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Numero do processo: 11516.724153/2013-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS.
CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS.
PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS.
CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES.
Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003.
SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS.
Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS.
PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins.
REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO.
O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004.
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO.
Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acatar os créditos referentes a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (granja); crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos -alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. Vencidos os conselheiros Winderley Morais Pereira quanto a aluguel de granja. Ari Vendramini quanto a aluguel de granja e frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e empilhadeiras. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho que negou frete de produtos acabados entre estabelecimentos e as despesas com caminhão Munk. Liziane Angelotti Meira, que negou provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Salvador Cândido Brandão Júnior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. 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NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 41 53 /2 01 3- 85 Fl. 19803DF CARF MF 2 Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. Fl. 19804DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 3 3 EMBALAGEM. TRANSPORTE. PALLET. CRÉDITO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. As despesas com materiais de embalagens (pallets) utilizados para transporte interno de produtos fabricados e/ ou para embalagem de proteção, no transporte externo dos produtos vendidos geram direito a créditos do PIS e da COFINS. CONBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Os gastos com serviços de manutenção e a troca de partes e peças de máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo geram direito ao crédito das contribuições de PIS e da COFINS. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. REGIME NÃO CUMULATIVO. DESPESAS COM ALUGUEL DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos da Cofins apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO. O percentual a ser utilizado para apuração dos créditos presumidos é de 60% (sessenta por cento) aplicado a todos os insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I, do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A multa de ofício de 75 % (setenta e cinco por cento) aplicada nos lançamentos de ofício esta prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fl. 19805DF CARF MF 4 No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento para acatar os créditos referentes a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; das despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica (granja); crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. Vencidos os conselheiros Winderley Morais Pereira quanto a aluguel de granja. Ari Vendramini quanto a aluguel de granja e frete de produtos acabados entre estabelecimentos. Marcelo Costa Marques D'Oliveira que negou créditos quanto as despesas com caminhão Munk e empilhadeiras. Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho que negou frete de produtos acabados entre estabelecimentos e as despesas com caminhão Munk. Liziane Angelotti Meira, que negou provimento para os créditos referentes as despesas com caminhão Munk. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aluguel de granja, o conselheiro Salvador Cândido Brandão Júnior. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Júnior Redator designado. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Fl. 19806DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 4 5 O presente processo trata de auto de infração com origem em procedimento fiscal para verificar os seguintes pedidos de compensação apresentados pela Recorrente. Os pedidos de compensação estão controlados no seguintes processos: 10925.902580/201245 10925.902581/201290 10925.902582/201234 10925.902583/201289 A Fiscalização nos procedimentos de auditoria, entendeu por não homologar os pedidos de compensação, ensejando a exigências dos tributos compensados e exigência da multa isolada de 50%, por compensação indevida, prevista no art. 74, §17, da Lei n. 9.430, de 1996, incluído pela Lei n. 12.249, de 2010. Os autos de infração foram vinculados aos processos de compensação formalizados nos seguintes processos: 11516.724149/201317 11516.724150/201341 11516.724151/201396 11516.724152/201331 Todas os despachos decisórios denegatórios dos pedidos de compensação e os autos de infração para exigência da multa por compensação indevida, citados acima foram objeto de manifestação de inconformidade e impugnação. A primeira instância negou provimento aos recurso da Recorrente. Além dos processos acima, foi lavrado contra a Recorrente Auto de Infração para exigência do PIS e da COFINS, a partir das glosas de créditos referentes ao mesmo período de abril/2009 a junho/2010. O Auto de Infração foi formalizado no presente processo e foi objeto de impugnação que foi negado pela Delegacia de Julgamento. Considerando a vinculação das matérias e a conexão processual, os 9 (nove) processos estão sendo julgados nesta mesma sessão. Realizados estes esclarecimentos passemos ao relatório do presente processo que controla o Auto de Infração e abarca as matérias discutidas nos processos que controlam os pedidos de ressarcimento/compensação. O processo trata de Autos de Infração por meio dos quais estão sendo exigidas da impugnante, acima qualificada, as quantias de R$ 62.891.568,85 e R$ 13.654.081,16 a título de, respectivamente, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, não cumulativas, correspondentes a fatos geradores ocorridos em 01/01/2009 a 30/06/2009, Fl. 19807DF CARF MF 6 31/12/2006. A essas importâncias foram acrescidos multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora. Do quadro DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL verificase que a infração consiste de CRÉDITOS DESCONTADOS INDEVIDAMENTE NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Do Relatório Fiscal A Autoridade Fiscal informa: a empresa SADIA S.A., CNPJ nº 20.730.099/000194, subsidiária integral da BRF Brasil Foods S.A., foi incorporada pela BRF S.A., nova denominação social da BRF – Brasil Foods S.A.; a incorporação foi oficializada pela Assembléia Geral Extraordinária da Sadia S.A. realizada em 31 de dezembro de 2012, registrada na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina em 10/01/2013; na ata da assembléia consta que: “...foi aprovada a incorporação da Companhia pela BRF – Brasil Foods, com a sua consequente extinção de pleno direto, sendo sucedido a título universal, nos termos da lei, em todos os seus direitos e obrigações pela BRF – Brasil Foods S.A. Conclui que em virtude da incorporação caracterizase a responsabilidade tributária por sucessão, consoante art. 129 e 132 do Código Tributário Nacional e que, no caso em tela, é aplicável a Súmula CARF nº 47. Relata, que os procedimentos levados a efeito junto à contribuinte fazem parte da verificação de ofício da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como dos PER/Dcomp apresentados pela contribuinte, no período entre 2006 e 2010, sendo que o presente processo referese à apuração de janeiro a junho de 2009. Nos autos de infração de que aqui se trata foram lançadas as contribuições declaradas no Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, que restaram inadimplidas em razão de glosas de créditos objeto de pedidos de ressarcimento, tratadas nos processos 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234, 10925.902583/201289. Tendo em vista que os pedidos de ressarcimento foram transmitidos na vigência da Lei nº 12.249/2010, foram lavrados os autos de infração para exigência de multa isolada correspondentes, tratados nos processos números 11516.724149/201317, 11516.724150/201341, 11516.724151/201396 e 11516.724152/201331. Cópias dos PER/DCOMP, Relatórios Fiscais e Despachos Decisórios proferidos nos autos dos processos 10925.902580/201245, 10925.902581/201290, 10925.902582/201234, 10925.902583/201289 foram inseridos nos autos do presente processo, às folhas 6668 a 6725, 6726 a 6840, 14325 a 14396 e 14397 a 14473. Sobre a análise dos créditos e dos débitos informados no período a Autoridade Fiscal informa que, tendo em vista as correções realizadas nas Fichas 6A e 6B (Contribuição para o PIS/Pasep ) e nas Fichas 16A e 16B (Cofins) dos Dacon de janeiro a junho de 2009, conforme Despachos Decisórios reproduzidos neste processo, alterou os valores da Ficha 15B Resumo Contribuição para o PIS/Pasep Regime Não Cumulativo e Ficha 25B Resumo Cofins Regime Não Cumulativo, alterando os valores dos créditos utilizados para desconto ajustandoos às glosas realizadas; os créditos disponíveis foram completamente consumidos no desconto dos débitos informados nas fichas 7A e Fl. 19808DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 5 7 17A, restando saldo a pagar a ser lançado em auto de infração, tratado neste processo. Aquisições no mercado interno Conforme relatado nos mencionados Despachos Decisórios, juntados aos autos pela autoridade fiscal, a redução dos créditos a descontar se deu em razão da exclusão, da base de cálculo dos créditos, dos seguintes valores informados nas Fichas 06A e 16A do Dacon: 1. Linhas 02 Bens Utilizados como Insumos Foram glosados, por não se enquadrarem nas hipóteses de geração de crédito previstas na legislação de regência, qual seja, Leis n.o 10.637/2002 n.º 10.833/2003 e Instruções Normativas SRF n.o 247/2002 e n.o 404/2004: os valores das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo; aquisições efetuadas junto a pessoas físicas; despesas com fretes de transferência de produtos; aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; os valores das notas fiscais cujo Cfop não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito, os valores das notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins. Para o segundo trimestre, foram glosados também, no Dacon do mês em curso, os créditos de meses anteriores que não foram informados no Dacon do respectivo mês. 2. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumos Linha 03 Foram glosados, por não se enquadrarem nas hipóteses de geração de crédito previstas na legislação de regência, qual seja, Leis n.o 10.637/2002 n.o 10.833/2003 e Instruções Normativas SRF n.o 247/2002 e n.o 404/2004: os valores referentes a despesas com serviços que não se enquadram no conceito de insumo; que não geram crédito na linha 3, pois não representam a aquisição de serviços utilizados como insumos; cujos Cfop das notas fiscais não representa aquisição de bens ou serviços e nem outra operação com direito a crédito; serviços sujeitos à alíquota zero; pagos a pessoas físicas. 3. Linha 04 Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, inclusive sob a forma de vapor Foram glosados, por não se referirem energia consumida, os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica, pagos à empresa COMERC ENERGIA S/A e as despesas com serviço de medição de motores elétricos pagos à empresa GRAPHUS ENGENHARIA E CONSERVAÇÃO, 4. Linha 05 Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Linha 05 Foram glosados dos valores informados relativos a aluguéis pagos a pessoa física e pagamentos relativos a arrendamento de granja avícola, gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003. Fl. 19809DF CARF MF 8 5. Linha 06 Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Linha 06 Foram glosados dos valores informados relativos a gastos que não se enquadram no art. 3º, inciso IV, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, que somente contempla “aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica utilizados nas atividades da empresa”. 6. Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosados os valores relativos a fretes pagos a pessoa física, além de serviços de movimentação de produtos que não se enquadram no conceito de fretes, definido no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. As notas fiscais glosadas estão individualizadas no relatório Linha 7 – NF Glosadas Fretes. 7. Linha 09 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação) No primeiro trimestre, foram glosados os valores referentes a bens com data de incorporação ao ativo imobilizado anterior a 1º/05/2004, para os quais o contribuinte pretende descontar créditos nos meses de janeiro e fevereiro de 2009. Também foi glosado dessa linha o valor de R$ 249.503.927,60, referentes a créditos retroativos a janeiro/2007 apropriados no mês de março/2009, por não ter, a contribuinte, mesmo intimada para tanto, apresentado os esclarecimentos necessários que possibilitassem o correto entendimento da forma de apropriação dos encargos de depreciação dos bens constantes na memória de cálculo apresentada, de forma que todos os valores foram glosados por impossibilidade de análise. Foram gerados dois relatórios com os valores glosados: Linha 9 – ValoresGlosados Encargos de Depreciação; Linha 9 – Valores Glosados Enc. Deprec. Março 2009, que reproduz somente a primeira parte da planilha apresentada pela contribuinte. No segundo trimestre não houve glosa de valores da Linha 09 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base nos Encargos de Depreciação). 8. Linha 10 Sobre Bens do Ativo Imobilizado (Com Base no Valor de Aquisição ou de Construção) Por não ser possível a utilização do §14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 no desconto de créditos relativos a edificações e benfeitorias, foram glosados os valores referentes a: (i) diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte para as edificações e benfeitorias (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998, Anexo II prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias; (ii) diferenças entre as depreciações de itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias calculadas pelo contribuinte (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”) e a depreciação correta (IN SRF nº 162/1998); (iii) depreciação de bens (informadas na planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”), para os quais a interessada, instada para tanto, não apresentou a descrição detalhada de sua Fl. 19810DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 6 9 natureza e aplicação, o que impossibilitou a aferição pela fiscalização do direito ao crédito; Foram gerados quatro relatórios contendo os cálculos das glosas referentesà Linha 10 do DACON: Linha 10 – EDIFICAÇÕES; Linha 10 – Material de Construção; Linha 10 – Impossibilidade de Análise. 9. Linha 11 – Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias Em relação ao primeiro trimestre, a Autoridade Fiscal informa que os relatórios contendo os cálculos das glosas referentes à Linha 11 do Dacon são os mesmos relatórios das glosas da Linha 10, pois se referem ao mesmo tipo de crédito, sendo que a contribuinte utilizou a Linha 11 do Dacon apenas para informar os créditos do mês de março. No segundo trimestre, a Autoridade Fiscal glosou todos os créditos da Linha 11 do Dacon, por impossibilidade de análise com base nas informações prestadas pela contribuinte até então. 10. Linhas 25 e 26 Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais A Autoridade Fiscal reduziu o valor do crédito apurado pela contribuinte ajustando a alíquota erroneamente utilizadas pela interessada, considerando na escolha da alíquota aplicável a natureza os insumos adquiridos, conforme previsto no inciso I do §3º do art. 8º, da Lei nº 10.925/2004. Da base de cálculo do crédito, foram glosados os valores das aquisições cujos CFOP das notas fiscais não representam aquisições de insumos, perfeitamente identificados na listagem individualizada e das notas fiscais das aquisições de bens para revenda. Autoridade Fiscal traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido que sofreram glosa (na coluna Alíquota PIS correta consta a informação Não se aplica ou zero), totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas na listagem Credito presumido – detalhe. Aquisições no mercado externo Da base de cálculo dos créditos informados nas Fichas 06B e 16B foram glosados, da Linha 02 Bens Utilizados como Insumos: os valores das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art.8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004; aquisições bens sujeitos à alíquota zero da contribuição. Manifestação de inconformidade Inicialmente, a Recorrente defende que a impugnação ora apresentada deverá ser julgada em conjunto com as manifestações de inconformidade apresentadas nos autos dos Processos Administrativos de números 10925.902580/201245, Fl. 19811DF CARF MF 10 10925.902581/201290, 10925.902582/201234 e 10925.902583/201289, bem como com as impugnações relativas aos Processos Administrativos de números 11516.724149/2017, 11516.724150/201341, 11516.724151/201396 e 11516.724152/201331. Destaca que todos esses processos administrativos possuem origem no mesmo MPF, instituído com o fim de verificar a existência e higidez de diversos créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apurados na sistemática não cumulativa no período compreendido entre 2006 e 2010. E, considerando que o que restar decidido nos autos de um processo administrativo terá efeitos diretos nos demais casos em discussão, defende que, para que seja dado um melhor tratamento à questão, todos os processos devem ser apreciados pelo mesmo órgão julgador dessa Delegacia de Julgamento. Nulidade dos Autos de Infração Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando que a “superficialidade da análise das informações necessárias para a glosa dos créditos” fere o princípio da verdade material. Nesse sentido, aduz, em síntese, que “diante da obscuridade e dificuldade de provar certas circunstância” caberia à fiscalização “analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado” e não somente “proceder à glosa com base em análises superficiais da documentação apresentada no curso do procedimento de fiscalização”. Reclama que, a glosa “com base na natureza da conta contábil na qual o bem foi registrado”, a glosa dos créditos apropriados à razão de 1/48, sobre as despesas com depreciação de bens do ativo imobilizado, “sob a lacônica justificativa de que tais despesas não se referem a máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, mas sim a despesas com construções, edificações ou benfeitorias” e a glosa “sob a justificativa de que o Código Fiscal de Operações e Prestações ("CFOP") referese à aquisição de bens que não geraram direito a créditos”, foram realizadas sem a análise da aplicação desses bens e serviços no processo produtivo, o que “demonstra a nulidade da decisão ora atacada”, pois, ao assim proceder, a Fiscalização acabou por glosar diversas despesas que, notoriamente, caracterizamse como insumos. Conclui que, por não ter a Fiscalização buscado a verdade material e nem tampouco apresentado motivação para tanto, o presente Auto de Infração não pode subsistir, devendo ser cancelado. Conceito de insumo No tópico III.2 Da Sistemática NãoCumulativa da Contribuição ao PIS e da Cofins / Da Legitimidade dos Créditos Apropriados pela Requerente, a fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Diz, inicialmente, que, da combinação dos incisos e parágrafos do artigo 3º das leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003 com o artigo 195, inciso I, alínea V, e § 12, da Constituição Fl. 19812DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 7 11 Federal, temse que o critério de escolha legislativa dos custos e despesas que conferem direito de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins é a relação de inerência de tais dispêndios com a formação da receita, critério material da hipótese de incidência das referidas contribuições. Defende, que o conceito de insumo, na sistemática não cumulativa dessa contribuições é muito mais abrangente do que o conceito de insumo adotado pela legislação do IPI, englobando todos e quaisquer dispêndios ligados ao processo produtivo e, assim, à obtenção de receita. Aduz, com base em jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo aplicável ao caso deve ser o mesmo aplicável ao imposto de renda, já que a materialidade dessas contribuições (a receita) é muito mais próxima daquela estabelecida ao IRPJ, do que daquela prevista para o IPI. E, por fim, destaca que o conceito de insumo previsto na IN SRF n° 404/2004 não é o mesmo previsto na lei, o que implica em sua ilegalidade e menciona que os Tribunais Federais têm se firmado nesse sentido, exatamente em razão de a IN ultrapassar sua função de interpretação e exequibilidade da lei, ao pretender restringir o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo No tópico III.2.2 — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos (Linhas 02 e 03 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente, inicialmente, destaca que o erro quanto à linha da ficha de créditos da Dacon em que foram lançados os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, não justifica a glosa dos referidos créditos. Menciona que tal entendimento, inclusive, foi corroborado em recente decisão proferida pelo CARF em outro processo da própria Requerente. E na sequência, a requerente passa a colocar os fatos e as razões de direito, pelos quais entende que faz jus aos créditos glosados. Glosa dos valores dos itens que não se enquadram no conceito de insumos Em relação à Indumentária e Itens de Uso Obrigatório, a Recorrente, em síntese, alega que a indumentária dos colaboradores que trabalham em suas plantas industriais, itens tais como botas, luvas, aventais, protetores auriculares, respiradores descartáveis, conjuntos impermeáveis e toucas, bem como os itens de proteção de uso obrigatório, são exigidos por norma emanada da autoridade reguladora, sendo essenciais ao processo produtivo, sem os quais ela nem ao menos poderá exercer a sua atividade. Corroborando esse entendimento cita acórdão do CARF. Quanto aos Pallets, explica que consistem em estruturas de madeira, cuja principal função é facilitar o transporte de insumos e mercadorias dentro do estabelecimento e que também servem para evitar o contato de tais materiais com qualquer Fl. 19813DF CARF MF 12 superfície, impedindo contaminações que poderiam colocar em risco a integridade dos produtos industrializados. Adicionalmente, cita decisão do CARF que autorizou o creditamento sobre as despesas incorridas com os chamados "materiais para acondicionamento para transporte", por configuram despesas com armazenagem, expressamente prevista como apta para gerar crédito no inciso IX, do art. 3º, da Lei n.° 10.833/03. Diz que o mesmo ocorre com relação às caixas plásticas (Doc. 12 — nota fiscal de aquisição desse item), que “são utilizadas, não apenas para separação das partes dos cárneos, ..., mas também para transportar e armazenar produtos dentro e fora das plantas da Requerente”. Conclui, então, que as glosas devem ser canceladas, por se tratarem, os pallets e as caixas, de material indispensável no processo produtivo, além de configurar uma clara despesa com armazenagem, tal como já decidido pelo CARF. A título de Materiais e Equipamentos, defende o direito a crédito em relação a itens que cita – lâmpadas, reatores, detergentes, lubrificantes, fusíveis, anticongelantes, correias, rolamentos, mangueiras, estatores, bombas, dentre outros que, segundo alega, teriam sido empregados no processo produtivo, estando diretamente relacionados à geração de receitas, caracterizando, assim, como insumos. Explica que: As lâmpadas são utilizadas nas incubadoras de ovos e para aquecimento dos pintos de 1 dia; Os reatores, por sua vez, são equipamentos auxiliares, utilizado em conjunto com as lâmpadas de descarga e que objetivam limitar a corrente na lâmpada e fornecer as características elétricas adequadas, evitando o efeito estroboscópio/flicker (cintilação) nas lâmpadas e proporcionando elevada economia de energia; Os detergentes industriais são utilizados na higienização e limpeza das máquinas e pisos do estabelecimento industrial, atendendo, obviamente, às rigorosas regras emanadas pelas autoridades regulatórias; Já os lubrificantes e os fusíveis, são indispensáveis ao bom funcionamento das máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo; O inibidor de corrosão, por sua vez, é composto por substâncias químicas que retardam ou inibem por completo o processo corrosivo de tubulações e caldeiras, a fim de que seja prolongada a vida útil das máquinas e equipamentos, com a prevenção de paradas não programadas e de fraturas. Referida substância age de modo a retirar as incrustações das paredes dos equipamentos, sem atacar as partes estruturais essenciais para o bom desempenho técnico. O inibidor atua em três etapas: i) adsorção à superfície metálica; ii) formação de película de óxido protetor do metal base; e iii) reação com o componente potencialmente corrosivo presente no meio aquoso; O anticongelante propilenoglicol é utilizado nos compressores que produzem o ar frio para congelar as matérias primas e produtos acabados produzidos pela Requerente (bovinos, aves ou suínos). Além disso, esse item pode ser utilizado na manutenção da temperatura adequada nos ambientes em que realizado o processo produtivo da Requerente. Fl. 19814DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 8 13 Ainda, as correias (Doc. 15 — nota fiscal de aquisição desse item) são utilizadas em diversas máquinas da Requerente e são responsáveis por efetuar a tração entre os motores elétricos e as máquinas responsáveis por diversas funções ao longo do processo produtivo, tais como as embaladeiras, moedeiras, misturadoras, embutideiras, grampeadeiras, fatiadeiras, esteiras transportadoras, etc. As correias também são utilizadas para a transmissão de tanques de mistura de molhos e nas peças de retirada de pele dos animais. Os rolamentos (Doc. 16 — nota fiscal de aquisição desse item) são materiais que possibilitam o movimento controlado entre duas ou mais partes da máquina. Referidos corpos rolantes estabilizam o desempenho das peças estruturais das máquinas utilizadas no processo produtivo da Requerente. Além disso, os rolamentos são empregados em equipamentos como arrancador de pescoço stork, pertencente ao frigorifico de frangos. As mangueiras (Doc. 17 — nota fiscal de aquisição desse item) consistem em instrumento condutor de água que possibilita o resfriamento dos motores e bombas, com a introdução do líquido nas câmaras de resfriamento e sua posterior retirada.(...) O polímero é utilizado no tratamento de água e efluentes, com o objetivo de remover a turbidez e as partículas sólidas da água. O estator para bomba (Doc. 18 — nota fiscal de aquisição desse item) é a parte da bomba que conduz o fluxo magnético e proporciona sua rotação. Em outras palavras, neste equipamento é produzida a corrente que fornece energia aos diversos circuitos elétricos do equipamento. A bomba, por sua vez, tem participação fundamental no processo produtivo da Requerente, pois é a máquina que mistura o leite antes de sua introdução nas embalagens, propiciando a homogeneidade de temperatura do produto armazenado. Conclui que, pelas breves descrições, é inegável que todos esses itens estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo, pois seria impossível realizar a sua atividade sem tomar as precauções relativas à higienização ou preservação e bom funcionamento de suas máquinas bem como à manutenção da temperatura ideal em suas câmaras frigoríficas e plantas fabris. Em relação a estas, cita recente Acórdão proferido pelo CARF, em processo da própria requerente, por meio do qual restou reconhecido o direito ao crédito sobre as aquisições de ferramentas e materiais utilizados em máquinas e equipamentos de sua atividade fabril. Contesta a glosa dos valores relacionados a Serviços Realizados por "Operador Logístico", alegando que a movimentação das mercadorias é inerente à sua atividade, pela impossibilidade de comercialização de seus produtos na ausência de tais serviços, que são intrinsecamente relacionados à armazenagem e ao frete das mercadorias produzidas. Conclui que, dada à imprescindibilidade dos serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, devem as glosas em referência ser integralmente canceladas. Fl. 19815DF CARF MF 14 Afirma que os serviços de Análise Laboratoriais consistem de insumo, tendo em vista que os produtos fabricados são destinados ao consumo humano e que, portanto, devem ser constantemente avaliados e testados, de modo a preservar sua qualidade e integridade. Passa a defender o direito a crédito em relação a outros itens glosados da planilha NF Glosadas — Não Representam Aquisição de Insumos" como segue: ... fluído térmico que é um fluído de transmissão de calor dotado de grande estabilidade térmica (Doc. 20 — nota fiscal de aquisição desse item"), utilizado no processamento de alimentos, que requer grandes variações de temperatura e pressão. O ácido clorídrico (Doc. 21 — nota fiscal de aquisição desse item) concentrado, por sua vez, é utilizado na hidrólise de proteínas e de amido para o processamento de produtos industrializados produzidos pela Requerente. Ainda, é empregado na análise de minerais, cálcio e fosfato. Outro item importante é o mangote descartável de polietileno, que consiste em utensílio de higiene, necessariamente descartável, idêntico ao de uso hospitalar, utilizado no processo produtivo da Requerente para impedir que os produtos alimentícios tenham contato com a pele dos funcionários que atuam na linha de produção. Destaquese que o avental possui a mesma função. Por sua vez, a chapa industrial de inox é utilizada para escorrer o leite que é retirado da ordenheira automática, bem como para apoiar os produtos no momento da fabricação. As termorresistências são instrumentos que permitem medir, com elevada exatidão, a temperatura do meio ambiente por meio da relação entre a resistência elétrica do material e sua temperatura (Doc. 23 observese nota fiscal de aquisição desses itens). Os termorresistores são usados, principalmente, para controlar refrigeração de alimentos, procedimento indispensável para sua correta conservação e armazenagem. Os serviços florestais são contratados para efetuar a derrubada de árvores no campo, sendo que tais árvores serão o material necessário ao abastecimento das caldeiras. Contesta a glosa das despesas com locação de empilhadeiras ("equipamento locado Udia empilhadeiras"), que não foram informadas na Linha 6 da Dacon, relativa à locação de máquinas e equipamentos, alegando que o simples equívoco nas informações prestadas em obrigação acessória não justifica a glosa dos créditos de Contribuição ao PIS, entendimento esse, inclusive, corroborado pelo próprio CARF no Acórdão 3302 0002.027, de 23.04.2013. Acrescenta que a essencialidade das empilhadeiras locadas no processo produtivo é inconteste, já que consiste em máquina para carregar e descarregar mercadorias em pallets, possibilitando a célere movimentação da carga dentro e fora dos galpões de produção, o que é imprescindível às atividades da Requerente. Glosa dos valores de itens contabilizados em contas contábeis que não se referem a itens que geram créditos Inicialmente, destaca a superficialidade da Autoridade Fiscal na busca da verdade material, tendo em conta que esta considerou que todos os bens e serviços contabilizados em determinadas contas contábeis não dariam direito a crédito em razão da Fl. 19816DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 9 15 nomenclatura da conta, sem que fosse realizada uma auditoria profunda nos bens e serviços adquiridos e contabilizados nessas contas. Diz que tal fato é suficiente para que se entenda pela improcedência do Despacho Decisório quanto a este tópico. Não obstante, defende o direito ao crédito em relação a vários itens, conforme segue: Analisando as despesas relativas à conta 3350576 "PRD DIFERENÇAS DE PREÇOS MATERIAL IMPRODUTIVO", verificase que há diversos insumos utilizados no processo produtivo da Requerentee que foram glosados de forma arbitrária, tais como: (i) equipamento de indumentária de uso obrigatório segundos as normas da ANVISA, já abordados no item anterior, tais como luvas, máscaras, botinas, sapatos, botas, calças, dentre outros; (ii) e materiais utilizados em máquinas e equipamentos, como, por exemplo, rolamentos, correias, retentores, abraçadeiras, mangueiras, etc., que também foram objeto de análise acima. A conta contábil 3432262 "GFT — CONSERV. MANUT. MAQ. E EQUIP. MANUT. GERAL MAT/PEC" é a conta na qual são contabilizados os custos das peças para manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Requerente, tais como: arruela, rolamento, retentor, esferas, válvulas, correias, bobina, abraçadeira. Frisese, uma vez mais, que tais bens são utilizados no processo produtivo da Requerente, isto é, estão diretamente relacionados à geração de receitas e, por esses motivos, caracterizamse como insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS. A conta contábil 3432211 "GFT CONSERV. MANUT. PREDIAL SERVIÇOS" diz respeito aos serviços de manutenção das máquinas e equipamento, que tem por objetivo melhorar o desempenho desses itens, além de aumentar a vida útil. Dentre essas despesas com manutenção merecem destaque os serviços de substituição de painéis frigoríficos (câmaras, túneis de congelamento e ambientes climatizados), substituição de portas frigoríficas motorizadas, dentre outras. A conta contábil 3432025 "GFT BENS DE NATUREZA PERMANENTE" referese a gastos gerais, tais como gastos com ferramentas, termômetro (utilizado para medição da temperatura do processo produtivo), salômetro, cronometro, sendo que todos esses itens são essenciais ao processo produtivo da Requerente. A conta contábil 1970674 "TRANSITÓRIA ATIVO PERMANENTE DESEMB DE IMPORTAÇÃO", por sua vez, possui diversas despesas relacionadas com os desembaraço aduaneiro de insumos importados, tais como: despesas com armazenagem, armazenagem e vistoria container, serviços de despachante, serviços de frete, dentre outros. Além disso, contém serviços realizados por operador logístico (carga e descarga de mercadorias, por exemplo), que, conforme já visto, são passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS. Conclui que as glosas efetuadas em razão, unicamente, da contabilização das despesas correlatas nas contas 3350576, 3432262, 3432211, 3432025, e 1970674, que, supostamente, não Fl. 19817DF CARF MF 16 representam operação com direito a crédito, não devem subsistir, tendo em vista a caracterização dos itens glosados como insumos essenciais ao processo produtivo. Glosa dos valores de bens e serviços adquiridos de pessoas físicas Defende que faz jus ao créditos em relação aquisições de bens e serviços de pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. No mais, alega que faz jus, no mínimo, aos créditos presumidos sobre tais compras, na forma do art. 8º da Lei n° 10.925/2004. Glosa dos valores de fretes de Insumos e de Produtos Acabados Alega que o creditamento sobre as despesas com fretes, sejam ou não relacionadas à operação de venda, está em consonância com a legislação vigente e com a mais recente jurisprudência administrativa sobre a matéria. Explica que, diante das diversas etapas do processo produtivo, aliado à sua extensa quantidade de plantas industriais, é notório que o frete de matérias primas e produtos semiacabados é inerente à atividade da empresa e imprescindível ao mencionado processo produtivo, devendo os seus gastos serem considerados para fins de creditamento. Defende o crédito decorrentes de despesas de frete relacionadas: aos transporte de ração para os integrados, responsáveis pela criação de aves, e transferência de ovos para incubadora; e ao transporte de produtos acabados, em relação ao qual aduz que o frete dos estabelecimentos industriais aos centros de distribuição nada mais é do que uma parcela do frete destinado à venda. Glosa dos valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero A Recorrente inicialmente contesta a glosa das aquisições de bens sujeitos à alíquota zero, realizada com base no art. 3º, § 2º, das Leis n.° 10.637/2002 e nº 10.833/03, alegando que as aquisições cujos valores foram glosados não se subsumem a estas normas. Argumenta que as aquisições em apreço, distintamente do que preleciona as mencionadas normas, não se referem a bens cuja receita não se encontra sujeita à contribuição, mas a bens que se encontram no campo de incidência da contribuição e que tiveram a alíquota reduzida a zero pelo legislador; afirma que, portanto, o fato de não haver um efetivo dispêndio pelo contribuinte que forneceu os bens não implica que tal bem não está sujeito à contribuição. Entretanto, defende que, caso não se acolha o entendimento acima, é aplicável aos valores glosados a segunda parte do referido dispositivo legal. Isso por que, segundo alega, é possível afirmar que o tratamento fiscal do instituto da alíquota zero se confunde com o da isenção, devendo, portanto, aquele instituto estar sujeito à exceção que este comporta. Fl. 19818DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 10 17 Glosa dos valores das aquisições cujo Cfop da nota indica operação sem direito de crédito Já em relação às Aquisições sob CFOP que Não Geram Créditos, reclama da superficialidade da análise da Autoridade Fiscal que não cuidou de verificar se os bens adquiridos são insumos do processo produtivo. Alega que uma simples análise da planilha elaborada pelo Fisco permite verificar que diversos bens glosados consistem de insumo com base nas justificativas já aduzidas na presente manifestação, tais como as despesas com materiais e equipamentos (retentor, arruela, barra, rebolo, dentre outros), despesas com fretes, despesas com óleos empregados nas máquinas do processo produtivo, dentre outras. Reclama ter sido arbitrário o procedimento adotado pela Fiscalização de glosar bens cujo Cfop diz respeito a mercadorias sujeitas ao regime de substituição tributária (CFOP 1407 e 2407), sem sequer analisar a natureza do insumo adquirido e o seu emprego no processo produtivo. E aponta como mais grave ainda a situação que se refere ao Cfop cuja descrição é outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada, ou mesmo de material de uso ou consumo (Cfop 1949), pois é impossível a Fiscalização saber de qual insumo se trata apenas com base na mera redação do Cfop. Destaca que a Fiscalização glosou diversas despesas com fretes de mercadorias sob o Cfop 1360, relativas à "aquisição de serviço de transporte por contribuinte substituto em relação ao serviço de transporte", para a entrega de mercadorias, por exemplo, o que, evidentemente, deve ser compreendido como um insumo da Requerente. Glosa dos valores das aquisições com suspensão das contribuições Contra às glosas das aquisições de insumos com suspensão das contribuições, a Recorrente alega que as alegações trazidas pela Fiscalização não merecem prosperar, pois os insumos foram adquiridos sem a suspensão da Cofins. Defende que, em assim sendo, não há o que se falar em aplicação do mencionado art. 9º da Lei n° Lei n° 10.925/2004, mas sim do conceito de insumo previsto no já mencionado art. 3° da Lei n° 10.833/2003. Nesse sentido, ressalta, ainda, que no período objeto de análise, vigia a Instrução Normativa RFB n° 660/2006, que dispunha sobre a suspensão da incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins nas aquisições de que trata o art. 9º da Lei n° 10.250/2004, sem, contudo, tecer quaisquer comentários quanto à obrigatoriedade da suspensão de tributos nas operações; alega que tal obrigação somente surgiu com a publicação da IN RFB n° 977/2009. Despesas de energia elétrica No tópico III.2.3 — Das Despesas de Energia Elétrica e Energia Térmica, Inclusive sob a Forma de Vapor (Linha 04 da Ficha 06 da DACON) a interessada contesta a glosa dos valores dos Fl. 19819DF CARF MF 18 serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica, pagos à COMERC ENERGIA S/A, bem como os serviços de mediação de motores elétricos, pagos à GRAPHUS ENGENHARIA e CONSERVAÇÃO alegando que esses serviços caracterizamse como insumos inerentes ao processo produtivo da Requerente e foram equivocadamente informados na Linha 4, da Ficha 06, da Dacon, e defende que o erro no preenchimento da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento de créditos. Despesas de aluguéis de prédios No tópico III.2.4 — Das Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 05 da Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos os valores pagos pelo arredamento da "Granja Avicola Nicolini Ltda" alegando que em sendo a sua atividade eminentemente agroindústria, a principal "área" que poderia locar para exercer a primeira etapa de sua atividade, no caso, a criação dos animais, seria justamente uma granja, razão pela qual, ao contrário do que afirma o Fisco, se aplica ao caso o art. 3º, inciso IV, da Lei n.° 10.637/2002. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Contra à glosa dos alugueis de veículos, no tópico III.2.5 — Das Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoas Jurídicas (Linha 06 da Ficha 06 da DACON), a Recorrente alega que os veículos tais veículos são, em sua grande maioria, verdadeiras máquinas, devendo o seu aluguel ser considerado como tal, por serem essenciais ao processo produtivo da Requerente. Explica: Notase, dessa forma, que, mais que um veículo, o referido caminhão "Munck" possui, predominantemente, a função de guindaste, sendo a característica "motora" ou seja, de veículo terrestre tão somente uma questão de praticidade, de modo que o referido guindaste possa se locomover mais facilmente dentro e entre os estabelecimentos da Requerente. Adicionalmente, os demais veículos listados na mencionada planilha e que foram objeto da presente glosa, igualmente, devem ser considerados por essa E. Turma Julgadora. Com efeito, tais veículos são utilizados para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da Requerente. E, justamente, os dispêndios com os alugueis de veículos que possuem essas características têm sido amplamente aceitos como passíveis de creditamento. (...) Tais "veículos de passeio", ainda que não se enquadrem como máquinas e equipamentos, o que se admite apenas por epítrope, são essenciais ao processo produtivo da Requerente, já que os vendedores dependem de tais veículos para negociar com os compradores e, assim, levar os produtos comercializados ao consumidor final. Despesas de armazenagem e fretes na operação de venda Fl. 19820DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 11 19 No tópico III.2.6 — Das Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda (Linha 07 da Ficha 06 da DACON), defende que faz jus ao créditos em relação aos fretes pagos às pessoas físicas, seja porque tais despesas estão relacionadas à geração de receitas, caracterizandose como insumos, seja porque o CARF já decidiu pela possibilidade de aproveitamento dos créditos relativos às aquisições de insumos em casos análogos. Quanto às glosas com os serviços de movimentação de produtos, alega que faz jus aos créditos dada à imprescindibilidade desses serviços relacionados à movimentação de mercadorias, associada ao fato de que estão diretamente relacionados com as despesas de frete de vendas, tal como explicado no item "Serviços Realizados por "Operador Logístico", contido no tópico “III.2.2.a — Dos Bens e Serviços Utilizados como Insumos". Despesas com bens do Ativo Imobilizado No que se refere a bens do Ativo Imobilizado, a interessada, no tópico III.2.7 — Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado — Encargos de Depreciação (Linha 09 da Ficha 06 DACON), contesta às glosas efetuadas sobre os créditos relativos a bens adquiridos até 30/04/2004 com fundamento no art. 31 da Lei 10.865104, alegando que a limitação dos créditos sobre a depreciação de bens já adquiridos e incorporados ao seu patrimônio representa uma afronta ao direito adquirido sobre esses créditos, considerando que afetou a apropriação de créditos cuja origem está assentada nas aquisições anteriores à vigência da mencionada Lei. Cita decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4a Região no Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade na Apelação em Mandado de Segurança n° 2005.70.00.0005940/PR, que determinou a inconstitucionalidade do art. 31 da Lei n° 10.865104. Quanto às glosas sobre os créditos relativos as despesas de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, que foram aproveitados de forma extemporânea, reconhece que de fato apenas informou os créditos extemporâneos no período em que se apropriou deles para reduzir a base de cálculo das contribuições, no caso, em março de 2009, e explica que se aproveitava dos créditos conforme as taxas de depreciação das próprias edificações e que, após verificar a possibilidade de se aproveitar dos créditos das contribuições à razão de 1/24, com base no art. 6º da Lei n° 11.48810727, passou a se aproveitar de todos os créditos extemporâneos que deixaram de ser aproveitados desde janeiro de 2007. Afirma que os créditos oriundos de dispêndios legítimos e que efetivamente ocorreram devem ser reconhecidos pela Autoridade Fiscal, mesmo que extemporaneamente, uma vez que houve mero equívoco ao declarálos no mês de março de 2009, sem retificar as declarações acessórias anteriores. Acrescenta que: como se trata de simples erro material, pode a Autoridade Fiscal retificálo de ofício, sem qualquer prejuízo ao direito creditório ou ao Fisco, em conformidade aos ditames do Fl. 19821DF CARF MF 20 princípio da verdade material, sendo exatamente o disposto no artigo 147, § 2º, do CTN; o art. 3º, § 4º, da Lei n° 10.63712002 prevê expressamente a possibilidade de utilização de créditos extemporâneos; a retificação da Dacon é desnecessária para a apropriação de créditos extemporâneos; a retificação é apenas uma das formas que o contribuinte pode adotar para apropriar se de créditos extemporâneos, pois há, também, a possibilidade de o contribuinte não retificar a Dacon e apropriarse do crédito no mês corrente. Por fim, destaca que o fato de ter informado os créditos extemporâneos na linha errada da Ficha 06 da Dacon não representa um óbice ao aproveitamento dos créditos (a requerente informou esses créditos na Linha 09, enquanto que o correto seria na Linha 10), conforme já abordado na presente peça por diversas oportunidades. Já no tópico III.2.8 Das Despesas com Bens do Ativo Imobilizado Valor de Aquisição ou de Construção (Linha 10 da Ficha 06 da DACON), contesta a glosa dos créditos apropriados a razão de 1/48 sobre despesas de depreciação com edificações e benfeitorias do seu ativo imobilizado alegando que os créditos glosados referemse, efetivamente, a despesas com a depreciação de itens do ativo imobilizado, mais especificamente, a máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Nesse sentido argumenta: Analisando a planilha com as glosas efetuadas pela Fiscalização, observase que diversas despesas referemse às máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Requerente, tais como: (i) despesas com abates bovinos, que evidentemente referemse ao equipamento utilizado para o abate desses animais; (ii) despesas com caldeiras, que são máquinas e equipamentos do processo produtivo; (iii) despesas com desossas, que se referem às máquinas e equipamentos relativos às desossas dos animais; (iv) despesas com higienização, que se caracterizam como insumos no processo produtivo; (v) despesas com manutenção de máquinas e equipamentos em geral, que são essenciais ao regular funcionamento desses itens.Inclusive, diversas dessas despesas referemse a máquinas e equipamentos mencionados no processo produtivo da Requerente descrito no item III.I "Breve Descritivo das Atividades da Requerente", pois tal processo envolve as operações de abates, desossas, incubadoras, pendura, tratamentos de água quente, para as quais são necessárias as máquinas e equipamentos que originaram os gastos ora analisados. Com base no exposto e levando em consideração as despesas glosadas, resta evidente que os créditos de Contribuição ao PIS ora glosados pela Fiscalização referemse a despesas com manutenção de máquinas e equipamentos pertencentes ao processo produtivo da Requerente, devendo essa C. Turma de Julgamento determinar o cancelamento do lançamento fiscal. No tópico III.2.9 — Das Despesas com Encargos de Amortização de Edificações e Benfeitorias (Linha 11 da Ficha 06 da Fl. 19822DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 12 21 DACON), afirma que os valores glosados referemse, efetivamente, a despesas com depreciação de itens do ativo imobilizado, mais especificamente, máquinas e equipamentos do processo produtivo e remete às razões de contestação postas no item III.2.8 da impugnação. Crédito presumido da agroindústria Quanto crédito presumido da agroindústria, no tópico III.2.10 Créditos Presumidos (Ficha 06A Linhas 25 e 26 do DACON),inicialmente a Recorrente coloca que o itens descritos como "milho em grão', "farelo de trigo", "soja em grão', "pinto de 1 dia", "leitão recria", dentre outros constantes do Despacho Decisório consistem de insumo. Explica que: o milho em grão, o farelo de trigo e a soja em grão são elementos essenciais na produção da ração dos animais; os pintos de 1 dia e os suínos para recria, por sua vez, são essenciais ao processo produto das aves e suínos. No que se refere às glosas efetuadas em relação aos percentuais aplicados para cálculo do crédito presumido, alega que o método para o cálculo do crédito presumido está no próprio art. 8º da Lei n° 10.925/2004, em seu parágrafo 3º, o qual fazendo remissão ao caput, vincula, assim, o cálculo do crédito presumido ao produto produzido e, por outro lado, arrola como base de cálculo do crédito o valor da aquisição do insumo. Acrescenta que tal é o entendimento que se chega a partir de uma interpretação literal, lógica e finalística da legislação e que o CARF assim também vem decidindo. Por fim, afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, põe fim a qualquer dúvidas sobre a questão pois não dá margem à dúvida: o direito à aplicação do percentual de 60% decorre da natureza do produto resultante da atividade agroindustrial e não da natureza dos insumos empregados, pois, do contrário, não ditaria tal dispositivo que o direito ao crédito na alíquota de 60% abrange todos os insumos utilizados nos produtos em questão. Diz que a tal dispositivo, enquanto interpretativo, deve ser dada eficácia retroativa nos termos do art. 106 do CTN. Multa de ofício A impugnante alega: impossibilidade de sucessão da responsabilidade por infrações tributárias de sua incorporada, nos termos dos artigos 129 e seguintes do CTN; que apesar de ser sucessora por incorporação da Sadia S.A., segundo se infere do artigo 132 do CTN, somente possui responsabilidade pelos tributos devidos por aquela até a data da incorporação, que ocorreu em 31 de dezembro de 2012. Aduz que não se aplica ao caso a Súmula n° 47 do CARF que, segundo Fl. 19823DF CARF MF 22 alega, autoriza a imputação da penalidade pecuniária à pessoa jurídica sucessora caso esta e a sucedida estivessem sobre controle comum ou pertencessem ao mesmo grupo econômico, evidentemente à época dos fatos geradores. Informa que, se verifica da Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Impugnante, realizada em 18 de agosto de 2009, e da Ata Sumária da Assembleia Geral Extraordinária da Sadia, realizada na mesma nada (Doc. 27), cujos registros na Junta Comercial encontramse na última folha de cada documento, a Impugnante e a Sadia apenas passaram a fazer parte do mesmo "grupo econômico" em agosto de 2009. Conclui que antes de 19/08/2009, a Impugnante a Sadia não estavam sob controle comum ou participavam do mesmo "grupo econômico" e acrescenta que até pouco tempo antes dessa data, ainda denominavase Perdigão Agroindustrial S/A e era concorrente da Sadia. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício alega que: nos termos do que estabelece o artigo 61 da Lei n.° 9.430/96, somente são admitidos os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias; os juros não podem incidir sobre a multa, já que essa penalidade não retrata obrigação principal, mas sim encargo que se agrega ao valor da dívida, como forma de punir o contribuinte; a aplicação de tal percentual, de forma ilimitada, sobre o principal e sobre a multa, acarreta verdadeira afronta ao princípio constitucional do nãoconfisco, bem como viola o direito de propriedade, já que faz incidir juros exorbitantes sobre o imposto devido e, ainda, sobre a multa aplicada. Pedido de perícia e diligência A Recorrente pugna pela realização de perícia, que se justificaria, segundo alega, pela necessidade de trazer ao conhecimento da autoridade julgadora os detalhes e particularidades dos seus processos produtivos, permitindolhe entender a específica natureza de cada despesa glosada pela Fiscalização e analisar sua pertinência e relação com o processo produtivo. Indica um perito a quem caberia: descrever de forma detalhada os seus processos produtivos; descrever de forma detalhada cada despesa glosada pela Fiscalização; esclarecer qual a relação das despesas glosadas pela Fiscalização com o processo produtivo; demonstrar quais despesas de frete são relacionadas à venda de mercadorias e produtos e quais são relacionadas à transferência entre estabelecimentos; demonstrar o valor do crédito extemporâneo, calculado a partir de janeiro de 2007, ao qual faz jus a Requerente, para aproveitamento em março de 2009. Em razão de a auditoria fiscal, segundo alega, ter sido superficial na análise de seu processo produtivo, a Recorrente também pugna pela realização de diligência fiscal para que o auditor fiscal esclareça: se os bens e serviços caracterizados Fl. 19824DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 13 23 como insumos pela Requerente em sua Dacon são utilizados no processo produtivo e efetivamente guardam relação intrínseca com a geração de receitas, em conformidade com o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei n° 10.637/2002; se as despesas com alugueis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, são utilizados para a consecução das atividades da Requerente, em consonância com o art. 3º, inciso IV, da Lei n° 10.637/2002, ou, ao menos, podem caracterizarse como insumos, nos termos do art. 3º,inciso II, da Lei n° 10.637/2002; se as despesas com itens relativos a edificações e benfeitorias, referemse efetivamente a gastos incorridos com edificações e benfeitorias, ou referemse a gastos incorridos com máquinas e equipamentos do ativo imobilizado utilizados no processo produtos da Requerente, conforme dispõe o art. art. 3º, inciso VI, da Lei n° 10.637/2002. Diante de todo o exposto, pede que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. Em estando comprovado que à data da infração cometida pela sucedida as empresas já se encontravam sob controle comum, cabível é a imputação da multa de ofício à sucessora. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. Fl. 19825DF CARF MF 24 INTIMAÇÃO FISCAL. ANÁLISE DO CRÉDITO. O contribuinte, ao não atender à intimação do Fisco para apresentar as informações necessárias à análise do direito ao crédito pleiteado, inviabiliza o reconhecimento deste. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração contabilidade da empresa faz prova das operações comerciais da empresa para fins de apuração dos tributos incidentes sobre as receitas geradas; somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos fiscais hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. FORÇA PROBANTE. As Notas Fiscais fazem prova perante o fisco das operações comerciais das empresas na medida em que gozam de presunção de veracidade, presunção esta somente afastada por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, a apuração dos créditos é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO. DACON. DCTF. RETIFICAÇÃO. A alteração pelo contribuinte da apuração dos créditos relativos a determinado período há que ser efetivada através da entrega do Dacon retificador e da DCTF retificadora, se houver alteração de valores que tenham sido informados em DCTF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2009 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais Fl. 19826DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 14 25 como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado à alíquota normal da contribuição sobre os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Contribuição para o PIS/Pasep passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos da Contribuição para o PIS calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. Fl. 19827DF CARF MF 26 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITO REGULAR. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado à alíquota normal da contribuição sobre os custos dos bens adquiridos de pessoas físicas. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS DE FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste permissivo legal para tomada de créditos da Cofins a partir de dispêndios com serviços de frete de mercadorias ou produtos entre estabelecimentos da empresa. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÕES TRIBUTADAS. Somente geram créditos da Cofins passíveis de desconto da contribuição devida os valores das aquisições de bens ou serviços sujeitos ao pagamento da contribuição. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. REQUISITOS ESTABELECIDOS NA LEGISLAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. É obrigatória a suspensão estabelecida pelo art. 9º da Lei nº 10.925/2004 na operação de venda dos produtos a que este se refere, quando o adquirente seja pessoa jurídica tributada pela com base no lucro real, exerça atividade agroindustrial e utilize Fl. 19828DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 15 27 o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º da IN SRF nº 660/2006. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM ARRENDAMENTO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A hipótese de tomada de crédito prevista no inciso IV do art. 3º, da Lei n.° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 é específica para despesas com aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos e não se aplica a pagamentos de arrendamento. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESA COM LOCAÇÃO DE VEÍCULO. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. À ausência de previsão legal, não há direito a crédito calculado sobre despesa com locação de veículos. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. DEPRECIAÇÃO OU AMORTIZAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. VEDAÇÃO. É vedada, por expressa determinação legal, a apropriação, a partir de 01/08/2004, de créditos da Cofins calculados sobre os encargos de depreciação de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos até 30/04/2004. COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com a decisão da DRJ, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário, deve ser conhecido na sua integralidade por ser tempestivo e atender os demais requisitos de admissibilidade. Nulidade do lançamento Fl. 19829DF CARF MF 28 Em sede preliminar existem questionamentos sobre a constitucionalidade da exigência fiscal, que não serão objeto de análise neste julgamento, em razão da incompetência deste colegiado para decidir sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conforme a súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Ainda em sede preliminar, alegase a existência de vícios no ato administrativo que não teria atendido aos requisitos de motivação e finalidade ofendendo o principio da verdade material. Não vislumbro assistir razão ao recursos. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante a lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignado com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. O conceito de insumo a ser utilizado na apuração dos créditos do PIS e da COFINS não cumulativos A teor do relatado a Recorrente pretende modificar o entendimento adotado pela autoridade fiscal com a aplicação de um conceito amplo de insumo, onde os custos e despesas suportados pela empresa necessários a suas atividades, estariam incluídos nas operações possíveis de gerar créditos do PIS e da COFINS não cumulativa. Ao definir a não cumulatividade do PIS e da COFINS a Emenda Constitucional nº 42/2002. incluiu o § 12º no art. 195 da CF. verbis: “§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas.” Fl. 19830DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 16 29 As alterações promovidas pela EC nº 42 deixou à legislação infraconstitucional definir quais setores econômicos poderiam utilizar a forma de apuração não cumulativa das contribuições. A regulamentação efetiva da utilização da não cumulatividade veio com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida posteriormente na Lei nº 10.637/2002 para o PIS e tratando da COFINS foi editado a Medida Provisória 135, de 30 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003. O § 12º do art. 195 da CF atribui a legislação infraconstitucional determinar quais setores econômicos poderiam utilizar a não cumulatividade. Destarte, a própria norma constitucional definiu a existência de limites e restrições para a utilização da não cumulatividade. A possibilidade de utilização de créditos para redução da contribuição devida das aquisições de bens e serviços utilizados como insumo, foi prevista no art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. Verbis: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; “ O conceito de insumo, constante da Lei nº 10.833/2003, não foi perfeitamente delimitado, surgindo desta indeterminação, uma grande discussão sobre o alcance da palavra “insumo” inserida no texto legal, gerando diversos entendimentos sobre a matéria. As interpretações adotadas ocupam um vasto campo entre duas posições extremas. A primeira defendida em normas da Receita Federal, criando posições restritivas a utilização do conceito de insumo, conforme previsto no § 4º, do art. 8º, da Instrução Normativa SRF nº 404/2004. “§ 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: Fl. 19831DF CARF MF 30 a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.” Outra linha de pensamento trata o conceito de insumo da forma mais abrangente possível, estendendo o seu conceito a toda e qualquer despesa realizada pela empresa para realização do suas atividades. A Recorrente alega que o conceito da palavra insumo contida no inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.833/2003 teria este caráter geral e extensivo, onde os custos e despesas incorridos pela empresa ensejariam a possibilidade de utilização de créditos. A posição que vem sendo adotada nas turmas do CARF vai no sentido da análise restritiva do conceito de insumo, como pode ser visto na decisão adotada no Acórdão nº 330100.423, que foi assim ementado: Acórdão n° 330100.423 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010 Matéria Cofins NãoCumulativa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/03/2004 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo previsto no inciso II do art. 3° da Lei n° 10.637/02 e normalizado pela IN SRF n° 247/02, art. 66, § 5°, inciso I, na apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. AQUISIÇÃO DE PESSOA FÍSICA. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A Lei n° 10.637102 que instituiu o PIS nãocumulativo, em seu art. 3°, § 3°, inciso I, de modo expresso, como regra geral, vedou o aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de pessoas físicas. FRETE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CUSTO DE PRODUÇÃO. Gera direito a créditos do PIS e da Cofins nãocumulativos o dispêndio com o frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica Fl. 19832DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 17 31 domiciliada no País, para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda, bem assim o transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, vez que compõe o custo do bem. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. IMPOSSIBILIDADE. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem.” Neste sentido tem caminhado diversos julgados do CARF, ao se ater essencialmente aos conceitos definidos na norma ordinária para definir a procedência do crédito alegado pelos contribuintes, de outra forma não há o que trabalhar, pois se identificássemos a existência da não cumulatividade integral ao PIS e COFINS todo e qualquer despesa, sendo de serviço ou aquisição de insumos comporiam o quadro de créditos possíveis de redução da contribuição devida e não é o que observamos em todo arcabouço de legislação ordinária que lista uma série de definições e regras para fruição dos créditos. Afastar por completo as restrições legais não é possível. De outra banda utilizar o conceito restritivo previsto na IN SRF 404/2004, ao meu sentir, também não é melhor solução para a questão, visto o conceito da Instrução Normativa, copiar o conceito do insumo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, entretanto, as contribuições incidem sobre o faturamento, gerando uma distorção na utilização daquele conceito para a não cumulatividade do PIS e da COFINS. O conceito de insumo previsto no art. 3º da Lei nº 10.833/2003, esclarece que são possíveis de gerar créditos as aquisições de bens e serviços a serem utilizados na prestação de serviços ou na produção de bens. Acredito que o caminho para delimitar se as despesas incorridas geram ou não o crédito passa pela definição da atividade que gerou a despesas e sua interferência na prestação de serviços ou produção de bens. O ônus que se apresenta ao julgador será para cada caso, delimitar o serviço prestado ou o processo produtivo do contribuinte e dele extrair as atividades essenciais e necessárias a sua realização e partindo deste universo, identificar os custos e despesas que possibilitariam a utilização do crédito. Com base nestas premissas passemos a análise dos produtos e serviços que a Recorrente pretende aproveitar como créditos na apuração das contribuições que foram glosados pela Fiscalização. a) Insumo Bens e serviços diversos a1)Uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização Fl. 19833DF CARF MF 32 Entendo que todos estes produtos e serviços estão diretamente ligados ao processo produtivo da Recorrente e por diversas normas tantos sanitárias quanto trabalhistas são de uso obrigatório para o seguimento onde atua a empresa. Assim, entendo que assiste razão ao recurso para estes produtos e serviços devendo ser afastadas as glosas referentes uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização. a2) Análises laboratoriais As despesas referentes a analises laboratoriais obedecem normas técnicas e atendem determinações normativas e de controle da produção. Entendo que tais despesas estão vinculadas ao processo produtivo devendo ser afastadas as glosas da Fiscalização. a3) Lâmpadas, reatores, fusíveis, correias, rolamentos, mangueiras, bomba, estator para bomba, caldeira de giração vapor alta pressão e sistema de tratamento térmico consistor Os equipamento constantes deste tópico são produtos que se incorporam ao ativo da empresa, fato salientado no recurso voluntário, que ao tratar da caldeira de giração vapor alta pressão e sistema de tratamento térmico consistor, confirma que tais produtos são parte do ativo da empresa, mas, por estar vinculado ao processo produtivo poderiam estar aptos a auferir créditos. O fato de equipamento constantes do ativo estarem vinculados ao processo produtivo não permite o creditamento na forma de insumo. A legislação nestes casos, permite a utilização de créditos com regras próprias que ocorrer por meio de custos de depreciação. Portanto para os produtos deste tópico correto a glosa realizada pela fiscalização. a4) Lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água Os produtos constantes deste tópico estão diretamente ligados as atividades de manutenção de máquinas e equipamentos do processo produtivo. Ao meu sentir, tais despesas são vinculadas ao processo produtivo e aptas a serem creditadas na apuração do valor devido das contribuições. a5) Despesas com Operador Logístico As movimentações de carga tanto de produtos dentro do processo produtivo, e de produtos em elaboração e acabados são atividades intrínsecas as atividades fabris. Dentro do conceito de insumo utilizado neste voto, entendo que os custos referentes a movimentação de carga e produtos acabados, mesmo quando realizados por terceiros, desde que pessoas jurídicas, são despesas referentes ao processo produtivo e aptas a gerar créditos na apauração das contribuições não cumulativas. Fl. 19834DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 18 33 b) Produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais debateu a matéria em recente decisão prolatada na sessão de 12/12/2017 no Acórdão 9303006.068, que decidiu pela possibilidade de creditamento das operações referentes a movimentação de carga, pallets e embalagens. Por concordar com a posição adotada na Terceira Turma, peço vênia para adotar quanto a esta matéria o voto do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são Fl. 19835DF CARF MF 34 realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matérias primas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS nãocumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/201212 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Fl. 19836DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 19 35 Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem Fl. 19837DF CARF MF 36 de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. c) Dos bens e serviços utilizados como insumos Contabilizados em contas contábeis que não geram créditos Fl. 19838DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 20 37 Para este item tanto o relatório fiscal que serviu de base para a exigência, quanto a decisão da primeira instância deixaram claro que as contas contábeis apresentadas pela Recorrente não correspondem a bens aptos a gerar créditos e caso a recorrente tenha cometido equívocos em alocar despesas nestas contas contábeis deveria deixar claro tais equívocos comprovados por meio de documentos fiscais e contábeis. No recurso voluntário a Recorrente volta a defender que as contas contábeis glosadas pela Fiscalização corresponderiam a produtos que possibilitassem o direito creditório e cita especificamente duas contas "3350576 PRD DIFERENÇAS DE PREÇOS MATERIAL IMPRODUTIVO" e "1970674 TRANSITÓRIA TIVO PERMANENTE DESEMB DE IMPORTAÇÃO". Para a primeira conta contábil afirma que podem existir equívocos e como tal situação foi aventada pela Fiscalização e também pela decisão da DRJ caberia a Autoridade Fiscal verificar tais equívocos, entendo que não pode prosperar o pleito da Recorrente, conforme bem detalhado no relatório fiscal e na decisão da primeira instância a obrigação de justificar os créditos é da Recorrente e caso existam equívocos na alocação de despesas em contas contábeis cabe a Recorrente demonstrar de forma clara e comprovada tais equívocos para fazer jus a tais créditos. Como tal procedimento não foi adotado pela Recorrente, não existe reparo a ser feito na decisão da DRJ. Quanto a segunda conta a Recorrente pede que seja permitida a utilização de créditos referentes a despesas aduaneiras de desembaraço de importação, entendo que tais despesas não estão vinculadas ao processo produtivo da Recorrente, tratamse de despesas referentes a trâmites necessário para a importação de produtos e não estão vinculadas ao processo produtivo, portanto não podem ser utilizadas para auferir créditos na apuração das contribuições. d) Dos bens e serviços utilizados como insumos aquisição de pessoas físicas A Recorrente pede que seja afastada todas as glosas referentes as aquisições de pessoas físicas. Neste ponto é mister ressaltar que a legislação veda o aproveitamento de crédito referente a aquisição de pessoas físicas, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 19839DF CARF MF 38 III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. A Recorrente pede subsidiariamente, para que caso não seja considerada a integralidade dos créditos referentes a aquisição de pessoas físicas, seja considerado o crédito presumido referente as estas operações, nos termos previstos no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, pelo que se apresenta nos autos a Recorrente apresentou discussão quanto a aplicação de alíquotas referentes ao crédito presumido, que serão enfrentados em momento posterior deste voto. e) Dos serviços utilizados como insumos aquisições sob CFOP que não geram créditos A Fiscalização glosou despesas referentes a aquisições referente a sete CFOP que não dariam direito ao crédito: CFOP 1407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria esta sujeita ao regime de substituição tributária), CFOP 1551 (Compra de bem para o ativo imobilizado), CFOP 1556 (Compra de material para uso ou consumo), CFOP 1949 (Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada), CFOP 2303 (Aquisição de serviço de comunicação por estabelecimento comercial), CFOP 2407 (Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária) e CFOP 2556 (Compra de material para uso ou consumo). Para as aquisições de produtos com substituição tributária, entendo que a legislação exige a tributação do PIS e da COFINS na etapa anterior, nestes casos tal tributação não existe. Assim, nas operações que envolvem produtos com substituição tributária não é possível a fruição de créditos. Quanto as outras operações citadas neste tópico, entendo que a glosa baseada unicamente nos códigos de CFOP pode ser utilizada como razão para glosa, entretanto é possível que em determinadas operações seja possível o creditamento destas despesas. Neste caminho caberia a Recorrente detalhar os produtos destes itens que seriam utilizadas no processo produtivo. Neste ponto o recurso voluntário cita especificamente as despesas com água e esgoto. A partir do conceito de insumo utilizado neste voto, conforme detalhado alhures, entendo que são aptos a gerar créditos as despesas referentes água utilizada na linha de produção exclusivamente, cabendo a Recorrente fazer as provas necessárias para comprovar os gastos com água utilizada na linha de produção. Quanto aos demais itens, em que pese o relatório de diligência fiscal e as manifestações da Recorrente, os produtos que estão abarcados na atividade de manutenção de equipamentos já foi abordado em item anterior deste voto e aqueles que por força da legislação devem ser incluídos no ativo podem ser objeto de créditos, mas dentro das regras legais para créditos sobre bens do ativo. Portanto neste tópico somente são admitidos os créditos referentes as despesas com água e esgoto utilizados na linha de produção, cabendo a Recorrente fazer as provas necessárias para comprovar estes gastos. f) Dos fretes de produtos acabados e/ou fretes de matéria prima Fl. 19840DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 21 39 Quanto as glosas de frete, a Recorrente afirma como possíveis de gerar créditos, as despesas de frete para transporte de matérias primas e de produtos acabados entre seus estabelecimentos. As diversas situações em que o custo de frete é utilizado nas atividades empresariais demonstra a dificuldade em definir quando estes custos são possíveis de gerar créditos na apuração do PIS e da Cofins. Intensa tem sido a discussão neste Conselho sobre a matéria, exigindo a manifestação para cada um dos tipos de frentes pleiteados no recurso pela Recorrente. Quanto a primeira hipótese de frete pretendida pela Recorrente, entendo que o transporte de matérias primas compõe o custo destas mercadorias e sendo suportado pela Recorrente podem ser utilizados para auferir créditos. Quanto a segunda hipótese do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos. Segundo a Recorrente estão associados ao transporte de produtos entre as unidades fabris e os centros de distribuição. Para está matéria, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, em recente julgado, entendeu por considerar como possíveis de gerar créditos as despesas de frente de produtos acabados entre estabelecimentos da empresas. A decisão da CSRF no Acórdão 9303005.15 foi assim ementada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto Fl. 19841DF CARF MF 40 e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. Transcrevo a seguir trecho do voto condutor do Acórdão da CSRF referente aos frete de produtos acabados entre estabelecimentos que peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele minhas razões de decidir. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, que ressurgiu com a discussão acerca do direito ao crédito de PIS e de Cofins sobre as despesas com fretes de transferência de produtos acabados entre os seus estabelecimentos, entendo que lhe assiste razão. Eis que os fretes de produtos acabados em discussão, para sua atividade de comercialização, são essenciais para a sua atividade de “comercialização”, eis que: ∙ Sua atividade impõe a transferência de seus produtos para Centros de Distribuição de sua propriedade; caso contrário, tornarseia inviável a venda de seus produtos para compradores das Regiões Sudeste, CentroOeste e Nordeste do país; ∙ Os grandes consumidores dos produtos industrializados e comercializados pelo sujeito passivo, possuem uma logística que não mais comporta grandes estoques, devido à extensa diversidade de produtos necessários para abastecer suas unidades, bem como devido ao custo que lhes geraria a manutenção de locais com o fito exclusivo de estocagem, visto a alta rotatividade dos produtos em seus estabelecimentos; O que, impõese para fins de comercialização e sobrevivência da empresa, os Centros de Distribuição; ∙ O sujeito passivo, que possui sede em Porto Alegre, se viu obrigada a manter Centros de Distribuição em pontos estratégicos do país, considerando a localidade dos maiores demandantes de seus produtos. Considerando, então, a atividade do sujeito passivo, devese considerar os fretes como essenciais e, aplicandose o critério da Fl. 19842DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 22 41 essencialidade, é de se dar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Não obstante à essa fundamentação e ignorandoa, cabe trazer que, tendo em vista que: ∙ A maioria dos fretes são destinados ao Centro de Distribuição da empresa, para que se torne viável a remessa dos produtos e são realizados com a demora usual de 15 dias até a chegada do produto, para conseguir atender a sua demanda de pedidos, o sujeito passivo, devido à demora no trânsito das mercadorias, já transacionou as mercadorias, sendo que ao chegarem as mercadorias ao destino muitas já se encontram vendidas; ∙ A mercadoria já é vendida em trânsito, para quando chegar ao Centro de Distribuição já sair para a pronta entrega ao adquirente, descaracterizando, assim, um frete para mero estoque com venda posterior. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Dessa forma, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Portanto, quanto a discussão sobre frente, assiste razão à Recorrente no direito creditório referente as despesas de frete no transporte de matériaprima e de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. g) Das aquisições sujeitas à alíquota zero ou com tributação suspensa Quanto as aquisições sujeitas à suspensão ou alíquota zero, a legislação é clara em vedar a apropriação de créditos, cujas operações anteriores não sofreram a incidência das contribuições. O art. 3º, § 2º, II da Lei nº 10.833/2003, traz o diploma que veda tais créditos. Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... Fl. 19843DF CARF MF 42 § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifo nosso) Assim, correta a glosa realizada pela Fiscalização. h) Das despesas de aluguéis de granja A discussão neste item restringese ao aluguel de granjas em área rural. A Fiscalização entendeu que a previsão legal para créditos nas despesas de aluguel restringese a prédios e máquinas e o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação. A Recorrente pede a aplicação de um conceito mais extensivo da legislação abarcando também o aluguel de granjas que estariam ligadas ao processo produtivo da Recorrente. Entendo como correta a posição da Fiscalização, não vejo possibilidade de estender a previsão legal para os créditos referentes as despesas com aluguel de prédios e máquinas não estando incluídas nesta previsão legal o aluguel de granjas. Assim correta a glosa realizada. i) Crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda A decisão da DRJ quanto a está matéria manteve a posição da Fiscalização que entendeu ser possível a utilização de créditos extemporâneo desde que exista a informação dos créditos na DACON correspondente ao período em que os créditos foram apurados. A Recorrente defende que tal exigência não seria necessária para utilização dos créditos. A matéria foi enfrentada pela Terceira Turma da Câmara Superior no Acórdão 9303004.562, onde foi decidido pela possibilidade da utilização dos créditos extemporâneos. O voto vencedor do Acórdão da lavra do Conselheiro Charles Mayer de Castro detalha a posição adotada pela maioria da turma e por concordar com a posição adotada pela Câmara Superior, peço vênia para incluir o voto condutor do Acórdão e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Fl. 19844DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 23 43 Com a devida vênia, discordamos do il. Relator. Já defendíamos na Câmara baixa, nada obsta que o contribuinte possa, em determinado trimestrecalendário, aproveitarse de crédito de PIS/Cofins não aproveitado em trimestrescalendários anteriores. Como as razões do nosso convencimento coincidem com o adotado no Acórdão nº 3202001.617, de 19/03/2014, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em julgamento do qual participamos, passamos a transcrever o voto do seu relator, o Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, adotandoo como o fundamento da nossa divergência: "Para a DRJ, o entendimento da fiscalização foi correto, pois na sua ótica era inadmissível apurar créditos extemporâneos sem retificar os DACONs e DCTFs anteriores. Eis suas palavras: CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AUSÊNCIA DE APROPRIAÇÃO NA DACON. A apuração extemporânea de créditos só admitida mediante retificação das declarações e demonstrativos correspondentes, em especial as DCTF e os Dacon. No entanto, em janeiro de 2015, nossa Turma julgou que é possível, sim, o desconto de créditos extemporâneos de PIS/COFINS nãocumulativos, no julgamento do PAF nº 12585.000064/200911 (somente ficou vencida a douta ConselheiraPresidente, Irene Souza da Trindade Torres Oliveira). Com efeito, as Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de “Ajustes Positivos de Créditos” e de “Ajustes Negativos de Créditos”, contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Igualmente, no “Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) – (EFDPIS/ Cofins)”, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010, há previsão expressa de o contribuinte lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (COFINS). Observese: 2.5 BLOCOS DO ARQUIVO Entre o registro inicial e o registro final, o arquivo digital é constituído de blocos, referindose cada um deles a um agrupamento de documentos e outras informações. 2.5.1 Tabela de Blocos BlocoDescrição 0Abertura, Identificação e Referências Fl. 19845DF CARF MF 44 ADocumentos Fiscais Serviços (ISS) CDocumentos Fiscais I – Mercadorias (ICMS/IPI) DDocumentos Fiscais II – Serviços (ICMS) F Demais Documentos e Operações M Apuração da Contribuição e Crédito de PIS/PASEP e da COFINS 1Complemento da Escrituração – Controle de Saldos de Créditos e de Retenções, Operações Extemporâneas e Outras Informações 9Controle e Encerramento do Arquivo Digital [...] As sobreditas previsões no DACON e na EFD buscam cumprir o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, segundo o qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Além disso, é preciso frisar que a única consequência legal para o preenchimento incorreto do DACON são as multas previstas no art. 7º Lei nº 10.426/2002. Confirase: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, Fl. 19846DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 24 45 ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; e IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. § 4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. Fl. 19847DF CARF MF 46 § 5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. § 6º No caso de a obrigação acessória referente ao Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON ter periodicidade semestral, a multa de que trata o inciso III do caput deste artigo será calculada com base nos valores da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS ou da Contribuição para o PIS/Pasep, informados nos demonstrativos mensais entregues após o prazo." Como se vê, o art. 7º Lei nº 10.426/2002 prevê, apenas, multa em caso de incorreções no DACON e a intimação do contribuinte para corrigilas, de modo a reduzir tais sanções. Não há, por conseguinte, previsão legal para glosar os créditos da não cumulatividade por eventuais equívocos no DACON. Pelo mesmo raciocínio, não é possível indeferir o PER pelo simples fato deste abranger mais de um trimestre, em decorrência da apuração extemporânea, permitida, dos créditos pelo contribuinte. Acrescentese, ainda, que o referido crédito tem por fundamento o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei n° 11.116/2005, podendo ser utilizado tanto na dedução da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno, quanto na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação específica. Eis os seus termos: (Lei n° 11.033/2004) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (Lei n° 11.116/2005) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 19848DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 25 47 Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Em tais créditos, colhase os seguintes precedentes do CARF julgados à unanimidade: Processo nº 16349.000033/200814 Relator JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA Sessão de 24/07/2014 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DA COFINS NÃOCUMULATIVA. ART. 8º, DA LEI Nº 10.925/04. AGROINDÚSTRIA. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO PARA COMPENSAR COM OUTRO TRIBUTO. O aproveitamento de crédito presumido da COFINS, de que trata o Art. 8º, da lei nº 10.925/04, para compensar com outros tributos, não é permitido para as agroindústrias, ainda que eles se acumulem em razão de vendas com tributação suspensa, não tributadas, tributadas à alíquota zero ou isentas. COFINS NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. O art. 16, da Lei nº 11.116/2005, autoriza a utilização dos créditos do PIS e COFINS nãocumulativos se eles tiverem sido acumulados em razão das vendas dos produtos com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS. [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente)]. *** Processo 15586.001201/201048 Relator JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2008 CUSTOS DE PRODUÇÃO. CRÉDITOS. Fl. 19849DF CARF MF 48 Os custos incorridos com serviços de desestiva/produção (descarregamento, movimentação, acondicionamento e armazenagem das matériasprimas no armazém alfandengado), geram créditos dedutíveis da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ ou passíveis de ressarcimento. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. SALDO TRIMESTRAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. De acordo com o art. 3º, § 4º, da Lei nº 10.833, de 2003, o crédito de um determinado mês pode ser utilizado nos meses subsequentes, e o fato da Lei nº 11.116/2005, autorizar o ressarcimento do saldo de créditos somente no término do trimestre, não quer dizer que não poderão ser aproveitados créditos apurados em outros trimestres. Recurso Voluntário Provido [Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.] Ademais, é dever da fiscalização apurar os créditos e os débitos nos tributos nãocumulativos, refazendo se for o caso cálculos efetuados pelo contribuinte, na forma da legislação tributária. Não pode a fiscalização indeferir o ressarcimento ou glosar os créditos nãocumulativos, por alegado vício formal no preenchimento das obrigações acessórias, sem sequer intimar o contribuinte para retificar os supostos equívocos nem examinar se os créditos procedem ou não, deixando indevidamente de corrigir, de ofício, os erros eventualmente cometidos pelo contribuinte. Acolho, nessa linha, o mesmo entendimento firmado sobre a matéria pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, em 01/09/2011, no PAF. nº 13981.000184/200495, cujo Voto da lavra do Ilmo. Conselheiro EMANUEL ASSIS transcrevo abaixo, integrandoo a minha fundamentação: Para mim, na situação em tela não há necessidade de a contribuinte retificar o Dacon antes, para somente após aproveitar os créditos em período seguinte. No curso de uma fiscalização ou diligência, constatado incongruência nos dados do Dacon (ou de outra declaração entregue pelos contribuintes, inclusive a DCTF), os cálculos do tributo devido devem ser refeitos de modo a resultar em lançamento de ofício ou em proveito do sujeito passivo. Na hipótese de incongruência favorável ao contribuinte nada impede que a administração tributária adote as providências cabíveis, dispensandose exigências que podem ser supridas por ato da própria administração. É o que se dá no caso sob análise, já que o processamento do Dacon pode ser refeito pela RFB. Para tanto basta instituir controles nos sistemas eletrônicos, a registrar a alteração feita. Não me parece razoável que, após a contribuinte explicar a apuração do crédito em período seguinte e requerer o aproveitamento extemporâneo, dentro do prazo decadencial, sem que haja dúvida sobre o direito alegado este lhe seja negado sob Fl. 19850DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 26 49 a justificativa de não ter sido retificada previamente uma obrigação acessória. O fato de o Dacon não ter sido retificado há de ser relevado, por não haver dúvida quanto ao crédito correspondente às aquisições das notas fiscais acima mencionadas. Na linha da interpretação ora adotada, já existe, inclusive, decisão de Superintendência da RFB dizendo da desnecessidade de retificação de DCTF, em hipótese que se afigura semelhante à presente situação. Refirome à Solução de Consulta da Disit da 3ª RF nº 35, de 30/08/2005, com o seguinte teor, verbis: ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. A compensação de créditos tributários declarados como saldos a pagar na DCTF com créditos apurados em eventos supervenientes ao período de apuração daqueles créditos tributários obriga o sujeito passivo à entrega de Declaração de Compensação, sendo desnecessária a entrega de DCTF retificadora que tenha por fim informar a compensação efetuada. DCTF é confissão relativa e que a RFB não pode têla como definitiva, omitindose de realizar a diligências necessárias à apuração na contabilidade e escrita fiscal. Pelos fundamentos acima, e levando em conta o § 4º do art. 3º, tanto da Lei nº 10.637/2002 (PIS) quanto da Lei nº 10.833/2003 (Cofins), segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, dou provimento parcial para admitir os créditos relativos às aquisições das notas fiscais de fornecedores anexadas à Manifestação de Inconformidade e aproveitadas no mês seguinte ao de emissão." Forte nessas razões, entendo que ao recurso especial interposto pela Procuradoria devese negar provimento. Portanto, assiste razão à Recorrente quanto ao aproveitamento dos créditos extemporâneos. j) Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado adquiridos em data anterior a 01/05/2004 O art. 31 da Lei nº 10.685/2004 veda de forma expressa o desconto de créditos referentes a depreciação ou amortização de bens e direitos do ativo imobilizado adquiridos em data anterior a 30 de abril de 2004. Fl. 19851DF CARF MF 50 Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. A Recorrente alega que a matéria foi objeto de julgamento pelo Poder Judiciário em que teria sido decidido pela inconstitucionalidade da vedação prevista no art. 31 da Lei nº 10.685/2004. Entretanto, a decisão esta submetida a repercussão geral e não possui um posicionamento definitivo que possa afetar os julgamento deste colegiado, visto a impossibilidade no âmbito do CARF de discutir constitucionalidade de lei tributária. Diante da vedação legal, não pode prosperar a pretensão da Recorrente em aproveitar créditos referentes a depreciação de bens do ativo imobilizado que foram adquiridos em data anterior a 30/04/2004. k) Dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado A Fiscalização realizou glosas referentes a depreciação de bens do ativo imobilizado, utilizando duas situações distintas. A primeira diz respeito a impossibilidade, segundo a Fiscalização, da Recorrente utilizar a depreciação no prazo de 48 meses para edificações e benfeitorias, sendo necessário que o prazo seja de 300 meses conforme normas da Receita Federal. O segundo motivo para parte das glosas, diz respeito a falta de identificação das máquinas e equipamento, impossibilitando a identificação dos bens submetidos a depreciação. As motivações para as glosas deste tópico, foram assim descritas no Relatório Fiscal. A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 1”, apresentada pelo contribuinte, relacionou itens relativos a edificações e benfeitorias de seu ativo imobilizado (Fab Óleo Soja Toledo, Fabr.Linguiças Duque, GJ Matr Fgo Prod CV, entre outros) e que foram depreciadas em 48 meses para fins de crédito de PIS/COFINS. Nesses casos, foram apuradas as diferenças entre as depreciações calculadas pelo contribuinte (em 48 meses) e a depreciação correta, conforme o disposto na IN SRF nº 162/1998 (prazo de 300 meses para edificações e benfeitorias) e foram glosadas as diferenças. A planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 2”, apresentada pelo contribuinte, relacionou diversos outros bens, máquinas e equipamentos incorporados ao seu ativo imobilizado e depreciados em 48 meses. Nesta planilha foram identificados diversos itens relacionados a materiais de construção utilizados em edificações e benfeitorias (TIJOLO FURADO 6 FUROS, Telha P.P. G. 0,5 7800mm Ral 9003, CIMENTO CP II 32, entre outros) e que também foram depreciados pelo contribuinte à razão de 1/48 avos para cada mês, em desacordo com a Fl. 19852DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 27 51 legislação. As diferenças em relação à depreciação normal de 300 meses para estes itens foram glosadas. Já, a planilha de memória de cálculo denominada “MÁQUINAS 3”, apresentada pelo contribuinte, relacionou diversos itens de seu ativo imobilizado também depreciados em 48 meses. Porém, nessa planilha não há nenhuma descrição ou identificação dos bens que estão sendo depreciados à razão de 1/48 (um quarenta e oito avos) por mês. Assim, foi o contribuinte novamente ntimado, através do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal nº 005/00555 (fls. 2388 e seguintes) a informar a descrição detalhada desses bens que estão sendo depreciados, sob pena de glosa dos créditos associados.. No recurso voluntário, a Recorrente alega que a legislação não determina que a depreciação ocorra no prazo de 48 meses, sendo uma faculdade a ser utilizada pelo Contribuinte e não faz nenhuma alegação quanto a ausência de descrição das máquinas e equipamentos. A possibilidade de utilização de um prazo menor para depreciação foi prevista no art. 3º, § 14º da Lei nº 10.833/2003 § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)(grifo nosso) A lei de forma clara permite a depreciação no prazo menor, somente as aquisições de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado. As glosas promovidas pela Fiscalização tratam da aplicação do prazo menor de depreciação relativos a edificações e benfeitorias, que não estão previstas na legislação. Assim, correta a glosa realizada pela Autoridade Fiscal. Em relação a segunda motivação para as glosas de depreciação. A Recorrente não questionam o entendimento adotado pela Fiscalização, não sendo apresentado nenhum documento ou informação que pudesse levar a efetiva individualização e identificação de parte dos bens que a Recorrente pretende auferir créditos. Portanto, nesta matéria não existindo uma alegação especifica contra o trabalho fiscal, as glosas devem ser mantidas nos termos apurados pela Fiscalização. l) Dos créditos presumidos Fl. 19853DF CARF MF 52 Quanto a esta matéria a Recorrente pede que seja utilizado as alíquotas de que trata a Lei 10.925/2004, em relação aos bens produzidos e não aos adquiridos. A matéria foi resolvida com a redação adotada no § 10º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, que ficou assim redigido. " Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente Fl. 19854DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 28 53 a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. ... § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3º, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013)"(grifo nosso) A observação do texto legal deixa sedimentado que o percentual a ser aplicado é de 60% (sessenta por cento) aos insumos utilizados nos produtos referidos no inciso I do § 3º art. 8º da Lei nº 10.925/2004. m) Das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos Fl. 19855DF CARF MF 54 Consta do art. 3º, IV da Lei nº 10.833/2003 a permissão para utilização de créditos referentes as despesas de aluguel de máquinas e equipamentos. In verbis. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ... IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; A determinação legal não restringiu a utilização dos créditos somente as máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. A premissa legal é que as máquinas e equipamentos sejam utilizados nas atividades da empresa. Entendo, que o conceito de atividades da empresa não implica na necessidade de que sejam os bens locados utilizados no processo produtivo. As exigências da norma exigem o pagamento a pessoa jurídica e a utilização nas atividades da empresa. Portanto, para esta matéria assiste razão aos argumentos da Recorrente, devendo ser afastada as glosas referentes as despesas com alugueis de máquinas e equipamentos pagos a pessoa jurídica. n) Dos fretes prestados por pessoas física e fretes na operação de venda Quanto aos fretes prestados por pessoas física a legislação exige que os custos referentes a prestação de serviços sejam de pessoa jurídica. Assim, não assiste razão a Recorrente quanto a esta matéria. A Recorrente também pede o aproveitamento de fretes referente as operações de venda. A legislação permite o aproveitamento de tais despesas, entretanto, a negativa do aproveitamento dos créditos pela fiscalização se deu pela ausência de comprovação documental dos valores e serviços supostamente vinculados ao frete na operação de venda. Neste ponto, o recurso voluntário não logrou comprovar a efetiva despesa com fretes na operação de venda. Destarte as glosas realizadas deve ser mantida. o) Glosa créditos de Notas Fiscais de aquisição para revenda Quanto aos insumos agrícolas, a Fiscalização identificou que a Recorrente auferiu créditos presumidos referentes a aquisição de insumos agrícolas de pessoas físicas com base no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, Fl. 19856DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 29 55 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Nos termos do relatório fiscal, foram glosados aquisições de produtos referentes a Notas Fiscais de produtos adquiridos para revenda. Nos termos previstos na legislação o crédito presumido referese a produtos adquiridos para industrialização. Em que pese os argumentos constantes do recurso voluntário, que tais produtos fariam parte do processo produtivo da Recorrente, não foram trazidos elementos no recurso voluntário que pudessem contrapor a afirmação do despacho decisório que listou produtos cujas Notas fiscais constavam que os produtos foram adquiridos para revenda. Portanto, nesta matéria não assiste razão ao recurso. p) Das despesas referentes à energia elétrica e energia térmica Foram glosados pela Fiscalização os valores relativos as despesas com serviços de gerenciamento de energia elétrica e agenciadora de energia elétrica e despesas com serviço de medição de motores elétricos. Os argumentos da Fiscalização caminham no sentido de que os serviços de gerenciamento e agenciamento não constituem consumo de energia elétrica. Sem dúvida os serviços referentes a agenciamento e gerenciamento não correspondem a consumo de energia elétrica, entretanto, é inequívoco que tais despesas estão vinculadas a energia elétrica e portanto, ao meu sentir, também estão aptas a gerar créditos na apuração das contribuições não cumulativas. Assim, nesta matéria cabe razão aos argumentos do recurso. q) Multa de ofício responsabilidade sucessão Quanto a multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento), a sua exigência está prevista no inciso I, do art. 44, da Lei 9.430/96, sendo aplicada nos lançamentos de ofício para cobrança de débitos tributários. Fl. 19857DF CARF MF 56 “Art.44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” No caso em tela foi realizado o lançamento de ofício, formalizado por meio do Auto de Infração e, portanto, tornase obrigatória a exigência da multa de ofício no valor de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada sobre o valor do tributo exigido. Quanto a alegação da Recorrente que não poderia ser aplicada a penalidade sobre a empresa sucessora, tal argumento não resiste a determinação legal prevista no art. 129 do Código Tributário Nacional. SEÇÃO II Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O CTN deixa cristalino a responsabilidade dos sucessores sobre os lançamento fiscais já constituídos ou aqueles que porventura sejam constituídos posteriormente aos atos da sucedida. Assim, não assiste razão à Recorrente quanto a esta matéria. r) Juros sobre a multa de ofício Alega ainda, a Recorrente, suposta ilegalidade na exigência de juros sobre a multa de ofício. Também quanto a esta matéria não assiste razão ao recurso. A multa de ofício é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento, a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento, não existindo nenhuma determinação legal para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há como separar a multa de ofício do total do crédito exigido. A matéria já foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão nº 9101001.350, na sessão do dia 15 de maio de 2012, quando foi decidido pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A ementa do citado acórdão ficou assim redigida. Fl. 19858DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 30 57 "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, exvi dos arts.29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002." Por fim, consta do recurso, diversas alegações de ofensa a princípios constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da emissão da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre constitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para acatar a possibilidade de se apurar créditos de PIS e da COFINS não cumulativos referente a uniformes, vestuários, equipamentos de proteção, uso pessoal, materiais de limpeza, desinfecção e higienização; análises laboratoriais; lubrificantes, inibidor de corrosão, anticogelante propilenogclicol e polímero utilizado no tratamento de água; despesas com operador logístico; produtos para movimentação de cargas e embalagens, pallets utilizados no transporte interno de produtos e/ ou como embalagem de proteção, no transporte dos produtos vendidos; fretes de produtos acabados e fretes de matéria prima; crédito extemporâneo referente a despesas de armazenagem e frete nas operações de venda; dos créditos presumidos alíquota; das despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos; das despesas referentes à gerenciamento e medição de energia elétrica. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Voto Vencedor Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 19859DF CARF MF 58 Na condição de Redator Designado para o Voto Vencedor, no que se refere exclusivamente à possibilidade de apropriação de créditos decorrentes do aluguel de granja na sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS, passo a expor a fundamentação pertinente. A discussão neste item restringese ao aluguel de granjas em área rural. A Fiscalização entendeu que a previsão legal para créditos nas despesas de aluguel restringese a prédios e máquinas e o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação. Nos termos do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/03 no caso da COFINS, bem como o inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02 para o PIS, resta autorizada a apropriação de créditos sobre alugueis de prédios utilizados nas atividades da empresa: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2oa pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Em que pese o entendimento do nobre Relator no sentido de que o aluguel de áreas rurais não estão previstas na legislação, devese entender que as granjas devem ser entendidas no conceito de "prédios" "utilizados nas atividades da empresa" adotado pela legislação. Não obstante, é possível identificar o conceito de "prédio rural" trazido pelo Estatuto da Terra (Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964.): Art. 4º Para os efeitos desta Lei, definemse: I " Imóvel Rural", o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização que se destina à exploração extrativa agrícola, pecuária ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada; Por pertinente, trago a Solução de Consulta COSIT nº 331, de 21 de junho de 2017, que aborda tanto a questão do bem imóvel, compreendido além da definição leiga de prédio edificado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPEMENTA: REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO ARRENDAMENTO AGRÍCOLA. A pessoa jurídica submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS/Pasep pode descontar créditos sobre aluguéis de prédios pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, desde que obedecidos todos os requisitos e as condições previstos na legislação. A remuneração paga pelo arrendatário em relação ao bem arrendado é denominada de aluguel, representando a retribuição pelo uso e gozo do bem imóvel. Fl. 19860DF CARF MF Processo nº 11516.724153/201385 Acórdão n.º 3301005.016 S3C3T1 Fl. 31 59 A Lei nº4.504, de 30 de novembro de 1964 (Estatuto da Terra), e a Lei nº8.629, de 25 de fevereiro de 1993, definem "imóvel rural" como sendo o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, quer através de planos públicos de valorização, quer através de iniciativa privada. É princípio geral de hermenêutica que onde a lei não distingue não cabe ao intérprete distinguir. Desta forma, o conceito de prédio contido no inciso IV do art. 3ºda Lei nº10.637, de 2002, engloba tanto o prédio urbano construído como o prédio rústico não edificado. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso IV; Lei nº4.504, de 1964 (Estatuto da Terra); Lei nº8.629, de 1993; Decreto nº59.566, de 1966, art. 3º; e Decreto nº4.382, de 2002, art. 9º. Notase que que o conceito de prédio albergado pela legislação tributária vai muito além do edifício, abrangendo tudo aquilo que, por natureza ou por acessão, seja bem imóvel destinado às atividades do locatário, inclusive o chamado bem imóvel rural rústico. Pelo exposto, entendo que os prédios destinados às granjas e locadas pela Recorrente, evidentemente utilizadas na atividade da empresa, são considerados prédios para fins de apuração do crédito do PIS e da COFINS não cumulativos, nos exatos termos dos incisos IV dos arts. 3º das Leis nº 10.833/03 e Lei nº 10.637/02, uma vez que a legislação não faz qualquer distinção quanto à serem tais prédios urbanos ou rurais. É como voto, para dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, apenas para conceder a possibilidade de se apurar créditos de PIS e da COFINS não cumulativos referente as despesas de aluguel de granjas. (assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 19861DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904596/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
Pagamento Indevido. Direito de Crédito. ônus da Prova.
Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Nos pedidos de restituição e nos casos de declaração de compensação, o ônus da prova do indébito é do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 96 /2 01 2- 13 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10930.904596/201213 Acórdão n.º 1301003.391 S1C3T1 Fl. 77 2 Relatório Tratase de recurso interposto por RCC VEÍCULOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra a decisão da DRJ, que negou provimento à manifestação de inconformidade da recorrente, mantendo o despacho decisório da DRF de origem. No referido despacho decisório, a autoridade administrativa não reconheceu a existência do crédito pleiteado pela recorrente e, assim, deixou de homologar a compensação declarada em dcomp. A decisão fundouse no argumento de que, embora tendo sido encontrado o DARF, o pagamento já estava inteiramente utilizado para quitar outro débito da própria recorrente, não remanescendo qualquer valor. Não homologada a compensação, sobreveio manifestação de inconformidade, à qual a DRJ negou provimento. O órgão julgador de primeira instância deixou consignado que a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, quando destinada a reduzir ou excluir tributo, só é admissível quando comprovado o erro em que se funda a retificação. Além disso, incumbe ao sujeito passivo apresentar a prova da existência do crédito pleiteado, de tal modo a viabilizar, para a autoridade administrativa, a verificação de liquidez e certeza do direito. Não resignada, a contribuinte interpôs recurso. Disse que, após realizar revisão contábil, constatou ter apurado incorretamente débitos de tributo. Diante disso, apresentou declarações de compensação a fim de recuperar os valores pagos indevidamente. Com o mesmo propósito, retificou DIPJ e DCTF, nesta última declarando valor de débito menor do que aquele que havia sido recolhido, resultando daí um crédito a favor da recorrente. A recorrente sustenta que as declarações retificadoras devem ser aceitas como prova de seu direito. Nessa linha de argumentação, distingue procedimento administrativo tributário de processo administrativo tributário. O primeiro nada mais seria do que a ação de acompanhamento realizado pelo órgão público, sem conteúdo de litígio, apenas com finalidade informativa. O processo, ao contrário, teria por objeto a resolução de um conflito em matéria tributária, cabendo à Administração o controle de legalidade dos atos praticados pelo contribuinte. Segundo essa classificação, o presente processo seria apenas um procedimento administrativo, instaurado pela Receita Federal para verificar a declaração de compensação entregue pela recorrente. Só após o lançamento fiscal é que se teria processo administrativo tributário propriamente dito, bastando para tanto que o contribuinte formalizasse a impugnação, ou seja, a resistência face à pretensão fiscal. Em vista desses argumentos, concluiu que o acórdão da DRJ cometera grave equívoco ao desconsiderar a DCTF retificadora, sob o fundamento de que a retificação se dera após a ciência do despacho decisório. Concluiu dizendo que, no caso concreto, o processo administrativo se instaurou apenas com a apresentação da manifestação de inconformidade, não existindo antes disso lançamento tributário. Nessa linha de raciocínio, seria incorreto desconsiderar a DIPJ e a DCTF como provas da retificação dos valores anteriormente informados. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10930.904596/201213 Acórdão n.º 1301003.391 S1C3T1 Fl. 78 3 No mais, aduziu que não tinha sofrido procedimento de fiscalização, nem os débitos haviam sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN. Somente com a decisão recorrida é que se tomou ciência de um processo administrativo de cobrança de débitos. Com esses fundamentos, pugnou pelo reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia gira em torno da existência do direito creditório oriundo de pagamento parcialmente indevido de tributo. A DRF de origem não homologou a compensação porque o pagamento se encontrava inteiramente alocado a um débito declarado pela própria recorrente. A DRJ, por sua vez, negou provimento à manifestação de inconformidade por falta de comprovação do direito. Nos pedidos de restituição e nas compensações, cumpre ao contribuinte, em primeiro lugar, fazer prova do pagamento, ou seja, demonstrar que o dinheiro entrou nos cofres públicos. Depois, tem de provar que esse pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. Vale dizer, provar que houve erro na apuração do débito; ou provar que quem pagou não era devedor ou aquele que recebeu o pagamento não era o credor (erro quanto ao sujeito da relação jurídica). O contribuinte não precisa provar que pagou por erro, nem que o erro era escusável. Basta demonstrar que o pagamento se fez em desacordo com a legislação aplicável. No caso em exame, a recorrente cingiuse a afirmar que fizera uma revisão contábil, que evidenciou erro na apuração do débito. Não disse, entretanto, em que consistia o erro. O erro, em tese, pode decorrer de inúmeras situações, tais como a inclusão na base de cálculo de receitas isentas ou imunes, de receitas já tributadas ou passíveis de diferimento; do registro de meros ingressos de caixa como sendo valores tributáveis; da falta de registro de despesas dedutíveis. Ademais, o indébito pode ter origem em toda sorte de equívocos referentes aos ajustes do lucro líquido, bem como do emprego de alíquotas incorretas. Diante da imprecisão e da forma lacônica como o fato constitutivo do direito da recorrente foi descrito no recurso, tornase ocioso qualquer exame de livros fiscais e contábeis, bem como a determinação de qualquer tipo de diligência, em face da impossibilidade de delimitar o objeto a ser examinado. Ressaltese que a retificação da DCTF, ou de qualquer outra declaração pelo próprio contribuinte, depois de ter sido intimado do despacho decisório, não serve como prova do pretenso direito creditório. Nesse sentido é o Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e a jurisprudência do CARF. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10930.904596/201213 Acórdão n.º 1301003.391 S1C3T1 Fl. 79 4 Na situação em análise, além de a retificação da DCTF ser posterior à intimação do despacho decisório, não há no recurso sequer a descrição do fato de que teria se originado o crédito pretendido. A regra básica, em matéria de prova, é a de que aquele que alega o fato tem o ônus de proválo. Portanto, se no auto de infração o ônus da prova é da autoridade fiscal, nos pedidos de restituição e nas compensações o ônus de provar o indébito é daquele que bate às portas do Fisco, reivindicando o direito. Por último, cabe dizer que, no caso em exame, a solução da controvérsia passa ao largo das supostas diferenças entre processo e procedimento. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.720128/2014-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda.
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
Numero da decisão: 2402-006.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindo-se valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16151.720128/201411 Recurso nº 1 De Ofício Acórdão nº 2402006.402 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SEME EMPREITEIRA S C LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR DE ALÇADA INFERIOR AO ESTABELECIDO EM PORTARIA DO MINISTRO DA FAZENDA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso de ofício cujo crédito exonerado, incluindose valor principal e de multa, é inferior ao estabelecido em ato editado pelo Ministro da Fazenda. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VIGÊNCIA. DATA DE APRECIAÇÃO. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mario Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 72 01 28 /2 01 4- 11 Fl. 588DF CARF MF Processo nº 16151.720128/201411 Acórdão n.º 2402006.402 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que o crédito exonerado, principal e encargos de multa, relativos a contribuições previdenciárias de custeio, beneficio, terceiros e sanções pecuniárias, superava a época o valor de alçada estipulado no art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. O valor objeto de exoneração é inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vindo a julgamento apenas o Recurso de Oficio. É o relatório." Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 19515.722966/201271, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 03 de julho de 2018: Acórdão nº 2402006.333 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Antes de adentrar a análise do caso concreto, importa observar que o presente julgamento terá efeitos sobre lote repetitivo, eis que o caso em foco foi eleito como paradigma e terá seu resultado aplicado ao lote a que esta relacionado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 16151.720128/201411 Acórdão n.º 2402006.402 S2C4T2 Fl. 4 3 Admissibilidade. Tratase de Recurso de Oficio manejado, por força de reexame necessário, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, tendo em vista que, à época em que foi proferida a decisão de primeira instância administrativa, o crédito exonerado superava o valor de alçada estipulado estabelecido em ato próprio. De acordo com o I do art. 34 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. (Grifouse) O colegiado a quo proferiu decisão em que julgou parcialmente procedente a impugnação, exonerando créditos relativos ao principal e encargos de multas em valor inferior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil de reais) Cabe ao colegiado julgar a admissibilidade do Recurso de Oficio e, constatandose que o crédito exonerado é inferior àquele que levaria o caso a um reexame necessário na atualidade, não conhecer de referido recurso. O limite referido está posto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 590DF CARF MF Processo nº 16151.720128/201411 Acórdão n.º 2402006.402 S2C4T2 Fl. 5 4 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Oficio ora julgado, ao caso deve ser aplicado o limite de dispensa atualmente vigente, conforme entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto voto por não conhecer do Recurso de Oficio em razão de o crédito exonerado ser inferior ao limite estabelecido no art. 1º a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula CARF 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza” Conclusão Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 591DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.902671/2013-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE.
Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
Numero da decisão: 1401-002.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo.
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COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO EM DIPJ. PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL E INFORMALIDADE. POSSIBILIDADE. Comprovado mediante documentação e informações da DIPJ da empresa, apresentada antes do envio do PER/DCOMP, que os valores de apuração do IRPJ e/ou CSLL foram recolhidos em montante superior ao efetivamente devido, há de reconhecer a existência dos créditos e homologadas as compensações, mesmo não tendo sido retificada a tempo a DCTF da empresa, em atendimento aos princípios da Verdade Material e da Informalidade que regem o processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, os conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 26 71 /2 01 3- 38 Fl. 711DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior realizado pela empresa. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DIPJ) relativa à apuração do crédito antes da apresentação do PER/DCOMP e, em tais declarações consta o valor correto do débito do período que confirma a existência do pagamento a maior. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Cientificado da Decisão de Piso, na qual foi considerada improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido. Há de se aferir o real valor devido do débito para se constatar a existência ou não do crédito. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. É o relatório. Fl. 712DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.932, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10480.902672/2013 82, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.932): O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, há de se fazer algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor Fl. 713DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 5 4 confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Essa forma de procedimento é, inclusive, condenada por colegas desta Turma do CARF quando entendem que ocorre cerceamento do direito de defesa na medida em que o indeferimento do crédito é realizado sem nenhuma prévia intimação ao contribuinte. Em minha opinião não creio na existência de um cerceamento do direito de defesa pela simples inexistência de intimação prévia, no entanto, discordo que toda a análise seja feita pela simples conferência com a DCTF. Ora, se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que sempre entendi que desta mesma forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, Fl. 714DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 6 5 como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Para tanto, fizemos juntar ao processo os seguintes documentos: DIPJ, DACON e extratos de pagamentos. Com base nestes documentos realizaremos o confronto entre os valores dos débitos informados na DIPJ/DACON, se as declarações haviam sido apresentadas antes da emissão do despacho decisório e o confronto com os valores efetivamente pagos a fim de se demonstrar a apuração do crédito previamente ao despacho decisório e o montante, se existente, destes créditos. DOS PROCESSOS REPETITIVOS VINCULADOS A análise deste processo prendese apenas a um PER/DCOMP vinculado a um DARF específico, entretanto, outros processos relativos a pagamentos indevidos do mesmo contribuinte encontramse vinculados a este processo sob a sistemática de recursos repetitivos. Assim, entendemos por bem, a fim de facilitar o entendimento do contribuinte/recorrente e das unidades preparadoras e submetemos à apreciação deste colegiado que esta decisão seja reproduzida para todos os processos identificados na tabela abaixo a fim de que o resultado de cada processo seja específico e as compensações sejam tratadas individualmente quando do retorno à delegacia de origem. Desta forma, apresentamos a tabela abaixo na qual consta a análise do crédito de cada PER/DCOMP e o valor do crédito apurado após o confronto entre o valor do débito apurado em DIPJ e o valor efetivamente pago pela empresa, destacandose que foram analisadas apenas as declarações enviadas pela empresa antes da emissão do despacho decisório. Período de Tipo de Valor informado Data de Valor na Valor pago Valor do Processo Apuração Tributo em DIPJ Entrega DCTF em DARF Crédito Vinculado mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 98.599,23 97.623,00 25.294,77 10480902.674/201371 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 103.968,49 97.623,00 25.294,77 10480902.675/201316 mar/10 CSLL 72.328,23 29/06/2011 97.623,00 97.623,00 25.294,77 10480902.673/201327 dez/10 CSLL 136.577,85 29/06/2011 210.299,67 210.299,67 73.721,82 10480902.676/201361 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 279.739,28 262.666,00 68.576,13 10480902.669/201369 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 265.292,66 262.666,00 68.576,13 10480902.668/201314 mar/10 IRPJ 194.089,87 29/06/2011 262.666,00 262.666,00 68.576,13 10480902.667/201370 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 477.067,58 472.344,14 222.535,25 10480902.671/201338 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 481.743,78 472.344,14 222.535,25 10480902.672/201382 mar/11 IRPJ 249.808,89 29/06/2012 472.344,14 472.344,14 222.535,25 10480902.670/201393 Assim, conforme demonstrado na tabela acima, após o confronto entre os valores informados pelo contribuinte nas Fl. 715DF CARF MF Processo nº 10480.902671/201338 Acórdão n.º 1401002.937 S1C4T1 Fl. 7 6 declarações que demonstram a apuração dos tributos devidos, no caso DIPJ e DCTF, e os valores dos recolhimentos realizados entendo que, em razão do princípio da verdade material e da informalidade, há de se realizar a apuração dos créditos a que faz jus a empresa a partir dos montantes apurados nas declarações apresentadas pela empresa além de apenas a DCTF, mais ainda, quando no presente caso verificase que os valores apurados foram obtidos das declarações originalmente entregues e sem se constatar inconsistências destas. À vista de todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário a fim reconhecer o direito de crédito da empresa nos seguintes valores e processos, homologando as compensações a eles vinculadas. Valor do Processo Crédito Vinculado 25.294,77 10480902.674/201371 25.294,77 10480902.675/201316 25.294,77 10480902.673/201327 73.721,82 10480902.676/201361 68.576,13 10480902.669/201369 68.576,13 10480902.668/201314 68.576,13 10480902.667/201370 222.535,25 10480902.671/201338 222.535,25 10480902.672/201382 222.535,25 10480902.670/201393 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 716DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901855/2008-91
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004
PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. DARF. PAGAMENTO. EXTINÇÃO.
Constatado que o débito tributário não compensado por inexistência de crédito disponível foi integralmente pago, mediante recolhimento da respectiva via Darf, resta extinto o crédito tributário exigido que culminou na não homologação da respectiva compensação.
Numero da decisão: 3001-000.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. DARF. PAGAMENTO. EXTINÇÃO. Constatado que o débito tributário não compensado por inexistência de crédito disponível foi integralmente pago, mediante recolhimento da respectiva via Darf, resta extinto o crédito tributário exigido que culminou na não homologação da respectiva compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 PER/DCOMP. DÉBITO DECLARADO. DARF. PAGAMENTO. EXTINÇÃO. Constatado que o débito tributário não compensado por inexistência de crédito disponível foi integralmente pago, mediante recolhimento da respectiva via Darf, resta extinto o crédito tributário exigido que culminou na não homologação da respectiva compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Francisco Martins Leite Cavalcante e Marcos Roberto da Silva. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 0538.803, da 3ª Turma Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP DRJ/CPS que, na sessão de julgamento realizada em 27.08.2012 (efls. 114 a 118), julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório indicado no Pedido Eletrônico de Restituição/Declaração de Compensação Per/Dcomp em questão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 18 55 /2 00 8- 91 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 162 2 Da ementa do acórdão recorrido A 3ª Turma da DRJ/CPS, ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, exarou o já citado acórdão, cuja ementa colacionase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/05/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débitos confessados. A alegação de erro no preenchimento do documento de confissão de dívida deve ser acompanhada de provas que atestem a declaração a maior de tributo a pagar, justificando a alteração dos valores registrados em DCTF. Sem a comprovação da liquidez e certeza quanto ao direito de crédito não se homologa a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Da síntese dos fatos Adotase, como de costume neste colegiado extraordinário, para o acompanhamento inicial dos fatos, matérias, pedidos e trâmite dos autos, o relatório encartado no acórdão recorrido, que segue transcrito: Relatório Tratase de Declaração de Compensação DCOMP, com base em suposto crédito de Cofins do período de apuração maio/2004, decorrente de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório eletrônico de não homologação da compensação, fundamentando: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão do PER/DCOMP: 2.590,16 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 163 3 (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, incorreção na informação prestada na DCTF do 2º trimestre de 2004, no que se refere ao valor do débito de maio, a qual foi devidamente retificada por DCTF transmitida em 18/08/2008. Anexou, dentre outros documentos, cópias do comprovante de arrecadação e das DCTF original e retificadora. Do recurso voluntário Irresignado ainda com o desfecho de seu pleito e, mais especificamente, com a decisão contida no acórdão vergastado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 124 a 145) para, em síntese, alegar que: (i) a RFB não analisou a DCTF retificadora no que diz respeito ao período de apuração maio/2004 (fls. 97) e por isso não reconheceu o crédito oriundo da retificação; (ii) a RFB analisou a DCTF retificadora no que tange ao período de apuração junho/2004, que informa incorretamente o valor do débito apurado relativo a Cofins (fls. 98); (iii) de fato existia o crédito e este foi aproveitado no período de junho/2004 como complemento do pagamento do valor informado incorretamente; (iv) posteriormente o valor glosado foi pago através de Darf, com os benefício previstos na Lei nº 11.941, de 2008; (v) o crédito em discussão foi extinto nos termos do artigo 156, incisos I e II do CTN, logo o débito ora exigido está extinto, não podendose prosseguir na sua cobrança. Do encaminhamento Em razão disso, os autos foram encaminhados ao Carf, que na forma regimental foi distribuído e sorteado para manifestação deste colegiado extraordinário da 3ª Seção, cabendo a este conselheiro a relatoria do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da competência para julgamento do feito Observo a competência deste Colegiado para apreciar o presente feito, na forma do artigo 23B do Anexo II da Portaria MF 343 de 09.06.2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf, com redação da Portaria MF 329 de 2017. Da tempestividade O recurso voluntário foi juntado em 12.11.2012, conforme depreendese do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 146), depois da ciência Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 164 4 ocorrida em 23.10.2012, conforme observase do "TERMO DE ANÁLISE DE SOLICITAÇÃO DE JUNTADA" (efl. 122), portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dele conheço. Das constatações observadas com a apresentação do recurso voluntário Em 13.08.2004 o recorrente transmitiu a DCTF, referente ao 2º trimestre de 2004 (Cofins/maio), informando equivocadamente o valor R$ 11.361, 23 (fls. 11 e 53). Em 18.08.2004, constatado referido equívoco, apresentou DCTF retificadora, a fim de constar o valor de R$ 8.771,07 (fl. 97), evidenciando, por conseguinte, um recolhimento a maior original de R$ 2.590,16. Não obstante a retificação da DCTF haver corrigido o valor devido para a Cofins apurada para o mês de maio/2004, na referida declaração retificadora o recorrente equivocase uma vez mais, desta feita quanto ao valor devido a título de Cofins apurada para o mês de junho/2004, quando informa como devida a importância de R$ 12.535,24 quando o deveria ter informado o valor de R$ 9.913,22, erro decorrente do acréscimo do valor R$ 2.622,02 referente à retificação do período de maio R$ 2.590,16, corrigido (fls. 53 e 98). Não obstante este acréscimo indevido, informado na DCTF retificadora relativos à Cofins apurada no mês de junho/2004, ao fim e ao cabo os valores compensados e recolhidos equivalem aos valores efetivamente devidos mas equivocadamente informados (fl. 98). Em 16.10.2009, diante da glosa do crédito em referência, o recorrente providenciou o recolhimento da referida importância R$ 2.622,02, acrescida dos encargos decorrentes da mora. Desta feita, vejamos o que constam informados na Per/Dcomp 35251.07686.130704.1.3.044397 (fl. 02) e no acima mencionado Darf, juntado na presente peça recursal. Per/Dcomp 35251.07686.130704.1.3.044397 (página 2): Grupo de Tributos: COFINS Data de Arrecadação: 15/06/2004 Valor Original do Crédito Original: 2.590,16 Crédito Original na Data de Transmissão: 2.590,16 Selic Acumulada: 1,23% Crédito Atualizado: 2.622,02 Total dos débitos desta DCOMP: 2.622,02 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: 2.590,16 Saldo do Crédito Original: 0,00 Darf recolhido em 16.10.2009 (Doc. 4) 02 PERÍODO DE APURAÇÃO 07/07/1980 03 NUMERO DO CPF OU CNPJ 59.164.103/000130 04 CÓDIGO DA RECEITA 5856 05 NÚMERO DE REFERENCIA 10882902269200863 06 DATA DE VENCIMENTO 15/07/2004 07 VALOR DO PRINCIPAL 2.622,02 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10882.901855/200891 Acórdão n.º 3001000.514 S3C0T1 Fl. 165 5 08 VALOR DA MULTA 09 VALOR DOS JUROS E/OU ENCARGOS (Lei 11.941) 1.004,49 10 VALOR TOTAL 3.626,51 Nos termos do disposto no inciso I do artigo 156 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito, o pagamento extingue o crédito tributário, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário I o pagamento; (...) Da análise do presente processo verificase que o presente recurso voluntário foi interposto para tão somente dar a conhecer que o recorrente efetuou integralmente quitação de seu valor devedor consolidado R$ 2.622,02, com o acréscimo dos devidos encargos da mora, referenciado no Despacho Decisório Nº de Rastreamento: 775565420, emitido em 18.07.2008, que concluiu pela não homologação da compensação declarada, em face da inexistência do crédito informado no Per/Dcomp 35251.07686.130704.1.3.044397. Portanto, se o pagamento extingue o crédito tributário lançado, não havendo, pois, nada mais a contestar em relação ao procedimento fiscal em apreço, segundo determina o Código Tributário Nacional art. 156, I do entendo, portanto, que se esgotou o objeto da lide, em face da extinção do crédito tributário. Da conclusão Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, para, no mérito, darlhe provimento, reconhecendose o direito creditório e homologandose a compensação realizada no Per/Dcomp em questão. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904269/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter de diligência.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter de diligência. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO Por descrever todos os fatos, adoto o relatório da DRJ, que passo transcrever: Trata o presente de Pedido de Restituição transmitido pelo Sistema PER/DCOMP sob nº 33124.99816.280708.1.2.045949, data da transmissão 28/07/2008, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo PIS, código da receita 4574, referente ao período de apuração 31/01/2006, no valor de R$ 64.457,15, contido em pagamento efetuado em 15/02/2006, no valor de R$ 80.194,10. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 26 9/ 20 12 -6 6 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 143 2 Despacho Decisório eletrônico da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf), em São Paulo– SP, datado 04/09/2012, de doc. de fls. 87, indeferiu o pedido de restituição sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: 1. Que seu crédito existe e pelos documentos acostados ao presente não deixam dúvidas que efetuou o recolhimento da Contribuição calculado sobre base de cálculo diversa da constitucionalmente prevista; 2. Que seu pedido não deveria ser indeferido de plano, sem ao menos ter sido intimado a apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72; 3. O pedido de restituição tem por fundamento o fato de o Impugnante ter efetuado o recolhimento da Contribuição nos termos da Lei nº 9.718/98, sendo certo que foi reconhecida a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, entendendo só ser possível a exigência com base no faturamento das empresas, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços; 4. Que o faturamento é conceito de Direito Comercial e de acordo com a legislação, doutrina e jurisprudência do STF corresponde à receita bruta tal como definida pela Lei Complementar 07/91, não se compreendendo, portanto, neste conceito quaisquer outras receitas, tais como as provenientes de juros sobre capital próprio, dividendos, receitas financeiras, etc.; 5. Destaca que quando a Contribuição Federal outorgou competência a União para instituição de uma contribuição social sobre uma base de cálculo específica, conceitualmente bem delimitada, de modo que a base de calculo não se altera em função do objeto social de cada pessoa jurídica. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes; 6. Que nos termos do Regulamento do Imposto de Renda as receitas financeiras são consideradas receitas operacionais que compõem o lucro operacional, independentemente de qual seja o objeto social da pessoa jurídica; Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 144 3 7. Que a questão do entendimento se as receitas financeiras compõem a receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras está pendente de decisão pelo Supremo Tribunal Federal; 8. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira; 9. Que além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, o Impugnante, realiza também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Pelo exposto requer seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade para o fim de reformar o despacho decisório, com o deferimento do pedido de restituição pleiteado. Seguinte a marcha processual normal, a DRJ proferiu acórdão na seguinte forma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/02/2006 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 145 4 sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido É o relatório. VOTO Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das constituições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.904269/201266 Resolução nº 3201001.345 S3C2T1 Fl. 146 5 As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência para que o Contribuinte: (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Laércio Cruz Uliana Junior Conselheiro (assinado digitalmente) Fl. 146DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.021584/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. TOMADOR DE SERVIÇO. SEST E SENAT.
A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais e transportadores autônomos, nos termos da legislação previdenciária.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
AUSÊNCIA DE NULIDADE
O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.
PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas.
INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO.
As intimações deverão ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Impossibilidade de endereçamento das intimações para o escritório dos advogados diante da inexistência de previsão legal.
Numero da decisão: 2401-005.714
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DA EMPRESA. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. TOMADOR DE SERVIÇO. SEST E SENAT. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a contribuintes individuais e transportadores autônomos, nos termos da legislação previdenciária. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 15 84 /2 00 8- 49 Fl. 1033DF CARF MF 2 INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. INDEFERIMENTO. As intimações deverão ser direcionadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Impossibilidade de endereçamento das intimações para o escritório dos advogados diante da inexistência de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de DEBCAD 37.183.9670 (fls. 2), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 3.525,27 (três mil, quinhentos e vinte e cinco reais e vinte e sete centavos), referente às contribuições descontadas dos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos, destinadas aos terceiros SEST e SENAT, relativo ao período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o Relatório do Auto de Infração (fls. 44/47), o débito foi apurado com base nas folhas de pagamento, livro diário e razão em meio magnético, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS, bem como nos recibos pagos a contribuintes individuais autônomos e transportadores autônomos. Ainda de acordo com o citado Relatório, restou lá consignado que se constatou que o contribuinte não teria efetuado, em sua totalidade, o recolhimento das Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 3 3 contribuições descontadas dos segurados acima indicados, posto que não informou a totalidade dos valores dos fatos geradores das contribuições. Registrou também o Fisco, que os valores pagos aos contribuintes foram escriturados nas contas contábeis de códigos: 91502000029 — FRETES S/ INS. PRODUÇAO RPA, 91501000034 — FRETES S/ MATERIA PRIMA RPA, 91502000009 — FRETES S/ INSUMOS RPA, 91501000008 — FRETES S/ MATERIA PRIMA. Os fatos geradores foram identificados nos seguintes levantamentos: Levantamento Descrição Fatos Geradores FRN Frete não declarado em GFIP Remuneração paga a contribuintes individuaus transportadores autônomos. “FRN – Frete não declarado em GFIP”, neste levantamento estão lançadas as contribuições destinadas aos terceiros SEST e SENAT, incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais transportadores autônomos (fretes). Devidamente cientificado do lançamento em 22/12/2008 (fl. 116), o Interessado apresentou impugnação tempestiva em 21/01/2009 (fls. 118/133), alegando, em síntese: (i) A previsão do direito à defesa. Defende o direito de 30 (trinta) dias para apresentação da sua Impugnação; (ii) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (iii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iv) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração dos empregados no período de 01 a 11/2004. Discorre informando que conforme as GFIP’s apresentadas no período, não existiriam discrepâncias e os recolhimento sobre as folhas foram realizados de forma devida. Que as oscilações da planilha enviada referemse à rescisões contratuais realizadas conforme documentos inclusos, em especial a RE anexa à GFIP e ao CAGED. Que a fiscalização não teria considerado tal fato. (v) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária discutida. Discorre que há equívoco perpetrado pela fiscalização, ao não considerar a regra de definição do saláriodecontribuição do transportador autônomo. Que nos lançamentos da fiscalização, os valores lançados correspondem ao valor bruto do frete, quando deveria ser apenas o percentual de 20% e que, dessa forma, o auto deve ser declarado nulo; (vi) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração paga, distribuída ou creditada a autônomos, avulsos e demais pessoas físicas de que tratam a Lei Complementar nº 84/96 até 02/2000 e contribuintes individuais no período de 01 a 02, 07 a 10/2004. Repisa os argumentos Fl. 1035DF CARF MF 4 expostos no tópico acima, acrescentando que a empresa recolheu em conjunto com as contribuições por si devidas, as contribuições previdenciárias retidas. Que como houve por provada a retenção de 11% sobre os fretes e serviços de transportadores autônomos, os valores lançados pela fiscalização no importe de 20% sobre o valor bruto das RPA’s é ilegal, causando enriquecimento sem causa, posto que só poderia ser computado a eventual diferença de 9%, razão pela qual necessária perícia. Discorre, ainda, informando que no caso de transportadores autônomos, sempre era recolhida a contribuição devida ao SEST/SENAT, conforme documentos inclusos. Que existem vários documentos denominados reembolso de impostos, que não significam qualquer tipo de remuneração dos contribuintes transportadores autônomos. E que nos Postos Fiscais da SEFAZ, ao pararem para a liberação da carga e apresentação de nota fiscal das mercadorias transportadas, os prestadores de serviços apenas retiravam o DAE — DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO ESTADUAL, adiantavam o pagamento, e ao chegarem na Recorrente, eram reembolsados do tributo de obrigação da empresa. Esses valores foram contabilizados pela fiscalização de modo errôneo, deturpando inclusive o próprio fato gerador, já que a parcela adiantada a titulo de pagamento do ICMS não é saláriodecontribuição, pois é reembolsada ao transportador autônomo. (vii) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (viii) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (ix) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (x) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 4 5 (xi) Justificação para a realização de perícia conforme o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Nesse ponto, afirma que a verificação fiscal deve ser submetida à perícia, em razão de que não está clara a aplicação dos valores lançados por meio da fiscalização, posto que a mesma não indica de forma válida e transparente a autuação. Que com a perícia se poderá verificar as alíquotas aplicadas no AI, para verificação de possível diferença entre os valores já devidamente recolhidos e as alíquotas aplicadas pelo digno auditor fiscal. Por fim, requereu: a) o recebimento da defesa, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar nulo o lançamento do crédito tributário, em razão do cerceamento de defesa, pela falta de aplicação correta dos valores sobre o salário de contribuição, pela ausência de indicação dos fatos que geraram a suposta infração; c) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada na documentação da empresa, especialmente para a verificação da alíquota aplicada, se a mesma corresponde à diferença existente; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0936.133 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 913/920, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendose o crédito tributário. Recorde se: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DEBCAD. 37.183.9670 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A contribuição a cargo da empresa, destinada ao custeio das outras entidades e fundos incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das Fl. 1037DF CARF MF 6 infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PROCURADOR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. E descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, pois a intimação da autuada se faz no seu domicilio tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, após ser devidamente cientificada às fls. 926 em 14/06/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 944/959, não inovando, mas repisando todos os argumentos já lançados em impugnação: (i) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (ii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iii) Do lançamento pertinente à falta de recolhimento da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre a remuneração dos empregados no período de 01 a 11/2004. Discorre informando que o crédito tributário foi lançado sob o fundamento do art. 22, I, da Lei 8.212/91; Que a obrigação de recolhimento das contribuições previdenciárias do contribuinte individual é o mesmo, e não há elementos no AI dos valores totais recebidos pelo mesmo; Que o valor a ser recolhido pela previdência não atingiu o valor mínimo previsto no ato da Previdência, e nem era possível recolher na competência seguinte, por ausência de repetição ou prestação de algum serviço, sendo inviável o recolhimento. Que houve excesso normativo. (v) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (vi) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 5 7 Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (vii) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (viii) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; (ix) Justificação para a realização de perícia conforme o inciso IV do art. 16 do Decreto 70.235/72. Nesse ponto, afirma que a verificação fiscal deve ser submetida à perícia, em razão de que não está clara a aplicação dos valores lançados por meio da fiscalização, posto que a mesma não indica de forma válida e transparente a autuação. Que com a perícia se poderá verificar as alíquotas aplicadas no AI, para verificação de possível diferença entre os valores já devidamente recolhidos e as alíquotas aplicadas pelo digno auditor fiscal. Por fim, repete idênticos pedidos da Impugnação: a) o recebimento do Recurso Voluntário, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar nulo o lançamento do crédito tributário, em razão do cerceamento de defesa, pela falta de aplicação correta dos valores sobre o salário de contribuição, pela ausência de indicação dos fatos que geraram a suposta infração; c) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; É o relatório. Fl. 1039DF CARF MF 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 14/06/2012 conforme AR juntado às fl. 926, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/07/2012, às fls. 944/959, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO 2.1 Da contribuição previdenciária devida aos contribuintes individuais autônomos e transportadores autônomos (frete) – SEST e SENAT. Conforme relatado, de acordo com a Fiscalização, o levantamento que originou o débito das contribuições previdenciárias em debate é o seguinte: “FRN FRETE NÃO DECLARADO EM GFIP” – neste levantamento estão lançadas as contribuições destinadas aos terceiros SEST e SENAT, incidentes sobre os pagamentos efetuados a contribuintes individuais transportadores autônomos (frete). Primeiramente, cabe a análise do que se entende por salário de contribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). [...] Nesse sentido, a interpretação simultânea do artigo 195, I e 201, § 4º, ambos da Constituição Federal, leva à conclusão de que a folha de salários abrange o quantum total efetivamente pago ao empregado. Portanto, se a intenção do constituinte fosse que a contribuição incidisse apenas sobre o salário em sentido estrito, não se teria valido, também do Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 6 9 vocábulo “folha”. A Constituição Federal determina em seu artigo 201, § 4ª c/c artigo 195, inciso I: “Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC‑ 20‑ 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” [...] “Art. 201 .(...) § 4º Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei.” Da Leitura dos artigos supracitados, observase que a regra geral em matéria previdenciária é de que a totalidade dos valores recebidos pelo empregado constitui a base de cálculo da contribuição. As exceções estão taxativamente previstas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91. Confirase: “Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 Fl. 1041DF CARF MF 10 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 7 11 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo Fl. 1043DF CARF MF 12 com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) y) o valor correspondente ao valecultura. (Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012)” Ato contínuo, cabe analisar também as diretrizes da Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, que regulou o disposto na Carta Magna, determinando a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de salários, em seu artigo 22, inciso III, in verbis: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). O legislador intencionalmente quis evitar qualquer possibilidade de lucubrações por parte da administração e dos administrados, a respeito da incidência ou não da contribuição previdenciária sobre determinada verba paga. Ademais, de acordo com o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, portanto, inferese que a empresa contribuirá para a Previdência Social com 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas a contribuintes individuais a seu serviço. O art. 21 da mesma lei estabelece que a contribuição previdenciária do próprio contribuinte individual será de 20% sobre o seu salário de contribuição, sendo que o § 26 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 define que a alíquota da contribuição dos contribuintes individuais é de 11% (onze por cento) e será descontada pelas empresas tomadoras de serviços dessa espécie de segurado e repassadas à Previdência Social). Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo salário de contribuição. Com relação às contribuições para o Serviço Social do Transporte SEST, e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT, a combinação do inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/1993 com as alíneas “b” dos incisos I e II do art. 1º do Decreto nº 1.007/1993 é que dá o contorno dessas exações, prescrevendo que o somatório de suas alíquotas totaliza 2,5% sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos, definido pelo inciso II do art. 2º do referido Decreto como sendo a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos em regulamento. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 8 13 Ainda sobre essas contribuições, a alínea do § 3º do art. 2º do Decreto nº 1.007/1993 atribui às empresas tomadoras de serviços de transporte de trabalhador autônomos a responsabilidade por seu recolhimento. Sobre a base de cálculo das contribuições de condutores autônomos, o § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social assinala que essa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor relativo dos rendimentos resultantes desse tipo de serviço: Art.201. [...] [...] §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. Vale lembrar ainda que o art. 4º da Lei nº 10.666/2003 obriga as empresas a arrecadar as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, aí incluídos, por óbvio, os transportadores autônomos. Além do mais, ao estabelecer que as contribuições ao SEST e ao SENAT gozam dos mesmos privilégios aplicáveis às contribuições previdenciárias, o § 2º do art. 7º da Lei nº 8.706/1993 estende essa obrigação (de recolher as contribuições previdenciárias dos condutores autônomos) às contribuições devidas ao SEST e ao SENAT. Ademais, segundo a fiscalização, foram registrados na contabilidade da empresa, de forma genérica, os serviços de transportadores autônomos. De acordo com o Relatório Fiscal de Auto de Infração, o arbitramento do salário de contribuição foi efetuado em decorrência de a empresa não ter procedido aos respectivos lançamentos contábeis de forma individualizada, que possibilitasse a identificação dos prestadores de serviços e transportadores autônomos (frete), apesar dos valores lançados na escrituração contábil. Ou seja, via documentos fornecidos pela própria Recorrente, o que possibilitou a análise minuciosa e criteriosa pela fiscalização. Assim, a obrigação do recolhimento foi calcada baseada em elementos evidenciados e que possibilitaram a correta lavratura do AI respectivo, havendo elementos, repisase, de acordo com os documentos voluntariamente fornecidos, dos valores outrora pagos. Portanto, incabível falarse em ausência de valores mínimos para ser devido o recolhimento da Previdência Social, em razão dos serviços tomados. Carece, portanto, de razão as assertivas insertas na peça recursal quanto a esse ponto, o que impõe negarlhe de provimento. 2.2 Da alegada inconsistência da notificação e ilegalidade do ato. Ausência de infringência ao direito de ampla defesa. Da legalidade do ato administrativo. Fl. 1045DF CARF MF 14 Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos examinados durante a auditoria na empresa autuada, bem como contém o discriminativo de todos os fundamentos legais que suportam o débito, não havendo que se cogitar de nulidade. Isso porque, o lançamento foi originado a partir de uma fiscalização regular, onde se constatou valores devidos pela Recorrente a título de contribuições sociais. Nesse diapasão, o Auto de Infração apresenta de forma discriminada todos os fundamentos que deram origem ao débito apurado em desfavor da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade do presente procedimento por ausência de motivação do lançamento. Nesse passo, os fatos geradores das contribuições cobradas no presente processo tiveram sua ocorrência constatada quando do regular exame da contabilidade da empresa disponibilizada à fiscalização, tendo sido fornecido pela Recorrente e verificado os Livros Diários e Razão Analítico das contas contábeis utilizadas na apuração dos fatos geradores. Diante disso, se entendido pela autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a mesma tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do artigo 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. Confirase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Além disso, o auditorfiscal enquadrase como servidor público. Por efeito, seus atos têm presunções de veracidade e legitimidade, pela fé pública que lhe é conferida. Ainda, por consequência, os autos de infração e os relatórios de fiscalização, confeccionados alcançam as mesmas presunções. No caso em tela, pela leitura dos Fundamentos Legais do Débito (fls. 45/46) e pelo Relatório Fiscal (fls. 49/53), notase claramente que o Auto de Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Isso suficiente não fora, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Recorrente apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento, razão pela qual afasto a alegada nulidade. Desta forma, nego provimento a Recurso Voluntário, neste particular. 2.3 Da Multa Aplicada. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 10380.021584/200849 Acórdão n.º 2401005.714 S2C4T1 Fl. 9 15 A Recorrente assevera ainda que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à sua aplicação, estando a mesma em desacordo com os dispositivos legais. Assim, entende que a multa aplicada é ilegal. Todavia a irresignação não merece prosperar. A fundamentação legal para o procedimento adotado pela Fiscalização, vigente à época dos fatos, encontrase no artigo 35, incisos I, II e III, da Lei n° 8.212/91. Em análise atenta ao Auto de Infração em questão, notase claramente que este se encontra revestido dentro das formalidades legais de estilo, tendo sido lavrado dentro de acordo com a legislação vigente, não havendo que se cogitar de ilegalidade da multa aplicada. Outrossim, como já bem delineado pela DRJ/JFA (fl. 919), autoridade fiscal, quando de sua atuação, tem por dever legal fazer o lançamento de oficio, com imputação de multa, quando constatar irregularidade no recolhimento da contribuição devida pela empresa. Assim se constata dos autos. Dessa forma, mantendo inalterada a decisão recorrida quanto a esse ponto. 2.4 Da perícia. Por fim, a Recorrente ressalta o direito de requerer a realização de perícia, sob argumento de que não estaria clara aplicação dos valores lançados pela fiscalização, para a correta verificação das alíquotas aplicadas no Auto de Infração. Afirma, ainda, que tal direito se consubstancia na possibilidade de produzir provas à inocentar a Recorrente da acusação fiscal. Pois bem. Ao sujeito passivo cabe o ônus da prova em relação ao que alega, devendo fazêlo oportunamente, por ocasião da impugnação, conforme estabelecem os incisos III, IV e parágrafo 4º do artigo 16, do Decreto 70.235/72, na redação dada pelas Leis 8.743/93 e 9.532/97. No caso em exame, considerase desnecessária a perícia proposta por entendêla dispensável para o deslinde do presente julgamento. Todos os fatos estão justificados pela autoridade fiscal, e, ainda que houvesse insuficiência de documentos para comprovar as alegações suscitadas pela Recorrente (mas não é o caso) se dá por sua culpa exclusiva em não cumprir com exatidão seu desiderato. Logo, a avaliação da necessidade de se realizar a perícia participa da esfera da discricionariedade do aplicador e, assim, façome acompanhar de precedentes das três Seções de Julgamento que compõe este Conselho, conforme se depreende: PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões Fl. 1047DF CARF MF 16 controvertidas. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2401 004.612, Rel. Conselheiro Cleberson Alex Friess, Sessão 08/02/2017) PROVA PERICIAL. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada a desnecessidade da produção de novas provas para formar a convicção da autoridade julgadora. (CARF, 3ª Seção de Julgamento, 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 3201000.617, Rel. Conselheiro Daniel Mariz Gudino, Sessão 02/02/2011) PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferido, por demonstrar intenção protelatória, o pedido de perícia para obter informações sem a demonstração da sua necessidade. (CARF, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.470, Rel. Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Sessão 28/05/2008) Assim, pelas justificativas acima descritas, dadas as circunstâncias do caso concreto, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos precedentes ora referenciados, voto por negar provimento ao pedido de diligência e entendo, ademais, neste particular, não ter havido qualquer prejuízo à ampla defesa da Recorrente. 2.5 Das intimações. Por fim, é medida tranquila a manutenção do acórdão no sentido de que as intimações deverão continuar a ser direcionadas ao domicilio tributário eleito pelo contribuinte, ora Recorrente, conforme artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 e Súmula CARF 110. Desse modo, deve ser desprovido o pedido de direcionamento das intimações aos patronos da causa, à míngua de amparo legal. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 1048DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900309/2008-67
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO. DARF COMPENSANDO DÉBITO EXTINTO POR PAGAMENTO.
Constatado efetivo erro de fato no preenchimento da DCOMP, com informação de DARF compensando débito extinto por pagamento, é de se reconhecer o crédito relativo ao pagamento indevido ou a maior apurado bem como a prévia extinção do débito.
Numero da decisão: 1003-000.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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Numero do processo: 10830.900197/2012-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para conhecer o status do mandado de segurança, processo administrativo, declarações e pagamentos mencionados no processo.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 11131.001349/2010-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO.
Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação.
IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA.
Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento.
IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO.
Considera-se dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro.
DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS.
Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração.
PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE.
Aplica-se concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por tratarem-se de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo.
Numero da decisão: 3302-005.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considera-se dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decreto-lei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Aplica-se concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por tratarem-se de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. DECADÊNCIA. MULTA. VALOR DA MERCADORIA INTRODUZIDA IRREGULARMENTE NO PAÍS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 13 49 /2 01 0- 70 Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.072 2 Em se tratando de Auto de Infração para apurar a aplicação de multa calculado sobre o valor da mercadoria introduzida irregularmente no país, a legislação de regência é a aduaneira e não a tributária, uma vez que a exigência não tem natureza de tributo. Assim, o prazo decadencial é estabelecido pelos arts. 139 do Decretolei n. 37/66 e 753 do Regulamento Aduaneiro, os quais estabelecem que o prazo para a constituição da sanção é de 05 (cinco) anos e tem como termo inicial a data da infração. PENA DE PERDIMENTO. FALSIDADE MATERIAL E IDEOLÓGICA DA DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA À INSTRUÇÃO DO DESPACHO ADUANEIRO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. INFRAÇÃO POR DESCRIÇÃO INEXATA OU INCOMPLETA DA MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR ESPECÍFICA. NATUREZA JURÍDICA DISTINTA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. POSSIBILIDADE. Aplicase concomitantemente com a pena de perdimento da mercadoria estrangeira que, na operação de importação, seja utilizado documento falsificado necessário ao processamento do despacho aduaneiro, que será substituída por multa equivalente ao seu valor aduaneiro, se a respectiva mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, quando o importador omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, por trataremse de infrações autônomas e de natureza jurídica distinta, inclusive em atenção a comando legal permissivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, para restabelecer a multa de 1%, relativa a DI 06/11760864, vencidos os Conselheiros Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado). Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência das multas aplicadas relativas às DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, vencido o Conselheiro Jorge Lima Abub, que lhe dava provimento integral. O Conselheiro Jorge Lima Abud apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente Substituto (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Fl. 3072DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.073 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da resolução nº 08002.338, de fls. 2.2042.209: Trata o presente processo de exigência de crédito tributário no valor de R$ 16.656.453,12 (dezesseis milhões, seiscentos e cinqüenta e seis mil, quatrocentos e cinqüenta e três reais e doze centavos), composto das seguintes parcelas: 1. R$ 1.000,00 relativos a MULTA de 1% sobre o valor da mercadoria descrita na DI de forma incorreta ou incompleta, sendo o mínimo da multa igual a R$ 500,00 por cada adição, conforme dispõe o art. 84, inciso I, § 1º da Medida Provisória n° 215835/01. 2. R$ 9.566.873,12 relativos a MULTA de 100% sobre o valor da mercadoria importada com utilização de fatura comercial ideologicamente falsa, por ocultação do efetivo vendedor estrangeiro e subfaturamento, nas importações registradas no período de 01/01/2003 a 31/12/2007. 3. R$ 7.088.580,00 relativos a MULTA de 100% sobre o valor da mercadoria exportada com utilização de notas fiscais ideologicamente falsas por ocultação do efetivo comprador estrangeiro e subfaturamento, nas exportações das embarcações de que tratam os RE n° 05/090888001 e 06/0422109001. A multa de 100% sobre o valor da mercadoria, relativa às irregularidades indicadas nos itens 2 e 3 acima, decorre da conversão de pena de perdimento em multa e foi aplicada conforme dispõe art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66 combinado com o art. 23, inc.V, § 3° do DecretoLei nº 1.455/76, incluídos no ordenamento jurídico pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, verbis, DL nº 37/66 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado DL nº 1.455/76. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.074 4 § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias § 3° A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida [negritei] O procedimento fiscal originouse de determinação judicial, conformeOficio n° OFI.0011.0008506/ 2009 de 30/06/2009 da 11ª Vara da Justiça Federal no Ceará em razão de investigação realizada pela Policia Federal na chamada Operação Luxo, que efetuou mandados de busca e apreensão na sede da empresa fiscalizada e na residência de sócios e diretores De acordo com o relatório fiscal de fls. 10/2152, constatouse as seguintes irregularidades, aqui genérica e resumidamente descritas: A INDUSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA teriam se utilizado das empresas norteamericanas interpostas, OCEANTECH, ALL OCEANS, JASFER, S&S SEAFOOD, para manipular preços e condições de pagamentos de suas operações de comércio exterior. A fiscalização aduz que estas empresas foram registradas em Miami/EUA com o fim especifico de "prestação serviços" de refaturar pedidos do grupo INACE, conforme reconhecido pela própria sócia formal de uma destas empresas estrangeiras (Doc. A.1), ou seja, instruir operações de importações com faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados, conforme quadro abaixo. (...) Após detalhar o procedimento fiscal e o que chamou de “logística fraudulenta” das empresas acima, que seria realizada com o intuito de ocultar os verdadeiros compradores ou vendedores no comércio exterior, a fiscalização passou a indicar individualmente as irregularidades encontradas em diversos documentos de importação e de exportação que os caracterizariam como ideologicamente falsos ou com mera descrição incompleta da mercadoria. DA IMPUGNAÇÃO Cientificada pessoalmente em 15/12/2010 a empresa apresentou em 14/01/2011 a impugnação de fls 2.155/2.202, da qual colho alguns trechos na forma abaixo: A) Decadência o prazo decadencial de cinco anos deve ser contado “da data das efetivas exportações das aludidas embarcações, levadas a cabo uma em 20/01/2005 (nota fiscal de fl. 457), Registro de Exportação de 11/01/2005 (fls. 459/462), despacho aduaneiro de exportação concluído em 20/01/2005 (fl. 467), e Passe de Saída emitido pela RFB em 24/01/2005 (doc. 02, anexo); e outra em 24/06/2005 (nota fiscal de fl 492), Registro de Exportação de 17/06/2005 (fls. 494/504), com Passe de Saída expedido pela RFB em 30/09/2005 (doc. 03, anexo).” Estaria igualmente extinta pela decadência a penalidade aplicada em face das Declarações de Importação registradas nos anos de 2003, 2004 e 2005, indicadas nas fls. 25 a 39 do "Doc. K" da autuação, fls. 1623/1662. B) Inexistência de ocultação do efetivo comprador estrangeiro As embarcações mencionadas nos REs 05/0039066001 e 05/0908888001 são barcos de luxo destinados a compradores estrangeiros que realizam o pedido e a efetiva compra através de broker. Fl. 3074DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.075 5 O comprador estrangeiro final, portanto, não conhece a empresa brasileira produtora do barco. A negociação do preço, o recebimento da encomenda do barco com suas especificações, a contratação e, por conseguinte, as responsabilidades (direitos e obrigações) contratuais, são firmados pela autuada diretamente com o broker que, no caso é a OCEANTECH ENTERPRISES INC. C) Inexistência de ocultação do efetivo Fornecedor estrangeiro Apesar de indicar algumas poucas irregularidades sobre operações aduaneiras de importações específicas, indicadas nas fls. 24/42 do Relatório Final de Procedimento Fiscal, a fiscalização lavrou a pena de perdimento convertida em multa sobre todos negócios aduaneiros da autuada , sem exceção, efetivados com as empresas estrangeiras OCEANTECH ENTERPRISES, ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNACIONAL, JASFER, e 4NET WORKING, consoante informa o suposto Demonstrativo de Infrações (importações), Doc. K do auto de infração. Pelo "Doc. K" da autuação é possível constatar que, de um total de 819 (oitocentas e dezenove) mercadorias importadas sobre as quais foi cominada a pena de perdimento convertida em multa, no valor total de R$ 9.566.873,12 (nove milhões, quinhentos e sessenta e seis mil, oitocentos e setenta e três reais e doze centavos), apenas sobre 139 (cento e trinta e nove) foi especificada infração diferente da absurda generalização da autuação de que houve ocultação do real importador, e destas apenas 54 (cinquenta e quatro) foram mencionadas no Relatório Final de Procedimento Fiscal, ficando as outras 85 sem se saber porque a autuação inadvertidamente deduziu tratarse de importação com subfaturamento. D) Inexistência de sub ou superfaturamento das mercadorias importadas indicadas nas fls.24/42 do relatório fiscal. A defesa ressalta que esse tópico é feito apenas por zelo a argumentação, uma vez que a pena de perdimento imposta não teria se dado pelo cometimento das supostas infrações de subfaturamento ou superfaturamento, e sim pela suposta ocultação do real vendedor ou comprador estrangeiro, o que foi devidamente rebatido no tópico anterior da presente impugnação. Neste item a impugnação ainda alega que não foi intimada a apresentar os documentos que comprovam regular importação e examina as irregularidades apontadas pela fiscalização que levaramna a concluir pela falsidade ideológica nos documentos emitidos pelos fornecedores abaixo: a) Fornecedor Estrangeiro OCEANTECH ENTERPRISES (16 DIs) b) Fornecedor Estrangeiro ALL OCEANS TRADING (03 DIs) c) Fornecedor Estrangeiro ROZEN INTERNACIONAL(04 DIs) d) Fornecedor Estrangeiro JASFER (02DIs) e) Fornecedor Estrangeiro 4NET WORKING (06 DIs) I) Outros Fornecedores (02 DIs) Em 13 de março de 2013, a DRJ/FOR julgou parcialmente procedente a impugnação nos seguintes nos seguintes termos: I) PRELIMINARMENTE, por unanimidade de votos: Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.076 6 a) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; b) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; c) DECLARAR A DECADÊNCIA do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 959.514,03; e d) REJEITAR as alegações de cerceamento do direito de defesa: i. na impugnação, com relação à matéria autuada de subfaturamento; ii. na manifestação de inconformidade, após a diligência. II) NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) por maioria de votos, vencido o relator Charles Pereira Nunes: i. MANTER a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.779.432,71, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, em virtude de ocultação do real vendedor das mercadorias e de falsidade ideológica das faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação. Vencido também o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar que não acolheu a tese da autuação com relação as importações que têm as exportadoras declaradas Rozen Internacional e 4Net Networking; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias, afinal não comprovado; b) por unanimidade de votos: i. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Contra a referida decisão foram interpostos recursos de ofício e voluntário, o primeiro por ultrapassar o limite de alçada previsto no artigo 1º, da Portaria MF nº 3, de janeiro de 2008, vigente à época da prolação do acórdão e, o segundo por iniciativa da contribuinte, pleiteando a anulação integral do Auto de Infração com base nos argumentos suscitados nos seguintes tópicos: (i) Decadência do Direito do Fisco de Cominar Multa Pela Conversão da Fl. 3076DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.077 7 Pena de Perdimento Art. 139 do DecretoLei 37/1966 e Art. 753 do Decreto 6.759/2009; e (ii) Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa Trading Estrangeira Comprovação da Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos (Contrato de Câmbio) empregados na Operação de Comércio Exterior. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Nos termos do artigo 1º, da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, haverá recurso de ofício sempre a decisão de primeiro grau exonerar o contribuinte do pagamento de tributos e encargos da multa, em valor superior a R$ 2.500.000,001. No presente caso, o recurso de ofício deve ser conhecido, considerando que o crédito exonerado pela decisão "a quo" é superior ao limite de alçada. Por sua vez, considerando que a Recorrente, intimada em 09.07.2013 (fls.3.046), interpôs recurso voluntário em 08.08.2013 (fls.3.0473.066), dentro do prazo de 30 (trinta) dias, bem como seu recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Feito a admissão dos recursos, convém analisar as questões trazidas à este Conselho para julgamento. II Do Recurso de Ofício Conforme se verifica na decisão recorrida, a DRJ exonerou parte do crédito tributário originariamente lançado, consubstanciado nos motivos devidamente explicitados no acórdão recorrido que, resumidamente dizem respeito a: (i) exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; (ii) exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.078 8 (iii) exoneração, pela decadência, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, valor de R$ 959.514,03; (iv) exoneração, pela ausência de comprovação o crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias; (v) exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; e (vi) exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Neste cenário, passase à análise das questões anteriormente citadas. II.1 exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição A decisão que exonerou o crédito tributário tratado neste tópico merece ser mantida pelos seus próprios fundamentos, razão pela qual, adoto as razões despendidas pelo i. julgador "a quo" para afastar a aplicação da multa, a saber: As exportações objeto do presente lançamento aconteceram no ano de 2005. No entanto, nesta época a legislação que determinava a conversão da pena de perdimento em multa não indicava a base de cálculo no caso de exportação, pois só se referia a valor aduaneiro, que pelo AVA é conceito aplicado apenas na importação. Esta omissão permaneceu até que a MP nº 497, publicada em 27 de julho de 2010, incluiu o valor constante na nota fiscal ou documento equivalente como base de cálculo na exportação. A MP foi convertida na Lei nº 12.350, de 2010, conforme transcrição abaixo, onde se observa as mudanças ocorridas no § 3º em análise. DL 1.455/76 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 3078DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.079 9 § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Assim por inexistência de base legal para aplicação da multa de conversão à época dos fatos e, tendo em vista o disposto no art. 144 da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) o qual estabelece que “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, considero o lançamento nulo, por vício material, em virtude de erro insanável na aplicação da legislação tributária, devendo, portanto ser excluída a parcela de R$ 7.088.580,00 correspondente ao total do crédito tributário lançado na exportação. II.2 exoneração, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional O redator designado para redigir o voto vencedor, afastou a multa por entender que a fiscalização não comprovou efetivamente a participação das empresas American Marine, Inc. e Aluland B.V. nos fatos que repercutiram no lançamento em foco, tendo reconhecido de ofício a irregularidade do trabalho, uma vez que o contribuinte não se insurgiu em relação as operações envolvendo referidas empresas, objeto das DI´s nº 07/13491510 e 06/00751508, senão vejamos: Observase que, apesar de nada trazer a fiscalização em relação à participação das empresas American Marine, Inc. e Aluland B.V. nos fatos que repercutiram no lançamento em foco, os valores correspondentes às DI nº 07/13491510 e 06/00751508 em que essas empresas figuram como exportadoras foram computados para a determinação do crédito tributário, configurando vício material por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional. Desse modo e não obstante o fato de a empresa autuada também haver silenciado quanto à referida exigência, impende, em homenagem ao princípio da legalidade e tendo em vista o disposto no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.080 10 1999, que seja declarada a nulidade dessa parte do lançamento, de modo a EXONERAR o crédito tributário no valor de R$ 62.250,60. Analisando o relatório fiscal de fls.1095, constatase inexistir, de fato, qualquer menção as referidas empresas, bem como qualquer registro das citadas DI´s, restando, ao meu ver, correta a decisão de piso, que afastou a cobrança da multa calculado sobre as operações tratadas neste tópico. Por outro lado, discordo quando o n. julgador afirma inexistir alegação por parte da Recorrente acerca das operações relacionadas as DI´s anteriormente citadas, posto que no momento em que o contribuinte afirma que todas as operações realizadas através das DI´s objeto de fiscalização não foram derivadas de nenhum ato ilícito, resta contestado, ainda que implicitamente, as operações sob análise, independentemente do contribuinte apontar DI por em sua impugnação. Nestes termos, concordo com a manutenção da decisão que excluiu a multa por ausência de provas do ilícito. II.3 exoneração, pela decadência, o lançamento da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, valor de R$ 959.514,03 Assim de pronunciou a DRJ para aplicar o prazo decadencial ao fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004: Com base na regra do art. 139 do DecretoLei nº 37, de novembro de 19664, reproduzida no art. 753 do Decreto nº 6.759/2009 (RA) a empresa alega decadência contando o prazo decadencial de cinco anos a partir dos registros das Declarações de Importação relativas aos anos de 2003, 2004 e 2005, conforme indicadas nas fls. 25 a 39 do "Doc. K" da autuação, fls. 20822121. Por sua vez a fiscalização entende, em sua informação de fls. 28972898, que se tratando de operações realizadas ao amparo de Drawback o prazo decadencial iniciase a partir do primeiro dia útil do exercício seguinte ao do trigésimo dia subseqüente ao encerramento do prazo para exportação previsto no ato concessório. Não assiste razão à fiscalização ao querer utilizar o prazo decadencial previsto para drawback nos termos do Regulamento Aduaneiro, pois o lançamento não trata de descumprimento do regime de drawback, sendo este usado na motivação do lançamento apenas como indícios de outras fraudes, ou seja, embora a fiscalização tenha detectado irregularidades relativas a invoices que, segundo ela, visavam desviar a destinação da mercadoria para outra embarcação diferente da amparada pelo regime e seria um dos motivos para a falsificação de invoice, esse tipo de infração relativa ao drawback, repitase, não foi objeto de lançamento do crédito tributário, pois sequer houve exigência dos tributos. Também não merece prosperar a invocação, pelo contribuinte, do art. 139 do CTN e seu correspondente no Regulamento Aduaneiro. O citado art. 139 do DL 37, editado em novembro de 1966, por tratar de matéria especifica conviveu harmoniosamente com o art. 173, I da Lei nº 5.172, de outubro do mesmo ano, e para fins de lançamento do crédito tributário prevaleceu sobre este até a promulgação do Constituição Federal de 1988 pois, apesar da lei ter sido denominada de Código Tributário Nacional CTN pelo AC nº 36/67, somente na Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.081 11 CF/88 ganhou o status de lei complementar6 e a exclusividade para tratar sobre decadência tributária. Neste momento surgiu uma antinomia resolvida instantaneamente no mesmo texto da CF/88 e o citado DL/66 perdeu sua força normativa em relação a essa matéria. Assim, todo crédito tributário decorrente de multa isolada deve se submeter ao prazo decadencial previsto no art. 173, I, da Lei nº 5.172, de 25 de março de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). No caso sob exame temos que o lançamento da multa foi aperfeiçoado com a ciência em 15/12/2010. Então, são válidos todos os lançamentos relativos às DIs datadas desde 01/01/2005, devendo ser excluído o crédito tributário decaído no valor de R$ 959.514,03 decorrente das infrações cometidas nos anos de 2003 e 2004, conforme as 3 planilhas do Anexo Único deste acórdão. Com todo respeito ao i. julgador de piso, peço vênia para discordar da aplicação do artigo 173, I, do CTN, ao presente caso, por entender, ao meu sentir, de forma equivocada, tratarse os autos de exigência multa isolada, aquela derivada do não pagamento dos tributos incidências da importação e/ou exportação. Isto porque, as multas aqui discutidas decorrem de infração de natureza administrativoaduaneira e não de infração de caráter tributárioaduaneiro, razão pela qual é inaplicável o disposto no CTN e, por via oposta, aplicável o artigo 139, do DL 37/66 para contagem do prazo decadencial. Nestes termos, entendo, por outro fundamento, que os fatos gerados de 2003 e 2004 foram alcançados pelo instituto da decadência, motivo pelo qual, mantenho a exoneração do crédito admitido pela DRJ. II.4 exoneração, pela ausência de comprovação o crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias Em relação a questão tratada neste tópico, concordo com a decisão piso que afastou a acusação de subfaturamento, para algumas DI´s, pela ausência de motivos e documentos que dessem respaldo ao lançamento fiscal, a saber: A fiscalização acusa a existência de subfaturamento em diversas operações de importação da empresa autuada, tendo, em função disto, refeito a base de cálculo para fins de aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em face da constatação da infração de interposição fraudulenta de terceiros e de ocultação do verdadeiro vendedor, tendo discriminado, no Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo das Mercadorias (Doc. L2, fls. 2.144/2.150), os valores que serviram de base ao lançamento, nesses casos. O subfaturamento de preços na importação, é uma espécie de fraude contra o Erário, cuja configuração, para fins de aplicação de penalidade tributária, requer, primordialmente, a constatação de diferença considerável entre o preço da mercadoria informado na Declaração de Importação e aquele praticado, no mesmo período, em importações de mercadoria idêntica ou similar. Em nenhum dos casos relacionados nos autos, porém, foram colacionados pela autoridade fiscal elementos suficientes a essa constatação. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.082 12 No caso das DI nº 06/11760864 e 07/09665746, notase que a fiscalização não respeitou o mesmo critério para definir o real valor da mercadoria, pois, enquanto nesta admitiu acréscimo no preço decorrente de demora no pagamento ou por cobrança de armazenagem na fábrica, explicando que o embarque da mercadoria ocorreu mais de um ano depois da data da invoice, naquela partiu para a diferença direta entre os valores, sem considerar a diferença de tempo entre as operações. No caso da DI nº 07/11439588, a acusação de subfaturamento decorreu de suposta diferença de INCOTERMS, mas a comparação foi feita apenas com uma Confirmação de Ordem e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/08576820, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/05832451, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma relação de compras e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/02401611, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/02105869, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma cotação de preços e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 07/01692744, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma Purchase Order (ordem de compra) e não com a fatura comercial tida como verdadeira, e não há certeza de que se trata da mesma mercadoria. No caso da DI nº 06/10292492, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com uma Marine Generator Order (Ordem de Gerador Marinho) e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso das DI nº 05/02857182 e 05/01261260, adotase o entendimento exposto no voto vencido: Na análise da matéria verificase a necessidade de provas mais robustas para rejeitar o valor do frete, assim devese aceitar o valor aduaneiro declarado para excluir da planilha L2 a parcela correspondente à diferença entre este e o valor efetivo lançado. No caso da DI nº 07/14377826, adotase o entendimento exposto no voto vencido, resumido no seguinte parágrafo: Aqui as alegações da impugnante quanto ao subfaturamento são amparadas pela deficiência da autuação que não trouxe aos autos prova suficiente uma vez que os documentos apresentados não vinculam a mercadoria à presente DI. Assim, tendo em vista esta nova negociação iniciada em julho, é possível que se trate realmente de outra DI. No caso da DI nº 07/12946661, a diferença de preços foi levantada a partir da comparação apenas com Purchase Order (ordem de compra) e com Order Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.083 13 Acknowledgement (Reconhecimento de Ordem) e não com a fatura comercial tida como verdadeira. No caso da DI nº 07/12905175, sequer foram coletados documentos indiciários especificamente relacionados com a DI, tendo a acusação de subfaturamento decorrido da similaridade material e temporal com a operação acima citada (DI nº 07/12946661). No caso da DI nº 06/03601981, adotase o entendimento exposto no voto vencido, resumido nos seguintes parágrafos: Examinandose os documentos citados não é possível identificar o chamado sistema de cabos eletrônicos belden rg8 10sul. Efetivamente observase no documento EMBMB60310 de fl.1211 que ele aparece como mero cabo isolado, já no packing list EMBAA6013006 de fls. 197 ele aparece como sistema, mas constituído por apenas 1 rolo, o que não condiz com a diversidade de cabos do MB6310, e finalmente, na invoice desaparece a palavra rolo mas permanece o mesmo peso. Assim, aqui também há insuficiência das provas juntadas pela fiscalização para ajustar o valor aduaneiro declarado Também no caso da DI nº 07/07221069 adotasse o mesmo entendimento expendido no voto vencido: De acordo com a fiscalização o turco hidráulico (guindaste) importado diretamente do fabricante OPACMARE, ao amparo do regime de drawback AC n° 20060002077 (casco 563) foi declarado pelo valor subfaturado (FOB) de US$ 32.047,67. Da Fattura n° 1527 e da Confirmação de Ordem n° 2024_06.std da OPACMARE dirigidas à OCEANTECH consta para o equipamento acima mencionado o valor (FOBItália) de 31.180,00 euros, que corresponde a US$ 42.055,58, na data do registro da DI. (fls.1401/1404). A impugnação alega que a citada "Confirmação de Ordem" não foi aceita pela trading indicada, porquanto não foi assinada consoante se depreende da fl. 1149/verso [fl. 1406 do eprocesso]. Tal fato teria ocorrido porque a autuada negociou a compra diretamente com o fabricante com preço menor. No Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo na planilha L2 verificase que a quase totalidade da diferença de preço se explica pela simples conversão do incoterm exworks para CPT, onde se incluiu o frete aéreo num valor muito elevado, US$ 10.718.66, reduzindo assim o preço FOB ou Exworks inicialmente negociado. A argumentação da autuada é consistente, pois as condições da venda foram alteradas, vindo a mercadoria para o Brasil ao invés de Miami, e nesse sentido a fiscalização não trouxe outro elemento que desqualifique o incoterm declarado (CPT) ou o preço efetivamente pago ou a pagar. Portanto, sendo a Opcamare o real vendedor e tratandose de uma importação direta, julgo serem as provas apresentadas pela fiscalização insuficientes para comprovar subvaloração ou falsidade da invoice. Fica assim demonstrado que, especificamente em relação à acusação de subfaturamento, a fiscalização terá incorrido em falta de motivo ou em insuficiência probatória quanto ao lançamento das diferenças apontadas nos preços das Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.084 14 mercadorias que refletiram no ajuste do crédito tributário, conforme apurado no Demonstrativo de Valor Aduaneiro Efetivo de Mercadorias (Doc. L2, fls. 21442150), motivo pelo qual voto pela procedência das alegações trazidas na impugnação, para EXONERAR o crédito tributário correspondente a essas diferenças, no valor de R$ 705.931,92. Irretocável, no entendimento deste relator, a decisão de piso concernente a exclusão da multa em comento. II.5 exoneração, da parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte Aqui, peço licença, uma vez mais, para adotar, por total concordância, a decisão de piso que exonerou o contribuinte da multa aplicada na DI nº 07/15375991, posto que os fatos narrados no relatório fiscal não demonstram nenhuma irregularidade passível de punição, a saber (trecho extraído do voto vencedor): No caso da DI nº 07/15375991, não ficou demonstrada pela fiscalização a subsunção dos fatos à hipótese legal de aplicação da multa resultante da conversão da pena de perdimento, como bem esclareceu o relator do voto vencido, cujo teor aqui se adota: A fiscalização informa que ao amparo da adição 002 dessa DI foram importadas barras triclad de aço alumínio da empresa Merren La Porte com financiamento do fornecedor para pagamento em até 180 dias. Aduz ainda que: Ocorre que uma via das invoices n° 971382 e 971383 da Merrem dirigidas OCEANTECH e informando pagamento adiantado / prepayemente foram encaminhadas em 27/09/2007 por mensagem eletrônica de Jackie Ferreira para Gergory do setor de importações dos estaleiros INACE com o seguinte texto; "Seguem as faturas do embarque antes das correções necessárias". Em outras mensagens eletrônicas entre Jackie Ferreira e o setor de importação dos estaleiros INACE de 24/09 a 28/09/2007 nas quais são mencionadas correções efetuadas nessas faturas, dentre as quais exclusão do nome OCEANTECH e que essas mercadorias já tinham sido pagas pela OCEANTECH, portanto, na invoice teria que constar pagamento 90 dias do BL, que teria que ser fechado o contrato de câmbio coma Merrem La Porte e esse valor devolvido para a OCEANTECH". Portanto, comprovada a falsidade ideológica da invoices n° 971382 e 971383 da Merren La Porte, pois as mercadorias apesar de já pagas, dessas constou que os pagamentos somente ocorreriam a partir de noventa dias do embarque e a utilização de recursos em nome da OCEANTECH pelos estaleiros INACE para a realização desses pagamentos. [os negritos não são originais] A impugnante alega que: A autoridade fiscal fez conclusão errada acerca dos fatos e documentos mencionados no relatório fiscal. Ocorre que a mercadoria importada pela autuada com base na DI em comento foi adquirida diretamente do fabricante (Merren La Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.085 15 Porte) para pagamento no prazo indicado nas invoices 971382 e 971383 e na DI, que era 90 dias do embarque (BL). E de fato a mercadoria foi paga diretamente ao fornecedor estrangeiro (Merren La Porte), no prazo de 90 dias do embarque (BL), nos termos do contrato de câmbio anexo (doc. 05). Na análise da matéria (fls. 11091114 e 14011404) verificase que não se trata de ocultação do real vendedor. Por outro lado, sendo a exportadora pessoa autônoma e verdadeiramente comerciante nada obsta que ela negocie dando o prazo para pagamento que lhe convenha. O fato da compra ser paga em duplicidade pelo grupo Inace não torna a DI falsa, pois tratase de mero equívoco sem efeitos tributário ou cambial, e tampouco faz parte de uma estratégia para manter o fluxo de caixa do grupo. Impugnação, portanto, procedente, neste quesito, devendo o crédito tributário respectivo, no valor de R$ 59.743,86, ser exonerado. II.6 exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. A multa exonerada neste tópico, foi aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativa a DI nº 06/11760864, por entender a fiscalização que houve descrição incorreta quanto ao correto nome do fabricante das mercadorias (vide fls.08). As fls.06 do processo, constatase que a fiscalização aplicou para mesma DI multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por entender que as importações assinaladas no Demonstrativos de Infrações (doc.k) foram descritas incorreta ou incompletamente. Ou seja, foram aplicadas multas distintas para o mesmo fato declarado ilícito. Nestes termos, por entender inaplicável a cumulação das referidas multas, concordo com o entendimento da DRJ que exonerou a multa de R$ 1.000,00, nos seguintes termos: Descrição incorreta Quanto ao erro de nome dos fabricantes das bombas nas adições 007 e 008 da DI 06/11760864, o que aconteceu foi a substituição indevida dos fabricantes MP PUMP e GRUNDFOS PUMPS CORP pelo nome do real vendedor/exportador DEPCO PUMP COMPANY, configurando erro sujeito a aplicação da multa de R$ 500,00 por adição. No entanto, considerase que a penalidade de falsidade da invoice/ocultação do real fornecedor absorve esta penalidade devendo assim ser excluída da autuação. III Do Recurso Voluntário III.1 Decadência do Direito do Fisco de Cominar Multa Pela Conversão da Pena de Perdimento Art. 139 do DecretoLei 37/1966 e Art. 753 do Decreto 6.759/2009 A Recorrente se insurge contra decisão recorrida que aplicou o artigo 173, inciso I, do CTN, ao invés do regramento previsto no artigo 139, do DecretoLei 37/66. Afirma Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.086 16 que, considerada a contagem de prazo prevista neste último normativo legal, a decadência atingiria os fatos gerados ocorridos entre 01/01/2005 e 15/12/2005, considerando que a intimação do Auto de Infração foi efetivada em 15.12.2010. Já manifestei em tópico anterior, que a contagem de prazo para o presente caso deve ser aquela prevista no artigo 139, do DecretoLei 37/66. Isto porque, o presente Auto de Infração não tem natureza tributária, tratandose, tão e somente de aplicação de multa em razão da comercialização de produtos de origem estrangeira introduzidos irregularmente no país. Deste modo, as normas que tratam do instituto da decadência, previstas no artigos 150, §4º, e 173, I, ambos do Código Tributário Nacional não se aplicam ao caso em comento, mas sim a disposições previstas nas legislações aduaneiras. Neste ponto, tanto o artigo 139 do Decreto nº 37/662 quanto o artigo 753, do Decreto nº 6.759/20093 preceituam, que na hipótese de imposição de penalidades, o prazo para a constituição desta sanção é de 05 (cinco) anos contados da data da infração, sendo que no presente caso, a data da infração, é o registro das DI´s. Portanto, considerando que a Recorrente foi intimada em 15.12.2010, entendo que a multa aplicada/calculada nas DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005 estão decaídas, devendo, assim, serem excluídas do lançamento fiscal. III.2 Inexistência de Ocultação do Real Fornecedor Estrangeiro Mercadoria Importada Regularmente através de Empresa Trading Estrangeira Comprovação da Origem, Disponibilidade e Transferência dos Recursos (Contrato de Câmbio) empregados na Operação de Comércio Exterior. A Recorrente reproduziu em seu recurso as alegações suscitadas em sua impugnação, apresentadas sinteticamente no relatório desta decisão. Analisando os autos, não vejo como acolher o pleito realizado pelo contribuinte em relação a inexistência de irregularidades apuradas e demonstradas nas operações sob análise. Isto porque, como bem delimitou o julgador e o redator da decisão de piso. restou demonstrado que houve ocultação do real vendedor das mercadorias e falsidade ideológica nas faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação, sendo que as alegações da Recorrente não se prestaram para o fim pretendido. Desta forma, por concordar com a decisão de piso, adoto suas razões, para afastar o pleito da Recorrente, a saber: Do modus operandi do Grupo Inace Conforme explicitado pela fiscalização e corroborado pela documentação aduzida aos autos, a empresa autuada constitui, juntamente com a empresa Inace Iates Ltda. o que se pode denominar, informalmente, de Grupo Inace, dada a convergência de interesses e o compartilhamento de pessoas, instalações e operações de comércio exterior, sob a administração da família Bezerra (Elisa Gradhvol Bezerra, Antônio Gil F. Bezerra, Robert Gil Bezerra e Flávia M. Barros Bezerra). Para atingir seus objetivos, revelam os autos, o Grupo Inace fez diversas operações de comércio exterior, primeiro, entre os anos de 1997 e 2002, com as 2 Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 3 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.087 17 empresas Basic One, Corp., Multisea, Inc., S & S Seafood, Inc., depois, a partir de 2004, com as empresas Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc. e All Oceans Trading, LLC do Grupo naquele país), tendo todas elas como sócio o Sr. Sérgio Sales Ferreira, também citado nos autos como Sérgio Cabral. A figura abaixo, trazida pela fiscalização, ilustra as vinculações societárias e demonstra o âmbito de influência do Grupo Inace. É também citada nos autos a empresa Inace USA, LLC, mas, não há registros de operações em seu nome, tratandose, ao que parece, de uma espécie de escritório central ou broker (agente de compras e vendas) do Grupo Inace nos Estados Unidos, configurando, todavia, peça importante para a operacionalização do esquema naquele país. Documentos acostados aos autos pela fiscalização indicam que o Grupo Inace fazia uso também, em algumas operações, de terceiras empresas, que eram remuneradas para fazer as vezes de exportadoras, assumindo o lugar dos verdadeiros vendedores das mercadorias. Observase, pelo relato fiscal e pela documentação acostada aos presentes autos, que as operações de comércio exterior das empresas do Grupo Inace eram antecedidas de negociações, travadas diretamente entre a empresa autuada e o real vendedor das mercadorias, havendo casos de cotações paralelas feitas pelas empresas ditas de trading. Depois do processo de aquisição das mercadorias, nos Estados Unidos ou em outros países, o fornecedor/vendedor as encaminhava para as empresas norte Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.088 18 americanas vinculadas ao Grupo Inace ou para as terceiras empresas que aderiram ao esquema fraudulento, também sediadas naquele país sempre com a intermediação das empresas norteamericanas, onde eram armazenadas, consolidadas e refaturadas (“revendidas”) para fins de exportação para a empresa autuada, de acordo com instruções oriundas do Grupo Inace. Apesar de a empresa autuada afirmar em sua impugnação que essa prática é lícita e comum no comércio internacional atual e que tinha por objetivo tornar as operações seguras, descomplicadas e de baixo custo, a legislação brasileira não permite a substituição do real vendedor da mercadoria por terceiros quaisquer na documentação de instrução das respectivas declarações de importação, tipificando tal conduta como simulação, e o documento assim produzido é considerado como ideologicamente falsificado, situação que sujeita o infrator à pena de perdimento da mercadoria ou, no caso de impossibilidade de sua aplicação, em face do consumo ou da não localização da mercadoria, à pena de multa equivalente ao valor aduaneiro desta. Oportuno reproduzir, aqui, em virtude de explicitar com ímpar clareza, toda a logística empregada pela empresa autuada com a coadjuvação das empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4Net Networking, o seguinte trecho do voto vencido: Compulsando os autos se verá que a logística ocorria na seguinte seqüência: 1. criação em Miami de empresa vinculada aos estaleiros Inace (trading/broker) para vender os barcos e receber o pagamento correspondente, cujos recursos permaneciam em sua conta no exterior; 1.1. com parte desses recursos a empresa americana comprava produtos nos EUA, ou no resto do mundo, e os exportava para os estaleiros Inace, custeando ainda todos os outros custos da empresa no estrangeiro, tais como despesas com pessoal, transporte e armazenagem da mercadoria em Miami, transporte para o Brasil, seguro, outros contratos com terceiros etc; 1.2. A outra parte dos recursos era repassa aos estaleiros Inace no momento da compra da barco. 1.3. o fato da trading tanto importar barcos como exportar outros produtos dos/para os estaleiros Inace, permitia um fluxo financeiro bidirecional, regulando oficialmente o saldo de caixa em Miami através de liquidação de contrato de câmbio a qualquer momento dentro do prazo de negociação ou mesmo com antecipações de pagamentos. 2. na importação a cronologia era documentada da seguinte forma: 2.1. cotação do preço da mercadoria efetuada pela empresa americana ou pelos estaleiros Inace, podendo ocorrer de ambos cotarem simultaneamente. 2.2. após a negociação para determinar o preço final cotado, às vezes o fornecedor emitia um documento formal de cotação outras vezes os email já eram suficientes; 2.3. na maioria das vezes os Estaleiros Inace faziam a negociação para determinarem o preço, mas podia acontecer do preço ser definido somente entre a trading e o fornecedor, no entanto, a negociação só continuava depois que os estaleiros Inace concordasse com o preço e emitisse para a trading o documento chamado CONF significando uma confirmação ou ordem de compra e ao mesmo Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.089 19 tempo uma autorização para a trading pagar a mercadoria, que segundo a própria autuada caracterizase como uma Ordem de Pagamento (fl. 2172) 2.4. de posse da CONF a trading emitia para o fornecedor uma OP (Ordem Purchaser) fazendo o pedido, que seria respondido/confirmado pelo fornecedor com a emissão de uma Order ou proform invoice. Às vezes esse era um momento crítico devido a existência de vários atores no lado do comprador (Estaleiros Inace, InaceUsa, Oceantech, All Oceans etc.) onde a OP era emitida por uma empresa, o pagamento feito por outra e a mercadoria destinada a uma terceira, então o fornecedor poderia ficar sem saber para quem emitir a proforma invoice. 2.5. concluído o negócio, normalmente com pagamento antecipado ou à vista pela trading/Inace USA, esta recebia a mercadoria no estabelecimento do fornecedor ou em Miami e ali a armazenava para aguardar o momento oportuno de exportála para o Brasil. 2.6. definido o momento certo do embarque, era preparada a lista correspondente e enviada aos estaleiros Inace para preparo do draft da invoice do jeito que estes quisessem. Observese que o draft era a própria fatura proforma, cujo modelo em branco já ficava com a autuada para preenchêlo como se fosse a própria trading, e esta quando a recebia emitia oficialmente a invoice definitiva sem questionar os termos do draft/proforma. 2.7. todo esse processo desde o começo da negociação até o registro da DI eventualmente poderia demorar meses. Observação: no caso das empresas Rozen e 4Networking, verseá que a aquisição da mercadoria do fornecedor/real vendedor manteve a mesma forma acima, ou seja, a mercadoria continuava sendo negociada com os fornecedores diretamente pelo grupo Inace, e estas duas empresas não participavam da negociação comercial. Por isso elas jamais poderiam emitir fatura comercial, mas apenas fatura de simples prestação de serviço onde sequer poderia constar comissão comercial, pois também não atuavam, no caso sob exame, como agentes de compra ou de venda. O que de fato aconteceu, se verá, foi mera cessão de nome por estas duas empresas para simular uma operação de compra e venda e assim ocultar o real vendedor. Da subordinação administrativa, financeira e operacional das empresas americanas de trading A empresa autuada alega que o Sr. Sérgio Sales Ferreira é pessoa estranha ao seu quadro social e à sua administração e que manteve relação estritamente comercial com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4net Networking, as quais, segundo afirma (fls. 2.164), são empresas de trading: As empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (OCEANTECH ENTERPRISES, ALL OCEANS TRADING, ROZEN INTERNACIONAL, JASFER, e 4NET WORKING), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços à autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação. No esquema descortinado pela fiscalização, no entanto, verificase que as empresas Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc. e All Oceans Trading, LLC, eram desprovidas de autonomia e leais aos interesses da empresa autuada, circunstância decorrente do fato de terem elas como sócio comum o Sr. Sérgio Sales Ferreira, Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.090 20 pessoa inequivocamente ligada ao Grupo, como restará demonstrado neste voto vencedor. As várias mensagens e os roteiros de procedimentos acostados aos autos evidenciam que o Sr. Sérgio Sales Ferreira, na qualidade de sócio efetivo e administrador aparente das ditas empresas de trading sediadas nos Estados Unidos, tem sido o principal interlocutor entre elas e a empresa autuada (que, juntamente com a empresa Inace Iates Ltda., integra o Grupo Inace, no Brasil), porém, em nível de subalternidade, ou seja, recebendo e cumprindo as instruções emanadas dessa empresa que, inequivocamente, possuía ampla ascendência administrativa, financeira e operacional, pelo menos, em relação à logística descrita pela fiscalização e confirmada pela impugnante, que a esse propósito assim se manifestou em sua impugnação (fls. 2.163): Impende destacar que a sistemática das importações da autuada são efetivadas, na sua maioria, através de empresas estrangeiras constituídas com o objetivo social de prestar serviços de trading. A autuada utiliza serviços dessas empresas estrangeiras de trading com o fim de realizar operações de comércio internacional seguras, descomplicadas e de baixo custo, porquanto essas empresas praticam o despacho aduaneiro nos órgãos internacionais, prestam assessoria na logística internacional, buscam e negociam com fornecedores internacionais, dão garantia dos produtos estrangeiros importados e exportados por sua conta e risco, contratam agente de transporte internacional, consolidam mercadorias para importação etc. É exemplo contundente dessa subordinação a mensagem, abaixo transcrita ipsis litteris, em que o Sr. Robert Gil Bezerra, do Grupo Inace, repreende o Sr. Sérgio Ferreira e cobra providências da empresa por ele administrada, a Oceantech: Sergio, Estamos precisando de atualizações em nosso relatório. Estive identificando que vários embarques foram relacionados a CONF's, mas os embarques já chegaram e as CONF's não. Temos que ter respostas atualizadas, nosso produção precisa disso. Quero realmente saber, porque não conseguimos uma resposta atualizada. Se vocês precisão de um tempo para se organizar, daremos esse tempo, mas tenho que saber de quanto tempo precisa, não posso é ficar sem respostas corretas é seguras. As respostas que tenho hoje em nosso relatórios de acompanhamento de pendências, estão desatualizadas ou incorretas. É muito importante você saber que o procedimento quem faz somos nos(INACE). Temos que dar credibilidade na informação, acabar com o atravessadores, que acontece diariamente, com isso as informações ficam no ar. Com o relatório bem trabalhado ninguém iria lhe importunar, então você teria maior rendimento em sua produção interna. Espero que entenda, que estou cobrando para o bem de todos. Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.091 21 Atenciosamente ROBERT GIL BEZERRA INACE Original Message From: Robert Gil To: SJCABRAL@aol.com Cc: elisa@inace.com.br ; flavia@inace,corn.br ; elise©inace,com.br ; GIL Sent: Monday, May 14, 2007 10:53 AM Subject: REUNiA0 DO DIA 3 de MAIO Fortaleza, 14 de Maio de 2007 À Oceantech Caro Sergio, Estamos com sérios problemas, precisamos nos concentrar em nossas compras Internacionais. Ficou combinado um procedimento a ser seguido na reunião que vocês(você, Tiago e Clodoaldo) fizeram dia 3 de maio. Tenho que dar respostas a produção que é a primeira a ser penalizada, no final todos somos penalizados, por mais que o pedido saia em cima da hora, pedido atrasado ou qualquer outra desculpa, precisamos correr atraz do prejuízo, mas não é isso que esta acontecendo, segundo o relatório alimentado por vocês (Oceantech) e o Clodoaldo (Inace). Ficamos com cotações aguardando resposta por mais de 50 dias, isso é inconcebível, depois de confirmado, a resposta é lenta, o embarque é feito de qualquer forma, não podemos continuar assim. Precisamos acompanhar a solicitação da produção, o prazo de entrega vai sempre proposto no pedido, sei que as vezes o prazo é muito em cima, mas precisamos da uma resposta de volta, dizendo quanto tempo vamos precisar para colocar em Fortaleza, para que eles possam se organizar encima daquela informação. Vocês tem hoje 4 pessoas, para atender 300 pedidos ano, sei que uma é financeiro, outro é embarque e os outros dois são compras. O que eles estão fazendo? Preciso de uma atitude enérgica URGENTE. Obrigado pela atenção. Robert Gil Bezerra Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.092 22 SUPRIMENTOS Demonstram os autos que, mais do que empresas de trading, as empresas Basic One, Corp., Multisea, Inc., S & S Seafood, Inc., Jasfer, Inc., Oceantech Enterprises, Inc., All Oceans Trading, LLC e Inace USA, LLC, constituídas, ao que parece, regularmente nos Estados Unidos, atuaram nas operações de comércio exterior objeto da ação fiscal que resultou no presente lançamento, na verdade, como verdadeiras offshore companies21, ou seja, como postos avançados das empresas do Grupo Inace no exterior, pensadas para agirem longe do alcance da legislação brasileira, sob as instruções e a conveniência da empresa autuada e da Inace Iates Ltda. Como elementos de prova dessa relação de subordinação entre a empresa autuada e as suas offshore, a fiscalização trouxe aos autos as planilhas de custos das embarcações de cascos nº 550, 560, 562, 563, 564, 555, 559, 561, 567, 568 e 577 (fls. 1.151/1.168), em que constam colunas com despesas intituladas “Custo Escritório Miami+Outros” ou “Custo Miami”, indicativas da apropriação, no custo das embarcações, de despesas administrativas do Grupo Inace com as empresas de Miami, EUA. Em algumas dessas planilhas (fls. 1.153/1.156 e 1.161), observase que são registrados, como custos de mão de obra mensal relativas às embarcações de cascos 560, 563 e 564, os salários devidos ou pagos pelas empresas do Grupo Inace no Brasil a diversas pessoas, entre elas, Sérgio Ferreira, Roberto Ferreira e Thiago, que figuram nos autos como operadores das empresas baseadas nos Estados Unidos. As informações dessas planilhas são corroboradas pelos documentos de fls. 1.092/1.106, relativos a operações com o PineBank e o Regions Bank, as quais registram, entre outros gastos nos anos de 2005 e 2006, os pagamentos feitos aos funcionários Thiago A Thomaz, Leda Romer Ferreira, Roberto C. Ferreira, Antonio Silva e Clodoaldo Rodrigues, demonstrando que as empresas de Miami, EUA, não passavam de escritórios ou departamentos informais da empresa autuada. Duas situações descritas pela fiscalização retratam bem o status de subordinação entre as empresas do Grupo Inace e o principal gestor das empresas de trading, o Sr. Sérgio Sales Ferreira: a primeira é o fato de a empresa autuada manter sob sua guarda documento de interesse pessoal do Sr. Sérgio Sales Ferreira (fls. 756), no qual a empresa Favo Empreendimentos informa, para fins de declaração do Imposto de Renda, pagamentos por ele efetuados no ano de 2008, no total de R$ 16.243,55, referente a aquisição de um imóvel no Brasil (apartamento 901 do Jardim Atlântida, Ed. Triton); a segunda, trata do tratamento diferenciado dado ao dito senhor no documento de fls. 2.780, encontrado na secretaria da sede dos estaleiros Inace, no qual são reservadas passagens aéreas nos trechos Fortaleza/Paris/Fortaleza, cabendo ao Sr. Antonio Gil Bezerra, sócio da empresa autuada, o voo na classe executiva, enquanto ao Sr. Sérgio, sócio das empresas ditas de trading, é reservado voo na classe econômica. Já no documento de fls. 2.227 é ordenada a emissão de fatura comercial da empresa All Oceans para a Indústria Naval, em conformidade com fatura pro forma do real fornecedor das mercadorias, demonstrando que as empresas estabelecidas no exterior não possuíam autonomia operacional. A ingerência do Grupo Inace sobre essas empresas era tamanha que até a forma de pagamento das compras por elas realizadas ao real fornecedor das mercadorias no exterior era determinada pelo Grupo, conforme fica claro na seguinte mensagem: Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.093 23 From: "Gabriela" <gabriela.compras@inace.com.br > To: "Thiago" <tt@inaceusa.com >, <tt jnaceusa@hotmail.com >, "Sergio Cabral AOL'" <sjcabral@aol.com > CC: "Robert" <robert@inace.com.br > Subject: Amortecedor e Dobradiça Razeto e Casareto Sent: Mon, 26 Jan 2009 10:42:08 0300 Thiago/Sérgio, Conforme decisão do Robert, o pedido que segue em anexo deverá ser pago com cartão de crédito pela All Oceans. Segue em anexo o pedido feito no sistema e a Pro Forma do fornecedor. No aguardo de seus comentários. Att. OBS: ROBERT FAVOR CONFIRMAR ESTAS INFORMAÇÕES JUNTO AO THIAGO. Gabriela Belém Purchase Department/Depto de Compras Inace Shipyard Indústria Naval do Ceara S.A. A mensagem abaixo (fls. 1.107), pela qual o setor de custos do Grupo Inace requisita informações ao denominado Escritório de Miami, na pessoa de Sérgio Sales Ferreira, demonstra que o Grupo Inace também exercia o total controle financeiro e contábil das operações das empresas de trading: From: custos@inace.com.br To: robert@inace.com.br Subject: Documento para ser enviado pra Sergio.(Robert desconsiderar o e mail enviado anteriormente) Sent: Tue, 12 Dec 2006 14:40:29 0300 (GMT03:00) FortalezaCE, 12 de dezembro de 2006. De: Setor de Custos Para: Escritório de Miami Prezado Sérgio, Solicito o envio de cópias legíveis de documentos, conforme desc abaixo: 1. Extratos bancários do PineBank e Regions Bank, segundo do arquivo em anexo (solicitação para Sérgio Ver Planilha 1); 2. Registros do programa Quick Books, segundo solicitação anexo (solicitação para Sérgio Ver Planilha 2); Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.094 24 3. Extratos dos cartões de credito, segundo solicitação d (solicitação para Sérgio Ver Planilha 3); 4. Reenvio de cópias legíveis dos cheques(arquivo em anex modelo ilegível), referentes a conta 83 1054 7966, seguindo o modelo do arquivo em ano modelo de cópia legível). Agradecimentos, A correspondência de fls. 790, oriunda de cliente do Grupo Inace, denuncia o fluxo de financiamento das importações, no qual as empresas de trading figuram como meras intermediárias dos pagamentos aos fornecedores das mercadorias importadas pela empresa autuada. Diversos documentos juntados pela fiscalização mostram que as pessoas alocadas nas empresas offshore do Grupo Inace transitavam entre essas empresas conforme as conveniências do Grupo, sendo comum entre elas o uso do email corporativo terminado em @inaceusa.com, como é o caso de Sérgio Sales Ferreira (sergio@inaceusa.com), Christian Muzzio (muzzio@inaceusa.com), Thiago A. Thomaz (tt@inaceusa.com), Jacqueline Ferreira (jackie@inaceusa.com) e de Leda Romer Ferreira (leda@inaceusa.com), indicativo da subordinação a que estavam submetidos. O documento de fls. 2.215 expressa a logística fraudulenta empregada pela empresa autuada, na qual as empresas americanas vinculadas ao Grupo Inace fazem as vezes de exportadores, em lugar dos verdadeiros fornecedores das mercadorias importadas pela empresa autuada, simulando operação diferente da realmente ocorrida: Conforme conversado, toda mercadoria com aquisição nos Estados Unidos e transporte via embarque marítimo será destinada, primeiramente, ao escritório da All Oceans, Doral, FL. A documentação original de cada mercadoria deverá seguir diretamente do fornecedor para a Indústria Naval. No documento de fls. 2.218, a mesma logística é explicitada. Neste caso, a mensagem indica que haveria a substituição documental do real fornecedor (Kohler) das mercadorias (geradores) por empresa americana vinculada ao Grupo Inace: Outra coisa, vo deixar aqui na mesa uma PF da Kohler p Robert assinar. Depois que ele assinar vo entrega p tesouraria. O procedimento de sempre. Pode explicar p Robert que é referente aos geradores que já estão prontos e vão ser enviados para Inace Usa para o Sergio embarcar, e o pagamento é contra apresentação, ou seja, na entrega. Também confirma a sistemática do Grupo Inace o Relatório de Ordens Gerado pelo Datasul, que relaciona “planilhas referente a relatórios gerados pelo sistema DATA SUL com todos os materiais que se encontram em "ordens" e estão pendentes de preços para que seja feito os devidos "pedidos" em nome da ALL OCEANS, para controle e referência de todos”. Ou seja: todas essas operações seriam dissimuladas. Conforme os documentos de fls. 2.219, a empresa Oceantech Enterprises, Inc. seria a destinatária no território americano de bens adquiridos do real fornecedor por conta e ordem das empresas do Grupo Inace no Brasil, os quais depois seguiriam dessa empresa para o Brasil, com ocultação do real fornecedor. Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.095 25 A mensagem de fls. 2.226, referenciada às fls. 19, confirma a logística da empresa autuada nas operações de comércio exterior: > Prezada D Elisa, aqui vão os dados dos eletrônicos comprados na Simrad. Agora > resta ao Sergio despachar para o Brasil. > Abraço Janot Pela mensagem de fls. 810 fica claro que as verdadeiras operações de comércio exterior eram realizadas entre as empresas do Grupo Inace e o fornecedor das mercadorias, sendo que as empresas estrangeiras vinculadas ao Grupo serviam como armazenadoras e consolidadoras de mercadorias, remetendoas em seu próprio nome ao Brasil conforme as conveniências do Grupo, interpondose fraudulentamente entre o verdadeiro fornecedor e o adquirente das mercadorias: Sergio, Devido ao grande número de compras realizadas e por conta da demora do DECEX em deferir os drawbacks, ficou acordado que as compras que a INACE BR fizer e precisar estocar para esperar o aval do Aécio para embarque serão armazenadas no armazém da All Oceans. Quando fizermos a compra, iremos solicitar ao fabricante que deixe no armazém e comunicaremos tudo a você com detalhes para que esse material fique separado. Quando o Aécio liberar o embarque, a CTI irá buscar tudo e embarcar normalmente. Favor atentar bem para esse fato para não haver problemas futuros. Att, Manuela Sales Purchase Department/Departamento de Compras Inace Shipyard Indústria Naval do Ceará S.A Brazil www.inace.com.br Restou, assim, evidenciado pela fiscalização que as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Jasfer e S & S Seafood, gerenciadas pelo Sr. Sérgio Sales Ferreira, cumpriam as instruções do Grupo Inace no Brasil e emitiam as faturas comerciais conforme os dados repassados pelas empresas desse Grupo, entre elas, a empresa autuada. Isso é evidenciado no documento de fls. 1.138 (“Procedimento para controle de importação de materiais (IATES)”), onde se lê: 2 A confecção das Invoices e Packing Lists deverá ser de responsabilidade de: 2.1 All Oceans: Sergio Cabral 2.2 lnace: Dep. Compras internacionais. Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.096 26 Pelo que se vê, era a ação dessas pessoas estruturada em conformidade com os interesses do Grupo Inace, que permitia, em última análise, o alcance dos objetivos declarados pela empresa autuada segurança, descomplicação e redução de custos , ainda que em detrimento do Erário. Da procedência do lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading e Jasfer A fiscalização tem razão ao acusar a empresa autuada de se utilizar das empresas norteamericanas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Jasfer e S & S Seafood para ocultar o real vendedor das mercadorias por ela importadas e manipular preços e condições de pagamento, mediante o uso de faturas ideologicamente falsas na instrução das Declarações de Importação que apresentou até 31 de dezembro de 2007, relacionadas no “Anexo K” deste processo. Observase que a impugnante não nega os fatos descritos no auto de infração, mas, se defende da acusação fiscal de interposição fraudulenta de terceiros, mediante simulação, com ocultação do verdadeiro vendedor das mercadorias por ela importadas, alegando que “as empresas indicadas pela fiscalização como sendo interpostas exportadoras estrangeiras (Oceantech Enterprises, All Oceans Trading, Rozen Internacional, Jasfer, e 4Ne Working), são todas, na verdade, empresas de trading que prestam serviços à autuada, com o escopo único de minimizar custos de importação”. Fossem meras agentes de compra e venda, o fato de terem operado em seu próprio nome não as transformaria em vendedoras das mercadorias, desde que registrassem nas faturas que estavam agindo por conta e ordem da empresa autuada, mas, não foi o que aconteceu nas operações objeto do lançamento, nas quais as ditas empresas figuram como vendedoras das mercadorias e não como prestadoras de serviços, situação que a própria autuada admite em sua impugnação, quando afirma, às fls. 2.165, que “em várias operações de importação a trading fica encarregada de efetuar a compra ao fornecedor estrangeiro e revender para a autuada, incluindo no preço de venda à autuada os seus custos e seu lucro.” Tudo isso, porém, foi feito mediante a interposição fraudulenta de terceiros, visto que as referidas empresas “de trading”, que eram estruturalmente subordinadas aos interesses do Grupo Inace, adquiriam dos reais vendedores, ainda em território americano, as mercadorias cuja aquisição havia sido negociada pela empresa autuada, e “refaturavam” essas mercadorias, mediante emissão de faturas comerciais para fins de exportação, as quais eram elaboradas em conformidade com as instruções determinadas pelo Grupo Inace, de modo que os preços, as quantidades e a descrição das mercadorias eram manipuladas, conforme insinuou a fiscalização e confirmou a própria empresa autuada, para que se ajustassem às condições do regime de drawback suspensão que beneficiava a quase totalidade das importações da empresa autuada, como ela mesma afirma em sua impugnação (fls. 2.165): No caso da autuada, que é beneficiária de drawback para quase todas as suas importações, o serviço de trading ganha maior relevância porque inclui a adequação dos procedimentos do exportador estrangeiro As exigências da Alfândega brasileira, ou seja, a adequação da invoice às normas brasileiras, com a descrição correta da mercadoria, indicação do produtor, dentre outras. Com efeito, a logística praticada pela empresa autuada através de empresas que lhe deviam subordinação administrativa, operacional e financeira, favorecialhe Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.097 27 o controle absoluto das operações, nos polos exportador e importador, e lhe propiciava “operações de comércio internacional seguras, descomplicadas e de baixo custo”, tudo, como já foi dito, em detrimento do Erário. As operações de comércio exterior da empresa autuada eram, assim, fundadas na simulação e no uso, para fins de desembaraço aduaneiro, de documentos inquinados de falsidade ideológica. Inequívoco, pois, o artifício doloso caracterizador da infração imputada pela autoridade fiscal Um exemplo do que ocorria nessa sistemática nos é fornecido pelo documento de fls. 1.119, no qual é evidenciado o intuito econômico da manipulação documental das importações: De: Paola Aquino [mailto:paola.aquino©inace.com.br] Enviada em: segundafeira, 18 de maio de 2009 11:57 Para: 'Marcelo' Assunto: RES: NCM das mercadorias que vão ser embarcadas para o casco 582! Marcelo, Não existe drawback para o 582. O que acontece às vezes é o Sergio e o Aécio colocarem em algum item que não vai ser usado de outros drawbacks para não pagarmos imposto. Att, Paola de Aquino Yacht Department/Departamento de Iates Web: www.inace.com.br Email:Raola.aquino@_inace.com.br Em outra mensagem, juntada às fls. 842/845, a manipulação de faturas comerciais (commercial invoices) e de listas de embarques (packing lists), para adequação ao regime de drawback, fica bastante clara, como se lê no seguinte trecho: PS.: As invoices e packing lists estão sendo alterados conforme orientação da Paola, para que fique de acordo com os respectivos drawbacks. Diversos outros documentos e mensagens citados e aduzidos aos autos pela fiscalização revelam a ingerência administrativa, operacional e financeira das empresas do Grupo Inace no Brasil, entre elas, a empresa autuada, sobre as empresas estrangeiras capitaneadas pelo Sr. Sérgio Sales Ferreira, sendo também relevante a participação da Sra. Jacqueline S. Ferreira nessas operações: O documento de fls. 875/876 (“Procedimento para controle de importação de materiais (IATES)”), referenciado às fls. 17/18, demonstra com clareza o quão alto tem sido o grau de ingerência das empresas do Grupo Inace no Brasil entre elas Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.098 28 a autuada sobre as empresas estabelecidas no exterior e de como era planejada a manipulação das faturas comerciais por elas emitidas. Vejamos o seu conteúdo: 1 — (All Oceans e Dep. Compras Internacionais) Todo e qualquer embarque deverá ser informado (checklist), através do email, para Paola, Dept. importação / exportação e Dept. compras internacionais. 1.2 — (Paola, Aécio e Nathalia) De forma geral a Paola é a responsável pela confecção, consulta e confirmação da descrição dos itens no drawback. Depois de confeccionado o arquivo deve ser passado para o Aécio que entregará a pessoa terceirizada, Domingos (Banco do Brasil), responsável pelo cadastramento no DECEX. A Nathalia é responsável por acompanhar esse processo e informar aos interessados (Dino, Julio, Val e Paola) o andamento deste. 0bs.1: Uma vez por semana o Sergio vai passar uma tabela dos materiais que já chegaram em Miami para deixarmos tudo pronto antes mesmo dele preparar o embarque; Obs.2. Quando a Paola for informar o item do drawback com todos os detalhes para o Sergio, deverá também passar para o Aécio; Obs.3: Quando for incluir no drawback um item que for sistema, não esquecer de duplicado da mesma forma. 1.3 — (Nathalia) A classificação fiscal (NCM) e o acompanhamento do deferimento de drawback no DECEX são de responsabilidade da Nathalia. (Drawback 576 e 568) Obs.: Aécio ficou de verificar como vai fazer para que o Gleidson tenha acesso de consulta no SISCOMEX (Aécio já conseguiu e vai passar p/ Nathalia) 1.4 — (Paola) A NCM que será discriminada no conhecimento de embarque deverá ser fornecida pela Paola, já que a mesma já consta na descrição do item no drawback. 1.5 — (All Oceans e Dep. Compras Internacionais) Antes da confecção da Invoice e Packing List todos os responsáveis por tal deverão consultar a descrição do item no drawback (PAOLA). 2 — A confecção das Invoices e Packing Lists devera ser de responsabilidade de: 2.1 All Oceans: Sergio Cabral 2.2 Inace: Dep. Compras internacionais. (Raffael, Marcelo e Gabriela) Novo Procedimento: IATES Quando Sergio passar por email as informações do embarque que ele está preparando, a Paola deverá preparar um draft da INVOICE, entregar p/ o Aécio para conferência e correções e passar novamente para o Sergio para que ele possa preparar INVOICE original; 2) A INVOICE original será passada para o Dept. de Compras Internacional para, então, preparar a pasta com a documentação para o desembaraço aduaneiro. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.099 29 OFFSHORE Mesmo procedimento sendo que a responsável é a Gabriela (Dept. Compras) 3 — Preparação e envio ao dept. importação / exportação das pastas com documentação para desembaraço aduaneiro das mercadorias: 3.1 — Responsável: Departamento de compras internacionais (Raffael, Marcelo e Gabriela) 3.2 — O que deve constar nas pastas: a) Invoice Original (assinada) b) Packing List Original (assinado) c) Copia de conhecimento de carga (BL / AWB) d) Copia do Contrato de Câmbio detalhes do pagamento OBS.1: No caso dos embarques da All Oceans o Sergio encaminhará os conhecimentos de carga originais (juntamente com Invoice e Packing List) para o departamento de compras. OBS. 2: O Packing List p/ Alex Almoxarifado deve ser mais detalhado contendo os números pedido e PO. OBS. 3: Os documentos originais devem ser postados no nome do Robert, devidamente assinados e avisados através do email. OBS. 4: Quando o Sergio passar a cópia do HBOL para o Aécio ele deverá conferir e responder em 48 horas. 4 — Confecção das pastas. 4.1 As pastas serão preparadas por conhecimento, ou seja, cada BL / AWB terá uma pasta independente. 5 — Desembaraço aduaneiro: 5.1 — (Dino e Aécio) O departamento responsável pelo desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas é o departamento de exportação / importação (Aécio). Antes do registro das DIs o Dino deverá conferir o material (peso, quantidade, pais de origem, valor e descrição) na unidade alfandegária evitando o pagamento de multas e impostos. Aécio explicou que isso é possível nos embarques aéreos. Nos marítimos o Aécio ficou de verificar se é e como é possível. (Aécio já verificou e não é possível conferir no marítimo) 5.2 — Despacho documental (Júlio César) As LIs e DIs são de responsabilidade do Julio Cesar. Para esse registro o Júlio deve sempre conferir e verificar se as informações estão de acordo com as informações contidas na pasta. Nathalia ajudará o Julio a fazer um Relatório de Desempenho para que metas sejam traçadas. 5.3 — Despacho físico (Dino e Aécio) A liberação das mercadorias nos recintos alfandegados é realizada por Dino e Aécio. Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.100 30 OBS.: Caso ocorra alguma divergência com a documentação (Invoice, Packing List, conhecimento de embarque), o departamento de importação / exportação deverá informar exatamente o que deve ser alterado ou providenciado para a conclusão do processo. Não é de responsabilidade do Dep. Importação / Exportação alterar INVOICE, apenas informar o que deve ser alterado para Paola/Gabriela passar para Sergio através do email e aviso por telefone. A resolução dos demais problemas será de responsabilidade do setor de importação / exportação. 5.4 — (Nathalia) A Nathalia é responsável por acompanhar todos os processos de importação das mercadorias dos lates e fazer um feedback diário com a Paola. Portanto, todo e qualquer problema que aconteça durante o processo de liberação das mercadorias deverá ser informado para ela. Também é responsável pelo Banco de Dados dos drawbacks genéricos 588 a 591, 6 — As notas fiscais serão encaminhadas ao departamento de compras internacionais para que sejam inseridas no sistema Datasul e, posteriormente entregue para o recebimento (Rosinha). OBS.: A data limite para entrega de todas as notas fiscais implantadas no sistema para o recebimento é até o dia 10 de cada mês, pois é o dia de fechamento da contabilidade. 7 — (Aécio) Aécio fazer solicitação a Receita Federal de um armazém alfandegário. 8 (Nathalia) Levantar com a Contabilidade/Custos o que foi gasto com multas/ impostos/ demurrage para criarmos metas de redução de custos mensais Segundo esse documento, a confecção das faturas comerciais no exterior era de responsabilidade do Sr. Sérgio Sales Ferreira (de cognome Sérgio Cabral), o qual, no entanto, só poderia fazêlo após consulta aos Departamentos de Importação/Exportação e de Compras Internacionais das empresas do Grupo Inace no Brasil (Paola, Aécio e Nathalia), que tinham a incumbência de adequar a descrição e a NCM das mercadorias ao previsto no regime de drawback. No mesmo documento se observa que o procedimento foi depois ligeiramente modificado, com a introdução de rascunhos prévios das faturas (drafts invoice), ficando assim definido: Quando Sergio passar por email as informações do embarque que ele esta preparando, a Paola deverá preparar um draft da INVOICE, entregar p/ o Aécio para conferência e correções e passar novamente para o Sergio para que ele possa preparar INVOICE original. Recordemos a fundamentação legal adotada pela fiscalização para o presente lançamento: Decreto lei nº 37, de 18 de novembro de 1966 [...] Art.105Aplicase a pena de perda da mercadoria: [...] VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.101 31 Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976 [...] Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] IV enquadrada nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) No caso em análise, os fatos narrados pela fiscalização e o farto conjunto probatório por ela aduzido aos autos confluem para a caracterização das duas infrações acima descritas, ambas puníveis com a pena de perdimento das mercadorias ou, mais propriamente, da multa equivalente ao valor aduaneiro destas. Primeiro, porque as faturas comerciais que instruíram as Declarações de Importação (operação simulada) objeto da ação fiscal não expressam a verdadeira operação havida (operação dissimulada), que foi realizada entre o real fornecedor das mercadorias e a empresa autuada, implicando a infração prevista no art. 23, inciso IV, do Decretolei nº 37, de 1966, por utilização de documento ideologicamente falso para fins do desembaraço aduaneiro de importação das mercadorias. Segundo, porque a empresa autuada, ao fazer constar nas Declarações de Importação objeto da ação fiscal, em lugar do verdadeiro vendedor das mercadorias por ela importadas, empresas norteamericanas a ela subordinadas de fato e que, como ficou fartamente demonstrado, não estavam vinculadas ao fato gerador das obrigações tributárias decorrentes das operações de importação por ela realizadas, terá incorrido na infração descrita no art. 23, inciso V, do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, por ocultação do verdadeiro vendedor das mercadorias, mediante simulação, caracterizada pela interposição fraudulenta de terceiros. A legislação brasileira exige que no despacho aduaneiro de importação figurem as partes efetivamente intervenientes na operação, não podendo o verdadeiro fornecedor/vendedor/exportador das mercadorias ser ocultado e simplesmente substituído, por exemplo, pelo agente de compras e vendas (prestador de serviços), como ocorreu no presente caso, conforme amplamente comprovado pela fiscalização, sob pena de caracterizarse a simulação, ilícito assim disciplinado no Código Civil: Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.102 32 Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) [...] Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Improcedente, portanto, a impugnação, quanto ao lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Oceantech Enterprises, All Oceans Trading e Jasfer, devendo ser mantido o respectivo crédito tributário, no valor de R$ 5.939.989,07. Da procedência do lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas Rozen International e 4Net Networking, Corp. Quanto às operações envolvendo as empresas 4Net Networking Corporation e Rozen International, as provas colacionadas pela fiscalização revelam que, embora representassem um nível a mais na logística do Grupo Inace nos Estados Unidos, o modus operandi permanecia intacto, com a empresa autuada determinando todos os passos a serem observados pelos partícipes do esquema, como se verifica nas mensagens abaixo (fls. 1.003): From: Importação <importacao@inace.com.br > To: Sergio Cabral CC: Roberto Cabral 1 Subject: Modelo para Emissão de INVOICE 4NET Aquecedores Etc. EMB71015 BL HBOL3718 Sent: 07/11/2007 18:44:56 +00:00 Attachments: 1. Plano de fundo Natureza.jpg 2. Invoice Marítimo pg 1 18.10.07. xls Prezado Sérgio, Segue anexo, o modelo de como deverá ser emitida a INVOICE da 4NET referente ao embarque EMB71015 Itens 01,02 e 03 do packing List BL no. HBOL 3718 conforme combinado. Caso haja alguma dúvida, favor comunicar. Grato, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.103 33 Aécio Costa ___________________________________________ From: Importação <importacao©inace.com.br > To: Sergio Cabral CC: Roberto Cabral 1 Subject: Modelo corrigido para Emissão de INVOICE Aquecedores etc. BL. HB0L3718 EMB 71015 Itens1,2,3 Sent: 07/11/2007 20:09:35 +00:00 Attachments: 1. Plano de fundo Natureza.jpg 2. Invoice Marítimo pg 1 18.10.07. xls • Sergio, Segue anexo, modelo corrigido para emissão da INVOICE 4NET BL no HB0L3718 referente aos Aquecedores Etc., em conformidade com orientação do senhor Roberto Cabral. Obs. Esclareço que o valor final a ser colocado na invoice a ser emitida, ficará por conta do exportado, tendo em vista o acréscimo em percentual que deverá ser adicionado e o valor do frete. Grato pela atenção, Aécio Costa Dept. de Importação Vale trazer, ainda trechos Relatório Final de Procedimento Fiscal em que são descritas situações em que se mostra evidente a ingerência da empresa autuada nas operações efetivadas por intermédio das empresas Rozen International e 4Net Networking: a) às fls. 20/21: A mensagem eletrônica de 14/03/20088 de Jacqueline Ferreira para o Sr. Aécio" informa que o embarque aéreo de 17/mar teria sido dividido em quatro remessas sendo duas consolidadas em faturas em nome da ALL OCEANS (n° 2121 e 2123) e as outras duas em remessas individuais mediante faturas em nome ROZEN INTERNATIONAL (n° 71687 e 71688) e encaminhando as invoices n° 2121 e 2123, além de, posteriormente, reencaminhar as invoices porque as primeiras não estariam com a informação de frete prépago. Essas mensagens mostram claramente a manipulação de faturas pela Sra. Jackie Ferreira não somente no que tange a forma de pagamento do frete em faturas no nome da ALL OCEANS, mas também em faturas em nome da ROZEN INTERNATIONAL, que não tem relação societária formal com o Grupo INACE (Quadro 1); b) às fls. 29: Em relação às empresas 4NET NETWORKING CORPORATION e ROZEN INTERNATIONAL, apesar de não termos evidenciados ligações societárias formais, Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.104 34 constatamos que essas empresas também foram utilizadas na logística fraudulenta de ocultação dos efetivos fornecedores estrangeiros de mercadorias importadas pelos estaleiros INACE e/ou subfaturamento do valor das mercadorias importadas, mediante instrução de DI com faturas ideologicamente falsas. As mensagens encaminhadas pelo setor de importação dos estaleiros INACE a Sérgio Cabral enviando o modelo para emissão de invoice em nome da 4NET revela que tais invoices também eram emitidas pelo escritório em Miami (ALL OCEANS, OCEANTRADING e INACE USA). A análise individualizada das operações pela fiscalização, com base na documentação acostada aos autos, também aponta no mesmo sentido, deixando explícita a condição de interpostas pessoas das empresas Rozen International e 4Net Networking: a) às fls. 44: 5.2.3.1 DI nº 07117583281 —Adição 001 O gerador N843NW2 de 12kw da Northern Lights de que trata a confirmação de compra 2007/044 da IND. NAVAL encaminhada por Robert Gil Bezerra a Roberto Ferreira foi importado mediante a DI em referência do fornecedor estrangeiro interposto fraudulentamente ROZEN INTERNACIONAL, a transação comercial ocorreu de fato entre a IND. NAVAL e a NORTHERN LIGHTS com a intermediação do preposto Roberto Ferreira, tendo a transação retratada na invoice da ROZEN INTERNATIONAL utilizada para instruir a DI sido uma mera simulação, para ocultar as verdadeiras partes da operação; b) às fls. 44: 5.2.3.2 — DI nº 07/16271863 Ao amparo dessa DI foram importados dois guinchos MUIR VRC6000 (adição 002) e dois VC3500 do fornecedor estrangeiro declarado ROZEN INTERNATIONAL, no regime de drawback suspensão —AC n°20060011920. Entretanto, os documentos abaixo identificados comprovam que esses guinchos foram adquiridos diretamente da MUIR pela IND. NAVAL: a) Correspondências eletrônicas entre Estaleiros Inace, Fred Mayer da MUIR, Sergio Cabral e Sergio Ferreira. b) Duas vias distintas da Ordem de Pedido n° 200605004 da Oceantech à MUIR com diferença no valor total. c) Proforma invoice 06089 da MUIR dirigida A OCEANTECH. d) Invoice 4029478 da MUIR e o packing list de 26/06/2006 da MUIR destinados IND. NAVAL e INACE IATES, respectivamente. A Invoice OT3810 em nome da OCEANTECH (481.pdf — Doc. E7) apresentada ao Secex na instrução do requerimento do AC n° 20060011920 relativa a equipamentos a serem importados no regime para utilização na embarcação Casco 564 discrimina esse equipamento ao valor de US$ 7.200,00. Dessa forma, resta comprovado além do subfaturamento do valor declarado desses equipamentos, a aquisição direta desses equipamentos pela IND. NAVAL da Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.105 35 MUIR, sendo a invoice n° 71627 em nome da ROZEN INTERNATIONAL instrutiva dessa DI ideologicamente falsa. c) às fls. 45: 5.2.3.3 DI nº 07/14377826 A correspondência de Paul Raymond Orange da Econosto para Muzzio sobre a cotação de válvulas EC001000040HAJ2 ao preço unitário (fob) 272,00 Euros equivalente a US$ 370,22 na data de embarque das mercadorias, incoterms FCA e pagamento adiantado, comprova inequivocamente o subfaturamento e a falsidade ideológica da invoice em nome da ROZEN instrutiva dessa importação adição 002 da DI nº 07/14377826. Essas válvulas foram importadas ao preço unitário declarado (fob) de US$ 300 para pagamento em 180 dias. A realização de outras operações de importação registradas diretamente pelos estaleiros INACE ao fornecedor e fabricante estrangeiro ECONOSTO aliada à ocorrência de negociação de válvulas desse fabricante entre o intermediário Luis Rosales da REG Holland e o Sr. Robert Gi1 também evidencia a condição da ROZEN INTERNATIONAL como mera fornecedora de fachada das transações internacionais entre os estaleiros INACE das válvulas importadas mediante a DI em referência e a de nº 06/06617366002; d) às fls. 45/46: 5.2.3.4 DI nº 07/12946661 e 07/1 29051 75 Ao amparo da DI nº 07/12946661 foram importados os equipamentos fabricados pela WARTSILA discriminados no quadro abaixo do fornecedor estrangeiro declarado ROZEN INTERNATIONAL, no regime de drawback AC nº 20070069239. A existência de invoice da WARTSILA dirigida a OCEANTECH e de Ordem de Pedido em nome da OCEANTECH encaminhada por Robert Gil à WARTSILA referentes venda dos equipamentos importados ao amparo dessa DI, revela incontestemente a falsidade ideológica da fatura instrutiva da DI nº 71604 em nome da ROZEN INTERNATIONAL, a ocultação do efetivo fornecedor das mercadorias, além do alteração dos valores dos equipamentos; e) às fls. 47: 5.2.5.1 DI nº 07/16456340 Essa DI referese à importação de um turco Marquipt e dois motores diesel Volvo com acessórios nos valores unitários (cfr) declarados de US$ 9.514,76 e US$ 42.907,66. Entretanto, documentos apreendidos na Operação Luxo trazem informações distintas das constantes nessa DI. a) Minutas de Invoice em nome da 4NET sem numeração encaminhada por mensagem eletrônica do Sr. Aécio do Setor de Importação dos Estaleiros Inace para Sergio Cabral, Roberto Cabral e Leda Romer, pedindo para desconsiderar o documento e não emitir a invoice, em razão de erro na aplicação do percentual, na qual constam valores superiores aos declarados, de US$ 9.745,03 e de US$ 43.943,06. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.106 36 b) Proforma invoice da Marqpit em que consta o valor (fobmiami) de US$ 8.772,00 para o turco dirigida à OCEANTECH e informando o deposito em 29/08/2007 de 50% e o restante na entrega. c) Proforma invoice PF817641/2 da Volvo referentes aos dois motores constantes da adição 002 no valor de US$ 38.980,00 (cada). Os dois motores volvo registrados nessa DI, segundo a proforma acima identificada, teriam sido vendidos a OCEANTECH para entrega no Rio de Janeiro. A mensagem eletrônica que encaminha essa proforma para Sergio Cabral e Robert Bezerra explicita que esse motores seriam pagos pela OCEANTECH que, posteriormente, receberia da JM EMPREENDIMENTOS. Essa importação foi instruída com fatura da 4NET. A falsidade da invoice em nome da 4NET utilizada para instruir essa DI e a ocultação do efetivos fornecedores estrangeiros MARQUIPT e AB VOLVO PENTA, evidenciase também na mensagem eletrônica do Almirante Janot para Sergio Cabral e Robert Gill informando a cobrança de pagamento de 10% nos motores Volvo e sugerindo que o Sergio pagasse que, posteriormente, a JM EMPREENDIMENTOS pagaria a OCEANTECH; f) às fls. 48/49: 5.2.5.3 DI nº 07/14450531 Nessa DI foram registradas diversas mercadorias no regime de drawback suspensão AC n° 20060011920 no valor total (cfr) de US$ 74.389,90. Entretanto, a apreensão de minutas de invoice nº OT32628 em nome da 4NET discriminando as mesmas mercadorias e o mesmo embarque EMB70813 — BL nº HB0L3683, mas com valores diferentes, totalizado US$ 69.066,61 e U$ 70.204,12, revela a falsidade da fatura de mesma numeração instrutiva da DI. A diferença no valor das mercadorias entre a minuta de invoice e a invoice instrutiva da DI referese aos 8% que, segundo mensagem eletrônica de 17/09/2007, encaminhada por Sérgio cabral a Roberto Cabral remetendo as invoices finais dessa seria a remuneração da 4NET pelo "empréstimo" do nome para figurar como exportadora das mercadorias. Conforme comentado no email anterior, segue anexo as copias das INVOICE'S que finais, que deverão ser emitidas referentes ao embarque EMB70813 — BL n° HBOL3683. Favor verificar o tal dos 8% 4NET Ao amparo das adições 13, 14 e 15 foram importadas duas portas corrediças de vidro temperado e dois fechos automáticos adquiridos do fornecedor chinês ARITEX no valor total (fob) declarado de US$ 23.533,23. Essas portas foram formalmente vendidas a OCEANTECH mediante a invoice OEI12042006 da ARITEX destinada a OCEANTECH ENTERPRISES. Essa fatura da ARITEX juntamente com instruções para pagamento foi enviada eletronicamente pela ARITEX a Sergio Cabral com cópia para Fernando Jr. da INACE, esse [...] repassou a mensagem para Robert Bezerra. A ARITEX encaminhou a OCEANTECH [...] memo de pagamento informando o valor total das mercadorias de US$ 21.610 , informando o recebimento do depósito de 50% e que a entrega se daria em noventa dias'. Entretanto, na DI foi informado o fornecedor estrangeiro 4NET NETWORKING CORP, o que significa que o desembaraço das mercadorias foi Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.107 37 instruído com fatura comercial em nome da 4NET. Portanto, a existência de fatura comercial em que as mercadorias são formalmente vendidas a OCEANTECH e enviadas para a INACE, quando na DI é informado outro fornecedor estrangeiro e alteração fraudulenta de valores das mercadorias revela a falsidade ideológica da fatura instrutiva n° 7002750 em nome da 4NET NETWORKING. g) às fls. 49/50: 5.2.5.6 DI nº 07/12656736 Por meio dessa DI foram importados do fornecedor estrangeiro declarado 4NET no regime de drawback suspensão — AC n° 20070069239: dois geradores Kohler modelos 50EFOZD e 33EFOZD aos valores unitários (cfr) de US$ 26.590,25 e 21.680,41, respectivamente, e 250 litros de isolamento acústico coating 3680 vdamp barrier ao valor unitário (cfr) de US$ 10,79. Ocorre que segundo os documentos apreendidos na Operação Luxo abaixo discriminados os valores declarados dessas mercadorias foram subfaturados e instruídos com faturas comerciais e packing list falsos no mínimo ideologicamente: a) Minutas da comercial invoice OT32620 e OT32622 em nome da 4NET na qual constam os valores unitários (cfr) de US$ 24.625,43 / US$ 82.810,19 e de US$ 20,079,27 / US$ 44.963,75 para os geradores e de US$ 10,02 para o isolamento132. b) Proposta da KOHLER dirigida a OCEANTECH encaminhada por Sergio Cabral a Robert Gil desses geradores aos preços unitários (fob) de US$ 19.889,43 e 24.435,59. Mensagem eletrônica do setor de importação do Sr. Aécio do setor de importação dos estaleiros INACE para Sérgio Cabral de 15/09/2007, encaminhando a minuta de invoice nº 0132620 com os mesmos valores de mercadorias declarados e o packing list com o seguinte texto: "Seguem anexo as faturas referentes ao EMB70730 — BL nº HB0L3676, com as correções solicitadas quanto ao acréscimo de 8% 4NET. Corrobora a compra dos equipamentos feita diretamente pela IND. NAVAL a cobrança feita por Robert Gil Bezerra a Roberto Skuplik da confirmação do aceite das encomendas dos geradores. As mensagens eletrônicas trocadas entre Robert Gil e Roberto Skuplik de 16 a 20/03/2007 confirmam que o preço dos dois geradores foi de US$ 44.325,02, sendo 30% de entrada e o restante antes da entrega dos equipamento e que inicialmente o interposto fornecedor estrangeiro seria a OCEANTECH, pois Robert Gil diz: " Esses geradores serão comprados pela Oceantech Enterprises, através da Sailing. [...] A Ocean vai fazer o depósito. de entrada até segunda, ok?" Resta portanto, comprovada a falsidade ideológica da fatura comercial n° OT32620 em nome da 4NET instrutiva dessa DI, em razão dessa ter sido uma mera cessionária do nome para figurar como exportadora dos equipamentos recebendo a remuneração de 8%, de fato adquiridos diretamente pela IND. NAVAL, e a alteração dos valores dos equipamentos e das condições de pagamento, realizado adiantado com recursos [em] nome da OCEANTECH, mas na DI declarado à prazo. Tais informações e os documentos nelas citados, independentemente da acusação de subfaturamento dos preços das mercadorias, que será objeto de Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.108 38 posterior análise, desvelam irrefutavelmente o papel desempenhado pelas empresas 4net Networking, Corp. e Rozen International, Inc. como interpostas pessoas, nas operações de comércio exterior formalizadas com a empresa autuada, a que aderiram em troca de comissão, como se tal prática não fosse vedada pela legislação tributária brasileira. A empresa autuada, por outro lado, nada trouxe em sua impugnação que comprovasse serem tais empresas as verdadeiras vendedoras das mercadorias por ela importadas. Improcedente, portanto, a impugnação quanto ao lançamento da multa por utilização de notas fiscais ideologicamente falsas e ocultação do efetivo vendedor estrangeiro, mediante simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, nas operações com as empresas 4net Networking, Corp. e Rozen International, Inc., devendo ser mantida a parcela do crédito tributário, no valor de R$ 1.839.443,64, correspondente às Declarações de Importação em que essas empresas figuraram como exportadoras. Ressaltase, por oportuno, que os valores mantidos e informados pela DRJ, sofrerão alterações em razão da exclusão das multas aplicadas/calculadas nas DI´s registradas em data anterior a 15.12.2005, face a aplicação do instituto da decadência tratada anteriormente. Por fim, insta tecer que referida operação já foi alvo de análise nos autos do PA 11131.720216/201187 (acórdão 3401003776), onde restou decidido pela existência de operações tidas por fraudulentas, a saber: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2007, 2008, 2009 SUBFATURAMENTO. PENALIDADE APLICÁVEL. PERDIMENTO (ARTIGO 23, IV, DO DECRETO No 1.455/1976, e § 3o, COMBINADO COM ARTIGO 105, INCISO VI, DO DECRETOLEI No 37/1966). USO DE DOCUMENTO FALSO. MULTA SUBSTITUTIVA. Na hipótese de prática de subfaturamento mediante uso de documento falso (material ou ideologicamente), devese aplicar a penalidade prevista no artigo 23, IV, e § 3o, DecretoLei nº 1.455/1976, combinado com o artigo 105, VI, do Decreto Lei no 37/1966 (a pena de perdimento ou, na impossibilidade de aplicação, a multa que a substitui). INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR/EXPORTADOR. INTERPOSTA PESSOA DECLARADA AOS CONTROLES ADUANEIROS. AUSÊNCIA DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA ENTRE IMPORTADOR E VENDEDOR/EXPORTADOR DECLARADO. Na interposição fraudulenta por simulação, com ocultação do real vendedor/exportador, é necessária a demonstração da ocorrência da simulação pela fiscalização, ou seja, que a relação estabelecida entre o importador e o vendedor/exportador é distinta da declarada, ou seja, que não se trata de uma compra e venda internacional. REGIMES ADUANEIROS. DRAWBACK. MODALIDADE SUSPENSÃO. DESVIO DE MERCADORIA. DESCUMPRIMENTO. Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.109 39 A mercadoria importada ao amparo do regime de DRAWBACK deve ser exportada após beneficiamento, impondose, assim, que seja integralmente empregada no processo industrial do produto exportado. Em regra, o regime de Drawback não admite o desvio da mercadoria importada para Ato Concessório distinto daquele para o qual ela foi previamente importada, sendo admitida a transferência de mercadoria importada de um regime outorgado por um Ato Concessório para outro, mediante autorização. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. AUSÊNCIA DE BASE DE CÁLCULO NO PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA MEDIDA PROVISÓRIA nº 497/2010, CONVERTIDA NA LEI no 12.350/2010. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO RELATIVO AOS FATOS GERADORES ANTERIORES A 28/07/2010. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3o, DO DECRETOLEI Nº 1.455/76. A base de cálculo da multa substitutiva da pena de perdimento nas operações de exportação somente foi instituída com a Medida Provisória no 497/2010, que entrou em vigor no dia 28/07/2010. Com isso, em atenção ao princípio da irretroatividade das leis (artigo 150 do CTN) e ao disposto no artigo 144, do CTN, a multa por infração de dano ao erário decorrente de interposição fraudulenta na exportação só pode ser aplicada para operações de exportação cujos fatos geradores tenha ocorrido posteriormente a 28/07/2010, não havendo penalidade para a infração no período anterior. DANO AO ERÁRIO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA EXPORTAÇÃO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. ARTIGO 23, INCISO V, PARÁGRAFO 3º, DO DECRETOLEI nº 1.455/76. Nos termos do artigo 23, parágrafo 3º, do DecretoLei nº 1.455/76, a multa substitutiva da pena de perdimento para os casos de interposição fraudulenta nas operações de exportação é equivalente “ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação”, devendo ser cancelado lançamento que tem fundamento legal diverso, eis que vedada a alteração do critério jurídico do lançamento por decisão administrativa. IV Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto relator. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.110 40 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Do escopo deste voto vencedor Contra a decisão consubstanciada no Acórdão 0825.066, exarado pela 2ª Turma da DRJ/FOR, foram interpostos recursos de ofício e voluntário. Admitidos os recursos em questão, distribuído e sorteado o processo, este foi pautado para a sessão ordinária do dia 28.08.2018, da 2ª TO/3ªCA/3ªSE/CARF, sob a relatoria do Conselheiro Walker Araujo. Após discussão de praxe, referido Colegiado decidiu Acórdão 3302005.749, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso de Oficio, a fim de restabelecer a multa de 1% sobre o Valor Aduaneiro das mercadorias classificadas na NCM 8413.70.80 e 8413.70.90, internalizadas por meio das Adições da DI 06/11760864, ocasião em que foram vencidos os Conselheiros Walker Araujo (Relator), José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Junior, que lhe negavam provimento; razão pela qual este Conselheiro (Suplente convocado) foi designado para redigir o voto vencedor, tão somente quanto a este tema/matéria. É o que faço neste momento. Do demonstrativo da autuação Do presente o procedimento fiscal, consubstanciado em Auto de Infração, complementado por respectivo Relatório Fiscal, para o que interessa ao presente Voto Vencedor, colhese: Contribuinte: INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ SA DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Regulamentar DI: 06/11760864 Data do Registro: 29/09/2006 NCM Valor Aduaneiro Multa (%) Valor Calculado Valor da Multa 8413.70.80 3.482,73 1,00 34,82 500,00 8413.70.90 6.809,06 1,00 68,09 500,00 Valor mínimo R$ 500,00 por Adição Total da Multa em R$ na DI 1.000,00 Total Geral da Multa em R$ 1.000,00 Enquadramento Legal (*) MULTAS NÃO PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 1,00% Art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 215835/01 combinado com o art. 69 e art. 81, inc. IV, da Lei nº 10.833/03. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro Data de Referência Valor Aduaneiro Multa (%) Valor Calculado Valor da Multa 09/12/2010 7.088.580,00 100,00 7.038.580,00 7.088.580,00 10/12/2010 9.566.873,12 100,00 9.566.873,12 9.566.873,12 Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.111 41 Total de Multa Devida em RS 16.655.453,12 Enquadramento Legal (*) MULTAS NÃO PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores a partir de 30/12/2003. 100,00% Art. 23, § 3º do DecretoLei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02 combinado com art. 81, inciso III da Lei nº 10.833/03. Do relatório parcial de procedimento fiscal (...) 5. DAS IRREGULARIDADES E FRAUDES EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR Conforme explicitado anteriormente e pormenorizado a seguir, as empresas INDÚSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA. utilizaram em suas operações de comércio exterior interpostas pessoas como importadoras e exportadoras estrangeiras (empresas constituídas nos EUA pertencentes ou não ao Grupo Quadro 1), para ocultar os efetivos vendedores e compradores internacionais nas importações e exportações de mercadorias, respectivamente. Em outras palavras, instruindo as importações e exportações com faturas comerciais / commercial invoices ideologicamente falsas. A utilização de interpostas pessoas nas operações de comércio exterior registradas pelos estaleiros INACE instrumentalizou a utilização de faturas comerciais falsas ideologicamente com valores de mercadorias subfaturados não somente para redução fraudulenta da base de cálculo de tributos, mas também para concretizar a submissão simulada do valor da importação ao valor autorizado da importação ao ato concessório disponível, permitindo a manipulação dos valores das mercadorias, conforme a conveniência dos estaleiros. Para permitir o enquadramento de mercadorias destinadas a uma embarcação no regime de drawback referente a outra embarcação muitas vezes as mercadorias são descritas de forma divergente da real, fato reclamado até por funcionário da INACE em razão de dificultar o controle de estoque. Assim, restou também evidenciada a fraude na importação de mercadorias ao amparo do regime de drawback suspensão, em razão da utilização de fatura comercial propositadamente falsificada para permitir o enquadramento de importação de equipamentos em ato concessório no qual, antes mesmo da importação já era dada destinação diversa à compromissada. 5.1. DA OCULTAÇÃO DO EFETIVO COMPRADOR ESTRANGEIRO DAS EMBARCAÇÕES EXPORTADAS As embarcações exportadas no período de 2002 a 2007 pela IND. NAVAL foram todas realizadas no regime de drawback suspensão e formalmente destinadas OCEANTECH. Entretanto, conforme explicitado no item 2, a OCEANTECH foi uma empresa constituída em Miami/Eua exatamente para possibilitar a alteração/modificação de documentos relacionados às operações de comércio exterior dos estaleiros INACE. Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.112 42 Não é demais destacar que as embarcações construídas pelos estaleiros INACE são feitas por encomendas. Não é então crivei que uma única empresa norte americana, de 2002 a 2007, seja a encomendante de todas as embarcações exportadas num período de mais de cinco anos. Ainda mais quando essa compradora é coincidente sua principal fornecedora estrangeira declarada, comprovadamente interposta fraudulentamente. (...) 5.2. DAS OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÕES Nas operações de importação registradas pela Indústria NAVAL no período de 2005 a 2007 e/ ou feitas ao amparo do regime de drawback suspensão em que foram declarados os fornecedores norteamericanos OCEANTECH ENTERPRISES (fls. ), ALL OCEANS TRADING, 4NET, JASFER e ROZEN e portanto, apresentadas faturas em nome dessas empresas configurase a ocultação do efetivo fornecedor estrangeiro e a falsidade ideológica dessas faturas que simulam uma transação comercial entre elas e a INDÚSTRIA NAVAL. Conforme pormenorizado no item 3, essas empresas norteamericanas foram utilizadas na logística fraudulenta implementada pelos estaleiros INACE de "refazimento" de faturas comerciais de importações registradas pelo Estaleiro INACE, o que configura a ocultação dos reais vendedores e compradores estrangeiros de mercadorias e a falsidade ideológica das faturas utilizadas para instruir o despacho aduaneiro dessas mercadorias. Em alguma dessas operações foi comprovado também o subfaturamento ou superfaturamento do valor declarado do valor das mercadorias, a destinação da mercadoria importada para embarcação diversa a compromissada no regime de drawback e /ou a descrição incompleta da mercadoria. Nas operações de importações assinaladas no item 5.2.6 de outros fornecedores estrangeiros que não as empresas norteamericanas acima mencionadas constatamos também a utilização de faturas materialmente falsas e/ou de subfaturamento dos valores declarados das mercadorias. (...) 6. DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES APLICÁVEIS As irregularidades relatadas no item 3 e 5 caracterizam as infrações aduaneiras de dano ao erário capituladas nos incisos VI e XXII do art. 689 do Decreto nº 6.759/2009, conforme sintetizado no Doc. K, puníveis com o perdimento, ou conversão em multa, caso não sejam localizadas ou tenham sido consumidas, nos termos do §1º do retro citado artigo. VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.113 43 §1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23. § 3º, com a redação dada pela Lei n0 10.637, de 2002, art. 59). Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Consoante o inciso IV do art. 94 do DecretoLei nº 37/1966, respondem por tais infrações a pessoa jurídica que promoveu tais importações, no caso, a IND. NAVAL S/A. 6.1. Da Falsidade ideológica de documentos instrutivos de desembaraço aduaneiro A falsidade de um documento pode ser material ou ideológica. Segundo o Profº Julio Mirabete: "A falsidade material consiste na imitação da verdade através de contrafação (o falsificador cria, forma, imprime, cunha, manufatura, fabrica o documento) ou alteração (o agente modifica o documento, por acréscimo ou supressão). A falsidade ideológica consiste na diversidade entre o que devia ser escrito e o que realmente consta do documento. O documento formalmente é verdadeiro, mas é falso o seu conteúdo" (MIRABETE, Julio Fabrini, op. cit., São Paulo: Atlas, 2001, p. 246). A fatura comercial / Commercial Invoice e o conhecimento de transporte internacional são documentos obrigatórios na instrução da DI, consoante art. 493 do Regulamento Aduaneiro/2002. Consoante o art. 553 do Decreto nº 6.759/2009, a fatura comercial e o conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente, dentre outros, são documentos obrigatórios na instrução da DI, pois são os documentos que trazem as informações referentes a transação comercial necessários para a determinação da base de cálculo e alíquotas dos impostos incidentes sobre a operação e adoção das medidas de controle aduaneiro cabíveis. Art. 553. A declaração de importação será instruída com (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 46, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 22): I a via original do conhecimento de carga ou documento de efeito equivalente; II a via original da fatura comercial, assinada pelo exportador; III o comprovante de pagamento dos tributos, se exigível; e Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.114 44 IV outros documentos exigidos em decorrência de acordos internacionais ou por força de lei, de regulamento ou de outro ato normativo. Como qualquer outro documento, uma fatura comercial e um conhecimento de transporte referentes a uma venda e frete, respectivamente, tem que ser documentos únicos, exceto se forem vias absolutamente idênticas ou cópias fidedignas do original, para que possam vir a ter o reconhecimento de sua autenticidade. Dessa forma, diante das evidências de falsidade ideológica de faturas comerciais e de conhecimentos de transportes instrutivos de DI pormenorizadas nos itens 3 e 5, configurase, no mínimo, a falsidade ideológica desses documentos. Conforme explicitado nos itens 3 e 5, as importações assinaladas no Doc. K foram instruídas com faturas comercias ideologicamente falsas, no mínimo, além de outras infrações detectadas. Essa infração tem como penalidade o perdimento da mercadoria importada, entretanto em razão da impossibilidade de aplicação dessa pena, em razão de terem sido consumidas na construção ou incorporadas em embarcações, dos §§1º e 3º do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. No caso das exportações, os documentos instrutivos da Declaração de Exportação são a primeira via da Nota Fiscal de saída e a via Original do conhecimento de transporte, nos termos do art. 588 do Decreto nº 6.759/2009. Art. 588. A declaração de exportação será instruída com: I a primeira via da nota fiscal; II a via original do conhecimento e do manifesto internacional de carga, nas exportações por via terrestre, fluvial ou lacustre; e Assim sendo, configurada a falsidade ideológica da nota fiscal que instruiu as exportações vinculadas ao AC nº 20030093384 e 20030112788 informando venda interposta adquirente OCEANTECH, impõese a aplicação da multa de 100% do valor aduaneiro (valor constante da nota fiscal) em razão da impossibilidade de apreensão das embarcações que foram exportadas. 6.2. Da Ocultação do Efetivo Fornecedor estrangeiro em operações de importações e do efetivo comprador de mercadorias exportadas Nos termos do art. 689, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002, a realização de operação de importação com ocultação do efetivo vendedor das mercadorias e de operação de exportação com ocultação do efetivo comprador constituem infrações punível com a pena de perdimento. Assim sendo, conforme explicitado nos itens 3, 4 e 5, cabível a aplicação de pena de perdimento das mercadorias importadas ao amparo da DI assinaladas na Doc. K e das embarcações exportadas identificadas no item 5.2 em razão da ocultação do efetivos vendedores e compradores das mercadorias, mediante fraude e simulação, respectivamente. Em razão da impossibilidade de apreensão das Mercadorias, efetuamos a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro declarado das mercadorias, consoante o Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.115 45 disposto nos §§ 1º e 3º do inciso XXII do artigo 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637 de 30/12/2002. É importante destacar que mesmo que tenham sido constatadas mais de uma conduta infracional punível com o perdimento das mercadorias numa mesma operação de comércio exterior ou com aplicação de multa em razão da impossibilidade de apreensão da mercadoria, a penalidade de multa será aplicada uma só vez. 6.3. Da Descrição Incompleta de Mercadorias Conforme explicitado no item 5.2, caracterizada a descrição incompleta das mercadorias importadas ao amparo das DI identificadas no Doc. K, aplicase a multa de 1% sobre o valor aduaneiro das mercadorias, nos termos do disposto no §§ 1º e 2º, inciso III, do art. 69 da Lei 10.833/2003 c/c artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (fls. 116/469). Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária á determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2° As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham ã ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou cientifico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (grifo nosso). Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou II quantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de $ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.116 46 penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (...) Mérito Da ementa da decisão recorrida A 2ª Turma da DRJ/FOR, ao julgar procedente em parte a impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos, verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2007 PESSOAS VINCULADAS. CONCEITO ADUANEIRO. Dentre outras hipóteses legais, consideramse pessoas vinculadas quando uma delas, direta ou indiretamente, controla a outra, ou seja, quando a primeira estiver, de fato ou de direito, numa posição de impor limitações ou ditar ordens à segunda. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL VENDEDOR ESTRANGEIRO. Configura interposição fraudulenta de terceiros na importação a substituição, mediante simulação, do verdadeiro vendedor das mercadorias por aqueles nos documentos de instrução do despacho aduaneiro de importação e na própria declaração de importação. IMPORTAÇÃO. SIMULAÇÃO DE COMPRA E VENDA. CESSÃO DE NOME. FALSIDADE IDEOLÓGICA. Caracteriza simulação de compra e venda de mercadorias, na importação, a operação em que a pessoa que cedeu o seu nome para figurar como vendedora na declaração de importação prestara, na verdade, apenas serviços típicos de agente de compra e venda, incorrendo em falsidade ideológica o documento que lhe serviu de instrumento. IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. USO DE DOCUMENTO FALSO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. BASE DE CÁLCULO. Considerase dano ao Erário, punido com a pena de perdimento das mercadorias, ou, no caso de estas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, a ocultação do real vendedor das mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, bem como a falsificação, material ou ideológica, de qualquer documento necessário ao desembaraço aduaneiro. Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.117 47 PROCEDIMENTO FISCAL. FASE INQUISITORIAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente cientificado do lançamento, carece ao autuado alegar cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual falta de intimação, na fase inquisitorial do procedimento fiscal, para apresentação de documentos que pudessem fazer prova em seu favor. IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO IE EXPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO NA. BASE DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Inaplicável, por falta de previsão legal relativamente à base de cálculo, a multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, quanto aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DILIGÊNCIA. SANEAMENTO PROCESSUAL. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente cientificado da diligência requisitada pela autoridade julgadora, descabe ao autuado alegar cerceamento do direito de defesa em virtude de eventual discordância com o seu resultado. MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. BASE LEGAL. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados conforme as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional, que, com o advento da Constituição Federal de 1988, que o recepcionou com o status de lei complementar, detém a exclusividade para tratar de decadência tributária, não cabendo, desde então, invocarse o art. 139 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, para solucionar conflitos nesta matéria. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da parte dispositiva do acórdão recorrido Em face da impugnação apresentada em 14.01.2011 (fls 2.155 a 2.202), acrescentada pelas alegações apresentadas às fls. 2.889 a 2.901, por conta de diligência proposta, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) DRJ/FOR, por meio do Acórdão 0825.066, da Sessão de Julgamento ocorrida em 13.03.2013, ao julgar parcialmente procedente a impugnação, assim decidiu, verbis: Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.118 48 I) PRELIMINARMENTE, por unanimidade de votos: a) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na exportação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.088.580,00, por falta de amparo legal em sua constituição; b) DECLARAR A NULIDADE, por vício material, do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 62.250,60, por ofensa aos pressupostos estabelecidos no art. 142 do Código Tributário Nacional; c) DECLARAR A DECADÊNCIA do lançamento relativo à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, quanto aos fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004, para EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 959.514,03; e d) REJEITAR as alegações de cerceamento do direito de defesa: i. na impugnação, com relação à matéria autuada de subfaturamento; ii. na manifestação de inconformidade, após a diligência. II) NO MÉRITO, julgar procedente em parte a impugnação, para: a) por maioria de votos, vencido o relator Charles Pereira Nunes: i. MANTER a parcela do crédito tributário no valor de R$ 7.779.432,71, relativa à parcela da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, em virtude de ocultação do real vendedor das mercadorias e de falsidade ideológica das faturas que instruíram o despacho aduaneiro de importação. Vencido também o julgador Ícaro Nonato Lopes Cezar que não acolheu a tese da autuação com relação as importações que têm as exportadoras declaradas Rozen Internacional e 4Net Networking; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 705.931,92, relativa à diferença da multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, apurada com base em suposto subfaturamento das mercadorias, afinal não comprovado; b) por unanimidade de votos: i. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 59.743,86, relativa à multa decorrente da conversão da pena de perdimento das mercadorias, na importação, por falta de subsunção dos fatos à hipótese legal relativamente à operação consubstanciada na Declaração de Importação nº 07/15375991, Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.119 49 em que figurou como exportadora a empresa Merrem & La Porte; ii. EXONERAR a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. Da controvérsia que resultou na elaboração deste voto vencido Compulsando a decisão recorrida, temse que o acórdão, não obstante deixar de ementar o assunto ora em apreço, deixou evidenciada a fundamentação segundo a qual a 2ª Turma da DRJ/FOR concluiu pela exoneração da penalidade pecuniária prescrita nos §§ 1º e 2º, inciso III, do artigo 69 da Lei nº 10.833, de 2003 combinado com o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, que dispõe sobre a aplicação da multa de 1% (um por cento), calculada sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, em face de sua descrição incorreta e/ou incompleta. Segundo referido dispositivo, o Colegiado a quo entendeu que referida exigência é inaplicável, uma vez "absorvida pela pena de perdimento das mercadorias". Por seu turno, o nobre Relator do voto vencido nesta matéria, tratada no âmbito do Recurso de Ofício, assim se pronunciou, verbis: (...) II.6 exoneração, a parcela do crédito tributário no valor de R$ 1.000,00, relativa à multa por descrição incorreta das mercadorias, na importação, em virtude de tal exigência haver sido absorvida pela pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa. A multa exonerada neste tópico, foi aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativa a DI nº 06/11760864, por entender a fiscalização que houve descrição incorreta quanto ao correto nome do fabricante das mercadorias (vide fls.08). As fls. 06 do processo, constatase que a fiscalização aplicou para mesma DI multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por entender que as importações assinaladas no Demonstrativos de Infrações (doc.k) foram descritas incorreta ou incompletamente. Ou seja, foram aplicadas multas distintas para o mesmo fato declarado ilícito. Nestes termos, por entender inaplicável a cumulação das referidas multas, concordo com o entendimento da DRJ que exonerou a multa de R$ 1.000,00, nos seguintes termos: (g.n.) Descrição incorreta Quanto ao erro de nome dos fabricantes das bombas nas adições 007 e 008 da DI 06/11760864, o que aconteceu foi a substituição indevida dos fabricantes MP PUMP e Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.120 50 GRUNDFOS PUMPS CORP pelo nome do real vendedor/exportador DEPCO PUMP COMPANY, configurando erro sujeito a aplicação da multa de R$ 500,00 por adição. No entanto, considerase que a penalidade de falsidade da invoice/ocultação do real fornecedor absorve esta penalidade devendo assim ser excluída da autuação. (...) Do anexo "Doc. K" De plano, compulsandose o anexo "Doc. K", fls. 1.623 e seguintes, que trata do "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", notadamente quanto às Adições 007 e 008 da Declaração de Importação (DI) 06/11760864, DI composta por 11 (onze) Adições, traz as seguintes informações, verbis: Nº Adição Produtor Estrangeiro Exportador Estrangeiro Nº AC DWBCK Descrição Produto Importado Infrações Constatadas 0611760864011 ASIANSTAR ANCHOR CHAIN CO OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 CORRENTE STUDLINK DE AÇO 518 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864010 WILLIAMS VALVE CORP OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 VÁLVULA ANGULAR EM BRONZE 6 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864009 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA BOSWORTH 115/230AC DIÂMETRO 2' 1HP 2600A 30M 16CT, 2 X 2 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864008 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE ÁGUA DOCE GRUNDFOS 20 115/230AC DIÂMETRO 1" . :1 HP Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro, subfaturamento do valor declarado e descrição incorreta/incompleta da mercadoria (g.n.) 0611760864007 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE PORÃO / INCÊNDIO 115/230AC MP HHLF. 5HP BALDOR 2" NPT Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro, subfaturamento do valor declarado e descrição incorreta/incompleta da mercadoria (g.n.) 0611760864006 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE TRANSFERÊNCIA DE COMBUSTÍVEL 24VDC DIAM. 1"_:1HF,l, OBERDOFF N990H Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864005 DEPCO PUMP COMPANY OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BOMBA DE TRANSFERÊNCIA DE COMBUSTÍVEL 115/230 AC 60HZ , DIAM. 1.1/4" 1HP OBERDOFF N1 100 X 1nN 1214C.T Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864004 KIDDE FENWAL OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 SISTEMA COMPLETO DE COMBATE A INCÊNDIO FM200 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, ocultação do real fornecedor estrangeiro e subfaturamento do valor declarado da mercadoria. 0611760864003 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 VÁLVULA DE PLÁSTICO HIDROSTÁTICO HAMMAR SNN 023341/SNO23342 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864002 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BASE EM ALUMÍNIO 0Z03503 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro 0611760864001 LIFELINE INFLATABLE OCEANTECH ENTERPRISES INC 20060011920 BALSA SALVA VIDAS LIFEONE10, PESSOAS DRZ 4704 Falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva e ocultação do real fornecedor estrangeiro Da impugnação ao auto de infração Em que pese constar no "cabeçalho" na impugnação apresentada, em 14.01.2011, pelo contribuinte INDÚSTRIA NAVAL DO CEARÁ S/A que contesta a totalidade da exigência tributária de que trata o Auto de Infração lavrado em face do MPF 0317600/00096/09, consubstanciado no presente processo administrativo, compulsando referida peça defensiva, quanto ao tema em apreço, colhese o que segue transcrito, verbis: Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.121 51 (...) a) Fornecedor Estrangeiro OCEANTECH ENTERPRISES a.1) DI 06/11760864 e 07/09665746 A fiscalização indica que houve divergência de valores declarados nas aludidas DIs entre a mesma mercadoria importada (sistema de incêndio FM200 da KIDDE FENWAL). Todavia a autoridade fiscal não levo em consideração que os sistemas de incêndio são mensurados de acordo com o ambiente da embarcação que vai receber o sistema, que, portanto, poderá ser maior ou menor, resultando num valor mais caro ou mais barato do sistema de incêndio, que varia o preço ainda de acordo com o projeto solicitado para cada embarcação. As invoices nºs 51403F0 51450F0 de 29/04/2006, consoante consta nestes documentos, de sistema de incêndio destinados para as embarcações Casco 562 e 563, portanto não correspondem às importações firmadas com amparo nas DI 06/11760864 e 07/09665746, uma vez estas importações foram realizadas com amparo no AC 2006011920 para a embarcação casco 564, que já foi vistoriada pela RFB e exporta. Diferente do que aduziu a fiscalização, não há vinculação entre os dois sistemas de incêndio destinados ao barco 564 e outros dois destinados aos barcos 562 e 563. Tanto é assim que as importações das DIs mencionadas foram efetivadas com amparo em drawback e destinadas ao barco 564 e foram incorporadas a esse barco que já foi vistoriado pela RFB. Certamente o sistema de incêndio mais barato (U$ 3.120,59) era um complemento do anterior de (U$ 11.620,12), porquanto estavam descritos no ato concessório do drawback do barco Caso 564. Observase ainda que as invoices nºs 51403F0 51450F0 são datadas de 29/04/2006, enquanto as DIs 06/11760864 e 07/09665746 foram registradas em datas com diferença de mais de 1 (um) ano. No tocante às adições 007 e 008 da DI 06/11760864, a autuação pretende vincular documentos totalmente estranhos a essas importações para inadvertidamente afirmar que houve subfaturamento. As Ordem de Pagamento mencionadas no relatório fiscal são de produtores, datas, qualidades e quantidades diferentes. (...) De se ver, portanto, dos excertos acima reproduzidos, que o contribuinte em momento algum contesta a exigência da aplicada com fundamento no artigo 84, inciso I, da MP 215835/2001 c/c artigos 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003, relativamente às Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, na medida em que se limita a questionar a exigência decorrente da acusação fiscal de subfaturamento. Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.122 52 Neste contexto, por não se tratar de questão de ordem pública, ou seja, por não estar inserida no rol das matérias de interesse de toda a sociedade, situadas acima das disposições dos sujeitos de uma relação jurídica, tenho por mim que não deve ser, assim, analisadas de ofício por qualquer órgão jurisdicional, ainda que administrativo, na medida em que demandaria provocação mediante pedido expresso da parte interessada, no caso o autuado na presente relação processual, o que, por si só, já seria motivo suficiente para justificar o restabelecimento da referida penalidade. No entanto, ultrapassandose esta particularidade de ordem pública processual, com todo respeito ao ilustre Relator, peçolhe máxima vênia para discordar da interpretação que emprestou ao caso sobre apreço; que será melhor delineada em seguida. Da falsidade documental e da multa aplicada Compulsando os itens 6.1. "Da Falsidade ideológica de documentos instrutivos de desembaraço aduaneiro" e 6.2. "Da Ocultação do Efetivo Fornecedor estrangeiro em operações de importações e do efetivo comprador de mercadorias exportadas" do relatório fiscal que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração, temse, em apertada síntese, que a Fiscalização concluiu que houve apresentação de documentação, notadamente as faturas comerciais, com falsidade ideológica, haja vista que ocultavam o real fornecedor estrangeiro e/ou com subfaturamento do valor declarado das mercadorias nelas discriminadas, que instruíram os despachos aduaneiros, tanto de importação como de exportação, o que caracterizou a infração por dano ao Erário, sancionada com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão do consumo ou revenda das referidas mercadorias. De fato, na instrução dos referidos despachos aduaneiro, foram utilizadas, conforme sintetizado, dentre outras, na planilha denominada "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", faturas comerciais ideológica e/ou materialmente falsas, o que configura dano Erário, punida com a pena de perdimento da mercadoria, ou, como na presente autuação, com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, conforme prescreve o inciso VI do artigo 105, do Decretolei nº 37, de 1966, combinado com o artigo 23, inciso IV, e parágrafos 1º e 3º, do Decreto Lei nº 1.455 de 1976, a seguir transcritos, verbis: Decretolei 37/1966 Art. 105. Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) (grifei) Decretolei 1.455/1976 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.123 53 IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972.(Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) (grifei) As referidas infração e penalidade foram regulamentadas no artigo 689, inciso VI, e parágrafos §§ 1º, 3ºA e 3º B, que têm o seguinte teor, verbis: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º,este com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) § 3º A. O disposto no inciso VI do caput inclui os casos de falsidade material ou ideológica. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 3º B. Para os efeitos do inciso VI do caput, são necessários ao desembaraço aduaneiro, na importação, os documentos Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.124 54 relacionados nos incisos I a III do caput do art. 553. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) Como visto, a falsidade material e ideológica das faturas comerciais, utilizadas nos despachos aduaneiros de importação objeto da presente autuação, bem como a prática do subfaturamento encontrase devidamente comprovada nos autos. E para essa conduta há penalidade específica no artigo 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o que implicaria, se fosse o caso da presente autuação, na seguinte dúvida: qual a penalidade aplicar? A pena de perdimento ou a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço arbitrado e o preço declarado? Ou ainda, as duas penalidades? Com o advento do Decreto nº 8.010, de 2013, que acrescentou o § 1ºA ao artigo 703 do Regulamento Aduaneiro em vigor RA/2009, a dúvida foi esclarecida, cuja determinação é no sentido de que seja aplicada somente a pena de perdimento, se configurada a infração que enseje a imposição de ambas as penalidades. Para dirimir qualquer dúvida a respeito, segue transcrito o novel comando regulamentar, verbis: Art. 703. Nas hipóteses em que o preço declarado for diferente do arbitrado na forma do art. 86 ou do efetivamente praticado, aplicase a multa de cem por cento sobre a diferença, sem prejuízo da exigência dos tributos, da multa de ofício referida no art. 725 e dos acréscimos legais cabíveis (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único).(Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1º A multa de cem por cento referida no caput aplicase inclusive na hipótese de ausência de apresentação da fatura comercial, sem prejuízo da aplicação de outras penalidades cabíveis (Lei nº 10.833, de 2003, art. 70, inciso II, alínea “b”, item 2, e § 6º). (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). § 1ºA Verificandose que a conduta praticada enseja a aplicação tanto de multa referida neste artigo quanto da pena de perdimento da mercadoria, aplicase somente a pena de perdimento. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) (...) (g.n.) Neste sentido, no que tange à constatação da falsidade material e ideológica das faturas comerciais e da prática do subfaturamento, uma vez que comprovados pela fiscalização e não sendo motivo de questionamento neste voto vencedor, cabenos apenas, confirmar, tal como resta evidenciado pelo nobre Relator, seu perfeito enquadramento na hipótese da infração e penalidade descritas no artigo 105, inciso VI, do Decretolei nº 37, de 1966, combinado com o artigo 23, inciso IV, e parágrafos §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 1976, ou seja, confirmandose a incidência da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Da descrição incorreta/incompleta da mercadorias e da multa aplicada Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.125 55 Compulsandose o já referido "Demonstrativo de Infrações em Operações de Importações registradas pela IND. NAVAL CNPJ: 07.26.9371000109", restringindose a análise ao que é de interesse para este voto vencedor, ou seja, ao que pertine à DI 06/1176086 4, temse que a fiscalização, para além da acusação de falsidade ideológica da fatura comercial instrutiva, em face da ocultação do real fornecedor estrangeiro e do subfaturamento do valor declarado das mercadorias nelas discriminadas, constatou a descrição incorreta/incompleta das mercadorias importadas por meio das suas Adições 007 e 008. Em relação à imposição da multa prescrita nos parágrafos 1º e 2º, do inciso III, do artigo 69 da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o Recorrente não se defendeu; porém, como já dito, o Colegiado a quo decidiu por sua exoneração, decisão essa que foi acompanhada por parte deste Colegiado Recursal, inclusive, pelo nobre Relator, que concordando com o entendimento da DRJ, entenderam ser inaplicável a cumulação das referidas penalidades. Assim, uma vez demonstrado que os produtos importados por meio das suas Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, foram descritos de forma incompleta ou inexata, uma vez que tal acusação não foi objeto de contestação pelo Recorrente, a conduta que lhe foi imputada induvidosamente, subsumese a descrição típica da infração e respectiva multa de 1% (um por cento), capitulada no artigo 69, caput e parágrafo 1º, da Lei nº 10.833, de /2003, a seguir transcrito, verbis: Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; (...) (g.n.) Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.126 56 Referida matéria, aliás, foi regulamentada no artigo 711, inciso III, e parágrafo 1º, III, do Decreto nº 6.759, de 2009, Regulamento Aduaneiro RA/2009, que têm o seguinte teor, verbis: Art. 711. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 84, caput; e Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §1º): (...) III quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 1º As informações referidas no inciso III do caput, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 69, §2º): (...) III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que confiram sua identidade comercial; (...) (g.n.) Dispõem os parágrafos 1º e 2º do artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a seguir transcrito, verbis: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: (...) § 1º O valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. § 2º A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. (g.n.) Diferentemente do que foi assentado no Decreto nº 8.010, de 2013, cuja determinação é no sentido de que seja aplicada somente a pena de perdimento, se configurada a infração que enseje concomitantemente a imposição da referida pena com a multa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço arbitrado e o preço declarado, no caso vertente, além de não haver previsão legal restritiva neste sentido, a própria norma impositiva da Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.127 57 penalidade artigo 84 da MP nº 2.15835/2001, em seu o parágrafo 2º prescreve textual e concretamente que a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria não prejudica a exigência, dentre outros gravames, de outras penalidades administrativas, que é justamente o caso da pena de perdimento da mercadoria, cuja natureza é punir que, de forma dolosa, pratica atos que visam burlar o controle aduaneiro pátrio, penalidade que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, quando esta não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por configurar dano ao Erário, em face de seu enquadramento em uma das hipóteses previstas nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei nº 37, de 1966. Portanto, constatada a descrição incompleta e/ou inexata da mercadoria, cuja acusação não se tem dúvida diante do silêncio do Recorrente, não se vislumbra qualquer mácula na autuação, uma vez que referida multa é aplicada em razão do simples descumprimento da obrigação acessória, uma vez que a responsabilidade pela infração, neste caso, tem natureza objetiva e independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato praticado, consoante o artigo 94, parágrafo 2º, do Decretolei nº 37, de 1966. É como penso. Da conclusão Por tudo quanto exposto, com as vênias de praxe, voto por dar provimento ao Recurso de Ofício, para, tão somente, restabelecer a multa de 1% (um por cento), devido sobre o valor aduaneiro das mercadorias importadas por meio das Adições 007 e 008 da DI 06/11760864, no valor de R$ 1.000,00, em cumprimento ao disposto no parágrafo 1º do artigo 84, da MP nº 2.15835, de 2001, por entender cabíveis, na espécie, a imposição de ambas as penalidades. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Declaração de Voto Conselheiro Jorge Lima Abud. Inauguro minha Declaração de VOTO, cumprimentando o Relator e o Redator designado pela exposição dos seus argumentos. Todavia, peço vênia para discordar dos seus argumentos e passo assim a expor os motivos porquê a presente ação fiscal não poderia prosperar, dado que se apoia, ao meu sentir, em uma teratologia. Indispensável para essa demonstração a reprodução do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.128 58 V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Inicialmente, faço rápida consideração sobre o cuidado de se interpretar um dispositivo tão abrangente, e também tão gravoso – já que a sanção é a pena de perdimento – de maneira afoita. Não tenho dúvidas, guardadas as devidas vênias, que no presente caso, a fiscalização, o Acórdão de Impugnação e os votos do Acórdão de Recurso Voluntário que me precederam não tiveram o devido cuidado de burilar os diversos conceitos que se amalgamam nas três linhas do dispositivo transcrito, que tem por finalidade a tipificação da figura do sujeito passivo oculto em operações de comércio exterior. Como ponto de partida da análise a ser empreendida, temos que considerar nada menos que o próprio território aduaneiro ou território nacional, sob uma ótica muito simples e direta: Ressalvadas questões ligadas a acordos e tratados internacionais, o que aqui decididamente não é o caso, o direito pátrio não atinge território alienígena. Essa é a única ótica viável, e portanto possível, de se coordenar os conceitos embutidos no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, para se definir a figura da ocultação do sujeito passivo: Ø Na exportação ocultação do REAL VENDEDOR; Ø Na importação – ocultação do REAL COMPRADOR; Essa interpretação inibe que um ato de uma autoridade fiscal / aduaneira pátria atinja solo estrangeiro. Agir de outro modo, tal qual a presente ação fiscal foi calcada, ou pelo menos em parte, é desconsiderar um sem número de acordos e tratados internacionais, sem falar na própria SOBERANIA, princípio máximo na relação entre Estados nacionais. Não obstante a esse aspecto, que ao meu ver, por si só já fulminaria as pretensões da ação fiscal, para enriquecer a discussão e assim demonstrar como o caminho escolhido por aqueles que a DERAM PROVIMENTO é árido e frágil, passo a burilar conceitos. Quem é o sujeito passivo oculto na importação? É o REAL COMPRADOR do produto importado que se acoberta pelo importador interposto e se mantem recôndito dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Quem é o sujeito passivo oculto na exportação? É o REAL VENDEDOR do produto importado que se acoberta pelo exportador interposto e se mantem recôndito dos órgãos responsáveis pelos controles aduaneiros. Vale aqui uma observação: sujeito passivo oculto na exportação é uma conduta muito rara. Acompanhando o assunto de interposição fraudulenta de terceiros em comércio exterior, desde a publicação da Instrução Normativa SRF n° 52/2001, que carecia de base legal – digase em tempo, este Conselheiro só se deparou com o tema duas ou três vezes. Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.129 59 Tratamse de situações em que o exportador de fato está cometendo alguma irregularidade – exportação de outro produto que não o declarado. Em um dos casos era para fugir da tributação – produto in natura pagava imposto enquanto que produto elaborado tinha alíquota zero , enquanto que no outro caso, que me recordo, exportavase sucata enquanto se declarava produto industrializado, com a clara finalidade de se lavar dinheiro. Em ambos os casos, o exportador interposto funcionava de anteparo ao REAL VENDEDOR, que em uma eventual ação fiscal, queria se ver livre de qualquer sanção, seja penal ou administrativa. E as questões que se seguem: Quem seria o REAL VENDEDOR na importação? Quem seria o REAL COMPRADOR na exportação? No caso em análise, a fraude apontada decorreu de se pretender acobertar o REAL COMPRADOR na exportação (simulação). A INDUSTRIA NAVAL S/A e INACE IATES LTDA teriam se utilizado das empresas norteamericanas interpostas, OCEANTECH, ALL OCEANS, JASFER, S&S SEAFOOD, para manipular preços e condições de pagamentos de suas operações de comércio exterior. A fiscalização aduz que estas empresas foram registradas em Miami/EUA com o fim especifico de "prestação serviços" de refaturar pedidos do grupo INACE, conforme reconhecido pela própria sócia formal de uma destas empresas estrangeiras (Doc. A.1), ou seja, instruir operações de importações com faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados, conforme quadro abaixo. (...) Antes de se atreverem a responder essas questões, questões que o presente processo não responde, e mesmo sem um conceito definido capitulam a conduta descrita como infracional no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, advirto para o desatino de se tentar buscar essas duas respostas. Estabeleçome em território estrangeiro como pessoa jurídica. Recebo dinheiro do Brasil, declarado, e passo a atuar como um “testa de ferro” na compra de produtos para enviálos ao Brasil. As autoridades fiscais / aduaneiras vão dizer que eu estou ocultando quem? E se eu não fosse um nacional? Fosse eu cidadão de outra nacionalidade com capital próprio ou de outros estrangeiros e resolvo exportar para o Brasil uma revenda de material adquirido, como o caso que se apresenta? Que risco corro de ser enquadrado como ocultador do REAL VENDEDOR na importação? A dúvida é pertinente sim, já que a letra do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, não faz qualquer menção à nacionalidade ou grau de parentesco, já que pode se alegar essas condições para tipificar o presente caso. Ao se burilar conceitos na busca de quem seria o REAL COMPRADOR na exportação é que se percebe o completo desatino de não se usar os limites do território nacional como referência. Poderia à caso a autoridade fiscal/aduaneira decretar a pena de Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.130 60 perdimento de bem nacional exportado à comprador estrangeiro que ela consideraria interposto (ocultador) do REAL COMPRADOR lá no exterior? Portanto, para adequada interpretação do inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, devese ater a seguinte relação: Ø Na exportação ocultação do REAL VENDEDOR; Ø Na importação – ocultação do REAL COMPRADOR; Continuando à análise, é momento propício de se adentrar com a Instrução Normativa SRF n° 327/2003: Art. 15. A utilização do método do valor de transação nas operações comerciais entre pessoas vinculadas somente será permitida quando a vinculação não tiver influenciado o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas. Art. 16. A vinculação de que trata o artigo anterior diz respeito à relação existente entre o comprador e o vendedor na transação comercial de compra e venda das mercadorias. Art. 17. Na análise da vinculação de que trata o artigo 15, parágrafo 4, alínea "h", do Acordo de Valoração Aduaneira, serão considerados membros da mesma família: I marido e mulher; II irmão e irmã; III ascendente e descendente em primeiro e segundo graus, em linha direta; IV tio, tia, sobrinho e sobrinha; V sogro, sogra, genro e nora; VI cunhado e cunhada. Art. 18. Presumese a vinculação entre as partes na transação comercial quando, em razão da legislação do país do vendedor ou da prática de artifício tendente a ocultar informações, não for possível: I conhecer ou confirmar a composição societária do vendedor, de seus responsáveis ou dirigentes; ou II verificar a existência de fato do vendedor. É essa a arma à disposição da fiscalização pátria – referendada pelo Acordo de Valoração Aduaneira – para lidar com qualquer espécie de VINCULAÇÃO entre exportador estrangeiro e importador nacional e/ou exportador estrangeiro interposto (inexistente): a valoração aduaneira. Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.131 61 Verificada a vinculação e/ou a ação de exportador estrangeiro interposto, a autoridade fiscal / aduaneira pode desabonar o valor declarado e proceder à valoração aduaneira. Procedimento bem distinto da aplicação da pena de perdimento com base na ocultação do sujeito passivo. Portanto, a pena de perdimento não pode prevalecer. Faturas comerciais e conhecimentos de transportes ideologicamente falsos em nome dessas empresas norteamericanas, muitas vezes com valores subfaturados ou superfaturados A função da sólida construção jurisprudencial é fornecer critérios precisos para a equânime e indistinta aplicação da Lei. Indispensável, mais uma vez, a transcrição do fulcro legal da pena de perdimento: ² Inciso, VI do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66: Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; O prosseguimento da presente análise consistirá na busca da distinção entre os conceitos de “subfaturamento” e “falsidade ou adulteração de documento necessário ao seu embarque ou desembaraço”, este último passível de aplicação de pena de perdimento. Mister dizer que a legislação, a doutrina e a própria jurisprudência fazem essa distinção: Ø A mercadoria submetida a despacho de importação, dentre outros controles aduaneiros, submetese ao controle do valor aduaneiro, em conformidade às regras estabelecidas no Acordo sobre a Implementação do art. VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT 1994, aprovado pelo Decreto Legislativo n.º 30 de 15/12/94 e promulgado pelo Decreto n.º 1.355 de 30/12/94; Ø O desiderato deste controle se refere à não concordância da fiscalização aduaneira em relação ao preço declarado na importação, frente às regras referentes ao procedimento de valoração aduaneira. Para tanto, a fiscalização se vale dos métodos previstos no Acordo de Valoração Aduaneira (GATT), fundamentando a decisão em caso de desconsideração do valor da transação; Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.132 62 Ø O objetivo da valoração aduaneira é determinar o valor de uma mercadoria para fins de incidência do Imposto de Importação e de todo e qualquer encargo baseado no valor aduaneiro, inclusive o ICMS e o IPI; Ø Para tanto, a fiscalização deve seguir regiamente os seis métodos de valoração aduaneira, a saber: 1º método: valor de transação; 2º método: valor de transação de mercadorias idênticas; 3º método: valor de transação de mercadorias similares; 4º método: valor de revenda; 5º método: valor computado; 6º método: valor obtido por critérios razoáveis. Ø O Fisco aplicará o método substitutivo, pautado no artigo 148 do Código Tributário Nacional – rito de arbitramento , mediante a observância do direito de defesa. A valoração aduaneira é o sistema utilizado segundo os critérios do Acordo de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Comércio (OMC), resultando na justa fixação da base de cálculo dos tributos aduaneiros. Este sistema contribui para a regulação dos mercados, constitui uma forma de controlar os preços internacionais, impedindo o sub ou o superfaturamento nas operações internacionais. O que caracteriza o subfaturamento na importação é a constatação da diferença entre os valores APURADOS através dos métodos de valoração aduaneira e os declarados pelo importador na declaração de importação. Os efeitos do subfaturamento serão: a) majorar a base de cálculo dos tributos aduaneiros; e a b) incidência da multa prevista no artigo 108 do DecretoLei n° 37/66. A diferença fundamental que precisa ser ressaltada no tocante à distinção entre subfaturamento e a incidência da pena de perdimento por força do inciso, VI do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66, reside no fato de que a incidência da pena de perdimento tem por preceito frustrar a operação de importação por inteiro, já que foi amparada por documentação FALSA. Sendo assim, elegese o seguinte critério: Ã Se a declaração dos valores vier a configurar falsidade ideológica, estáse diante de subfaturamento; Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.133 63 Ã Se a declaração dos valores vier a configurar falsidade material, estáse diante de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. No intuito de prosseguir na análise, indispensável fazer mais essa distinção: Ã FALSO IDEOLÓGICO – neste caso o documento é formalmente correto, sendo, porém, falsa a idéia nele expressa. Aquele que emite o documento tem efetiva legitimidade para tanto. No entanto, acaba inserindolhe um conteúdo falso (que no caso específico da valoração aduaneira é um valor de transação não aceito); Ã FALSO MATERIAL – aqui não se trata da perfeição da idéia contida no documento, mas a incorreção reside no próprio documento que é forjado, contrafeito, falsificado, alterado. Conforme explica Fernando Capez (Curso de Direito Penal, Volume 3, p. 319): “Concluise com base nessa lição que o documento ideologicamente falso é elaborado por pessoa que tinha a incumbência de fazelo, a qual, no entanto, insere conteúdo inverídico, ao passo que, no falso material, forjase um documento, falsificase a assinatura ou se procede a alguma modificação na estrutura do documento, daí o porquê de somente se exigir prova pericial quando a falsidade for material”. A partir da eleição desse critério, o texto do inciso VI, do artigo 105, do DecretoLei nº 37/66 parece se coadunar perfeitamente com esta distinção, ao mencionar as expressões ‘falsificado” e “adulterado”. VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (Grifo e Negrito Nossos) Assim no subfaturamento a conduta consiste na declaração de valores que não traduz a realidade da operação comercial, mas a fatura comercial, enquanto documento emitido pelo exportador, mantémse hígida quanto aos seus requisitos extrínsecos. Já na falsificação ou adulteração de documento a própria fatura comercial, ou qualquer outro documento que instrui o desembaraço aduaneiro, é materialmente falsa. Essa diferença fica mais evidente quanto aos seus efeitos, ao se perceber a distinção dos procedimentos adotados pela fiscalização aduaneira para evidenciar uma e outra prática. Há que se diga que tanto no “subfaturamento” quanto na “falsidade ou adulteração de documento necessário ao seu embarque ou desembaraço” o ônus da prova cabe à fiscalização, mas existe uma nítida distinção dos procedimentos por ela adotados: Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.134 64 ● No subfaturamento a fiscalização desabona o valor aduaneiro declarado (1º método de valoração aduaneira), em face da adoção de um dos métodos de valoração aduaneira susequentes; ● Na falsificação ou adulteração de documento a fiscalização demonstra que a fatura comercial, ou qualquer outro documento que instrui o desembaraço aduaneiro, é FALSA frente a outros elementos inerentes à própria transação, como por exemplo a troca de emails entre importador e exportador e a constatação do valor real das mercadorias importadas mediante a consulta de catálogos ou no próprio sítio do fabricante/exportador na internet. Repisase que no caso do falsificação ou adulteração de documento NÃO há o que se falar e adoção de método de valoração aduaneiro subsequente. A fiscalização prescinde do procedimento de valoração, pois foi constatado o valor REAL do bem importado através de provas inerentes à transação. A jurisprudência judicial confirma esse entendimento ¹ Julgados relativos ao subfaturamento. § STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1242532 RS 2011/00456921 (STJ) Data de publicação: 02/08/2012 Ementa: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. PENA DEPERDIMENTO. ART. 105 , VI , DO DL 37 /66. NÃO INCIDÊNCIA. HIPÓTESESUJEITA À MULTA. ART. 108 , PARÁGRAFO ÚNICO , DO DL 37 /66.1. A pena de perdimento, prevista no art. 105, VI, do Decreto Lei37/66, incide nos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria, enquanto a multa prevista no parágrafo único do art. 108 do mesmo diploma legal destinase a punir declaração inexata em seu valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada.2. Quando a declaração de importação é falsa quanto à natureza da mercadoria importada, seu conteúdo ou quantidade, será possível aplicarse, a par da multa, também a pena de perdimento em relação ao excedente não declarado, tendo em vista o que dispõe o inciso XII do art. 618 do Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4.543 /02).3. Todavia, quando a hipótese é exclusiva de subfaturamento, não há regra semelhante autorizando a pena de perdimento, devendo ser aplicada somente a norma específica, que é a multa de 100% sobre a diferença apurada entre o valor real e o declarado, nos termos do art. 108 , parágrafo único , do DL 37 /66.4. No caso, segundo o arcabouço fático delineado na origem, houve apenas subfaturamento, vale dizer, indicação de valores a menor para a operação de importação, o que afasta a incidência da pena de perdimento. 5. Recurso especial não provido. (Grifo e Negrito Nossos) Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.135 65 § TRF1 AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO AGA 277254220134010000 DF 002772542.2013.4.01.0000 (TRF1) Data de publicação: 14/11/2013 § STJ RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA RMS 26964 GO 2008/01149334 (STJ) Data de publicação: 11/09/2008 Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. ART. 148 DO CTN . ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INDÍCIOS DE SUBFATURAMENTO. 1. A pauta fiscal é valor fixado prévia e aleatoriamente para a apuração da base de cálculo do tributo. Não se pode confundila com o arbitramento de valores previsto no artigo 148 do Código Tributário Nacional , que é modalidade de lançamento, regularmente prevista na legislação tributária. 2. O art. 148 do CTN deve ser invocado para a determinação da base de cálculo do tributo quando certa a ocorrência do fato imponível, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos registrados pelo contribuinte não mereçam fé, ficando a Fazenda Pública, nesse caso, autorizada a proceder ao arbitramento mediante processo administrativofiscal regular, assegurados o contraditório e a ampla defesa. 3. Ao final do procedimento previsto no art. 148 do CTN , nada impede que a administração fazendária conclua pela veracidade dos documentos fiscais do contribuinte e adote os valores ali consignados como base de cálculo para a incidência do tributo. 4. Caso se entenda pela inidoneidade dos documentos, a autoridade fiscal irá arbitrar, com base em parâmetros fixados na legislação tributária, o valor a ser considerado para efeito de tributação. 5. No caso, havendo indícios de subfaturamento, os fiscais identificaram o sujeito passivo, colheram os documentos necessários à comprovação da suposta infração e abriram processo administrativo para apurar os fatos e determinar a base de cálculo do imposto a ser pago, liberando na seqüência as mercadorias. Não se trata, portanto, de pauta fiscal, mas de arbitramento da base de cálculo do imposto, nos termos do que autoriza o art. 148 do CTN . 6. Recurso ordinário em mandado de segurança não provido (Grifo e Negrito Nossos) § STJ RECURSO ESPECIAL REsp 1240005 RS 2011/00421311 (STJ) Data de publicação: 17/09/2013 Ementa: TRIBUTÁRIO DESEMBARAÇO ADUANEIRO DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO SUBFATURAMENTO DO BEM IMPORTADO ART. 105 , VI , DO DECRETOLEI N. 37 /66 PENA DE PERDIMENTO DO BEM INAPLICABILIDADE APLICAÇÃO DA MULTA DE 100% Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.136 66 PREVISTA NO ART. 108 , PARÁGRAFO ÚNICO , DA REFERIDA NORMA. 1. Esta Corte firmou o entendimento de que a pena de perdimento prevista no art. 105 , VI , do Decreto Lei 37 /66 incide nos casos de falsificação ou adulteração de documento necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. A multa prevista no parágrafo único do art. 108 do mesmo diploma legal destinase a punir declaração inexata de seu valor, natureza ou quantidade da mercadoria importada. 2. Tratando os autos de caso de subfaturamento, deve ser mantido o acórdão a quo, a fim de se afastar a pena de perdimento pretendida pela Fazenda Nacional. 3. Recurso especial não provido. ¹ Julgados relativos à incidência da pena de perdimento. § TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 792 SP 2009.61.19.0007921 (TRF3) Data de publicação: 10/02/2011 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. SUBFATURAMENTO. FISCALIZAÇÃO. PENA DE PERDIMENTO. LEGALIDADE. 1. A autoridade aduaneira, durante a verificação física das mercadorias submetidas a despacho aduaneiro, encontrou, nos volumes da carga, uma outra fatura comercial (Commerce Invoice PNPE/H#865295), emitida pela empresa Selectron Technology Co. China e endereçada à empresa Alcatel Business Systems France (empresa exportadora das mercadorias importadas pela ora apelante), sendo que parte das mercadorias relacionadas nesta fatura correspondia aos itens constantes das faturas que acompanharam a declaração de importação. 2. Mediante o confronto da fatura emitida pela Selectron Technology Co. China com a fatura emitida pela Alcatel Business Systems France à ora apelante, verificouse que os valores constantes da primeira eram superiores aos valores declarados. 3. Não há argumento lógico que possa sustentar o fato de a empresa exportadora (Alcatel Business Systems France) ter comprado mercadoria da China a determinado preço e, posteriormente, vendido esta mesma mercadoria para a apelante a preços menores, razão pela qual concluiu a autoridade aduaneira ter havido a apresentação de documento contendo informações falsas. 4. Intimada a fornecer documentos que pudessem contribuir com a fiscalização, a apelante apresentou a lista de preços dos produtos a ela vendidos pela Alcatel Business Systems France, restando comprovado que o valor declarado pela apelante para o produto analog interfaces SLI16I foi inferior em U$ 99,66, por unidade, ao preço constante da referida lista. 5. Restou também apurada, ainda tomandose por base a referida lista e confrontandose os preços dela constantes com aqueles que foram declarados, uma diferença total de U$ 22.573,16, o que gerou uma sonegação estimada de R$ 23.930,95 (fls. 83/84). 6. Havendo a correta subsunção do fato Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 11131.001349/201070 Acórdão n.º 3302005.749 S3C3T2 Fl. 3.137 67 descrito no auto de infração à norma do artigo 618 , VI do Decreto nº 4.543 /02, e somandose a este fato o regular desenvolvimento da ação de fiscalização, não há que se falar em qualquer ilegalidade na aplicação da pena de perdimento, perfeitamente cabível no caso sob análise. 7. Apelação a que se nega provimento.... (Grifo e Negrito Nossos) § TRF4 APELAÇÃO CIVEL AC 31935 PR 2007.70.00.0319359 (TRF4) Data de publicação: 16/06/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO. SUBFATURAMENTO. ADUANEIRO. IMPORTAÇÃO. FUNDADOS INDÍCIOS DE FALSIDADE PUNÍVEL COM A PENA DE PERDIMENTO. A administração aduaneira, diante de fortes indícios de falsidade das informações constantes na documentação de importação, consubstanciados na divergência entre o equipamento efetivamente importado e o declarado, bem como no tocante ao fato de não se tratar de máquina nova mas usada, pode, mediante instauração do correspondente Procedimento Especial de Fiscalização, aplicar a pena de perdimento ao bem (Decreto nº 4.542 /2002, art. 705; Decretolei nº 37 /1966, art. 105 , VI ; IN SRF nº 206/2002, art. 69), e não com a multa prevista § único do art. 108 do Decretolei 37 /66, porquanto esta situação não se restringe a mero subfaturamento. (Grifo e Negrito Nossos) Portanto, no nosso entender, fatura ideologicamente falsa não enseja a pena de perdimento e sim o procedimento de valoração aduaneira com a majoração da base de cálculo dos tributos aduaneiros e a incidência da multa prevista no artigo 108 do DecretoLei n° 37/66. Portanto, também nesse caso, a pena de perdimento não pode prevalecer. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Fl. 3137DF CARF MF
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