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Numero do processo: 11845.000046/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam-se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
Será efetuado lançamento de oficio no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual.
DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFICIO
Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas à comprovação ou justificação.
Demonstrada a efetiva ocorrência de despesas necessária à obtenção da renda tributada obtida pro profissional liberal, a glosa da despesa deve ser cancelada.
Demonstrada a despesa com instrução de dependente, a glosa deve ser cancelada.
RECURSO DE OFICIO. JUNTA DE DOCUMENTOS.
Cabível a juntada de documentos obtidos pelo contribuinte após a apresentação da impugnação.
Numero da decisão: 2402-007.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo-se a dedução com instrução, até o limite legal, referente às dependentes Geovana Christina Isidoro Bezerra e Janaína Conceição Bezerra, bem como a dedução referente às seguintes despesas registradas em Livro-Caixa: R$ 1.063,08 (CJ Serviços Odontológicos) e R$ 600,00 (Clínica Ortopédica Palmas).
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitam-se à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de oficio no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFICIO Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas à comprovação ou justificação. Demonstrada a efetiva ocorrência de despesas necessária à obtenção da renda tributada obtida pro profissional liberal, a glosa da despesa deve ser cancelada. Demonstrada a despesa com instrução de dependente, a glosa deve ser cancelada. RECURSO DE OFICIO. JUNTA DE DOCUMENTOS. Cabível a juntada de documentos obtidos pelo contribuinte após a apresentação da impugnação.
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada. Os valores correspondentes sujeitamse à imediata cobrança, não sendo, pois, objeto de análise desse julgamento administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de oficio no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. DEDUÇÕES DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. LANÇAMENTO DE OFICIO Todas as deduções permitidas para apuração do imposto de renda estão sujeitas à comprovação ou justificação. Demonstrada a efetiva ocorrência de despesas necessária à obtenção da renda tributada obtida pro profissional liberal, a glosa da despesa deve ser cancelada. Demonstrada a despesa com instrução de dependente, a glosa deve ser cancelada. RECURSO DE OFICIO. JUNTA DE DOCUMENTOS. Cabível a juntada de documentos obtidos pelo contribuinte após a apresentação da impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 00 46 /2 00 8- 79 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 561 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendose a dedução com instrução, até o limite legal, referente às dependentes Geovana Christina Isidoro Bezerra e Janaína Conceição Bezerra, bem como a dedução referente às seguintes despesas registradas em LivroCaixa: R$ 1.063,08 (CJ Serviços Odontológicos) e R$ 600,00 (Clínica Ortopédica Palmas). (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 505) pelo qual o recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou improcedente impugnação contra lançamento de IRPF no valor de R$ 25.745,38 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre glosa de despesas médicas, de dedução de dependentes, de dedução de despesas com instrução, de dedução de contribuição à previdência oficial, de dedução de contribuição a plano de previdência privada, omissão de rendimento recebidos de pessoa jurídica e de pessoas físicas, nos ajustes anuais dos exercícios de 2004 a 2006. Consta da decisão recorrida o seguinte relatório dos fatos verificados no processo até aquele momento: Fl. 561DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 562 3 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 563 4 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 564 5 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 565 6 Ao analisar o caso, em 26.03.2009 (fls 468), entendeu a autoridade de piso que não foram impugnados os seguintes fatos geradores, razão pela qual manteve a exigência do IRPF incidente: Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 566 7 Quanto às matérias impugnadas, decidiu a autoridade de piso pela procedência parcial do impugnação, emitindo as seguinte ementas: Em função da procedência parcial da defesa, a decisão da DRJ restabeleceu as seguintes deduções referentes a despesas registradas em livro caixa, glosadas pelo auditoria. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 567 8 Ainda irresignado, o contribuinte apresentou o recurso voluntário, trazendo em síntese, as mesmas argumentações da impugnação (deixa de contestar apenas a glosa de contribuição à previdência oficial), repetindo o pedido de cancelamento do tributo e encargos incidentes lançados. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No que se refere à omissão de rendimentos Quanto à lançada omissão de rendimentos, em razão de o contribuinte apenas haver repetido as argumentações apresentadas na impugnação e por entenderse correto o juízo realizado pela autoridade de piso a respeito dessas matérias, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, replicase aqui o entendimento adotado na decisão recorrida (fls. 343): Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 568 9 Quanto à dedução de despesas médicas Em razão de o contribuinte apenas haver repetido as argumentações apresentadas na impugnação relativa à dedução de despesas médicas e por entenderse correto o juízo realizado pela autoridade de piso quanto a essas matérias, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, replicase aqui excerto da decisão recorrida (fls. 343): Da dedução de dependentes Em razão de o contribuinte apenas haver repetido as argumentações apresentadas na impugnação e por entenderse correto o juízo realizado pela autoridade de piso quanto essas matérias, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, adotase aqui o entendimento exposto na decisão recorrida (fls. 343): Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 569 10 Vale destacar, no entanto, especificamente quanto à dedução de dependentes relacionada às pessoas dos sogros do recorrente, para que isso fosse possível, sendo uma opção do contribuinte, além de efetivamente tais pessoas cumprirem os requisitos legais para tal classificação, deveria ter o recorrente incluído seus nomes na relação de pessoas sob sua dependência na declaração de ajuste anual dos exercícios envolvidos (adicionado também a renda percebida por tais pessoas), o que não ocorreu no caso analisado. Assim, sendo uma opção do contribuinte e não tendo dessa forma procedido, não cabe ao fisco realizar tal procedimento de ofício. Da dedução de despesas com instrução Com relação à dedução de despesas com instrução de YAGO FERREIRA FERRO, mantémse o entendimento de que tais valores são indedutíveis, posto que o recorrente não demonstrou a relação de dependência, nos termos da decisão recorrida. Entretanto, quanto à JANAÍNA CONCEIÇÃO BEZERRA e à GEOVANA CHRISTINA ISIDORO BEZERRA, o contribuinte fez acompanhar ao presente recurso documentos que demonstram que no anos de 2003 e 2004 efetivamente pagou à União Brasileira de Educação e Ensino Colégio Marista (fls 510 a 517) os seguintes valores: 2003 2004 GEOVANA 2.758,40 2.768,00 JANAÍNA 2.702,48 2.492,40 Em razão disso, deve ser considerado na íntegra tais valores, até limite legal de dedução. Da dedução de despesas registradas em livro caixa Em razão de o contribuinte apenas haver repetido as argumentações apresentadas na impugnação relativa à dedução de despesas médicas e por entenderse correto o juízo realizado pela autoridade de piso quanto essas matérias, com fulcro no art. 57, §3º, do RICarf, replicase aqui excerto da decisão recorrida (fls. 343): Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 570 11 Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 571 12 Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 572 13 Especificamente com relação ao recibo de fls 223 e combinado com a informação de folhas 228, entendese que o pagamento declarado no primeiro documento faz sim prova do pagamento nele declarado, ou seja, o valor de 1.063,08 à empresa CJ SERVIÇOS ODONTOLÓGICOS, devendo tal valor ser entendido como despesa para a manutenção da atividade do contribuinte profissional liberal recorrente, dedutível, portanto, da base de cálculo do IRPF incidente sobre a renda no AC 2004 (exercício 2005). Com relação à despesa de R$ 600, 00, com a Clínica Ortopédica Palmas, no mês de 10.2004, entendese que a declaração dos responsáveis pela clínica justada às folhas 221 demonstram que houve de fato o referido pagamento, devendo tal valor ser entendido como despesa para a manutenção da atividade do contribuinte profissional liberal recorrente, dedutível, portanto, da base de cálculo do IRPF incidente sobre a renda no AC 2004 (exercício 2005). Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 573 14 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 574 15 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11845.000046/200879 Acórdão n.º 2402007.249 S2C4T2 Fl. 575 16 Em resumo: Analisados os argumentos e provas constantes dos autos, entendese que o recorrente demonstrou haver incorrido nas seguintes despesas: 1) Com instrução de dependentes: 2003 2004 GEOVANA 2.758,40 2.768,00 JANAÍNA 2.702,48 2.492,40 2) Pagamento de R$ 1.063,08, ref ao mês 07/2004, à empresa CJ SERVIÇOS ODONTOLÓGICO e o pagamento de R$ 600,00, ref. ao mês 10/2004 à empresa Clínica Ortopédica Palmas, sendo ambas as despesas necessárias à manutenção da atividade de profissional do recorrente, portanto, dedutíveis da base de cálculo de seu IRPF 2005. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, mantendo em parte o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 575DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721105/2012-56
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO DÉBITO. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO.
A extinção do débito pelo pagamento, sem ressalva, caracteriza desistência, configurando-se a renúncia por parte do sujeito passivo, restando ao Colegiado declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-007.782
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, tendo em vista a extinção sem ressalva do débito.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO DÉBITO. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A extinção do débito pelo pagamento, sem ressalva, caracteriza desistência, configurando-se a renúncia por parte do sujeito passivo, restando ao Colegiado declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, tendo em vista a extinção sem ressalva do débito. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 4.660 1 4.659 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16682.721105/201256 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.782 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria JUROS SOBRE MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TELEMAR NORTE LESTE S/A EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PAGAMENTO. EXTINÇÃO DO DÉBITO. RENÚNCIA. DEFINITIVIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A extinção do débito pelo pagamento, sem ressalva, caracteriza desistência, configurandose a renúncia por parte do sujeito passivo, restando ao Colegiado declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, tendo em vista a extinção sem ressalva do débito. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente processo trata dos seguintes lançamentos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 05 /2 01 2- 56 Fl. 4660DF CARF MF 2 a) Debcad nº 51.015.5553, referente às Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre remunerações apuradas por arbitramento, não informadas em GFIP, decorrentes de sentenças e/ou acordos formalizados em processos judiciais de reclamatórias trabalhistas, no período de 01/2009 a 12/2010; b) Debcad nº 51.015.5561 (AI38), lavrado em razão de a empresa deixar de apresentar documentos e informações relacionados com os fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias; c) Debcad nº 51.015.5570 (AI35), lavrado em razão de a empresa deixar de apresentar documentos e informações não diretamente relacionados com os fatos geradores de todas as Contribuições Previdenciárias; e d) Debcad nº 51.015.5588 (AI30), lavrado por deixar a empresa de preparar, no período de 01/2008 a 12/2008, as Folhas de Pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Em 27/05/2013, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ proferiu o Acórdão nº 1256.420 (fls. 1.016 a 1.045), assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS TERCEIROS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos mesmos prazos definidos em lei para as contribuições previdenciárias, as contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos Terceiros incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados a seu serviço. CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE PROCESSO TRABALHISTA. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre o total das remunerações pagas aos segurados empregados, em decorrência de Reclamatória Trabalhista. DOCUMENTOS. AUSÊNCIA. ARBITRAMENTO. LEGALIDADE. Na ausência de documentos pode a fiscalização lançar a importância que julgar devida, conforme legislação em vigor. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. De acordo com o Parecer CJ/MPAS n.º 1.710/99, não existe responsabilidade solidária na cobrança de contribuições para Terceiros para nenhuma empresa. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao impugnante o ônus da prova em relação àquilo que alega, precluindo o direito de fazêlo em momento posterior à Fl. 4661DF CARF MF Processo nº 16682.721105/201256 Acórdão n.º 9202007.782 CSRFT2 Fl. 4.661 3 impugnação, quando não comprovada a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas na legislação. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar a empresa de apresentar qualquer documento ou livro relacionado com as contribuições previdenciárias, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS A FISCALIZAÇÃO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de prestar informações cadastrais, financeiras e contábeis, bem como os demais esclarecimentos necessários à fiscalização. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHAS DE PAGAMENTO. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros da 11ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar IMPROCEDENTE a impugnação relativa ao DEBCAD n° 51.015.5588, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGIDO e PROCEDENTE EM PARTE as impugnações relativas aos demais Autos de Infração, MANTENDO EM PARTE OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EXIGIDOS nos valores originários de R$11.489.289,83 (DEBCAD n° 51.015.5553), R$ 17.173,58 (DEBCAD n° 51.015.5561) e R$ 17.173,58 (DEBCAD n° 51.015.5570)." Contra a decisão de Primeira Instância foi interposto Recurso Voluntário, julgado em sessão plenária de 03/10/2017, prolatandose o Acórdão nº 2401005.093 (fls. 4.461 a 4.489), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 4662DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PARA OUTRAS ENTIDADES E TERCEIROS. RECLAMATÓRIAS TRABALHISTAS.AFERIÇÃO INDIRETA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, DO CRITÉRIO REAL DE APURAÇÃO E DE RAZOABILIDADE PARA CUMPRIMENTO DAS INTIMAÇÕES. A fiscalização transfere o ônus da prova para o contribuinte, arbitrando valores em mais de 1000 (mil) reclamatórias trabalhistas, partindo do conceito equivocado da ocorrência do fato gerador (pagamento), caracterizando assim a falta de razoabilidade do arbitramento em debate, passando à margem da busca da verdade material, a qual deve pautar a atividade fiscal. No presente caso, a teor da legislação que rege a matéria e em face do disposto na Súmula TST 368, o fato gerador é a prestação do serviço. No presente caso a autoridade fiscal não investigou os fatos relacionados à prestação dos serviços, adotando fato não previsto em lei (pagamento) e partindo de premissa equivocada e ilegal aplicou o método de arbitramento. Nessa esteira de atuação, a instância a quo em seu julgamento inova e adota outro fato gerador, a saber o trânsito em julgado da decisão trabalhista, restando cerceado o direito de defesa do Contribuinte. Observase ainda que houve falha nas intimações fiscais ao exigir as reclamatórias trabalhistas sem especificar o critério real de apuração, assim, para o contribuinte não ficou claro se deveria providenciar as cópias das reclamações trabalhistas ajuizadas, pagas, relativas aos serviços prestados ou ainda que transitaram em julgado no período objeto da autuação. Somase ainda que os prazos para cumprimento das intimações não foram razoáveis, tendo em vista o grande volume de reclamações trabalhistas que envolve o contribuinte (em média 14.000 processos), os quais a guarda era mantida de forma descentralizada em todos os estados da federação. Os atos emanados pela administração pública não podem ser desprovidos de razão e proporção. Razão pela qual entendo que está maculado o lançamento referente a contribuições previdenciárias destinadas a terceiros e fundos sobre condenações trabalhistas dos anos de 2009 e 2010, julgando improcedente os lançamentos realizados à esse título. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR DE PRESTAR À RECEITA FEDERAL AS INFORMAÇÕES CADASTRAIS, CONTÁBEIS E FINANCEIRAS DE INTERESSE DA MESMA. A contribuinte deve atender a intimação para apresentar os documentos que contenham as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da Receita Federal, ou para prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização. Fl. 4663DF CARF MF Processo nº 16682.721105/201256 Acórdão n.º 9202007.782 CSRFT2 Fl. 4.662 5 Ao não atender à intimação da autoridade fiscal e deixar de apresentar a documentação solicitada, nem ao menos apresentar os motivos pelo seu não cumprimento, resta tipificada a condição que autoriza a lavratura da multa, mormente quando os documentos solicitados se revelam importantes para a apuração fiscal. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHAS DE PAGAMENTO. Incorre em infração, por descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. RELATÓRIO DE VÍNCULOS RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA DOS DIRIGENTES. A simples inclusão de dirigentes e administradores do Contribuinte no anexo Relatório de Vínculos, não equivale absolutamente à atribuição de responsabilidade automática pelo crédito tributário. Tal somente ocorrerá em casos específicos, com as devidas justificativas legais, na eventual ocasião em que se operar a execução fiscal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Constatada a ocorrência das hipóteses legais, a elaboração de RFFP constitui obrigação funcional do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e corresponde ao relato da constatação da ocorrência, em tese, de prática que constitua ilícito penal, apurada no curso da auditoria fiscal, não se tratando de formal acusação, o que, aliás, nem mesmo é de sua competência. Constitui mera comunicação dos fatos, das circunstâncias, dos documentos e demais elementos que possam subsidiar a eventual proposição de ação penal, devendo ser oportunamente encaminhada à Autoridade Pública, que, a seu juízo, tomará as providências tendentes à apuração dos fatos ou formalização da acusação penal. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Impõese afastar a incidência dos juros sobre a multa de ofício na forma aplicada nos presentes autos, por absoluta falta de previsão legal." A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial para excluir do lançamento as contribuições para outras entidades e fundos pagas em virtude de reclamatórias trabalhistas e o auto de infração debcad 51.015.5588. Declarouse impedida a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.” Fl. 4664DF CARF MF 6 Embora na parte dispositiva do acórdão, acima, não conste a exclusão dos juros sobre as multas mantidas, tal exoneração constou expressamente da conclusão do voto da Relatora, sem qualquer registro de que ela tenha restado vencida em alguma matéria. O processo foi encaminhado à PGFN em 15/01/2018 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3.332 do processo principal) e, em 28/02/2018, foi interposto o Recurso Especial de fls. 4.490 a 4.505 (Despacho de Encaminhamento de fls. 3.334 do processo principal), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 06/04/2018 (fls. 4.506 a 4.510). Em seu apelo, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja mantida a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 05/06/2018 (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 4.515), a Contribuinte ofereceu, em 19/06/2018 (Termo de Solicitação de Juntada de fls. 4.516), as Contrarrazões de fls. 4.518 a 4.529, contendo os seguintes argumentos quanto ao conhecimento do Recurso Especial: por similitude fática entendese situações idênticas, sem nenhuma nuance diferente, inclusive envolvendo os mesmos tributos, o que não acontece no presente feito; a Fazenda Nacional indicou como paradigmas os Acórdãos nºs 910101.191 e 920201.991, sendo que o primeiro nasceu de um Auto de Infração para exigência de IRPJ e CSLL e o segundo de CSLL, ao passo que a autuação em tela surge para exigência de Contribuição Previdenciária e multas por descumprimento de obrigação acessória, de sorte que a origem das autuações, por si só, já fulmina a pretensão fazendária; e, como já dito na síntese fática, estarse diante da exoneração de juros sobre multas de ofício lançadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, tendo em vista que os remanescentes referemse a multas por deixar de exibir documento ou livro relacionados com as Contribuições previstas na Lei 8.212, de 1991, ou apresentálos de forma que não atenda às formalidades legais exigidas, e deixar a empresa de prestar todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis, na forma estabelecida; portanto, a similitude fática não restou demonstrada. No mérito, a Contribuinte pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No caso do acórdão recorrido, decidiuse pelo cancelamento dos Debcads nºs 51.015.5553 e 51.015.5588. Por outro lado, mantevese a exigência do Debcad nº 51.015.5561 (AI38), lavrado em razão de a empresa deixar de apresentar documentos e Fl. 4665DF CARF MF Processo nº 16682.721105/201256 Acórdão n.º 9202007.782 CSRFT2 Fl. 4.663 7 informações relacionados com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, bem como do Debcad nº 51.015.5570 (AI35), lavrado em razão de a empresa deixar de apresentar documentos e informações não diretamente relacionados com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Quanto aos Debcads mantidos, foram excluídos os juros sobre as multas. Por oportuno, esclareçase que, embora na parte dispositiva do acórdão não tenha constado a exclusão dos juros sobre as multas mantidas, tal exoneração constou expressamente da conclusão do voto da Relatora e na ementa do julgado, sem qualquer registro de que ela tenha restado vencida em alguma matéria. A Unidade de Origem apartou os créditos tributários exonerados definitivamente (Debcads nºs 51.015.5553 e 51.015.5588), bem como aqueles cujos valores foram mantidos, portanto seriam objeto de cobrança (Debcads nºs 51.015.5561 e 51.015.557 0, sem os juros sobre as multas), restando no presente processo apenas o crédito tributário em litígio, referente aos juros sobre as multas mantidas, que é o objeto do Recurso Especial da Fazenda Nacional (fls. 4.626/4.627). A Contribuinte, por sua vez, declara haver efetuado o pagamento referente aos dois Debcads mantidos, inclusive com o acréscimo dos juros sobre as multas (fls. 4.647 a 4.658). Assim, preliminarmente, há que ser considerada a extinção do crédito tributário em litígio pelo pagamento sem ressalva, conforme documentos. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, assim estabelece: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente." (grifei) Destarte, o pagamento sem ressalva do débito em litígio configura desistência e importa a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, ainda que já tenha ocorrido decisão favorável ao Contribuinte. E no presente caso, o crédito tributário em litígio corresponde aos juros de mora sobre as multas exigidas nos Debcads nºs 51.015.5561 e 51.015.5570, que foram mantidas pelo acórdão recorrido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, tendo em vista a extinção sem ressalva do débito. Fl. 4666DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 4667DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.900089/2009-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF.
Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
Numero da decisão: 3302-006.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado).
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AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de IPI, relativo ao quarto trimestre de 2004, cumulado com declarações de compensação, parcialmente indeferido, em razão da utilização de crédito indevido por entrada de produtos isentos e por glosas de devoluções e retornos e remessas para troca em garantia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 00 89 /2 00 9- 86 Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 3 2 Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou a regularidade da tomada de créditos em aquisições isentas em consequência do princípio da nãocumulatividade, o direito ao crédito de IPI decorrente de devoluções ou retornos e remessas para troca em garantia e a atualização dos créditos pela taxa Selic. A 2º Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. RESSARCIMENTO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, à exceção do direito ao crédito de IPI decorrente de devoluções ou retornos e remessas para troca em garantia. Houve pedido de retirada de pauta às efls. 234 e ss. Na forma regimental, o processo foi a este relator distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde, Relator. Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 4 3 O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Da aquisição de produtos isento O principal litígio diz respeito ao creditamento de insumos adquiridos com isenção de IPI de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus. Defendeu que a vedação ao creditamento na aquisição de produtos isentos afronta o princípio da nãocumulatividade do IPI, conforme jurisprudência do STF (RE nº 212.484/RS) e jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes, informando, ainda, que a matéria está sujeita à apreciação pelo STF do RE nº 592.891/SP, de repercussão geral reconhecida. Relativamente à matéria, os princípios da nãocumulatividade e o da seletividade do IPI estão assim expostos na Constituição Federal de 1988: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...). Por sua vez, o Código Tributário Nacional estabeleceu a regra a ser observada por lei específica, no sentido de que o direito ao crédito do IPI resulte do imposto pago pelo adquirente quando da entrada dos produtos em seu estabelecimento, nos seguintes termos: Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes. Nesta direção, o principio constitucional da nãocumulatividade teve sua sistemática regulada por lei ordinária, qual seja, o art. 25 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, e alterações posteriores, que assim estabelecia: Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuído do imposto relativo aos produtos nele entrados, no Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 5 4 mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer. § 1° 0 direito de dedução só é aplicável aos casos em que os produtos entrados se destinem à comercialização, industrialização ou acondicionamento e desde que os mesmos produtos ou os que resultarem do processo industrial sejam tributados na saída do estabelecimento. (grifos acrescidos). Por seu turno, o Regulamento do IPI RIPI 2002 (Decreto nº 4.544/2002), em seu art. 163 (equivalente ao art. 225 do Decreto nº 7.212/2010 RIPI/2010) estabeleceu: CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 163. A nãocumulatividade do imposto é efetivada pelo sistema de crédito, atribuído ao contribuinte, do imposto relativo a produtos entrados no seu estabelecimento, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1º O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. § 2º Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem assim os resultantes das situações indicadas no art. 178.” CAPÍTULO X DOS CRÉDITOS Seção I Das Disposições Preliminares NãoCumulatividade do Imposto Art. 225. A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). § 1o O direito ao crédito é também atribuído para anular o débito do imposto referente a produtos saídos do estabelecimento e a este devolvidos ou retornados. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 6 5 § 2o Regemse, também, pelo sistema de crédito os valores escriturados a título de incentivo, bem como os resultantes das situações indicadas no art. 240. Pelos dispositivos constitucionais e legais acima expostos verificase que a sistemática de nãocumulatividade adotada pelo o Brasil operase mediante a apropriação e utilização de créditos, por meio do encontro entre o valor do IPI recebido dos adquirentes do produto fabricado pelo o industrial e o IPI pago pelo o industrial quando da aquisição dos insumos onerados, apurandose a diferença, que pode ser credora ou devedora, nos termos do estabelecido pela regra do art. 153, §3º, II da Constituição Federal. Seu foco não está no valor agregado pelo o contribuinte aos insumos por ele adquirido, mas na diferença do confronto entre o imposto devido nas saídas de seu produto com o suportado nas aquisições dos insumos, técnica esta denominada “imposto sobre imposto”. Como a sistemática da não cumulatividade não dá direito à apropriação de crédito de IPI em entradas de insumos desoneradas por tal imposto, este creditamento só poderá ser admitido quando lei específica o autorize expressamente na condição de um benefício. É que a Constituição da República proíbe expressamente a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize, conforme dispõe o §6º do art. 150 da Carta Magna, cujo texto se transcreve a seguir, o que se harmoniza com a opção do constituinte pelo sistema de crédito para efetivação do princípio da nãocumulatividade. Seção II Das Limitações do Poder de Tributar Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...); § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no Art. 155, § 2.º, XII, g. (Alterado pela EC000.0031993). Destarte, para que haja o direito ao crédito de IPI na aquisição de insumos desonerados,a título de crédito presumido, fazse necessário lei específica nesse sentido. Jurisprudencialmente, a matéria está pacificada no STJ, mediante a prolação do julgado no REsp nº 1.134.903, submetido ao regime do artigo 543C do anterior CPC, cuja ementa abaixo transcrevese: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 7 6 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 8 7 isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Tal decisão deve ser obrigatoriamente adotada nos julgados deste Conselho, a teor do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Já o STF também pacificou a impossibilidade de creditamento na aquisição de produtos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, nos julgamentos dos RREE º 370.682, nº 398.365 e nº 566.819. Salientase que o RE nº 398.365 foi submetido à repercussão geral, ainda não definitivamente julgado, mas cuja ementa assim dispôs: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Destacase, ainda, que a CSRF decidiu pela impossibilidade de creditamento na aquisição de produtos isentos, conforme acórdãos abaixo: Acórdão nº 930301.274: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 IPI. JURISPRUDÊNCIA. As decisões do Supremo Tribunal Federal STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, nos termas do Decreto n° 2.346, de 10.10.97. CRÉDITOS DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 9 8 Conforme decisão do STF RE n° 566.819, há de negar direito ao creditamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acórdão nº 9303005.571: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS ISENTAS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF. Especificamente sobre a possibilidade de tomada de créditos sobre aquisições isentas oriundas da ZFM por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, esta turma já se pronunciou conforme Acórdãos nº 3302002.673, de 24/07/2014, proferido pela Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó no processo nº 11080.727828/201143, nº 3302 003.741, de 29/03/2017, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no processo nº 13839.002752/200274 e o de nº 3302004.410, proferido pelo Conselheiro Walker Araújo no processo nº 10384.720215/201360. Pontuese que a matéria está sob julgamento do STF, com repercussão geral reconhecida, no RE nº 592.891/SP e que o decidido no RE nº 212.484/RS não abordou especificamente a aplicação do artigo 40 do ADCT, mas sim o princípio da nãocumulatividade do IPI, restando superado por decisões posteriores como as proferidas nos RE nº 370.682, nº 398.365 e nº 566.819, já mencionados Em adição, transcrevese parte do voto do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410, o qual adoto como razão de decidir, complementarmente, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/1999: "A respeito de todas as matérias levantadas pela Recorrente neste tópico, a saber: (i) isenção concedida pelo SUFRAMA; (ii) reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT; e (iii) e do direito ao crédito previsto no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, pego emprestado as considerações apresentada pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim ao analisar caso idêntico ao aqui tratado (acórdão 3402002.927), o qual adoto como fundamento de decidir: "Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002, por não terem sido elaborados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, bem como no fato de que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 10 9 [...] A defesa invocou a isenção prevista no art. 9° do DecretoLei n° 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito ao dispensar tratamento diferenciado aos produtos produzidos na Zona Franca, não podendo o fisco aplicar à espécie o regime jurídico normal dos créditos de IPI. No que tange à isenção do art. 9° do DL n° 288/67, o referido diploma legal não estabeleceu de forma expressa o direito dos adquirentes aos créditos fictos do imposto. O art. 9° do DecretoLei n° 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2° do RIPI/2002. Se o regulamento do IPI não contemplou com o direito de crédito os produtos adquiridos com isenção (exceção feita ao art. 175, do RIPI/2002), então, no âmbito do julgamento administrativo, não há como reconhecer o direito pleiteado pela recorrente, sob pena de ofensa ao art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que vincula a atuação deste colegiado à observância e cumprimento de dispositivos com hierarquia igual ou superior a decreto. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE n° 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. [...] Sendo assim, devem ser mantidas as glosas dos créditos incentivados nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização."" Destarte, não é permitida, em regra, a tomada de créditos sobre aquisições de produtos isentos, ainda que adquiridos da Zona Franca de Manaus. Quanto à subsunção do pedido de compensação ao disposto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99, a matéria restou prejudicada em razão da inexistência de créditos a serem ressarcidos. Da atualização dos créditos pela taxa Selic Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 11 10 A recorrente pleiteou a atualização dos créditos pedidos em ressarcimento pela taxa Selic desde seu protocolo. Acerca da matéria, transcrevo voto vencedor proferido pelo Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal no Acórdão nº 9303005.425: "A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp nº 1.035.847 e no REsp nº 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa Selic, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 12 11 de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp nº 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 13 12 REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidênca da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividem se em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção daria se somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidênca da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 14 13 monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp nº 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, DJe 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; REsp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 15 14 livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.º 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Concluise da leitura acima, que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 16 15 previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Pareceme um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização. Somente a título de esclarecimento, contestase especificamente o argumento da ilustre relatora, em seu voto, de que seria aplicável à espécie o art. 39 da Lei nº 9.250/95, o qual, segundo o entendimento dela, deveria ser utilizado também para o fim de ressarcimento de tributos. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei nº 9.363/96. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10860.900089/200986 Acórdão n.º 3302006.781 S3C3T2 Fl. 17 16 Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). O direito à restituição é decorrência "automática" do pagamento indevido ou maior que o devido, conforme art. 165, I, do CTN. O ressarcimento tem que estar previsto em lei. Neste sentido, voto por dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para estabelecer a incidência da Taxa Selic somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento." Destarte, a incidência da taxa Selic pressupõe a oposição estatal ilegítima, o que não ocorreu para os créditos deferidos e, para os créditos indeferidos, a oposição foi legítima e a análise resta prejudicada, já que os créditos são inexistentes. No que tange ao pedido de retirada de pauta, tal apreciação é de competência do presidente da turma, tendo sido negada em procedimento próprio, conforme artigo 56 do Anexo II do RICARF. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725113/2013-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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(Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente) Relatório Trata o presente processo de lançamento de multa isolada de 150%, prevista no artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007 sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados na DCOMP nº 02191.81569.020312.1.3.041084 que deu origem ao processo administrativo nº 10166.001137/201294. De acordo com o despacho decisório proferido no processo nº 10166.01137/201294 (fls.9/18) constatouse o seguinte: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 25 11 3/ 20 13 -1 3 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 553 2 a) em consulta ao sistema Comprot verificouse que o processo indicado como origem do crédito – n° 10166.001137/201294, sem qualquer conteúdo, foi cadastrado no protocolo do Edifício Órgãos Regionais do Ministério da Fazenda em 24/02/2012, com assunto 01.213071 – Restituição, e tendo como interessado o sujeito passivo do presente processo (DAMASCO MAT ELETRICO HID E FERRAGENS LTD – CNPJ 37.054.319/000100); b) O registro da movimentação do referido processo do Setor do Protocolo para a Divisão de Orientação e Análise Tributária – DIORT da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília – DRF/BSB sem o efetivo encaminhamento do processo; validado apenas pelo boletim cadastral do Comprot, com rúbrica nele existente não identificada como sendo de qualquer servidor em exercício da própria DIORT; e que o processo em questão foi autuado por um agente público terceirizado, chamando a atenção para o fato que o boletim cadastral foi assinado em 25/02/2012, sábado, dia em que não houve expediente naquela superintendência; c) a referida Declaração de Compensação foi assinada pelo Certificado Digital de Número de Identificação (NI) 715.253.27100 (fl. 35), CPF do Sr. Wilton de Sousa Costa (fl. 36) Portal Receitanet; d) segundo a IN RFB nº 944/2009, a procuração é emitida a partir de aplicativo disponível no sítio da RFB na Internet e deve conter alguns requisitos, tais como hora, data de emissão e o código de controle a ser utilizado no processo de validação da procuração em unidade de atendimento da RFB. Observase, portanto, que a outorga da procuração é processada em duas etapas: inicialmente, o contribuinte preenche o formulário de dados na Internet; na sequência, dirigese a uma unidade de atendimento da RFB para validar a procuração a partir do código de controle atribuído ao documento no término do procedimento remoto; e) validada a Procuração Eletrônica pelo atendimento presencial da RFB, ocorre a inclusão no sistema de Procurações Eletrônicas do ECAC, momento a partir do qual passará a produzir efeitos, ou seja, neste momento o terceiro outorgado estará apto a executar os serviços disponíveis no Portal. f) em consulta ao Aplicativo “Procurações Eletrônicas RFB” (fl.. 37) restou comprovado que a DAMASCO MATERIAL ELETRICO HIDRAULICO E FERRAGENS LTDA conferiu à pessoa física Wilton de Sousa Costa poderes para efetivação de serviços do Portal ECAC, tendo sido ressaltada que a referida procuração, aprovada em 01/03/2012 teve a sua vigência fixada para o período de 29/02/2012 a 31/12/2012; g) Intimada a comprovar a formalização do processo n° 10166.001137/201294 e apresentar documentação idônea de comprovação do crédito de pagamento indevido ou a maior pleiteado, no valor de R$ 2.000.000,00, a interessada não logrou comprovar a formalização do processo n° 10166.00137/201294, indicado como origem do crédito pleiteado na DCOMP n° 02191.81569. Alegou desconhecer o referido crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 2.000.000,00 h) Em razão dos fatos acima narrados concluiu a autoridade fiscal que houve conluio entre a empresa interessada DAMASCO MATERIAL ELETRICO HIDRAULICO E FERRAGENS LTDA, a pessoa física Wilton de Sousa Costa – CPF 715.253.27100, outorgado da procuração eletrônica de fl. 37, e um funcionário do Setor de Protocolo do Edifício Órgãos Regionais do Ministério da Fazenda, responsável pelo cadastramento do Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 554 3 processo no Comprot, visando burlar o fisco mediante a compensação de débitos apurados pela empresa interessada com crédito fictício. Inconformada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 109/119), alegando, em síntese: a) Que não fora juntada nos autos a procuração outorgada ao Sr. Wilson de Souza Costa, existindo, às folhas 37, apenas uma tela do sistema da RFB que indica estar o mesmo cadastrado como representante da empresa; b) Que a ausência da juntada do referido documento prejudica a defesa, já que desconhece a pessoa do Sr. Wilton de Souza Costa, não tendo este atuado como seu contador ou representante junto a RFB; c) Que possui contratado o escritório idôneo de contabilidade CCR CONTABILIDADE, há mais de 15 (quinze) anos, para todas as necessidades e cumprimento de obrigações perante a RFB; d) Que, sendo um dos elementos a justificar a suposta falsidade da declaração da requerente e tratandose de documento que a RFB tem em posse, não possui condições de se manifestar, ante a sua não juntada aos autos do presente processo; e) Que cabe a Receita Federal determinar a juntada da referida procuração aos autos, já que ela não possui o referido documento. f) Que, em função do que dispõem o art. 37 da Lei nº 9.784/99, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, e o art. 18 do Decreto nº 70.235/72, requer, desde já, dignese a DRJ converter o julgamento em diligência para que seja juntada aos autos a procuração outorgada, permitindo, dessa forma, que exerça o seu amplo direito de defesa, com sua posterior intimação para manifestação. Com base no art. 18, caput e § 2°, da Lei n° 10.833/2003, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007, foi lavrado o Auto de Infração que deu origem ao processo 10166.725113/201313, no qual foi aplicada multa isolada sobre o valor total dos débitos indevidamente compensados na declaração de compensação não homologada (PER/DCOMP nº 02191.81569.020312.1.3.041084), considerandose a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, sendo aplicado o dobro do percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, ou seja 150% (cento e cinquenta por cento), o que resultou num crédito tributário de R$ 2.378.767,08 (dois milhões, trezentos e setenta e oito mil. setecentos e sessenta e sete reais e oito centavos. Inconformada, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 65 a 80), alegando a improcedência da multa isolada de 150%, tendo em vista que: a) A ausência de apresentação de declaração falsa por parte da RFB (ausência nos autos da procuração outorgada ao Sr. Wilton de Souza Costa Cerceamento do Direito de Defesa nulidade do lançamento); b) Da Declaração de desconhecimento prestada pelo representante legal da empresa (desconsideração); Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 555 4 c) A empresa, na mesma data, era detentora de crédito devidamente habilitado na RFB, reconhecido por decisão judicial, em montante bem maior que o pleiteado na compensação em comento; d) Da necessidade de observância da presunção da inocência e da razoabilidade. No relatório da decisão recorrida, a DRJ de origem atesta que, através do despacho nº 3.885, de 14/07/2016, que converteu o processo em diligência e solicitou que a unidade de atendimento, onde foram validados os documentos citados nos §§ 3º e 4º, anexasse os referidos documentos apresentados para validação da procuração emitida por meio do aplicativo referido no art. 2º, a qual "deveria" (deverá, conforme o dispositivo legal) ser impressa e assinada perante servidor da RFB Em resposta à diligência, a DRF Brasília informou que: Em consulta ao sistema de controle de procurações (tela anexa), verificouse que a Procuração Eletrônica foi outorgada por meio do portal ecac, com utilização do certificado digital do próprio contribuinte para seu procurador, não havendo participação do CAC e, consequentemente, não havendo arquivamento de documentos. Em 22 de fevereiro de 2017, a Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), por maioria de votos, negou provimento à impugnação da contribuinte, restando vencido o relator que dava provimento ao recurso. De acordo com o voto vencedor, as alegações da contribuinte não mereciam ser acolhidas, pelas seguintes razões: Não é possível concordar com a defesa. Da leitura do Despacho Decisório das fls. 70 a 79, resta evidente a DCOMP foi apresentada com autorização, ou melhor, a mando da impugnante. Malgrado não terem sido cumpridas as determinações do § 3º do art. 3º da IN RFB nº 944, de 29 de maio de 2009, fato é que a Damasco outorgou procuração ao Sr. Wilson de Souza Costa, o que se conclui do Extrato da fl. 37, que, com efeito, tratase de documento hábil à comprovação de que a Damasco, pelo menos, por meio do Portal ecac, com a utilização de seu certificado digital, outorgou poderes ao referido senhor. De toda sorte, não se vê por que o questionamento teria cerceado o direito de defesa, o que, como se vê da manifestação de inconformidade e impugnação ao lançamento, foi plenamente exercido. Nesse quadro, baldadas as particularidades levantadas pela interessada a seu favor. Ao revés, transparece, de fato houve a perpetração de esquema para burlar o fisco. O que se conclui ante a validação da procuração por servidor terceirizado, que não se conseguiu identificar, e ante a ocorrência de casos similares, como dito no Despacho Decisório. Além de tudo isso, não parece crível a referida DCOMP, em que se apontam débitos específicos da Damasco e há a qualificação da responsável pela empresa, inclusive com a indicação de seu CPF, tenha sido apresentada sem a chancela desta. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 556 5 Em 28/03/2017 foi proferido documento (fls. 499) atestando a ciência eletrônica por decurso de prazo. Às fls. 502 consta carta cobrança relativa ao lançamento, cientificada ao contribuinte por meio do AR de fls. 504 data de 17/10/2018. Em 13/11/2018, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 507/547, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Preliminar Nulidade da intimação e reconhecimento da tempestividade do recurso. a.1) Em 18 de janeiro de 2013 formalizou o termo de opção do Domicílio Tributário Eletrônico DTE. Ocorre que, em 21 de março de 2014, ao ser cientificada da necessidade de atualização do seus dados no sistema para confirmação e validação do DTE, resolveu cancelar a opção de modo que não atendeu a intimação para atualização dos dados; a.2) Em face da ausência da atualização dos dados cadastrais passou a ser intimada de forma pessoal de todos os atos e decisões proferidas pela RFB. Cita, como exemplo, intimação pessoal recebida no processo nº 10166.7211585/201399; a.3) Alega que tais fatos demonstram que a opção pelo DTE não era mais válida, motivo pelo qual, estaria sujeita à intimação pessoal. Sendo assim, só teve conhecimento do julgamento da impugnação em 17/10/20189, quando recebeu a carta cobrança de nº 10166.725.113/2013; a.4) Alega que o fato da Receita Federal ter enviado a carta cobrança, por meio de intimação pessoal, demonstra incoerência dos atos praticados por parte da Receita Federal, uma vez que, no mesmo processo, foram adotadas duas formas de intimação. a.5) Com a ausência de renovação dos dados cadastrais no sistema do Domicílio Tributário Eletrônico DTE, por período que já ultrapassa 05 (cinco) anos, resta demonstrada a falta de interesse da recorrente em manter essa opção de comunicação, sobretudo quando os atos posteriores emanados da própria Receita Federal ratificaram a opção pela intimação pessoal. b) Mérito b.1) Requer que o presente processo seja apensado ao processo nº 10166.00137/201294 que trata a ausência de homologação da compensação da qual se imputa a falsidade. b.2) Não foi juntado aos autos a procuração outorgada ao Sr. Wilson de Souza Costa, existindo apenas uma tela do sistema da RFB que indica que este estaria cadastrado como representante da empresa; b.3) Foi constatado no sistema um pedido de restituição que somente existia nos sistemas, mas não de forma física. Sendo assim, não é possível atribuir validade a uma procuração não formalizada; b.4) o pedido de compensação não gerou qualquer situação que demonstrasse o dolo ou intuito de fraudar a fiscalização, uma vez que, à época da formalização do processo nº Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 557 6 10166.001137/20124, a Recorrente nem mesmo possuía condições de obter Certidão Positiva com Efeitos de Negativa; b.5) Atualmente, os débitos da DCOMP objeto do presente parcelamento foram incluídos em parcelamento e estão sendo pagos; b.6) A Recorrente confirmou, antes mesmo do pedido de compensação ser decidido, que desconhecia o crédito questionado pela RFB e que a compensação foi formulada sem sua autorização. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora 1) DA TEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/1972, das decisões de primeira instância caberá a interposição de recurso voluntário, no prazo de 30 dias, a contar da ciência da decisão. O artigo 5o deste mesmo diploma esclarece que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Sobre a data da ciência da decisão, o artigo 23 do Decreto 70.235/1972 estabelece que a intimação pode ser feita via postal ou por meio eletrônico. Neste último caso, considerase feita a intimação 15 dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo ou na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes deste prazo de 15 dias. No extrato do processo juntado às fls. 496, consta que a impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada em 22/02/2017 e que a empresa foi cientificada em 28/03/2017. No despacho de fls. 498, datado de 10/10/2018, a DICAT atesta que não consta dos autos o AR de ciência do Acórdão da DRJ. Confirase: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 558 7 Logo em seguida, às fls. 499, a DIORT faz a juntada de documento que atesta a ciência eletrônica por decurso de prazo no dia 28/03/2017: Diante do que consta no documento acima transcrito, o prazo final para interposição do Recurso Voluntário seria 27/04/2017 (quinta feira). No entanto, a Recorrente alega que a intimação por meio do eletrônico foi inválida. Isso porque, embora tenha formalizado o termo de opção do Domicílio Tributário Eletrônico DTE em 18 de janeiro de 2013, em 21 de março de 2014, ao ser cientificada da necessidade de atualização do seus dados no sistema para confirmação e validação do DTE, resolveu cancelar a opção de modo que não atendeu a intimação para atualização dos dados; Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 559 8 Em face da ausência da atualização dos dados cadastrais passou a ser intimada de forma pessoal de todos os atos e decisões proferidas pela RFB. Cita, como exemplo, intimação pessoal recebida no processo nº 10166.7211585/201399; Alega que tais fatos demonstram que a opção pelo DTE não era mais válida, motivo pelo qual, estaria sujeita à intimação pessoal. Sendo assim, só teve conhecimento do julgamento da impugnação em 17/10/2018, quando recebeu a carta cobrança de nº 10166.725.113/2013; É relevante observar que a ciência relativa à carta cobrança foi realizada por meio de Aviso de Recebimento (fls. 504) Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 560 9 Por fim alega a Recorrente que a ausência de renovação dos dados cadastrais no sistema do Domicílio Tributário Eletrônico DTE, por período que já ultrapassa 05 (cinco) anos, resta demonstrada a falta de interesse da recorrente em manter essa opção de comunicação, sobretudo quando os atos posteriores emanados da própria Receita Federal ratificaram a opção pela intimação pessoal. A Portaria nº 259 de 13 de março de 2006, que dispõe sobre a pratica de atos e termos processuais de forma eletrônica no âmbito da Secretaria da Receita Federal, determina, em seu artigo 1º, §3º, que a Receita Federal deverá comunicar ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. Confirase: Art. 1º O encaminhamento, de forma eletrônica, de atos e termos processuais pelo sujeito passivo ou pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) será realizado conforme o disposto nesta Portaria. § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem assim os documentos apresentados em papel, digitalizados pela SRF, comporão processo eletrônico (eprocesso). § 1º Os atos e termos processuais praticados de forma eletrônica, bem como os documentos apresentados em papel, digitalizados pela RFB, comporão processo eletrônico (eprocesso). § 2º Para efeito do disposto no caput, a SRF informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. § 2º Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos digitais com garantia da origem e de seu signatário serão considerados originais para todos os efeitos legais. § 3º Para efeito do disposto no caput, a RFB informará ao sujeito passivo o processo no qual será permitida a prática de atos de forma eletrônica. (grifamos) Pela análise dos autos, somente é possível identificar a comprovação de duas intimações: a intimação eletrônica por decurso de prazo da decisão da DRJ e a ciência, via AR, da carta de cobrança. Não consta dos autos por qual meio do contribuinte foi cientificado do despacho decisório que deu origem a sua manifestação de inconformidade. Sendo assim, não é possível aferir se, tal como alega o contribuinte, de fato, todas as intimações até então promovidas no âmbito do processo tinham sido efetivadas por meio pessoal. Sendo assim, considero que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, motivo pelo qual, entendo necessária a conversão do processo em diligência para que a unidade de origem informe: a) a comprovação da ciência ao contribuinte do despacho decisório de fls. 9/18; b) se a opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE encontravase válida na data da ciência da ciência eletrônica por decurso de prazo em 28/03/2017; Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10166.725113/201313 Resolução nº 1402000.855 S1C4T2 Fl. 561 10 c) Esclareça porque o despacho de encaminhamento de fls. 499 faz referência ao Processo nº 101666.73031443; d) Intime a contribuinte do resultado da diligência para, querendo, se manifestar no prazo de 30 dias. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 561DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.720054/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2011
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO.
1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014).
2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado).
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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RETENÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS ATRAVÉS DE COOPERATIVAS DE TRABALHO Recorrente DIPECARR DISTRIBUIDORA DE PECAS E ACESSORIOS PARA CARRETAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). 2. O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 3. Diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 54 /2 01 1- 11 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 15940.720054/201111 Acórdão n.º 2402007.165 S2C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Fernanda Melo Leal (Suplente Convocada), Luis Henrique Dias Lima, Wilderson Botto (Suplente Convocado) e Gregorio Rechmann Junior. Ausente a conselheira Renata Toratti Cassini, substituída pelo conselheiro Wilderson Botto (Suplente Convocado). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa perspectiva, adotamos o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em resistência ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias devidas pela empresa incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Devidamente intimado da decisão de Primeira Instância, o Contribuinte interpôs recurso voluntário pugnando pela improcedência do Lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Assim sendo, ao presente litígio aplicase a decisão de mérito plasmada no Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 2019, proferido no âmbito do processo n° 10865.001232/201049, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, digno Relator da decisão paradigma suso citada, reprisese, Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 9 de abril de 20. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 15940.720054/201111 Acórdão n.º 2402007.165 S2C4T2 Fl. 4 3 Acórdão nº 2402007.150 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1. Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2. Da declaração de inconstitucionalidade O § 2º do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil ora vigente, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Até pelo uso do verbo (deverão), vêse que se trata de norma cogente, de aplicação obrigatória por parte do Conselheiro. É sabido, ademais, que a tradição jurídica brasileira adotou a tese da nulidade absoluta do ato inconstitucional. Isto é, prevalece o entendimento segundo o qual são absolutamente nulos os atos normativos contrários à lei fundamental, pois tais atos são repudiados pela necessidade de se preservar o princípio da supremacia da Constituição e, consequentemente, a unidade da ordem jurídica nacional. Tomandose de empréstimo a assertiva do Min. Celso de Mello (STF, ADI 652), "esse postulado fundamental de nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de menor grau de positividade jurídica guardem, necessariamente, relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de sua ineficácia e de sua completa inaplicabilidade". Daí, porque, nas palavras do citado Ministro: – Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica. – A declaração de inconstitucionalidade de uma lei alcança, inclusive, os atos pretéritos com base nela praticados, eis que o reconhecimento desse supremo vício jurídico, que inquina de total nulidade os atos emanados do Poder Público, desampara as situações constituídas sob sua égide e inibe – ante a sua inaptidão para produzir efeitos jurídicos válidos – a possibilidade de invocação de qualquer direito. – A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia da lei e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional. Esse poder excepcional – que extrai a sua autoridade da própria Fl. 310DF CARF MF Processo nº 15940.720054/201111 Acórdão n.º 2402007.165 S2C4T2 Fl. 5 4 Carta Política – converte o Supremo Tribunal Federal em verdadeiro legislador negativo. No caso concreto, vêse que o lançamento tem como fato gerador a prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, conforme previsto no inc. IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, que era assim redigido: Lei nº 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Execução suspensa pela Resolução nº 10, de 2016) Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do citado dispositivo (RE nº 595.838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). Segue a ementa da decisão: EMENTA Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos Fl. 311DF CARF MF Processo nº 15940.720054/201111 Acórdão n.º 2402007.165 S2C4T2 Fl. 6 5 do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. (RE 595838, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 23/04/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe196 DIVULG 07 102014 PUBLIC 08102014) (destacouse) Foi, inclusive, negada a modulação dos efeitos da decisão, conforme se vê na ementa abaixo: EMENTA Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. 1. A modulação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade é medida extrema, a qual somente se justifica se estiver indicado e comprovado gravíssimo risco irreversível à ordem social. As razões recursais não contêm indicação concreta, nem específica, desse risco. 2. Modular os efeitos no caso dos autos importaria em negar ao contribuinte o próprio direito de repetir o indébito de valores que eventualmente tenham sido recolhidos. 3. A segurança jurídica está na proclamação do resultado dos julgamentos tal como formalizada, dandose primazia à Constituição Federal. 4. É de índole infraconstitucional a controvérsia a respeito da legislação aplicável resultante do efeito repristinatório da declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 5. Embargos de declaração rejeitados.(RE 595838 ED, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 18/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe036 DIVULG 24022015 PUBLIC 25022015) No âmbito do legislativo, foi editada a Resolução Senado Federal nº 10/2016, para "suspender" a execução do dispositivo inconstitucional. Em sendo assim, deve ser aplicado o art. 62, § 2o, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, segundo o qual as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, tomadas, respectivamente, em sede de repercussão geral ou recurso repetitivo devem ser reproduzidas por suas Turmas. Logo, diante da inconstitucionalidade da norma legal que estabeleceu o fato gerador das contribuições lançadas, deve ser Fl. 312DF CARF MF Processo nº 15940.720054/201111 Acórdão n.º 2402007.165 S2C4T2 Fl. 7 6 dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento ora em debate. 3. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 313DF CARF MF
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Numero do processo: 11030.000701/2009-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador.
PRELIMINAR. NULIDADE.
Os casos de nulidade absoluta restringem-se aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício.
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO.
Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matéria-prima, mão-de-obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS.
A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limita-se aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente.
SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.858-6/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária.
NÃO-CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE.
As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005.
Numero da decisão: 3301-005.681
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INDEFERIMENTO Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. PRELIMINAR. NULIDADE. Os casos de nulidade absoluta restringemse aos previstos na legislação. Se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo normativo, não se justifica argüir a nulidade do lançamento de ofício. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente se consideram isentas do PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. CUSTO AGREGADO. Custo agregado ao produto agropecuário está limitado aos dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização e armazenamento dos produto entregue pelo cooperado. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. VENDAS DE PRODUTOS A ASSOCIADOS. A exclusão da base de cálculo da receita de vendas de produtos a associados limitase aos produtos vinculados diretamente com a atividade por eles exercida e que seja objeto da cooperativa, desde que sejam contabilizadas destacadamente. SOCIEDADES COOPERATIVAS. ATO COOPERATIVO. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 07 01 /2 00 9- 54 Fl. 373DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 3 2 A partir de 1º.10.1999, por força da MP 1.8586/99, as sociedades cooperativas estão sujeitas ao PIS sobre o seu faturamento, incidindo a contribuição sobre a totalidade das receitas, com as exclusões previstas no art. 15 da MP 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.684/2003, para as cooperativas de produção agropecuária. NÃOCUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. HIPÓTESE. IMPOSSIBILIDADE. As exclusões de base de cálculo do PIS, nos termos do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizada a compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Foi proposta a conversão do julgamento em diligência, que não foi acatada pela turma. Vencido o Conselheiro Ari Vendramini. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Marinho Nunes e Ari Vendramini. Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 10 037.783, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, mantendo o indeferimento parcial do PER apresentado, consoante despacho decisório acostado aos autos. Inconformada com o não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : I – DOS FATOS E DO HISTÓRICO DOS PEDIDOS DE RESSARCIMENTO REFERENTE AO SEGUNDO TRIMESTRE DE 2005 o Acórdão DRJ deve ser revisto e reformado, pois a recorrente é sociedade cooperativa, subsumindose ao regime não cumulativo da Contribuição ao PIS e, para tanto, para consecução de seus objetivos a recorrente industrializa e comercializa produtos, fazendo jus a créditos de PIS quando da aquisição de insumos empregados no processo produtivo e de comercialização de sua produção, por tal motivo efetivou Fl. 374DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 4 3 pedidos de ressarcimento dos saldos credores acumulados do PIS, que foram indeferidos pela autoridade fiscalizadora, por não concordar com alguns critérios de cálculo adotados pela cooperativa, concluindo que a cooperativa teria saldos devedores não declarados em DCTF e nem recolhidos. o presente processo visava a análise dos pedidos de ressarcimento do saldo de créditos referentes ao PIS não cumulativo acumulado no período do segundo trimestre de 2005, e não deve prosperar o indeferimento pois os créditos pleiteados estão de acordo com a legislação de regência. II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS 2.1 – DAS DIVERGÊNCIAS NOS CÁLCULOS APURADOS PELA AUTORIDADE FISCALIZADORA 2.2.1 – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES foi glosado o crédito apropriado sobre aquisições considerados como insumo de produção que, conforme alega a autoridade autuante que tais insumos não se sujeitam ao pagamento das contribuições de acordo com o artigo 42 da MP 2.15835, que determina que as vendas efetuadas por distribuidor e varejista ficam reduzidas a zero não integrando, portanto, a base de cálculo dos créditos. Entretanto, a previsão legal para o crédito das contribuições encontrase no Inciso II do artigo 3º das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, tendo estes dispositivos legais autorizado expressamente o creditamento quando utilizados como insumo de produção. além disso, tais mercadorias estão sujeitas ao regime de incidência monofásica das contribuições, portanto tais produtos estão sujeitos á incidência das contribuições, conforme pronunciamento da Secretaria da Receita Federal, na Solução de Consulta nº 51 de 31/03/2005, que afirma que produtos sujeitos a incidência monofásica, quando usados como insumos de produção, geram direito a crédito das citadas contribuições. assim não merece prosperar o argumento da autoridade fiscal autuante. 2.2.2 – AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS PARA REVENDA NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES a autoridade fiscal constatou que a cooperativa adquiriu e revendeu mercadorias não sujeitas ao pagamento das contribuições que estão sujeitas a alíquota zero, excluindo assim tais valores da base de cálculo dos créditos; conforme demonstrativos fornecidos á autoridade fiscal as mercadorias adquiridas com alíquota zero não foram computadas na base de cálculo do crédito, não cabendo nenhuma exclusão pois “ não tem lógica excluir da base de cálculo dos créditos o valor da receita de venda dessas Fl. 375DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 5 4 mercadorias, se a cooperativa tivesse incluído tais mercadorias na base de cálculo dos créditos. Assim, o que deveria ser excluído seria o valor das aquisições e não o valor das vendas conforme alega ter feito o agente fiscalizador.” 2.3 – DO DIREITO A CONSTITUIÇÃO E AO RESSARCIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO – AGROINDÚSTRIA A PARTIR DE 01/08/2004 a autoridade fiscal afirma que a partir de 01/08/2004 não existe mais previsão legal para o benefício do crédito presumido previsto no § 10 do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e no § 11 do artigo 3º da lei nº 10.833/203, pois este benefício foi revogado pelo artigo 16 da Lei nº 10.925/2004, por tal motivo efetuou a glosa de tais valores. a recorrente, a partir de 01/08/2004, passou a se apropriar dos créditos presumidos previstos no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004, cuja vigência está disposta no artigo 17 do mesmo diploma legal, portanto, não há prevalecer o argumento da autoridade fiscal, podendo tal crédito ainda ser objeto de pedido de ressarcimento em função das exportações ou em função da sua origem, conforme artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, não importando se tais créditos se acumularam em função de vendas sujeitas a alíquota zero, isenção, suspensão ou não incidência.. 2.4 – DAS RECEITAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO a recorrente efetuou vendas de soja e milho com fim específico de exportação, sendo que tais receitas não sofrem incidência de PIS e COFINS, citando o artigo 7º da Lei nº 10.637/2002, alega a recorrente que a autoridade fiscal afirma que o não houve comprovação das vendas remetidas diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, sendo por tal desconsideradas como vendas com fim específico de exportação, pois alguns destinatários não tem registro no SISCOMEX e outros tem tal registro porém não possuem recinto alfandegado, tendo sido descaraterizadas 100 % das vendas realizadas com este fim a autoridade fiscal se contradisse pois admitiu quer o ônus da prova quanto á efetiva exportação é de responsabilidade da comercial exportadora, e depois afirma que a recorrente não apresentou tal comprovação, reitera a recorrente que a responsabilidade por tal prova é da comercial exportadora, e que possui em seus arquivos memorandos de exportação que comprovam o efetivo embarque das mercadorias para o exterior. 2.5 – QUANTO Á APURAÇÃO DOS DÉBITOS (RECEITAS) – DAS EXCLUSÕES PERMITIDAS ÁAS COOPERATIVAS DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA Fl. 376DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 6 5 2.5.1 – CUSTOS DAS MERCADORIAS E BENS VENDIDOS AOS ASSOCIADOS a autoridade fiscal afirma que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos referentes ás vendas de mercadorias e produtos aos associados, entretanto nem todos os custos são referentes ás vendas para associados, pois também são produzidos insumos enviados aos cooperados sob regime de integração, onde não ocorre a venda, portanto essa parcela do custo seria considerada custo agregado aos produtos dos associados e, ainda, a lei não exige que haja industrialização dos produtos adquiridos de associados de cooperativa para que haja a exclusão do valor pago para o associado pelo seu produto das bases de cálculo do PIS e da COFINS, portanto não deve prosperar o argumento da autoridade fiscal. 2.5.2 – CUSTO DOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS VENDIDOS A TERCEIROS (CUSTO AGREGADO) a autoridade fiscal afirma que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo do PIS e da COFINS os custos agregados aos produtos industrializados pela cooperativa e vendidos a terceiros, alegando que apenas os custos agregados aos produtos agropecuários dos cooperados entregues á cooperativa para comercialização é que poderiam ser objeto da exclusão, citando o artigo 17 da Lei nº 10.684/2003 e o § 8º c/c o Inciso V do artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 635/2006, afirma a recorrente que o auto de infração está eivado irregularidades pois com base nos dispositivos citados, é claro que os custos de produção agregados na elaboração dos produtos agropecuários entregues pelos cooperados á cooperativa podem ser deduzidos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 2.6 – DAS RECEITAS OBTIDAS NAS SEÇÕES DE VAREJO – RECEITAS DISCRIMINADAS NAS LINHAS 01 A 09 DA DACON a autoridade fiscal entendeu serem tributadas as receitas obtidas nas seções de varejo (supermercados), com a exclusão da alíquota zero e a substituição tributária pois tais receitas não estariam individualizadas, ou seja, não seria possível identificar as que são provenientes de vendas a associados e ao público em geral, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal a recorrente mantém tais receitas provenientes de vendas a associados, de forma individualizada, conforme comprovam seus controles e inclusão de tais receitas na rubrica contábil “outras exclusões” e estão discriminadas nas linas 01 a 09 da DACON porém, com as exclusões permitidas para as cooperativas, não restou base tributável para o PIS e a COFINS, Fl. 377DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 7 6 a falta de comprovação das alegações pela autoridade fiscal é motivo de nulidade do procedimento, pois embasase no arbítrio e na presunção da autoridade fiscalizadora, procedimento não amparado por lei e caso a autoridade fiscal quisesse lançar alguma irregularidade deveria fazer prova em contrário dos documentos apresentados pela recorrente, como a autoridade fiscal não prova, mas apenas alegou a irregularidade, não merece procedência os seus argumentos, pois é vedado á Administração atuar sob presunção fiscal. 2.7 – EXCLUSÃO DOS VALORES REPASSADOS a autoridade fiscal considerou a incidências do PIS e da COFINS sobre todas as operações de prestação de serviços, independentemente de terem sido prestadas por associado ou terceiro, não considerando nenhuma exclusão da base de cálculo, por entender que somente a partir de dezembro de 2005 passou a ser permitida a exclusão da base de cálculo dos repasses aos associados, com a alteração promovida pela Lei nº 11.196/2005 e pelo artigo 30 da Lei nº 11.051/2004. a autoridade fiscal deixou de aplicar o § único do artigo 79 da Lei nº 5.764/71, a qual define que os atos cooperados não são receitas e, portanto, o que existe é uma não incidência, portanto, quando um serviço é prestado por um associado está configurado o ato cooperativo e, configurado o ato cooperativo, não haverá a incidência de PIS e COFINS, e também o artigo 87 da mesma lei, que define o diferenciado tratamento tributário a ser dado ás operações com terceiros, além de não considerar o disposto no artigo 146 da Constituição Federal, que definiu que somente lei complementar pode legislar sobre o tratamento tributário do ato cooperativo, sendo assim, as lei e medidas provisórias que embasaram o argumento da autoridade fiscal não merecem prosperar por tais razões entende a recorrente que todos os serviços prestados por associados devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois são beneficiados pela não incidência aplicável ao ato cooperativo. 2.8 – DOS CRÉDITOS APURADOS PROPORCIONALMENTE A RECEITA NÃO TRIBUTADA a autoridade fiscal alega que os produtos comercializados pela cooperativa sofrem a incidência do PIS e da COFINS e que a cooperativa equivocouse no cálculo das vendas não sujeitas ao pagamento das contribuições para fins de determinação dos créditos passíveis de ressarcimento, pos alega que somente seriam passíveis de ressarcimento os créditos vinculados á receita de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, conforme artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e artigo 16 da Lei nº 11.116/200 para a recorrente o ato cooperativo foi considerado como uma não incidência das contribuições, por isso, nos demonstrativos da cooperativa todo o crédito estava vinculado á receita não Fl. 378DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 8 7 tributada e , seguindo orientações da DACON sobre segregação dos créditos vinculados ás receitas tributadas e não tributadas no mercado interno, a recorrente identificou todos os insumos e despesas de produção que são vinculados diretamente a receita não tributada no mercado interno e apropriou diretamente na coluna Não Tributadas no mercado Interno, fazendo o mesmo com os custos e despesas vinculadas a receita tributada. a autoridade fiscal utilizou o critério de rateio para todos os custos e despesas, sem considerar os valores que foram apropriados diretamente na coluna específica, distorcendo o valor do crédito a ser ressarcido, não refletindo a realidade e não podendo prevalecer. III – DO REQUERIMENTO FINAL requer o recebimento e processamento do presente recurso, que seja a recorrente intimada pessoalmente para querendo fazer sustentação oral perante o CARF, que seja dado provimento ao presente recurso reformando o Acórdão recorrido com base nas razões de pedir constantes deste recurso para que : sejam homologados os dados inseridos pela recorrente nos DACON que comprovam o direito ao crédito, seja reconhecido o direito creditório, sejam declaradas homologadas as compensações realizadas, no caso de não reconhecimento do direito creditório, seja designada perícia em diligência ao estabelecimento da recorrente para a verificação in loco dos documentos e do processo de industrialização. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.672 de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 11030.000694/200991, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.672): Fl. 379DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 9 8 "7. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. 8. Antes de qualquer argumentação, ressaltemos que as razões de recurso são idênticas ás razões de impugnação, muito bem tratadas pelo Acórdão DRJ/PORTO ALEGRE, portanto, não é demais lembrar que adotaremos muito dos dizeres da decisão de piso, diante das matérias tratadas. 9. Relevante destacar as observações do julgador da DRJ, que assim se manifestou, de forma precisa: A interessada deixa de contestar expressamente os itens 4.2 (Das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus), 4.3 (Das vendas realizadas com suspensão do PIS e da Cofins nãocumulativos anterior a 04/04/2006), e 4.10 (Dos créditos decorrentes de aquisição de bens para revenda e de bens e serviços utilizados como insumos na produção adquiridos de associados) do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, matérias que se tornaram definitivas na esfera administrativa. (...) Deve se observar também que a interessada aborda questões em sua manifestação de inconformidade que não foram levantadas pela Fiscalização na auditoria realizada, ou seja, os itens da manifestação 2.2.1 (Aquisição de Insumos Não sujeitos ao Pagamento das Contribuições tributação monofásica), 2.2.2 (Aquisição de Mercadorias Para Revenda Não Sujeitas ao Pagamento das Contribuições – Alíquota Zero) da sua manifestação de inconformidade, não gerando glosas dos valores pleiteados. (...) Importante destacar também que os itens 4.4 (Das condições para aplicação da Suspensão de PIS e Cofins não cumulativos nas vendas realizadas a partir de 04/04/2006), 4.7 (Dos créditos decorrentes dos custos e despesas operacionais vinculadas às receitas das vendas com suspensão previstas no § 4º do art. 34 da IN SRF nº 635/2006) e 4.8 (Do crédito dos estoques de abertura) do Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal não resultaram em glosas do crédito pleiteado. PRELIMINAR – DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 9. Afirma a recorrente que ocorreu nulidade do procedimento fiscal pelos seguintes motivos : o argumento utilizado pela autoridade fiscal, ao alegar que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos referentes ás vendas de mercadorias e produtos aos associados, não pode subsistir por violação Fl. 380DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 10 9 direta do Princípio Constitucional da Legalidade (Item 2.5.1 do Recurso Voluntário); a autoridade fiscal alega que a recorrente excluiu indevidamente da base de cálculo das contribuições os custos agregados aos produtos industrializados pela recorrente e vendidos a terceiros, para o que não há fundamento legal que ampare tal entendimento, motivo pelo qual o auto de infração está eivado de irregularidades e vícios insanáveis, o que leva a sua extinção (Item 2.5.2 do Recurso Voluntário); a alegação fiscal de que as receitas não estariam individualizadas, sem provar materialmente o que alega, é caso de nulidade do procedimento pois, embasase inadmissivelmente no arbítrio e na presunção da autoridade fiscalizadora, procedimento este não amparado em lei e, ainda, com relação á presunção fiscal, é vedado á Fazenda Pública com base nela atuar e cobrar tributos, seja porque os atos fiscais deve ser praticados em estrita observância ao estabelecido em lei, seja porque não se admite a exigência tributária consubstanciada em ficção.(Item 2.6 do Recurso Voluntário). 10. Não assiste razão á recorrente. O que a recorrente chama de presunção e meras alegações não tem fundamento, pois o procedimento fiscal foi todo baseado em provas e respostas á intimações fornecidas pela própria recorrente, além de as autoridades fiscais autoras do lançamento detalharem todo o seu procedimento no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, ás fls. 81 a 113 dos autos digitais, segregando a autuação em itens detalhados, descrevendo a fundamentação legal e os motivos das glosas ou ajustes realizados, portanto não ocorreu a presunção ou a ilegalidade alegada pela recorrente. 11. A recorrente teve pleno conhecimento de todos os procedimentos fiscal, tendo intimada e reintimada a esclarecer pontos julgados controversos pelas autoridades fiscais, teve oportunidade de oferecer provas e se manifestar livremente, teve conhecimento do Termo de Verificação Fiscal em sua íntegra (INTIMAÇÃO Nº 125/2011.SAORT/DRF/PFO/SRRF/1O/RB/MFRS ás fls. 120 dos autos digitais e Aviso de Recebimento ás fls. 138 dos autos digitais), ainda apresentou razões defesa onde demonstrou que teve acesso a todos os procedimentos de autuação e aos argumentos do relatório fiscal, tendo ainda oportunidade de apresentar argumentos de defesa nas instâncias administrativas. 12. Ainda há que se considerar que as nulidades no processo administrativo estão descritas no Artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, que regulamentou o Processo Administrativo Fiscal : Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 381DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 11 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta 13. Não tendo ocorrido tais hipóteses legais de nulidade, não há motivo para prosperarem as acusações da recorrente e, por tal motivo, nego provimento ao recurso quanto a este quesito. (...)1 Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento em relação a necessidade de diligência. Consultando os autos verificase que os documentos necessários ao deslinde da questão estão acostados aos autos. Caso a Recorrente entendesse pela apresentação adicional de documentos e informações, poderia ter prestado nas instâncias de julgamento, tanto na manifestação de inconformidade quanto da apresentação do Recurso Voluntário. A diligência tem como pressuposto a busca de esclarecimentos para subsidiar o julgador na sua decisão. A diligência não se presta a produção de provas que devem ser apresentadas pela Recorrente. No caso em tela, a turma entendeu que os documentos acostados ao processo e os esclarecimentos prestados são suficientes para a convicção do julgador, não sendo necessária nenhuma informação adicional para solução da lide. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao pedido de diligência e apreciar as demais matérias constantes do recurso voluntário. (...) NO MÉRITO (...) RECEITAS ORIUNDAS DE VENDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE 1 Transcritos apenas os entendimentos que prevaleceram no julgamento. Íntegra dos votos pode ser consultada no processo paradigma (11030.000694/200991). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 12 11 EXPORTAÇÃO (item 2.4 do recurso voluntário– item 4.1 do relatório fiscal) 24. O artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003, estabeleceram para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS, respectivamente, que tais contribuições não incidem sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, bem como sobre vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei 10.637/2002 : Art. 5º a contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei 10.833/2003 : Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. 25. Vários textos legais tratam do conceito da expressão “fim específico de exportação”, como segue : Decretolei nº 1.248/1972 Dispõe sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico da exportação, e dá outras providências Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor vendedor para: Fl. 383DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 13 12 a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. ……………………………………………………………… ………... Decreto nº 4.524/ 2002: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): (...) IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ……………………………………………………………… …………………. Lei n.º 9.532/1997: Art. 39. (...) (...) § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. MP 2.15835/2001 Art.14 Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (…..) VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e Fl. 384DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 14 13 alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X (….) § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. 26. Alguns atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, reproduziram o mesmo entendimento : Instrução Normativa nº 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: (...) IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1o Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. ……………………………………………………………… ………… Instrução Normativa nº 635, de 24 de março de 2006: Dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, cumulativas e nãocumulativas, devidas pelas sociedades cooperativas em geral. Art. 36 São isentas da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes: I de fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; II do transporte internacional de cargas ou passageiros; III de vendas realizadas pela cooperativa de produção agropecuária às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas aos fim específico de exportação para o exterior; Fl. 385DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 15 14 IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. §1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente pela cooperativa de produção agropecuária para embarque de exportação ou para recinto alfandegados, por conta e ordem de empresa comercial exportadora. 27. Como se verifica nos dispositivos legais e normativos reproduzidos, de não incidência do PIS e da Cofins sobre “vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação”, constatase que não são todas as receitas de vendas para empresas exportadoras registradas na Secex sobre as quais não incidem o PIS e a Cofins, mas somente em relação àquelas que tenham “fim específico de exportação”. 28. Sobre o que se considera “fim específico de exportação”, tanto para empresas exportadoras registradas no Secex como para as empresas comerciais exportadoras (“tradings”) verificase que o entendimento da Administração Tributária vai de encontro ao conceito definido nos textos legais, para aclarálo, encontrandose expresso em vários atos administrativos, dos quais transcrevemos o conceito e a forma de comprovação da receita oriunda de “fim específico de exportação.”, constante da ementa da Solução de Consulta Interna (SCI) n° 4 – SRRF/10ª RF/Disit, de 27 de junho de 2007, que assim restou redigida : “A referência, na legislação tributária e aduaneira, a ‘empresa exportadora’, ou ‘empresa comercial exportadora’, sem qualificação ou restrição específica, abrange qualquer empresa exportadora registrada na Secex; somente quando o legislador restringe uma norma explicitamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 1972, ficam excluídas as demais empresas exportadoras.” O conceito de “fim específico de exportação” constante do parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, aplicase unicamente às empresas comerciais exportadoras constituídas nos termos desse Decreto Lei; para as empresas exportadoras simplesmente registradas na Secex, o conceito de “fim específico de exportação” aplicável é o plasmado no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997. [...] A alusão feita por quaisquer atos infralegais a “fim específico de exportação” – a exemplo da Portaria MF nº 93, de 2004, e da Instrução Normativa SRF nº 419, de 2004 – deve ser interpretada em consonância com o conceito estabelecido no § 2º do art. 39 da Lei nº 9.532, Fl. 386DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 16 15 de 1997, ou com o vazado no parágrafo único do art. 1º do DecretoLei nº 1.248, de 1972, conforme se trate, respectivamente, de aquisição efetuada por exportadoras gerais, simplesmente registradas na Secex, ou por “trading companies”, constituídas conforme exige o DecretoLei nº 1.248, de 1972. [...] “A comprovação do fim específico de exportação fazse mediante a apresentação de uma nota fiscal de venda na qual conste como adquirente uma empresa comercial exportadora, e como destino das mercadorias um endereço que corresponda a um dos locais previstos na legislação de regência, não sendo hábil para essa comprovação, nem o “Memorando de Exportação, previsto no Convênio ICMS nº 113, de 1996”, nem qualquer documento que possa fazer prova de que houve a efetiva exportação posterior pela adquirente.” 29. Conforme os dispositivos legais e normativos citados, que adotamos neste voto, não incidem a Cofins e a Contribuição ao PIS/PASEP sobre as receitas decorrentes de vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, caracterizadas estas vendas quando as mercadorias são remetidas diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente. Sendo irrelevante para a obtenção do benefício da operação, se as mercadorias sejam ou não posteriormente exportadas, visto que em não se concretizando a exportação, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos e contribuições devidos é da empresa comercial exportadora adquirente dos produtos que deveriam ser exportados. 30. No caso dos autos, a interessada após ser intimada duas vezes a apresentar documentos que comprovassem o cumprimentos dos requisitos exigidos pela legislação, informou que não dispunha dos boletins de exportação das vendas realizadas através de “Tradings” (Resposta da recorrente – fls 24 autos digitais No demonstrativo que atende o item 1 desta intimação, demonstrase no código 20 as receitas de exportação abertas por CFOP, entretanto, não dispomos dos respectivos boletins de exportação das vendas realizadas ao exterior através de “Tradings.”), bem como que a documentação havia sido extraviada (Resposta da recorrente – fls 28 dos autos digitais 3 – Informamos que em função dos transtornos vividos pela cooperativa nos últimos tempos, essa documentação foi extraviada, encaminhamos um ofício para os clientes da cooperativa solicitando uma segunda via dos memorandos de exportação, porém ainda não recebemos retorno.). Portanto, não comprovou, a recorrente, por documentação hábil e idônea, o direito para a concessão do benefício fiscal, entendendose, pois, correta a posição adotada pela autoridade fiscal e corroborada pela autoridade julgadora de que tais receitas devem compro a base de cálculo das contribuições. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 17 16 31. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso neste quesito. EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E DA COFINS (itens 2.5.1, 2.5.2 e 2.6 do recurso voluntário e itens 4.5 e 4.6 do relatório fiscal) 32. A base de cálculo da Cofins e do PIS, na sistemática nãocumulativa, é apurada a partir da totalidade das receitas da sociedade cooperativa, com as exclusões permitidas pela legislação, conforme disposto nos no art. 17 da Lei nº 10.684/2003. 33. A autoridade fiscal incluiu na base de cálculo das contribuições os valores que foram considerados indevidamente excluídos, como a parcela dos custos agregados aos produtos do associado que não correspondem ao conceito dado pela legislação (valores consolidados nos grupos denominados de “Dos dispêndios e despesas tributárias”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios tributários”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios técnicos”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Outros dispêndios operacionais” e “Despesas Administração Geral”). 34. Além dessa parcela, foram incluídos os valores das vendas efetuadas no segmento econômico de “supermercados”, uma vez que foram contabilizadas indistintamente a associados e não associados, além de não haver comprovação de que esses produtos estavam diretamente vinculados à atividade econômica desenvolvida pelo associado. 35. Alega a cooperativa que nem todos os custos seriam oriundos de vendas para associados, seriam produzidos insumos enviados aos cooperados no regime de integração, parcela que deveria compor o custo agregado do produto. Afirma ainda que mantém registro individualizado das receitas provenientes de vendas para associados e que esse estaria demonstrado em planilha anexada à presente manifestação. Argumenta que a Fiscalização não comprovou a falta de individualização das receitas, sendo nulo o procedimento embasado em presunção da autoridade fiscal. 36. Caberia à contribuinte apresentar a comprovação de que identifica o adquirente e os produtos por ele adquiridos, visto ser essa identificação condição para que possa ser excluída da base de cálculo a receita decorrente da venda de bens e mercadorias ao associado, assim determina o artigo 15 da MP nº 1.8589, com as suas sucessivas reedições, tendo permanecido a de nº 2.15835, de 2001 : Art.15 As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 18 17 I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. §1oPara os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. §2oRelativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: Ia contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 37. Ressaltese ainda que, ao contrário do afirmou em suas razões, não foram juntadas quaisquer planilhas discriminando os adquirentes dos produtos comercializados. Os valores contabilizados nas contas “Dos dispêndios e despesas tributárias”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios tributários”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Dispêndios técnicos”, “Dos dispêndios e despesas operacionais – Outros dispêndios operacionais” e “Despesas Administração Geral” não atendem ao disposto no artigo 17 da Lei nº 10.684/2003, que expandiu as hipóteses de exclusão da base de cálculo para as cooperativas : Art. 17. Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e no art. 1o da Medida Provisória no 101, de 30 de dezembro de 2002, as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 19 18 Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da .Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999. 38. A Secretaria da Receita Federal, ao normatizar e consolidar a legislação em vigor sobre a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas sociedades cooperativas, editou a Instrução Normativa nº 635/2006, e no seu artigo 11 assim explicita o comando inserto no artigo 17 da lei nº 10.864/2003 : Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: (...) V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados,quando da sua comercialização; (...) §8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mão de obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. 39. Explicando os critérios adotados para tal interpretação da legislação, a própria RFB expedindo a Solução de Consulta COSIT nº 533, de 19/12/2017, com os quais concordamos e, ainda, resumindo a legislação até agora citada, assim se pronunciou : As sociedades cooperativas estão reguladas pela Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que definiu os contornos da Política Nacional de Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das cooperativas. Além disso, o Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002) estabelece regras acerca das sociedades cooperativas em seus artigos 1.093 a 1.096. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 20 19 Conforme definido pelo art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o ato cooperativo é aquele praticado entre as cooperativas e seus associados para a consecução dos objetivos sociais. Nas cooperativas de produção agropecuária, é considerado ato cooperativo típico a entrega de produtos dos associados à cooperativa para comercialização, bem como repasses efetuados pela cooperativa a eles decorrentes dessa comercialização. Ratifica este entendimento o texto do art. 83 do mesmo diploma legal, segundo o qual a entrega da produção do associado à sua cooperativa constitui outorga de poderes. Assim, essa operação que constitui o chamado “ato cooperativo” não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade,salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. O entendimento de que a cooperativa de produção agrícola também pode realizar o beneficiamento da produção a ser comercializada está assentado no próprio dispositivo sobre o qual paira a dúvida, pois, ao disciplinar o art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a IN SRF n.º 635, de 2006, art. 11, caput, combinado com inciso IV, admite que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária seja ajustada pela exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado. Em breve retrospectiva, verificase que a Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) foram instituídas, respectivamente, pela Lei Complementares nº 7, de 7 de setembro de 1970, e pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991. Nessa época, quanto aos atos cooperativos, as sociedades cooperativas eram beneficiadas com a isenção da Cofins concedida pelo inciso I do art. 6º da LC nº 70, de 1991, ipsis litteris: Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; A referida isenção foi revogada, a partir de 30 de junho de 1999, pelo art 93, inciso II, alínea “a”, da Medida Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 21 20 Provisória nº 2.15835, de 2001. Nessa época, consolidou se para as sociedades cooperativas a apuração das duas contribuições (PIS/Pasep e Cofins) com base nos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, utilizando o regime de incidência cumulativo, permitidas as exclusões das bases de cálculo também concedidas em caráter geral aos demais contribuintes. Em seguida, foram criadas novas exclusões, específicas para as sociedades cooperativas, pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, de onde se extrai o seguinte excerto (grifos acrescidos): Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts.2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/PASEP será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. Expandindo as hipóteses de exclusões da base de cálculo das contribuições, o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003 previu (grifos acrescidos): Art. 17 . Sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 , e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 30 de dezembro de 2002 , as sociedades cooperativas de produção agropecuária e de eletrificação rural poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins os custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização e os valores dos serviços prestados pelas cooperativas de eletrificação rural a seus associados. Parágrafo único. O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória nº 1.85810, de 26 de outubro de 1999 . (grifos nossos) Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 22 21 Inovando mais uma vez, foram editadas a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, e a Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertidas, respectivamente, na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a finalidade de instituir o regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Na ocasião, as sociedades cooperativas permaneceram sujeitas ao regime de apuração cumulativa das contribuições, de acordo com a redação original do inciso VI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, e do inciso X do art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002. Posteriormente, ficou estabelecida a adoção do regime de apuração não cumulativa para as cooperativas de produção agropecuária e de consumo, pelas mudanças implementadas por meio da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, e da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, nos textos do inciso VI do art. 10 e do inciso V do art. 15 da Lei nº 10.833 (grifos acrescentados): Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da Cofins, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: [...] VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções de que trata o art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, e o art. 17 da Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, não lhes aplicando as disposições do § 7º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e as de consumo; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1º e 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Logo, as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da Cofins aplicáveis às cooperativas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa veiculadas pelo artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e pelo artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, devem ainda ser ajustadas, no caso das Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 23 22 cooperativas de produção agropecuária, pelas exclusões listadas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, e pelo art. 17 da Lei nº 10.864, de 2003. Isto porque, embora originalmente as ditas exclusões se referissem apenas à base de cálculo das cooperativas filiadas ao regime cumulativo, o inciso VI, do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, manteve expressamente o direito a essas mesmas exclusões para as cooperativas de produção agropecuárias, agora filiadas ao regime de apuração não cumulativa. Assim, na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as cooperativas aplicam a mesma sistemática prevista para as demais pessoas jurídicas, ou seja, calculam a totalidade das receitas obtidas e fazem as exclusões previstas na legislação. Desse modo, ao extinguir a isenção específica para os atos cooperativos de que trata o art. 79 da Lei nº 5.764, de 1971, o legislador instituiu outro tratamento diferenciado, permitindo, além das exclusões de caráter geral (art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998), as exclusões consolidadas na MP no 2.15835, de 2001 e, no caso das sociedades cooperativas de produção agropecuária, objeto da consulta, também é possível a exclusão dos custos agregados, prevista no art. 17 da Lei 10.684, de 2003. Nesse contexto, com a finalidade de consolidar a legislação em vigor sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins devidas pelas sociedades cooperativas, foi editada a Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, objeto da dúvida suscitada pela consulente, especificamente quanto aos incisos IV e V do art. 11, transcritos a seguir: Art. 11. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, apurada pelas sociedades cooperativas de produção agropecuária, pode ser ajustada, além do disposto no art. 9º, pela: I exclusão do valor repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por ele entregues à cooperativa; II exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado; III exclusão das receitas decorrentes da prestação, ao associado, de serviços especializados aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado; Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 24 23 V dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização; [...] § 3º As exclusões previstas nos incisos II a IV do caput: I ocorrerão no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa; e II terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. [...] § 6º A sociedade cooperativa de produção agropecuária, nos meses em que fizer uso de qualquer das exclusões ou deduções de que tratam os incisos I a VII do caput, deverá, também, efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários, conforme disposto no art. 28. [...] § 8º Considerase custo agregado ao produto agropecuário, a que se refere o inciso V do caput, os dispêndios pagos ou incorridos com matériaprima, mão de obra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. Nesse contexto, é relevante observar de imediato que a exclusão da base de cálculo de que trata o inciso IV do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não se refere às receitas decorrentes da comercialização dos produtos industrializados. Essa norma prevê somente a exclusão das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produto do associado. Significa dizer que poderá ser excluída da base de cálculo a receita própria que a cooperativa auferir pela industrialização promovida sobre os produtos rurais recebidos dos cooperados, mas não toda a receita dos produtos comercializados. Assim, fica evidente que não há permissão legal para a sociedade cooperativa excluir da base de cálculo a receita total da comercialização dos produtos industrializados, conforme pretendido pela consulente. Entretanto, caso a Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 25 24 cooperativa aufira receita derivada especificamente do processo de industrialização dos produtos recebidos dos associados, pode promover a exclusão dessa importância da base de cálculo – situação que poderia ocorrer por exemplo se a cooperativa cobrasse dos associados, a título de receita própria, o reembolso dos custos de industrialização dos produtos primários deles recebidos. Por outro lado, considerandose que, no caso concreto, os valores correspondentes aos custos com a industrialização dos produtos recebidos dos cooperados não sejam diretamente cobrados dos associados, mas sim suportados pela cooperativa para posterior recuperação no momento da comercialização (após a industrialização), não haveria razão para se aplicar a exclusão com fulcro no inciso IV do art. 11 sobre a parcela da receita que, de fato, decorra da industrialização da produção entregue pelos associados, porque nessa situação já se adotaria o ajuste previsto no inciso V do art. 11, isto é, dedução dos custos agregados ao produto agropecuário dos associados, quando da sua comercialização. Com efeito, os ajustes previstos nos incisos IV e V do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, devem ser adotados de forma integrada, na medida que, se não tiver sido excluída a parcela da receita decorrente da industrialização do produto agropecuário recebido dos associados, poderão ser deduzidos os custos agregados pela cooperativa a esse produto, quando da sua comercialização. Interpretase sistematicamente as duas normas, tendo em vista que, se a situação comportar a exclusão da parcela da receita obtida pela industrialização, não fará mais sentido efetuar a dedução dos custos agregados ao produto, quando esses custos estiverem embutidos no preço de comercialização do produto final. Caso a cooperativa adquira também o produto primário de não cooperados, com relação a estes produtos e aos custos a eles agregados não poderá fazer uso das exclusões previstas nos incisos IV e V do art. 11 da IN RFB nº 635, de 2006. Nessa situação, deverá ser feito um rateio para definir quais frações poderão ser submetidas aos ajustes mencionados no incisos IV e V do art. 11 da IN RFB nº 635, de 2006. De acordo com o § 3º do art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, as exclusões devem ser efetuadas no mês da emissão da nota fiscal correspondente a venda de bens e mercadorias e/ou prestação de serviços pela cooperativa e terão as operações que as originaram contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor, da espécie e quantidade dos bens, mercadorias ou serviços vendidos. Quanto à definição de custo agregado, por meio do § 8º do art. 11 da IN SRF nº Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 26 25 635, de 24 de março de 2006, a RFB divulgou o seguinte entendimento: considerase custo agregado ao produto agropecuário os dispêndios pagos ou incorridos com matéria prima, mãodeobra, encargos sociais, locação, manutenção, depreciação e demais bens aplicados na produção, beneficiamento ou acondicionamento e os decorrentes de operações de parcerias e integração entre a cooperativa e o associado, bem assim os de comercialização ou armazenamento do produto entregue pelo cooperado. 40. Assim, os ajustes procedidos pela autoridade fiscal visaram restabelecer o correto valor dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação por parte da contribuinte e estão de acordo com a legislação em vigor. 41. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário neste quesito. O ATO COOPERATIVO (item 2.7 do recurso voluntário e item 4.5 do relatório fiscal) 42. A cooperativa invoca o disposto no art. 79 da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, no intuito de afastar a tributação da cooperativa. 43. A sociedade cooperativa, por sua natureza jurídica própria, goza, constitucionalmente de tratamento diferenciado e incentivado em relação às demais sociedades mercantis, sendo remetida à legislação infraconstitucional a tarefa de conceder esse tal tratamento. 44. Já na vigência da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, foi editada a Medida Provisória no 1.8586, de 29 de junho de 1999, a qual, tendo regulado a incidência do PIS sobre a folha de pagamento em seu art. 13, revogou expressamente, em seu art. 23, o inciso II do art. 2º da Lei no 9.715/98, verbis: “Art. 23. Ficam revogados: I a partir de 28 de setembro de 1999, o inciso II do art. 2º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998;”. 45. Observese que os casos previstos no art. 13 da Medida Provisória no 1.8586/99, que trata do PIS incidente sobre a folha de pagamento, não abrangem as sociedades cooperativas. 46. Dessa forma, com a edição da Medida Provisória no 1.8586/99, as sociedades cooperativas passaram a estar sujeitas à exigência do PIS de acordo com a norma geral aplicada às demais pessoas jurídicas, isto é, com base no seu faturamento: “Art 2º As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 27 26 Art 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica.” 47. Em síntese, com a edição da Medida Provisória no 1.8586/99, a base de cálculo do PIS passou a ser aquela prevista nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718/98, como acima transcrito, ou seja, a receita bruta mensal da sociedade cooperativa, decorrente da venda de mercadorias ou de serviços, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para estas receitas. No caso das cooperativas, isso significa que, a partir de então, o PIS passou a ser devido inclusive sobre a receita decorrente dos atos cooperativos, com as exclusões permitidas na legislação superveniente,. 48. Portanto, após 01/10/1999 é irrelevante a distinção entre atos cooperativos e nãocooperativos para efeito de tributação do PIS/Pasep,visto que a classificação não afeta a base imponível definida por lei. 49. Relativamente ao PIS, o que há de específico na incidência dessa contribuição para as sociedades cooperativas são as exclusões da base de cálculo permitidas pelo art. 15 da Medida Provisória nº 1.8589, de 1999, com sucessivas reedições, permanecendo no ordenamento a MP nº 2.15835, de 2001, cujo art. 15 estabelece: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2º e 3º da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica,extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. § 1º Para os fins do disposto no inciso II, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 28 27 § 2º Relativamente às operações referidas nos incisos I a V do caput: I a contribuição para o PIS/Pasep será determinada, também, de conformidade com o disposto no art. 13; II serão contabilizadas destacadamente, pela cooperativa, e comprovadas mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie do bem ou mercadorias e quantidades vendidas. 50. Interessante notar que, mesmo ao listar as exclusões permitidas contra a base de cálculo da contribuição, a lei não faz qualquer referência à natureza dos atos praticados como atoscooperados ou nãocooperados, mas, sim a operações com associado, não se podendo, pois, estender a norma exonerativa a terceiros, independentemente de se tratar de negóciomeio ou negóciofim ou, ainda, de ato cooperado ou nãocooperado. 51. Nesse contexto, como regra geral, não há mais que se distinguir atos cooperativos de atos nãocooperativos estranhos à finalidade da cooperativa quanto à obtenção de valores submetidos ao PIS. Como se viu, na ordem legal aplicável aos fatos geradores em tela, a dimensão tributável para o PIS é o faturamento da sociedade. 52. Seguindo esse raciocínio, nos deparamos com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002 que estabeleceu o regime da nãocumulatividade para as empresas tributadas com base no Lucro Real. Inicialmente, as sociedades cooperativas estavam excluídas deste regime. A Lei nº 10.865/2004 excepcionou as sociedades cooperativas de produção agropecuária, sem prejuízo das deduções previstas no art. 15 da MP nº 2.158/2001 e no art. 17 da Lei nº 10.864/2003. 53. Portanto, a partir das alterações introduzidas na legislação referente à tributação pelo PIS das sociedades cooperativas, a sua tributação deve obedecer ao disposto na legislação específica em vigor. 54. Por fim, para definir que o ato cooperativo é tributado, citamos o posicionamento do STF, externado no RE nº 599.362, na sistemática de repercussão geral : “Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 29 28 texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social ‘será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei’ (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração.” 55. Portanto, nego provimento ao recurso neste quesito. O CRÉDITO VINCULADO ÁS VENDAS TRIBUTADAS NO MERCADO INTERNO (item 2.3 do recurso voluntário e item 4.12 do relatório fiscal) Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 30 29 56. Referiu a Fiscalização que os créditos remanescentes decorrentes de operações no mercado interno e que tinham fundamento em reduções da base de cálculo do PIS e da COFINS, estas com previsão no art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e no art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003), não são passíveis de ressarcimento ou compensação, podendo ser destinados, apenas, à dedução de valores devidos daquelas contribuições. 57. A possibilidade de utilização dos créditos de PIS ou de COFINS apurados no regime nãocumulativo, na forma de ressarcimento em espécie ou de compensação com outros tributos, restringiase aos créditos decorrentes de custos e despesas vinculados à exportação, conforme o art. 5º da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 6o e parágrafos da Lei 10.833, de 2003. 58. Posteriormente, o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, dispôs sobre a possibilidade de o saldo credor do PIS e da COFINS, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário, ser objeto de compensação ou pedido de ressarcimento. Esse artigo, entretanto, traz uma condição: de que o saldo credor seja decorrente do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Isso significa dizer que a empresa só pode beneficiarse da norma do citado art. 16, se suas vendas forem efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência daquelas contribuições. Transcrevese esses dispositivos: Lei nº 11.033, de 2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem amanutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116, de 2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 31 30 calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. 59. Conforme relata a Fiscalização, a interessada pleiteia o ressarcimento dos créditos que decorrem da redução da base de cálculo (art. 15 da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 17 da Lei nº 10.684, de 2003). Tais exclusões, tratadas no art. 11 da IN SRF nº 635, de 2006, não configuram hipótese em que é autorizado o ressarcimento/compensação do saldo credor com débitos de tributos administrados pela RFB, ou o seu ressarcimento, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005. Para que isso fosse admitido, os créditos deveriam estar, obrigatoriamente, vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. 60. Assim, nego provimento ao recurso neste quesito. A SOLICITAÇÃO DE PROVA PERICIAL 61. Adotamos o posicionamento do julgador da DRJ, para justificarmos que não vemos necessidade de prova pericial no presente caso : O requerimento de perícia ao final de sua manifestação deve ser considerado como não formulado, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim determina nos casos em que os pedidos de perícia deixarem de atender aos requisitos previstos naquela artigo. Ademais, se mostra irrelevante a produção de prova pericial quando presentes nos autos os elementos necessários e suficientes à dissolução do litígio administrativo. 62. Portanto, indefiro o pedido de perícia pleiteado. Conclusão 63. Por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11030.000701/200954 Acórdão n.º 3301005.681 S3C3T1 Fl. 32 31 Winderley Morais Pereira Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902229/2014-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.007
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 22 9/ 20 14 -8 2 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10805.902229/201482 Resolução nº 3302001.007 S3C3T2 Fl. 3 2 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.004, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902226/201449, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.004): Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10805.902229/201482 Resolução nº 3302001.007 S3C3T2 Fl. 4 3 "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira e variações monetárias ativas, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000573/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Incumbe ao contribuinte que postula o direito creditório demonstrar a certeza e a liquidez do crédito reivindicado.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE E APRESENTAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO.
Caracterizam-se como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins as embalagens que sirvam cumulativamente para o transporte de produtos e para sua apresentação e acondicionamento.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. ENCARGOS DIVERSOS CONSTANTES DA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Não se caracterizam como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins os diversos encargos constantes da fatura de energia elétrica como juros, multas, tributos e doações.
COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO CREDITÓRIO DECORRE DO EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO.
Caracterizam-se como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins apenas as despesas com combustíveis e lubrificantes que sejam empregados efetivamente no processo produtivo da empresa, excluindo-se aqueles consumidos pela frota de veículos própria de empresa fabril.
Numero da decisão: 3401-006.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para acolher o resultado da diligência, reconhecendo os créditos comprovadamente referentes a despesas com embalagens, e combustíveis e lubrificantes. O Conselheiro Tiago Guerra Machado acompanhou o relator pelas conclusões, no que se refere a combustíveis e lubrificantes, por entender haver carência probatória a cargo do postulante.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 DIREITO CREDITÓRIO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Incumbe ao contribuinte que postula o direito creditório demonstrar a certeza e a liquidez do crédito reivindicado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE E APRESENTAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Caracterizam-se como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins as embalagens que sirvam cumulativamente para o transporte de produtos e para sua apresentação e acondicionamento. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. ENCARGOS DIVERSOS CONSTANTES DA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se caracterizam como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins os diversos encargos constantes da fatura de energia elétrica como juros, multas, tributos e doações. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO CREDITÓRIO DECORRE DO EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. Caracterizam-se como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins apenas as despesas com combustíveis e lubrificantes que sejam empregados efetivamente no processo produtivo da empresa, excluindo-se aqueles consumidos pela frota de veículos própria de empresa fabril.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para acolher o resultado da diligência, reconhecendo os créditos comprovadamente referentes a despesas com embalagens, e combustíveis e lubrificantes. O Conselheiro Tiago Guerra Machado acompanhou o relator pelas conclusões, no que se refere a combustíveis e lubrificantes, por entender haver carência probatória a cargo do postulante. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Incumbe ao contribuinte que postula o direito creditório demonstrar a certeza e a liquidez do crédito reivindicado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE E APRESENTAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Caracterizam-se como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins as embalagens que sirvam cumulativamente para o transporte de produtos e para sua apresentação e acondicionamento. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. ENCARGOS DIVERSOS CONSTANTES DA FATURA DE ENERGIA ELÉTRICA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se caracterizam como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins os diversos encargos constantes da fatura de energia elétrica como juros, multas, tributos e doações. COFINS NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DIREITO CREDITÓRIO DECORRE DO EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. Caracterizam-se como insumos geradores de crédito da não cumulatividade da Cofins apenas as despesas com combustíveis e lubrificantes que sejam empregados efetivamente no processo produtivo da empresa, excluindo-se aqueles consumidos pela frota de veículos própria de empresa fabril. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 05 73 /2 00 9- 10 Fl. 809DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para acolher o resultado da diligência, reconhecendo os créditos comprovadamente referentes a despesas com embalagens, e combustíveis e lubrificantes. O Conselheiro Tiago Guerra Machado acompanhou o relator pelas conclusões, no que se refere a combustíveis e lubrificantes, por entender haver carência probatória a cargo do postulante. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por medida de celeridade e economia processual, adoto parcialmente o Relatório constante da Resolução n° 3803.000312 (fls. 719/724), por meio da qual o julgamento do presente foi convertido em diligência por este Colegiado: Esta Contribuinte transmitiu o Pedido de Ressarcimento nº 31915.30007.031208.1.1.093497, em que solicita saldo credor de Cofins Não Cumulativa, relativa ao terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 47.195,12, e o cumulou com a DComp nº 35715.12903.171208.1.3.099862, na qual utilizou parcela do crédito no valor de R$14.661,85. Por meio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 18, a DRF/Joaçaba manifestou-se pelo deferimento parcial do direito creditório, deixando de acatar (i) aquisições de embalagens destinadas ‘em grande parte’ ao transporte de produtos acabados; (ii) gastos com equipamentos de proteção individual (EPI); (iii) aquisições de serviços de transportes de documentos; (iv) despesas de parcelamento, multa, juros, doações e outros tributos incluídos no valor da despesa com energia elétrica; e (v) aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos por automóveis; tendo em conta o conceito de insumo previsto no § 5º do art. 66 da IN SRF nº 247/2002, com as alterações promovidas pela IN SRF nº 358/2003 e pelo § 4º do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Em manifestação de inconformidade apresentada, fls. 2/7, a Interessada alegou que: Fl. 810DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 a) as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para o transporte de produtos industrializados e não como elementos promocionais, são insumos consumidos na fase final de industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção da Requerente; b) a Autoridade administrativa incorreu em equivoco ao classificar as embalagens destinadas à apresentação do produto como sendo apenas de transporte. As embalagens glosadas objetivariam destacar o produto frente ao consumidor. As caixas de papel e papelão ondulado recebem a colagem de etiquetas que garantem o fim promocional, e os produtos são montados pelo próprio consumidor em sua residência. c) quanto aos valores pagos a titulo de parcelamentos, multa, juros, doações e outros tributos incluídos no valor de despesa com energia elétrica, a Manifestante entende como incorreta a glosa, tendo em vista que esse custo foi efetivamente suportado por si, e os valores sofreram a incidência da Cofins. e) em relação a aquisição de combustíveis e lubrificantes, afirmou que os mesmos são, de fato, utilizados no processo de fabricação. Como prova, a recorrente anexa plano de contas e balancetes mensais. d) afirmou que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto de crédito de Cofins sobre as aquisições de insumos de materiais de embalagem. Aduz que a Lei n° 10.833/2003, em seu artigo 3º, permite o desconto de créditos calculados sobre insumos necessários a obtenção de produtos elaborados pela contribuinte, em sentido amplo e sem restrições. Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis fixou o limite objetivo da lide destacando que a Manifestante contestara apenas parte dos valores não homologados, limitando suas alegações a defesa dos créditos em relação (i) a operações de aquisição de bens caracterizados como embalagens destinadas ao transporte de produtos acabados; (ii) aquisição de combustíveis e lubrificantes consumidos por automóveis; e (iii) despesas de multa, juros, correção monetária, encargos e outros tributos incluídos no valor da despesa com energia elétrica. Deixou de contestar (i) os valores não homologados referentes a créditos decorrentes de gastos com equipamentos de proteção individual (EPI); e (ii) aquisição de serviços de transportes de documentos. Referiu que não estava aplicando a legislação do IPI para a definição de insumos, mas deixou claro que vislumbrava um paralelo entre esta e o novo regramento das contribuições em tela, pelo fato de esta ter estabelecido um conceito de insumo vinculado estreitamente ao conceito de industrialização. E para isso serviu-se, por analogia, do Parecer CST 65/79. Nessa esteira não considerou como insumos passíveis de geração de créditos, aqueles que não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo da empresa produtora. Por igual lógica, não Fl. 811DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 admitiu o dispêndio de depreciação de bens que, mesmo constantes do ativo imobilizado da pessoa jurídica, não estejam intrinsecamente associados ao processo produtivo do empreendimento. As glosas então, compreenderam os créditos relativos a (i) aquisição de embalagens; (ii) despesas estranhas às aquisições de energia elétrica; e (iii) aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes; Cientificada da decisão em 13 de dezembro de 2011, irresignada, apresentou recurso voluntário, fls. 33/45, em 11 de janeiro de 2012, em que: a) reitera o seu direito aos dispêndios relativos a juros, multas, doações, parcelamentos relativos a energia elétrica. b) afirma que as embalagens que utiliza é individualizada por móvel que acondiciona, nelas contendo instruções de montagem, que é feita pelo próprio consumidor; assim, é parte do processo produtivo; c) reputa equivocado o entendimento da Fiscalização quanto às despesas de combustíveis. Com exceção dos serviços diversos, lavagem de veículos, cujos valores afirma serem ínfimos e correspondem à menor parte do crédito, a Recorrente não se opõe a sua glosa. Afirma, ainda, que a planilha de fl. 209 (digital) demonstra as aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos exclusivamente no processo de fabricação. Trazido o feito a julgamento, este Colegiado o converteu em diligência às fls. 719/724 para que a unidade preparadora intimasse a contribuinte a apresentar planilhas e registros contábeis, de modo a se apurar o crédito da Contribuinte relativo aos dispêndios com embalagens e combustíveis utilizados direta ou indiretamente no processo produtivo, considerando-se o conceito de insumo estabelecido pelo STJ no REsp n° 1.246.317/MG e informando-se acerca de sua suficiência para extinguir o débito compensado. Às fls. 793/801, foi juntada Informação Fiscal noticiando (i) a reversão da glosa referente às despesas com embalagens, mantida apenas a parcela de R$ 398,08 relativa às aquisições de farinha de trigo, as quais obviamente não podem ser enquadradas como material de embalagem, tampouco como insumo; (ii) a reversão de R$ 11.374,33 do total de R$ 44.060,29 glosados em relação às aquisições de combustíveis e lubrificantes, mantida a glosa restante no valor de R$ 32.685,96, relativa às aquisições de combustíveis e lubrificantes não utilizados no processo produtivo ou não comprovadas; (iii) a existência de crédito em favor da contribuinte no valor de R$ 44.397,16; e (iv) a suficiência do crédito para quitar a compensação declarada. Quando do retorno da diligência, em razão do relator original não mais integrar o colegiado, o processo foi distribuído ao Conselheiro André Henrique Lemos, o qual declarou seu impedimento às fls. 806, ao que o mesmo foi redistribuído à minha relatoria em 27/11/2018. É o relatório. Voto Fl. 812DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Relator. Da admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Da preliminar A Recorrente alega que a decisão de 1ª instância teria sido proferida em ofensa aos princípios da verdade material e da ampla defesa, resultando no cerceamento de sua defesa, por terem sido desconsideradas as provas por ela apresentadas e indeferido o pedido de realização de diligência. Tal alegação não merece prosperar, visto que o julgador de piso não deixou de apreciar qualquer das provas apresentadas. Antes, considerou-as insuficientes para fazer prova do direito reivindicado, conclusão que só se fez possível mediante análise das mesmas. E, em se tratando de direito creditório, a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que incumbe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e a liquidez do direito que lhe assiste, não se exigindo da autoridade julgadora a realização de perícias e diligências para produzir prova cujo onus probandi recaia originalmente sobre o contribuinte. Vejam-se recentes e unânimes Acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedidos de restituição/compensação cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. (CSRF, 3ª Turma , Acórdão n° 9303.008.389, sessão de 21/03/2019, Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal) DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. NECESSIDADE. A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. (CSRF, 3ª Turma , Acórdão n° 9303.008.389, sessão de 19/09/2018, Relator Conselheiro Demes Brito) Não se está diante de tarifação (objetiva) de provas ou de excessivo apego ao formalismo, como alega a Recorrente, quando o julgador considera que determinada prova é incapaz de demonstrar o fato sobre o qual se funda o direito do interessado. Afinal, a prova não foi refutada por sua forma ou natureza, mas pela insuficiência na demonstração do fato probando (aquisição de insumos geradores de crédito). Igualmente não se pode cogitar de ofensa à verdade material quando o interessado não se desincumbiu do ônus de produzir prova no seu interesse, a qual dependia Fl. 813DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 essencialmente de documentação que se encontrava em seu poder, optando por transferi-lo à autoridade administrativa. Ainda assim, ante as manifestações da Recorrente e em apreço ao princípio da verdade material, o julgamento do processo foi convertido em diligência neste Conselho, sendo- lhe oportunizado produzir amplo material probatório de seu direito, conforme demonstram os termos e documentos de fls. 726/789. Pelas razões expostas, voto por negar provimento à preliminar. Do mérito A Recorrente se insurge contra as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela decisão recorrida em relação às seguintes rubricas, a serem tratadas separadamente: (i) despesas com embalagens, (ii) despesas com energia elétrica e (iii) despesas com combustíveis e lubrificantes. Há de se ressaltar que a conversão do feito em diligência foi motivada pelo fato deste Colegiado ter entendido que o conceito de insumo utilizado pela fiscalização e pelo julgador de piso divergia daquele então insculpido pelo STJ no Resp n° 1.246.317/MG, bem menos restritivo, o que resultou na reversão de parcela substancial das glosas por ocasião da realização da diligência. Hoje, no âmbito da Administração Tributária federal, a matéria encontra disciplina no Parecer Normativo Cosit/RFB n° 5, de 17 de dezembro de 2018, que apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. (i) Das despesas com embalagens De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, foram glosados R$ 42.196,32 de despesas com embalagens, visto que a fiscalização entendeu tratar-se de embalagens utilizadas exclusivamente para o transporte das mercadorias, não caracterizando embalagens de apresentação, entendimento confirmado pela decisão de primeira instância. A Recorrente, a seu turno, alega que as embalagens podem ser consideradas de apresentação por serem utilizadas uma única vez, conterem informações de índole promocional, além de instruções para a montagem do produto, constituindo a parcela mais substancial dos custos com embalagens, não se prestando apenas ao transporte, conforme material fotográfico juntado à peça recursal. Em diligência, informou a autoridade fiscal: Também verificou-se que a maioria dos materiais de embalagem glosados se enquadram no conceito de insumo descrito no voto da Resolução nº 3803- 000.312 – 3ª Turma Especial, visto que são consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na produção da Recorrente, conforme mostram as fotos (fls. 480/488), os esquemas dos móveis Fl. 814DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 e materiais de embalagem (fls. 657/667) e demais esclarecimentos que constam nos autos. No entanto, a partir do arquivo apresentado “Relação dos materiais de embalagem.xls”, constante no Termo de Anexação de Arquivo Não-paginável de fl. 770, constatou-se que foi relacionada aquisição de “farinha de trigo” como material de embalagem. Porém, obviamente, não é possível enquadrar a farinha de trigo como material de embalagem, nem tampouco como insumo, visto que não foi demonstrado que tal material integra o processo produtivo da empresa (fabricação de móveis). Em razão do exposto, concluímos que da glosa total no valor de R$ 42.196,32, deve ser revertida a glosa no valor de R$ 41.798,24 relativa a aquisições de embalagens enquadradas no conceito de insumo, e mantida a glosa restante no valor de R$ 398,08 relativa a aquisições de farinha de trigo não enquadradas como material de embalagem e nem como insumo. (grifo nosso) Tem-se pois que a glosa relativa às embalagens foi revertida por ocasião da diligência, exceto quanto à quantia de R$ 398,08, especificamente por se referir a aquisição de produto identificado como farinha de trigo, estranho ao direito sobre o qual se fundam tais créditos por se tratar de empresa fabricante de móveis. Entendo, pois que, neste ponto, deve ser acolhido o resultado da diligência. (i) Das despesas com energia elétrica De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, foram glosados R$ 709,05 de despesas com energia elétrica, visto que não se tratavam efetivamente de despesas com eletricidade, mas de outros encargos constantes da fatura de energia, como multas, parcelamentos, doações, tributos e juros. A glosa foi mantida pela DRJ/Florianópolis sob o mesmo fundamento. A Recorrente alega que a exclusão é indevida por haver suportado tais custos, os quais estão embutidos no custo dos produtos e por serem rubricas tributadas pela Cofins, uma vez que compõem a receita da concessionária de energia elétrica. Verifica-se que tais rubricas sequer foram objeto de apuração por ocasião da diligência realizada, vez que o Colegiado, na Resolução n° 3803.000312, já antecipara entendimento no sentido de que não guardam pertinência, inerência, essencialidade direta ou indiretamente com o processo produtivo, não se ajustando ao conceito acima estruturado. O entendimento é de se esposar. Tais despesas não se confundem com a energia elétrica em si, constituindo indubitavelmente custo da empresa e, por consequência, dos seus produtos, mas não insumo. Não guardam relação de essencialidade, não constituem elemento estrutural e inseparável do processo produtivo e sua falta não priva os produtos de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Não decorrem do processo de produção em si, mas da operação da empresa genericamente considerada, a exemplo dos juros e multas decorrentes de atraso no pagamento da fatura. Quanto a tais glosas, não merecem acolhida as razões da Recorrente. Fl. 815DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 (iii) Das despesas com combustíveis e lubrificantes De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, foram glosados R$ 44.060.29 de despesas com combustíveis e lubrificantes, por ter entendido a fiscalização que estes teriam sido consumidos com os veículos da empresa e sua lavagem, não se enquadrando no conceito de insumo. A glosa foi mantida pela DRJ/Florianópolis sob o fundamento de que algumas despesas claramente não permitiriam o creditamento, como a lavagem de veículos, e de que a Recorrente não lograra êxito em identificar a natureza das demais aquisições de modo a permitir à autoridade verificar quais delas permitiriam o creditamento por se enquadrarem no conceito de insumo. Em Recurso Voluntário, a empresa afirma não se opor à glosa realizada nas despesas com "serviços diversos" como a lavagem de veículos, reiterando que as demais despesas com combustíveis e lubrificantes são para consumo no processo produtivo, conforme planilhas, plano de contas e balancetes apresentados. Informa que possui apenas um veículo emplacado, o qual realiza transporte de matéria-prima para a fábrica e alguns fretes de produtos industrializados, sendo o combustível utilizado principalmente por máquinas, tratores, empilhadeiras e carregadeiras dentro da própria unidade fabril. Em diligência, informou a autoridade fiscal: Os valores pleiteados conferem com os registrados na contabilidade da empresa. No entanto, verificou-se que alguns dos custos com combustíveis e lubrificantes não foram devidamente comprovados, conforme exposto a seguir. Primeiramente, constatou-se que as notas fiscais de números 822, 866, 916 e 274136 referem-se a serviços de lavações, lubrificações e filtros. Dessa forma, os custos vinculados a tais notas fiscais devem ser glosados, uma vez que evidentemente não se tratam de custos com a aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes. Também consideramos como não comprovados todos os custos com combustíveis e lubrificantes contabilizados no livro Diário com o histórico “Saídas Almoxarifado”, uma vez que tais custos decorrem de transferência de produtos dentro da própria empresa. Segundo o disposto no art. 3º, § 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.833/2003, o direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País e aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Além disso, o art. 3º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, estabelece que o crédito relativo a bens para revenda e a bens utilizados como insumo será apropriado no mês da aquisição. Assim, para fins de apropriação dos créditos não-cumulativos de PIS e de Cofins, os custos com combustíveis e lubrificantes devem ser apropriados no mês da aquisição de pessoa jurídica domiciliada no País, e não no momento em que o insumo é disponibilizado para sua utilização dentro da empresa. (...) Ademais, não foram apresentados documentos comprobatórios (notas fiscais) relativos a “Saída Almoxarifado”, solicitados no Termo de Intimação Fiscal Fl. 816DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 nº 306/2015. Em resposta à intimação (fls. 782/786) a contribuinte inclusive esclarece que não dispõe de documentos físicos (notas fiscais, remessas, etc) comprobatórios das operações referente a “Saídas Almoxarifado” escrituradas no Livro Razão Analítico nas contas de custos com combustíveis e lubrificantes. Esclarece ainda que os valores contabilizados a título de “Saídas Almoxarifado” correspondem ao custo dos produtos baixados do almoxarifado e remetidos para consumo em diversos setores produtivos da contribuinte. Trata-se, portanto, de transferências internas de produtos, cuja aquisição de pessoa jurídica não foi comprovada. (...) Nessa linha, a partir das descrições apresentadas pela contribuinte, consideramos que os custos com combustíveis e lubrificantes consumidos pelos “Veículos” (Camioneta S10, Combi e Caminhão) não geram direito a crédito, uma vez que não guardam pertinência, inerência e essencialidade com o processo produtivo do contribuinte (fabricação de móveis), além de não serem aplicados diretamente na fabricação de bens para venda ou na prestação de serviços, conforme estabelece a IN SRF n 404/2004. Assim, efetuadas as glosas dos custos com combustíveis e lubrificantes relativos aos veículos, conforme critérios expostos acima, a base de cálculo comprovada de créditos passa a ser de R$ 11.374,33, conforme planilha abaixo: Tem-se pois que a glosa relativa às despesas com combustíveis e lubrificantes foi revertida parcialmente (R$ 11.374,33) por ocasião da diligência, referente a combustíveis e lubrificantes empregados no maquinário da empresa, mantida a glosa restante no valor de R$ 32.685,96, em parte pela não comprovação da natureza das operações e noutra por se tratar de combustíveis e lubrificantes não empregados no processo produtivo da empresa e, portanto, não enquadráveis como insumos. Quanto às despesas não comprovadas, após as inúmeras oportunidades que teve a Recorrente de juntar documentação e formular esclarecimentos, inclusive em segunda instância administrativa, torna-se despiciendo tecer maiores comentários ante o fato desta não ter sido capaz de se desincumbir do ônus probatório que lhe competia, devendo ser mantida a glosa dos créditos. Quanto à glosa referente à combustíveis utilizados pelos veículos da empresa, faço remissão ao item 56 do Parecer Normativo Cosit/RFB n° 5, de 17 de dezembro de 2018, in verbis: 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (grifo nosso) Não merece reparo, portanto, o resultado da diligência constante da Informação Fiscal de fls. 793/801, o qual deve ser acolhido também neste ponto. Fl. 817DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-006.180 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10925.000573/2009-10 Da conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao mesmo. (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 818DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900602/2008-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiu-se a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1003-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do presente julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1836; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.900602/200853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.557 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 09 de abril de 2019 Matéria DCOMP Recorrente CRENOR CARBONATOS DO NORDESTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09/06/2005. PRESCRIÇÃO/DECADÊNCIA. SUMULA 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente ou declaração de compensação apresentada antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional/decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. O reconhecimento do direito creditório depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo. A apreciação presente restringiuse a aspecto preliminar de possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09.06.2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no PER/DCOMP. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 06 02 /2 00 8- 53 Fl. 65DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Participaram do presente julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão 1232.375, de 28 de julho de 2010, da 4ª Turma da DRJ/RJ I, que considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 15320.17885.080904.1.7.027307, em 08/09/2004, efls. 413, utilizandose do crédito relativo saldo negativo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, código 2362, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo período de 01/01/1995 a 31/12/1995 no valor de R$ 12.030,90 para compensação dos débitos ali confessados. O Despacho Decisório Eletrônico, efl. 17, concluiu pelo indeferimento do pedido nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP original e a data de apuração do saldo negativo. CNPJ do detentor do crédito: 29.548.468/000105 PER/DCOMP original com demonstrativo de crédito: 16675.40234.141103.1.3.025972 Data de apuração do saldo negativo: 31/12/1995 Data de transmissão do PER/DCOMP original com demonstrativo do crédito: 14/11/2003 Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 12.030,90 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que apresenta decisão do Superior Tribunal de Justiça que reconhece que o prazo para o contribuinte haver a restituição de crédito fiscal "só se inicia após decorridos 5(cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um quinquênio, a partir da homologação tácita do lançamento". Fl. 66DF CARF MF Processo nº 15374.900602/200853 Acórdão n.º 1003000.557 S1C0T3 Fl. 3 3 Afirma que a inovação trazida pela Lei Complementar n° 118/2005, que fixou prazo de 5 (cinco) anos somente tem aplicação aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação. Embasa sua afirmação no REsp 861777/SP, cujo entendimento foi que o prazo para a repetição do indébito é de dez anos a contar do fato gerador. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão foi assim ementado: Assunto : Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 PRAZO PARA PLEITEAR RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para reconhecimento de direito creditório, relativo a tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, ainda que tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo STF, extinguese após o transcurso de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive na hipótese de tributos lançados por homologação, nos termos dos artigos 150, § 1° , 165 e 168, todos do Código Tributário Nacional. A DRJ afirma que o Ato Declaratório 96, de 26 de novembro de 1999 fixou a interpretação no âmbito da Receita Federal que o prazo para o contribuinte ingressar com pedido de restituição de indébito, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário, e como a Recorrente ingressou com o pedido em 08/09/2004, o decurso de prazo já teria ocorrido. Assevera que a contagem do prazo decadencial de 10 anos (cinco mais cinco) para tributos sujeitos a lançamento de homologação não se ajustaria às disposiçãos do Código Tributário Nacional. Indica os arts. 168 e 150 do CTN para embasar o seu entendimento. Notificada em 17/10/2012, efl. 55, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16/11/2012, efls. 5861, no qual em síntese aduz o seguinte: 1 Que a fundamentação para a falta de acolhimento da manifestação de inconformidade foi devido ao indevido reconhecimento da prescrição do crédito fiscal, decorrente da aplicação do art. 168 do CTN, com a redação dada pela Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005; 2 Que por força da nova redação do referido dispositivo legal, restou afastado o antigo entendimento pelo STJ, quanto a prazo decadencial de 10 anos (cinco anos mais cinco); 3Que no entanto, o crédito objeto da PER/DCOMP 15320.17885.080904.1.7.027307, transmitida em 08/09/2004, relativo a saldo negativo de IRPJ e apurado no anocalendário de 2005 foi utilizado pela Recorrente antes da vigência da LC n° 188/2005, e portanto ainda na jurisprudência anterior do STJ que estabelecia o prazo decadencial de 10 anos; Fl. 67DF CARF MF 4 4 Por fim, ressalta que o STJ, em consonância com o decidido no RE 566.621/RS, manifestou o entendimento que o novo critério de contagem de prazo prescricional somente teria vigência a partir de 09/06/2005. Em seu pedido requer a reforma do acórdão a quo, afastando a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 118/2005 É o relatório. Voto Conselheiro Wilson, Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos formais de admissibilidade assim, dele tomo conhecimento. No Despacho Decisório, bem como na decisão de primeira instância de julgamento consta o indeferimento do pedido da Recorrente ao argumento da prescrição do direito de pleitear a repetição do indébito. Portanto há que ser enfrentada preliminarmente arguição de prescrição do direito ao indébito. Entendo que o pedido da Recorrente, relativo a PER/DCOMP n° 15320.17885.080904.1.7.027307, transmitida em 08/09/2004 (fls. 211), diz respeito ao reconhecimento do direito creditório de saldo negativo de IRPJ, pode ser analisado, tendo em vista o entendimento adotado pelo CARF, que “ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador” (Súmula Vinculante CARF nº 91 e Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018). Contudo, o que foi analisado foi a possibilidade de reconhecimento de direito creditório decorrente do pleito apresentado antes de 09/06/2005 dentro do prazo de dez anos contado do fato gerador. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela DRF que jurisdiciona o sujeito passivo, o que verifico não foi realizado nas instâncias inferiores. Dessa forma, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 91 e reconhecimento da possibilidade de análise do indébito, determinando o retorno dos autos à DRF que jurisdiciona a Recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que comprovada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, bem como com os registros internos da RFB para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado , de modo a evitar a supressão de instância e o cerceamento de defesa. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 68DF CARF MF Processo nº 15374.900602/200853 Acórdão n.º 1003000.557 S1C0T3 Fl. 4 5 Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.723944/2017-76
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
Numero da decisão: 2002-001.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124-A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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PENSÃO ALIMENTÍCIA. Na determinação da base de cálculo do imposto de renda, poderão ser deduzidas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se referia o art. 1.124A da Lei n° 5.869, de 1973, e que, atualmente, se refere o art. 733 da Lei n° 13.105, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 39 44 /2 01 7- 76 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10166.723944/201776 Acórdão n.º 2002001.059 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 44/49) contra decisão de primeira instância (fls. 28/34), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Para a contribuinte retro qualificada foi emitida a Notificação de Lançamento – IRPF/2015 de fls. 12/17, que lhe exige o recolhimento do crédito tributário no montante de R$25.706,40, sendo, consoante ali discriminado, R$12.856,42 de imposto suplementar e o restante de acréscimos legais correspondentes. O lançamento decorreu do processamento da Declaração de Ajuste Anual – DAA IRPF/2015, apresentada à RFB pela contribuinte, cujo resultado foi de imposto a restituir no valor de R$4.066,78 fl. 16, já restituídos. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a fls. 13/15, foram verificadas deduções indevidas de: 1) pensão alimentícia judicial, no valor de R$42.024,31: Devidamente intimada, a contribuinte informou não possuir documentação comprobatória relativa a pagamento de pensão alimentícia. 2) despesas médicas, no valor de R$4.726,32: Assistência Saúde Câmara dos Deputados R$1.826,32 despesa de não dependente Terezinha Rodrigues da Silva R$2.000,00 despesas não comprovada Elena Garcia Orta R$900,00 Despesas não comprovada Cientificada do lançamento, a interessada apresentou a peça impugnatória de fls. 3/4, instruída com os elementos de fls. 5/9, contestando parcialmente o feito fiscal, haja vista que concorda com a infração de dedução indevida de despesas médicas. Discute a consideração da dedução a título de pensão alimentícia, e argumenta que não esclareceu de forma clara a situação, oferecendo nesta oportunidade os documentos para comprovação de sua dedução, comprovante de rendimentos, declaração do Departamento de Pessoal da Câmara dos Deputados de Brasília/DF e Ofícios do Juiz de Direto da Quarta Vara de Família de Brasília/DF. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10166.723944/201776 Acórdão n.º 2002001.059 S2C0T2 Fl. 4 3 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o lançamento relativo à matéria não impugnada (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 17). PENSÃO ALIMENTÍCIA. PAGAMENTO DE PENSÃO A FILHA QUE PASSA A RESIDIR NO MESMO ENDEREÇO DA CONTRIBUINTE. DIREITO DE FAMÍLIA. DEVER DE SUSTENTO DOS PAIS AOS FILHOS. INDEDUTIBILIDADE. Somente é dedutível da base de cálculo do IRPF a pensão alimentícia paga a filho por um dos pais que em razão de ruptura da sociedade conjugal e acordo homologado judicialmente se ausenta do lar, ficando o outro pai ou mãe com o dever de sustento. Passando os filhos a residirem com o pai ou mãe ausente não se caracteriza mais como dedutível a pensão paga por este, pai ou mãe, invertendo a situação, passando este a ter o dever de sustento e aquele com o dever de pagar a dedutível pensão alimentícia. RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. MULTA DE OFÍCIO. Quando da alteração dos dados da declaração de ajuste anual resulta a redução do imposto a restituir ou em imposto suplementar, devese proceder ao lançamento de ofício para exigir a devolução da parcela da restituição indevidamente recebida, acrescida apenas de juros de mora, sem aplicação de multa. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, atacando a decisão de primeira instância, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 10/07/2017 (fl. 41); Recurso Voluntário protocolado em 08/08/2017 (fl. 44), assinado por procurador legalmente constituído (fl.50). Responde a contribuinte nestes autos, pelas seguintes infrações: a) Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública; b) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Em fase de impugnação, a contribuinte concordou com as glosas de despesas médicas. Quanto a dedução de pensão alimentícia, relata o Sr. AFRF, que: “REGULARMENTE INTIMADA, A CONTRIBUINTE INFORMOU NÃO POSSUIR Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10166.723944/201776 Acórdão n.º 2002001.059 S2C0T2 Fl. 5 4 DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA RELATIVA A PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA”. A r. decisão, julgou procedente em parte, assim se manifestando: Destarte, ao contrário do entendimento adotado quando do lançamento, e considerando que não ficou demonstrado/considerado ter havido dolo ou má fé pela contribuinte, não é cabível a aplicação da multa de ofício e/ou multa de mora sobre o valor correspondente à Restituição Indevida a Devolver, sobre o qual deverão incidir apenas os juros, por falta de previsão legal para aplicação de multa de ofício e/ou de mora à época dos fatos geradores autuados, no caso, sobre o valor de R$4.066,78, sendo que uma parte deste, R$1.299,74, teve sua cobrança transferida para o processo 11853.720985/201725. A parcela restante de restituição recebida indevidamente a devolver, R$2.767,04, teve sua exigência mantida no presente. Diante disso, a parcela referente a imposto suplementar a pagar nos autos seria de R$8.789,64. Irresignada, a contribuinte maneja recurso próprio juntando documentos, requerendo em síntese: Pois bem, a contribuinte em sua peça de impugnação, concordou com as infrações de dedução indevida de despesas médicas, apenas se opondo quanto à infração de dedução indevida de pensão alimentícia, insta salientar que como tratouse de matéria incontroversa a dedução indevida de despesas médicas, foi transferida para o processo n°11853.720985/201725, assim sendo finda a fase de conhecimento do respectivo crédito tributário. A recorrente em suas razões recursais requer que no processado, seja dado o efeito suspensivo recursal cogente, nos termos do art. 33 do Decreto nº 70235/72, a fim de que Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10166.723944/201776 Acórdão n.º 2002001.059 S2C0T2 Fl. 6 5 se suspenda, ao menos até o final do pleito, os efeitos dos débitos advindos deste processo administrativo. O processado nestes autos terá o seu tramite normal seguindo seu curso de acordo com as normas de regência. Relativamente em relação à dedução da pensão alimentícia temos a seguinte situação: A r.decisão revisanda, entendeu que pelo fato da recorrente ter a guarda da alimentanda, e a mesma residir na mesma casa, ou seja com a mãe, seria o pai obrigado a pagar a pensão e não mais a mãe. Alega a recorrente que a alimentanda não reside com a recorrente, uma vez que mantém um relacionamento afetivo com o Sr. Marcelo Sebastião Machado Lafetá, também incapaz. Pois bem a recorrente alega, porém não traz aos autos sequer a menor prova da sua alegação, sendo certo que este ônus a ela incumbia. Nesta quadra de entendimento, razão não assiste à recorrente. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 71DF CARF MF
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