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Numero do processo: 10932.720029/2011-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 1402-000.983
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância; recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que a decisão já se tornou definitiva. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10932.720029/201113 Acórdão n.º 140200.983 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório RAMOS FERNANDES CURSOS PALESTRAS E TREINAMENTO LTDA. recorreu a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Tratase dos Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e às Contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, lavrados em 13/04/2011, que formalizaram o crédito tributário contra a contribuinte em epígrafe no valor total de R$ 919.236,85, incluindo multa de ofício vinculada, no percentual de 150%, e juros de mora calculados até 31/03/2011, em razão: (i) da omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, relativo ao anocalendário 2006. Foram exigidos o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido conforme o Lucro Presumido, bem como o Pis e a Cofins na sistemática cumulativa. A fiscalização ressalta, no Termo de Verificação Fiscal de fls. 851/855, que a fiscalizada reunia indícios da prática de omissão de receita, diante da movimentação bancária incompatível com a Receita declarada na DIPJ/2007, fato o qual motivou a presente auditoria. A contribuinte foi cientificada dos autos de infração, por via postal, em 27/04/2011 (fls. 887). Inconformada, a interessada apresentou, em 27/05/2011, por intermédio de seu representante legal, impugnação de fls. 888/893, acompanhada de documentos de fls. 894/898. A 2a. Turma da DRJ Campinas não acatou as alegações da recorrente, consoante Acórdão 0534.676 de 9/8/2011, fls. 905 e seguintes. A ciência do acórdão se deu via postal em 5/09/2011 (fl. 923). Em 07/10/2011 a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls.925 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Mediante Despacho de fl. 951 a unidade de origem encaminhou os autos a este Conselho asseverando a intempestividade do Recurso. É o relatório. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10932.720029/201113 Acórdão n.º 140200.983 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. Inicio verificando os pressuposto de admissibilidade do recurso voluntário. O artigo 33 do Decreto 70.235 de 1972, estabelece que “Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Vejamos a transcrição do art. 5o. do Decreto n° 70.235, de 1972: “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” A expressão “prazos contínuos” prevista no artigo 5° do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, quer dizer em dias corridos, sem interrupção pelos domingos e feriados. Portanto, o prazo recursal de 30 (trinta) dias começa a fluir no primeiro dia útil subsequente a intimação do interessado, sendo que esta pode ser pessoal, via postal ou por meio eletrônico. No caso dos autos, a recorrente tomou ciência do Acórdão de primeira instancia em 10/8/2011 (fl.477), a contagem do prazo iniciou dia 11/08/2011(quintafeira). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 489584 foi protocolado em 3/10/2011, ou seja após o termino do prazo, quando já havia precluído seu direito de recorrer, sem apresentar qualquer justificativa para o atraso (art. 67 da Lei n° 9.784, de 2001). Verificase que a intempestividade foi constatada pela Unidade de Origem, consoante despacho de encaminhamento dos autos a este Conselho (fl. 585) . Por oportuno, registrese o teor da Súmula 9 do CARF: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Diante do exposto voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 955DF CARF MF Impresso em 08/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004205/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO.
IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA
CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91.
A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91.
A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.728
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao auto enquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. Recurso Voluntário Negado
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. ART. 195, §7º DA CF/88. REQUISITOS. ART. 55 DA LEI Nº 8.212/91. A isenção de contribuições previdenciárias somente será deferida à entidade beneficente de assistência social que atender, cumulativamente, aos requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. A ausência de requisição formal de reconhecimento de isenção e a carência do Ato Declaratório concessivo desautorizam o sujeito passivo ao autoenquadramento como isento e à fruição do benefício tributário em realce. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, em negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007. Data da lavratura do AIOP: 20/11/2009. Data da Ciência do AIOP: 25/11/2009. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da Entidade em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, consoante declarações prestadas pelo contribuinte em GFIP, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/22. Informa a Autoridade Lançadora que o sujeito passivo apresentou GFIP registrando código FPAS 639, específica para entidades isentas, embora a entidade notificada não fosse titular do direito a tal benefício fiscal. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 29/36. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvado/BA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 61/63 julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 14/04/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 66. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 67/75, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: § Que a autuação foi resultante da Decisão Judicial nº 70/2009 que havia indeferido pedido de isenção, a qual foi revogada em 2ª instância. § Que as razões para o indeferimento da isenção garantida à Recorrente pela CF/88 deixaram de existir, tendo em vista que a entidade atende todos os requisitos do CTN. § Que a lei 9.732/98 é inconstitucional eis que estabeleceu uma série de restrições para a fruição da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CF/88, as quais praticamente inviabilizam o benefício constitucional; Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 103 3 § Que o acórdão recorrido, ao afirmar que o Recorrente não é abraçado pelo art. 203 da CF/88, apresenta uma interpretação que restringe as determinações constitucionais; § Que os requisitos a serem obedecidos pela entidade Recorrente para ter direito à imunidade tributária são aqueles determinados pelo art. 14 do CTN; § Que é reconhecida pelos órgãos certificadores como Entidade Beneficente de Assistência Social, tendo direito à imunidade tributária; § Que a lei nº 12.101/2009 revogou todos os artigos das leis anteriores relacionados à matéria. Aduz que o citado diploma legal, ao estabelecer critérios para a concessão de isenção para as entidades reconhecidas como beneficentes de assistência social não mais exige o pedido de reconhecimento de isenção perante o INSS. Entende o Recorrente que a lei nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, aplicase a ato ou fato pretérito, em razão do princípio da retroatividade benigna fixado no art. 106, ‘c’ do CTN, haja vista que no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova; § Que os juros e as multas aplicadas caracterizam verdadeiro confisco das receitas da entidade recorrente; Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 14/04/2001. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 29 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Afirma o Recorrente que a lei 9.732/98 é inconstitucional eis que estabeleceu uma série de restrições para a fruição da imunidade de que trata o art. 195, §7º da CF/88, as quais praticamente inviabilizam o benefício constitucional. Argumenta, também, que a lei nº 12.101/2009 revogou todos os artigos das leis anteriores relacionados à matéria. Aduz que o citado diploma legal, ao estabelecer critérios para a concessão de isenção para as entidades reconhecidas como beneficentes de assistência social não mais exige o pedido de reconhecimento de isenção perante o INSS. Entende o Recorrente que a lei nova, por ser mais benéfica ao contribuinte, aplicase a ato ou fato pretérito, em razão do princípio da retroatividade benigna fixado no art. 106, ‘c’ do CTN, haja vista que no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova. Pondera, igualmente, que os requisitos a serem obedecidos pela entidade Recorrente para ter direito à imunidade tributária são aqueles determinados pelo art. 14 do CTN. Aduz que as razões para o indeferimento da isenção garantida à Recorrente pela CF/88 deixaram de existir, tendo em vista que a entidade atende todos os requisitos do CTN. Por derradeiro, entende o Recorrente que os juros e as multas aplicadas caracterizam verdadeiro confisco das receitas da entidade recorrente; Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as matérias nelas aventadas não foram oferecidas à apreciação da Corte de 1ª Instância, não integrando, por tal motivo, a decisão ora guerreada. Com efeito, compulsando a Peça de Defesa ao Auto de Infração em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foram, nem mesmo indiretamente, suscitadas pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 104 5 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra despiciendo frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será revisada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Por tais razões, as matérias abordadas nos primeiros parágrafos deste tópico, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 105 7 3.1. DA ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Por definição legal, constituise tributo toda prestação pecuniária compulsória, expressa em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Originariamente, o CTN elencou como tributos os impostos, as taxas e as contribuições de melhoria. Com o advento da publicação da nova Carta Constitucional, tanto a mais balizada doutrina, como também, os tribunais superiores, máxime o STF, passaram a acomodar no conceito de Tributo também as contribuições sociais bem como os empréstimos compulsórios, em virtude de essas exações ostentarem igualmente os elementos objetivos caracterizadores fixados no art. 3º do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála: I a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria. A Constituição da República estabeleceu no §7º do seu art. 195 serem isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (grifos nossos) Cabe inicialmente trazer à tona que a matéria relativa ao estabelecimento de parâmetros e condições para concessão de isenção de contribuições previdenciárias às entidades beneficentes de assistência social não foi incluída, pela CF/88, nas hipóteses de reserva de Lei Complementar, de forma que o documento legislativo com vocação para o atendimento de tais afazeres é a lei ordinária federal. A questão ora em debate já foi bater às portas da Suprema Corte Constitucional, no julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade nº 1/DF, da Relatoria do Min. Moreira Alves, que assentou “A jurisprudência desta Corte, sob o império da Emenda Constitucional nº 1/69 – e a Constituição atual não alterou este sistema – se firmou no sentido de que só se exige lei complementar para as matérias cuja disciplina a Constituição expressamente faz tal exigência e, se porventura a matéria, disciplinada por lei cujo processo legislativo observado tenha sido o da lei complementar, não seja daquelas para que a Carta Magna exige essa modalidade legislativa, os dispositivos que tratam dela se têm como dispositivos de lei ordinária”. (grifos nossos) Sintonizado na mesma frequência da Suprema Corte, o Senado Federal entrou com cerol fino na questão em relevo, fazendo expedir o Comunicado do Senado Federal SM/N° 805/91, de 12 de agosto de 1991, o qual cortou na mão qualquer dúvida ainda renitente a respeito do Instrumento Normativo com aptidão para a delimitação das condições de contorno da hipótese de não incidência em debate, ad litteris et verbis: SENADO FEDERAL – SM nº 805/91 Em 12 de agosto de 1991. Senhor Ministro. Com referência ao oficio n° 543/P, de 7 de agosto corrente, desse Tribunal, cumpreme comunicar a Vossa Excelência que o §7° do art. 195 da Constituição Federal foi regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, publicada no Diário Oficial da União do dia seguinte. Aproveito a oportunidade para apresentar a Vossa Excelência protestos de estima e consideração. Senador MAURO BENEVIDES Presidente Diante desse cenário, não restam mais dúvidas de que a matéria atinente à isenção ora em abordagem houve por confiada à Lei nº 8.212/91, cujo art. 55 estabeleceu Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 106 9 expressamente serem isentas de contribuições previdenciárias a entidade beneficente de assistência social que atendesse, cumulativamente, aos seguintes requisitos: a) Ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; b) Ser portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, o qual deve ser renovado a cada três anos; c) Promover gratuitamente e em caráter exclusivo a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; d) Não perceber seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; e) Aplicar integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IIseja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). §1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. §3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998. §5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 1998). §6o A inexistência de débitos em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no §3o do art. 195 da Constituição. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Diante de tal quadro normativo legal e constitucional, para que uma entidade seja sujeito de direito à isenção em realce, é indispensável que comprove ser entidade beneficente e de assistência social e que seja reconhecida formalmente como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal, além de atender, cumulativamente, aos demais requisitos fixados no art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nessa prumada, não basta à entidade beneficente ser reconhecida pelos órgãos certificadores, nem mesmo ser detentora dos certificados de entidade beneficente de assistência social, para poder usufruir do direito à isenção em foco. De acordo com o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91, fulgura como condição sine qua non que a entidade, atendendo a todos os requisitos elencados na lei, requeira o reconhecimento à isenção ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, o qual terá o prazo de 30 dias para despachar o pedido. As provas constantes nos autos não contêm qualquer indício de prova material, o mínimo que seja, de que o Recorrente tenha formulado perante a autarquia previdenciária federal o indispensável requerimento de isenção a que alude o §1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Ao contrário: O próprio Recorrente admite que “no período fiscalizado atendeu a todos os requisitos da Lei nº 8.212/91, exceto o pedido de reconhecimento de isenção ao INSS, pedido esse agora não mais exigido pela lei nova”. No caso em apreciação, o lançamento tributário houvese por formalizado em razão de a entidade recorrente não ter efetuado tempestivamente o recolhimento das contribuições previdenciárias por ela devidas, consoante exigência fiscal inscrita na Lei nº 8.212/91. Constatou o agente fiscal notificante que, mesmo sem ser titular do direito de isenção em realce, a entidade informava nas GFIP o código FPAS 639, que é específico para as Entidades Beneficentes de Assistência Social reconhecidas pela autarquia previdenciária, mediante Ato Declaratório, como detentoras do direito a isenção de contribuições previdenciárias. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.004205/200912 Acórdão n.º 230201.728 S2C3T2 Fl. 107 11 Noticiese que a carência do direito formal à isenção se mostra ainda mais evidenciada pelo fato de a entidade em voga ter o pedido de isenção em realce indeferido mediante Decisão Judicial. Não procedem pois as alegações recursais de que a autuação foi resultante da Decisão Judicial nº 70/2009 que havia indeferido pedido de isenção. Muito menos em virtude da tese de que a entidade de saúde não estaria abraçada pelo art. 203 da CF/88. O acórdão recorrido, a fl. 63, é de clareza solar ao dispor, ipsis litteris: “Logo, as entidades de saúde não gozam da imunidade prevista no §7º do art. 195 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Não obstante, elas podem se subsumir às regras de isenção previstas no legislação infraconstitucional. E assim será tratada a entidade sujeito passivo do Auto de Infração (AI), ora sob julgamento, sob a ótica jurídica da isenção. [...] Seguindo, os lançamentos se referem ao período de 01/01/2006 a 31/12/2007 e a isenção que o sujeito passivo deseja ver reconhecida tinha assento normativo na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. O sujeito passivo adotou durante o período de lançamento a conduta de se autoenquadrar como entidade isenta, ainda que não tenha protocolado pedido de reconhecimento de isenção. [...] Assim, a ausência do pedido formal de reconhecimento de isenção e do despacho concessivo desautoriza o sujeito passivo ao auto enquadramento e ao gozo da isenção. Por seu turno, não é a decisão judicial em sede de ação civil pública que impõe o lançamento tributário e sim o dever legal em função da ausência de reconhecimento da isenção pela administração tributária por omissão de pedido do contribuinte e da falta de recolhimento das contribuições sociais previdenciárias do empregador. Afastado o argumento de desnecessidade de ato declaratório de reconhecimento de isenção, sem questões adicionais, não há nos autos motivos para reparos à autuação” Cabenos enfatizar que, por se tratar de hipótese de renúncia fiscal, há que se lhe emprestar interpretação restritiva, a teor das disposições plasmadas no art. 111, II do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 II outorga de isenção; Por tais razões, se nos afiguram totalmente improcedentes as alegações ora defendidas pelo Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 113DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 13609.900295/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2003
Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE.
Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade deve-se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo
na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização.
Numero da decisão: 1401-000.737
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência, facilmente perceptível, entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. O sujeito passivo que apurar crédito tributário líquido, certo e passível de restituição ou de ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF, respeitadas as normas vigentes para a sua utilização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Fl. 141DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 119 2 (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, João Carlos de Figueiredo Neto e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 120 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0223.052, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Belo HorizonteMG. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 757724408 emitido eletronicamente em 24/04/2008 (fl. 08), referente ao PER/DCOMP nº 12157.25778.150404.1.3.040015 (fls. 01/05). DO DESPACHO DECISÓRIO O Despacho Decisório proferido pela DRF Sete Lagoas não homologou a compensação declarada, nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$705.583,97. A partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. ... Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A Declaração de Compensação foi gerada pelo programa PER/DCOMP transmitida em 15/04/2004 com o objetivo de compensar o débito código receita: 58561 COFINS – Não cumulativa, do mês de março de 2004, vencimento em 15/04/2004, no valor de R$ 729.997,18 (fl. 04), com crédito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, data de arrecadação 30/01/2004 (fl. 02). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, em 06 de maio de 2008 (fl. 09), protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 14/22, documentação de fls. 23/55, com as argumentações a seguir sintetizadas: apurou crédito relativo a tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), passível de restituição ou ressarcimento. Solicitou à SRF a Fl. 143DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 121 4 compensação de tais valores por meio de PER/DCOMP, no valor de R$729.997,18, nos termos da Instrução Normativa nº 414, de 30 de março de 2004. Das razões para a Reforma do Despacho Decisório equivocouse a autoridade, uma vez que verificando os documentos anexados (DARFs, PER/DCOMP e a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por tratar de se saldo negativo de IRPJ. ressalta que cometeu erro no preenchimento do PER/DCOMP, ao informar como crédito Pagamento Indevido ou a Maior e o correto era crédito de saldo negativo de IRPJ. não pode ser prejudicada na compensação de saldo negativo de tributos por causa de simples erro material no preenchimento do PER/DCOMP. diz que, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes demonstra indubitavelmente que simples erro ao preencher qualquer tipo de obrigação acessória não pode acarretar no ‘perdimento do direito’, transcrevendo ementas neste sentido. erro material não afeta em nada o direito em ter o crédito declarado devidamente homologado, uma vez que o próprio Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966) – art. 170, autoriza o contribuinte a compensar créditos tributários. ressalta que a legislação aplicável ao caso deve ser aquela que era utilizada na época da realização da Declaração de Compensação. tanto na lei ordinária (art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) quanto na Instrução Normativa nº 210, de 2002, que à época disciplinava sobre a restituição e a compensação de tributos federais, não havia regra quanto a não homologação do crédito tributário por simples hipótese de erro material. o PER/DCOMP utilizado foi aprovado pela Instrução Normativa nº 376, de 2003, sendo que a referida instrução pode tãosomente fazer com que seja aplicada corretamente a lei em seu sentido estrito. ilustra o entendimento com texto do professor Antônio Carlos Rodrigues do Amaral, que diz que as instruções normativas são vinculantes para os agentes públicos, mas não podem criar obrigações para os contribuintes que já não estejam prevista na lei ou no decreto dela decorrente. aos processo tributários administrativos são aplicados inúmeros princípios constitucionais e legais que condicionam toda a atividade estatal, coibindo os procedimentos fiscais que porventura, ao exigir tributos e penalidades, não são desenvolvidos dentro dos limites legais e de acordo com os princípios inerentes do ordenamento jurídico. a Lei nº 9.784, de 1999 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, em seu art. 2º, dispõe sobre a obrigatoriedade de obediência aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, ampla defesa, contraditório, dentre outros. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 122 5 um dos princípios primordiais para melhor decisão da presente lide é o princípio da verdade material. Ressalta que a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Reforça, citando entendimento do Conselho de Contribuintes. Diante de todo o exposto, requer o recebimento e provimento in totum da Manifestação de Inconformidade, para que seja reformado o Despacho Decisório, no sentido de reconhecer integralmente os créditos declarados pelo contribuinte. É o Relatório. A DRJ INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004 Retificação da Declaração de Compensação. A retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Esta Quarta Câmara baixou o julgamento em diligência para verificar a liquidez e certeza do Crédito. Às fls. 103/104, consta pronunciamento da Fiscalização em sentido quase totalmente favorável à Recorrente. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência concordando parcialmente com o mesmo (fls. 111/115), insurgindose apenas quanto a falta de execução imediata do encontro de contas entre crédito e débitos. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 123 6 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior das estimativas do IRPJ ao invés de saldo negativo de IRPJ, do Exercício de 2004, anocalendário2003. Ao indicar Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, no processamento do PER/DCOMP nº 12157.25778.150404.1.3.040015 de fls. 01/05, objeto do presente processo, fezse eletronicamente, o batimento do DARF (indicado no PER/DCOMP fl. 03) com a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF (fls. 55/56). Nesta análise automática de créditos informados em PER/DCOMP, considerase: pagamento a maior, a diferença entre o pagamento efetuado em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e o valor alocado, nos sistemas de cobrança, ao respectivo débito confessado pelo sujeito passivo (DCTF). Na DCTF do 4º trimestre de 2003 (fl. 67) foi declarado, um débito de IRPJ, para o mês de dezembro, no valor de R$11.095.294,13, recolhido por meio de três DARFs: de R$4.8665,73, R$2.090.428,40 e R$9.000.000,00. O valor do DARF indicado no PER/DCOMP foi o de R$2.090.428,40. Daí, a conclusão do Despacho Decisório nº rastreamento 757724408 emitido eletronicamente em 24/04/2008, que não existia crédito, não homologando a compensação declarada (valor do DARF compõe o valor declarado em DCTF como débito de IRPJ do mês de dezembro de 2003 – fl. 67). No caso de saldo negativo de IRPJ ou de CSLL, o processamento eletrônico da declaração de compensação, a partir do período de apuração do saldo negativo informado pelo contribuinte no PER/DCOMP, consulta a DIPJ correspondente para confirmação da forma de tributação e de apuração no período, bem como a exatidão do saldo negativo apurado, para sua validação. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ e pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. As antecipações referentes a retenções na fonte, pagamentos por estimativa ou renda variável e estimativas compensadas são validadas mediante confronto com informações constantes nos sistemas da RFB. Dos documentos anexados aos autos (fls. 58/68), percebese, que: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 124 7 a estimativa do mês de fevereiro de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$191.747,40 – fl. 63) e parte por meio de PER/DCOMP nº 01797.72797.210803.1.3.040267 (processo nº 10620.900189/200692), no valor de R$ 61.357,82, compensação ainda não homologada. a estimativa do mês de março de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$1.518.578,99 – fl. 64) e parte por meio de PER/DCOMP nº 40595.30651.040603.1.3.046093, retificado pelo PER/DCOMP nº 18369.23226.200906.1.7.048029, no qual o direito creditório não foi reconhecido. a estimativa do mês de abril de 2003, parte foi efetivada por DARF (no valor de R$3.687.425,76 – fl. 65) e parte por meio de PER/DCOMP nº 06723.33186.290803.1.3.020959 (processo nº 10620.900190/200617), no valor de R$ 113.551,61, compensação não homologada. Uma vez que, não foi indicado corretamente a origem do crédito tributário, no caso saldo negativo de IRPJ do Exercício de 2004, não houve a validação e a verificação da exatidão do referido saldo e consequentemente não houve o reconhecimento do direito creditório, competência do Delegado da Receita Federal do Brasil de origem do contribuinte. A DRJ, por seu turno, apesar de ter indicado inconsistências na validação de das parcelas das estimativas pagas que comprometeria o saldo negativo, dá ênfase maior para rejeição no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: Assim, a alegação de erro de preenchimento da DCOMP não pode ser admitida, eis que, a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados o que não é permitido pela legislação (artigo 56 da IN SRF nº 460 de 18/10/2004, 57 da IN SRF nº 600 de 28/12/2005 e 77 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, que admitem a retificação da DCOMP apenas quando a mesma ainda se encontrar pendente de decisão administrativa). De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior das estimativas pagas da IRPJ (Cod. 2364), podendo existir porém em tese, saldo negativo do IRPJ, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2003. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. É que o campo “Valor Original do Crédito Inicial” no contexto da Ficha de Pagamento Indevido, no valor de R$ 1.979.094,94 (fl. 02) coincidente com o valor do Saldo Negativo do IRPJ também neste mesmo valor revela (fl.52) essa intenção e o conseqüente erro material. Nesse contexto, inclineime pela realização de uma diligência específica para que se transmutasse a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da do IRPJ para o anocalendário de 2003, levando a PER/Dcomp a tratamento manual e validasse Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 125 8 o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP. Às fls. 1112 e 1113 do presente processo consta retorno de diligência favorável à Recorrente, nos seguintes termos: Assim, s.m.j., iremos atender em parte aos diversos quesitos uma vez que entendemos não ser possível pelo menos no presente momento, o atendimento em sua totalidade. Desta forma realizamos o nosso trabalho de modo a validar o saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ por meio da análise das parcelas que compõem o crédito informado no PER/DCOMP e verificar a certeza e liquidez do crédito tributário. Por conseguinte, os débitos remanescentes por ventura existentes bem como a transmutação da situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo da CSLL será feita em momento próprio após a decisão administrativo exarada por esse CARF. A validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo em DIPJ deve ser feita pela análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP em confronto com a totalidade das deduções informadas à ficha 17 da DIPJ, que se constituem entre outras, das antecipações referentes a CSLL mensal paga por estimativa e retenções na fonte. No caso concreto, o contribuinte informou na PER/DCOMP n.° 10999.91612.300304.1.3.048977 apenas uma parcela de pagamento da CSLL mensal por estimativa como formadora do saldo negativo da CSLL no valor de R$ 4.597.374,37 (folha 03), correspondente ao mês de dezembro de 2003. Em que pese tal procedimento, o contribuinte informou na DIPJ como única dedução a ser feita da CSLL devida, a parcela de CSLL mensal paga por estimativa no valor total de R$ 7.258.400,09 (folha 61), obtendo com isto como valor de CSLL a pagar, um saldo negativo de R$ 246.025,55. Um detalhe deve ser explanado. Na composição do valor total de R$ 7.258.400,09 o contribuinte declarou como débitos dos meses de janeiro (243.100,71), fevereiro (121.166,05), março (863.150,41), abril (1.433.608,55) e dezembro (4.597.374,37), conforme extrato da DCTF às folhas 94/95, os mesmos valores informados em DIPJ às folhas 57/60. No que se refere aos pagamentos, os mesmos foram confirmados nos sistemas da RFB conforme folha 62 acostados aos autos. Quanto ao total que compõe o mês de fevereiro, a parte declarada em DCTF (folha 63) como compensação por meio da DCOMP n.° 09444.54877.040603.1.3.049736 no valor de R$ 120.000,00, está sendo discutida administrativamente (processo de crédito n.° 10620.900186/200659 folha 96/97), sendo que R$ 18.679,67 já foram extintos por pagamento no processo de cobrança n.° 13609.720066/200888 (folhas 99/101), restando ainda um débito de R$ 101.320,33, que está sendo controlado no SIEF por meio do processo de cobrança n.° 13609.720175/200714 (folhas 98/99). Assim, podemos considerar como pago o valor total de R$ 7.258.400,09, ainda que, em tese, falte o pagamento de R$ 101.320,33, que se não foi ainda pago será cobrado, caso haja débito, após a solução da lide no processo n.° 10620.900186/200659. Do acima exposto, consideramos como correto o valor do saldo negativo informado pelo contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2003, no valor de R$ Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13609.900295/200884 Acórdão n.º 1401000.737 S1C4T1 Fl. 126 9 246.025,55. Em relação ao pedido de diligência de que nossa análise seja feita em conjunto com o processo n.° 13609.900282/200807, podemos dizer unicamente que o crédito de saldo negativo de R$ 246.025,55 na fl. 2 do Despacho Decisório do Processo n? 13609.900580/200803 na verdade se trata do mesmo crédito. Este é inclusive o valor original do crédito inicial em declarações de compensação dos respectivos processos (folhas 02 e 102). Após a decisão exarada por esse CARF e na eventual possibilidade de utilização de tal crédito para compensação do débito declarado na DCOMP deste processo, a compensação será feita e o saldo restante, por ventura existente, poderá ser utilizado na compensação do débito daquele processo ou viceversa. Este mesmo parágrafo consta do processo n.° 13609.900282/200807 com as alterações pertinentes. Como se vê a diligência apenas evidenciou o patente erro de fato cometido pela recorrente ao indicar a situação de pagamento a maior quando na verdade desejava aproveitar o saldo negativo, no caso do IRPJ. A insurgência da Recorrente quanto ao procedimento da DRF não tem também razão de ser, pois em primeiro lugar o que ficou faltando é um procedimento apenas de execução por parte da DRF que será feita em momento oportuno após este julgamento e, por último, o presente voto já indicou desde o início a necessidade de se fazer essa “transmutação” e o subseqüente compensação dos débitos. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso para considerar o resultado de diligência que deu como líquido e certo o saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 246.025,55, bem assim homologar as compensações nos limites dos créditos concedidos. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/04/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721234/2011-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan (relator) e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP no 157.658, e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Relator
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator Designado
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan (relator) e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Paula Lui, OAB/SP no 157.658, e pela Fazenda Nacional a Dra. Bruna Garcia Benevides. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Relator (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Designado RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 21 23 4/ 20 11 -1 1 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 05/02/20 13 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assina do digitalmente em 18/02/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Resolução nº 3403000.406 S3C4T3 Fl. 4 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório O recurso voluntário em julgamento tem origem na lavratura de autos de infração para exigência da Contribuição ao PIS e da COFINS relativamente a fatos geradores consumados entre julho de 2006 e dezembro de 2008. Em razão das atividades a que se dedica a ora recorrente, empresa de arrendamento mercantil, a controvérsia posta a deslinde centrase em grande parte nas especificidades da base de cálculo sobre a qual devem incidir as exações devidas por sujeitos passivos do segmento. Refirome em particular ao recurso extraordinário no 592.905, ao ensejo de cujo julgamento o Plenário do E. STF foi instado a decifrar a natureza jurídica do contrato de arrendamento mercantil, a fim de, na ocasião, decidir acerca da sua sujeição ao ISSQN. E de acordo com o que ali prevaleceu, enquanto o leasing na modalidade operacional constitui espécie de contrato de locação, o leasing chamado financeiro reduzse a uma prestação de serviços. Embora versando litígio acerca da incidência de ISSQN – repito – as conclusões a que o E. STF chegou no julgamento do precedente em questão podem repercutir também quando em causa a determinação da base de cálculo aplicável, na atividade de arrendamento mercantil, ao PIS e à COFINS. É que as instituições financeiras – e, entre elas, as empresas de leasing – permaneceram sujeitas à apuração destes tributos sob a sistemática cumulativa, depois do advento das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. E como se sabe, no regime da Lei no 9.718/98, a declaração de inconstitucionalidade pronunciada pelo mesmo E. STF no julgamento do RE no 346.084 restringiu a incidência dos tributos às receitas originadas da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da combinação de ambos (art. 3o, §1o). Sucede que, do exame dos autos, não se conclui com a segurança necessária acerca das modalidades de arrendamento mercantil praticadas pela ora recorrente no período objeto da exigência, nem da proporção representada por cada uma delas nas receitas sobre as quais a fiscalização lançou os tributos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 05/02/20 13 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assina do digitalmente em 18/02/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Resolução nº 3403000.406 S3C4T3 Fl. 5 3 Em razão das considerações acima, proponho a conversão do julgamento em diligência, a fim de que os autos retornem à unidade preparadora para cumprimento das seguintes providências que reputo essenciais à composição da lide: (a) intimação da ora recorrente para que, no prazo de 15 (quinze) dias: (a1) informe por escrito sobre a percepção, no período autuado, de receitas originadas de contratos de leasing operacional, como tal considerada a modalidade disciplinada pela Resolução BACEN no 2.309/96, artigo 6o; e (a2) comprove, através de sua escrituração contábil ou de outros elementos idôneos, o montante das receitas referidas no item anterior em cada período mensal de apuração do PIS e da COFINS compreendidos na autuação; (b) de posse das informações e documentos obtidos, a DRF de origem preparará relatório circunstanciado, a fim de demonstrar, mês a mês, a decomposição da base de cálculo objeto da autuação segundo a modalidade de arrendamento mercantil originadora, classificando as respectivas receitas entre (i) receitas de leasing operacional e (ii) receitas de leasing financeiro / leaseback; (c) concluídos estes procedimentos, a autoridade de origem dará ciência à ora recorrente do conteúdo do relatório elaborado, facultandolhe manifestação em 10 (dez) dias, findos os quais remeterá os autos a este Colegiado para conclusão do julgamento. É como voto. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 398DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 05/02/20 13 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assina do digitalmente em 18/02/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 18471.003239/2008-16
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO IMPOSTO DE RENDA. Os rendimentos de aplicações financeiras, de renda fixa e variável, não compõem a base de cálculo para apuração do imposto de renda. Tudo segundo entendimento do fora disciplinado nos artigos 224 e 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1803-001.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. BASE DE CÁLCULO IMPOSTO DE RENDA. Os rendimentos de aplicações financeiras, de renda fixa e variável, não compõem a base de cálculo para apuração do imposto de renda. Tudo segundo entendimento do fora disciplinado nos artigos 224 e 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de auto de infração para cobrar multa isolada em decorrência de diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago a título de estimativa de IRPJ, dos anos calendários de 2005 a 2008. Devidamente cientificada a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação alegando, sinteticamente, que a fiscalização, ao reconstituir a apuração das estimativas do tributo, obteve uma base incorreta, porquanto que incluiu rendimentos de aplicações financeiras que superam em muito os valores encontrados como diferença. Tudo conforme o §1° do art. 225 do RIR/99 e jurisprudências. Ainda, afirma a empresa recorrente que, uma vez findo o ano calendário e entregue a declaração de ajuste anual, não cabe ao fisco cobrar multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ, haja vista que se exauriu a capacidade contributiva, conforme jurisprudência. Finaliza protestando por todos os meios de prova. A autoridade de primeira instância entendeu que o lançamento era procedente. No entanto referiu que a produção de prova, pleiteada pela empresa recorrente, não havia que prosperar, já que, segundo o disciplinado pelo artigo 16 do Decreto 70.235/72, cominado com o parágrafo 4° da Lei 9.532/97, a prova documental deve ser apresentar com a impugnação, precluindo o direito da impugnante de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Assim, entende o julgador que é ônus da empresa interessada juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir mediante protesto final pela produção de prova. No mérito a autoridade de primeira instância refere que no Termo a fiscalização aponta que houve erro na aplicação do percentual de 8%, sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE) na apuração da base de cálculo dos valores mensais a recolher por estimativa. Os valores lançados foram demonstrados nas planilhas de fls. 16/19. Atenta para o fato de que do exame destas, verificase que, na parte superior da planilha, a fiscalização reproduz as planilhas elaboradas pela própria empresa interessada (fls. 7/13), que demonstram o montante do IRPJ/estimativa por ela apurado e informado na DIPJ (ex. novembro/2005 base de cálculo R$1.435.536,92 fl. 70). O valor que serviu de base para lançamento de ofício foi apurado na parte inferior da planilha. Apenas a diferença de percentual (32% 8% = 24%) sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE) constituiu base para cálculo da multa isolada lançada. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 113 3 Desse modo, entende o julgador que não prospera a alegação de ter a fiscalização, ao reconstituir a apuração das estimativas do tributo, obtido uma base incorreta, ao incluir rendimentos de aplicações financeiras. Isso porque as receitas financeiras constaram da base apurada pela empresa, ora interessada, e não foram objeto de lançamento de ofício. Os rendimentos e ganhos líquidos produzidos por aplicação financeira de renda fixa e de renda variável, a que se referem o § 1°, do art. 225, do RIR/1999, são considerados na base de cálculo do imposto de renda mensal, quando não houverem sido submetidos à incidência na fonte ou ao recolhimento mensal previstos nas regras específicas de tributação a que estão sujeitos (artigos 65 a 75 de Lei n° 8.981/1995), conforme art. 7°, I, e §, da IN 93/1997. Salienta a autoridade de primeira instância que as pessoas jurídicas que optam pelo lucro real anual têm que pagar, mensalmente, imposto de renda por estimativa. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa isolada. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões de inconformidade, em seara de recurso voluntário, argumentando, em apertada síntese, que não havendo imposto devido, porque apurado e recolhido em sua integralidade, não há que prevalecer a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, ainda mais quando encerrado o período de apuração sem autuação da fiscalização. Junta farta jurisprudência desse Egrégio Conselho. Refere em ato contínuo que as estimativas estavam corretas, mas que a fiscalização acabou apurando no cálculo do imposto, valores a título de rendimentos de aplicação financeira, razão pela qual surtiu a diferença apurada pela fiscalização. Salienta que esses valores a título de rendimentos de aplicação financeira não poderiam compor os valores de estimativas, sendo esse um dos motivos do lançamento ser totalmente improcedente. Atenta para o fato de que a fiscalização não pode se pautar nas planilhas apresentadas pela interessada, antes deve ser fruto da fiscalização efetiva da autoridade administrativa, até porque aplicação financeira não compõe a base de cálculo do tributo, para fins de apuração da estimativa de IRPJ e CSLL com base na receita bruta, sendo dever da autoridade fiscal efetuar o lançamento excluindo tais valores, sob pena de macular o referido lançamento de ofício. Tudo segundo disciplinam os artigos 224 e 225 do RIR/99. Prossegue a recorrente aduzindo a impossibilidade de cobrança de multa isolada pela suposta falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada nos anos calendários de 2005 a 2007, porquanto entender que tendo a empresa apurado IRPJ devido ao final do ano e enviado a sua declaração de ajuste, não se justifica a cobrança de multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas, que são na verdade meras antecipações do tributo devido ao final do ano. Salienta que nos anos referidos a empresa recorrente apurou IRPJ e recolheu a totalidade do tributo devido, tendo inclusive apresentado saldo negativo (pagou IRPJ a maior) no anocalendário de 2007, razão pela qual entende ser completamente descabida a cobrança da multa em apreço. Destaca que mesmo com esse suposto recolhimento de estimativa a menor (por ter, em alguns meses, apurado a estimativa com base na receita bruta), ao final do ano calendário, como a recorrente é tributada com base no Lucro Real, esta recolheu a totalidade do tributo devido (quando se apurou o Lucro Real). Assim, não há em que se falar de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, pois o tributo foi recolhido em sua totalidade, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 114 4 tanto é verdade, que o fisco não cobra tributo e sim multa isolada. Salienta que o IRPJ possui fato gerador no dia 31 de dezembro de cada anocalendário, período no qual deverá ser realizada a apuração para o recolhimento do tributo. Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido ao final do exercício, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente. Prossegue referindo que no presente caso, a fiscalização alega que a recorrente deixou de recolher o IRPJ por estimativa, dos meses de novembro de 2005, setembro a dezembro de 2006, novembro de 2007 e fevereiro a agosto de 2008. Ocorre que a empresa segue o mesmo entendimento da jurisprudência do CARF, ao afirmar que mesmo deixando o contribuinte de efetuar os recolhimentos de eventuais estimativas, não pode ser fator para aplicação da multa isolada uma vez que a recorrente já entregou a declaração de ajuste anual e recolheu a totalidade do tributo, digase de passagem, fato não questionado pela autoridade fiscal. Nesse caminho, observa que, após findos os anoscalendários de 2005 a 2007, e tendo a recorrente já efetuado a apuração pelo lucro real dos tributos (IRPJ e CSLL), enviado DIPJ com todas as informações e efetuado o recolhimentos dos tributos, não mais poderia a Receita Federal do Brasil querer cobrar multa isolada por conta de recolhimento a menor da estimativa mensal. Reporta ser esse o entendimento pacificado tanto no Conselho de Contribuintes quanto na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Aduz que para pagar multa sem dever o imposto, afeta a capacidade contributiva, bem como leva à prática do confisco, eis que a recorrente comprova que ao final do ano calendário, em sua declaração de ajuste, recolheu o tributo devido ao final do exercício. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues, Relatora O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de auto de infração para cobrar multa isolada em decorrência de diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago a título estimativa de IRPJ, dos anos calendários de 2005 a 2008. A discussão cingese em saber se a multa é devida por incidir sobre valores oriundos de aplicações financeiras; se pode ser cobrada mesmo após o encerramento do ano calendário e da empresa recorrente ter apresentado as declarações e recolhido os tributos devidos, bem com diferença na aplicação do percentual sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE). Atentamos para o fato de que a empresa recolhe os tributos em comento pelo lucro real e que o tributo IRPJ não está em discussão, mas tão somente a multa isolada, pelas diferenças encontradas na apuração entre os valores escriturados, os declarados e pagos a título de estimativa nos anos em comento. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 115 5 Inicio o presente voto no tocante à discussão da constitucionalidade, levantada pela recorrente, quanto à capacidade contributiva da multa isolada cobrada, no presente auto de infração. Isso porque argumenta a empresa que a multa feriria a capacidade contributiva, vez que não sendo devido o tributo, que é o principal, o acessório seguiria a mesma ordem, o que não vem ocorrendo no presente caso. Independente da discussão posta, há que se esclarecer que esta esfera administrativa não é competente para enfrentar o tema, posto que temas desse porte, quais sejam, constitucionalidades de leis ou mesmo de artigos de leis, são de competência exclusiva do Supremo Tribunal Federal. Assim, certo de que somente o Poder Judiciário pode manifestarse sobre aplicação da constitucionalidade de uma norma, a este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais compete apenas aplicar as leis em vigor dentro do nosso ordenamento pátrio. Cumpre salientar que este Egrégio Conselho encontrase adstrito à aplicação de suas Súmulas e no presente caso à aplicação da Súmula CARF n°: 02: “O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).” Desse modo, deixo de apreciar a argumentação da empresa, quanto à capacidade contributiva da multa isolada, vez tratarse de questão constitucional, fora da alçada dessa esfera administrativa de competência. Quanto ao mérito da demanda, cumpre aduzir que as receitas financeiras não podem compor a base de cálculo da receita bruta, visto restar disciplinado nos artigos 224 e 225 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), o que segue: “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único).” Ganhos de Capital e outras Receitas Fl. 174DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 116 6 “Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 1º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º). § 2º O ganho de capital, nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil (Lei nº 8.981, de 1995, art. 32, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º).” Contudo, embora as receitas financeiras não possam adentrar à base de cálculo, tal como disposto acima, a fiscalização acabou por seguir o erro apurado pelo contribuinte, em suas planilhas, e incluiuas no cômputo da apuração do imposto em comento. De igual modo, pude verificar que a fiscalização apurou erro na aplicação do percentual sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE). Nesse sentindo, e para esclarecer melhor a questão, entendo ser necessário recompor os cálculos, refazendo a referida planilha que foi aproveitada pela fiscalização para apuração da multa, ora em discussão. Assim, segue abaixo o demonstrativo das apurações e recolhimentos, bem como da autuação realizada pela fiscalização. Contudo, passo a considerar o percentual determinado pela fiscalização sobre os valores relativos à prestação de serviço (Representação na CCEE/MAE), retirando da base de cálculo os valores de aplicações financeiras. No entanto, imperioso referir que aferese, dessa nova recomposição da planilha, que a empresa recorrente acabou por pagar, no curso dos anos calendários em apreço, mais do que o devido, ainda que aplicada a diferença do percentual questionado. Segue planilhas dos meses e anos autuados: DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : NOVEMBRO /05 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 117 7 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 14.697.977,93 2 Receita Operacional da Atividade à alíquota de 8%.................... 14.585.628,69 Adições à Receita da atividade operacional à alíquota de 8% Receitas Financeiras VARIAÇÕES MONETÁRIAS.......................................................................... 40.360,00 RECEITA COM JUROS.................................................................................. 18.721,81 (Obs : exclusão dos rendimentos de receitas financeiras no valor de 200.616,88) 3 Total receita à alíquota de 8%............................................................14.644.710,50 (14.585.628,69 + 40.360,00 + 18.721,81 = 14.644.710,50) 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................112.349,24 ( = 44.506,80 + 67.842,44 intermediação de negócios 32% sobre o total de 112.349,24 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ................................. 1.171.576,84 (14.644.710,50 x 8% = 1.171.576,84) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%......................................35.951,75 (112.349,24 x 32% = 35.951,75) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receita financeira e intermediação de negócios 1.171.576,84 + 35.951,75 = 1.207.528,59).............................................................................................1.207.528,59 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.207.528,59) ..........................181.129,28 Adicional de 10% (1.207.528,59 20.000,00 = 1.187.528,59 1.187.528,59 x 10% = 118.752,85) .....................................................................118.752,85 Total do imposto devido no mês Nov/05...................................................................................................................299.882,13 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 11/05............................. 356.884,23 DIFERENÇA PAGA A MAIOR NO MÊS 11/05.............................................57.002,10 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%.................................3.370,48 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : SETEMBRO/06 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 118 8 1 Receita da Atividade (TOTAL) 18.773.128,28 2 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%.......18.491.584,12 2.1 Adições de Receitas Financeiras à Receita da Atividade Operacional à alíquota de 8% RECEITAS FINANCEIRAS Variações monetárias ....................................................................25.921,68 Receita com juros ............................................................................1.560,43 Outras Receitas.............................................................................120.000,00 (Obs : exclusão dos rendimentos de receitas financeiras no valor de 32.202,68) 3 Total da receita sujeita à alíquota de 8%........................................18.639.066,23 (receita operacional de 18.491.584,12 + receita financeira de 25.921,68 + 1.560,43+ 120.000,00 = 18.639.066,23) 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32% sobre ...........281.544,16 ( = 281.544,16 intermediação de negócios 32% representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção sujeita à alíquota de 8% ..................... 1.491.125,29 ( 18.639.066,23 x 8% = 1.491.125,29 ) 6 Base de Cálculo Presunção sujeita à alíquota de 32%. .......................90.094,13 (281.544,16 x 32% = 90.094,13) . 7 Total base de cálculo da presunção ...................................................1.581.219,42 (somatório de 1.491,125,29 + 90.094,13 ) Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.581.219,42) .....................237.182,91 Adicional de 10% (1.581.219,42 20.000,00= 1.581.019,42) 1.581.019,42 x 10% = ...................................................................................158.101,94 Total do imposto devido no mês 09/06....................................................395.284,85 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 09/06.............................418.383,76 DIFERENÇA PAGA A MAIOR NO MÊS 09/06.............................................23.098,91 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%.................................8.446,32 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ Fl. 177DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 119 9 PERÍODO : OUTUBRO/06 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 20.508.760,52 2 Receita Operacional da Atividade à alíquota de 8%.................... 20.260.694,72 Adições à Receita da atividade operacional à alíquota de 8% Receitas Financeiras VARIAÇÕES MONETÁRIAS.......................................................................... 29.307,60 RECEITA COM JUROS.................................................................................. 8.053,85 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 52.260,32) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%.................................................20.289.056,22 (20.260.694,72 + 29.307,60 + 8.053,85 = 20.289.056,22) 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................248.065,75 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 248.065,75 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ...................................1.623.124,49 (20.289.056,22 x 8% = 1.623.124,49) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%.......................................79.381,04 (248.065,75 x 32% = ) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios .............................1.702.505,53 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.702.505,53) ....................255.375,82 Adicional de 10% (1.702.505,53 20.000,00 = 1.682.505,53) 1.682.505,53 x 10% = 168.250,55) .............................................................168.250,55 Total do imposto devido no mês outubro/06..........................................423.626,37 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 10/06............................ 430.580,83 DIFERENÇA PAGA A MAIOR NO MÊS 10/06............................................6.954,46 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%...............................7.441,97 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ Fl. 178DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 120 10 PERÍODO : NOVEMBRO/06 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 20.510.023,73 2 Receita Operacional da Atividade à alíquota de 8%.................... 20.214.660,69 Adições de Receitas Financeiras à Receita da atividade operacional à alíquota de 8% Receitas Financeiras VARIAÇÕES MONETÁRIAS.......................................................................... 26.216,32 RECEITA COM JUROS.................................................................................. 22.992,93 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 74.176,62) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................20.263.869,94 (20.214.660,69 + 26.216,32 + 22.992,93 = 20.263.869,94) 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................295.363,04 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 248.065,75 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ...................................1.621.109,59 (20.263.869,94 x 8% = 1.621.109,59) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%.......................................94.516,17 (295.363,04 x 32% = ) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios ..............................1.714.625,76 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.714.625,76) .....................257.193,86 Adicional de 10% (1.714.625,76 20.000,00 = 1.694.625,76) 1.694.625,76 x 10% = ) .................................................................................169.462,57 Total do imposto devido no mês Nov/06 ................................................426.656,43 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 11/06............................ 439.058,92 DIFERENÇA PAGA A MAIOR NO MÊS 11/06............................................12.402,49 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%................................8.861,49 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ Fl. 179DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 121 11 PERÍODO : DEZEMBRO/06 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 20.902.516,95 2 Receita Operacional da Atividade à alíquota de 8%.................... 20.477.965,52 Adições de Receitas Financeiras à Receita da atividade operacional à alíquota de 8% Receitas Financeiras VARIAÇÕES MONETÁRIAS.......................................................................... 25.651,32 RECEITA COM JUROS.................................................................................. 10.629,02 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 92.514,59) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................20.514.245,86 (20.477.965,52+25.651,32+10.629,02 = 20.514.245,86) 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................424.551,43 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 424.551,43 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% .................................. 1.641.139,66 (20.514.245,86 x 8% = 1.641.139,66) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%.......................................94.516,17 (295.363,04 x 32% = ) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios ..............................1.735.655,83 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.735.655,83) ......................260.348,37 Adicional de 10% (1.735.655,83 20.000,00 = 1.715.655,83) 1.715.655,83 x 10% = ) .................................................................................171.565,58 Total do imposto devido no mês 12/06..................................................... 431.913,95 TOTAL DEVIDO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 12/06............................508.249,07 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 12/06...........................................................76.335,12 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%...................................12.736,54 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 122 12 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : FEVEREIRO /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 21.845,061,32 2 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%....... 21.523.667,32 Receitas Financeiras (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 165.650,60) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................21.523.667,32 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................321.394,00 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 321.394,00 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% .............................. 1.721.893,38 (21.523.667,32 x 8% = 1.721.893,38) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%......................................102.846,08 (321.394,00 x 32% = 102.846,08) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios .............................. 1.824.739,46 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.824.739,46) .....................273.071,91 Adicional de 10% (1.824.739,46 20.000,00 = 1.804.739,46) 1.804.739,46 x 10% = ) .................................................................................180.473,94 Total do imposto devido no mês 02/2008.................................................. 453.545,85 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 02/2008...........................476.313,85 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 02/2008.................................................... 22.768,00 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%................................9.641,82 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 123 13 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : MARÇO /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 18.640.065,10 2 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%....... 18.446.558,48 Adições à Receita Operacional Receitas Financeiras Resultado positivo não operacional...........................................................24.000,00 Resultado não operacional..........................................................................24.000,00 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 161.299,67) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................18.494.558,48 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................193.206,62 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 193.206,62 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ............................... 1.479.564,67 (18.494.558,48 x 8% = 1.479.564,67) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%.................................... 61.826,11 (193.206,62 x 32% = 61.826,11) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios .............................. 1.541.390,78 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.541.390,78) ..................... 231.208,61 Adicional de 10% (1.541.390,78 20.000,00 = 1.521.390,78) x 10% = ) ......................................................................................................152.139,07 Total do imposto devido no mês 03/2008................................................ 383.347,68 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 03/2008...........................417.126,22 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 03/2008..................................................... 33.778,54 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%..................................6.805,20 Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 124 14 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : ABRIL /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 20.066.662,61 2 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%....... 19.711.069,61 Adições à Receita Operacional Receitas Financeiras Resultado positivo não operacional...........................................................24.000,00 Resultado não operacional..........................................................................24.000,00 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 133.909,96) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................19.759.069,61 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................355.593,00 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 193.206,62 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ............................... 1.580.725,56 (19.759.069,61 x 8% = 1.580.725,56) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%....................................113.789,76 (355.593,00 x 32% = 113.789,76) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios .............................. 1.694.515,32 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.694.515,32) .................... 254.177,29 Adicional de 10% (1.694.515,32 20.000,00 =1.674.515,32 ) x 10% = ) .....................................................................................................167.451,53 Total do imposto e adicional devido no mês 04/2008............................. 421.628,82 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 04/2008...........................438.810,74 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 04/2008..................................................... 17.181,92 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%..................................10.787,79 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 125 15 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : MAIO /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 24.989.095,24 2 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%.........24.791.781,64 Adições à Receita Operacional Receitas Financeiras Resultado positivo não operacional...........................................................24.000,00 Resultado não operacional..........................................................................24.000,00 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 189.741,45) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................24.839.781,64 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................197.313,60 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita de 197.310,60 – a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ..................................1.987.182,53 ( 24.839781,64 x 8% = 1.987.182,53) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%....................................63.140,37 (197.313,66 x 32% = 63.140,37) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios ............................2.050.322,90 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 2.050.322,90 .................... 307.548,43 Adicional de 10% ( 2.050.322,90 20.000,00 = 2.030.322,90 x 10% = ) ......................................................................................................................203.032,29 Total do imposto devido no mês 05/2008................................................510.580,72 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 05/2008............... 551.217,27 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 05/2008............................................40.636,55 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%..........................5.919,41 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 126 16 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : JUNHO /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 23.943.177,26 2 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%....... 23.740.334,74 Adições à Receita Operacional Receitas Financeiras Resultado positivo não operacional...........................................................27.216,33 Resultado não operacional..........................................................................27.216,33 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 227.676,73) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................23.794.767,40 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%..........................202.842,52 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ............................... 1.903.581,39 ( 23.749.767,40 x 8% = 1.903.581,39) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%........................................64.909,60 (202.842,52 x 32% = 64.909,60) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios ...............................1.968.490,99 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 1.968.490,99) ......................295.273,64 Adicional de 10% (1.968.490,99 20.000,00 = 1.948.490,99) x 10% = ) .......................................................................................................194.849,09 Total do imposto e adicional devido no mês 06/2008.............................. 490.122,73 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 06/2008............................540.586,81 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 06/2008......................................................50.464,08 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa)50%...................................6.085,28 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 127 17 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : JULHO /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 27.314.262,04 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%...........27.161.663,62 Adições à Receita Operacional Receitas Financeiras resultado positivo não operacional.................... 25.072,11 Resultado não operacional..............................................................25.072,11 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 288.209,23) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................27.211.807,73 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%........................152.598,42 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ........................... 2.176.944,61 ( 27.211.807,73 x 8% = 2.176.944,61) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%......................................48.831,49 (152.598,42 x 32% = ) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios .............................. 2.225.776,10 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 2.225.776,10) ................... 333.866,41 Adicional de 10% (2.225.776,10 20.000,00 = 2.205.776,10 x 10% = ) ...................................................................................................... 220.577,61 Total do imposto e adicional devido no mês 07/2008.............................. 554.444,02 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 07/2008............... 622.605,58 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 07/2008............................................68.161,56 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%.........................4.577,95 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 128 18 DEMONSTRATIVO DE RECOMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA – IRPJ PERÍODO : AGOSTO /2008 1 Receita da Atividade (TOTAL ) 28.551.732,46 Receita Operacional da Atividade sujeita à alíquota de 8%...........28.343.812,74 Adições à Receita Operacional Receitas Financeiras resultado positivo não operacional.................... 25.072,11 Resultado não operacional..............................................................25.072,11 (Obs : exclusão dos rendimentos de aplicações financeiras no valor de 378.287,23) 3 Total receita sujeita à alíquota de 8%................................................28.393.956,96 4 Receita da Atividade Operacional à alíquota de 32%.......................207.919,72 ( = intermediação de negócios a 32% sobre o total da receita a título de representação no MAE ) 5 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 8% ............................. 2.271.516,55 ( 28.393.956,96 x 8% = 2.271.516,55) 6 Base de Cálculo Presunção à alíquota de 32%....................................66.534,31 (207.919,72 x 32% = ) 7 Total base de cálculo da presunção (somatório da atividade operacional, receitas financeiras e intermediação de negócios .............................. 2.338.050,86 Cálculo do Imposto (alíquota de 15% sobre 2.338.050,86) ...................350.707,62 Adicional de 10% (2.338.050,86 20.000,00 = 2.318.050,86 x 10% = ) ....................................................................................................231.805,08 Total do imposto e adicional devido no mês 08/2008............................582.512,70 TOTAL PAGO PELO CONTRIBUINTE NO MÊS 08/2008.......................669.874,48 DIFERENÇA A MAIOR NO MÊS 8/2008................................................... 87.361,78 LANÇAMENTO MULTA ISOLADA (estimativa) 50%..............................6.237,59 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.003239/200816 Acórdão n.º 180301.440 S1TE03 Fl. 129 19 Assim, temse que os valores de rendimentos de aplicações financeiras foram incorretamente adicionados à base de cálculo e ainda que se considerasse a multa isolada aplicada como devida, os valores recolhidos/pagos pela empresa recorrente superam os que foram levantados como diferença de base e aplicado como multa. Frente às planilhas refeitas, podese concluir que a empresa não é devedora dos valores ora lançados. Diante do exposto voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É o voto. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 17/10/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11543.003705/2008-23
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
FASE DE FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO.
Durante o procedimento de fiscalização não existe contraditório e ampla defesa. Esses direitos serão exercidos com a instauração do processo administrativo fiscal pela apresentação de impugnação tempestiva.
SÚMULA CARF N.º 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 2802-002.124
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 FASE DE FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. Durante o procedimento de fiscalização não existe contraditório e ampla defesa. Esses direitos serão exercidos com a instauração do processo administrativo fiscal pela apresentação de impugnação tempestiva. SÚMULA CARF N.º 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso voluntário negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. EDITADO EM: 25/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1939; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 64 1 63 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.003705/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.124 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente BRUNO FELIPPE ESPADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 FASE DE FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. Durante o procedimento de fiscalização não existe contraditório e ampla defesa. Esses direitos serão exercidos com a instauração do processo administrativo fiscal pela apresentação de impugnação tempestiva. SÚMULA CARF N.º 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do redator designado. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jorge Claudio Duarte Cardoso. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e redator designado (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 37 05 /2 00 8- 23 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 2 EDITADO EM: 25/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2006, exercício 2007, por omissão de rendimentos recebidos a título de honorários advocatícios, de pessoa jurídica,. Fonte Pagadora: União Federal, através da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 14.295,73 e IRRF: R$ 471,11, conforme ofícios requisitórios de fls. 11/15. Apreciada a Impugnação (fl. 1/10) e superada a preliminar de cerceamento de defesa, a ação fiscal foi julgada procedente, sob os seguintes fundamentos: “De acordo com a DIRF da fonte pagadora (fls. 29) o contribuinte teria recebido rendimentos tributáveis decorrentes de Decisão da Justiça Federal no valor total bruto de R$ 15.704,50, com IRRF no valor total de R$ 471,11. Não obstante, o interessado entendeu que deveria ter informado os rendimentos tributáveis recebidos no campo destinado aos rendimentos sujeitos à tributaçãoexclusiva/definitiva. E assim o fez. [...] Na condição de beneficiário do rendimento, portanto, caberia ao impugnante, na qualidade de contribuinte, de fato e de direito, pelo tributo, corrigir a eventual omissão cometida pela fonte pagadora, incluindo, na Declaração de Ajuste Anual, o total dos rendimentos tributáveis efetivamente recebidos, seja como fonte pagadora a Caixa Econômica Federal, a União Federal ou a Justiça Federal”. Nas razões de Voluntário (fls. 42/49), o Recorrente alega erro material no julgamento de 1ª. instancia. Consigna que é advogado e que os rendimentos não foram recebidos em decorrência de ação trabalhista, mas sim a titulo de honorários advocatícios de sucumbência, em processos julgados na Justiça Federal e nos quais a fonte pagadora foi a União Federal e não a Caixa Econômica Federal. Reitera nulidade por cerceamento de defesa, alegando não ter havido intimação previa para esclarecimentos e a responsabilidade da fonte pagadora pela omissão das informações do pagamento. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.003705/200823 Acórdão n.º 2802002.124 S2TE02 Fl. 65 3 De início, rejeito a preliminar de cerceamento do direito de defesa, alegada diante da ausência de prévia intimação para esclarecimentos na fase de fiscalização. Nesse sentido, já decidiu este E. Sodalício, pela impossibilidade de violação ao princípio da ampla defesa e contraditório durante o processo de fiscalização prévio ao lançamento. MPF. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO durante o procedimento de fiscalização não existe contraditório e ampla defesa, direitos esses que serão exercidos a posteriori, com a instauração do processo administrativo fiscal. Desta feita, a existência, ou não de MPF para o período em nada prejudica o contribuinte, servindo, o MPF, apenas como instrumento de direcionamento da atividade de fiscalização. CARF. 1ª S., 1ª T. Ac. 140100157. De igual modo, a alegada incorreção na identificação da fonte pagadora ou a incorreção formal da origem dos rendimentos (se decorrentes de honorários ou de verbas trabalhistas, ambos rendimentos tributáveis), a ensejar o reconhecimento da nulidade do lançamento, em nada prejudica o direito de ampla defesa ou a correta compreensão do litígio posto, ainda mais quando as provas juntadas aos autos afastam quaisquer dúvidas quanto às incorreições formais apontadas pelo Recorrente. É de se prestigiar, na espécie, a máxima Pas de nullité sans grief. Quanto ao mérito da demanda, acertada em parte a decisão a quo. A responsabilidade pelo pagamento do IRPF devido, ainda que incorretamente informado ou insuficientemente retido pela fonte pagadora, é do contribuinte do imposto, mormente se expressamente reconhecido pelo Recorrente de que se tratam de rendimentos tributáveis (honorários advocatícios). Portanto, sem reparos o lançamento do imposto na pessoa do Recorrente, nos termos da Súmula 12 deste E. Sodalício. Nesse sentido: CARF 2a. Seção / 2a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 2102 01.234 em 14/04/2011 Exercício: 2001 INEXISTÊNCIA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE QUE AUFERIU RENDA. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que acarrete a responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação como aliás, ocorreria se tivesse havido desconto na fonte. SÚMULA CARF Nº 12. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO 4 Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Publicado no DOU em: 25.10.2011. Entretanto, é de se excluir a multa punitiva, pela ausência de entrega pela fonte pagadora do comprovante de rendimentos e pela retenção insuficiente do IRF, de sorte a não restar caracterizada culpa em qualquer grau por parte do Recorrente. Nesse sentido, 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara da 2ª Seção deste E. Conselho: MULTA DE OFÍCIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 2a. Seção 2a. Turma da 2a. Câmara. ACÓRDÃO 220200.290. Processo n. 10245.000061/200571. Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e lhe dou parcial provimento, para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Redator designado Divirjo do relator exclusivamente quanto à aplicação da tese do induzimento a erro por informações prestadas pela fonte pagadora. A referida tese foi desenvolvida com base em casos em que os Comprovantes de Rendimentos continham informações incorretas que foram reproduzidas pelo contribuintes, e de cujo erro atribuído exclusivamente à fonte pagadora não justificaria exigir do contribuinte a multa punitiva. Tratase de tese que deve ser aplicado com cautela, sobretudo pela existência da previsão do art. 136 do CTN. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.003705/200823 Acórdão n.º 2802002.124 S2TE02 Fl. 66 5 Neste caso concreto, não foi comprovado que o contribuinte tenha reproduzido um equívoco da fonte pagadora. Ao contrário, as informações constantes da DIRF trazida aos autos (fls. 29) demonstram que a fonte pagadora informou o rendimento como tributável tal como rotineiramente ocorre nos casos de tributação sujeita ao ajuste anual. Alegação de não recebimento do Comprovante de Rendimentos e erro de interpretação da lei não justificam o afastamento da multa de ofício. Portanto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /02/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por JORGE CL AUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11077.000253/2003-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS.
O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-001.438
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/09/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da Lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Otacílio Dantas Cartaxo, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martìnez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo contribuinte com fulcro no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face ao acórdão de n.º 340100.340, o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte para declarar a decadência do seu direito de pleitear restituição para valores referentes ao período de apuração do segundo trimestre de 1988 e, por maioria de votos, também lhe negou provimento para entender que os insumos empregados em produtos exportados, considerados como não tributados “NT” pela TIPI, não integram o cálculo do crédito presumido de IPI, conforme ementa a seguir: “CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. PRESCRIÇÃO. DECRETO Nº 20.910/32. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito que o contribuinte tem para pleitear o ressarcimento de créditos do IPI oriundos da Lei nº 9.363/96 prescreve no prazo de cinco anos, a contar do final de cada período de apuração. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. EXPORTAÇÃO. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO BENEFÍCIO. A exportação de produtos classificados como NT pela legislação do IPI não dá direito ao Crédito Presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 e alterado pela Lei nº 10.276/2001. Recurso negado.” Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando, em síntese, que outros acórdãos, utilizados como paradigmas, entenderam que a lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI, o concedeu às empresas produtoras/exportadoras, não fazendo qualquer exigência de que essas empresas fossem contribuintes do IPI. Vale ressaltar que, quanto à matéria referente à prescrição, o acórdão foi prolatado por unanimidade de votos de forma favorável à Fazenda, não tendo o contribuinte apresentado qualquer manifestação de defesa relativa à esse assunto. Em despacho de fls. 190, o i. presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Especial do contribuinte no que se refere à exportação de produtos “NT”. Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarazões às fls. 193/198, requerendo a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11077.000253/200367 Acórdão n.º 930301.438 CSRFT3 Fl. 201 3 Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora Conheço do Recurso Especial interposto pelo contribuinte eis que tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidas todas as condições de admissibilidade previstas no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. A controvérsia aduzida nos presentes autos consiste em definir se os insumos utilizados para a produção de produtos, classificados como não tributáveis –“NT” pela TIPI, integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI ao serem exportados. Primeiramente, vale considerar que o artigo 1º da lei nº 9.363/961, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à “empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. Assim, tendo o benefício fiscal em tela sido dado ao gênero “mercadorias nacionais”, não cabe ao intérprete restringilo à espécie de “produtos industrializados”. Nesse sentido, peço venia para transcrever como meu, o voto proferido pelo i. Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda quando do julgamento do Recurso nº 202 126.282, cujas razões passo a aduzir: “Não cabe ao intérprete da norma jurídica estabelecer distinção onde o legislador não o fez. Ao excluir as aquisições, cuja última operação não esteja sujeita à incidência das contribuições por haver um distanciamento do critério legal de apuração da carga de contribuições contida nos insumos, automaticamente estarse ia legitimando o pleito de um ressarcimento maior que o previsto em lei para os casos em que a carga de contribuições contida no valor das mercadorias fosse maior que o valor resultante da aplicação do critério previsto em lei, em razão do maior número de etapas que tenha percorrido. O erro da exigência da efetiva incidência das contribuições na última operação decorre, na minha opinião, de dois fatores. A tentativa da administração de barrar o benefício dado pela lei às empresas que adquiram produtos sem a incidência das contribuições, em razão do evidente ganho que auferem pela critérios contidos na lei. O outro é a decorrente da transferência indevida das regras vigentes na apuração do Imposto sobre 1 “Art. 1º. A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” (grifouse) Fl. 208DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Produtos Industrializados – IPI para a presente sistemática de apuração dos créditos de COFINS e PIS a serem ressarcidos. Como é sabido, a legislação do IPI, como regra geral, expressamente proíbe o registro do crédito do imposto, se a operação de aquisição não está sujeita à incidência do referido imposto. Em razão do nome “crédito presumido de IPI” a Secretaria da Receita Federal deu ao incentivo fiscal o tratamento de crédito de IPI (conforme fica evidenciado pelas diversas normas administrativas expedidas por aquele órgão), como é o caso das mercadorias classificadas como “Não Tributadas” (ou NT) na tabela de incidência do IPI, hipótese em que as considera fora do incentivo fiscal em tela. O crédito passível de registro nos livros fiscais do IPI foi apenas uma forma criada pelo legislador para o ressarcimento mais rápido das contribuições, e seu valor não pode ser confundido com o IPI. Por outro lado, a lei autoriza que se utilize os conceitos da legislação do IPI apenas no que se refere aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem (art. 3o., parágrafo único, da Lei nº 9.363/96). O fato de ser ressarcido mediante a compensação com créditos de IPI não lhe altera a natureza jurídica, que permanece sendo de contribuição para o PIS e COFINS. Finalmente, não cabe à autoridade administrativa tentar corrigir eventuais distorções contidas na lei, como é o caso do ressarcimento das contribuições nos casos em que não houve essa incidência na operação anterior por não ser praticada por contribuinte, como nos casos de pessoas físicas e cooperativas, entre outros. Da mesma forma como a lei beneficiou as empresas que adquirem mercadorias de não contribuintes do PIS e PASEP, ao estabelecer um critério uniforme de apuração do crédito a ser ressarcido para todas as situações, igualmente prejudicou aquelas, cujos produtos percorrem várias etapas, sendo oneradas pelas contribuições de forma mais intensa, pela cumulação da incidência tributária, lhes retirando a competitividade, especialmente no mercado internacional, onde a regra é a não exportação de tributos. Entendo que a lei deva ser aplicada da forma como foi concebida pelo legislador, e que somente a este compete aprimorála. Evidentemente, por todas razões expostas, sou da opinião de que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, mesmo que adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS, ou que, por outro motivo, essas contribuições não tenham incidido na aquisição dessas mercadorias, os valores correspondentes a essas operações devem compor a base de cálculo do incentivo fiscal em tela, sendo, portanto, incorreta a glosa aplicada pela fiscalização.” (...) “Como já por diversas vezes decidido na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a finalidade da Lei nº 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, “O espírito do citado Fl. 209DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11077.000253/200367 Acórdão n.º 930301.438 CSRFT3 Fl. 202 5 diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado ‘custo Brasil’ para os produtos pátrios, de maneira que sejam ‘exportados tributos para o exterior’. O legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, bem como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadação.”2. Diferente não é, aliás, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme já consubstanciado no acórdão referente ao julgamento do já mencionado e citado Recurso Especial nº 586.392/RN3. Creio, ainda, abrindo aqui parênteses a bem ilustrar o debate, que do exame do Regulamento do IPI (Decreto nº 2.637/98), que trata dos conceitos de industrialização (transformação; beneficiamento; montagem; acondicionamento; e renovação e recondicionamento), entendo possível afirmar que as “mercadorias” exportadas pela recorrente (produtos de origem animal), são sim objeto ou resultante de um processo produtivo, mesmo que classificados como NT. Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Júlio M. de Oliveira, intitulado “A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI – Hipóteses de Conflito”4:” (...) “Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato – o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: “... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrialização for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso.” Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado é suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? 2 “Da impossibilidade de Restrições ao Crédito Presumido de IPI através de Normas Administrativas Complementares”, in Revista Dialética de Direito Tributário, volume 75, p. 77. 3 REsp 586.392/RN, Ministra relatora Eliana Calmon, Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, acórdão publicado no D.J.U., Seção I, de 6/12/2004 4 “IPI – Aspectos Jurídicos Relevantes – Coordenação Marcelo Magalhães Peixoto” – São Paulo: Quartier Latin, 2003, pp. 221 a 238 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 Quer nos parecer que não.” (...) “E a propósito da discussão travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do crédito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. O artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre “produto industrializado não tributado” e “produto industrializado tributado”, pois tanto um como outro são “mercadorias”5 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei nº 9.363/96.” Nesse sentido, restase evidente o entendimento de que, tendo o crédito presumido em análise o objetivo de ressarcir as contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, não é relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na sua saída final. Em face do exposto, conheço do Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte para, no mérito, darlhe provimento. Nanci Gama 5 “Aquilo que é objeto de comércio; bem econômico destinado à venda; mercancia. ...” Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. “Novo Aurélio Século XXI: o dicionário da língua portuguesa/3ª edição – Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1999 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10580.725698/2009-96
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluí-los, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12.
REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO - INCIDÊNCIA.
Sujeitam-se à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba.
JUROS DE MORA.
Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido(s) o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez que dava provimento e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 56 98 /2 00 9- 96 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a multa de ofício. Vencido(s) o Conselheiro(s) German Alejandro San Martin Fernandez que dava provimento e, quanto à multa, vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Pela fidelidade do quanto passado no feito, adoto o relatório elaborado pela d. 3ª Turma da DRJ em Salvador, por ocasião do julgamento da Impugnação apresentada: Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 124.323,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725698/200996 Acórdão n.º 2802000.949 S2TE02 Fl. 122 3 conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) segundo a legislação que regulamenta o imposto de renda, caberia à fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, e não ao autuado, o dever de retenção do referido tributo. Portanto, se a fonte pagadora não fez tal retenção, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; c) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício, pois o autuado teria cometido erro escusável em razão de ter seguido orientações da fonte pagadora; d) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB; e) o lançamento fiscal seria nulo por ter tributado de forma isolada os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar a totalidade dos rendimentos e deduções cabíveis; f) ainda que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse considerado como tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) em razão da distribuição constitucional das receitas, todo o montante que fosse arrecado a título de imposto de renda incidente sobre os valores pagos a título de URV teriam como destinatário o próprio Estado da Bahia. Assim, se este último classificou legalmente tais pagamentos como indenização, foi porque renunciou ao recebimento; h) é pacífico que a União é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da relação processual nos casos em que o servidor deseja obter judicialmente a isenção ou a não incidência do IRRF, posto que além de competir ao Estado tal retenção, é dele a renda Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 proveniente de tal recolhimento. Pelo mesmo motivo, poderia concluirse que a União é parte ilegítima para exigir o referido imposto se o Estado não fizer tal retenção; i) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; j) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia.” Perante o órgão colegiado a quo, a ação fiscal foi julgada procedente e o crédito tributário mantido, sob o fundamento de que as verbas recebidas a título de abono variável, pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, por se revestirem de natureza salarial, além de não acolher o pleito subsidiário de exclusão da multa punitiva, por se tratar de aplicação de sanção na qual não haveria de se considerar a intenção do agente na prática infracional. Inconformada, a recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, com fulcro nas mesmas razões já apresentadas por ocasião da Impugnação. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández – relator. O recurso é tempestivo e atende a todos os requisitos para fins de admissibilidade; posto isso, é de ser conhecido. Não há preliminares quanto à decisão de 1ª instância, de sorte que passo imediatamente a apreciar a questão de fundo posta ao crivo deste E. Sodalício. Caso semelhante a este foi julgado por esta mesma C. 2ª Turma Especial, em recurso voluntário relatado pelo i. Conselheiro Sidney Ferro Barros (Processo n. 15521.000097/200561), naquela oportunidade envolvendo o abono variável dos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, em situação fáticonormativa semelhante à ora em julgamento. Naquela ocasião, foi citado acórdão da lavra do Conselheiro Sandro Machado dos Reis (Processo n° 17883.000270/200548) no qual restou reconhecida a natureza indenizatória do abono variável, e por via de conseqüência, a intributabilidade de tais vencimentos, a seguir: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725698/200996 Acórdão n.º 2802000.949 S2TE02 Fl. 123 5 "Como dito, a questão tratada nos presentes autos referese à atribuição dada pela Recorrente aos rendimentos recebidos de sua fonte pagadora a título de abono variável, os quais foram classificados em sua DIRPF como isentos ou nãotributáveis. Com efeito, as Leis n's 9.655/98 e 10.474/02 concederam aos membros da Magistratura Federal o abono variável, o qual foi estendido, por meio da Lei n° 10.477/02, aos membros do Ministério Público Federal. O Egrégio Supremo Tribunal Federal, através da Resolução n° 245/2002, declarou que este abono variável tem natureza indenizatória, por entender que o mesmo tem o objetivo de reparar prejuízos anteriormente sofridos, não caracterizando, portanto, fato gerador do imposto de renda. Posteriormente, foi editada a Lei Estadual n° 4.433/2004, que concedeu aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro o abono variável nos mesmos moldes e objetivos daquele instituído pela Lei Federal. Vejase, em acréscimo, que a lei estadual não cria novo abono, mas se utiliza do abono e da legislação federal para adotálo em relação aos membros do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. Abono, aliás, cuja natureza indenizatória restou conferida pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal.” Com efeito, a edição da lei do Estado da Bahia n. 8.730, de 2003, reconhecendo a natureza indenizatória de tais valores, cumpriu exatamente o mesmo papel da lei fluminense, qual seja, o de reconhecer, na esfera estadual, a qualificação de rendimentos já reconhecido aos membros da Magistratura Federal, pela lei n. 10.474 e ao Ministério Público da União, pela simetria imposta pelo art. 2º da lei n. 10.477/2002. Nesse sentido entendo que o “abono variável” concedido aos membros da Magistratura do Estado da Bahia, tem natureza idêntica àqueles concedidos à Magistratura Federal e ao MPU, de inequívoca natureza indenizatória, nos exatos termos do que dispõe a Resolução do STF n° 245/02, não constituindo riqueza nova, senão, mera recomposição de perdas ocasionadas por ajuste de conversão monetária. Exegese em sentido contrário, ou seja, pelo reconhecimento da natureza indenizatória apenas aos membros da Magistratura Federal e do MP da União, implicaria em criar dois pesos e duas medidas, apenas em virtude da origem do instrumento legislativo adotado para o reconhecimento da natureza indenizatória de tais valores Se emanado pelo Congresso Nacional, válido; se pelas respectivas Assembléias dos Estados, inapto a reconhecer juridicamente a natureza indenizatória da recomposição devida. Com a devida vênia de entendimentos contrários ao por mim adotado, reconhecer apenas à lei federal a aptidão em qualificar valores como sendo de natureza indenizatória e desconsiderar as respectivas leis estaduais que buscaram adequar sua legislação ao previsto no artigo 6º da Lei nº. 9.655/98, equivale a “(...) instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente” (inciso II do artigo 150 da CF/88)”, em arrepio à própria redação do texto legal, que ao tratar do abono variável dos membros do Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Poder Judiciário, não faz ressalvas se membros dos quadros da magistratura federal ou estadual! E mais, a própria redação da EC 19, a que se refere o artigo 6º da lei n. 9.655/98, dispõe que os “(...) subsídios dos demais magistrados serão fixados em lei e escalonados, em nível federal e estadual, conforme as respectivas categorias da estrutura judiciária nacional.” Logo, não reconhecer a competência e validade da lei do Estado da Bahia n. 8.730, de 2003, em estender o reconhecimento inequívoco de verba indenizatória, assim qualificada por Resolução do STF, e respectiva legislação federal, equivale a negarlhe aplicação, em atividade vedada pelo artigo 26A do Decreto n. 70.235/72. Quanto ao argumento de que imposto de renda é regido por legislação federal, portanto, a qualificação de verba indenizatória por lei estadual não teria qualquer efeito tributário, é de se lembrar que a não tributação de verbas indenizatórias não é conseqüência de dispositivo isencional, a depender de expressa previsão na legislação do imposto. Tratase de valores fora do campo de incidência do imposto sobre a renda, justamente por não se enquadrarem em nenhum dos conceitos de renda ou de proventos de qualquer natureza (acréscimo patrimonial), a que se refere o artigo 43 e incisos do CTN. Tais verbas se enquadram no conceito adotado por José Souto Maior Borges de não incidência pura e simples, qual seja: "a que se refere a fatos inteiramente estranhos à regra jurídica de tributação, a circunstâncias que se colocam fora da competência do ente tributante" (Isenções tributárias. São Paulo: Sugestões Literárias, 1969. p. 154). Logo, desnecessário enunciado legal desonerativo expresso, tal qual como pretendido pelo decisão ora recorrida. Posto isso, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Entretanto, se vencido quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão da multa de ofício, pelo fato de que o não recolhimento do IRPF se deu pela classificação dada aos rendimentos pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Logo, a exegese da fonte pagadora ao considerar a verba não tributável foi decisiva para a conduta da recorrente, que nada mais fez do que declarar o rendimento de acordo com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, sem incorrer em qualquer das modalidades de culpa exigidas para a tipificação da conduta infracional. Nesse caso, cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência do erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora (processo 17883.000287/200503, rel. Jorge Cláudio Duarte Cardoso). Conforme lição do saudoso Ruy Barbosa Nogueira: "... o que o art. 136, em combinação com o item III do art. 112, deixa claro, é que para a matéria da autoria, imputabilidade ou punibilidade, somente é exigida a intenção ou dolo para os casos das infrações fiscais mais graves e para as quais o texto da lei tenha exigido esse requisito. Para as demais, isto é, não dolosas, é necessário e suficiente um dos três graus de culpa. De tudo isso decorre o princípio fundamental e universal, segundo o qual se não houver dolo nem culpa, não existe infração da legislação tributária." (Ruy Barbosa Nogueira, Curso de Direito Tributário, 14' edição, Ed. Saraiva, 1995, p. 106/107. Destaques meus). Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725698/200996 Acórdão n.º 2802000.949 S2TE02 Fl. 124 7 No mesmo sentido os seguintes acórdãos deste Sodalício: 10616801, 106 16360 e 19600065, cujas ementa são a seguir reproduzidas: “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) O C. Superior Tribunal de Justiça, de igual modo, ao admitir a exigência do imposto do contribuinte, exclui a multa em casos semelhantes ao ora posto em julgamento: RECURSO ESPECIAL . TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. AFASTAMENTO DA MULTA PREVISTA NO ART. 4º, INCISO I, DA LEI N. 8218/91. A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a renda, de oferecêla à tributação, por ocasião da declaração anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na fonte. Em que pese o erro da fonte não constituir fato impeditivo de que se exija a exação daquele que efetivamente obteve acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança de multa deste. Recurso especial provido em parte para afastar a multa aplicada. REsp 439142/SC. RECURSO ESPECIAL Fl. 127DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 2002/00666692, Min Fraciulli Netto, 2ª Turma, DJ 25/04/2005 p. 267.(destaques meus). Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou integral provimento. Se vencido pelos meus pares quanto ao provimento integral do recurso voluntário, voto pela exclusão da multa de ofício e aplicação apenas da multa moratória. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández. Voto Vencedor Carlos André Ribas de Mello redator designado. Conquanto valha o respeito ao judicioso voto do Eminente Conselheiro Relator, dele ouso divergir, no mérito, pelas seguintes razões. A controvérsia ora apresentada reside na caracterização da natureza dos rendimentos auferidos pelo Contribuinte, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de recomposição de diferenças de remuneração havidas quando da conversão do Cruzeiro Real para URV, sendo que para o caso concreto é relevante citar que tratase de pagamento de verba prevista em Lei Estadual, in casu a Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003, a qual o Recorrente tenta equivaler à verba paga aos magistrados federais e estendida ao Procuradores da República. Sendo certo que esse abono pago à magistratura federal foi objeto de Resolução administrativa nº 245/2002 do Supremo Tribunal Federal e que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional curvouse ao entendimento do STF, este manifestado em expediente administrativo interna corporis, e passou a tratar essa verba como isenta. Destaco que a verba objeto da Resolução STF nº 245/2005 foi o abono previsto no art. 6° da Lei n° 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2° da Lei n° 10.474, de 2002, posteriormente estendida pela Lei Federal 10.477 aos membros do Ministério Público Federal. Este abono foi criado pela lei federal n° 9.655, de 1998 e alcançou unicamente a Magistratura Federal e, por extensão, o Ministério Público Federal. Os membros de MP estadual tiveram cada uma suas respectivas leis, sendo relevante ressaltar que os dispositivos legais não são idênticos em seu teor. Neste sentido, o art. 2° da Lei Federal n° 10.477/02 assim dispôs: Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada e passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. § 1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a Fl. 128DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725698/200996 Acórdão n.º 2802000.949 S2TE02 Fl. 125 9 qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998. § 2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. Já o art. 6o da Lei no 9.655, de 2 de junho de 1998 estabelece que: “Art. 6o Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável, com efeitos financeiros a partir de 1o de janeiro de 1998 e até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do art. 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional.” Ao passo que os arts. 2º e 3º da Lei Complementar n° 20, de 8/9/2003 do Estado da Bahia dispõe: “Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei.” Com a devida vênia, não vislumbro identidade nas verbas de que tratam os atos normativos federais e o que veicula a lei complementar do Estado da Bahia ora examinada. A legislação federal demonstra apenas que o subsídio conhecido como “abono variável” foi criado com a finalidade de se atribuir aos membros do Poder Judiciário uma espécie de verba retroativa que corrigia as eventuais diferenças de escalonamento salarial. Já a verba percebida pelo Recorrente, na análise dos elementos constantes dos autos, se traduz em recomposição de natureza salarial, ainda que paga extemporanemente, sendo certo que para fins de Imposto de Renda vige o princípio de impossibilidade de concessão de isenções heterônomas, razão pela qual é irrelevante, para fins da definição d natureza de rendimento, a classificação que lhe dá a sua fonte pagadora. Todavia, a existência de um dispositivo legal considera a verba não tributável foi decisiva para a conduta do requerente, que declarou o rendimento com a mesma natureza atribuída pela fonte pagadora, razão pela qual é cabível a exoneração, exclusivamente, da multa de oficio em decorrência de um erro escusável induzido pela interpretação errônea dada pela fonte pagadora, no mesmo sentido dos acórdãos acórdãos 10616801, 10616360 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616360, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Com relação aos juros de mora, estes constituem mera atualização do valor do tributo para assegurarlhe a manutenção do seu valor quando pago a destempo, não se trata de sanção e possui previsão legal de incidência. Portanto, voto pelo parcial provimento do Recurso, no sentido de excluir somente a multa de ofício a multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/ 03/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por GERMAN ALEJANDRO SA N MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.002516/2001-81
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1991, 1992
IMPOSTO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - ILL. SOCIEDADE LIMITADA. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO.
Nos casos de sociedade limitada, o Egrégio Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade da exigência do ILL nos casos em que o contrato social não prevê distribuição automática de lucros.
Na hipótese, o contrato social vigente na data do encerramento do ano-calendário não previa que os lucros apurados seriam automaticamente distribuídos.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
Tendo em vista que o Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601, de 2008, foi aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do despacho publicado no DOU de 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório n.º 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008), vinculando toda a Administração Pública, é de se reconhecer o direito à aplicação dos denominados expurgos inflacionários, procedendo ao cálculo da atualização monetária conforme item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 2101-002.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
________________________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora).
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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SOCIEDADE LIMITADA. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO. Nos casos de sociedade limitada, o Egrégio Supremo Tribunal Federal decidiu pela inconstitucionalidade da exigência do ILL nos casos em que o contrato social não prevê distribuição automática de lucros. Na hipótese, o contrato social vigente na data do encerramento do ano calendário não previa que os lucros apurados seriam automaticamente distribuídos. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. Tendo em vista que o Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601, de 2008, foi aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do despacho publicado no DOU de 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório n.º 10, de 2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008), vinculando toda a Administração Pública, é de se reconhecer o direito à aplicação dos denominados “expurgos inflacionários”, procedendo ao cálculo da atualização monetária conforme item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 25 16 /2 00 1- 81 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Líquido (ILL), no valor de R$ 155.485,00, protocolado em 10 de agosto de 2001, com pedido de compensação. A Delegacia da Receita Federal em Sorocaba (SP), por meio do Despacho Decisório às fls. 32, indeferiu o pedido, por entender que teria ocorrido a decadência do direito à restituição, com fundamento no Código Tributário Nacional e no Ato Declaratório SRF n° 96, de 1999. Em 15.4.2002, a interessada apresentou impugnação (fls. 36 a 43), na qual defende que a contagem do prazo decadencial, na hipótese, contase a partir da Resolução n.° 82 do Senado Federal, publicada em 19.11.1996. A decadência só ocorreria, portanto, em 19.11.2001, e seu pedido foi protocolizado em 8.8.2001, anteriormente a essa data. Pede seja julgado procedente o seu pedido de restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto (SP), por meio do Acórdão n.° 10.318, de 16 de dezembro de 2005, indeferiu a solicitação da interessada, emitindo decisão com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1991 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. ILL. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos decai no prazo de cinco ano contados da data de extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida. Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário (fls. 58 a 69), no qual, repisando seus argumentos, salienta que o contrato social da pessoa jurídica não prevê a distribuição imediata dos lucros aos sócios e pede que a atualização do seu crédito inclua os expurgos inflacionários cometidos pelo Governo Federal. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu por afastar a decadência, por meio do Acórdão n.º 10617.088, de 12 de setembro de 2008, que contou com a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 431DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10855.002516/200181 Acórdão n.º 2101002.013 S2C1T1 Fl. 368 3 Anocalendário: 1990, 1991 Ementa: ILL – TERMO A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO QÜINQÜENAL DA DECADÊNCIA – SOCIEDADE LIMITADA – DATA DA PUBLICAÇÃO DO ATO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA QUE RECONHECE A VIOLAÇÃO DO DIREITO –SOCIEDADE POR AÇÕES – DATA DA PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL N.° 82/1996 – Contase a partir de 19 de novembro de 1996, data da publicação da Resolução do Senado Federal n.° 82, no caso de sociedades por ações, ou de 25 de julho de 1997, data da publicação da Instrução Normativa SRF n.° 63/1997, no caso de sociedade de quotas de responsabilidade limitada, o termo a quo do prazo decadencial do direito de restituição do ILL pago indevidamente. DECADÊNCIA – PREJUDICIAL DAS DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO – DEMAIS QUESTÕES QUE DEVEM SER APRECIADAS PELAS INSTÂNCIAS DE PISO – Considerando que as instâncias de piso apenas apreciaram a questão decadencial, aqui rejeitando a pretensão do recorrente, agora devese apreciar as demais questões de mérito, pois o processo administrativo fiscal deve sofrer a complementação da instrução probatória, não sendo a Câmara a instância adequada para esta providência. Ademais, caso a Câmara, superando a decadência, como de fato superou, adentrasse nas demais questões de mérito, estaria prolatando decisão de caráter provavelmente definitivo em face do contribuinte, que, caso insatisfeito, dificilmente poderia ter sucesso na admissibilidade do recurso especial de divergência, já que este não serve para reexame da prova. Recurso voluntário provido. A União, representada pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, interpôs recurso especial ante a decisão não unânime proferida, alegando divergência jurisprudencial e ainda que, ao fixar o termo inicial para contagem da decadência marco outro que não a extinção do crédito tributário, a Câmara contrariou o artigo 168, I, c/c o artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. Admitido o recurso e apresentadas as contrarazões, a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestouse, por meio do Acórdão n.° 920200.791, de 14 de abril de 2010 (fls. 179 a 203verso), proferindo decisão cuja ementa a seguir transcreve se: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1990, 1991. ILL. SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratandose de pedido de restituição/compensação de Imposto sobre o Lucro Líquido – ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n.° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n.° 172.058/SC, Fl. 432DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n.° 63, de 25/07/1997, que atribuiu efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte, reconhecendo a não incidência de aludido tributo, ampliando a suspensão daquele dispositivo legal, contemplada na Resolução do Senado Federal n.° 82/1996. Recurso especial negado. Os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba (SP), que, por meio do Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT n.° 628, de 22 de outubro de 2010 (fls. 277 a 280), indeferiu a solicitação da interessada, em decisão assim ementada: Assunto: Pedido de Restituição de ILL Ementa: A suspensão da execução do art. 35 da Lei n.° 7.713/88 prevista na Resolução do Senado n.° 82/1996 não se aplica a sociedades por quotas de responsabilidade limitada nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período base de apuração, previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. – INDEFERIDO. Às fls. 290 a 307 foi apresentada Manifestação de Inconformidade, na qual, reiterando suas razões de defesa, a interessada pede o reconhecimento do direito creditório pleiteado e a homologação das DComp. Seus pedidos, entretanto, não foram acolhidos. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto (SP), emitiu o Acórdão n.° 1432.511 de 10 de fevereiro de 2011, com a ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/04/1991 a 30/09/1992 ILL. SOCIEDADE POR QUOTA DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. RESTITUIÇÃO. Somente é indevida a exigência do imposto sobre o lucro líquido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada quando o contrato social for omisso quanto à distribuição dos lucros ou quando previr, independentemente da manifestação dos sócios, destinação dos lucros outra que não a sua distribuição, por não caracterizar a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro apurado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não se conformando com o resultado do julgamento, a interessada interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nele, mais uma vez, reitera todos os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, ressaltando que o contrato social da pessoa jurídica não prevê, de forma expressa, a distribuição imediata dos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10855.002516/200181 Acórdão n.º 2101002.013 S2C1T1 Fl. 369 5 lucros aos sócios, situação configuradora da exigibilidade do ILL. Pede a reforma da decisão e a aplicação da atualização integral aos seus créditos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. No presente processo, a interessada pleiteou, em 10.8.2001 (fls. 1 e 2), a restituição/compensação do imposto sobre a renda na fonte incidente sobre o lucro líquido, que entende ter recolhido indevidamente, por ter sido sua cobrança declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A discussão inicial travouse a respeito da decadência do direito de pleitear a restituição, questão essa que ficou decidida no Acórdão n.° 920200.791, da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que confirmou os termos do Acórdão n.° 10617.088, de 12 de setembro de 2008, da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Sendo assim, o termo a quo para a contagem do prazo para pleitear a restituição administrativa do pagamento a maior ou indevido, neste processo, é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n.° 63, publicada no Diário Oficial da União, qual seja, 25.7.1997. Diante disso, tendo em vista que o pedido de restituição foi apresentado em 10.8.2001, antes de ocorrida a decadência, os autos retornaram para a unidade de origem para a apreciação do mérito do pedido. A DRF em Sorocaba (SP) não reconheceu o direito creditório da interessada, que também não logrou êxito em seu apelo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 1. Do direito à restituição/compensação do imposto retido na fonte sobre o lucro líquido – ILL A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), ao apreciar a Manifestação de Inconformidade da interessada, não acolheu os argumentos suscitados no tocante à ocorrência de recolhimento indevido do ILL. A Relatora do voto condutor da decisão a quo ressaltou que, quando o contrato social prevê que a destinação do lucro líquido depende de deliberação dos sócios, tal como no caso sob análise, configurase a sua disponibilidade imediata aos sócios. A embasar seu entendimento, invocou a Cláusula 15.ª do Contrato Social da pessoa jurídica interessada, em vigor na época do encerramento dos anoscalendários1990 e 1991. Em sede de recurso voluntário, a recorrente rebate o argumento, afirmando que não havia disponibilidade imediata dos lucros da pessoa jurídica, uma vez que a faculdade prevista no Contrato Social, de serem os lucros distribuídos ou retidos, não representa a disponibilidade dos referidos lucros, de modo a ensejar a cobrança do ILL. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Diferentemente, defende que, nos termos da mencionada Cláusula 15.ª, a distribuição dos lucros depende de deliberação dos sócios; além disso, a própria Instrução Normativa SRF n.° 63, de 1997, exigia a disponibilidade “imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado”. Sendo assim, com base em decisões dos Tribunais e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujas ementas transcreve, entende ter direito à restituição do ILL pago com base no artigo 35 da Lei n.° 7.713, de 1988, declaradao inconstitucional. O denominado ILL – Imposto sobre o Lucro Líquido foi instituído pelo artigo 35 da Lei n.º 7.713, de 1988, o qual estipulou, em seu caput, que o sócio quotista, acionista ou titular da empresa individual ficaria sujeito ao imposto sobre a renda na fonte, à alíquota de oito por cento, com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do períodobase. A Resolução do Senado Federal n.º 82, de 1996, suspendeu, em parte, a execução do dispositivo, no que diz respeito à expressão “o acionista”, isto é, foi declarada a inconstitucionalidade da tributação das sociedades por ações, que são aquelas regidas pela Lei n.º 6.404, de 1976. No caso vertente, contudo, tratase de sociedade limitada, não abrangida pela declaração de inconstitucionalidade. O Supremo Tribunal Federal, em decisão que precedeu a Resolução do Senado Federal n.º 82, de 1996, apreciou a constitucionalidade do artigo 35 da Lei n.º 7.713, de 1988, no tocante às sociedades limitadas, por meio da decisão proferida no Recurso Extraordinário n.º 172.058/SC, de 30.6.1995, cujo Relator foi o Ministro Marco Aurélio: [...] IMPOSTO DE RENDA RETENÇÃO NA FONTE SÓCIO COTISTA. A norma insculpida no artigo 35 da Lei nº 7.713/88 mostrase harmônica com a Constituição Federal quando o contrato social prevê a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, pelos sócios, do lucro líquido apurado, na data do encerramento do períodobase. Nesse caso, o citado artigo exsurge como explicitação do fato gerador estabelecido no artigo 43 do Código Tributário Nacional, não cabendo dizer da disciplina, de tal elemento do tributo, via legislação ordinária. Interpretação da norma conforme o Texto Maior. [...] Desde então, foi publicada a Instrução Normativa da SRF n.º 63, de 1997, que, no seu artigo 1.º, assim determinou: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do períodobase de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. No caso em análise, o Contrato Social vigente na época dos fatos conta com um Artigo 15.°, que assim prevê (fls. 242 e 243): “O exercício social coincide com o ano civil. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10855.002516/200181 Acórdão n.º 2101002.013 S2C1T1 Fl. 370 7 Parágrafo único: Ao fim de cada ano, um inventário do ativo e passivo será feito e o respectivo balanço levantado e os lucros líquidos poderão ser: a) – distribuídos entre os cotistas na proporção de suas cotas, ou; b) – retidos, total ou parcialmente em conta de Lucros em Suspenso ou Reservas da Sociedade, ou capitalizados.” Observase que o Artigo 15° do Contrato Social da pessoa jurídica, acima transcrito, não prevê a distribuição imediata dos lucros aos sócios, de modo a configurar a ocorrência do “fato gerador” do ILL. De modo diverso, estipula que, ao final do exercício social, os lucros, a depender da deliberação dos sócios, pode ter as destinações previstas nas letras (a) e (b) do parágrafo único do referido Artigo. A interessada também comprovou, com a apresentação das Alterações Contratuais promovidas até 1993, que esse Artigo 15.°não sofreu alterações. Sendo assim, no caso sob análise, ficou comprovado que, nas datas de encerramento dos períodos de apuração (anoscalendários) a que se refere o pedido de restituição/compensação integrante dos autos, os sócios não possuíam a disponibilidade econômica ou jurídica dos lucros da sociedade. Isto porque tal disponibilidade dependia de deliberação dos sócios, tal como visto. E, conforme externado pelo Supremo Tribunal Federal, na decisão proferida no Recurso Extraordinário n.º 172.058/SC, de 30.6.1995, corroborada pelo entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consubstanciado na Instrução Normativa SRF n.° 63, de 1997, nas sociedades limitadas, o ILL só é devido nos casos em que, na data do encerramento do períodobase de apuração, o Contrato Social não previa a disponibilidade econômica ou jurídica imediata, ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Nesse sentido também recentes decisões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a exemplo da exarada pela Primeira Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por meio do Acórdão n.° 2801002.086, de 30.11.2011, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1990 a 1992 ILL RESTITUIÇÃO SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Egrégio Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, o contrato social do contribuinte (corroborado pelos documentos contábeis), não previa que os lucros apurados seriam automaticamente distribuídos. Recurso Voluntário Provido. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Pelas razões expostas, entendo que a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, proferida no presente processo, merece reforma, a espelhar o entendimento manifestado neste voto, pelo provimento do recurso, neste quesito. 3. Dos índices de atualização monetária a serem aplicados aos créditos na compensação A interessada pede a restituição dos valores recolhidos correspondentes aos DARF anexados às fls. 18 a 21, alegando pagamento indevido do imposto sobre a renda na fonte sobre o lucro líquido, ante a declaração de sua inconstitucionalidade. Esclareceu, já no pedido inicialmente formulado, especificamente, que tratavase de pedido de restituição/compensação no qual se pleiteava atualização monetária em cujos cálculos fossem incluídos os denominados “expurgos inflacionários” a cada um dos planos econômicos do Governo Federal que desvirtuaram os índices de atualização monetária (vide fls. 16). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto (SP), provavelmente por não ter reconhecido o direito creditório da interessada, não se manifestou acerca do assunto. Em sede de recurso, a interessada reitera o seu pedido para que a atualização monetária aplicada aos créditos tributários a serem restituídos compreenda os tais “expurgos inflacionários” ocorridos a cada um dos planos econômicos do Governo Federal. A utilização dos denominados “expurgos inflacionários” foi matéria tratada no Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601, aprovado pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional em 20.11.2008, que, submetido à apreciação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, foi aprovado, nos termos do despacho publicado no DOU de 8.12.2008, do qual decorreu a expedição do Ato Declaratório n.º 10, de 1.12.2008, do Procurador Geral da Fazenda Nacional (DOU de 8.12.2008). Diante disso, frente ao que preceitua o artigo 42 da Lei Complementar n.º 73, de 1993, as diretrizes constantes do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601, de 2008, vinculam a Administração Federal. Nesse sentido, ficou assim estipulado, nos termos do mencionado Parecer: “19. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pelo Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Por essa razão, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem decidindo de forma favorável a pleitos tais como o deste processo, a exemplo dos Acórdãos n.º 3202000.009, de 13 de agosto de 2009, e n.º 9303001.917, de 8 de março de 2012, cujas ementas transcrevo a seguir: Fl. 437DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10855.002516/200181 Acórdão n.º 2101002.013 S2C1T1 Fl. 371 9 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ADIÇÃO DOS ÍNDICES INFLACIONÁRIOS EXCLUÍDOS PELOS DIVERSOS PLANOS ECONÔMICOS. POSSIBILIDADE. Nos termos da consolidada jurisprudência oriunda dos Tribunais Superiores, já objeto de acatamento inclusive pela Fazenda Nacional – Ato Declaratório PGFN nº 10/2008 – é cabível a inclusão, entre os índices inflacionários aplicáveis para efeito de atualização monetária do indébito tributário postulado em restituição, daqueles expurgados pelos diversos Planos econômicos e que constam da Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal. (CSRF, Acórdão n.º 9303001.917, de 8 de março de 2012, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos) ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/02/1990 a 30/04/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. APLICAÇÃO DE EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN nº 10/2008 é cabível a aplicação, como índices de atualização monetária nos pedidos de restituição/compensação objeto de deferimento na via administrativa, dos expurgos inflacionários previstos na Resolução n 561 do Conselho da Justiça Federal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (CARF, Terceira Seção, 2.ª Câmara, 2.ª Turma Ordinária, Acórdãos n.º 3202000.009, de 13 de agosto de 2009. Rel. Cons. José Luiz Novo Rossari). Ante essas circunstâncias, devemse aplicar ao caso os denominados “expurgos inflacionários” na atualização dos valores de tributo recolhidos indevidamente, a serem compensados com os débitos da interessada. Sendo assim, de acordo com o item 4.1.2.1. do Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal aprovado pela Resolução n.º 134, de 2010, do Conselho da Justiça Federal (que revogou a Resolução n.º 561, de 2007, do CJF): “EXPURGOS INFLACIONÁRIOS Devemse considerar, também, os expurgos inflacionários, IPC/IBGE integral (descontando o BTN ou outro índice utilizado, evitando bis in idem), já consolidados pela jurisprudência, salvo decisão judicial em contrário, nos seguintes períodos: jan/89 = 42,72%; fev/89 = 10,14%; Fl. 438DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 mar/90 a fev/91 = IPC/IBGE em todo o período.” Conclusão Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora ) Fl. 439DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10935.005119/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 18/06/2008 a 19/09/2008
REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS FINANCEIROS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. PRESCRIÇÃO.
O direito à repetição/compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, reconhecido por meio de decisão judicial, prescreve em 5 (cinco anos contados da data do trânsito em julgado da respectiva ação judicial.
DCOMP. DÉBITOS DECLARADOS. HOMOLOGAÇÃO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS.
Os débitos compensados, mediante apresentação de Dcomp transmitidas em datas posteriores às dos vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos à multa de mora e juros moratórios, nos termos da legislação tributária vigente.
PAGAMENTOS INDEVIDOS. FILIAIS. AÇÃO JUDICIAL INTERPOSTA PELA MATRIZ. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO.
A ação judicial interposta pela matriz, visando á repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos, não beneficia as filiais e/ ou os pagamentos efetuados por elas.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-001.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 18/06/2008 a 19/09/2008 REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS FINANCEIROS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. PRESCRIÇÃO. O direito à repetição/compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, reconhecido por meio de decisão judicial, prescreve em 5 (cinco anos contados da data do trânsito em julgado da respectiva ação judicial. DCOMP. DÉBITOS DECLARADOS. HOMOLOGAÇÃO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Os débitos compensados, mediante apresentação de Dcomp transmitidas em datas posteriores às dos vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos à multa de mora e juros moratórios, nos termos da legislação tributária vigente. PAGAMENTOS INDEVIDOS. FILIAIS. AÇÃO JUDICIAL INTERPOSTA PELA MATRIZ. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A ação judicial interposta pela matriz, visando á repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos, não beneficia as filiais e/ ou os pagamentos efetuados por elas. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 18/06/2008 a 19/09/2008 REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS FINANCEIROS RECONHECIDOS JUDICIALMENTE. PRESCRIÇÃO. O direito à repetição/compensação de créditos financeiros contra a Fazenda Nacional, reconhecido por meio de decisão judicial, prescreve em 5 (cinco anos contados da data do trânsito em julgado da respectiva ação judicial. DCOMP. DÉBITOS DECLARADOS. HOMOLOGAÇÃO. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. Os débitos compensados, mediante apresentação de Dcomp transmitidas em datas posteriores às dos vencimentos dos respectivos débitos, estão sujeitos à multa de mora e juros moratórios, nos termos da legislação tributária vigente. PAGAMENTOS INDEVIDOS. FILIAIS. AÇÃO JUDICIAL INTERPOSTA PELA MATRIZ. REPETIÇÃO/COMPENSAÇÃO. A ação judicial interposta pela matriz, visando á repetição/compensação de indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos, não beneficia as filiais e/ ou os pagamentos efetuados por elas. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 51 19 /2 00 6- 85 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Curitiba que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que homologou integralmente as compensações dos débitos fiscais declarados nas Dcomps, objeto deste processo administrativo, com créditos financeiros decorrentes de pagamentos indevidos e ou maior do PIS, nos termos dos Decretos Leis nº 2.445 e 2.449, ambos de 1988, cujo direito à repetição/compensação lhe foi reconhecido na esfera judicial por meio do processo nº 97.60117290/PR, com decisão transitada em julgado em 6 de junho de 2003. Por meio do Despacho Decisório nº 031/2007 às fls. 383/389 (fls. 379/395), a DRF em Cascavel, PR, apurou os indébitos do PIS de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado, no referido processo, e homologou, na íntegra, as compensações declaradas nas Dcomps em discussão. Embora, as todas as compensações declaradas nas Dcomps em discussão tenham sido homologadas pela DRF, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 477/486) contra aquele despacho decisório, alegando razões assim resumidas pela DRJ: “Primeiramente, reclama da exclusão parcial das filiais na apuração do montante a restituir. Salienta que os recolhimentos indevidos a título de PIS foram realizados tanto pela matriz quanto pelas filiais, "uma vez que obedeceram ao comando instituído pelos inconstitucionais Decrelosleis 2.445 e 2.449, ambos de 1988", e que a ação judicial abrange a matriz e as filiais. Diz que a matriz c as filiais são um único contribuinte e que apesar de possuírem recolhimentos descentralizados no período de 07/1989 a 07/1991, respondiam solidariamente por seus débitos. Transcreve jurisprudência e pede a reforma do despacho para o fim de incluir no cômputo dos valores a restituir os indevidos pagamentos realizados pelas filiais no período de 07/1989 a 07/1991. No tópico "Matriz Início das atividades cm 07/1989 06 meses de recolhimento integral a restituir" diz que o auditor fiscal, "embora tenha verificado a existência de recolhimentos indevidos a título de PIS, desde 07/1989, somente iniciou os cálculos dos montantes a serem resumidos, após 06 meses do início das atividades do contribuinte, visto que inexistia base de cálculo, nos lermos da LC 7/70 (base de cálculo: faturamento do 6º mês anterior ao fato gerador)". Aduz, portanto, que os valores recolhidos pela matriz entre 07/1989 a 12/1989 devem ser integralmente ressarcidos. Discorre, também, sobre os débitos compensados em DCTF. Segundo a contribuinte, "a irresignação restringese aos débitos de PIS, nos períodos de apuração de 04/2002 (vencimento em 15/05/2002) a 12/2003 (vencimento em 15/01/2004): e 10/2004 (venc. 12/11/2004) a 12/2004 (venc. 14/01/2005), visto que neste período fora computado multa de 20%, mais juros medidos pela Selic." Fl. 792DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10935.005119/200685 Acórdão n.º 3301001.701 S3C3T1 Fl. 792 3 Afirma que ambas as aplicações são indevidas já que os débitos foram compensados nos seus respectivos vencimentos, por meio das DCTF entregues durante os anos de 2002, 2003, 2004 c 2005. Aduz que as compensações extinguiram os créditos tributários envolvidos, ilidindo a multa e os juros correspondentes. Pede a reforma da decisão. Ao final, pede a reforma do despacho para: a) a inclusão dos pagamentos efetuados a título de PIS no período de 07/1989 a 07/1991, por sc tratar de um único contribuinte; b) a devolução integral dos pagamentos efetuados pela matriz no período de 07/1989 a 12/1989; c) o afastamento da multa cm relação aos débitos dos períodos de apuração 04/2002 a 12/2003 e 10/2004 a 12/2004”. Às fls. 529/536 (fls. 573/580) e às fls. 560/628 (fls. 603/670) foram carreados novas Dcomps em que foram utilizados os mesmos créditos financeiros decorrentes do PIS cujo direito lhe foi reconhecido no referido processo judicial. Em virtude do exposto na manifestação de inconformidade e da anexação de novas Dcomps, a DRF efetuou novos cálculos dos indébitos do PIS e proferiu o Despacho Decisório Complementar às fls. 639/642 (fls. 682/685), homologando em parte as compensações dos débitos declarados, sob o argumento de que parte dos créditos financeiros (indébitos do PIS) já havia prescrita quando da transmissão das Dcomps não homologadas. Cientificada do despacho decisório complementar, a recorrente apresentou nova manifestação de inconformidade (fls. 692/707), alegando razões assim resumidas pela DRJ: “Inicialmente, após breve relato dos fatos, questiona o prazo prescricional considerado pelo fisco. Em tópico específico, denominado de "do prazo para aproveitamento do crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado'' diz que o prazo para requerer ou dar início às compensações é de cinco anos da data do trânsito cm julgado e que iniciado o procedimento de compensação esse prazo acaba suspenso até que o crédito seja integralmente compensado. Afirma que essa interpretação é extraída do contido no parágrafo único do art. 4 o do Decreto n° 20.910, de 1932. Adicionalmente, diz que "a apresentação do pedido administrativo de compensação, caracterizase como execução do julgado, nos termos do artigo 617 do Código de Processo Civil. Assim, o artigo 4o do Decreto n" 20.910/32 prevê expressamente que os requerimentos administrativos são forma de suspensão do prazo prescricional." Prossegue, afirmando que o prazo prescricional dever ser contado a partir da última compensação feita pelo contribuinte, de modo que. "em se tratando de compensações periódicas (mensais), o prazo prescricional se renova a cada mês em que ocorre uma compensação." Chama a atenção, ainda, para o contido no § 10 do art. 26 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004. Aduz, ainda, que o pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada cm julgado é um meio de interrupção do curso da prescrição. A seguir, após transcrever a posição da jurisprudência, pede a revisão do despacho decisório. Nos tópicos seguintes, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade apresentada em 14/08/2007 (fls. 521/527), ou seja, questiona a exclusão parcial das filiais na apuração do montante a restituir, reclama a necessidade de restituição integral dos recolhimentos havidos nos seis primeiros Fl. 793DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 meses de atividades da empresa, chama a atenção para os débitos compensados em DCTF e pede a exclusão dos encargos legais. Ao final, pede a reforma do despacho decisório n° 444/2010 que não homologou as compensações realizadas no período de junho a setembro de 2008, afastandose a prescrição. Pede, ainda, que se encaminhe comunicado de decisão acerca da análise das alegações contidas na manifestação de inconformidade de 14/08/2007 ou que se analise integralmente os termos da manifestação de inconformidade de 06/12/2010, reformandose o despacho decisório e determinandose a reinclusão dos valores indevidamente recolhidos a título de PIS no período de 07/1989 a 07/1991, por se tratar de um único contribuinte, a devolução integral das quantias indevidamente pagas a título de PIS pela matriz, no período de 07/1989 a 12/1989, e o afastamento da multa pela falta de pagamento/compensação, nos períodos de apuração de 04/2002 a 12/2003 e 10/2004 a 12/2004.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 0631.616, datado de 11 de maio de 2011, às fls. 757/772, sob as seguintes ementas: “Período de apuração: 01/07/1989 a 30/09/1995 AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. As dívidas passivas da União, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, seja qual for a sua natureza, prescrevem cm cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem (art. 1º do Decreto n.° 20.910, de 1932). Período apuração: 01/07/1989 a 31/07/1991 MEDIDA JUDICIAL. MATRIZ. EFEITOS DA SENTENÇA PARA AS FILIAIS. Decisão proferida cm medida judicial impetrada somente pelo estabelecimento matriz da empresa, não gera efeitos para as suas filiais, quando não houver centralização de recolhimentos. SUJEITO PASSIVO. INEXISTÊNCIA DE ESTABELECIMENTO CENTRALIZADOR. Não tendo a contribuinte exercido a faculdade de eleger sua matriz como responsável pelo recolhimento da contribuição devida por suas filiais, devem ser considerados tão somente os pagamentos a maior feitos pela matriz, essa detentora da relação pessoal e direta com os respectivos fatos geradores. Período apuração: 01/04/2002 a 31/12/2003. 01/10/2004 a 31/12/2004 VALORES DECLARADOS EM DCTF. Apenas os débitos declarados com saldo a pagar na DCTF constituem confissão de dívida. Período apuração: 01/07/1989 a 31/12/1989 PIS. PAGAMENTOS RELATIVOS AOS SEIS PRIMEIROS MESES DE ATIVIDADE DA EMPRESA. COMPENSAÇÃO. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10935.005119/200685 Acórdão n.º 3301001.701 S3C3T1 Fl. 793 5 PEDIDO DE REVISÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO. FILIAIS. Indeferese o pedido de revisão do despacho decisório quando se constata que os pagamentos de PIS relativos aos primeiros seis meses de atividade da matriz da empresa foram considerados nos cálculos de compensação, tendo inclusive sido apropriados a débitos vencidos de responsabilidade da contribuinte.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 776/787), requerendo sua reforma a fim de que se homologuem as compensações dos débitos declarados nas Dcomps transmitidas entre as datas de 18/6/2008 e 19/9/2008, alegando, em síntese: a inocorrência da prescrição dos créditos declarados naquelas Dcomps; o direito de incluir no montante dos créditos a serem repetidos/compensados os valores pagos indevidamente e/ ou maior pelas suas filiais e o afastamento da exigência de multa e juros moratórios sobre os débitos compensados referentes às competências de abril de 2002 a dezembro de 2003 e de outubro de 2004 a dezembro de 2004. Para fundamentar seu recurso expendeu extenso arrazoado sobre: 1. Do Prazo para Aproveitamento do Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado; 2. Da Exclusão Parcial das Filiais na Apuração do Montante a Restituir; e, 3. Dos Débitos Confessados em DCTF, concluindo, que a transmissão da primeira Dcomp em fevereiro de 2005, antes de decorrido o prazo qüinqüenal, contado da data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu seu direito à repetição/compensação dos créditos financeiros interrompeu a prescrição, nos termos do art. 4º, parágrafo único, do Decreto Nº 20.910, e do art. 26, § 10, da IN SRF nº 460, de 18/10/2004; tem direito à repetição/compensação dos valores recolhidos pelas filiais, tendo em vista que ação judicial proposta pela matriz beneficia também aquelas, pois são uma única pessoa jurídica e um único contribuinte; e, os débitos foram declarados nas respectivas DCTFs transmitidas tempestivamente. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Conforme demonstrado nos autos, o direito à repetição/compensação do crédito financeiro, decorrentes de pagamentos indevidos e/ ou a maior do PIS foi reconhecido à recorrente por meio de ação judicial, mandado de segurança nº 97.60117290/PR, cuja decisão favorável a ela transitou em julgado na data de 6 de junho de 2003. A autoridade administrativa competente apurou o crédito financeiro de conformidade com a decisão judicial, homologou as compensações dos débitos declarados nas Dcomps transmitidas dentro do prazo qüinqüenal, contado da data do trânsito em julgado e não homologou a dos débitos transmitidas depois daquele prazo e, ainda, não reconheceu o direito à Fl. 795DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 repetição/compensação dos recolhimentos efetuados pelas filiais no período em que foram efetuados por cada uma delas, além de cobrar multa e juros de mora sobre os débitos compensados referentes às competências de abril de 2002 a dezembro de 2003 e de outubro de 2004 a dezembro de 2004. Assim, as questões a serem decididas nesta fase recursal são: a) prazo qüinqüenal para se repetir/compensar indébitos tributários cujo direito foi reconhecido na esfera judicial; b) repetição dos valores pagos indevidamente e/ ou a maior pelas filiais em virtude da ação impetrada pela matriz; e, c) incidência de juros de mora sobre os valores compensados. a) Prazo qüinqüenal para se repetir/compensar indébitos discutidos judicialmente. O prazo prescricional da ação para se repetir/compensar crédito financeiro cujo direito foi reconhecido na esfera judicial deve ser contado nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 165, c/c o art. 168, que assim dispõe: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...]. III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II – na hipótese do inciso III do art. 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória.” No presente caso, a decisão proferida na ação ordinária nº 97.60117290/PR que reconheceu o direito de a recorrente repetir/compensar os créditos financeiros declarados nas Dcomps em discussão transitou em julgado na data de 6 de junho de 2003, conforme consta dos autos e reconhecido pela própria recorrente. Assim, nos termos dos dispositivos legais citados e transcritos anteriormente, nas datas de transmissão das Dcomps, entre 18/6/2008 e 19/9/2008, o direito de a recorrente repetir/compensar os valores declarados já havia prescrito. O prazo limite expirou em 6 de junho de 2008. Ressaltamos ainda que, no presente caso, a recorrente não apresentou qualquer Pedido de Restituição (PER) do crédito financeiro Fl. 796DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10935.005119/200685 Acórdão n.º 3301001.701 S3C3T1 Fl. 794 7 Quanto ao disposto no art. 4º, caput e parágrafo único do Decreto nº 20.910, de 1932, não se aplica ao presente caso, mas a dívidas em geral, excluídas as de natureza tributária que são tratadas de forma expressa no CTN, conforme demonstrado anteriormente. Portanto, correta a não homologação das compensações declaradas nas Dcomps transmitidas entre as datas de 18 de junho de 2008 e 19 de setembro de 2008, pela autoridade administrativa competente. b) Repetição dos valores pagos indevidamente e/ ou a maior pelas filiais em virtude da ação impetrada pela matriz. No mandado de segurança a recorrente assim se qualificou: “PEDRO MUFFATO & CIA LTDA. pessoa jurídica, de direito privado, com sede no Município da Cidade de Cascavel, na Rodovia BR 277. km 602, CGC/MF 81.433.765/000117. por seu advogado e bastante procurador, vem mui respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor contra a UNIÃO FEDERAL a presente AÇÃO ORDINÁRIA de acordo com o que a seguir passa a expor: [...].” O CTN, assim define sujeito passivo e contribuinte de tributos: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador: II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” Em conformidade com esse Código, a IN SRF nº 200, de 2002, assim dispõe: “Art. 13. A pessoa jurídica deverá inscrever no CNPJ cada um de seus estabelecimentos, inclusive os situados no exterior. § 1º O estabelecimento é a unidade autônoma, móvel ou imóvel, em que a pessoa jurídica exerce, em caráter permanente ou temporário, atividade econômica ou social geradora de obrigação tributária, principal ou acessória. § 2º Na hipótese de a pessoa jurídica possuir mais de um estabelecimento, a matriz terá o número de ordem igual a 0001, e os demais, denominados filiais, independentemente de outra denominação jurídica, serão numerados em ordem seqüencial a partir de 0002.” Fl. 797DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Do conteúdo destes dispositivos legais, concluímos que, para fins fiscais e/ ou tributários, matriz e filial possuem personalidades jurídicas próprias e são contribuintes distintos de tributos. A obrigação tributária de cada contribuinte deve ser cumprida por ele própria. Não pode o Fisco exigir da matriz tributo não pago pela filial e vice versa. Mutatis mutandis, não pode a filial pleitear a restituição de indébitos tributários decorrentes de tributos que não foi paga por ela e vice versa. A restituição dos indébitos reclamados pela recorrente seria possível se, na ação judicial, ela tivesse pleiteado também os indébitos decorrentes dos pagamentos a maior, efetuados pelas filiais. A título de informação, repetimos as ementas de julgados do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre essa mesma matéria: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INCRA. CONTRIBUIÇÃO DA FILIAL. LEGITIMIDADE ATIVA DA MATRIZ PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. [...]. 2. Em se tratando de tributo cujo foto gerador operouse de forma individualizada, tanto na matriz, quanto nas filiais, não se outorga àquela legitimidade para demandar, isoladamente, em juízo, em nome destas. 3. Os estabelecimentos comerciais e industriais, para fins fiscais, são considerados pessoas jurídicas autônomas, com CNPJ diferentes e estatutos sociais próprios. [...]. 6. Recurso especial improvido. (Recurso Especial n° 681.120SC [2004701246027]. Relator Sr. Min. José Delgado. Primeira Turma do STJ. Julgamento em 17/02/2005). CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL LEGITIMIDADE ATIVA. FILIAL. RECURSO PROVIDO. 1. Quando o feito gerador do tributo operarse de forma individualizada em relação a cada uma das empresas, não pode a matriz, isoladamente, demandar em juízo em nome das filiais, uma vez que, para fins fiscais, os estabelecimentos são considerados entes autônomos. [...]. (Recurso Especial n" 553.921AL [2003/01154030]. Relatora Sra. Min. Denise Arruda. Primeira Turma do STJ. Julgamento em 04/04/2006)” Assim, ao contrário do entendimento da recorrente, a ação judicial impetrada pela empresa matriz, em seu nome, sem fazer quaisquer referências as sua filiais, beneficia somente àquela. c) Incidência de multa e juros de mora sobre os valores compensados Fl. 798DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10935.005119/200685 Acórdão n.º 3301001.701 S3C3T1 Fl. 795 9 A Lei nº 9.430, de 27/12/1996, assim dispões sobre a incidência de multa e juros de mora sobre pagamentos de débitos efetuados a destempo: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Segundo este dispositivo legal, os débitos referentes a tributos federais pagos depois das datas de seus respectivos vencimentos fixados em lei estão sujeitos a multa de juros moratórios. Embora o dispositivo não fale de compensação, esta, de fato, equivale a um pagamento. Ambos extinguem o débito tributário. Toda compensação de crédito financeiro contra a Fazenda Nacional, com débito tributário do mesmo contribuinte, implica repetição do valor do indébito e posterior extinção do débito. No presente caso, os débitos foram compensados a destempo. Assim, estavam sujeitos à multa e aos juros moratórios nos termos do dispositivo citado e transcrito acima. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 799DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 28 /02/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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