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Numero do processo: 10183.906836/2011-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.919
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.906836/201133 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201000.919 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de junho de 2017 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente RODOBENS MÁQUINAS AGRÍCOLAS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 83 6/ 20 11 -3 3 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10183.906836/201133 Resolução nº 3201000.919 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10183.906836/201133 Resolução nº 3201000.919 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10183.906836/201133 Resolução nº 3201000.919 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10183.906836/201133 Resolução nº 3201000.919 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723383/2010-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007, 2008
Impossibilidade de Aplicação Concomitante da Multa de Ofício e da Multa Isolada.
A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.
Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
Numero da decisão: 1301-002.551
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso: (i) por maioria de votos, para cancelar a exigência de multa isolada, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild, que votaram por afastar essa exigência. Designado Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor sobre incidência de juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007, 2008 Impossibilidade de Aplicação Concomitante da Multa de Ofício e da Multa Isolada. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Juros Moratórios. Incidência sobre Multa. Cabimento. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso: (i) por maioria de votos, para cancelar a exigência de multa isolada, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild, que votaram por afastar essa exigência. Designado Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor sobre incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1928; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.887 1 1.886 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.723383/201076 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.551 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2017 Matéria IRPJ OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS Recorrente COMPANHIA ENERGÉTICA DE PERNAMBUCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CONCOMITANTE DA MULTA DE OFÍCIO E DA MULTA ISOLADA. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso: (i) por maioria de votos, para cancelar a exigência de multa isolada, vencidos os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Milene de Araújo Macedo e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por manter essa exigência; (ii) por voto de qualidade, negar provimento quanto à não incidência de juros sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild, que votaram por afastar essa exigência. Designado Conselheiro Roberto Silva Junior para redigir o voto vencedor sobre incidência de juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 33 83 /2 01 0- 76 Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.888 2 (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Cuida o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2007 e 2008. As infrações apuradas foram: (i) falta de adição, na apuração do lucro real, de despesas não dedutíveis (amortização de ágio); (ii) compensação indevida de prejuízo e de base de cálculo negativa da CSLL; e (iii) falta de recolhimento de estimativas mensais. Apresentada impugnação, esta foi julgada improcedente pela 3° Turma de Julgamento da DRJ de Recife. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, ao qual foi dado provimento pela 3° Câmara, da 1° Turma da 1° Seção de Julgamento do CARF (fls. 1381/1398), cuja decisão foi ementada nos seguintes moldes: DECADÊNCIA Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 e 2008 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO – ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – CSLL A decisão prolatada no lançamento atriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.889 3 Contra esta decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 1400/1450). A 1° Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso interposto, mantendo as conseqüências em relação aos ajustes no estoque de prejuízos fiscais. Quanto às multas por estimativa, por unanimidade de votos, determinou o retorno dos autos à Turma a quo para julgamento (fls. 1713/1802). O contribuinte opôs Embargos de Declaração em face das supostas omissões contidas no Acórdão n° 9101002.187 prolatado pela CSRF (fls. 1811/1823). Conforme fls. 1873/1880, os Embargos de Declaração foram rejeitados, em razão da manifesta improcedência das alegações da contribuinte. Assim, os autos foram encaminhados a este Colegiado para apreciação da matéria relativa à aplicação de multa isolada em função da ausência de pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa. É o relatório. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. DA MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. Inobstante esta Turma já tenha se pronunciado sobre o Recurso Voluntário interposto (fls. 1238/1315), os autos retornaram a este Colegiado em cumprimento ao quanto decidido pelo CSRF no Acórdão n° 9101002.187. Vejamos trecho da referida decisão: Da multa isolada por falta de estimativas Tendo sido restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à multa isolada por falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, fazendose necessário o retorno à Turma a quo para o julgamento dos pontos específicos suscitados em relação a esta matéria, que não foram apreciados por ocasião do julgamento do recurso voluntário da contribuinte. Entender diferentemente, ou seja, a Câmara Superior julgar essa questão, implicaria em supressão de instância e em extrapolação dos limites do Recurso Especial de Divergência, pois estarseia julgando matérias para as quais não houve oportunidade de configuração de divergência Até que se poderia defender eventual aplicação do princípio da celeridade processual, mas essa alternativa, a meu ver, colocaria a Câmara Superior em situação de julgar uma matéria para a qual não há paradigma (o que portanto pretende a CSRF uniformizar), e, portanto, nem a recorrente desenvolveu o tema a contento nem tampouco à recorrida foi dada a possibilidade de levantar eventual não conhecimento. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.890 4 Ademais, ainda que exista súmula tratando dessa matéria, não é produtivo a Câmara Superior gastar seu tempo analisando situações de enquadramento em súmulas, quando não está em jogo a uniformidade da jurisprudência, ainda mais quando tal desiderato pode ser feito a contento pela Turma a quo. Assim sendo, restou determinado o retorno dos autos a esta Turma para prolação de nova decisão apenas quanto à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. Pois bem, passemos a análise nesse tocante. Em decorrência dos lançamentos principais, foram lançadas multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, nos termos do item 002 do auto de infração, ora em discussão. Pois bem, nos termos do art. 2º da Lei nº 9.430/96, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real pode optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada. Findo o anocalendário, as estimativas não pagas não podem mais ser exigidas pelo Fisco. A partir desse momento, somente compete à autoridade autuante exigir a penalidade prevista no artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96, o qual estabelece a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor da estimativa mensal inadimplido. Confirase: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.891 5 I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Foi dessa forma que agiu o Auditor Fiscal, o qual cominou a multa isolada sobre o valor das estimativas não pagas, conforme item 003 do Auto de Infração. Por sua vez, a DRJ confirmou a autuação fiscal, matendo a multa isolada pela insuficiência das estimativa apuradas. Ademais, entende que as multas de ofício e isolada não deocrrem da mesma infração, não representando uma segunda punição para o mesmo fato infrancional. A Recorrente, no entanto, se insurge alegando que não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outa penalidade. Nesse ponto, entendo que a alegação da Recorrente deve prosperar, por ser descabida a aplicação da multa conconmitante da multa de ofício e da multa isolada sobre a mesma base de cálculo. É pacífico neste Colegiado que a multa de ofício decorrente de falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual deve prevalecer em detrimento da multa isolada. É esse o entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Notese que este entendimento foi elaborado em relação ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, vigente antes da edição da Lei n° 11.637/07, que passou a vigorar a partir de maio de 2007. Recentemente, este Colegiado vem se manifestado, de forma nãounânime, em diversas oportunidades sobre a inaplicabilidade da súmula acima transcrita para as hipóteses em que foi cominada a aplicação conjunta da multa de ofício e da multa isolada a partir de 2007, quando houve a alteração do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Discordo, entretanto, deste entendimento. A meu ver, o racional utilizado na construção da Súmula n° 105 permanece aplicável às multas aplicadas a partir de 2007. Nesse sentido, transcrevo a ementa do Acórdão n° 9101001.307 proferido 1° Turma e utilizado como base para a edição da Súmula n° 105: (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.892 6 recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação Ora, ainda que a lei tenha sido alterada, pareceme claro que a infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal permanece sendo mera etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Logo, pelo critério da consunção, a falta de pagamento das estimativas deve ser considerada meio de execução do não recolhimento dos tributos devidos ao final do exercício. Não pode o contribuinte ser penalizado duas vezes em função da mesma infração. Se as estimativas não foram recolhidas pelo aproveitamento indevido, encerrado o anocalendário, deve prevalecer somente a cobrança do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual e, conseqüentemente, da multa de ofício aplicada sobre esta infração. O fato de a Medida Provisória n° 351/07 ter alterado a base de cálculo da multa isolada para “o valor do pagamento mensal” não altera o fato de que o não recolhimento das estimativas é mero meio para a falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos no exercício. Assim sendo, julgo improcedente a cominação da multa isolada aplicada sobre as estimativas de IRPJ e de CSLL não pagas, devendo permanecer, somente, a aplicação da multa de ofício sobre o imposto apurado ao final do anocalendário e não pago. DOS JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A Recorrente pugna pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, conforme fls. 1301/1305. O art. 161 do CTN, cumulado com o art. 61, § 3º, da Lei n° 9.430/96, constituem os fundamentos sobre os quais se exigem os juros de mora sobre a multa de ofício. Os referidos dispositivos encontramse adiante transcritos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária (...) Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.893 7 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura atenta dos dispositivos acima transcritos, denotase que a taxa SELIC deve ser aplicada "sobre os débitos a que se refere este artigo". Por seu turno, o caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 dispõe sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal". Não há, portanto, qualquer dispositivo legal que permita a incidência de juros de mora sobre as multas de ofício. Notese que a multa de ofício é uma punição imposta ao contribuinte pelo descumprimento do dever legal de pagar o tributo, isto implica dizer que esta penalidade não é um débito decorrente de tributos e contribuições federais. Nesse sentido, o professor Luciano Amaro explana que: "No campo das sanções administrativas pecuniárias (multas), é preciso não confundir (como faz, freqüentemente, o próprio legislador) a proteção ao interesse da arrecadação (bem jurídico tutelado) com o objetivo de arrecadação por meio de multa. Noutras palavras, a sanção deve ser estabelecida para estimular o cumprimento da obrigação tributária; se o devedor tentar fugir ao seu dever, o gravame adicional representado pela multa que lhe é imposta se justifica, desde que graduado segundo a gravidade da infração. Se se tratar de obrigação acessória, a multa igualmente se justifica (pelo perigo que o descumprimento da obrigação acessória provoca para a arrecadação de tributos), mas a multa não pode ser transformada em instrumento de arrecadação; pelo contrário, devese graduála em função da gravidade da infração, vale dizer, da gravidade do dano ou da ameaça que a infração representa para a arrecadação" (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo. Editora Saraiva, 2006, p. 439/440). Dessa forma, verificase que a multa não tem a finalidade arrecadatória, apenas visa desestimular o comportamento ilícito, enquanto que o tributo é fruto da realização da fato lícito, que tem por objetivo a produção da receita pública. Julgo, por conseguinte, procedente o pedido do contribuinte no que se refere à não incidência dos juros sobre a multa de ofício decorrente do descumprimento da obrigação principal tributária, devendo ser dado provimento ao Recurso Voluntário em relação a esta questão. CONCLUSÃO Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.894 8 Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, doulhe provimento. para afastar a cominação das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL, bem como determinar a inaplicabilidade dos juros de mora sobre a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Voto Vencedor Roberto Silva Junior Redator designado Não obstante o bem fundamentado voto do ilustre Conselho Relator, este colegiado, no que tange à incidência de juros de mora sobre a multa proporcional aplicada em lançamento de ofício, tem posição firmada em sentido contrário, inclinandose pela validade dessa incidência. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do Código Tributário Nacional. Nessa linha de interpretação, emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Nesse mesmo sentido, já decidiu esta 1ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301002.154, cuja ementa, naquilo que diz respeito ao ponto aqui tratado, tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Portanto, com base nesses fundamentos, não acolho a pretensão da recorrente. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10480.723383/201076 Acórdão n.º 1301002.551 S1C3T1 Fl. 1.895 9 Fl. 1895DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.723735/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO.
Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE.
As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente.
IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO.
A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO.
Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE.
As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente.
IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO.
A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO.
O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício.
Numero da decisão: 3302-004.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos de todas operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, a partir de 21.07.2008.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza -Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantém-se a aplicação do artigo 40, § 6º-A, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício.
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PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantémse a aplicação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/08/2007 a 31/12/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 37 35 /2 01 1- 29 Fl. 607DF CARF MF 2 PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. CONTRADITÓRIO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. NÃO VIOLAÇÃO. Não se vislumbra o desrespeito aos princípios listados, ademais, em conformidade com a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". ARTIGO 40, LEI Nº 10.865, DE 2004. APLICABILIDADE. As receitas, que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantémse a aplicação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. IN SRF Nº 595, DE 2005. ADE. APLICAÇÃO. A pessoa jurídica ser preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão e tal condição será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. O artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, prevê a aplicação da multa de 75% no caso dos lançamentos de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir os lançamentos de todas operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, a partir de 21.07.2008. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Por bem transcrever os fatos, adotase o relatório da DRJ/Campo Grande, fls. Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 3 3 554/5561: Foram lavrados autos de infração de PIS e COFINS dos anos calendário de 2007 e 2008, no valor total de R$ 10.843.906,78, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 04 a 27. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face apuração incorreta a menor da COFINS e do PIS não cumulativos, ocasionada pela exclusão indevida da base de cálculo do PIS e COFINS de receitas de empresas tomadoras de serviços que não possuíam ADE, Ato Declaratório Executivo, que as considerasse como “preponderantemente exportadoras”, ou mesmo tendo esse ADE não cumprissem as normas para a concessão do benefício. O fato de as empresas tomadoras de serviços não possuírem o Ato Declaratório Executivo como “Preponderantemente Exportadora”, não permite, segundo a autoridade fiscal, que as receitas dela decorrentes sejam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS sob o argumento de que os bens transportados se destine à exportação. O contribuinte apresentou sua impugnação, alegando em síntese o seguinte: a) Que diante das diversas redações que vigeram em diversos períodos, do § 6ºA do artigo 40 da lei 10.865/2004, o termo “pessoa jurídica preponderantemente exportadora”, introduzida pela MP 428 de 13.05.2008 somente passou a ter eficácia noventa dias após a publicação da norma, em face ao princípio da anterioridade nonagesimal, o que significa dizer que deve ser respeitado o interstício de noventa dias após a publicação da lei que houver instituído ou modificado as regras que impliquem gravames ao contribuinte, para que passem a ter eficácia, transcrevendo o artigo 195 da CF e inciso I letras “a” a “c”, e § 6º desse mesmo artigo, além de decisões judiciais; b) O acima exposto significa dizer que a regra não incidiu em todo o período de autuação, mas, somente a partir de 13.08.2008; c) Após transcrever o artigo 40 da lei 10.865/2004 com seus parágrafos, afirma que o conceito de “pessoa jurídica preponderantemente exportadora” previsto no § 1º tem a finalidade de atender prescrições do “caput”, que, por sua vez emana uma regra ao vendedor de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e, nesse caso, se o adquirente for pessoa jurídica “preponderantemente exportadora”, incidem as regras de suspensão de PIS e COFINS para o vendedor, e, por sua vez o § 5º prevê a aplicação de penalidade ao adquirente que der destinação diversa de exportação aos produtos adquiridos com suspensão da incidência do PIS/COFINS, e, em tais casos o adquirente é que 1 Todas as páginas, referenciadas no voto, correspondem ao eprocesso. Fl. 609DF CARF MF 4 está obrigado a recolher as contribuições não pagas ao fornecedor acrescidas de juros e multa de mora, ou de ofício; d) Dos dispositivos em análise, evidenciase que essas regras não são dirigidas ao prestador do serviço de frete, cujos comandos normativos estão insertos no § 6ºA e seguintes do artigo 40 da lei 10.865/2004. O § 6ºA desse artigo estende o benefício da suspensão das contribuições às receitas de frete, sem, no entanto, impor obediência às condições e termos da instrução normativa 595 que foi editada em 27.12.2005, antes, portanto, da vigência das normas que estenderam os citados benefícios fiscais aos serviços de frete estabelecidos pela SRF, sem qualquer penalidade, como o faz para o adquirente (§§ 4º e 5º), tratando apenas da suspensão; e) Ainda, o § 8º estende a suspensão da incidência desses tributos para a hipótese de frete de produtos vendidos à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, a qual não precisa, necessariamente, ter a condição de pessoa jurídica preponderantemente exportadora, sendo que a única exigência é a destinação de exportação; f) Muitas das transações realizadas pelo impugnante subsumem se a essa norma, conforme foi esclarecido às fls. dos autos, em que pretende demonstrar as remessas com o fim específico de exportação, e essas informações não foram desqualificadas pela autoridade fiscal que, ao contrário, no caso das empresas Multigrain S/A e Imcopa Imp. Exp. E Ind. De Óleos S/A foram todas aceitas; g) Disso conclui, que, ainda que não haja apresentação do ADE, o qual, segundo o fisco, comprovaria que os serviços de frete foram prestados para pessoa jurídica preponderantemente exportadora a empresa demonstrou que as tomadoras de serviços são empresas comerciais exportadoras, e que, a mercadoria teve destinação específica para exportação, nos termos do que dispões o § 8º do artigo 40 da lei 10.865/2004, ficando patente que faz jus ao benefício da suspensão da incidência do PIS/COFINS; h) A instrução normativa 595/2005 não regulamenta a suspensão do PIS e da COFINS sobre as receitas oriundas da prestação de serviços de frete, que sejam eles contratados por pessoa jurídica preponderantemente exportadora ou por empresa comercial exportadora. i) O expediente encaminhado pela empresa AWB Brasil Trading S/A e juntado aos autos fls. 239, no qual confirma que é possuidora do ADE, mas que, os serviços prestados pela impugnante não estariam em consonância com a IN 595, ou seja, foram faturados integralmente, deve motivar o fisco a excluir da base de cálculo da presente autuação as receitas oriundas de frete prestado à AWB uma vez que a empresa confirma que é detentora do ADE, pois, caso contrário a autuante estaria contradizendo seus próprios argumentos; j) Além de todas as alegações ora apresentadas, importante deixar registrado que, além das empresas MULTIGRAIN e IMCOPA, possuem ADE AWB BRASIL TRADING S/A, LOUIS Fl. 610DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 4 5 DREYFUSS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA e NOBLE BRASIL LTDA., cabendo acrescentar que o § 1º do artigo 6º da IN 595/2005 prescreve que o ADE referido no “caput” será emitido para o nº do CNPJ matriz e aplicase a todos os estabelecimentos da requerente; k) Que é cabível no presente caso, a redução da multa de ofício aplicada de forma exorbitante de 75%, discorrendo longamente sobre o princípio do não confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal, transcrevendo ementas do STF, requerendo a redução da multa de ofício para 20%; l) Requer a juntada posterior de documentos em face do volume exagerado desses documentos, que ilustram os argumentos expostos; m) Requer ainda perícia contábil indicando o assistente técnico e quesitos. Sobreveio, então, o acórdão da DRJ/Campo Grande, cuja ementa é transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. MULTA DE OFÍCIO. A análise de inconstitucionalidade de leis não pode ser efetuada em sede administrativa, conforme normas vigentes. FRETE INTERNO DE PRODUTO A SER EXPORTADO. Para não incidir a contribuição sobre as receitas de transportadoras decorrentes de frete interno de produto a ser exportado, bem como de frete de suas matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, é necessário que se comprove que o exportador é habilitado junto à Receita Federal como pessoa jurídica preponderantemente exportadora e que se comprove o atendimento aos prérequisitos estabelecidos na legislação vigente. AUTUAÇÃO REFLEXA. PIS. Ao se definir a matéria tributável na autuação da COFINS, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa do PIS, face à relação de causa e efeito existente. A contribuinte, então, irresignada, apresentou recurso voluntário, repisando os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 611DF CARF MF 6 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de junho de 2013, fls. 567, e o recurso foi protocolado em 25 de julho de 2013, fls. 572. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do princípio da anterioridade A Recorrente argumenta, com fundamento no Princípio da Anterioridade, realizando uma interpretação sistemática que a redação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, em sua redação original, introduzido pela Lei nº 11.488/2007, ou seja, antes da alteração pela Medida Provisória n º 428/2008, não vislumbrava a expressão "pessoa jurídica preponderantemente exportadora" e tenta mediante a aplicação do referido princípio que o termo inicial para a exigência da condição "preponderantemente exportadora" deve ser a data de 13 de maio de 2008. Tal argumentação não reflete a realidade fática, vale transcrever abaixo a redação original do artigo 40, da Lei nº 10.865/2004 e a prevista na Lei nº 11.488/2007, que alterou o artigo 40, da Lei nº 10.865/2004: Lei nº 10.865/2004 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Lei nº 11.488/2007 Art. 31. Os arts. 8° e 40 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) "Art. 40. ............................... § 6ºA A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas relativas ao frete contratado no mercado interno para o transporte rodoviário dentro do território nacional de: I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 5 7 § 7º Para fins do disposto no inciso II do § 6°A deste artigo, o frete deverá referirse ao transporte dos produtos até o ponto de saída do território nacional. § 8º O disposto no inciso II do § 6°A deste artigo aplicase também na hipótese de vendas a empresa comercial exportadora, com fim específico de exportação. (grifos não constam no original) § 9º Deverá constar da nota fiscal a indicação de que o produto transportado destinase à exportação ou à formação de lote com a finalidade de exportação, condição a ser comprovada mediante o Registro de Exportação RE." (NR) (grifos não constam no original) É bem verdade que no §6ºA, do artigo 40, da Lei nº 10.865/2004, não se encontrava, na redação original, a expressão "pessoa jurídica preponderantemente exportadora", mas no artigo 40, caput, que, por sua vez, disciplina todos os parágrafos do referido artigo, observase que a suspensão está relacionada às operações com a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, logo, esta situação se apresenta como condição sine qua non para a obtenção do benefício da suspensão. No mesmo sentido, foi a decisão da DRJ/Campo Grande, fls. 557: A aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal que o contribuinte entende deva ser aplicado ao caso, na forma do § 6º do artigo 195 da CF, não pode ser entendida dessa forma, considerando que “caput” do artigo 40 já previa que a suspensão do PIS/COFINS estava condicionada a que a venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem fossem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora, não tendo qualquer lógica que o frete dessas mercadorias não seguissem esse mesmo critério, e, portanto, o parágrafo 6º do artigo 40 da lei 10.865/2004 alterado em 2008 pela MP 428 tem o claro objetivo interpretativo não tendo criado ou modificado tributo, pois, a situação já estava implícita no artigo 40 e seus parágrafos da lei l0.865/2004; Por tal fundamentação, rejeitase a argumentação da Recorrente. 2.2. Artigo 40, da Lei nº 10.865/2004 A Recorrente argumenta que as contribuições sociais não incidem sobre as receitas decorrentes de exportação. Isso implica dizer que os tributos: PIS e COFINS não incidem sobre os serviços de frete de produtos destinados à exportação, ademais, suscita que, in verbis, fls. 583: No caso em tela, o recorrente não teria emitido o documento com a observação de que a venda foi realizada com a suspensão da incidência dos tributos PIS/COFINS e para EXPORTAÇÃO, se o destino fosse outro. Fl. 613DF CARF MF 8 Até mesmo porque, essas informações, constantes dos CTRCs, impediriam (como impedem) os tomadores dos serviços de aproveitar o crédito do PIS/COFINS não cumulativos oriundo dessas transações. Continua demonstrando que o ônus de provar, que os fretes não foram feitos com fim de exportação por empresas preponderantemente exportadoras, seria da fiscalização e não da Recorrente, que o fisco deveria ter diligenciado junto às empresas tomadoras. Ademais, argumenta que não é justo que a Recorrente seja penalizada por atos praticados pelas empresas tomadoras dos serviços, uma vez que acataram a contratação dos serviços com a suspensão da incidência do PIS/COFINS, porque a mercadoria era destinada à exportação. Suscita, ainda, que as penalidades previstas no artigo 40, da Lei n° 10.865/2004, são dirigidas ao adquirente, e não ao vendedor e ao prestador de serviços de frete. Antes de adentrar na análise da penalidade propriamente dita, importante transcrever legislação processual, que orienta sobre o ônus da prova: Lei nº 13.105/2015 Código de Processo Civil Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso em análise, caberia à Recorrente demonstrar que prestou serviços de fretes às empresas preponderantemente exportadoras com o fim específico de exportação. Pela análise das provas, colacionadas à impugnação, fls. 306/545, observase que a Recorrente juntou relatórios de viagens sistemas de transporte que nada provam. Logo, houve deficiência na produção probatória por parte da Recorrente. Quanto à argumentação de que as penalidades devem recair sobre a adquirente, tal alegação é falaciosa, ora, a partir da análise do auto de infração, fls. 6, constata se que há insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS sobre a base de cálculo dos serviços de frete, em atendimento ao artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.685/2004, observase que: Lei nº 10.685/2004 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) Fl. 614DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 6 9 I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não constam no original) No caso, não se trata da suspensão das receitas das tomadoras ou adquirentes, mas o auto de infração se circunscreve às receitas de frete, base de cálculo da obrigação tributária em questão, que, por sua vez, tem como sujeito passivo da relação jurídica tributária, a Recorrente, Transportadora Roma Logística Ltda. Logo, as receitas que deixaram de compor a base de cálculo, originando o lançamento por parte da fiscalização, são as receitas de frete cujo sujeito passivo é a Recorrente, portanto, mantémse a aplicação do artigo 40, § 6ºA, da Lei nº 10.865/2004, não merecendo prosperar a argumentação da Recorrente. 2.3. Instrução Normativa SRF nº 595, de 27 de dezembro de 2005 A Recorrente alega que a IN SRF nº 595, de 2005, não se aplica ao seu caso, pois alega que não há um dispositivo sequer, no bojo da referida Instrução Normativa, que prescreva qualquer comando normativo dirigido às empresas prestadoras de serviço de frete. Que o ADE Ato Declaratório Executivo não deve ser exigido e, caso seja, em um pedido sucessivo, a Recorrente pleiteia que a fiscalização reconheça a suspensão para os seguintes tomadores de serviço: AWB Brasil Trading S/A, Louis Dreyfuss Commodities Agroindustrial Ltda. e Noble Brasil Ltda. Voltase novamente à legislação, anteriormente analisada: Lei nº 10.865/2004 Art. 40. A incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS ficará suspensa no caso de venda de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem destinados a pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) (...) § 6oA. A suspensão de que trata este artigo alcança as receitas de frete, bem como as receitas auferidas pelo operador de transporte multimodal, relativas a frete contratado pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora no mercado interno para o transporte dentro do território nacional de: (Redação dada pela Lei nº 11.774, de 2008) I matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos na forma deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 615DF CARF MF 10 II produtos destinados à exportação pela pessoa jurídica preponderantemente exportadora. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifos não constam no original) Em um exercício de hermenêutica, observase que a suspensão em relação às receitas de frete alcança o contrato realizado com pessoa jurídica preponderantemente exportadora. Conforme, exposto anteriormente, ser pessoa jurídica preponderantemente exportadora é condição sine qua non para a obtenção do benefício em questão no que concerne às receitas de frete. Ora, para que a empresa comprove que é preponderantemente exportadora, a fim de aferir validade legal à sua condição, é que surge a IN SRF nº 595, de 2005, que prevê a habilitação no sistema. Portanto, quando o prestador de serviço de frete contrata com uma empresa e, para que o primeiro seja alcançando pelo benefício tributário da suspensão em suas receitas, ele tem que ter demonstrado que a contratante possui a condição de preponderantemente exportadora, condição que será comprovada por meio do Ato Declaratório Executivo, previsto no artigo 6º, da IN SRF nº 595, de 2005. Logo, a previsão normativa é no sentido de que o contrato de serviço de prestação de serviço de frete seja realizado com uma empresa preponderantemente exportadora, que, por sua vez, comprovará tal situação, apresentando o Ato Declaratório Executivo. No caso em análise, o período de apuração é de 31 de julho de 2007 a 31 de dezembro de 2008. A empresa foi autuada em relação às seguintes empresas, que em consulta ao sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal2, há uma lista das pessoas jurídicas habilitadas ao regime de suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos por pessoa jurídica preponderantemente exportadora, conforme a Instrução Normativa SRF nº 595/2005: Empresa Data da publicação do ADE AWB BRASIL S/A 21.07.2008 LOUIS DREYFUSS COMODITIES AGROINDUSTRIAL LTDA 24.07.2007 NOBLE BRASIL LTDA 06.07.2010 Em relação às operações com a Louis Dreyfuss Comodities Agroindustrial Ltda, que tem o ADE desde 24.07.2007, os lançamentos devem ser excluídos, pois ela se enquadrava na condição de preponderamente exportadora durante o período de autuação. Já em relação à AWB Brasil S/A, os operações devem ser excluídas a partir de 21.07.2008 e no que concerne à Noble Brasil Ltda devem ser mantidas. 2.4. Da multa de ofício A Recorrente alega que há inaplicabilidade na multa imposta de 75% sobre o valor do tributo supostamente devido, discorrendo sobre a posição doutrinária a respeito da referida multa e alegando violação ao princípio do não confisco e pleiteia que ela seja de 20% sobre o valor do tributo exigido. 2 Disponível em: <http://idg.receita.fazenda.gov.br/acessorapido/legislacao/pessoasjuridicashabilitadase coabilitadas/relacaodaspjsin5952005.pdf>, acesso em: 29 ago. de 2017. Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10183.723735/201129 Acórdão n.º 3302004.658 S3C3T2 Fl. 7 11 Tal argumentação não merece prosperar, a legislação é clara, quando preceitua no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, que: Lei nº 9.430/1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; No caso em análise, houve lançamento de ofício por parte da fiscalização. Ademais, não se pode analisar constitucionalidade de leis sob pena de violação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Pelo exposto, rejeitase a argumentação. 2.5. Dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório A Recorrente alega que houve violação dos princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório, pois não foi deferida a perícia pela DRJ/Campo Grande. No caso em análise, observase que não há necessidade de realização de perícia para a elucidação da lide, sendo de livre convencimento do julgador, vide legislação abaixo: Decreto nº 70.235/1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ela alega que deveria ter sido realizado perícia sobre o CTRC Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas. Ocorre que, pela análise das provas, colacionadas à impugnação, fls. 306/545, observase que a Recorrente juntou relatórios de viagens sistemas de transporte que nada provam. Portanto, rejeitamse os argumentos de violação de princípios constitucionais. Ademais, ao CARF não é permitida a análise de constitucionalidade de leis, sob pena de violação da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e concedo provimento parcial para excluir os lançamentos das operações com a Louis Dreyfuss Comodities Fl. 617DF CARF MF 12 Agroindustrial Ltda e das operações com a AWB Brasil S/A, com esta última empresa somente a partir de 21.07.2008. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 618DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900858/2012-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.890
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
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PIS/COFINS. Recorrente DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 02045.465, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 08 58 /2 01 2- 58 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10665.900858/201258 Acórdão n.º 3301003.890 S3C3T1 Fl. 3 2 localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, tempestivamente, conforme relatado na decisão recorrida, alegando, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, porém segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito nãocumulativo devido seria inferior ao efetivamente recolhido, resultando um saldo a ser compensado no PerDcomp; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; Requerendo, ainda, o acolhimento da manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.883, de 29 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10665.900851/201236, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.883): "O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10665.900858/201258 Acórdão n.º 3301003.890 S3C3T1 Fl. 4 3 O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10665.900858/201258 Acórdão n.º 3301003.890 S3C3T1 Fl. 5 4 Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário foi apresentado em 22/08/2013, e a data da ciência da decisão da DRJ, por decurso de prazo, também ocorreu em 19/07/2013. Comprovado está que também nestes autos o recurso voluntário foi apresentado após o prazo de 30 dias, portanto, intempestivamente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900258/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.683
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 58 /2 01 3- 11 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.717, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.900258/201311 Acórdão n.º 3301003.683 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901548/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal.
Numero da decisão: 1402-002.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO FISCAL. COMPROVAÇÃO CERTA E LÍQUIDA DO INDÉBITO. NÃO CONFIGURAÇÃO. A comprovação deficiente do indébito fiscal ao qual se deseja compensar ou ter restituído não pode fundamentar tais direitos. Somente o direito creditório comprovado de forma certa e líquida dará ensejo a compensação e/ou restituição do indébito fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 15 48 /2 00 9- 65 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra despacho decisório da DRF que não reconheceu direito creditório de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), não homologando as compensações com base no valor pretendido. A interessada apresentou PER/Dcomp informando disponibilidade de crédito em seu favor, derivada do pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de CSLL, efetuado por Darf. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão da DRF e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade. A contribuinte alega a existência de pagamento a maior do tributo. Sustenta que as divergências foram devidas a erro no preenchimento da DCTF: as informações de recolhimentos de IRPJ e CSLL não foram relacionadas no trimestre de sua competência e sim em outro trimestre. Acrescenta que a DIPJ também não relacionou, equivocadamente, os pagamentos por estimativa. Reconhece que haveria que se retificar a DCTF e DIPJ. A manifestação de inconformidade restou julgada improcedente, não lhe reconhecendo o direito creditório. Essencialmente, o contribuinte não teria apresentado provas do erro alegado e admitido pelo contribuinte, na forma dos arts. 15 e 16, § 4°, do Decreto 70.235/72, posto que o Darf foi utilizado inicialmente para quitar débito, em princípio devido até que se provasse o contrário , de estimativa. Inconformada com tal entendimento, interpôs Recurso Voluntário a este Conselho alegando, principalmente com base no Princípio da Verdade Material, que o equívoco do contribuinte não pode resultar na supressão de seu direito creditório, e que não há amparo legal para a negativa de seu pleito. Não foram apresentadas Contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.628, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 1040.900104/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.628): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 4 3 MÉRITO Ainda que o contribuinte não tenha explicitado em seu Recurso, considerando que recolhe IRPJ e CSLL por estimativa mensal, concluise que apure tais tributos pelo lucro real anual. Nos termos do art. 10 da IN SRF nº 460/2004 e art. 10, da IN SRF nº 600/2005, “a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” Ou seja, durante a vigência de ambas as instruções normativas, não era permitido, mesmo por PER/DCOMP, utilizarse diretamente de créditos decorrentes de pagamento com DARF em valores indevidos ou maior do que o devido. Essa situação perdurou até o advento da IN RFB 900/2008, que revogou a IN SRF 600/2005 e não trouxe, em seu bojo, a vedação contida na instrução normativa revogada, de tal forma que, a partir de sua vigência, poderia o contribuinte optar em realizar, de imediato, a compensação de DARF pago a título de IRPJ ou CSLL por estimativa de forma indevida ou maior do que a devida e/ou, a seu critério, aguardar o ajuste na DIPJ, de tal forma que os valores recolhidos a maior compusessem o seu saldo negativo de IRPJ ou CSLL. As instruções normativas posteriores – IN RFB 1.300/2012 e alterações posteriores, que tratam da compensação, mantiveram a possibilidade inaugurada com o advento da IN RFB 900/2008. Para por fim a quaisquer dúvidas, foi expedida a Solução de Consulta Interna nº 19 COSIT, que pacificou o seguinte entendimento: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 5 4 A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fixada a premissa que o contribuinte poderia apresentar PER/DCOMP em razão de pagamento indevido ou maior do que o devido de IRPJ ou CSLL por estimativa, passase a análise de certeza e liquidez dos créditos. A DRF responsável pela análise do PER/DCOMP e emissão do despacho decisório respectivo não questionou a existência do DARF e o seu recolhimento. Apontou, contudo, que o referido DARF teria sido integralmente utilizado para o pagamento da própria estimativa informada como devida e, desta forma, não haveria saldo para a compensação pleiteada pelo contribuinte ou, em alguns casos, reconheceu o pagamento a maior, homologando a compensação até o limite do crédito confirmado. O contribuinte reconhece, notadamente em sua impugnação, que cometeu erros nas informações prestadas em DCTF, embora não esclareça quais, bem como que não informou, nem em DCTF, nem em DIPJ, os recolhimentos das estimativas. Não é possível, à míngua de provas, especular qual seria o erro do contribuinte nas informações prestadas em DCTF. Contudo, a informação de que não teria informado, em DIPJ, os recolhimentos das estimativas, denota que é possível que mesmo no ajuste anual não tenha apurado os saldos negativos de IRPJ e CSLL que faria jus, os quais seriam, nos termos da legislação, passíveis de compensação com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, exceto previdenciários. Mesmo com a decisão da DRJ em mãos, o que possibilitou a apresentação de recurso voluntário dirigido a este Conselho, o contribuinte não apresentou documentos que pudessem dar a este Julgador elementos para aferir se, de fato, ele possui créditos líquidos e certos passíveis de compensação que pudessem justificar uma mudança no teor da decisão recorrida. Não foi apresentado, por exemplo, uma memória de cálculo com a apuração mensal das estimativas devidas, correlacionadas com os DARF’s pagos e, ao final do período de apuração, o fechamento do valor devido a título de IRPJ e CSLL, em linha com a DIPJ apresentada, para que se pudesse aferir que as estimativas recolhidas durante o ano pudessem ser em valor maior do que os tributos devidos e, assim, verificar a existência de saldo negativo passível de compensação. Desta forma, como não foi possível aferir a liquidez e certeza dos créditos oferecidos à compensação, pressuposto para a homologação (art. 170, CTN), pela inexistência de documentos Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11040.901548/200965 Acórdão n.º 1402002.638 S1C4T2 Fl. 6 5 que pudessem comprovar o quanto alegado pelo contribuinte, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão de primeira instância e a não homologação das compensações declaradas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 60DF CARF MF
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Numero do processo: 19740.000051/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PROVA. REVALORAÇÃO. LEGITIMIDADE. DEVOLUÇÃO AMPLA.
No que pese a decisão de primeira instância ser favorável ao sujeito passivo, se diante da nova apreciação das provas em segunda instância restar evidente que as condutas do contribuinte foram no sentido oposto do que prevê a legislação fiscal, é dever e não faculdade do novo julgador decidir pela reconstituição do lançamento, ainda mais diante de realização de diligência da delegacia de origem reforçando a necessidade da revisão. O recurso de oficio devolve toda a matéria para o Colegiado "ad quem", o que legitima ainda mais o reexame do conteúdo probatório contido no processo.
Numero da decisão: 1402-002.602
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a base tributável do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 131.151,16 para o 3º trimestre de 2003 e R$ 9.969.510,59, para o 4º trimestre de 2003; e restabelecer a base tributável do PIS e da Cofins nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 nos valores de R$ 131.151,16; R$ 491.592,22; R$ 2.287.958,51 e R$ 7.189.959,86 respectivamente.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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DE TIT. e VALORES. MOBILIÁRIOS S/A (em liquidação) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PROVA. REVALORAÇÃO. LEGITIMIDADE. DEVOLUÇÃO AMPLA. No que pese a decisão de primeira instância ser favorável ao sujeito passivo, se diante da nova apreciação das provas em segunda instância restar evidente que as condutas do contribuinte foram no sentido oposto do que prevê a legislação fiscal, é dever e não faculdade do novo julgador decidir pela reconstituição do lançamento, ainda mais diante de realização de diligência da delegacia de origem reforçando a necessidade da revisão. O recurso de oficio devolve toda a matéria para o Colegiado "ad quem", o que legitima ainda mais o reexame do conteúdo probatório contido no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a base tributável do IRPJ e da CSLL no montante de R$ 131.151,16 para o 3º trimestre de 2003 e R$ 9.969.510,59, para o 4º trimestre de 2003; e restabelecer a base tributável do PIS e da Cofins nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro de 2003 nos valores de R$ 131.151,16; R$ 491.592,22; R$ 2.287.958,51 e R$ 7.189.959,86 respectivamente. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 00 51 /2 00 8- 61 Fl. 1152DF CARF MF 2 Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.153 3 Relatório Adoto a seguir, integralmente, o relatório do Acórdão de Impugnação nº 12 20.460, julgado pela 2ª Turma da DRJ/RJOI, em 14 de agosto de 2008. "Questionamse exigência de oficio do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 2.584.864,03, fls. 215, do PIS, R$ 67.518,44, fls. 220, da COFINS, R$ 415.498,23, fls. 225 e da Contribuição Social s/ o Lucro Líquido, R$ 934.871,04, fls. 230, relativamente aos meses calendário de setembro a dezembro de 2003, acrescidos de penalidade de ofício qualificada (150%), e juros moratórios SELIC. 2.Fundamentaram as exações omissões de receita, assim considerados os valores recebidos por agenciamento, mediante contrato entre o contribuinte, ex TURFA DTVM, e DILLON DTVM, intermediária em operações de compra e venda de títulos públicos, fls. 208. 2.1.De acordo com a fiscalização, caso as operações tivessem ocorrido por conta e ordem de outros comitentes, clientes da EURO, estes figurariam como comitentes e beneficiários dos TED, emitidos por conta e ordem da DILLON, na liquidação de cada operação. 2.1.1.Segundo a mesma fiscalização, o contribuinte não apresentou os documentos que lhes foram solicitados porque não logrou comprovar a contabilização e/ou sua destinação aos beneficiários finais das receitas obtidas nas operações realizadas por intermédio da DILLON, embora toda a documentação tenha indicado como beneficiária dos ganhos obtidos a EURO DTVM., fls. 208. 3.Intimado e reintimado, o sujeito passivo alegou que, fls. 394, por força de Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPIM), e investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), conforme certidão de 23.05.2007, fls. 367, do mesmo MPF, grande parte dà documentação não se encontrava disponível. 4.Em resposta a oficio encaminhado pela DEINF, em 06.07.2007, o MPF informa que os livros contábeis não se encontram acautelados na unidade, fls. 362. 5.Como fundamento da penalidade qualificada a fiscalização alegou impedimento ao conhecimento da ocorrência do fato gerador originário dos créditos tributários objetos destes autos, fls. 211. 6.Cientificado das exigências em 03.03.2008, fls. 203, o sujeito passivo contra elas se insurge com a impugnação de fls. 335/340 e documentação que foi anexada, inclusive 18 conjuntos relacionados aos valores considerados receitas omitidas, integrantes do Termo de Verificação fiscal, fls .407, através dos quais alega, em síntese: 6.1. trataremse de operações de conta alheia e que os valores efetivamente recebidos de comissões na intermediação dos negócios apresentados e encaminhados pela UP2 Fl. 1154DF CARF MF 4 — Assessoria e Serviços Ltda., foram oferecidos à tributação, conforme DIPJ do período, art. 36 da Lei n° 9.748/99; 6.1.2. os documentos juntados comprovam que os valores recebidos pela requerente da DILLON DTVM S/A, deduzida a comissão, eram de titularidde jurídica UP2 Assessoria e Serviços Ltda. Tais valores foram repassados a pesssoas indicadas por esta através de correspondências. 6.3 Em cada conjunto há: a) carta da UP2 indicando o valor da comissão devida a EURO e os reais beneficiários dos rendimentos produzidos na operação; b) as transferências bancárias (TED) efetuadas pela impugnante em favor dos beneficiários indicados pela UP2, e c) os DARF's do IRFONTE sobre o montante pago a UP2 a título de mediação e apresentação de negócios, conforme art. 651, I do RIR/99. 7. Finalmente, quanto à penalidade qualificada, alega que a simples não apresentação de escrituração contábil não pode ser considerada conduta dolosa. Mesmo porque sua ausência não evita a imposição tributária através do arbitramento de resultados." Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Em 1ª instância as alegações da fiscalizada prosperaram e o lançamento foi julgado improcedente, motivo pelo qual cabe, neste momento, a análise apenas do Recurso de Ofício e não de Recurso Voluntário. Conheçase a ementa desta decisão: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 PRESSUPOSTOS DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Ante a documentada verdade factual insustentável exigência tributária estribada na presunção de sua imaterialidade. Em virtude do julgamento favorável ao contribuinte, a DRJ recorreu de ofício a este Conselho. Não há contrarrazões por parte da PGFN. Em janeiro/16 esta turma propôs, em Resolução, a conversão do julgamento em diligência, à vista de duas realidades, uma envolvendo a empresa DILLON DTVM, que foi objeto da fiscalização e outra, envolvendo a empresa UP2 Assessoria e Serviços Ltda., que só veio à lume por ocasião da impugnação aos autos de infração lavrados, nos documentos apresentados pela EURO DTVM, anexos à impugnação. Desta forma, os autos baixaram em diligência e retornaram com a adição dos documentos de fls. 967 a 1.117 e a manifestação fiscal de fls. 1.118 a 1.148. A Fiscalização, para a consecução das diligências solicitadas, encaminhou correspondência aos beneficiários indicados pela UP2. Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.154 5 Às fls. 980 e seguintes, o advogado Sylvio Augusto Regalla Júnior, OAB/RJ 102.238, bem como o Sr. Jaime Nader Canha, Administrador Judicial, informaram a existência de sentença de declaração da falência da Recorrente e a impossibilidade de responder aos questionamentos formulados para cumprimento da diligência. A partir da fl. 985 até a fl. 1102, estão os termos de intimação fiscal formalizados pela Fiscalização, endereçados aos beneficiários indicados pela UP2, bem como as respostas desses beneficiários ou o retorno da correspondência sem entrega, por não terem sido localizados os destinatários no endereço informado. Por fim, entre as fls. 1118 e 1148, a Fiscalização apresenta o seu Relatório de Diligência Fiscal. É o relatório. Fl. 1156DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Conforme relatado, existem duas realidades apresentadas pelo Contribuinte no presente processo. A primeira envolve a empresa DILLON DTVM, com quem manteve contrato de intermediação de compra e venda de valores mobiliários. De posse desta informação a fiscalização procedeu diligencias e, com base em ampla investigação também realizada nesta empresa, lavrou o presente Auto de Infração. A segunda realidade envolve a empresa UP2 Assessoria e Serviços Ltda. (CNPJ 04.926.252|000105), que surge somente na fase de impugnação do Auto de Infração, com quem o sujeito passivo teria celebrado Consórcio de Participação, Apresentação e Encaminhamento de Negócios (fls. 469 e seg.). Ao informar esta segunda realidade, o sujeito passivo juntou 18 (dezoito) cartas da UP2 solicitando o pagamento por conta e ordem a diversas pessoas físicas e jurídicas, e para cada carta, um conjunto de documentos contendo – especialmente – os comprovantes de TED bancários para cada uma dessas pessoas físicas e jurídicas mencionadas. À vista dos documentos apresentados, a DRJ/RJOI, através de sua 2ª Turma, concluiu que “conforme o atesta a própria fiscalização, esta dispunha dos elementos necessários à apuração das operações entre a DILLON DTVM S/A e o contribuinte, não havendo quaisquer indícios de fraude, dolo ou simulação nos contratos nos quais, aliás, se ampararam os lançamentos”, julgou que “a sustentabilidade factual dos atos declaratórios e peças acusatórias objetos desta lide carecem de fundamento material, declarando “improcedentes os lançamentos”. Contudo, examinando os documentos que suportaram a improcedência do Auto, mesmo por amostragem, notouse a existência de divergências e inconsistências, ao meu ver, relevantes. Em primeiro lugar, não há no processo notícia de que houve qualquer diligencia na UP2, tão pouco em relação as diversas pessoas físicas e jurídicas mencionadas nas cartas e nas operações bancarias. Aliás, consultando a Certidão de Regularidade Fiscal da UP2, verificase que a mesma foi considerada INAPTA e baixada de ofício com base no art. 54 da Lei 11.941/2009, justamente no final do exercício da lavratura do Auto de Infração (dez 2008). Examinando as transferências bancárias (TED) do sujeito passivo para as pessoas indicadas pela UP2 também há inconsistências. Por exemplo, nas fls. 634, o CNPJ indicado na TED enviada ao ESCRITORIO JURIDICO AVERPACH consta como inválido no sistema da Receita Federal, o mesmo acontece com os CPF's indicados nas TED supostamente enviadas aos Sr. GUILHERMO M BERENGUA e SERGIO MONTEIRO, nos docs. de fls. 760 e 519, respectivamente. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.155 7 No documento de fls. 757 é possível constatar que o CNPJ constante na TED se refere a razão social diversa daquela indicada pelo sujeito passivo. Em muitos casos também, o valor da TED não confere com o valor indicado na carta da UP2 e, consequentemente, do auto de infração. Isso acontece, por exemplo, nos documentos de fls. 484, 485, 496, 503, 517 e vários outros em que os valores são sempre superiores. Nesses TED's há mera indicação lateral manuscrita, de pessoa não identificada, referindo que o excedente se trata simplesmente de “outra operação”, sem esclarecer quais outras operações seriam essas, por meio de documentos que razoavelmente suportem a afirmação. Finalmente, o relatório integrante do auto de infração, conforme acima relatado, dá notícia de que o procedimento teve origem em oficio do BACEN, decorrente de investigação de irregularidade tramitada naquele órgão em relação ao Contribuinte. Contudo, tal oficio não foi encontrado nos autos, tão pouco há notícia de qual foi a conclusão do procedimento lá ocorrido, o que, em minha opinião, pode ser relevante para este processo, especialmente em relação as pessoas mencionadas aqui. Quanto a isso, observo que o sujeito passivo foi também convocado para esclarecimentos junto a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, que ele mesmo usa como justificativa pela não apresentação da documentação solicitada pela Receita Federal na fase procedimental. Por tudo isso, especialmente pela falta de investigação mais detalhada quanto aos documentos e informações trazidos pelo Contribuinte em sede de Impugnação, esta Turma acolheu meu voto pela conversão deste julgamento em diligencia (fls. 957/961), para que a Unidade de Origem verificasse: a) a consistência dos documentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação administrativa, notadamente os comprovantes bancários e informações fiscais deles decorrentes (nomes citados, CNPJs, CPFs etc); b) a existência e regularidade da empresa UP2 à época da ocorrência dos fatos geradores, notadamente as informações contábeis e fiscais relacionadas aos pagamentos feitos por sua conta e ordem, em relação ao sujeito passivo e demais pessoas mencionadas pelo Contribuinte, no anocalendário de 2003. c) poderá ainda a autoridade fiscal apresentar esclarecimentos que julgar úteis e necessários para a melhor análise dos fatos. d) ao final do procedimento, deverá a autoridade fiscalizadora cientificar o sujeito passivo do resultado da diligencia para que, querendo, se manifeste em 30 (trinta) dias, com fundamento no artigo 35, parágrafo único, do Decreto 7.574|2011. Examinando o relatório de diligência produzido, restou evidenciado que vários beneficiários apontados pelo contribuinte como beneficiários das transferências determinadas pela UP2 não reconheciam ter recebido os valores apontados em planilha pelo contribuinte (fls. 972 a 979). Apenas para ilustrar, considerando os “beneficiários” que receberam a intimação da Fiscalização e a responderam, às fls. 991 e seguintes, a Televisão Tibagi Ltda Fl. 1158DF CARF MF 8 informou que não recebeu qualquer depósito, direta ou indiretamente originário da Euro DTVM; da mesma forma, Enio José da Silva, às fls. 1059 e seguintes, informa que desconhece a Euro DTVM, assim como a UP2, que nunca recebeu transferência bancária originária dessas empresas e que nunca fez aplicações financeiras por compra e venda de títulos públicos ou privados; Berkana Travel Tours Ltda, às fls. 1036 e seguintes, informa que não logrou êxito em encontrar, em seus arquivos, indícios de que a Euro DTVM tenha realizado depósito em seu favor na conta corrente indicada pela fiscalização. Da mesma forma, há “beneficiário” que reconhece a titularidade da conta corrente informada, que informam a realização de operação cambial, mas desconhecem a Euro DTVM ou a UP2, como o caso de Tania Baars de Miranda, conforme documento de fls. 1092 e seguintes; outro “beneficiário” reconhece a conta, informa ter recebido alguns valores do exterior, destinados a seu companheiro, mas que o devolveu, uma vez que o valor teria sido transferido equivocadamente, uma vez que a intenção era um depósito de US$ 200,00 (duzentos dólares americanos) e, em verdade, foi realizado o depósito de US$ 20.000,00 (vinte mil dólares americanos), como é o caso de Cléria Ferreira dos Santos, conforme documentos de fls. 1079 e seguintes. Além dessas situações pitorescas, muitas das intimações não foram recebidas pelos destinatários, uma vez que não foi encontrado o endereço (documentos de fls. 1020 a 1030, referentes a três supostos beneficiários); outras foram entregues nos endereços, mas os beneficiários não retornaram para a Fiscalização. Merece destaque, ainda, a situação da empresa Morro dos Anjos LLF Agropecuária EIRELI EPP, CNPJ 05.170.070/000101, beneficiária de diversas transferências conforme informação da UP2 (fls. 987 e seguintes). A Fiscalização, diligenciando os comprovantes de envio de TED, constatou que apenas um, no importe de R$ 1.634.504,00, de 26.11.2003, tinha a autenticação bancária. Intimada a prestar as informações para a Fiscalização, respondeu que o sócio, Sr. Lucio Bolonha Funaro encontravase em prisão preventiva em Brasília e, por ser uma EIRELI, não foi possível prestar quaisquer esclarecimentos. De se observar que a referida empresa era a beneficiária de 50% do total de valores utilizados como base de cálculo da tributação no auto de infração impugnado, conforme atestou o i. agente fiscal em seu Relatório (fls. 1125), parte final. Por fim, a fiscalização, em seu Relatório, buscou informações acerca das demais pessoas jurídicas apontadas como beneficiárias dos repasses da Euro DTVM, por determinação da UP2. Em todas confirmou a inexistência de informação das mesmas como beneficiárias nas DIRF’s pesquisadas. Pesquisou, ainda, empresas que tinham sido beneficiárias de valores determinados pela UP2, constatando, em todos os casos, que os CNPJs em questão ou estavam baixados ou inaptos. A conclusão que se pode ter, a partir das informações e documentos anexados em razão da Diligência no presente feito é que as transferências realizadas pela Euro DTVM, por solicitação da UP2, não ocorreram de fato. No entanto, alguns dos “beneficiários”, em resposta às intimações, reconheceram as operações e, salvo melhor juízo, não há como desconsiderar a assunção desses recebimentos por parte deles. Por estas razões, encaminho meu voto no sentido de reconhecer apenas a realização de operações pela Euro DTVM, por determinação da UP2, para os beneficiários que reconheceram terem recebido os valores informados, a saber: Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 19740.000051/200861 Acórdão n.º 1402002.602 S1C4T2 Fl. 1.156 9 J C Carvalho Construções Ltda. – ME, CNPJ 30.190.482/000150 – R$ 33.745,50; Agência de Viagens e Turismo Clássico Ltda – ME, CNPJ 27.187.848/000128 – R$ 88.500,00; Tecnoeste Máquinas e Equipamentos Ltda., CNPJ 03.795.465/000174 – R$ 52.400,00; Elmo José dos Santos, CPF 411.934.23791 – R$ 43.710,00; e, Eron Mattos, CPF 109.362.62753 – R$ 50.438,90 e R$ 18.000,00. Quanto às demais operações, tendo em vista a falta de resposta por parte dos beneficiários intimados ou a negativa de realização das operações informadas, reformo a r. decisão de primeira instância, mantendo os créditos tributários respectivos, nos moldes do auto de infração. Mantenho, por fim, a decisão de piso em relação à multa qualificada imposta pela Fiscalização, uma vez que, mesmo o contribuinte não tendo respondido e apresentado todos os documentos solicitados no decorrer da fiscalização, seria possível, mesmo na falta desses elementos, a fiscalização lavrar a autuação, como de fato o fez. Ademais, conforme já decidido reiteradamente por este Conselho, a mera omissão de receitas não caracteriza, por si só, a qualificação da multa de ofício. Ante ao exposto, dou parcial provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a base tributável do auto de infração, no montante total de R$ 10.100.661,75, sendo: IRPJ/CSLL R$ 9.969.510,59 relativo ao 4o. trimestre/2003, e; R$ 131.151,16 relativo ao 3o. trimestre/2003, nos termos da fundamentação. PIS/COFINS a totalidade das bases tributáveis dos meses de outubro/2003 e novembro/2003, ou seja: R$ 491.592,22 e 2.287.958,51, respectivamente; bem como o montante de R$ 131.151,16 relativo ao mês de setembro/2003, e; R$ 7.189.959,86 relativo ao mês de dezembro/2003. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 1160DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.003341/2004-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes.
DIRF. INFORMAÇÃO FONTE PAGADORA. VALIDADE.
Tendo sido trazida informação aos autos, durante procedimento de diligência, especificada e discriminada com base em registros da fonte pagadora, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que o valor recebido fora diverso mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto.
Numero da decisão: 2202-003.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.100,00; e b) excluir da infração de omissão de rendimentos o valor de R$ 1.616,58, reconhecendo o valor de R$ 1.711,96 como o total do imposto de renda retido na fonte, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Márcio Henrique Sales Parada - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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COMPROVAÇÃO. Apresentados os documentos comprobatórios nos termos da legislação, deve ser restabelecida a dedução das despesas médicas com o titular e com os seus dependentes. DIRF. INFORMAÇÃO FONTE PAGADORA. VALIDADE. Tendo sido trazida informação aos autos, durante procedimento de diligência, especificada e discriminada com base em registros da fonte pagadora, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que o valor recebido fora diverso mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para: a) afastar a glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$ 7.100,00; e b) excluir da infração de omissão de rendimentos o valor de R$ 1.616,58, reconhecendo o valor de R$ 1.711,96 como o total do imposto de renda retido na fonte, vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que dava provimento parcial ao recurso em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 33 41 /2 00 4- 09 Fl. 284DF CARF MF 2 Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. (assinado digitalmente) Márcio Henrique Sales Parada Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito de IRPF. Intimada, ela apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente. Ainda inconformada, interpôs Recurso Voluntário, que levou à conversão dos autos em diligência. Realizada esta, retornam os autos para continuidade do julgamento. Em 25/05/2004 foi formalizado Auto de Infração (fls. 7/14) para constitui IRPF suplementar em função da identificação de: · Omissão de parte dos rendimentos recebidos da pessoa jurídica Petróleo Brasileiro S.A. PETROBRÁS, decorrente de parte trabalho com vínculo empregatício e parte de trabalho sem vínculo empregatício; · Dedução indevida com dependentes em virtude do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação que comprovasse a dependência e o mesmo não compareceu à SRF para prestar esclarecimentos; · Dedução indevida a título de despesas médicas em virtude do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação que comprovasse a dedução e o mesmo não compareceu à SRF para prestar esclarecimentos; e · Dedução indevida do imposto não prevista na legislação. Intimada do lançamento em 09/07/2004 (fl. 26), a Contribuinte apresentou Impugnação em 09/08/2004 (fls. 2/4 e docs. anexos fls. 5/6). pelo acórdão DRJ nº 1121.171, de 13/12/2007 (fls. 63/72), que julgou o lançamento procedente em parte, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso to anocalendário. Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 285 3 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, apenas as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. GLOSA DE REDUÇÃO DE IMPOSTO A TÍTULO DE INCENTIVO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 SALDO DO IMPOSTO A PAGAR DECLARADO. Deve ser excluído do crédito tributário apurado o valor do saldo do imposto a pagar declarado pelo contribuinte. Lançamento Procedente em Parte. Intimada em 11/01/2008 (fl. 77), a Contribuinte protocolou Recurso Voluntário em 31/01/2008 (fls. 78/83 e docs. anexos fls. 84/110), argumentando, em síntese: · Que, apresentou documentação idônea e hábil a comprovar as despesas médicas; · Que há erro de cálculo no acórdão recorrido, especificamente no tocante aos rendimentos recebidos da PETROBRÁS; e · Que a Lei nº 11.488/2007 impede a aplicação da multa de ofício de 75%, limitando apenas à cobrança da multa moratória de no máximo 20%. Chegando ao CARF, foi proferida a Resolução nº 220200.155 (fls. 204/209), de 11/04/2011, determinando a conversão em diligência para que a Petrobrás prestasse esclarecimento de fatos. Intimada, a empresa prestou informações (fls. 227/228 e docs. anexos fls. 224/225 e 229/242). Intimada da diligência em 16/05/2016 (fl. 245), a Contribuinte protocolou Manifestação em 25/05/2016 (fls. 246/254 e docs. anexos fls. 255/276). As fls. 112/203 são repetição com algumas falhas das fls. 01/111. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Dispositivo: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Despesas médicas: No auto de infração, a autoridade lançadora afirmou, apenas, que: "Dedução indevida a título de despesas médicas em virtude do contribuinte ter sido intimado a apresentar documentação que comprovasse a dedução e o mesmo não compareceu à SRF para prestar esclarecimentos dedução mantida: Golden Cross." fl. 12 No "Demonstrativo das Alterações na Declaração de Ajuste Anual", ficou consignado que o valor original da dedução de despesas médicas era de R$ 12.294,27, tendo sido reduzido para R$ 3.850,85. Diante da identificação dessa infração, a Contribuinte alegou que apresentou, em sede de impugnação, documentação hábil e idônea a comprovar as despesas médicas, razão pela qual pleiteia o afastamento dessas glosas. Analisando a questão, a DRJ afirmou que: "Em relação ao recibo de fls. 20 [fl. 22 do eprocesso], emitido pela Sra. Eliete P. Cândido, psicóloga, no valor de R$ 7.000,00, datado de 28/12/2001, e com indicação de endereço, verificase que o referido documento contém os requisitos básicos previstos no inciso III do §2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, acima transcrito. No entanto, por força do disposto no §3º do art. 11 do Decreto Lei nº 5.844/1943 (art. 73 do Decreto nº 3.000/1999, Regulamento do Imposto de Renda), outros elementos devem ser apresentados pelo contribuinte, a fim de justificar a dedução pleiteada em sua declaração, quando necessário à comprovação da verdade material: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. No caso em tela, face ao elevado valor despendido, R$ 7.000,00, pago no dia 28/12/2001, entendo ser necessário, além do elemento formal recibo que a comprovação da dedução seja efetuada por meio de outros elementos: (i) prova da efetividade do pagamento, pelo desembolso por parte da contribuinte, e pelo recebimento por parte da profissional, por meio de cheque ou de transferência bancárias, por exemplo; e (ii) prova da efetiva prestação dos serviços." fl. 70; Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 286 5 Em outras palavras, a autoridade lançadora admite que o recibo preenche os requisitos legais e não lhe contesta a idoneidade. Compulsando ainda mais os autos, percebese que na intimação ocorrida durante a fiscalização (fl. 44) a autoridade fiscalizadora pediu, simplesmente, para apresentar "comprovantes de despesas médicas". Não consta ali exigência de comprovação da forma como foi efetuado o pagamento, mas apenas a comprovação da despesa. Ora, resta claro que a autoridade julgadora de 1ª instância inovou, estabelecendo critério novo, não insculpido no auto de infração. O que é mais, percebese que se for acrescentado esse valor de R$ 7.000,00 ao montante já aceito pela autoridade lançadora, alcançase o montante de despesas médicas dedutíveis de R$ 10.850,85, ainda aquém do valor declarado pela Contribuinte em sua DIRPF. Nesse sentido, é necessário dar reformar a decisão recorrida, admitindo como comprovada a despesa de R$ 7.000,00. No tocante à despesa de R$ 100,00, referente ao pagamento a um Sr. Josefino Fagundes da Silva (fl. 22), a autoridade julgadora esclareceu que não poderia ser aceito, vez que o documento não demonstra qual foi a atividade desempenhada pelo emissor do recibo. Para sanar esse problema, a Contribuinte juntou novamente o recibo em sede de Recurso Voluntário, acompanhado dessa vez por receituário médico (fls. 93/94). Registro que, nos termos do art. 16, §4º, 'c', do Decreto nº 70.235/1972, deve ser aceita a prova apresentada após a impugnação quando se destine a contrapor razões trazidas posteriormente aos autos. Comparando ambos os documentos, percebese que têm a mesma data, constando o nome do mesmo profissional com o mesmo número de registro no CRM e assinaturas que parecem iguais. Portanto, ante a a apresentação de recibo indicando o valor da despesa, bem como de outro documento comprobatório da atividade realizada, entendo que restou comprovada a despesa médica. Registrase que a Contribuinte trouxe aos autos recibos de um "Lar São Domingos" (fls. 96/98). Contudo, percebese que os documentos afirmam tratarse de pagamento referente a doação, razão pela qual não podem ser aceitos como comprovação de despesas médicas. Em suma, entendo que restou comprovadas despesas médicas no importe de R$ 7.100,00. Do rendimento pago pela Petrobrás: Com base na DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (fl. 224), a autoridade lançadora concluiu que a Contribuinte recebeu o valor de R$ 21.429,38, com retenção na fonte de R$ 1.934,19, da Petrobrás. Essa informação foi ratificada pela DRJ. Por sua vez, a Contribuinte defende que o lançamento e o acórdão recorrido erraram em relação ao valor pago pela empresa, sendo que o correto seria R$ 14.859,60 e Fl. 288DF CARF MF 6 retenção na fonte de R$ 1.374,00. Buscando comprovar suas alegações, juntou aos autos Declaração fornecida pela própria fonte pagadora (fl. 191). Observando a divergência de informações entre a DIRF transmitida pela empresa e a Declaração de Rendimentos entregue pela empresa à Recorrente, e por essa juntada aos autos, este e.CARF já converteu o julgamento em diligência exatamente para que a fonte pagadora esclareça os fatos. Em resposta à intimação durante a diligência, a fonte pagadora afirmou que: "A busca pelos documentos em nossos arquivos indicou que os relatórios de pagamentos mensais para o ano de 2001, totalizam R$ 19.812,80 em rendimentos tributáveis e R$ 1.711,96 em IRRF. Destacamos que esses pagamentos eram tratados em um processo manual de uma folha de pagamento complementar, para pagamento de pensão por decisão judicial. Sendo assim, alguma falha nos procedimentos manuais devem ter gerado os valores diferentes apresentados nos comprovantes de rendimentos elaborados anteriormente. Os relatórios mensais estão no CD anexo." fl. 227 Efetivamente, impressas as informações constantes no CD (fls. 231/242), percebese que foi pago o valor de R$ 1.616,58 entre janeiro e outubro, de R$ 1.926,96 em novembro e R$ 1.720,04 em dezembro, totalizando o valor de R$ 19.812,80 citado pela empresa. Em sua manifestação, a Contribuinte contestou a informação prestada pela empresa. Anotou que a documentação juntada é mero relatório interno, não tendo condão de comprovar o efetivo pagamento de quaisquer valores. Mais, informou (mas não comprovou) que protocolou perante a instituição financeira solicitação de fornecimento dos extratos bancários para comprovar a verdade material. Pois bem. A verdade é que, nos termos o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, em sua redação vigente à época dos fatos e do lançamento, Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Percebese que a mudança realizada pela Lei nº 11.941/2009 não alterou o sentido da norma, Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 287 7 Em outras palavras, cabe à autoridade lançadora, quando da formalização do auto de infração, instruílo com provas hábeis e idôneas a comprovar a ocorrência da infração constatada. O levantamento dessas provas será realizado ao longo da fiscalização. A fiscalização é, conforme o entendimento que já se consolidou nesse e.CARF, um procedimento inquisitorial, podendo a autoridade fiscalizadora realizar os atos investigatórios que entender necessários, desde que incluídos no âmbito da legalidade e da sua competência. In casu, entendeu a fiscalização ser suficiente intimar a Contribuinte uma vez (fl. 44) intimação essa feita por correio e sem informação quanto à data ou à efetividade da entrega da intimação (fl. 45) a apresentar comprovantes dos rendimentos tributáveis e contratos de prestação de serviços e recibos. A falta de resposta durante a fiscalização não gera, nessas hipóteses, presunção em desfavor da Contribuinte, diferentemente da hipótese da omissão de rendimento caracterizada por depósitos bancários. Ainda que a Contribuinte não tenha ou não tivesse apresentado qualquer resposta durante a fiscalização, a autoridade lançadora poderia ter aprofundado sua investigação, circularizando a investigação e intimando as fontes pagadoras a informar como, quando e quanto foi o valor pago a essa Contribuinte. Aceitou, entretanto, como suficiente o confronto entre a DIRPF e a DIRF, dando maior valor a esta do que àquela. Instaurado o processo administrativo fiscal pela Impugnação, abrese o verdadeiro contraditório, passando a se exigir que a Contribuinte comprove suas alegações ou, em caso de silêncio, admitase como verdadeiro o quanto lançado. Nesse momento, a Contribuinte já trouxe "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte", elaborado pela fonte pagadora (fl. 15). Ora, essa informação, prestada pela própria fonte pagadora, contradiz aquela constante na DIRF (fl. 61). Registrase que a única informação encontrada nos autos referente à DIRF é o "Resumo do Beneficiário" (fl. 61/62), extraído do sistema da Receita Federal em 21/11/2007, no qual consta que a fonte pagadora informou por meio de DIRF Retificadora, entregue em 22/08/2007, ter pago o valor de R$ 21.429,38. Não foram encontrados nos autos a documentação utilizada quando do lançamento, 2004. Havendo desencontro de informações, qual o valor recebido, aquele constante na declaração apresentada pela fonte pagadora à Contribuinte, ou aquele apresentado ao Fisco? Em caso de dúvidas, qual informação vale? A quem cabe o ônus de provar, ao fisco que imputa uma infração sem o benefício da presunção ou ao Contribuinte, que deve se defender? Pareceme suficiente, ao Contribuinte, demonstrar a inverdade ou, ao menos, a insegurança da documentação apresentada pela autoridade lançadora. In casu, tendo este e.CARF já convertido o julgamento em diligência, a fonte pagadora informou ter pago um valor de R$ 19.812,80, diferente e menor do que aquele registrado na DIRF. Portanto, a habilidade da DIRF de comprovar o rendimento está posta em dúvida. Tampouco pode ser aceito como se comprovado fosse, então, o rendimento no valor de R$ 19.812,80. Efetivamente, as informações prestadas pela fonte pagadora se Fl. 290DF CARF MF 8 baseiam tão somente em seus dados internos, registrando o seu dever de pagar, mas não que houve o efetivo pagamento. Em suma, ante à não comprovação da ocorrência da infração, entendo que ser necessário afastar essa infração, reduzindo o valor do rendimento pago para aquele declarado pela Contribuinte. Da multa de ofício: Argumenta a Contribuinte, ainda, pela inaplicabilidade da multa de ofício. Explica que a Lei nº 11.488/2007 revogou a aplicabilidade da multa do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. A verdade é que a referida Lei nº 11.488/2007 alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, afastando algumas das suas hipóteses, mas não a revogou integralmente. Efetivamente, ficou revogada, e.g., a multa de ofício isolada quando do pagamento em atraso sem o acréscimo da multa moratória, o que levou, inclusive, à consolidação da Súmula CARF nº 74. Contudo, a multa de ofício de 75%, nos casos em que declaração inexata foi mantida, como se observa da comparação da redação original e da redação alterada: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; e I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Enfim, tal argumento não pode prevalecer. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a glosa das despesas médicas em relação a R$ 7.100,00, devidamente comprovados, e reduzindo o rendimento em relação à Petrobrás de R$ 21.429,38 para R$ 14.859,60. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Voto Vencedor Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada Redator designado. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10410.003341/200409 Acórdão n.º 2202003.943 S2C2T2 Fl. 288 9 A par das considerações muito bem efetuadas pelo ilustre Relator, Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, peço licença para divergir pontualmente de seu voto no tópico que alude ao "rendimento pago pela Petrobrás", pelas razões a seguir expostas. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, que estabelece as normas para o processo administrativo fiscal, a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, instaura a fase litigiosa do procedimento (arts. 14 e 15). Como registrou em seu voto o Relator, a contribuinte foi intimada previamente (fl. 44) a apresentar os comprovantes de rendimentos tributáveis. Ao longo da fase litigiosa, acima descrita, teve a oportunidade de ampla defesa, nada lhe sendo cerceado. Enfim, foram observados os princípios da ampla defesa, do contraditório e da verdade material, este quando o CARF converteu o julgamento em diligência para que a fonte pagadora esclarecesse os reais valores pagos e o imposto retido. Vejamos que a fonte, neste caso, não tem interesse no tributo que ora se exige da contribuinte. O litígio está posto entre a RFB e a contribuinte. O Relator registrou ainda que a contribuinte "informou (mas não comprovou) que protocolou perante a instituição financeira solicitação de fornecimento dos extratos bancários para comprovar a verdade material". Poderia ter apresentado os extratos, para que se verificasse, ao longo daquele ano, quais valores efetivamente foram depositados pela fonte pagadora em suas contas correntes. Em conclusão, não concordo que haja, no caso, "incerteza" quanto ao lançamento, uma vez que a contribuinte não demonstra onde estaria o "erro" da fonte ao afirmar que (transcrevo do voto do Relator): "A busca pelos documentos em nossos arquivos indicou que os relatórios de pagamentos mensais para o ano de 2001, totalizam R$ 19.812,80 em rendimentos tributáveis e R$ 1.711,96 em IRRF. Destacamos que esses pagamentos eram tratados em um processo manual de uma folha de pagamento complementar, para pagamento de pensão por decisão judicial. Sendo assim, alguma falha nos procedimentos manuais devem ter gerado os valores diferentes apresentados nos comprovantes de rendimentos elaborados anteriormente. Os relatórios mensais estão no CD anexo." fl. 227 Tendo sido trazida esta informação aos autos, entendo que não bastaria à contribuinte alegar que "não recebi esse valor" mas de fato, para ilidir a pretensão do Fisco, comprovar qual seria o valor correto. Porque sendo assim, nenhuma DIRF, entregue por nenhuma fonte, que sempre é baseada naquilo que a empresa registra internamente, teria valor, bastando ao contribuinte alegar que não recebeu. Não se poderia, é verdade, agravar a exigência, caso a fonte estivesse reconhecendo que pagara um valor maior ao informado na DIRF, mas, neste caso, o valor está sendo corrigido para menor. Fl. 292DF CARF MF 10 CONCLUSÃO Em conclusão, concordo totalmente com as disposições do voto do ilustre Relator no que diz respeito às despesas médicas e aplicação da multa de ofício e, divergindo, VOTO no sentido de que seja excluída da infração relativa à omissão de rendimentos recebidos da Petrobrás o valor de R$ 1.616,58 (resultante da operação R$ 21.429,38 menos 19.812,80), reconhecendose ainda o valor de R$ 1.711,96, como o total do imposto de renda retido na fonte. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.001550/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mediante o Acórdão nº 16048.113 11 ª Turma da DRJ/SP1, de 27 de junho de 2013, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 01/12/2007 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto com denominação comercial LUPRANAT MM 103 classificase na NCM 3824.9089. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a reclassificação fiscal realizada com base em Laudo Técnico que RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .0 01 55 0/ 20 08 -2 1 Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 532 2 contenha elementos suficientes para comprovar que o produto examinado se enquadra, inequivocamente, no código tarifário determinado pela autoridade lançadora. QUESTIONAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A inconstitucionalidade da legislação tributária não é matéria jurídica oponível na esfera administrativa. Precedente do Col. Primeiro Conselho de Contribuintes. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Evidenciada a desnecessidade de realização de novas provas periciais, vez que convicto o julgador de sua posição diante dos elementos já presentes nos autos, cabível o indeferimento de pedido de nova perícia, sem caracterizarse cerceamento de defesa. MULTA DE OFÍCIO. Pelo não pagamento dos tributos devidos na data estabelecida pela legislação de regência, cabível a multa de oficio, por tipificar a hipótese do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA TAXA SELIC. Legítima a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3º da Lei nº 9.430/96. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre autos de infração para exigências de Imposto sobre a Importação (II), IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, multas de ofício, multa proporcional de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001) e juros de mora, decorrentes de reclassificação fiscal da mercadorias importadas mediante várias Declarações de Importação. Em procedimento de revisão aduaneira, com base nos laudos nº 0979.02, emitido pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami (PAF 10314.003000/200251) e nº 0459.01, exarado pelo Laboratório de Análises Funcamp (PAF 11128.004419/200371), ambos elaborados a partir de amostras coletadas do produto em análise, constatou a fiscalização que o produto importado LUPRANAT MM103 é uma MISTURA DE REAÇÃO contendo 4,4'diisocianato de difenilmetano e um derivado de 4,4'diisocianato de difenilmetano com grupamentos uretonimine. Segundo a fiscalização, os produtos resultantes de misturas de reação de um mesmo composto orgânico não apresentam entre si uma relação percentual constante para seus elementos, o que os impede de serem considerados como compostos orgânicos de constituição química definida, condição imposta pelo item A das Considerações Gerais das NESH referentes ao Capitulo 29 da TEC para ali serem enquadrados. Também acrescenta que a composição do produto importado em nada se confunde com mistura de diferentes isômeros do MDI, que seria uma mistura do isômero específico 4,4' com outras configurações espaciais, em que a definição química de isômeros imporia que todas as moléculas contivessem as mesmas espécies e os mesmos átomos, diferindo apenas na estrutura molecular ou no arranjo desses átomos no espaço. Assim, entendeu a fiscalização por afastada a possibilidade de enquadramento do produto no Capitulo 29 da TEC, como pretendia o importador, de acordo com a RGI/SH nº 1, tendo em vista que o produto importado, embora à base de um composto orgânico, não é um composto de constituição química definida e nem tampouco uma mistura de isômeros de um Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 533 3 mesmo composto e menos ainda segue acompanhado apenas daqueles elementos permitidos na Nota 1. Desta forma, concluiu, que, sendo o LUPRANAT MM103 um produto químico não compreendido nos Capítulos 30 a 37, ele se classificaria residualmente no Capitulo 38 da TEC, como um produto diverso das industrias químicas. Não se enquadrando em nenhuma posição desde a 3801 ate a 3823, seu enquadramento restaria na posição 3824 da TEC ("Produtos químicos... não especificados nem compreendidos em outras posições). A interessada impugnou a autuação, alegando, em essência, que: a) O produto importado, o “LUPRANAT MM103", é uma mistura de isômeros do 4,4 — diisocianato de difenilmetano, com fórmula geral C15H10N2O2, conforme consta expressamente do parecer técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). O fato de ser uma mistura não descaracteriza a posição por ele adotada, conforme Nota Explicativa 1b do Capítulo 29; muito menos corrobora com a desclassificação pretendida pelo Fisco, que se mostra evidentemente ineficaz. b) A classificação tarifária empregada pela fiscalização é residual subsidiária, sendo que, de acordo com o que determina a própria TEC, a posição mais especifica permanece sobre a genérica, sendo forçoso reconhecer que a classificação adotada pelo impugnante é a correta. c) A classificação do produto já foi objeto de outro procedimento administrativo, com decisão favorável aos interesses do ora impugnante, processo nº 11128.003916/9898. d) As multas de ofícios sobre os tributos não deve ser mantida, ante o disposto no ADN 13/02, uma vez tendo o produto foi corretamente descrito e não se podendo atribuir máfé ou dolo à impugnante. e) Também a multa por classificação incorreta deve ser exonerada, vez que a mercadoria importada não foi classificada incorretamente, consoante sustenta no mérito em sua defesa, bem com que a referida multa não poderia ter sido instituída por intermédio de medidas provisórias. f) Com relação a multa de ofício sobre o IPI, entende que a situação em baila não se enquadra em nenhum dos casos elencados pelo artigo 80 da Lei 4.502/64, com as alterações da Lei n. 9.430/96, uma vez que não se pode pretender ter a Impugnante agido com dolo, ou cometido infração qualificada, apenas por entender estar o produto inserido em outra classificação fiscal, tendo, por conseguinte, recolhido o imposto conforme a alíquota por ela determinada. g) A lei que instituiu a cobrança das contribuições sociais sobre a importação é inconstitucional. h) Por fim, sustenta a impossibilidade da cobrança dos juros de mora durante a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a inconstitucionalidade do cálculo dos juros pela taxa SELIC. A Delegacia de Julgamento em São Paulo não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Podem ser inclusas no capítulo 29 tanto a substância pura, como as misturas de seus isômeros. Ocorre que, conforme verificado acima, o laudo constatou a presença de isômeros e também de trímeros e oligômeros. A mistura de isômeros não descaracteriza a substância do capítulo 29, por expressa disposição das NESH. O mesmo não ocorre como regra com a mistura de polímeros, com diferentes graus de polimerização. Nesse segundo caso, devese atender à regra pela qual as substâncias devem ser formadas por um tipo apenas de molécula. Como os diferentes graus de polimerização estão necessariamente associados a moléculas distintas, notadamente no tamanho, não se pode afirmar que uma mistura de polímeros seja um composto de constituição química definida, dentro do conceito das NESH. Apesar das moléculas desses polímeros terem um elemento intrínseco comum, o monômero simples, de fato, extrinsecamente Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 534 4 elas são moléculas diferentes. Além disso, a molécula do monômero apresentará diagrama estrutural distinto da molécula do polímero, pelo simples fato de serem de fato moléculas distintas. O código utilizado pela fiscalização, ou seja, o 3824.90.89 encontra respaldo nos elementos de prova constantes dos autos, por não haver código mais específico para o produto em questão, uma vez que, conforme já visto, não se enquadra no capítulo 29. Reputase correta, por conseguinte, a classificação fiscal adotada pela Autoridade Aduaneira. Entendese cabível a aplicação da referida multa de ofício, tendo em vista que o momento do recolhimento dos tributos devidos é o do registro da declaração de importação. Portanto, ocorreu o descumprimento desse comando legal, pois o tributo não teve seu pagamento efetuado na data prevista na legislação de regência. Às instâncias administrativas, pelo caráter vinculado de sua atuação, não é dada a atribuição de apreciar questões relacionadas com a constitucionalidade de qualquer ato legal. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/08/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 02/09/203, alegando, em síntese: I PRELIMINARMENTE a) DA TEMPESTIVIDADE (...) b) DO CERCEAMENTO DE DEFESA (...) Por esse exato motivo figura como cerceamento de defesa a impossibilidade de produção de prova pericial química, uma vez que esta é essencial para a comprovação de todos os fatos alegados pela recorrente. Desta sorte, não deve prosperar a decisão ora guerreada, tendo em vista que a mesma, afronta diretamente garantias constitucionalmente asseguradas, motivo pelo qual, pleiteiase desde já pela reforma do mesmo, baixandose os autos em diligência. (...) III DO DIREITO (...) a) DO PRODUTO IMPORTADO E DA SUA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL (NCM 2929.1090) (...) Deste modo Nobres Julgadores, pelo fato de o produto em questão se tratar de uma mistura de isômeros de isocianatos, não existe a menor possibilidade de enquadramento em posição diversa da adotada pela recorrente, posto que o produto "LUPRANAT MM 103" se encaixa perfeitamente no Capítulo 29, mais especificamente na posição "Outros isocianatos", qual seja a 2929.10.90. Por conseguinte, completamente despida de qualquer fundamento a tese que embasou e ensejou a lavratura do Auto de Infração e a decisão ora guerreada posto que, estabelece a Tarifa Externa Comum TEC para a descabida classificação genérica pretendida pelo Fisco, 3824.90.89: (...) Temse desse modo que a decisão recorrida merece reforma haja vista que a posição pretendida pelo Fisco e completamente residual e subsidiária, só se aplicando, destarte, aos produtos que não possuem posição mais especifica na tabela. Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 535 5 De acordo ao quanto determina a própria TEC, a posição mais específica prevalece sobre a genérica, sendo forçoso reconhecer que a adoção adotada pela Recorrente é a correta sendo inadmissível a pretensa desclassificação. (...) Deste modo, importa destacar que a classificação do produto em questão, qual seja, o Lupranat MM 103, já foi objeto de outro procedimento administrativo, com decisão favorável aos interesses da ora recorrente (Processo n° 11128.003916/9898, decisão esta a qual se pede vênia para transcrever a ementa: (...) Deste modo Nobres Julgadores, resta refutada a decisão recorrida no tocante as diferenças de II e IPI e Multa Proporcional, haja vista que restou devidamente comprovada a correção do procedimento adotado pela recorrente ao classificar o Produto LUPRANAT MM 103 sob o Código da TEC n° 2929.10.90, de modo que, caso não sejam acolhida a tese preliminar de cerceamento de defesa, que seja reformada a decisão recorrida e conseqüentemente seja desconstituído ao crédito tributário em debate. b) O PRINCÍPIO DO ATO VINCULADO (...) Como exaustivamente exposto, o produto em questão jamais poderia ser classificado na NCM adotada pela autoridade fiscal (NCM 3824.9089) e ao proceder deste modo a fiscalização afrontou o princípio do ato vinculado, plasmado no art. 142 CTN, corolário do princípio da estrita legalidade dos atos públicos existente no art. 5o da Carta Magna. Nesta esteira, é que merece ser integralmente desconstituído o lançamento em questão, o que desde logo se requer. c) DA MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (...) Assim sendo, é incabível o argumento trazido pela Autoridade Julgadora, onde é aduzido que "... é cabível a aplicação da referida multa de ofício, tendo em vista que o momento do recolhimento dos tributos devidos é o do registro da declaração de importação", desconsiderandose que se aplica ao caso o ADN COSIT 10/97, revogado pelo ADI 13/2002. (...) d) DA MULTA PELA CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA Também impossível manterse a multa aplicada com base no artigo 84 da Medida Provisória 215835/01 c/c artigos 53 e 65, inciso IV da Medida Provisória 135/03, tendo em conta que a mercadoria importada não foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Muito pelo contrário. Na forma do quanto demonstrado nesta peça, a recorrente tem amparo técnico e decisão proferida pelo Egrégio Conselho de Contribuintes em seu favor, que sustenta a classificação fiscal por si apontada, de tal sorte a não caracterizarse a situação prevista no indigitado dispositivo. Ademais disso, multa deste tipo jamais poderia ter sido instituída por intermédio de medidas provisórias, tendo em vista que ausentes se mostram os caracteres de relevância e urgência constitucionalmente Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 536 6 exigidos para que determinada matéria seja tratada diretamente pelo Poder Executivo. Em face deste quadro, ainda teratológica possibilidade de manutenção da desclassificação tarifária procedida, impossível a manutenção da multa, tendo em conta que o veículo legislativo adotado não é válido. e) DA MULTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Reza o artigo 80 da Lei 4.502/84, com as alterações da Lei nº 9.430/96: (...) Ocorre, entretanto, que a situação em baila não se enquadra em nenhum dos casos elencados pelo artigo retro, uma vez que não se pode pretender ter a Recorrente agido com dolo, ou cometido infração qualificada, apenas por entender estar o produto inserido em outra classificação fiscal, tendo, por conseguinte, recolhido o imposto conforme a alíquota por ela determinada. (...) f) DA MULTA DAS CONSTRIBUIÇÕES PIS/PASEP IMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. (...) Ainda que Vossa Senhoria, mesmo diante dos relevantes fatos expostos, não entenda pela insubsistência do auto, o que se admite apenas ad argumentadum, as multas aplicadas com base legal no artigo 19 da Lei 10.865/04, que reporta ao artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96, não deve também ser mantida, ante o disposto no ADN 13/02, cujo trecho pede se vênia para transcrever: (...) g) DOS JUROS DE MORA (...) No caso em tela, impossível a incidência de juros de mora por não haver obrigação em atraso e, assim sendo, a Recorrente não está em mora com o FISCO. (...) Nesse sentido, sabedores de que a exigibilidade do crédito tributário surge apenas e tão somente com o lançamento definitivo, somente nesse momento podese imputar o fenômeno dos juros de mora. (...) O crédito tributário que tem sua exigibilidade suspensa do início do procedimento administrativo até decisão final irrecorrível, não faz o contribuinte ficar em mora com o FISCO. Como no caso em tela ocorre com a Recorrente. (...) É o relatório. VOTO Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Entende a contribuinte que a classificação fiscal do produto LUPRANAT MM103 seria no código NCM 2929.10.90, em conformidade com composição dada pelo Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 537 7 Parecer Técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT1 e com a Nota 1b) da NESH do Capítulo 29, que assim dispõe: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: (...) b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); (...) De outra parte, o julgador de primeira instância rejeitou a tese da impugnante de que o produto seria uma simples mistura de isômeros. 2 Não obstante as conclusões obtidas pelo julgador a quo e pela autoridade fiscal dos resultados do laudos, no entender desta Relatora, leiga em química, carecem os autos de um pronunciamento técnico específico acerca da possibilidade de que o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. 1 "De acordo com as análises efetuadas, a amostra não possui uma constituição química definida pois, provavelmente, é constituída de uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, de fórmula gerai C15H10N2O2, a qual não está definida em nenhuma posição específica. Como se trata de uma mistura de isocianatos cíclicos, ela deve ser classificada, de acordo com a Tarifa Externa Comum TEC, na posição 2929.10.90." 2 (...) Logo, podem ser inclusas no capítulo 29 tanto a substância pura, como as misturas de seus isômeros. Ocorre que, conforme verificado acima, o laudo constatou a presença de isômeros e também de trímeros e oligômeros. (...) O trímero nada mais é que um polímero com 3 unidades monoméricas. Observando o conceito de “compostos de constituição química definida”, conforme transcrito acima, devese atentar para alguns pontos. Primeiramente, a substância deve ser constituída de “uma espécie molecular”. Dessa forma, não se incluem aqui, regra geral, substâncias constituídas de 2 ou mais espécies moleculares distintas. A expressão “cuja composição é definida por uma relação constante entre seus elementos” está se referindo à espécie molecular única. O que se faz aqui é uma referência a uma propriedade geral das moléculas, que é a de apresentarem uma proporção definida entre seus elementos químicos constitutivos (carbono, hidrogênio, oxigênio etc.). Além disso, deve tal molécula poder “ser representada por um diagrama estrutural único”. Logo, conceito de “compostos de constituição química definida” assentase essencialmente, em regra, na análise das moléculas que compõem a substância em questão. A substância, conforme se depreende do laudo, é formada por ao menos 4 moléculas distintas, quais sejam: (...) Verificouse acima que a mistura de isômeros não descaracteriza a substância do capítulo 29, por expressa disposição das NESH. O mesmo não ocorre como regra com a mistura de polímeros, com diferentes graus de polimerização. Nesse segundo caso, devese atender à regra acima transcrita, pela qual as substâncias devem ser formadas por um tipo apenas de molécula. Como os diferentes graus de polimerização estão necessariamente associados a moléculas distintas, notadamente no tamanho, não se pode afirmar que uma mistura de polímeros seja um composto de constituição química definida, dentro do conceito das NESH. Apesar das moléculas desses polímeros terem um elemento intrínseco comum, o monômero simples, de fato, extrinsecamente elas são moléculas diferentes. Além disso, a molécula do monômero apresentará diagrama estrutural distinto da molécula do polímero, pelo simples fato de serem de fato moléculas distintas. (...) Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10314.001550/200821 Resolução nº 3402001.034 S3C4T2 Fl. 538 8 Sobre os laudos ou pareceres no processo administrativo fiscal, assim dispõe o art. 30 do Decreto nº 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...)[negritei] Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar à Alfândega do Porto de Santos o que se segue: a) Solicitar a elaboração de Laudo Técnico Complementar com esclarecimentos acerca da possibilidade de o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. b) Manifestarse em Relatório Conclusivo acerca do Laudo Técnico Complementar acima e sua eventual potencialidade de modificar integral ou parcialmente a autuação, acrescentando outras informações que entender relevantes à solução da lide. c) Cientifique a recorrente desta Resolução, dos demais documentos juntados e do Relatório Conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. d) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 539DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.732107/2012-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO.
As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS.
Numero da decisão: 9202-005.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos- Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva- Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. As diferenças decorrentes de verbas previdenciárias, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 21 07 /2 01 2- 91 Fl. 149DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 10/03/2016, foi julgado o recurso voluntário em epígrafe, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2202003.276 (fls. 94 a 98), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS, O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes.Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF torna obrigatória a aplicação deste entendimento. Recurso Voluntário Provido" O processo foi encaminhado à PGFN em 04/04/2016 (Despacho de Encaminhamento de fls. 99), e devolvido, tempestivamente, com o Recurso Especial de fls 100 a 105, em 12/04/2016, com base no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. O recurso da Fazenda Nacional visa rediscutir a manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do Imposto de Renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos Na origem decorre de procedimento de revisão de Declaração de Ajuste Anual 2011, ano calendário 2010 no qual foi apurado omissão de rendimentos no valor de R$ 313.887,40 que resultou em um imposto suplementar no valor de R$ 69.664,55. Confrontando o valor dos Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas declarados pelo Contribuinte com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), constatouse omissão de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 150 3 redimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 313.887,40. Na apuração do imposto devido foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) no valor de R$ 9.416,62. Em sua impugnação o contribuinte alegou que, por existir a opção do lançamento ser feito em Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Recebidos Acumuladamente, a utilizou. Foram juntados documentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro lavrou o Termo Circunstanciado (fls. 39/43), no qual registrou que: a) os rendimentos considerados omitidos oriundos da fonte pagadora Banco do Brasil são provenientes do processo judicial nº 2001.51.01.5382251 da 38ª Vara Federal do Rio de Janeiro; b) Indeferiu o pedido constante da Impugnação para que o rendimento fosse considerado como Rendimento Recebido Acumuladamente, pois o contribuinte não teria declarado tal rendimento nem como rendimentos tributáveis nem como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva e, nos termos do artigo 832 do RIR/99, a retificação da declaração somente é permitida antes de incidado o processo de lançamento de ofício. O contribuinte foi cientificado da mencionada decisão em 25/10/2012 (fls. 35) e apresentou impugnação em 22/11/2012(fls.2). A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente a a Impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2010 Ementa: RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGRA DE TRANSIÇÃO PARA O ANO CALENDÁRIO DE 2010. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE. Os rendimentos recebidos acumuladamente, no período compreendido entre 01 de janeiro de 2010 e 20 de dezembro de 2010, decorrentes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, e os provenientes do trabalho, inclusive aqueles oriundos de decisões das Justiças do Trabalho, Federal, Estaduais e do Distrito Federal, relativos a anos calendários anteriores ao do recebimento, que não foram tributados exclusivamente na fonte, poderão sêlo mediante a opção, do contribuinte, pela forma de tributação "Exclusiva na fonte" quando do preenchimento da declaração de ajuste anual do imposto. Impugnação Improcedente Fl. 151DF CARF MF 4 Crédito Tributário Mantido Em seu voto a DRJ ressalta que, ao consultar o portal DIRF, constatou que o Branco do Brasil apresentou DIRF Retificadora, em 25/02/2015, no qual declarou rendimento bruto no valor de 313.887,40 e um imposto retido no montante de R$ 9.416,62. De acordo com a DRJ, o Recorrente tinha a faculdade de oferecer à tributação seus rendimentos recebidos acumuladamente na nova sistemática, mediante ajuste específico na declaração anual. No entanto, como essa faculdade não foi exercida no momento oportuno, o sujeito passivo estaria impedido de exercêla e, por essa razão, considerou correto o procedimento da autoridade lançadora no sentido de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Diante do julgado, visa a Fazenda Nacional rever o recorrido e cientificado o contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade. Importante pressuposto para o deslinde da presente questão é a Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada – através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido – teve sua repercussão geral admitida pelo STF no âmbito do RE nº 614.406/RS. O Recurso Extraordinário acima referido teve seu julgamento encerrado em 09/12/14, através de decisão que negou provimento ao Recurso da União, chancelando o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região (TRF4, Corte Especial, ARGINC 2002.72.05.0004340, Relator Desembargador Federal Álvaro Eduardo Junqueira), que Fl. 152DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 151 5 através da técnica da inconstitucionalidade sem redução de texto, entendeu que o critério correto ao dimensionamento da obrigação tributária em questão deve observar a capacidade contributiva (base de cálculo) de cada exercício, bem como as respectivas alíquotas. O Regimento Interno desse Conselho, em seu artigo 62, acima transcrito (caput), torna compulsória a aplicação do entendimento sufragado pelo STF. Outrossim, o recurso especial deve ser analisado a partir dos critérios fixados pela Corte Constitucional, de onde exsurge a importância do esclarecimento da sua ratio decidendi, frente ao que entendo absolutamente irrepreensíveis os dispositivos e justificações constantes do Voto Vencedor consubstanciado no acórdão 280200.713, da lavra do ilustre Conselheiro Rafael Pandolfo, que adoto como razão de decidir: 1.2 A decisão proferida pelo STF no RE nº 614.406/RS A decisão proferida pelo Supremo, que manteve a declaração de inconstitucionalidade, sem redução de texto do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconhecida pelo TRF da 4ª Região, foi assentada no fundamento de qua ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anoscalendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) A supracitada decisão1, nos termos do voto da Ministra Carmen Lúcia, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Segundo a decisão, não é juridicamente crível que os contribuintes que receberam a renda em atraso paguem um montante maior de IR – uma vez que calculado sobre o total acumulado , enquanto os contribuintes que receberam as verbas devidas em dias sejam isentos ou suportem carga inferior de imposto. Ressaltou ainda a Ministra que a aplicação dada pela Fiscalização ao art. 12 da Lei nº 7.713/88 viola os princípios da capacidade contributiva, pois a incidência do imposto de renda deve considerar as alíquotas vigentes na data em que verba Fl. 153DF CARF MF 6 decorrente dos rendimentos recebidos acumuladamente deveria ter sido paga. Abaixo, transcrevo trechos do voto da Ministra Carmen Lúcia: 19. No presente caso, a retenção do imposto de renda pelo regime de caixa afronta o princípio constitucional da isonomia, pois outros segurados/contribuintes com o mesmo direito receberia tratamento díspares. Como destacado pelos Ministros Marco Aurélio e Dias Toffoli, não se pode imputar ao Recorrido a responsabilidade pelo atraso no pagamento de proventos, sob pena de premiar e incentivar o Fisco no retardamento injustificado no cumprimento de suas obrigações legais. Ademais, a efetivação do direito do contribuinte/segurado, pela via judiciária, conforme ocorrido, passa também pelo restabelecimento da situação jurídica quo ante, o que pressupõe a aplicação das corretas alíquotas. À luz dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, significa dizer que a incidência do imposto de renda deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na data em que essa verba deveria ter sido paga (disponibilidade jurídica, como advertido pelo Ministro Marco Aurélio), observada a renda auferida no mês pelo segurado. Disso resulta não ser razoável, tampouco proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo, como se dá na espécie examida. (Voto Vista Ministra Carmen Lúcia, p. 22. RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) A decisão proferida pelo STF confirmou a decisão que utilizou como técnica a inconstitucionalidade sem redução de texto. Atuando no campo semântico da norma, a ferramenta exclui do seu raio deôntico determinado significado. Sendo assim, é inválido (inconstitucional) todo e qualquer ato administrativo que tiver por fundamento a interpretação do art. 12 da Lei n° 7.713/88 infirmada pelo STF. Segundo a Corte, a validade do crédito tributário prescinde da aplicação da base de cálculo e alíquotas vigentes à época em que foram sonegados ao contribuinte os rendimentos posteriormente por si recebidos – de forma acumuluda. 2. Efeitos da decisão do STF sobre o crédito tributário O crédito tributário debatido no presente recurso foi apurado através da aplicação das alíquotas vigentes no anocalendário do pagamento acumulado dos rendimentos sonegados ao contribuinte, em virtude de decisão judicial trabalhista. Esse pagamento se deu ao longo de 2007 e 2008, e dizia respeito a diferenças que deixaram de ser pagas ao contribuinte em 1994. A alíquota aplicada ao presente caso (27,5%), teve como fundamento legal o art. 1º da Lei nº 11.482/07 e incidiu sobre uma base de cálculo acumulada de R$ 187.546,28. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 152 7 Ocorre que o lançamento foi amparado na intepretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88 que foi fulminada pelo STF. Como consequência utilizou bases de cálculo, alíquotas e fundamentos legais distintos daqueles que deveria ter utilizado, de acordo com o Supremo. O lançamento, portanto, é nulo, como entendeu essa turma em recente julgamento relatado pela Ilustre conselheira Dayse Fernandes Leite: RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidá lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, as tão somente afastar a exigência indevida. (CARF. 2ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara, 2 ª Turma Ordinária. Ac: 2202002.725. Rel. Conselheira Dayse Fernandes Leite. Julg.: 12/08/14). Grifo nosso. A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Em suma, a modificação do lançamento não pode ser efetuada em sede de julgamento de recurso voluntário, pois o recalculo da obrigação tributária com base em novas alíquotas, implica alteração do critério jurídico que serviu de fundamento ao lançamento, conforme entendimento já adotado por essa Turma: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 MUDANÇA DE MOTIVOS DETERMINANTES. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. A motivação constitui o fundamento do lançamento tributário, ato administrativo vinculado. A adoção, pela decisão recorrida, Fl. 155DF CARF MF 8 de fundamento distinto do utilizado pelo auto de infração (infirmado pelo contribuinte), visando à manutenção da relação tributária, revelase inconciliável com o estado democrático de direito. Recurso voluntário provido (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 220201.548. Rel. Rafael Pandolfo. Julg. em 18/01/12.) No âmbito infralegal, a competência para realização do lançamento é estipulada pelos arts. 241 e 243 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. Art. 241. Às Divisões de Orientação e Análise Tributária Diort, aos Serviços de Orientação e Análise Tributária Seort e às Seções de Orientação e Análise Tributária Saort competem as atividades de orientação e análise tributária, e em especial: V realizar diligências e proceder ao lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências; Art. 243. Às Divisões de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat, aos Serviços de Controle e Acompanhamento Tributário Secat e às Seções de Controle eAcompanhamento Tributário Sacat competem as atividades de controle e acompanhamento tributário e, em especial: IX realizar diligências e proceder o lançamento do crédito tributário, no âmbito de suas competências.(grifo nosso) Em outras palavras, cabe às autoridades eleitas pelos supracitados dispositivos a verificação do fato gerador e a quantificação da obrigação tributária que será atribuída ao contribuinte, com base nos critérios jurídicos indicados no lançamento (CTN, art. 142). A contrario sensu, o CARF não é competente para refazer o lançamento quando alterados os critérios jurídicos utilizados pela autoridade lançadora, porquanto não há lei que assim estipule. A função deste Conselho é definida pelo art. 1º do seu Regimento Interno Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: Art. 1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobrea aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Esse entendimento está cristalizado na jurisprudência desta Turma: Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física –IRPF Fl. 156DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 153 9 Ano calendário: 2002. ERRO ESCUSÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO. Depreendese dos autos que omissão de valores na Declaração de Ajuste Anual da recorrente é fruto de falta de informações prestadas pela Fonte Pagadora, em evidente descumprimento ao disposto no art. 941 do Decreto 3.000/99. INCOMPETÊNCIA DA DRJ PARA LANÇAR MULTA. A DRJ não possui competência para modificar o fundamento do lançamento, pois seu papel é corrigir o lançamento, não refazê lo a partir de esteio inaugural. (CARF. 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Sessão. Acórdão nº 2202002.289. Relator Conselheiro Rafael Pandolfo. Julgado em 17/04/13) Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 157DF CARF MF 10 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito à existência de vício material no lançamento e/ou de utilização de critério jurídico equivocado, que levassem à necessidade de desconstituição integral do lançamento, na forma proposta pelo Colegiado recorrido. Sem dúvida, reconhecese aqui, em linha com o recorrido, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome a este último julgado vinculante, noto, porém, que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer, na forma ali determinada, a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar aqui também que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional, não se estando destarte, diante de utilização de critério jurídico equivocado ou vício material no lançamento efetuado. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 9, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 18470.732107/201291 Acórdão n.º 9202005.639 CSRFT2 Fl. 154 11 Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, diante de tais motivos, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, no sentido de determinar a retificação do montante do crédito tributário com a aplicação tanto das tabelas progressivas como das alíquotas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 159DF CARF MF
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