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Numero do processo: 16624.001195/2006-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/01/2004
PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16624.001195/200610 Recurso nº 517.621 Voluntário Acórdão nº 310201.038 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria Restituição PIS Recorrente BARDELLA ADM DE BENS E EMPRESAS E CORRETORA DE SEGUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/01/2004 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela recorrente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição (f1.01), formulado em papel, protocolado em 21/08/2006, cujo crédito decorre de supostos pagamentos a maior a título de COFINS, relativos aos períodos de FEVEREIRO/1999 a JANEIRO/2004, no montante de R$ 103.156,88. Alega a interessada que efetuou tais pagamentos sobre a base de cálculo definida no art. 3°, inciso I, da Lei n° 9.718/98, e, portanto, acabou por incluir nesta base de cálculo, os ingressos financeiros. Segundo seu entendimento, o indébito se justificaria em função de, à época da promulgação da Lei n° 9.718/98, o conceito vigente de faturamento era restrito, não admitindo a inclusão de ingressos financeiros. Desta, reclamou o direito creditório no judiciário, impetrando Mandado de Segurança, porém obteve decisão final desfavorável. Contestou esta decisão final, propondo Ação Rescisória, ainda em curso. Em relação ao pedido de restituição na via administrativa, a interessada justificou a não utilização do aplicativo PER/DCOMP por estarem incluídos, no montante, valores correspondentes a período de apuração anteriores a 5 anos da data do pedido, e assim a via eletrônica não seria aceita. Apesar da existência de valores correspondentes a período de apuração anteriores a 5 anos da data do pedido, entendeu a interessada que o prazo prescricional se iniciou na data da homologação do lançamento, e não na data do pagamento indevido. Em tempo, alegou que a Ação Rescisória proposta no judiciário justificaria o presente pedido de restituição, que quando menos, teria o efeito de sobrestar a contagem do prazo prescricional até a decisão final daquela ação judicial. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Guarulhos emitiu o Despacho Decisório n° 853/2006, de fls. 179/184, no qual indeferiu o pleito pelas razões a seguir. Consignou a autoridade do Seort da DRF Guarulhos, que os fundamentos jurídicos do presente Pedido de Restituição é conexo com a causa de pedir do Mandado de Segurança impetrado no judiciário, assim como da decorrente Ação Rescisória, ainda em curso. Argumentou aquela autoridade, que embora o contribuinte tenha o direito constitucional de litigar judicialmente contra a Fazenda Pública, o ordenamento jurídico brasileiro não contempla o paralelismo de instâncias, não podendo haver a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial. Disse que ao Poder Judiciário é dada exclusividade de examinar as questões a ele submetidas de forma definitiva, gravandoas com os efeitos de coisa julgada. Desta feita, à Administração Tributária seria impossível conhecer pleitos com relação a mesma matéria litigada judicialmente, o que o legislador reputou prudente a abstenção da autoridade administrativa em face da supremacia do Poder Judiciário. Em relação ao citado Mandado de Segurança, consignou a autoridade que sendo desfavorável a decisão final à interessada, o objeto do presente pleito se resumiria à restituição dos valores pagos em obediência à Lei n° 9.718/98, o que tornaria o pleito indevido. Neste contexto, ao pleitear administrativamente o que o Mandado de Segurança não reconheceu, perdeuse o objeto do pedido de restituição. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16624.001195/200610 Acórdão n.º 310201.038 S3C1T2 Fl. 2 3 Na mesma toada, entendeu a autoridade que o efeito de interromper o prazo prescricional, um dos motivos do pleito da interessada, não é cabível por estar a matéria em análise no judiciário. Por fim, aquela autoridade consignou que a Administração, no presente caso, não está vinculada ao teor das decisões do Supremo Tribunal Federal, notadamente à decisão do RE n° 346.084, conforme o Decreto 2.346/97. Isto pelo motivo de que o efeito daquele recurso aplicouse apenas em favor das partes que litigaram naquele processo, e que eventual extensão dos seus efeitos somente com ato editado pelo Presidente da República, o que não foi o caso. Sendo assim, propôs a autoridade do Seort da DRF Guarulhos o indeferimento do Pedido de Restituição sem o conhecimento do mérito. A contribuinte, inconformada com despacho decisório que indeferiu seu pleito, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 190/194), alegando em síntese o que se segue. Discorreu a interessada que embora esteja discutindo no judiciário o direito de recolher o PIS e a COFINS sem a ampliação de suas bases de cálculo conforme disposto na Lei n° 9.718/98, não renunciou ao pleito de restituição na esfera administrativa nos termos do item "a", do ADN no 03/96. Afirmou a interessada que o pedido judicial é distinto do pedido administrativo, uma vez que naquele, o seu objeto é o pagamento do PIS e da COFINS sem a ampliação de suas bases de cálculo prevista na Lei n° 9.718/98, e este (o pleito administrativo), é da restituição dos valores já pagos, justamente porque levaram em consideração a ampliação da base de cálculo, o que segundo ela, ocasionou os pagamentos indevidos. Por conclusão da contribuinte, embora as causas de pedir sejam próximas e guardem semelhança, posto que consideraram ilegítimo o disposto na Lei n° 9.718/98, em verdade seriam distintas, até pelo motivo de que o pleito administrativo teria o efeito de suspender, ou quando ao menos, interromper o curso do prazo prescricional do direito de restituição do indébito. Seguindo este entendimento, a interessada rechaçou que o caso ora em análise se encaixaria no item "a", do ADN n° 03/96, mas sim no item "h" do mesmo Ato Declaratório, pois, existindo diferentes objetos, um do processo judicial e outro do processo administrativo, o objeto deste último teria prosseguimento normal. No final, em relação ao mérito, insistiu que a mais alta corte do país já decidiu pela inconstitucionalidade do art. 30, inciso I, da Lei n° 9.718/98, elencando algumas decisões proferidas pela referida corte. Em sendo assim, e tendo o entendimento que a inconstitucionalidade do dispositivo da citada lei é assunto já pacificado, afirmou que sua aplicação seria obrigatória por parte da Administração conforme o Decreto n° 2.346/97. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 28/02/1999 a 31/01/2004 Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃOJUDICIAL. A proposição de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após o pleito administrativo, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PAGAMENTO INDEVIDO. Incabível o pedido de restituição de pagamento indevido enquanto não houver o trânsito em julgado da decisão que tenha dado origem ao direito creditório. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considera haver identidade entre a as causas de pedir da ação rescisória impetrada pela recorrente perante o Poder Judiciário e o presente processo administrativo, decorrendo disso a concomitância, razão pela qual a matéria não deve ser apreciada em âmbito administrativo. Pela sua vez, a contribuinte assevera que no início impetrou Mandado de Segurança defendendo o direito de recorrer o PIS e a COFINS sem a ampliação da base de cálculo. Não obtendo êxito, ajuizou ação rescisória com o objetivo de rescindir a decisão proferida, se não vejamos. Com efeito, foi demonstrado desde o início que a recorrente, no passado, propôs de medida judicial (MS n° 1999.61.00.0209153) na qual pleiteou o direito de recolher o PIS e a COFINS sem a ampliação procedida em suas bases de cálculo, pelo art. 3º, I, da Lei n° 9.718/98. Tal medida veio a ser julgada improcedente e, à vista do trânsito em julgado, a recorrente ajuizou Ação Rescisória (AR n° 2006.03.00.0084736), ainda em trâmite no Eg. TRF3a Região, com o objetivo de rescindir a decisão proferida no writ e, por conseqüência, deixar de pagar o PIS e a COFINS segundo os ditames da Lei n°9.718/98. Assim, entende trataremse de pedidos distintos. A ação judicial teria como objeto a obrigatoriedade de pagar a COFINS, enquanto que a administrativa a restituição dos valores pagos a maior. Não assiste razão à recorrente. Ambos processos tem o mesmo objeto, qual seja, a legalidade do alargamento da base de cálculo introduzido pela Lei 9.718/98. O fato de num estar sendo discutido o dever Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 16624.001195/200610 Acórdão n.º 310201.038 S3C1T2 Fl. 3 5 de pagar e noutro a restituição dos valores pagos, decorre única e exclusivamente do lapso temporal que os separa. No momento em que foi impetrado o Mandado de Segurança a recorrente pretendia não pagar os valores que, uma vez pagos, hoje pretende receber de volta. Isto posto, não há razão para se quer instaurar o litígio administrativo, já que a decisão sobre a regularidade ou não dos pagamentos efetuados será tomada pelo Poder Judiciário, ao decidir sobre o mérito da Ação Rescisória ajuizada pela recorrente. Se obtiver decisão favorável, aí sim poderá requerer a restituição dos valores pagos a maior. Na essência, o que justifica a negativa ao contribuinte do direito de discutir o assunto na esfera administrativa quando o mesmo opta por discutilo em juízo, é o fato de que, ante a decisão tomada na esfera judicial, a decisão administrativa tornase sem nenhum efeito, sendo absolutamente despicienda qualquer iniciativa tendente a dar andamento ao processo administrativo. Ante o exposto, considerando que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, VOTO POR NÃO CONHECER o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Sala de Sessões, 02 de junho de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 09/06/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 06/06/2011 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.903849/2008-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INCLUÍDO NO PARCELAMENTO ESPECIAL DA LEI Nº 11.941/2009.
Não se conhece do Recurso quando o contribuinte, antes do julgamento pela Turma, junta aos autos petição com documentos informando que incluiu o débito no parcelamento especial.
Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 3403-003.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da desistência do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e relator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INCLUÍDO NO PARCELAMENTO ESPECIAL DA LEI Nº 11.941/2009. Não se conhece do Recurso quando o contribuinte, antes do julgamento pela Turma, junta aos autos petição com documentos informando que incluiu o débito no parcelamento especial. Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da desistência do contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 4 1 3 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.903849/200809 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.649 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2015 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente REFRESCOS GUARARAPES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DÉBITO INCLUÍDO NO PARCELAMENTO ESPECIAL DA LEI Nº 11.941/2009. Não se conhece do Recurso quando o contribuinte, antes do julgamento pela Turma, junta aos autos petição com documentos informando que incluiu o débito no parcelamento especial. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da desistência do contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e relator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 38 49 /2 00 8- 09 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Considerando que o relator originário deste processo, Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, deixou o CARF antes da assinatura deste acórdão, valhome do disposto no art. 17, III, do RICARF1, para efetuar a formalização na condição de relator ad hoc. Para tanto, valhome da minuta entregue pelo ilustre conselheiro por ocasião da sessão de julgamento, in verbis: "Trata o presente processo de pedido de restituição do PIS, cumulado com o pedido de Compensação formalizado por meio do Pedido Restituição e Declaração de Compensação n° 33194.77067.101104.1.3.041960, e como débito parcela da mesma contribuição, no valor de R$ 46.705,71 relacionado ao período de apuração de 01/10/2004 a 31/10/2004. O pleito foi indeferido pelo Despacho Decisório Eletrônico, do Delegado da Receita Federal do Brasil em Recife com base nas seguintes constatações: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no Per/Dcomp: R$ 44.587,79. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, na data de 22/08/2008, com os seguintes argumentos, em síntese: Fatos: I Aduz que o pedido de compensação decorre do cálculo e do recolhimento a maior, efetuado equivocadamente quando da apresentação da DCTF relacionado a Cofins do período de apuração de junho de 2004, gerando um crédito a seu favor a quantia de R$ 44.587,79, utilizados, então, para quitar débitos do PIS do período de apuração de outubro de 2004; II Acrescenta que, também se equivocou ao enviar o PER/DCOMP sem no entanto, retificar sua DCTF, razão pela qual, e com base no princípio da verdade material, desde já requer a juntada posterior de documentação hábil para comprovar o pagamento indevido referenciado; III Ressalta que, além de existir saldo, esse fato em nada prejudica o Tesouro Nacional, e que o que não se concebe é permitir que o contribuinte seja penalizado, pague valores ou deixe de realizar a compensação, legalmente permitida, quando dispõe de crédito, por ter pago a maior no passado; IV Pondera que é dever do fisco, proteger os interesses da Fazenda Pública, sem, contudo, negar o direito da contribuinte, principalmente porque o lançamento é oficial, ou 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.903849/200809 Acórdão n.º 3403003.649 S3C4T3 Fl. 5 3 seja, a atividade privativa da autoridade fiscal, é sua obrigação agir com correção (art.142 c/c o art.147, § 2°, do CTN); V Acrescenta que não conhecer da pretendida compensação redunda na penalização da contribuinte duas vezes: a primeira, porque deixa de apreciar um direito subjetivo seu, qual seja, o de compensar créditos que possua; em decorrência dessa negativa gera débito a ser recolhido e não mais compensado, quando tem créditos a seu favor, sendo dever da autoridade administrativa efetuar de oficio sua retificação, quando verificado erros contidos na declaração (art. 147 do CTN) e invoca o princípio da verdade material; VI Conclui que, dessa forma, resta claro que possui crédito no valor de R$ 44.587,79 referente a pagamento indevido ou a maior da Cofins no período referenciado, suficiente para compensar o débito objeto desta cobrança; Fundamentos: I Fundamenta a compensação pretendida nos arts. l70 e 165, inciso I, do CTN, combinados com o art.74, caput e § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996, bem como em Acórdãos do então Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Pedido: I Ante o exposto, pede que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade apresentada e a reforma do Despacho decisório, para o fim reconhecer integralmente os créditos havidos no valor de R$ 44.587,79 e homologar a compensação enviada por meio da Dcomp; II Requer ainda, que seja conferida a interpretação mais favorável à suplicante, na forma do art.1l2 do CTN; III Protesta e requer, ainda, todos os meios de provas inclusive a perícia e diligência, sobretudo para constatar que há créditos passíveis de compensação e apresenta os seguintes quesitos a serem respondidos, tendo em vista o disposto nos aits.2° e 3°, III, da Lei n° 9.784, de 1999: A inconformada realizou pagamentos de Cofins do período de apuração de agosto de 2004 no total de R$ 524.439,01? É permitido pela legislação que durante a ação fiscalizadora, uma vez verificado o erro na declaração do contribuinte, a autoridade fiscal faça a correção de oficio? Requer e protesta por formular outras questões por ocasião da diligência ou perícia. IV Posteriormente à manifestação de inconformidade, foram anexados ao presente processo, por esta julgadora os seguintes documentos: Três DCTF entregues pela contribuinte relacionadas ao débito da Cofins do mês de junho de 2004 (fl.34/38), sendo as duas últimas retificadoras, nas datas respectivas de 12/11/2004, 01/10/2005 e 27/07/2008; Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Extrato da Ficha 7 do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais referente as PIS Incidência Não Cumulativa a Pagar apurada no mês de julho de 2004, apresentada pela interessada. A Autoridade Fazendária aduz, quanto ao Despacho Decisório, que fica clara a razão da não homologação da compensação discutida; o crédito indicado pela contribuinte na PER/DCOMP já foi utilizado integralmente para quitação de débito por ela antes declarado. O valor do PIS apontado como pago pelo Darf, nas duas DCTF, de valor original correspondente a R$ 524.439,01 e estas já haviam sido utilizadas naquela Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais para pagamento da Cofins não cumulativa, período de Apuração 01/07/2004 a 31/07/2004, no valor de R$ 524.439,01, conforme cópia da última declaração precitada. Em consulta a Ficha 07 do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais, verificase que a Dacon apresentada pela contribuinte referente ao mês de setembro de 2004 no presente processo, corresponde aos R$ 524.439,01 que é o mesmo valor do débito declarado pela impugnante nas DCTF em referência. Diante das constatações acima, o que se denota é que, de um lado, constam nos arquivos desta RFB dados registrados como informados e declarados pela contribuinte que levaram a autoridade administrativa a negar a homologação da compensação declarada na Dcomp, em face da utilização pela própria declarante do pagamento da Cofins para quitar débito da mesma contribuição declarado e calculado no DACON, em valor superior ao referido pagamento e, por outro lado, vem a contribuinte, por meio do PER/DCOMP referenciado requerer a restituição de parte deste valor já utilizado no pagamento do débito precitado, para compensálo com outro débito da Cofins do período de apuração de outubro de 2004. A tese da contribuinte quanto ao dever da autoridade administrativa de efetuar de oficio a retificação da DCTF não prospera, pois, existem erros nela contidos, portanto a mesma deve corrigir a DCTF, mediante a apresentação de documentos comprobatórios dos erros existentes, até mesmo porque, o valor declarado na nota do presente caso é o mesmo correspondente ao DACON por ela apresentado em julho de 2004 à RFB. Tal obrigação esta patente no art. 9º da IN/SRF nº 255. A impugnante limitouse ao argumento de que caberia à autoridade administrativa a correção de oficio do erro alegado, sem contudo oferecer elementos comprobatórios de tal afirmação. A norma atribui exclusivamente à recorrente apresentar provas sobre os fatos que a mesma alegou perante a autoridade julgadora; destaca ainda que tratandose de situação constitutiva de direito, compete ao sujeito passivo, que requer a restituição o ônus de comprovas a efetividade do direito ao indébito (art. 133, I, da Lei nº 5.869/73). No que tange ao pedido de perícia e da juntada posterior de provas, esclarece a Autoridade Fazendária que o pedido de diligência ou perícia deve expor os motivos que a justifiquem, bem como preencher breves requisitos para que seja válida, e no caso em questão, não há necessidade desta, uma vez que várias questões que teriam de estar em aberto já estão esclarecidas. Diante dos fatos, a DRJ nega provimento ao pedido de perícia solicitada, pois as provas que serviriam de respaldo às alegações da contribuinte poderiam ser trazidas comodamente por ela os autos; quanto ao pedido de juntada posterior de provas, por não ter sido apresentada até a data do acórdão nenhuma outra manifestação da contribuinte, bem como por não haver nenhuma hipótese prevista no §4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, este também foi negado. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10480.903849/200809 Acórdão n.º 3403003.649 S3C4T3 Fl. 6 5 Por fim, no que se refere à solicitação da contribuinte para que lhe seja dada a interpretação mais favorável, a DRJ aduz que com fulcro no art. 112 do CTN, esta tornase despicienda, no momento em que, no presente voto, ficou demonstrado que todos os dados que serviram de base ao Despacho Decisório foram informados pela própria contribuinte, por meio da DCTF e confirmados no Dacon apresentado, e contra os quais a impugnante não trouxe qualquer prova em contrário. A compensação tributária somente pode ser homologada se os créditos do contribuinte estiverem revestidos de liquidez e certeza, segundo disposto no art. 170 do CTN, e ainda, ser considerada a livre convicção do julgador. A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, em que repete as alegações constantes em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator ad hoc. "A Recorrente apresentou, em 18 de março de 2015, dia anterior à sessão de julgamento, petição e documentos demonstrando que o débito em questão, que foi objeto de compensação, foi incluído no parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Dessa forma, com base no art. 78, §§ 2º e 3º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, julgo prejudicado o Recurso Voluntário. Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário. É como voto. Relator Luiz Rogério Sawaya Batista" Com esses fundamentos, o colegiado não tomou conhecimento do recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/07/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 11128.002262/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Data do Fato Gerador: 29/09/2005
INFORMAÇÃO PRESTADA SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETO-LEI 37/66.
O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/66.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 3102-001.393
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: Winderley Morais Pereira
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DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE REGISTRO. APLICABILIDADE DA MULTA PREVISTA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA “E” DO DECRETOLEI 37/66. O descumprimento do prazo previsto para informação do veículo e carga transportados configura a aplicação da penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Nanci Gama. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 10.000,00, referente à multa por embaraço ao deixar de prestar informações relativas ao embarque de mercadoria na forma e prazo estipulados. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos (fls. 02/03) e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através das Declarações Simplificadas de Exportação —DSE n°s. 2050141460/6 e 2050141476/2, no SISCOMEX, no prazo de 07 dias, conforme o disposto no art. 37 da IN/SRF n° 28/94, com a redação dada pela IN SRF n° 510, de 14/02/2005. Segundo a autoridade autuante, as mercadorias foram embarcadas ao amparo do conhecimento marítimo n° NYKS 855520384, em 22/09/2005, tendo sido registrados os dados de embarque apenas em 25/01/2006. Entendendo estar caracterizado o embaraço, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para cada despacho de exportação em que os dados de embarque não foram prestados no prazo, conforme previsão do artigo 107, IV, alíneas "c" e "e" do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/2003. Cientificada do lançamento em 09/05/2006 (fl. 17 verso), a contribuinte apresentou impugnação em 24/05/2006 (fls. 18/21), alegando em síntese que: (a) o atraso na entrega da DDE não configura embaraço ou impedimento à ação de fiscalização; (b) a DDE em comento foi inserida no Siscomex antes da lavratura do presente auto de infração, evidenciando que a ação fiscalizadora somente se iniciou após a providencia da requerente, o que, por si só, configura a denúncia espontânea da infração, conforme capitulado no art. 138 do CTN; Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11128.002262/200692 Acórdão n.º 3102 001.393 S3C1T2 Fl. 2 3 (c) a IN/SRF n° 28/94 extrapolou sua competência ao definir conduta antijurídica e estabelecer a penalidade aplicável à sua prática, o que lhe é vedado pelo artigo 97 do CTN.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, reduzindo a multa à R$ 5.000,00, por considerar a ocorrência de apenas uma infração, onde o sujeito passivo deixou de informar tempestivamente, os dados relativos a carga de um único veículo transportador. A decisão da DRJ foi assim ementada. “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 29/09/2005 Ementa: MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS ,DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. `No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo de (sete) dias, tornase aplicável a multa por embaraço prevista para essa infração. O embaraço, quando tipificado, deve ser considerado em relação ao veículo transportador, e não em relação a cada despacho de exportação. Lançamento Procedente em Parte.” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Lançamento em razão da informação intempestiva de dados de embarque O lançamento teve origem no descumprimento do prazo para informação dos dados de embarque, referente a transportes internacionais realizados pela Recorrente. O prazo para informação dos embarques estava definido à época dos fatos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994. “Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo.” Atribuição da Receita Federal para definir obrigações acessórias A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória constante da IN SRF nº 28/94. Para um melhor deslinde da questão fazse necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias A definição de obrigação acessória e assunto pertinente aos órgãos da administração tributária, para confirmar este entendimento, basta a análise da matéria do ponto de vista dos diplomas legais disciplinadores da matéria. Inicialmente o art. 113 do Código Tributário Nacional definiu o que vem a ser obrigação principal e obrigação acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11128.002262/200692 Acórdão n.º 3102 001.393 S3C1T2 Fl. 3 5 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Nos termos do Código, a obrigação acessória é prestação comissiva ou omissiva prevista na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos e não se confunde com a obrigação principal de recolhimento tributário. Não há como falar em obrigação acessória ligada a lançamento, mas a obrigação de fazer ou não fazer do sujeito passivo. A alegação que a obrigação acessória somente poderia ser definida em lei e não em normas administrativas, não encontra respaldo nas normas de direito tributário, pois, no art. 113 do CTN é esclarecido, de forma cristalina, que a obrigação acessória nasce da legislação tributária. A legislação tributária abarca outras institutos normativos, tais como decretos e normas complementares como preceitua o art. 96 também do CTN. Ao analisar a questão Luciano Amaro afirma que nos casos em que a obrigação acessória foi definida por ato de autoridade administrativa, podese dizer que decorre de “lei”, visto o caráter de vinculação legal da administração tributária. “Parece que ao dizer serem as obrigações acessórias decorrentes da legislação tributária, o Código quis explicitar que a previsão dessas obrigações pode estar não em “lei”, mas em ato de autoridade que se enquadre no largo conceito de “legislação tributária” dado no art. 96; mesmo, porém que se ponha em causa um dever de utilizar certo formulário escrito em ato de autoridade, melhor seria dizer que a obrigação, em situações como esta, decorre da lei, pois nesta é que estará o fundamento com base no qual a autoridade pode exigir tal ou qual formulário, cujo formato tenha ficado a sua discrição. E, obviamente, também nessas situações, o nascimento do dever de alguém cumprir tal obrigação instrumental surgirá, concretamente, quando ocorrer o respectivo fato gerador”. 1 Confirmando a atribuição da Receita Federal de definir obrigações tributárias, foi editada a MP 1.788/98, convertida posteriormente na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que no seu artigo 16, torna inconteste a atribuição da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável” 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed.,São Paulo, Saraiva. pg. 276277. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 Conforme descrito a Receita Federal possui a competência legal para criar e regular obrigações acessórias referente aos tributos por ela administrados. Destarte, quaisquer declarações, controles e prazos referentes a tributos sobre o seu controle, são de cumprimento obrigatório pelos intervenientes do comércio exterior e o seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. A inaplicabilidade do principio da boafé e da ausência de dano no descumprimento das obrigações acessórias Quanto a discussão sobre dano ou prejuízo a administração aduaneira e aplicação do principio da boafé no descumprimento das obrigações acessória, também não se aplica nestes casos. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente, nos termos previstos no art. 136, do CTN. “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” O texto legal explicita a posição adotada no Código, de afastar as características subjetivas para análise da responsabilidade. As sanções estão previstas em lei e salvo disposição em contrário, não consideram o instituto da subjetividade, não sendo considerada na aplicação da penalidade, a intenção do agente no ato comissivo ou omissivo. Esta fica mais evidente, quando aplicada aos tributos e controles aduaneiros, que na sua origem não possuem caráter arrecadatório, mas de controle e segurança da soberania nacional. As obrigações aduaneiras, tanto principais, quanto acessórias, são determinadas em função de decisões administrativas e políticas de Estado. As obrigações acessórias, definidas no controle aduaneiro, caminham em conjunto com os controles administrativos e fitossanitários. Todas as informações exigidas nas declarações tipicamente aduaneiras são relevantes e determinam critérios de riscos que levam a níveis diferenciados de controle aduaneiro, inclusive podendo definir a ausência total da verificação física das mercadorias importadas. Dai a definição de sanções aplicáveis a descumprimento de obrigações acessórias. A falta ou informação em atraso prejudicam sobremaneira o controle, portanto, a penalidade aplicada vem no intuito de estimular o correto cumprimento das obrigações acessórias, punindo aquele que falta com as informações nos termos previstos pela norma. Denúncia espontânea Quanto a alegação de denúncia espontânea, em razão da informação das DSE terem ocorrido em momento anterior ao lançamento, entendo não assistir razão a Recorrente. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11128.002262/200692 Acórdão n.º 3102 001.393 S3C1T2 Fl. 4 7 A espontaneidade para efeitos tributários exige que o ato praticado não tenha interferência da Fiscalização e seja realizado antes de qualquer procedimento de fiscalização. No caso em estudo, as informações intempestivas correspondem a despachos de exportação vinculados a procedimento fiscal. Ademais, considerando o caráter informativo e de controle, constante das declarações aduaneiras, não há como afastar o prejuízo causado aos controles tributários e administrativos. A informação incorreta ou intempestiva dos dados do transporte da carga, afeta os controles efetuados pelos órgãos responsáveis pelo comércio exterior. Os controles específicos que deveriam ter sido realizados com a carga, já não mais será possível. Portanto, aqui não há como prosperar o argumento da espontaneidade para afastar a penalidade aplicada. Enquadramento legal da penalidade aplicada Insurgese a Recorrente contra o enquadramento legal, utilizado no Auto de Infração. Em razão da falta de informação da carga, não configurar embaraço a fiscalização e, portanto o enquadramento não poderia ser utilizado no Auto de Infração. Aqui também entendo não assistir razão a Recorrente, pois independente da existência ou não do embaraço a fiscalização, também a embasar o lançamento, consta do enquadramento a alínea “e”, do inciso IV, do art. 107 do DL nº 37/66, que trata da falta de prestação de informação.In verbis. “ Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; “ No caso em estudo, a indicação no enquadramento legal da alínea “e” do art. 107, do DL nº 37/66, que determina a penalidade para os casos de informação intempestiva, referentes à carga transportada, se amolda perfeitamente ao caso em tela, pois, a discussão travada em todo o processo, versa sobre a informação intempestiva de dados de embarque. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Winderley Morais Pereira Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/09/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10909.001805/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de direito creditório, possui o contribuinte o ônus probante do direito invocado, o que no presente caso, não ocorreu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc.
EDITADO EM: 19/05/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: GILENO GURJAO BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
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ÔNUS DA PROVA. Tratandose de direito creditório, possui o contribuinte o ônus probante do direito invocado, o que no presente caso, não ocorreu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator ad hoc. EDITADO EM: 19/05/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 05 /2 00 4- 32 Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.001805/200432 Acórdão n.º 3302002.735 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, relativo ao 2° trimestre de 2004, decorrentes das operações de exportação. O crédito pleiteado foi utilizado pela interessada na compensação com débitos próprios, através das Declarações de Compensação anexadas ao processo. A DRF/Itajaí exarou o Despacho Decisório de fls. 1599, com base no Parecer SARAC/DRF/ITJ n° 046/2007 em fls. 1583 a 1598, decidindo pelo deferimento parcial do pedido da interessada, para reconhecer o direito creditório no valor de R$ 16.739.993,58 e, em decorrência, homologar parcialmente as compensações efetuadas, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado que: a) No processo n° 10909.001804/200406, relativo à ressarcimento da contribuição para o PIS, a interessada, em atendimento à intimação fiscal, apresentou memória de cálculo dos créditos utilizados com valores divergentes daqueles constantes da memória apresentada no presente processo. A presente análise se deu com base na memória de cálculo elaborada no processo relativo ao PIS, tendo em vista a data de entrega mais recente de tal documento; b) Os valores informados no DACON não conferem com aqueles presentes nas memórias de cálculo. Foram consideradas, para fins de ressarcimento, as informações constantes da memória de cálculo; c) Foram efetuadas as devidas verificações quanto à pertinência do crédito pleiteado constante da memória de cálculo e quanto a sua escrituração na contabilidade do contribuinte; • Bens Utilizados como Insumos d) Na memória de cálculo a interessada excluiu as devoluções de compras, através da inclusão de tais operações no cálculo do crédito com valores negativos. Contudo, em 05 e 06/2004, os valores constantes dos relatórios são superiores aos valores de fato excluídos do cálculo do crédito. Destarte, há de se reduzir o valor do crédito conforme tabela em fl. 1590; e) Foram excluídas as aquisições de pessoas físicas constantes do Anexo I, que poderão, entretanto, implicar crédito presumido da contribuição; f) Foram excluídas da base de cálculo dos créditos as aquisições de combustíveis relacionados no quadro em fl. 1591 e individualizadas no Anexo II, por não se caracterizarem como insumos nos termos do § 4° do art. 8° da IN SRF 404/2004; • Serviços utilizados como insumos g) Constatouse a presença dos CFOP 1124 e 2124 (industrialização efetuada por outra empresa) e CFOP 1949 e 2949 (outra entrada de mercadoria ou prestação de serviços Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.001805/200432 Acórdão n.º 3302002.735 S3C3T2 Fl. 4 3 não especificada). Estas últimas foram listadas no Anexo III e consolidadas no quadro em fl. 1592, constituem custos diretos ou indiretos, mas não se referem a serviços aplicados ou consumidos na produção, devendo ser excluídas; h) Ressaltese que o crédito relativo a serviço de armazenagem foi incluído e duplicidade na memória de cálculo figurando em "serviços utilizados como insumos" em "despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda"; • Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado i) Foram excluídos os encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não utilizados na produção de bens destinados à venda, relacionados na tabela em fl. 1593; • Devoluções de Vendas Sujeitas à incidência nãocumulativa j) Foram excluídas as devoluções vinculadas a vendas ocorridas até 31/01/2004, sujeitas, portanto, à alíquota de 3% (Anexo IV); • Bens Adquiridos de Pessoas Físicas – Agroindústria k) Foram glosadas as notas fiscais relativas a operações fiscais estranhas à aquisição de bens e serviços utilizados como insumos (CFOP 1.102 e 2.102), conforme relação no Anexo V; 1) Foram excluídas as aquisições de combustível (lenha e lenha de eucalipto) por não se caracterizarem como insumo; m) Foram incluídas as aquisições que haviam sido excluídas da rubrica "bens utilizados como insumos", constantes do Anexo I, desde que não se refiram a combustíveis; • Estoque de abertura n) Verificouse inconsistência quanto ao item "produtos em elaboração "uma Vez que o valor indicado pelo contribuinte não corresponde ao valor da conta "estoque em elaboração" • Apuração do Crédito o) A interessada utiliza o método de rateio proporcional para determinação dos créditos ligados ao mercado interno e os relativos ao mercado externo; p) Na tabela em fl. 1597 foi demonstrado o saldo do crédito a ser ressarcido/compensado, após dedução da contribuição devida informada no DACON. Cientificada da decisão em 31/07/2007 (fl. 1638), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 30/08/2007 (fls. 1639 a 1654), com as seguintes alegações: a) Inicialmente discorre sobre as suas atividades e relaciona os principais produtos industrializados e comercializados no mercado externo; Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.001805/200432 Acórdão n.º 3302002.735 S3C3T2 Fl. 5 4 b) Os combustíveis aplicados em seu processo produtivo sofrem desgaste físico que legitima o creditamento efetuado, conforme art. 3 0, II da Lei 10.833/2003 e IN SRF 404/04. Descreve o emprego de cada item no processo produtivo nas diferentes filiais e cita Solução de Consulta da SRF na 9' Região Fiscal que admite o crédito em questão; c) Reconhece que os créditos referentes aos serviços elencados em fl. 1650 não foram aplicados no seu processo produtivo, exceto em relação ao "óleo diesel" que foi aplicado em geradores instalados nas dependências do seu parque industrial, tendo sido adquirido no Auto Posto Xanxerê, e utilizado pela filial desta mesma localidade; d) Reconhece que foram erroneamente apropriados créditos em relação aos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado e devoluções de vendas anteriores a 31/01/04; e) Com relação aos bens adquiridos de pessoas físicas, as notas fiscais a que se refere a fiscalização relativas a compras para comercialização foram registradas com CFOP 1102 e 2102 porque foram operações realizadas por filiais com atividade de comercialização. Contudo, todos os insumos adquiridos foram transferidos para filiais de industrialização e utilizados no processo produtivo. Para comprovar, junta notas fiscais por amostragem e planilhas (docs. 05 a 10); f) A lenha adquirida é insumo utilizado como combustível para o vapor das caldeiras utilizadas no processo produtivo, conferindo direito ao crédito presumido; g) Quanto à inconsistência constatada pelo fisco em relação ao estoque de abertura no item "produtos em elaboração", ocorre que a fiscalização certamente errou ao considerar somente um único centro de custo para a soma dos produtos em elaboração, desprezando os centros de custo 1154 e 1155, como se observa no quadro apresentado em fl. 1654 e no balancete contábil referente a janeiro, em anexo; h) Por fim, requer a reforma da decisão. O processo foi encaminhado a esta DRJ/RJO II tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 535, de 28/03/2008. Decidiu a DRJ por procedente em parte a manifestação de inconformidade, para reconhecer o crédito de COFINS relativo ao 2° trimestre de 2004 no valor de R$ 257.588,68, a ser adicionado ao crédito anteriormente reconhecido pela autoridade competente no despacho decisório de fl. 1599 e homologar as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Intimada do acórdão supra, em 17.03.2010, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16.04.2010. É o relatório. Voto Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.001805/200432 Acórdão n.º 3302002.735 S3C3T2 Fl. 6 5 Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator ad hoc. O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Créditos Presumidos da Agroindústria. Provas Os questionamentos da Recorrente dizem respeito à possibilidade de aproveitamento de créditos referentes às contribuições para a COFINS, no regime de não cumulatividade, de que trata a Lei nº 10.833/2003, relativamente ao 2º trimestre de 2004, especificamente no que tange ao crédito presumido da agroindústria. Todavia, no que tange à glosa de créditos presumidos da agroindústria, muito embora entenda perfeitamente cabível o direito ao creditamento, compulsando os autos, verifico que há carência completa de material probatório. Buscase no processo administrativo a verdade material. Interessa à Administração que seja apurada a verdade real dos fatos ocorridos. Isto devido ao princípio da verdade material, onde se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador. De fato, na condução do processo há que se ter em conta o processo de fixação formal da prova, no qual o julgador se atém à análise dos meios de prova definidos em lei, à valoração e admissibilidade das provas apresentadas, para formar o seu livre convencimento para decidir. A mera alegação de que faz jus aos créditos provenientes da suposta aquisição de insumos de suas filiais, desacompanhada dos documentos comprobatórios de sua real inexistência não é suficiente para que sejam homologadas quaisquer compensações, ou que quaisquer débitos sejam anulados. No presente caso o Recorrente não comprovou, por meio de documentos hábeis e idôneos e reunidos de forma coerente que os insumos adquiridos de suas filiais foram efetivamente utilizados na elaboração de seus produtos finais. Limitouse a apresentar notas fiscais e listagens sem correlacionálas com os créditos pleiteados. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar qualquer direito creditório. Tratandose, portanto de matéria de prova, cabia ao recorrente produzila de forma satisfatória, a fim de demonstrar o seu direito. Neste sentido, perfilome do entendimento sufragado pelos i. julgadores de primeira instância onde restou decidido que: “Ocorre, contudo, que os documentos trazidos aos autos não têm força probante suficiente para reformar a conclusão da fiscalização exposta no Parecer contestado, uma vez que não se trata de livro fiscal revestido das formalidades legais necessárias para fazer prova a favor do contribuinte. Além disso, Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10909.001805/200432 Acórdão n.º 3302002.735 S3C3T2 Fl. 7 6 não é possível estabelecer uma relação inequívoca entre as aquisições contestadas, relacionadas pela interessada e as transferências alegadas constantes das planilhas apresentadas em sua manifestação de inconformidade, tanto no que diz respeito às quantidades, quanto aos valores, não nos permitindo concluir através dos elementos constantes dos autos que as aquisições representadas pelas notas fiscais objeto da glosa se refiram a produtos que tenham sido de fato utilizados como insumos por estabelecimento industrial da empresa interessada. Assim, diante da falta de comprovação do alegado pela interessada, deve ser mantida a glosa referente a este item.” Assim, há que se esclarecer que o recorrente é obrigado a comprovar a efetividade dos créditos a que tem direito, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos. Sem a comprovação de seu direito, através de tais documentos, a autoridade administrativa fica impedida de lhe proporcionar o crédito requerido, Devese consignar, ainda, que da forma que o contribuinte pretendeu demonstrar seu crédito, seria impossível a esse julgador inclusive requerer diligência, uma vez que não seria possível formular os questionamentos específicos para que se produzissem as informações pela fiscalização ou pelo contribuinte. Por todo exposto, conheço do recurso e julgolhe improcedente. É como voto. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator ad hoc. Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720614/2012-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para fins de contagem do prazo decadencial importa quando foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, não o momento em que o ágio foi constituído, registrado contabilmente. No caso concreto, considerando os fatos geradores ocorridos em 31/12/07, 31/12/08 e 31/12/09, e a ciência dos lançamentos tributários em 26/10/12, não há se falar em decadência pela aplicação do art.150, §4º, do CTN ou do art.173, I, do mesmo codex.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Considerando as normas de regência, a indedutível do ágio estende-se à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
CSLL. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. DESISTÊNCIA RECURSAL.
A desistência expressa do Recorrente quanto a determinados créditos tributários configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto (art.78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF) e implica o não conhecimento das respectivas alegações de defesa.
CSLL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo tributário, veda-se aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
MULTA ISOLADA POR FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO E CONCOMITANTEMENTE À MULTA DE OFÍCIO.
Conforme entendimento consolidado neste Conselho (v.g. acórdão CSRF/9101-001.854, de 29/01/2014), os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício, de modo que o dever de antecipar desaparece após o encerramento do exercício, impossibilitando a aplicação da multa isolada. Além disso, houve bis in idem no caso dos autos, o que não pode ser admitido, pois, em decorrência de uma mesma conduta (aproveitamento supostamente indevido da despesa correspondente à amortização do ágio), a Fiscalização apurou (i) valores a pagar a título de estimativas mensais, sobre os quais exigiu a multa isolada e (ii) valores a pagar a título de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, sobre os quais aplicou a multa de ofício.
Numero da decisão: 1103-001.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, negar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Quanto ao recurso voluntário, não conhecer das alegações de defesa relacionadas à infração 001 (adição à base de cálculo de encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa) em razão de expressa desistência motivada por adesão a parcelamento, por unanimidade; e, quanto à amortização de ágio (infração 002), rejeitar a preliminar de decadência, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata, que deram provimento parcial nos termos das declarações de votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Fábio Nieves Barreira acompanhou o voto declarado do Conselheiro Marcos Shigueo Takata. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator unicamente pelo fundamento de inexistência de obrigatoriedade de aquisição indireta do controle acionário da recorrente. O Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos também apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Breno Ferreira Martins Vasconcelos Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Glosa de despesas. Recorrentes BANCO BTG PACTUAL S/A FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DE AÇÕES. DEDUÇÃO INDEVIDA. É permitida a amortização de ágio nas situações em que uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra, em conseqüência de incorporação, na qual detenha participação societária adquirida com ágio, inclusive no caso de incorporação da controladora por sua controlada. Na espécie, mostrase indevida a amortização, vez que as operações societárias buscaram afinal abusivamente construir, moldar, materializar a hipótese de incidência da regra de aproveitamento fiscal do ágio, com a utilização, inclusive, de sociedade efêmera de passagem, de breve existência, que não se dedicou a qualquer outra atividade empresarial. A defesa, na tentativa de afastar o apontado abuso de direito, compreendido na dimensão de se buscar preponderantemente economia tributária, não logrou comprovar que a engenharia societária justificouse na otimização de resultados operacionais, tendo deixado de devidamente comprovar tal relação de causa e efeito. ÁGIO. COMPROVAÇÃO DE SUA FORMAÇÃO. NECESSIDADE. Por ocasião da participação societária, o lançamento do ágio deve basearse em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração. No caso concreto, inexiste comprovação contemporânea do pagamento do ágio com base em rentabilidade futura, além do fato de não haver prova da realização de estudos internos, tendo o contribuinte anexado uma espécie de relatório, redigido no idioma inglês, sem data de elaboração ou assinatura, e desacompanhado dos elementos que confirmem as premissas adotadas. A prevalecer a tese da defesa, até mesmo planilhas sem assinatura, portanto, desprovidas do requisito de existência da declaração de vontade ali veiculada, ou informações prestadas por Diretor do próprio investidor, desprovidas de lastro probatório mínimo, poderiam ser aceitas, em total desconformidade com a legislação de regência. A legislação permite a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 06 14 /2 01 2- 61 Fl. 4626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.627 2 amortização do ágio pago, desde que o contribuinte comprove o seu fundamento econômico com base em elementos de prova confiáveis, sem mínima margem para dúvidas. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Considerando as normas de regência, a indedutível do ágio estendese à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). CSLL. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DE MEDIDA JUDICIAL. DESISTÊNCIA RECURSAL. A desistência expressa do Recorrente quanto a determinados créditos tributários configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto (art.78 do Anexo II do Regimento Interno do CARF) e implica o não conhecimento das respectivas alegações de defesa. CSLL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo tributário, vedase aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA ISOLADA POR FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO E CONCOMITANTEMENTE À MULTA DE OFÍCIO. Conforme entendimento consolidado neste Conselho (v.g. acórdão CSRF/9101001.854, de 29/01/2014), os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício, de modo que o dever de antecipar desaparece após o encerramento do exercício, impossibilitando a aplicação da multa isolada. Além disso, houve bis in idem no caso dos autos, o que não pode ser admitido, pois, em decorrência de uma mesma conduta (aproveitamento supostamente indevido da despesa correspondente à amortização do ágio), a Fiscalização apurou (i) valores a pagar a título de estimativas mensais, sobre os quais exigiu a multa isolada e (ii) valores a pagar a título de IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, sobre os quais aplicou a multa de ofício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para fins de contagem do prazo decadencial importa quando foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, não o momento em que o ágio foi constituído, registrado contabilmente. No caso concreto, considerando os fatos geradores ocorridos em 31/12/07, 31/12/08 e 31/12/09, e a ciência dos lançamentos tributários em 26/10/12, não há se falar Fl. 4627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.628 3 em decadência pela aplicação do art.150, §4º, do CTN ou do art.173, I, do mesmo codex. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, incidindo também sobre esta juros de mora. Tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, negar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura, que deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Quanto ao recurso voluntário, não conhecer das alegações de defesa relacionadas à infração 001 (adição à base de cálculo de encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa) em razão de expressa desistência motivada por adesão a parcelamento, por unanimidade; e, quanto à amortização de ágio (infração 002), rejeitar a preliminar de decadência, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Marcos Shigueo Takata, que deram provimento parcial nos termos das declarações de votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Fábio Nieves Barreira acompanhou o voto declarado do Conselheiro Marcos Shigueo Takata. O Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva acompanhou o Relator unicamente pelo fundamento de inexistência de obrigatoriedade de aquisição indireta do controle acionário da recorrente. O Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos também apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 4628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.629 4 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL, anoscalendário 2007 a 2009, com incidência de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Foram também constituídas multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas de IRPJ e CSLL (fls.3.179/3.211). A ciência do contribuinte ocorreu em 26/10/12 (fls.3.180 e 3.196). As infrações foram assim descritas nos campos “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”: “IRPJ ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Ausência de adição ao lucro líquido dos períodos fiscalizados, na determinação do Lucro Real, das atualizações monetárias, multas e outros encargos incidentes (tributo/contribuição), cuja exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II a IV, do art.151 da Lei nº 5.172/66, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Redução indevida do Lucro Real decorrente da amortização de ágio, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. MULTA OU JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. CSLL FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL. TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Ausência de adição ao lucro líquido dos períodos fiscalizados, na determinação da base de cálculo da CSLL, das atualizações monetárias, multas e outros encargos incidentes (tributo/contribuição), cuja exigibilidade suspensa nos termos dos incisos II a IV, do art.151 da Lei nº 5.172/66, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL. EXCLUSÕES INDEVIDAS. Redução indevida da base de cálculo da CSLL decorrente da amortização Fl. 4629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.630 5 de ágio, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. CÁLCULO DO DIFERENCIAL DA CSLL. Valor diferencial da CSLL apurado de acordo com a ‘Planilha de Cálculo do Diferencial da CSLL de 6%’, que é parte integrante e inseparável do presente Auto de Infração. MULTA OU JUROS ISOLADOS. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA. Falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. No “Termo de Verificação Fiscal” (fls.3.212/3.239), a fiscalização consignou, em síntese: DO ÁGIO APURADO NA AQUISIÇÃO DO CONTROLE ACIONÁRIO DO ANTIGO BANCO PACTUAL S/A a ação fiscal originouse da constatação de inconsistências, “...dentre as quais, a exclusão nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL da amortização de ágio nos anoscalendário sob fiscalização, decorrente do processo de incorporação às avessas, envolvendo a UBS Brasil Participações Ltda, controlada à época pela empresa UBS AG, com sede no exterior”; em 9/5/06 foi assinado o Contrato de Compra e Venda entre UBS AG, Pactual S/A e Sócios pessoas físicas; em 1/12/06, na Assembléia Geral Extraordinária do Banco Pactual S/A, aprovouse o Protocolo e Justificação da Incorporação da antiga holding Pactual S/A, tendo a totalidade das ações do Banco sido transferidas aos acionistas pessoas físicas. Na mesma data, a totalidade do controle acionário foi assumida pelo UBS AG (sociedade limitada por ações constituída sob as leis da Suíça), através da holding denominada UBS Brasil Participações Ltda, constituída meses antes; a transferência do controle acionário do Banco Pactual S/A e suas subsidiárias para o UBS AG foi aprovada pelo Banco Central do Brasil; o contribuinte apresentou contrato de câmbio de compra equivalente a R$ 2.045.684.177,81, bem como a Primeira Alteração do Contrato Social da UBS Brasil Participações Ltda, de 1/12/06, que aprovou o aumento de capital em tal valor; o contribuinte também forneceu extrato da conta corrente da UBS Brasil Participações Ltda no Banco UBS Pactual S/A e avisos de lançamentos de depósitos relativos a cada acionista vendedor do Banco Pactual S/A que evidencia o crédito da primeira parcela da venda (equivalente a US$920 milhões, acrescidos dos juros contratuais), a favor de cada acionista pessoa física; de acordo com o Contrato de Compra e Venda, a contraprestação em dinheiro creditada aos sócios do antigo Banco Pactual S/A, após a dedução dos tributos devidos, ficaria aplicada em fundos especiais, com o aparente objetivo de manter os sócios como empregados do Banco UBS Pactual S/A por um prazo de pelo menos cinco anos; consta do Diário da UBS Brasil Participações Ltda registro contábil em 1/12/06, relativo à aquisição do controle acionário do Banco Pactual S/A: Fl. 4630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.631 6 Conta nº D/C Valor em R$ Histórico 2.1.2.10.05.0018 (ativo) D 828.325.211,81 Aquisição de x ações do Banco Pactual S/A 2.1.2.10.05.1017 (ativo) D 4.415.294.794,55 Ágio na aquisição de x ações do Banco Pactual S/A 1.1.2.80.00.2082 (ativo) C 2.037.940.006,36 Aquisição de x ações do Banco Pactual S/A 4.9.9.20.00.1016 (passivo) C 3.205.680.000,00 Valor a pagar pela aquisição de x ações do Banco Pactual “...o valor contábil do patrimônio líquido do Banco, conforme balancete analítico na data base do registro contábil da aquisição do Banco correspondia a R$ 1.153.225.211,81, ao invés do custo de aquisição contabilizado no valor de R$ 828.325.211,81, pois eventos futuros relativos à distribuição de dividendos e juros sobre o capital próprio não podem ser simplesmente deduzidos do patrimônio líquido do Banco na data da aquisição”, conforme art.385 do RIR/99; em 5/2/07 ocorreu a incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pelo Banco UBS Pactual S/A, conforme decidido em Assembleia Geral Extraordinária, quando se aprovou: o Protocolo e Justificação de Incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pelo Banco UBS Pactual S/A; o Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido da UBS Brasil Participações Ltda; e a incorporação, observados os termos e condições do Protocolo e Justificação; conforme Laudo de Avaliação de Patrimônio Líquido datado de 5/2/07, preparado por Acal Consultoria e Auditoria, no item III, que trata da metodologia e sumário dos trabalhos realizados, afirmase que “...o patrimônio líquido da UBS Brasil Participações Ltda na data base de 31/12/2006, foi avaliado pelo método de avaliação patrimonial – valor contábil líquido no valor de R$ 1.215.224.995,41”. O ágio, no valor de R$ 4.090.394.794,55, registrado na incorporada UBS Brasil Participações Ltda, “...em relação a sua participação societária no capital da empresa incorporadora Banco UBS Pactual S/A, apresenta rentabilidade futura como fundamentação econômica”; o valor do ágio, apontado no Laudo de Avaliação e no Protocolo e Justificação de Incorporação aprovados pelos sócios da UBS Brasil Participações Ltda e do Banco UBS Pactual S/A, foi assim constituído: Patrimônio líquido na data de aquisição, conforme balancete contábil R$ 1.153.225.211,81 Ágio efetivamente pago (1) R$ 884.714.794,55 Valor total pago em 01/12/2006 R$ 2.037.940.006,36 Valor a pagar, conforme condições do Contrato de Compra e Venda (2) R$ 3.205.680.000,00 Ágio apurado no Laudo de Avaliação (1) + (2) R$ 4.090.394.794,55 considerando o desacerto do registro do ágio na Incorporadora e na Incorporada, glosouse o valor de R$ 324.900.000,00; em 31/7/06, foram constituídas a UBS Brasil Participações Ltda e a UBS Brasil Investimentos Ltda, sendo os primeiros registros contábeis realizados em 27/11/06, subsidiárias integrais da UBS AG (Suíça), tendo como objetos sociais a participação societária em instituições financeiras e a participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, na qualidade de sócia, acionista ou quotista, respectivamente; nos dias 1/12/06 (sextafeira) e 4/12/06 (segundafeira), o contrato social da UBS Brasil Participações Ltda sofreu algumas alterações, nos seguintes termos: “A 1ª Alteração do Contrato Social realizada em 01/12/2006 aprovou o aumento de capital de R$ 1.000,00 para Fl. 4631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.632 7 R$2.045.684.177,00, totalmente subscrito e integralizado pelo UBS AG. A 2ª Alteração do Contrato Social realizada em 01/12/2006 aprovou a cessão e transferência da totalidade das quotas pertencentes ao UBS AG para a UBS Brasil Investimentos Ltda. A 3ª Alteração do Contrato Social realizada em 04/12/2006 aprovou o aumento de capital social dos atuais R$2.045.685.177,00 para R$5.251.365.177,00, sendo esse aumento no valor de R$3.205.680.000,00, totalmente integralizado pela sócia UBS Brasil Investimentos Ltda, mediante a capitalização de créditos detidos pela subscritora contra a sociedade, em moeda corrente do país. ..... A 4ª Alteração do Contrato Social realizada em 04/12/2006 aprovou a cessão e transferência ao UBS AG de 3.205.680.000 quotas da UBS Brasil Investimentos Ltda.” em 1/12/06, de acordo com a Primeira Alteração do Contrato Social da UBS Brasil Investimentos Ltda, aprovouse o aumento de capital social de R$1.000,00 para R$2.045.686.176,00, “...totalmente subscritas e integralizadas pelo sócio UBS AG, mediante a conferência de 2.045.685.176 quotas de titularidade da subscritora, representativas do capital social da UBS Brasil Participações Ltda”; os eventos societários realizados no período de três dias (1/12/06 a 4/12/06) tiveram como único objetivo viabilizar a exclusão, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, dos valores de amortização do ágio contabilizado no Banco UBS Pactual S/A após a incorporação da UBS Brasil Participações Ltda (“incorporação reversa”). “...Não havia propósito negocial que justificasse a constituição das citadas sociedades com o mesmo objeto social, visando à aquisição do controle societário do Banco pela empresa UBS AG (Suíça), pois conforme aprovado nas alterações contratuais, após três dias da aquisição do controle acionário do antigo Banco Pactual S.A., o UBS AG (Suíça) passou a deter diretamente 61,04% e indiretamente através da UBS Brasil Investimentos Ltda, 38,96% das ações que compunham o seu capital social”; do total do ágio de R$ 4.090.394.794,55, foram efetivamente pagos R$ 884.714.794,55, sendo que “...a parcela remanescente a pagar equivalente a R$3.205.680.000,00 em 01/12/2006, que estava registrada no passivo contas a pagar na UBS Brasil Participações Ltda foi cedida a UBS Brasil Investimentos Ltda em 04/12/2006 e utilizada no aumento de capital social da UBS Brasil Participações Ltda de R$2.045.685.177,00 para R$5.251.365.177,00, e assim viabilizou o registro da provisão sobre o valor integral do ágio na UBS Brasil Participações Ltda.” “...o contas a pagar registrado na UBS Brasil Participações Ltda, no valor de R$3.205.680.000,00 não poderia ser incorporado ao próprio Banco UBS Pactual S.A, pois violaria norma societária, bem como normativos do Banco Central do Brasil”; o fato de o passivo, no valor de R$3.205.680.000,00 ter sido transferido em 4/12/06 para a UBS AG reforça “...o entendimento da ausência de propósito negocial na constituição das duas sociedades de participação utilizadas na aquisição do controle acionário do antigo Banco Pactual S.A, e que de fato, a suposta obrigação a pagar aos antigos sócios do Banco Pactual S.A, no valor de R$ 3.205.680.000,00, sempre pertenceu a empresa UBS AG (Suíça). Fl. 4632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.633 8 Os elementos comprobatórios obtidos no curso da presente fiscalização revelaram que a constituição da UBS Brasil Participações Ltda, utilizada na aquisição do antigo Banco Pactual S.A e a sua subsequente incorporação às avessas, ocorrida num prazo exíguo considerando o início das suas atividades, teve como exclusivo propósito a economia tributária mediante sucessivas operações societárias”; registros contábeis da UBS Brasil Investimentos Ltda, relativo ao exercício social findo em 2007, “...já refletindo os efeitos da incorporação, demonstravam o lançamento contábil no grupo investimentos em participações societárias permanentes – desdobrado nas contas nº 2.1.2.10.05.0018 – Banco UBS Pactual S.A (custo) no valor de R$947.386.207,00 e 2.1.2.10.05.1017 – Banco UBS Pactual S.A – Ágio no valor de R$1.098.298.968,99, no valor total de R$2.045.684.176,00, que corresponde ao aumento de capital subscrito e integralizado pela sócia UBS AG mediante a conferência de quotas de titularidade da subscritora, representativas do capital social da UBS Brasil Participações Ltda”, demonstrariam o “... entendimento dos acionistas do Banco UBS Pactual S.A que o ágio proveniente do pagamento em dinheiro realizado em 01/12/2006 deveria ser reconhecido integralmente na UBS Brasil Investimentos Ltda”; conforme Contrato de Cessão e Assunção, celebrado em 4/12/06 entre a UBS Brasil Participações Ltda (cedente) e a UBS Brasil Investimentos Ltda (cessionária), este “...reconheceria um contas a receber contra o cedente no mesmo valor dos deveres e obrigações equivalentes a US$1,480 bilhão”, sendo que tal direito “...foi utilizado na mesma data, ou seja,, 04/12/2006 para fins de integralização do capital mencionado anteriormente na UBS Brasil Participações Ltda pela UBS Brasil Investimentos Ltda, no valor equivalente a R$3.205.680.000,00.”; “Mais uma vez, destacamos um negócio jurídico realizado pelo acionista controlador, UBS AG (Suiça), que carece de propósito, pois o mesmo serviu somente de passagem de um compromisso assumido de uma entidade para outra e a sua imediata capitalização, a fim de viabilizar uma estrutura de participação societária planejada pelo UBS AG (Suíça) desde o início do processo de aquisição do Banco, com o máximo de aproveitamento fiscal. A ausência de propósito negocial repousa ainda na inexistência de tempo hábil para que decisões tomadas em um primeiro momento surtam efeito. Assim, passouse a uma segunda rodada de transações sem qualquer decurso de prazo, denunciando a mera formalidade das decisões.”; da análise das respostas do contribuinte às intimações fiscais, quando foi instado a descrever o propósito negocial da constituição das duas sociedades; a justificar a realização de atos societários no período de três dias; a informar sobre suposta redução de custos financeiros, operacionais, e acerca de racionalização de suas atividades; a explicar a razão pela qual a aquisição do Banco Pactual S/A não se realizou diretamente pelo UBS AG, podem ser tecidos os seguintes comentários: “[...] O contribuinte não descreveu o propósito negocial para criação das duas sociedades de participações utilizadas no processo de aquisição do antigo Banco Pactual S.A. Afirmou somente ‘a constituição das mencionadas sociedades foi fundamental para a aquisição fosse efetuada de forma a respeitar a legislação do Banco Central, bem como se equacionasse importantes aspectos atrelados à aquisição’. O contribuinte, por exemplo, não elencou a legislação do Banco Central que supostamente determinava a necessidade de duas sociedades de participações a serem criadas no Brasil para Fl. 4633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.634 9 aquisição do controle acionário de uma instituição financeira por uma entidade sediada no exterior. Afirmamos novamente, como PROVA CABAL da falta de propósito para a criação das duas sociedades de participações no Brasil é que após três dias da aquisição do controle acionário do antigo Banco Pactual S.A., o UBS AG (Suíça) passou a deter diretamente 61,04% e indiretamente através da UBS Brasil Investimentos Ltda., 38,96% das ações que compunham o seu capital social. Esta sempre foi a estrutura de participação societária desejada pelo UBS AG (Suíça) no processo de aquisição do Banco, ou seja, o seu controle direto através de uma Instituição no país de origem (Suíça) e uma participação minoritária via uma holding de participação localizada no Brasil. Os percentuais de participação entre as entidades descritas acima foram pouco alterados até a venda de 100% do controle acionário do atual Banco BTG Pactual S.A e subsidiárias ocorrida em 2009. No que se refere aos riscos cambiais, já era de conhecimento desde a discussão das condições a serem incluídas no contrato de compra e venda. A constituição do suposto passivo em moeda estrangeira, capitalizado três dias após o seu registro contábil, inicialmente nos livros contábeis da UBS Brasil Participações Ltda., tinha como única finalidade viabilizar a formação, e consequente contabilização de um ágio na Incorporada (UBS Brasil Participações), referente à parcela a ser paga, considerando o atendimento das condições descritas no Contrato de Compra e Venda, no final de 20 trimestres fiscais encerrando em 30 de junho de 2011. Justificar o processo de incorporação às avessas com o objetivo de redução de custos, controles, etc, é improcedente, pois os ganhos decorrentes da incorporação de uma holding sem movimentação financeira/operacional foram ínfimos sob todos os aspectos, considerando o tamanho das operações do Banco. A prova de tal assertiva está demonstrada na imaterialidade das operações lançadas nos seus registros contábeis. A economia tributária é o único item efetivamente relevante, conforme destacada na nota explicativa Contexto Operacional, em suas demonstrações financeiras do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007. Alegar, também, reestruturação das atividades do Grupo UBS no Brasil carece de razões sólidas, pois o que estamos questionando, especificamente, foi a forma utilizada no processo de aquisição do Banco que levou a constituição de uma holding e a sua extinção em curtíssimo prazo, não produzindo neste exíguo período da sua existência, os resultados inerentes do exercício de atividades empresariais, exceto a relevante economia tributária alcançada, cujo início deuse após dois meses da aquisição do controle acionário do Banco, em decorrência da incorporação às avessas. Com base nos elementos fornecidos pelo contribuinte, afirmamos que a criação das duas sociedades de participações utilizadas no Fl. 4634DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.635 10 processo de aquisição do antigo Banco Pactual SA. e os sucessivos atos societários realizados em três dias, finalizado com o processo de incorporação às avessas tiveram basicamente um interesse fiscal, ou seja, reduzir as bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2012. Não existem razões de caráter econômico, comercial, societário ou financeiro que efetivamente justifiquem os sucessivos atos ou negócios jurídicos praticados no intervalo de três dias pelo UBS AG (Suíça), que estão amplamente descritos nos parágrafos anteriores, exceto a economia fiscal (IRPJ e CSLL) superior a R$ 1,5 bilhão no prazo de 60 meses. Com exceção do primeiro negócio jurídico representado pelo Contrato de Compra e Venda, os demais evidenciam a interdependência entre as partes envolvidas, ou seja, as operações ocorreram entre sociedades ligadas, todas controladas pelo UBS AG. A utilização das duas sociedades de participações e os atos societários subsequentes possibilitou que o contribuinte se beneficiasse de uma dedução prevista na legislação fiscal o art. 386, inciso III, do RIR/99, principalmente por não ter havido o correspondente e efetivo pagamento do ágio no valor de R$3.205.680.000,00, resultando em dano efetivo ao Erário. A legislação fiscal somente admite a dedutibilidade da amortização do ágio proveniente de incorporação de entidade controladora por sua controlada, se efetivamente ocorreu o desembolso do valor pago, ainda que a incorporação realizada tenha atendido as regras da legislação societária.” o montante denominado “Valor do Pagamento Diferido” no Contrato de Compra e Venda (Cláusulas 1.3 e 1.4) representava um compromisso assumido pelo UBS AG (Suíça), que dependia de eventos futuros, de forma que não poderia ser determinado na data de aquisição (1/12/06); foi apresentado um relatório, datado de 11/12/07, confeccionado por PricewaterhouseCoopers Corporate Finance & Recovery Ltda, referente à avaliação econômica da totalidade das ações do Banco Pactual S/A com base na metodologia de rentabilidade futura, conforme proposta para a prestação de serviços de 12/02/07, ou seja, posteriormente à data de fechamento da negociação e do respectivo lançamento contábil do ágio, ocorrido em 1/12/06, e até mesmo da incorporação da UBS Brasil Participações S/A pelo Banco UBS Pactual S/A, realizada em 5/2/07; a partir de 2007, o contribuinte procedeu a exclusões denominadas “Provisão de Ágio Incorporação – UBS [...]. O valor total do ágio equivalente a R$ 4.415.294.794,55, denominado inicialmente Provisão para Perdas Coligadas e Controladas é oriundo do LALUR, parte B, da extinta UBS Brasil Participações Ltda., que foi transferido para o Banco UBS Pactual no processo de incorporação, cujo montante encontrase controlado na parte B do LALUR conta 562002 Provisão Ágio Incorporação UBS, com lançamentos a débito de R$809.470.712,33 em 2007, R$883.058.958,94 em 2008 e R$883.058.958,99 em 2009.”; a transferência do controle acionário do Banco UBS Pactual S/A e suas subsidiárias a favor de André Santos Esteves, controlador do Grupo BTG foi aprovada pelo Banco Central do Fl. 4635DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.636 11 Brasil e comunicada via ofício datado de 4/1/10. Tal pessoa física era o principal sócio do antigo Banco Pactual S/A, conforme Livro de Registro de Transferências de Ações Nominativas do Banco Pactual S/A, “...assumindo novamente o controle acionário do Banco BTG Pactual S.A e suas subsidiárias a partir de setembro de 2009”; a maioria dos antigos sócios do Banco Pactual S/A retornou à condição de sócios do atual Banco BTG Pactual S/A; da interpretação das cláusulas do Contrato de Compra e Venda de Ações, concluise que “...os compromissos futuros assumidos (‘Valor do Pagamento Diferido’) no contrato de compra e venda inicial datado de 09 de maio de 2006 foram renegociados, e, portanto, o ágio registrado na data de aquisição, ou seja, 01/12/2006, que à época teve como contrapartida um contas a pagar de R$3.205.680.000,00 (US$1,480 bilhão) não foi pago, conforme comprovado na fórmula acordada entre as partes, prevista na cláusula 1.2 – Pagamento no Fechamento.”. A respeito de tal infração, concluise: “[...] Em suma, o UBS AG (Suíça), à época, acionista controlador do atual Banco BTG Pactual S.A., valendose de sucessivos atos societários realizados em um intervalo de três dias, aprovados pela citada sociedade situada no exterior, e de dois laudos de avaliação contratados junto a consultores externos, a um custo total provavelmente inferior a trezentos mil reais, reduziu o IRPJ e a CSLL devidos num montante nominal superior a um bilhão e quinhentos milhões de reais ao longo de cinco anos. Enfatizamos, novamente, que a parcela do ágio efetivamente pago, após o seu registro contábil inicial na UBS Brasil Participações foi reconhecido contabilmente de forma definitiva na conta do ativo Investimentos Permanentes da UBS Brasil Investimentos. O objetivo final do acionista controlador era manter uma participação societária minoritária no Banco UBS Pactual S.A., via uma ‘holding’ no país, e que incluísse em seus ativos, para futura amortização, a parcela destacada do ágio inteiramente reconhecido na UBS Brasil Investimentos, até a data da sua extinção ocorrida em 2009. Quanto ao ágio apurado a partir de um compromisso assumido, inicialmente registrado contabilmente por três dias na UBS Brasil Participações, e a seguir assumido integralmente pelo UBS AG (Suíça), destacamos, mais uma vez, tratarse de um compromisso assumido diretamente pelo acionista controlador junto aos antigos acionistas do Banco Pactual S.A., sujeito a diversas restrições contratuais, pois o pagamento final dependia que determinadas metas fossem alcançadas em bases trimestrais encerradas em 30 de junho de 2011 e, portanto, o seu registro contábil nos livros contábeis da UBS Brasil Participações pelo prazo de três dias, levado a cabo pelo UBS AG (Suíça), teve como exclusivo propósito suportar contabilmente o registro de um ágio e seu imediato aproveitamento fiscal, através de uma operação societária denominada ‘incorporação às avessas’. Conforme descrito nos itens anteriores, estamos procedendo à glosa das exclusões proveniente da amortização do ágio, iniciada em fevereiro de 2007 e lançadas pelo contribuinte nas apurações das bases de cálculo do Imposto de Renda (IRPJ) e da Fl. 4636DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.637 12 Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos valores de R$809.470.712,33 (ano de 2007), R$883.058.958,94 (ano de 2008) e R$883.058.958,89 (ano de 2009). Destacamos, ainda, que o prejuízo fiscal, de acordo com o LALUR no valor de R$52.662.586,39 e da base de cálculo negativa da CSLL no valor de R$41.088.519,09 referentes ao anocalendário de 2008 (TIF n° 06) estão divergentes dos saldos da DIPJ 2009 (ND 1800168) fichas 09B e 17, em decorrência de erro no preparo da referida declaração, conforme informação prestada pelo contribuinte.” DOS ENCARGOS SOBRE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA procedeuse à adição, nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (anoscalendário 2007 e 2008), dos valores a título de atualizações monetárias, multas, juros e outros encargos incidentes sobre tributos, pelo valor líquido, cuja exigibilidade estava suspensa nos termos dos incisos II a IV do art.151 do Código Tributário Nacional; os registros contábeis foram obtidos dos arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte; DA MULTA ISOLADA NOS ANOSCALENDÁRIO 2008 E 2009 apesar de ter apurado estimativas mensais de IRPJ e CSLL, o contribuinte não procedeu aos respectivos pagamentos no curso dos anoscalendário 2008 e 2009; elaboraramse “...Demonstrativos de Apuração da multa isolada sobre o IRPJ e CSLL mensal por estimativa – anos calendário 2008 e 2009, incluindo mensalmente uma adição de R$73.588.246,58, referente à glosa da amortização do ágio – incorporação UBS nos referidos anos. Dessa forma, na forma da legislação tributária apuramos crédito tributário nos meses de janeiro, fevereiro, abril, junho, outubro e dezembro de 2008 e junho, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2009”; Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.3.814/3.838): IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 VERIFICAÇÃO DE OPERAÇÃO COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. PRAZO DECADENCIAL. A contagem do prazo decadencial, para efeito de lançamento do crédito tributário de operação com repercussão futura, se inicia a partir do período de apuração do lucro líquido, que sofreu a influência da operação. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. PREMISSAS BÁSICAS. INCORPORAÇÃO ÀS AVESSAS. As premissas básicas para dedutibilidade na apuração do lucro tributável, em caso de incorporação às avessas, são a finalidade negocial da existência da empresa incorporada, a efetivação do pagamento do ágio e que não haja a duplicação do ágio em outra empresa do mesmo grupo econômico. Fl. 4637DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.638 13 JUROS E MULTAS SOBRE TRIBUTOS COM AS EXIGIBILIDADES SUSPENSAS. INDEDUTIBILIDADE. Os juros e multas incidentes sobre tributos com as exigibilidades suspensas são indedutíveis do resultado tributável, vez que o acessório acompanha o principal. A contabilização dos acréscimos legais possui natureza de provisão. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E DE MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais é incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e a de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. O crédito tributário não pago integralmente no vencimento é acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante. Por ser parte integrante do crédito tributário, a multa de ofício também se submete à incidência dos juros nas situações de inadimplência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente o mesmo decido em relação ao lançamento principal, em função de igual fundamento. ELEVAÇÃO DA ALÍQUOTA. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência aos órgãos da administração tributária para apreciar questão de natureza constitucional. Interpôsse recurso de ofício quanto à parcela do crédito tributário exonerada (multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento por estimativa). O contribuinte foi cientificado em 6/2/13 (fl.3.845), tendo apresentado recurso voluntário (fls.3.852/3.993), em que alegou, em síntese: Da aquisição do Banco Pactual S/A por terceiros independentes mediante pagamento a aquisição do Banco Pactual S/A teria representado para o Grupo UBS um investimento para se firmar no mercado nacional como uma das mais importantes instituições financeiras, conforme notícias veiculadas à época; as operações societárias ocorridas no período de 9/5/06 a 5/2/07, das quais participaram a UBS Brasil Participações Ltda, UBS Brasil Investimentos Ltda, UBS AG (Suíça) e Banco Pactual S/A, possibilitaram o registro de dois ágios distintos: (a) decorrente da compra, em dezembro de 2006, do Banco Pactual S/A pela UBS Brasil Participações Ltda, no valor de R$ 4.415.294.794,55, objeto de questionamento pela fiscalização, que após a incorporação passou a ser registrado no Incorporador; e (b) decorrente da incorporação, em fevereiro de 2007, da UBS Participações pelo Banco Pactual, “...passando a UBS Investimentos a ser detentora direta do Banco Pactual S/A e a registrar um ágio de R$1.098.298.968,99 pela troca das ações da UBS Participações pelas ações do Banco Pactual S/A”; não ocorreu a “multiplicação do ágio”, como afirmado na decisão recorrida; Fl. 4638DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.639 14 os fatos demonstrariam que houve uma “Compra e Venda”, na qual o objeto era o Banco Pactual S/A, entre partes independentes, de um lado, o Grupo UBS, e, de outro, pessoas físicas detentoras do Grupo Pactual, sendo o valor negociado em mercado, “...fundamentado em expectativa de rentabilidade futura da entidade adquirida, o que torna evidente o propósito negocial de todas as operações analisadas, correspondente à aquisição do Banco Pactual S/A Notese, ainda, o que é mais importante, que a última das operações realizadas pelo Grupo UBS para organizar sua estrutura operacional no Brasil é a junção do Banco Pactual com o Banco UBS S/A, operação por si só suficiente a que o ágio pago na aquisição de ações do Banco Pactual S/A fosse aproveitado fiscalmente, caso o Banco UBS S/A fosse a entidade responsável pela aquisição das referidas ações”; o aproveitamento fiscal do ágio seria “...mera conseqüência do conjunto de operações analisadas, uma vez que demonstrado o efetivo propósito negocial correspondente à aquisição do Banco Pactual S/A pelo Grupo UBS e o incremento de suas atividades no mercado nacional”; Da decadência/preclusão do direito de questionar os fatos que deram origem ao ágio o Fisco não poderia questionar a legalidade dos atos que deram origem ao ágio, surgido em 1/12/06, pois transcorrido o prazo decadencial de cinco anos entre o fato contábilsocietário e a ciência dos autos de infração (26/10/12), nos termos do art.150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN); “...o antigo Conselho de Contribuintes e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestaram reiteradas vezes, reconhecendo a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos, ocorridos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, que tenham gerado efeitos em anos subseqüentes”, conforme acórdãos nº 110300.001, CSRF nº 0104.442, 10706.061, 10197.084, 10809.501, 10707.819 e 10706.572); Da validade e do propósito negocial da operação de aquisição equivocarase a Turma Julgadora da DRJ ao entender que a constituição da UBS Brasil Participações Ltda teve como única finalidade a transferência do ágio apurado na aquisição do Banco Pactual S/A por UBS AG; “...a aquisição do Recorrente foi realizada de forma direta pela UBS Participações, de modo que não houve transferência de ágio, mas tão somente a sua versão ao patrimônio do Recorrente após a incorporação de sua adquirente, em conformidade com o disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97”; mesmo sem a utilização das holding companies, ou seja, analisando todas as possíveis estruturas para a aquisição do Recorrente, o resultado fiscal seria o mesmo, qual seja, a possibilidade de amortização do ágio; caso a aquisição houvesse sido realizada diretamente pela sociedade suíça, “...mediante o pagamento de ágio, tal empresa poderia integralizar o capital de pessoa jurídica constituída no Brasil, com a conferência das ações do Recorrente adquiridas com ágio. Posteriormente, tal sociedade seria incorporada pelo Recorrente, que adquiriria, assim, o direito à amortização do ágio”; a aquisição direta pelo UBS AG apresentava, à época, entraves regulatórios e representaria desrespeito a normas do Banco Central do Brasil; Fl. 4639DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.640 15 o Banco Pactual S/A também poderia ter sido adquirido por meio do Banco UBS S/A, instituição financeira brasileira do Grupo UBS já existente, a ser capitalizado para tal finalidade; no caso concreto, “...houve efetivo pagamento correspondente à aquisição da participação societária com ágio, entre partes independentes, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura”; “...embora na esfera tributária não houvesse obstáculos à aquisição do Recorrente diretamente pela UBS AG, é certo que havia, à época dos fatos, regra regulatória do Banco Central do Brasil que impedia a aquisição do controle direto de instituições financeiras por entidades estrangeiras que não estivessem autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, ressalvados os processos de privatização”, a exemplo do art.14 do Regulamento anexo à Resolução nº 3.040/02; somente com a Resolução nº 4.122, de agosto de 2012, passouse a permitir o controle de instituições financeiras brasileiras por instituições financeiras sediadas no exterior; quando da celebração do Contrato de Compra e Venda, em maio de 2006, não se sabia que a aprovação pelo Banco Central iria ocorrer, haja vista a legislação restritiva, de forma que “...ante o legítimo receio de que a aquisição direta da Recorrente pelo UBS AG não viesse a ser aprovada, foi criada a UBS Participações, sendo essa a sua finalidade na estrutura ora analisada – e não a de transferir o ágio ou gerar indevida economia fiscal, como entendido, de forma equivocada, pelo Sr. Agente Fiscal e pela Turma Julgadora”; com a aprovação em março de 2007, “...a despeito da existência da referida regra proibitiva, o Banco Central acabou por aprovar a operação [...] ainda que em princípio esta fosse contrária à norma”; a incorporação da UBS Brasil Participações Ltda representara uma redução de custos operacionais e administrativos na estrutura societária do Grupo UBS no Brasil, sendo “...apenas uma etapa da reestruturação do grupo, encerrada com a incorporação do Banco UBS Brasil S/A pelo Banco Pactual S/A”, devendo a economia ser encarada em tal contexto; a UBS Brasil Investimentos Ltda tivera também importante papel nas operações para fins de aquisição do Banco Pactual S/A, sendo o seu objeto social, de participação em outras sociedades, nacionais ou estrangeiras, cumprido desde a sua constituição; “...outro legítimo propósito negocial de que se revestia a UBS Investimentos do Grupo UBS no Brasil consistia na finalidade de servir como holding company dos investimentos do Grupo UBS no Brasil. O referido propósito não foi levado adiante por razões alheias ao Grupo UBS, na medida em que no ano de 2008 adveio a crise internacional e a venda do Banco UBS Pactual para o Grupo BTG”; “...a transferência da dívida para a UBS AG – que sequer foi questionada ou analisada pela decisão recorrida justificouse pela necessidade de proteção da UBS Participações e da UBS Investimentos contra os efeitos nocivos da variação cambial”, o que pode ser comprovado na declaração de Anneliese Schwyter, DiretoraPresidente da área de Group Treasury da UBS AG, “...na qual são descritos os referidos riscos cambiais, assim como o expressivo custo do hedge de tal obrigação, caso fosse este realizado no Brasil”; “...a incorporação da dívida ao capital do Banco Pactual representaria aumentar o seu grau de endividamento e, com isso, descumprirseiam os padrões estabelecidos pelo Acordo de Basiléia”, além do que seria vedado que uma companhia assumisse, como sucessora legal, dívida relacionada à aquisição do seu próprio controle. “Dessa forma, seguindo o princípio de Fl. 4640DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.641 16 boa prática de governança corporativa, era indispensável que a dívida fosse transferida para outra empresa (no caso, inicialmente a UBS Investimentos e, depois, por razões cambiais, à UBS AG) antes da incorporação da UBS Participações pelo Banco Pactual S/A”; ainda que sejam consideradas como empresas veículos a UBS Brasil Participações Ltda e a UBS Brasil Investimentos Ltda, para a recente jurisprudência administrativa não seria motivo suficiente para se infirmar a validade de uma operação que culmine na amortização fiscal do ágio (acórdãos nº 140201.077, 120100.659 e 120100.689); a teoria do propósito negocial aplicarseia às operações societárias, encontrandose presentes o motivo, a finalidade e a congruência dos atos em cada uma das operações realizadas, que não eram predominantemente tributários; as operações encontrarseiam inseridas no planejamento estratégico do Grupo UBS; Da validade do laudo de avaliação que demonstra a expectativa de rentabilidade futura – validação dos estudos prévios a Turma julgadora na DRJ interpretara acertadamente a legislação referente à comprovação do fundamento econômico do ágio, que não exigiria a apresentação de um “laudo”, tampouco a forma ou momento de elaboração, bastando haver um demonstrativo arquivado na contabilidade do contribuinte; durante o processo de aquisição do Banco Pactual S/A, o Grupo UBS realizara “...diversos estudos internos acerca da viabilidade do negócio, inclusive sob a perspectiva de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido”; conforme tais estudos, apresentados com a impugnação, “...é possível notar que, além da valoração isolada das empresas adquirente (então denominada ‘Universe’, para fins de confidencialidade) e adquirida (denominada ‘Guigal’, pelo mesmo motivo), foram consideradas as sinergias decorrentes da negociação – cenário efetivamente adotado, para o qual se estimou um valor de compra do Banco Pactual S/A que variava de US$2,094 a US$2,692 bilhões”; o esforço interno do Grupo UBS para a determinação do preço da transação comprovarseia também na declaração de Juerg Zimmermann, Diretor Executivo da UBS AG, “...na qual se descreve, de forma detalhada, a evolução dos procedimentos para a avaliação econômica da Recorrente, bem como as premissas e metodologia adotadas e os resultados obtidos”; seria “...inverossímil imaginar qualquer alegação no sentido de que o Grupo UBS, líder mundial na prestação de serviços de wealth management, investment banking e gestão de ativos, não teria realizado nenhum estudo interno acerca da expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida para suportar o fundamento econômico da aquisição e, portanto, o preço pago”; “...referido estudo interno, elaborado no início de 2006, já seria suficiente, por si só, para justificar e demonstrar o fundamento econômico do Grupo UBS para a aquisição do Recorrente no Brasil. Inclusive, o montante efetivamente definido na transação (US$ 2,4 bilhões) encontrase precisamente no intervalo de valores ali previsto (US$ 2,094 a US$ 2,692 bilhões)”; os estudos internos foram validados por consultoria independente (PricewaterhouseCoopers), que em 11/12/07 apresentou relatório com data base de 30/11/06, ou seja, um dia antes do fechamento da operação; Fl. 4641DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.642 17 na prática, os resultados futuros ocorreram em valor muito superior ao projetado, conforme planilha elaborada com base nas demonstrações contábeis; Do efetivo pagamento do ágio na aquisição do investimento de acordo com art.385 do RIR/99 não haveria restrição quanto à forma de aquisição do investimento ou à maneira escolhida pelas partes para a quitação; “...dada a ausência de definição legal de custo de aquisição, o profissional contábil deveria registrar a aquisição do investimento e ágio no Banco Pactual S/A na forma prescrita pelas normas contábeis”; a contabilidade (art.7º da Resolução CFC nº 750, de 29/12/93) reconheceria que o custo de aquisição de um ativo pode ser formado pelos valores a serem pagos ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquirilos na data da aquisição, devendo “...incluir, além do desembolso efetuado, obrigações assumidas diferidas ao longo do tempo, inclusive nos casos em que a probabilidade de pagamento seja maior do que a do não pagamento”; conforme Parecer acostado aos autos, elaborado pelo Prof. Eliseu Martins, o custo de aquisição não poderia ser definido meramente como um valor de caixa desembolsado. “...para a contabilidade, não há dúvida de que o custo deve ser composto pelos valores efetivamente consumidos na aquisição de um bem e não somente pelos valores pagos”; “...após analisar o conceito de custo de aquisição determinado pelas regras contábeis, bem como a interpretação doutrinária e jurisprudencial para tal conceito, resta claro que o custo de aquisição é o preço pago ou a pagar pelo ativo”; jamais se poderia concluir que o ágio é calculado sobre o valor pago, como fez a autoridade julgadora, sendo o custo composto pelos esforços empreendidos na aquisição; também a forma de liquidação do preço não seria elemento necessário à sua formação ou registro contábil, bem como a existência de inadimplemento por parte do adquirente em relação ao alienante, importando “...para o registro do ativo e o reconhecimento do custo de aquisição é que o adquirente possua, aceite e registre valores a pagar ao alienante, que, inclusive, foi objeto de acordo entre as partes”; no Contrato de Compra e Venda firmado entre UBS AG e Pactual S/A, previuse o preço total de US$2.400 milhões, tendo sido estabelecido que o pagamento darseia de forma parcelada, sendo uma entrada à vista (US$920 milhões), no ato da aquisição, e a parcela remanescente (US$1.480 milhões), no prazo máximo de 5 (cinco) anos, considerando os seguintes cenários: i. Se o lucro cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero e o aumento das receitas cumulativas for maior que zero – Pagamento de US$ 1.480 milhões. ii. Se o lucro líquido cumulativo antes do Imposto for menor do que zero – Pagamento de US$ 740 milhões. iii. Se o lucro líquido cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero, mas o aumento das receitas cumulativas for zero – Pagamento de US$ 1.184 milhões. a decisão recorrida desconsiderara a realidade fática, ao deixar de reconhecer a existência de um pagamento parcelado do preço, “...afirmando ter sido paga apenas a parcela à vista prevista no Contrato de Compra e Venda”; Fl. 4642DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.643 18 a UBS Brasil Participações Ltda registrara como custo de aquisição das ações do Banco Pactual S/A o valor total que seria pago aos vendedores, tendo sido “...também obrigada a fazer um registro em seu passivo, equivalente ao valor total do pagamento parcelado devido em favor dos vendedores”; nos termos das projeções de resultados preparadas pelo Grupo UBS quando da aquisição do Banco Pactual S/A, não havia dúvida de que o valor máximo seria pago, haja vista a lucratividade projetada, que de fato concretizarase; o cenário de alta lucratividade nos anos de 2007 a 2001 “...culminou com a oferta pública de ações realizadas pelo Recorrente no ano de 2012, oportunidade em que o Banco BTG Pactual (atual denominação do Banco Pactual), foi alçado à condição de um dos mais importantes bancos de investimentos do Brasil, com um valor estimado de US$ 14,5 bilhões, ou seja, muito superior ao valor de negociação em 2006”; “...a forma pela qual se deu o registro contábil do investimento adquirido no Banco Pactual não era uma opção da UBS Participações, mas um imperativo que decorria das normas contábeis, juridicizada pelas legislações comercial (artigos 176 e 176, dentre outros, da Lei nº 6.404/76) e fiscal (artigos 248 e 274, dentre outros, do RIR/99). Vale dizer, à UBS Participações não restava alternativa senão reconhecer o ativo (ações do Banco Pactual) pelo valor total do esforço financeiro que se esperava pagar, não apenas com base nas disposições do Contrato de Compra e Venda, mas colocando em perspectiva as projeções e o cenário fático à época, o qual foi consistentemente confirmado em períodos posteriores”; os vendedores do Banco Pactual apuraram, em dezembro de 2006, ganhos de capital com base no preço integral de venda das ações, considerando a segunda parcela pelo seu valor máximo. “Na data base 31/12/2006, com base no regime de caixa, os sócios recolheram o imposto de renda incidente sobre a primeira parcela do preço, ocorrendo o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital em valor proporcional a sua participação no preço relativamente ao recebimento da primeira parcela de US$ 920 milhões. Em 2009, quando do pagamento diferido no valor total de US$1.480 milhões, houve o recolhimento do imposto sobre ganho de capital calculado de maneira proporcional à segunda parcela do preço, sendo certo que novamente os vendedores consideraram o recebimento do valor máximo previsto no Contrato de Compra e Venda”; “...a postura adotada pelo Fisco levaria a efeito ainda mais nefasto: haveria tributação dos ganhos de capital dos alienantes com referência ao valor total constante do Contrato de Compra e Venda, mas negarseia ao adquirente o direito de registrar esse valor para fins de apuração do ágio passível de amortização”; do ponto de vista da UBS Brasil Participações Ltda, teria havido quitação do custo de aquisição do Banco Pactual S/A mediante a cessão da dívida para UBS Brasil Investimentos Ltda no valor de R$3.205.680.000,00; “...em 04 de dezembro de 2006, todo o valor do investimento no Banco Pactual estava quitado nos livros contábeis da UBS Participações pela emissão de quotas em contrapartida à cessão da dívida, não havendo que se falar em ausência de pagamento do ágio como sustentou o Agente Fiscal (vide Termo de Verificação Fiscal página 17) e a decisão recorrida (p.16, item 33); “...A partir desse ponto, a UBS Investimentos detinha a obrigação de pagar a segunda parcela aos vendedores, tendo registrado os valores a pagar nos seus livros, tal como havia corretamente feito a UBS Participações”; o preço de venda do Banco Pactual teria sido quitado pelo UBS AG em 2009; Fl. 4643DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.644 19 o pagamento da primeira parcela (US$ 920 milhões) seria incontroverso, sem questionamento pela autoridade fiscal e tendo sido reconhecido pela decisão recorrida; considerando a crise financeira em meados de 2008, o Grupo UBS viuse obrigado a alienar seu investimento no Banco Pactual S/A sendo que “...alguns dos antigos sócios do Banco decidiram comprar as ações que em 2006 haviam sido alienadas para a UBS Participações”, conforme Contrato de Compra e Venda celebrado em 11/5/09; sendo, à época, o UBS AG devedor da parcela diferida do preço, no valor de US$1.48 bilhão, ocorrera “...a compensação entre o Valor Total do Pagamento Diferido com o valor que o Grupo BTG teria a pagar para o Grupo UBS”, pois “...Não faria sentido que, no ato da venda do Banco Pactual para o Grupo BTG, o Grupo UBS realizasse o pagamento do valor máximo da segunda parcela para, em ato subsequente, receber o valor de volta do Grupo BTG. Assim, as partes optaram por estabelecer o mecanismo de compensação sobre o valor da segunda parcela, ou seja, realizaram um simples ‘encontro de contas’ em relação a essa parcela do preço de revenda”; a compensação seria uma forma de extinção de obrigações; “...O fato de as dívidas compensadas não estarem vencidas leva a decisão recorrida, equivocadamente, a concluir ter havido uma dedução de valores e não compensação de dívidas”; “...o termo ‘pagamento’ utilizado com grande desenvoltura para atacar os procedimentos adotados pela Recorrente, além de não estar presente no texto dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que regulam integralmente a matéria aqui tratada, já que referidos artigos utilizam exclusivamente as palavras ‘aquisição de participação’ e ‘participação adquirida’, não significa, como quer induzir a autoridade fiscal ‘pagamento em dinheiro’, mas tem por único significado a satisfação voluntária daquilo que se deve, ou seja, adimplemento de obrigação contraída, fato esse ocorrido de forma inquestionável nos presentes autos”; “...no caso concreto: (i) os exsócios do Banco Pactual eram credores do Grupo UBS; (ii) tais acionistas tornaramse devedores do Grupo UBS, ao recomprarem o Banco Pactual; e (iii) parte do preço de aquisição do Banco Pactual deixa de ser devida pelos seus adquirentes, em contrapartida da extinção de seus créditos”; a autoridade fiscal não percebera a existência de um montante mínimo de R$ 740 milhões, que seria pago a prazo na aquisição do Banco Pactual S/A , mesmo que não gerasse resultados positivos; “Não há dúvidas de que em 2009 a extinção da obrigação mediante compensação aconteceu pelo valor de US$ 1,480 milhões previsto em contrato, mas se assim não fosse, a Fiscalização deveria ter considerado, ao menos, que o valor de US$ 740 milhões seria pago, não sendo cabível a glosa das parcelas de amortização de ágio relativas a esse valor [...]. Ainda que se admitisse a título argumentativo a linha de raciocínio adotada pelo Agente Fiscal, resta incontroverso que o valor a pagar de US$ 740 milhões deveria ser reconhecido desde 2006 como um dos componentes do custo de aquisição do investimento detido pela UBS Participações no Banco Pactual e, portanto, do ágio, o que tornam ilíquidos e incertos os presentes lançamentos”; qualquer ajuste no valor do ágio somente poderia ocorrer a partir do momento em que a Administração tomasse conhecimento de que o preço total a ser pago deveria ser ajustado; “...era obrigação da UBS Participações registrar o valor integral do custo de aquisição do Banco Pactual, uma vez que a administração possuía a firme convicção de que o valor a pagar Fl. 4644DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.645 20 era de US$2.400 milhões [...]. Entre a data da aquisição e a data dos eventos que indicassem que o valor de US$ 1.184 milhões não seria pago, mas sim o valor de US$ 740 milhões ou de US$ 1.184 milhões, o valor do ágio seria mantido inalterado. Somente haveria alteração no valor do ágio e dos valores a pagar a partir da data da ocorrência desses eventos. Desta forma, resta claro que mesmo na hipótese em que o valor de US$ 1.480 milhões não fosse pago, mas sim o valor de US$ 740 milhões ou US$ 1.184 milhões, ainda assim o procedimento da UBS Participações e, posteriormente, do Recorrente se mostraram acertados.”; os balanços do contribuinte teriam sido auditados nos anos de 2007, 2008 e 2009, não constando ressalva, no parecer dos auditores independentes, quanto ao ágio registrado, além de não ter sido questionado pelo Banco Central do Brasil, inclusive para efeitos de determinação dos limites operacionais do Recorrente; considerando, segundo a autoridade fiscal, que o ágio apenas poderia ser amortizado após o pagamento total, então obrigatoriamente deveria ser reconhecido que a partir de maio de 2009 a parcela relativa a US$1.480 milhões poderia ser validamente amortizada; Das diferenças no valor do ágio apontadas no auto de infração quanto à diferença glosada de R$ 324.900.000,00, a autoridade julgadora já reconhecera não assistir razão à fiscalização. Na realidade, “...deixou o Agente Fiscal de atentar para o fato de que, ao elaborar o Laudo de Avaliação para a Incorporação da UBS Participações, a Acal Consultoria e Auditoria S/A (‘ACAL’) considerou o valor do patrimônio líquido do Banco Pactual S/A sem expurgar os valores de dividendos e juros sobre o capital próprio que não pertenciam à UBS Participações por expressa previsão no Contrato de Compra e Venda firmado em 2006”; “...quando da aquisição do Banco Pactual S/A, parte do patrimônio líquido da investida estava destinada ao pagamento de dividendos e juros sobre capital próprios aos antigos acionistas, usufrutuários”; o procedimento da UBS Brasil Participações Ltda estaria amparado em normas contábeis, relativas à forma como o método de equivalência patrimonial deve ser aplicado (art.11, incisos I a IV, da Instrução CVM nº 247, de 27/3/96; NPC Ibracon VI, itens 17, 19(a) e 19(b)); em parecer técnico, o Prof. Eliseu Martins entende que, “...considerando que os compradores ficariam em posição exdividendos e exjuros sobre capital próprio, os valores constantes do patrimônio líquido da entidade adquirida pertencem aos vendedores e não à adquirente”; “...a ACAL revisou o matéria preparado e, em 05 de abril de 2007, enviou ao Banco UBS Pactual o Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido revisado, substituindo integralmente o Laudo anterior, emitido em 05 de fevereiro de 2007. O Recorrente também trouxe aos autos a versão revisada do Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido (doc. 12 da impugnação), no qual se pode verificar, por meio da leitura da página 6, que o valor do ágio registrado na operação de aquisição do Banco Pactual foi de R$ 4.415 milhões.”; somente caberia à autoridade fiscal desconsiderar a escrituração contábil quando gerasse resultados diferentes dos devidos ou afrontasse normas contábeis, conforme Parecer Normativo CST nº 347, de 8/10/70; Da inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível no Termo de Verificação Fiscal não teria sido apontada a legislação aplicável para fundamentar a adição, das despesas com ágio, à base de cálculo da CSLL; Fl. 4645DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.646 21 “Efetivamente, dentre todos os ajustes, que delimitaram a base de cálculo da CSLL, nada se vê sobre a obrigatoriedade de adição das despesas com a amortização do ágio na aquisição de investimentos. Apenas para que reste claro o quanto exposto, confirase a evolução legislativa referente à possibilidade de amortização do ágio, bem como as respectivas normas aplicáveis à apuração do IRPJ e da CSLL, por meio das quais se pode verificar que o tratamento fiscal conferido ao ágio não é o mesmo para os dois tributos”; acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (nº 10322.749 e 10707.315) reafirmariam que a adição à base de cálculo da CSLL, a título de amortização de ágio, não teria fundamento legal; Da dedutibilidade dos encargos incidentes sobre tributos com a exigibilidade suspensa impetrara o Mandado de Segurança nº 2005.51.01.0113704, para que lhe fosse assegurado o direito de não recolher a Cofins nos moldes da Lei nº 9.718/98, tendo obtido liminar, em 20/10/05, para suspender a exigibilidade do crédito tributário. Posteriormente, em 5/9/06, foi proferida sentença julgando improcedente o pedido; em 1/12/08 foi proferido acórdão dando parcial provimento à apelação e à remessa necessária, para a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da Cofins, motivo pelo qual a partir de 29/12/08 foram realizados depósitos judiciais; deduzira das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL as atualizações monetárias dos valores da Cofins, que estavam com a exigibilidade suspensa; a despeito das alegações da autoridade fiscal e da DRJ, inexistiria previsão legal para adição, à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, das atualizações monetárias, multas, juros e demais encargos relativos a tributos com a exigibilidade suspensa; a regra prevista no art.13, I, da Lei nº 9.249/95 não justificaria a tese da fiscalização quanto à base de cálculo da CSLL; tratarseia “...da dedução de despesas reconhecidas no resultado em razão da constituição de um passivo efetivo, que advém de uma obrigação legal com prazo certo e valor determinado, gerada pelo dever de recolher os encargos incidentes sobre os tributos com exigibilidade suspensa”; a fiscalização e a DRJ incorreram em erro material na apuração e análise da suposta infração, mormente porque os valores não se refeririam a “...despesas com a constituição de meras provisões com contingências passivas”; “...tendo em vista que o artigo 41 da Lei nº 8.981/95 (aplicável a obrigações legais decorrentes de tributos e contribuições, inclusive com a exigibilidade suspensa) veda a dedutibilidade dos montantes principais apenas do lucro real, não sendo aplicável à base de cálculo da CSLL e tampouco compreendendo os juros relativos aos tributos com exigibilidade suspensa (conforme já demonstrado), a Fiscalização tentou burlar a lei e ‘forçar’ a aplicação de um dispositivo inapropriado que justificasse a cobrança da CSLL no presente caso, com o intuito nitidamente arrecadatório e em evidente afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade tributária, o que não poderá ser admitido por este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.”; a Turma julgadora não poderia alterar a fundamentação legal do lançamento; teria sido desrespeitado os princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, sendo que “(i) o artigo 41, parágrafo 1º, da Lei nº 8.981/95 prevê a indedutibilidade apenas dos valores principais (e não dos juros) relativos aos tributos com exigibilidade suspensa e somente do Fl. 4646DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.647 22 lucro real (e não da base de cálculo da CSLL); bem como que (ii) o artigo 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95 não se aplica aos juros e demais encargos incidentes sobre tributos com a exigibilidade suspensa (os quais têm natureza de obrigação legal e não de provisão)”. Por fim, o Recorrente sustentou a inconstitucionalidade da instituição, pela Medida Provisória nº 413/08, de alíquota da CSLL mais gravosa às instituições financeiras; a manutenção da decisão recorrida, que afastou a exigência das multas isoladas; e, ainda, a ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Em contrarrazões, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) sustentou, em resumo (fls.4.154/4.213): Da inexistência de decadência para fiscalizar os atos societários que deram origem ao ágio na contagem do prazo decadencial, deverseia levar em consideração a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, de forma que “...Sem a materialização no campo da existência de qualquer hipótese de incidência tributária prevista em lei, não há que se falar em constituição de crédito fiscal, o que, por sua vez, afasta a possibilidade de contagem do prazo decadencial. Em resumo, não havendo fato gerador, não haverá prazo decadencial a ser contado”; “...a legislação aplicável ao IRPJ não admite o enquadramento do pagamento de um ágio como a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza ou de resultado positivo da atividade empresarial”, não se constituindo o pagamento de uma participação societária em fato gerador; “...Quem recebe o ágio aufere disponibilidade econômica, mas quem o paga, não”; “...O ágio utilizado na apuração das respectivas bases de cálculo não compõe a hipótese de incidência dos referidos tributos, apenas afeta, quando da sua efetiva utilização, o cálculo do montante a ser pago”; sendo o ágio um mero registro contábil, cujo valor poderá ser amortizado no futuro, não se poderia falar em cálculo de tributo quando o pagamento; apenas quando se deduz o ágio na apuração do lucro é que o Fisco teria algo a homologar, no caso concreto, as apurações do lucro relacionadas aos anoscalendário 2007 a 2009; “...embora o ágio tenha surgido de uma operação societária realizada em 01/12/2006, os seus efeitos tributários se prolongaram durante vários anos posteriores” o prazo decadencial deve ser contado a partir do tributo apurado pelo sujeito passivo, não do registro do ágio a ser amortizado no futuro; “...é uníssono nos Tribunais pátrios que, não havendo fatos geradores tributários, não há que se falar em transcurso do prazo decadencial, e que, o prazo decadencial para o lançamento deve ser contado a partir do tributo apurado pelo sujeito passivo, não do registro da rubrica que será utilizada no futuro como benefício fiscal”, a exemplo dos prejuízos fiscais passíveis de aproveitamento em períodos futuros, como já decidira o Supremo Tribunal Federal (RE nº 344.994PR); de acordo com acórdão nº 140200.802, a verificação de registros contábeis pela autoridade fiscal não se submeteria ao prazo decadencial tributário. “...Em face de registros contábeis não corre o prazo decadencial tributário. Independentemente de quando esses registros foram realizados pelo sujeito passivo, o Fisco pode realizar ajustes neles quando eles forem efetivamente utilizados para afetar a tributação Fl. 4647DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.648 23 devida pelo contribuinte. A atividade de fiscalização dos procedimentos fiscais adotados pelos sujeitos passivos não pode ser confundida com a atividade de lançamento. Somente contra essa última corre o prazo decadencial”; Da indedutibilidade do ágio amortizado as operações societárias envolveriam a participação de pessoa jurídica desprovida de propósito negocial, cuja criação visou apenas a “...permitir que a ‘mais valia’ paga reduzisse a carga tributária sem que o real adquirente do investimento tivesse que incorporar ou ser incorporado por ele. Assim, a ‘engenharia societária’ orquestrada pelo banco estrangeiro que à época adquiriu o contribuinte permitiu que fosse registrado um ágio acima do valor que realmente foi pago pelo investimento, assim como que a redução fiscal dele decorrente acompanhasse o investimento mesmo após a sua nova transferência.”; de acordo com Contrato de Compra e Venda celebrado em 9/5/06, o real adquirente do Banco Pactual S/A teria sido o banco suíço UBS AG, que “...se comprometeu com o PACTUAL S.A. e determinadas pessoas físicas, a pagar, em troca das ações do BANCO PACTUAL, US$920 milhões na data do fechamento (pagamento à vista), e até US$1,48 bilhão até uma data posterior (pagamento diferido). Portanto, o contrato é claro ao dispor que o UBS AG era o destinatário final das ações do BANCO PACTUAL, assim como o responsável pelo respectivo pagamento.”; à luz do contrato de compra e venda que possibilitou a negociação do Banco Pactual S/A, o UBS AG permaneceria vinculado às suas obrigações, conforme Cláusula 10.4; “...não obstante a sequência de operações adotadas, o contrato de compra e venda foi plenamente cumprido. O UBS AG na qualidade de adquirente, assumiu o preço pactuado e recebeu as ações em troca [...] e assumiu o compromisso relativo ao pagamento diferido. Portanto, tanto o sacrifício patrimonial como o benefício decorrente do recebimento do bem adquirido foram sentidos pelo UBS AG. Como a UBS PARTICIPAÇÕES utilizou os recursos que recebeu do UBS AG, transferiu sua dívida para a Suíça, e foi extinta poucos meses depois da aquisição, vêse que ela agiu como mera interposta pessoa. A holding brasileira serviu apenas para intermediar a realização do pagamento e o recebimento das ações, assim como, consequentemente, o registro no Brasil do ágio que seria pago”; não haveria propósito negocial na participação da UBS Brasil Participações Ltda na aquisição do Banco Pactual; ao contrário do que afirma o Recorrente, “...à época em que a aquisição ocorreu, encontrava se vigente a Circular BACEN nº 3.317/2006, de 29 de março de 2006, a qual, com base no artigo 3º da Resolução nº 3.040/2002, dispunha sobre procedimentos a serem observados na formalização de pleitos para participação no aumento de participação estrangeira no capital de instituições financeiras autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Ou seja, ao oposto do que é alegado, havia norma regulatória que autorizava a aquisição do controle direto de instituições financeiras por capital estrangeiro”; a compra do Banco Pactual S/A pelo UBS AG fora aprovada pelo Banco Central do Brasil antes do fechamento do negócio, conforme se nota da Comunicação encaminhada ao contribuinte em 1/3/07, oportunidade em que se atestou que “a transferência do controle acionário do BANCO PACTUAL para o UBS AG fora aprovada ‘nos termos do Contrato de Compra e Venda de 09.05.2006, operação que recebeu manifestação favorável da Diretoria Colegiada em sessão de 19.09.2006’”. De acordo com Diário Oficial da União, de 28/12/06, o Conselho Monetário Nacional aprovara, em sessão realizada em 27/9/06, a aquisição do controle acionário do Banco Pactual S/A; Fl. 4648DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.649 24 Decreto do Presidente da República, de 29/10/06, por meio do qual se reconheceu como de interesse do Governo brasileiro o aumento da participação estrangeira, até cem por cento, no capital do Banco Pactual S/A, teria aprovado a compra e venda celebrada entre os controladores do Banco Pactual S/A e o UBS AG; a obtenção das autorizações governamentais estava expressamente prevista no Contrato de Compra e Venda, como requisito condicionante ao fechamento do negócio; “[...] A despeito do que defende o recorrente, não havia qualquer impedimento legal ou regulatório à aquisição direta pelo banco suíço, assim como, pelo contrário, havia prévia manifestação do Banco Central do Brasil e do Presidente da República autorizando tal aquisição direta (a qual estava prevista no contrato de compra e venda).”; considerando que a participação da UBS Participações visou unicamente a possibilitar a amortização do ágio decorrente de sua incorporação pelo Banco Pactual S/A, estarseia diante de um planejamento fiscal abusivo, com a realização de operações artificiais; o contribuinte sequer apresentou motivo razoável que explicaria a participação da UBS Brasil Participações Ltda na aquisição do investimento; nos termos do art.386 do RIR/99, no caso de incorporação, fusão ou cisão, a amortização para ser autorizada deve pressupor que o ágio foi pago por alguma das pessoas jurídicas participantes da operação societária. O ágio pode até existir contabilmente, mas não poderia ter sido deduzido das apurações subsequentes; “...ao contrário do que muitos entendem, o direito à dedução fiscal do ágio não decorre simplesmente do seu efetivo pagamento. Pelo oposto, como visto na norma supracitada, o direito à dedução nasce da confusão patrimonial. Caso assim não seja entendido, o artigo 386 do RIR/99 se tornará letra morta. Para fins de dedutibilidade do ágio é imperioso que haja o cumprimento do registro contido nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997”. Todavia, para que haja esse encontro num mesmo patrimônio do ágio com o investimento que lhe deu origem, é imprescindível que a ‘mais valia’ contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participa da confusão patrimonial. O real investidor, portanto, deve se confundir com o seu investimento.”; “[...] tendo sido o ágio efetivamente suportado pelo UBS AG quando da aquisição do BANCO PACTUAL, não há como a incorporação da UBS PARTICIPAÇÕES justificar a dedutibilidade desse ágio nos termos do artigo 386 do RIR/99. Por certo, com a incorporação da UBS PARTICIPAÇÕES pelo BANCO PACTUAL, não há como defender que houve o encontro num mesmo patrimônio do ágio pago pelas ações do BANCO PACTUAL com a próprio BANCO PACTUAL, pois quem efetivamente adquiriu o BANCO PACTUAL (UBS AG) nunca o incorporou (tanto que ao final o devolveu). Assim, na situação estudada, nenhuma das duas empresas participantes da operação societária arcou de fato com o ágio pago na aquisição das referidas ações. Não houve, portanto, confusão patrimonial da ‘mais valia’ com o investimento que lhe deu causa”; a situação dos autos não se enquadraria “...no benefício fiscal previsto no artigo 386 do RIR/99, pois, em face dessa incorporação, não há a confusão patrimonial entre o ágio pago na aquisição de um investimento e esse próprio investimento”; “...o UBS AG, na verdade, tentou transformar o ágio por ele pago quando da aquisição da participação societária do BANCO PACTUAL em uma verdadeira ‘moeda de dedução’, a qual poderia ser transmitida por ele a quem quisesse. O UBS AG tentou ‘autonomizar’ o ágio. Sem maiores delongas, é evidente que esse não foi o intuito do legislador ao editar os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997”; Fl. 4649DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.650 25 nos termos do acórdão nº 130200.834, em caso similar afastouse a possibilidade de transferência do ágio de uma sociedade para outra, dada a ausência de previsão legal; conforme acórdão nº 10517.219, apenas o ágio efetivamente pago seria dedutível, não aquele decorrente da “mais valia” transferida a outra empresa pertencente ao mesmo grupo; “...os efeitos indesejáveis do aproveitamento indevido do ágio no presente caso restam claros quando ocorre a recompra do BANCO PACTUAL pelos seus antigos controladores (em 11/05/2009). Em face dessa segunda negociação do BANCO PACTUAL entre as mesmas partes, e pelo fato de não ter havido a confusão patrimonial exigida pelo artigo 386 do RIR/99, permite (i) que grande parte do custo de aquisição que deu origem ao ágio inicialmente registrado não seja pago, (ii) que tal ausência de pagamento também ocorra com relação a eventual ágio a ser registrado em face da recompra, (iii) e que, ao final, caso haja nova transferência de ágio pelos novos proprietários, o BANCO PACTUAL deduza dois ágios relativos a mesma rentabilidade futura”; “...ao haver a compensação da obrigação do UBS AG de pagar US$ 1,48 bilhão, em face da aquisição do BANCO PACTUAL, com o direito desse banco suíço de receber o mesmo valor de US$ 1,48 bilhão, como consequência da alienação daquele banco brasileiro, o BANCO PACTUAL acabou aproveitando fiscalmente um ágio cujo maior valor não fora pago, pois do custo de aquisição registrado de US$ 2,4 bilhões, o UBS AG acabou pagando apenas US$ 944 milhões”; “...vendo o ‘filme completo’, antes da compra do BANCO PACTUAL pelo UBS AG e após a sua recompra pelos antigos controladores, vêse que o ‘vai e vem’ do banco brasileiro envolvendo uma circulação efetiva de aproximadamente US$ 2 bilhões (considerando os US$944 milhões pagos no dia 09/05/2006 pelo UBS AG e US$1 bilhão que pode ter sido pago a esse banco em face da recompra do dia 11/05/2009) pode propiciar dois ágios cuja redução fiscal pode ultrapassar a cifra de US$3 bilhões (a depender do valor de patrimônio líquido do BANCO PACTUAL no dia 11/05/2009). Destarte, desconsiderando o valor de US$1,48 bilhão que não fora pago nem recebido por nenhuma das partes, nas duas operações, o valor da redução fiscal poderá ficar maior do que o valor de pagamento propriamente dito”; “...O valor de US$1,48 bilhão não pode ser computado no custo de aquisição suportado pelo UBS AG porque, quando houve a compensação, o banco suíço não detinha mais o bem cuja obrigação de pagar foi compensada. Por outro lado, com relação aos antigos controladores do BANCO PACTUAL, nunca houve a obrigação de pagar essa quantia uma vez que eles sequer receberam o pagamento diferido do UBS AG”; inexistiria documento hábil para atestar o pagamento do ágio com base em rentabilidade futura, essencialmente porque: (a) o laudo não fora elaborado à época própria, antes do pagamento; (b) os estudos internos não fariam referência à data em que foram elaborados, sendo imprestáveis para fins de comprovação do fundamento econômico do ágio; o art.385 do RIR/99 estabeleceria que o lançamento contábil do ágio deve indicar a razão econômica que justificou o pagamento, demonstrada em documento arquivado na contabilidade, não se podendo “...imaginar que o documento que ateste a razão econômica de um ágio seja elaborado após o seu efetivo pagamento”; “...a anterioridade que deve existir do documento que atesta o fundamento econômico do ágio ao seu efetivo pagamento, em que pese não estar expressamente prevista na lei, decorre de uma estrutura lógica que se impõe à realização dos atos negociais que propiciam o surgimento de um ágio. Sendo o ágio fruto de uma negociação, onde uma parte adquire de outra um bem (participação societária), a ordem necessária dos fatos é que a parte adquirente Fl. 4650DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.651 26 estude o seu interesse no bem antes do negócio ser fechado. Imaginar o contrário, seria admitir que a parte adquiriu o bem e depois analisou se tinha interesse na compra já realizada. O ato existiria antes da vontade. Um absurdo! Assim, numa operação pela qual uma participação societária é adquirida, a razão econômica que justifica o preço cobrado/pago necessariamente deve anteceder o seu efetivo desembolso. Em face de um negócio realizado, o estabelecimento entre as partes do valor envolvido indispensavelmente antecede a sua circulação. Não há como pensar o contrário [...].em total contraposição ao princípio da verdade material, a possibilidade de o laudo econômico de um ágio ser elaborado após o seu efetivo pagamento permite ao contribuinte contabilizar o que quiser, e não o que efetivamente ocorreu. Será dado aos contribuintes o poder de manipular a vontade por trás dos seus atos. O fundamento econômico de um ágio não será aquilo que realmente implicou o seu pagamento, mas sim o que a parte que o suportou quiser que o seja.”; em que pese a negociação das ações do Banco Pactual datada de 9/5/06 e o pagamento de parte do ágio pelo UBS AG em 1/12/06, “...o único documento com data trazido para justificar o fundamento econômico desse pagamento foi elaborado somente em 12/2007, ou seja, UM ANO depois”; o laudo fora elaborado, inclusive, após a incorporação que autorizou a dedução da amortização do ágio; a verdade material apenas poderia ser averiguada à luz de documentos elaborados à época do pagamento do ágio; estaria incorreta a apuração do ágio deduzido, pois: (a) conforme balancete analítico, de 30/11/06, o valor do patrimônio líquido do Banco Pactual era, à época da aquisição pelo UBS AG, de R$1.153.225.211,81, não de R$828.325.211,81; (b) “...sendo o ágio resultado da diferença positiva entre o custo de aquisição e o valor do patrimônio líquido do investimento adquirido à época da aquisição, não há como ele ser influenciado por efeitos futuros”; no caso da CSLL, inexistindo norma expressa que autorize a dedução da despesa com amortização de ágio, não há se falar em renúncia fiscal. “...Ao contrário do que defende o recorrente, a dedutibilidade na CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em face da ausência de norma que preveja a adição dessa rubrica”; a despesa com amortização de ágio, mesmo quando dedutível para fins de IRPJ, não seria na apuração da CSLL, porque não há autorização legal a respeito, conforme já decidido no acórdão nº 130200.834; “...uma dedução na apuração da base de cálculo de um tributo não pode ser autorizada em face do silêncio da lei, mas sim em decorrência de norma autorizativa expressa. A regra é a indedutibilidade das despesas, a sua dedutibilidade é a exceção que deve vir expressamente prevista [...].De acordo com a legislação tributária, o sujeito passivo do IRPJ e da CSLL somente pode reduzir a base de cálculo desses tributos com as deduções expressamente autorizadas pela lei. A legislação é que deve determinar os valores que serão excluídos do cálculo da apuração do lucro real e do resultado positivo ajustado para fins de incidência da CSLL; não o contribuinte de acordo com o seu livre convencimento ”; seriam não dedutíveis da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL os encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa, dada a natureza de provisão, conforme precedentes administrativos (acórdãos nº 10323.031, 120100.364, 10195.997, 10195.184 e 10709.344); nos termos da Súmula CARF nº 2, não se poderia declarar a inconstitucionalidade da Medida Provisória nº 413/08, convertida na Lei nº 11.727/08; Fl. 4651DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.652 27 não haveria ilegalidade em se exigir a multa isolada por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas concomitantemente à multa de ofício proporcional, dado que se tratam de infrações distintas, não incidindo sobre a mesma base de cálculo como já decidido nos acórdãos nºs 19300.017, 10196.556, 10196.481 e 10808.962. A respeito da aplicação concomitante após a vigência da Lei nº 11.488/2007, destacase o acórdão nº 1401000.761; nos termos do art.161 do Código Tributário Nacional (CTN), dos artigos 43 e 61 da Lei nº 9.430/96 e do art.13 da Lei nº 9.065/95, seria cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, calculados à taxa SELIC. Em 8/5/14, o Recorrente requereu a juntada, autorizada na mesma data pelo Presidente desta Terceira Turma Ordinária, de vasta documentação (fls.4.226/4.410) que contrariaria as afirmações da PGFN, especificamente quando esta sustentou que (a) a Circular BACEN nº 3.317/06 autorizaria a aquisição do controle direto de uma instituição financeira por uma sociedade estrangeira; e (b) que a aquisição direta do Banco Pactual teria sido aprovada pelo BACEN, pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pela Presidência da República antes do fechamento do contrato de compra e venda. Após ter tido acesso a tais documentos a PGFN ratificou os argumentos expostos nas contrarrazões, que demonstrariam a validade do lançamento. Em 26/8/14, o Recorrente formalizou desistência parcial, relativamente à não adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa, para fins de “...gozo do benefício instituído pelo art.2º da Lei nº 12.996/14, com a redação dada pela MP 651/14, c/c os arts. 1º a 13 da Lei 11.941/09” (fls.4.495/4.506). É o que importa relatar. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. A tempestividade do recurso voluntário foi atestada pela Delegacia Especial da Receita Federal de Maiores Contribuintes – DEMAC (RJ), conforme despacho de fl.4.152. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso. 1. RECURSO VOLUNTÁRIO Como relatado, o Recorrente insurgiuse quanto à: (a) glosa a título de despesa com amortização de ágio na aquisição de investimento; (b) adição nas bases de cálculo dos juros incidentes sobre depósitos judiciais de Cofins com exigibilidade suspensa; (c) alíquota da CSLL e (d) juros sobre a multa de ofício. 1.1 Da adição nas bases de cálculo do encargos decorrentes de depósitos judiciais com exigibilidade suspensa Fl. 4652DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.653 28 Após análise da resposta do contribuinte, relacionada à intimação para informar se as atualizações monetárias apuradas e registradas em contas de resultado, referentes às provisões de tributos com exigibilidade suspensa, foram ou não adicionadas às bases de cálculo, a fiscalização procedeu ao seguinte levantamento a partir dos arquivos digitais que lhe foram fornecidos: Grupo/Conta nº Nomenclatura 2007 2008 8.1.99.0000005 Despesa de atualização de impostos e contribuições 20.036.988,48 19.590.728,42 7.1.9.99.000047 Variações monetárias – depósito judicial – IR/CSLL (2.847.424,72) (1.572.710,76) Valor líquido 17.189.563,76 18.018.017,66 A DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) entendeu que tais valores caracterizarseiam como provisão contábil, seguindo os acessórios a sorte do principal. Por sua vez, o Recorrente inicialmente sustentou não haver previsão legal para a adição, às bases de cálculo, das atualizações monetárias, multas, juros e demais encargos relativos a tributos com exigibilidade suspensa. Fundamentou seu entendimento no fato de o artigo 8º da Lei nº 8.541/92 ter considerado indevida a dedução de tais valores e o art.41 da Lei nº 8.981/95, tacitamente revogado aquele dispositivo, que impôs a observância do regime de competência. Ao fazer referência apenas aos “tributos e contribuições”, sem mencionar as atualizações monetárias, como previa a legislação anterior, restaria autorizada a dedução de tais valores. Ademais, seria inaplicável o art.13, I, da Lei nº 9.249/95 para justificar a adição de tais valores à base de cálculo da CSLL, por se tratarem de um passivo efetivo, decorrente de uma obrigação legal, desprovida do caráter de provisão. Acontece que, conforme relatado, o sujeito passivo formalizou, em 26/8/14, desistência parcial, especificamente quanto à não adição às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa, nos seguintes termos (fls.4.495/4.506): “A Requerente formula o presente pedido de desistência parcial de forma expressa e irrevogável do recurso com relação, tão somente ao item 1 do Auto de Infração de IRPJ, item 1 do Auto de Infração de CSLL e item 2 do Termo de Verificação Fiscal, renunciandose, assim, as alegações de direitos sobre os quais se funda parte do presente processo administrativo com base na condição prevista no art.8º, caput e §6º, da Portaria PGFN/RFB 13/14, para o gozo do benefício instituído pelo art.2º da Lei nº 12.996/14, com a redação dada pela MP 651/14, c/c os arts. 1º a 13 da Lei 11.941/09”. Sendo assim, as alegações de defesa relacionadas à infração 001 (adição à base de cálculo de encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa) não podem ser conhecidas em razão de expressa desistência recursal. De acordo com o Anexo II do Regimento Interno do CARF, o pedido de parcelamento configura renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 4653DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.654 29 §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. 1.2 Das glosas a título de despesa com amortização de ágio na aquisição de investimento Da decadência Sustentase no recurso voluntário que o Fisco não poderia, quando do lançamento, questionar os registros contábeis relacionados ao ágio, originado em 1/12/06, mediante pagamento de parcela do preço de aquisição à vista e de quitação do restante quando da recompra em 2009. Em síntese, a defesa aduz que, embora a amortização refirase aos anos calendário 2007 a 2009, “...o fato contábilsocietário, que lhe deu origem ocorreu no anobase de 2006”. Além disso, o art.9º do Decreto nº 70.235/72 imporia, mesmo na hipótese de não exigência de crédito tributário, a lavratura do respectivo auto de infração no prazo decadencial do art.150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN). Ao tratar da decadência, tal codex tributário assim dispôs: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ..... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 4654DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.655 30 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. De acordo com tais dispositivos, a Fazenda Nacional dispõe do prazo de cinco anos para realizar o lançamento, contado da ocorrência do fato gerador, na hipótese de haver antecipação de pagamento, ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Tais regras foram chanceladas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgado abaixo, proferido sob a sistemática de recurso repetitivo e, portanto, de observância obrigatória pelos membros do CARF, conforme estabelece o art.62A do Anexo II do Regimento Interno: “PROCESSUAL CIVIL, RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR 0 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de oficio) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3" ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 4655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.656 31 previstos nos artigos 150, §4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro”, 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Sarni, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...)” (1ª Seção, REsp nº 973.733 – SC, Rel. Min. Luiz Fux) O próprio STJ, posteriormente, esclareceu o alcance da expressão "ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, contida no REsp 973.733. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 10 a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve inicio somente em 1°.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 674497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Die 26/02/2010) Em suma, no caso de inexistir antecipação de pagamento incide o art.173, I, do CTN, com início do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; caso contrário, o art.150, §4º, do CTN como, aliás, vem reiteradamente decidindo este Conselho. Os lançamentos em questão, quanto à impossibilidade de amortização de ágio pretendida pelo contribuinte, referemse a fatos geradores ocorridos em 31/12/07, 31/12/08 e 31/12/09. No caso concreto, então, o prazo decadencial, considerandose o fato gerador mais remoto (31/12/07), encerrouse ao final de 2012, pela regra do art.150, §4º, do CTN; ou ao final de 2013, caso não tenha havido antecipação de pagamento, quando incidiria a regra do art.173, I, do CTN. Ora, por quaisquer dessas regras, com a ciência dos autos de infração em 26/10/12 (fls.3.180 e 3.196), não há se falar em decadência. Fl. 4656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.657 32 À luz dos dispositivos acima transcritos, que tratam da contagem do prazo decadencial, concluise com tranquilidade que a tese do Recorrente, de que o Fisco não poderia mais alterar o “fato gerador” da dedutibilidade do ágio, não encontra suporte legal. Baseiase, na realidade, em um jogo de palavras. O fato gerador não pode assentar em outra realidade, senão naquela conferida, por força do art.146, III, a, da Constituição Federal, pelo CTN, que, em seu art.43, evidencia que o fato gerador do Imposto sobre a Renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, assim entendido o produto do capital, trabalho ou da combinação de ambos; ou de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os demais acréscimos patrimoniais. Por sua vez, a apuração do IRPJ, e também da CSLL, ocorre em períodos trimestrais ou anuais, como no caso concreto. É obvio que o ágio apontado pela fiscalização decorreu ou, como prefere o Recorrente, foi gerado a partir de operação anterior à amortização das parcelas glosadas nos períodos de apuração; contudo, tal fato, não obstante a sua repercussão jurídicocontábil, não se confunde com os fatos geradores tributários, nos termos do CTN e das respectivas regras matrizes do IRPJ e da CSLL. Também é verdade que a autoridade fazendária pode desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária (art.116, parágrafo único), como afirma o Recorrente com base em doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi, mas tal deverpoder não implica exigir do Fisco que seja onipresente e onisciente a ponto de fiscalizar todas as operações societárias que ocorrem cotidianamente com o pagamento ou não de ágio, mas que de alguma maneira repercuta em apurações subsequentes. E, mais, não representa um ônus do qual decorra a perda do direito de constituir crédito tributário quando decorrido o prazo de cinco anos contado daqueles eventos. Especificamente acerca da aquisição de investimento com ágio, não faz o menor sentido impor ao Fisco o dever de controlála, antes de ter havido a consequência tributária, no caso, a amortização das parcelas. Ao contrário do que se diz, a causa jurídica da pretendida amortização foi sim considerada pela fiscalização, mas na época própria, quando o contribuinte passou a se valer das deduções nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A possibilidade de amortização a título de ágio decorre do preenchimento de certos requisitos legais, e foi exatamente a tal observação que o Fisco restringiuse. A interpretação conferida pelo Recorrente às regras tributárias deve ser avaliada pela Administração quantos ao períodos em que a aquisição de investimento com ágio passou a produzir efeitos tributários, ou seja, nos períodos de apuração em que ocorreram as amortizações. Pensar diferente, adotandose como premissa temporal o “fato societário que gerou direito à utilização do ágio” significa, na prática, a criação de nova regra de contagem do prazo decadencial, desprovida, repitase, de sustentáculo legal. Em uma oração, a aquisição de investimento com ágio ou o seu registro contábil não são fatos geradores do IRPJ ou da CSLL. Não se pode olvidar, conforme leciona Rubens Gomes de Souza (in Compêndio de legislação tributária. Coordenação IBET, obra póstuma, São Paulo, Ed. Resenha Tributária: 1975, p.101), que “...a função do lançamento é individualizar a obrigação prevista em abstrato pela lei e surgida em concreto com a ocorrência do fato gerador”. Para um dos Fl. 4657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.658 33 precursores do direito tributário no Brasil, o fato gerador “...é justamente a hipótese prevista na lei tributária em abstrato, isto é, em termos gerais e objetivamente, como dando origem à obrigação de pagar o tributo” (p.87). Trazendo tais lições ao caso concreto, não há como, à luz do art.150, §4º, do CTN, definir o dies a quo do prazo decadencial como a data da aquisição do investimento com ágio, mesmo porque, para o investidor, não origina qualquer obrigação de pagar IRPJ ou CSLL. Quanto ao art.9º do Decreto nº 70.235/72, relacionase à verificação de determinado período de apuração, o que não significa que a tese do Recorrente possa nele se ancorar. Por exemplo, se quanto ao período de apuração 31/12/07, mesmo com a glosa a título de amortização de ágio, não se apurasse qualquer crédito tributário, mas uma redução do estoque de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, apurados em períodos pretéritos, imperiosa seria a lavratura de autos de infração, essencialmente para formalizar o ajuste e possibilitar a defesa do contribuinte. Sobre a questão da decadência em casos semelhantes ao ora tratado, a maioria da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento (acórdão nº 140200.993, de 11/4/12, Relator do voto vencedor Cons. Antonio José Praga de Souza), assim decidiu: “Frise se: o que é homologado pelo Fisco é a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL realizada pelo contribuinte, não o ágio registrado, ou qualquer outro elemento patrimonial, ainda que definitivamente constituído. O prazo decadencial corre em face do fato gerador da obrigação tributária, e não sobre qualquer operação contabilizada. Apenas quando se verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária é que surge contra o Fisco o prazo para a homologação dos elementos que dão origem aos créditos passíveis de constituição. O prazo para controle dos registros patrimoniais com possibilidade de repercussão tributária no futuro é definido em função do prazo para gozar do crédito decorrente. Neste contexto, pode a autoridade fiscal, no prazo de que dispõe para rever o período de apuração no qual foi aproveitado, exigir prova de sua efetividade e formação e, na ausência desta, negar sua utilização. É o que o art. 37 da Lei nº 9.430/96 expressamente dispõe: ‘Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios.’ Esclareçase que esse dispositivo não altera o prazo decadencial para constituir o credito tributário estabelecido no CTN, tampouco cria outro prazo decadencial qualquer, apenas viabiliza a autoria fiscal dos fatos com repercussão futura. Frisese, mais uma vez, que o prazo decadencial é sempre norteado pelo nascimento da obrigação tributária, ou seja, que se dá com a ocorrência do fato gerador.. Outros acórdãos, com idêntica conclusão, podem ser mencionados como precedentes. Exemplificativamente: Fl. 4658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.659 34 “DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. Somente pode se falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador e somente a partir de então pode se falar em lançamento (...)” (Acórdão nº 1402001.495, de 6/11/13, Rel. Cons. Fernando Brasil de Oliveira Pinto) “DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido (...)” (Acórdão nº 1301000.999, de 7/12/12, Rel. Cons. Valmir Sandri) “(... ) DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APURAÇÃO DO TRIBUTO. DEDUÇÃO DA DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. INÍCIO. O marco inicial para a contagem do prazo decadencial é a data em que foi cometida a infração, consistente na indevida amortização do ágio como despesa, reduzindo o resultado tributável, e não o momento em que o ágio foi constituído (...)” (Acórdão nº 1202000.883, de 3/10/12, Rel. Cons. Viviane Vidal Wagner). Acrescentese que foi a partir das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), dos anoscalendário 2007 a 2009, que a Administração tributária federal tomou conhecimento das exclusões das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo no prazo que lhe é deferido por lei encerrado a auditoria. Por tais razões, rejeitase a preliminar de decadência. Do usufruto de ações De acordo com lançamento contábil registrado no Livro Diário em 1º/12/06, a aquisição do antigo Banco Pactual S/A (atual Banco BTG Pactual S/A), com a assunção da totalidade do controle acionário por UBS AG (Suíça) através de sua subsidiária UBS Brasil Participações Ltda, teria resultado em um ágio de R$ 4.415.294.794,55. A fiscalização, por sua vez, inicialmente entendeu que o valor do ágio, levandose em conta o patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, alcançaria, no máximo, R$4.090.394.794,55, conforme registrado nos livros da UBS Brasil Participações Ltda, com a constituição da respectiva provisão em igual valor, fato que se confirmaria no Laudo de Avaliação de Patrimônio Líquido daquela sociedade pra fins de incorporação pelo Banco UBS Pactual S/A (fls.514/526), elaborado por ACAL Consultoria e Auditoria S/S em 5/2/07: “O ágio no valor de R$ 4.090.394.794,55 registrado nos livros comerciais da empresa incorporada UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA, em relação a sua participação societária no capital da empresa incorporadora BANCO UBS PACTUAL S.A apresenta rentabilidade futura com fundamentação econômica. Fl. 4659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.660 35 Em expressa observância às disposições contidas na Circular BACEN nº 3.017 de 6 de dezembro de 2000, que trata dos processos de incorporação envolvendo instituições financeiras regulada pelo Banco Central do Brasil, foi constituída provisão sobre o valor do ágio da incorporada no investimento da incorporadora BANCO UBS PACTUAL S.A” A glosa de R$ 324.900.000,00 foi assim justificada pela autoridade fiscal, levandose em consideração balancete do Banco Pactual S/A, de 30/11/06 (fl.1.189): “Na forma do art.385 do RIR/99, o valor contábil do patrimônio líquido do Banco, conforme balancete analítico na database de registro contábil da aquisição do Banco correspondia a R$1.153.225.211,81, ao invés do custo de aquisição contabilizado no valor de R$828.325.211,81, pois eventos futuros relativos à distribuição de dividendos e juros sobre o capital próprio não podem ser simplesmente deduzidos do patrimônio líquido do Banco na data da aquisição (fls.anexo7)”. Conforme art.20 do Decretolei nº 1.598, de 26/12/77, na hipótese de avaliação de investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor do patrimônio líquido, o ágio consistirá na diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido, a ser “determinado de acordo com o disposto no artigo 21”, que reza: “Art 21. Em cada balanço o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no artigo 248 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas: I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até 2 meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda. II se os critérios contábeis adotados pela coligada ou controlada e pelo contribuinte não forem uniformes, o contribuinte deverá fazer no balanço ou balancete da coligada ou controlada os ajustes necessários para eliminar as diferenças relevantes decorrentes da diversidade de critérios; III o balanço ou balancete da coligada ou controlada levantado em data anterior à do balanço do contribuinte deverá ser ajustado para registrar os efeitos relevantes de fatos extraordinários ocorridos no período; IV o prazo de 2 meses de que trata o item aplicase aos balanços ou balancetes de verificação das sociedades de que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimentos relevantes que devam ser avaliados pelo valor de patrimônio liquido para efeito de determinar o valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). V o valor do investimento do contribuinte será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido Fl. 4660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.661 36 ajustado de acordo com os números anteriores, da porcentagem da participação do contribuinte na coligada ou controlada.” Sustenta o Recorrente que haveria a prévia estipulação, no Contrato de Compra e Venda, do pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio, que não pertenceriam à UBS Brasil Participações Ltda, mas aos vendedores do Banco Pactual S/A, razão pela qual deveriam ser subtraídos do valor do patrimônio líquido. Para um melhor entendimento, vale transcrever algumas passagens do recurso voluntário: “[...] os dividendos e juros sobre capital próprio acima referidos não pertenciam à UBS Participações, mas aos vendedores do Banco Pactual; isso é fora de questão. Assim, o valor a eles correspondentes deveria ser excluído do montante do patrimônio líquido destinado a UBS Participações, em razão da aquisição do Banco Pactual. Se não fosse, UBS Participações estaria tratando como seu algo que pertencia aos vendedores do Banco Pactual. Por outro lado, se tratasse os valores devidos aos vendedores do Banco Pactual como seus, por integrarem o patrimônio líquido do Banco Pactual, UBS Participações deveria registrar a obrigação de repassar os referidos valores aos vendedores do Banco Pactual, o que equivaleria ao reconhecimento de que lhes seria devido um complemento de preço. Em ambas as hipóteses, como bem reconhece a decisão recorrida, o montante do ágio registrado por UBS Participações na aquisição do Banco Pactual seria idêntico e compreenderia tais valores na sua quantificação. Ou seja, na primeira hipótese, em razão de o valor dos juros sobre o capital próprio e dos dividendos ser excluído do patrimônio líquido do Banco Pactual; na segunda, em razão de corresponderem a um complemento do preço de aquisição do Banco Pactual. ..... A cláusula 6.13 (b) do Contrato de Compra e Venda de 2006 criou um usufruto (já destacado quando da análise dos fatos) sobre todas as ações do Banco Pactual S/A transferidas para a UBS Participações: ..... Há que se ter em conta que tanto os dividendos, quanto os juros sobre capital próprio, foram calculados tendo como referência período anterior à celebração do Contrato de Compra e Venda de 2006 (a serem deduzidos dos lucros já auferidos). O que ocorreu foi apenas que seu pagamento acabou não se verificando antes da transferência das ações à UBS Participações, motivo pelo qual se optou pela constituição do usufruto já mencionado.” A defesa ainda alega que o ajuste estaria amparado na Instrução CVM nº 247, de 27/3/961, e na NPC VI Ibracon, itens 17 e 19 (a) e (b), sendo este também o entendimento 1 Art.11 Para a determinação do valor da equivalência patrimonial, a investidora deverá: I Eliminar os efeitos decorrentes da diversidade de critérios contábeis, em especial, referindose a investimentos no exterior; [...] IV . Reconhecer os efeitos decorrentes de classes de ações com direito preferencial de dividendo fixo, dividendo cumulativo e com diferenciação na participação de lucros. Fl. 4661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.662 37 do Prof. Eliseu Martins em parecer técnico acostado aos autos. Teria havido, na realidade, um erro formal no registro do custo de aquisição, tendo sido revisado o Laudo de Avaliação do Patrimônio Líquido em 5/4/07, por quem elaborou o primeiro, Acal Consultoria e Auditoria S/S. Pois bem. Consta da mencionada Cláusula 6.13 (“Pagamentos Especiais. Usufruto”) (fls.726/730), em sua alínea (b), disposição sobre a obrigação de estipulação de um usufruto sobre “todas as Ações do Pactual transferidas no Fechamento à Adquirente (como nu proprietária)”, estabelecendo, em contrapartida, o direito do Pactual S/A (denominado “Controladora”) ou de seus Sócios como usufrutuário(s) de receber “distribuições em dinheiro no valor total equivalente a US$150 milhões, determinado em 30 de junho de 2006”, a que se denominou de “Dividendo Posterior ao Fechamento”. Nos termos da alínea (c), “O Dividendo Posterior ao Fechamento deverá ser pago de todo e qualquer dividendo, distribuição, juros sobre o capital próprio, ou distribuições semelhantes relacionadas às Ações do Pactual realizadas após a Data de Fechamento, e nenhum valor deverá ser distribuído em relação às Ações do Pactual a nenhum detentor antes do pagamento total do Dividendo Posterior ao Fechamento”. Em havendo usufruto de ações não se discorda da possibilidade de caber ao usufrutuário o direito econômico que resultará no recebimento de dividendos. O problema, no caso concreto, está na forma como foi estabelecido, com uma espécie de “carimbo” em termos econômicos (US$150 milhões), aposto em 30/6/06, antes mesmo do fechamento da negociação de compra e venda e do encerramento do exercício social. Nos termos do art.40 da Lei nº 6.404, de 15/12/76, Lei das S/A, é inconteste que o usufruto pode incidir sobre ações: “Art. 40. O usufruto, o fideicomisso, a alienação fiduciária em garantia e quaisquer cláusulas ou ônus que gravarem a ação deverão ser averbados: I se nominativa, no livro de "Registro de Ações Nominativas"; II se escritural, nos livros da instituição financeira, que os anotará no extrato da conta de depósito fornecida ao acionista. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) Parágrafo único. Mediante averbação nos termos deste artigo, a promessa de venda da ação e o direito de preferência à sua aquisição são oponíveis a terceiros.” (destaquei) Vêse que a eficácia do usufruto perante a Companhia e terceiros, com a produção de efeitos erga omnes, condicionase à averbação nos livros da instituição financeira, até mesmo para segurança do próprio usufrutuário, não bastando, conforme a Lei das S/A, estipulação em contrato, como sustenta o Recorrente. A decisão de distribuição de dividendos deve ser ainda objeto de deliberação em AssembleiaGeral Ordinária, a ocorrer no prazo de quatro meses após o término do exercício social, conforme art.132, II, da Lei das S/A, cabendo ao Conselho Fiscal opinar sobre as propostas dos órgãos da administração relativas à distribuição. Fl. 4662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.663 38 A estipulação prévia de dividendos mediante cláusula contratual em um acordo de compra e venda não está em conformidade com a legislação societária. Como poderia se saber o valor a ser distribuído de dividendos, antes da deliberação pela AssembleiaGeral? Antes mesmo do implemento do fechamento do aludido contrato de compra e venda? O que a estipulação de usufruto confere aos usufrutuários é o gozo dos direitos inerentes à ação, não determinado valor previamente fixado por contrato, que afinal ainda dependerá de decisão do órgão societário competente. Com isso, repitase, não se nega o direito dos usufrutuários a dividendos, mas apenas se reafirma que se concretiza à época própria, nos moldes definidos pela lei societária. Normalmente, celebrase contrato de usufruto para a concessão de direitos relacionados a determinado número de ações, relativos a recebimento de dividendos, juros sobre capital próprio ou outros direitos econômicos que vierem a ser pagos. O usufruto de ações com valor prédeterminado, da forma como estipulado, é singular, atípico, não podendo ser oponível para fins de redução do patrimônio líquido em futura concretização de um negócio de compra e venda. Quando do “fechamento” do Contrato de Compra e Venda poderseia discutir o ajuste do patrimônio líquido do Banco Pactual S/A, a título de dividendos e juros sobre capital próprio, por exemplo, caso, relativos a períodos anteriores, sua distribuição já houvesse sido regularmente deliberada, quando então se poderia afirmar, como sustenta o Recorrente, que “...parte do patrimônio líquido da investida já estava destinada ao pagamento de dividendos e juros sobre capital próprio aos antigos acionistas, usufrutuários”. Da maneira como realizada, andou bem a fiscalização ao afirmar que “...eventos futuros relativos à distribuição de dividendos e juros sobre capital próprio não podem simplesmente ser deduzidos do patrimônio líquido do Banco na data da aquisição”. A defesa ainda alega que os dividendos e juros sobre capital próprio teriam sido calculados com base em período anterior à celebração do Contrato de Compra e Venda, sendo que “...apenas o seu pagamento acabou não se verificando antes da transferência das ações à UBS Participações, motivo pelo qual se optou pela constituição do usufruto”, porém sobre tal assertiva inexiste nos autos documentação comprobatória a respeito (v.g., ata de assembleia, registro contábil). A questão agora é saber se o valor em discussão caracterizase como parte do preço de aquisição como alegado subsidiariamente pela defesa. Em que pese ser indevida a redução do patrimônio líquido em decorrência dos pagamentos que supostamente foram realizados a título de dividendos e juros sobre capital próprio, é possível se extrair do aludido Contrato de Compra e Venda, mormente levandose em conta que as pessoas físicas beneficiadas constaram como parte no acordo, que os recebimentos, em vez de terem aquela natureza jurídica anunciada pelo contribuinte desde o procedimento fiscal, compuseram, na realidade, o preço da transação, de forma que o valor do ágio alcançou R$ 4.415.294.794,55, sendo improcedente o que a fiscalização denominou de “glosa” da importância de R$ 324.900.000,00. Na precisa observação do acórdão recorrido: “35.1 Por ser parte do contrato de compra e venda, se o montante de R$ 324.900 mil não for ajustado na apuração do patrimônio do Banco Pactual o seria como parte do preço de Fl. 4663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.664 39 compra pago. Assim, para efeitos de apuração do valor do ágio pago, não faz diferença a forma em que se consideram os pagamentos efetuados aos usufrutuários.” Primase aqui pela substância do negócio jurídico, não pelo aspecto formal de como foi realizado. De toda forma, a conclusão acerca da impropriedade da fiscalização, acima identificada, não produzirá efeito favorável ao contribuinte, tendo em vista que as amortizações a título de ágio não foram acolhidas pelas variadas razões abaixo esmiuçadas. Antes de adentrar na análise da oponibilidade do planejamento tributário perante o Fisco, passase à apreciação de como se efetivou o pagamento do ágio. Do pagamento do ágio Conforme Contrato de Compra e Venda (fls.558/802), restou pactuado que o pagamento pela aquisição do investimento darseia em duas parcelas: uma, em 1º/12/06, em dinheiro; outra, após o que se nomeou de medição final (cinco anos contados da data de fechamento), cuja definição do valor a ser pago dependia do implemento de determinadas condições. Vejamos o teor das Cláusulas 1.1 a 1.4, no que importa reproduzir: “ESTE CONTRATO DE COMPRA E VENDA (conforme alterado, editado, consolidado ou de qualquer outro modo modificado de tempos em tempos, este ‘Contrato’) é celebrado em 9 de maio de 2006 por e entre UBS AG, uma sociedade limitada por ações com (Aktiengesellschaft), constituída sob as leis da Suiça (‘Adquirente’), Pactual S.A, uma sociedade anônima constituída sob as leis do Brasil (‘Controladora’) e as pessoas físicas listadas no Anexo 1 deste instrumento (cada uma, um ‘Sócio e, em conjunto, os ‘Sócios’); ..... CLÁUSULA 1.1. Aspectos Gerais. De acordo com os termos e sujeito às condições previstas neste Contrato, no Fechamento, a Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída, cada um dos Sócios deverá vender, ceder, transferir, alienar e entregar à Adquirente, e a Adquirente deverá comprar da Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída, de cada um dos Sócios, todas as Ações do Pactual então em circulação, representando a totalidade do capital social do Pactual (a ‘Compra de Ações’) em troca da Contraprestação Total (conforme aqui definido). CLÁUSULA 1.2. Contraprestação do Fechamento. (a) Em troca das Ações do Pactual transferidas à Adquirente no Fechamento, a Adquirente deverá, no Fechamento e sujeito aos termos e condições aqui estabelecidas: (i) pagar à Controladora ou, se a Reorganização for concluída, aos Sócios, e a Controladora ou os Sócios deverão imediatamente efetuar o pagamento de tais quantias (após dedução da CPMF aplicável) à GCP Brasil, um montante em dinheiro equivalente a (x) (A) US$ 920 milhões acrescido de (B) juros sobre os US$ 920 milhões calculados pela LIBOR durante o período a partir de e incluindo 1º de julho de 2006 até mas excluindo a Data de Fechamento (a ‘Contraprestação do Fechamento em Dinheiro’), menos (y) o Fl. 4664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.665 40 valor total necessário para pagar todos os Tributos incorridos pelos Sócios relacionados ao pagamento da Contraprestação do Fechamento em Dinheiro, conforme determinado de boafé, em bases razoáveis, pelos Representantes do Sócio, à Adquirente, cujo cálculo, junto com os comprovantes razoavelmente detalhados, deverão ser fornecidos pelos Representantes do Sócio à Adquirente em até dez Dias Úteis antes da Data de Fechamento (o ‘Valor Designado dos Tributos’), por meio de transferência eletrônica de fundos imediatamente disponíveis para uma ou mais contas detidas pela GCP Brasil em um banco comercial localizado no Brasil, conforme designado pela Controladora, por escrito, em até dois Dias Úteis antes da Data de Fechamento e (ii) pagar a cada Sócio um valor igual à parcela de tal Sócio do Valor Designado dos Tributos, em dinheiro, por meio de transferência eletrônica de fundos imediatamente disponíveis para uma conta detida por tal Sócio em banco comercial localizado no Brasil, em cada caso, no valor e para a conta designada pelos Representantes do Sócio, por escrito, em até dois Dias Úteis antes da Data de Fechamento. ..... CLÁUSULA 1.3. Pagamento Diferido (a) Sujeito aos termos e condições aqui previstos, na data especificada na Cláusula 1.4 (d), a Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída antes do Fechamento, os Sócios deverão ter direito a receber, como contraprestação adicional pela Compra de Ações, um valor igual a: (i) (x) US$ 1,48 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto de for maior ou igual a zero e o Aumento das Receitas Cumulativas for maior do que zero; (y) US$ 740 milhões (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for menor do que zero; ou (z) US$ 1,184 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero, mas o Aumento das Receitas Cumulativas for (ou for considerado de acordo com sua definição) zero (o valor a ser pago em decorrência desta cláusula (i), o ‘Valor Base do Pagamento Diferido’); menos (ii) o Valor a Compensar. Se o valor determinado na subtração do Valor a Compensar do Valor Base do Pagamento Diferido for um número positivo, será aqui denominado “Valor do Pagamento Diferido’. Quaisquer controvérsias relativas ao cálculo do Valor a Compensar deverá ser resolvida conforme previsto na Cláusula 1.7. Para que não pairem dúvidas, o Valor Base do Pagamento Diferido mínimo, antes de quaisquer reduções conforme previsto na Cláusula 1.4(e), é de US$ 740 milhões. Fl. 4665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.666 41 (b) Não obstante qualquer disposição em contrário prevista neste Contrato, nenhum valor deverá ser pago pela Adquirente nos termos desta Cláusula 1.3 se o Valor a Compensar, conforme finalmente determinado de acordo com os termos deste Contrato, exceder o Valor Base do Pagamento Diferido. CLÁUSULA 1.4. Determinação do Valor Base do Pagamento Diferido ..... (d) A Adquirente deverá efetuar o pagamento do Valor do Pagamento Diferido previsto na Declaração Final de Pagamento Diferido relativa ao quinto Período Anual, mais juros sobre tal valor calculados com base na LIBOR desde a Data de Medição Final até, mas excluindo a data de tal pagamento, em um prazo de três Dias Úteis a partir do que ocorrer por último entre a determinação do Extrato Final do Pagamento Diferido relativo ao quinto Período Anual em conformidade com o parágrafo (c) acima e a designação, pelos Representantes do Sócio, de uma conta para pagamento conforme previsto na sentença a a seguir. Os pagamentos especificados nesta Cláusula 1.4(d) deverão ser efetuados por meio de transferência eletrônica de fundos imediatamente disponíveis em uma conta em um banco comercial localizado no Brasil designada pelos Representantes do Sócio por escrito antes ou junto com a determinação do Extrato Final do Pagamento Diferido relativo ao quinto Período Anual (a ‘Conta do Pagamento Diferido’).” Quanto à primeira parcela (“Contraprestação do Fechamento em Dinheiro”), a própria fiscalização atestou o seu pagamento, nos termos abaixo, sendo, portanto, incontroverso: “O contribuinte forneceu também o extrato da conta corrente da UBS Brasil Participações Ltda no Banco UBS Pactual S.A e os avisos de lançamento de depósito de cada acionista vendedor do Banco Pactual S.A, que evidencia o crédito da primeira parcela (equivalente a US$ 920 milhões, acrescidos dos juros contratuais) referente à venda do Banco a favor de cada acionista – pessoa física, (fls. Anexos 10, 12 e 13).” Sobre o restante (“Valor do Pagamento Diferido”), como visto, dependia de eventos futuros e incertos, não tendo sido pago na data do fechamento do negócio (1º/12/06), quando o ágio foi escriturado pela UBS Brasil Participações Ltda e já na apuração do ano calendário seguinte passou a ser amortizado. Nem o valor mínimo de US$ 740 milhões, ao contrário do que afirma o Recorrente, estaria garantido, conforme Cláusulas 1.3 (b) e 8.3: CLÁUSULA 1.3 ..... Pagamento Diferido (b) Não obstante qualquer disposição em contrário prevista neste Contrato, nenhum valor deverá ser pago pela Adquirente nos termos desta Cláusula 1.3 se o Valor a Compensar, conforme finalmente determinado de acordo com os Fl. 4666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.667 42 termos deste Contrato, exceder o Valor Base do Pagamento Diferido. ..... CLÁUSULA 8.3. Limites de Redução do Valor do Pagamento Diferido. Não obstante qualquer outra disposição em contrário prevista neste Contrato, (A) nenhum Prejuízo deverá reduzir o Valor do Pagamento Diferido em virtude de qualquer violação de qualquer declaração e garantia da controladora ou de qualquer um dos Sócios previstas neste Contrato (exceto (x) uma violação de qualquer declaração ou garantia prevista nas Cláusulas 3.20 ou 3.30, (y) qualquer questão descrita na alínea (x) (B) da definição de “Valor a Compensar” ou (z) qualquer questão prevista na Cláusula 10.1 (xx) do Termo de Divulgação da Adquirente), a menos que o valor agregado dos Prejuízos que a Adquirente e suas Afiliadas tenham sofrido, pago ou incorrido por qualquer tal violação de declaração ou garantia exceda US$10 milhões (a “Parcela a Deduzir”) e (ii) a adquirente somente terá o direito de reduzir o Valor do Pagamento Diferido pelo valor dos Prejuízos sofridos, pagos ou incorridos por tal violação da declaração e garantia que, no total, excedam a Parcela a Deduzir (fica neste ato acordado que a Parcela a Deduzir é uma “parcela a deduzir efetiva”). Não obstante qualquer outra disposição em contrário prevista neste Contrato, nenhum Prejuízo deverá reduzir o Valor do Pagamento Diferido por qualquer violação de qualquer declaração ou garantia da Controladora ou de qualquer um dos Sócios previstas neste Contrato (exceto uma violação de qualquer declaração ou garantia incluída na Cláusula 3.20 ou 3.30 ou qualquer questão prevista na alínea (x) (B) da definição de “Valor a Compensar”), a menos que os Prejuízos sofridos, pagos ou incorridos pela Adquirente ou por suas Afiliadas por reivindicações individuais ou uma série de reivindicações relacionadas decorrentes de, relativas ou em relação a tal violação da declaração ou garantia excedam US$25.000 (o “Valor Mínimo de Reivindicação”); ressalvado, no entanto, que sujeito aos termos da primeira sentença desta Cláusula 8.3, se o valor dos Prejuízos por qualquer tal violação das declarações e garantias exceder o Valor Mínimo de Reivindicação, o Valor do Pagamento Diferido deverá ser reduzido a partir do primeiro dólar dos Prejuízos decorrentes de tal violação.” O valor de US$ 1,48 bilhão, que de acordo com a supracitada Cláusula 1.3 (1) do Contrato de Compra e Venda era a primeira opção do denominado “Pagamento Diferido”, foi considerado, na realidade, apenas quando da operação posterior de venda/recompra da instituição, conforme contrato celebrado em 11/5/09 (fls.1.803/1.931) (o Sr. André Santos Esteves retomou o controle acionário do Banco UBS Pactual S/A e a maioria dos antigos sócios do Banco Pactual S/A passaram à condição de sócios do Banco BTG Pactual S/A). Vejamos: “O PRESENTE CONTRATO DE VENDA E COMPRA ALTERADO E CONSOLIDADO (conforme periodicamente alterado, aditado, consolidado ou de outra forma modificado, este ‘Contrato’) é celebrado em 11 de maio de 2009 por e entre Fl. 4667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.668 43 a BTG INVESTMENTS LP, uma sociedade em comandita simples constituída de acordo com as leis das Bermudas (‘Adquirente’), UBS AG, uma sociedade limitada por ações (Aktiengesellschaft) constituída de acordo com as leis da Suíça (‘Vendedor Um’), UBS Brasil Investimentos Ltda, uma sociedade limitada constituída de acordo com as leis do Brasil (‘Vendedor Dois’), UBS Internacional Holdings BV, uma sociedade privada de responsabilidade limitada (besloten vennootschap met beperkte aansprakelijkheid) constituída de acordo com as leis dos Países Baixos (‘Vendedor Três’) e Waburco Nominees Ltd, uma sociedade de responsabilidade limitada constituída na Inglaterra e no País de Gales (‘Vendedor Quatro’, e em conjunto com o Vendedor Um, Vendedor Dois e Vendedor Três, os ‘Vendedores’). PREÂMBULO CONSIDERANDO QUE o Vendedor Um, Vendedor Dois, Vendedor Três e Vendedor Quatro detêm conjuntamente todo o capital social emitido e em circulação e os direitos de voto do Banco UBS Pactual S.A, uma sociedade anônima constituída de acordo com as leis do Brasil (‘Guigal’); CONSIDERANDO QUE, (i) de acordo com um Contrato de Venda e Compra, datado de 9 de maio de 2006 (conforme periodicamente alterado, aditado, consolidado ou de outra forma modificado, o ‘SPA Original’), por e entre o Vendedor Um, Pactual S.A, uma sociedade anônima constituída de acordo com as leis do Brasil, e os indivíduos listados no Anexo 1 ao referido instrumento (individualmente, um ‘Sócio’ e, conjuntamente, os ‘Sócios’), o Vendedor Um e outras pessoas jurídicas controladas pelo Vendedor Um adquiriram a totalidade do capital social emitido e em circulação e os direitos de voto do Guigal, e (ii) de acordo com um Contrato de Depósito em Garantia, datado de 1º de dezembro de 2006 (conforme periodicamente alterado, aditado, consolidado ou de outra forma modificado, o ‘Contrato de Depósito em Garantia’), por e entre o Vendedor Um, The Bank of New York e certos representantes dos Sócios nele nomeados, determinadas quantias foram depositadas em garantia. ..... “CLÁUSULA 1.2 Pagamento no Fechamento. Em troca das Ações do Guigal transferidas ao Adquirente no fechamento, o Adquirente deverá, no Fechamento e sujeito aos termos e condições do presente instrumento, pagar aos Vendedores (em conformidade com seus respectivos Percentuais de Pagamentos aos Vendedores) um valor em dinheiro equivalente a US$ 2.475.000.000,00 menos o Valor Total do Pagamento Diferido Descontado menos o Valor Total da Dívida Descontada do UBS (cuja redução está sendo realizada em decorrência da assunção de determinados obrigações pelo adquirente) mais o Valor do Pagamento Diferido Descontado dos Sócios Dissidentes menos o Valor Descontado de Retenção menos o Valor do Pagamento Posterior (o "Pagamento em Dinheiro no Fechamento") através de transferência eletrônica de fundos imediatamente Fl. 4668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.669 44 disponíveis a uma ou mais contas mantidas pelo Vendedor UM, Vendedor Dois, Vendedor Três e Vendedor Quatro em um banco comercial designado pelos Vendedores, por escrito, no mínimo, dois Dias Úteis antes da Data de Fechamento. ..... CLÁUSULA 9.1 Outras Definições. Os termos a seguir, utilizados neste Contrato terão os seguintes significados: (a) ‘Coligada’ significa, com relação a qualquer Pessoa, qualquer outra Pessoa que, diretamente ou através de um ou mais intermediários, controle, seja controlada por ou esteja sob o controle comum com a Pessoa especificada, incluindo, no caso do Guigal, os Fundos Exclusivos. (b) ‘Pagamento Total’ significa a soma do (i) Pagamento em Dinheiro no Fechamento e (ii) Pagamento Posterior. (c) ‘Valor do Pagamento Diferido Total’ significa US$1,48 bilhões. (d) ‘Valor Total do Pagamento Diferido Descontado’ significa o Valor do Pagamento Diferido Total, conforme este valor seja descontado a partir de 1º de julho de 2011 ao seu valor presente na data do Fechamento, utilizando uma taxa de desconto da LIBOR para Um Mês na Data de Fechamento mais 100 pontos básicos ao ano.” Da forma como “quitada” a parcela remanescente, para o Recorrente uma “compensação”, notase que se dissociou do previsto no Contrato de Compra e Venda celebrado para a aquisição do antigo Banco Pactual S/A, conforme já antecipado acima, que previa, em sua Cláusula 1.4 (d) o pagamento “...por meio de transferência eletrônica de fundos imediatamente disponíveis em uma conta em um banco comercial localizado no Brasil”, também confirmado na Cláusula 1.5: “CLÁUSULA 1.5. Condições de Pagamento, Cálculo dos Prejuízos, Retenção. (a) Todos os pagamentos a serem efetuados de acordo com este Capítulo I, salvo quaisquer outros pagamentos a serem efetuados pela Adquirente, deverão ser feitos em moeda corrente do Brasil por meio de transferência eletrônica a uma ou mais contas correntes, conforme aqui previsto, em um banco comercial localizado no Brasil. Cada um dos Sócios deverá cooperar com as instruções razoavelmente dadas pela Adquirente relativas a tal transferência, inclusive abrindo tais contas em um banco conforme determinado pela Adquirente para o recebimento da parcela prorata de tal Sócio da Contraprestação do Fechamento em Dinheiro. Para fins desta Cláusula 1.5(a), os valores especificados em dólares norte americanos neste Contrato deverão ser convertidos em Reais utilizando a taxa de compra de dólares norteamericanos informada pelo Banco Central do Brasil (‘BCB’) por meio de seu Sistema de Informações, Operação PTAX 800, Opção 5, Moeda 220 (tal taxa, ‘Taxa de Câmbio’), no encerramento do Dia Útil imediatamente anterior à data do respectivo pagamento.” (destaquei) Fl. 4669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.670 45 Portanto, além de o valor remanescente não ter sido efetivamente desembolsado, quando da aquisição do controle acionário do antigo Banco Pactual S/A, pois dependia de uma evento futuro e incerto, o encontro de contas apenas em maio de 2009 não se realizou como inicialmente acordado. Em termos de valores, é fato que em 1º/12/06 não se poderia falar em efetivo pagamento de ágio quanto à parcela de R$ 3.205.680.000,00, pois não houve qualquer dispêndio de recursos. Ainda que pertinente à análise do conhecido ágio interno, as considerações sobre a sua formação, constantes do entendimento da CVM, podem ser aqui aproveitadas, pois confirmam exatamente a necessidade de haver pagamento do preço acordado, ocorrência de dispêndio para se obter algo de terceiros, o que definitivamente não ocorreu no caso concreto, ao menos integralmente. No Ofício Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2207, tal autarquia orientou: “[...] Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível.” (destaquei) A realidade é que tendo sido efetivamente pago ao final de 2006 o valor de R$ 884.714.794,55, ao término do anocalendário 2008 a amortização já alcançava R$1.692.529.671,27, sem que tal montante houvesse sido desembolsado ou quitado de qualquer outra forma. Não se discute o fato de o valor do negócio (US$ 2,4 bilhões) ter sido definido, ainda que sob três distintos cenários, quando da celebração do Contrato de Compra e Venda, mas se e quando os valores acordados foram efetivamente pagos. Quanto à primeira parcela, não resta dúvida quanto ao pagamento. Sobre o valor remanescente, como visto, não se extrai a mesma conclusão. Afirma o Recorrente que, em conformidade com “profundo estudo e projeção da lucratividade do empreendimento”, poderseia concluir pela certeza do pagamento do valor máximo. Ainda que tais estudos supostamente tenham apontado em tal sentido, não dispensam o efetivo pagamento, dispêndio, pelo adquirente, que, no caso concreto, é importante ressaltar, jamais ocorreu. A legislação que autoriza a amortização do ágio pago não contempla (artigos 385 e 386 do RIR/99), como se verá adiante, esta presunção de pagamento futuro. Com mais propriedade no caso concreto, quando o pagamento diferido era incerto, dependente de determinadas condições estipuladas em contrato. Fl. 4670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.671 46 A respeito da cessão de dívida, em 4/12/06, da UBS Brasil Participações Ltda, correspondente a R$ 3.205.680.000,00 (saldo devedor do preço de aquisição das ações do Banco Pactual S/A), para a UBS Brasil Investimentos Ltda, ao contrário do que entende o Recorrente, não representa a quitação da diferida parcela do preço acordado. Além de tal decisão societária ter sido implementada por partes interdependentes, vez que as duas sociedades eram subsidiárias integrais da UBS AG, a obrigação a pagar, antes da UBS Brasil Participações Ltda com o antigo Banco Pactual S/A, ao menos formalmente, passou a ser perante a UBS Brasil Investimentos Ltda, o que não implica dizer que tal parcela foi paga, mas simplesmente que o passivo passou a ser registrado contabilmente em face desta última sociedade. O aumento de capital da UBS Brasil Participações Ltda, de US$2.045.686.176,00 para US$5.251.365.177,00, subscrito e integralizado pela UBS Brasil Investimentos Ltda exatamente mediante os créditos desta advindos da cessão de dívida daquela, serviu também para outros propósitos, por exemplo, para viabilizar o registro da provisão sobre o valor integral do ágio contabilizado na UBS Brasil Participações Ltda. Acrescentese que com a transferência, na mesma data, daquele passivo de R$3.205.680.000,00, da UBS Brasil Investimentos Ltda para UBS AG Suíça, passando esta a deter diretamente 61,04% do capital social do Banco Pactual S/A, reforça, em conjunto com a sua negociação em maio de 2009, que a parcela restante até esta data não havia sido paga, tendo, como visto, composto o preço da transação a título de “Valor do Pagamento Diferido Total”. Não se pode concordar com a tese do Recorrente, de que “...não é relevante se houve ou não inadimplemento da obrigação a pagar, já que essa é superveniente à formação do custo de aquisição”. Se assim fosse, estaria escancarada a possibilidade de amortização a título de ágio de qualquer valor, a gosto dos contratantes, mesmo sem o efetivo cumprimento da contraprestação, como no caso concreto, ou, em termos outros, sem a antecipação dos benefícios econômicos a serem gerados com o investimento e que justificaria a amortização (Pronunciamento Técnico CPC nº 15). O Recorrente ainda sustenta que a diferença teria sido paga mediante compensação quando da venda do Banco Pactual S/A ao Grupo BTG, o que, no seu entender, teria extinguido a obrigação relativa à segunda parcela do custo de aquisição do Banco Pactual S/A em 2006. Tal fato confirma que tal parcela apenas teria sido, quando muito, adimplida em maio de 2009. Tal operação assemelhase a uma verdadeira “devolução”/”aquisição” do investimento anteriormente adquirido/vendido, com identidade de objeto. Assim, caso vingue a tese de defesa, a amortização a título de ágio, proporcionalmente a tal parcela, apenas poderia se dar após 11/5/09. O Recorrente subsidiariamente aponta inconsistência da autuação ao não considerar tal possibilidade, in verbis: “Ora, se a Autoridade Fiscal sustenta que o ágio somente pode ser amortizado depois de ter havido o pagamento total em favor dos vendedores, não lhe restaria alternativa senão reconhecer que, a partir de maio de 2009, a parcela do ágio relativa ao US$1,480 milhões poderia ser validamente amortizada para fins fiscais. Fl. 4671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.672 47 Vale dizer, a partir de maio de 2009, a parcela do ágio acima referida poderia ser computada no lucro real do referido períodobase, bem como no dos períodosbases subsequentes, à razão de 1/60 avos por mês. Assim, os autos de infração seriam improcedentes no que se refere à rejeição dos efeitos fiscais da amortização do ágio a partir de maio de 2009” Acontece que nem tal pretensão pode ser acolhida no caso concreto, conforme análises seguintes, o que dispensa neste voto qualquer discussão sobre a natureza de pagamento do adimplemento da parcela diferida por meio do mencionado encontro de contas. Do propósito negocial O Recorrente sustenta que a UBS Brasil Participações Ltda adquirira de forma direta o Banco Pactual S/A, não se podendo falar em transferência de ágio, “...mas tão somente a sua versão ao patrimônio do Recorrente após a incorporação de sua adquirente, em conformidade com o disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97”. Acrescenta que a aquisição do Banco Pactual S/A poderia ter ocorrido de outra maneira, sem a participação das holding companies. Não se ignora que a operação societária pudesse ter sido efetivada por diferentes caminhos que não o adotado pelos contratantes. Mas a análise pelos julgadores não deve se ater à eventualidade. O intérprete deve debruçarse sobre o caso concreto, ao que de fato aconteceu, não ao que poderia ter ocorrido, ainda que diversa situação pudesse ter sido implementada. Uma nova situação fática e jurídica seria dotada de particularidades, que exatamente orientariam o rumo decisório. Porém, não é desta situação virtual que estamos tratando. O caso concreto é que tem o condão de informar sobre a oponibilidade ou não ao Fisco do planejamento tributário implementado. É ele que possibilita ao julgador definir a norma, diria especialíssima, a regêlo. Não se pode olvidar que o sistema jurídico impõe consequências ao que foi acordado/implementado, não ao que poderia ter sido realizado. A matéria controvertida, com a qual o colegiado deparase, diz respeito, em um primeiro momento, à aquisição do Banco Pactual S/A com a participação, considerandose o contexto completo, da UBS Brasil Participações Ltda e da UBS Brasil Investimentos Ltda, subsidiárias integrais da companhia suíça UBS AG. Apreciando em conjunto todas as operações até a incorporação reversa não é exagero, por exemplo, se entender que o quadro revela, no mínimo, um planejamento tributário que em seu ânimo encerra um verdadeiro abuso de direito, cuja teoria representa uma reação à teoria clássica dos direitos absolutos e visa a coibir determinadas práticas que prestigiem unicamente direitos individuais em prejuízo de interesses gerais. Em conformidade com o Código Civil, o abuso de direito é considerado ato ilícito, conforme art.187: “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes”. A partir de sua vigência, diante de tal patologia, cai por terra o argumento da regularidade do planejamento tributário, pois a premissa deste é ancorarse em atos lícitos. Fl. 4672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.673 48 Reconhecese ser tênue o limite que separa a licitude de determinadas operações do excesso/abuso, mormente porque ninguém é obrigado a submeterse a uma determinada carga tributária, quando pode enveredar por caminho que conduza à sua redução. Mas sempre, é importante ressaltar, quando se esteja diante de uma razão consistente extratributária, como muito bem leciona Marco Aurélio Grego em importante estudo sobre o tema, a conformar com propriedade, à luz da Constituição Federal de 1998, o abuso de direito ao ramo tributário (in Planejamento tributário, 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2011, pp.212/217): “[...] sempre que o exercício de autoorganização se apoiar em causas reais e não unicamente fiscais, a atividade do contribuinte será irrepreensível e contra ela o Fisco nada poderá objetar, devendo aceitar os efeitos jurídicos dos negócios realizados. ..... No entanto, os negócios jurídicos que não tiverem nenhuma causa real e predominante, a não ser conduzir a um menor imposto, terão sido realizados em desacordo com o perfil objetivo do negócio e, como tal, assumem um caráter abusivo; neste caso, o Fisco a eles pode se opor, desqualificandoos fiscalmente [...]. Ou seja, se o objetivo predominante for a redução da carga tributária, terseá um uso abusivo do direito. ..... Com a tese do abuso de direito aplicado ao planejamento fiscal, se o motivo predominante é fugir à tributação, o negócio jurídico será abusivo e seus efeitos fiscais poderão ser neutralizados perante o Fisco. Ou seja, sua aplicação não se volta a obrigar ao pagamento de maior imposto, mas a inibir as práticas sem causa, que impliquem menor tributação. ..... No âmbito civil, falase em ‘perdas e danos’ porque pelo uso abusivo alguém poderá ter sofrido diminuição patrimonial, especialmente aquele que tiver sido a contraparte no negócio abusivo ou um terceiro atingido pelos seus efeitos jurídicos ou materiais. Em matéria fiscal, o prejudicado pelo ato abusivo terá sido o Fisco, pois a receita tributária terá sido menor do que a que decorreria se não tivesse havido o abuso. Daí a neutralização como forma de recompor a diminuição patrimonial do Fisco. ..... Não nego a existência do direito de o contribuinte se auto organizar; afirmo apenas que o exercício deste direito é dependente de uma razão extratributária, econômica, empresarial, familiar etc., que seja a causa fundamental do negócio e que o justifique [...]. Não afirmo que o Fisco possa, a seu belprazer, desqualificar as operações realizadas; afirmo, isto sim, e peremptoriamente, que cabe ao Fisco o ônus da prova de que o motivo predominante da operação foi a busca de menor carga tributária. ..... Fl. 4673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.674 49 O abuso de direito em matéria fiscal caracterizase por implicar “inoperância” ou “ineficácia” do ato em relação ao Fisco, independente de ser ilegal ou ilícita a operação.” À luz do Termo de Verificação Fiscal, podese afirmar que o Fisco entendeu que os negócios jurídicos privados não se apoiaram em causas reais, mas tiveram como propósito, ou como “único item efetivamente relevante” a economia tributária. Senão, vejamos: “Afirmamos novamente, como PROVA CABAL da falta de propósito para a criação das duas sociedades de participações no Brasil é que após três dias da aquisição do controle acionário do antigo Banco Pactuai S.A., o UBS AG (Suíça) passou a deter diretamente 61,04% e indiretamente através da UBS Brasil Investimentos Ltda., 38,96% das ações que compunham o seu capital social. ..... No que se refere aos riscos cambiais, já era de conhecimento desde a discussão das condições a serem incluídas no contrato de compra e venda. A constituição do suposto passivo em moeda estrangeira, capitalizado três dias após o seu registro contábil, inicialmente nos livros contábeis da UBS Brasil Participações Ltda., tinha como única finalidade viabilizar a formação, e consequente contabilização de um ágio na Incorporada (UBS Brasil Participações), referente à parcela a ser paga, considerando o atendimento das condições descritas no Contrato de Compra e Venda, no final de 20 trimestres fiscais encerrando em 30 de junho de 2011. Justificar o processo de incorporação às avessas com o objetivo de redução de custos, controles, etc, é improcedente, pois os ganhos decorrentes da incorporação de uma holding sem movimentação financeira/operacional foram ínfimos sob todos os aspectos, considerando o tamanho das operações do Banco. A prova de tal assertiva está demonstrada na imaterialidade das operações lançadas nos seus registros contábeis. A economia tributária é o único item efetivamente relevante, conforme destacado na nota explicativa – Contexto Operacional, em suas demonstrações financeiras do exercício social findo em 31 de dezembro de 2007. Alegar, também, reestruturação das atividades do Grupo UBS no Brasil carece de razões sólidas, pois o que estamos questionando, especificamente, foi a forma utilizada no processo de aquisição do Banco que levou a constituição de uma holding e a sua extinção em curtíssimo prazo, não produzindo neste exíguo período da sua existência, os resultados inerentes do exercício de atividades empresariais, exceto a relevante economia tributária alcançada, cujo início deuse após dois meses da aquisição do controle acionário do Banco, em decorrência da incorporação às avessas. Com base nos elementos fornecidos pelo contribuinte, afirmamos que a criação das duas sociedades de participações utilizadas no processo de aquisição do antigo Banco Pactual SA. e os sucessivos atos societários realizados em três dias, finalizado Fl. 4674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.675 50 com o processo de incorporação às avessas tiveram basicamente um interesse fiscal, ou seja, reduzir as bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2012. Não existem razões de caráter econômico, comercial, societário ou financeiro que efetivamente justifiquem os sucessivos atos ou negócios jurídicos praticados no intervalo de três dias pelo UBS AG (Suíça), que estão amplamente descritos nos parágrafos anteriores, exceto a economia fiscal (IRPJ e CSLL) superior a R$ 1,5 bilhão no prazo de 60 meses.” Vêse, portanto, que a figura do abuso de direito, em que pese não ter sido mencionada expressamente, consistiu em uma das razões que levaram o Fisco a neutralizar a redução tributária almejada. Daí a importância da análise do caso concreto, repitase, para que se possa identificar exatamente se houve excesso com relação aos fins propostos, na espécie, pela norma que autoriza a amortização do ágio, o que inclui necessariamente a forma como foi gerado. A verificação das datas em que as operações societárias foram implementadas agregam importantes informações para que se possa concluir sobre a abusividade ou não do planejamento tributário empreendido. Da assinatura do Contrato de Compra e Venda, em 9/5/06, celebrado entre UBS AG, Pactual S/A e os Sócios, e a incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pelo Banco Pactual S/A, em 5/2/07, decorreram apenas nove meses. Como sustenta o Recorrente, seria tempo suficiente para que as reorganizações societárias pudessem ter sido engendradas em um contexto de natural efetivação de ganhos operacionais. Porém, uma análise mais detida revela outra situação. Em 31/7/06, o Adquirente UBS AG constituiu não uma, mas duas subsidiárias integrais, as holding UBS Brasil Participações Ltda e UBS Brasil Investimentos Ltda, sendo que o primeiro registro contábil em ambas ocorreu apenas em 27/11/06 (fls.808 e 1.011). A análise das operações que levaram à economia tributária iniciase com a celebração do Contrato de Compra e Venda, quando se previu que “...antes do Fechamento, a Adquirente pretende constituir uma Subsidiária integral sob as leis do Brasil e ceder a tal Subsidiária, no todo ou em parte, os direitos e as obrigações da Adquirente” (preâmbulo). Anotese que a criação de subsidiária(s) não consistiu em condição para o fechamento do negócio. Ao contrário, a Cláusula 10.4 estabelece, ao tratar dos sucessores e cessionários, uma mera possibilidade de transmissão de direitos e obrigações para subsidiárias doravante existentes, o que, inclusive, não tinha efeito liberatório da Adquirente quanto às obrigações acordadas: “[...] a Adquirente poderá ceder todo e qualquer um de seus direitos e obrigações previstos neste Contrato a uma ou mais de uma de suas agências ou Subsidiárias (quer sejam ora ou doravante existentes) sem o consentimento prévio da Controladora ou dos Representantes do Sócio, mas nenhuma de tal cessão liberará a Adquirente de suas obrigações previstas neste Contrato.” Fl. 4675DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.676 51 Chama à atenção o desenrolar de importantes acontecimentos em dois dias úteis, precisamente em 1º/12/06 (sextafeira) e 4/12/06 (segundafeira). Vejamos: 1º/12/06 incorporação da holding Pactual S/A pelo Banco Pactual S/A, com transferência da totalidade das ações aos acionistas pessoas físicas; aumento do capital social da UBS Brasil Participações Ltda para R$ 2.045.684.177,00, totalmente subscrito e integralizado por UBS AG; conclusão (fechamento) da operação de compra e venda do Banco Pactual S/A através da UBS Brasil Participações Ltda; transferência da totalidade das quotas da UBS Brasil Participações Ltda, pertencentes à UBS AG, para a UBS Brasil Investimentos Ltda; 4/12/06 (primeiro dia útil seguinte) cessão do passivo da UBS Brasil Participações Ltda, referente à parcela do valor de aquisição do Banco Pactual S/A, para UBS Brasil Investimentos Ltda; aumento de capital da UBS Brasil Participações Ltda no valor de R$3.205.680.000,00, integralizado pela UBS Brasil Investimentos Ltda exatamente mediante créditos detidos pela subscritora contra aquela sociedade, relativos à dívida cedida; transferência da dívida da UBS Brasil Investimentos Ltda, relativa à aquisição do Banco Pactual S/A e decorrente da cessão pela UBS Brasil Participações Ltda, para a controladora suíça UBS AG. Um dos motivos alegados pelo Recorrente, no bojo dessa reorganização societária, de afastar riscos cambiais atrelados ao pagamento da parcela futura do preço, não subsiste a uma análise temporal. Tal risco, como bem apontou a fiscalização, já era do conhecimento da adquirente, mesmo antes da celebração do Contrato de Compra e Venda, haja vista as cláusulas afinal pactuadas apenas 7 (sete) meses antes. Ademais, do fechamento à cessão do passivo para a UBS Brasil Investimentos Ltda e transferência da dívida para a controladora estrangeira transcorreu 1(um) dia útil. Finalmente, em 5/2/07, houve a incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pela adquirida Banco Pactual S/A, sociedades sujeitas ao mesmo controle final, com o registro do ágio nesta companhia e consequente início da amortização de suas parcelas do total contabilizado. A parte do roteiro que efetivamente interessa aos apreciadores do “filme completo” restringiuse a um curto período de pouco mais de dois meses: de 1º/12/06, quando do “fechamento” do Contrato de Compra e Venda, a 5/2/07, data da incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pelo Banco Pactual S/A. Em que pese inexistir lapso temporal definido legalmente para se averiguar a eficácia dos efeitos tributários perante o Fisco, decorrentes de operações societárias como as ora analisadas, consiste em dado relevante posto à disposição do intérprete, que não pode ser desprezado, mormente quando os fatos demonstram que em sua breve vida a sociedade não cuidou de qualquer outro propósito a que se prestava (“participação societária em instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil”). Fl. 4676DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.677 52 Até então, pelo que se expôs, não se vislumbra motivo extratributário a afastar a acusação de abuso de direito, compreendido na dimensão de se buscar preponderantemente economia tributária. A possibilidade de aquisição do Banco Pactual S/A por outro caminho, por exemplo por meio do Banco UBS S/A, tratase de mera hipótese e, como tal, não serve como motivo para o que realmente aconteceu. Quanto à justificativa para a criação da UBS Brasil Investimentos Ltda, de servir como holding company dos investimentos do Grupo UBS no Brasil, não justifica a criação da UBS Brasil Participações Ltda, tampouco a necessidade da incorporação reversa. Quanto à aquisição diretamente por UBS Brasil Participações Ltda ter como motivo uma suposta redução do risco de o Banco Central do Brasil negar o pleito de controle direto pela instituição financeira estrangeira, não passa de mera especulação. Como visto, em que pese a constituição da UBS Brasil Participações Ltda em 31/7/06, o primeiro registro contábil ocorreu apenas em 27/11/06, posteriormente à aprovação do voto BCB nº 277/2006, referente à aquisição do controle acionário do Banco Pactual S/A, pela Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil em sessão realizada em 19/9/06 (fl.4.269) e à publicação, em 27/10/06, do Decreto presidencial reconhecendo o interesse do Governo brasileiro no aumento da participação estrangeira no capital do Banco Pactual S/A (fl.4.311). Além do mais, se era considerado o risco de que a aquisição direta pelo UBS AG fosse indeferida, porque não a realizou, como sustenta o próprio Recorrente, por meio de sociedade do grupo já existente? No mencionado voto proferido pelo Diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Sr. Alexandre Antonio Tombini, não obstante o pleito de autorização para aquisição de forma indireta, em momento algum se adentrou no papel desempenhado pela subsidiária [ou na necessidade de sua existência] que viria a ser criada, no caso a UBS Brasil Participações Ltda. Vêse, também, que quando da aprovação da incorporação da UBS Brasil Participações Ltda, o Bacen, por meio da Gerência Técnica no Rio de Janeiro, do Departamento de Organização do Sistema Financeiro, ressalvou que “...este Banco Central, ao aprovar a operação, não entrou no mérito de questões de competência de outros órgãos da Administração Tributária Federal” (fl.4.379). Outro dado que igualmente não pode passar despercebido consiste na própria justificativa para a incorporação às avessas, constante do “Protocolo e Justificação da Incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pelo Banco Pactual S.A” (fls.500/510), celebrado em 5/2/07. Será que quando do fechamento da aquisição do Banco Pactual S/A, dois meses e quatro dias antes, as partes não teriam condições de minimamente projetar que uma estrutura simplificada do Grupo UBS no Brasil já resultaria na aludida “redução de custos financeiros, operacionais e a racionalização das atividades”? Pouco provável! Principalmente, quando considerados os sócios pessoas físicas, as sociedades e os valores envolvidos. A ausência de comprovação pelo contribuinte de motivo extratributário, que, nas palavras de Marco Aurélio Grego (op.cit., p.237), fosse “...pertinente ao que fez e suficiente no sentido de existirem razões reais em dimensão relevante para levar a agir daquela forma e que sua conduta concreta mantevese dentro dos parâmetros de proporcionalidade e congruência”, não leva a outra conseqüência, senão a de neutralização do excesso do exercício do direito legalmente previsto, tendo em conta o motivo preponderante de economia tributária na aquisição do Banco Pactual S/A, considerandose a forma como efetivouse. Por outro viés, na ausência de motivo extratributário. Fl. 4677DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.678 53 Nesse contexto, notese, ainda, que a UBS Brasil Investimentos Ltda passou a deter ações do Banco Pactual S/A em substituição às quotas que detinha da UBS Participações Ltda, o que gerou outro ágio na UBS Brasil Investimentos Ltda superior a R$1bilhão, ágio este que, como bem alerta o Recorrente, não foi objeto da autuação, mas cuja criação e efeitos tributários não podem igualmente ser simplesmente desprezados na apreciação do caso como um todo. Reiterese que a constituição de uma subsidiária integral no Brasil, antes do fechamento, estava prevista no contrato, para quem o Adquirente poderia ceder, no todo ou em parte, os direitos e as obrigações relacionadas à aquisição e ao pagamento das ações do Pactual. Das disposições contratuais, vêse que não se tratava de uma condição para o fechamento do negócio e, mais, caso a cessão ocorresse, o Adquirente (UBS AG) não estaria liberado de suas obrigações. Vejamos: “CONSIDERANDO QUE, antes do Fechamento, a Adquirente pretende constituir uma Subsidiária integral sob as leis do Brasil e ceder a tal Subsidiária, no todo ou em parte, os direitos e as obrigações da Adquirente aqui previstas relacionadas à aquisição e ao pagamento das Ações do Pactual, de acordo com a Cláusula 10.4; ..... CLÁUSULA 10.4. Sucessores e Cessionários; Terceiros Beneficiários. Este Contrato e qualquer um dos direitos, participações e obrigações de qualquer parte previstos neste Contrato não deverão ser cedidos, no todo ou em parte (por força da lei ou de qualquer outro modo), por qualquer parte sem o consentimento prévio da Adquirente, no caso de qualquer tal cessão pela Controladora ou por qualquer Sócio, ou da Controladora (ou, após o Fechamento, dos Representantes do Sócio), no caso de qualquer tal cessão pela Adquirente; ressalvado, no entanto, que a Adquirente poderá ceder todo e qualquer um de seus direitos e obrigações previstos neste Contrato a uma ou mais de uma de suas agências ou Subsidiárias (quer sejam ora ou doravante existentes) sem o consentimento prévio da Controladora ou dos Representantes do Sócio, mas nenhuma de tal cessão liberará a Adquirente de suas obrigações previstas neste Contrato. Observadas as disposições acima, este Contrato obrigará e vigorará em benefício de e será exeqüível pelas partes deste instrumento e por seus respectivos sucessores e cessionários autorizados. Qualquer cessão não permitida de acordo com esta Cláusula 10.4 será nula de pleno direito. Nenhuma disposição deste Contrato, expressa ou implícita, pretende conferir a qualquer Pessoa, que não as Partes deste instrumento ou seus respectivos sucessores e cessionários autorizados, quaisquer direitos, remédios, obrigações ou responsabilidades de acordo com ou em virtude deste Contrato.” (negritei) Tais disposições, em conjunto com aquelas cláusulas iniciais transcritas alhures, corroboram a conclusão da fiscalização, de que o UBS AG foi o real adquirente do Banco Pactual S/A (novamente a preponderância do aspecto substancial sobre o formal), considerandose que no primeiro dia útil seguinte ao “fechamento” da compra e venda a dívida Fl. 4678DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.679 54 supostamente assumida pela UBS Brasil Participações Ltda foi transferida àquela sociedade. O Adquirente suíço pagou inicialmente US$ 920 milhões e assumiu como dívida o restante, sendo incontroverso que no dia útil seguinte à aquisição do Banco Pactual S/A por intermédio da UBS Brasil Participações Ltda, o UBS AG passou a deter diretamente 61,04% e, indiretamente, por meio da UBS Brasil Investimentos Ltda, 38,96% do controle acionário. Ressaltese que os principais arranjos que conduziram à amortização do ágio em debate foram travados entre partes interdependentes, que envolveram decisões societárias relevantes (capitalizações, cessão de dívida, transferência de dívida ao exterior), sem outro dispêndio além daquela parcela inicial. As duas subsidiárias integrais da UBS AG, tomandose as operações aqui analisadas, serviram ao propósito de máximo aproveitamento fiscal inerente à aquisição do Banco Pactual S/A, não tendo desenvolvido, em especial a UBS Brasil Participações Ltda, o seu objeto social em outros negócios. Além do mais, não houve comprovação pela defesa de que a engenharia societária tenha tido justificativa na otimização de resultados operacionais, tendo ainda deixado de devidamente comprovar tal relação de causa e efeito, o que confirma, conforme observou a autoridade fazendária, que a economia tributária proporcionada, no contexto da compra e venda firmada e da incorporação às avessas, preponderou, ou, conforme Termo de Verificação Fiscal, consistiu em item relevante, como consignado no Termo de Verificação Fiscal: “[...] Alegar, também, reestruturação das atividades do Grupo UBS no Brasil carece de razões sólidas, pois o que estamos questionando, especificamente, foi a forma utilizada no processo de aquisição do Banco que levou a constituição de uma holding e a sua extinção em curtíssimo prazo, não produzindo neste exíguo período da sua existência, os resultados inerentes do exercício de atividades empresariais, exceto a relevante economia tributária alcançada, cujo início deuse após dois meses da aquisição do controle acionário do Banco, em decorrência da incorporação às avessas. Com base nos elementos fornecidos pelo contribuinte, afirmamos que a criação das duas sociedades de participações utilizadas no processo de aquisição do antigo banco Pactual S.A e os sucessivos atos societários realizados em três dias, finalizado com o processo de incorporação às avessas tiveram basicamente um interesse fiscal, ou seja, reduzir as bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido no período de fevereiro de 2007 a janeiro de 2012. Não existem razões de caráter econômico, comercial, societário ou financeiro que efetivamente justifiquem os sucessivos atos ou negócios jurídicos praticados no intervalo de três dias pelo UBS AG (Suíça), que estão amplamente descritos nos parágrafos anteriores, exceto a economia fiscal (IRPJ e CSLL) superior a R$ 1,5 bilhão no prazo de 60 meses. Com exceção do primeiro negócio jurídico representado pelo Contrato de Compra e Venda, os demais evidenciam a interdependência entre as partes envolvidas, ou seja, as Fl. 4679DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.680 55 operações ocorreram entre sociedades ligadas, todas controladas pelo UBS AG. A utilização das duas sociedades de participações e os atos societários subseqüentes possibilitou que o contribuinte se beneficiasse de uma dedução prevista na legislação fiscal – o art.386, inciso III, do RIR/99, principalmente por não ter havido o correspondente e efetivo pagamento do ágio no valor de R$ 3.205.680.000,00, resultando em dano efetivo ao Erário.” Da forma como a operação foi executada, a constituição da UBS Brasil Participações Ltda teve como propósito possibilitar, após a incorporação reversa, a amortização do valor do ágio apurado quando da aquisição do Banco Pactual S/A, efetivamente pelo UBS AG (Suíça), podendo aquela subsidiária ser identificada como empresa efêmera de passagem, de breve existência. Em casos como este já se decidiu administrativamente que não subsiste o efeito tributário almejado. Vejamos: “[...] INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NECESSIDADE DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE "EMPRESA VEÍCULO". Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a incorporação de pessoa jurídica, em cujo patrimônio constava registro de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura, sem qualquer finalidade negocial ou societária, especialmente quando a incorporada teve o seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato continuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da incorporada como mera "empresa veículo" para transferência do ágio à incorporadora [...]” (1ºCC, Acórdão nº 10323.290, de 5/12/07, Rel. Cons. Aloysio José Percínio da Silva) Todas as questões até então levantadas inseremse no contexto do que leciona a doutrina especializada de Marco Aurélio Grego (op. cit., pp. 466479), quando trata das denominadas “Operações Preocupantes”. Peço vênia para transcrever as esclarecedoras passagens abaixo: “[...] Outra hipótese relevante é a das operações realizadas entre partes relacionadas, vale dizer, em que existe a possibilidade de a causa da operação ser a obtenção de algum efeito tributário intragrupo e não uma razão econômica efetiva de mercado. Quando estamos entre pessoas jurídicas de um mesmo grupo societário não podemos ignorar que esta simples circunstância faz com que existam interesses comuns no relacionamento entre seus membros. Três situações merecem ser mencionadas. A primeira tem a ver com uma expressão italiana – utilizada para se referir a outro objeto, mas que é cabível neste momento – que se resume a dizer que é uma operação ‘con la quale o senza la quale tutto rimane tala e quale’. Vale dizer, em que há alterações formais de titularidade patrimonial ou de atribuição Fl. 4680DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.681 56 de direitos e deveres, mas que, em última análise, por ser o mesmo grupo não ocorreram alterações substanciais. Ou seja, operações mediante as quais jurídica e patrimonialmente o grupo permanece inalterado; a única conseqüência relevante é que o Fisco deixa de receber determinado tributo. Embora não exista no Brasil a tributação englobada do grupo de sociedades e cada pessoa jurídica seja tratada isoladamente, este é um aspecto que merece atenção nos casos concretos. ..... Outra questão importante envolve o uso de sociedades. Neste ponto, três observações preliminares devem ser referidas. A primeira é que o elemento relevante quando estamos perante uma pessoa jurídica não é apenas a sua existência formal (no registro competente etc.); tão importante ou até mais – em matéria tributária – é a identificação do empreendimento que justifica sua existência. A criação de uma pessoa jurídica tem sentido na medida em que corresponda à vestimenta jurídica de determinado empreendimento econômico ou profissional. A ideia de empresa é o núcleo a ser perquerido. ..... A terceira é que a figura da simulação pode se dar mediante o uso de pessoas jurídicas. Com efeito, a simulação pode ser objetiva, quando forem utilizados atos, ou subjetiva, quando a aparência do negócio se der mediante a criação ou a atribuição de poderes ou deveres a uma pessoa jurídica. Feitas estas considerações iniciais, examinemos quatro situações que merecem especial atenção. ..... A primeira situação a observar é das chamadas conduit companies (empresasveículos ou de passagem) em que uma pessoa jurídica é criada apenas para servir como canal de passagem de um patrimônio ou de dinheiro sem que tenha efetivamente outra função dentro do contexto. ..... Aqui, surge novamente uma bandeira amarela, uma operação preocupante, consistente nas conduit companies que servem apenas para transitar um patrimônio ou um determinado recurso. ..... O quarto caso é o das sociedades efêmeras ou de curta duração; são aquelas sociedades que nascem para morrer ou para serem extintas depois de alguns dias ou algumas horas, tão logo compareçam em determinada operação. ..... Não é pelo simples fato de ser efêmera que a operação estará contaminada, mas ser efêmera gera uma interrogação quanto ao motivo pelo qual foi efêmera. Fl. 4681DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.682 57 Por que criada e extinta naquele dia? Por vezes, a resposta é a de que, dentro de um planejamento, a sociedade foi criada para participar de determinado negócio ou receber determinado patrimônio em trânsito para outra pessoa jurídica, eventualmente ligada à figura do ágio; feito isto pode desaparecer. Mas, em outras situações ela foi criada por razão não tributária – por vezes para atender a exigência legal de controle – e sua extinção pode resultar do simples esgotamento dessa razão determinante. Particularmente delicado é o exame das situações concretas em que se identifica a figura do ágio, pois, em si mesmo, é eventualidade que existe no dia a dia da vida empresarial. A questão central não é a sua existência, mas a sua criação onde não existe ou onde não há fundamento para reconhecêlo (por exemplo, intragrupo). Também delicada é a questão da sua alocação. Nas sociedades efêmeras, um elementochave a ser questionado é o da affectio societatis. Com efeito, até que ponto existe affectio entre os sócios se eles criam para extinguilas? Em suma, o caráter efêmero da sociedade é outro ponto relevante a ser considerado no exame dos casos concretos. ..... Por vezes, quando uma pessoa adquire determinada participação societária o faz com ágio, pois o valor da aquisição é superior ao respectivo valor de patrimônio líquido. Ocorre que, num momento posterior à aquisição, por vezes sucede de ser feita uma incorporação às avessas que gera uma situação curiosa em relação ao ágio na aquisição da participação societária. Com efeito, o ágio tem por objeto uma participação societária de titularidade da controladora, que representa fração do capital da pessoa jurídica controlada à qual ela se reporta. Na medida em que a controlada incorpora a controladora, desaparece o sujeito jurídico titular da participação societária. Assim, caso preservado, o montante do ágio passaria a estar dentro da incorporadora (antiga controlada), possuindo como origem um elemento que agora integra a própria incorporadora. Seria um “ágio em si mesmo”, o que sugere uma preocupação quando se analisa caso concreto que apresente este feitio. Também aqui é preciso fazer uma distinção entre o surgimento do ágio (motivos e finalidades da operação) e o seu aproveitamento, pois a lei tributária pode admitir essa hipótese (“ágio de si mesmo”) e prever algum tipo de dedução, seja como elemento integrante da apuração da renda como tal, seja a título de incentivo ou benefício fiscal. O cerne da questão não será o seu aproveitamento, mas o meio utilizado e o modo de agir adotado para, eventualmente, ‘construir’ ou ‘materializar’ a hipótese de incidência da regra de aproveitamento.” (destaquei) Fl. 4682DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.683 58 Tal base doutrinária, é relevante observar, não impõe uma sentença de morte aos planejamentos tributários com o envolvimento de sociedadesveículo ou sociedades efêmeras. Como bem pontua o autor, constituemse em operações preocupantes responsáveis por ligar o alerta que demanda uma apurada análise do contexto. Não se tratam de operações normais, que podem simplesmente ser justificadas, escudadas em mera formalidade documental. A conclusão final, porém, cabe naturalmente ao julgador quando da valoração dos elementos de prova, à luz do particularizado contexto fático. Analisaremos agora se teria sido necessária a constituição, em especial da UBS Brasil Participações Ltda, à luz da legislação regulatória do setor financeiro, que trata da aquisição do controle acionário de instituição nacional por instituição estrangeira. De acordo com a PGFN, em contrarrazões, a Circular Bacen nº 3.317, de 29/3/06, editada com base no artigo 3º da Resolução nº 3.040/2002, anterior à celebração do Contrato de Compra e Venda, previa a possibilidade de aquisição de participação societária em instituições financeiras com o ingresso de participação estrangeira, “...independentemente do percentual, direto ou indireto”: “Art 1º Estabelecer que os pleitos para constituição de instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil em que haja participação estrangeira, direta ou indireta, devem ser formalizados nos termos do art. 5º do Regulamento anexo à Resolução 3.040, de 28 de novembro de 2002, e da Circular 3.179, de 26 de fevereiro de 2003, com as alterações introduzidas pela Circular 3.218, de 8 de janeiro de 2004, acrescidos das seguintes informações: ..... §2º As disposições deste artigo aplicamse aos pleitos de: I aquisição de participação societária em instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, com ingresso de participação estrangeira, independentemente do percentual, direto ou indireto; II aumento de participação estrangeira, direta ou indireta; III instalação, no País, de agências de instituições financeiras domiciliadas no exterior.” (destaquei) Sustenta que, em 19/9/06, a Diretoria do Bacen emitiu parecer favorável quanto à transferência do controle acionário do Banco Pactual S/A diretamente para o UBS AG. De igual maneira, o Conselho Monetário Nacional, em sessão realizada em 27/9/06, teria aprovado também a aquisição nos moldes do Contrato de Compra e Venda, confirmada por Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República, publicado no Diário Oficial da União de 27/10/06 (nº 207, Seção 1, p.12): “Reconhece como de interesse do Governo brasileiro o aumento da participação estrangeira no capital do Banco Pactual S.A., com o conseqüente reflexo em suas controladas, e dá outras providências. Fl. 4683DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.684 59 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no art. 52, parágrafo único, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, D E C R E T A : Art.1º É de interesse do Governo brasileiro o aumento da participação estrangeira, até cem por cento, no capital do Banco Pactual S.A., sediado no Rio de Janeiro RJ, com o conseqüente reflexo nos capitais da Pactual Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., Pactual Asset Management S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários e Pactual Serviços Financeiros S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários. Art.2º O Banco Central do Brasil adotará as providências necessárias à execução do disposto neste Decreto. Art.3º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art.4º Fica revogado o Decreto de 25 de março de 2003, que reconhece como de interesse do Governo brasileiro o aumento da participação estrangeira no capital social do Banco Pactual S.A.” (destaquei) À vista destas autorizações, concedidas, digase, antes do “fechamento” da compra e venda, no entender da PGFN, “não havia qualquer impedimento legal ou regulatório à aquisição direta do BANCO PACTUAL pelo UBS AG”: “[...] antes do fechamento do contrato de compra e venda já havia três documentos oficiais que autorizavam a operação: uma decisão da Diretoria Colegiada do Banco Central de 19/09/2006, um voto do Conselho Monetário Nacional de 27/09/2006 e um Decreto Presidencial de 26/10/2006.” Com base em tais documentos e argumentos, restaria a seguinte indagação: como poderia a Diretoria do Banco Central ter emitido parecer favorável à aquisição, o Conselho Monetário Nacional aprovadoa e o chefe do Executivo federal ter decretado o interesse do Governo brasileiro no “aumento da participação estrangeira, até cem por cento”, à luz de uma legislação restritiva? A constatação de autoridades governamentais agindo sem autorização normativa não parece ser crível, de sorte que, à primeira vista, não mereceria guarida a tese do Recorrente de “...a despeito da existência da referida regra proibitiva, o Banco Central acabou por aprovar a operação [...] ainda que em princípio esta fosse contrária à norma”. Tendo sido a PGFN a última parte a se pronunciar nos autos com as contrarrazões, não restou outra solução à defesa senão, em memoriais, devidamente anexados ao processo e cientificados àquele órgão, tentar refutar as conclusões da Fazenda Nacional com farta documentação específica sobre o procedimento no âmbito do Bacen. Em homenagem ao princípio da verdade material, inerente ao processo administrativo tributário federal, conheço dos documentos, ainda que disponibilizados após o prazo recursal. É inegável que agregam luzes sobre o caso, sendo digna de aplausos, registre se, a diligente atuação do patrono do sujeito passivo, a exemplo da postura adotada pela PGFN, buscando proporcionar aos Conselheiros a adequada compreensão dos fatos. Fl. 4684DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.685 60 Em síntese, foram acostados aos autos os seguintes documentos (fls.4.226/4.410): 1. Requerimento dirigido ao Bacen pelo UBS AG e Banco Pactual S/A, protocolizado em 2/6/06, em que, com base no referido Contrato de Compra e Venda, submete à apreciação a pretensão de “...alienação da totalidade do controle social do Banco Pactual à sociedade holding que o UBS AG pretende constituir no Brasil, com objeto social exclusivo, nos termos da Resolução nº 3.040/2002, daí resultando a transferência do controle do Banco Pactual, e a elevação da participação estrangeira indireta em seu capital social para 100% (cem por cento).”; 2. Exigência do Bacen ao Banco Pactual S.A, de 10/7/06, por meio da Correspondência Deort/Conif2006/06696, em que são feitas várias exigências, dentre as quais a “remessa do organograma de ambos os conglomerados econômicofinanceiros, no Brasil, antes e após o ato de concentração”; 3. Carta de esclarecimentos do UBS AG e Banco Pactual S/A ao Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Bacen, datada de 19/7/06, com referência ao encaminhamento do organograma requerido; 4. Despacho da Deorf/GTRJA, de 19/9/06, acerca da transferência do controle acionário do Banco Pactual S.A e de suas controladas para o UBS AG (Suíça), com proposta de deferimento do pleito à autoridade superior e registro de que o assunto deveria ser submetido à Diretoria Colegiada, nos termos do Regimento Interno, “...com vistas ao seu encaminhamento ao Conselho Monetário Nacional, em face do aumento da participação estrangeira no capital de instituições financeiras com sede no País como prévia condição para submissão ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República”, sendo a proposta aprovada pelo Diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro, Sr. Alexandre Antonio Tombini, na mesma data; 5. Voto BCB nº 277/2006, proferido pelo mencionado Diretor, também de 19/9/06, referente à “...aquisição, pelo UBS AG, do controle acionário do Banco Pactual S.A e de suas controladas”, aprovado pela Diretoria Colegiada do Bacen em sessão de 27/9/06. A publicação no DOU, do Extrato da Ata da 821ª Sessão do CMN, ocorreu em 28/12/06 (nº 248, Seção 1, p.60); 6. Decreto do Exmo. Sr. Presidente da República, de 26/10/06 (DOU nº 207, de 27/10/06, Seção 1, p.12), conferindose a devida publicidade de que era do “...interesse do Governo brasileiro o aumento da participação estrangeira, até cem por cento, no capital do Banco Pactual S.A”; 7. Comunicação do Bacen (Deorf/Cofin II – 2006/09485), de 27/10/06, ao Banco Pactual S/A em que o informa sobre a publicação do Decreto presidencial, bem como requer o encaminhamento da “...documentação comprobatória do fechamento da operação referente à aquisição, por parte do UBS AG, do controle acionário [...], conforme Contrato de Compra e Venda firmado em 9.5.2006”; 8. Correspondência do Banco UBS Pactual S/A, protocolizada no Bacen em 12/12/06, por meio da qual encaminhou a seguinte documentação: mapas de composição acionária do Banco Pactual S/A e da Pactual S/A; ata da Assembleia Geral Extraordinária do Banco Pactual S/A, realizada em 1/12/06, em que se deliberou a incorporação da Pactual S/A; Protocolo de Justificação da Incorporação; Declaração da UBS Brasil Participações Ltda, autorizando o pagamento aos sócios do Banco Pactual S/A pela alienação das ações representativas do capital Fl. 4685DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.686 61 social desta instituição financeira; e Contrato de Câmbio celebrado em 1/12/06 entre o Banco Pactual S/A e UBS Brasil Participações Ltda; 9. Protocolo e Justificação da Incorporação da UBS Brasil Participações Ltda pelo Banco UBS Pactual S/A, celebrado em 5/2/07; 10. Ata de Reunião de Sócios da UBS Brasil Participações Ltda, realizada em 5/2/07, em que se aprovou o Protocolo e Justificação de Incorporação da sociedade pelo Banco UBS Pactual S/A; 11. Comunicação do Banco UBS Pactual S/A ao Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Bacen, protocolizada em 8/2/07, por meio da qual encaminha os documentos relativos à “...primeira etapa do projeto de reestruturação do grupo econômico UBS Pactual” (Protocolo e Justificação da Incorporação da UBS Brasil pelo Banco UBS Pactual S/A, Ata da Assembleia Geral Extraordinária dos Acionistas do Banco UBS Pactual S/A e Ata da Reunião de Sócios da UBS Brasil Participações Ltda); 12. Publicação no DOU (nº 40, de 28/2/07, Seção 3, p.42), pela Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro Nacional do Bacen, da aprovação da incorporação, “...transferência de controle acionário para UBS AG do Banco UBS Pactual S/A e de suas subsidiárias [...], nos termos do Contrato de Compra e Venda de 09.05.2006, operação que recebeu manifestação favorável da Diretoria Colegiada em sessão de 19.9.2006”, e reforma estatutária; 13. Comunicação do Bacen (Deorf/GTRJA2007/01063) ao Banco UBS Pactual S/A, de 1/3/07, cientificandolhe sobre as aprovações acima; 14. Comunicação do Bacen (Deorf/GTRJA2007/06642) ao Banco UBS Pactual S/A, de 19/7/07, nos seguintes termos: “Comunicamos que este Banco Central, por despacho do Sr. Chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro, de 6.7.2007, publicado no Diário Oficial da União de 10.7.2007, aprovou a incorporação da UBS Brasil Participações Ltda (CNPJ 08.245.975), mediante versão da totalidade de seu patrimônio e consequente extinção, sucedendolhe a incorporadora em todos os direitos e obrigações, conforme deliberado na AGE de 5.2.2007. 2. Informamos que este Banco Central, ao aprovar a operação, não entrou no mérito de questões de competência de outros órgãos da Administração Pública Federal. 3. Anexamos documentação autenticada, para fins de arquivamento no Registro do Comércio.” 15. Parecer assinado por Sérgio Darcy da Silva Alves, ExDiretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Bacen, datado de 6/5/14, “...a respeito dos procedimentos adotados para o exercício do controle de instituição financeira nacional e/ou adquirida à luz do arcabouço regulatório nacional, em especial o disposto no parágrafo único do art.52 do Ato das Disposições Transitórias, do artigo 14 da Resolução do Conselho Monetário Nacional n. 3.040, de 28 de novembro de 2002 e da Circular do Banco Central do Brasil n. 3.317, de 29 de março de 2006”. Da análise de tal documentação, vêse que o Recorrente têm razão quando sustenta que a intenção de aquisição do Banco Pactual S/A pelo UBS AG submetida ao crivo Fl. 4686DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.687 62 do Bacen, em 2/6/06, já previa que se daria de forma indireta, por meio de sociedade holding que viria a ser constituída. Por outro lado, não permite concluir que a aquisição do Banco Pactual S/A por meio da holding UBS Brasil Participações Ltda, e não diretamente pelo UBS AG, decorreu de um imperativo normativo. As aprovações do Bacen reportaramse às operações que lhe foram submetidas para fins de aquisição do controle acionário da instituição financeira nacional, que, de acordo com o Contrato de Compra e Venda, previa, é verdade, a possibilidade de participação de holdings. Em que pese no Parecer elaborado por Sérgio Darcy Consultores Associados Ltda haver a concordância de que a constituição de uma holding para exercer o controle do Banco Pactual S/A seguiu os preceitos determinados em especial no art.14 da Resolução CMN 3.040/02 e que decorrera de adequada interpretação do dispositivo à luz do caso concreto, nele não se concluiu taxativamente que o único caminho possível, à vista das normas de regulação, seria aquele. Aponta, de igual forma que o Recorrente, para o risco de não aprovação do negócio caso a aquisição houvesse sido direta. Vejamos: “[...] Ao longo do texto procuramos demonstrar as razões que levaram a expedição da Circular Bacen n. 3.317/2006, claramente vinculada à busca de fundamentação para ingresso no nosso País de uma instituição financeira estrangeira, sendo esse o foco principal do normativo, em atendimento ao disposto no art.52, parágrafo único da ADCT. Em seguida, conforme mencionado, o caso concreto passou a ser regido pelo regime previsto na Resolução CMN 3.040/2002, em especial do art.14. E com base no referido normativo, entendemos que a proposta da UBS AG de constituir uma holding para exercer o controle do Banco Pactual S.A segue os preceitos determinados no referido dispositivo normativo, visto o não enquadramento dos pretendentes em relação aos demais itens deste dispositivo legal. De fato, conforme já destacamos, a UBS AG realizou o pleito perante o BACEN de aquisição do controle do Banco Pactual S.A de forma indireta, por meio da holding UBS Brasil Participações Ltda, pois esta era a correta interpretação, para o seu caso, do artigo 14 da Resolução CMN 3.040/2002. Reafirmamos que a prévia análise do Bacen para encaminhamento à Presidência da República, na etapa de admissibilidade prevista no art.52 da ADCT, cingiuse aos pontos previstos na Circular Bacen n 3.317/2006. Sendo de destacar que, como demonstramos ao longo do parecer, em nenhum momento a Presidência da República, por meio de decreto, entra na forma de como o controle societário estrangeiro é exercido. Ou seja, concordamos com o procedimento do UBS AG à época da operação, pois do ponto de vista legal a situação estava prevista no art.14 da Resolução CMN n. 3.040/2002, e esta optou exatamente no que se enquadrava. Fl. 4687DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.688 63 Não tenho dúvida em afirmar que a opção pela criação de uma holding pura, no âmbito do Sistema Financeiro do Brasil, atendeu totalmente aos objetivos do ato normativo em pauta, por dar melhores condições ao Banco Central de acompanhamento das diretrizes firmadas pelas instituições via sociedade holding. Ressaltamos que a estrutura societária para o fechamento da operação determinada no Anexo I do Voto BCB nº 277/2006 (aprovado pelo Voto CMN nº 093/2006) correspondeu à aquisição do Banco Pactual S/A nos exatos termos em que pleiteado pelo UBS AG: por meio da holding UBS Brasil Participações Ltda. Após a aprovação expressa da estrutura societária proposta, em atendimento ao artigo 14 da Resolução CMN 3.040/2002, também houve a aprovação dos atos concretos de fechamento da aquisição pela UBS Brasil Participações Ltda, conforme Comunicação do BACEN de 01/03/2007 (estrutura societária esta que era condizente com os termos do Voto BCB aprovado pelo CMN). Inclusive, assinalo que participações paralelas via holdings internacionais, cujo objetivo não era limitado, não foram aprovadas. Dessa forma, caso não fosse feito o pleito de aquisição do controle do Banco Pactual S.A de forma indireta, por meio da holding UBS Brasil Participações Ltda, existia o risco concreto e significativo de que a operação não fosse aprovada. Por fim, uma vez aprovada aquisição do controle do Banco Pactual S.A, não havendo mais o risco de que o pleito fosse negado pelo BACEN, o UBS AG pleiteou uma reestruturação societária que contemplava a incorporação de UBS Brasil Participações Ltda, tendo o BACEN aprovado tal restruturação.” (destaquei) Observese que o douto parecerista, ao interpretar a legislação de regência, empregou o termo “risco”, a indicar uma probabilidade, não uma certeza, de insucesso na aprovação, pelo Bacen, caso a opção fosse pela aquisição do Banco Pactual S/A diretamente pelo UBS AG. Tais órgãos governamentais não decidiram que a aquisição do controle acionário do Banco Pactual S/A necessariamente deveria efetivarse por meio de uma holding nacional. Aqueles apreciaram o pleito, repitase, a partir deste cenário posto pelos requerentes. Além do mais, considerando que a constituição da holding não consistiu em condição para o fechamento do negócio, a aquisição direta poderia ter sido submetida ao Bacen. Caso fosse indeferida, aí sim, por eventual imperativo normativo do setor financeiro, também com lastro no Contrato de Compra e Venda, a aquisição indireta seria levada ao crivo de tal autarquia federal. Da forma como a autorização foi pleiteada desde o início, é inescapável concluir pelo motivo preponderante da redução tributária futura, ou melhor, em um um brevíssimo futuro. Se o intuito da defesa, ao refutar os argumentos da PGFN, era demonstrar que a criação da UBS Brasil Participações Ltda não objetivou unicamente a economia tributária em Fl. 4688DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.689 64 debate, mas decorreu da necessária observância de norma regulatória, a documentação apresentada não confirma esta justificativa. Assim, os elementos carreados aos autos após o recurso voluntário não são capazes de afastar a conclusão anterior, de que, no caso concreto, as operações societárias buscaram afinal abusivamente construir, moldar, materializar a hipótese de incidência da regra de aproveitamento fiscal do ágio. Prosseguindo. Ainda que prevalecesse a tese de que para a aquisição do controle acionário do Banco Pactual S/A imprescindível seria a constituição principalmente da UBS Brasil Participações Ltda, ou, sob outro prisma, de que inexistiria vedação quanto à implementação das operações analisadas, com a demonstração do propósito negocial, a amortização fiscal não poderia ser deferida à luz da legislação tributária, mesmo considerando as tão destacadas autorizações governamentais, que não se relacionam com o aproveitamento tributário do valor do ágio efetivamente pago. Vejamos. Da demonstração arquivada como comprovante da escrituração do ágio O Recorrente, além de aduzir a ausência de norma que estipule formalidade para a elaboração de um “laudo”, reafirma que o estudo da PricewaterhouseCoopers, apresentado no curso da ação fiscal, foi elaborado com base em momento anterior ao fechamento da compra e venda, mais precisamente em 30/11/06, data de referência. Acerca do lançamento contábil do ágio decorrente da aquisição de investimento e da possibilidade de amortização, dispõe o Decreto nº 3.000, de 26/3/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99): “Art.385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. §1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §1º). §2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 4689DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.690 65 III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, §3º). Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): ..... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. ..... §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11).” (destaquei) O Decretolei nº 1.598, de 26/12/77, fundamento do art.385 do RIR/99, é também cristalino ao dispor que, por ocasião da aquisição da participação, o lançamento do ágio deveria basearse “em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante de escrituração”: “Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e Fl. 4690DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.691 66 II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. ..... § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração.” (destaquei) A compreensão do supracitado parágrafo terceiro não se dissocia do caput do artigo, que completa o seu sentido e alcance. Assim, o lançamento do ágio, com base no fundamento econômico da rentabilidade futura da coligada ou controlada, a ocorrer por ocasião da aquisição da participação, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante de tal escrituração. O legislador, ao empregar no supracitado parágrafo terceiro o tempo verbal no futuro, não autorizou o contribuinte a confeccionar a demonstração quando bem entendesse. Considerando a legislação vigente á época, não é absurdo concluir, sendo até mesmo intuitivo, que o registro desdobrado do custo de aquisição, tendo o ágio fundamento em previsão de resultados em exercícios futuros, baseiese, considerandose a data em que deve ser lançado contabilmente, em indicativo, estudo, já finalizado à época da aquisição da participação, constituindose em uma das mais importantes variáveis avaliadas pelos administradores do investidor quando decidem pagar ágio com base naquele fundamento econômico. Penso ser raro, talvez até impensável, que alguma sociedade, fixandose a premissa da rentabilidade futura, aventurese a adquirir investimento sem uma mínima margem razoável de segurança quanto a tal possibilidade. Para isso, é natural haver um estudo prévio, que também sirva, por exemplo, para lastrear o registro contábil e justificar perante o Fisco federal as amortizações nos períodos de apuração seguintes à incorporação, por exemplo. No caso concreto, ainda com mais ênfase, porque em questão um ágio superior a R$ 4 bilhões. É verdade que a norma textualmente não exige a confecção de um laudo formal, no sentido de ter sido elaborado por perito(s) externo(s), o que autoriza a discussão sobre a possibilidade de a exigência legal quanto ao comprovante de escrituração consistir em estudos internos que o contribuinte possa ter arquivado. Porém, ainda que tais documentos sejam idôneos, devem existir quando da aquisição do investimento com ágio. Fl. 4691DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.692 67 Acrescentese não se poder presumir que o fundamento econômico da aquisição esteja sempre, ou quase sempre, baseado em uma previsão de rentabilidade futura do investimento, como tenta fazer prevalecer o Recorrente, ao sustentar que seria “...inverossímil imaginar qualquer alegação no sentido de que o Grupo UBS, líder mundial na prestação de serviços de wealth management, investment banking e gestão de ativos, não teria realizado nenhum estudo interno acerca da expectativa de rentabilidade futura da empresa adquirida”. Tal tese, com a devida vênia, esbarra no próprio dispositivo legal, que contempla outras duas hipóteses para o fundamento do ágio, bem como nas inúmeras outras intenções eventualmente subjacentes à decisão de compra, a exemplo de expansão de mercados, dominação de setor econômico, e, até mesmo, no limite, mero capricho do adquirente. No próprio recurso voluntário sustentouse que as operações societárias como efetivadas proporcionaram ao Grupo UBS “... incremento de suas atividades no mercado nacional”. De fato, o conglomerado suíço pode até ter buscado incrementar suas atividades no Brasil, ainda que, em tese, a decisão pela aquisição pudesse não necessariamente relacionarse com rentabilidade futura. A amortização do valor do ágio, de que cuida o art.7º, III, da Lei nº 9.532, de 10/12/97, com a redação conferida pela Lei nº 9.718, de 27/11/98, apenas é autorizada quando apurado “segundo o disposto no art.20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977”: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ..... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) ..... Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” (destaquei) Ao dispor que a apuração do ágio realizase segundo o disposto no art.20 do DecretoLei nº 1.598/77, o legislador exigiu, como visto, que deve, por ocasião da aquisição do investimento, estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Fl. 4692DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.693 68 Por tais razões, entendo, à luz da legislação de regência vigente à época, que quando da aquisição do investimento deveria haver demonstrativo a justificar a rentabilidade futura. No caso concreto, um dos fundamentos da glosa das despesas com amortização de ágio consistiu exatamente no fato de a rentabilidade futura estar baseada em demonstrativo elaborado em 11/12/07, ou seja, há mais de um ano do registro contábil do ágio, ocorrido em 1º/12/06. Consta às fls.1.323/1.426 estudo elaborado por PricewaterhouseCoopers Corporate Finance & Recovery Ltda, datado de 11/12/07, em que se concluiu, com base em rentabilidade futura, que “...o valor de 100% das ações do Banco Pactual S.A, na data base de 30 de novembro de 2006, pela metodologia de fluxo de caixa descontado, ajustado pelo excesso de capital regulatório de US$ 178 milhões, é de US$ 3.300 milhões, equivalente a R$ 7.148 milhões convertidos pela taxa de câmbio vigente na database” Chama à atenção em tal estudo, a limitação de responsabilidade dos autores, quando afirmam que se valeram de informações não auditadas fornecidas pelo contratante, por escrito ou verbalmente, o que, decerto contribui para enfraquecer a fidedignidade das conclusões: “Ao elaboramos a avaliação, utilizamos informações e dados históricos e projetados, não auditados, fornecidos por escrito ou verbalmente pela Administração do UBS Pactual ou obtidos das fontes mencionadas”. Mas este nem é o ponto a comprometer definitivamente tal estudo como comprovação do fundamento econômico do ágio e posterior aproveitamento fiscal, nos termos da legislação vigente à época. A data em que tal estudo foi elaborado, considerandose ainda que a proposta para a prestação de serviços formalizouse após o fechamento da negociação de aquisição do Banco Pactual S/A, confirma o descumprimento do requisito legal acima analisado (demonstração contemporânea à aquisição do investimento), necessário para se autorizar a amortização do ágio supostamente pago. Além disso, sustenta o Recorrente que o Grupo UBS realizou “diversos estudos internos acerca da viabilidade do negócio, inclusive sob a perspectiva de rentabilidade futura do investimento a ser adquirido”, em que teriam sido “...consideradas as sinergias decorrentes da negociação”, conforme documentação acostada à impugnação. Entretanto, anexouse à impugnação (fls.3.586/3.621) uma espécie de relatório, redigido em idioma inglês, sem data de elaboração ou assinatura, razão pela qual, por óbvio, não podem ser aceitos para justificar o pagamento de ágio com base em rentabilidade futura. Mesmo que em tal documento, disponibilizado sem elementos outros que confirmem as premissas adotadas, não se confirme, com a assinatura, a declaração de vontade de seus supostos elaboradores (requisito de existência à luz da legislação civil brasileira), anota o Recorrente que com base nele estimouse o valor de compra do Banco Pactual S/A entre US$2.094 bilhões e US$ 2.692 bilhões, valor inferior ao definido pela PricewaterhouseCoopers (US$ 3.3 bilhões). O Recorrente ainda sustenta que houve “...um efetivo esforço do Grupo UBS prévio à aquisição, decorrente de diversos estudos e avaliações [...] para que se determinasse qual seria o preço da transação”, deixando, entretanto, de anexálos. Somente acostou ao Fl. 4693DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.694 69 recurso voluntário uma declaração do Sr. Juerg Zimmermann, Diretor Executivo do UBS AG, constante de um Memorando (fls.4.104/4.109), elaborado em 23/11/12, encaminhado diretamente a um dos patronos responsáveis pela elaboração do recurso voluntário (Dr. Celso Costa Machado Meyer) em 19/12/12, quando afirma ter sido um dos responsáveis, em 2006, pela avaliação do investimento, cujas negociações teriam iniciado em 2005. Em tal declaração, menciona que o principal trabalho de avaliação, adotando se a metodologia do fluxo de caixa descontado, teria sido uma proposta de aquisição, finalizada em março e abril de 2006, deixando, porém, de anexála, bem como qualquer outro documento que pudesse lastrear as informações prestadas. Aqui não se duvida que o Sr. Juerg Zimmermann tenha participado de tratativas com os antigos acionistas do Banco Pactual S/A, tendo sido, como afirma, o principal responsável por sua avaliação, com o dispêndio, para tanto, de “centenas de horas”. Contudo, fazse necessário que as afirmações lançadas nos autos estejam devidamente acompanhadas de mínimo lastro probatório existência, válido e eficaz. O Recorrente deixou de apresentar minimamente os estudos internos que tantas vezes fez referência, limitandose ao Memorando do Diretor Executivo da UBS AG com a informação de que realmente teriam sido realizados da maneira como declarou. Sem comprovação hábil, não é possível darlhe credibilidade suficiente para permitir a amortização de despesas decorrentes do pagamento de ágio com base na rentabilidade futura, pois, afinal, esta não foi comprovada como fundamento econômico do ágio registrado contabilmente. Concluir diferentemente seria chancelar a aceitação de documento sem assinatura e data, acompanhado apenas de declaração de Diretor do próprio adquirente. Em que pese a Segunda Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) ter concluído que a existência de uma demonstração com a previsão da rentabilidade futura, elaborada por ocasião da aquisição da participação, não seria “...relevante para determinação da dedutibilidade fiscal”, o que, com a devida licença, tornaria inócuo dispositivo legal vigente, apenas mencionou genericamente que o “...interessado possuía estudos internos”, deixando, contudo, de especificálos nos autos. Vejamos: “36. No que se refere ao laudo de avaliação do Banco Pactual, o §3º, do art.385, do RIR/1999 não estabelece qual o documento específico que o contribuinte deve possuir para justificar o ágio em expectativa de rentabilidade futura. O dispositivo determina apenas que ‘deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração’. Podem ser, por exemplo, estudos internos ou laudos preparados por consultores externos. O interessado possuía estudos internos e laudo de consultores, apesar deste último ter sido elaborado um ano após a aquisição. Ao caso, esta questão não é relevante para determinação da dedutibilidade fiscal do ágio apurado”. Na realidade, contrariamente ao fixado no acórdão recorrido, à vista dos documentos acostados aos autos, constatase que o contribuinte, por ocasião da aquisição do investimento, não detinha estudo com lastro probatório que fundamentasse o pagamento de ágio com base em rentabilidade futura, em total desacordo, portanto, com o §3º do art.20 do Decretolei nº 1.598/77, que não pode ser interpretado, repitase, dissociado de seu caput, Fl. 4694DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.695 70 c/c com o art.7º, III, da Lei nº 9.532/97, o que inviabiliza as amortizações pretendidas, devidamente glosadas pela fiscalização. Interpretação outra pode abrir espaço para manobras, desvirtuamento da lei quanto ao requisito para a amortização. Podese pagar determinado valor por um investimento, sem que no preço esteja representada uma decisão empresarial tomada com base no fundamento econômico de previsão de resultados em exercícios futuros, e, posteriormente, para verificar a viabilidade de se amortizar o valor como despesa, encomendar determinado estudo para atestar tal rentabilidade, ainda que com base na data do fechamento das negociações. Não é demasiado lembrar novamente que, no caso concreto, após um ano do fechamento da negociação, o laudo confeccionado por auditores independentes baseouse em “...informações e dados históricos e projetados, não auditados, fornecidos por escrito ou verbalmente pela Administração do UBS Pactual”. Como bem observou a PGFN, ao se abrir tal possibilidade, “...o fundamento econômico de um ágio não será aquilo que realmente implicou o seu pagamento, mas sim o que a parte que o suportou quiser que o seja.”. A prevalecer a tese da defesa, até mesmo planilhas sem assinatura, portanto, desprovidas do requisito de existência da declaração de vontade ali veiculada, ou informações prestadas por Diretor do próprio investidor, de que tenha participado das negociações para a aquisição do investimento, mesmo desacompanhadas de base mínima probatória, poderá ser aceita. A legislação permite sim a amortização do ágio pago, sendo ônus do contribuinte comprovar o seu fundamento econômico com base em elementos de prova confiáveis, que não deixem mínima margem para dúvidas. Decididamente, não é o caso do autos! O necessário rigor na análise da demonstração do fundamento econômico, inclusive quanto ao aspecto temporal, foi ressaltado pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento nos seguintes termos: “Embora a doutrina divirja quanto ao grau de amplitude e liberdade que se empresta a essa “demonstração” não há dúvidas que um interpretação lógica e sistemática conduz nosso entendimento de que deve ser respeitado o rigor no critério temporal. Ora, no momento da aquisição onde a Lei manda fazer o desdobramento e registro do ágio o laudo já deve existir indicando além do aspecto quantitativo, o seu fundamento legal, no caso, a rentabilidade futura projetada.” (acórdão nº 1401 000.850, de 11/9/12) Assim, descumprido tal requisito legal, qual seja, ausência de demonstração a comprovar o fundamento econômico do ágio com base na rentabilidade futura, a glosa da fiscalização mostrouse em conformidade com a legislação de regência, o que dispensaria, a rigor, toda a precedente análise das demais questões envolvidas. Em outros termos, repitase, ainda que, por exemplo, o propósito negocial da constituição da UBS Brasil Participações Ltda venha a ser considerado aceitável em todos os sentidos, com a comprovação de motivo(s) extratributário(s), o pagamento do ágio, seja em Fl. 4695DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.696 71 montante integral ou parcial, não autorizará a amortização. A ausência de comprovação do fundamento econômico da rentabilidade futura de per si basta para confirmar as glosas fiscais. Da base de cálculo da CSLL Especificamente quanto à CSLL, o Recorrente entende inexistir previsão legal para a adição à base de cálculo das despesas com amortização de ágio consideradas não dedutíveis pela fiscalização. Inicialmente, aduziu que a ausência de indicação, no auto de infração, da legislação aplicável já macularia o lançamento por ofensa ao princípio da legalidade, para depois sustentar, verbis: “[...] analisandose o histórico legislativo acima transcrito, denotase que: (i) a base de cálculo da CSLL é o lucro líquido com ajustes expressamente previstos; (ii) a amortização contábil do ágio sempre foi permitida pela legislação brasileira até a edição da Lei nº 11.638/07, de modo que, para a CSLL, o ágio é plenamente dedutível; (iii) a base de cálculo do IRPJ, por sua vez, é o lucro real, para o qual existem previsões específicas relativamente aos efeitos da amortização do ágio que não se aplicam à base de cálculo da CSLL (nem as regras previstas no DecretoLei nº 1.598/77 que tratam da adição do ágio no lucro real, nem as regras previstas na Lei nº 9.532/97, que permite sua amortização em algumas hipóteses).” Quanto à ofensa ao princípio da legalidade, não se vislumbra no caso concreto, vez que no corpo do lançamento tributário de CSLL constou expressamente farta fundamentação legal quanto à infração. Além do mais, como é cediço, suposta incorreção quanto aos dispositivos mencionados, dada a ausência de caracterização de prejuízo ao exercício da defesa, não implica qualquer vício que conduza, por exemplo, à nulidade. O histórico legislativo mencionado pelo Recorrente principia com observações sobre lições constantes do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações FIPECAFI acerca da Lei nº 6.404/76, que se referem ao “ágio pago por expectativa de lucros futuros”, o que, como visto, não foi comprovado, razão pela qual tal doutrina contábil, ao menos relativamente ao que foi transcrito, não socorre a defesa e compromete na origem o desenvolvimento da sua linha de raciocínio baseada no que denominou “evolução legislativa”. Ademais, faria parte dessa “evolução” a possibilidade de amortização, como afirmado pelo próprio Recorrente, até a edição da Lei nº 11.638/07, que entrou em vigor em 1/1/08. Assim, podese concluir que em conformidade com as razões de defesa, a discussão limitarse à apuração relativa ao anocalendário 2007. Entendo que não há reparos a fazer no procedimento fiscal. As previsões legais das Leis nº 7.689/88 e nº 8.981/95, devidamente mencionadas na fundamentação legal do auto de infração, bastam à confirmação da autuação: Lei nº 7.689/88 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. §1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; Fl. 4696DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.697 72 ......................................................................................................... ...... c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: 1. exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 2. exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computado como receita; 3. exclusão do lucro decorrente de exportações incentivadas, de que trata o art. 1º, § 1º do DecretoLei nº 2.413, de 10 de fevereiro de 1988, apurado segundo o disposto no art. 19 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e alterações posteriores; 4. adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido. Lei nº 8.981/95 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Acrescentese, conforme ressaltado pela PGFN, que “...não há que se falar em ampliação ilegal da base de cálculo da CSLL, visto que a autoridade administrativa apenas aplicou regras de apuração para chegar ao montante correto da base de cálculo – sem qualquer alteração no conceito trazido pelo caput do art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988”, sendo que “...eventual dedução de uma despesa deve ser expressamente autorizada por lei, não pode ser realizada em face do seu silêncio”. Confirmado o lançamento em relação à glosa do IRPJ, devese estender o mesmo entendimento para a apuração da CSLL. Não pode prevalecer a tese do contribuinte de que não existe norma que impeça a dedução da despesa com amortização do ágio da base de cálculo da CSLL. Nesse ponto, é importante lembrar o comando expresso do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, acima referido. Ddesde o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, a jurisprudência administrativa consolidouse, em casos análogos de amortização de ágio, no sentido de estender à CSLL a solução conferida ao lançamento do IRPJ, dada a íntima relação de causa e efeito entre eles existente (v.g., acórdãos nºs 10195141, 10195469, 10515822, 10194136.). Em tempo, o art.75 da IN SRF nº 390/04, que trata da CSLL, também trata da amortização do ágio, contemplando os mesmos requisitos, a exemplo do fundamento da rentabilidade futura. Por tais razões, também não se acolhe a pretensão da defesa. Fl. 4697DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.698 73 Portanto, quanto às glosas relativas às amortizações a título de ágio não há reparos a fazer nos lançamentos tributários. 1.3 Da alíquota da CSLL Insurgese o Recorrente contra a aplicação do diferencial de 6% (seis por cento), nos anoscalendário 2008 e 2009, da alíquota da CSLL, instituído pela Medida Provisória nº 413, de 3/1/08. Pleiteia a incidência, na espécie, do princípio da referibilidade, entendendo, com base em decisão da CSRF (acórdão CSRF/01066), que ao Executivo caberia retirar a eficácia de uma determinada norma quando confrontasse com dispositivo constitucional. Acrescenta que a elevação da alíquota tivera como exclusivo propósito aumentar a arrecadação, de sorte que “...Se a atuação estatal permanece a mesma, inconstitucional será a fixação de encargo mais gravoso a determinado contribuinte”. Em essência, busca a defesa a não incidência de dispositivo da MP nº 413/08, convertida na Lei nº 11.727, de 23/6/08: Art.17. O art. 3o da Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988, passa a vigorar com seguinte redação: ‘Art.3o A alíquota da contribuição é de: I quinze por cento, no caso das pessoas jurídicas de seguros privados, as de capitalização e as referidas nos incisos I a XII do § 1o do art. 1o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001; e II nove por cento, no caso das demais pessoas jurídicas.’ Tal discussão descortina uma limitação inerente ao processo administrativo tributário federal, qual seja, a impossibilidade de, regra geral, as autoridades julgadoras afastarem a aplicação ou deixarem de observar dispositivo de lei, tratado ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme prevê o Decreto nº 70.235/72: Art.26A No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido, o art.59 do Decreto nº 7.574, de 29/9/11, e o art.62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. À autoridade fiscal cabe prestigiar a lei, não podendo dela se distanciar, ainda que sob argumento de violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade ou, como alega o Recorrente, da referibilidade. Cabe lembrar que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). O entendimento acima já se encontra consolidado administrativamente, conforme Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Quanto à pretensão do Recorrente, de não buscar uma declaração de inconstitucionalidade, mas apenas a ineficácia de dispositivo legal, pode ter sido acolhida em Fl. 4698DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.699 74 interpretação, já superada, dos extintos Conselhos de Contribuintes. Atualmente, todavia, esbarra na inteligência da Súmula Vinculante STF nº 10 (DOU de 27/6/08): “Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte” Assim, nem mesmo órgão fracionário de Tribunal pode burlar a cláusula de reserva de plenário (art.97 da CF/88: “Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público”), para, embora sem expressamente declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, afastar a sua incidência, ou como sustenta o Recorrente, tornálos ineficazes. Tal restrição, por óbvio, alcança igualmente, com mais propriedade, pois sequer podem declarar a inconstitucionalidade de tais atos, órgãos julgadores administrativos, a exemplo do CARF. Tendo assento legal a alíquota aplicada na apuração da CSLL, deve ser mantida. 1.4 Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Com relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o CTN autoriza tal exigência. Em seu artigo 161, dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” (destaquei) Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), tendo por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: “Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Fl. 4699DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.700 75 Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (destaquei) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento Fl. 4700DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.701 76 do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Quanto ao percentual, não há mais discussão. O entendimento quanto à aplicação da taxa SELIC consolidouse administrativamente, sendo, inclusive, objeto do Enunciado nº 4 da súmula de jurisprudência do CARF, de observância obrigatória por seus membros: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais”. Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicados com base na taxa SELIC. Fl. 4701DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.702 77 2. RECURSO DE OFÍCIO A Segunda Turma da DRJ – Rio de Janeiro I (RJ) afastou as multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas, essencialmente com fundamento nas razões constantes do acórdão nº 910100.500, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), especialmente porque a exigência caracterizaria infligir duas punições sobre o mesmo tributo apurado, incidindo na espécie o princípio da consunção. De início, vale dizer que tal precedente da CSRF não vincula os demais julgamentos no âmbito do CARF. A propósito, em que pese a Primeira Turma daquele colegiado realmente continuar afastando a exigência da multa isolada, não há se falar em jurisprudência consolidada quanto aos fatos geradores ocorridos após a vigência da Medida Provisória nº 351, de 22/1/07, convertida na Lei nº 11.488, de 15/6/07, que procedeu a alterações no art.44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixando ainda mais evidente duas hipóteses de incidência distintas, conforme se vê abaixo: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ..... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Assim, presentes os substratos fáticos (falta do pagamento de imposto ou contribuição; e falta de pagamento das estimativas), é de rigor a incidência das duas multas, sob pena de se negar vigência à lei federal, o que é vedado ainda que sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme apregoa o Enunciado nº 2 da súmula do CARF (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”), em conformidade com o art.26A do Decreto nº 70.235/72 e art.59 do Decreto nº 7.574, de 29/9/11. Não obstante o contribuinte sustentar que o crédito tributário não poderia ser exigido concomitantemente com as multas proporcionais anuais, há, como visto, dispositivo legal que assegure a exigência de ambas penalidades. A Lei nº 9.430/96 estabelece hipóteses de incidência distintas para a multa proporcional ao imposto ou contribuição apurados ao final do anocalendário e para a multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas. São previsões não excludentes, de tal modo que podem ser exigidas mesmo que concomitantemente, “ainda que tenha sido apurado Fl. 4702DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.703 78 prejuízo fiscal ou base de cálculo negativas para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Há vários julgados administrativos neste sentido, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). Sobre a matéria, vale reproduzir alguns dos fundamentos constantes do acórdão nº 1302001.130, de 11/6/13, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, aplicáveis perfeitamente ao caso sob exame: “[...] O princípio da consunção é princípio específico do Direito Penal, aplicável para solução de conflitos aparentes de normas penais, ou seja, situações em que duas ou mais normas penais podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato. Fl. 4703DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.704 79 Primeiramente, há que se ressaltar que a norma sancionatória tributária não é norma penal stricto sensu. Vale aqui a lembrança que o parágrafo único do art. 273 do anteprojeto do CTN (hoje, art. 112 do CTN), elaborado por Rubens Gomes de Sousa, previa que os princípios gerais do Direito Penal se aplicassem como métodos ou processos supletivos de interpretação da lei tributária, especialmente da lei tributária que definia infrações. Esse dispositivo foi rechaçado pela Comissão Especial de 1954 que elaborou o texto final do anteprojeto, sendo que tal dispositivo não retornou ao texto do CTN que veio a ser aprovado pelo Congresso Nacional. À época, a Comissão Especial do CTN acolheu os fundamentos de que o direito penal tributário não tem semelhança absoluta com o direito penal (sugestão 789, p. 513 dos Trabalhos da Comissão Especial do CTN) e que o direito penal tributário não é autônomo ao direito tributário, pois a pena fiscal mais se assemelha a pena cível do que a criminal (sugestão 787, p.512, idem). Não é difícil, assim, verificar que, na sua gênese, o CTN afastou a possibilidade de aplicação supletiva dos princípios do direito penal na interpretação da norma tributária, logicamente, salvo aqueles expressamente previstos no seu texto, como por exemplo, a retroatividade benigna do art. 106 ou o in dubio pro reo do art. 112. ..... Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. ..... Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. ..... Fl. 4704DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.705 80 A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2.” Acrescento, com base em lições de Guilherme de Souza Nucci (in Manual de Direito Penal, 4ª ed, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, pp.151152), que o princípio/critério da absorção (ou consunção) é aplicável: “[...] Quando o fato previsto por uma lei está, igualmente, contido em outra de maior amplitude, aplicase somente esta última. Em outras palavras, quando a infração prevista na primeira norma constituir simples fase de realização da segunda infração, prevista em dispositivo diverso, devese aplicar apenas a última. Conforme esclarece Nicás, ocorre a consunção quando determinado tipo penal absorve o desvalor de outro, excluindo se este da sua função punitiva. A consunção provoca o esvaziamento de uma das normas, que desaparece subsumida pela outra (El concurso de nomas penales, p.157). Tratase da hipótese de crimemeio e crimefim. É o que se dá, por exemplo, no tocante à violação de domicílio com a finalidade de praticar furto a uma residência. A violação é mera fase de execução do delito patrimonial. O crime de homicídio, por sua vez, absorve o porte ilegal de arma, pois esta infração Fl. 4705DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.706 81 penal constituise simples meio para a eliminação da vítima. O estelionato absorve o falso, fase de execução do primeiro”. Ora, tal construção doutrinária e jurisprudencial não se aplica ao caso concreto. A falta de recolhimento de estimativas mensais não constitui fase do não recolhimento do imposto ou contribuição apurados ao final do anocalendário, de modo que o tipo tributário que impõe a exigência da multa proporcional ao tributo devido não absorve o desvalor apontado na norma que tipifica a penalidade isolada pela falta de recolhimento das exações à época própria, após o encerramento dos respectivos períodos mensais. Quando se constata que o contribuinte, considerando a infração revelada pela fiscalização, deixou de apurar e recolher as estimativas mensais em conformidade com a legislação de regência, dizse ocorrido o fato gerador a legitimar a exigência nos moldes em que constituída. Dispensála significa, com a devida vênia a vozes dissonantes, construção que, como visto, não encontra acolhimento na adequada interpretação da lei de regência. Por isso, deve ser revertida a decisão de primeira instância, que afastou as multas isoladas, no montante original de R$ 264.485.304,25, por falta/insuficiência de estimativas, ou, como preferem alguns, pela violação da sistemática que impõe os recolhimentos mensais, tudo em conformidade com dispositivo legal vigente. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, NÃO CONHECER das alegações de defesa relacionadas à infração 001 (adição à base de cálculo de encargos incidentes sobre tributos com exigibilidade suspensa) em razão de expressa desistência recursal, e, quanto à parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 4706DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.707 82 Voto Vencedor Cons. Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Redator Designado. Não obstante as considerações do Eminente Relator, tão bem expostas ao colegiado, peço vênia para discordar do entendimento adotado quanto à matéria objeto do recurso de ofício, a saber, a imputação concomitante das multas isolada e de ofício. Conforme exposto no relatório e no voto condutor, decorreram duas situações da glosa da despesa correspondente à amortização do ágio: i. Insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL calculados sobre as bases de cálculo estimadas, razão pela qual foi exigida da recorrente a multa isolada prevista pelo art. 44, II, b, da Lei nº 9.430/96; e ii. Insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos no ajuste anual, tendo sido exigida a multa de ofício sobre os valores devidos e que não teriam sido recolhidos pela recorrente. É fácil notar que, em razão de uma mesma conduta (alegada dedução indevida da despesa correspondente à amortização do ágio), foram aplicadas duas penalidades distintas contra a recorrente (multa isolada e multa de ofício). É cediço que “o ordenamento jurídico pátrio rechaça a existência de bis in idem na aplicação de penalidades tributárias” (CARF, voto do Conselheiro Relator Paulo Roberto Cortez no acórdão 1402001.505, sessão de 06/11/2013). Isto é, o contribuinte não pode ser penalizado duas ou mais vezes pelo cometimento de uma única infração tributária. Partindo dessa premissa, este Conselho tem repelido a aplicação da multa isolada após o encerramento do exercício e concomitantemente à multa de ofício calculada sobre os saldos de IRPJ e CSLL a pagar apurados na declaração de ajuste. Esse entendimento se deve ao fato de que os recolhimentos por estimativa têm natureza de antecipação do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorre no final do exercício. Dessa forma, e considerandose que o dever de antecipar apenas existe enquanto houver uma obrigação a ser antecipada (isto é, enquanto ainda não tiver ocorrido o fato gerador do IRPJ e da CSLL), é forçoso concluir que a base imponível da multa isolada desaparece após o final do exercício (momento da ocorrência do fato gerador), deixando de ser possível, portanto, a aplicação dessa penalidade. Além disso, vale registrar, a multa isolada de 50% não decorre do descumprimento de obrigação acessória, mas constitui verdadeira obrigação pecuniária decorrente da ausência de recolhimento antecipado. Ambas as penalidades sob análise, portanto, têm natureza de multa pelo inadimplemento da obrigação principal, sendo impossível conceber sua incidência sobre uma mesma base de cálculo. São nesse sentido as palavras proferidas pela Conselheira Karem Jureidini Dias no Acórdão CSRF/9101001.637: Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento de antecipações, concluise Fl. 4707DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.708 83 que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte – sujeito passivo – e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura CSLL devida ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento das antecipações devidas, relativamente ao mesmo tributo, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. (1ª Turma da CSRF, sessão de 15 de maio de 2013) Com base nesse raciocínio, e na situação da recorrente, isto é, quando a Fiscalização conclui pela indedutibilidade de uma despesa, cuja glosa implica falta (i) de recolhimento por estimativa e (ii) de pagamento do IRPJ e da CSLL apurados na declaração de ajuste, este Conselho tem entendido que apenas pode ser aplicada a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, transcrevo trecho de ementa de acórdão proferido nesta Turma sob relatoria do Conselheiro Marcos Takata: MULTA ISOLADA E MULTAS PROPORCIONAIS CONCOMITÂNCIA Multa isolada para as estimativas descabida. Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre IRPJ e CSLL exigidos exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre IRPJ e CSLL por estimativa do mesmo anocalendário. (Acórdão nº 1103 001.097, de 26/08/2014) É também nessa linha o entendimento consolidado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, senão vejamos: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A Fl. 4708DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.709 84 infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. (Acórdão nº 9101001.995, 1ª Turma da CSRF. Sessão de 21 de agosto de 2014. Relatora Conselheira Karem Jureidini Dias); APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº 9101001.574, 1ª Turma da CSRF, Sessão de 24 de janeiro de 2013. Relator Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz) Concluo, assim, que deve ser afastada a multa isolada no caso em tela. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Declaração de Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos. A despeito da clareza e qualidade do voto proferido pelo Eminente Relator, por discordar do raciocínio que o conduziu à manutenção da autuação fiscal, discorrerei, na Fl. 4709DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.710 85 presente declaração de voto, os seguintes pontos, em relação aos quais divirjo do voto condutor: i. Existência de propósito negocial para as operações realizadas; ii. Efeitos do usufruto de quotas do Banco Pactual; iii. Valor do custo de aquisição efetivamente pago; e iv. Existência de comprovação da fundamentação econômica do ágio. Vale registrar, inicialmente, que o ágio se forma quando uma pessoa jurídica adquire participação societária por preço superior ao valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada que se está adquirindo2, devendo ser segregados, nas demonstrações financeiras da investidora, o valor patrimonial e o valor do ágio. Além disso, a contabilização do ágio deve indicar seu fundamento econômico, que, nos termos do §2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977, pode decorrer de (i) valor de mercado de bens do ativo da investida superior ao custo registrado na sua contabilidade; (ii) valor de expectativa de rentabilidade da investida, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; ou (iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. A mera aquisição de participação societária com sobrepreço não gera reflexos tributários, podendo o valor correspondente ao ágio ser amortizado – reduzindo o lucro real e a base de cálculo da CSLL – apenas quando ocorrer absorção de patrimônio por incorporação, fusão ou cisão envolvendo a investidora e a investida, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.532/97. Essa situação criada pelo legislador está alinhada ao princípio contábil do confronto das despesas com as receitas, segundo o qual a receita deve ser associada à despesa sacrificada para a sua obtenção. Aplicandose esse princípio à matéria destes autos, verificase que o ágio é a despesa sacrificada para a obtenção do resultado de equivalência patrimonial. Tendo em vista, porém, que essa receita não é tributada, a legislação tributária não previu a dedutibilidade da correspondente despesa. É que, quando da realização de uma das operações de reestruturação societária acima mencionadas, os patrimônios da investidora e da investida se confundem, desaparecendo tanto o ágio como o investimento. Após essa confusão patrimonial, a legislação autoriza a amortização do ágio que, quando fundamentado em expectativa de rentabilidade futura – situação existente nestes autos – poderá ocorrer à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração, consoante o inciso IV do art. 7º da Lei nº 9.532/97. Partindo de tais premissas, passo a analisar se procede a glosa da despesa correspondente à amortização de ágio. i. Propósito negocial Visando a demonstrar ao Fisco a legitimidade das operações realizadas, a recorrente afirmou a existência de propósito negocial porque havia outras estruturas societárias que poderiam ser adotadas pelo Grupo UBS e também gerariam o efeito de amortização fiscal do ágio pago na aquisição do Banco Pactual. O eminente Relator, porém, afastou de plano tal argumento por entender que a análise dos julgadores não pode considerar situações eventuais, 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 13. Fl. 4710DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.711 86 como os outros caminhos que poderiam ter sido adotados pelo contribuinte, mas apenas o próprio caso concreto. A recorrente também apresentou elementos robustos com vistas a comprovar o propósito negocial “dentro” da própria estrutura implementada (e não “dentro” do contexto que engloba as outras possíveis estruturas), a saber: em razão do que dispõe o artigo 14 da Resolução CMN 3.040/02, caso não fosse apresentado ao Bacen pleito de aquisição da participação societária de forma indireta, “existia o risco concreto e significativo de que a operação não fosse aprovada”3. Esse argumento igualmente não foi acolhido pelo Relator por entender não ter sido comprovado pela recorrente que “a aquisição do Banco Pactual S/A por meio da holding UBS Brasil Participações Ltda, e não diretamente pelo UBS AG, decorreu de um imperativo normativo”4. Embora o ilustre Relator tenha tratado exaustivamente sobre os requisitos para que o planejamento tributário seja oponível ao Fisco, discorrerei brevemente sobre a análise do que se convencionou chamar de “motivação não exclusivamente tributária”. O ilustre Relator fundamentou seu voto nos ensinamentos de Marco Aurélio Greco a respeito da necessidade de existir um propósito negocial para que os efeitos fiscais das operações realizadas sejam oponíveis ao Fisco. A essência do conceito de propósito negocial tal como defendido pela doutrina mencionada no voto vencedor consiste na ideia de que o direito à autoorganização não pode ser exercido indiscriminadamente pelo contribuinte, configurando abuso de direito e sendo inoponível ao Fisco quando inibe “a eficácia da lei incidente sobre a hipótese sem uma razão suficiente que a justifique”5. Para delimitar esse conceito, portanto, cumpre investigar qual seria, no direito tributário, a “eficácia da lei” que não pode ser inibida pelos negócios jurídicos privados realizados e qual justificativa seria passível de relativizar essa proibição. Para Marco Aurélio Greco6, tal questão deve ser analisada sob a ótica dos princípios da capacidade contributiva e da isonomia. Segundo o autor, considerandose a capacidade contributiva como princípio ligado não somente ao dimensionamento do montante a pagar, mas especialmente à manifestação da aptidão de participar no rateio das despesas públicas (princípio da solidariedade), a eficácia desse princípio está em assegurar que todas as manifestações de capacidade contributiva sejam atingidas pelo tributo. Como decorrência lógica dessa afirmação, restará inibida a eficácia da capacidade contributiva e, consequentemente, da isonomia tributária, quando contribuintes que se encontrarem em uma mesma situação não suportarem a mesma carga fiscal. A eficácia da lei – limitadora do poder de autoorganização dos contribuintes – confundese, portanto, com a garantia de aplicação, em cada caso concreto, do princípio da capacidade contributiva. O conceito de propósito negocial, nessa esteira, decorre do seguinte raciocínio: a) a realização de operações visando exclusivamente a reduzir a carga tributária compromete a eficácia dos princípios da capacidade contributiva e da isonomia fiscal, configurando abuso do direito de autoorganização; e 3 Parecer elaborado por Sérgio Darcy Consultores Associados Ltda. 4 Pág. 76 do voto proferido pelo Relator. 5 Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 195. 6 Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 200. Fl. 4711DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.712 87 b) tal abuso de direito apenas é afastado pela existência de um motivo extratributário, não necessariamente relacionado ao “business purpose (conceito que advém da experiência americana e que se vincula à ideia de empreendimento)”7, mas sim a uma causa extraordinária, que “pode ser uma razão familiar, política, de mudança do regime jurídico das importações, de alteração do quadro referencial em que se posicionava a atividade da empresa etc.”8. Entendo que o conceito de propósito negocial, tal como tem sido aplicado pela doutrina e pela jurisprudência, não pode ser exigido como condição à validade das operações realizadas pelo contribuinte, pelos três motivos que descrevo brevemente a seguir. Esse meu entendimento, vale destacar, não significa que os limites ao planejamento tributário sejam meramente formais, isto é, que quaisquer operações formalmente lícitas sejam oponíveis ao Fisco. Pelo contrário, entendo que a liberdade de autoorganização do contribuinte deve ser compatibilizada às demais normas e princípios estabelecidos pelo ordenamento jurídico, como os preceitos que “versam sobre a função social dos contratos, a boafé, a probidade e sobre a vedação ao enriquecimento sem causa”9. O primeiro motivo pelo qual discordo da linha de raciocínio adotada no voto condutor decorre do fato de que, ao meu ver, é inadequada a “importação”, para o direito tributário pátrio, da chamada business purpose doctrine, que surgiu em contexto completamente diferente da realidade brasileira. Conforme destaca Eurico Marcos Diniz de Santi ao criticar a forma como o instituto do propósito negocial tem sido aplicado no Brasil, o sistema tributário americano a) contém diversos mecanismos para que não “ocorram casos em que, num período curto de tempo, sem alteração legislativa ou jurisprudencial, o Fisco modifique seus critérios interpretativos” 10 e b) trata a autuação e o litígio como última medida. No Brasil, por outro lado, “o litígio é central no sistema”11, o que decorre, em muito, do grande volume de normas tributárias. São exemplos desses mecanismos: a) o direito tributário americano permite a realização de acordos entre Fisco e contribuinte, evitando a surpresa e conferindo segurança jurídica às operações do contribuinte; b) diversos agentes da Receita Federal americana (“IRS” – Internal Revenue Service) participam do processo decisório, de modo que a decisão final é vista como a opinião do órgão, e não de um único fiscal; c) o IRS é subordinado a norma que torna seus atos inválidos caso tome decisões incoerentes ou meramente arrecadatórias; d) as instruções normativas (“regulations”) têm natureza de “lei delegada”, sendo válidas ainda que inovem dentro dos limites da lei que se propõem a regular, o que reduz os questionamentos por parte dos contribuintes; e) as regulations contêm exemplos práticos, auxiliando a compreensão por parte do contribuinte; f) quando uma matéria é uniformizada administrativa ou judicialmente, é publicada orientação geral (“revenue ruling”); g) as regulations geralmente são objeto de consulta pública prévia; h) a jurisprudência gera precedentes vinculantes para Fisco e contribuintes, o que, além de conferir segurança jurídica, mitiga o surgimento de litígios em 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 226. 8 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 226. 9 CAVALCANTE, Miquerlam Chaves. O propósito negocial e o planejamento tributário no ordenamento jurídico brasileiro. In: Revista da PGFN. Ano I – Número 1 – 2011, p. 151. Disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/revistapgfn/revistapgfn/anoinumeroi/chaves.pdf. Acesso em 10/03/2015. 10 Kafka, alienação e deformidades da legalidade. Exercício do controle social rumo à cidadania fiscal. 1ª ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2014, p. 228. 11 SANTI, Eurico Marcos Diniz de. Kafka, alienação e deformidades da legalidade. Exercício do controle social rumo à cidadania fiscal. 1ª ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2014, p. 228. Fl. 4712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.713 88 razão do risco de surgir precedente desfavorável; e i) as consultas podem ser apresentadas ao Fisco previamente à operação e são respondidas rapidamente. Concluo minhas observações quanto ao “primeiro motivo” transcrevendo as palavras do festejado autor sobre a incompatibilidade da business purpose doctrine com a realidade brasileira: Desse modo, nos Estados Unidos o “propósito negocial” é fato construído conjuntamente pelo diálogo entre Fisco e contribuinte, garantindo segurança jurídica e impossibilitando que critérios posteriores invalidem operações realizadas no passado. Tratase de perspectiva cultural muito distinta da RFB: na prática do IRS, o propósito negocial funciona como forma de proteger e blindar os atos de conciliação da Administração Tributária americana de ocasionais investidas dos controladores (por exemplo, Justiça, Ministério Público e sociedade); na prática brasileira de importação dessa noção, (...) o propósito negocial NÃO se presta ao sentido positivo de consolidar a operação, ao contrário, serve como argumento subjetivo e posterior para invalidar a operação do contribuinte. (...) Portanto, só faz sentido o critério do propósito negocial no contexto de um país que deixa clara sua interpretação da lei antes da ocorrência dos fatos, prevenindo os contribuintes que querem respeitar a lei e que não querem ser surpreendidos no futuro.12 O segundo motivo consiste no fato de que, ao meu ver, o abuso de direito, que constitui a base do propósito negocial, por não ter sido positivado, não é aplicável ao direito tributário. Corrobora a ideia de que o instituto em questão não encontra previsão na legislação pátria o fato de que em diversas oportunidades13 o Congresso Nacional vetou a inserção, em nosso ordenamento jurídico, de dispositivo legal antielisivo que autorize a desconsideração, pela autoridade tributária, dos atos ou negócios jurídicos praticados licitamente, porém dotados de abuso de formas ou de direito. Com efeito, a ausência de previsão legal torna extremamente subjetiva a aplicação da teoria do abuso na seara tributária, violando a segurança jurídica14 – pois impede o contribuinte de agir preventivamente, deixandoo à mercê da atuação discricionária da 12 Kafka, alienação e deformidades da legalidade. Exercício do controle social rumo à cidadania fiscal. 1ª ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 2014, p. 229236 – grifos não originais. 13 O projeto de lei complementar nº 77/99, posteriormente convertido na Lei Complementar nº 116/01, demonstrava a intenção de criar uma norma antielisiva, mas, ao ser submetido ao crivo do Congresso Nacional, o projeto foi modificado, tendo sido suprimidos os dispositivos que tratavam sobre abuso de forma jurídica ou de direito. Ato contínuo, foi editada a Medida Provisória nº 66/01, que propunha, em seus artigos 13 a 19, a regulamentação da chamada “norma geral antielisão”. Entretanto, quando da conversão da Medida Provisória na Lei n° 10.637/02, as disposições legais que tratavam sobre a regulamentação da desconsideração dos atos e negócios jurídicos com a finalidade de dissimulação do fato gerador foram excluídas do texto legal que viria a ser publicado. De tal forma, é possível verificar que as duas tentativas de introduzir norma contra o abuso de forma jurídica no ordenamento jurídico tributário foram rejeitadas. 14 “A segurança jurídica, ao lado da justiça, é um dos pilares do sistema jurídico. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais.” (Acórdão nº 1101000.835, Processo nº 16682.720233/201011, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa, Sessão de 04/12/2012) Fl. 4713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.714 89 autoridade fiscal – e o princípio da estrita legalidade, pois, como dizia Geraldo Ataliba15, “toda ação pública tem por base e limite a lei.” Nessa esteira, e na contramão do voto vencedor, que aplica expressamente a teoria do abuso ao caso concreto, concordo com o magistério de Alberto Xavier de que “a Constituição não prevê nenhuma restrição extrínseca por lei infraconstitucional à garantia da legalidade e da tipicidade da tributação, nem consente restrições à liberdade de contratar com fundamentos de natureza fiscal (...)”16. E continua: Caso a capacidade contributiva tivesse eficácia positiva, isto é, fosse fundamento autônomo, direto e imediato de tributação, independente da lei, para além da lei ou por sobre a lei, a tipicidade estaria rompida pela consequente formulação da norma em termos de implicação extensiva: o fato típico seria suficiente para fundar a tributação, mas deixaria de ser necessário, pois que fatos extratípicos reveladores de equivalente capacidade contributiva poderiam ensejar a constituição da obrigação tributária.17 Este Conselho também já se pronunciou quanto à impossibilidade de aplicação da teoria do abuso na esfera tributária. A título de exemplo: DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. AFASTAMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há base no sistema jurídico brasileiro para a autoridade fiscal afastar a não incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão legal para autoridade fiscal utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. (Acórdão nº 2202002.187, Processo nº 10680.726772/201188, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, Rel. Conselheiro Newton Cardoso, Sessão de 20/02/2013). Também entendo inviável afirmar que a teoria do abuso encontra previsão no parágrafo único do artigo 116 do CTN, pois, conforme ensina Alberto Xavier, tal dispositivo “referese à figura da simulação, considerada na teoria geral do Direito como um dos vícios 15 República e Constituição, 2ª edição. São Paulo: Malheiros, 1998, p. 180. 16 Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, São Paulo, 2002, p. 121. 17 Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, São Paulo, 2002, p. 131. Fl. 4714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.715 90 que afetam o elemento vontade dos atos ou negócios jurídicos, a par do erro, do dolo, da coação e da reserva mental”18. O terceiro motivo, por fim, consiste na impossibilidade de o princípio da solidariedade – que embasa a “teoria do abuso de direito” e, por consequência, o conceito de propósito negocial tal como aplicado pela teoria que fundamenta o voto vencedor – ser utilizado pelo Fisco como fundamento para não acatar economias tributárias decorrentes de operações realizadas pelo contribuinte. Isso porque essa ideia finalística (“participar no rateio das despesas públicas”) atribuída por essa doutrina ao princípio da capacidade contributiva não está prevista em nenhum enunciado do ordenamento brasileiro e mais se assemelha ao texto da Constituição italiana19 que, em seu artigo 53, assim dispõe sobre a capacidade contributiva: 53. Tutti sono tenuti a concorrere alle spese pubbliche in ragione della loro capacità contributiva. (Tradução livre: Todos devem concorrer com as despesas públicas em razão de sua capacidade contributiva). Marco Aurélio Greco entende que a capacidade contributiva atua no direito tributário de modo a permitir a tributação de um caso concreto com base em outros elementos que não aqueles compositores da regramatriz de incidência. Isto é, ainda que um determinado sujeito realize fato jurídico situado fora do campo de incidência da norma tributária, a norma alcançaria esse fato, visando à construção de uma alegada sociedade mais justa e solidária, caso haja elementos que caracterizem a aptidão do sujeito para contribuir com as despesas públicas. A impropriedade dessa abordagem reside na constatação de que, no Brasil, a capacidade contributiva é um importante critério informador da tributação, mas que deve moldar, tão somente, a criação da norma jurídica tributária, não a sua aplicação. Ou seja, esse princípio incide no momento préjurídico de escolha das notas essenciais que irão compor a hipótese de incidência, e não no ato de aplicação de tais normas. Nessa segunda hipótese, vale destacar, seria permitido o arbítrio da Administração tributária, que, diante do desvio (intencional ou não) legítimo da conduta do contribuinte para evitar a incidência de um determinado tributo, exigiria o recolhimento não mais escorada na realização do fato jurídico tributário, mas sim nas necessidades arrecadatórias. Humberto Ávila, em valoroso artigo sobre a impossibilidade da incidência tributária ocorrer com supedâneo exclusivo no princípio da solidariedade, assim se manifestou: O Estado não pode justificar a tributação com base direta e exclusiva no princípio da solidariedade social. Isso porque o poder de tributar, na Constituição brasileira, foi delimitado, de um lado, por meio de regras que descrevem os aspectos materiais das hipóteses de incidência e, de outro, por meio da técnica da divisão de competências em ordinárias e residuais.20 18 Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2002, p. 52. 19 O que parece ser denunciado pela seguinte afirmação de Marco Aurélio Greco: “Desta ótica, uma vez que a capacidade contributiva, como o demonstram os estudos da doutrina italiana, é identificada no âmbito da descrição do pressuposto de fato contido na lei (ou da atuação no mercado), a eficácia do princípio da capacidade contributiva não está ligada apenas à existência de uma previsão legal apta a descrever esta manifestação. A eficácia do princípio da capacidade contributiva está em assegurar que todas as manifestações daquela aptidão sejam efetivamente atingidas pelo tributo.” Planejamento tributário, p. 201. Destaque não original. 20 Limites à Tributação com Base na Solidariedade Social. In “Solidariedade Social e Tributação”, p. 69. Fl. 4715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.716 91 A despeito das minhas ressalvas acima quanto à exigência de um propósito negocial para que os efeitos fiscais das operações realizadas sejam oponíveis ao Fisco, registro haver constatado a efetiva existência de “motivação extratributária” no caso destes autos. Vejamos. Com a devida vênia, discordo do Ilustre Relator quando afirma que os julgadores apenas podem analisar o propósito negocial existente “dentro” da estrutura implementada pelo contribuinte, devendo ser ignoradas as outras estruturas que poderiam ser utilizadas, mas não foram. Ora, se o contribuinte demonstra ter utilizado a única estrutura viável e conveniente à consecução de seus objetivos, esse contexto não pode ser ignorado pelos julgadores, pois compõe o universo de motivos reais e não unicamente fiscais que levaram o contribuinte a realizar determinados atos. A bem da verdade, é exatamente essa a essência do planejamento tributário, ou seja, em um primeiro momento o contribuinte mapeia todas as alternativas existentes dentro do campo das condutas permitidas, em seguida analisa a conveniência de cada uma delas e, ao final, implementa aquela que melhor se adequa aos objetivos visados. Ora, os motivos, nas palavras de Diógenes Gasparini “são as circunstâncias do mundo real que devem ser levadas em consideração para o agir”21, ou seja, englobam o contexto e não os atos considerados isoladamente. Deixar de lado o contexto que levou o contribuinte a implementar determinada estrutura, portanto, impede a correta análise dos motivos, das causas que o levaram a realizar determinados atos, o que, conforme ressaltado pela melhor doutrina, é imprescindível para verificar se um determinado planejamento tributário é oponível ao Fisco. Sendo assim, entendo que as estruturas alternativas demonstradas pelo contribuinte corroboram, sim, o propósito negocial subjacente às operações realizadas. E mais, ao fundamentar a autuação na inexistência do propósito negocial, a fiscalização induz o contribuinte a explicitar exatamente esses motivos que embasaram a operação questionada. Superada essa primeira questão, cumpre analisar o propósito negocial demonstrado pelo contribuinte dentro da própria estrutura implementada, argumento esse que também não foi acolhido pelo Relator. Ao meu ver, quando o contribuinte pratica uma conduta proibida pelo ordenamento jurídico sequer há que se falar em planejamento tributário, pois esse ato será indiscutivelmente ilícito. Nessa esteira, discordo, com a devida vênia, da afirmação feita pelo Ilustre Relator de que não foi comprovado pela contribuinte o propósito negocial porque não havia norma que obrigasse a investidora estrangeira a realizar o investimento de forma indireta. Isso porque, ao meu ver, descabe dizer de exercício do direito de auto organização no campo do obrigatório, de modo que a exigência estabelecida pelo Relator para que a operação realizada seja oponível ao Fisco é logicamente incompatível com a natureza do planejamento tributário. É importante destacar, ainda, que a conduta permitida está em espaço juridicamente qualificado pelo direito. Assim, para o particular, tudo aquilo que não estiver 21 Direito Administrativo. 4ª ed., São Paulo: Saraiva, 1995, p. 65. Apud GRECO, Marco Aurélio. Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 231. Fl. 4716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.717 92 proibido ou obrigado pelo direito, estará permitido pelo ordenamento em virtude da liberdade de iniciativa e do direito de propriedade.22 É exatamente nesse sentido o que Claudemir Rodrigues Malaquias destacou em seu artigo “A Questão da Prova no Planejamento Tributário”23. De acordo com as palavras do autor, exConselheiro desta Casa, a comprovação do propósito negocial “tem por base os modais deônticos do direito. Ou seja, a conduta deve ser qualificada e, naturalmente, provada como ‘permitida’, ‘obrigatória’ ou ‘proibida’.” Pela pertinência, transcrevo as percucientes palavras do autor: No âmbito das relações privadas, prevalece a regra da permissão, delimitada pela regra da proibição. Assim, tudo será permitido, desde que não haja disposição expressa estabelecendo que algo seja proibido. Na seara tributária, portanto, é permitido aos contribuintes realizar atos e negócios conforme seus interesses, desde que suas condutas não afrontem a lei direta ou indiretamente. A partir do nascimento da obrigação tributária, com a ocorrência do fato imponível previsto na norma impositiva, deixar de pagar o tributo devido é conduta proibida, inclusive quando os elementos da obrigação forem descaracterizados pela prática de atos ou negócios jurídicos simulados ou fraudulentos, envolvidos num planejamento tributário. Nestas situações, o planejamento deve ser qualificado como ilícito, uma vez que resta demonstrada a explícita violação da lei. Se, porém, inexistirem elementos probatórios de sua ilicitude, este deve ser considerado lícito, ou seja, qualificado como elisão fiscal e, portanto, ‘permitido’ pelo sistema tributário. O ordenamento não prevê a possibilidade de que um ato ou negócio jurídico seja qualificado entre o ‘permitido’ e o ‘proibido’. Daí porque o planejamento, visto a partir de suas operações como um todo, se não for considerado lícito, deve ser inexoravelmente qualificado como ilícito, ainda que seus atos e negócios individualmente possam ser considerados legítimos.24 Raciocínio semelhante foi adotado por Marco Aurélio Greco ao tratar sobre as normas indutoras, isto é, que conferem opções ao contribuinte (v.g. optar pela apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL conforme o regime do lucro presumido ou o do lucro real). Quando o contribuinte apenas escolhe uma das possibilidades criadas pelo legislador, evidentemente, não existe planejamento tributário, mas mera opção pelo regime tributário mais conveniente. Vejamos: Várias críticas foram dirigidas a tal posicionamento, das quais destaco três. A primeira, que se encontra em Luciano Amaro, é no sentido de 22 É o que Marco Aurélio Greco chama de norma geral exclusiva: “O tema assume, porém, maior complexidade quando verificamos que, em matéria tributária, a norma geral exclusiva (segundo a qual a hipótese não prevista deve ser considerada fora do alcance da incidência tributária) é a proteção constitucional ao patrimônio e a liberdade de se organizar: se o contribuinte é livre e o caso não está previsto em norma específica, então seu patrimônio não é atingido pela incidência.” Planejamento tributário, p. 174. No entanto, o autor considera existir a norma geral inclusiva que, como já disse, seria a capacidade contributiva de natureza finalística para a construção de uma sociedade solidária. Diante da lacuna da lei, o intérprete teria de escolher entre a aplicação de uma (exclusiva) ou outra (inclusiva). 23 In: Planejamento fiscal. Vol. III. Coord. Pedro Anan Jr. São Paulo: Quartier Latin, 2013, p. 183. 24 In: Planejamento fiscal. Vol. III. Coord. Pedro Anan Jr. São Paulo: Quartier Latin, 2013, p. 183. Fl. 4717DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.718 93 que a tese por mim defendida implicaria levar o contribuinte a sempre ter de optar pelo pagamento do maior imposto possível, quando, muitas vezes, é o próprio legislador que ‘estimula a utilização de certas condutas’. Neste ponto, com a devida vênia, creio que o enfoque a ser dado não é exatamente este. Realmente, se o próprio legislador estimula certas condutas, não se trata de tema de planejamento, mas sim de extrafiscalidade e de realização das condutas que a própria legislação entende desejáveis ou então de opções fiscais. Por outro lado, se a própria legislação atribui expressamente ao contribuinte a possibilidade de escolher entre dois ou mais regimes tributários, dentre os quais um pode ser mais vantajoso para o contribuinte, a figura também não é de planejamento fiscal, mas sim de exercício de prerrogativa legalmente assegurada, o que a doutrina estuda sob o título de ‘opção fiscal’ (...).25 Concluo, dessa forma, que a dedutibilidade da despesa correspondente à amortização do ágio não pode ser afastada sob o argumento de que essa redução da carga tributária decorreu de operações desprovidas de propósito negocial. ii. Usufruto Conforme relatado, a Fiscalização glosou o valor de R$324.900.000,00 por entender que, quando da aquisição da participação societária pela UBS Brasil Participações, o valor contábil do patrimônio líquido do Banco Pactual era de R$1.153.225.211,81, e não de R$828.325.211,81. A recorrente, por sua vez, afirmou que essa diferença de R$324.900.000,00corresponde aos dividendos e juros sobre capital próprio (a) calculados tendo como referência período anterior à celebração do Contrato de Compra e Venda de 2006 e (b) que, nos termos desse contrato, pertenciam aos vendedores da participação societária, e não à UBS Brasil Participações, razão pela qual seus valores foram excluídos do valor contábil do patrimônio líquido do Banco Pactual. Ainda de acordo com as alegações da recorrente, como tais valores não foram pagos antes da transferência das ações à UBS Brasil Participações, na cláusula 6.13 do Contrato de Compra e Venda de 2006 foi constituído, em benefício dos vendedores, usufruto sobre todas as ações do Banco Pactual. Com a devida vênia ao voto do I. Relator, entendo que o valor correspondente aos dividendos e aos juros sobre capital próprio compôs o custo de aquisição da participação societária, de modo que, mesmo na hipótese de o valor contábil do patrimônio líquido do Banco Pactual ser registrado por R$1.153.225.211,81, seria necessário contabilizar a obrigação de pagar R$324.900.000,00aos vendedores. Nesse cenário, portanto, haveria um complemento de R$324.900.000,00no preço de aquisição do Banco Pactual, razão pela qual o valor do ágio, de R$4.415.294.794,55, permaneceria o mesmo. Entendo improcedente, portanto, a glosa do valor de R$324.900.000,00. iii. Valor do ágio efetivamente pago Na esteira do relatório e do voto condutor, o Contrato de Compra e Venda estabelecia o pagamento em duas parcelas: 25 Planejamento Tributário. São Paulo: Dialética, 2008, p. 207. Fl. 4718DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.719 94 - A primeira, no valor de R$920 milhões, foi paga no dia 1º/12/2006 mediante transferências bancárias realizadas pela UBS Brasil Participações aos vendedores de ações do Banco Pactual. Esse pagamento é incontroverso, pois foi reconhecido pela própria Fiscalização; e - A segunda, diferida para cinco anos após o fechamento da operação e cujo valor seria definido da seguinte forma: CLÁUSULA 1.3. Pagamento Diferido (a) Sujeito aos termos e condições aqui previstos, na data especificada na Cláusula 1.4 (d), a Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída antes do Fechamento, os Sócios deverão ter direito a receber, como contraprestação adicional pela Compra de Ações, um valor igual a: (i) (x) US$ 1,48 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto de for maior ou igual a zero e o Aumento das Receitas Cumulativas for maior do que zero; (y) US$ 740 milhões (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for menor do que zero; ou (z) US$ 1,184 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero, mas o Aumento das Receitas Cumulativas for (ou for considerado de acordo com sua definição) zero (o valor a ser pago em decorrência desta cláusula (i), o ‘Valor Base do Pagamento Diferido’); menos (ii) o Valor a Compensar. Registro, inicialmente, que a “compensação” realizada quando da operação de venda/recompra do Banco Pactual, em 11/05/2009, configura pagamento de preço26. Essa conclusão também foi alcançada por Humberto Ávila ao emitir parecer, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, sobre o aproveitamento de ágio: “a aquisição de participação acionária pode ser feita de várias formas, sem deixar de ser uma aquisição. (...) O fato de a participação societária não ter sido adquirida em dinheiro não quer dizer que ela não tenha conteúdo econômico nem que ela não tenha existido. A aquisição de ativo não deixa de ser uma aquisição, nem o ativo deixa de ser um ativo, porque não foi pago em dinheiro vivo”27. Entendo, contudo, que, até a realização de tal compensação, em 11/05/2009, a recorrente não poderia ter amortizado a parcela do ágio correspondente ao pagamento de US$740 milhões, que corresponde à diferença entre US$1,48 bilhão (valor máximo do pagamento diferido) e US$740 milhões (valor mínimo do pagamento diferido), pelos seguintes motivos. De acordo com o CPC 25, aprovado pela Deliberação CVM 594/09, “passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos.” Esse conceito engloba as provisões e as contas a pagar, as quais decorrem da existência de uma obrigação presente, que será (a) legal, quando decorrente de previsão contida 26 Esse preço, repitase, pode darse em “moeda” diversa a dinheiro, como ações emitidas pela companhia incorporadora de ações, como já descrito, no caso de incorporação de ações. (TAKATA, Marcos Shigueo. Ágio Interno sem Causa ou “Artificial” e Ágio Interno com Causa ou Real – Distinções Necessárias. In: Controvérsias JurídicoContábeis. Coordenadores Roberto Quiroga Mosquera, Alexsandro Broedel Lopes. 3º Volume. São Paulo: Dialética, 2012, p. 211) 27 Ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura. Empresas do mesmo grupo. Aquisição mediante conferência em ações. Direito à amortização. Licitude formal e material do planejamento. In: RDDT nº 205, p. 182. Fl. 4719DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.720 95 em contrato ou na legislação ou (b) não formalizada, quando a entidade cria expectativas válidas de que cumprirá determinadas obrigações. Ou seja: a existência de uma determinada obrigação legal, como é o caso das obrigações decorrentes do Contrato de Compra e Venda celebrado em 2006, poderá gerar tanto o registro de provisão como o registro de contas a pagar28. O fato de o pagamento no valor de US$1,48 bilhão ter sido condicionado à verificação, após cinco anos, de lucro líquido cumulativo antes do IRPJ, maior ou igual a zero e de aumento das receitas cumulativas, ao meu ver, impedia a classificação de tal valor, em 1º/12/2006, como contas a pagar, que, nos termos do CPC 25, “são passivos a pagar por conta de bens ou serviços fornecidos ou recebidos e que tenham sido faturados ou formalmente acordados com o fornecedor”. A leitura desse conceito indica que as contas a pagar têm a incondicionalidade como característica, isto é, não estão condicionadas à ocorrência de evento futuro e, ou, incerto. Pelo contrário, o adimplemento das obrigações lançadas em tal conta pode ser exigido imediatamente pelo credor, o que não poderia ocorrer em 1º/12/2006 em relação ao valor de US$1,48 bilhão. Diante dessa situação de indefinição, entendo que o pagamento desse valor amoldavase, em 1º/12/2006, ao conceito de provisão, sendo indedutível por força do art. 13, I da Lei nº 9.249/9529. Dessa forma, a parcela do ágio decorrente de tal pagamento apenas poderia ter sido deduzida após 11/05/2009, quando foi efetivamente paga mediante encontro de contas. Das considerações acima extraise também a conclusão de que foi correta a amortização, a partir de 1º/12/2006, do ágio correspondente ao valor mínimo de US$740 milhões, pois esse pagamento não foi condicionado à performance do Banco Pactual, devendo obrigatoriamente ser pago após o prazo de cinco anos. Entendo possível, assim, afirmar que tal valor correspondia, já em 2006, a contas a pagar da recorrente. Sobre tais fundamentos, entendo que deve ser afastada a glosa da despesa correspondente à amortização do ágio até o limite que decorre dos pagamentos da primeira parcela e ao valor mínimo do pagamento diferido. iv. Comprovação do fundamento econômico 28 Nesse sentido, confirase as críticas tecidas por Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins, Ernesto Rubens Gelbcke e Ariovaldo dos Santos ao exemplo 4a do anexo II da NPC 22 do IBRACON, aprovada pela Deliberação CVM nº 489/05: “Ao afirmar que se trata o caso de uma obrigação legal e não de uma provisão, foi criada, no nosso entender, uma ideia inexistente na norma: a de que uma obrigação de natureza legal não pode ser reconhecida como provisão, ou então não pode ser considerada de natureza possível ou remota, e sim tem que, obrigatoriamente, ser registrada como passivo líquido e certo, a pagar, independentemente da característica de probabilidade de desembolso futuro. E isso contraria frontalmente o texto da própria norma, como já visto.” (Manual de Contabilidade Societária. Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP. São Paulo: Atlas, 2010, p. 342). 29 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996). Fl. 4720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.721 96 Por fim, registro meu entendimento de que o laudo de avaliação apresentado à Fiscalização é suficiente para demonstrar o fundamento econômico do ágio, pois, a despeito de ter sido elaborado após o fechamento da operação, foi preparado com base nos estudos internos realizados pelo Grupo UBS anteriormente à aquisição da participação societária. Na verdade, ainda que não houvesse sido elaborado o referido laudo de avaliação, os estudos realizados pelo Grupo UBS visando a verificar a expectativa de rentabilidade futura do investimento no Banco Pactual seriam suficientes para demonstrar o fundamento econômico do ágio. São nesse sentido as palavras de Luís Eduardo Schoueri: Não cuidou o legislador de disciplinar a forma como a fundamentação deveria ser comprovada. O texto do parágrafo 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598/1977 é singelo, determinando a indicação do fundamento do ágio por ocasião de sua contabilização. O parágrafo 3º complementao, ao deixar a cargo do contribuinte o ônus da prova (...). A expressão “demonstração” é bastante ampla. Não se indica como se faz a prova. Basta que se demonstrem o lançamento e seus fundamentos. A falta de disciplina legal do tema leva à conclusão de que o contribuinte tem ampla liberdade na forma como comprovará a fundamentação adotada. O legislador impõe que se indique o fundamento por que houve o pagamento do preço, sendo rigoroso quanto ao seu aspecto temporal (no momento da aquisição, já se deve fazer o desdobramento, indicando o fundamento do ágio) mas silenciando quanto à forma. (...) Daí que o laudo de avaliação, normalmente exigido pelas autoridades tributárias e examinado nos julgamentos administrativos, nada mais é que um dos elementos de que se pode valer o sujeito passivo para comprovar o motivo determinante do pagamento do ágio.30 Em virtude de interpretação restritiva e, ao meu ver, equivocada, do texto da lei, este Conselho já decidiu diversas vezes que a fundamentação econômica do ágio não deve ser comprovada necessariamente por laudo de avaliação, mas apenas por documentos comprobatórios contemporâneos à operação dos quais se extraia o fundamento para a decisão de pagar o sobrepreço. A título de exemplo, transcrevo as ementas a seguir: ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. (Acórdão nº 1102001.182, de 27 de agosto de 2014, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araujo); 30 Ágio em Reorganizações Societárias (Aspectos Tributários). São Paulo: Dialética, 2012, p. 3334. Fl. 4721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.722 97 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO DE OFÍCIO. AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO EM INCORPORAÇÃO. Para que seja atribuído ao deságio o fundamento econômico de rentabilidade futura negativa do investimento, o valor respectivo deve estar fundamentado em laudo ou em alguma demonstração de caráter econômico, conforme exigência do próprio art. 385, § 3º do RIR/99. Recurso de ofício negado. (Acórdão nº 1102001.084, de 09 de abril de 2014, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho); Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado de bens do ativo ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por meio de um laudo, contudo, a referida demonstração deve ser contemporânea aos fatos, e estar lastreada em elementos de prova coerentes e adequados, que permitam corroborar a justificativa do fundamento que foi indicado para se pagar o sobrepreço. (Acórdão nº 1102001.104, de 07 de maio de 2014, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Relator Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé); ÁGIO. FUNDAMENTO. DEMONSTRAÇÃO CONTEMPORÂNEA AOS FATOS. NECESSIDADE. A lei exige que o lançamento do ágio com base no valor de mercado ou na expectativa de rentabilidade futura seja baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Não há a exigência de que a comprovação se dê por laudo, mas por qualquer forma de demonstração, contemporânea aos fatos, que indique por que se decidiu por pagar um sobrepreço. Caso em que se demonstrou que o ágio foi pago com base na expectativa de resultados futuros, tanto por documentos contemporâneos ao investimento, quanto por laudo elaborado posteriormente com base em informações da época. (Acórdão nº 1102001.018, de 12 de fevereiro de 2014, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Relator Conselheiro José Evande Carvalho Araujo); e A existência de documento (demonstrativo ou laudo) que contempla por metodologia o valor dos ativos em razão de rentabilidade futura permite que a contribuinte realize o aproveitamento do ágio apurado. (Acórdão nº 120100.689, de 08 de maio de 2012, 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Relator Conselheiro Rafael Correia Fuso) Nessa esteira, concluise que a fundamentação econômica do ágio por expectativa de rentabilidade futura foi comprovada documentalmente. Fl. 4722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.723 98 Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a glosa da despesa correspondente à amortização do ágio até o limite que decorre dos pagamentos da primeira parcela e ao valor mínimo do pagamento diferido. É o meu voto. (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Fl. 4723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.724 99 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata. Rendo minhas homenagens ao ilustre relator, a quem peço vênia para divergir sobre algumas questões. Principio com a questão do valor do ágio amortizável tributariamente. i Usufruto Quer se cuide de usufruto (direito real) temporário das ações, quer se cuide de direito obrigacional aos frutos (eficácia somente entre vendedores e comprador), o valor do usufruto ou do “usufruto” (mero direito pessoal) não pode compor o ágio. É como entendo. A cláusula 6.13 (b) e (c) do contrato de compra e venda já previa o pagamento de valor equivalente a US$ 150 milhões, a título de dividendos e de juros sobre o capital próprio pela investida (Banco Pactual) para os vendedores, a ser determinado em 30/6/06. No caso, foram deliberados, pouco após ser firmado o contrato de aquisição do Banco Pactual pela UBS Brasil Participações, R$ 290.734.000,00 de dividendos e R$ 40.195.294,12 de juros sobre o capital próprio (JCP), que foram pagos ou transferidos para os vendedores. I.e., o total de frutos deliberados, após ser firmado o contrato de venda do Banco Pactual e pagos ou transferidos aos vendedores, foi de R$ 324.900.000,00. Tratase de valor que deveria ser reconhecido como DEP (despesa de equivalência patrimonial). No momento da aquisição, deveria ser constituída uma conta redutora do VP (valor patrimonial) do investimento, em contrapartida a uma conta de despesa a ser apropriada – DEP a apropriar. Com a concreção dos eventos (ou seja, com a deliberação de distribuição dos frutos: JCP e dividendos), a conta redutora sobre o VP do investimento deveria ser baixada contra a diminuição do VP do investimento; e a conta de DEP a apropriar ser baixada contra despesa efetiva (DEP). Os lançamentos contábeis podem ser exemplificados dessa forma: Débito – DEP a apropriar (conta do ativo, transitória) x a Crédito – VP a reduzir (conta redutora do investimento) x Com a deliberação da distribuição dos JCP e dos dividendos: Débito – DEP (despesa de equivalência patrimonial) x a Crédito – DEP a apropriar x e Débito – VP a reduzir x a Investimento (VP) x Fl. 4724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.725 100 Notese que quem paga os JCP e os dividendos é a investida adquirida, e não a compradora investidora. Ou, tendose já deliberado aquele valor no momento em que a aquisição ganhou eficácia (momento da ativação do investimento adquirido), deveria ser reduzido o valor do ágio (“inchado” com o valor equivalente aos dos dividendos e JCP deliberados), em contrapartida a despesa – claro, na medida em que esse valor foi ativado como parte do ágio. Neste caso, o lançamento pode ser exemplificado assim: Débito – Despesa indedutível x a Crédito – Ágio x O tratamento é símile ao da redução de investimento pelos lucros ou dividendos recebidos até seis meses da aquisição de investimento avaliado por custo de aquisição, sem repercussão no resultado (art. 380 do RIR/99). A diferença, aqui, é, além de o investimento ser avaliado por MEP, os valores de dividendos e de juros sobre o capital próprio necessariamente terem de transitar por resultado (pois são atribuíveis ou transferíveis aos vendedores), sem repercussão tributária (= indedutível a despesa). Sucede que o VP cheio, bem ou mal, fez parte da avaliação do valor econômico do investimento. Não poderia o valor de VP a ser reduzido por distribuição de JCP e de dividendos equivaler a aumento do ágio por expectativa de rentabilidade futura do investimento. ii – Valor e pagamento diferido e sua composição ou não no valor do ágio Por outro lado, a cláusula 1.3 (i) do contrato de compra e venda de 9/5/06 previa um valor diferido que poderia chegar a US$ 1,48 bilhão relativo ao preço de venda do investimento. Desse montante, somente era certo o valor diferido de US$ 740 milhões, conforme a cláusula 1.3 (i) (y) do contrato de compra e venda: CLÁUSULA 1.3. Pagamento Diferido (a) Sujeito aos termos e condições aqui previstos, na data especificada na Cláusula 1.4 (d), a Controladora ou, se a Reorganização estiver concluída antes do Fechamento, os Sócios deverão ter direito a receber, como contraprestação adicional pela Compra de Ações, um valor igual a: (i) (x) US$ 1,48 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto de for maior ou igual a zero e o Aumento das Receitas Cumulativas for maior do que zero; (y) US$ 740 milhões (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for menor do que zero; ou (z) US$ 1,184 bilhão (sujeito ao reajuste conforme previsto na Cláusula 1.4(e)), se o Lucro Líquido Cumulativo antes do Imposto for maior ou igual a zero, Fl. 4725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.726 101 mas o Aumento das Receitas Cumulativas for (ou for considerado de acordo com sua definição) zero (o valor a ser pago em decorrência desta cláusula (i), o ‘Valor Base do Pagamento Diferido’); menos (ii) o Valor a Compensar. O que se extrai, na essência, é que a parcela de US$ 740 milhões é parte certa do preço, com pagamento diferido, sendo a parcela que a excede para se chegar em US$ 1,184 bilhão e para se chegar em US$ 1,48 bilhão (“teto” máximo), sujeita a variáveis de performance do investimento adquirido, até 2011, conforme a cláusula 1.4 do contrato de compra e venda do investimento. Ainda, na essência, o valor a compensar cuida de subcláusula resolutiva de parte do preço com pagamento diferido, i.e., se e no montante que se concretizar (no limite da parte do preço de solvência diferida) se reduz a parte de tal preço. Até lá, eficaz o preço nos termos postos. Bem verdade que em 11/5/2009, por ocasião da nova venda do investimento para o antigo vendedor, houve o adimplemento da parcela do preço (com pagamento diferido) dependente de performance no “teto” máximo, ou seja, de US$ 1,48 bilhão, conforme as clásulas 1.2 e 9.1 do contrato de nova venda do investimento: O PRESENTE CONTRATO DE VENDA E COMPRA ALTERADO E CONSOLIDADO (conforme periodicamente alterado, aditado, consolidado ou de outra forma modificado, este ‘Contrato’) é celebrado em 11 de maio de 2009 por e entre a BTG INVESTMENTS LP, uma sociedade em comandita simples constituída de acordo com as leis das Bermudas (‘Adquirente’), UBS AG, uma sociedade limitada por ações (Aktiengesellschaft) constituída de acordo com as leis da Suíça (‘Vendedor Um’), UBS Brasil Investimentos Ltda, uma sociedade limitada constituída de acordo com as leis do Brasil (‘Vendedor Dois’), UBS Internacional Holdings BV, uma sociedade privada de responsabilidade limitada (besloten vennootschap met beperkte aansprakelijkheid) constituída de acordo com as leis dos Países Baixos (‘Vendedor Três’) e Waburco Nominees Ltd, uma sociedade de responsabilidade limitada constituída na Inglaterra e no País de Gales (‘Vendedor Quatro’, e em conjunto com o Vendedor Um, Vendedor Dois e Vendedor Três, os ‘Vendedores’). PREÂMBULO CONSIDERANDO QUE o Vendedor Um, Vendedor Dois, Vendedor Três e Vendedor Quatro detêm conjuntamente todo o capital social emitido e em circulação e os direitos de voto do Banco UBS Pactual S.A, uma sociedade anônima constituída de acordo com as leis do Brasil (‘Guigal’); CONSIDERANDO QUE, (i) de acordo com um Contrato de Venda e Compra, datado de 9 de maio de 2006 (conforme periodicamente alterado, aditado, consolidado ou de outra forma modificado, o ‘SPA Original’), por e entre o Vendedor Um, Pactual S.A, uma sociedade anônima constituída de acordo Fl. 4726DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.727 102 com as leis do Brasil, e os indivíduos listados no Anexo 1 ao referido instrumento (individualmente, um ‘Sócio’ e, conjuntamente, os ‘Sócios’), o Vendedor Um e outras pessoas jurídicas controladas pelo Vendedor Um adquiriram a totalidade do capital social emitido e em circulação e os direitos de voto do Guigal, e (ii) de acordo com um Contrato de Depósito em Garantia, datado de 1º de dezembro de 2006 (conforme periodicamente alterado, aditado, consolidado ou de outra forma modificado, o ‘Contrato de Depósito em Garantia’), por e entre o Vendedor Um, The Bank of New York e certos representantes dos Sócios nele nomeados, determinadas quantias foram depositadas em garantia. [...]. “CLÁUSULA 1.2 Pagamento no Fechamento. Em troca das Ações do Guigal transferidas ao Adquirente no fechamento, o Adquirente deverá, no Fechamento e sujeito aos termos e condições do presente instrumento, pagar aos Vendedores (em conformidade com seus respectivos Percentuais de Pagamentos aos Vendedores) um valor em dinheiro equivalente a US$ 2.475.000.000,00 menos o Valor Total do Pagamento Diferido Descontado menos o Valor Total da Dívida Descontada do UBS (cuja redução está sendo realizada em decorrência da assunção de determinados obrigações pelo adquirente) mais o Valor do Pagamento Diferido Descontado dos Sócios Dissidentes menos o Valor Descontado de Retenção menos o Valor do Pagamento Posterior (o "Pagamento em Dinheiro no Fechamento") através de transferência eletrônica de fundos imediatamente disponíveis a uma ou mais contas mantidas pelo Vendedor UM, Vendedor Dois, Vendedor Três e Vendedor Quatro em um banco comercial designado pelos Vendedores, por escrito, no mínimo, dois Dias Úteis antes da Data de Fechamento. [...] CLÁUSULA 9.1 Outras Definições. Os termos a seguir, utilizados neste Contrato terão os seguintes significados: (a) ‘Coligada’ significa, com relação a qualquer Pessoa, qualquer outra Pessoa que, diretamente ou através de um ou mais intermediários, controle, seja controlada por ou esteja sob o controle comum com a Pessoa especificada, incluindo, no caso do Guigal, os Fundos Exclusivos. (b) ‘Pagamento Total’ significa a soma do (i) Pagamento em Dinheiro no Fechamento e (ii) Pagamento Posterior. (c) ‘Valor do Pagamento Diferido Total’ significa US$ 1,48 bilhões. (d) ‘Valor Total do Pagamento Diferido Descontado’ significa o Valor do Pagamento Diferido Total, conforme este valor seja descontado a partir de 1º de julho de 2011 ao seu valor presente na data do Fechamento, utilizando uma taxa de desconto da LIBOR para Um Mês na Data de Fechamento mais 100 pontos básicos ao ano.” Fl. 4727DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.728 103 Houve, efetivamente, o adimplemento da parcela do preço com pagamento diferido, pelo “teto” máximo (dependente de performance), conquanto se tenha dado por compensação (forma de solução de dívida positiva, e que economiza os fluxos financeiros recíprocos). Também, nesse momento, houve o desconto de valor a compensar de US$ 120 milhões. Tudo isso, porém, ocorreu – além de se tornar certo – somente em 2009. Ainda, isso ocorreu no momento em que o investimento deixou de ser do adquirente original (e passou a ser do vendedor original, pela nova compra e venda feita em 2009). Por tudo isso, o que é certo como valor a compor o ágio é a parcela do preço com pagamento diferido de US$ 740 milhões. É, como disse, o que se extrai na essência. De outra parte, a cessão de dívida da UBS Participações para a UBS Brasil Investimentos, em 4/12/06, de R$ 3.205.680.000,00, correspondente ao valor de saldo devedor registrado na adquirente do preço de aquisição do investimento no Banco Pactual, não representa quitação das parcelas certa e incerta da dívida diferida do preço de aquisição do investimento. Em contrapartida à referida cessão de dívida a UBS Brasil Investimentos se tornou credora da UBS Participações, promovendose o aumento de capital dessa com a capitalização desse crédito, tornandose controladora direta da UBS Participações a UBS Brasil Investimentos. De sua vez, a mesma dívida foi cedida pela UBS Brasil Investimentos para a UBS AG na Suíça, tornandose esta credora da UBS Brasil Investimentos naquele montante, com a subsequente capitalização desse crédito. Com isso, a UBS AG na Suíça não se tornou acionista ou controladora direta da investida adquirida, o Banco Pactual. Peço vênia ao Ilustre Relator, para, nesse passo, discordar da afirmação de que a UBS AG na Suíça passou a deter diretamente 61,04% do capital do Banco Pactual. A UBS AG na Suíça, repito, não se tornou controladora direta do Banco Pactual. Continuou a ser controladora indireta do Banco Pactual, como desde o início a foi. O fato de haver o registro contábil do valor da dívida na parcela incerta, além da certa, não interfere, como já visto, no valor do ágio amortizável fiscalmente. Sob outro ângulo, a transferência da dívida em questão para a UBS Investimentos e desta para a UBS AG na Suíça também não se revela problemática, e se justifica, como mecanismo a evitar a exposição cambial no Brasil. Não tem o condão de transformar a UBS AG na Suíça em acionista ou controladora direta do Banco Pactual, até porque, como se verá adiante, afirmar simplesmente o contrário, tout cort, seria tornar inócuo ou inaplicável o art. 8º da Lei 9.532/97 aos investidores estrangeiros, e, por tabela, o art. 7º dessa lei. No voto do ilustre relator, há remissão ao Pronunciamento Técnico CPC 15, em desabono à parcela diferida do preço poder compor o valor do ágio. Com a devida vênia, o Pronunciamento Técnico CPC 15 permite, ou melhor, reconhece expressamente que o ágio pode ser composto pela contrapartida correspondente a passivo, ou seja, a parcela de preço com pagamento diferido. Nesse sentido, é expresso o item 32 combinado com os itens 37, 39, 46, 49, 58 e B.5 do Pronunciamento Técnico CPC 1531. 31 Contraprestação transferida em troca do controle da adquirida 37. A contraprestação transferida em troca do controle da adquirida em combinação de negócios deve ser mensurada pelo seu valor justo na data da operação, o qual deve ser calculado pela soma dos valores justos: a) dos ativos transferidos pelo adquirente; b) dos passivos incorridos pelo adquirente junto aos exproprietários da adquirida; e c) das participações societárias emitidas pelo adquirente (contudo, os planos com pagamentos Fl. 4728DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.729 104 baseados em ações do adquirente dados em troca de planos com pagamentos baseados em ações em poder dos empregados da adquirida e incluídos no cômputo da contraprestação da combinação de negócios devem ser mensurados de acordo com o item 30 e, não, pelo seu valor justo). Exemplos de formas potenciais de contraprestação transferida incluem dinheiro, outros ativos, um negócio ou uma controlada do adquirente, uma contraprestação contingente, ações ordinárias, ações preferenciais, quotas de capital, opções, warrants, bônus de subscrição e participações em entidades de mútuo (fundos mútuos, cooperativas, etc.). [...] Contraprestação contingente 39. A contraprestação que o adquirente transfere em troca do controle sobre a adquirida inclui qualquer ativo ou passivo resultante de acordo com uma contraprestação contingente (veja item 37). O adquirente deve reconhecer a contraprestação contingente pelo seu valor justo na data da aquisição como parte da contraprestação para obtenção do controle da adquirida. 40. O adquirente deve classificar a obrigação de pagar uma contraprestação contingente como um passivo ou como um componente do patrimônio líquido com base nas definições de instrumento patrimonial e passivo financeiro constantes do item 11 do Pronunciamento Técnico CPC 39 Instrumentos Financeiros: Apresentação, ou outro pronunciamento aplicável. O adquirente deve classificar uma contraprestação contingente como ativo quando o acordo conferir ao adquirente o direito de reaver parte da contraprestação já efetuada, se certas condições específicas para tal forem satisfeitas. O item 58 fornece orientações sobre a contabilização subsequente de contraprestações contingentes. [...] 46. O período de mensuração é o período que se segue à data da aquisição, durante o qual o adquirente pode ajustar os valores provisórios reconhecidos para uma combinação de negócios. O período de mensuração fornece um tempo razoável para que a adquirente obtenha as informações necessárias para identificar e mensurar, na data da aquisição e de acordo com este Pronunciamento, os seguintes itens: (a) os ativos identificáveis adquiridos, os passivos assumidos e qualquer participação de não controladores; (b) a contraprestação pelo controle da adquirida (ou outro montante utilizado na mensuração do ágio por rentabilidade futura goodwill); (c) no caso de combinação realizada em estágios, a participação do adquirente na adquirida imediatamente antes da combinação; e (d) o ágio por rentabilidade futura (goodwill) ou o ganho por compra vantajosa. [...] 49. Durante o período de mensuração, o adquirente deve reconhecer os ajustes nos valores provisórios como se a contabilização da combinação de negócios tivesse sido completada na data da aquisição. Portanto, o adquirente deve revisar e ajustar a informação comparativa para períodos anteriores ao apresentado em suas demonstrações contábeis, sempre que necessário, incluindo mudança na depreciação, na amortização ou em qualquer outro efeito reconhecido no resultado na finalização da contabilização. [...] Contraprestação contingente 58. Algumas alterações no valor justo da contraprestação contingente que o adquirente venha a reconhecer após a data da aquisição podem ser resultantes de informações adicionais que o adquirente obtém após a aquisição sobre fatos e circunstâncias já existentes na data da aquisição. Essas alterações são ajustes do período de mensuração conforme disposto nos itens 45 a 49. Todavia, alterações decorrentes de eventos ocorridos após a data de aquisição, tais como o cumprimento de meta de lucros; o alcance de um preço por ação especificado; ou ainda o alcance de determinado estágio de projeto de pesquisa e desenvolvimento não são ajustes do período de mensuração. O adquirente deve contabilizar as alterações no valor justo da contraprestação contingente que não constituam ajustes do período de mensuração da seguinte forma: (a) a contraprestação contingente classificada como componente do patrimônio líquido não está sujeita a nova mensuração e sua liquidação subsequente deve ser contabilizada dentro do patrimônio líquido; (b) a contraprestação contingente, classificada como ativo ou passivo, que: (i) for instrumento financeiro e estiver dentro do alcance do Pronunciamento Técnico CPC 38 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração deve ser mensurada ao valor justo, sendo qualquer ganho ou perda resultante reconhecido no resultado do período ou em outros resultados abrangentes no patrimônio líquido, de acordo com o citado Pronunciamento. (ii) não estiver dentro do alcance do Pronunciamento Técnico CPC 38 Instrumentos Financeiros: Reconhecimento e Mensuração, deve ser contabilizada de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC 25 Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes ou outros Pronunciamentos, quando apropriado. [...] Apêndice A (Glossário) Fl. 4729DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.730 105 Nem poderia ser diferente. Se é parte do preço, pode vir a compor o ágio. O passivo, tal qual o desembolso imediato, é sacrifício econômico da entidade. Ademais, nenhuma diferença substancial haveria entre isso, por ex., se captarem recursos com terceiros, constituindose um passivo, usandose os recursos para pagamento do preço. Em tais termos, reconheço que compõe o valor do ágio a parcela do preço certo com pagamento diferido de US$ 740 milhões, além da parcela do preço pago à vista (a parte do pagamento à vista de US$ 920 milhões, e que, conforme contratos de câmbio, corresponderam a R$ 2.045.684.177,81). iii. Estudo e laudo de avaliação do fundamento econômico do ágio Passo à questão do estudo e laudo de avaliação do fundamento econômico do ágio. A bem ver, o Termo de Verificação Fiscal (TVF) não questiona o laudo, tampouco sua higidez. Ou seja, não constitui motivo da glosa da amortização fiscal do ágio seu fundamento econômico. Dito melhor, não é motivo da glosa a perspectiva de rentabilidade futura como fundamento econômico do ágio pago. No tópico “IV Da Análise da Documentação Fornecida” do TVF, a fiscalização se limita a dizer que o contribuinte apresentou relatório final datado de 11/12/07 elaborado pela Price, e que constata que a proposta de prestação de serviços é datada de 12/2/07, em data subsequente à data de fechamento da negociação do Pacutal e do lançamento contábil do ágio em 1/12/06 – é o que consta no item “1.5”. Os questionamentos e infirmações são quanto aos sucessivos negócios praticados no intervalo de 3 dias, sem razões econômicas, comerciais, societárias ou financeiras que os justificassem. Enfim, ataca as holdings constituídas para aquisição do investimento com ágio, diz que o adquirente efetivo é a UBS AG no exterior, nisso se delineando os motivos da autuação. De todo modo, vejo que há estudo interno, em inglês, de fls. 3586 a 3621, não datado. Contraprestação contingente são obrigações contratuais, assumidas pelo adquirente na operação de combinação de negócios, de transferir ativos adicionais ou participações societárias adicionais aos exproprietários da adquirida, caso certos eventos futuros ocorram ou determinadas condições sejam satisfeitas. Contudo, uma contraprestação contingente também pode dar ao adquirente o direito de reaver parte da contraprestação previamente transferida ou paga, caso determinadas condições sejam satisfeitas. [...] B.5. Este Pronunciamento define uma combinação de negócios como a operação ou outro evento em que o adquirente obtém o controle de um ou mais negócios. O adquirente pode obter o controle da adquirida de diversas formas, como por exemplo: (a) pela transferência de caixa, equivalentes de caixa ou outros ativos (incluindo ativos líquidos que se constituam em um negócio); (b) pela assunção de passivos; (c) pela emissão de instrumentos de participação societária; (d) por mais de um dos tipos de contraprestação acima; ou (e) sem a transferência de nenhuma contraprestação, inclusive por meio de acordos puramente contratuais (ver item 43). Fl. 4730DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.731 106 Nas fls. 4104 a 4107 há tradução juramentada de memorando de Juerg Zimmermann, de 9/1/13, que descreve os trabalhos de avaliação do Pactual desenvolvidos sob sua responsabilidade, no Grupo de Consultoria Estratégica do UBS, em 2006. Trabalho com suporte de equipes das 3 divisões de negócios, de consultores externos e de equipes do UBS nos diversos departamentos. Estimativa de centenas de horas em conjunto com funcionários do UBS. Avaliação em 4 arquivos excel: investiment banking; gestão de recursos; gestão de ativos; consolidado. Avaliação pela metodologia do fluxo de caixa descontado para 5 anos, com taxa de crescimento perpétuo em 2 estágios com maior crescimento os 10 anos após 2011. O laudo da Price é de 11/12/07, de fls. 1323 a 1426 (e 3622 a 3727), e proposta de prestação de serviços de 12/2/07, conforme TVF. O que se vê é que o laudo feito posteriormente por empresa independente corrobora o estudo interno, organiza de forma clara os dados e fatos contemporâneos à aquisição do investimento utilizados como base para o laudo externo. O fato de o estudo interno, contemporâneo à aquisição do investimento não ser datado não causa espécie. Não há razão para assinatura e datação de dados confidenciais, destinado a pessoas da mesma empresa e ainda reservado àquelas diretamente envolvidas na negociação. Enfim, embora não tenha sido motivo da autuação, não vejo vício no ponto relativo ao fundamento econômico do ágio e de seu demonstrativo. iv. Empresaveículo e propósito negocial ou regulatório Sobre a questão da empresaveículo, inicio com algumas considerações. É o art. 8º da Lei 9.532/97 que induz à confusão patrimonial por incorporação reversa, ou cisão reversa, ao permitir a amortização fiscal do ágio. Dito de outro modo, a lei diz “tanto faz” quem absorve quem, se a investidora incorpora a investida ou vice versa. Notese que não se põe aqui a questão de simulação relativa de incorporação, i.e., se quem efetivamente incorporou foi a declarada incorporada ou se foi mesmo a incorporadora. E é sabido que a Lei 9.532/97 induz comportamentos dessa forma, para estimular investimentos no País, seja por empresas nacionais, seja por empresas estrangeiras, com a concessão do tratamento de dedutibilidade do ágio pago na aquisição de investimentos no País. Benefício fiscal estimulado pela lei. Não havendo interesse nisso, há o mecanismo constitucional e político: revoguese a lei. Se é a lei que induz e permite a amortização fiscal do ágio com a confusão patrimonial, como poderia o investidor estrangeiro exercer esse estímulo concedido pela lei, sem uma empresa no País para adquirir o investimento (no País)? A lei não vedou; pelo contrário, estimulou. E o fez sabidamente incluindo os investimentos estrangeiros no País – dificilmente alguém negará isso. Ou, ainda, em outras palavras, a lei não exige que uma empresa operacional adquira outra com ágio para que este seja amortizável fiscalmente, com a incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa) ou por incorporação da investida pela investidora. Fl. 4731DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.732 107 Dirseá que o ágio permanece o mesmo na controladora da adquirente, também chamada de controladora original. Logo, a real adquirente do investimento (Banco Pactual) Não é verdade. Não é o ágio que permanece inalterado na controladora original, com a incorporação da empresaveículo, pela investida. Primeiro, não há transferência do investimento para uma empresaveículo. Segundo. Mesmo assim, vale o raciocínio visto sob a ótica da transferência do investimento. Vejase. A controladora original adquire o investimento de terceiros com ágio. Ao transferir esse investimento para uma empresaveículo (da adquirente do investimento), a controladora original passa a ter investimento direto na empresaveículo sem ágio: o valor de equivalência patrimonial na empresaveículo corresponde a seu valor patrimonial contábil. Simplesmente há uma “troca” do investimento adquirido com ágio por investimento na empresaveículo. Na empresaveículo incorporadora ou na investida (geradora do ágio) incorporadora irá repercutir a amortização contábil (e fiscal) do ágio. Mas igualmente nela irá repercutir o lucro e seu aumento. Ou seja, ambos irão repercutir no resultado da incorporadora (empresaveículo ou investida), resultado esse que, por sua vez, irá refletir no investimento da controladora original na incorporadora – aumento do investimento da controladora original. Nesse sentido, a amortização contábil e fiscal do ágio “preserva” o “aumento do custo” do investimento da controladora original na empresaveículo (ou na investida geradora do ágio). Isso não significa que o ágio permanece na controladora original, e, pois, que o ágio permanece inalterado na controladora original. Nesta se refletem os efeitos do ágio, ou seja, os efeitos da amortização contábil e fiscal do ágio, assim como o aumento do lucro da investida decorrente do ágio. E, repitase: isso nada tem de ver com duplicação do ágio ou de seu valor. Como se mostrou, não é o ágio que permanece inalterado na controladora original (adquirente do investimento com ágio que é transferido para empresaveículo): o que há é investimento a valor patrimonial contábil na empresaveículo (ou na investida geradora do ágio que tenha incorporado a empresaveículo) pela controladora original. Ocorre que o investimento da controladora original na empresaveículo reflete o valor do ágio que “vai” para essa e passa ao antigo ativo diferido da investida “original”; assim como se refletem na controladora original os efeitos do ágio (amortização) e o aumento de lucro consequente ao ágio. Daí se vê que não é, nesses termos, a empresaveículo geradora de problema fiscal, muito menos geradora de ágio sem causa ou artificial. No caso vertente, além disso, houve razões de ordem regulatória para a adoção do percurso feito. Com efeito, o pleito, ad cautelam, se deu em observância ao que determinava o art. 14, III, do Regulamento Anexo à Resolução CMN 3040/12 (outras pessoas jurídicas, que tenham por objeto social exclusivo a participação societária em instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil). Fl. 4732DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.733 108 “Art. 14. As participações societárias diretas que impliquem controle das instituições referidas no art. 1º, constituídas a partir da data de publicação desta resolução, somente podem ser detidas por: I Pessoas físicas; II Instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; III Outras pessoas jurídicas, que tenham por objeto social exclusivo a participação societária em instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às agências de fomento e às instituições financeiras públicas que estejam ou que venham a ser submetidas a processo de privatização.” Vêse que em 2/6/06 há o pedido com referência expressa à alienação para sociedade holding que o UBS AG pretende constituir no Brasil, com objeto social exclusivo, nos termos da Resolução CMN 3040/02. Em 10/7/06, há correspondência do Bacen solicitando, entre outros, o contrato de compra e venda com os anexos, o estudo de viabilidade econômica, o organograma dos grupos financeiros no Brasil, antes e após o ato de concentração. Em 19/7/06, há a correspondência do Pactual e da UBS AG com entrega do organograma em questão. No mesmo dia 19/9/06, há despacho propugnando o deferimento do pleito para submissão à Diretoria Colegiada, pelo chefe do Deorf, e há aprovação pela Diretoria Colegiada “voto BCB 277/06”, na mesma data. Em 27/9/06, há voto do CMN aprovando a aquisição do Pactual, para submissão ao Presidente da República – publicação no DOU só em 28/12/06. No mesmo dia 27/10/06, há publicação do Decreto de interesse do Governo brasileiro no aumento da participação estrangeira no Pactual até 100%. Ainda em 27/10/06, há carta do Bacen, requerendo a documentação comprobatória do fechamento da operação referente à aquisição do Pactual, comunicando o reconhecimento do interesse do Governo brasileiro nessa aquisição. Em 12/12/06, há carta do Pactual com remessa da documentação comprobatória, na qual se inclui o contrato de câmbio de compra equivalente a R$ 2.045.684.177,81. Em 18/2/07, há publicação da decisão do Diretor de Normas e Organização do Sistema Financeiro do Bacen de aprovação do processo de aquisição. E há carta do Bacen , de 1/3/07, comunicando essa aprovação. Fl. 4733DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16682.720614/201261 Acórdão n.º 1103001.102 S1C1T3 Fl. 4.734 109 Há pedido de aprovação da incorporação da UBS Participações pelo Banco Pacutal, de 8/2/07. E há carta do Bacen, de 19/7/07, comunicando a aprovação da incorporação da UBS Participações pelo Pactual. Vêse que não adiantaria a essa cautela, para fins do art. 14, III, do Regulamento Anexo à Resolução CMN 3040/12, a aquisição pelo Banco UBS. Também importa observar que não há prazo para manifestação pelo Bacen quanto à aprovação ou não da aquisição de banco, ainda que por meio de SPE ou empresa veículo. Quero com isso dizer que seria por demais temerário se correr o risco de ter o pedido reprovado, não se sabe quanto tempo depois, de a aquisição ser feita diretamente pelo Banco UBS no Brasil, e mesmo diretamente pelo UBS AG na Suíça. Que administração correria tal risco, temerário, que negocial e empresarialmente seriam desastrosos? Nova rodada de negociação com desgastes haveria, isso se não se resolvesse o negócio, além de implicações de imagem perante o mercado. Medida de máxima cautela foi a aquisição ter se dado pela SPE, a UBS Participações, sendo que, mesmo com a confusão patrimonial entre a investida e a investidora, permaneceu a UBS Brasil Investimentos como controladora da controladora direta, e, pois, como controladora da incorporadora (com a incorporação da controladora direta pela controlada). Enfim, noto que a constituição da UBS Brasil Participações tinha razão e fundamento de ordem regulatória. Por essa ordem de razões, sobre a questão da empresaveículo, dou provimento ao recurso. Nessa linha de considerações e juízo, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a amortização fiscal do valor do ágio no montante total equivalente a US $ 1.660 milhões (US$ 740 milhões da parcela diferida efetiva ou valor mínimo – certo e líquido – mais a parcela do preço pago à vista de US$ 920 milhões). (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Fl. 4734DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 02/04/201 5 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente e m 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10783.902206/2008-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 15/10/2002
PEDIDO DE PERÍCIA.A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requerem conhecimentos especializados para o deslinde de litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probando puder ser demonstrado por meio de documentos carreados aos autos.
DESCONTO-PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto-padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.292
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Mara Cristina Sifuentes
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DESCONTOPADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O descontopadrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Mara Cristina Sifuentes Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Luciano Pontes de Maya Gomes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 2 RJ, a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1326.211, proferido em 28 de agosto de 2009. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: A DRFB Vitória, por meio do despacho decisório, não homologou a compensação declarada, alegando a inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da Contribuinte. Em 21/08/2008 a interessada foi cientificada do despacho e da cobrança dos débitos indevidamente compensados. Irresignada, apresentou, em 22/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 16, na qual alega em síntese: Que é contribuinte de uma grande variedade de tributos, dentre os quais se destacam, o PIS e a Cofins, tendo em conta a incidência das mesmas por ocasião do faturamento mensal, assim entendido “o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", conforme dispõe o artigo 1° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Que essa redação destacada é similar a da norma que a precedeu, que, embora não revogada, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, qual seja, o art. 30, §1°, da Lei n° 9.718/98. Tais contribuições, portanto, não podem nem devem incidir sobre receitas não auferidas pela pessoa jurídica, a exemplo do que ocorre com os valores recebidos pela cessão de seu espaço para agências de publicidade, tendo em vista que tais valores não permanecem em seu faturamento, pois são repassados às mencionadas agências. Sabendo que tais valores não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo da COFINS e também do PIS, e, tendo em vista a existência de débitos a titulo dos mesmos tributos, a Requerente aproveitou a existência desses créditos, já que foram pagos a maior, para compensálos com tais débitos. Para que haja a incidência em comento não basta que a pessoa jurídica tenha receitas, entendida esta de acordo com a normatização contábil, mas também, é imprescindível que tais receitas sejam efetivamente auferidas, isto é, verdadeiramente percebidas. É imperioso que os valores decorrentes do faturamento tenham efetivamente ingressado nos cofres da Requerente, para composição do seu patrimônio, ou seja, tratase de um conceito jurídico de faturamento, eis que se entende como tal somente aquelas receitas auferidas pela pessoa jurídica. Assim, a interpretação literal dos dispositivos citados é suficiente para perceber que os valores recebidos pela cessão de espaço, pela Requerente, não deveriam integrar a sua base de cálculo da COFINS e também do PIS, já que estes mesmos valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de "mero ingresso" no seu caixa. Prosseguindo, cita acórdãos do Conselho de Contribuintes e destaca a Solução de Consulta n. 17, de 30 de abril de 2007, da 4º Região Fiscal da Receita Federal do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 3102001.292 S3C1T2 Fl. 129 3 Brasil no sentido de que o desconto devido à agência de propaganda não integra a base de cálculo do PIS e da COFINS do veículo de divulgação, porque este valor é receita que pertence à agência. Apesar disso, por uma falha, incluiu tais valores na base de cálculo da COFINS, de forma que, não existem dúvidas de que o montante contribuído a título de COFINS foi muito maior do que o real valor devido, uma vez que os valores recebidos e repassados às agências de publicidade (que não fazem parte do seu faturamento!) foram indevidamente incluídos nesta base de cálculo. Ao perceber a existência dos créditos existentes em função do pagamento a maior da COFINS, foi apresentado, por meio de PER/DCOMP, a Declaração de Compensação, a fim de aproveitar tais créditos para quitar débitos ainda existentes de COFINS. Informa que está levantando a documentação necessária a fim de que reste comprovado, de vez por todas, que os valores pagos a maior e repassados às agências de publicidade correspondem exatamente aos débitos que foram compensados, o que será apresentado a esta d. SRF o quanto antes. Por fim, protesta pela realização de diligência destinada à produção de prova pericial, e nomeia assistente técnico no intuito de ver respondidos os seguintes quesitos: 1)queira o Sr. Perito informar se a Requerente se apropriou integralmente dos valores recebidos no período autuado; e 2) queira o Sr. Perito informar, mediante a análise dos documentos contábeis acostados, se houve repasse às agências de publicidade. Em caso afirmativo, favor informar o valor desse repasse. Em 18/11/2008 a interessada juntou ao processo a petição de folhas 92 a 94 na qual informa que a documentação que comprova o faturamento da empresa e o efetivo repasse da receita de PIS/Cofins à terceiros foi apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10783.902198/200817. Tendo em vista que aquele processo discute créditos da mesma natureza deste e ainda a grande quantidade de documentos (12.306 cópias em 52 volumes), afirma ser inconcebível a apresentação de toda a documentação em cada um dos processos. A DRJ traz a seguinte motivação e esclarecimento no seu voto: A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, que entendeu que o desconto devido as agências de propaganda não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação. No presente caso, da análise dos documentos anexados pela interessada ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura. Em momento posterior o veículo de divulgação paga à agência o "desconto padrão de agência" mediante fatura emitida pela agência contra a interessada, em conformidade com o disposto no subitem 2.4.2 das NormasPadrão da Atividade Publicitária. Os valores repassados somente podem ser excluídos na apuração das bases de cálculo das epigrafadas contribuições quando houver dispositivo legal explícito nesse Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 4 sentido, conforme reza o art. 150, § 6°, da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 17 de março de 1993. A recorrente apresenta recurso voluntário, onde em síntese alega: que o disposto no art. 3o. § 1o. da Lei nº 9718/98 trata de receitas auferidas, e por isso os valores recebidos pela cessão de espaço não deveriam integrar a sua base de cálculo, já que estes valores não integraram efetivamente o seu faturamento, pois foram repassados às agências de publicidade, tratandose tão somente de mero ingresso no caixa; cita acórdãos do CARF, Parecer Cosit nº 8 e solução de consulta nº 17 para embasar sua argumentação; alega que a Lei 9430/96 vincula a administração tributária quanto ao entendimento exarado em processo de consulta, não podendo a mudança de orientação ter efeitos retroativos; que possui créditos de Confins por ter incluído erroneamente os valores pagos às agencias de publicidade na base de cálculo, fazendo jus portanto à compensação; por fim, pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme disposto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Do pedido de diligência e juntada de novos documentos. A recorrente pleiteia que seja efetuada diligência destinada a produção de prova pericial para responder a quesitos formulados quanto a análise de sua escrita contábil. Entendo ser desnecessária a perícia solicitada, para a análise do presente recurso voluntário. A perícia só se justifica para esclarecimento de fatos obscuros nos autos ou caso seja necessário conhecimento técnico especializado para esclarecimento de algum ponto discorrido nos autos. Não é o caso dos presentes autos. Os quesitos formulados pela recorrente podem ser respondidos pela análise dos documentos acostados, que no meu entendimento são mais do que suficientes para esclarecer a demanda. E conforme o Decreto nº 70.235/72 a autoridade julgadora determinará a realização de diligências ou perícias quando entender necessárias para elucidação do litígio, o que não é o caso: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 10 da Lei n°8.748/93). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 3102001.292 S3C1T2 Fl. 130 5 O indeferimento do pedido de perícia também não afetará o contraditório e a ampla defesa, direitos da recorrente, já que ela demonstra conhecer a matéria discutida nos autos. Do mérito. A interessada ampara sua pretensão na Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 30 de abril de 2007, cuja ementa reproduzo abaixo: Ementa: PROPAGANDA E PUBLICIDADE. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO A AGÊNCIA DE PROPAGANDA. COMISSÃO DE AGENCIADOR. BONIFICAÇÃO. O desconto devido à agência de propaganda, previsto no art. 11 da Lei n°4.680, de 1965, não integra a base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, visto que tal receita pertence à mencionada agência, sendo este um mero repassador do numerário devido pelo cliente anunciante. De outra sorte, por falta de previsão legal, o valor pago ao agenciador de propaganda, a título de comissão, pela intermediação de negócios, na forma do art. 2° da aludida Lei n° 4.680, de 1965, não é passível de exclusão da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, sendo despesa deste, decorrente da relação jurídica surgida entre eles. Por sua vez, a bonificação paga à agência, quando esta repassa o valor recebido do anunciante ao veículo de divulgação, antes do vencimento previsto, por se tratar de desconto condicional, não pode ser excluída da base de cálculo da Cofins devida por veículo de divulgação, em virtude de ausência de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei n°4.680, de 1965; Decreto n°57.690, de 1966; arts. ° e 3° da Lei n° 9.718, de 1998; art. 1° da Lei n° 10.833, de 2003. A citada Solução de Consulta fundamentouse, por sua vez, no Parecer Cosit n° 8, de 18 de junho de 2001, que em suas conclusões assim dispôs: O "desconto de agência", concedido por imposição legal, conforme valor fixado em tabela (previamente divulgada pelo veículo de publicidade) e obedecendo aos parâmetros predeterminados pelas NormasPadrão da Atividade Publicitária (expedidas pelo CENP, em 1998), não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, como também não integra a base de cálculo da Cofins. O valor pago ao agenciador de propaganda a título de "comissão", pela intermediação de negócios, não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Não há, ainda, previsão legal para a exclusão de "bonificações" concedidas por antecipação de pagamentos, as quais equivalem a descontos condicionados. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 6 Este Parecer teve sua parte conclusiva alterada pela Solução de Consulta Interna Cosit n°21, de 15 de maio de 2008, que determinou a retificação do Parecer por concluir que "os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins o valor devido às agências de publicidade, a título de desconto padrão de agência, por falta de previsão legal". A Divisão de Tributação da 4a Região Fiscal publicou a Solução de Consulta n° 24, em 2 de junho de 2008, após a publicação do novo entendimento exarado pela Cosit, na qual conclui "que quaisquer valores repassados ou devidos às agências de publicidade, a título de remuneração, cuja obrigação recaia originariamente sobre o veículo de divulgação, inclusive os denominados "desconto padrão de agência", não podem ser excluídos, por falta de previsão legal, na apuração das bases de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins devidas pelo veículo de divulgação" e determinou a reforma integral da Solução de Consulta SRRF04/Disit n° 17, de 2007. A Lei n° 4.680, de 1965, que trata do exercício da profissão de Publicitário e de Agenciador de Propaganda assim dispõe, in verbis: Art. 3.° A Agência de Propaganda é pessoa jurídica e especializada na arte e técnica publicitárias, que, através de especialistas, estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Divulgação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes, com o objetivo de promover a venda de produtos e serviços, difundir idéias ou instituições colocadas a serviço desse mesmo público. Art. 4 São Veículos de Divulgação, para os efeitos desta lei,quaisquer meios de comunicação visual ou auditiva capazes de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecidos pelas entidades e órgãos da classe, assim considerados as associações civis locais e regionais de propaganda, bem como os sindicatos de publicitários. (...) Art. 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda, serão fixados pelos Veículos de Divulgação sobre os preços estabelecidos em tabela. O Decreto n° 57.690, de 1° de fevereiro de 1966, que aprovou o regulamento para a execução da Lei nº 4680/65 assim dispôs: Art. 10. Veículo de Divulgação, para os efeitos deste Regulamento, é qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público, desde que reconhecido pelas entidades sindicais ou associações civis representativas de classe, legalmente registradas Art. 11 O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. Art. 12 Ao veículo de Divulgação não será permitido descontar da remuneração dos Agenciadores de Propaganda, mesmo parcialmente, os débitos não liquidados por Anunciantes, desde Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 3102001.292 S3C1T2 Fl. 131 7 que a propaganda tenha sido formal e previamente aceita por sua direção comercial. [...] Art. 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por este fixado em Tabela pública aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art. 15 O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo a Agência responsável pela propaganda. As atividades publicitárias seguem uma norma padrão, editada pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão, que assim definem alguns conceitos que interessam a este processo: 1.3 Agência de Publicidade ou Agência de Propaganda: é nos termos do art. 6º do Dec. nº 57.690/66, empresa criadora/produtora de conteúdos impressos e audiovisuais especializada nos métodos, na arte e na técnica publicitárias, através de profissionais a seu serviço que estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos Veículos de Comunicação, por ordem e conta de Clientes Anunciantes com o objetivo de promover a venda de mercadorias, produtos, serviços e imagem, difundir idéias ou informar o público a respeito de organizações ou instituições a que servem. 1.4 Veículo de Comunicação ou, simplesmente, Veículo: é, nos termos do art. 10º do Dec. nº 57.690/66, qualquer meio de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. 1.6 Agenciador de Propaganda: é a pessoa física registrada e remunerada pelo Veículo, sujeita à sua disciplina e hierarquia, com a função de intermediar a venda de espaço/tempo publicitário. 1.11 DescontoPadrão de Agência1 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. 1.13 “Fee”: é o valor contratualmente pago pelo Anunciante à Agência de Publicidade, nos termos estabelecidos pelas Normas Padrão, independente do volume de veiculações, por serviços prestados de forma contínua ou eventual. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 8 A NormaPadrão da Atividade Publicitária também traz em seu escopo a definição das relações entre agências de publicidade, anunciantes e veículos de comunicação, que abaixo transcrevo no que interessa a lide1: 2.3 A relação entre Anunciante e sua Agência tem relevância para a relação entre o Anunciante e o Veículo. Na presença dessa relação, o Veículo deve comercializar seu espaço/tempo ou serviços através da Agência, nos termos do parágrafo único do artigo 11 da Lei nº 4.680/65, de tal modo que fique vedado: (a) ao Veículo oferecer ao Anunciante, diretamente, vantagem ou preço diverso do oferecido através de Agência; (b) à Agência, omitir ou deixar de apresentar ao Cliente proposta a este dirigida pelo Veículo. 2.3.1 É livre a contratação de permuta de espaço, tempo ou serviço publicitário entre Veículos e Anunciantes, diretamente ou por intermédio da Agência de Publicidade responsável pela conta publicitária. 2.3.2 Quando a contratação de que trata o item 2.3.1 envolver serviços de Agência de Publicidade, esta fará jus à remuneração, observadas as disposições estabelecidas em contrato. 2.4 O Anunciante é titular do crédito concedido pelo Veículo com a finalidade de amparar a aquisição de espaço, tempo ou serviço, diretamente ou por intermédio de Agência de Publicidade. 2.4.1 A Agência de Publicidade que intermediar a veiculação atuará sempre por ordem e conta do Anunciante, observado o disposto nos itens 2.4.1.1 a 2.4.1.3. 2.4.1.1 É dever da Agência de Publicidade cobrar, em nome do Veículo, nos prazos estipulados, os valores devidos pelo Anunciante, respondendo perante um e outro pelo repasse do “Valor Faturado” recebido ao Veículo. 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.1.3 Tendo em vista que o fator confiança é fundamental no relacionamento comercial entre Veículo, Anunciante e Agência e sendo esta última depositária dos valores que lhes são encaminhados pelos Clientes/Anunciantes para pagamento dos Veículos e Fornecedores de serviços de propaganda, fica estabelecido que, na eventualidade da Agência reter indevidamente aqueles valores sem o devido repasse aos Veículos e/ou Fornecedores, terá suspenso ou cancelado seu Certificado de Qualificação Técnica concedido pelo CENP. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta 1 Disponível no sítio http://www.cenp.com.br/PDF/Normas_padrao_port.pdf acessado em 27092011. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 3102001.292 S3C1T2 Fl. 132 9 hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. 2.5 O “DescontoPadrão de Agência” de que trata o art. 11 da Lei nº 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. A NormaPadrão atualmente em vigor difere da NormaPadrão utilizada quando do julgamento pela DRJ, mas em síntese podemos chegar as mesmas conclusões que chegou a DRJ: 1) O veículo de comunicação detém o espaço publicitário; 2) A agência de publicidade é responsável pela venda do trabalho de publicidade ao anunciante e também pela intermediação da divulgação do trabalho no veículo de comunicação; 3) O veículo de comunicação vende seu espaço publicitário diretamente, por meio de agência de publicidade ou por meio de agenciador, pessoa física; 4) A agência de publicidade faz jus a remuneração pelos serviços prestados ao cliente, que recebe o nome de descontopadrão; 5) O veículo emite a fatura em nome do anunciante pelo valor negociado que é composto de valor faturado e descontopadrão. O valor faturado é a remuneração do veículo; 6) A fatura é entregue pelo veículo à agência, a quem cabe cobrar do anunciante o pagamento e repassar o valor faturado ao veículo; 7) Poderá haver acordo entre os três para que: a. O anunciante pague diretamente ao veículo e este repasse o descontopadrão à agência; ou b. O anunciante pague ao veículo o valor faturado e a agência o descontopadrão. Neste processo, ao analisar os documentos acostados ao Processo Administrativo n° 10783.902198/200817 (anexo I, volumes 1 a 52, que a recorrente indica como fonte da documentação para todos os processos de compensação) constatase que os pagamentos foram efetuados pelos anunciantes diretamente à interessada (veículo de divulgação) pelo valor bruto da fatura, ou, valor negociado. Não existe destaque de valores nas notas fiscais. E o veículo de divulgação posteriormente pagou à agência o "desconto padrão" mediante fatura emitida pela agência contra a recorrente. Inferese que o veículo é responsável pelo faturamento e paga a agência pelo serviço prestado, também podemos chegar a esta conclusão a partir da análise das normas legais e da NormaPadrão quando elas dispõem que o descontopadrão será tabelado, logo temos a presença de um percentual que incide sobre o valor total da venda do espaço publicitário. Foi o que ocorreu no presente caso, o veículo emitiu fatura pelo valor negociado que foi paga pelo anunciante, a agência emitiu fatura pelo descontopadrão que foi paga pelo veículo. Tudo ocorreu conforme disposto nas normas legais e na NormaPadrão da Atividade Publicitária. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 10 Para apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, pelo regime cumulativo, seguese o disposto nos arts. 2° e 3° da Lei n°9.718, de 1998: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. E para a apuração do PIS e da Cofins apurados pela nãocumulatividade seguese o disposto no art. 1° da Lei n° 10.637, de 2002, e da Lei n° 10.833, de 2003: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Conforme art. 150 § 6o. da Constituição Federal qualquer subsídio ou isenção, redução da base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão só poderá se concedido mediante lei específica. Art. 150. § 6º Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Existe previsão para exclusão da base de cálculo quando a agência recebe o valor negociado do anunciante e repassa o valor faturado para o veículo de divulgação, a teor Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 3102001.292 S3C1T2 Fl. 133 11 do disposto no art. 13 da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004, c/c o art. 53, parágrafo único, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985: Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da Confins das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: [...] II por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Em 2010 foi publicada a Lei nº 12.232, de 29 de abril de 2010, que dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências. Dentre estas outra providências estipula a Lei nº 12.232/2010 no seu art. 19 : Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. (grifos meus) Apesar da afronta ao disposto no art. 150 § 6o. da Constituição Federal a este CARF não cabe se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, conforme já enunciado por Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então devemos analisar a aplicação do art. 19 da Lei nº 12.232/2010 ao caso em exame. A Lei citada dispõe que o veículo de divulgação não pode faturar e contabilizar os valores relativos ao descontopadrão de agência como receita própria, e que tais valores constituem receita da agência de publicidade. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES 12 Conforme já explicado o veículo de comunicação faturou o valor negociado diretamente ao anunciante e depois repassou o valor do descontopadrão à agência de publicidade, seguindo as orientações contidas na NormaPadrão: 2.4.1.2. A fatura do Veículo será encaminhada ao Anunciante por meio da Agência de Publicidade. 2.4.2 Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao “DescontoPadrão”, observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao “Valor Faturado”. 2.4.3 Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante, poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao “Valor Faturado” e ao “DescontoPadrão”, respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. No caso em exame, conforme já esclarecido, o veículo de divulgação recebeu o total do valor negociado, emitindo uma fatura comercial em nome do anunciante e após a agência de publicidade emitiu uma fatura comercial em nome do veículo de divulgação. São duas relações negociais que se formam. A Lei nº 12.232/2010 alterou a base de cálculo prevista para o PIS e COFINS definindo que o descontopadrão não é receita do veículo de divulgação, entretanto conforme pode ser visto nas razões de veto do parágrafo único, a exclusão somente se aplica às relações com a Administração Pública, não se aplicando às relações entre particulares. MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 197, de 2009 (no 3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades Fl. 12DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES Processo nº 10783.902206/200825 Acórdão n.º 3102001.292 S3C1T2 Fl. 134 13 publicitárias com fundamento na Lei nº 4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. De todo o exposto, concluo que a Lei nº 12.232/2010, art. 19, não se aplica ao presente processo por ser específica para as contratações com a Administração Pública, conforme explicado nas razões de veto do parágrafo único que previa a extensão para as relações entre os particulares. Logo, como não existe previsão legal para a exclusão da base de cálculo do PIS e Cofins do descontopadrão pago as agências de publicidade pelo veículo de comunicação, estes valores compõe a base de cálculo das contribuições citadas. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Mara Cristina Sifuentes Fl. 13DF CARF MF Emitido em 09/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, Assinado digitalmente em 21/12/2 011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por MARA CRISTINA SIFUENT ES
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Numero do processo: 13005.000625/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO DA COFINS NÃO-CUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da Cofins não-cumulativa, vinculado à operação de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-00.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Nome do relator: Luciano Pontes de Maya Gomes
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Recorrente DOUX FRANGOSUL S/A AGRO AVÍCOLA INDÚSTRIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO DA COFINS NÃOCUMULATIVA VINCULADO À EXPORTAÇÃO. SALDO REMANESCENTE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. VEDAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003), é vedada a atualização monetária ou incidência de juros, calculado com base na taxa Selic, dos valores originários do saldo remanescente do crédito da Cofins nãocumulativa, vinculado à operação de exportação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator, e Nanci Gama, que acompanhava o Relator pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 12/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 18 10.970, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Exportação (formulário instituído pela IN SRF n° 563, de 2005) relativo ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/03/2004, totalizando o valor de R$ 497.160,30, conforme documento de fl. 01. Ao pedido de ressarcimento a contribuinte juntou extenso arrazoado (02/15) onde informa ter requerido ressarcimento de créditos em espécie, sendo atendida. No entanto, o montante solicitado lhe foi creditado pelo valor original, entendendo que o mesmo seria passível de atualização monetária. À fl. 05, tratando do objeto do presente processo, diz que há o locupletamento na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. Junto ao seu arrazoado a empresa apresentou os documentos de fls. 17/67. O Órgão de origem anexou os extratos de fls. 68/69, tendo emitido o Parecer DRF/SCS/Saort n° 026/09, de 13/02/2009 (fls. 70/77), constando, também, na fl. 78, o Despacho Decisório DRF/SCS n° 106/09, daquela data, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando a solução proposta no Parecer, resolveu não reconhecer o direito creditório pleiteado pela interessada e indeferir o pedido de correção pela SELIC do valor correspondente ao ressarcimento do PIS/PASEP não cumulativo exportação alcançado no processo n° 13897.000217/200456. Determinou fosse o sujeito passivo cientificado da decisão e intimado da possibilidade de apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra o despacho administrativo proferido. A contribuinte foi cientificada em 25/02/2009 (AR de fl. 80) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 11/03/2009 — fls. 81/96 — sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa protocolizou pedido de ressarcimento de crédito de PIS relativo ao 2o. trimestre de 2003, o qual foi atendido em momento bem posterior ao de seu protocolo, sem a devida correção monetária, donde a empresa teve seus créditos significativamente Fl. 310DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 130 3 reduzidos, em montante equivalente à diferença da correção monetária computada desde a data da constituição até sua liberação; • os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado; • a pessoa jurídica que efetuar exportações sujeitas à modalidade não cumulativa do PIS e da COFINS, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS nos termos das Leis n°s 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • a demora no ressarcimento dos valores caracteriza um locupletamento duplo: a) em função da corrosão dos valores entre a data do pagamento do PIS pelos contribuintes das operações anteriores, valores que ficam nos cofres públicos até que seja constituído crédito do exportador, o qual se dá trimestralmente; b) aquele que é objeto do presente pedido, que ocorre na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. • a falta de correção dos créditos de natureza tributária expressa desigualdade de tratamento entre os contribuintes e o Fisco, em desfavor dos primeiros, eis que os débitos daqueles para com a Fazenda Nacional são sempre acrescidos de correção pela taxa SELIC (a partir de 1°/01/1996); • no presente caso, apenas parte do principal já foi ressarcida, restando uma parcela decorrente da não aplicação da correção, tendo a empresa apresentado pedido complementar (correção monetária pela taxa SELIC), o qual foi indeferido pela RFB; • as razões trazidas pela autoridade administrativa no Despacho ora atacado não merecem prosperar. Do DIREITO DA TAXA SELIC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA • a autoridade administrativa afirma que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, assim como jamais o foi pela União Federal em instante algum, somente se prestando a ser empregada enquanto aquilo que é: uma taxa de juros, sendo uma das razões para o indeferimento do pedido, mas não a única; • tal afirmação não merece prevalecer, haja vista que a partir de 01/01/1996, em virtude da regra insculpida no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, a compensação ou restituição/ressarcimento de créditos do contribuinte deve ser corrigida apenas pelos juros da taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partira da data do pagamento indevido ou a maior, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% no mês em que estiver sendo efetuada, excluindose qualquer indexador, por que a SELIC tem natureza mista; Fl. 311DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 • considerandose que a Administração Pública se encontra vinculada aos preceitos normativos veiculados através de normas legais, em atenção ao princípio da legalidade (se refere à completa submissão da Administração às leis, devendo esta tão somente,obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática), deve ela aplicar as disposições da Lei n° 9.250, de 1995, no sentido de aplicar a taxa SELIC sobre os créditos existentes em favor da empresa; • a jurisprudência do STJ é assente quanto à aplicação da taxa SELIC nos ressarcimentos de créditos existentes em favor dos contribuintes. Transcreve ementa de julgado daquela Corte, bem como de decisões do Conselho de Contribuintes, que entende sustentar a sua tese; • existindo lei que determine a utilização da SELIC como índice de correção monetária a partir de 1996, deve a Autoridade Administrativa, em respeito ao princípio da legalidade, dar o devido cumprimento às disposições legais trazidas pela Lei n° 9.250, de 1995. Do DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA • a correção monetária serve tãosomente para recompor determinado valor corroído pelo tempo, sem, no entanto, representar nenhum acréscimo ao valor principal. Registra posicionamento de doutrinador e discorre acerca de compensação, restituição e ressarcimento, entendendo que o legislador, ao garantir o direito à aplicação da taxa SELIC, objetivou estabelecer um equilíbrio, devolver, indenizar, compensar o contribuinte; • ressalta que a aplicação da sistemática não represente ônus para o devedor, ou vantagem para o credor, pois não retrata acréscimo patrimonial, mas manutenção do valor monetário defasado pelo decurso do tempo; • refere a entendimento adotado pelo Poder Judiciário — se o Fisco cobra os seus créditos acrescidos de SELIC, da mesma forma deve proceder quando a situação é inversa — citando a Súmula 46 do extinto TFR e posicionamento da Corte Superior, registrando parte de Parecer da Advocacia Geral da União e do art. 66 da Lei n°8.383, de 1991; • entende que aquele artigo dispõe expressamente sobre o seu caso, dizendo que os créditos relativos ao ressarcimento de PIS nãocumulativo, decorrentes de incentivo fiscal outorgado às exportadoras, e resultantes do pagamento de PIS em produtos exportados, representam direito líquido e certo da empresa; • o ressarcimento de créditos concedidos por lei, sem a devida correção monetária, prejudica em demasia as empresas exportadoras, visto a desvalorização da moeda no período compreendido entre a data da constituição do crédito e a compensação ou o ressarcimento em espécie; • é cristalino que a não aplicação da correção monetária dos créditos ressarcidos, desde a data da sua constituição, implica desnaturação da relação previamente ajustada entre as partes; • pagamento ou ressarcimento sem correção monetária equivale, manter o desequilíbrio da prestação e provoca lesão intolerável para o credor, seja ele ente público ou privado. Registra ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, ressaltando que nos relatórios daqueles, além da manifestação favorável à correção monetária dos créditos de IPI, percebese a menção ao art. 108 do CTN, que dispõe que na ausência de disposição expressa em lei, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá valerse da analogia, ou seja, poderá usar as mesmas regras utilizadas para a restituição de impostos pagos Fl. 312DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 131 5 a maior ou indevidamente. Como frisado, o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, prevê a correção monetária desses valores. Registra entendimentos doutrinário e da CSRF; • entende que no caso em tela se faz necessário o uso da analogia a fim de garantir o direito de ter ressarcido em espécie os crédito de PIS nãocumulativo oriundos de incentivo fiscal, acrescidos da devida correção monetária. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC • transcreve parte do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, cita posicionamento de doutrinador e entende que cumpre à autoridade fiscal aplicar a taxa SELIC sobre os créditos ressarcidos à empresa no período compreendido entre a sua constituição e o ressarcimento, eis que aquela taxa foi o instrumento disponibilizado aos contribuintes credores da União Federal capaz de equiparar os créditos e débitos de natureza tributária, fazendo valer o princípio constitucional da isonomia; • refere à forma de ressarcimento de créditos de PIS decorrentes de incentivos legais, dizendo que não há previsão sancionatória para a demora nos ressarcimentos, levando à conduta protelatória por parte da SRF, em manifesto prejuízo dos contribuintes; • a empresa merece ter seus créditos restituídos de forma real, se fazendo necessária a incidência da taxa SELIC desde a respectiva constituição até o ressarcimento; • a taxa SELIC configura remuneração de valores por força do decurso do tempo, na forma com que instituída, ou seja, outra natureza não se pode atribuir àquela taxa senão a que manifesta conotação de correção monetária, a partir de 1°/01/1996. Registra julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário; • a empresa pugna pela reforma in totum da decisão combatida, ressaltando que a aplicação de dois pesos e de duas medias provoca insegurança no contribuinte, já que todo e qualquer débito (independente da denominação do mesmo) é exigido pela Fazenda Pública com correção monetária, pela taxa SELIC, dos valores já ressarcidos. DO PEDIDO • requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendose o direito ao ressarcimento integral dos valores relativos ao presente processo administrativo, referentes à SELIC, por todos os motivos expostos e comprovados anteriormente; • pede e espera deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou o documento de fl. 97. O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 98). Ao enfrentar o tema, a 2ª. Turma da DRJ de Santa Maria/RS entendeu por manter o despacho decisório, rechaçando os argumentos trazidos pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, pelas razões bem retratadas na ementa do julgado abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 313DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida Finalmente no Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pugnando pela sua reforma para que seja admitida a correção monetária, pela Selic, do pedido de ressarcimento em espécie do crédito da contribuição ao PIS. Como motivação, basicamente reitera a Recorrente seus argumentos já trazidos por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. É o que interessa ao julgamento. Voto Vencido Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, Relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante bem observou a instância de julgamento a quo, observase que a lide renovada em sede de recurso voluntário, assim como o foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restringese exclusivamente à questão da atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento acatados pela unidade de origem em seu valor principal histórico. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 20311.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que Fl. 314DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 132 7 admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos de IPI, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já Fl. 315DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo:Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690)Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Afasto igualmente as motivações adotadas pelo acórdão recorrido, no sentido de vedar a correção em razão das normas jurídicas previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n.º 10.833/03, pois dirigidos a situações específicas que não se confundem com as dos autos. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe provimento, no sentido de reconhecer a correção monetária, pela Selic, sobre o pedido de ressarcimento dos autos, a partir da data do seu protocolo. Deve, outrossim, observar a autoridade de origem os limites do crédito histórico reconhecido ao contribuinte. (assinado digitalmente) Luciano Pontes de Maya Gomes Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 133 9 Os presentes autos versam sobre pedido de ressarcimento do valor da taxa Selic incidente sobre o valor originário do saldo remanescente do crédito da Cofins não cumulativa – exportação do 1° trimestre de 2004, pleiteado pela Recorrente por meio do processo administrativo n° 13897.000217/200456. De acordo com petição de fls. 02/15, pleiteou a Interessada a atualização do valor do citado crédito, com base na variação da taxa Selic, ocorrida desde a constituição do crédito ou, alternativamente, a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento originário. Segundo as planilhas de fls. 53/54, a base de cálculo utilizada na apuração do valor solicitado foi o valor originário do saldo remanescente pleiteado pela Interessada e não o valor originário do crédito reconhecido pela Autoridade Fiscal, no âmbito do citado processo. Logo, entendo oportuno esclarecer que os aspectos atinentes à apuração do valor do crédito pleiteado não foram analisados no Despacho Decisório de fl. 78 nem no presente Acórdão recorrido. De fato, as razões que serviram de fundamento para o indeferimento do presente pedido foram de natureza exclusivamente jurídica, baseadas no argumento de que havia expressa proibição legal para o pagamento da taxa Selic sobre o valor do ressarcimento do mencionado crédito. Dessa forma, tendo em conta as razões de defesa aduzidas na peça recursal em apreço, tenho que a presente controvérsia restringese exclusivamente a questão jurídica, concernente à existência ou não de previsão de amparo jurídico para a incidência da taxa Selic sobre o valor do saldo remanescentes dos crédito da Cofins nãocumulativa – exportação do citado trimestre. Definido o cerne da presente controvérsia, peço vênia ao nobre Relator para manifestar a minha discordância em relação ao seu entendimento. Inicialmente, tenho que os presentes autos não tratam de ressarcimento de crédito presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.363, de 1996, conforme entendeu o ilustre Relator. De fato, segundo a própria Recorrente (fl. 03), o pleito em tela trata de pedido de ressarcimento do saldo remanescente do crédito escritural da Cofins nãocumulativa – exportação, formulado com fundamento no § 2º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2002, que dispõe o seguinte, in verbis: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Assim, em consonância com o entendimento esposado na decisão recorrida, também entendo que há proibição expressa de incidência de qualquer acréscimo sobre o valor do ressarcimento do saldo remanescente do crédito em destaque, seja por meio de pagamento Fl. 317DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 em dinheiro ou de compensação, nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir a transcrito: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...)(grifos não originais). Cabe esclarecer que a redação do § 4º1 do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a hipótese de ressarcimento do crédito em destaque. Assim, fica demonstrada a impossibilidade da incidência da taxa Selic sobre o valor originário do referido crédito, qualificando como ilegítima a pretensão da Recorrente. Ainda que assim não fosse, melhor sorte não assistiria a Recorrente, pelas razões que a seguir aduzidas. Na peça recursal em apreço, defendeu a Recorrente o direito de atualização do valor do crédito a ser ressarcido, com base na taxa Selic, calculada a partir da data constituição do crédito ou do protocolo do pedido de ressarcimento, com o argumento de que seria penalizada pelo atraso no pagamento do referido valor, assim com haveria grave ofensa aos princípios da isonomia e da vedação ao enriquecimento ilícito. Não procede tais argumentos. No que tange ao alegado prejuízo com a mora no pagamento do valor do citado crédito, entendo que ele inexiste no presente caso, pelas seguintes razões: (i) o direito creditório objeto do ressarcimento em tela é proveniente de um benefício fiscal, logo, a falta de atualização monetária ou qualquer outro acréscimo moratório não implicará qualquer prejuízo ao beneficiário, mas apenas não realização de um ganho adicional; e (ii) por força do princípio da indisponibilidade do interesse público, toda e qualquer concessão de recurso ou bem público tem que está amparado em lei, que não existe no caso vertente. Assim, tratandose de crédito de natureza escritural, decorrente de incentivo fiscal, o ressarcimento do saldo remanescente de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa – exportação, também por falta de previsão legal, não comporta quaisquer acréscimos, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios. Esse é também o entendimento pacificado na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme ementas dos recentes julgados que seguem transcritas: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. RESISTÊNCIA DO FISCO. CABIMENTO. RECURSO REPETITIVO. ART. 543C DO CPC. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...)". Fl. 318DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 134 11 1. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS (assentada de 24.6.2009), submetido ao rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), pacificou o entendimento de que é indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, exceto nos casos em que a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impede a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade. 2. Hipótese em que o Tribunal de origem concluiu, com base na prova dos autos, que "não houve oposição do Fisco ao aproveitamento dos créditos presumidos de IPI, tanto que a empresa não restou obrigada a recorrer ao Judiciário para garantir o direito aos créditos". A revisão desse entendimento implica reexame de fatos e provas, obstado pelo teor da Súmula 7/STJ. 3. Agravo Regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1.124.555/RS, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 19/11/2009, DJe 07/12/2009) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL PRESUMIDO. ART. 1º, DA LEI N. 9.363/96. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DEMORA DO FISCO EM LIBERAR TAIS CRÉDITOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES DA PRIMEIRA E SEGUNDA TURMAS. 1. Cuidase de demanda em que a empresa, ora recorrida, objetiva a correção monetária de valores ressarcidos administrativamente a título de IPI (crédito presumido de IPI), de que trata o art. 4º da Lei 9.363/96. 2. O Tribunal de origem entendeu devida a correção monetária, por meio da taxa SELIC, dos valores de crédito presumido de IPI após decorridos cento e cinquenta dias da formulação do pedido de ressarcimento. Consignou que, embora a impetrante não requeira ordem para que haja análise do pedido administrativo, a incidência de atualização dos créditos está intimamente ligada aos limites de atuação da Fazenda. 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que, em se tratando de créditos escriturais de IPI, só há autorização para atualização monetária de seus valores quando há demora injustificada do Fisco para liberar o pedido de ressarcimento. Tema que já foi julgado pelo regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4. No entanto, não se enquadra na hipótese excepcional a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores, sobretudo quando não há prova da existência de impedimento injustificado ao aproveitamento dos créditos titularizados pelo contribuinte. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 Precedente: REsp 985.327/SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 4.3.2008. 5. Recurso Especial provido. (STJ, REsp 1.115.099/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16/03/2010, DJe 26/03/2010) Com base no conteúdo das transcritas ementas, resta claro que, se não existe previsão legal para a incidência de atualização monetária ou de juros moratórios, não pode o aplicador da lei, seja ele da esfera judiciária e, muito menos ainda, da seara administrativa, suprindo e invadindo a competência do legislador, numa autêntica função de legislador positivo, autorizar ou permitir que sejam corrigidos monetariamente ou acrescidos de juros moratórios o saldo dessa modalidade de crédito. Se assim o fizesse, tanto aplicador quanto o julgador estariam afrontando os ditames legais que norteiam a competência para o exercício da função administrativa e judicante. Além disso, por força do princípio da separação dos poderes (art. 2º da CF/88), a competência para elaboração de lei está reservada ao Poder Legislativo. Na suposta ausência de lei, no meu entender, não pode o aplicador ou julgador suprir eventual ausência legislativa, com o escopo de fazer justiça no caso concreto, conforme defende alguns. Neste sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), consignada nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 16.776∕RS2, cujo excerto da ementa, concernente a matéria em debate, segue transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. CRÉDITOS ESCRITURAIS. NÃO INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA. PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. INTELIGÊNCIA DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS QUE REGULAM A NÃOCUMULATIVIDADE E AS ISENÇÕES DO IPI (ART. 153, § 3º, II, DA CF∕88 E ART. 49 DO CTN) (...) 2. A correção monetária incide sobre o crédito tributário devidamente constituído, ou quando recolhido em atraso. Diferenciase do crédito escritural, técnica de contabilização para a equação entre débitos e créditos, a fim de fazer valer o princípio da nãocumulatividade. 3. Não havendo previsão, falece ao aplicador da lei autorizar, ou mesmo aceitar, sejam os saldos de créditos relativos ao IPI corrigidos monetariamente. Se assim o fizesse, estaria a oficiar acima e além dos ditames legais que norteiam sua função pública. 4. O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. 5. Embargos de declaração acolhidos. (grifos não originais) 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 416.776∕RS, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 16∕02∕2004, p. 205. Jurisprudência do STJ. Disponível em: <https:ww2.stj.gov.Br/revistaeletrônica> Acesso em: 10 nov. 2007. Fl. 320DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 135 13 Também não me impressiona a alegação de que a não atualização dos referidos créditos implicaria grave ofensa ao princípio da isonomia. No caso, é pertinente a seguinte indagação: isonomia com o quê? Segundo a Recorrente, isonomia em relação ao pagamento dos tributos devidos à Fazenda Nacional. Não vejo como ser aferido qualquer critério isonômico entre as duas situações jurídicas em comparação, uma atinente ao pagamento do tributo devido e a outra relativa ao pagamento do crédito a que contribuinte tem direito a ressarcimento. A razão é clara, a começar pela posição que ocupa os sujeitos que integram as respectivas relações jurídicas, onde cada um deles posicionase de forma distinta e contraposta. De fato, na relação jurídica tributária, a Fazenda Nacional ocupa a posição de sujeito ativo, enquanto que o contribuinte atua como sujeito passivo. Por outro lado, na relação jurídica de ressarcimento, a posição de cada um dos referidos sujeitos se inverte. Além disso, não se deve olvidar que a previsão de cobrança de juros moratórios sobre o valor dos tributos devidos, com base na taxa Selic, decorre de determinação expressa de lei (art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Por outro lado, tal previsão inexiste no caso da mora no pagamento do ressarcimento do saldo remanescente dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação. Dessa forma, fica mais uma vez demonstrado que a questão relevante para o deslindo da presente controvérsia está relacionada também com a falta de previsão legal para a concessão do acréscimo da taxa Selic ao valor originário do saldo remanescente do crédito em apreço. Segundo a Recorrente, se a jurisprudência administrativa e judicial estendeu aos créditos passíveis de ressarcimento a atualização monetária, prevista no art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, por analogia, a partir de janeiro de 1996, também tais créditos deveriam ser acrescidos da taxa Selic, conforme estabelecido no art. 39, § 4°, da Lei nº 9.250, de 1995. Não assiste razão a Recorrente. Com efeito, tanto o § 3º do art. 663 da Lei nº 8.383, de 1991, que previa a atualização monetária, quanto o § 4° do art. 394 da Lei nº 9.250, de 1995, que prevê a incidência da taxa Selic, tratam exclusivamente da restituição do indébito tributário decorrente do pagamento indevido ou a maior de tributos. 3 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (...)" 4 Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada". Fl. 321DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 14 É cediço que o direito a restituição do indébito tributário não se confunde com o direito ao ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação. As diferenças entre ambos os institutos jurídicos são marcantes. No quadro a seguir, estão relacionadas as principais: DIREITO DE RESTITUIÇÃO DIREITO DE RESSARCIMENTO Tem origem no fato jurídico do pagamento de tributo indevido. Tem origem no fato jurídico da exportação do insumo industrializado. Tratase de devolução de tributo irregularmente pago. Tratase de devolução de tributo regularmente pago. Tem por objetivo recompor a situação patrimonial do contribuinte, indevidamente desfalcado por recolhimento indevido de tributo. Tem por objetivo a concessão de subvenção financeira ao exportador de produtos industrializados no País, como forma de incentivo fiscal ao produtorexportador. Tem como fundamento axiológico o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa. Tem como fundamento axiológico o princípio da extrafiscalidade. Aliás, cabe ressaltar que o ressarcimento do crédito em apreço não representa uma forma de restituição dos valores das contribuições anteriormente recolhidas indevidamente pelo exportador ou até mesmo por outros contribuintes, nas operações anteriores do ciclo econômico dos insumos utilizados no processo produtivo, como alegado pela Recorrente. Na verdade, o ressarcimento do crédito em tela consiste numa forma de subvenção financeira de natureza governamental, concedida sob a forma de incentivo fiscal ao exportador dos produtos nacionais industrializados. Por tudo isso, é forçoso concluir que o fenômeno jurídico da restituição ou repetição do indébito tributário tem fundamento e natureza jurídica distintos do fenômeno do ressarcimento do crédito escritural, portanto, inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica entre os dois institutos jurídicos. É cediço que para o emprego da analogia é necessário que haja ausência de norma, isto é, que a lei seja lacunosa. No âmbito tributário, há norma específica que confirma tal regra, refirome ao caput do art. 108 do CTN, segundo o qual a integração da legislação tributária somente pode ser empregada diante da ausência de disposição legal expressa. No caso em tela, não vislumbro tal circunstância, haja vista que a ausência de previsão legal acerca da atualização ou incidência de juros moratórios sobre os valores originários dos créditos objeto de ressarcimento, com base na taxa Selic, não se configura ausência de norma legal, mas, conforme anteriormente demonstrado, omissão desejada pelo legislador, que no uso de sua prerrogativa, não editou a norma concessiva do direito ao acréscimo da taxa Selic sobre tal modalidade de crédito. Não se deve confundir opção legislativa com omissão legislativa. No caso presente, o que houve foi uma clara opção do legislador por não conceder o acréscimo moratório, calculado com base na taxa Selic. Mais uma vez, é oportuno ressaltar que por força do princípio da indisponibilidade do interesse público somente mediante lei poderia ser concedido o direito de Fl. 322DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000625/200758 Acórdão n.º 310200.867 S3C1T2 Fl. 136 15 atualização reivindicado pela Recorrente. Principalmente, tendo em conta que tal índice tem natureza de juros moratórios, portanto, não se prestando para fim de correção monetária, forma de atualização que, segundo alguns, comportaria acréscimo ao valor originário. Ad argumentadum, em consonância com princípio da eventualidade, ainda que houvesse a suposta lacuna normativa, seria inaplicável ao caso qualquer forma de integração analógica, haja vista que não há entre o instituto da restituição do indébito tributário e do ressarcimento do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação, um elemento de identidade essencial entre eles, que lhes conferisse verdadeira semelhança, caracterizada pela presença das mesmas razões motivadoras de suas existências. Com essas considerações, entendo inaplicável qualquer modalidade de acréscimo legal, seja a título de correção monetária ou de juros moratórios, calculado com base na taxa Selic, ao valor originário do saldo remanescente do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa – exportação, por duas razões: (i) a existência de expressa vedação legal para tal acréscimo (art. 13, combinado com art. 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003), e, ainda que não existisse tal vedação, o que admito apenas em caráter eventual, (ii) por falta de previsão legal não cabe a referida atualização. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, devendo ser mantido na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 323DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Assinado digitalmente em 12/03/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, 07/07/2011 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, 15/07/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10882.900932/2008-95
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-005.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade por negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cassio Schappo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que convertiam o processo em diligência para a apuração de direito creditório. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 32 /2 00 8- 95 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da douta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas (SP): Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, assim motivado: [...]A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizadas para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação argüindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas à Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às venda realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. O Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn no. 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus”, contida no inciso I, § 2° do art. 14 da Medida Provisória (MP) n° 2.03724, de 2000, que discriminava as exclusões das isenções da Cofins e da contribuição ao PIS. Desta forma, nas reedições da MP no. 2.037, de 2000, foi excluída Fl. 153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 5 4 a expressão "na Zona Franca de Manaus” do texto legal, de modo o tratamento das vendas à Zona Franca de Manaus acompanhou o entendimento do Supremo Tribunal Federal. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito creditório referente aos recolhimentos' indevidos ou a maior a título de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação. Em análise à manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, aquela douta Delegacia de Julgamento entendeu por bem julgar como improcedentes os argumentos apresentados e manter a não homologação da compensação: Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. RECEITAS DE VENDAS A ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. A isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Não existindo norma de desoneração, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresenta o ora analisado Recurso Voluntário, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. É o relatório Fl. 154DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Campinas, sob dois principais argumentos: (i) de que a Recorrente não faria jus à imunidade e/ou isenção nas remessas de produtos destinados à Zona Franca de Manaus; e (ii) que não foi demonstrado pelo Recorrente a origem de seus créditos. O primeiro ponto que deve ser abordado nesta decisão é se as receitas oriundas das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus estão sujeitas à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. De pronto, é importante destacar que, desde o advento do DecretoLei 288/67, as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações para todos os efeitos fiscais. Confirase a redação do artigo 4º do mencionado decreto: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ratificando o benefício concedido para desenvolver a região Norte do país, o artigo 40 das ADCT’s – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias teve a seguinte redação: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Como se percebe, o constituinte de 1988 prorrogou (garantiu) o benefício concedido pelo legislador de 1967 até o ano de 2013. Pois bem. Partindo da premissa de que todas as remessas destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, à exportação, desde a edição do Decreto Lei 288/67, cumpre analisar se, à época dos fatos geradores dos créditos indicados pelo contribuinte como pagos indevidamente, existia isenção da COFINS nas receitas decorrentes de exportação. Tal ilação não é difícil. O artigo 7º da Lei Complementar 70/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, determinava expressamente que as receitas decorrentes de exportação seriam isentas da COFINS. Confirase: Fl. 155DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 7 6 Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo. Como se não bastasse, no julgamento da ADIN 23489, o Supremo Tribunal Federal suspendeu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2° do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001). Tal julgamento ratificou o entendimento de que as vendas realizadas para Zona Franca de Manaus são equiparadas, para fins fiscais, às exportações: ZONA FRANCA DE MANAUS PRESERVAÇÃO CONSTITUCIONAL. Configuramse a relevância e o risco de manterse com plena eficácia o diploma atacado se este, por via direta ou indireta, implica a mitigação da norma inserta no artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Carta de 1988: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Suspensão de dispositivos da Medida Provisória nº 2.03724, de novembro de 2000. (ADI 2348 MC, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 07/12/2000, DJ 07112003 PP00081 EMENT VOL0213102 PP 00266) O que não se pode admitir, data venia, é a interpretação dada pela douta Delegacia de Julgamento de Campinas, no sentido de que a “isenção do PIS e da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória n° 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no. 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Referida isenção, contudo, não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1° de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º. do art. 14 da Medida Provisória no. 1.8586, de 1999, e reedições (atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001)”. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 8 7 Ora, como demonstrado, desde o DecretoLei 288/67, as remessas para Zona Franca de Manaus são consideradas como sendo exportações, o que foi ratificado pela Constituição Federal de 1988. Por outro lado, a Lei Complementar 70/91 isentou as receitas de exportação da COFINS. A Medida Provisória nº 2.03724 (atual Medida Provisória n.° 2.15835, de 2001) tentou afastar tal isenção, o que não foi recepcionado pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal. Portanto, não há que se falar em isenção somente para as hipóteses descritas por aquela douta Delegacia. O Superior Tribunal de Justiça, em reiteradas decisões, já se manifestou no sentido de que são isentas do pagamento da COFINS e do PIS as receitas decorrentes de exportação. A título de exemplo, segue transcrito julgado neste sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. FATO GERADOR. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. MATÉRIA DECIDIDA PELA 1ª SEÇÃO, NO RESP 1002932/SP, JULGADO EM 25/11/2009 SOB O REGIME DO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 535, CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O art. 4º do DL 288/67 e o art. 40 do ADCT "preserva a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, estendendo às exportações destinadas a estabelecimentos situados naquela região os benefícios fiscais presentes nas exportações ao estrangeiro". Consectariamente, para efeitos fiscais, a exportação de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale a uma exportação de produto brasileiro para o estrangeiro. Sob esse enfoque, é assente nas Turmas de Direito Público que: "O conteúdo do art. 4º do Dec.lei 288/67, foi o de atribuir às operações da Zona Franca de Manaus, quanto a todos os tributos que direta ou indiretamente atingem exportações de mercadorias nacionais para essa região, regime igual ao que se aplica nos casos de exportações brasileiras para o exterior." 2. O art. 5º da Lei 7.714/88, com a redação dada pela Lei 9.004/95, bem como o art. 7º da Lei Complementar 70/91 autorizam a exclusão, da base de cálculo do PIS e da COFINS respectivamente, dos valores referentes às receitas oriundas de exportação de produtos nacionais para o estrangeiro. 3. Havendo equiparação dos produtos destinados à Zona Franca de Manaus com aqueles exportados para o exterior, inferese que a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: REsp 681.395/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 03/09/2010; REsp 802.474/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 13/11/2009; RESP 223.405MT, DJ de 01.09.2003, Relator Min. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 9 8 Humberto Gomes de Barros; RESP 144.785PR, DJ de 16.12,2002, Relator Min. Paulo Medina). 4. O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI nº 23489, suspendeu a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", contida no inciso I do § 2º do art. 14 da MP nº 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus. 5. Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.03724 que tiveram sua eficácia normativa suspensa. (...) 11. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1292410/AM, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 15/02/2011, DJe 07/04/2011) E, ainda, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, foi concedida imunidade às receitas decorrentes de exportação, o que fez dissipar qualquer dúvida porventura remanescente quanto à incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas de vendas destinadas à ZFM, posto que, se a isenção deve ser interpretada literalmente, a imunidade, por ser norma constitucional, exige eficácia máxima. Dessa forma, concluise pela isenção e, agora, imunidade, das receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, em relação à contribuição ao PIS e à COFINS, devendo ser reformada a decisão recorrida neste ponto. Ocorre, contudo, que, pelos elementos trazidos aos autos, não pode, este egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aferir se os créditos indicados no pedido de compensação (i) são, de fato, decorrentes das vendas destinadas à Zona Franca de Manaus e (ii) se são suficientes para liquidar os débitos. Devese, ressaltar, que, ao contrário do que foi alegado no acórdão recorrido, a Delegacia de Julgamento de Campinas (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento Fl. 158DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 10 9 constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo Fl. 159DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 11 10 administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O Fl. 160DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 12 11 importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, in casu, a fiscalização, considerando a isenção/imunidade da contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas destinadas à Zona Franca de Manaus, como demonstrado acima, deverá comprovar a autenticidade dos créditos indicados pelo Recorrente e se estes créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação. Tendo em vista o acima exposto, e o fato de que não constar nos autos documentação contábil ou fiscal capaz de comprovar os exatos valores dos créditos tributários do Recorrente, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/OsascoSP para: (i) Apurar se os créditos indicados nos pedidos de compensação como sendo de pagamento indevido são oriundos das vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus; (ii) Juntar aos autos cópia da documentação que demonstre a origem dos créditos declarados; (iii) Apurar se os créditos são suficientes para liquidar os débitos consignados no pedido de compensação; (iv) Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; (v) Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da I. relatora, ouso dela discordar. O direito creditório pleiteado teria como fundamento a isenção das contribuições PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Conforme entendimento de parte dessa Turma julgadora, esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Deste modo, em relação ao período de apuração objeto do presente processo, o art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999 que passou a disciplinar os casos de isenção da contribuição cumulativa, in verbis: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas de sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronave em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 14 13 V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas e vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. (grifouse) Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo tribunal federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 15 14 Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.900932/200895 Acórdão n.º 3801005.003 S3TE01 Fl. 16 15 Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada nos termos da legislação de regência. Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 165DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 20/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10140.002672/2001-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
REGISTROS CONTÁBEIS. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE.
O fenômeno da decadência não atinge o direito de verificar e analisar fatos, documentos ou atos jurídicos que tenham servido de base para autuações tempestivas. Inexiste na legislação tributária a preclusão de tal direito, dado que a pertinência, validade e cabimento de atos pretéritos pode ser revista pelo Fisco, especialmente quando deles decorrerem efeitos tributários posteriores, em períodos não atingidos pela decadência.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
Numero da decisão: 1201-001.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Cuba Netto acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 REGISTROS CONTÁBEIS. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O fenômeno da decadência não atinge o direito de verificar e analisar fatos, documentos ou atos jurídicos que tenham servido de base para autuações tempestivas. Inexiste na legislação tributária a preclusão de tal direito, dado que a pertinência, validade e cabimento de atos pretéritos pode ser revista pelo Fisco, especialmente quando deles decorrerem efeitos tributários posteriores, em períodos não atingidos pela decadência. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.002672/200106 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.148 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2015 Matéria Auto de Infração Recorrente INSUELA PEREIRA E CONTI INV. E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 ÁGIO CONSTITUÍDO ENTRE PARTES RELACIONADAS, SEM FUNDAMENTO ECONÔMICO. GLOSA. As operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A ausência de fundamento econômico na operação enseja a glosa dos valores artificialmente constituídos. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. DIFERENÇA ENTRE VALORES. Constatadas divergências entre os valores apurados com base na escrita fiscal e os pagos ou declarados pelo sujeito passivo, mostrase cabível a lavratura de auto de infração para a constituição das respectivas diferenças. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 REGISTROS CONTÁBEIS. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. O fenômeno da decadência não atinge o direito de verificar e analisar fatos, documentos ou atos jurídicos que tenham servido de base para autuações tempestivas. Inexiste na legislação tributária a preclusão de tal direito, dado que a pertinência, validade e cabimento de atos pretéritos pode ser revista pelo Fisco, especialmente quando deles decorrerem efeitos tributários posteriores, em períodos não atingidos pela decadência. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 26 72 /2 00 1- 06 Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 3 2 ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Cuba Netto acompanhou o relator pelas conclusões e fará declaração de voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araujo, Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, André Almeida Blanco e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Auto de Infração de IRPJ, relativo ao anocalendário de 1998, decorrente de divergências na apuração de ganhos e perdas de capital na alienação de investimento avaliado pelo patrimônio líquido, a partir de diferenças observadas entre a escrituração contábil da empresa e a declaração de rendimentos apresentada para o período, conforme descrição dos fatos e fundamentos jurídicos relatados no Termo de Constatação Fiscal de fls. 741 e ss. Com efeito, a operação que ensejou a autuação, com reflexos tributados a título de CSLL, foi assim descrita pela autoridade fiscal: A operação em questão originouse de integralização de Capital e transformação da empresa fiscalizada, de sociedade por quotas de responsabilidade limitada em sociedade por ações, conforme ata de Assembléia Geral de Constituição datada de 15/12/88, onde foram transferidas todas as quotas da empresa INSUELA PEREIRA, CONTI E CIA LTDA., CNPJ 15.542.079/000150, como parte dessa integralização de capital (ANEXO I). Essa transferência de quotas está evidenciada também na Alteração do Contrato Social de n. 04, da INSUELA Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 4 3 PEREIRA, CONTI E CIA LTDA., CNPJ 15.542.079/000150, datada de 15/12/1988, e o valor constante nessa operação está registrado como sendo de Cz$ 5.125.999,00 (ANEXO II); Devemos ressaltar que quando da transformação da empresa ora fiscalizada de Sociedade por Quotas de Responsabilidade Limitada para Sociedade Anônima, foi solicitado, em 30/11/1988, um “LAUDO DE AVALIAÇÃO” para a empresa de Auditoria LOUDON BLONQUIST — AUDITORES INDEPENDENTES, onde está especificado que o objetivo do referido Laudo será : “... solicitada pelos quotistas da INSUELA PEREIRA, CONTI INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, para proceder à avaliação do patrimônio líquido real da INSUELA PEREIRA, CONTI & CIA LTDA, para fins de subscrição de aumento de capital, da primeira,...”. (ANEXO III); A empresa INSUELA PEREIRA, CONTI & CIA LTDA. possuía 54,0466 % de participação na empresa REFRIGERANTES DO OESTE S/A, e o Laudo elaborado pela empresa de Auditoria objetivou efetuar uma “reavaliação” no montante dessa participação com base em parâmetros comparativos a valor de mercado e concluiu que tal participação deveria ser reavaliada em montante superior a quatro vezes do Patrimônio Líquido contábil da INSUELA PEREIRA, CONTI & CIA LTDA. Com base na informação desse Laudo foi efetuada a subscrição de capital conforme item 12 supra. Porém, entendemos que este Laudo não pode ser utilizado para tal finalidade, por não existir embasamento legal que fundamente tal procedimento. Nesse procedimento adotado pelo contribuinte, foi apurado um suposto “ÁGIO”, o qual foi justificado como resultado da diferença entre o Patrimônio Líquido contábil e o valor apurado através do Laudo, conforme podemos verificar na cópia do lançamento efetuado pelo contribuinte em Dezembro de 1988 (ANEXO IV; O contribuinte foi questionado quanto ao fundamento legal para tais procedimentos. O embasamento legal alegado pelo contribuinte seria o disposto no Art. 259, do RIR/80 (atual artigo 385, do RIR/99), Lei 6.404/76 (ANEXO V). Em tais dispositivos legais estão estabelecidos que caso o custo de aquisição seja superior ou inferior ao percentual de participação societária adquirida sobre o Patrimônio Líquido da coligada ou controlada, poderá ocorrer o Ágio ou Deságio, respectivamente. E o citado dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que o lançamento desse Ágio ou Deságio deverá indicar o fundamento econômico para sua ocorrência. Porém, entendemos que tal base legal não se enquadraria na situação fática em questão, tendo em vista que esse dispositivo trata da questão da efetiva aquisição de um investimento quando ocorre o desembolso na aquisição de investimentos por valor maior ou menor do que o registrado no Patrimônio Líquido da empresa investida. Nestes casos, esses valores desembolsados a maior ou a menor devem estar devidamente fundamentados e justificados quanto aos seus aspectos econômicos; Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 5 4 Pelas documentações apresentadas pelo contribuinte, em suma, algumas considerações legais devem ser efetuadas. A subscrição de capital da maneira como o contribuinte efetuou, baseandose no Laudo da Empresa de Auditoria Externa, em que foi procedido à reavaliação dos investimentos que a empresa IPC LTDA. possui na empresa REFRIGERANTES DO OESTE, com o objetivo de aumento de capital em outra empresa, no caso a IPC S/A, conforme já mencionado no itens anteriores, carece de uma clara fundamentação legal; A contabilização da citada Reavaliação e seus efeitos fiscais e tributários, entendemos que também não estão de acordo com as normas contábeis e fiscais. O contribuinte considera que os efeitos da Reavaliação do Investimento produziu os efeitos legais, contábil e fiscal somente na empresa que “recebeu” o aporte de capital, no caso a empresa IPC S/A. Conforme verificado, essa Reavaliação, quanto aos seus aspectos contábeis e fiscais, não foram registrados na IPC LTDA. Entendemos que tal procedimento também não encontra suporte na legislação tanto contábil como fiscal, pois resulta em acréscimo (valorização) indevido no custo do Investimento e que no futuro não resulta em nenhum ganho de capital; Portanto, em resumo o quadro de participações societárias que identificamos é o a seguir exposto: Do quadro acima, destacamos que a empresa I — IPC S/A, possuía 100% de participação na empresa II — IPC LTDA, e esta, por sua vez, possuía 54,0466% da empresa III — ROSA. A situação de interesse da fiscalização está relacionada à Baixa do Investimento relativo à Participação que a empresa I detinha na empresa II, ocorrida em 08/10/1998, através da proposta de resgate das quotas de capital pela empresa II, pelo valor de R$ 9.589.086,82, sendo que nessa operação o valor das Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 6 5 quotas para efeito de resgate foi estipulado em montante superior a mais de quatro vezes o valor efetivo das quotas, conforme pode ser observado na Alteração contratual de n. 05 e, considerando as situações conforme citado nos itens 13 e 14 supra, na contabilidade do contribuinte foi apurado um resultado negativo, que é um dos objetivos originários da presente fiscalização; (ANEXO VI) (grifamos) Por força dos fatos descritos, a autoridade fiscal efetuou a recomposição das equivalências patrimoniais ocorridas entre 1988 e 1998, que são demonstradas mediante quadros que integram o Termo de Constatação. Também procedeu à recomposição dos resultados dos exercícios, conforme ajustes, bem assim o patrimônio líquido da empresa IPC Ltda. Com a efetivação dos ajustes, assim concluiu a fiscalização: Quanto ao valor do Investimento registrado no Ativo Permanente da IPC S/A, devemos ressaltar que a fiscalização considerou como valor originário relativo ao custo do Investimento, a importância de Cz$ 5.125.999,00, tendo em vista o disposto no item 12 supra e que entendemos como o documento legalmente válido como custo originário do Investimento, conforme consta na Alteração do Contrato Social da INSUELA PEREIRA, CONTI & CIA LTDA., Alteração de n° 04, onde está registrada a transferência das quotas da empresa pelo valor mencionado. Partindose desse valor em 1988, efetuamos o DEMONSTRATIVO DE CORREÇÃO MONETÁRIA — INSUELA PEREIRA E CONTI — INVEST. PARTICIP. S/A — conta INVESTIMENTOS – subconta IPC LTDA., onde estão registrados os cálculos das novas Equivalências Patrimoniais bem como das Correções Monetárias (ANEXO XIII); Outro aspecto que deve ser ressaltado é que a Fiscalização entende que legalmente a diferença entre o valor citado no item anterior de Cz$ 5.125.999,00, que é o montante relativo a transferência das quotas da IPC LTDA. e o valor do Patrimônio Líquido desta, no valor de Cz$ 2.877.050.968,01, existe um “ganho” e que, portanto, deve ser considerado. Assim sendo, a diferença entre esses valores de Cz$ 2.871.924.969,01, deve ser considerada um “deságio” que deverá ser deduzido quando da baixa do Investimento. Pois a empresa adquiriu um investimento por um valor que seria substancialmente inferior ao seu valor patrimonial efetivo. Caso não seja considerada tal hipótese, o contribuinte estará auferindo um ganho quando da baixa ou alienação, o qual não estaria sofrendo a tributação legal devida. Esse “deságio” está demonstrado no DEMONSTRATIVO DE CORREÇÃO MONETÁRIA— INSUELA PEREIRA E CONTI INVEST. PART. S/A — conta INVESTIMENTOS —subconta IPC LTDA. — DESÁGIO (ANEXO XIV); (...) Com base em todos esses ajustes efetuados, apuramos que o resultado na operação de baixa do investimento na IPC S/A, conforme mencionado no item 19, supra, que está consolidado Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 7 6 no DEMONSTRATIVO DO RESULTADO DA OPERAÇÃO DE BAIXA DO INVESTIMENTO, onde apuramos que, na realidade, resultou em um ganho líquido na citada operação de R$ 7.644.571,97 (ANEXO XVII); Um outro aspecto a ser considerado referese à distribuição de dividendos sobre Lucros Acumulados repassado ao sócio MILTON INSUELA PEREIRA, CPF 025.694.69734, ocorrida durante o período base de 1998, conforme detalhado no DEMONSTRATIVO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE VALORES DISTRIBUÍDOS AO SÓCIO (ANEXO XIX). Após efetuadas todas as recomposições nos Resultados de cada exercício bem como do Balanço Patrimonial, apuramos que a empresa não terá Lucros Acumulados para efetuar a distribuição aos sócios, conforme pode ser visualizado no DEMONSTRATIVO DE CORREÇÃO MONETÁRIA — INSUELA PEREIRA E CONTI PARTICIPAÇÕES S/A — Conta LUCROS ACUMULADOS (ANEXO XX). Portanto, todos os valores distribuídos no ano de 1998, ao sócio supracitado, devem ser considerados como rendimentos tributáveis e, portanto, sujeitos ao Imposto de Renda retido na fonte. Com a notificação dos lançamentos, a interessada apresentou impugnação, na qual, em síntese, apresentou os seguintes argumentos: A infração é duas vezes suposta, a primeira pelo Fiscal que viu o que não existe e deixou de ver o que existiu e a segunda pela impugnante que se vê obrigada a impugnar por adivinhação, supondo ter sido apontada certa infração, depois de realizar um esforço de ilações indiretas e numéricas a que os autos induzem. Nestes autos faltam requisitos básicos do processo administrativo fiscal que são a especificação da infração cometida, com apontamento do dispositivo legal específico que a tipifique; Os autos de infração impugnados não conseguem descrever a suposta infração omitida, nem capitulála de modo claro na lei de regência, o que pode induzir a nulidade do processo. A amplitude dos dispositivos apontados como infringidos não permite identificar o comportamento infrator da impugnante no ano de 1998, pois não houve qualquer omissão de receita, tendo todas as receitas sido contabilizas, inclusive a proveniente do resgate de quotas da Insuela Pereira, Conti & Cia. Ltda., que passarseá a ser citada como IPCL; Não houve custos, despesas, encargos, provisões ou participações realizadas durante 1998 que tenham sido indevidamente deduzidas do lucro líquido. No resgate das quotas do IPCL a impugnante teve perda e não ganho de capital; O cálculo e apuração do ganho ou perda de capital se faz por confronto com o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente. O valor corrigido das quotas da IPCL é R$ 20.373.389,21, com o valor auferido com o resgate das mesmas Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 8 7 R$ 9.589.086,82, mais R$ 48.884,00, recebidos dos antigos quotistas, resultando uma perda de R$ 10.735.418,39, valor reduzido para R$ 8.313.679,40, face a aplicação da legislação; O auditor alterou dados contábeis do períodobase de 1988. O valor do resgate é o único fato pertinente ao períodobase de 1998, não pertencendo ao ano de 1998 a formação do custo do investimento; O auditor ignorou os fatos concretos, formal e juridicamente documentados, além de devidamente registrados na Junta Comercial e contabilizados, que provam que a impugnante, em 1988, pagou ágio de Cz$ 4.573.724.699,00 com base em avaliação realizada na forma da lei; O fisco não tem o direito de remexer na contabilidade dos contribuintes, com ou sem razão, pois há limitação de tempo, de modo a garantir ao contribuinte um mínimo de segurança jurídica e esse tempo já se esgotou; Preliminarmente, já houve decadência, com base no artigo 150, § 4° do CTN. Cumpre ressaltar que, quando a declaração da contribuinte não resultar imposto a pagar ou a restituir, há sempre o lançamento de valor zero ou negativo. O decurso do prazo em branco é homologado automaticamente. Esta homologação tem o efeito legal da extinção do crédito tributário e a contabilidade da contribuinte se cristaliza como boa para os efeitos fiscais, ficando insuscetível de discussão daí em diante, razão pela qual deve ser acolhida a preliminar de decadência; No investimento houve um ágio de Cz$ 4.573.724.699,00, resultando num custo atualizado em 31/12/1998 de R$ 20.373.389,21, maior que o valor obtido com o resgate. Em 12 de julho de 2002, a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Campo Grande declarou a nulidade do lançamento por vício formal, com o correspondente Recurso de Ofício ao Conselho de Contribuintes. A 8a Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso de Ofício, para anular a decisão da DRJ, conforme Acórdão n. 10807.556, cuja ementa transcrevemos a seguir: VÍCIO FORMAL — NULIDADE — INEXISTÊNCIA — Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. A descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, sendo, portanto, vício material, pois mitiga, indevidamente, a participação do contribuinte na instauração do litígio, mediante a apresentação da impugnação. No caso em análise, havia possibilidade de conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas, posto que complexas. Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 9 8 Os autos foram baixados em diligência para que fosse dada ciência à interessada. Cientificada do Acórdão n° 10807.556 em 20/06/2005, a empresa apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), requerendo a confirmação da decisão administrativa de primeira instância. Em 10 de março de 2009, a Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão n° 910100.040, que negou provimento ao Recurso, por unanimidade de votos, e determinou o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento de origem, para o enfrentamento do mérito, conforme ementa a seguir transcrita: Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Oferecendo os autos possibilidade de conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas, deve ser confirmado o acórdão da Câmara que deu provimento ao recurso de ofício contra a decisão de primeira instância que anulara o auto de infração, determinandose que a DRJ competente prossiga no exame do mérito. Em sessão realizada em junho de 2010, a mesma 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Campo Grande decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo integralmente os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL. As ementas a seguir resumem o entendimento exarado naquela instância de julgamento: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade autuante observa os devidos procedimentos fiscais, previstos na legislação tributária. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. A perda do direito, decorrente da ocorrência do fato decadencial, de se praticar o ato de lançamento não se confunde com a possibilidade de correção de lançamentos contábeis incorretos que possuem implicações de ordem tributária. O direito de o Fisco averiguar fatos ocorridos em períodos passados está protegido pela lei, mormente quando esses fatos repercutem em lançamentos contábeis de exercícios futuros que implicam em pagamento a menor dos tributos devidos. OPERAÇÃO SOCIETÁRIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL POR MEIO DE CONFERÊNCIA DE AÇÕES. VALOR REAL DAS AÇÕES. INEXISTÊNCIA DE ÁGIO. Numa operação de integralização de capital de sociedade, efetivada por meio de conferência de ações, deve ser considerado o valor real das ações fixado em relação ao patrimônio líquido da companhia. Cabe ressaltar que tal Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 10 9 operação societária não possui o condão de produzir ágio, nem mesmo comporta a transferência de ágio eventualmente apurado na aquisição originária das ações. ÁGIO CONSTITUÍDO SOBRE TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) em decorrência de uma transação dos sócios com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários possam ter atendido à legislação aplicável, do ponto de vista econômico, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Deve ser glosado eventual ágio constituído nessas condições. AUTUAÇÃO REFLEXA: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. Ao se definir a matéria tributável na autuação principal, o mesmo resultado é estendido à autuação reflexa, face à relação de causa e efeito existente. Contra a nova decisão de 1a instância a empresa interpôs Recurso Voluntário, no qual repete, basicamente,os argumentos da impugnação, que podem ser assim resumidos: a) O processo é por demais extenso e boa parte dos documentos acostados não guarda conexão com a infração; b) Houve afronta aos princípios da moralidade e da impessoalidade, dada a existência de vícios essenciais na acusação, como a falta de descrição do comportamento infringente; c) Não houve qualquer irregularidade na escrituração contábil da empresa no ano de 1998; d) Que a decisão recorrida se contradiz ao dizer, na mesma ementa, que o ágio existe e não existe; e) Como preliminar, alega a decadência do direito do Fisco de desconsiderar ou desconstituir operações realizadas há mais de dez anos; f) Alega, ainda, que houve prescrição intercorrente entre a data do lançamento e a apreciação dos fatos, dado que o Contribuinte não pode ficar à mercê do trâmites burocráticos do Fisco. g) Contesta, em suma, todas os argumentos da decisão recorrida, em longas refutações individuais. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. A defesa distribui seus argumentos em duas linhas: preliminares e de mérito, que serão analisados separadamente. 1. Das preliminares De início, conquanto não seja objeto de impugnação específica, convém lembrar que a tese da prescrição intercorrente não é admitida no processo administrativo tributário, até porque, na hipótese, o prazo prescricional sequer se iniciou, o que só ocorre, conforme entendimento do STJ, com a constituição definitiva do crédito, ou seja, com o trânsito em julgado na esfera administrativa. Nesse sentido o teor da Súmula n. 11 deste Conselho: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Quanto à decadência, também não pode prosperar o entendimento defendido pela Recorrente, dado que o Auto de Infração se refere a ocorrências do anocalendário de 1998 e foi devidamente cientificado à interessada em agosto de 2001. A alegação de que a decadência, além de fulminar o direito de constituição do crédito tributário, também “cristalizaria todos os registros contábeis efetuados pela empresa” não pode ser acolhida, visto que o fenômeno não atinge o direito de verificar e analisar fatos, documentos ou atos jurídicos que tenham servido de base para autuações tempestivas. Inexiste na legislação tributária a preclusão de tal direito, dado que a pertinência, validade e cabimento de atos pretéritos pode ser revista pelo Fisco, especialmente quando deles decorrerem efeitos tributários posteriores, em períodos não atingidos pela decadência. E foi exatamente isso o que aconteceu no presente processo, em que a autoridade fiscal corrigiu valores e procedimentos contábeis, atualizandoos e recalculandoos. Não existe limitação temporal para os trabalhos de auditoria fiscal quando de sua análise depende a verificação e a eventual correção de exercícios futuros. Entendo, pois, que não se aplicam ao caso em tela as hipóteses de decadência previstas no Código Tributário Nacional e suscitadas pela Recorrente. Também não procede o argumento de que houve nulidade no lançamento, pois o servidor identificou o sujeito passivo, descreveu os fatos e quantificou a matéria tributável, depois de várias intimações feitas ao Contribuinte. Para tanto, elaborou diversos anexos e explicou, detalhadamente, os procedimentos e os cálculos da equivalência patrimonial e as recomposições dos respectivos valores, como já relatado neste voto. Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 12 11 Ressaltese, inclusive, que este Conselho já se manifestou pela inocorrência de vício formal nos autos e, no mesmo sentido, entendo que neles não há qualquer defeito de natureza material, capaz de mitigar os efeitos que lhes são próprios. Assim, voto por afastar as preliminares trazidas pela Recorrente. 2. Do mérito De início, convém lembrar que a equivalência patrimonial é o método adequado para a avaliação de investimentos relevantes em pessoas jurídicas, conforme já dispunham os artigos 258 e seguintes do RIR/80, em vigor ao tempo dos fatos: Art. 258. Serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido os investimentos relevantes da pessoa jurídica (Lei n° 6.404/76, art. 248, e DecretoLei n° 1.598/77, art. 67, XI): I em sociedades controladas; e II em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social. (...) Art. 259. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei n° 1.598/77, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no art. 260; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei n° 1.598/77, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei n° 1.598/77, art. 20, § 2º): (...) Art. 260. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei n° 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei n° 1.598/77, art. 21, e DecretoLei n° 1.648/78, art. 1°, III): (...) Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 13 12 Art. 261. O valor do investimento na data do balanço (art. 259, I), depois de registrada a correção monetária do exercício (art. 347), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no art. 260, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei n° 1.598/77, art. 22). (...) Art. 262. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 261, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei n° 1.598/77, art. 23, e DecretoLei n° 1.648/78, art. 1°, IV). Parágrafo único. Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País (DecretoLei n° 1.598/77, art. 23, § único, e DecretoLei n° 1.648/78, art. 1°, IV). A partir da base legal aplicável à espécie, a fiscalização analisou detalhadamente a contabilidade e os documentos das empresas envolvidas na operação. Daí porque não pode prosperar o argumento de ausência de descrição da infração, visto que a autoridade lançadora expressamente consignou, no corpo do próprio Auto de Infração: GANHOS E PERDAS DE CAPITAL – ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO VALOR DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Procedimento de fiscalização conforme determinado no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 0140100.2000.001981, relativo ao períodobase de 1998, onde foram apurados elementos que indicavam que, em tese, poderiam estar ocorrendo possíveis inconsistências em relação ao resultado do período, onde foi apurado um prejuízo de R$ 8.313.679,40. Esse resultado foi originado por operação de baixa na conta do Ativo Permanente Investimento, transação essa concretizada com empresas controladas e coligadas. Durante os trabalhos de auditoria, a empresa foi, por diversas vezes, intimada a esclarecer as divergências e inconsistências apuradas na escrituração contábil, além de qual seria o embasamento legal para as ocorrências: Como resultado dos trabalhos da fiscalização, apuramos preliminarmente o crédito tributário devido pelo contribuinte, detalhado em anexo ao TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL. O citado TERMO bem como todos os anexos, foram encaminhados por cópia ao contribuinte, sendo concedido prazo para eventuais manifestações sobre os fatos relatados. Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 14 13 Sobre os fatos constantes no citado TERMO recebemos, através do Sr. Gonçalves, contador à época dos fatos, os seguintes elementos: A) DEMONSTRATIVO PARTICIPAÇÃO NA ROSA INSUELA PEREIRA, CONTI & CIA LTDA; B) DEMONSTRATIVO DE CORREÇÃO MONETÁRIA DIF IPC/BTN INSUELA PEREIRA, CONTI & CIA LTDA; BALANÇO PATRIMONIAL e DEMONSTRATIVO DO RESULTADO DA REFRIGERANTES DO DOESTE S/A de 31/07/98 e 31/08/98; C) DEMONSTRATIVO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL IPC LTDA. PARTICIP. ROSA e; D) cópias de parte das Declarações de Imposto de Renda Pessoa Física de MAURO CONTI PEREIRA, MILTON INSUELA PEREIRA JUNIOR e RAMIRO ALBERTI FILHO. Destacamos que em relação ao Demonstrativo “A” supracitado, os pagamentos de dividendos e as Equivalências Patrimoniais não constam e/ou são divergentes com as informações constantes nas Declarações de Imposto de Renda entregues pela referida empresa e também, no caso dos dividendos, não foram comprovadas documentalmente. Em relação ao Demonstrativo "C", os valores das Equivalência Patrimoniais não estão totalmente em harmonia com os valores das Declarações de Imposto de Renda entregues pelo contribuinte. (...) Devemos destacar também que o contribuinte não efetuou nenhuma consideração sobre a contabilização da Reavaliação efetuada e seus eventuais efeitos fiscais. As reavaliações possuem regras contábeis e fiscais a serem observadas e, entendemos, que as mesmas não foram devidamente observadas. Não encontramos evidências contábeis de registro das Reavaliações no Ativo Permanente ou de Reserva de Reavaliação no Patrimônio Líquido nas contabilidades das empresas envolvidas. (...) Pelo todo exposto, entendemos que esta ação fiscal deverá ser concluída conforme disposto no TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL complementar. O montante da presente autuação está devidamente demonstrado conforme descrito no ANEXO XVIII, do citado Termo e fazemos aqui uma retificação, onde deve ser considerado como valor do LUCRO/PREJUÍZO APURADO PELA AUDITORIA o valor de R$ 5.165.074,50 e o valor da BASE DE CÁLCULO APURADO PELA AUDITORIA o valor de R$ 5.162.640,06, conforme consubstanciado no presente Auto de Infração. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 15 14 Resta, portanto, demonstrada a descrição pormenorizada dos procedimentos de auditoria e os fundamentos da autuação. Cabenos, neste passo, analisar a figura do ágio ocorrido no caso sob exame. Para melhor compreensão da matéria, convém reproduzir a sequência cronológica dos fatos, ressaltando, de plano, que a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O inciso II do comando supracitado revela que o ágio corresponde à diferença entre o custo e o valor do patrimônio líquido à época da aquisição. Dessa forma, faz se necessário verificar se o ágio contabilizado pela autuada corresponde, em alguma medida, à diferença entre os valores do custo e do patrimônio líquido da empresa. Nos termos da decisão recorrida, a sequência dos fatos pode ser assim descrita: A composição societária da IPC Ltda, em 30/11/1988, era: Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 16 15 A impugnante IPC S/A foi constituída em 06/12/1988, como sociedade de responsabilidade limitada, com a denominação de Insuela Pereira e Conti — Investimentos e Participações Ltda. Até 10:00 horas do dia 15/12/1988, pertencia ao grupo familiar doravante denominado Família Insuela Pereira, sendo que suas quotas pertenciam diretamente a algumas pessoas físicas pertencentes a aquele clã familiar, com capital social de Cz$ 472.500,00, com a seguinte lista de cotistas: No dia 15/12/1988, a empresa foi transformada em sociedade por ações, passando a denominarse Insuela Pereira e Conti — Investimentos e Participações, mantendo cada sócio a mesma quantidade de ações da anterior quantidade de quotas, de valor nominal de Cz$ 1,00 cada ação ordinária (fls. 607). No mesmo instrumento de alteração societária, em seguida foi elevado o capital social da IPC S/A para Cz$ 6.167.050.499,00, aumento de Cz$ 6.166.577.999,00 que foram subscritos e integralizados pelos sócios na mesma proporção das ações possuídas, mediante conferência de quotas de capital de emissão da Insuela Pereira, Conti & Cia. Ltda., avaliadas conforme Laudo de Avaliação datado de 30/11/1988, conforme abaixo: O capital social da IPC S/A, de Cz$ 6.167.050.499,00 passou a ser: Não houve, portanto, alteração substancial de participação societária dos acionistas/cotistas de ambas as empresas e sim a “criação de valor” sem a correspondente tributação da disponibilidade econômica e jurídica adquirida (CTN, art. 43), conforme se depreende da sobreposição de sócios/acionistas nos quadros de subscrição de ações da IPC S/A e dos cotistas da IPCL. Inexistiu negociação e, portanto, inexistiram de fato a subscrição e as alterações de capital social; tratase de operações entre Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 17 16 pessoas ligadas e empresas controladas ligadas a um mesmo grupo familiar e econômico, haja vista a coincidência entre os quadros de sócios e acionistas da investidora e da investida. Assim, 100% do capital da IPC Ltda. passou — formalmente — a pertencer a IPC S/A. Não ocorreu, contudo, qualquer transferência efetiva da propriedade das ações. Em outras palavras, as ações da impugnante continuaram pertencendo, de fato, aos mesmos proprietários. Este me parece o ponto crucial do processo e a respeito dele passo a tecer breves considerações. Como se sabe, o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. Filiome à corrente que admite o ágio em transações com partes relacionadas, denominado popularmente como “ágio interno”, pois inexistia, ao tempo dos fatos, no direito positivo brasileiro, vedação à sua ocorrência. Embora contestado na esfera contábil, é possível, na seara tributária, que uma empresa do mesmo grupo econômico venha a adquirir de outra algo por valor superior àquele contabilizado. E mais: nada impede que a operação seja considerada, para fins tributários, como legítima, desde que praticada sob condições normais de mercado. Claro que as operações internas exigem, justamente em razão de sua peculiaridade, uma análise mais profunda, pois nem sempre as operações entre partes relacionadas refletem a realidade dos fatos, tal qual ocorreria se o negócio jurídico fosse realizado com terceiros independentes. Assim, deve o intérprete atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. Tudo isso implica dizer que as operações entre partes relacionadas devem ser testadas sob o princípio do arm´s length, de tal sorte que os preços e as demais condições da aquisição sejam compatíveis com aqueles que seriam normalmente utilizados no mercado, a partir de princípios econômicos como a livre concorrência e a livre manifestação da vontade. A Recorrente afirma, textualmente, que o “terceiro” envolvido na operação foi a empresa de auditoria independente que elaborou o laudo de avaliação. Ora, certamente não é este tipo de “terceiro” que a hermenêutica reclama, mas sim alguém alheio à sociedade (ainda que pertencente ao mesmo grupo econômico), até porque auditores independentes sempre são “terceiros”, como a própria denominação está a indicar. Pareceme incontroverso que as operações societárias apresentadas apenas ensejaram, para o patrimônio da impugnante, um ágio constituído artificialmente sobre suas próprias ações. E foi sobre este pretenso ágio que a fiscalização glosou a amortização, em 1998. Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 18 17 Como bem descrito na decisão ora recorrida: Assim, o “ágio” foi constituído porque os acionistas da IPC S/A, negociando consigo mesmos, já que eram também sócios da empresa IPC Ltda., aceitaram receber, pelo valor de Cz$ 6.166.577.999,00, a totalidade das quotas da IPC Ltda. que pertenciam a eles próprios. Não houve, portanto, na constituição desse “ágio”, a participação de qualquer agente econômico estranho aos acionistas da impugnante (IPC S/A) que, de alguma forma, agregassem algum novo elemento econômico ao empreendimento. No plano dos fatos, nenhuma riqueza nova foi agregada ou mudou de mãos. Entendo, à luz dos fatos, que os sócios da IPC Ltda. apenas transferiram as suas quotas para a IPC S/A, atribuindolhes um valor substancialmente maior que o original. Um raciocínio sempre interessante nos leva a analisar os casos de ágio como um “filme completo”, cuja compreensão pode ser diferente (e normalmente se mostra mais adequada) do que a simples verificação de cada fato isoladamente. Pois bem. Ao apreciarmos o “filme completo” dos autos chegamos à conclusão de que a participação societária dos interessados continuou idêntica, ainda que revestida de diferente roupagem jurídica. Percebese, à evidência, que igual patrimônio continuou a pertencer às mesmas pessoas, e que ninguém pagou ou desembolsou qualquer valor em razão de tais operações. Aqui nem se discute a controversa figura do ágio interno: não há terceiro, nem empresa veículo nem aquisições ou reorganizações societárias, mas a simples transferência de patrimônio de uma empresa para outra, sem qualquer fator econômico ou jurídico que dê causa à figura do ágio. Entendo que, na hipótese, o que realmente ocorreu, num primeiro momento, foi a mera reavaliação dos valores patrimoniais que, como é cediço, deve obedecer ao princípio da neutralidade, ou seja, não pode gerar direito de crédito ao Fisco nem tampouco benefício para o particular. Apesar disso, tal reavaliação sequer foi contabilizada na sociedade limitada, como nos informa a autoridade fiscal. Ademais, como não houve qualquer despesa paga ou incorrida na operação, não há de falar em despesa futura a lançar no ativo permanente a título de ágio, que se mostra, portanto, completamente descabido e, por conseguinte, não pode ser pode ser considerado na apuração do IRPJ e da CSLL quando de sua realização, pela baixa do investimento por alienação. Daí porque entendo correta a glosa dos referidos valores pela fiscalização, posto que o custo de aquisição da participação societária levado à IPC S/A deveria corresponder ao valor patrimonial das cotas da IPC Ltda., e não ao valor artificial e Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 19 18 unilateralmente inflado descrito como ágio, na medida em que tal rubrica não se originou de uma operação típica de mercado, albergada pelo princípio do arm´s length. Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, NEGO LHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto. A presente declaração de voto tem por objeto esclarecer a razão pela qual acompanhei o voto do Relator apenas por suas conclusões. Com o respeito devido e merecido ao Relator, peço licença para divergir de seu entendimento no tocante ao seguinte trecho do voto: Filiome à corrente que admite o ágio em transações com partes relacionadas, denominado popularmente como “ágio interno”, pois inexistia, ao tempo dos fatos, no direito positivo brasileiro, vedação à sua ocorrência. Embora contestado na esfera contábil, é possível, na seara tributária, que uma empresa do mesmo grupo econômico venha a adquirir de outra algo por valor superior àquele contabilizado. E mais: nada impede que a operação seja considerada, para fins tributários, como legítima, desde que praticada sob condições normais de mercado. Claro que as operações internas exigem, justamente em razão de sua peculiaridade, uma análise mais profunda, pois nem sempre as operações entre partes relacionadas refletem a realidade dos fatos, tal qual ocorreria se o negócio jurídico fosse realizado com terceiros independentes. É que, conforme já manifestado em diversas outras ocasiões, entendo que não há que se falar em ágio quando o investimento é realizado em outra empresa do mesmo grupo econômico ágio interno. Isso porque, embora o art. 20 do Decretolei nº 1.598/77, que veicula o conceito jurídico de ágio, não excepcione as operações realizadas dentro de um mesmo grupo Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 20 19 econômico, o fato é que a doutrina contábil, por razões óbvias, sempre interpretou esse dispositivo restritivamente, inadmitindo a formação do chamado “ágio interno”. Veja o que o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações1 FIPECAFI, já em 1994, afirmava sobre o assunto: Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor de equivalência patrimonial e, nos casos onde os investimento foram feitos através de subscrições em empresas coligadas e controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. (Grifamos) (...) Observese, ainda, que a legislação de natureza contábil surgida a partir de 2007 (portanto, após a ocorrência dos fatos ora sob exame) somente veiculou a interpretação dos diversos órgão técnicos sobre o assunto. Em outras palavras, não houve naquele momento qualquer alteração no mencionado art. 20 do Decretolei nº 1.598/77. O que houve foi a institucionalização, por atos infralegais, da interpretação daquela norma. Confira: OfícioCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007: (...) 20.1.7“Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. (Grifamos) 1 Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações FIPECAFI, 3ª edição, 1994, p. 247. Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 21 20 Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. (Grifamos) Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (...) Resolução CFC n° 1.110/2007: (...) 120 O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado. (...) Pronunciamento Técnico CPC nº 04R1: (...) Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade. Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10140.002672/200106 Acórdão n.º 1201001.148 S1C2T1 Fl. 22 21 (...) Orientação Técnica CPC 02/2008: (...) 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Ora, como a correta interpretação do art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 não acolhe a formação de “ágio interno”, não posso aderir ao entendimento do Relator, que em tese o admite. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 p or ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assi nado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10283.720636/2011-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL.
A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial, questionado a sua exigência, inclusive, com liminar favorável.
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RO Negado e RV Negado.
Numero da decisão: 3301-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário, em relação à matéria discutida concomitantemente nas esferas administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negar-lhe provimento, termos do voto Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Adão Vitorino de Morais Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO (MULTA DE OFÍCIO). EXCLUSÃO. Correta a exclusão da multa de ofício sobre lançamento efetuado com o objetivo de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o respectivo crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 10/01/2007 a 09/12/2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. A constituição do crédito tributário pelo lançamento é atividade administrativa vinculada e obrigatória, ainda que o contribuinte tenha proposto ação judicial, questionado a sua exigência, inclusive, com liminar favorável. MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RO Negado e RV Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 06 36 /2 01 1- 67 Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, não conhecer do recurso voluntário, em relação à matéria discutida concomitantemente nas esferas administrativa e judicial, e, na parte conhecida, negar lhe provimento, termos do voto Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Natal e Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário interpostos, respectivamente, pela DRJ em Fortaleza (CE) I e pelo sujeito passivo contra decisão que julgou procedente, em parte, a impugnação apresentada contra o lançamento do Imposto sobre Importação (II), referente aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2010. O lançamento decorreu da insuficiência do recolhimento do imposto sobre as importações pelo fato de a contribuinte ter utilizado o método do coeficiente fixo, na apuração da isenção parcial deste imposto, nas internações de insumos (terminais portáteis de telefonia celular) utilizados na industrialização de seus produtos, quando deveria ter utilizado o método do coeficiente variável, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 916/928. Intimada do lançamento, a recorrente impugnouo, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS À IMPUGNANTE em 11 de dezembro de 1998, por meio da Resolução CÃS n° 215/98, re ratificada pela Resolução CÃS n° 3, de 19 de março de 1999, a Impugnante tornou se titular dos projetos técnicoeconômicos para fabricação de terminais portáteis de telefonia celular, por transferência dos incentivos fiscais originariamente atribuídos à Gradiente Eletrônica S.A., objeto das Resoluções CÃS n°s 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96; em virtude da aludida transferência, a impugnante passou a ter direito aos benefícios fiscais previstos no DecretoLei n° 288/67, conforme reconhecimento expresso do Conselho de Administração da SOFRAM na referida Resolução CÃS n° 215/98; entre os referidos benefícios, encontrase a redução da alíquota do Imposto de Importação, incidente sobre matériasprimas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira empregados na fabricação de telefones celulares em coeficiente redutor fixo de 88% (parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67). A utilização desse coeficiente está expressamente prevista em todas as Resoluções que aprovaram os projetos industriais transferidos à impugnante (doc. 02), sem que haja qualquer ressalva em relação ao tipo de tecnologia utilizada na fabricação do telefone celular; Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.477 3 a competência para aprovar os projetos de industrialização e para conceder benefícios fiscais na Zona Franca de Manaus pertence ao Conselho de Administração da SOFRAM, conforme expressamente determina o parágrafo único do artigo 6º do Decreto n° 76.801/75, combinado com o artigo 7º, parágrafos 4º e 7º, e com o artigo 9º, parágrafo 1º, ambos do DecretoLei n° 288/67, competência esta que foi exercida por meio da Resolução CÃS n° 161/98 (doc. 02); a Secretaria da Receita Federal, no entanto, sustentava que os incentivos concedidos à Impugnante abrangeriam, apenas, os telefones celulares analógicos, na medida em que os telefones celulares que utilizavam tecnologia digital constituem "bens de informática" e, em consequência, o benefício da redução do Imposto de Importação a eles aplicável não seria aquele previsto no parágrafo 4º do artigo 7° do DecretoLei n° 288/67 (coeficiente fixo de 88%), mas sim aquele previsto no parágrafo 1º do mesmo artigo desse Decreto (coeficiente variável); DA MEDIDA CAUTELAR Nº 2000.32.0041624 E DA AÇÃO ORDINÁRIA Nº 2000.32.00.0048690 em face desse entendimento, a Secretaria da Receita Federal instaurou procedimento fiscal contra a impugnante, em 27 de junho de 2000, indicando que lavraria Auto de Infração, justamente para exigirlhe a diferença entre o Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares com tecnologia digital fabricados na Zona Franca de Manaus com a aplicação do coeficiente fixo e o supostamente devido com a aplicação do coeficiente variável; a impugnante, então, em 26 de julho de 2000, ajuizou a Medida Cautelar (processo n° 2000.32.00.0041624): "para a garantia do direito de obter, em ação declaratória, provimento judicial útil e eficaz, com efeito de coisa julgada, que ponha a salvo das exigências ilegais acima referidas e lhe assegure o gozo do direito por ela adquirido aos incentivos em tela", formulando pedido liminar, em que requereu que a União Federal, até o final da ação principal, por suas autoridades fiscalizadoras: "a) se abstenha de autuar a requerente e/ou por qualquer forma imporlhe medidas coativas tendentes a exigir diferenças de imposto de importação, pelo fato de terse utilizado, relativamente a telefones celulares de sua produção, dos benefícios fiscais de que é titular por força da Resolução 215/98, que autorizou a transferência para ela dos direitos adquiridos da Gradiente Eletrônica, emanados da Resolução 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96, ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto ao cumprimento dos requisitos para seu gozo, previsto do DL 288; b) se abstenha de impedir novas internações dos referidos produtos com aplicação do redutor de 88% da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagens, componentes e outros insumos de origem estrangeira, empregados nos referidos produtos'' (doc. 03.ii); em 07/08/2000, a medida liminar foi concedida nos estritos termos em que foi requerida: “Por estes fundamentos, DEFIRO a liminar para que a União Federal, representada pelas autoridades: a)se abstenha de autuar a requerente e/ou por qualquer forma imporlhe medidas coativas tendentes a exigir diferenças de imposto de importação, pelo fato de terse utilizado, relativamente a telefones celulares de sua produção, dos benefícios fiscais de que é titular por força da Resolução 215/98, que autorizou a transferência para ela dos direitos adquiridos da Gradiente Eletrônica, emanados da Resolução 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96, ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto ao cumprimento dos Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 requisitos para seu gozo, previsto do DL 288. b)se abstenha de impedir novas internações dos referidos produtos com aplicação do redutor de 88% da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagens, componentes e outros insumos de origem estrangeira, empregados nos referidos produtos.” (doc. 03.iii); considerando que a liminar concedida na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624 foi deferida para que a Fiscalização se abstivesse inclusive de autuar a impugnante, o procedimento fiscal que havia sido instaurado foi interrompido; em 29 de agosto de 2000, a impugnante ajuizou a Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, na qual requer seja: "declarada a existência de relação jurídica que autoriza a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 do ADCT, dos benefícios fiscais que lhe foram reconhecidos pelo CÃS, em decorrência da Resolução 215/98, mediante a qual lhe foram transferidos os incentivos deferidos à Gradiente Eletrônica S.A, concernentes aos projetos objeto das Resoluções 181/93, 540/93, 204/94 relativos à fabricação de telefones celulares operando em tecnologia analógica, ou digital, combinada ou não com outras tecnologias incentivos esses que consistem no coeficiente de redução de alíquota do imposto de importação incidente sobre as matérias primas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados nos seus respectivos processos de fabricação, dos respectivos produtos, no percentual de 88% (oitenta e oito por cento), conforme o §4° do art. 7º do DL 288/67, com a redação da Lei 8.387/91" (doc. 04.ii); em 29 de agosto de 2002, foi prolatada sentença na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624, julgando integralmente procedente o pedido formulado, ressalvando a possibilidade de a Administração efetuar os necessários lançamentos: “Destaco, outrossim, que, como o ato de lançamento do crédito tributário da Administração é vinculado, não se pode impedir que esta empreenda fiscalização às atividades da Requerente, podendo, inclusive, como bem decidiu a MM. Juíza Federal, às fls. 277/278, efetuar os lançamentos tributários. (...) Por estes fundamentos, DEFIRO a medida cautelar liminar para que a União Federal, representada pelas autoridades: a) se abstenha de autuar a requerente e/ou por qualquer forma imporlhe medidas coativas tendentes a exigir diferenças de imposto de importação, pelo fato de terse utilizado, relativamente a telefones celulares de sua produção, dos benefícios fiscais de que é titular por força da Resolução 215/98, que autorizou a transferência para ela dos direitos adquiridos da Gradiente Eletrônica, emanados da Resolução 181/93, 540/93, 204/94 e 97/96, ressalvandose à autoridade administrativa o mais amplo poder de fiscalização quanto ao cumprimento dos requisitos para seu gozo, previsto no DL 288. b) se abstenha de impedir novas internações dos referidos produtos com aplicação do redutor de 88% da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagens, componentes e outros insumos de origem estrangeira, empregados nos referidos produtos.” (fls. 105100 e doc. 03. v); na mesma data, foi prolatada sentença na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690: “Por tais fundamentos, JULGO PROCEDENTE o pedido para declarar a existência de relação jurídica que autorize a Autora a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 do ADCT, dos benefícios fiscais concedidos pela Resolução n° 215/98, na qual lhe foram transferidos os incentivos fiscais previstos no §4° do art. 7º do DecretoLei n° 288/67 concedidos à Gradiente Eletrônica S.A pelas Resoluções nº 181/93, 540/93 e 204/94 referentes à fabricação de telefones celulares, carregadores de baterias e baterias para telefones operando em tecnologia analógica ou digital combinada ou não com outras tecnologias.” (fls. 77 e doc. 04.iii); Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.478 5 inconformada, em 16 de outubro de 2002, a União interpôs Apelação na Medida Cautelar e na Ação Ordinária. E, em 26 de novembro de 2010, foi publicado o r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento da Apelação interposta pela União na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial (fls. 121131 e doc. 03.vi). Na mesma data, foi publicado o r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região no julgamento da Apelação interposta pela União na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, igualmente negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial (fls. 94104 e doc. 04.iv); em face dos r. Acórdãos proferidos na Medida Cautelar 2000.32.00.004162 4 e na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, a União opôs, em 17 de dezembro de 2010, Embargos de Declaração. E, em 01 de abril de 2011, foram publicados os r. Acórdãos que rejeitaram os Embargos de Declaração opostos pela União (fls. 112 120 e doc. 03.vii e fls. 8593 e doc. 04.v). Por fim, em 18 de maio de 2011, a União interpôs Recursos Especiais em relação às referidas ações judiciais recursos esses que, atualmente, aguardam o exame de admissibilidade, como demonstram as Certidões de Objeto e Pé expedidas naqueles processos (docs. 03.i e 04.i); DO MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2001.34.00.0002900 paralelamente, em 27 de dezembro de 2000, a Secretaria da Receita Federal expediu o Ato Declaratório SRF n° 96 (doc. 05), declarando "insubsistentes, ex tunc, para fins tributários, atos da Superintendência da Zona Franca de Manaus SOFRAM e do seu Conselho de Administração, referentes à concessão de incentivos fiscais", dentre os quais especificamente, a Portaria do Superintendente da SOFRAM n° 110/99 (doc. 02) e as Resoluções CÃS n°s 161/98 e 107/99 (doc. 02). contra esse ato, a impugnante, em 08 de janeiro de 2001, impetrou o Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, para o fim de: "assegurar o direito líquido e certo da impetrante aos estímulos assegurados na Portaria 110/99, e Resoluções 107 e 161/98 mantendo válidos e eficazes os referidos atos e, anulado o ato coator, dada a sua manifesta inconstitucionalidade, por violação aos dispositivos da lei maior e da legislação ordinária indicados ao longo desta peça (arts. 1º II, 5º XXXV, XXXVI, LIV e LV; 37 'caput' da CF; arts. 40 ADCT; arts. 146 e 178 CTN; DL 288/67, na redação da Lei 8.387/91; Decretos 71.423/73 e 76.801/75; art. 7º § 4º da Lei 8.387/91 e art. 2º da Lei 9.784, de 29.01.99" (doc. 06.ii); em 27 de março de 2001, foi prolatada sentença no referido Mandado de Segurança, concedendo integralmente a segurança pleiteada: “DISPOSITIVO 14. CONCEDO a segurança para anular o Ato Declaratório 96/2000, do Secretário da Receita Federal, ficando restabelecidos os atos da Suframa e do seu Conselho de Administração concessivos dos benefícios fiscais previstos no DL 288/67 à impetrante Nokia do Brasil Tecnologia Ltda (sucessora da empresa NG Industrial Ltda.), inclusive em relação a aparelhos de telefones celulares operando em tecnologia digital, combinada ou não com outras tecnologias”. (fls. 4650 e doc. 06.iii) inconformada, em 11 de junho de 2001, a União interpôs Apelação nos autos do Mandado de Segurança. E, em 19 de novembro de 2010, foi publicado o r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região no julgamento da Apelação interposta pela União Federal nesse Mandado de Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Segurança, negando provimento à Apelação e à Remessa Oficial. Esse Acórdão foi assim ementado: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. ZONA FRANCA DE MANAUS. APROVAÇÃO DE PROJETO INDUSTRIAL PARA FABRICAÇÃO DE TELEFONE CELULAR. INCENTIVOS FISCAIS. EXTENSÃO DO BENEFÍCIO PARA CELULARES DIGITAIS. ATO DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DECLARANDO INSUBSISTENTES OS ATOS DA SOFRAM E DE SEU CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO QUE ESTENDERAM O BENEFÍCIO. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE HIERARQUIA. PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO AFASTADA. I Na espécie dos autos, não merece prosperar a preliminar suscitada pela apelante, porquanto a documentação apresentada é suficiente para o deslinde da demanda. Ademais, a existência ou não de direito líquido e certo a amparar a pretensão da impetrante, aqui se confunde com o mérito e como tal será analisada. II A anulação dos atos administrativos pela própria Administração Pública constitui a forma normal de invalidação de atividade ilegal do Poder Público, como uma atividade de justiça interna exercida pelas autoridades administrativas em defesa da instituição e legalidade de seus atos. Tal faculdade é ampla e pode ser exercida de ofício, desde que pelo mesmo agente que praticou o ato ou por autoridade hierarquicamente superior. III No caso em exame, contudo, o Secretário da Receita Federal não é autoridade competente para declarar a insubsistência de atos expedidos pela Suframa e seu Conselho de Administração, porquanto não foi quem os praticou, nem se trata de autoridade hierarquicamente superior. Ademais, na espécie, exigese respeito às garantias fundamentais do ato jurídico perfeito, da segurança jurídica, no âmbito dos incentivos fiscais legalmente concedidos pela autoridade competente, visando o desenvolvimento econômico e social sustentável. IV Apelação e remessa oficial desprovidas.” (fls. 6074 e doc. 06.iv); vale ressaltar, por oportuno, o seguinte trecho do voto do i. Desembargador Relator: “As Resoluções/SOFRAM que aprovam projetos industriais reconhecendo benefícios fiscais são onerosas (concedidas em função de determinadas condições e para determinada finalidade) e por prazo certo (arts. 40 e 92 do ADCT), sendo, por isso, irrevogáveis e imodificáveis por lei superveniente (art. 178 do CTN), gerando direito adquirido. Em sendo assim, há de ser reconhecido o direito adquirido da autora ao benefício fiscal do redutor da alíquota de Imposto de Importação de 88% (oitenta e oito por cento) para celulares digitais.” (fls. 6074 e doc. 06.iv) em face do r. Acórdão proferido no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, a União, em 16 de dezembro de 2010, opôs Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados, conforme Acórdão publicado em 25 de março de 2011 (fls. 5159 e doc. 06.v). Em 11 de maio de 2011, a União interpôs Recurso Especial no referido Mandado de Segurança, recurso esse que aguarda o exame de admissibilidade, como demonstra a Certidão de Objeto e Pé relativa àquele processo (doc. 06.i). destaquese que o Acórdão do Egrégio Tribunal Regional da 1ª Região reconheceu a inexigibilidade do cálculo do benefício fiscal do redutor da alíquota do Imposto de Importação pelo Coeficiente Variável, e que o recurso interposto pela União em face daquele Acórdão não é dotado de efeito suspensivo, de modo que a exigibilidade do crédito tributário em causa se encontra suspensa. Nesse sentido, há jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes; DO PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 10283.004483/200216 Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.479 7 em 03/06/2002 a impugnante foi notificada da lavratura de Auto de Infração objeto do Processo Administrativo nº 10283.004483/200216 (doc. 07.ii), no qual se exigia o total das diferenças entre os valores do Imposto de Importação, calculados com a aplicação do coeficiente variável de redução, e os recolhidos pelo contribuinte, calculados com a aplicação do coeficiente de redução fixo em 88%, relativos às internações de aparelhos de telefonia celular digital, cujas Declarações de Internação (DIPI), foram registradas entre abril de 1999 e dezembro de 2000; destaquese que o Auto de Infração foi lavrado com a exigibilidade suspensa, por força da medida liminar concedida na Medida Cautelar nº 2000.32.00.0041624, exclusivamente para fins de prevenir a decadência, sem a cobrança de multa de ofício. Após a impugnação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (DRJFOR) solicitou diligência, a qual resultou em lançamento complementar que, ao contrário do lançamento original, foi lavrado sem reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e com o acréscimo da multa de ofício de 75%; apresentada nova impugnação, a DRJFOR, em sessão realizada em 26/09/2003, reconheceu a suspensão da exigibilidade e, por consequência, afastou a multa de ofício cobrada no lançamento complementar (doc. 07.v). Interpostos Recursos de Ofício e Voluntário, o Conselho de Contribuintes, em 15/03/2005, confirmou a suspensão da exigibilidade e a exoneração da multa de ofício cobrada no lançamento complementar; posteriormente, os autos foram remetidos à origem, mais especificamente ao Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário (SECAT) da Alfândega do Porto de Manaus, e lá se encontram desde 17 de março de 2006 (doc. 07.vii), com a exigibilidade do crédito suspensa, aguardando o desfecho das ações judiciais, como demonstra o despacho proferido em 11 de janeiro de 2011 (doc. 07.viii, fl. 673); diante do exposto, resta evidente que, à época da lavratura do Auto de Infração, em 30 de junho de 2011: “a) havia decisão judicial proferida na Ação Ordinária n° 2000.32.00.004869 0, dotada de plena eficácia, na medida em que sujeita apenas a recursos sem efeito suspensivo, declarando o direito da Impugnante calcular a redução do Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares produzidos na Zona Franca de Manaus com base no coeficiente fixo de 88% previsto no parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67; b) havia decisão judicial proferida no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, dotada de plena eficácia, na medida em que sujeita apenas a recursos sem efeito suspensivo, anulando o Ato Declaratório n° 96/2000 do Secretário da Receita Federal e restabelecendo os Atos da SOFRAM e de seu Conselho de Administração, concedendo à Impugnante os benefícios fiscais previstos no DecretoLei nº 288/67, inclusive em relação aos telefones celulares operando em tecnologia digital; c) o crédito tributário objeto do Auto de Infração a que se refere o presente processo administrativo se encontrava m – e ainda se encontra – com sua exigibilidade suspensa, em virtude das decisões proferidas Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624 e nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900.”; vale salientar que a fiscalização estava plenamente ciente desse contexto, porquanto, no curso do procedimento fiscalizatório realizado no presente processo administrativo, a impugnante informou expressamente que "utiliza método do Coeficiente Fixo com amparo em decisões judiciais" (fls. 41 e 141), juntando cópia das referidas decisões judiciais (fls. 46131); Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 DO AUTO DE INFRAÇÃO em relação ao Auto de Infração, observase que a fiscalização, desconsiderando a existência das decisões proferidas na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624, na Ação ordinária nº 2000.32.00.0048690 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900, considerou que a impugnante deveria calcular a redução do Imposto de Importação com base no coeficiente variável e deixou de reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, constituindo o crédito tributário relativo ao tributo acrescido de multa de ofício. Daí a razão da apresentação da presente impugnação, a qual versa sobre questões outras que não são objeto de discussão nos processos judiciais; DA INEXISTÊNCIA DE RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA não há que se cogitar, no presente caso, de renúncia à via administrativa por parte da impugnante, posto que as matérias objeto da impugnação e as matérias versadas nas ações judiciais são absolutamente distintas. Não se está pleiteando, nos limites do presente Processo Administrativo, a apreciação de matérias que são objeto das ações judiciais, devendo, por isso, ser recebida a Impugnação, nos termos da letra "b" do Ato Declaratório Normativo n° 03/1996: “(...) quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (...)”; os pedidos, causa de pedir e mesmo os argumentos jurídicos manejados na esfera judicial não são, de modo algum, idênticos aos veiculados na presente impugnação. Assim, dúvida não remanesce quanto à inexistência de qualquer óbice ao recebimento e regular processamento da presente Impugnação, conforme o pacífico entendimento da Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, devendo, portanto, ser dado seguimento à impugnação, a fim de que seja analisado seu mérito; DA INEXISTÊNCIA DE QUALQUER ALTERAÇÃO EM RELAÇÃO AOS BENEFÍCIOS FISCAIS FRUÍDOS PELA IMPUGNANTE EM DECORRÊNCIA DO DECRETO Nº 6.008/2006 quanto ao mérito, em primeiro lugar, não houve, em decorrência do decreto nº 6.008/2006, qualquer alteração em relação aos benefícios fiscais fruídos pela impugnante. Os terminais portáteis de telefonia celular com tecnologia digital são considerados bens de informática desde muito antes desse Decreto (MIR/MCT/MICT/MC n° 272/93, com a redação que lhe deu a Portaria Interministerial MIR/MCT/MICT/MC n° 138/94); não bastasse isso, o Decreto n° 3.801/2001, que regulamentava o parágrafo primeiro do artigo 4º e o parágrafo 2º do artigo 16A da Lei n° 8.248/91 e que antecedeu o Decreto n° 5.906/2006, referido pelo Auto de Infração, já incluía os telefones celulares como bens de informática; assim, não pode haver dúvida de que não foi o Decreto n° 6.008/2006 que determinou que os terminais portáteis de telefonia celular deveriam ser considerados como bens de informática; em segundo lugar, “seguir o Decreto 6.008/2006”, segundo a fiscalização, seria calcular o Imposto de Importação devido na internação de bens de informática produzidos na Zona Franca de Manaus com base no coeficiente variável (fl. 09). Entretanto, essa determinação já existe desde à edição da Lei nº 8.397/1991, artigo 2º. Portanto, também aqui o Decreto nº 6.008/2006 não trouxe qualquer alteração que justificasse a lavratura do Auto de Infração; em terceiro lugar, não é dado a simples decreto, como o Decreto n° 6.008/2006, alterar os benefícios fiscais concedidos pela lei; Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.480 9 além disso, no caso de benefícios fiscais, como aquele relativo à redução do Imposto de Importação devido na internação de produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, a exigência de lei encontra previsão expressa no parágrafo 6º do artigo 150 da Constituição Federal. Portanto, mesmo que pretendesse fazêlo, o Decreto n° 6.008/2006 não poderia alterar o benefício fiscal fruído pela impugnante; mas, ainda que assim não fosse, a edição do Decreto n° 6.008/2006 não poderia afetar o benefício fiscal fruído pela impugnante. Isso porque, como se viu, as decisões proferidas na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900 reconhecem que a impugnante tem direito adquirido à utilização do coeficiente fixo de 88% no cálculo do Imposto de Importação incidente na internação de terminais portáteis de telefonia celular produzidos na Zona Franca de Manaus, independente da tecnologia utilizada; havendo direito adquirido, não pode ele ser prejudicado sequer por lei, nos termos do que expressamente prevê o inciso XXXVI do artigo 5º da Constituição Federal. Nesse sentido é o trecho (citado) do Acórdão proferido no julgamento da Apelação/Reexame necessário da Ação Ordinária nº 2000.32.00.0048690 se nem lei poderia alterar os benefícios fiscais fruídos pela Impugnante, evidentemente não poderia fazêlo um simples decreto, como o Decreto n° 6.008/2006; DA INSUBSISTÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO: DESRESPEITO À DECISÃO JUDICIAL DOTADA DE EFICÁCIA PLENA como se viu, a impugnante, no âmbito da Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690, obteve sentença de procedência, posteriormente confirmada pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região. o requerimento formulado na petição inicial dessa Ação foi para que esta fosse julgada procedente para o fim ser declarada a existência de relação jurídica que a autoriza a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 do ADCT, dos benefícios fiscais que lhe foram reconhecidos pelo CÃS, em decorrência da Resolução 215/98, mediante a qual lhe foram transferidos os incentivos deferidos à Gradiente Eletrônica S.A, concernentes aos projetos objeto das Resoluções 181/93, 540/93, 204/94 relativos à fabricação de telefones celulares operando em tecnologia analógica, ou digital, combinada ou não com outras tecnologias, incentivos esses que consistem no coeficiente de redução da alíquota do imposto de importação incidente sobre as matérias primas, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira utilizados nos seus respectivos processos de fabricação, dos respectivos produtos, no percentual de 88% (oitenta e oito por cento), conforme o § 4º do art. 7º do DL 288/67, com a redação da Lei 8.387/91; a r. Sentença proferida no julgamento da referida Ação Ordinária foi no sentido de declarar a existência de relação jurídica que autorize a Autora a gozar, pelo prazo estabelecido no art. 40 dos ADCT, dos benefícios fiscais concedidos pela Resolução n° 215/98, na qual lhe foram transferidos os incentivos fiscais previstos no § 4° do art. 7º do DecretoLei n° 288/67 concedidos à Gradiente Eletrônica S/A pelas Resoluções n° 181/93, 540/93 e 204/94 referentes à fabricação de telefones celulares, carregadores de baterias e baterias para telefones operando em tecnologia analógica ou digital combinada ou não com outras tecnologias; o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1ª Região), ao julgar a Apelação interposta pela União e a Remessa Oficial, confirmou essa sentença, sendo Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 10 que a União interpôs Recurso Especial, que está pendente de juízo de admissibilidade. Assim, não pode haver dúvida de que a Impugnante possui a seu favor decisão judicial, dotada de eficácia, que declara seu direito de se valer do coeficiente fixo previsto no parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67 no cálculo da redução do Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares produzidos na Zona Franca de Manaus, independentemente da tecnologia utilizada; o Auto de Infração, no entanto, ignorando e afrontando o comando judicial – não obstante a fiscalização dele haja sido expressamente informada pela impugnante – , constituiu crédito tributário relativo ao Imposto de Importação devido na internação de telefones celulares produzidos na Zona Franca de Manaus justamente sob o fundamento de que impugnante deveria calcular a redução do Imposto de Importação com base no coeficiente variável; ao fazer isso, o Auto de Infração atraiu para o lançamento nele consubstanciado mácula insanável, devendo, por isso, ser julgado integralmente insubsistente. Isso porque a decisão do Egrégio TRF1ª Região declara categoricamente o direito da impugnante de apurar a redução do Imposto de Importação com o emprego do Coeficiente Fixo. Tratase de decisão declaratória, oriunda de Acórdão definitivo daquele Tribunal formado sob cognição plena e exauriente, com eficácia imediata, que obviamente vincula a União; cabe destacar que a eficácia do r. Acórdão proferido pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região não encontra qualquer óbice na circunstância de ele não haver ainda transitado em julgado, pela simples e boa razão de que a produção de efeitos de determinada decisão não possui qualquer dependência da formação da coisa julgada; outrossim, convêm destacar que a circunstância de se tratar de decisão declaratória tampouco representa qualquer óbice a sua imediata aplicação e eficácia seja qual for o ângulo de visão, a conclusão é sempre a mesma: a fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, violou frontalmente a eficácia declaratória do r. Acórdão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que decidiu pela existência do direito da impugnante de apurar a redução do Imposto de Importação com o emprego do coeficiente fixo de 88% previsto no parágrafo 4º do artigo 7º do DecretoLei n° 288/67. Já por isso, deve ser julgado integralmente insubsistente o Auto de Infração; DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGIR MULTA DE OFÍCIO QUANDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO SE ENCONTRA COM A EXIGIBILIDADE SUSPENSA Conforme narrado, não obstante o crédito tributário esteja com sua exigibilidade suspensa, a fiscalização constituiu o crédito tributário relativo ao Imposto de Importação que alega ser devido pela impugnante, acrescido de multa de ofício, pretensamente com fundamento no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; assim, caso superados os argumentos até aqui expendidos, o que apenas para argumentar se admite, deve o Auto de Infração ser reformado, porquanto, uma vez configurada a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época do lançamento, a fiscalização pode constituir o crédito tributário, para prevenir a decadência, mas não pode lançar a multa de ofício, conforme expressamente dispõe o artigo 63 da Lei n° 9.430/96; esse entendimento é unânime no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido inclusive por ele sumulado (Súmula CARF nº 17), tendo efeito Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.481 11 vinculante em relação à Administração Federal por força da Portaria do Ministério da Fazenda nº 383/2010; no caso concreto, portanto, face à suspensão da exigibilidade do crédito tributário em causa, o lançamento deveria haver sido lavrado pelo Fisco apenas com o propósito de forrarse dos efeitos da decadência, sem a aplicação de multa de ofício, de acordo com o referido artigo 63 da Lei n° 9.430/1996; deve ser salientado ainda que, no Processo Administrativo nº 10283.004483/200216, caso em tudo idêntico ao presente, apenas que referente a Declarações de Internação registradas entre abril de 1999 e dezembro de 2000, o lançamento original foi efetuado para prevenir a decadência, sem a aplicação de multa de ofício, nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/96 (doc. 07), exatamente porque a fiscalização reconheceu que o crédito tributário então constituído estava com a sua exigibilidade suspensa por força justamente da medida liminar concedida nos autos da Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624; e posteriormente, como resultado de diligências realizadas naquele Processo Administrativo, foi lavrado lançamento complementar, desta vez com a aplicação da multa de ofício. A cobrança dessa multa foi, no entanto, sumariamente afastada pela Delegacia de Julgamento de Fortaleza, em decisão posteriormente confirmada pelo Conselho de Contribuintes, ao negar provimento ao Recurso de Ofício; assim, restando demonstrada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário ora cobrado, dúvida não remanesce quanto à necessidade de ser reconhecida tal suspensão e, ato contínuo, afastada a multa de ofício cobrada no Auto de Infração; DA IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Diante da verificação de que, em várias oportunidades, a Receita Federal do Brasil exige do contribuinte valores referentes a juros de mora calculados sobre o valor de multa de ofício, muito embora aqueles valores correspondentes aos juros não sejam exigidos nos Autos de Infração, entende por bem a impugnante contestar, desde logo, tal cobrança, na hipótese de ser mantida a multa de ofício, o que se admite apenas para argumentar; a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício não tem suporte legal. a própria dicção do caput do artigo 161 do Código Tributário Nacional evidencia que não há possibilidade de incidir juros de mora sobre a multa de ofício; em relação à Lei nº 9.430/1996, a única interpretação possível do seu artigo 61, que trata dos juros de mora, é no sentido que autoriza a sua incidência somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de ofício lançada; a corroborar o entendimento de que a cobrança de juros é apenas sobre o valor dos tributos e contribuições, temse o artigo 43 da Lei n° 9.430/96; devese salientar por fim, que, a jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais reconhece, em vários Acórdãos o nãocabimento da exigência dos juros de mora sobre o valor da multa de ofício; Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 12 DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DE QUALQUER VALOR QUE SE ENTENDA DEVIDO ENQUANTO NÃO HOUVER DECISÃO FINAL NAS AÇÕES JUDICIAIS OU ENQUANTO NÃO CESSAREM OS EFEITOS DAS MEDIDAS QUE SUSPENDERAM A EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO como se viu, o crédito tributário objeto do presente Processo Administrativo encontrase com sua exigibilidade suspensa, em virtude das decisões proferidas na Medida Cautelar n° 2000.32.00.0041624 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900; assim, não podem ser adotados quaisquer atos tendentes à cobrança do referido crédito tributário, devendo o presente Processo Administrativo, mesmo após sua conclusão, aguardar o resultado das ações judiciais relativas ao crédito tributário nele constituído. Essa a disposição expressa do parágrafo único do artigo 62 do Decreto 70.235/72, segundo o qual, durante a vigência de medida judicial que determinar a suspensão da cobrança do tributo não será instaurado procedimento fiscal contra o sujeito passivo favorecido pela decisão, relativamente, à matéria sobre que versar a ordem de suspensão, sendo que, se a medida referirse a matéria objeto de processo fiscal, o curso deste não será suspenso, exceto quanto aos atos executórios; vale dizer: mesmo que, ao final, entendase que algum valor é devido no presente Processo Administrativo – o que apenas para argumentar se admite – este valor não poderá ser exigido enquanto não houver decisão final nas ações judiciais ou enquanto não cessarem os efeitos das medidas que determinaram a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Segue essa linha o Parecer PGFN/CRJN nº 1.064/1993, elaborado em resposta à consulta formulada pela Secretaria da Receita Federal àquela Procuradoria sobre o alcance do artigo 62 do Decreto nº 70.235/1972, conforme Boletim Central nº 165/93 (doc.09). Não discrepa desse entendimento a doutrina de Leandro Paulsen e outros autores, assim como a jurisprudência administrativa e judicial, conforme Acórdãos do CARF, dos Conselhos de Contribuintes e do STJ; vale salientar que outra não foi a medida adotada nos autos do Processo Administrativo n° 10283.004483/200216, cujo lançamento foi efetuado com a suspensão da exigibilidade do crédito, sem a aplicação de multa de ofício, apenas para prevenir a decadência nos termos do artigo 63 da Lei n° 9.430/96, e assim permanece até os dias atuais, aguardando o desfecho das ações judiciais (doc. 07.viii); assim, dúvida não remanesce de que, no caso concreto, eventual valor que se entenda devido não poderá ser cobrado enquanto não houver decisão final na Ação Ordinária n° 2000.32.00.0048690 e no Mandado de Segurança n° 2001.34.00.0002900 ou enquanto não cessarem os efeitos das medidas que suspenderam a exigibilidade do crédito tributário; por todo o exposto, REQUER o recebimento da presente impugnação, que espera, ao final, ver julgada procedente, nos termos da fundamentação, para o efeito de: a) julgar integralmente insubsistente o Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 10283.720636/201167; ou, sucessivamente, b) julgar insubsistente o Auto de Infração objeto do Processo Administrativo n° 10283.720636/201167, para o efeito de afastar a cobrança da multa de ofício; e, em qualquer caso, Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.482 13 c) afastar a eventual cobrança de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente, em parte, conforme acórdão nº 0823.934, datado de 21/08/2012, às fls. 1.059/1.086, sob as seguintes ementas: “IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA PARCIAL ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. A propositura de ação judicial contra a Fazenda importa renúncia ao direito de recorrer às instâncias julgadoras administrativas, impedindo o pronunciamento destas sobre a matéria objeto de discussão perante o Poder Judiciário. Nessa situação, o lançamento tornase definitivo na esfera administrativa, estando vinculado ao que for decidido no processo judicial. O processo administrativo terá prosseguimento normal, no tocante à matéria diferenciada em relação à ação judicial. Em se tratando de questão acessória, a eficácia do julgamento administrativo ficará subordinada ao resultado do processo judicial. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MEDIDA LIMINAR. A concessão de medida liminar em ação cautelar suspende a exigibilidade do crédito tributário. MEDIDA LIMINAR. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. Incabível o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, no caso de suspensão da exigibilidade por medida liminar.” Por ter exonerado crédito tributário, em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1.159/1.190), requerendo, a sua reforma, a fim de que, se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, (i) a insubsistência do auto de infração por desrespeito à decisão judicial, dotada de eficácia plena e (ii) a inexistência de renúncia, sequer parcial, à via administrativa, repetindo os mesmos argumentos expendidos na impugnação sobre estas duas matérias. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 14 O cancelamento de parte do crédito tributário, multa de ofício, pela autoridade julgadora de primeira instância, teve como fundamento o art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que veda à aplicação de multa no lançamento de ofício para prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir crédito tributário cuja exigibilidade se encontra suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). No presente caso, conforme demonstrado na decisão recorrida, a interessada tinha liminar favorável na Ação Cautelar nº 2000.32.00.0041624, concedida em 07/08/2000 (fls. 638640), em data bem anterior ao início da fiscalização (29/03/2011), conforme a descrição dos fatos do Auto de Infração (fl. 1.062); e, quando da lavratura deste (29/06/2011), com ciência em 30/06/2011, conforme fl. 1.054, a empresa continuava com decisão favorável, já que referida decisão judicial (liminar), foi confirmada por sentença datada de 29/0/2002 (fl. 648) e por acórdão do TRF da 1ª Região. Dessa forma, correta a exoneração de parte do crédito tributário, em discussão, determinada pela autoridade julgadora de primeira instância. O recurso voluntário também atendeu aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. I – Insubsistência do lançamento Ao contrário do entendimento da recorrente, o auto de infração e, conseqüentemente, o lançamento não é insubsistente por desrespeito à decisão judicial. A interposição de ação judicial, seja qual for a modalidade, não tem o condão de impedir o lançamento de ofício. A atividade de lançamento, visando à constituição de crédito tributário, nos termos do Código Tributário Nacional, é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos para sua realização, como no presente caso, conforme dispõe o art. 142, parágrafo único: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Já seu art. 151, assim dispõe: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...]; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10283.720636/201167 Acórdão n.º 3301002.173 S3C3T1 Fl. 1.483 15 [...]. Do conteúdo destes dispositivos legais, verificase que a conseqüência advinda da concessão da liminar é a mera suspensão da exigibilidade do crédito, uma vez que a sua extinção fica condicionada à decisão judicial transitada em julgado reconhecendo sua inexigibilidade. A lavratura do auto de infração para a constituição de crédito tributário com exigibilidade suspensa, em face de ação judicial, não traz prejuízo algum ao contribuinte, sendo o lançamento mero ato de formalização do crédito. Se a decisão transitada em julgado lhe for favorável o lançamento e respectivas cominações legais serão cancelados; se contrária a ele, será exigido seu imediato pagamento, bem como dos juros de mora. As liminares e sentenças proferidas nas ações judiciais interpostas pela recorrente contra a Fazenda Nacional não vedam a constituição do crédito tributário, mas tão somente a sua exigência antes do trânsito em julgado das respectivas decisões. II – Inexistência de concomitância Também, ao contrário do entendimento da recorrente, no presente caso, há sim concomitância entre a matéria discutida na esfera judicial e na esfera administrativa, conforme demonstrado na decisão recorrida. O lançamento em discussão decorreu da insuficiência do recolhimento do imposto sobre as importações pelo fato de a contribuinte ter utilizado o método do coeficiente fixo, na apuração da isenção parcial deste imposto nas internações de insumos (terminais portáteis de telefonia celular) utilizados na industrialização de seus produtos, quando deveria ter utilizado o método do coeficiente variável. Nas ações judiciais se discute exatamente a extensão do mesmo benefício, ou seja, a utilização do coeficiente fixo, no cálculo da redução (isenção parcial) daquele imposto sobre as importações de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). As razões de mérito expendidas pela recorrente, em sua impugnação e no recurso voluntário, também confirmam a concomitância da matéria. Ora, a sua opção pela via judiciária para a discussão de matéria tributária com idêntico pedido na instância administrativa implicou renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser aplicada ao presente caso a Súmula nº 01 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 16 Assim, aplicase ao presente caso esta súmula, cabendo à autoridade administrativa competente cumprir a decisão judicial transitada em julgado. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício, não conheço do recurso voluntário, quanto à matéria oposta concomitantemente nas esferas administrativa e judicial e, na parte conhecida, negolhe provimento. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /02/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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