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Numero do processo: 13830.720899/2011-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR
O PARECER PGFN/CRJ/Nº 29, de 11 de janeiro de 2016, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988, abrange os valores recebidos a título de aposentadoria, reforma ou pensão, quando beneficiário for portador do gênero patológico "cegueira", seja ela binocular ou monocular, desde que devidamente caracterizada por definição médica, acatando vasta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.
Não há porque se manter o entendimento administrativo, controverso, de que a definição legal de moléstia grave, no caso da cegueira, deve ser interpretada apenas para a cegueira em ambos os olhos.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.506
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR O PARECER PGFN/CRJ/Nº 29, de 11 de janeiro de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988, abrange os valores recebidos a título de aposentadoria, reforma ou pensão, quando beneficiário for portador do gênero patológico "cegueira", seja ela binocular ou monocular, desde que devidamente caracterizada por definição médica, acatando vasta jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Não há porque se manter o entendimento administrativo, controverso, de que a definição legal de moléstia grave, no caso da cegueira, deve ser interpretada apenas para a cegueira em ambos os olhos. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 08 99 /2 01 1- 11 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720899/201111 Acórdão n.º 2202003.506 S2C2T2 Fl. 64 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório o mesmo utilizado por ocasião da Resolução 2202 000.663, desta Turma Julgadora, de 19 de fevereiro de 2016, complementandoo ao final: Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, exercício de 2009, ano calendário de 2008, onde foi exigido o montante de R$ 4.325,35 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75%, e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na "descrição dos fatos" (fl. 11), narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que, confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF, constatou a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 127.247,13, com retenção de imposto na fonte de R$ 24.492,76. Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou primeiro uma SRL (solicitação de retificação de lançamento – fl. 6/8), que foi indeferida, e, posteriormente, Impugnação, onde alega ser portador de moléstia grave (cegueira) definida em lei e por isso beneficiário de isenção tributária. O problema residiria na consideração do que é “cegueira” para fins da isenção pretendida, uma vez que o Laudo Médico aponta que o mesmo tem “cegueira” em apenas um dos olhos e visão normal no outro. O contribuinte aponta que, em caso semelhante, o STJ deferira a pretensão de outro litigante, anexando cópia da decisão. Ao julgar a manifestação da contribuinte, a DRJ São Paulo I/SP disse que a legislação tributária enumera de forma taxativa as patologias que dão ensejo à isenção em questão, sendo incabível estender esse benefício a situações diversas. Esclareceu que a cegueira referida na legislação como moléstia grave para determinar isenção dos proventos de aposentadoria ou reforma, se atendidos os requisitos legais, é a cegueira efetiva do indivíduo, ou seja, aquela pessoa que não é capaz de enxergar, porém, neste caso, conquanto apresente deficiência visual significativa, o contribuinte não é portador de cegueira, já que apresenta perda completa da visão do olho esquerdo e visão normal no olho direito, segundo o código CID apontado no laudo. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720899/201111 Acórdão n.º 2202003.506 S2C2T2 Fl. 65 3 Acrescentou que quanto à decisão judicial invocada, aplicase sobre as questões sob análise e aos sujeitos envolvidos no processo a que se refere, não alcançando os demais sujeitos. Somente as decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e das que foram objeto de Súmula Vinculante, nos termos da Lei nº 11.417/2006, são extensivas a todos. Cientificado dessa decisão em 18/06/2012 (AR na folha 31), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/07/2012 (protocolo na folha 32) onde, em suma, repisa as mesmas alegações da Impugnação. REQUER que seja acolhido seu recurso, cancelandose o débito fiscal reclamado. Por ocasião da resolução supracitada, decidiuse converter o julgamento em diligência a fim de que: ... a Unidade responsável pela autuação intime o contribuinte a apresentar, no prazo legal, documentação inequívoca da data de sua passagem para a reforma/reserva remunerada e para, querendo, manifestarse sobre as considerações feitas nesta resolução. Também, deve a Unidade providenciar a anexação das cópias das DIRPF/2009 do contribuinte, que não localizei nestes autos. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou cópias dos Diários Oficiais do Estado de São Paulo, de 31 de março de 1993, com sua passagem para a "reserva remunerada", por contar com mais de trinta anos de serviço, e de sua "reforma exofficio", para fins de "regularização nos assentamentos", a contar de 29/06/2009. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. Diz a Súmula CARF nº 43: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda Fl. 65DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720899/201111 Acórdão n.º 2202003.506 S2C2T2 Fl. 66 4 que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Com a documentação apresentada pelo contribuinte, não restam dúvidas que os rendimentos no valor de R$ 127.247,13, pagos por São Paulo Previdência SPPREV, e considerados como omissão na Notificação de Lançamento eram provenientes de "reserva remunerada", desde 1993, posteriormente convertida em "reforma exofficio", a partir de 06/2009. O contribuinte os incluiu em sua DIRPF como sendo isentos. Contudo, vejamos que o direito à isenção do imposto de renda aos portadores da cegueira monocular, a ser considerada como inserida no rol legal de "moléstias graves" era ainda questão controversa neste CARF, conforme se pode constatar a partir dos Acórdãos abaixo copiados: Acórdão 210201.30, julgado em 12 de maio de 2011 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. ALCANCE. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer ressalva de que apenas o portador de cegueira total faça jus ao benefício, de sorte que o contribuinte acometido por cegueira parcial também se enquadra no texto legal. Recurso Voluntário Provido Acórdão nº 2301004.630, julgado em 13/04/2016 VISÃO MONOCULAR. PATOLOGIA NÃO INSERIDA NO ROL DE MOLÉSTIAS CONSIDERADAS GRAVES. A previsão legal indica a cegueira como moléstia grave determinante da concessão do benefício da isenção. Cegueira é a patologia que se caracteriza pela ausência do sentido biológico da visão. A visão monocular não subtrai integralmente tal sentido do indivíduo e não se encontra elencada na norma isencional. RecursoNegado Acórdão nº 2201003.014, julgado em 10/03/2016 RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA MONOCULAR. ALCANCE. O legislador tributário, ao estabelecer a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria de contribuinte portador de cegueira, não faz qualquer limitação no sentido de que somente o portador de cegueira nos dois olhos faça jus ao benefício. Assim, o contribuinte acometido por cegueira monocular também se enquadra no dispositivo isentivo. Recurso Voluntário Provido. Acórdão 2802002.795, julgado em 19/03/2014 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA. AUSÊNCIA DE UM OLHO E VISÃO NORMAL DO OLHO REMANESCENTE. CONCEITO LEGAL DE CEGUEIRA. INOCORRÊNCIA. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720899/201111 Acórdão n.º 2202003.506 S2C2T2 Fl. 67 5 LAUDO PERICIAL DE SERVIÇO MÉDICO OFICIAL QUE ATESTA QUE O PERICIANDO NÃO POSSUI A DOENÇA PREVISTA NO TEXTO DA LEI. Para efeito de isenção da lei 7.713/1988, cegueira é um conceito pericial, ao qual não se subsume o caso de ausência de um olho e visão normal do outro, quando as avaliações periciais atestam que a situação do periciando não se amolda à doença prevista na lei. Para fins de isenção, a presença de tal moléstia deve ser reconhecida por laudo pericial como preconizado no art. 30 da Lei9.250/1995. Recurso negado. A título de ilustração, trazemos ainda a consideração do mesmo conceito para fins de isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados): Acórdão 3201001.155, julgado em 28/11/2012 ISENÇÃO. DEFICIENTE VISUAL. VISÃO MONOCULAR. REQUISITOS. Não faz jus à isenção de que trata a Lei nº 8.989, de 1995, com redação dada pela Lei nº 10.690, de 2003, o portador da doença enquadrada na Classificação Internacional de Doenças CID na categoria H54.5, ou seja, cegueira em um olho e visão normal no outro. Recurso Negado. Entretanto, não há mais porque se manter o entendimento de que apenas a cegueira, conceito patológico, em ambos os olhos daria direito à isenção pretendida pelo recorrente, em face da orientação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, observada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e aprovada pelo Ministro da Fazenda. Vejamos: Despacho MF nº sn , de 14 de março de 2016 (Publicado(a) no DOU de 29/03/2016, seção 1, pág. 41 Assunto: Tributário. Isenção. Imposto de Renda incidente sobre os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma, percebidos por portadores de cegueira monocular. Interpretação do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988. Jurisprudência pacífica dos Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação do art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Despacho: Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 29, de 11 de janeiro de 2016, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988, abrange os valores recebidos a título de aposentadoria, Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720899/201111 Acórdão n.º 2202003.506 S2C2T2 Fl. 68 6 reforma ou pensão, quando beneficiário for portador do gênero patológico "cegueira", seja ela binocular ou monocular, desde que devidamente caracterizada por definição médica. (destaquei) NELSON HENRIQUE BARBOSA FILHO Ato Declaratório PGFN nº 3, de 30 de março de 2016 (Publicado(a) no DOU de 08/04/2016, seção 1, pág. 15) Autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que menciona." O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 29/2016, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 29 de março de 2016, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei 7.713, de 1988, abrange os valores recebidos a título de aposentadoria, reforma ou pensão, quando o beneficiário for portador do gênero patológico “cegueira”, seja ela binocular ou monocular, desde que devidamente caracterizada por definição médica”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 1196500/MT, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 04/02/2011;AgRg nos EDcl no REsp 1349454/PR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/10/2013, DJe 30/10/2013; AgRg no REsp 1517703/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/06/2015, DJe 01/07/2015; REsp 1483971/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 11/02/2015; AgRg no AREsp 492.341/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/05/2014, DJe 26/05/2014; AgRg no AREsp 121.972/DF, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/04/2012, DJe 02/05/2012). FABRÍCIO DA SOLLER Considerando tais entendimentos, a motivação apresentada pelo Auditor Fiscal, no lançamento (fl. 06), a comprovação de que o interessado já estava na reserva remunerada desde 1993 e o Laudo Pericial de folha 14, onde se lê que "é portador, desde Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13830.720899/201111 Acórdão n.º 2202003.506 S2C2T2 Fl. 69 7 25/10/2005 de doença de Coats (olho esquerdo CID H54.4) ... cegueira" , VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a Notificação de Lançamento debatida. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 69DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10735.000366/2001-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
IRPJ, CSLL E PIS. LANÇAMENTO. DÉBITOS CONFESSADOS EM PARCELAMENTO NO REFIS. INSUBSISTÊNCIA.
Os débitos confessados no âmbito do Refis, constituidos ou não, foram consolidados tendo por base a data do pedido de formalização do pedido de ingresso no programa. Tendo o contribuinte aderido ao parcelamento antes do início da ação fiscal, não cabe o lançamento de tributos confessados de forma irretratável no programa.
Numero da decisão: 1302-001.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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LANÇAMENTO. DÉBITOS CONFESSADOS EM PARCELAMENTO NO REFIS. INSUBSISTÊNCIA. Os débitos confessados no âmbito do Refis, constituidos ou não, foram consolidados tendo por base a data do pedido de formalização do pedido de ingresso no programa. Tendo o contribuinte aderido ao parcelamento antes do início da ação fiscal, não cabe o lançamento de tributos confessados de forma irretratável no programa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR a preliminar de nulidade e, no mérito, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 03 66 /2 00 1- 37 Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.001 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 4853, de 05 de março de 2004, que julgou parcialmente procedentes os lançamentos relativos ao IRPJ, CSLL e PisRepique, do anocalendário 1.996, levado à efeito pela fiscalização tendo em vista a suspensão de imunidade/isenção da interessada, restando assim ementada a decisão recorrida, verbis: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1996 Ementa: QUESTÃO PREJUDICIAL. IMPUGNAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. A apreciação da impugnação referente ao ato declaratório de suspensão de imunidade constitui questão prejudicial à análise do mérito dos autos de infração lavrados em decorrência do referido ato. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1996 Ementa: ESPONTANEIDADE. CONFISSÃO DE DÉBITOS NO ÂMBITO DO REFIS. Considerase não espontânea a confissão de débitos, feita no âmbito do REFIS, se, no momento da entrega da “Declaração Refis”, a pessoa jurídica encontravase sob fiscalização. Irrelevante, no caso, que a opção pelo programa tivesse sido formalizada antes do início da ação fiscal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 Ementa: IRPJ. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EFEITOS. Declarada a suspensão da imunidade, a entidade sem fins lucrativos fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. IRPJ. DESPESAS OPERACIONAIS. DEDUTIBILI DADE. As despesas que se admitem como dedutíveis, na apuração do lucro real, são aquelas que, além de estarem comprovadas por documentos hábeis e idôneos, também se mostrem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.002 3 IRPJ. DESPESAS DESNECESSÁRIAS. ENCARGOS FINANCEIROS DE EMPRÉSTIMOS REPASSADOS SEM ÔNUS. Consideramse não necessários à manutenção da fonte produtora os encargos financeiros decorrentes de empréstimos contraídos junto a bancos, quando resta demonstrado que os recursos obtidos com tais empréstimos foram repassados a entidades ligadas, sem quaisquer ônus. IRPJ. BENS E DIREITOS DE NATUREZA PER MANENTE DEDUZIDOS INDEVIDAMENTE COMO DESPESA. BENFEITORIAS REALIZADAS EM IMÓVEIS DE TERCEIROS. Os gastos com benfeitorias realizadas em imóveis de terceiros, de valor superior ao mínimo legal, quando impliquem aumento de vida útil superior a um ano, não poderão ser lançados de imediato como despesa, antes devendo ser ativados, para posterior amortização ou depreciação. IRPJ. GLOSA DE DESPESAS. DOAÇÕES. Correta a glosa das despesas efetuadas com doações, quando o sujeito passivo não comprova haver atendido às exigências contidas no art. 13, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1996 Ementa: CSLL. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. As entidades beneficentes de assistência social só terão reconhecida a imunidade quanto à contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 195, § 7º, da CF/1988, quando comprovem haver atendido às condições do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. CSLL. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica aplicase, no que couber, à contribuição social sobre o lucro líquido. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996 Ementa: PIS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DO ART. 195, § 7º, CF/1988. A imunidade tributária a que se refere o art. 195, § 7º, da CF/1988, não abrange a contribuição para o PIS. PIS / REPIQUE. DECORRÊNCIA. O que ficou decidido em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica aplicase, também, ao PIS/Repique, uma Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.003 4 vez que se trata de contribuição calculada como simples percentual do imposto devido. O lançamento realizado, de acordo com o Termo de Verificação Fiscal, além dos valores apurados pela interessada em sua escrituração contábil, como resultado mensal, levados à tributação pelo lucro real por parte da fiscalização, em face da suspensão da imunidade/isenção, incluiu outras infrações apuradas: Despesas Não Comprovadas; Despesas Não Necessárias; Excesso de Despesas Financeiras em Confronto com as Receitas Financeiras; Gastos Ativáveis Deduzidos Como Despesas; e Doações Indedutíveis. Cientificada do lançamento, a recorrente apresentou impugnação, cujas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, verbis: • Preliminar – Da imunidade em relação às contribuições sociais (CSLL e PIS) O art. 32 da Lei nº 9.430/1996, que serviu de fundamento para o ato declaratório de suspensão da imunidade, tem sua aplicabilidade restrita aos impostos sobre renda, patrimônio e serviços, na forma do que dispõe o art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 1988. As contribuições sociais ora questionadas — CSLL e PIS — têm natureza jurídica distinta da dos referidos impostos, logo não poderiam ser alcançadas pelo ato declaratório, até porque são objeto de norma de imunidade diversa, qual seja, a do art. 195, § 7º, da Carta Constitucional. • Preliminar – Da inclusão dos débitos no REFIS A adesão ao REFIS, com a conseqüente inclusão dos débitos no âmbito do referido programa, ocorreu em 30/03/2000 (cfr. recibo fls. 17), antes portanto da lavratura dos autos de infração. Esta circunstância impede não só a aplicação da multa de ofício, mas também o próprio lançamento do tributo por meio de auto de infração, uma vez que a dívida já estava declarada perante o ente tributante. • IRPJ – Item 1 – Despesas não comprovadas Os valores questionados pela Fiscalização representam despesas efetivas e legítimas, conforme documentação anexada à impugnação (docs. fls. 230/247). • IRPJ – Item 2 – Despesas desnecessárias Ao contrário do que afirma a Fiscalização, as despesas questionadas neste item mostramse necessárias à atividade social da Interessada, conforme demonstram os documentos anexados à impugnação (docs. fls. 256/410). Cumpre, ademais, destacar que o conceito de “despesa necessária”, contido no art. 47 da Lei nº 4.506/1964, é específico do regime de apuração do lucro real, não podendo ser aplicado às entidades sem fins lucrativos. • IRPJ – Item 3 – Excesso de despesas financeiras A realização de mútuos civis, de fato, não constitui uma atividadefim da Interessada. Isto não obstante, tais operações não lhe são vedadas, mesmo porque representam atos de gestão de recursos relacionados com as suas atividades. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.004 5 Nem devem causar estranheza os encargos financeiros suportados pela Interessada nos empréstimos tomados junto aos bancos. Examinandose os prazos e as condições dos referidos empréstimos, verificase que as taxas contratadas eram normais ou, até mesmo, inferiores às do mercado. Por fim, a abertura de linhas de crédito a empresas e entidades ligadas insere se na busca de melhor gerência e otimização dos recursos financeiros disponíveis, de modo a proporcionar àquelas entidades condições de bem desempenharem as suas funções. • IRPJ – Item 4 – Gastos ativáveis deduzidos como despesas Como não estava sujeita à tributação do imposto de renda, a Interessada não se preocupou com a distinção entre gastos ativáveis e gastos passíveis de lançamento como despesa. De qualquer modo, em se admitindo a obrigatoriedade da ativação de tais gastos, não pode o Fisco deixar de considerar, na apuração do resultado, os respectivos encargos de depreciação. • IRPJ – Item 5 – Doações indedutíveis As doações questionadas pela Fiscalização ajustamse plenamente às finalidades assistenciais da Interessada. As restrições legais impostas à dedutibilidade de despesas com doações dizem respeito apenas às empresas sujeitas à apuração do lucro real, não se aplicando às entidades sem fins lucrativos. E mesmo que fosse possível aplicar, ao caso concreto, as regras de apuração do lucro real, ainda assim não seria pertinente exigir da Interessada o cumprimento retroativo das condições estabelecidas na Lei nº 9.249/1995. • IRPJ – Item 6 – Tributação do Lucro Real O “superavit” obtido pela Interessada não pode ser tributado como se fosse lucro líquido do exercício. Esta equiparação afronta o art. 108 do Código Tributário Nacional. Mesmo que se pudesse admitir a tributação do “superavit” da entidade, como se lucro fosse, ainda assim o resultado apurado pela Fiscalização não estaria correto, uma vez que não foi levada em consideração a compensação dos prejuízos fiscais de períodos anteriores, nem a compensação das bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro líquido. Registrese, ademais, que o regime de apuração adotado pela Interessada não foi o do lucro real definitivo mensal, como entendeu o Fisco, mas sim o de estimativas mensais, com ajuste anual, conforme manifestado na declaração de adesão ao REFIS (docs. fls. 117/224). • Dos lançamentos decorrentes – CSLL e PIS Os autos de infração da CSLL e do PIS devem ser julgados improcedentes pelas mesmas razões que determinam a invalidade do lançamento principal, referente ao IRPJ. Na hipótese, porém, de ser mantida, no todo ou em parte, a cobrança da CSLL, requerse, ao menos, seja retificada a exigência, a fim de que o valor da referida contribuição seja excluído de sua própria base de cálculo, como também da base de cálculo do IRPJ. Fl. 2048DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.005 6 Entendendo não estarem ainda reunidos todos os elementos necessários para a análise do feito, o colegido recorrido decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que a Interessada fosse intimada a comprovar a necessidade de diversos itens de despesas, bem assim a esclarecer de que forma, e a partir de que bases de cálculo, apurou os débitos declarados no âmbito do REFIS. Em atendimento ao solicitado, a Interessada informou que todos os documentos comprobatórios de despesas já haviam sido juntados ao processo (cfr. resposta fls. 458/464). Quanto aos débitos incluídos no REFIS, apresentou demonstrativo com discriminação dos valores originais dos tributos, bem assim de suas respectivas bases de cálculo (cfr. planilhas fls. 465/467). Finalizados os trabalhos, o Auditorfiscal responsável pela diligência apresentou relatório com suas conclusões (fls. 469/470), ressaltando que a Interessada não trouxe aos autos quaisquer elementos novos que demonstrassem a necessidade das despesas questionadas. Assinalou, por fim, a existência de diferenças entre os débitos declarados pela Interessada no âmbito do REFIS e os valores apurados nos autos de infração (cfr. planilha fls. 468). Complementando a instrução probatória, o relator do processo na primeira instância juntou aos autos informações extraídas dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal, relativas aos débitos incluídos pela Interessada no âmbito do REFIS. Cientificada do acórdão recorrido em 24/06/2004 (efls. 638), a recorrente interpôs recurso voluntário em 23/07/2004 (efls. 644/688), no qual refuta as conclusões do acórdão recorrido na parte em que o lançamento foi mantido e reitera as razões de defesa contidas na impugnação, cuja síntese foi transcrita acima. Ao final do recurso, requer: Diante de todo o exposto, só resta à Recorrente requerer sejam conhecidas e providas as presentes razões, de modo suspenderse o curso do presente processo administrativo, até decisão definitiva nos autos do Processo Administrativo n.° 10735.003175/0011, o qual trata da suspensão da imunidade tributária da Recorrente ou, caso assim não entenda V. Sas., requerse a reforma integral da r. decisão proferida pela 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, afastandose a exigência fiscal relativa ao crédito tributário de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica, relativo ao anocalendário 1996, plasmada no Auto de Infração em comento, bem como seus reflexos, PIS — Repique e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, com o posterior arquivamento dos autos. É o relatório. Fl. 2049DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.006 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. A recorrente alega em preliminar que a suspensão de imunidade não alcançaria as contribuições sociais, uma vez que o art. 32 da Lei nº 9.430/1996, que serviu de fundamento para o ato declaratório de suspensão da imunidade, tem sua aplicabilidade restrita aos impostos sobre renda, patrimônio e serviços, na forma do que dispõe o art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 1988 e que as contribuições sociais ora questionadas CSLL e PIS têm natureza jurídica distinta da dos referidos impostos, logo não poderiam ser alcançadas pelo ato declaratório, até porque são objeto de norma de imunidade diversa, qual seja, a do art. 195, § 7º, da Carta Constitucional. Entendo que as questões relacionadas à suspensão de imunidade estão superadas, uma vez que a própria recorrente ao confessar no âmbito do Refis, de forma irrevogável e irretratável, débitos dos tributos a que estão sujeitas as demais pessoas jurídicas, antes mesmo de ter sua imunidade declarada suspensa pela autoridade administrativa, renunciou tacitamente a qualquer discussão administrativa nesse sentido, conforme analisado no âmbito do processo administrativo nº 10735.003175/0011, julgado por este colegiado, que proferiu o Acórdão nº 1302001.997, de 04 de outubro de 2016, conforme se extrai de sua ementa, verbis: INSTITUIÇÕES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. EMPRÉSTIMOS REPASSADOS A TERCEIROS. O repasse, por entidade imune, de recursos financeiros realizados por meio de empréstimos, sem cobrança juros, para empresas com finalidade lucrativa, viabilizados mediante a obtenção de empréstimos bancários, cujos encargos financeiros são suportados exclusivamente pela entidade imune, caracteriza o descumprimento da obrigação de aplicação integral dos recursos na manutenção dos objetivos institucionais, prevista no art. 14, inciso II, do Código Tributário Nacional, e justifica a suspensão da imunidade. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DÉBITOS INCLUÍDOS NO REFIS. CONFISSÃO IRRETRATÁVEL. RENÚNCIA TÁCITA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Ao confessar no âmbito do Refis, de forma irrevogável e irretratável, débitos dos tributos a que estão sujeitas as demais pessoas jurídicas, antes mesmo de ter sua imunidade declarada suspensa pela autoridade administrativa, ficou caracterizada a renúncia tácita da interessada a qualquer discussão administrativa acerca da imunidade, na medida em que a confissão dos débitos e a apresentação de impugnação contra a suspensão da imunidade representam manifestações de vontade inconciliáveis, havendo que prevalecer aquela manifestada primeiro de forma irretratável. Fl. 2050DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.007 8 Assim, afasto a alegação. Da confissão de débitos no Refis O segundo ponto do recurso referese a alegação da interessada de que havia ingressado em 30/03/2000, no Programa de Recuperação Fiscal Refis, instituído pela Lei nº 9.964/2000, conforme recibo de protocolo (efls. 170), portanto, antes da formalização do lançamento (12/02/2001), o que deveria elidir a sua realização, uma vez que os débitos já estariam devidamente confessados e constituídos. O acórdão recorrido, após analisar a legislação do Refis, entendeu que, como os débitos só foram declarados no Refis em 26/06/2000, quando a ação fiscal já havia sido instaurada, a confissão dos débitos não estava abrigada pelo instituto da espontaneidade e, portanto, não impediria o lançamento, verbis: [...] A questão, como se pode observar, consiste em saber se foi espontânea, ou não, a confissão dos débitos feita pela Interessada no âmbito do REFIS. Neste ponto, peço licença para transcrever alguns dispositivos da legislação tributária pertinentes ao referido programa, notadamente os que dizem respeito ao ingresso no regime e aos procedimentos a serem adotados pela pessoa jurídica com vistas à confissão de seus débitos: [...] Fica claro, da leitura dos dispositivos acima transcritos, que a confissão dos débitos não constituídos considerase efetivada, não no momento da opção pelo REFIS, mas sim no momento da entrega da “Declaração Refis”. Se, na data de apresentação da referida declaração, a pessoa jurídica já se encontra sob ação fiscal, a confissão não pode ser tida como espontânea, uma vez que a espontaneidade do sujeito passivo é excluída pelo início do procedimento fiscal (art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972). Acórdãos recentemente proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes confirmam este entendimento: [...] No caso presente, a ação fiscal teve início em 14/04/2000 (cfr. termo fls. 05). Sendo certo que a Interessada só apresentou sua “Declaração Refis” em 26/06/2000 (cfr. recibo fls. 149), resta evidente que a confissão dos débitos não foi espontânea. Donde se conclui que a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração, ao menos em tese, foi perfeitamente legítima, como igualmente legítima foi a aplicação da multa de ofício. [...] Com a devida vênia, penso que se equivoca a decisão recorrida quanto aos efeitos produzidos pela adesão e confissão de débitos pela recorrente no Refis em face dos lançamentos ora em discussão. Transcrevo abaixo, para melhor elucidar o raciocínio, os mesmos dispositivos da Lei nº 9.964/2000, citados no acórdão recorrido, antes de empreeender a sua análise diante dos fatos ora em discussão, verbis: Fl. 2051DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.008 9 Art. 1o É instituído o Programa de Recuperação Fiscal – Refis, destinado a promover a regularização de créditos da União, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas, relativos a tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, com vencimento até 29 de fevereiro de 2000, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos. ............................................................................................................................. Art. 2o O ingresso no Refis darseá por opção da pessoa jurídica, que fará jus a regime especial de consolidação e parcelamento dos débitos fiscais a que se refere o art. 1o. § 1o A opção poderá ser formalizada até o último dia útil do mês de abril de 2000. § 2o Os débitos existentes em nome da optante serão consolidados tendo por base a data da formalização do pedido de ingresso no Refis. § 3o A consolidação abrangerá todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de ofício, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. ............................................................................................................................. Art. 3o A opção pelo Refis sujeita a pessoa jurídica a: I – confissão irrevogável e irretratável dos débitos referidos no art. 2o; II autorização de acesso irrestrito, pela Secretaria da Receita Federal, às informações relativas à sua movimentação financeira, ocorrida a partir da data de opção pelo Refis; III acompanhamento fiscal específico, com fornecimento periódico, em meio magnético, de dados, inclusive os indiciários de receitas; IV aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas; V cumprimento regular das obrigações para como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e para com o ITR; VI pagamento regular das parcelas do débito consolidado, bem assim dos tributos e das contribuições com o vencimento posterior a 29 de fevereiro de 2000. ............................................................................................................................. Art. 5o A pessoa jurídica optante pelo Refis será dele excluída nas seguintes hipóteses, mediante ato do Comitê Gestor: (...) III – constatação, caracterizada por lançamento de ofício, de débito correspondente a tributo ou contribuição abrangidos pelo Refis e não incluídos na confissão a que se refere o inciso I do caput do art. 3o, salvo se integralmente pago no prazo de trinta dias, contado da ciência do lançamento ou da decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial; Fl. 2052DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.009 10 (grifo nosso) Do exame dos dispositivos acima citados, resta claro que os débitos confessados no âmbito do Refis, constituidos ou não, deveriam ser consolidados tendo por base a data do pedido de formalização do pedido de ingresso no programa. O fato de que os débitos não constituídos deviam ser informados pelo contribuinte até 31 de agosto de 2000, nos termos do art. 4º, § 3º do Decreto nº 3431, de 24/04/20001, condição imposta pelo Poder Executivo para sua inclusão no programa de parcelamento, não altera a disposição legal que estabeleceu que a consolidação teria por base a data de formalização do pedido no Refis. Com efeito, apenas os débitos ainda não constituídos que não tivessem sido informados pelo contribuinte que aderiu ao Refis, até o dia 31/08/2000, poderiam ser objeto de lançamento de ofício, o que poderia, inclusive, ensejar a exclusão da pessoa jurídica optante do Refis. Esta me parece ser a inteligência do art. 5º, inc. III da Lei nº 9.964/2000. Assim, entendo que poderiam ser objeto de lançamento valores que extrapolassem aos tributos já confessados nos respectivos períodos de apuração informados ou para aqueles períodos sem débitos confessados do tributo que viessem a ser constatados pelo Fisco. Examinando os autos e cotejando os valores confessados pela interessada no Refis, anexados pela autoridade julgadora de primeiro grau (efls. 442/468) com os valores constantes da autuação (efls.39/72), devidamente ajustados pelas exonerações promovidas pelo acórdão de primeiro grau, conforme demonstrativos ao final da decisão ( efls. 613/625), constatase a seguinte situação em relação a cada um dos tributos objetos de lançamentos formalizados neste processo: IRPJ jan/96 fev/96 mar/96 abr/96 jul/96 Valor Principal Lançado (mantido pela DRJ) 5.445.118,37 7.876.532,51 2.874.830,64 3.030.699,20 89.587,25 Valor Principal confessado no Refis 15.361.139,64 22.691.508,06 8.157.166,21 8.113.140,51 IRPJ ago/96 set/96 out/96 nov/96 dez/96 Valor Principal Lançado (mantido pela DRJ) 593.276,52 1.056.024,19 457.708,20 678.002,43 14.708.070,02 Valor Principal confessado no Refis 48.212.646,35 1 Decreto nº 3431/2000: Da Formalização da Opção Art. 4° A opção pelo REFIS poderá ser formalizada até 28 de abril de 2000, mediante utilização do "Termo de Opção do REFIS", conforme modelo aprovado pelo Comitê Gestor a que se refere o art. 2º, que será obtido por meio da Internet, nas páginas dos órgãos referidos nos incisos I a III do parágrafo único do art. 2º. § 1º (...) § 2º (...) § 3º Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados pela pessoa jurídica, de forma irretratável e irrevogável, até o dia 31 de agosto de 2000, nas condições estabelecidas pelo Comitê Gestor (redação dada pelo art. 1º do Decreto nº 3.530, de 30/06/2000). Fl. 2053DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.010 11 CSLL jan/96 fev/96 mar/96 abr/96 set/96 dez/96 Valor Principal Lançado (mantido pela DRJ) 1.492.408,20 2.085.539,29 539.374,03 584.849,30 9.273,98 3.618.970,70 Valor Principal confessado no Refis 4.917.279,67 7.257.830,56 2.611.393,51 2.596.711,65 15.427.944,54 PIS jan/96 fev/96 Valor Principal Lançado (mantido pela DRJ) 163.411,45 236.355,97 Valor Principal confessado no Refis 389.067,99 561.266,17 Como se observa das tabelas acima, a interessada informou em diversos períodos valores de tributos (IRPJ, CSLL e PIS) em montantes (valor principal) superiores àqueles constituídos relativos ao ano de 1.996. Assim, devem ser cancelados os lançamento de IRPJ e da CSLL dos períodos de apuração de janeiro a abril e de dezembro de 1996 e do PIS lançados nos meses de janeiro e fevereiro de 1996. No entanto, com relação a diversos períodos de apuração do IRPJ (julho a novembro de 1996) e da CSLL (setembro de 1996), em que a autoridade fiscal apurou valores tributáveis e efetuou o lançamento, a recorrente nada confessou no âmbito do Refis. Desta forma, tais valores constituídos no lançamento podem ser exigidos, salvo eventuais alterações em face dos argumentos de mérito apresentados pela recorrente que serão apreciados na sequência. Das glosas de despesas O acórdão recorrido promoveu uma análise detalhada das despesas glosadas e dos documentos acostados aos autos pela autoridade fazendária e pela recorrente, tendo afastado parcialmente as glosas. Como neste voto, já se reconheceu a necessidade cancelar os lançamentos de IRPJ e CSLL dos meses de janeiro a abril e de dezembro de 1.996, impõese analisar as glosas de despesas que possam impactar a apuração dos períodos em que as exigências desses tributos remanescem. Item 1 Despesas Não comprovadas Com relação a este item não remanescem para análise nenhuma das glosas efetuadas, seja pelas exonerações já efetuadas pelo acórdão recorrido, seja neste voto. Fl. 2054DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.011 12 Item 2 Despesas Desnecessárias Com relação às despesas consideradas desnecessárias pela fiscalização o acórdão recorrido manteve as seguintes glosas, pelos fundamentos transcritos, verbis: Lote 14654, de 24/09/1996 – Conta 372130200.00000000.14000 – Valor: R$ 18.000,00 Lote 10030, de 24/10/1996 – Conta 372130200.00000000.14000 – Valor: R$ 18.000,00 Os documentos anexados à impugnação indicam tratarse de honorários pagos à Corretora Banfort de Câmbio e Valores S.A. por conta da estruturação de lançamento de cotas de um fundo imobiliário (fls. 347/349 e 354/356). Não se discute o fato de que os fundos imobiliários possam ser importantes fontes de captação de recursos. O problema está em saber se o empreendimento imobiliário, em razão do qual o fundo foi constituído, tem relação com os objetivos sociais da impugnante. Ora, bem. Intimada a demonstrar a vinculação entre o empreendimento e suas finalidades institucionais (cfr. Intimação fls. 456), a Interessada não trouxe nenhum elemento esclarecedor. Mantenho, por isso, a glosa. Lote 14549, de 08/08/1996 – Conta 372190200.00000000.14304 – Valor: R$ 13.500,00 Tratase de pagamento feito à empresa Mackenzie Hill Consultoria Imobiliária Ltda, por conta de serviços de avaliação de um imóvel, no caso o Hospital São Lucas (docs. fls. 403/406). Os documentos acostados aos autos não dão a conhecer, em detalhes, o escopo da referida avaliação, nem comprovam a efetividade do serviço prestado. Em se tratando de despesa desta espécie, e de valor relativamente elevado, penso que caberia à impugnante apresentar o contrato firmado com a empresa avaliadora, como também o próprio laudo de avaliação produzido. Considerandose que a Interessada teve chances mais do que suficientes para comprovar a efetividade do serviço prestado ― a última oportunidade, inclusive, já na fase de diligência fiscal (cfr. Intimação fls. 456) ―, e sendo certo que não logrou trazer aos autos qualquer elemento esclarecedor neste sentido, entendo que a glosa deve ser mantida. Lote 28557, de 29/10/1996 – Conta 372110100.00000000.29513 – Valor: R$ 5.348,55 Tratase de pagamento feito em favor da Sra. Maria Paula Nogueira Ávila, a título de “honorários advocatícios” (docs. fls. 287/289). A descrição dos serviços, neste caso, é demasiado genérica, não permitindo ao julgador aferir sua necessidade. Por se tratar de despesa com advogado, entendo que caberia à impugnante apresentar o respectivo contrato de prestação de serviços ou, na sua falta, qualquer peça escrita que evidenciasse a atuação do profissional na defesa de seus interesses. Considerandose que a Interessada teve chances mais do que suficientes para demonstrar a necessidade das referidas despesas ― a última oportunidade, inclusive, Fl. 2055DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.012 13 já na fase de diligência fiscal (cfr. Intimação fls. 455) ―, e sendo certo que não logrou trazer aos autos qualquer elemento esclarecedor neste sentido, entendo que a glosa deve ser mantida. Examinando os elementos dos autos e considerando que a recorrente não apresentou qualquer documento ou mesmo argumento novo que pudesse infirmar as conclusões do acórdão recorrido sobre as referidas glosas, entendo que as glosas devem ser mantidas pelos fundamentos acima transcritos. Assim, nego provimento ao recurso nesta parte. Item 3 – Excesso de despesas financeiras De acordo com o TVF, a recorrente tomava dinheiro emprestado junto a instituições financeiras, pagando juros de mercado, e depois repassava os recursos a entidades ligadas, sem cobrança de juros. Por entender que tais despesas com juros constituíam ato de mera liberalidade, a fiscalização procedeu à sua glosa, no cômputo do lucro real. A recorrente alega que seus estatutos não lhe proíbem conceder empréstimos e que a abertura de linhas de crédito a entidades ligadas tem por objetivo a melhor gerência e otimização dos recursos disponíveis. Esse fatos, que também ensejaram a suspensão da imunidade da recorrente, foram por mim analisados no julgamento do processo administrativo nº 10735.003175/0011, conforme Acórdão nº 1302001.997, nestes termos: No caso concreto, a recorrente alega que não existe vedação legal, nem estatutária, para a concessão de empréstimos a empresas e entidades ligadas e que não sofre qualquer ônus, pois todos os valores emprestados deverão retornar aos seus cofres, posteriormente, para aplicação em suas atividades fins. Assim, não se trata de assunção de despesas que estaria acarretando prejuízos ao desenvolvimento de suas atividades sociais, mas, ao contrário, tratase de receitas a longo prazo, as quais são empregadas no país, ainda que num segundo momento. De fato, eventuais empréstimos, por si só, não seriam suficientes para descaracterizar a sua condição de entidade imune e poderiam, mesmo, serem justificado como "otimização na aplicação dos recursos", como alega a recorrente, passíveis inclusive de geração de receitas (juros) a serem aplicados em suas atividades institucionais. Porém, não é o que se vislumbra no presente caso. O acórdão recorrido bem aponta a realização de vultuosos empréstimos, de longo prazo, a empresas com fins lucrativos, como, p. ex, à Golden Ticket Refeições e Convênios Ltda (empréstimos de mais de 13 milhões de reais em 1996) e à AMICO Assistência Médica a Indústria e Comércio Ltda (empréstimos de R$ 3.000.000,00 em 1996), entre outros. Aponta também que, para fazer face a estes empréstimos a interessada teve que recorrer a vários empréstimos de curto prazo junto à diversas instituições financeiras, pagando juros de mercado, enquanto não imputava nenhum juros aos empréstimos concedidos. Vale trazer, novamente, à transcrição excertos do voto condutor do acórdão recorrido, já citados no relatório, que bem descrevem a situação, verbis: Fl. 2056DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.013 14 Vêse que, ao contrário de propiciar a obtenção de receitas que poderiam ser aplicadas em seus objetivos institucionais, tais empréstimos geraram expressivas despesas com juros (superiores a doze milhões de reais), em claro desvirtuamento da finalidade social da recorrente. Percebese, claramente, a utilização da entidade, beneficiária da imunidade constitucional, para a geração de ganhos em empresas voltadas à finalidade lucrativa, que se beneficiaram dos recursos financeiros a elas repassados pela interessada, mediante empréstimos, deixando todos os encargos financeiros na obtenção desses recursos (empréstimos bancários) para serem suportados pela recorrente. Resta, assim, evidente que parcela significativa dos recursos da interessada foram aplicadas em detrimento de seus objetivos institucionais. Os dados apresentados pela fiscalização demonstram que a recorrente assumiu encargos financeiros sobre empréstimos tomados junto a instituições financeiras que foram repassados a empresas ligadas sem juros, deixando patente a liberalidade na assunção desses encargos, sem qualquer benefício para a manutenção de suas atividades. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento nesta parte. Item 4 – Gastos ativáveis deduzidos como despesas Os valores glosados pela fiscalização neste item se referem a benfeitorias realizadas em imóveis de terceiros, computadas nas apurações dos meses de março e dezembro de 1996. Tendo em vista que este relator propugnou neste voto o cancelamento integral dos lançamento do IRPJ e CSLL desses períodos, resta prejudicada a análise dessas glosas. Item 5 – Doações indedutíveis A autoridade fiscal glosou as despesas efetuadas pela Interessada a título de filantropia, por entender que as mesmas não atendiam aos requisitos de dedutibilidade previstos no art. 13, inciso VI, e § 2º, da Lei nº 9.249, de 26/12/19952. 2 Lei nº 9.249/1995: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (...) VI das doações, exceto as referidas no § 2º; ............................................................................................................................. § 1º (...) § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: Fl. 2057DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.014 15 A recorrente alega que as doações com filantropia estão relacionadas com as suas finalidades assistenciais. Argumenta, ainda, que as restrições legais impostas à dedutibilidade de despesas com doações dizem respeito apenas às empresas sujeitas à apuração do lucro real, não se aplicando às entidades sem fins lucrativos. Pondera, afinal, que não seria cabível lhe exigir o cumprimento retroativo das condições estabelecidas na Lei nº 9.249/1995. O acórdão recorrido analisou a questão sob a ótica da legislação aplicável às dedutibilidade de doações, verbis: Não assiste qualquer razão à Interessada. Declarada a suspensão da imunidade quanto ao imposto de renda, a entidade sem fins lucrativos fica sujeita às mesmas regras de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Donde se conclui que as restrições impostas pelo art. 13, § 2º, da Lei nº 9.249/1995 são perfeitamente aplicáveis às doações efetuadas pela impugnante. E nem se alegue aplicação retroativa da Lei nº 9.249/1995. O lançamento, como é bem sabido, reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente (art. 144, caput, do CTN). Sendo certo que a Lei nº 9.249/1995 entrou em vigor em 27/12/1995, data de sua publicação, não resta dúvida de que irradiou seus efeitos sobre os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1996. Finalmente, do ponto de vista da legislação tributária, pouco importa que as doações efetuadas pela Interessada estivessem relacionadas, ou não, com suas finalidades assistenciais. O que interessa saber, afinal, é se as referidas doações atendiam às condições de dedutibilidade previstas no art. 13, § 2º, da Lei nº 9.249/1995. Ora, no caso em questão, a Interessada foi expressamente intimada a comprovar que suas doações com filantropia atendiam aos requisitos legais (cfr. Anexo III, fls. 160/161). Considerandose que a entidade fiscalizada não trouxe nenhuma documentação comprobatória a respeito, nem no curso da ação fiscal, nem tampouco na fase impugnatória, mantenho a tributação quanto ao presente item. Não tenho reparos às conclusões do acórdão recorrido quanto ao ponto ora analisado. Assim, tendo em vista que foram apuradas glosas de doações com relação a todos os meses do anocalendário 1996 e, em face do cancelamento dos lançamentos de IRPJ e CSLL dos períodos de apuração de janeiro a abril e de dezembro de 1996, devem ser mantidas as glosas efetuadas do período de maio a novembro de 1.996. CONCLUSÃO a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Fl. 2058DF CARF MF Processo nº 10735.000366/200137 Acórdão n.º 1302001.998 S1C3T2 Fl. 2.015 16 Ante a todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigências de IRPJ e CSLL lançadas relativas aos períodos de apuração de janeiro a abril e dezembro de 1.996 e do PIS dos períodos de apuração de janeiro e fevereiro de 1.996. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 2059DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.721456/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALUGUÉIS.
Atestado, por documentos de lavra da administradora de imóveis, que os aluguéis tidos por omitidos não foram percebidos pelo contribuinte, não prospera a infração de omissão de rendimentos que lhe foi imputada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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ALUGUÉIS. Atestado, por documentos de lavra da administradora de imóveis, que os aluguéis tidos por omitidos não foram percebidos pelo contribuinte, não prospera a infração de omissão de rendimentos que lhe foi imputada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 56 /2 01 2- 24 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso para darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10882.721456/201224 Acórdão n.º 2402005.446 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) DRJ/SP1, que julgou parcialmente procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), alterando o saldo de imposto de renda a pagar do anocalendário 2004 de R$ 1.925,89 para o montante de R$ 4.780,39 (fls. 16/20), face à apuração de omissão de rendimentos de aluguéis, no valor de R$ 20.417,06. Na impugnação de fl. 3 o contribuinte alega, em síntese, que não houve omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física; ocorreu erro na informação da DIMOB que ao invés de apontar rendimentos recebidos de pessoa jurídica, indicouos como sendo de pessoas físicas; que os rendimentos recebidos de aluguéis de pessoa jurídica foram declarados pelo contribuinte; junta declaração emitida pela imobiliária Palaia Administradora Imobiliária. O lançamento foi parcialmente reformado pela instância de primeiro grau, restando o valor de R$ 4.631,50 como omissão de rendimentos de aluguéis (fls. 37/40). O contribuinte interpôs recurso voluntário em 21/3/2013 (fls. 45/70), afirmando que recebeu da fonte pagadora Scan Diagnósticos não R$ 9.151,92, consoante consta na Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), mas sim metade desse valor, R$ 4.575,96, sendo a outra metade paga a sua esposa, do que se conclui que não procede a omissão de rendimentos apontada. Junta documentos. Mediante a prolação da Resolução nº 2402000.548, em 11/5/2016, o feito foi convertido em diligência para que fosse juntada a DIRPF do contribuinte, relativa ao ano calendário examinado. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso já foi conhecido por esta Turma, sendo que, nesse contexto, cabe transcrever as razões anteriormente expostas por este relator no bojo da Resolução nº 2402 000.548: Com efeito, o notificado trouxe ao julgamento de segundo instância declaração da locatária Scan Diagnósticos por Imagem S/C Ltda., CNPJ nº 02.882.571/000122, asseverando que a ele pagou R$ 4.575,96 a título de aluguéis, e de outra parte R$ 4.575,96 também a esse título à Rosângela Cravo Roxo de Campos, CPF Nº 672.713.57872, esposa do recorrente. Além disso, juntou também declaração da administradora dos imóveis, corroborando tais assertivas (fls. 49/50). Os contratos de locação que lastrearam tais recebimentos foram colacionados aos autos, indo ao encontro da versão dos fatos tal como narrada pelo contribuinte (fls. 55/68). Não obstante, mesmo considerando tais documentos, o fato é que existe a possibilidade de que o notificado tenha entregue sua DIRPF/2005 optando pela tributação conjunta dos seus rendimentos com o de sua esposa, nos termos regrados pelo caput do art. 8º do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99): Art.8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. §§ 1º a 3º (omissis) Assim sendo, ainda que os R$ 4.575,96, tidos como por ele omitidos, tenham sido pagos de fato e de direito a sua esposa, se a DIRPF/2005 se tratar de declaração conjunta, cabia ao contribuinte oferecer também tais valores à tributação pelo imposto de renda no ajuste anual. Todavia, não se encontram nos autos dita declaração, o que obsta o conhecimento da situação de fato relativa à opção pela declaração conjunta. Proponho então, a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para fins de que a unidade de origem junte aos autos a Declaração de Ajuste Anual do contribuinte relativa ao exercício 2005. Dita DIRPF/2005 foi juntada pela Delegacia de origem às fls. 79/83, podendo ser verificado que nela não foi incluída a cônjuge como dependente do declarante, tampouco informados rendimentos daquela na declaração. Por conseguinte, temse como escorreito o oferecimento à tributação, por parte do contribuinte, de R$ 4.575,96, a título de aluguéis recebidos da locatária Scan Diagnósticos por Imagem S/C Ltda, não havendo falar em omissão de rendimentos no particular. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10882.721456/201224 Acórdão n.º 2402005.446 S2C4T2 Fl. 103 5 Ante o exposto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 26/08/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 02/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 13603.000099/99-51
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 101-02.344
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Consellio de
. Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em Diligência, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente Julgado.
Nome do relator: Sebastião Rodrigues Cabral
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Recurso n.o. Matéria: Recorrente Recorrida Sessão de Resolução 1603.000.099/99-51 118.965 IRPJ E OUTROS - EXERCÍCIO DE 1992 BMG LEASING, S. A. - ARRENDAMENTO MERCANTIL D. R. J. EM BELO HORIZONTE - MG 21 de fevereiro de 2001 101-02.344 •• RESOLUÇÃO N° 101-02.344 , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BMG LEASING S.A. - ARRENDAMENTO MERCANTIL ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Consellio de . Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em Diligência, nos termos do Relatório e Voto que passam a integrar o presente Julgado. ~ ~- ED ONPE-- RESIDE TE SEBASTIÃ RELATOR-- FORMALIZADO EM: 26 MAR 2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Consellieiros: KAZUKI SHIOBARA, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, SANDRA MARIA FARONI, RUBENS MALTA DE SOUZA CAMPOS FILHO (Suplente convocada), LINA MARIA VIEIRA e CELSO ALVES FEITOSA. RELATÓRIO E VOTO Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 . As irregularidades apuradas pela Fiscalização, que ensejaram os lançamentos de oficio, encontram-se assim descritas no Auto de Infração lavrado na área do I.R.P.J.: %MULTA75"i 2 VALOR APURADO 1.125.404.349,61 "1 - OMISSÃO DE RECEITAS OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de receita no montante de Cr$ 1.961.354.704,49 apurada conforme Termo de Verificação Fiscal, peça integrante do presente Auto de Infração, caracterizada em função da não aceitação dos lançamentos contábeis escriturados como "Lançamentos de Ajustes" ou "Reclassificação contábil", que do ponto de vista fiscal extrapolam acréscimos elou decréscimos das contas relativas a Operações de Arrendamento Mercantil quando para efeito da análise segregamos as contas por sua natureza em credoras e devedoras. EXERCíCIOOU FATO GERADOR 06/1992 o presente Processo originou-se de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente em 14/05/97, nas áreas do I.R.P.J. (fls. 300/304) e Contribuição Social sobre o Lucro (fls. 308/313) Finsocial Faturamento (fls. 314/318) e Programa de Integração Social (fls. 319/323). BMG LEASING S.A - ARREDAMENTO MERCANTIL, pessoa juridica de direito privado, inscrita no C.N.P.J. - MF sob o n.o 34.265.561/0001-34, não se conformando com a decisão proferida pelo Delegado da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - MG que, apreciando sua impugnação tempestivamente apresentada, manteve, parcialmente, os O"édito~tributários formalizados através dos Autos de Infração abaixo identificados, recorre a este Conselho na pretensão de reforma da mencionada decisão da autoridade julgadora singular. . ' '", ~ ", _ .. - ~. . .•.•~ .:~,;;::;:.: ~.~"~ - - - . ~ - - --~- -------------~'-- Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigos 157 e parágrafo 1°; 174; 175; 178; 179; 387; inciso 11 do RIR/80, Lei 6.099/74, Lei 7.132/83 e Portaria MF 376-EI76, 567/78 e 140/84. 2 - OUTROS RESULTADOS OPERACIONAIS. GLOSAS DE VARIAÇÕES MONETÁRIAS PASSIVAS Glosa Variação Monetária decorrente da diferença a maior do Lucro Inflacionário, resultando em Redução da Provisão Imposto de Renda Sobre Lucro Inflacionário Diferido, acarretando em repercussão, despesa ilegítima a título de Variações Monetárias Passivas." •• Conforme cópias Auto de Infrâção, processo 13.603-000.790193-11 e 13.603- 000.689/95-41, e respectivos Termos de Verificação Fiscal, cujas cópias constituem peças integrantes do presente lançamento, pelas fls. 98 a 148, na determinação do lucro real, relativo aos periodos base de 1989 e 1990, ficou caracterizada e formalizada a autuação por Diferimento a maior de Lucro Inflacionário, tal implicando a retificação de ofício dos valores declarados no Anexo 2 e Quadro 14 da Declaração Rendimentos, referentes ao Lucro Inflacionário Realizado, Lucro Inflacionário do Período Base - Parcela Diferível e por conseqüência no saldo do Lucro Inflacionário Acumulado a Tributar (registrado no LALUR, fls. 84 e 89) para os valores registrados nos subitens IV.c e IV.d do Termo de Verificação Fiscal, cópia fls. 108 e subitens V.II.5 e V.II.6 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 147 importando para a devida caracterização dos fatos, base para o presente lançamento, destacar que o lançamento do Lucro Inflacionário Diferido a maior resultou na retificação do saldo do Lucro Inflacionário a tributar em 31.12.90 de Cr$ 2.297.024.725,5 para Cr$ 654.958.774,99 (= saldo conforme item V.II.6, fls. 147 = 1.415.514.966,05 - 760.556.191,26). Portanto de tal decorre também a retificação de ofício da PROVo IRPJ si LUCRO Inflacionário, logo: ". Saldo Lucro Inflacionário Acumulado em 31.12.90 retificação de oficio Cr$ 654.958.774,99 - Provisão IRPJ si saldo Lucro Inflacionário Retificação de oficio Cr$ 291.626.205,73 O diferimento a maior do Lucro Inflacionário acarretou a constituição de uma Provisão, IRPJ Diferido a maior e por via de conseqüência, em redução da Provisão IRPJ si Lucro Real na proporção sobre a determinação do resultado do período base de 1991, na medida em que também ficou majorada a despesa apropriada a esse resultado a título 1 3 Segregação Ajuste Circular BACEN N° 1.429/89 Variação Monetária Passiva, em contrapartida da atualização da referida Provisão IRPJ majorada, logo: Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 %MULTA 75,00 VALOR APURADO 3.587.876.433,30 EXERCÍCIO OU FATO GERADOR 1992 •• Pelo ADN 34/87, os procedimentos decorrentes dos ajustes CTRC, BACEN 1.429/89, não poderão alterar os efeitos tributários, decorrentes da aplicação dos atos legais que disciplinam a determinação do Lucro Real das Sociedades de Arrendamento Mercantil (Leis 6.099/74, 7.132/83 e Portarias MF 376-E/76, 567/78 e 140/84) portanto, devendo ser segregados contabilmente. 3- AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO. ADIÇÕES ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO LUCRO REAL - Saldo 31.12.90 Provisão sI Lucro Inflacionário retificada de oficio Cr$ 291.626.205,73 Variações Monetárias Passivas a apropriar Cr$ 1.390.544.971,11 (291.626.205,73/103,5081) x 597,06 - 291.626.205,73 Variações Monetárias Passivas apropriadas em contrapartida atualização Prov. sI IRPJ Conta 0200494300020027 (cópias Razão, fls.) Cr$ 4.978.421.404,44 Variações Monetárias Passivas glosadas Cr$ 3.587.876.433,30 No exercício 1992, período base 1991, apuramos os seguintes valores, que não foram segregados na determinação do Lucro Real: Variações Monetárias Ativas: - Variação Monetária Ativa decorrente atualização Crédito tributário - conta 188250020017 Cr$ 464.655.968,07 - Crédito Tributário Correção Monetária Complementar Lei 8.200/91- conta 188250020042 Cr$ 2.306.349.904,14 - Crédito Trib., !'rejo Fiscal- conta 188250020042 Cr$ 788.911.783,36 Total Variação Monetária Ativa a Excluir Cr$ 3.559.917.655,57 ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigos 157 e parágrafo l°; 191 e parágrafos; 254, inciso 11e parágrafo único; e 387, inciso I; do RlR/80. Correção Monetária do Balanço: Débito referente Correção Monetária Insuficiência Depreciação - conta 232400050010 Cr$ 1.381.404.395,45 - Débito Correção Monetária Especial Insuficiência Depreciação - conta 23240005005: Cr$ 5.185.125.469,15/ Total Correção Monetária devedora a adicionar Cr$ 6.539.529.864,60 A decisão singular assim resume a peça de impugnação: Quanto às exigências decorrentes verifica-se haverem sido exigidas: •••• %MULTA 75,00 VALOR APURADO 2.979.612.209,03 AJUSTE LUCRO REAL - ADIÇÃO CR$ 2.979.612.209,03 EXERCÍCIO OU FATO GERADOR 1992 CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL - PIS A infração enunciada no item I relativo ao imposto de renda da pessoa jurídica. Enquadramento legal: art. 3°, alinea "b", da Lei Complementar nO7/70; art. I0, ~ único, da Lei Complementar n° 17/73; art. 2°, inciso IV, alinea "b", da Lei n° 8.218/91."", Tendo sido intimado em 14 de maio de 1997, em 13 de junho de 1997 o sujeito passivo contestou todos os lançamentos, mediante instrumentos de impugnação separados, um para cada dos autos de infração sobreditos. Compendiam-se adiante suas razões. Haja vista que a peça que versa na exigência de imposto de renda da pessoa jurídica encerra inteiramente o conteúdo das demais, salvo a referência a legislação específica de cada tributo, o resumo seguinte, naquela baseado, sem incorrer em reiterações desnecessárias, vale para todas. O impugnante, após reproduzir passagens do auto de infração, censura a sua autora, por ter mencionado de forma genérica e imprecisa legislação supostamente infringida. Isto contraria o disposto no art. lO, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Esclarece que os lançamentos qenominados "ajustes de saldo" têm a finalidade de demonstrar, no final de cada mês, que os valores contabilizados nas contas patrimoniais estão perfeitamente ajustadas ao estado atual dos diferentes contratos de arrendamento em andamento. Não representam efetivos ajustes, pois constituem meras reclassíficações contábeis , =0"",", , ~I~ do ""~ ';'_ =""",,",~__ , i ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigos 154; 157, parágrafo 1°; 173; 242; 243; e 387, inciso I, do RIRl80" CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL A infração enunciada no item I relativo ao imposto de renda da pessoa jurídica. Enquadramento legal: art. 1°, ~ 1°, do Decreto-lei nO 1.940/82; arts. 16, 80 e 83 do Regulamento do FINSOCIAL, aprovado pelo Decreto n° 92.698/86. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O L'BCRO As infrações enunciadas nos itens I e II relativos ao imposto de renda da pessoa jurídica. Enquadramento legal: art. 23 da Lei n° 8.212/91. Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 ! I Processo nO. Resolução nO. :13603.000 .099/99-51 :101-02.344 " resultado do perfodo-base. Provavelmente decorrem da nomenclatura as suspeitas da fiscalização, visto que no linguajar contábil a palavra "ajuste" se associa a contrapartida no resultado do exercício, mas não é esse o caso dos ajustes de que se trata. Os lançamentos contábeis estão corretos, e, se assim não os reputou a autoridade fiscal, foi por falta de análise das respectivas contrapartidas. Estas comprovam sua condição de mera reclassificação de valores que se não devem comunicar ao resultado do perfodo-base, do contrário se estariam lançados em dobro valores relativos a arrendamentos a receber já vencidos. Esses 'valores, consoante inciso I da Portaria nO 140/84, só devem ser apropriados ao resultado quando passam a ser exigíveis contratualmente do arrendatário . ..................................................................................................................... Figura um exemploacompleto de lançamento, discriminando as diversas contas que dele particípam e atribuindo-lhe valores hipotéticos. -..., ...................................................................................................................... Argüi que a autora do feito, para formar sua opinião, selecionou registros aleatórios, atendo-se a suas contrapartidas somente em alguns casos, e ainda assim de forma parcial . ..................................................................................................................... Argumenta que, à luz do art. 43 do Código Tributário Naciona~ o qual define a hipótese de incidência do imposto de renda, em momento algum os lançamentos dos "ajustes de saldo" em causa inibem o surgimento da obrigação tributária. Tampouco importam aquisição de disponibilidade econômica nem acréscimo patrimonial. Não caracterizam, enfim, omissão de receita. Cita Alfredo Augusto Becker, para afirmar que, por falta dos pressupostos legais, os valores relativos às reclassificações não devem compor a base de cálculo do imposto de renda. E para eliminar qualquer incerteza a respeito da lisura do procedimento da empresa, apresenta uma análise abrangente dos saldos das contas que envolvem operações de arréndamento mercant~ salientando as contas de arrend~mentos a receber e rendas a receber. Propõe-se também combater o raciocínio dedutivo empregado pela autora do feito, o qual a tem levado a cometer o seu erro de interpretação. A jurisprudência do Conselho de Contribuintes não aceita como meio de prova o raciocínio dedutivo para caracterização de omissão de receita . .................................................................................................................... . Para comprovar a adequação dos registros contãbeis controversos, anexa à impugnação um quadro em que se demonstra, mês a mês, a conciliação das contas em causa com os relatórios de informática. Proporciona então, selecionando os dados de janeiro como amostra, explanações a respeito de como interpretar o quadro . ...................................................................................................................... No tocante à acusação de que teria sido contabilizada variação monetária passiva excedente, argumenta que, não importa qual a apreciação que se faça da provisão para o imposto de renda sobre o lucro inflacionário, o comportamento da empresa é legítimo. É que a constituição da provisão, ao reduzir o resultado do exercício, reduz em igual montante a correção monetária do balanço que se ap~aria no exercício seguinte. A variação monetáriy Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 passiva computada neutralizou os efeitos da "correção monetária devedora do resultado". O fisco apenas aponta as conseqüências que justificam a autuação. Mas ainda que tal despesa fosse indevida, em seu lugar devia ser contabilizado, em valores idênticos, o efeito de correção monetária devedora do balanço encerrado no ano anterior e irregularmente diminuído. Considerando as ementas de dois acórdãos do Conselho de Contribuintes, conclui-se, por analogia, que também é esse o entendimento do órgão. Igual opinião expressa a ementa do Parecer Normativo CST n° 07, de 16 de agosto de 1985. Em nenhuma hipótese a variação monetária passiva poderia sujeitar-se à glosa fiscal. Enfim, a imputação de provisão indevida de imposto de renda somente poderia ser verdadeira caso o processo administrativo relativo à autuação anterior já se tivesse encerrado com a aprovação do trabalho fiscal. Pondera, a respeitll..da terceira infração constante da peça fiscal, que é fruto da falta de compreensão dos fatos pela autora do feito. Ela nã~teria formalizado a exigência, se tivesse notado que a conta 6.181.0002.20059 - Correção Especial Lucros Prejuízos Acumulados - engloba todos os efeitos decorrentes da correção monetária complementar relativa à diferença entre o IPC e o BTN, inclusive o saldo credor da correção monetária da Lei nO 8.200, malgrado ter a referida conta apresentado saldo final devedor. Reputa descabido o entendimento da agente fiscal, para a qual a correção monetária, a comum e a especial, das contas de insuficiência de depreciação deveria ser adicionada ao lucro líquido na apuração do lucro real. No final das contas, em que pese a todas as demais alegações do termo de verificação fiscal, é nessa opinião que se baseia o terceiro item do auto de infração. A Circular BACEN nO1.429, de 20 de janeiro de 1989 regula a determinação das superveuiências e insuficiências de depr~ciação. De acordo com o Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional - COSIF, as contas de superveuiência e insuficiência integram o Imobilizado de Arrendamento, subdivisão do Ativo Permanente. O art. 4° do Decreto nO332, de 04 de novembro de 1991, manda corrigir, por ocasião da elaboração do balanço patrimonial, todas as contas do ativo permanente, ente outras. Além da correção normal, também a complementar, atinente à diferença entre o IPC e o BTNF, deveria seguir as mesmas regras, salvo no concernente à forma de sua tributação. Por fim, a legislação fiscal não restringia a dedução de nenhuma despesa decorrente da' correção monetária de balanço, nem quando se tratasse de empresa de arrendamento mercantil. Por conseguinte, o fisco, não aplicando corretamente a legislação, confundiu as normas prescritas para o lançamento originário das superveuiências e insuficiências com suas respectivas correções monetárias. Aquelas são não tributáveis e indedutíveis, e assim foram tratadas pela empresa; estas são perfeitamente dedutíveis ou tributáveis. Tal afirmação é confirmada pela falta de previsão legal que a contrarie. 0.0.0.0 ••••••••••• 0.0 •••• 0.0 ••••••••••••••••••••••••••••• 0.0 •••••••••• 0.0 •••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 0.0. Apreciando a impugnação apresentada, o Dd. Delegado da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - MG, julgou a Ação Fiscal parcialmente procedente, consoante Decisão de fls. que ostenta a seguinte ementa:1 7 Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 "IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURíDICA E OUTROS ARRENDAMENTO MERCANTIL - OMISSÃO DE RECEITAS - Redução não justificada dos saldos das contas que registram as rendas futuras com operações de arrendamento mercélntilcaracteriza omissão de receitas. VARIAÇÃO MONETÁRIA - PROVISÃO CONSTITUíDA EM PERíODO ANTERIOR - Admite-se a dedução, como despesa de variação monetária, do valor decorrente da atualização monetária de provisão constituida em exercício anterior, ainda que indedutível a despesa com sua própria constituição, mas é ilegitima a dedução da importância resultante da atualização da parte da provisão calculada.rrônea ou indevidamente. AJUSTES DETERMINADOS PELO BANOO CENTRAL - CORREÇÃO MONETÁRIA - Às instituições financeiras é permitido adaptar a escrituração às normas do Banco Central. Mas se a adaptação implicar apuração de resultado diferente do prescrito pela legislação tributária, tanto a respectiva diferença como a sua correção monetária devem ser segregadas em contas de ajuste, de sorte que não se reflitam no lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES - Se nenhuma razão de ordem juridica lhes recomenda tratamento diverso, e tendo todos por substrato os mesmos fundamentos materiais, o julgamento do lançamento de imposto de renda da pessoa jurídica aproveita aos lançamentos ditos dele decorrentes. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Os fimdamentos apresentados pela R. Autoridade a quo estão expostos na Decisao, às fls.... , cujos trechos principais transcrevemos a seguir: "Antes de contestar a veracidade da primeira acusação que lhe faz a peça fiscal, o impugnante queixa-se que esta, em vez trazer a discriminação individual dos artigos infringidos, contém menção genérica de textos legais, o que ofenderia o disposto no art. 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Não obstante, não houve prejuízo para a defesa, porque as leis em causa (Lei nO6.099/74, Lei nO7.132/83, Portaria MP n° 376-E/76, Portaria MP nO 564/78 e Portaria MF n° 140/84) constam de poucas disposições e todas elas tratam duma só matéria, a contabilização e a tributação das operações de arrendamento mercantil. Como para esta matéria convergem todas as divergências entre o fisco e o contribuinte, decerto a autora do feito significou que aqueles textos legais como um todo foram desrespeitados, ou que ao menos o comportamento adotado pela empresa não encontra neles respaldo. Em semelhança quadro não incorre em nulidade o auto de infração que, em vez de enumerar :eus artigos, a menciona como um tOdof I I • I i 1 ; I Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 ..................................................................................................................... As contas nas quais se fizeram os controvertidos registros pertencem a dois grupos que se intitulam arrendamentos a receber e rendas a apropriar. Essas contas servem para registrar o volume de receita que os contratos de arrendamento gerarão até o seu encerramento. A simples assinatura do contrato não obriga a empresa arrendadora a reconhecer desde logo nenhuma receita. Isto só ocorre à medida em que o contrato vai sendo executado, isto é, à medida em que vão vencendo as contraprestaçõl':s devidas pelo arrendatário . ...................................................................................................................... Assim, quando um contrato de arrendameBto é celebrado, a soma total das contraprestações que o arrendatário se compromete a pagar é lançada numa das conta do grupo arrendamentos a receber, cujo saldo é sempre devedor. A contrapartida desse lançamento é registrada numa conta do grupo renda a apropriar, cujo saldo é sempre credor, que desse modo nmciona como retificador do conjunto de contas anterior. Vencida a contraprestação, seu valor é contabilizado numa conta de receita, independente de seu pagamento; ato continuo igual soma é baixada da conta adequada do grupo rendas a apropriar. Coincidindo vencimento e pagamento, opera-se a diminuição da respectiva cifra em arrendamentos a receber. Se não, surge um crédito vencido da empresa, cujo valor permanece em conta qualquer do grupo arrendamentos a receber. Em caso de mora, pois, ocorre um desequilíbrio entre este último conjunto de contas e o de rendas a apropriar, pois a baixa naquele se adia até quando se efetuar a liquidação da contraprestação. Daí se segue que a movimentação dessas contas interessa sobremodo ao resultado da empresa, porque uma baixa em seu saldo pode significar vencimento de uma contraprestação, hipótese que obriga o reconhecimento de receita. Embora não se estabeleça conexão imediata e necessária entre diminuição dos saldos das contas e efetivação de receita, a estreita correlação entre os dois eventos toma lícito ao fisco exigir que o contribuinte circunstancie e documente as reduções dos montantes atribuídos a essas contas, quando eventualmente não haja contrapartida de reconhecimento de receita . ..................................................................................................................... . É importante salientar que a reclassificação, no caso de inadimplemento, não envolveria as contas de renda a apropriar, se a autoridade monetária não exigisse que, na hipótese de atraso maior que certo tempo, todas as obrigações dum devedor em mora seja deslocadas para nova conta, até mesmo as vincendas. Ou 9 { Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução n°. :101-02.344 seja, nos casos de mora prolongada, é preciso reclassificar não apenas os débitos vencidos, mas também o valor do contrato como mn todo. Todavia, no que toca a rendas a apropriar o deslocamento só abrange as contraprestações vincendas, e nunca as já vencidas, porque estas últimas então já deverão ter sido baixadas e contabilizadas como receita efetiva. Houve, porém, diversos ajustes em que se contrapuseram contas de natureza credora e devedora. Algmnas vezes o registro consistiu em lançar certa importância a débito de conta devedora e, em contrapartida, igual montante a crédito de conta credora; em conseqilência, o saldo total de ambos os grupos de contas amnentou. Outflts vezes o registro de ajuste produziu efeito inverso, isto é, acarretou diminuição no saldo total (te ambos os grupos, porque se creditava conta devedora enquanto conta credora recebia mn débito. O que a autora do feito tributou como omissão de receita foram os ajustes que acarretaram redução ou baixa no saldo das contas de arrendamentos a receber ou de rendas a apropriar, em relação aos quais não encontrou lançamento correlato de reconhecimento de receita . ...................................................................................................................... Com efeito, é indubitável que os registros que redundaram em redução do saldo das contas de arrendamento não encerram caracteristicos de simples reclassificação, pelas razões expostas nos parágrafos precedentes. A justificativa do contribuinte, portanto, revela-se incongruente. Tampouco se admite que relatórios de informática, que trazem números englobados e não discriminam individualmente as operações a que se referem, possam substituir os docmnentos e os históricos dos lançamentos, elementos indispensáveis para conferir validade à escrituração. Pois, pelos exemplos da escrituração da empresa constantes nos autos e concernentes aos discutidos ajustes, quer no diário, quer no livro razão, se verifica que os lançamentos se lavraram com inscrições extremamente concisas, quase cifradas; a escassez de dados é tal que não permite a identificação da operação nem da causa dos ajustes. Isto redobrava a necessidade de que as baixas se flZessem acompanhar de docmnentação, assim como de que a escrituração contasse com livro auxiliar em que se deixasse claro o motivo de não ter havido reconhecimento de receita. Não vale invocar divergências e~tre a escrituração e relatórios de informática com o intuito ~e ~on~alidar os aJ~te~. Primeiro, porque relatórios de informática, gera~os no ~mblto mtemo da prop,na sa na-o se reputam docmnentos em sentido estnto; segundo, porque e aempre , b d' , I do informática que auxilia à contabilidade, e não esta que se su. or ma aque a, contrário haveria absurda inversão de funções. E qualquer registro dessas conta; lO I ! 11 Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 não prescinde de docmnentação idônea, sobretudo em face do disposto no art. 174, 9 l°, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nO 85.450/80, e também por consistirem elas nmn como que repositório de receita virtual, sujeita à tributação do imposto tão logo se efetive. Por conseguinte, a exigência fiscal decorre da falta de docmnentos e de esclarecimentos os quais incmnbia ao contribuinte obrigatoriamente providenciar. Note-se que no curso da ação fiscal lhe foram dadas duas oportunidades de o fazer, e outra vez no ensejo da vertente impugnação, todas baldadas . ...................................................................................................................... Examinando os lançamentos declara a decisão ~gular que os seus históricos são bem sibilinos, tanto que sem esclarecimentos adicionais é impossível entender o propósito do registro, assim como lhes avaliar a correção. Verifica-se, primeiro que a auditoria selecionou todos os lançamentos em cujos históricos aparece a palavra ajuste. Quem lançar os olhos nas cifras consignadas no termo de verificação ficará, à primeira vista, quiçá mn tanto perplexo, mas isto é provocado pelo fato de que muitos lançamentos são múltiplos, daqueles que contabilmente se designam como do quarto tipo, isto é, com mais de uma conta tanto no lado do crédito como no lado do débito; logo não há equivalência exata de cada partida, de sorte que para perfazer a equação é mister considerar todas em conjunto . ..................................................................................................................... .... a fiscalização atuado com acerto. Todavia, o trabalho fiscal não está, no tocante à apuração da base de cálculo, isento de falhas. Vimos que, de início, estando os pagamentos das contraprestações em dia, o total das contas do grupo "arrendamento a receber" e do grupo "rendas a apropriar de arrendamentos" correm parelhos. Sobrevindo atrasos, porém, acabam por distanciar-se, porque no vencimento sempre se procede à baixa no grupo de "rendas a apropriar" (em contrapartida do reconhecimento da receita), ao passo que a baixa na conta correlativa de "arrendamentos a receber" aguardará até o efetivo pagamento: Assim, enquanto qualquer diminuição não justificada no grupo de "rendas a apropriar" tem como implicação omissão de receita (uma vez que o contribuinte não apresentou hipótese plausível que o contradissesse), com a mesma certeza não se pode dizer. que quaisquer baixas no grupo arrendamentos a receber caracterizam igual infração. Para considerar estas últimas omissão de receitas, seria preciso verificar antes que não houve, por exemplo, transferência do valor baixado para conta diversa que represente crédito da empresa, ainda que não r Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 integrante do grupo arrendamentos a receber. Os elementos dos autos não propiciam, quanto a esse aspecto, uma conclusão segura. Em conseqüência, o critério do fisco para detenninação da receita omitida, pelo qual, confrontando, a cada mês, a soma das baixas das contas credoras com o total das baixas das contas devedoras, tomou como omiss&ode receita indistintamente o maior valor, não pode ser aceito. O certo é adotar, em qualquer caso, as baixas em rendas a apropriar, ainda que em determinados meses estas sejam inferiores às baixas em arrendamentos a receber. Os valores apurados em relação ao item em apreço do auto de infração, pois, ficam assim recompostos: .................................. ~missis) . ~ Quanto a segunda das infrações consignou-se a autoridade recorrida que Ação Fiscal anterior que abrangeu os anos-base de 1989 e 1990 apurou excesso de lucro inflacionário. Os processos nOs 13.603-000.689/95-41 e 13.603- 000.790/93-11 instauraram-se para permitir a tramitação dos lançamentos de ofício fundados na imputação desse fato. Como consectário da exigência fiscal, o lucro inflacionário acumulado diminuiu na mesma proporção. Como a empresa escritura provisão para o pagamento do imposto incidente sobre o lucro inflacionário diferido, aquela redução causa diminuição equivalente no valor de tal provisão. Segue-se então que a variação monetária passiva produzida pela atualização provisão deve contrair-se na mesma medida. O fisco, com base nesse raciocínio tributou a diferença correspondente à despesa de variação monetária que afmal se revelou excessiva . .................................................................................................................... Em virtude do cálculo errôneo do lucro inflacionário, por parte do contribuinte, certa fração do lucro, que deveria ser imediatamente tributada, foi indevidamente diferida. Se não tivesse havido a irregularidade, o montante indevidamente diferido sofreria a incidência do imposto de renda naquela mesma ocasião. Seu valor seria, então, incluído na provisão para pagamento do imposto de renda e baixado tão logo se operasse o recolhimento, em contrapartida da conta do ativo circulante de onde provieram os recursos. Em conseqüência do diferimento excessivo, contudo, a provisão do imposto sobre o lucro inflacionário permaneceu indefmidamente no balanço, gerando variação monetária ilegítima. É certo que em ambas as hipóteses haveria a constituição de provisão, a qual repercute igualmente no patrimônio líquido, mas, no caso da provisão do imposto por pagar no próprio exercício, esta é normalmente baixada poucos meses após o encerramento do exercício. f 12 ; --.A. L ., 13 , , Processo na. :13603.000.099/99-51Resolução na. :101-02.344 A diferença em relação à provisão constituída regularmente é óbvia. Nesta, como o prejuízo não se confirmou até o próximo encerramento do exercício, é lícito que à sua atualização corresponda uma despesa dedutível, porque caso não fosse constituída seu valor teria integrado o patrimônio líquido. O mesmo não se dá com o excesso de provisão para o imposto sobre o lucro inflacionário diferido, pois seu valor em verdade devia ter sido de imediato submetido à tributação. O Parecer Normativo CST na 7, de 16 agosto de 1985, cujo assunto é a dedutibilidade da correção monetária da provisão para perdas prováveis na aquisição de investimentos, a que alude o impugnante, não serve a seus interesses, pois vale ilara os casos de constituição regular de provisão, e não às anormalidades tais como a de que ora se trata,.,Tampouco lhe auxiliam as ementas de decisões do Conselho de Contribuintes por ele transcritas. Referem-se os acórdãos a processos nos quais a exigência foi baseada na falta de constituição da provisão do imposto sobre o lucro diferido, e não no excesso dessa mesma ,provisão. Cumpre ponderar ademais que, ao contrário do que advoga o impugnante, para exigir obrigações tributárias que são conseqüências de lançamento anterior, não ,há necessidade de aguardar o encerramento do contencioso administrativo instaurado pela impugnação de feito precedente . ................................................................................................................. ....para obter a diferença tributada, o fisco levou em conta, além dos reflexos do lançamento relativo ao processo na 13.603-000.689/95-41, também os do de na 13.603-000.790/93-11. Enquanto a exigência daquele, em julgamento de primeira instância, foi declarada procedente, a deste último foi anulada, por padecer vÍCio formal insanável. Cópias anexas de ambas as decisões certificam-no. Logo, há mister de excluir da base de cálculo as importâncias originárias do lançamento anulado. E não é só. Se, por um lado, a ação fiscal do processo na 13.603- 000.689/95-41 tributou a soma que o contribuinte havia indevidamente diferido como lucro inflacionário, por outro lado, nos períodos subseqüentes, a quantia tributada pela empresa pela realização do lucro inflacionário acumulado passa a apresentar um excedente, que devia ter sido compensado pelo fisco ao efetuar o levantamento do crédito tributário eqt ações fiscais posteriores. Porém, a autora do feito assim não procedeu. No demonstrativo abaixo efetua-se o acerto da base de cálculo, levando em conta tanto a anulação do lançamento do processo na 13.603-000.790/93-11 como as compensações que deviam ter sido concedidas em face do excesso de realização do lucro inflacionário. Ao cabo, a base de ( Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 cálculo relativa ao item em apreço, dos Cr$ 3.587.876.433,33 de início apurados, reduz-se à Cr$ 21.043.141,65 . ................................................................................................................... Passemos agora a considerar o terceiro item do auto de infração relativo ao imposto de renda da pessoa jurídica. Segundo declara a autora do feito no próprio corpo da peça fiscal, trata-se de tributo exigido pela falta de adição ao lucro líquido do resultado de certos ajustes determinados pela autoridade monetária, os quais ajustes, embora tolerados pela legislação tributária, não podem interferir na base de cálculo do tributo, em virtude de expressa disposição da própria ••legislação tributária . ................................................................................................................. A interpretação conjunta das disposições trasladadas )Ato Declaratório Normativo CST nO 34, de 23 de abril de 1987 e Portaria do Ministério da Fazenda nO140, de 27 de julho de 1984 - explanação nossa) leva à conclusão de que a regulamentação do imposto de renda, no que seja específico para a atividade de arrendamento mercantil, embora conceda às empresas arrendadoras adotar as normas contábeis baixadas pelo Banco Central do Brasil, não permite que tal medida redunde em apuração do tributo diversa daquela que se alcançaria caso fossem seguidas exclusivamente as prescrições estatuídas pela autoridade tributária . ................................................................................................................. o contribuinte, achando-se obrigado a proceder aos ajustes em causa, a princípio tomou todas as medidas contábeis para evitar que eles se refletissem na base de cálculo do tributo. Porém, a autora do efeito informa que, por ocasião da correção monetária do balanço, fez incluir na apuração do lucro líquido as contrapartidas da atualização monetária das contas relacionadas com o ajuste. O procedimento acabou por a\llllentar a despesa de correção monetária e reduzir o lucro líquido na mesma importância. O fisco, cuidando irregular o artificio, lançou o imposto sobre a respectiva soma. O impugnante objeta que a legislação determina que seja excluído do lucro real apenas o montante inicial do ajuste. Quanto à correção monetária posterior, no seu parecer, deveria alcançar todos os itens do balanço ordinariamente submetidos à prática; não ficariam de fora as contas pertinentes aos ajustes . ....Convém, antes de tudo, assinalar que a Lei nO 7.799/89, que instituiu a correção monetária com base na variação do BTNF, contém \llll princípio que 1 14 .................................................................................................................... I ,i I I , _ ...~ I I I I' I1 " 15 '--, -,-- . Para justificar seu procedimento, o impugnante alude ao tratamento dado aos acertos decorrentes da avaliação de investimentos pelo método da equivalência patrimonial. ..................................................................................................................... Todos os registros contábeis implicados na questão versam sobre a depreciação dos bens destinados a arrendamento ou sobre a contabilização dos adiantamentos do valor residual, matérias para as quais, como vimos, a Portaria MF nO140/84 reservou tratamento distinto. A correção monetária desses bens, por via indireta, também é abrangida pela mencionada Portaria, pois se limita à atualização dos valores já escriturados e, por isso, lhes assume o caráter. Em conseqüência, os••registros devem adscrever-se ao regime disposto no Ato Declaratório Normativo--n° 34/87, ou seja, seu efeito sobre o lucro tributável deve ser neutro, e na escrituração devem figurar separadamente, de modo que seja possível verificar o tratamento fisco-contábil a que se submetem. Enfim, em que pese a argumentação do impugnante, tampouco se divisa semelhança entre o problema que ora se nos apresenta e o versado no Parecer Normativo CST nO 07, de 16 de agosto de 1985. Conquanto nesse ato o parecerista tenha concluído que a correção monetária da provisão é dedutível, apesar de sua constituição haver sido irregular, dois traços essenciais prejudicam a aproximação com as contas de ajuste criadas pela empresa. O primeiro característico distintivo diz respeito ao, momento da constituição da provisão: deve dar-se na data de encerramento do exerCÍcio, e não no seu transcurso. Em segundo lugar, a correção monetária cuja dedução é facultada é aquela contabilizada no período-base seguinte, e não a referente ao próprío período em que se deu a constituição." .................................................................................................................... interdita às pessoas jurídicas lançar mão da mecânica da correção monetária com o intuito de desfigurar a apuração do resultado do exerCÍcio. Dessa Decisão a Contribuinte foi cientificada em e, inconformada com o crédito tributário, ingressou com Recurso Voluntário para esta Segunda Instância Administrativa, protocolizado no dia , às fls , reiterando os argumentos já expendidos na fase impugnativa. f Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 Processo na. :13603.000.099/99-51 Resolução na. :101-02.344 Após refutar detalhadamente os fundamentos consignados na decisão monocrática (fls. . ) a Recorrente requer a reforma da decisão monocrática e conseqüente cancelamento da exigência fiscal. A título de preliminar a recorrente argüi que o Ato Administrativo de Lançamento, por praticado após expirado o prazo fixado pela legislação de regência, não tem como substituir vez operou-se, no caso, a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. ••• Funda a tese defendida pela recorrente em jurisprudência emanada deste Colegiado, conforme Arestos que invoca, no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial tem início com a ocorrência do fato gerador. Ora, aplicando-se ao caso concreto o comando legal inserto no S 40 do artigo 150, do Código Tributário Nacional - CTN, fácil é concluir no sentido de que operou-se a decadência do direito de lançar, vez que o fato gerador da obrigação tributária ocorreu em 31 de dezembro de 1991, e a formalização do crédito, com a lavratura do Auto de Infração, se deu em 14 de maio de 1997, ou seja, quase 5 (cinco) meses após expirado o prazo decadencial. Cumpre consignar que me filio à corrente daqueles que defendem a tese de que a partir da edição do Decreto-lei na 62, de 1966, em face das inúmeras e substanciais alterações promovidas na legislação que disciplina tanto a incidência quanto o recolhimento do Imposto de Renda, o citado tributo perdeu por completo as características que o enquadrava na modalidade sujeita lançamento por declaração, assumindo, gradativamente, aquelas que são próprias do imposto cuja exigência deve observar as regras jurídicas insertas no artigo 150 do CTN. De ser ressaltado que esta Câmara vinha decidindo nesta mesma linha de entendimento, conforme inúmeros Acórdãos dentre os quais trago à colocação esta ementa: "IRPJ _ LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - DECADÊNCIA - A partir do exercício de 1983 (Decreto-lei nO1.967/92), o imposto deve ser recolhido nos respectivos vencimentos, independentemente da apresentação da declaração de rendimentos e, como conseqüência, o direito de a Fazenda Pública da União constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos contados do primeiro dia da data da ocorrência do fato gerador, ou seja, do término do período-base. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - PISIDEDUÇÃO- PIS/REPIQUE - FINSOCIAL - Dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro, a decisão proferida no lançamento principal e aplicável aos lançamentos 16 f Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 reflexivos. Recurso voluntário provido". (Ac. nO 101-91.879, de 17/03/98 - DOU 19.05.98). .- , ';. Do mesmo modo, não fez a comparação do montante daquela receita com o saldo que a conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER deveria ter no fim do ano. No que respeita à primeira das infrações apontadas (Omissão de Receita, caracterizada pela desqualificação de registros contábeis que o contribuinte havia tratado como sinIples ajustes ou reclassificação contábil), obselVa-se que apesar a Fiscalização não apontou um único caso em que o contribuinte tivesse efetivamente recebido e desviado o produto de qualquer parcela do arrendamento Também não apontou um só contrato que tenha deixado de ser contabilizado. Iguahnente deixou de apontar qualquer diferença entre o montante da receita contabilizada e o saldo da Conta de ARRENDAMENTOS A RECEBER (EI mais valor dos contratos firmados no ano menos o saldo da conta no fim do exerCÍcio). Para não retardar a solução última dos litígios, fazendo com que haja recurso de Divergência para, só após sua apreciação pela Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, venha de ser analisado o mérito das questões versadas nos autos, acompanho o decidido por aquele Colegiado, razão pela qual rejeito a preliminar levantada pelo sujeito paSSIVO. A exigência fiscal tem como único suporte a baixa na conta de ARRENDAMENTOS A RECEBER e RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER sem identificar as respectivas contrapartidas, isto porque partiu-se de incorreto pressuposto, que 17 I Todavia, em razão de decisão prolatada pela Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão n° CSRF 01-02.620, de 1999, restou uniformizada a Jurisprudência Administrativa, no sentido de que somente após o advento da Lei nO8.383, de 1991, o Imposto de Renda Pessoa Juridica passou, efetivamente, a estar sujeito a lançamento por homologação . ••• Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 a Conta ARRENDAMENTOS A RECEBER somente poderia ser creditada quando for debitada a Conta CAIXA ou BANCOS. Enquanto a conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER somente pudesse ser debitada quando a sua contrapartida fosse RECEITA DE ARRENDAMENTOS. Portanto, a Auditora resolveu considerar omissão de receita todas as baixas na Conta ARRENDAMENTOS A RECEBER, sempre que não tenha encontrado como contrapartida uma daquelas duas contas mencionadas no parágrafo anterior ou quando, igualmente, não tenha encontrado como contrapartida da Conta RENDAS A APROPRIAR DE •••ARRENDAMENTOS A RECEBER a conta RECEITAS DE ARRENDAMENTO, . "" adotando como base de cálculo o maior deles; enquanto a Autoridade Julgadora Singular se fIxou exclusivamente na baixa da Conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER. Esse pressuposto, todavia, não é correto porque, tanto a Conta ARRENDAMENTOS A RECEBER pode ser creditada, como a Conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER pode ser debitada, sem que a contrapartida sejam aquelas contas. Sendo uma das hipóteses de mais fácil visualização aquela em no momento do recebimento da prestação se debita a CONTA CAIXA e se credita a conta de RECEITA DE ARRENDAMENTOS, deixando intactos tanto os saldos da conta ARRENDAMENTOS A RECEBER como. a Conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER. Como conseqüência do efetivo recebimento (débito da Conta Caixa) e também da efetiva apropriação da receita (crédito na Conta Receita de Arrendamentos), mas em razão da falta de baixa, por ocasião do recebimento e apropriação da receita, no fIm do período, isto é, por ocasião da conciliação, debita-se a Conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER que deveria ter sido movimentada quando da apropriação da receita e se credita a conta ARRENDAMENTOS A RECEBER que deveria ter sido creditada na mesma época, isto é, quando do recebimento da prestação t 18 Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 Verificando que os valores encontrados pela Auditora a crédito da Conta ARRENDAMENTOS A RECEBER sem a contrapartida na conta Caixa e débitos na Conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER igualmente sem a contrapartida na Conta RECEITA DE ARRENDAMENTOS eram praticamente iguais, a decisão singular resolveu se fixar, no valor dos créditos da Conta RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER (assim como poderia fazê-lo na ARRENDAMENTOS A RECEBER), sem determinar a realização de diligência, apesar de consignar em seu decisório que "Embora não se estabeleça conexão imediata e necessária entre a diminuição dos saldos das contas e efetivação de receita, a estreita correlação entre os dois eventos torlllil.lícito ao fisco exigir que o contribuinte circunstancie e documente as reduções dos montantes atribuídos a..essas contas, quando eventualmente não haja contrapartida de reconhecimento d,ereceita." E mais, mesmo reconhecendo que a escrita da empresa era de péssima qualidade técnica, pois "no diário, quer no razão, se verifica que os lançamentos se lavraram com inscrições extremamente concisas, quase cifradas. A escassez de dados é tal que não permite a identificação da operação, nem da causa dos ajustes", acrescentando "Quem lançar os olhos nas cifras consignadas no termo de verificação ficará, à primeira vista, quiçá um tanto perplexo, mas isto é provocado pelo fato de que muitos lançamentos são múltiplos, daqueles que contabilmente se designam como do quarto tipo, isto é, com mais de uma conta tanto no lado do crédito como no lado do débito: logo não há equivalência exata de cada partida, de sorte que para perfazer a equação é mister considerar todas em conjunto. Mas uma vez que o contribuinte havia dito que consistiam em simples reclassificações, a fiscalização, consoante explicado linhas atrás, procurou encontrar contrapartidas plausíveis para as baixas nas contas de arrendamento." ..Conclui que "a exigência fiscal decorre dafalta de documentos e de esclarecimentos os quais incumbia ao contribuinte obrigatoriamente' providenciar. " Em resumo, ocorreu a tributação por dedução presuntiva, segundo a qual a baixa das contas patrimoniais ARRENDAMENTOS A RECEBER ou RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER seria prova de omissão de receita, o que, como acima assinalado não procede, sendo certo que a prova de omissão de receitas obtida por raciocinio dedutivo, somente pode ser admitida quando apoiada em dados seguros que não deixem margem a dúvidas, sendo inaceitável essa tributação, quando ela tem como pressuposto a falta de documentos e de esclarecimentos ou mesmo a falta de técnica ou complexidade na escrituração ou escassez de dados que não permita a identificação de certas operações. f 19 Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 Evidentemente, nesses casos o remédio é outro, notadamente quando é certo que a tributação por presunção somente pode ocorrer quando expressamente autorizada por lei. Por essa razão, e tendo em vista que, nos termos das normas legais, o contribuinte era obrigado a apropriar, no vencimento, mesmo na ausência de pagamento, a receita de até duas prestações em atraso, o que gerava um descompasso entre os saldos das contas ARRENDAMENTOS A RECEBER e RENDAS A APROPRIAR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER, toma-se indispensável converter o julgamento em diligência, a fIm de que a Fiscalização, por amostragem, verifIque se adicionando ao valor das RENDAS A APROPRÍÀR DE ARRENDAMENTOS A RECEBER no início do exercício, mais o valor dos contratos fIrmados no an~, menos o saldo que a mesma conta apresentar no [mal do exercício corresponde ou não ao montante das RECEITAS DE ARRENDAMENTO apropriadas no exercício. Do mesmo modo, verifIca-se que na terceira infração se acusa a fIscalizada pela falta de adição ao lucro líquido da diferença entre a correção monetária das contas criadas para atender ao disposto na Circular BACEN nO1.429/89 e as variações monetárias geradas por essas mesmas contas. Essa diferença decorre das qualifIcadas Superveniências de Depreciação e InsufIciência de Depreciação. VerifIca-se que a decisão singular já excluiu os efeitos das provisões anteriores, todavia, manteve o valor do exercício sob a alegação de o valor imputado ao resultado do exercício somente se eqüivaleria à correção do balanço no exercício seguinte. Todavia, como as Superveniências e InsufIciências de Depreciação, podem se alternar nos diversos períodos, além de gerarem efeitos nos exercícios posteriores, tanto que no periodo-base anterior ocorrera insufIciência e ainda sendo certo que a fIscalizada tinha como sistemática deixar de adicionar ao lucro líquido do exercício a correção monetária da conta de insufIciência de depreciação (n° 232400050010) e dele deixar de excluir a Variação MoneWP~LAtivado gerada pela conta de crédito tributário (nO188250020017) e Variação Monetári~" Ativado gerada pela conta de crédito tributário prejuízo fIscal (n° 1882500020042), considerando-se que o contribuinte insiste não ter ocorrido prejuízo para o Fisco e que o presente Auto de Infração data de 14/05/97, toma-se indispensável também converter o presente julgamento em diligência a fIm de que a Fiscalização, a exemplo do 20 tP Processo nO. :13603.000.099/99-51 Resolução nO. :101-02.344 que fez a decisão recorrida às fls. 18 do seu decisório e seguindo aquela sistemática, traga para os autos os resultados da falta de adição e de exclusão ao resultado do exercício dos 'valores das contas acima mencionadas. , I . , Sala das Sessões F, em 21 de fevereiro de 2001. , S CABRAL, RELATOR. 21 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021
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Numero do processo: 10166.900920/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA
Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente.
Numero da decisão: 3402-003.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Recorrida União ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito ficando, todavia, inerte. Sendo insuficientes os documentos juntados pelo contribuinte com impugnação para comprovar a existência e a qualidade do pretenso crédito, o pedido creditório é improcedente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 09 20 /2 00 8- 56 Fl. 143DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos controvertidos no presente processo administrativo, me valho do relatório desenvolvido pelo então Conselheiro Sidney Eduardo Stahl na oportunidade em que proferida a resolução n. 3801000.268 (fls. 110/115), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo administrativo de compensação não homologada, declarada em PER/DCOMP transmitida em 02/08/2004 (fls. 08/12), referente a crédito decorrente de valor supostamente recolhido a maior a título de COFINS (cód. 2172) por meio de guia DARF (fls. 06), com débito de IRPJ (Cod. 20891) do período de apuração do 2º Trimestre de 2004. A compensação não foi homologada conforme despacho decisório da DRF de origem (fls. 07), sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte, resultando na cobrança de imposto remanescente no montante de R$ 19.272,62. Intimada acerca do despacho decisório acima mencionado, apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, cujas razões, como bem apontado pela DRJ de origem, apenas repetem as informações constantes do PER/DCOMP transmitido, não tendo sido anexados documentos suficientes para a verificação do crédito a que faria jus. Ao analisar as razões supra transcritas, julgou a DRJ de origem pela improcedência da manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado através do acórdão recorrido de fls. 29/32, cuja ementa restou assim redigida, verbis: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS AnoCalendário 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante da manifestação de inconformidade que discorre sobre a existência de crédito tributário em discussão sem trazer qualquer prova documental que proporcione suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado do acórdão acima ementado em 28.06.2011 (fls. 36) interpôs o contribuinte o presente recurso voluntário às fls. 38/55, através do qual sustenta, em síntese: i) serem os pagamentos indevidos a título de COFINS oriundos da ausência de sua apuração conforme a sistemática “monofásica” de recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS instituída pela Lei nº 10.147/2000 e posteriores, que estabeleceu alíquota zero para os contribuintes varejistas de produtos farmacêuticos, concentrando o recolhimento das Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10166.900920/200856 Acórdão n.º 3402003.680 S3C4T2 Fl. 152 3 contribuições na etapa inicial da cadeia tributária. Com o fito de comprovar os pagamentos indevidos, traz aos autos relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo da COFINS, bem assim das notas fiscais de entrada e saída dos produtos, através das quais busca a comprovação de que a responsabilidade de recolhimento do tributo é das Indústrias Farmacêuticas que figuram como produtoras ou importadoras, sendo a recorrente apenas revendedora atacadista / varejista desses produtos; ii) discorre acerca da origem dos débitos compensados e da previsão legal para a sua compensação e, por fim iii) alega que a decisão recorrida não foi precisa quanto a análise dos fatos e do seu direito quanto à compensação realizada. (...). 2. Devidamente processado o recurso voluntário interposto, seu julgamento foi convertido em diligência (resolução n. 3801000.268 fls. 110/115), para que fossem tomadas as seguintes medidas pela unidade preparadora: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida identificando os produtos sujeitos ao regime monofásico e os pagamentos indevidamente realizados e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. 3. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa da informação fiscal de fls. 136/139, oportunidade em que se reconheceu a inexistência do crédito vindicado pela Recorrente. 4. Intimado para se manifestar do resultado da diligência, o contribuinte deixou que o prazo transcorresse in albis. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 7. Como fora relatado alhures, a controvérsia da presente demanda consiste em saber se a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade é ou não suficiente para atestar o direito creditório aqui vindicado. 8. Segundo consta das razões recursais, o contribuinte recolheu indevidamente COFINS, uma vez que os produtos que comercializa produtos farmacêuticos Fl. 145DF CARF MF 4 estariam sujeitos ao regime monofásico, ou seja, o recolhimento do COFINS ficaria concentrado na etapa inicial da cadeia. 9. Com o fito de provar seu direito a recorrente apresentou o comprovante de pagamento do tributo indevido (guia DARF), bem como acostou diversos documentos relacionados às suas operações, com especial destaque para os relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo da COFINS e, ainda, notas fiscais de entrada e saída dos produtos, as quais atestariam a responsabilidade de recolhimento do tributo pelas indústrias farmacêuticas no início da cadeia produtiva. 10. Não obstante, conforme já mencionado no relatório, o presente caso foi convertido em diligência, oportunidade em que a unidade preparadora intimou (fls. 117/121) e reintimou (fls. 122/126) o contribuinte para que apresentasse os seguintes documentos e informações: (...). a) relatórios de vendas de produtos beneficiados com alíquota zero para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004, conforme Tabela 1), devendo estar identificado o produto com o código de sua classificação fiscal, de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além do número da nota fiscal de venda, da data de sua emissão, do valor da venda e do valor dos pagamentos da Cofins e do PIS; b) notas fiscais de venda correspondentes aos produtos de que trata o item “a” acima; c) lançamentos contábeis (diário ou razão) relativos às vendas dos produtos de que trata o item “a” acima; d) notas fiscais de compra dos produtos de que trata o item “a” acima. (...). (grifos constantes no original). 11. O contribuinte, por sua vez, permaneceu inerte, de modo que a unidade preparadora cumpriu a diligência com base na documentação acostada nos autos, bem como nas informações obtidas junto ao sistema eletrônico da própria Receita Federal. É o que se observa dos seguintes trechos da informação fiscal de fls. 136/139: (...). 4. Primeiramente, visando identificar o pagamento realizado pela Contribuinte, bem como a eventual disponibilidade de saldo, foram realizadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB. O pagamento foi confirmado (fls. 127), porém, não possui saldo disponível, tendo sido totalmente utilizado para quitar o débito declarado em DCTF. 5. Logo, tratase, em princípio, de pagamento devido, alocado ao seu respectivo débito e, consequentemente, não passível de repetição. Assim, em resposta aos argumentos da Interessada, quanto à falta de clareza dos motivos que levaram a não homologação da compensação, verificase que foi declarado em DCTF e pago o débito que a Contribuinte reputa como indevido. Portanto, justificase as razões da não homologação da presente Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10166.900920/200856 Acórdão n.º 3402003.680 S3C4T2 Fl. 153 5 compensação, referidas no despacho decisório de fls. 8, emitido eletronicamente em 24/04/2008 e com nº de rastreamento 757714547, pois, o pagamento efetuado vinculouse ao respectivo débito com a consequente ausência de saldo para compensação. 6. Em seguida, foram examinados os documentos apresentados pela Contribuinte e existentes no processo, observandose que: 6. 1. o objeto social da empresa (fls. 23) é o comércio varejista e atacadista de artigos médicos e ortopédicos, entre outros. Em consulta ao sistema CNPJ (fls. 129), podese confirmar que a empresa tem por atividade econômica o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios” (CNAE 4645101); 6. 2. os documentos apresentados com o objetivo de comprovar o crédito alegado foram: i) relatório de vendas (doc 1, fls. 61/68); ii) lançamentos das notas fiscais (NF) de saída (doc 2, fls. 69/89); iii) NF de saída (doc 3, fls. 90/99); e iv) NF de entrada (doc 4, fls. 100/107). Sua análise revela que: 6.2.1. o relatório de vendas, por si só, nada comprova, pois, além de se limitar às vendas efetuadas em julho/2003, traz apenas o nome técnico do produto, sem qualquer liame com sua classificação fiscal, característica necessária para identificar a possibilidade de direito ao benefício fiscal alegado, em conformidade com os arts. 55 e 59 da IN SRF nº 247/2002; 6.2.2. os lançamentos das NF de saída trazem a classificação fiscal do produto vendido, o que permite identificar se a pessoa jurídica faz jus ou não ao benefício fiscal alegado. Observese que os lançamentos apresentados fazem referência a algumas NF emitidas em agosto/2003, novembro/2003 e dezembro/2003. Neste processo, pleiteiase o crédito da Cofins de junho/2003. Ocorre que não há comprovação nos autos de vendas efetuadas em tal mês, conforme Tabela 3 (fls. 131/134). Logo, tendo por base apenas as informações disponíveis nos autos, concluise pela inexistência de valor a ser compensado para este período (vide Tabela 4 em fls. 135, para detalhes de cálculo); 6.2.3. as NF de venda não trazem a classificação fiscal dos produtos vendidos, sendo insuficientes para apreciar o pleito; 6.2.4. as NF de entrada, emitidas pelas empresas produtoras/importadoras, indicam a classificação fiscal dos produtos adquiridos pela Interessada. Entretanto, tratase de informações insuficientes para embasar quaisquer conclusões, conforme se nota na Tabela 2. (...). 7. Tendo em vista a insuficiência das informações presentes nos autos, visando caracterizar de forma inequívoca a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado, a Interessada foi intimada (Termo de Intimação nº 111/2015, em fls. 117/119) a Fl. 147DF CARF MF 6 apresentar relatórios de vendas dos produtos beneficiados com alíquota zero, notas fiscais de venda e de compra de tais produtos, além dos lançamentos contábeis correspondentes, para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004). 8. Não tendo apresentado resposta à referida intimação, a Interessada foi reintimada por meio do Termo de Reintimação nº 139/2015 (fls. 122/124). Entretanto, até a presente data as exigências não foram atendidas, de modo que a presente análise restringese aos dados confirmados e disponíveis nos sistemas da RFB, em conformidade com o § único do art. 39 da Lei nº 9.784/1999. 9. Assim sendo, diante da ausência de certeza e liquidez do crédito alegado, não se pode reconhecer qualquer direito creditório relativo ao mês de junho/2003, havendo uma diferença não compensável no valor de R$ 9.459,89 para o período em análise. É importante observar que a Tabela 4 traz informações sobre o valor do crédito compensado no presente processo, juntamente com a utilização do saldo em outro processo, quando cabível. (...). 12. Percebese, portanto, que ante a não apresentação de documentos fiscais e informações solicitados junto ao contribuinte e, ainda, levando em consideração as provas apresentadas em impugnação, a unidade preparadora reconheceu inexistir qualquer crédito em favor do Recorrente, o que também se reconhece por intermédio da presente decisão. 13. Em suma, a ausência de prova suficiente para atestar a certeza e liquidez do valor vindicado impede o seu reconhecimento nesta seara judicativa. Dispositivo 14. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35377.000645/2007-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 9202-004.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento para declarar a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1).
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CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento para declarar a definitividade do lançamento no âmbito administrativo, por concomitância da discussão nas esferas administrativa e judicial. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente momentaneamente a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 37 7. 00 06 45 /2 00 7- 33 Fl. 1472DF CARF MF 2 Relatório Tratase da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.084.5692, de 26/04/2007, relativa a Contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas ao SENAR, incidentes sobre o valor da aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, exigível da autuada condição de subrogada. Conforme o Relatório Fiscal, tratase de empresa com atividade de Agroindústria FPAS 825 e a base de cálculo lançada foi apurada por meio de contas contábeis, uma vez que a empresa não exibiu notas fiscais de entrada de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, bem como contabilizou as compras de produtos rurais pessoa física juntamente com as compras de pessoa jurídica. Os valores não foram declarados em GFIP e não foi feita retenção e recolhimento dos valores a que a empresa estaria obrigada. Consta ainda do Relatório Fiscal que o lançamento visa prevenir a decadência, em razão da Ação Judicial nº 2003.03.00.0097420, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Em sessão plenária de 19/02/2014, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301003.909 (fls. 1.170 a 1.176), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2007 AQUISIÇÃO DE PRODUTO RURAL DE PESSOA FÍSICA É devida, pelo produtor rural pessoa física, contribuição previdenciária incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE A empresa adquirente da produção de produtores rurais pessoas físicas fica subrogada nas obrigações de tais produtores e está obrigada a arrecadar, mediante desconto, a contribuição previdenciária por ele devida. MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, individual ou coletiva, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário." A decisão foi assim resumida: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, no que tange à suposta correção da multa, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.473 3 ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a)." Cientificada do acórdão em 26/05/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.180), a Contribuinte opôs, em 30/05/2014, os Embargos de Declaração de fls. 1.183 a 1.187, rejeitados conforme Despacho de Admissibilidade de Embargos nº 2301215, de 28/07/2013 (fls. 1.193/1.194). Intimada da rejeição de seus Embargos Declaratórios em 05/09/2014 (AR Aviso de Recebimento de fls. 1.197), a Contribuinte interpôs, em 22/09/2014 (fls. 1.199), o Recurso Especial de fls. 1.200 a 1.217. Em 19/09/2014 (fls. 1.240, 1.279, 1.318 e 1.357), foram interpostos os Recursos Especiais de fls. 1.241 a 1.256, 1.280 a 1.295, 1.319 a 1.334 e 1.358 a 1.373. Em 30/09/2014 (fls. 1.398), foi interposto o Recurso Especial de fls. 1.399 a 1.436. Conforme o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.446 a 1.452, "há nos autos apresentação, ou anexação, de quatro RESP, mas todos eles tratam das mesmas matérias e apresentam os mesmos paradigmas". No Recurso Especial foram suscitadas duas matérias: nulidade do acórdão; e inconstitucionalidade do art. 30, iv, da Lei nº 8.212, de 1991, declarada pelo STF. Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, apenas em relação à segunda matéria inconstitucionalidade do art. 30, iv, da Lei nº 8.212, de 1991, declarada pelo STF conforme despacho de 25/05/2015 (fls. 1.446 a 1.452), o que foi confirmado pelo Despacho de Reexame de fls. 1.453. Em seu apelo, o Contribuinte alega, em síntese: e de ser enfatizado que o lançamento em questão está protegido pelo manto da suspensão de exigibilidade, não podendo ser levado à cobrança executiva, tampouco se caracterizar como impeditivo às rotineiras renovações de certificações de regularidade previdenciária a favor do ora recorrente, tendo em vista o que expressamente consta na decisão/CARF proferida quando do julgamento dos embargos opostos nestes autos, nos termos a seguir transcritos: “(...) a existência de ação judicial que suspende a exigibilidade do crédito foi devidamente informada no relatório e citada no voto do acórdão embargado. Restou claro, tanto no relatório como no voto condutor do aresto, que o crédito está com exigibilidade suspensa, não havendo necessidade de tal informação constar também do dispositivo do acórdão.” assim, confirmada a suspensão da exigibilidade deste lançamento previdenciáriofiscal para todas as finalidades de direito, observandose a tanto que o mérito do Fl. 1474DF CARF MF 4 contencioso aqui travado está com ordem judicial em tal sentido, é de se aclarar que o escopo do Recurso Especial ora manuseado ostenta debates de temas outros que não o objeto da discussão judicial / suspensão de exigibilidade, o que permite a percepção processual de ser viável o seu processamento, sem qualquer prejuízo à manutenção da evidenciada suspensão de exigibilidade, que deve permanecer intacta e em harmonia à vinculada ação judicial; com estas observações quanto a efetiva suspensão de exigibilidade deste lançamento, é de se requerer o processamento deste REsp, nos termos estabelecidos pelo RICARF; de se realçar que a declaração de inconstitucionalidade retira a norma do mundo jurídico, de tal forma que ela nunca existiu nem produziu efeitos; nesse sentido, o Acórdão nº 20181414 deixou consignado em sua ementa que a declaração de inconstitucionalidade traduz o reconhecimento de inexistência da referida norma, no mundo jurídico: “Assunto: Contribuição para o Pis/Pasep. Período de apuração: 01/01/2000 a 431/10/2002. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade declarada pelo STF. Efeitos. Já é do domínio público que o Supremo Tribunal federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 (RREE nºs 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 09/11/2005 – Inf./STF 408), proclamando que a ampliação da base de cálculo da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. A inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, parágrafo único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, arts. 741, parágrafo único; e 475L, § 1º, redação da Lei nº 11.232/2005). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliara a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação.” como é de domínio público, no RE 363.852MG, Rel. o Min. Marco Aurélio, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 22, I e II, da Lei 8.212/91 e do seu art. 30, IV, e a ementa ressalta que: “Recurso Extraordinário – Pressuposto específico – Violação à Constituição – Análise – Conclusão. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina – José Carlos Barbosa Moreira, em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento ou não conhecimento. Contribuição social – Comercialização de bovinos – Produtores rurais pessoas naturais – subrogação – Lei nº 8.212/91 – artigo Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.474 5 195, inciso I, da Carta Federal – período anterior à Emenda Constitucional nº 20/98 – Unicidade de incidência – Exceções – Cofins e contribuição social – Precedente – Inexistência de lei complementar. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações.” nesse sentido, o voto dado pelo Min. Marco Aurélio, relator, ressaltou que: “ (...) Cumpre assentar, como premissa constitucional, que, no tocante ao faturamento e ao financiamento do gênero “seguridade social”, contase apenas com essas duas exceções (PIS, conforme art. 239, da CC e as destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical cf. art. 240, da CC – ressalva nossa). A regra, dada a previsão da alínea “b” do inciso I do referido artigo 195, é a incidência da contribuição social sobre o faturamento, para financiar a seguridade social instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, a obrigar não só as pessoas jurídicas, como também aquelas a ela equiparadas pela legislação do imposto sobre a renda – artigo 1º da citada lei complementar. Já aqui surge duplicidade contrária à Carta da República, no que, conforme o artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o produtor rural passou a estar compelido a duplo recolhimento, com a mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social – recolhe, a partir do disposto no artigo 195, inciso I, alínea “b”, a COFINS e a contribuição prevista no referido artigo 25. Vale) Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos.” evidente, pois, que o produtor rural pessoa física, já é tributado pela Cofins, não restando lugar para novo ônus a partir do valor alusivo à venda do gado e de outros produtos rurais. Mais relevante é a cobrança, por subrogação daquele que sequer é contribuinte, figurando tãosomente como adquirente dos produtos rurais. totalmente indevidas, pois, as contribuições sociais estampadas na NFLD em face da subrogação prescrita no art. 30, IV, da Lei 89.212/91, na sua redação então vigente; a fiscalização, ao exigir que a contribuinte efetue o recolhimento das citadas contribuições sociais, com a imposição de pesadas multas, fere direito líquido e certo da Recorrente, exigindo tributo indevido; impõese, portanto, acolher o presente recurso especial e reformar totalmente o v. acórdão de fls., independentemente da suspensão de exigibilidade que acoberta Fl. 1476DF CARF MF 6 este lançamento, que, deverá ser mantida enquanto perdurar a vinculada ordem judicial em tal sentido. o que se pretende efetivamente com a interposição do presente Recurso Especial é que sejam enfrentadas as questões suscitadas entre as razões de decidir esposadas no v. aresto e as aqui consignadas como divergentes; e a divergência recai no fato de que as razões de decidir do v. acórdão recorrido se distanciaram do critério de julgamento adotado no aresto indicados como divergente. a decisão ora recorrida contraria diversos acórdãos prolatados por várias câmaras e turmas deste Colegiado, merecendo ser totalmente reformado. Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja reconhecida a inconstitucionalidade do art. 30, IV, da Lei 8.212/91, adotandose o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal no RE 363.852MG. Pede ainda que seja determinado o sobrestamento do recurso, tendo em vista que o RE 718.874 RS, Relator o Min. Ricardo Lewandovscki, foi recebido com os efeitos da repercussão geral, abrangendo, portanto, todos os casos em que se discute a mesma situação (art. 543B do CPC). Cientificada em 08/06/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.454), a Fazenda Nacional ofereceu, em 18/06/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 1.470), as Contrarrazões de fls. 1.455 a 1.469 em primeiro lugar, cabe apontar que o lançamento foi efetuado com lastro na Lei nº 10.256, de 09/07/2001 (DOU de 10/07/2001), conforme aponta o Relatório Fiscal e o anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD; o deslinde da controvérsia passa pela correta interpretação do alcance da proferida pelo Plenário do STF no RE n.º 363.852/MG, cujo trânsito em julgado se operou em 06/05/2011; feitas essas considerações iniciais, cumpre transcrever o acórdão da Suprema Corte que balizou o entendimento da decisão hostilizada: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO.Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.475 7 incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações." (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) da análise da ementa do julgado é possível depreender como determinante à conclusão da Corte Constitucional, no que interessa à presente lide, a necessidade de lei complementar para instituição da contribuição, à luz do art. 195, § 4º, da Constituição; nesse contexto, o posicionamento da Corte referiuse ao entendimento de que a exigência de lei complementar decorreria do art. 195, § 4º, da Constituição (na sua redação original, antes do advento da EC nº 20/1998), uma vez que a base econômica sobre a qual incide a contribuição não estaria prevista na Constituição na data de sua instituição pela Lei nº 8.540/92; sendo assim, por se tratar de exercício da competência tributária residual da União, imprescindível a utilização de lei complementar para instituição da contribuição previdenciária; aduziuse que o texto constitucional, até a edição da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, não previa a receita como base tributável, existindo tão somente a alusão ao faturamento, lucro e folha de salários no inciso I do art. 195; pois bem, como é sabido, no RE nº 363.852/MG a Suprema Corte se debruçou sobre a contribuição previdenciária a cargo do produtor rural pessoa física com empregados (Lei 8.212/91, art. 12, V, letra “a”), incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção (art. 25, inciso I, da Lei nº 8.212/91 – redação dada pelas Leis nº 8.540/92 e 9.528/97); importante registrar que o Recurso Extraordinário n.º 363.852/MG tem origem no MSG n.º 1998.38.00.0339353, impetrado perante a 16ª Vara Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, em 27/08/1998, cuja causa de pedir foram as Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, então vigente à época da impetração; o;Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, com redação dada pelas Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, sob o fundamento de que à luz da redação primitiva do art. 195, I, da Constituição Federal, não havia previsão para incidência de contribuição social sobre a receita bruta da comercialização da produção, daí a instituição válida da exação somente poderia ocorrer por meio de lei complementar, conforme determinação do §4º do art. 195, da Carta Política. portanto, como a Lei nº 8.540/92, alterando o disposto no art. 25 da Lei 8.212/91, fixou a base de cálculo da contribuição como sendo a "receita bruta proveniente da comercialização" da produção rural, teria havido afronta ao texto constitucional, "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição tudo na forma do pedido inicial (...)". Fl. 1478DF CARF MF 8 essa ressalva foi reiterada pelo Relator Ministro Marcos Aurélio, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, que, embora não tenha acolhido os aclaratórios, afirmou o seguinte: “O Plenário defrontouse com processo subjetivo e, em acórdão que contém fundamentação minunciosa, acabou por acolher pedido formulado na inicial de mandado de segurança. Assim o fez com as cautelas próprias, ou seja, assentando, após a declaração de inconstitucionalidade de preceitos, o direito da impetrante de não ser compelida à retenção do recolhimento de contribuição social ou do recolhimento por subrogação sobre a receita bruta proveniente da comercialização de produtos rurais de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate até que legislação nova baseada na Emenda Constitucional nº 20/98 venha instituir a contribuição”. o fundamento jurídico adotado pelo acórdão citado como basilar da decisão ora hostilizada demonstra, às escâncaras, que apenas foi abordada no julgamento a constitucionalidade da redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 conferida pela Lei nº 8.540/92; noutros termos, a Lei nº 8.540, editada em 1992, alterou o artigo 25 da Lei nº 8.212/91; o dispositivo modificou a contribuição devida pelo empregador rural pessoa física, substituindo as contribuições incidentes sobre a folha de pagamento por aquela incidente sobre a comercialização da produção rural; apenas essa lei Lei nº 8.540, de 1992 foi objeto da decisão proferida no RE nº 363.852/MG, fundamento da decisão ora recorrida, tendo decidido o Supremo Tribunal Federal pela sua inconstitucionalidade; ocorre que a Suprema Corte não se pronunciou sobre a atual redação do art. 25 da Lei nº 8.212/91 a qual, hodiernamente, dá suporte para a cobrança da contribuição; portanto, atualmente, a contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física é recolhida com base na redação do art. 25 da Lei nº 8.212 conferida pela Lei nº 10.256, de 2001 cuja constitucionalidade não foi apreciada pelo STF; isso porque, nos termos do RE nº 363.852/MG, a superveniência de lei ordinária, posterior à EC nº 20 de 1998, seria suficiente para afastar a pecha de inconstitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física; com a edição da Lei nº 10.256, no ano de 2001, sanouse o referido vício; com efeito, após o julgamento do RE 363.852/MG, diversos contribuintes passaram a sustentar que é inconstitucional a contribuição sobre o total da produção do empregador rural pessoa física até os dias atuais, sem considerar a existência da Lei n.º 10.256/2001, editada sob a vigência da EC 20/98; outros, ainda, passaram alegar que mesmo após a edição desse diploma legal, a cobrança da contribuição seria indevida pelo fato de ter sido alterado somente o caput do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, mantida a redação dos incisos e do art. 30, IV, da LCPS, conferida pelas Leis declaradas inconstitucionais pelo STF; acerca desses fundamentos, cabe tecer as seguintes considerações; Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.476 9 o art. 25 da Lei n.º 8.212/91, com redação dada pelas Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, previa duas espécies de contribuição previdenciária incidente sobre a receita da comercialização da produção: a) contribuição devida pelo empregador rural pessoa física; b) a contribuição do segurado especial; a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF abrangeu tão somente a contribuição incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física empregador, pois, conforme explicitado, essa foi a causa de pedir do mandando de segurança n.º 1998.38.00.0339353, gênese do RE n.º 363.852/MG; Nesse sentido, interpretase que a declaração de inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 foi apenas parcial, nada afetando a contribuição do segurado especial, a qual tem previsão constitucional no art. 195, §8º da CF; em termos claros: a decisão proferida pelo STF só abrange o produtor rural empregador. logo, retomando o raciocínio anterior: se o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, com redação dada pelas Leis n.º 8.540/92 e 9.528/97, sob o fundamento de que à luz da redação primitiva do art. 195, I, da Constituição Federal, não havia previsão para incidência de contribuição social sobre a receita bruta da comercialização da produção, daí considerando que a instituição válida da exação somente poderia ocorrer por meio de lei complementar, conforme determinação do §4º do art. 195, da Carta Política, esse mesmo fundamento não poderia ser aplicado ao segurado especial cuja previsão para incidência de contribuição social sobre o resultado da comercialização da produção tem assento constitucional específico no artigo 195, § 8º; ao longo de todo o julgamento do RE ficou explicitado que a instituição de contribuição sobre o total da produção somente seria constitucional em relação ao segurado especial, que atua em regime familiar, nos termos do art. 195, § 8º, da CF. Confirase: “Vale frisar que, no artigo 195, temse contemplada situação única em que o produtor rural contribui para a seguridade social mediante a aplicação de alíquota sobre o resultado de comercialização de produção, ante o disposto no § 8º do citado artigo 195 – a revelar que, em se tratando de produtor, parceiro, meeiro e arrendatários rurais e pescador artesanal bem como dos respectivos cônjuges que exerçam atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, dáse a contribuição para a seguridade social por meio de aplicação de alíquota sobre o resultado da comercialização da produção. A razão do preceito é única, não se ter, quanto aos neles referidos, a base para a contribuição estabelecida na alínea “a” do inciso I do artigo 195 da Carta, isto é, a folha de salários. Daí a cláusula contida no § 8º em análise “... em empregados permanentes...”. (Min. Marco Aurélio, fl. 1888) “De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição – a folha de salários – a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção” (Min. Marco Aurélio, fl. 1889) Fl. 1480DF CARF MF 10 “Ora, a contribuição sobre o resultado da comercialização da produção rural do art. 195, § 8º, existe precisamente porque seu destinatário – o produtor rural sem empregados permanentes – não pode, é obvio, contribuir sobre folha de salários, faturamento ou receita, já que não dispõe de empregados, nem é pessoa jurídica ou entidade a ela equiparada. Logo, é imediata a conclusão de que o sujeito passivo objeto pela parte inicial do art. 25 não se enquadra na exceção do art. 195, § 8º, reservada, em caráter exclusivo, ao segurado especial, que recebe proteção constitucional em vista de sua vulnerabilidade socioeconômica. Não entrando na exceção do art. 195, §8º, subsumese o empregador rural pessoa física à regra geral o art. 195, I, que estabelece a contribuição social devida pelo empregador sobre diferentes base de cálculo, notadamente a folha de salários – dentre os quais não se encontra, está claro, o “resultado” ou a “receita bruta proveniente da comercialização de sua produção” (Min. Cezar Peluso, fl. 19141915). no sentido da validade contribuição previdenciária exigida do segurado especial, aliás, já decidiu a 1ª Turma do TRF da 4ª Região, nos autos AI nº 0028938 18.2008.404.7100/RS. Transcrevese trecho do voto do Relator (Des. Joel Ilan Paciornik): “Necessário, antes de prosseguir, um esclarecimento. O julgado acima levava em conta redações já revogadas da Lei 8.212/1991. Isso porque, conforme se explicará adiante, não se pode considerar indevida a contribuição prevista no artigo 25, I, da Lei 8.212/91, relativamente ao segurado especial, definido no inciso VII do artigo 12 da Lei 8.212/91. (…) Pois bem, não há dúvidas de que a decisão proferida no RE n.° 363.852 declarou a inconstitucionalidade da contribuição social sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural em relação aos produtores rurais que não se amoldem à categoria dos segurados especiais, visto que o aludido recurso extraordinário foi interposto por pessoa jurídica adquirente de produtos cujos fornecedores eram pessoas físicas empregadoras.” (…) De se notar que o parágrafo 8º do artigo 195 da Constituição define base de cálculo para contribuição previdenciária, especificamente, para o segurado especial, que não se enquadra em nenhuma das outras categorias de segurado, definidas no artigo 12 da Lei 8.212/1991.” (negritos apostos) No mesmo sentido: “MANDADO DE SEGURANÇA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA POR ADQUIRENTE DE PRODUTOS RURAIS SEGURADOS ESPECIAIS E PESSOAS FÍSICAS LEI Nº 8.212/91, ART. 25 C.C. ART. 30, III E IV, DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS Nº 8.540/92, 8.870/94, 9.528/97 E 10.256/2001 (NOVO FUNRURAL) – LEGITIMIDADE. I –(...). II Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.477 11 É legítima a contribuição previdenciária de segurados especiais e pessoas físicas produtoras rurais prevista no artigo 25 c.c. art. 30, III e IV, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pelas Leis nº 8.540/92, 8.870/94, 9.528/97 e 10.256/2001 (denominada Novo FUNRURAL), pois têm assento na redação originária do artigo 195 da Constituição Federal, a dos segurados especiais no § 8º do referido artigo, e a dos empregadores pessoas físicas produtoras rurais no próprio inciso I, "b", enquadrandose na expressão "faturamento", por isso não se exigindo lei complementar para sua instituição (art. 195, § 4º), de outro lado também não se confundindo com aquela contribuição exigida das agroindústrias (§2º do art. 25 da Lei 8870/94, incidente sobre "o valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado", declarada inconstitucional pelo Egrégio STF, quando do julgamento da ADIn nº 1103/DF (Tribunal Pleno, Rel. para acórdão Min. Maurício Corrêa, DJ 25/04/97, pág. 15197), justamente por não se enquadrar no conceito de "faturamento" recepcionado pelo atual Texto Constitucional. III Remessa oficial provida, reformando a sentença para denegar a segurança. Agravo retido prejudicado.(REOMS 200661050109410, JUIZ SOUZA RIBEIRO, TRF3 SEGUNDA TURMA, 11/02/2010)” nesse sentido, acerca do tema há o recente posicionamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região na APELAÇÃO CÍVEL Nº 2007.70.03.0049589/PR, que declarou a constitucionalidade dessa norma e, consequentemente, a constitucionalidade da cobrança da contribuição rural após 2001: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente Fl. 1482DF CARF MF 12 sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." assim sendo, com relação aos “sem empregados” (segurado especial – art. 12, VII da Lei nº 8.212/91), a contribuição desde sempre esteve autorizada pelo texto constitucional (art. 195, § 8º, da CF), bem assim sua ampla regulamentação sempre esteve no art. 25 da Lei 8.212/91; portanto, a discussão no âmbito do RE n.º 363.852/MG restringiuse à constitucionalidade da contribuição social incidente sobre a receita oriunda da comercialização da produção do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição prevista no art. 22, da Lei n.º 8.212/91 e, ainda, antes da redação conferida pela Lei n.º 10.256/2001; na linha desse arrazoado, revela notar que a redação original do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 contemplava apenas a contribuição do segurado especial, prevendo a alíquota de 3% sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção; a Lei n.º 8.540/92, além de acrescentar ao dispositivo a contribuição do empregador rural pessoa física (caput do art. 25), reduziu a alíquota de contribuição do segurado especial de 3% para 2% (inciso I) e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho (inciso II); para melhor visualização das alterações legislativas, importa trazer a lume o texto do art. 25 da Lei n.º 8.212/91 antes e depois da Lei n.º 8.540/92: Redação original: Art. 25. Contribui com 3% (três por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no inciso VII do art. 12. Redação conferida pela Lei n.º 8.540/92 Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. ora, entender que a decretação de inconstitucionalidade perpetrada pelo STF atingiu a integralidade do art. 25 da Lei n.º 8.212/91, ou seja, inclusive os incisos, seria chegar ao absurdo de dizer que o segurado especial estaria desobrigado da contribuição para a previdência social, porquanto a base de cálculo e alíquota de sua contribuição estão dispostas nesses incisos; com certeza, essa não é a conclusão que se extrai de uma leitura atenta do RE nº 363.852/MG, uma vez que a contribuição do segurado especial sequer foi objeto da ação mandamental; houve, portanto, apenas declaração parcial de inconstitucionalidade da Lei n.º 8.540/92 no comando dirigido ao empregador rural pessoa física; Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.478 13 se a inconstitucionalidade decretada no RE nº 363.852/MG em nada afetou o segurado especial, por conseguinte, mantiveramse hígidos os incisos do art. 25, da Lei n.º 8.212/91; então, intuitivo concluir que o fato da Lei n.º 10.256/2001 ter alterado apenas o caput do art. 25 da LCPS em nada obsta a cobrança da contribuição substitutiva da folha de pagamento a cargo do empregador rural pessoa física, pois à exação se aplicam os mesmos incisos do art. 25 que permaneceram vigendo no ordenamento jurídico relativamente ao segurado especial; igual raciocínio se aplica para o art. 30, IV, da Lei n.º 8.212/91, que também se trata de norma dirigida tanto ao empregador rural pessoa física como o segurado especial. Confirase a redação do preceptivo legal atualizada pela Lei n.º 9.528/97: “IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 8.540, de 1992)”. a obrigação tributária por subrogação do adquirente quanto ao segurado especial não restou prejudicada pelo RE nº 363.852/MG. Nesse sentido, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 permaneceu produzindo seus efeitos no ordenamento jurídico; despiciendo, portanto, que a redação conferida pela Lei n.º 9.528/97 não tenha sido alterada pela Lei n.º 10.256/2001; como é possível perceber da leitura do acórdão proferido pelo Plenário do STF no RE nº 363.852/MG, a subrogação em si não possui nada de inconstitucional; a decretação de insubsistência da obrigação tributária por subrogação do adquirente da produção do empregador rural pessoa física, ordenada no RE 363.852/MG, somente permanece se presente o quadro jurídico analisado pelo STF, isto é, ausência de previsão no art. 195, I, da CF para cobrança de contribuição sobre receita bruta e lei ordinária tratando da matéria (Lei 8.540/92); alterado esse contexto por novel legislação, in casu, a Lei n.º 10.256/2001, editada após a EC 20/98, válida a arrecadação da contribuição por meio da técnica da substituição tributária, nos termos do art. 30, inciso IV, da LCPS, que permaneceu vigendo no ordenamento em relação ao segurado especial; na esteira desse entendimento, a jurisprudência dos Tribunais Regionais Federais, verbis: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. LEGITIMIDADE ATIVA. COMPENSAÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUMULAS 512 DO STF E 105 DO STJ. Fl. 1484DF CARF MF 14 1 A jurisprudência é uníssona no sentido de reconhecer a legitimidade ativa ad causam da empresa adquirente/consumidora/consignatária e da cooperativa para discutir a legalidade da contribuição para o Funrural. 2 O substituto tributário carece de legitimidade para compensar ou repetir o indébito, porquanto o ônus financeiro não é por ele suportado. 3 O STF, ao julgar o RE nº 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1º da Lei nº 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 4 Com o advento da EC nº 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 5 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade.” (TRF4, AC 2007.70.03.0049589, Primeira Turma, Relatora Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 11/05/2010). [grifos acrescidos] “PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO. APELAÇÃO CÍVEL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA COM EMPREGADOS. CONTRIBUIÇÃO. ARTS. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da LEI 8.212/91. LEI N° 10.256/2001. EXIGIBILIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. RESERVA DE PLENÁRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DESNECESSIDADE. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA DE RECOLHIMENTO. 1. Com a edição das Leis n°s 8.212/91 PCPS Plano de Custeio da Previdência Social e Lei n° 8.213/91 PBPS Plano de Benefícios da Previdência Social, a contribuição sobre a comercialização de produtos rurais teve incidência prevista apenas para os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de economia familiar (Lei nº 8.212/91, Art. 12, VII e CF/88, Art. 195,§ 8º), à alíquota de 3%. O empregador rural pessoa física contribuía sobre a folha de salários, consoante a previsão do art. 22. 2. O art. 1º da Lei 8.540/92 deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV, da Lei 8.212/91, cuidando da tributação da pessoa física e do segurado especial. A contribuição do empregador rural , antes sobre a folha de salários, foi substituída pelo percentual de 2% incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural para o pagamento dos benefícios gerais da Previdência Social, acrescido de 0,1% para financiamento dos benefícios decorrentes de acidentes de trabalho. 3. Quanto aos segurados especiais, a Lei nº 8.540/92 reduziu a sua contribuição de 3% para 2% incidente sobre a receita bruta Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.479 15 da comercialização da produção rural e instituiu a contribuição de 0,1% para financiamento da complementação dos benefícios decorrentes de acidentes do trabalho, além de possibilitar a sua contribuição facultativa na forma dos segurados autônomos e equiparados de então. 4. O art. 30 impôs ao adquirente/consignatário/cooperativas o dever de proceder à retenção do tributo. 5. Os ministros do Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao apreciarem o RE 363.852, em 03.02.2010, decidiram que a alteração introduzidapelo art. 1º da Lei nº 8.540/92 infringiu o § 4º do art. 195 da Constituição na redação anterior à Emenda 20/98, pois constituiu nova fonte de custeio da Previdência Social, sem a observância daobrigatoriedade de lei complementar para tanto: 6. A decisão do STF diz respeito apenas às previsões legais contidas nas Leis n°s 8.540/92 e 9.528/97 e aborda somente as obrigações subrogadas da empresa adquirinte, consignatária ou consumidora e da cooperativa adquirente da produção do empregador rural pessoa física (no caso específico o "Frigorífico Mataboi S/A"). 7. O STF não tratou das legislações posteriores relativas à matéria, até porque o referido Recurso Extraordinário foi interposto na Ação Ordinária n° 1999.01.00.111.3782, o que delimitou a análise da constitucionalidade da norma no controle difuso ali exarado. 8. O RE 363.852 não afetou a contribuição devida pelo segurado especial, quanto à redução de contribuição prevista pelos mesmos incisos I e II, do artigo 25, da Lei n° 8.212/91, com a redação daLei n° 8.540/92, como retro mencionado. Portanto, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada. 9. A Emenda Constitucional nº 20/98 deu nova redação ao artigo 195 da CF/88 e permitiu a cobrança também sobre a receita de contribuição do empregador, empresa ou entidade a ela equiparada: 10. Em face do permissivo constitucional (EC nº 20/98), a "receita" passou a fazer parte do rol de fontes de custeio da Seguridade Social. A conseqüência direta dessa alteração é que, a partir de então, foi admitida a edição de lei ordinária para dispor acerca da exação em debate nesta lide, afastando definitivamente a exigência de lei complementar como previsto no disposto do artigo 195, § 4º, com a observância da técnica da competência legislativa residual (art. 154, I). Fl. 1486DF CARF MF 16 11. Editada após a Emenda Constitucional n° 20/98, a Lei nº10.256/2001 deu nova redação ao artigo 25 da Lei nº 8.212/91 e alcançou validamente as diversas receitas da pessoa física, ao contrário das antecessoras, Leis nº 8.540/92 e 9.528/97, surgidas na redação original do art. 195, I, da CF/88 e inconstitucionais por extrapolarem a base econômica vigente. 12. Não cabe o argumento de que os incisos I e II foram declarados inconstitucionais e, portanto, inexiste a fixação de alíquota, o que tornaria a previsão do Caput "letra morta". Na hipótese, não houve declaração de inconstitucionalidade integral da norma, mas apenas em relação ao fato gerador específico e à ampliação do rol de sujeitos passivos (contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física), permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25 da norma legal ventilada quanto ao segurado especial. 13. Com a modificação do Caput pela Lei n° 10.256/2001, aplicamse os incisos I e II também ao empregador rural pessoa física. 14. O empregador rural pessoa física não se enquadra como sujeito passivo da COFINS, por não ser equiparado à pessoa jurídica pela legislação do imposto de renda (Nota Cosit n° 243, de 04/10/2010), não se podendo falar, assim, em "bis in idem", mas apenas a tributação de uma das bases econômicas previstas no art. 195, I, da CF, sem qualquer sobreposição. 15. A contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física, nos moldes do artigo 25 da Lei nº 8.212/91, vem em substituição à contribuição incidente sobre a folha de salários, a cujo pagamento estaria obrigado na condição de empregador, mas foi dispensado pela Lei n° 10.256/2001. 16. Nos termos do artigo 30, III, da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 11.933/2009, cabe à empresa adquirinte, consumidora ou consignatária e à cooperativa a obrigação de recolher a contribuição de que trata o artigo 25, da Lei n° 8.212/91 até o dia 20 do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção. 17. São devidas as contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta da comercialização de produtos pelo empregador rural pessoa física, a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/01. (...)” (TRF 3, APELAÇÃO CÍVEL 1601121, Processo: 2010.61.02.0056030, Relator DESEMBARGADOR FEDERAL JOSÉ LUNARDELLI, Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA, Data do Julgamento 28/06/2011, Data da Publicação/Fonte DJF3 CJ1 DATA:17/08/2011 PÁGINA: 213) [grifos acrescidos] “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL. PRODUTOR RURAL. PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RE 363.852/MG. ART. 25 DA LEI 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELAS LEIS 8.540/92 Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.480 17 E 9.528/97. LEI 10.256/2001, NOVA REDAÇÃO AO ART. 25 DA LEI 8.212/91. CONSTITUCIONALIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 363.852/MG declarou a inconstitucionalidade dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97 até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, disponha sobre a contribuição. No sentido do texto, observese a ementa do referido julgado: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) 2. Com a edição da Lei nº 10.256/2001 não há que se falar em inconstitucionalidade da contribuição previdenciária discutida no presente feito, prevista no art. 25, I e II, da Lei nº 8.212/91, eis que cobrada com espeque no art. 195, I, alínea b, da Constituição Federal, com redação dada pela EC nº 20/98. 3. Considerando que a partir da entrada em vigor da Lei nº 10.256/2001, não existe inconstitucionalidade na cobrança e tendo em vista que a parte autora pleiteia a repetição de contribuições pagas somente a partir de 2002, não assiste à requerente direito a restituição. 4. Apelação improvida.” (TRF 5ª Região, Processo: 0005250 45.2010.4.05.8000 Órgão Julgador: Primeira Turma, Rel. Desembargador Federal Francisco de Barros e Silva (Substituto), Data Julgamento 30/06/2011, Fonte: Diário da Justiça Eletrônico Data: 07/07/2011 Página: 302) [grifos acrescidos] logo, nesse ponto, da subrogação, com a edição de lei posterior à EC nº 20/98 (Lei nº 10.256/2001), que já foi inclusive considerada constitucional perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a contribuição sobre a produção dos empregadores rurais pessoas físicas foi retomada; Fl. 1488DF CARF MF 18 o referido dispositivo continua tendo utilidade prática em relação aos tributos recolhidos pelos segurados especiais e dos empregadores rurais depois da edição da Lei nº 10.256/2001, que adequou a técnica de tributação à nova redação constitucional; vejase que, no RE nº 363.852/MG, o Supremo Tribunal não estava processualmente autorizado a analisar a manutenção ou não da vigência das Leis nº 8.540/92 e 9.528/97 sob a égide (após) da Emenda Constitucional nº 20/98, porque o objeto processual analisado no recurso extraordinário era apenas a invalidação das relações jurídicas tributárias inter partes e a declaração apenas incidental de invalidade das normas jurídicas tributárias impugnadas perante o texto originário; a Corte, no referido RE 363.852/MG, também não examinou o art. 25 com a redação dada pelas leis ordinárias posteriores à Emenda Constitucional nº 20/98 porque estas também não integravam o objeto processual delimitado na petição inicial, dentre as quais se insere a Lei nº 10.256/2001, que fundamentou o lançamento; em conclusão, a declaração de inconstitucionalidade veiculada no RE n.º 363.852/MG se referiu, exclusivamente, ao caput do art. 25 da Lei de Custeio, com redação dada pela Lei n.º 8.540/92, na parte dirigida ao empregador rural pessoa física; em outros termos, a declaração de inconstitucionalidade foi apenas parcial, permanecendo válidos e constitucionais os incisos I e II do artigo 25; da mesma forma, o art. 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91 somente deixa de ser aplicado nos limites da declaração de inconstitucionalidade, ou seja, apenas em relação ao empregador rural pessoa física e se existente o mesmo contexto jurídico analisado no julgamento do STF; no caso concreto, os fatos geradores que deram origem à obrigação tributária ocorreram no período de 02/2003 a 02/2007, ou seja, após a Lei n.º 10.256/2001, editada com arrimo na EC nº 20/98, de forma que é plenamente válida a cobrança dos créditos tributários constituídos pelo auto de infração; logo, por todas as razões acima expostas, impõese a manutenção do acórdão proferido pela Primeira Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do CARF. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o lançamento na sua integralidade. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, relativamente à matéria que obteve seguimento inconstitucionalidade do art. 30, iv, da Lei nº 8.212, de 1991, declarada pelo STF atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.084.5692, de 26/04/2007, relativa a Contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 35377.000645/200733 Acórdão n.º 9202004.646 CSRFT2 Fl. 1.481 19 grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinadas ao SENAR, incidentes sobre o valor da aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, exigível da autuada condição de subrogada. Conforme o Relatório Fiscal, tratase de Empresa com atividade de Agroindústria FPAS 825 e a base de cálculo lançada foi apurada por meio de contas contábeis, uma vez que a empresa não exibiu notas fiscais de entrada de produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, bem como contabilizou as compras de produtos rurais pessoa física juntamente com as compras de pessoa jurídica. Os valores não foram declarados em GFIP e não foi feita retenção e recolhimento dos valores a que a empresa estaria obrigada. Consta ainda do Relatório Fiscal que o lançamento visa prevenir a decadência, em razão da Ação Judicial nº 2003.03.00.0097420, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Assim, de plano constatase que a Contribuinte ajuizou ação com o mesmo objeto do presente Recurso Especial. A questão da concomitância entre ação judicial e processo administrativo, versando sobre o mesmo objeto, já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, nada resta a esta Segunda Turma senão negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, declarando a definitividade do lançamento e determinando o cumprimento da sentença, quando proferida no processo judicial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1490DF CARF MF
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Numero do processo: 14120.000445/2005-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DEDUÇÃO. DEPENDENTES. SOGROS.
Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração.
Numero da decisão: 9202-004.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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DEDUÇÃO. DEPENDENTES. SOGROS. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que lhe deram provimento. Solicitou apresentar declaração de voto a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 04 45 /2 00 5- 51 Fl. 206DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração para exigência de IRPF, em razão de glosa de despesas médicas efetivadas com o tratamento de sua sogra, que não foi declarada como dependente na DIRPF do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou regularmente Impugnação, que foi julgada improcedente. Assim sendo, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte. No julgamento do Voluntário a 1ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento foi dado provimento ao recurso, para restabelecer dedução da despesa médica com a sogra, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. SOGRO/SOGRA. Sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. DESPESAS MÉDICAS COM DEPENDENTE. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada a relação de dependência, devem ser restabelecidas as respectivas deduções com despesas médicas, conforme pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencida a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende (Relatora). Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães. Regularmente intimada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, trazendo como paradigma os Acórdãos 104 21017 e 10420530, alegando que a tese encampada nos arestos adotados como referência de entendimento afinase com o entendimento agasalhado na decisão de primeira instância no sentido de que não se estabelece a referida relação de dependência, se o cônjuge do contribuinte declarante não auferiu rendimentos tributáveis, figurando na DIRPJ como mero dependente. Em suas razões a União alega que se a sogra do autuado não foi declarada como dependente, correta a glosa das despesas médicas a ela referentes, tal como procedeu o Fl. 207DF CARF MF Processo nº 14120.000445/200551 Acórdão n.º 9202004.649 CSRFT2 Fl. 207 3 Fisco. O momento e o instrumento próprio para que se possa declarar uma pessoa como dependente e pleitear as deduções devidas, por constituir uma faculdade outorgada pela lei ao contribuinte, é na Declaração de Ajuste Anual (...). Na tese trazida pela União para que os sogros possam ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora, seu descendente tem que ter auferido rendimentos no anocalendário e declarado estes rendimentos em conjunto com seu cônjuge, visto que os pais não podem ser dependentes de descendente que não possua rendimento para suportar os gastos advindos da relação de dependência. Como no presente caso a esposa do contribuinte figurou como sua dependente na Declaração de Ajuste Anual, podese considerar que, substancialmente, a declaração foi realizada em conjunto, embora não o tenha sido formalmente. A par disso, a esposa do contribuinte não auferiu rendimentos próprios no ano calendário em questão, não possuindo, assim, capacidade financeira para manter sua mãe como sua dependente. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto, tendo em vista que o acórdão recorrido defende a tese de que a sogra pode ser dependente, mesmo que o conjugue não tenha auferido rendimentos e seja declarado como dependente. Já os paradigmas apresentados expõem o entendimento de que apenas é admitida a inclusão do sogro/sogra como dependentes na hipótese em que a declaração é realizada em conjunto e que o cônjuge aufira rendimentos próprios. Regularmente intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Especial, que não foi admitido. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, não há reparos a se fazer na análise realizada previamente. Da análise dos presentes autos verificase que o contribuinte em questão teve glosadas despesas médicas devidamente comprovadas, incorridas com sua sogra. Importante destacar que na DIRPF respectiva continha sua esposa como sua dependente, mas não sua sogra, que faleceu antes do fim no período de apuração. Há, ainda, informação nos autos que a sogra não auferiu rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal. Alega a União, todavia, que apenas na hipótese em que a DIRPF é entregue de forma conjunta e que o cônjuge descendente aufira rendimentos próprios há a possibilidade de se incluir sogro/sogra como dependente. Vale destacar que essa matéria já fora analisada por diversas outras ocasiões por este Tribunal. Inclusive a própria Câmara Superior já se debruçou sobre o tema, conforme se pode depreender do Acórdão 9202002.882, onde, por unanimidade de votos, ficou decidido que sogro ou sogra, desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode figurar como dependente na declaração de imposto de renda do Fl. 208DF CARF MF 4 genro, quando cônjuge ou companheira deste esteja igualmente incluída na referida declaração. Importante frisar, ainda, que no caso analisado pela CSRF a esposa do sujeito passivo e sua sogra foram declaradas dependentes suas. A razão para tal concussão é que na hipótese em que um dos cônjuges é dependente do outro, há, devido ao núcleo familiar, a possibilidade de que os pais do cônjuge dependente sejam assim listados na declaração de ajuste anual do casal. São, na verdade, pais do cônjuge, que, embora não aufira rendimentos por seu labor ou capital, é titular de parte dos rendimentos do outro. Por esse motivo, interpretase extensivamente o disposto no artigo 35, VI, da Lei 9.250/95, para ali também incluir o sogro e a sogra. Penso exatamente dessa maneira. O presente caso, entretanto, possui uma peculiaridade, a sogra do contribuinte não foi incluída como dependente em sua DIRPF, conforme se pode depreender da seguinte passagem do quadro “descrição dos fatos e enquadramento(s) legal(is)”, do Auto de Infração: Assim, não podem ser admitidas para efeito de dedução da base de cálculo as despesas medicas realizadas com a sogra do contribuinte, não incluída como dependente na respectiva declaração de rendimentos, não podendo o mesmo efetuar a retificação para incluila após iniciado o procedimento fiscal em curso. Conforme tabela abaixo, os valores relativos ao tratamento de sua sogra foram glosados, totalizando R$ 15.896,57: A par disso, entendo que todos os requisitos materiais exigidos para que a caracterização da sogra como dependente do contribuinte no presente caso foram cumpridos, sendo que a falta de indicação da sogra como dependente representou mero equívoco formal, que não pode prevalecer sobre o direito, de modo que dedução da despesa médica comprovadamente realizada foi legítima. Nesse contexto, entendo que não há reparos a se fazer na decisão recorrida. Assim, voto por negar provimento ao recurso da União. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Declaração de Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 209DF CARF MF Processo nº 14120.000445/200551 Acórdão n.º 9202004.649 CSRFT2 Fl. 208 5 Divirjo do posicionamento do Ilustre Relator, por entender que ele contraria a legislação que rege o Imposto de Renda Pessoa Física. O art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, contém o rol exaustivo dos dependentes para o Imposto de Renda: Art. 35. Para efeito do disposto nos arts. 4º, inciso III, e 8º, inciso II, alínea c, poderão ser considerados como dependentes: I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até 21 anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até 21 anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifei) Assim, constatase que desse rol exaustivo não consta a figura dos sogros, portanto eles não podem ser considerados como dependentes. Por outro lado, como responsável por determinar a forma e condições de apresentação da Declaração de Ajuste Anual, a Receita Federal sempre permitiu que, na constância da sociedade conjugal, quando os dois cônjuges/companheiros estão obrigados a apresentar a declaração, possam fazêlo em conjunto. É o que consta de forma claríssima no art. 8º do RIR/1999: Art. 8º Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. (...) §3º O cônjuge declarante poderá pleitear a dedução do valor a título de dependente relativo ao outro cônjuge.” (grifei) Nesse passo, no caso de opção dos cônjuges/companheiros por declaração em conjunto, deve ser assinalado o campo "Esta declaração é em conjunto", que consta do cabeçalho da Declaração de Ajuste Anual. Fl. 210DF CARF MF 6 Dessas duas normas decorre a conclusão de que um cônjuge/companheiro pode figurar da declaração do outro cônjuge/companheiro apenas em duas situações, mutuamente excludentes: apenas como dependente, por força do art. 35, incisos I ou II, da Lei nº 9.250, de 1995; ou como declarante e dependente, mediante a utilização da prerrogativa concedida pelo art. 8º do RIR/1999. Claro está que a opção pela declaração em conjunto não poderia retirar direitos que o declarante teria se apresentasse a declaração em separado, e por isso mesmo lhe é garantido o direito de ter como dependentes os pais, sempre nas condições estabelecidas no art. 35, inciso VI, da Lei nº 9.250, de 1995. Nesse caso, quando se trata dos pais daquele cônjuge/companheiro que figurou na declaração em conjunto como declarante/dependente, obviamente que criase uma situação de aparente ilegalidade, já que, a rigor, aqueles dependentes são sogros do declarante em nome do qual é apresentada a declaração. Porém a aparência de ilegalidade é facilmente dissipada, já que esses dependentes figuram naquela declaração em conjunto não como sogros do declarante que apresenta a declaração, mas sim como pais do declarante/dependente. Justamente para esclarecer essa situação peculiar, a edição "Perguntas e Respostas" ("Perguntão"), elaborada anualmente pela Receita Federal, assim explica: 339 A sogra ou sogro podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora? De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 22.499,13). O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 22.499,13), nem estejam declarando em separado. Assim, entende esta Conselheira que as decisões que admitem a dependência de sogros, sem que haja declaração em conjunto dos cônjuges/companheiros, ou seja, fora das condições legalmente estabelecidas, caracterizamse como contra legem, já que: alargam indevidamente a relação numerus clausus do art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995, que nunca previu a figura do sogro; alargam indevidamente o conceito histórico do Imposto de Renda Pessoa Física, que é o conceito de declaração em conjunto, com a prerrogativa de que um dos cônjuges/declarantes figure como dependente. Importa salientar que as decisões que vêm admitindo os sogros como dependentes, sem que haja declaração em conjunto, em momento algum enfrentam os dispositivos legais ora tratados, utilizando argumentos tais como o fato de o genro/nora, ao arcar com o cônjuge/companheiro dependente, sem rendimentos, tem de arcar também com o as despesas referentes aos pais deste. Ora, o declarante pode arcar com o sustento de quem bem entender, sem que o respectivo custo seja necessariamente transferido aos cofres públicos. O que se quer dizer é que há que separar aquilo que é direito legalmente reconhecido, do que é Fl. 211DF CARF MF Processo nº 14120.000445/200551 Acórdão n.º 9202004.649 CSRFT2 Fl. 209 7 mera liberalidade. O argumento aqui vergastado contraria frontalmente o art. 35 da Lei nº 9.250, de 1995. Outro argumento constante é no sentido de que, uma vez que o cônjuge/companheiro sem rendimentos figura como dependente na declaração do genro/nora, esta declaração passa a ser automaticamente "em conjunto". Em primeiro lugar, essa conclusão vai contra a declaração do próprio genro/nora, que não assinalou o quadro de "declaração em conjunto". Ademais, tal afirmação faz tábula rasa do art. 8º do RIR/1999, que traz o conceito técnico de "declaração em conjunto", e neste não se inclui a declaração em que o cônjuge/companheiro figura apenas como dependente, e não como declarante/dependente. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.914465/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA.
Nos termos dos REsp 962.379 e 1.149.022, submetidos ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos regimentais, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF, excluindo-se, inclusive, a multa de mora.
Numero da decisão: 3201-002.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira -Presidente Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: Relator
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira -Presidente Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
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HIDRO ELÉTRICA RIO SÃO FRANCISCO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA. Nos termos dos REsp 962.379 e 1.149.022, submetidos ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil, portanto, de observância obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos regimentais, para que se configure a denúncia espontânea nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o pagamento deve preceder a constituição da obrigação tributária, ou seja, a entrega da DCTF, excluindose, inclusive, a multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente– Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 44 65 /2 00 9- 94 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Versa o presente litígio sobre cobrança de multa de mora, referente ao PIS, do segundo trimestre de 2004. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da Delegacia de Julgamento: 1. Tratase de Declaração de Compensação Retificadora (n° 16584.53461.060707.1.7.046956, fls. 001 a 004), elaborada com a utilização do Programa PER/DCOMP, transmitida em 06/07/2007, que tem por origem do crédito um suposto pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS, cobrança nãocumulativa (Código 6912), informado em outra DCOMP anterior, transmitida em 30/08/2006 (n°34534.37904.300806.1.3.046004, fls. 064 a 068), apresentando o DARF as seguintes características: 1.1. Na DCOMP sob análise, pretendeuse utilizar uma parcela daquele pagamento, no valor original de R$ 20.286,27, que, com o acréscimo da SELIC acumulada, seria suficiente para a compensação de um débito do IRRF, Código 3426, relativo ao 3° decêndio de agosto/2006, vencimento 05/09/2006, no valor de R$ 24.950,08. 2. A DCOMP foi analisada de forma automática, pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações — SCC, e, constatada a inexistência de direito creditório, a compensação não foi homologada pela autoridade competente — no caso, o titular da DRF/Recife —, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis, tudo conforme Despacho Decisório emitido eletronicamente (fls. 005 a 007),do qual o contribuinte foi cientificado, por via postal, em 22/10/2009 (fls. 009). 3. Irresignada, a interessada apresentou, em 20/11/2009, Manifestação de Inconformidade (fls. 010 a 012), onde diz, em resumo, que o pagamento a destempo foi decorrente de uma interpretação da legislação, que depois se confirmaria equivocada, no quetange ao regime a ser adotado na apuração da Contribuição para o PIS sobre a receita decontratos firmados anteriormente a 31/10/2003. 3.1. A empresa vinha se utilizando do regime cumulativo até que, em 2005, passou a entender que, em função dos preços terem Fl. 153DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.914465/200994 Acórdão n.º 3201002.308 S3C2T1 Fl. 94 3 sido reajustados pelos índices de variação monetária, estaria descaracterizado, em primeira análise, o preço determinado previsto no contrato original, levando à necessária adoção do regime nãocumulativo, inclusive retroativamente, o que implicou o pagamento, em atraso, da diferença decorrente desta mudança. 3.2 Em02/05/20057 protocolizou denúncia espontânea (fls. 021e 022), prevista no art. 138 do CTN, acompanhada de diversos documentos, dentre os quais o que seria a origem do crédito utilizado na DCOMP em tela. 3.3. Conforme já visto, o DARF não contempla a multa de mora, o que a empresa procura justificar na denúncia espontânea, ressaltando que "os valores dos referidos tributos foram recolhidos fora dos seus vencimentos, acrescidos de juros de mora sem incidência de multas, antes do inicio de quaisquer procedimentos administrativos ou medidas de fiscalização por parte do fisco". 3.4. Com o advento da Lei n° 11.196/2005, no entender da interessada, a dúvida teria sido dissipada, já que estaria expresso que a simples correção dos preços não descaracterizaria o preço predeterminado e, portanto, não traria alterações ao contrato original: Art 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei n°10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso lI do 3S' 1° do art. 27 da Lei n° 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. 3.5. Assim, a CHESF voltou a aplicar o regime cumulativo as receitas em questão, também retroativamente, o que levou, após o recálculo à identificação de valores pagos a maior, os quais se constituiriam então em créditos contra a Fazenda Pública, passíveis de utilização para compensação. 3.6. Analisando os valores consignados no Despacho Decisório, em confronto com os informados nas DCTF, a empresa chega logo à conclusão de que o objeto da cobrança seria precisamente a multa de mora que deixou de ser incluída no pagamento extemporâneo, procedimento, segundo a reclamante, "justificado mediante denúncia espontânea com características especiais". 3.7. "Como a denúncia espontânea ainda está sob análise", entende que "a referida cobrança neste momento é inadequada, permitindo assim, a utilização do crédito pela PER/DCOMP". 3.8. Ao final, requer "o cancelamento da cobrança do débito de R$ 24.950,08" É o que importa relatar. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa: PAGAMENTO ESPONTÂNEO EM ATRASO. MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o valor do tributo pago após o vencimento, mesmo que a denúncia seja espontânea, antes do inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, incide a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n° 9.430/96. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório para fazer frente ao débito declarado em DCOMP, a compensação não será homologada, implicando a cobrança do valor indevidamente compensado, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2° e 7 0 do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida, afirma a Delegacia de a Recorrente fez um pagamento em atraso, que julgou maior que o devido, para quitar a Contribuição para o PIS nãocumulativa apurada em 30/06/2004, sem incluir a multa de mora. Contudo, posteriormente, ao interpretar a legislação, entendeu a Recorrente que o valor principal devido seria menor (R$ 192.915,31) e, então, restaria um saldo do DARF que poderia ser utilizado para compensação. A Delegacia de Julgamento, ao analisar o direito creditório, calculou pelo SICALC o valor considerado como devido relativo a junho de 2004, cujo vencimento se deu em 15/07/2004, porém pago com atraso, em 29/04/2005, chegando aos seguintes números: Assim, para pagar a Contribuição para o PIS de junho de 2004, seria necessário utilizar R$ 253.895,83 do DARF de R$ 410.330,07, restando R$ 156.434,24 para compensação, em valor original, como consta do Quadro 3 do Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal. Considerandose o valor reconhecido a multa de mora encontrada na simulação, de R$ 38.583,06, chegase ao valor de R$ 195,017,30, crédito alegado pela Fl. 155DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.914465/200994 Acórdão n.º 3201002.308 S3C2T1 Fl. 95 5 Recorrente, reconheceuse que a discussão restringese ao cabimento de multa de mora, ou, se o caso em tela, subsumese à hipótese de denúncia espontânea. E nesse contexto, na decisão da Delegacia de Julgamento concluise que multa de mora sempre é exigível na denúncia espontânea, sendo apenas passível de exclusão a multa de ofício. Em seu recurso voluntário, a Recorrente argumento que o não pagamento da multa foi justificado por denúncia espontânea, originada de um erro na interpretação da legislação tributária. Com a edição das Leis n° 10.637/2002 e n°10.833/2003, que instituíram o regime de PIS/COFINS nãocumulativos, a Recorrente as interpretou que deveria continuar no regime cumulativo quanto a tributação dos PIS e da Cofins aplicadas aos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003. Não obstante, em 2005, a Recorrente novamente interpretou a legislação passou a adotar o regime nãocumulativo de tributação para os referidos contratos, decorrendo desse fato um recálculo para o período em que foi aplicado o regime cumulativo; resultando um saldo de, PIS/COFINS a recolher. A Recorrente, então, valeuse do mecanismo denúncia espontânea, para pagar o valor levantado sem o acréscimo da multa pelo atraso no recolhimento, através do processo administrativo n° 19647.004378/200528, protocolado em 02/05/2005. Com a edição da Lei 11.196/06, a nova norma esclareceu que o simples reajuste de prego em função da variação de índice monetário, não traria alterações ao contrato original, e, por conseguinte, foi efetuado um novo recálculo gerando um crédito a utilizar proveniente da diferença das alíquotas aplicadas nos regimes de tributação, utilizado em parte no PER/DCOMP n°16584.53461.060707.1.7.046956. Finalmente, deve se observar que o presente processo administrativo é conexo ao de n° 10480.909723/200911, processo de compensação referente ao mesmo direito creditório, que já foi julgado pela 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara desse Conselho, favoravelmente ao contribuinte, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 Ementa:DENÚNCIA ESPONTÂNEA ARTIGO 138 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL CANCELAMENTO DE MULTA MORATÓRIA. Deve ser reconhecida a aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN nos casos em que, antes da ocorrência do procedimento de fiscalização o contribuinte realiza a declaração do tributo até então não recolhido, acompanhada de pagamento. Entendimento expressado pelo Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial nº 962.379, julgado em caráter. COMPENSAÇÃO INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 Quando o contribuinte utilizase de crédito em valor superior àquele que tem direito, a compensação deve ser apenas parcialmente homologada, até o limite do direito creditório que lhe é garantido. Recurso Voluntário Provido. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente contenda restringese ao cabimento da multa de mora no caso de denúncia espontânea, uma vez que todos os outros aspectos que circundam a declaração de compensação não são contestados na decisão recorrida, como a existência do crédito afirmado pela Recorrente. A DRJ manifestouse pela insuficiência do direito creditório, sob a alegação de que a multa de mora, tendo natureza compensatória, estaria fora do campo de incidência do art.138 CTN, ao passo que o art.61 da Lei n. 9430/96, determinaria expressamente a sua cobrança. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando estabelece que a multa de mora está abrangida pelo instituto da denúncia espontânea, nos moldes do art.138 CTN. O Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 1.149.022 – SP, entende abrangida pela denúncia espontânea, excluindose, inclusive, a multa moratória, situações nas quais o contribuinte retifica declaração de débito para incluir diferença a maior efetua o pagamento da diferença, antes de qualquer procedimento fiscalizatório, como se verifica (com grifos nossos): REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), Fl. 157DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.914465/200994 Acórdão n.º 3201002.308 S3C2T1 Fl. 96 7 noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No REsp 962.379, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, DJe 28/10/08, submetido ao rito dos processos repetitivos previsto no art. 543C do CPC, consignouse que se o crédito foi previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido, como se verifica: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Verificase da leitura conjunta, que de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, resta configurada a denúncia espontânea quando o contribuinte realiza o pagamento antes ou concomitantemente, no caso de retificação parcial, e depois constitui o respectivo débito em DCTF, sem que ocorra quaisquer procedimentos fiscalizatórios nesse intervalo temporal. Da documentação acostada aos autos, verificase que as alegações da Recorrente materializamse na DCTF retificadora, transmitida em 05/03/2007 (fls. 21 e ss.), na qual informa o débito de PIS para a competência 06/2004, como sendo de R$ 192.915,31, vinculado ao DARF pago em atraso, em 29/04/2005 (fls.29), acrescido apenas de juros moratórios, no valor de R$ 42.683,74 e valor de principal era de R$ 367.646,33. Considerando se o valor que seria devido a título de multa de mora, de R$ 38.583,06, chegase ao valor de R$ 195.017,30, crédito alegado pela Recorrente Por conseguinte, verificase que estão cumpridas as condições para a configuração da denúncia espontânea, não devendo ser computada a multa de mora no direito creditório da Recorrente. Assim, considerandose que os entendimentos veiculados nos recursos repetitivos são de reprodução obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força do Regimento Interno do CARF c/c art. 543C do CPC, é de ser julgado procedente o recurso voluntário. assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 159DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.914465/200994 Acórdão n.º 3201002.308 S3C2T1 Fl. 97 9 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 04/10/2016 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.723161/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO.
A teor dos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72, é nula a decisão que ignora a impugnação apresentada tempestivamente por um dos sujeitos passivos - no caso, o responsável - por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 1401-001.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 07/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO. A teor dos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72, é nula a decisão que ignora a impugnação apresentada tempestivamente por um dos sujeitos passivos no caso, o responsável por cercear o direito ao contraditório e à ampla defesa. Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 07/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LIVIA DE CARLI GERMANO, MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, RICARDO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 31 61 /2 01 1- 06 Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 MAROZZI GREGORIO, JULIO LIMA SOUZA MARTINS, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 387477) relativos aos anoscalendário de 2007 a 2009, para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, acrescidos de multa de 75% e juros à taxa Selic. O Relatório da Ação Fiscal de fls. 482517 dá conta de que, no âmbito da Operação Solidária da Polícia Federal e de auditorias da Controladoria Geral da União (CGU), ficou comprovado que a fiscalizada não se revestia das propriedades intrínsecas de sociedade cooperativa. Neste sentido, foram lançados os tributos sobre os valores escriturados pela contribuinte que esta entendia não serem tributáveis por se tratar de atos cooperativos. Referido relatório considera, ademais, que ainda que não houvesse o descumprimento da legislação sobre cooperativas, caberia o lançamento dos tributos pelo fato de as receitas não serem decorrentes de ato cooperativo. Isso porque a totalidade das receitas auferidas pela fiscalizada é decorrente da contratação de serviços por prefeituras municipais, não sendo atos cooperativos e portanto devendo sofrer tributação normal. Foram lavrados termos de sujeição passiva solidária contra Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira, Sérgio Luiz da Silva Pereira, Pontal Consultoria Empresarial, EDSAÚDE Serviços Administrativos S.A. e Prospectar Serviços Administrativos Ltda.. O Relatório da Ação Fiscal baseou a responsabilização nos artigos 124, I, e 135, III, do CTN, apontando unicamente que as pessoas físicas agiam de fato como controladores da fiscalizada. Em 25 de outubro de 2011 foram apresentadas as peças de impugnação da contribuinte Equipe Cooperativa (fls. 583619) e dos responsáveis solidários (fls. 534582). Em 22 de março de 2012, a 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, tendo o acórdão 1037.452 recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 COOPERATIVA. ESTABELECIMENTO DE VANTAGENS OU PRIVILÉGIOS EM FAVOR DE ASSOCIADOS OU TERCEIROS. TRIBUTAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL. É vedado às cooperativas estabelecer vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano, atribuídos ao capital integralizado (Lei nº 5.764, de 1971, art. 24, §3º). A inobservância desta regra importa a tributação dos resultados pelo IRPJ e pela CSLL e à perda da isenção estabelecida no art. 39 da Lei nº 10.865/04. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DA PIS E DA COFINS SOBRE O FATURAMENTO ADVINDO DOS CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A cooperativa de trabalho é sociedade de pessoas com personalidade jurídica distinta dos associados. Pratica atos internos e externos, e somente os primeiros gozam de isenção. Na prática dos atos externos (contrato de prestação de serviços com terceiros) há faturamento, base imponível do COFINS/PIS. Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 11065.723161/201106 Acórdão n.º 1401001.725 S1C4T1 Fl. 1.521 3 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 5 de abril de 2012, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivamente, em 3 de maio de 2012. Nesta mesma data os sujeitos passivos solidários apresentaram recurso voluntário alegando, preliminarmente, a nulidade do acórdão 1037.452, por preterimento do direito de defesa, face à não apreciação de sua impugnação. Eis o breve relatório, na parte que interessa para o deslinde da questão no atual estágio do processo. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O voto condutor do acórdão acima referido inicia com a seguinte observação (fl. 1375), com grifos nossos: Da sujeição passiva solidária Por primeiro, cumpre ressaltar que, tendo sido lavrado termo de sujeição passiva solidária contra (a) o Sr. Antônio Carlos Cavalheiro de Oliveira (fls. 518519), com ciência em 27/09/20011 (fl. 520), (b) o Sr. Sérgio Luiz da Silva Pereira (fls. 530531), com ciência em 07/10/20011 e às sociedades (c) Pontal Consultoria Empresarial (fls. 524525), com ciência em 27/09/2011 (fl. 526), (d) EDSAÚDE Serviços Administrativos S.A. (fls. 521522), com ciência em 27/09/2011 (fl. 523) e (e) Prospectar Serviços Administrativos Ltda (fls. 527528), com ciência em 27/09/2011 (fl. 529), os sujeitos passivos solidários não apresentaram impugnação, restando precluso seu direito de fazêlo. Resta evidente que o acórdão 1037.452 da DRJ/POA ignorou a impugnação tempestivamente apresentada pelos sujeitos passivos solidários, laborando em patente cerceamento do direito de defesa destes. Nos termos do artigo 59, II, do Decreto 70.235/72, as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa são nulas: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Diante do exposto, voto por anular o acórdão 1037.452 da DRJ/POA, por cerceamento do direito de defesa dos sujeitos passivos solidários, os quais não tiveram sua impugnação tempestiva analisada. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 07/10/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 13/10/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 18471.002162/2003-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000, 01/05/2003 a 31/05/2003
CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Aplica-se a Súmula CARF n° 1 que dispõe- importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir-se de efetuá-lo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário.
JUROS DE MORA
Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Recurso a que não se conhece.
PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM PROCESSO DE PARCELAMENTO.
Comprovado que parte do valor exigido no Auto de Infração (para prevenir a decadência) já havia sido opção em processo de parcelamento, antes mesmo da lavratura do AI, é de ser cancelado o lançamento nesta parte. Recurso a que se conhece e que se dá provimento.
Numero da decisão: 3201-002.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Alessandra R. Craveiro, OAB/RJ nº 87.500.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000, 01/05/2003 a 31/05/2003 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Aplica-se a Súmula CARF n° 1 que dispõe- importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximir-se de efetuá-lo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. JUROS DE MORA Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso a que não se conhece. PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM PROCESSO DE PARCELAMENTO. Comprovado que parte do valor exigido no Auto de Infração (para prevenir a decadência) já havia sido opção em processo de parcelamento, antes mesmo da lavratura do AI, é de ser cancelado o lançamento nesta parte. Recurso a que se conhece e que se dá provimento.
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Aplicase a Súmula CARF n° 1 que dispõe importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. A formalização do crédito tributário pelo lançamento de ofício, conforme art. 142 do CTN, decorre do caráter vinculado e obrigatório do ato administrativo, não podendo a fiscalização, sob pena de responsabilidade funcional, eximirse de efetuálo, ainda que esteja suspensa a exigibilidade do crédito tributário. JUROS DE MORA Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso a que não se conhece. PAGAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM PROCESSO DE PARCELAMENTO. Comprovado que parte do valor exigido no Auto de Infração (para prevenir a decadência) já havia sido opção em processo de parcelamento, antes mesmo da lavratura do AI, é de ser cancelado o lançamento nesta parte. Recurso a que se conhece e que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 21 62 /2 00 3- 52 Fl. 449DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte o recurso voluntário, e na parte conhecida, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Fez sustentação oral, pela Recorrente, a advogada Alessandra R. Craveiro, OAB/RJ nº 87.500. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 62 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins nos períodos de 02/1999 a 03/2000 e 05/2003, exigindoselhe contribuição de R$ 259.623,5718, e juros de mora de R$ 182.034,60, perfazendo o total de R$ 441.658,17. No Termo de Verificação Fiscal (fls.55/56), o AFRF autuante esclarece que: 1. O contribuinte deixou de recolher e de declarar em DCTF parte dos valores devidos a título de Cofins no período de fevereiro de 1999 a março de 2000, amparado por Ação Ordinária com Pedido de Tutela Antecipada nº 99.00091175 da 8ª Vara Federal do Rio de Janeiro, questionando a majoração da alíquota e ampliação da base de cálculo desta contribuição por força das alterações introduzidas pela Lei nº 9.718/98, conforme “Planilha de Apuração de Débitos da Cofins” – fls.57/61; 2. Por conseguinte, como os débitos apurados, referentes a parte dos valores efetivamente devidos, a título de Cofins, relativos ao período de fevereiro de 1999 a março de 2000 e, maio de 2003, discriminados na “Planilha de Apuração de Débitos de Cofins”, não foram declarados em DCTF e nem recolhidos, e, como se trata de matéria sub judice, foi lavrado, com o objetivo de resguardar da decadência o direito da Fazenda Pública de constituir tal crédito tributário, o presente Auto de Infração com exigibilidade suspensa, de acordo com o que determina o artigo 151, inciso Fl. 450DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 18471.002162/200352 Acórdão n.º 3201002.378 S3C2T1 Fl. 442 3 IV, da Lei nº 5.172/66 – CTN, e sem aplicação da multa de ofício, conforme vedação disposta no artigo 63 da Lei nº 9.430/96. O enquadramento legal encontrase a fls. 65. Cientificada em 23/12/2003, a interessada apresentou em 22/01/2004 a impugnação de fls. 114/116, na qual alegou: 1. A contribuinte passa a demonstrar o descabimento do auto de infração em questão, por ter sido ele lavrado para exigir, com juros de mora, valores que estão com sua exigibilidade suspensa, por sentença proferida na Ação Ordinária nº 99.00091175, ou que não são devidos com base na Lei nº 9.718, de 27/11/1998; 2. Em 12.04.1999 foi concedida a antecipação de tutela requerida pela impugnante e, em 16.05.2002, foi publicada sentença que confirmou a tutela antecipada, sem, contudo, fazer menção ao PIS na sua parte dispositiva, o que motivou a oposição de embargos de declaração pela contribuinte, os quais foram conhecidos e integralmente providos em 14.06.2002; 3. Como visto, a sentença determinou que a impugnante calculasse a COFINS nos termos da Lei Complementar n° 70 de 31.12.1991, e não com base na Lei n° 9.718/98. Pela Lei Complementar n° 70/91, a Cofins é devida sobre o faturamento mensal, sendo este, de acordo com o art. 2o "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza".; 4. Assim, não cabe exigir qualquer diferença de COFINS calculada sobre receitas que não decorram exclusivamente de mercadorias e serviços e que estão compreendidas no objeto da ação ordinária n° 99.00091175, ajuizada pela contribuinte; 5. O auto deve ser cancelado, porque o art. 62 do decreto n° 70.235/72 dispõe que: "Durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão de cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente à matéria sobre que versar a ordem de suspensão ". Ressaltase que o impedimento previsto neste artigo não se restringe à simples cobrança do crédito tributário, abrangendo também a sua constituição pelo lançamento. 6. A exigência de juros de mora com base na variação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC no auto de infração em questão é ilegal; 7. De acordo com o art. 161, parágrafo 1o do CTN, é estabelecido que os juros de mora a serem pagos pelo contribuinte que não paga o tributo no vencimento são calculados à razão de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso; 8. Analisando a essência dos juros, eles implicam no acréscimo do valor da dívida proporcional ao atraso do devedor em quitála. A sua cobrança tem por finalidade ressarcir o credor por não ter a disponibilidade dos recursos correspondentes; 9. Citese também que o Código Civil Brasileiro anterior (vigente no período base autuado) estabelece em seu art. 1.062 que a taxa de juros moratórios, quando não Fl. 451DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 4 convencionada, será de 6% ao ano, ou seja, 0,5% ao mês. A chamada "Lei da Usura" (Decreto n° 22.626 de 07.04.1993) estabelece que as partes poderão convencionar juros superiores, respeitado o limite de 1% ao mês; 10. A aplicação de percentuais superiores a 1% conferiria aos juros de mora um cunho ressarcitório e punitivo. Na sua essência, os juros só têm cunho meramente ressarcitório; 12. Além desta razão, o art. 13 da lei n° 9.065 de 20.06.1995 que menciona a utilização da taxa Selic para fins tributários não apresenta definição do que seja a taxa Selic e não estabelece o critério, metodologia ou padrão para seu cálculo; 13. No Recurso Especial n° 193.453/SC, em Embargos de Divergência (99/00461096), o Ministro Domingos Franciulli considerou ilegal e inconstitucional a incidência da taxa Selic como índice corretivo dos débitos fiscais; 14. Por todos estes motivos expostos, espera que o auto de infração em questão seja cancelado. Junto com a petição impugnatória, a contribuinte trouxe à colação Procuração, cartão de CNPJ, documentos de identidade, Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 05 de dezembro de 1997, além de cópia da Tutela Antecipada, sentença e Agravo de Instrumento. Posteriormente, foi anexada às fls.150/190, impugnação ao processo 18471.002161/200316, que trata de Auto de Infração da contribuição ao PIS. O pleito foi julgado pela primeira instância, nos termos do acórdão de n° 13 25.641 de 16/07/2009, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II /RJ, cuja ementa dispõe, verbis: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2000, 01/05/2003 a 31/05/2003 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. O lançamento de crédito Tributário cuja exigibilidade esteja suspensa por meio de decisão judicial não definitiva destinase a prevenir a decadência, e constitui dever de ofício do agente do Fisco. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Os juros de mora, em lançamento com a exigibilidade suspensa, são exigíveis, exceto na hipótese de depósito do montante integral. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 18471.002162/200352 Acórdão n.º 3201002.378 S3C2T1 Fl. 443 5 A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a contribuição lançada, quando não contestada expressamente pelo contribuinte. Lançamento Procedente. O julgamento foi no sentido de julgar procedente o lançamento, não obstante, a exigibilidade esteja suspensa por meio de decisão judicial com vistas a decadência. O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Argumenta, que: procedeu ao devido recolhimento da COFINS com base na Lei Complementar n° 70/91, à alíquota de 3% (três por cento), antes mesmo da lavratura do lançamento de ofício, não havendo o que dela cobrar a este título. Anexa: DCTF do 2° trimestre de 2003 em que estão anotadas as compensações para maio de 2003 e o extrato da conta PAES confirmando as informações prestadas acima (documentos n°s. 1 e 2). Ressaltese, que foi distribuído memorial contendo cópia da certidão de objeto e pé, julgamento em 26/10/2010, pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região (ação ordinária n° 99.00091175), reconhecendo a inconstitucionalidade com base no cálculo pelo art. 3°, § 1°, da lei de n° 9.719/98, decisão já transitada em julgado. Anexei e autentiquei (eprocesso exigia, para dar seguimento) documentos intitulados memorial do recorrente, às fls. 352 a 384, distribuídos pela empresa. Foi solicitada através da Resolução de n° 3802000.251, de 19/08/2014, após debate pelo Colegiado, para que a unidade de origem, verificasse se os créditos tributários, objeto da lide, se foram realmente incluídos no PAESParcelamento Especial, tendo em vista que a recorrente alega o Parcelamento Especial PAES junto à Receita Federal, no entanto, a mesma não comprova o recolhimento, bem como não anexa os respectivos DARF. Posteriormente, foi realizada diligência complementar, através da Resolução de n° 3201000.567, de 10/12/2015, para confirmação do parcelamento acima e o que restaria de saldo. Consta informação que o contribuinte parcelou débitos da Cofins, conforme extratos anexos, às fls. 396/418 e que aderiu ao PAES, pedido validado em 16/07/2003, tendo o parcelamento encerrado por rescisão em 25/11/2009. Posteriormente, veio a aderir à sistemática do parcelamento do Paex, tendo encerrado por liquidação no PA 18208.000402/201112 que controlava o ct da Cofins dos períodos de apuração de setembro a dezembro de 1999. Consta despacho que o AI foi lavrado com a exigibilidade suspensa em função da AO n° 99.000091175, como relatado, cuja ciência deuse em 23/12/2003. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 6 Os pleitos das diligências, acima, foram demandas até com efeitos de confirmação das afirmações da Recorrente, bem como meus pares terem conhecimento dos fatos até então, para esclarecimentos com fins no julgamento. O processo digitalizado foi redistribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento, de forma regimental É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relator O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Tratase de lançamento para prevenir decadência, com exigibilidade suspensa, para cobrança de débitos apurados, referentes a parte dos valores efetivamente devidos, a título de Cofins, relativos ao período de fevereiro de 1999 a março de 2000 e, maio de 2003, discriminados na “Planilha de Apuração de Débitos de Cofins”, que não foram declarados em DCTF e nem recolhidos, e, por se tratar de matéria sub judice, de acordo com o artigo 151, inciso IV, da Lei nº 5.172/66 – CTN, e sem aplicação da multa de ofício, conforme vedação disposta no artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Como relatado, insiste a Recorrente quando argumenta, que: procedeu ao devido recolhimento da COFINS com base na Lei Complementar n° 70/91, e alíquota de 3% (três por cento), antes mesmo da lavratura do lançamento de ofício, não havendo o que dela cobrar a este título. Anexa DCTF do 2° trimestre de 2003 em que estão anotadas as compensações para maio de 2003 e o extrato da conta PAES confirmando as informações prestadas acima (documentos n°s. 1 e 2). Inicialmente, há de considerar, duas matérias a serem tratadas, para análise. 1PARTE DO AIAUTO DE INFRAÇÃO, OBJETO DO PARCELAMENTO Como relatado, consta despacho que o Auto de Infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa em função da AO n° 99.000091175, cuja ciência deuse em 23/12/2003, no entanto, observase que o contribuinte parcelou débitos da Cofins, conforme extratos anexos, às fls. 396/418, com adesão ao PAES, pedido validado em 16/07/2003, tendo o parcelamento encerrado por rescisão em 25/11/2009. Posteriormente, veio a aderir à sistemática do parcelamento do Paex, tendo encerrado por liquidação, através do Processo Administrativo de n° 18208.000402/201112 que controlava o crédito tributário da Cofins dos períodos de apuração de setembro a dezembro de 1999, conforme demanda da diligência efetuada. Cumpre destacar que o referido Auto de Infração foi lavrado para evitar a decadência do referido tributo, uma vez que a matéria sobre o alargamento da base de cálculo estava sendo discutida por meio da ação ordinária referida. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 18471.002162/200352 Acórdão n.º 3201002.378 S3C2T1 Fl. 444 7 Para o período de fevereiro a dezembro de 1999, a Recorrente, antes da lavratura do AI, desistiu do pedido relativo à majoração da alíquota da Cofins de 2% para 3% formulado na AO e parcelou esses débitos no âmbito do PAES, passando a recolher 3%. Em sendo assim, em relação aos débitos vinculados à majoração da alíquota da Cofins, como a Recorrente aderiu ao Parcelamento EspecialPAES, da Lei de n° 10684/2003, antes mesmo da lavratura do auto de infração, cujo pedido foi transmitido em 16/07/2003 e posterior quitação, usufruindo do benefício concedido pela Lei de n° 11.941/2009, conforme documentos acostados, demonstrativo de pedido consolidado, abrangendo período de apuração de fevereiro a dezembro de 1999 e informação prestadas pelas diligências; enfim, reconhecimento da extinção do débito pelo pagamento, devese cancelar o auto de infração nesta parte. Portanto, as informações constantes do processo demonstram, de forma inequívoca, que as obrigações tributárias exigidas no Auto de Infração na parte acima comentada, já haviam sido devidamente satisfeitas pela Recorrente, e que não houve a devida atenção por parte do fisco na formalização da peça básica, visto que não foram levados em consideração os pagamentos referentes ao processo inicial de parcelamento. CONCLUSÃO 1 Diante do exposto, voto por que seja dado provimento ao recurso nesta parte, para cancelar o AI, no período de apuração de fevereiro a dezembro de 1999, quanto à majoração de alíquota da Cofins, por conta do parcelamento, cuja opção deuse antes da lavratura do AI. 2PARTE DO AUTO DE INFRAÇÃOCONCOMITÂNCIA Como já comentado, o AI foi lavrado com a exigibilidade suspensa em função da AO n° 99.000091175. Registrese que deve ser cancelada parte do AI referente ao parcelamento (da majoração de alíquota e no período de apuração de fevereiro a dezembro de 1999) e sua quitação, analisado no item anterior. Resta, portanto, saldo do AI referente à parcela de 3% sobre as receitas financeiras do período compreendido entre fevereiro a dezembro de 1999, bem como a exigência fiscal, de janeiro/2000 a março de 2000 e maio/2003; entendo que esta mesma matéria discutida nos autos foi levada à apreciação do Poder Judiciário. A coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Constituição Federal brasileira, que adota o modelo de jurisdição una, na qual são soberanas as decisões judiciais. Em consequência, o órgão de origem deverá proceder conforme disposto na letra “d” do ADNCOSIT nº 3/96: o processo será encaminhado para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 149 do CTN; e estando a exigibilidade suspensa por liminar em Mandado de Segurança ou depósito do montante integral, deverá aguardar o pronunciamento judicial. Fl. 455DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA 8 A fiscalização cumpriu seu dever, de acordo com o art. 142 do CTN, no sentido de sua vinculação à constituição do crédito tributário. Quanto à questão sob apreciação do Judiciário, aplicase, inclusive a Súmula Carf nº 1 que dispõe: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Por sua vez, o artigo 151 do CTN dispõe: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Quanto à aplicação da taxa SELIC como juros de mora, igualmente a questão já está sumulada, através da Súmula CARF n° 5, posto que os depósitos judiciais foram inferiores e não integrais, como afirma a Recorrente. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. CONCLUSÃO 2 Em face de todo o exposto, não conheço do recurso voluntário, na parte que já levada à apreciação do poder judiciário, pela aplicação da Súmula CARF de n° 01, não obstante a decisão já transitada em julgado. CONCLUSÃO FINAL Por todo o exposto, conheço parcialmente do recurso voluntário. Da parte conhecida, dou provimento ao recurso voluntário (matéria analisada no item 1) e da parte não conhecida (item 2), aplicase Súmula CARF de n° 1. É como voto. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM Relator Fl. 456DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA Processo nº 18471.002162/200352 Acórdão n.º 3201002.378 S3C2T1 Fl. 445 9 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 3/09/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAI S PEREIRA
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