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Numero do processo: 10920.909161/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. LIMITE DE VALOR AO CRÉDITO RESSARCÍVEL ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA.
O saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário não pode conter valores de créditos vindos de períodos anteriores.
Numero da decisão: 3401-005.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO ACUMULADO DE IPI. LIMITE DE VALOR AO CRÉDITO RESSARCÍVEL ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. O saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário não pode conter valores de créditos vindos de períodos anteriores.
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LIMITE DE VALOR AO CRÉDITO RESSARCÍVEL ACUMULADO NO TRIMESTRE. PROCEDÊNCIA. O saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário não pode conter valores de créditos vindos de períodos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 91 61 /2 01 1- 01 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos fatos O Contribuinte, na data de 19/10/2010, transmitiu PER/DCOMP nº 17825.79284.191010.1.1.018852 requerendo o ressarcimento de IPI referente crédito acumulado no 3º Trimestre de 2010 no valor de R$ 518.881,30 tendo por base o Livro Registro de Apuração do IPI do Período (efls.4 a 62), com utilização de R$ 476.108,49 na compensação de IPI do Período de Apuração 09/2010, em de Declaração de Compensação nº 20074.41883.191010.1.3.016697. Do Despacho Decisório A DRF Joinville, em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório na data de 09/09/2011 (eFls.63), reconhecendo parte do crédito no valor de R$ 476.108,49 atestando que “O crédito reconhecido foi utilizado em compensações, razão pela qual não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 17825.79284.191010.1.1.018852”. Junta às e fls.64 Demonstrativo de Apuração do Saldo Credor Ressarcível: Da Manifestação de Inconformidade A Manifestação de Inconformidade (efls.65/66) que a interessada apresentou vem, na verdade, confirmar o que constou do Despacho Decisório. Diz que o valor da glosa, R$ 42.772,81 é referente a trimestres anteriores, podendo ser utilizado em futuras compensações com débitos vincendos. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 4 3 Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/JFA, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE RESSARCIMENTO. UTILIZAÇÃO PARCIAL NA ESCRITA FISCAL PARA ABATER DÉBITOS. PROCEDÊNCIA. Ratificase o procedimento adotado pelo processamento eletrônico quando restar demonstrado que parte dos créditos passíveis de ressarcimento escriturados no trimestrecalendário a que se refere o pedido foi utilizada para abater débitos informados no RAIPI/PGD, reduzindo o saldo credor ressarcível pleiteado pelo contribuinte. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado em ressarcimento goza de liquidez e certeza. A parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. Em não o fazendo, impossível o acolhimento da pretensão. Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (fls.98/101) requerendo a reforma da decisão a quo, pelo fato da autoridade julgadora ter se posicionado pela improcedência da manifestação de inconformidade, por ter sido diversos os valores do Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação. Demonstra que a compensação foi regular e que não ultrapassou do crédito reconhecido no Despacho Decisório. Volta a afirmar que o valor da diferença apurada pela DRF de R$ 42.772,81 referese ao saldo credor acumulado no mês 06/2010, conforme tabela ilustrativa. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 5 4 De pronto atestase a total falta de objeto do Recurso Voluntário, como também, não tinha a Manifestação de Inconformidade. A Manifestação de Inconformidade nada mais fez do que confirmar que a diferença do crédito não reconhecido no Despacho Decisório no valor de R$ 42772,81 corresponde a valores de créditos acumulados de IPI de períodos anteriores, o que não é permitido pelo normativo legal. A IN RFB nº 900/2008 que vigia à época dos fatos, disciplinava o ressarcimento e a compensação de créditos de IPI, da seguinte forma: Art. 21. Os créditos do IPI, escriturados na forma da legislação específica, serão utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subsequentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento depois de efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à RFB o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, bem como utilizálos na compensação de débitos próprios relativos aos tributos administrados pela RFB. § 7º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor passível de ressarcimento remanescente no trimestre calendário, depois de efetuadas as deduções na escrituração fiscal. A Autoridade Fiscal autora do Despacho Decisório simplesmente fez o devido ajuste do crédito acumulado de IPI passível de ressarcimento referente ao 3º Trimestre de 2010 e o crédito reconhecido foi utilizado em compensação, da forma como requerido através da Declaração de Compensação nº 20074.41883.191010.1.3.016697. O valor não reconhecido como ressarcível para o período do 3º Trimestre de 2010, por ser de períodos anteriores, no valor de R$ 42.772,81 permaneceu a disposição da Contribuinte, para ser utilizado da forma como preconizado pela legislação acima citada, acrescida da fundamentação legal do Despacho Decisório de fls.63. Nenhum direito da Recorrente foi desrespeitado para dar causa a seu inconformismo. Inclusive, consta da manifestação de inconformidade (fls.65), que no pedido de ressarcimento trouxe saldo credor de IPI de períodos anteriores ao protocolo de entrega, Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10920.909161/201101 Acórdão n.º 3401005.410 S3C4T1 Fl. 6 5 “onde o mesmo foi ou será objeto de pedido e compensação referente ao trimestre competente com impostos vincendos”. A decisão de piso veio somente ratificar o Despacho Decisório, demonstrando de forma clara e objetiva aquilo que já era de entendimento da Recorrente. O Recurso Voluntário reprisa os fatos da Manifestação de Inconformidade, agregando alguns detalhes da apuração do saldo credor acumulado de IPI de sua escrita fiscal. Preocupase com o feito fiscal como se Auto de Infração existisse, de estar injustamente tributada e punida por algo inexistente ou como se compensação indevida tivesse sido praticada. Repitase, toda a manifestação recursal vem ao encontro daquilo que desde o início foi decidido pelo fisco da unidade de origem e ratificado pela decisão de piso. Discorre com argumentações fantasiosas, fora de qualquer sentido em relação aos fatos arrolados no presente processo. A causa da discussão não tem valor em litígio e nem outro fato foi apontado que merecesse alguma correção daquilo que já foi decido, carecendo de objeto a peça recursal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903175/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE
A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996.
COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA.
O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005.
INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE.
Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração.
Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
Numero da decisão: 1402-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10725.903155/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou-se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerra-se com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constitui-se ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam-se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revela-se necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2099; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.903175/200903 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.374 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2018 Matéria DCOMP Recorrente MEDICON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornouse inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentamse desacompanhadas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 31 75 /2 00 9- 03 Fl. 56DF CARF MF 2 material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10725.903155/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio César Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Leonam Rocha de Medeiros (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente feito de Recurso Voluntário interposto em face do r. despacho decisório proferido pela DRJ que não homologou a compensação, por entender que a DCTFRetificadora foi apresentada extemporaneamente. Aduz em síntese a Recorrente a nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação e cerceamento de defesa. Segundo a Recorrente, o despacho decisório se limitou a apontar que a compensação não seria homologada porque a partir das características do DARF discriminado na DCOMP, o sistema da RFB localizou um ou mais pagamentos que serviram para a quitação de débitos do próprio contribuinte. Ocorre que ao tempo do julgamento já teria sido transmitida DCTF retificadora que deixou de ser considerada. Segundo a recorrente: Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10725.903175/200903 Acórdão n.º 1402003.374 S1C4T2 Fl. 3 3 Invoca ainda a ampla defesa e o contraditório para legitimar seu pleito. Explica que no mérito o crédito decorre do recolhimento a maior de IRPJ n regime de apuração do lucro presumido quando aplicou erroneamente o percentual de presunção de 32%, invés do percentual de 8% adequado para rendimentos oriundos de serviços hospitalares. Afirma que apresentou DCOMPretificadoras para corrigir dados da DCOMP original, não para transmitir DCOMP com créditos supostamente prescritos. Afirma que não há prazo fixado em lei para retificar suas declarações, não sendo aplicável o art. 150, §4º do CTN como parâmetro. Sustenta que divergência entre DCTFretificadora e DIPJ não pode ser visto como impedimento para a compensação, tratandose tão somente de obstáculo de natureza formal. O que gera o crédito para o é a efetivação do pagamento indevido e não as informações prestadas por DCTF e/ou DIPJ. Por fim, acrescenta que: Conclui sustentando que aplicase ao caso a tese do 5 +5, consolidada no julgamento do RESP nº 1002932/SP, com efeito repetitivo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 58DF CARF MF 4 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.353, de 15/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903155/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.353): "1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. DO MÉRITO Conforme bem apontou o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar, ao proferir o acórdão 1402001.976: De acordo com as normas introduzidas no ordenamento jurídico conferiuse nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, passando a exigir a apresentação de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) com a finalidade de tornar eficaz o exercício da compensação de débitos tributários com eventual indébito tributário apurado pelo contribuinte, inclusive em relação a tributos e contribuições de mesma natureza. Assim sendo, a entrega da PER/DCOMP instituiuse como premissa para a determinação da extinção do crédito tributário mediante compensação. Diante disso, a partir da vigência do referido dispositivo legal, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, formulada em consonância com o art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, e nos termos da antiga redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, regulamentada na Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, tornouse inadmissível para cumprimento do novel regime de compensação introduzido no sistema tributário. Sendo assim, não merece qualquer reparo as conclusões firmadas pela autoridade administrativa responsável pela análise das DCOMP eletrônicas, visto que, por este aspecto, plenamente legítima a delimitação de reconhecimento do direito creditório levada a efeito no despacho decisório A jurisprudência consolidada desta turma segue no sentido de que é possível a compensação de débitos tributários via PER/DCOMP quando transmitida DCTF retificadora desde que exista prova inequívoca do crédito apontado. Esse também foi o entendimento adotado pela Receita Federal quando emitiu o Parecer Normativo COSIT nº 2 de 2015: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10725.903175/200903 Acórdão n.º 1402003.374 S1C4T2 Fl. 4 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado Fl. 60DF CARF MF 6 em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Se de um lado é incontroversa a possibilidade de se retificar a DCTF após a transmissão da PER/DCOMP, o mesmo não se pode afirmar quando a retificação é posterior ao prazo decadencial. O art. 168 do CTN dispõe que “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. De sua parte o art. 165 do CTN dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. Por entender que a decadência objetiva a pacificação das relações sociais deve atingir tanto a possibilidade de o fisco lançar como de o contribuinte aproveitar dos créditos, através de compensação. Nessa toada, adiro ao precedente desta turma nos autos do processo administrativo nº 16306.000011/201075 em que se decidiu : DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO. INADMISSIBILIDADE Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10725.903175/200903 Acórdão n.º 1402003.374 S1C4T2 Fl. 5 7 A partir da vigência da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, a compensação sem processo, entre tributos e contribuições de mesma espécie e destinação constitucional, nos termos do art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, tornou se inadmissível ante a novel redação conferida ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PROVENIENTE DA APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO DA CSLL. DECURSO DE PRAZO FIXADO PELA NORMA DE REGÊNCIA. O lapso temporal conferido para o exercício do direito de compensação mediante utilização de crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, encerrase com decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data de encerramento do período de apuração correspondente, a teor do preceito expresso no art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional (CTN) à luz da interpretação dada pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. INEFICÁCIA DA RETIFICAÇÃO DA DCTF TRANSMITIDA APÓS O DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL ESTABELECIDO PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DAS VINCULAÇÕES INFORMADAS EM RELAÇÃO À ESTIMATIVA MENSAL CONFESSADA. COMPENSAÇÃO SEM PROCESSO INFORMADA EXTEMPORANEAMENTE. Para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, constituise ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo decadencial estabelecido pela legislação tributária, mormente quando as alterações levadas a efeito pelo sujeito passivo apresentam se desacompanhadas de material probatório competente que demonstre cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Ainda que alegada a realização da compensação sob a égide art. 66, caput e §1º da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, revelase necessária a comprovação da validade e existência das novas vinculações informadas na DCTF retificadora e da efetividade da compensação na data de vencimento da estimativa mensal associada ao crédito reivindicado. Referido precedente é aplicável ao caso concreto. A recorrente apresentou DCTF extemporânea, mas não comprovou cabalmente o pagamento a maior, restringindose a apontar que aplicou o percentual de presunção inadequado sem apresentar as provas do erro ou que fazia jus ao referido percentual, em linha com as exigências da legislação tributária. Esses motivos são o suficiente para além de manter a decisão recorrida no mérito, afastar a nulidade suscitada pela Recorrente em sede preliminar. Fl. 62DF CARF MF 8 3. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto pela manutenção da decisão recorrida. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, conforme voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720118/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local verifique, conclusivamente, se estão cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 30 da Lei n. 12.973/2014, de caráter interpretativo, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Relatório
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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EMBASA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local verifique, conclusivamente, se estão cumpridos os requisitos estabelecidos no art. 30 da Lei n. 12.973/2014, de caráter interpretativo, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de autos de infração lavrados em face da Recorrente, referentes ao PIS/Pasep e a COFINS, no período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2012, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, sobre duas rubricas: 1) Desconto de créditos indevidos que estariam relacionados com locações, insumos, serviços e energia elétrica; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 11 8/ 20 16 -0 1 Fl. 6251DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.252 2 2) Insuficiência de recolhimento das contribuições em decorrência de subvenção para investimento oferecida pelo governo do Estado da Bahia (Lei 7.025/97 e Decreto 6.734/97). Cientificada da autuação, apresentou tempestiva impugnação (efl. 5.908 e seguintes), pedindo o cancelamento da autuação, tecendo as seguintes considerações (efls. 5.965 e seguintes: Fl. 6252DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.253 3 Fl. 6253DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.254 4 Fl. 6254DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.255 5 Ao final, pediu (efls. 5.968/5.969): Fl. 6255DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.256 6 Às efls. 6.143 e seguintes, sobreveio decisão da DRJ em Sâo Paulo/SP, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a irresignação, mantendo o crédito tributário, de acordo com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação. Fl. 6256DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.257 7 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração não cumulativa da Cofins, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. CRÉDITO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. IPTU. Taxas de condomínio e IPTU não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita alterar a natureza jurídica desses itens para conceder desconto de crédito fundado nesses valores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 REGIME NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. INCIDÊNCIA. No regime de apuração nãocumulativa do Pis/Pasep, valores decorrentes de subvenção, inclusive na forma de crédito presumido de ICMS, constituem, de regra, receita tributável, devendo integrar a base de cálculo dessas contribuições, ressalvada a hipótese da subvenção para investimento, desde que comprovados os requisitos estabelecidos na legislação tributária que a caracterizem. CRÉDITO. DESPESAS DE CONDOMÍNIO. IPTU. Taxas de condomínio e IPTU não se confundem com aluguéis, inexistindo a possibilidade de interpretação extensiva que permita alterar a natureza jurídica desses itens para conceder desconto de crédito fundado nesses valores. Às efls. 6.177/6.242 interpôs recurso voluntário repisando a irresignação já posta em sede de impugnação. Demais disso, mencionou à efl. 6.193 que seu recurso é tempestivo porque a Recorrente fora intimada, pessoalmente, em 27/05/2016, uma sextafeira, vindo o prazo a expirar no dia 28/06/2016, porém, protocolizado dia 27/06/2016 (efl. 6.177). Já às efls. 6.248/6.249, consta a informação do Sistema de Gerenciamento Eletrônico de Documentos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de que a Contribuinte recebera a ciência do acórdão em 31/05/2016. É o relatório. Fl. 6257DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.258 8 Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator Como se viu acima, o recurso voluntário foi interposto dentro do trintídio normativo, portanto, dele tomo conhecimento. Trata o contencioso sobre autos de infração lavrados em face da Contribuinte, referentes ao PIS/Pasep e a COFINS, no período de apuração de 01/01/2011 a 31/12/2012, incluídos o principal, multa de ofício e juros de mora, sobre duas rubricas: 1) Desconto de créditos indevidos que estariam relacionados com locações, insumos, serviços utilizados como insumos e energia elétrica. 2) Insuficiência de recolhimento das contribuições em decorrência de subvenção para investimento oferecida pelo governo do Estado da Bahia (Lei 7.025/97 e Decreto 6.734/97). Tais glosas foram mantidas pela DRJ, o que motivou a interposição do recurso voluntário a ser apreciado, porém, antes disso, cumpre analisar sua tempestividade. Das glosas objeto do lançamento A fim de guardar uma melhor metodologia e lógica, começarseá pela glosa dos créditos presumidos do ICMS oriundos de subvenção concedida pela Estado da Bahia, para que, em seguida, adentrese nas glosas de insumos. Dos créditos presumidos do ICMS oriundo de subvenção de estadomembro da federação A fiscalização entendeu que os créditos presumidos do ICMS, concedidos pelo Estado da Bahia à Recorrente, são receitas tributáveis para fins de PIS e da COFINS. No seu entendimento houve insuficiência de recolhimento das contribuições em decorrência de subvenção para investimento oferecida pelo governo do Estado da Bahia (Lei 7.025/97 e Decreto 6.734/97). Por meio da referida Lei, o mencionado Estadomembro concedeu crédito presumido de ICMS em operações de saída de produtos montados ou fabricados nele (veículos automotores, bicicletas, triciclos, inclusive partes e peças; calçados; móveis; fiação e tecelagem; confecções). Posteriormente, por intermédio da Lei 8.967/2003 que acrescentou o art. 1oA à Lei 7.025/97, o crédito presumido de ICMS foi estendido às operações efetuadas por estabelecimento que exerçam atividade de captação, tratamento e distribuição de água em valor equivalente a até 100% (cem por cento) do saldo devedor em cada período de apuração. No Termo de Verificação Fiscal 0001 (efls. 30 e seguintes), entendeu a fiscalização, em síntese: 1) que a subvenção tem caráter de custeio, devendo ser contabilizada como receita operacional, e por corolário, compor a apuração das referidas contribuições lançadas. 2) já subvenção de investimento transita no Patrimônio Líquido em conta de Reserva de Capital e não seria tributada. 3) no âmbito do Imposto de Renda a subvenção de custeio é receita operacional tributada, e se for de investimento, como estímulo à implantação ou expansão de Fl. 6258DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.259 9 empreendimentos econômicos, transita no Patrimônio Líquido em conta de Reserva de Capital e não é tributada (efl. 39). 4) a partir do artigo 18, da Lei nº 11.941/09, a subvenção para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, passou a compor o resultado operacional do subvencionado e não seria tributada caso se comprovassem os requisitos estabelecidos pela Legislação (efl. 40/41). 5) para que uma subvenção possa ser considerada como de investimento deve apresentar as características relacionadas no Parecer CST nº 112/78, que estabelece a distinção entre subvenção para custeio ou operação e subvenção para investimento (efls. 41), sendo para investimentos: a) intenção inicial do subvencionador de destinálas para investimento. b) efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. 6) houve caracterização inequívoca como receita operacional da subvenção para custeio concedida pelo governo do Estado da Bahia, proveniente da diminuição de passivo com ICMS e consequente aumento do patrimônio líquido (fl 44). 7) a EMBASA contabilizou o auferimento de Receitas Operacionais, oriundas da liquidação do passivo com ICMS, por meio de subvenção de custeio, contudo, não as ofereceu a tributação no âmbito do PIS e COFINS. Subvenção, a grosso modo, é expressão que tem a ver com auxílio ou ajuda. No Direito Financeiro, o art. 12, § 3°, I e II, da Lei 4.320/64, diz: Art. 12. (...) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Já o art. 44, IV, da Lei 4.506/64, determina: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: (...) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 6259DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.260 10 O art. 38, § 2°, "a" e "d", do DL 1.598/77, dispõe: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: (grifo deste relator) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Por seu turno, preceitua o Parecer Normativo CST 112/78: 2.11. Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 02/78 (DOU 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTOS seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL nº 1.598/77. Vêse que o lançamento fiscal se pautou nas conceituações de subvenção para investimento, não computadas na determinação do lucro real e na subvenção de custeio que comporia a determinação do lucro real, baseandose no PN/CST 112/78, o qual, trouxe a conceituação destas expressões. No juízo deste relator, nestas duas expressões é que reina o ponto nodal da questão, na medida em que, definida a natureza da aludida subvenção terá ou não seu reflexo no tocante a tributação das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Até o momento viuse a subvenção sob o ponto de vista do Direito Financeiro, e apenas, quanto ao Direito Tributário, no que diz respeito ao Imposto de Renda, de modo que ainda se permanece nele, posto que neste é que se teve a origem das ditas expressões Fl. 6260DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.261 11 no ordenamento jurídico tributário brasileiro, para que, após, possase seguir na análise destas frente às contribuições lançadas no presente caso. José Luiz Bulhões Pedreira (Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas, V. II, Rio de Janeiro, Editora Justec, 1979, p. 403404), ao tratar da subvenção para investimento conforme disposta no PNCST 112/78, tece críticas por sua interpretação restrita não estar disposta em Lei, ouçâmolo: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) O PN CST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403404.) Este assunto já foi objeto de apreciação deste CARF, nos autos do processo 11516.721250/201405 (acórdão 3402003.042), de relatoria do Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto cujo entendimento se comunga , por maioria de votos assim decidiu: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) O PN CST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403404.) Fl. 6261DF CARF MF Processo nº 10580.720118/201601 Resolução nº 3401001.487 S3C4T1 Fl. 6.262 12 Por outro lado, sobreveio a LC 160/2017, e por meio do seu artigo 9°, dando redação ao artigo 30, da Lei 12.973/2014, determinou que os incentivos dados por Estados Membros são subvenções para investimento, logo, dando caráter interpretativo ao assunto. Deste modo, a fim de escoimar dúvidas acerca de tal rubrica, voto em converter o julgamento em diligência, para que a unidade local verifique, conclusivamente, se estão cumpridos os requisitos estabelecidos no artigo 30 da Lei n. 12.973/2014, de caráter interpretativo, com a redação dada pela Lei Complementar n. 160/2017. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 6262DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.901155/2009-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO.
O crédito informado no PER/DCOMP, por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.491
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem para que se profira nova decisão, nos termos da Súmula CARF n° 84. (assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Não sendo analisado a contento o direito creditório do contribuinte, especialmente por ter se firmado posição precedente baseada em argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 11 55 /2 00 9- 13 Fl. 77DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso e, no mérito, darlhe parcial provimento para afastar a negativa em relação ao pedido de restituição, com retorno dos autos à Unidade de Origem para que se profira nova decisão, nos termos da Súmula CARF n° 84. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 59 à 66) interposto contra o Acórdão n° 1811.813, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Santa Maria/RS (efls. 48 à 53), que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de compensação proposto pelo Contribuinte: Saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.940,76 transmitida em 31/08/2005 por intermédio da DCOMP n° 05236.02819.310805.1.3.818, a qual utilizou do aludido saldo negativo de 31/03/2005 para compensar débitos de estimativa de IRPJ, tocante à apuração de julho de 2005. Por representar inequívoca acurácia com os fatos, adoto o Relatório produzido pelo Acórdão da DRJ: Trata o presente processo de Declaração de Compensação efetuada por intermédio do PER/DCOMP no 05236.02819.310805.1.3.8184, transmitido em 31/08/2005 (fls. 13), onde o Contribuinte compensou débito de IRPJ, período de apuração julho de 2005, informando um crédito de R$1.940,76, referente à parcela do recolhimento efetuado em 31/03/2005 a título de estimativa mensal de IRPJ — código 2362 (fl. 02). Em 25/03/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 04, não reconhecendo o crédito pleiteado e não homologando a compensação declarada, em razão de que o crédito informado se refere a pagamento de estimativa mensal de IRPJ, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo desse tributo. Inconformado com o referido despacho decisório, o Contribuinte, por intermédio de seu procurador, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 0915 e os documentos de fls. 1634, com as seguintes alegações: Inicialmente, esclarece que o valor anual do imposto 6 apurado pela integração gradativa dos resultados parciais mensais que são ordenados para o efeito de promover a antecipação dos recolhimentos que, ao final do período de apuração, poderá ou Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 78 3 não ser devido. A renda, como pressuposto constitucional de incidência, é um acréscimo de direitos patrimoniais que ocorrem durante o ano base. No caso de prejuízo anual, haverá um decréscimo de patrimônio, o que veda constitucionalmente a possibilidade de haver incidência tributária. Considerando a hipótese de que os recolhimentos antecipados viessem a não representar o pagamento de tributo ao cabo do exercício, a legislação previu que os valores que fossem antecipados (art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996), poderiam ser compensados com qualquer outro tributo devido a Unido. Assim, a partir desse dispositivo legal, utilizou seus créditos relativos a IRPJ e CSLL apurados por balancetes e pagos antecipadamente, para pagar tributo devido. Somente após a publicação da Medida Provisória n° 449, de 2008, art. 29, foi criada a limitação do direito de compensação previsto no caput do art. 74 de Lei no 9.430, de 1996. Os saldos negativos de IRPJ e da CSLL não decorreram de pagamentos a maior efetuados por erro ou liberalidade, mas sim, de recolhimentos mensais antecipados e apurados por estimativas determinados pelo art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996, sujeitando o Contribuinte ao controle fiscal. Ao mesmo tempo, tinha a garantia de compensar o valor antecipado com qualquer tributo administrado pela RFB, na medida em que ao final do exercício viesse a apurar o IRPJ e a CSLL em valor menor do que o pago. Tratase, portanto, de uma forma de restituição rápida e promovida pelo próprio Contribuinte tendo o direito de aproveitar. Na medida em que o imposto de renda e a contribuição social apurados foram inferiores aos recolhimentos antecipados, restou saldo negativo, que seria compensado com aos valores devidos, procedimento esse que foi vedado pelo art. 29, da Medida Provisória n° 449, de 2008. Essa vedação é absolutamente inconstitucional, uma vez que usurpou o direito de compensação, configurando violação de um direito adquirido, garantido pelo art. 5°, inciso XXXVI, da Constituição Federal. Violou, ainda, a vedação do reconhecimento do efeito retroativo de qualquer lei nos termos do art. 5°, inciso XL, da Constituição Federal e do art. 106 do CTN. Todo o tributo recolhido de forma antecipada e que não venha ser devido deve ser imediatamente devolvido, uma vez que a Constituição Federal somente permite a tributação a partir de eventos efetivamente ocorridos, sendo duvidosa a possibilidade, sob o ponto de vista constitucional, a existência de antecipação do tributo por conta de uma possibilidade de lucros futuros. Sem dúvida, está caracterizado um ato coator que ofende o direito liquido e certo do Contribuinte recolher e saldar os seus compromissos tributários segundo os ditames da Constituição Federal e da Lei. Além disso, como está caracterizado o pagamento indevido de imposto, a RFB, na medida que impeça a compensação, está violando o art. 165, inciso I, do CTN. Sobre o Fl. 79DF CARF MF 4 assunto, cita decisão do TRF da 4a Regido e do Superior Tributal de Justiça. Assim, uma vez que créditos atingidos pela limitação da MP foram apurados em um momento anterior à vigência desta limitação, não há como glosar a compensação realizada, podendo utilizarse do crédito formado pelas antecipações efetuadas antes da vigência da referida MP para extinguir débitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. Finalizando, requer que "seja o valor glosado tido como indevido e se reconheça a extinção do crédito apurado em razão da compensação realizada pelt: requerente, sob pena de aplicação retroativa dos efeitos de Medida Provisória ao direito adquirido da contribuinte efetuar tal aproveitamento a luz da lei vigente." Por seu turno, o mérito da indigitada Decisão de piso restou consubstanciado nos seguintes termos: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dela conheço. Como está explicitado no Parecer, o motivo pelo qual não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e a conseqüente não homologação da compensação declarada, foi porque o crédito informado se refere a pagamento de estimativa mensal de IRPJ, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo desse tributo. Na Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte discorda desse entendimento, alegando que tem direito ao crédito pleiteado, eis que a legislação não proíbe que a estimativa recolhida durante o anocalendário possa ser passível de restituição/compensação, antes mesmo do encerramento do exercício, irk podendo a legislação posterior retroagir sob pena de violação a princípios constitucionais. Inicialmente, em relação aos argumentos efetuados em torno da ilegalidade de leis e de violação a princípios constitucionais (direito adquirido, retroatividade), cabe esclarecer que são questões que não podem ser analisadas pelo julgador da esfera administrativa. Essa análise foge a alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações as normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tãosomente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme 5. lei, sem emitir juízo da legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Os órgãos administrativos de julgamento estão obrigados a cumprir os atos normativos expedidos pelos órgãos superiores, Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 79 5 conforme determina a Portaria MF n° 58, de 17 de março de 2006, em seu art. 7°: "O julgador deve observar o disposto no art 116, 111 da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos ". O principio da legalidade, assentado no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988, e o previsto no parag. único do art. 142 do Código Tributário Nacional, vinculam a atividade do lançamento à lei, sob pena de responsabilidade funcional. E inócuo, então, suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois não se pode, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas motivadoras do lançamento, cuja validade está sendo questionada, em observância ao art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Sobre a matéria, o Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, já pacificou esse entendimento por meio da Sumula n° 2, cujo teor é o seguinte: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributaria." Esclareçase, que no caso, não foi com base na Medida Provisória n° 449, de 2008, que não foi reconhecido o crédito pleiteado, não ocorrendo a alegada retroatividade. Pelas razões acima expostas, não há como acatar as ponderações feitas pelo Contribuinte, devendo ser afastado da análise dessa autoridade administrativa quaisquer argumentações que versem sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de atos legais e de ofensa a princípios constitucionais. Quanto A jurisprudência judicial trazida A colação pelo Contribuinte para fundamentar seus pontos de vista, esclareça se que não sendo parte nos litígios objetos das sentenças citadas, não pode o Contribuinte usufruir dos efeitos nelas contidas. Por outro lado, constatase que o Contribuinte, no ano calendário de 2005, adotou a forma de tributação corn base no lucro real anual, estando, portanto, obrigado a recolher o imposto de renda e a contribuição social mensalmente, determinado sobre a base de cálculo estimada. Analisando a declaração de compensação, a Ficha 11 da DIPJ/2006 —Calculo do imposto de renda mensal por estimativa de fevereiro de 2005 (fl. 3738) e o pagamento a titulo de estimativa de imposto de renda (código 2362 — 1RPJ — estimativa mensal) referente ao mês de fevereiro de 2005 (fl. 36), constatase que o pedido do Contribuinte se refere a diferença desse imposto recolhido a maior (255.791,00 — 253.850,24 = 1.940,76). Fl. 81DF CARF MF 6 Desse modo, constatado que se trata de pagamento de estimativa mensal de IRPJ recolhido a maior, cabe verificar se o referido valor pode ser restituído/compensado diretamente ou não. Segundo a legislação pertinente, não se caracteriza indébito o recolhimento mensal de estimativa, mesmo a maior, antes que se proceda ao encerramento do período de apuração. Para efeito de determinado do saldo de imposto ou contribuição a pagar ou a compensar no encerramento do período, o Contribuinte pode deduzir os valores das estimativas recolhidas. Se os recolhimentos foram maiores que o imposto devido ou contribuição devida, apurase saldo negativo, que é passível de restituição e/ou compensação a partir de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração (art. 5° da IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004). Os valores pagos a titulo de imposto de renda e de contribuição social por estimativas não traduzem a existência de crédito com a Fazenda Nacional, pois quando efetuadas nos exatos termos dispostos na lei, são consideradas antecipações do imposto devido e da contribuição devida no encerramento do período de apuração, não gerando, pois, direito A restituição ou compensação enquanto não apurada a existência de crédito do Contribuinte no período (saldo negativo). A estimativa mensal não pode ser considerada como indébito tributário, não retornando A disponibilidade os pagamentos ou créditos a ela vinculados. Concluiuse, portanto, que as estimativas contribui para a apuração de eventual saldo negativo de IRPJ e/ou de CSLL. 0 saldo negativo desse imposto e dessa contribuição, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente, desde que sua base de cálculo englobe as estimativas recolhidas durante o período. Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda e/ou da contribuição social a cada período, após integrar o saldo do imposto e/ou a contribuição devida sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN, no art. 74, parágrafo 3° da Lei 9.430, de 1996 e na Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004, art. 10, a seguir transcrito, que A. época da formalização do pedido do Contribuinte estabelecia os parâmetros para a efetivação da restituição/compensação, determinava que mesmo os pagamentos indevidos ou maiores do que o devido a titulo de estimativa de IRPJ não poderiam ser restituídos diretamente, sendo utilizados na dedução do IRPJ devido no final do período de apuração ou para compor o saldo negativo desse imposto: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 80 7 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, cumprindo o disposto nessa instrução normativa e no art. 7° da Portaria MF n° 58, de 2006, que determina que o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, o crédito pleiteado pelo Contribuinte não pode ser reconhecido, e conseqüentemente, a compensação declarada não deve ser homologada. Isso posto, voto pela manutenção do Despacho Decisório de fl. 04. O Recurso Voluntário, em sua essência, reitera os argumentos expostos na exordial defensiva. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito, assiste razão ao Recorrente quanto à viabilidade de análise de sua compensação, tendo em vista o teor da Súmula CARF n° 84. Da compensação Fl. 83DF CARF MF 8 Quanto à compensação pretendida, não assiste razão ao Recorrente. Alega o Contribuinte possuir crédito contra a Administração Tributária, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal, para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Notase que o caso versando teve seu cerne em definir se pode a estimativa recolhida durante o anocalendário ser passível de compensação, antes mesmo do encerramento do respectivo exercício. O Acórdão a quo, com inegável competência e esmero, entendeu pela impossibilidade dessa operação compensatória, razão pela qual o Contribuinte persistiu em seu pleito agora em sede recursal. Nessa senda, a decisão de piso foi lastreada no art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. Contudo, o CARF tem como superada a intelecção firmada no i. Acórdão da DRJ, de modo que se colmatou no verbete sumular de n.º 84, no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." Dito enunciado foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ademais, a presente Turma Extraordinária já firmou unânime entendimento em semelhante sentido, pelo que transcrevo o precedente do Acórdão n° 1002.000.397, sessão de 13 de setembro de 2018, Rel. Cons. Leonam Rocha de Medeiros, o qual utilizo desde já como elemento de fundamentação do presente decisum: (...) Pois bem. No caso em comento, entendendo possuir crédito, decorrente de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP objetivando a extinção das obrigações por força do instituto da compensação. No entanto, o despacho decisório negou o direito creditório, sob o fundamento de que as estimativas pagas a maior só poderiam ser utilizadas na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Desta forma, em verdade, com tal conclusão, o direito creditório não chegou a ser efetivamente analisado e, neste sentido, a decisão da DRJ, de igual modo, também não se aprofundou acerca do crédito, o que, no meu Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 81 9 entender e seguindo os precedentes anteriormente citados, ocasiona a nulidade da decisão da primeira instância recursal. Vejase que nos precedentes citados as conclusões foram as mesmas: Acórdão n.º 1302002.866 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/12/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1302002.855 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 08/08/2006 COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE. NULIDADE ACÓRDÃO Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a compensação de estimativas pagas indevidamente ou a maior. Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob o argumento já superado pelo CARF, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. Acórdão n.º 1002000.359 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AnoCalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO INFORMADO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. SÚMULA N.º 84 DO CARF. NULIDADE DO ACÓRDÃO. O crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, pode ser objeto de compensação, não sendo apenas utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Nos termos da Súmula CARF n.º 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 85DF CARF MF 10 Não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Recurso Voluntário Provido Parcialmente Aguardando Nova Decisão Efetivamente, nos termos da Súmula CARF n.º 84, a última instância recursal já pacificou entendimento no sentido de que "o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação." O enunciado sumular acima transcrito foi confeccionado a partir dos seguintes paradigmas: Acórdão n.º 120100.404, de 23/2/2011; Acórdão n.º 120200.458, de 24/1/2011; Acórdão n.º 110100.330, de 09/7/2010; Acórdão n.º 910100.406, de 02/10/2009; Acórdão n.º 10515.943, de 17/8/2006. Ressaltese, ademais, que o art. 10 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil (SRF) n.º 600, de 2005 (originalmente constante no art. 10 da IN SRF n.º 460, de 2004), que proibia expressamente a compensação da estimativa fiscal nos termos defendidos pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, foi posteriormente revogado pela Instrução Normativa SRF n.º 900, de 2008, que não trouxe igual disciplina proibitiva, inexistindo, para o contexto destes autos, dúvidas quanto a possibilidade de utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa fiscal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. No mais, destacando que o fato discutido nos autos é a não homologação da compensação do débito de estimativa mensal, declarada em PER/DCOMP, sob o fundamento de que o crédito utilizado referese, de igual modo, a pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, entendo por bem destacar que o art. 6.º da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018, que deu nova redação ao inciso IX do § 3.º do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, para estabelecer que não poderão ser objeto de compensação os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, não é aplicável na regulamentação das Declarações de Compensação transmitidas antes da publicação da referida nova lei, na forma do art. 11, inciso II, da Lei n.º 13.670, de 30 de maio de 2018. Além disto, como consta daqueles precedentes citados no início deste voto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, através da Divisão de Tributação da 9.ª Região Fiscal da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 9.ª Região Fiscal, já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta n.º 285 SRRF/ 9.ª RF/Disit, de 17 de julho de 2009, eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 82 11 COMPENSAÇÃO. (...) A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeito à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 1996, arts. 2.º e 6.º; Lei n.º 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n.º 3, de 2000; IN RFB n.º 900, de 2008, arts. 2.º a 4.º e 34. Acrescentese, outrossim, que a Coordenação Geral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovou a Solução de Consulta COSIT n.º 19, de 05 de dezembro de 2011, apreciando indagação interna relacionada ao mesmo objeto ora em discussão, tendo concluído que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1.º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB n.º 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1.º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF n.º 460, de 2004, e IN SRF n.º 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2.º e 74; IN SRF n.º 460, de 18 de outubro de Fl. 87DF CARF MF 12 2004; IN SRF n.º 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB n.º 900, de 30 de dezembro de 2008. Portanto, não sendo analisado o direito creditório do contribuinte, sob argumento superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já constante de verbete sumular, concluo que é nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Destaquese que o entendimento deflagrado no Despacho Decisório, o qual estava equivocado, conforme enunciado sumular do CARF, foi, posteriormente, ratificado pela decisão recorrida, de modo que, efetivamente, não houve uma efetiva análise da legitimidade do direito creditório indicado no PER/DCOMP, pelo que se dá provimento parcial ao recurso para reconhecer a possibilidade de se compensar pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais, reformandose o acórdão neste ponto, devendo a DRJ proceder a análise do direito creditório. Aliás, a DRJ pode, inclusive de ofício, independentemente de requerimento expresso do sujeito passivo, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, determinar a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo contribuinte. Considerando o até aqui esposado e reconhecendo a possibilidade de se compensar o pagamento indevido ou a maior das estimativas, entendo pela nulidade do julgamento da DRJ, devendo ser proferida nova decisão. Sabese que, para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo Contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. E. nesse espeque, o Recorrente logrou êxito desde a primeira instância em adimplir com as provas necessárias. Noutro giro, não poderia a presente Turma Extraordinária proceder desde já com a compensação pretendida, pois isso representaria inegável supressão de instância, razão pela qual devem os presentes autos retornarem à Unidade de Origem para que se proceda com a análise do efetivo acerto do pleito efetuado na DCOMP. Das arguições de constitucionalidade e legalidade Por fim, a suposta violação constitucional conduziria ao desiderato da inconstitucionalidade reflexa da norma cotejada, o que acarreta a incidência da Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso porque não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade ou cotejo constitucional. Logo, não há que se argüir nessa instância a suposta violação de princípios quando da estrita aplicação e observância da norma infraconstitucional pela Administração Pública. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11060.901155/200913 Acórdão n.º 1002000.491 S1C0T2 Fl. 83 13 Dispositivo Ante o exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento parcial para anular o acórdão proferido, determinando o retorno dos autos à instância a quo para que esta análise o direito creditório do Recorrente, podendo, inclusive, determinar a realização de diligências, em busca da verdade material, para um melhor entendimento do crédito indicado no pedido de compensação. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.933286/2008-62
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1002-000.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.04-2870 (e-fls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizando-se o crédito na forma própria para saldo negativo.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.04-2870 (e-fls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizando-se o crédito na forma própria para saldo negativo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.042870 (efls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizandose o crédito na forma própria para saldo negativo. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. RELATÓRIO Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 405/429) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 33 28 6/ 20 08 -6 2 Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 436 2 pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 385/395), proferida em sessão de 07 de junho de 2011, consubstanciada no Acórdão n.º 1631.925, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP I (DRJ/SP1), que, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 23/45) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 25/09/2008 (efl. 03), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 27053.17084.250604.1.3.042870 (efls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer pagamento indevido ou a maior, negando a restituição, afirmando, outrossim, não restar crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP a partir do DARF informado pelo contribuinte cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/08/2001 PER/DCOMP. ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. Admitese a retificação do PER/DCOMP pelo sujeito passivo somente se estiver pendente de decisão administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório de fl. 01 [efl. 03], pelo qual a DERAT/DIORT/EQPIR/SPO não reconheceu o direito creditório fundado em pagamento a maior de CSLL, código 2484, recolhido em 31/08/2001, no valor de R$ 9.077,25 e, consequentemente, não homologou nesses autos o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.042870, uma vez verificado que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada do despacho decisório em 03/10/2008, a contribuinte apresentou peça recursal (fls. 11/12) [efls. 23/45] em 03/11/2008, alegando, em síntese, que: ao invés de formular o pedido de compensação pelo total do saldo negativo apurado na DIPJ 2002, anocalendário de 2001, a requerente, por erro material de preenchimento do PER/DCOMP, indicou como origem do crédito os pagamentos recolhidos por estimativa, os quais foram computados na apuração do referido saldo negativo; comprovada a existência do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL mediante a documentação apresentada, deve ser reconhecida a compensação desse crédito com débitos próprios da requerente, não podendo um erro de preenchimento, por si só, invalidar o direito de se recuperar os saldos negativos apurados ao final do período; manifesta sua disposição e prontidão no atendimento à realização de eventuais diligências que a autoridade julgadora entender necessárias; Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 437 3 requer o julgamento em conjunto com os demais processos conexos, pelo que a solução poderá ser uniforme: 10880.915538/2008 71, 10880.915539/200816, 10880.915540/200841, 10880.933285/200818, 10880.933286/200862, 10880.933287/2008 15, 10880933288/200851 e 10880.943937/200822. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.921,76, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/07/2001 2484 R$ 9.077,25 31/08/2001 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 0543694999 R$ 9.077,25 DB: cód 2484 PA 31/07/2001 R$ 9.077,25 Valor Total R$ 9.077,25 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2008 Principal: R$ 2.648,95 Multa: R$ 529,79 Juros: R$ 1.598,37 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae do voto vencedor: A contribuinte contesta a decisão proferida pela DERAT no Despacho Decisório, alegando erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP. Em que pesem as claras e sólidas argumentações da d. Relatora, ouso dela discordar quanto à possibilidade de se analisar o PER/DCOMP admitindo como origem do crédito o saldo credor do anocalendário de 2001, em vez do pagamento por estimativa, informado pela contribuinte. Para a solução do litígio convém reproduzir, inicialmente, a legislação que regulamentou a compensação de tributos. O artigo 74 da Lei n.º 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis ns.º 10.637/2002 e 10.833/2003, dispõe, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (...) § 3.º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1.º: (...) Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 438 4 V os débitos que já tenham sido objeto de compensação não homologada pela Secretaria da Receita Federal. (...) Da norma acima reproduzida é possível concluir que o procedimento de compensação é efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal, quanto do contribuinte. Com efeito, por um lado corre contra a Administração o prazo de homologação, que, uma vez decorrido, impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente; de outro lado pesa sobre o contribuinte a exatidão da informação quanto à origem do crédito e de seu montante, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo. Assim, o alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP não pode ser admitido, eis que a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma declaração de compensação de débitos não homologados, o que não é permitido pela legislação. Além disso, deve ser observado o disposto nos artigos 56 da IN SRF n.º 460/2004 e 57 da IN SRF n.º 600/2005, que admitem a retificação do PER/DCOMP apenas quando o mesmo ainda se encontrar pendente de decisão administrativa. No tocante a jurisprudência colacionada pela interessada, cumpre observar que ela não vincula esta Delegacia de Julgamento. Quanto ao pedido de diligência para a produção de novas provas, este deve ser indeferido, pois, independentemente de a contribuinte possuir ou não saldo credor a seu favor, como a controvérsia, no presente caso, referese apenas a questões de direito, já analisadas, inexiste o direito creditório da contribuinte, nas condições do PER/DCOMP em análise. Essas foram as razões de decidir da DRJ. No recurso voluntário, o contribuinte reitera, em outras palavras, os argumentos suscitados na sua manifestação de inconformidade, visando devolver a matéria para instância superior. Acrescenta, ainda, os argumentos no sentido de que: a) “(...) tendo a Relatora vencida, reconhecido a EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DECORRENTE DO SALDO NEGATIVO DA CSLL, buscado tão somente com erro de preenchimento do pedido, a solução mais justa, mais razoável e também [sic] a que respeita todos os princípios norteadores da administração, é a de que o crédito pode, e deve ser deferido”; b) “(...) muito embora seja até pouco recomendável a forma utilizada pelo ora recorrente para buscar os créditos, provado, como provado esta, que de fato houve ao final do período saldos negativos de CSLL em montante suficiente para acobertar as compensações, não poderá ser negado o direito pelo fato do contribuinte preencher a Per/Dcomp com a Darf daquilo que se tornou indevido dos pagamentos feitos durante o ano na apuração do IRPJ e CSLL com recolhimento por estimativa”. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 439 5 VOTO Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (intimação em 15/07/2011, efls. 397/398, e protocolo recursal em 12/08/2011, efl. 405), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário, trata o presente caso de pedido de restituição (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, de toda sorte as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva, de mais a mais, devese buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo fiscal. Pois bem. No caso em comento, após análise do PER/DCOMP, no qual constou indicação de crédito tendo por natureza suposto "pagamento indevido ou a maior", a Administração Tributária, em Despacho Decisório (DD), não reconheceu a certeza e liquidez do crédito vindicado pelo contribuinte, sob o argumento de que o DARF (Documento de Arrecadação Fiscal) que fundamentaria o recolhimento indevido havia sido utilizado integralmente em débito próprio do sujeito passivo. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 440 6 Por sua vez, o contribuinte destaca que, ao final do exercício, apurou saldo negativo, sendo erro de preenchimento a indicação de pagamento a maior. O recolhimento do referido DARF foi por estimativa mensal em forma de antecipação face ao regime escolhido. O voto vencido (efls. 389/391), ao seu turno, informa que, efetivamente, a contribuinte, conforme DIPJ 2002 original, ND n.º 0926438, apresentada tempestivamente em 28/06/2002, apurou saldo negativo de CSLL, bem como atestou que estão confirmados os pagamentos de estimativas no sistema SIEFPagamento (efls. 379/381), esclarecendo, ainda, que esse saldo negativo não foi objeto de compensação ou de restituição em outro PER/DCOMP, conforme pesquisa ao Sistema SIEF Brasil PER/DCOMP (fl. 383), de modo que haveria possibilidade de restituir o direito creditório vindicado. Sendo assim, a despeito da tese vencedora na DRJ, em homenagem a verdade material, há que se superar o equívoco cometido pelo contribuinte para analisar manualmente o PER/DCOMP deste processo como fundado em crédito de saldo negativo de CSLL. Contudo, para que se análise o pedido como se corretamente formulado sobre o saldo negativo de CSLL e não sobre a estimativa que o integrou e é o objeto da lide, há que se baixar o processo em diligência para confirmar se o direito creditório ainda está disponível. Compreendase, de toda sorte, que um crédito que tem por natureza jurídica "pagamento indevido ou a maior" tem o seu valor corrigido desde o mês seguinte ao indébito, que se verifica na data da efetivação do pagamento indevido ou a maior, enquanto isso se o crédito tem por natureza jurídica "saldo negativo" a correção monetária se dá a partir do mês subsequente ao do encerramento do período de apuração. Portanto, os momentos para a atualização do crédito são bem distintos, pois as naturezas jurídicas são diversas, os efeitos jurídicos são distintos. Por conseguinte, doravante, o tratamento da atualização monetária do direito creditório vindicado deverá ser com base no saldo negativo. No caso dos autos, ao meu ver, a primeira instância, ainda que em voto de divergência, demonstrou ciência da possibilidade do direito creditório. Sendo assim, a fim de dar celeridade ao deslinde desta lide e por economia processual, resolvo baixar o processo em diligência, a fim de diligenciar junto a unidade de origem para aferição da suficiência do crédito de modo a permitir, ou não, a homologação da compensação. Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, atestando se a parcela do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2001, composto pela estimativa indicada neste processo, ainda está disponível e se é suficiente para homologar, ou não, o PER/DCOMP n.º 27053.17084.250604.1.3.042870 (efls. 13/21), transmitido em 25/06/2004, atualizandose o crédito na forma própria para saldo negativo. Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10880.933286/200862 Resolução nº 1002000.026 S1C0T2 Fl. 441 7 Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 441DF CARF MF
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Numero do processo: 13805.009841/98-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES.
Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO
Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida na decisão recorrida vergastada, mantém-se o indeferimento da restituição do ILL, por inexistência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO.
Juntada posterior de documentos no recurso voluntário, não comprovação dos requisitos do art. 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não conhecimento dos documentos.
Numero da decisão: 2201-004.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi-lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida na decisão recorrida vergastada, mantém-se o indeferimento da restituição do ILL, por inexistência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Juntada posterior de documentos no recurso voluntário, não comprovação dos requisitos do art. 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não conhecimento dos documentos.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-04T15:38:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-04T15:38:31Z; Last-Modified: 2018-12-04T15:38:31Z; dcterms:modified: 2018-12-04T15:38:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:df5ff468-755c-4fe9-b29b-90bff60b2ec2; Last-Save-Date: 2018-12-04T15:38:31Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-04T15:38:31Z; meta:save-date: 2018-12-04T15:38:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-04T15:38:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-04T15:38:31Z; created: 2018-12-04T15:38:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2018-12-04T15:38:31Z; pdf:charsPerPage: 1717; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-04T15:38:31Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 996 1 995 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13805.009841/9882 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.773 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2018 Matéria ILL Restituição Recorrente ITAUSA EMPREENDIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. VERDADE MATERIAL. PROVA. LIMITES. Ainda que o Processo Administrativo Fiscal Federal esteja jungido ao principio da verdade material, o mesmo não é absoluto, sob pena de malferi lo, bem como aos princípios da legalidade e da isonomia e as regra do devido processo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVA. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO Oportunizada, em face do exercício do contraditório, com a trazida da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário, a apresentação de documentos pela empresa interessada e não apresentado qualquer documento capaz de afastar a conclusão contida na decisão recorrida vergastada, mantémse o indeferimento da restituição do ILL, por inexistência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. Juntada posterior de documentos no recurso voluntário, não comprovação dos requisitos do art. 16§ 4º do Decreto 70.235/72. Não conhecimento dos documentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 98 41 /9 8- 82 Fl. 996DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 895/908 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Tratase de manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte acima identificado em face do indeferimento do pedido de restituição de valores recolhidos, nos anos de 1990 a 1993, a título de imposto de renda retido na fonte sobre o lucro líquido ILL, com fulcro no art. 35 da Lei n.º 7.713/1988, parcialmente declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF, e cuja execução foi suspensa, no tocante à expressão “o acionista” contida no precitado dispositivo, pela Resolução do Senado Federal nº 82, de 1996. O crédito, no montante de R$ 1.481.656,19 indicado no Pedido de Restituição de fl. 03, tem como origem 31 (trinta e um) DARF(s) recolhidos nos anos de 1990 a 1993, em nome da requerente e das empresas incorporadas (Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda), como segue: O pedido em tela foi analisado pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Fl. 997DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 997 3 Administração Tributária em São Paulo que emitiu o Despacho Decisório de fls. 246 a 248, pelo qual, indeferiu o pedido de restituição, protocolizado em 09/09/1998, sob o fundamento de que o direito de o contribuinte pleitear a restituição do indébito estaria decaído, conforme o disposto no Ato Declaratório SRF n.º 96, de 26.11.1999. Contra tal decisão foi apresentada a manifestação de inconformidade de fls. 253 a 259, na qual a interessada alegava com base em duas teses que não estaria decaído o direito de o impugnante pleitear a repetição do indébito: a uma, por conta do entendimento no sentido de que o prazo qüinqüenal para a contagem da decadência, iniciarseia na data da publicação do acórdão do STF, que declara a inconstitucionalidade da exação tributária, ou ainda, na data da publicação da resolução senatorial que suspenda a execução de lei declarada inconstitucional , sendo, neste caso, irrelevante o período em que os valores foram indevidamente recolhidos; e a duas, por força da tese segundo a qual, encartandose o ILL na sistemática do lançamento por homologação, a contagem do referido prazo iniciarseia somente a partir da homologação (expressa ou tácita) do pagamento antecipado. A referida manifestação de inconformidade foi objeto de julgamento por esta turma, que prolatou o Acórdão nº 009, de 19.10.2001, pelo qual foi mantido o despacho decisório então atacado. Inconformada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 288 a 296, julgado pela 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, afastou a decadência do direito de o sujeito passivo pleitear a restituição e determinou a remessa dos autos à repartição de origem para análise do mérito do pedido (fls. 512 a 528). A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 530 a 537), que, por maioria de votos negou provimento ao recurso e ratificou o teor do Acórdão prolatado na instância precedente (fls. 572 a 585). Diante da decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a DERAT/DIORT elaborou o Relatório Diligencial de fls. 850 a 859, no qual analisa o mérito e indefere o Pedido de Restituição de fl. 03, pelos motivos a seguir relacionados: DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELA ITAUSA EMPREENDIMENTOS S/A O peticionante não tem poderes para solicitar a restituição do ILL cujo ônus foi da Itausa Investimentos Itaú S.A., CNPJ 61.532.644/000115 e INTRAG PART Administração e Participações Ltda, CNPJ 52.637.139/000144, e , mesmo intimado, não apresentou comprovante contábil de distribuição de lucros de 01/01/1992 a 09/09/1998. Fl. 998DF CARF MF 4 Verificouse, ainda, pequena distribuição de lucros no período de 01/01/1990 a 31/12/1991, logo deve ser indeferida a restituição do ILL recolhido pelo próprio peticionante nos anos calendário de 1989 a 1991 por não atender ao art.166 do CTN e tendo em vista o art.39 da lei nº 9.784/1999. DOS RECOLHIMENTOS EFETUADOS PELAS SOCIEDADES LIMITADAS INCORPORADAS O peticionante não tem poderes para solicitar a restituição do ILL cujo ônus foi da INTRAG PART Administração e Participações Ltda, CNPJ 52.637.139/000144 (0,20% do ILL da Torre Nova; 0,06% da Morumbi Square; 0,20% da Pedra Preta, e 0,20% da Barão da Torre), e , mesmo intimado, não apresentou a base legal e/ou judicial que comprove que não houve a disponibilização econômica relativa aos lucros apurados (em relação à Pedra Preta sequer apresentou o(s) contrato(s) social(is)), logo devem ser indeferidos os Pedidos de Restituição de ILL de: Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 61.914.172/000165, PAs de 10/11/1989 a 31/12/1989, de 01/01/1990 a 31/07/1990 e de 01/08/1990 a 31/12/1990; Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 64.841.786/000152, PAs anocal. 1991 e de 01/01/1992 a 31/07/1992; Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 59.499.533/000102, PA anocal. 1989, e Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 64.943.715/000160, PAs de 23/11/1990 a 31/12/1990, anocal. 1991 e de 01/01/1992 a 30/09/1992, por :não atender ao art.166 do CTN relativamente à parcela do sócio INTRAG; a disponibilização dos lucros ao final do período de apuração (art.43 do CTN) conforme cláusulas 5a e 5.1 dos contratos sociais para os sócios das empresas incorporadas Torre Nova, Morumbi Square e Barão da Torre, e falta de atendimento à intimação (art.39 da lei nº 9.784/ 1999) para a incorporada Pedra Preta. Cientificada do relatório em tela, a interessada apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 863 a 867), objeto do presente julgamento, como segue: "Inicialmente cumpre informar que com relação ao item 2 do Relatório de Diligências que não houve outras compensações além daquelas informadas, conforme analisado pelo Fiscal. Com relação ao item 3.4 cumpre informar que a Impugnante apresentou a comprovação da destinação dos lucros apurados nos períodos de apuração de 1989, 1990 e 1991 e como não houve a disponibilização econômica, conforme atestado em declaração juntada aos autos não havia a necessidade para se juntar demonstrativos de Imposto retido na fonte ou motivação para sua retenção até 09/09/1998. Além do mais a Impugnante comprovou ter assumido o encargo financeiro pelas retenções de ILL (conforme planilha trazidas nos autos e declaração de seu gerente de contabilidade). Fl. 999DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 998 5 Caso seja necessário deverá a autoridade notificar às empresas Intrag Part Administração e Participações Ltda e Itaúsa Investimentos Itaú S.A. Para que apresentem nos autos a comprovação de que sofreram efetivamente seu ônus, de que não solicitaram ou utilizaram em compensações tais créditos, em homenagem ao princípio da verdade material. Insta salientar que conforme diligências realizadas pelo D. Fiscal o mesmo não localizou qualquer indício de utilização do crédito pleiteado nos presentes autos. Com relação a verificação do fiscal quanto à ocorrência de pequena distribuição de lucro o mesmo não deve prosperar, pois conforme se comprova das através de aprovação de balanço juntadas em petição de 17/10/2011 não houve a disponibilização dos lucros, sendo os mesmos capitalizados, conforme demonstrativo de mutação do patrimônio líquido, também juntado na petição supramencionada. Ainda com relação as Sociedades Limitadas (Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda denominada Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda desde 14/08/1992, Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda; Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre de Pedra Empreendimentos Imobiliários Ltda. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros, o que é o caso, pois "o exercício social terminará em 31 de dezembro de cada ano. Ao final de cada exercício será levantado balanço geral e os lucros apurados terão o destino que os sóciocotistas determinarem. O que não caracteriza a distribuição automática dos lucros, o que torna o pagamento do ILL inconstitucional e passível de restituição, conforme entendimento sedimentado do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 ILL RESTITUIÇÃO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Egrégio. Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, o contrato social da recorrente cita que os lucros líquidos poderão ser distribuídos entre os sócios, portanto não há a hipótese de distribuição automática de lucros ao final do período base. Fl. 1000DF CARF MF 6 Recurso voluntário provido (145396, processo 10882.001431/200158; Sexta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes; Relatora Janaina Mesquita Lourenço de Souza; Data da Sessão 08/10/2008)" (grifamos) Diante do exposto, requer seja julgada totalmente procedente a presente Impugnação para que seja reconhecido integralmente habilitado o direito creditório da ora impugnante.” 2 – A decisão da DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 Ementa: ILL. RESTITUIÇÃO. SOCIEDADES POR AÇÕES OU QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Não se aplica à restituição do indébito de ILL a regra do artigo 166 do Código Tributário Nacional” O recolhimento efetuado com fulcro no art. 35 da Lei nº 7.713/1988 é passível de restituição nos casos em que a sociedade por ações comprove que o mesmo não foi utilizado na forma do artigo 36 do referido diploma legal. O mesmo se aplica à sociedade por quotas de responsabilidade limitada cujo contrato social não prevê a disponibilidade imediata do lucro. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 911/916. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – O único questionamento no presente caso é o fato do V. Acórdão da DRJ ter indeferido o pedido de restituição do ILL em favor do contribuinte em decorrência de: Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 999 7 No tocante à sociedade Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, não consta dos autos qualquer documento (Ata das Assembléias e/ou Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido) que comprove a destinação do lucro apurado. Destarte a restituição do ILL incidente sobre o lucro da Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, deve ser indeferida por falta de comprovação da sua destinação. 6 Por sua vez o contribuinte em suas razões recursais se manifesta no seguinte sentido: "No entanto, em que pese a 5a Turma da DRJ/SP1 ter reconhecido, em quase sua totalidade o direito creditório da Recorrente, a mesma não reconheceu os créditos da empresa incorporada Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda., por entender, equivocadamente, que não teria havido a comprovação do referido direito creditório da mesma. Porém, tal decisão merece ser reformada, pois, conforme a Recorrente já demonstrou em sua Manifestação de Inconformidade, e reafirmará que a empresa Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. também é legítima detentora do crédito em discussão. a) Erro de fato no envio da DIPJ de 30/12/1991 Inicialmente, cumpre destacar que a ora Recorrente em atendimento à determinação do D. Fiscal juntou declaração (doc. 02 da Manifestação de Inconformidade) onde informou, sob as penas da lei, que se equivocou ao apresentarem 30/12/1991 a DIPJ retificadora do período base de 01/01/1989 a 31/12/1989 no CNPJ 61.914.172/000165 (Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda .), sendo o correto o CNPJ 59.499.533/000102, então da Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda ., por simples erro de fato, face à incorporação da segunda pela primeira em 03/04/1990. Assim, os julgadores da 5a Turma da DRJ/SP1 deveriam considerar em sua análise a DIPJ retificadora como sendo da empresa Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. e não como sendo da empresa Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda. omissis c) Da não disponibilização do lucro pela Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. Fl. 1002DF CARF MF 8 Da mesma forma que a Recorrente comprovou que não houve a distribuição de lucros no período de 1989 a 1991 das outras empresas limitadas, sucedidas pela Recorrente, quais sejam: Torre Nova; Morumbi Square e; Barão da Torre, que tiveram seus créditos reconhecidos pelo acórdão recorrido, também deve ser deferido o direito creditório da Pedra Preta, pois foi comprovado pelos docs. 19 (DIPJ's `vide item "a" do presente recurso) e 20 (balanços patrimoniais), ambos da Manifestação de Inconformidade, que o lucro líquido era vertido para a reserva de lucros, e não distribuídos aos sócios. Para melhor verificação, Eméritos Julgadores, juntase em apartado neste recurso as cópias das DIPJ's (doc.03) e dos balanços patrimoniais (doc.04 da empresa Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda. No mais, ainda que tivesse havido distribuição de lucro, a competência para se requerer a restituição permaneceria na empresa Recorrente, tendo em vista a sucessão societária da Pedra Preta e, ainda, a exigência compulsória do recolhimento do ILL e do AIRE, sendo que a alíqota do ILL incidente sobre o lucro era de 8% sobre o valor encontrado, faziam com que os valores fossem integralmente vertidos ao pagamento do ILL e não distribuídos aos sócios. 7 Contudo, verificando o Relatório de Diligência DIORT de fls. 850/859 datado de 09/02/2012 em cumprimento a resposta do recorrente após ter afastado a questão da decadência junto ao Primeiro Conselho de Contribuintes, na época, vemos as seguintes pontuações da fiscalização quanto a essa parte do pleito do contribuinte, verbis: 4. Em resposta datada de 17/10/2011 fls.(706/841), o contribuinte responde parcialmente e apresenta: 4.2 Quanto a confessar, nos termos da lei, que errou ao apresentar em 30/12/1991 a DIRPJ retificadora do períodobase 01/01/1989 a 31/12/1989 no CNPJ 61.914.172/000165 (então Torre Nova), sendo o correto o CNPJ 59.499.533/000102 (Pedra Preta) às fls.145/157 (159/171 digital) ou, se for o caso, apresentar a DIRPJ correta e juntar ao processo o(s)Contrato(s) Social(is) da empresa Pedra Preta até a sua incorporação pela Torre Nova – apenas apresentou os contratos sociais de constituição da Torre de Pedra Empreendimentos Imobiliários Ltda (e não da Pedra Preta, fls.707 item 2 e 720/727 – doc 5) e da incorporação da Pedra Preta pela Torre Nova (fls.707 item 2 e 728/733 – doc 6), além da DIRPJ da Torre Nova do PA 10/11//1989 a 31/12/1989 entregue em 31/07/1990 (fls.707 item 2 e fls.734/743), que já constava no processo (fls.111/119). Omissis 8. Da análise dos contratos sociais apresentados, apurei os seguintes sócios para os PAs em pauta: 8.4 Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, PA ano cal.1989 : o peticionante não apresentou o contrato social e possíveis alterações (ver 4.4), sendo que no contrato de sua Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 1000 9 incorporação pela Torre Nova (fls.728/733) e na DIRPJ de fls.159/171, constam como sócios o peticionante, 99,80% e a INTRAG PART Administração e Participações Ltda, CNPJ 52.637.139/000144, 0,20%; Omissis 13.3 Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda: PA ano cal.1989. Intimado a confessar, nos termos da lei, que errou ao apresentar em 30/12/1991 a DIRPJ retificadora do períodobase 01/01/1989 a 31/12/1989 no CNPJ 61.914.172/000165 (então Torre Nova), sendo o correto o CNPJ 59.499.533/000102 (Pedra Preta) às fls.145/157 (159/171 digital) ou, se for o caso, apresentar a DIRPJ correta e juntar ao processo o(s) Contrato(s) Social(is) da empresa Pedra Preta até a sua incorporação pela Torre Nova – apenas apresentou os contratos sociais de constituição da Torre de Pedra Empreendimentos Imobiliários Ltda (e não da Pedra Preta, fls.707 item 2 e 720/727 – doc 5) e da incorporação da Pedra Preta pela Torre Nova (fls.707 item 2 e 728/733 – doc 6), sendo que neste não consta a forma de distribuição de lucros. 8 A análise do caso pela DRJ foi fundamentada da seguinte forma: Destarte, a requerente tem legitimidade para pleitear a restituição do ILL indevidamente recolhido. Pois bem, no caso os recolhimentos objeto do pedido de restituição foram efetuados em nome da requerente (S/A) e das empresas incorporadas (Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda). Ao contrário do que afirma o AFRFB que analisou o mérito do crédito solicitado, os contratos sociais das sociedades Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda, Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda não prevêem a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Omissis A fim de atender a Resolução nº 1022.102 da 2ª Câmara do 1º CC (fls. 311 a 315) a interessada carreou aos autos o Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido das empresas Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda (fl. 322), Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda (fl. 365) e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda (fls. 389 a 391), acompanhados do contrato social e alterações ocorridas até a extinção da sociedade por incorporação. Fl. 1004DF CARF MF 10 Não consta dos documentos em tela que o lucro auferido pelas empresas em comento tenha sido distribuído aos sócios cotistas. Assim o ILL recolhido em nome das sociedades Morumbi Square Empreendimentos Imobiliários Ltda, Barão da Torre Empreendimentos Imobiliários Ltda e Torre Nova Empreendimentos Imobiliários Ltda é passível de restituição/compensação. No tocante à sociedade Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, não consta dos autos qualquer documento (Ata das Assembléias e/ou Demonstrativo das Mutações do Patrimônio Liquido) que comprove a destinação do lucro apurado. Destarte a restituição do ILL incidente sobre o lucro da Pedra Preta Empreendimentos Imobiliários Ltda, deve ser indeferida por falta de comprovação da sua destinação. 9 Não verifico razões para a reforma do julgado, que se baseou em diligência da fiscalização, após ter assegurado ao contribuinte o devido processo legal e contraditório, inclusive podendo ter juntado novos documentos na época, e que no caso, o julgador de piso considerou diversos pontos em favor do recorrente. 10 A alegação de erro de fato nessa instância recursal, no caso, deve vir acompanhada de documentos incontestes quanto a esse fato, posto que tais oportunidades de esclarecimentos e juntada de novos documentos, (que comprovariam a veracidade das razões recursais), o foram analisadas quando da diligência fiscal e durante o julgamento do caso em primeiro grau que constatou a não comprovação do alegado direito pelo contribuinte. 11 Tomo como razões de decidir parte do Voto do I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001000.545 j. 17/10/2018, verbis: Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dize ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de Fl. 1005DF CARF MF Processo nº 13805.009841/9882 Acórdão n.º 2201004.773 S2C2T1 Fl. 1001 11 inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. omissis Ultrapassada a contextualização fático, esclareço, por oportuno que este colegiado, atento à hodierna tendência de se mitigar os rigores das regras preclusivas contidas no processo administrativo fiscal, para o fim de acolher provas apresentadas nesta instância recursal, entende que para aplicarse tais regras, o comportamento do sujeito passivo é determinante. Melhor dizendo, estando o contribuinte, como é o caso em apreço, ciente dos motivos pelos quais os elementos de prova coligidos aos autos não foram considerados hábeis e suficientes para seu desiderato, era seu o dever demonstrar que envidou o esforço no sentido de sanar as lacunas probatórias aventadas na decisão recorrida. No entanto, o recorrente, ao manter se fiel à linha argumentativa, mesmo sabedor que o fundamento da decisão recorrida assentouse na ausência de documentos que corroborassem sua pretensão, preferiu agir de forma não proativa, ao deixar de se empenhar em provar o direito que alega possuir, impedindo, in totum, que este julgador aventasse, quiçá, a hipótese de conversão deste julgamento em diligência, com supedâneo no novel princípio da cooperação, que atualmente tem redação implementada pelo artigo 6º da Lei nº 13.105, de 16.03.2015 Novo Código de Processo Civil, que afirma que "todos os sujeitos do processo devem cooperar entre Fl. 1006DF CARF MF 12 si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva". Em suma, constatase que no caso destes autos, o alegado indébito não foi correta e suficientemente demonstrado e provado. 12 Portanto, por tais razões não conheço da juntada dos documentos de fls. 940/993 em vista de não demonstração de nenhum dos requisitos do art. 16 § 4° do Decreto 70.235/72 e no mérito nego provimento ao recurso. Conclusão 13 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito Negolhe provimento, mantendo a decisão de primeiro grau por seus próprios fundamentos. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1007DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.723237/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.759
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
(assinado digitalmente)
DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
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RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 32 37 /2 01 2- 31 Fl. 279DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigações Principais (AIOP) DEBCAD nº: 51.014.9910, referente à contribuição prevista no art. 22, inciso IV da Lei 8.212/91 para a competência 11/2009. Os recolhimentos efetuados pela empresa de forma espontânea (GPS) não se referem às contribuições apuradas neste crédito, visto que a empresa não informa estas contribuições em GFIP e discute judicialmente a sua procedência, realizando, ainda, o depósito destas contribuições em juízo. Além do mais, as contribuições recolhidas em GPS são compatíveis com as bases declaradas em GFIP. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança Preventivo, processo nº 2000.81.00.0099450 (atualmente em tramitação no Tribunal Regional Federal da 5ª Região Fiscal – TRF), com pedido de liminar em 15/5/2000, tendo sido concedida a segurança liminarmente, em 2/6/2000. Contudo, no julgamento do mérito em 30/7/2001, foi negada a segurança, cassandose a liminar inicialmente deferida. O autuado apresentou, ainda, Embargos de Declaração, em relação ao qual foi negado o provimento no dia 17/10/2003 e interpôs apelação, em 9/2/2006, que também não teve decisão em seu favor. O sujeito passivo ingressou então, com Recurso Especial – REsp no STJ e Recurso Extraordinário – RE no STF, tendo sido, ambos, inaadmitidos em 24/8/2006. Contudo, em 2/6/2009 foi reconhecido, pelo STF, a repercussão geral da controvérsia objeto da lide, motivo pelo qual o processo restou sobrestado, estando pendente de decisão definitiva. Assim, o crédito não estaria com exigibilidade suspensa, pois a sentença foi favorável à Fazenda Nacional e o recurso em Mandado de Segurança não possui efeito suspensivo. O contribuinte realizou depósitos judiciais da contribuição discutida em Juízo em relação a algumas competências. Contudo, em relação às competências consideradas na autuação não foram realizados os depósitos em montante integral conforme consta do REFISC, e diante dessas circunstâncias a fiscalização entendeu que não houve suspensão da exigibilidade do crédito, conforme o que dispõe o CTN, artigo 151, inciso II. A penalidade aplicada considerou as modificações levadas e efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as GFIP referentes às competências até 11/2008 tendo efetuado o comparativo das multas aplicáveis antes e após as modificações introduzidas com referida MP, com vistas a aplicar a multa mais favorável ao contribuinte, em atenção ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II (conforme quadro à fl. 9). Concluiuse, conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal, que a multa menos severa ao contribuinte, nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008, é a apurada de acordo com a legislação antes das modificações MP nº 449/2008. Assim, de acordo com as informações do relatório fiscal, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 169.797,60, calculada de acordo com a Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º, combinado com Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10380.723237/201231 Acórdão n.º 2402006.759 S2C4T2 Fl. 280 3 Relatório com o detalhamento dos depósitos judiciais/extrajudiciais realizados, que contém dentre outras informações a data de realização do depósito, a competência a que se refere e o valor depositado (fl. 12). Cópia das Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais relativos à competência 09/2008 e 11/2008 (fls. 13/14). O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 21/3/2012, conforme assinatura à fl. 3 e apresentou impugnação (fls. 129/144) no dia 20/4/2012, conforme carimbo de protocolo à fl. 129. Alegou que os depósitos impediriam o lançamento, que o tributo cobrado é ilegal, apresentando questões relacionadas as discussões judiciais relatadas. Acórdão recorrido, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e o recurso voluntário interposto articulando essencialmente os mesmos argumentos já registrados por ordem da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Tratase de lançamento por descumprimento de obrigações acessórias CFL68, eis que a Recorrente deixou de declarar em GFIP nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008. Ocorre que a obrigação previdenciária principal estava lastreada no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência do dispositivo à época dos fatos e por ausência de comprovação de realização, nos autos da ação judicial, de deposito do montante integral do devido relativo as competências em foco. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição Fl. 281DF CARF MF 4 previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A inconstitucionalidade foi declarada sem modulação dos efeitos, com tal premissa seus efeitos retroagem a origem, não subsistindo obrigação alguma tendo por base norma retirada do ordenamento jurídico, o que, neste caso abrange as obrigações principais e seus reflexos, razão pela qual votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10380.723237/201231 Acórdão n.º 2402006.759 S2C4T2 Fl. 281 5 Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito darlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.903844/2013-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1001-000.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 38 44 /2 01 3- 18 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/15, de n. 33897.01904.230410.1.3.046021, de 23/04/2010, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos indevidos de IRPJ (PA 30/09/2003). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 057844021 de 02/08/2013 (efl. 08), que analisou as informações e concluiu que o crédito estava integralmente utilizado, bem como determinou a não homologação da DCOMP em análise. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 0374.893 4ª Turma da DRJ/BSB, efls. 37/42). Pela precisão na descrição dos fatos seguintes, reproduzo a seguir o Relatório constante do Acórdão da DRJ: Cientificado dessa decisão, bem como da cobrança do débito confessado na DCOMP, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, acrescida de documentação anexa, onde alega, em síntese, o seguinte: Teria postulado a compensação após constatar divergência entre o valor de IRPJ informado em DIPJ e DCTF; Os documentos não estariam mais disponíveis, pois o procedimento adotado pela contabilidade da empresa seguiria os ditames do artigo 195 do CTN; A declaração de compensação teria ocorrido em 2010 e apenas três anos após teria sido emitido o despacho decisório, o que estaria em desacordo com o artigo 49 da Lei nº 9.784/99, bem como no disposto no artigo 24 da Lei nº 11.457/07. É o relatório. A decisão de primeira instância julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contribuinte não trouxe aos autos as provas sobre a inexigibilidade do crédito e rebateu as questões de direito postas sobre a guarda de documentos e prazo para emissão do despacho decisório. Cientificada da decisão de primeira instância em 07/06/2017 (efl. 48) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 05/07/2017 (efl. 50), em que afirma que já anexou os documentos comprobatórios (DARF) de seu crédito e reclama que o processo administrativo deve seguir o due process of Law e o contraditório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Desta forma faziase necessário verificar na decisão de primeira instância a exatidão das informações referentes ao crédito alegado e confrontar com Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10830.903844/201318 Acórdão n.º 1001000.892 S1C0T1 Fl. 79 3 análise da situação fática, de modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Mas o pedido de restituição de crédito não foi acompanhado (quando da apresentação da manifestação de inconformidade) dos atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Destaquei) Desta forma, com base no artigo art. 170 do CTN e art. 74 da lei 9.430/96 o pedido de restituição/compensação cujo crédito não foi comprovado foi indeferido. No mesmo sentido, assim ficou consolidado no Parecer COSIT n. 2/2015: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.(Destaquei) Observo que nem para esta segunda instância o recorrente pretende trazer os documentos contábeis que comprovariam, segundo alega, seu crédito. Assim, no caso em tela, o efeito legal da omissão do Sujeito Passivo em trazer na manifestação de inconformidade e/ou antes da decisão de primeiro grau todos os argumentos contra a não homologação do pedido de compensação e juntar os documentos hábeis a comprovar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, é o indeferimento do pleito. Por fim, haveria nulidade (art. 59, II do Decreto 70235/72) se tivesse havido preterição do direito de defesa na fase processual, ou seja, após instaurado o litígio (fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária). A respeito há que se ressaltar que não vislumbramos caracterizada a hipótese de nulidade por preterição do direito de defesa porque as fases do contencioso foram todas cumpridas, razão pela qual o próprio contribuinte trouxe à discussão os argumentos de defesa. Pelo exposto, voto por em rejeitar a preliminar suscitada e negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 80DF CARF MF 4 Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.690784/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão da ausência de comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu, em síntese, o apensamento de outros 22 processos correlacionados (mesma origem e fundamento do crédito), a conversão do julgamento em diligência e/ou perícia técnica (verdade material) e a homologação da compensação, alegando (i) ausência de intimação prévia à análise da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 90 78 4/ 20 09 -9 6 Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 3 2 declaração de compensação, (ii) a ocorrência de erros materiais em suas declarações (CFOP) e (iii) tributação indevida de receitas decorrentes de operações de vendas destinadas ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (não incidência das contribuições) e empresas comerciais fabricantes (erro na aplicação de alíquotas). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação do crédito pleiteado, e indeferiu o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação ou a realização de perícia/diligência. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu a reforma da decisão de piso, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.979, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.690781/200952, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.979): O Recurso Voluntário interposto diante da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1632.897 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário objetiva reformar a decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/07/2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação não homologada a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 4 3 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. PEDIDO DE PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. Indeferese o pedido de apresentação de provas após o prazo da Impugnação, ou a realização de perícia e diligência, quando não são atendidas as exigências contidas na norma de regência do contencioso administrativo fiscal vigente à época da Impugnação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo tem como questão central a discussão acerca de pedido de ressarcimento e compensação (PER/DCOMP) no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007. O Contribuinte alega que fez recolhimento indevido por intermédio de DARF e requer com o ressarcimento desse crédito a quitação de débitos. O entendimento da administração administrativa fiscal foi no sentido de não homologar a compensação por constatar que inexiste crédito declarado pelo Contribuinte. Diante de 22 (vinte e dois) PER/DCOMP, com o mesmo direito creditório discutido, instauraramse vinte e dois processos administrativos que possuem a seguinte numeração: 10880.690.786/200985, 10880.690.781/200952, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.915.257/200908, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.925.615/200982, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976, 10880.690.799/200954 e 10880.925.616 7/200927. No primeiro ponto do Recurso Voluntário o Contribuinte requer, como já o fez quando da interposição da Manifestação de Inconformidade, a conversão do julgamento em diligência para que fosse apensado todos os processos administrativos acima relacionados. Constatase que o presente processo, na condição de processo paradigma, contempla outros 11 (onze) processos com a seguinte numeração: 10880.690782/200905, 10880.690783/200941, 10880.690784/200996, 10880.690785/200931, 10880.690787/200920, 10880.690788/200974, 10880.690789/200919, 10880.690790/200943, 10880.690792/200932, 10880.690793/200987 e 10880.690794/200921. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 5 4 Entendo necessária a juntada ao presente processo paradigma dos processos nºs 10880.690786/200985, 10880.690796/200911, 10880.690797/200965, , 10880.690798/200918, 10880.690791/200998, 10880.690795/200976, 10880.690799/200954 para que sejam julgados conjuntamente. Saliento que os processos nºs 10880.915257/200908, 10880.925615/2009 82 e 10880.925616/200927 já foram julgados nos acórdãos nºs 3802001.986, 3802001.987 e 3802001.997, respectivamente, em que se negou provimento ao recurso do Contribuinte. Alega também o Contribuinte, que cometeu erro na apuração de débitos de PIS e COFINS, no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, pois incluiu nas receitas decorrentes de operações de venda destinadas (i) ao exterior por meio de empresa comercial exportadora (exportação indireta) e (ii) a empresas comerciais fabricantes. No primeiro caso, o Contribuinte alega que informou erroneamente o Código Fiscal de Operações e de Prestações (CFOP) nas notas fiscais de saída a rubrica 5101 – “venda de produção do estabelecimento”, sendo que o correto, no seu entendimento, seria a rubrica 5501 – “remessa de produção do estabelecimento com o fim específico de exportação”. Esse alegado equívoco resultou na incidência da tributação sobre as receitas, sendo que nas operações de exportação indireta não incidiria PIS e COFINS, de acordo com o art. 5º, III, da Lei nº 10.637/2002 e art. 6º, III da Lei nº 10.833/2003, com isso, passou a deter crédito objeto de PER/DCOMP. No segundo caso, o direito creditório decorre das vendas efetuadas às empresas Rassini e Magnet Marelli, empresas comerciais fabricantes, com alíquotas comuns de 1,65% e 7,6% de PIS e COFINS respectivamente e não as alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8% que se aplicam às vendas para empresas comerciais atacadistas ou varejistas de acordo com o que dispõe o art. 3º, I e II da Lei nº 10.485/2002. Sustenta ainda o Contribuinte, que demonstrou o alegado por intermédio de planilhas sintéticas e analíticas acostadas aos autos e requer, em nome da verdade material, a conversão do julgamento em diligência ou designação de perícia técnica, com a devida indicação da perita contadora Sra. Sônia Regina Senhorini Rodrigues, para que se possa apurar o equívoco cometido, bem como, a existência do crédito. Assim consta do recurso (fls. 611 e seguintes): Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 6 5 (...) Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 7 6 (...) (...) (...) Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 8 7 Considerando o princípio da verdade material, o Contribuinte requer em seu recurso que se promova diligência que contemple os seguintes quesitos: Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 9 8 Com este pedido de diligência formulado pelo Contribuinte, e lembrando do pedido acerca da reunião dos demais processos, cabe salientar que no Processo nº 10880.690796/200911, processo principal, bem como em mais 8 processos, foi convertido o julgamento em diligência. Com isso considerado voto, por converter o julgamento em diligência para que a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne o presente processo (nº 10880.690781/200952), bem como os processos nºs. 10880.690.786/200985, 10880.690.782/200905, 10880.690.784/200996, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690.783/200941, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, ao CARF, distribuídos ao presente conselheiro relator prevento, para que sejam julgados em conjunto. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem apure a liquidez e certeza do crédito pleiteado; Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.690784/200996 Resolução nº 3301000.982 S3C3T1 Fl. 10 9 b) seja intimado o Contribuinte a se manifestar em 30 dias após a realização da diligência; c) que retorne ao CARF o presente processo (nº 10880.690.784/200996), bem como os processos nºs. 10880.690781/200952, 10880.690.786/200985, 10880.690.783/2009 41, 10880.690.785/200931, 10880.690.787/200920, 10880.690.788/200974, 10880.690.789/200919, 10880.690782/200905, 10880.690.790/200943, 10880.690.794/200921, 10880.690.796/200911, 10880.690.793/200987, 10880.690.797/200965, 10880.690.792/200932, 10880.690.798/200918, 10880.690.791/200998, 10880.690.795/200976 e, 10880.690.799/200954, para que sejam julgados em conjunto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721143/2012-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA.
O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91.
O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual.
Numero da decisão: 9202-007.277
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada).
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PAGAMENTO A PROFISSIONAIS DE SAÚDE. MÉDICOS E DENTISTAS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EXIGÊNCIA OBRIGATÓRIA. O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços, a utilização dos serviços submetidos ao controle da recorrente, com a possibilidade de glosa caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, capaz de ensejar o lançamento de contrições previdenciárias na qualidade de contribuinte individual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Nos termos do art. 58, §5º, do Anexo II do RICARF, a conselheira Ana Paula Fernandes não votou quanto ao conhecimento e mérito, por se tratar de questão já votada pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada) na reunião anterior. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 43 /2 01 2- 17 Fl. 4207DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada). Relatório Tratase de Auto de Infração, DEBCAD 37.327.2928, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados contribuintes individuais, a cargo da empresa, destinadas ao financiamento da Seguridade Social, no período de 01/2008 a 12/2008. No relatório fiscal de fls. 60/69 a fiscalização informou, em síntese, que: apurou, através da análise das DIRF, folhas de pagamento e GFIP que o contribuinte não incluiu na base de cálculo das contribuições, as remunerações pagas a determinados mediante intimação, solicitou ao contribuinte que prestasse esclarecimentos acerca da natureza dos pagamentos realizados, bem como da razão para não declararem em GFIP, nem incluírem na base de cálculo da contribuição previdenciária, obtendo como resposta a explicação de que os serviços médicos e odontológicos eram prestados diretamente ao beneficiário, sendo apenas um agente pagador dos profissionais credenciados. Quanto aos demais prestadores de serviços não apresentou qualquer explicação para a falta de declaração em GFIP e inclusão na base de cálculo; os serviços prestados pelos profissionais da área da saúde para a empresa consistem na vantagem remuneratória oferecida aos beneficiários e revertida em prol da contratante, através da mão de obra de melhor qualidade, mais satisfeita e produtiva; através da análise do Manual de Operação da AMS é possível concluir que a empresa não é meramente um agente pagador por conta e ordem de seus beneficiários, mas a gestora do plano de saúde; a prestação de serviços médicos obviamente sempre terá como destinatário final a pessoa, mas não significa que não possa ser prestado à pessoa jurídica, ou tornaria letra morta a previsão legal do artigo 22, III da Lei 8.212/91; os valores pagos foram contabilizados como despesas operacionais dedutíveis e houve retenção de IRRF dos profissionais que prestaram os serviços, o que contradiz a informação de que não recebeu a prestação dos serviços. No caso de terem sido prestados aos beneficiários, deveria ter contabilizado as despesas como remuneração dos empregados e descontado destes o IRRF; Fl. 4208DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 3 3 em relação aos prestadores de serviço não pertencentes à área da saúde a empresa, embora intimada, não apresentou qualquer consideração; relacionou nos anexos 2 e 3 os prestadores de serviços, com base nas informações prestadas pela empresa em resposta aos TIF 2, 3 e 4; realizou a comparação das multas para aplicar a mais benéfica, considerando as alterações decorrentes da MP 449/08, de maneira que aplicou multa de ofício no percentual de 75 % na competência 12/2008 e o percentual de 24% nas demais competências, conforme explicitado no relatório fiscal. O autuado apresentou impugnação, tendo Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 09/12/2015, foi negado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2401003.967 (fls. 3.930/3.937), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PLANO DE SAÚDE. MÉDICOS CREDENCIADOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA O pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. O credenciamento acompanhado da remuneração pela prestação de serviços caracteriza a existência de relação jurídica entre os prestadores e a recorrente, mormente quando a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações, inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Assim, o vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a contratante dos serviços e secundariamente com o empregado, beneficiário. ALEGAÇÃO DE VÍCIO NO LANÇAMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO OU DEMONSTRAÇÃO. Fl. 4209DF CARF MF 4 A teor do que dispõe o artigo 16, III do Decreto 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sendo assim, não é admissível a argumentação genérica, sem que a recorrente aponte, sequer, um caso, ou apresente uma prova do que está alegando. Recurso Voluntário Negado Cientificado em 29/03/2016, o contribuinte opôs, em 04/04/2016, portanto, tempestivamente, Embargos de Declaração (fls. 4.001/4.008) que foram rejeitados pelo Despacho nº 2401033, de 26/04/2016, da 1ª TO da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 4.053/4.054) e pelo Despacho de Saneamento s/nº, da 4ª Câmara, de 15/06/2016 (fls. 4.063/4.065). O sujeito passivo foi cientificado da decisão denegatória dos embargos opostos, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) em 06/06/2016 (fls. 4.061), e apresentou tempestivamente, em 20/06/2016 (Termo de Solicitação de Juntada às fls. 4.066), Recurso Especial (fls. 4.067 a 4.097). Registrase, por oportuno, que existe despacho da Demac/RJ (fls. 4.179) informando que após ciência do despacho de admissibilidade dos embargos opostos, houve saneamento do referido despacho, para correção de vício formal, tendo o contribuinte tomado ciência (fls. 4.176) do novo despacho, em 24/06/2016, e não apresentado outro Recurso Especial. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 4ª Câmara, de 14/02/2017 (fls. 4.180/4.188), considerados os acordos nsº 9202002.246 e 2402004.873. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido, reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, §9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91. Da não ocorrência do fato gerador. · Argumenta que ao analisar a norma legal utilizada (Lei nª 8.212/91, art. 22) pelo agente fiscal para imputar o auto de infração à recorrente, verificase a preocupação do legislador pátrio ao definir claramente qual a hipótese de incidência tributária, designando a imposição da contribuição previdenciária quando efetivamente ocorrer o fato gerador e o seu real sujeito passivo. · Diz que a questão semântica é essencial para a obtenção do critério material da regramatriz de incidência, que consiste no verbo “prestar”, acrescido do complemento “serviços”, não sendo correta qualquer interpretação que inclua como sujeito passivo aquele que não tenha recebido aludidos serviços; e somente ocorrendo o fato previsto na norma é que esta incidirá sobre ele, produzindo efeitos jurídicos e impondo ao sujeito passivo a obrigação de recolher o tributo. Fl. 4210DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 4 5 · Alega que se existe essa definição legal, não pode a Administração Tributária fugir desse princípio (o da legalidade), sendo vedado à fiscalização estender o alcance que o texto legal consigna, alterando o sujeito passivo por interpretar os dispositivos legais em dissonância com a amplitude que possuem, com o único fito de fazer recair a exação sobre quem a ei não definiu como responsável. · Afirma ser necessário, então, apurar a existência de casualidade jurídica entre o evento ocorrido e a norma, o que irá consubstanciar o fato tributário, quando somente a partir de então passará a existir a obrigação tributária; e sendo assim, não pode a exação ter alcance distinto daquilo expressamente previsto, mostrandose evidente, então, que a Recorrente não é a efetiva tomadora de serviços médicos, clínicos e odontológicos, pois os serviços foram (e são) prestados diretamente aos seus empregados, aposentados e pensionistas, beneficiários da AMS. · Acrescenta que o fato da recorrente manter um benefício trabalhista não basta para ela ser equiparada àquela a quem os serviços são efetivamente prestados, sendo vedado pelo art. 110 do CTN mudar conceitos do direito privado, verbis: “Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias.” · Verifica que a hipótese de incidência tributária, adotandose como parâmetro a Lei nº 8.212/91 para elaborar a regramatriz, tem como critério material o núcleo da descrição fática (“prestar” + “serviços”); como critério espacial, considerando que o tributo é de competência da União, que o mesmo está delimitado em todo o território nacional; e como critério temporal, o mês de competência em que os contribuintes individuais prestarem seus serviços (antecedente); como critério pessoal, os sujeitos ativo (União Federal) e passivo (“o empregador, a empresa ou entidade a ela equiparada”), conforme definido na CF/88, art. 195, I, a quem os “segurados contribuintes individuais prestam serviços; como critérios quantitativos, a base de cálculo, que é a grandeza correspondente aos serviços prestados, e alíquota de 15% ou 20% sobre tais remunerações (consequente); e dai conclui que a recorrente não participa de qualquer etapa ou mantém relação, sequer, de dever instrumental (Obrigação acessória), pois não é ela, PETROBRÁS, que recebe os serviços prestados. Da Lei dos Planos de Saúde – Lei nº 9.656/98. Do efetivo tomador de serviços. Traz os arts. 196, 197 e 199 da CF/88 que dispôs que: Fl. 4211DF CARF MF 6 Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Art. 197. São de relevância pública as ações de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou através de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado. Art. 199. A assistência à saúde é livre à iniciativa privada. · Alega que a obrigação de prestar serviços de saúde incube ao Estado, ainda que esse serviço seja prestado pela iniciativa privada de forma complementar assim como a recorrente, através da AMS, de forma supletiva, substitui o Estado na prestação desses serviços; e que assim, então, surgiu a necessidade de regular esse segmento e foi editada a Lei nº 9.656/98, posteriormente alterada pela MP 2.17744, de 24 de agosto de 2001, que estipulou as definições legais e traçou as diretrizes do setor. · Argumenta que para efeitos de abrangência das coberturas contratuais, a referida Lei equiparou as denominadas autogestões de saúde às operadoras de seguros privados de assistência à saúde, consoante o disposto no art. 1º, verbis: Art. 1º. Submetemse às disposições desta Lei as pessoas jurídicas de direito privado que operam planos ou seguros privados de assistência à saúde, sem prejuízo do cumprimento da legislação específica que rege a sua atividade, adotandose, para fins de aplicação das normas aqui estabelecidas, as seguintes definições: I – Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não da rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; II – Operadora de Plano de Assistência à Saúde: pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I deste artigo; · Salienta que a Lei dos Planos de Saúde definiu expressamente por conta e ordem de quem são tomados esses serviços, o que impede a fiscalização do INSS de ampliar a interpretação, de acordo com o art. 110 do CTN e afirma que, ou ocorre o fato previsto hipoteticamente no antecedente e, nesse caso, subsumese ela à norma positivada que Fl. 4212DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 5 7 lhe faz incidir os respectivos efeitos, ou, como no presente caso, em que os serviços não lhe são prestados, não há fato gerador a irradiar efeitos sobre a hipótese. · Diz que não se sustenta o argumento levantado pelo Fisco de que é a recorrente que realiza os pagamentos aos profissionais, clínicas etc, pois ao contrário da legislação do imposto de renda, que obriga ao recolhimento aquele que paga os honorários, na condição de substituto tributário, não existe na legislação previdenciária norma nesse sentido. · Conclui que não havendo descrição legislativa hipotética para esse tipo de serviço, se estará diante apenas de um evento, sem qualquer consequência jurídica, por não haver subsunção do fato à norma, o que afasta a obrigatoriedade tanto de reter, quanto de recolher/pagar o tributo. Dos procedimentos administrativos adotados pela recorrente em relação à questão do credenciamento e da contabilização dos pagamentos realizados. · Afirma que, ao contrário do que consta nos autos, a recorrente não é beneficiária dos serviços prestados pelos diversos prestadores de serviços de saúde que atuam no âmbito da AMS, sendo que a PETROBRÁS apenas disponibiliza as informações sobre a existência dos profissionais, clínicas, hospitais etc, dentro de determinadas regiões, para que, a critério dos beneficiários, estes possam recorrer àqueles; ou seja, o credenciamento em questão é mero procedimento administrativo, necessário para atingir a satisfação dos beneficiários, bem como para a melhor operacionalização do sistema. · Alega que são três as formas com que os profissionais, hospitais, clínicas etc podem se tornar “integrantes da rede credenciada”, de acordo com o inciso I, art. 1º, da Lei nº 9.656/98, que são credenciamento (modo pela qual a recorrente optou), contratação e referência; e que no credenciamento, acontece uma “habilitação” do prestador de saúde, pessoa física ou jurídica, que, dada suas qualificações, obtém uma “credencial” tornandoo apto a atender aos beneficiários da AMS. · Argumenta que, não obstante as regras legais até aqui expostas, que afastam a obrigatoriedade do recolhimento das contribuições sociais lançadas, por conta da desvinculação da base legal ao conceito de autônomo/contribuinte individual, verificase também que o §9º, inciso XVI, art. 214, do Decreto nº 3.048/99, prevê a não incidência da contribuição, verbis: Art. 214. (...) Parágrafo 9º. Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 4213DF CARF MF 8 (...) XVI – o valor à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou com ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. · Registra, ainda, a forma como a recorrente lança os registros contábeis dos pagamentos efetuados aos profissionais, hospitais, clínicas etc corroborando a afirmação de que eles são feitos a conta e ordem dos beneficiários da AMS: são lançados na rubrica “despesas de pessoal/encargos sociais e trabalhistas – AMS Empregados”, o que não deixa dúvida quanto a nãoincidência da Contribuição Previdenciária, por força expressa de lei, como se denota no disposto na Consolidação das Leis do Trabalho – CLT: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuários ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (...) §2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão considerados como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (...) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; Dos demais prestadores de serviço. · Afirma que no que concerne aos prestadores de serviços declarados no Anexo 3 da DIRF, sob o código 0588, a autuação também merece ser declarada insubsistente, uma vez que a recorrente apurou que pelo menos 603 prestadores de serviços apontados no AI tiveram seus pagamentos devidamente declarados na GFIP, e que, além disso, vários prestadores de serviço que tiveram valores divergentes entre os declarados em DIRF e GFIP são, na verdade, transportadores autônomos, circunstância que faz reduzir a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do §4º, do art. 201, do Decreto nº 3.048/99 · Por fim, traz inúmeras jurisprudências dos Tribunais sobre a questão assentando que não incide contribuição previdenciária sobre os valores atinentes a planos de saúde concedidos aos empregados. O processo, então, foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 16/03/2017, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. Fl. 4214DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 6 9 A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 22/03/2017, contrarrazões (fls. 4.189/4.199). · Em suas contrarrazões, a Fazenda Nacional observa que a Constituição Federal (CF/88) dá os contornos da base de cálculo das contribuições previdenciárias, em seu art. 201, § 4º c/c art. 195, inc. I: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; · Salienta que, segundo a norma constitucional supra, a contribuição do empregador incide não somente sobre folha de salários, mas também sobre os demais rendimentos pagos a qualquer título à pessoa física que lhe preste serviço. · Cita também a Lei nº 8.212/91, que instituiu o Plano de Custeio da Previdência Social, regulou o disposto na Carta Magna, determinando que são contribuintes individuais as pessoas prestadoras de serviços de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; bem como que a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa será de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados contribuintes individuais, nos termos do art. 12, inc. V, “g” c/c art. 22, inc. III. · Ressalta que, no caso em exame, a autuada atua na qualidade de operadora de programa de assistência à saúde, na modalidade de autogestão, conforme Manual de Operação da AMS1, e efetua pagamentos a profissionais da área de saúde, enquadrados como contribuintes individuais, quando ocorre atendimento a seus beneficiários. · Lembra que a AMS se trata de ente sem personalidade jurídica, conforme art. 34 da Lei 9.656/98 ("Art. 34. As entidades que executam outras atividades além das abrangidas por esta Lei deverão, na forma e prazo definidos pela ANS, constituir pessoas jurídicas independentes, com ou sem fins lucrativos, especificamente para operar planos privados de assistência à saúde, na forma da legislação em vigor e em especial desta Lei e de seus regulamentos. Parágrafo único. A obrigatoriedade prevista neste artigo não alcança as operadoras que atuem Fl. 4215DF CARF MF 10 exclusivamente em atividades relacionadas ao setor de saúde e às operadoras enquadradas no segmento de autogestão patrocinada, na forma disciplinada pela ANS”). · Afirma que os referidos profissionais são previamente selecionados pela empresa operadora, que os credencia através de procedimento por ela definido e os remunera, na forma estabelecida pela empresa no Manual de Operação da AMS apresentado pela recorrente, que disciplina a prestação de serviço no âmbito da Assistência Multidisciplinar de Saúde (AMS). · Afirma que, ainda que o médico preste, do ponto de vista material, serviço ao cliente, e, portanto, ao beneficiário da operadora do plano assistencial, ele está, simultaneamente, do ponto de vista jurídico, prestando um serviço à empresa operadora, na medida em que sem o trabalho por ele realizado não pode a mesma desincumbirse da obrigação assumida; e assim, os serviços prestados pelos profissionais credenciados assumem papel fundamental, condicionando à própria existência ou funcionamento regular do sistema privado de assistência à saúde, criado e operado pela recorrente, não podendo ser tida como “terceiro”. · Conclui que o médico e o odontólogo prestam, sim, serviço à empresa, qual seja, de disponibilizar atendimento médico/odontológico aos seus clientes; e tanto é assim, que assinam contrato de convênio ou credenciamento, e o serviço (de atendimento), posteriormente prestado ao beneficiado, é remunerado conforme a tabela previamente estipulada pelo plano de saúde ou pela seguradora, e não pelo médico (como ocorreria se o serviço fosse prestado diretamente ao paciente, sem a cobertura de um plano de saúde). · Acrescenta ainda que, se o segurado, em determinado período, deixe de pagar o valor para o programa de assistência à saúde, a obrigação da empresa com o médico, de lhe remunerar pelo atendimento já prestado ao segurado, subsiste; e mais, caso o médico não receba sua remuneração, ele não irá cobrála do paciente, mas da seguradora/operacionalizadora do plano de saúde. Ressalta que, se realmente houvesse intermediação no caso, não deveria o segurado pagar qualquer valor nos meses em que não usufruísse do plano de saúde, pois não haveria intermediação nesses meses, o que, todavia, não corresponde à lógica das empresas operadoras de planos de saúde, que lidam com a álea e cobram mensalmente as prestações de seus segurados – sob pena de estes ficarem desamparados da cobertura securitária – independentemente da efetiva utilização do plano em um dado mês3. · Finalmente, ressalta que discussão semelhante à travada no presente feito já foi objeto de solução de controvérsia envolvendo o Banco Central do Brasil (Bacen) e a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), culminando com a elaboração do Parecer AGU/SRG nº 01/08, sem força vinculativa, mas que se adota também como fundamentação, do qual se extrai o seguinte: Fl. 4216DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 7 11 “38. Com efeito, a primeira observação a ser produzida deve estar vinculada à regra legal a ser observada para aferir a caracterização, ou não, da obrigação tributária. 39. Na redação originária do art. 22, da Lei nº 8.212/91, já havia a previsão de pagamento de contribuição previdenciária – cota patronal –, por parte de pessoa jurídica – empresa –, diante da remuneração auferida por trabalhadores autônomos que lhe prestassem serviço: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (Vide Lei nº 9.317, de 1996) I 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, empresários, trabalhadores avulsos e autônomos que lhe prestem serviços; 40. Com as alterações normativas, houve detalhamento da disciplina, já imposta e a elevação da correspondente alíquota, de quinze para vinte por cento, esta diante do advento da Lei Complementar nº 84, de 18 de janeiro de 1996. 41. Atualmente, a regra contempla os seguintes termos – com a redação alterada pela Lei nº 9.876, de 26.11.99: ‘Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços’; 42. A incidência da mencionada disciplina ao Banco Central do Brasil decorre da configuração da condição de empresa, para os termos fiscais, responsável pelo pagamento dos trabalhadores autônomos que lhe prestam serviço decorrentes de estarem credenciados para o atendimento de saúde vinculado ao PASBC. 43. Não é possível sustentar o argumento de que ocorre indevida aplicação do art. 108, do Código Tributário Nacional, pois não se está a interpretar para exigência de tributo não previsto em lei: a uma, a contribuição previdenciária cogitada detém previsão legal; a duas, a aplicabilidade ao Banco Central está no fato de que é este a pessoa jurídica que promove o pagamento da remuneração dos trabalhadores autônomos que atendem as necessidades do PASBC, conceituado como ‘empresa’, por estrita previsão legal – art. 15, da Lei nº 8212/91 e não por interpretação ampliativa da legislação de regência”. (destaques lançados) · Em relação ao que alegou a recorrente de que sua tese fora acatada pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, conforme Acórdão 9202002.246, na Sessão de Agosto de 2012, que declarou a não incidência das contribuições previdenciárias sobre as Fl. 4217DF CARF MF 12 remunerações pagas aos contribuintes individuais – profissionais da área médica e odontológica, tendo como contribuinte também a PETROBRÁS, afirma que não foi verdadeiramente submetida à CSRF a questão de mérito acerca da incidência das contribuições, mas tão somente firmado que o citado Parecer AGU SRG 01/08 não possui força vinculativa, pois não foi aprovado pelo Presidente da República. · Diz que, como o único fundamento para a maioria do Colegiado a quo para manter o lançamento fiscal foi o Parecer AGU/SRG nº 01/2008, pela crença de seu efeito vinculante, a 2ª Turma da CSRF deu provimento ao recurso da PETROBRÁS, tendo em vista o efeito não vinculante do citado parecer, prevalecendo conclusão pela improcedência do lançamento da maioria do colegiado a quo. · Conclui, assim, que a questão de mérito, qual seja, incidência das contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas pela prestação de serviços médicos e odontológicos por contribuinte individuais não foi analisada pela CSRF e, mesmo na inexistência do dito parecer da AGU, o lançamento fiscal se encontra respaldado pela Lei n° 8212/91. Traz também várias jurisprudências no sentido de que incide sim a contribuição previdenciária discutida no caso. É o relatório. Fl. 4218DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 8 13 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Contribuinte Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 4180. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito De forma objetiva a delimitação da lide, conforme consta do despacho de admissibilidade, cingese a incidência de contribuições previdenciárias em relação aos pagamentos feitos pela recorrente a médicos e odontológicos na qualidade de contribuintes individuais. No relatório fiscal de fls. 60/69 a fiscalização informou, em síntese, que: apurou, através da análise das DIRF, folhas de pagamento e GFIP que o contribuinte não incluiu na base de cálculo das contribuições, as remunerações pagas a determinados mediante intimação, solicitou ao contribuinte que prestasse esclarecimentos acerca da natureza dos pagamentos realizados, bem como da razão para não declararem em GFIP, nem incluírem na base de cálculo da contribuição previdenciária, obtendo como resposta a explicação de que os serviços médicos e odontológicos eram prestados diretamente ao beneficiário, sendo apenas um agente pagador dos profissionais credenciados. Quanto aos demais prestadores de serviços não apresentou qualquer explicação para a falta de declaração em GFIP e inclusão na base de cálculo; os serviços prestados pelos profissionais da área da saúde para a empresa consistem na vantagem remuneratória oferecida aos beneficiários e revertida em prol da contratante, através da mão de obra de melhor qualidade, mais satisfeita e produtiva; através da análise do Manual de Operação da AMS é possível concluir que a empresa não é meramente um agente pagador por conta e ordem de seus beneficiários, mas a gestora do plano de saúde; a prestação de serviços médicos obviamente sempre terá como destinatário final a pessoa, mas não significa que não possa ser prestado à pessoa jurídica, ou tornaria letra morta a previsão legal do artigo 22, III da Lei 8.212/91; os valores pagos foram contabilizados como despesas operacionais dedutíveis e houve retenção de IRRF dos profissionais que prestaram os serviços, o que contradiz a informação de que não recebeu a prestação dos Fl. 4219DF CARF MF 14 serviços. No caso de terem sido prestados aos beneficiários, deveria ter contabilizado as despesas como remuneração dos empregados e descontado destes o IRRF; em relação aos prestadores de serviço não pertencentes à área da saúde a empresa, embora intimada, não apresentou qualquer consideração; relacionou nos anexos 2 e 3 os prestadores de serviços, com base nas informações prestadas pela empresa em resposta aos TIF 2, 3 e 4; Por outro lado, apresentou o recorrente argumentos no sentido de inexistir prestação de serviços a PJ, mas apenas aos beneficiários diretamente, não devendo perdurar a incidência de contribuições previdenciárias, primeiro pela inexistência de prestação de serviços ou mesmo que estaria suprindo direcionamento constitucional de assegurar direito a saúde a todos. Contudo, não vejo como acatar seus argumentos de forma a desconstituir o lançamento, tendo em vista a expressa subssunção dos fatos narrados a norma previdenciária que determina a exigência de contribuições face a contratação de contribuintes individuais. Aliás, foi essa mesma linha de raciocínio a adotado pelo acórdão recorrido, ao qual concordo com os fundamentos, inclusive adotando como razões de decidir. AMS. Assistência Multidisciplinar de Saúde da Petrobrás. Aduz a recorrente que os pagamentos realizados aos profissionais de saúde credenciados na AMS –Assistência Multidisciplinar de Saúde da Petrobrás, feitos em decorrência de diversos e sucessivos Acordos Coletivos de Trabalho, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, pois os serviços, prestados exclusivamente aos beneficiários e reais tomadores dos serviços (empregados e seus dependentes), são escolhidos sem interferência da recorrente, não existindo, portanto, qualquer vínculo jurídico entre a Petrobrás e os profissionais de saúde. A recorrente apenas viabiliza e operacionaliza o sistema, fazendo as intermediações necessárias. Diferentemente do que alega, entendemos que o pagamento realizado aos profissionais de saúde está sujeito à incidência da contribuição previdenciária, com base no artigo 22, III da Lei nº 8.212/91, pois os serviços foram prestados por segurados contribuintes individuais à recorrente. Quando uma empresa contrata serviços, estes podem ser executados a ela diretamente, aos seus clientes ou aos seus colaboradores. Em todas essas situações, a empresa figura como contratante, como tomadora do serviço, embora possa haver um outro beneficiário (cliente ou colaborador). Para fins de custeio previdenciário, o que importa é que os serviços sejam contratados em benefício de seus interesses, de sua atividade. No caso, a recorrente credencia e remunera prestadores em benefício de seus trabalhadores. Estes, ao serem atendidos por quaisquer dos prestadores credenciados, beneficiamse de um serviço contratado, ofertado e remunerado pela recorrente. Há sim uma relação jurídica entre os prestadores e a recorrente. Ou Fl. 4220DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 9 15 não há acordo de vontade que gere direitos e obrigações recíprocos? A recorrente alega que apenas disponibiliza as informações sobre a existência dos profissionais, clínicas, hospitais, etc., dentro de determinadas regiões, para que, a critério dos beneficiários, estes possam recorrer àqueles. Assim, o credenciamento em questão seria mero procedimento administrativo. Ocorre que, como destacado pela autoridade fiscal, a recorrente não realiza mero cadastramento de profissionais, clínicas e hospitais, menos ainda, é simples agente pagador por conta e ordem de terceiros. O Manual de Operações da AMS demonstra que toda a estrutura normativa e operacional é gerida pela recorrente, que detém total controle e poder decisório quanto aos profissionais e hospitais que serão ou não credenciados, ou descredenciados, a qualquer tempo, à revelia da vontade dos empregados. Outrossim, a utilização dos serviços é submetida ao controle da recorrente, havendo submissão dos prestadores (credenciados) e empregados (beneficiários) ao preenchimento de documentos, formulários e autorizações em meio papel ou eletrônico, no portal da AMS http://tissweb.petrobras.com.br/tissweb/manual/manual_credenc iado.pdf), inclusive com a possibilidade de glosa de pagamentos. Ora, a mera atividade de credenciamento de prestadores e de repasse de pagamento não se coaduna com o arcabouço normativo e operacional, nem com este nível de ingerência na fruição dos serviços, menos ainda com a alegada autonomia dos beneficiários. Como destacado na decisão a quo: 12. Não se pode concordar com a tese de inexistência de relação jurídica contratual com os profissionais de saúde credenciados, pois ela surge no momento em que os profissionais e a Impugnante manifestam suas vontades, os primeiros, no sentido de prestarem atendimento na área da saúde (solicitando cadastramento), a segunda, no sentido de aceitar a prestação do serviço (admitindo o cadastramento). Os profissionais de saúde filiaramse ao programa da AMS, gerido pela Impugnante, PETROBRAS, e se submeteram às regras e valores por esta estabelecidos, independentemente de quem seja o beneficiário. 13. O vínculo jurídico é, em primeiro plano, com a Impugnante e secundariamente com o empregado, beneficiário. O profissional não diz que presta serviços para este ou aquele beneficiário, ele diz que é credenciado e presta serviços para a PETROBRAS, e exige desta, administrativa ou judicialmente os seus haveres. O vínculo com o beneficiário, diferentemente da Impugnante, encontrase no campo da responsabilidade civil, decorrente da sua atuação como promotor de saúde. Quanto à afirmação de que o pagamento dos serviços ocorreu por conta e ordem de terceiros, neste caso, os empregados, que, Fl. 4221DF CARF MF 16 supostamente, seriam os contratantes, cumpre ressaltar que o ACT 2007/2009, na cláusula 44ª, estabeleceu que o custeio das despesas com o programa AMS seria realizado com a participação financeira da recorrente na proporção de 70% dos gastos e 30% pelos beneficiários. Ademais, a própria recorrente contabilizou a sua participação como despesa operacional dedutível, o que evidencia que os pagamentos ocorreram por conta própria, ou seja, na condição de contratante dos serviços prestados. Os precedentes trazidos pela recorrente tratam da hipótese em que as operadoras de planos repassam valores aos profissionais médicos pelos serviços prestados aos seus clientes. No caso em tela, não se trata de mero repasse de valores, mas de pagamento por conta própria, em função dos serviços prestados pelos profissionais de saúde à recorrente, que, inclusive, transitaram por conta de resultado. Caso fossem meros repasses, transitariam em conta patrimonial transitória, exclusivamente para operacionalizar a intermediação e remessa de numerários do tomador para o prestador, o que, de fato, não ocorreu. Aponta ainda a recorrente que lançamento referente a período anterior, sobre o mesmo fato gerador, foi julgado improcedente pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (processo n° 35301.003300/200634). É preciso ressaltar, todavia, que a recorrente juntou apenas a certidão de julgamento do Recurso Especial, mas que da análise do acórdão constatase que os Conselheiros não adentraram na análise da matéria, apenas concordando que o Parecer AGU/SRG01/ 2008 não vinculava toda a Administração Pública por não ter sido aprovado pela Presidência da República (§ 1° do art. 40 da Lei Complementar n° 73/93), constando da própria ementa que “com relação ao mérito, embora a posição da maioria do Colegiado a quo tenha sido no sentido da improcedência do lançamento, mantevese a exigência exclusivamente em função do caráter vinculante do Parecer AGU/SRG n° 01/2008”, sendo que, “afastada tal premissa, adotada de forma equivocada, deve prevalecer a conclusão inicial, ou seja, a notificação fiscal de lançamento de débito é improcedente”. Ou seja, a Câmara Superior não adentrou na análise da incidência ou não de contribuições previdenciárias em casos como o presente. Demais prestadores. Alega a recorrente que dentre os prestadores identificados na DIRF e incluídos no lançamento, pelo menos 603 foram declarados em GFIP e vários outros são transportadores autônomos, o que ensejaria a redução da base de cálculo. A autoridade fiscal esclareceu que a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos acerca dos pagamentos realizados aos prestadores de serviços e, na ocasião, nada mencionou acerca dessas alegações. Em sua peça recursal, restringise a afirmar, sem qualquer comprovação, que parte dos contribuintes individuais já estavam declarados nas GFIP e vários outros eram transportadores. Não há nos autos sequer a especificação de quais deles deveriam ser retirados do lançamento ou mesmo a base de cálculo que deveria ser retificada. Fl. 4222DF CARF MF Processo nº 16682.721143/201217 Acórdão n.º 9202007.277 CSRFT2 Fl. 10 17 A teor do que dispõe o artigo 16, III do Decreto 70.235/72, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Sendo assim, não é admissível a argumentação genérica, sem que a recorrente aponte, sequer, um caso, ou apresente uma prova do que está alegando, de forma que se deve manter o lançamento inalterado, também, nesta questão. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Assim, como apreciado pelo acórdão recorrido a situação ora sob análise, embora tenham sido apresentados diversos argumentos pode ser resumida a possibilidade de incidência ou não de contribuição previdenciária sobre os pagamentos feitos pela recorrente a médicos e odontólogos. Vejamos os dispositivos que fundamentam o lançamento: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Conforme trazido no relatório fiscal, não há dúvida que os pagamentos foram efetuados pela recorrente, tendo inclusive os valores sido lançados como despesa em sua contabilidade e efetivado o correspondente IR, tendo sido a DIRF(código 0588) o instrumento que ensejou a identificação de pagamentos a trabalho sem vínculo de emprego e ensejou a solicitação de esclarecimentos. Ao contrário da interpretação adotada pelo sujeito passivo não vejo qualquer possibilidade de afastar a tributação, tendo em vista que resta demonstrado no presente caso, por meio do relatório fiscal a organização, credendiamento, pagamento dos profissionais postos a disposição dos seus empregados e colaboradores. Assim, como já explicitado no acórdão recorrido, o que ensejou o lançamento das contribuições previdenciárias, não foi a prestação de serviço diretamente a Petrobrás, mas o pagamento por parte desta a profissionais da área de saúde para pessoas a ela vinculados na condição de empregados ou colaboradores. Não há como considerar mera intermediação de pagamento, posto que o gerenciamento dos credenciadores dentre outras normas de modalidade de auto gestora acabam por ensejar elo entre a recorrente e os médicos credenciados. Aliás essas questões encontramse descritas no relatório fiscal em relação a criação do Programa de Assistência Multidisciplinar de Saúde AMS. NO termos do documento que define a estrutura de funcionamento do Programa AMS o Ao Órgão Normativo da AMS (RH/CO) cabe a gestão corporativa e a elaboração de políticas, diretrizes e normas do Programa, bem como o controle e auditoria das ações dos órgãos executores. De igual forma fica clara a gestão por parte da recorrente quando assim delimita: I CONDIÇÕES GERAIS PARA CREDENCIAMENTO 1.1 OS credenciamentos deverão ser processados levandose em conta que as características e condições da comunidade, bem como a clientela potencial, é que determinarão o número, Fl. 4223DF CARF MF 18 especialidade e outros aspectos relativos ao quadro de credenciados. 1.2 A inscrição dos profissionais e instituições e o respecitivo credenciamento poderão ser processados a qualquer época do ano, através dos órdãos credenciadores da AMS, levandose em conta as necessidades locais. 1.3 OS descredenciamentos poderão ser realizados quando for conveniente para a Companhia a qualquer tempo, levandose em consideração a legislação em vigor. Identificando o pagamento aos profissionais autônomos pagos por meio da Petrobrás, qual outro enquadramento poderseia vislumbrar sendo o pagamento efetuado pela autuada. OU seja, existe vínculo de prestação de serviços a beneficiários da autuada, pagos por ela, situações que se subssume a incidência de contribuição previdenciária na qualidade de contribuinte individual. Notese que não se pode argumentar o fato de que nos termos da legislação trabalhista (art. 458, §2º da CLT) o fornecimento de assistência médica não integra a remuneração, ou que o próprio decreto 3.048/99 (art. 214, §9º) exclui o valor da assistência médica do conceito de salário de contribuição. Na verdade, tratamse de contribuições distintas e fatos geradores distintos: No lançamento o fato gerador lançado é o pagamento a profissionais contribuintes individuais que restaram serviços aos beneficiários da autuada, enquanto que as duas normas citadas no parágrafo anterior descrevem a exclusão da base de cálculo do benefício fornecido, ou seja, a exclusão do valor do plano de saúde, reembolso de medicamentos do conceito de salário de contribuição dos beneficiários. TRatamse de fatos geradores distintos, sendo que em relação ao benefício concedido aos empregados não existe qualquer lançamento ora em discusão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do Contribuinte, por entender não existir qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido. Conclusão Face o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 4224DF CARF MF
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