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Numero do processo: 10768.720137/2007-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CARÁTER DEFINITIVO. LIMINARES. PROVA.
Não se pode excluir da base de cálculo da COFINS montante correspondente a medida liminar obtida judicialmente, pelo fato de tal provimento não ser de caráter definitivo, ainda mais se sequer foram carreadas aos autos provas da extensão e da simples existência do provimento judicial.
Numero da decisão: 3403-003.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, reconheceu-se o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo o valor de R$ 21.228.178,34, referente às notas fiscais colacionadas em sede recursal; II) por maioria de votos, negou-se provimento quanto à exclusão dos valores sub judice da base de cálculo da contribuição. Os Conselheiros Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista acompanharam a divergência no que se refere à carência probatória. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG no 138.921.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DOMINGOS DE SÁ FILHO - Relator.
ROSALDO TREVISAN - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. CARÁTER DEFINITIVO. LIMINARES. PROVA. Não se pode excluir da base de cálculo da COFINS montante correspondente a medida liminar obtida judicialmente, pelo fato de tal provimento não ser de caráter definitivo, ainda mais se sequer foram carreadas aos autos provas da extensão e da simples existência do provimento judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo o valor de R$ 21.228.178,34, referente às notas fiscais colacionadas em sede recursal; II) por maioria de votos, negouse provimento quanto à exclusão dos valores sub judice da base de cálculo da contribuição. Os Conselheiros Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista acompanharam a divergência no que se refere à carência probatória. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designado o Conselheiro Rosaldo Trevisan. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Loures de Oliveira, OAB/MG no 138.921. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DOMINGOS DE SÁ FILHO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 37 /2 00 7- 41 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 ROSALDO TREVISAN Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (redator designado), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho (relator) e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar o julgamento de piso que manteve parcialmente o indeferimento do reconhecimento do direito referente ao indébito R$ 12.158.954,02 com data de arrecadação de 14/03/2003, que, atualizado pela SELIC acumulada resultou na quantia de R$ 17.248.692,17 (fl. 5)1, proveniente de pagamento a maior relativamente à COFINS do período de apuração 01/02/2003 a 28/02/2003, que pretendia compensar com débito da COFINS apurada em julho/2005. Diante da apresentação da DCOMP no 01142.43633.150805.1.3.04.6026, entendeu a Divisão de Orientação e Análise Tributária DIORT baixar em diligência para que fosse aclarado qual o efetivo valor de COFINS a ser considerado para o período de apuração de fevereiro de 2003 e que esclarecesse também se o valor de CIDE utilizada na compensação de parte do débito de COFINS do período de apuração em questão era procedente, em consonância com o disposto no art. 8o da Lei no 10.336/2001. Depois de longo trabalho, cotejados Diário, Razões, documentos fiscais e planilhas elaboradas pela interessada (extracontábeis), foram as receitas especificadas, inclusive com reuniões com os funcionários do setor tributação da PETROBRAS, e a diligência foi concluída, e, emitido o parecer de fls. 120/127. A conclusão restou relatada do modo seguinte: “Desta forma, apesar da base de cálculo informada pela empresa ser a mesma que a apurada por esta auditoria, analisando as informações contábeis e extra contábeis, verificou que os valores apurados ao aplicar as alíquotas diferenciadas (para os produtos sujeitos a esta forma de apuração) e a alíquota geral (para as demais receitas) são divergentes. O contribuinte apurou R$ 692.062.140,58 e esta auditoria R$ 695.050.546,06. Assim, esta auditoria conclui que o valor devido a título de COFINS para o mês de fevereiro de 2003 é de R$ 81.298.860,71. Tendo encerrado a Diligência, proponho o encaminhamento do presente processo a Derat/RJO/Diort para prosseguimento.” Encaminhado o resultado da diligência ao DIORT, este divergiu do entendimento do auditor encarregado do trabalho em relação à exclusão da base de cálculo das vendas de gasolina e diesel efetivadas por força de liminares judiciais, pronunciandose no sentido de que inexiste amparo legal para a exclusão (fls. 131/132): Da análise da planilha constante do relatório fiscal, fls. 92/93, verificase que foi considerada a dedução que o contribuinte indicara na sua planilha, fl. 67, referente a "liminares 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 458DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720137/200741 Acórdão n.º 3403003.654 S3C4T3 Fl. 861 3 impetradas" tanto para a receita de venda de gasolina, no valor de R$ 44.735.132,25, quanto para a de óleo diesel, no valor de R$ 26.096.935,23. Entretanto, não há na legislação de regência de COFINS qualquer autorização para efetuar tal exclusão. Com efeito, desde a instituição do tributo, através da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, bem como nas leis subsequentes e demais atos normativos que complementaram e/ou alteraram o dispositivo legal acima citado, não consta a possibilidade de efetuar uma exclusão deste tipo. Tanto assim que não há na ficha 26 A da DIPJ 2004, dentre as linhas 10 a 23, que tratam das "isenções e exclusões" autorizadas pela legislação, qualquer linha que permita excluir da receita bruta parcela de receita objeto de "liminar impetrada". Havendo discussão judicial sobre determinada receita, e consequentemente, sobre a pertinência ou não da exigência de um determinado quantum de tributo, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido correspondente à receita informada e, na DCTF, especificar o montante sujeito à discussão judicial, montante este que fica com a exigibilidade suspensa até findar a lide. De outra feita, seria como antecipar a decisão judicial, conferindo à liminar o condão de previamente decidir que sobre aquelas receitas em discussão já não incidiria tributo. Assim sendo, foi retificada a planilha de fls. 92/93, elaborada pela fiscalização com base na planilha apresentada pelo contribuinte à fl. 67, para incluir na base de cálculo da COFINS sujeita a alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído a título de "liminares impetradas" relativamente à gasolina e a óleo diesel. E concluiu (fl. 134): Deste total, o contribuinte deduziu o valor de R$ 613.751.685,35 a título de CIDE, como declarado em DCTF (fl. 17) e acatado pela diligência fiscal, conforme planilha de fl. 93. Assim sendo chegase aos seguintes valores: TOTAL APURADO de Cofins: 703.305.444,67 DEDUÇÃO DA CIDE (Lei 10.336/2001, art. 80): 613.751.685,35 TOTAL DEVIDO DE Cofins: 89.553.759,32 Total recolhido DARF, confirmado à fl. 19: 90.494.576,81 Pagamento a maior: 940.817,49. Por todo o exposto, considerase que restou configurado pagamento a maior do valor de R$ 940.817,49, motivo pelo qual proponho o Fl. 459DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 reconhecimento parcial do direito creditório da interessada para fins de homologação da Dcomp no 01142.43633.150805.1.3.04 6026, fls.03/07, até o limite do crédito reconhecido. Assim sendo, retificou a planilhas de cálculos, alterando a base de cálculo, e, consequentemente, modificou o valor apurado. Concluiu que o valor relativo ao pagamento a maior importava em R$ 940.817,49 (novecentos e quarenta mil, oitocentos e dezessete reais e quarenta e nove centavos). É o que restou homologado. O Despacho Decisório de fl. 136 seguiu na íntegra a recomendação do DIORT: “Visto e examinados os presentes autos, e à vista do parecer conclusivo no 52512009, fls. 96/102, cujo teor aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte deste despacho decisório, como se nele estivesse transcrito, DECIDO HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação indicada na Dcomp no 01142.43633.150805.1.3.046026, fls. 03/07, até o limite do crédito reconhecido, no valor original de R$ 940.817,49 (novecentos e quarenta mil oitocentos e dezessete reais e quarenta e nove centavos), referente pagamento a maior de COFINS do período de apuração de fevereiro de 2003. Encaminhese os autos à EQCOMP desta Diort, para as providências de sua alçada quanto à efetivação da compensação declarada na Dcomp acima referida; para dar ciência ao contribuinte do inteiro teor deste Despacho e respectivo Parecer Conclusivo e para prosseguimento da cobrança dos débitos remanescentes, obedecidas as disposições contidas nos. parágrafos 7o a 11 do art. 74 da Lei 9.430/96 (com a nova redação dada pelo art. 17 da Lei no 10.833/2003), e na Instrução Normativa SRF no 900/2008, ressalvandolhe o direito de apresentar manifestação de inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ/RJO II, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da ciência. Irresignado com o resultado da homologação apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 156/167), discordando da inclusão na base de cálculo das receitas provenientes das vendas realizadas por força de liminares judiciais, sustentando que a decisão administrativa não observou as alíquotas corretas no tocante ao cálculo atinente a operações envolvendo gasolina de aviação e GLP. Explica que parte da gasolina, no montante de R$ 11.733.736,83, não tratava de gasolina comum, mas, sim, combustível de aviação, e não seria tributada pela alíquota diferenciada de 11,84%, mas sim pela alíquota geral de 3%. Esclareceu que na conta de GLP, sujeito à incidência da alíquota de 11,84%, encontram contabilizadas as receitas provenientes da venda do produto 614 (butano), que passou a ser tributado como GLP a partir de março/2003. Esclareceu, ainda, que as operações com butano somam a R$ 21.262.074,11, devendo incidir a alíquota de 3%. Com vistas uma apresentação sistemática e abrangente deste feito aproveita se do relatório da decisão recorrida adiante transcrito: Fl. 460DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720137/200741 Acórdão n.º 3403003.654 S3C4T3 Fl. 862 5 “Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) de débito da Cofins do período de apuração 07/2005 mediante o aproveitamento de crédito proveniente de pagamento a maior a título de Cofins, relativo ao período de apuração de 02/2003. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo no 525/2009 (fls. 96 a 102), exarou o despacho decisório de fl. 103, decidindo reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor original de R$ 940.817,49 e, conseqüentemente, homologar parcialmente a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) O contribuinte retificou a DCTF alterando o valor da Cofins devida para o período em questão. Retificou também o valor da CIDE utilizado para a compensação da Cofins. O valor retificado em DCTF coincide com o declarado na DIPJ. Constam recolhimentos nos valores de R$ 90.469.409,26 e R$ 25.167,55; b) O processo foi encaminhado à DEFIC para realização de diligência visando a apuração do valor efetivo devido à Cofins. O resultado da diligência consta do relatório de fls. 87/93 onde consta que após análise das informações contábeis e extra contábeis fornecidas pelo contribuinte, persistiram divergências apuradas em relação à aplicação das alíquotas diferenciadas e alíquota geral e concluiu que o valor devido, após a dedução da CIDE, é de R$ 81.298.860,71; C) Na planilha constante do relatório fiscal foi considerada a dedução indicada pelo contribuinte referente a "liminares impetradas" tanto para a receita de venda de gasolina, quanto para a de óleo diesel. Entretanto, não há na legislação da Cofins qualquer autorização para efetuar tal exclusão. Havendo discussão judicial sobre determinada receita, o procedimento apropriado é informar na DIPJ o total da receita auferida, apurar o tributo devido e, na DCTF, especificar o montante discutido, que ficará com a exigibilidade suspensa até findar a lide. Assim sendo, foi retificada a planilha elaborada pela fiscalização, para incluir na base de cálculo da Cofins as receitas de alíquotas diferenciadas, o valor indevidamente excluído; d) Tais alterações impõem a retificação do restante da apuração da Cofins devida, como demonstrado pela retificação da ficha 26 A da DIPJ; e) O total devido após a dedução da CIDE é de R$ 89.553.759,32. Considerando os pagamentos no valor total de R$ 90.494.576,81 resta configurado o pagamento a maior no valor de R$ 940.817,49. Cientificada do Parecer Seort em 10/12/2009 (fls. 192), a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade em 11/01/2010 (fls. 119 a 130), alegando, em síntese, que: Fl. 461DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 a) O Parecer Conclusivo apresenta equívoco em sua linha de raciocínio, ao incluir o valor relativo a venda de combustível objeto de liminares na base de cálculo da Cofins; b) Por força das liminares, os fatos geradores passaram, devido à ordem judicial, a se comportar como fatos geradores condicionais. No caso dos autos, as ordens judiciais adicionaram aos atos jurídicos condição suspensiva, fazendo que o tributo somente incidisse caso as liminares fossem afastadas por decisão judicial posterior; c) Como a exigibilidade estava suspensa por força de ordem judicial, não poderia a requerente incluir tais valores na base de cálculo da Cofins, posto que tal inclusão representaria um reconhecimento da incidência do tributo sobre essas parcelas com liminares, tributo esse cuja exigência foi obstada por força judicial, configurando uma contradição; d) O raciocínio engendrado no Parecer Conclusivo também conduz a uma projeção dos efeitos do fato gerador para além dos comandos legais, já que os mesmos se encontravam afastados por ordens judiciais; e) O cálculo da Cofins não observou as alíquotas corretas no tocante às operações envolvendo gasolina e GLP; f) Na base de cálculo da venda de gasolina foi incluída a venda de gasolina de aviação, na ordem de R$ 11.733.736,83, que deveria ser tributada à alíquota de 3%; g) Do mesmo modo, no montante utilizado na base de cálculo do GLP foi incluído o produto 614 (butano), cujas operações somam R$ 21.262.074,11, que somente passou a ser tributado como GLP a partir de março/2003 (IN SRF 247/2002). A decisão recorrida afastou da base de calculo da COFINS as receitas tributadas pela alíquota comum combustível de aviação, e, adicionou o mesmo valor à base de cálculo da COFINS apurada no regime cumulativo, à alíquota de 3%. Manteve a inclusão das vendas realizadas por força de liminares judiciais sob o argumento de não existir nos autos prova e da impossibilidade de aproveitarse crédito antes do trânsito em julgado da decisão. Em relação a exclusão da base de cálculo das receitas de butano, a decisão afirma que essa integra em conformidade com a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/Dist no 245 de 31/10/2002, formulada pela própria PETROBRAS. Concluiu que o indébito decorrente de pagamento a maior importava em R$ 2.044.052,97, dos quais já teria sido reconhecido R$ 940.817,49 e a diferença pela exclusão da incidência sobre as vendas de combustível de aviação no valor de R$ 1.102.235,48. Em sede recursal a PETROBRAS continua seu inconformismo em ver incluídas à base de cálculo as vendas realizadas por força de liminares judiciais e insiste na aplicação da alíquota geral de 3% para a COFINS sobre as vendas de PROPENO GRAU POLÍMERO (produto 614) e não a alíquota específica de 11,84%. É o relatório. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720137/200741 Acórdão n.º 3403003.654 S3C4T3 Fl. 863 7 Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator A discussão cinge a composição da base de cálculo. Os pontos conflitantes se referem à inclusão à base de cálculo das receitas oriundas das vendas de gasolina e diesel decorrente de liminares obtidas pelos clientes da Recorrente e a incidência da alíquota especial de 11,84% para COFINS referente a comercialização do gás butano. A documentação acostada pela Interessada, à primeira vista, parece suficiente a suprir ausência de segregação contábil e possibilitar análise quanto à aplicação da alíquota correta ao produto butano comercializado. Em relação à gasolina de aviação, a discussão, a meu sentir, se refere ao valor incluído à base de cálculo ser inferior ao verificado pela fiscalização. Além dos documentos já acostados vieram diversos documentos fiscais com objetivo de provar que houve venda do produto 614 propeno grau polímero, NCM 29.01.22.00, distinto do GLP, alíquota especial, total de R$ 21.262.074,11, relativo às vendas, incluído à base de cálculo. Diante da documentação acostada, é possível determinar o valor devido a ser apurado com base nos documentos juntados. No que tange às vendas de diesel e gasolina para empresas detentora de liminares judiciais, a prova cabível é a cópia dos provimentos que determinaram a venda sem retenção do tributo. Considerando que a fiscalização em diligência acolheu os valores, o que restou não acatado pela Autoridade Homologadora, e a decisão recorrida acolheu o contido no parecer DIORT ao argumento de que não se pode utilizar crédito oriundo de discussão judicial antes do trânsito em julgado. Assim, as controvérsias se referem à possibilidade de exigir tributação sobre as vendas de mercadorias cujos clientes da Recorrente obtiveram liminares judiciais para que não fossem exigidas as contribuições perante a refinaria. O outro ponto se refere alíquota aplicada sobre a comercialização de gás butano. Das Vendas Expurgadas da Base de Cálculo. A fiscalização, em diligência, afastou da base de cálculo as receitas provenientes das vendas realizadas com suspensão da exigência da contribuição, o que não restou acolhido pela Autoridade Tributária, que determinou a inclusão dessas vendas à base de cálculo, e, consequentemente, modificou o valor devido para mais. O caso não é de aproveitamento de crédito antes do transito em julgado, mas sim de inclusão das receitas à base de cálculo. Portanto, não há que se falar da necessidade de se aguardar decisão final do Poder Judiciário. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 A questão é saber se a Petróleo Brasileiro S/A PETROBRAS estava ou não obrigada a incluir as vendas realizadas com suspensão do tributo por força de liminares judiciais à base de cálculo. Os procedimentos cautelares, seja em ação cautelar, mandado de segurança ou antecipação de tutela (art. 273 e 461 do CPC) são fundados no receio de que uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação. São medidas encartadas no Código de Processo Civil e em Lei especifica como é o caso do Mandado de Segurança. Em comentário ao voto proferido pelo Ministro Celso de Mello, na ADIN 975MCDF(RTJ 174/722), Vitorio Cassone diz que: “...a tutela cautelar constitui modalidade da tutela jurisdicional, servindo a que os fins do processo não fiquem substancialmente comprometidos ou frustrados, que se impeçam, dentro do possível e razoável, os efeitos lesivos, de caráter irreparável, que possam advir da dilação ou demora processual”. O contribuinte requer a tutela cautelar (medida liminar) para fins imediatos, enquanto discute sobre a legalidade e ou constitucionalidade da lei tributária, cuja decisão final, transitada em julgado, atende as exigências dos artigos 170 e 170A do CTN, que poderá influenciar sobre a cautelar deferida ou indeferida. Assim, o poder geral de cautela deve ser entendido com uma amplitude compatível com a sua finalidade primeira, que é assegurar a perfeita eficácia da função jurisdicional. E, sendo assim, a doutrina é uníssona de que se insere aí a garantia da efetividade da decisão. E indo além, afirma que mesmo as medidas cautelares, incluindo as liminares inaudita altera pars, são fundamentais para o próprio exercício da função jurisdicional, que não deve encontrar obstáculos, salvo no ordenamento jurídico. Portanto, o objetivo principal das medidas liminares é a eficácia do provimento principal e a plausividade do direito alegado, que determinam a necessidade da tutela cautelar para que se protejam aqueles bens ou direitos de modo a se garantir a produção de efeitos concretos do provimento jurisdicional principal. Diferente não poderia ser, pois se os provimentos judiciais não forem observados colocase em risco o sistema jurisdicional e instalase a desobediência ao ordenamento jurídico, cai por terra a construção doutrinária e jurisprudencial erguidas ao longo do tempo com grandes danos à sociedade como um todo. A decisão judicial deve ser obedecida com o desígnio de assegurar a perfeita eficácia da função jurisdicional, se assim não for estáse diante da desobediência civil. No caso concreto a PETROBRAS estava em obediência ao provimento judicial que determinou a não cobrança da contribuição, e cabia a ela tão somente acatar a ordem, e, consequentemente, não incluir à base de cálculo os valores referentes às vendas de produtos não tributados na fonte. O que a Autoridade Tributária fez ao incluir à base de cálculo as vendas realizadas com suspensão da contribuição configura desobediência ao provimento judicial, coloca em risco a rigidez do sistema jurisdicional. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720137/200741 Acórdão n.º 3403003.654 S3C4T3 Fl. 864 9 O fiscal encarregado da diligência agiu dentro dos parâmetros de sabedoria e respeito à decisão judicial. Tenho que nesse caso a Recorrente agiu respaldo em uma determinação judicial, assegurando a perfeita eficácia da função jurisdicional, motivo pelo qual não pode suportar nesse momento carga tributária na condição de sujeito passivo da relação jurídica tributária que a legislação não lhe atribuiu. Esse assunto é sempre polêmico e ainda vai levar tempo para ser apaziguado, pois há aqueles que entendem que o fato de existir previsão da obrigação da refinaria cobrar o tributo do adquirente tornao solidário. Peço licença para divergir desse raciocínio quando a determinação de afastar, mesmo em caráter provisório, a exação incidente no momento da aquisição decorre do Poder Judiciário, pois não consigo conjeturar resistência a ordem judicial. Assim, penso que mesmo momentaneamente a empresa fornecedora estava desobrigada de cumprir a função lhe atribuída por lei em razão encontrar albergada por provimento judicial que a dispensou daquela obrigação. Assim, acolho os argumentos da Recorrente para afastar da base de cálculo as receitas provenientes das vendas mercadorias efetuadas por força de liminar que determinou não exigência das contribuições pelo fornecedor. Incidência sobre Vendas de Gás Butano GLP. Assevera a contribuinte que não incidia sobre as vendas de propeno, em que pese esse produto código 614 não estar contabilizado na conta contábil de gás butano, a alíquota de 11,84, mas sim a alíquota geral, e que essa exigência passou acontecer a partir de março de 2003. Ao contrário, a Administração Fazendária afirma que essa exigência está prevista no inciso III do art. 4o da Lei no 9.718/1998, com redação dada pela Lei no 9.990/2000. Sustenta a Recorrente que o valor apontado de R$ 11.674.449,53, se refere ao propeno, embora esteja contabilizado na conta de Gás Butano, motivo pelo qual separou em planilha específica, diz: “O produto identificado nas planilhas em anexo no código 614 apesar de contabilizado na conta contábil de GLP, não pertence ao grupo acima citado, motivo pelo qual a tributação da COFINS é efetuada pela alíquota geral e não pela alíquota monofásica/majorada. O NCM deste produto é 29.01.2200, tratandose de propeno, conforme planilha e cópias de notas fiscais em anexo.” A redação introduzida pelo art. 3o da Lei no 9.990/2000 ao artigo 4o da Lei no 9.718/1998 dispõe: Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 10 (...) III dois inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento e onze inteiros e oitenta e quatro centésimos por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás liquefeito de petróleo GLP. IV sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.” Propeno, pela Wikipédia, conhecida como enciclopédia livre: É o nome oficial pela IUPAC, também chamado propileno, e, tratase de um hidrocarboneto insaturado (alceno) de fórmula C3H6. Constatase se referir gás incolor e altamente inflamável, que pé produzido durante o craqueamento do petróleo, ou seja, ato de aquecer o petróleo e na gaseificação do carvão. Seu principal uso é para produção de polipropileno, polímero ou plástico, derivado do propeno ou propileno. É também usado como combustível em vários processos industriais, devido ao fato de ter uma chama mais quente que a do propano (por produzir menor massa após combustão). A mesma fonte informa ainda que: Butano é um derivado do gás. É um gás incolor, inodoro e altamente inflamável. É um hidrocarboneto gasoso, obtido do aquecimento lento do petróleo. O propano está presente em nosso gás de cozinha, ou gás liquefeito de petróleo (GLP), onde é encontrado misturado a outros gases, majoritariamente pelo propano. Atualmente o GLP é fornecido via tubulação e em botijões. Como se extrai do exposto, o propileno e o gás butano são dois produtos derivados do petróleo, entretanto, não são idênticos. A fiscalização entendeu que o valor total da conta contábil tratava de gás butano, motivo pelo qual aplicou alíquota 11,84%. A título de prova a Recorrente traz aos autos cópias das notas fiscais e planilha com o objetivo de demonstrar que no montante da conta contábil R$. 11.674.449,53 (onze milhões, seiscentos e setenta e quatro mil, quatrocentos e quarenta e nove reais e cinqüenta e três centavos) se refere ao propileno. Cuidou a Recorrente de colecionar nos autos cópias das notas fiscais da venda de propileno, em obediência ao princípio da verdade real adotada pelo processo administrativo, e cabe examinar se os documentos trazidos aos autos corroboram o argumento de defesa. As notas fiscais juntadas com as planilhas dão conta de que se trata de venda de propeno e estão às fls. 624/690, repetidas às fls. 810/876. A recorrente juntou a relação de notas cujo somatório total importa em R$ 21.228.178,34. Estou convencido de que se trata realmente de vendas de propeno e deve incidir alíquota geral sobre o valor de R$ 21.228.178,34, e não a alíquota de 11,84%. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso e dar provimento para afastar da base de cálculo o total das vendas efetivadas sobre liminares e aplicar alíquota geral sobre o montante de R$ 21.228.178,34. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.720137/200741 Acórdão n.º 3403003.654 S3C4T3 Fl. 865 11 É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 467DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO 12 Voto Vencedor Conselheiro Rosaldo Trevisan, redator designado, Cabe esclarecer inicialmente que, no que se refere às Notas Fiscais apresentadas em sede recursal (fls. 622 a 690, em total de R$ 21.228.178,34), a classificação fiscal apontada nos documentos efetivamente não se insere na restrição imposta pelo fisco. Mas isso não quer dizer que deva ser simplesmente excluído tal montante da base de cálculo, como acabou genericamente registrado no resultado do julgamento. O que deve é aplicarse a tais produtos (constantes das notas fiscais) a alíquota geral, e não a majorada (de acordo com o próprio pedido da recorrente fl. 590, e de acordo com a conclusão externada inequivocamente nos dois parágrafos finais do voto do relator). De qualquer modo, havendo dúvida por parte da unidade local em relação à extensão do provimento, cabíveis embargos de declaração em relação à decisão proferida por este colegiado. No entanto, redijo o presente voto para manifestar divergência em relação ao voto do relator no que se refere ao tratamento conferido às exclusões efetuadas com base em medidas liminares obtidas em processos judiciais. Tais medidas por certo não se revestem da definitividade que seria necessária à simples exclusão do crédito tributário (ao invés da suspensão, que é de caráter temporário), como já destacado pela instância de piso. Ademais, sequer há nos autos prova dos teores e dos andamentos de tais ações judiciais, o que impossibilita qualquer manifestação conclusiva sobre o tema. A própria recorrente não traz aos autos comprovação da existência e do alcance das ações, como destacou a DRJ. E em sede recursal endossa a recorrente que tais informações seriam de conhecimento da Fazenda, não havendo razão para juntálas. Há muitas peças repetidas por duas ou três vezes nos autos, mas nenhuma extraída de ação judicial, de modo a assegurar a certeza do provimento obtido, quer em sua extensão, ou mesmo em sua simples existência. Ausentes assim quaisquer permissivos para que houvesse exclusão dos montantes correspondentes a tais supostos provimentos jurisdicionais da base de cálculo da COFINS, seja pela carência probatória ou mesmo pelo emprego de exclusão (de caráter definitivo) em rubrica que comportaria tãosomente suspensão (de caráter temporário/provisório). Pelo exposto, divirjo do relator e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, no que se refere às exclusões da base de cálculo decorrentes de medidas liminares. Rosaldo Trevisan Fl. 468DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/06/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digit almente em 14/05/2015 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10283.006466/00-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jul 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3201-000.525
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar a resolução (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado para formalizar a resolução (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar a resolução (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOEL MIYAZAKI (Presidente), DANIEL MARIZ GUDINO, CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, WINDERLEY MORAIS PEREIRA e ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN Em cumprimento ao despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, eu, Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, transcrevo voto depositado e não formalizado, realizado pela 1ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção do CARF dado que a Relator, Conselheiro Daniel Mariz Gudino, não mais compõe o Colegiado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 06 46 6/ 00 -0 7 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/0007 Resolução nº 3201000.525 S3C2T1 Fl. 596 2 Tratase de recurso voluntário interposto por DPC DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE CONSUMO LTDA., doravante apenas Recorrente, em razão do Acórdão nº 017.121, de 06/11/2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (MG). Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da instância a quo, transcrevese abaixo o relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 03/10), lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo aos períodos de apuração de outubro de 1997 a agosto de 1998, exigindolhe o crédito tributário no valor de R$ 245.765,48 (cinco mil, cento e cinco reais e setenta e seis centavos), a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, calculados de acordo com a legislação de regência. 2. Referida exigência originouse da falta de recolhimento da Cofins, por ter havido compensação indevida do recolhimento a maior do Finsocial com as contribuições devidas de Cofins, ao desabrigo da Instrução Normativa SRF nº 32, de 1997. 3. Cientificada da exigência tributária em 19/06/2000, conforme fl. 03, a autuada ingressou em 07/07/2000 (fls. 115/120), com impugnação alegando, em síntese, que: a) os fundamentos jurídicos que sustentaram a compensação de créditos do Finsocial com a Cofins efetuada pela autuada são a decisão do STF no Recurso Extraordinário nº 150.7641 de 16/12/1992 e o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, que autoriza a compensação entre impostos e contribuições federais da mesma espécie; b) o aludido art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, não faz qualquer condicionamento à compensação, logo esta pode ser operada a qualquer tempo, constituindo um direito subjetivo do contribuinte a cujo exercício não pode a Fazenda Nacional se opor; c) aduz que a Instrução Normativa SRF nº 32, de 1997, convalidou o procedimento previsto na Lei nº 8.383, de 1991, como se a lei precisasse desse aval e, a contrário senso, segundo o entendimento do Fisco, a partir de abril de 1997 e sem que a lei tenha sido modificada, no sentido de que os contribuintes não mais podem fazer as compensações autorizadas pela legislação; d) por força da hierarquia legislativa, não pode uma Instrução Normativa se sobrepor à lei; e) alega que não existe dúvida sobre os recolhimentos feitos a maior e compensados, tanto que a fiscalização é explícita ao se referir no auto de infração ao recolhimento a maior do Finsocial. A instância a quo julgou improcedente a impugnação nos termos do já citado acórdão, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/08/1998 COMPENSAÇÃO. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/0007 Resolução nº 3201000.525 S3C2T1 Fl. 597 3 Não há como pretender efetuar a compensação de créditos tributários, quando não foram atendidas as exigências legais. Lançamento Procedente Inconformada com a manutenção do lançamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário tempestivamente, reiterando, em suma, os argumentos suscitados em sua defesa original. O processo foi distribuído e sorteado a este Conselheiro, seguindo o rito regimental. É o relatório. O atendimento aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, é o primeiro aspecto controverso do presente processo. Isso porque, conforme se depreende dos autos, houve citação editalícia e a Recorrente não interpôs o recurso no prazo legal. Por outro lado, a citação editalícia é um expediente que só pode ser legitimamente utilizado quando restarem frustradas a citação pessoal, postal ou eletrônica, nos termos do art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. No caso concreto, o meio eleito pela repartição de origem proceder à intimação foi o postal, e houve duas tentativas realizadas sem sucesso no endereço da Estrada João Alfredo, 50, Da Paz, Manaus/AM. O referido endereço é o que consta na inscrição da Recorrente no CNPJ desde 03/11/2005. Tal fato chama a atenção, tendo em vista que as correspondências enviadas datam de 01/12/2006 e 01/10/2007. Na primeira postagem, identificada pela sequência RB693881522BR, não consta nos autos o canhoto do aviso de recebimento, não sendo possível compreender o motivo do insucesso da intimação postal. Já na segunda postagem, identificada pela sequência RA592944635BR, o canhoto do aviso de recebimento indica como motivo do insucesso da intimação postal o “destinatário desconhecido”. Considerando que (i) a preclusão processual é algo bastante sério, uma vez que tolhe o direito de a Recorrente buscar a tutela administrativa para evitar a constituição definitiva do crédito tributário; (ii) a intimação editalícia somente é válida após a frustração da intimação via pessoal, postal ou eletrônica; e (iii) no caso concreto, pairam dúvidas acerca da regularidade das intimações postais realizadas, pelas razões já expostas, o presente julgamento deve ser convertido em diligência para que a repartição de origem e/ou a própria Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos: faça(m) constar nos autos o canhoto do aviso de recebimento da intimação identificada pela sequência RB693881522BR ou documento equivalente; esclareça(m) o motivo do lapso temporal de quase um ano entre a primeira e a segunda tentativas de intimação via postal. Concluída a diligência, a Recorrente deverá ser intimada para, querendo, manifestarse acerca do termo de conclusão de diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Em Fl. 597DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10283.006466/0007 Resolução nº 3201000.525 S3C2T1 Fl. 598 4 seguida, a Procuradoria da Fazenda Nacional deverá ser intimada para os mesmos fins no mesmo prazo. Após o decurso desses prazos, o processo deverá retornar para o CARF para que o julgamento seja retomado. Conselheiro Daniel Mariz Gudino Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado para a formalização da resolução Fl. 598DF CARF MF Impresso em 14/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/07/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900152/2009-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional.
Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
Numero da decisão: 3802-001.524
Decisão: (assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator).
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 Para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO.
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Nesse sentido, tendo em vista a ausência de prova e a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção, por unanimidade de votos, CONHECER do presente recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Régis Xavier Holanda (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 01 52 /2 00 9- 11 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Relatório Preliminarmente, ressalto que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 128), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ªa Turma da DRJ/BSB, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a qual objetivava o reconhecimento da validade/legitimidade do PERD/COMP, juntado aos autos, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2003 Diante da não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo, cabe à Fazenda Nacional efetuar a cobrança do débito informado na declaração de compensação, que constitui confissão de dívida, sem necessidade de formalizar notificação lançamento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão seguiuse nos seguintes termos: "A manifestação de inconformidade é tempestiva a atende aos requisitos de admissibilidade, cabendo dela tomar conhecimento A respeito da alegação da interessada, inicialmente oportuniza se esclarecer que o despacho denegatório da homologação de compensação não se trata de notificação de lançamento prevista no art. . 9º do Dec. nº. 70.235, de 1972. Isto porque não é necessário, na espécie, emitir instrumento de constituição do crédito tributário da Fazenda Nacional, eis que o débito declarado pelo sujeito passivo no PER/DCOMP constitui confissão de dívida, por força do disposto no art. 74, § 6º., da Lei nº. 9.430, de 1996, verbis: Art. 74 (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Em suma, não homologada a compensação, a Fazenda Nacional deve comunicar o fato ao interessado, identificando os motivos da recusa, e, na mesma oportunidade, proceder a cobrança do débito indevidamente compensado. Discordando o sujeito passivo dos motivos que levaram à recusa da compensação, pode expressar sua irresignação em manifestação de inconformidade, no prazo de trinta dias, como lhe é assegurado pelo mesmo art. 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, com os parágrafos incluídos pela Leinº. 10.833, de 2003, a seguir reproduzidos: Art. 74 (...). § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não Fl. 130DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10166.900152/200911 Acórdão n.º 3802001.524 S3TE02 Fl. 130 3 homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. Não há portanto, que se falar em tolhimento do direito de defesa, muito menos em nulidade. Apenas para ressaltar, no caso concreto a compensação não foi homologada por inexistência do crédito utilizado PER/DCOMP transmitido pela interessada, a qual poderia, em sua petição, se assim entendesse, diante do fato esclarecido pelo Fisco, trazer aos autos argumentos e provas que pudessem deixar patente a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos: (i) que retificou a DCTF originária nos termos do que dispõe o artigo 11 da Instrução Normativa da RFB nº 903/2008, (ii) que a Constituição Federal assegura o princípio do devido processo legal e, por via de conseqüência, as decisões administrativas devem se revestir dos valores nele inerentes para ter validade e eficácia e (iii) que, no presente caso, não foram observados os princípios da ampla defesa e do contraditório. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 128), uma vez que o conselheiro relator Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Admissibilidade do recurso Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal. Mérito Dá análise dos autos podemos extrair que, conforme Despacho Decisório reproduzido à fl. 07, emitido eletronicamente em 18/02/2009, a autoridade competente não homologou a compensação efetuada pela contribuinte acima identificada por meio do PER/DCOMP nº25160.25890.1.3.047773, transmitido em 20/07/2005, tendo em vista que não Fl. 131DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 foi confirmado o crédito utilizado, no valor original de R$ 15.241,53, atribuído a pagamento a maior relativo ao período de apuração de 28/02/2003, efetuado através de DARF no importe de R$ 45.014,69, recolhido em 14/03/2003, sob o código de receita 8109 (PIS), cujo valor foi utilizado para extinguir débito equivalente confessado em DCTF. De início, ressaltamos que os valores declarados em DCTF, a teor do que dispõe o Decretolei 2.124 de 1984, em seu artigo 5º, § 1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil para a exigência do crédito tributário, bem como o artigo 74, § 6º da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Portanto, salvo melhor juízo, não dúvida que a dívida foi confessada. Em ato contínuo, temos que o processo administrativo é formalizado, dentre outros fins, com o objetivo de espelhar com clareza o conteúdo nele contido para garantir a segurança jurídica nos conflitos existentes entre o administrado e administração, já que é instrumento que decorre do dever do Estado de cumprir a lei. Nesse sentido, o processo administrativo é cercado de regras que compõem o procedimento. Portanto, conforme acima exposto, de pronto, podemos chegar a algumas conclusões: (i) sem definição das etapas por lei própria, o processo perde sua nitidez e transparência, de modo a tornar difícil ao contribuinte identificar suas possibilidades de participação na marcha processual administrativa, deixando de exercer seus direitos assegurados, (ii) sem comunicação dos atos processuais, o contribuinte não poderá conhecer ou exercer seu direito de defesa. Aqui estamos diante tanto do direito de saber qual é a exigência tributária quanto aos fundamentos aos quais motivaram tal exigência e (iii) não existindo medidas que permitam ao contribuinte contestar o feito, inviabilizado estará o exercício da confrontação dos elementos de prova dos argumentos apresentados pelas partes na relação jurídica instaurada. Estabelecidas as premissas acima, passemos para análise da lide administrativa que se resume em duas partes: (i) aplicação dos princípios da ampla defesa, contraditório e devido processo legal e (ii) possibilidade de provas em fase recursal. No que concerne à alegação da não aplicação dos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo legal, esta deve ser rechaçada de plano porquanto a recorrente foi intimada de todas as etapas processuais, inclusive tomando ciência do teor e fundamentos dos atos da Administração. Tudo nos moldes da norma de regência: Decreto 70.235/72. Outrossim, da leitura das peças processuais, denotamos a participação efetiva da contribuinte na estrada processual administrativa na busca do reconhecimento do alegado direito ao crédito. No que diz respeito à apresentação de prova em grau de recurso, art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe: Art. 16. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 132DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10166.900152/200911 Acórdão n.º 3802001.524 S3TE02 Fl. 131 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Entendemos que o caso em exame não se ajusta a nenhuma das hipóteses de exceção acima descritas. A prova, com efeito, poderia e deveria ter sido feita de imediato, já que, consoante amplamente destacado no curso do processo, a não homologação estava assentada na não comprovação do crédito. Ou seja: matéria exclusivamente de prova. Sobre o tema, sempre é bom lembrar, que o artigo 170 do Código Tributário Nacional determina expressamente que, para que seja possível a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz a comprovação da existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Frisamos: o comando legal, portanto, fixou pressupostos nucleares para a efetivação da compensação de créditos tributários. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp nº 111.034/AL – REsp nº 76.230/PE, REsp. nº 78.493 e REsp. nº 98.197/RS. Por outro lado, apenas em sentido de alerta, admitida a juntada da prova em segunda instância, esta deveria ser apreciada e, caso demonstrada de plano a existência do direito creditório, seria determinada sua compensação, uma vez que, por força do princípio da verdade material, a Fazenda Pública tem o dever de tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade. Conclusão De modo que, dada a ausência de provas no sentido de comprovação da liquidez e certeza do direito ao crédito, somada a ocorrência da preclusão temporal, não há como reconhecer o pleito da recorrente. Posto isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 16/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10932.000088/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, não afastando a competência legal do auditor fiscal para efetuar os devidos lançamentos nos termos do que dispõe o artigo 142 do CTN. Eventual irregularidade com relação ao mandado de procedimento fiscal não provoca nulidade do lançamento.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos casos em que o auto de infração é lavrado por autoridade competente, o relatório fiscal é claro quanto aos procedimentos adotados e há a indicação do fundamento legal de cada tributo lançado, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa. Se o auto de infração atacado preenche todos os requisitos legais previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em vício no ato administrativo de lançamento tributário previsto no artigo 142 do CTN.
INDEFERIMENTO PROVA PERICIAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É faculdade da autoridade julgadora indeferir o pedido de prova pericial quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador, de modo que apenas se falará na necessidade da prova pericial quando houver dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. De acordo com a súmula 2 do CARF, este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DECORRENTE DE SALDOS CREDORES DE CAIXA. Considera-se omissão no registro de receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, nos casos em que o contribuinte, devidamente intimado, deixa de provar a improcedência da presunção.
MULTA DE OFICIO AGRAVADA. CABIMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício nos casos em que o contribuinte deixa de atender às intimações e reintimações para apresentação de arquivos magnéticos solicitados pela SRF.
Numero da decisão: 1201-001.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - PRESIDENTE
(documento assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, não afastando a competência legal do auditor fiscal para efetuar os devidos lançamentos nos termos do que dispõe o artigo 142 do CTN. Eventual irregularidade com relação ao mandado de procedimento fiscal não provoca nulidade do lançamento. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Nos casos em que o auto de infração é lavrado por autoridade competente, o relatório fiscal é claro quanto aos procedimentos adotados e há a indicação do fundamento legal de cada tributo lançado, não há que se falar em nulidade ou cerceamento de defesa. Se o auto de infração atacado preenche todos os requisitos legais previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em vício no ato administrativo de lançamento tributário previsto no artigo 142 do CTN. INDEFERIMENTO PROVA PERICIAL. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É faculdade da autoridade julgadora indeferir o pedido de prova pericial quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador, de modo que apenas se falará na necessidade da prova pericial quando houver dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. De acordo com a súmula 2 do CARF, este órgão não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA DECORRENTE DE “SALDOS CREDORES DE CAIXA”. Considerase omissão no registro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 88 /2 01 0- 82 Fl. 5239DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 2 receita a indicação na escrituração de saldo credor de caixa, nos casos em que o contribuinte, devidamente intimado, deixa de provar a improcedência da presunção. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. CABIMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício nos casos em que o contribuinte deixa de atender às intimações e reintimações para apresentação de arquivos magnéticos solicitados pela SRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO PRESIDENTE (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Lima Junior (Vice Presidente) e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de autos de infração relativos ao Imposto de Renda sobre as Pessoas Jurídicas — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, contribuição ao PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS reflexos lavrados em 10/03/2010, referentes aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, contra a contribuinte em epígrafe, constituindose o crédito tributário total de R$ 18.536.728,70, abrangendo o principal do débito, multa de ofício agravada e juros de mora, estes calculados até fevereiro/2010. Segundo a fundamentação constante dos Autos de Infração a fiscalização apurou omissão de receitas decorrente de falta de comprovação da origem dos saldos credores de caixa e a escrituração de serviços prestados a terceiros contabilizados como custos, deduzidos da base de cálculo de apuração do IRPJ e que foram glosados pela fiscalização em razão da falta de comprovação. A Fiscalização consignou ainda nos autos que em razão da falta de atendimento da contribuinte às intimações fiscais para apresentação dos arquivos digitais agravou a multa de ofício aplicada. Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 18/03/2010, conforme AR de fls. 183, a contribuinte, interpôs, em 16/04/2010, impugnação de fls. 191/230, Fl. 5240DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10932.000088/201082 Acórdão n.º 1201001.191 S1C2T1 Fl. 5.240 3 acompanhada dos documentos de fls. 231/383 e 386/516, além daqueles constantes dos 28 (vinte e oito) volumes anexos, expondo, em sua defesa, as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: 1) como preliminar, alegou nulidade dos autos de infração, tendo em vista que o artigo 249, I e II, do RIR/99, que deu base à autuação do IRPJ, é norma genérica impossível de sustentar o lançamento, além de não apresentar descrição correta da infração, ofendendo o artigo 10, do PAF, e o direito de defesa da autuada; 2) destacou, ainda, que, na comprovação de infração tributária, a legislação aplicável é aquela vigente ao tempo de ocorrência do fato gerador; 3) fez extenso arrazoado sobre o MPF — Mandado de Procedimento Fiscal, citou vários dispositivos legais aplicáveis à competência da autoridade fiscal e contestou os lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL, que não estariam previstos no documento, que autorizou apenas a fiscalização do IRPJ; 4) no mérito fez considerações acerca da base de cálculo do imposto, disse que é optante pela tributação pelo lucro real, obtido a partir do lucro líquido do exercício, com adições e exclusões prescritas ou autorizadas pelo regulamento, e afirmou que "No caso ora discutido, a fiscalização resolveu pela glosa integral de determinadas rubricas da contribuinte, transformando assim, um imposto calculável sobre o lucro real (acréscimo patrimonial efetivamente verificado) em um imposto calculado praticamente sobre a boa parte da receita bruta o que, à evidência, é totalmente inadmissível. "; 5) analisou o conceito de lucro líquido, definiu custos e despesas e afirmou que o lançamento tributário, com fulcro no artigo 249, I e II, do RIR/99, não encontra respaldo nos fatos, considerando trataremse comprovadamente de valores dedutíveis, quando da apuração do lucro líquido, conforme notas fiscais e demais documentos comprobatórios, que anexa ao processo; 6) no presente caso, os lançamentos foram efetivados com fundamento em meras presunções, não respaldados em provas verdadeiras e concretas, e derivados da impossibilidade de entrega da documentação, em tempo hábil,' devido ao exíguo prazo concedido pelo agente fiscal, com evidências de escoamento iminente do prazo para constituição dos créditos tributários; 7) alegou que, nos casos da espécie, deveria a fiscalização optar pelo lançamento por arbitramento, constatadas irregularidades capazes de tornar imprestável a escrituração contábil da empresa; 8) em relação ao lançamento de "saldos credores de caixa", informou que adota o sistema de caixa flutuante, em que a rubrica "Caixa" abriga recebimentos e pagamentos em dinheiro, valores relativos a vales, adiantamentos para despesas diversas, cheques recebidos a depositar, valores pendentes, entre outros; 9) trouxe à colação os artigos 41 e 43, da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, bem como artigo 281, do RIR/1994, para levantar a possibilidade de ocorrência de erros na movimentação contábil da empresa, entre os quais se poderiam citar como os mais comuns: "valores lançados a maior ou a menor " "troca de contas Fl. 5241DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 4 ", "inversão de contas ", "lançamento em duplicidade ", "omissão de lançamento ", entre outros"; 10) citou as formas de correção dos equívocos contábeis, concluindo que o fato de a escrituração indicar saldo credor de caixa não autoriza a presunção absoluta de omissão no registro de receita; 11) disse que os laudos técnicos e periciais comprovariam a nãoexistência de omissão de receitas, nos registros contábeis e fiscais, de maneira a não restar plenamente provada a falta de idoneidade da empresa; 12) alegou que, em função de suas múltiplas relações jurídicas e bancárias com outras pessoas jurídicas, realiza muitas operações por meio da conta caixa, ocasionando variações positivas durante o dia ou determinados períodos, as, quais, se examinadas em conjunto, que não foi feito pela fiscalização, levariam à constatação de que nenhuma receita foi omitida; 13) esclareceu que os pagamentos que "estouraram" a conta caixa provierem da conta bancos, corrigidos posteriormente, evidenciando não ter havido omissão de receitas; 14) fez alusão aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL, para dizer que, por terem origem em matéria fática apurada na exigência principal, devem seguir a mesma sorte do imposto de renda pessoa jurídica, que deverá ser a de insubsistência do crédito tributário; 15) afirmou que manter a autuação à base de presunções, sem provas e à margem da documentação ora acostada ao processo, constituiria clara violação dos mecanismos de defesa dos contribuintes, em total afronta aos princípios que devem nortear o lançamento tributário, discorrendo sobre todos eles: a) princípio da justiça; b) segurança jurídica; C) ampla defesa e devido processo legal; d) legalidade tributária; C) isonomia tributária; f) capacidade contributiva; g) nãoconfisco. 16) aduziu que os fatos narrados pelo agente fiscal são erros praticados durante o procedimento contábil da empresa, solucionados posteriormente, o que caracterizaria apenas descumprimento de obrigação acessória, passível apenas de multa e não de lançamento de impostos; 17) abordou a questão da multa de ofício, para dizer que se aplica apenas sobre a parcela de falta ou insuficiência de recolhimento do tributo sob exame, o que não ocorreu no presente caso, pois sequer nasceu a obrigação tributária, relativa a imposto de renda incidente sobre custos e/ou despesas, além de ter restado insubsistente a presunção de existência de saldo credor de caixa; Fl. 5242DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10932.000088/201082 Acórdão n.º 1201001.191 S1C2T1 Fl. 5.241 5 18) protestou pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos, inclusive posterior juntada de novos documentos, imprescindíveis ao deslinde da demanda, citando jurisprudência; 19) pleiteou pela a realização de perícia contábil, especialmente em relação à omissão de receitas, presumidas ante a existência de "saldo de caixa positivo ", nomeando o perito e discriminando os quesitos a serem elucidados; A DRJ ao analisar a impugnação apresentada pela contribuinte entendeu por bem em negarlhe provimento, mantendo “in totum” o lançamento tributário, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CABIMENTO. Rejeitase a nulidade, por constituir o MPF elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade do lançamento, quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do crédito tributário, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 5243DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 6 Anocalendário: 2005, 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS E/OU CUSTOS. A legislação exige que a despesa e/ou custo operacional sejam comprovados por documentos de idoneidade indiscutível, quer quanto à forma, quer quanto à origem, que permitam concluir pela sua estrita pertinência e conexão com a atividade explorada e com a manutenção da respectiva fonte de receita, além da efetividade e certeza dos dispêndios, amparando operações comerciais autênticas. OMISSÃO DE RECEITAS SALDO CREDOR DE CAIXA. A existência de sucessivos saldos credores da conta caixa na contabilidade da empresa constitui presunção legal de omissão de receitas. Verificado o saldo credor da conta Caixa em diversos momentos do períodobase, computase o maior saldo credor do período como valor da receita omitida para fins de determinação do lucro real. INCONSTITUCIONALIDADE.INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas, estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada em relação ao auto principal constitui prejulgado na decisão dos processos decorrentes. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” A contribuinte ao tomar ciência do acórdão da DRJ que julgou improcedente a sua manifestação de inconformidade interpôs o competente Recurso Voluntário a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, repisando os argumentos já deduzidos na impugnação e inovando nos seguintes: A nulidade do julgamento de 1ª instância sob o fundamento de que a DRJ desconsiderou a prova documental produzida pela Recorrente, dispensando uma análise superficial aos documentos acostados, sob mera presunção de inidoneidade, o que vicia o v. acórdão. Fato que foi agravado com o indeferimento da realização da prova pericial requerida, uma vez que no caso não estavam presentes circunstancias restritivas e taxativas de laicidade (não se tratar de questão que exija conhecimento técnico), prescindibilidade (outras provas no processo que por si só já se mostram suficientes) ou inexequibilidade (a perícia é inexecutável sob o ponto de vista técnico), pois ao assim agir a Administração cerceou a produção de provas pelo contribuinte, possibilitando a demonstração real dos fatos. Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10932.000088/201082 Acórdão n.º 1201001.191 S1C2T1 Fl. 5.242 7 Aduz que o acórdão recorrido foi equivocado, pois a Recorrente juntou à sua Impugnação, oportunamente, planilha explicativa (mediante impressão de arquivo digital Microsiga) especificando todos os pagamentos realizados dia a dia, inclusive para terceiros. Aduz ainda que essa afirmação contida no v. acórdão recorrido só evidencia que a documentação juntada pela Recorrente, não foi apropriadamente verificada, implicando em efetivo prejuízo ao contribuinte, além de configurar cerceamento de defesa (indeferimento de perícia) e negativa de prestação jurisdicional (inteligência do artigo 458 do CPC). Requer por fim, a nulidade do auto de infração, a nulidade do julgamento de primeira instância e no mérito o provimento do presente Recurso Voluntário para cancelar o lançamento fiscal ora combatido. É o Relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Por ser tempestivo tomo conhecimento do Recurso Voluntário. Conforme se depreende dos fatos a fiscalização apurou omissão de receitas decorrente de falta de comprovação da origem dos saldos credores de caixa, bem como efetuou a glosa de custos indevidamente deduzidos do IRPJ decorrentes de serviços prestados a terceiros contabilizados como custos referentes aos anos calendários de 2005, 2006 e 2007 lavrando os autos de infração de IPRJ, CSLL, PIS e COFINS reflexos. A Recorrente apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Devidamente intimada sobre o acórdão proferido pela DRJ a Recorrente interpôs Recurso Voluntário a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais repisando os argumentos da sua impugnação e inovando no que tange à nulidade do acórdão proferido pela DRJ sob o fundamento de que desconsiderou as provas juntadas e indeferiu a realização da prova pericial requerida, cerceando o direito de defesa da Recorrente. Pois bem, para facilitar a intelecção proponho a análise das irregularidades suscitadas pela Recorrente pela ordem dos fatos. Assim, quanto a alegação de que a fiscalização dos reflexos é nula pois não estava prevista no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.19.00.2009.00810.5 entendo que não assiste razão à Recorrente. Neste caso o MPF autorizava expressamente a fiscalização a praticar todos os atos necessários para a realização da fiscalização, conforme se depreende do trecho a seguir transcrito: “Determino, nos termos da Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007, a execução do procedimento fiscal definido pelo presente Mandado, que será realizado pelo(s) Auditor(es}Fiscal(is) da Receita Federal do Brasil (AFRFB) acima identificado(s), que está(ão) Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 8 autorizado(s) a praticar, isolada ou conjuntamente, todos os atos necessários a sua realização. Outrossim, o Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, não afastando a competência legal do Auditor Fiscal para efetuar os devidos lançamentos nos termos do que dispõe o artigo 142 do CTN, sendo esse tema já exaustivamente examinado por este Conselho, como se depreende do julgado a seguir: “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. CAUSA DE NULIDADE. A Portaria SRF nº 3.007/2002 é mero ato infralegal destinado à administração de recursos humanos da Secretaria da Receita Federal, não se confundindo, por conseguinte, com norma atributiva de competência. A doutrina é sólida na afirmação de que somente a lei pode definir o círculo de atribuições dos órgãos e dos agentes públicos, vedandose ao administrador a imposição de restrições ou mesmo a ampliação dos poderes deveres conferidos pelo legislador. Tampouco a citada Portaria possui natureza procedimental, pois, como é cediço, o procedimento de fiscalização se curva ao Decreto nº 70.235/72, que tem status de lei e vigência preservada por norma legal superveniente, nos termos do artigo 69 da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, o Poder Legislativo cuidou sozinho de estabelecer as normas do processo administrativo, sem autorizar o Executivo a imiscuirse nessa função. Portanto, seja no tocante à competência administrativa, seja no tocante à execução do procedimento em si, não se vislumbra, na espécie, a degradação do grau hierárquico da norma, presente quando a lei, para descongestionar o órgão legislativo, sem regulamentar a matéria, rebaixa formalmente o seu grau normativo, remetendo a normação dessa mesma matéria ao Poder Executivo. (...)” Ementa do acórdão 10322060, referendado pelo acórdão 910100.428 CSRF, sessão de 03 de outubro de 2009. Dessa feita, eventual irregularidade existente com relação ao Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, que como cediço decorre de lei. Em relação à aventada nulidade dos autos de infração, sob o fundamento de não apresentar a descrição correta da infração, além de que o artigo 249, I e II, do RIR/99, é norma genérica impossível de sustentar o lançamento que deu base à autuação do IRPJ, ofendendo o artigo 10 do PAF e o direito de defesa da autuada, entendo que o acórdão da DRJ, que julgou improcedente as alegações da Recorrente não merece reparos. Basta uma simples análise dos autos de infração ora guerreados para se constatar que estes foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal, autoridade competente, que o relatório fiscal explanou com bastante clareza os procedimentos adotados e, a infração apurada, com elaboração de demonstrativos contendo todos os valores envolvidos e a indicação do fundamento legal de cada tributo lançado. Logo, os autos de infração atacados preenchem todos os requisitos legais previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 e, consequentemente, não há vício no ato administrativo de lançamento tributário previsto no artigo 142 do CTN. Quanto às afirmações da Recorrente de que os autos de infração são nulos por falta de fundamentação específica, pois foram fundamentados em legislação genérica o que Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10932.000088/201082 Acórdão n.º 1201001.191 S1C2T1 Fl. 5.243 9 cerceou o direito de defesa, tenho comigo que não assiste razão a Recorrente. O artigo 249 do RIR/99 é cristalino em sua redação ao dispor que os custos e despesas indedutíveis devem ser adicionados ao lucro líquido, conforme abaixo: "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6° § 2º): I — os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; (...)” Pelo que se depreende do artigo acima transcrito temos que se a despesa e/ou custo não for comprovado pelo contribuinte não pode ser deduzido na determinação do lucro real, devendo, pois, ser adicionada ao lucro líquido do exercício, para apuração do lucro real. No caso em voga as deduções efetuadas a título de “custos”/ “despesas” foram indevidas, portanto, foram adicionadas ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real tributável dos anos calendários de 2005, 2006 e 2007. Os fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal se enquadram perfeitamente na hipótese legal acima descrita, permitindo ao Recorrente o pleno exercício do direito de defesa. No que tange à omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldos credores de caixa, o artigo 281, inciso I, apontado no auto de infração, regula a matéria, nos seguintes termos: "Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 2° e Lei n° 9.430, de 1996, art. 40); I — a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; Diante do disposto no inciso I do artigo 281 do RIR/99 a escrituração de saldo credor de caixa caracteriza infração de omissão no registro de receita, cabendo ao contribuinte desconstituir a presunção. Como se vê, a caracterização das infrações apuradas foi corretamente indicada no auto de infração do imposto de renda pessoa jurídica, sendo improcedentes as alegações da contribuinte quanto a essa questão. No que pertine a alegação de que a Recorrente não foi intimada do teor dos autos de infração, esta alegação não procede, posto que a notificação é feita mediante entrega dos autos de infração o que neste caso se deu pelo correio conforme comprova o AR juntado aos autos. Além disso, no caso em debate a fiscalização teve o zelo de antes da lavratura dos autos dar ciência à Recorrente do Termo de Verificação Fiscal de fls. 131/134, que contém a descrição de todos os fatos apurados e que serviu de base para a lavratura dos autos de infração. Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 10 Ainda, cumpre notar que não se verifica nestes autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, verbis: "Art. 59. São nulos; I — os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Quanto a alegação de nulidade do acórdão proferido pela DRJ pois desconsiderou a documentação juntada, em que pese a Recorrente tenha juntado planilha e 5.000 notas que correspondem a 28 volumes, estas provas não são aptas a ilidir a presunção legal de omissão de receitas apurada pela fiscalização, tendo em vista que não estão correlacionadas a escrituração fiscal da Recorrente. Explico: É inquestionável o fato de que a Recorrente teve despesa no período fiscalizado, tanto é que a fiscalização considerou 46% das despesas originalmente declaradas, glosando exatamente a diferença que a Recorrente não conseguiu comprovar. As provas que a Recorrente junta aos autos só ratificam esses fatos que já foram apurados pela fiscalização, mas não traz nenhum fato novo capaz de ilidir a presunção. Para tanto seria necessário que a Recorrente fizesse a correlação dos documentos juntados à sua escrita fiscal de modo a permitir a aferição da conta e dos valores dessas despesas na sua escrituração, o que não ocorreu. Ademais, cumpre ressaltar que pelo que se depreende das fls. 180, Termo de Encerramento Fiscal todos os livros fiscais utilizados pela fiscalização foram devolvidos à Recorrente. De modo que se, por acaso, algum documento não tivesse sido devolvido à Recorrente bastava ela comparecer a DRF que jurisdiciona o seu domicilio e solicitar a devolução por escrito dessa documentação, até para embasar suas alegações, o que não ocorreu. Em relação a alegação da Recorrente de que o acórdão da DRJ é nulo pois indeferiu a realização da prova pericial entendo que melhor sorte não assiste à Recorrente. Isso porque a matéria em questão era matéria passível de prova material. A prova pericial é subsídio à formação da convicção do julgador, e visa aprofundar as questões referentes às provas e aos elementos constantes nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação legal. O art. 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, faculta à autoridade julgadora indeferir o pedido de prova pericial quando considerar que a sua produção é prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador, de modo que apenas se falará na necessidade da prova Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10932.000088/201082 Acórdão n.º 1201001.191 S1C2T1 Fl. 5.244 11 pericial quando houver dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador. Ainda, convém ressaltar que o pedido de perícia pode ser considerado descabido quando os elementos necessários à comprovação das deduções da base de cálculo são provas documentais, as quais o contribuinte deixou de apresentar, ou apresentou de forma insatisfatória aos anseios da fiscalização, como no caso em análise. A responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte, não cabendo a determinação de diligência ou perícia para a busca de provas. No caso, a autoridade julgadora de Primeira Instância indeferiu o pedido de perícia pois entendeu que bastava ao contribuinte ter apresentado a demonstração do valor dos custos glosados devidamente escriturados nos livros fiscais obrigatórios para que restasse ilidida a acusação. O Julgador entendeu que a apresentação dos documentos fiscais solicitados pela fiscalização eram suficientes para a formação da sua convicção. Assim, entendo ser incabível o deferimento de perícia para busca de documentos que já foram apresentados pela Recorrente e que foram suficientes para firmar o convencimento da Primeira Instância, e que são suficientes para formar o deste Relator. No que tange às alegações da Recorrente de inconstitucionalidades cumpre consignar que este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para declarar inconstitucionalidade de lei nem deixar de aplicar texto de lei em vigor, conforme se depreende da súmula a seguir: “SÚMULAS CONSOLIDADAS Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Quanto as alegações de mérito da Recorrente, analisando a infração omissão de receita decorrente de “saldos credores de caixa”, tratase de uma presunção legal, conforme já citado acima. No caso em tela a fiscalização investigou a conta “caixa” escriturada no Livro Razão da Recorrente nos anos calendários de 2005, 2006 e 2007, constatando a existência de saldos credores. A fiscalização intimou então a Recorrente a explicar a origem desses saldos credores escriturados na conta “caixa”, dando a oportunidade ao contribuinte de comprovar a origem e ilidir a presunção legal de omissão de receitas. A Recorrente não explicou a origem dos saldos credores, limitouse a informar que a conta “Caixa” é escriturada pelo sistema flutuante, em que constariam outros valores, como “Bancos” além daqueles relativos a valores a espécie, sem, contudo, comprovar suas alegações, como por exemplo com a juntada dos extratos das contascorrentes, como muito bem salientado pela DRJ. Diante da falta de juntada de provas pela Recorrente aptas a ilidir a acusação, entendo que foi acertada a decisão da DRJ, tendo em vista o disposto no inciso I do artigo 281 do RIR/99. No que se refere às alegações da Recorrente em relação à glosa dos custos relativos a Serviços Prestados por Terceiros, cumpre consignar que a Recorrente foi intimada a Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R 12 comprovar a regularidade dessas deduções da apuração do IRPJ, tendo em vista que os conceitos próprios e as condições objetivas dos custos e despesas dedutíveis da apuração do lucro real estão determinados em legislação própria. Isso porque apesar de intimada a Recorrente não comprovou a origem das prestações dos serviços realizados e deduzidos da apuração do IRPJ. Assim, a fiscalização adicionou os custos não comprovados e indevidamente deduzidos ao lucro líquido para apuração do lucro real tributável, recompondo a base de cálculo do IRPJ. Importante se faz esclarecer que os custos não foram glosados na sua integralidade, apenas os custos não comprovados no valor de R$ 17.672.339,17 em contraposição ao valor declarado de R$ 32.230.374,46, de modo que não procede a alegação da Recorrente de que os custos foram glosados na sua integralidade o que levaria a necessidade de se apurar o imposto pelo regime do lucro arbitrado, tendo em vista que isso equivaleria a considerar imprestável a contabilidade da empresa, o que não ocorreu. Quanto à insurgência da Recorrente em relação a multa de ofício, cumpre esclarecer que foi ela aplicada nos termos do artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96, tendo sido agravada em razão da falta de atendimento da Recorrente às intimações e reintimações fiscais para apresentação dos arquivos digitais solicitados pela SRF. Entendo que o acórdão da DRJ foi acertado, pois pelo que se depreende dos autos a Recorrente não atendeu intimação para entrega de documento específico, conforme se depreende do inciso III do § 2º do artigo 44 a seguir transcrito: “(...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)” Por sua vez o artigo 38 dispõe que: “Arquivos Magnéticos Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada.” Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R Processo nº 10932.000088/201082 Acórdão n.º 1201001.191 S1C2T1 Fl. 5.245 13 Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 5/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIO R
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Numero do processo: 15540.720338/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 40 .7 20 33 8/ 20 12 -9 3 Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Analisando sumariamente as questões aduzidas nos presentes autos, verificase que, na essência, discutese aqui a (in)validade da atuação da contribuinte, seus gestores e diversas outras pessoas físicas, em torno da suposta comercialização de um software denominado X_LYNX , adquirido (supostamente) da empresa Admaster Serviços Ltda, e, ulteriormente, utilizado na constituição de outro software alienado à empresa Construções e Comércio Camargo Correa S/A. A esquematização fática pode ser compreendida a partir das seguintes considerações extraídas do relatório fornecido pela r. decisão de primeira instância: Trata o processo de auto de infração lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, DRF/RIO DE JANEIRO I, exigindo da Interessada, acima identificada, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, (IRPJ), e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, (CSLL), nos valores de R$2.432.755,33 e R$884.431,92, ambos com multa de 150% e juros. A descrição dos fatos no auto de infração informa que: foi constatado que, para o anocalendário de 2007, a Interessada informou um custo anual de R$12.198.396,56; segundo a demonstração do resultado do exercício, no anocalendário de 2007, a Interessada abateu do Lucro Líquido, o montante de R$12.198.396,56, a título de Custos de Atividades Operacionais, incluindose neste saldo, o custo relativo à suposta aquisição de um software denominado X_LYNX, com valor total, no ano calendário de 2007, de R$10.024.957,00, que teria adquirido da pessoa jurídica Admaster Serviços Ltda, inexistente de fato (de "fachada"); a operação não foi comprovada através de documentação idônea, caracterizando, assim, infração à legislação tributária relacionada com glosa de despesas não comprovadas; a multa foi agravada em função de ter sido verificado que estas empresas juntamente com a Surpark SA, formalizada no Uruguai, também inexistente de fato (de "fachada"), simularam a realização de negócio jurídico relacionado com operações comerciais fictícias, envolvendo a suposta aquisição de milhares de cópias de um único suposto software denominado X LYNX; após diversas oportunidades, mediante intimações fiscais, as mencionadas pessoas jurídicas não comprovaram a efetividade das Cláusulas do Contrato Internacional de Autorização para Comercialização do software X_LYNX, firmado entre a Surpark S/A e a Admaster Serviços Ltda e do Contrato de Revenda do software X_LYNX firmado entre a Admaster Serviços Ltda e a Interessada, bem como não comprovaram a efetiva existência do suposto software X_LYNX, e, em relação apenas à Interessada, não foi comprovada a efetiva utilização do suposto software X_LYNX dentro do sistema SINTEL, fato que evidenciou que o suposto fluxo de mercadorias, (software XLYNX) não ocorreu de fato; Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 4 3 a Admaster Serviços Ltda emitiu para a Interessada, diversas notas fiscais inidôneas (frias), de fornecimento fictício de milhares de cópias do suposto software XLYNX; mediante apresentação dos extratos bancários, a Interessada comprovou a efetiva saída dos recursos, e, conseqüentemente, o efetivo pagamento das referidas notas fiscais frias à Admaster Serviços Ltda, pela suposta aquisição do suposto software X_LYNX; a pessoa jurídica Construções e Comércio Camargo Correa S/A pagou à Interessada pela aquisição do Sistema de Inteligência competitiva SINTEL; a Interessada alegou que inseriu o suposto software X_LYNX no SINTEL, constando tal informação apenas nas notas fiscais de sua emissão; a Interessada não comprovou a efetiva utilização do software X_LYNX dentro do sistema SINTEL, inclusive informou que não possui cópia dos referidos programas (SINTEL e X_LYNX), bem como não se lembra quem foi a pessoa física responsável pela criação do Sistema SINTEL; do exame do contrato de fornecimento de sistema de inteligência competitiva, gestão de negócios e outras avenças SINTEL, firmado entre a Interessada e a Camargo Correa, constatouse que o Sistema SINTEL é baseado no software básico EYEBOT; nas especificações técnicas do SINTEL, constantes do Anexo 1 do referido Contrato, bem como nos Termos Aditivos firmados, não há nenhuma menção ao suposto software X_LYNX; após exame em toda documentação apresentada pela Interessada e pela Camargo Correa, em especial o Contrato de Fornecimento, Instalação, Licenciamento e Treinamento do Sistema SINTEL, restou evidenciado não haver comprovação da efetiva utilização do suposto software X_LYNX dentro do SISTEMA SINTEL, tornandose assim, mais uma prova da não existência do suposto software XLYNX; assim, os custos/despesas contabilizadas com os respectivos pagamentos realizados pela Interessada à Admaster não tiveram a sua causa ou operação comprovada através de documentação idônea, caracterizando, assim, infração à legislação tributária relacionada com despesa não comprovada (operação não comprovada), estando os respectivos valores registrados na tabela de fls.05/06. Consta no Termo de Constatação Fiscal de fls.07/156, que: a Admaster e a Surpark são empresas “de fachada”, inexistentes de fato, possuindo interpostas pessoas como sócio, representante e procurador, em que o sócio de fato das duas empresas foi identificado como sendo o Sr.Jadair Fernandes de Almeida, que era o "Operador" do esquema; a Surpark possui interpostas pessoas como representante perante a Receita Federal do Brasil RFB (Sr. Roberto Fernandes), e como procurador (Sr. Jorge Luiz Porto Motta), sendo que, o representante com poderes de proprietário (Sr. Jadair Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 5 4 Fernandes de Almeida) esclareceu por escrito que não participou da suposta operação comercial; contudo, comprovouse que as empresas foram utilizadas pelo Sr.Jadair para fraudar o Fisco (suprimir impostos e contribuições) e o Banco Central (remessa irregular de recursos ao exterior), visando, única e exclusivamente, beneficiar a Interessada; o Sr.Roberto Fernandes, responsável da Surpark perante a Receita Federal do Brasil, declarou que, durante o anocalendário de 2008, ao saber que seu nome constava no cadastro da Receita Federal do Brasil como responsável pela Surpark, entrou em contato telefônico diversas vezes com o Sr.Jadair Fernandes de Almeida, visando retirar seu nome do cadastro, sendo que, o Sr. Jadair informou que iria retirar o seu nome do cadastro em substituição de uma pessoa chamada Jorge, fato que não ocorreu; tal informação levou a Fiscalização a concluir que, no anocalendário de 2008, ocultado pelo Sr.Jorge Luiz Porto Motta, o Sr. Jadair ainda estava no comando da Surpark; todos os recursos que ingressaram na conta bancária da Admaster originaramse da conta bancária da Interessada, bem como todas as notas fiscais emitidas pela Admaster tiveram como tomador dos supostos serviços a Interessada; o objetivo primordial da Admaster foi criar documentos eivados de falsidade ideológica (notas fiscais frias, contratos e produto fictícios), objetivando beneficiar a Interessada, mediante supressão deliberada de tributos e contribuições federais e remessa irregular de recursos ao exterior; apesar de várias intimações e reintimações, as empresas envolvidas não comprovaram a efetiva existência do software X_LYNX, e a efetividade das operações comerciais supostamente realizadas; o Sr.Francisco Petruccelli, sócio gerente da Interessada assinou o Contrato de revenda do software XLYNX firmado com a Admaster, bem como assinou o Contrato de fornecimento, instalação, licenciamento e treinamento do sistema SINTEL, firmado com a Camargo Correa SA; O Sr.Girolamo Santoro, sócio gerente da Interessada, assinou o Contrato de revenda do software X_LYNX firmado com a Admaster, assinou o Contrato de fornecimento, instalação, licenciamento e treinamento do sistema SINTEL, firmado com a Camargo Correa S/A, bem como assinou todas as respostas apresentadas pela Interessada aos Termos Fiscais lavrados; os Srs. Jadair Fernandes de Almeida, Raimundo Antonio de Oliveira, Jorge Luiz Porto Motta, Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, foram arroladas como responsáveis tributários no lançamento, o Sr.Carlos José dos Santos, não localizado em seu domicílio fiscal, foi arrolado como responsável, por edital. Tendo em vista que a existência do software X_LYNX não foi efetivamente comprovada pelas empresas pactuantes (Surpark, Admaster e Soft, a Interessada), ou seja, que restou Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 6 5 comprovado ter ocorrido uma simulação de negócio jurídico, em que, a mercadoria objeto da suposta transação comercial (X_LYNX) nunca existiu de fato, e, após várias intimações fiscais, ficou constatada a existência das infrações tributárias relacionadas com pagamento sem causa, a não comprovação de custos e glosa de créditos de PIS e COFINS nãocumulativos, a multa foi agravada para 150%. Houve representação fiscal para fins penais, (processo 15540.720.370/201279). A Interessada tomou ciência do lançamento em 29/10/2012, e, juntamente, com os Srs.Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro, na qualidade de responsáveis, apresentou impugnação em 23/11/2012, alegando, em síntese: com base no parágrafo 4º., do artigo 150, do CTN, ocorreu decadência para os fatos geradores ocorridos até 26/10/2007; cerceamento do direito de defesa face à não individualização e imputação genérica da base legal de imputação da responsabilidade tributária em face das pessoas físicas, pois não foi indicado individualmente em relação a qual dos ora impugnantes estaria fundamentando em qual dispositivo legal do CTN a imposição de responsabilidade tributária, com o que se consubstancia flagrante cerceamento do direito de defesa, na medida em que impossibilita o pleno exercício deste direito; o seu objeto social tem intrínseca relação com as despesas questionadas, uma vez que tem por atividade precípua o desenvolvimento e comercialização de softwares e as despesas glosadas decorreram da aquisição de softwares utilizados como plataforma para o desenvolvimento dos produtos para comercialização; em nenhum momento, a Fiscalização verificou, de forma detalhada, a efetividade da aquisição do software que gerou as despesas/custos contabilizados e o respectivo pagamento dos valores, limitandose tãosomente a afirmar que os documentos apresentados seriam insuficientes para comprovar que os pagamentos efetuados foram ligados a despesas/custos necessários normais e usuais e que guardam correlação com a fonte produtora dos rendimentos; apesar de já ter apresentado toda a documentação (razões contábeis, notas fiscais, contrato de prestação de serviços e o respectivo aditivo e notas de tesouraria), junta aos autos os documentos; a Fiscalização se ateve apenas a um único fato, qual seja, a falta de apresentação de cópia do indigitado software SINTEL, em absoluta desconsideração dos documentos apresentados durante todo o período e fiscalização; os documentos foram: a aquisição do direito de exploração econômica do X_LINX, o que fez apresentando o contrato de licença e as correspondentes notas fiscais; a utilidade e necessidade do X_LINX para suas atividades, o que faz apresentando relatório de funcionalidade do software, print screen de suas telas e relatório de funcionalidade do SINTEL e print screen de suas telas; o pagamento dos tributos incidentes sobre a receita e o lucro oriundos da venda do Sintel, o que se fez apresentando livros contábeis; Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 7 6 a legislação não exige documentos específicos para comprovar a efetividade da aquisição de insumos (no caso software), como supôs a Fiscalização, mas exige apenas a apresentação de documentos hábeis a tanto, os quais foram, repitase, efetivamente apresentados; o lançamento foi feito com base em presunção, posto que a Fiscalização não comprovou o suposto ilícito que afirmou ter existido; a Fiscalização não motivou adequadamente as autuações, não provou que ocorreu simulação, mesmo porque, não foi o caso, uma vez que as operações praticadas foram todas lícitas, permitidas legalmente, feitas de modo a produzir os efeitos que realmente expressavam, pelo que, não foram operações simuladas; para que se possa materializar a simulação, é necessário que o ato praticado não pudesse ser realizado, seja por vedação legal ou por outras circunstâncias fáticas, sendo que os objetivos visados com a prática do ato não interferem na qualificação do mesmo, ou seja, se o ato era lícito, as conseqüências contrárias ao Fisco devem ser qualificadas como casos de elisão fiscal: por todas as razões acima expostas, as operações com as correlatas despesas e pagamentos preencheram a norma prevista no artigo 299, do RIR/99; da mesma forma, atuou em conformidade com o Parecer Normativo CST n° 32, de 17 de agosto de 1981; transcreve doutrina e jurisprudência sobre conceito de despesa necessária; no presente caso, não se aplica o artigo 124, inciso I, do CTN, não devendo os impugnantes serem qualificados como devedores solidários; a exigência é incompatível com a imputação de responsabilidade solidária a terceiro, por suas meras participações, como prepostos ou administradores, nos acontecimentos que caracterizaram o pagamento sem causa ou à beneficiário não identificado; também não se aplica o artigo 135, do CTN, uma vez que não foi comprovada a ocorrência de qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; não cabimento da multa agravada, em face da inexistência de provas e da imaterialidade dos indícios sobre a suposta existência de fraude, dolo ou simulação; para que a multa agravada possa ser exigida é necessário, diferentemente do ocorrido, que a Fiscalização demonstre, por intermédio da apresentação de provas inequívocas, que as operações foram feitas com evidente intuito de fraude; além disto, em razão do caráter personalíssimo da multa, somente a autuada, poderia ser responsabilizados pela multa agravada no percentual de 150%, mas, jamais, os ora impugnantes; Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 8 7 o caráter personalíssimo da multa pode ser extraído facilmente do texto constitucional ao se interpretar o artigo 5°, inciso XLV. Os Srs.Jadair Fernandes de Almeida, Jorge Luiz Porto Motta e Raimundo Antônio de Oliveira, apresentaram impugnações, nas quais, alegam o que segue. Sr.Jadair Fernandes de Almeida: os dispositivos legais e da Constituição transcritos às fls.2.738/2.749, aliado ao fato de que não é sócio, acionista e/ou administrador da Soft Consultoria, Admaster Serviços Ltda e Surpark S/A, são suficientes para afastar a sua responsabilidade tributária na presente autuação; tem domicílio tributário no Rio de Janeiro, bem como a Soft Consultoria Ltda, assim, houve incompetência da autoridade, pois o auto de infração foi lavrado por Auditor Fiscal lotado na Delegacia da Receita Federal de Niterói; decadência do direito de constituição dos créditos fiscais mediante lançamento, relativos ao fatos geradores ocorridos até 26/10/2007; como inexiste prova de fraude, dolo ou simulação, ocorreu a decadência conforme §4°, do art. 150, do CTN; foi procurador da Surpark e conhece o Sr.Jorge Luiz Porto Motta, conquanto esse senhor sempre me assistiu em serviços burocráticos e cartoriais das mais variadas formas, bem como me representou em algumas alterações de contrato social junto a firma Geomàtica, o que não configura nenhuma ilicitude ou ato censurável; foi quotista da empresa Bom Seguro, atual Admaster, tendo se desligado da mesma em 2003, conforme 12° alteração de contrato social regularmente arquivada na JUCERJA, fato esse que também não pode ser utilizado presunçosamente contra a sua pessoa; também foi sócio da Geomática Tecnologias da Informação Ltda, sendo que ela fez diversos trabalhos de grande valia a variadas empresas e municípios brasileiros, dentre eles o de Armação dos Búzios — RJ, tendo realizado todo o serviço de Geoprocessamento da região conforme faz prova o documento público e notório que segue em anexo Plano Diretor; também fez parte da geração que garantiu e viabilizou os primórdios dos serviços de email e internet em nosso País, porquanto fez e faz parte do quadro de acionistas e gestores da Alternex S/A; também fez parte do Grupo de notáveis que participou do Fórum Pacto Carioca que se reuniu em 2010 com o apoio da Fundação Getúlio Vargas a fim de buscar resposta e projetos para seguinte indagação: "O Rio que queremos em 2020", vide documentos em anexo e lista de presença; assim sendo, é por demais leviano e injusto me rotular de “Operador” de um malfadado e incomprovado esquema de venda fictícia de software com objetivo Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 9 8 antijurídico, pois em verdade, é e sempre foi um empresário com atuação em diversos ramos de atividade, inclusive o ramo eletrônico; nesse contexto, não há que se falar na velada inversão dos ônus das provas encetada tacitamente pela autoridade fiscal, pois competia a ele provar tudo o que afirmou em seu relatório e não a mim fazer provas negativas e diabólicas, uma vez que a legislação tributária determina que os ônus das provas dos fatos imputados seja da autoridade fiscal; refutase integralmente toda e qualquer ilação que tenha sido feito pela Autoridade fiscal e terceiros no sentido de ser operador de esquema e representante de fato da firma Admaster e ter usado o Sr. Raimundo Antonio de Oliveira ou Jorge Luiz Porto Motta ou qualquer outra pessoa física ou jurídica citada nessa ação fiscal para me eximir de responsabilidades fiscais e patrimoniais ou ainda escamotear a realização de qualquer negócio jurídico, comercial ou empresarial; não usou indevidamente o nome do Sr. Roberto Fernandes, quando do registro da sociedade Surpark S/A junto ao Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas; o Sr. Roberto Fernandes consta como sendo o único e isolado representante da sociedade perante as autoridades fiscais brasileiras, pois é o único investido nessa qualidade por sua livre espontânea iniciativa, além de deter os poderes específicos de representação e para receber citação na forma determinada na legislação; o Sr. Roberto foi submetido a um contexto inquisitorial e suas palavras foram distorcidas pela Fiscalização; o Sr.Roberto preferiu contar uma "estória" ao agente fiscal no "tom" que esse queria escutar para se escusar das responsabilidades que encampou quando aceitou propor o registro do CNPJ da Surpark atrelado isoladamente a seu nome, o que foi ato de vontade formalizado sem vício ou coação, até porque o mesmo não fez chegar a esse signatário e os autos nenhum documento pretérito ou atual que fizesse a mínima prova do que declarou a autoridade fiscal; como o agente fiscal estava ávido pela declaração que lhe fora prestada, ele "esqueceu" de bem investigar o declarado e deu por boa a declaração independente de qualquer prova, como assim procedeu em todos os outros casos que pode fazer ilação jocosa e prejudicial contra minha pessoa; houve ilícita quebra do sigilo bancário da Admaster; as rendas pagas pela Admaster a terceiros em 2007 nunca me favoreceram; restou comprovada a inexistência de depósitos na sua conta corrente ou de qualquer das empresas que efetivamente seja sócio ou acionista, ou seja, aquelas em que consta no quadro de acionistas ou quotistas regularmente declaradas e informadas a Secretaria da Receita Federal do Brasil; questiona por que a Autoridade Fiscal não intimou o beneficiário final do SOFTWARE SINTEL para que esse lhe informasse se de fato o produto adquirido Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 10 9 havia sido entregue em atenção ao que constava nas notas fiscais emitidas pela Soft Consultoria e que fazem prova da inclusão do programa executável fornecido pela Surpark de nome XLINX ter sido embarcado no SINTEL pela firma Soft Consultoria; se a Camargo Correa eventualmente não tiver condições de afirmar que no SINTEL está integrado o software XLINX, ela poderá afirmar, SMJ, que recebeu um produto que não foi feito com apoio do software EYEBOT indicado na proposta, e se nesse espaço de tempo ela nunca reclamou de tal mudança, é de se presumir que isso tenha sido feito parte de um acordo entre Cliente e Fornecedor, tendo em visto que no âmbito privado tudo o que não proibido é permitido e no âmbito estatal, caso do Agente Fiscal, ele está limitado a proceder ao que é vinculado, motivado, razoável e juridicamente obrigatório e justificável; se o interessado final nunca rejeitou as notas que lhe foram opostas pela firma Soft Consultoria e que davam conta expressa do embarque do software XLINX no SINTEL, por que a autoridade fiscal que deu fé ao SINTEL não deu fé a inclusão do XLINX importado para viabilizar a operacionabilidade do SINTEL, pois, a Fiscalização sabia que o XLINX compunha o SINTEL como suporte de mais um programa de computador; se a Soft Consultoria não localizou um via executável do programa SINTEL e do XLINX para oferta ao fiscal, por que esse não tentou obtêla junto a Camargo Correa que provavelmente deve ter uma via do executável do SINTEL?; não aplicação dos artigos 124, inciso I, e 135 do CTN; ausência de prova de evidente intuito de fraude e consequente impossibilidade de ser aplicada a multa agravada em face de responsável solidário; requerse a produção de prova documental superveniente; para os fins do disposto no art. 39, I do CPC e para as futuras intimações de atos e decisões contidas nesse processo, indicamos o endereço físico do Autuado, em substituição de qualquer outro; que seja observado o disposto nos arts. 37 e 38, da Lei n° 9.784/99, no que toca a instrução desse processo quanto aos documentos mencionados nessa Impugnação e que são arquivados ou oriundos da administração pública e tributária, para que dos mesmos surtam seus jurídicos e legais efeitos. Sr.Jorge Luiz Porto Motta: nunca fez parte de nenhuma empresa investigada e/ou autuada, seja como dirigente, acionista ou quotista; atua há anos como despachante e nunca realizou qualquer operação comercial com qualquer empresa citada no presente auto de infração, seja com a Surpark S/A, seja com a Admaster Serviços Ltda., seja com a Soft Consultoria Ltda ou com a Camargo Correa; Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 11 10 quem sempre pediu meus préstimos profissionais de representação e despachadoria foi o Sr. Jadair Fernandes de Almeida, o qual me outorgou substabelecimento com prazo de vencimento atribuído no instrumento juntado nesse processo, para que, quando de sua ausência física, pudesse formalizar alteração de contrato social junto a pessoa jurídica Geomática, sendo essa alteração a que tivesse sido previamente ajustada pelos seus sócios, sendo que um deles, em certo momento, tinha o Sr. Jadair como procurador, conforme documentos que me foram apresentados a época e que constam anexos nesses autos; se o simples fato de realizar um ato jurídico perfeito, lícito e idôneo próximo a pessoa ou empresa arregimentada nesse processo fiscal me tornou suposto responsável solidário do imposto devido pela Soft Consultoria, é de se indagar por que o ilustre auditor fiscal não solidarizou o tabelião que juramentou o substabelecimento por mim utilizado; o tabelião que deu fé ao contrato por mim assinado e a tantos outros anexados nesses autos; além de todos que forneceram serviços ou materiais para tanto (JUCERJA, papelaria papel e caneta; indústria automobilística e aeronáutica; condomínio sede da celebração do contrato, ascensorista; etc); ocorreu a decadência conforme §4°, do art. 150, do CTN, pois, o último fato gerador foi em 07/2007, e o lançamento ocorreu em outubro de 2012; não aplicação dos artigos 124, inciso I, e 135, do CTN; inaplicabilidade de multa agravada sobre responsável solidário em face da ausência de prova inquívoca de fraude praticada pelo impugnante. Sr.Raimundo Antônio de Oliveira: a Fiscalização aduz que o impugnante é na verdade "testa de ferro" de terceiros, menosprezando a capacidade empresarial deste; o fundamento crucial para tanto, sob a ótica do agente fiscal, é a ausência de formação técnica do impugnante; ao elucubrar o nexo entre o impugnante e o apurado por terceiros Soft Consultoria Ltda., o mesmo não logrou êxito limitandose a simples suposições e presunções; não aplicação do artigo 124, inciso I, pois, a Soft Consultoria Ltda e a Admaster Serviços Ltda., cujo impugnante é sóciodiretor, não fazem parte de nenhum grupo econômico ou conluio, colocandoas em posições distintas na relação comercial tributária realizada; a Admaster Serviços Ltda. está sendo cobrada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional de pagamento dos tributos gerados a partir da celebração do negócio jurídico realizado entre as empresas supracitadas; assim sendo, a PGFN reconhece a ocorrência do negócio jurídico que motivou a emissão das notas fiscais que foram levadas a tributação e homologadas Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 12 11 tacitamente pela inegável e indeclinável cobrança dos tributos devidos (PIS, COFINS, CSSL e IR), em total discrepância com o entendimento pessoal da Fiscalização no presente caso; não foi produzida nenhuma única prova que coloque o impugnante como responsável; não aplicação do artigo 135, inciso I e II do CTN; nunca houve um Mandado de Procedimento Fiscal para Fiscalização MPFF, em nome do Sr.Raimundo Antônio de Oliveira, razão pela qual todos os atos praticados pela Fiscalização no sentido de fiscalizar a vida fiscal do impugnante é ilícita e os fatos apurados são nulos; assim, ainda que as investigações tenham se iniciado com fundamento na Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, foi amplamente divulgado na mídia que no dia 10 de maio de 2011, ou seja, antes de finalizada pelo Sr. Fiscal o presente Auto de Infração, que o Supremo Tribunal Federal STF decidiu ser inconstitucional a norma legal (LC 105/01) que atribui à Receita Federal o poder de quebrar o sigilo bancário do contribuinte sem uma prévia e motivada ordem judicial; de posse dos dados bancários da firma do impugnante (quebra do sigilo bancário da Admaster, a Fiscalização acostou esses dados ao processo administrativo ora impugnado que é derivado de notificação de lançamento contra a Soft Consultoria Ltda e não contra a Admaster, violando o sigilo fiscal e bancário; assim, o Auditor Fiscal tornou nulos todos os atos posteriores a juntada das provas ilícitas obtidas por meio de norma legal declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em um processo que não dizia respeito a firma Admaster, mas quanto muito e de forma indevida a seu sócio diretor, a pessoa física ora impugnante; requer o desentranhamento de todos os dados bancários e fiscais contidos no processo em comento da firma Admaster Serviços, assim como a de todos os informes fiscais juntados em nome do Sr.Raimundo Antônio de Oliveira ora impugnante, bem com o reconhecimento da ilegitimidade passiva do Impugnante no que toca a responsabilidade solidaria fiscal pelo pagamento de tributos e gravames aferidos em razão de atos praticados pela empresa Soft Consultoria Ltda, até porque nunca teve gerência ou proveito de qualquer dos atos praticados pela citada empresa; causa estranheza o fato da Fiscalização não ter localizado a Admaster Serviços Ltda. em seu endereço, bem como por ter declarado que não acataria os argumentos prestados pela firma em esclarecimento fiscal, pois, a empresa sempre recebeu suas correspondências enviadas a seu endereço fiscal; Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 13 12 tanto isso é verdade que tanto os bancos, quanto a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT (empresa pública), cujos empregados têm fé pública, sempre conseguiram localizar a sede da Admaster sem problemas; tal fato foi provado ao auditor fiscal pela juntada de várias correspondências e telegramas para provar que as mesmas eram recepcionadas na sua sede, a qual, reiterese só não foi localizada pelo desidioso fiscal e quem capitaneou o processo unilateral e gravado pelo cerceamento do direito de inaptidão de seu CNPJ; a Admaster tem sede física no endereço que constava em seu CNPJ e somente a autoridade fiscal não conseguiu ter um mínimo de boa vontade para localizar a mesma, pois tal endereço é conhecido por todos e regularmente autorizado pela Prefeitura que lhe consagrou com a emissão de alvará de funcionamento e a AIDF autorização de impressão dos documentos fiscais notas fiscais, que emitiu em face da Soft Consultoria; além disto, todas as notificações da PGFN foram encaminhadas e recebidas no endereço da sede social da Admaster informado a Secretaria da Receita Federal do Brasil; ocorreu a decadência conforme §4°, do art. 150, do CTN, pois, o último fato gerador em 07/2007, e o lançamento ocorreu em outubro de 2012; o cerne meritório da questão orbita na existência ou não do programa XLINX, integrado ao programa SINTEL. Todavia, a Fiscalização nunca intimou a destinatária final do produto SINTEL para saber se esta se opunha a informação da inclusão do software XLINX no software SINTEL, tal como vinha gravado nas Notas Fiscais emitidas pela empresa Soft Consultoria Ltda; a luz dessa consideração, e inexistindo declaração em contrário do beneficiário final do produto SINTEL, não há que se falar em presunção em inexistência do software XLINX dadas as circunstancias materializadas neste processo, pois a Soft Consultoria Ltda., conforme demonstração anexa, fez ampla demonstração da existência de seu software e utilização deste (XLINK); competia a autoridade fiscal, após minuciosa análise do software SINTEL entregue a Construções e Comercio Camargo Correia, conforme atestado no Termo de Constatação Fiscal, provar que tal sistema havia sido concebido com lastro no software EYEBOT e não com o software XLINK e tantos outros; o fato da proposta de venda feita pela Soft Consultoria ter indicado a pretensão de utilização do software EYEBOT e não o XLINK no fornecimento do SINTEL não faz prova hábil e idônea de maneira isolada e inconteste de que o SINTEL tenha sido arquitetado e fornecido com exclusão do XLINK e sim com o EYEBOT, mormente quando o dito software EYEBOT não foi incorporado ao software SINTEL, vez que esse foi desenhado e produzido com suporte dinâmico de processamento particular ao XLYNK que trabalha em consorcio com o software NUCH, vide informações prestadas pela firma SOFT e anexas nesse processo; confirma essa premissa fótica a expressa citação e referência do software XLINX na nota de observações das notas fiscais fornecidas a Construções e Comercio Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 14 13 Camargo Correa (Camargo Correa), quando do fornecimento do software SINTEL; doutro lado, a premissa da autoridade fiscal não pode prevalecer sem prova material de sua existência pois nenhum dos envolvidos nessa transação fiscocomercial (Construtora Camargo Correa Soft Consultoria Admaster Surpark), mormente a Construtora e Comercio Camargo Correa, ter negado que havia feito negócio referente ao programa SINTEL e que esse utilizava em sua plataforma de funcionamento o software embarcado XLINX; se isso não fosse verdade e dado o nível de colaboração que a Camargo Correa teve com a Autoridade Fiscal, pois inclusive forneceu seus extratos bancários e todos os documentos de que dispunha sobre tal tema, teria a dita firma anotado em seus esclarecimentos o total desconhecimento e desautorização referente a inclusão do software XLINX na plataforma do adquirido e inconteste SINTEL; assim, a autoridade fiscal deveria ter diligenciado junto ao destinatário final para saber se havevia uma versão executável do Software SINTEL para que fosse feita uma perícia de constatação no sentido de fazer prova material da sua existência; carência de prova de evidente intuito de fraude e consequente impossibilidade de ser aplicada a multa agravada em face de responsável solidário; em razão do caráter personalíssimo da multa, somente a autuada, poderia ser responsabilizados pela multa agravada no percentual de 150%, mas, jamais, os impugnantes. A partir desta complexa teia fática, analisando os termos das impugnações apresentadas, concluiu a 8ª Turma da DRJ/RJ1 pela IMPROCEDÊNCIA de todas as alegações, mantendo o crédito lançado em sua totalidade, a partir do acórdão que assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESPESA. COMPROVAÇÃO. Para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto, não basta comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. DOCUMENTOS HÁBEIS E IDÔNEOS. Os documentos hábeis segundo sua natureza são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado cuja existência ali se materializa. Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 15 14 Devem ter autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduzir à convicção da efetiva ocorrência do fato, devendo, preferencialmente, serem subscritos por terceiros que tenham participado das respectivas operações. IMPUGNAÇÃO. DOCUMENTOS. A apresentação de alegações visando desconstituir as provas apresentadas pela Fiscalização devem vir acompanhadas de documentos hábeis e idôneos. Art. 16, inciso III, do Decreto 70.235 de 1972. IMPUGNAÇÃO. INEFICÁCIA. Não há como abrigar alegações que não logram desconstituir os fundamentos da autuação. SIMULAÇÃO. FRAUDE. Há simulação quando o contribuinte apresenta instrumento contratual sem comprovar a sua efetiva realização e restar claro que tal conduta objetivou, em verdade, disfarçar sua real intenção de suprimir ou reduzir tributo, prejudicando o Erário Público. SIMULAÇÃO. FRAUDE. MULTA AGRAVADA. A simulação é uma das hipóteses que autorizam a aplicação da multa qualificada, por ser um dos meios de praticar a fraude ou a sonegação, conforme definidos naqueles dispositivos da Lei nº.4.502, de 1964. LANÇAMENTO DECORRENTE. Decorrendo o lançamento da CSLL de infração constatada na autuação do IRPJ, e negado provimento à impugnação referente ao lançamento deste, negase também em relação à impugnação daquela, em virtude da relação de causa e efeito que os une. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INFRAÇÃO À LEI OU CONTRATO SOCIAL. ARTIGO 135, DO CTN. Quando o administrador participa de negócio jurídico comprovadamente simulado, prejudica a sociedade empresarial, portanto, viola a um só tempo, o contrato social como também o direito empresarial. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRPJ. FATO GERADOR. INTERESSE COMUM. Comostprovada a participação ativa em negócio jurídico simulado com o fim de fraudar/sonegar tributo, aplicase o artigo 124, inciso I, do CTN, uma vez que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, em: Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 16 15 NEGAR PROVIMENTO à impugnação da interessada, para exigir o crédito tributário de IRPJ, no valor de R$2.432.755,33 e CSLL, no valor de R$884.431,92, ambos com multa de ofício de 150% e acréscimos legais; MANTER A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA solidária dos diretores da Interessada Srs.Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro; MANTER A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA solidária do Sr.Jadair Fernandes de Almeida; MANTER A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA solidária do Sr. Jorge Luiz Porto Motta; CANCELAR A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA imputada ao Sr.Raimundo Antonio de Oliveira; CANCELAR A RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA imputada ao Sr.Carlos José dos Santos. O julgador José Eduardo Genero Serra fez declaração de voto. A partir dessas informações, verificase a exclusão do feito em relação aos Srs. Raimundo Antonio de Oliveira, e Carlos José dos Santos, sendo mantida em relação a todos os demais, quais sejam: i) SOFT CONSULTORIA LTDA (interessada); ii) Francisco Petruccelli; iii) Girolamo Santoro; iv) Jadair Fernandes de Almeida; e v) Jorge Luiz Porto Motta. Analisando as informações contidas nos autos, verificase que, após verdadeiros imbróglios administrativoprocessuais, verifico nos autos a intimação contida às fls. 2950/2952, direcionada à empresacontribuinte, que, inclusive, expressamente interpõe, posteriormente, o seu competente recurso voluntário (juntamente com os Srs Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro), pretendendo a reforma da decisão e, consequentemente, a integral desconstituição do lançamento. Em rápida síntese, é o que se há agora a relatar. Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 15540.720338/201293 Resolução nº 1301000.261 S1C3T1 Fl. 17 16 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Antes de qualquer consideração a respeito das discussões empreendidas nos presentes autos, relevante destacar que, após a decisão de primeira instância, além da contribuinteinteressada (SOFT CONSULTORIA LTDA), e seus respectivos sócios (Francisco Petruccelli e Girolamo Santoro), remanescem ainda como responsáveis pelos créditos tributários constituídos os senhores Jadair Fernandes de Almeida e, também, Jorge Luiz Porto Motta. Ocorre que, além da contribuinte principal, nem estes, e nem tampouco aqueles que teriam sido excluídos do feito (Srs. Raimundo Antonio de Oliveira, e Carlos José dos Santos) sequer foram intimados a respeito dos termos da decisão exarada, não se abrindo a eles qualquer o prazo para a eventual interposição de seus competentes Recursos Voluntários. Em face dessa inafastável constatação, verifico a atual completa impossibilidade de julgamento no estado em que se encontra o feito, devendo, por isso, serem devidamente devolvidos os autos ao órgão preparador para que promova, então, a regular intimação de todos os responsáveis originariamente indicados, facultandolhes a adoção das medidas cabíveis e que entenderem pertinentes. Diante disso, voto por converter o julgamento em diligência, determinando o retorno dos autos à douta DRF/RJ para que, então, seja promovida a intimação de todos os agentes responsáveis indicados nos presentes autos, a saber: a) Francisco Petruccelli; b) Girolamo Santoro; c) Jadair Fernandes de Almeida; d) Jorge Luiz Porto Motta; e) Raimundo Antonio de Oliveira; e f) Carlos José dos Santos, evitandose, assim, qualquer arguição de nulidade do feito. Após as intimações e o transcurso dos respectivos prazos aplicáveis, seja restituído o feito a julgamento, com a inclusão, acaso existentes, dos correspondentes recurso interpostos. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 23/04/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 11080.904847/2013-61
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/05/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/05/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 47 /2 01 3- 61 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904847/201361 Acórdão n.º 3801005.041 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13609.001444/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO
Somente os documentos hábeis nos quais haja efetiva quantificação do ônus suportado pelo contribuinte são capazes de justificar eventual dedução. Não tendo havido solicitação, por parte da autoridade lançadora, de esclarecimentos adicionais acerca do recibo encaminhado pelo contribuinte, é de se aceitá-lo como comprovante para fins de dedutibilidade das despesas.
Numero da decisão: 2101-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, a fim de que se restabeleçam as deduções de despesas próprias com instrução, nos valores de R$ 1.998,00 (para o ano-calendário de 2004), R$ 2.198,00 (para o ano-calendário de 2005) e R$ 2.373,84 (para o ano-calendário de 2006). Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão, que votou por dar provimento parcial em maior extensão. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Pereira Artuzo.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Somente os documentos hábeis nos quais haja efetiva quantificação do ônus suportado pelo contribuinte são capazes de justificar eventual dedução. Não tendo havido solicitação, por parte da autoridade lançadora, de esclarecimentos adicionais acerca do recibo encaminhado pelo contribuinte, é de se aceitá-lo como comprovante para fins de dedutibilidade das despesas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, a fim de que se restabeleçam as deduções de despesas próprias com instrução, nos valores de R$ 1.998,00 (para o ano-calendário de 2004), R$ 2.198,00 (para o ano-calendário de 2005) e R$ 2.373,84 (para o ano-calendário de 2006). Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão, que votou por dar provimento parcial em maior extensão. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Pereira Artuzo. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), e Daniel Pereira Artuzo.
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Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS COM INSTRUÇÃO Somente os documentos hábeis nos quais haja efetiva quantificação do ônus suportado pelo contribuinte são capazes de justificar eventual dedução. Não tendo havido solicitação, por parte da autoridade lançadora, de esclarecimentos adicionais acerca do recibo encaminhado pelo contribuinte, é de se aceitálo como comprovante para fins de dedutibilidade das despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, a fim de que se restabeleçam as deduções de despesas próprias com instrução, nos valores de R$ 1.998,00 (para o anocalendário de 2004), R$ 2.198,00 (para o anocalendário de 2005) e R$ 2.373,84 (para o anocalendário de 2006). Vencido o Conselheiro Eduardo de Souza Leão, que votou por dar provimento parcial em maior extensão. Votou pelas conclusões o Conselheiro Daniel Pereira Artuzo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 14 44 /2 00 8- 21 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 229 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior (Relator), e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de lançamento de Imposto Sobre a Renda Pessoa Física, no valor de R$ 55.207,48 (efls. 86 a 97, e termo de verificação de efls. 98 a 108), decorrente de 6 (seis) infrações fundamentais a saber: a) Dedução indevida de despesas médicas; b) Dedução indevida de despesas com instrução; c) Dedução indevida de dependente; d) Dedução Indevida de Contribuição para a Previdência Privada; e) Omissão de Rendimentos Tributáveis e f) Dedução indevida a título de incentivo, abrangendo o lançamento os anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. Quanto a esta última infração e ainda quanto à omissão de rendimentos, é de se notar terem ficado caracterizadas apenas para os anoscalendário de 2004 e 2005, não tendo ocorrido para o AC 2006. De forma mais detalhada, as glosas envolveram, consoante já muito bem relatado pela autoridade julgadora de 1a, instância: a) Relativamente à glosa de despesas médicas: a.1) ano calendário de 2004: total da glosa: RS 15.216,83. Foram glosadas despesas médicas por falta de comprovação de sua realização com o efetivo pagamento e pela não apresentação de recibos. Ficou mantida a despesa no valor de R$2.818,17, realizada com a UNIMED, parte que se refere às despesas com o titular (efls. 35 e 148) e o restante foi glosado, uma vez que foram realizadas com pessoas que não estão incluídas no conceito de dependente; a.2) ano calendário de 2005 total da glosa: R$42.275,00. Foi glosado montante de despesas médicas por falta de apresentação de recibo e comprovação de realização das despesas com o efetivo pagamento. Mantida a dedução no valor de R$3.343,00 relativo à UNIMED (efls. 29 e 171), referente ao plano de saúde do titular, com o restante tendo sido glosado porque a despesa foi realizada com pessoas que não estão dentro do conceito de dependente; Fl. 229DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 230 3 a.3) ano calendário de 2006 total da glosa: R$46.993,68. Foi glosado montante de despesas médicas por falta de apresentação de recibo e comprovação do efetivo pagamento. Mantida a dedução no valor de R$3.437,32 relativo à UNIMED (efls. 32 e 183), referente ao plano de saúde do titular. O restante foi glosado porque a despesa foi realizada com pessoas que não estão dentro do conceito de dependente; b) Relativamente à glosa de despesas com instrução: b.1) ano calendário de 2004 total da glosa: R$4.696,86. A glosa referese à despesa realizada com o Colégio Márcio Paulino, referente a Filipe Augusto Costa Teixeira que não preenche a condição de dependente do autuado bem como à dedução de despesas com instrução do declarante, por falta de comprovação. Mantevese a dedução do valor de R$1.297,14 que se refere à despesa com instrução do dependente Breno Augusto Costa Teixeira, valor assumido como efetivamente comprovado para este rubrica (efl. 37); b.2) ano calendário de 2005 total da glosa: R$6.594,00. A glosa referese à despesa realizada com o Colégio Márcio Paulino, referente a Filipe Augusto Costa Teixeira que não preenche a condição de dependente do autuado bem como à glosa de dedução de despesas com instrução do declarante, por falta de comprovação. A glosa também se refere às despesas com Alexandre Costa Miranda Fleury que não se enquadra no conceito de dependente; Abrangeu o montante deduzido, assim, somente o limite de gastos com instrução para o dependente que teve comprovação aceita, Sr. Breno Augusto (R$ 2.198,00 – vide efl. 38). b.3) ano calendário de 2006 total da glosa R$4.747,68. A glosa referesc à despesa realizada com o Colégio Márcio Paulino, referente a Filipe Augusto Costa Teixeira que não preenche a condição de dependente do autuado bem como à glosa de dedução de despesas com instrução do declarante, por falta de comprovação. Abrangeu o montante deduzido, assim, o limite de gastos com instrução para o dependente aceito e que teve comprovação aceita, Sr. Breno Augusto Costa Teixeira, CPF n° 065.551.25608 (R$ 2.373,84 – vide efl. 39). c) Relativamente à glosa de dedução com dependente: c.1) ano calendário de 2004 total da glosa: R$2.544,00. Foi glosada a indicação, na condição de dependente do declarante, de Filipe Augusto Costa Teixeira, neto do contribuinte que não provou possuir sua guarda judicial e de Shirley Maria Soares Dias, esta porque não se provou a relação familiar com o autuado. c.2) ano calendário de 2005 total da glosa: R$4.212,00. Foi glosada a indicação, na condição de dependente do autuado, de Alexandre Costa Miranda Fleury Teixeira, que em 2005 tinha mais de 24 anos e porque não se comprovou sua incapacidade física e mental, de Filipe Augusto Costa Teixeira, neto do contribuinte que não provou possuir sua guarda judicial e de Shirley Maria Soares Dias, porque não se provou a relação familiar com o autuado. c.3) ano calendário de 2006 total da glosa: R$4.548,86 . As motivações das glosas foram as mesmas detectadas no ano calendário de 2005, já apontadas. d) Relativamente à omissão de rendimento: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 231 4 d.1 As glosa no anoscalendário de 2004 e 2005 referemse aos seguintes valores: R$1.471,48, recebido da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas pelo dependente do autuado, Breno Augusto Costa Teixeira, CPF n° 065.551.25608 e R$6.381,00, recebido da Prefeitura Municipal de Sete Lagoas por Maria Carmem Costa Miranda Fleury Teixeira, CPF n° 89.518.31668 em 2004 e R$ 1.020,34, recebidos pela mesma dependente da mesma fonte pagadora em 2005. e) Relativamente à Previdência Privada e FAPI: Considerando que o contribuinte somente comprovou parte dos valores deduzidos na declaração de ajuste e que apontou como dedução os valores pagos pela patrocinadora e relativos ao décimoterceiro, foram glosadas as diferenças entre os valores comprovados e os declarados, mantendose a dedução de R$5.145,09 para o ano calendário de 2004, R$1.749,51 para 2005 e R$1.814,01 para 2006 (efls. 63 a 65). f) Finalmente, glosouse valores deduzidos a título de dedução com incentivo para os anoscalendário de 2004 e 2005, por não terem se constituído de doações para o Fundo da Criança e do Adolesecente, mas para um Núcleo Assistencial que não fazia jus à dedução. Insurgiuse o contribuinte contra o lançamento através de peça de efls. 111 a 115, utilizandose dos argumentos abaixo, em síntese, colocados pela autoridade julgadora de 1a. instância. a) Depois de se identificar, faz um relato sobre os fatos geradores do lançamento bem com a descrição do Auto de Infração afirmando, depois, que no ano calendário de 2004, o contribuinte autuado recebeu de pessoa jurídica o valor de R$61.944,00 devidamente declarado à Receita Federal e que por ser arrimo de família e tendo sido mal orientado, lançou equivocadamente todas as despesas com filhos e neto e irmão, com as quais de fato arcou, mesmo não se enquadrando estes no conceito legal de dependentes. b) Faz uma demonstração da declaração de ajustes que entende correta, especificando e apontando novos valores de deduções, para os anos calendários de que tratou o Auto de Infração, quando apurou que no ano calendário de 2004, o imposto devido importa em R$1.115,31; ano calendário de 2005, R$4.525,10 e ano calendário de 2006, R$4.801,73. c) Quanto à glosa de despesas com instrução do próprio autuado, diz que junta à impugnação declaração da entidade de ensino onde fez mestrado e que caso persista a dúvida em relação ao documento, basta que se intime a Instituição para declarar a veracidade do mesmo. d) Quanto à glosa de valores pagos à Previdência Privada, afirma que foram pagos valores maiores que os considerados pela autoridade lançadora, o que se prova com documentos autenticados que dizia juntar à impugnação. e) Quanto ao ano calendário de 2005, diz que o rendimento recebido foi no total de R$115.615,75 que foi declarado à Receita Federal do Brasil e que há equívocos no lançamento relativo às despesas médicas e com dependentes. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 232 5 f) Acresce que o contribuinte não possui todos os recibos de pagamentos de despesas médicas relativos ao fisioterapeuta Vicente Meirelles Avelar Júnior; que em 2005, mudou de endereço, quando perdeu alguns documentos, dentre os quais, recibos deste profissional, mas que os pagamentos a ele realizados foram declarados no auto de infração n° 0611300/00341/08. g) Afirma que o valor do imposto cobrado no auto de infração para este ano calendário de 2005 é de R$18.273,73, já acrescido de multa. h) Pede a retificação dos valores lançados nas Declarações de 2004, 2005 e 2006, a correção do lançamento das despesas médicas e com instrução dos dependentes indevidos e consequente retificação dos valor do imposto devido. Noto que, do teor dos demonstrativos de apuração constantes da impugnação, as infrações relativas à Omissão de Rendimentos, Dedução de Incentivo e Dedução Indevida de Dependentes são matérias incontroversa, não mais fazendo parte do litígio. As matérias litigadas, passam a ser exclusivamente: a) A alegação de possibilidade de dedução de despesas médicas no valor de R$ 6.738,17 para o ano de 2004, R$ 21.231,00 para o anocalendário de 2005 e R$ 24.612,32 para o anocalendário de 2006 (recibos de efls. 148 a 154 para o AC 2004; 169 a 176 para o AC 2005 e 182 a 195 para o AC 2006), frente a valores reconhecidos na ação fiscal, respectivamente, de R$ 2.818,17 (2004), R$ 3.343,00 (2005) e R$ 3.437,32 (2006), consoante efls. 35, 29 e 32. b) A alegação de possibilidade de dedução de contribuições para previdência privada no anocalendário de 2004 de R$ 8.365,57 (pagamentos de efls. 155 a 159) , frente ao valor de R$ 5.145,09 reconhecido pela fiscalização, consoante efl. 63. c) A possibilidade de dedução de despesas próprias com instrução, nos valores de R$ 1.998,00 (2004), R$ 2.198,00 (2005) e R$ 2.373,84 (2006), consoante efls. 20 e 147, cuja comprovação não foi aceita pela fiscalização. A impugnação foi julgada improcedente, conforme Acórdão de efls. 200 a 207. Cientificado do Acórdão em 02/05/2011, o contribuinte insurgese, em 27/05/11, contra a decisão através de Recurso Voluntário de efls. 220 a 224, onde se limita a repisar os argumentos tecidos em sede de impugnação, requerendo o cancelamento do auto de infração É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. As matérias constantes do pleito recursal serão tratadas na ordem anteriormente apresentada. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 233 6 a) Quanto à dedução de despesas médicas para os ACs 2004, 2005 e 2006: Pertinente, a propósito, transcrever os dispositivos que encerram o cerne da presente questão de mérito, a saber, os arts. 73, caput, 80, caput e §1o., inciso III, 845, inciso II, e 932 todos do Decreto no 3.000, de 1999, aqui reproduzidos com referência à respectiva base legal que os suporta : RIR/99 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 79): (...) II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios (g.n.); Art. 932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 108, §6º). Acerca do assunto, como já tive oportunidade de me manifestar em outras ocasiões, entendo que a interpretação sistemática correta do conjunto dos dispositivos Fl. 233DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 234 7 acima, a fim de tenham plena vigência e sem a existência de qualquer antinomia é no sentido do art. 80, §1o. inciso III do RIR/99, ao limitar a dedução de pagamentos a título de serviços médicos e assemelhados àqueles que constem de recibo e/ou indicados como pagos através de cheques nominativos devidamente especificados, estabelecer condição mínima, necessária mas não necessariamente suficiente à dedutibilidade das despesas. Entendo que a suficiência de tais recibos e/ou indicação de cheques nominativos de pagamento como comprovantes para fins de dedutibilidade das despesas, está, consoante expressamente respaldado pelo art. 73 supra reproduzido, condicionada ao juízo da autoridade tributária que pode, assim, no caso de existência de dúvida (razoável, em pleno respeito ao princípio da razoabilidade) quanto aos mesmos, perfeitamente em linha com o disposto no art. 932 do mesmo diploma, solicitar esclarecimentos adicionais (tais como elementos que comprovem o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços, ou seja, a efetiva utilização dos serviços pelos beneficiários). Nesta hipótese, uma vez não tendo sido satisfatórios os esclarecimentos prestados pelo contribuinte, é de completa legalidade a realização do lançamento de ofício, abandonandose (ou seja, glosandose) as parcelas para as quais o contribuinte não logrou êxito em esclarecêlas de forma satisfatória, na forma prevista pelo art. 845 supra. Realizada tal digressão, verifico que para o caso sob análise constatouse elevado montante associado a tais despesas constante da declaração do contribuinte. Assim, plenamente razoável que a fiscalização, diante de dúvida quanto a efetividade das despesas declaradas, tenha, através de termos de efls. 16, 76 e 81, recibos e provas de efetivo pagamento dos serviços prestados. Notase que consoante resposta a termo de intimação de efl 82, conforme apontado pelo auto, durante a ação fiscal, mesmo diante da existência dos recibos e/ou declarações por parte dos prestadores, houve a afirmação do contribuinte de inexistência de pagamento efetivo que não em moeda corrente, não tendo sido, ainda promovida qualquer anexação de elementos que pudessem comprovar tal afirmativa, tais como extratos contendo saques em espécie com coincidência de datas e valores com as despesas alegadas. Assim, também considero, com base nos elementos carreados aos autos, que, uma vez solicitados pela fiscalização os esclarecimentos devidos na forma legalmente amparada, não se comprovou de forma satisfatória a condição de dedutibilidade aplicável ao caso em questão, em linha com o princípio da verdade material, qual seja: a prova de seu efetivo pagamento, a partir de dúvida razoável existente quanto à declaração do autuado e quanto aos elementos posteriormente encaminhados à autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte nesta seara, mantendose em sua totalidade a glosa das despesas médicas e assemelhadas em litígio para as quais o contribuinte não conseguiu comprovar a efetividade do pagamento, rejeitandose assim os recibos de efls. 149 a 154 para o AC 2004; 169 a 170 e 172 a 176 para o AC 2005 e 182 e 184 a 195 para o AC 2006 como elementos suficientes para a dedutibilidade das despesas alegadas. b) Quanto à dedutibilidade de previdência privada para o AC 2004: Ainda que não tenha havido solicitação de esclarecimento adicional acerca da matéria pela autoridade fiscal, não consigo vislumbrar nos elementos de efls. 155 a 159 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13609.001444/200821 Acórdão n.º 2101002.740 S2C1T1 Fl. 235 8 segregação clara o suficiente para estabelecer ter o contribuinte suportado o ônus das contribuições previdenciárias no montante solicitado. Assim, entendo que é de se manter o valor constante de efl. 63 como valor comprovadamente dedutível, não havendo reparo a fazer ao recorrido nesta seara, também REJEITANDOSE o pleito recursal quanto a esta matéria. c) Quanto ás despesas com instrução do próprio contribuinte para os ACs 2004, 2005 e 2006: A partir da existência da de declaração de efls. 20 e 147 e, notese, da inexistência, nos autos, de qualquer solicitação de esclarecimentos acerca das despesas ali alegação pela autoridade lançadora, entendo que é de se aceitar tal elemento como válido para fins de comprovação, restabelecendose, assim, as deduções de despesas próprias com instrução, nos valores de R$ 1.998,00 (para o anocalendário de 2004), R$ 2.198,00 (para o anocalendário de 2005) e R$ 2.373,84 (para o anocalendário de 2006). Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, a fim de que se restabeleçam as deduções de despesas próprias com instrução, nos valores de R$ 1.998,00 (para o anocalendário de 2004), R$ 2.198,00 (para o anocalendário de 2005) e R$ 2.373,84 (para o anocalendário de 2006). É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/ 04/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10920.002463/2002-58
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000
EMENTA:
MULTA QUALIFICADA - BASE DE CÁLCULO -FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES E DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS-ACÓRDÃO PARADIGMA EM DESCOMPASSO COM OS FATOS. A ausência de identidade entre a situação fática contida no acórdão paradigma e a do caso dos autos impede o conhecimento do Recurso.
Numero da decisão: 9900-000.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 1997, 1998, 1999, 2000 EMENTA: MULTA QUALIFICADA - BASE DE CÁLCULO -FALTA DE ENTREGA DE DECLARAÇÕES E DE RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS-ACÓRDÃO PARADIGMA EM DESCOMPASSO COM OS FATOS. A ausência de identidade entre a situação fática contida no acórdão paradigma e a do caso dos autos impede o conhecimento do Recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (Vice-Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (Vice-Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (Vice-Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (Vice-Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice-Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (Vice-Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (Vice-Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (Vice-Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014).
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A ausência de identidade entre a situação fática contida no acórdão paradigma e a do caso dos autos impede o conhecimento do Recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, à época do julgamento), Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente da 1ª Câmara da lª Seção do CARF), Antônio Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 24 63 /2 00 2- 58 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 p or FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 2 Guidoni Filho (VicePresidente da lª Câmara da lª Seção do CARF), Rafael Vidal de Araújo (Presidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), João Carlos de Lima Júnior (VicePresidente da 2ª Câmara da lª Seção do CARF), Valmar Fonseca de Menezes (Presidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARP), Valmir Sandri (VicePresidente da 3ª Câmara da lª Seção do CARF), Jorge Celso Freire da Silva (Presidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Karem Jureidini Dias (VicePresidente da 4ª Câmara da lª Seção do CARF), Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Alexandre Naoki Nishioka (VicePresidente da lª Câmara da 2ª Seção do CARF), Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Gustavo Lian Haddad (VicePresidente da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Ivacir Júlio de Souza (conselheiro convocado) substituiu circunstancialmente (até a votação do item 7 da pauta) o conselheiro Marcelo Oliveira (Presidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Manoel Coelho Arruda Júnior (VicePresidente da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Elias Sampaio Freire (Presidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (VicePresidente da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF), Henrique Pinheiro Torres (Presidente da Câmara da 3ª Seção do CARF), Nanci Gama (Vice Presidente da lª Câmara da 3ª Seção do CARF), Joel Miyasaki (Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Rodrigo Cardozo Miranda (VicePresidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF) esteve ausente até a votação da 4ª proposta de enunciado de súmula submetida à apreciação, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Maria Teresa Martinez L6pez (VicePresidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF), Júlio César Alves Ramos (convocado para ocupar o lugar do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva (VicePresidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF), bem assim também foi convocado o conselheiro Antônio Lisboa Cardoso (substituição da conselheira Susy Gomes Hoffman, no dia 8/12/2014) e o Conselheiro Paulo Cortez (em substituição à conselheira Karem Jureidini Dias, no dia 09/12/2014). Relatório Em Recurso Extraordinário, fls. 606/613, admitido pelo Despacho nº 9100 00.510 proferido pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 624), datado de 14.01.2011, insurge a Fazenda Nacional contra o Acórdão 0203.690 (fls. 596/602), que por maioria de votos negou provimento ao seu Recurso Especial. O Acórdão traz a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 1997, 1998, 1999,2000 MULTA QUALIFICADA A falta de entrega de declarações de tributos e do pagamento correspondente, mesmo de forma reiterada, não tipifica, por si só, a fraude descrita no artigo 71 da Lei n° 4.502/64. Recurso especial negado. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 p or FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 10920.002463/200258 Acórdão n.º 9900000.966 CSRFPL Fl. 664 3 Busca a Fazenda Nacional a reforma do julgado acima transcrito por entender que a omissão na entrega de declarações de tributos, por quatro anos seguidos, é causa suficiente para caracterizar intuito de fraude e configurar a sonegação, nos termos do art. 71, da Lei nº 4.502/64. Utiliza como paradigma o Acórdão CSRF 0202026, proferido pela Segunda Turma da CSRF, que conclui pela incidência da multa de 150% quando houver sistemática e reiterada declaração a menor, realizada com a finalidade de retardar o conhecimento da autoridade fiscal quanto à ocorrência do fato gerador. Sustenta que é obrigação do contribuinte colaborar com a fiscalização, entregando corretamente as declarações que lhes incumbe, bem como todas as demais obrigações acessórias previstas nos arts. 194 e 195 do Código Tributário Nacional. Finalmente, requer o provimento do recurso por entender que a falta de colaboração entre o contribuinte e a fiscalização, bem como a omissão nas entregas das declarações, por quatro anos seguidos, são suficientes para caracterizar o intuito de fraude e sonegação fiscal. Contrarrazões fls. 653/660. Em sua defesa a Contribuinte afirma que a aplicação da multa de 150% só é cabível quando houver evidente e comprovado intuito de fraude ou a clara intenção dolosa de enganar, esconder ou iludir a fiscalização, hipóteses que não foram provadas pela Fazenda Nacional. Outrossim, aduz que, ao contrário do que alegou a Recorrente, ficou comprovado nos autos que a Contribuinte mantém em dia a sua escrita fiscal e comercial com os registros de todas as suas operações; elabora balancetes mensais com a mais absoluta lisura quanto às operações comerciais; elabora todas as declarações de imposto de renda e as mantém arquivadas com fácil acesso ao Fisco. Argumenta que muito embora não tenha entregado as respectivas declarações à repartição, confeccionouas durante todo o exercício em apuração e essa conduta poderia ensejar, no máximo, uma penalidade administrativa moratória por descumprimento de obrigação acessória. Sustenta que os acórdãos paradigmas apresentados pela Fazenda Nacional divergem da realidade fática dos autos. Isto porque, naqueles, o contribuinte teria apresentado declarações falsas a fim de burlar a fiscalização, enquanto que no caso em comento, o sujeito Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 p or FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA 4 passivo se omitiu na apresentação de tais documentos, que inclusive foram utilizados pelo Fisco como base para os lançamentos efetuados. É o relatório Voto Conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA O recurso não preenche condições de admissibilidade, dele não tomo conhecimento pelas razões a seguir expostas. O Acórdão paradigma apresentado, tem a seguinte configuração: Acórdão CSRF/0202026, de 17.10.2005 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRA UDE A SISTEMÁTICA E REITERADA DECLARAÇÃO A MENOR DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA, EM VALORES INFERIORES AOS QUE SERIAM APURADOS DE ACORDO COM A ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL, REPRESENTA PRÁTICA DE SONEGAÇÃO DOLOSA, COM A FINALIDADE DE RETARDAR O CONHECIMENTO PELA AUTORIDADE FISCAL DAS CIRCUNSTÂNCIAS MATERIAIS DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. (Fl. 622) O caso dos autos diz respeito, explícito, a não entrega de declarações de tributos e do pagamento correspondente, de forma reiterada. Portanto, iniludivelmente caracterizado a ausência de identidade entre as situações fáticas vez que, o que ocorreu no caso destes autos disse respeito a não entrega de declarações e o paradigma apresentado corresponde a entrega de declarações em dessintonia com a escrituração contábil. Em razão dessa insuperável constatação, voto pelo não conhecimento deste Recurso Extraordinário. Sala das Sessões, 9 de dezembro de 2014. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator Fl. 666DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 p or FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Processo nº 10920.002463/200258 Acórdão n.º 9900000.966 CSRFPL Fl. 665 5 Fl. 667DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2015 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 10/07/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 09/07/2015 p or FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918993/2012-93
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 25/06/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 25/06/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2148; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.918993/201293 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801005.147 – 1ª Turma Especial Sessão de 25 de fevereiro de 2015 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente CALIENDO METALURGIA E GRAVACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 25/06/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 93 /2 01 2- 93 Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918993/201293 Acórdão n.º 3801005.147 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10768.005947/2002-69
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade da Cofins, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. não comprova.
Recurso Especial Negado
Numero da decisão: 9303-003.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2006; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 326 1 325 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.005947/200269 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.306 – 3ª Turma Sessão de 25 de março de 2015 Matéria AI Cofins Processo judicial não comprovado Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GOLDEN CROSS ASSISTÊNCIA INTERNACIONAL DE SAÚDE LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovada a existência do processo judicial informado na DCTF, e que nele houve decisão autorizando a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade da Cofins, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso Especial Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López, Carlos Alberto Freitas Barreto e a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, ausente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 59 47 /2 00 2- 69 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005947/200269 Acórdão n.º 9303003.306 CSRFT3 Fl. 327 2 Relatório Os fatos foram bem descritos no relatório do acórdão recorrido, o qual transcrevo: Tratase de Auto de Infração lavrado em decorrência de irregularidades constatadas nos créditos vinculados informados em DCTF correspondentes à Cofins não recolhida referente aos meses 04/1997 a 06/1997, acrescida da multa de oficio e dos juros de mora correspondentes, tendo por fundamento a expressão “processo judicial não comprovado”. O relatório produzido pela DRJ do Rio de Janeiro assim sintetizou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade: A Interessada, inconformada, apresentou, em 18/04/2002, a impugnação de fls. 1 a 17, na qual alega, em síntese: Que o débito inexiste, correspondendo todo ele a débito com exigibilidade suspensa por força de medida judicial, devidamente informada nas DCTF. A impropriedade da utilização do lançamento em situação que enseja, não a exigência da tributo, mas a intimação para apresentação de documentos suficientes à satisfação das necessidades do ente tributante, sem necessidade de instauração do contencioso. Assim, falta ao caso em exame a indispensável caracterização ao ato de lançamento, tendo em vista que o fundamento apontado na peça de autuação não corresponde a qualquer inadimplemento obrigacional, mas sim à necessidade de comprovação da discussão judicial informada na declaração. Anexou a impugnante a documentação de fls. 61 a 88, indicando ter proposto, em 08/05/1997, Ação Declaratória n° 97.00131580 com pedido de antecipação de tutela, voltada ao questionamento da exigência da Cofins incidente sobre os valores recebidos dos associados, pelo fato de que este numerário não é decorrente da prestação de serviços, nem da venda de mercadorias, ou seja, não pode ser classificado como faturamento. Às fls 87 a 88, consta a autorização para a realização de depósitos judiciais para fins da suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido, a teor do artigo 151, II, do CTN, desde que efetuado no montante exigido pelo credor e tempestivamente. A decisão de 1ª instância, rejeitou o pedido inicial e julgou improcedente a ação, de acordo com a documentação de fls. 82 a 86. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005947/200269 Acórdão n.º 9303003.306 CSRFT3 Fl. 328 3 Anexei às folhas 145 a 148 consulta ao sitio da Justiça Federal, indicando estar o processo aguardando julgamento no TRF da 3ª Região. A partir das informações e documentos apresentados, a DRJ do Rio de Janeiro entendeu por bem cancelar o lançamento fiscal em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO.DCTF. Cancelase a autuação fundamentada tão somente pela expressão "processo judicial não comprovado" a partir da constatação de que a interessada é parte na demanda judicial tida como inexistente. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Julgando o feito, o Colegiado recorrido negou provimento ao recurso de ofício, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL.Comprovado pelo contribuinte a existência de processo judicial, ocorre impossibilidade de manutenção do auto de infração, por total ausência de fundamento e objeto. Recurso de Ofício Negado. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugna pelo restabelecimento da exigência fiscal. O apelo fazendário logrou seguimento, nos termos do despacho de admissibilidade de fls. 266 a 269. Regularmente cientificado do acórdão e do recurso fazendário, o sujeito passivo apresentou contrarrazões, onde requer a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres Fl. 328DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005947/200269 Acórdão n.º 9303003.306 CSRFT3 Fl. 329 4 O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a autuação de que trata o presente teria sido motivada pelo fato de o processo de n° 97.00131580, indicado nas DCTF como aquele que respaldaria a suspensão dos débitos ora exigidos, ser "não comprovado". Em função da falta de comprovação do referido processo foram lançados os valores tidos como indevidamente suspensos, acompanhados de multa de oficio e juros de mora. De outro lado, como bem consignou a decisão de primeira instância, o sujeito passivo trouxe aos autos, fls. 87 e 88, trouxe decisão proferida nos autos do processo n° 97.00131580 que deferiu a realização de depósitos judiciais para a suspensão da exigibilidade da Cofins. Às folhas 90 a 92, trouxe as cópias das guias de depósito judicial referentes às competências objeto de lançamento de oficio. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento II do Rio de Janeiro, cancelou o lançamento fiscal, por considerar que a comprovação da existência do processo e dos depósitos judiciais derrubariam a fundamentação do lançamento de ofício. A Câmara recorrida negou provimento ao recurso de ofício, por entender que a comprovação do processo judicial tornaria inexistente o fundamento do auto de infração. O Processo Administrativo Fiscal exige uma série de requisitos para a formalização do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, dentre os quais destacase o da correta fundamentação da acusação fiscal. Isso porque, no Estado Democrático de Direito, a todos os administrados é assegurado, diante de uma acusação, seja administrativa ou judicial, saber os fatos que lhes foram imputados e os fundamentos que justificaram tal acusação. Isso em decorrência de princípios basilares assentados nas constituições democráticas modernas. No nosso ordenamento jurídico, os acusados defendemse dos fatos que lhes foram imputados, inconsistentes esses, inconsistente também será a acusação. No caso dos autos, a autuação deuse sob a premissa de que a ação judicial e os depósitos judiciais informados pelo sujeito passivo, como base para a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não existiriam. Ora, se essa era a acusação, “proc jud não comprova”, e se o sujeito passivo comprovou a existência tanto da ação quanto dos depósitos, não resta dúvida que a acusação fiscal é totalmente insubsistente. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Relator Fl. 329DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10768.005947/200269 Acórdão n.º 9303003.306 CSRFT3 Fl. 330 5 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 27/08/ 2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/08/2015 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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