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Numero do processo: 10880.971439/2016-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2015
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE.
Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado.
Numero da decisão: 3401-006.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. CRÉDITO UTILIZADO ANTERIORMENTE. Não é nulo, por ausência de fundamentação, o despacho decisório que deixar de homologar compensação por inexistência de crédito, quando este indicar os pagamentos aos quais o crédito pleiteado já foi anteriormente alocado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 14 39 /2 01 6- 80 Fl. 75DF CARF MF 2 (...) EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de decisões judiciais desfavoráveis à Fazenda Nacional proferidas em Recursos Extraordinários com Repercussão Geral (STF) ou em Recursos Especiais Repetitivos (STJ), a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) está vinculada à expressa manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. COMPENSAÇÃO. PEDIDO REPETIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não há de ser homologada declaração de compensação utilizando repetidamente o mesmo crédito, que já foi integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte. Ciente do acórdão de piso, a empresa protocolou Recurso Voluntário requerendo a reforma da decisão recorrida para declarar a nulidade do despacho decisório que deixou de homologar a compensação por ausência de motivação, pois a autoridade administrativa teria agido discricionariamente ao não indicar os pressupostos de fato e de direito que fundamentaram a decisão. Requer ainda não seja aplicada a multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que deixe de homologar a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.487, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.971455/201672. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.487): "Estáse diante de recurso que se insurge contra acórdão que manteve decisão denegatória de homologação de compensação. Não consta da matéria recorrida qualquer alegação acerca do mérito do direito creditório, mas tão somente a alegação de nulidade do despacho decisório por ausência de motivação e cerceamento do direito de defesa, além de requerimento no sentido de não ser aplicada multa isolada antes de proferida decisão administrativa definitiva acerca da compensação. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.971439/201680 Acórdão n.º 3401006.491 S3C4T1 Fl. 3 3 Verifico que o despacho decisório atacado trouxe em seu o teor a razão específica para que a compensação não fosse homologada, a ausência de crédito disponível. Indicou ainda os números dos PER/DCOMP’s relativos às compensações em que já haviam sido anteriormente alocados os mesmos créditos que a Recorrente agora pretendia levar à compensação. Ademais, estão indicados os dispositivos legais em que se baseou a decisão, de modo que não vislumbro a ausência de nenhum pressuposto de fato ou de direito que venha a impedir o perfeito conhecimento das razões em que se baseou a decisão. Ressalto que a Recorrente, ao longo do processo, silenciou absolutamente quanto ao fato de ter alocado o mesmo crédito repetidamente a várias compensações, limitandose a atacar o ato decisório com alegações genéricas de nulidade, apegandose a trechos do texto padrão constante do despacho decisório emitido de forma eletrônica, sem pronunciarse acerca tabela que indicou inexoravelmente a inexistência de crédito. Assim, tenho por incontroversos os fatos em que se basearam a negativa de homologação e entendo não merecer acolhida a alegação de nulidade. Consta ainda da peça recursal pedido no sentido de a Recorrente não seja sujeita à imposição da multa isolada prevista no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 antes de eventual decisão definitiva que venha a negar a compensação. Ora, trata se de matéria estranha aos autos, visto que deles não consta o lançamento da multa isolada de 50% prevista no §17 da Lei n° 9.430/1996, além de ser despiciendo o pedido ante à expressa previsão de suspensão da exigibilidade da multa nos casos de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme dicção do §18 do mesmo dispositivo. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 77DF CARF MF 4 Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.907574/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.135
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/2013-88. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestação.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência, para que a unidade de origem junte aos autos cópia da íntegra do processo administrativo n° 10380.720057/201388. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestação. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep Não Cumulativo – Exportação (art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002), relativo ao 4º. trimestre de 2004, no valor de R$ 21.214,04 (vinte e um mil, duzentos e quatorze reais e quatro centavos). Consta que o ressarcimento originase, quase em sua totalidade, na aquisição de bens e serviços utilizados como insumos no processo produtivo. Verificaramse divergências ao comparar os valores declarados pela interessada com o que constava do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 07 57 4/ 20 12 -8 9 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 175 2 Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), de modo que foi considerado o valor constante neste demonstrativo para fins de limite dos valores declarados. Análise do processo produtivo e seus insumos Conforme a informação fiscal, a contribuinte tem por objetivo a importação e exportação em geral, especialmente de produtos alimentícios, secos e molhados, bem como a indústria e comércio de produtos pesqueiros em geral. Adota a industrialização por encomenda (beneficiamento), não possuindo parque industrial próprio, apenas salas comerciais. A atividade industrial consiste na aquisição de camarão in natura diretamente dos fornecedores, mediante processo de despesca manual. Nesta fase, são adquiridos e fornecidos pela interessada caixas de isopor, gelo e metabissulfito de sódio (conservante), para acondicionamento e conservação do camarão in natura. As caixas de isopor (contendo o camarão, o gelo e o conservante) são transportadas até a empresa terceirizada (frigorífico) responsável pela industrialização (beneficiamento), a qual produz o camarão inteiro congelado (camarão com cabeça) e camarão em partes congeladas (camarão sem cabeça), classificação NCM/TIPI 0306.1391 e 0306.13.99, respectivamente. O produto é acondicionado em embalagem primária e, posteriormente, agrupado em embalagem secundária. Todos os bens utilizados na produção são fornecidos pela interessada. O produto acabado é transportado diretamente da empresa terceirizada para o porto de exportação através de transportadora (pessoa jurídica domiciliada no país), contratada pela interessada. Com base no conceito de insumo contido no inciso I do § 5º do art. 66 da Instrução Normativa SRF nº. 247/2002, a atividade industrial da contribuinte permitiu enquadrar no conceito de insumo os seguintes bens utilizados e consumidos diretamente na elaboração dos produtos exportados (camarão com cabeça e sem cabeça congelados): gelo, metabissulfito de sódio (conservante), camarão in natura, saco plástico, película, embalagem primária, bem como o serviço de beneficiamento pago aos frigoríficos especializados. Quanto aos serviços de frete (exceto os fretes nas vendas), as cópias das notas fiscais não possibilitaram a vinculação desses serviços à condição de insumos no processo produtivo, ainda que o ônus tenha sido suportado pela interessada. Em relação às caixas de isopor, considerou o fisco que estas não se enquadravam no conceito de insumo (não cumulatividade) por não serem consumidas no processo produtivo, mas tãosomente utilizadas (e reutilizadas) para fins de acondicionamento provisório da matériaprima para o transporte até o frigorífico no qual era beneficiada. Remete ao art. 6º. do Decreto nº. 7.212 de 15 de junho de 2010 (Regulamento do IPIRIPI/2010). Nos itens 21/25, o Termo Fiscal detalha as rotinas aplicadas no processo de beneficiamento do camarão, onde conclui que o saco plástico, a película e a embalagem primária (“caixinha”) compõe a embalagem de apresentação do produto; que a embalagem secundária (“Master Box”), a fita adesiva, a fita de arquear, a fivela e a etiqueta compõem a embalagem para transporte do produto; e que esta última, por ser embalagem para transporte, bem como os seus acessórios, afastamse do conceito de insumos, nos termos da legislação afeita à nãocumulatividade. Aquisições de insumos realizadas com o fim específico de exportação Da análise das cópias das notas fiscais referentes às aquisições de camarão, verificouse que algumas delas possuíam a notação “mercadoria destinada à exportação” ou ainda “mercadoria destinada com fins específicos de exportação”. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 176 3 Foram desconsideradas pela auditoria as notas fiscais referentes às aquisições de bens com o fim específico de exportação, em face do comando do inciso I do art. 5º. da Lei nº. 10.637/2002, bem como do §4º. do art. 6º. da Lei nº. 10.833/2003, pelo qual a contribuição para o PIS/Pasep não incide sobre as receitas decorrentes das vendas de mercadoria para o exterior, ou sobre as receitas das vendas efetuadas à empresa exportadora com o fim específico de exportação, conforme previsto no inciso III do artigo em comento. Despesas de frete na operação de venda: a partir de 01/02/2004, as despesas são consideradas em razão de que esta possibilidade somente passou a vigorar a partir de 01/02/2004, por força do inciso I do art. 93 da Lei nº. 10.833/2003. Decisão As glosas efetuadas pela auditoria estão detalhadas nas planilhas “Demonstrativo das glosas sobre aquisição de bens utilizados como insumos”(fls. 860/862) e “Demonstrativo de glosas sobre a aquisição de serviços utilizados como insumos” (fl. 863). O pedido de ressarcimento foi deferido parcialmente no montante de R$ 1.709,33, tal como apurado no “Demonstrativo de Apuração do Crédito da Contribuição para o PIS/Pasep – Exportação – 4º. trim/2004 (fls. 866/868). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em síntese, a contribuinte inicialmente remete aos fatos que remontam ao seu pedido de ressarcimento, quando instruiu o pedido de ressarcimento de créditos da contribuição para o PIS/Pasep do regime nãocumulativo, à extrema demora na análise da demanda, e ao Mandado de Segurança onde teria obtido a liminar para que fossem apreciados os pedidos de ressarcimento de PIS/Pasep e Cofins no período e ao despacho decisório objeto da manifestação de inconformidade pelo qual se insurge, com as alegações que se traz abaixo, em resumo. Na preliminar, alega que a análise do presente processo deverá ter conexão com o PAF nº. 10380.720057/201388, haja vista que todos os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento objeto deste PAF foram juntados àquele processo. Transcreve o segundo parágrafo da Informação, onde constaria: A respectiva documentação (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc) encontrase no processo administrativo fiscal (PAF) digital nº. 10380.720057/201388, cujas folhas são referenciadas no texto da presente Informação Fiscal. No mérito, insurgese nos seguinte itens de sua manifestação: 1. Das aquisições de Insumos com fim específico de exportação: Aduz, sob este item, que o simples fato de algumas notas fiscais possuírem a notação “mercadorias destinadas à exportação” ou “mercadoria exclusiva para exportação”, não implica dizer que todas as mercadorias listadas pela fiscalização tratavamse de produtos acabados destinados à exportação, em outras palavras, mercadorias adquiridas no mercado interno para revenda no mercado externo. Alega que a fiscalização deveria ter identificado quais mercadorias eram realmente produtos acabados destinados à exportação, as quais se denominam Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 177 4 “Camarão congelado com ou sem cabeça (NCM 0306.13.91 camarão congelado inteiro e NCM 0306.13.99 – camarão congelado em partes) e quais eram insumos utilizados na elaboração das mercadorias que produz (Camarão fresco – NCM 0306.13.91 ou 0306.13.99). Reitera que os produtos exportados são o camarão inteiro congelado (com cabeça) e camarão em partes congelado (sem cabeça), com classificação TIPI sob os NCM 0306.13.91 e 0306.13.99, respectivamente; que a matériaprima básica destes produtos é o camarão fresco (“in natura”), classificado na TIPI sob o NCM 0306.23.00, o qual representa aproximadamente 90% dos custos aplicados na produção – o restante seriam produtos químicos e material de embalagem; que, no caso específico, o camarão “in natura” utilizado é o camarão de cultivo, adquirido junto a pessoas jurídicas exploradoras dessa atividade (carcinicultura); que, tal mercadoria “in natura” é imprópria para exportação, já que uma vez retirado do seu habitat natural, deve ser consumido em curto espaço de tempo ou sofrer o processo de beneficiamento para que seja mantido o seu valor proteico e não haja deterioração do animal, bem como o seu valor econômico; e mais, que as exportações de camarão “in natura” realizadas pelo país, na verdade são matrizes do animal, acondicionadas de forma tal que cheguem vivas ao seu destino, o que não é o caso das exportações da manifestante. Quanto às notas fiscais listadas pelo fisco, sustenta que não é porque o fornecedor informa na sua nota fiscal que o seu produto é destinado à exportação que este produto tenha sido importado; que a exportação é um processo subordinado a leis e regras emanadas da Receita Federal e do MDIC; que, para a manifestante é irrelevante se os fornecedores pagaram ou não os tributos devidos, cuja tarefa é da competência da Receita Federal. Aduz que o vendedor/fornecedor, para usufruir deste benefício, tem que comprovar que os produtos por ele vendidos foram realmente exportados, na forma prevista do ConvênioConfaz nº. 113/96 e atualizações posteriores, cuja comprovação se dá através do “MemorandoExportação”. Não basta constar na nota fiscal qualquer tipo de expressão, informando que a mercadoria vendida tem “fim específico de exportação” para que o fornecedor do produto a ser exportado se beneficie dos incentivos de exportação, como é o caso da isenção de tributos. Mesmo que o camarão “in natura” em questão pudesse ser exportado sem que houvesse qualquer tipo de processamento industrial, tal fato não ocorreu e não há nos autos uma única prova que as mercadorias adquiridas pelas notas fiscais relacionadas no Quadro 03 (da manifestação) foram exportadas na condição em que foram adquiridas (“in natura”). Traz ementa de Acórdão nº. 380301.798 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, em processo cuja contribuinte é de ramo semelhante de atividades. 2. Aquisições de outros insumos: embalagem secundária; caixa de isopor; fretes no transporte de matériasprimas (camarão); fretes de venda. A contribuinte alega, em síntese, que o conceito de insumo para fins de crédito de PIS/Pasep nãocumulativo é mais amplo do que aquele previsto para o IPI e está mais próximo do conceito de custos/despesas necessárias previsto para fins de cálculo do IRPJ. Desta forma, os materiais mencionados no título, como gastos necessários à atividade operacional da manifestante, seriam passíveis de créditos. Neste sentido, colaciona excertos de doutrinas, ementas de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, bem como jurisprudência dos tribunais. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 178 5 3. Da atualização monetária do ressarcimento: Em síntese, a contribuinte entende ser uma afronta ao seu direito o ressarcimento sem o acréscimo de juros compensatórios, considerando a demora com que foi tratada a análise do seu pedido de ressarcimento pela Delegacia da Receita Federal de sua região, obrigandoo a buscar a força judicial. Alega que fica evidenciado um enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Cita decisão judicial que autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (Resp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2004.2010, Dje 03.05.2010). Ressalta que o REsp em comento é representativo da controvérsia, e nesses casos, tanto a PGFN, como o próprio CARF entendem que as decisões do STJ não devem ser contestadas, como se vê no artigo 62A do Anexo I, da Portaria do MF nº. 256/09 (transcreve no texto). Ainda, que mesmo antes da inclusão do art. 62A, o próprio CARF em seus julgados, tem tido a mesma linha do judiciário, pelo qual cita os Acórdãos CSRF/02.770 e CSRF/02.02.705. Alega ser incontestável a atualização monetária do valor do crédito, seja para fins de ressarcimento, seja para fins de compensações permitidas em lei. 4. Do pedido: Requer, por fim: que o pedido de ressarcimento seja reconhecido tacitamente, em sua totalidade, com seu valor devidamente atualizado pela Selic entre a data do pedido e a do efetivo crédito em moeda corrente ou da sua utilização em compensações, tendo em vista o Fisco ter extrapolado os prazos legais e razoáveis para a apreciação do feito; que seja reconhecido o direito ao crédito do PIS/Pasep nãocumulativo relativamente à aquisição de camarão “in natura”; que seja reconhecido o direito aos créditos relativamente às aquisições de “material de embalagem secundária”, “caixa de isopor para acondicionamento provisório de matériaprima”, “fretes na aquisição de matériaprima”, “frete na venda de produto”, já que tais aquisições referemse a gastos necessários à atividade operacional da manifestante; que o ressarcimento do crédito seja efetivado com a devida atualização monetária, com base na variação da Taxa Selic entre a data do protocolo do pedido e a sua efetiva utilização, seja em moeda corrente, seja através de compensações deste crédito na liquidação de débitos tributários da Manifestante administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 5. Juntada de documentos após a impugnação: Vencido o prazo para a apresentação da manifestação de inconformidade, a contribuinte encaminhou para juntada a íntegra do acórdão nº. 3403002.768 do CARF, 4a. Câmara, 3a. Turma, da 3a. Sessão de Julgamento, em apreciação de determinado recurso voluntário desta empresa, onde teriam sido reconhecidos créditos de IPI pleiteados pela empresa. É o relatório." Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 179 6 Em 30/06/14, a DRJ em Florianópolis (SC) julgou a manifestação de inconformidade parcialmente procedente e o Acórdão n° 0735.117 foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. Para efeito da não cumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelandoo à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto fabricado. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tão somente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. FRETE. VENDA. O aproveitamento de créditos das contribuições para o PIS/Pasep sobre as despesas de fretes referentes às operações de venda somente foi possível a partir da vigência do inciso I do art. 3º. da Lei nº. 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. Os dispositivos legais em vigor relativos aos créditos de não cumulatividade afastam expressamente a aplicação de juros compensatórios no ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 180 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VINCULAÇÃO AOS ATOS ADMINISTRATIVOS DE CARÁTER NORMATIVO EDITADOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. As questões relacionadas à existência de eventuais ilegalidades, inconstitucionalidades ou ofensa a princípios constitucionais não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, por se tratar, claramente, de discussão dirigida ao Poder Judiciário, haja vista os limites de sua competência. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, aos quais adiciona os seguintes: pleiteia o "saneamento do vício formal" existente na decisão da DRJ, consistente no fato de que, ao final do dispositivo, há a informação "crédito mantido", apesar de não se tratar de processo instruído por lançamento de ofício, porém de ressarcimento de tributo; contesta o critério adotado pela DRJ para manter parte das glosas de créditos sobre compras de "camarão in natura", haja vista que todas foram realizadas para industrialização do produto "camarão congelado", não tendo sido uma única sequer destinada à exportação; e contesta o entendimento da DRJ de que somente poderia ser tratada como insumo e assim, dar direito a crédito, compras de embalagem de apresentação, uma vez que as para transporte seriam igualmente imprescindíveis. Após a protocolização do recurso voluntário, o contribuinte juntou aos autos petição e cópias de peças de processo judicial, em que pleiteia que o ressarcimento do PIS seja efetuado com acréscimo do juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 181 8 Inicio, consignando que este voto aplicase aos processos 10380.907567/2012 87, 10380.907568/201221, 10380.907569/201276, 10380.907574/201289 e 10380.907580/201236. Após a protocolização do recurso voluntário, a recorrente juntou aos autos petição e cópias de peças do processo judicial n° 080038359.2013.4.05.8100, por meio do qual pleiteou o acréscimo de juros Selic aos valores dos Pedidos de Ressarcimento tratados em vinte e dois processos administrativos, entre os quais os acima listados. Com relação ao processo n° 10380.907569/201276, os citados documentos foram carreados aos autos juntamente com a manifestação sobre a diligência efetuada pela DRJ. No material juntado, consta inclusive Certidão de Trânsito em julgado de decisão favorável à recorrente. Nos recursos voluntários, sob o tópico "Da atualização monetária do ressarcimento", requereu que o ressarcimento dos créditos fosse acrescido de juros Selic, calculados entre as datas do protocolo do PER e o do efetivo ressarcimento, com base na decisão do STJ no REsp n° 993.164/10. Esta decisão dispõe sobre a incidência dos juros, quando há oposição ilegítima do Fisco ao ressarcimento de crédito presumido de IPI. E chamou a atenção para o fato de que, entre as datas do protocolo e a da ciência da decisão, já haviamse passado, dependendo do processo, entre três e oito anos. No processo n° 10380.907569/201276, o referido tópico foi incluído na manifestação de inconformidade. E, no recurso voluntário, foi requerida a aplicação da sentença judicial. Nos termos da Súmula CARF n° 1, não cabe a este colegiado dispor sobre matéria entregue ao Poder Judiciário, antes ou depois de iniciado o procedimento administrativo. Assim, deixo de conhecer os pedidos contidos nas peças de defesa e/ou nas petições juntadas aos autos, cujo objetivo era o de obter o reconhecimento do direito a acréscimo de juros Selic ao valor objeto do Pedido de Ressarcimento em discussão. No tocante aos demais argumentos, o recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Conversão em diligência Nas peças de defesa, a recorrente pleiteou que os processos acima indicados fossem julgados em conjunto com o de n° 10380.720057/201387, pois neste se encontrariam todos os documentos que embasaram o despacho decisório, "sob pena de cerceamento do direito de defesa". Nos votos condutores dos acórdãos editados pela respectivas Delegacias Regionais de Julgamento (DRJ), com exceção do relativo ao processo n° 10380.907569/2012 76, encontrase inclusive a seguinte passagem: "1. Da preliminar: Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10380.907574/201289 Resolução nº 3301001.135 S3C3T1 Fl. 182 9 Na preliminar, a contribuinte argumenta que a análise do presente processo deverá ter conexão com o PAF nº. 10380.720057/201388, sob pena de cerceamento de defesa, haja vista que todos os documentos utilizados pela fiscalização na análise do pedido de ressarcimento objeto deste PAF foram juntados àquele processo. Transcreve o segundo parágrafo da Informação, onde constaria: A respectiva documentação (intimações fiscais, planilhas do contribuinte, notas fiscais, demonstrativos da auditoria, etc) encontrase no processo administrativo fiscal (PAF) digital nº. 10380.720057/201388, cujas folhas são referenciadas no texto da presente Informação Fiscal. Ressaltese que o Termo Fiscal indica a clara conexão entre este processo e o processo de representação PAF nº. 10380.720057/201388, posto que este reúne documentação referente à fiscalização na empresa em questão. Da mesma forma, a análise que aqui se faz recorre ao referido processo para análise da documentação referenciada no Termo Fiscal e/ou na manifestação da contribuinte." De fato, os autos de todos os processos acima listados estão incompletos, não estando presentes, notadamente, a "Informação Fiscal" e planilhas complementares, bem como as notas fiscais examinadas. Reputo que não é o caso de decretarmos a nulidade dos ato administrativo original, por falta de motivação (art. 50 da Lei n° 9.784/99), pois, da leitura das decisões de piso e peças de defesa, inferese que o despacho decisório foi devidamente motivado. Cabenos sim propor a realização de diligência, para que cópia da íntegra do processo n° 10380.720057/201388 seja juntada aos autos. Em seguida, deve ser dada ciência às partes e aberto prazo de trinta dias para manifestações. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.001030/2002-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 04 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INSUBSISTENTE.
A falta de comprovação da existência do direito creditório torna insubsistente eventual compensação realizada pela empresa recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.143
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s
o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassino Keramidas e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça que davam provimento parcial ao recurso.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Compensação. Recorrente MIRABRÁS COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida DRJ em Juiz de Fora - MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. COMPENSAÇÃO INSUBSISTENTE. A falta de comprovação da existência do direito creditório torna insubsistente eventual compensação realizada pela empresa recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Fabiola Cassino Keramidas e Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça que davam provimento parcial ao recurso. t4 /. „ Q#0,021.2:a.„ j jÁta,t4re/D : d'OSEF MARIA COELHO MARQUES Presidente ..J ' . ujed 1 WALB 4 ER J É DA SI 1 VA Relator 1 ; n , Participaram' , ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maurício Taveira e Silva, José Antonio Francisco e Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. 1 Processo n° 10640.00103012002 -21 td.F : SW.10n400 CÓMETPC-tei-NTRIBtiiiN,_-T . S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.143 QONFURÉ MI Q Ofneffin Fl. 247 4BrAidia, __ _ _ CA __ ;., . Relatório Contra a empresa MIRABRÁS COMÉRCIO, EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA foi lavrado auto de infração eletrônico para exigir o pagamento de PIS, relativo aos meses de setembro a dezembro de 1997, tendo em vista que não foi localizado o pagamento vinculado ao débito do PA 09/97 e, para os demais PA, o processo judicial informado na DCTF não foi comprovado. Inconformada com a autuação, a empresa interessada impugnou o lançamento, relativamente aos PA de 10/97, 11/97 e 12/97, cujas alegações estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 1 Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora - MG julgou procedente em parte o lançamento, para excluir a multa de oficio, nos termos do Acórdão DRJ/JFA n2 10162, de 18/05/2005 — fls. 72/76. Ciente desta decisão em 13/06/2007, a interessada ingressou, no dia 11/07/2005, com o recurso voluntário de fls. 78/86, no qual alega não é exigido o trânsito em julgado da decisão judicial para efetuar a compensação em comento, que extinguiu o crédito tributário lançado, devendo ser reformada a decisão recorrida para que seja declarado improcedente o lançamento contestado. Na sessão do dia 11/03/2008, a Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes resolveu, nos termos da Resolução n2 201-00.737, converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 — informar se a recorrente lançou em sua contabilidade os débitos declarados como compensados em sua DCTF, e os respectivos créditos, e lançados no auto de infração deste processo; 2 — caso a resposta do item 1 seja positiva, informar se a recorrente tinha, em tese, crédito de PIS suficiente para efetuar a compensação em tela. Considerar outras compensações eventualmente realizadas antes destas. O cálculo do crédito deve ser feito na forma acima indicada e se refere a fatos geradores ocorridos até o mês anterior à vigência da Medida Provisória n'' 1.212/95. 3 — prestar os esclarecimentos que julgar necessário ao deslinde da questão. 4 — dar ciência à recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindo-lhe prazo para manifestação. Em resposta, a DRF em Governador Valadares — MG informa que a recorrente lançou em sua contabilidade somente os débitos e não lançou o crédito utilizado nas compensações e que não foi apurado crédito para os períodos de apuração cuja base de cálculo foi comprovada pela recorrente, conforme informação de f1.201. o 11 ar, 8, 1 - 2 • - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR.. CONFERE COM OORIGNpL Processo n° 10640.00103012002-21 Brasla, ___0,22/ 03 S2-C1T2Acórdão n.° 2102-00.143 Fl. 248 Ciente do resultado da diligência, a empresa recorrente se manifestou sem, contudo, contestar ou ratificar o resultado da diligência — fls. 209/210. O processo retornou para prosseguimento do julgamento e foi encaminhado a este Conselheiro, conforme despacho exarado na última folha dos autos - fl. 245. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário foi conhecido na sessão do dia 1 1/03/2008. O lançamento decorreu de falta de comprovação de que o processo judicial autorizava a compensação realizada, relativa aos períodos de apuração de outubro a dezembro de 1997. O Mandado de Segurança informado na DCTF foi impetrado em 05/11/1997, teve a liminar indeferida em 12/11/1997 e a sentença de mérito, favorável ao pleito da recorrente, foi proferida somente em 08/05/2002, após as alegadas compensações. O trânsito em julgado correu em 07/06/2006. Conforme foi dito no voto condutor da Resolução n2 201-00.737, alguns Conselheiros deste Colegiado entendem que a compensação de créditos de PIS com débitos do próprio PIS poderia ser realizada independente da ação judicial e, portanto, havia a possibilidade do procedimento da recorrente ser reconhecido por este Colegiado I . Por esta razão o julgamento foi convertido em diligência. O resultado da diligência provou que a recorrente lançou, em sua contabilidade, os débitos como compensados, mas não lançou o respectivo crédito utilizado na compensação. 1 É verdade que à época do vencimento de cada débito de PIS lançado no auto de infração poderia ser compensado com crédito, também de PIS, sem prévia comunicação à Receita Federal. Também é verdade que à época das compensações a recorrente não detinha decisão judicial autorizando a compensação. Não foi concedido a liminar no mandado de segurança e a sentença de mérito, favorável à compensação, somente foi proferida em maio de 2002. Para alguns membros deste Colegiado, antes da Lei Complementar no 104/2001, a existência de ação judiciária, por qualquer de suas modalidades, com ou sem sentença de mérito, com ou sem trânsito em julgado, não é causa impeditiva do exercício do direito de compensar tributos da mesma espécie. A recorrente alega que efetuou compensação de créditos de PIS com os débitos lançados neste processo e fez a comunicação à SRF através da DCTF acima referida. No entanto, não há nos autos prova da alegada compensação, além da DCTF. A compensação que a recorrente alegar ter efetuado deve está registrada em sua contabilidade, no mês de sua efetivação. No processo não há prova do registro contábil dos créditos e das compensações, elemento fundamental para corroborar os argumentos da recorrente. Em homenagem ao princípio da verdade material, há que ser carreado aos autos prova de que os débitos lançados neste processo foram, de fato, compensados com créditos de PIS, que a recorrente julga ter, e devidamente levado a registro em sua escrita contábil. Também há que se apurar se, em tese (o crédito está sendo discutido judicialmente), a recorrente tinha crédito de PIS suficiente para compensar os débitos lançados no auto de infração deste processo. 431( eit9 • 3 :F- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBL . CONFERE COM O ORIGINAL Processo n° 10640.001030/2002-21 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.143 Brasília, j22_/ Fl. 249e a. g Também ficou provado que a recorrente n.o possuía crédito para efetuar as compensações, esclarecendo que a apuração foi realizada unicamente para os períodos de apuração cuja base de cálculo pode ser comprovada pela recorrente, em face do incêndio sofrido em suas instalações. Independente da aplicação das disposições da Lei Complementar n 2 104, de 2001, o lançamento deve ser mantido não somente pelas razões da decisão recorrida como também pela falta de comprovação do lançamento contábil da receita do suposto crédito utilizado na compensação e, também, porque não foi apurado, pela RFB, crédito da recorrente, passível de restituição/compensação. No mais, com fulcro no art. 50, § 1, da Lei n 9.784/1999 2, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala das SesAões, em 94 de junho de 2009 II, WALBER .T SÉ DA LVA 10' 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (• • .) § 1 2 A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 4
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Numero do processo: 13971.720024/2006-47
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA.
Não tendo sido identificada qualquer nulidade no acórdão recorrido, esta preliminar há de ser afastada.
INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
Para fins de apuração de crédito de PIS não-cumulativo, adota-se a interpretação intermediária construída originalmente no CARF e objeto da decisão do STJ no RESP nº REsp nº 1.221.170/PR quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade/relevância.
No caso concreto analisado, tendo em vista a atividade desempenhada pela empresa Recorrente e a decisão proferida pelo STJ sobre o tema, há de se reconhecer o direito creditório no que tange às despesas com etiquetas e folhas, chaves tipo "Allen" e rolamentos, devendo ser mantida, em contrapartida, a glosa no que tange aos sacos de ráfia.
Numero da decisão: 3002-000.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em manter a glosa no que tange aos sacos de ráfia; (ii) por unanimidade de votos, em reconhecer o direito creditório relacionado às etiquetas e folhas e às chaves tipo "Allen" e; (iii) por maioria de votos, reconhecer o direito creditório no que tange aos rolamentos, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard, que votou pela manutenção da glosa quanto a este item.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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(ANTIGA INDUSTRIA DE MADEIRAS GUILHERME BUTZKE LTDA.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA. Não tendo sido identificada qualquer nulidade no acórdão recorrido, esta preliminar há de ser afastada. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Para fins de apuração de crédito de PIS não-cumulativo, adota-se a interpretação intermediária construída originalmente no CARF e objeto da decisão do STJ no RESP nº REsp nº 1.221.170/PR quanto ao conceito de insumo, tornando-se imperativa para o reconhecimento do direito ao crédito a análise acerca da sua essencialidade/relevância. No caso concreto analisado, tendo em vista a atividade desempenhada pela empresa Recorrente e a decisão proferida pelo STJ sobre o tema, há de se reconhecer o direito creditório no que tange às despesas com etiquetas e folhas, chaves tipo "Allen" e rolamentos, devendo ser mantida, em contrapartida, a glosa no que tange aos sacos de ráfia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar apresentada e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, em manter a glosa no que tange aos sacos de ráfia; (ii) por unanimidade de votos, em reconhecer o direito creditório relacionado às etiquetas e folhas e às chaves tipo "Allen" e; (iii) por maioria de votos, reconhecer o direito creditório no que tange aos rolamentos, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard, que votou pela manutenção da glosa quanto a este item. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 00 24 /2 00 6- 47 Fl. 887DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.742 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13971.720024/2006-47 (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 860/862 dos autos: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para a Cofins (regime não-cumulativo), formalizado devido a PER/DCOMP gerada em 26/01/2006, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 68.465,23, referente ao quarto trimestre de 2005. Em análise do pleito, a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC o deferiu apenas parcialmente, conforme despacho decisório da sra.chefe do SAORT, mediante competência delegada pela Portaria DRF/BLU n° 27, de 01 de junho de 2005 (fis.771/798), reconhecendo a existência de crédito da COFINS passível de ressarcimento, após a dedução da contribuição apurada no período, no montante de R$ 52.993,31. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 811/828, onde alega que: 1. Sustenta o despacho decisório recorrido que a empresa enquadrou indevidamente insumos como geradores de crédito; 2. Pelo que se observa, o parecerista baseia seu posicionamento no fato de que, segundo a interpretação por si extraída do artigo 8° da IN-SRF n° 404/2004, os produtos adquiridos pela empresa (etiquetas, folhas, rolamentos, chaves tipo Allen e sacos de ráfia) não se enquadram no conceito de insumos determinado pelo artigo 8° da aludida instrução normativa; 3. No entanto, sem razão. Dispõe o auditor fiscal que para os bens utilizados na confecção do produto da empresa, o direito ao crédito está condicionado a que esses materiais sofram alterações, tais como desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação e desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado, observadas as demais condições estabelecidas na legislação de regência; 4. Todos os serviços relacionados anteriormente são efetivamente utilizados na fabricação do produto; 5. Inicialmente, pode-se afirmar que a referida instrução normativa interpreta o termo "insumos" em sentido estrito, amoldando-o à forma prevista no Regulamento do IPI (art. 164, I), o que a toma ilegal, pois o conteúdo e o alcance dos decretos- e de quaisquer outros atos normativos infralegais — restringem-se aos das leis em função dos quais sejam expedidos (art. 99 do Código Tributário Nacional); Fl. 888DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 2 6. Denota-se que o conceito não pode ser restrito ao previsto no regulamento do IPI, mormente ser limitado por uma instrução normativa; 7. Dessa forma, como escopo de demonstrar que os produtos efetivamente são utilizados no processo produtivo, bem como no material de embalagem, faz-se necessário discriminar todos os itens glosados pelo auditor fiscal; 8. Assim, em relação aos Insumos utilizados, temos que: 8.1 Etiquetas e Folhas: O referido insumo é utilizado para demonstrar as características dos produtos, bem como as instruções para montá-los, pois a empresa trabalha com produtos montados pelo próprio adquirente. Outrossim, importante informar que as etiquetas e as folhas informativas são requisitos da própria legislação brasileira para certificar que o produto da empresa decorre de floresta replantada; 8.2. Sacos de Ráfia: Este produto é utilizado na embalagem e na venda dos resíduos da empresa, sendo portanto utilizado no processo produtivo; 8.3. Rolamentos: Novamente, pode-se considerar arbitrário e ilegal a glosa dos referidos insumos adquiridos pela empresa, pois estes possuem um contato direto com o produto na fabricação deste; 8.4. Chave Allen: Trata-se de instrumento indispensável para a montagem do produto, pois a mesma acompanha os parafusos utilizados pelo adquirente na tarefa de montagem do mesmo; 9. Por tudo isso, qualquer que seja o prisma que se examine a questão, resta indubitável o direito de crédito dos bens utilizados como insumo, e portanto, impõe-se a reforma da decisão nos pontos impugnados, para determinar a restituição dos valores. Junto com manifestação de inconformidade, o contribuinte apresentou procuração, Ata de Reunião dos Sócios, cópia da 37 ªAlteração Contratual, Contrato social Consolidado, além de peças demonstrativas dos insumos relacionados na manifestação. O presente processo foi encaminhado para julgamento nesta DRJ/RJ2 face ao disposto na Portaria RFB n° 535, publicada no DOU em 31/03/2008. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada (fls. 859/868): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COFINS NÃO-CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação Fl. 889DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 2,5 diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. COFINS/MATÉRIA-PRIMA Materiais utilizados em máquinas industriais (correia, abraçadeira, mangueira de sucção, estator, rotor, retentor, rolamento, anel, suporte de navalha, esteira e acoplamento), não são matérias-primas, nem produtos intermediários, e tampouco guardam qualquer semelhança com tais insumos, e não geram créditos nas aquisições dos citados bens. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. Solicitação Indeferida. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/10/2008 (vide AR à fl. 869 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 12/11/2008, Recurso Voluntário (fls. 870/884). Em seu recurso, o contribuinte alegou, preliminarmente, a nulidade do acórdão recorrido, por ter afastado a apreciação da arguição de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. Argumentou que o único ato contra o qual se insurgiu é norma infralegal, a IN SRF nº 404/2004, e que a Administração Pública tem o dever de optar pela prevalência da Lei e da Constituição em lugar de cumprir preceito infralegal inválido. No mérito, argumentou acerca da não-cumulatividade do PIS/COFINS, e sustentou que nenhuma das leis que tratam da matéria conceitua insumos nem, tampouco, remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para a busca desse conceito. Tal conceituação não poderia ser atendida pela IN SRF 404/04, pois ela estaria limitada à estrita legalidade. Assim, defende que o termo “insumos” deve compreender todos os elementos direta e indiretamente necessários à produção de produtos e serviços. Teceu considerações sobre os produtos glosados com o fim de demonstrar a efetividade do direito ao crédito, defendendo ser inegável a validade e legitimidade do crédito pleiteado. Pediu a anulação do acórdão ou, caso assim não se entenda, sua reforma, para deferir-se integralmente o pedido de restituição. Junto com o recurso apresentou substabelecimento de mandato (fl. 885). Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 3 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, dois são os fundamentos da decisão recorrida combatidos no Recurso Voluntário interposto: (i) o não conhecimento relacionado a argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico; (ii) o entendimento de que os materiais utilizados em máquinas industriais (correia, abraçadeira, mangueira de sucção, estator, rotor, retentor, rolamento, anel, suporte de navalha, esteira e acoplamento), não geram direito a crédito, visto que não seriam considerados matérias-primas, nem produtos intermediários, visto que não sofrem desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. 1. Do argumento preliminar de nulidade do acórdão recorrido Quanto ao primeiro fundamento, sustenta o Recorrente que a decisão recorrida equivocou-se em sua razão de decidir, visto que a insurgência posta diz respeito à IN SRF 404/04, a qual estaria sujeita à estrita legalidade. Sendo assim, defende que o acórdão recorrido seria nulo, visto que teria deixado de apreciar este fundamento apresentado. Neste ponto, entendo que assiste parcial razão à Recorrente. De fato, é cediço que a esfera administrativa possui competência para afastar a aplicação de Instrução Normativa em desacordo com normas hierarquicamente superiores, justamente em observância ao princípio da estrita legalidade. E, ao assim proceder, não se está acatando arguição de insconstitucionalidade de norma vigente no ordenamento jurídico, mas sim de sua ilegalidade, em razão da observância de normas também legitimamente inserida no ordenamento jurídico, e cuja aplicação deverá prevalecer diante da hierarquia existente entre elas. Caso contrário, na hipótese de se manter a aplicação de instrução normativa em desacordo com a lei, estará a autoridade julgadora administrativa, por via transversa, declarando a ilegalidade justamente da norma hierarquicamente superior. Em tais casos, portanto, entendo que a autoridade julgadora administrativa poderá se manifestar acerca da legalidade/ilegalidade da instrução normativa, não estando esta discussão restrita ao Poder Judiciário. Tanto que a súmula do CARF dispõe que a restrição de fato existente está relacionada tão somente à apreciação de inconstitucionalidade de norma tributária, nada dispondo acerca da sua legalidade. É o que se infere da transcrição a seguir: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É importante que se registre que a não se está aqui fazendo qualquer juízo de valor antecipado acerca da legalidade ou não da IN nº 404/04, mas apenas dispondo que a DRJ não se encontra impedida de analisar esta matéria. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 3,5 Ocorre que, apesar de discordar da fundamentação constante da decisão recorrida, consoante acima exposto, entendo que esta encontra-se devidamente fundamentada, não configurando preterição do direito de defesa do Recorrente apta a ensejar a aplicação do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse contexto, feitas as devidas ressalvas acima, entendo que não merece acolhida o argumento preliminar de nulidade da decisão recorrida. Até porque, consoante será devidamente analisado em sucessivo, este Colegiado já pacificou o entendimento de que não é a IN SRF 404/04 que deverá embasar o reconhecimento do direito creditório aqui analisado. 2. Do mérito Passando ao mérito da presente contenda, consoante acima narrado, o Recorrente defende que teria direito a créditos relacionados a diversos itens que foram glosados pela fiscalização, defendendo que estes estariam enquadrados no conceito de insumos. A DRJ, por seu turno, entendeu que, para fins de se admitir créditos relativos a tais itens, seria imprescindível que tais bens sofressem desgaste, dano ou perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Ou seja, o entendimento da DRJ seguiu a linha inserta na legislação do IPI, embasada na IN SRF 404/04. Acontece que, como é cediço, este entendimento expresso na decisão recorrida encontra-se superado, tendo sido sedimentado pelo STJ, por meio de decisão proferida em sede de recurso repetitivo, que, diante da inaplicabilidade da legislação do IPI nos casos de créditos de PIS e COFINS, deverá ser adotado o critério da essencialidade/relevância. Importante observar, inclusive, que este entendimento deverá ser necessariamente observado por este órgão de julgamento, em razão do disposto no art. art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Para que melhor se compreenda a matéria objeto do presente tópico, importante que sejam delineadas as linhas gerais que pautam o presente julgado, após o que serão analisadas as rubricas específicas que foram objeto de glosa. Fl. 892DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 4 2.1. Do conceito de insumos para fins de creditamento de PIS e COFINS em razão do princípio da não-cumulatividade - linhas gerais A análise dos presente caso perpassa pela definição do conceito de insumos para fins de incidência da COFINS. No caso deste tributo, o art. 3º da Lei nº 10.833/2003 assim dispõe: Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; No que tange à referida alínea II, que trata da tomada de créditos no caso de insumos, é cediço que, por muito tempo, este Colegiado enfrentou a discussão sob a ótica de qual seria a interpretação mais adequada (com respaldo na legislação do IPI e do IR, por exemplo), ou ainda conferindo uma interpretação própria com base na legislação do PIS e da COFINS (construção realizada por meio de julgados do CARF). Nos termos dos julgados até então proferidos por este Conselho, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduzia uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço utilizado como insumo e a atividade empresarial desempenhada pelo Contribuinte. Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade à atividade desempenhada pela empresa, direta ou indiretamente. A matéria, então, repleta de controvérsias e complexidades, veio a ser analisada pelo STJ em sede de recursos repetitivos. A partir da decisão prolatada no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, cujo trecho da ementa mais relevante encontra-se transcrito a seguir, fica este Conselho vinculado à aplicação do conceito de insumo ali definido, por força do já referido art. 62, §2º, do Regimento Interno do CARF. b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifado) Para que melhor se compreenda o conceito acima posto, transcrevo abaixo as razões de decidir, extraídas do voto da Ministra Regina Helena Costa e adotadas pelo Ministro Relator como razão de decidir: Fl. 893DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 4,5 Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência. ........................................................................................................ Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa.(grifado) Ou seja, tem-se que o conceito de insumo a ser adotado por este Colegiado deverá se pautar em um dos dois critérios acima postos, quais sejam: i) essencialidade, assim considerada pela sua imprescindibilidade, por constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção do bem ou, ao menos, em substancial perda de qualidade do produto ou serviço; e ii) relevância, assim considerada por sua importância ou, mesmo quando não seja essencial, por integrar o processo de produção pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Nesse contexto, o que importa para fins de apropriação de crédito, portanto, é se o custo ou a despesa são essenciais/relevantes ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. Ou seja, torna-se necessária a análise casuística de cada uma das rubricas cujas glosas foram realizadas pela fiscalização, para fins de identificar se estas se amoldam aos critérios acima dispostos. Por derradeiro, não é demais registrar que, além desses dois critérios, aplicáveis ao conceito de insumos, há ainda as hipóteses expressas de permissão ou de vedação ao creditamento, dispostas nos demais incisos do o art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Após delineadas essas linhas gerais, parto para a análise especifica das rubricas objeto da presente contenda. 2.2. Dos itens objeto de glosa 2.2.1. Etiquetas e folhas O primeiro item objeto de glosa diz respeito a etiquetas para embalagem e folhas (A4, por exemplo) (vide nota fiscal à fl. 506 do e-processo). Sobre este item, o Recorrente trouxe os seguintes esclarecimentos: Fl. 894DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 5 (a) etiquetas e folhas: os referidos insumos são utilizados para demonstrar as características dos produtos, bem como as instruções para montá-los, posto que a empresa trabalha com produtos "do it yourself, ou seja, produtos montados pelo próprio adquirente. Outrossim, importante informar que as etiquetas e as folhas informativas são requisitos da própria legislação brasileira para certificar que o produto da empresa decorre de floresta replantada. nos termos da "Fores! Stwardship Council"; Analisando-se os critérios firmados pelo STJ, entendo que assiste razão ao Recorrente em seu pleito. No meu entender, tais itens atendem ao critério de relevância acima delineado, seja pelas singularidades do produto fornecido pela Recorrente (papel para impressão das instruções necessárias à utilização do produto), seja por imposição legal (etiquetas e folhas informativas exigidas pela legislação). 2.2.2. Sacos de ráfia usados Quanto a este item, assim se manifestou a Recorrente: (h) Sacos de Ráfia: utilizado na embalagem e na venda dos resíduos da empresa, sendo portanto utilizado no processo produtivo; Quanto a este item, entendo que a Recorrente não logrou comprovar seja a essencialidade deste item, seja a relevância deste para o seu processo produtivo. Sendo assim, entendo que deverá ser mantida a glosa quanto a este item. 2.2.3. Chaves tipo "Allen" Já no que tange ao creditamento relativo às chaves tipo Allen, utilizadas para ferramentas manuais, esclareceu a Recorrente: (c) chave "Allen": trata-se de instrumento indispensável para montagem do produto, posto que a mesma acompanha os parafusos utilizados pelo adquirente na tarefa de montagem do mesmo (doc. anexo). Quanto a este item, entendo que assiste razão ao Recorrente. Isso porque, no meu entender, as chaves "Allen" integram o produto final da Recorrente, o que o torna essencial para a conclusão do processo produtivo da Recorrente, diante das peculiaridades dos produtos por esta produzidos. 2.2.4. Rolamentos Quanto ao último item, o Recorrente trouxe os seguintes esclarecimentos: (d) rolamentos: utilizados no maquinário da empresa, que entra em contato direto com o produto na fabricação deste. Da mesma forma, entendo que as despesas com rolamentos geram direito a crédito, não pairando dúvidas acerca da essencialidade destes produtos no processo produtivo da Recorrente. 3. Da conclusão Fl. 895DF CARF MF Processo nº 13971.720024/2006-47 Acórdão n.º 3002-000.742 S3-TE02 Fl. 5,5 Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de rejeitar a preliminar apresentada, e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte no presente caso, para fins de reconhecer o direito creditório da Recorrente no que tange aos seguintes itens: etiquetas e folhas, chaves tipo "Allen" e rolamentos, mantendo-se, em contrapartida, a glosa no que tange aos sacos de ráfia. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Fl. 896DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.927003/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/05/2011
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF.
Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF.
Numero da decisão: 3401-006.430
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DISCORDÂNCIA DO CONTRIBUINTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA NOS TERMOS DO ART. 151 DO CTN. RETENÇÃO DO VALOR A SER RESSARCIDO. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO VOLUNTÁRIA. HOMOLOGAÇÃO. STJ. RECURSO REPETITIVO. ART. 62, §2º DO RICARF. Não se pode impor compensação de ofício ou reter valores passíveis de ressarcimento, nos termos do parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, quando os débitos do contribuinte para com o Fisco estiverem com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Deve ser homologada a compensação voluntária declarada. Reprodução do entendimento firmado pelo STJ no Resp n°1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, por força do §2° do art. 62 do RICARF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Fernanda Vieira Kotzias, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 70 03 /2 01 6- 18 Fl. 49DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita: (...) DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO EM PER. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Correta a não homologação da declaração de compensação vinculada a pedido de restituição deferido parcialmente e a manifesta discordância do contribuinte quanto aos procedimentos de compensação de ofício, tendo em vista que o direito creditório reconhecido encontrase retido até que os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública sejam liquidados. Cientificada do acórdão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, sustentando que: a) o crédito utilizado na compensação já foi reconhecido pela autoridade administrativa, como consta expressamente da decisão recorrida; b) o crédito não deve ser objeto de retenção, com fundamento no parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, em razão da discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, pois os débitos estão com exigibilidade suspensa conforme a certidão positiva com efeitos de negativa apresentada; c) as normas que preveem a retenção de créditos em razão da negativa de se proceder à compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa contrariam o art. 151 do Código Tributário Nacional e o art. 146, III, ‘b’ da Constituição, que confere a tal código a competência para dispor sobre crédito tributário; d) deve ser reproduzida pelo Conselho a tese formulada pelo STJ no REsp n° 1.213.082/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que considera ilegal a compensação de ofício de débitos com exigibilidade suspensa na forma do art. 151 do CTN, por força do §2° do art. 62 do RICARF. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevsan, Relator Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10680.927003/201618 Acórdão n.º 3401006.430 S3C4T1 Fl. 3 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.346, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10680.925847/201616. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.346): "A controvérsia posta nos autos, acerca da não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP nº 17327.68767.220416.1.3.040501, reside especificamente na possibilidade de o Fisco reter os créditos que a Recorrente pretende compensar em razão da discordância desta quanto à realização de sua compensação de ofício com outros débitos da empresa, os quais se encontram com exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151 do CTN. A fiscalização aplicou à espécie o parágrafo único do artigo 73 da Lei n° 9.430/1996 c/c § 4º do art. 89 da Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017, a seguir reproduzidos: Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (...) Art. 73. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Parágrafo único. Existindo débitos, não parcelados ou parcelados sem garantia, inclusive inscritos em Dívida Ativa da União, os créditos serão utilizados para quitação desses débitos, observado o seguinte: (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo a que se referir; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Instrução Normativa RFB nº 1.717 de 2017 (...) Da Compensação de Ofício Fl. 51DF CARF MF 4 Art. 89. A restituição e o ressarcimento de tributos administrados pela RFB ou a restituição de pagamentos efetuados mediante DARF e GPS cuja receita não seja administrada pela RFB será efetuada depois de verificada a ausência de débitos em nome do sujeito passivo credor perante a Fazenda Nacional. § 1º Existindo débito, ainda que consolidado em qualquer modalidade de parcelamento, inclusive de débito já encaminhado para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2º A compensação de ofício de débito parcelado restringese aos parcelamentos não garantidos. § 3º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de 15 (quinze) dias, contados do recebimento de comunicação formal enviada pela RFB, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 4º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da RFB competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. (grifo nosso) Assim, verificada a existência de débitos e ante a discordância da Recorrente quanto à realização da compensação de ofício, os valores a serem restituídos foram retidos até a liquidação dos débitos em aberto e, com isso, indeferido o pedido de compensação por ausência de saldo disponível, procedimento que veio a ser confirmado pela decisão recorrida. A Recorrente se insurge contra tal procedimento, sob a alegação de que seus débitos em aberto estariam com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN, fazendo prova do alegado mediante juntada de certidão positiva com efeitos de negativa. Deste modo, procederse à compensação de ofício de créditos tributários com exigibilidade suspensa significaria extinguir compulsoriamente créditos sequer exigíveis, tendo a Instrução Normativa RFB nº 1.717/2017 exorbitado de seu poder regulamentar ao contrariar o art. 151 do CTN e a própria Constituição Federal em seu art. 146, III, b, que atribui competência à lei complementar para dispor sobre crédito tributário. Sobre o tema, o STJ já se manifestou, sob a sistemática dos recursos repetitivos (tema 484), no Resp. n° 1.213.082/PR, cujo ementa reproduzo: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). ART. 535, DO CPC, AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO PREVISTA NO ART. 73, DA LEI N. 9.430/96 E NO ART. 7º, DO DECRETOLEI N. 2.287/86. CONCORDÂNCIA TÁCITA E RETENÇÃO DE VALOR A SER RESTITUÍDO OU RESSARCIDO PELA SECRETARIA DA Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10680.927003/201618 Acórdão n.º 3401006.430 S3C4T1 Fl. 4 5 RECEITA FEDERAL. LEGALIDADE DO ART. 6º E PARÁGRAFOS DO DECRETO N. 2.138/97. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO APENAS QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO A SER LIQUIDADO SE ENCONTRAR COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA (ART. 151, DO CTN). 1. Não macula o art. 535, do CPC, o acórdão da Corte de Origem suficientemente fundamentado. 2. O art. 6º e parágrafos, do Decreto n. 2.138/97, bem como as instruções normativas da Secretaria da Receita Federal que regulamentam a compensação de ofício no âmbito da Administração Tributária Federal (arts. 6º, 8º e 12, da IN SRF 21/1997; art. 24, da IN SRF 210/2002; art. 34, da IN SRF 460/2004; art. 34, da IN SRF 600/2005; e art. 49, da IN SRF 900/2008), extrapolaram o art. 7º, do DecretoLei n. 2.287/86, tanto em sua redação original quanto na redação atual dada pelo art. 114, da Lei n. 11.196, de 2005, somente no que diz respeito à imposição da compensação de ofício aos débitos do sujeito passivo que se encontram com exigibilidade suspensa, na forma do art. 151, do CTN (v.g. débitos inclusos no REFIS, PAES, PAEX, etc.). Fora dos casos previstos no art. 151, do CTN, a compensação de ofício é ato vinculado da Fazenda Pública Federal a que deve se submeter o sujeito passivo, inclusive sendo lícitos os procedimentos de concordância tácita e retenção previstos nos §§ 1º e 3º, do art. 6º, do Decreto n. 2.138/97. Precedentes: REsp. Nº 542.938 RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 18.08.2005; REsp. Nº 665.953 RS, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 5.12.2006; REsp. Nº 1.167.820 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05.08.2010; REsp. Nº 997.397 RS, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 04.03.2008; REsp. Nº 873.799 RS, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 12.8.2008; REsp. n. 491342/PR, Segunda Turma, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 18.05.2006; REsp. Nº 1.130.680 RS Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19.10.2010. 3. No caso concreto, tratase de restituição de valores indevidamente pagos a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ com a imputação de ofício em débitos do mesmo sujeito passivo para os quais não há informação de suspensão na forma do art. 151, do CTN. Impõese a obediência ao art. 6º e parágrafos do Decreto n. 2.138/97 e normativos próprios. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008. (REsp 1213082/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/08/2011, DJe 18/08/2011) Fl. 53DF CARF MF 6 No julgado, a Corte reconheceu a ilegalidade da imposição de compensação de ofício aos débitos com exigibilidade suspensa por força do art. 151 do CTN e, in casu, verificase que a certidão apresentada às fls. 27/28 menciona expressamente que os débitos da Recorrente estão com exigibilidade suspensa nos termos do art. 151 do CTN. Desta feita, impende a aplicação do §2° do art. 62 do RICARF para reproduzir o entendimento do STJ, a fim de possibilitar a compensação pleiteada, ressalvandose a necessidade de renovação da certidão positiva com efeitos de negativa por ocasião da liquidação deste julgado para se verificar a permanência do requisito de suspensão da exigibilidade dos débitos. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevsan Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.905970/2009-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.009
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação demanda a existência de crédito líquido e certo do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 05 97 0/ 20 09 -4 2 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13609.905970/200942 Resolução nº 3402002.009 S3C4T2 Fl. 3 2 Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.002, de 21 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13609.905963/200941. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois entendi desnecessária a diligência. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.002): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de COFINS, referente a um DARF pago em 31/03/2005, com o objetivo de liquidar o débito de COFINS nãocumulativa (código receita 5856) relativo ao período de apuração março/2005. O valor devido da contribuição para o período em questão, conforme declarado pelo contribuinte na DCTF retificadora, transmitida pelo contribuinte em 07/10/2009, perfaz R$ 125.807,35. Considerando o valor do montante recolhido e o valor do débito informado na DCTF retificadora, o valor original do crédito pleiteado perfaz R$43.048,55 que, acrescidos da correção pela SELIC, totaliza, à época da transmissão, R$66.600,41, montante utilizado na PERDCOMP em apreciação. Segundo o entendimento da recorrente, a origem de seu direito creditório foi devidamente demonstrada através dos seguintes documentos: (i) DCTF retificadora (fls. 122 a 124); (ii) Comprovante de arrecadação (fls. 129); e (iii) planilhas, apresentadas no próprio corpo do recurso. A turma julgadora a quo não reconheceu o direito creditório da recorrente por entender que haveria divergência entre os valores informados na DCTF retificadora e na DACON (R$138.445,35). A recorrente alega que tal divergência jamais existiu, tratandose de erro crasso cometido pela DRJ/BHE quando da análise do processo. Segundo seu entendimento, corroborado com as informações declaradas na DACON, o valor devido de COFINS no montante de R$138.445,35 tratavase da soma dos valores apurados da COFINS nãocumulativa (R$125.807,35) e da COFINS cumulativa Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13609.905970/200942 Resolução nº 3402002.009 S3C4T2 Fl. 4 3 (R$12.638,00), conforme demonstrado no recorte da própria DACON reproduzido em seu recurso: Dessa forma, segundo a alegação da recorrente, os valores devidos de COFINS apurado pelo regime nãocumulativo demonstrado na DACON não divergia do valor da DCTF retificadora (R$125.807,35). Ainda que possa ser dado razão à recorrente acerca dos valores constantes na DACON, entendo que a unidade de origem deve se manifestar acerca da retificação das declarações processadas pelo contribuinte, e o correspondente lastro dos valores declarados com base na escrita contábil e fiscal. Ainda que a recorrente tenha apresentado uma planilha com os valores que entendiam ser devidos, ou seja, a demonstração de seu alegado direito creditório, tal demonstrativo não é suficiente para tal comprovação. Também entendo que é necessário verificar se o valor informado como sendo referente à COFINS cumulativa (R$12.638,00) foi devidamente declarado em DCTF e recolhido/compensado, por integrar ao valor originalmente declarado como devido e recolhido como sendo COFINS nãocumulativa. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a recorrente a apresentar os registros contábeis e fiscais que lastrearam a retificação da DCTF e ampararam os valores objeto da compensação pleiteada; (ii) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação à retificação das declarações transmitidas pela recorrente, o lastro contábil e fiscal dos valores retificados, o recolhimento/compensação do valor da COFINS cumulativa anteriormente enquadrado como não cumulativo; (iii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13609.905970/200942 Resolução nº 3402002.009 S3C4T2 Fl. 5 4 É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) intime a recorrente a apresentar os registros contábeis e fiscais que lastrearam a retificação da DCTF e ampararam os valores objeto da compensação pleiteada; (ii) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação à retificação das declarações transmitidas pela recorrente, o lastro contábil e fiscal dos valores retificados, o recolhimento/compensação do valor da COFINS cumulativa anteriormente enquadrado como nãocumulativo; (iii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000052/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2017, 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS.
Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas.
IPI. INSUFICIÊNCIA. LANÇAMENTO.
Detectada, em face das classificações fiscais pela própria contribuinte eleitas, a insuficiência dos lançamentos a título de IPI na saída dos respectivos produtos, é dever da autoridade fiscal levar a efeito o competente lançamento tributário.
Numero da decisão: 3401-006.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2017, 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. INSUFICIÊNCIA. LANÇAMENTO. Detectada, em face das classificações fiscais pela própria contribuinte eleitas, a insuficiência dos lançamentos a título de IPI na saída dos respectivos produtos, é dever da autoridade fiscal levar a efeito o competente lançamento tributário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2017, 2008 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA MATERIAL. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. INSUFICIÊNCIA. LANÇAMENTO. Detectada, em face das classificações fiscais pela própria contribuinte eleitas, a insuficiência dos lançamentos a título de IPI na saída dos respectivos produtos, é dever da autoridade fiscal levar a efeito o competente lançamento tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 00 52 /2 01 1- 15 Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11634.000052/201115 Acórdão n.º 3401006.149 S3C4T1 Fl. 1.292 2 Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Reproduzse, abaixo, o relatório da decisão recorrida, por pertinente: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi constatado falta de lançamento do imposto sobre produtos industrializados (IPI), caracterizada pela saída do estabelecimento de produto sem emissão de nota fiscal, e falta de recolhimento/declaração do saldo devedor do IPI apurado. Essas constatações decorreram de ação fiscal que apurou omissão de receitas, no lançamento do imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) e reflexos, objeto do processo nº 11634.000050/201118. Conseqüentemente, foi lavrado o auto de infração de fls.609/616, para exigir o crédito tributário do IPI lançado e não recolhido e o decorrente das receitas omitidas, legalmente consideradas como vendas sem emissão de notas fiscais, nos seguintes termos: Imposto: R$ 612.656,19 Juros de mora: R$ 149.870,77 Multa proporcional: R$ 918.984,26 Total do crédito tributário: R$ 4.681.511,22 Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002) – , arts. 24, II, 34, II, 122, 123, I, “b”, e II, “c”, 124, 125, III, 127, 130, 131, II, 199, 200, IV, 202, III, e 448. Notificada do lançamento em 01/03/2011, conforme auto de infração, a interessada, representada pelos advogados Bruno Sacani Sobrinho e Bruno Montenegro Sacani, ingressou, em 31/03/2011, com a impugnação de fls. 622/643, na qual alegou, em suma: · Tributação em duplicidade; · Depósitos bancários não constituem receita ou rendimentos tributáveis; · Tributação presumida – improcedência dos autos de infração; · Multa confiscatória. Fl. 1292DF CARF MF Processo nº 11634.000052/201115 Acórdão n.º 3401006.149 S3C4T1 Fl. 1.293 3 Requereu a anulação e cancelamento dos autos de infração ou a exclusão da base de cálculo de todos os valores relativos aos depósitos bancários em contacorrente da autuada, sob pena de tributação em duplicidade, e a redução da multa para 30%. 2. Em sessão de 30/07/2013, foi proferido o Acórdão DRJ nº 0126.795, situado às fls. 304 a 316, e proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), sob a relatoria do AuditorFiscal Flávio Castelo Branco Aflalo, que decidiu, por votação unânime, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa abaixo transcrita: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. OMISSÃO DE RECEITAS. DUPLICIDADE DE EXIGÊNCIA. É descabida a alegação de duplicidade de exigência sobre a mesma receita omitida quando a autoridade fiscal deduziu do valor da omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada (apurada por presunção legal) o montante da receita bruta escriturada no mesmo mês, que engloba o IPI lançado, efetuando o lançamento apenas do valor excedente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11634.000052/201115 Acórdão n.º 3401006.149 S3C4T1 Fl. 1.294 4 Crédito Tributário Mantido 3. A contribuinte, intimada da decisão em 27/08/2013, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção "Consulta Comunicados/Intimações", em conformidade com o termo de ciência situado à fl. 319, interpôs, em 26/09/2013, em conformidade com o termo de solicitação de juntada situado à fl. 321, recurso voluntário, situado às fls. 322 a 329, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 4. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento, com a seguinte ressalva. 5. Quanto às alegações de inconstitucionalidade de leis, tratase de matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 6. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Assim, não conheço do recurso voluntário interposto neste particular. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 11634.000052/201115 Acórdão n.º 3401006.149 S3C4T1 Fl. 1.295 5 8. Transcrevo, abaixo, por pertinente, trecho do voto da decisão recorrida, que adoto como fundamento: Tratase de analisar lançamento referente ao IPI, período de apuração 31/10/2007 a 31/12/2008, no qual se apurou falta de recolhimento/declaração do saldo devedor do IPI apurado, bem como falta de lançamento de IPI, decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não identificada. A impugnação apresentada neste processo traz os mesmos argumentos expendidos no processo de IRPJ e reflexos. Naquele processo, conforme acórdão de fls.1285/1303, restou esclarecido, no tópico “Preliminar de nulidade”, que não houve duplicidade de exigência, pois a autoridade fiscal deduziu do montante dos créditos bancários de origem não comprovada o valor da receita bruta escriturada nos livros fiscais e comerciais da interessada no mesmo mês, de modo a evitar a dupla cobrança sobre a mesma receita. Dessa forma, também aqui não há que se falar em duplicidade, porque o IPI exigido como falta de recolhimento/declaração é aquele escriturado nos livros fiscais, que foi deduzido dos créditos de origem não comprovada. No que se refere ao lançamento decorrente da omissão de receitas apurada no processo de IRPJ, Inicialmente, é curial transcrever o dispositivo do RIPI/2002, que trata da omissão de receitas, ou seja, o art. 448, principalmente no que pertine ao § 2º, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1º) como insumos (auditoria de produção ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem inexistente ou não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. Destarte, em ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2º). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1º da norma regulamentar em comentário. No processo relativo ao IRPJ, considerouse improcedente a impugnação. Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, restou mantida a totalidade da exação com reflexo no campo do IPI. Nesse passo, caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11634.000052/201115 Acórdão n.º 3401006.149 S3C4T1 Fl. 1.296 6 No que se refere à alegação de multa confiscatória, esclareçase que foi aplicada a multa de 150%, nos exatos termos da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art.80, caput e § 6o, II, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, art. 13, em função da constatação de prática de conduta dolosa, que se subsume aos tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964, o que não foi contestado pela impugnante. A alegação de confisco corresponde à alegação de inconstitucionalidade do dispositivo aplicado, e não compete à autoridade administrativa apreciar a argüição e declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade/ilegalidade de lei, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, pela CF, art. 102. A mais abalizada doutrina escreve que toda atividade da Administração Pública passase na esfera infralegal e que as normas jurídicas, quando emanadas do órgão legiferante competente, gozam de presunção de constitucionalidade, bastando sua mera existência para inferir a sua validade. Vale dizer que, inovado o sistema jurídico com uma norma emanada do órgão competente, ela passa a pertencer ao sistema, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo seu fiel cumprimento até que seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente, ou por declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado de constitucionalidade, ou em controle difuso, neste caso, após a publicação de resolução do Senado Federal. Como, no caso concreto, essas hipóteses não ocorreram, as normas inquinadas de inconstitucionais pelo impugnante continuam válidas, não sendo lícito à autoridade administrativa absterse de cumprilas e nem declarar sua inconstitucionalidade, sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. Ademais, a vedação ao confisco pela CF é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento é uma atividade vinculada. Não há qualquer dispositivo legal que ampare a pretensão da impugnante de ver aplicada a multa no percentual de 30%. Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 11634.000052/201115 Acórdão n.º 3401006.149 S3C4T1 Fl. 1.297 7 9. Deve, portanto, a decisão recorrida ser mantida por seus próprios fundamentos. 10. Assim, voto por conhecer em parte e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 1297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720803/2018-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2016
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-001.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2016 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
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DEDUÇÃO. Somente poderão ser deduzidas na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, acordo homologado judicialmente, ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, desde que comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 08 03 /2 01 8- 82 Fl. 106DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 63/67) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2016 (efls. 50/62), onde se apurou Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. A contribuinte apresentou Impugnação (efls. 03, 09/12), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 74): o valor contestado referese a pagamentos de pensão alimentícia em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual; a contribuinte declarou os valores pagos a título de pensão alimentícia descontados diretamente no seu contracheque no importe de 20% dos seus rendimentos para sua genitora, nos termos de decisão judicial; a pensão alimentícia existente entre a declarante e sua genitora foi estabelecida nos autos do processo que tramitou na 4ª Vara de Família de Brasília/DF, com sentença proferida em 2009, transitada em julgado em 2012; a Receita Federal não pode afastar aplicação de lei ou ato normativo no todo ou em parte em desobediência ao Princípio da Legalidade, tampouco rechaçar decisão judicialmente homologada; e a contribuinte jamais declarou a dedução do imposto de renda com o escopo de prejudicar o Fisco, somente praticou o que a legislação lhe assegura para fins de dedução do imposto de renda, sendo a quantia declarada plenamente capaz de ensejar o abatimento devido no imposto de renda da declarante. A Impugnação foi julgada improcedente pela 19ª Turma da DRJ/RJO (efls. 73/79). Cientificada do acórdão de primeira instância em 27/07/2018 (efls. 82), a interessada ingressou com Recurso Voluntário em 21/08/2018 (efls. 85/89) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta síntese dos fatos processuais. Sobre a fixação da pensão alimentícia paga a sua genitora, esclarece que o acordo de prestação de alimentos foi firmado via homologação judicial através do processo n° 12397/89, o qual tramitou na 4ª Vara de Família da Circunscrição Judiciária de BrasíliaDF. Expõe que a pensão foi inicialmente fixada em 30% e desde então ela é descontada diretamente Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10166.720803/201882 Acórdão n.º 2002001.107 S2C0T2 Fl. 102 3 na fonte pagadora da autora pelo órgão público ao qual é vinculada. Acrescenta que, por necessidade financeira, pleiteou a homologação da redução dos alimentos para 20% em 2001 e para 15% em 2015. Alega que anualmente faz a declaração de seu imposto de renda deduzindo o valor pago a título de alimentos para sua genitora respaldada pelo art. 1.694 do Código Civil combinado com os art. 3º e 11° da Lei 10.701/03 e amparada nos artigo 4º, inciso II da Lei n° 9.250/95, art. 10, inciso II da Lei 8.383/91 e art. 12A, §3° da Lei 7.713/88. Aduz que é perfeitamente cabível, legal e legítimo o desconto efetuado, sendo este o entendimento consolidado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme Súmula nº 98. Destaca que Zilda Oliveira Rocha, sua mãe, hoje encontrase com 93 anos e há 10 anos reside no endereço SHA, Chácara 26, casa 13, Arniqueiras, Brasília DF, CEP: 71.994503. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõese observar, inicialmente, que o valor pago a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família somente pode ser deduzido na Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública a que se refere o art. 1.124A do Código de Processo Civil, nos termos do art. 4º, II, da Lei 9.250/95, alterado pela Lei 11.727/08. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. Extraise dos documentos juntados aos autos que a recorrente estava obrigada ao pagamento de alimentos para sua mãe no valor de 15% de seus rendimentos líquidos, conforme acordo homologado judicialmente em 2015 (efls. 27/33). Cumpre esclarecer, contudo, que a origem judicial da pensão alimentícia não é suficiente para que esta seja dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda, ao contrário do que entende a interessada. Para que possam ser deduzidos, os alimentos precisam ser pagos conforme as normas do Direito de Família, o que não resta comprovado no presente caso. Sobre o assunto, cabe transcrever o disposto nos arts. 1.694 e 1.695 do Código Civil: Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. §1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. Fl. 108DF CARF MF 4 §2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecê los, sem desfalque do necessário ao seu sustento. Concluise da leitura desses dispositivos que, de acordo com as normas do Direito de Família, a prestação de alimentos pelos parentes decorre do dever de sustento de quem não possui recursos para suprir as suas necessidades. Ocorre, contudo, que no caso em tela não se pode extrair dos documentos acostados aos autos quais foram as condições determinantes do pagamento da pensão alimentícia em exame, não sendo possível verificar, por conseguinte, se a destinatária dos alimentos era, fato, incapaz de prover o próprio sustento. Cabe ressaltar que não se está negando validade ao acordo homologado judicialmente para pagamento de pensão alimentícia. A questão em análise é tão somente quanto à produção de efeitos no âmbito do Direito Tributário, particularmente na Declaração de Ajuste Anual da recorrente. Assim, não restando comprovado que o pagamento da pensão alimentícia foi realizado de acordo com as normas do Direito de Família, tal como determina a legislação do Imposto de Renda, mantémse a glosa da dedução correspondente. Vale mencionar, por fim, que a Súmula CARF nº 98 aludida pela recorrente encontrase revogada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.903875/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 26 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.150
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1190; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.903875/201361 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402002.150 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de junho de 2019 Assunto PIS/COINS Recorrente COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DE PLANTIO DIRETO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 03 87 5/ 20 13 -6 1 Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11080.903875/201361 Resolução nº 3402002.150 S3C4T2 Fl. 3 2 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A restituição e/ou ressarcimento de créditos tributários está condicionado à comprovação da sua respectiva certeza e liquidez. A falta de comprovação do crédito objeto de Pedido de Ressarcimento, impossibilita o seu deferimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão. a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão pelas seguintes razões: i) Preliminarmente: Nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação, desvio de finalidade, prejuízo ao Contraditório, Ampla Defesa e ao Devido Processo Legal; ii) No mérito, o cerne da questão se detém à análise da possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisições de produtos (soja) adquiridos pela Contribuinte e equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa Recorrente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; iii) Não exerce atividade agroindustrial ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; iv) Tem sido aplicada equivocadamente a norma suspensiva; v) Aplicase o Princípio da Verdade Material; vi) Cabe o retorno dos autos à origem para a realização de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.137, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 11080.903871/201383. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.137): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11080.903875/201361 Resolução nº 3402002.150 S3C4T2 Fl. 4 3 A empresa acima identificada transmitiu o PER/DCOMP, pelo qual solicitou o ressarcimento de créditos vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 5º da Lei nº 10.637/2002 e no art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo a PIS/Cofins. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre emitiu Despacho Decisório Eletrônico reconhecendo parcialmente o direito creditório. Não foram admitidos créditos da Contribuição referente às aquisições de mercadorias destinadas à revenda, efetuadas pelos fornecedores com alíquota zero, com o fim específico de exportação ou com suspensão nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004 e art. 2º, § 2º da IN 660/2006. Como relatado, a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos de defesa: Foram equivocadamente destacados por alguns de seus fornecedores como passíveis de aproveitamento da suspensão prevista no artigo 9º, III, da Lei nº 10.925/2004, visto que a empresa efetivamente utiliza tais produtos para revenda, o que impede a fruição da regra de suspensão pelo fornecedor segundo a legislação de regência; Não exerce atividade agroindustrial e não utiliza ou utilizou os produtos adquiridos como insumo na fabricação de quaisquer produtos; Os créditos solicitados decorrem, principalmente, das aquisições de soja de pessoas jurídicas para revenda (mercado interno e exportação), sendo que tais aquisições seriam parte das operações que realiza e que decorreriam da disponibilidade de grãos durante a safra e da sua capacidade de armazenagem, uma vez que sua estrutura não atende a demanda existente, surgindo a necessidade de operações de venda imediata do produto por incapacidade de escoamento (interno e externo). A Lei n.º 10.925/2004 dispõe sobre a suspensão das contribuições para o PIS e a COFINS, condicionandoa ao processo industrial, como prevê o artigo 9º, abaixo colacionado: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11080.903875/201361 Resolução nº 3402002.150 S3C4T2 Fl. 5 4 cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (sem destaque no texto original) Observo que a improcedência do pedido pela DRJ de origem teve por principal motivação a ausência de provas da liquidez e certeza do crédito invocado. O Ilustre julgador de primeira instância consignou que em nenhum momento a Contribuinte comprovou suas alegações, tampouco acostou qualquer documentação para demonstrar que as operações glosadas de fato não teriam ocorrido com suspensão. No entanto, o Recurso Voluntário foi instruído com Notas fiscais de Entrada e Saída, reiterando a Recorrente que as operações se referem à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros. Da análise de tais documentos, de fato constam as operações classificadas pelos seguintes códigos fiscais: CFOP 5102: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros para industrialização ou comercialização, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento. Também serão classificadas neste código as vendas de mercadorias por estabelecimento comercial de cooperativa destinadas a seus cooperados ou estabelecimento de outra cooperativa. CFOP 5117: Classificamse neste código as vendas de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros, que não tenham sido objeto de qualquer processo industrial no estabelecimento, quando da saída real da mercadoria, cujo faturamento tenha sido classificado no código "5.922 – Lançamento efetuado a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura". CFOP 5922: Classificamse neste código os registros efetuados a título de simples faturamento decorrente de venda para entrega futura. Diante de tais documentos anexados com o Recurso Voluntário, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca do direito creditório, imperando a necessária busca pela verdade material para possibilitar a correta apreciação das provas e averiguação do direito invocado, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11080.903875/201361 Resolução nº 3402002.150 S3C4T2 Fl. 6 5 Com isso, fazse necessário verificar se as mercadorias adquiridas dos fornecedores não foram objeto de recolhimento das contribuições, bem como comprovar a efetiva atividade exercida pela Recorrente, de forma a avaliar o cumprimento dos requisitos da IN SRF 660/2006. Para tanto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a equipe de fiscalização da Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Diligencie junto ao estabelecimento da empresa, de forma a constatar a atividade efetivamente exercida, especialmente se a Recorrente exerce atividade agroindustrial, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11080.903875/201361 Resolução nº 3402002.150 S3C4T2 Fl. 7 6 bem como se as mercadorias adquiridas poderiam ser classificadas como insumo na fabricação de produtos, ou se as atividades são apenas de revenda de mercadorias; b) Analise os documentos apresentadas pela Recorrente em Recurso Voluntário, apurando eventual direito creditório invocado; c) Caso necessário, intimar a Contribuinte para prestar esclarecimentos e documentos adicionais que se fizerem necessários; d) Confirme se houve recolhimento de PIS e COFINS nas operações vinculadas às Notas Fiscais objeto das glosas efetuadas; e) Elaborar Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; f) Intimar a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Cumprida a diligência acima, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 566DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964114/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO. POSSIBILIDADE.
Quando verificado nos autos que houve erro na indicação da natureza do crédito, o processo deverá retornar a unidade de jurisdição para proceda nova análise
Numero da decisão: 1302-003.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.964111/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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NATUREZA DO CRÉDITO. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO APÓS DECISÃO. POSSIBILIDADE. Quando verificado nos autos que houve erro na indicação da natureza do crédito, o processo deverá retornar a unidade de jurisdição para proceda nova análise Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.964111/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 41 14 /2 00 9- 55 Fl. 715DF CARF MF 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento indevido ou maior. Após análise, a DERAT/Rio de Janeiro não homologou a compensação por não ter apurado crédito disponível, uma vez que o pagamento estaria totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => que sua filial situada em Fortaleza/CE, através do Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, teve reconhecido o direito a redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), com início de prazo de fruição no anocalendário 2007 e término no anocalendário 2016. => cumprindo com sua obrigações tributárias, procedeu ao pagamento do Imposto de Renda do anocalendário 2007 em sua integralidade, sobrevindo o Ato Declaratório concedendo a redução de 75%, gerando assim um crédito a seu favor, utilizando para compensação débitos tributários do anocalendário de 2008. A 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: "ASSUNTO": NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO UTILIZADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INOCORRÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Se do confronto entre a DIPJ e a DCTF resultar valores de débitos informados a maior nesta última declaração, a falta de comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, de que o erro de preenchimento se deu em relação à DCTF, resulta o impedimento do reconhecimento da existência de direito creditório em relação aos pagamentos para os quais correspondam débitos regularmente confessados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ESTIMATIVA. SALDO CREDOR. INDEFERIMENTO. Não se defere a compensação de crédito por pagamento indevido ou a maior de estimativas pagas que formaram saldo credor de IRPJ. O recurso voluntário foi apresentado trazendo as seguintes alegações: Fl. 716DF CARF MF Processo nº 15374.964114/200955 Acórdão n.º 1302003.709 S1C3T2 Fl. 3 3 que o Acórdão está eivado de contradições, citando legislação que não se aplica ao caso, e concluindo que os demonstrativos apresentados pela interessada não se prestam a comprovar o direito creditório alegado. o direito creditório já foi reconhecido em Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. não há que se discutir a existência deste crédito. a recorrente obteve o beneficio fiscal a que fazia jus, direito reconhecido pela própria RFB, e não ser reconhecido o efetivo gozo desse direito constitui abuso injustificável e total violação aos preceitos jurídicos. cita a legislação que disciplina o benefício obtido, tendo a DRF/Fortaleza emitindo o citado Ato Declaratório Executivo nº 001 em 07/01/2008, com efeitos retroativos ao anocalendário de 2007. assim, a recorrente procedeu pagamento na sua integralidade, sobrevindo o citado Ato, gerando um crédito a seu favor. é inaceitável aduzir que não há direito creditório em virtude da falta de comprovação de sua liquidez e certeza, já que o reconhecimento ao benefício fiscal feito pela própria Receita Federal gerou o inconteste crédito. a Administração deve se pautar no Princípio da Verdade Material, e o julgador administrativo não poderá ignorar documentos apresentados pelo contribuinte. caso tivesse ainda dúvidas, poderia baixar o processo em diligência, verificando a fundo os argumentos do contribuinte, para depois proferir decisão. finalizando entendimento do acórdão, o relator descreveu que a interessada deveria ter requerido a compensação com crédito de saldo negativo apurado no anocalendário, e não como pagamento, tendo em vista que esta levou para o seu saldo credor de IRPJ o somatório dos pagamentos a título de estimativas mensais, incluindo os valores pagos a maior. a fundamentação do relator é dada no artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, atualmente revogado pela IN SRF 900/2008. em um primeiro momento, quando do despacho decisório negando a compensação, a autoridade determinou que somente se pudesse utilizar o crédito de pagamento indevido ou a maior no fim do período de apuração, e não durante o anocalendário, sendo essa assertiva totalmente desprovida de amparo legal e utilizada equivocadamente pela Receita Federal, violando direito líquido e certo do contribuinte na utilização de seu crédito. pela análise do artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 verificase ofensa a vários direitos e garantias individuais do contribuinte, além de princípios constitucionais. requer o provimento do recurso voluntário, homologando a declaração de compensação. Fl. 717DF CARF MF 4 Posteriormente à apresentação do recurso voluntário, foi apresentada petição na qual a recorrente apresenta Laudo Pericial Contábil, elaborado pela Tax Accounting Auditoria & Consultoria Tributária, esclarecendo que: O trabalho realizado teve como escopo a preparação do referido laudo, com o objetivo de formar opinião sobre a situação concreta dos autos, qual seja, a materialidade dos créditos requeridos para compensação à luz da verdade material, uma vez que houve apenas imprecisão formal quando do preenchimento das DCOMP'S que, quando do detalhamento do tipo de crédito que estava sendo utilizada para fins de compensação, foi descrita a situação "pagamento indevido ou a maior", quando, na verdade, deveria ser "saldo negativo de IRPJ". Esse mero erro de preenchimento não pode invalidar todo o suporte jurídico que embasa o Direito da ora peticionante." É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.700, de 13/06/2019, proferido no julgamento do Processo nº 15374.964111/2009 11, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.700): O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. De pronto, cabe esclarecer que o recorrente, no recurso voluntário apresentado, traz duas linhas de defesa: 1) que seu direito creditório já foi reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE. 2) que a decisão recorrida teria utilizado o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005 para concluir que a recorrente deveria ter requerido a compensação com crédito de saldo negativo apurado no anocalendário. Posteriormente, ao apresentar Laudo elaborado por firma contratada, inclui em sua defesa a alegação de que teria incorrido em erro de fato ao informar na DCOMP que o crédito teria origem em pagamento indevido ou a maior, sendo que o correto seria crédito de saldo negativo de IRPJ. Passo a julgar. Entendo que é equivocada a afirmação de que o direito creditório já teria sido reconhecido pelo Ato Declaratório Executivo nº 001, de 07 de janeiro de 2008, da Fl. 718DF CARF MF Processo nº 15374.964114/200955 Acórdão n.º 1302003.709 S1C3T2 Fl. 4 5 Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE, pois este reconheceu o direito à redução do imposto de renda devido, que não se confunde com indébito tributário. O reconhecimento do direito creditório depende do confronto do valor devido (se for o caso) com o efetivamente recolhido aos cofres públicos, para que sejam aferidas a certeza e liquidez do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN. Daí a necessidade de apresentação de documentos hábeis e idôneos que demonstrem os dois fatores que serão confrontados: o valor devido e o pagamento. Com base nessa premissa, o julgador a quo apontou que, para demonstrar o valor devido a título de estimativa de IRPJ, com base em balancetes de suspensão ou redução, conforme optou a recorrente da análise da Ficha 11 da DIPJ/2008, a recorrente deveria comprovar a transcrição no Livro Diário, para que aquela forma de apuração fosse considerada válida, nos termos da alínea “a”, do §1º, do art. 35, da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Em outras palavras, no entendimento do julgador a quo, o qual eu compartilho, não basta a apresentação de tão somente a DIPJ/2008, que é preenchida pela própria recorrente, fato que enfraquece sua força probante. A par disso, ao analisar a DIPJ/2008 retificadora, apresentada em 11/10/2008, o julgador a quo verificou que a recorrente computou, na apuração do IRPJ no final do anocalendário de 2007, todos os pagamentos efetuados a título de estimativa de IRPJ, obtendo como resultado crédito de saldo negativo, que poderá ser objeto de compensação ou restituição. Explicase melhor. O artigo 2º da Lei nº 9.430/96 determina que a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real, apuração anual, poderá optar por efetuar recolhimentos mensais por estimativas de IRPJ. Ao final do anocalendário, deverá confrontar o IRPJ devido com a totalidade do imposto de renda pago a título de estimativa ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Se o resultado deste confronto for negativo (saldo negativo de IRPJ), o artigo 6º, §1º, inciso II determina que este crédito poderá ser objeto de restituição ou compensação. Com base na legislação citada, passemos a analisar a DIPJ/2008 no que tange os valores devidos a título de estimativa de IRPJ (FICHA 11) e a apuração no final do ano (FICHA 12). Compulsando a Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal, elaborei tabela onde estão demonstrados, para cada mês, os valores relativos às antecipações do imposto de renda. Incluí na tabela os valores dos efetivos recolhimentos, que são objeto de crédito a titulo de pagamento indevido ou a maior das Declarações de Compensação, que se encontram em julgamento neste colegiado: Ficha 11 da DIPJ/2008 PA IRRF IRPJ a pagar Pagamentos jan/07 77.018,37 95.832,92 235.821,52 fev/07 3.062,24 82.420,72 206.456,93 mar/07 56.639,50 0,00 abr/07 mai/07 173.545,12 0,00 234.681,46 jun/07 85.573,50 17.147,38 88.098,04 jul/07 78.075,46 122.858,38 168.257,39 ago/07 36.218,63 121.012,77 155.687,81 Fl. 719DF CARF MF 6 set/07 10.754,60 out/07 115.381,57 59.520,50 nov/07 203.877,20 dez/07 636.268,99 439.272,17 1.352.400,85 Passo a analisar a apuração do final do anocalendário, Ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, no qual o contribuinte deve fazer o confronto entre o valor apurado de IRPJ e as antecipações constantes na Ficha 11: Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Valor R$ IRPJ 15% 1.245.826,42 Adicional IRPJ 10% 806.550,94 DEDUÇÕES () Programa de Alimentação do Trabalhador 11.850,75 () Isenção e Redução do Imposto 1.180.633,86 () Imposto de Renda Retido na Fonte 153.437,98 () Imposto de Renda Mensal pago por estimativa 1.988.669,84 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 1.282.215,07 Do comparativo dos valores constantes entre as tabelas, notase que a recorrente, ao apurar o tributo devido no final do ano, optou por considerar como antecipação de IRPJ todos os pagamentos recolhidos, em sua totalidade, ao somar R$ 636.268,99 (IRRF) com R$ 1.352.400,85 (valores pagos em DARF), obtendo o valor de R$ 1.988.669,84. Desta forma, todos os pagamentos a título de estimativa, na sua integralidade, compõem o crédito de saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 1.282.215,07. Ao constatar este fato, o julgador a quo consignou em seu voto condutor, verbis: No entanto, verifico que mesmo que o benefício fiscal estivesse escriturado conforme as alegações da interessada, seu pedido de compensação não poderia ser admitido, pois a interessada deveria ter requerido a compensação com crédito de saldo credor apurado no anocalendário e não com pagamento indevido, tendo em vista que esta levou para o seu saldo credor do Imposto de Renda na DIPJ o somatório dos pagamentos declarados a título de estimativas mensais, incluindo os valores pagos a maior. Por essa razão o somatório das estimativas mensais declaradas na ficha 11 alcança o valor de R$ 439.272,17, e o valor de registrado de pagamento de estimativa de IRPJ, constante ficha 12A foi de R$ 1.988.669,84. (grifei) O relator do voto condutor não aplicou o artigo 10 da IN SRF nº 600/2005, como alegou a recorrente. Tão somente consignou em seu voto o procedimento adotado pela própria recorrente. Ratificando o entendimento do julgador a quo, o próprio Laudo Pericial Contábil trazido pela recorrente corrobora com a decisão recorrida, ao concluir que: Fl. 720DF CARF MF Processo nº 15374.964114/200955 Acórdão n.º 1302003.709 S1C3T2 Fl. 5 7 Em razão da conclusão do laudo, a recorrente alega que teria ocorrido erro no preenchimento da DCOMP, ao informar que crédito teria origem em "pagamento indevido ou a maior", quando, na verdade, deveria ser "saldo negativo de IRPJ", mas que esse equívoco formal não poderia invalidar todo o suporte jurídico que embasa o seu direito ao crédito. A princípio, poderseia afirmar que a recorrente teria inovado sua defesa alegando que teria crédito de saldo negativo de IRPJ, e não mais de pagamento indevido. Entretanto, esta questão veio a lume em razão da dialética do contencioso, já que o julgador a quo apontou que todos os supostos créditos de pagamento a maior da estimativas de IRPJ estariam compondo o crédito de saldo negativo no final do período, conforme verificado na DIPJ/2008. Ou seja, em momento algum houve a afirmativa que o crédito era inexistente, mas sim que este teria sido formalizado no final do anocalendário a título de saldo negativo, e não mensalmente, nos moldes das DCOMP apresentadas. Acerca deste tema erro no preenchimento do DCOMP quanto à natureza do crédito, os julgados do CARF já por diversas vezes se posicionou de forma favorável ao contribuinte, conforme ementas a seguir: "ASSUNTO": NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. AVERIGUAÇÃO CRÉDITO Eventual erro de fato no preenchimento do formulário pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. Constitui medida de bom alvitre o retorno dos autos à unidade de origem a fim de averiguar crédito pleiteado mediante despacho decisório complementar a fim de não haver supressão de instância. (Acórdão nº 1002000697, da sessão de 09 de maio de 2019, do i. Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira) RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca Fl. 721DF CARF MF 8 da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. (Acórdão nº 1401003.371, da sessão de 17 de abril de 2019, do i. Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano) Este colegiado também recentemente acatou a possibilidade de retorno do processo a unidade de origem, para que o crédito fosse analisado como saldo negativo, conforme ementa do Acórdão nº 1302003.600, da lavra o i. Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio seguir: "ASSUNTO": NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2003 COMPENSAÇÃO. EQUÍVOCO NA FORMULAÇÃO DO PEDIDO. ANÁLISE SEGUNDO A VERDADEIRA NATUREZA DO CRÉDITO ENVOLVIDO. É possível que pedidos de restituição ou compensação sejam analisados segundo a verdadeira natureza do crédito envolvido quando há equívoco na formulação do pedido. Em situações como essa, quando uma instância anterior não admite a compensação com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, aquela instância deve proceder à análise do mérito do pedido, garantindose ao contribuinte direito ao contencioso administrativo completo em caso de insucesso ou sucesso parcial. É importante destacar que o reconhecimento ao benefício da redução de 75% ocorreu em 07/01/2008, nos termos do ADE nº 001, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fortaleza, com efeitos retroativos a janeiro de 2007. Ou seja, durante todo o anocalendário de 2007, as estimativas de IRPJ foram calculadas sem considerar o benefício obtido posteriormente, situação que reforça a possibilidade existência do crédito. Não pretende esta conselheira, nesta instância do julgamento, se manifestar sobre o direito creditório, já que a comprovação da certeza e liquidez do crédito de saldo negativo depende de outros elementos, e que em nenhum momento foram apreciados no curso deste processo. No mais, a competência para apreciação de direito creditório é da unidade de jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, conforme artigo 119 da IN SRF nº 1.717/2017. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o que o processo retorne à unidade de origem, e o crédito seja analisado como saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007. Fl. 722DF CARF MF Processo nº 15374.964114/200955 Acórdão n.º 1302003.709 S1C3T2 Fl. 6 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o que o processo retorne à unidade de origem, e o crédito seja analisado como saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2007. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 723DF CARF MF
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