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Numero do processo: 15586.720495/2016-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012, 2013
RENDIMENTOS DECORRENTES DA CESSÃO DE DIREITO DE IMAGEM DE JOGADOR DE FUTEBOL. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA.
O art. 129 da Lei 11.196/2005 estabeleceu uma exceção à regra da tributação na Pessoa Física dos rendimentos recebidos na prestação de serviços de caráter personalíssimo, autorizando a sujeição tão-somente à legislação aplicável às Pessoas Jurídicas apenas nas hipóteses prestação de serviços intelectuais, de natureza científica, artística ou cultural.
MULTA QUALIFICADA.
Não restando comprovado o dolo, não cabe a qualificação da multa de ofício.
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE.
Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física e para que seja excluída a qualificadora da multa, reduzindo-a para 75%. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. A conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking votou pelo provimento parcial apenas para excluir a qualificadora da multa. O conselheiro Cleberson Alex Friess votou pelo provimento parcial apenas para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aproveitamento dos recolhimentos o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
(assinado digitalmente)
Marialva de Castro Calabrich Schlucking - Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. O art. 129 da Lei 11.196/2005 estabeleceu uma exceção à regra da tributação na Pessoa Física dos rendimentos recebidos na prestação de serviços de caráter personalíssimo, autorizando a sujeição tãosomente à legislação aplicável às Pessoas Jurídicas apenas nas hipóteses prestação de serviços intelectuais, de natureza científica, artística ou cultural. MULTA QUALIFICADA. Não restando comprovado o dolo, não cabe a qualificação da multa de ofício. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. APROVEITAMENTO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 04 95 /2 01 6- 04 Fl. 2020DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.021 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física e para que seja excluída a qualificadora da multa, reduzindoa para 75%. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. A conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking votou pelo provimento parcial apenas para excluir a qualificadora da multa. O conselheiro Cleberson Alex Friess votou pelo provimento parcial apenas para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao aproveitamento dos recolhimentos o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Fl. 2021DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.022 3 Relatório Tratam os presentes de lançamento realizado por meio do Auto de Infração de fl. 1.788, referente aos anoscalendário 2011 e 2012, exercícios 2012 e 2013, respectivamente, acompanhado do demonstrativo de apuração fls. 1.790/1.796 e do Termo de Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1.721/1.787, relativo ao Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física em nome de Anderson Luis de Souza, por meio do qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 10.913.051,22, composto da seguinte forma: R$ 3.722.483,73 relativo ao Imposto; R$ 1.606.481,90 de Juros de mora (calculados até 10/2016); e R$ 5.583.725,59 de Multa Proporcional. O exame dos autos revela que a Ação Fiscal teve por escopo verificar a natureza dos rendimentos auferidos pelo fiscalizado, que, no período, foi jogador de futebol profissional do Fluminense Football Club. Por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal de fls. 64/67, o sujeito passivo foi intimado a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, toda documentação comprobatória acerca dos valores informados a título de rendimentos tributáveis e isentos e não tributáveis, nos anoscalendário 2011 e 2012, contratos de trabalho e outros concernentes ao direito de imagem, atos constitutivos de empresas de sua titularidade, cópia de todos os contratos celebrados pela empresa DECO IMAGEM LTDA., cópias de notas fiscais emitidas por esta empresa, dentre outros. Após o pedido de prorrogação do prazo inicialmente estipulado (fl. 69), o que foi devidamente deferido pela autoridade lançadora (fl. 72), em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 74/164. Por sua vez, ao analisar a documentação acima referida, a Fiscalização emitiu o Termo de Diligência Fiscal nº 01001908 endereçada ao FLUMINENSE FOOTBALL CLUB (fls. 165/166), com resposta às fls. 168/429, Termo de Diligência Fiscal nº 01001916 à UNIMEDRIO COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO DO RIO DE JANEIRO LTDA (fls. 430/431), com resposta às fls. 433/527, bem como o Termo de Diligência Fiscal nº 01001894 junto à empresa do fiscalizado, DECO IMAGEM LTDA. (fls. 528/529), com resposta às fls. 531/1704. Analisados os contratos firmados entre o FLUMINENSE FOOTBALL CLUB e a UNIMEDRIO COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO DO RIO DE JANEIRO LTDA, o contribuinte, e a pessoa jurídica intermediária (DECO IMAGEM LTDA.), a Fiscalização constatou que tais contratos tiveram por objeto a promoção e a publicidade utilizando o nome, a voz e a imagem do atleta de futebol profissional ANDERSON LUIS DE SOUZA (DECO) nos anoscalendário 2011 e 2012. Os valores recebidos do FLUMINENSE por força de tais contratos encontramse discriminados às fls. 1.739/1.740. Já os valores recebidos da UNIMEDRIO por força de tais contratos encontramse discriminados às fls. 1.742/1.743. Em razão disso, a Fiscalização elaborou o Termo de Encerramento da Ação Fiscal de fls. 1.721/1.787 e lavrou o auto de infração de fls. 1.788/1.799. Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.023 4 De acordo com a autoridade fiscal, houve omissão de rendimentos tributáveis auferidos a título de uso do direito de imagem, de natureza personalíssima, com utilização de pessoa jurídica intermediária para viabilizar que os rendimentos recebidos a título de direitos de imagem tivessem aparência de receita da pessoa jurídica, quando, na verdade, quem estava sendo remunerado era o atleta. Ao lançar a infração, qualificou a multa de ofício aplicada, por entender que foi utilizado artifício com a finalidade de enquadrar rendimentos próprios da pessoa física em tributação menos onerosa. O Fisco também levantou dúvidas acerca da natureza dos rendimentos recebidos a título de direito de imagem (se recebidos com vínculo ou sem vínculo empregatício, fls. 1.746 e 1.752), uma vez que os rendimentos recebidos do Fluminense, em contrapartida pelos serviços prestados pelo jogador (atividade fim, cujos bons resultados justificariam o uso de sua imagem) foram significativamente modestos diante daqueles pagos a pessoa jurídica interposta (fls. 1.755/1.756) por força dos contratos firmados com base no uso do direito de imagem. A Autoridade Lançadora entendeu que as referidas negociações, em verdade, não passam de um artifício para evitar ou reduzir o pagamento de encargos sociais, trabalhistas e tributários. Entretanto observou que, no caso concreto, tendo os rendimentos ora tidos como omitidos, caráter salarial ou não, o imposto de renda recairá, forçosamente, sobre os rendimentos da pessoa física, e não da pessoa jurídica, dado o caráter personalíssimo do direito de imagem. Por fim, concluiu a Fiscalização que a percepção de tais rendimentos por meio de uma empresa intermediária constituiu ardil para ocultar a verdadeira natureza dos rendimentos auferidos, e, dessa forma, o rendimento decorrente do uso da imagem deixou de ser oferecido à tributação para ser informado na Declaração como rendimento isento proveniente da distribuição de lucros da empresa intermediária. Dessa forma, e ainda de acordo com a visão do Fisco, o artifício é facilmente identificado mediante exame da composição do capital social da empresa intermediária: ANDERSON LUÍS DE SOUZA (o próprio fiscalizado, com 99% do capital) e OSIAS LUIZ DE SOUZA (com 1% do capital). Dessa forma, a multa de ofício foi qualificada em 150%. Devidamente cientificado (fl. 1.848), o Interessado apresentou, por intermédio de procurador regularmente constituído (fls. 1.877/1881), tempestivamente, Impugnação (fls. 1.853/1.876), alegando, resumidamente, o que segue: (i) Inicialmente, argumenta que o auto de infração é nulo, pois foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal em VitóriaES, de jurisdição diversa, uma vez que o contribuinte reside em IndaiatubaSP, de modo que aquela delegacia não goza de competência territorial para lavrar o auto de infração; (ii) Sustenta erro no cálculo do imposto, uma vez que já teria pago parte do valor lançado pela pessoa jurídica constituída para sublicenciar o uso de imagem do impugnante; Fl. 2023DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.024 5 (iii) Toda contratação havida pelo Impugnante está conforme o direito civil, pois, antes de tudo, é lícita, tem forma e conteúdo previstos em lei e atendem as regras civis vigentes; (iv) A Lei nº 9.615/1998 (Lei Pelé) traz, em seu artigo 87A, a possibilidade de cessão ou exploração do direito de imagem mediante contrato de natureza civil; (v) Além disso, o artigo 980A do Código Civil, ao tratar das regras de funcionamento da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), tornou possível a contratação da cessão do direito de imagem, não havendo razão para que o Impugnante, sendo funcionário do Fluminense Futebol Clube, não fizesse contratos de imagem com outras empresas; (vi) Não é possível caracterizar as receitas de exploração econômica do direito de imagem como rendimentos do trabalho, de modo que é equivocado o entendimento da fiscalização de que o direito de uso de sua imagem não poderia ser sublicenciado a terceiros por pessoa jurídica interposta; (vii) A Fiscalização negligenciou o comando contido no artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, que passou a prever, para a prestação de serviços personalíssimos, o tratamento tributário e previdenciário aplicável às pessoas jurídicas; (viii) A mera alegação de que o impugnante não poderia terse utilizado de pessoas jurídicas para realizar atividades de cunho personalíssimo não se presta, por si só, para fazer prova de que houve sonegação, fraude ou conluio; (ix) Não se verifica, na espécie, qualquer ação do contribuinte que visou impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pelo Fisco, tampouco a simular ato jurídico inexistente, que justifique a aplicação da multa qualificada de 150%; (x) Não houve qualquer omissão de informação por parte do sujeito passivo, tendo agido de boafé, com lisura e transparência, de modo que não se justifica a qualificação da multa de ofício; Ao final, requer seja cancelado o Auto de Infração, haja vista sua nulidade, bem como pela possibilidade de sublicenciar seu direito de imagem a terceiros e pela ausência de qualquer elemento que demonstre dolo tendente a sonegar tributos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1290.156 da 19ª Turma da DRJ/RJO, às fls. 1.969/1.983, julgando improcedente a impugnação apresentada em face do lançamento, mantendo o crédito tributário exigido em sua integralidade. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.025 6 A decretação da nulidade do procedimento fiscal somente é admitida quando comprovadas as hipóteses previstas em lei relativas a cerceamento do direito de defesa e prática de atos por autoridade incompetente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA TERRITORIAL. Inexiste nulidade em lançamento fiscal efetuado dentro das normas legais, bem como se efetuado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil lotado em repartição fiscal que não pertence à circunscrição do domicílio tributário do contribuinte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. POSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA. A lei permite a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços, mesmo em caráter personalíssimo. No entanto, não se enquadram na hipótese definida no art. 129 da Lei 11.196/2005 todos os serviços, mas tão somente os serviços intelectuais, quais sejam, aqueles que, em oposição ao serviço físico, ou material, dependem da inteligência ou do preparo acadêmico do trabalhador. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. CITAÇÕES DOUTRINÁRIAS NA IMPUGNAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa apreciar alegações mediante juízos subjetivos, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional. MULTA QUALIFICADA Uma vez comprovado o evidente intuito de fraude, através de conduta dolosa, há que se qualificar a multa no montante de 150% do imposto devido. Impugnação Improcedente Fl. 2025DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.026 7 Crédito Tributário Mantido” O contribuinte foi cientificado da decisão de 1ª instância em 24/08/2017, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 1.986. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.990/2.009), com as seguintes razões recursais: (i) Da nulidade em virtude de erro no cálculo do imposto. É inadmissível que a 19ª Turma da Delegacia de Julgamento pretenda reclassificar os rendimentos recebidos pelas pessoas jurídicas do Recorrente mas ignore os tributos recolhidos por estas entidades ao longo do mesmo período na apuração do quantum devido a título de imposto de renda da pessoa física. Não pode o recorrente se conformar com a exigência do imposto de renda a alíquotas progressivas até 27,5% e, de outro lado, com a total desconsideração dos tributos federais recolhidos pelas pessoas jurídicas constituídas para sublicenciar o uso da imagem do Recorrente, em alíquota aproximada de 14,53% (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Admitir esse procedimento significa impor às receitas de licenciamento do uso da imagem uma escorchante tributação à alíquota combinada de 42,03%, sem mencionar a multa qualificada de 150% imposta sobre uma base tributável sabidamente majorada, tudo isso a configurar enriquecimento ilícito do Estado, além de tributação com efeito de confisco, ambos vedados constitucionalmente por cláusula pétrea. Nem se alegue que os tributos federais recolhidos pelas pessoas jurídicas poderiam ser restituídos na via administrativa apropriada, conforme o fez o v. Acórdão ora recorrido, sob o argumento de que para a pessoa física, o crédito proveniente da Pessoa Jurídica é considerado como “créditos de terceiros”, cuja compensação é vedada pelo art. 74 da Lei 9.430/96. Ou seja, ao mesmo tempo em que se desconsidera a personalidade jurídica das empresas para atingir a pessoa física, admitese que as Pessoas Jurídicas existem e são titulares de créditos tributários não compensáveis pela pessoa física. Nesse passo, afirma que esse entendimento é contrário ao já decidido pelo CARF em casos similares ao presente e cita jurisprudência administrativa. Além disso, defende que os tributos pagos pelas pessoas jurídicas se referem aos anoscalendário 2011 e 2012 e, provavelmente, terão sido abarcados pela decadência do direito creditório na conclusão desta lide, de modo que as empresas do Recorrente não poderiam sequer instrumentalizar seu direito à repetição do indébito, configurando claramente o enriquecimento ilícito do Erário. Diante desses argumentos, é de rigor o reconhecimento da nulidade do presente auto de infração pelo erro na apuração da base de cálculo do tributo exigido ao prescindir a d. fiscalização do seu dever de compensar os tributos pagos pelas pessoas jurídicas do Recorrente. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.027 8 Caso entendam os I. Julgadores que esta questão não é matéria de preliminar, requerse desde já sua análise em sede de mérito seguindo o princípio da fungibilidade. (ii) Da possibilidade de exploração econômica da imagem por pessoa jurídica detida pelo seu autor. A controvérsia central posta nestes autos gira em torno da possibilidade de utilização de pessoa jurídica controlada pelo detentor da imagem para explorar economicamente os direitos de uso desta imagem através de seu licenciamento a terceiros, neste caso, especificamente, a agremiações esportivas e empresas parceiras. A esse respeito, o v. Acórdão assevera a invalidade da constituição da pessoa jurídica para explorar comercialmente sua imagem com os mesmos clubes e parceiros comerciais no período de vigência do contrato de trabalho, uma vez que a pessoa física do Recorrente também era remunerada no bojo de um contrato de trabalho por serviços de jogador de futebol profissional prestados a agremiações esportivas, no presente caso, o Fluminense Football Club. Dessa forma, ao descaracterizar os ajustes de cessão de uso de imagem feitos entre as empresas do Recorrente, a saber, “Deco Imagem Ltda” com as contrapartes “Fluminense Football Club” e “UnimedRio”, a d. Delegacia de Julgamento concluiu, por decorrência lógica da natureza personalíssima, intransferível e imprescritível desses direitos, que os rendimentos da exploração da Imagem do Recorrente não teriam como se dissociar da tributação na pessoa física do efetivo prestador de serviços. No entanto, a r. decisão admite adiante que tal entendimento não pode ser aplicado indistintamente a todos os casos, em razão da superveniência do artigo 129 da Lei 11.196/2005. E a esse respeito, toma emprestada farta doutrina civilista e tributária para fazer crer que a atividade realizada pelo Recorrente estaria fora do conceito de serviços intelectuais, que seriam aquelas atividades exclusivas dos profissionais liberais. Aqui cabe apontar uma grave inconsistência da r. decisão de primeira instância: se na página 15 é enfática ao negar citações doutrinárias trazidas pelo Recorrente, sob o argumento de que “não compete ao Órgão Julgador Administrativo apreciar alegações mediante juízos subjetivos, como as doutrinas trazidas ao processo pelo contribuinte, uma vez que a atividade administrativa deve ser exercida de forma plenamente vinculada, sob pena de responsabilidade funcional”, nas páginas 11 e 12 também não falta eloqüência, boa vontade e curiosidade acadêmica para fazer uma interpretação elástica do conceito “serviços intelectuais”, citandose diversos doutrinadores civilistas e tributários para embasar o seu entendimento. Aqui o Recorrente se pergunta aonde estaria o ato administrativo vinculado ao texto da lei que a r. decisão alega aplicar. Conclui, assim, a r. decisão, que “o texto da norma e as definições apresentadas [acima] demonstram claramente que a atividade do jogador de futebol não foi Fl. 2027DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.028 9 acolhida no rol dos serviços albergados pelo art. 129 da Lei nº 11.196/2005. Portanto, não se aplica à situação do interessado, uma vez que os serviços prestados pela empresa Dario L Conca Empreendimentos Esportivos Ltda nada tem de intelectuais”. Vejase sobre este ponto que a d. fiscalização se equivoca inclusive sobre a denominação da Pessoa Jurídica do Contribuinte, o presente auto de infração possui como sujeito passivo “Anderson Luis de Souza” e não de “Dario Leonardo Conca”. A propósito, se mantivesse a mesma curiosidade acadêmica, os I. Julgadores notariam que o Recurso Voluntário do referido jogador já foi julgado em 05 de julho de 2017 pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária. Desnecessário, portanto, esforço para demonstrar a ampla possibilidade de cessão de direitos de imagem de pessoa física para jurídica no ordenamento jurídico. Não obstante, a d. Turma Julgadora de primeiro grau prossegue em sua decisãoréplica apoiada em falsas premissas, que ora decorrem da interpretação equivocada de normas e institutos jurídicos fundamentais, ora exsurgem da total negligência de normas jurídicas cogentes e aplicáveis ao caso concreto e, até mesmo, da falta de plena compreensão da atividade de jogador profissional de futebol e da industria do futebol em geral. Cita o artigo 5º da Constituição Federal e argumenta que o legislador constituinte pretendeu (i) proteger a imagem contra agravos ou danos (inciso V), (ii) conferir à imagem característica de inviolabilidade, assegurando indenização em caso de violação (inciso X) e (iii) proteger, na forma da lei, a imagem de pessoas que participem de obras coletivas, incluindo atividades desportivas. Adiante, afirma que ao contrário do que pretende sustentar a decisão recorrida, não há nestes dispositivos constitucionais qualquer vedação da exploração da imagem por terceiros: o que se estipula, isto sim, é que a imagem só deva ser utilizada, seja para fins comerciais ou não, quando a utilização é consentida pelo seu titular. Em relação ao direito de imagem protegido no inciso XXVIII da Constituição Federal, a Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), norma que regulamenta o comando constitucional em tela para profissionais de futebol – expressamente citada no v. Acórdão à página 44, traz em seu artigo 87A a possibilidade de sua cessão ou exploração mediante contrato de natureza civil. A redação do artigo 87A da Lei Pelé é absolutamente clara ao autorizar a cessão ou exploração do direito ao uso da imagem do atleta. Não há aqui qualquer restrição ao sublicenciamento deste direito de uso de imagem como pretende fazer crer a d. Delegacia – e nem poderia, posto que o sublicenciamento é, em última análise, uma das formas de exploração do próprio direito de uso da imagem. A única vedação ao sublicenciamento do uso da imagem do Recorrente teria que advir de ajuste contratual entre as partes expressamente vedando a exploração da imagem por terceiros, o que não se verifica no caso concreto. Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.029 10 Mesmo que não fosse clara a redação do art. 87A da Lei Pelé, ainda sim poderseia recorrer ao Código Civil que, ao tratar das regras de funcionamento da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), elimina qualquer dúvida sobre a possibilidade de exploração econômica da imagem por pessoa jurídica interposta pelo seu titular. E defende que se o próprio Código Civil admitiu, ao regulamentar as sociedades organizadas sob a forma de EIRELI, a possibilidade de que seu único sócio licencie o direito de exploração de sua imagem à pessoa jurídica, não há como negar a possibilidade das pessoas jurídicas controladas pelo Recorrente de sublicenciarem a exploração de sua imagem a terceiros. E conclui: pensar de forma diversa, conduziria ao equivocado raciocínio de que somente este novo tipo societário estaria autorizado a explorar tal atividade. Na sequência, sustenta que negar o direito do Recorrente de licenciar a imagem a pessoas jurídicas por ele controladas que, por sua vez, sublicenciam tais direitos a terceiros, apenas para impor a tributação das receitas do sublicenciamento no plano da pessoa física, é ato contrário à Lei Pelé, ao Código Civil, aos princípios da livre iniciativa, liberdade de contrato e autonomia de vontade das partes e, mais especificamente, ao próprio artigo 110 do Código Tributário Nacional. (iii) Da caracterização das receitas de exploração econômica do direito de imagem do recorrente como rendimentos do trabalho. Argumenta que a DRJ de origem entendeu, em interpretação equivocada da Constituição, da Lei Pelé e do Código Civil, que o direito de uso da imagem do Recorrente não poderia ser sublicenciado a terceiros por pessoa jurídica interposta para ser titular da licença do referido direito. Não obstante, ainda baseada na mesma premissa equivocada, equiparou se às receitas auferidas pelas empresas do Recorrente ao tratamento tributário de rendimentos do trabalho auferidos na pessoa física. Defende que mesmo que o Recorrente tivesse o único objetivo de receber rendimentos oriundos de seu trabalho de atleta profissional de futebol através de suas empresas, o que se admite apenas por hipótese, ainda assim não se poderia desconsiderar estas pessoas jurídicas para tributar tais rendimentos na pessoa física. Afirma que “desconsiderouse, nestes autos, que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 (seja esta norma dispositiva ou interpretativa, o que não cabe discutir por irrelevante) passou a prever, indistintamente, para ‘a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços’ o tratamento tributário e previdenciário aplicável ás pessoas jurídicas”. Apesar disso, teria concluído que “a atividade desportiva de jogador de futebol não foi acolhida no rol dos serviços albergados pelo art. 129 da Lei 11.196”. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.030 11 Todavia, argumenta que a decisão recorrida não merece ser mantida. Isso porque, de acordo com o Recorrente, não há fundamento legal que sustente a alegação de que os serviços prestados pelas empresas do Recorrente não são os serviços intelectuais de que trata o artigo 129 da Lei nº 11.196/2005. Em segundo lugar, mesmo que se aceite por hipótese a desconsideração das pessoas jurídicas e, ou mesmo a reclassificação dos rendimentos, como pretende sustentar a d. Delegacia da Receita Federal, portanto, que se reconheça a relação de remuneração por serviços de jogador de futebol profissional – como pretendeu a d. fiscalização , ainda assim não há tampouco qualquer fundamento legal que descaracterize o caráter intelectual e artístico desta atividade profissional. Sustenta que a única exceção que poderia afastar a aplicação do artigo 129 da Lei nº 11.196/2005 é o artigo 50 do Código Civil, que prevê a possibilidade de desconsideração, reconhecida em juízo ou pelo Ministério Público, da pessoa jurídica (de serviços personalíssimos) envolvida em caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial o que, repisese, jamais foi sequer alegado nos autos. Nesse aspecto, caso a autoridade fiscal quisesse provar a ocorrência do abuso da personalidade jurídica no caso concreto, deveria o fazer por outros elementos que não a mera demonstração da natureza personalíssima dos serviços prestados por sócio – já que esta última demonstração apenas corrobora e valida a aplicação do artigo 129 da Lei nº 11.196/2005. (iv) Da absoluta inaplicabilidade de multa qualificada ao presente caso. Em breve resumo, defende o Recorrente que não se verificou nos autos qualquer ação sua visando a impedir ou retardar o reconhecimento do fato gerador pelo Fisco, tampouco simular ato jurídico inexistente para evitar pagamento de tributo ou até mesmo sua participação em conluio fraudulento, de modo a justificar a aplicação da multa de 150%. Assim, pela absoluta falta de elementos nos autos que apontem para uma conduta dolosa ou fraudulenta do Recorrente, é de rigor que a multa agravada seja integralmente cancelada junto com as acusações de crime contra a ordem tributária elencadas pela I. Autoridade Fiscal. Ao final, requer: (a) a reforma integral do Acórdão nº 1290.156 proferido pela 19ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal do Brasil – DRJ/RJO para que o auto de infração em tela seja cancelado, tendo em vista estar eivado de nulidade por erro no cálculo do tributo e sansões legais exigidas, desconsiderando os tributos pagos pelas pessoas jurídicas do Recorrente que ora se presente desconsiderar. (b) no mérito, requer o recorrente a reforma integral do Acórdão nº 12 90.156 para que seja reconhecida a total improcedência material do auto de infração, seja pela (i) absolta possibilidade de sublicenciar o uso da imagem a terceiros por pessoas Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.031 12 jurídicas interpostas pelo seu detentor, (ii) pela permissão do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 para a exploração de atividade de caráter personalíssimo por pessoas jurídicas detidas pelo sócio, mesmo que as atividades sejam exclusivamente por este exercidas, e (iii) pela ausência de qualquer elemento nos autos que demonstre, mesmo que remota e indiretamente, a ação ou omissão dolosa do Recorrente tendente a sonegar tributos passível de penalidade qualificada. Protesta, por fim, pelo direito de realizar sustentação oral de suas razões por ocasião do julgamento do presente recurso, nos termos da legislação aplicável. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 24/08/2017, conforme Aviso de Recebimento acostado à fl. 1.986, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 22/09/2017, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Inicialmente, verificase que o Recorrente aventou preliminar de nulidade do presente Auto de Infração ao fundamento de haver erro no cálculo do imposto. Para tanto, sustenta da seguinte forma: “[...] Tal como exaustivamente demonstrado em sua impugnação, a moralidade não é simplesmente um valor em si próprio, mas uma regra de conduta que deve pautar todo e qualquer ato emanado pelo administração pública, incluindose, sobretudo, os atos do fisco. A relação fiscocontribuinte deve buscar sempre a finalidade pública, fazendose uma ‘(...) análise da ação administrativa, para investigar se o conjunto de seus elementos realmente sustenta o interesse público ou Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.032 13 apenas dá a falsa impressão de que o faz’ [MOREIRA NETO, Diogo de Figueiredo. Moralidade Administrativa: do conceito à efetivação. Revista de Direito Administrativo]. Assim, o administrador, ao agir, deverá decidir não só entre o legal e o ilegal, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas também entre o honesto e o desonesto. A doutrina enfatiza que a noção de moral administrativa não está vinculada às convicções íntimas do agente público, mas sim à noção de autuação adequada e ética existente no grupo social. Neste contexto, e inadmissível conceber que a d. 19ª Turma da Delegacia de Julgamento pretenda reclassificar os rendimentos recebidos pelas pessoas jurídicas do Recorrente mas ignore os tributos recolhidos por estas entidades ao longo do mesmo período na apuração do quantum devido a título de imposto de renda da pessoa física. Ora, não pode o Recorrente se conformar com a exigência do imposto de renda a alíquotas progressivas até 27,5% e, de outro lado, com a total desconsideração dos tributos federais recolhidos pelas pessoas jurídicas constituídas para sublicenciar o uso da imagem do Recorrente, em alíquota aproximada de 14,53% (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Admitir esse procedimento significa impor às receitas de licenciamento do uso da imagem uma escorchante tributação à alíquota combinada de 42,03%, sem mencionar a multa qualificada de 150% imposta sobre uma base tributável sabidamente majorada, tudo isso a configurar enriquecimento ilícito do Estado, além de tributação com efeito de confisco, ambos vedados constitucionalmente por cláusula pétrea. Nem se alegue que os tributos federais recolhidos pelas pessoas jurídicas poderiam ser restituídos na via administrativa apropriada, conforme o fez o v. Acórdão ora recorrido, sob o argumento de que para a pessoa física, o crédito proveniente da Pessoa Jurídica é considerado como “créditos de terceiros”, cuja compensação é vedada pelo art. 74 da Lei 9.430/96. Ou seja, ao mesmo tempo em que se desconsidera a personalidade jurídica das empresas para atingir a pessoa física, admitese que as Pessoas Jurídicas existem e são titulares de créditos tributários não compensáveis pela pessoa física. Tal entendimento é frontalmente contrário ao já enunciado por esta E. Conselho em casos emblemáticos e com objetos similares à presente controvérsia, como dos jogadores Neymar e Alexandre Pato e do tenista Gustavo Kuerten, respectivamente nestes termos: Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.033 14 [...] Além disso, os tributos pagos pelas pessoas jurídicas se referem aos anoscalendário 2011 e 2012 e, provavelmente, terão sido abarcados pela decadência do direito creditório na conclusão desta lide, de modo que as empresas do Recorrente não poderiam sequer instrumentalizar seu direito à repetição do indébito, configurando claramente o enriquecimento ilícito do Erário já citado acima. Diante desses argumentos, é de rigor o reconhecimento da nulidade do presente auto de infração pelo erro na apuração da base de cálculo do tributo exigido ao prescindir a d. fiscalização do seu dever de compensar os tributos pagos pelas pessoas jurídicas do Recorrente. Caso entendam os I. Julgadores que esta questão não é matéria de preliminar, requerse desde já sua análise em sede de mérito seguindo o princípio da fungibilidade.” Todavia, tenho para mim, que se a matéria arguida em preliminar se confunde com aquela referente à questão de fundo, deve ser afastada para enfrentamento por ocasião da discussão do mérito. No caso dos autos, concluir se de fato houve, ou não, o alegado erro no cálculo do imposto, comporta adentrar o mérito da questão. Portanto, rejeito a preliminar acima arguida. 3. DO MÉRITO 3.1. Da omissão de rendimentos decorrente da exploração do direito de imagem. Conforme relatado, tratase de lançamento de ofício em face do contribuinte ANDERSON LUIS DE SOUZA, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) dos exercícios 2012 e 2013 (anoscalendário 2011 e 2012), em que está sendo exigido do contribuinte o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 10.913.051,22. De acordo com a fiscalização, a Ação Fiscal teve por escopo verificar a natureza dos rendimentos auferidos pelo fiscalizado, que, no período, foi jogador de futebol profissional do Fluminense Football Club. No decorrer do procedimento, narra a Autoridade Fiscal, em relação ao período fiscalizado, o contribuinte ANDERSON LUIS DE SOUZA não declarou como rendimentos tributáveis os rendimentos auferidos a título de licenciamento de uso de imagem, recebidos por intermédio da pessoa jurídica DECO IMAGEM LTDA. Sustenta o Fisco, que a pessoa jurídica DECO IMAGEM LTDA foi utilizada como intermediária no recebimento de valores devidos, supostamente, a título do licenciamento de uso de imagem do jogador de futebol Anderson Luís de Souza (Deco). Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.034 15 Prossegue no sentido de que tais valores foram negociados e estabelecidos em contratos por intermédio da citada pessoa jurídica como se ela fosse detentora do direito de licenciar o uso da imagem do jogador de futebol. As negociações foram levadas a efeito pelo próprio jogador na qualidade de sócio majoritário e representante da citada empresa. Assim, a pessoa jurídica emitiu notas fiscais de serviço em contrapartida de pagamentos pelo licenciamento do uso da imagem do jogador, quando, na verdade, quem estava sendo remunerado era a pessoa física, o sócio Anderson Luís de Souza, seja pela utilização de sua imagem, seja pelos serviços prestados como jogador de futebol. Tais valores (rendimentos da pessoa física) foram tratados como receitas pela pessoa jurídica mencionada, como se fossem recebidos por serviços prestados por ela na exploração de imagem do jogador de futebol ANDERSON LUIS DE SOUZA e, posteriormente, repassados a ele a título de distribuição de lucros e dividendos. Em função desses fatos, a Fiscalização constatou que o sujeito passivo, jogador de futebol, utilizouse indevidamente da “interposta” pessoa jurídica Deco Imagem Ltda., constituída única e exclusivamente para intermediar o recebimento de rendimentos próprios da pessoa física, com o fim de, irregularmente, submetêlos a uma tributação menos onerosa. Instaurado o contencioso administrativo, a 19ª Turma da DRJ/RJO, por intermédio do Acórdão nº 1290.156, concluiu que, por se tratar, de um direito personalíssimo, o direito de imagem não pode ser transmitido a outra pessoa, de modo que a esta é vedado negociálo posteriormente como se titular desse direito fosse. Eis parte da ementa que tratou dessa matéria na decisão recorrida: “[...] OMISSÃO DE RENDIMENTOS. EXPLORAÇÃO DE DIREITO PERSONALÍSSIMO. TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculados ao exercício da atividade esportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, que é de fato aquela que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INTELECTUAIS. CARÁTER PERSONALÍSSIMO. POSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA JURÍDICA. A lei permite a constituição de pessoas jurídicas para a prestação de serviços, mesmo em caráter personalíssimo. No entanto, não se enquadram na hipótese definida no art. 129 da Lei 11.196/2005 todos os serviços, mas tão somente os serviços intelectuais, quais sejam, aqueles que, em oposição ao serviço físico, ou material, dependem da inteligência ou do preparo acadêmico do trabalhador. [...]” Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.035 16 Nas razões do Recurso Voluntário interposto, o contribuinte se insurge no sentido de que a “Turma Julgadora de primeiro grau prossegue em sua decisãoréplica apoiada em falsas premissas, que ora decorrem da interpretação equivocada de normas e institutos jurídicos fundamentais, ora exsurgem da total negligência de normas jurídicas cogentes e aplicáveis ao caso concreto e, até mesmo, da falta de plena compreensão da atividade de jogador profissional de futebol e da indústria do futebol em geral”. Cita o artigo 5º da Constituição Federal e argumenta que o legislador constituinte pretendeu (i) proteger a imagem contra agravos ou danos (inciso V), (ii) conferir à imagem característica de inviolabilidade, assegurando indenização em caso de violação (inciso X) e (iii) proteger, na forma da lei, a imagem de pessoas que participem de obras coletivas, incluindo atividades desportivas. Adiante, afirma que ao contrário do que pretende sustentar a decisão recorrida, não há nestes dispositivos constitucionais qualquer vedação da exploração da imagem por terceiros: o que se estipula, isto sim, é que a imagem só deva ser utilizada, seja para fins comerciais ou não, quando a utilização é consentida pelo seu titular. Defende que em relação ao direito de imagem protegido no inciso XXVIII da Constituição Federal, a Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), norma que regulamenta o comando constitucional em tela para profissionais de futebol – expressamente citada no v. Acórdão à página 44, traz em seu artigo 87A a possibilidade de sua cessão ou exploração mediante contrato de natureza civil. Narra que a redação do artigo 87A da Lei Pelé é absolutamente clara ao autorizar a cessão ou exploração do direito ao uso da imagem do atleta. E arremata: “Não há aqui qualquer restrição ao sublicenciamento deste direito de uso de imagem como pretende fazer crer a d. Delegacia – e nem poderia, posto que o sublicenciamento é, em última análise, uma das formas de exploração do próprio direito de uso da imagem”. Sustenta que a única vedação ao sublicenciamento do uso da imagem do Recorrente teria que advir de ajuste contratual entre as partes expressamente vedando a exploração da imagem por terceiros, o que não se verifica na espécie. Diz que, mesmo que não fosse clara a redação do art. 87A da Lei Pelé, ainda sim poderseia recorrer ao Código Civil que, ao tratar das regras de funcionamento da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), elimina qualquer dúvida sobre a possibilidade de exploração econômica da imagem por pessoa jurídica interposta pelo seu titular. E defende que se o próprio Código Civil admitiu, ao regulamentar as sociedades organizadas sob a forma de EIRELI, a possibilidade de que seu único sócio licencie o direito de exploração de sua imagem à pessoa jurídica, não há como negar a possibilidade das pessoas jurídicas controladas pelo Recorrente de sublicenciarem a exploração de sua imagem a terceiros. E conclui: pensar de forma diversa, conduziria ao equivocado raciocínio de que somente este novo tipo societário estaria autorizado a explorar tal atividade. Na sequência, sustenta que negar o direito do Recorrente de licenciar a imagem a pessoas jurídicas por ele controladas que, por sua vez, sublicenciam tais direitos a Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.036 17 terceiros, apenas para impor a tributação das receitas do sublicenciamento no plano da pessoa física, é ato contrário à Lei Pelé, ao Código Civil, aos princípios da livre iniciativa, liberdade de contrato e autonomia de vontade das partes e, mais especificamente, ao próprio artigo 110 do Código Tributário Nacional. Pois bem. A controvérsia central posta nestes autos gira em torno da possibilidade de utilização de pessoa jurídica controlada pelo detentor da imagem para explorar economicamente os direitos de uso desta imagem através de seu licenciamento a terceiros. É cediço que o direito de imagem encontra previsão no artigo 5º, V e X, da Constituição Federal, caracterizandose como um direito individual personalíssimo que, no caso do atleta profissional, se relaciona à veiculação da sua imagem individualmente considerada. Confirase: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] V é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; [...] X são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;” Sintetiza com maestria André Pessoa (Atualidades sobre direito esportivo no Brasil e no mundo, Editora Seriema, pg. 72), ao afirmar que o direito de imagem consiste na “prerrogativa que tem toda pessoa natural de não ter violada a sua intimidade, pela veiculação de seu corpo e/ou voz, sem que haja a sua expressa autorização”. Segundo o artigo 87A da Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), incluído pela Lei nº 12.395/2011, é possível a celebração, paralelamente ao contrato especial de trabalho desportivo, de um contrato de licença do uso de imagem, de natureza civil. Eis o teor desse dispositivo: “Art. 87A. O direito ao uso da imagem do atleta pode ser por ele cedido ou explorado, mediante ajuste contratual de natureza civil e com fixação de direitos, deveres e condições inconfundíveis com o contrato especial de trabalho desportivo. (Incluído pela Lei nº12.395, de 2011)”. Mediante o referido contrato de licença do uso de imagem, o atleta, em troca do uso de sua imagem pela entidade de prática desportiva que o contrata, obtém um retorno financeiro, de natureza jurídica não salarial. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.037 18 Tratase de um contrato autônomo em relação ao contrato de trabalho, conforme se depreende do § 1º do artigo 45 do Decreto nº 7.984/2013, de acordo com o qual o “ajuste de natureza civil referente ao uso ajuste de natureza civil referente ao uso da imagem do atleta não substitui o vínculo trabalhista entre ele e a entidade de prática desportiva e não depende de registro em entidade de administração do desporto”. Esse contrato autônomo de licença de uso de imagem “tem por intuito utilizar a sua imagem fora da jornada de trabalho, extracampo, de forma diferente da que é utilizada no âmbito da relação empregatícia, implícita à sua profissão. Isso porque a profissão de atleta, assim como a de ator, jornalista, apresentador de programa, possui uma característica especial no qual se pressupõe a difusão de sua imagem durante sua atividade laboral”. (O Direito Desportivo e a Imagem do Atleta, Felipe Legrazie Ezabella, pg. 114). Verificase que o artigo 87A da Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), ao autorizar o aludido ajuste contratual de natureza civil, não fixa o momento próprio em que as partes poderão celebrálo, tampouco veda que seja realizado simultaneamente ao contrato de trabalho. Inexiste qualquer objeção legal à existência simultânea dos dois contratos, haja vista que ambos têm finalidades e objetivos completamente distintos. Considerando que o uso da imagem do titular prescinde de prévia licença titular, e que o contrato de imagem detém natureza distinta do contrato de trabalho, tornouse usual, em muitas empresas, principalmente nos clubes de futebol, a existência de dois contratos, um de natureza trabalhista (regido pela Consolidação das Leis do Trabalho) e outro de natureza Civil (regido pelo Código Civil). Além disso, vale lembrar que qualquer indivíduo poderá pactuar, com supedâneo no artigo 20 do Código Civil, licença ao uso da imagem com nítida natureza contratual (e civil). Recordese: “Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.” Da atenta leitura do dispositivo acima transcrito verificase que, havendo autorização, a imagem de uma pessoa poderia ser divulgada para fins comerciais. No caso em questão, verificase a existência dos seguintes instrumentos: (i) Contrato de Trabalho do Jogador e seus aditivos, firmado entre Anderson Luis de Souza e Fluminense Football Club (fls. 173/177); (ii) Contrato particular de licenciamento de uso da imagem, voz, nome e apelido desportivo do atleta profissional e seus aditivos, firmado entre Fluminense Football Club e Deco Imagem Ltda. (fls. 178/194); (iii) Instrumento particular de contrato de licenciamento de direitos de uso de nome, voz e imagem e seus aditivos, firmado entre UnimedRio Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.038 19 Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda. e Deco Imagem Ltda. (fls. 436/456); Compulsando os citados contratos listados acima, observase que o contrato de trabalho do jogador de futebol (Recorrente) compreende, nos moldes dos artigos 34 e 35 da Lei Pelé, obrigações pertinentes a jornada de trabalho do esportista, a qual se pode resumir a treinos, concentração e competições. Por outro lado, constam dos contratos de exploração de imagem, e seus aditivos, a anuência do atleta (contribuinte), em observância ao citado artigo 20 do Código Civil. Ou seja, houve autorização prévia. A licença ao uso da imagem decorre da autonomia privada das partes, gerando obrigações não compreendidas na jornada laboral do esportista. É um contrato que possui direito e deveres próprios (no âmbito do direito civil), havendo tão somente uma conexidade com o contrato de trabalho do atleta. Em conclusão, acredito ser indubitável a licitude de objeto contratual que se baseie na cessão do direito ao uso de imagem, nome, marca ou voz de pessoa física para a pessoa jurídica, conforme acima fundamentado. Sobre o tema em relevo, peço vênia para transcrever trecho do voto do eminente Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira (Redator Designado), lavrado no Acórdão nº 2201003.748, da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 2ª Seção de Julgamento deste CARF, em caso análogo ao presente: “Em que pesem os argumentos e a logicidade do voto do ilustre Relator, ouso com o devido pedido de licença, dele discordar, no tocante à possibilidade de cessão dos direitos de imagem. O cerne de minha discordância se dá quanto à interpretação das disposições dos artigo 11 e 20 do Código Civil, Lei nº 10.406/02. Recordemos: [...] Uma leitura apressada das disposições do artigo 11 do Código Civil pode ensejar a interpretação de que existe expressa disposição legal da impossibilidade de transmissão dos direitos de personalidade. Tal vedação só seria relativizada nos casos previstos em lei. Por outro lado, as disposições do artigo 20 apontam no sentido de que havendo autorização a imagem de uma pessoa poderia ser divulgada para fins comerciais. Tal antinomia deve ser retirada do espírito da lei pelo interprete. Antinomia aparente, de plano, ressalto. Tratase de antinomia aparente posto que, em verdade, os dispositivos codicistas regulam esferas distintas do direito do cidadão à imagem que ostenta. Explico. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.039 20 José Afonso da Silva, emérito constitucionalista e professor da Faculdade de Direito do Largo São Franciso, em sua cultuada obra Curso de Direito Constitucional Positivo (34ª ed, E. Malheiros, pag.205), leciona: ‘A Constituição declara invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas (art. 5º, X). Portanto, erigiu, expressamente, esses valores humanos à condição de direito individual, mas não o fez constar do caput do artigo. Por isso o estamos considerandoo um direito conexo ao da vida.’ Após demonstrar que os direitos à intimidade e privacidade são decorrências do direito à vida, expressos como direito a ser deixado tranquilo, o aclamado professor, assevera: ‘A honra, a imagem, o nome, e a identidade pessoal constituem, pois, objeto de um direito independente da personalidade’ Importante a distinção apontada pelo emérito Professor das Arcadas: a imagem é objeto de um direito independente da personalidade, embora dela decorrente. Sobre os direitos de personalidade, Maria Helena Diniz (Curso de Direito Civil Brasileiro, 1º Vol, 13ª ed. , Ed. Saraiva, pg.99), ensina: ‘O conjunto dessa situações jurídicas individuais, suscetíveis de apreciação econômica, designasse patrimônio, que é sem dúvida, a projeção econômica da personalidade. Porém, a par dos direitos patrimoniais, a pessoa tem direitos de personalidade. Convém dizer uma palavra sobre os direitos de personalidade. Como pontifica Goffredo Telles Jr, a personalidade consiste no conjunto de caracteres próprios da pessoa. A personalidade não é um direito, de modo que seria errôneo afirmar que o ser humano tem direito à personalidade. A personalidade é que apóia os direitos e deveres que dela irradiam, é objeto de direito, e o primeiro bem da pessoa, que lhe pertence como primeira utilidade, para que possa ela ser o que é, para sobreviver e se adaptar às condições do ambiente em que se encontra, servindolhe de critério para aferir, adquirir e ordenar outros bens.’ (grifei) A lição do inesquecível jurista, Prof. Goffredo, reforça a distinção acima apontada: o direito de imagem não se confunde com o direito de personalidade, posto que esse apóia os direitos decorrentes da personalidade humana. Ora, nesse sentido a determinação da impossibilidade de renúncia e transmissão dos direitos de personalidade, posto que estes como objeto de direito que são, não podem sofrer limitação. Porém, outras considerações são necessárias. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.040 21 Escutemos as considerações de Silvio de Salvo Venosa, sobre esse ponto determinante de nossa construção teórica (Direito Civil, Parte Geral, 14ª ed., Ed. Atlas, pg. 182): ‘Os direitos de personalidade são os que resguardam a dignidade humana. Desse modo, ninguém pode, por ato voluntário, dispor de sua privacidade, renunciar a liberdade, ceder seu nome de registro para utilização por outrem, renunciar ao direito de pedir alimentos no campo de família, por exemplo. Há, porém, situações na sociedade atual que tangenciam a proibição. Na busca de audiência e sensacionalismo, já vimos exemplos de programas televisivos nos quais pessoas autorizam que seu comportamento seja monitorado e divulgado permanentemente; em que sua liberdade seja cerceada e sua integridade física seja colocada em situações de extremo limite de resistência etc.. Ora, não resta dúvida de que, nesses casos, os envolvidos renunciam negocialmente a direitos em teses irrenunciáveis. A situação retratada é meramente contratual, nada tendo a ver com cessão de direitos da personalidade, tal como é conceituado. Cuidase de uma representação cênica, teatral, ou artística, nada mais do que isso.’ (destaques meus) Tal distinção, apoiada em senso comum, em mera observação da realidade das relações cotidianas, encontra apoio teórico, fundamental para a solução da antinomia aparente existente nos dispositivos codicistas mencionados acima. Em tese de doutorado defendida nas Arcadas do Largo São Francisco, Júlio César Franceschet (http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2131/tde08122015154405/pt br.php0, explica: ‘Os direitos da personalidade estão, portanto, diretamente associados ao uso e gozo daqueles bens essenciais e inerentes à pessoa. Tratamse de direitos que recaem sobre bens atuais e específicos, que dizem respeito ao modo de ser físico e psíquico da pessoa. (...) É oportuno destacar, ademais, que ao longo dos anos, os direitos de personalidade foram estudados sobretudo, sob o aspecto negativo, ou seja, a partir dos instrumentos postos à disposição de seu titular, visando coibir lesão ou ameaça de lesão. (...) Entretanto, a evolução dos meios de comunicação, da tecnologia, da cibernética e, sobretudo, a maior compreensão da pessoa sobre seu próprio corpo e os atributos de sua personalidade tem conduzido, nos dias atuais, à efetiva fruição dos direitos de personalidade, alçandoos à categoria de liberdades positivas. Antes tutelados predominantemente sob o aspecto negativo, dos direitos de personalidade passam a ser exercidos de forma positiva, tornandose, com frequência, objeto de negócios jurídicos. Fl. 2040DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.041 22 No cenário jurídicosocial atual, os direitos de personalidade revelam dupla dimensão: uma negativa ou defensiva, voltada à reparação dos danos decorrentes da injusta violação ou cessação da ameaça de lesão, naqueles casos em que o dano efetivo ainda não foi causado; e outra positiva, caracterizada pelo aproveitamento, sobretudo econômico, dos bens que integram a personalidade’ (destaques não constam da tese) Solucionada, com o necessário apoio teórico, a antinomia aparente entre as disposições dos artigos 11 e 20 do Código Civil. O primeiro tutela os aspectos negativos dos direitos de personalidade, ou seja, impõe vedação legal a renúncia e transmissão dos direitos de personalidade, posto que em seu aspecto protetivo, tais direitos não podem sofrer limitação voluntária, salvo nos casos expressos em lei. Por outro lado, a disposições do artigo 20, embasam os aspectos positivo do exercício dos direitos de personalidade, uma vez que sob autorização expressa pode a pessoa fruir economicamente de seus bens que integram a personalidade. Essa mesma conclusão permite a inferência da decisão proferida pelo STJ no RE 74.473/RJ, de lavra do Min Salvio de Figueiredo Teixeira, mencionada pelo Recorrente, cuja ementa reproduzo: ‘DIREITO AUTORAL. DIREITO À IMAGEM. PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA E VIDEOGRÁFICA. FUTEBOL. GARRINCHA E PELÉ. PARTICIPAÇÃO DO ATLETA. UTILIZAÇÃO ECONÔMICA DA CRIAÇÃO ARTÍSTICA, SEM AUTORIZAÇÃO. DIREITOS EXTRAPATRIMONIAL E PATRIMONIAL. LOCUPLETAMENTO. FATOS ANTERIORES ÀS NORMAS CONSTITUCIONAIS VIGENTES. PREJUDICIALIDADE. RE NÃO CONHECIDO. DOUTRINA. DIREITO DOS SUCESSORES À INDENIZAÇÃO. RECURSO PROVIDO. UNÂNIME. O direito à imagem revestese de duplo conteúdo: moral, porque direito de personalidade; patrimonial, porque assentado no princípio segundo o qual a ninguém é lícito locupletarse à custa alheia. O direito à imagem constitui um direito de personalidade, extrapatrimonial e de caráter personalíssimo, protegendo o interesse que tem a pessoa de oporse à divulgação dessa imagem, em circunstâncias concernentes à sua vida privada. III Na vertente patrimonial o direito à imagem protege o interesse material na exploração econômica, regendose pelos princípios aplicáveis aos demais direitos patrimoniais. IV A utilização da imagem de atleta mundialmente conhecido, com fins econômicos, sem a devida autorização do titular, constitui locupletamento indevido ensejando a indenização, sendo legítima a pretensão dos seus sucessores.’ Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.042 23 Claríssima a decisão que, em tudo e por tudo, se coaduna com as afirmações acima produzidas. O direito de imagem, em seus aspectos patrimoniais, em sua vertente positiva, é passível de fruição pela pessoa a quem pertence. A partir desta constatação, mister ressaltar que é permitido pelo ordenamento jurídico a cessão do direito de imagem da pessoa física para pessoa jurídica, para que esta a explore, restando ao cedente, cumprir as obrigações contratualmente assumidas, seja por meio da própria pessoa, seja por meio de pessoa jurídica constituída para esse fim nos termos do artigo 129 da Lei nº 11.196/05. Cediço que não houve, por parte da autoridade fiscal, nenhuma consideração sobre nenhuma fraude ou simulação na relação existente entre a DLC e o Recorrente, somente a afirmação da impossibilidade de cessão do direito de imagem e sobre o caráter personalíssimo do cumprimento dos contratos decorrentes da exploração de tal imagem (relatório fiscal, fls. 416) A possibilidade de cessão já foi suficientemente examinada e quanto aos aspectos do caráter personalíssimo da prestação de serviços por pessoa jurídica, arguídos pela Autoridade Lançadora, a simples leitura das disposições do artigo 129 da Lei nº 11.196/05 é suficiente em face da clareza da permissão constante da lei tributária.” Destaco que compartilho do raciocínio adotado pela decisão acima citada. Além disso, o artigo 87A da Lei nº 9.615/98 (Lei Pelé), anteriormente invocado, apenas exige que no contrato de licença de uso de imagem sejam fixados os direitos, deveres e condições de forma inconfundível com o contrato especial de trabalho desportivo. Ademais, como todo e qualquer contrato, para que seja válido, é necessário o preenchimento de certos requisitos, desde aqueles comuns a todo e qualquer negócio jurídico agente capaz, objeto lícito, possível, determinado ou determinável, e forma prescrita ou não defesa em lei (artigo 104 do CC), bem como aqueles específicos. Assim, apenas se demonstrada a existência de vício nos elementos essenciais do contrato ou na manifestação de vontade das partes celebrantes, poderá ser reconhecida a existência de fraude. Não se pode olvidar que a fraude, tal qual a nulidade, não se presume, havendo que ser devidamente comprovada. Nessa perspectiva, no contrato autônomo de licença de uso de imagem, devese avaliar, dentro do contexto em que foi firmado, se veio a ser concebido com o único objetivo de desvirtuar a correta aplicação da legislação trabalhista, com consequências de ordem tributária e previdenciária. Na hipótese, em que pesem as conclusões diversas a que chegaram a Fiscalização e a DRJ de origem, não vislumbro nenhuma conduta dolosa ou fraudulenta do Recorrente de modo a invalidar os negócios jurídicos celebrados entre a empresa Deco Imagem Ltda. com o Fluminense Football Club e a UnimedRio Cooperativa de Trabalho Médico do Rio de Janeiro Ltda. para exploração da imagem do jogador de futebol, Anderson Luis de Souza. Fl. 2042DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.043 24 Há que prevalecer, nessa circunstância, o princípio da boa fé objetiva, que decorre do artigo 113 do Código Civil, segundo o qual os “negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boafé e os usos do lugar de sua celebração”. Nesse contexto, o fato de o contrato de licença de uso e imagem ser conexo ao contrato de trabalho não é suficiente para configurar a fraude à legislação previdenciária. Além do mais, conforme demonstrado em linhas volvidas, a legislação de regência permite a possibilidade de cessão do direito ao uso de imagem, nome, marca ou voz de pessoa física para a pessoa jurídica. Desse modo, o Recurso Voluntário comporta provimento para afastar o lançamento fiscal, e, consequentemente, o afastamento da multa qualificada de 150%. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.044 25 Voto Vencedor Conselheiro Marialva de Castro Calabrich Schlucking Redatora Designada Em que pese as corriqueiras lógica e clareza com que a I. Relatora apresenta suas razões, pretendo demonstrar as razões da minha discordância quanto ao julgamento de mérito da matéria ora submetida. Da omissão de rendimentos decorrente da exploração do direito de imagem. Conforme relatado, tratase de lançamento de ofício em face do contribuinte ANDERSON LUIS DE SOUZA, relativo ao Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) dos exercícios 2012 e 2013 (anoscalendário 2011 e 2012), em que está sendo exigido do contribuinte o recolhimento de crédito tributário no valor de R$ 10.913.051,22. Sustenta o Fisco, que a pessoa jurídica DECO IMAGEM LTDA foi utilizada como intermediária no recebimento de valores devidos, supostamente, a título do licenciamento de uso de imagem do jogador de futebol Anderson Luís de Souza (Deco) e que tais valores (rendimentos da pessoa física) foram tratados como receitas pela pessoa jurídica mencionada, como se fossem recebidos por serviços prestados por ela na exploração de imagem do jogador de futebol ANDERSON LUIS DE SOUZA e, posteriormente, repassados a ele a título de distribuição de lucros e dividendos. Em função desses fatos, a Fiscalização entendeu que o sujeito passivo, jogador de futebol, utilizouse indevidamente da “interposta” pessoa jurídica DECO IMAGEM LTDA, constituída única e exclusivamente para intermediar o recebimento de rendimentos próprios da pessoa física, com o fim de, irregularmente, submetêlos a uma tributação menos onerosa. Instaurado o contencioso administrativo, a 19ª Turma da DRJ/RJO, por intermédio do Acórdão nº 1290.156, concluiu que os rendimentos obtidos pelo contribuinte em virtude de exploração de direito personalíssimo vinculado ao exercício da atividade desportiva devem ser tributados na declaração da pessoa física, somente sendo possível a tributação como pessoa jurídica a prestação de serviços de caráter personalíssimo quando dependam da inteligência ou preparo acadêmico. Nas razões do Recurso Voluntário interposto, o contribuinte se insurge contra a decisão de primeiro grau, argumentando que não há na Constituição Federal qualquer vedação da exploração da imagem por terceiros, estipulando apenas que a imagem só pode ser utilizada por terceiros, seja para fins comerciais ou não, quando consentida pelo seu titular. Defende que, em relação ao direito de imagem protegido no inciso XXVIII da Constituição Federal, a Lei Pelé (Lei nº 9.615/1998), norma que regulamenta o comando constitucional em tela para profissionais de futebol – expressamente citada no v. Acórdão à página 44, em seu artigo 87A, é absolutamente clara ao autorizar a cessão ou exploração do Fl. 2044DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.045 26 direito ao uso da imagem do atleta, não havendo qualquer restrição ao sublicenciamento deste direito de uso de imagem. Diz que, mesmo que não fosse clara a redação do art. 87A da Lei Pelé, ainda sim poderseia recorrer ao Código Civil que, ao tratar das regras de funcionamento da Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI), elimina qualquer dúvida sobre a possibilidade de exploração econômica da imagem por pessoa jurídica interposta pelo seu titular, e que negar o direito do Recorrente de licenciar a imagem a pessoas jurídicas por ele controladas que, por sua vez, sublicenciam tais direitos a terceiros, apenas para impor a tributação das receitas do sublicenciamento no plano da pessoa física, é ato contrário à Lei Pelé, ao Código Civil, aos princípios da livre iniciativa, liberdade de contrato e autonomia de vontade das partes e, mais especificamente, ao próprio artigo 110 do Código Tributário Nacional. De fato. A controvérsia central posta nestes autos gira em torno da possibilidade de utilização de pessoa jurídica controlada pelo detentor da imagem para explorar economicamente os direitos de uso desta imagem através de seu licenciamento a terceiros. O art. 129 da Lei 11.196/2005 estabeleceu uma exceção à regra da tributação na Pessoa Física dos rendimentos recebidos na prestação de serviços de caráter personalíssimo, autorizando, apenas nas hipóteses elencadas no mencionado dispositivo, a sujeição tãosomente à legislação aplicável às Pessoas Jurídicas, in verbis: “Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no Erro! Indicador não definido. [...] Como se depreende da leitura acima, apenas a prestação de serviços intelectuais, de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, estão abarcados no dispositivo. Utilizandose do critério de interpretação sistemática do dispositivo, bem como buscandose seu conteúdo axiológico, temse tratar de norma excepcional à tributação pela Pessoa Física dos rendimentos percebidos em razão da prestação de serviços em caráter personalíssimo, não cabendo ao intérprete estender seus efeitos a hipóteses não alcançadas pelo legislador. Não há dúvida que a exploração do direito de imagem de um jogador de futebol, além de não ter natureza de prestação de serviço intelectual, não possui natureza científica nem artística, sendo cristalino esse entendimento. E mais: a exegese sistemática não nos permite vislumbrar a natureza cultural da exploração do direito de imagem de um jogador de futebol, ainda que esse esporte faça parte da cultura de nosso povo. Isto porque da leitura dos arts. 215 e 217 da própria Constituição Federal, temse clara a distinção entre cultura e desportos. Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.046 27 Da multa qualificada Na autuação, não restou provado o dolo decorrente da opção pelo contribuinte da tributação dos rendimentos decorrentes da exploração de uso de imagem na Pessoa Jurídica em lugar da pessoa física. Dolo não se presume, havendo que ser devidamente comprovado. A intenção de retardar ou impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária não restou comprovada, nem a de impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador, nem tampouco o conluio entre as partes. Ao contrário, os elementos consubstanciados no autos deixa entrever a boafé do contribuinte, que incluiu na sua declaração da Pessoa Física como isentos rendimentos recebidos da DECO IMAGEM LTDA, tendo sido devidamente registrados os contratos que embasaram as operações de que decorreram tais rendimentos, além de terem sido recolhidos os tributos devidos pela Pessoa Jurídica, bem como atendidas todas as intimações da autoridade lançadora. Além disso, a aplicação da máxima ignorantia legis non excusat deve ser feita com temperamentos, pois, sendo o Direito linguagem, como tal, apresenta problemas significativos, não sendo sua interpretação unívoca, podendo alguém deixar de cumprir seu dever jurídico baseado em interpretação (escolha) plausível na moldura do texto. Ademais, o art. 112 do CTN impõe que, na dúvida, a lei tributária que comina penalidades deve ser interpretada de maneira favorável ao contribuinte, in verbis: “Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que para que seja excluída a qualificadora da multa, reduzindoa para 75%. (assinado digitalmente) Marialva de Castro Calabrich Schlucking Fl. 2046DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.047 28 Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado O sujeito passivo contesta o montante do crédito tributário lançado tendo em vista que a autoridade fiscal procedeu à reclassificação da receita tributada na pessoa jurídica, considerando como rendimentos da pessoa física, porém desprezou os pagamentos já realizados pela empresa Deco Imagem Ltda. Pois bem. Assinalo, de início, que não se trata de matéria preliminar, passível de levar à nulidade do presente auto de infração. Para fins de regularização do feito, é suficiente o aproveitamento de recolhimentos, os quais provocam, ao final, a redução do crédito tributário lançado. Para negar o direito pleiteado, a decisão de piso alegou que os tributos recolhidos pela pessoa jurídica não se confundem com o imposto de renda exigido da pessoa física. Além disso, não haveria previsão legal expressa para se realizar a compensação entre contribuintes distintos. Nada obstante, é cabível a dedução do lançamento fiscal em relação aos valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. De fato, afigurase plenamente razoável a dedução dos eventuais recolhimentos de mesma natureza a título de imposto sobre a renda efetuados pela Deco Imagem Ltda, constituída para intermediar o recebimento de valores decorrentes dos contratos de licença de uso de imagem do atleta profissional, tendo em conta, nesse raciocínio, o tributo exigido da pessoa física no presente auto de infração, reconhecendose que parte dele foi efetivamente pago, ainda que por outrem. O aproveitamento do imposto de renda comprovadamente recolhido no ajuste, pela pessoa jurídica Deco Imagem Ltda, ou retido pelas fontes pagadoras, no caso Fluminense Football Club e/ou Unimed/RIO, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. Quanto aos demais tributos pagos, distintos do imposto de renda, o aproveitamento entre pessoas distintas, em qualquer hipótese, dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170, do Código Tributário Nacional). Não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, a restituição, sem prejuízo da observância do prazo para repetição do indébito e do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 15586.720495/201604 Acórdão n.º 2401005.938 S2C4T1 Fl. 2.048 29 Particularmente, acredito que no presente caso o início do prazo para repetição do indébito apenas ocorre a partir da decisão definitiva contrária ao sujeito passivo, quando a reclassificação da receita para rendimentos da pessoa física se torna imutável no âmbito administrativo. Até então, a manifestação de vontade pela compensação ou pedido de restituição pela pessoa jurídica é medida impraticável, porque não conciliável com o exercício do direito de defesa no contencioso administrativo fiscal. Com efeito, a espinha dorsal da linha argumentativa do recorrente assentase na legitimidade de uma situação préexistente ao lançamento fiscal, isto é, a possibilidade de utilização da pessoa jurídica Deco Imagem Ltda, controlada pela pessoa física detentora da imagem, para explorar economicamente os direitos de uso desta imagem através de seu licenciamento a terceiros. Conclusão Ante o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento os valores arrecadados a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 2048DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.901904/2009-70
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
MOMENTO DA PROVA.
A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
Numero da decisão: 1001-001.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. MOMENTO DA PROVA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. MOMENTO DA PROVA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Andréa Machado Millan. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 19 04 /2 00 9- 70 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13830.901904/200970 Acórdão n.º 1001001.217 S1C0T1 Fl. 60 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 32/35) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório à folha 07, que não homologou a compensação constante da DCOMP 13236.37273.030205.1.3.049607 (folhas 02/06), de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior, por ausência de crédito disponível no DARF informado. No acórdão a quo, a nãohomologação por ausência de crédito no DARF informado foi mantida tendo em vista a constatação de que a contribuinte alterou, para menos, em 23/06/2009, após ciência do despacho decisório de nãohomologação, o valor do débito que teria sido pago a maior, retificando a DCTF relativa ao período, sem, contudo, apresentar qualquer escrituração contábil e documentação fiscal que comprovasse a liquidez e certeza do alegado crédito. A recorrente, às folhas 39/43, alega, em síntese: I Que "insta observar em preliminar que durante o trâmite da primeira Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, em relação ao despacho decisório que denegou a homologação da declaração de compensação apresentada, não houve nenhuma manifestação da Autoridade julgadora consistente em querer instruir o procedimento administrativo com peças contábeis e documentos afins capazes de formar o convencimento do Órgão Julgador, ou então que delas necessitasse para isso, o que invalida, a partir de então, a decisão no procedimento administrativo por total cerceamento de defesa e supressão da fase instrutória inerente aos procedimentos administrativos, bem como a malformação e prescindibilidade na instauração do amplo contraditório", e "por tais razões (...) a decisão atacada deve ser declarada nula e no mérito, revista pelo órgão julgador mediante análise dos documentos comprobatórios de suas alegações, que ora se juntam"; II Que "as divergências temporárias em DCTF se justificam pelo fato de não ter a Contribuinte em seu poder os informes de rendimentos e os documentos necessários ao fechamento contábil definitivo, impossibilitandoa de reconhecer como legítimas as retenções do imposto na fonte e passíveis de compensação (...)" Apresenta "cópias da escrituração do livro razão analítico e diário geral do ano base 2002, devidamente registrado em suas épocas próprias" (folhas 45/54) bem como tabela indicativa da menção aos valores de IRRF pleiteados no livro diário (folha 42). Ao final requer sejam as notificações encaminhadas no endereço de seu procurador. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13830.901904/200970 Acórdão n.º 1001001.217 S1C0T1 Fl. 61 3 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. As razões para que sejam da interessada o ônus e a iniciativa da comprovação dos valores declarados em DCTF e em DCOMP para o contribuinte decorrem da lei, da qual, conforme estabelece o art. 3º da Lei de introdução às normas do Direito Brasileiro, ninguém se escusa de cumprir, alegando que não a conhece, e foram muito bem expostas no acórdão a quo, motivo pelo qual serão aqui transcritas e adotadas como razões de decidir: A contribuinte, portanto, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTF do 3o trimestre de 2002 e DIPJ/2003. Malgrado o intento da contribuinte, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I. do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ónus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Consequentemente, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. Por regra, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º § 1º) ". Nesse prisma, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. O artigo 45 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, dispõe: "Art. 45. A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter: I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13830.901904/200970 Acórdão n.º 1001001.217 S1C0T1 Fl. 62 4 II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário abrangido pelo regime de tributação simplificada; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadência! e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal especifica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único. O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária ". No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória. não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tãosomente apresentar a Declaração retificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idóneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13830.901904/200970 Acórdão n.º 1001001.217 S1C0T1 Fl. 63 5 Nesse diapasão, o indébito em questão não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Desta forma, não há como acatar a alegação da contribuinte de que a apresentação de documentação comprobatória da liquidez e certeza de seus créditos dependeria de manifestação nesse sentido da autoridade julgadora, e que a ausência desta manifestação representaria cerceamento de seu direito de defesa. Como visto, a obrigação da contribuinte comprovar o direito que pleiteia decorre da lei, da qual pressupõese que ela tenha conhecimento, sendo incabível decisão com o pressuposto inverso. Rejeitase, portanto, a preliminar de nulidade suscitada, correspondente a suposto cerceamento do direito de defesa. A contribuinte apresentou, em sede de recurso voluntário, documentação comprobatória correspondente a "cópias da escrituração do livro razão analítico e diário geral do ano base 2002, devidamente registrado em suas épocas próprias" (folhas 45/54) bem como tabela indicativa da menção aos valores de IRRF pleiteados no livro diário (folha 42). Mais uma vez, recorrese à lei para verificar a validade da apresentação de tal documentação em sede de recurso voluntário. Sobre o assunto, estabelece o art. 16, § 4º , do Decreto nº 70.235/72, transcrito a seguir: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Não se vislumbrando a ocorrência de qualquer das hipóteses elencadas no referido dispositivo, temse que o direito de apresentação de provas documentais pela interessada já estava precluso na oportunidade da apresentação de seu recurso voluntário. Tal regra pode ser mitigada em nome do princípio da verdade material, quando a documentação extemporaneamente trazida aos autos comprova cabalmente as razões da recorrente. Contudo, não é o caso aqui. As cópias de livros contábeis são insuficientes para a comprovação pretendida. Seria necessária a juntada dos informes de rendimentos Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13830.901904/200970 Acórdão n.º 1001001.217 S1C0T1 Fl. 64 6 correspondentes às retenções mencionadas, bem como a comprovação de que o rendimentos correspondentes a tais retenções foram submetidos à tributação. O art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/72 estabelece a possibilidade de determinação, de ofício, por parte da autoridade julgadora, da realização de diligências, quando entendêlas necessárias, ainda que não tenha havido requerimento do impugnante. No presente caso, a contribuinte não requereu diligências; pelo contrário, arguiu a nulidade do acórdão a quo por fundamentarse na ausência de provas que entende desnecessárias. Afirma também, no recurso voluntário, que "os documentos são bastantes à demonstração da real existência e liquidez do crédito". Diante do descumprimento de mandamentos legais por parte da recorrente (em especial do art. 16, § 4º do PAF) relativos ao necessário esforço probatório de sua parte, aliado às suas demonstradas convicções de suficiência da documentação apresentada e de nulidade do procedimento em questão justamente pela exigência de comprovações, entendo incabível a determinação, por esta segunda instância julgadora, de realização de diligências para suprir as necessidades comprobatórias. A tentativa de comprovação da liquidez e certeza do crédito por diligência não requerida pela recorrente, para atender às suas convicções demonstradas no recurso voluntário, deveria estar sujeita, por conta da nulidade alegada e já aqui afastada, ao retorno do julgamento à instância anterior, na qual a contribuinte descumpriu seu dever legal de apresentar a comprovação de suas alegações. Após a movimentação da máquina pública para tentar efetuar, nesta segunda instância, uma comprovação de responsabilidade e interesse da contribuinte, ainda haveria risco de nova alegação, infundada, conforme já demonstrado, de supressão de instância. Por fim, em relação ao requerimento para que sejam as notificações encaminhadas no endereço de seu procurador, cabe transcrever o teor da Súmula CARF nº, 110: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso, para rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa suscitada e, no mérito, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar a compensação declarada. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.720273/2010-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.435
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1974; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.720273/201086 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.435 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente COOPERATIVA RIO DO PEIXE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 73 /2 01 0- 86 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa não deferiu integralmente o pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.884. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 4 3 i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.431, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720269/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.431): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 5 4 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 6 5 matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 8 7 deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 9 8 vendidos com suspensão dessas contribuições. Observe se: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 10 9 do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 11 10 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 12 11 processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10925.720273/201086 Acórdão n.º 3402006.435 S3C4T2 Fl. 13 12 a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007802/2008-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
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VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 78 02 /2 00 8- 34 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 19515.007802/200834 Acórdão n.º 2402007.086 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 19515.007802/200834 Acórdão n.º 2402007.086 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 444DF CARF MF Processo nº 19515.007802/200834 Acórdão n.º 2402007.086 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 19515.007802/200834 Acórdão n.º 2402007.086 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.904590/2009-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
Numero da decisão: 1401-003.231
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não havendo comprovação da liquidez e certeza do crédito objeto de PER/DComp, é de se negar o pedido repetitório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedida de participar do julgamento a Conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10880.904582/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 45 90 /2 00 9- 83 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.904590/200983 Acórdão n.º 1401003.231 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DComp por meio do qual o contribuinte pediu a restituição de pagamento a maior ou indevido e declarou a compensação de débitos. A Delegacia da Receita Federal indeferiu o pedido e não homologou a compensação declarada em face de o DARF indicado pelo contribuinte ter sido inteiramente utilizado para a quitação de débito declarado em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DComp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade no qual aduziu que, sendo um consultório de odontologia, enquadraseia na regra que prevê a tributação de serviços hospitalares, com percentual de presunção do IRPJ de 8% e da CSLL de 12%, ao invés do percentual de 32% dos serviços em geral. Contudo, os débitos originalmente declarados em DCTF foram apurados com o percentual de 32%. Assim, a diferença entre os montantes calculados com o percentual de 32%, efetivamente recolhidos, e o montantes devidos com a aplicação do percentual mais benéfico configurariam pagamento indevido ou a maior. Esta diferença é que estaria sendo pleiteada no PER/DComp sob análise. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento não acolheu a manifestação de inconformidade do contribuinte. O fundamento utilizado pela DRJ para indeferir o pedido de reforma do Despacho Decisório da DRF foi a ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Alegou a DRJ que a DCTF constitui confissão de dívida e que, portanto, para que o débito declarado, que não foi retificado pelo contribuinte, seja desconstituído é preciso que sejam apresentadas provas contundentes de que a verdade material é outra. Destacou a DRJ que o ônus de comprovar o direito creditório é do contribuinte, mas que este não detalhou a composição da receita auferida no período e não trouxe nenhuma comprovação de que se enquadre na prestação de serviços hospitalares de que trata o artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 (notas fiscais de serviço, relatórios). Irresignado, o contribuinte manejou o recurso voluntário ora sob análise, no qual reiterou os argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.904590/200983 Acórdão n.º 1401003.231 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.220, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.904582/2009 37, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.220): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ delineou de forma correta a controvérsia posta para solução. Tratase de matéria probatória. Tratase de determinar a liquidez e certeza do crédito objeto do pedido de repetição, com declaração de compensação, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. No recurso voluntário, o contribuinte fez longa defesa da interpretação do artigo 23 da IN SRF nº 306/2003, vigente à época dos fatos, de forma a enquadrar sua atividade consultório de odontologia como serviço hospitalar. Com isso, defendeu o direito a apurar o lucro presumido conforme a alíquota mais benéfica e não a alíquota aplicável aos serviços em geral. Contudo, esta não é a questão posta. Nem a DRF no Despacho Decisório, nem a DRJ no Acórdão de Manifestação de Inconformidade fundamentaram suas decisões na inaplicabilidade do disposto no artigo 23 da IN SRF nº 306/2003 ao contribuinte. A questão posta desde o início é a desconstituição de débito constituído por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocouse na DCTF e na DIPJ e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar qual o montante efetivamente devido e, por consequência, comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na manifestação de inconformidade "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.904590/200983 Acórdão n.º 1401003.231 S1C4T1 Fl. 5 4 No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Não é demais lembrar, também, que a determinação da aplicação do percentual de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL) é dirigido à atividade e não à pessoa que desenvolve serviços hospitalares. É o que se depreende da dicção do artigo 15, § 1º, III, "a", e § 2º, da Lei nº 9.249/95, verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: (...) III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (...) 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (...)”. grifei. Assim, não basta que o contribuinte faça prova, por meio do contrato social, de que desenvolve atividades enquadradas no conceito de serviços hospitalares para que, automaticamente, toda a receita operacional auferida seja enquadrada nos percentuais de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL). É preciso que o contribuinte junte elementos para vincular a receita à atividade de serviço hospitalar. Daí a DRJ mencionar notas fiscais e relatórios. Também é preciso juntar elementos de prova da contabilidade para se determinar se as receitas declaradas estão de acordo com a escrita comercial (ou Livro Caixa). Sem a apresentação de tais elementos probatórios, o pedido do contribuinte carece de liquidez e certeza. Conclusão. Portanto, não tendo o contribuinte logrado apresentar elementos mínimos de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.904590/200983 Acórdão n.º 1401003.231 S1C4T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.667937/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/07/2002
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-006.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. Em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Ausente o Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, sendo substituído pelo Conselheiro Marcos Antônio Borges (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 79 37 /2 01 1- 16 Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS cumulativo relativo a recolhimento a maior, que restou indeferido, consoante Despacho Decisório carreado aos autos. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de inconformidade, julgada improcedente, nos termos do Acórdão DRJ nº 14052.639. Intimado desta decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) a necessidade de se reconhecer o crédito decorrente de pagamento indevido valores de COFINS não incluídas no conceito de receita; e (ii) a não incidência de PIS/COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, por não configurarem receita. Em seguida, os autos foram direcionados para este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.396, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.667929/201170, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.396): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. De pronto, vale consignar que, em se tratando de pedido de restituição, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 4 3 Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19721. Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho2. Atentandose para o presente caso, vislumbrase que o contribuinte alegou que a origem do crédito decorreria de equívoco cometido no pagamento de processo de parcelamento n.º 10880.014298/200110, no qual teria apurado e recolhido a COFINS sobre juros e correções monetárias decorrentes das vendas de unidades imobiliárias, valores que não correspondem à Receita. Contudo, para demonstrar a existência do seu crédito, a Recorrente não acostou ao seu Recurso Voluntário qualquer documento que poderia respaldar o seu crédito. Com efeito, não constam dos autos sequer a cópia do pedido de parcelamento referenciado na defesa, a planilha com a composição das bases de cálculo que respaldariam o valor do crédito ou mesmo quaisquer documentos fiscais ou contábeis suscetíveis à respaldar o crédito pleiteado. E aqui frisese que a Recorrente pretende a restituição integral do valor recolhido na guia DARF sob a alegação de pagamento indevido da COFINS de forma parcial, vez que recolhido com base no conceito de receita inconstitucionalmente alargado. Contudo, não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de comprovar a origem do parcelamento, quais os valores que teriam sido pagos naquele processo que estariam corretos e quais os valores que teriam sido indevidamente recolhidos a maior naquele processo. 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014 43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 5 4 A impossibilidade de verificação da validade do crédito por ausência de respaldo probatório foi indicada na r. decisão recorrida, sendo que a empresa permaneceu trazendo alegações de mérito gerais e sem substrato probatório em seu Recurso Voluntário: "Mesmo que se concorde com o argumento da recorrente, quanto ao entendimento do STF sobre a ampliação da base de cálculo, a verdade é que qualquer juízo de valor, no caso, dependeria da apresentação de provas. Esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará lo ao pagamento efetuado. Mas para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é da contribuinte, pois se trata de uma solicitação de seu exclusivo interesse. No presente, a interessada não apresentou qualquer documentação que lastreasse seu pedido, o que impediria a análise da referida liquidez e certeza, além de consumar a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, art. 16, § 4º." (efl. 29 grifei) Assim, considerando que não constam dos autos quaisquer documentos passíveis de evidenciar, nem mesmo de forma indiciária, o direito creditório apontado pelo sujeito, não é possível confirmar a validade das alegações trazidas pela Recorrente. Ainda que se coadune com as alegações de direito genericamente trazidas em sua peça de defesa, a empresa deixou de juntar aos autos elementos de prova da existência do direito. Com isso, face a ausência de provas, deve ser mantida a conclusão alcançada pela decisão de primeira instância no sentido da inexistência de qualquer direito creditório na hipótese. Nesse sentido, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.667937/201116 Acórdão n.º 3402006.402 S3C4T2 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.000112/2001-74
Turma: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: LIVRO-CAIXA - GLOSA DE DEDUÇÕES - PAGAMENTOS A PESSOAS
FÍSICAS SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO - Na apuração do imposto de
renda, somente deverão ser deduzidas as despesas escrituradas em livro-caixa que sejam necessárias à manutenção da fonte produtora da renda. No caso dos tabeliães, não há como ser admitida a dedução de pagamentos efetuados a consultores e assessores jurídicos, visto que tais atividades não são imprescindíveis ao incremento ou manutenção das receitas auferidas.
Recurso negado
Numero da decisão: 104-19.502
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alberto Zouvi (Suplente convocado) e Remis Almeida Estai que proviam parcialmente o recurso. .
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: João Luis se Souza Pereira
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-06T14:22:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 10419502_10950000112200174_200308.pdf; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2019-06-06T14:22:29Z; Last-Modified: 2019-06-06T14:22:29Z; dcterms:modified: 2019-06-06T14:22:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 10419502_10950000112200174_200308.pdf; xmpMM:DocumentID: uuid:09b1bee5-8ac2-11e9-0000-590f59efc56e; Last-Save-Date: 2019-06-06T14:22:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2019-06-06T14:22:29Z; meta:save-date: 2019-06-06T14:22:29Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 10419502_10950000112200174_200308.pdf; modified: 2019-06-06T14:22:29Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2019-06-06T14:22:29Z; created: 2019-06-06T14:22:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-06-06T14:22:29Z; pdf:charsPerPage: 1072; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2019-06-06T14:22:29Z | Conteúdo => .-'''-'' Processo nO. Recurso nO. Matéria Recorrente Recorrida Sessão de Acórdão nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 132.584 IRPF - Ex(s): 1999 ANTÔNIO CARLOS DE MELLO PACHECO FILHO 48 TURMAlDRJ-CURITIBAlPR 14 de agosto de 2003 104-19.502 LIVRO-CAIXA - GLOSA DE DEDUÇÕES - PAGAMENTOS A PESSOAS FíSICAS SEM VíNCULO EMPREGATíCIO - Na apuração do imposto de renda, somente deverão ser deduzidas as despesas escrituradas em Iivro- caixa que sejam necessárias à manutenção da fonte produtora da renda. No caso dos tabeliães, não há como ser admitida a dedução de pagamentos efetuados a consultores e assessores jurídicos, visto que tais atividades não são imprescindíveis ao incremento ou manutenção das receitas auferidas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTÔNIO CARLOS DE MELLO PACHECO FILHO. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Alberto Zouvi • (Suplente convocado) e Remis Almeida Estai que proviam parcialmente o recurso . . - I FQ;RMALIZADO : 06 NOV ZeQ3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA Processo nO. 10950.000112/2001-74 Acórdão n°. 104-19.502 fl~~tl'., ( '/":"íi9. f\ --- .""I .,~ L .[(':<:j'y TJRnJARINGA SAC~Tn Fls.~ Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NELSON MALLMANN, JOSÉ PEREIRA DO NASCIMENTO, ROBERTO WILLlAM GONÇALVES, MEIGAN SACK RODRIGUES e VERA CEcíLIA MATTOS VIEIRA DE MORAES. Defendeu o contribuinte o Dr. José Miguel de Godoy, OAB/PR n° 07.67~V 2 Processo n°. Acórdão nO. Recurso nO. Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 104-19.502 132.584 ANTÔNIO CARLOS DE MELLO PACHECO FILHO RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Curitiba/PR que manteve parcialmente o lançamento do IRPF levado a efeito contra o sujeito passivo relativo à glosa de deduções escrituradas em livro-caixa, conforme apurado no auto de infração de fls. 70 e seus anexos. Ás fls. 01/10, o sujeito passivo apresentou sua impugnação sustentando, em síntese, que: (a) os pagamentos efetuados a Antônio Carlos de Mello Pacheco são dedutíveis porque o beneficiário tem vasto conhecimento no ramo de cartórios, sendo a respectiva despesa necessária à manutenção dos serviços cartoriais; (b) os pagamentos efetuados a Rafaela Maria Mello Franco são dedutíveis porque a beneficiária exerce as funções de assessoria jurídica ao sujeito passivo, tendo sido contratada para promover a defesa judicial e extrajudicial do recorrente; (c) os pagamentos a Jair Galina são dedutíveis porque o beneficiário exerce as funções de escrevente juramentado; (d) os pagamentos efetuados a José Miguel Godoy são dedutíveis, visto que o beneficiário é responsável pela contabilidade do cartório. Juntou os documentos de fls. 11 a 69. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR manteve parcialmente a exigência através do acórdão DRJ/CTA N° 1.665/2002 (fls. 135/140) que recebeu a seguinte a ement~~ 3 Processo nO. Acórdão n°. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 104-19.502 LIVRO CAIXA - GLOSA DE DESPESAS - PAGAMENTOS EFETUA0 A TERCEIROS - Os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, só podem ser deduzidos se necessários à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, desde que comprovada a efetiva prestação dos serviços, mediante documentação hábil e idônea. Lançamento procedente em parte. Devidamente intimado desta decisão em 14/8/2002, o sujeito passivo interpôs, em 12/9/2002, o recurso voluntário de fls. 149/158, acompanhado dos documentos de fls. 159 a 189, através do qual o recorrente basicamente ratifica os termos de sua impugnação. Processado regularmente em primeira instância, o recurso é remetido a este Conselho para apreciação do recurso voluntário interposto. É o Relatório. 4 Processo n°. Acórdão nO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA 10950.000112/2001-74 104-19.502 VOTO DRFMARINGA SACAI Fls.~ Conselheiro JOÃO Luís DE SOUZA PEREIRA, Relator O recurso é tempestivo e está de acordo com os demais pressupostos de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. ,; A questão dos autos está restrita à questão de saber se são pertinentes as glosas das deduções relativas aos pagamentos efetuados a Antônio Carlos de Mello Pacheco e Rafaela Maria Mello Franco. A autoridade julgadora de primeira instância entende que os estes beneficiários de pagamentos realizados pelo recorrente não exercem atividade necessária á percepção e manutenção da fonte produtora da renda. O recorrente, por sua vez, sustenta que Antônio Carlos de Mello Pacheco exerce função compatível e necessária à produção da renda, tendo em vista seus vastos conhecimentos em atividade notarial e sua representatividade junto a órgãos e entidades de interesse da atividade do cartório. Quanto a Rafaela Maria Mello Franco, alega o recorrente que seus serviços foram devidamente contratados e que sua assessoria jurídica é igualmente necessário à manutenção dos serviços cartoriais. Não assiste razão ao recorrente. v~ 5'1) 10950.000112/2001-74 104-19.502 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUARTA CÂMARA A ementa da decisão recorrida sintetiza a correta interpretação qua dedutibilidade das despesas escrituradas em livro caixa. Na determinação da base de . cálculo do imposto de renda, somente serão dedutíveis as despesas necessárias à percepção da renda e manutenção da respectiva fonte, desde que amparadas em documentação hábil e idônea. Processo nO. Acórdão nO. No caso dos autos, não se pode negar a enorme experiência de Antônio Carlos de Mello Pacheco no ramo de serviços notarias. Trata-se de um verdadeiro expert no assunto. Mas isso não quer dizer que os rendimentos que recebe sejam fundamentais, imprescindíveis às atividades do cartório, cujo titular é o recorrente. As atividades exercidas por Antônio Carlos de Mello Pacheco são periféricas, giram em torno do cartório, mas não são necessárias. Um cartório que pode contar com alguém com esta experiência terá um diferencial, mas subsistirá perfeitamente sem este "apoio". Já em relação aos pagamentos efetuados a Rafaela Maria Mello Franco, além da assessoria jurídica, ser igualmente dispensável, não se encontra nos autos qualquer e prova 'da efetiva prestação dos serviços. Diante do exposto, NEGO provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, e 6 .'
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Numero do processo: 10925.002038/2005-61
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DO VÍCIO APONTADO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO DO JULGADO. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Identificada a omissão do julgado quanto à análise de argumento acerca do equívoco da contagem do prazo decadencial, deve ser sanado vício apontado, afastando-se a ocorrência de decadência do direito do fisco de lançar o tributo devido, pois tempestivamente cientificado o Contribuinte acerca do lançamento.
Numero da decisão: 9202-007.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202- 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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EXISTÊNCIA DO VÍCIO APONTADO. OMISSÃO. NECESSIDADE DE INTEGRAÇÃO DO JULGADO. DECADÊNCIA PARCIAL DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Identificada a omissão do julgado quanto à análise de argumento acerca do equívoco da contagem do prazo decadencial, deve ser sanado vício apontado, afastandose a ocorrência de decadência do direito do fisco de lançar o tributo devido, pois tempestivamente cientificado o Contribuinte acerca do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 20 38 /2 00 5- 61 Fl. 1330DF CARF MF 2 Relatório Foi proferido o Acórdão n.º 920202.359 pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 25 de setembro de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 1.276: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência do CARF. A decisão recorrida fundamentouse na aplicação da súmula nº 14 do 1º CC (atual súmula nº 14 do CARF): “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A Fazenda Nacional clama pela aplicação do art. 173, I do CTN tãosomente como conseqüência da aplicação da multa qualificada decorrente de evidente intuito de fraude. Recurso especial não conhecido. A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, ao qual foi dado seguimento, conforme Despacho nº 563 de 25/11/2008, fls. 1222/1223. O contribuinte foi cientificado destas decisões e apresentou embargos de declaração, recurso especial e contrarrazões ao recurso da União, fls. 1239/1261. A Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou intempestivos os embargos de declaração e negou seguimento ao recurso especial apresentado pelo interessado, fls. 1265/1267. O recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 1276/1282, e a União apresentou embargos de declaração, fls. 1285/1287, que foram acolhidos, fls. 1288/1289. Antes que fosse sanada a omissão apontada nos embargos, o contribuinte apresentou pedido de desistência para adesão a parcelamento, conforme documentos juntados às fls. 1273/1275 e 1316/1320, e o processo foi devolvido a esta Seção para providências. Observase que a parcela do crédito tributário relacionada ao recurso do Contribuinte foi transferida ao processo nº 10925.720382/201699. Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10925.002038/200561 Acórdão n.º 9202007.823 CSRFT2 Fl. 3 3 Consoante Despacho de fls. 1.328, "considerando o fato de que julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional ainda não foi finalizado, sendo então proposta a devolução do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para continuidade do julgamento". No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1.210 a 1.217, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 1.222 a 1.223, para rediscutir a qualificação da multa aplicada e a decadência do direito de constituir o crédito tributário. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese, que: a) ainda que provado o ilícito, segundo a e. câmara a quo não caberia o agravamento da multa no caso de lançamento com base em depósitos bancários, porque, a partir da Lei Complementar n.º 105/2001, e do Decreto n.º 4.545/2002, toda a movimentação financeira do contribuinte e automaticamente informada 6 Secretaria da Receita Federal; b) é importante considerar que os fatos geradores do IRPF exigido ao contribuinte ocorreram nos anos de 1999 e 2001, quando ainda não vigorava o Decreto n.º 4.545/2002; c) no caso, em verdade, ocorreu a aplicação da Lei n.g 11457/2001, que permitiu a Receita Federal utilizar as informações da CPMF, prestadas pelas instituições financeiras nos termos da Lei 9.311/96, para instaurar procedimento administrativo visando verificar a existência de crédito tributário, devido pelo contribuinte; d) não se aplica ao caso o Decreto n.º 4.545/2002, mencionado no voto condutor do acórdão como justificativa para afastar a multa agravada; e) o fato apenado pelo art. 44 da Lei n.Q 9430/96 combinado com o art. 71 da Lei n.º 4.502/64 e a sonegação dolosa de tributos; f) e. câmara a quo entendeu que não é possível ao contribuinte sonegar a informação acerca da movimentação bancária, em face de todos os instrumentos colocados 6 disposição dos auditores; g) há clara diferença entre sonegar movimentação bancária e sonegar tributos. A movimentação bancária, por si só, não é fato gerador do imposto de renda. Os valores que transitaram em conta bancária sem explicação da origem é que são reputados fato gerador do imposto de renda; h) fato de a fiscalização ter acesso aos dados bancários do contribuinte não significa que está, automaticamente, ciente do fato gerador do imposto de renda, ou ciente do intuito doloso do contribuinte; Fl. 1332DF CARF MF 4 i) não se pode confundir sonegação de movimentação bancária de sonegação de renda. A movimentação bancária que não está compatível com os rendimentos declarados do contribuinte ainda é indicio de omissão de receita, que dá margem ao aprofundamento das investigações; j) se a fiscalização tem acesso às informações bancárias do contribuinte, isso não torna "impossível" a sonegação de receita ao Fisco; k) no presente caso, o contribuinte, com a sonegação da renda que transitou em sua conta bancária, consumou o não pagamento do IRPF; l) deve ser mantida a multa agravada no presente caso, eis que incidente o art. 44, I, §1° da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488/2007); m) a existência de dolo por parte do contribuinte reflete diretamente na definição do marco inicial da contagem do prazo decadencial para a Fazenda Pública constituir o credito tributário respectivo. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — em que o contribuinte calcula o montante devido e antecipa o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa , o CTN, no art. 150, § 4; n) ainda que não reformada a decisão recorrida quanto à qualificação da multa, não caberá falar em decadência; o) se o fato gerador do IRPF, no caso de omissão de rendimentos com base no art. 42 da Lei nQ 9.430/96, ocorre em 31 de dezembro de cada anocalendário, e oportuno dizer que não decaiu o dever de a Fazenda Pública efetuar o lançamento relativo ao anocalendário de 2000, neste processo; p) todos os eventos ensejadores de tributação constantes do auto de infração ocorreram durante o anocalendário de 2000, sendo que o fato gerador do IRPF se perfez em 31 de dezembro desse ano; q) não houve decadência no tocante a esse período, já que a ciência do lançamento se deu, como visto, em 13 de outubro de 2005; r) a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso para reformar o respeitável acórdão recorrido, com a conseqüente manutenção do auto de infração e da decisão de primeira instância. Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, fls. 1.248 e seguintes, sustentando, sem síntese: a) consta as fls. 1.139/1.176 o v. acórdão sobre o qual se insurge o recorrente, sendo que em 19.02.2008 a Receita Federal tomou inequívoca ciência da decisão por intermédio de seu agente ATRFB matricula n°. 16.948, conforme consta à fl. 1.180; Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10925.002038/200561 Acórdão n.º 9202007.823 CSRFT2 Fl. 4 5 b) considerando que o recurso foi interposto apenas em 11.06.2008 (fl. 1.183), constatase a intempestividade do reclamo; c) contudo inexiste, no ponto recorrido, contrariedade a evidência de prova, conforme sustenta o recorrente. De igual modo, inexiste contrariedade a qualquer dispositivo legal; d) nos caso dos autos a incidência da multa qualificada não depende das provas propriamente ditas, mas sim da interpretação do texto legal; e) por não servir o Recurso Especial à uniformização de decisões, ou de posicionamentos, tornase incabível o prosseguimento do presente reclamo. Repitase: a divergência de posicionamento sustentnda pelo recorrente não da margem a interposição do Recurso Especial; f) Igual modo se conclui ao verificar qt e não ocorreu decisão contrária a Lei, inexistindo ofensa aos dispositivos citados pelo recorrente; g) que seja o não conhecimento do Recurso Especial por ausência dos requisitos estampados no art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais; h) não houve por parte do contribuinte, ora recorrido, qualquer intuito de sonegação, omissão ou fraude já que a; valores que transitaram nas contas bancárias foram devidamente declarados e contabilizados nas respectivas empresas; i) imprescindível que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio capitulados nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, dc 1964. 2, o que de fato não ocorreu no plano fático tampouco restou comprovado nos auto:, conforme reconhecido no acórdão objurgado; j) ante os fundamentos esboçados, requer a improcedência do pleito almejado pelo recorrente, mantendose a decisão por seus próprios fundamentos. Em seguida, conforme o Acórdão n.º 920202.359 proferido pela 2ª Turma da CSRF, em 25 de setembro de 2012, o Colegiado entendeu pelo não conhecimento do Recurso Especial, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência do CARF. A decisão recorrida fundamentouse na aplicação da súmula nº 14 do 1º CC (atual súmula nº 14 do CARF): “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, Fl. 1334DF CARF MF 6 sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A Fazenda Nacional clama pela aplicação do art. 173, I do CTN tão somente como conseqüência da aplicação da multa qualificada decorrente de evidente intuito de fraude. Recurso especial não conhecido. Foram opostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 1.285 e seguintes, que foram admitidos para que fosse sanada a omissão quanto à decadência, pois o acórdão recorrido consignou o entendimento de que a questão da decadência suscitada pela Procuradoria decorreria unicamente da manutenção da qualificação da multa e, não sendo conhecido o recurso quanto ao primeiro tema, não haveria como discutir o segundo. No entanto, aduz a Procuradoria da Fazenda que consta expressamente do seu Recurso Especial, às fls. 1.189, o pedido de declaração de inexistência de decadência referente ao anocalendário de 2000, ainda que ultrapassada a discussão da multa, uma vez que a própria decisão recorrida reconheceu como decaído os fatos geradores anteriores a 31/12/1999. Argumenta, assim, a Fazenda que "o lançamento apenas abarca os anos calendário de 2000, 2001 e 2002, não havendo que se falar em decadência de nenhum dos períodos lançados, já que para o fato gerador mais antigo (31/12/2000), o prazo final seria 31/12/2005, tendo o Contribuinte sido cientificado em 13/10/2005, portanto, tempestivamente". É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conforme narrado, tratamse de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 920202.359, proferido em 25 de setembro de 2012, de relatoria do Conselheiro Elias Sampaio. Em 14 de janeiro de 2013, houve a admissão dos embargos, de acordo com o Despacho de fls. 1.288 a 1.289. Cabe destacar que omissão a ser sanada referese à contagem do prazo decadencial. Não se trata mais da discussão sobre o prazo do art. 150, § 4, do CTN ou do 173, I, do mesmo diploma legal, mas tão somente sobre o suposto equívoco da decisão recorrida na contagem do prazo nos moldes do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. Sustenta a Procuradoria da Fazenda Nacional que consta expressamente do seu Recurso Especial, às fls. 1.189, o pedido de declaração de inexistência de decadência referente ao anocalendário de 2000, ainda que ultrapassada a discussão da multa, uma Fl. 1335DF CARF MF Processo nº 10925.002038/200561 Acórdão n.º 9202007.823 CSRFT2 Fl. 5 7 vez que a própria decisão recorrida reconheceu como decaídos os fatos geradores anteriores a 31/12/1999. Argumenta, assim, a Procuradoria que "o lançamento apenas abarca os anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, não havendo que se falar em decadência de nenhum dos períodos lançados, já que para o fato gerador mais antigo (31/12/2000), o prazo final seria 31/12/2005. Tendo o Contribuinte sido cientificado em 13/10/2005, ou seja, tempestivamente". Compulsandose os autos, verificase que assiste razão à Embargante em seus argumentos, pois o Acórdão recorrido não conheceu do Recurso Especial na íntegra, considerando o conhecimento da decadência prejudicado em razão das considerações acerca da inexistência de dolo, diante do afastamento da multa qualificada. Contudo, a qualificação da multa, embora tenha sido um dos argumentos para a Fazenda pleitear a reforma do acórdão de segunda instância no sentido da aplicação do art. 173, I, do CTN, não foi o único, sendo também aduzida a inexistência de decadência inclusive pela regra mais benéfica do art. 150, § 4º do CTN. No relatório do acórdão n.º 10248.326 constou corretamente o período autuado, nos termos abaixo transcritos: Em 22 de março de 2004 o contribuinte foi intimado para apresentar, no prazo de 20 dias, os extratos bancários de todas suas contascorrentes no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2002, comprovando, de forma individualizada, a origem dos respectivos recursos, bem como para comprovar a origem e o destino dado As disponibilidades em moeda estrangeira (dólares) — US$ 82.467.00, registrados na IRF/Dionisio Cerqueira, em 07/11/2002. Na fundamentação do voto, o Relator assim entendeu sobre a decadência: Assim, notificado do lançamento em 13/10/2005, os créditos lançados com base em fatos anteriores a 31 de dezembro de 1999 já haviam sido extintos pela decadência (art. 156, VI, do CTN), o que reconheço e acolho. Contudo, não obstante a fundamentação do voto tenha sido no sentido de reconhecer a decadência relativa ao período anterior à dezembro de 1999, constou do dispositivo o acolhimento da "preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 2000". Notase claro lapso da mencionada decisão, sendo que o Acórdão de recurso especial restou omisso quando ao sustentado pela Procuradoria da Fazenda acerca da decadência. Temse, pois, um lançamento referente aos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, e, ocorrido o fato gerador mais antigo em 31/12/2000, o termo final do prazo decadencial seria 31/12/2005. Porém, o Contribuinte foi cientificado em 13/10/2005, ou seja, tempestivamente, não havendo que se falar em decadência de nenhum dos períodos lançados. Fl. 1336DF CARF MF 8 Diante do exposto, voto por conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202 02.359, de 25/09/2012, reconhecer a inexistência de decadência. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Fl. 1337DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.003086/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA.
Tributam-se como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.
Numero da decisão: 2401-006.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO RELATIVA. ÔNUS DA PROVA. Tributamse como rendimentos omitidos, os acréscimos patrimoniais a descoberto, caracterizados por sinais exteriores de riqueza, que evidenciam a renda auferida e não declarada, não justificados pelos rendimentos declarados, tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte. Em se tratando de presunção legal relativa, cabe ao contribuinte o ônus da prova no que diz respeito à origem dos recursos que busquem justificar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 30 86 /2 00 8- 63 Fl. 1361DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II – SP (DRJ/SPOII) que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o Crédito Tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1732.143 (fls. 973/983): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 Ementa: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTOS NOVOS. A prova documental deve ser apresentada com a impugnação, salvo nos casos previstos em Lei. Art. 16, §40 do Decreto 70.235/72. Lançamento Procedente. O presente processo trata de Auto de Infração (fls. 595/601), lavrado contra o Contribuinte em 23/09/2008, relativo ao exercício 2006, decorrente da omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, no qual é exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF o valor de R$ 210.125,02, Multa Proporcional, passível de redução, no valor de R$ 157.593,76 e Juros de Mora, calculados até 08/2008, no valor de R$ 58.204,63, ficando o Crédito Tributário exigido no montante total de R$ 425.923,41. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 583/593): 1. Em 10/03/2008, o procedimento fiscal foi iniciado com o recebimento via postal do Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 04/03/2008, pelo qual o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos comprobatórios dos rendimentos isentos e não tributáveis, no montante de R$ 590.000,00, informados na Declaração de Ajuste Anual 2006; 2. Uma vez que o contribuinte não protocolizou resposta ao Termo de Inicio, foi lavrado, em 27/03/2008, o Termo de Reintimação Fiscal, solicitando os documentos comprobatórios aos rendimentos isentos e não tributáveis no montante de R$ 590.000,00 e, considerando a Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 3 3 retificação efetuada, foi solicitado o livrodiário ou caixa original da empresa TECBEM, referente ao anocalendário de 2005; o contrato social da empresa e suas alterações, bem como os comprovantes da efetiva transferência de recursos referentes aos lucros ou dividendos distribuídos; 3. Da análise dos lançamentos constantes no livro diário da TECBEM pôde ser verificado que a empresa escriturou receita apenas nos meses de junho, setembro e dezembro de 2005; 4. Ainda segundo os lançamentos apostos no livro, esses valores teriam sido recebidos em dinheiro, mantidos em caixa, até 31/12/2005, quando teriam sido entregues sócio Daniel Jose Burd, também em espécie; 5. Em 24/04/2008, o contribuinte compareceu a Delegacia da Receita Federal em Osasco, tendo informado que a empresa TECBEM prestou no anocalendário de 2005, serviços para a empresa FórumAcess Comércio Consultoria e Desenvolvimento de Sistemas Ltda., CNPJ 00.793.304/000153, também de sua propriedade, e que a mesma efetuava os pagamentos devidos à TECBEM, diretamente na conta corrente da pessoa física Daniel e, posteriormente, eram emitidas as notas fiscais da empresa TECBEM contra a empresa FórumAcess, pela somatória dos valores recebidos no mês; 6. Na ocasião apresentou xerox das notas fiscais n°s 002; 003 e 004 emitidas no anocalendário de 2005, todas elas cópias de péssima qualidade; 7. Apresentou, também, seus extratos bancários contendo créditos que alegou serem os recebimentos da empresa FórumAcess em contrapartida dos serviços que lhe foram. Em primeira análise os valores constantes nos extratos não correspondiam aos valores constantes nas três Notas Fiscais. O contribuinte ficou de posse dos extratos para que assinalasse os valores, demonstrando assim as suas alegações; 8. Foi orientado no sentido de demonstrar as operações alegadas com documentação comprobatória inclusive da efetiva transferência de valores, com data e valores coincidentes e coerentes com as sua alegações; 9. Não foram apresentados documentos que pudessem comprovar os fatos alegados; 10. Foi, então, elaborado o Demonstrativo de Evolução Patrimonial — fluxo Financeiro Mensal, anobase de 2005, com base nos documentos apresentados pelo contribuinte e nas informações constantes nos sistemas da RFB, tendo sido apurada a variação patrimonial a descoberto em todos os meses do anobase; Fl. 1363DF CARF MF 4 11. Em 29/07/2008, foi lavrado Termo de Ciência, cientificando o contribuinte acerca dos demonstrativos elaborados e concedendo o prazo de cinco dias para que se manifestasse acerca do mesmo, juntamente com o Termo foram enviados o Demonstrativo de Evolução Patrimonial; o Demonstrativo da Renda Consumida e o Demonstrativo de Movimentação de Aplicações Financeira, sob a forma de anexos, tendo sido recebidos em 04/08/2008, conforme AR; 12. Em carta datada de 27/08/2008 o contribuinte se manifestou; 13. Considerando as alegações do contribuinte, o Demonstrativo de Evolução Patrimonial — Fluxo Financeiro Mensal AnoBase 2005 não foi alterado, uma vez que não foram apresentados quaisquer novos documentos que pudessem modificar os elementos lá inseridos. O Contribuinte foi cientificado do Auto de Infração, pessoalmente, em 23/09/2008 (conforme assinatura aposta no Auto de Infração fl. 595 a 601) e, em 23/10/2008, apresentou sua Impugnação de fls. 617/629, instruída com os documentos de fls. 631 à 959. O Processo foi encaminhado à DRJ/SPOII para julgamento, onde, através do Acórdão nº 1732.143, em 26/05/2009 a 8ª Turma resolveu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o lançamento. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/SPOII, via Correio (AR fl. 993), em 18/06/2009 e, inconformado com a decisão prolatada, em 15/07/2009, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 995/1001, por meio do qual contesta o lançamento e, em síntese, argumenta que: 1. Equivocouse a Turma Julgadora em sua decisão, sobretudo no tocante à alegada confusão patrimonial das pessoas jurídicas e pessoa física do sócio; 2. A Declaração Anual simplificada da empresa TECBEM informa os valores recebidos referentes aos serviços prestados A empresa FórumAccess nos meses de junho, setembro e dezembro de 2005, que geraram tributos(simples nacional), da ordem de R$ 17.820,00 (dezessete mil oitocentos e vinte reais), R$23.017,50 (vinte e três mil dezessete reais e cinqüenta centavos) e R$ 20.212,50 (vinte mil duzentos e doze reais e cinqüenta centavos), nos referidos meses; 3. Referidos tributos, correspondentes às notas fiscais emitidas contra a empresa FórumAccess, consoante se vê dos Demonstrativos de Parcelas — Parcelamento Simples Nacional, foram pagas pela empresa TECBEM, do que se conclui que referida empresa recebeu os pagamentos pelos serviços prestados, pagou os impostos a ele relativos, e por fim pagou ao sócio, ora Recorrente, através da distribuição se lucros; 4. O fato desse pagamento ter ocorrido diretamente da empresa FórumAccess para a conta pessoal do Recorrente não pode levar à conclusão a que chegou a Turma Julgadora, no sentido de ter havido omissão de rendimento, pois referido valor está devidamente declarado tanto na declaração da pessoa jurídica quanto na do sócio; Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 4 5 5. A não coincidência de valores e datas de pagamentos também não tem o condão de afastar as alegações do Recorrente, porquanto como bem salientou em sua Impugnação, os pagamentos realizados pela FórumAccess em relação aos serviços prestados pela Tecbem foram realizados ao longo do ano de 2005, a partir de junho, sendo certo que não houve depósito exato do valor, e no mês correspondente e subseqüente à realização dos serviços, mas sim depósitos de diversos valores ao longo dos meses; 6. Resta comprovado que não há qualquer irregularidade na DIRPF/2006, anobase 2005 do Recorrente. Finaliza seu RV requerendo que seja considerado nulo o lançamento cancelandose o débito fiscal, aceitando, em consequência, a referida DIRPF/2006, anobase 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Do Acréscimo Patrimonial a descoberto O contribuinte fora notificado, por meio de Termo de Início de Fiscalização acerca da existência da fiscalização, bem como para apresentar os documentos relativos à comprovação dos rendimentos isentos e não tributáveis, no montante de R$ 590.000,00, informados em sua Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício de 2006. Ocorreu que em 13/03/2008 (três dias após o recebimento do Termo de Inicio de Ação Fiscal) foi efetuada a transmissão da Declaração Simplificada PJ Simples Retificadora da empresa TECBEM, alterando os valores constantes na Ficha 06, de R$ 18.000,00 para R$ 590.000,00. Ante a ausência de resposta consistente do contribuinte fora àquele enviado, na data de 27/03/2008, Termo de Reintimação Fiscal, solicitando novamente os documentos já referidos, bem como o livrodiário ou caixa original da empresa TECBEM, referente ao ano Fl. 1365DF CARF MF 6 calendário de 2005; o contrato social da empresa e suas alterações, bem como os comprovantes da efetiva transferência de recursos referentes aos lucros ou dividendos distribuídos. Então o contribuinte apenas apresentou o livrodiário da TECBEM (não registrado junto à JUCESP) e o contrato social da mesma e esclareceu que a empresa TECBEM prestou no serviços para a empresa FórumAcess Comércio Consultoria e Desenvolvimento de Sistemas Ltda., também de sua propriedade, e que a mesma efetuava os pagamentos devidos à TECBEM, diretamente na conta corrente da pessoa física Daniel e, posteriormente, eram emitidas as notas fiscais da empresa TECBEM contra a empresa FórumAcess, pela somatória dos valores recebidos no mês. Afim de comprovar suas alegações apresentou três notas fiscais praticamente ilegíveis, bem como seus extratos bancários contendo créditos que atestou serem os recebidos da empresa FórumAcess pelos valores devidos à TECBEM. Verificouse que os valores constantes nos extratos eram incompatíveis com os constantes nas Notas Fiscais. Foi então o contribuinte orientado a demonstrar as operações alegadas com documentação comprobatória inclusive da efetiva transferência de valores, com data e valores coincidentes e coerentes com as sua alegações. Entretanto, o mesmo permaneceu inerte. Diante disto, foi novamente intimado, em 10/06/2008, para apresentar, no prazo de cinco dias, a documentação comprobatória do efetivo recebimento dos recursos, entretanto o contribuinte nada mais apresentou. Assim, a fiscalização elaborou o demonstrativo de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal o qual foi novamente submetido ao contribuinte, ocasião em que o mesmo prestou novos esclarecimentos sem, no entanto, juntar qualquer documentação capaz de comprar o alegado. Pois bem. A legislação tributária define o acréscimo patrimonial a descoberto como fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Grifei) No mesmo sentido temos o artigo 3º da Lei nº 7.713 de 1988 dispõe que o imposto de renda incide sobre o rendimento bruto constituído, também, pelos acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, in verbis: Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 5 7 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. […] § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei) Conforme dispunha o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1.999) são tributáveis o acréscimo patrimonial da pessoa física quando não estiver justificado, podendo a autoridade fiscal exigir do contribuinte os esclarecimentos que se fizerem necessários para justificar a origem dos recursos e o destino dos dispêndios. Vejamos: Art. 55. São também tributáveis: [...] XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; Art. 806. A autoridade fiscal poderá exigir do contribuinte os esclarecimentos que julgar necessários acerca da origem dos recursos e do destino dos dispêndios ou aplicações, sempre que as alterações declaradas importarem em aumento ou diminuição do patrimônio (Lei no 4.069, de 1962, art. 51, § 1º). Art. 807. O acréscimo do patrimônio da pessoa física está sujeito à tributação quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo se o contribuinte provar que aquele acréscimo teve origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos à tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. (Grifamos). Como se verifica, a própria lei define que na ocorrência de um acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, presumese a existência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda. Destarte, para que o contribuinte não sofra a tributação do Imposto de Renda após a constatação da variação patrimonial a descoberto, necessário se faz que ele demonstre Fl. 1367DF CARF MF 8 que os acréscimos patrimoniais levantados são suportados por rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Passamos assim à análise da documentação apresentada pelo Recorrente. Em se tratando de acréscimo patrimonial a referida comprovação ocorre por meio da elaboração de planilhas (fluxos de caixa), que são alimentadas com todas as origens de recurso constatadas no curso da ação fiscal e de outro lado todas as disponibilidades e dispêndios verificados no referido período. A partir daí, constatandose que as aplicações superam as origens declaradas sucede a figura do acréscimo patrimonial a descoberto. No caso presente, a fiscalização elaborou o Demonstrativo de Apuração de Variação Patrimonial – Fluxo Financeiro Mensal, submetido à ciência do contribuinte sem que por ele houvesse qualquer manifestação (fls. 563 a 571). Em sede de Recurso Voluntário limitase a argumentar a inexistência de referido acréscimo patrimonial a descoberto, alegando que os documentos apresentados, em especial as notas fiscais, são suficientes para demonstrar a veracidade de suas alegações, uma vez que tanto o Recorrente quanto a empresa TECBEM informaram a transação em suas declarações, bem como que a falta de coincidência entre as datas e valores constantes em seus extratos bancários relativos aos supostos recebimentos não têm o condão de demonstrar a inveracidade de seus argumentos. Ocorre que, por existir presunção legal que milita em favor da Fazenda Pública, caberia ao então Recorrente a incumbência de demonstrar de maneira satisfatória que o acréscimo patrimonial experimentado encontrase consubstanciado em rendimentos já tributados, isentos ou não tributáveis. Entretanto, através da análise de toda a documentação apresentada pelo mesmo não há qualquer comprovação de sua alegação capaz de ilidir a presunção sobre a qual fundase a autuação fiscal. Isto se diz porque, apesar de intimado para demonstrar ao menos uma convergência coerente de valores e datas ditos recebidos da empresa TECBEM, posto que não coincidentes com as notas fiscais apresentadas, o mesmo não o fez de forma, argumentando no tocante à matéria, em sede recursal, que não houve depósito exato do valor no mês correspondente e subsequente à realização dos serviços, mas sim depósitos de diversos valores ao longo dos meses, reapresentando os extratos bancários, sem neles realizar a comprovação necessária. Não se desincumbindo, pois, do ônus probatório que lhe é atribuído. Ademais, no tocante à escrituração contábil da empresa TECBEM há que se atentar para dois fatos: 1 – da declaração apresentada inicialmente constava apenas o valor de R$18.000,00 repassado ao contribuinte por meio de distribuição de lucro, vindo a ser apresentada declaração retificadora três dias após o recebimento, pelo Recorrente, do termo de início de fiscalização; e 2 – conforme verificado pela fiscalização, o livrodiário da empresa TECBEM não se encontrava registrado perante a Junta Comercial competente, o que atribui lhe reduzido valor probante, na medida em que não existem outros indícios probatórios que levem a inferir a substância dos fatos alegados. Apenas para fins elucidativos, apesar de trazido à tona pela DRJ/SPOII em sede de acórdão a possibilidade de existência de confusão patrimonial entre o Recorrente e as empresas de sua propriedade, quais sejam a TECBEM e FórumAcess não fora referido fato, diferente do que contesta o contribuinte em seu Recurso Voluntário, utilizado como Fl. 1368DF CARF MF Processo nº 10882.003086/200863 Acórdão n.º 2401006.161 S2C4T1 Fl. 6 9 fundamento para a decisão daquele colegiado ou mesmo para a lavratura do auto de infração combatido. Desta feita, provada pelo fisco a aquisição de bens e aplicações de recursos, bem como não logrando êxito o Recorrente em fazer prova do contrário há que ser mantida a autuação. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar alegada e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1369DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.909159/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. DEVER DE COLABORAÇÃO. EXAME DE DOCUMENTOS APRESENTADOS AOS AUTOS.
Na atividade vinculada de lançamento e revisão do crédito tributário, Fisco e Contribuinte devem se pautar pelo dever de colaboração. Os documentos trazidos aos autos em sede de defesa administrativa devem ser devidamente analisados pela autoridade julgadora e eventuais erros de fato identificados podem e devem ser corrigidos.
Numero da decisão: 3201-005.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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DEVER DE COLABORAÇÃO. EXAME DE DOCUMENTOS APRESENTADOS AOS AUTOS. Na atividade vinculada de lançamento e revisão do crédito tributário, Fisco e Contribuinte devem se pautar pelo dever de colaboração. Os documentos trazidos aos autos em sede de defesa administrativa devem ser devidamente analisados pela autoridade julgadora e eventuais erros de fato identificados podem e devem ser corrigidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 29 combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 91 59 /2 01 0- 67 Fl. 186DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1636.994, proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), que assim relatou o feito: 1. Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 02/04 a numeração do processo indicada neste documento se refere a da versão digital), em que a interessada pretende compensar débito tributário com suposto crédito decorrente de pagamento de PIS/Pasep do período de apuração de 31/01/2002, efetuado em 09/02/2004, em nome da incorporada INDÚSTRIAS KLABIN S. A., CNPJ 59.368.100/000118. 2. De acordo com o Despacho Decisório de fl. 10, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF discriminado no PER/DCOMP, não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Dessa forma, não foi homologada a compensação declarada. 3. Ciente dessa decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 13/28), na qual alega, em síntese, que: embora a manifestante entenda desnecessário apresentar a composição do valor do crédito pleiteado, de R$ 55.723,12, dado que isso não foi objeto de questionamento, para comprovar a lisura do procedimento adotado, demonstrase memória de cálculo de tal valor à fl. 17. importante informar, para o correto entendimento dos fatos, que há uma diferença de, aproximadamente, R$ 1.000,00 entre o valor do principal indevidamente recolhido (R$ 55. 723,12) e o valor do débito destacado no Quadro 2 (R$ 56.726,04). Conforme se pode verificar da análise da DCTF retificadora, o valor de, aproximadamente, R$ 1.000,00 não deveria ter sido recolhido — como de fato não foi — dado que a sua exigibilidade estava suspensa. a manifestante não sabe qual seria, na realidade, o motivo do indeferimento do direito creditório e, consequentemente, da não homologação da compensação declarada. apenas supõe que o direito creditório tenha sido negado em virtude de não ter sido localizada a DCTF retificadora que corrigiu o valor do débito devido. entretanto, não se pode aceitar que a contribuinte seja obrigada a se defender com base em suposições, sem ter segurança quanto ao motivo que determinou a glosa, pois o Decreto n° Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 187 3 70.235/1972 é claro ao determinar que os atos proferidos por autoridades administrativas que prejudicam ou impossibilitam o direito de defesa do contribuinte são eivados de nulidade. há de se observar que o Despacho Decisório ora combatido não contém uma descrição precisa e congruente dos fatos que ensejaram a sua emissão. Tal omissão e imprecisão impedem o pleno conhecimento das circunstâncias que levaram ao indeferimento do seu direito creditório, implicando grandes dificuldades e embaraços ao direito da ampla defesa e do contraditório. a própria fundamentação legal utilizada como embasamento para o indeferimento do direito creditório ora pleiteado foi indicada de modo apenas genérico, não permitindo a identificação de qual o equivoco teria sido pretensamente cometido. Em síntese, não constam, no Despacho Decisório, informações precisas acerca das supostas incorreções cometidas, evidenciando a nulidade do ato administrativo em apreço. o valor do pagamento ora discutido decorre, inequivocamente, da tributação de receitas que não se enquadram no conceito de faturamento. sobre a tributação das receitas que não se enquadram no conceito de faturamento (base de cálculo prevista pela Lei 9.718/1998), é assente que tal exigência não está de acordo com o direito. Isto porque, o Supremo Tribunal Federal já declarou a sua inconstitucionalidade. Ademais, no caso ora analisado, a manifestante obteve decisão judicial definitiva que a possibilita não observar a base de cálculo prevista na Lei 9.718/1998. independentemente da decisão judicial definitiva favorável à manifestante, o direito creditório deve ser reconhecido, pois, como já mencionado, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS. o não reconhecimento da inconstitucionalidade da lei já declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal viola princípios consagrados pelo ordenamento jurídico brasileiro, dentre os quais se destacam o "Princípio da Moralidade” e o "Princípio da Eficiência". muito embora a manifestante acredite que o seu direito creditório será reconhecido com a consequente homologação da compensação efetuada, em função do Princípio da Eventualidade, não há como se furtar em apresentar a sua discordância em relação à exigência de multa e juros, na hipótese dos julgadores entenderem que o indeferimento deva prevalecer. no caso em tela, não há que se falar em imposição de multa e juros por atraso no pagamento, já que a manifestante quitou Fl. 188DF CARF MF 4 tempestivamente, por meio da DCOMP não homologada, o débito compensado. não há que se alegar mora ao quitar o débito equivocadamente exigido, uma vez que esta apresentou DCOMP com objetivo de cumprir sua obrigação, sendo que, a não homologação da DCOMP apresentada não é, por si só, fato caracterizador de mora do contribuinte. a exoneração da multa e dos juros deverá ser reconhecida, pois a manifestante não incorreu em mora, tendo apresentado tempestivamente a DCOMP para quitação integral do débito tributário compensado. 4. Diante dessas alegações, a interessada solicita: o cancelamento total do Despacho Decisório ora combatido, com a declaração de sua nulidade, pois, em preliminar, é comprovado o cerceamento do direito de defesa. na hipótese de se entenderem que não deve ser declarada a nulidade do Despacho Decisório, a manifestante pede e espera que, no mérito, o seu direito creditório seja deferido e, consequentemente, homologada a compensação declarada. caso o indeferimento do direito creditório seja mantido, o que se admite apenas a título de argumentação, deve ser afastada a exigência de multa e juros de mora pelos motivos já expostos. 5. Por fim, a manifestante protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, sobretudo a diligência fiscal. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. DESCRIÇÃO IMPRECISA DOS FATOS. IMPROCEDÊNCIA. Descabe a alegação de nulidade por descrição imprecisa dos fatos que ensejaram a não homologação da compensação quando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade evidenciam que a interessada entendeu perfeitamente a motivação do despacho decisório. PRODUÇÃO DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas devem ser apresentadas juntamente com a manifestação de inconformidade, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 57 do Decreto 7.574/2011. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PEDIDO NÃO FORMULADO. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 188 5 Temse por não formulado o pedido de diligência ou perícia que não atenda aos requisitos previstos na legislação de processo administrativo fiscal. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. BASE DE CÁLCULO. RECEITA NÃO DECORRENTE DE VENDAS OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. A alegação de que parte das receitas seria diversa daquelas oriundas do exercício das atividades empresariais deve estar lastreada por provas. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Inexiste pagamento indevido ou a maior quando este já foi utilizado para quitar crédito tributário apurado de acordo com as normas então vigentes. DÉBITOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. O tributo ou contribuição objeto de compensação não homologada será exigido com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente ireito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 190DF CARF MF 6 Conforme relato dos fatos, tratase de Pedido de Restituição e Compensação apresentado pelo Recorrente e que deixou de ser homologado em razão de não ter sido identificado no sistema o DARF indicado como crédito. Em sua defesa, o contribuinte alega que o DARF em questão (doc. 5 da Manifestação de Inconformidade) é relativo ao pagamento a maior realizado em 09/02/2004 relativo ao PIS apurado em janeiro de 2002. Esclarece que o fato gerador em questão (janeiro de 2002) foi praticado por empresa sucedida. Informa a Recorrente que o valor a maior decorreu do fato de que a empresa, ao apurar a base de cálculo do PIS, incluiu indevidamente receitas financeiras, sendo que possuía ação judicial transitada em julgado assegurando o direito à sua exclusão. Apresenta memória de cálculo da apuração no período referido. Pois bem. Ao examinar os argumentos do contribuinte, entendeu a DRJ: (i) Quanto à alegação de que o fato gerador do crédito (PA 01/2002) foi realizado por empresa sucedida, que esta foi baixada (sucedida) em 28/12/2001, portanto, não poderia ter sido qualquer pagamento atrelado à ela; (ii) Que embora no DARF conste a informação de que o pagamento estaria relacionado à empresa sucedida, o CNPJ informado é o da Recorrente, sucessora. (iii) Que na própria DCTF original o DARF em questão foi vinculado à débito próprio, e não à eventual débito da empresa sucedida. (iv) Que se o crédito postulado é vinculado a ação judicial, deveria ter feito constar essa informação no PER/DCOMP, o que não fez. (v) Que, ainda que se admitisse a compensação realizada em desacordo com os procedimentos estabelecidos, caberia à Recorrente comprovar "o valor do pagamento em discussão decorre da tributação de receitas oriundas de operações diversas de suas atividades empresariais", o que também não foi feito. Ao final, a DRJ conclui que a contribuinte não fez prova do seu direito creditório e tampouco postulou pela juntada de novos documentos ou mesmo requereu diligência. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reitera os argumentos anteriormente apresentados e esclarece: Sobre a composição da base de cálculo do período correspondente ao crédito, informa que retificou a DCTF do período em 24/05/2006 e que nesta retificação constou o correto valor do PIS apurado (documento 6 do Recurso, fl. 154). Portanto, no momento em que retificou o valor devido, o DARF no valor de R$55.723,12 vinculado na DCTF original se tornou dissociado de qualquer débito. Para comprovar que em janeiro de 2002 a base de cálculo do PIS era exatamente aquela informada na DCTF retificadora, apresenta balancete contábil do período. Sobre toda a questão atinente à empresa sucedida, a Recorrente não apresentou qualquer manifestação em seu Recurso. Contudo, considerando o que concluiu a própria DRJ, conforme itens (i), (ii) e (iii) supra, tenho que se trata de questão superada. O Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 189 7 DARF, as DCTFs e o PER/DCOMP foram transmitidos em nome da Recorrente, sucessora, cabendo a análise desta. O Recurso Voluntário traz, ainda, toda uma irresignação quanto à uma suposta alegação de retificação extemporânea da DCTF que teria sido feita pela DRJ. Ocorre que, em minucioso exame do acórdão recorrido, identifico que este não trouxe qualquer fundamentação acerca de uma eventual decadência / preclusão na retificação da DCTF, muito embora tenha feito constar na ementa do julgado: DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A retificação da DCTF deve obedecer ao prazo e pressupostos legais firmados pela legislação aplicável. A DCTF retificadora apresentada extemporaneamente não produz efeitos legais para alterar crédito tributário que já se encontrava formalmente homologado e definitivamente extinto perante a Fazenda Nacional. Logo, por absoluta ausência de fundamentação, reputo que qualquer manifestação relativa à eventual preclusão deve ser excluída dos autos. Feitos tais esclarecimentos, pontuo os seguintes fatos por mim extraídos dos documentos acostados aos autos: (a) Em 06/10/2005 foi transmitida DCTF pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), na qual, em janeiro de 2002 foi informado débito de PIS no valor de R$927.593,31. Para a extinção desse débito foram vinculados 3 (três) DARFs, dentre eles o DARF no valor principal de R$55.723,12, CNPJ 89.637.490/000145, código de receita 8109 (fls. 149 e seguintes) Além dos DARFs, constam valores suspensos por decisão judicial. (b) Em 24/05/2006 foi transmitida DCTF retificadora pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), na qual, em janeiro de 2002 foi informado débito de PIS no valor de R$853.276,58. Para a extinção desse débito foi vinculado um único DARF no valor principal de R$852.273,66, CNPJ 89.637.490/000145, código de receita 8109 (fls. 153 e seguintes) Além do DARFs constam valores suspensos por decisão judicial. (c) Em 13/10/2006, portanto, posteriormente à retificação da DCTF, foi transmitido o PER/DCOMP objeto do presente processo administrativo, pela empresa Recorrente (Klabin S/A, CNPJ 89.637.490/000145), informando que o crédito utilizado corresponde justamente ao DARF no valor principal de R$55.723,12, CNPJ 59.368.100/0001 18, código de receita 8109, que fora desvinculado do débito apurado em janeiro de 2002 por meio da DCTF retificadora. (fls. 2 e seguintes) (d) O Despacho Decisório eletrônico ora questionado, conforme (fls. 7 e seguintes) tem como única descrição dos fatos: O DARF indicado abaixo, não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Verifique se todos os dados da Ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do DARE objeto do crédito. No caso de REDARF, as informag8es devem ser as constantes da retificação. A data de Fl. 192DF CARF MF 8 arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: (e) O DARF em exame foi juntado à fl. 59 do eprocesso: A exposição detalhada dos fatos se fez necessária para que se pudesse ultrapassar tanto as alegações apresentadas pelo Contribuinte, como pela DRJ. A conclusão é bastante simples: A causa de não homologação do PER/DCOMP é única e exclusivamente o fato de o DARF indicado não ter sido localizado no sistema da Receita Federal. A Contribuinte comprovou a existência do DARF quando juntou sua cópia à Impugnação. Ocorre que o CNPJ informado no DARF (CNPJ 89.637.490/000145) é diferente do CNPJ que constou no PER/DCOMP (CNPJ 59.368.100/000118). Então, obviamente, o sistema jamais identificaria um DARF com os parâmetros equivocadamente informados pelo contribuinte em seu PER/DCOMP. Igualmente simples é a resolução do impasse: uma vez apresentado o DARF, bastaria uma conferência visual para se constatar o equívoco. E mais, a Recorrente justificou que se tratam de CNPJs de empresas sucedida e sucessora, o que foi confirmado pela DRJ. Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10880.909159/201067 Acórdão n.º 3201005.218 S3C2T1 Fl. 190 9 Uma vez constatado o equívoco e localizado o DARF correto, bastaria a busca pelo sistema da Receita Federal se este DARF está ou não integralmente vinculado à qualquer débito declarado pelo contribuinte. Nesse momento, se identificam as informações constantes da DCTF retificadora, transmitida muito antes do PER/DCOMP, quando se constata que, de fato, o DARF informado não se encontra lá comprometido, embora estivesse na DCTF original. Nesse momento, de fato, cabe à Fiscalização averiguar a legitimidade da retificação da DCTF, podendo solicitar esclarecimentos e documentos que comprovem a base de cálculo declarada. Contudo, com a devida vênia, entendo que, na hipótese dos autos, seja em sede de manifestação de inconformidade / recurso voluntário, quanto no acórdão proferido pela DRJ, tergiversase acerca de diversas questões tangenciais (ação judicial, composição de base de cálculo, suficiência/ insuficiência de prova, preclusão, débitos de sucedida e sucessora, etc) quando a controvérsia é exclusivamente formal: um erro de preenchimento de informação no PER/DCOMP facilmente compreendido a partir dos documentos anexados à Manifestação de Inconformidade. Nesse ponto, acrescento que, embora não padeça de nulidade, o Despacho Decisório eletrônico deve merecer análise diferenciada por parte da DRJ quando do exame da Manifestação de Inconformidade e dos documentos anexados. Nessa espécie de procedimento, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de esclarecimentos e documentos comprobatórios do seu direito é, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, ou, ainda, limitarse à análise do direito, sem exame da documentação apresentada, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal e da própria vinculação do ato administrativo de lançamento tributário. Ademais, a legislação processual autoriza a realização de diligência por solicitação do próprio julgador. Ainda que a documentação trazida pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade pudesse ser tida por insuficiente pra se esgotar a instrução probatória, deve ser entendida, quando menos, como indício robusto de prova do seu direito. Assim, poderia a DRJ determinar a realização de diligência fiscal inclusive para que seja intimado o contribuinte para apresentar quaisquer outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito da controvérsia. Não se pode perder de vista, ainda, o dever de colaboração que deve instruir Fisco e Contribuinte na verificação do crédito tributário, sempre pautandose na boa fé e na legalidade. A higidez do lançamento tributário deve ser buscado na condição de interesse social maior por todos os envolvidos na atividade administrativa de lançamento e revisão do crédito tributário. Fl. 194DF CARF MF 10 Por fim, encerro a argumentação trazendo à lume o Parecer Cosit 2/2015, que orienta: 19. Dependendo do momento ou situação em que o PER é indeferido ou a DCOMP é apresentada ou a intimação para autorregularização é feita ou que a não homologação é decidida, é possível que o sujeito passivo não possa mais retificar sua DCTF por alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010. A autoridade administrativa ou julgadora, contudo, ao analisar o caso concreto, pode reconhecer ou não o crédito do sujeito passivo de acordo com as circunstâncias fáticas e/ou materiais contidas no processo. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte para determinar a prolação de novo acórdão pela DRJ, desta feita, com base no artigo 291 combinado com artigo 16, §§4º e 6º2, do PAF, e examinando os documentos apresentados pelo contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade, notadamente a cópia do DARF controvertido e todas as demais declarações fiscais. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário 1 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. Fl. 195DF CARF MF
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