Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10783.916038/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão.
(Assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10783.916038/2009-36
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713079
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.903
nome_arquivo_s : Decisao_10783916038200936.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10783916038200936_5713079.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6722518
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950076866560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1375; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.916038/200936 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.903 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria COFINS PER/DCOMP Recorrente PIANNA VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE PROVAS. Aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir, o qual deve ser exercido oportunamente e de forma materialmente suficiente à demonstração do direito pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 60 38 /2 00 9- 36 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10783.916038/200936 Acórdão n.º 3402003.903 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de compensação declarada em PER/DCOMP apresentada pelo contribuinte, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, a título de COFINS, atinente ao período de apuração indicado na folha de rosto do acórdão. Por meio de Despacho Decisório eletrônico, negouse homologação à compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ sob os seguintes fundamentos: i) o contribuinte não indicou como apurou o crédito que alega possuir e indicado na Declaração de Compensação e ii) o contribuinte não juntou quaisquer provas do referido crédito. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega inauguralmente que a questão não necessitaria de produção de provas, por se tratar de incidência de COFINS sobre receitas financeiras, declarada inconstitucional pelo STF no RE nº 346.084. Ao final, solicita a realização de diligência. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.885, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10783.914970/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.885): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório contestado nesse processo administrativo teve sua homologação negada sob fundamento do crédito alegado ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da pessoa jurídica. Desde o início, o contribuinte não juntou qualquer documentação fiscal ou contábil que permita determinar o valor do crédito ou pelo menos um mínimo lastro probatório de sua existência. Menos ainda, sequer articulou argumento que sustentasse as razões para a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10783.916038/200936 Acórdão n.º 3402003.903 S3C4T2 Fl. 4 3 manutenção do crédito pretendido, limitandose a afirmar a sua existência. O Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, é expresso no sentido de que o contribuinte deve trazer ao litígio todos os motivos de contrariedade, acompanhados dos elementos probatórios que fundamentem suas alegações. Senão vejamos: Art. 15 A impugnação, formalizado por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30(trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(inciso III com redação determinada pela Lei 8. 748/1993) §4. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razoes posteriormente trazidos aos autos. Como precisamente apontado na decisão a quo, aquele que se manifesta contra o Despacho Decisório tem o ônus probatório relativo à comprovação do crédito que alega possuir alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Tampouco se vislumbra nos autos quaisquer das exceções previstas no art. 16, §4º do Decreto 70.235/72. Assim, operouse a preclusão acerca do direito do contribuinte de produzir quaisquer provas do seu crédito, o que nos permite seguramente corroborar as conclusões alcançadas pela DRJ. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte traz uma reconstrução da discussão que culminou na declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718, para afirmar que o crédito se refere a receitas financeiras que compuseram a base de cálculo, o que causou o pagamento indevido das contribuições sociais. Quanto a este argumento, além de encontrar óbice no art. 17 do Decreto 70.235/72 (Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.), não foi corroborado por qualquer prova nos autos, sequer existindo algum indício disto. Tratase de uma afirmação tão vazia quanto à afirmação do crédito na Manifestação de Inconformidade, não merecendo qualquer guarida deste Colegiado. Por fim, alega o Recorrente: Concluindo, o recolhimento a maior de parte do darf de RS 25.045,85 é decorrente do alargamento da base de cálculo do COFINS (código de receita 2172), a qual deu fundamento para a Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10783.916038/200936 Acórdão n.º 3402003.903 S3C4T2 Fl. 5 4 compensação ora não homologada, o que poderá ser comprovado por mera diligência fiscal. O autor simplesmente alega a necessidade de uma diligência fiscal, mas sem atender aos requisitos do art. 14, IV do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A despeito da falha do Recorrente em indicar os elementos necessários para a solicitação de uma diligência, ainda assim o Colegiado poderia propor a conversão do julgamento em diligência se entender necessária, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Todavia, a diligência não tem a função de, atuando em lugar do Contribuinte, atender a um ônus probatório que não foi observado por este, mas sim esclarecer fatos que foram aventados no processo. Desse modo, nego o pedido de diligência. Conclusão Forte no exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao Recurso Voluntário, por absoluta ausência de provas no processo. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.001534/2009-21
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.305
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10240.001534/2009-21
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5711773
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 18 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.305
nome_arquivo_s : Decisao_10240001534200921.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10240001534200921_5711773.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6716978
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950080012288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 250 1 249 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10240.001534/200921 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.305 – 2ª Turma Sessão de 29 de março de 2017 Matéria 67.636.4010 CS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PENALIDADE/RETROATIVIDADE BENIGNA AIOP/AIOA: FATOS GERADORES ANTERIORES À MP Nº 449, DE 2008. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASC ASSESSORIA SERVICOS E CONSERVACAO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 15 34 /2 00 9- 21 Fl. 250DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de auto de infração NFLD DEBCAD nº 37.212.6200, às efls. 02 a 15, cientificado à contribuinte em 15/09/2009, com relatório fiscal às efls. 16 a 23. A notificação visou a constituição de crédito tributário de contribuições previdenciárias da empresa e para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, lançadas por arbitramento e apuradas por aferição indireta, relativas a remuneração dos segurados que prestaram o serviço de digitação à Coordenadoria da Receita Estadual. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 1.452,76, consolidado na data de 08/09/2009, para o período de apuração de 01/11/2004 a 30/11/2004. A NFLD foi impugnada, à efl. 108, em 09/10/2009. Já a 4ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão nº 0118.031, prolatado em 11/06/2010, às efls. 144 a 147, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 13/09/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 153 a 191, argumentando, em síntese: · ter havido inclusão indevida do lançamento da parcela do Seguro Acidente de Trabalho SAT; · que seria inaplicável a taxa de juros pela utilização inconstitucional da Selic, pois implicaria ferir o princípio da legalidade, teria natureza remuneratória e importar em anatocismo; · que seria descabida a responsabilização do sócio da empresa pelos débitos lançados, pois esta não atende os requisitos legais para tanto. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 08/02/2012, resultando no acórdão 2402002.439, às efls. 216 a 229, que tem a seguinte ementa: CORRESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, o “Relatório de Representantes Legais REPLEG” tem a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10240.001534/200921 Acórdão n.º 9202005.305 CSRFT2 Fl. 251 3 sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. O grau de risco da empresa é estabelecido de acordo com o enquadramento da sua atividade econômica preponderante por estabelecimento. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. JUROS/SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Fl. 252DF CARF MF 4 Ribeiro Domingues que aplicavam à multa a redução de 20% previsto no artigo 61 da Lei n° 9.430/96. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 03/04/2012 (efl. 230), a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em 11/05/2012, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 231 a 238) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmados no CARF no tocante à multa, em face da retroatividade benigna com aplicação da redação do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991, anterior à edição da MP nº 449/2008. Traz por paradigma o acórdão nº 20601.782, da Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Explicitando a divergência, assim se manifestou a Procuradora: O Colegiado a quo entendeu que, para alcance da multa mais benéfica ao sujeito passivo, devese comparar a multa prevista na redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212 com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, introduzido pela MP nº 449/2008. Em suma, o Colegiado a quo entendeu ser desnecessária a soma do valor da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da lei nº 8.212/91. Diversamente decidiu a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, a qual entendeu que para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte devese somar as multas das obrigações principal e acessória (art. 35, II e art. 32, IV da norma revogada) referentes à sistemática antiga com a multa atual (art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008), em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/10/2010 (Sublinhas do original) Pelas razões expostas requereu a Procuradora que fosse conhecido o recurso e provido para que se reforme o acórdão recorrido na parte em que este determinou a aplicação da multa prevista no art. 35, caput, da redação original da Lei nº 8.212/91. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400478/2012, datado de 1º/08/2012, às efls. 241 a 243, entendendo ele por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. A contribuinte foi intimada (efl. 245) do acórdão nº 2402002.439, do RE interposto pela Fazenda Nacional e do despacho de admissibilidade nº 2400478/2012, em 15/04/2013 (efl. 246), não tendo se manifestado nos prazos regimentais. É o relatório. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10240.001534/200921 Acórdão n.º 9202005.305 CSRFT2 Fl. 252 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Apesar de não estar mencionado no despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência, o acórdão nº 2402002.439 foi encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional em 03/04/2012, segundo despacho à efl. 230, considerandose ela intimada 30 (trinta) dias após (§§ 7º ao 9º , do artigo 23, do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.457, de 16/03/2007, D.O.U. de 19/03/2007). O recurso especial foi apresentado em 11/05/2012, (e fl. 231), dentro, portanto, do prazo de 15 (quinze) dias estabelecido no artigo 68 do Regimento Interno do CARF. Portanto, o recurso é tempestivo. Como também atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. O litígio aqui conhecido trata de retroatividade benigna na aplicação de penalidade. Nessa matéria, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 254DF CARF MF 6 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10240.001534/200921 Acórdão n.º 9202005.305 CSRFT2 Fl. 253 7 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 256DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10240.001534/200921 Acórdão n.º 9202005.305 CSRFT2 Fl. 254 9 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Fl. 258DF CARF MF 10 Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10240.001534/200921 Acórdão n.º 9202005.305 CSRFT2 Fl. 255 11 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 260DF CARF MF 12 Fl. 261DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18363.720670/2014-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTE. INDEDUTIBILIDADE.
É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de despesas médicas relativas a tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, quando estes últimos forem informados nessa condição na DIRPF.
DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. SÚMULA 98 CARF
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
Numero da decisão: 2201-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 20/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTE. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de despesas médicas relativas a tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, quando estes últimos forem informados nessa condição na DIRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. SÚMULA 98 CARF A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 18363.720670/2014-04
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716021
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.583
nome_arquivo_s : Decisao_18363720670201404.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 18363720670201404_5716021.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 20/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
id : 6738338
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950083158016
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-04-20T23:23:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-04-20T23:23:45Z; Last-Modified: 2017-04-20T23:23:45Z; dcterms:modified: 2017-04-20T23:23:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:28d504ee-64f8-43a3-ad39-aff67d847832; Last-Save-Date: 2017-04-20T23:23:45Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-04-20T23:23:45Z; meta:save-date: 2017-04-20T23:23:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-04-20T23:23:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-04-20T23:23:45Z; created: 2017-04-20T23:23:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2017-04-20T23:23:45Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-04-20T23:23:45Z | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 114 1 113 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18363.720670/201404 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.583 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2017 Matéria Dedução Pensão Judicial Recorrente CARLOS HANS MULLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. NÃO DEPENDENTE. INDEDUTIBILIDADE. É dedutível da base de cálculo do imposto de renda os valores efetiva e comprovadamente pagos a título de despesas médicas relativas a tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, quando estes últimos forem informados nessa condição na DIRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. SÚMULA 98 CARF A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos a título de pensão alimentícia. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Marcelo Milton da Silva Risso Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 36 3. 72 06 70 /2 01 4- 04 Fl. 114DF CARF MF 2 EDITADO EM: 20/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra. Ausente justificadamente o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJRJI que julgou improcedente a Impugnação e manteve o crédito tributário lançado através da Notificação de Lançamento nº 2013/0083401553324405 (fls. 50/55) decorrente do trabalho de malhafina na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) do exercício 2012, anocalendário 2013, do Recorrente, exigindo imposto suplementar no valor de R$ 8.905,32, com multa de ofício no percentual de 75% R$ 6.678,99 , e juros de mora R$ 689,88. O lançamento é decorrente das seguintes condutas: Dedução indevida de pensão alimentícia judicial, no valor tributável de R$ 30.000,00 (fls. 51), por falta de comprovação do pagamento, requisito legal para sua dedução; Dedução indevida de despesas médicas, no valor tributável de R$ 3.732,36 (fls. 52), por dedução de despesas de pessoa não declarada como dependente na DIRPF. Cientificado do lançamento em 20/02/2014 (fls. 48), o Recorrente apresentou Impugnação tempestiva em 19/03/2014 (fls. 02/10), por meio de procurador devidamente habilitado (fls. 12/14), esclarecendo que: i. recebeu termo de intimação fiscal para prestar esclarecimentos sobre possíveis irregularidades relacionadas à sua DIRPF 2013, AC 2012, o qual, de forma lacônica e genérica, fundamentou o enquadramento legal de possíveis infrações tributárias, requerendo, ainda, a apresentação dos documentos elencados. O mencionado termo foi atendido tempestivamente em 31/02/2014, por meio da apresentação de documentos; ii. os documentos foram entregues de forma incompleta e sem as devidas cautelas, devido ao desconhecimento de causa da matéria de sua parte, como da parte do seu procurador; iii. inexiste a obrigação tributária em que se fundamenta o crédito apurado; iv. a Lei nº 9.784/99 preconiza que os atos administrativos devem observar os requisitos de competência, objeto, motivo, forma e finalidade, em consonância com a teoria dos motivos determinantes, na forma do quanto previsto no caput do artigo 50 da referida lei; v. com relação à dedução de pensão alimentícia, juntou documentos que atestam o pagamento de pensão aos alimentandos, os quais legitimam sua pretensão de dedução; Fl. 115DF CARF MF Processo nº 18363.720670/201404 Acórdão n.º 2201003.583 S2C2T1 Fl. 115 3 vi. nas DIRPFs dos seus filhos alimentandos são declarados os valores recebidos a título de pensão pagos pelo Recorrente. Juntou suas certidões de nascimento; vii. apresentou Termo de Audiência de Conciliação, que homologou judicialmente o acordo de pagamento de alimentos, o qual justifica o pagamento do valor que foi glosado, e que o junta novamente na Impugnação, como forma de esclarecimento dos fatos. Considera que isso deixa evidente a nulidade do lançamento; viii. quanto à dedução das despesas médicas, juntou documentos que informam pagamento à UNIMEDBelém em benefício de sua esposa Olívia de Nazaré Costa Kahwage, os quais amparam a dedução glosada; ix. é casado com a esposa Olíveia desde 05/10/04, conforme certidão juntada, sendo ela, atualmente, isenta de imposto de renda, pois não aufere qualquer remuneração ou rendimento, vivendo totalmente sob sua dependência; x. seu contador não o orientou sobre a obrigatoriedade de declarar sua cônjuge como sendo sua dependente, na elaboração da sua DIRPF, fato que gerou o lançamento, o que demonstra sua ausência de dolo; xi. o lançamento fiscal e as glosas são nulos; xii. a administração deve anular os próprios atos, quando eivados de vício de legalidade e revogálos por motivo de conveniência e oportunidade, respeitados os direitos adquiridos; xiii. ao final, fosse acolhida a impugnação, com o cancelamento do débito fiscal reclamado. A Impugnação foi julgada improcedente, para manter integralmente as glosas lançadas, conforme assim ementado pela DRJRJI: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÕES. DESPESAS COM SAÚDE. Somente podem ser deduzidas dos rendimentos as despesas médicas relativas a tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, considerados aqueles informados nessa condição na Declaração de Ajuste Anual DAA. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. COMPROVAÇÃO. A dedução da pensão alimentícia fica condicionada à existência de sentença/acordo homologado judicialmente que a determine e também da comprovação do efetivo pagamento nos moldes determinados em juízo. As disposições de acordo consensual, homologado judicialmente, relativas à prestação de alimentos aos filhos menores somente se estendem aos filhos maiores inválidos. Não obstante, podem ainda ser assim considerados, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Mantido.” Fl. 116DF CARF MF 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 15/09/2014 (fls. 80), o Recorrente interpôs tempestivamente, em 13/10/2014, Recurso Voluntário (fls. 81/92), afirmando que: i. o lançamento fiscal, bem como a decisão de primeira instância não merecem prosperar, haja vista o Recorrente possuir os requisitos legais necessários à dedução das despesas de pensão alimentícia; ii. acostado à Impugnação, apresentou Termo de Audiência de Conciliação, no qual consta a sentença proferida pelo Juízo da 7ª Vara Cível da Comarca de Belém, que homologou judicialmente o acordo de pagamento de alimentos; documento que deve ensejar a ocorrência do pagamento da pensão e, por consequência, legitimar a dedução pretendida; iii. à época do acordo judicial, era funcionário da EMBRAPA, sendo hoje aposentado por ela, que efetua os pagamentos das pensões diretamente nas contas bancárias dos alimentandos, conforme documentos juntados (comprovantes de depósitos); iv. realizou saques de sua própria conta bancária para efetuar alguns pagamentos de pensão, conforme extratos bancários juntados, que informam valores às vezes coincidentes com os valores das pensões; v. apesar dos alimentandos terem atingido a maioridade legal, os valores de pensão pagos a estes são legalmente dedutíveis, pois cumprem ordem (acordo) judicial para o seu pagamento, o que assim continuará a ocorrer até que outra ordem judicial determine sua cessação; vi. os valores pagos a título de pensão não consistem em mera liberalidade e se coadunam com o entendimento sumulado pelo STJ (Súmula nº 358), que dispõe que o cancelamento do pagamento de pensão alimentícia a filho considerado maior de idade está sujeito à decisão judicial; vii. conforme entendimento do STJ, a pensão alimentícia deve ser concedida segundo a necessidade do alimentando, não sendo o atingimento da maioridade o critério automático para a cessação da obrigação alimentar. Citou trechos de julgados do STJ a seu favor; viii. não existe critério científico que justifique a cessação do pagamento de pensão alimentícia para filho que ultrapasse os 24 anos de idade, sendo este um critério exclusivo da legislação tributária, o qual não pode restringir direito civil; ix. o Código Civil, por ser Lei Ordinária no sentido normativo hierárquico, é superior ao Regulamento do IR, que é um Decreto; x. segundo o critério da especialidade, o Código Civil possui primazia para disciplinar a questão dos alimentos, que se insere no âmbito do Direito de Família; enquanto o RIR/99 pertence ao Direito Tributário, que é incompetente para fundamentar decisão relativa ao instituto civil dos alimentos; xi. os alimentos devem perdurar enquanto houver a necessidade do alimentando e a disponibilidade do provedor, pois inexiste no Código Civil qualquer marco temporal que determine o fim do pagamento da pensão alimentícia. Citou o artigo 1.696 do Código Civil que dispõe sobre a reciprocidade do dever de alimentos; Fl. 117DF CARF MF Processo nº 18363.720670/201404 Acórdão n.º 2201003.583 S2C2T1 Fl. 116 5 xii. concorda que o dever de prestar alimentos não deve ser eterno, mas que a cessação do pátrio poder, decorrente do atingimento da maioridade ou emancipação, não condiciona ao término do dever da prestação de alimentos. Citou jurisprudência do STJ e do TJ/PB; xiii. o entendimento de que a conclusão de curso superior enseja a emancipação ou independência financeira é relativa atualmente, diante da concorrência no mercado de trabalho, não podendo encerrar a prestação de alimentos; xiv. cabe ao provedor dos alimentos a decisão de cessar a respectiva prestação, baseada na observação do atingimento da independência financeira do filho; xv. o artigo 397 do Código Civil não fixa critério etário para a cessação da prestação alimentar, devendo prevalecer o critério binomial da necessidadepossibilidade; xvi. pelo exposto, entende que está comprovado o pagamento da pensão alimentícia e que, até o momento, não foi exonerado deste encargo por decisão judicial; xvii) citou trecho de lavra de advogada que firma que a tributação deve considerar as características pessoais dos contribuintes, com base no princípio da pessoalidade, o qual é respeitado quando se consideram os gastos e deduções familiares, evitando o confisco e buscando caráter igualitário; xviii) as despesas médicas foram efetuadas em favor de sua esposa, que é sua dependente econômica, o que justifica a dedução, em decorrência do dever de mútua assistência inerente ao matrimônio. Alega que sua cônjuge não trabalha e, assim, não percebe rendimentos, sendo sua dependente econômica exclusiva; xix) o fato do contador ter deixado de orientálo no sentido de declarar sua esposa como dependente perfaz mero erro escusável, o que deve afastar o dolo e a multa aplicada; xx) o Fisco não pode ignorar a situação fática demonstrada pelos documentos juntados, que informam sua ausência de dolo em sonegar tributos, fato que deve afastar as irregularidades inerentes ao lançamento fiscal, devendo ser reformada a decisão vestibular; xxi) ao final, resta demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento fiscal, requerendo o acolhimento e provimento do recurso e seus pedidos, para declarar a legitimidade e legalidade das deduções e determinar o cancelamento do débito fiscal. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 118DF CARF MF 6 Dedução de Despesa Médica Conforme dispõe o artigo 8º, § 2º, II, da Lei nº 9.250/95, as despesas médicas havidas pelos contribuintes consigo ou com seus dependentes são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, a saber: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea "a" do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifos nossos) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos nossos) Da análise dos dispositivos transcritos, observase que somente podem ser deduzidas da base de cálculo do IRPF as despesas médicas relativas a tratamento do próprio contribuinte e de seus dependentes, considerados estes últimos quando declarados nessa condição na DIRPF. No caso, a despesa médica glosada no lançamento fiscal referese à cônjuge do Recorrente, que não foi incluída por este como sua dependente na DIRPF, apesar da alegação de que ela é sua dependente econômica exclusiva em razão da mútua assistência inerente ao matrimônio. Quanto à alegação de ausência de dolo e de erro devido à orientação equivocada, para o Direito Tributário independe se a infração cometida ocorreu por equívoco, por desconhecimento da legislação ou complexidade técnica elevada. Em matéria tributária, não há que ser averiguada a intenção do agente, pois a responsabilidade por infração a legislação é objetiva, não dependendo da ocorrência de dolo ou culpa. Eis o quanto disposto no artigo 136 do CTN: “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Fl. 119DF CARF MF Processo nº 18363.720670/201404 Acórdão n.º 2201003.583 S2C2T1 Fl. 117 7 Assim, independentemente do ônus financeiro pelo pagamento da despesa médica relativa à cônjuge do Recorrente ter sido suportado por ele próprio, este dispêndio somente poderia ter sido deduzido na sua DIRPF no caso da sua cônjuge ter sido declarada como sua dependente, o que não ocorreu in casu. Pelo exposto, neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para confirmar a decisão de primeira instância, e manter a glosa e o crédito tributário. Dedução de Pensão Alimentícia paga aos Filhos A legislação do imposto de renda, em especial a Lei nº 9.250/95, permite a dedução de pensão alimentícia judicial da base de cálculo do IRPF. Porém, estabelece expressamente requisitos, limitações e formas determinadas para sua legitimidade, conforme exposto a seguir. Conforme os princípios informadores do Direito Tributário, em situações desse tipo, uma solução plausível pode ser verificada pela interpretação sistemática das normas do Direito Civil c/c o artigo 4º, II da Lei 9.250/1995, da legislação tributária, na forma abaixo descrita: Art. 4º Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; Os depósitos apresentados às fls. 36/47 concatenados com os extratos bancários informando saques de sua conta corrente juntados às fls. 97/108 geram a verossimilhança das alegações do contribuinte e portanto passíveis de serem reconhecidos como pagamento da pensão alimentícia a teor da Súmula CARF nº 98, para estabelecer entendimento que a pensão alimentícia somente é dedutível quando comprovado o efetivo pagamento, conforme abaixo: “Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário.” (grifouse) Fl. 120DF CARF MF 8 Em razão disso, entendo dedutíveis os valores pagos aos filhos e portanto, voto por dar provimento ao recurso, nesse ponto, para reformar a decisão de primeira instância. Conclusão Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para reconhecer a dedutibilidade das despesas com pensão alimentícia judicial. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.934350/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.532
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.934350/2009-91
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700469
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.532
nome_arquivo_s : Decisao_11080934350200991.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080934350200991_5700469.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6688728
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950087352320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.934350/200991 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.532 – 3ª Turma Sessão de 07 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES. PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 43 50 /2 00 9- 91 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 11080.934350/200991 Acórdão n.º 9303004.532 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.977, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 11080.934350/200991 Acórdão n.º 9303004.532 CSRFT3 Fl. 4 3 Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Fl. 613DF CARF MF Processo nº 11080.934350/200991 Acórdão n.º 9303004.532 CSRFT3 Fl. 5 4 É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11080.934350/200991 Acórdão n.º 9303004.532 CSRFT3 Fl. 6 5 Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11080.934350/200991 Acórdão n.º 9303004.532 CSRFT3 Fl. 7 6 No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 616DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13653.000393/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. NÃO ATENDIMETO AOS REQUISITOS LEGAIS.
Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
Numero da decisão: 2201-003.400
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. NÃO ATENDIMETO AOS REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13653.000393/2009-65
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5691900
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.400
nome_arquivo_s : Decisao_13653000393200965.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DANIEL MELO MENDES BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13653000393200965_5691900.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira - Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6669318
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950124052480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 146 1 145 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13653.000393/200965 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.400 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ALCEU ANTONIO DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM SAÚDE. RECIBOS DE PAGAMENTO. NÃO ATENDIMETO AOS REQUISITOS LEGAIS. Os recibos de pagamento firmados por profissionais de saúde devem preencher requisitos mínimos legais para sua validade. Documentos que não estejam em consonância com a legislação, não se prestam para comprovar a regularidade da dedução da base de cálculo do Imposto de Renda sobre a Pessoa Física das despesas médicas efetuadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Henrique de Oliveira Presidente Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA e RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 3. 00 03 93 /2 00 9- 65 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13653.000393/200965 Acórdão n.º 2201003.400 S2C2T1 Fl. 147 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF que é objeto do presente processo. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Em nome do contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativa ao ano calendário 2005, que apurou crédito tributário total de R$16.634,07, sendo R$ 7.852,19 de IRPF Suplementar, com ciência do sujeito passivo em 08/06/2009. Motivou o lançamento de ofício a constatação de deduções indevidas a título de dependente, no valor de R$ 1.404,00, e de despesas médicas, no valor de R$ 27.149,40, tendo em vista que, intimado a comproválas ou justificálas,o contribuinte não o fez. Inconformado, o interessado apresentou impugnação em 03/07/2009, alegando não ter tomado ciência da intimação inicial para apresentação de documentos, anexando os à defesa a fim de comprovar as deduções declaradas. Por meio do Despacho nº 11/2012, da 6ª Turma de Julgamento de Juiz de Fora (fls. 58), o processo retornou em diligência a fim de que fosse requerido ao impugnante elementos adicionais relativos às despesas médicas glosadas com os profissionais Clarice S Duarte Martins, no valor de R$ 5.000,00, Silene Pereira Ribeiro, no valor de R$ 1.980,00, Lílian Yukari Matsushita, no valor de R$ 3.000,00, Lizamara Santiago Feichas, no valor de R$ 6.000,00, e Clinica Du Art Ltda, no valor de R$ 5.000,00, para que o relator do processo pudesse formar juízo sobre o direito alegado. Como resultado da diligência foram juntados ao processo os documentos de fls. 63/122. A DRJ julgou procedente em parte a impugnação do contribuinte sob o argumento principal de que parte dos recibos apresentados não possuem coincidência entre datas e valores, com os saques apresentados para justificálos, sendo assim insuficientes para a formação da convicção dos julgadores, no sentido de exonerálo totalmente do crédito tributário. Insta salientar que, os documentos julgados insuficientes pela DRJ encontramse às fls.: 11/21 (Lizamara Santiago Feichas, fisioterapeuta no valor de R$ 6.000,00), 25/27 ( Clarice S Duarte Martins, dermatologista no valor de R$ 5.000,00), 22/24 (Lílian Yukari Matsushita, fisioterapeuta, no valor de R$ 3.000,00). Às fls. 28/33 constam recibos fornecidos pela psicóloga Silene Pereira Ribeiro, no valor de R$ 1.860,00, diferente dos R$ 1.980,00 declarados pelo contribuinte, sendo mantida a glosa no valor de R$ 120,00. Concluiu também, a primeira instância, que o valor de R$ 5.000,00 contido no recibo da Clinica Du Arte Dermatologia e Medicina Estética Ltda, referese aos mesmos R$ 5.000,00 constantes no recibo fornecido pela dermatologista Clarice S Duarte Martins. Conforme valores acima discriminados, mantevese a glosa de R$ 19.120,00. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13653.000393/200965 Acórdão n.º 2201003.400 S2C2T1 Fl. 148 3 Cientificado do acórdão da DRJ em 22/05/2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21/06/2012, alegando, em síntese, que: Os custos não foram exagerados, cabendo à área médica efetuar essa avaliação; tais gastos são verídicos e que possuía, à época, disponibilidade financeira suficiente para arcar com as referidas despesas, o que não continua atualmente. A ausência da unanimidade do acórdão de primeira instância mostra que lhe assiste alguma razão; os documentos apresentados são suficientes para comprovar os gastos deduzidos e que a exigência de cheque nominativo só se mostra necessária na falta de recibos, o que não foi o caso. Não pode ser prejudicado por algum vício que contenha o recibo apresentado, cabendo tal responsabilidade aos prestadores que os emitiram; procurou os emitentes, mas não obteve êxito; às pessoas ainda não se adaptaram às novas regras mais rigorosas de fiscalização da Receita Federal. Requer a procedência do recurso para que sejam deduzidos todos os valores apresentados. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Das Deduções de Despesas Médicas Cumpre salientar que, a divergência do julgamento de primeira instância referiuse apenas a glosa da dedução do valor de R$ 5.000,00 previstos no recibo fornecido pela Clinica Du Arte Dermatologia e Medicina Estética Ltda, nos demais pontos a DRJ foi unânime. O pleito gira em torno da insuficiência dos meios probatórios utilizados para comprovar o aduzido pelo recorrente. Nesse sentido aduz o artigo 80, §1º, III do Decreto 3.000/99: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13653.000393/200965 Acórdão n.º 2201003.400 S2C2T1 Fl. 149 4 I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;(grifei). Uma leitura superficial do texto acima citado pode levar ao entendimento equivocado de que bastam os requisitos do inciso III, do artigo 80, §1º do Decreto 3.000/99, para a comprovação do pagamento alegado. Para se extrair o sentido correto do texto normativo, fazse necessária a leitura de outro artigo também do Decreto 3.000/99, no caso o artigo 73, que preceitua, in litteris: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. (grifei) O artigo supramencionado é claro ao atribuir à autoridade lançadora o poder de valorar as provas, sempre de acordo com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, preceitos esses norteadores do ordenamento jurídico com um todo. Os mandamentos jurídicos anteriores completamse e chegam a uma conclusão lógica de que: os requisitos previstos no artigo 80, §1°, III são necessários em qualquer comprovação para dedução, enquanto o artigo 73 deverá ser aplicado de acordo com cada caso a juízo da autoridade lançadora. Temos que o pleito em apreço é ensejador da aplicação do artigo 73 do Decreto 3.000/99, levandose em consideração o alto valor, cerca de 19%, da renda tributável do contribuinte, a ser deduzido a título de despesas médicas. Entendo que a requisição do fisco encontrase em completo acordo com o sentido do texto legal e plenamente pautada nos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Os documentos apresentados para comprovar o pagamento dos valores constantes nos recibos são genéricos e não guardam semelhança com os recibos apresentados, sendo assim insuficientes para comprovar o direito alegado pelo contribuinte. Insta salientar que tais documentos encontramse às fls. 64/119. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13653.000393/200965 Acórdão n.º 2201003.400 S2C2T1 Fl. 150 5 Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000038/2009-37
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR.
O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeita-se à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação - DI regularmente registrada no Siscomex.
Recurso Especial da Procuradoria provido em parte.
Numero da decisão: 9303-004.384
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à turma a quo, a fim de que seja prolatada nova decisão e de que se reanalise o mérito do litígio, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pelo conselheiro Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201611
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeita-se à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação - DI regularmente registrada no Siscomex. Recurso Especial da Procuradoria provido em parte.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10803.000038/2009-37
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5680810
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.384
nome_arquivo_s : Decisao_10803000038200937.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10803000038200937_5680810.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial com retorno dos autos à turma a quo, a fim de que seja prolatada nova decisão e de que se reanalise o mérito do litígio, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pelo conselheiro Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
id : 6651433
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950132441088
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 15.572 1 15.571 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10803.000038/200937 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.384 – 3ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2016 Matéria IPI. ADUANEIRO. MULTA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 IMPORTAÇÃO FRAUDULENTA. MULTA REGULAMENTAR. O estabelecimento que consumir ou entregar a consumo produtos de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente sujeitase à multa igual ao valor comercial da mercadoria. A penalidade incide ainda que o produto importado tenha constado de Declaração de Importação DI regularmente registrada no Siscomex. Recurso Especial da Procuradoria provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial com retorno dos autos à turma a quo, a fim de que seja prolatada nova decisão e de que se reanalise o mérito do litígio, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Demes Brito, substituído pelo conselheiro Valcir Gassen. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 38 /2 00 9- 37 Fl. 15573DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 320100.974, de 22/05/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: MULTA. Art. 490, I, do Decreto 4.445/2002. Inaplicável a multa prevista neste artigo. Em relação ao bem jurídico tutelado, o IPI, já foi cobrado, com multa específica, em outro processo. Ademais, as importações foram submetidas ao controle aduaneiro legalmente previsto. Recurso do Contribuinte provido. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, apontando contradição e omissão na decisão embargada, que foram, por maioria, rejeitados. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente aponta interpretações divergentes quanto à aplicação da multa prevista no art. 490, I, do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI de 2002), uma vez que, enquanto o acórdão recorrido entendeu por afastar a referida penalidade, mesmo tendo concluído que houve falta de informação na DI do real adquirente (a fiscalização comprovou que este “equívoco” teria como objetivo precípuo a perpetração de fraudes), o acórdão paradigma, em situação semelhante, encampou entendimento diverso (Acórdão 3ª Seção/2ª Câmara/2ª TO nº 3202000.268, de 01/03/2011). As contrarrazões apresentadas pela contribuinte encontramse às fls. 13889/13929. Os responsáveis solidários também apresentaram contrarrazões ao recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial concluiu pela comprovação da divergência (fls. 13938/13940). Por meio da petição de fls. 15561/15571, a contribuinte requer nova votação para a admissibilidade do recurso especial, apontando vícios que, no seu entender, teriam ocorrido na sessão de setembro de 2016. É o Relatório. Fl. 15574DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.573 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Como se observa do auto de infração objeto dos autos, exigiuse a multa regulamentar prevista no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64, que tinha a seguinte redação na data dos fatos geradores: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou nêle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da notafiscal, conforme o caso; (Redação dada pelo DecretoLei nº 400, de 1968) Consta do Termo de Verificação Fiscal, em complemento à fundamentação legal já referida no seu campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, a referência ao art. 59 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002 (obviamente, a referência ao art. 29 foi um mero equívoco, conforme comprova o inteiro teor do Termo de Verificação Fiscal), e ao art. 79 da Medida Provisória MP n° 2.15835, de 24/08/2001: Lei n° 10.637, de 2002: Art. 59. O art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 23. ................................................................ .................................................................................................. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Fl. 15575DF CARF MF 4 § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional." (g.n.). MP n° 2.15835, de 2001: Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Pois bem. A contribuinte autuada teria entregado a consumo, de forma fraudulenta, produtos de procedência estrangeira importados por terceiros por sua conta e ordem, pois ocultada, pelos importadores interpostos, a sua condição de real importador e adquirente, fato não declarado nas Declarações de Importação – DI. Os recursos financeiros foram supridos pela contribuinte autuada, que, nada obstante este fato, foi deliberadamente ocultada nas respectivas operações. A despeito desse contexto, a 1ª TO entendeu, a nosso ver equivocadamente, que, “se a mercadoria foi importada regularmente, passando pela Fiscalização aduaneira e sendo posteriormente liberada, não há como, ainda que existindo falta de informação na DI quanto ao real adquirente, prevalecer a sanção prevista no art. 490, I, do RIPI”. Com efeito, o fato é de todo semelhante ao apreciado no acórdão paradigma e do qual resultou no entendimento de que a ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. Para espancar quaisquer dúvidas, transcrevemos os seguintes parágrafos que constam do relatório que integra o acórdão paradigma: De acordo com o que consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 03 a 18 a fiscalização encontrou irregularidades nas importações listadas às fls. 09/10, efetuadas com o uso do nome da autuada, por conta e ordem de terceiros. Esse terceiro, segundo a fiscalização, é a empresa Rinaldi Comissária Ltda., CNPJ n.º 02.109.202/000100, importador de fato e que ordenou que a Coremex faturasse as mercadorias a favor de Texvision Tecidos e Malhas Ltda. CNPJ n.º 04.721.351/000304. Rinaldi promoveu o despacho aduaneiro das mercadorias em questão indicando que os responsáveis pelas contratações de câmbio seriam as empresas Sekhen Comércio Importação e Exportação Ltda. CNPJ nº 64.800.980/000190, cuja situação cadastral é de inapta e Hamatex – Tecidos e Malhas Ltda. CNPJ n.º 00.140.136/000105. A fiscalização diz que a contratação do câmbio das mercadorias envolvidas não havia sido comprovada até a data do lançamento e às fls. 04 a 18 Fl. 15576DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.574 5 descreve as irregularidades que constatou, com a indicação das provas e legislação pertinente. Ainda que outras questões tenham sido levantadas no acórdão recorrido (mais à frente serão abordadas), o fato é que, não obstante aplicada a mesma penalidade, há duas interpretações divergentes, adotadas para casos semelhantes por colegiados distintos do CARF, em ordem a justificar, por si só, sem maiores considerações, a admissibilidade do recurso especial, em conformidade com o disposto no art. 67 do RICARF/2015. No mérito, entendemos absolutamente equivocado o entendimento de que o fato de a mercadoria importada ter sido submetida a uma “regular” importação, mediante entrega de DI e pagamento dos tributos aduaneiros sobre os valores declarados, acarretaria, como consequência lógica inarredável, a impossibilidade de se aplicar a penalidade prevista do art. 490, I, do RIPI/2002. Não fosse pela via da interpretação teleológica, a evidenciar que o legislador quis abarcar todas as situações em que a importação se dá ao arrepio do efetivo controle do Fisco e, portanto, do regular cumprimento das normas aduaneiras, a fragilidade dessa tese se mostra ainda mais cristalina quando verificamos que o legislador também inseriu, após a expressão “produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no país”, a conjunção alternativa “ou”, querendo com isso expressar uma alternância (fatos que se realizam separadamente) ao que já fora encartado na mesma norma (“...produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente...”). Assim, não resta a menor dúvida que a importação clandestina não é aquela que se deu de forma irregular ou fraudulenta, porque tais hipóteses se afiguram absolutamente distintas: ou a importação é clandestina (digamos assim, longe dos “olhos” do Fisco), ou se dá de forma irregular, ou, ainda, de forma fraudulenta, como a que constatou a fiscalização no caso ora em julgamento. Mas ainda há de se fazer algumas observações sobre duas questões levantadas pela relatora do acórdão recorrido ao fundamentar a sua decisão. A relatora afirmou que, no processo administrativo de nº 10803.000071/200967, lavrado em decorrência da mesma Operação Persona, a fiscalização teria constituído crédito tributário decorrente do IPI, incluída multa de ofício de 150%, sobre as mesmas bases de cálculo, para, ao depois, afirmar o seguinte: “Em lides anteriores, nunca autorizei que fossem aplicadas duas penalidades para sancionar uma única conduta”. Igualmente referiu que, somente em 2010, com a edição da Medida Provisória nº 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, que alterou o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76, passou a ser apenada a “revenda” de mercadoria importada irregular ou clandestinamente, de modo a restar evidente que, no ano de 2004, sequer a multa aduaneira poderia ter sido aplicada. No que concerne a este segundo fundamento adotado na decisão, cabe assinalar que a multa aplicada foi a prevista no art. 490 do RIPI/2002, que, ao tempo da infração, já previa as condutas de "consumir" ou "entregar a consumo" a mercadoria importada irregular ou fraudulentamente. O dispositivo, portanto, ao falar em "consumir", evidentemente está indicando que isto se dá pelo próprio importador; ao falar em "entregar a consumo", sem sombra de dúvidas, está a indicar a sua incorporação, pela revenda, à economia nacional, a fim de que seja por outrem consumido. Não se olvide, a propósito, que o IPI é o atual Imposto Fl. 15577DF CARF MF 6 sobre Consumo, daí as expressões "consumir" ou "entregar a consumo" plasmadas no dispositivo. Já o primeiro fundamento, embora levantado pela relatora no acórdão recorrido, não constou da impugnação apresentada pela MUDE à DRJ (Volume 7; fls. 1317/1404 papel), de modo que não poderia ter sido apreciado quando do julgamento do recurso voluntário, ainda que neste encartado. É, portanto, matéria estranha à lide (extra petita), cujo enfrentamento, assim contextualizado, configura causa de nulidade do decisum, vício que, por constituirse matéria de ordem pública, enseja o seu conhecimento mesmo de ofício, em face do efeito translativo dos recursos, se, é claro, o recurso for conhecido, como no caso ora em julgamento, conforme tem decidido o Superior Tribunal de Justiça – STJ (inclusive, a contrario sensu): ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ILICITUDE NÃO RECONHECIDA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO DO ACÓRDÃO. SÚMULA 283/STF. PRETENSÃO DE REEXAME DE PROVAS. EFEITO TRANSLATIVO DO RECURSO ESPECIAL. APELO INADMITIDO NA ORIGEM. 1. Conforme consignado na decisão agravada, não foi abordado no recurso especial o tema referente à ocorrência de prescrição da matéria, determinada pelo Juízo de primeiro grau e mantida pelo Tribunal de origem, o que enseja a aplicação da Súmula 283/STF. 2. Não ultrapassada a barreira do conhecimento do recurso especial, inviável se torna o exame da matéria de ordem pública diretamente por esta Corte Superior de Justiça. Inteligência da Súmula 456/STF e do art. 257 do Regimento Interno do STJ. 3. Reconhecer a ilicitude do ato da Administração e, consequentemente, o direito à indenização, como pretende o recorrente, demandaria o reexame das provas, o que é defeso neste Tribunal em face da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (STJ, rel. Min. Humberto Martins, AgRg nos EDcl no Ag 1357739 PR 2010/01891915, DJe 04/04/2011). AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. ANULAÇÃO. RECURSO PROVIDO. RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. Viola os artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil o acórdão do Tribunal de Justiça que, a despeito da oposição de embargos de declaração, julga questão diversa da matéria posta a deslinde na petição inicial. 2. Reconhecida a ocorrência de julgamento extra petita, impõe se anulação dos acórdãos proferidos pelo Tribunal de origem, com a devolução dos autos para que a lide seja apreciada nos limites em que foi proposta. 3. Agravo regimental improvido. (STJ, rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, AgRg no RMS 28.467/MS., DJe 19/12/2011). Fl. 15578DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.575 7 PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. JULGAMENTO EXTRA PETITA. OCORRÊNCIA. ARTS. 128 E 460 DO CPC. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. EFEITO TRANSLATIVO DO RECURSO ESPECIAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO REGIMENTAL. 1. Esta Turma, ao julgar o REsp 609.144/SC , deixou consignada a possibilidade de se examinar, em sede de recurso es (Rel. Min. Teori Albino Zavascki, RDR, vol. 30, p. 333) pecial – ainda que sua análise esteja subordinada à matéria efetivamente prequestionada no Tribunal a quo –, questões que envolvam a declaração de eventual nulidade do processo. 2. Nos limites em que a lide foi proposta, a pretensão do autor restringese à anulação do lançamento de ofício do IRPF apurado com base em depósito bancário que, durante o ano calendário de 1996, foi efetuado em contacorrente de sua titularidade. Acrescentese que o autor não defendeu em nenhum momento a nulidade do lançamento tributário com base na tese da ilicitude da quebra de seu sigilo bancário. Impende salientar que a Lei 9.430/96 entrou em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 1997 (art. 87) e, por força do art. 88, XVIII, da referida lei, foi expressamente revogado o § 5º do art. 6º da Lei 8.021/90. 3. Todavia, ao julgar a apelação cível – na qual o autor da ação insistiu em impugnar o lançamento de ofício efetuado com base no art. 6º, § 5º, da Lei 8.021/90 –, o Tribunal de origem, além de não se pronunciar sobre esse dispositivo legal, acabou por manter o lançamento tributário, entendendo que o auto de infração teria sido lavrado por suposta infração ao art. 42, caput, da Lei 9.430/96. Decidiu, ainda, com base na premissa equivocada de que existiria pedido de anulação do lançamento em virtude da forma de apuração do imposto através do cruzamento de dados da CPMF. Houve, portanto, julgamento extra petita. Desse modo, por evidente afronta aos arts. 128 e 460 do CPC, na decisão agravada foi decretada de ofício a nulidade processual verificada nos presentes autos. 4. Diante do efeito translativo do recurso especial, para que esta Corte Superior possa decretar de ofício a nulidade do julgamento extra petita realizado pelo Tribunal de origem, não se faz necessária a oposição de embargos declaratórios e a subsequente alegação de contrariedade ao art. 535 do CPC. O supracitado error in procedendo não se confunde com as hipóteses de omissão, obscuridade ou contradição albergadas pela norma processual em questão. 5. Agravo regimental desprovido. (STJ, rel. Min. Denise Arruda, AgRg no REsp 803656 PR 2005/02066700, DJe de 13/11/2009). AGRAVO REGIMENTAL RECEBIDO COMO EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO TRANSLATIVO DO RECURSO ESPECIAL. APELO INADMITIDO NA ORIGEM. AGRAVO Fl. 15579DF CARF MF 8 NÃO CONHECIDO POR ILEGIBILIDADE DE PEÇA OBRIGATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE SE RECONHECER A PRESCRIÇÃO. RECURSO ACOLHIDO SEM EFEITO MODIFICATIVO. 1. O efeito translativo dos recursos, consiste na possibilidade de o Tribunal, ultrapassada a admissibilidade do apelo, decidir matéria de ordem pública, sujeita a exame de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição. Porém, no caso em exame, mostrase inviável o reconhecimento da prescrição, porquanto o recurso especial foi inadmitido na origem e o presente agravo sequer foi conhecido, em razão de traslado ilegível de peça tida por obrigatória pelo art. 544 do CPC. 2. Agravo regimental recebido como embargos de declaração, sem efeito modificativo. (STJ, rel. Min. Luis Felipe Salomão, AgRg nos EDcl no Ag 983453 SP 2007/02682822, DJe 30/03/2009). Cumpre esclarecer, a doutrina processualística entende que a decisão extra petita não se resume àquela que confere ao autor coisa diversa da que constou do pedido, mas também aquela que toma em consideração fundamento de fato de não declinado pelas partes, muito embora a expressão em latim leve à conclusão de que a desconformidade se dá apenas quanto ao pedido formulado pela parte (exceção se faz ao fundamento que ressai dos próprios autos, vale dizer, aquele extraído das provas nele já encartadas). É equivocado pensar assim. Vejamos. Para FREDIE DIDIER, PAULA BRAGA E RAFAEL OLIVEIRA, é “extra petita a decisão que (i) tem natureza diversa ou concede ao demandante coisa distinta da que foi pedida, (ii) leva em consideração fundamento de fato não suscitado por qualquer das partes, em lugar daqueles que foram efetivamente suscitados ou (iii) atinge sujeito que não faz parte da relação jurídica processual” (g.n.) (DIDIER JR, Fredie. BRAGA, Paula Sarno. OLIVEIRA, Rafael. Curso de direito processual civil. Salvador: Editora JUS PODIVM, 2007, V. 2, p. 251). A decisão extra petita, na verdade, inventa, como no caso, quando considerou – aliás, equivocadamente – haver concomitante aplicação de multas sobre a mesma base de cálculo, sem que este fundamento tenha sido suscitado na impugnação. O mesmo vale para ELPÍDEO DONIZETTI, para quem “a sentença é extra petita quando a providência jurisdicional deferida é diversa da que foi postulada; quando o juiz defere a prestação pedida com base em fundamento não invocado; quando o juiz acolhe defesa não arguida pelo réu, a menos que haja previsão legal para o conhecimento de ofício” (g.n.) (DONIZETTI, Elpídeo. 10ª, Rio de Janeiro: Editora, LUMEN JURIS, 2008, p. 355). Portanto, embora preclusão e decisão extra petita sejam coisas diversas, a apreciação, pelo órgão ad quem, de matéria preclusa – porque não arguida em tempo oportuno –, acarreta a nulidade da decisão por constituirse estranha à lide. Na Jurisprudência, adotando o mesmo entendimento, confiramse as seguintes ementas de acórdãos do mesmo Tribunal: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. CONTRATO DE SUBEMPREITADA. CLÁUSULA QUE VINCULAVA O Fl. 15580DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.576 9 PAGAMENTO AO RECEBIMENTO DAS QUANTIAS PELO PRIMEIRO CONTRATANTE. ALEGAÇÃO DE QUE O PAGAMENTO FOI REALIZADO À EMPREITEIRA SEM O EFETIVO REPASSE DOS VALORES À SUBEMPREITEIRA. APELAÇÃO. EFEITO DEVOLUTIVO. COGNIÇÃO. LIMITES (CPC, ART. 515, § 1º). CLÁUSULA MERAMENTE POTESTATIVA, INÉRCIA E MÁFÉ NA COBRANÇA DO DEVEDOR PRINCIPAL. MATÉRIA NÃO SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DO MAGISTRADO DE PRIMEIRO GRAU NEM SUSCITADA NA APELAÇÃO. JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. ACÓRDÃO EXTRA PETITA. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 515 E 535 DO CPC CONFIGURADA. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando houver, na sentença ou no acórdão, obscuridade, contradição, omissão ou erro material, consoante dispõe o artigo 535, incisos I e II, do Código de Processo Civil. 2. Estabelece o art. 515 do CPC que a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. Trata, portanto, de seu efeito devolutivo. Segundo o dispositivo, em sua dimensão horizontal, não pode o órgão colegiado julgar matéria estranha ao recurso, seja pelo princípio dispositivo e da inércia, seja pela preclusão ou coisa julgada que recai sobre os pontos da sentença que não foram devidamente impugnados. Pode o órgão julgador, no entanto, dentro das limitações e exceções legais conhecer das questões suscitadas em sua dimensão vertical, isto é, em sua profundidade, desde que dentro da matéria debatida ou que seja passível de conhecimento ex officio. Precedentes. 3. Na hipótese, o Tribunal valeuse de fundamentação jamais suscitada e debatida, trazendo matéria estranha ao apelo – cláusula meramente potestativa e inércia e máfé da recorrente na cobrança de valores da empresa pública municipal , acabando por desconsiderar o princípio tantum devolutum quantum appellatum, incidindo, ao final, em manifesto julgamento extra petita. 4. Recurso especial provido. (REsp 1130118 / SP, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, DJe 15/05/2014). ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXCOMBATENTE. EXMARÍTIMO FALECIDO EM 1974. PENSÃO DE SEGUNDOTENENTE. PAGAMENTO ÀS FILHAS. IMPOSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DO TEMPUS REGIT ACTUM. PRECEDENTE DO STF. PENSÃO DE SEGUNDO SARGENTO. LEIS 3.765/60 E 4.242/63. AUSÊNCIA DE PEDIDO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. "A pensão deixada por excombatente é regida pelas normas vigentes na data do óbito de seu instituidor, não por aquelas aplicáveis à época do falecimento da viúva que recebia os Fl. 15581DF CARF MF 10 proventos" (AIAgR 499.377/RJ, Rel. Min. ELLEN GRACIE, STF, Segunda Turma, DJ 3/2/06). 2. Falecido o pai das autoras em 1974, não fazem elas jus à pensão especial de SegundoTenente das Forças Armadas, instituída em favor dos excombatentes da Segunda Guerra Mundial, e seus dependentes, pelo art. 53, II, do ADCT. 3. "As Leis 4.242/63 e 5.698/71, bem como o art. 53, II, do ADCT, cuidam de espécies diversas de benefícios concedidos aos excombatentes da Segunda Guerra Mundial" (REsp 1.354.280/PE, de minha relatoria, Primeira Turma, DJe 21/3/13). 4. Para fins de percepção da pensão de SegundoSargento estabelecida pela Lei 4.242/63, serão considerados dependentes aqueles que preencherem os requisitos específicos presentes naquele diploma, acrescidos dos requisitos gerais da Lei 3.765/60. Nesse sentido: AgRg no REsp 1.262.045/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJe 27/2/12. 5. Inexistindo na petição inicial pleito no sentido de concessão às autoras da pensão especial de SegundoSargento, eventual direito a esse benefício não pode ser examinado nestes autos, sob pena de se proceder a um julgamento extra petita e em indevida supressão de instância. 6. Tal entendimento busca, ainda, prevenir um eventual cerceamento de defesa não só da União como também das próprias autoras, haja vista que, não tendo sido produzidas nos autos provas de que elas preenchem os requisitos das Leis 4.242/63 e 3.765/60, qualquer decisão de mérito obrigatoriamente seria de improcedência do pedido. 7. "O processo é um caminhar para frente, daí existindo o sistema da preclusão (lógica, consumativa e temporal), às vezes até mesmo dirigida ao magistrado (pro judicato), a fim de que a marcha processual não reste tumultuada" (REsp 802.416/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJ 12/3/07). 8. É inviável a alteração do pedido inicial para albergar a pretensão à pensão especial de SegundoSargento, em virtude da preclusão consumativa; o eventual afastamento desse óbice demandaria, outrossim, que os autos retornassem à Primeira Instância para que fosse reaberta a fase de produção de provas, o que importaria em um indevido tumulto à marcha processual. 9. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1368400 / RN, Rel. Min. Arnaldo Esteves de Lima, DJe 13/05/2013). PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. VÍCIO DE ORDEM PÚBLICA OCORRIDO NO PROCESSO DE CONHECIMENTO. TRANSMISSÃO À FASE EXECUTÓRIA. IMPOSSIBILIDADE.COISA JULGADA. PRECEDENTES. NULIDADE AFASTADA. MATÉRIA SUSCITADA PELA PRIMEIRA VEZ EM Fl. 15582DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.577 11 MEMORIAIS. PRECLUSÃO. CAPACIDADE POSTULATÓRIA. PORTARIA MINISTERIAL. EFEITOS. JULGAMENTO EXTRA PETITA. OCORRÊNCIA. RECURSO PROVIDO. 1. Vícios, ainda que de ordem pública, ocorridos no processo de conhecimento, não têm o condão de transpor a autoridade da coisa julgada e irradiar efeitos na fase de execução. Precedentes. 2. É vedado à parte que deu causa à nulidade pretender o reconhecimento dela a seu favor (CPC, art. 243). 3. Preclusa a matéria argüida inauguralmente em sede de memoriais, sem contar, ainda, com a manifestação da parte adversa. 4. O julgamento extra petita constitui error in procedendo, que acarreta a nulidade da decisão, razão pela qual deve ser cassada. 5. Portarias "não atingem nem obrigam aos particulares, pela manifesta razão de que os cidadãos não estão sujeitos ao poder hierárquico da Administração Pública" (Hely Lopes Meirelles). 6. Recurso especial provido (STJ, Min. Arnaldo Esteves, REsp nº 695445/SP, publicado em 12/05/2008). No voto condutor deste último acórdão, consignou o ministro relator: Fora isso, inegável a ocorrência de preclusão, uma vez que a matéria só ganhou vida tardiamente, via memoriais (REsp 646.926/PR, Segunda Turma, Rel. Min. ELIANA CALMON, DJ de 6/3/06), particularidade essa que a descredenciava para a apreciação do Tribunal. (...) De tudo isso decorre, portanto, a conclusão lógica de que o aresto impugnado extrapolou os limites da lide executória, incorrendo em julgamento extra petita, ao decidir baseado em questão nova, a par de acobertada pela autoridade da coisa julgada. Sublinhese, por último: quer porque trouxe ao debate matéria estranha à lide, quer porque, em face do entendimento nele esposado, deixouse de apreciar, como destacado pela própria relatora, todos os argumentos suscitados nos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários, o acórdão recorrido deve ser anulado, para que outro seja proferido, observandose as considerações aqui tecidas. No que respeita à petição de fls. 15561/15571, entendemos que tudo o que aqui se expôs, notadamente quanto à admissibilidade do recurso especial e à nulidade que, a nosso juízo, viciou o julgamento realizado pela Câmara baixa, já é suficiente para afastar a pretensão. Contudo, ultrapassada, pela Turma, a nulidade que, a nosso juízo, viciou o acórdão recorrido, entendemos que, pelas razões expostas quando de sua admissibilidade, é de se dar provimento parcial ao recurso especial, para que os autos retornem à Câmara baixa, a fim de que seja prolatada nova decisão, com as considerações aqui tecidas e com a reanálise do mérito do litígio. É como voto. Fl. 15583DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 15584DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.578 13 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello. Conforme relatado, tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional buscando a reforma do acórdão nº 320100.974, de 22/05/2012, que deu provimento ao recurso voluntário da Contribuinte para afastar a cobrança da multa prevista no art. 490, inciso I do Decreto nº 4.544/2002, tendo em vista que penalidade mais específica já havia sido cobrada em outro processo. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: MULTA. Art. 490, I, do Decreto 4.445/2002. Inaplicável a multa prevista neste artigo. Em relação ao bem jurídico tutelado, o IPI, já foi cobrado, com multa específica, em outro processo. Ademais, as importações foram submetidas ao controle aduaneiro legalmente previsto. Recurso do Contribuinte provido. A Fazenda Nacional insurgiuse contra a decisão em razão de a mesma ter exonerado a aplicação da penalidade constante no art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002. Colacionou como paradigma o acórdão nº 3202000.268, cuja ementa foi transcrita em sua integralidade no recurso, tendo sido admitido o apelo fazendário (fls. 13.938 a 13.940). O Ilustre Relator entendeu por admitir o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional por entender como devidamente comprovada a divergência jurisprudencial e, no mérito, por darlhe parcial provimento, tendo sido acompanhado pela maioria do Colegiado. No entanto, com as vênias que são devidas, ousouse divergir do nobre Relator quanto à admissibilidade e ao mérito do julgamento, motivando a apresentação desta declaração de voto para expor as razões da discordância. Admissibilidade Da análise do acórdão recorrido, depreendese ter se amparado em especial em dois fundamentos para afastar a cobrança da multa prevista no art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002: (a) o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) devido nas operações de importação fiscalizadas está em exigência, com multa específica, em processo administrativo distinto, não sendo cabível a aplicação de duas penalidades para os mesmos fatos geradores; e Fl. 15585DF CARF MF 14 (b) as importações sujeitaramse ao regular controle aduaneiro, sendo inviável a sua classificação como clandestinas, fraudulentas ou irregulares, requisitos indispensáveis à aplicação do art. 490, inciso I do Decreto nº 4.544/2002. Para elucidar a assertiva, extraemse da fundamentação do acórdão recorrido os seguintes trechos: [...] De outro lado, tendo em vista que nos autos do processo administrativo nº 10803.000071/200967, o qual também foi lavrado no bojo da Operação Persona, com fundamento no mesmo MPF de que decorre o lançamento ora em análise e sabidamente se apoia nos elementos que igualmente foram acostados nestes autos, os Agentes Fiscais constituíram créditos tributários de IPI, acrescidos de multa de 150%, exatamente sobre as mesmas bases de cálculo, é legítimo concluir que, sob o ponto de vista dos Agentes Autuantes, com os qual eu concordo, o bem jurídico ofendido possui natureza jurídica tributária. Lamentavelmente, a fundamentação do Auto de infração iluminou apenas um dos aspectos, que foi o aspecto tributário, de sorte que o bem tutelado, ao meu sentir, foi a higidez da carga tributária do IPI. [...] Em lides anteriores, nunca autorizei que fossem aplicadas duas penalidades para sancionar uma única conduta. Peço vênia para transcrever meu voto, seguido pelos meus pares, proferido nos autos do Processo Administrativo nº 10314.012101/200647: [...] Ora, se a mercadoria foi importada regularmente, passando pela Fiscalização aduaneira e sendo posteriormente liberada, não há como, ainda que existindo falta de informação na DI quanto ao real adquirente, prevalecer a sanção prevista no art. 490, I, do RIPI. [...] Esses são motivos suficientes para se concluir que, no presente caso, não poderá subsistir a multa imposta pelas Autoridades Fiscais, prevista no art. 490, I, do RIPI, seja porque o bem jurídico tutelado (IPI) já foi cobrado com multa específica em outro processo, seja porque as importações foram submetidas ao legítimo controle aduaneiro ou porque, ainda que possam haver determinados erros nos documentos de importação, o que não verifiquei posto que não são objeto deste auto de infração, isso não torna a operação clandestina, irregular ou fraudulenta para fins do aqui pretendido. [...] (grifouse) Fundamentouse, então, o acórdão recorrido principalmente nas premissas (a) da impossibilidade de aplicação de duas penalidades para o mesmo fato gerador e (b) por terem as Fl. 15586DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.579 15 importações submetidose ao regular controle aduaneiro, não podem ser tidas por clandestinas, irregulares ou fraudulentas. Ambos os argumentos ensejaram o afastamento da penalidade contida no art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02. Por sua vez, o acórdão nº 3202000.268, indicado como paradigma pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com a devida vênia ao nobre Relator, não se assemelha à controvérsia posta nos presentes autos. Isso porque trata em específico da existência ou não de interposição fraudulenta nas operações de importação objeto da Fiscalização, e como consequência levando à aplicação da penalidadade cabível. Segue a ementa do julgado indicado como paradigmático: ASSUNTO: IPI. MULTA REGULAMENTAR. Período de Apuração: 08/01/2002 a 28/08/2002 OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE ENTREGUE A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. DESPACHANTE. O despachante aduaneiro está proibido de efetuar, em nome próprio, ou no de terceiro, importações de quaisquer mercadorias ou exercer comércio interno de mercadorias estrangeiras, mas se violar essa proibição cabe a exigência, contra ele, dos tributos e multas das operações de importação, concomitantemente com as penalidades próprias que lhes são aplicáveis. O despachante aduaneiro, quando importador de fato, é responsável solidário ao importador de direito, pelos tributos e multas exigidos do segundo, cuja firma tenha utilizado para promover a importação. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. ADQUIRENTE DE MERCADORIAS IMPORTADAS. O adquirente de mercadorias estrangeiras que tenha contrato de importação com o importador de direito, utilizado pelo despachante como “laranja” das importações responde solidariamente pelas exações tributárias e fiscais que advenham dessas importações simuladas. MULTA APLICADA. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA N.º 02 DO CARF. Fl. 15587DF CARF MF 16 Multa aplicada de acordo com a legislação de regência. Impossibilidade de conhecimento de alegação acerca de inconstitucionalidade de norma legal, nos termos da Súmula nº 02 do CARF. RECURSOS VOLUNTÁRIOS NEGADOS. Assim, o paradigma trazido pela Procuradoria trata da aplicação da penalidade quando há interposição fraudulenta, não tratando do ponto fulcral da decisão recorrida, qual seja, a possibilidade ou não de aplicação de dupla penalidade sobre os mesmos fatos geradores. Depreendese do exame do acórdão paradigma, ainda, ter sido afastada a penalidade naquele caso pela análise das provas constantes do processo e verificação da existência de simulação por não terem sido comprovados os pagamentos daquelas operações em exame. Traz expressamente o acórdão recorrido que eventuais equívocos nos documentos de importação não foram analisados, pois não são objeto do presente processo administrativo, não se discutindo neste processo a existência ou não de interposição fraudulenta. Ao contrário do que afirmado pela Fazenda Nacional em seu recurso, não há afirmação de que houve ocultação na declaração de importação do real adquirente, pois nesse caso não houve análise dos documentos, não decorrendo da mesma o afastamento da multa. Do confronto entre os acórdãos recorrido e paradigma verificase a ausência de similitude nas razões de decidir entre os julgados quanto à aplicação da penalidade constante do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02, requisito indispensável à comprovação da divergência jurisprudencial exigida para que o recurso especial tenha seguimento. A discussão a ser travada pela Fazenda Nacional em seu recurso especial deveria darse em torno da possibilidade de aplicação de dupla penalidade para os mesmos fatos geradores e, ainda, quanto à permanência da multa do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02, mesmo diante do controle aduaneiro das referidas importações. Portanto, considerandose o acórdão indicado como paradigma em preliminar formal do recurso especial, não restam integralmente preenchidos os requisitos de admissibilidade do apelo especial, uma vez que não há semelhança entre os acórdãos recorrido e paradigma e, por conseguinte, inexiste a alegada divergência jurisprudencial. Com base nessas considerações, entendeuse pelo não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, posição que restou vencida no julgamento. Mérito No mérito, o Ilustre Relator votou por dar parcial provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, determinando o retorno dos autos ao Colegiado a quo para ser prolatada nova decisão, levando em consideração todos os argumentos suscitados pelos responsáveis solidários em seus recursos voluntários. Desta posição, com todas as vênias, também divergiuse do nobre Relator, conforme razões constantes desta declaração de voto. Fl. 15588DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.580 17 A controvérsia posta no Recurso Especial da Fazenda Nacional e admitida nos termos do despacho de fls. 13.938 a 13.940 referese à possibilidade de exigência cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), acrescido da multa agravada de 150% (cento e cinquenta por cento), e da multa regulamentar do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02. O processo em análise trata da aplicação da multa regulamentar constante do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002, em decorrência de infrações supostamente cometidas no exercício de 2004 pela MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., em operações de importação com interposição de pessoas jurídicas entre o exportador e o importador, com a consequente entrega de mercadorias desembaraçadas irregularmente a consumo. Foram considerados responsáveis solidários a CISCO DO BRASIL LTDA e às demais pessoas físicas listadas no procedimento Fiscal. Foi motivado o auto de infração na quebra da cadeia de pagamento do IPI interno, pois não teria sido oferecido à tributação pela MUDE, estabelecimento equiparado à industrial, quando descoberta a interposição de pessoas entre o real exportador e o real importador. A totalidade da autuação contém lançamento de IPI na saída de produtos da MUDE, com o acréscimo de multa de 150%, e a multa regulamentar de 100% do valor da mercadoria pela entrega a consumo de produto internalizado de forma irregular, constante do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002, objeto do presente litígio. Assim, a análise a ser feita nos presentes autos, restringese à possibilidade de aplicação da multa regulamentar contida no art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/2002, apurada para o exercício de 2004, in verbis: Decreto nº 4.544/2002 Art. 490. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente: I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, salvo se estiver dispensado do registro, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. [...] (grifouse) Portanto, a Autoridade Fiscal, ao equiparar a MUDE (adquirente oculto) a estabelecimento industrial, efetuou a cobrança do IPI devido, acrescido da multa de 150% (cento e cinquenta por cento) em razão da ocorrência da fraude, nos autos do processo administrativo nº 10803.000071/200967. Além disso, por considerar ter havido a entrega a consumo de produto importado de forma irregular, clandestina ou fraudulenta, aplicou a multa regulamentar equivalente a 100% (cem por cento) do valor da mercadoria, objeto de discussão no presente processo autuado sob nº 10803.000038/200937. Fl. 15589DF CARF MF 18 Conforme destacado no acórdão ora recorrido, o bem jurídico tutelado pelos Agentes Fiscais na presente autuação possui natureza jurídicotributária, limitandose, assim o Auto de Infração a apenas um dos aspectos possíveis de serem abordados, ou seja, à higidez da carga tributária do IPI. Entenderam os Agentes Fiscais estarem diante de uma fraude desenhada visando o não pagamento do IPI, bem jurídico que restou ofendido. Assim, ao proceder à cobrança do IPI com acréscimo da multa qualificada em 150% e, ainda, da multa regulamentar de 100% do valor da mercadoria, tomando por base os mesmos fatos geradores e a mesma conduta dos Sujeitos Passivos, incorreu a Fiscalização na aplicação indevida de uma dupla penalidade. Portanto, estandose diante de diversas normas punitivas aplicáveis à mesma conduta, devese analisar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Sendo possível que uma das sanções previstas para punir determinada conduta possa absorver outra, de menor abrangência, é aquela que deverá ser aplicada, afastandose a outra. Referido entendimento foi assentado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em voto do então Conselheiro Marcos Vinícius Neder, ao proferir o acórdão nº CSRF/0105.838, de 15/4/2008, in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “principio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: “pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. Fl. 15590DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.581 19 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de oficio – na mesma autuação por falta de recolhimento de tributo. Na dosimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento”. O bem jurídico pretendido tutelar pela Administração Tributária, o IPI, o será no processo administrativo específico, com a aplicação da penalidade de multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), não se justificando, pelo princípio da consunção, seja mantida também a multa regulamentar de 100% (cem por cento) do valor da mercadoria. Mesmo que reste superado referido argumento, a aplicação da multa regulamentar ora em exame não se sustenta se considerado o disposto no art. 690, § único, do Decreto nº 6.759/2009: Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 (Regulamento Aduaneiro) Art. 690. Aplicase ainda a pena de perdimento da mercadoria de procedência estrangeira encontrada na zona secundária, introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente. Parágrafo único. A pena a que se refere o caput não se aplica quando houver tipificação mais específica neste Decreto. (grifouse) A norma em referência determina seja afastada a aplicação da pena de perdimento da mercadoria nas hipóteses em que houver disposição jurídica de caráter sancionatório mais específico. No caso, a multa regulamentar foi aplicada em razão de a Contribuinte MUDE ter entregue a consumo produtos de procedência estrangeira, importados por terceiros por sua conta e ordem, de forma fraudulenta, uma vez ocultada, pelos importadores interpostos, a sua Fl. 15591DF CARF MF 20 condição de real importadora e adquirente nos procedimentos aduaneiros de ingresso das mercadorias no Brasil. Sob esta perspectiva, restaria configurada a hipótese de ocorrência de dano ao erário, punível com a pena de perdimento, descrita no art. 23, inciso V, §§1º e 3º, do Decreto lei nº 1.455/76, por se constituir em penalidade mais específica para a situação constatada pela Fiscalização: a importação de mercadoria ao abrigo de Declaração de Importação (DI), mediante a ocultação do real vendedor. Não houve a caracterização de qualquer ilícito que pudesse ensejar a aplicação da penalidade constante do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02. A conduta praticada pelo Sujeito Passivo de entregar à consumo mercadorias importadas de forma clandestina, irregular ou fraudulenta, decorreu de a importação ter sido realizada mediante, segundo a Fiscalização, a ocultação do real importador/adquirente da mercadoria. Portanto, mostrase mais abrangente a norma que prevê a caracterização de dano ao erário e a consequente aplicação da pena de perdimento, pela ocultação do real importador, absorvendo a conduta menor, qual seja, a entrega a consumo da mercadoria indevidamente internalizada em território nacional. Prevaleceria, portanto, a aplicação da pena de perdimento por ser mais específica. No sentido da prevalência do princípio da especialidade na aplicação de penalidades tributárias, manifestouse o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 1.218.798 PR, de relatoria do Ministro Sérgio Kukina, o qual recebeu a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. DIREITO ADUANEIRO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO DO VALOR DA MERCADORIA. PENA DE PERDIMENTO. DESCABIMENTO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 108, PARÁGRAFO ÚNICO, DO DECRETOLEI Nº 37/66. CRITÉRIO DA ESPECIALIDADE DA NORMA. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E DA RAZOABILIDADE. CONSIDERAÇÃO. 1. A falsidade ideológica consistente no subfaturamento do valor da mercadoria na declaração de importação dá ensejo à aplicação da multa prevista no art. 105, parágrafo único, do DecretoLei nº 37/66, que equivale a 100% do valor do bem, e não à pena de perdimento do art. 105, VI, daquele mesmo diploma legal. 2. Interpretação harmônica com o art. 112, IV, do CTN, bem como com os princípios da especialidade da norma, da razoabilidade e da proporcionalidade. Precedentes. 3. Recurso especial da Fazenda Nacional a que se nega provimento. (grifouse) Existindo penalidade específica, no caso a pena de perdimento, resta afastada a aplicação da multa regulamentar do art. 490, inciso I, do Decreto nº 4.544/02, nos termos das disposições contidas no art. 690, §único, do Decreto nº 6.759/2009. Fl. 15592DF CARF MF Processo nº 10803.000038/200937 Acórdão n.º 9303004.384 CSRFT3 Fl. 15.582 21 Diante dos argumentos expostos, com as vênias que são devidas, divergiuse do Ilustre Conselheiro Relator, para ser negado provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 15593DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901700/2009-14
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 9101-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário.
[assinado digitalmente]
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10280.901700/2009-14
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5716159
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 03 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.626
nome_arquivo_s : Decisao_10280901700200914.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
nome_arquivo_pdf_s : 10280901700200914_5716159.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6739667
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:59:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950142926848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.901700/200914 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9101002.626 – 1ª Turma Sessão de 16 de março de 2017 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO DO ESTADO DO PARA S A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. [assinado digitalmente] Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 120200.669, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte acerca da possibilidade de compensação de créditos de pagamentos de estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 17 00 /2 00 9- 14 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10280.901700/200914 Acórdão n.º 9101002.626 CSRFT1 Fl. 3 2 O Acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário para afastar o argumento jurídico da não homologação, entendendo ser possível a compensação de créditos de pagamentos de estimativas. Em seguida, para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência, por entender que a decisão de reconhecer a possibilidade de compensação do valor indevidamente pago, ou pago a maior, de estimativa é fruto de interpretação da legislação tributária que conflita com a interpretação adotada no acórdão paradigma colacionado aos autos. O recurso foi admitido por meio do despacho do Presidente da Câmara. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.610, de 16/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.900603/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.610): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, na forma como foi admitido. O contribuinte apresentou DCOMP apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual do tributo. A decisão recorrida foi no sentido oposto, reconhecendo o direito de o contribuinte compensar o indébito de estimativa, devolvendo os autos para a unidade de origem, para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, vez que essa matéria ainda não sofreu apreciação pela Administração Tributária. O recurso especial veio para que esta Câmara Superior reforme a decisão recorrida, restabelecendo a declaração de impossibilidade de o contribuinte compensar crédito de estimativa, nos termos da legislação infralegal então em vigor. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10280.901700/200914 Acórdão n.º 9101002.626 CSRFT1 Fl. 4 3 Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 05/12/2011, assim ementada: ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, negolhe provimento, com retorno dos autos à unidade de origem para verificação da certeza e liquidez do crédito tributário. assinado digitalmente Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10280.901700/200914 Acórdão n.º 9101002.626 CSRFT1 Fl. 5 4 Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 211DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008494/2008-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO.
O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 ao referir que podem ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; tratou de possibilidade e não de uma obrigatoriedade legal.
GRATIFICAÇÃO EVENTUAL. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
Conforme artigo 28, § 9 °, "e", item 7, da Lei 8.212/92, com a redação dada pelas Leis nº 9.528/97 e 9.711/98, não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências 01/2003 e 03/2003 (decisão proferida na sessão de 20/09/2016). No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira (Relator) e Rosemary Figueiroa Augusto, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Cecília Dutra Pillar não participou do julgamento, tendo em vista que o Conselheiro Eduardo de Oliveira (Relator), a quem ela substitui, já havia proferido seu voto, na sessão de 09/03/2016. Foram designados os Conselheiros Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o relator, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa como redator ad hoc.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio Oliveira Barbosa - Presidente e Redator ad hoc.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Eduardo de Oliveira (sessão de 09/03/2016).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 ao referir que podem ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I - índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II - programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; tratou de possibilidade e não de uma obrigatoriedade legal. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Conforme artigo 28, § 9 °, "e", item 7, da Lei 8.212/92, com a redação dada pelas Leis nº 9.528/97 e 9.711/98, não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.008494/2008-64
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700187
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-003.607
nome_arquivo_s : Decisao_19515008494200864.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : EDUARDO DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 19515008494200864_5700187.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências 01/2003 e 03/2003 (decisão proferida na sessão de 20/09/2016). No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira (Relator) e Rosemary Figueiroa Augusto, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Cecília Dutra Pillar não participou do julgamento, tendo em vista que o Conselheiro Eduardo de Oliveira (Relator), a quem ela substitui, já havia proferido seu voto, na sessão de 09/03/2016. Foram designados os Conselheiros Martin da Silva Gesto para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o relator, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa como redator ad hoc. (assinado digitalmente) Marco Aurélio Oliveira Barbosa - Presidente e Redator ad hoc. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Eduardo de Oliveira (sessão de 09/03/2016).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
id : 6688446
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950146072576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2044; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 419 1 418 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.008494/200864 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.607 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2017 Matéria Contribuições Previdenciárias PLR Recorrente TRENCH ROSSI E WATANABE ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/09/2005 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO. O § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000 ao referir que podem ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente; tratou de possibilidade e não de uma obrigatoriedade legal. GRATIFICAÇÃO EVENTUAL. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Conforme artigo 28, § 9 °, "e", item 7, da Lei 8.212/92, com a redação dada pelas Leis nº 9.528/97 e 9.711/98, não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências 01/2003 e 03/2003 (decisão proferida na sessão de 20/09/2016). No mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Eduardo de Oliveira (Relator) e Rosemary Figueiroa Augusto, que negaram provimento ao recurso. A Conselheira Cecília Dutra Pillar não participou do julgamento, tendo em vista que o Conselheiro Eduardo de Oliveira (Relator), a quem ela substitui, já havia proferido seu voto, na sessão de 09/03/2016. Foram designados os Conselheiros Martin da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 84 94 /2 00 8- 64 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 420 2 Silva Gesto para redigir o voto vencedor, na parte em que foi vencido o relator, e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa como redator ad hoc. (assinado digitalmente) Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente e Redator ad hoc. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Márcio Henrique Sales Parada, Martin da Silva Gesto, Rosemary Figueiroa Augusto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Eduardo de Oliveira (sessão de 09/03/2016). Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF cuida do lançamento do Auto de Infração – AI DEBCAD 37.190.9066, o qual objetiva a contribuições social previdenciária parte descontada do trabalhador, decorrente do pagamento de salário indireto Plano de Participação nos Lucros e Resultados PLR, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 30 a 35, tendo sido fiscalizado o período de 01/2003 a 12/2005, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 20. O contribuinte foi cientificado deste lançamento fiscal, em 22/12/2008, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, de fls. 02. A empresa autuada apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 54 a 98, recebida, em 21/01/2009, conforme carimbo de recepção, de fls. 54, tal impugnação foi acompanhada dos documentos, de fls. 100 a 202; 206 a 234. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 235, conforme CCADPRO, bem como despacho, de fls. 236. O órgão julgador de primeiro grau prolatou o Acórdão 1623.335 12ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I – SP, datado de 28/10/2009, acostada, as fls. 237 a 266, pelo qual considerou a impugnação improcedente. O sujeito passivo foi cientificado desta decisão, em 26/05/2010, AR, de fls. 271. O contribuinte interpôs recurso voluntário petição de interposição, recebida em 25/06/2010, de fls. 272 e 273, com razões recursais, as fls. 274 a 324, acompanhada do documento, de fls. 325 a 371. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 373. As razões recursais sumariadas estão seguir expostas. Preliminarmente. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 421 3 · que ocorreu a decadência da contribuição, pois essa é sujeita ao lançamento por homologação, aplicandose, assim, o artigo 150, §4º, do, CTN na ocorrência de antecipação do pagamento, estando decadentes as contribuições para o período de 01/2003 a 12/2003; · que ocorreu nulidade da autuação, pois no lançamento não buscou material, da qual depende a legalidade do lançamento, bem como não se manifestou a autoridade julgadora a quo sobre a verdade material; · que os pagamento efetuados a título de PLR foram feito dentro das determinações legais, sendo examinados superficialmente os lançamentos fiscais da recorrente e os contratos de PLR, não sendo esses salários, não ha que se falar em contribuição; · que no tocante a gratificação paga o fisco não considerou que essas não são habituais, não devendo assim integrar a base de cálculo da contribuição, não se preocupando em verificar se os ganhos foram eventuais e para que tipo de profissionais, sendo que em relação a seus próprios funcionários a maioria dos pagamentos ocorreram uma única vez, demonstrandose nula a atividade fiscalizatória, pois apesar de constatar a ocorrência do pagamento não perquiriu pela natureza deste; · que o auto é nulo por falta de motivação, pois cabe ao fisco demonstrar a ocorrência do fato gerador, devendo o fisco usar presunções e indícios com parcimônia no campo tributário, pois o ato deve trazer a caracterização precisa da falta cometida e do dispositivo legal violado, caso contrário ocorrerá cerceamento de defesa, o que não ocorreu no presente auto, uma vez que no relatório fiscal não há qualquer capitulação legal específica, sendo necessário a verificação da ocorrência do fato gerador da tributação Mérito. · que apenas os pagamentos efetuados em 01/2004 e 04/2005 o foram a título de PLR e assim estes não tem natureza salarial, pois o artigo 7, XI, da CF/88 diz que é desvinculado da remuneração, sendo que desta forma não integra o salário de contribuição, artigo 28, § 9 °, “j”, da Lei 8.212/92, tendo sido tal pagamento efetuado dentro das determinações legais da matéria, não exigindo a lei a confecção de atas das reuniões para elaboração do plano PLR; · que os demais pagamentos efetuados nas competências 01/2003; 03/2003; 02/2004; 04/2004; 07/2004; 02/2005; 03/2005; 05/2005 e 09/2005, apesar de denominados de PLR na verdade são gratificações eventuais e assim sobre essas não incidem contribuição previdenciária, pois as gratificações foram pagas no máximo um ou duas vezes e decorrente das rescisões trabalhistas, pagas por mera liberalidade, não devendo integrar o salário de contribuição; Fl. 421DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 422 4 · que o fisco não pode responsabilizar a empresa pelo recolhimento da contribuição social previdenciária da parte do empregado, pois implicaria em enriquecimento ilícito daquele em detrimento da recorrente, estando o ato administrativo eivado de inconstitucionalidade, dessa forma requerse a exclusão da parte dos segurados da atuação, não tendo a fiscalização provado que no período em tela a contribuição dos segurados não tenha se dado pelo teto, sendo provável que em muitos dos casos a contribuição já tenha ocorrido pelo teto, bem como a fiscalização não descontou da exigência o recolhimento que já fora feito a título de contribuição do segurado, devendo esta exigência ser excluída da atuação; · Do pedido e requerimento: a) reforma da decisão de primeiro grau, julgandose o lançamento improcedente, seja em razão das nulidades ou da improcedência das exigências ou pela decadência de parte dos créditos. Os autos subiram ao CARF, fls. 375. O sorteio e distribuição dos autos ao presente conselheiro ocorreu, em 12/02/2015, Lote 06. É o Relatório. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 423 5 Voto Vencido Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator ad hoc designado. O Conselheiro Relator, Eduardo de Oliveira, não mais integrava o CARF quando da conclusão desse julgamento. O Relatório e Voto do Relator foram proferidos na sessão de 09/03/2016 e foram obtidos da pasta T do servidor de dados do CARF, onde ficam armazenados os votos dos Conselheiros por ocasião da sessão de julgamento. A seguir o voto do Relator, Eduardo de Oliveira: O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Preliminares. Inicialmente, esclareço que relativamente a tese de decadência que busca a aplicação do artigo 150, §4º, da Lei 5.1722/66 necessário se faz a comprovação da existência de pagamento. Contudo, no presente crédito o contribuinte não traz tal prova, bem como o agente fiscal não informou a existência de tais pagamentos, apenas registrou no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF, de fls. 29, que comprovantes de pagamentos foram examinados, sem esclarecer para quais competências. Todavia, podese extrair do Relatório Fiscal do Auto de Infração, de fls. 30 a 35, item 3 e subitem 3.1, que o presente lançamento referese a diferenças de rubricas incluídas em folha de pagamento, mas não declarada em GFIP, observese a transcrição. 3. Durante a ação fiscal foi constatado, por meio de Livros Contábeis, Folhas de Pagamento, Convenções Coletivas de Trabalho e Planos de Participação nos Resultados PLR, que a empresa, no meses mencionados no item "2" acima, pagou para seus empregados Participação nos Resultados PLR. 3.1 Tais valores foram pagos aos empregados nas folhas de pagamento normais da empresa, mas não foram considerados como integrantes do saláriodecontribuição para à Seguridade Social e não foram declarados em GFIP. O que permite concluir a despeito do que determina o artigo 158, da Lei 5.172/66 que houve algum pagamento, pois do contrário o agente lançador teria, também, promovido a lançamento das demais rubricas remuneratórias constantes da folha de pagamento, feito esse esclarecimento, passo a diante. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 424 6 Assiste razão a recorrente quando diz que no caso de antecipação do pagamento, em tributo sujeito ao lançamento por homologação a regra de decadência a incidir é a do artigo 150, §4º, da Lei 5.172/66, assim se posicionou o Superior Tribunal de Justiça STJ no julgamento a seguir colacionado, sendo que eu acompanho tal tese. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. (grifei). No caso, em tela o lançamento seu deu, em 22/12/2008, data da cientificação do contribuinte, fls. 02. O Discriminativo Sintético de Débito DSD, de fls. 07, deixa claro que estão integrando este lançamento as competências 01/2004; 06/2004; 07/2004; 02/2005; 04/2005; 05/2005 e 09/2005, todas relativas ao levantamento PLR SALARIO DE CONTRIBUIÇÃO. Dessa forma, retroagindo cinco anos a contar do lançamento teremos o marco inicial da decadência como sendo 23/12/2003, assim sendo não há competência consumidas pela decadência, uma vez que a primeira competência lançadas esta fora do período decadencial. No que tange a nulidade do lançamento em razão da verdade material, tenho para mim que tal nulidade inexistiu, pois verificase que o agente fiscal agiu dentro das determinações legais sobre a matéria, ou seja, verificou que o tomador dos serviços transferiu para os prestadores de serviços, numerário via folha de pagamento e que tais numerários não fora oferecidos a tributação. Ora nos termos do parecer transcrito abaixo o fato gerador da contribuição previdenciária e a efetiva prestação dos serviços, porém o STJ flexibilizou essa regra, pois a Corte Cidadão entende que o tempo à disposição do empregador, também, constitui o fato gerador. PARECER/CJ Nº 2.952 ASSUNTO: Fato Gerador da Contribuição Previdenciária. Aprovo. Publiquese. Em, 16 de janeiro de 2003. RICARDO BERZOINI EMENTA: SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA COM A EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. O fato gerador da contribuição previdenciária da empresa incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém com a efetiva prestação do serviço, quando surge para a Fl. 424DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 425 7 empresa o dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. EMEN: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIOMATERNIDADE. SALÁRIO PATERNIDADE. INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPETITIVO. RESP PARADIGMA 1230957/RS. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. SERVIÇO ELEITORAL. LICENÇA CASAMENTO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. ÔNUS DO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃOPATRONAL. 1. Incide contribuição previdenciária sobre o saláriomaternidade e o saláriopaternidade. Entendimento reiterado no REsp 1230957/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 26/2/2014, DJe 18/3/2014, submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). 2. Incide contribuição previdenciária sobre as férias gozadas. Precedentes. Súmula 83/STJ. 3. Insuscetível classificar como indenizatória a licença para prestação do serviço eleitoral (art. 98 da Lei n. 9.504/97) ou a licença casamento (art. 473, II, da CLT), pois sua natureza estrutural remete ao inafastável caráter remuneratório, integrando parcela salarial cujo ônus é do empregador, sendo irrelevante a inexistência da efetiva prestação laboral no período, porquanto mantido o vínculo de trabalho, o que atrai a incidência tributária sobre as indigitadas verbas. 4. A recorrente defende tese de que a ausência de efetiva prestação de serviço ou de efetivo tempo à disposição do empregador justificaria a não incidência da contribuição, ou seja, qualquer afastamento do empregado justificaria o não pagamento da exação. 5. Tal premissa não encontra amparo na jurisprudência do STJ, pois há hipóteses em que ocorre o afastamento do empregado e ainda assim é devida a incidência tributária, tal como ocorre quanto ao saláriomaternidade e as férias gozadas. 6. O parâmetro para incidência da contribuição previdenciária é o caráter salarial da verba. A não incidência ocorre nas verbas de natureza indenizatória. Recurso especial conhecido em parte e improvido. RESP 201401184152. RESP RECURSO ESPECIAL 1455089. HUMBERTO MARTINS. STJ. SEGUNDA TURMA. DJE DATA:23/09/2014. (destaquei). Assim sendo, o agente fiscal em sua missão entendeu que ficou caracterizado a ocorrência do fato gerador e que a verba paga não se constituía em mera indenização. O órgão julgador a quo diferentemente do que diz a recorrente, manifestouse expressamente sobre o principio da verdade material e ainda que essa manifestação não tenha agradado ou não se coadune com o que pensa o contribuinte isso não leva a nulidade do lançamento fiscal e nem da decisão de primeira instância. O agente lançador deixou claro que no curso da fiscalização encontrou nos documentos da recorrente a existência de pagamentos a título de PLR nas competências consignadas na transcrição abaixo. 7. Os valores pagos a título de PLR no meses de 01 e 02/2003, 02, 04 e 07/2004; 02, 03, 05 e 09/2005, não tiveram seus critérios e metas estabelecidos nos Planos de Participação nos Resultados PLR de 2003 e 2004, conforme declaração da própria empresa. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 426 8 No entanto, esse mesmo agente fiscal deixou consignado que apenas os pagamentos efetuados em 01/2004 e 04/2005 são devidos, respectivamente, ao PLR de 2003 e 2004, mas que os demais pagamentos são em verdades gratificações, o que é confirmado pela recorrente via declaração, citada pelo agente lançador, transcreve o trecho do REFISC que esclarece a questão. O PLR do ano calendário de 2003, foi pago em janeiro de 2004 e o de 2004, em abril de 2005, o que veio confirmar que os pagamentos efetuados a título de PLR em 01/2003 e 03/2003; de 02/2004, 04/2004 e 07/2004; de 02/2005, 03/2005, 05/2005 e 09/2005, não se referem a PLR e, sim, a gratificação. Para o ano calendário de 2004, foi pago em 04/2005, de acordo com que está consignado no acordo coletivo de 2004/2005. Como houve pagamentos de PLR fora de janeiro/2004 e abril/2005, foi solicitado da empresa através do TIF Termo de Intimação Fiscal n° 002 que ela apresentasse memória de cálculo das competências mencionadas aqui. Todavia a mesma apresentou apenas uma declaração informando que os valores pagos a titulo de PLR no período de 2003 a 2005, exceto os das competências de 01/2004 e 04/2005, eram gratificações, em sendo assim, não foi apresentado memória de cálculo, vez que não foi elaborado. No que tange as competências 01/2004 e 04/2005 consideradas pela empresa como pagamentos a título de PLR, o agente fiscal desconsiderou tal verba como sendo dessa natureza, uma vez que o pagamento daquele suposto PLR não obedeceu as determinações legais da Lei 10.101/2000, haja vista que foram identificadas irregularidades nos supostos planos PLR, tais irregularidades foram listadas pelo agente em seu REFISC. Os pagamentos efetuados nas demais competências, os quais, também, foram denominados inicialmente de PLR, pela empresa e que posteriormente esta designou de gratificações, conforme informado pelo agente fiscal, baseado em declaração da própria recorrente, conforme transcrição. Todavia a mesma apresentou apenas uma declaração informando que os valores pagos a titulo de PLR no período de 2003 a 2005, exceto os das competências de 01/2004 e 04/2005, eram gratificações, em sendo assim, não foi apresentado memória de cálculo, vez que não foi elaborado. As referidas verbas sofrerão a incidência de contribuições previdência, pois, também, eivadas do mesmo defeito, anteriormente, citado, pois como PLR não poderiam ser consideradas, tendo em vista que os supostos planos PLR não atendiam as determinações legais, bem como na qualidade de gratificações, quando essas possuírem natureza salarial são essas base de calculo da contribuição social previdenciária. O que define a eventualidade não é a periodicidade do pagamento ou ter sido esse realizado uma ou duas vezes, pois se assim fosse a gratificação natalina seria eventual, pois é paga apenas uma única vez ao ano, ainda, que dividida, mas esse pagamento é habitual. O agente fiscal deixou cristalino no REFISC que os profissionais eram empregados e as rescisões e as teses de defesa com isso se coadunam, o que demonstra de forma clara e objetiva que o agente buscou todas as informações necessárias ao lançamento. A demonstração do fato gerador está supramencionado alhures, não tendo o fisco se pautado em presunções ou indícios, mas sim em fatos, provas e elementos de convicção. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 427 9 No auto está claramente demonstrado o não recolhimento da contribuição, bem como o dispositivo legal violado, o REFISC e o relatório Fundamentos Legais do Débitos – FLD, de fls. 12 e 13, esclarecem essa questão de forma didática. Assim sendo, rejeito as preliminares suscitadas. Mérito. O pagamento a título de PLR só deixa de ter a natureza salarial e assim não se sujeitando a contribuição previdenciária, quando esse é pago nos termos do inciso XI, do artigo 7º, da CRFB/88 e das disposições da Lei 10.101/2000, o que não ocorreu no presente caso, pois o agente lançador deixou claro que o supostos planos PLR não atendiam as determinações legais e que em razão disso tributou tais pagamento. EMEN: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO INEXISTENTE. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES DOS AUTOS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VERBA DE REPRESENTAÇÃO EM DECORRÊNCIA DE CARGO DE DIREÇÃO. INCIDÊNCIA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. PARTICIPAÇÃO DO LUCRO E RESULTADO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. SÚMULA 7/STJ. MULTA POR EMBARGOS PROTELATÓRIOS. MANUTENÇÃO. 1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC, pois o Tribunal de origem abordou a questão da contribuição previdenciária, concluindo, contudo, que esta incidiria sobre as rubricas relativas a "verbas de representação" e "participação nos lucros e resultados", diversamente do que almejava a parte. Entendimento contrário ao interesse da parte não se confunde com omissão. 2. A contribuição previdenciária tem como regra de não incidência a configuração de caráter indenizatório da verba paga, decorrente da reparação de ato ilícito ou ressarcimento de algum prejuízo sofrido pelo empregado. 3. Descreve o Tribunal de origem que a "verba representação" configura verba remuneratória paga a funcionários pelo exercício de direção perante a empresa, valores estes que devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária, pois não representam a indenização de qualquer dano ou prejuízo sofrido pelos empregados em função da prestação do serviço. A modificação do entendimento firmado demandaria reexame do acervo fático dos autos, inviável ante o óbice da Súmula 7/STJ. 4. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora, no caso, a MP 794/94 e a Lei 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/91, que possui regulamentação idêntica, de modo que é devida a contribuição previdenciária se o creditamento da participação dos lucros ou resultados não observou as disposições legais específicas. Precedentes. 5. No caso, o Tribunal de origem deixou expressamente consignado que a recorrente não observou os normativos de regência na distribuição dos lucros e resultados, o que lhe afastou o direito à isenção prevista. A reversão do julgado novamente encontra óbice na Súmula 7/STJ. 6. O Tribunal a quo, ao decidir a causa, entendeu estarem presentes as condições para o conhecimento do recurso, haja vista ter enfrentado o mérito. O recorrente, por seu turno, inconformado com o provimento desfavorável à sua tese, utilizouse de dois embargos declaratórios com a finalidade de modificação do julgado, distanciando se do propósito legal de sanar omissão porventura existente, ou mesmo Fl. 427DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 428 10 de prequestionar a matéria. Multa do art. 538, parágrafo único, do CPC que deve ser mantida. Agravo regimental improvido. ..EMEN: (AGRESP 201500366725, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, DJE DATA:06/05/2015 ..DTPB:.) (destaquei). As contribuições exigidas sobre as gratificações foram objeto de análise em outro momento desta peça e ficou claro que sobre aquela deve incidir a contribuição social previdenciária. Aliás, outro não é o pensamento do Superior Tribunal de Justiça STJ como consta da ementa abaixo tranascrita. EMEN: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OMISSÃO ACERCA DAS RUBRICAS ADICIONAL DE SOBREAVISO, PRÊMIOS, GRATIFICAÇÕES. INCIDÊNCIA. SÚMULA 83/STJ. ABONOS NÃO HABITUAIS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. 1. Os embargos declaratórios são cabíveis para a modificação do julgado que se apresenta omisso, contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente na decisão. 2. Na linha da jurisprudência deste Tribunal Superior, configurado o caráter permanente ou a habitualidade da verba recebida, bem como a natureza remuneratória da rubrica, incide contribuição previdenciária sobre adicional de sobreaviso, prêmios, gratificações. 3. Não se manifestou a Corte regional acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre os ditos "abonos não habituais". Logo, não foi cumprido o necessário e indispensável exame da questão pela decisão atacada, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, de modo a incidir, quanto a essa rubrica, o enunciado das Súmulas ns. 282 e 356 do Excelso Supremo Tribunal Federal. Embargos de declaração acolhidos, sem efeitos modificativos, para sanar a omissão apontada. EDAGRESP 201402347079 EDAGRESP EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 1481469. HUMBERTO MARTINS. STJ. SEGUNDA TURMA. DJE DATA:03/03/2015. (realcei). No presente caso ficou patente que a gratificação não é eventual e a regularidade do pagamento demonstra isso, pois num período fiscalizado de trinta e seis meses foi paga sete vezes, o que dá uma média de um pagamento a cada cinco meses e quatro dias, ou seja, uma proporção de 1:5,15. A empresa empregadora é a responsável tributária pelo desconto, recolhimento e arrecadação das contribuições sociais previdenciárias devidas pelos seus empregados, alínea "a", do inciso I, do artigo 30, da Lei 8.212/91, sendo que essa mesma lei no parágrafo 5º, do artigo 33, a seguir transcrito, atribui a empresa que não cumpriu o seu dever legal a condição de devedora do valor. Art. 33. omissis... § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Fl. 428DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 429 11 O ato administrativo não se encontra eivado de inconstitucionalidade, pois ele está fazendo o que a lei elaborada dentro do rito legislativo constitucional está determinando. O agente fiscal no REFISC, de fls. 30 a 35, item 9, abaixo transcrito, esclarece de forma simples e objetiva como seu deu o cálculo da contribuição do segurado exigida na autuação e nas planilhas de cálculo acostadas, as fls. 36 a 40, podese verificar sem sombra de dúvidas que apenas as diferenças entre o que já havia sido recolhido e o que seria devida está sendo exigido, limitandose o teto, quando necessário. 9. Para se chegar aos saláriosdecontribuição dos empregados acrescidos dos valores recebidos a título de PLR, estes últimos valores foram acrescidos aos salários já recebidos nos meses em que foi pago o PLR. Os cálculos efetuados constam da planilha anexa. “Apuração de valores de PLR pago em desacordo com a legislação e novo enquadramento das retenções de empregados de acordo com as faixas salariais". A análise das colunas DESC. DEV. SEGURADO; DESC. SEG. RECOLH.; e DIF. SEG. A RECOLH, espancam e afastam qualquer dúvida sobre o respeito ao limite do teto de contribuição, a exclusão do que já recolhido pela segurado e a exigência apenas da diferença de recolhimento, o que derruba por terra as alegações da recorrente nesse campo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Redator designado. Data venia, venho divergir quanto voto do ilustre Relator, ocorre que não se verifica que existiram 9 (nove) pagamentos de PLR, mas sim de apenas um pagamento a título de PLR em cada ano. O próprio acórdão da DRJ assim refere a estes: "(...) serão tratados os pagamentos efetuados a titulo de PLR para as competências 01/2004 (referente a 2003) e 04/2005 (referente a 2004) e gratificações nas demais competências, ou seja, 01 e 03/2003; 02, 04 e 07/2004; 02, 03, 05, e 09/2005." Portanto, entendo que o PLR realizado pela contribuinte, considerandose estes somente em relação as parcelas pagas em 01/2004 e 04/2005, está nos moldes da Lei nº 10.101/2000. Registrase ainda que a contribuinte fez prova de que houve a pactuação prévia, inclusive junto a sindicato, nos termos do § 1º do art. 2º da lei acima referida. Merece destaque que o §1º do art. 2º da lei 10.101/2000 determina que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos Fl. 429DF CARF MF Processo nº 19515.008494/200864 Acórdão n.º 2202003.607 S2C2T2 Fl. 430 12 de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente". Portanto, tratase de possibilidade e não de obrigatoriedade. Assim, quanto aos pagamentos realizados nas competências 02, 04 e 07/2004; 02, 03, 05, e 09/2005 são elas gratificações eventuais, os quais devem ser afastadas a incidência da contribuição previdenciária nos termos do artigo 28, § 9 °, "e", item 7, da Lei 8.212/92. Vejamos, conforme planilha que consta à fl. 369, que os pagamentos foram claramente realizados de forma eventual, sendo a sua grande maioria ocorrido em rescisão de contrato de trabalho: Além disso, a própria DRJ já havia considerado tais pagamentos como gratificações e não PLR, afastandose, também por esta razão, o lançamento dos pagamentos realizados nas competências 02, 04 e 07/2004 e 02, 03, 05, e 09/2005 por PLR. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso da contribuinte. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Redator designado Fl. 430DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.722264/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/03/2006
COFINS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF e serviços de remoção de rejeitos industriais.
FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS.
Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido.
Recurso Especial do Procurador provido em parte
Numero da decisão: 9303-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas deram provimento parcial em maior extensão.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 30/03/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF e serviços de remoção de rejeitos industriais. FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido. Recurso Especial do Procurador provido em parte
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10280.722264/2009-19
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5705214
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.649
nome_arquivo_s : Decisao_10280722264200919.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10280722264200919_5705214.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico, nos termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6697123
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:50 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950177529856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1955; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 680 1 679 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10280.722264/200919 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.649 – 3ª Turma Sessão de 15 de fevereiro de 2017 Matéria PIS. INSUMOS. CONCEITO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 30/03/2006 COFINS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, óleo combustível BPF e serviços de remoção de rejeitos industriais. FRETE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS. Os serviços de transporte suportados pelo adquirente de bens, quando estes se qualifiquem como insumos nos termos da legislação de regência, somente geram direito ao crédito de modo indireto, mediante incorporação ao custo do bem adquirido. Recurso Especial do Procurador provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 64 /2 00 9- 19 Fl. 689DF CARF MF 2 termos do voto do relator, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Os conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo da Costa Pôssas deram provimento parcial em maior extensão. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3403003.514, de 29/01/2015, proferido pela 3ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 30/03/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 30/03/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência Fl. 690DF CARF MF Processo nº 10280.722264/200919 Acórdão n.º 9303004.649 CSRFT3 Fl. 681 3 com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico (assim como do frete relativo ao seu transporte), óleo combustível BPF e de serviços de remoção de resíduos industriais, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido no Acórdão nº 203 12.448. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 571/573. A contribuinte apresentou as contrarrazões ao recurso especial (fls. 578/591). Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido (fls. 670/672). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos que, em parte, assiste razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. Fl. 691DF CARF MF 4 A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/2003 61, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10280.722264/200919 Acórdão n.º 9303004.649 CSRFT3 Fl. 682 5 Vejamos o dispositivo citado: [...]As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontramse reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico (assim como do frete relativo ao seu transporte), de óleo combustível BPF e de serviços de remoção de resíduos industriais. Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos (exceto, como se verá, quanto a um dos itens). Com relação ao ácido sulfúrico, replicando votos anteriores envolvendo a mesma empresa, consignou: “A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza e consignou na planilha 10 que o inibidor de corrosão e o dispersante de sais são aplicados no tratamento de água potável e no resfriamento de água. (...) A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, Fl. 693DF CARF MF 6 enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. (grifamos) Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. O mesmo, contudo, não se dá com relação ao frete pago na aquisição do ácido sulfúrico: o custo do transporte, obviamente, não se qualifica como insumo necessário à produção de alumina. A única possibilidade de o frete pago na aquisição de um produto gerar direito ao crédito para o adquirente é pela via indireta. Noutras palavras, se o produto se enquadrar no conceito de insumo, sendo, de conseguinte, necessário à produção do contribuinte, o gasto com o seu transporte deverá ser incorporado ao custo do produtos transportados. Todavia, não sendo o produto adquirido necessário à produção, o frete assim pago, incorporado ao seu custo, não gera o direito ao crédito de PIS/Cofins (na mesma linha, ver, p. ex., Solução de Divergência Cosit nº 7, de 23/08/2016). Portanto, se o frete foi pago no transporte de produtos que sejam insumos e de produtos que não o sejam, nos termos do conceito aqui adotado, o valor assim dispendido deve ser incorporado ao custo dos produtos transportados, de modo que, é óbvio, somente a parcela incorporada aos, digamos assim, “produtosinsumos” é que será objeto de creditamento – pela via indireta, claro! Já o óleo combustível BPF, conforme exposto no próprio voto condutor do acórdão recorrido, “...é aplicado no processo produtivo como fonte de energia para a calcinação do hidrato”. “E isto é assim porque o óleo BPF para poder gerar o calor necessário à calcinação do hidrato, deve sofrer uma reação química com o oxigênio denominada combustão. É a combustão do combustível (óleo BPF), que se dá na presença do comburente (oxigênio presente na atmosfera), que gera a energia térmica necessária ao processo produtivo.” Portanto, sendo, também, insumo necessário ao processo produtivo, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir, ao contribuinte, o direito ao crédito sobre as aquisições de óleo combustível BPF. Por fim, com relação à remoção dos resíduos industriais, diferentemente do que se deu noutros processos do mesmo contribuinte, o crédito sobre este serviço foi expressamente reconhecido pela Câmara baixa, com base nos seguintes fundamentos, replicados de outros acórdãos da mesma turma: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10280.722264/200919 Acórdão n.º 9303004.649 CSRFT3 Fl. 683 7 Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Nos autos do processo administrativo nº 10280.722274/200954 – que envolveu a mesma contribuinte e a mesma controvérsia –, o il. Conselheiro Antônio Carlos Atulim ainda teceu as seguintes considerações a respeito: Relativamente aos serviços de transporte de rejeitos industriais, a análise da descrição do processo produtivo revela que ele gera os detritos lama vermelha, areia e crosta, que depois de serem devidamente tratados, vão para os tanques de rejeitos industriais a fim de serem descartados. Estando esses rejeitos umbilicalmente ligados à produção da alumina, o serviço de transporte para a sua remoção é um custo de produção que se enquadra perfeitamente na disposição do art. 290, I do RIR/99. Deve, portanto, gerar créditos do regime não cumulativo, pois se enquadra na previsão do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/04. Não há como se concordar com a alegação da Ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, no sentido de que custos incorridos após a obtenção da alumina não podem ser considerados como insumo. O fato de o gasto ser posterior à obtenção do produto final não significa que seja um gasto incorrido na atividademeio. Observese que o rendimento da bauxita está na razão de 5:1. Isso significa, em um cálculo grosseiro, que para produzir uma Fl. 695DF CARF MF 8 tonelada de alumina, são necessárias cinco toneladas de minério. O minério não se encontra na natureza em estado puro. Ele se encontra disperso no solo e vem contaminado com impurezas. Após a retirada da tonelada de alumina, as quatro toneladas restantes são rejeitos industriais aos quais a empresa é obrigada a dar destino adequado, a fim de evitar problemas ambientais. Isso não é um gasto com atividademeio. Ainda que se considere que os gastos com esses rejeitos são posteriores ao processo produtivo, é fora de qualquer dúvida que eles decorrem do processo produtivo, pois os rejeitos somente deixariam de existir se a linha de produção parasse. Por isso o gasto com o serviço de retirada desses rejeitos é um custo de produção da alumina que se enquadra no art. 290, I do RIR/99. (g.n.) Considerando, pois, que a remoção dos resíduos industriais que resultam da produção da alumina revestese de particularidades que a afastam das verificadas nos processos que comumente chegam a este Colegiado, entendemos correto o acórdão recorrido, ao conferir ao contribuinte, quanto a este item, o direito ao crédito do PIS/Cofins. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe parcial provimento, apenas para afastar o crédito sobre o frete pago na aquisição de ácido sulfúrico. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 696DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003319/2010-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13971.003319/2010-31
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5679671
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.940
nome_arquivo_s : Decisao_13971003319201031.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 13971003319201031_5679671.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6647934
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048950192209920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13971.003319/201031 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.940 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MONTE CLARO PARTICIPACOES E SERVICOS SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 33 19 /2 01 0- 31 Fl. 683DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 684DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 685DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 686DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 687DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 688DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 689DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 690DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 691DF CARF MF Processo nº 13971.003319/201031 Acórdão n.º 9202004.940 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 692DF CARF MF
score : 1.0
