa jurídica ARTESPUMAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., inscrita no CNPJ sob o nº 06.142.278/000180. 16. O r. Acórdão recorrido manteve a glosa sob o fundamento de que, após consulta ao sistema IRPJ relativa ao estabelecimento em questão, o mesmo teria enviado DIPJ sob o regime do SIMPLES. 17. Ocorre que o simples envio da obrigação acessória não garante o enquadramento no SIMPLES NACIONAL. Inclusive, conforme consulta na plataforma do SIMPLES NACIONAL, sob a gestão da própria Receita Federal, apenas em 2012 houve adoção ao referido regime: 18. Além disso, conforme se observa das notas de entrada, houve incidência do IPI nas operações, devidamente destacado nos documentos fiscais pelo fornecedor. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13558.900708/201179 Resolução nº 3001000.074 S3C0T1 Fl. 111 4 19. Com efeito, a Recorrente adotou todas as providências necessárias antes da apropriação do crédito, não sendo o simples envio da obrigação acessória da DIPJ suficiente para caracterizar o enquadramento do fornecedor no SIMPLES NACIONAL, sob pena de prevalecer a forma em detrimento do direito material inconteste. (...) 27. Por tudo quanto exposto, a Recorrente requer a reforma da r. decisão proferida pela Delegacia, de forma a reconhecer a regularidade dos créditos de IPI apropriados nas notas fiscais nsº 314, 321 e 329, tendo em vista a regularidade dos mesmos, homologandose as compensações vinculadas. Do encaminhamento O processo digital (eprocesso), então, foi encaminhado para ser analisado por este Carf na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Relator. Da decisão recorrida Dispõe o voto condutor do acórdão recorrido, ipsis litteris: Voto A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela tomase conhecimento. Quanto à preliminar de nulidade, cumpre dizer que no despacho decisório atacado consta a fundamentação legal e que o Demonstrativo de Análise de Crédito relaciona quais notas fiscais tiveram seus créditos glosados e o motivo da glosa, o que permitiu a manifestante se defender plenamente, razão pela qual rejeito tal preliminar. Por bem solucionar o litígio, realizouse consulta ao sistema IRPJ relativa ao estabelecimento emitente em questão, cuja tela é reproduzida a seguir, revelando que o estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 06.142.278/000180, para o exercício de 2007 ano calendário de 2006, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, sob o regime do SIMPLES: (...) Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13558.900708/201179 Resolução nº 3001000.074 S3C0T1 Fl. 112 5 Assim à época da emissão das notas fiscais janeiro a março de 2006, o mesmo era optante pelo SIMPLES, instituído pela Lei nº 9.317, de 1996. Tal circunstância impõe como correta a glosa dos respectivos créditos, frente ao art. 166 do RIPI de 2002, a seguir transcrito, para maior clareza: Art. 166. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 117, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de MP, PI e ME (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Em vista disso, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, julgar improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho decisório. Da proposta de diligência Compulsandose os autos verificase que, relativamente ao crédito pleiteado, tanto a glosa de que trata o Despacho Decisório emitido, em 04.05.2011, pela autoridade competente da DRF/Itabuna rastreamento 930805593, quanto o indeferimento do pedido de que trata o voto condutor do Acórdão recorrido, tem por fundamento fático e jurídico o fato as Notas Fiscais de Entrada nº 314, 321 e 329, terem sido emitidas por fornecedor optante do SIMPLES, visto tratarse de hipótese impeditiva, consoante dispõe o artigo 166 do RIPI/2002. O voto condutor do Acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento/restituição sob o argumento central de que, em consulta ao sistema IRPJ relativa ao estabelecimento emitente em questão, cuja tela é reproduzida a seguir, revelando que o estabelecimento inscrito no CNPJ sob nº 06.142.278/000180, para o exercício de 2007 ano calendário de 2006, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, sob o regime do SIMPLES. Neste contexto, o interessado, discordando dos termos da referida consulta ao sistema IRPJ, alega que o simples envio da obrigação acessória não garante o enquadramento no SIMPLES NACIONAL. Inclusive, conforme consulta na plataforma do SIMPLES NACIONAL, sob a gestão da própria Receita Federal, apenas em 2012 houve adoção ao referido regime por parte do referido fornecedor, emitente da mencionadas notas fiscais. Acrescentando, ainda, que, conforme se observa das notas de entrada, houve incidência do IPI nas operações, devidamente destacado nos documentos fiscais pelo fornecedor. É certo que é condição indispensável para a efetivação da compensação de tributos, que seja comprovada a liquidez e certeza do crédito informado, conforme dispõe o artigo 170A da Lei 5.172 de 1966 (CTN). Logo, se faz necessária a efetiva comprovação da existência desses créditos. Da conclusão Deste modo, com vista a dirimir a dúvida suscitada nestes autos, em face dos elementos de prova carreados pelo recorrente em seu Recurso Voluntário, proponho a realização de diligência para que a Unidade Fiscal que jurisdiciona o contribuinte manifestese acerca das informações constantes na consulta ao sistema SIMPLES NACIONAL trazida aos autos pelo recorrente, que aparentemente contradizem aquelas expressas na tela de consulta ao Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13558.900708/201179 Resolução nº 3001000.074 S3C0T1 Fl. 113 6 sistema IRPJ, mencionada no voto condutor da Decisão recorrida, relativamente ao estabelecimento emitente das Notas Fiscais de Entrada nº 314, 321 e 329. Neste sentido devem os autos retornar para a DRF/Itabuna. Ao término dos trabalhos, a autoridade responsável pela condução da diligência deverá elaborar relatório sucinto, manifestandose formalmente sobre a existência ou não de direito creditório objeto do deste processo. Encerrada a instrução processual, o recorrente deverá ser intimado para, se assim desejar, manifestarse no prazo de trinta dias. Após esta providência, os presentes autos deverão ser devolvidos a este Carf, para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917582/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2002 a 28/03/2002
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.598
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 28/03/2002 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 82 /2 01 1- 24 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10480.917582/201124 Acórdão n.º 3201003.598 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.491, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10480.917582/201124 Acórdão n.º 3201003.598 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10480.917582/201124 Acórdão n.º 3201003.598 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12179.001457/2008-44
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2008
OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL.
Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1003-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2008 OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conforma-se com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2008 OPÇÃO. INCLUSÃO RETROATIVA. INÍCIO DE ATIVIDADE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS CUMULATIVOS NO PRAZO LEGAL. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 17 9. 00 14 57 /2 00 8- 44 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 73 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou em 07.08.2008, fl. 01, o Pedido de Inclusão Retroativa no Simples Nacional alegando que: Nossa empresa enfrentou uma “maratona” para conseguir regularizar sua constituição, devido a um problema no CEP que deveria utilizar, pois está instalada em Zona Rural da cidade e não possui CEP específico para seu endereço; tendo a mesma iniciado seu processo de abertura na Junta Comercial do Estado em 16/01/2008, sendo sua inscrição no CNPJ conseguida por ofício apenas em 05/2008 através do processo n. 12179.0004_74I200864, sua inscrição Estadual saiu em 27/06/2008 e a Municipal em 29/07/2008. Como a empresa tem o prazo para optar pelo Simples Nacional dentro de 10 (dez) dias, contados do último deferimento de sua inscrição, esse prazo encerraria dia 08/08/2008, sendo que dentro desse mesmo prazo decorreram os 180 (cento e oitenta dias) da data de inscrição no CNPJ, e ao tentarmos fazer a opção pelo Diante do exposto, solicitamos a inclusão de ofício no Simples Nacional, pois quando da solicitação da opção no site, a data solicitada de inscrição é a Municipal, portanto a empresa está dentro do prazo de 10 (dez) dias para solicitar sua opção, e não pode ser prejudicada pela demora dos órgãos na efetivação das inscrições, e ela, legalmente não poderia informar outra data, como por exemplo, a Estadual, pois estaria assim prestando uma informação falsa. No Despacho Decisório de Inclusão Retroativa no Simples Nacional DRF/Uberlândia/MG, de 04.09.2008, fls. 1516, consta que o pedido foi indeferido fundamentado no fato de que: Da análise dos elementos acostados aos autos, verificase que não é cabível o atendimento ao pedido da interessada. A Microempresa (ME) ou a Empresa de Pequeno Porte (EPP) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em inicio de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ). A data de abertura constante no CNPJ da empresa é 16/01/2008, fls.1l, sendo que a inscrição municipal foi deferida em 29/07/2008, conforme informações contidas no documento de fls.09. Como a interessada só poderia pleitear a opção pelo Simples Nacional a partir de 29/07/2008, data de deferimento de inscrição, no caso do cadastro municipal, e nessa data já havia decorrido mais de 180 dias da data de abertura constante no CNPJ, a interessada ficou automaticamente desabilitada para ingressar no Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade, fls.08. Por essa razão, não pode ser incluída administrativamente nesse regime de recolhimento na condição de empresa em inicio de atividade. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 74 3 Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0928.468, de 04.03.2010, fls. 4446: SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO. . A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de transcorridos cento e oitenta dias da data de abertura constante do CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 27.04.2010, fl. 49, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.10.2010, fls. 5060, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge alegando sua tempestividade. Referente ao cumprimento dos requisitos cumulativos para deferimento da inclusão retroativa pelo Simples Nacional no caso de início de atividades aduz que: A empresa teve seu contrato social registrado na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais no dia 16 de janeiro de 2008, conforme contrato social que segue em anexo. Alguns dias depois, foi solicitada a inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica por parte da impugnante, para ficar devidamente regularizada e fazer sua opção pelo SIMPLES, conforme extrato de acompanhamento via internet em anexo. Contudo, por atraso burocrático e sem explicação da Receita Federal, apenas em maio de 2008 foi liberado o CNPJ, através do processo l2l79.000474/200864. Em 27 de junho de 2008 foi liberada a inscrição estadual e em 29 de julho de 2008 foi liberada a inscrição municipal, conforme informações no próprio despacho contestado. [...] No dia 31 de julho de 2008, dois dias após a liberação da última inscrição, a recorrente fez sua opção pelo SIMPLES NACIONAL, conforme documentos anexados. [...] A decisão de não acatar a inclusão da recorrente além de totalmente ilegal e inconstitucional, é flagrantemente injusta, conforme passaremos a demonstrar. Em relação à inaplicabilidade da penalidade contida na Resolução CGSN n° 04, de 30 de maio de 2007, que fundamentou o indeferimento, diz que: Contudo, conforme explicaremos, não pode ser aplicada essa penalidade à recorrente, vez que não prevista em Lei, mas tão somente por uma mera resolução assinada pelo presidente do comitê gestor. [...] Da análise do artigo 97, inciso V, do Código Tributário Nacional, Lei Complementar autorizada pela C.F. para legislar sobre tributos, deixa claro que somente à lei é dada autorização para criar deveres e direitos, não escapando à regra as obrigações acessórias. [...] Somente a Lei pode criar um vínculo relacional entre o Fisco e o contribuinte e a penalidade pelo descumprimento da obrigação fulcral desse vínculo. E tal poder é indelegável, com o fim de que sejam garantidos o Estado de Direito Democrático e a Segurança Jurídica. [...] Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 75 4 Assim, deve ser acatada a inclusão da recorrente no simples nacional na condição de empresa em início de atividade. No que se refere à culpa exclusiva da União argui que: Mesmo se fosse aceita a validade da penalidade trazida por mera Resolução, o que colocamos como mera e afastada suposição, de toda forma seria improcedente o indeferimento da inclusão da recorrente no SIMPLES Nacional. O parágrafo 6°, do artigo 7°, fundamento do indigitado indeferimento, diz que “não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ”. Tal dispositivo, caso aceito como válido, deve ser interpretado de forma teleológica, como qualquer dispositivo legal, e não de forma literal. Deve ser levada em consideração a finalidade da norma. [...] Contudo, como já destacado e voltamos a repetir, essa demora na obtenção das inscrições ocorreu por culpa exclusiva da União Federal, que demorou quase 120 dias para liberar a inscrição no CNPJ, o que deveria ser feito em vinte dias. [...] Cabe dizer que somente com o deferimento todas as Inscrições, poderia a recorrente fazer o pedido da inclusão no SIMPLES Nacional, tanto que a própria resolução CGSN 04/2007, [...] A EMPRESA RECORRENTE NÃO TINHA COMO FAZER A OPÇÃO ANTES DA DATA QUE FEZ. [...] Mantendo a decisão recorrida, estarseia punindo a empresa recorrente pela lentidão dos nossos órgãos públicos, fazendo com que tenha uma tributação mais pesada durante um ano, o que não pode ser aceito. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Por todo o exposto, requer seja a presente impugnação julgada totalmente procedente, sendo acatada a inclusão da recorrente no SIMPLES Nacional, por ser de JUSTIÇA. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 76 5 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deve ser deferida a sua inclusão retroativa no Simples Nacional no início de atividade. A Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, determina que a opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição. O indeferimento da opção pela sistemática será formalizado mediante ato da Administração Tributária e a exclusão do Simples Nacional será feita de ofício ou mediante comunicação das pessoas jurídicas optantes. Existe previsão legal para o rito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividades em que foram cumpridos os requisitos legais cumulativos e conformase com o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, cujo rito propicia o controle da legalidade do ato administrativo. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário, oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Nos casos de empresa com início de atividade no anocalendário de 2008, o prazo para opção neste mesmo ano se encerrará após decorridos 10 (dez) dias da comprovação do último deferimento de inscrição nos entes federativos, quando exigíveis. A pessoa jurídica não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) da data da abertura constante no CNPJ, observados os demais requisitos. A opção implica o recolhimento mensal, mediante Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) até o dia 20 do mês subseqüente àquele em que houver sido auferida a receita bruta. Ainda que se trate de situação de inatividade, deve ser entregue anualmente à RFB e declaração única e simplificada de informações socioeconômicas e fiscais a ser disponibilizada aos órgãos de fiscalização tributária e previdenciária, constituindo confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos tributos e contribuições que não tenham sido recolhidos resultantes das informações nela prestadas.1. A Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, determina: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. [...] § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: 1 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 17, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 e Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 . Fl. 76DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 77 6 I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; II após a formalização da opção, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios a relação dos contribuintes para verificação das informações prestadas; III os entes federativos deverão, no prazo de até 10 (dez) dias, contados da disponibilização das informações, comunicar à RFB acerca da verificação prevista no inciso II; IV confirmados os dados ou ultrapassado o prazo a que se refere o inciso III sem manifestação por parte do ente federativo, considerarseão validadas as respectivas informações prestadas pelas ME ou EPP; V a opção produzirá efeitos a partir da data do último deferimento da inscrição nos cadastros estaduais e municipais, salvo se o ente federativo considerar inválidas as informações prestadas pelas ME ou EPP, hipótese em que a opção será considerada indeferida; VI validadas as informações, considerase data de início de atividade a do último deferimento de inscrição. § 4º A RFB disponibilizará aos Estados, Distrito Federal e Municípios relação dos contribuintes referidos neste artigo para verificação quanto à regularidade para a opção pelo Simples Nacional, e, posteriormente, a relação dos contribuintes que tiveram a sua opção deferida. § 6º A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3º deste artigo. Analisando a legislação de regência que vigorava à época dos fatos, temse que a microempresa ou empresa de pequeno porte no caso de início de atividade no ano calendário da opção, deve observar as seguintes condições cumulativas: (a) após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (b) não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de pessoa jurídica em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da inscrição no CNPJ, observados os demais requisitos legais. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 78 7 Está registrado no voto condutor do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/JFA/MG nº 0928.468, de 04.03.2010, fls. 4446, cujos fundamentos de fato e de direito devem ser adotados nesta segunda instância de julgamento: Abaixo,transcrevese, na íntegra, com todas as alterações posteriores, o que estabelece o art. 7° da Resolução CGSN n° 04, de 30/05/2007: [...] O pedido de inclusão ao Simples Nacional se deu em 31/07/2008, logo, em prazo superior a 180 dias da data da abertura. O possível atraso na inscrição do CNPJ não socorre a interessada, eis que em maio de 2008, portanto, bem antes de se expirar o prazo de 180 dias, a empresa já estava de posse de seu CNPJ. A competência para do CGSN para regulamentar os procedimentos para ingresso ao Simples Nacional é dada pela Lei Complementar n° 123/2006, que o instituiu. Ademais o prazo de 180 dias a que se referiu, não se trata de penalidade a ser imposta, mas apenas, repisese,a procedimentos para ingresso no Simples Nacional. Em face do exposto, a despeito 'das assertivas na Manifestação de Inconformidade, voto no sentido de indeferir o pedido formulado pela requerente. Analisando as provas produzidas nos autos, verificase que a Recorrente: (a) teve sua abertura junto a RFB em 16.01.2008, de acordo com o Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), fl. 12; (b) conforme Comprovante de Inscrição Estadual de Minas Gerais a data da situação foi em 27.06.2008, fl. 10; (c) a inscrição municipal emitida pela Prefeitura Municipal de Araguari/MG não consta nos autos; (d) o pleito de opção retroativa constante nos presente autos foi formalizado em 07.08.2008, fl. 01. Nesse sentido a Recorrente deveria cumprir os seguintes requisitos concomitantemente: (a) não se pode averiguar os dez dias contados do último deferimento de inscrição formal; (b) poderia efetuar sua opção pelo Simples Nacional até o dia 14.07.2008 (180 dias da inscrição do CNPJ), a saber: a saber: 15 dias em janeiro + 29 dias em fevereiro + 31 dias em março + 30 dias em abril + 31 dias maio + 30 dias em junho + 14 dias em julho do ano de 2008. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 79 8 Especificamente sobre o pedido de inclusão retroativa, cabe ressaltar que o princípio da legalidade estabelece os limites da atuação administrativa e tem por objeto o exercício de direitos individuais em benefício da coletividade e nesse sentido a vontade da Administração Pública decorre tãosomente da lei de modo que apenas pode fazer o que a lei permite (art. 37 da Constituição Federal). Restou comprovado que a Recorrente formalizou seu pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional no dia 07.08.2008, ou seja, após 14.07.2008. Além disso, mesmo que a condição de 10 dias do último deferimento formal de inscrição nos entes federados não possa ser verificada, tão somente a apresentação do pleito após 180 dias da inscrição do CNPJ já é circunstância suficiente para não atender a petição. A ilação designada na peça recursal destacase como improcedente. Relativamente às alegações à mora da Fazenda Nacional em processar a inscrição no CNPJ, observese que esta questão não foi o óbice para formalização do procedimento junto aos demais entes federados. O rito especial para esse fim previsto no art. 7º da Resolução CGSN nº 04, de 30 de maio de 2007, não se trata de penalidade, mas tão somente um conjunto de condições cumulativas para o exercício do direito de inclusão retroativa no Simples Nacional no caso de início de atividade no anocalendário da opção. Os prazos ali previstos se prestam exatamente para que os procedimentos sejam levados a efeito. Verificase que a legislação tributária deve ser interpretada literalmente e de forma restritiva, nos termos do art. 111 do Código Tributário Nacional CTN e art. 37 da CF. Este ato normativo faz parte das normas complementares da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, de observância obrigatória (art. 100 do CTN). A ilação designada na peça recursal, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). A falta de cumprimento das condições cumulativas legais impede o deferimento da inclusão retroativa no Simples Nacional. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. A alegação relatada na peça recursal, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade2. 2 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 12179.001457/200844 Acórdão n.º 1003000.022 S1C0T3 Fl. 80 9 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 13708.001621/2004-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/10/1994 a 09/09/1999
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/10/1994 a 09/09/1999
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DA PRESCRIÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DAS MATÉRIAS DE MÉRITO.
Superada a preliminar de prescrição para análise do direito creditório, deve o processo retornar à unidade de origem para que se proceda à análise das matérias de mérito.
Numero da decisão: 3201-003.720
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, para determinar o retorno à DRJ, a fim de que, ultrapassada a questão relativa à prescrição, prossiga na análise do mérito do litígio.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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PRAZO PRESCRICIONAL. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Súmula CARF nº 91. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1994 a 09/09/1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DA PRESCRIÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DAS MATÉRIAS DE MÉRITO. Superada a preliminar de prescrição para análise do direito creditório, deve o processo retornar à unidade de origem para que se proceda à análise das matérias de mérito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso, para determinar o retorno à DRJ, a fim de que, ultrapassada a questão relativa à prescrição, prossiga na análise do mérito do litígio. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 16 21 /2 00 4- 27 Fl. 801DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 802 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Em 26/07/2004, a interessada protocolou formulário de Declaração de Compensação, fls. 01/10, pretendendo compensar débitos com crédito decorrente de pagamentos indevidos de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, código 3467, 1150, recolhidos durante o período de 31/10/1994 a 09/09/1999, que totalizam R$ 29.124,91, valor original.. Em documento acostado aos autos às fls. 11/19, esclarece que o fundamento para o reconhecimento do direito creditório seria a imunidade tributária a que teria direito, por ser uma instituição de educação sem fins lucrativos, nos termos do artigo 150, VI, "e" da CF/88 e do artigo 14 do CTN. Alega, ainda, que a decadência para o pedido de restituição, no caso dos tributos com lançamento por homologação, seria de 10 (dez) anos. Em 13/04/2009, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/DIORT, fls. 474/488, considerando a COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. O indeferimento do pleito teve como fundamentos: 1) A interessada protocolou a Declaração de Compensação em formulário, contrariando os artigos 2o, IV, V, "c" e V, "b", 3o, 4o, 5o e 12° da IN SRF n° 432/2004, vigente à época da protocolização dos autos. 2) Esclarece que a legislação permite a utilização de formulário quando há uma impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o que não ocorreu nos autos. 3) Com base no artigo 98, §5° da IN SRF n° 900/2008, uma restrição em cumprimento da legislação tributária não é considerada impossibilidade de utilização do programa, como é o caso do pedido de restituição de pagamentos que já tenham sido efetuados há mais de 5 (cinco) anos. Logo, em decorrência da infringência aos artigos 2o, 3o e 5o da IN SRF n° 432/2004, concluise pela não declaração da compensação, com base no artigo 4o da mesma Instrução Normativa. No mérito, não caberia a restituição por dois motivos: (1) Ter ocorrido a decadência do direito, segundo disposto no artigo Fl. 802DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 803 3 165, I c/c 168, I do CTN; (2) No que tange aos pagamentos recolhidos entre 26/07/1999 a 09/1999, o direito creditório não seria reconhecido pois não havia no Regulamento do IOF vigente à época (Decreto n° 2.219/1997), previsão de isenção ou nãoincidência, sendo devidos os pagamentos, e improcedente sua restituição. Ainda, no Despacho Decisório, houve a ressalva que não caberia apresentação de manifestação de inconformidade, devendo ocorrer o pagamento dos débitos no prazo regulamentar, sob pena de encaminhamento à Procuradoria da Fazenda Nacional. Alertou, ainda, que eventual recurso apresentado não teria efeito suspensivo, devendo ser recebido como mero direito de petição nos termos do artigo 74, § 16o da Lei n° 9.430/96. A ciência da decisão ocorreu em 08/05/2009 AR, fls. 520. Por força do Mandado de Segurança n° 2009.51.01.0129079, foi deferida liminar determinando o recebimento da manifestação de inconformidade em face da decisão que considerou não declaradas as compensações, proferida no presente processo. Cópia da decisão judicial às fls. 517/516, se mantendo a liminar ate a presente data, conforme pesquisa fls. 554. A interessada apresentou sua manifestação de inconformidade em 09/06/2009, fls. 521/527, com as seguintes alegações: Conforme entendimento do STJ, o prazo prescricional de 5 anos previsto no CTN só começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário, sendo que o mesmo diploma estabelece que, na hipótese de tributos sujeitos a homologação, considerase extinto o crédito apenas com o decurso do prazo de 5 anos. Ou seja, o prazo para repetir ou compensar indébito, em ser tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, termina após 10 anos. Não se aplica o disposto na Lei Complementar n° 118/2005 na medida em que as declarações de compensação foram protocoladas em 26/07/2004, antes da vigência desta lei, que se iniciou em 09/06/2005, conforme entendimento do STJ. O crédito compensado não decorre de isenção ou de não incidência, mas sim do fato de ser a requerente imune a impostos, prevista no artigo 1 50, VI, "c" da CF/88, e artigos 9o e 14° do CTN, com redação dada pela LC n° 104/2001. Como a legislação ordinária federal que disciplina a exigência do IOF não contempla a imunidade tributária garantida pela CF/88, temse a plena aplicabilidade do CTN. A interessada é sociedade sem fins lucrativos, registrada como entidade de assistência social no Conselho Nacional de Fl. 803DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 804 4 Assistência Social, portadora do antigo "Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos". Durante o período apresentou Declarações de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) como imune ao IRPJ e, também, dispensada do recolhimento das contribuições sociais. Não teve sua condição de imune questionada pela Secretaria da Receita Federal, não instaurando procedimento de suspensão de imunidade, nos termos do artigo 32 da Lei n° 9.430/96. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, por intermédio da 7ª Turma, no Acórdão nº 1228.910, sessão de 03/03/2010, julgou improcedente a impugnação do contribuinte. A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF Anocalendário: 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 Ementa: DECADÊNCIARESTITU1ÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo/contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, e, conseqüentemente, de compensálos, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. RESTITUIÇÃO COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O conhecimento da manifestação de inconformidade deuse por força da liminar, do que decorreu restar superado a discussão acerca da apresentação do pedido de restituição/compensação em desacordo com a legislação, ainda mais por inexistência de arguição naquela instância. A DRJ manteve o teor do despacho decisório proferido confirmando a decadência do direito de pleitear restituição/compensação de tributo para o período anterior à 26/07/1999. No mérito, indeferiu o pedido por ausência de comprovação do suposto indébito, uma vez que em se tratando de IOF não houve a comprovação de que o responsável tributário reteve da recorrente os valores devidos. Fl. 804DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 805 5 Diante deste cenário a instância a quo não enfrentou a questão da imunidade, por prejudicialidade da matéria. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário aduzindo argumentos quanto à: decadência, certeza e liquidez do crédito e imunidade ao IOF. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O litígio versa acerca de três matérias, sendo a primeira, uma preliminar. Prazo para pedido de restituição O pedido de restituição foi analisada pela DRF Rio de Janeiro que o indeferiu sob o fundamento de que na data da sua formalização o direito da interessada repetir os indébitos reclamados encontravase extinto, pois decorrido 5 (cinco) anos da data do recolhimento, nos termos dos arts. 165, I e 168, I do CTN. Assim, quanto aos pagamentos realizados antes de 25/07/1999, não mais permanecia qualquer direito ao indébito, posto que se tratava de pedido apresentado em 26/07/2004. A manifestação de inconformidade interposta contra aquela decisão foi julgada improcedente pela DRJ, sob o mesmo fundamento legal no qual a DRF exarou o despacho decisório recorrido, ou seja, o indébito estava alcançado pela decadência/prescrição Irresignada, a contribuinte arguiu que a jurisprudência dos tribunais superiores estabeleceuse prazo prescricional de 10 (dez) anos para o direito de pleitear restituição de indébito tributário, através da chamada tese dos “cinco mais cinco" A tese defendida pela fiscalização/DRJ era acolhida em decisões administrativas e judiciais; todavia, atualmente, encontrase pacificada e superada. É verdade que prevalecera fortemente a tese de que o termo inicial do prazo para a repetição do indébito era a data do pagamento do tributo, sobretudo após a edição da Lei complementar nº 118/2005, verbis: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, Fl. 805DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 806 6 inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. No entanto, o STJ firmou entendimento de que o preceito da parte final do art. 4º da LC nº 118/2005, encontrase maculado por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante esculpido Recurso Especial nº 1.002.932/SP. Em síntese, posicionouse aquele Tribunal no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da LC n° 118/05, contase da seguinte forma: 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 (até 08/06/2005) – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos "5 + 5", contados da ocorrência do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; Corroborando a posição do STJ, o Supremo Tribunal Federal, pacificou a matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da LC n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência do aludido diploma legal. Sua decisão foi exarada no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob a sistemática do rito previsto no artigo 543B do antigo Código de Processo Civil. A ressalva imposta pelo STF foi de que a LC nº 118/05 poderá ser aplicado às "ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005." Aos julgadores do CARF impõese a aplicação do que restar decidido pelo STJ e STF na sistemática do arts. 543B e 543C, do antigo CPC, a teor do que prescreve o disposto no caput do art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 RICARF1. Nesse mesmo sentido, recentes decisões da CSRF tem aplicado aos pedidos administrativos de restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior as teses assentadas pelo STJ e STF. Citese os acórdãos nºs. 9303005.488 (27/07/2017) e 9900 001.015 (11/12/2017), este do Pleno. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 806DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 807 7 A matéria encontrase pacificada com a edição da Súmula CARF nº 91: "Ao pedido administrativamente antes de 9 de junho de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Com base nesse entendimento, tendo em vista os recolhimentos e pedidos de restituição de indébito antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, e considerando que o Pedido foi apresentado em 26/07/2004, temse que, relativamente a todos os fatos geradores ocorridos no período (31/10/1994 a 09/9/1999), a título de IOF, não foram alcançados pela prescrição, se no mérito assistir o direito à recorrente. Imunidade do IOF sobre contratos de seguro Em que pese apresentar voto no sentido de negar o direito à recorrente, durante os debates na sessão de julgamento adotei o posicionamento majoritário da Turma para ver apreciada o direito à imunidade ( e o cumprimento dos requisitos legais) à vista do disposto no inciso III, § 2º, do art. 2º do Decreto nº 6.306, de 14/12/2006, o que passo a expor. No mérito de seu recurso, a contribuinte alega a imunidade tributária quanto ao IOF. Primeiramente cabe reproduzir os dispositivos legais acerca da imunidade constitucional e seu disciplinamento no CTN e regulamentação em Decretos: CF/88: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Código Tributário Nacional: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 807DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 808 8 [...] IV cobrar imposto sobre: [...] c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001) [...] Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp nº 104, de 2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. O Decreto nº 6.306/2006, que regulamenta o IOF e revogou os anteriores, dispõe: Art. 2o O IOF incide sobre: (...) § 3o Não se submetem à incidência do imposto de que trata este Decreto as operações realizadas por órgãos da administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, desde que vinculadas às finalidades essenciais das respectivas entidades, as operações realizadas por: III partidos políticos, inclusive suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Fl. 808DF CARF MF Processo nº 13708.001621/200427 Acórdão n.º 3201003.720 S3C2T1 Fl. 809 9 A recorrente é uma instituição de educação sujeita fruição da imunidade constitucional está sujeita ao atendimento dos requisitos legais, como já decidido o STF quanto ao IOF nos REs 228.5244 e 219.4771. Assim, uma vez não enfrentada efetivamente a matéria pela decisão recorrida, bem como o atendimento aos requisitos legais, entendo que a solução é o retorno dos autos para apreciação, considerandose os dispositivos legais e decisões supra citadas. Conclusão Pelo exposto, VOTO para, em preliminar, afastar a prescrição do direito à restituição relativo ao período de 31/10/1994 a 09/9/1999, e no mérito, determinar o retorno à DRJ, a fim de que, ultrapassada a questão preliminar, proceda à análise das matérias não enfrentadas na decisão recorrida. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 809DF CARF MF
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Numero do processo: 10872.720582/2016-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 11/06/2012, 12/06/2013, 12/09/2013, 11/06/2014, 11/09/2014
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RESULTADO POSITIVO DE INVESTIMENTOS. MEP.
Na vigência da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.637/2002, não integravam a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tivessem sido computados como receita.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 11/06/2012, 12/06/2013, 12/09/2013, 11/06/2014, 11/09/2014
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RESULTADO POSITIVO DE INVESTIMENTOS. MEP.
Na vigência da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.637/2002, não integravam a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tivessem sido computados como receita.
Recurso de Ofício negado.
Numero da decisão: 3402-005.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo suplente convocado.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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BASE DE CÁLCULO. RESULTADO POSITIVO DE INVESTIMENTOS. MEP. Na vigência da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.637/2002, não integravam a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tivessem sido computados como receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/06/2012, 12/06/2013, 12/09/2013, 11/06/2014, 11/09/2014 COFINS. BASE DE CÁLCULO. RESULTADO POSITIVO DE INVESTIMENTOS. MEP. Na vigência da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.637/2002, não integravam a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tivessem sido computados como receita. Recurso de Ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 05 82 /2 01 6- 12 Fl. 939DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso de ofício para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo e Vinícius Guimarães. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo suplente convocado. Relatório Por bem relatar o feito, reproduzo abaixo o relatório do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração relativo a fatos geradores, ocorridos em 11/06/2012, 12/06/2013, 12/09/2013, 11/06/2014, 11/09/2014, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, nos valores totais, respectivamente, de R$ 229.215.065,70 e de R$ 49.763.797,07, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 12/2016 (fls. 803/815). Consta do Termo de Constatação de Infração Fiscal de fls. 793/802: a) Que o contribuinte recebeu dividendos em função de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, de modo que o valor das respectivas operações não foram incluídas na base de cálculo da Cofins e do PIS. Todavia, o “faturamento” do contribuinte decorre diretamente da exploração do seu objeto social, que é o de participar do capital da TIM Participações S.A (CNPJ: 02.558.115/000121), na qualidade de sócia, quotista ou acionista. A atividade própria do empresário cuja finalidade é participar do capital social de outras sociedades consiste nos frutos civis auferidos em função dessa condição de partícipe, como cotista ou acionista de outras sociedades. Assim, a contribuinte obtém faturamento ao receber dividendos, resgatar ações após procedimento de desdobramento, etc. Tendo em vista a definição adotada, integram o faturamento dessa modalidade de empresário os dividendos recebidos em função de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial, sendo excluídos apenas aqueles decorrentes de investimentos avaliados pelo custo de aquisição. b) Decorre do art. 1º, § 1º, da Lei nº 10.833/03 que as receitas em tela integram a base de cálculo do COFINS e do PIS, a menos que exista determinação legal para que sejam excluídas. O mesmo art. 1°, §3° do citado diploma legal apresenta as receitas que não integram a base de cálculo, com atenção especial ao inciso V, “b”, o qual dispõe que “não integram a base de cálculo (...) as receitas (...) referentes a (...) lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita”. Observase que o Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10872.720582/201612 Acórdão n.º 3402005.227 S3C4T2 Fl. 3 3 legislador não incluiu no rol de EXCLUSÕES o recebimento de dividendos em função de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial. c) Notese que a nova redação desta alínea “b” (redação dada pela Lei 12.973/2014) e não aplicável ao período da fiscalização, exclui da base de cálculo “lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita” sem fazer as restrições da redação anterior, ou seja, na redação vigente à época dos fatos não havia exclusão dos lucros e dividendos recebidos, derivados de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. d) Assim, o lançamento de ofício está sendo efetuado para a constituição dos créditos de PIS e Cofins relativamente a valores recebidos de dividendos em função de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial. Cientificado em 22/12/2016 (fl. 817), o sujeito passivo apresentou, em 19/01/2017 (fl. 839), impugnação na qual alega (fls. 840/861): a) O entendimento da fiscalização é o de que dividendos decorrentes de participações societárias avaliados com base no MEP, somente seriam passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS após a entrada em vigor dos artigos 54 e 55 da Lei nº 12.973/14, uma vez que antes somente dividendos decorrentes de investimento avaliado com base no custo possuíam tal prerrogativa. Neste particular, o único ponto que originou as autuações de PIS e COFINS em tela foi a não inclusão, nas respectivas bases de cálculo dos dividendos recebidos pela Impugnante durante aos anos calendários de 2012, 2013 e 2014 da empresa TIM Participações S.A. (“TIM Participações”). b) Com base em uma interpretação literal do caput do artigo 1º da Lei 10.833/03 (e da Lei 10.637/02), na redação vigente à época da formação e distribuição dos dividendos aqui considerados, extraise que o fato gerador do PIS e da COFINS é o auferimento de receitas pela pessoa jurídica no curso regular de suas atividades empresariais, independentemente da sua classificação ou tratamento contábil. Claramente, o legislador optou por esta redação com o objetivo de trazer para o campo de incidência do PIS e da COFINS todas as receitas, fossem elas denominadas ou classificadas contabilmente como receitas operacionais, não operacionais, extraordinárias ou ganhos, auferidas pelo contribuinte. Nesse contexto, tomandose em conta o Pronunciamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (“IBRACON”) nº 14, de 18.01.2001 (“NPC 14”), vigente na época da edição das Leis 10.637/02 e 10.833/03, verificase que poderá ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS eventual valor, signo de riqueza ou montante, auferido pela pessoa jurídica que seja uma receita sob a ótica contábil, independentemente de sua denominação ou classificação para essa finalidade. Essa premissa é imprescindível para a conclusão lógica, com amparo legal, de que os Autos de Infração são improcedentes e carecem de base jurídica por tentarem indevidamente alargar a base de cálculo do PIS e da COFINS para abarcar um fenômeno contábil que de modo algum pode se confundir com o auferimento de “receita” previsto nos artigos 1ºs das Leis 10.833/03 e 10.637/02. Seguindo essa linha, é fácil perceber que todas as exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS previstas na legislação dessas contribuições pressupõem o cômputo dos respectivos montantes na apuração de resultados do contribuinte como uma receita das atividade da pessoa jurídica, sem as quais o gravame do PIS e da COFINS inevitavelmente recairia sobre elas. Essa técnica legislativa foi replicada, inclusive, na própria alínea b do parágrafo 3º dos artigos 1ºs das referidas Leis, que prevê a exclusão da base de cálculo dos dividendos que tenham sido computados como receita. Ora, se todos os dividendos são receitas para os anos de 2012, 2013 e 2014, Fl. 941DF CARF MF 4 como quer fazer crer o Sr. Agente Fiscal, que razão teria o legislador e a própria RFB ao incluir tais ressalvas nas Leis 10.833/03 e 10.637/02 e na IN 247/02, indicando expressamente a existência de dividendos que jamais integraram a receita? Os normativos citados não deixam dúvidas de que a intenção do legislador no âmbito do PIS e da COFINS é a de excluir da base de cálculo das referidas contribuições determinados valores que tenham sido computados como receita na apuração de resultados da pessoa jurídica que os auferiu, ou seja, que se subsumiriam, em princípio, à hipótese de incidência das aludidas contribuições. Logicamente, qualquer outro valor que NÃO constitua uma receita da pessoa jurídica, por óbvio, não necessita de norma tendente à sua exclusão da respectiva base de cálculo. Este é exatamente o caso dos dividendos auferidos pela Impugnante oriundos de investimentos avaliados pelo MEP. c) No MEP, o resultado positivo ou negativo da sociedade investida (e respectivo aumento ou diminuição de seu patrimônio líquido) será, por equivalência patrimonial, contabilizado como receita ou despesa da sociedade investidora, com reflexo direto em seu resultado operacional (lucro ou prejuízo), na proporção da participação detida na sociedade investida. Atualmente, as diretrizes gerais contábeis do MEP estão previstas no Pronunciamento Técnico CPC 18 (R2) Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto, o qual prevê que “a participação do investidor no lucro ou prejuízo do período da investida deve ser reconhecida no resultado do período do investidor”. Nessa linha, é correto afirmar que nos investimentos avaliados pelo MEP, há o cômputo como receita no resultado sempre que houver lucros (resultados positivos) na investida. Isso porque, pelo MEP, diferentemente da avaliação pelo custo de aquisição, a empresa investidora reconhece e contabiliza os resultados e quaisquer variações patrimoniais na investida, no momento de sua geração, independentemente de serem ou não distribuídos. Essa técnica de reconhecimento de receitas de equivalência patrimonial tem como objetivo refletir um valor do investimento próximo ao valor patrimonial da pessoa jurídica investida, sendo que essas receitas são reconhecidas pela investidora proporcionalmente ao seu investimento com base no regime de competência, nos termos do art. 177 da LSA. A adoção do regime de competência e dos demais preceitos da legislação comercial e princípios de contabilidade, como o MEP, é obrigatório para fins tributários e, consequentemente, para a apuração do PIS e da COFINS, como prevê o art. 7º do DL 1.598/77, o qual prevê que, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, o contribuinte deverá apurar o lucro do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Esse dispositivo, apesar de tratar da apuração do lucro real, deixa clara a vinculação da apuração dos tributos às práticas comerciais e contábeis utilizadas pelo contribuinte no curso de suas atividades comerciais, como, inclusive, já manifestou a RFB . No âmbito do MEP, o resultado da empresa investida apurado até a data do balanço que serviu de base para o cálculo da última equivalência, já está refletido no “ativo não circulante” e no resultado da investidora, por meio do reconhecimento de receitas de MEP quando a sociedade investida apura resultados societários positivos ao final de determinado ano calendário. Assim, quando há o reconhecimento de receitas pelo MEP, consequentemente há inclusões de receitas no resultado societário da pessoa jurídica. Tais receitas poderiam estar sujeitas ao PIS e à COFINS em razão do fato gerador dessas contribuições. Contudo, é imperioso destacar que tais receitas de MEP se encontram indiscutivelmente EXCLUÍDAS da base de cálculo do PIS e da COFINS por força da redação original e atual da alínea b) do §3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/2003, vigentes desde 2003 e 2004, respectivamente. d) O CPC 10 prevê que “as distribuições recebidas da investida reduzem o valor contábil do investimento”. Assim, como regra geral, no MEP, eventual resultado de um investimento apurado até a data do balanço já está refletido no “ativo não circulante” e no resultado da investidora, por meio do reconhecimento de Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10872.720582/201612 Acórdão n.º 3402005.227 S3C4T2 Fl. 4 5 receitas de MEP. E, quando há o pagamento de dividendos, operamse lançamentos contábeis para reduzir o valor desse investimento e aumentar o valor do caixa da investidora (i.e., lançamentos entre contas do ativo da investidora sem efeito no seu resultado). Como exceção a essa regra de aplicação do MEP, temse, v.g., que quando um contribuinte adquire ou passa a deter ações preferenciais de um investimento sujeito ao MEP em uma companhia possuidora de prejuízos acumulados suficientes a tornar o seu Patrimônio Liquido (PL) Negativo (PL Negativo), o valor do investimento, para fins de MEP, será então equivalente a “zero” no momento em que o PL da investida se tornar negativo. O valor desse investimento somente passará a registrar acréscimos (i.e., aumentar de valor) quando a sociedade investida auferir lucros e, consequentemente, houver o registro de receitas de MEP na investidora, em montante superior ao valor dos resultados negativos de MEP que deixaram de ser reconhecidos durante o período que se configurou o PL Negativo na investida. Em tal hipótese, a sociedade investidora detentora de ações com direitos preferenciais pode vir a receber dividendos com base em saldos positivos constantes em contas de Reservas possuídas pela investida, ainda que tal investimento tenha apurado prejuízos no ano ou em uma série de anos consecutivos sem que a investidora esteja obrigada ao reconhecimento de receitas de MEP ao final do ano calendário. São justamente essas situações, e não a protagonizada pela Impugnante, que os artigos 54 e 55 da Lei nº 12.973/14 pretenderam alcançar. Isso porque, em tais situações, os dividendos recebidos pela pessoa jurídica devem integrar o seu resultado, como ilustram os itens 33 a 34A do “Pronunciamento Técnico n 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa” (CPC 03), uma vez que não há como se aplicar a técnica contábil geral do MEP. Dessa forma, quando não houver possibilidade de aplicação da técnica contábil e societária do MEP com base em sua regra geral, eventuais dividendos recebidos pela pessoa jurídica (i.e., casos excepcionais) deverão compor o resultado da sociedade investidora. Por outro lado, dividendos recebidos pela companhia investidora com base na técnica regular do MEP quando efetivamente distribuídos não são registrados na sociedade investidora como uma receita. No momento de recebimento de efetivos lucros (i.e., efetivo pagamento), via de regra, a sociedade investidora realiza lançamentos contábeis de redução do valor da conta de investimento (i.e., lançamento de crédito) com contrapartida na sua conta de disponibilidades financeiras (i.e., lançamento de débito). Esses lançamentos contábeis são transações permutativas das contas de ativo do contribuinte e não geram qualquer impacto, tampouco reconhecimento de qualquer receita, na apuração de resultados da pessoa jurídica. Até porque, se tais lançamentos representassem receitas, haveria uma duplicidade no reconhecimento dos lucros de um determinado investimento gerando potenciais pagamentos de dividendos excessivos e ilegais. Neste exato sentido é o artigo 22 do DL 1.598/77 (refletido no artigo 388 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99), antes e após as alterações promovidas pela Lei 12.973/14. e) Somente em situações excepcionais é que tais dividendos, ainda que oriundos de investimentos avaliados pelo MEP, poderiam, em tese, passar pela conta de resultados e consequentemente integrar a receita. Tais situações, ao que tudo indica, não estavam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS anteriormente à Lei nº 12.973/14, passando a estar na medida em que a redação da alínea b do §3º do artigo 1º foi ampliada para excluir da base de cálculo das referidas contribuições os “lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita”. Querer tributar os dividendos recebidos pela Impugnante oriundos dos seus investimentos avaliados pelo MEP significa não só ignorar por completo toda a disciplina contábiljurídica que norteia a tributação pelo PIS e pela COFINS, mas indiretamente transformar em mero diferimento a norma que manda excluir da base de cálculo a receita correspondente ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido estabelecida pela alínea Fl. 943DF CARF MF 6 b do parágrafo 3º dos artigo 1ºs da Lei 10.833/03 e 10.637/02 independentemente da distribuição. A alteração legislativa provocada pelo advento da Lei nº 12.973/14 não deixa dúvidas de que o objetivo do ajuste realizado foi tão somente de buscar garantir a não incidência de PIS e COFINS sobre os dividendos em quaisquer hipóteses, ainda que oriundos de investimentos avaliados pelo MEP, que, em casos excepcionais, venham a ser computados como receita. No curso do processo legislativo o Congresso Nacional aprovou a sugestão do então Relator do projeto para substituir todas as referências a “investimentos avaliados por custo de aquisição”, nos dispositivos em questão por “investimentos de participações societárias”, com o claro objetivo de manter a neutralidade e o tratamento fiscal decorrentes do processo de adaptação ao novo padrão contábil, e não de excluir da base de cálculo dessas contribuições algo que até então estava incluído, como quer fazer crer a fiscalização. A DRJ julgou procedente integralmente a Impugnação do contribuinte, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 11/06/2012, 12/06/2013, 12/09/2013, 11/06/2014, 11/09/2014. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RESULTADO POSITIVO DE INVESTIMENTOS. MEP. Na vigência da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.637/2002, não integravam a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tivessem sido computados como receita. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/06/2012, 12/06/2013, 12/09/2013, 11/06/2014, 11/09/2014. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RESULTADO POSITIVO DE INVESTIMENTOS. MEP. Na vigência da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.833/2003, não integravam a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tivessem sido computados como receita. Impugnação Procedente Desse modo, o presente processo foi objeto de recurso de ofício. É o relatório. Voto Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10872.720582/201612 Acórdão n.º 3402005.227 S3C4T2 Fl. 5 7 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso de Ofício ultrapassa o valor de alçada, devendo ser conhecido pelo Colegiado. O cerne da controvérsia, como já muito bem explorado no acórdão a quo, vinculase ao entendimento, adotado no lançamento de ofício, de que dividendos decorrentes de participações societárias avaliados com base no Método da Equivalência Patrimonial – MEP somente seriam passíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS após a entrada em vigor da Lei nº 12.973/14, uma vez que antes somente dividendos decorrentes de investimentos avaliados pelo Custo de Aquisição possuiriam tal prerrogativa. O voto proferido pelo AuditorFiscal que relatou o caso na DRJ é exemplar: abordou a matéria de maneira extremamente técnica e precisa, afastando os fundamentos da autuação, razão pela qual adotoo como razão de decidir neste caso, com fulcro no art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, transcrevendoo abaixo. No período de interesse aos autos (anos de 2012, 2013 e parcela de 2014), encontravase vigente a seguinte redação do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.833/2003 (e seu equivalente na Lei nº 10.637/2002): “Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...)V referentes a: (...)b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita.” Como o texto normativo, no que diz respeito a dividendos, reportouse expressa e diretamente apenas àqueles derivados de investimentos avaliados pelo Custo, concluiu a autoridade tributária que dividendos resultantes de investimentos avaliados pelo MEP encontrarseiam, então, sujeitos à incidência das contribuições em tela por ocasião do seu efetivo pagamento, pela investida, à investidora. Ocorre que, conforme as práticas contábeis adotadas no Brasil, o recebimento de dividendos poderá, regra geral, receber dois tratamentos diversos: ser registrado como receitas de dividendos ou registrado como baixa de investimentos. O registro como receita de dividendos encontrase reservado às pessoas jurídicas que avaliam seus investimentos pelo Método do Custo, hipótese em que as receitas de dividendos são reconhecidas pelo regime de caixa. As pessoas jurídicas que avaliam seus investimentos pelo MEP reconhecem os respectivos resultados pelo regime de competência e, quando do efetivo recebimento dos dividendos, baixam os valores da própria conta de investimentos. Fl. 945DF CARF MF 8 Com efeito, consta do Manual de Contabilidade Societária elaborado pela FIPECAFI (2ª Edição. São Paulo: Atlas S.A., 2013.): “10.3 Avaliação de investimentos em outras sociedades pelo custo 10.3.1 Investimentos avaliados por este método Os investimentos em títulos patrimoniais de outras sociedades, quando classificados no subgrupo Investimento do Ativo Não Circulante e não avaliados pelo método de equivalência patrimonial (...) serão avaliados pelo custo se, e somente se, esses instrumentos não tiverem preço de cotação em mercado ativo e seu valor justo não puder ser mensurado com confiabilidade. (...)10.3.2 O critério de avaliação e a forma de contabilização Por esse método, os investimentos identificados no tópico anterior são registrados pelo custo de aquisição, em conformidade com o disposto no item 46 (c) do Pronunciamento Técnico CPC 38 (...).a) CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição é o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital, ou ainda pela compra de ações em poder de terceiros, caso em que a base do custo é o preço total pago, incluindose os custos diretamente atribuíveis à aquisição dos títulos patrimoniais (custos de transação), conforme dispõe o item 43 do Pronunciamento Técnico CPC 38. (...)c) DIVIDENDOS I – Registro como Receita No método de Custo, as receitas dos investimentos são reconhecidas pelos dividendos. Tal receita é considerada como operacional nos termos da legislação, mas em subgrupo à parte. No modelo de Plano de Contas criouse um subgrupo de Outras Receitas e Despesas Operacionais, entre as quais se incluem os resultados provenientes das participações em outras sociedades, por meio da conta denominada Receita com Dividendos. (...)11 Investimentos em Coligadas e em Controladas 11.1 Introdução De forma geral, de acordo com os Pronunciamentos Técnicos do CPC, as aplicações em participações no capital de outras sociedades (...), devem ser contabilizados de acordo com a natureza do relacionamento entre investidor e investida: (...)11.4 A essência do método da equivalência patrimonial O método de equivalência patrimonial (MEP) é definido como segue: “é o método de contabilização por meio do qual o investimento é inicialmente reconhecido pelo custo e, a partir daí, ajustado para refletir a alteração pósaquisição na participação do investidor sobre os ativos líquidos da investida. As receitas ou as despesas do investidor incluem sua participação nos lucros ou prejuízos da investida, e os outros resultados abrangentes do investidor incluem a sua participação em outros resultados abrangentes da investida” (CPC 18.03). O referido pronunciamento ainda especifica que o resultado do período do investidor deve incluir a parte que lhe cabe nos resultados gerados pela investida. Portanto, como vemos, a denominação “equivalência patrimonial” é representativa da operação que será realizada após a aquisição da participação: ajustar o saldo do investimento por equivalência à parte do investidor em quaisquer mutações no patrimônio líquido da investida, utilizandose a participação efetiva do investidor. Contudo, as contrapartidas ao ajuste no saldo da conta de investimento dependerão da natureza de cada mutação no patrimônio líquido da investida (...). (...)11.5.1 Lucro ou prejuízo do exercício O acréscimo na conta de investimentos pelo reconhecimento da parte do investidor no lucro do período gerado pela investida será registrado em contrapartida, no resultado do período, como receita da investidora, na conta “Receita de equivalência patrimonial” (...). (...)11.5.2 Dividendos distribuídos Pelo MEP, os lucros são reconhecidos no momento de sua geração pela investida, portanto, quando ocorrer a distribuição de tais lucros Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10872.720582/201612 Acórdão n.º 3402005.227 S3C4T2 Fl. 6 9 como dividendos (ou juros sobre capital próprio), estes devem ser registrados a crédito da conta de Investimentos (redução do saldo do valor patrimonial do investimento) e a débito da conta Bancos pelo recebimento (ou em Dividendos a receber caso o direito ao recebimento estiver sido estabelecido). O fato é que os dividendos recebidos em dinheiro representam uma realização parcial do investimento, ou dizendo melhor, dos lucros anteriormente reconhecidos no investimento pelo MEP (...).” No âmbito da legislação aplicável à espécie, o art. 248 da Lei nº 6.404/76 estabeleceu para as sociedades por ações a obrigatoriedade da adoção do método da equivalência patrimonial na avaliação de investimentos em coligadas ou em controladas e em sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum: Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos em coligadas ou em controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum serão avaliados pelo método da equivalência patrimonial, de acordo com as seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; (...)” (destacouse) Na legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, a matéria encontrase regulada pelos artigos 21 a 23 do DecretoLei nº 1.598/77, correspondentes aos artigos 387 a 389 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, cujos excertos seguem transcritos: “Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...)V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido ajustado de acordo com os incisos anteriores, da percentagem da participação do contribuinte no capital da coligada ou controlada. Fl. 947DF CARF MF 10 Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). § 1º Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22, parágrafo único). (...)Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). (...)” (destacouse) Em síntese, e como já antecipado preambularmente, quando o investimento é avaliado pela equivalência patrimonial, os dividendos distribuídos pelas sociedades coligadas, controladas, que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum devem ser contabilizados, na investidora, como diminuição do valor do patrimônio líquido do investimento e não influenciarão as contas do resultado (art. 388, § 1º, do RIR/99) 1. Assim, quando a sociedade investidora recebe tais dividendos, a contrapartida do valor recebido será a própria conta de investimentos da sociedade investidora. Ou seja, o efetivo recebimento dos dividendos pagos pela investida à investidora não corresponde a um ingresso de receita, posto que esta já foi anteriormente reconhecida, em regime de competência, pela equivalência patrimonial (avaliação do investimento pelo valor do patrimônio líquido), passando a corresponder, a entrada de tais dividendos, a uma redução do patrimônio líquido do investimento, a qual se destina a evitar que haja uma espécie de “dupla contagem”, posto que, pelo MEP, o resultado da empresa investida já se encontra reconhecido no ativo permanente e no resultado da investidora. Acerca da matéria em apreciação, reiteremse as conclusões acima transcrevendose os seguintes excertos da SCI nº 18/2013: “15. Conforme a Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, os investimentos em coligadas e controladas devem ser avaliados pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP). O MEP consiste em atualizar o valor contábil do investimento ao valor equivalente à participação societária da sociedade investidora no patrimônio líquido da sociedade investida e no reconhecimento dos seus efeitos na demonstração do resultado do exercício. Portanto, o valor do investimento é determinado mediante a aplicação da porcentagem de participação no capital social, sobre o patrimônio líquido de cada sociedade coligada ou controlada. 16. Ao registrar contabilmente o resultado da equivalência patrimonial, a investidora reconhece a parcela dos lucros de suas coligadas e controladas. Sendo assim, verificase o acréscimo patrimonial correspondente a sua participação no lucro total das investidas. 17. Ressaltese que o art. 74 da MP n° 2.15835, de 2001, se aplica a investimentos avaliados pelo MEP, pois só se pode falar de disponibilidade econômica e acréscimo patrimonial, decorrente de lucro apurado na investida, mas ainda não pago ao investidor, se esse investimento for avaliado pela equivalência patrimonial já que no caso de investimentos avaliados pelo custo Fl. 948DF CARF MF Processo nº 10872.720582/201612 Acórdão n.º 3402005.227 S3C4T2 Fl. 7 11 de aquisição, só há disponibilidade econômica após o recebimento de lucros ou dividendos pela investidora. (...)19. Os lucros das investidas avaliadas pelo MEP, antes mesmo de serem efetivamente distribuídos, representam um acréscimo patrimonial para a investidora uma vez que já podem ser pagos aos seus acionistas. Isso se deve ao fato de a Lei n° 6.404, de 1976, adotar o regime de competência, de modo que, mesmo que não tenham sido financeiramente realizados, esses lucros compõem o resultado da pessoa jurídica investidora. Há, portanto, a disponibilidade econômica da renda, fato gerador do IRPJ e da CSLL. 20. É importante destacar que após serem financeiramente disponíveis para investidora, através do pagamento de dividendos, os lucros das investidas não comporão novamente o lucro da investidora, pois será feito um lançamento contábil, meramente permutativo, a crédito da conta investimentos e a débito de conta classificada no disponível, sem transitar, assim, pelo resultado contábil ou fiscal da investidora.” (destacouse) Desta feita, vertendo as premissas anteriormente delineadas ao caso concreto, temse que foram auferidas receitas pela impugnante (fato gerador da contribuição, ex vi caput do art. 1º da Lei nº 10.833/2003), segundo o regime de competência (ao qual se submete a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real), quando do reconhecimento do resultado positivo da avaliação do investimento pelo MEP (e não por ocasião do efetivo recebimento dos dividendos pagos pela investida). Ocorre que, nos termos da redação original do art. 1º, § 3º, V, b, da Lei nº 10.833/2003 e seu equivalente na Lei nº 10.637/2002, não integravam a base de cálculo das contribuições as receitas referentes ao resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido. Ou seja, assim como para resultados decorrentes de investimentos avaliados pelo Custo de Aquisição (reconhecidos pela investidora por ocasião do recebimento dos dividendos), também os resultados decorrentes de investimentos avaliados com base no MEP (reconhecimento dos resultados pelo regime de competência, mediante avaliação do investimento pelo valor do patrimônio líquido) não integravam a base de cálculo das contribuições, em razão de expressa disposição normativa nesse sentido. Assinalese, ademais, que não se trata, na espécie, de afastar a incidência da parte final do caput do art. 1º da Lei nº 10.833/2003 (e seu equivalente na Lei nº 10.637/2002), uma vez que a exclusão da base de cálculo das contribuições, das receitas em questão, não se dá em razão “de sua denominação ou classificação fiscal”, mas tãosomente pelo fato de que tais receitas encontram, para sua exclusão, expressa autorização normativa. No caso específico, o recebimento de dividendos de investimentos avaliados pelo MEP não representou, também por expressa disposição normativa, o ingresso, jurídico ou contábil, de receitas auferidas pelo impugnante. Temse ainda, ao que consta dos autos, que não se está diante de qualquer das hipóteses excepcionais que, como também observou o impugnante, tornariam obrigatório que os dividendos recebidos pela pessoa jurídica fossem reconhecidos no resultado do período (v.g., o recebimento de dividendos fixos decorrentes de ações preferências, na hipótese de prejuízo apurado pela investida, à conta das reservas de capital – art. 17, § 6º, da Lei nº 6.404/76). Finalmente, verificase que a alínea “b” do inciso V do § 3º da Lei nº 10.833/2003 (e seu equivalente na Lei nº 10.637/2002) passou a exibir, no que interessa ao caso concreto, a seguinte redação conferida pela Lei nº 12.973/2014: Fl. 949DF CARF MF 12 “(...) o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de participações societárias, que tenham sido computados como receita”. Sem adentrar no mérito das motivações que levaram à nova redação (a qual, em análise perfunctória, ampliou o alcance das exclusões que recaem sobre dividendos derivados de investimentos em participações societárias), verificase que tanto na redação original do dispositivo normativo em tela quanto em sua nova redação, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido não integra a base de cálculo das contribuições em questão. Como se pode ver, o voto é irretocável em seus aspectos técnicos. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 950DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720079/2015-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2011
DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIETÁRIO. SÓCIO PESSOA FÍSICA.
Correta a devolução do capital societário, na forma de bens, ao sócio investidor, que se retira da sociedade e da atividade.
DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIETÁRIO. BENS.
Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2011
SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZADA.
E fica descaracterizado que se tratou de simulação, ou operações artificialmente engedradas visando a venda da empresa e de artifício a fim de que a tributação do ganho de capital na venda da parcela entregue ao sócio dissidente fosse tributada na pessoa física deste e não pela autuada, se o sócio dissidente se retira da atividade, enquanto o sócio restante continua mantendo a empresa operando na atividade.
VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN.
Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso decisão por voto de qualidade no CARF.
Numero da decisão: 1201-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento aos recursos voluntários.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima); ausentes justificadamente e Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIETÁRIO. SÓCIO PESSOA FÍSICA. Correta a devolução do capital societário, na forma de bens, ao sócio investidor, que se retira da sociedade e da atividade. DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIETÁRIO. BENS. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/03/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/2011 SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZADA. E fica descaracterizado que se tratou de simulação, ou operações artificialmente engedradas visando a venda da empresa e de artifício a fim de que a tributação do ganho de capital na venda da parcela entregue ao sócio dissidente fosse tributada na pessoa física deste e não pela autuada, se o sócio dissidente se retira da atividade, enquanto o sócio restante continua mantendo a empresa operando na atividade. VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN. Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso decisão por voto de qualidade no CARF.
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A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIETÁRIO. SÓCIO PESSOA FÍSICA. Correta a devolução do capital societário, na forma de bens, ao sócio investidor, que se retira da sociedade e da atividade. DEVOLUÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIETÁRIO. BENS. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista. a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/03/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. LAPSO MANIFESTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.Inteligência do art. 66 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2011 SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZADA. E fica descaracterizado que se tratou de simulação, ou operações artificialmente engedradas visando a venda da empresa e de artifício a fim de que a tributação do ganho de capital na venda da parcela entregue ao sócio dissidente fosse tributada na pessoa física deste e não pela autuada, se o sócio dissidente se retira da atividade, enquanto o sócio restante continua mantendo a empresa operando na atividade. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 79 /2 01 5- 68 Fl. 3433DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 3 2 VOTO DE QUALIDADE. ART. 112, CTN. Descabe aplicação do art. 112 do CTN, no caso decisão por voto de qualidade no CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima); ausentes justificadamente e Rafael Gasparello Lima e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Trata o processo de Embargos de Declaração, opostos pelo contribuinte e responsáveis solidários, em face do Acórdão 1201001.778, de 21 de junho de 2017, proferido por esta Turma. 2. Os Embargos foram admitidos nos seguintes termos: Em síntese e conclusão, por todo o exposto, e com fulcro no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração opostos pelos embargantes SSTOWERS PARTICIPACOES S/A (contribuinte), e FLAVIO OGNIBENE GUIMARÃES e SESTRI EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (responsáveis solidários), para que sejam sanados os vícios apontados cuja existência foi aqui reconhecida, e REJEITO os embargos de declaração opostos pela embargante SERVSITE LTDA. 3. É o relatório. Voto Fl. 3434DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 4 3 Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Embargante SS Towers Participações S/A (contribuinte) 4. Analisamse os itens admitidos, que foram os seguintes: Conclusão (embargos do contribuinte): Concluise, com isto, a análise dos embargos apresentados pelo contribuinte. Por todo o exposto, demonstrouse a existência dos seguintes vícios apontados pela embargante que merecem ser saneados pelo colegiado: (i) omissão/obscuridade com relação ao argumento de existência de condições suspensivas no contrato firmado pelo Sr. Flávio com a AMERICAN TOWER; (ii) obscuridade na afirmativa de que se o contribuinte houvesse optado pelo lucro arbitrado, regime de caixa, seria possível diferir o reconhecimento das receitas conforme as datas de ingresso dos recursos no caixa. 1.1 III.2 – DAS OMISSÕES E OBSCURIDADE QUANTO ÀS CAUSAS DE NULIDADE DO LANÇAMENTO FISCAL 1.1.1 Argumentos dos Embargos. Ainda, a Embargante expôs no tópico II.6.1 do seu Recurso que, não bastasse o descompasso entre a data do fato gerador e o suposto ato societário abusivo, a data do fato gerador também não poderia ter sido fixada em 31/03/2011, tendo como referência a data da assinatura do contrato de compra e venda firmado pelo Sr. Flávio, na medida em que existiam diversas previsões contratuais que dependiam de condições suspensivas para o seu adimplemento. Não obstante, ao analisar este ponto, o acórdão ora embargado se limitou a afirmar que a fixação do fato gerador em 31/03/2011 decorreria da opção da Embargada pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL pelo regime de competência. Vejase: “1.1.2 Fato gerador equivocado 58. A Autuada optou pelo lucro presumido, regime de competência (conforme TVF, pág. 936, § 132), por isso, a autuação tem como fato gerador o 1º trimestre de 2011, pois, obedecido o regime de competência, a realização da alienação se deu na data contratada; se empresa tivesse optado pelo lucro arbitrado, regime de caixa, seria o caso de considerar as datas de ingresso dos recursos no caixa, porém não foi esta a opção da Autuada. ” (fl. 2.969 dos autos – g.n.) Contudo, como é possível notar, o acórdão embargado foi totalmente obscuro em relação a este ponto, pois não evidenciou Fl. 3435DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 5 4 porque os vícios apontados no Recurso Voluntário deveriam ser afastados pelo simples fato da Embargante ter optado pela tributação com base no regime de competência. Ainda, ao adotar esta linha de argumentação para sustentar a validade dos autos de infração, o acórdão embargado acabou incorrendo também em uma omissão, uma vez que não analisou os argumentos específicos expostos pela Embargante na peça recursal tanto em relação ao descompasso entre a data do fato gerador e o suposto ato societário abusivo, quanto à existência de condições suspensivas no contrato de compra e venda. (...) 1.1.2 Admissão do item embargado. Passo à análise. (...) Da omissão e obscuridade no afastamento da alegação de defesa da existência de condições suspensivas previstas nos contratos para o seu efetivo adimplemento, Por outro lado, com relação à acusação de omissão e obscuridade no afastamento da alegação de defesa da existência de condições suspensivas previstas nos contratos para o seu efetivo adimplemento, é de se reconhecer a procedência das alegações da embargante. Mesmo levandose em consideração todos os excertos do voto condutor que contém as manifestações do fisco, da PFN, e, por fim, da própria relatora que os adota como razões de decidir e os sintetiza no excerto transcrito pela embargante (itens 48, 57, e 58 do voto), verificase que a única razão apontada pelo voto para afastar a alegação de “fato gerador equivocado” foi, efetivamente, a mencionada pela embargante, qual seja, a de que a fixação do fato gerador em 31/03/2011 decorre da opção da Embargada pelo recolhimento do IRPJ e da CSLL pelo regime de competência. Ao analisar o recurso voluntário de um dos responsáveis solidários, o voto condutor chega a mencionar o argumento de defesa relativo às condições suspensivas, entretanto, limitase a afirmar o seguinte, verbis: “120. Esta questão foi analisada e considerado improcedente o pleito” Portanto, a solução dada remete aos já mencionados itens 48, 57, e 58 do voto, os quais tratam apenas do regime de competência. Ocorre que a alegação da embargante acerca da existência de condições suspensivas no contrato celebrado constitui argumento autônomo, que não pode ser entendido como inserido (ou abarcado) pelo entendimento de que o regime de tributação aplicável seria o regime de competência. Fl. 3436DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 6 5 A existência de condições suspensivas não é incompatível com o regime de competência. Na verdade, independentemente do regime de reconhecimento das receitas que se adote, a existência de condições suspensivas produz efeitos com relação ao reconhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Neste contexto, portanto, tornase necessário que o colegiado se pronuncie especificamente sobre este ponto aduzido no recurso voluntário, pois este possui autonomia e força suficiente para, ao menos em tese, infirmar a conclusão do colegiado acerca do momento em que se deve considerar ocorrido o fato gerador. (...) 1.1.3 Voto da relatora dos Embargos. 5. No recurso voluntário, a Embargante apontou equívoco na determinação do fato gerador em 31/03/2011, 1º trimestre de 2011, pois o fechamento da venda da Sitesharing do Nordeste pelo sr. Flávio foi em 01/03/2011; que, analisandose o contrato de compra e venda firmado entre o Sr. Flávio e a American Tower do Brasil, não é possível afirmar que na "data de fechamento estabelecida em 01/03/2011", o montante de R$ 941.043.291,56 já estaria pactuado entre as partes; no contrato de págs. 435/477 existem cláusulas com condições suspensivas, evidenciando que base de cálculo utilizada pela Fiscalização não seria exequível em março de 2011; cita as condições suspensivas, como a da cláusula 2.6.l.h, que condiciona a aquisição de Sites em construção, à obtenção de suas licenças; que o fluxo de pagamentos ocorreu em consonância com essas condições suspensivas, o que comprova que o montante de R$ 941.043.291,56 não poderia ser considerado integralmente tributável em março de 2011; transcreve constatação constante do Termo de Verificação Fiscal: 87. Portanto, a partir das informações emitidas pela American Tower, chegase à conclusão de que a American Tower adquiriu as ações da Siteshanng NE por R$941.043.291,56. pagando em 11 diferentes datas (07 distintos meses), conforme a Tabela 8: 6. Consta no Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, págs. 437/477: vendedor, sr. Flávio; comprador, American Tower; interveniente anuente Sitesharing Brasil S/A, CNPJ 05.637.153/000168, firmado em 17/02/2011, no qual consta data de fechamento 01/03/2011 e as seguintes condições: a. 100% das ações ordinárias da Sitesharing NE Parcela à vista do Preço de Aquisição (Cláusula 2.3): i. (a) R$657.620.000,00 01/03/2011 (data do fechamento); ii. (b) Depósito I 01/04/2011 iii. (c) Depóisto II 01/04/2011 iv. (d) 01/03/2011 (data do fechamento), ou após, R$40.000.000,00, condicionada a carta de fiança, renovável por 5 anos; Fl. 3437DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 7 6 b. o preço de Aquisição (cláusula 2.3) será complementado pelos pagamentos adicionais (Cláusulas 2.5, 2.5, 2.6, 2.7, 2.9); c. lista providências concomitantes ao pagamento à vista do preço de aquisição (cláusula 2.4); d. (clausula 2.5) Pagamento Complementar pelos Sites Posteriores 01/04/2011, à medida em que os requisitos da cláusula 2.5.1 são cumpridos: entrega de documentos, contrato de locação do imóvel, contrato de compartilhamento (mínimo 80%); e. (clausula 2.4) Pagamento Complementar pelos Sites em Construção, em 01/05/2011, e posteriormente, a cada 60 dias, à medida em que os requisitos da cláusula 2.6.1 forem preenchidos: (d) entrega de documentos, (e)contrato de locação do imóvel, (f) contrato de compartilhamento, (g) pelo menos um pagamento integral do cliente do Site, (h) as licenças aplicáveis ao Site tenham sido solicitadas através de protocolo entregue à Compradora, (i) as obras tenham sido concluídas nos termos do contrato de construção de Site celebrado com o cliente respectivo da Sitesharing NE. 7. Da leitura dessas condições evidenciase que as condições ali contidas não são "suspensivas da aquisição" como consignado nos Embargos, o que indicaria que suspenderiam a operação de a compra e venda, mas, apenas condicionam a data da execução do pagamento pelo Comprador. 8. Afirma o Termo de Verificação Fiscal, que, após citar os arts. 521 e 522 do RIR de 1999, e art. 4º, § 2º da IN SRF nº 93, de 1997: 131. Este ganho de capital, como determina a legislação supramencionada, corresponde à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. Utilizando o valor contábil da Sitesharing NE avaliado por ocasião da cisão da Sitesharing do Brasil (vide parágrafo 17), e as informações prestadas pela empresa American Tower, compradora da Sitesharing NE, comprovadas por extratos bancários (vide item 4.3 deste Termo), calculei o valor de ganho de capital auferido no ano calendário de 2011, segundo o regime de competência, apresentado na tabela 16. 132. De novo, no ano calendário de 2011 a fiscalizada optou pela tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica pela sistemática do Lucro Presumido, e pelo regime de competência, e segundo o Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, relativo à alienação da Sitesharing NE à American Towers (vide parágrafos 82 a 87), a data de fechamento foi estabelecida em 01/03/2011. Esta data de fechamento foi confirmada pelo Sr. Flávio na sua resposta ao Termo de Reintimação 005 (2), protocolizada em 30/04/2015. Portanto, o ganho de capital deve ser computado no primeiro trimestre do ano calendário de 2011. 133. Observese que, devido à opção pelo regime de competência feito pela fiscalizada na linha 14 da Ficha 67B da Fl. 3438DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 8 7 DIRPJ AC 2011, o ganho de capital não poderá ser diferido para as datas dos pagamentos efetuados pela empresa compradora da Sitesharing NE. (Grifouse.) 9. Conclusão: as assim chamadas "condições suspensivas" se referem aos desembolsos pelo comprador e não afetam a data do fechamento da compra e venda: 01/03/2011, ou seja, a apuração de ganho de capital, no regime do lucro presumido, na opção regime de competência, se dá no 1º trimestre de 2011, cujo fato gerador é 31/03/2011. 10. Quanto à expressão: lucro arbitrado, regime de caixa, a relatora se equivocou, pois pretendia escrever, lucro presumido, regime de caixa. 1.2 III.5 – DA OBSCURIDADE QUANTO À OPÇÃO PELO “LUCRO ARBITRADO” 1.2.1 Argumentos dos Embargos. Transcrevese a seguir excertos dos embargos opostos com relação a este ponto, verbis: “De acordo com o acórdão embargado, a data de ingresso dos recursos financeiros no caixa seria relevante na fixação do aspecto temporal do fato gerador apenas se a Embargante tivesse optado pelo “lucro arbitrado (sic), regime de caixa”. Contudo, por ter optado pela tributação com base no “lucro presumido, regime de competência”, o efetivo recebimento dos recursos financeiros seria irrelevante. Vejase: “58. A Autuada optou pelo lucro presumido, regime de competência (conforme TVF, pág. 936, § 132), por isso, a autuação tem como fato gerador o 1º trimestre de 2011, pois, obedecido o regime de competência, a realização da alienação se deu na data contratada; se empresa tivesse optado pelo lucro arbitrado, regime de caixa, seria o caso de considerar as datas de ingresso dos recursos no caixa, porém não foi esta a opção da Autuada.” (fl. 2.969 dos autos – g.n.) No entanto, como não restou claro no acórdão recorrido como a opção pelo “lucro arbitrado, regime de caixa” poderia ser relevante na fixação do aspecto temporal do fato gerador, requerse que os presentes Embargos de Declaração sejam acolhidos por esta E. Turma para que seja suprida também esta obscuridade.” 1.2.2 Admissão do item embargado. Tratase, de certa forma, de um complemento de ponto já analisado no presente despacho, na parte em que se analisou a suposta “omissão/obscuridade quanto ao correto aspecto temporal do fato gerador” como causa de alegada nulidade do lançamento fiscal (segundo subitem do tópico III.2 ao norte), tendose ali concluído pela procedência das alegações da embargante com relação à falta de análise dos seus argumentos Fl. 3439DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 9 8 relativos à existência de condições suspensivas no contrato, em face da adoção do regime de competência. Ali já foi dito que, independentemente do regime de reconhecimento das receitas que se adote, a existência de condições suspensivas produz efeitos com relação ao reconhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Aqui a embargante apenas destaca a obscuridade presente na afirmativa de que, se empresa tivesse optado pelo lucro arbitrado, regime de caixa, seria possível diferir o reconhecimento das receitas conforme as datas de ingresso dos recursos no caixa. Neste aspecto, concordase também com a embargante quanto a existir obscuridade nesta afirmação, até mesmo porque a regra geral, no caso de opção pelo lucro arbitrado, é o regime de competência, e não o de caixa. É possível que se trate de mero lapso material. De qualquer sorte, cabível o pronunciamento do colegiado para esclarecer este ponto. 1.2.3 Voto da relatora dos Embargos. 11. O questionamento já foi respondido no item precedente: a relatora se equivocou, ao escrever "lucro arbitrado, regime de caixa", pois pretendia escrever, "lucro presumido, regime de caixa". 2 Embargantes Flavio Ongibene Guimarães e Sestri Empreendimentos e Participações Ltda (responsáveis solidários). Conclusão (embargos dos responsáveis Flávio e SESTRI): Concluise, com isto, a análise dos embargos apresentados pelos responsáveis Flávio e SESTRI. Por todo o exposto, demonstrou se a existência dos seguintes vícios apontados pela embargante que merecem ser saneados pelo colegiado: (i) erro de fato por não haver identidade entre as 132 torres integralizadas na SITESHARING BRASIL pela SERVSITE, em 2003, e as 190 torres integralizadas na SITESHARING NE, em 2009 (as primeiras 132 torres não estão contidas nas últimas 190 torres, ao contrário do que afirmou a decisão embargada) – item III.1.3 dos embargos; (ii) possível erro de fato/premissa fática equivocada com relação à argumentação do acórdão de que a compra/venda já estaria “decidida e em andamento, quando da cisão”, em razão de (a) erro material contido no “Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças”, que ostenta duas datas distintas (contrato alegadamente teria sido firmado em 17.02.2011, conforme folha de rosto e outros elementos nele contido, e não em 17.02.2010, conforme data aposta na última folha), bem como (b) da omissão quanto a elementos de prova da alegada Fl. 3440DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 10 9 existência de negociações com outras empresas interessadas – itens III.1.5 e III.1.6 dos embargos; (iii) omissão/obscuridade com relação ao argumento de existência de condições suspensivas no contrato firmado pelo Sr. Flávio com a AMERICAN TOWER – item III.3.4 dos embargos; (iv) obscuridade/contradição em relação à argumentação para afastar a aplicação do artigo 112 do CTN na discussão da multa qualificada decidida por voto de qualidade – item III.4 dos embargos. 2.1 “III.1.3. AS 190 TORRES INTEGRALIZADAS NA SITESHARING NE PELA SITESHARING BRASIL NÃO SÃO ORIGINÁRIAS DA SERVSITE 2.1.1 Argumentos dos Embargos. No item nº. 69 do acórdão embargado, constou a seguinte afirmação: “69. Em 02/01/2009, págs. 184/236, a Sitesharing NE aumenta o CS para R$14.619.471,00, totalmente subscrito pela Autuada e integralizado mediante 190 torres e respectivos "sites (134 originárias da Servisite (sr. Luigi)).” (página nº. 15 do acórdão embargado) Na verdade, Srs. Julgadores, o erro está em afirmar que 132 (e não 134, como constou do acórdão embargado) das 190 torres integralizadas na SITESHARING NE seriam “originárias da SERVSITE”, pois, na verdade, tratase de torres absolutamente distintas. Com efeito, as 132 torres mencionadas pelo voto da I. Relatora são diferentes das 190 torres integralizadas em 02.01.2009 pelo valor de R$ 14.6119.471,00. Para se chegar a tal conclusão, basta comparar a relação constante das folhas nºs. 95 a 125 do eprocesso (132 torres, até então utilizadas pela TIM) com aquela das folhas nºs. 184 a 220 do eprocesso (190 torres, até então utilizadas pela CLARO e OI). Constatase, portanto, o erro de fato apontado, visto que as 190 torres integralizadas na SITESHARING NE não possuem qualquer relação com as 132 originárias da SERVSITE. O equívoco ora apontado derruba a falsa ideia de que as 132 torres integralizadas na SITESHARING BRASIL pela SERVISITE, em 2003, foram integralizadas posteriormente na SITESHARING NE, em 2009. As 132 torres permaneceram no patrimônio da SITESHARING BRASIL até a cisão parcial, efetivada em 01.09.2010. Notese, ademais, que elas foram integralizadas na SITESHARING NE em razão de o SR. FLÁVIO GUIMARÃES possuir 80%, àquela altura, de participação no negócio, ao passo que a SERVISITE possuía apenas 20%. Justificavase, assim, que o SR. FLÁVIO GUIMARÃES ficasse com uma parcela maior dos ativos da SITESHARING BRASIL.” Fl. 3441DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 11 10 2.1.2 Admissão do item embargado. Neste caso, entendo que assiste razão aos embargantes. De fato, fazendose uma pesquisa comparativa nos dois citados documentos, verificase não haver identidade entre as 132 torres integralizadas na SITESHARING BRASIL pela SERVSITE, em 2003, e as 190 torres integralizadas na SITESHARING NE, em 2009. Neste aspecto, registro ter feito o cotejo — por amostragem, com relação às primeiras cinco torres mencionadas na relação constante das folhas nºs. 95 a 125, as quais abaixo identifico, considerando a localização das mencionadas torres — para constatar a correção do argumento dos embargantes, e consequente comprovação do erro de fato por eles alegado: (1) Rod. Pedro Eróles, SP 083° (MogiDutra km 40,5 CX 232), MOGI DAS CRUZES SP (MogiDutra km 40,5 CX 232), MOGI DAS CRUZES SP (2) Estrada São Sebastião Acesso pela Rod Carvalho Pinto Km 70, JACAREÍ SP (3) Rod. Castelo Branco, Km 32, JANDIRA SP (4) Rua Juvenal Santana Leite, Entrada Rod. Castelo Branco, Km 42,7 , SANTANA DE PARNAÍBA SP (5) Rod. Airton Senna, Estrada Matsumoto, S/N, MOGI DAS CRUZES SP Nenhuma das torres acima listadas encontrase entre as 190 torres integralizadas na Sitesharing NE, em 2009. Não é correta, portanto, a afirmativa feita no acórdão embargado de que “essas torres [as 132 torres integralizadas pela SERVSITE] irão compor o patrimônio cindido, em 01/09/2010, para a Sitesharing NE e, em seguida, serão alienadas para a American Tower do Brasil Cessão de InfraEstruturas Ltda, doravante America Tower”, nem tampouco são corretas diversas outras afirmativas, neste mesmo sentido, feitas no voto. Registrese, ademais, que o mencionado erro de fato é inerente apenas à decisão ora embargada, pois, conforme bem observaram os embargantes, o raciocínio exposto no voto (de que, nas torres vertidas ao patrimônio da Sitesharing NE, em 2009, estariam incluídas aquelas 132 torres originárias da SERVSITE) está amparado nas contrarrazões apresentadas pela PFN ao recurso voluntário, não havendo qualquer notícia nos autos de que semelhante argumento fora antes utilizado, o que demonstra que o vício está sendo apontado na primeira oportunidade que os embargantes tiveram de fazêlo. Neste aspecto, portanto, cabe à relatora, e ao colegiado, adotar as providências para corrigir o mencionado erro de fato e Fl. 3442DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 12 11 avaliar em que medida o mencionado erro de fato afeta ou não o racional empregado no voto condutor para o alcance de suas conclusões. 2.1.3 Voto da relatora dos Embargos. 12. Tem razão os Embargantes, como bem observou o Despacho de Admissibilidade: as 132 torres que a Servisite havia integralizado na Autuada não integram as 190 torres e respectivos Sites, no aumento de capital social da Sitesharing NE que a Autuada subscreveu e integralizou em 02/01/2009, págs. 184/236. 13. Porém essas 132 torres e respectivos sites integram a parcela cindida da Autuada em 01/09/2010, págs. 262/279, que é incorporada pela Sitesharing NE, constando da listagem do Imobilizado no Anexo B: a. Em 01/09/2010, págs. 262/279 e 241/257, a Autuada é objeto de cisão parcial e seletiva e a parcela cindida, avaliada em R$44.382.330,00 (R$35.197.798,80 de participação na Sitesharing NE e R$9.184.531,36 de Imobilizado, a valor contábil na data de 02/08/2010 a parcela cindida representa 100% do total do Ativo Imobilizado operacional da Autuada, Anexo A, pág. 273), é incorporada pela Sitesharing NE, que aumenta o CS em R$9.184.531,00, de R$14.619.471,00 para R$25.804.002,00; este capital é totalmente subscrito pelo sr. Flávio, e integralizado com a parcela do Patrimônio Líquido cindido, constante do investimento na Sitesharing NE e de torres (incluídas as da Servisite sr. Luigi, torres de nome SS0001 a SS00132, com os mesmos endereços) e sites (Anexo B, onde além das torres SS001 a SS00132, constam torres até SS0687 em numeração não sequencial, dado que 190 delas já haviam sido transferidas para a Sitesharing NE, no aumento de capital pela Autuada, em 02/010/2009 resulta que foram transferidas para a Sitesharing NE 190+ 245 (Anexo B que inclui as 132 citadas), no total de 435 torres); o CS da Autuada é reduzido para R$7.630.082,00, retirase o sócio sr. Flávio, restando a sócia Servisite (sr. Luigi), com 100%. b. Anexo A evidencia a seguinte composição do Imobilizado, que aponta que, após a cisão, restaram na Autuada só imobilizado administrativo e outras imobilizações: Imob Administrativo 32.066.815,48 Deprec Acum Imob Adm 19.262.186,72 12.804.628,76 proj PCH 9.094.477,35 Outras Imobiliz 23.083.885,89 Amortiz Outras Imobilizações 22.813.528,66 270.357,23 c. Legenda: sem destaque, texto original; em itálico, o teor contestado; sublinhado a alteração do texto neste voto. Fl. 3443DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 13 12 2.2 “III.1.5. O “CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE AÇÕES E OUTRAS AVENÇAS” FOI FIRMADO EM 17.02.2011, E NÃO EM 17.02.2010 2.2.1 Argumentos dos Embargos. Ao contrário do que constou no item nº. 89 do acórdão embargado, é importante destacar que o “Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças” foi firmado com a AMERICAN TOWER em 17.02.2011, e não em 17.02.2010. Há, de fato, um pequeno lapso na página nº. 44 do referido instrumento (folha nº. 477 do eprocesso), eis que constou, equivocadamente, a data de 17.02.2010. Todavia, a folha de rosto do mesmo contrato indica a data de 17.02.2011 (folha nº. 1.705 do eprocesso). Ademais, consta do próprio contrato o dia 01.03.2011 como a data de fechamento (folha nº. 1.710 do e processo). Vale mencionar, ainda, que o contrato assinado entre o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES e a AMERICAN TOWER menciona a cisão parcial ocorrida na SITESHARING BRASIL em 01.09.2010, o que confirma que a assinatura do contrato só poderia ter ocorrido, efetivamente, em 17.02.2011. Afinal, não fosse assim, como seria possível saber, em 17.02.2010, que a cisão ocorreria, como de fato ocorreu, em 01.09.2010 (quase 7 meses depois)? Algumas outras passagens do referido instrumento confirmam que a assinatura ocorreu, de fato, no dia 17.02.2011. Vejase: quadro pág. 45 Outro erro fático que se depreende do acórdão embargado neste ponto diz respeito à AGE realizada pela AMERICAN TOWER que autorizou a aquisição da SITESHARING NE. Embora tenha sido realizada uma primeira AGE em 30.09.2010, somente em 17.02.2011 a AMERICAN TOWER realizou a AGE que viabilizou, efetivamente, a compra da SITESHARING NE do Sr. FLÁVIO GUIMARÃES. Tanto é assim que o contrato foi assinado, efetivamente, em 17.02.2011, como já mencionado. Confirase: Diante disso, não procede a assertiva de que “a compra/venda já estava decidida e em andamento, quando da cisão” (página nº. 18 do acórdão embargado). Afinal, a cisão ocorreu em 01.09.2010, ao passo que a primeira AGE para autorizar a Fl. 3444DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 14 13 aquisição da SITESHARING NE só veio a ocorrer em 30.09.2010, quando realizada a primeira negociação entre o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES e a AMERICAN TOWER, que acabou não se concretizando. Não obstante, o contrato só foi assinado cinco meses depois, em 17.02.2011, após a realização de uma segunda AGE, tendo em vista a perda de eficácia da primeira.” 2.2.2 Admissão do item embargado. Neste caso, uma vez mais, entendo assistir razão aos embargantes. É verdade que, em um primeiro momento, o lapso manifesto ou erro de fato mencionado pelos embargantes estaria presente não no acórdão, mas sim no documento ao qual o acórdão se refere, ou seja, o “Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças” de fls. 404477. Assim, poderseia objetar que os embargantes estariam apenas pretendendo reabrir a discussão de mérito arguindo a necessidade de uma reanálise das provas dos autos, pretensão a qual não se mostra cabível por meio de embargos. Entretanto, há que se observar que o raciocínio expendido no acórdão (de que a “Cláusula 4ª do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2010 (...) evidencia que a compra/venda já estava decidida e em andamento, quando da cisão”), está amparado nas contrarrazões apresentadas pela PFN ao recurso voluntário, não havendo nenhuma notícia nos autos de que semelhante argumento fora antes utilizado. Assim, nada obstante o quanto aqui já afirmado, de que a simples inserção de um novo argumento para reforçar as conclusões expostas pela autoridade fiscal não caracteriza inovação de critério jurídico, fato é que, no caso: (i) tratase de novo argumento, apresentado somente no próprio acórdão embargado; (ii) o argumento está apoiado em um documento que conteria um erro material; (iii) os embargantes estão apontando o erro na primeira oportunidade que tiveram de fazê lo. E, especificamente com relação a este erro, os embargantes demonstraram haver diversas referências no citado Contrato que evidenciam (ou, ao menos em tese, evidenciariam) que o mesmo teria sido celebrado somente em 17/02/2011, ao passo que há nele uma única referência apontando para o dia 17/02/2010. Ademais, não é logicamente possível a convivência de duas datas distintas no mesmo documento como sendo a data de sua celebração (folha de rosto às fls. 434 expondo a data de celebração como 17/02/2011, e última folha às fls. 477 expondo a data de celebração como 17/02/2010). Portanto, diante da razoabilidade da demonstração acerca do possível erro material contido no documento com relação à data nele aposta (2010), e considerandose que esta data se mostrou Fl. 3445DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 15 14 relevante para a argumentação exposta no voto condutor, no sentido de que a compra/venda já estaria decidida e em andamento, quando da cisão, entendese necessário que a relatora, e o colegiado, se pronunciem especificamente acerca desta questão. 2.2.3 Voto da relatora dos Embargos. 14. Consta do Termo de Início de Diligência e de Intimação 001, págs. 400/401, bem como do Termo de Intimação 003, págs, 393/394, dirigidos à American Tower: I) Consta do item 5.1 da Ata de Reunião dos Sócios do contribuinte AMERICAN TOWER DO BRASIL CESSÃO DE INFRA ESTRUTURAS LTDA. (REG JUCESP 377.546/100), de 30/09/2010, autorização para aquisição de 100% do capital social da Sitesharing NE S.A., mediante a celebração de Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças, entre aquela empresa, na qualidade de compradora, o Sr. Flávio Ognibene Guimarães, como vendedor, e a Sitesharing do Brasil, na qualidade de interveniente. (Negritouse.) 15. Nas respostas de pág. 399 e 404, a intimada não contesta a afirmação sobre a autorização da compra, pelos sócios da American Towers, em 30/09/2010. 16. Às págs. 434/477 consta do Contrato de Compra e Venda e Outras Avenças, data na folha de capa 17/02/2011 e data ao final do instrumento 17/02/2010, e Data do Fechamento 01/03/2011, e a seguinte afirmativa: CONSIDERANDO que, como condição precedente à formalização deste contrato de compra e venda e outras avenças ("Contrato"), na data de 1o de setembro de 2010 o Vendedor aprovou a cisão parcial e seletiva da Sitcsharing, pela qual determinados ativos e contratos foram transferidos à Sitesharing NE conforme os atos societários cujas cópias integram o Anexo I ("Cisão"); (Negritouse.) 17. No item a seguir e dos Embargos, citam os embargantes emails trocados com outras empresas interessadas na compra, datados de 2011, o que se analisa naquele item, mas cuja conclusão influi neste, portanto, é levada em consideração. 18. À vista do exposto, cabe reformular o parágrafo 89 do Acórdão embargado, cujo teor era: 89. Apontou a PFN que a realização em 30/09/2010, pela American Tower de AGE que autorizou a aquisição da Sitesharing NE; mais a na Cláusula 4ª do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2010, em que consta (pág. 460), que a American Tower realizou auditoria contábil nas Sitesharing Brasil e Sitesharing NE, até 31/08/2010, evidencia que a compra/venda já estava decidida e em andamento, quando da cisão; (...) 19. Sendo correto o seguinte teor: Fl. 3446DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 16 15 89. Apontou a PFN que a realização em 30/09/2010, pela American Tower de AGE que autorizou a aquisição da Sitesharing NE, fato este citado em duas intimações à American Tower e não contestado por esta, e também reconhecido nos Embargos, mais a premissa constante do preâmbulo do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2011, em que consta (pág. 436), que "como condição precedente à formalização deste contrato de compra e venda e outras avenças ("Contrato"), na data de 1 de setembro de 2010 o Vendedor aprovou a cisão parcial e seletiva da Sitesharing, pela qual determinados ativos e contratos foram transferidos à Sitesharing NE conforme os atos societários cujas cópias integram o Anexo I ("Cisão"); evidencia que a compra/venda já estava em negociação com a American Tower, quando da cisão, bem como havia outros grupos interessados, porém com negociações menos avançadas; (...) 2.3 “III.1.6. O COMPRADOR ERA INCERTO À ÉPOCA DA CISÃO PARCIAL, POIS O SR. FLÁVIO GUIMARÃES NEGOCIAVA COM DIVERSOS INTERESSADOS 2.3.1 Argumentos dos Embargos. No item nº. 93 do acórdão embargado (página nº. 19), a I. Relatora, afirmou que “as transformações societárias realizadas pelas sócias da Autuada, isto é pela Sestri e Servsite e respectivos sócios e administradores, e que foram o foco da presente autuação, tiveram como objetivo desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o atribuído pela sócia que permaneceu) para ser vendida à American Towers” (destacado). A ideia de que os Embargantes teriam agido premeditadamente, realizando as “transformações societárias” com o objetivo de alienar “parte do acervo operacional da Autuada” para a AMERICAN TOWER, entretanto, também revela um equívoco quanto aos fatos e aos demais elementos probatórios acostados aos autos. Isso porque, para que fosse possível chegar a essa conclusão, deveria o acórdão embargado refutar fato incontroverso nos autos, não questionado pela PGFN: as negociações, no período posterior à cisão parcial, que o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES manteve com o GRUPO TORRESUR e a SUMMIT PARTNERS, conforme emails que acompanharam as Impugnações apresentadas pelos Embargantes (doc. 18 da Impugnação – folhas nºs. 2.324 a 2.339). Vejam, Srs. Julgadores, que as mensagens eletrônicas foram transmitidas em meados de janeiro e fevereiro de 2011, vale dizer, antes da assinatura do contrato com a AMERICAN TOWER. Ou seja: embora a cisão tenha sido realizada em razão dos interesses divergentes existentes entre o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES e a SERVSITE (o primeiro pretendia sair do mercado mediante a venda de sua participação societária, ao passo que o segundo pretendia manter o negócio), a venda para Fl. 3447DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 17 16 a AMERICAN TOWER ainda não estava decidida naquele momento, ao contrário do que afirmou o acórdão embargado, mesmo porque outros players do mercado tinham interesse na aquisição da SITESHARING NE. Tanto a compra não estava previamente decidida, que a própria AMERICAN TOWER realizou posteriormente uma nova AGE, em 17.02.2011, para autorizar a aquisição da SITESHARING NE, já que a primeira, realizada em 30.09.2010, perdeu validade. Dessa forma, além de o acórdão embargado partir de uma premissa fática absolutamente equivocada (a suposta realização das “transformações societárias” com o objetivo de cindir parcela do ativo operacional da SITESHARING BRASIL para alienála à AMERICAN TOWER), o que, por si só, justifica o acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, também caberia à C. Turma Julgadora levar em consideração todos os fatos incontroversos ora expostos, já que eles definitivamente alteram o resultado do julgamento.” 2.3.2 Admissão do item embargado. Conforme dito, a argumentação de que a compra/venda já estaria “decidida e em andamento, quando da cisão” é nova nos autos, apresentada tão somente no acórdão embargado, e é justamente no contexto desta argumentação que os elementos mencionados pelos embargantes, e que constavam de sua impugnação (Doc. 18, fls. 2.3242.339), apresentarseiamse, ao menos em tese, como contrapontos relevantes. Isto porque seriam documentos com força suficiente para, ao menos em tese, desconstituir a argumentação que foi exposta (tanto no item 89 do voto condutor, mencionado no subitem anterior, quanto no item 93 do voto, mencionado neste subitem), no sentido de que a venda à American Towers já estaria decidida quando da cisão realizada em 01/09/2010, já que evidenciam (ou evidenciariam) que haveria negociações em curso também com outras empresas para efetivar a venda, após a cisão e antes da efetivação da venda à American Towers. Entretanto, não há nenhuma menção a esses elementos no acórdão, de sorte que cabe ao colegiado suprir esta omissão, de sorte a determinar se tais elementos infirmam ou não o raciocínio expendido. 2.3.3 Voto da relatora dos Embargos. 20. Constam às págs. 2.324/2.339, emails: a. 10/01/2011 de American Tower para sr. Flávio, sobre fechamento em fevereiro; b. 21/02/2011 em inglês, de Grupotorresur para sr. Flávio: ouvimos que vocês ou estão extremamente próximos de assinar ou já assinaram a operação com a Fl. 3448DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 18 17 American Tower; se fechado, parabéns; em contrário apreciamos reencetar negociações; 27/01/2011, cita acordo de confidencialidade assinado pela TorreSur; de sr. Flávio para TorreSur envia modelo de contrato de confidencialidade; e outros anteriores; c. 12/02/2011, de Karwell JJ (Summit Partners) em resposta ao email do sr. Flavio, em que este esclarece que não lhe convém a proposta discutida e que decidiu que se ele vender suas ações, então deverá vender todas, porque as atividades de gerir a Sitesharing e paralelamente, administrar o dinheiro proveniente da venda de parte das ações não lhe seria viável. 21. Do descrito se verifica que o sr. Flávio tinha contatos vários interessados na compra, porém a negociação com a American Tower estava já em vias de fechamento, mesmo porque, desde 09/2010, já havia uma decisão por parte dos sócios desta. 2.4 “III.1.7. A CORREÇÃO DAS PREMISSAS FÁTICAS EQUIVOCADAS IMPLICA A ALTERAÇÃO DO RESULTADO DO JULGAMENTO 2.4.1 Argumentos dos Embargos. Ante o exposto, verificase que os fatos sobre os quais se assentou o voto da I. Relatora não ocorreram da forma descrita em seu voto, razão pela qual é impositiva a correção dos erros apontados nos itens precedentes. Assim, é necessário que os Srs. Julgadores corrijam os erros de fato apontados e levem em consideração os fatos efetivamente ocorridos, superando, portanto, as premissas fáticas equivocadas que fundamentaram o acórdão embargado. Logo, temse que: (i) o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES não participou da constituição da SITESHARING BRASIL, eis que não era sócio da SESTRI à época; (ii) as 132 torres, que posteriormente compuseram o patrimônio cindido, foram integralizadas pela SERVSITE por seu valor contábil, embora a contribuição efetiva tenha sido menor em razão dos passivos que também foram transferidos à SITESHARING BRASIL; (iii) as 190 torres integralizadas pela SITESHARING BRASIL na SITESHARING NE, em 2009, são diferentes das 132 torres originárias da SERVSITE; (iv) não é correto dizer que a cisão parcial “esvaziou” a SITESHARING BRASIL e a impossibilitou de desenvolver as suas atividades, pois o que realmente gera receitas são contratos similares ao built to suit, firmados com empresas do setor de telecomunicações; (v) o contrato de compra e venda foi firmado pelo Sr. FLÁVIO GUIMARÃES com a AMERICAN TOWER em 17.02.2011, e não em 17.02.2010; e (vi) no momento da cisão parcial, o comprador ainda era incerto, visto que o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES negociava a venda da SITESHARING NE com outras empresas interessadas (a exemplo do GRUPO TORRESUR e da SUMMIT PARTNERS, conforme emails das folhas nºs. 1.872 a 1.887 do eprocesso). Fl. 3449DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 19 18 Na visão dos Embargantes, a consideração desses fatos como premissas de julgamento altera substancialmente as conclusões do acórdão embargado, na medida em que resta descaracterizado o “objetivo de desmembrar parte do acervo operacional da Autuada (incluído o atribuído pela sócia que permaneceu), para ser vendida à American Towers, pela pessoa física do sócio Sr. Flávio” (item nº. 93 do acórdão embargado). Afinal, como o contrato de compra e venda só veio a ser firmado em 17.02.2011, não é possível afirmar que “a compra/venda já estava decidida e em andamento, quando da cisão”, ocorrida antes, em 01.09.2010, mesmo porque a primeira autorização para que a AMERICAN TOWER adquirisse a SITESHARING NE só foi concedida em 30.09.2010 (quando houve uma primeira negociação com o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES, que, como já mencionado, não foi concretizada), sendo posteriormente substituída por autorização concedida por meio de AGE realizada em 17.02.2011, devido à perda de eficácia da primeira AGE. A reforçar a ideia de que o contrato de compra e venda só foi assinado em 17.02.2011, vale mencionar, uma vez mais, que o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES também negociou a venda da SITESHARING NE com outros interessados, conforme o exposto no item III.1.6 deste recurso. Tal fato, como se vê, também corrobora a afirmação de que o contrato foi assinado em 17.02.2011. Tivesse sido assinado em 17.02.2010, não faria sentido que o Sr. FLÁVIO GUIMARÃES negociasse com terceiros, em 2011, algo que já não lhe pertencia mais. Não obstante o exposto, a superação dos erros de fato mencionados nos itens III.1.1 a III.1.3 destes Embargos de Declaração também enfraquece o contexto construído pelo voto da I. Relatora, na medida em que reforça a ausência de qualquer premeditação por parte dos Embargantes na realização das operações societárias. Explicase. (...)”É o suficiente. 2.4.2 Admissão do item embargado. Conforme visto, este subitem constitui uma síntese dos erros de fatos/premissas fáticas equivocadas aduzidos pelos embargantes, não cabendo aqui, portanto, considerações adicionais, uma vez que o mérito dessas alegações há de ser apreciado pelo colegiado, sendo de se destacar que, conforme exposto no presente despacho, foram admitidos para análise os itens ‘iii’, ‘v’, e ‘vi’ acima referidos. Cabe à relatora, e ao colegiado, portanto, adotar as providências para sanar os vícios apontados bem como avaliar em que medida, se o caso, o saneamento desses vícios afeta, ou não, o racional empregado no voto condutor para o alcance de suas conclusões. Fl. 3450DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 20 19 (...) 2.4.3 Voto da relatora dos Embargos. 22. Cabe alterar a redação do voto para o seguinte, sem que as conclusões se alterem: a. Legenda: em preto, texto original; em vermelho, o teor contestado; em azul, a alteração do texto neste voto. "(...) 60. Vejase o conjunto de operações desenvolvidas. 61. Págs. 69/79, em 08/05/2003 (data do Contrato Social, não consta data registro Jucesp), a Recorrente/Autuada foi constituída com a razão social Sitesharing do Brasil Empreendimentos em Telecomunicações Ltda (doravante Autuada; as sócias eram: 80% Sestri Empreendimentos e Participações Ltda CNPJ 05.448.607/0001 52 (doravante Sestri), representada pelo sócio Calos Augusto Costa Neto; e 20% Serviste Ltda CNPJ 04.787.555/000186 (doravante Servisite), representada pelos Diretores Luigi Cosenza (CPF 088.035.23880), Cláudio Rafaelli e Draja Mihajlovoc. 62. Pesquisando internet, consta do site http://www.consultasocio.com/q/sa/flavio ognibeneguimaraes, que Flávio Ognibene Guimarães, CPF 056.139.75880, é ou foi sócio da Sestri, desde a fundação: Sestri Empreendimentos e Participacoes Eireli CNPJ 05.448.607/000152 Nome fantasia (Ausente) Razão social Sestri Empreendimentos e Participacoes Eireli Data de abertura 11/12/2002 Endereço R Pedroso Alvarenga, 900, Andar 3, Itaim Bibi, Sao Paulo, SP, CEP 04531003, Brasil Telefone (11) 31681552 Natureza jurídica Empresa Individual de Responsabilidade Limitada de Natureza Empresária Código 2305 Atividade econômica principal Holdings de instituições não financeiras CNAE 6462000 63. Haja vista os fatos a seguir descritos, podese concluir que a Autuada foi constituída por um investidor, sr. Flávio (Sestri) e por alguém que já atuava da área de torres de telecomunicações, sr. Luigi (Servisite). 64. Em 21/05/2003, págs. 92/135, houve aumento Capital Social (CS) dos R$10.000,00 iniciais para R$11.552.850,00: R$7.700.000,00 (sendo R$5.300.000,00 imóvel industrial (consta que o valor de mercado era R$9.000.000,00), R$2.400.000,00 em moeda) pela Sestri (sr. Flávio) que fica com 66.72%; e R$3.842.850,00 (sendo R$3,10 em moeda, R$40.000,00, terrenoR$40.000,00 e R$3.804.846,90 em 132 torres e sites e projetos e remanescentes de materias, mdo e equip, no valor contábil R$27.504.123,68, mais torres desmontadas R$298.524,30, e débitos no total de R$23.999.801,08, pela Servisite (Sr. Luigi) que fica com 33,28%; administradores Luigi Cosenza (doravante sr. Luigi) e Draja Mihajloc, (doravante sr. Draja); as torres são da TIM e se situam no Estado de São Paulo e detém os Fl. 3451DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 21 20 códigos SS0001 a SS0132; destacou a PFN nas Contrarrazões que a sócia Servsite (Sr. LUigi) integralizou o montante de R$ 3.842.846,90 mediante a conferência de bens imóveis, móveis, direitos e obrigações, dentre os quais 132 torres destinadas a serviços de telecomunicações, às quais atribuiu, com expressa concordância da outra sócia (Sestri , sr. Flávio), o valor contábil de R$27.504.123,68, mesmo que a sua contribuição para o aumento do capital tivesse sido de apenas R$3.842.846,90, conforme documento de págs. 92/135. Essas torres irão compor o patrimônio cindido, em 01/09/2010, para a Sitesharing NE e, em seguida, serão alienadas para a American Tower do Brasil Cessão de InfraEstruturas Ltda, doravante America Tower. 65. Em 10/11/2003, págs. 81/91, é transformada em S/A fechada. 66. Em 29/12/2004, págs. 136/155, incorpora Z.X.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda, CNPJ 07.045.108/000140, avaliada em R$38.249.838,00, na data de 27/12/2004, (cujo patrimônio é 100% investimento na incorporadora, que é a Autuada, da qual detinha 100% do CS, pág. 154): R$11.652.274,00 mais ágio da aquisição da mesma por R$26.597.064,00, pág. 154); Sestri e Servisite eram as únicas sócias quotistas desta incorporada (págs. 147: 66,72% Sestri; 33,28% Servisite); a Autuada aumenta o CS de R$11.552.850,00, para R$38.150.414,00, isto é, em R$26.597.564,00 assinam pela Z.X.S.P.E: Flávio Ognibene Guimarães (doravante sr. Flávio) e sr. Draja; pela Sestri, sr. Flávio; pela Servisite, srs. Luigi e Draja; resulta a participação no CS: Sestri 66,72%, R$25.453.754,00; Servisite 33,28%, R$12.696.660,00 dessa forma, são concentrados na Autuada os investimentos da Sestri e da Serviste, reavaliados. 67. Observese que a Z.X.S.P.E, que foi constituída pelas mesmas Sestri e Servisite em data anterior, havia adquirido participação societária na Autuada, com ágio, de onde se conclui que o aumento de capital decorrente da incorporação não passou de uma reavaliação dos ativos da Autuada e aumento de capital decorrente; evidenciase a participação do sr. Flávio que presidiu a Assembléia e sua ligação na Sestri. 68. Em 26/11/2006, págs. 158/159, assembléia aprova pagamento de dividendos relativos a 2003 (R$9.919,11, R$0,00026/ação), 2004 (53.029,07, R$0,00139/ação) e 2005 (R$22.890,25, R$0,00060/ação). 69. Em 28/02/2007, págs, 168/169, os acionistas da Autuada nomeiam sr. Flávio diretor, em substituição sr. Draja. 70. Em 07/08/2007, págs. 166/167, os acionistas da Autuada aprovam pagamento de dividendos relativos a 2006 (R$152.601,66, R$0,004/ação). 71. Em 17/12/2007, págs. 165/165, os acionistas da Autuada aprovam a constituição de uma sociedade limitada com a integralização do capital social, neste momento ou futuramente, através da conferência de bens de propriedade da Autuada; acrescentam ao objeto social da Autuada "elaboração de projetos e investimentos em empreendimentos para a geração de energia elétrica" e elegem diretor sr. Luigi, em substituição ao sr. Flávio, para 01/01/2008 a 28/02/2009. Fl. 3452DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 22 21 72. Em 03/03/2008, págs. 172/181 e 184/236, a Autuada constitui a Sitesharing do Nordeste Empreendimentos Telecomunicações Ltda (doravante Sitesharing NE), CS R$100.000,00, em moeda, 99,99 % da Autuada e 0,01% sr. Luigi; o objeto social é o mesmo da autuada, construção, locação, operação de torres e "sites"; nomeado Diretor sr. Luigi. 73. Em 03/07/2008, págs. 182/183, é aprovada mudança da razão social da Autuada para Sitesharing Brasil S/A. 74. Em 02/01/2009, págs. 184/236, a Sitesharing NE aumenta o CS de R$100.000,00 para R$14.619.471,00, totalmente subscrito pela Autuada e integralizado mediante 190 torres e respectivos "sites (134 originárias da Sevisite (sr. Luigi)). As torres são: da Claro, situadas em estados do nordeste, norte, ES, MG; da Oi, no Estado de São Paulo; a composição social passa a ser 16.619.461 quotas da Autuada e 10 quotas, sr. Luigi. 75. Em 03/08/2009, págs. 489/501, o sr. Flávio adquire da Sestri (representada por ele mesmo, Diretor), por R$25.453.754,00 (valor em 30/06/2009), a totalidade das 25.453.754 ações da Autuada que eram detidas pela Sestri, que se retira da sociedade; condição de pagamento: 100 parcelas mensais consecutivas de R$254.537,54, a partir de 01/01/2010, via TED; em 31/07/2009, págs. 502/516, o sr. Flávio adquire da Servisite (sr. Luigi) 5.066.678 ações (a Servisite detinha 12.696.660 ações) da Autuada, por R$7.500.000,00 (valor em 30/06/2009) a serem pagas em 5 parcelas mensais consecutivas a partir de 01/05/2010, mediante cheques nominativos. 76. A partir deste momento, a Autuada passa a ser propriedade do sr. Flávio (25.453.754 mais 5.066.67, total de 30.520.432 ações), 80% e Servisite (sr. Luigi), (12.696.660, menos 5.066.678, restando 7.629.982 ações), 20%. 77. Em 30/12/2009, págs. 238/240, foi eleito Sr. Flávio, como diretor da Autuada. 78. Em 01/09/2010, págs. 262/279 e 241/257, a Autuada é objeto de cisão parcial e seletiva e a parcela cindida, avaliada em R$44.382.330,00 (R$35.197.798,80 de participação na Sitesharing NE e R$9.184.531,36 de Imobilizado, a valor contábil na data de 02/08/2010, (a parcela cindida representa % do total do Ativo Imobilizado líquido da Autuada, Anexo A, pág. 273), é incorporada pela Sitesharing NE, que aumenta o CS em R$9.184.531,00, de R$14.619.471,00 para R$25.804.002,00; este capital é totalmente subscrito pelo sr. Flávio, e integralizado com a parcela do Patrimônio Líquido cindido, constante do investimento na Sitesharing NE e de torres (incluídas as da Servisite sr. Luigi, torres de nome SS0001 a SS00132, com os mesmos endereços) e sites (Anexo B, onde além das torres SS001 a SS00132, constam torres até SS0687 em numeração não sequencial, dado que 190 delas já havia sido transferida para a Sitesharing NE, no aumento de capital pela Autuada, em 02/010/2009 resulta que foram transferidas para a Sitesharing NE 190+ 245 (Anexo B que inclui as 132 citadas), no total de 435 torres); o CS da Autuada é reduzido para R$7.630.082,00, retirase o sócio sr. Flávio, restando a sócia Servisite (sr. Luigi), com 100%. Fl. 3453DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 23 22 f. Anexo A evidencia a seguinte composição do Imobilizado, que aponta que após a cisão, restaram na Autuada só imobilizado administrativo e outras imobilizações: Imob Administrativo 32.066.815,48 Deprec Acum Imob Adm 19.262.186,72 12.804.628,76 proj PCH 9.094.477,35 Outras Imobiliz 23.083.885,89 Amortiz Outras Imobilizações 22.813.528,66 270.357,23 79. Destaca a PFN nas Contrarrazões que o sr. Flávio ficou estrategicamente posicionado como titular dos bens que foram cindidos; que no momento da cisão, nem a Servisite, nem a Sestri, ainda não tinham recebido qualquer valor pela venda de suas ações ao sr. Flávio; e que esse conjunto de operações levou a Fiscalização a concluir que foram preparatórias para implementar a venda dos ativos a fim de que a tributação do ganho de capital recaísse na pessoa fisica do sr Flavio (15%), em vez de na pessoa jurídica da Autuada (34%). 80. Em 19/04/2010, págs. 294/295, 296/297, a Autuada havia aprovado além da capitalização dos ativos na Sitesharing NE, a distribuição de R$9.308.701,02 de dividendos de 2008, para acionistas conforme posição em 31/01/2010; em 16/08/2010, págs. 292/293, a Autuada aprovou distribuição de dividendos relativos ano 2009, no total de R$15.260.165,60; assinaram os acionistas sr. Flávio e Serviste (sr. Luigi), e em 20/08/2010, dividendos complementares de 2009, R$7.500.000,00. 81. Em 20/12/2010, págs. 298/299, a Autuada distribui R$8.300.000,00 de dividendo relativos a resultados até 31/10/2010, em conformidade com posição societária em 31/08/2010. 82. A soma dessas distribuições resulta em R$32.068.866,62 e se computada a ultima referente a resultados até data posterior à cisão, o montante passa a ser R$40.368.866,62, sendo parcela significativa destinada à Sestri (sr. Flávio) e/ou ao sr. Flávio; o valor a pagar para a Sestri e Servisite totalizou R$25.453.754,00, a partir de 01/01/2010, mais R$7.500.000,00, a partir de 01/05/2010, isto é R$32.953.754,00; consta do TVF, pág. 916, que o sr. Flávio recebeu R$32.217.805,18, que corresponde a 80% dos R$40.368.866,62: 48. Em 05/02/2015. o Sr. Flávio Ognibene Guimarães respondeu que, com relação aos dividendos recebidos da empresa Sitesharing Brasil S.A., identificara os seguintes depósitos em sua conta corrente: Tabela 9 "DIVIDENDOS" segundo a resposta do Sr. Flávio Ognibene Guimarães de 05/02/2015 23/04/2010 3.723.480.50 26/05/2010 50.000.00 11/06/2010 2.000.000.00 17/06/2010 1.600.000.00 08/03/2010 3.967.643.16 17/09/2010 763.008.30 Fl. 3454DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 24 23 20/03/2010 763.008.30 25/03/2010 7.368.673.54 20/10/2010 2.000.000.00 23/12/2010 4.000.000.00 24/12/2010 5.981.991.38 TOTAL 32.217.805.18 83. TVF: pág. 907: 13. Importante aqui observar que na DIRPF AC 2010 do Sr. Flávio (abaixo reproduzida) consta o recebimento de dividendos no valor de R$32.295.093,48 da Sitesharing Brasil. Portanto, logo após adquirir as ações da Sitesharing Brasil (03/08/2009), mediante o valor de R$32.953.754,00, o Sr. Flávio fez jus a dividendos no valor R$32.295.093,48. 84. Avaliou a PFN, nas Contrarrazões, que após ter o sr. Flávio passado a ser controlador, com 80% do capital social, foram deliberados e implementados: g. em 19/04/2010, págs. 294/295, distribuições de R$9.308.701,02 de dividendos e cisão parcial da Sitesharing Brasil, avaliado o patrimônio cindido em R$44.382.330,00, com incorporação dos ativos cindidos na Sitesharing NE que aumentou o capital em R$9.184.531,00, págs. 246/250; i. Sobre este aumento, destaca que a explicação para esse montante se encontra no ANEXO B dos protocolos de cisão parcial e incorporação (fl. 253255 ou fls. 274276), pois tratase do exato montante do valor atribuído aos ativos transferidos da Sitesharing Brasil para a Sitesharing NE, que consistiam no restante de torres ("sites") de telefonia que ainda estavam com a Sitesharing Brasil e que lhe pertenciam desde sua constituição, págs. 92/135 e que foram recebidos na integralização de aumento de capital da Autuada pela sócia Servisite naquela data; portanto, fica evidente que a cisão parcial esvaziou a Sitesharing Brasil dos ativos necessários às suas atividades operacionais o que conduz à conclusão que o objetivo das operações societárias foi essa alienação; ii. destaca ainda que, conforme consta do contrato de venda, pelo sr. Flávio, para a American Tower, que a condição precedente era a cisão da Sitesharing Brasil e transferência para a Sitesharing NE de determinados ativos e contratos e que, na mesma data da cisão, o sr. Flávio adquiriu do sr. Luigi as 10 ações que aquele detinha da Sitesharing NE, e se tornou 100% proprietário desta, o que evidencia a intenção de concentrar na pessoa física do sr. Flávio o patrimônio a ser alienado. 85. Em 01/09/2011, págs. 300/303, a Autuada aumenta CS: sócios Servisite 99,99%, sr. Luigi, 0,01%, ou seja 100% sr. Luigi. 86. Em 25/02/2011, págs. 304/305, AGE da Autuada de homologação da renúncia do diretor sr. Flávio, comunicada por escrito em 19/02/2011. Fl. 3455DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 25 24 87. Somente em 25/02/2011 o sr. Flávio se desligou do processo decisório da Autuada, destacandose que assumiu a Sitesharing NE em 01/09/2010, e fechou a venda em 02/03/2011, cuja negociação, obviamente foi anterior a essa data, tendo sido a AGE de aprovação da compra pela American Tower em 30/09/2010, depois de efetuadas auditorias tanto na Autuada como na Sitesharing NE. 88. Em 31/12/2013, págs. 307/317, págs. 307/317, a Autuada altera denominação social para SS Towers Participações S/A. 89. Em 30/07/2014, págs. 318/344, a Autuada incorpora Metalpak Engenharia, Comércio e Construções Ltda, CNPJ 62.955.158/000172, doravante Metalpak, cujo único sócio quotista era o sr. Luigi, avaliada em R$13.834.842,00, valor contábil em 30/06/2014; aumenta CS de R$8.571.000,00, para em R$14.603.159,00, sendo R$5.360.449,72 pela Servisite e R$9.143.832, 00 sr. Luigi, integralizadas com créditos detidos pelos acionistas contra a Autuada; a incorporada Metalpak era titular 100% da Servisite que era titular de 99,989% da Autuada (pág. 328), e ambas são extintas; a nova composição CS da Autuada: 4.3. Em razão da Incorporação e do cancelamento das ações em decorrência da participação recíproca, o capital social da INCORPORADORA será aumentado em R$ 8.375.525,00 (oito milhões, trezentos e setenta e cinco mil, quinhentos e vinte e cinco reais), e passará de R$ 14.603.159,00 (quatorze milhões, seiscentos e três mil, cento e cinquenta e nove reais), dividido em 14.603.159 (quatorze milhões, seiscentas e três mil, cento e cinquenta e nove) ações ordinárias nominativas, sem valor nominal para R$ 22.978.684,00 (vinte e dois milhões, novecentos e setenta e oito mil, seiscentos e oitenta e quatro reais), dividido em 22.978.684 (vinte e dois milhões, novecentas e setenta e oito mil, seiscentas e oitenta e quatro) ações ordinárias, nominativas sem valor nominal, todas de propriedade do sócio Luigi Cosenza. 90. A sócia Servisite (sr. Luigi, de se notar que se trata de pessoa física), é extinta e este passa a 100% proprietário da Autuada. 91. TVF, págs. 911/912: Em 30/09/2010, (...) a empresa AMERICAN TOWER DO BRASIL CESSÃO DE INFRAESTRUTURAS LTDA., CNPJ: 04.052.108/000189, (...) outorgou autorização para aquisição de 100% do capital social da Sitesharing NE S.A., mediante a celebração de Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avencas, entre a AMERICAN TOWER DO BRASIL, na qualidade de compradora, o Sr. Flávio Ognibene Guimarães, como vendedor, e a Sitesharing do Brasil, na qualidade de interveniente. 27. Em face da referida negociação, segundo a DIRPF AC 2011 do Sr. Flávio Ognibene Guimarães, a American Towers adquiriu as ações da Sitesharing NE, pagando em 05 diferentes datas, por R$ 934.851.079,01, proporcionando ao Sr. Flávio Ognibene Guimarães um ganho de capital de R$ 801.697.315,01 (Tabela 6). Fl. 3456DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 26 25 (...) 29. Em 30/04/2011, a Ata de Reunião de Sócios do contribuinte AMERICAN TOWER DO BRASIL CESSÃO DE INFRAESTRUTURAS LTDA. (REG JUCESP 184.840/119) aprovou a incorporação e conseqüente extinção da Sitesharing NE (vide item 5.4 da Ata em comento). 92. A empresa criada para ser vendida foi extinta por incorporação, pela adquirente, American Tower. 93. Paralelamente, o sr. Luigi tornouse dono 100% da Autuada. 94. 89. Apontou a PFN que a realização em 30/09/2010, pela American Tower de AGE que autorizou a aquisição da Sitesharing NE, fato este citado em duas intimações à American Tower e não contestado por esta, e também reconhecido nos Embargos, mais a premissa constante do preâmbulo do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2011, em que consta (pág. 436), que "como condição precedente à formalização deste contrato de compra e venda e outras avenças ("Contrato"), na data de 1 de setembro de 2010 o Vendedor aprovou a cisão parcial e seletiva da Sitesharing, pela qual determinados ativos e contratos foram transferidos à Sitesharing NE conforme os atos societários cujas cópias integram o Anexo I ("Cisão"); evidencia que a compra/venda já estava em negociação com a American Tower, quando da cisão, bem como havia outros grupos interessados, porém com negociações menos avançadas; (...) Apontou a PFN que a realização em 30/09/2010, pela American Tower de AGE que autorizou a aquisição da Sitesharing NE; mais a na Cláusula 4ª do Contrato de Compra e Venda de Ações e Outras Avenças datado de 17/02/2010, em que consta (pág. 460), que a American Tower realizou auditoria contábil nas Sitesharing Brasil e Sitesharing NE, até 31/08/2010, evidencia que a compra/venda já estava decidida e em andamento, quando da cisão; sobre os pagamentos à Sestri e Servisite destaca que: o Sr. Flávio se comprometeu a pagar RS 25.453.754,00 pelas ações da Sestri e R$ 7.500.000,00 pelas ações da Servisite (que venderia em seguida por quase 1 bilhão de reais a PFN manifesta estranheza que a Servisite tenha concordado em fazer tão péssimo negócio, ao vender a participação por preço tão inferior ao mercado); para comprovar os pagamentos, não apresentou, para os casos transferência bancária para a Sestri, os extratos com identificação do emitente e do destinatário, como solicitava Termo de Intimação 004 Flávio, impossibilitando a confirmação dos valores apontados por ele em sua resposta ao TI 003; tampouco a Sestri apresentou os referidos extratos de recebimento via TED; em resumo, apresentou apenas comprovação das parcelas referentes às cópias dos cheques de R$2.036.300,32 e R$1.018.150,16, totalizando R$3.054.450,48, ou seja, 12% do total; sobre a tabela de pagamentos de pág. 2.802, além de divergir dos termos pactuados, faltaram a identificação do emitente e destinatário, para comproválos; quanto ao montante de R$16.900.000,00 quitado mediante compensação com dividendos que a Sestri ainda não havia distribuído aos acionistas, fl. 606, considera comprovados; contudo, a distribuição de R$32.217.805,18 de dividendos pela Sitesharing Brasil ao sr, Flávio, ao longo de 2010, págs. 552/523, caracterizamse como financiamento dos R$32.953.754,00, para que este adquirisse as ações da própria Sitesharing Brasil, sendo que, adicionalmente, tal montante contrasta com os ínfimos valores de dividendos distribuídos em anos precedentes; da mesma forma, na AGE de 19/04/2010, sendo o sr. Flávio controlador 80%, distribuíramse Fl. 3457DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 27 26 R$9.308.701,02 de dividendos do ano 2008 (0,24/ação), enquanto que, quando controlada pela Servisite e Sestri, os R$152.601,66 de dividendos de 2006, perfaziam 0,004/ação; também nas distribuições seguintes se observa o valor elevado por ação: AGE 16/08/2010, dividendos 2008, R$15.260.165,60 (0,40/ação); AGE 20/08/2010, dividendos 2009, R$7.500.000,00 (0,197/ação) e AGE de 20/12/2010, que aprovou distribuição de dividendos até 31/10/2010, R$8.300.000,00 (0,218/ação), o que evidencia drástica mudança na política de distribuição de dividendos que permitiu financiar o sr. Flávio, para que adquirisse as ações da Sitesharing, e evidencia que, nesta última AGE o sr. Flávio não mais fazia parte da Sitesharing, pois se desligou em 01/09/2009, portanto, recebeu dividendos de período de apuração posterior à sua saída, na proporção de 80%. 3. A PFN ainda aponta, sobre a falta de propósito negocial na cisão parcial da Sitesharing Brasil, justificada pela Autuada por divergência na condução dos negócios entre o sr. Flávio e a Servisite, o que teria levado à cisão do patrimônio na proporção de participação de cada um, ficando o primeiro com a Sitesharing NE e a segunda com a Sitesharing Brasil (Autuada), que a negociação para a venda à American Towers já se encontrava em curso e estava condicionada à cisão, e conclui que foi esta a verdadeira razão da cisão; outro aspecto destacado é que os ativos cindidos e incorporados na Sitesharing NE eram o ativo operacional conferido pela sócia Servisite, em 2003, na constituição da Autuada, então apesar de serem dissidentes os sócios Servisite e sr. Flávio, a primeira entregou por valor contábil, notoriamente abaixo do valor de mercado, bens que posteriormente, o segundo vendeu a valor de mercado e a Servisite nada teve a opor! 4. Destaca que a Sitesharing Brasil participou de todo o planejamento tributário e discorda das justificativas de que a Sitesharing Brasil foi considerada como interveniente no Contrato de Venda e Compra, apenas devido à condição do art. 233 da Lei das SA's; aponta que a alínea "b" da cláusula 5.1 do Contrato, pág. 461, determina que a Sitesharing Brasil e o sr. Flávio, conjunta e solidariamente, deverão indenizar o Comprador contra quaisquer perdas sofridas ou incorridas resultantes de todo e qualquer passivo relativo a atos praticados até a data do fechamento (que foi posterior à cisão). 5. Rebate o argumento da Recorrente, de que não teria se beneficiado da operação de cisão, pois justamente a cisão pelo valor contábil confirma a intenção de alienar ativos relevantes por meio de pessoa física e diminuir a tributação sobre o ganho se os ativos cindidos tivessem sido avaliados a valor de mercado, teria ocorrido o ganho de capital neste momento e tributados na pessoa jurídica e resume que a cisão parcial deve ser tratada como se não tivesse ocorrido, dada a ausência de propósito negocial, o que implica que a autuada era a titular das ações da Sitesharing NE alienadas à American Tower e sobre a autuada deve recair o ganho de capital: (...), notase claramente a alteração da estrutura societária, nessa sequencia: (i) no momento inicial, havia duas pessoas jurídicas controlando a SITESHARING BRASIL, que, por sua vez, controlava a SITESHARING NE; (ii) no segundo momento, uma pessoa física assume o controle direto da SITESHARING Fl. 3458DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 28 27 BRASIL e o indireto da SITESHARING NE; (iii) por fim, a SITESHARING BRASIL retirase da sociedade na SITESHARING NE, de modo que o controle direto desta pessoa jurídica passa a ser exercida pelo Sr. FLÁVIO GUIMARÃES. Apenas quando o controle da SITESHARING NE passou a ser exclusivo do Sr. FLÁVIO GUIMARÃES (última etapa), é que se formalizou a venda das ações da SITESHARING NE para a AMERICAN TOWER LTDA. 6. Avaliando o "filme", verificase que não há como duvidar que as transformações societárias realizadas pelas sócias da Autuada, isto é pela Sestri e Servisite e respectivos sócios e administradores, e que foram o foco da presente autuação, tiveram como objetivo desmembrar parte do acervo operacional da Autuada para ser vendida à American Towers, pela pessoa física do sócio sr. Flávio, sócio da Autuada, inicialmente, via Sestri, depois via Sitesharing NE o processo de transferência para a pessoa física do sr. Flávio envolveu o valor contábil do acervo e a venda pela pessoa física se deu pelo valor de mercado, incidindo a tributação à alíquota de 15% ; e não apenas neste caso ora em discussão, porque como relatado, também foi extinta a Serviste na incorporação da Metalplak, a qual se deu, da mesma forma, pelo valor contábil, restando o sr. Luigi, também pessoa física, como único sócio da Autuada. 7. Noticias veiculadas por publicações especializadas dão conta de que a SS Towers foi vendida: a. fonte: www.gp.com.br/download_arquivos.asp?id_arquivo=1F2BB91030ED 457D.. "GP INVESTMENTS ANUNCIA QUE BR TOWERS CONCLUIU OPERAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO COM A SITESHARING, EMPRESA PIONEIRA NO MERCADO DE TORRES NO BRASIL 04 de fevereiro de 2013 – A GP Investments, Ltd [BOVESPA: GPIV11] (“GP Investments”), com sede em Penthouse, 129 Front Street, Hamilton HM 12, Bermudas, uma companhia líder em investimentos alternativos na América Latina, anuncia que a BRT Holding 2 S.A., empresa controlada indiretamente pelo fundo de private equity GP Capital Partners V, L.P. (“GPCPV”), gerido pela GP Investments V, Ltd., uma subsidiária integral da GP Investments, concluiu a assinatura de determinados contratos com a Sitesharing Brasil S.A. (“Sitesharing”), empresa pioneira no mercado de torres no Brasil, através dos quais a Sitesharing adquiriu parcela do capital social da BR Towers S.A. (“BR Towers”), mediante subscrição de novas ações, integralizadas com a conferência ao capital social da BR Towers, de ativos de propriedade da Sitesharing. Após a entrada da Sitesharing, o capital social total da BR Towers passa a ter a seguinte composição: 15,0% detidos pela SS Towers Participações S.A. (controlada pelos acionistas fundadores da Sitesharing), e 85,0% detidos pela BRT Holding 2 S.A., a qual, por sua vez, é controlada, indiretamente, pelo GPCPV com 70,0% do capital total e, o remanescente de 30,0% detido pelo Fundo de Investimento Multisetorial Plus, administrado pelo Banco Bradesco BBI S.A.. Fl. 3459DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 29 28 Fundada em 2003 por Luigi Consenza, que desde a década de 1950 esteve envolvido no setor de construção de torres de telefonia no Brasil, a Sitesharing é uma empresa brasileira pioneira na construção, aluguel e manutenção de torres de telecomunicações no país. A aquisição da Sitesharing é um passo estratégico de grande relevância para o futuro da BR Towers, porque adiciona uma unidade de negócio com expertise e reconhecida qualidade no desenvolvimento de projetos de buildtosuit. A Sitesharing possui, atualmente, 100 ativos estrategicamente posicionados e um robusto pipeline de 250 torres (buildtosuit) já contratadas por operadoras de telefonia. A parceria com a Sitesharing agrega à BR Towers experiência operacional, sólido relacionamento com as principais operadoras de telefonia celular, além da credibilidade de uma empresa consolidada e líder em projetos de buildtosuit no mercado brasileiro. Sobre a GP Investments, Ltd. A GP Investments, uma companhia líder em investimentos alternativos na América Latina, está investindo ativamente na região desde 1993. A GP Investments já captou aproximadamente US$5 bilhões e adquiriu 51 companhias em 15 diferentes setores da economia. Em maio de 2006, a GP Investments concluiu seu IPO, tornandose a primeira companhia de private equity listada em bolsa da América Latina. Para mais informações, acesse o website da GP Investments (www.gpinvestments.com) ou entre em contato com sua assessoria. Daniella Camargos Marilia Paiotti Assessora de Imprensa Máquina da Notícia (55) 11 3147 7900 daniella.camargos@grupomaquina.com marilia.paiotti@grupomaquina.com" b. fonte: http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE91400620130205, a mesma notícia: "BR Towers compra empresa de torres de telefonia Sitesharing segundafeira 4 de fevereiro de 2013 A SS Towers, controlada por acionistas da Sitesharing, passa a ter 15 por cento da BR Towers com o acordo A BR Towers, controlada pela GP Investments, anunciou nesta segundafeira a aquisição da empresa de torres de telefonia Sitesharing, de acordo com comunicado. “A aquisição da Sitesharing é um passo estratégico de grande relevância para o futuro da BR Towers, porque adiciona uma unidade de negócio com expertise e reconhecida qualidade no desenvolvimento de projetos de buildtosuit”, segundo o documento. A Sitesharing tem 100 torres de telefonia, além de um projeto de 250 torres já contratadas por operadoras de telefonia, informou a GP Investiments em nota. Fl. 3460DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 30 29 Com a aquisição, a SS Towers, controlada pelos acionistas fundadores da Sitesharing, passou a deter 15 por cento da empresa da BR Towers, de acordo com fato relevante. Não foram divulgados os termos financeiros da transação. O negócio foi feito mediante subscrição de novas ações, integralizadas com a conferência ao capital social da BR Towers, de ativos de propriedade da Sitesharing, de acordo com o documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os 85 por cento restantes continuam sob controle indireto da GP Investments. A BR Towers é uma empresa especializada em torres de telecomunicações para aluguel de capacidade a operadoras móveis. (Por Sérgio Spagnuolo)" c. fonte: http://www.valor.com.br/empresas/3228064/americantowercompra28 miltorresnobrasildanextel: Outra aquisição "09/08/2013 às 12h16 American Tower compra 2,8 mil torres no Brasil da Nextel" d. fonte: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,gpvendebrtowersporr 218bilhoesimp,1512696, sequência dos fatos: "GP vende BR Towers por R$ 2,18 bilhões Empresa criada há um ano e nove meses para gerir torres de telefonia no País foi adquirida pela americana American Tower Marina Gazoni, O Estado de S.Paulo 16 Junho 2014 | 02h04 Criada há apenas um ano e nove meses pela gestora GP Investments, a BR Towers foi 100% vendida por R$ 2,18 bilhões para a concorrente American Tower, companhia americana presente no Brasil há 14 anos. Com a aquisição, a American Tower se torna líder no setor de construção e locação de torres para telefonia no País, com 11 mil antenas sob gestão o que faz do mercado brasileiro o terceiro maior da multinacional, atrás de EUA e Índia. O controlador da BR Towers, o fundo GPCPV vai receber US$250 milhões por sua fatia de 41% na empresa, um retorno de 2,8 vezes sobre o capital investido, em dólares. Os demais acionistas são um coinvestidor da GP, dono de 18,5%, cujo nome não foi divulgado, um fundo de private equity do Bradesco e os antigos donos da Sitesharing, empresa do setor comprada em fevereiro de 2013 pela BR Towers. As fatias do Bradesco e da Sitesharing não foram reveladas. A BR Towers nasceu com a compra de 2 mil torres da Telefônica/Vivo em setembro de 2012. A criação da empresa, hoje com 4,3 mil torres no País, foi uma aposta da GP no desenvolvimento do mercado brasileiro de gestão independente de infraestrutura para telefonia. Nesse formato, as chamadas Fl. 3461DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 31 30 "towers companies" constroem ou compram antenas para alugar para as operadoras de telefonia. " 8. http://www.telesintese.com.br/cadeaprovacompradabrtowerpelaamerican tower/ "Cade aprova a compra da BR Tower pela American Tower Negócio representou investimento de R$ 2,1 bilhões pela empresa norteamericana Lucia Berbert 28 de outubro de 2014 O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra do total de capital da BR Tower pela American Tower do Brasil, operação iniciada em junho deste ano. O valor da operação foi de R$ 2,1 bilhões. Fundada por fundos da GP Investments em 2012, a BR Towers opera mais de 4.300 torres em todo o país, incluindo ativos adquiridos das operadoras de telefonia Vivo e Oi. Na sua página na internet, a American Tower indica que detinha, antes da operação, de 1.400 sites para compartilhamento." 9. O noticiário aponta que a SS Towers, antiga Sitesharing Brasil, foi por fim adquirida na totalidade pela American Towers, o que contradiz o argumento de dissidência entre os sócios quanto ao futuro da empresa." 10. Verificase que o noticiário foi mal compreendido pela relatora em relação ao sócio que permaneceu, sr. Luigi: a. eis que a notícia: "GP INVESTMENTS ANUNCIA QUE BR TOWERS CONCLUIU OPERAÇÃO DE ASSOCIAÇÃO COM A SITESHARING, EMPRESA PIONEIRA NO MERCADO DE TORRES NO BRASIL", de 04 de fevereiro de 2013, significou que a empresa da qual o sr. Luigi restou detentor, associouse à BR Towers, passando a deter 15% do capital desta, ou seja, a empresa não foi vendida, mas continuou na atividade em associação com a GP Investments; assim, não era correta a notícia "BR Towers compra empresa de torres de telefonia Sitesharing", de mesma data. b. Quanto ao evento posterior em 16 de junho de 2014: "GP vende BR Towers por R$ 2,18 bilhões", consta que "Os demais acionistas são um coinvestidor da GP, dono de 18,5%, cujo nome não foi divulgado, um fundo de private equity do Bradesco e os antigos donos da Sitesharing, empresa do setor comprada em fevereiro de 2013 pela BR Towers. As fatias do Bradesco e da Sitesharing não foram reveladas.", ou seja, o sócio que restava remanescente, sr. Luigi, continuou titular da Sitesharing como sócio, na atividade. c. Haja vista que a premissa para manter a autuação foi que a autuada acabou sendo vendida à mesma compradora do acervo cindido em favor do sr. Flávio, e revelase que foi infundada, cabe alterar a conclusão que foi extraída. d. Quanto à constatação transcrita a seguir: i. Anexo A evidencia a seguinte composição do Imobilizado, que aponta que, após a cisão, restaram na Autuada só imobilizado administrativo e outras imobilizações: Imob Administrativo 32.066.815,48 Fl. 3462DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 32 31 Deprec Acum Imob Adm 19.262.186,72 12.804.628,76 proj PCH 9.094.477,35 Outras Imobiliz 23.083.885,89 Amortiz Outras Imobilizações 22.813.528,66 270.357,23 e. a constatação supra embasou a conclusão fiscal de que a Autuada restou esvaziada de seu acervo operacional, após a cisão, no entanto, no momento em que a Autuada se associou à BR Towers, consta que (repetindo parte da notícia já transcrita) detinha contratos relevantes com companhias telefônicas clientes : "Fundada em 2003 por Luigi Consenza, que desde a década de 1950 esteve envolvido no setor de construção de torres de telefonia no Brasil, a Sitesharing é uma empresa brasileira pioneira na construção, aluguel e manutenção de torres de telecomunicações no país. A aquisição da Sitesharing é um passo estratégico de grande relevância para o futuro da BR Towers, porque adiciona uma unidade de negócio com expertise e reconhecida qualidade no desenvolvimento de projetos de build tosuit. A Sitesharing possui, atualmente, 100 ativos estrategicamente posicionados e um robusto pipeline de 250 torres (buildtosuit) já contratadas por operadoras de telefonia. A parceria com a Sitesharing agrega à BR Towers experiência operacional, sólido relacionamento com as principais operadoras de telefonia celular, além da credibilidade de uma empresa consolidada e líder em projetos de buildtosuit no mercado brasileiro. " f. Cabe concluir com a constatação do início do voto: Haja vista os fatos a seguir descritos, podese concluir que a Autuada foi constituída por um investidor, sr. Flávio (Sestri) e por alguém que já atuava da área de torres de telecomunicações, sr. Luigi (Servisite). b. Nas mensagens com os potenciais compradores, o sr. Flávio declarou que não lhe convém a proposta discutida e que decidiu que se ele vender suas ações, então deverá vender todas, porque as atividades de gerir a Sitesharing e paralelamente, administrar o dinheiro proveniente da venda de parte das ações não lhe seria viável. g. Quanto à constatação de que foram distribuídos dividendos que possibilitaram ao sr. Flávio o pagamento das aquisições que efetuou e quanto ao fato de, na cisão, terem sido objeto também as torres originalmente conferidas pela Servisite (sr. Luigi), observase que houve a aquisição pelo sr. Flávio de parte da participação da última, na Autuada, antes da cisão; também, a distribuição de dividendos obedeceu a participação de cada parte na Autuada e cada qual, inclusive o sr. Flávio é livre para utilizar tal soma, no que lhe convier; citese o Acórdão: Fl. 3463DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 33 32 em 31/07/2009, págs. 502/516, o sr. Flávio adquire da Servisite (sr. Luigi) 5.066.678 ações (a Servisite detinha 12.696.660 ações) da Autuada, por R$7.500.000,00 (valor em 30/06/2009) a serem pagas em 5 parcelas mensais consecutivas a partir de 01/05/2010, mediante cheques nominativos. Em 01/09/2010, págs. 241/257, 262/279, a Autuada é objeto de cisão parcial e seletiva e a parcela cindida, avaliada em R$44.382.330,00 (R$35.197.798,80 de participação na Sitesharing NE e R$9.184.531,36 de Imobilizado), valor contábil na data de 02/08/2010, R$9.184.531,00; é incorporada pela Sitesharing NE, que aumenta o CS em R$9.184.531,00, de R$14.619.471,00 para R$25.804.002,00; este capital é totalmente subscrito pelo sr. Flávio Em 19/04/2010, (...) a Autuada aprova a capitalização dos ativos na Sitesharing NE, a distribuição de R$9.308.701,02 de dividendos de 2008, para acionistas conforme posição em 31/01/2010; em 16/08/2010, págs. 292/293, a Autuada aprovou distribuição de dividendos relativos ano 2009, no total de R$15.260.165,60; assinaram os acionistas sr. Flávio e Serviste (sr. Luigi), e em 20/08/2010, dividendos complementares de 2009, R$7.500.000,00. Em 20/12/2010, págs. 298/299, a Autuada distribui R$8.300.000,00 de dividendo relativos a resultados até 31/10/2010, em conformidade com posição societária em 31/08/2010. A soma dessas distribuições resulta em R$32.068.866,62 e se computada a ultima referente a resultados até data posterior à cisão, o montante passa a ser R$40.368.866,62 sendo parcela significativa destinada à Sestri (sr. Flávio) e/ou ao sr. Flávio; o valor a pagar para a Sestri e Servisite totalizou R$25.453.754,00, a partir de 01/01/2010, mais R$7.500.000,00, a partir de 01/05/2010, isto é R$32.953.754,00; consta do TVF, pág. 916, que o sr. Flávio recebeu R$32.217.805,18, que corresponde a 80% dos R$40.368.866,62: 11. Em síntese, o conjunto de eventos analisados aponta que a situação se amolda ao art. 22 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, consolidado no art. 238 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 RIR/99: os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. 12. E fica descaracterizado que se tratou de simulação visando a venda da empresa e artifício a fim de que a tributação do ganho de capital na venda da parcela entregue ao sócio dissidente fosse tributada na pessoa física deste e não pela autuada. Fl. 3464DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 34 33 2.5 “III.3.4. EM RELAÇÃO AO ERRO QUANTO AO ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR 2.5.1 Argumentos dos Embargos. Neste ponto, o voto da I. Relatora concluiu pela inexistência de qualquer equívoco quanto ao aspecto temporal do fato gerador, tendo em vista que a SSTOWERS optou no anocalendário de 2011 pelo regime do lucro presumido, sujeitandose, assim, ao regime de competência. Logo, a realização da alienação no 1º trimestre de 2011 justificaria, desde então, o reconhecimento e a tributação do ganho de capital. Confirase: “58. A Autuada optou pelo lucro presumido, regime de competência (conforme TVF, pág. 936, § 132), por isso, a autuação tem como fato gerador o 1º trimestre de 2011, pois, obedecido o regime de competência, a realização da alienação se deu na data contratada; se empresa tivesse optado pelo lucro arbitrado, regime de caixa, seria o caso de considerar as datas de ingresso dos recursos no caixa, porém não foi esta a opção da Autuada.” (página nº. 13 do acórdão embargado) (...) (...) 2.5.2 Admissão do item embargado. Esta questão, com semelhantes argumentos, já foi aqui tratada quando da análise dos embargos opostos pela fiscalizada SSTOWERS, tendo os embargos, neste aspecto, sido admitidos para análise pelo colegiado, em razão da alegada existência de condições suspensivas no contrato celebrado pelo Sr. Flávio. Os embargantes acrescem aqui o argumento relativo ao “escrow account” (espécie de “contacaução” ou “conta de garantia”), entretanto, este aspecto, com a devida vênia, encontrase abarcado pela fundamentação do acórdão no sentido da utilização do regime de competência. Enquanto as condições suspensivas, se acaso consideradas existentes, afetam a própria eficácia do negócio jurídico, o depósito em conta de garantia para o cumprimento da eventual obrigação de indenização obviamente não ostenta tal natureza, de sorte que, uma vez ocorrido o fato gerador, o regime de competência impõe o reconhecimento da receita, consoante expôs o acórdão embargado. (...) 2.5.3 Voto da relatora dos Embargos. 23. Já respondido no item III.2 – Das Omissões e Obscuridade Quanto às Causas de Nulidade do Lançamento Fiscal . Fl. 3465DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 35 34 2.6 “III.4. CONTRADIÇÃO DO ACÓRDÃO EMBARGADO EM RELAÇÃO À APLICAÇÃO DO ARTIGO 112 DO CTN 2.6.1 Argumentos dos Embargos. Configurase a contradição quando os fundamentos do acórdão revelamse incompatíveis com o seu dispositivo. É justamente o que se verifica em relação à aplicação do artigo 112 do CTN no caso de dúvida objetivamente manifestada em razão de o desempate ter se dado por voto de qualidade. No caso, a qualificação da multa de ofício foi restabelecida justamente em razão de desempate promovido por voto de qualidade. Todavia, a despeito de o dispositivo do acórdão embargado ter dado parcial provimento ao Recurso de Ofício para tal fim, os respectivos fundamentos apontam em direção contrária, viabilizando a relevação da penalidade no presente caso. Com efeito, vejase excerto do voto da I. Relatora que corrobora o ora exposto: “102. Sobre aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF, o empate em uma votação não significa que há dúvida; significa, tãosomente, que as opiniões estão divididas; e que este artigo é norma de direito penal tributário, aplicável exclusivamente no contexto de ilícitos fiscais; esta regra detém natureza penal, qualificase como punitiva e somente pode ser aplicada em caso de infração penal fiscal e não em qualquer momento ou circunstância de interpretação de regras tributárias em geral.” (item nº. 102 do acórdão embargado) Ora, Srs. Julgadores, é exatamente este o caso em tela, pois os Embargantes requereram, em caráter subsidiário, o afastamento da penalidade, com base no artigo 112 do CTN, tratandose, assim, de infração penal fiscal. Se a norma do artigo 112 do CTN “somente pode ser aplicada em caso de infração penal fiscal” e, no caso concreto, estáse diante da aplicação de multa qualificada, então é evidente que o dispositivo do acórdão embargado deve ser modificado, a fim de que se negue provimento ao Recurso de Ofício, caso mantida a autuação, afastandose, ao menos, a penalidade decorrente da prática de suposto ilícito fiscal.” 2.6.2 Admissão do item embargado. Neste caso, é de se conceder haver de fato uma aparente contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou, ao menos, alguma obscuridade. Se a questão fosse encerrada apenas com a afirmativa de que “o empate em uma votação não significa que há dúvida; significa, tãosomente, que as opiniões estão divididas”, tal qual restou Fl. 3466DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 36 35 sintetizada na ementa (embora com outras palavras), haveria congruência entre a fundamentação e a decisão. Entretanto, ao trazer ao debate a alegação de que o artigo seria “norma de direito penal tributário, aplicável exclusivamente no contexto de ilícitos fiscais”, e que, portanto, somente poderia ser aplicada “em caso de infração penal fiscal e não em qualquer momento ou circunstância de interpretação de regras tributárias em geral”, o voto condutor dá a entender que os embargantes estariam demandando a aplicação do artigo em questão para questionar a autuação fiscal em si (“regras tributárias em geral”), e não apenas a multa qualificada (“norma de direito penal tributário”), quando é exatamente a aplicação da multa qualificada, em face do art. 112 do CTN, que é questionada pelos embargantes. E é neste momento que se apresenta a mencionada obscuridade e/ou contradição, a qual deve, portanto, também ser sanada pelo colegiado. 2.6.3 Voto da relatora dos Embargos. 24. A relatora reconhece a obscuridade e corrige o texto de: “102. Sobre aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF, o empate em uma votação não significa que há dúvida; significa, tãosomente, que as opiniões estão divididas; e que este artigo é norma de direito penal tributário, aplicável exclusivamente no contexto de ilícitos fiscais; esta regra detém natureza penal, qualificase como punitiva e somente pode ser aplicada em caso de infração penal fiscal e não em qualquer momento ou circunstância de interpretação de regras tributárias em geral.” (item nº. 102 do acórdão embargado) 25. Para: 102. Sobre aplicação do art. 112 do CTN, no caso de empate de votação no CARF, o empate em uma votação não significa que há dúvida; significa, tãosomente, que as opiniões estão divididas e a decisão no caso, foi tomada pelo voto de qualidade do Presidente da Turma de julgamento, segundo prerrogativa estabelecida no Regimento Interno do CARF. 26. O voto de qualidade dirimiu a dúvida quanto à capitulação da penalidade aplicada. 3 Conclusão. Voto por acolher os Embargos, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão a fim de DAR PROVIMENTO aos RECURSOs VOLUNTÁRIOs. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 3467DF CARF MF Processo nº 16561.720079/201568 Acórdão n.º 1201002.149 S1C2T1 Fl. 37 36 Fl. 3468DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.720494/2017-26
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RENDIMENTOS AUFERIDOS POR PORTADOR DE. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.
Satisfeitos os quesitos da legislação própria, provimento do recurso.
Numero da decisão: 2002-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez- Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (presidente da turma), Virgílio Cansino Gil (relator), Thiago Duca Amoni e Fábia Marcilia Ferreira Campelo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.729031/2011-81
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIMENTO.
A petição apresentada fora do prazo de trinta dias contados da ciência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional não caracteriza manifestação de inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Confirmada a intempestividade, a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida.
Numero da decisão: 1001-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso quanto aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: 06094153952 - CPF não encontrado.
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIMENTO. A petição apresentada fora do prazo de trinta dias contados da ciência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional não caracteriza manifestação de inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Confirmada a intempestividade, a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida.
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A petição apresentada fora do prazo de trinta dias contados da ciência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional não caracteriza manifestação de inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Confirmada a intempestividade, a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso quanto aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da Manifestação de Inconformidade e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 90 31 /2 01 1- 81 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11080.729031/201181 Acórdão n.º 1001000.494 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 65 a 71) interposto contra o Acórdão nº 1045.365, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS (fls. 55 a 57), que, por unanimidade, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/01/2009 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIMENTO. A petição apresentada fora do prazo de trinta dias contados da ciência do Ato Declaratório Executivo de exclusão do Simples Nacional não caracteriza manifestação de inconformidade, não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Confirmada a intempestividade, a manifestação de inconformidade não deve ser conhecida. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " O processo inicia com a apresentação, pelo contribuinte acima identificado, de Manifestação de Inconformidade em razão de sua exclusão do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte ( Simples Nacional ) através do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/POA nº 126777, de 22 de Agosto de 2008. A referida exclusão ocorreu em virtude do contribuinte possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa e está fundamentada no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123/2006 e na alínea “d” do inciso II do art. 3º, combinada com o inciso I do art. 5º, ambos da Resolução CGSN nº 15/2007, produzindo efeitos a partir de 01/01/2009. Consta do processo que o contribuinte foi cientificado do ADE por edital de 29/10/2008, com publicação no sítio da RFB em 30/10/2008 e apresentou sua Fl. 75DF CARF MF Processo nº 11080.729031/201181 Acórdão n.º 1001000.494 S1C0T1 Fl. 4 3 manifestação de inconformidade em 26/09/2011 alegando ter sido excluído do Simples Nacional devido a existência de débitos do qual foi notificado e não concorda, estando os mesmos quitados na data da apresentação de sua manifestação de inconformidade, com os respectivos encargos. Conclui pedindo sua reintegração no Simples Nacional via administrativa, evitando assim de ter de agir na Justiça. O contribuinte foi cientificado da Informação DRF/POA/SEORT nº 236 de 12 de setembro de 2011 de fls. 11 que informa não haver razão para revisão dos efeitos do ADE nº 126777/2008, tendo em vista a defesa ter sido apresentada fora do prazo. Em 31/10/2011 vem aos autos renovar sua inconformidade pela exclusão do Simples Nacional e informa que recorrerá ao Judiciário para se manter no sistema simplificado de tributação. O processo foi encaminhado à DRJ conforme despacho de fls. 54 sob o argumento de tratarse de “interposição tempestiva ao Termo de Indeferimento”, quando o interessado já havia sido notificado da Informação DRF/POA/SEORT nº 236/2011 de que a defesa apresentada fora do prazo, que é o seu caso, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento e não comporta julgamento de primeira instância." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que não conheceu da manifestação de inconformidade em razão da extemporaneidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário alegando, diversas vezes, que os atos praticados tanto pela RFB quanto pela DRJ de origem seriam abusivos e atentatórios aos direitos constitucionais da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, dele conheço apenas parcialmente. Passo a explicar as razões para o parcial conhecimento. Se faz oportuno salientar que nos casos em que o Recurso Voluntário é interposto contra decisão que não conheceu das razões iniciais oferecidas pelo contribuinte, seja por ocasião de Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, a cognição deve se restringir tão somente aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da medida processual interposta. Destarte, no caso deste Conselho entender que a decisão de piso errou ao não conhecer do processo, deve se limitar a anular o julgamento de primeira instância e determinar a baixa dos autos para que se realize novo julgamento, desta vez analisando o mérito. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11080.729031/201181 Acórdão n.º 1001000.494 S1C0T1 Fl. 5 4 Se não for desta forma, qualquer decisão desta instância recursal que se preste a proceder diretamente ao julgamento de mérito, cerne da questão trazida pelo contribuinte, estarseá suprimindo o primeiro grau de jurisdição, situação claramente incompatível com os ditames constitucionais. Assim, sendo exatamente esta a situação concreta dos presentes autos, esclareço que analisarei tão somente as questões que ensejaram o NãoConhecimento da presente medida por parte da DRJ de origem. Superada esta questão, passo à análise do recurso e da decisão ora atacada. Conforme se abstrai do timbre protocolar aposto na Manifestação de Inconformidade de fls. 0205, temse que a peça foi protocolizada apenas na data de 26/09/2011. Outrossim, conforme constou da decisão de piso e da Informação Fiscal de fls. 22, o contribuinte havia sido regularmente intimada do Ato Declaratório Executivo de n° 128677 na data de 14/11/2008. Logo, é visível e inconteste que a Recorrente buscou a revisão do ato, por esta via administrativa, apenas após transcorrido o lapso temporal de quase 03 anos. Desta forma, não há qualquer dúvida quanto a intempestividade do procedimento junto a primeira instância administrativa. Frisese que as regras processuais devem ser respeitadas, não havendo qualquer razão que justifique tal demora por parte da Recorrente. Isto posto, por consequencia, entendo prejudicada à analise dos argumentos da Recorrente quanto a regularização dos fatores que conduziram ao indeferimento da opção pelo Simples. Por derradeiro, diante de tudo o que foi exposto, VOTO no sentido de conhecer apenas parcialmente do Recurso Voluntário e a ele NEGAR PROVIMENTO, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11080.729031/201181 Acórdão n.º 1001000.494 S1C0T1 Fl. 6 5 Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.003220/2010-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo.
Numero da decisão: 1401-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por sua intempestividade. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 32 20 /2 01 0- 01 Fl. 310DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (DRJ/RPO), que, por meio do Acórdão 1462.088, de 28 de julho de 2016, julgou improcedente a impugnação apresentada. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Da Autuação: Versa o presente Processo Administrativo Fiscal (PAF)1 sobre impugnação à exigência de crédito tributário no valor total de R$ 3.237.093,68 (fl. 02), inclusos os consectários legais (multa de ofício no percentual de 75%; juros de mora calculados até 30/09/2010), constituído por autos de infração (fls. 81130) de tributos abrangidos pelo sistema Simples (referentes aos períodos de apuração mensais do anocalendário de 2006) – ante a constatação fiscal de omissão de receitas. A mencionada infração fiscal foi verificada do confronto entre os valores (de bases de cálculo) declarados pelo sujeito passivo na PJSI 2007 (Declaração Simplificada PJ – Simples) e em GIAs (Guias de Informação e Apuração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (TVF), integrante dos autos de infração, e incluso às fls. 6063 do PAF. A discriminação do crédito tributário concernente a cada tributo e o respectivo enquadramento legal estão consignados nos autos de infração, cujos valores e folhas do PAF são os seguintes: Crédito Tributário Apurado Tributo Valor (em R$) Fls. Imposto de Renda Pessoa JurídicaSimples 228.448,40 8190 Programa de Integração Social – Simples 166.938,83 91100 Contribuição Social s/o Lucro Líquido – Simples 228.448,40 101110 Contribuição p/ Financ. Seguridade SocialSimples 671.001,74 111120 Contribuição p/ Segur.SocialINSSSimples 1.942.256,31 121130 Total 3.237.093,68 Também integram os referidos autos de infração os seguintes demonstrativos: Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta (fls. 6467); Demonstrativo de Apuração dos Valores Não Recolhidos (fls. 6874); Demonstrativo de Apuração do Imposto/Contribuição Sobre Diferenças Apuradas (fls. 7580). No mencionado TVF (fls. 6063), a fiscalização relatou que o procedimento fiscal (iniciado em "02/08/2010") foi programado na pessoa física do Sr. Luciano Barreto Gomes (ora interessado) em decorrência da sua condição de "sócio responsável" da empresa "BS MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS LTDA., CNPJ Nº 1 Cabe esclarecer que o presente processo (PAF) foi constituído originalmente em papel, sendo posteriormente convertido em processo digital. Destarte, as numerações (de folhas) citadas por este julgador referemse ao processo digitalizado buscando facilitar a consulta (no sistema eProcesso) dos elementos referidos. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 19515.003220/201001 Acórdão n.º 1401002.517 S1C4T1 Fl. 310 3 07.491.560/000135", que se encontrava (desde "16/01/09") em situação cadastral de "Baixa, por motivo de Extinção, e o cadastro perante a Junta Comercial de São Paulo apresentar o arquivamento do Distrato Social (data 16/01/09)". Ressaltou que a baixa no cadastro do CNPJ "é aceita condicionalmente pela Receita Federal, com ressalva do direito à exigência de possíveis crédito tributários posteriormente, e figurase a pessoa física do sócio responsável da empresa baixada como sujeito passivo deste crédito tributário". Descreveu que a apuração da "Receita Bruta através" das referidas GIAs foi necessária ante a falta de apresentação "dos Livros Contábeis, Comerciais e Fiscais obrigatórios do anocalendário de 2006" ainda que o sujeito passivo tenha sido intimado e reintimado para essa apresentação, mediante o Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), de 01/07/2010, e respectivos termos de reintimação, de 02/08/2010 e 15/09/2010 (fls. 4653), tendo "expirado em 28/09/2010" o último prazo concedido. Narrou a constatação de divergências entre os valores declarados pela empresa (de "Receita Bruta Declarada") à Receita Federal (na PJSI 2007) e à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (em GIAs), bem como a intimação para o sujeito passivo para justificar essas divergências intimação essa levada a efeito mediante o Termo de Intimação Fiscal de 29/09/2010 e respectivo Anexo (fls. 5456). Em resposta (fl. 57; de 06/10/2010), conforme narrado no termo fiscal, o sujeito passivo comunicou o seguinte: "deixa de entregar os documentos solicitados por motivo de extravio, deixando de contestar os valores informados". "Diante do exposto", e consoante demonstrativo inserto no tópico "DAS BASES DE CÁLCULO", a fiscalização efetuou lançamento de ofício (“através do Auto de Infração Simples Ano Calendário 2006”) referentemente aos "valores das Receitas não declaradas e não oferecidas à tributação”, a “título de Omissão de Receita ou Rendimento”. No tópico final, "DO ENCERRAMENTO", a autoridade fiscal, além de identificar todos os procuradores que "Atenderam a fiscalização", relacionou os elementos juntados ao PAF ("cópias dos documentos"), entre os quais, "Guias de Informação e Apuração do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo pelo contribuinte". Também constou, do TVF, informação de que "procedeuse à elaboração de Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples a partir de janeiro de 2007", justificada pela constatação de que "no Ano Calendário 2006 o contribuinte excedeu ao limite da Receita Bruta para permanência na Forma de Tributação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES e não realizou a devida exclusão no período subsequente, de acordo com o disposto nos artigos 2º, 9º e 12º ao 16º da Lei 9317/96 (...) Receita Bruta Apurada Ano Calendário 2006: R$ 10.174.786,89 (...)". Da Impugnação: Cientificado da exigência em 13/10/2010 (ciência pessoal do procurador Sr. José Válmi Brito, fls. 51/5859), o sujeito passivo (por seu advogado, Sr. Guilherme Fl. 312DF CARF MF 4 de Azevedo Camargo; fls. 151153), apresentou, em 11/11/2010, impugnação (fls. 136150) e anexos (fls. 151222), alegando o seguinte, em síntese: ("II PRELIMINARMENTE: DO CERCEAMENTO DE DEFESA") A ampla defesa, além de princípio a ser observado pela Administração Pública (art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999), é "uma garantia constitucional" (art. 5º, LV, da CF), da qual decorre o dever do Estado "de tornar absolutamente clara e precisa a ofensa que entende estar sofrendo", e somente "pode ser de fato exercida, por quem quer que seja, se for conhecida a acusação que lhe é formulada". No caso presente, "ocorreu cerceamento de defesa, vez que se trata de matéria eminentemente de verificação de fatos ocorridos, sendo absolutamente necessária a análise detalhada pelo contribuinte de todos os documentos que eventualmente registram as operações a ele imputadas, e, conforme o caso, que venham a comprovar atuação contrária à lei."; Os "documentos" (GIAs) utilizados pela fiscalização como base para a autuação (conforme trecho transcrito do relatório fiscal) "não estão nos autos (...)"; "A prova é a soma dos fatos produtores da convicção do Fisco, apurados no processo administrativo tributário. Com isso, é absolutamente necessário que o contribuinte tenha ciência de todos os documentos que integram os autos e embasaram o Auto de Infração, para que sobre tais documentos possa se manifestar, exercendo, assim de forma ampla seu direito de defesa". "(...) Indiscutível, por isso, o cerceamento de defesa ocorrido no presente caso, haja vista a impossibilidade do contribuinte possuir todas as informações que deram suporte ao lançamento, ficando restrito às informações contidas no Auto de Infração."; Processo administrativo "sem oportunidade de defesa ou com defesa cerceada é nulo", de acordo com o que tem decidido reiteradamente os "Tribunais Judiciais", e consoante já decidiu o "Primeiro Conselho de Contribuintes" (ementa transcrita). "Pelo exposto, resta caracterizado e demonstrado o cerceamento de defesa havido."; ("III DO ÔNUS DA PROVA") "Cabia ao Fisco Federal provar nos autos que a contribuinte praticou ilícitos tributários". Presunções, "apontamentos infundados", não tornam determinada pessoa, física ou jurídica, "responsável por aproximadamente quatro milhões de reais". O ônus de provar incumbe a quem alega, conforme disposto no art. 9º do "Decreto 70.235/72, art. 333 do Código de Processo Civil e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Dessa forma, (...) é imprescindível, para a configuração do ilícito tributário, que o Auto de Infração seja instruído com elementos probantes que demonstrem, dentro de uma margem segura e clara, a materialidade e autoria de determinada infração."; "Ora, Nobre Julgador, não é admissível que a fiscalização fundamente toda ação fiscal em informações/documentos obtidas através de GIA, sem permitir que o contribuinte tenha ciência destas informações. Não é papel do contribuinte realizar prova negativa de um fato tributário que sequer conhece."; "Concluindo" (amparandose em doutrina e jurisprudência sobre o ônus da prova), "não há como responsabilizar o contribuinte por atos não provados nos autos, já que inexiste no processo qualquer documento que aponte os valores considerados pela fiscalização."; ("IV DO ARBITRAMENTO COM BASE NO SIMPLES NACIONAL") "O Auto de Infração aqui combatido não poderia ter sido realizado com base no Simples Nacional. Em que pese o artigo 15 e 16 determinarem que os efeitos da exclusão, quando existe o excesso de faturamento, operamse a partir do ano calendário seguinte, alguns outros pontos devem ser considerados."; Fl. 313DF CARF MF Processo nº 19515.003220/201001 Acórdão n.º 1401002.517 S1C4T1 Fl. 311 5 "A empresa BS Móveis e Eletrodomésticos Ltda. não poderia ser uma empresa optante pelo Simples Nacional. Isto porque, de acordo com o mandamento inserto no inciso II, do artigo 9º , da Lei n° 9.317/96 a empresa já possuía, no ano calendário imediatamente anterior (pelo menos nos seis meses em que funcionou) faturamento superior ao máximo legal. Assim, caberia a Receita Federal do Brasil ter procedido ao indeferimento da inscrição da empresa no Simples Nacional, o que não foi feito. Vejamos trecho do Auto de Infração: '(...) procedeuse à elaboração de Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples Nacional a partir de janeiro de 2007 (Grifamos)'; "Cumpre Ressaltar ainda, que em momento algum é mencionado o número, data, Ato Declaratório de Exclusão ou qualquer outra informação que demonstre a forma de exclusão havida. Não existe no sistema de pesquisas da Receita Federal qualquer Representação Fiscal para Fins de Exclusão do Simples protocolada, o que deveria existir e estar disponível para pesquisa no site da Receita, precisamente no campo de pesquisas de processos e representações fiscais."; "Se não bastasse a omissão de informações acerca da existência desta Representação Fiscal para Fins de Exclusão, o que por si só configura cerceamento de defesa, deveria o Douto Fiscal ter afastado a incidência dos parâmetros do Simples Nacional, desde a data da opção, por ser uma empresa inapta a esta forma de tributação, afinal obteve em 2006 o faturamento de R$ 10.174.786,89."; "Assim, não há como considerar a forma de tributação com base no Simples Nacional, devendo ser este Auto anulado."; ('V DO PEDIDO") "Pelo exposto é a presente para requerer: a) A nulidade deste Auto de Infração, pelo cerceamento de defesa e inversão do ônus da prova, já que a administração tributária não permite que a contribuinte tenha acesso aos documentos que serviram como base ao arbitramento realizado. b) Salvo melhor entendimento, requer seja anulado o Auto de Infração aqui combatido por ter sido realizado com base em forma de tributação que não se aplica a empresa BS Móveis e Eletrodomésticos Ltda." É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do Acórdão 1462.088, de 28 de julho de 2016, julgou improcedente a impugnação apresentada pelo outrora impugnante, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 INFORMAÇÕES FISCAIS. COMPARTILHAMENTO. ADMINISTRAÇÕES TRIBUTÁRIAS. ATUAÇÃO INTEGRADA. O compartilhamento de informações fiscais, de interesse recíproco, entre os órgãos de fiscalização tributária dos entes da federação, tem respaldo legal e constitucional, e a sua necessidade e utilidade transparece quando o contribuinte fiscalizado deixa de apresentar elementos ou esclarecimentos objeto de intimação. Fl. 314DF CARF MF 6 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Descabe falar em nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição, e proporcionou amplo direito de defesa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A primeira tentativa de ciência do Acórdão da DRJ restou improfícua, em razão do não recebimento da intimação sobre a referida decisão da DRJ consta no AR de efl. 271 a informação "mudouse" . Em razão disso, foi afixado Edital eletrônico nº 001971591 (efl. 275), cuja ciência se deu na data de 27/09/2016 (terçafeira dia útil) 15 (quinze) dias após sua afixação. Desta forma, o prazo final para apresentação do recurso voluntário seria na data de 27/10/2016. O recorrente, por sua vez, apresentou o recurso somente na data de 31/10/2016, conforme termo de solicitação de juntada de efl. 301. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Intempestividade do Recurso Voluntário Como visto no relatório deste acórdão, o recurso voluntário foi apresentado intempestivamente. A ciência do acórdão da DRJ à recorrente se deu via Edital eletrônico nº 001971591 (efl. 275) na data de 27/09/2016 (terçafeira). A afixação do Edital deuse em razão da tentativa inútil de se intimar o impugnante via postal. No ARECF (efl. 271), consta informação de "mudouse", sendo que o contribuinte não havia alterado seu domicílio fiscal nos cadastros da RFB. De acordo com a redação vigente do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que regula o processo administrativo fiscal, as intimações serão feitas, inicialmente, nos seguintes moldes: Fl. 315DF CARF MF Processo nº 19515.003220/201001 Acórdão n.º 1401002.517 S1C4T1 Fl. 312 7 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (sublinhei) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Como dito anteriormente, a tentativa de intimação por via postal restou improfícua. Desta forma, o §1º do artigo acima prevê forma subsidiária de intimação do sujeito passivo, por via Edital, veja: § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; (sublinhei) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. O Edital foi publicado na data 12/09/2016; logo, a intimação ocorreu na data de 27/09/2016 ou seja, 15 (quinze) dias após a data da publicação, conforme previsto no § 2° também do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 , veja: § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. Portanto, o início do prazo para interposição de recurso voluntário se deu em 28/09/2016 (quartafeira dia útil). O caput do art. 33 determina o prazo para interposição de recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 316DF CARF MF 8 Da redação do dispositivo acima, vêse que o recurso voluntário deveria ter sido protocolado até a data de 27/10/2016 (quintafeira). E, uma vez que o recurso voluntário proposto pela recorrente foi apresentado em 31/10/2016 (cf. termo de solicitação de juntada de efl. 301 e protocolo de efl. 277), temse que o recurso voluntário foi proposto intempestivamente. O recorrente alegou em seu recurso voluntário que havia tomado ciência do presente feito apenas em consulta ao sistema comprot, pois não possuía certificado digital. Sendo assim, solicitou cópia do processo em 11/10/2016, mas que somente foi disponibilizada em 27/10/2016. Desta forma, afirma que o recurso é tempestivo. Esse argumento, a meu ver, não se sustenta, pois a forma de ciência seguiu os trâmites do processo administrativo fiscal: 1º) tentativa via postal; e 2º) intimação via Edital. Em nenhuma das duas formas, há necessidade de se possuir certificado digital para que a ciência seja validada, razão pela qual tal argumento deve ser afastado. Assim, a decisão a quo deve ser mantida na íntegra. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 317DF CARF MF
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