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Numero do processo: 10830.720402/2011-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2006, 2007
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA.
A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício.
REFLEXOS OU RUBRICAS ESPECIFICADAS.
Reflexos ou rubricas especificadas, tais como as relacionadas aos deslocamentos, auxílio creche ou alimentação. Isenção.
Numero da decisão: 2201-004.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA POR FALTA DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício. REFLEXOS OU RUBRICAS ESPECIFICADAS. Reflexos ou rubricas especificadas, tais como as relacionadas aos deslocamentos, auxílio creche ou alimentação. Isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fofano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Mônica Renata Mello Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 02 /2 01 1- 76 Fl. 7695DF CARF MF 2 Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra (Presidente em Exercício). Relatório Tratase do rejulgamento do Recurso Voluntário de fls. 7002/7112 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), de fls. 6946/6996, que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário, que visa à cobrança de multa de ofício isolada de 75%, decorrente da falta de retenção do imposto de renda pessoa física. Nos presentes autos foram apreciados embargos de declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.418, fl. 7582 a 7586, exarado pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2006, 2007 PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR PESSOA JURÍDICA. A existência da empresa previamente à prestação do serviço e a não exclusividade de atendimento descaracteriza o vínculo empregatício. Recurso Voluntário Provido Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração formalizado pela petição de fl. 7588 a 7593, o qual foi, inicialmente, não conhecido, conforme despacho de fl. 7642/7643. Contudo, após nova manifestação da representação da Fazenda Nacional, fl. 7647 a 7649, o Presidente da 2ª Seção de Julgamento deste CARF exarou o despacho de fl. 7659/7660, com o qual revisou o decisão de não conhecimento anterior, admitindo os embargos originais. A representação da Fazenda alegou que o Acórdão embargado incorreu em omissão, lastreada nas seguintes razões: (...) No entender da União (Fazenda Nacional) há grave violação aos direitos das partes objeto do presente processo administrativo fiscal. Expliquese. Ocorre que o acórdão embargado foi omisso sobre os fundamentos que ensejaram o provimento parcial do Recurso Voluntário, conforme transcrição integral do voto condutor, nestes termos: “Faço notar que: a) a presente Conselheira não participava deste Colegiado à época do julgamento do Recurso e da conseqüente prolação do Acórdão aqui formalizado; b) foram improfícuas as tentativas de obtenção das razões de decidir adotadas pelo voto condutor e encampadas pela maioria do Colegiado, sendo que o Conselheiro Relator não mais compõe o Fl. 7696DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.949 S2C2T1 Fl. 7.696 3 presente Colegiado. Destarte, me limito, na presente formalização, a reproduzir o decisum constante em ata." Como visto, a ilustre Relatora AdHoc designada não apontou fundamento algum que respalde a conclusão do julgado.... Após apresentar as considerações e fundamentos legais que julgou pertinentes, requereu a retificação do Acórdão embargado para nele fazer constar as razões de convencimento da Turma Julgadora ou, no caso de impossibilidade, que seja proferido novo acórdão. Em sessão de julgamento, esta colenda Turma decidiu, por maioria de votos, em conhecer e acolher os embargos propostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, sanando a omissão apontada, declarar a nulidade do Acórdão nº 2101002.418, de 18 de março de 2014. Vencido o Conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que manifestou interesse em apresentar declaração de voto. Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 7002/7112, alegando, em apertada síntese: que não seriam devidas as retenções, por não se tratarem de verba remuneratória, além do fato de as empresas prestadoras de serviços já existiam anteriormente à contratação dos serviços e que mais de 80% das empresas continuavam a operar à época da impugnação. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. A meu ver, o presente caso está intimamente ligado ao processo nº 10830.012365/200823, ou seja, se naqueles autos, não são devidas as contribuições sociais lá cobradas, bem como pelo fato de não se haver reconhecida a presença cumulativa dos requisitos previstos no artigo 3º da CLT, não há que se falar, neste caso, em falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Nos termos do artigo 6º do Anexo II da Portaria 343/2015, estamos diante de um lançamento reflexo: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 7697DF CARF MF 4 I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Ou seja, dos mesmos elementos de prova utilizados naqueles autos, podem ser aproveitados nos presentes. Da parte daqueles autos e que interessa ao deslinde do presente pedimos a vênia para transcrever o trecho constante do acórdão nº 2401002.811: Não basta que alegue que um conjunto de provas, em si, traduz a presença da relação de emprego, sem que no relatório fiscal aponte especificadamente os elementos que entendeu caracterizam cada uma das situações que atraiam a incidência, in casu, do art. 3o da CLT. E talvez, assim tenha procedido, por entender cabível que no caso o ônus da prova em demonstrar que a relação de emprego não existia, era, a todo momento, do contribuinte em questão. Assim, em momento algum o fiscal autuante cumpriu fielmente com o disposto no art. 142 do CTN, e caracterizar a contento os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Dos autos, há de se pontuar, também, que a recorrente trouxe provas a seu favor e que em meu sentir convergem com as conclusões do Ministério Público do Trabalho tomadas antes mesmo de ter sido efetuado o presente lançamento, mas totalmente desconsideradas pela fiscalização, afastando a força probante dos poucos elementos tomados por ela para levar a efeito o lançamento de forma genérica, dando força aos argumentos pela ausência da devida caracterização do fato gerador das contribuições, no caso específico. Foram colacionados documentos que demonstram, mesmo que por amostragem (muito maior do que a adotada pela fiscalização), que várias empresas foram constituídas antes mesmo do procedimento fiscal levado a efeito e a contratação pela recorrente; várias delas, independentemente ou não de terem Fl. 7698DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.949 S2C2T1 Fl. 7.697 5 sido constituídas em data anterior à contratação, vieram a prestar serviços a outros tomadores de serviços no mesmo período da autuação, quando juntou inclusive os balanços que demonstram as receitas auferidas por mais de uma contratante, o que nos leva a crer não possuírem emissão seqüencial de notas fiscais exclusivamente para a recorrente, bem como a comprovação de que outras possuem sites próprios e continuam operando com outros tomadores de serviços, mesmo após não mais serem contratadas pela recorrente. Ademais, às fls. 29.703/29.724 a recorrente colaciona sentenças proferidas em ações trabalhistas, por exemplo, a de N. 0015682008 que tramitou perante a 20a Vara do Trabalho de Recife e outra no Estado de São Paulo, na qual, verificase ter sido analisada também a questão da suposta ilegalidade na contratação de empregados por intermédio de pessoas jurídicas, oportunidade na qual, ali se entendeu que não estavam presentes os requisitos da relação de emprego. Tais documentos, repetidos por 05 (cinco) vezes, foram os que de fato avolumaram o presente processo, e não as provas do vínculo trazidas pela fiscalização, que se resumiram nas que já me referi no presente voto. Não estou aqui a entender que entre a recorrente e as empresas contratantes não possa vir a ser caracterizado o vínculo de emprego, mas sim, que da forma como fora levado a efeito nos autos do presente processo, de forma genérica e calcada em provas que por si só não se prestam para o fim colimado, a comprovação da existência de cada um dos pressupostos do art. 3o da CLT, quais sejam, a subordinação, pessoalidade, habitualidade e onerosidade, não foi devidamente levado a efeito pelo fiscal, ainda mais pela indevida adoção do procedimento de aferição indireta como caracterizador dos fatos geradores e não da aferição da base de cálculo das contribuições, o que caracteriza ilegalidade no presente lançamento, sendo que as provas trazidas aos autos pela contribuinte ainda mais me convencem no sentido de que aquelas poucas justificativas adotadas como fundamento do lançamento são, por demais, insuficientes ao fim pretendido. Ante todo o exposto, voto no sentido de excluir do lançamento as rubricas P31 SEG EMPRE SR PJ 2003 a 2005 e P32 SEG EMPRE SR PJ 2006 A 2007. Cumpre ressaltar que o período a que se refere o presente PAF é o de 2006 e 2007. No caso em discussão, a Autoridade Fiscal, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal lavrou o Auto de Infração sob o argumento de que a Recorrente contrataria seus empregados como prestadores de serviços, firmando contratos e remunerando os mediante a emissão de notas fiscais de serviços de pessoas jurídicas, bem como não reteve o Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF referente a rendimentos tributáveis constantes da folha de pagamento, tais como, valores relativos às rubricas Alimentação e Transporte. Fl. 7699DF CARF MF 6 Nos termos de sua defesa, a Recorrente conseguiu comprovar, tanto nos autos do processo nº 10830.012365/200823, quanto nos presentes autos, que as empresas contratadas pela Recorrente são Pessoas Jurídica regulares que prestaram serviços para a ela nos anos de 2006 e 2007, não havendo elementos que comprovam que se trata de empresas de fachada, com intuito empresarial efetivo que não se restringe à contratação pela Recorrente e além disso, restou devidamente comprovado que as rubricas constantes da folha de pagamentos da Recorrente são rendimentos isentos ou não tributáveis. Merece destaque o fato destacado no Recurso Voluntário: Aliás, conforme será demonstrado detalhadamente posteriormente, está comprovado que: (i) as empresas prestadoras de serviços contratadas pela Recorrente prestaram serviços a outras empresa; (ii) das 1566 empresas contratadas pela Recorrente, 733 empresas foram registradas no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ da Secretaria da Receita Federal do Brasil 12 (doze) meses antes de serem contratadas pela Stefanini; (iii) das 1566 empresas (100%) contratadas pela Stefanini nos anos de 2006 e 2007, período fiscalizado, 1372 empresas (88%) continuam ativas até os dias de hoje; e (iv) muitas empresas possuem anúncios e sites na internet. Estes dados apurados pela Recorrente foram confirmados pela empresa de auditoria Ernest & Young Terco, cujo relatório foi anexado a impugnação e também está anexado no presente recurso (doc. 07) No caso em tela, o Fiscal Autuante, nem mesmo a decisão recorrida não apontaram prova ou mesmo outro indício que justificasse a desconsideração da personalidade jurídica das 1566 empresas prestadoras de serviços à Recorrente, deveria ter sido feita por meio da desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do disposto no artigo 50 do Código Civil. Por outro lado, caso restasse devidamente caracterizada a utilização indevida das 1566 empresas para pagar menos contribuição previdenciária nos autos tidos como principais aos presentes, poderia, haver, de forma reflexa, a necessidade de manutenção do presente lançamento e conforme as provas produzidas nos autos, não é o que ocorreu. Também não merece prosperar a alegação, utilizada pela decisão recorrida de que "é importante salientar que o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, em seu artigo 150, inciso II, § 2º, inciso I, ao tratar de empresas individuais, veda expressamente que a exploração do exercício individual de atividade profissional sofra a incidência do imposto de renda na qualidade de pessoa jurídica." No caso, não há que se falar em empresas individuais, o que denotaria a correta aplicação da legislação (RIR), entretanto, verificase que as 1566 empresas que prestaram serviços para a Recorrente foram constituídas como sociedades por cotas com responsabilidade limitada, nos termos do disposto no artigo 1052 e seguintes do Código Civil. Ao contrário do que restou decidido pela decisão recorrida, as notas fiscais não eram sequenciais, e da análise dos documentos constantes dos presentes autos, as provas não favorecem a autuação e sim à Recorrente. Além disso, também não há que se falar no preenchimento dos requisitos do artigo 3º da CLT que seriam a necessidade da observância concomitante de quatro requisitos, que são: continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade. Fl. 7700DF CARF MF Processo nº 10830.720402/201176 Acórdão n.º 2201004.949 S2C2T1 Fl. 7.698 7 Por outro lado, os reflexos ou rubricas especificadas nos presentes autos, tais como as relacionadas aos deslocamentos, auxílio creche ou alimentação, consideroos como isentos nos termos da legislação de regência, mais especificamente, quanto ao disposto no artigo 43, I e II do CTN, art. 38 do RIR/99; Lei n º 7713/88 artigo 6º e 39 RIR/99. Conclusão Diante do exposto, dou provimento ao recurso voluntário. Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 7701DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001218/2009-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2009
NÃO CUMULATIVIDADE PIS E COFINS. CRÉDITOS DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE DO CUSTO OU DESPESA AO PROCESSO PRODUTIVO. CONTATO FÍSICO IRRELEVANTE.
Devem ser revertidas as glosas de créditos das contribuições uma vez comprovadas a essencialidade dos gastos ao processo produtivo da pessoa jurídica. Não é necessário o desgaste ou dano do insumo em razão de seu contato físico ou utilização direta no produto. Ilegalidade das Instruções normativas SRF 247/2002 e 404/2004 já declaradas pelo STJ em sede de recursos repetitivos.
SERVIÇOS TOMADOS. CRÉDITO. Há possibilidade de créditos de PIS e COFINS sobre os serviços tomados de pessoas jurídicas uma vez demonstrada a essencialidade de tais serviços para seu processo produtivo, sem os quais, nem poderiam ser iniciados.
ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE
Não é possível a escrituração do crédito das contribuições os custos das aquisições de ativos caso não seja demonstrada sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.
DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Possibilidade de crédito de COFINS e PIS para serviços de manutenção periódica dos caminhões da pessoa jurídica, desde que demonstrada a utilização de tais veículo no processo produtivo e desde que esta manutenção não necessite ser ativado, caso em que o crédito se faz de outra forma.
ALUGUEL. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Possibilidade de crédito das despesa de aluguel de máquinas e equipamentos utilizadas pela pessoa jurídica para o desenvolvimento de sua atividade econômica.
FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. TRANSPORTADOR COOPERATIVA.
As transportadoras cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições os valores repassados aos cooperados a título de ato cooperativo. IN SRF 635/2006. De modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos das contribuições, pois, sobre estas parcelas, não houve incidência do PIS e COFINS no serviço de frete.
ENERGIA ELÉTRICA. FORNECEDOR LOCALIZADO EM OUTRO ESTADO DA FEDERAÇÃO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE DO CRÉDITO.
Quando a energia elétrica é adquirida para consumo da indústria, mas o fornecedor está localizado em outro estado da federação, a Constituição Federal estabelece imunidade de ICMS próprio na venda da energia. No entanto, há incidência de ICMS-ST na entrada da energia no estado de destino, cujo contribuinte é o próprio adquirente. O fornecedor é obrigado a recolher em nome deste contribuinte, por substituição tributária, o ICMS devido na operação. Este ICMS-ST destacado no documento fiscal não integrou o preço da energia elétrica e, portanto, sobre este montante não houve incidência do PIS e da COFINS. A parcela referente ao ICMS-ST deve ser excluída da base de cálculo dos créditos das contribuições nos termos do art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718/1998.
Numero da decisão: 3301-005.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas referentes às despesas de materiais utilizados como insumos no processo produtivo, explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado; despesas de serviços utilizados como insumos de sua produção, especificamente, e tão somente, os serviços de desmonte de rochas; despesas com locação de máquinas e equipamentos e locação de perfuratrizes.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/03/2009 NÃO CUMULATIVIDADE PIS E COFINS. CRÉDITOS DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE DO CUSTO OU DESPESA AO PROCESSO PRODUTIVO. CONTATO FÍSICO IRRELEVANTE. Devem ser revertidas as glosas de créditos das contribuições uma vez comprovadas a essencialidade dos gastos ao processo produtivo da pessoa jurídica. Não é necessário o desgaste ou dano do insumo em razão de seu contato físico ou utilização direta no produto. Ilegalidade das Instruções normativas SRF 247/2002 e 404/2004 já declaradas pelo STJ em sede de recursos repetitivos. SERVIÇOS TOMADOS. CRÉDITO. Há possibilidade de créditos de PIS e COFINS sobre os serviços tomados de pessoas jurídicas uma vez demonstrada a essencialidade de tais serviços para seu processo produtivo, sem os quais, nem poderiam ser iniciados. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível a escrituração do crédito das contribuições os custos das aquisições de ativos caso não seja demonstrada sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Possibilidade de crédito de COFINS e PIS para serviços de manutenção periódica dos caminhões da pessoa jurídica, desde que demonstrada a utilização de tais veículo no processo produtivo e desde que esta manutenção não necessite ser ativado, caso em que o crédito se faz de outra forma. ALUGUEL. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Possibilidade de crédito das despesa de aluguel de máquinas e equipamentos utilizadas pela pessoa jurídica para o desenvolvimento de sua atividade econômica. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. TRANSPORTADOR COOPERATIVA. As transportadoras cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições os valores repassados aos cooperados a título de ato cooperativo. IN SRF 635/2006. De modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos das contribuições, pois, sobre estas parcelas, não houve incidência do PIS e COFINS no serviço de frete. ENERGIA ELÉTRICA. FORNECEDOR LOCALIZADO EM OUTRO ESTADO DA FEDERAÇÃO. ICMS-ST. IMPOSSIBILIDADE DO CRÉDITO. Quando a energia elétrica é adquirida para consumo da indústria, mas o fornecedor está localizado em outro estado da federação, a Constituição Federal estabelece imunidade de ICMS próprio na venda da energia. No entanto, há incidência de ICMS-ST na entrada da energia no estado de destino, cujo contribuinte é o próprio adquirente. O fornecedor é obrigado a recolher em nome deste contribuinte, por substituição tributária, o ICMS devido na operação. Este ICMS-ST destacado no documento fiscal não integrou o preço da energia elétrica e, portanto, sobre este montante não houve incidência do PIS e da COFINS. A parcela referente ao ICMS-ST deve ser excluída da base de cálculo dos créditos das contribuições nos termos do art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718/1998.
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CRÉDITOS DE INSUMOS. ESSENCIALIDADE DO CUSTO OU DESPESA AO PROCESSO PRODUTIVO. CONTATO FÍSICO IRRELEVANTE. Devem ser revertidas as glosas de créditos das contribuições uma vez comprovadas a essencialidade dos gastos ao processo produtivo da pessoa jurídica. Não é necessário o desgaste ou dano do insumo em razão de seu contato físico ou utilização direta no produto. Ilegalidade das Instruções normativas SRF 247/2002 e 404/2004 já declaradas pelo STJ em sede de recursos repetitivos. SERVIÇOS TOMADOS. CRÉDITO. Há possibilidade de créditos de PIS e COFINS sobre os serviços tomados de pessoas jurídicas uma vez demonstrada a essencialidade de tais serviços para seu processo produtivo, sem os quais, nem poderiam ser iniciados. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE Não é possível a escrituração do crédito das contribuições os custos das aquisições de ativos caso não seja demonstrada sua utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. DESPESAS COM SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL MANUTENÇÃO DE VEÍCULOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Possibilidade de crédito de COFINS e PIS para serviços de manutenção periódica dos caminhões da pessoa jurídica, desde que demonstrada a utilização de tais veículo no processo produtivo e desde que esta manutenção não necessite ser ativado, caso em que o crédito se faz de outra forma. ALUGUEL. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 12 18 /2 00 9- 72 Fl. 235DF CARF MF 2 Possibilidade de crédito das despesa de aluguel de máquinas e equipamentos utilizadas pela pessoa jurídica para o desenvolvimento de sua atividade econômica. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS. TRANSPORTADOR COOPERATIVA. As transportadoras cooperativas podem deduzir da base de cálculo das contribuições os valores repassados aos cooperados a título de ato cooperativo. IN SRF 635/2006. De modo que tais valores devem ser excluídos da base de cálculo dos créditos das contribuições, pois, sobre estas parcelas, não houve incidência do PIS e COFINS no serviço de frete. ENERGIA ELÉTRICA. FORNECEDOR LOCALIZADO EM OUTRO ESTADO DA FEDERAÇÃO. ICMSST. IMPOSSIBILIDADE DO CRÉDITO. Quando a energia elétrica é adquirida para consumo da indústria, mas o fornecedor está localizado em outro estado da federação, a Constituição Federal estabelece imunidade de ICMS próprio na venda da energia. No entanto, há incidência de ICMSST na entrada da energia no estado de destino, cujo contribuinte é o próprio adquirente. O fornecedor é obrigado a recolher em nome deste contribuinte, por substituição tributária, o ICMS devido na operação. Este ICMSST destacado no documento fiscal não integrou o preço da energia elétrica e, portanto, sobre este montante não houve incidência do PIS e da COFINS. A parcela referente ao ICMSST deve ser excluída da base de cálculo dos créditos das contribuições nos termos do art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718/1998. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar as glosas referentes às despesas de materiais utilizados como insumos no processo produtivo, explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado; despesas de serviços utilizados como insumos de sua produção, especificamente, e tão somente, os serviços de desmonte de rochas; despesas com locação de máquinas e equipamentos e locação de perfuratrizes. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marco Antonio Marinho Nunes, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Fl. 236DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 236 3 Tratase de três declarações de compensação realizadas pela contribuinte nos PER/DCOMPs 28586.13871.281008.1.3.091710, 37232.70834.191108.1.3.093292, 03652.71747.281108.1.3.092062 (fls. 0831), informando um crédito de COFINS decorrente de exportação na monta de R$ 3.814.287,98 (três milhões oitocentos e quatorze mil, duzentos e oitenta e sete reais e noventa e oito centavos), correspondente ao período terceiro trimestre de 2008. Para utilizar este suposto crédito, a Recorrente então transmitiu as DCOMPs acima mencionadas, informando a compensação com débitos de PIS, COFINS, IRPJ estimativa e CSLL para os períodos de setembro e outubro de 2008. Para tratamento da compensação, a Secretaria da Receita Federal intimou a contribuinte (fls. 5354) para que apresentasse a composição mensal dos bens e serviços utilizados como insumos como todos os dados das notas fiscais; a composição mensal das despesas de armazenagem e fretes nas operações de venda; a composição mensal dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado, como os dados fiscais da compra; documentos para comprovação dos valores informados nos DACONs de 2008 a título de energia elétrica; a composição mensal das receitas do mercado interna e as decorrentes de exportação. Como resposta da intimação (fls. 6061) a contribuinte descreveu as etapas de seu processo produtivo, desde a lavra e extração do minério até sua industrialização para venda (lavra, britagem, moagem, flotação, e desaguamento de concentrado e filtragem), afirmando que seu produto final é o concentrado de cobre, e, para as operações relativas ao terceiro trimestre/2008, juntou: os registros de exportação (fls. 7374); relação de notas fiscais correspondente às vendas no mercado interno (fls. 7577); relação de notas fiscais de exportação (fls. 7880); relação de notas fiscais insumos (explosivos, óleo diesel, cal hidratado, reagentes) (fls. 8186); relação de notas fiscais de serviços (desmonte de rocha, manutenção dos RK, serviços de locação de equipamentos, manutenção dos RKs, obras civis, remoção de estéril) (fls. 8789) notas fiscais aquisição de imobilizado (fls. 9192) (máquinas e outros equipamentos, transformador, leitores, impressora, balança, rádio portátil, palm top); notas fiscais de energia elétrica. fls. 9395; Dacon e carta com informações sobre a não incidência das contribuições sobre o frete prestado por CTAH — Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte (fls. 96101). Sobreveio, em 05/04/2010, o Despacho Decisório nº 103 (fls 102103), homologando parcialmente as compensações efetuadas: Fl. 237DF CARF MF 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Ementa: Declaração de Compensação. Na produção de bens destinados à venda, somente os insumos que exercem ação direta sobre o produto em fabricação dão direito ao crédito na apuração da COFINS NãoCumulativa. Só as máquinas, os equipamentos e os outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito ao crédito na apuração da COFINS NãoCumulativa. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos A. aliquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Compensação Homologada em Parte Quanto à glosa de créditos relacionadas ao insumo, afirmou a fiscalização que somente dão direito ao crédito as despesas com materiais utilizados na produção que sofrem desgaste, dano ou perda de propriedades físicas decorrentes da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, nos termos da instrução normativa SRF nº 404/2004. Como os explosivos, reagentes, óleo combustível e etc. são utilizados na etapa de extração do minério e não propriamente na produção, sobre tais despesas não podem ser apurados créditos de PIS e COFINS, já que não exercem ação direta sobre o produto em fabricação (sulfeto de cobre). Em relação aos serviços utilizados como insumos, também glosou os créditos fundamentandose na IN SRF nº 404/2004, afirmando que não fazem parte da etapa de produção do concentrado de cobre, propriamente dita, como o desmonte de rochas, manutenção de caminhões (RK), manutenção da frota, locação de perfuratrizes, e remoção de estéril. São serviços que estão relacionados com a atividade de lavra. Quanto à glosa de créditos decorrentes das aquisições de ativo imobilizado, negou a possibilidade de crédito, pois a listagem das notas fiscais de aquisição de imobilizado (fls. 9192) (máquinas e outros equipamentos, transformador, leitores, impressora, balança, rádio portátil, palm top), referemse à ativos que não são utilizados na atividade de produção do concentrado de cobre. Ainda, afirmou que a interessada é beneficiária do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (Recap), desde 17/04/2007, sendo assim, mesmo que os itens do ativo fixo fossem utilizados na atividade de formação do concentrado de cobre, o PIS e COFINS nestas compras estão suspensos, não sendo possível apurar crédito. Em relação às despesas de energia elétrica, negou parte do crédito sob o fundamento de que o contribuinte lançou o valor inteiro da nota fiscal, e deixou de retirar o ICMS Substituição Tributária (recolhido pelo fornecedor), parcela esta que está fora da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 238DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 237 5 Quanto às glosas sobre despesas de frete de produto acabado, fundamentou que parte destes serviços foram prestados por cooperativa que não recolheu as contribuições pela prestação destes serviços em razão do art. 16 da IN SRF 635/2006. Neste caso específico não há incidência de PIS e COFINS sobre os valores repassados aos associados pelos serviços prestados, devendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Como não houve incidência sobre esta parcela, não é possível apurar crédito de PIS e COFINS. Ao final, reconheceu o crédito de R$ 404.303,13, em vez do montante de R$3.835.439,87 pleiteado pela interessada, homologando parcialmente a compensação. Inconformada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 118133), apresentando as seguintes razões, em síntese: a atividade da contribuinte é apenas uma. Há o processo de lavra ou extração mineração e suas atividades correlatas, mas integram de forma cíclica a atividade de produção mineral, já que todo o minério é extraído e processado exclusivamente pela contribuinte; a extração mineral é parte integrante de todo o processo produtivo. Caso a matériaprima fosse adquirida de terceiro, ela seria insumo. Não faz sentido não considerar esta mesma matéria prima como insumo apenas porque é a própria contribuinte quem faz a extração da rocha. discute o conceito de insumos, afirmando que não há uma definição na lei do PIS e da COFINS, nem mesmo em referência subsidiária da legislação do IPI; insumo deve ser entendido no sentido comum deste vocábulo na linguagem e representa cada um dos elementos, diretos e indiretos, necessários à produção de produtos e serviços, como, por exemplo, matériasprimas, máquinas, equipamentos, capital, mãodeobra, energia elétrica etc; defende a ilegalidade das Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, em razão de terem extrapolado os limites de sua competência ao fixar uma interpretação restritiva ao termo "insumos"; as referidas instruções normativas interpretaram o termo "insumos" em sentido estrito, amoldandoo a forma prevista no Regulamento do IPI, o que as torna viciadas de ilegalidade; em relação ao PIS e à COFINS, o conceito de "insumos" se relaciona com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas (arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda); cita soluções de consulta para afirmar que a própria RFB tem conceito abrangente de insumo ao permitir que serviço e aquisição de partes e peças de reposição e manutenção de máquinas utilizadas na produção dão direito a crédito; sobre as compras de ativo e sobre o RECAP, afirmou que a fiscalização não demonstrou quais os itens do ativo imobilizado foram objeto do RECAP para serem excluídos. Ao contrário, excluiu todos os ativos sem qualquer cuidado, gerando enormes prejuízos a Fl. 239DF CARF MF 6 contribuinte na apuração do seus créditos de COFINS, o que implica em cerceamento do direito de defesa da contribuinte; afirma também que, mesmo que seus ativos tenham sido adquiridos pelo RECAP, regime em que o PIS e a COFINS estão suspensos, a negativa de crédito sobre estes custos prevista na Lei nº 10.865/2004 fere a técnica da apuração não cumulativa das contribuições, erigida a dispositivo constitucional; caso não se permita a apuração destes crédito, mesmo que sem incidência nas aquisições, haverá apenas um diferimento do tributo, haja vista que a tributação será recuperada pela próxima etapa da cadeia produtiva, em ofensa à não cumulatividade, conforme já decidiu o STF em essência, o crédito calculado desses tributos é inegavelmente um direito de natureza presumida, já que os créditos são apurados sobre a base de cálculo; Em 02 de agosto de 2012, a 4ª Turma da DRJ/BSB proferiu o despacho nº 176, ordenando a devolução dos autos para a origem para realização de diligência para fins de identificar quais foram os ativos adquiridos sob o regime RECAP, nos seguintes termos (fls. 150151): (1) Examinar a alegação da contribuinte quanto aos itens do Ativo que não são objeto de Recap e, se for o caso, rever o Despacho Decisório; ou então (2) Fazer relatório circunstanciado do resultado da diligência, examinando as razões trazidas à colação; e (3) Em seguida, retornese o processo a esta instância de julgamento, abrindose prazo à defesa para fazer aditamento à Manifestação de Inconformidade, se for o caso, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto 7.574/2011. A Secretaria da Receita Federal intimou a contribuinte (fl. 152) para especificar quais bens foram adquiridos em 2007 e 2008 e que tenham sido beneficiados pelo RECAP, exigindo ainda a apresentação em arquivo magnético das notas fiscais de aquisição. A contribuinte apresentou resposta em fls. 153, informando que não existem notas fiscais de aquisição de bens do ativo imobilizado a ser apresentadas, considerando que para o período informado todas as aquisições realizadas foram objeto de incidência do PIS e da COFINS, o que gera direito ao desconto do crédito ora pleiteado. Como conclusão da diligência, fl. 179, a unidade de origem ratificou a informação de que todas as notas fiscais de aquisição de ativos não foram beneficiadas pelo RECAP: Anteriormente, já havíamos intimado a empresa a apresentar, por amostragem, notas fiscais referentes a compras de bens para o ativo imobilizado nos anos de 2007 e 2008. Verificamos que, realmente, não há informação em nenhuma delas de que a pessoa jurídica vendedora tivesse feito constar, na nota fiscal de venda, a expressão “venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS”, obrigatoriedade contida no art. 13, §1º, inciso II, da mencionada Instrução Normativa. Juntamos ao processo algumas das notas fiscais de 2008, fls. 155 a 167. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 238 7 Do exposto, verificase que o contribuinte, de fato, não fizera uso do benefício instituído pela IN SRF 605/2006, tendo em vista a declaração prestada em resposta à intimação recebida, bem assim pelo fato de os fornecedores não terem feito constar, nas notas fiscais de vendas, apresentadas por amostragem, a expressão "venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS". (grifei) A DRJ, em 29/02/2016, proferiu novo despacho ordenando nova diligência (fls. 180181): Às folhas 179, Informação Fiscal SAORT/DRF/Anápolis, reconhece que a contribuinte não fez uso do benefício instituído pela IN SRF 605/2006, entretanto não especifica o quantum de crédito tem direito a contribuinte, bem como não abre prazo para a defesa aditar sua manifestação de inconformidade. Assim, considerando que cabe ao Delegado reconhecer o direito de crédito e homologar a compensação, em primeira mão, conforme prevê a Instrução Normativa de regência, proponho seja encaminhado o processo à DRF/Anápolis, "ex vi" do art. 35 do Decreto 7.574/2011, para: (1) Determinar o montante de crédito tem direito a interessada relativamente ao benefício instituído pela IN SRF 605/2006; (2) Abrir prazo à defesa para fazer aditamento à Manifestação de Inconformidade; (3) Em seguida, retornese o processo a esta instância de julgamento, para que seja dado prosseguimento ao julgamento. (grifei) A unidade de origem então apresentou Informação fiscal (fl. 182) para dizer que constatou a inexistência de aquisições de ativo fixo com suspensão do PIS/COFINS, afirmando que tal fato daria direito à contribuinte de manter os créditos destes PIS e COFINS, caso fosse considerado apenas este aspecto do RECAP para a negativa dos créditos. Concluindo, diante das análises realizadas, verificamos que não há montante de crédito a ser determinado, com base na IN SRF 605/2006, haja vista que o contribuinte NÃO efetuou aquisições de ativo fixo amparadas na referida Instrução Normativa, restando comprovado que NÃO foram feitas glosas de créditos dos referidos tributos por meio do Despacho Decisório nº 103 – DRF/ANAGO, de 05/04/2010, fls. 102 a 113, o que dá direito à empresa, levandose em consideração apenas a abordagem deste tema, à manutenção dos créditos de PIS/COFINS, razão pela qual, novamente, não abriremos prazo para sua defesa, uma vez que o resultado desta diligência é favorável ao sujeito passivo. (grifei) Em 28 de setembro de 2017 a 4ª Turma da DRJ/BSB proferiu o Acórdão 03 077.064 (fls. 183192) julgando improcedente a manifestação de inconformidade: Assunto: Normas de Administração Tributária Fl. 241DF CARF MF 8 Anocalendário: 2008 PIS E COFINS NÃOCUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO DO BEM FABRICADO/PRODUZIDO. Geram crédito de PIS e Cofins, descontáveis do valor devido da contribuição e compensáveis, as aquisições de qualquer bem que sofra alteração, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. No que se refere às despesas com serviços, o termo “insumo” também não pode ser interpretado como todo e qualquer serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas tãosomente aqueles que efetivamente se aplicaram ou consumiram diretamente na produção dos bens fabricados/produzidos pelo interessado, ou, ainda, que se aplicaram ou consumiram nos serviços prestados pela empresa. CRÉDITOS REFERENTES AO ATIVO IMOBILIZADO Só as máquinas, os equipamentos e os outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, dão direito a crédito. ENERGIA ELÉTRICA – ICMS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA Excluise da base de cálculo para apuração de crédito do PIS e Cofins referente aos gastos com Energia Elétrica o valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. FRETES REALIZADOS POR COOPERATIVA Quando não há incidência do PIS/COFINS nos fretes realizados por Cooperativa de Transporte de Cargas, o valor dos serviços não compõe a base de cálculo dos créditos de PIS e Cofins. REGIME ESPECIAL DE AQUISIÇÃO DE BENS DE CAPITAL PARA EMPRESAS EXPORTADORAS – RECAP As aquisições efetuadas ao longo dos anos de 2007/2008 não foram objeto de RECAP, portanto, não há geração de crédito de PIS/Cofins a este título. DECISÕES DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. EFEITOS. As Decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF são normas complementares das leis quando a lei atribui eficácia normativa e as decisões judiciais, no caso, só tem efeito inter partes e não erga omnes. Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 239 9 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da r. decisão em 09/10/2017, fl. 195. a contribuinte apresentou, no prazo, seu recurso voluntário repetindo os argumentos de sua manifestação de inconformidade e para acrescentar o que segue: Quanto aos insumos o recente entendimento adotado pelo CARF é de que insumo é toda despesa necessária ao processo produtivo e obtenção de receita tributável pelo contribuinte; geram direito ao crédito de COFINS, na qualidade de insumo, todo bem adquirido que seja indispensável à obtenção de receita tributável; que adquire uma elevada quantidade de bens para a exploração e a comercialização de minérios, sem os quais é impossível se obter o produto final por ela elaborado, qual seja o concentrado de cobre; cita como exemplo os explosivos, os detonadores, o biodiesel (combustível), as esferas de moinho, bem como as partes e peças de reposição do britador (NF nº 1270); se o minério está aglutinado à rocha, como se poderia promover a extrusão do mesmo sem a utilização de explosivos e detonadores?; em relação ao combustível (biodiesel), tratase de bem destinado à manutenção e ao abastecimento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo propriamente dito, diretamente envolvidos nas fases de lavra, britagem e moagem. no que diz respeito às esferas de moinho, são equipamentos destinados a esmagar e triturar o minério extraído da rocha; Quanto aos ativos afirmou que todos os ativos relacionados destinamse ao uso na fabricação do Concentrado de Cobre na mina localizada em Alto Horizonte – GO, não sendo possível o seu uso em lugar diverso, haja vista sua aquisição sob encomenda, dadas as especificidades decorrentes das propriedades físico químicas do minério localizado naquela região; Quanto ao RECAP reafirmou o que disse em manifestação, acerca da falta de discriminação, pela fiscalização, sobre quais são os ativos adquiridos sob este regime; restou comprovado, inclusive confirmado em diligência, que não houve aquisições de ativos contempladas pelos benefícios instituídos pelo RECAP. Quanto às despesas de energia elétrica a substituição tributária que ocorre com a energia elétrica, apenas e tão somente, atribui a responsabilidade ao gerador ou distribuidor, localizado em outra UF, pelo recolhimento do imposto devido por ele próprio; Fl. 243DF CARF MF 10 a energia elétrica adquirida não é destinada à comercialização, aplicandose o Convênio ICMS 83/2000 o qual prevê esta modalidade de substituição; o gerador ou distribuidor de outro Estado é o responsável pelo recolhimento do ICMS incidente na energia elétrica devida ao Estado de destino e consumida pelo contratante, não destinada a comercialização ou industrialização, por dedução lógica, a norma referese ao imposto devido pelo próprio gerador ou distribuidor, ou seja, o ICMS normal, que foi tratado como substituição tributária, pelo simples fato do estabelecimento fornecedor, não estar localizado na mesma UF de consumo; não se trata da mesma substituição tributária de ICMS aplicável para operações subsequentes com mercadorias, pelo simples fato de que a empresa adquirente da energia elétrica ser o consumidor final do produto em si; dessa forma, enseja o mesmo direito ao crédito de PIS/COFINS, sem a dedução do ICMS destacado no documento fiscal a título de substituição tributária; tratase do imposto estadual incidente pelas operações próprias, perfazendo o custo final do produto. Quanto ao frete contratado da CTAH — Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte, reiterou os argumentos de sua manifestação de inconformidade pugna pela verdade material; Este é o breve relato. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Inicialmente, o presente recurso voluntário merece ser conhecido, pois interposto no prazo legal e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Outrossim, é importante destacar que o presente processo decorre de 03 PER/DCOMPs para declaração de compensação por haver um suposto crédito de COFINS acumulado em razão de receitas de exportação (28586.13871.281008.1.3.091710, 37232.70834.191108.1.3.093292, 03652.71747.281108.1.3.092062). A compensação declarada nestas PER/DCOMPs foi analisada neste processo e a Secretaria da Receita Federal homologou parcialmente por entender que alguns créditos apurados pela Recorrente eram indevidos. A fiscalização partiu dos créditos informados nas DACONs e, realizando intimação para esclarecimentos e apresentação de documentos, atendida pela Recorrente, não concordou com a natureza ou com a comprovação dos créditos e efetuou as glosas. Assim, apenas para fixar os pontos controvertidos, houve glosa de créditos dos seguintes pontos: 1. créditos de insumos por decorrerem de despesas não relacionadas ao processo produtivo, com fulcro na Instrução Normativa SRF nº 404/2004; Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 240 11 2. créditos de serviços tomados, mas não relacionados com o processo produtivo, Instrução Normativa SRF nº 404/2004; 3. créditos decorrentes das aquisições de ativo imobilizado não utilizado na produção atividade da empresa; 4. exclusão da parcela da substituição tributária do ICMS destacada nas notas fiscais de aquisição de energia elétrica; 5. exclusão da parcela repassada aos cooperados prestadores de serviços de frete de produto acabado, pois sobre esta parcela não incide PIS e COFINS. Ressaltese, ainda, por tudo derivar de declaração de compensação, era dever da Recorrente apresentar em sua defesa o cotejo e explicação acerca da pertinência das notas fiscais de despesas carreadas aos autos com seu processo produtivo, relacionando e explicitando a essencialidade da despesa com cada etapa de seu processo produtivo. Não basta um acervo probatório, é preciso explicitálo para desvendar sua relação com o processo produtivo. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) (grifos não constam do original) Em alguns aspectos da defesa, o argumento pela pertinência do crédito foi genérico, sem demonstrar como utilizada uma dada despesa e sua pertinência ao processo produtivo, em outros momentos a defesa foi específica e, por fim, em outros momentos, a defesa foi de direito, invocando uma concepção mais ampla do termo "insumos" ou mesmo do principio da não cumulatividade. Fixadas estas premissas, passase a analisar o mérito da demanda e evidenciar estes pontos, separadamente, por glosa realizada conforme relatório adrede. 1. créditos de insumos por decorrerem de despesas não relacionadas ao processo produtivo. Inicialmente, destaquese que as glosas basearamse na Instrução Normativa SRF nº 404/2004 que estabelecia um conceito restrito de insumo, inspirado no IPI, para permitir créditos de PIS e COFINS apenas para despesas de matérias primas e produtos Fl. 245DF CARF MF 12 intermediários que se integrassem ao produto final, ou que sofressem desgaste pela ação direta no produção deste produto. No entanto, tal entendimento sofreu alterações ao longo do tem e após muito debate o conceito de insumos para fins de PIS e COFINS foi formatado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho de Contribuintes: construindose um conceito próprio de insumos para fins de PIS e COFINS, fundado na essencialidade ou imprescindibilidade do insumo para a a produção ou prestação de serviço da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Como este dispositivo legal se refere à insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, insumo então deve ter uma consideração relacional, devendo manter pertinência com o processo produtivo (inerência do bem ou serviço ao processo produtivo) e contribuir para o processo produtivo, como se pode verificado, à exemplo, do Acórdão nº 3403003.378, em que restou consignada "a necessidade de se analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com o a do IR" O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, influenciado pela jurisprudência do CARF, julgou, em sede de recursos repetitivos, que insumos, para fins de PIS e COFINS, deve ter um conceito próprio, no sentido da essencialidade para a produção ou para a prestação de serviços, julgando ilegais as Instruções normativas SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, verbis: O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. (...) 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; (...). (STJ. Resp nº 1.221.170/PR. Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho (grifei) Em informações prestadas pela Recorrente ainda em fase de fiscalização, informações estas utilizadas pela fiscalização para realização da glosa dos insumos, a Recorrente afirmou (fls. 6061) que seu processo produtivo é um todo unitário, complexo, envolvendo várias etapas, tais como a lavra e extração do minério, britagem, moagem, flotação, e desaguamento de concentrado e filtragem, não se resumindo apenas à fase de produção do concentrado de cobre, produto final de sua produção. Conforme relação de notas fiscais de fls. 8186, os insumos foram explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado. Em sua peça recursal a Recorrente apresentou a descrição de utilização destes explosivos e detonadores, essenciais para a lavra e extração do minério da rocha, bem como em relação ao combustível (biodiesel), utilizado na manutenção e abastecimento das máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo propriamente dito, diretamente envolvidos nas fases de lavra, britagem e moagem. Com isto, uma vez evidenciada a essencialidade destas despesas ao seu processo produtivo, é de se reconhecer que são insumos para o desenvolvimento de sua Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 241 13 atividade produtiva, que não se resume à sua etapa final de produção de concentrado de cobre, como entendido pela fiscalização. Devese reverter as glosas neste ponto. 2. créditos de serviços tomados, mas não relacionados com o processo produtivo A glosa destes serviços também foi fundada na IN 404/2004, já declarada ilegal pelo STJ conforme comentado acima. O agente fiscal, quando da atividade de fiscalização para apuração destes crédito, afirmou, expressamente, que sobre todas as despesas de serviços relacionados nas notas fiscais de fls. 8789 não poderia ser apurados créditos de PIS e COFINS, pois todos os serviços não estão relacionados com a etapa de produção do cobre, mas sim com a fase de lavra dos minérios, verbis: Na linha "Serviços Utilizados Como Insumos", o contribuinte agrupou notas fiscais de serviços que não fazem parte da etapa de produção do concentrado de cobre, propriamente dita (fls. 8688), como o desmonte de rochas, manutenção de caminhões (RK), manutenção da frota, locação de perfuratrizes, e remoção de estéril. Tudo diz respeito à atividade de lavra, logo não há como admitir a geração de créditos de serviços. Importante notar que as glosas relacionadas com os serviços de locação de máquinas e equipamentos e perfuratrizes, por si só, já devem ser revertidas, haja vista haver tratamento específico na Lei 10.833/2003 e na Lei 10.637/2002, permitindo a apuração de crédito sobre a locação de máquinas e equipamentos utilizadas na atividade da empresa, independentemente se pode ser considerado um insumo da produção: Art. 3º. IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Em relação aos serviços propriamente dito, no entanto, a Recorrente não descreveu a essencialidade dos serviços tomados para seu processo produtivo, com exceção dos serviços de desmontagem de rocha, afirmado pela própria fiscalização, como uma despesa relacionada com o processo de extração e lavra do minério de ferro. Já em relação aos demais serviços, como construção civil e serviços de manutenção de frota e de caminhões RK, não há nenhuma informação, nem mesmo descrição pela Recorrente, sobre sua relação com seu processo produtivo. Ademais, não é possível saber, até em razão do valor destes serviços, se estamos diante de uma despesa que deveria ser ativada, razão pela qual mantenho a glosa. Assim, ainda mais por se tratar de um caso de declaração de compensação, caberia à Recorrente demonstrar a essencialidade destes serviços ao seu processo produtivo. Desta feita, devem ser revertidas as glosas relacionadas aos serviços de desmontagem de rochas e sobre as despesas de locação de máquinas e equipamentos e as perfuratrizes. 3. créditos decorrentes das aquisições de ativo imobilizado e o RECAP Fl. 247DF CARF MF 14 Conforme notas fiscais de aquisição de ativos relacionadas no processo de fiscalização (fls. 9192), tais ativos se tratam, por exemplo, de máquinas e outros equipamentos, transformadores, leitores, impressora, balança, rádio portátil, palm top. A fiscalização negou aproveitamento de crédito sobre o custo destes ativos sob o argumento de que não estariam relacionados ao seu processo produto. Por mais que possa fazer parte de seu processo produtivo, a Recorrente não apresentou nenhum tipo de prova, nem em manifestação de inconformidade, nem em Recurso voluntário, sobre a utilização de tais equipamentos em seu processo produtivo. A Recorrente, frisese, não informou em qual etapa de sua produção estes equipamentos utilizados, seja qual for, lavra, filtragem ou moagem. Ao invés disso, a Recorrente apenas discutiu sobre se estas aquisições estavam beneficiadas pelo RECAP. Isso porque a fiscalização afirmou que, mesmo se fossem estes equipamentos considerados como utilizados na produção da empresa, tais custos não poderiam dar direito ao crédito das contribuições na medida em que tais aquisições estavam com suspensão do PIS e da COFINS, pois beneficiadas pelo RECAP. A DRJ baixou os autos em diligência para o tratamento deste ponto, a fim de verificar se estas aquisições estavam mesmo beneficiadas pelo RECAP ou não. O resultado da diligência foi de que tais equipamentos não foram adquiridos sob este regime, havendo, portanto, incidência das contribuições e esta conclusão foi feita pela própria unidade de origem. No entanto, a questão do RECAP foi um argumento secundário da fiscalização, já que o argumento principal foi pela premissa de que tais ativos não estavam relacionados com o processo produtivo. Desta feita, por mais que rádios portáteis e palm tops possam ter alguma relação com o processo produtivo da Recorrente, não houve provas, nem mesmo informações, sobre se realmente tinham tal destinação. Com isso, devem ser mantidas as glosas dos créditos apuradas sobre os ativos relacionados em fls. 9192. 4. exclusão da parcela da substituição tributária do ICMS destacada nas notas fiscais de aquisição de energia elétrica Quanto à energia elétrica, afirma a Recorrente que a substituição tributária aplicada nas aquisições de energia elétrica, referese à atribuição da responsabilidade tributária ao gerador ou distribuidor, localizado em outra unidade da federação, pelo recolhimento do imposto devido por ele próprio. Argumentou, por fim, que este ICMS denominado de ST é o próprio ICMS normal, que foi tratado como substituição tributária, pelo simples fato do estabelecimento fornecedor, não estar localizado na mesma UF de consumo. Neste ponto, equivocase a Recorrente. Isso porque a responsabilidade tributária para substituição tributária não faz sentido nenhum se o gerador ou distribuidor de energia localizado em outra unidade da federação é o próprio contribuinte. É justamente o contrário, o fornecedor da energia elétrica em operações interestaduais não é o contribuinte, mas sujeito passivo por substituição, recolhendo o ICMS Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 242 15 em nome do contribuinte que é justamente o adquirente da energia, o importador interestadual, justamente por estar em outro estado da federação, no caso, a Recorrente. Isso porque não há incidência de ICMS sobre a venda de energia elétrica nas operações interestaduais por determinação da própria Constituição da República, daí porque da atribuição da responsabilidade tributária ao fornecedor. Incide o imposto, todavia, na entrada da energia no Estado de destino, no caso Goiás, para utilização pelo consumidor final, a Recorrente. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: X não incidirá: (...) b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; Assim, o fornecedor de energia elétrica localizado em outra unidade da federação não é contribuinte, já que não há fato gerador na operação interestadual com energia elétrica. O fato gerador é a entrada no Estado de destino quando o adquirente for consumidor final. Como o fornecedor não é contribuinte, o Convênio nº 83/2000 apenas autorizou que cada Estado da Federação atribuísse ao estabelecimento gerador ou distribuidor situados em outras unidades federadas, a condição de substitutos tributários, relativamente ao ICMS incidente sobre a entrada, em seus territórios, de energia elétrica não destinada à comercialização ou à industrialização, conforme cláusula primeira do referido Convênio. Esta substituição tributária de ICMS, portanto, é atribuída por lei de cada unidade da federação, estabelecendo a sujeição passiva por substituição do fornecedor localizado em outro Estado, conforme autorizado por convênio. Lei Estado de Goiás 11.651/1991 Art. 11 O imposto incide sobre: I operações relativas à circulação de mercadorias; III a entrada, no território goiano, decorrente de operação interestadual, dos seguintes produtos, quando não destinados à comercialização ou à industrialização: b) energia elétrica; Fl. 249DF CARF MF 16 Art. 44 (...) § 1º É, também, contribuinte a pessoa natural ou jurídica que, mesmo sem habitualidade ou intuito comercial: IV adquira lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou industrialização. (grifei) Veja que o ICMS sobre a energia elétrica recolhido pela fornecedora localizada em outro unidade da federação nada mais é do que o imposto recolhido pelo remetente à título de responsabilidade por substituição em nome da Recorrente. Sendo assim, sobre o preço da energia em si não há ICMS, já que a Constituição veda a incidência do ICMS sobre a operação própria, havendo um outro ICMS, devido pela Recorrente, quando da entrada no território do Estado de destino. Com isso, constatase que o PIS e COFINS incidiu sobre a receita de venda de energia, mas na parcela do ICMSST destacado no documento fiscal não há PIS e COFINS, já que é um ICMS devido apenas pela Recorrente/consumidora. É justamente em razão disso que a Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, I, estabelece que não se inclui na receita bruta o ICMS quando cobrado pelo vendedor na condição de substituto tributário: § 2º. Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Desta feita, da parcela destacada à título de ICMS substituição tributária não deve ser excluída da apuração dos créditos destas contribuições, pois se trata de parcela que não está no preço da energia, já que devida em razão da entrada da energia no Estado de Goiás para o consumo da Recorrente, a verdadeira contribuinte do imposto. Com isso, podese apurar créditos de PIS e COFINS apenas sobre o preço da energia elétrica, excluindose a parcela referente ao ICMSST, merecendo a manutenção da glosa. 5. exclusão da parcela repassada aos cooperados prestadores de serviços de frete de produto acabado, pois sobre esta parcela não incide PIS e COFINS. Sob este ponto, assiste razão à fiscalização, devendo ser mantidas as glosas. Isso porque tanto a Lei 10.833/2003 quanto a Lei 10637/2002 prevêem a hipótese de impossibilidade de apuração de créditos de PIS e COFINS em casos de não incidência das contribuições nos custos e despesas da contribuinte. Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13116.001218/200972 Acórdão n.º 3301005.718 S3C3T1 Fl. 243 17 quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição A Recorrente tomou serviços de transporte prestado por, dentre outras, CTAH — Cooperativa de Transporte de Cargas de Alto Horizonte. Durante o procedimento de fiscalização, o agente fiscal questionou a transportadora para prestar esclarecimentos sobre a falta de incidência do PIS e da COFINS sobre o serviço prestado, conforme DACON de fls. 9699. Em resposta, fls. 100101, a transportadora afirmou que não recolheu as contribuições pela prestação destes serviços em razão do art. 16 da IN SRF 635/2006. Neste caso específico não há incidência de PIS e COFINS sobre os valores repassados aos associados pelos serviços prestados, devendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Como não houve incidência sobre esta parcela, não é possível apurar crédito de PIS e COFINS. Assim, dos serviços de transporte prestados pela cooperativa eram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS os ingressos decorrentes de ato cooperativo, assim entendido como a parcela da receita repassada ao associado, quando decorrente de serviços de transporte rodoviário de cargas por este prestado à cooperativa, nos termos no § 2º do art. 16 da IN SRF 635/2006. Com isso, sobre esta parcela correspondente ao ato cooperativo, por ter sido excluída da base de cálculo das contribuições devidas pela transportadora, não é possível a apuração de créditos de PIS e COFINS pela Recorrente. Isto posto, o presente recurso voluntário é conhecido, porém parcialmente provido, revertendose as glosas para permitir a apuração de créditos sobre: i) despesas de materiais utilizados como insumos no processo produtivo, explosivos, detonadores, óleo diesel, reagentes e cal hidratado; ii) despesas de serviços utilizados como insumos de sua produção, especificamente, e tão somente, os serviços de desmonte de rochas; iii) despesas com locação de máquinas e equipamentos e locação de perfuratrizes. Salvador Cândido Brandão Junior Relator Fl. 251DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.722505/2011-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 16/02/2006 a 04/10/2006
IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO INTERESSADO NA IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
As multas aduaneiras estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do Decreto-Lei nº 37/66. O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração.
Numero da decisão: 9303-007.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1.338 1 1.337 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.722505/201154 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.982 – 3ª Turma Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria 51.648.4395 II DECADÊNCIA Decadência do direito de lançar: contagem do prazo Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado D&A COMERCIO SERVICOS IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 16/02/2006 a 04/10/2006 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO INTERESSADO NA IMPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. As multas aduaneiras estão sujeitas ao prazo decadencial previsto no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. O prazo decadencial é de cinco anos contados da data da infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 25 05 /2 01 1- 54 Fl. 1183DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de autos de infração (efls. 247 a 250) para lançamento de tributos de imposto de importação, lavrados para constituição de crédito tributário referente a multa pela impossibilidade de apreensão de mercadoria por não ter sido ela localizada, ou consumida, em importação subfaturada/superfaturada, com interposição fraudulenta da autuada importadora que era administrada por sócios de fato da empresa. O subfaturamento/superfaturamento implicou lançamento de Cofins e PIS, e respectivas multas proporcionais Além da importadora em epígrafe, são também responsáveis solidários os sócios de fato: Caio M. Debossan, Erica Debossan Reinert, e a adquirente das mercadorias importadas, RSI Textil Ltda.. Foi dada ciência do Auto de Infração à importadora e às pessoas físicas solidárias por meio de seu representante legal, em 24/11/2011, bem como à responsável RSI Textil Ltda, em 25/11/2011. Os autos de infração em resumo, foram nos seguintes valores, com os juros de mora calculados até 31/10/2011: AUTO DE INFRAÇÃO VALORES (R$) Multa do controle administrativo (subfat.) 10.250,14 Multa proporcional ao valor aduaneiro (perdimento) 35.853,72 Multas isoladas TOTAL 46.103,86 Imposto 455,86 Juros de mora 240,73 Multa proporcional 20.729,51 Imposto sobre Produtos Industrializados IPI TOTAL 22.109,89 Contribuição 927,76 Juros de mora 489,95 Multa proporcional 1.391,64 CofinsImportação TOTAL 2.809,35 Contribição 552,19 Juros de mora 300,58 Multa proporcional 828,29 PISImportação TOTAL 1.681,06 TOTAL LANÇADO NO PROCESSO 72.704,16 A autuação resultou de três DIs, no montante de valor CIF de R$ 45.067,03. Os valores que importaram nas infrações foram apurados conforme descrição de fatos e enquadramento legal às efls. 270 a 361, constando do tópico "5. ESCOPO DO AUTO", à efl. 293, e estão resumidos no quadro abaixo: Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 9303007.982 CSRFT3 Fl. 1.339 3 DATA NÚMERO DI REGISTRO DESEMBARAÇO VALOR CIF (R$) 06/08979311 01/08/2006 04/08/2006 3.546,05 06/14437983 28/11/2006 29/11/2006 19.423,38 07/04905242 17/04/2007 18/04/2007 22.097,63 TOTAL 45.067,06| Irresignada, em 19/12/2011, a RSI Textil Ltda. apresentou impugnação, às e fls. 476 a 481. Em 21/12/2011, a importadora e seus sócios de fato impugnaram em conjunto a autuação, às efls. 470 à 532. Já a 23ª Turma da DRJ/SP1, apreciou a impugnação em 25/12/2013, e no acórdão nº 1650.674, às efls. 719 a 827, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Recurso voluntário da importadora e seus sócios de fato A importadora e seus sócios de fato foram intimados (efls. 830, 947 e 953) do acórdão da DRJ entre 21/10/2013 a empresa e 19/10/2013 as pessoas físicas. Ainda inconformados, interpuseram extenso recurso voluntário, às efls. 972 a 1055, em 20/11/2013 (efl. 971). Os pontos arguidos estão abaixo apresentados por tópicos: 1. ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 1.1. Compartilhamento de Provas Inobservância do Contraditório e da Ampla Defesa Inobservância de condição para o Compartilhamento Nulidade do Procedimento Fiscal. 1.2. Apreensão de Documentos Empresa Diversa da Investigada Ausência de Mandado Judicial Especifico ilicitude das Provas Nulidade 1.3. Apreensão de Documentos Investigação Criminal Inexistência de Correlação Entre os Crimes Investigados e as Infrações Apuradas Ilicitude das Provas. 2. CERCEAMENTO DE DEFESA 3. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO 4. EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 5. DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Fl. 1185DF CARF MF 4 6. ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO 7. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDI MENTO E MULTA DE CONVERSÃO 8. AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDI MENTO EM MULTA 9. INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO 10. INEXISTÊNCIA DE QUEBRA DA CADEIA DO IPI 11. EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA 12. INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA 13. AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO 14. NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS RECENTE FAVORÁVEL Recurso voluntário da adquirente das mercadorias A responsável solidária RSI Textil Ltda, foi intimada (efl. 959) do acórdão da DRJ em 22/10/2013 (efl. 912), e apresentou recurso voluntário em 19/11/2013, às efls. 1061 a 1068. Em resumo, afirma não ser parte da investigação criminal que deu origem a tudo e se insurge com relação a utilização da prova emprestada no presente processo, a partir de investigação contra terceiros, estes sim, efetivamente fiscalizados, o que fere seu direito de defesa, pois não teve oportunidade de participar da produção daquelas provas. Entende ainda que a decisão da DRJ apenas tratou da doutrina sobre prova emprestada, sem verificar sua adequação à realidade fáticas destes autos, o que implicaria a nulidade da decisão. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento apreciou o recurso na sessão de 14/12/2016, dandolhe provimento no acórdão de nº 3402 003.674, às efls. 1076 a 1116, o qual teve as seguintes ementas: DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. Em se tratando de infrações aduaneiras, a decadência segue o regramento especial previsto no art. 139 do Decretolei nº 37/66, que dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da ocorrência da infração. MULTA REGULAMENTAR DO IPI. CONSUMO. INTRODUÇÃO REGULAR. CONFLITO APARENTE DE NORMAS. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 9303007.982 CSRFT3 Fl. 1.340 5 A multa regulamentar pela introdução irregular ou clandestina de mercadorias estrangeiras no País, prevista no art. 87, I, da Lei nº 4.502/64, tem caráter residual, somente sendo aplicável na hipótese de não haver tipificação mais específica. No caso, tendo ocorrido hipótese de subfaturamento, revelase mais específica a infração punível com a multa administrativa pela diferença entre o preço declarado e o preço praticado. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23, V, do Decretolei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação, veiculada pelo art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, está caracterizado o dano ao Erário. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EFEITOS. Responde pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, por intermédio de pessoa jurídica importadora.. O acórdão foi assim lavrado: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não tomar conhecimento do recurso voluntário interposto pelos responsáveis solidários Érica Debossan Reinert e Caio Marcelo Debossan em conjunto com a D&A, em virtude de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que votaram no sentido de conhecer desse recurso e dar provimento integral. Quanto aos recursos voluntários tempestivos, pelo voto de qualidade, deuse provimento parcial da seguinte forma: (i) para exonerar a multa pelo consumo de mercadorias estrangeiras introduzidas fraudulentamente no país, prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64; (ii) em face da decadência, exonerar, parcialmente, a "multa administrativa decorrente do subfaturamento" e à "multa equivalente ao perdimento em face da interposição fraudulenta", exonerandose a parcela relativa à importação registrada até 23/11/2006 (no caso a DI nº 06/08979311, 2052, registrada em 01/ago/06, no valor de R$ 3.546,05; e (iii) manter como responsáveis solidários a empresa R.S.I. TEXTIL LTDA e o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF nº 936.292.65987 e Sra. ÉRICA DEBOSSAN Reinert, CPF nº 919.869.82904. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram no sentido de dar provimento integral. Fl. 1187DF CARF MF 6 O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Conforme consta no voto os valores excluídos se referiram à decadência em relação às penalidades das DIs registradas anteriormente a 24/11/2006, e, no mérito, a exclusão das multa regulamentar do IPI em face do consumo de mercadorias introduzidas de forma fraudulenta no País. O relator adotou a posição já apresentada por outros conselheiros e julgadores em DRJ de considerarem a data da infração como a do registro das DIs, para início da contagem do prazo decadencial, e seguiu o disposto o art. 139 do Decretolei nº 37/1966. Recurso especial da Fazenda Intimada para ciência do acórdão nº 3402003.674 em 02/01/2017 (efl. 1117), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 01/02/2017, às efls. 1118 a 1130. A Procuradora indica existência de divergência para a qual apresenta como paradigmas os acórdãos nº 30332.359 e nº 210200.085. Assim demonstra o dissídio, à efl. 1082: Enquanto que a Câmara a quo entende que é aplicável à hipótese o art. 139 do Decretolei nº 37/66, regulamentado pelo art. 669 do Regulamento Aduaneiro/2002, (ou seja, cinco anos após a data da infração), os vv. acórdãos paradigmas aplicam o art. 173, I, do CTN (cinco anos após o primeiro dia do exercício seguinte ao da apuração da infração). Fundamente seu recurso especial em ser a multa aplicável ao caso uma penalidade associada à ocorrência de um fato gerador de obrigação tributária. Dessa premissa, conclui que o acessório segue o principal e a matéria de decadência é afeita à lei complementar por determinação constitucional. Tal entendimento já estaria pacificado no STF a partir da edição da Súmula Vinculante nº 8. Sendo o lançamento de multa realizado de ofício, a regra aplicável é a do art. 173, inc. I, do CTN. Por fim, pleiteia o conhecimento e provimento do recurso especial, para que se reforme o acórdão recorrido, para manter o lançamento na sua integralidade. O Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda em 28/04/2017, no despacho de efls. 1132 a 1136, com base nos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2009, aprovado pela Portaria MF n° 256 de 22/06/2009, dandolhe seguimento. À efl. 1181, consta a seguinte informação da SACAT da DRF em Blumenau: Analisando o contido nos presentes autos, verificamos que os sujeitos passivos solidários D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda (CNPJ nº 05.630.873/000100) e R.S.I. Têxtil Ltda (00.566.534/000422) foram devida e regularmente cientificados sobre o contido no Acórdão nº 3402 003.674, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 9303007.982 CSRFT3 Fl. 1.341 7 Recursos Fiscais – CARF (fls. 1.076/1.116), bem como sobre o Despacho S/Nº, proferido pelo Presidente de mencionada 4ª Câmara (fls. 1.132/1.137), que deu seguimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porém, deixaram transcorrer o prazo legal sem apresentar qualquer manifestação a respeito, conforme documentos comprobatórios de fls. 1.143/1.150, 1.153/1.160, 1.161/1.163 e 1.166/1.169. Ainda nesse sentido, os sujeitos passivos solidários Caio Marcelo Debossan (CPF nº 936.292.65987) e Érica Debossan Reinert (CPF nº 919.869.82904) foram igualmente cientificados sobre o contido no Acórdão supracitado, pelo qual não foi reconhecido o Recurso Voluntário por eles interposto em conjunto com D&A Comércio, Serviços de Importação e Exportação Ltda, por conta de sua intempestividade, tudo em conformidade com a documentação juntada aos autos, às fls. 1.151, 1.152, 1.164 e 1.165. Ausentes quaisquer manifestações dos sujeitos passivos desde então. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Procuradora é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais, por isso dele conheço. Pareceme que a questão controvertida quanto à decadência traz três vertentes principais para decisão: a) a multa aplicada, por dano ao erário, não é matéria tributária e seu prazo decadencial para aplicação da multa é o do art. 139 do Decretolei nº 37/1966 com início da contagem do prazo a partir da ciência inequívoca da infração pelo órgão de controle aduaneiro; b) a multa aplicada é matéria tributária, há duas possibilidades i) utilização do art. 139 do Decretolei º 37/1966, com início da contagem a partir da data de registro da DI, adotada pelo recorrido, ou ii) do art. 174 do CTN, com contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ser lançado, adotada pelos paradigmas no recurso especial. Antecipo que entendo tratarse de determinação expressa do art. 139 do Decretolei nº 37/1966, norma específica, ainda em vigência, deve esta ser aplicada, considerandose a contagem a partir da data do registro da DI, o que leva à decadência do lançamento da multa. A multa substitutiva à mercadoria que deveria ser apreendida por dano ao erário está disposta no § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976. Tal legislação tem por ementa: Dispõe sobre bagagem de passageiro procedente do exterior, disciplina o regime de entreposto aduaneiro, estabelece normas sobre mercadorias estrangeiras apreendidas e dá outras providências. Fl. 1189DF CARF MF 8 Nessa seara, faço meus os argumentos do i. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal em seu voto condutor do acórdão nº 330100.2.258, em 25/03/2014, ao analisar a mesma matéria, com as leis levadas ao regulamento nesse texto, e por isso peço vênia para abaixo reproduzilo: Vejamos o que dispõe o Código Tributário Nacional, LC nº 5.172/66 a respeito do prazo decadencial: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A Constituição Federal, por meio do art. 146, inc. III, “b”, delegou competência para que Lei Complementar estabeleça normas gerais sobre a decadência tributária. Neste sentido os art. 150 e 173 do CTN foram recepcionados como válidos pela carta magna e servem para delimitar o alcance e o conteúdo do prazo decadencial. Neste sentido o § 4º do art. 150 estabelece que, se a lei não fixar prazo, este será de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A doutrina de uma maneira geral, entende que o prazo de cinco anos contados do fato gerador, ou o prazo de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte, constante do art. 173, inc. I, são os limites máximos de que a lei poderá estabelecer. Nada impede que a lei instituidora do tributo, estabeleça prazo inferior àqueles indicados. Estamos analisando aqui o lançamento de penalidade aduaneira que se trata da multa de perdimento que, pelo fato de as Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 13971.722505/201154 Acórdão n.º 9303007.982 CSRFT3 Fl. 1.342 9 mercadorias terem sido consumidas, passouse à aplicação da penalidade correspondente ao valor aduaneiro da mercadoria. A multa foi aplicada com base no art. 618, inc. XI, § 1º do Decreto 4.543/02, Regulamento Aduaneiro então vigente. O mesmo regulamento aduaneiro prevê disposições sobre decadência da imposição de penalidades nos termos do art. 669, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139). Estabeleceuse aqui um prazo de cinco anos para a aplicação das penalidades previstas no regulamento aduaneiro. Notese que este prazo não tem o condicional do § 4º do art. 150 do CTN – salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto entendo ser este o prazo decadencial aplicável no presente processo. Veja que este prazo está em consonância com o art. 570 do mesmo Decreto, o qual dispõe sobre o prazo para a realização da Revisão Aduaneira. Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 668 e 669. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contado da data: I do registro da declaração de importação correspondente (Decretolei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º); e II do registro de exportação. § 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Para justificar o seu entendimento de que o prazo aplicável de decadência seria o previsto no art. 173, inc. I do CTN, o acórdão recorrido argumenta no sentido de que o art. 54 do DecretoLei nº 37/66 que é o sustentáculo legal do art. 570, acima transcrito, não teria sido recepcionado pela Constituição Federal de 1988. Fl. 1191DF CARF MF 10 Ora, ele tanto foi recepcionado que está citado no Regulamento Aduaneiro de 2002, Decreto nº 4.543/2002 e também no Regulamento Aduaneiro de 2009, Decreto nº 6.759/2009, só que neste regulamento o dispositivo está previsto no art. 639. Nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/72, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto, sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Assim, entendo que o prazo para início da contagem do prazo decadencial é o previsto no art. 669 do Decreto 4.543/02, ou seja, cinco anos a contar da data da infração.(...) (Sublinhas do original) Sendo a contagem do prazo decadencial do art. 669 do Decreto nº 4.543/2001 fundada no art. 139 de início citado, Decretolei nº 37/1966, a argumentação acima leva à mesma conclusão do acórdão recorrido e por isso voto por darlhe provimento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para negarlhe provimento mantendo o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917751/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada.
Numero da decisão: 3201-004.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerando-se a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1548; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917751/200994 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.684 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. Recorrente ADELBRAS INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ADESIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 51 /2 00 9- 94 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10830.917751/200994 Acórdão n.º 3201004.684 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG. Para bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório (...) emitido eletronicamente (...), referente ao PER/DCOMP (...). O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, (...). De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que a empresa tem por objeto social a fabricação de adesivos e selantes, bem como a fabricação de sabões e detergentes sintéticos, estando sujeita à apuração de IRPJ pelo lucro real e também enquadrada na sistemática não cumulativa do Pis e Cofins; que na apuração da COFINS, (...), a Manifestante incluiu errôneamente na base de cálculo dessa contribuição, créditos de IPI sobre a aquisição de insumos adquiridos e aplicados no processo produtivo, não sujeitos à tributação, [...]; que deixou de incluir receita financeira [...]; que em razão da inclusão indevida de créditos de IPI, bem como da nova apuração de COFINS (...) a Manifestante incorreu no pagamento indevido da contribuição (...); Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10830.917751/200994 Acórdão n.º 3201004.684 S3C2T1 Fl. 4 3 que procedeu à retificação do Dacon, de modo a excluir as receitas provenientes dos créditos de IPI, ocasionando o pagamento indevido desta contribuição; que realizou também a retificação da DCTF, de modo a convalidar a retificação no Dacon; que as retificações procedidas geraram para a Manifestante o direito ao crédito, sendo passível de compensação com qualquer tributo administrado pela RF. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 02 058.266, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário que visa a reforma da decisão recorrida para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Repisa o que suscitou em manifestação de inconformidade: que o pagamento a maior da Contribuição decorreu de inclusão indevida, na base de cálculo da Contribuição, de valores de crédito de IPI sobre a aquisição de insumos do processo produtivo e de receita financeira, não sujeitos à tributação. Reafirma que o despacho decisório não considerou em sua análise os valores reapurados da Contribuição informados em Dacon e DCTF retificadores. No Recurso Voluntário, alega apresentar a demonstração detalhada do erro cometido e aduz a certeza do direito, uma vez que, independentemente da retificação do Dacon, o saldo credor apurado era suficiente para a quitação dos débitos a serem compensados. Junta no recurso cópias de: extratos de Dacon e DCTF originais e retificadores, DARF, folhas do Razão, e Memória de Cálculo da Cofins. Roga pela realização de diligência para a apuração da higidez do crédito que é decorrente de erro no preenchimento de Dacon e DCTF. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10830.917751/200994 Acórdão n.º 3201004.684 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.674, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10830.920655/200923, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.674): "Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para defini lo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. Inferese do despacho decisório que a não homologação da compensação pleiteada decorreu da ausência de crédito para a quitação de débito vincendo/vencido no momento do encontro de contas o crédito decorrente de pagamento indevido em confronto com o débito confessado em DCTF. Consta no corpo do despacho decisório que o pagamento referente ao DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de débito, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Há razão à contribuinte no tocante ausência de análise da DCTF retificadora. Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10830.917751/200994 Acórdão n.º 3201004.684 S3C2T1 Fl. 6 5 À evidência do teor do despacho decisório, em sua análise automática no encontro de crédito e débito considerouse a DCTF original na qual consignada o débito de Cofins em março/2005 no valor de R$ 38.883,18. A DCTF foi retificada em 30/07/2009, declarando o valor de R$7.160,00 como devido para a Contribuição no mesmo período, e o despacho decisório emitido em 23/10/2009. Sabese que a DCTF retificadora válida e eficaz nos termos do art. 11 da IN RFB nº 903/20081 produz os mesmos efeitos da original. No caso dos autos, não ha incidência de nenhuma das hipóteses de inadmissibilidade da DCTF retificadora. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior; contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram desconsiderados no despacho decisório. Temse como premissa que a singela retificação de DCTF, isoladamente considerada, não ampara o direito à restituição de indébito, e de outra banda, também não pode, por si só, ser obstáculo à sua devolução. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. Idêntica situação foi enfrentada por este Colegiado no julgamento do processo nº 10880.919993/200927, sessão de 25/07/2018, com a prolação do Acórdão nº 3201004.069, de relatoria do Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, que por unanimidade de votos decidiu prover parcialmente o recurso voluntário para que os autos retornassem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora como original para análise e prolação de novo despacho decisório: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/10/2004 COFINS. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea de DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, 1 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10830.917751/200994 Acórdão n.º 3201004.684 S3C2T1 Fl. 7 6 substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser considerada. Por tudo ante exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a DCTF retificadora também foi transmitida pelo contribuinte antes da data de emissão do Despacho Decisório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para que os autos retornem à unidade preparadora, a fim de que reexamine o pleito do PER/DCOMP, considerandose a DCTF retificadora para análise e prolação de novo despacho decisório. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 376DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901954/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.659
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 54 /2 01 5- 15 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.901954/201515 Acórdão n.º 3401005.659 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.119, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.901954/201515 Acórdão n.º 3401005.659 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901954/201515 Acórdão n.º 3401005.659 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901954/201515 Acórdão n.º 3401005.659 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901954/201515 Acórdão n.º 3401005.659 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.721692/2016-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta junte ao presente processo a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2014 objeto do lançamento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.720044/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Considerando que o lançamento de ofício foi realizado por autoridade competente, que a intimação foi regular, dando a oportunidade ao sujeito passivo de exercer o contraditório, e sendo as razões de fato de e direito adequadamente fundamentadas, de forma a permitir o pleno exercício do direito de defesa, não se vislumbra hipótese de nulidade dos autos de infração.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALHA NO EXAME DAS PROVAS APRESENTADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Tendo a decisão da DRJ analisado detalhadamente as razões apresentadas pelo contribuinte, bem como os elementos probatórios juntados aos autos, não há hipótese de nulidade da decisão de piso.
CRÉDITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02.
Verifica-se a hipótese de presunção legal de ocorrência de omissão de receitas quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar a efetiva origem dos créditos bancários.
O CARF não é competente para se pronunciar acerca de alegações de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula CARF nº 02.
TRIBUTOS DECLARADOS ESPONTANEAMENTE. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO.
Descabe a compensação dos tributos declarados espontaneamente com aqueles apurados de ofício, quando os créditos bancários relativos às receitas declaradas foram excluídos da apuração de ofício pela autoridade lançadora.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. FINANCIAMENTOS PRÓPRIOS E DE TERCEIROS.
Considerada a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, os descontos de cheques e duplicatas revestem-se da qualidade de recebimento antecipado do preço das mercadorias vendidas e serviços prestados. Em relação aos créditos bancários correspondentes a tais descontos, incumbe ao contribuinte comprovar a origem diversa de receita tributável.
Nas vendas e prestações de serviços, os créditos de financiamentos vinculados às operações e liberados diretamente na conta do sujeito passivo integram a receita da atividade, a não ser que o contribuinte demonstre ter origem diversa, ou seja, que se trata de um passivo exigível e que suportou o ônus do respectivo pagamento.
CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Devem ser excluídos da apuração de ofício aqueles créditos bancários cuja origem foi adequadamente comprovada pelo sujeito passivo.
A simples comprovação de que os recursos têm origem na atividade operacional da empresa, comercial ou de prestação de serviços, sem a comprovação individualizada, coincidente em datas e valores, de que se trata de montante não tributável ou já tributado, não elide a presunção de omissão de receita.
REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. LUCRO PRESUMIDO. EQUIPARAÇÃO À CONSIGNAÇÃO. OPÇÃO. REQUISITOS.
A regular emissão das notas fiscais de entrada e de saída é requisito essencial para o contribuinte fazer jus à opção de equiparar a operação comercial de revenda de veículos usados à operação de consignação, para fins de apuração dos tributos no lucro presumido.
O sujeito passivo que não emite as notas fiscais, mormente quando não escritura as operações comerciais e a movimentação bancária na contabilidade, está sujeito à tributação pela regra geral das operações comerciais.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE.
Comprovado que o contribuinte fraudou a escrita contábil e as declarações de forma reiterada e em valores significativos, configura-se a conduta dolosa que dá azo à qualificação da multa, mesmo que a comprovação da ocorrência do fato jurídico tributário se dê pela aplicação de presunção legal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL
Constatada a omissão de receitas no lucro presumido, os lançamentos de ofício de CSLL, PIS e COFINS são decorrentes da infração apurada no IRPJ.
Numero da decisão: 1401-003.127
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considerando que o lançamento de ofício foi realizado por autoridade competente, que a intimação foi regular, dando a oportunidade ao sujeito passivo de exercer o contraditório, e sendo as razões de fato de e direito adequadamente fundamentadas, de forma a permitir o pleno exercício do direito de defesa, não se vislumbra hipótese de nulidade dos autos de infração. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALHA NO EXAME DAS PROVAS APRESENTADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo a decisão da DRJ analisado detalhadamente as razões apresentadas pelo contribuinte, bem como os elementos probatórios juntados aos autos, não há hipótese de nulidade da decisão de piso. CRÉDITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02. Verifica-se a hipótese de presunção legal de ocorrência de omissão de receitas quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar a efetiva origem dos créditos bancários. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de alegações de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula CARF nº 02. TRIBUTOS DECLARADOS ESPONTANEAMENTE. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Descabe a compensação dos tributos declarados espontaneamente com aqueles apurados de ofício, quando os créditos bancários relativos às receitas declaradas foram excluídos da apuração de ofício pela autoridade lançadora. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. FINANCIAMENTOS PRÓPRIOS E DE TERCEIROS. Considerada a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, os descontos de cheques e duplicatas revestem-se da qualidade de recebimento antecipado do preço das mercadorias vendidas e serviços prestados. Em relação aos créditos bancários correspondentes a tais descontos, incumbe ao contribuinte comprovar a origem diversa de receita tributável. Nas vendas e prestações de serviços, os créditos de financiamentos vinculados às operações e liberados diretamente na conta do sujeito passivo integram a receita da atividade, a não ser que o contribuinte demonstre ter origem diversa, ou seja, que se trata de um passivo exigível e que suportou o ônus do respectivo pagamento. CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Devem ser excluídos da apuração de ofício aqueles créditos bancários cuja origem foi adequadamente comprovada pelo sujeito passivo. A simples comprovação de que os recursos têm origem na atividade operacional da empresa, comercial ou de prestação de serviços, sem a comprovação individualizada, coincidente em datas e valores, de que se trata de montante não tributável ou já tributado, não elide a presunção de omissão de receita. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. LUCRO PRESUMIDO. EQUIPARAÇÃO À CONSIGNAÇÃO. OPÇÃO. REQUISITOS. A regular emissão das notas fiscais de entrada e de saída é requisito essencial para o contribuinte fazer jus à opção de equiparar a operação comercial de revenda de veículos usados à operação de consignação, para fins de apuração dos tributos no lucro presumido. O sujeito passivo que não emite as notas fiscais, mormente quando não escritura as operações comerciais e a movimentação bancária na contabilidade, está sujeito à tributação pela regra geral das operações comerciais. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. Comprovado que o contribuinte fraudou a escrita contábil e as declarações de forma reiterada e em valores significativos, configura-se a conduta dolosa que dá azo à qualificação da multa, mesmo que a comprovação da ocorrência do fato jurídico tributário se dê pela aplicação de presunção legal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL Constatada a omissão de receitas no lucro presumido, os lançamentos de ofício de CSLL, PIS e COFINS são decorrentes da infração apurada no IRPJ.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Considerando que o lançamento de ofício foi realizado por autoridade competente, que a intimação foi regular, dando a oportunidade ao sujeito passivo de exercer o contraditório, e sendo as razões de fato de e direito adequadamente fundamentadas, de forma a permitir o pleno exercício do direito de defesa, não se vislumbra hipótese de nulidade dos autos de infração. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALHA NO EXAME DAS PROVAS APRESENTADAS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo a decisão da DRJ analisado detalhadamente as razões apresentadas pelo contribuinte, bem como os elementos probatórios juntados aos autos, não há hipótese de nulidade da decisão de piso. CRÉDITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE. SUMULA CARF Nº 02. Verificase a hipótese de presunção legal de ocorrência de omissão de receitas quando o contribuinte, regularmente intimado, não logra comprovar a efetiva origem dos créditos bancários. O CARF não é competente para se pronunciar acerca de alegações de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula CARF nº 02. TRIBUTOS DECLARADOS ESPONTANEAMENTE. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Descabe a compensação dos tributos declarados espontaneamente com aqueles apurados de ofício, quando os créditos bancários relativos às receitas declaradas foram excluídos da apuração de ofício pela autoridade lançadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 44 /2 01 1- 27 Fl. 2145DF CARF MF 2 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. FINANCIAMENTOS PRÓPRIOS E DE TERCEIROS. Considerada a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, os descontos de cheques e duplicatas revestemse da qualidade de recebimento antecipado do preço das mercadorias vendidas e serviços prestados. Em relação aos créditos bancários correspondentes a tais descontos, incumbe ao contribuinte comprovar a origem diversa de receita tributável. Nas vendas e prestações de serviços, os créditos de financiamentos vinculados às operações e liberados diretamente na conta do sujeito passivo integram a receita da atividade, a não ser que o contribuinte demonstre ter origem diversa, ou seja, que se trata de um passivo exigível e que suportou o ônus do respectivo pagamento. CRÉDITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Devem ser excluídos da apuração de ofício aqueles créditos bancários cuja origem foi adequadamente comprovada pelo sujeito passivo. A simples comprovação de que os recursos têm origem na atividade operacional da empresa, comercial ou de prestação de serviços, sem a comprovação individualizada, coincidente em datas e valores, de que se trata de montante não tributável ou já tributado, não elide a presunção de omissão de receita. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. LUCRO PRESUMIDO. EQUIPARAÇÃO À CONSIGNAÇÃO. OPÇÃO. REQUISITOS. A regular emissão das notas fiscais de entrada e de saída é requisito essencial para o contribuinte fazer jus à opção de equiparar a operação comercial de revenda de veículos usados à operação de consignação, para fins de apuração dos tributos no lucro presumido. O sujeito passivo que não emite as notas fiscais, mormente quando não escritura as operações comerciais e a movimentação bancária na contabilidade, está sujeito à tributação pela regra geral das operações comerciais. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. DOLO. LANÇAMENTO POR PRESUNÇÃO LEGAL. POSSIBILIDADE. Comprovado que o contribuinte fraudou a escrita contábil e as declarações de forma reiterada e em valores significativos, configurase a conduta dolosa que dá azo à qualificação da multa, mesmo que a comprovação da ocorrência do fato jurídico tributário se dê pela aplicação de presunção legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL Constatada a omissão de receitas no lucro presumido, os lançamentos de ofício de CSLL, PIS e COFINS são decorrentes da infração apurada no IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2146DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.146 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Inicialmente, reproduzo o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba, no qual estão narrados de forma percuciente os fatos apurados pela fiscalização e as alegações que fundamentam a impugnação apresentada pelo contribuinte: Trata o processo dos autos de infração relativos ao ano calendário 2007, na sistemática do lucro presumido pelo qual a contribuinte havia manifestado opção: a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 388/395, no valor de R$266.102,56, devido a: i. omissão de receitas da atividade, com emissão de notas fiscais em valor menor que os recebidos; fatos geradores 31/03/2007, 30/09/2007, 30/09/2007, 31/12/2007; base legal no art. 528 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999); ii. omissão de receitas relativas a depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida, em contas bancárias não escrituradas, nos períodos de apuração 31/03/2007, 30/09/2007, Fl. 2147DF CARF MF 4 30/09/2007, 31/12/2007; base legal nos arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 528 do RIR de 1999; b. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 396/404, no valor de R$86.483,29, relativamente às mesmas infrações, nos períodos de apuração mensais de 01 a 12/2007; base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; art. 24, § 2º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 405/413, no valor de R$399.153,88 relativamente às mesmas infrações, nos períodos de apuração mensais de 01 a 12/2007; base legal nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524, de 2002; d. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 414/421, no valor de R$143.695,40 relativamente às mesmas infrações e nos mesmos períodos que o IRPJ, exigida com base no art. 2º e §§ e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996. 2. Exigese multa de ofício de 150% do art. 86, § 1º da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985; art. 2º da Lei nº 7.683, de 02 de dezembro de 1988; do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às págs. 378/387, no Termo de Verificação Fiscal e Encerramento de Ação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 4. O autuante efetuou Representação Fiscal para Fins Penais, processo nº 11516.720045/201171. 5. Cientificado do TVF, demonstrativos e planilhas de omissão e dos autos de infração em 21/02/2011, pág. 425, o interessado interpôs a impugnação tempestiva de págs. 435/446, por meio de seu representante legal, págs. 461/465, acompanhada de cópias do Contrato Social e alteração, Darf recolhidos e outros documentos de págs. 466/533. 6. Reclama que, se toda a movimentação financeira do impugnante no anocalendário de 2007 foi considerada como renda tributável, destacando que todas as contas correntes da Impugnante foram objeto de fiscalização, temse que os tributos apurados regularmente na época, pelo devido lançamento por homologação cujos pagamentos foram efetuados corretamente, são oriundos de rendas tributáveis auferidas na época pela Impugnante; que as rendas são oriundas justamente de comissões auferidas pela Impugnante através da exploração do seu objetivo comercial/empresarial; que as comissões são oriundas das negociações realizadas pela Impugnante; que as negociações tiveram valores integrais depositados nas contas correntes da Impugnante; que os valores integrais foram considerados elementos quantitativos para a apuração dos Fl. 2148DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.147 5 créditos tributários autuados; então, impõese deduzir as quantias que pagou a título de IRPJ, Cofins, PIS e CSLL, relativas ao período. 7. Diz que serve como prova inquestionável de que os créditos apontados nas contas correntes da Impugnante não caracterizam renda, em sua integralidade, os créditos oriundos de operações financeiras contraídos junto a bancos e instituições de fomento mercantil; que a apuração da base de cálculo de tributos, segundo regras tributárias decenais, deve ser pautada na estrita legalidade; dessa forma, salienta que o supedâneo legal que define a base de cálculo dos tributos, cujos créditos foram constituídos no procedimento em análise não inclui, absolutamente, créditos oriundos de operações financeiras contraídas junto a bancos e instituições de fomento mercantil como partes integrantes do montante caracterizador de suas bases de cálculo, devendo ser excluídos tais valores. 8. Protesta contra a qualificação da multa, 150% relativa a omissão calcada em mera presunção e que tal multa só se aplica em casos claros de fraude e sonegação, não demonstradas neste caso e a presunção sozinha é insuficiente para tanto; desta forma, advoga que se impõe a desclassificação da multa agravada aplicada, reduzindoa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996. 9. Protesta contra a inconstitucionalidade da utilização dos dados bancários para a apuração dos créditos tributários identificados nos autos de infração; diz que a jurisprudência no sentido de que é prática vedada a utilização de dados bancários, notadamente a movimentação financeira de entradas, como forma de, simplesmente e por si só, mensurar os aspectos quantitativos de tributos/especialmente dos que foram objeto dos autos de infração em análise. Aduz que não há como negar o fato de que a movimentação financeira apurada em contas correntes não é prova de capacidade econômica, sendo que a sua utilização, como no caso em tela, caracteriza desrespeito ao princípio constitucional do §1º do art. 145 da Constituição Federal. 10. Invoca o princípio da verdade material, afirmado que é notório, evidente e perceptível, pela simples análise do objeto comercial/empresarial explorado economicamente pela Impugnante, que não é sua renda todo ingresso em suas contas correntes, pois no comércio que explora é comum, além de necessário, que a empresa intermediadora se responsabilize pelo recebimento (do comprador) e pagamento (ao vendedor), movimentando assim, com ingressos e saídas, as suas contas correntes; e por isso o montante das movimentações bancárias, que os bens objetos de comercialização pela Impugnante são bens de alto valor, tais como caminhões, reboques, carretas, etc; assim, em verdade, o montante das movimentações bancárias da Impugnante não pode ser considerado uma forma de receita, mas sim, uma mera movimentação do dinheiro do cliente para o Fl. 2149DF CARF MF 6 vendedor do bem, sob pena de, não sendo este o entendimento, não se estar agindo em busca da verdade material destaca que a Impugnante só poderia ser autuada sobre as suas receitas, ou seja, sobre as comissões recebidas, e não sobre o montante de dinheiro que apenas transitou temporariamente pelas suas contas correntes, sem incorporar ao seu patrimônio como ganho efetivo; que meros depósitos em conta corrente não podem ser, aqui neste caso, suficientes para caracterizar renda tributável. Os depósitos foram tomados como um indício de omissão de receita e ao se esbaterem com as provas aqui acostadas, não consegue formar uma situação suficiente de presunção de omissão de receita; conclui que indício, para se tornar presunção válida, necessita obrigatoriamente de uma prova que o consubstancie, o que no caso em pauta, não aconteceu, pois tudo se pauta em presunções. 11. Conclui, requerendo: a. que sejam reconhecidos e abatidos os pagamentos efetuados, devidamente atualizados, relativos ao anocalendário 2007; b. que seja deduzida da base.de cálculo apurada pela autoridade fiscal a quantia oriunda de operações bancárias de obtenção de créditos; c. que seja desconsiderada a multa agravada de 150%, ante a ausência da intenção dolosa da prática da fraude, sonegação ou conluio; d. que sejam anulados os autos de infração lavrados, ante o desrespeito ao princípio da verdade real e a indevida consideração integral dos montantes depositados nas contas correntes da Impugnante como base de cálculo do IRPJ, COFINS, PIS/Pasep e CSLL. 12. Às págs. 535/540 e 1.998, petição solicitando juntada de documentos, que foram analisados e aceitos. 13. Justifica que os comprovantes que anexa são indispensáveis para o devido esclarecimento dos fatos e requer o exame dos comentários explicativos, planilhas demonstrativas e documentos adicionais que apresenta, com base no art. 15, §§4º, 5º do Decreto nº 70.235, de 1972. 14. Sobre a IDENTIFICAÇÃO DOS DEPÓSITOS, afirma que provêm de: a. recebimentos de valores oriundos de vendas de veículos: pagamentos feitos pelos próprios clientes na forma de TED, depósitos em dinheiro, com cheques próprios c/ou de terceiros, tanto à vista como prédatados; e créditos de financiamentos via TED obtidos pelos clientes; b. Recebimento de comissões oriundas do agenciamento de financiamentos para clientes (terceiros), relacionados ou não com a venda de veículos; Fl. 2150DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.148 7 c. Recebimentos de cheques dos garagistas aos quais eram repassados, para venda, os automóveis /camionetes recebidos nas vendas de caminhões; d. Ingressos de financiamentos para capital de giro, obtidos mediante descontos bancários de duplicatas sem lastro (simuladas). 15. Afirma que todos os recursos que transitaram nas suas contas bancárias têm origem na prática das operações supracitadas e a maior parte delas submetese ao regime normal de tributação, enquanto outra parte não configura receitas, não sendo passível de tributação. 16. Sobre as PLANILHAS APRESENTADOS, diz que, para melhor clarificar as operações realizadas, elaborou dois tipos de planilhas: a. Planilhas dos extratos bancários: demonstram as operações que geraram as entradas de recursos (créditos/depósitos) que foram objeto de lançamento pela fiscalização. Estão instruídas por ANEXOS identificados pelo banco da conta (Ex.: Anexo Safra 01; Anexo Safra 02), contendo apenas os documentos referentes às operações de financiamento e de desconto. Em cada caso, devem, sempre, serem verificados na extrema direita da planilha, o esclarecimento e o anexo a que se reportam. b. Planilha das vendas de caminhões: com informações das compras e vendas de cada caminhão e as respectivas liquidações financeiras, que ocorreram à vista ou à prazo, ou via financiamento, ou com recebimento ou não de outros veículos. Estão instruídas por ANEXOS elaborados na ordem cronológica das vendas (ex.: jan..l; jan...02), contendo os documentos que foram localizados referentes às compras e vendas. Finalizando, destaca que a confrontação dos dados deve ser feita partindo da primeira planilha (dos extratos bancários) e, quando necessário, complementar o exame mediante a análise dos dados da segunda planilha (das vendas). 17. Planilha BANCO SAFRA Visualizando a PLANILHA I e o ANEXO I (e respectivos subanexos). conjuntamente com a PLANILHA 5 e os documentos que a instruem, contatase que do montante lançado de R$861.365,50, restou comprovado que: a. a parcela de R$408.900,00 referese a transferências de outras contas bancárias da empresa; b. a parcela de R$182.651,99 vinculase a vendas de veículos; c. a parcela de R$17.859.72 referese a empréstimos obtidos; d. a parcela de R$251.953,79 referese a operações não identificadas, ainda pendentes da localização de documentos. 18. Planilha BANCO BRADESCO Visualizando a PLANILHA II e o ANEXO 2 (e respectivos subanexos), conjuntamente com a Fl. 2151DF CARF MF 8 PLANILHA V e os documentos que a instruem, contatase que do montante lançado de R$4.104.660,06, restou comprovado que: a. a parcela de R$33.080,36 referese a estornos de depósitos efetuados com cheques sem fundo; b. a parcela de R$4.255.20 referese a receitas de comissões de financiamentos: c. a parcela de R$3.512.869,03 vinculase a vendas de veículos: d. a parcela de R$97.884,17 referese à emissão de duplicatas sem lastro (simuladas) emitidas para obtenção de capital de giro; e. a parcela de R$456.571,30 referese a operações ainda não identificadas, ainda pendentes da localização de documentos. 19. Planilha BANCO DO BRASIL Visualizando a PLANILHA III e o ANEXO 3 (e respectivos subanexos), conjuntamente com a PLANILHA V e os documentos que a instruem, contatase que do montante lançado de R$8.324.249,01, restou comprovado que: a. a parcela de R$4.255,20 referese a receitas de comissões de financiamento: b. a parcela de R$5.992.294,94 referese a vendas de veículos; c. a parcela de R$1.511.946,04 referese a financiamentos diretos e através da emissão de duplicatas sem lastro (simuladas) emitidas para obtenção de capital de giro; d. a parcela de R$805.853,38 referese a operações ainda não identificadas, ainda pendentes da localização de documentos. 20. Planilha BANCO SANTANDER Visualizando a PLANILHA IV o ANEXO 4 (e respectivos subanexos), conjuntamente com a PLANILHA V e os documentos que a instruem, contatase que do montante lançado de R$38.370.25. restou comprovado que: a. a parcela de R$24.900,00 vinculase a vendas de veículos; b. a parcela de R$13.470.25 referese a operações ainda não identificadas, ainda pendentes da localização de documentos. 21. Na OBSERVAÇÃO CONCLUSIVA, "síntese GERAL dos VALORES", na qual estão condensados os diversos valores das planilhas mencionadas nos precedentes itens e da qual se extrai que um pequeno percentual (11,46%) seria, em tese, passível de tributação pelo critério adotado pela fiscalização. 22. Destaca que os créditos nas contas bancárias, provenientes de simples transferências de valores entre contas bancárias da empresa; de obtenção de financiamentos junto aos bancos, inclusive com emissão de duplicatas sem lastro para obtenção de capital de giro; de cheques estornados (devolvidos) por falta de fundo, não materializam operações tributáveis, devendo, por isso, serem excluídas das bases de cálculo dos lançamentos. Fl. 2152DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.149 9 23. Ressalta que a atividade que exerce de compra e venda de veículos usados, é regida pelo art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, regulamentado pela IN SRF nº 152, de 1998, que determina que a base de cálculo do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins é a diferença entre o valor da alienação e o custo de aquisição, aplicandose o percentual de 8% de lucro presumido; por isso, sendo comprovado que a maior parte dos créditos/depósitos autuados se vinculam à atividade, então, sobre tais operações, deixa de ser aplicável o disposto no caput, passando a ser o § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (§ 2º do art. 287 do RIR de 1999). 24. Reitera o pedido para que se deduzam, dos valores autuados, as receitas declaradas, (porque, de um lado, a empresa não explorou operações alheias ao seu ramo de atividade e, de outro, principalmente, porque a Fiscalização não demonstrou que se tratam de outros tipos de receitas), e a dedução dos valores recolhidos, das exigências de ofício. 25. Concomitantemente, numa eventual existência de dúvidas, solicita que seja determinada a realização de diligência, para que a fiscalização examine e reconheça a consistência dos esclarecimentos e provas ora apresentados. É oportuno destacar que a DRJ conheceu da manifestação complementar à impugnação, que foi protocolada pelo contribuinte em 19/07/2012 sob o argumento de que o prazo de trinta dias para apresentar a impugnação era excessivamente exíguo para obter todos os elementos probatórios necessários para apresentar suas razões e que tal fato configurava motivo de força maior nos termos do artigo 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72. No acórdão, a DRJ registrou que, na autuação, a autoridade lançadora identificou duas infrações distintas, a saber: (i) omissão de receitas da atividade decorrente da emissão de notas fiscais em valores inferiores aos montantes efetivamente recebidos; e (ii) omissão de receitas relativas a depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. A primeira infração não foi impugnada pelo contribuinte e tornouse definitiva na esfera administrativa. Quanto à segunda infração, em relação à qual se estabeleceu o contencioso, a DRJ afastou as alegações preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, deu provimento parcial à impugnação do contribuinte para aceitar parte dos lançamentos documentalmente comprovados, ajustando os créditos tributários para R$ 256.041,09 de IRPJ, R$ 138.262,19 de CSLL, R$ 74.405,25 de PIS e R$ 343.408,86 de COFINS e mantendo a qualificação da multa (150%). A ementa da decisão de piso restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 2153DF CARF MF 10 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DILIGÊNCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, mantidas à margem da escrituração da empresa e em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea que fossem valores isentos, já oferecidos à tributação, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte ou de outra origem justificada. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. RECEITAS DA ATIVIDADE. COMPROVANTES NÃO VINCULADOS AOS DEPÓSITOS/CRÉDITOS AUTUADOS. Os contratos de compra e venda, procuração, recibos e Autorizações para Transferência de Veículos comprovam operações de compra e venda de veículos, mas, não havendo qualquer vinculação documental com os depósitos, nem com a receita declarada, não ilidem a autuação com base em depósitos/créditos bancários de origem não justificada. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. IMPUGNAÇÃO. RECEITA DA ATIVIDADE. Fl. 2154DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.150 11 Mantémse a exigência de ofício sobre omissão de receitas presumidas por autorização do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, se o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, durante o procedimento fiscal, embora informe e documente, depois de regularmente cientificado dos autos, na impugnação, que os recursos são provenientes de receitas da atividade da empresa, revenda de veículos e comissões, mas mesmo assim não vincule as receitas documentadas aos depósitos. IMPOSTO. CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDOS. RECEITA DECLARADA. DEDUÇÃO. Descabe o pleito para que se deduzam, da exigência de ofício, valores recolhidos, porque estes se referem a receita declarada, cujos depósitos/créditos correspondentes em contas bancárias, foram excluídos da autuação. DEPÓSITOS/CRÉDITOS. EMPRÉSTIMOS TOMADOS. Excluise da autuação os valores de créditos/depósitos em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, que se evidenciam empréstimos tomados. DEPÓSITOS/CRÉDITOS. DESCONTO DE CHEQUES E TÍTULOS. Mantémse a autuação de valores creditados a título de adiantamentos por desconto, junto à instituição financeira, cuja origem do cheque ou título descontados não foi esclarecida, nem havendo duplicidade com o vencimento dos mesmos. DEPÓSITOS/CRÉDITOS. TRANSFERÊNCIAS ENTRE CONTAS. Não foram autuados depósitos que se caracterizassem como transferências entre contas do mesmo titular. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS e CSLL Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, cujas alegações, após detalhada exposição do lançamento, da impugnação e da decisão de primeira instância, foram organizadas em três partes, a saber: (i) preliminarmente, argúi a nulidade do acórdão a Fl. 2155DF CARF MF 12 quo; (ii) reitera e solicita o reexame dos argumentos aduzidos na impugnação; e (iii) apresenta as razões recursais opostas à decisão da DRJ. I Preliminar de nulidade do acórdão da DRJ. Ausência de exame das provas documentais apresentadas. Alegou o contribuinte que, na decisão de piso, a DRJ examinou uma diminuta amostra dos documentos e esclarecimentos apresentados na impugnação e que essa amostragem seria insuficiente para permitir as generalizações feitas na decisão. Neste sentido, em síntese, argumentou que, se a administração tributária alega que o contribuinte/cidadão tem o ônus de comprovar individualizadamente a origem dos recursos referentes aos depósitos bancários, por dever de ofício, igual ou maior ônus tem o julgador administrativo de examinar e se pronunciar sobre as provas carreadas aos autos a respeito de cada operação de depósito. (grifos do original) II Pedido de reexame das arguições preliminares e dos argumentos de mérito da impugnação/manifestação complementar. Neste tópico, o contribuinte reitera as razões da impugnação e da manifestação complementar e, dessa forma, entendo desnecessário voltar a relatar o que já foi acima descrito em minúcia. III Razões recursais contra a decisão de primeira instância. III.1 quanto à nulidade do auto de infração, o recorrente argumenta que a DRJ não deveria terse limitado a examinar a matéria com fulcro nos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72. Deveria ter levado em consideração o artigo 9º, I, do CTN, pois a cobrança deve seguir os estritos limites estabelecidos em lei. Neste sentido argumenta que a base de cálculo de IRPJ e CSLL é o lucro (real, presumido ou arbitrado) e que não se pode usar a presunção do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 para lançar IRPJ e CSLL com base em faturamento bruto. Ademais, o lançamento com base na presunção configuraria a utilização do tributo como punição, o que é vedado pelo artigo 3º do CTN. III.2 questiona o critério do exame da prova apresentada na impugnação. Argumenta que, em nome da razoabilidade, a apreciação das provas deve se dar de acordo com a realidade negocial do autuado, conforme passar a expor: III.2.a) em relação aos estornos de depósitos que não foram acolhidos pela DRJ, o contribuinte alega que as conclusões da DRJ decorrem de análise superficial dos documentos ou falta de compreensão das demais operações de depósito. III.2.b) em relação às comissões de financiamento, assevera que a DRJ deixou de observar os documentos anexos "Brad 14", "BBrasil 06", "BBrasil 08" e "BBrasil 16". III.2.c) aponta contradição no acórdão no que diz respeito às transferências provenientes de outras contas do mesmo titular, pois a decisão menciona que tais operações não teriam sido tributadas, mas ao final refere que os valores estariam "justificados". III.2.d) quanto às operações oriundas da venda de veículos, o contribuinte argumentou que a decisão de piso baseouse num exame superficial de uma pequena amostra Fl. 2156DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.151 13 dos documentos apresentados. Ademais, o critério adotado seria exageradamente formalista e teria levado a justificativas desarrazoadas: "ausência de esclarecimento da origem dos cheques/recursos depositados" e "impossibilidade de verificar se os cheques se referem aos depósitos autuados". Argumenta que a relatora adotou critério incompatível com a realidade da atividade comercial ao exigir que o valor da operação equivalha com exatidão ao valor do depósito. III.2.e) acerca dos financiamentos próprios e de terceiros de capital de giro, alegou que a decisão a quo padece dos mesmos vícios apontados anteriormente, qual sejam, a utilização de amostragem muito pequena e a adoção de critérios desarrazoados e arbitrários. III.3 por fim, o contribuinte alegou, em relação à qualificação da multa, que os fatos apontados pela fiscalização configurariam infrações administrativas e que a qualificação da multa afrontaria a Súmula CARF nº 25. Ao final, pediu a improcedência dos autos de infração. Era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Preliminares. Nulidade da decisão a quo. Inicialmente, incumbe verificar as alegações de nulidade da decisão a quo. Nesta matéria, o contribuinte argumenta que o órgão julgador tem o ônus de examinar todas as provas apresentadas, uma vez que exigese do sujeito passivo a comprovação individualizada de cada lançamento a crédito em suas contas bancárias. Contudo, em seu entendimento, a DRJ examinou uma pequena amostrados documentos e esclarecimentos apresentados. Vejamos os tópicos da impugnação que requeriam o exame probatório. O primeiro tópico da impugnação do contribuinte tem o título "Dos pagamentos realizados". O contribuinte alegou que, se toda a movimentação financeira foi Fl. 2157DF CARF MF 14 considerada como renda tributável, os tributos declarados/pagos espontaneamente deveriam ter sido descontados pela autoridade lançadora, sob pena de bis in idem. Assim, alegando que a autoridade lançadora não havia efetuado o desconto dos valores pagos de IRPJ, COFINS, PIS e CSLL, pediu que a DRJ abatesse integralmente os montantes recolhidos espontaneamente. Ao examinar este tópico, a DRJ constatou no Termo de Verificação Fiscal que (i) a autoridade lançadora havia identificado, com base no demonstrativo elaborado pelo contribuinte, todos os créditos bancários que correspondiam às receitas declaradas em DIPJ e DCTF, e (ii) que a autoridade lançadora excluiu esses valores do montante de receitas omitidas. De fato, a decisão da DRJ registra que "Esses valores foram excluídos pelo autuante dos depósitos bancários autuados, podendose notar que nenhum depósito/crédito em contas dos bancos listados na pág. 51 (Votorantim, Unibanco Paulista, Itaú, HSBC, Panamericano, Finasa) foi objeto de autuação, conforme se pode verificar comparando essa página com as págs. 381/382". grifei. É cristalino que, nesse tópico, a DRJ não utilizou uma amostragem. Ao contrário, teve o cuidado de verificar que nenhum lançamento a crédito que tivesse sido considerado nas receitas declaradas tivesse sido autuado. Portanto, se o lançamento de ofício baseouse exclusivamente em créditos bancários que não compuseram as receitas declaradas, descabe o pretendido abatimento dos tributos recolhidos espontaneamente. É oportuno destacar que a autoridade lançadora não considerou toda a movimentação financeira do contribuinte como receita tributável. Os lançamentos a crédito nas contas bancárias do Santander, do Banco do Brasil, do Banco Safra e do Bradesco que foram objeto de autuação são apenas aqueles listados dos documentos de fls. 370 a 377. Neste ponto, portanto, não se vê qualquer mácula na fundamentação da DRJ que levasse à nulidade da decisão ora combatida. O tópico seguinte da impugnação foi uma alegação genérica sobre a impossibilidade de se tributar as operações financeiras contraídas junto a bancos e instituições de fomento mercantil. Na petição que complementou a impugnação, o contribuinte detalhou lançamentos e juntou documentos. Ao final, argumentou genericamente que haveria "ingressos de financiamentos para capital de giro, obtidos mediante descontos bancários de duplicatas sem lastro (simuladas) e advogou a impossibilidade de tributação das operações de financiamento junto aos bancos, "inclusive da emissão de duplicatas sem lastro para obtenção de capital de giro". Sobre a matéria, a DRJ apresentou os seguintes esclarecimentos iniciais: 78. Em princípio, os históricos “Adiantamento Operações de Desconto” e “Líquido de Desconto de Cheques”, “Desconto cheque”, “Desconto np”, ”Cheque descontado”, não significam operações de empréstimos tomados que não configurem receitas, porque as operações de desconto de cheques nada mais representam que receber em adiantamento (inclusive a valor menor, porque deduzidos os juros e encargos incidentes sobre tal Fl. 2158DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.152 15 adiantamento) de receitas, a menos que se documente outra origem para o cheque a receber, ou nota promissória cujos valores foram recebidos antes do vencimento, mediante operação de desconto junto ao banco; quanto aos históricos “Crédito cfe. Instruções”, “TED–líber operações de crédito”, tampouco comprovam, por si só, que se tratem de operações de empréstimos tomados e devolvidos pelo contribuinte, porque as operações de crédito liberadas aparentemente se referem a liberações de financiamento de veículos vendidos, tomados pelos clientes, liberados na conta do vendedor, que é o interessado – assim cabe a este provar que não o sejam. 79. Alegou o litigante também que descontou duplicatas que não configuram receitas, pois foram emitidas sem lastro, que apenas serviram para serem descontadas junto às instituições financeiras como forma de receber recursos – essa alegação, genérica, não foi apoiada por qualquer documento e nem mesmo nas planilhas que apresentou há qualquer citação ou identificação de tais duplicatas, restando a alegação sem qualquer prova. grifei. Assim, não há, no que tange à hipótese de duplicatas simuladas, qualquer elemento mínimo que comprove a origem dos créditos bancários. Após os esclarecimentos iniciais, a DRJ passou ao exame das provas efetivamente apresentadas. O exame partiu da demonstração Síntese Geral do Valores, que foi elaborada pelo contribuinte e que acompanhou a petição que complementou a impugnação. Nesta demonstração, o contribuinte registrou o valor total de R$ 1.627.689,93 de financiamentos próprios e de terceiros. As planilhas e documentos relativos a essa matéria estão juntados aos autos nas fls. 529 a 573. No item 82 do voto que norteou a decisão da DRJ, a relatora examinou individualmente cada lançamento e documento apresentado pelo contribuinte. A conclusão da análise foi posta nos seguintes termos: R$ 1.627.689,93 são “Financiamentos próprios e de terceiros (incl duplic. Simul) – conforme a tabela a seguir confirmaramse como empréstimos tomados e que devem ser excluídos da autuação: i. 05/2007 – R$150.000,00 (explicado na tabela a seguir) ii. 06/2007 – R$49.900,00 (explicado na tabela a seguir) iii. 07/2007 – R$209.000,00 (explicado na tabela a seguir) Novamente, é possível verificar que a DRJ não se utilizou de amostragem, tendo examinado cada lançamento e documento apresentado. Quanto às razões adotadas pela DRJ em sua decisão, estas serão apreciadas à frente, quando for tratado o mérito do recurso voluntário. Fl. 2159DF CARF MF 16 No que diz respeito à validade da decisão de piso, quanto à inclusão de créditos com histórico de financiamentos, não se vislumbra vício na fundamentação que pudesse dar azo à nulidade desta. Na petição complementar à impugnação, o contribuinte trouxe outras três matérias que não constavam de forma explícita na impugnação e dependem de dilação probatória: (i) a simples transferência de valores entre contas bancárias da empresa; (ii) cheques estornados (devolvidos); e (iii) o regime próprio de tributação da revenda de veículos usados. No exame das transferências, a DRJ partiu da demonstração feita pelo contribuinte na Síntese Geral do Valores. Nesta tabela, o contribuinte registrou o montante de R$ 408.900,00 como transferências advindas de outras contas bancárias. Sobre essa alegação, a DRJ registrou: R$408.900,00 de créditos no Banco Safra são “Op. Tributadas ref transf Provenientes contas Amorim”da planilha referente a este, págs. 546/547, constatase que muitos dos valores na coluna “Outros ingressos”, são DOCD e TEDD (que consignou como TEDT) que o interessado explica serem transferências entre “mesmo titular”; comparandose esses valores com a relação dos valores autuados de pág. 377, verificase que nenhum deles foi autuado; grifei. Mais uma vez, observase que a DRJ examinou cada um dos lançamentos. Em relação à contradição apontada pelo contribuinte entre a afirmação de que as transferências de valores de outras contas do titular não teriam sido autuadas e, em seguida, consideradas "justificadas" pela DRJ, é de se verificar o que segue. Primeiro, é oportuno lembrar quais os lançamentos a crédito na conta do Banco Safra que foram autuadas pela autoridade lançadora (fls. 377): Data Histórico Valor 17/01/2007 Lib desconto ch R$ 44.240,53 22/01/2007 Lib desconto ch R$ 9.532,00 29/01/2007 Lib desconto ch R$ 38.224,00 13/02/2007 Lib desconto ch R$ 68.224,50 21/03/2007 Lib desconto ch R$ 82.885,81 14/05/2007 Lib desconto ch R$ 101.268,79 29/05/2007 Transf Tb R$ 150.000,00 08/06/2007 Transf Tb R$ 49.900,00 04/07/2007 Transf Tb R$ 209.000,00 07/08/2007 Lib desconto ch R$ 37.887,17 09/08/2007 Lib desconto ch R$ 18.426,88 14/08/2007 Lib desconto ch R$ 17.859,72 22/11/2007 Lib desconto ch R$ 23.978,44 06/12/2007 Lib desconto ch R$ 9.938,66 Para analisar as transferências, é preciso consultar a Planilha I Banco Safra (fls. 542/578). Nesse demonstrativo, o contribuinte registrou que "TED 'D' e DOC 'D' significam o mesmo titular". Quando se verifica as transferências de DOCD e TEDD, chega se aos seguintes lançamentos: Fl. 2160DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.153 17 Data Histórico Valor Total 3/1/2007 DOC D Compensado R$ 2.500,00 R$ 2.500,00 5/2/2007 TED D R$ 6.430,00 R$ 8.930,00 10/4/2007 TED D R$ 8.000,00 R$ 16.930,00 7/5/2007 TED D R$ 10.000,00 R$ 26.930,00 26/6/2007 TED D R$ 65.000,00 R$ 91.930,00 29/6/2007 TED D R$ 250.000,00 R$ 341.930,00 11/10/2007 TED D R$ 50.000,00 R$ 391.930,00 31/10/2007 TED D R$ 20.000,00 R$ 411.930,00 Está, destarte, correta a afirmação da DRJ de que nenhuma transferência DOCD ou TEDD foi autuada. Comparandose as duas tabelas acima, a conclusão é cristalina. Todavia, não é o mesmo caso das transferências "Transf Tb", que somam os R$ 408.900,00 alegados pelo contribuinte. Estas foram tratadas à parte pela DRJ, dentro das créditos decorrentes de financiamentos próprios e de terceiros, como citado acima. A DRJ considerou os créditos na conta do contribuinte justificados nos seguintes termos: págs doc valor data Conclusão da análise 567/570 Extr banco Safra conta Empréstimo 49.900,00 08/06/2007 Referente ao crédito 126.292 1, comprovado o empréstimo. " " 209.000,00 04/07/2007 Referente ao crédito 126.292 1, comprovado o empréstimo. 98, 377 Extrato banco Safra conta corrente 150.000,00 29/05/2007 Referente ao crédito/débito no mesmo dia. Portanto, neste ponto, houve apenas uma aparente contradição na decisão de piso e a leitura mais atenta é capaz de discernir claramente as análises e conclusões da autoridade julgadora de primeira instância. Quanto aos cheques estornados (devolvidos), a análise detalhada da DRJ encontrase no tópico 81.a do voto condutor do acórdão. Não foi empregado o recurso da amostragem. A DRJ analisou cada lançamento e documento. É de se registrar que também nesta matéria a DRJ acatou parcialmente a impugnação do contribuinte e excluiu da autuação os lançamentos que considerou devidamente comprovados. Por fim, nesta primeira parte, que trata das alegações de nulidade da decisão de piso, resta verificar a fundamentação da parte que tratou dos documentos e planilhas relativos às revendas de veículos usados que, segundo o contribuinte, deveriam ter sido tributadas de acordo com o disposto no artigo 5º da Lei nº 9.716/98, verbis: Art. 5o As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de Fl. 2161DF CARF MF 18 venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Na análise da matéria, segundo a informação contida no item 86 do voto condutor da decisão, a DRJ cotejou inicialmente todos os valores da coluna "Liquidação como efetivamente foi realizada" do demonstrativo do contribuinte com os lançamentos a crédito nas contas bancárias que foram objeto de autuação. Neste cotejamento, verificou que a maioria dos valores não foram autuados. Em relação àqueles que foram autuados, a DRJ passou à análise dos documentos. Lendo os tópicos 86 a 88 do voto, podese constatar que a autoridade julgadora a quo também não fez o exame desta matéria por amostragem. O que se pode perceber é que, no mês de janeiro/2007, fezse uma planilha detalhada com a conclusão em cada lançamento. Daí em diante, a DRJ limitouse a informar que as conclusões são as mesmas a que chegou no mês de janeiro/2007, com os destaques dos tópicos 88.a a 88.j. Arremata a DRJ com a seguinte afirmação: Os demais documentos, até pág. 1.997, são análogos, não comprovando que os depósitos se refiram a receitas declaradas e tributadas, ou outra justificativa – apenas comprovam que a empresa operava comprando e vendendo veículos e que os ingressos se referiam a vendas. É de se ressaltar também a seguinte constatação da DRJ: "Destaquese que não apresentou qualquer nota fiscal de compra ou de venda de sua emissão relativamente às operações que documentou com contratos e autorizações de transferência". De todo o exposto, concluise que a DRJ não baseou sua decisão em amostragem. Examinou todos os documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte na impugnação e na petição que complementou a impugnação. Destarte, voto por indeferir o pleito de declaração de nulidade da decisão de piso, por ausência de exame das provas apresentadas, formulado no recurso voluntário. Nulidade do lançamento de ofício e inconstitucionalidade da utilização de dados bancários. Conforme historiado anteriormente, o contribuinte alegou na primeira instância a nulidade do lançamento de ofício. Inconformado com a decisão da DRJ, o contribuinte requereu no recurso voluntário o reexame da nulidade do auto de infração e ainda argumentou que a DRJ não Fl. 2162DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.154 19 deveria terse limitado à análise dos artigos 59 e 60 do CTN. Argumentou que a autoridade não poderia ter lançado IRPJ e CSLL com base em faturamento bruto, com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, pois feriria o artigo 9º, I, do CTN (vedação à cobrança de tributo sem lei que o estabeleça), configurando a utilização do tributo como punição, o que é vedado pelo artigo 3º do CTN. Neste aspecto, andou bem a DRJ, que fez exame criterioso das questões de nulidade e de inconstitucionalidade levantadas pelo contribuinte. Descabe dizer que a apuração feita pela autoridade lançadora com fulcro na presunção legal veiculada pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, configure punição ao contribuinte ou esteja fora da norma jurídica que institui o IRPJ e a CSLL com base no lucro real, presumido ou arbitrado. Tratase apenas de presunção legal de omissão de receitas. As receitas omitidas apuradas desta forma são adicionadas às bases de cálculo de IRPJ e CSLL, de acordo com as normas atinentes ao lucro real, presumido ou arbitrado, a depender do caso. No caso concreto, o que a fiscalização fez foi apurar receitas que, diante das informações prestadas durante o procedimento fiscal, teriam sido omitidas com base na presunção legal citada. As alíquotas de IRPJ e a CSLL não foram aplicadas diretamente sobre as receitas omitidas. Primeiro houve a apuração das bases de cálculo, conforme as normas do Lucro Presumido e, sobre essas bases de cálculo, foram aplicadas as alíquotas do imposto e da contribuição. Eventuais incorreções materiais no lançamento, especialmente quando decorrentes da apresentação de elementos probatórios que não estavam à disposição da fiscalização no período do procedimento fiscal, em sede de impugnação, não têm o condão de tornar nulo o lançamento de ofício. Assim, penso que a decisão da DRJ, quanto à alegação de nulidade dos lançamentos de ofício, deva ser mantida nos termos de sua fundamentação: 2 Preliminar de Nulidade. 29. Argui nulidade dos autos de infração argumentando desrespeito ao princípio da verdade real e a indevida consideração integral dos montantes depositados nas contas correntes como base de cálculo das exigências. 30. Contudo, tais fatos, mesmo se ocorridos, não se inserem nas previsões da legislação de se considerar nulos ao autos. 31. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Fl. 2163DF CARF MF 20 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) 32. Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. 33. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 34. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. 35. De se destacar que a fiscalização examinou a totalidade da movimentação bancária do contribuinte, porém, ao contrário do que alega, não autuou a totalidade dos depósitos/créditos, tendo sido excluídos aqueles justificados transferências interbancárias do mesmo titular e os referentes às receitas declaradas. 3 Utilização de dados bancários. Inconstitucionalidade. 36. O contribuinte foi intimado, no Termo de Início da Ação Fiscal, em 17/03/2010, págs. 3/5, a apresentar à fiscalização os extratos das contas correntes bancárias e de aplicações financeiras do anocalendário 2007; em 14/10/2010, 7(sete) meses depois, foi intimado a apresentar adicionalmente, extratos do Banco Votorantim e a identificar a origem dos valores creditados nas contas bancárias relacionadas nos anexos ao Temo de Intimação, págs. 33/55; em 30/11/2010, págs. 54/70, foi novamente intimado a identificar a origem dos valores creditados nas contas relacionadas nos anexos. 37. Em 03/12/2010, apresentou a resposta e documentos de págs. 71/92. 38. Em 20/01/2011, págs. 93/94, foi intimado a documentar as justificativas que apresentou, relacionadas neste Termo de Intimação Fiscal 03/2011; a resposta está às págs. 95/101. 39. O Os extratos bancários constam do processo às págs: a. Banco Safra – págs. 98/100; 350/361; b. Banco Bradesco – págs. 214/303; c. Banco do Brasil – 304/349; Fl. 2164DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.155 21 d. Banco Santander Banespa – 362/369. 40. Na impugnação protesta contra a inconstitucionalidade da utilização dos dados bancários para a apuração dos créditos tributários autuados; diz que a jurisprudência no sentido de que é prática vedada a utilização de dados bancários. 41. Primeiramente, quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 42. Segundo, do exame da documentação, intimações e respostas, é evidente que o contribuinte, intimado, apresentou os extratos das contas que manteve em instituições financeiras, não tendo sido necessário à fiscalização dirigirse diretamente às instituições, o que, no entanto, é facultado ao Fisco pela legislação. 43. Eis que a Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, ampliou as hipóteses de prestação de informações bancárias, permitindo sua utilização pelo Fisco para fins de instauração de procedimentos fiscalizatórios relativos a qualquer tributo (art. 11, § 3º, com a redação da Lei 10.174, de 2001). 44. A Lei Complementar nº 105 de 10 de janeiro de 2001, ao estabelecer normas gerais sobre o dever de sigilo bancário, permitiu, sob certas condições, o acesso e utilização, pelas autoridades da administração tributária, a documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras (arts. 5º e 6º). 45. Seguindoa, a Lei nº 10.174, de 2001, e o Decreto nº 3.724, de 2001, apenas regraram com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. 46. Assim, o procedimento fiscal e a autuação não atentaram contra a Constituição. Adicionalmente, é de se registrar que ao contribuinte foi garantido o amplo direito de defesa diante dos autos de infração. Podese constatar esse fato pela ampla e detalhada defesa apresentada pelo contribuinte, que demonstrou compreender de forma cristalina os fatos apurados pela fiscalização e as normas jurídicas aplicadas. Assim, voto por afastar as alegações de inconstitucionalidade do uso das informações bancárias e de nulidade dos autos de infração. Fl. 2165DF CARF MF 22 Mérito. Antes de ingressar na análise das alegações propriamente ditas do contribuinte, é oportuno compreender claramente as questões centrais em matéria de mérito para a solução deste feito. É incontroverso nos autos que o contribuinte exerce atividade de revenda de veículos usados e aufere receitas de vendas e de comissões. Está estabelecido, também, que o contribuinte, no anocalendário de 2007, estava sujeito à tributação do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Presumido. Nesse contexto, o contribuinte alega que a autoridade lançadora deveria ter apurado os tributos com base no que dispõe o artigo 5º da Lei nº 9.716/98: Art. 5o As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. O primeiro ponto a se destacar na norma legal é que ela não traz uma regra imperativa, mas dispositiva. O contribuinte pode optar por tributar a renda decorrente das operações de compra e venda de veículos usados pela regra geral das operações comerciais (8% sobre a receita de venda) ou pela regra especial, de equiparação das operações às de consignação. E por que seria uma faculdade? Pelo simples fato de que a alíquota aplicável para fins de presunção do lucro, no caso de opção pela regra especial, sobe de 8% (sobre a receita de venda) para 32% (sobre a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição), tendo em vista a natureza de serviço da operação de consignação à qual a operação seria equiparada, conforme preceitua a Súmula CARF nº 85, verbis: Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplicase o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. O sujeito passivo que realiza tais operações pode, portanto, escolher se irá apurar o lucro presumido com a aplicação de 32% sobre a diferença entre o valor de aquisição e o de revenda ou com a aplicação de 8% sobre o valor de revenda. Mas, para poder fazer tal opção, o contribuinte deverá, nos termos do parágrafo único do artigo 5º da Lei nº 9.716/98, emitir as respectivas notas fiscais de entrada e de venda. A emissão das notas fiscais é condição sine qua non para a opção. São nesse sentido os precedentes abaixo, cujas ementas estão reproduzidas somente na parte que interessa: Fl. 2166DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.156 23 LUCRO ARBITRADO. COEFICIENTES DE PRESUNÇÃO DE LUCRO. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. Nas transações de compra e venda de veículos usados equiparadas a consignação, aplicase o coeficiente de presunção de lucro de 32% ou 38,4% para determinar a base de cálculo do IRPJ no regime do lucro presumido ou arbitrado, respectivamente. No caso da CSLL, o coeficiente de presunção de lucro para tal atividade será sempre de 32%. Em ambos os casos, a receita bruta corresponderá à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Inteligência da Súmula CARF nº 85. Nas transações de compra e venda de veículos em que não são preenchidas as condições estabelecidas no art. 5º da Lei nº 9.716/98, a receita bruta será o valor da revenda de veículos, sendo aplicados os coeficientes de presunção de lucro presumido de 8% para o IRPJ e de 12% para a CSLL. No caso de lucro arbitrado, aplicase o coeficiente de 9,6% para o IRPJ, mantendose o coeficiente de 12% para determinação da base de cálculo da CSLL coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais. Constatado que os depósitos bancários considerados como receitas omitidas não se referem a prestações de serviços, mas sim a compra e venda de veículos, ainda que não se identifique de forma individualizada cada operação, aplicamse os coeficientes de presunção de lucro atinentes a operações comerciais. (Acórdão nº 1402001.877, de 26/11/2014, relatoria do conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto) grifei. IRPJ LUCRO PRESUMIDO COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS OPERAÇÕES EQUIPARADAS À CONSIGNAÇÃO. COEFICIENTE DE PRESUNÇÃO APLICÁVEL A pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido, que tenha como objeto social, registrado em seus atos constitutivos, a atividade de compra e venda de veículos automotores, poderá equiparar, para fins de tributação, as operações de compra e venda de veículos a operações de consignação, devendo, para tanto, emitir Nota Fiscal de Entrada, para os veículos adquiridos, e Nota Fiscal de Saída, para os veículos revendidos; a diferença apurada entre o preço de venda e o custo de aquisição, representa a receita tributável, sobre a qual aplicamse os coeficientes de apuração das correspondentes bases de cálculo: a) 16% ou 32%, para fins de determinação da base de cálculo, de aço, do com o montante de receita bruta anual. (Acórdão nº 1302000.018, de 29/07/2009, relatoria do conselheiro Irineu Bianchi) grifei. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos Fl. 2167DF CARF MF 24 usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Os veículos usados serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Para beneficiarse desse regime especial de tributação, o sujeito passivo não se exime de emitir, em cada operação comercial e nos momentos adequados, as correspondentes notas fiscais de entradas e saídas dos veículos usados. Afastado o referido regime especial, as omissões de receitas apuradas devem ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do sujeito passivo pela determinação do imposto pelo lucro presumido. (Acórdão nº 1401001.583, de 05/04/2016, relatoria do conselheiro Antônio Bezerra Neto). grifei. Da fundamentação desta decisão, vale destacar o seguinte trecho, cujas razões de fato e de direito justificam a aplicação do raciocínio jurídico que lhe dá sustentação ao presente feito: Tratase, pois, de regime especial de tributação que permite às empresas que tenham como objetivo social declarado em seus atos constitutivos a compra e venda de veículos automotores utilizarse de forma de tributação que equipara a compra e venda de veículos usados às operações de consignação, porém com a determinação de que, em cada operação, haja emissão das correspondentes notas fiscais de entrada e saída. É que o legislador usou da única racionalidade possível para fazer face à equiparação de uma operação de compra e venda (atividade objeto social do contribuinte) com uma operação de consignação de pagamento por comissão. Afinal, em uma operação de compra e venda não se dispõe propriamente de um valor de comissão, mas sim de receita de vendas e custo de aquisição. Dessa forma, a única forma de viabilizar a equiparação seria mesmo fazer equivaler a diferença entre o valor da receita de venda e o valor do custo de aquisição do veículo com o valor da comissão recebida na operação de consignação por comissão. [...] E digo que não é necessário se demorar no aplainamento dessas diferenças porque para as operações com veículos usados, tanto no contrato típico de compra e venda quanto de comissão ou estimatório, para beneficiarse do regime especial de tributação de que trata o art. o art. 5°, da Lei n° 9.716, de 1988, a empresa possui a extrema necessidade cumprir rigorosamente os requisitos da lei, quais sejam, emissão das notas fiscais de entrada e saída, em cada operação, dos veículos objeto de comercialização e isso não foi feito adequadamente, como se verá mais adiante. O ponto fulcral da questão é o fato de no contrato comissão ou estimatório, a venda é feita em nome próprio e a tributação do lucro presumido recaindo normalmente sobre o preço faturado Fl. 2168DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.157 25 do veículo. A tributação diferenciada somente seria cabível na venda de veículos usados, desde que existentes as respectivas notas fiscais de entrada e saída. Já para a mera intermediação, a tributação recai exclusivamente sobre a comissão recebida. [...] E, revisados os autos e de tudo quanto constou dos mesmos, após inclusive o processo ter sido baixado em diligência, o que se constatou efetivamente é que o contribuinte não se limitou a de ser mero intermediário na obtenção do financiamento para venda do veículo, mas efetivamente atuou como vendedor do veículo, seja atuando em nome próprio, seja atuando como consignante, porém sem emitir as respectivas notas fiscais de entrada e saída, e assim não se subsumindo ao regime especial de tributação onde se pode abater os custos, tributandose pela margem, mesmo para o caso de lucro presumido. [...] No mínimo, o contribuinte assumiu riscos. Notadamente, a falta de registros contábeis individualizados para cada operação implicou o fato que os pagamentos feitos pelos bancos fazerem, sim, prova que ele auferiu receitas próprias. Por todo o exposto, concluo que o contribuinte não faz jus ao referido regime especial de tributação, devendo as omissões de receitas apuradas pela Fiscalização ser tributadas pela regra geral, no caso, obedecendo a opção do contribuinte pela determinação do imposto com base no lucro presumido. grifei. In casu, a fiscalização apurou créditos bancários que o contribuinte, regularmente intimado, não logrou, durante o procedimento fiscal, comprovar a origem dos recursos. Posteriormente, o contribuinte apresentou diversos elementos probatórios e esclarecimentos com os quais pretende que os lançamentos de ofício sejam reformados. Uma das principais alegações é que a maior parte dos ingressos nas contas bancárias teria como origem a revenda de veículos usados e, desta forma, pretende que seja aplicada, sobre essas receitas a tributação prevista no artigo 5º da Lei nº 9.716/98, ou seja, a equiparação com as operações de consignação. Entretanto, como exposto, considerando que o contribuinte não emitiu as respectivas notas fiscais e não escriturou na contabilidade as contas bancárias nas quais recebia, ao longo de todo o período fiscalizado, as receitas auferidas com as revendas de veículos e comissões, não faz jus ao tratamento tributário beneficiado. É oportuno ressaltar que o critério aqui adotado não se reveste de excesso de formalismo. Como referido acima nos precedentes deste Conselho, a única forma de se apurar com segurança as bases de cálculo dos tributos, quando o contribuinte opta pela tributação equiparada à consignação, é lastreada nas notas fiscais. Fl. 2169DF CARF MF 26 Não é por outro motivo que a DRJ, ao examinar de forma detalhada os documentos relativos às operações de compra e venda de veículos, chegou a conclusões como: "Os contratos, procuração, recibos e Autorização comprovam operação de compra e venda do veículo, com recebimento de parte do pagamento na forma de outro veículo não há qualquer vinculação documental com os depósitos, nem com a receita declarada". Em outras palavras, o que se quer dizer é que o contribuinte demonstra que a as receitas provém de operações com vendas de veículos usados, mas não consegue vincular, individualizadamente, as operações comerciais a os créditos bancários. É cediço que tais comprovações deveriam se dar por meio de documentos coincidentes em datas e valores. A comprovação de que se trata de operações de venda de veículos leva à tributação das receitas com a aplicação do percentual de 8%, que é aplicável às operações comerciais. Diferente seria, por exemplo, se se provasse que as receitas fossem oriundas de comissões de intermediação para instituições financeiras, pois estas devem ser tributadas no lucro presumido com o percentual de 32%. Noutra banda, as notas fiscais seriam os documentos hábeis para demonstrar a entrada de cada veículo no estoque e a respectiva venda. A correta escrituração na contabilidade da operação comercial permitiria a inequívoca vinculação do custo com a receita de venda. A correta escrituração da movimentação financeira permitiria saber exatamente como o veículo adquirido foi pago e como o contribuinte recebeu efetivamente os valores correspondentes ao veículo vendido. Caso o contribuinte tivesse cumprido os requisitos legais para a fruição do regime tributário mais benéfico, a determinação das bases de cálculo dos tributos seria transparente. Neste aspecto, não merece prosperar o argumento do contribuinte de que a decisão da DRJ merece ser reformada por ter adotado critério extremamente formalista, desconectado da realidade da atividade comercial, na qual os pagamentos não seriam coincidentes em datas e valores com os contratos, procurações e documentos de transferências. A vinculação pretendida pelo contribuinte de contratos e documentos não coincidentes em datas e valores com os efetivos recebimentos e pagamentos é impossível justamente porque faltam as notas fiscais de entrada e de saída, o registro das operações comerciais na contabilidade e a escrituração de recebimentos e pagamentos bancários na contabilidade. Na esteira dessa fundamentação, é de se concluir que o contribuinte, no que tange às operações sem notas fiscais e sem registros contábeis, não faz jus à tributação favorecida do artigo 5º da Lei nº 9.716/98. Passo às alegações feitas pelo contribuinte na impugnação e em face da decisão de piso. Quanto à questão da compensação dos tributos declarados/pagos espontaneamente, penso que foi examinado suficientemente pela DRJ, que constatou que os créditos bancários que correspondiam às receitas declaradas haviam sido excluídos da apuração de ofício pela autoridade lançadora. Uma vez que as receitas tributadas foram apenas as omitidas na apuração espontânea do contribuinte, descabe o desconto dos tributos pagos espontaneamente sobre as receitas declaradas. Não há o que reparar na decisão da DRJ. Fl. 2170DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.158 27 Quanto às operações financeiras contratadas com instituições financeiras, é oportuno destacar as observações feitas pela DRJ. As operações de desconto de cheques e duplicatas referemse, via de regra, a operações comerciais, ou seja, o cheque ou a duplicata descontada referese a uma operação comercial não contabilizada. Portanto, a mera justificativa de que o crédito bancário se refere a um desconto de cheque ou duplicata não tem o condão de comprovar a efetiva origem e, sobretudo, demonstrar que o valor não integra a receita tributável do contribuinte ou que já tenha sido tributada. Raciocínio semelhante podese aplicar às liberações de crédito vinculadas às operações comerciais. Como o contribuinte vende em nome próprio, a liberação, pelas instituições financeiras, de valores diretamente nas suas contas bancárias corresponde ao recebimento de parte do valor da operação comercial. Destarte, a simples referência ao contrato e ao recebimento do valor não justifica a origem. Para comprovar que se trata de efetivo empréstimo, ou seja, de que se trata de um passivo exigível e não de uma receita, o contribuinte deveria demonstrar que suportou efetivamente o pagamento do empréstimo. Na esteira dessas observações, tenho como suficiente a detalhada análise da DRJ sobre os elementos probatórios relativos às operações de financiamento próprios e de terceiros, devendo a decisão de piso ser mantida por seus fundamentos. Quanto à questão das transferências de valores entre contas de mesma titularidade, apesar a aparente contradição apontada na impugnação, tenho que a DRJ analisou a questão com adequada acuidade. As operações com histórico DOCD e TEDD já haviam sido excluídas pela autoridade lançadora. As operações com histórico Transf Tb foram excluídas da autuação pela decisão a quo, quando da análise do item anterior, que tratou das operações de crédito. Quanto aos cheques devolvidos, a DRJ realizou exame detalhado e não procede o argumento genérico lançado pelo contribuinte de que a instância de piso tenha examinado os documentos comprobatórios a partir de pequena amostragem. Assim, penso que, em relação a estas duas alegações, a decisão da DRJ também deva ser mantida incólume. Sobre os valores de comissões, o contribuinte argumenta que a DRJ deixou de examinar os documentos anexos "Brad 14", "BBrasil 06", "BBrasil 08" e "BBrasil 16". Segundo as próprias anotações do contribuinte em suas demonstrações, os quatro anexos referemse a comissões recebidas de bancos, ou seja, os elementos probatórios demonstram que se trata de valores tributáveis. Ademais, nenhum dos documentos demonstra que os valores tenham composto as receitas tributáveis declaradas espontaneamente. Portanto, não há como excluílos da base de cálculo dos tributos apurada de ofício. Por fim, em relação à tributação favorecida do artigo 5º da Lei nº 9.716/98, concluise que o contribuinte não preencheu os requisitos necessários para fazer jus ao benefício, uma vez que não emitiu as notas fiscais de entrada e de saída, não escriturou as operações comerciais e a respectiva movimentação financeira na contabilidade. Fl. 2171DF CARF MF 28 Quanto à apuração por meio da presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, adoto as razões de decidir do acórdão a quo: 4 Omissão de Receitas. Depósitos/créditos recebidos em contas bancárias. Presunção Legal. 47. O litigante argumenta que a jurisprudência é no sentido de que é prática vedada a utilização da movimentação financeira de entradas, como forma de, simplesmente e por si só, mensurar os aspectos quantitativos de tributos/especialmente dos que foram objeto dos autos de infração em análise; aduz que a movimentação financeira apurada em contas correntes não é prova de capacidade econômica, sendo que a sua utilização, como no caso em tela, caracteriza desrespeito ao princípio constitucional esculpido no §1º do art. 145 da CF, de 1988. 48. Como já se destacou neste voto, descabe à instância administrativa, julgar constitucionalidade ou legalidade de legislação regularmente editada; no que tange à utilização dos ingressos de recursos em contas do contribuinte mantidas em instituições bancárias, cabem os esclarecimentos a seguir. 49. A exigência tem como fundamento a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 50. Esclareçase que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários como tais considerados, mas sim a omissão de receitas ou rendimentos que eles representam. Os depósitos são, na verdade, apenas a forma, o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receitas objeto da tributação, porque não satisfatoriamente comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. 51. Conforme se depreende do texto legal, tratase de presunção legal juris tantum, que autoriza a caracterização de omissão de receita. É a própria lei que determina que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos, e não meros indícios de omissão. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus da prova. 52. Primeiramente, vejase o que determina a legislação pertinente, art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas Fl. 2172DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.159 29 de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 53. É oportuno um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, a fim de aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. 54. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: “Art. 6.º. O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5.º. O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Grifouse.)” 55. À vista de tais regras, temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte; a omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. 56. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ser disciplinado de forma diferente do previsto na Lei n.º 8.021, de1990: foi promulgada a já transcrita Lei n.º 9.430, de 1996, que no art. 42, e 88, XVIII, com a alteração do art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, que, conforme art. 150, III da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF, de 1988 c/c o art. 105 do CTN, aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997, e que revogou a o §5.º do art. 6.º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. 57. Dessa forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos; não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte; há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. 58. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase a falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao Fl. 2173DF CARF MF 30 contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos depositados em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. 4.1 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. 59. Como descrito, o contribuinte foi reiteradamente intimado a comprovar qual era a origem dos recursos recebidos; os documentos e provas que apresentou foram considerados pelo autuante e a omissão de receitas foi autuada em relação aos depósitos não justificados. 60. Ocorre, no presente caso, a presunção legal já descrita neste voto, sobre a qual se aduz a seguinte explanação: via de regra, a autoridade deve estar munida de provas para alegar a ocorrência de fato gerador; contudo, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador – as chamadas presunções legais – a produção de tais provas é dispensada, e cabe ao contribuinte apresentar provas que ilidam a presunção de omissão resultante. 61. Presunções legais são as estabelecidas por lei, que determina o princípio em virtude do qual se tem como provado o fato, pela dedução tirada de outro fato, ou de um direito, por outro direito. As presunções legais dividemse em absolutas ou presunções juris et jure e em relativas, condicionais ou presunções juris tantum. As presunções absolutas são as que, por expressa determinação da lei, não admitem prova em contrário nem impugnação; os fatos ou atos que por elas se deduzem, são tidos como provados, conseqüentemente como verdadeiros, ainda que se tente demonstrar o contrário. As presunções relativas são estabelecidas em lei, não em caráter absoluto ou como verdade indestrutível, mas em caráter relativo, que podem ser destruídas por uma prova em contrário, ou seja, valem enquanto prova em contrário não vem desfazêlas ou mostrar sua falsidade. 62. Tal como as absolutas, as presunções relativas não se confundem com os indícios, porquanto estes podem, em certas circunstâncias, merecer fé, desde que acompanhados de elementos subsidiários que os tornem de valor indiscutível, enquanto aquelas são geradas do preceito ou da regra legalmente estabelecida. No caso em análise, verificase não se tratar de simples indício de omissão de receitas, porquanto havendo uma presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, cabendo à contribuinte a produção da prova de que não teria ocorrido a omissão de receitas. 63. Logo, tratandose de presunção juris tantum, ou seja, está prevista em lei, mas admite prova em contrário, caberia à interessada comprovar a sua improcedência, mediante provas que apresentasse. 64. No texto a seguir reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, JUSTECRJ, 1979, pág. 806, José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: Fl. 2174DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.160 31 O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. (Grifouse.) 65. Nesse sentido, são também brilhantes as lições de Maria Rita Ferragut in Presunções no Direito Tributário (São Paulo, Dialética, 2001, págs. 91/92): Discordamos do entendimento de que as presunções ferem a segurança jurídica porque, como meio de prova indireta que são, portam elevado grau de incerteza, prejudicando a necessária apuração dos fatos. Entendemos que as presunções não devam ser aplicadas em casos de dúvida e incerteza, mas somente nas hipóteses de impossibilidade de comprovação direta do evento descrito no fato, já que seu principal fim é o de suprir deficiências probatórias. A certeza e a convicção (...) é inatingível objetivamente, estando, nessa perspectiva, também ausente na prova direta. Sobre a questão da certeza, manifestouse Moacyr Amaral dos Santos, para quem ‘há certeza, relativamente a um fato quando o espírito se convence de sua existência ou inexistência’. A previsibilidade (inerente ao princípio da segurança jurídica) quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regra matriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, e tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas, indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu. Caso não tenha ocorrido, até para a garantia de observância da segurança jurídica, é permitido ao contribuinte produzir todas as provas juridicamente admitidas para os fins de demonstrar a inveracidade fática do fato imputado. (...) A Administração tem o deverpoder de cumprir com certas finalidades, sendolhe obrigatória essa tarefa para a realização do interesse da coletividade, indicado na Constituição e nas Leis. Conseqüência dessa premissa é a indisponibilidade do interesse público. A utilização de presunções para a instituição de tributos é uma forma de atender ao interesse público, já que essas regras são passíveis de evitar que atos que importem evasões fiscais deixem Fl. 2175DF CARF MF 32 de provocar as conseqüências jurídicas que lhe seriam próprias não fosse o ilícito. É, nesse sentido, instrumento que o direito coloca à disposição da fiscalização, para que obrigações tributárias não deixem de ser instauradas em virtude da prática de atos ilícitos pelo contribuinte, tendentes a acobertar a ocorrência do fato típico. (Grifouse) 66. Logo, tratando o caso em tela de presunção legal relativa, fica invertido o ônus da prova, pois a autoridade administrativa fica dispensada de provar que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico sujeito à incidência do imposto de renda; nesse caso, cabe à contribuinte a produção da prova de que o fato presumido não existe, ou seja, de que não teria ocorrido a omissão de receitas apontada pela fiscalização com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. 67. Temse que os depósitos autuados não foram justificados como referentes a receitas declaradas, ou que fossem não tributáveis, isentos ou que pertencessem a terceiros, ou outra justificativa que elidisse a autuação. 68. No caso, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se deu pela mera constatação de um depósito bancário, considerada isoladamente, abstraída das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados, conforme dicção literal da lei. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido ser beneficiado com um depósito bancário sem origem – e o fato desconhecido – auferir rendimentos. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos não declarados. 69. A única forma de elidir a presunção legal é a apresentação de provas hábeis e idôneas que demonstrem a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários. E essas provas, se não apresentadas por ocasião da fiscalização, devem ser apresentadas junto com a peça de defesa. Na peça impugnatória, examinamse os elementos de prova se apresentados; quanto aos valores não justificados, permanece a presunção legal de omissão de receita e as correspondentes exigências de imposto e contribuições. 70. Portanto, descabe o argumento de que depósitos bancários cuja origem não foi esclarecida pelo contribuinte, regularmente intimado para tal, não tenham base legal para serem presumidos como receita omitida. Portanto, tenho que, no mérito, o recurso voluntário deve ser negado e a decisão da DRJ deve ser mantida incólume. Qualificação da multa. Fl. 2176DF CARF MF Processo nº 11516.720044/201127 Acórdão n.º 1401003.127 S1C4T1 Fl. 2.161 33 Neste aspecto, argumenta o contribuinte que a qualificação da multa fere o disposto na Súmula CARF nº 25, verbis: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Contudo, restou comprovado que a qualificação da multa não foi calcada tão somente da presunção de omissão de receitas. Conforme bem destacado pela autoridade lançadora, Conforme está comprovado, o contribuinte fraudou sua escrita contábil e declarações ao fisco pois o livro Diário (fls. 102 a 213), não registrou nenhuma operação com os bancos Real, Santander, Safra,Votorantim e Banco do Brasil, cujos extratos encontramse às fls. 304 a 369, omitindo o registro de receitas com o intuito de eximirse dos tributos que ora constituímos de ofício, ficando evidente o intuito de fraude, passível da qualificação das multas, com base no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei no. 11.488, de 15 de junho de 2007. (...) Em outras palavras, podese dizer que os elementos do dolo, de acordo com a teoria da vontade são: vontade de agir ou de se omitir;consciência da conduta (ação ou omissão) e do seu resultado; e consciência de que esta ação ou omissão vai levar ao resultado (nexo causal). No caso em tela é inequívoco a intenção do agente, pois não registrou em sua contabilidade e não prestou os esclarecimentos à fiscalização sobre a origem de vultuosas quantias depositadas em conta correntes mantidas em instituições bancárias, o que revela, em tese, a intenção dolosa na conduta adotada, tendente a subtrair valores da tributação, sendo legítima, portanto, a duplicação da multa na forma prevista no § 1º do art. 44 da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 11.488/2007, conforme citado anteriormente. Não se pode olvidar que os elementos probatórios apresentados pelo contribuinte, mesmo que não tenham o condão de comprovar efetivamente a origem de cada crédito bancário, comprovam para além de qualquer dúvida razoável que ele reiteradamente, ao longo de todo o período fiscalizado deixou de emitir notas fiscais de entrada e saída e omitiu na escrita contábil e fiscal, bem como nas declarações, operações comerciais e de prestação de serviços . Também deixou de registrar diversas contas bancárias e as respectivas movimentações. Tal conduta reiterada e em valores vultosos denota o dolo e amoldase à hipótese de sonegação contida no artigo 71, I, da Lei nº 4.502/1964, que autoriza a qualificação da multa de 75% para 150%, conforme a dicção do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 2177DF CARF MF 34 Conclusão. Diante do exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento de ofício e de nulidade da decisão de piso e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 2178DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.001443/2003-04
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
null
RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS OFERECIDOS PELO CONTRIBUINTE À TRIBUTAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE.
Comprovado que os rendimentos das aplicações financeiras foram oferecidos pelo contribuinte à tributação e tendo o contribuinte apurado saldo negativo no período, há de reconhecer os créditos correspondentes às retenções do imposto de renda na fonte.
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. APROVEITAMENTO COMO DEDUÇÃO.
O imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos no exterior, passível de aproveitamento na apuração do IRPJ devido, não poderá exceder à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos rendimentos.
Diante da apuração de prejuízo fiscal, tal imposto não pode ser aproveitado como dedução no ano-calendário de 1999.
Numero da decisão: 1001-001.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Machado Millan, Edgar Bragança Bazhuni (Presidente em Exercício) e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Comprovado que os rendimentos das aplicações financeiras foram oferecidos pelo contribuinte à tributação e tendo o contribuinte apurado saldo negativo no período, há de reconhecer os créditos correspondentes às retenções do imposto de renda na fonte. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. APROVEITAMENTO COMO DEDUÇÃO. O imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos no exterior, passível de aproveitamento na apuração do IRPJ devido, não poderá exceder à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos rendimentos. Diante da apuração de prejuízo fiscal, tal imposto não pode ser aproveitado como dedução no anocalendário de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente em Exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 14 43 /2 00 3- 04 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 564 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Machado Millan, Edgar Bragança Bazhuni (Presidente em Exercício) e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 424/430) interposto pela ora recorrente contra o Acórdão nº 0528.944, de 27/05/2010, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas (SP), efls. 366/384, objetivando a reforma do referido julgado. O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza e completa o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo, com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual: (grifos não constam do original) Trata o presente processo de Declarações de Compensação apresentadas em formulário e eletronicamente, por meio das quais a contribuinte pretende o reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo de IRPJ e da CSLL, relativos aos anoscalendário de 1998 (CSLL e IRPJ) e 1999 (IRPJ), no valor total de R$ 108.882,52, para compensar débitos de períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal deferiu em parte o pleito da interessada, nos termos do Despacho Decisório de fls. 291/299, processo administrativo número 13819.001152/200316, que se transcreve: “Relatório 1. Trata o processo n° 13819.001152/200316 de Declaração de Compensação (fl. 01) informando como crédito os saldos negativos do IRPJ apurados nos anos calendário de 1998 (R$ 8.018,34) e de 1999 (R$ 1.252,95) e da CSLL no ano calendário de 1998 (R$ 9.413,96), conforme demonstrativo de fl. 02. 2. O processo n.° 13819001443/200304 (apenso) também trata de Declaração de Compensação (fl. 01) com o crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 1999 (R$ 25.394,85), conforme demonstrativo de fl. 02. 3. O interessado também transmitiu a Declaração de Compensação n.° 36185.34782.081203.1.3.030893 (fls. 207/232), posteriormente retificada pela n.° 23496.61167.200405.1.7.026606 (fls. 233/258), admitida pelo SCC, informando crédito oriundo do saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 1999, exercício de 2000, no valor de R$ 64.802,42. Considerando que o saldo negativo do exercício de 2000 também foi objeto de compensação nos processos referidos acima, essa DCOMP também deve ser objeto de tratamento manual no processo n.° 13819.001152/200316. 4. Diante dos demonstrativos apresentados, o direito creditório total pleiteado pelo interessado atinge a monta de R$ 108.882,52, em valores originais. 5. Existindo dúvidas a respeito da composição dos saldos negativos do imposto e da contribuição nos anoscalendário de 1998 e de 1999, o interessado foi Fl. 564DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 565 3 intimado a prestar esclarecimentos a respeito do imposto de renda pago no exterior no anocalendário de 1999, inclusive para comprovar que respectivos lucros, rendimentos ou ganhos de capital integraram o lucro real ou o resultado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, bem como para apresentar os comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras relativamente ao imposto de renda retido na fonte deduzido na apuração do imposto de renda do anocalendário de 1999, conforme informado no PERDCOMP n.° 23496.61167.200405.1.7.026606. Em relação ao anocalendário de 1998, foi solicitada a apresentação de cópias dos DARF”s relativos aos recolhimentos mensais por estimativa da contribuição social e do imposto de renda, comprovantes do imposto de renda retido na fonte e esclarecimentos a respeito das compensações de estimativas mensais da CSLL com pagamentos indevidos ou maiores que os devidos (fls. 189/192). 6. O interessado apresentou requerimento solicitando a dilação do prazo para atendimento da intimação por 30 (trinta) dias, o qual foi deferida (fl. 193). 7. Passados os trinta dias adicionais concedidos, o contribuinte, demonstrando desinteresse processual, não compareceu para a apresentação das comprovações solicitadas. Diante desse fato, a presente análise amparase exclusivamente nas informações disponíveis nos autos e nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Fundamentação 8. Iniciando a análise pela CSLL no exercício de 1999, anocalendário de 1998, partindo da contribuição apurada na Ficha 30 da DIPJ/1999, no valor de R$ 82.297,99, verificase que o interessado deduziu contribuição mensal paga por estimativa de R$ 87.940,50, resultando em saldo negativo na declaração de rendimentos de R$ 5.642,51 (fl. 42). 9. Relativamente às estimativas mensais da contribuição a situação é a seguinte: Ano CSLL mensal Pagamento Compensação de Pagamento Calendário de por estimativa apurada na informado na DIPJ pagamento indevido ou a maior declarado em DCTF e confirmado nos 1998 DlPJ/1999 informado sistemas (fls. 36/41) na DIPJ informatizados da RFB Janeiro 0,00 0,00 0,00 5.125,15 Fevereiro 9.351,45 9.351,45 0,00 10.127,04 Março 5.001,94 5.001,94 0,00 6.078,20 Abril 11.016,47 11.016,47 0,00 11.279,85 Maio 7.579,38 7.515,76 63,62 7.515,76 Junho 10.656,06 7.154,09 3.501,97 7.154,09 Julho 8.461,53 8.411,26 50,27 8.411,26 Agosto 7.286,00 7.286,00 0,00 7.286,60 Setembro 6.283,39 6.283,39 0,00 6.283,39 Outubro 4.361,79 4.361,79 0,00 4.361,25 Novembro 6.650,48 6.650,48 0,00 6.650,48 Dezembro 6.166,81 6.166,81 0,00 6.166,80 soma 86.439,87 10. Os débitos de estimativas cujas compensações informadas em DIPJ não foram devidamente comprovadas pelo sujeito passivo, mesmo após intimação regular, não poderão ser deduzidos na composição do saldo negativo. 11. Portanto, são apenas dedutíveis apenas os pagamentos a título de estimativas mensais da contribuição no anocalendário de 1998, declarado em Fl. 565DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 566 4 DCTF e confirmados nos sistemas informatizados da RFB (fls. 262/268), conforme relacionado na última coluna do quadro acima, totalizando R$ 86.439,87. 12. Assim, deduzindo R$ 86.439,87 da CSLL apurada de R$ 82.297,99, chegase ao saldo negativo de R$ 4.141,88 no anocalendário de 1998, passível de aproveitamento em compensações. 13. Em relação ao IRPJ do exercício de 1999, anocalendário de 1998, novamente partindo do imposto devido apurado na Ficha 13 da DIPJ/1999 no valor de R$ 154.308,74, com adicional de R$ 78.872,49, o interessado deduziu imposto de renda retido na fonte de R$ 34.528,96 e imposto de renda mensal pago por estimativa de R$ 203.467,91, resultando em saldo negativo na declaração de rendimentos de R$ 4.815,64 (fl. 22). 14. Relativamente às estimativas mensais do imposto, a situação é a seguinte: AnoCalendário IRPJ mensal Pagamento Pagamento de por estimativa informado declarado em DCTF e 1998 apurado na DIPJ confirmado nos na DIPJ/1999 sistemas (fls. 16/21) informatizados da RFB Janeiro 0,00 0,00 14.481,98 Fevereiro 27.725,42 27.725,42 27.725,42 Março 12.475,49 12.475,49 15.746,23 Abril 27.201,20 27.201,20 27.980,46 Maio 14.148,29 14.148,29 14.148,29 Junho 6.541,28 6.541,28 6.541,28 Julho 13.786,53 13.786,53 13.442,78 Agosto 15.221,88 15.221,88 15.565,64 Setembro 16.957,15 16.957,15 16.957,15 Outubro 12.607,54 12.607,54 12.607,54 Novembro 15.878,06 15.878,06 15.878,06 Dezembro 17.703,60 17.703,60 17.703,60 soma 198.778,43 15. Os pagamentos a título de estimativas mensais do imposto no ano calendário de 1998, declarados em DCTF e confirmados nos sistemas informatizados da RFB totalizam R$ 198.778,43 (fls. 269/275), conforme relacionado na última coluna do quadro acima. 16. Na ausência dos comprovantes do imposto de renda retido na fonte, pois não foram apresentados pelo interessado, puderam ser confirmados nos sistemas informatizados da RFB retenções na fonte no anocalendário de 1998, oriundas de aplicações financeiras de renda fixa, fundos de ações c operações de SWAP que totalizam R$ 22.296,82, decorrentes de rendimentos que somam R$ 115.719,54 (fl. 276). Esses rendimentos são compatíveis com o valor das receitas financeiras informadas na composição do resultado, linha 23 da Ficha 07 da DIPJ/1999 (fl. 11), o que torna dedutível o valor do IRRF confirmado pelos sistemas informatizados da RFB. 17. Portanto, deduzindo do imposto de renda devido de R$ 154.308,74, com adicional de R$ 78.872,49, os valores de estimativas pagas que somam R$ 198.778,43 e o IRRF de R$ 22.296,82, chegase ao saldo do imposto a pagar de R$ 12.105,98 e não há, portanto, saldo negativo para aproveitamento em compensações. 18. Em relação ao exercício de 2000, anocalendário 1999, o desinteresse processual demonstrado pelo sujeito passivo, caracterizado pelo não atendimento à Fl. 566DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 567 5 intimação, não permite que se conclua pela certeza e liquidez do crédito, tornando impossível o seu reconhecimento. Explicase. 19. A tributação dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior é disciplinada pela Lei n.° 9.249, de 26/12/1995, que produziu efeitos a partir de 01/01/1996 e foi regulamentada neste Órgão pela IN SRF n.° 038, de 17/06/1996. 20. Para a verificação da legitimidade da dedução informada a título de imposto pago no exterior à luz desses dispositivos legais, o contribuinte foi regularmente intimado a esclarecer se esse imposto referiase ao lucro apurado por sua controlada no Uruguai, informada nas Fichas 23 e 24 da DIPJ/2000. Em caso negativo, deveria informar o país de origem e o valor do lucro apurado por filiais/sucursais, ou decorrente de participações societárias ou ainda dos rendimentos ou ganhos de capital auferidos diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, comprovando ainda que esses lucros foram adicionados ao lucro líquido para a determinação do lucro real ou que os rendimentos ou ganhos de capital integraram o resultado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, devendo indicar também a ficha e a linha da declaração em que foram incluídos (nas linhas próprias da declaração, linha 27 da Ficha 07 e linha O5 da Ficha 10, verificouse que foram informados valores iguais a “zero”, fls. 72/73). 21. Tal confirmação era necessária porque, concomitantemente à verificação do valor deduzido, o qual poderia estar sendo controlado na parte B do LALUR, tornavase mister a identificação do quantum originário do exterior e a confirmação de que esse montante compôs a base tributável, nos termos da IN SRF n.° 038, de 27/06/1996. Averiguando as DIRPJ dos exercícios de 1997 e de 1998, observouse que o interessado não informou rendimentos, ganhos de capital e/ou lucros auferidos ou disponibilizados no exterior nos anoscalendário de 1996 (fls. 277 e 280) c de 1997 (fls. 284 e 287). Já o valor dos rendimentos e ganhos de capital provenientes do exterior informados na linha 26 da Ficha 07 da DIPJ/1999 (R$ 1.722,00, fl. 11), relativa ao anocalendário de 1998, é inferior à própria dedução a título de imposto pago no exterior no exercício de 2000 (R$ 3.586,71). De acordo com o manual da DIPJ/1999, o valor a ser informado na referida linha corresponde ao montante antes de descontado o tributo pago no exterior, permitindo concluir que o imposto deduzido no exercício de 2000 diz respeito a rendimento, ganho de capital ou lucro que ainda não havia sido informado na declaração de rendimentos. Como já mencionado, na DIPJ/2000, o contribuinte também não informou rendimentos, ganhos de capital ou lucros auferidos/disponibilizados no exterior. 22. Portanto, tendo sido informado a dedução do imposto pago no exterior, mas, por outro lado, não havendo na DIPJ/2000, tampouco na DIRPJ/1997, na DIRPJ/1998 e na DIPJ/1999, a indicação de valores compatíveis de rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, ou de lucros apurados por filiais/sucursais ou decorrentes de participações societárias fora do país, persiste a dúvida a respeito do montante do lucro, rendimento ou ganho de capital oriundo do exterior e, também, se esse valor compõe a base de cálculo do imposto, na forma da legislação vigente. 23. Conseqüentemente, diante do não atendimento à intimação pelo interessado, mesmo após a concessão do prazo adicional solicitado, deparase com uma base de cálculo e com um valor de imposto apurado incerto e não comprovado, tornando prejudicada a análise das deduções informadas. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 568 6 24. Essa situação implica na impossibilidade de se concluir pela certeza e liquidez do crédito, condição sine qua non para a compensação, nos termos do artigo 170, do Código Tributário Nacional, Lei n.° 5.172, de 25/10/1966. 25. Portanto, relativamente ao exercício de 2000, anocalendário de 1999, não se reconhece o direito creditório pleiteado pelo interessado, a quem cabe o ônus da prova, por não ter apresentado as comprovações necessárias à verificação da legitimidade do crédito, mesmo após a sua intimação regular e dilatação do prazo para o atendimento. 26. O quadro anexo resume o direito creditório passível de compensação. 27. No entanto, apesar de não ser possível o reconhecimento integral do direito creditório pleiteado, há que se considerar as disposições da Lei n.° 9.430, de 27/12/1996. O § 5°, do artigo 74, com redação dada pela Lei n.° 10.833/2003, fixou em 5 (cinco) anos o prazo para a homologação da compensação. (...) 28. As conseqüências do decurso deste prazo legal estão diretamente associadas ao que estipula o §2° do mesmo art. 74, da Lei n.° 9.430/96, incluído pela Lei n.° 10.637/2002, estabelecendo que a apresentação da Declaração de Compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória de ulterior homologação (...) 29. Dessa forma, em obediência aos mandamentos legais vigentes e eficazes, assiste ao contribuinte o direito de ter homologadas as compensações declaradas a mais de cinco anos desta análise, independentemente da procedência e do montante do crédito, por força das disposições da Lei n.° 9.430, artigo 74, § 5°. 30. Em sentido oposto, os débitos indevidamente compensados no PER/DCOMP n.° 23496.61167.200405.1.7.026606, transmitido há menos de cinco anos, não amparados por crédito líquido e certo, tornamse exigíveis e deverão ser objeto de cobrança, nos termos da IN RFB n.° 900, de 30/12/2008. Decisão 31. Do exposto, proponho o reconhecimento parcial do direito creditório contra a Fazenda Nacional, no valor de R$ 4.141,88, decorrente do saldo negativo da CSLL no anocalendário de 1998, exercício de 1999, conforme quadro anexo, para fins de homologação da compensação de débitos apresentados em fl. 01 do processo n.° 13819001152/200316, até o limite do direito creditório parcialmente reconhecido. 32. Proponho ainda a homologação por disposição legal dos débitos apresentados na declaração de compensação de fl. 01 do processo 13819001152/200316 que excederem ao direito creditório ora parcialmente reconhecido, bem como dos débitos listados na declaração de compensação de fl. 01 do processo n.° 13819001443/200304 (apenso), apesar da não confirmação do direito creditório oriundo do saldo negativo do IRPJ no exercício de 2000, ano calendário de 1999, pois tais declarações de compensação foram protocoladas há mais de cinco anos desta análise (Lei n.° 9.430/96, art. 74, §§ 2” e 5°). 33. Por fim, manifestome pela não homologação das compensações declaradas por meio do PERD/COMP n.° 23496.61167.200405.1.7.026606, pela Fl. 568DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 569 7 inexistência de direito creditório líquido e certo relativamente ao IRPJ do exercício de 2000, anocalendário de 1999, colidindo assim com as disposições do artigo 170, do Código Tributário Nacional.” 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 52, em 22 de dezembro de 2009, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 19 de janeiro de 2010, fls. 153/158, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que em 26/08/09 recebeu notificação para apresentação, em vinte dias, de documentos que comprovassem os valores alegados em seu pleito de compensação, referidos aos anos de 1998 e 1999. 3.2. Acrescenta que enfrentou sérias dificuldades no levantamento de tais documentos, primeiro pelo fato dos arquivos estarem em poder de empresa terceirizada e, principalmente, pelo motivo de que deveria montar mês a mês a apuração do imposto, incluída a base de cálculo, tributos pagos, retidos e compensados, de forma a demonstrar os saldos negativos. Em suas palavras: “Assim fez o contribuinte, que iniciou os trabalhos de recuperação de backup's dos sistemas, disponibilizou material humano para levantar estes documentos e, obviamente, como sabia que não seria possível cumprir no pequeno prazo dado pelo douto Auditor, tratou de solicitar dilação de prazo, que o fez em 14/09/2009, solicitando a prorrogação por mais 20 (vinte) dias, neste prazo tratou novamente em solicitar mais 30 (trinta) dias para a conclusão, que segundo o douto Auditor não haveria qualquer dificuldade na nova dilação, aceitandoa inclusive, contudo, quando a contribuinte tentou protocolar os documentos solicitados na intimação, não foi aceita, sob a alegação de que já havia dado prosseguimento ao processo (julgamento) em 06/11/2009, quando homologou parcialmente os pedidos de compensação da contribuinte, sob a alegação da não apresentação dos documentos solicitados e parte favorável ao contribuinte, destacando que o prazo para homologação da Receita Federal havia se expirado, uma vez que o pedido datava de mais de 5 (cinco) anos." 3.3. Referese aos princípios do contraditório, da ampla defesa e alega sua boa fé, afirmando que em momento algum teve a intenção de ludibriar o fisco em relação a seus créditos, mas enfrentou dificuldades na apresentação dos documentos por serem relativos a fatos muito antigos. 3.4. Em relação ao mérito, diz que no anocalendário de 1999 apurou saldo negativo, conforme demonstrativo que elabora, onde consolida as deduções do IRRF, recolhimentos efetuados e IR Pago no Exterior (R$ 3.586,71), que resultariam em saldo negativo de R$ 92.398,53 do IRPJ. Acrescenta que tais créditos foram lançados no Per/Dcomp número 23496.61167.200405.1.7.026606, nas páginas 3, 4 e 5, inclusive em seu prejuízo, pois em valores inferiores: Mês Valor Apurado Compensação Darf' IR Pgo Saldo DIPJ IRRF Pagos. Exterior Negativo jan/99 38.338,59 8.627,34 29.713,39 fev/99 19.413,73 1.512,55 18.489,49 38.929,04 mar/99 8.575,34 860,40 5.315,15 2.399,79 58.342,77 abr/99 18.891,85 4.309,84 1.186,92 53.523,02 mai/99 507,52 504,86 72.412,21 jun/99 8.707,99 2.633,10 66.844,84 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 570 8 iul/99 198,41 75.751,24 ago/99 638,38 76.389,62 set/99 1.379,96 77.769,58 out/99 77.568,58 nov/99 3.505,18 81.274,76 dez/99 11.123,77 92.398,53 Soma 35.293,79 53.518,03 3.586,71 92.398,53 3.5. E continua: “Desta forma, utilizando o saldo negativo acima de R$ 92.398,53, excluindo os valores utilizados nos processos administrativos 13819001152/200316 e 13819.001443/200304 (já homologados) no aporte de R$ 26. 647,80, restam R$ 65.750,73, saldo negativo constituído em 01/01/2000, aplicando a selic acumulada no pedido no importe de 69,26%, obtémse a correção de R$ 45.538,95, perfazendo um total final do principal + correção selic de R$ 111.289,68, valor suficiente para compensar todos os débitos constantes da Perdcomp 23496.61167.200105.1.7.02 6606 e ainda com sobra para outras possíveis compensações. Notadamente os dados acima certamente constam no banco de dados da Receita Federal, vejamos: a) Darf's pagos (inclusive os darf's acostados no processo foram extraídos do próprio banco de dados da Receita Federal); b) Retenção da IRRF sobre aplicação financeira, principalmente pelo fato dos Bancos (investimentos) terem entregue as DIRFs e nelas constam perfeitamente as retenções; " 3.6. Aduz que resta apenas o IRRF pago no exterior, o qual é de pequena monta, apenas R$ 3.586,71, sendo os dados apresentados suficientes para a comprovação de quase a totalidade de seu crédito. 3.7. Acrescenta que está apresentando toda a documentação solicitada por meio de intimação, a saber: declaração, país de origem, planilha de apuração de lucros da sucursal, escrituração regular onde comprova que os lucros dos sucursais foram adicionados, comprovantes de rendimento de aplicação dos Bancos Sudameris e Credit Comercial, comprovantes de impostos retidos no exterior, Darf's referentes ao IRPJ e CSLL (documentos 39 a 139), além de outros que relaciona. 3.8. Argumenta que recentes decisões do Conselho de Contribuintes reforçam que em havendo erro formal na informação do direito creditório e comprovada a veracidade da existência de créditos, deve ser reconhecida a Manifestação de Inconformidade, inclusive com a retificação de ofício das Declarações de Compensação apresentadas. 3.9. Finaliza seu pleito: “À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento de seu pleito, requer que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, inicialmente para suspender a cobrança do crédito tributário, lançado no conta corrente da empresa, assim como preceitua o Código Tributário Nacional em seu artigo 151, inciso III e, principalmente, seja julgado o presente despacho decisório ilegal, extinguindoo em sua plenitude em todos os seus efeitos, Fl. 570DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 571 9 acatando/homologando assim a compensação solicitada, por medida de justiça." A DRJ considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada. Vejamos os argumentos da decisão da DRJ, no voto condutor do acórdão recorrido: 4. A manifestação de inconformidade é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, pelo que dela se conhece. 5. De início, digase à interessada que as Declarações de Compensação apresentadas, por se referirem a direito creditório com origem em saldo negativo do IRPJ, para os quais não há restrições na legislação aplicável quanto à utilização para a compensação de débitos, têm o efeito de extinguir os débitos declarados, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 6. Como, a partir da apreciação efetuada pela DRF de origem, houve o reconhecimento apenas parcial do direito creditório pleiteado, parte dos débitos declarados foram alimentados no Sistema SIEF, com o objetivo de operacionalizar a cobrança. 7. Nesse contexto, a apresentação da manifestação de inconformidade tem o efeito de suspender a exigibilidade dos débitos declarados, até que ocorra a decisão definitiva na esfera administrativa. 8. Portanto, os débitos não compensados serão cobrados, administrativa ou judicialmente, após decisão definitiva na esfera administrativa. 9. Por outro lado, digase que o processo número 13819.001152/200316 foi apensado ao presente, conforme Despacho exarado pela unidade preparadora, fl. 340. 10. O presente processo tem por objeto o reconhecimento de direito creditório com origem em saldos negativos do IRPJ (anoscalendário 1998 e 1999) e da CSLL (anocalendário 1998), por meio da apresentação de Declarações de Compensação em formulário e PER/DCOMP, conforme consolidação: 11. A autoridade preparadora reconheceu direito creditório na importância de R$ 4.141,88, com origem no saldo negativo da CSLL do anocalendário de 1998, além da homologação tácita da compensação dos débitos declarados nas Declarações de Compensação apresentadas em formulário, nas datas de 22/04/2003 e 13/05/2003. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 572 10 12. A contribuinte insurgese contra o não reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo do IRPJ, anocalendário de 1999, o qual, segundo ela, seria de R$ 92.398,53, apresentando, para comprovação de seu direito, diversos documentos, entre eles, os relativos ao imposto que teria sido pago no exterior, informado na PER/DCOMP n.° 24396.61167.1.7.026606, fl. 234, no montante de R$ 3.586,71. 13. Em conseqüência, o presente litígio restringese ao reconhecimento de direito creditório com origem em saldo negativo do IRPJ, anocalendário de 1999, informado na Declaração de Rendimentos, Ficha 13A, fl. 20, processo 13819.001443/200304, como sendo de R$ 89.051,26, montante este repetido no PER/DCOMP 24396.61167, dentro do qual estaria embutida a retenção do imposto pago no exterior, de R$ 3.586,71. 14. Especificamente no que se refere ao imposto que teria sido pago no exterior, transcrevese, parcialmente, o Termo de Intimação Fiscal Seort/DRF/SBC n.° 900/09, fls. 189/191 do PAF número 13819.001152/200316, elaborado pela autoridade Fiscal e cientificado à contribuinte em 31 de agosto de 2009: "No PER/DCOMP foi informado que o saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1999, exercício de 2000, seria de R$ 89.051,26, saldo esse que coincide com o apurado em sua DIPJ/2000, com a seguinte composição: IR pago no Exterior R$ 3.586,71 IRPJ Retido na Fonte R$ 31.946,52 Pagamentos R$ 53.518,02 Relativamente ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, os dados disponibilizados pelos sistemas informatizados da RFB não permitiram confirmar a totalidade das deduções do IRPJ e da CSLL informados na DIPJ/1999. Nesse contexto, para permitir o prosseguimento da análise e com fundamento nos artigos 928, 932 e 943, §2°, do RIR/99, Decreto n.° 3.000, de 26/03/1999, fica o contribuinte INTIMADO a apresentar os seguintes esclarecimentos ou documentos: Para o anocalendário de 1999, exercício de 2000: 1) IR Pago no Exterior: a) Declaração confirmando se o imposto pago referese ou não ao lucro apurado em sua controlada no Uruguai, conforme fichas 23 e 24 da DIPJ/2000; Em caso de declaração negativa (alínea a), apresentar: b) indicação do país de origem do imposto pago; c) informação do valor dos respectivos lucros apurados por filiais e sucursais ou decorrentes de participações societárias, inclusive de controladas ou coligadas, ou ainda dos rendimentos ou ganhos de capital auferidos diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil; d) comprovação, por meio de sua escrituração regular, de que esses lucros foram adicionados ao lucro líquido para a determinação do lucro real ou que os rendimentos ou ganhos de capital integraram o resultado da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, indicando ainda a Ficha e a linha da DIPJ/2000 em que foram incluídos (IN SRF n.° 38, de 27/06/1996). 2) IRPJ retido na fonte: Fl. 572DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 573 11 a) comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora CNPJ n° 17.156.514/000133, código de receita 3426, imposto retido R$ 860,40; b) comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, CNPJ n.° 30.306.161/000179, código de receita 3426, imposto retido R$ 15.000,74; c) comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora CNPJ n.° 61.230.165/000144, código de receita 3426, imposto retido R$ 16.085,38." 15. Por meio de Declaração datada de 21 de setembro de 2009, processo administrativo número 13819.001443/200304, fl. 202, a interessada apresentou os seguintes esclarecimentos: "(...) Relativamente à Intimação Fiscal Seort/DRF/SBC n.° 900/09 no que se refere ao anocalendário de 1999 exercício 2000, item 1 subitem "a" e "b". O imposto pago no Exterior não se refere ao lucro apurado pela controlada no Uruguai, o mesmo referese tão somente ao imposto retido relativamente à prestação de serviços de transportes no Paraguai à empresa Tape Ruvicha SAECA, Avenida Madame Lynch 1516 y Asunción Paraguay, devidamente referenciado nas faturas BR554/BR580/BR637, cujos valores e competências conforme quadro abaixo: TAPE RUVICHA SAECA ANO DE RETENÇÃO 1999 Mês Base de Cálculo IRRF Faturas Março 68.565,26 2.399,79 BR 554 BR 580 Junho 34.947,60 1.186,92 BR 637 Soma 103.512,86 3.586,71 Relativamente ao item "c" o mesmo encontrase prejudicado, uma vez que os rendimentos e impostos retidos (imposto pago no Exterior) não se referem a lucros apurados por filiais e sucursais ou decorrentes de participações societárias, controladas ou coligadas, ou rendimentos ou ganhos de capital auferidos diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Ainda, os lucros da Controlada no Uruguai, encontramse devidamente demonstrados na página 20, ficha 23 e 24, e não tem referência alguma quanto ao valor do imposto pago no Exterior deduzido do imposto de renda a pagar no importe de R$ 3.586,71 (...)." 16. Em 06 de novembro de 2009, a contribuinte apresentou o documento de fls. 197/199, processo administrativo número 13819.001443/200304, nos seguintes termos: "Relativamente à Intimação Fiscal Seort/DRF/SBC n.° 900/09 no que se refere ao anocalendário de 1999, exercício 2000: 1a) Declaração confirmando se o imposto pago referese ou não ao lucro apurado em sua controlada do Uruguai, conforme fichas 23 e 24 da DIPJ/2000; (doc 01); 1b) O país de origem do imposto pago ocorreu no Paraguai; Fl. 573DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 574 12 1c) Informação dos valores dos respectivos lucros apurados por filiais ou sucursais no exterior, indicado na ficha 24 página 20 da DIPJ/2000, demonstrativo de apuração da tributação (docs. 02 e 03); 1d) Comprovação, por meio de sua escrituração regular, de que esses lucros foram adicionados ao lucro líquido para a determinação do lucro real, comprovado através da folha 223 do Livro Razão, bem como das fichas 07A e 10A, linhas 25 e 22, respectivamente, da DIPJ/2000 (does. 04 a 06); 2b) Comprovantes correspondentes ao imposto de renda retido na fonte utilizado como dedução na apuração do IRPJ, do Banco América do Sul, agência 00531Conta 60.7770, conforme demonstrativo abaixo e comprovante (documentos 07 e 08) Janeiro Fevereiro Março Maio Junho Julho Agosto Dezembro Total Rendimentos 43.136,66 7.562,76 2.784,25 2.524,34 13.165,54 992,05 3.191,96 2.194,24 77.069,56 IRRF Fonte 8.627,34 1.512,55 860,40 504,86 2.633,10 198,41 638,38 436,85 15413,89 2c) Comprovantes correspondentes ao imposto de renda retido na fonte utilizado como dedução na apuração do IRPJ, do Banco Credit Commercial de France Brasil S/A, agência 001 conta 32260/1, conforme demonstrativo abaixo e comprovante (doe. 09) Abril Setembro Novembro Dezembro Total Rendimentos 21.549,18 13.799,68 35.051,88 106.849,47 177.250,21 IRRF Fonte 4.309,84 1.379,96 3.505,18 10.684,92 19.879,90 2d) Comprovantes correspondentes ao imposto de renda retido na fonte utilizado como dedução na apuração do IRPJ, relativamente à prestação de serviços de transportes no Paraguai à empresa Tape Ruvicha SAECA, Avenida Madame Lynch 1516 y — Asunción — Paraguay, devidamente referenciado nas faturas BR637/BR504, cujos valores constam nos documentos 10 a 18 dos meses de março e junho/1999; (...)" 17. A partir das respostas apresentadas, concluise que o imposto utilizado como dedução durante o anocalendário de 1999 não incidiu sobre o lucro apurado por sua controlada no Uruguai, mas tratase do imposto incidente sobre rendimentos auferidos na prestação de serviços pela própria empresa, domiciliada no Brasil. 18. Destaquese que o artigo 1º, §2º, da Instrução Normativa n.° 038, de 27 de junho de 1996, dispõe que os rendimentos e ganhos de capital a que se refere o caput são os auferidos no exterior, diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil, além de dispor que os rendimentos e os ganhos de capital devem integrar os resultados da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 19. Para melhor elucidação, transcrevese, parcialmente, a IN SRF n.° 38, de 1996, vigente durante o anocalendário de 1999, que trata do aproveitamento do imposto incidente sobre os rendimentos auferidos pela interessada: Instrução Normativa SRF n.° 38, de 1996: Art. 12. O imposto e o adicional devidos no Brasil, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital, auferidos no exterior, serão calculados juntamente com o imposto e adicional devidos, correspondentes às operações praticadas no Brasil, Art. 13. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada, bem como o pago relativamente Fl. 574DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 575 13 a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. § 1º Para efeito de compensação, considerase imposto de renda pago no país de domicilio da filial, sucursal, controlada ou coligada ou o relativo a rendimentos e ganhos de capital, o tributo que incida sobre lucros, independentemente da denominação oficial adotada e do fato de ser o mesmo de competência de unidade da federação do país de origem. § 2º O tributo pago no exterior, a ser compensado, será convertido em Reais tomandose por base a taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda, pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data de seu efetivo pagamento. § 3º Caso a moeda do país de origem do tributo não tenha cotação no Brasil, o seu valor será convertido em Dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em Reais. § 4º A compensação do imposto será efetuada de forma individualizada, por controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas ou coligadas. § 5º Tratandose de filiais e sucursais, observado o disposto no art. 1º, § 5º, e no art. 4º, § 2º, poderá haver consolidação dos tributos pagos. § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos através de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º O tributo pago no exterior, passível de compensação, será sempre proporcional ao montante dos lucros, rendimentos ou ganhos de capital que houverem sido computados na determinação do lucro real. § 8º Para efeito de compensação, o tributo será considerado pelo valor efetivamente pago, não sendo permitido o aproveitamento de crédito de tributo decorrente de qualquer beneficio fiscal. § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos no lucro real. § 10. Para efeito do disposto no parágrafo anterior, a pessoa jurídica, no Brasil, deverá calcular o valor: a) do imposto pago no exterior, correspondente aos lucros de cada filial, sucursal, controlada ou coligada, bem assim aos rendimentos e ganhos de capital, que houverem sido computados na determinação do lucro real; Fl. 575DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 576 14 b) do imposto e adicional devidos sobre o lucro real antes e após a inclusão dos lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. § 11. Efetuados os cálculos na forma do parágrafo anterior, o tributo pago no exterior, passível de compensação, não poderá exceder o valor determinado segundo o disposto na sua alínea a, nem à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital, referidos na sua alínea b. (...) Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. §2° Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. 20. Dessa forma, o valor do imposto retido, ainda que recolhido pela fonte pagadora dos rendimentos, no exterior, não pode exceder o montante do tributo devido no Brasil, sobre os respectivos rendimentos. 21. E a empresa que pretende se beneficiar do imposto retido no exterior deve calcular o valor do IRPJ devido sobre o lucro real antes e após a inclusão dos respectivos rendimentos, sendo que o tributo eventualmente pago no exterior não poderá exceder à diferença positiva entre os valores calculados sobre o lucro real com e sem a inclusão dos rendimentos. 22. Em consulta à Declaração de Rendimentos, observase que, no ano calendário de 1999, a interessada apurou prejuízo fiscal, especificamente na importância de R$ 64.1276,41, conforme declarado na Linha 38, Ficha 10A (Demonstração do Lucro Real). 23. Nesse contexto, como não houve a apuração de imposto a pagar, diante da existência de prejuízo fiscal, a contribuinte não poderia se utilizar do imposto retido no exterior, incidente sobre rendimentos por ela percebidos, no anocalendário de 1999. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 577 15 24. Por outro lado, quanto ao aproveitamento do IRRFImposto de Renda Retido na Fonte sobre os rendimentos auferidos no Brasil, a partir dos comprovantes de rendimentos apresentados pela contribuinte temse a seguinte planilha: 25. No entanto, em consulta à Declaração de Rendimentos verificase que a contribuinte informou como receitas financeiras auferidas a importância de R$ 221.821,17 (Linha 24, Ficha 07 A, folha 13), valor este inferior aos rendimentos percebidos das fontes pagadoras. 26. Destaquese que além da comprovação do imposto retido, a legislação aplicável exige como condição para a dedução do IRRF o oferecimento das receitas respectivas à tributação, a teor do Artigo 2o, § 4o, inciso III, da Lei n.° 9.430, de 1996: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o Fl. 577DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 578 16 disposto no § 4º do art. 3º da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. 27. Diante da divergência apontada, aceitase como dedutível somente o imposto retido relativo ao comprovante de retenção de fl. 210, em nome de "Credit Commercial de France", que indica retenções nos valores de R$ 4.309,84 e R$ 15.570,06, num total de R$ 19.879,00, tendo em conta que os rendimentos auferidos, num total de R$ 177.250,21, mostramse dentro do limite das receitas financeiras declaradas pela empresa. 28. A seguir, a partir dos dados presentes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, incluindo a DIPJ, DCTF e os pagamentos presentes no Sistema SIEF, elaboramse os seguintes demonstrativos: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 579 17 29. A partir das planilhas acima, verificase que houve o recolhimento durante o anocalendário de 1999, de estimativas na importância de R$ 53.518,03, conforme informado pela interessada na declaração de rendimentos (apuração anual Linha 16, Ficha 13 A). 30. Consolidando as informações aqui apresentadas, temse um saldo negativo, ao final do anocalendário, de R$ 73.397,93: 31. Concluindo, reconhecese um direito creditório adicional, com origem no saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1999, na importância de R$ 73.397,93, objeto da Declaração de Compensação de fl. 01/02 (processo n.° 13819.001443/2003094) e PER/DCOMP número 23496.61167.200405.1.7.026606 (processo n.° 138819.001152/200316). 32. Cabe ressaltar que tanto o direito creditório reconhecido por meio deste acórdão (IRPJ, AC 1999, R$ 73.397,93) como o reconhecido pela autoridade preparadora (CSLL, AC 1998, R$ 4.141,88) devem ser integralmente aproveitados para as compensações possíveis, aplicandose a homologação tácita somente aos débitos que não puderem ser compensados com tal direito reconhecido, informados nas Declarações de Compensação apresentadas em formulário, conforme detalhamento efetuado pela autoridade fiscal no Despacho Decisório. 33. Dessa forma, do total do direito creditório reconhecido (R$ 73.397,93), descontandose os créditos indicados nas Declarações de Compensação apresentadas em formulário (R$ 1.252,95 + R$ 25.394,85), resta apenas o montante de R$ 46.750,13, o qual deve ser vinculado ao PER/DCOMP número Fl. 579DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 580 18 23496.61167.200405.1.7.026606 e homologadas as compensações até este limite (R$ 46.750,13): 34. As consultas complementares que subsidiaram o presente acórdão foram juntadas às fls. 341/358. 35. Em face do exposto, VOTO no sentido de JULGAR a manifestação de inconformidade apresentada PROCEDENTE EM PARTE, RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório em litígio, em valor original de R$ 73.397,93, referido a 31 de dezembro de 1999, e HOMOLOGAR as compensações declaradas no PER/DCOMP número 23496.61167.200405.1.7.02 6606, até o limite de R$ 46.750,13, conforme esclarecido neste acórdão. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. A restituição de saldo negativo do IRPJ, com a posterior compensação, condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável, desde que os rendimentos respectivos tenham sido regularmente oferecidos à tributação. Diante dos documentos apresentados, reconhecese parcialmente o direito creditório em litígio e homologamse parcialmente as compensações declaradas. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. APROVEITAMENTO COMO DEDUÇÃO. O imposto de renda incidente sobre rendimentos auferidos no exterior, passível de aproveitamento na apuração do IRPJ devido, não poderá exceder à diferença positiva entre os valores calculados sobre O lucro real com e sem a inclusão dos referidos rendimentos. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 581 19 Diante da apuração de prejuízo fiscal, tal imposto não pode ser aproveitado como dedução no anocalendário de 1999. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Ciente da decisão de primeira instância em 02/08/2010, conforme Aviso de Recebimento à efl. 420, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 01/09/2010, conforme carimbo aposto à efl. 424. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. A DRJ não reconheceu parte do direito creditório pleiteado pela interessada no valor de R$31.324,71, referente ao imposto sobre rendimento das aplicações financeiras e imposto retido no exterior. DOS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS No recurso voluntário apresentado, a recorrente traz os seguintes argumentos: "...destacamos que os rendimentos foram devidamente contabilizados mensalmente, e reconhecidas por competência e que a retenção dos impostos se deram somente no resgate conforme preceitua a legislação...". Anexa Livro Razão (efls. 432/438) das contas de Rendimento de Receitas Financeiras 1998 e 1999, bem como e os extratos bancários do Banco América do Sul (efls. 439/528) e apresenta demonstrativo das receitas de rendimentos de aplicação, abaixo: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 582 20 E esclarece: Notase claramente que a somatória dos rendimentos dos extratos bancários de rendimentos do Banco Real do ano de 1998 perfaz um total de apenas R$ 71.709,58 e a Recorrente contabilizou e tributou o valor de R$ 139.365,67, portanto, houve o reconhecimento da Receita Financeira por competencia e que no informe de Rendimento do Banco Real consta os rendimentos à partir do resgate. Neste mesmo entendimento no ano de 1999 as Receitas de Aplicações Financeiras constantes no Extrato Bancário somam a quantia de R$ 77.069,56 e a Recorrente contabilizou e tributou o valor de R$ 14.412,60, isto porque já havia contabilizado por competência parte das Receitas Financeiras. Assim as Receitas Financeiras constantes dos Extratos Bancários de 1998 e 199 somam a quantia de R$ 148.779,14 e as Receitas Financeiras contabilizadas somam a quantia de R$ 153.778,27. Deste modo, entendese que a asserção da recorrente de que não é necessário haver concordância entre as receitas financeiras reconhecidas na DIPJ e as insertas a tal título nos Extratos Bancários é escorreita. Contudo, a dedução dos IRRF relativos às aplicações financeiras em comento certamente condicionase à efetiva tributação das respectivas receitas, mesmo que em DIPJ de anoscalendário pretéritos, em respeito à disciplina veiculada no att. 231, inciso III, do RIR/99, “Art.231.Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nª 9.430, de 1996, art. 2º, §4º); (...) III do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real;" (g.n.) Pois bem, analisandose os extratos apresentados e cotejando com as folhas do Livro Razão, constatase que a diferença nos montantes oferecidos à tributação correspondem às apropriações contábeis do estoque de títulos não resgatados. O valor de R$15.413,99 corresponde ao IRRF, cujos rendimentos foram tributados no próprio exercício acrescido dos já apropriados nos exercícios anteriores, conforme se verifica pela documentação apresentada pelo requerente e demonstrativo das receitas de rendimentos de aplicação transcrito acima. Dessa forma, concluise que as receitas vinculadas ao IRRF dedutível foram oferecidas à tributação. DO IMPOSTO RETIDO NO EXTERIOR Eis os argumentos apresentados pela recorrente no recurso voluntário (grifos não constam do original) : Fl. 582DF CARF MF Processo nº 13819.001443/200304 Acórdão n.º 1001001.125 S1C0T1 Fl. 583 21 Nas alegações constante na r. sentença itens 17 a 23, onde não houve o reconhecimento do direito a compensação do imposto retido por prestação de serviços no Exterior no importe de R$ 3.586,71, sob a alegação de que no encerramento do balanço a empresa apurou prejuízo de R$ 64.176,41, ocorre que as retenções feitas no exterior se deram nos meses de 03/1999 e 04/1999 e nestes períodos a empresa apurou lucros e se utilizou das retenções para apuração do imposto à pagar, inclusive no mês de março de 1999, houve efetivamente o pagamento de R$ 5.315,15 de imposto de renda. Quanto ao imposto retido no exterior, não assiste razão à recorrente, pois a compensação pleiteada tem como crédito informado o saldo negativo apurado no ano calendário de 1999 e o mesmo (saldo negativo) surge já no mês de fevereiro, assim, o argumento de que nos meses 03 e 04/1999 a empresa apurou lucro não encontra espeque na legislação pois a mesma se refere ao resultado do anocalendário de 1999, quando foi apurado prejuízo fiscal e não de parte do período. Além disso, o acórdão recorrido também fundamenta a sua decisão (itens 17 a 23) no fato de que "o imposto utilizado como dedução durante o anocalendário de 1999 não incidiu sobre o lucro apurado por sua controlada no Uruguai, mas tratase do imposto incidente sobre rendimentos auferidos na prestação de serviços pela própria empresa, domiciliada no Brasil" (item 17 do voto condutor) e a recorrente não se manifestou quanto a este ponto. Assim, quanto ao imposto retido no exterior, correta a decisão da Câmara baixa, a cujos fundamentos adiro, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, reconhecendose o direito creditório de R$15.413,99 referente ao imposto sobre rendimento das aplicações financeiras e não reconhecendo o restante referente ao imposto retido no exterior. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 583DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.720710/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo.
Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas.
É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto.
Nulidade da decisão recorrida
Aguardando nova decisão
Numero da decisão: 3402-006.366
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O instituto da concomitância deve ter tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa, eis que não há identidade de partes nos processos judicial e administrativo. Em que pese a superioridade de eventual decisão judicial definitiva superveniente sobre o mesmos fatos, a contribuinte tem o direito subjetivo de ter apreciada sua impugnação administrativa, eis que, se ela não optou pela via judicial, não há que se falar em sua renúncia às instâncias administrativas. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa da impugnante, que não era parte da ação judicial de mesmo objeto. Nulidade da decisão recorrida Aguardando nova decisão Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 72 07 10 /2 01 3- 92 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 2 determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Marcos Antonio Borges (Suplente convocado em substituição ao Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes). Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes. Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMPs que restaram indeferidas/não homologadas, consoante razões constantes no Despacho Decisório que instrui os autos. Insatisfeita com esta decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, que não foi conhecida pelo colegiado a quo, sob o argumento de que a matéria estaria sendo discutida no mandado de segurança coletivo nº 2008.34.00.0011699 (nova numeração 0001162.69.2008.4.01.3400). Cientificada dessa decisão (acórdão nº 08035.441), a interessada apresentou recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese: Nos termos da Súmula nº 629 do STF, a impetração de mandado de segurança coletivo prescinde de autorização de seus associados, o que significa que esses não estão obrigados a aproveitar os benefícios obtidos na possível decisão favorável concedida no processo ajuízado pela associação, podendo, inclusive, ajuizar demanda individual própria. O período abrangido pelos créditos concedidos no processo judicial da Assobrav não é o mesmo do crédito por aquela pleiteado administrativamente, como destacou o AuditorFiscal, razão pela qual não há vinculação entre o processo administrativo e o mandado de segurança. Portanto, a alínea "c" do Ato Declaratório nº 03/96 não se aplica ao caso, devendo o recurso ser recebido e conhecido. A recorrente está sujeita à alíquota zero de PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes de suas vendas de veículos e peças, dentro do regime de incidência monofásica ao qual está submetido, conforme disposto na Lei nº 10.833/2003, de forma que tem direito ao aproveitamento de créditos pelas suas aquisições de veículos e peças para revenda, nos termos do art. 16 da MP nº 206/2004 e do art. 17 da Lei nº 11.033/2004. É o relatório. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.362, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10315.720660/201343, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.362) "Atendidos aos requisitos de admissibilidade tomase conhecimento do recurso voluntário. Importa verificar se teria havido a concomitância do presente processo administrativo com o mandado de segurança coletivo nº 000116269.2008.4.01.3400, distribuído na 17ª Vara Federal em Brasília, impetrado pela Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen Assobrav em face do Secretário da Receita Federal do Brasil. A questão do encerramento da discussão no âmbito administrativo quando a matéria seja submetida à apreciação judicial foi tratada nos seguintes dispositivos legais: Decretolei nº 1.737/79: Art 1º (...) (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Lei nº 6.830/80: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 4 Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. [negritos da Relatora] A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Pelo que se depreende dos textos em negrito dos dispositivos acima, a renúncia ou desistência do litígio administrativo somente resta caracterizada quando a ação judicial é proposta pelo contribuinte ou sujeito passivo ou, no mínimo, integre o seu pólo ativo como litisconsorte, o que é bastante razoável, eis que a contribuinte, quando opta pela via judicial, já é sabedora da previsão de caracterização de renúncia ou desistência do seu recurso administrativo. Por certo, a contribuinte não poderia perder o direito à discussão administrativa em face da opção de outrem pela via judicial. No mais, tratandose de normas que excepcionam a regra geral de que o administrado tem direito ao devido processo legal no âmbito administrativo, é certo que não poderia haver interpretação extensiva ou ampliativa dessa exceção. Considerando, no entanto, a regulamentação um pouco dúbia dada pelo art. 87 do Decreto nº 7.574/20111, que parece abrigar a mera existência de ação judicial com o mesmo objeto, convém prosseguir um pouco mais na análise da matéria. Sobre a questão da identidade entre os objetos dos processos administrativo e judicial, o Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, DOU de 27/08/2014, veicula o seguinte entendimento: 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº 3, de 1996, a Súmula nº 1 do CARF e a Portaria MF nº 341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o 1 Decreto nº 7.574/2011: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 5 patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2º da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 6 mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, JSTJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1º e 2º, do CPC; e Súmula nº 1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. Assim, o entendimento que prevalece na Receita Federal é no sentido de que deve ser dado ao instituto da concomitância tratamento semelhante ao da litispendência no processo civil, de forma que somente ocorrerá a renúncia ou desistência do recurso administrativo quando houver identidade entre os três elementos dos processos administrativo e judicial, quais sejam, partes, pedidos e causas de pedir. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 7 No caso, embora não conste nos autos a petição inicial do referido mandado de segurança coletivo, a fim de que se possa cotejar os pedidos e causas de pedir dessa ação judicial com aqueles do presente processo, podese analisar, de imediato, a questão de a impetrante do mandado de segurança não ser a própria recorrente, mas uma entidade da qual ela é associada. Sobre o conceito de parte e substituição processual, Humberto Theodoro Júnior2, nos ensina que: (...) Assim para Liebman, "são partes do processo os sujeitos do contraditório instituído perante o juiz (os sujeitos do processo diversos do juiz, para os quais este deve proferir o seu provimento". Parte, portanto, em sentido processual, é o sujeito que intervém no contraditório ou que se expõe às suas consequências dentro da relação processual. (...) Em regra a titularidade da ação vinculase à titularidade do pretendido direito material subjetivo, envolvido na lide (legitimação ordinária). Assim, "ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico" (NCPC, art. 18). Há, só por exceção, portanto, casos em que a parte processual é pessoa distinta daquela que é parte material do negócio jurídico litigioso, ou da situação jurídica controvertida. Quando isso ocorre, dáse o que em doutrina se denomina substituição processual (legitimação extraordinária), que consiste em demandar a parte, em nome próprio, a tutela de um direito controvertido de outrem. (...) (...) Uma consequência importante da substituição processual, quando autorizada por lei, passase no plano dos efeitos da prestação jurisdicional: a coisa julgada formase em face do substituído, mas, diretamente, recai também sobre o substituído. A regra, porém prevalece inteiramente na substituição nas ações coletivas de consumo. Nestas, as sentenças benéficas fazem coisa julgada para todos os titulares dos direitos homogêneos defendidos pelo substituto processual (CDC, art. 103, III). O insucesso, porém, da ação coletiva não obsta as ações individuais, a não ser para aqueles que tenham integrado o processo como litisconsortes (CDC, arts. 94 e 103, §2º). Nesse último caso, a coisa julgada impede a repropositura da ação coletiva, mas não o manejo de ações individuais 2 THEODORO JR., Humberto. Curso de Direito Processual Civil Teoria geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento comum. v. 1. 58. ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2017, p. 270/273. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 8 com o mesmo objeto visa pela demanda coletiva. Dizse que a pretensão individual nunca será a mesma formulada coletivamente, ou seja: o direito difuso ou coletivo nunca se confunde com o direito individual de cada um dos indivíduos interessados. Mesmo no caso dos direitos individuais homogêneos, o que se discute, coletivamente, é apenas a tese comum presente no grupo de cointeressados. Nunca ficará o indivíduo privado do direito de demonstrar que sua situação particular tem aspectos que justificam a apreciação da ação individual. (...) Com relação especificamente ao mandado de segurança coletivo, esclarece Sergio Ferraz3 que: "(...) a entidade comparece não em representação, mas em defesa dos interesses ou direitos de seus filiados. Há, pois, legitimação direta, extraordinária (substituição processual), nãointermediada, para agir. Por isso, aqui não se há de cogitar de autorização expressa, mandato etc. (...)"4. Prossegue o autor: "(...) a legitimação coletiva não exclui a individual, ainda que sobre o mesmo tema versado no writ coletivo (...). Tampouco invocável, aqui, a excludente de litispendência, eis que, no eventual ajuizamento de mandado de segurança individual e coletivo contra o mesmo ato coator, pertinente a mesma constrição, não está estritamente configurado o requisito da identidade dos autores (...)". Dessa forma, no presente caso, não se verifica a identidade entre as partes do processo administrativo fiscal e do mandado de segurança coletivo, razão pela qual não há que se falar em concomitância entre o presente processo e o referido mandado de segurança. Nesse sentido já foi decidido por este CARF, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão nº 3402004.614– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 20017 Relator: Carlos Augusto Daniel Neto ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. 3 FERRAZ, Sergio. Mandado de Segurança. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 73/77. 4 Vide Súmula do STF nº nº 629, nos seguintes termos:"A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes". Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 9 A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Acórdão n° 9101001.216 — 1ª Turma Sessão de 18 de outubro de 2011 Relator: Antonio Carlos Guidoni Filho Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercícios: 1998, 2000, 2002 Ementa: PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. É impróprio falarse em afronta ao principio da unicidade de jurisdição neste caso, pois o sistema jurídico admite a coexistência e convivência pacifica entre duas decisões (uma de natureza coletiva e outra individual), sendo que, via de regra, aplicarseá ao contribuinte aquela proferida no processo individual. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. Recurso Especial do Procurador Negado. Ademais, não se poderia sequer alegar relação de prejudicialidade entre os processos, eis que, pelo que consta no sítio do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o mandado de segurança coletivo já transitou em julgado com resultado desfavorável à associação impetrante. Dessa forma, em consonância com o disposto no art. 59, II do Decreto nº 70.235/725, entendo que deve ser declarada a 5 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10315.720710/201392 Acórdão n.º 3402006.366 S3C4T2 Fl. 0 10 nulidade da decisão recorrida para que outra seja proferida com a análise de mérito dos argumentos da impugnante, que não é parte na ação judicial. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar a nulidade da decisão recorrida, determinando à Delegacia de Julgamento que profira nova decisão com a apreciação dos argumentos de mérito da contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 218DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.721370/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. AUSÊNCIA.
O inconformismo da Autoridade Lançadora quanto ao que restou decidido em acórdão deste CARF não acarreta obscuridade na decisão e tampouco autoriza o seu descumprimento.
Numero da decisão: 3201-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que os acolheu sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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OBSCURIDADE. AUSÊNCIA. O inconformismo da Autoridade Lançadora quanto ao que restou decidido em acórdão deste CARF não acarreta obscuridade na decisão e tampouco autoriza o seu descumprimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração, vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que os acolheu sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 13 70 /2 01 4- 10 Fl. 35515DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em face de acórdão que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 IPI. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. LEI N° 10.833/2003. INCIDÊNCIA ÚNICA. REGRAS DE SUSPENSÃO.INAPLICABILIDADE DE REGRA GERAL. No regime tributário especial de que trata os arts. 58J conjugado com os arts.58A, 58E e 58N, da Lei nº 10.833/2003, o IPI tem incidência única na saída do estabelecimento industrial, aplicandose a suspensão exclusivamente nas saídas para os estabelecimentos de que trata o art. 58E. A opção pelo regime impede a utilização das regras gerais de incidência e suspensão do Imposto. IPI. REFRI. PRODUTO NÃO INTEGRANTE DO REGIME ESPECIAL. Não se sujeitam à sistemática do REFRI os Produtos não classificados nos Códigos e Posições 2106.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do Código 2202.90.00, e 22.03, da TIPI. IPI. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS ENTRE ESTABELECIMENTO SEM ESCRITURAÇÃO NO LIVRO DE APURAÇÃO DO IPI. A despeito do eventual registro contábil das transferência de créditos entre estabelecimentos, o fato de tais créditos não terem sido levados à escrituração no Livro de Apuração do IPI não legitima sua apropriação à época dos fatos (setembro de 2012). IPI. DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. Demonstrado por diligência fiscal que não houve cobrança em duplicidade do IPI sobre mercadorias recebidas em devolução. IPI. DECADÊNCIA. ART. 150, §4º DO CTN. Aplicase a regra decadencial prevista no art. 150,§4º do CTN quando se trate de tributo apurado e lançado relativamente ao período de apuração em que houve apuração de saldo credor do imposto. MANUTENÇÃO DE MULTA DE 75% Existindo previsão legal, deve ser mantida a multa de 75% sobre os valores lançados e mantidos. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 35516DF CARF MF Processo nº 10410.721370/201410 Acórdão n.º 3201004.786 S3C2T1 Fl. 35.516 3 Em despacho que admitiu os Embargos opostos, o Presidente desta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF assim resumiu a controvérsia: Os aclaratórios foram apresentados, sob o argumento de obscuridade acerca dos efeitos da decadência reconhecida em relação ao período de janeiro de 2009. Argui a Embargante: Da leitura do voto do acórdão acima reproduzido e da leitura da informação fiscal prestada pela RFB, percebese que há necessidade de se esclarecer o ponto referente a decadência, uma vez que pode se suscitar a dúvida acerca da sua aplicação (como de fato ocorreu), já que não houve lançamento de IPI referente ao período de janeiro de 2009.(grifei). São estes os fatos. Os Embargos foram admitidos parcialmente e a mim remetidos para julgamento na condição de Relatora originária do feito: Isso posto, com fundamento no art. 66, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO aos Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, quanto à exoneração procedida em função da decadência referente a janeiro/2009. É o relatorio. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora De acordo com o Despacho de Admissibilidade dos presentes Embargos, a omissão a ser saneada é: Esclarece o Relatório Fiscal, fls.35/43: d) CRÉDITOS INDEVIDOS BEBIDAS SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR INDEVIDO Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos, conforme determina a legislação de regência (art. 195. RIPI/2002). Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte. Esta, portanto, é a sistemática a ser observada pelo contribuinte em sua escrita fiscal (§1° do Art. 195, RIPI/2002). Fl. 35517DF CARF MF 4 Em relação ao período de apuração de janeiro de 2009, referente ao início dos nossos trabalhos, fezse necessário ajustar o saldo credor de período anterior, tendo como referência o saldo apurado pelo Sistema de Controle de Crédito SCC, da Receita Federal, cuja origem parte dos dados informados pelo próprio sujeito passivo, quando da transmissão de PER/DCOMP. Observando o "Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível", emitido pelo SCC, anexado ao processo, constata se que o saldo credor remanescente em 31/12/2008 é de R$ 5.478.645,22. Já a escrita fiscal do contribuinte, em 31/12/2008. retrata saldo de R$ 7.273.764.77. Assim, efetuamos o ajuste, a débito, no valor de R$ 1.795.119,55 (7.273.764,77 5.478.645,22) quando da reconstituição da escrita do IPI. Destaca o Acórdão embargado: f. Decadência para lançamento de débito na escrita fiscal da Impugnante em janeiro de 2009. Aplicação do art. 150, § 4º do CTN.(grifo original). Na hipótese dos autos o prazo decadencial foi aplicado com base no art. 173 do CTN, conforme seguinte trecho do acórdão: (...)Tratandose de importâncias de IPI sem recolhimento, resultantes de reconstituição da escrita fiscal, alusivas ao ano de 2009, o auto de infração poderia ter sido lavrado até 31/12/2014, exatamente como ocorreu (lavratura do auto de infração: 11/04/2014; ciência: 24/04/2014). Mais uma vez, cabe frisar que não houve o pagamento antecipado de que trata o CTN, art. 150, § 1º. Não há se falar em decadência, destarte. Ou seja, atémse a fiscalização ao fato de que, não tendo sido gerado saldo do IPI a pagar no ano de 2009, embora tenha ocorrido escrituração de débitos e créditos de IPI no período, devese aplicar o artigo 173 do CTN.(grifei). Nesse aspecto, divirjo do entendimento fiscal. Entendo que, como ocorreu a declaração, pelo contribuinte indicando a apuração do tributo, sendo que não houve recolhimento do tributo exclusivamente em razão da apuração de saldo credor do IPI no período, deve ser aplicado o art. 150, §4º do CTN.(grifei). Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). (...)Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art.173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Estas duas últimas situações estão Fl. 35518DF CARF MF Processo nº 10410.721370/201410 Acórdão n.º 3201004.786 S3C2T1 Fl. 35.517 5 condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. (...)Com efeito, é cediço que o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para exigir os tributos devidos é de 5 (cinco) anos. O que o legislador ordinário diferencia é, apenas, o termo inicial para a contagem do referido prazo. O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua a competente declaração do tributo apurado. Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Desse modo, acolho a preliminar de decadência para excluir os lançamentos efetuados em prazo superior à 5 anos transcorridos entre o fato gerador da obrigação tributária e a intimação do contribuinte acerca do Auto de Infração.(grifei). (...)Diante de todo o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO no que tange à exclusão dos créditos decorrentes das saídas de mercadorias para fins de armazenagem, bem como dos produtos "Fruit Del Valle", classificado na posição NCM/SH 2009.90.00, assim como para excluir o lançamento correspondente a janeiro /2009 atingido pela decadência.(grifei). Considerandose a fundamentação da fiscalização quando da reconstituição da escrita do IPI, conforme demonstrado na planilha “Documentos Diversos – Outros –Reconstituição da Escrita do IPI – Sintético, fls. 31.831/31.832 e a análise expendida na peça decisória embargada, constatase que tem razão à Embargante quanto ao vício de obscuridade/contradição, ensejando assim a devolução do processo à Turma para que se manifeste sobre a exoneração em função da decadência referente a janeiro/2009, conforme consignado no referido acórdão. Notase pelos Embargos de Declaração opostos, que a obscuridade apontada se deve, em fato, à negativa, por parte da Autoridade Lançadora, em dar cumprimento ao que restou decidido por esta Turma Julgadora em sede de Recurso Voluntário: O outro item da decisão a ser considerado é o reconhecimento da decadência do período de janeiro de 2009. Fl. 35519DF CARF MF 6 A decisão do CARF, neste particular, não tem nenhum efeito prático porque a fiscalização não apurou nem lançou qualquer valor de IPI referente ao período de janeiro de 2009, conforme demonstrado na planilha "Documentos Diversos — Outros — Reconstituição da Escrita do IPI — Sintético", anexa ao processo. O que houve em janeiro de 2009 foram meros ajustes nos créditos da Escrita Fiscal do IPI, decorrentes de créditos e débitos indevidos, sem que dos ajustes resultasse saldo devedor e/ou lançamento. Como dito, o Acórdão Embargado foi expresso acerca da impossibilidade de manutenção do lançamento à débito realizado na escrita fiscal em janeiro de 2009: f. Decadência para lançamento de débito na escrita fiscal da Impugnante em janeiro de 2009. Aplicação do art. 150, § 4º do CTN. (...) Ou seja, atémse a fiscalização ao fato de que, não tendo sido gerado saldo do IPI a pagar no ano de 2009, embora tenha ocorrido escrituração de débitos e créditos de IPI no período, devese aplicar o artigo 173 do CTN. Desse modo, acolho a preliminar de decadência para excluir os lançamentos efetuados em prazo superior à 5 anos transcorridos entre o fato gerador da obrigação tributária e a intimação do contribuinte acerca do Auto de Infração. (fls. 35.215/ 35.218 eprocesso) Mais à frente, consignouse: g. Cerceamento do direito de defesa A Recorrente aduz especificamente com relação ao ajuste de crédito realizado em janeiro de 2009: (...) Não obstante, entendeu a Turma Julgadora, por maioria, pela não ocorrência do cerceamento do direito de defesa, muito embora tal parcela deva ser excluída em razão da decadência do direito do Fisco em efetuar seu lançamento. (fls. 35.218/ 35.219 eprocesso) Por fim, a parte dispositiva do acórdão embargado: Diante de todo o exposto, voto por dar PARCIAL PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO no que tange à exclusão dos créditos decorrentes das saídas de mercadorias para fins de armazenagem, bem como dos produtos "Fruit Del Valle", classificado na posição NCM/SH 2009.90.00, assim como para excluir o lançamento correspondente a janeiro /2009 atingido pela decadência. Fl. 35520DF CARF MF Processo nº 10410.721370/201410 Acórdão n.º 3201004.786 S3C2T1 Fl. 35.518 7 Com a devida vênia, o fato de a Autoridade lançadora discordar do entendimento do julgador não enseja a negativa de seu cumprimento, mas, sim, a interposição do Recurso cabível. Desse modo, entendo não existir obscuridade a ser sanada, uma vez que o acórdão embargado é claro pelo cancelamento do lançamento realizado à débito em janeiro de 2009, ainda que relativo à suposto ajuste de saldo credor. Diante de todo o exposto, voto por não acolher os Embargos de Declaração opostos. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 35521DF CARF MF
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