Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,801)
- Primeira Turma Ordinária (16,326)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,173)
- Primeira Turma Ordinária (16,159)
- Segunda Turma Ordinária d (15,885)
- Segunda Turma Ordinária d (14,478)
- Primeira Turma Ordinária (13,059)
- Primeira Turma Ordinária (12,482)
- Segunda Turma Ordinária d (12,422)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,434)
- Quarta Câmara (85,076)
- Terceira Câmara (67,622)
- Segunda Câmara (56,324)
- Primeira Câmara (20,556)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,303)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,160)
- Segunda Seção de Julgamen (114,852)
- Primeira Seção de Julgame (76,802)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,969)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,614)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,885)
- HELCIO LAFETA REIS (3,799)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,763)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,592)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (15,531)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10921.720399/2013-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 22/03/2011
DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
Numero da decisão: 9303-007.676
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 22/03/2011 DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do Decreto-Lei nº 1.455/76.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10921.720399/2013-33
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5935230
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-007.676
nome_arquivo_s : Decisao_10921720399201333.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10921720399201333_5935230.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7539314
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149397917696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10921.720399/201333 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303007.676 – 3ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria MULTA CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente INTERMARES TRADING IMPORTAÇÃO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/03/2011 DANO AO ERÁRIO. INFRAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. VALOR DA MERCADORIA. LEI 10.637/02. CESSÃO DE NOME. INFRAÇÃO. MULTA. DEZ POR CENTO DO VALOR DA OPERAÇÃO. LEI 11.488/07. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Na hipótese de aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, nos termo do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, não será declarada a inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei 9.430/96. A imposição da multa não prejudica a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens, prevista no art. 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 72 03 99 /2 01 3- 33 Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3402004319, de 25/07/2017, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 22/03/2011 DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA E IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. Por disposição do § 2º, do artigo 11 da Lei 11.281/2006, a operação de importação feita por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado, realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na IN SRF Nº 634/2006, presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. NÃO LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. Conforme previsão legal contida no § 3º do artigo 23, V, do Decreto 1.455/1976, considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente da mercadoria, sujeito passivo na operação de importação, infrações puníveis com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. RESPONSABILIDADE. EFEITOS. Conforme o art. 95, do Decretolei nº 37/66, responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Recursos Voluntários Negados. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 4 3 Em seu recurso especial o contribuinte pretende ver rediscutida a matéria "impossibilidade de inflição da multa correspondente a 100% do valor aduaneiro ao acobertante, no caso de interposição fraudulenta comprovada". Apresentou como acórdão paradigma da divergência o de nº 3301002639, o qual ficou consignado que nas circunstâncias fáticas apresentadas, pelo princípio da especialidade, deveria prevalecer somente a multa de 10% sobre a cessão de nome prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Importante esclarecer que da mesma fiscalização, conforme consta do relatório do acórdão recorrido, foram gerados a lavratura de três autos de infração. Além do presente processo que trata da aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, foram instaurados os processos administrativos nº 10921.720396/201308 (trata da multa aplicada por cessão de nome, cujo recurso especial da Fazenda Nacional também está pautado para julgamento nesta mesma reunião) e 10921.720397/201344 (multa de conversão da pena de perdimento amparada pelos mesmos fatos tratase também do acórdão paradigma ao presente recurso especial). O recurso especial foi admitido nos termos do despacho de efls 316 e segs, assinado pelo então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. Não faz abordagem sobre o conhecimento do recurso e pede que seja improvido. É o relatório. Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos pressupostos formais e materiais para o seu conhecimento. Importante delimitar que a matéria recebida no recurso especial do contribuinte é limitada à discussão sobre a possibilidade de aplicação da multa correspondente a 100% do valor aduaneiro da mercadoria ao acobertante, ou seja, a quem cedeu o nome para a Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 5 4 realização da operação de importação. Não há discussões quanto aos elementos de prova. O que o contribuinte defende, e que foi adotado no acórdão paradigma, é que "em caso de interposição fraudulenta, o beneficiário, quando identificado, responde pela pena de perdimento ou multa de 100% do valor da operação e quem intervir cedendo o nome por multa de 10% instituída pelo art. 33 da Lei nº 11.488/2007, em face do princípio da especialidade da sanção, não mais se justifica a aplicação ao importador ostensivo da multa de 100% prevista no art. 23, inc. V, do DecretoLei nº 1455/76, sob pena de ilegal bis in idem". Importante destacar que no acórdão paradigma, acompanhei, pelas conclusões, o voto do então relator i. exconselheiro Sidney Eduardo Stahl, pelo provimento do recurso voluntário. Conforme pode se ver de minha declaração de voto, na qual expliquei que não concordava com a tese adotada pelo relator, mas lhe acompanhava pelo provimento do recurso, pois naquela oportunidade vislumbrei que as provas eram insuficientes para comprovar que havia tido a interposição fraudulenta de pessoas na importação. Como dito, no início, no presente processo não está a discutir a validade das provas. Mas é oportuno informá los que no processo 10921.720396/201308, do mesmo contribuinte, pautado também para esta sessão de julgamento, também de minha relatoria, o qual se assenta nos mesmos fatos do presente processo e também do acórdão paradigma já citado, tive a oportunidade de refletir melhor e concluir que a fiscalização logrou comprovar de forma inequívoca que houve a interposição fraudulenta de pessoas na importação. Passado esse preâmbulo, passemos a discutir o mérito do recurso que trata da possibilidade de coexistência, ao acobertante, da multa de conversão da pena de perdimento prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a multa de 10% por cessão de nome, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Já na minha declaração de voto no acórdão paradigma, fiz as seguintes considerações quanto à coexistência e possibilidade de aplicação das duas multas: (...) Após fazer um estudo detalhado do que foi a intenção do legislador ao incluir o art. 33 da Lei nº 11.488/2007, passando inclusive pela exposição de motivos do referido artigo, o relator conclui que a aplicação da multa de 10% pela cessão de nome, afasta do cedente, a responsabilidade solidária da infração decorrente da pena de perdimento, mais especificamente a pena correspondente ao valor da mercadoria. Em que pese a interessante argumentação e convencimento do relator, não consigo chegar à mesma conclusão. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 6 5 Assim dispõe o artigo: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Da simples leitura do dispositivo legal, só consigo concluir que aquele que ceder seu nome para acobertar os reais intervenientes ou beneficiários, estará sujeito à multa de 10% do valor acobertado, não se aplicando neste caso a declaração da inaptidão da pessoa jurídica prevista no art. 81 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º. Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º. Para fins do disposto no § 1º, a comprovação da origem de recursos provenientes do exterior dar seá mediante, cumulativamente:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) I prova do regular fechamento da operação de câmbio, inclusive com a identificação da instituição financeira no exterior encarregada da remessa dos recursos para o País;(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II identificação do remetente dos recursos, assim entendido como a pessoa física ou jurídica titular dos recursos remetidos.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º. No caso de o remetente referido no inciso II do § 2º ser pessoa jurídica deverão ser também identificados os integrantes de seus quadros societário e gerencial.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 7 6 § 4º. O disposto nos §§ 2º e 3º aplicase, também, na hipótese de que trata o § 2º do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5º. Poderá também ser declarada inapta a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que não for localizada no endereço informado ao CNPJ, nos termos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) O conselheiro relator assim se expressa a respeito da análise da exposição de motivos do art. 33 da Lei nº 11.488/2007: (...) "Compulsando o Projeto de Lei de Conversão n.º 13/2007 a única referência que se faz acerca da motivação do artigo 33 é assim expressa (os destaques são nossos): Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. Nesse sentido, fica claro que o que foi almejado pelo legislador foi adequar a multa para o importador ostensivo ou “laranja” quando o autuado ceder o nome a alguém identificado nos autos (real interveniente ou beneficiário), quer dizer, a norma veio fazer duas adequações: a uma, a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão do CNPJ; e, a duas, a adequação da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros. Essa foi a vontade expressa na exposição de motivos da norma e nesse mote tenho que tanto o interprete quanto o executor da norma devem aplicála de maneira a garantir que se perfaça objetivo intentado pelo Legislador, inclusive por conta dos objetivos institucionais desse Conselho, expresso no artigo 1º do seu regimento interno que determina que o Conselheiro é participe do processo de aplicação da legislação, a saber (o destaque é nosso):" (...) Em momento algum o texto transcrito da exposição de motivos revela exatamente qual a "adequação dos critérios legais" que se pretende. O próprio texto da lei revela que foi feita uma adequação, qual seja, ao cedente do nome, multa de 10% do valor da operação ocultada, não sendo necessária a declaração de inaptidão da pessoa jurídica. Na minha opinião, a adequação pretendida pelo legislador, naturalmente também de forma não muito clara, mas coerente com nosso sistema jurídico Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 8 7 tributário, foi afastar a aplicação da inaptidão do CNPJ para as pessoas jurídicas que cederam o nome em decorrência da interposição fraudulenta presumida. Digo coerente com nosso sistema jurídico tributário, pois não interessa a nenhum ente tributante, por óbvio, que uma pessoa jurídica constituída regularmente com atividade operacional ativa, seja impedida de funcionar com a declaração de inaptidão de seu CNPJ. Notese, que neste caso, ela estará impossibilitada de continuar com suas atividades operacionais, deixando de gerar renda, tributo e emprego. Constatase, antes da vigência deste artigo, que perdia a inscrição no CNPJ a pessoa jurídica que não comprovasse a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados em operações de comércio exterior, que é justamente o caso de interposição fraudulenta presumida. Pois bem, deixar de fazer a comprovação exigida na lei, não é a mesma coisa de falta de capacidade operacional. Somente a título de exemplo, uma determinada empresa pode não conseguir comprovar a origem dos recursos para fazer uma importação de R$ 10.000.000,00, mas pode perfeitamente comprovar uma importação de menor valor. O fato dela ter cedido o nome, não quer dizer necessariamente que ela não possa ser potencialmente produtiva. Neste caso, por óbvio, não interessa ao Estado a sua inatividade compulsória. Claro que a incapacidade operacional ou a inexistência de fato da pessoa jurídica, permanece sujeita à declaração de inaptidão do CNPJ, nos termos do § 5º do art. 81 da Lei nº 9.430/96. Se for constatado a inexistência de fato da pessoa jurídica, não há que se falar na aplicação da multa por cessão de nome. Quem inexiste não pode ceder nada e nem ser responsável solidário de nada. Portanto, neste caso só caberia a declaração da inaptidão do cadastro do CNPJ. Não existe interesse algum na continuidade da existência deste CNPJ. Antes, a quem cedesse o nome, na interposição fraudulenta presumida, cabiam duas consequências jurídicas: responsabilidade tributária solidária em relação à pena alternativa ao perdimento da mercadoria e inaptidão do CNPJ. Após a edição do art. 33 da Lei nº 11.488/2007, permanecem também duas consequências jurídicas: responsabilidade tributária solidária em relação à pena alternativa ao perdimento da mercadoria e multa de 10% incidente sobre o valor da operação ocultada. Até porquê, este dispositivo legal em nada tratou da questão da responsabilidade solidária. No meu entender, o mesmo raciocínio vale para a interposição fraudulenta comprovada, a qual antes, não havia necessariamente a declaração de inaptidão do CNPJ, o que se revelava até um tratamento não isonômico da lei. Agora a lei prevê o mesmo tratamento: responsabilidade tributária solidária em relação à pena alternativa ao perdimento da mercadoria e multa de 10% incidente sobre o valor da operação ocultada. (...) Já mais recentemente, tive a oportunidade de novamente adentrar nesta matéria, no Acórdão nº 9303005.999, o qual teve aprovação unânime desse colegiado em Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 9 8 sessão realizada em 29/11/2017, o qual peço vênia para utilizálo como fundamento do presente voto: A penalidade instituída pela Lei nº 11.488/07, equivalente a multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome, não revogou nem trouxe qualquer consequência para os casos em que é cabível a cominação da multa de conversão da pena de perdimento, prevista no artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação introduzida pela Lei 10.637/021. Há farta evidência de que a intenção do legislador jamais foi a de cominar penalidade mais branda a quaisquer das partes que se associam na prática de operação de importação ou exportação com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável. Desde logo, vêse que os bens jurídicos tutelados por uma e por outra medida coercitiva não guardam nenhuma identidade entre si. Embora as duas infrações possam decorrer de um mesmo evento, a multa pela cessão do nome destinase a coibir o uso abusivo da pessoa jurídica, apenando conduta à qual era antes imposta a “pena” de inaptidão do CNPJ, medida que violentava os mais elementares pressupostos da ação estatal de controle da atividade privada, agindo com força desproporcional, ao impedir o particular de exercer sua atividade profissional. Por seu turno, a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria importada destina se a coibir o ingresso de mercadoria estrangeira em situação irregular no território nacional, quando o bem, sujeito à pena de perdimento, escapa ao controle aduaneiro e é internalizado. Não se vislumbra nenhuma razão plausível para que se prestigie a inusitada interpretação de que o legislador, ao instituir a nova penalidade, tivesse a intenção de reduzir a sanção ou redefinir os limites de sua sujeição passiva ou de responsabilidade das partes envolvidas na infração por dano ao Erário. Como é de sabença, as infrações compreendidas nesse conceito são punidas com a pena de perdimento das mercadorias (artigo 23, § 1º, do DecretoLei 1.455/76). Completamente desarrazoado entender que, especifica e exclusivamente nos casos em que o dano ao Erário esteja associado à interposição fraudulenta de terceiros, a 1 Lei 10.833/03 Art. 59. O art. 23 do DecretoLei no 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ................................................................ V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional."(NR) DecretoLei 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 10 9 multa aplicável pela conversão da pena de perdimento deixe de ser equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias para converterse em inexpressivos dez por cento do valor da operação. Fosse essa a intenção do legislador e a primeira e obrigatória medida haveria de ser a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este conceito está associada a ideia de penalidade gravíssima, cuja sanção é o perdimento das mercadorias. No que se refere à sujeição passiva/responsabilidade pela infração, é de ser perguntar: se o objetivo da legislação novel fosse, de fato, excluir a responsabilidade do importador pela infração de interposição fraudulenta, não seria suficiente que o texto da lei assim determinasse, de maneira clara e expressa? Por que supor que o legislador, nesse intento, escolheria meios tão transversais, criando uma nova multa, e sem fazer nenhuma ressalva às responsabilidades decorrentes da outra? Mas, até aqui, tratamse, apenas, de abstrações com razoável conteúdo subjetivo. O que investe a questão posta em contornos de caráter definitivo são as disposições normativas que regulamentam a matéria. Inicio pelo art. 33 da Lei 11.488/2007. Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos acrescidos) O Regulamento Aduaneiro hoje vigente assim dispõe a respeito do assunto – Decreto 6.759/09: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. É de clareza singular. A Lei trata do efeito imediato da aplicação da multa, qual seja, afastar a declaração de inaptidão da pessoa jurídica (art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 11 10 A meu ver, já seria suficiente, uma vez que apenas essa consequência foi prevista para os casos de imposição da multa por cessão de nome. Mas o Decreto deu o passo seguinte. O parágrafo 3º do art. 727 confirma com todas as letras o entendimento de que a imposição de multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas2, afastando qualquer possibilidade de que prospere a interpretação de que aquela retroaja na forma do art. 106 do Código Tributário Nacional. E orientam no mesmo sentido as demais disposições infralegais acerca do assunto. Até a promulgação da Lei nº 11.488/2007, a cessão do nome para o acobertamento do real beneficiário da operação trazia como consequência (i) a pena de perdimento da mercadoria ou conversão em multa e (ii) proposição de inaptidão do CNPJ (IN SRF 568/2005). O artigo 343, inciso III, da IN SRF 568/2005 dispunha sobre a inaptidão da inscrição do CNPJ de entidade considerada inexistente de fato. O artigo 414, inciso III, considerava inexistente de fato a pessoa jurídica que "tenha 2 A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, de 11 de julho de 2007, também não destoa desse entendimento. Orienta pela aplicação cumulativa das duas penas nos casos em que constatada o que denomina interposição fraudulenta comprovada. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. 3 Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. 4 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 12 11 cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários;". Treze dias após a edição da Lei nº 11.488/2007, foi publicada a IN RFB nº 748/2007, revogando a IN RFB 568/2005. O artigo 41 da nova IN suprimiu a hipótese de cessão de nome com vistas ao acobertamento dos reais beneficiários em operações no exterior, como causa de declaração da inexistência de fato da PJ. Ou seja, também os atos normativos editados pela Secretaria da Receita Federal confirmam que a penalidade prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 foi introduzida no ordenamento jurídico com propósito substituir a declaração de inaptidão pelo simples ato de ceder o nome. Todas as premissas até aqui adotadas e as conclusões a que remetem são, ainda, reforçadas pelo Parecer de encaminhamento do projeto de lei de Conversão da MP nº 351/2007 na Lei nº 11.488/2007, com a seguinte observação: “Já no art. 35, juntamente com a modificação da redação do art. 81 da Lei no 9.430, de 1996, contida no art. 15 do PLV, sugerimos a adequação dos critérios legais para se declarar a inaptidão de inscrição das pessoas jurídicas e da multa aplicável no caso de cessão de nome da empresa para realização de operações de comércio exterior de terceiros.” A derradeira conclusão é a de que o ato de ceder o nome com vistas ao acobertamento do real beneficiário acarreta duas infrações, cujos bens jurídicos tutelados são distintos: o próprio erário e o controle aduaneiro como um todo, e a integridade do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. Enquanto o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 resguarda a higidez do CNPJ, coibindo seu uso indevido, em substituição da declaração de inaptidão, o inciso V do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976 protege o Erário e o próprio controle aduaneiro. Finalmente, descartase a hipótese de violação do princípio non bisinidem. As disposições legais de que aqui tratamos foram, desde o início, concebidas à luz da interpretação dada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional às abstrações normativas presentes na legislação tributária que regulamenta as operações de comércio exterior. Foi com base no Parecer PGFN CAT 1.316/01 que forjaramse os instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas nas atividades irregulares, principalmente, o proprietário das mercadorias importadas de forma irregular. Como se sabe, o artigo 31 do DecretoLei nº 37/66, considera contribuinte do Imposto de Importação aquele que promove a entrada de mercadoria estrangeira no território nacional5. IV se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. 5 Decreto 6.759/09 104. É contribuinte do imposto (DecretoLei no 37, de 1966, art. 31, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 13 12 Um dos pontos de partida de todo empreendimento que deu origem às alterações na legislação havidas ao longo do ano de 2001 foi a interpretação veiculada no Parecer PGFN CAT 1.316/01, segundo a qual o contribuinte do Imposto de Importação é a pessoa cujo nome aparece no conhecimento de carga como sendo o proprietário da mercadorias importada, independentemente de quem esteja efetivamente interessado na aquisição ou fizer as negociações prévias. Como consequência da manifestação do Órgão, as autuações da Fiscalização Federal passaram, obrigatoriamente, a indicar, como importador, a pessoa informada como tal nas declarações de importação, mesmo que um terceiro fosse quem, verdadeiramente, promovesse o ingresso das mercadorias em território nacional. Por conta disso, nos casos de infração por interposição fraudulenta, o sujeito passivo da obrigação principal anotado no auto de infração será sempre a pessoa que registrou a declaração de importação, embora, o mais das vezes, pretendase alcançar o verdadeiro proprietário das mercadorias, que, por força da legislação superveniente ao Parecer supra citado, figura como solidário pelo imposto e, em regra geral, também pelas infrações cometidas. Portanto, ainda que pareçam duas penalidades decorrentes de um mesmo evento e exigidas de uma mesma pessoa jurídica, tratamse, na verdade, de uma multa (10%) destinada a apenar o importador e de outra (100%) destinada àquele que, informalmente, se costuma chamar o "verdadeiro importador", identificado nas disposições legais como sendo o adquirente por conta e ordem ou encomendante das mercadorias. Em decisão recente, datada de 21 de março de 2017, acórdão nº 9303 004.714, da relatoria da i. Conselheira Érika Costa Camargos Autran, este Colegiado firmou entendimento de que não se aplica à hipótese a retroatividade benigna. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/08/2006 a 20/03/2007 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E O PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE. A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10921.720399/201333 Acórdão n.º 9303007.676 CSRFT3 Fl. 14 13 (...) Diante do exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902231/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.520
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10850.902231/2013-25
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944307
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-001.520
nome_arquivo_s : Decisao_10850902231201325.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10850902231201325_5944307.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7559759
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149422034944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 100 1 99 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.902231/201325 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.520 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 28 de novembro de 2018 Assunto LEI N.º 9.718/98 Recorrente RODOBENS CAMINHOES CIRASA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito contribuição não foi homologada por despacho decisório eletrônico, vez que o DARF teria sido integralmente utilizado para quitar débitos próprios. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão da DRJ nº 14060.783. Intimado desta decisão, apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, tempestivamente, alegando, em síntese: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 23 1/ 20 13 -2 5 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10850.902231/201325 Resolução nº 3402001.520 S3C4T2 Fl. 101 2 (i) a ausência de retificação da DCTF não prejudica a validade do crédito do contribuinte, respaldado na indevida extensão do conceito de receita bruta da Lei n.º 9.718/98; (ii) que as provas anexadas pela Recorrente seriam suficientes para respaldar o crédito pleiteado, baseado nas receitas financeiras indicadas no balanço (contribuinte anexou planilha de cálculo, balancete e livro razão à Manifestação de Inconformidade). Em seguida, os autos foram direcionados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.505 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.901549/201399, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.505): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Em sua defesa, a Recorrente indica que os créditos seriam referentes à extensão inconstitucional da base de cálculo da COFINS Cumulativa pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, especificamente quanto ao período de apuração de 10/2003. Como bem apontado pela r. decisão recorrida, "a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo." No presente caso, a Recorrente apresentou aos autos parte dos documentos contábeis que aduzem o pagamento a maior de COFINS sobre as parcelas que fugiriam ao conceito de faturamento, por não corresponder “à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços”1. Uma vez que o contribuinte trouxe documentos que sugerem a existência do crédito, entendo pela necessidade da conversão do processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem oportunize à Recorrente a apresentação de documentos e informações adicionais que podem confirmar sua validade, dentre os quais cópia dos documentos contábeis e da memória de cálculo da COFINS paga e 1 BRASIL. STF. RE 346084, Relator Ministro Ilmar Galvão, Relator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, publicado em 01/09/2006. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10850.902231/201325 Resolução nº 3402001.520 S3C4T2 Fl. 102 3 devida no período. Com base nesses documentos e outros que entender pertinente, a autoridade fiscal terá elementos para elaborar relatório fiscal avaliando a existência e validade do crédito pleiteado, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos). Importante salientar que não está claro nos autos como o contribuinte aproveitou o crédito e qual seria o saldo remanescente do crédito efetivamente passível de aproveitamento na DCOMP objeto do presente processo, sendo crucial que se esclareça quais DCOMPs e quais processos administrativos estariam relacionados ao mesmo crédito. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/722, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo da COFINS Cumulativa do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito da COFINS Cumulativa do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo da COFINS Cumulativa ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, 2 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10850.902231/201325 Resolução nº 3402001.520 S3C4T2 Fl. 103 4 informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP): (i) intime a Recorrente para: (i.1) apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar a composição da base de cálculo do PIS Cumulativo do período (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal e outros documentos que considerar pertinentes); (i.2) informar como procedeu com o aproveitamento do crédito do PIS Cumulativo do processo, informando os pedidos de compensação/restituição transmitidos em relação a este crédito, qual o valor do crédito aproveitado em cada pedido, quais os processos administrativos correspondentes e o status atual dos processos. (ii) elaborar relatório fiscal considerando os documentos e informações apresentados: (ii.1) com a discriminação dos montantes totais tributados e, em separado, os valores de outras receitas tributadas com base no alargamento promovido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com fulcro no conceito de faturamento aceito pelo Supremo Tribunal Federal (receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos), de modo a se apurar os valores devidos, com e sem o alargamento, e confrontálos com o recolhido; (ii.2) apurar, se for o caso, o eventual montante de recolhimento a maior em face do referido alargamento da base de cálculo do PIS Cumulativo ao qual a Recorrente tem direito em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição pelo art. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10850.902231/201325 Resolução nº 3402001.520 S3C4T2 Fl. 104 5 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Caso seja reconhecido um valor de crédito passível de compensação, informar qual o montante creditício que poderá ser aproveitado pela Recorrente no presente processo, considerando os demais processos por ela apresentados relacionados ao mesmo crédito. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.001348/2010-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. ART. 139 DO DECRETO-LEI 37/66.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a partir da data da infração, conforme prescreve o art. 139 do Decreto-Lei n° 37/1966.
EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. PERÍODO ANTERIOR A MP 497/2010. INAPLICABILIDADE.
A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referir-se a base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que torna-se possível sua aplicação.
IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. PENA DE PERDIMENTO APLICÁVEL.
A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei n° 1.455/76 deve ser aplicada quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados ao contribuinte.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. ART. 139 DO DECRETO-LEI 37/66. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a partir da data da infração, conforme prescreve o art. 139 do Decreto-Lei n° 37/1966. EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. PERÍODO ANTERIOR A MP 497/2010. INAPLICABILIDADE. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referir-se a base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que torna-se possível sua aplicação. IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. PENA DE PERDIMENTO APLICÁVEL. A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do Decreto-Lei n° 1.455/76 deve ser aplicada quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados ao contribuinte. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11131.001348/2010-25
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5927414
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.188
nome_arquivo_s : Decisao_11131001348201025.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
nome_arquivo_pdf_s : 11131001348201025_5927414.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7514162
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149449297920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 28; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.704 1 1.703 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11131.001348/201025 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3301005.188 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2018 Matéria INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E SUBFATURAMENTO Recorrentes INACE IATES LTDAME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. ART. 139 DO DECRETO LEI 37/66. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a partir da data da infração, conforme prescreve o art. 139 do DecretoLei n° 37/1966. EXPORTAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. PERÍODO ANTERIOR A MP 497/2010. INAPLICABILIDADE. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referirse a base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que tornase possível sua aplicação. IMPORTAÇÃO. FRAUDE DEMONSTRADA. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. PENA DE PERDIMENTO APLICÁVEL. A medida extrema de perdimento dos bens em favor da União, nos moldes do art. 23, IV, §1º e §3º, do DecretoLei n° 1.455/76 deve ser aplicada quando demonstrada a fraude por artifícios dolosos imputados ao contribuinte. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 13 48 /2 01 0- 25 Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.705 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Da Autuação Trata o presente processo sobre Auto de Infração (fls. 3/7) lavrado em 14/12/2010, contra a empresas Inace Iates Ltda (doravante denomina Inace), com vistas à exigência do crédito tributário no valor total de R$ 4.675.566,46. Sendo R$ 2.414.702,40, referente à multa por conversão da pena de perdimento pela ocultação do real adquirente do produto exportado, e R$ 2.260.864,06 relativo à multa por conversão da pena de perdimento pela ocultação do fornecedor do produto importado, conforme previsto no inciso V, art. 23, do DecretoLei n° 1.455/76. Segundo o Relatório Final de Procedimento Fiscal (Relatório Fiscal) de fls. 8/36, a lavratura do presente Auto de Infração é resultado da fiscalização instaurada por determinação judicial da 11ª Vara da Justiça Federal do Ceará (nº 0011.000850 6/2009), decorrente da investigação realizada pela Polícia Federal na denominada “Operação Luxo”. Fiscalização esta que visava verificar a regularidade das exportações relacionadas ao Ato Concessório de drawback suspensão n° 2003017341, das operações de importação registradas até 31/12/2007 (fl. 8). Afirma a autoridade lançadora que o Relatório Fiscal se fundamentou nos documentos e nas informações obtidas por meio dos procedimentos de busca e apreensão efetuados nos escritórios da Indústria Naval e na residência dos seus sócios e diretores. (fl. 8) No início do Relatório Fiscal, a autoridade tributária relata que no período compreendido entre 03/07/2009 a 10/11/2010, o contribuinte foi por diversas vezes intimado a apresentar documentos comprobatórios da regularidade dos procedimentos relativos às suas importações, conforme visto às fls. 9/10, vindo a atender parcialmente às referidas intimações. Do Grupo Inace Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.706 3 A autoridade fiscal relata que as vinculações societárias apresentadas no quadro 1 (fl. 11), mostrado a seguir, e das evidências de gerência centralizada na Indústria Naval S/A e na Inace Iates Ltda revelam que “empresas sediadas em MiamiFlóridaEUA, MULTISEA, S&S SEAFOOD, JASFER, OCEANTECH ENTERPRISES e ALL OCEANS TRADING atuaram como meras prepostas dos estaleiros INACE” (fl 10), atuando da seguinte forma (fls. 10/11): “Sendo que essas empresas constituídas em MiamiFlóridaEUA teriam a função de ocultar os efetivos vendedores e compradores internacionais nas importações e exportações de mercadorias, respectivamente, muitas vezes com subfaturamento das mercadorias importadas e das embarcações exportadas, simulando a operação entre elas e a INDÚSTRIA NAVAL ou INACE IATE. Além disso atuam ou atuavam como escritório filial em Miami dos estaleiros brasileiros INACE, recebendo, conferindo e embarcando mercadorias que seriam enviadas para o Brasil. Um dos funcionários da OCEANTECH, ALL OCEANS, INACE USA, e "sócio" da JASFER, Sr. Thiago Thomazi, em mensagem eletrônica a um dos reais fornecedores estrangeiros dos estaleiros INACE afirma que o pagamento de mercadorias importadas pela IND. NAVAL seriam pagos pela subsidiária em Miami ALL OCEANS TRADING'. Utilizando a definição de empresa subsidiária da Wikipédia, constatamos que efetivamente as empresas OCEANTECH, JASFER, ALL OCEANS e INACE USA são ou foram subsidiárias dos estaleiros INACE para pratica de atos simulados e fraudulentos, interpondose entre aqueles e as verdadeiras outras partes das transações comerciais, para instrumentalizar todo tipo de ilícito no comércio exterior, subfaturamento e superfaturamento do valor de mercadorias, utilização de mercadoria em embarcação diversa à exigida pelo regime de drawback, descrição incompleta e incorreta de mercadorias. Das provas da Interposição Fraudulenta Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.707 4 Visando sustentar as acusações apontadas no Auto de Infração, a fiscalização apresenta, às fls. 11/24, os elementos de prova que motivaram a presente autuação fiscal, provas estas que serão copiadas e apreciadas, oportunamente, na parte de análise do mérito do presente voto. Das Operações de Drawback Após apresentar um histórico da legislação que trata dos regimes especiais de Drawback e destacar a necessidade de utilização dos bens importados sob o referido regime na produção do bens destinados à exportação, a autoridade fiscal acusa que no AC n° 20030174341 foram detectadas fraudes e irregularidades nas operações de importação amparadas pelo regime e na exportação vinculada, conforme visto a seguir. Das irregularidades e fraudes em operações de comércio exterior Das Exportações de Embarcações O agente fiscal relata que as duas exportações de barcos realizadas pela Inace no período de 2002 a 2007 foram amparadas pelo regime de drawback e formalmente destinada à Oceantech, empresa constituída em Miami/Eua exatamente para possibilitar a alteração/modificação de documentos relacionados às operações de comércio exterior dos estaleiros INACE (fl. 27). A Fiscalização destaca que “as embarcações construídas pelos estaleiros INACE são feitas por encomendas. Não é então crível que uma única empresa norte americana, de 2002 a 2007, seja a encomendante de todas as embarcações exportadas num período de mais de cinco anos. Ainda mais quando essa compradora é coincidente sua principal fornecedora estrangeira declarada, comprovadamente interposta fraudulentamente” (fl. 27). A Autoridade Fiscal afirma, também, que: “A empresa apresentou o contrato e a tradução para construção dessa embarcação BUCANEER CLASS Casco 554 celebrado entre INACE IATES e OCEANTECH e a respectiva nota de saída n° 523 no valor total de R$ 2.414.702,40 (Anexo B3). Ainda que não tenha sido identificado o efetivo comprador dessa embarcação, a condição da OCEANTECH de sucursal dos estaleiros INACE em Miami explicitada nos itens 3 e 5 é suficiente para caracterizar a falsidade ideológica da nota fiscal de saída instrutiva da exportação para a OCEANTECH e da respectiva Declaração de Exportação, ainda mais que as partes signatárias do contrato não estão identificadas, nem o mesmo foi registrado em nenhum órgão de registro público no Brasil, nem no exterior. Segundo informações do Secex (Anexo F1), o RE nº 041322066001 foi o que se vinculou a esse AC e o comprador estrangeiro declarado foi a OCEANTECH, Portanto, configurado a fraude e a simulação nessa exportação, pois, a mesma não foi destinada a comprador declarado OCEANTECH ENTERPRISES (fl. 27)” Das operações de Importação O autuante conta que as importações registradas pela Inace, no período de 2005 a 2007, e as operações feitas ao amparo do regime de drawback suspensão, nas quais foram declarados os fornecedores norteamericanos OCEANTECH ENTERPRISES, 4NET WORKING e JASFER, foram simuladas, ocultando o efetivo fornecedor estrangeiro. Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.708 5 A Fiscalização enumera, às fls 28/33, as infrações detectadas nas importações formalizadas em nome da empresa Oceantech Interprises (3 importações), em nome da empresa Jasfer (2 importações) e em nome da empresa 4Net Working (1 importação) e os respectivos elementos de prova nos quais foi fundamentada a acusação. Das Infrações e Penalidades aplicáveis Da ocultação do fornecedor estrangeiro nas operações de importação e do efetivo comprador da mercadoria exportada e da consequente falsidade ideológica dos documentos instrutivos das importações e das exportações Segundo entendimento fiscal, no caso em tela, em virtude da apresentação de fatura comercial e de conhecimentos de transportes ideologicamente falsos no decorrer do procedimento de despacho aduaneiro de importação, em virtude da ocultação do fornecedor estrangeiro nas operações de importação, devese aplicar o perdimento da mercadoria. Entretanto, em razão da impossibilidade de aplicação dessa pena, foi aplicada a multa por conversão referente às mercadorias que não estavam estocadas na empresa, consoante o §1º, do art. 689, do Regulamento Aduaneiro/09, com redação dada pela Lei nº 10.637/02. Quanto às exportações referentes ao AC nº 20030174341, no qual foram utilizadas Notas Fiscais falsas, em virtude de ter sido declarado como adquirente a empresa Oceantech, impõese a aplicação da multa de 100% do valor declarado da embarcação em razão da impossibilidade de apreensão, uma vez que as embarcações já teriam sido exportadas. (fl. 35) Do Valor Aduaneiro da Mercadoria O fiscal informa que no cálculo das multas aplicadas em relação às mercadorias importadas foi considerado o valor aduaneiro declarado (Demonstrativo de Valor Aduaneiro Declarado) ou o valor efetivo (Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo) das respectivas mercadorias constantes das respectivas DI consideradas na autuação, conforme planilhas anexas ao Auto de Infração. Informa, ainda, que, caso o valor efetivo de mercadoria importada, cujo lançamento tenha sido efetuado com base no valor declarado, seja identificado posteriormente, serão efetuados lançamentos complementares na forma da legislação pertinente. (fl. 35) Da Impugnação Inconformada com a exigência fiscal, da qual tomou ciência pessoal em 15/12/2010, (fl. 1.365) a empresa apresentou em 14/01/2011 (fl. 1.370) a impugnação de fls. 1.370/1.387, onde, após um breve relato dos fatos, alega em síntese que: Decadência do Direito do Fisco de cominar Multa Pela Conversão da Pena de Perdimento O Autuado afirma que, conforme determinado pelo art. 139 do DecretoLei nº 37/66, o direito de o Fisco aplicar penalidades extingue em 5 anos a partir da data da infração. Entendimento já firmado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa posta à fl. 1.373. Logo, as Declarações de Importação e dos Registros de Exportação formalizados em data anterior a 15/12/2005 (cinco anos anteriores à notificação de lançamento) devem ser cancelados, pois foram atingido pela decadência. Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.709 6 No caso, “a penalidade cominada à autuada pela suposta "ocultação do efetivo comprador estrangeiro das embarcações exportadas", resultando em multa pela conversão da pena de perdimento no valor total de R$ 2.414.702,40 (dois milhões, quatrocentos e quatorze mil, setecentos e dois reais e quarenta centavos) está extinta pela decadência do direito do Fisco de impor tal penalidade, porquanto decorridos mais de 05 (cinco) anos, contados da data da suposta infração, ou seja, contados da data da efetiva exportação da aludida embarcação, levadas a cabo em 17/09/2004 (nota fiscal de fl. 173), Registro de Exportação de 17/09/2004 (fls. 175/180), e Passe de Saída do barco emitido pela RFB em 24/09/2004 (fl. 181).” (fl. 1.373) Por sua vez, o impugnante segue afirmando que a penalidade aplicada face às Declarações de Importação registradas até 15/12/2005 estão extintas pela decadência do direito da Fazenda impor a pena de perdimento convertida em multa, uma vez que decorridos mais de 05 (cinco) anos, contados da data das supostas infrações, ou seja, contados da data dos registros dessas importações. (fls. 1.373/1.374) Inexistência de Ocultação do Efetivo Comprador Estrangeiro das Embarcações Exportadas No tocante às exportações consideradas na autuação, a impugnante alega que a Fiscalização não apresentou nenhuma prova da ocorrência da ocultação do efetivo comprador estrangeiro das embarcações. Sustenta, também, que a Autoridade Fiscal parece desconhecer a prática comercial de compra e venda de embarcação destinada a comprador estrangeiro, na qual se realiza o pedido e se efetiva a compra através de broker, figura “muito comum nos negócios internacionais de compra e venda de embarcação, uma vez que, além de negociar a compra e venda, o broker é pessoa de responsabilidade reconhecida pelo comprador que ampara a transação comercial assumindo a feição de parte compradora perante o vendedor e responsabilizandose diretamente perante o comprador, pessoa a quem presta contas e assume as responsabilidades do negócio”. (fl. 1.375) Por fim, o interessado afirma, ainda, que: “Impende destacar, ainda, que o contratos de construção do aludido barco apresentado à fiscalização não contém vício ou irregularidade, uma vez que contém a indicação das partes que assinam o contrato de construção (empresas compradora e vendedora), certo de que o representante das empresas que subscrevem o contrato é informação que deve ser observada nos atos constitutivos das mesmas, e o registro do contrato em órgão de registro não é pratica dos negócios internacionais.” (Fl. 1.376) Da Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa de Trading Estrangeira Quanto à acusação de interposição fraudulenta na importação, a autuada reclama que, “apesar de indicar algumas poucas irregularidades sobre operações aduaneiras de importação especificas, indicadas nas fls. 21/25 do Relatório Final de Procedimento Fiscal, a fiscalização lavrou a pena de perdimento convertida em multa sobre todos, sem exceção, negócios aduaneiros da autuada efetivados com as empresas estrangeiras OCEANTECH ENTERPRISES, JASFER, e 4NET WORKING”, e que, “de um total de 381 (trezentas e oitenta e uma) mercadorias importadas sobre as quais foi cominada a pena de perdimento convertida em multa, no valor total de R$ 2.260.864,06”, apenas 25 mercadorias foram mencionadas no referido Relatório, ou seja, não se sabe o motivo da autuação de 356 (trezentas e cinqüenta e seis) mercadorias importadas. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.710 7 A impugnante registra que utiliza serviços de trading internacionais para reduzir custos e facilitar a logística nas aquisições de matéria prima, uma vez que as compras podem ser armazenadas e consolidadas por essas empresas no exterior para futura remessa ao Brasil numa única operação de importação e, muitas vezes, em um só conteiner. No caso, as empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (OCEANTECH ENTERPRISES, JASFER, e 4NET WORKING), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços a autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação, tipo de prestação de serviços comuns nas operações aduaneiras praticadas em todo mundo, inclusive, no Brasil, mormente porque assim as empresas industriais podem concentrar seus esforços na consecução da sua atividade fim (no caso da autuada a produção de embarcações), com a redução de custos na importação de insumos e matéria primas. Portanto, a impugnante continua: “por óbvio, deve haver entre a autuada e a trading estrangeira que assume a função de vendedor da mercadoria importada um relacionamento comercial que permita a troca de informações para melhor atender as exigências das autoridades alfandegárias brasileiras, em especial visando a adequação da descrição da mercadoria importada com a descrição constante no ato concessório do drawback”. Não se quer dizer com isso que, com essa troca de informações visando a correta descrição da mercadoria na invoice, haja conluio entre a autuada e a trading (exportadora estrangeira) visando lesar o Fisco. Adequar a descrição da mercadoria na invoice não significa dizer que se está deturpando a sua descrição, nada disso, o que se faz é seguir orientação da nossa Alfândega. Não é demais lembrar que uma mercadoria pode ser descrita de várias formas dependendo da pessoa que o faz. Assim, a compra da mercadoria importada diretamente da trading, além dos benefícios já informados, que visam à redução de custos, ainda permite que a autuada ganhe em eficiência no despacho aduaneiro, uma vez que o processo corretamente instruído ajuda a fiscalização, acelera o desembaraço da mercadoria importada, lembrando que no caso da autuada ainda deve ser respeitadas as normas do drawback, e, ainda, evita que a autuada seja penalizada com multa de 1% do valor aduaneiro por descrição incorreta da mercadoria (art. 84, I, da MP 215835/01 c/c arts. 69 e 81, IV, da Lei 10.833/03).” (fl. 1.379) Noutro ponto, a autuada sustenta que as empresas trading estão “devidamente constituídas no exterior e não apresentam sócios em comum com a autuada.Essa verdade não foi infirmada pela autuação, nem mesmo no seu distorcido "Quadro 1 Grupo INACE" colacionado na fl. 4 do Relatório Final de Procedimento Fiscal”, e todas as importações foram pagas através de regular contrato de câmbio aos reais exportadores. Portanto, assevera o interessado, “é totalmente descabida a conclusão firmada no auto de infração de que todas as importações da autuada que consta as empresas de trading: OCEANTECH ENTERPRISES, JASFER, e 4NET WORKING na qualidade de fornecedor estrangeiro, houve ocultação do suposto real vendedor”. (fl. 1.381) Concluindo, o impugnante afirma: Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.711 8 “Por fim cabe lembrar, ainda, que a legislação fiscal que trata da imposição de penalidade ao contribuinte impõe a demonstração cabal do cometimento da infração descrita na norma de regência, sem isso o auto de infração carece de validade, uma vez que havendo dúvida quanto a qualquer dos elementos formadores da multa fiscal "I à capitulação legal do fato; II à natureza ou ás circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade,, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação" , a sua aplicabilidade deve atender ao principio do in dubio pro reo, para favorecer o contribuinte em atenção ao art. 112 do Código Tributário Nacional.” (fl. 1.383) Da inexistência de subfaturamento ou superfaturamento das mercadorias importadas indicadas nas fls. 21/32 do “Relatório Final de Procedimento Fiscal” Quanto às DI consideradas no Relatório Fiscal, após alegar que não lhe foi assegurado o exercício da ampla defesa por não ter sido intimado a apresentar a documentação relativa às suas operações de importação durante o procedimento fiscal, o impugnante refuta a acusação, DI por DI, conforme visto às fls. 1.384/1.387. Da primeira Diligência Fiscal Por meio da Resolução n° 2.444 (fl. 1.405/1.410), de 24/01/2013, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ Fortaleza decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem identificasse as folhas, segundo numeração automática fornecida pelo Eprocesso, onde se encontrava cada documento citado nas notas de rodapé ou no corpo do relatório fiscal, ou, caso não encontrasse os arquivos/documentos citados no processo, deveria buscálos e anexálos para saneamento processual. Em 20/05/2013, em cumprimento à Resolução n° 2.444, a unidade de origem juntou os documentos solicitados por esta DRJ, identificando a localização dos documentos citados como elementos de prova, conforme informação fiscal de fls. 1.586/1.587. Após tomar ciência dos documentos trazidos ao processo por força do cumprimento da Resolução exarada pela 2ª Turma de Julgamento em 29/05/2013 (fl. 1.588), o contribuinte se manifestou, em 28/06/2013, por meio do documento de fls. 1.590/1.591, onde reitera a alegação de ocorrência do cerceamento ao seu direito de defesa, em virtude da dificuldade de encontrar e identificar as provas juntadas ao processo, e o pedido de improcedência das acusações postas no Auto de Infração. Da segunda Diligência Fiscal Em 31/03/2015, vislumbrando a necessidade de esclarecer pontos que ainda permaneciam obscuros no processo, a 2ª Turma de Julgamento decidiu converter, novamente, o processo em diligência, por meio da Resolução nº 08002.909, (fls. 1.597/1.600) para que a unidade de origem i) identificasse os valores ilegíveis da tabela L1 (Demonstrativo de Valor Aduaneiro Declarado); ii) listasse as Declarações de Importação que foram consideradas no montante de R$ 463.839,54 (fl. 1.363), referente ao valor efetivo, uma vez que o valor total da planilha L2 não corresponde ao somatório dos valores aduaneiros nela contidos; e iii) verificasse se o somatório do valor aduaneiro total contido na planilha L 1 corresponde ao valor lançado. Caso encontre divergência, identifique as DI consideradas no valor lançado referente à planilha L1, conforme foi solicitado, também, para a planilha L2 no item 2. Em cumprimento à Resolução nº 08002.909, a unidade de origem juntou o documento de fls. 1.603, um anexo I (fls.1.604/1.618), um anexo II (fls. 1.619/1.621) e um anexo III (fls. 1.622/1.626) no qual constam três planilhas, sendo uma com a relação de Declarações de Importação consideradas na autuação referente ao valor declarado, no montante de R$ 1.797.024,52, outra com as Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.712 9 Declarações de Importação relativas ao valor efetivo, no montante de R$ 463.839,54, e uma última, na qual constam valores não lançados pela Fiscalização. Após tomar ciência dos documentos trazidos ao processo por força do cumprimento da Resolução nº 08002.909 em 06/04/2017 (fl. 1.627), o contribuinte se manifestou, em 05/05/2017, por meio do documento de fls. 1.630/1.632, onde afirma que: i) as planilhas apresentadas no Relatório Final de Diligência partiram de premissas equivocadas, uma vez que foram formuladas com inclusão de importações que não constavam nas planilhas anteriores; ii) a informação fiscal resultante das primeiras diligências não se presta a sanar o vício contido no processo concernente à sua correta instrução de forma a possibilitar a correta e indispensável identificação da infração; e iii) as novas planilhas apresentada pela Autoridade alfandegária com o resultado da diligência não alteram a absoluta deficiência do lançamento em comprovar as infrações apontadas no Auto de Infração. Por fim, requer a improcedência total do Auto de Infração. A 2ª Turma da DRJ/FOR, acórdão n° 08040.386, deu provimento parcial à impugnação, com decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 DECADÊNCIA MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO. NATUREZA ADMINISTRATIVA. INFRAÇÃO. O prazo para efetuar lançamento de multas de natureza administrativa é de 5 (cinco) anos, contado da data da infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. MULTA POR CONVERSÃO DO PERDIMENTO Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O ato administrativo deve ser motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos quando impõe ou agrave dever, encargo ou sanção. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, não dando margem a dúvidas. A inobservância desse requisito leva à nulidade do lançamento. Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.713 10 Em seu recurso voluntário, a empresa repisa os argumentos de sua impugnação, acrescenta tópico referente à correta penalidade aplicável na hipótese de subfaturamento, sustentado ter havido erro de capitulação pela utilização do art. 23 do Decreto lei nº 1.455/76 a situação fática que supostamente se enquadraria no art. 88 da MP nº 2.158 35/2001. Por fim, não traz novos documentos na peça recursal. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso de ofício e o recurso voluntário atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, deles, portanto, tomo conhecimento. Ocorrência da decadência Não há reparos a serem feitos na decisão de piso quanto à verificação da ocorrência da decadência. Explico. A decadência em matéria aduaneira é regida pelo art. 139 do Decretolei nº 37/66, que determina o prazo de decadencial de 5 anos para impor penalidades, a contar da data da infração, no caso, o registro da declaração de importação: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Considerando que auto foi cientificado em 15/12/2010, devem ser cancelados a multa de conversão de perdimento na exportação, cujo fato gerador ocorreu em 17/09/2004 (data do registro do RE no Siscomex, art. 213 do Regulamento Aduaneiro), efl. 1.238, no montante de R$ 2.414.702,40 e os valores referentes à DIs registradas antes de 16/12/2005, no total de R$ 1.206.194,93. A jurisprudência do CARF é pacífica quanto a contagem do prazo decadencial, nos termos do art. 139 do Decretolei n° 37/66: Acórdão n° 3301003.255, Relator Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho: Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.714 11 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. A decadência em matéria aduaneira é regida pelo art. 139 do Decretolei nº 37/66, que determina o prazo de decadencial de 5 anos para impor penalidades, a contar da data da infração, no caso, o registro da declaração de importação. Acórdão n° 3401004.351, Relator Rosaldo Trevisan: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Assim, voto por negar provimento ao recurso de ofício, por restar configurada a ocorrência da decadência. Aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento aplicada nas exportações ocorridas antes de 27/07/2010 A multa por conversão do perdimento na exportação foi aplicada em relação a fato ocorrido em 17/09/2004. A multa decorrente da conversão em perdimento, prescrita no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, antes da redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por referirse à base de cálculo relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). Apenas a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º, é que se torna possível sua aplicação, ao prescrever multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente. Vejase abaixo a evolução da legislação. Redação à época dos fatos geradores: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Redação após a edição da Medida Provisória nº 497, de 28/07/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010 Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.715 12 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) §3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, 27 de julho de 2010) Em suma, a multa por conversão da pena de perdimento na exportação tornouse aplicável apenas a partir de 28/07/2010 e, como dito acima, o fato gerador ocorreu em 17/09/2004, logo, não há previsão legal para sua exigência. Por conseguinte, deve ser mantida a exoneração do crédito de R$ 2.414.702,40, tanto em virtude da decadência quanto por vício material do lançamento, já que aplicada sem suporte legal. O recurso de ofício então deve ser negado nesta matéria. Da ausência de motivação Como bem consignado pela decisão de piso, no cotejo das DIs objeto de lançamento com as DIs que constam no Relatório de Procedimento Fiscal, vêse que algumas das DIs consideradas pelo autuante no cômputo do valor lançado não constam no referido relatório produzido pela Autoridade lançadora, não sendo possível sequer identificar qual seria o fornecedor da mercadoria, fato que caracteriza ausência de motivação, vício que impossibilita que se verifique se, de fato, ocorrera a interposição fraudulenta nos procedimentos de importação formalizados por meio das DIs nº 06/08125126, 06/07107220, 06/06685183, 06/06267365, 06/06159325, 06/06112043, 06/05713434, 06/05702815, 06/01989842, 06/01896887, 06/01592454 e 06/00081847. Resta clara a falta de motivação do auto de infração, que traduzse em vício material. Isso porque, a motivação do lançamento envolve a fundamentação jurídica e seus pressupostos de fato e de direito. Pressuposto de fato é a ocorrência do fato no mundo fenomênico, ao passo que pressuposto de direito é a norma jurídica específica aplicável para aquele fato. Logo, a ausência de motivação acarreta a nulidade do auto de infração por vício material. Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.716 13 Por isso, correto o cancelamento do auto de infração quanto às DIs acima listadas, que totalizam o valor de R$ 526.731,05. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício quanto a exoneração dos créditos referentes a essas DI. Do lançamento em duplicidade Está claro que parte da exigência fiscal, referente aos valores declarados (Tabela L1), foi lançada em duplicidade: Por isso, correta a nulidade do lançamento em relação às DIs nº 05/0516985 6 (adições 7 e 8) e 05/04346070 (adição 7), no valor total de R$ 4.362,93. Logo, nego provimento ao recurso de ofício nesse tópico. Da parte da autuação fiscal mantida pela DRJ No tocante a aplicação de penalidade por utilização de notas fiscais falsas, exclusivamente por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro ou, conjuntamente, por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro e subfaturamento, entendo que a decisão de piso foi precisa. Considerando que a empresa não trouxe novos argumentos em recurso voluntário e que concordo totalmente com os termos da decisão recorrida, proponho a adoção dos fundamentos do voto condutor da DRJ, e o faço com fundamento no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/98 e art. 57, § 3º, do RICARF, com redação da Portaria n° 329, de 2017. Da multa por interposição fraudulenta Do modus operandi do Grupo Inace e da atuação das empresas Oceantech Enterprises e Jasfer Quanto às importações realizadas em nome da empresa Oceantech Enterprises, entendo que a autuada, nos procedimentos citados pela fiscalização no “Relatório Final de Procedimento Fiscal” (fls. 8/36), constituía, juntamente com a empresa Indústria Naval S/A, o que pode ser denominado, informalmente, de Grupo Inace, que utilizava a empresa Oceantech Interprises como mera preposta, testa de ferro ou sucursal nas operações de comércio exterior, de forma a ocultar o nome do verdadeiro importador da mercadoria importada, conforme quadro a seguir: Fl. 1716DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.717 14 Diante do quadro acima, vêse, de imediato, a existência da vinculação entre a Inace Iates (autuada) e as empresas Jarfer e Oceantech Interprises, pois, esta última, teve como sócia a Srª Flavia M Barros Bezerra, que, também, era sócia da Inace Iates, e que o Sr. Sérgio S. Ferreira, sócio da Oceantech Interprises era, da mesma forma, sócio da empresa Jasfer. Documentos acostados ao processo demonstram que depois da aquisição das mercadorias, nos Estados Unidos ou em outros países, o fornecedor/vendedor encaminhava as mesmas para a empresa Oceantech, onde estas eram armazenadas, consolidadas e refaturadas (“revendidas”) para fins de exportação para a empresa autuada, de acordo com instruções oriundas do Grupo Inace. As faturas que instruíam os procedimentos de importação eram emitidas sob orientação da Inace, conforme se vê no documento de fl. 588, que apresenta detalhada orientação sobre o funcionamento da empresa, do qual extraio o seguinte trecho: Fl. 1717DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.718 15 Fl. 1718DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.719 16 As provas trazidas pela autoridade fiscal revelam que a empresa Oceantech era utilizada como uma “tratadora” de faturas comerciais, como visto, por exemplo, na comunicação entre um dos fornecedores (Sr. Janot) pergunta ao Sr. Robert (Inace Iates) o endereço de entrega dos eletrônicos comprados, e este questiona o Sr. Sergio, sócio da Oceantech e da Jasfer, onde a mercadoria deveria ser entregue, obtendo a resposta que a mercadoria deveria ser entregue na Oceantech, conforme documentos copiados a seguir: Demonstram os autos, por meio de um vasto conteúdo probatório e conforme minudentemente relatado pela fiscalização às fls. 8/36, das quais foram retirados os Fl. 1719DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.720 17 exemplos acima, que a empresa Oceantech Interprises foi constituída como uma espécie de “tentáculo internacional” do Grupo Inace nos Estados Unidos, com o objetivo de “refaturar” as importações, agindo sob o comando e conveniência da empresa autuada. Sendo assim, acompanho a acusação fiscal no sentido de que os procedimentos de importação citados no Relatório Fiscal, que foram instruídos com documentos em nome da Oceantech Interprises e da Jasfer, devem ser considerados falsos, pois tais documentos ocultam o nome do verdadeiro fornecedor, caracterizando a interposição fraudulenta, conforme definido no art. 23 do Decreto nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. §1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. Da empresa 4Net Networking Corp. Quanto à empresa 4Net Networking Corporation, a Fiscalização não sustenta a acusação nas ligações societárias, centrandose nas mensagens encaminhadas pelo setor de importação dos estaleiros Inace a Sérgio Cabral, enviando o modelo para emissão de invoice e nome da 4Net. Assim como entendeu a Autoridade Fiscal, julgo que os documentos colados aos autos, vistos a seguir, quais sejam: cópia do email e anexos, enviado pelo setor de importação da Inace ao Sr. Sérgio Cabral (Oceantech e Jasfer), com orientação sobre confecção das invoices em nome da 4Net Networking, não deixam dúvidas sobre a falsidade das faturas que instruíram os procedimentos de importação. Fl. 1720DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.721 18 Documento anexo ao email Fl. 1721DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.722 19 Sendo assim, julgo procedente o valor lançado com base nos procedimentos de importação enumerados no Relatório Fiscal e nos quais tenham sido declarados como fornecedor a empresa Oceantech Interprises, Jasfer e 4Net Networking e cuja acusação seja de interposição fraudulenta, no valor de R$ 10.841,34, relativo as adições 2, 3, 4, 5 e 6 da DI nº 06/12905769, registrada em nome da Oceantech; R$ 29.125,59, referentes as adições 1, 2, 4, 5, 6, 8, 9, 10 e 11 da DI nº 06/05639250, e adições 3, 5, 6, 10, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 31, 32, 33, 34 e 35 da DI nº 06/00527160, formalizadas em nome da empresa Jasfer, e R$ 19.768,68, concernente a DI nº 07/12876183, da empresa 4Net Networking, totalizando R$ 59.735,61. Do Subfaturamento DI nº 06/12905769 Sobre parte da DI nº 06/12905769, registrada em nome da empresa Oceantech recai, além da acusação de interposição fraudulenta, a acusação de subfaturamento, na qual, a autoridade tributária aponta que: “As dez roupas térmicas de mergulhador fabricante REVERE SUPLLY foram declaradas ao preço unitário CFR de US$ 113,00 importadas por meio da adição 001. Entretanto, da listagem de embarque AA60822 conta o preço unitário de US$ 189,43 para essa roupa, o que comprova um subfaturamento de mais de 50% do Fl. 1722DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.723 20 valor declarado e a falsidade ideológica da invoice n° 0T32546 em nome da OCEANTECH instrutiva da DI” (fl. 28) Por outro lado, a impugnante defende que a acusação foi baseada “apenas em listagem de embarque que não corresponde ao efetivo negócio de compra firmado. Contudo, a aludida "listagem" de inúmeras mercadorias não indica que o preço praticado foi exatamente o indicado, vez que a negociação não havia sido concluída” (fl. 1.383) Analisando a documentação apresentada, acompanho o entendimento Fiscal quanto à acusação de subfaturamento, julgando procedente a acusação referente a DI nº 06/12905769, uma vez que o interessado não apresentou nenhuma prova das suas alegações, de forma a afastar a prova trazida pela Autoridade Autuante, que aponta que os parte dos valores declarados foram subfaturados. Da DI nº 06/05639250 Com relação à DI nº 06/05639250, cuja fornecedor declarado foi a empresa Jasfer, instruída pela Invoice nº 601018, a Fiscalização apontou o subfaturamento nas adições 3 e 7, mercadorias estas declaradas, respectivamente, como Sistema de Exaustão e Controle do Limpador, nos valores de US$ 460,02 e US$ 176,73. No entanto, a Loading Guide (Guia de Carregamento) em nome da Jasfer, subscrita por Roberto Cabral apresenta os valores de US$ 2.076,45 e US$ 1.185,81 para os mesmos equipamentos. Por sua vez, o impugnante alega que a “fiscalização cometeu uma enorme confusão, pois a aludida "listagem" menciona várias mercadorias e a importação apenas duas que não correspondem ao que consta nessa listagem. A mercadoria importada pela adição 003 da DI em tela é somente o controle do limpador de pára brisas, não se trata do sistema mecânico de limpador. Por sua vez, na adição 007 da DI houve erro na descrição da mercadoria, pois a mercadoria importada foi somente a manta que envolve as descargas do sistema de exaustão, enquanto a listagem trata do sistema completo de exaustão.” Fl. 1723DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.724 21 No caso, enquanto a Autoridade Autuante, a meu ver, trouxe elementos suficientes para sustentar a acusação, o interessado limitouse à argumentação rasa, sem apresentar, novamente, qualquer documento que comprovasse suas alegações de forma a afastar a acusação. Sendo assim, julgo procedente a acusação de subfaturamento nas adições 3 e 7 da DI nº 06/05639250. Da DI nº 06/00527160 Quanto a DI nº 06/00527160, registrada em 13/01/2006, o Autuante afirma que “Na adição 030 dessa DI foi registrado um sistema de combate à incêndio do fabricante KIDDE FENWAL no valor (fob) de US$ 4.610,711, no amparo do AC n° 20050224514 de drawback suspensão, do fornecedor estrangeiro JASFER INC” (fl. 30). Entretanto, referido equipamento foi adquirido diretamente pela Inace Iates do fabricante KIDD FENWAL, e fundamenta sua acusação nos seguintes fatos: a) Proforma invoice no 25545F0 da KIDDE de 31/08/2005 dirigida à INACE IATES que discrimina o sistema pelo valor total de US$ 10.246,01, encaminhada por Robert Gil a Sérgio Cabral; b) A Confirmação de compra da OCEANTECH 2005/138 referente ao sistema de incêndio Kidde FM200 para utilização nos Cascos 560 no valor de US$ 10.246, remetida por Robert Bezerra a Sergio, na qual consta os dados bancários da KIDDE para fazimento do pagamento mediante transferência eletrônica e com a observação "informo ainda que esse material será entregue em Miami; Fl. 1724DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.725 22 c) Orçamento do sistema de supressão de incêndio para o Casco 560 encaminhado pela Ecosafety a Robert Gil l Noutro ponto, o interessado alega que o sistema de incêndio informado pela fiscalização no valor de U$ 10.246,00 não corresponde à importação firmada com amparo na DI nº 06/00527160 e que, diferente do que aduziu a fiscalização, não há vinculação entre os dois sistemas de incêndio, tanto é assim que a importação foi destinada para embarcação diversa da que foi citada em emails transcritos no relatório fiscal. Afirma, também, que a acusação de subfaturamento de outras adições da DI baseouse apenas em listagem de embarque, documento que não apresenta o efetivo negócio de compra firmado. A aludida "listagem" de inúmeras mercadorias não indica que o preço praticado foi exatamente o indicado, vez que a negociação de compra não havia sido concluída. Ora, analisando os elementos de prova trazidos pela Fiscalização, vêse que toda a negociação de compra do sistema de combate a incêndio do fabricante Kidde Fenwal foi conduzida pela Inace Iates, pois, como pode ser visto a seguir, em 21/06/2005, o fornecedor encaminhou ao Sr. Robert (Inace) e relação de material e o custo do referido equipamento. Posteriormente, em 05/07/2005, o Sr. Robert (Inace) solicita ao Sr. Sergio (Jasfer e Oceantech) os dados bancários para o efetivo pagamento. Voltando a cobrar uma posição acerca desse procedimento em 23/08/2005. Em todos os documentos citados, o valor atribuído ao sistema de incêndio foi de US$ 10.246,01, valor este condizendo com valor declarado no Packing List BEMMB51216. No entanto, este não foi o valor posto na adição 30 da DI nº 06/00527160 referente ao equipamento em questão, comprovando, assim, o subfaturamento do valor declarado para tal mercadoria. Quanto à alegação da defesa de que o preço encontrado na Packing List não corresponde ao valor da operação, uma vez que a negociação não havia sido concluída, a determinação de pagamento feito pela Sr. Robert aponta no sentido contrário, pois, se a negociação não havia sido concluída, não haveria motivos para se determinar o pagamento da mercadoria. Por fim, com relação ao argumento de que a mercadoria não corresponderia à importação firmada com amparo na DI nº 06/00527160, enquanto os documentos juntados pela Fiscalização remetem à mercadoria importada, o interessado, novamente, não apresentou qualquer documento que comprovasse seus argumentos. Fl. 1725DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.726 23 Fl. 1726DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.727 24 Fl. 1727DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.728 25 Fl. 1728DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.729 26 Fl. 1729DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.730 27 Diante dos argumentos acima, julgo procedente a acusação de subfaturamento de parte da DI nº DI nº 06/00527160. Logo, deve ser mantida a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.735,61, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento, decorrente da interposição fraudulenta, referente às importações nas quais tenham sido declarados como fornecedores as empresas Oceantech, Jasfer e 4Net Working. Fl. 1730DF CARF MF Processo nº 11131.001348/201025 Acórdão n.º 3301005.188 S3C3T1 Fl. 1.731 28 E mantida a parcela do crédito tributário no valor de R$ 463.839,54, referente à acusação de subfaturamento e interposição fraudulenta, em parte das importações nas quais tenham sido declarado como fornecedor a empresa Oceantech e Jasfer. Da penalidade aplicável à hipótese de subfaturamento Aduz a Recorrente que a penalidade aplicável nos casos de subfaturamento e falsidade de invoice, não é a pena de perdimento prevista no artigo 23, IV, do DecretoLei nº 1.455/1976 c/c art. 105, VI, do DecretoLei nº 37/66, tal como ocorreu no lançamento mantido pela decisão recorrida, mas sim a multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, prescrita no at. 88, parágrafo único, da MP nº 2.15835/2001. Dessa forma, sustenta que houve erro na tipificação da conduta infratora, o que implica na nulidade do lançamento, por cominação de penalidade sem respaldo legal. Entendo que a penalidade foi corretamente aplicada. Nos casos de dano ao erário, a penalidade a ser aplicada é a pena de perdimento ou, como consequência, sua multa pecuniária substitutiva (art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976), não sendo esta cumulada com a multa prevista pelo parágrafo único do art. 88 da MP nº 2.15835/2001, nem tampouco substituída por esta. Assim, a multa equivalente a 100% sobre a diferença de preços só deve ser aplicada para as situações que não caracterizem dano ao erário. No presente caso, está comprovada a fraude, o que indubitavelmente caracteriza dano ao erário. Dessa forma, o subfaturamento subsumese ao teor dos incisos VI e/ou XI, do art. 105 do Decretolei nº 37/1966. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905553/2008-90
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11080.905553/2008-90
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940471
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.303
nome_arquivo_s : Decisao_11080905553200890.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 11080905553200890_5940471.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7552022
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149461880832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 165 1 164 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.905553/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.303 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 05 de dezembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente RUDDER SERVIÇOS GERAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 06038.49254.140405.1.3.020380 em 14.04.2005, fls. 0305, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$44.218,79 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real do 1º trimestre do anocalendário de 2005, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 55 53 /2 00 8- 90 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 166 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 01, cientificado a Recorrente em 31.07.2008, fl. 22, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado não foi possível confirmar a apuração do crédito informado na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. [...] Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 5º da IN SRF 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1050.278, de 05.06.2014, efls. 142145: SALDO NEGATIVO DE IRPJ. DEDUÇÃO DE IRRF. A dedução de valores de IRRF pelo contribuinte para reduzir o IRPJ a pagar ou formar saldo negativo de IRPJ deve ser admitida quando comprovado que esses valores foram efetivamente retidos pela fonte pagadora e as receitas correspondentes foram declaradas pelo beneficiário. SALDO NEGATIVO / PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE TRIBUTO DEVIDO. NATUREZAS DISTINTAS. O saldo de tributo devido (ou saldo negativo) tem natureza distinta do pagamento indevido ou a maior de tributo devido no final do período de apuração, e com este pagamento não se confunde. Não existe previsão legal para adicionar um pagamento indevido ou a maior tributo devido, a um saldo de imposto a pagar já existente, para um mesmo período de apuração, para fins de formação de um novo saldo negativo resultante passível de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 30.06.2014, efl. 150, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.07.2014, efls. 152162, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos expõe que: DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE A Lei Federal número 9.873/99 estabelece prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, direta e indireta e cuida da prescrição, inclusive intercorrente, do prazo da suspensão e da interrupção [...] Há, portanto, evidente a prescrição intercorrente. Desta forma, como assenta a Lei 9.873/99, o procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho (Lei 9.873/99 art. 1º, parágrafo 1º), prescrito estará. Entrementes, o instituto da prescrição importa em não deixar o administrado perpetuamente sujeito à faculdade administrativa de praticar ou deixar de praticar Fl. 166DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 167 3 certos atos, ou até se digne o administrador apurar a formalização da compensação. [...] E não se diga da súmula 11 do CARF, pois esta não pode contrariar texto de Lei ordinária. Logo, a súmula é completamente contrária a Legislação em vigor e traz à atividade empresarial a necessidade de manutenção de documentação por anos, tornandose por vezes necessária tal manutenção ad eternum. [...] In casu, estamos tratando de [IRPJ] de 2005, com manifestação de inconformidade protocolada em agosto de 2008 relativo à atividade empresarial pretérita, ou seja, de documentação de quase 10 (dez) anos atrás. Portanto, diante das elucidações retro, concernentes precipuamente, de uma análise, temporal pretérita, resta configurada, pois, a prescrição intercorrente administrativa. Pelo retro exposto, a recorrente requer o reconhecimento da prescrição intercorrente. DO MÉRITO A decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/POA bem apreciou a questão de direito, posta em discussão, o que tornou ainda mais incompreensível a sua conclusão. Da primeira inconformidade. [...] Em diversas demandas que espelham situação idêntica a presente, ou seja, pedido de compensação de [IRPJ] e serviços/recorrente, como meio de prova das retenções, têmse dado acolhimento à pretensão na via judicial. [...] Insofismável que o critério utilizado pelo Fisco revelase, não só, ato de intransigência, de medida extrema, como também, implica tratamento muito mais rigoroso para as empresas cumpridoras de suas obrigações ficais e tributárias, como a ora recorrente, prejudicadas por uma gama imensa de outras empresas que, por inúmeras razões, não logram uma administração fiscal bem sucedida e regular perante o Fisco. [...] Portanto, pelo retro asseverado, deve o Fisco, ante aos atuais posicionamentos jurisprudenciais, não limitar à utilização ao tido como único documento hábil o comprovar a retenção [...]. Da segunda inconformidade. O recolhimento através da DARF é procedimento pelo qual, há inclusive orientação no sitio da Receita Federal. [...] Logo, o pagamento por DARF, se constitui sim, em pagamento devido, devendo fazer parte integrante do saldo. Portanto, Eméritos Julgadores, a conclusão inevitável é de que houve, sim, um saldo negativo, no anocalendário de 2005, no valor correspondente ao total das retenções na fonte sofridas pela recorre. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 168 4 Porém, após abatidas as retenções na fonte, somado ao imposto devido, sobejando saldo negativo deste último, resta evidente não apenas a possibilidade, mas a necessidade de restituição e compensação do mesmo, sob pena de restar configurada a hipótese de confisco. E esse, Eméritos Julgadores, é o caso dos autos, onde o direito à compensação do saldo negativo do imposto, está sendo negado à recorrente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: ANTE O EXPOSTO, e contando com os inestimáveis suprimentos jurídicos de Vossas Excelências, a recorrente, respeitosamente, requer dignemse Preclaros Julgadores em conhecer e dar provimento ao presente Recurso Voluntário, para, reformando a decisão recorrida, reconhecerem também diferença de R$20.592,07, o direito da recorrente à restituição e compensação do saldo negativo, como medida da mais extrema e necessária JUSTIÇA FISCAL. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. O Per/DComp e revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos decidam recursos administrativos. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância. Ademais, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são Fl. 168DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 169 5 suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Sobre a matéria, cabe indicar o entendimento emanado em algumas oportunidade pelo Supremo Tribunal Federal1: Não há falar em negativa de prestação jurisdicional quando, como ocorre na espécie vertente, "a parte teve acesso aos recursos cabíveis na espécie e a jurisdição foi prestada (...) mediante decisão suficientemente motivada, não obstante contrária à pretensão do recorrente" (AI 650.375 AgR, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 1082007), e "o órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento" (AI 690.504 AgR, rel. min. Joaquim Barbosa, DJE de 2352008).[AI 747.611 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 13102009,1ª T, DJE de 13112009.] =AI 811.144 AgR, rel. min. Rosa Weber, j. 2822012, 1ª T, DJE de 1532012 = AI 791.149 ED, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 1782010, 1ª T, DJE de 2492010 (grifos do original) As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas2. O de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. A proposição afirmada na peça recursal, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente afirma que houve prescrição intercorrente da ação de cobrança do crédito tributário. A objeção de prescrição por ser matéria de ordem pública pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício e a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda da pretensão do direito de a Fazenda Pública cobrar o crédito tributário já constituído pelo lançamento, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos previsto em lei. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do processo administrativo, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal.3 No presente caso, tratandose de Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) os débitos indicados pela Recorrente passíveis de compensação devem ser observados o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que prevêem, em última análise, "que os 1 BRASIL. Supremo Tribunal Federal. A constituição e o supremo do art. 93. Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/artigoBd.asp#visualizar>. Acesso em: 30 mai. 2018. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, art 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação Legal: art. 174 do Código Tributário Nacional. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 170 6 livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A Lei nº 9.873, de 23 de novembro de 1999, que estabelece o prazo de cinco anos de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, determina que "incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento". Ocorre que no presente caso não se trata de ação punitiva, uma vez que o tributo" é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada" (art. 3º do Código Tributário Nacional). Ademais, a legislação específica tratada no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, não fixa o prazo e o termo inicial da prescrição intercorrente da ação referente ao processo administrativo fiscal da União. A Súmula CARF nº 11, que é de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018) e prevê: "não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal." A afirmação suscitada na peça recursal destarte não é pertinente. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 4. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais5. 4 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 5 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 171 7 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal6. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza7. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos existentes no Per/DComp podem ser corrigidos de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Em relação à dedução do valor de tributo retido na fonte, a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente8. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 8 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 172 8 Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de IRPJ no encerramento do período9. A legislação expressamente permite a dedução dos valores de IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido o código de arrecadação nº 1708 a título de remuneração de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas (art. 52 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985), em cujo regime de tributação o imposto retido é deduzido do apurado no encerramento do período de apuração trimestral ou anual (art. 630 do Regulamento IRPJ). Ademais, na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devida o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Sobre a alegação de que os débitos foram alcançados pela homologação tácita, temse que a Recorrente formalizou o Per/DComp nº 06038.49254.140405.1.3.020380 em 14.04.2005, fls. 0305 e foi cientificada do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 01, em 31.07.2008, fl. 22, com as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento parcial do pedido. Logo não se verifica o interregno no cinco anos entre a apresentação do Per/DComp e a notificação do Despacho Decisório. Na Análise das Parcelas de Crédito Imposto de Renda Retido na Fonte, e fls. 32137, estão discriminadas as parcelas confirmadas, confirmadas parcialmente e não confirmadas em conformidade com as informações constantes nos registros internos da RFB apresentadas pelas fontes pagadoras. A Recorrente procura demonstrar a tese de defesa apresentando planilha de lançamentos contábeis, Notas Fiscais e os Informes de Rendimentos efls. 1543. Estes documentos foram correta e devidamente considerados pela autoridade julgadora de primeira instância, que na apreciação dessas provas formou livremente sua convicção, conforme o regime de tributação previsto (art. 7º da Instrução Normativa SRF nº 459, de 17 de outubro de 2004 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Assim, as alegadas diferenças apontadas pela Recorrente na peça recursal não foram demonstradas de modo que os fundamentos de fato e direito constantes no Acórdão da 5ª Turma/DRJ/POA/RS nº 1050.278, de 05.06.2014, efls. 142145, são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): 9 Fundamentação Legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 173 9 Primeiramente, cabe destacar, que o contribuinte não cumpriu a intimação da RFB (fl. 03), emitida em 28/02/07, para compatibilizar os valores informados do direito creditório no seu PER/DCOMP com aqueles constantes em sua DIPJ/2006 (anocalendário 2005), permanecendo as inconsistências nela apontadas. Somente em 18/07/08, como o contribuinte não saneou as inconsistências apontadas na intimação, foi emitido o despacho decisório da DRF Porto Alegre, não homologando a sua declaração de compensação. Ressaltese que a ciência da intimação foi em 12/03/07 (fl. 26), data a partir da qual o impugnante poderia ter retificado normalmente tanto a sua DIPJ/2006 quanto o seu PER/DCOMP de modo a refletir os valores corretos para embasar a compensação pretendida. Registrese, também, que o contribuinte entregou a DIPJ/2006 (ano calendário 2005) em 27/06/06 (fl. 27) e não houve retificação dessa declaração. Nessa DIPJ consta um saldo a pagar de IRPJ de R$ 12.468,34 (fl. 29). O contribuinte declarou em DCTF um pagamento por DARF no valor de R$ 43.326,12 para o 1º trimestre de 2005 (fls. 17 e 23) o qual, adicionado ao imposto retido na fonte (R$ 44.218,79) e deduzido do saldo a pagar (R$ 12.468,34) resultaria num saldo negativo de IRPJ de R$ 30.757,78, o qual é demonstrado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade (fl. 08), mas inferior ao valor pleiteado no PER/DCOMP (R$ 33.091,28). Porém, na DIPJ/2006 (anocalendário 2005) do contribuinte a demonstração do saldo negativo (ou imposto a pagar) é a seguinte (fl. 29): Imposto Sobre o Lucro Real (a alíquota de 15%)........................R$ 38.537,17 Imposto Sobre o Lucro Real (a alíquota de 6%)......................... R$ 19.691,45 Programa de Alimentação do Trabalhador................................... R$ 1.541,49 Imposto de Renda Retido na Fonte............................................ R$ 44.218,79 ...................................................................................................... Imposto de Renda a Pagar...........................................................R$ 12.468,34 O contribuinte não anexou documentos que comprovassem os valores informados de retenção na fonte da IRPJ. O documento hábil para isso é o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos (art. 55 da Lei nº 7.450/85). A diligência apurou uma retenção na fonte no valor de R$ 42.127,21 (fl. 138), com base nas DIRF das fontes pagadoras tendo o contribuinte como beneficiário (fls. 119 a 124), valor que adoto neste voto. Assim, o saldo comprovado de IRPJ a pagar pelo contribuinte no 1º trimestre de 2005 foi de: Imposto Sobre o Lucro Real (a alíquota de 15%).........................R$ 38.537,17 Imposto Sobre o Lucro Real (a alíquota de 6%)...........................R$ 19.691,45 Programa de Alimentação do Trabalhador................................... R$ 1.541,49 Imposto de Renda Retido na Fonte............................................. R$ 42.127,21 ....................................................................................................... Imposto de Renda a Pagar.............................................................R$ 14.559,92 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 174 10 O contribuinte alegou que pagou um DARF no valor de R$ 43.326,12 em 29/04/05 (fl. 17), para o período de apuração de 31/03/05 (correspondendo ao 1º trimestre de 2005). Na DCTF transmitida em 04/10/05, o contribuinte vinculou o referido pagamento por DARF a um débito de mesmo valor para o período de apuração do 1º trimestre de 2005 (fl. 23). A diligência comprovou que foi realizado esse pagamento e que o mesmo foi totalmente alocado ao débito de IRPJ apurado no 1º trimestre de 2005. As receitas declaradas em DIPJ são compatíveis com as receitas constantes nas DIRF das fontes pagadoras tendo o contribuinte como beneficiário, como se verifica no relatório de diligência (fl. 138). Constatase, portanto, que não há reparos a fazer no saldo de IRPJ a pagar demonstrado acima de R$ 14.559,92. Esse deveria ser o valor do DARF pago pelo contribuinte no 1º trimestre de 2005. O pagamento do DARF de R$ 43.326,12, tratouse de um pagamento indevido ou maior, que tem natureza jurídica diferente de saldo negativo. O pagamento por DARF não se constitui numa dedução do IRPJ devido para fins de formar saldo negativo ou imposto a pagar. Além disso, os períodos de formação do saldo negativo e do pagamento indevido ou a maior são diferentes, o que implica em cálculo de juros pela SELIC diferentes e tipo de PER/DCOMP diferentes. O contribuinte deveria ter solicitado um Pedido de Restituição (PER) de pagamento indevido ou a maior ou uma Declaração de Compensação (DCOMP) de pagamento indevido ou a maior no montante pago a maior através do DARF. Não existe previsão legal para adicionar um pagamento indevido ou a maior de tributo devido, a um saldo de imposto a pagar já existente, em um mesmo período de apuração, para fins de formação de um saldo negativo resultante e passível de restituição ou compensação. Diante do exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte para não reconhecer o direito creditório pleiteado. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade10. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). 10 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11080.905553/200890 Acórdão n.º 1003000.303 S1C0T3 Fl. 175 11 Em assim sucedendo, voto em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13062.000686/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2007
INCLUSÃO.
O ingresso no Simples Nacional para as pessoas jurídicas que se dediquem à prestação de serviços de usinagem é permitido desde o dia primeiro de julho de 2007.
Numero da decisão: 1201-000.586
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: Marcelo Cuba Netto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2007 INCLUSÃO. O ingresso no Simples Nacional para as pessoas jurídicas que se dediquem à prestação de serviços de usinagem é permitido desde o dia primeiro de julho de 2007.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13062.000686/2007-31
conteudo_id_s : 5921800
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-000.586
nome_arquivo_s : Decisao_13062000686200731.pdf
nome_relator_s : Marcelo Cuba Netto
nome_arquivo_pdf_s : 13062000686200731_5921800.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
id : 7486892
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149469220864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1497; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 38 1 37 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13062.000686/200731 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120100.586 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2011 Matéria SIMPLES NACIONAL INCLUSÃO Recorrente USINAGEM SMP LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 INCLUSÃO. O ingresso no Simples Nacional para as pessoas jurídicas que se dediquem à prestação de serviços de usinagem é permitido desde o dia primeiro de julho de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, Gabriela Maria Hilu da Rocha Pinto (Suplente convocada), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcelo Cuba Netto e Regis Magalhães Soares de Queiroz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 40DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13062.000686/200731 Acórdão n.º 120100.586 S1C2T1 Fl. 39 2 Conforme termo de fl. 19, a contribuinte teve indeferida a sua opção pelo Simples Nacional datada de 24/07/2007, sob o argumento de que a atividade por ela exercida, qual seja, a prestação de serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais (CNAE 25390/00), não comporta o ingresso no sistema simplificado, a teor do disposto no art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006. Apresentada manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção (fl. 1), a DRJ de origem a acolheu parcialmente de modo a incluir a contribuinte no Simples Nacional a partir de 01/01/2009. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 32/35) pedindo a reforma da decisão de primeiro grau, sob as seguintes alegações, em síntese: a) o art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006 trata de forma genérica a prestação de serviços de atividade intelectual ou de natureza técnica ou cientifica. Exatamente por ser genérica, seu alcance é objeto de especificação por meio de Resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN); b) inicialmente a Resolução CGSN nº 6/2007 estabeleceu que as pessoas jurídicas que se dedicassem às atividades enquadradas no CNAE 25390/00 não poderiam ingressar no sistema simplificado. Todavia, tal entendimento foi modificado com a edição da Resolução CGSN nº 20/2007, que passou a admitir a inclusão daquelas pessoas jurídicas no Simples Nacional. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) Da Opção pelo Simples Nacional De acordo com o descrito em seus atos constitutivos, a pessoa jurídica dedicase à atividade de prestação de “Serviços Industriais de Usinagem de Metais” (fl. 2), tendo enquadradose no CNAE 25390/00 (serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento em metais). Conforme relatado no termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional (fl. 19), a contribuinte teve negado seu ingresso no sistema simplificado uma vez que o exercício das atividades correspondentes ao CNAE 25390/00 encontrase vedado pelo art. 17, XI, da Lei Complementar nº 123/2006, que assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) Fl. 41DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13062.000686/200731 Acórdão n.º 120100.586 S1C2T1 Fl. 40 3 XI – que tenha por finalidade a prestação de serviços decorrentes do exercício de atividade intelectual, de natureza técnica, científica, desportiva, artística ou cultural, que constitua profissão regulamentada ou não, bem como a que preste serviços de instrutor, de corretor, de despachante ou de qualquer tipo de intermediação de negócios; (...) No entanto, como bem salientado pela recorrente, a norma acima transcrita é por demais vaga, razão pela qual foi objeto de especificação pelo Comitê Gestor do Simples Nacional. Nesse sentido, o art. 9º da Resolução CGSN nº 4/2007 assim estabelece: Art. 9º Serão utilizados os códigos de atividades econômicas previstos na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) informados pelos contribuintes no CNPJ, para verificar se as ME e as EPP atendem aos requisitos pertinentes. § 1º O CGSN publicará resolução específica relacionando os códigos da CNAE impeditivos ao Simples Nacional. § 2º Na resolução a que se refere o § 1º serão relacionados também os códigos ambíguos da CNAE, ou seja, os que abrangem concomitantemente atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional. § 3º A ME ou a EPP que exerça atividade econômica cuja CNAE seja considerada ambígua não participará da opção tácita prevista no art. 18, podendo, entretanto, efetuar a opção de acordo com o art. 7º, quando prestará declaração de que exerce tãosomente atividades permitidas no Simples Nacional. § 4º Na hipótese de alteração da relação de códigos impeditivos ou ambíguos, serão observadas as seguintes regras: I – se determinada atividade econômica deixar de ser considerada como impeditiva ao Simples Nacional, as ME e as EPP que exerçam essa atividade passarão a poder optar por esse regime de tributação a partir do anocalendário seguinte ao da alteração desse código, desde que não incorram em nenhuma das vedações do art. 12; II – se determinada atividade econômica passar a ser considerada impeditiva ao Simples Nacional, as ME e as EPP optantes que exerçam essa atividade deverão efetuar a sua exclusão obrigatória, porém com efeitos para o anocalendário subseqüente. No que concerne especificamente ao CNAE 25390/00, inicialmente foi ele enquadrado pela Resolução CGSN nº 6/2007 como impeditivo à opção. No entanto a Resolução CGSN nº 20/2007 alterou seu enquadramento para a situação “ambígua”, ou seja, reconheceu que aquele CNAE abrange um conjunto de atividades, sendo que o ingresso no sistema simplificado está vedado a algumas delas, e permitido a outras. Fl. 42DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13062.000686/200731 Acórdão n.º 120100.586 S1C2T1 Fl. 41 4 No caso, a contribuinte apresentou a opção pelo Simples Nacional em conformidade com o § 3º da norma acima transcrita. Sendo ambígua a situação da interessada, caberia ao Fisco provar que não poderia ela optar pelo Simples, o que não foi feito. Restaria ainda saber se a alteração promovida Resolução CGSN nº 20, de 16/08/2007, permite a interessada enquadrarse no Simples Nacional a partir de 01/07/2007, ou somente a partir de 01/01/2008. Entendo que, no caso, não se aplica o disposto no acima transcrito art. 9º, § 4º, I, da Resolução CGSN nº 4/2007, já que a alteração promovida pela Resolução CGSN nº 20/2007 ocorreu ainda dentro do prazo para opção no 2º semestre de 2007, conforme previsto no art. 17 daquela mesma Resolução CGSN nº 4/2007, verbis: Art. 17. Excepcionalmente, para o anocalendário de 2007, a opção a que se refere o art. 7º poderá ser realizada do primeiro dia útil de julho de 2007 até 20 de agosto de 2007, produzindo efeitos a partir de 1º de julho de 2007. (Redação dada pela Resolução CGSN no 19, de 13 de agosto de 2007) 3) Conclusão Tendo em vista todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 43DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 16/11/2011 p or CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.000323/2001-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9101-000.081
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem do processo referente ao crédito compensado (DERAT/SP), para que essa informe sobre a situação da compensação pleiteada no processo n° 10880.030330/99-83, com posterior retorno dos autos à relatora para prosseguimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Relatório
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 1ª SEÇÃO
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.000323/2001-88
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928891
dt_registro_atualizacao_tdt : Sat Nov 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-000.081
nome_arquivo_s : Decisao_10880000323200188.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER
nome_arquivo_pdf_s : 10880000323200188_5928891.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem do processo referente ao crédito compensado (DERAT/SP), para que essa informe sobre a situação da compensação pleiteada no processo n° 10880.030330/99-83, com posterior retorno dos autos à relatora para prosseguimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7520991
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149475512320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.383 1 1.382 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.000323/200188 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9101000.081 – 1ª Turma Data 8 de novembro de 2018 Assunto PERD/COMP. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. Recorrente ELI LILLY DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem do processo referente ao crédito compensado (DERAT/SP), para que essa informe sobre a situação da compensação pleiteada no processo n° 10880.030330/9983, com posterior retorno dos autos à relatora para prosseguimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Fabiano Alves Penteado. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura e Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 00 32 3/ 20 01 -8 8 Fl. 674DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.384 2 Relatório ELI LILLY DO BRASIL LTDA. recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls. (573/596), contra o Acórdão nº 1402001.275, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 4/12/2012, pelo qual a turma, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao seu Recurso Voluntário, reconhecendo parte do direito creditório em litígio indicado e homologando em parte as compensações declaradas (efls. 515/529). Tratase este processo de Pedido de Restituição cumulado com Pedido de Compensação apresentado em 12/1/2001, com o objetivo de quitar, via compensação, débitos de PIS e COFINS com direito creditório a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, no valor de R$ 1.713.261,98. O órgão de origem procedeu à análise da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999 indicado para fazer frente às compensações pleiteadas e considerou não comprovadas parcelas relativas a IRRF e a estimativas que teriam sido compensadas com saldos negativos de períodos anteriores e com ressarcimento de IPI, o que levou ao indeferimento do pleito. Inconformada, a interessada ingressou com manifestação de inconformidade. A 4ª Turma da DRJ em São Paulo converteu o julgamento em diligência que resultou na comprovação de várias parcelas que haviam sido glosadas pelo órgão de origem. Contudo, mesmo admitindose a dedução desses valores, no resultado final não foi apurado saldo negativo em razão de glosa de um valor residual de IRRF e de algumas estimativas indicadas para compensação com saldos negativos de períodos anteriores e com ressarcimento de IPI que restaram não homologadas, nos seguintes termos: Quanto às compensações realizadas dos valores devidos de estimativas, através de saldo negativo do IRPJ de anos anteriores e ressarcimento de IPI, não está sendo aceito o valor de R$ 1.328.438,77 do saldo negativo do IRPJ e R$ 23.593,52 do processo n° 10880.030330/9983 de ressarcimento do IPI que não foi homologado pela DERAT (f1.442). Esse motivo levou a turma julgadora a julgar improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão (fls. 44 e ss do volume 3) restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O crédito oferecido à compensação deve estar revestido de liquidez e certeza, conforme prevê a legislação de regência. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO. Fl. 675DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.385 3 Não podem ser consideradas as compensações não revestidas dos atributos de liquidez e certeza. IRRF. IRPJ. COMPENSAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS. Não comprovado o direito a compensação do IRRF por meio da apresentação de informes de rendimentos e, além disso, não estando registrado o imposto retido em DIRF, prevalece o valor apurado pela autoridade administrativa. A interessada apresentou Recurso Voluntário (fls. 460 e ss do volume 3) em que alegou a nulidade da decisão da DRJ por inovação nas razões de decidir. No mérito, observou que o valor não considerado de estimativas, de R$ 1.352.032,29, têm a seguinte composição: (i) R$ 1.328.438,77 (estimativas de 02/99, 10/99 e 11/99, compensadas em DCTF — fls. 104, 114 e 115); e (ii) R$ 23.593,52 (parte da estimativa de setembro/99 compensada no processo n° 10880.030330/9983, não homologada). Explicou que o valor de R$ 1.328.438,77 teria sido compensado na contabilidade com saldo negativo apurado em 1998, e que estaria juntando prova do registro. Quanto ao valor R$ 23.593,52, que teria sido compensado com ressarcimento de IPI, assinalou que acaso não homologada nos autos do processo n° 10880.030330/9983, seria objeto de cobrança naqueles autos, de modo que negar o crédito relativo àquela compensação implicaria exigência em duplicidade. Quanto à diferença não comprovada de IRRF, no valor de R$ 156.827,80, consignou: Assim, havendo a prova contábil de que a Recorrente de fato sofreu a retenção do imposto de renda sobre os rendimentos auferidos, que foram oferecidos à tributação, não há razão plausível para que seja desconsiderado o crédito relativo ao imposto retido unicamente por ausência de informes de rendimentos e entrega de DIRF pelas fontes pagadoras, como aliás já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais, [...]O recurso voluntário foi julgado pela 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, em sessão realizada em 4/12/2012 que, por unanimidade de votos, deulhe parcial provimento de forma que foi reconhecida a parcela de R$ 1.438.689,57 do direito creditório em litígio a título de saldo negativo e homoladas as compensações (efls. 708/716). No acórdão nº 1402001.275 deduziuse a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2012 IRPJ. SALDO NEGATIVO DE RECOLHIMENTOS. Tendo o contribuinte comprovado em parte suas alegações quanto ao direito creditório pleiteado, há que ser reconhecido o direito creditório comprovado. Recurso Voluntário Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 1.438.689,57; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.386 4 O voto condutor registrou o seguinte entendimento: [...] Pela análise das alegações acima formei convencimento de que, no mérito, cabe razão parcial ao contribuinte, haja vista que a recorrente apresentou provas do registro contábil da compensação das estimativas no valor de 1.328.438,77, em 1999, com saldo negativo de 1998 (fls. 483 e seguintes, imagem 506). No que tange ao valor de 23.593,52 que está em litígio em outro processo, não cabe razão ao contribuinte, isso porque não há previsão legal para compensar direito creditório ainda não reconhecido (relativo a credito presumido de IPI). O contribuinte poderá utilizar tal crédito para outras compensações, caso seja definitivamente reconhecido. Em relação ao valor de R$ 156.827,80 (referente a IRFonte que em principio deixou de ser recolhido e de ser declarado pela instituição financeira), esclareçase que o valor correto do litígio seria R$ 156.652,11 (R$ 1.823.151,05 R$1.666.498.94); pois o contribuinte admite como comprovado o montante de R$ 1.823.151,05 e o valor reconhecido pela decisão recorrida foi R$ 1.666.498,94. Tendo o contribuinte oferecido todos os rendimentos a tributação e comprovado que o IRfonte foi retido (fls. 171 a 201) , haja vista se tratar de aplicações financeiras, o valor deve ser aproveitado. [...] Cientificada, a PFN não apresentou recurso. O contribuinte apresentou embargos de declaração (efls. 537/553), apontando omissão no julgado que não teria se manifestado sobre o fato de que o indeferimento do saldo negativo de IRPJ pleiteado nestes autos teria ocorrido antes da não homologação da compensação no âmbito do processo n° 10880.030330/9983. Da mesma forma, não teria se pronunciado sobre a configuração de confissão de dívida que decorre da declaração de compensação, o que implicaria em cobrança do mesmo débito em duplicidade. Os embargos foram rejeitados por despacho do presidente da turma julgadora (de efls 562/565). Cientificado desse despacho, o contribuinte apresentou recurso especial (573/596) apontando divergência jurisprudencial em relação ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de compensação (DCOMP) na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa jurídica (DIPJ). Indicou como paradigmas o acórdão nº 9101002.493 e o acórdão nº 1201001.548, que veicularam as seguintes ementas: Acórdão nº 9101002.493 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.387 5 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Acórdão nº 1201001.548 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. IRRF. GLOSA EM DESPACHO DECISORIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a hipótese em que todas as informações necessárias para o seu exercício foram asseguradas e disponibilizadas ao contribuinte. SALDO NEGATIVO. EFETIVO PAGAMENTO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP. COMPENSAÇÃO. Comprovado que o contribuinte efetivamente recolheu estimativa mensal de IRPJ, e que esta somente foi utilizada como dedução na apuração anual do IRPJ sobre o lucro real sob julgamento, resta assegurado ao contribuinte o direito à utilização do respectivo saldo negativo, ultrapassandose o mero equívoco no preenchimento da DCOMP. Em suas razões recursais, informa que no processo n° 10880.030330/9983 a DRJ declarou nulo o despacho decisório que havia homologado apenas parcialmente a compensação da estimativa de setembro/99, embora não tenha notícia de um novo despacho decisório. Afirma que houve conversão daquele pedido de compensação em DCOMP, o que acarreta a confissão de dívida do débito declarado naqueles autos e que o indeferimento da parcela do saldo negativo neste processo implica em cobrança em duplicidade. Faz referência à Solução de Consulta COSIT nº 18/2006. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.388 6 Pede, ao final, a admissão e provimento do seu apelo especial, para reforma parcial do acórdão recorrido e o consequente reconhecimento integral do saldo negativo pleiteado. O recurso especial interposto foi admitido, conforme despacho de efls. 644/648. Em contrarrazões (efls. 650/664) a PFN, após referirse à legislação que rege a compensação, tece, em resumo, os seguintes argumentos: a) nos termos da legislação, a demonstração da existência de crédito líquido e certo deve ser feita desde o momento da apresentação da declaração de compensação, sob pena de desrespeito à própria natureza do instituto da compensação; b) a compensação por iniciativa do sujeito passivo ocorre mediante a entrega, por este, de pedido/declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados; c) caso sobrevenha decisão administrativa irrecorrível no processo que lhe seja favorável reconhecendo total ou parcialmente, a existência do crédito indicado na DCOMP tratada neste feito, o procedimento a ser adotado é a transmissão de novas PER/DCOMPs indicando aqueles mesmos créditos, no montante definitivamente reconhecido; d) não há como transmitir PER/DCOMPs sob a condição de que os créditos ali indicados venham a existir ou venham a gozar dos atributos de liquidez e certeza em momento posterior; e) não se admite no nosso sistema PER/DCOMPs condicionais, ou seja, créditos ainda não líquidos e certos que poderão gozar desses atributos em momento posterior em razão do reconhecimento do crédito discutido em outro feito, situação que poderá ocorrer ou não. Pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora O recurso é conhecido nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 644/648. Tratase de apreciar a possibilidade de se computar no saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999, indicado como direito creditório para fazer frente a compensações pleiteadas nestes autos, parcela de estimativa de setembro de 1999, no valor de R$ 23.593,52, indicada para compensação com direito creditório a título de IPIRESSARCIMENTO, no âmbito do processo n° 10880.030330/9983, a qual não foi reconhecida pelo recorrido. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.389 7 A recorrente sustenta a adoção da tese contida no acórdão nº 9101002.493, deste colegiado pleiteando o reconhecimento do direito creditório sob pena de dupla cobrança. Todavia, em julgados mais recentes, a maioria da turma tem adotado o entendimento defendido por esta relatora pelo sobrestamento do processo dependente do reconhecimento do direito creditório em compensações de débitos de estimativa até decisão definitiva na esfera administrativa. O art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, instituiu a opção de o contribuinte apurar o lucro real em bases anuais, desde que observe, durante o anocalendário em questão, a antecipação mensal do imposto sobre uma base de cálculo estimada. Tal sistemática se estende à CSLL por força do disposto no art. 30 da mesma lei. Eventual diferença a maior entre as antecipações mensais de IRPJ e o valor apurado como devido na declaração de ajuste anual configura saldo negativo, o que representa um pagamento a maior de tributo. Ocorre que, em muitos casos, os contribuintes pretendem utilizar o instituto da compensação para fins de obter a quitação de débitos de estimativas que, posteriormente, irão compor eventual saldo negativo, o qual, por sua vez, será utilizado como crédito de outras compensações, como acontece nos presentes autos. A problemática da compensação dos débitos decorrentes das estimativas mensais de IRPJ e CSLL não deve mais ocorrer, haja vista que, recentemente, foi aprovada a vedação legal da quitação dessas estimativas pela via da compensação declarada ao Fisco, o que já havia sido tentado com a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, porém não fora confirmado quando de sua conversão na Lei nº 11.941, de 2009. Desta feita, a Lei nº 13.670, de 30 de maio de 2018, através do art. 6º, logrou incluir, dente outras, a seguinte restrição à declaração de compensação: § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003): [...] IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (Redação dada pelo Lei nº 13.670, de 2018) (grifouse) Todavia, em obediência aos princípios que regem as relações tributárias e, ainda, ao princípio do devido processo legal, a análise da compensação em litígio deve observar as regras dispostas no art. 74 da referida lei, vigentes à época da entrega da respectiva declaração de compensação DCOMP (in verbis): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 680DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.390 8 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] Com base nesse dispositivo, admitiase, no preenchimento da DIPJ, o cômputo, na formação do saldo negativo, de estimativas compensadas por meio de DCOMP, sendo desnecessária a prévia homologação dessas compensações. Todavia, uma vez não homologadas referidas compensações, é afastada a certeza necessária para que uma antecipação possa integrar o direito creditório representado pelo saldo negativo a partir dali formado, mormente tendo em conta que este direito creditório será pretendido, na forma do art. 170 do CTN, para extinção de créditos tributários. Razoável, portanto, adotarse o entendimento de que, uma vez ausente a homologação expressa ou tácita da compensação que tem por objeto o débito de estimativa, seja glosado seu cômputo na apuração do saldo negativo do correspondente anocalendário. O paradigma apresentado pelo contribuinte para demonstrar a divergência seguiu a mesma linha do voto do i. exConselheiro Marco Aurélio Pereira Valadão, prolatado no Acórdão nº 9101002.489, desta 1ª Turma da CSRF, em sessão de 23 de novembro de 2016, que assim decidiu: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Data maxima venia, a decisão referida, embora bem fundamentada, adota uma premissa da qual ousamos divergir: a de que a glosa das antecipações representaria dupla cobrança, pois da não homologação também resulta em cobrança do débito então compensado. Naquele precedente foram abordados os posicionamentos da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) consubstanciados, respectivamente, na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006 e no Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014, embora tenha sido adotada interpretação da qual não compartilhamos. Embora nenhum dos dois normativos vincule este Colegiado, seus fundamentos são relevantes para o esclarecimento da questão, especialmente no que tange ao modo de processamento da cobrança dos débitos envolvidos. Fl. 681DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.391 9 A Solução de Consulta Cosit nº 18, de 2006, aduz que "na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ." De outro lado, o Parecer PGFN/CAT/Nº 88/2014 adota a mesma premissa dos anteriores Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e nº 193/2013, que também abordam os valores relativos a estimativas mensais, qual seja a de que débitos de estimativas não têm natureza tributária, não são exigíveis, não são líquidos nem certos e, por isso, não devem ser inscritos em Dívida Ativa. E, sem alterar os pareceres anteriores, vai além na análise da questão para esclarecer que, uma vez encerrado o período de apuração, os débitos que antes eram de estimativas podem se transformar, para todos os efeitos, em débitos devidos quando da apuração anual (salvo quando o contribuinte apurar saldo negativo). Nesse caso, a constituição do crédito tributário deve seguir todas as regras referentes ao lançamento de ofício próprio, uma vez que não se trata mais de estimativas, mas de tributo decorrente da apuração anual. Para afastar dúvidas, transcrevese as conclusões do referido parecer: 19. O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT n° 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. 20. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda. 21. Devemos ressaltar, porém, que deverão ser realizados ajustes para que fique claro que os valores cobrados, quando da não homologação de compensação de estimativa, são, na verdade, IRPJ ou CSLL e não estimativa dos tributos, pois a confusão pode influenciar as chances de êxito da cobrança, pois a nomenclatura inadequada pode levar órgãos administrativos e judiciais a entenderem que a cobrança seria ilegal. III CONCLUSÃO 22.Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretariada Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativas a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; Fl. 682DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.392 10 b) Propõeseque sejam ajustadas os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. (grifouse) Nesse sentido, o entendimento da PGFN está em consonância com a jurisprudência consolidada deste Conselho, espelhada na Súmula nº 82 que dispõe que “após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. Como exposto, as estimativas objeto de compensações não homologadas não se revestem da certeza necessária para integrar direito creditório utilizado em compensação extintiva do crédito tributário. Assim, enquanto não se verificar a homologação de sua compensação ou o seu pagamento, deveria prevalecer a glosa das respectivas estimativas, pela ausência de certeza e liquidez do crédito invocado, salvo se a contribuinte desistir da utilização do direito creditório a ela correspondente e optar pelo pagamento do débito indevidamente compensado com o saldo negativo no qual ela foi computado. Assim, o julgamento favorável ao contribuinte, em que pese a falta de liquidez e certeza do crédito tributário por ele indicado na compensação, se daria com base na premissa equivocada de que os débitos das estimativas poderiam ser cobrados em duplicidade, o que já foi afastado neste voto. Em relação ao caso concreto, todavia, temse notícia de que o despacho decisório que indeferiu o pleito no processo principal (10880.030330/9983) foi anulado por decisão da turma julgadora de 1ª instância e se encontra pendente de novo despacho decisório. A recorrente juntou ao seu recurso especial a cópia da decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/RPO no respectivo processo administrativo, a qual anulou o despacho decisório inicialmente proferido pela unidade de origem, bem como o extrato de andamento processual do respectivo processo. A cópia da decisão juntada aos autos (Acórdão nº 1414.474, em 13/12/2006) traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração. 01/01/1999 a 30/06/1999 NULIDADES. Anulase a decisão administrativa proferida em desacordo com a legislação aplicável. Despacho Decisório Nulo Acordam os membros da 2' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, anular o Despacho Decisório da autoridade a quo Segundo o relatório da decisão, naqueles autos, a interessada protocolizou, em 8/10/1999, um pedido de ressarcimento de IPI cumulado com pedido de compensação de diversos débitos, dentre eles parcela da estimativa de IRPJ de setembro/99, no valor de R$ 23.593,52. Fl. 683DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.393 11 A DRJ reconheceu que esse pedido de compensação foi convertido em Declaração de Compensação (DCOMP), como determina a Lei nº 9.430, de 1996 e que, no interregno entre o seu protocolo e a ciência do despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito ao crédito e a homologação das compensações, ocorreu a homologação tácita das compensações. Por tal razão é que a turma julgadora anulou o despacho decisório prolatado e determinou que fosse proferido outro que implementasse os efeitos da conversão do pedido em Declaração de Compensação, qual seja, a homologação tácita. Transcrevese trecho da fundamentação do voto: Destarte, os pedidos de compensação não apreciados pela autoridade administrativa até 30 de setembro de 2002 foram convertidos em declaração de compensação e como tal devem ser apreciados, conforme consta inclusive do despacho decisório de fl. 698. Diante disso, constatase que a supracitada decisão não observou o disposto no parágrafo 5°, do artigo 74, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.833, de 2003, o que deveria se dar de oficio, conforme determina o artigo 29, caput c/c § 2°, da IN SRF n° 600, de 2005, ainda que tenha sido analisado o mérito do crédito pleiteado. Assim, não obstante os argumentos da manifestação de inconformidade, entendo que restou maculado o ato administrativo que foi proferido em desacordo com a legislação aplicável, portanto, voto pela anulação do presente Despacho Decisório, com seu retorno à origem, para que a autoridade competente profira nova decisão de acordo com a legislação em vigor. De fato, conforme o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Declaração de Compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contados da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada. Ocorre que a compensação aqui declarada não foi homologada por falta de homologação da compensação anterior. Até a presente data, consta que não há decisão definitiva no referido processo n° 10880.030330/9983, que se encontra na DERAT/SP aguardando desfecho, conforme consulta ao sistema COMPROT (www.comprot.fazenda.gov.br). Nos termos regimentais (art. 67 do Anexo II do RICARF), a competência da CSRF limitase ao julgamento do recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Ou seja, a apreciação do litígio deve se limitar à matéria devolvida a qual se refere à homologação da compensação pleiteada nestes autos. Nesse caso, entendo que falece competência a esta CSRF para decidir sobre a homologação da compensação constante de outros autos, que não o presente, não sendo possível reconhecer que a compensação da parcela de estimativa de IRPJ de setembro de 1999, Fl. 684DF CARF MF Processo nº 10880.000323/200188 Resolução nº 9101000.081 CSRFT1 Fl. 1.394 12 encontrase tacitamente homologada para fins de compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999 pleiteado nestes autos e amparar a homologação das compensações a ele vinculadas até o limite do valor reconhecido. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem do processo referente ao crédito aqui compensado (DERAT/SP) informe sobre a situação da compensação pleiteada no processo n° 10880.030330/9983, com posterior retorno dos autos à relatora para prosseguimento no julgamento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 685DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.908742/2012-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2010
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3001-000.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/07/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e para o Programa de Integração Social - PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição - RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.908742/2012-05
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5922746
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3001-000.534
nome_arquivo_s : Decisao_10580908742201205.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
nome_arquivo_pdf_s : 10580908742201205_5922746.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7498746
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149498580992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1833; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 630 1 629 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.908742/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.534 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria PER/DCOMP COMPENSAÇÃO COFINS RTT DEPRECIAÇÃO Recorrente LM TRANSPORTES INTERESTADUAIS SERVIÇOS E COMÉRCIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2010 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes de revisão e ajuste dos critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, em face da análise periódica sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e para o Programa de Integração Social PIS da pessoa jurídica sujeita ao Regime Tributário de Transição RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 42 /2 01 2- 05 Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10580.908742/201205 Acórdão n.º 3001000.534 S3C0T1 Fl. 631 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 1467.531, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto DRJ/RPO que, em sessão de julgamento realizada no dia 20.06.2017, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado no Per/Dcomp 23130.64487.221211.1.3.048820. Da síntese dos fatos Por bem sintetizar os fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido (efls. 58 a 62), verbis: Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/07/2010, no valor de R$ 54.454,00, transmitida através do PER/Dcomp nº 23130.64487.221211.1.3.048820. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 43, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 44), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório. Da ementa da decisão recorrida Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10580.908742/201205 Acórdão n.º 3001000.534 S3C0T1 Fl. 632 3 A 5ª Turma da DRJ/RPO, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o citado acórdão de manifestação de inconformidade, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2010 DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da ciência O contribuinte, conforme depreendese do "TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO COMUNICADO" (efl. 64), conheceu do teor do acórdão vergastado em 19.07.2017, razão pela qual, irresignado com a decisão recorrida, em 17.08.2017, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efls. 67/68), registra a juntada do presente recurso voluntário (efls. 69 a 77), acompanhado dos anexos 01 a 05 (efls. 78 a 628). Do recurso voluntário Após tomar ciência da decisão vergastada, o recorrente comparece uma vez mais aos autos para, em sede de recurso voluntário, pleitear a reforma do acórdão. Nesta referida petição recursal limitase a repisar os argumentos apresentados na sua manifestação de inconformidade, e apresenta, dentre outros, o denominado "anexo 05", que tratase da "RELAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO POR CONTA E CENTRO DE CUSTO", referente ao mês julho de 2010, extraído em 21.03.2011. Diante do alegado, requer sejalhe dado provimento, reconhecendose seu direito creditório e homologandose a compensação objeto do presente processo. Do encaminhamento Em razão disso, os autos ascenderam ao CARF em 28.08.2017 (efl. 629), que, na forma regimental, foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro o processamento do presente feito. É o relatório. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10580.908742/201205 Acórdão n.º 3001000.534 S3C0T1 Fl. 633 4 Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo que, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017, este colegiado é competente para apreciar o presente feito. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado aos autos em 17.08.2017, depois da ciência do acórdão recorrido, ocorrida em 19.07.2017; portanto, a petição recursal é tempestiva e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10580.908742/201205 Acórdão n.º 3001000.534 S3C0T1 Fl. 634 5 pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728070/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE.
A impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase contenciosa do procedimento administrativo.
Numero da decisão: 2402-006.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase contenciosa do procedimento administrativo.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.728070/2009-42
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930100
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.742
nome_arquivo_s : Decisao_10580728070200942.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580728070200942_5930100.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
id : 7527460
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149510115328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1581; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 164 1 163 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728070/200942 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.742 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de novembro de 2018 Matéria Arguição de tempestividade da impugnação Recorrente ALOISIO DE CASTRO BRAGA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. A impugnação apresentada fora do prazo legal não instaura a fase contenciosa do procedimento administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. Relatório Trata o presente processo de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, correspondente aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, consubstanciado no auto de infração de fls. 3 a 7, o qual foi recebido no endereço cadastral do contribuinte, em 9/12/09, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 33. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 80 70 /2 00 9- 42 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10580.728070/200942 Acórdão n.º 2402006.742 S2C4T2 Fl. 165 2 Em 18/1/10, a viúva do contribuinte, Sra. Walkyria Santos Braga, apresentou a impugnação de fls. 35 a 44, na qual alegou, em síntese: Preliminarmente a) Tempestividade da impugnação; b) Ilegitimidade passiva do autuado, nos termos da Lei 7.713/88 e do Decreto 3.000/99, art. 39, inciso XXXIII, uma vez que seu marido seria portador de doença grave (Melanoma Maligno nível IV câncer), no período abrangido pelo lançamento; c) Ilegitimidade ativa da União para cobrar o Imposto de Renda na Fonte dos membros do Ministério Público Estadual; d) Nulidade da autuação por erro na identificação do sujeito passivo, em obediência aos princípios da legalidade, do devido processo legal e da ampla defesa, uma vez que o lançamento foi realizado na pessoa do contribuinte, em que pese este ter falecido em 5/11/08, ou seja, antes do lançamento fiscal ter sido realizado. No Mérito Improcedência do auto de infração, uma vez que a base de cálculo do lançamento diria respeito a verba indenizatória instituída pela Lei Complementar Estadual nº 20, de 8/9/03, e recebida pelos Membros do Ministérios Público do Estado da Bahia. Ao receber a impugnação, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) de Salvador (BA) concluiu pelo seu não conhecimento, conforme restou assim consignado no voto condutor do Acórdão nº 1527.656, fls. 51 a 53: Primeiramente, verificase que tanto termo de início de fiscalização quanto o auto de infração foram entregues via postal no endereço “Rua Desembargador Oscar Dantas, 126, Viv. da Graça, ap. 802, CEP 40150260, Graça, SalvadorBA”, que é o endereço cadastral do contribuinte falecido e de seu filho inventariante Adalberto Braga, CPF 198.084.70530. Portanto, o fato de constar no auto de infração o nome do contribuinte falecido não representa qualquer violação ao amplo direito de defesa do espólio ou ofensa ao devido processo legal e ao contraditório assegurados constitucionalmente. É improcedente, também, a alegação de tempestividade da impugnação sob o fundamento de que não fora intimado pessoalmente do lançamento fiscal. O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), autoriza a ciência do lançamento fiscal via postal sem prévia tentativa da intimação pessoal. O auto de infração foi recepcionado no endereço cadastral do contribuinte e do inventariante, em 09/12/2009, às fls. 33, e somente foi contestado em 18/01/2010, às fls. 35/44, após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 10, inciso V, do PAF. Portanto, a impugnação foi intempestiva. Conclusão Dessa forma, voto por não conhecer da impugnação. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10580.728070/200942 Acórdão n.º 2402006.742 S2C4T2 Fl. 166 3 Como se vê, a decisão de primeira instância Cientificada da decisão, em 13/10/11, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 77, a viúva do contribuinte, por meio da sua advogada (procuração de fls. 81), interpôs o recurso voluntário de fls. 59 a 76, em 16/11/11, no qual trouxe, com um pouco mais de profundidade, as alegações ventiladas em sua primeira peça defensiva, além de alegar a tempestividade da impugnação, sob o argumento de que o auto de infração teria sido entregue na portaria do prédio onde não residia mais já havia alguns meses. Ao julgar o recurso voluntário, em 10/9/14, a 1ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, sem examinar a tempestividade da impugnação, decidiu, por maioria de votos (Acórdão nº 2801003.704, fls. 89 a 93), declarar nulo o auto de infração, por vício material, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu na pessoa do contribuinte falecido e não no espólio ou sucessor. Cientificada da decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) apresentou o recurso especial de fls. 95 a 107, no qual alegou equívoco do acórdão recorrido “ao afirmar que a ilegitimidade da parte seria suficiente para decidir pela nulidade do auto de infração, uma vez que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo”. A PGFN pleiteou, então, a reforma do acórdão recorrido, com o reestabelecimento integral do lançamento, ou, na eventualidade desse pedido não ser acatado, que o lançamento fosse anulado por vício formal. A Sra. Walkyria Santos Braga apresentou, então, as contrarrazões de fls. 121 a 137, reforçando as alegações recursais, bem como a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. Em julgamento do recurso especial, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do Acórdão nº 9202006.426, fls. 143 a 149, decidiu pelo seu provimento, afastando a nulidade do lançamento e determinando o retorno do processo a este colegiado “para apreciação das demais questões atinentes ao Recurso Voluntário, inclusive a intempestividade da Impugnação e a legitimidade recursal da viúva herdeira do Contribuinte”. Tendo em vista a extinção da 1º Turma Especial da 2ª Seção, procedeuse a um novo sorteio do presente processo, o qual foi distribuído a este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator Do conhecimento e do escopo do presente julgamento O recurso voluntário é tempestivo e foi apresentado por advogada devidamente constituída, porém, como foi interposto contra a decisão de primeira instância, que não conheceu da impugnação, por intempestividade, o julgamento do presente recurso limitarseá, tão somente, à arguição de tempestividade da impugnação, não sendo conhecidas Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10580.728070/200942 Acórdão n.º 2402006.742 S2C4T2 Fl. 167 4 as demais alegações, pois, do contrário, importaria em supressão de instância e afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o processo administrativo tributário. Da alegada tempestividade da impugnação Para melhor análise quanto ao alegado, transcreveremos, primeiramente, as razões recursais quanto à intempestividade da impugnação: Entende a recorrente que a impugnação de fls. 35/44 se deu de forma tempestiva, visto que a notificação via postal do auto de infração não foi feita pessoalmente, mas sim entregue na PORTARIA do prédio onde a mesma nem residia mais (já havia se mudado há alguns meses para a Rua Lord Cochrane, nº 171, Ed. Porto Salvador Residence, Apto 1.101, Barra, CEP 40.140.070, nesta capital baiana), e sem qualquer tentativa prévia de notificação pessoal. É o que se depreende do seguinte julgado: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. Notificação administrativa via postal. Recebimento por terceiros. Pessoa física. Teoria da aparência. Inaplicabilidade. [...]. Ausência de comprovação inequívoca de que a parte foi cientificada dos atos do processo administrativo. Violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça.” (TRF 2ª Região – Apelação em Mandado de Segurança 67147/RJ – Rel. Desembargador Federal Francisco Pizzolante, em 19/08/2008 – Terceira Turma Especializada). Aceitar como válida uma intimação postal na qual não se pode comprovar inequivocamente a data exata em que o verdadeiro interessado a recebeu do porteiro de um prédio no qual a recorrente nem mais residia é, venhamos e convenhamos, um grave atentado à segurança jurídica do contribuinte, de modo que, não tendo sido recebida a intimação diretamente pelo interessado (no caso por algum dos herdeiros do falecido Aloísio de Castro Braga ), devese considerar como o termo inicial do prazo para a impugnação o dia da juntada do aviso de Recebimento nos autos, “in casu” o dia 18/12/2009, conforme data de autenticação digital do A.R. às fls. 33. Tendo sido o A.R. juntado aos autos no dia 18/12/2009 (sexta feira), o prazo de 30 (trinta) dias só findaria em 19/01/2010, de modo que, tendo sido a impugnação protocolizada no dia 18/01/2010, impõese o reconhecimento de sua tempestividade e, por consequência, a análise de todos os seus fundamentos preliminares e meritórios, seja agora pelo CARF ou em 1º grau pela 3ª Turma da DRJ/SRD, caso se decida remeter os autos para lá. (Grifos no original) Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10580.728070/200942 Acórdão n.º 2402006.742 S2C4T2 Fl. 168 5 Conforme se observa, a Recorrente alega que a notificação do lançamento se deu por via postal, no endereço onde não residia mais e sem qualquer tentativa prévia de notificação pessoal, citando decisão do TRF da 2ª Região. Aduz, ainda, que seria um grave atentado contra a segurança jurídica aceitar essa notificação como válida e, dessa forma, pede que seja reconhecida como data de ciência a data na qual o AR da notificação foi juntado aos autos, ou seja, 18/12/09. Vejamos, então, o que dispõe o Decreto 70.235, de 6/3/72, sobre a intimação do lançamento: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Da exegese dos dispositivos acima, temse que a intimação pode ser feita pessoalmente, por via postal e por meio eletrônico, sem ordem de preferência. Ademais, no caso de intimação por via postal, considerarseá feita a intimação na data do seu recebimento, no endereço fornecido pelo contribuinte como seu domicílio tributário, que foi o que aconteceu no caso em análise. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10580.728070/200942 Acórdão n.º 2402006.742 S2C4T2 Fl. 169 6 Cabe destacar, inclusive, que poucos dias após a apresentação do recurso voluntário, ou seja, em 7/12/11, o filho de Aloísio Braga e inventariante de seu Espólio, Sr. Adalberto Braga, carreou aos autos a manifestação de fl. 86, na qual pediu a juntada da cópia autenticada do documento de identidade de sua procuradora, constando, nessa manifestação, como seu endereço, a Rua Desembargador Oscar Dantas, 126, Ed. Vivenda da Graça, apartamento 802, Graça, Salvador/BA, que é o mesmo endereço para onde o auto de infração foi encaminhado e recebido. Portanto, em que pese a Recorrente não estar morando no endereço, quando da entrega da notificação, segundo alegado no recurso, resta claro que a família de Aloisio Braga mantinha contato com esse endereço, uma vez que seu próprio filho estava ali residindo quando da interposição do recurso voluntário. Logo, cabia à família do contribuinte alertar a portaria do prédio quando da chegada de correspondências do contribuinte, o que parece não acontecido. Sendo assim, considerando que a notificação do lançamento se deu em absoluta observância à legislação de regência, tendo sido realizada no domicílio tributário do contribuinte, em 9/12/09, temse por intempestiva a impugnação, uma vez que apresentada em 18/1/10, ou seja, após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 10, inciso V, do Decreto 70.235/72. Conclusão Isso posto, voto por CONHECER PARCIALMENTE do recurso voluntário para, na parte conhecida, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.720122/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.510
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde o desfecho definitivo do processo judicial prejudicial à apreciação administrativa da lide.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10209.720122/2012-85
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944406
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-001.510
nome_arquivo_s : Decisao_10209720122201285.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TIAGO GUERRA MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 10209720122201285_5944406.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde o desfecho definitivo do processo judicial prejudicial à apreciação administrativa da lide. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7559992
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149514309632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1544; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 202 1 201 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10209.720122/201285 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.510 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2018 Assunto AUTO DE INFRAÇÃO SISCOMEX Recorrente CMA CGM DO BRASIL AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que se aguarde o desfecho definitivo do processo judicial prejudicial à apreciação administrativa da lide. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 7ª Turma da DRJ/FOR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, exarado pela ALF Porto de Belém, referente à multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, carga transportada ou operação realizada, na forma e no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 09 .7 20 12 2/ 20 12 -8 5 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10209.720122/201285 Resolução nº 3401001.510 S3C4T1 Fl. 203 2 prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), disposta no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/1966 Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 04 e seguintes) de R$5.000,00 (cinco mil reais). Em síntese, as multas foram lançadas como decorrência do atraso no fornecimento de dados relativos aos conhecimentos de transporte, os quais foram retificados após o prazo estabelecido para fornecer os dados relativos às correspondentes cargas, sendo que a responsabilidade pela prestação das informações legalmente exigidas era da empresa autuada. Assim, de acordo com o relato fiscal, a contribuinte deixou de atender ao prazo estabelecido no art. 22, II, “d”, da IN RFB nº 800, de 27/12/2007; restando cometida a infração prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966. Da Impugnação A Contribuinte apresentou Impugnação, alegando, em síntese, o seguinte: a) Ilegitimidade passiva. A impugnante não é parte legítima para figurar no pólo passivo do lançamento, uma vez que atuou apenas como agência de navegação marítima, que não se equipara a transportador ou agente de carga, nem pode ser considerada como representante destes para fins de responsabilização por eventuais erros por eles cometidos. Para reforçar sua tese, a defesa cita doutrina e decisões dos tribunais superiores (STF, exTFR, STJ), relativas às funções e à responsabilidade por indenização e tributária do agente marítimo. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, a informação foi prestada pela própria impugnante, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, bem como o art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) Atipicidade da conduta apenada. Ao equiparar a retificação de dado já registrado à prestação intempestiva de informação, nos termos do art. 45 da IN RFB nº 800/2007 e do art. 64, II, do ADE Corep nº 3/2008, a Administração Pública violou os princípios da legalidade e da hierarquia das normas e extrapolou seu poder regulamentar, pois não há nenhuma lei que autorize tal equiparação, o que é indispensável para a imposição de pena. d) Ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A multa combatida deve ser afastada em atendimento aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que são de observância obrigatória no âmbito do processo administrativo federal, consoante art. 2º da Lei nº 9.784/1999, eis que a penalidade aplicada é excessivamente gravosa em relação ao possível dano causado pela suposta infração. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10209.720122/201285 Resolução nº 3401001.510 S3C4T1 Fl. 204 3 Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão, exarado pela 7ª Turma da DRJ/FOR, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/03/2012 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE PARCIAL DE OBJETOS. RENÚNCIA PARCIAL À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em razão do princípio da unidade de jurisdição, a propositura de ação na Justiça contra a Fazenda Pública implica renúncia à via administrativa, instância na qual o lançamento relativo à matéria sub judice se torna definitivo, sendo apreciado apenas eventual tema diferenciado, mas ficando o crédito constituído vinculado ao resultado do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 23/03/2012 AGÊNCIA MARÍTIMA. IRREGULARIDADE NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando sua indignação com ao não conhecimento parcial da Impugnação em função de a DRJ ter considerado a ocorrência de renúncia parcial ao litígio haja vista que a entidade civil Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CENTRONAVE), do qual a Recorrente seria associada, discute judicialmente (Ação Ordinária nº 006591474.2013.4.01.3400) matéria idêntica a parte litigiosa do presente Auto, especialmente em relação à ilegalidade do artigo 45 da Instrução Normativa SRF 800/2007 e do Ato COREP 3/2008. Para tanto, a Recorrente discorre sobre inexistência de concomitância no presente caso, haja vista a entidade autora da ação judicial não se confundir com a sua personalidade jurídica. É o relatório. VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10209.720122/201285 Resolução nº 3401001.510 S3C4T1 Fl. 205 4 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que tomo seu conhecimento. Da Concomitância Judicial A razão pela qual a decisão a quo não conheceu parte da impugnação no que tange à matéria objeto da referida ação judicial. Como assentado, a autora da ação judicial, Centro Nacional de Navegação Transatlântica (CENTRONAVE) é tãosomente entidade na qual a Recorrente é associada; restando evidente que não é o autuado, mas sim a referida entidade a qual está vinculado. Dessa maneira, ainda que as decisões que decorram da referida ação reflitam seus efeitos aos associados da autora, a existência de lide judicial não pode servir de impedimento a que a Recorrente venha a discutir a referida matéria em sede administrativa, mesmo porque não possui o domínio e autonomia sobre o curso daquele processo. Com isso em mente, trago à colação os termos do artigo 337 do Novo CPC, que claramente define como litispendência a hipótese em que duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir. Vejamos: Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) VI Litispendência; (...) §1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. §2º Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. §3º Há litispendência quando se repete ação que está em curso. Por outro lado, eventual decisão naquela ação judicial implicará em reflexos sobre matéria ora em análise, razão pela qual a lide judicial constituise em elemento prejudicial ao acolhimento ou não dos argumentos da peça recursal, sendo apropriado o sobrestamento do presente feito. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, porém sugiro a sua conversão em diligência para que para que se aguarde o desfecho definitivo do processo judicial prejudicial à apreciação administrativa da lide. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10209.720122/201285 Resolução nº 3401001.510 S3C4T1 Fl. 206 5 (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 209DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903417/2015-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.903417/2015-24
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5944988
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-003.247
nome_arquivo_s : Decisao_13888903417201524.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
nome_arquivo_pdf_s : 13888903417201524_5944988.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7560897
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051149518503936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.903417/201524 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.247 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria DCOMP PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO IRPJ Recorrente RANAH ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 17 /2 01 5- 24 Fl. 212DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.903417/201524 Acórdão n.º 1302003.247 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 214DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.903417/201524 Acórdão n.º 1302003.247 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 216DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.903417/201524 Acórdão n.º 1302003.247 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 218DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.903417/201524 Acórdão n.º 1302003.247 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 220DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.903417/201524 Acórdão n.º 1302003.247 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 222DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
