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Numero do processo: 16327.720852/2011-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a emissão de Auto de Infração, que tenha o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, na linha do que dispõe a Súmula CARF nº 01.
Numero da decisão: 1201-001.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, por força de concomitância.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 28/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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CONCOMITÂNCIA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a emissão de Auto de Infração, que tenha o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, na linha do que dispõe a Súmula CARF nº 01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, por força de concomitância. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 28/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 52 /2 01 1- 35 Fl. 269DF CARF MF 2 Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração (fls. 46/59) que exigem IRPJ e CSLL, relativo ao ano calendário de 2007, em razão da diferença apurada entre os valores declarados em DCTF e os valores efetivamente recolhidos. Por bem resumir a matéria, reproduzo os fatos narrados no relatório da decisão de piso (fls. 110/120): Na presente ação fiscal, de acordo com o disposto nos arts. 904, 906, 910, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR99), verificouse, para efeito de apuração do IRPJ e CSLL, se a contribuinte submeteu à tributação, nos termos da legislação vigente, os ganhos de capital obtidos pela diferença entre o valor recebido na devolução do patrimônio das bolsas de valores e o valor entregue para a formação do referido patrimônio. A fiscalização constatou que a contribuinte acima declarou na DCTF do ano calendário 2007 (/Is. 0611) os valores a seguir: 1) IRPJ do período 08/2007: apurado R$3.745.169,22 e recolhido R$215.360,87. 2) IRPJ do período 09/2007: apurado R$3.920.128,13 e recolhido R$228.218,13. A soma das diferenças entre o IRPJ apurado e o recolhido para os dois períodos acima perfaz R$7.221.718,35. Quanto à CSLL, a contribuinte declarou os seguintes valores: 1) CSLL do período 08/2007: apurado R$1.336.717,18 e recolhido R$65.986,17. 2) CSLL do período 09/2007: apurado R$1.396.285,32 e recolhido R$67.197,72. A soma das diferenças entre a CSLL apurada e a recolhida para os dois períodos acima totaliza R$2.599.818,61. A empresa foi intimada a esclarecer as diferenças (fls.0304) e alegou que não deve ser tributada a devolução de patrimônio decorrente da desmutualização das bolsas de valores Bovespa e BM&F ocorrida no segundo semestre de 2007. A empresa informou que propôs medida judicial para amparar seu entendimento, depositando judicialmente o montante dos tributos devidos (fls.1945). 2. Da desmutualização das bolsas. A desmutualização consistiu na transformação da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), ambas associações sem fins lucrativos, em Fl. 270DF CARF MF Processo nº 16327.720852/201135 Acórdão n.º 1201001.863 S1C2T1 Fl. 3 3 sociedades empresariais constituídas sob a forma de sociedade anônima de capital aberto. O patrimônio da Bovespa, em 28/08/2007, era representado por títulos patrimoniais cujos detentores podiam operar na bolsa desde que possuidores de, no mínimo, 6 títulos patrimoniais. Nessa data, em decorrência de alterações societárias, cada associado devolveu seus títulos patrimoniais à Bovespa, que, de sociedade civil sem fins lucrativos passou a ser uma sociedade anônima com objetivo de lucro em suas operações, distribuindo dividendos aos seus acionistas. Como forma de devolução do capital representado pelos títulos das associadas, a Bovespa entregou ações da nova empresa, Bovespa Holding S/A (Bovespa Holding) aos detentores de títulos patrimoniais da Bovespa, na proporção de 706.762 ações da Bovespa Holding, com valor de R$2,23 por ação, para cada titulo patrimonial devolvido. A contribuinte detinha 9 títulos da Bovespa e recebeu o valor de R$14.119.233,39, em ações, conforme o balancete de verificação de 08/2007 (fls. 12). Na BM&F ocorreu processo idêntico: cada associada dessa entidade sem fins lucrativos devolveu seus títulos patrimoniais para a formação de uma sociedade anônima com fins lucrativos. Para cada detentor de títulos representativos do patrimônio da BM&F foi atribuído um número de ações de emissão da BM&F S/A, avaliadas nominalmente a R$1,00 por ação. A contribuinte detinha 3 títulos patrimoniais da BM&F e recebeu, em ações, o valor de R$14.767.640,00 conforme o balancete de verificação de 10/2007 (fls. 13). 3. Da atualização dos títulos patrimoniais Segundo o art. 9° do Anexo à Resolução CMN (Bacen) n° 2.690/2000, ao término de cada exercício social deveria ser apurado o valor do patrimônio social da bolsa de valores com base nas demonstrações financeiras, adotandose os mesmos procedimentos e critérios usados pelas sociedades anônimas. O valor do patrimônio das bolsas, apurado anualmente, era dividido pelo número de títulos patrimoniais existentes, chegandose, assim, ao valor nominal corrigido e atualizado dos títulos patrimoniais. 4. Da forma de contabilização dos títulos patrimoniais A forma decontabilização dos títulos patrimoniais das Bolsas está prevista noCapítulo 1, item 11, subitem 3, parágrafo 3o do Plano Contábil dasInstituições do Sistema Financeiro Nacional Cosifi a seguir: "3. Outros Investimentos (...) Fl. 271DF CARF MF 4 Os títulos patrimoniais de bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP são atualizados, por ocasião dos balanços, pelo valor informado pela respectiva bolsa, procedendose aos seguintes lançamentos de ajustes: (Circ. 1273) a) se o novo valor informado pelas bolsas for superior ao saldo contábil na database do balanço, debitase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS; b) se o novo valor informado pelas bolsas for inferior ao saldo contábil na database do balanço, creditase TÍTULOS PATRIMONIAIS pela diferença apurada, em contrapartida com RESERVA DE ATUALIZAÇÃO DE TÍTULOS PATRIMONIAIS até o limite do seu saldo. A parcela excedente, se houver, é debitada em LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADO" A contabilização da atualização dos títulos patrimoniais das bolsas detidos pelas corretoras não afetava o resultado do exercício, pois a contrapartida da atualização do valor era registrada em conta de reserva de capital. Esse acréscimo patrimonial não era tributado em razão de previsão contida na Portaria MF n° 785/77. Essa portaria, no entanto, trata do evento "constituição de reserva com acréscimos no valor nominal dos títulos", o que não se confunde com o evento ora tributado "devolução do patrimônio das bolsas às suas associadas", alcançado pelo art. 17 da Lei n° 9.532/97. 5. Da tributação do ganho de capital O ganho representado pela diferença entre o valor original de aquisição do título e o valor obtido na devolução do título é passível de lançamento de oficio, tributandose o valor das atualizações acumuladas pelos títulos patrimoniais ao longo do tempo resultantes das variações patrimoniais ocorridas nas bolsas. A contribuinte informa (fls. 1921) que adquiriu um dos títulos da BM&F em 05/08/86 por CZ$4.288.400,00, valor que convertido à moeda corrente equivale a R$232.375,28 (planilha de correção de índices às fls. 14). A contribuinte adquiriu outros dois títulos da BM&F por R$1.550.000,00 em 29/11/99 e R$2.700.000,00 em 16/01/2003. Dessa forma, para o custo total de R$ 4.482.375,28 em títulos da BM&F, a contribuinte recebeu R$14.767.640,00 em ações. A empresa informa também que adquiriu, por cisão, um título da Bovespa, em 25/03/86, por CZ$4.418.332,76, valor equivalente a R$238.133,35 (planilha de fls. 15). Recebeu por esse título o de R$14.119.233,39 em ações. Assim, a contribuinte apurou, pela soma dos valores recebidos em ações das duas bolsas um total de R$28.886.873,39. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 16327.720852/201135 Acórdão n.º 1201001.863 S1C2T1 Fl. 4 5 6. Das ações judiciais propostas pela contribuinte A contribuinte entende que não haveria incidência de IRPJ e CSLL no ganho obtido entre o valor recebido em ações das bolsas e o custo de aquisição atualizado dos títulos patrimoniais. Assim, para evitar eventual autuação por parte do Fisco, a contribuinte recolheu judicialmente os valores tributáveis segundo seus cálculos, e impetrou mandados de segurança (MS) para desobrigála do recolhimento do IRPJ e a CSLL devidos sobre as ações da Bovespa S/A (MS 2007.61.00.0351679) e da BM&F S/A (MS 2007.61.00.0351692) recebidas na desmutualização. Segundo a contribuinte informa (fls. 1921), em ambas ações o pedido de liminar foi indeferido e a sentença julgou o pleito improcedente. A impetrante apelou ao Tribunal Regional Federal TRF da 3a Região, onde os processos aguardam julgamento. A empresa anexou cópias dos comprovantes dos valores de IRPJ depositados em juízo, de R$4.424.261,78 para a Bovespa, e de R$4.593.105,23 para a BM&F, totalizando R$9.017.367,01, para um valor declarado de R$7.221.718,35. Também anexou cópias de comprovantes de depósitos da CSLL nos valores de R$1.592.734,24 (Bovespa) e de R$1.653.517,88 (BM&F), num total de R$3.246.252,12, para um valor declarado de R$2.599.818,61 (fls.2630). Os valores de IRPJ e a CSLL depositados judicialmente foram calculados sobre o total dos valores recebidos em ações (R$ 28.886.873,39), sem levar em conta o custo de aquisição dos títulos patrimoniais. A empresa informou que os valores foram depositados em 03/2008 com juros e multas de mora incidentes sobre os valores declarados, para não ter que recolhêlos no caso de sentença definitiva desfavorável. Anexou também cópia de folha do Livro Razão contendo os assentamentos relativos aos valores não recolhidos de IRPJ e CSLL em dezembro de 2007, nos valores de R$7.221.718,35 e de R$2.599.818,61 (fls. 25). 7. Conclusão Dos valores recebidos em ações foi deduzido o custo de aquisição dos títulos, apurandose uma base de cálculo de R$24.166.364,76. Para essa base de cálculo apurouse o IRPJ devido de R$6.017.591,19, e a CSLL devida de R$2.174.972,83, lançandose o correspondente crédito tributário com suspensão da exigibilidade, tendo em vista o art. 151, inciso II, do CTN. A contribuinte apresentou defesa (fls. 72/84), requerendo: (i) quanto ao mérito, que as autuações de IRPJ e CSLL sejam suspensas até o trânsito em julgado das ações judiciais correspondentes, considerando a realização de depósitos judiciais dos montantes discutidos; e (ii) quanto ao cálculo realizado nos dois Autos de Infração, determinar a correção das respectivas bases de cálculo apuradas, corrigindo de igual forma o crédito Fl. 273DF CARF MF 6 tributário lançado, sendo considerados os seguintes valores: R$ 6.017.196,04 de IRPJ e R$ 2.166.190,57 de CSLL. A DRJ julgou os lançamentos fiscais procedentes, por meio de julgado que possui a seguinte ementa: PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, exceto se a impugnante demonstrar, via requerimento à autoridade julgadora, a ocorrência das condições previstas na legislação para apresentação de provas em momento posterior. ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe à impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES APLICÁVEIS. A aplicação dos índices de correção monetária deve seguir o previsto em lei, não comportando índices não previstos pela legislação tributária. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 124/137), por meio do qual reitera as alegações da defesa, com ênfase no pretenso direito à aplicação dos índices da correção monetária do balanço na atualização do custo de aquisição dos títulos patrimoniais alienados. Tramitado o feito, foi proferida Resolução de fls. 195/203, por meio da qual o julgamento do recurso foi convertido em diligência, nos seguintes termos: Antes de adentrar à questão de conhecimento ou não do Recurso, entendo pela necessidade de baixa dos autos em diligência, para que o contribuinte possa juntar aos autos cópia da petição inicial, sentença e recurso de apelação, visto a necessidade de se verificar se a correção monetária dos valores dos títulos são objetos de discussão nos autos dos Mandados de Segurança n°s 2007.61.00.0351679 ou 2007.61.00.0351692. Nestes termos, determino a baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização intime o contribuinte, para no prazo de 20 dias, trazer aos autos cópia das principais peças processuais dos Mandados de Segurança n°s 2007.61.00.0351679 ou 2007.61.00.0351692. Após apresentação das principais peças dos processos judicial em referência, os autos foram novamente encaminhados ao E. CARF para apreciação do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Os presentes Autos de Infração foram lavrados para resguardar os direitos da Fazenda Nacional, haja vista que o próprio contribuinte ajuizou ações judiciais contra a Fl. 274DF CARF MF Processo nº 16327.720852/201135 Acórdão n.º 1201001.863 S1C2T1 Fl. 5 7 tributação do pretenso ganho de capital apurado em operação denominada de desmutualização das bolsas. Por ocasião do depósito judicial realizado, informa o contribuinte que efetuou o cálculo da forma mais conservadora, uma vez que atribuiu equivocadamente custo de aquisição de valor zero aos títulos patrimoniais alienados. Já a presente cobrança considerou o custo histórico, o que ensejou questionamentos por parte do contribuinte, que alega possuir o direito de corrigilo pelos mesmos índices aplicáveis à correção monetária de balanço. Por ocasião do julgamento do recurso a decisão de primeira instância não reconheceu o direito quanto à correção requerida , o recurso foi convertido em diligência justamente para verificar se esse ponto estaria ou não contemplado na discussão judicial. Pois bem. De acordo com as petições iniciais (anexadas em arquivos não pagináveis no eprocesso), foram formulados os seguintes pedidos nas petições iniciais: 1) 2007.61.00.0351679 2) 2007.61.00.0351692 Fl. 275DF CARF MF 8 65. Por fim, a Impetrante requer a Vossa Excelência a concessão definitiva da segurança, nos termos do inciso LXIX do artigo 5° da Constituição Federal de 1988, para: (a) reconhecer a não incidência do IRPJ e da CSLL sobre a substituição dos títulos patrimoniais da BM&F por ações da BM&F S.A.; e (b) reconhecer o seu direito de recolher tais tributos apenas quando ocorrer a alienação de tais ações, considerandose, na apuração do ganho de capital respectivo, o valor atualizado dos respectivos títulos patrimoniais (posteriormente substituídos por ações), nos termos da Portaria n° 785/77, do Ministério da Fazenda. 66. Subsidiariamente ao pedido (b), acima, requer que ao menos seja reconhecido o seu direito de considerar, como custo de aquisição dos referidos títulos, aquele declarado na sua DIPJ de 2001/2002. Da leitura dos pedidos em questão, verificase que a contribuinte postula, inicialmente, a atualização dos custos de aquisição dos títulos patrimoniais com base na Portaria nº 785/77 e, subsidiariamente, que seja levado em conta o custo de aquisição informado na sua DIPJ do exercício 2002, referente ao ano base de 2001. Como se percebe, o valor que deve ser atribuído como custo de aquisição faz parte da discussão judicial, integrando a lide. Isso significa dizer que o presente processo administrativo discute a mesma matéria já discutida em processos judiciais, havendo nítida concomitância. Nessas situações, não há mais que se falar em discussão pela via administrativa, devendo apenas as autoridades competentes se certificarem do teor da decisão judicial transitada em julgado, bem como seus efeitos em relação ao levantamento e/ou conversão em renda da União dos montantes depositados em juízo. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou após a emissão de Auto de Infração, que tenha o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, conforme dispõe a Súmula CARF nº 1, verbis: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nesses termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 276DF CARF MF Processo nº 16327.720852/201135 Acórdão n.º 1201001.863 S1C2T1 Fl. 6 9 Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932723/2009-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.588
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 27 23 /2 00 9- 83 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.932723/200983 Acórdão n.º 3302004.588 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.275. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.932723/200983 Acórdão n.º 3302004.588 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.932723/200983 Acórdão n.º 3302004.588 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906955/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.925
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 95 5/ 20 11 -9 6 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10183.906955/201196 Resolução nº 3201000.925 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10183.906955/201196 Resolução nº 3201000.925 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10183.906955/201196 Resolução nº 3201000.925 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10183.906955/201196 Resolução nº 3201000.925 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912037/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 12/08/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.752
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 12/08/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 37 /2 01 2- 13 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.778, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10830.912037/201213 Acórdão n.º 3301003.752 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.908055/2011-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.949
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 08 05 5/ 20 11 -8 3 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10183.908055/201183 Resolução nº 3201000.949 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10183.908055/201183 Resolução nº 3201000.949 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10183.908055/201183 Resolução nº 3201000.949 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10183.908055/201183 Resolução nº 3201000.949 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.900267/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.692
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 67 /2 01 3- 11 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.726, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900267/201311 Acórdão n.º 3301003.692 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10111.721087/2014-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 05/05/2010, 20/05/2010, 09/06/2010, 07/07/2010, 29/10/2010, 07/12/2010, 01/04/2011, 04/05/2011, 20/07/2011, 15/09/2011, 27/09/2011, 15/12/2011, 12/01/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DA REAL IMPORTADORA. Demonstrada a fraude, aplica-se a pena de perdimento, nos termos do art. 23, V, §1º e §3º, do Decreto-Lei nº 1.455/1976. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não-localização ou consumo ou transferência a terceiros, aplica-se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. INFRAÇÃO À LEI. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando comprovada a interposição fraudulenta de pessoas.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não há óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicando-se, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN.
Recursos voluntários negados.
Numero da decisão: 3301-003.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da Centauro Equipamentos de Cinema e Eletrônicos Ltda. e seus sócios-administradores Sra. Mirian Ciocler, Sra. Zina Ciocler e Sr. Luis Henrique Ciocler e, de Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócio-administrador Sr. João Carlos Angelini., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que entenderam inexistir caracterização da interposição fraudulenta no caso concreto.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Larissa Nunes Girard, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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OCULTAÇÃO DA REAL IMPORTADORA. Demonstrada a fraude, aplicase a pena de perdimento, nos termos do art. 23, V, §1º e §3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua nãolocalização ou consumo ou transferência a terceiros, aplica se a penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Cabe a atribuição de responsabilidade solidária àqueles que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária apurada, nos termos do art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. INFRAÇÃO À LEI. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando comprovada a interposição fraudulenta de pessoas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não há óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicandose, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. Recursos voluntários negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos voluntários da Centauro Equipamentos de Cinema e Eletrônicos Ltda. e seus sóciosadministradores Sra. Mirian Ciocler, Sra. Zina Ciocler e Sr. Luis Henrique AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 10 87 /2 01 4- 62 Fl. 2512DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.513 2 Ciocler e, de Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócioadministrador Sr. João Carlos Angelini., nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que entenderam inexistir caracterização da interposição fraudulenta no caso concreto. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Larissa Nunes Girard, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da DRJ/FNS: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 1.659.636,55 referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, pela impossibilidade de sua apreensão. Depreendese do “Termo de Verificação Fiscal” do auto de infração (fls. 11 a 173), que a Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. (CNPJ 07.344.685/000132) registrou diversas operações de importação (listadas à folhas 167) indicando ser o importador e real adquirente das respectivas mercadorias declaradas (aparelhos cinematográficos, peças e acessórios). Contudo, submetida a procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/02 revelou que de fato a Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. ocultava o real adquirente e interessado nas operações de importação, a Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA. (CNPJ 48.322.127/000153). Relata a autoridade fiscal que a Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. executava as importações a partir de contratos previamente firmados com a Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA. Registra a fiscalização, em texto extraído integralmente do processo administrativo fiscal n° 10111.721469/201224 (multa decorrente da cessão de nome), que as margens de lucro nas operações de "revenda" das mercadorias para o real adquirente eram baixas, não condizentes com a prática comercial. À folhas 65 a 165, para cada uma das declarações de importação objeto de autuação, a fiscalização indica detalhadamente os documentos e fundamentos fáticos que dão sustentação à aplicação da penalidade em apreço, bem como os dispositivos legais aplicáveis ao caso. Fl. 2513DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.514 3 O modus operandi é basicamente o mesmo em todas as operações de importação: as empresas envolvidas firmam um contrato previamente ao registro da declaração de importação; a Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA. adianta parte dos recursos para a realização da operação e a Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. registra em sua contabilidade o adiantamento recebido (ainda que, por vezes, indicando documento fiscal incorreto); posteriormente, é registrada a declaração de importação pela Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. com a ocultação do real adquirente; desembaraçadas as mercadorias, o importador emite notas fiscais de entrada e saída em datas próximas ou na mesma data e, em alguns casos, emite a nota fiscal de saída em data anterior à de entrada; o pagamento restante é concluído; as mercadorias são enviadas; o contrato é encerrado; Alerta a fiscalização que o Estado busca combater a aplicação da simulação ou da fraude nas atividades de comércio exterior, realizadas com a intenção de omitir dos controles aduaneiros os verdadeiros intervenientes das operações de comércio exterior. Ao inserir, na declaração de importação, nome diverso daquele que ali deveria aparecer como real adquirente, resta burlado o controle aduaneiro por meio da simulação. Em razão dos fatos anteriormente citados a fiscalização considerou então ocorrida a infração tipificada no artigo 23, inciso V, do DecretoLei nº 1.455/76, porém em razão da revenda das mercadorias pelo real adquirente, foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias em substituição à aplicação da pena de perdimento, conforme estabelecido no § 3º do mesmo dispositivo legal. À folhas 175 a 184 foram lavrados “Termos de Sujeição Passiva Solidária”, onde estão qualificadas a Sra. MIRIAN CIOCLER (CPF 063.792.89895), a Sra. ZINA CIOCLER (CPF 184.462.09804), e o Sr. LUIS HENRIQUE CIOCLER (CPF 063.703.54880) todos sócios administradores da Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA. como “sujeito passivo solidário”; também a Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. e seu sócio administrador o Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI (CPF 575.472.46834) foram qualificados como “sujeito passivo solidário”. Ademais, a fiscalização informa que foi formalizada a Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificados, os interessados Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA., Sra. MIRIAN CIOCLER, Sra. ZINA CIOCLER e Sr. LUIS HENRIQUE CIOCLER apresentaram impugnação conjunta de folhas 2.049 a 2.076, anexando os documentos de folhas 2.077 a 2.096. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, inexistiu a prática de interposição fraudulenta, a autuada é empresa tradicional no ramo cinematográfico (constituída no ano de 1.936) e não houve solicitação para que as mercadorias objeto dos contratos de compra e venda fossem importadas. Trataramse de contratos puros e simples de compra e venda no mercado interno, sem qualquer vinculação para a parte contratada de buscar as mercadorias constantes naquele instrumento no comércio exterior; Que, a venda para entrega futura é reconhecida pelo Código Civil, não se sabe se a mercadoria que está comprando será adquirida no mercado interno ou internacional. Fl. 2514DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.515 4 As arras ou sinal servem unicamente para garantir antecipadamente eventual descumprimento contratual, possuindo, portanto, natureza acessória. Cita casos similares como os da PETROBRAS E INFRAERO; Que, a autuação não aponta qualquer documento que indicie a existência de vínculo entre a Impugnante e o exportador; Que, ausente a fraude ou a simulação, não podendo tais elementos serem presumidos; Que, há inconsistência na afirmação de baixa agregação de valores na revenda das mercadorias. A fiscalização ignorou que todos os tributos que geram crédito não compõem o custo da mercadoria comprada. Ademais, a revenda a preços que revelam baixa lucratividade não caracteriza, por si só, interposição fraudulenta; Que, os sócios da Impugnante devem ser excluídos do pólo passivo da autuação. Não houve individualização das condutas das pessoas físicas arroladas. Houve desconsideração da personalidade jurídica dos contribuintes autuados. A sócia Zina Ciocler é uma senhora de 82 anos, que nunca participou do dia a dia da empresa; Requer seja julgada procedente a impugnação, alternativamente seja o processo baixado em diligência para determinar à autoridade autuante que forneça a relação das importações registradas por conta e ordem ou encomenda da PETROBRAS E INFRAERO. Cientificados, os interessados Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. e Sr. JOÃO CARLOS ANGELINI apresentaram impugnação conjunta de folhas 2.100 a 2.150, anexando os documentos de folhas 2.151 a 2.298. Em síntese apresentam os seguintes argumentos: Que, a sujeição passiva (solidária) não pode ser atribuída aos Impugnantes com base em fundamentação alicerçada no Código Tributário Nacional, vez que o mesmo não se aplica às dívidas de natureza não tributária, como a em apreço. Há nulidade; Que, em nenhum momento restou comprovada alguma fraude no intuito de: 1) abastecer a economia informal, 2) lavagem de dinheiro, 3) ocultação de bens, 4) subfaturamento nas importações, 5) empresa de fachada, 6) não pagamento de impostos. A fraude não pode ser presumida. Não são todas as operações de comércio exterior no qual há a ocultação do adquirente que se pode relevar a intenção fraudulenta e simulada do importador e, portanto, presumir o dano ao Erário; Que, a única questão observada foi o preenchimento das DI's em nome da Momento sem discriminar o destinatário final das mercadorias. Não se pode aceitar a aplicação neutra e fria da lei sem verificar a legislação pertinente, a boa fé objetiva e subjetiva. Não houve a comprovação da intenção deliberada e dolosa, da impugnante, de enganar o Fisco e fraudar a lei, mediante ocultação do real comprador; Que, atua no mercado adquirindo seus produtos por meio de ampla pesquisa de preços, escolha de fornecedor, alguns no mercado interno e outros no exterior, e posteriormente revenda de tais bens a seus compradores; Que, os contratos firmados não especificam a importação de qualquer produto, escolha da impugnante que, de acordo com sua expertise comercial, avalia se a aquisição no mercado interno é mais vantajosa financeiramente ou não; Que, a autuação revelase inquisitória e destoada do princípio do devido processo legal; Que, não houve dano ao Erário; Fl. 2515DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.516 5 Que, os documentos acostados aos autos comprovam a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados em vista da análise dos contratos, contas contábeis, extratos bancários. A Impugnante possuía capacidade econômicofinanceira para a realização das operações fiscalizadas; Que, a suposta "baixa agregação de valor" na aquisição das mercadorias importadas decorre do fato de que as importações estavam beneficiadas com a redução de base de cálculo do ICMS e um ganho no crédito presumido que representava uma redução no ICMS em 9% no período fiscalizado; Que, os contratos firmados anteriormente à aquisição dos produtos e os adiantamentos não estavam vinculados necessariamente com uma DI, visto que as aquisições dos produtos poderiam ser feitas no mercado interno; Que, houve operações (21 DI's) nas quais a Impugnante importou produtos para mais de um adquirente. Não seria possível indicar todos os adquirentes, não havia como proceder; Que, procedeu a venda e importação para usuários finais, cita a importação de pedras. Devem os lançamentos correspondentes serem excluídos; Requer a procedência da impugnação. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ/FNS, no acórdão n° 0736.973, julgou improcedente as impugnações da Centauro Equipamentos e de seus sócios e a impugnação da Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócio João Carlos Angelini. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/05/2010, 20/05/2010, 09/06/2010, 07/07/2010, 29/10/2010, 07/12/2010, 01/04/2011, 04/05/2011, 20/07/2011, 15/09/2011, 27/09/2011, 15/12/2011, 12/01/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA REVENDIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias já tenham sido revendidas. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Impugnação Improcedente. Fl. 2516DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.517 6 Em Recurso Voluntário, a Centauro Equipamentos e seus sócios administradores reiteram seus argumentos da impugnação e em especial: que é empresa tradicional do ramo cinematográfico, que seus contratos têm por objeto operações de mercado interno; os adiantamentos são a título de arras; é comum o pagamento das arras como garantia da realização de um negócio jurídico, que a Momento Comércio tem capacidade financeira para qualquer operação de comércio exterior; há distinção entre comprador prédefinido no mercado interno e encomendante predeterminado em importação (importação por encomenda) e adquirente no mercado interno de mercadoria importada por sua conta e ordem (importação por conta e ordem); não há provas da vinculação entre as partes voltada à realização de importação; não há provas da fraude; não precede o argumento do fisco de “baixa margem agregada de valor”; a revenda de produtos importados a preços que revelam baixa lucratividade não caracteriza, por si só, interposição fraudulenta; não houve demonstração do interesse comum (art. 124, I, do CTN) nem dos atos do art. 135, III, do CTN para a responsabilização dos sóciosadministradores; houve desconsideração da personalidade jurídica para se atingir os sóciosadministradores e que o auto de infração não observou as prescrições do art. 39 do Decreto n° 70.235/72. Ao final requer o cancelamento do auto de infração e diligência para determinar à unidade de origem que forneça a relação das importações registradas por conta e ordem ou encomenda da Petrobras e Infraero. Por sua vez, em Recurso Voluntário, a Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócio João Carlos Angelini reiteram seus argumentos da impugnação e: em preliminar, alegam a nulidade da atribuição da responsabilidade solidária entre a autuada e as Recorrentes Momento Comércio e João Angelini. E no mérito que: a empresa atua no mercado interno e externo, adquirindo produtos e posteriormente revendendoos aos seus compradores; sua atividade é lícita e regular, que não houve efetivo dano ao erário, não foi comprovada a máfé; há necessidade de comprovação do dolo específico para a tipificação da interposição fraudulenta; seus clientes são empresas regulares e registradas no RADAR; não houve conluio entre as partes; houve escrituração, contabilização, apuração e pagamento dos impostos; a baixa agregação de valor não caracteriza fraude; ilegitimidade do sócio João Angelini figurar como sujeito passivo. Ao final, requer em preliminar o afastamento da responsabilidade de seu sócioadministrador, a declaração de insubsistência do auto de infração e a desconsideração da responsabilidade tributária do administrador, uma vez que a multa administrativa por infração aduaneira não possui natureza tributária. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro Os recursos voluntários são tempestivos e reúnem os pressupostos legais de interposição, deles, portanto, tomo conhecimento. Nesta decisão, fazse a análise conjunta dos Recursos Voluntários de Centauro Equipamentos de Cinema e Eletrônicos Ltda. e seus sóciosadministradores Sra. Fl. 2517DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.518 7 Mirian Ciocler, Sra. Zina Ciocler e Sr. Luis Henrique Ciocler e, de Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócioadministrador Sr. João Carlos Angelini. Em preliminar, a Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócio administrador Sr. João Carlos Angelini alegam a nulidade da atribuição da responsabilidade solidária entre a autuada e as Recorrentes, nestes termos: 29. Neste diapasão, é de se consignar que as diferenças entre as infrações tipificadas no artigo 23, inciso V, do DL 1.455/1976 e do artigo 33 da Lei 11.488/2007 residem no fato de que a prevista nesta última tem como agente apenas o importador, ao passo que a primeira destinase a punir o sujeito tido por oculto, o responsável pela operação. 30. Desta forma, procedimentalmente, a Receita Federal deveria ter aplicado a pena de perdimento isoladamente contra a CENTAURO, mas jamais em solidariedade com a parte recorrente. À esta, sim, seria imputada apenas a multa de 10% (dez por cento) sobre a operação de importação prevista no art. 33, da Lei 11.488/2007. Pleiteiam as Recorrentes que com o advento do art. 33 da Lei n° 11.488/2007 deixou de lhe ser aplicável a pena de perdimento, como reflexo do princípio do non bis in idem. Creio que a atribuição da responsabilidade tributária no caso de interposição fraudulenta é matéria totalmente voltada à produção probatória por parte da fiscalização, motivo pelo qual, entendo que esta questão deve ser analisada junto com o mérito, o que farei a seguir. Não há o que se deferir quanto ao pedido de diligência da Centauro Equipamentos para determinar à unidade de origem que forneça a relação das importações registradas por conta e ordem ou encomenda da Petrobras e Infraero, por não haver nestes autos quaisquer fatos concernentes a essas empresas. I Fatos e Prescrições Legais Conforme relatado, tratase de exigência de multa substitutiva do perdimento, aplicada com fundamento no art. 23, V, e §§ 1º a 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976, constatandose a interposição fraudulenta de terceiros em operação de comércio exterior. Ressaltese que é fato incontroverso nos autos a existência dos documentos fiscais e operações comerciais entre a Centauro e a Momento, o que se discute é a natureza operações entre as partes e o direito aplicável a elas: se realizadas no mercado interno ou se se tratam de importações. Cumpri diferençar a interposição fraudulenta comprovada e a presumida para corretamente valorar as provas produzidas nestes autos, o que se faz a seguir. Fl. 2518DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.519 8 I.a Interposição fraudulenta comprovada O art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prescreve: Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. A interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, prevista no artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/1976 e artigo 689, VI, § 3º e §3ºA do Regulamento Aduaneiro vigente (Decreto nº 6.759/09), é definida como a participação de terceiro agente em operação de comércio exterior com o objetivo de ocultar o real vendedor, comprador ou o sujeito responsável pela operação, praticada mediante fraude ou simulação. A penalidade cabível é a pena de perdimento, que será aplicada após o encerramento do procedimento especial instaurado nos termos da IN SRF nº 228/2002. A pena de perdimento também encontra guarida no art. 105 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (§ 1º e do art. 689, do Regulamento Aduaneiro). Essa multa será exigida mediante lançamento de ofício que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União (§ 2º art. 73 da Lei n° 10.833/2003). Fl. 2519DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.520 9 A autoridade lançadora deve trazer elementos de prova para caracterização da interposição fraudulenta, uma vez que, em regra geral, considerase que o ônus de provar recai sobre quem alega o fato ou o direito: CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A prova deve ser efetiva e inequívoca para aplicação da pena de perdimento, dessa forma deve ser comprovado objetivamente o dano ao Erário mediante fraude e simulação. No que tange às infrações, o dolo e a culpa não podem ser presumidos, devem sim ser provados, conforme a lição de Paulo de Barros Carvalho1: Sendo assim, ao compor em linguagem o fato ilícito, além de referir os traços concretos que perfazem o resultado, a autoridade fiscal deve indicar o nexo entre a conduta do infrator e o efeito que provocou, ressaltando o elemento volitivo (dolo ou culpa, conforme o caso), justamente porque integram o vulto típico da infração. A autuação fiscal por interposição comprovada referese a graves condutas fraudulentas imputadas ao contribuinte, por isso o auto de infração deve trazer todo o suporte documental para avaliação da configuração de tais condutas ilícitas. I.b Interposição fraudulenta presumida A disposição legal do § 2º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 prevê que a ausência de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior enseja o perdimento ou a multa substitutiva. Tratase de presunção legal, que pode ser afastada sempre que a empresa autuada comprovar a origem, a disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. Então, na interposição presumida as operações de comércio exterior não são realizadas pela própria empresa, mas por outrem. Por consequência, aplicase o perdimento e a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1º da Lei nº 9.430/1996. Havendo presunção legal, cabe à autoridade administrativa apresentar provas do fato que enseja a aplicação dessa presunção, como ensina Fabiana Del Padre Tomé2: 1 Direito Tributário Linguagem e Método. 6ª ed. São Paulo: Editora Noeses, 2015, p. 857. 2 A Prova no Direito Tributário. 4ª ed. São Paulo: Noeses, 2016, p. 299300. Fl. 2520DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.521 10 Qualquer que seja a modalidade de presunção, é imprescindível a prova dos indícios para, a partir deles, demonstrar a existência de causalidade com o fato que se pretende dar por ocorrido. A diferença reside na circunstância de que, tratandose da chamada presunção legal, a relação causal entre fato presuntivo e fato presumido dáse no âmbito prélegislativo. Identificando o aplicador do direito, no caso concreto, a situação prevista na hipótese da regra de presunção, há de concluir pela ocorrência do fato prescrito no consequente normativo: o fato presumido. A demonstração do fato presuntivo é condição inarredável para a constituição do fato presumido. I.c Caracterização da Interposição Fraudulenta neste caso A Centauro Equipamentos foi identificada como a real adquirente das mercadorias importadas e registradas nas Declarações de Importação de números 10/0728431 7, 10/08354386, 10/09581726, 10/11428247, 10/19205565, 10/21814689, 10/21779409, 11/05876448, 11/08067656, 11/13415195, 11/17497340, 11/18272465, 11/23733009 e 12/00748656. A Momento Comércio apareceu como importadora ostensiva, tendo sido as importações registradas por ela em seu próprio nome. Todavia, o Termo de Verificação Fiscal trouxe as provas de que o real adquirente das mercadorias é Centauro Equipamentos e não a Momento Comércio. A ocultação do real importador caracteriza dano ao Erário, na forma do DecretoLei nº 1.455/76, art. 23, inciso V, conduta sujeita a pena de perdimento das mercadorias. Mas, no curso do procedimento fiscal, constatouse que as mercadorias importadas já haviam sido revendidas, o que acarretou a conversão da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em substituição à pena de perdimento, de acordo com o parágrafo 3º do dispositivo legal acima citado. A presente autuação fiscal não decorre de presunção (§2º do artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976) de interposição fraudulenta relacionada a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação. Neste caso, estáse diante da interposição comprovada, estando presente o arcabouço de provas colhidas pela Fiscalização para comprovação do ilícito. Como bem ressaltou a decisão de piso, a fiscalização logrou êxito em demonstrar o pagamento de adiantamentos de recursos por parte da Centauro Equipamentos com vistas a viabilizar a aquisição das mercadorias objeto de importação, bem como a simulação nos registros das declarações de importação com vistas à ocultação do real comprador das mercadorias. Do Termo de Verificação Fiscal extraise que, entre os anos de 2010 e 2012, a Centauro Equipamentos teve como um de seus fornecedores a Momento Comércio. Em 2012, a MOMENTO foi submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002. Tal procedimento concluiu que a MOMENTO atuou em diversas importações ocultanto os reais responsáveis e/ou reais adquirentes das mercadorias, o que Fl. 2521DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.522 11 motivou o lançamento do Auto de Infração nº 011760000037/11, que tramita no processo nº 10111.721.469/201224, lavrando a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (cessão de nome). Neste processo administrativo e no de nº 10111.721.469/201224, houve a comprovação do seguinte esquema delituoso: Momento importa diversos produtos, repassando a totalidade das mercadorias das Declarações de Importação (DI) para a empresa Centauro, normalmente no mesmo dia, poucos dias após ou, em algumas situações, com Nota Fiscal de Saída em data anterior à Nota Fiscal de Entrada, e com baixa agregação de valor, para atendimento dos contratos previamente firmados. Os contratos celebrados entre a empresa Momento e a Centauro estabeleciam que o pagamento se daria de forma parcelada, iniciando sempre na data da assinatura desses contratos. Por conseguinte, pelo menos parte dessas encomendas predeterminadas eram pagas anteriormente à importação. Cabe ressaltar que todas as Declarações de Importação da empresa Momento cujas mercadorias foram repassadas à Centauro foram registradas como importações próprias da Momento, sem constar qualquer informação acerca de seu adquirente predeterminado – Centauro, descumprindo, dessa forma, o estabelecido na legislação aduaneira. Com base na documentação contábil e fiscal apresentada tanto pela Momento quanto pela Centauro, a Fiscalização analisou cada uma das operações das 14 DI, conforme se observa às efls. 64165. A exemplo da demonstração do modus operandi fraudulento, veja o 5.3 MERCADORIAS IMPORTADAS PELA DI Nº 10/09581726 (efl.7885): 5.3 MERCADORIAS IMPORTADAS PELA DI Nº 10/09581726 O Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração do processo nº 10111.721.469/201224 cita pela primeira vez a DI nº 10/09581726 em seu item nº “5.3 CENTAURO”, subitem nº “03”, conforme demonstrado no item 4.1 do presente Termo. A referida importação foi registrada pela empresa MOMENTO, no dia 20 de maio de 2010, que declarou ser a real adquirente dos bens importados. Ocorre que, conforme descrito no processo supracitado, e reproduzido neste Termo, a fiscalização realizada sobre a empresa MOMENTO trouxe à luz que tal importação fora feita em cumprimento a um contrato previamente firmado entre a MOMENTO e a CENTAURO, de nº 23/2010, datado do dia 10 de maio de 2010, anexado ao presente Auto. O referido contrato previa o fornecimento pela MOMENTO à CENTAURO de: “coladeiras para filmes 35 MM Econômica” (5 unidades), “líquido para limpeza de lentes e partes de vidro marca JACKR” (480 unidades), “lubrificante/limpador de projetor p/ filme marca JACKRO” (480 unidades), “lenço p/ limpeza de partes de vidro” (1.000 unidades), e “durex branco marca JACKRO p/ coladeiras 35 MM” (504 unidades), num total de 2.469 unidades de mercadorias. Quanto aos valores, o contrato previa que a CENTAURO fizesse um pagamento com prazo de 30 dias corridos da data de assinatura do contrato, de R$ 11.000,00 (onze mil reais), e um segundo pagamento com prazo de 45 dias corridos da data do contrato, de R$ 18.341,69 (dezoito mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos), perfazendo um total de R$ 29.341,69 Fl. 2522DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.523 12 (vinte e nove mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos). Previa ainda que as mercadorias seriam entregues na sede da CENTAURO ou em outro local por ela indicada. O primeiro pagamento coincidente com a primeira obrigação pactuada foi identificado no extrato bancário entregue pela CENTAURO no dia 29 de abril, antes mesmo da data da formalização do contrato, com o histórico “SISPAG FORNECEDORES TED”, no valor de R$ 11.000,00 (onze mil reais). Tal transferência foi feita mais de um mês antes do registro da DI. Como a CENTAURO não entregou sua contabilidade à fiscalização, não foi possível examinar como a empresa registrara tal lançamento. No entanto, no extrato bancário da empresa importadora, anexado ao processo nº 10111.721.469/2012 24 (Anexo VIII, Parte 1) e ao presente Auto, encontramos no dia exato da transferência o registro do recebimento do valor pela MOMENTO, a saber: em 29 de abril de 2010, R$ 11.000,00 (onze mil reais), com histórico “TED – CRÉDITO EM CONTA”. Ainda, nos registros contábeis da empresa MOMENTO, anexados ao processo nº 10111.721.469/201224 (Anexo IX) e ao presente Auto, fica demonstrado que a mesma lançou tal recebimento da seguinte forma: no dia 29 de abril, no valor de 11.000,00 (onze mil reais), debitando a conta de bancos código 1.1.1.2.01.001 – BANCO BRASIL C/22390.5 MATRIZ, e creditando a conta de clientes dedicada às transações com a CENTAURO, código 2.1.1.1.10.003 – CENTAURO EQUIP. DE CINEMA E T. No histórico do lançamento, a MOMENTO anotou o seguinte: “AVISO DE CRÉDITO BANCÁRIO ADIANT. REF. PARTE DA NF 84 – CENTAURO EQUIP. DE CINEMA E T.”. Assim, claramente a MOMENTO registrou tal recebimento como um adiantamento da CENTAURO, valor que seria empregado para que a MOMENTO fizesse frente aos custos da importação em questão, apesar de, como nas vezes descritas anteriormente, haver um equívoco no histórico quanto à referência à nota fiscal 84. Desse modo, a correlação exata entre o que está registrado no extrato bancário da CENTAURO, no extrato bancário da MOMENTO, e em sua contabilidade, não deixam qualquer dúvida de que tal valor foi transferido pela CENTAURO, em adiantamento, para cumprir o pactuado no contrato nº 23/2010, sem o qual a importação em questão não existiria. Dessa forma, no dia 9 de junho de 2010, a empresa MOMENTO registrou a DI nº 10/09581726, pela qual importava as mercadorias assim descritas: “5 COLADEIRA PARA FILMES 35 MM ECONOMICA MODELO GESM2” (5 unidades); “LUBRIFICANTE/LIMPADOR DE PROJETOR PARA FILME MARCA JACKRO PARA LIMPEZA DE LENTES E PARTES DE VIDRO MARCA JACKRO” (480 unidades); “480 LIQUIDO PARA LIMPEZA DE LENTES E PARTES DE VIDEO MARCA JACKRO” (480 unidades); “1.000 LENCO PARA LIMPEZA DE PARTES DE VIDRO” (1.000 unidades); e “504 DUREX BRANCO MARCA JACKRO PARA COLADEIRAS 35MM” (504 unidades). A DI foi desembaraçada no mesmo dia 9 de junho. No dia 10 de junho de 2010, a MOMENTO emitira uma nota fiscal de entrada referente aos bens então importados, de nº 092. E somente um dia depois, em 11 de junho, a MOMENTO emitiu para a CENTAURO a nota fiscal de saída nº 093, na qual descrevia as mercadorias importadas e previamente encomendadas por essa empresa, com o valor total previsto no contrato 023/2010 – R$ 29.341,69 (vinte e nove mil, Fl. 2523DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.524 13 trezentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos). E no mesmo dia 11 de junho, mesmo após a emissão da nota fiscal de venda, a MOMENTO emitiu nova nota fiscal de entrada das mercadorias importadas, com valor de R$ 1.157,43 (um mil, cento e cinquenta e sete reais e quarenta e três centavos), tendo registrado tal valor como “custo complementar de importação”. A segunda e última transferência financeira prevista no contrato foi identificada no extrato bancário entregue pela CENTAURO no dia 18 de junho, com o histórico “SISPAG FORNECEDORES TED”, no valor de R$ 18.341,69 (dezoito mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos). Novamente, como a CENTAURO não entregou sua contabilidade à fiscalização, não foi possível examinar como a empresa registrara tal lançamento. No entanto, no extrato bancário da empresa importadora, anexado ao processo nº 10111.721.469/201224 (Anexo VIII, Parte 1) e ao presente Auto, encontramos no dia exato da transferência o registro do recebimento do valor pela MOMENTO, a saber: em 18 de junho de 2010, R$ 18.341,69 (dezoito mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos), com histórico “TED – CRÉDITO EM CONTA”. Ainda, nos registros contábeis da empresa MOMENTO, anexados ao processo nº 10111.721.469/201224 (Anexo IX) e ao presente Auto, fica demonstrado que a mesma lançou tal recebimento da seguinte forma: no dia 18 de junho, no valor de R$ 18.341,69 (dezoito mil, trezentos e quarenta e um reais e sessenta e nove centavos), debitando a conta de bancos código 1.1.1.2.01.001 – BANCO BRASIL C/22390.5 MATRIZ, e creditando a conta de clientes dedicada às transações com a CENTAURO, código 2.1.1.1.10.003 – CENTAURO EQUIP. DE CINEMA E T. No histórico do lançamento, a MOMENTO anotou o seguinte: “AVISO DE CRÉDITO BANCÁRIO RECEBIMENTO PARTE DA NF. 93/CENTAURO EQUIP.DE CINEMA E T.”. Novamente, a correlação exata entre o que está registrado no extrato bancário da CENTAURO, no extrato bancário da MOMENTO, e em sua contabilidade, não deixam qualquer dúvida de que tal valor foi transferido pela CENTAURO, em adiantamento, para cumprir o pactuado no contrato 23/2010, sem o qual a importação em questão não existiria. Diante desses fatos, podemos concluir que mais de um mês antes do registro da DI, a importadora MOMENTO já sabia a quem as mercadorias importadas seriam destinadas, tendo ainda recebido valores em adiantamento, para fazer frente aos custos da importação, mas ainda assim declarou a importação como própria, e somente um dia após o desembaraço, sem que os bens transitassem por seu estabelecimento, repassou a totalidade das mercadorias à real interessada e real adquirente dos bens, a CENTAURO, que permaneceu oculta ao longo de todo o processo de importação. Esta situação, em conjunto com outros argumentos expostos nos itens anteriores do presente Termo, formou a convicção de que a operação que aparentemente se constituiu uma venda de mercadorias prevista em contrato, na verdade foi uma simples transferência das mercadorias importadas à real interessada e adquirente dos bens, previamente conhecida, sem a qual a importação em questão não teria ocorrido, tendo a MOMENTO atuado como mera prestadora de serviços. Isso deixa claro que a relação entre a real adquirente dos bens importados (CENTAURO) e a empresa MOMENTO é uma relação que visa a ocultar o verdadeiro responsável pela importação daqueles produtos, e que a real interessada permaneceu Fl. 2524DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.525 14 oculta na declaração e documentos apresentados à RFB no curso da fiscalização feita sobre a MOMENTO, e agora sobre a CENTAURO. A ocultação do real adquirente visa a “blindar” os verdadeiros favorecidos pela fraude, uma vez que estas empresas, quando chamadas a cumprir com suas obrigações legais (tributárias e até civis), não são alcançadas em virtude da ocultação. Por esse fato, a empresa MOMENTO foi autuada por ceder o seu nome para ocultar o real adquirente nesta declaração, incorrendo assim na multa de 10% (dez por cento) sobre o valor aduaneiro registrado na DI, conforme o Art. 33 da Lei nº 11.488/07. Pela ocultação, as mercadorias importadas através da DI em questão e, no presente caso, repassadas à empresa CENTAURO, estão sujeitas à aplicação da pena de perdimento das mercadorias, por dano ao Erário Público, na forma do Art. 23, inciso V, § 1º, do DecretoLei nº 1.455/1976, transcrito a seguir: (...) Como a CENTAURO, ao ser intimada a informar a localização exata das mercadorias a ela transferidas, declarou já têlas revendido a terceiros, conforme já relatado no item 4.2, aplicase então a multa substitutiva da pena de perdimento, na forma do § 3º do mesmo Art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, conforme segue: (...) Os bens sujeitos à aplicação da multa substitutiva da pena de perdimento encontramse na memória de cálculo expressa na tabela a seguir: A previsão da multa por cessão de nome, veiculada pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa que lhe substitui. A referida multa foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui, o que se confirma com o disposto no art. 727, §3º do Regulamento Aduaneiro/2009. De toda a sorte, no objeto dos presentes autos não consta a penalidade por cessão de nome. Não procede o argumento da Momento Comércio de que é indevida a cumulação da pena de perdimento e da cessão de nome, portanto, nego provimento ao pleito expresso na preliminar do recurso. II Conceito de simulação e fraude para fins de autuação fiscal O artigo 167, § 1º do Código Civil dispõe que haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira e III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Fl. 2525DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.526 15 Observase a simulação quando houver divergência entre a vontade real e a vontade declarada com a finalidade de produzir efeito diverso e ludibriar terceiros. Na seara da tributação, para que haja simulação que legitime a desconsideração do negócio jurídico, é necessário: (i) conluio entre as partes; (ii) divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado; e (iii) intenção de lograr o Fisco. Nesse sentido: Os atos tendentes a ocultar ocorrência de fato jurídico tributário configuram operações simuladas, pois não obstante a intenção consista na prática do fato que acarretará o nascimento da obrigação de pagar tributo, este, ao ser concretizado, é mascarado para que aparente algo diverso do que realmente é.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Derivação e Positivação no Direito Tributário. Vol. 1. São Paulo: Editora Noeses, 2013, p. 80). A simulação ficou provada uma vez que os contratos entre as partes aparentavam situação divergente daquela efetivamente ocorrida, a Momento Comércio não foi a real adquirente das mercadorias estrangeiras como declarou ao controle aduaneiro, agiu como interposta pessoa. Alega a Momento Comércio e seu sócio que não houve a comprovação de qualquer ato doloso no intuito de lesar o erário, pois possui registro no SISCOMEX, não obteve vantagem tributária e apresentou os registros contábeis e fiscais das operações e, não há provas de inadimplemento ou supressão de tributos na importação. Asseveram que: A MOMENTO e as adquirentes dos produtos comercializados não se uniram com o objetivo delituoso de prejudicar terceiro ou fraudar a Lei. A união se deu em razão dos interesses comerciais comuns de ambas as partes, firmado em contratos regulares e válidos (fls. 818 a 1443). Se houvesse intuito de fraude ou simulação, não teriam as partes sequer redigido contrato, prevendo todos os termos e prazos da relação comercial entabulada; não teria a recorrente registrado todas as operações em seus livros fiscais/contábeis (DOC. 3 e 4 da impugnação); não teria, por fim, entregue à fiscalização, sem qualquer objeção, todo e qualquer documento que lhe foi requisitado. Também, não merece acolhida o pleito da Centauro Equipamentos de que a simples leitura dos contratos de compra e venda são de operações internas, uma vez que não fazem menção a “prépactuação” de aquisição no mercado exterior, tampouco que não poderia prever que tais mercadorias seriam adquiridas no mercado externo. Ademais, diante do quadro probatório, afasto ainda a alegação de que os adiantamentos parciais são a título de arras (art. 417, do CC/2002) e de que apenas configura como comprador prédefinido no mercado interno. Entendo que os elementos de caracterização dos ilícitos foram demonstrados pelos documentos anexados no Termo de Verificação Fiscal: declarações; contratos; extratos Fl. 2526DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.527 16 bancários; notas fiscais; livros contábeis e etc. Não houve desconsideração de qualquer documento trazido aos autos pela Momento. Todavia, o cotejo entre todos os documentos ensejou a comprovação de que as operações foram simuladas como se de mercado interno fossem. Entendo que os contratos entre as partes não provam que as operações são de mercado interno, a análise dos contratos demonstra a exata ordem sequencial e a especificidade das mercadorias negociadas. Isso foi muito bem apontado pela fundamentação da decisão da DRJ/FNS no acórdão recorrido: Os contratos firmados entre as empresas estão em ordem sequencial: de números 21/2010 a 27/2010 e 01/2011 a 07/2011. Todas as mercadorias abrangidas pelos contratos foram objeto de importação. Não há registro nos autos de que qualquer mercadoria tenha sido adquirida no mercado interno. Também não há notícias da existência de outros contratos firmados entre as empresas (notese a ordem sequencial) no mesmo período e cujas mercadorias tenham sido objeto de aquisição no mercado interno, de modo a demonstrar, ao menos, alguma razoabilidade na argumentação das impugnantes. Assim, muito embora os contratos omitissem a necessidade de trazida das mercadorias do estrangeiro, a efetiva prática dos negócios entre as empresas era essa. Não obstante a situação acima descrita, as descrições dos itens objeto do fornecimento nos contratos revela especificidade tal das mercadorias (em alguns casos códigos de fabricantes, nomes de fabricantes estrangeiros) que resta evidente se tratarem de mercadorias cuja origem de fabricação é o estrangeiro. Tomese, por exemplo, o caso do contrato n° 25/2010 (fls. 717 a 721), firmado em 04/10/2010, cujas mercadorias objeto de fornecimento são: Projetor Cinematográfico Digital Marca Barco MOD. DPK 23B Projetor Cinematográfico Digital Marca Barco MOD. DPK 20C (Grifos acrescidos) Tais mercadorias efetivamente foram adquiridas no exterior (fatura emitida em 14/10/2010 fl. 653) junto ao Exportador/Fabricante/Produtor BARCO NV (Bélgica fl. 654) como se depreende da declaração de importação n° 10/1920556 5 registrada em 29/10/2010. Assim, muito embora os contratos firmados tenham sido "omissos" quanto à origem das mercadorias a serem adquiridas pelo contratado, resta evidente que a natureza das mesmas Fl. 2527DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.528 17 revela com fácil compreensão a necessidade de sua busca no exterior. Neste ponto é de se observar que a Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA. está estabelecida no ramo em que atua desde 1936, restando evidente que a natureza estrangeira das mercadorias, já na lavratura dos respectivos contratos, não poderia passar desconhecida da impugnante, até porque a especificação das mesmas indica a origem em fabricante estrangeiro. O contrato de n° 22/2010 possui anexo, rubricado por um dos signatários (fl. 706), cujo teor, em língua estrangeira, revela objetivamente a natureza estrangeira das mercadorias objeto de pactuação. Ademais, ainda que tais fatos pudessem ser ultrapassados, há que se considerar que anteriormente ao registro das declarações de importação, por ocasião da compra no exterior, a Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. já possuía plena certeza da natureza da operação comercial, inexistindo motivos para que a declaração de importação posteriormente registrada fosse apresentada de forma diversa daquela prescrita na legislação de regência (omissão do real comprador). Finalmente, os fatos não se restringiram a um único caso ou "contrato", mas ao contrário, revelou ser a regra de procedimento para o fornecimento das mercadorias, verdadeiro "modus operandi", que por si só, já seria suficiente para afastar a alegação de mero fornecimento de mercadorias no âmbito do mercado interno. Por fim, ressalto que não foram trazidas aos autos, em recurso voluntário, outras provas de que as operações foram realizadas no mercado interno. Ademais, defende tanto a Momento Comércio quanto a Centauro Equipamentos que a "baixa agregação de valor" na aquisição das mercadorias importadas decorre do fato de que as importações estavam beneficiadas com a redução de base de cálculo do ICMS da legislação do Paraná (incentivos fiscais para as operações de importação), o que implica em um ganho no crédito presumido que representava uma redução no ICMS em 9% no período fiscalizado. Tal argumento não prospera à medida que comprova que as operações de importação eram vantajosas por garantirem a viabilização dos contratos de compra e venda, nos valores em que acordados. III Utilização de recursos de terceiros para ocultação do responsável pela operação Alega a Centauro Equipamentos que o auto de infração feriu a disposição do art. 39 do Decreto n° 70235/72, pois deixou de expressar se a operação ocultada era por conta e ordem. Confirase: Fl. 2528DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.529 18 100. Como se percebe, aquela d. Fiscalização – posteriormente apoiada pela d. DRJ – afirma que as DI’s registradas pela MOMENTO como próprias, deixou de constar em seu bojo seus reais adquirentes ou encomendantes determinados. 101. Ora, em qual contexto descrito a Recorrente se inseriria? Não merece acolhida esse argumento, como se demonstra abaixo. Configurase a ocultação do responsável pela operação mediante simulação, a informação na Declaração de Importação de que se trata de uma operação por conta própria, quando, na realidade, é por conta e ordem de terceiro. No caso em comento, a fiscalização indica que a Centauro Equipamentos adiantou parte dos recursos financeiros que foram utilizados nas operações de importação, embora as partes aleguem que esses adiantamentos eram para a aquisição de mercadorias no mercado interno. Assim, os recursos que custearam as operações de importação foram disponibilizados pela Empresa Centauro Equipamentos, que perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil permaneceu oculta nas declarações de importação formalmente apresentadas pela Empresa Momento Comércio, ou seja, esta realizava as operações de importação utilizando recursos da Empresa Centauro Equipamentos, que eram adiantados (parte em relação ao registro das respectivas declarações de importação). Por conseguinte, diante desse quadro fático aplicase o disposto no artigo 27, da Lei n° 10.637/02, pelo qual se presume por conta e ordem de terceiros a utilização de recursos destes nas operações de comércio exterior: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n. 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Então, a importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem desse para fins de sua responsabilização pela infração. A caracterização da ocultação reside no fato de a Momento Comércio ter registrado as importações como importações diretas, sem constar a empresa adquirente Centauro Equipamentos. Como já consignado na decisão de piso, é a existência de adiantamentos de recursos em data anterior ao registro da declaração de importação das mercadorias estrangeiras que indica que de fato as mercadorias já haviam sido negociadas em momento anterior à formalização do procedimento alfandegário perante a autoridade aduaneira, caracterizando a ocultação, não se trata de se aferir se a Momento Comércio tem ou não disponibilidade/capacidade financeira para as operações, mas sim de que a Momento recebia adiantamentos financeiros da Centauro Equipamentos para a realização das operações das mercadoras objetos dos contratos entre as partes. IV Desnecessidade de comprovação do efetivo prejuízo ao erário Fl. 2529DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.530 19 O dano ao Erário é presumido quando se configuram as infrações tipificadas no art. 23 e 24 do Decretolei nº 1.455/76. Tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. Nesse sentido, o Decreto n° 6.759/09, artigo 689, inciso XXII, que assim dispõe: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Alega a Momento Comércio que não houve comprovação que a fraude objetivou 1) abastecer a economia informal, 2) lavagem de dinheiro, 3) ocultação de bens, 4) subfaturamento nas importações, 5) empresa de fachada ou 6) não pagamento de impostos, então a aplicação da penalidade de perdimento não pode desconsiderar a intenção real do agente de praticar atos fraudulentos e simulatórios e as eventuais lesões ao controle aduaneiro e ao patrimônio da União. Entretanto, como visto acima, o dano ao Erário decorre do texto da própria lei, assim não há que se cogitar da existência ou não de efetivo prejuízo operacional e financeiro ao Poder Público. Portanto, não merecem acolhida o pleito da Momento Comércio de que, na ausência de dano ao erário, o auto deve ser cancelado. V Atribuição de Responsabilidade Tributária A ocultação do real adquirente das mercadorias decorre da informação falsa na declaração de importação, obrigação acessória relacionada aos tributos incidentes nas operações de comércio exterior, sendolhe, por conseguinte, aplicável as disposições do CTN, já que no descumprimento de obrigação acessória, a penalidade pecuniária em apreço converteu em obrigação principal, nos termos do art.113: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. Fl. 2530DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.531 20 § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Dessa forma, não merece acolhida o requerimento de desconsideração da responsabilidade tributária do sócioadministrador da Momento Comércio com suporte na multa administrativa por infração aduaneira não possuir natureza tributária, pois como se vê acima as disposições do CTN são aplicáveis ao caso. Além da Centauro, foram responsabilizados os seus sóciosadministradores, bem como a empresa Momento e seu sócioadministrador, com fundamento nos art. 124, 134 e 135, do CTN e art. 95 do DecretoLei nº 37/1966, verbis: CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; Fl. 2531DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.532 21 VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DecretoLei nº 37/1966 Art. 95. Respondem pela infração: I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Entendo que não há reparos a serem feitos quanto à atribuição da responsabilidade tributária. É acertada a responsabilização da importadora ostensiva, já que é agente direto da infração “ocultar fraudulentamente o verdadeiro sujeito passivo na importação” nos termos do art. 95 do DecretoLei n° 37/66. Nesse sentido o acórdão nº 3402003.671, da 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária, julg. 14/12/2016: ILEGITIMIDADE PASSIVA. DEMONSTRAÇÃO DO INTERESSE COMUM. A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decretolei nº 37/1966). O interesse comum resta demonstrado, não apenas pelo interesse econômico aproveitado na situação que constituiu o fato jurídicotributário em comento neste processo, mas também pela atuação em conjunto na organização dos esquemas de ocultação na importação. Nesse sentido, Maria Rita Ferragut ensina: O artigo 124, I e II, do CTN, adota dois critérios para estabelecer o vínculo de solidariedade passiva entre os Fl. 2532DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.533 22 devedores: (i) interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário; e (ii) designação expressa em lei. Iniciemos com o interesse comum. Muito embora o direito positivo não tenha elucidado o conteúdo semântico desse critério, entendemos como sendo a ausência de interesses jurídicos opostos na situação que constitua o fato jurídico tributário, somada ao proveito conjunto dessa situação. (Maria Rita Ferragut, Reponsabilidade Tributaria e o Código Civil de 2002. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2013, p. 80). E o julgado: INFRAÇÕES. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. SIMULAÇÃO. São solidariamente obrigadas as pessoas físicas e jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum nos fatos jurídicos praticados de forma simulada deve levar em consideração os efeitos que a simulação provoca na aparência e na conformação desses. Acórdão 3102002.327, de 13/11/2014. Não merece reparo a decisão de piso ao reconhecer o interesse comum entre a Centauro e a Momento: Assim, na eventualidade da prática de uma infração por ocasião de uma operação de importação realizada pelo importador, onde exista ainda um adquirente/encomendante e, sendo perfeitamente possível identificar importador e adquirente/encomendante, todos devem responder conjuntamente pela infração. Só pode ser admitida a responsabilização isolada de um dos interessados se restar comprovado ser materialmente impossível a trazida dos demais, vale dizer não se trata de escolher um dos envolvidos na prática da infração; a autuação há de trazer todos os envolvidos para que estes respondam pelo crédito tributário decorrente da conduta realizada. Assim, além de maiores garantias à Fazenda (em relação a execução do crédito tributário), haverá o necessário respeito aos princípios constitucionais relacionados ao exercício da ampla defesa e contraditório. A infração em apreço não poderia ter sido praticada sem a participação direta da Empresa MOMENTO COMÉRCIO E REPRESENTAÇÃO LTDA. Em todas as declarações de importação restou formalizado, perante a autoridade aduaneira que referida empresa seria a “real adquirente” das mercadorias estrangeiras, quando em verdade a empresa apenas atuava como mera prestadora de serviço, recebendo recursos do real adquirente para que as operações de importação pudessem ser levadas adiante. Houve contribuição direta e formal de referida empresa nos procedimentos formalizados junto à autoridade aduaneira. Já a Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA., real adquirente das mercadorias estrangeiras, que embora tenha permanecido oculta em todos os procedimentos de importação, possuía claro interesse na Fl. 2533DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.534 23 perfectibilização dos fatos geradores (entrada das mercadorias estrangeiras no País). Era a real interessada na aquisição das mercadorias estrangeiras. Portanto seja em razão do fato de ter se beneficiado ou concorrido para a prática da infração a Empresa CENTAURO EQUIPAMENTOS DE CINEMA E ELETRÔNICOS LTDA. ainda se enquadra na condição de real adquirente das mercadorias objeto das operações de importação em análise, situação que implica na caracterização de importação por sua conta e ordem, responsabilidade formalmente determinada no DecretoLei n° 37/66, artigo 95, inciso V. Comprovado o modus operandi nas importações, é certo que na qualidade de “administradores” da empresa autuada, os sócios tinham inteiro e integral conhecimento das operações realizadas objeto destes autos, sendo, portanto aplicável o art. 135, III do CTN. O mesmo pode ser dito quanto ao sócioadministrador da Momento. Os elementos para caracterização da responsabilidade do art. 135, III, são: 1 a figura do “sócioadministrador”, com poderes de decisão atribuídos pelo contrato social, como executor do esquema comercial entre as empresas e 2 as condutas revelam a atitude dolosa de atuação por infração à lei. Quanto à definição do conceito de “infração à lei”, para fins de responsabilização tributária, tomo mais uma vez a lição de Maria Rita Ferragut: Mas, então, qual lei não poderia ser violada, para os fins do artigo 135 do CTN? Entendemos ser toda proposição prescritiva vinculada ao exercício da administração, cujo desrespeito implique a ocorrência dos fatos jurídicos tributários. Nesse sentido, é a lei que rege as ações da pessoa jurídica e que, de alguma forma, interaja com o ilícito praticado. Poderá ser a lei comercial, civil, financeira, desde que se relacione a uma conduta passível de ser praticada pelo administrador, conduta essa que, por sua vez, há de se relacionar com o fato que implicará a obrigação tributária. Exemplificando, temos a importação de mercadoria com classificação fiscal errada e mais vantajosa financeiramente, a venda de mercadorias antes de confeccionado o talonário de notas fiscais requerido por lei, a prestação de serviços sem prévia autorização de funcionamento pelo órgão regulamentador e a prática fraudulenta de atos do comércio em geral. Seja qual for a infração, o ilícito foi tipificado a partir do descumprimento de lei que obrigatoriamente gerou efeitos fiscais típicos, já que estamos tratando de responsabilidade do administrador pelo adimplemento de obrigações tributárias, e não por obrigações de outras naturezas. (Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 3ª ed. São Paulo: Noeses, 2013, pp.149150). Fl. 2534DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.535 24 Nesse sentido, o Acórdão nº 9101002.487, de 22/11/2016, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008, 2009 ÁGIO INTERNO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO APLICADA. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. SIMULAÇÃO. Qualificase a multa de ofício aplicada quando o pretenso ágio interno, tratase de uma mera grandeza criada artificialmente, a que se pretendeu dar a aparência de ágio que, na realidade, nunca existiu. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CTN. Incide na hipótese do art. 135, inciso III, do CTN os sócios gerentes que praticam atos com infração de lei, aí entendida também a legislação tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: “É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012). Entendo que a interposição fraudulenta comprovada se subsome à tipificação da atribuição da responsabilidade tributária dos sóciosadministradores por atos de infração à lei. Ressalto que esta 1ª Turma já se manifestou sobre o cabimento da responsabilidade solidária, no Acórdão nº 3301003.021, Rel. Francisco José Barroso Rios: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 08/03/2006 IMPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIRO OCULTO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DAQUELES QUE CONCORRERAM PARA SUA PRÁTICA OU DELA SE BENEFICIARAM. Caracteriza interposição fraudulenta a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro oculto na operação, real adquirente da mercadoria, que Fl. 2535DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.536 25 responde solidariamente pela infração, juntamente com aqueles que concorreram para sua prática. Dano ao Erário materializado, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro em vista da não localização das mercadorias ou de seu consumo. Recurso Voluntário Negado. Por essa razão, mantenho os sóciosadministradores da Centauro e o sócio administrador da Momento no polo passivo. Por fim, cabe a aplicação conjunta dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN, uma vez que demonstradas suas hipóteses legais de cabimento. Sobre a inexistência de óbice a essa aplicação concomitante, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADOR DE FATO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOAS. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, nos termos do art. 135, III, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados ostentavam a condição de administradores de fato da autuada, bem como que houve interposição fraudulenta de pessoa em seu quadro societário. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. APLICAÇÃO CONCORRENTE DOS ARTS. 124, I, E 135, III, DO CTN. POSSIBILIDADE. Não se vislumbra qualquer óbice à imputação de responsabilidade tributária aplicandose, de forma concorrente os arts. 124, I, e 135, III, do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Procurador Provido. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Em suma, há respaldo fático e legal para a manutenção dos Recorrentes (Sra. Mirian Ciocler, Sra. Zina Ciocler e Sr. Luis Henrique Ciocler e, de Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócioadministrador Sr. João Carlos Angelini) como devedores Fl. 2536DF CARF MF Processo nº 10111.721087/201462 Acórdão n.º 3301003.933 S3C3T1 Fl. 2.537 26 solidários da Centauro Equipamentos de Cinema e Eletrônicos Ltda, sem qualquer benefício de ordem. Conclusão Restou comprovado pela fiscalização o modus operandi da relação comercial entre as empresas Centauro (real adquirente dos bens importados) e Momento (importadora ostensiva), esta ocultou o real adquirente das mercadorias importadas, ditas de sua própria importação quando na verdade elas pertenciam à empresa Centauro, sujeitandose à aplicação da pena de perdimento e de sua conversão em multa, na forma do art. 23, inciso V, § 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455/1976. Por todo o exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários da Centauro Equipamentos de Cinema e Eletrônicos Ltda. e seus sóciosadministradores Sra. Mirian Ciocler, Sra. Zina Ciocler e Sr. Luis Henrique Ciocler e, de Momento Comércio e Representação Ltda. e seu sócioadministrador Sr. João Carlos Angelini. Sala de Sessões, em 25 de julho de 2017 Semíramis de Oliveira Duro – Relatora Fl. 2537DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13964.000739/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2802-000.130
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF n.º 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello.
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score : 1.0
Numero do processo: 10925.900317/2012-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Numero da decisão: 9303-005.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 03 17 /2 01 2- 11 Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 201 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte APC DO BRASIL LTDA. (fls. 146 a 184) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802003.322 (fls. 137 a 143) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF RETIFICADORA ENTREGUE APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. DCOMP NÃO HOMOLOGADA. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF retificadora se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento e antes que seja iniciado qualquer procedimento de fiscalização. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 202 3 Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. O presente processo tem origem em Declaração de Compensação (Per/Dcomp) de créditos de PIS/PASEP e COFINS, resultantes de pagamento indevido ou a maior, com débitos de IRPJ, transmitido pela Contribuinte em 26/10/2009 (fls. 02 a 06), o qual restou não homologado nos termos do despacho decisório de 01/03/2012 (fls. 07 a 10). Não resignada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 12 a 113), em cujo julgamento foi mantida a não homologação do pedido de compensação, conforme fundamentos lançados no Acórdão nº 0731.617 da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC (fls. 116 a 119), sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 121 a 132), ao qual foi negado provimento nos termos do Acórdão nº 3802003.322 (fls. 137 a 143) proferido pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de julgamento, em 22/07/2014, ora recorrido, por ter entendido o Colegiado, em síntese, que não basta, para comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário, somente a DCTF retificadora, sendo necessário apresentar outros documentos que provem de forma inquestionável o erro no preenchimento da DCTF, providência não adotada pela Contribuinte. Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 146 a 184), alegando divergência jurisprudencial quanto à obrigatoriedade de retificação da DCTF para compensação de pagamento indevido ou a maior, bem como quanto à obrigação da autoridade fazendária de solicitar outros documentos para aprofundar as verificações com vistas à busca da verdade material. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou os acórdãos paradigmas nºs 3102001.265 e 380302.670. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) no ano de 2009, procedeu à revisão de seus livros de apuração do PIS e da COFINS, verificando pagamentos a maior no ano de 2006. Para aproveitar referido crédito, formalizou requerimento de compensação, procedendo à retificação dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 203 4 DACON. No entanto, não procedeu à alteração das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, pois transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, tendo requisitado a alteração de ofício; (b) o acórdão recorrido reputa imprescindível a retificação da DCTF para análise do pedido de compensação, bem como entende que no caso dos autos houve omissão da Contribuinte na apresentação de provas demonstrando o erro nas informações prestadas na DCTF, sendo o ônus de prova quanto a tal fato inteiramente do Sujeito Passivo; (c) quanto à necessidade de retificação na DCTF para homologação do pedido de compensação, não há óbice legal à apuração do crédito do Contribuinte, mesmo que a DCTF retificadora não tenha sido transmitida e/ou seja adotada a providência após o despacho decisório; (d) o entendimento da decisão recorrida privilegia a forma em detrimento do conteúdo, objetivo contrário ao do processo administrativo e que viola o princípio do formalismo moderado insculpido no art. 2º, §único, inciso IX, da Lei nº 9.784/99; (e) no que tange à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido restituir pela Contribuinte, aduz que, diversamente do processo judicial, na esfera do contencioso administrativo federal, a prova, em princípio, é de iniciativa do julgador, consoante art. 29 da Lei nº 9.784/99. Assim, a Contribuinte juntou aos autos os documentos que considerava hábeis para comprovar a certeza e liquidez do indébito tributário; nesse caso, entendendo o órgão julgador serem os mesmos insuficientes, providência que se impunha era a intimação da parte para apresentar outros documentos, de modo a apurar o crédito em discussão, e não simplesmente negar o pedido de compensação; (f) por fim, requer o provimento do recurso especial, determinandose o retorno dos autos à origem para apuração da liquidez e certeza do crédito do Contribuinte. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 29 de junho de 2015 (fls. 188 a 192), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de homologação do pedido de compensação sem a prévia retificação da DCTF e de o órgão julgador solicitar outros documentos que entendia necessários para comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 194 a 198) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 204 5 Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. O acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base nos seguintes fundamentos: (a) a Contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório para demonstrar a certeza e liquidez do indébito tributário, pois ausente a comprovação de erro ou pagamento a maior que teriam originado o indébito pretendido compensar; (b) embora não tenha transmitido a DCTF retificadora, por força do princípio da verdade material, a empresa teria direito à compensação se demonstrados os atributos de certeza e liquidez do crédito tributário, não tendo se limitado a indeferir o pedido tão somente pela inexistência da DCTF retificadora. Do simples confronto com as ementas e trechos da fundamentação dos acórdãos paradigmas, depreendese existir a divergência jurisprudencial quanto à necessidade de retificação da DCTF para análise do pedido de compensação e, ainda, com relação ao papel do julgador no que tange à produção da prova de liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Nesses termos é o despacho de admissibilidade: [...] Vejamos as ementas dos dois primeiros paradigmas apresentados (cópias de inteiro teor juntadas aos autos), transcritas na parte de interesse ao presente exame: Acórdão 3102001.265, de 10/11/2011: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2003 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 205 6 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO POSSIBILIDADE. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Acórdão 3803026.70, de 22/03/2012: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. Pelo exposto, cabe apontar que a decisão recorrida fundamentouse na ausência de elementos probatórios no autos capazes de comprovar a liquidez e certeza dos créditos pleiteados pelo sujeito passivo, bem como entende fundamental a retificação da DCTF, como antecedente da análise do pedido de compensação. Nos acórdãos paradigmas há, também, o debate acerca da necessidade de se proceder a retificação da DCTF para possibilitar a apuração da liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Igualmente, se discute o papel do órgão julgador dos pedidos de compensação, no que tange à produção da prova de liquidez e certeza do crédito do contribuinte. Neste ponto, para melhor ilustrar a divergência ora sob análise, cabe transcrever fragmentos dos votos dos acórdãos paradigmas, respectivamente: Acórdão 3102001.265: (.......) De se acrescentar, ademais, que o acórdão recorrido consignou, dentre as razões de decidir, que a recorrente não teria feito prova dos créditos que dariam respaldo à compensação declarada. Em que pese a respeitável opinião daquele Colegiado. não vejo como. no presente processo, indeferir sumariamente o pleito em razão da não apresentação de elementos da escrita em sede de manifestação de inconformidade. De fato, analisando o despacho decisório à fl. 03. verificase que a justificam a para a nãohomologação da compensação teria sido exclusivamente a utilização do crédito para pagamento de outro tributo, consequência, como já apontado, da não retificação da DCTF. Ou seja. o fato com que, em momento algum o contribuinte foi informado de que, quando da apresentação da sua inconformidade, além de demonstrar a realocação do crédito, deveria apresentar elementos da sua escrita. Como se viu, o despacho decisório não traz qualquer consideração acerca desse aspecto e não consta dos autos qualquer intimação para apresentação de documentos. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 206 7 (.......) Acórdão 3803026.70: (.......) Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação dc inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2o do art. 11 da IN RFB n° 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, umaa vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: (.......) No entanto, o acórdão recorrido aponta, conforme trecho do voto abaixo: (.......) Muito embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF. Quando muito, a incoerência do contribuinte macula de dúvida as informações por ele prestadas, o que afasta a certeza do crédito pleiteado. Verificase,ainda, que o contribuinte tentou retificar a supracitada DCTF para adequála ao pedido em tela e aos dados do Dacon. Contudo, não obteve sucesso (a transmissão não foi concluída), uma vez que havia se esgotado o prazo (05 anos) para que a recorrente tivesse o direito de apresentar ou retificar a DCTF (fl. 52). (.......) O contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no Acórdão Recorrido e os Acórdãos paradigmas, sobre a possibilidade de compensação conforme alega o recorrente que argumenta que juntou os documentos que entendia suficientes à comprovação do seu crédito e que se o órgão julgador entendia que outros seriam necessários, deveria ter intimado o mesmo a apresentálos, para apurar a liquidez e certeza do crédito, e não simplesmente indeferir o pedido de compensação, por conta de retificação da DCTF. [...] Portanto, deve ser dado seguimento o recurso especial da Contribuinte. Mérito O recurso especial de divergência da Contribuinte preenche os requisitos para ter prosseguimento, e portanto, necessário adentrarse à análise de mérito da demanda, que consiste em dois pontos: (a) possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora; e (b) atribuição do Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 207 8 ônus da prova ao julgador para solicitar os documentos que entendia necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. a. Possibilidade de apreciação e deferimento do pedido de compensação independentemente da apresentação de DCTF retificadora A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.300/2012. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 208 9 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 209 10 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ser este o entendimento explicitado naquela ocasião pelo Colegaido a quo, não tendo sido homologada a compensação, embora também não apresentada a DCTF retificadora, mas sim e principalmente pela ausência de comprovação da certeza e liquidez dos créditos tributários, por meio de outros documentos fiscais e contábeis da empresa. Por estas razões, não pode ser acolhido o pleito da Recorrente de serem homologadas as compensações. b. Ônus da prova para comprovação da certeza e liquidez do crédito Pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para início dessa comprovação. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10925.900317/201211 Acórdão n.º 9303005.466 CSRFT3 Fl. 210 11 Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001689/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Rejeita-se os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão ou obscuridade no julgado embargado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3302-004.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Interessado RENAR MÓVEIS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO COMPROVADA. INTEGRAÇÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Rejeitase os embargos de declaração interpostos quando não demonstrado a existência do alegado vício de omissão ou obscuridade no julgado embargado. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Cássio Schappo, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 89 /2 00 8- 87 Fl. 956DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração, tempestivamente opostos pela interessada, com o objetivo de suprir supostos vícios de obscuridade no acórdão nº 3803 03.099, de 26 de junho de 2012. Por meio dos referidos embargos, a recorrente alegou vícios de obscuridade no citado acórdão. Para a embargante o acórdão necessitava ser aclarado quanto à manutenção da glosa em relação à aquisição de combustíveis e lubrificantes, tendo em vista que a decisão não analisara os documentos juntados antes da interposição do recurso voluntário. Por meio do despacho de admissibilidade coligido aos autos, os embargos foram admitidos, para que fosse suprido vício de omissão. Segundo o referido despacho, o voto condutor do acórdão embargado expressara o entendimento firmado pela DRJ quanto à falta de comprovação do crédito relativo aos combustíveis e lubrificantes, mas não expôs qual era o seu próprio entendimento sobre a matéria. Logo, era flagrante a omissão havida na decisão embargada. Na Sessão de 26 de janeiro de 2017, mediante sorteio, os presentes autos foram distribuídos para este Relator, que submete a julgamento nesta Sessão. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Uma vez cumprido os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do vício de obscuridade, suscitado pela embargante, ou de omissão, apontado no despacho de admissibilidade. Para facilitar a análise dos referidos vícios, revelase de todo oportuno o conhecimento integral do texto do voto condutor julgado em que nobre Relator abordou a glosa em questão, que segue transcrito: DA GLOSA REFERENTE ÀS AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES No tocante às despesas com combustíveis e lubrificantes, constatouse que a contribuinte buscou o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de combustíveis e lubrificantes para diversos automóveis que não são utilizados no processo de produção, lavagem de veículos, dentre outros, o que não se enquadraria no conceito de insumos do ponto de vista da autoridade fiscal. A Recorrente defende que a planilha de fls. 219 corresponde às aquisições de combustíveis destinadas exclusivamente ao processo de produção e em sua manifestação de inconformidade juntou planos de contas e balancetes mensais, os quais a DRJ em Florianópolis não considerou como aptos a comprovar sua destinação específica às máquinas que participam do processo de produção. Argumenta, ainda, que os combustíveis e lubrificantes consumidos pelos diversos veículos não foram objeto de pedido Fl. 957DF CARF MF Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 3302004.813 S3C3T2 Fl. 957 3 de ressarcimento justamente por não compor a apuração de créditos da COFINS. Por tal razão, estes valores foram contabilizados em contas distintas. As aquisições de combustíveis e lubrificantes objeto de glosas encontramse escrituradas no livro razão da requerente, discriminadas por centro de custos. Observando as notas fiscais apresentadas, constatase que as aquisições referemse em sua grande maioria à diesel comum, sendo que algumas notas fiscais correspondem a aquisição de lubrificantes, querosene e gás, e algumas notas fiscais de prestação de serviços de lavagem de veículos. Tendo em vista que a DRJ considerou serem insuficientes as notas fiscais, planos de contas e balancetes mensais sem a devida contextualização, a contribuinte aproveita o momento processual do recurso voluntário e acosta aos autos uma listagem analítica de bens com informações de aquisição das respectivas máquinas e descrição de cada máquina e equipamento que participam do processo produtivo. Reza o parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72 que “a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual”. Preceitua, ainda, o mesmo artigo 16 que da impugnação constará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que comprovem o direito do impugnante. Como se percebe, o momento processual para apresentar as provas que a Recorrente entendessem cabíveis foi a Manifestação de Inconformidade, de modo que não se conhecerá dos documentos acima elencados nesta instância recursal. Observese que não se presta esta instância à análise probatória, entendimento já consolidado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Excepcionalmente, admitese a apresentação da prova documental em sede de Recurso Voluntário quando fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação no momento oportuno, ainda que por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente, ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Em qualquer destes casos, deverá o contribuinte requerer à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, efetivamente e com fundamentos, a ocorrência de uma destas condições que encontramse previstas no parágrafo 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72. Não vislumbramos, por conseguinte, a ocorrência de nenhuma das hipóteses acima mencionadas no presente caso. Ressaltamos, ainda, que a recepção do novo conjunto probatório exige a relevância destas novas provas e que sejam estas aptas e idôneas a comprovar o direito do pleiteante. Fl. 958DF CARF MF 4 Pertinente ressaltar, que a ora Recorrente não se opôs a glosa dos valores pertinentes a serviços diversos e lavagem de veículos. Em assim sendo, e tendo em vista que o direito ao creditamento está previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, a qual autoriza o desconto de créditos calculados em relação a insumos, incluindo os combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção ou fabricação de bens destinados à venda, tal qual o caso da contribuinte, e que tais valores não foram devidamente comprovados no momento oportuno, qual seja, na manifestação de inconformidade, correta está a glosa mantida a este título. Após leitura do voto condutor do julgado, este Conselheiro chegou a conclusão que inexiste, no julgado embargado, nenhum dos mencionados vícios. Não há o alegado vício de omissão, porque, o referido ponto foi abordado de forma exauriente no referido voto. Falta de clareza ou vício de obscuridade também não há, pois, o nobre Relator do referido voto expôs, com clareza, o motivo pelo qual manteve a glosa dos créditos apropriados a título de combustíveis e lubrificantes, ou seja, porque “tais valores não foram devidamente comprovados no momento oportuno, qual seja, na manifestação de inconformidade”. Logo, o motivo pelo qual foi mantida a glosa foi a falta de apresentação de provas e as que foram apresentada após a fase de manifestação de inconformidade não foram admitidas, em razão da preclusão determinada no art. 16 do Decreto 70.235/1972. Nos embargos em apreço, a recorrente alegou que houve obscuridade no voto condutor julgado, baseada em dois argumentos: a) o acórdão embargado limitarase a dizer que o acórdão da DRJ considerou não comprovada a utilização dos combustíveis no processo produtivo; e b) os documentos anexados com o recurso voluntário não poderiam ser analisados, pois houve a preclusão do direito de apresentação de provas. Em relação a primeira alegação, a recorrente asseverou que o nobre Relator do voto condutor julgado embargado sequer analisara os documentos anexados aos autos na fase de manifestação de inconformidade, os quais, para ela, eram suficientes para comprovar o crédito glosado na aquisição de combustíveis e lubrificantes. A afirmação da embargante é, expressamente, negada pela assertiva contida no referido voto no sentido de que as notas fiscais apresentadas pela recorrente referiamse “em sua grande maioria à diesel comum, sendo que algumas notas fiscais correspondem a aquisição de lubrificantes, querosene e gás, e algumas notas fiscais de prestação de serviços de lavagem de veículos”. Essa informação revela que o nobre Relator analisou sim os citados documentos, porém não os acatou pelas razões que foram apresentadas. Nesse contexto, a menção ao voto da DRJ foi apenas para ressaltar o motivo pelo qual a recorrente trouxe aos autos, na fase recursal, os documentos que foram mencionados. De fato, a leitura do texto transcrito revela que a referência ao julgado da DRJ foi apenas para justificar a apresentação dos documentos na fase recursal e não para fim de fundamento da rejeição dos mencionados documentos como prova, como equivocadamente foi alegado nos embargos e no despacho de admissibilidade. Também não corrobora a alegação da embargante, o teor do trecho do voto condutor do acórdão nº 3403002.389, proferido nos autos do processo nº 13986.000148/2005 62, que trata da glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, relativa ao 2º Trimestre Fl. 959DF CARF MF Processo nº 10925.001689/200887 Acórdão n.º 3302004.813 S3C3T2 Fl. 958 5 de 2005. A leitura dos excertos transcritos pela embargante revela que, no citado julgado, o crédito foi restabelecido não por comprovação documental, mas por mera presunção do Relator, ou seja, por presunção simples ou hominis, o que, no entendimento deste Relator é expressamente vedado, para fim de reconhecer crédito perante a Fazenda Nacional. A propósito, cabe consignar que o art. 29 do Decreto 70.235/1972 e o art. 371 do CPC permite o livre convencimento do julgador com base na prova (convencimento motivado), mas jamais de forma arbitrária (convicção íntima). Para que não reste dúvida a respeito, leiase o fragmento a seguir reproduzido, extraído dos embargos: Verifico, primeiramente, que os veículos em questão são tratores, empilhadeiras e carregadeiras, e que a contribuinte exerce a atividade de industrialização de madeiras, de modo que não faz sentido condicionar o crédito à prova do emplacamento destes veículos, nem é razoável presumir que tais bens seriam usados para outra finalidade se não a participação no processo produtivo. Com efeito, dada a natureza dos bens e da atividade desenvolvida pelo contribuinte, a presunção é de que os bens são aplicados na atividade produtiva, admitindose prova em contrário. E não o inverso. (grifos não originais) No caso, o que a recorrente pretende é que os documentos analisados e rejeitados como prova no acórdão embargado seja novamente analisada e valorado por este Colegiado. Em outras palavras, a recorrente pretende a realização de novo julgamento, o que não é possível pelas vias estreitas dos embargos de declaração, que se destina a apenas a suprir viços de obscuridade, contradição e omissão no julgado embargado. Pela mesma razão, não há como esse Colegiado reapreciar e decidir novamente sobre a impossibilidade de analisar os documentos apresentados com o recurso voluntário, em razão da preclusão. Assim, se o motivo para o não acatamento como prova dos documentos apresentados e para a não apreciação dos referidos documentos foi apresentado e devidamente fundamentado, com clareza e de forma exauriente, decerto, não há vício de omissão ou de obscuridade no julgado embargado. Por todo o exposto, votase pelo conhecimento dos presentes embargos de declaração, porém, por não existir os alegados vícios de omissão e obscuridade, rejeitaos para ratificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 960DF CARF MF 6 Fl. 961DF CARF MF
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