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Numero do processo: 11020.905323/2015-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte.
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COFINS Recorrente KEKO ACESSORIOS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicandose o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 23 /2 01 5- 64 Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 2 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, rejeitando as preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o direito creditório postulado. O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos realizados de maneira indevida ou a maior e o despacho decisório, que não reconheceu o direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de: i)Ausência de fundamentação, resultando em desvio de finalidade na busca pela verdade material, uma vez que não foi diligenciado para aferição do crédito pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações; Fl. 159DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72, instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações ao Contribuinte, apreensão de documentos fiscais, diligências até a sede da Empresa, entre outros expedientes; iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa. No mérito, alegou a Contribuinte que: iv) Deve ser possibilitada posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas em manifestação de inconformidade, em respeito ao princípio administrativo da verdade material, possibilitando a comprovação do direito creditório; v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido, devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e proporcionalidade; vi) O percentual de multa aplicado para o caso de descumprimento de obrigação principal, mesmo que expressamente previsto na legislação pertinente, deveria sempre guardar proporção com o valor da prestação tributária exigida, bem como adequarse e/ou assemelharse aos novos critérios de aplicação de multas estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado. O Acórdão nº 02073.157 manteve o despacho decisório. Regularmente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.753, de 24 de outubro de 2018, proferido no julgamento do processo 11020.900612/201658, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402005.753): "Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 4 Preliminar A Recorrente alega preliminarmente que o despacho decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, resultando em desvio de finalidade. Sem razão. Está correta a decisão recorrida ao concluir pela aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Com a detida análise dos autos é possível constatar que tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, não estão instruídos com documentos passíveis de corroborar com as alegações da defesa. Ao invés de comprovar a certeza e liquidez ou, ainda, proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não homologou a compensação, a Recorrente cingiuse em alegar a ausência das razões da não homologação, invocando os Princípios Constitucionais do Contraditório, Ampla Defesa e Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade Fazendária. Ao contrário do que alega a Recorrente, aplicase o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão nº 3401003.907, acatando por unanimidade o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo Administrativo Fiscal nº 13832.000095/9970, conforme Ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992 ÔNUS DA PROVA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem do indeferimento de pedido de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 5 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Transcrevese abaixo parte do fundamento que embasou o respeitável voto do julgado acima citado: Em se tratando de pedido de restituição combinado com pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que possui o direito de crédito e no montante por ele alegado, o que implica a guarda da documentação necessária para tanto não pelo prazo de 5 (cinco) anos da realização dos pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente, mas até o encerramento da discussão administrativa ou judicial em que pretende ver aquele direito de crédito reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a seguir: CTN: "Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram". (grifos nossos) Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): "Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos) Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto Lei nº 486, de 1969, art. 4º). (...) Art.923.A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 6 preceitos legais. (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 9º, §1º)". (grifos nossos) Neste caso, não se aplicam as hipóteses de nulidade previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão recorrido estão motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição do direito de defesa da Contribuinte. Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em análise. Mérito Princípio da Verdade Material A Recorrente invoca o Princípio da Verdade Material para alegar que deveria o Agente Fiscal apurar os fatos independentemente de suposições ou indícios, possibilitando à manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar o direito creditório. Com efeito, a busca pela verdade material deve prevalecer, possibilitando ao Contribuinte apresentar todos os meios de provas necessários para comprovação de seu direito. No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a Recorrente não apresentou qualquer documento passível de comprovar o direito alegado, tampouco procedeu à Retificação da DCTF no prazo concedido para manifestação de inconformidade. O Artigo 37 da Lei nº 9.430/1996 prevê que "Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios". Reiterase a aplicação do artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, bem como a incidência do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3302005.292, proferido pela 3ª Câmara da 2ª Turma Ordinária da 3ª Seção deste Tribuna Administrativo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 7 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. INDEFERIMENTO. O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido se o contribuinte não apresentar os documentos necessários a análise e confirmação do valor do crédito pleiteado/compensado. Para esse fim, o postulante deve apresentar à fiscalização, quando solicitado, os arquivos digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à comprovação dos créditos apropriados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O aproveitamento de crédito decorrente do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, seja sob a forma de dedução, compensação ou ressarcimento, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros moratórios. COMPENSAÇÃO DECLARADA. ANÁLISE ANTES DE COMPLETADO O PRAZO DE CINCO ANOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há homologação tácita da compensação declarada quando o contribuinte é cientificado do despacho decisório não homologatório da compensação antes de completado o prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da correspondente declaração de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA.. IMPRESCINDIBILIDADE DA NOVA PROVA. INDEFERIMENTO. Se nos autos há todos os elementos probatórios necessários e suficientes à formação da convicção do julgador quanto às questões de fato objeto da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência e perícia formulado. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 8 ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, a produção da prova pericial somente se justifica nos casos a análise da prova exige conhecimento técnico especializado. Por não atender tal condição, a apreciação de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização de perícia técnica. 2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA IMPRESCINDÍVEL À COMPROVAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO NA FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA E INTENCIONAL. PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR PROPRIAM TURPITUDINEM ALLEGANS. REABERTURA DA INSTRUÇÃO PROBATÓRIA NA FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO. Se no curso do procedimento fiscal, após ser intimada e reintimada a recorrente, de forma deliberada e como estratégia de defesa, omitese de apresentar os arquivos digitais e a documentação contábil e fiscal necessária à apuração da certeza e liquidez do crédito da Cofins pleiteado, a reabertura da instrução probatória na fase recursal, inequivocamente, implicaria clara afronta ao princípio jurídico de que ninguém pode se beneficiar de sua própria torpeza (ou nemo auditur propriam turpitudinem allegans). DESPACHO DECISÓRIO PROFERIDO POR AUTORIDADE COMPETENTE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INEXISTENTE. NULIDADE. IMPOSSIBILIDAE. Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e que contenha todos os fundamentos fáticos e jurídicos suficientes para o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 9 Recurso Voluntário Negado. Da alegação de Inaplicabilidade da multa em face do Princípio Constitucional do Não Confisco e dos Princípios Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade. A Recorrente questiona a multa aplicada, alegando tratarse de penalidade confiscatória, ilegal e inconstitucional. Alega que: O valor lançado a título de multa, flagrantemente ilegal como a seguir demonstrarseá, é manifestamente excessivo, ferindo, desta maneira o princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade. Neste contexto, é princípio básico que a pena, no caso a multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar os estritos limites da lei – ou ainda, do direito como um todo valendo para o caso específico do direito tributário, a definição legal do tributo como insuscetível de servir como instrumento de penalização do contribuinte. (...) De outra banda, importa consignar que as obrigações acessórias, entre elas a multa, podem ter duas naturezas, sendo uma tributária e, neste caso, converterse em principal, e a outra de natureza punitiva, que, ipso jure, convertese também em principal. No primeiro caso, o que era princípio na legislação esparsa, convertese em mandamento constitucional e legal impeditivo da bitributação com a mesma base de cálculo, vedando o bis in idem a partir do mesmo fato gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado. Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o Código Tributário Nacional, como antes dito, mandava converter a obrigação acessória, qualquer que fosse sua natureza, administrativa ou punitiva, em obrigação principal. Contudo, a tolerância tinha origem na idéia de que a obrigação principal art. 113, 3º, do CTN surge com a ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também a penalidade pecuniária. (...) Assim, a multa em questão é totalmente inexigível, uma vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 10 acima referidos, devendo ser reformado o acórdão recorrido também neste ponto. Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao estabelecer a fixação de juros de mora e multa: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa aplicada atende ao limite de 20% (vinte por cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito. Portanto, não há que se alegar caráter confiscatório, tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade. Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Taxa Selic A Recorrente questiona a aplicação da Taxa Selic na correção do crédito tributário, argumentando pela ilegalidade do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários. Não assiste razão à Recorrente, considerando a incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11020.905323/201564 Acórdão n.º 3402005.767 S3C4T2 Fl. 0 11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO para manter na íntegra o acórdão recorrido. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001331/2007-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Nos termos do Decerto 7.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE.
A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n9 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2301-005.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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NULIDADE. Nos termos do Decerto 7.235, somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ONUS PROBANDI A CARGO DO CONTRIBUINTE. A comprovação da origem dos depósitos bancários no âmbito do artigo 42 da Lei n9 9.430/96 deve ser feita de forma individualizada (depósito a depósito), por via de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 31 /2 00 7- 70 Fl. 276DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, João Maurício Vital, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado para substituir a Conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, ausente justificadamente), Antônio Sávio Nastureles e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2005 e 2006, decorrente de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Após a impugnação a DRFB de Julgamento em Brasília manteve parcialmente a autuação (mantendo parte do imposto de 2005 acrescido de multa e juros) e o contribuinte apresentou recurso à este conselho onde reitera as argumentações da impugnação que em apertada sínteses são: Que teria ocorrido o cerceamento do direito de defesa pois as informações colacionadas no Auto de Infração não permitem identificar nos 19 lançamentos bancários, de que banco e de que conta diz respeito o Auto, sendo este Nulo. Aduz que não se desincumbiu o d. Auditor de demonstrar de quais contas bancárias provinham os valores discriminados na planilha que gerou a autuação e que não foram apontadas as fontes dos recursos reclamados pela Receita, não há possibilidade para o exercício da defesa. Entende que o depósito em conta corrente da pessoa física, por si, não representa 'acréscimo de patrimônio ou de renda tributável. Por essa razão, prevê o art. 2°, da Lei 7.713/88 o fato gerador apenas no final do exercício financeiro, em 31 de dezembro. Afirma que desconhece a importância de R$ 44.487,00, datada de 31/01/04, destacado como o primeiro fato gerador apontado. Esse valor não transitou por suas contas e todos os valores foram devidamente esclarecidos e comprovados. Destaquese, dentre eles, o depósito de R$ 40.000,00 na conta corrente n° 269.2546, do Banco do Brasil, no dia 06 de janeiro de 2004. Alega que, atenção à solicitação, esclareceu ao Auditor que os valores foram depositados por sua esposa Flauzina Aparecida Gomes Pinheiro, fruto da comercialização de um automóvel, devidamente e tempestivamente lançado na DIRPF. Na oportunidade, foram apresentados documentos comprobatórios, dentre eles a DIRPF e o Documento Único de Transferência do veículo e que embora tenha recebido a documentação comprobatória, o Fl. 277DF CARF MF Processo nº 14041.001331/200770 Acórdão n.º 2301005.751 S2C3T1 Fl. 277 3 Auditor conclui que o depósito daquele valor não ficou devidamente comprovado. A conclusão se limita a juízo de valor pessoal, que contraria a documentação apresentada, em total prejuízo do contribuinte. Requer o provimento do recurso e seu provimento. Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Em que pese o inconformismo do recorrente, suas razões não merecem prosperar. Da Nulidade No tocante aos aspectos relativos à nulidade dos atos que compõem o processo fiscal, destaquese o estabelecido pelo artigo 59, do Decreto n" 70.235, de 6 de março de l972: Art. 59. São nulos. I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa Da leitura dos dispositivos acima transcritos, concluise que o Auto de Infração só poderá ser declarado nulo se lavrado por pessoa incompetente ou quando não constar, ou nele constar de modo errôneo, a descrição dos fatos ou o enquadramento legal de modo a consubstanciar preterição do direito de defesa. No caso em tela, observase que o auto de infração contém os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. l0 do Decreto n. 70.235/72, não ensejando declaração de nulidade. Ademais, ao contrário do que alega o recorrente, o Anexo I do Termo de Intimação Fiscal de fls. 138 e seguintes traz detalhadamente os valores lançados bem como os dados das contas bancárias de onde foram obtidos tais valores. Desta forma, não merece prosperar a alegação de nulidade do auto de infração suscitada pelo recorrente. Do mérito A presente autuação decorreu de omissão de rendimentos provenientes de valores depositados em contas correntes ou de investimento mantidas em instituições financeiras, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações não foi comprovada mediante documentação hábil. Fl. 278DF CARF MF 4 O recorrente alega que desconhece a importância de R$ 44.487,00, datada de 31/01/04, destacado como o primeiro fato gerador apontado. Ocorre que, como já informado no TVF, esse valor se refere a somatória dos valores depositados no decorre do mês de janeiro de 2004. Com relação a alegação de ter sido comprovada a origem do depósito de R$ 40.000,00, como sendo oriundo da venda de um veículo em 06/01/2004, os documentos acostados aos autos contradizem as alegações do recorrente, em especial os de fls. 194 e 195 que dão conta de que a venda do veículo ocorrera em setembro de 2004 e pelo valor de 39.500,00. Ou seja, tanto a data como o valor da venda são diversos daquele apontado pelo recorrente. A presente autuação teve como fundamentação legal a Lei n° 9.430/1996, art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4° da Lei n° 9.481/1997, que assim dispõe: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão ás normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica, II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente ex época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Logo, à partir da referida Lei, a existência de depósitos não escriturados, ou de origens não comprovadas tomouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos, que veio se juntar ao elenco já existente; com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi ao seu cargo. Antes, tal previsão não existia, e com isso o fisco precisava, nos estritos termos do parágrafo 5° e do caput do artigo 6° da Lei n° 8.021/90, não apenas constatar a existência dos depósitos, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização Fl. 279DF CARF MF Processo nº 14041.001331/200770 Acórdão n.º 2301005.751 S2C3T1 Fl. 278 5 de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de receitas. Há, portanto, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, devendo o contribuinte fazer prova em contrário, através de documentação idônea, das razões para a não incidência do tributo. Destacase que a decisão de primeira instância já excluiu do lançamento os valores relativos aos créditos que, analisados individualizadamente eram inferiores a R$ l2.000,00, já que, no caso em tela, o somatório foi inferior a R$ 80.000,00, ou seja, RS 36.562,00 (AC 2004) e R$42.083,52 (AC 2005), conforme a determinação do art. 42, § 3", ll, da Lei 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 4" da Lei 9.48 l/I997 (tls. 370/372 e 392). Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 280DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902959/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS.
Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT.
Numero da decisão: 3401-005.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 59 /2 01 0- 42 Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10830.902959/201042 Acórdão n.º 3401005.746 S3C4T1 Fl. 682 2 Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual do pedido eletrônico de ressarcimento de IPI, PERDCOMP n° 19295.39724.240206.1.3.017098, e das DCOMP associadas referentes ao 4º Trimestre de 2005, constantes das fls. 02 a 285. Os débitos compensados estão sendo controlados pelos processos eletrônicos 10830.903019/201071 e 10830.720419/201042 (extratos às fls. 288 a 295). O processo foi encaminhado ao Setor de Fiscalização para prosseguimento, sendo o contribuinte cientificado de Termo de Início de Ação Fiscal em 31/05/2010. 2. Em 20/10/2010 foi lavrada a Informação Fiscal anexada às fls. 305 e 306. A Autoridade Tributária constatou a falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando os respectivos produtos/modelos. Por meio de Auto de Infração, objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 10830.014190/201011, foi realizado o lançamento de ofício dos débitos de IPI apurados. 3. Em relação ao 4º trimestre de 2005, foi constatada uma redução no valor passível de ressarcimento para R$ 13.287.193,09. O AuditorFiscal realizou uma glosa no valor de R$ 6.049.097,64; assim, do valor pleiteado no montante de R$ 19.336.290,73, foi reconhecido R$ 13.287.193,09. 4. Em 11/11/2010 o contribuinte tomou ciência, por via postal, do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS nº 2338/2010, cuja decisão possui o seguinte teor: Assim, pela competência a nós delegada, reconhecemos à interessada o crédito no valor de R$ 13.287.193,09 relativo ao saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados apurado no 4º trimestre de 2005 e homologamos, até esse limite, as compensações declaradas para os débitos controlados nos processos de cobrança (eletrônicos) n°s 10830.903019/201071 (que foi encerrado) e 10830.720419/201042 (no qual remanesceu saldo devedor), de acordo com os demonstrativos de compensação à fls. 164/170 e os extratos SIEF à fls. 171 e 172/173. 5. Em 13/12/2010 o contribuinte, irresignado com esta decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Para sua surpresa, contudo, foi lavrado Auto de Infração, ora atacado, do qual a Impugnante foi notificada em 28 de outubro de 20104, através do qual a d. fiscalização federal acusa a Impugnante de ter reduzido indevidamente o IPI a ser pago na comercialização de alguns modelos por ela comercializados, os quais, na visão do fisco, não estariam contemplados pela Portaria Interministerial n. ° 838/01. Assim ficou redigida a acusação fiscal, ipsis litteris: (..) Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10830.902959/201042 Acórdão n.º 3401005.746 S3C4T1 Fl. 683 3 O que, em uma primeira leitura, pode parecer violação à Lei n.° 8.248/91 e de sua regulamentação, na verdade representa, com a devida vênia, o resultado de trabalho de fiscalização mal conduzido pelo d. agente autuante, na medida em que, como se comprovará na presente impugnação, todos os produtos e seus respectivos modelos comercializados pela Impugnante durante o período autuado estão listados na Portaria Interministerial n° 838/01, não havendo, portanto, crédito de IPI pendente de lançamento a justificar a existência e validade da autuação ora atacada. É o que a Impugnante passa a demonstrar. III.PRELIMINARMENTE: Da nulidade da autuação por patente falha na busca da verdade dos fatos (...) Isso porque o d. agente fiscal, louvandose em respostas que tachou de supostamente "evasivas", preferiu presumir que alguns dos produtos fabricados e comercializados pela Impugnante não estariam incluídos no espectro de incidência do beneficio fiscal veiculado pela Lei n.° 8.191/91, prorrogado pela Lei n.° 8.248/91, ao invés de buscar a verdade dos fatos, a qual, como se demonstra à exaustão na presente defesa, certamente o levaria a conclusão diversa: todos os produtos questionados pela fiscalização estão relacionados na Portaria Interministerial n° 838/01 e, portanto, fazem jus aos benefícios em questão. (...) Portanto, demonstrada a inobservância ao valioso principio da verdade material no presente caso, a decretação de nulidade de todo procedimento fiscalizatório em analise e, conseqüentemente, do auto de infração que deu origem a este processo, é medida que se faz imperativa no presente caso. IV. DO DIREITO a. Do histórico legislativo relativo ao beneficio fiscal aplicável aos produtos manufaturados pela Impugnante (...) b. Da habilitação da Impugnante ao benefício fiscal em tela (...) c. Dos modelos de produtos questionados pela d. fiscalização (...) cl. Divergência de descrição contida nas notas fiscais e na Portaria Interministerial de modelos sem versões internas (...) Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10830.902959/201042 Acórdão n.º 3401005.746 S3C4T1 Fl. 684 4 c.2 Divergência de descrição contida nas notas fiscais e na Portaria Interministerial de modelos com versões internas (...) d. Conclusão sobre os modelos relacionados à autuação e sobre o benefício fiscal em pauta III DO PEDIDO Diante do exposto, a Manifestante pede e espera, inicialmente, que o presente PAF seja unificado no PAF 10830.014190/2010 11 ou, alternativa e sucessivamente, na remota hipótese desse pedido não ser deferido, seja o processamento do presente caso imediatamente sobrestado, até que haja decisão final prolatada nos autos do PAF 10830.014190/201011. Na eventualidade de os Ilustres Julgadores assim não entenderem, a Manifestante pede e espera que o direito creditório pleiteado seja integralmente reconhecido com o deferimento da presente manifestação de inconformidade, em virtude dos elementos de fato e de direito apresentados no item 111.1 da presente manifestação de inconformidade. 6. Em 29/03/2011 sobreveio decisão da DRJ/RPO, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. Há que se observar que o julgamento do presente não foi prejudicado, pois o processo administrativo n° 10830.014190/201011, foi julgado por esta turma, em 22 de março de 2011 (Acórdão 14032.958), sendo ratificado o procedimento fiscal por unanimidade de votos e o lançamento considerado procedente, conforme ementa transcrita abaixo: (...) Sendo assim, dada a inexistência de crédito no montante solicitado pela contribuinte, impossível a homologação da compensação pleiteada. 7. Em 27/05/2011 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ, repisando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. 8. Em 26/06/2012, esta Turma exarou a Resolução nº 3401000.501, na qual, por unanimidade de votos, decidiuse por converter o julgamento do Recurso em diligência, nos seguintes termos: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10830.902959/201042 Acórdão n.º 3401005.746 S3C4T1 Fl. 685 5 face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. (...) Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Assim, se, de um lado, não se faz necessária a juntada dos dois processos, conforme aliás, preconiza a instância ora recorrida, porquanto, acresço eu, nada de irregular existe na forma com que autuados os processos, de outro, é imperioso que o julgamento deste processo seja sobrestado até que haja o deslinde da discussão travada no processo que trata do lançamento de débitos de IPI. Por óbvio que, caso se julgue indevida a reconstituição do saldo credor efetuada pelo Fisco no outro processo, também restarão indevidas as glosas dos créditos aqui efetuadas. 9. Em 31/01/2018 sobreveio a decisão final no processo nº 10830.014190/201011, nos seguintes termos: A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 10830.902959/201042 Acórdão n.º 3401005.746 S3C4T1 Fl. 686 6 As conclusões do Parecer Técnico foram resumidas nos itens 43 a 46 do Relatório Técnico, transcritos abaixo. (...) O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 10. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator 11. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 12. Conforme Despacho de Encaminhamento à fl. 672, a diligência solicitada pelo CARF através da Resolução nº 3401000.501 foi realizada, tendo a decisão final (Acórdão do CARF) no processo nº 10830.014190/201011 sido, inclusive, anexada pelo contribuinte aos autos (fls. 655 a 661). 13. A decisão naquele processo deu provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos. Foi julgada correta a fruição do benefício fiscal pelo Recorrente e, consequentemente, equivocada a reconstituição de ofício dos saldos credores de IPI. 14. Nesse contexto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 686DF CARF MF Processo nº 10830.902959/201042 Acórdão n.º 3401005.746 S3C4T1 Fl. 687 7 Fl. 687DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.902968/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS.
Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT.
Numero da decisão: 3401-005.751
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 IPI. ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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ISENÇÃO. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL PARA PRODUTOS. Estão amparados pelo benefício fiscal da Lei de Informática os produtos cujas alterações no processo fabril não implicam em alteração do modelo, conforme consta de parecer técnico emitido pelo Instituto Nacional de Tecnologia INT. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Lázaro Antonio Souza Soares, Tiago Guerra Machado, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, e Cássio Schappo. Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 29 68 /2 01 0- 33 Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10830.902968/201033 Acórdão n.º 3401005.751 S3C4T1 Fl. 770 2 Relatório 1. Tratase de processo formalizado para o tratamento manual do pedido eletrônico de ressarcimento de IPI, PER n° 42178.92732.150808.1.5.015021, e das DCOMP associadas referentes ao 2º Trimestre de 2008. O processo foi encaminhado ao Setor de Fiscalização para prosseguimento, sendo o contribuinte cientificado de Termo de Início de Ação Fiscal em 31/05/2010. 2. Em 20/10/2010 foi lavrada a Informação Fiscal anexada às fls. 368 e 369. A Autoridade Tributária constatou a falta de lançamento de imposto por ter o estabelecimento industrial promovido a saída de produtos tributados, com redução da alíquota do IPI, em razão de uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando os respectivos produtos/modelos. Por meio de Auto de Infração, objeto do Processo Administrativo Fiscal n° 10830.014190/201011, foi realizado o lançamento de ofício dos débitos de IPI apurados. 3. Em relação ao 2º trimestre de 2008, o AuditorFiscal realizou uma glosa no valor de R$ 14.467.873,37; assim, do valor pleiteado no montante de R$19.566.760,32, foi reconhecido apenas R$ 5.098.886,95. 4. Em 18/11/2010 o contribuinte tomou ciência, por via postal, do Despacho Decisório SEORT DRF/CPS nº 2340/2010, às fls. 397 e 398, cuja decisão possui o seguinte teor: Assim, pela competência a nós delegada, reconhecemos à interessada o crédito no valor de R$ 5.098.886,95 relativo ao saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados apurado no 2º trimestre de 2008 e homologamos, até esse limite, as compensações declaradas para os débitos controlados no processo de cobrança (eletrônico) n° 10830.720459/201094, de acordo com os demonstrativos de compensação à fls. 208/213 e o extrato SIEF à fls. 214/216, verificandose remanescer saldo devedor. 5. Em 13/12/2010 o contribuinte, irresignado com esta decisão, apresentou Manifestação de Inconformidade, onde demonstra a relação de prejudicialidade deste processo com o PAF nº 10830.014190/201011: II PRELIMINAR II.1 Da Unificação do Presente PAF no PAF 10830.014190/201011 Ilustreis Julgadores, conforme apresentado acima, a reconstituição da escrita fiscal da Manifestante e conseqüentes: (i) indeferimento do direito creditório, e (ii) não homologação das compensações declaradas decorreram, unicamente, da lavratura do AI formalizado no PAF 10830.014190/201011. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10830.902968/201033 Acórdão n.º 3401005.751 S3C4T1 Fl. 771 3 Deste modo, ocorrendo o cancelamento da exigência materializada no AI formalizado no PAF 10830.014190/201011, cancelamento este que a ora Manifestante acredita que irá se concretizar, a reconstituição da escrita fiscal e glosa do saldo credor apurado deixam de existir. 6. Em 29/03/2011 sobreveio decisão da DRJ/RPO, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. Há que se observar que o julgamento do presente não foi prejudicado, pois o processo administrativo n° 10830.014190/201011, foi julgado por esta turma, em 22 de março de 2011 (Acórdão 14032.958), sendo ratificado o procedimento fiscal por unanimidade de votos e o lançamento considerado procedente, conforme ementa transcrita abaixo: (...) Sendo assim, dada a inexistência de crédito no montante solicitado pela contribuinte, impossível a homologação da compensação pleiteada. 7. Em 17/05/2011 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ, repisando os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade. 8. Em 26/06/2012, esta Turma exarou a Resolução nº 3401000.506, na qual, por unanimidade de votos, decidiuse por converter o julgamento do Recurso em diligência, nos seguintes termos: A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10830.902968/201033 Acórdão n.º 3401005.751 S3C4T1 Fl. 772 4 (...) Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Assim, se, de um lado, não se faz necessária a juntada dos dois processos, conforme aliás, preconiza a instância ora recorrida, porquanto, acresço eu, nada de irregular existe na forma com que autuados os processos, de outro, é imperioso que o julgamento deste processo seja sobrestado até que haja o deslinde da discussão travada no processo que trata do lançamento de débitos de IPI. Por óbvio que, caso se julgue indevida a reconstituição do saldo credor efetuada pelo Fisco no outro processo, também restarão indevidas as glosas dos créditos aqui efetuadas. 9. Em 31/01/2018 sobreveio a decisão final no processo nº 10830.014190/201011, nos seguintes termos: A extinta segunda turma ordinária desta Câmara, ao apreciar o recurso resolveu converter o julgamento em diligência para que fosse elaborado Parecer Técnico para avaliar se as alterações promovidas nos modelos de celulares desqualificariam os produtos para fruição do benefício da lei de informática. O Parecer Técnico nº 000.956/2013, elaborado pelo INT, concluiu que as modificações promovidas nos telefones celulares não foram suficientes para alterar o modelo dos referidos equipamentos, estando estes novos equipamentos qualificados nos modelos previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01. As conclusões do Parecer Técnico foram resumidas nos itens 43 a 46 do Relatório Técnico, transcritos abaixo. (...) O Parecer Técnico elaborado pelo INT conclui que os telefones celulares produzidos pela Recorrente e que foram objeto do presente lançamento, tratamse do mesmo produto e modelo daqueles previstos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838/01, destarte não pode prosperar o lançamento fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. 10. É o relatório. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 10830.902968/201033 Acórdão n.º 3401005.751 S3C4T1 Fl. 773 5 Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator 11. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 12. Conforme Despacho de Encaminhamento à fl. 762, a diligência solicitada pelo CARF através da Resolução nº 3401000.506 foi realizada, tendo a decisão final (Acórdão do CARF) no processo nº 10830.014190/201011 sido, inclusive, anexada pelo contribuinte aos autos (fls. 751 a 755). 13. A decisão naquele processo deu provimento ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos. Foi julgada correta a fruição do benefício fiscal pelo Recorrente e, consequentemente, equivocada a reconstituição de ofício dos saldos credores de IPI. 14. Nesse contexto, voto por dar provimento integral ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 773DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.720134/2014-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.634
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator, vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Carmen Ferreira Saraiva, que discordavam da necessidade de diligência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Relatório
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator, vencidas as conselheiras Eva Maria Los e Carmen Ferreira Saraiva, que discordavam da necessidade de diligência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .7 20 13 4/ 20 14 -2 0 Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratamse de Recursos Voluntários apresentados pelo sujeito passivo principal SAFRA COMERCIAL DE PAPÉIS LTDA. e pelos responsáveis tributários ALFREDO SAFRA FILHO e VALDENISIA GONÇALVES SAFRA, em relação ao Acórdão nº 16 61.802 da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), de 29 de setembro de 2014 (fls. 558/577), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo principal, única apresentada, em vista da revelia devidamente certificada em relação aos citados responsáveis solidários, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto Sobre A Renda De Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2009 LUCRO PRESUMIDO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO E DO LIVRO CAIXA. ARBITRAMENTO. A pessoa jurídica optante pelo lucro presumido que não apresenta os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal nem o livro Caixa com toda a movimentação financeira à autoridade fiscalizadora, deve ter o seu lucro calculado pelo método do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. PRÁTICA REITERADA. A prática reiterada de deixar de escriturar valores expressivos de receita, também não declarados ao Fisco, afasta a ocorrência de simples erro de escrituração, e justifica a aplicação da multa qualificada de 150%. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2009 INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. EFETIVAÇÃO DA CIÊNCIA. A intimação encaminhada por via postal ao endereço eleito pelo contribuinte se satisfaz com a devolução do aviso de recebimento, devidamente recepcionado, pressupondo o conhecimento do mesmo, ao conteúdo daquela. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O exame de alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. O processo cuida de autos de infração (fls. 450 a 496) relativos a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS/Pasep) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativos ao anocalendário de 2009. Por bem retratar de forma esquadrinhada o histórico e as minúcias do processo administrativo, passo a transcrever o relatório do Acórdão recorrido, complementandoo, ao final: “DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.437/449, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, o AuditorFiscal autuante verificou em síntese que: Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 4 3 1. O procedimento fiscal teve início em 14/03/2013, nos termos do inciso I, do art.7º, do Decreto 70.235/72, com a ciência pessoal do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls.02/03) dada a Alfredo Safra Filho, CPF 040.272.55810, sócioadministrador da empresa. 1.1. Por meio do referido termo foram solicitados os livros contábeis e fiscais, bem como os arquivos digitais das escriturações contábil e fiscal. Também, foram solicitados os extratos de todas as contas bancárias do período sob fiscalização. 1.2. Atendendo a essa primeira intimação, em 12/04/2013, foram apresentados à fiscalização os livros fiscais (Registro de Saídas – fls.05/28 e Registro de Entradas – fls.29/42) e um primeiro CDROM contendo arquivos digitais fiscais (fls.04). Não foi apresentada nem a escrita contábil e nem os extratos bancários. Para a entrega do material, apresentouse Alziro Genésio Zerbinati, RG 3.588.073, CPF 523.385.09820, sendo contador e representante legal da empresa. 1.3. Foi elaborada uma nova intimação em 15/04/2013 (fls.43/44), dessa vez por via postal, recebida pela contribuinte em 18/04/2013 (AR de fls.45), em que foram solicitados o recibo SVA (Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos) do CDROM anteriormente entregue e novamente os livros e arquivos digitais contábeis, ou sua recomposição em caso de indisponibilidade, bem como os extratos bancários. 1.4. Uma terceira intimação foi elaborada em 23/04/2013 (fls.48/49), sendo recebida pela contribuinte em 29/04/2013 (AR de fls.50). Nessa ocasião intimouse a contribuinte a confirmar a relação dos livros fiscais apresentados, cuja numeração estava incompleta, e, também, a apresentar o instrumento de representação do contador e a disponibilização, em recinto da própria contribuinte, das notas fiscais do ano de 2009. O representante da contribuinte compareceu à repartição no dia 28/04/2013, tendo assinado o recibo SVA e o Termo de Retenção de Livros e Documentos de 15/04/2013 (fls.46), relativo aos livros fiscais entregues. 1.5. No dia 02/05/2013 foi entregue à fiscalização a procuração do contador (fls.53/54), a confirmação dos livros entregues e informada a disponibilidade dos documentos fiscais (fls.51). Como a contribuinte solicitou mais 15 dias para atender a demanda por arquivos digitais da fiscalização (fls.52), foi concedido esse prazo adicional. 1.6. Em 20/05/2013 foi entregue pela contribuinte um novo CDROM com arquivos digitais (fls.56/58), porém, como o relatório de validação indicava inúmeros erros, a própria contribuinte já julgou por bem solicitar maior prazo para geração de novos arquivos. Em 22/05/2013 foram concedidos mais 10 dias para essa finalidade (fls.55). 1.7. Enquanto prosseguia o trabalho de análise do material entregue pela contribuinte, em 22/05/2013 foi feita nova intimação solicitando o contrato social atualizado e um rol de 320 notas fiscais (fls.59/60), sendo recebida por via postal cinco dias depois (AR de fls.61). Em resposta de 03/06/2013 (fl.62), a contribuinte apresentou o contrato social (fls.64/68) e outro CDROM com arquivos digitais fiscais (fls.63), Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 5 4 pois o primeiro entregue mostrouse fora do padrão ADE COFIS 15/01 da IN SRF 86/01. 1.8. Pela dificuldade alegada em apresentar todas as notas fiscais, que se encontravam encadernadas em talonários, foi autorizada a entrega de cópias, que ocorreu em 11/06/2013 (fls.69/380). Em 17/06/2013, o representante da empresa entregou um novo CDROM, com assinatura do recibo SVA (fls.381). 1.9. Uma quinta intimação solicitou outro rol menor de notas fiscais de saída, dessa vez originais (fls.382). Essa intimação foi datada de 26/06/2013, e recebida pela contribuinte em 01/07/2013 (AR de fls.383). As notas solicitadas, encadernadas em 28 blocos, foram entregues à fiscalização em 06/08/2013 (fls.384). Em 30/07/2013, foi lavrado Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal (fls.385), novamente enviado por via postal, entregue à contribuinte em 05/08/2013 (fls.386). 1.10. Em 27/08/2013, nova intimação solicitou justificativa para uma relação de notas fiscais assinaladas, pelo procedimento de auditoria, como omissas no livro de saídas da contribuinte (fls.387/390). Intimou se também para que houvesse a retificação das DCTFs de 2009, que estavam sem valores, a fim de que apropriassem os tributos recolhidos naquele ano. A contribuinte recebeu essa intimação em 30/08/2013 (AR de fls.391). 1.11. Em resposta de 06/09/2013 (fls.392), a contribuinte apresentou como justificativa o uso das notas para fins de devolução e cancelamento, sendo, em sua maioria, Notas Fiscais de entrada. As DCTFs também foram retificadas nessa ocasião. 1.12. Em 08/10/2013 foram novamente solicitados os extratos bancários, não apresentados até a ocasião (fls.393). A intimação foi recebida pela contribuinte três dias depois (AR de fls.394), e foi atendida em 29/10/2013 (fls.395), por meio de arquivo digital em formato PDF, desacompanhado do recibo SVA (fls.396). 1.13. Em 12/11/2013 a contribuinte assinou o recibo SVA da resposta anterior, por meio de seu representante legal, bem como recebeu nova intimação (fls.397/398), versando principalmente sobre as informações do livro de entradas, com relação de divergências entre o livro impresso e os arquivos digitais (fls.399/408). Em 19/11/2013 a contribuinte protocolou pedido de prorrogação de prazo, sendo concedidos mais 20 dias para esse fim (fls.409). 1.14. Em 03/12/2013, nova intimação, enviada por via postal, versou sobre as notas fiscais de entrada, solicitando uma relação amostral para validação do livro Registro de Entradas (fls.410/411). Em 17/12/2013 foi juntada nova procuração providenciada pelo representante legal da contribuinte, com validade até 31/12/2014 (fls.413). Foram entregues também as Notas Fiscais de entrada solicitadas (fls.414). Com essa informação considerouse atendida a intimação anterior, que versava sobre esse aspecto da escrituração fiscal. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 6 5 2. De posse do material enviado pela contribuinte, passouse à análise da exatidão dos valores declarados à Fazenda Pública em confronto com os valores efetivamente apurados pela contribuinte, por meio de suas transações comerciais e escrituração fiscal. 2.1. Não houve a entrega da escrita contábil ou do Livro Caixa, embora seja obrigatória pela legislação, consoante o art.527, inciso I e parágrafo único, do RIR/99. Cabe ressaltar que, na DIPJ/2010, relativa ao anocalendário 2009, a contribuinte informou realizar a escrituração com base no Livro Caixa, conforme item 13 da ficha 67B. 2.2. Importa registrar também que não houve a recomposição da escrituração contábil, apesar da oportunidade aberta para esse fim, no item 2 da intimação de 15/04/2013 (fls.43/44). 2.3. Assim, a contribuinte abdicou das vantagens da escrituração e manutenção de seus registros em boa guarda, tendo em vista que, nos termos do art.923, do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. 3. Desde o início, a análise fiscal concentrouse nos livros e documentos fiscais da contribuinte, únicos meios para a validação das informações tributárias. 3.1. O livro Registro de saídas foi entregue incompleto, sem a autenticação da JUCESP, e com numeração iniciada no "Volume 02". Dadas essas inconformidades, teve sua validade questionada, nos termos do item 1 da intimação de 23/04/2013 (fls.48/49). 3.2. Por sua vez, os livros foram confirmados pela contribuinte em resposta do dia 02/05/2013 (fls.51). 3.3. Além desses livros impressos, os arquivos digitais recebidos em 17/06/2013, mediante conferência e autenticação pelo Sistema de Validação e Autenticação (SVA), e as notas fiscais entregues posteriormente, confirmaram os valores de Receita bruta de vendas da empresa. 3.4. Os arquivos digitais foram recebidos em quatro ocasiões diferentes (Documentos Diversos Outros Recibo SVA CD1 a CD4), sendo que as primeiras versões mostraramse incompletas ou incorretas em relação ao padrão ADE COFIS 15/01 da IN SRF 86/01. O último conjunto de arquivos digitais (CD4), apresentado somente em 17/06/2013, mostrouse hábil e confirmou os valores expressos nos livros fiscais. 3.5. Constatouse uma falha de impressão no livro de saída no mês de fevereiro ausência dos registros a partir do dia 13 que foi suprida pelos respectivos registros dos arquivos digitais. A partir do recebimento do CD4, trabalhouse com os arquivos digitais recebidos da contribuinte, sempre os cotejando com os valores disponíveis nos livros e documentos fiscais. 4. A contribuinte, tendo optado no ano calendário de 2009 pelo lucro presumido, descumpriu requisitos legais para que o lucro fosse calculado por tal regime de tributação. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 7 6 4.1. Conforme exposto anteriormente, não foram apresentados nem os livros contábeis e nem o Livro Caixa, condições necessárias para fazer jus à opção pelo regime de apuração do lucro presumido, conforme o art. 47 da Lei 8.981/95. Como consequência da falta de apresentação dos livros, o lucro foi arbitrado pela autoridade fiscal. 4.2. Em função do arbitramento, a base de cálculo do IRPJ e reflexos foi determinada mediante a utilização do percentual de 9,6% sobre a receita bruta apurada na venda dos produtos, conforme os arts.518, 519 e 532 do RIR/99. 4.3. Caracterizada a omissão de receita, procedeuse ao lançamento de ofício de todos os tributos federais cujas regras matrizes de incidência compreendem o mesmo conceito legal (CSLL, PIS, COFINS), dado o disposto no art. 24, §2° da Lei n° 9.249/95. 4.4. Quanto ao PIS e à COFINS, conforme determina a Lei 10.637/2002, artigo 8°, inciso II, e a Lei 10.833/2003, artigo 10, inciso II, as empresas com tributação do IRPJ apurado pelo lucro arbitrado estão sujeitas ao regime cumulativo, com alíquotas de 0,65% e 3,00%, respectivamente, aplicados sobre o total das receitas auferidas. 5. Das declarações apresentadas à Receita Federal, para o ano fiscalizado de 2009, as duas DCTFs semestrais foram entregues sem quaisquer informações (zeradas – fls.430/431 e 432/433), sendo que, após intimação de 27/08/2013, foram retificadas pela contribuinte, tendo sido incluídos os valores efetivamente recolhidos e até aquele momento não confessados. 5.1. Além disso, por intermédio de dados extraídos da DIPJ, constatou se que a receita bruta trimestral declarada no anocalendário de 2009 foi de R$ 13.795.128,90, conforme tabela a seguir: 5.2. Verificouse também que as obrigações acessórias devidas ao fisco estadual contemplaram valores inferiores aos efetivamente apurados pela contribuinte. 5.3. As Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIAs – fls.415/426) declaradas pela contribuinte apresentaram os totais mostrados a seguir, para o mesmo ano calendário de 2009. Observase que o primeiro trimestre apresenta o mesmo valor declarado em DIPJ, porém nos trimestres seguintes há um distanciamento dos valores: 6. Atendendo a intimação inicial, foram apresentados o livro Registro de Entradas (1 volume) e o livro Registro de Saídas (6 volumes), contendo a escrita fiscal do ano calendário de 2009. Extratos de ambos livros foram anexados a este processo (fls.05/42), com destaque para as folhas de abertura e encerramento e os totais mensais, com as receitas discriminadas por Código Fiscal de Operações e Prestações (CFOP). 6.1. Na análise do livro Registro de Saídas, verificouse a omissão de receitas de valor significativo, comparando as vendas efetivas (registradas no livro e nas notas fiscais) com os valores declarados em DIPJ e posteriormente confessados em DCTF. Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 8 7 6.2. A escrita fiscal, considerando os arquivos digitais entregues, indicou receitas no valor de R$50.740.162,11, consideradas apenas as efetivas operações de venda (CFOPs 5102, 5108, 6102, 6108), excluídos os cancelamentos e simples remessas, consoante os arts.223 e 224 do RIR/99. 6.3. As distribuições mensal e trimestral das receitas de vendas se deram conforme a tabela a seguir, obtida a partir da planilha "consolidação de receita.xls", anexa às fls.514: 7. Além disso, foram apresentadas à fiscalização as notas fiscais solicitadas por amostragem, em papel. A empresa somente ficou obrigada a emissão de Nota fiscal eletrônica a partir de 01/07/2010, conforme informação constante no portal do Sintegra/ICMS do Estado de São Paulo. 7.1. Inicialmente foi solicitada uma amostragem de 320 (trezentas e vinte) Notas Fiscais de saída, relacionadas às fls.59/60, tendo como critério as maiores vendas e os maiores compradores da Safra Comercial, abrangendo o CFOP 5102, referente a venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, e o CFOP 6102, referente à mesma operação, porém realizada com compradores localizados em outros Estados. 7.2. Devido à modalidade de armazenamento dos documentos pela contribuinte, encadernados sequencialmente em grupos de 500 Notas Fiscais, seria impraticável a apresentação de todas as notas originais, pois isso significaria a apresentação de dezenas de volumes encadernados. 7.3. Assim, permitiuse que fossem encaminhadas cópias dessas notas fiscais, que foram analisadas e confirmaram em sua quase totalidade os registros do Livro de Saídas (e o registro digital contido no CD4). 7.4. Dado que algumas notas foram enviadas incorretamente (normalmente trocadas por números parecidos), e para que se averiguasse uma amostra de documentos originais, ainda que menor, foram solicitadas posteriormente as notas fiscais discriminadas às fls.382. 7.5. A análise dessa amostra confirmou novamente os valores escriturados no livro de Saídas, indicando que a escrituração fiscal das vendas foi registrada (no Registro de Saídas), conforme as operações comerciais a que a empresa estava sujeita (emissão da Nota Fiscal). 7.6. Concluise, portanto, que ocorreu a omissão das Receitas de vendas nas declarações feitas ao Fisco Federal, tanto em DIPJ quanto em DCTF. 7.7. Posteriormente se intimou a empresa a justificar a falta de alguns grupos de notas fiscais, que pareciam estar omissos, conforme detectado a partir da escrituração digital apresentada (intimação às fls.387/390). De acordo com resposta da contribuinte (fls.392), e confirmação a partir das notas já em poder da fiscalização, constatou se que as numerações consideradas omissas, na verdade, Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 9 8 representavam notas de entrada. Tratouse, portanto, apenas de utilização da mesma sequência de notas para entrada e saída. 8. Depois de realizados os testes de auditoria na escrituração da contribuinte e nas amostras documentais levantadas a partir da escrituração, constatouse que o montante da receita bruta auferida pela contribuinte no ano fiscalizado foi de R$50.740.162,11. 8.1. Assim, considerando os valores declarados pela contribuinte em DIPJ (R$ 13.795.128,90), concluiuse que houve omissão de receitas oferecidas à tributação do IRPJ e tributos reflexos no montante de R$36.945.033,21. 8.2. Não restam dúvidas sobre o valor apurado pela fiscalização, pois a própria contribuinte apresentou essa informação em resposta às intimações, tanto pelas notas fiscais, quanto pela escrituração fiscal correspondente. Configurouse, portanto, a omissão das receitas oferecidas à tributação federal. 8.3. Como a contribuinte não recolheu aos cofres públicos a totalidade dos tributos a que estava sujeito, houve a formalização do lançamento tributário, conforme o art.836 do RIR/99. 9. A qualificação da multa de ofício encontra sua base legal no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, estando diretamente vinculada à constatação de que a conduta do sujeito passivo se subsume àquela prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/64, a saber: sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. 9.1. No caso em tela, a contribuinte claramente buscou diminuir o montante do tributo pago, reduzindo a receita bruta oferecida à tributação, seja (i) pelo valor substancialmente inferior registrado na DIPJ, (ii) pela entrega da DCTF sem valores (zerada), e (iii) pela declaração mensal também subfaturada prestada ao fisco estadual, mediante GIA. Tudo isso deixa evidente tratarse de ato reiterado e com claro intuito de mascarar a ocorrência dos fatos geradores dos respectivos fiscos. 9.2. A partir das evidências objetivas coletadas, restou comprovado que a contribuinte agiu de forma consciente para impedir o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, desejando o resultado, ou ao menos assumindo o risco de produzilo. 9.3. O valor da receita bruta anual informada em DIPJ, da ordem de R$13 milhões, é vultosamente inferior aos R$50 milhões apurados no livro Registro de Saídas (27% da receita real). Não há como justificar tantas declarações, e posteriores desembolsos a menor no pagamento de tributos, por parte da contribuinte, como simples erros de escrituração, considerando divergências dessa magnitude. 9.4. Afastase também o erro escusável para a declaração a menor dos valores, quando se depara com a declaração de receitas trimestrais sistematicamente menores que as apurados na escrita fiscal da Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 10 9 contribuinte, caracterizando a prática reiterada do ilícito tributário no ano calendário sob fiscalização. Conforme apurado, as receitas trimestrais em DIPJ variam entre 19% e 35% do valor real apurado, não atingindo sequer metade da receita bruta efetivamente auferida. 9.5. O valor informado em GIA ao Fisco Estadual, embora um pouco superior ao informado em DIPJ ao Fisco Federal (R$16 milhões), também representa uma fração dos valores reais apurados pela contribuinte (33% da receita real). 9.6. Também é afastado o erro simples, já que os valores mensais declarados ao Fisco Estadual não ultrapassam 43% da receita bruta apurada em todos os meses do ano calendário de 2009, com exceção de dezembro (em que foi declarada receita de 51% da receita apurada). Isso confirma a prática reiterada de redução da receita bruta em relação ao pagamento de tributos. 9.7. Por fim, o não preenchimento das DCTFs também demonstra a falta de intenção da contribuinte em recolher os tributos devidos, não os confessando e, portanto, não se vinculando à obrigação de pagar. Os valores devidos só foram confessados após a intimação da fiscalização para que se retificassem as duas declarações semestrais. 10. O artigo 135 do CTN determina a responsabilização de mandatários, prepostos, empregados, diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado em razão de créditos tributários resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 10.1. No presente caso, foi lançada a multa qualificada, em função da caracterização da sonegação, na tentativa da contribuinte em impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas auferidas em sua atividade operacional. 10.2. Assim, impõese a responsabilização dos sóciosadministradores à época dos fatos geradores (2009). Em decorrência dos cargos que ocupavam, essas pessoas possuíam relevantes poderes administrativos (e decisórios) sobre atos praticados em nome da empresa, incluído o artifício doloso, demonstrado pelo procedimento fiscal, para redução dos tributos devidos mediante redução intencional da receita bruta oferecida à tributação. 10.3. Pelo exposto foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária para os seguintes responsáveis: (i) Alfredo Safra Filho, CPF 040.272.55810, sócioadministrador (termo de fls.499/500 e AR de fls.509); e (ii) Valdenisia Gonçalves Safra, CPF 029.424.66812, sócia administradora (termo de fls.501/502 e AR de fls.510). Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 24/01/2014 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.450/466), CSLL (fls.467/482), COFINS (fls.490/496) e PIS (fls.483/489), com os valores a seguir discriminados: [...]DA IMPUGNAÇÃO Os sujeitos passivos solidários não apresentaram impugnação, tendo sido emitido o respectivo termo de revelia, conforme o despacho de fls.555. Por sua vez, a contribuinte Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 11 10 principal apresentou a impugnação de fls.519/534, acompanhada dos documentos de fls.535/548, expondo, em síntese, que: 1. As primeiras intimações dirigidas à contribuinte foram feitas na pessoa de Alziro Genésio Zerbinati, que não é o representante legal da empresa, consoante demonstra a cópia do contrato social, e, na época, nem sequer era procurador, uma vez que o instrumento de procuração só veio aos autos do processo administrativo no dia 02/05/2013, conforme item 10 do auto de infração. Portanto, contestase a validade de tais intimações. 2. As intimações via postal também são irregulares, pois, aquelas datadas de 12 de abril, 15 de abril e 23 de abril, foram recebidas por pessoas estranhas ao quadro societário. 3. Requerse a exclusão de Valdenisia Gonçalves Safra, pois, sendo esposa de Alfredo Safra Filho, compôs a sociedade somente para efeito de registro, não possuindo poderes de representação legal, além do que nem exerceu ou exerce a administração e a gerência da empresa, conforme comprovam as declarações do sóciogerente e do contador da empresa, às fls.546/547. 4. A impugnante não se conforma com o arbitramento feito pelo Fisco de 9,6% sobre o valor da receita bruta apurada na venda de produtos, uma vez que, pelo movimento de compras e vendas no período, bem como pelas despesas operacionais e financeiras, a empresa teve um resultado bem inferior, o que será provado contabilmente, protestando, desde já, pela apresentação desta documentação. 5. A autuação não pode ser realizada por suposições e presunções, sob pena de confisco, vedado pela Constituição Federal. Além disso, encontrandose a empresa em situação contábil regular, e existindo elementos concretos, deve ser apurado o lucro real. 6. Inexistiu dolo ou intuito de fraude, razão pela qual descabe a penalidade aplicada de 150%, tendo em vista que a fiscalização sempre teve acesso a toda contabilidade e documentos da impugnante e nunca houve qualquer omissão do fato gerador. 6.1. O Fisco somente encontrou uma simples diferença de valores, sendo que todas as situações contábeis estavam regularmente escrituradas, logo, a multa de 150% é indevida. 7. O percentual de 150% esbarra na proibição de confisco, prevista no art. 150, IV, da CF, além de ofender os princípios da individualização da pena e da isonomia. 8. A inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP é indevida e inconstitucional, já que ultrapassa os limites estabelecidos pela no art. 195, I, "b", da CF. O ICMS decorre da Lei Estadual do ente federativo no qual se deu a operação mercantil (art. 155, II, da CF), constituindo receita deste ente; assim, o COFINS e PIS/PASEP jamais poderá incidir sobre receita estadual. 8.1. Ademais, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS viola o princípio da capacidade tributária, previsto no artigo 145, §1º, da CF. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 12 11 É o relatório”. Decisão DRJ A DRJ/SPO: (i) rejeitou a preliminar de suposta irregularidade nas intimações realizadas durante o procedimento fiscal, atestando individualmente que todas foram devidamente cientificadas, conforme os respectivos avisos de recebimento, bem como em relação a única que se deu de forma pessoal, conforme a procuração vigente à ocasião, sendo todas perfeitamente regulares; (ii) manteve a sujeição passiva solidária de VALDENISIA GONÇALVES SAFRA, por entender que diante dos documentos trazidos nos autos demonstram que era efetivamente sóciaadministradora da pessoa jurídica durante o período objeto da fiscalização, não se sustentando os argumentos de que deveria ser excluída da sujeição passiva solidária; (iii) manteve o arbitramento realizado pela autoridade fiscal, apontando que a contribuinte principal impugnante não trouxe qualquer documento aos autos que pudesse subsidiar a alegação de que teria apurado um resultado inferior àquele demonstrado pelo Fisco, bem como, a despeito de diversas e reiteradas intimações, não trouxe os Livros Contábeis obrigatórios (Livro Diário e Livro Razão), nem o Livro Caixa, o que justificou o lançamento por arbitramento tendo por base os arquivos digitais de notas fiscais emitidas pela empresa, entregues em meio magnético pela própria contribuinte, as quais ainda foram auditadas por conferência física de amostras das notas fiscais arquivas em papel; (iv) manteve a duplicação do percentual da multa de ofício, afastando a alegação de que não se teria caracterizado intuito doloso, gizando que teria restado evidente a prática reiterada da contribuinte que, ao longo de todo o anocalendário de 2009, procurou deliberadamente ocultar do Fisco os valores da receita omitida, que não foram objeto de escrituração contábil regular, e tampouco constam da DIPJ original do exercício de 2010, ano calendário 2009, e nem mesmo das duas DCTF semestrais apresentadas, bem como pelo fato de que foi constatada a declaração de receitas trimestrais sistematicamente menores do que as apuradas pelos conjuntos de notas fiscais apresentadas pela contribuinte, caracterizando assim a prática reiterada do ilícito tributário no anocalendário fiscalizado; (v) declarouse incompetente para apreciar a alegação de ofensa a princípios legais e constitucionais, notadamente quanto ao entendimento da impugnante de que a multa de ofício ofenderia os princípios da individualização da pena e da isonomia, bem como teria caráter confiscatório, além do que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS seria indevida e inconstitucional. Recurso Voluntário Inconformados com decisão regional, o sujeito passivo principal SAFRA COMERCIAL DE PAPÉIS LTDA. e, agora, também os responsáveis tributários ALFREDO Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 13 12 SAFRA FILHO e VALDENISIA GONÇALVES SAFRA, interpuseram recursos voluntários a este Conselho. O sujeito passivo principal SAFRA COMERCIAL DE PAPÉIS LTDA., devidamente intimado em 28/10/2014 (fls. 611), apresentou suas razões a fls. 623/645, protocolizadas em 26/11/2014, na sua essência reiterando as mesmas alegações discorridas na impugnação da autuação fiscal. Por sua vez, os responsáveis tributários ALFREDO SAFRA FILHO e VALDENISIA GONÇALVES SAFRA, comparecem pela primeira vez nos autos, apresentando suas razões e documentos a fls. 647/667 e a fls. 670/693, respectivamente, ambas protocolizadas também em 26/11/2014, em que pese o retorno negativo do AR em relação ao primeiro recorrente como “ausente” em 3 (três) tentativas de entrega (fls. 717/718 e 721/722) e do AR em referência à segunda recorrente, embora em um primeiro momento recepcionado (fls. 725), ato contínuo no mesmo dia foi devolvido negativamente ao remetente com o registro de “mudouse” (fls. 715/716 e 728/729). Em suma, apontam identicamente nulidade pela falta de intimação dos termos do Auto de Infração/Auto de Sujeição Passiva, bem como do julgamento pela DRJ/SPO, pugnando (i) sejam excluídos como responsáveis tributários da responsabilidade passiva, por falta de provas que os enquadrem nas hipóteses legais, bem como, caso não seja o entendimento, (ii) o retorno dos autos à DRF de Osasco para a reabertura de prazo da intimação a fim de exercer a defesa administrativa em face da autuação fiscal e sujeição passiva. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade No caso concreto, diante da não apresentação de impugnação administrativa pelos responsáveis tributários ALFREDO SAFRA FILHO e VALDENISIA GONÇALVES SAFRA, foi expedido termo de revelia, conforme o despacho de fls. 555. Assim, é de curial sabença que a ausência de impugnação administrativa configura revelia, não havendo instauração da fase litigiosa do processo administrativo, nem suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não sendo possível à instância superior o conhecimento do mérito do recurso em razão do instituto da preclusão e do princípio do duplo grau de jurisdição (Acórdão nº 1002000.319 – Turma Extraordinária / 2ª Turma – Rel. Aílton Neves da Silva – Sessão de 03/07/2018). Com efeito, é nesse instante que se delimita a matéria objeto do contencioso administrativo, não sendo admitido aos responsáveis tributários e à autoridade ad quem tratar Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 14 13 de matéria não questionada por força da inexistência de impugnação, sob pena de supressão de instância e violação ao princípio do devido processo legal. Todavia, admitemse, contudo, algumas exceções à essa regra de preclusão. Em primeiro lugar, são admitidas as provas apresentadas em momento posterior, desde que presente alguma das hipóteses trazidas pelo §4º do referido art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior; fato ou direito superveniente; contraposição de fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). A par disso, também são excepcionadas as matérias que possam ser conhecidas de ofício pelo julgador, a exemplo das matérias de ordem pública. O exame dos recursos apresentados pelos sujeitos passivos solidários permite a constatação da presença de alegação de matéria de ordem pública afeta à nulidade por cerceamento do direito de defesa por ausência de intimação válida de ambos do Auto de Infração/Auto de Sujeição Passiva, bem como do julgamento pela DRJ/SPO. Em que pese o resultado negativo das intimações dos responsáveis tributários acerca do acórdão regional ora vergastado, é certo que o comparecimento espontâneo nos autos com a interposição dos recursos voluntários supriu eventual nulidade ou reiteração de tais cientificações. Assim, indiscutível que ambos recursos são tempestivos. Entretanto, tal comparecimento não pode suplantar em grau supressivo e retroativo de instância eventual irregularidade na intimação primeva do Auto de Infração/Auto de Sujeição Passiva, dada a consequência e o prejuízo capital de impossibilidade de conhecimento meritório do recurso voluntário pela ausência de apresentação da impugnação e instauração do contencioso administrativo. Diante disso, compete conhecer de tal questão oficiosa e de ordem pública suscitada nos recursos voluntários dos responsáveis tributários de que supostamente não teria existido intimação válida de ambos do Auto de Infração/Auto de Sujeição Passiva. O Recorrente ALFREDO SAFRA FILHO alega que seu domicílio fiscal informado para a Receita Federal, bem como a Recorrente VALDENISIA GONÇALVES SAFRA de quem é dependente, é situado na Al. Nova Zelândia, 550 – Santana do Parnaíba/SP – CEP 06.535090, conforme espelho da Declaração de Ajuste Anual do EX 2014/AC 2013 trazido a fls. 689/690, porém as respectivas intimações do Auto de Infração/Auto de Sujeição Passiva foram encaminhadas para o endereço situado à Rua Irmã Carolina, 50 – apto. 213B – Belenzinho – SP, e que nunca teriam sido recepcionadas, pois há muitos anos que deixaram de residir nesse local. Realmente, consta a fls. 689/690 o endereço do domicílio fiscal situado na Al. Nova Zelândia, 550 – Santana do Parnaíba/SP – CEP 06.535090: Ainda, os Recorrentes acostaram declarações firmadas em 25/11/2014, uma pela suposta porteira a Sra. Ana Soares Ferreira de Oliveira, a qual registra que os responsáveis tributários não residiriam no condomínio desde o ano de 2001, e outra pelo suposto síndico Sr. Alfredo Salazar, o qual aduz que lá residiriam desde o início da sua gestão em março de 2012, mantendo as cotas condominiais em dia e o apartamento fechado. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 15 14 Por outro lado, compulsandose os autos (fls. 499/500 e 501/502), temse que os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram lavrados em 24/01/2014, constando o endereço situado à Rua Irmã Carolina, 50 – apto. 213B – Belenzinho – SP, conforme se segue: E ainda, constam a fls. 509 e 510 que as intimações foram remetidas aos responsáveis tributários no endereço acima emoldurado (Rua Irmã Carolina, 50 – apto. 213B – Belenzinho – SP) e lá recebidas em 30/01/2014 sem qualquer oposição, conforme excertos que competem abaixo trazer: Isso não bastasse, a declaração firmada em 26/02/2014 trazida pela Recorrente VALDENISIA GONÇALVES SAFRA a fls. 691 do contador da empresa e contribuinte principal, atesta ainda que ambos os responsáveis tributários residiam na Rua Irmã Carolina, 50 – apto. 213B – Belenzinho – SP. Assim, já se avista que as declarações trazidas nos autos são desencontradas, sendo que uma da porteira aponta que não residiriam na Rua Irmã Carolina, 50 – apto. 213B – Belenzinho – SP desde o ano de 2001, ao passo que a do síndico afirma que, na verdade, desde o início de março de 2012, o que mostra uma divergência notória. E, a do contador infirma as duas anteriores, registrando em 26/02/2014 que os responsáveis tributários lá residiam. A despeito de tais conflitos e contradições entre tais declarações trazidas, o que ressai imprescindível e necessita de deslinde é saber se à época da lavratura do Auto de Infração/Termos de Sujeição Passiva Solidária (24/01/2014) e do recebimento dos AR’s (30/01/2014) o endereço do domicílio fiscal eleito pelos responsáveis tributários já era o constante no espelho da Declaração de Ajuste Anual do EX 2014/AC 2013 trazido a fls. 689/690 (Av. Nova Zelândia, 550 – Santana do Parnaíba/SP – CEP 06.535090) ou ainda não tinha sido alterado por meio da transmissão da referida declaração, dada a inexistência de oposição ou devolução pelos Correios dos AR’s de fls. 509 e 510. Com efeito, somente com tal certeza se esvairá a fundada dúvida que gravita em saber se restou válida e indene de nulidade a ciência das notificações remetidas por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelos responsáveis, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não sejam os representantes legais dos destinatários, conforme consta a fls. 509 e 510 (Súmula CARF n.º 9), a fim de se aquilatar as consequências de tal constatação no julgamento dos recursos voluntários. Assim, antes de se prosseguir com o julgamento, inclusive do recurso do contribuinte principal, a questão demanda maiores esclarecimentos por parte da unidade local da RFB, pelo que voto pela conversão em diligência para que tal unidade local: (a) verifique e fundamente a regularidade da ciência a respeito da autuação fiscal/termos de sujeição passiva solidária dada aos responsáveis tributários ALFREDO SAFRA FILHO e VALDENISIA GONÇALVES SAFRA para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação; (b) ateste, ao tempo da lavratura dos instrumentos fiscais (24/01/2014) e do recebimento aposto nas notificações postais (30/01/2014) com registro histórico e telas de amparo, qual era o endereço cadastral vigente do domicílio fiscal informado à RFB. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10882.720134/201420 Resolução nº 1201000.634 S1C2T1 Fl. 16 15 Conclusão Diante de todo o exposto, voto pela conversão em diligência para que a unidade local da RFB: (a) verifique e fundamente a regularidade da ciência a respeito da autuação fiscal/termos de sujeição passiva solidária dada aos responsáveis tributários ALFREDO SAFRA FILHO e VALDENISIA GONÇALVES SAFRA para os quais não se instaurou o contencioso, pela ausência de apresentação de impugnação; (b) ateste, ao tempo da lavratura dos instrumentos fiscais (24/01/2014) e do recebimento aposto nas notificações postais (30/01/2014) com registro histórico e telas de amparo, qual era o endereço cadastral vigente do domicílio fiscal informado à RFB. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 748DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.926534/2013-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
Numero da decisão: 3401-005.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 348 1 347 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.926534/201386 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.408 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria COFINS Recorrente MELHADO E ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 65 34 /2 01 3- 86 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.926534/201386 Acórdão n.º 3401005.408 S3C4T1 Fl. 349 2 Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório 1. Adoto, por fidedigno, o relatório da decisão recorrida: Cuida o presente da declaração de compensação em face de pagamento indevido ou a maior de fls. 2/6, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Através do despacho decisório de fl. 7, aludida compensação restou não homologada, posto que: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Inconformada, em 13 de agosto de 2013, apresentou a interessada manifestação de inconformidade (fls. 12/14), por meio da qual, em síntese, no intuito de assistir à homologação das compensações por ela levadas a efeito, destaca a ausência de retificação da competente DCTF em tempo hábil. Precitada declaração retificadora teria sido entregue apenas em 30 de julho de 2013. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 15/79. É o relatório. 2. Em 17/06/2015, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Belém (PA) proferiu o Acórdão DRJ nº 0132.148, situado às fls. 88 a 91, de relatoria do AuditorFiscal Flávio Castelo Branco Aflalo, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2012 a 30/09/2012 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, na condição de simples declaração confeccionada pelo próprio interessado, não exprime, tampouco materializa, por si só, o indébito fiscal. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.926534/201386 Acórdão n.º 3401005.408 S3C4T1 Fl. 350 3 3. Em 16/10/2015, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 54, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 5. Transcrevo abaixo, por irreprochável, o pedagógico voto da decisão recorrida: Preambularmente, registrese a tempestividade da manifestação de inconformidade (fls. 9, 12), bem como a presença dos pressupostos de admissibilidade previstos no art. 16 do Decreto n. 70.235, de 1972. Passase à controvérsia. Parece a inconformada atribuir a não homologação das compensações por ela realizadas à ausência de apresentação da correspondente DCTF retificadora. De outro turno, consigna o representante do Fisco no despacho decisório que não haveria crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp controvertido, vez que o pagamento a supostamente ensejar o direito creditório invocado teria sido utilizado na quitação de débitos da interessada. Este o contexto, vinculase o cerne do litígio à prova do direito alegado, bem como ao ônus processual de sua produção. E, adiantase, não merece reforma o ato administrativo censurado. Isto porque, a fim de ver admitida a redução ou supressão da quantia a título de Cofins por ela própria declarada ao Fisco e efetivamente recolhida aos cofres públicos, deveria a interessada carrear aos autos rol probatório inequívoco a fundamentar a medida. A apresentação de DCTF retificadora, notese, mesmo que eventual e tempestivamente recepcionada e processada pela administração tributária, não confere, de plano, direito ao crédito almejado. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.926534/201386 Acórdão n.º 3401005.408 S3C4T1 Fl. 351 4 É dizer, diante da não homologação operada pelo despacho decisório controvertido, recairia sobre a inconformada o ônus de exibir elementos de prova hábeis a seguramente demonstrar que o montante outrora reputado devido – e, conseqüentemente, recolhido – não mais o seria, liberandoo, assim, para a compensação pretendida. Sabidamente, o crédito tributário resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso da DCTF. Com efeito, o valor confessado (em DCTF) faz prova contra o contribuinte. Por sua vez, a desconstituição do crédito confessado não depende apenas da apresentação de DCTF retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve extinção indevida ou a maior, não se mostrando suficiente que o contribuinte promova a redução ou supressão do débito confessado, fazendose necessário, notadamente, que demonstre a extinção do crédito tributário ou de parcela dele foi efetivamente indevida. A DCTF, na condição de simples declaração confeccionada pelo próprio interessado, não exprime, tampouco materializa, por si só, o indébito fiscal. A presente circunstância equivale àquela de um hipotético devedor que reconhece por ato formal escrito e inequívoco a existência de uma dívida1 e vem a adimplila, extinguindoa pelo pagamento. Na seqüência, contudo, faz registrar por escrito (declara) ao então credor que o mesmo agora se encontra em débito para consigo (em face de suposta inexatidão de sua confissão), também informando que tal quantum será compensado com obrigação futura. Diante da previsível resistência oposta pela outra parte, o hipotético devedor (agora autodenominado credor) vem a deduzir em juízo sua pretensão, fundada, contudo, exclusivamente, no documento (declaração) por ele próprio elaborado. Ou seja, embora a confissão efetivada por intermédio de DCTF goze de presunção juris tantum, comportando prova em contrário, revelase insuficiente que o sujeito passivo tenha promovido sua retificação, vez que a esta declaração não se pode atribuir, como pretende a manifestante, caráter constitutivo de suposto direito creditório, tomandoa título líquido e certo oponível à Receita Federal do Brasil. Na espécie, haveria de restar demonstrada de forma induvidosa, por intermédio de documentação hábil e idônea, a existência do crédito invocado. E, figurando a contribuinte como autora do pleito, sobre ela recai o ônus da prova quanto ao fato constitutivo do direito alegado. Não por acaso, o art. 333, I, do Código de Processo Civil, estabelece, em caráter geral, preceito nesse sentido (...). (...) Do exposto, resta votar pela improcedência da manifestação de inconformidade. Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.926534/201386 Acórdão n.º 3401005.408 S3C4T1 Fl. 352 5 É como voto. 6. Como se sabe, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal.2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, sempre por unanimidade de votos, como no Acórdão CARF nº 3401004.923, proferido em sessão de 21/05/2018, acórdão paradigma de lote de recursos repetitivos de minha relatoria: PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 7. E, neste sentido, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução, tem reiteradamente este colegiado decidido que "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito", trecho que se extrai do Acórdão CARF nº 3401003.204, proferido em sessão de 23/08/2016, de relatoria do Conselheiro Augusto Fiel Jorge d'Oliveira. Transcrevo, ainda, as razões do Acórdão CARF nº 3401004.146, de idêntica relatoria: "Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.926534/201386 Acórdão n.º 3401005.408 S3C4T1 Fl. 353 6 que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação (...). Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente" (seleção e grifos nossos). 8. Assim, não se trata de hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte da contribuinte recorrente, o que, em pedidos de compensação ou de restituição, milita em seu desfavor. 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.926534/201386 Acórdão n.º 3401005.408 S3C4T1 Fl. 354 7 Fl. 354DF CARF MF
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Numero do processo: 13749.720197/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3302-005.873
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13749.720190/2011-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13749.720190/2011-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
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Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 97 /2 01 1- 66 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13749.720197/201166 Acórdão n.º 3302005.873 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DACON com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento alegando que em 2009 a empresa era optante pelo Simples Nacional e mudou o regime tributário para Lucro Presumido em Jan/2010, passando a ser obrigada a apresentação do Dacon mensal. Acrescenta que a empresa apresentou o Dacon espontaneamente, para a simples regularização de sua situação cadastral na RFB, uma vez que os impostos foram quitados no período. Ressalta o debate em torno do tema nos tribunais e a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso de confissão espontânea. Cita jurisprudência, o art. 138 do CTN, a Constituição Federal de 1988, o Decreto 2124/84 e a IN 124/86, em sua argumentação. Defende que a multa aplicada por atraso na entrega da Dacon não tem fundamento na lei e portanto é ilegal. A Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 02041.458. Entendeu a Turma que: o argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Intimada do Acórdão de Impugnação, a contribunte ingressou com Recurso Voluntário alegando que: O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DACON, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regime passou a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DACON espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na Receita Federal, uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuintes quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13749.720197/201166 Acórdão n.º 3302005.873 S3C3T2 Fl. 4 3 O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar. Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen". DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.866, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.866): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 03 de janeiro de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 25 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de fevereiro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta a questão da Denúncia Espontânea. Passase à análise. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13749.720197/201166 Acórdão n.º 3302005.873 S3C3T2 Fl. 5 4 O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13749.720197/201166 Acórdão n.º 3302005.873 S3C3T2 Fl. 6 5 Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13749.720197/201166 Acórdão n.º 3302005.873 S3C3T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.002404/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 05/08/2005
DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. CONTEÚDO DECLARATÓRIO DE SATISFAÇÃO DOS REQUISITOS PARA OPERAR O RECAP. DEVER DE OBEDIÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
Uma vez comprovado o trânsito em julgado de decisão judicial, e, comprovada a identidade de objeto com o processo Administrativo Fiscal Federal, deverá, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, curvar-se a seus ditames, aplicando a decisão e extinguindo o crédito tributário nos ditames do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional
RECAP. REQUISITOS DE VALIDADE. ÉGIDE DA MP 252/05. EFICÁCIA. INEXISTÊNCIA DE DECRETO LEGISLATIVO. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DAS NORMAS JURÍDICAS.
Uma vez formalizada a requisição para ingresso no RECAP sob a égide da MP 252/05, não se pode retirar-lhe a validade sob o argumento de ausência de norma
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-005.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário em cumprimento da decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito de fruição do incentivo fiscal do RECAP. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designado o Conselheiro Renato Vieira de Avila.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Ávila - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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CONTEÚDO DECLARATÓRIO DE SATISFAÇÃO DOS REQUISITOS PARA OPERAR O RECAP. DEVER DE OBEDIÊNCIA. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez comprovado o trânsito em julgado de decisão judicial, e, comprovada a identidade de objeto com o processo Administrativo Fiscal Federal, deverá, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, curvarse a seus ditames, aplicando a decisão e extinguindo o crédito tributário nos ditames do artigo 156, X, do Código Tributário Nacional RECAP. REQUISITOS DE VALIDADE. ÉGIDE DA MP 252/05. EFICÁCIA. INEXISTÊNCIA DE DECRETO LEGISLATIVO. PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE DAS NORMAS JURÍDICAS. Uma vez formalizada a requisição para ingresso no RECAP sob a égide da MP 252/05, não se pode retirarlhe a validade sob o argumento de ausência de norma Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário em cumprimento da decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito de fruição do incentivo fiscal do RECAP. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designado o Conselheiro Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 24 04 /2 00 8- 13 Fl. 415DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator (assinado digitalmente) Renato Vieira de Ávila Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Tratase de Autos de Infração referentes às contribuições sociais COFINS Importação e PIS/PASEPImportação, lavrados em decorrência do não atendimento de requisitos para a suspensão desses tributos no âmbito do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras – RECAP, em relação à Declaração de Importação (DI) ali indicada. O crédito constituído totalizou R$ 680.560,39 à época de sua formalização e foi contestado pelo sujeito passivo. Da Autuação Na descrição dos fatos no Auto de Infração consta que o desembaraço aduaneiro da DI nº 05/08341269, registrada em 5/8/2005, foi realizado sem o recolhimento da COFINS e do PIS/PASEP incidentes na operação, devido ao importador ter enquadrado a operação no regime especial RECAP, instituído inicialmente no Capítulo II da Medida Provisória (MP) nº 252, de 15/6/2005, porém a fiscalização considerou indevido tal enquadramento. De acordo com o relato fiscal: No referido expediente é solicitado à Equipe de Fiscalização Aduaneira II (EFA II) que realize procedimento de revisão aduaneira na DI 05/08341269, já que a mesma foi parametrizada para o canal verde de conferência aduaneira e não houve, portanto, na data do desembaraço, análise documental e de verificação física, bem como por se entender que o importador não tinha direito de usufruir os benefícios do RECAP previstos na Medida Provisória Nº 252 de 15 de junho de 2005. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 416 3 A fiscalização concluiu que a DI em referência foi registrada durante a vigência da citada MP, mas ainda assim o importador não faria jus ao benefício pleiteado, pelos seguintes motivos: a) o benefício não é autoaplicável, eis que a própria norma instituidora do RECAP remete para a legislação infralegal a definição dos termos e condições para sua aplicação (art. 13 da MP nº 252/2005), o que só foi realizado em 2006, por meio da Instrução Normativa SRF nº 605, de 4/1/2006; b) a empresa submeteu parte de suas receitas ao regime de incidência cumulativa das contribuições PIS/PASEP e COFINS no anocalendário de 2004, deixando assim de atender ao disposto no art. 14, § 2º, da MP nº 252/2005; e c) não foi atendido ao requisito de regularidade fiscal, disposto no art. 16 da MP nº 252/2005, eis que no período compreendido entre a data de registro da DI e seu respectivo desembaraço a fiscalizada possuía, conforme documentos em apenso (anexos 03): (a) Processos Administrativos referentes a Autos de Infração; (b) Dívidas inscritas em Dívida Ativa; (c) tributos não pagos nas respectivas datas de vencimento. Assim, a fiscalização considerou que o importador não tinha direito ao benefício pleiteado na DI em foco e lavrou os Autos de Infração em debate para exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%. A autoridade lançadora anexou como documentos comprobatórios dos fatos apurados, basicamente, os constantes no Anexo 3 (fls. 5866). Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação fiscal em 17/7/2008 e, em 18/8/2008 (segundafeira) apresentou impugnação (fls. 67109) na qual alega, além da tempestividade, os seguintes argumentos. 1) Violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. A autoridade lançadora acusou a autuada de não atender ao requisito da regularidade fiscal, apontando a existência de processos administrativos, débitos inscritos em dívida ativa e tributos pagos a destempo, mas não apresentou nenhum documento para comprovar essas supostas pendências. Dessa forma, a impugnante ficou impossibilitada de rebater essa acusação, sendo que o ônus da prova compete à Administração Fazendária. Aduz ainda a impugnante: “Vale lembrar, conforme documentação inclusa à presente, que eventuais débitos apontados nos sistemas da Receita Federal entre a data da importação (05/08/2008) e a data do desembaraço aduaneiro (08/08/2005), FORAM JUSTIFICADOS COM DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ERRO MATERIAL OU DA REGULARIZAÇÃO DO DÉBITO”. 2) Alteração de critério jurídico. Após quase quatro anos da importação objeto da autuação, contrariando o entendimento da fiscalização naquela ocasião, e a própria habilitação da impugnante ao RECAP, concedida em meados de 2006, veio o Fisco entender que a defendente não possuía, à época da operação em foco, direito aos benefícios do citado Regime. A DI foi parametrizada para o canal verde, tendo sido registrada sem o pagamento do PIS e da COFINS, fato que inclusive consta no campo “Alertas/Erros” como “NI Erros não Impeditivos”. Mesmo assim foi desembaraçada sem nenhuma exigência, o que demonstra que o benefício pleiteado pelo importador foi reconhecido. Tal postura contraria o disposto no art. 146 do CTN, consoante corrobora a doutrina e jurisprudência colacionada. 3) Do preenchimento de todas as condições para gozo do RECAP. Além da inexistência de qualquer elemento que caracterize a impugnante como “pessoa jurídica em situação irregular” à época da importação em foco, a exigência de não submissão ao regime de incidência Fl. 417DF CARF MF 4 cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS não é referente ao anocalendário anterior ao que foi pleiteado o benefício. A interpretação dada pela fiscalização não tem fundamento legal. 4) Do reconhecimento, pelo Judiciário, que a Impugnante é titular dos benefícios do RECAP antes mesmo da formalização de sua habilitação pela Receita Federal. A impugnante teve seu direito ao RECAP contestado, também noutra importação de equipamentos, realizada no início de 2006, ainda na fase de despacho aduaneiro, sob a alegação de que ela não estava previamente habilitada ao regime, e que inclusive solicitou a habilitação depois do registro da DI. A questão foi levada ao Judiciário (Ação Ordinária de n° 2006.50.01.0031404 – Justiça Federal em VitóriaES), que decidiu favoravelmente à impugnante em todas as instâncias. A Justiça ratificou que a impugnante se enquadrava em todos os requisitos da Lei nº 11.196/2005 e também da MP nº 292/2005. 5) Da vedação ao confisco caracterizado pelo excessivo valor da multa aplicada. Na remotíssima hipótese de manutenção dos Autos de Infração, deve ser drasticamente reduzido o percentual da multa aplicada (75%), que imprime caráter confiscatório à exigência fiscal. Diante da ausência de parâmetro objetivo para limitação do percentual da multa administrativa em questão, devem ser buscados nos princípios constitucionais e na jurisprudência pátria critérios razoáveis para definição do patamar a ser aplicado. Com base nos argumentos apresentados a impugnante requer o conhecimento da impugnação com a consequente suspensão da exigibilidade do crédito em litígio e, sucessivamente, a anulação do lançamento; a improcedência da autuação; e a supressão/redução dos valores lançados a título de multa e juros de mora. Após a impugnação consta pedido de juntada de instrumento de substabelecimento (fl. 237), e de requerimento (fl. 241) para que todas as intimações sejam realizadas em nome dos advogados ali qualificados, sob pena de nulidade. Consta também pedido de juntada da certidão de objeto e pé relativa ao processo judicial supramencionado, bem como de cópia da sentença judicial transitada em julgado (fl. 244) e das decisões proferidas no âmbito do Tribunal Regional Federal e do Superior Tribunal de Justiça, bem como do alvará de levantamento do depósito judicial. Ato contínuo, a DRJFORTAlEZA (CE) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/08/2005 ULTERIOR APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. INEFICÁCIA. O protesto genérico pela posterior apresentação de prova é inútil no processo administrativo fiscal, em que a impugnação deve estar instruída com os documentos em que se fundamenta, precluindo o direito de apresentálos noutro momento, exceto nas hipóteses definidas na legislação regente, cuja aplicação independe de prévio protesto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% E DA TAXA SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE RESTRITA AO JUDICIÁRIO. A aplicação da multa de ofício de 75% e da taxa Selic no cálculo de valores exigidos pelo Fisco decorre de disposições legais em pleno vigor, não cabendo ao julgador administrativo excluir ou minorar esses encargos por conta de suposta incompatibilidade com a Carta Magna, eis que o controle posterior da constitucionalidade de leis compete ao Poder Judiciário. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 417 5 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/08/2005 REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INEXISTÊNCIA. O lançamento decorrente de revisão aduaneira, em regra, não configura mudança de critério jurídico, eis que o despacho aduaneiro não tem aptidão para fixar tal parâmetro, pois é procedimento sumário em que se prioriza a agilidade na conclusão, na grande maioria das vezes realizado sem nenhum exame pelo Fisco, sendo o desembaraço aduaneiro mera autorização para entrega da carga ao seu destinatário. PEDIDO DE BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA QUANTO AO ATENDIMENTO DOS REQUISITOS EXIGIDOS. É ônus do interessado em gozar de benefício fiscal específico demonstrar o atendimento aos requisitos estabelecidos na legislação regente, sendo válido o lançamento decorrente do indeferimento de pedido em que não foi feita essa comprovação. Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 05/08/2005 RECAP. ADESÃO ANTES DA EDIÇÃO DA NORMA COMPLEMENTAR ESPECIFICADORA DOS BENS SUSCETÍVEIS DE APLICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não há como ser acatado pedido de adesão ao RECAP referente a operação realizada antes da edição da norma complementar definidora dos bens suscetíveis de serem incluídos nesse regime, pois se trata de condição material indispensável para a devida aplicação dele. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou apenas as questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 419DF CARF MF 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Trata o processo de auto de infração lavrado contra a Recorrente para exigência das contribuições à COFINSImportação e PISImportação que deixaram de ser recolhidas na importação realizada por meio da DI 0508341269, registrada em 05/08/2005, supostamente porque a empresa não poderia se beneficiar da suspensão das referidas contribuições prevista no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), instituído pela Medida Provisória (MP) nº252/2005. Em sua defesa, a Recorrente faz longas considerações sobre de quem seria o ônus da prova quanto a sua regularidade fiscal, asseverando que esta seria da Autoridade Aduaneira autuante, que não juntou aos autos documentação suficiente que embase a conclusão tomada. Bem como, aduz pela viabilidade de adesão ao RECAP antes da especificação dos bens aos quais o regime poderia ser aplicado, ou melhor dizendo, antes da regulamentação da MP nº252/2005. Pois bem, depreendese que a solução da lide se centra em decidir se a Recorrente poderia usufruir do benefício de suspensão das contribuições no âmbito do RECAP, em observância das condições previstas na MP 252/2005. O RECAP foi instituído inicialmente pela Medida Provisória (MP) nº 252, de 15 de junho de 2005, popularmente conhecida como "MP do Bem", que perdeu a validade em 13 de outubro de 2005, por decurso de prazo. Pouco tempo depois, o RECAP foi restabelecido pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005. Atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 5.649, de 29 de dezembro de 2005 e pela Instrução Normativa SRF nº 605, de 4 de janeiro de/2006. À época da ocorrência da importação objeto da autuação, em 05/08/2005, a matéria era regida apenas pela MP nº252/2005. Transcrevese o texto da MP instituidora do RECAP: Art. 13. Fica instituído o Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras RECAP, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Art. 14. É beneficiária do RECAP a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, assim considerada aquela cuja receita bruta decorrente de exportação para o exterior, no anocalendário imediatamente anterior à adesão ao RECAP, houver sido igual ou superior a oitenta por cento de sua receita bruta total de venda de bens e serviços no período, e que assuma compromisso de manter esse percentual de exportação durante o período de dois anoscalendário. § 1 o A pessoa jurídica em início de atividade, ou que não tenha atingido no ano anterior o percentual de receita de exportação exigido no caput, poderá se habilitar ao RECAP desde que assuma compromisso de auferir, no período de três anos calendário, receita bruta decorrente de exportação para o exterior de, no mínimo, oitenta por cento de sua receita bruta total de venda de bens e serviços. § 2 o O disposto neste artigo não se aplica às pessoas jurídicas que tenham suas receitas, no todo ou em parte, submetidas ao Fl. 420DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 418 7 regime de incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Art. 15. Fica suspensa a exigência da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação incidentes sobre a importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, quando importados diretamente pelo beneficiário do RECAP para incorporação ao seu ativo imobilizado. § 1º. A suspensão de que trata o caput aplicase também à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS incidentes sobre a venda dos referidos bens no mercado interno, quando adquiridos por pessoa jurídica beneficiária do RECAP. § 2º. O benefício de suspensão de que trata este artigo poderá ser usufruído nas aquisições e importações realizadas no período de três anos contados da data de adesão ao RECAP. § 3º. O percentual de exportações de que tratam o caput e o § 1 o do art. 14 será apurado considerandose a média obtida, a partir do início de utilização dos bens adquiridos no âmbito do RECAP, durante o período: I de dois anos, no caso do caput; ou II de três anos, no caso do § 1 o do art. 14. § 4º. O prazo de início de utilização a que se refere o § 3 o não poderá ser superior a três anos. § 5º. A pessoa jurídica que der destinação diversa da prevista no caput, revender o bem antes do prazo referido nos incisos I ou II do § 3º , conforme o caso, ou não atender às demais condições de que trata o art. 14, fica obrigada a recolher juros e multa, de mora ou de ofício, contados a partir da data da aquisição, referentes às contribuições não pagas em decorrência da suspensão de que trata este artigo, na condição: I de contribuinte, em relação à Contribuição para o PIS/PASEPImportação e à COFINSImportação; ou II de responsável, em relação à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS. § 6º. Nas notas fiscais relativas à venda de que trata o § 1 o deverá constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. § 7º. A suspensão de que trata este artigo convertese em alíquota zero após cumpridas as condições de que tratam o caput e o § 1 o do art. 14. § 8º. A pessoa jurídica que efetuar o compromisso de que trata o § 1 o do art. 14 poderá ainda, observadas as mesmas condições Fl. 421DF CARF MF 8 ali estabelecidas, utilizar o benefício de suspensão de que trata o art. 40 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. Art. 16. A adesão ao RECAP fica condicionada à regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos e contribuições federais.” (negritos nossos) Percebese que o art.13 da referida MP restringe a sua aplicabilidade aos termos e condições a serem estabelecidos pela então SRF, que, até o registro da DI sob análise, não havia estabelecido qualquer norma para regulamentar tal regime. A MP tem, pois, eficácia limitada e o contribuinte não pode alegar direito até a norma ser devidamente regulamentada, o que somente ocorreu posteriormente em janeiro de 2006, já sob a égide da Lei nº11.196, de 21 de novembro de 2005, com a exigência regulamentada de um précadastro das empresas com o perfil para o gozo do benefício, previsto no Decreto nº 5.649, de 29 de dezembro de 2005 e pela Instrução Normativa SRF nº 605, de 4 de janeiro de/2006. A referida MP perdeu a sua eficácia em outubro de 2005. Não obstante, a Lei nº11.196 de 21, de novembro de 2005, veio restaurar parte de seus preceitos, acrescentando, porém, novos dispositivos. Assim, não há como ser aceito que a Recorrente usufrua dos benefícios do RECAP na importação em comento, realizada em 05/08/2005, uma vez que nesta data não havia ainda norma regulamentadora da Secretaria da Receita Federal estabelecendo termos e condições para adesão ao RECAP. nos termos determinados pelo art.13 da MP nº252/2005. Quanto a indicação de quem seria o responsável de provar a regularidade fiscal da empresa, tal discussão se torna desnecessária já que se demonstrou anteriormente que a empresa estava impossibilitada de aderir ao RECAP por falta de norma regulamentadora da MP nº252/2005, na data em que se deu a importação. Por fim, chancelo a afirmação contida no acórdão recorrido de que a questão examinada nos autos é distinta daquela constante no processo judicial nº2006.50.01.0031404, colacionada ao processo. Naquele processo, discutemse outras importações realizadas em janeiro de 2006, já sob a égide da Lei nº11.196, de 21 de novembro de 2005 e suas normas regulamentadoras contidas no Decreto nº 5.649, de 29 de dezembro de 2005 e na Instrução Normativa SRF nº 605, de 4 de janeiro de/2006. Naquele processo judicial a questão está relacionada com a ausência de prévia edição de ato declaratório formalizando a habilitação ao RECAP, mas já havia sido editado o decreto indicando os termos e condições para adesão ao RECAP. Aqui, o indeferimento do pedido de adesão ao regime não foi pelo descumprimento de aspecto formal, mas sim pela ausência da norma complementar necessária para a eficácia da norma instituidora. A importação realizada em agosto/2005 até é citada de forma incidental no referido processo judicial, uma vez que a empresa alegou como umas das justificativas para a regularidade da sua situação perante as importações realizadas em janeiro/2006 e a consequente liberação judicial é que anteriormente havia procedido o desembaraço de outras mercadorias, em agosto/2005 (objeto da presente autuação), com a suspensão do pagamento das contribuições e sem a necessidade de adesão ao RECAP, fato que se deu somente em data posterior no mês de março/2006. Conforme já demonstrado aqui, a Autoridade Aduaneira identificou tempestivamente as irregularidades na importação efetuada em agosto/2005, objeto do presente processo, procedendo a revisão aduaneira, procedimento este que resultou na autuação ora analisada. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 419 9 Portanto, não se identifica concomitância entre os processos administrativo e o judicial, uma vez que a importação realizada em 05/08/2005, referente a DI nº0508341269, não foi objeto levado a discussão do poder judiciário no processo nº2006.50.01.0031404. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Voto Vencedor Conselheiro Renato Vieira de Avila Redator Designado Tratase de auto de infração, de Pis e Cofins Importação, de tributos não pagos em decorrência de utilização de regime de benefício fiscal denominado RECAP. O motivo do lançamento, foi o entendimento fiscal, no qual, após procedimento de revisão aduaneira, constatouse que não estariam sendo cumpridos os requisitos, por parte do contribuinte ora recorrente, exigidos em lei para a fruição do referenciado favor fiscal. Especificamente, como se denotará do breve relato processual abaixo exposto, o cerne da questão trazida aos autos, pela recorrente e pela Fazenda Pública, foi a vigência da norma regulamentadora do RECAP, vez que, no entendimento fazendário, haveria irregularidade na adesão ao RECAP em razão do período efetivado, ou seja, entre a perda da validade da MP 252 e a edição da Lei 11.196/05. O r. Relator, apresentou minuta de voto no sentido de negar provimento, consoante exposto em seu voto, transcrito em item específico. Entretanto, em meio aos debates, houveram por bem os Conselheiros divergir do douto relator, no sentido de acolher as pretensões recursais da recorrente, nos seguintes termos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário em cumprimento da decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito de fruição do incentivo fiscal do RECAP. Vencido o Conselheiro Pedro Sousa Bispo. Designado o Conselheiro Renato Vieira de Avila. Desta forma, como decorre da prolatação do resultado do julgamento, o colegiado, após os debates, houve por bem determinar o cumprimento da decisão judicial transitada em julgado. Motivos da Divergência Faz parte substancial da divergência a existência da ação judicial 2006.50.01.0031404, cuja tramitação deuse na Justiça Federal de Vitória/ES , cujas partes são a ora recorrente e a fazenda pública. Temse noticiado nestes autos, que mencionado processo fora julgado com resolução de mérito, tendo sido acostado a competente certidão de seu trânsito definitivo. Fl. 423DF CARF MF 10 Por este motivo, qual seja, o trânsito em julgado de decisão judicial, encontrase caracterizado o fato extintivo do crédito tributário previsto no artigo 156, X, do Código Tributário Nacional. CAPÍTULO IV Extinção do Crédito Tributário SEÇÃO I Modalidades de Extinção Art. 156. Extinguem o crédito tributário: X a decisão judicial passada em julgado. Certidão de Trânsito em julgado Em consulta ao sitio do TRF2 e do STJ, foi possível obter certidao cujo teor é a certificação do transito em julgado obtido mediante a inclusão, no link a seguir referenciado, cujo objetivo é a validação das certidões. https://ww2.stj.jus.br/processo/certidao/validacao Diante disso, foi imputado no campo de 'Número da Certidão: 334605', 'Código de Segurança: E15E.9EA4.2CA8.E68', 'Data de Geração: 26 de junho de 2014, às 15:54:54'. resta atestado que o STJ certfica, relativamente ao Recurso Especial 1338619/ES, sendo recorrida a ora Recorrente, quem seja, Granito Zucchi Ltda, cujo teor decidiu por negar seguimento ao Recurso, e, ainda, que a decisão teria transitado em julgado dia 20 de agosto de 2013. Decisão emanada pelo STJ Negativa de Seguimento A decisão do STJ limitouse a analisar o requisitos de admissibilidade de recurso, concluindo, ao final, pelo descabimento do Recurso em razão de fundamentação recursal deficiente e recebeu a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. PIS E COFINS. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II DO CPC. INDICAÇÃO GENÉRICA. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO RECURSAL. SÚMULA 284/STF. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 12 E 15 DA LEI 11.196/05. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. Súmula 211 DO STJ. ACÓRDÃO RECORRIDO QUE POSSUI FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. AUSÊNCIA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Súmula 126 STJ. RECURSO ESPECIAL AO QUAL SE NEGA SEGUIMENTO Desta maneira, diante da negativa de seguimento do recurso especial proposta pela autoridade fazendária, devese descer ao tribunal ad quem com a intenção de conhecer a real extensão da decisão judicial transitada em julgado. Decisão emanada pelo TRF 2 Princípio da Continuidade da Norma Jurídica Ausência de Decreto Legislativo O TRF em acórdão entendeu, conforme se denota da leitura do Voto, exposto em antecipação, ante ao pedido de vista pela Relator, no qual divergiu sob os fundamentos da impossibilidade de estado jurídico determinado e amparado por norma, seja desvalido pelo argumento de ausência de ineficácia. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 420 11 A decisão do TRF 2, em sede da Apelação e Reexame necessário 2006.50.01.0031404, recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. RECURSO E REMESSA NECESSÁRIO NÃO PROVIDOS. é preciso distinguir entre regulamentação no sentido do artigo 100 do CTN as chamadas normas complementares, que, embora tenha um caráter normativo, não completam lei, não são complementares como no modelos das leis complementares, que realmente completam a constituição, embora não a expandido, mas lhe dão um conteúdo mais completo. O primeiro raciocínio é o de que a medida provisória teve vigência, conforme o previsível, por dois meses e não há que se negar validade, seja a que título for, inclusive sob o foco da eficácia contida por isso mesmo é que ela é provisória, somente adequada para situações de urgência, necessidade, interesse público, já que não pode aguardar a tramitação regular do processo legislativo. O segundo ponto é que sobreveio a Lei 11.196/2005, já fora da vigência da Medida Provisória. Como já sabemos, o art. 62 da Constituição fala:"em caso de relevância e urgência, o presidente da republica poderá adotar medidas provisórias com força de lei, devendo submetêlas de imediato ao Congresso Nacional" então entendiase relevante e urgente, assim, o aspecto da eficácia seria contraditório, contra a lógica e a finalidade dessa edição. A tese de que perdeu a validade encaixa no que agora vou apontar e, pelo parágrafo 3.º do mesmo artigo 62: "As medidas provisórias, ressalvado o disposto nos parágrafos 11 e 12, perderão eficácia, desde a edição se não forem convertidas em lei no prazo de sessenta dias, prorrogável nos termos do parágrafo 7.º, uma vez por igual período, devendo o Congresso Nacional essa é a parte que mais interessa no meu raciocínio disciplinar por decreto legislativo as relações jurídicas delas decorrentes." Não há que se invocar a perda da validade e da eficácia para uma situação reconstituída e que necessitava, num sentido ou noutro, de uma regulação mediante decreto legislativo. Recurso e remessa necessária não providos Interessa, para o completo deslinde da questão trazido ao colegiado, resgatar excertos do voto vogal vencedor, antecipado de acordo com a previsão regimental Isto porque, o voto explicita o fundamento no qual a MP 252/05 apenas perderia seus efeitos com a manifestação do Congresso Nacional mediante Decreto Legislativo. Desta forma, o acórdão aqui mencionado, autoriza a legislação da época, interagir com os eventos de importação acobertados pela DI em questão, de forma a autorizar a utilização do benefício pela ora recorrente. Fl. 425DF CARF MF 12 Então, houve um fato no mundo real, na facticidade da vida o processamento dessas importações da maquinaria para se atender àquela urgência e à necessidade imposta pela propria medida provisória. Ora, não tendo havido providência do Congresso Nacional ou seja, o decreto legislativo , ficou um vazio. Por isso, não como invocar a perda da validade e da eficácia para uma situação reconsituida portanto, pendente e que necessitava, num sentido ou noutro, de uma regulação mediante decreto legislativo. Foi isso que aconteceu. (...) ou seja, era uma situação pendente que deixou de ser atendida, conforme deveria ter sido pela medida provisória, substituida no prazo de sessenta dias, e ficou submetida a uma nova disciplina, o que só veio a ocorrer com a Lei 11.196/05 É essa a situação que vejo: uma situação do próprio princípio da continuidade da vida jurídica. Então, não é possível que uma medida provisória morra, deixe um cadáver no meio do caminho, e lá na frente se negue o enterro. O enterro seria mediante o decreto legislativo para dizer como a situação ficaria regulada. Se quem ingressou sob a égide dessa medida provisória, nesse regime isentivo de importação, perderia tudo ou se ressalvariam as situações precedentes. Desta forma, o voto vencedor desqualifica as exigências de mero cadastro, provocadas pelo entendimento fazendário, no sentido de caracterizar como regular a opção pelo regime sob litígio. Além do princípio da razoabilidade e também, porque não dizer da justiça e da proporcionalidade como ouvi a respeito do brilhante parecer ministerial , não é possível ignorar tudo isso como se medida provisória fosse apenas experiência de laboratório, ou seja, um ensaio de lei. No nosso regime constitucional, não é isso. Prevêse que, perdendo a sua vigência e eficácia desde a sua edição como está no parágrafo 3.º é preciso que se aplaine o espaço pendente, o que não se fez. Consequentemente, pelo princípio da continuidade da norma jurídica, não há que se agora invocar que legislação miúda, como essas do art. 100 do CTN, ou seja, exigências de mero cadastramento de habilitação salvo se se demonstrasse, como foi dito da tribuna, que não preenchia os requisitos. Porém, cadastramento não é requisito. No meu entender, cadastramento e condição de processamento: são os procedimentos administrativos previstos para se verificar a determinada situação está ou não enquadrada nos parâmetros legais. Então, com a devida venia do eminente relator, que seguiu por caminho diverso (...) e na que tenho, por que uma medida provisória em si já é um instrumento tão censurado pela doutrina e jurisprudência, com um sucedâneo meio aleijado do antigo decreto lei do artigo 55 da Carta de 67 é preciso, pelo menos, retirar dele algo que sirva para o ordenamento jurídico, para o nosso ordenamento. E, em face da omissão da mora legislativa que não expediu, como era seu dever constitucional, o decreto legislativo, essa situação de pendência estava completada. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 421 13 A lei, embora já apartada da seqüência pelo princípio da continuidade da vida jurídica, atinge, porque é um efeito reflexo numa situação objetiva, aquela situação e, aliás, em boa medida, já examinada quando do desembaraço aduaneiro e, evidentemente, que poderia haver, como de fato houve, uma revisão do despacho, mas essa revisão não poderia levar em conta, para exigir tributo, para ignorar a isenção, apenas elementos posteriores e de natureza burocrática. Sentença Eficácia Temporal da MP 252/05 Requisitos preenchidos A segunda vara federal civil da circunscrição de Vitória/ES, acostada a estes autos em fls. 20 a 31 do Volume II, deste PAF, deve ser trazida aos autos, uma vez que foi confirmada pela decisão do TRF 2, e transitada em julgado, conforme relatado até aqui. Indo além, interessa tornar aplicável a norma individual e concreta acobertada por esta decisão administrativa, e, por este motivo, colacionarseá trechos da decisão judicial essenciais para a compreensão da extensão material. A fim de delimitar a questão, assim consignou a magistrada: De um lado, a autora afirma que o incentivo em questão foi instituído pela Medida Provisória e, após, pela Lei, e 'desde então poderia ser utilizado pelas pessoas jurídicas que preenchessem as exigências nelas contidas. Ainda, aduz que, r se é necessário um ato formal para adesão ao RECAP, esse se deu, para ela, quando realizou a primeira importação se valendo dos correspondentes benefícios fiscais, ou seja, nos idos de agosto de 2005. De outro lado, a ré defende que, conforme o Decreto n.° 5.649/2005 e a Instrução Normativa n.° 605/2006, o direito de operar no RECAP só nasce para as pessoas jurídicas previamente habilitadas, de acordo com procedimento formal especifico, sendo que o ulterior deferimento da adesão não retroage para alcançar situações pretéritas, a exemplo da analisada neste feito. Na matéria de centro, referente a validade da MP em discussão, expôs: ocorre que a medida provisoria perdeu sua eficacia em outubro de 2005, Não obstante, a Lei 11.196/05, de 21 de novembro daquele ano, veio restaurar parte de seus preceitos, acrescentando, porém, novos dispositivos. No que diz toca ao RECAP, trago à baila as regras da Lei 11.196/05: Desta forma, ficou assegurado na sentença que a importação promovida pela ora recorrente, ocorreu antes da perda da eficácia da referenciada MP 252/05. Preponderantemente exportador ADE 245/03 Quanto aos requisitos exigidos para operar o RECAP, logo após requisitado, a autora solicitou conforme o procedimento, merecendo destaque na sentença, o fato de a ora recorrente ter sido reconhecida como preponderantemente exportadora. Fl. 427DF CARF MF 14 Diante dessa informação, a autora solicitou a habilitação ao RECAP em 15 de março de 2006 (fls. 78 e ss.), para o que não necessitou promover maiores diligências, haja vista que já era reconhecida pela Secretaria da Receita Federal como pessoa jurídica preponderantemente exportadora, consoante Ato Declaratório Executivo n.° 245/2003 (fl. 89). Requisitos para operar no RECAP Importa, ainda, ressaltar que ficou consignado no teor da sentença ora trazida aos autos, que a recorrente detinha os elementos necessários para operar no RECAP Ora, sob esse prisma, desde a promulgação da Lei n.° 11.196/2005, já estavam presentes todos os elementos necessários a aferir que a autora fazia jus a operar no RECAP, o que 3 foi tãosomente confirmado pelo Ato Declaratório que veio formalizar seu cadastro.' , Solicitação prévia ao RECAP efetivada Ao final, a sentença ainda ressalta que a solicitação pelo benefício do RECAP ocorreu, quando da importação do maquinário, a solicitação pelo incentivo fiscal. Inclusive, a sentença ora em análise põe em relevo que o importador, requereu, na aba dedicada a dados complementares, a aplicação do incentivo fiscal. Ademais, in casu, não se pode perder de vista que a autora já haviat antes, promovido importação sem o recolhimento do PIS e da COFINS, ocasião em que expressamente solicitou o incentivo fiscal então previsto pela Medida Provisória n.° 252/2005. Segundo a ré, o desembaraço das mercadorias nessa oportunidade se deveu à parametrização da Declaração de Importação para o canal verde (fl. 172): De plano, não deixa de ser curiosa a liberação de mercadorias, sem o recolhimento de tributos, pela mera parametrização automática do sistema no canal verde, quando esse mesmo sistema acusou, na aba dedicada a erros e alertas, a falta de pagamento do PIS e da COFINS (fls. 167), ao passo que o importador, na, aba dedicada a dados complementares, categoricamente requereu a aplicação de incentivo fiscal (fl. 166). Em conclusão, a sentença determina que a recorrente agira com boa fé, parecendo, ao magistrado, fora da razoabilidade, exigir o recolhimento dos tributos pela questão temporal, que, segundo a tese da autoridade fazendária, pelo fato de ocorrer após a derrocada da validade da MP 252/05, estaria desprovida de validade e eficácia. Realmente, todos esses elementos, que particularizam o presente caso concreto, revelam a boafé da autora e sua crença de operar amparada pelo RECAP. • Não me parece, pois, razoável exigir o recolhimento dos tributos na operação realizada pela autora em janeiro de 2006, sob o único fundamento de que sua habilitação ao RECAP sõ foi formalizada em julho daquele ano. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 422 15 Ao contrário se afigura irrazoável negar o incentivo fiscal, legalmente previsto precisamente para essas situações de investimento em modernização de parques industriais, apenas por razões de ordem burocrática e formal, especialmente porque, frisese, a autora demonstrou preencher os requisitos legais e foi ainda que mais tarde habilitada. Assim, demonstrados os fundamentos e os limites, da decisão transitada em julgado, e, não restando dúvidas sobre a identidade de objeto, mister se faz, darse o efetivo cumprimento à veneranda decisão do poder judiciário. MÉRITO Conforme se destacou acima, tratase, nestes autos, da cobrança de Pis e Cofins vinculados a importação em razão do entendimento fazendário no qual a recorrente deixou de cumprir os requisitos para usufruir do programa de benefícios. Alertouse sobre a existência de decisão transitada em julgado, cujo teor, consoante definido alhures, torna claro que, no momento da importação acobertada pela DI 05/08341269, a contribuinte, ora recorrente, estava devidamente integrada e capacitada para operar o RECAP. Os bens importados, devidamente identificados na DI em referência, acostadas em fls. 144, do volume I, conforme descrito a seguir: MAQUINA PARA POLIR PLACAS DE MARMORES E GRANITO COM 21 CABECAS, MODELO KG 3000/021, COMPOSTA DAS SEGUINTES PARTES: 01 TRANSPORTADOR MOTORIZADO COM ROLETES ACIONADOS • POR 'RICCA° MOD.IRMF/20/L/35/1/VE, S/N:23364, COM INVERSOR. 01 POLIDORA DE CORREIA CONTINUA PARA PLACAS DE GRANITO, LIVIBRETON MOD.KG3000/021; S/N:21774. 0 I TRANSPORTADOR MOTORIZADO COM ROLETES ACIONADOS POR FRICCAO MOD.IRMF/20/1.150/1/VE, S/N:23366, COM INVERSOR. 01 CARREGADOR AUTOMÁTICO DE PLACAS MODJOTL/S/20/35, S/N:23367 • 01 TRANSPORTADOR DE ROLETES ESPECIAL REBAIXADO, MOD. I RMFJP/20/L/35/RA, S/N:23368. 01CARREGADOR AUTOMATIC° DE PLACAS MOD.CAL/S/2000 DE FUNCAO DUPLA, S/N:23369. Qtde: I UNIDADE VUCV: 592.088,7000000 EURO/COM.EUROPE.IA Ainda, está, também, perfeitamente descrita na Nota Fiscal de Entrada, sob. n.º 22.021, da empresa Granito Zucchi, juntada em fls. 149 Máquina para polir placas de marmares e granito com 21 cabeçcas O modelo GI 00/021, comp etriptirawillasai conforme detalhamento n4 05/02341269 • Maquina para Resinamento de chapas de marmore e granito, co conforme detalhamentó na DI 05/02341269. Fl. 429DF CARF MF 16 Por fim, a invoice acostada em fls. 150 do Volume I deste PAF, e sua tradução juramentada, em fls. 153 do mesmo volume, traz a 'Fatura 1653'. A seguir, trazse o teor da DI referenciada, a fim de comprovar a identidade de objeto entre o Processo Administrativo Fiscal Federal e a ação judicial transitada em julgado. DI 05/08341269 Retirase da leitura do auto de infração que o fato gerador da obrigação tributária perseguida decorreu da importação formalizada através da DI 05/08341269, registrada em 05 de agosto de 2005, na qual fora submetida ao despacho aduaneiro um máquina para polir placas de mármore e granitos com 21 cabeças, modelo KG 3000/021 e uma máquina para resinamento de chapas de mármore e granito completa. Isto porque, a sentença trazida aos autos, em fls. 27 do volume II, expressamente se refere a mencionada DI, vejase: Ainda antes da perda de eficácia da Medida Provisória n.° 252/2005, a, autora havia promovido importação de bens de capital para o seu parque industriai, sem o correspondente recolhimento de PIS Importação e de COFINSImportação. Na oportunidade, quando do registro da Declaração de Importação n.° 05/08341269; Desta forma, ou seja, em havendo identidade de objeto, em ação judicial transitada em julgado e nos autos do processo administrativo, deve o Conselheiro, submeterse à decisão proferida em sede do poder judiciário. Este vem sendo o tratamento dado por este CARF em julgados semelhantes, como se observa da seguinte ementa: Acórdão nº 3401003.805 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário:2010, 2011 DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. LIMITES OBJETIVOS. OBSERVÂNCIA. A decisão que julga, total ou parcialmente o mérito, tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida e, recoberta pelos efeitos da coisa julgada, tornase imutável e indiscutível, considerandose deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas que poderiam ser opostas, tanto para o acolhimento quanto para a rejeição do pedido (arts. 502, 502 e 508 do Código de Processo Civil, Lei nº 13.105/15), motivo pela qual, aliada à observância do princípio da unidade de jurisdição, a opção pela via judicial implica renúncia à discussão administrativa sobre as mesmas matérias deduzidas perante o Poder Judiciário, devendo a decisão lá proferida ser cumprida em seus exatos termos. Recurso de ofício negado. Conclusão Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12466.002404/200813 Acórdão n.º 3402005.671 S3C4T2 Fl. 423 17 Diante do exposto, decido por conhecer do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 431DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.721936/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
AFASTADA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR CERCEAMENTO DE DEFESA EM RAZÃO DO INDEFERIMENTO DA PROVA PERICIAL.
Não há que se falar em cerceamento de defesa por indeferimento de prova pericial quando há no caso elementos suficientes para a convicção do julgador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A falta de escrituração da movimentação bancária caracteriza erro contábil suficiente para impedir a correta determinação do lucro real, autorizando o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base na receita bruta conhecida, conforme artigo 530, II, do RIR/99.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Restando comprovado que os valores creditados em contas correntes
mantidas junto a instituições financeiras têm origem nas atividades regulares exercidas pela pessoa jurídica titular, descabe a presunção de omissão de receitas e sua consequente tributação.
LANÇAMENTOS DECORRENTES – CSLL, PIS, COFINS
Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência de parte dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento.
MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF.
Multa aplicada de acordo com a legislação de regência (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96). Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula n. 02 do CARF.
Numero da decisão: 1202-000.709
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, também por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Geraldo Valentim Neto
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Não há que se falar em cerceamento de defesa por indeferimento de prova pericial quando há no caso elementos suficientes para a convicção do julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de escrituração da movimentação bancária caracteriza erro contábil suficiente para impedir a correta determinação do lucro real, autorizando o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base na receita bruta conhecida, conforme artigo 530, II, do RIR/99. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Restando comprovado que os valores creditados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras têm origem nas atividades regulares exercidas pela pessoa jurídica titular, descabe a presunção de omissão de receitas e sua consequente tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES – CSLL, PIS, COFINS Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência de parte dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.725 2 Multa aplicada de acordo com a legislação de regência (artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96). Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula n. 02 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, também por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Nelson Lósso Filho, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Goncalves Bueno. Relatório O presente processo versa sobre 04 (quatro) Autos de Infração (fls. 03 a 39) referentes à exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS no ano calendário de 2004, acrescidos de multa de ofício e de juros de mora, nos seguintes termos: 1) Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, acostado às fls. 04 a 13, no valor de R$ 2.717.389,17 (dois milhões, setecentos e dezessete mil, trezentos e oitenta e nove reais e dezessete centavos); 2) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, acostado às fls. 30 a 37, no valor de R$ 833.669,14 (oitocentos e trinta e três mil, seiscentos e sessenta e nove reais e quatorze centavos); 3) Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, acostado às fls. 14 a 21, no valor de R $173.816,57 (cento e setenta e três mil, oitocentos e dezesseis reais e cinquenta e sete centavos); e, 4) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, acostados às fls. 22 a 29, no valor de R$ 802.230,60 (oitocentos e dois mil duzentos e trinta reais e sessenta centavos). O Auto de Infração de IRPJ foi baseado no arbitramento do lucro da Recorrente nos quatro trimestres do anocalendário de 2004, com base no art. 530, inciso II, do RIR/999, uma vez que a escrituração contábil por ela mantida foi caracterizada como imprestável para determinação do lucro real, por três principais razões: Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.726 3 Não contabilização da conta corrente existente no Banco Bradesco; Escrituração com valores totalmente diferentes dos constantes no extrato bancário da Conta nº 11.1120, Agência nº 3.1585, do Banco do Brasil; Contabilização de receitas em valores divergentes dos constantes em suas notas fiscais emitidas. Por sua vez, e por conta da imprestabilidade da apuração do lucro real da Recorrente, a fiscalização efetuou o cálculo do lucro arbitrado com base nas seguintes grandezas: (a) Omissão de receitas de prestação de serviços gerais nos 1º, 2º e 3º trimestres de 2004, conforme demonstrativo de fls. 10 e 11, obtida através do confronto das notas fiscais emitidas e dos valores informados na DIPJ, cujo enquadramento legal são os arts. 532 e 537 do RIR/1999; (b) omissão de receitas apurada nos 4 trimestres de 2004, com base em depósitos bancários de origem não comprovada, conforme demonstrativo de fls. 10 e 11, cujo enquadramento legal são os arts. 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430, de 1996; e arts. 532 e 537 do RIR/1999. Como reflexo dessa autuação principal, foram lavrados os três outros Autos de Infração de CSLL (por infração ao art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002), PIS (por infração aos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995, e arts. 2º, inciso I, alínea “a”, e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002) e COFINS (por infração ao art. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002). Com relação aos fatos, segue, em suma, o histórico que levou ao trâmite atual do Processo Administrativo Fiscal (PAF): (i) o contribuinte foi intimado em 23/11/2007, por meio do Termo de Início de Fiscalização (“TIF’’) (fls. 40 a 42), com prazo de 20 dias para atendimento, prazo este prorrogado por mais 20 dias, em 19/12/2007. Em 21/01/2008, o contribuinte atendeu parcialmente ao solicitado e afirmou que nos anos de 2003 e 2004 a empresa era prestadora de serviços e a partir de 2005 passou a comercializar mercadorias. Todo o exposto consta no TIF citado; (ii) em 24/01/2008, através do Termo de Intimação 01 (fls. 96 a 100), o contribuinte foi intimado a apresentar comprovantes diversos e contratos de prestação de serviços. Em 20/02/2008, o contribuinte atendeu parcialmente ao solicitado no referido Termo. Em 21/05/2008, o contribuinte entregou mais alguns documentos e declarou não ter localizado os documentos referentes aos anos de 2003 e 2004. Em 16/07/2008, o contribuinte explicou uma suposta ausência de receita no mês de agosto de 2004 (muito embora não exista ausência de receita nesse mês); (iii) em 21/07/2008, o contribuinte recebeu o Termo de Intimação 02 (fls. 101 e 102), que solicitou justificar e documentar o ingresso de numerários em suas contas bancárias, no mês de setembro de 2004, e o não recebimento de nenhuma receita tributável no referido mês. Em 05/08/2008, o contribuinte explicou o suposto motivo de não haver receita no mês de setembro (ausência de nota fiscal), mas não comprovou o ingresso de numerários em suas contas correntes. Ressaltese que as notas fiscais de números 171 a 176, emitidas contra a “TNL PC8 S/A”, em setembro de 2004, foram Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.727 4 posteriormente devolvidas com a motivação (meramente formal) de que o talonário estava vencido. O fato gerador é a prestação do serviço, e este foi de fato prestado; (iv) no Termo de Intimação 03 (fls. 103 e 104), solicitouse a comprovação do ingresso de numerários em todas as suas contas correntes, tendo em vista a enorme discrepância entre os valores constantes dos extratos bancários (particularmente a conta 11.1120, agência 3.1585, do Banco do Brasil) e os valores de sua escrituração contábil (Diário e Razão), além da ausência de escrituração de sua movimentação financeira no Banco Bradesco (agência 3.2310, conta corrente 79.4309). Em 15/09/2008, o contribuinte apresentou o talonário de notas fiscais de 2004 mas continuou sem comprovar o ingresso de numerário em suas contas bancárias. Em 23/10/2008, apresentou cópias dos extratos bancários na referida conta no Bradesco; (v) a ação fiscal teve como principal objetivo verificar as discrepâncias entre as receitas de prestação de serviços declaradas pelo contribuinte na DIPJ/2005 e sua movimentação bancária. Regularmente intimado, o contribuinte não justificou o ingresso de numerários em suas contas correntes. Em virtude da não escrituração da sua movimentação bancária no Banco Bradesco, bem como das discrepâncias observadas na escrituração de sua movimentação bancária nas contas do Banco do Brasil, sua escrituração mostrouse imprestável, o que o levou a ser tributado pelo lucro arbitrado; (vi) a receita constante de sua DIPJ foi considerada como receita declarada e o total de ingressos não justificados em suas contas correntes bancárias foi considerado como receita omitida. Também foram considerados como receita omitida os valores não declarados no mês de setembro e as diferenças obtidas entre os valores declarados na DIPJ e os constantes das notas fiscais. Ato seguinte, protocolou tempestivamente Impugnação em 28/11/2008 (fls. 906 a 940) em que alegou o seguinte: (i) A Recorrente presta serviço de distribuição de cartões telefônicos prépagos da “Oi”, cuja razão social é “TNL PCS S/A” (antiga Telemar Norte Leste S/A); (ii) Nesse contexto, os serviços prestados compreendem as seguintes atividades: a) registro de pedidos/encomendas de cartões prépagos; b) distribuição/entrega de cartões telefônicos nos Pontos de Venda (PDV) cadastrados; c) repasse à “Oi” dos valores das vendas realizadas pelos PDV; d) instalação, vistoria e reposição de material publicitário em todos os PDV, de forma que o usuário final possa identificálos como revendedores de cartões PIA prépagos da “Oi”. (iii) Que recebe integralmente os valores das vendas dos cartões da OI, o que pode levar a uma falsa ideia de que a empresa tenha obtido como receitas a absurda quantia relativa à movimentação financeira. Na verdade, o que ocorre é o recolhimento diário dos valores das transações depositados em suas contas para posterior remessa à “Oi”, nos termos do contrato; (iv) Os depósitos bancários não podem ser considerados como incremento patrimonial ou riqueza nova, sem análise detida da verdade dos fatos; (v) A fiscalização optou por proceder à autuação por arbitramento, desprezando todos os documentos fiscais apresentados pela empresa, cometendo inequívoca ilegalidade que impõe a nulidade do lançamento; (vi) O arbitramento não pode ser feito por liberalidade do fisco, por considerar melhor opção, mas como a lei determina; Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.728 5 (vii) Os ingressos em conta bancária não podem, por si só, serem confundidos como acréscimo patrimonial, (viii) Da análise das provas documentais apresentadas, comprovase que a empresa sempre atuou como distribuidor da “Oi”, recebendo em seu nome os valores referentes às vendas realizadas, emitindo a respectiva nota fiscal de prestação de serviços e repassando o valor abatido da sua remuneração. Restou comprovado também que a autuação se deu exclusivamente através da movimentação bancária da Recorrente, dissociada de qualquer outro elemento contábil. Ademais, considerando que as autuações do PIS, COFINS e CSLL se deram através de lançamentos decorrentes do IRPJ, que se mostrou improcedente, estas respectivas autuações deverão também ser julgadas improcedentes; (ix) A aplicação da multa de 75% sobre o valor do imposto se mostra excessiva, em face da inexistência de dolo, fraude ou simulação; tampouco inexistiu pagamento a menor dos tributos exigidos. A autuação decorreu de um arbitramento exorbitante e desmedido. Houve, portanto, uma desproporção que deve ser corrigida, eis que a multa deve respeitar o princípio da proporcionalidade, e por isso não pode significar a destruição da empresa; (x) A perícia tem sua razão de ser na medida em que, sendo o arbitramento uma rotina de auditoria anômala e excepcional, há de enfrentar a perícia, por auditor estranho ao feito ou perito externo, de fora dos quadros da Repartição, de modo a assegurar a ampla defesa e o contraditório. Justificada a pertinência e o direito à prova requerida, indica para funcionar como seu perito e assistente técnico o Sr. Carlos Silva Pinto, informando sua qualificação e domicílio, ao mesmo tempo em que formula os quesitos que pretende sejam respondidos; (xi) Diante do exposto, requereu a improcedência dos Autos de Infração, tendo em vista que o Auditor laborou em equívoco, na medida em que procedeu ao lançamento, arbitrando o valor dos tributos, com base, exclusivamente, na movimentação financeira da Recorrente. Ao final, requereu a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, sobretudo a prova pericial, requerendo, desde logo, que os assistentes técnicos e as partes sejam intimados da data e local do início da produção de provas, na forma do art. 431A do Código de Processo Civil. De acordo com o voto do relator, nos termos do acórdão nº 1522112 (fls. 380), a Impugnação foi julgada parcialmente procedente, com a exoneração de parte do crédito tributário, com base nas provas trazidas aos autos, mantendose, no entanto, parte remanescente do crédito pela falta de elementos factíveis relativos à comprovação das receitas. A decisão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 NULIDADE. Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE PERÍCIA. Devem ser negadas as solicitações de perícia consideradas desnecessárias à solução do litígio. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.729 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de escrituração da movimentação bancária caracteriza erro contábil suficiente para impedir a correta determinação do lucro real, autorizando o arbitramento do lucro da pessoa jurídica com base na receita bruta conhecida. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Restando comprovado que os valores creditados em contas correntes mantidas junto a instituições financeiras têm origem nas atividades regulares exercidas pela pessoa jurídica titular, descabe a presunção de omissão de receitas e sua consequente tributação. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Contribuição para o Programa de Integração Social PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Confirmada, quando da apreciação do lançamento principal, a ocorrência de parte dos fatos geradores que deram causa aos lançamentos decorrentes, há que ser dado a estes igual entendimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra a parte cancelada da autuação, o próprio órgão julgador consignou a interposição de Recurso de Ofício com base no art. 34 do Decreto n. 70.235, de 1972, com as alterações promovidas pela Lei n. 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. De outro lado, inconformada parcialmente com a r. decisão, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário em 13/04/2010 (fls. 1.690 a 1.722), reiterando os mesmos argumentos expostos na Impugnação e requerendo a reforma da decisão, naquilo que restou vencida, argumentando em suma: (i) Dispensa do arrolamento de bens com base na decisão do STF na ADIN n. 1.9767; (ii) Nulidade do acórdão recorrido por cerceamento de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia técnica; (ii) Impossibilidade de manutenção do lançamento após a comprovação da origem dos depósitos bancários, presunção relativa do arbitramento e inobservância do conceito de renda pelo lançamento, que, apesar de serem lançados em tópicos distintos, estão focados no mesmo e único fundamento discordância com relação ao lucro arbitrado pela fiscalização; (ii) Redução do auto de infração referente ao IRPJ, sob a fundamentação de não terem sidos deduzidos os valores pagos a título de estimativas, no decorrer do anocalendário 2004, conforme comprovantes de recolhimento juntados aos autos (fls.1.013 a 1.032); (iv) inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada por violação ao princípio da proporcionalidade e pelo seu caráter confiscatório. Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.730 7 Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator I) Do Recurso de Ofício Com relação ao Recurso de Ofício, deve ser mantido o acórdão recorrido que exonerou parcialmente o crédito tributário constituído com base nas provas e documentos juntados aos autos. Isso porque parcela significativa dos valores depositados nas contas correntes fiscalizadas foi repassada a terceira pessoa, no caso à empresa “Oi”, não podendo ser considerada como receita própria da Recorrente para fins de apuração do lucro real e da tributação reflexa. Na verdade, como demonstrado com os contratos juntados aos autos, a Recorrente comercializa cartões telefônicos prépagos da “Oi”, recebendo em contraprestação comissão pelos produtos vendidos em percentuais que variam de 12,5% a 14%. Contudo, para operacionalizar suas operações, o valor integral da venda pago por seus clientes é depositado nas contas bancárias da Recorrente, que em seguida repassa o valor correspondente à “Oi”, ficando, apenas, com o percentual referente à sua comissão. Pois bem, o montante total que ingressou nas contas correntes da Recorrente no ano de 2004 (período que correspondente à autuação) foi de R$ 26.073.558,60, sendo que o valor total declarado na DIPJ como receita do mesmo período foi de R$ 3.577.488,98, ou seja, 13,64% do montante que circulou nas instituições financeiras. Notase, então, que o percentual declarado em DIPJ está compatível com a efetiva receita da Recorrente, que equivale à comissão de 12,5% a 14% do total de cartões telefônicos vendidos. A mesma consonância foi verificada em relação ao valor total das notas fiscais emitidas pela Recorrente em 2004, no valor total de R$ 3.890.449,52, que corresponde a 14,92% do montante total que transitou nas contas bancárias da autuada (R$ 26.073.558,60). Justificada a origem dos depósitos bancários e principalmente que a eventual omissão se refere a valores repassados a terceiros, conforme concluído pela DRJ/SDR (vide trecho de fls. 390, abaixo transcrito), deve ser afastada a presunção do lançamento quanto a esse ponto, conforme inclusive já decidiu a a E. CSRF: (ii) Acórdão 1522112 DRJ/SDR (fls. 390): Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.731 8 “Entendendose que a origem dos depósitos e créditos bancários encontrase comprovada pela atividade regular exercida pela Contribuinte, como ocorre no presente caso, é de se afastar a presunção de omissão de receitas e, por via de consequência, a sua tributação.” (não grifado no original) (ii) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICAIRPF; Anocalendário: 2003; DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PROVAS DEMONSTRANDO A ORIGEM DOS RECURSOS. LANÇAMENTO CANCELADO. (..). Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF 2a. Turma da 2a. Câmara, ACÓRDÃO 920200.819, Data de decisão: 10/05/2010).(não grifado no original) Assim, correto o julgamento de primeira instância que entendeu por comprovada a origem dos depósitos e créditos bancários, mantendose o lançamento apenas em relação à divergência entre as notas fiscais emitidas (R$ 3.890.449,52) e os valores declarados em DIPJ (R$ 3.577.488,98), razão pela qual deve ser negado procedimento ao Recurso de Ofício. II) Do Recurso Voluntário II.1) Requisitos de Admissibilidade Como o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Destacase, de início, estar prejudicada a análise de dispensa do arrolamento de bens correspondente a 30% do valor do débito, dado que o Recurso Voluntário foi processado sem essa exigência, conforme despacho de fl. 1.723. II.2) Inexistência de nulidade do Acórdão Recorrido Não há nulidade no acórdão recorrido por cerceamento de defesa ante o indeferimento da prova pericial, posto ser esta prescindível, conforme mencionado na análise do Recurso de Ofício, diante da inequívoca omissão entre o total das notas fiscais emitidas e a receita declarada em DIPJ. Ademais, a presunção de omissão de receitas com base nos depósitos bancários já foi afastada, o que também confirma a desnecessidade de prova pericial, mesmo porque o extenso rol de documentos juntados aos autos é mais do que suficiente para a solução da presente controvérsia, aplicandose, ao caso, o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, ’in verbis: ‘’Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/93).’’ (não grifado no original) Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.732 9 Sobre o assunto já se manifestou este E. CARF. Vejamos: “PEDIDO DE PERÍCIA DESCABIMENTO Somente justifica a prova pericial quando o exame dos fatos depender de conhecimentos técnicos e específicos e, assim, não puder ser feito pelos meios ordinários de convencimento.”(...) (CARF 1a. Seção / 1a. Turma da 4a. Câmara / ACÓRDÃO 140100.166 em 29/01/2010) “PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa ante a negativa de prova pericial, quando há in casu elementos suficientes para a convicção do julgador. PRELIMINAR. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL EXTINTO. PROCEDIMENTO NULO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO AO CONTRIBUINTE. Não há nulidade do procedimento administrativo, quando não se vislumbra prejuízo ao contribuinte. (...) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a. Seção 1a. Turma da 1a. Câmara, ACÓRDÃO 110100.052, Data de decisão: 13/05/2009) Pelo exposto, não cabe alegação de cerceamento de defesa tendo em vista que não há fundamentação razoável que comporte o pedido nem necessidade aparente que justifique tal pretensão. Dessa forma, rejeito a preliminar de nulidade. II.3) Legalidade do arbitramento Conforme visto anteriormente, o lançamento do IRPJ relativo aos quatro trimestres do anocalendário de 2004 foi realizado com base na sistemática do lucro arbitrado, pautado no entendimento de que a escrituração contábil da Recorrente foi considerada imprestável para fins de determinação do lucro real, tendo em vista que a Recorrente (i) contabilizou a menor as receitas registradas em suas notas fiscais de prestação de serviços, (ii) escriturou os ingressos em outra de suas contas bancárias (Banco do Brasil) por valores divergentes dos constantes nos respectivos extratos bancários, e (iii) não escriturou uma de suas contas bancárias (Banco Bradesco). Neste sentido, tomouse como receita bruta conhecida, para efeito de apuração da base de cálculo do imposto de renda pelo lucro arbitrado, as receitas declaradas na DIPJ, o somatório das parcelas relativas às receitas consideradas omitidas resultantes da diferença entre as notas fiscais emitidas e as declaradas na DIPJ, e aquelas representadas pelo total dos ingressos de numerários em suas contas correntes bancárias, cuja origem não foi comprovada. Com base no descumprimento dos requisitos definidos em lei e pela impossibilidade material para tributação das receitas brutas conhecidas com base no lucro real, a Recorrente foi autuada em conformidade com a previsão do inciso II, alíneas ‘’a’’ e ‘’b’ do artigo 530 do RIR/99, que determina o seguinte: ‘’Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.733 10 II – a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; (...)’’ (não grifado no original) A Recorrente recolhe seu imposto com base no lucro real e, conforme já asseverado, foi demonstrada a divergência entre a contabilização de receitas declaradas em DIPJ e o montante total das notas fiscais emitidas pela Recorrente, o que permite o arbitramento, conforme também prevê o art. 148 do CTN: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tem em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Constatase, portanto, que no presente caso foi comprovada a existência dos pressupostos de cabimento da imposição do lucro arbitrado, de modo que devem ser afastadas as alegações da Recorrente no sentido de que o arbitramento é incabível. Em casos análogos, este E. CARF manteve a possibilidade de arbitramento do lucro. Vejamos: “LUCRO ARBITRADO. É cabível o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida na falta de escrituração regular. Artigo 530, RIR/99.”(...) (CARF 1a. Seção / 2a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110200.195 em 19/05/2010) (não grifado no original) “IRPJ LUCRO ARBITRADO A existência de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela não escrituração de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, bem como a falta de escrituração de movimentação bancária, tornaa imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por consequência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável IRPJ Recurso parcialmente provido.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 8ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10806068 do Processo 138050054999590, Data: 11/04/2000) (não grifado no original) (não grifado no original) “ARBITRAMENTO DO LUCRO A luz do disposto no art. 530 do RIR/99, o imposto, devido trimestralmente, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando, dentre outras hipóteses, a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver erros ou deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real. Assim, apurado pela autoridade fiscal, entre outras deficiências, apuração de resultado em desacordo com a legislação Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.734 11 comercial e fiscal e registros no Livro Diário em partidas mensais sem escrituração auxiliar, não resta outra alternativa senão o arbitramento do lucro (...) Recurso negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 5ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10515821 do Processo 10384001326200300, Data: 22/06/2006) (não grifado no original) (não grifado no original) “Assim, constatada “a falta de coerência entre os valores escriturados” na DIPJ com aqueles indicados nas notas fiscais emitidas pela Recorrente “representam motivos suficientes para arbitramento do lucro”, conforme já decidiu este E. Conselho.”(8ª Câmara, Turma Ordinária, Primeiro Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10809362, de 13/6/2007). Ademais, não há que se falar em falta de abatimento das estimativas pagas no decurso do ano calendário 2004, conforme alega a Recorrente, na medida em que na própria decisão da DRJ/SDR (fls. 379 a 391) consta a menção, feita pelo relator, do abatimento das estimativas dos créditos tributários compensado no próprio Auto de Infração (fls. 03 a 39) , pelas autoridades fiscalizadoras. Assim, ao analisar o Auto de Infração com as devidas compensações, bem como a DIPJ 2005/anocalendário 2004 (fls. 363 a 432) e as guias de recolhimento (fls. 1.013 a 1.032), notase que as autoridades fiscalizadoras compensaram o IRPJ pago por estimativas correspondente aos quatro trimestres de 2004 , o que denota a improcedência da alegação da Recorrente, conforme pode se verificar da simples leitura de trecho da decisão da DRJ/SDR (fls. 390). Vejamos: “Desse modo, elaborase o demonstrativo abaixo, que indica a parcela da receita bruta remanescente, como também as alterações procedidas no cálculo do imposto de renda em cada trimestre do anocalendário de 2004, compensandose, tal como ocorrido no Auto de Infração, os valores recolhidos por estimativa. Ressaltese que o lucro arbitrado é a forma de avaliação da renda das empresas aplicada nas hipóteses de descumprimento de requisitos definidos em lei para tributação do lucro real ou lucro presumido. Foi a alternativa que restou à fiscalização, em conformidade com o disposto no inciso II, letras “a” e “b”, do artigo 530 do RIR/1999. Período Base Receita Bruta Lucro Arbitrado Imposto (+) Adicional (+) Estimativas () Imposto Total: 1º Trim. 1.036.581,21 398.047,18 9.707,08 3.804,72 46.238,33 47.273,47 2º Trim. 964.727,08 370.455,20 5.568,28 1.045,52 11.350,74 75.263,06 3º Trim. 1.068.984,69 410.490,12 1.573,52 5.049,01 58.566,28 52.942,95 4ºTrim. 820.156,54 314.940,11 7.241,02 5.494,01 72.735,03 Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.735 12 A base de cálculo do imposto – o lucro arbitrado – foi obtida pela utilização do percentual de 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento), que nada mais é do que um percentual de 20% (vinte por cento) sobre a receita bruta conhecida – no caso, as receitas declaradas na DIPJ somadas aos valores omitidos, representados pela diferença entre os montantes constantes das notas fiscais emitidas e as próprias receitas informadas na DIPJ.” (não grifado no original) Dessa forma, está correto o lançamento com base na sistemática do lucro arbitrado, nos termos dos dispositivos acima mencionados e pelos fundamentos aludidos na r. decisão de fl. 385 do Acórdão 1522112 da DRJ/SDR, devendo ser afastas as alegações da Recorrente em sentido contrário (tópicos VI, VII e VIII do Recurso Voluntário). II.4) A multa aplicada No que diz respeito à multa imposta de Ofício no percentual de 75%, a previsão está positivada no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ‘’in verbis’’: ‘’Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)’’. (grifouse). Quando o imposto é lançado de ofício, é imprescindível a imposição da multa de ofício de 75 %, prevista no artigo citado acima. A jurisprudência do CARF é vasta neste sentido. Vejamos: “IRPJ LANÇAMENTO DE OFÍCIO Na determinação do imposto devido, impõese compensar o imposto de renda retido na fonte correspondente às receitas lançadas de ofício. IRPJ MULTAS DECORRENTES DE LANÇAMENTO "EX OFFICIO" Havendo falta ou insuficiência no recolhimento do imposto, a multa de lançamento de ofício é a prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, descabendo sua conversão em multa moratória. PUBLICADO NO DOU Nº 66 DE 05/04/06, FLS. 31 A 34.” (Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10708338 do Processo 10166001007200361, Data: 09/11/2005) (não grifado no original) “IRPF MULTA DE OFÍCIO A multa aplicada no lançamento de ofício é de 75%, no caso de falta de pagamento do tributo devido, nos termos do inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96. Recurso negado”. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10612487 do Processo 106800045940043, Data: 23/01/2002) Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10580.721936/200811 Acórdão n.º 1202000.709 S1C2T2 Fl. 1.736 13 Por outro lado, as alegações de violação ao princípio da proporcionalidade e da vedação ao confisco, em matéria tributária não podem ser conhecidas por esse Colegiado, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. Portanto, o que se evidencia é a aplicação correta da lei. Conforme já exposto, constataramse variações entre os documentos fiscais e informações inexatas, de tal relevância que foi corretamente determinado a aplicação do lucro arbitrado, com consequente imposição das penalidades previstas na legislação. III) Conclusão Por fim, ante todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exoneração parcial do Crédito Tributário reconhecida na decisão de primeira instância, e no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente, mantendose na integralidade a decisão da DRJ, por seus próprios fundamentos. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 20/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/03/201 2 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10435.721020/2014-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103.
A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício.
Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa.
Numero da decisão: 1402-003.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15521.000284/2009-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10435.721020/201475 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 1402003.496 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2018 Matéria CONHECIMENTO RECURSAL Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DBA TECIDOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Ainda que, quando da prolatação de Acórdão que cancela determinada exação, a monta exonerada enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador da 2ª Instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15521.000284/200979, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 10 20 /2 01 4- 75 Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10435.721020/201475 Acórdão n.º 1402003.496 S1C4T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Trata de Recurso de Ofício oposto em face do cancelamento de exações sofridas pela Contribuinte, promovido pela DRJ a quo, dando provimento às razões de Impugnação opostas contra o lançamento de ofício procedido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.484, de 18/10/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15521.000284/2009 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.484): "Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constatase que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF nº 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerandose definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10435.721020/201475 Acórdão n.º 1402003.496 S1C4T2 Fl. 4 3 Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadravase na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2ª Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF nº 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Diante de todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de não conhecer do recurso de ofício, nos termos da Súmula CARF nº 103, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 504DF CARF MF
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