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Numero do processo: 10680.725763/2011-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB.
O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP.
Numero da decisão: 3403-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 57 63 /2 01 1- 70 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração (fls. 2 a 14)1, lavrado em 27/09/2011 (com ciência em 29/09/2011) para exigência de Contribuição Social para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, referente aos períodos de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, no total de R$ 130.577,88 (a título de principal). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 a 19, narrase que a fiscalização, com base no relatório de despesas e receitas dos municípios (FINBRA), e em documentos apresentados pela prefeitura, verificou insuficiência de recolhimentos da contribuição para o PASEP no período fiscalizado, pelo fato de o Município ter deixado de apurar e recolher a contribuição sobre as receitas correntes arrecadadas e sobre as transferências correntes e de capital recebidas. Integram a base de cálculo da contribuição inclusive os valores recebidos pelo Município destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Lavrouse assim a autuação, com juros de mora e multa de ofício de 75% (Lei no 9.430/1996, art. 44), bem assim representação fiscal para fins penais. Em sua impugnação (fls. 344 a 348), a prefeitura alega que (a) as “receitas recebidas” objeto de tributação pela contribuição devem considerar a dedução de transferência, especialmente a retenção para o FUNDEF/FUNDEB impostas pela Constituição; e (b) o FUNDEF/FUNDEB é um fundo público constituído no âmbito estadual, de natureza meramente contábil (“uma conta bancária”); (c) a União e o Estado de Minas Gerais, ao repassarem FPM, IPI e ICMS, v.g., deslocam parte do repasse ao fundo, diminuindo (na fonte, em torno de 20%) o valor da transferência ao município; (d) o fundo, para o qual contribuem todos os municípios brasileiros, divide novamente os recursos, enviando a cada município a parcela correspondente, segundo critérios definidos; (e) tal parcela, evidentemente, é efetivamente “recebida” e oferecida à tributação da Contribuição para o PASEP; e, (f) portanto, o valor a ser tributado é o líquido (parcela efetivamente repassada, total menos valor retido).e não o bruto, sob pena de bitributação, e desobediência ao comando do art. 2o, III, § 3o, e dos arts. 7o e 15 da Lei no 9.715/1998, que tratam de tributação de “receitas e transferências” devidamente recebidas. Em 19/12/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 604 a 608), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que os recursos recebidos pelos Municípios e destinados ao FUNDEB (antigo FUNDEF) não podem ser excluídos da base de cálculo do PASEP do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal, não estando tal medida assegurada no art. 7o da Lei no 9.715/1998. Sustenta ainda o julgador que podem ser descontados (e foram, na autuação) as retenções efetuadas pelos agentes pagadores e os pagamentos (DARF) informados (ou não) em DCTF. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/01/2012 (AR à fl. 616), a prefeitura apresenta Recurso Voluntário em 15/02/2012 (fls. 618 a 623), no qual basicamente reproduz o teor da impugnação. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 621 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O tema central é o cabimento da exigência da Contribuição para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, disciplinada pela Lei no 9.715/1998, e regulamentada no Decreto no 4.542/2002, sobre o valor correspondente ao FUNDEB. O FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foi criado pela Emenda Constitucional no 53/2006 (que alterou o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF/1988), e está regulamentado pela Lei no 11.494/2007 e pelo Decreto no 6.253/2007, tendo substituído o FUNDEF, que vigorou de 1998 a 2006. O FUNDEB corresponde basicamente a 20% dos recursos distribuídos entre Estados e Município, rateados proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de educação básica, sendo prevista ainda complementação por parte da União. Na autuação, esclarecese que os valores autuados correspondem às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas, cf. art. 2o, III da Lei no 9.715/1998, incluindo os valores recebidos pelo Município destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e no do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Sobre a base de cálculo incide a alíquota de 1% prevista no art. 8o, III da mesma Lei no 9.715/1998, chegandose ao valor devido, do qual são deduzidos os valores correspondentes às retenções para o PASEP (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001) e os valores declarados (ou não) em DCTF recolhidos mediante DARF. Assim estabelece a Lei no 9.715/1998, que rege a Contribuição para o PASEP: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 215835, de 2001) Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” Assim, o que o fisco fez foi adicionar às receitas correntes arrecadadas as transferências correntes e de capital recebidas. Obtendose a base de cálculo e aplicandose a alíquota legalmente prevista, o valor resultante foi subtraído dos pagamentos e das retenções efetuados. Apurada diferença, é exatamente a ela que se reporta o lançamento. Sobre as receitas arrecadadas parece não pairar dúvida. Contudo, é controversa a expressão “recebidas”, referente a transferências correntes e de capital. O Município sustenta que não “recebe” integralmente os valores transferidos, pois parte deles é destinada compulsoriamente ao FUNDEB e rateada. Assim, defende que deveria constituir base de cálculo da contribuição somente seu quinhão no rateio. Primordial ao deslinde do contencioso, assim, o texto do art. 7o da Lei no 9.715/1998, que esclarece o que são receitas correntes: “quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas”. E, como esclarece a própria recorrente, o FUNDEB é um fundo contábil, e não uma entidade pública. Carente de amparo legal, assim, a exclusão da base de cálculo da contribuição em relação aos valores transferidos compulsoriamente ao FUNDEB. Nesse sentido o posicionamento já assentado em Soluções de Consulta (v.g. as de no 101, de 26/11/2009, e no 86, de 03/11/2011) e de Divergência (v.g. a de no 02, de 10/02/2009) da RFB e decisões recentes deste CARF: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 622 5 Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição.”2 (grifo nosso) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 PARCELA DOS REPASSES DESTINADAS AO FUNDEB. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o Pasep. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Não havendo norma infralegal vinculante e não sendo pacífica a interpretação e a aplicação da norma tributária no âmbito da Administração, é inaplicável o parágrafo único do art. 100 do CTN, que diz que a observância das normas complementares dentre as quais os atos normativos e as práticas reiteradas exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28)” 3 (grifo nosso) O art. 13 da Lei no 12.810, de 15/05/2013, em vigor desde 16/05/2013 (data de publicação do texto em diário oficial), veio a trazer nova hipótese de exclusão da base de cálculo da contribuição, acrescentando um § 7o ao art. 2o da Lei no 9.715/1998. Contudo, tal alteração não afeta a substância do presente processo, por não contemplar a questão referente ao FUNDEB. Assim, faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PASEP o valor compulsoriamente transferido ao FUNDEB. Não há então, nulidade na autuação, por carência de base legal, como alega a recorrente, mas improcedência do recurso voluntário apresentado, por igual argumento (carência de fundamento legal a excluir os valores transferidos ao FUNDEB das receitas de que trata o art. 7o da Lei no 9.715/1998). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado. Rosaldo Trevisan 2 Acórdão n. 3201001.192, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D'amorim, unânime, sessão de 31.jan.2013. 3 Acórdão n. 3801001.870, Rel. Cons. Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, unânime, sessão de 21.mai.2013. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 623 7 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, A Lei no 9.715/1998 dispõe o seguinte: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Os dois dispositivos deixam transparecer a lógica da apuração da contribuição: computamse as receitas correntes e as transferências recebidas (sejam correntes sejam de capital) e deduzemse as transferências realizadas. A questão está em que, em relação às receitas recebidas, nem se cogita em distinguir de quem são recebidas, de maneira que tanto faz se são originárias diretamente de outra pessoa jurídica de direito público interno ou de um fundo, tampouco se questiona quanto à natureza do fundo de onde tenha sido originada a transferência. Em suma: todas as transferências recebidas são computadas na base de cálculo. Quanto às transferências realizadas, por sua vez, parece claro que a intenção do legislador foi a de permitir a sua dedução com a mesma amplitude, seguindo a mesma lógica. No entanto, a interpretação da Fiscalização e de alguns julgados deste Conselho tem sido tem sido no sentido de restringir a dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98 exclusivamente às transferências realizadas para outras pessoas jurídicas de direito público interno, recusando o mesmo efeito em relação às transferências realizadas para fundos, sob o argumento objetivo de que os fundos não possuem personalidade jurídica. Entendo que a Lei não ampara este entendimento. Para ser mais preciso, tal entendimento apenas se legitimaria nas situações específicas em que a transferência fosse destinada a um fundo integrante do orçamento da mesma pessoa jurídica de direito público. Mas nesta situação não se configuraria a hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 Em linhas gerais, os fundos são instrumentos de administração financeira, utilizados para vincular determinados recursos para a aplicação em finalidades específicas. Segundo a doutrina, “tratase de um conjunto de bens e recursos, de titularidade de um certo sujeito. Portanto, o fundo é objeto de direito, não sujeito” (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 11. ed. Dialética, São Paulo: 2005, p. 30). Pode significar apenas a segregação de valores dentro do orçamento da pessoa jurídica de direito público. Mas pode tratarse, diferentemente, de um conjunto de recursos destacado do orçamento, ou seja, que não componha o orçamento, embora vinculado e submetido à administração de uma pessoa jurídica de direito público. No caso do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de que trata o presente caso, tratase de fundo vinculado à União. As transferências realizadas dos Municípios para o Fundeb, portanto, significam uma subtração da receita corrente do Município e configuram transferência intergovernamental. Nada obstante não se trate de uma transferência intergovernamental típica – que tenha nas duas pontas o orçamento de duas pessoas jurídicas de direito público –, não pode haver dúvida de que há uma transferência, que deixam de pertencer ao Município e, embora passem a compor um fundo que não tem personalidade jurídica, isto não significa que passem a “ não pertencer a ninguém”, pois o referido fundo é vinculado à União. Por isso, a transferência de recursos realizada para um fundo vinculado a outra pessoa de direito público deve ter o mesmo tratamento de uma transferência realizada para outra pessoa de direito público, estando igualmente categorizadas como “transferências efetuadas a outras entidades públicas” para o efeito da dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98. Em reforço, devese atentar ao fato de que a mesma Lei faz diferença entre “pessoa jurídica de direito público interno” e “entidades públicas”, ficando claro que este último conceito não é tão restrito quanto o primeiro, abarcando “outras entidades públicas”. Como visto, embora o Fundeb não tenham personalidade jurídica, tratase de fundo vinculado à União, de maneira que os recursos remetidos do Município para compor este fundo são operações que configuram transferências, as quais, se não são destinadas especificamente e diretamente para uma pessoa jurídica de direito público, são destinadas a “outras entidades públicas”, no caso, um fundo vinculado a outra pessoa jurídica de direito público. Tratase, outrossim, de uma questão de justiça e neutralidade, visto que os recursos acumulados no Fundeb retornarão ao Município – então finalmente como transferência corrente –, quando sofrerão a incidência da Contribuição ao Pasep na forma do art. 2o da Lei no 9.715/98. Entendo, enfim, que as transferências realizadas dos Municípios para o Fundeb, que é fundo vinculado à União, enquadramse na hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei no 9.715/98. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 624 9 É como voto. Ivan Allegretti Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 11516.001158/2001-01
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.101
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2000 e 1999 , anocalendário1999 e 1998, em virtude de apuração de omissão de rendimentos recebidos da Eletrosul em razão de ação trabalhista. Na impugnação o contribuinte alegou que os rendimentos eram indenizatórios e que juros de mora são não tributáveis, se alguma omissão houve deve ser imputada à fonte pagadora. O acórdão recorrido considerou que, de acordo com os cálculos do processo trabalhista nº 930/94 (fls. 95) os rendimentos referemse a adicional de periculosidade e seus reflexos, diferença da ajuda de custa instalação e FGTS, sendo que a autoridade fiscal excluiu os rendimentos de ajuda de custo e FGTS, tributando exclusivamente o adicional de periculosidade e seus reflexos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001158/200101 Error! Reference source not found. n.º 2802000.101 S2TE02 Fl. 103 2 Como fundamento da decisão recorrida constou que o adicional de periculosidade e o juros de mora são tributáveis (art. 45 RIR1994) porque não há dispositivo legal que determine a isenção e que, por se tratar de retenção na fonte como forme da antecipação, a responsabilidade do contribuinte existe. Ciência da decisão em 06/08/2007. Recurso interposto em 15/08/2007 assentado são seguintes alegações, em síntese: a) a responsabilidade por eventual omissão deve ser atribuída á fonte pagadora encarregada da retenção na fonte; b) o auto de infração não descreve adequadamente os fatos “Rendimentos do trabalho assalariado, prestados a empresa Centrais Elétricas do Sul do Brasil — Eletrosul, recebidos acumuladamente, em parcelas, por decisão judicial, processo RT 930/1994 da 6' Subsecretaria da JT em Curitiba, nos anos calendários de 1998 e 1999, sem retenção do Imposto de Renda” cerceando o direito de defesa por não descrever quais os fatos que deram margem à autuação c) os adicionais de periculosidade referentes aos anos de 1989 a 1996 têm caráter indenizatório; d) do valor recebido foi descontado cerca de R$80.000,00 para pagamento de honorários de advogado e, se devido fosse, o IRRF; e) se o Juiz do Trabalho não efetuou a retenção é porque não é tributável; e f) transcreve decisões deste Conselho sobre rendimentos de natureza indenizatória. Submetido o processo a apreciação verificase, notadamente pela análise da planilha de fls. 28 e seguintes, que os rendimentos em litígio referemse a rendimentos recebidos acumuladamente que se referem ao período de 1989 a 1996. Considerando que o Supremo Tribunal Federal admitiu a existência de repercussão geral quanto a essa matéria, e que o mérito será julgado nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406, ainda pendentes de julgamento e com expressa decisão do e. STF de sobrestar os demais julgamento, é o caso de sobrestar o presente julgamento, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010 c/c Portaria CARF nº 01/2012. Vejamos: RE 614406 AgRQORG / RS RIO GRANDE DO SULREPERCUSSÃO GERAL NA QUESTÃO DE ORDEM NO AG.REG. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 20/10/2010 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11516.001158/200101 Error! Reference source not found. n.º 2802000.101 S2TE02 Fl. 104 3 Ementa TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (grifos acrescidos). Diante do exposto, suscito o sobrestamento do julgamento até julgamento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 26 /09/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10384.720165/2011-59
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PROVAS. SIGILO BANCÁRIO.
A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votou pela exoneração dos juros sobre a multa de ofício.
Maria De Lourdes Ramirez Presidente
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votou pela exoneração dos juros sobre a multa de ofício. Maria De Lourdes Ramirez Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques.
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DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Uma vez formalizada a omissão de receita com base em presunção legal, resta ao contribuinte, na pretensão de descaracterizála, demonstrar especificadamente que o valor depositado não se sujeita à tributação, não decorreu da empresa ou, tendo dela decorrido, já passou pelo crivo da tributação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é débito decorrente de um tributo ou contribuição, sujeitandose à incidência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVAS. SIGILO BANCÁRIO. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras está autorizada pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001, sendo lícita a utilização dessas informações na fundamentação de exigência tributária. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 01 65 /2 01 1- 59 Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.120 2 A teor da Súmula CARF nº 2, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Cristiane Silva Costa, que votou pela exoneração dos juros sobre a multa de ofício. Maria De Lourdes Ramirez – Presidente Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria De Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Marcio Angelim Ovidio Silva e Leonardo Mendonça Marques. Relatório MOANA PREMOLDADOS E CONSTRUÇÕES LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ Fortaleza, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O processo trata de quatro autos de infração realizados para exigir créditos tributários relativos ao ano 2008, conforme os valores contidos na tabela seguinte: TRIBUTO PRINCIPAL JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO (150%) TOTAL FLS. IRPJ 27.127,39 6.200,55 25.527,17 58.855,11 3 CSLL 15.976,90 3.732,38 14.780,75 34.490,03 30 COFINS 44.380,31 10.892,63 41.057,67 96.330,61 21 PIS/PASEP 9.615,68 2.359,99 8.895,73 20.871,40 12 Total 210.547,15 O lançamento foi realizado em virtude da constatação da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, dando ensejo a presunção de omissão de receitas, conforme consta do quadro "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" dos Autos de Infração: Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.121 3 001 OMISSÃO DE RECEITAS Valor referente a depósitos e Transferências eletrônicas recebidas, realizados junto a instituições financeiras, em que o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O valor foi apurado de acordo com o Termo de Verificação Fiscal anexado ao presente auto de infração. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 41/45), a autoridade fazendária assim descreveu o procedimento de auditoria: 19. As contas correntes mantidas pelo fiscalizado, em nome próprio, junto ao BNB, não se encontram escrituradas no Livro Diário. E, da mesma forma, as contas mantidas em nome da empresa MEDICAL CENTER junto ao Banco do Brasil e ao BANCO REAL também não se encontram escrituradas. Isso pode ser comprovado pelo confronto dos lançamentos constantes do anexo 2 deste termo com as cópias das folhas do livro Diário, também anexadas ao presente termo. Ao elaborarmos a relação de créditos bancários a serem justificados pelo fiscalizado (Termo de Solicitação de Esclarecimentos n° 1), excluímos as transferências entre contas de sua titularidade e os lançamentos que inicialmente pudemos identificar como relacionados às notas fiscais emitidas. E, após analisar a resposta do fiscalizado a esse Termo, excluímos, também, os valores justificados e os valores que pudemos identificar como constantes da demonstração analítica dos valores das receitas lançadas de forma sintética no Diário. Desta forma, os valores remanescentes são aqueles que não foram incluídos como receitas auferidas na apuração dos tributos devidos feita pelo fiscalizado. Em conclusão: após regularmente intimado, o fiscalizado não logrou justificar a origem de alguns ingressos em suas contas correntes (§ 14, acima); o quê, de acordo com a legislação vigente, importa em presunção de omissão de receita desses valores. Esses valores, para efeito de lançamento de ofício, foram divididos em dois grupos, em razão da incidência da multa agravada sobre os tributos apurados com base nos valores mantidos em contascorrentes não escrituradas (art. 71 da Lei 4.502/64). Os valores das receitas sujeitas ao lançamento de ofício são os constantes dos anexos 1 e 2 deste Termo de Verificação Fiscal. O autuado tomou ciência dos lançamentos tributários em 21/03/2011 (fl. 695) e apresentou a impugnação de fls. 697/751, em 20/04/2011, com base na argumentação a seguir sintetizada. IMPOSSIBILIDADE DE CONCOMITÂNCIA ENTRE A APURAÇÃO DIRETA E INDIRETA DE OMISSÃO DE Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.122 4 RECEITAS TOMANDO POR BASE A MESMA MATÉRIA TRIBUTÁVEL NO MESMO ANO CALENDÁRIO JÁ FISCALIZADO ANTERIORMENTE: O impugnante foi autuado, neste processo, pelo suposto fato de não ter comprovado, mediante documentação hábil e idônea a origem de alguns depósitos bancários efetuados no decorrer do anocalendário de 2008; Todavia, o impugnante já havia sido autuado em 17 de dezembro de 2010 (vide cópia dos autos de infração em anexo, doc. 01), pela suposta divergência entre os valores escriturados e declarados no anocalendário de 2008, isto é, apuração direta de omissão de receita; no levantamento da omissão de receita não podem ser consideradas, concomitantemente, matérias tributáveis obtidas mediante apuração direta (diferença entre valores escriturados e declarados) e indireta (presunções legais); assim procedendo, a fiscalização está tributando duplamente a omissão de receitas da recorrente, incorrendo num verdadeiro bis in idem; VIOLAÇÃO DO SIGILO BANCÁRIO (CF, ART. 5°, X). o auto de infração também deve ser declarado nulo, porque foi ferido o sigilo bancário, insculpido no art. 5° inciso X da Constituição Federal, que é uma garantia de proteção às movimentações bancárias e às aplicações financeiras dos indivíduos, sendo uma extensão do direito à intimidade e à privacidade; somente o poder judiciário teria competência para determinar o afastamento do direito em pauta; assim, a fiscalização não poderia aplicar o art. 6° da LC 105/2001, por que ele é incompatível com a Constituição Federal. INVALIDADE DA LEI N° 10.174/2001. a autorização atribuída à Receita Federal para utilizar dados da CPMF com a finalidade de constituir crédito tributário, trazida pela Lei n° 10.174/2001, ingressou no sistema legal antes da entrada no ordenamento jurídico da Lei Complementar n° 105/2001, que autorizava o fisco federal a quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, o que acarreta a sua invalidade; o posterior advento da LC nº 105/2001 não pode convalidar exigências fiscais anteriores, contrárias aos termos da Constituição e das leis então vigentes; assim, o crédito tributário constituído pela fiscalização deve ser declarado nulo, pois tomou por base uma norma inválida no sistema, não podendo os auditores fiscais terem acesso aos dados da CPMF do contribuinte para dar ensejo a abertura de procedimento fiscal, muito menos para constituir crédito tributário. ERRO NO LEVANTAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.123 5 o levantamento realizado para apurar o crédito tributário está equivocado, pois é errôneo tributar os valores depositados somando uns aos outros, mês a mês, como se os valores sacados em cada mês fossem valores consumidos e o depósito efetuado a cada mês significasse renda nova; é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados em conta corrente como renda presumida, evidenciado sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não caracterizam fato gerador de nenhum tributo; em virtude dos motivos acima aduzidos, devem ser abatidos os valores declarados pelo presente sujeito passivo, bem como aqueles valores que já foram tributados e, portanto, considerados como origens dos meses anteriores. COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. para comprovar a origem dos recursos, o impugnante elaborou duas planilhas (fls. 713/715), apontando os depósitos bancários relacionados pela fiscalização e indicando, para justificar a origem desses depósitos, as informações inseridas nas colunas "Doc. Comprob" e "Esclarecimentos adicionais''", as quais estariam comprovadas por documentos anexados à peça de defesa; agindo assim, acredita ter comprovado a origem dos valores referentes aos depósitos bancários realizados, devendo ser considerados improcedentes os lançamentos. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA NO ART. 42 DA LEI N° 9.430/96, APÓS A LC Nº 105/2001 a caracterização da matéria tributável é mister da autoridade administrativa; os valores informados na declaração de ajuste anual devem ser admitidos como de origem comprovada, para efeito de determinar o valor a ser tributado; a presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996 e a correspondente inversão do ônus da prova justificavamse pelo fato de o Fisco não ter acesso amplo e irrestrito às movimentações financeiras dos contribuintes; mas essa presunção caiu por terra a partir do momento em que a Receita Federal, passou a ter o direito de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras (art. 2º do Dec. 3.724/2001); assim, de posse de extratos, arrimada em requisição de informações sobre movimentação financeira de que trata a Portaria SRF 180/2001, na presença de indícios de omissão de rendimentos e/ou receitas, deverá o fisco provar a que título jurídico esses rendimentos e/ou receitas foram adquiridos; Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.124 6 no presente caso, isso não ocorreu, ensejando a anulação dos lançamentos realizados. MULTA QUALIFICADA. os auditores impuseram multa qualificada (150%) à recorrente pelo fato de ter deixado de informar em suas declarações uma parcela da sua receita; as multas pecuniárias, especialmente as decorrentes de lançamento de ofício, estão regulamentadas pelo artigo 957 do RIR/99, cujo inciso II delimita a aplicação da multa qualificada de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64; a falta de comprovação da origem dos recursos depositados em contacorrente bancária caracteriza falta simples de presunção de omissão de receitas, porém, não demonstra o evidente intuito de fraude a ensejar a exasperação da multa de ofício prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. o impugnante defende a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a ele imputada, tenda em vista a ausência de base legal; a Lei n° 9.430/1996 (art. 61), ao tratar da multa de mora incidente nos pagamentos em atraso, estabeleceu que sobre os débitos para com a união, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à taxa SELIC: com base nessa disposição a Receita Federal vem entendendo que a multa de ofício também está sujeita aos juros de mora à taxa SELIC, a partir do seu vencimento; todavia, a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições. Ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização às seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; e b) falta de declaração e nos de declaração inexata; assim, é inaplicável a SELIC como taxa de juros de mora sobre a multa de oficio. A DRJ Fortaleza considerou o lançamento procedente em parte, reduzindo a multa de ofício ao patamar de 75% e retirando da base de cálculo alguns depósitos bancários incluídos por erro manifesto, conforme o Acórdão nº 0822.273 (fl. 897). A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.125 7 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de receitas, os valores creditados em conta de depósito, em relação aos quais a pessoa jurídica, regularmente intimada, não comprova a origem dos recursos utilizadas nas operações bancárias. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MESES SUBSEQUENTES. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO NA FASE DA IMPUGNAÇÃO. Após a fase da autuação (na impugnação), a presunção de omissão de receitas somente será afastada se o contribuinte comprovar que os depósitos não deveriam ser ordinariamente tributados, pois, na fase recursal, a autoridade autuante não poderá efetuar a reclassificação dos rendimentos, como determinado pelo art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DOLO NÃO COMPROVADO. A qualificação da multa somente pode ocorrer quando restar comprovado nos autos o dolo imputado ao contribuinte. A presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a prova da conduta dolosa. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. No caso de presunção legal, compete ao fisco demonstrar o fato presuntivo, no caso, os depósitos bancários, cuja origem o contribuinte não comprovou. Para desconstituir a presunção legal, o sujeito passivo tem o ônus de provar que o seu caso particular não se amolda à hipótese legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.126 8 A apreciação de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas exclusiva do Poder Judiciário. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, e por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic desde o mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. É válido o auto de infração lançado com observância dos requisitos exigidos pelo art. 10 do PAF, em relação ao qual o contribuinte exerce normalmente os direitos ao contraditório e à ampla defesa ERROS MATERIAIS NO LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO EXOFFICIO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de cálculos existentes no lançamento devem ser corrigidos de ofício. Cientificado dessa decisão em 04/04/2012 (fl. 949), o contribuinte ingressou com o presente Recurso Voluntário (fls. 950/1011) em 04/05/2012, em que reforça os mesmos argumentos apresentados na impugnação, a menos do que tange à qualificação da multa de ofício, que foi exonerada pela decisão recorrida. Também deixou de questionar o procedimento adotado de apuração da base de cálculo, pelo qual os depositados bancários foram somados mês a mês. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. I. SIGILO BANCÁRIO O recorrente propugna pela anulação dos lançamentos por terem sido realizados com fundamento em sua movimentação financeira. Acredita que a forma pela qual o Fisco obteve essas informações violou o sigilo bancário, uma vez que foram viabilizadas por meio de requisição administrativa, enquanto apenas o Poder Judiciário pode determinar a Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.127 9 colheita de tais informações. Reforça seu argumento citando a decisão do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que decidiu pela anulação de lançamento tributário em situação similar ao do recorrente. Embora essa decisão seja importante referência jurisprudencial, a Suprema Corte não deu a ela o efeito de repercussão geral, prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, razão pela qual ela somente tem efeitos para as partes daquele processo, não vinculando o presente julgamento. A requisição das informações bancárias do contribuinte junto às instituições financeiras foi efetuada por meio de RMF. Tal procedimento está autorizado pelo art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, que regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a eventual inconstitucionalidade de lei tributária, conforme a Súmula CARF nº 21. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar o Recurso Especial nº 1134665/SP, entendeu ser legal a requisição e utilização de informações da movimentação financeira de contribuintes por parte da Administração Tributária Federal sem a autorização judicial. Para isso, adotou a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Essa decisão foi tomada conforme a sistemática de recursos repetitivos, prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil, e, como tal, vincula a presente corte administrativa, por força do artigo 62A do seu Regimento Interno2, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Portanto, afastase essa preliminar de nulidade. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.128 10 II. INVALIDADE DA LEI Nº 10.174, DE 2001. O recorrente afirma que a autorização atribuída à Receita Federal para utilizar dados da CPMF com a finalidade de constituir crédito tributário, trazida pela Lei n° 10.174/2001, ingressou no sistema legal antes da entrada no ordenamento jurídico da Lei Complementar n° 105/2001, que autorizava o fisco federal a quebrar o sigilo bancário dos contribuintes, o que acarreta a sua invalidade e a conseqüente anulação do auto de infração. A Lei nº 9.311, de 1996, instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF). A Lei nº 10.174, de 2001, alterou o §3º do art. 11 dessa Lei, permitindo que as informações relativas à CPMF, prestadas pelas instituições financeiras, fossem utilizadas para instaurar procedimento de fiscalização. Por outro lado, a Lei Complementar nº 105, de 2001, autoriza a Receita Federal a requisitar a movimentação financeira de contribuinte junto às instituições financeiras (art. 5º). Embora os dois dispositivos estejam relacionados com o sigilo bancário frente à Administração Tributária, não é correto afirmar que o §3º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 1996, alterado pela Lei nº 10.174, de 2001, teria como fundamento jurídico a Lei Complementar nº 105, de 2001. A validade do dispositivo atacado já foi muitas vezes apreciada por esta Corte Administrativa, ao ponto de ser emitida a Súmula nº 35, consolidando o entendimento de que o procedimento lá previsto poderia ser adotado inclusive sobre dados registrados anteriormente à publicação da Lei: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. Ademais, o Superior Tribunal de Justiça, ao apreciar o Recurso Especial nº 1134665/SP, já na sistemática dos recursos repetitivos, entendeu que a Lei Complementar nº 105, de 2001, também tem eficácia sobre os fatos imponíveis anteriores à sua edição. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Com isso, cai por terra o argumento do recorrente de que os dias que separam a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, e a Lei nº 10.174, de 2001, acarretaria a invalidade desta. III. CONCOMITÂNCIA DE APURAÇÕES. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.129 11 O recorrente afirma que já foi realizado lançamento de ofício para exigir os mesmos tributos, do mesmo período, por alegada omissão de receitas, verificada em suposta divergência entre os valores escriturados e declarados. Assim, entende que os presentes lançamentos caracterizam bis in idem. Compulsando os documentos juntados aos autos pelo recorrente (fls. 763/794), verificase que os lançamentos apontados no recurso são, na verdade, decorrentes do fato de terem sido consideradas não declaradas algumas declarações de compensação apresentadas pelo contribuinte, conforme se verifica pela descrição dos fatos contidas no auto de infração do IRPJ (fl. 776): Débitos de IRPJ dos períodos de apuração 3o Trim/2008, 4o Trim/2008 e Io Trim/2009, compensados pelo contribuinte, através dos processos: 10384.002274/200976, 10384. 000607/200922 e 10384.007396/200878, considerados não declarados em despachos contidos nos referidos processos, cópias anexas às fls......., em virtude de utilizarem créditos decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado, ações judiciais 2004.40.00.00003028 e 2008.40.0C.0070616, lançados com suspensão, sem multa de ofício, para prevenir a Decadência. Tal fato está assinalado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 43), em que a autoridade tributária afirma que os referidos créditos tributários, incidentes sobre receitas escrituradas, não foram objeto dos presentes lançamentos. A autoridade julgadora de primeira instância comparou os créditos tributários lançados nos dois procedimentos e verificou que não há sobreposição entre eles (fl. 911). O recorrente, por outro lado, não aponta quais créditos tributários teriam sido exigidos em duplicidade e, muito menos, comprova a duplicidade alegada. Portanto, afastase a presente alegação. IV. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. O recorrente afirma ser indevido o ônus que lhe foi atribuído pela autoridade fiscal, exigindolhe que comprovasse a origem dos depósitos bancários apontados. Entende que: a caracterização da matéria tributável é mister da autoridade administrativa; os valores informados na declaração de ajuste anual devem ser admitidos como de origem comprovada; a presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996 e a correspondente inversão do ônus da prova não são mais justificáveis desde que o Fisco passou a ter o direito de examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras (art. 2º do Dec. 3.724/2001). O argumento do recorrente não tem fundamento jurídico, uma vez que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, está em vigor e não teve sua eficácia afetada pelo referido Decreto 3.724, de 2001. Assim, a presunção legal prevista naquele dispositivo continua sendo um instrumento válido da Administração Tributária, obrigando os contribuintes, quando devidamente intimados, a demonstrarem a origem dos seus depósitos bancários, mesmo quando hajam apresentado declaração de apuração dos tributos correspondentes. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.130 12 V. COMPROVAÇÃO DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O contribuinte elaborou duas planilhas (fls. 713/715), apontando os depósitos bancários relacionados pela fiscalização e indicando, para justificar a origem desses depósitos, as informações inseridas nas colunas "Doc. Comprob" e "Esclarecimentos adicionais''", as quais estariam comprovadas por documentos anexados à peça de defesa. Agindo assim, acredita ter comprovado a origem dos valores referentes aos depósitos bancários realizados, devendo ser considerados improcedentes os lançamentos. A autoridade julgadora de primeira instância analisou os dados dessas planilhas Os 56 depósitos relacionados pelo fisco no anexo nº 1 (fls. 46) foram todos contestados pela defesa com base nos elementos de prova carreados sob a denominação DOC 2 (fls. 795/865), resumidos pela planilha de fls. 796/797. Por outro lado, dos 35 depósitos relacionados pelo fisco no anexo nº 2 (fls. 47), apenas 8 (oito) foram contestados pela defesa por meio das provas apresentadas sob a denominação DOC 3 (fls. 866/880), resumidos pela planilha de fls. 867. ... Iniciei pelas provas designadas sob o título “DOC 3” (fls. 866/880), resumidas na planilha de fls. 867, pelas quais a defesa contesta apenas 8 dos 35 depósitos relacionados pelo fisco no anexo nº 2 (fls. 47). Não há naqueles documentos motivo para afastar a omissão de receitas. Existe mera referência de que os depósitos originaramse de recursos provenientes de clientes, do próprio caixa da empresa, de empréstimos de coligada etc. Entretanto, a natureza dos ingressos não está suficientemente demonstrada para afastar a presunção de omissão de receitas. Não foi apresentada a escrituração dos valores depositados, que deveria estar acompanhada de documentos hábeis a comprovar o caráter dos respectivos fatos, condição imprescindível para que se produza a prova em favor do contribuinte. Além disso, encontramse naquela lista as contas bancárias mantidas à margem da escrituração do contribuinte, segundo informado pelo autuante – e não contestado pela defesa – no item 19 do Termo de Verificação Fiscal. Com relação às provas designadas de “DOC 2” (fls. 795/865), resumidas na planilha de fls. 796/797, onde foram impugnados os 56 depósitos identificados pela fiscalização no anexo nº 1 (fls. 46), localizei 11 ingressos (abaixo relacionados) que devem ser eliminados do lançamento, porque alguns se referem a valores oriundos de contas bancárias da própria autuada (itens 5, 19, 24, 26, 35, 42 e 49) e de estorno (item 20) na contacorrente, enquanto outros (itens 22, 27 e 34) provêm de receitas já tributadas. Os documentos probatórios podem ser conferidos de acordo com a indicação aposta na coluna “Prova (Fls.)”. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.131 13 Assim, houve exoneração parcial da exigência original. Dentre os depósitos bancários mantidos na base de cálculo, o recorrente traz novos elementos apenas para cinco, conforme o seguinte excerto (fls. 971/972): De acordo com as fls. 926 dos autos restou afirmado que a recorrente conseguiu comprovar apenas um depósito de RS 14.986,50. ficando um valor sem comprovação no montante de RS 357.921,53. Ocorre que o depósito efetuado na conta do Banco do Brasil no montante liquido de RS 87.205.43 (o valor bruto escriturado na contabilidade foi de RS 96.359,59 (vide documento em anexo, doc. 01)) encontrase escriturado na contabilidade conforme faz provar cópia do livro diário em anexo; Da mesma forma ocorreu em julho de 2008, onde o acórdão recorrido entendeu que o contribuinte comprovou R$ 31.914.98 dos R$ 39.437,00, restando RS 7.522,02 a serem comprovados pelo contribuinte, do valor a ser comprovado cabe destacar a quantia de RS 2.407,53 é decorrente de uma parcela paga pela ECT ao Medical Center (empresa incorporada pela recorrente), sendo que o valor da Receita foi contabilizada pelo valor global de RS 71.948,74, na conformidade de cópia do livro diário e mapa demonstrativo de formação da receita que segue em anexo; A mesma situação ocorreu em relação aos meses de agosto e outubro de 2008; O depósito de RS 5.114.98 feito no Banco do Brasil no dia 30/07/2008 foi estornado na mesma data e não foi retirado da base de cálculo do IRPJ e reflexos pelo acórdão recorrido. Assiste razão ao contribuinte em relação ao depósito efetuado em conta do Banco do Brasil em 18/02/2008 no valor de RS 87.205.43. Este foi registrado no livro diário em 11/02/2008, no valor de RS 96.359,59 (fl. 1017). A diferença justificase pelo fato de o depositante ser órgão público e, por isso, estar obrigado a reter na fonte os tributos devidos (fl. 1016). Também assiste razão ao recorrente quanto ao depósito de RS 5.114.98 feito no Banco do Brasil no dia 30/07/2008. O extrato bancário de fl. 656 prova que houve o estorno desse depósito na mesma data em que foi realizado. O mesmo não se pode dizer dos depósitos atribuídos pelo contribuinte à ECT, uma vez que não há nos autos qualquer documento que comprove a adoção da forma parcelada de pagamento, o valor das parcelas e o fluxo de pagamentos. Assim, deve ser retirada da base de cálculo de fevereiro de 2008 o valor de RS 87.205.43 e retirado da base de cálculo de julho de 2008 o valor de RS 5.114.98. VII. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.132 14 O recorrente defende a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a ele imputada, tendo em vista a ausência de base legal. Acredita que a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições, que ela decorre, nos exatos termos do art. 44 da Lei n° 9.430/96, da punição aplicada pela fiscalização. Partindose do texto legal, é certo dizer que todos “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal” são, necessariamente, créditos tributários. Nos termos do artigo 139 do CTN, “o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Prosseguindo na leitura do CTN, artigo 113, “a obrigação tributária é principal ou acessória” e “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária ...”. Por fim, a multa de ofício vinculada, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é seguramente uma penalidade pecuniária. Fazendo o caminho inverso na leitura dos textos legais, é correto afirmar que a multa de ofício vinculada é uma penalidade pecuniária, objeto de uma obrigação tributária principal, da qual decorre um crédito tributário que, no ponto de vista do sujeito passivo, é um débito para com a União e, acrescento, não tem outra origem que não seja um tributo ou contribuição. Portanto, concluise que o artigo 61, §3º, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício vinculada. Essa conclusão é necessária sob o aspecto da racionalidade da norma, uma vez que o artigo 43, parágrafo único, da mesma Lei, determina a incidência de juros de mora sobre a multa isolada, ou seja, se a mesma norma determina, explicitamente, a incidência de juros sobre a multa isolada, a nãoincidência de juros sobre a multa vinculada seria, no mínimo, irrazoável, quando não constituísse grave quebra de isonomia. Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único.Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. No mesmo sentido caminha a jurisprudência, judicial e administrativa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. É legítima Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.133 15 a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (Superior Tribunal de Justiça, REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Assim, não assiste razão ao contribuinte quanto a essa alegação. VIII. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de retirar da base de cálculo dos tributos exigidos o valor de RS 87.205.43, referente a fevereiro de 2008, e o valor de RS 5.114.98, referente a julho de 2008. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ Processo nº 10384.720165/201159 Acórdão n.º 1801001.954 S1TE01 Fl. 1.134 16 Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/06/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por MARIA DE LOUR DES RAMIREZ
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Numero do processo: 10073.902050/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 50 /2 00 9- 70 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902050/200970 Acórdão n.º 3802003.108 S3TE02 Fl. 127 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902050/200970 Acórdão n.º 3802003.108 S3TE02 Fl. 128 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10675.900823/2008-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA.
A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora.
Numero da decisão: 1801-002.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca que deu provimento ao recurso, por entender ser necessário lançamento de ofício para exigência de multa moratória.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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COMPENSAÇÃO. MULTA DE MORA. A denúncia espontânea também se configura com a quitação do tributo formalizada por meio de compensação, pleiteada anterior ou contemporaneamente à declaração do débito, devendo ser afastada a imposição da multa de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca que deu provimento ao recurso, por entender ser necessário lançamento de ofício para exigência de multa moratória. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 08 23 /2 00 8- 13 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Relatório Nos presentes autos, a contribuinte insurgese contra o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada por meio de PER/DCOMP. Segue transcrição do relato produzido na DRJ recorrida, quanto aos atos processuais que lhe antecederam: A interessada transmitiu o PERDCOMP nº 40348.32199.160604.1.3.040068, visando compensar o débito nela declarado (CSLL – código 2484 – PA janeiro/2004 –vencimento 27/02/2004 – valor original R$ 20.803,85), com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de receita 2484 PA 29/02/2004 – vencimento 31/03/2004 data de arrecadação 13/05/2004 – valor principal R$ 20.803,85); A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação de débito do contribuinte, valor original total R$ 21.257,38, código 2484, PA 31/01/2004, não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade com o teor a seguir: “1. Conforme consta do relatório da decisão recorrida, tratase de Declaração de Compensação DCOMP apresentada em 16/06/2004, de débito relativo a tributo administrado pela Receita Federal do Brasil, com crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido. 2. É de ser esclarecido que, a recorrente identificou em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributos Federais (DCTF), a ocorrência de um erro na disposição das informações relativas ao crédito originário da DCOMP: 40348.32199.160604.1.3.040068. 3. Fundamentase que a Declaração (DCTF) já foi retificada conforme anexo cópia do recibo de entrega e parte da declaração com informação do DARF pago a maior bem como da compensação do débito, o que torna necessária nova análise do PER/DCOMP para comprovação de que o crédito utilizado na compensação do débito de R$ 20.803,85 realmente existe. No início do voto, o d. Relator na DRJ detalha um pouco mais o contexto das retificações de DCTF’s que delimitam o pedido de compensação, como segue: A contribuinte juntou DARF, valor do principal R$ 20.803,85, vencimento 31/03/2004, PA 29/02/2004, código de receita 2484. Em 13/05/2004, apresentou DCTF original, com informação de débito de CSLL (2484), no valor de R$ 124.904,04 para o PA jan/2004 e no valor de R$ 20.803,85 para o PA fev/2004. Em 09/06/2008, apresentou DCTF retificadora, 1º trimestre 2004, acusando débito de CSLL, PA/janeiro, no importe de R$ 139.013,31, com compensação de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 20.803,85 e pagamento no montante de R$ 118.209,46. Essa DCTF retifica a declaração entregue em 18/04/2008, onde constava o débito, anteriormente discriminado, totalmente alocado a pagamentos realizados. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10675.900823/200813 Acórdão n.º 1801002.053 S1TE01 Fl. 131 3 Registrese que, somente para o 1º trimestre de 2004, a contribuinte apresentou, até 19/09/2009, 12 DCTFs, sendo que, até a declaração apresentada nessa última data, manteve o débito de CSLL do PA jan/2004 no valor de R$ 139.013,31. Observase do aqui exposto que a empresa não reduziu o total de CSLL, relativa aos meses de janeiro e fevereiro de 2004, mas sim reduziu a zero o valor inicialmente apurado em fevereiro, aumentando em valor até maior o débito de janeiro. Apreciando o motivo indicado pela autoridade de 1ª Instância para indeferir o pleito, a Turma ora recorrida assim discorreu: No despacho decisório está registrado que o pagamento, no valor original total de R$ 21.257,38 (PA 29/02/2004 – data de arrecadação 13/05/2004) foi utilizado para quitação do débito código 2484 PA 31/01/2004. Entretanto, no sistema SIEF, referido pagamento se encontra disponível (tela anexa). Estando disponível, o crédito informado existe e deve ser utilizado na compensação declarada. Ocorre que, analisando a PERDCOMP em discussão, transmitida em 16/06/2004, observase que o crédito original, no importe de R$ 20.803,85, recolhido em 13/05/2004, foi atualizado até a data da transmissão; entretanto o débito vencido nela informado (PA Jan/2004), foi calculado somente com a inclusão dos juros de mora, portanto, sem o acréscimo legal devido da multa de mora. Portanto, a DRJ verificou a subsistência do indébito gerador do crédito postulado pela contribuinte, mas apontou débito excedente, relativo ao “acréscimo legal devido da multa de mora.” Assim, o julgamento recorrido foi pela “procedência parcial da manifestação de inconformidade, reconhecimento do direito creditório pleiteado e homologação da compensação declarada até o limite do direito creditório reconhecido, realizada valoração nos termos da legislação pertinente, acrescendose aos débitos informados os acréscimos moratórios”. Em razões recursais, a empresa aduz: Não incidência de multa de mora sobre o débito informado, pois o débito foi adicionado dos juros de mora, no valor de R$ 996,50, totalizando R$ 21.800,35. Que é indevida a incidência da multa de mora, já que o pagamento foi feito antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Sustenta que o artigo 138 do CTN abarca a hipótese de compensação, pois esta configura uma das hipóteses de extinção do crédito tributário. Que não se trata de favor fiscal (a denúncia espontânea), mas direito incontestável do contribuinte, dentro de política tributária que objetiva premiar o infrator que espontaneamente corrige a irregularidade anterior, purgandoa com a quitação da dívida. Transcreve doutrina sobre o tema e faz considerações quanto às sanções punitivas e moratórias. Cita diversas decisões administrativas e judiciais no sentido da amplitude da proteção do artigo 138, devendo afastar a multa de mora nos casos em que incida. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 4 A decadência, já que a multa de mora também dependeria de ato de lançamento, sujeito ao prazo legal. Cita precedentes do STJ, e conclui: “sendo necessário o prévio lançamento da multa de mora e em linha com o entendimento jurisprudencial uníssono, é inexigível a multa de mora face a consumada decadência do direito a constituição do crédito tributário (sic), cujos fatos geradores revolvem o período de janeiro de 2004 (data do PA), ou no máximo 16/06/2004 (data da transmissão da PERDCOMP).” Impossibilidade da incidência de juros de mora sobre a multa, pois: “considerando que a multa se caracteriza como uma penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de uma obrigação e os juros de mora como uma indenização, face a determinado atraso no cumprimento de uma obrigação, não restam dúvidas sobre a total impossibilidade da incidência dos juros sobre o valor da multa de revalidação cobrada”. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. Na manifestação de inconformidade a empresa não arguiu a configuração da denúncia espontânea, já que o despacho decisório encaminhou o indeferimento com base na alegação de que o crédito era inexistente. Porém, diante da decisão ora recorrida, que, embora reconhecendo o indébito, decretou a não quitação total da dívida, pela não adição da multa moratória, vem como razão recursal central a ocorrência de denúncia espontânea. De modo que não vislumbro preclusão, nem risco de supressão de instância, já que as alegações ulteriores vieram para confrontar os termos utilizados apenas na decisão recorrida para rejeitar, parcialmente, o pleito de compensação. No caso sob análise, em maio de 2004, a recorrente apresentou DCTF com valor para a CSLL de janeiro de 2004 em R$ 124.904,04. A PERDCOMP foi apresentada em 16 de junho de 2004, com o valor majorado para R$ 139.013,31. O crédito tem origem no recolhimento indevido feito em 13 de maio de 2004. Portanto, a diferença ainda não confessada em DCTF, e inserida na DCOMP, foi de R$ 14.109,27 (DCOMP – DCTF). Como esse valor só foi confessado quando do pleito pela compensação, os marcos temporais exigidos pelo STJ, em definição posta em recurso repetitivo (RESP 1.149.022/SP) estão atendidos quanto à antecipação ou concomitância do pagamento do débito declarado e confessado. Resta definir se a compensação seria equiparada ao “pagamento” disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional, para os fins de caracterização da espontaneidade da conduta do sujeito passivo. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10675.900823/200813 Acórdão n.º 1801002.053 S1TE01 Fl. 132 5 Vale ressaltar, que essa questão específica do enquadramento da compensação nos termos da norma do artigo 138, não foi definida na sistemática do artigo 543 C, do Código de Processo Civil. Há, na Corte Superior, julgados favoráveis (AgRg Resp 1.136.372/RS) e contrários (AgRg Resp 1.277.545/RS) à compreensão defendida pela ora recorrente. Nesta e. Corte Administrativa também há precedentes nos dois sentidos, sinalizando que a matéria permite e demanda pronunciamento do colegiado. O artigo 138 em comento tem a seguinte redação: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A Seção em que está inserida a norma supra trata da “Responsabilidade por Infrações”, tendo evidente foco na conduta do sujeito passivo. No artigo 138, o legislador concluiu a Seção com a exclusão da responsabilidade ocasionada por uma certa conduta do contribuinte, tendente a estabilizar e pacificar a relação com o fisco, preservando a efetivação do crédito tributário, com sua arrecadação atrelada aos juros pela mora. Dentre as causas eleitas pela norma complementar para extinguir o crédito tributário, está a compensação, arrolada logo abaixo do pagamento: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; Tenho que a literalidade do artigo 138 não afasta a compensação de sua dinâmica de incidência. Tem razão a recorrente quando afirma que o artigo 138 não revela benefício fiscal. Tratase de regramento geral consignado na norma complementar, de delimitação da responsabilidade por infrações. Avaliando o propósito da norma, o que se enuncia é a relevância da conduta do sujeito passivo de anteciparse a qualquer ação do fisco, quitando a dívida. Prestigiase o ato deliberado do contribuinte de regularizar seu débito, mesmo que ainda não submetido à ação coercitiva do ente estatal. Cabe verificar os efeitos definidos pelo legislador ordinário para as compensações: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 6 contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, os efeitos do pagamento e da compensação, e o poder liberatório de ambos, são absolutamente associados em seus termos, e atuam com plena identidade na incidência do artigo 138. No dois casos, a efetiva quitação dependerá da ulterior verificação por parte do sujeito ativo (ou da homologação tácita). Portanto, o defeito que, por vezes, se opõe à compensação para afastála da seara da denúncia espontânea (sobre não revelar quitação imediata), não se afigura válido, pois também é assim que se dá com o pagamento. Ademais, nos termos vistos no caso dos autos, o pleito de compensação está a pressupor um pagamento anterior, que se apresentou indevido, a maior. Então, já houve pagamento, que apenas precisa ser alocado a outro débito. Nesse sentido pedese vênia para colacionar trecho da fundamentação adotada pelo i. Conselheiro Neudson Albuquerque, no Acórdão 1803002.091: No âmbito da jurisprudência administrativa do CARF, a questão também não está pacificada, existindo decisões contrárias à equivalência entre pagamento e compensação (por exemplo,o Acórdão nº1101000.945, de 12 de setembro de 2013) e decisões favoráveis à referida equivalência (por exemplo, Acórdão nº1402001.424, de 6 de agosto de 2013). A presente Turma de Julgamento, ao apreciar o processo nº 19515.002401/200464,entendeu que a compensação equivale ao pagamento para fins de atrair a regra de decadência insculpida no artigo 150, §4º, do CTN (homologação tácita de tributo sujeito a lançamento por homologação). Naquela ocasião, acompanhando o relator, manifesteime pela equivalência em tela, considerando que a compensação é apenas a afetação de um pagamento anterior, que foi realizado indevidamente e está disponível para ser utilizado. Pela mesma razão, entendo que a equivalência em tela deve ser reconhecida para fins de verificação da denúncia espontânea, conforme dizia a agora cancelada Nota Técnica Cosit nº1, de 2012. (destaque não está no original) Em outro julgado do CARF (Acórdão 1302001.237), em que o recurso voluntário foi negado pelo voto de qualidade, o i. Conselheiro Marcio Frizzo fez declaração de voto, do qual extraio o seguinte excerto: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 10675.900823/200813 Acórdão n.º 1801002.053 S1TE01 Fl. 133 7 ...pareceme que a denúncia espontânea tem duas finalidades. A primeira é fazer com que o contribuinte pague todos os tributos decorrentes dos atos que pratica, colocandose em situação regular perante a Administração. A consequência é o reestabelecimento do equilíbrio jurídico na relação entre Fisco e contribuinte. A segunda finalidade é carrear aos cofres públicos importâncias juridicamente devidas, embora o agente arrecadador desconhecesse o ato que deu causa à imposição tributária. A conseqüência é o recebimento de receita tributária inadimplida sem a mobilização dos recursos humanos das Administrações Fazendárias (pois a confissão deve preceder as medidas fiscalizatórias). Notese que os servidores públicos são custeados pela Administração, de modo que quanto mais denúncias espontâneas ocorrerem, menor a necessidade de servidores fiscalizando os contribuintes e,também,menor o custo financeiro dessa atividade. O benefício para o contribuinte é o afastamento de sua responsabilidade tributária, especificamente no que tange às multas moratórias e de ofício; para o Fisco, o benefício é o recebimento de valores que, possivelmente, jamais seriam entregues sem a mobilização de seus servidores em procedimentos fiscalizatórios e com baixíssima possibilidade de a exigência tributária tornarse litigiosa, seja na esfera administrativa ou judicial. Do que se expôs até o presente momento, fica claro que o instituto é interessante a ambos os sujeitos da relação jurídicotributária. Por isso, devese ter em mente que impor obstáculos à plena eficácia da denúncia espontânea traz prejuízos também para a Fazenda Pública. O mais grave, contudo, é que óbices têm surgido após a confissão do contribuinte, fato que lança insegurança jurídica sobre o art. 138doCTN. Por todos esses aspectos, assento a procedência parcial da argumentação da recorrente quanto à desnecessidade, pela configuração da denúncia espontânea, de adição da multa de mora ao débito compensado, limitando a espontaneidade aos R$ 14.109,27 (que somente foram confessados com a DCOMP). Os demais argumentos veiculados no recurso voluntário ficam prejudicados, pelo acolhimento do tema central de mérito, que conduz à homologação total da compensação pleiteada nos autos. Assim, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para homologar parcialmente a compensação, afastando da base de cálculo da multa de mora o valor de R$ 14.109,27. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 8 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 12/08 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Numero do processo: 10283.720477/2008-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL.
No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoa-se apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996.
IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
Caracterizada situação no qual os presentes autos e ações judiciais propostas pela contribuinte compartilham do mesmo objeto, que consiste em avaliar se excedentes de produtos fabricados encontram-se albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, resta demonstrada a concomitância que, nos termos da Súmula nº 01 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
TAXA SELIC. JUROS DE MORA. TRIBUTOS FEDERAIS.
Predica a Súmula nº 04 do CARF que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1103-000.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Assinado Digitalmente
André Mendes de Moura - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoa-se apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Caracterizada situação no qual os presentes autos e ações judiciais propostas pela contribuinte compartilham do mesmo objeto, que consiste em avaliar se excedentes de produtos fabricados encontram-se albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, resta demonstrada a concomitância que, nos termos da Súmula nº 01 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. TRIBUTOS FEDERAIS. Predica a Súmula nº 04 do CARF que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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LUCRO REAL ANUAL. No regime de tributação referente ao lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. LUCRO DE EXPLORAÇÃO. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. Caracterizada situação no qual os presentes autos e ações judiciais propostas pela contribuinte compartilham do mesmo objeto, que consiste em avaliar se excedentes de produtos fabricados encontramse albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, resta demonstrada a concomitância que, nos termos da Súmula nº 01 do CARF, importa renúncia às instâncias administrativas, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TAXA SELIC. JUROS DE MORA. TRIBUTOS FEDERAIS. Predica a Súmula nº 04 do CARF que, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 77 /2 00 8- 03 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 467 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 391/451 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 383/386), que apresentou a seguinte ementa: TRIBUTO.REDUÇÃO.PROVA.DEVER DO CONTRIBUINTE. Contribuinte deve provar aquilo que alega em sua declaração DIPJ, quando demonstra a tributação que entende devida. Dos Fatos. A contribuinte é indústria que atua no ramo de produção de canetas esferográficas, barbeadores, isqueiros, dentre outros, e encontrase situada na Amazônia. Nesse contexto, desfruta de benefícios fiscais referentes à redução de IRPJ de empreendimentos na área da SUDAM – Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, que garantem, dentre outros, isenções e reduções em percentuais variados sobre vendas de produtos manufaturados, benefícios que são limitados por quantidades de itens fabricados (ex.: redução de 50% de IRPJ para produção adicional/ano de 6.919.200 de isqueiros à gás) e condicionados à instalação, ampliação, modernização ou diversificação do parque industrial. Na DIPJ/2004 informou que teria direito às reduções de IRPJ de 37,5% e 50%, amparada pelos Atos Concessórios da SUDAM DCI/DAI nº 16, de 1998, e nº 22, de 1997, respectivamente. Contudo, a redução de IRPJ de 75% informada na declaração, referente à fabricação de produtos adicionais, em quantidades não contempladas nos atos concessórios anteriores, não teria respaldo em nenhum ato administrativo da SUDAM, mas sim, em Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 468 3 processo judicial, nº 2002.34000.150400/50369, ainda em tramitação e sem trânsito em julgado. Nesse contexto, foi intimada a contribuinte a apresentar documentação apta (ato, laudo, parecer técnico ou projeto de reconhecimento do beneficio fiscal) a comprovar o gozo de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do IRPJ, calculado sobre o Lucro de Exploração, do anocalendário de 2003, informado na DIPJ, referente ao art. 1º da MP nº 2.199, de 2001, e regulamentado pelo Decreto nº 4.212, de 2002: MP 2.199, de 2001 Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do anocalendário de 2000 e até 31 de dezembro de 2013, as pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação das extintas Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, terão direito à redução de setenta e cinco por cento do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração. Decreto 4.212, de 2002 Art. 1º Este Decreto define os empreendimentos prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM, para fins dos benefícios de redução do imposto de renda, inclusive de reinvestimento, de que tratam os arts. 1º, 2º e 3º da Medida Provisória nº 2.19914, de 24 de agosto de 2001. Art. 2º São considerados prioritários para fins dos benefícios de que trata o art. 1º, os empreendimentos nos seguintes setores: VI da indústria de transformação, compreendendo os seguintes grupos: (...) e) químicos (exclusive de explosivos) e petroquímico, materiais plásticos, inclusive produção de petróleo e seus derivados; (grifei) Diante do silêncio da fiscalizada, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração de IRPJ, fls. 04/07, conforme descrição de fatos a seguir. 001 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDAM REDUÇÃO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS Empresa tributada pelo Lucro Real, situada no distrito industrial da Zona Franca de Manaus, área de atuação da SUDAM, que intimada não apresentou o ato, laudo, parecer técnico ou projeto de reconhecimento do beneficio fiscal da redução de 75% Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 469 4 (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e Adicional incidente sobre o Lucro da Exploração. Pelas análises realizadas no decorrer do procedimento de fiscalização, constatouse que a empresa não atende aos requisitos legais necessários ao gozo do incentivo, procedendo se a glosa da redução do imposto irregularmente utilizada, apurada conforme seus livros contábeis/fiscais e informados na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica,DIPJ 2004, anocalendário 2003, mais especificamente na ficha 10, linha 10. O lançamento de ofício de IRPJ, com a multa proporcional de 75%, foi cientificado à contribuinte em 09/06/2008. Da Fase Contenciosa. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 96/41, que foi apreciada pela 1ª Turma da DRJ/Belém, em sessão realizada no dia 21/12/2011. O Acórdão nº 0123.905, às fls. 383/386, julgou a impugnação improcedente, decisão do qual tomou ciência a contribuinte em 16/04/2012 (“AR” de fl. 390). Foi interposto o Recurso Voluntário de fls. 391/451 em 14/05/2012, no qual discorre sobre pontos descritos a seguir. Nulidade do Acórdão da DRJ. Reclama a recorrente que a decisão de primeira instância não foi motivada, ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa, vez que não teria analisado a documentação probatória do gozo do benefício fiscal de redução do IRPJ acostada junto à impugnação, além de não ter apreciados os argumentos da defesa. Nulidade da Autuação. Não teriam sido atendidos os requisitos expressos nos arts. 9º e 10º do PAF, além de afronta ao art. 142 do CTN, vez que o trabalho realizado pela Fiscalização teria se pautado em simples análise da DIPJ e na suposta falta de laudos comprobatórios do benefício fiscal. Os produtos sobre os quais a recorrente calculou o Lucro de Exploração e aplicou a redução de 75% do IRPJ são os mesmos do que tratam os atos concessivos exarados pela SUDAM (Declarações DCI/DAÍ nº 22/97 e 16/98). Da Decadência. Teria se consumado a decadência, vez que foram efetuados recolhimentos de IRPJ estimativa no decorrer do anocalendário de 2003. Assim, como o auto de infração foi lavrado apenas em 03/06/2008, os créditos tributários relativos aos meses de janeiro até maio estariam fulminados pelo prazo decadencial, em obediência ao prazo de contagem estabelecido pelo § 4º, do art. 150 do CTN. Excedente de Produção. Aplicação do Benefício Fiscal Calculado com Base no Lucro de Exploração. Da Ação Declaratória. Aduz a recorrente que o excedente de produção, em debate no caso concreto, também faria jus ao benefício fiscal de 75% de redução do IRPJ, consequência dos benefícios já autorizados pelos atos concessivos Declaração DCI/DAÍ nº 22, de 1997 e 16, de 1998. No caso da redução de 75%, foi apresentado Projeto Industrial de Ampliação e Diversificação da Produção, em 20/02/2002, cujo pleito, apesar de ter sido várias vezes renovado, só foi apreciado pela ADA – Agência de Desenvolvimento da Amazônia em razão de ordem judicial obtida por meio de mandado de segurança. Contudo, mostrouse ilegal o indeferimento prolatado na decisão por meio do Ofício nº 038, de 2007 – Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 470 5 GEPIN/ADA, vez que, ao contrário do que aduz o ato administrativo, a recorrente atende aos requisitos estabelecidos pelo Decreto nº 4.212, de 2002, quais sejam, a empresa deve estar situada na Amazônia, e desenvolver atividades industriais de transformação de materiais plásticos, mesmas condições exigidas pelos atos concessórios anteriores cujos pleitos da pessoa jurídica foram deferidos. Nesse contexto, encontrase a recorrente discutindo, por meio da Ação Declaratória com Pedido de Tutela Antecipada nº 2007.34.00.0409455, a ilegalidade da decisão proferida no Ofício nº 038, de 2007 – GEPIN/ADA. Destaca que a prova pericial produzida nos autos da Ação Declaratória foi conclusiva no sentido de a recorrente atender ás condições para usufruir da redução de 75% do IRPJ. Enfim, registra que o STJ já se posicionou ao estabelecer que sendo o benefício fiscal concedido onerosamente, como no caso concreto, sob o cumprimento de determinadas condições, não poderá ser revogado nem mesmo por lei. Ilegalidade de Juros SELIC sobre Débitos Tributários. Entende a recorrente que o STJ já decidiu que a aplicação da SELIC é inconstitucional por falta de base legal. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura O recurso foi interposto tempestivamente e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Preliminares. Nulidade da Autuação. Nulidade do Acórdão. Inocorrência. Reclama a recorrente que o trabalho da Fiscalização teria se pautado apenas na análise da DIPJ e em suposta falta de comprovação do benefício fiscal, e que não teriam sido atendidos os requisitos estabelecidos pelos artigos 9º e 10º do PAF e art. 142 do CTN. Da análise do contexto da autuação, constatase que a autoridade autuante, ao apreciar a DIPJ referente ao anocalendário de 2003, verificou que a contribuinte informava ter direito à redução de IRPJ nos percentuais de 37,5%, 50% e 75% incidente sobre o Lucro de Exploração. Há que se registrar que os benefícios fiscais relativos aos percentuais de redução de IRPJ de 37,5% e 50%, amparados pelos atos concessórios da SUDAM DCI/DAT nº 16/98 e 22/97, respectivamente, não foram objeto da autuação. Contudo, a Fiscalização, ao depararse com a redução de 75%, valeuse da informação da DIPJ, no sentido de que se encontrava respaldada por processo judicial sem trânsito em julgado. Nesse sentido, não restou alternativa à autoridade fiscal, senão em intimar a fiscalizada, para que pudesse apresentar documentação probatória apta a comprovar o gozo do benefício fiscal, conforme fls. 03 dos autos, no qual consta também a ciência da contribuinte. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 471 6 Diante da opção da fiscalizada em não apresentar resposta, foi lavrado o Auto de Infração, para efetuar o lançamento de ofício do IRPJ correspondente à redução de 75% incidente sobre o Lucro de Exploração. Ao contrário do que aduz a recorrente, não se observa nenhuma irregularidade no procedimento fiscal. A base de cálculo encontrase devidamente demonstrada, amparada pelos demonstrativos elaborados pela própria empresa e informações prestadas na DIPJ, no qual se encontra segregado, precisamente, o IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração submetido à redução de 75%. Tampouco há que se falar em nulidade na decisão proferida pela DRJ, que motivou a manutenção do lançamento fiscal exatamente pelo fato de que a contribuinte, sobre o qual recai o ônus da prova do gozo do benefício, não comprovou o direito à redução do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração. Registrese que os documentos acostados pela defesa, na primeira instância administrativa, dizem respeito aos benefícios fiscais de 37,5% e 50%, limitados por quantidades de produtos fabricados, sem alcançar o excedente de produtos sobre o qual se aplicaria a redução de 75% pretendida pela contribuinte. Portanto, resta superada a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. Prejudicial de Mérito. Decadência. Lucro Real Anual. Aperfeiçoamento do Fato Gerador. 31 de Dezembro. Aduz a recorrente que foi cientificada do lançamento de ofício em 09/06/2008, e, por ter efetuado recolhimentos de IRPJ estimativa no decorrer do anocalendário de 2003, estariam protegidos pela decadência os créditos tributários apurados entre os meses de janeiro a maio. Ocorre que, na opção de regime de tributação adotada pela recorrente, o lucro real anual, o fato gerador aperfeiçoase apenas em 31 de dezembro do ano corrente, conforme previsto no art. 2º, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, no caso concreto, o lançamento referese ao fato gerador de 31/12/2003. Tendo a ciência sido dada em 09/06/2008, não há que se falar em decadência. Mérito. Contexto da Autuação. Ação Declaratória. Para a devida apreciação do mérito, peço vênia para transcrever fragmento do relatório do processo 10283.720241/201083, que trata precisamente da mesma matéria dos presentes autos, apenas com a diferença de que os lançamentos naquela autuação referemse aos anoscalendário de 2005, 2006 e 2007, cuja decisão foi proferida pela 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF em 11/09/2013, no Acórdão 1101000.941. Em relação a tais excedentes aqui discutidos – que foram propriamente divisados pela autoridade autuante, que propriamente fez a identificação inequívoca da matéria tributável aqui analisada, desprezando as receitas concernentes aos outros benefícios –, verificase que a empresa, em 20 de fevereiro de 2002, apresentou novo Projeto Industrial de Ampliação e Diversificação da Produção (Processo n. 000.288) à Agência de Desenvolvimento da Amazônia, no qual requereu a Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 472 7 redução de 75% do Imposto de Renda de que trata a mencionada MP 2.199/2001. A Agência de Desenvolvimento da Amazônia passou anos sem se pronunciar sobre o pleito da ora Recorrente – que foi renovado algumas vezes –, sendo que apenas procedeu à análise dos pedidos do contribuinte após ordem judicial obtida pela sociedade empresária em Mandado de Segurança, ocasião em que foi prolatado o Ofício n. 038/2007, no qual se lê, litteris: Dando cumprimento a Decisão Judicial do Juiz Federal da 1ª Vara, datada de 14 de dezembro de 2006, determinando a esta Agência que aprecie os pleitos do benefício da Redução de Imposto de Renda para Ampliação e Diversificação do empreendimento industrial de interesse dessa Empresa, esta Agência concluiu, após análise dos referidos pleitos, que as linhas de produção relativas ao projeto de Ampliação e as linhas de produção de Demarcador com Ponta de Feltro de Nylon e Lápis de Resinas referentes ao de Diversificação não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212/2002. Nesse sentido, comunicamos o indeferimento dos pleitos do benefício para as linhas de produção acima mencionadas. (fl. 337; sem grifos no original) Importantíssimo asseverar que a ora Recorrente atacou judicialmente esse ato da DiretoraGeral da Agência de Desenvolvimento da Amazônia – autarquia ligada ao Ministério da Integração Nacional/MI –, sendo que aforou, na Seção Judiciária de Brasília/DF, a ação ordinária n. 2007.34.00.0409455, cujos pedidos foram assim deduzidos, litteris: Requer, outrossim, seja julgada procedente a presente Ação, para: a) declarar nula de pleno direito a decisão da extinta AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA – ADA de 17 de janeiro de 2007, que expediu o Ofício n. 038/2007 – GEPIN/ADA que indeferiu os pleitos relativos às linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, com a imotivada alegação de que não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212, de 26.04.2002, e; b) caso a SUDAM mantenha o indeferimento dos projetos objeto desta ação, declarar que os produtos objeto dos Projetos de Diversificação e Ampliação ora em debate, que são industrializados nas linhas de produção da Autora, se enquadram na atividade de transformação de materiais plásticos, coadunandose com o disposto no artigo 2o, inciso VI, alínea “e” do Decreto n. 4.212, de 26/04/2002, e Medida Provisória n. 2.19914, de forma a terem direito ao benefício de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis de que a Autora faz jus; e determinar que a SUDAM expeça os competentes laudos constitutivos referentes aos Projetos de Diversificação e de Ampliação, e; c) declarar o direito da AUTORA beneficiarse da redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro da exploração das linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, Processo n. 000.288, de 20 de fevereiro de Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 473 8 2002 (59430/04225/200271 (Inventariança) e 59431/1296/200491 (ADA), nos termos do §7º do artigo primeiro da Medida Provisória n. 2.19914, que ratificou disposição contida no artigo 3º, da Lei n. 9.532/97, desde o ano calendário subseqüente ao de entrada em operação dos projetos objeto desta ação, e; d) condenar as Rés no pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais consectários legais e despesas incorridas. (fls. 221222; sem grifos no original) Não se concedeu liminar para a suspensão dos créditos tributários discutidos nessa ação judicial, sendo que, em fins de 2012, foi proferida sentença que acolheu integralmente os pedidos deduzidos pela ora Recorrente, decisum esse que se pautou em perícia judicial que atestou que as linhas de produção da sociedade empresária em questão envolvem a transformação de materiais plásticos. Ao sentenciar, o juiz federal prolator antecipou os efeitos da tutela para suspender os créditos tributários discutidos no processo. Atualmente, aguardase o julgamento das Apelações interpostas pela SUDAM e pela União, que estão sob a relatoria do Desembargador Luciano Tolentino Amaral do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região. Mister salientar, ainda, que o benefício fiscal em questão também é discutido em outros feitos judiciais que tocam a contribuinte, feitos esses instalados pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM, associação de que participa a ora Recorrente, e nos quais se busca a concessão da redução de 75% (setenta e cinco por cento) em questão àqueles associados, dentre os quais a Recorrente, que não tiveram seus pleitos administrativos apreciados no prazo legal. Tratase dos Processos n. 2002.34.00.0150369 (fl. 131 e ss.) e 2002.34.00.0150400 (fl. 100 e ss.) – nos quais não se concedeu provimentos antecipatórios em favor do CIEAM –, sendo que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região acabou de negar provimento à Apelação interposta pelo CIEAM (decisão de 26 de agosto de 2013, acórdão publicado em 4 de setembro de 2013), ao passo que o segundo processo transitou em julgado em desfavor da associação no primeiro semestre do corrente ano. Observase que para a fabricação dos produtos em quantidades excedentes, não contemplada nos atos concessórios SUDAM DCI/DAT nº 16/98 (redução de IRPJ de 37,5%) e 22/97 (redução de IRPJ de 50%), a recorrente encaminhou pedido para a ADA em 2002 (redução de IRPJ de 75%), que por meio do Ofício nº 038/2007 indeferiu a solicitação. Ocorre que, primeiro, em razão da demora da resposta ao pleito por parte da ADA (cinco anos), e, segundo, diante da negativa do pleito para a ADA, recorreu a contribuinte ao Poder Judiciário, visando satisfazer sua pretensão. Ora, diante de tal cenário, entendo que para a devida análise da matéria dos presentes autos, há que se apreciar, inicialmente, os processos judiciais sobre os quais aparece como parte a recorrente e o contexto em que se inserem. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 474 9 Primeiro, os processos judiciais nº 2002.34.00.0150400 e 2002.34.00.0150369 movidos durante o intervalo de tempo em que o pedido de redução de IRPJ de 75% encaminhado para a ADA não havia sido analisado. No que concerne ao processo judicial nº 2002.34.00.0150400, informado pela recorrente na DIPJ/2004 como amparo ao benefício fiscal de 75%, foi apresentado pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM (associação do qual faz parte a contribuinte), sendo que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região recentemente negou provimento à Apelação interposta pelo CIEAM, nos termos da ementa a seguir. CONSTITUCIONAL E PROCESSUAL CIVIL. LEGITIMIDADE AD CAUSAM ART. 5º, XXI, DA CF/88. NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS ASSOCIADOS. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. 1. "As associações civis em geral têm legitimação na modalidade "representação processual" (RE n.º 182.543/SP), para propor ação coletiva, desde que com autorização expressa dos filiados, de modo individual ou por assembléia geral (art. 5º, XXI, da CF/88)". (AC 2001.34.00.0262409/DF, Rel. Juiz Federal Mark Yshida Brandão, 1ª Turma Suplementar, e DJF1 p.239 de 23/05/2012). 2. Para que a entidade associativa represente os seus associados, é necessária autorização individualmente concedida pelos interessados ou aprovação de proposta formulada em Assembléia Geral reunida para deliberar sobre a questão específica. 3. Mesmo que tenha sido realizada Assembléia Geral com o único propósito de autorizar a Entidade Associativa a representar os seus associados, a não formulação de proposta de autorização específica na referida Assembléia, com a consequente aprovação dos associados, impede que estes sejam representados em Juízo por sua Entidade Associativa. 4. Apelação a que se nega provimento. (Diário de Justiça Federal da Primeira Região, Edição Eletrônica, Publicação 15/03/2013) Em consulta ao sítio do TRF da 1ª Região, consta que o acórdão referente ao processo nº 2002.34.00.0150400 transitou em julgado. Da mesma maneira, o outro processo judicial de nº 2002.34.00.0150369 também foi movido pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas – CIEAM, tendo sido negado provimento à Apelação interposta pela CIEAM, conforme ementa que segue. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CAUTELAR. INICIAL INDEFERIDA. VIA PROCESSUAL INADEQUADA. SUSPENSÃO EXIGIBILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, V, CTN. VIA PROCESSUAL ADEQUADA. OBJETO SATISFEITO PELA ATUAÇÁO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA SUPERVENIENTE DE INTERESSE. APELAÇÃO IMPROVIDA. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 475 10 1. Tratase de apelação interposta em face de sentença que indeferiu a petição inicial de ação cautelar, coletiva, requerida para a finalidade de suspensão da exigibilidade de créditos tributários, sem os benefícios fiscais próprios do regime jurídico vigente no âmbito da Zona Franca de Manaus, até que fosse apreciado requerimento formulado junto à Ré, para esta finalidade e ainda não apreciado. 2. A ação cautelar é, em tese, cabível para a finalidade de suspensão da exigibilidade de créditos tributários, consoante preceitua o art. 151, V, do Código Tributário Nacional. No caso, não se poderia confundir a ausência de requisitos para a concessão da liminar, com a impropriedade da ação cautelar proposta, e somente por isto, afirmar pela ausência de interesse processual face à inadequação da via processual eleita. 3. Contudo, o objeto da presente ação cautelar era a suspensão da exigibilidade de crédito tributário, relativamente à não incidência de benefício fiscal cabível no âmbito da Zona Franca de Manaus, no caso a redução de 75% do imposto de renda sobre exportações, até que se aguardasse informação sobre requerimento de prorrogação do benefício fiscal em tela, formulado à SUDAM, autarquia que foi extinta e sucedida pela ADA. O requerimento de prorrogação do incentivo fiscal ainda não havia sido apreciado, razão pela qual a medida cautelar para que o imposto de renda não fosse exigido em sua integralidade, enquanto não decido o pleito das empresas associadas à autora. 4. Ainda que sob outro fundamento, não se verifica interesse processual no julgamento da ação cautelar em questão. Consoante as informações de fls. 410, e que aliás vêm corroborar fato processual já trazido aos autos por diversas empresas, associadas da autora ao pedirem a desistência do pleito, a providência requerida administrativamente já foi atendida pelas rés. Destaquese que o atendimento do requerimento administrativo, embora ocorrido após o ajuizamento desta ação cautelar, com ela não guarda qualquer relação. Primeiro por se tratar de pleito administrativo já previamente formulado. Segundo, porque no âmbito desta ação cautelar não houve qualquer provimento judicial que impusesse a prática de ato por parte das rés. Aliás, a sentença extintiva do processo foi proferida antes que a relação processual se integralizasse, com a citação das rés. Assim, nem sob a perspectiva de eventual sucumbência se poderia cogitar de interesse processual na apreciação do mérito da cautelar em exame. 5. Apelação improvida. (Diário de Justiça Federal da Primeira Região, Edição Eletrônica, Publicação 04/09/2013) Em consulta ao sítio do TRF da 1ª Região, consta que foram interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional em face do acórdão prolatado relativo ao processo nº 2002.34.00.0150369. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 476 11 Enfim, em um segundo momento, em razão do indeferimento do seu pleito pela ADA por meio do Ofício nº 038/2007, a recorrente resolveu discutir a questão por meio da Ação Declaratória com Pedido de Tutela Antecipada nº 2007.34.00.0409455. Ocorre que a matéria tratada na ação judicial é precisamente a mesma matéria a ser apreciada nos presentes autos. Vale transcrever, novamente, os pedidos da ação ordinária: Requer, outrossim, seja julgada procedente a presente Ação, para: a) declarar nula de pleno direito a decisão da extinta AGÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA AMAZÔNIA – ADA de 17 de janeiro de 2007, que expediu o Ofício n. 038/2007 – GEPIN/ADA que indeferiu os pleitos relativos às linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, com a imotivada alegação de que não encontram amparo legal no que estabelece o Decreto n. 4.212, de 26.04.2002, e; b) caso a SUDAM mantenha o indeferimento dos projetos objeto desta ação, declarar que os produtos objeto dos Projetos de Diversificação e Ampliação ora em debate, que são industrializados nas linhas de produção da Autora, se enquadram na atividade de transformação de materiais plásticos, coadunandose com o disposto no artigo 2o, inciso VI, alínea “e” do Decreto n. 4.212, de 26/04/2002, e Medida Provisória n. 2.19914, de forma a terem direito ao benefício de redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis de que a Autora faz jus; e determinar que a SUDAM expeça os competentes laudos constitutivos referentes aos Projetos de Diversificação e de Ampliação, e; c) declarar o direito da AUTORA beneficiarse da redução de 75% (setenta e cinco por cento) do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, calculados sobre o lucro da exploração das linhas de produção a que se referem os projetos de Diversificação e de Ampliação da AUTORA, Processo n. 000.288, de 20 de fevereiro de 2002 (59430/04225/200271 (Inventariança) e 59431/1296/200491 (ADA), nos termos do §7º do artigo primeiro da Medida Provisória n. 2.19914, que ratificou disposição contida no artigo 3º, da Lei n. 9.532/97, desde o ano calendário subseqüente ao de entrada em operação dos projetos objeto desta ação, e; d) condenar as Rés no pagamento das custas processuais, honorários advocatícios e demais consectários legais e despesas incorridas. (fls. 221/222; sem grifos no original) Não obstante inicialmente a liminar para a suspensão dos créditos tributários não ter sido concedida, no final de 2012 foi proferida sentença que acolheu os pedidos da recorrente. O juiz relator antecipou os efeitos da tutela para suspender os créditos tributários discutidos no processo. Foram interpostas apelações pela SUDAM e pela União, a serem apreciadas pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 477 12 Portanto, diante do que já foi exposto, constatase que, em relação à redução do IRPJ de 75% incidente sobre o Lucro de Exploração, relativa à receita de vendas de produtos excedentes não contemplados nos atos concessórios SUDAM DCI/DAT nº 16/98 (redução de IRPJ de 37,5%) e 22/97 (redução de IRPJ de 50%): 1) apesar de não terem adentrado no mérito, as decisões proferidas nos processos judiciais nº 2002.34.00.0150400 e 2002.34.00.0150369 negaram provimento às apelações interpostas pela CIEAM, do qual é associada a recorrente, sendo que no primeiro caso há trânsito em julgado; 2) a ação ordinária, apesar de provida na primeira instância, teve a decisão contestada no TRF da 1ª Região pela SUDAM e pela União. Entendo que a concomitância entre os presentes autos e os processos judiciais que se encontram em andamento é evidente, situação que implica em renúncia da esfera administrativa. Como já dito, os casos tratam precisamente da mesma situação, qual seja, se os excedentes de produtos fabricados encontramse albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração. A Súmula nº 01 do CARF é esclarecedora: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não há reparos a fazer na autuação fiscal, vez que o processo judicial nº 2007.34.00.0409455 encontrase em discussão. O lançamento de ofício discutido nos presentes autos deve ser mantido para prevenir a decadência, vez que não se consumou o trânsito em julgado do processo judicial até o momento. Quanto á multa de 75%, tampouco deve ser afastada, já que a autoridade autuante, quando efetuou a lavratura do auto de infração, em 2008, não se deparou com nenhuma causa suspensiva de exigibilidade dos créditos tributários, até porque a decisão de primeira instância do processo judicial nº 2007.34.00.0409455, ao suspender a exigibilidade dos créditos tributários, foi proferida apenas ao final de 2012. Tratase de entendimento em consonância com o que foi decidido no mencionado Acórdão 1101000.941, proferido pela 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento do CARF em 11/09/2013, cuja ementa é transcrita a seguir. IRPJ. REDUÇÃO DE 75% DO IMPOSTO DEVIDO. MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.199/2001. DIREITO AO BENEFÍCIO SENDO DISCUTIDO EM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Deve ser mantido o lançamento fiscal que glosa redução de IRPJ atinente a benefício fiscal discutido judicialmente pelo contribuinte. O lançamento foi feito a partir da verdadeira premissa de que inexistia qualquer ato administrativo ou decisão judicial a autorizar o gozo do benefício, sendo que o sujeito passivo aforou ação de rito ordinário com vistas ao Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA Processo nº 10283.720477/200803 Acórdão n.º 1103000.991 S1C1T3 Fl. 478 13 reconhecimento judicial de que faz jus à isenção parcial de que se cuida. Ao ajuizar essa ação, o contribuinte inequivocamente renunciou ao direito de discutir o direito a esse benefício em sede administrativa. Quanto à utilização da taxa SELIC para os juros moratórios, tratase de assunto também já pacificado no CARF, tanto que a Súmula nº 4 discorre precisamente sobre a matéria: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Pelo exposto, voto no sentido de: 1) não conhecer da parte do recurso voluntário que trata se os excedentes de produtos fabricados estariam albergados pelo benefício fiscal relativo à redução de 75% do IRPJ incidente sobre o Lucro de Exploração, em razão da concomitância; 2) afastar as preliminares de nulidade e a decadência; 3) negar provimento à parte do recurso voluntário referente à matéria distinta da constante dos processos judiciais. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 09/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por ANDRE MENDES DE MOURA
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Numero do processo: 10665.902263/2010-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não é nulo o despacho decisório que, embora sucinto, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Preliminar afastada.
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PRELIMINAR. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora sucinto, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a não-homologação da compensação. Preliminar afastada. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não é nulo o despacho decisório que, embora sucinto, contém a exposição das razões de fato e de direito que fundamentaram a nãohomologação da compensação. Preliminar afastada. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 63 /2 01 0- 75 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902263/201075 Acórdão n.º 3802002.398 S3TE02 Fl. 54 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COMPENSAÇÃO Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação.. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A DRJ, diante da ausência de prova nos autos, promoveu pesquisa na Dctf e no Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) do contribuinte, concluindo que a alegada origem do direito de crédito não estava evidenciada nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal. Assim, manteve o despacho decisório, por ausência de liquidez e certeza do crédito, requisitos indispensáveis para a compensação, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O Recorrente, nas razões de fls. 44 e ss., alega a nulidade do despacho decisório, em razão de deficiência na fundamentação. No mérito, sustenta que, ressalvada as hipóteses de crédito de contribuições previdenciárias (CF, art. 195, I, “a”, II) ou de reembolso de saláriofamília ou saláriomaternidade, inexiste norma determinando a retificação da Dctf ou de qualquer outra declaração em caso de compensação com pagamento indevido ou a maior. Aduz que, no presente caso, o Fisco deveria ter levado em consideração a declaração posterior (o PER/Dcomp), e não a anterior (Dctf), uma vez que a primeira anularia a segunda. Cita jurisprudência, requerendo o provimento do recurso voluntário. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902263/201075 Acórdão n.º 3802002.398 S3TE02 Fl. 55 3 É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 05/05/2011 (fls. 43), interpondo recurso tempestivo em 02/06/2011 (fls. 44). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Inicialmente, em que pese os argumentos apresentados pelo Recorrente, não há como se acolher a preliminar de nulidade, em razão de deficiência na fundamentação. Isso porque, ainda que sucinto, o despacho decisório encontrase suficientemente fundamentação, contendo a exposição das razões de fato e de direito da nãohomologação da compensação. O contribuinte, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902263/201075 Acórdão n.º 3802002.398 S3TE02 Fl. 56 4 admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902263/201075 Acórdão n.º 3802002.398 S3TE02 Fl. 57 5 Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) No presente caso, o contribuinte não apresentou qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito, mesmo após as objeções da DRJ decorrentes do exame da Dctf e do Dacon do período. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10665.902263/201075 Acórdão n.º 3802002.398 S3TE02 Fl. 58 6 (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.004637/99-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997
BUSCA DA VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RELATIVIDADE.No processo administrativo não é absoluto o princípio da verdade material, deve ser confrontado com todas as oportunidades do contribuinte se manifestar e/ou trazer elementos probantes, e não sendo uma dessas exercida plenamente, no momento de diligência processual, preclue o direito de fazê-lo, mormente em sede recursal.
NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE ANOS ANTERIORES. Uma vez não verificado saldo negativo em relação aos anos anteriores, por falta de provas suficientes, há que ser inadmitido o direito creditório pleiteado pela Recorrente.
Numero da decisão: 1202-001.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos documentos apresentados na fase recursal e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Realdo Valentim Neto (relator). Designado o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno para redigir o voto vencedor.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
GERALDO VALENTIM NETO Relator
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wager, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos documentos apresentados na fase recursal e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Realdo Valentim Neto (relator). Designado o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente (documento assinado digitalmente) GERALDO VALENTIM NETO Relator (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wager, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996, 1997 BUSCA DA VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. RELATIVIDADE.No processo administrativo não é absoluto o princípio da verdade material, deve ser confrontado com todas as oportunidades do contribuinte se manifestar e/ou trazer elementos probantes, e não sendo uma dessas exercida plenamente, no momento de diligência processual, preclue o direito de fazêlo, mormente em sede recursal. NÃO RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE ANOS ANTERIORES. Uma vez não verificado saldo negativo em relação aos anos anteriores, por falta de provas suficientes, há que ser inadmitido o direito creditório pleiteado pela Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos documentos apresentados na fase recursal e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta e Realdo Valentim Neto (relator). Designado o Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno para redigir o voto vencedor. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente (documento assinado digitalmente) GERALDO VALENTIM NETO – Relator (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 46 37 /9 9- 29 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 9 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente em Exercício), Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wager, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Em síntese, tratase o presente de procedimento administrativo de Pedido de Restituição (fls. 03) de crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ apurado por meio da DIPJ referente ao ano de 1996, no valor de R$ 2.895.640,11, e, ainda, na DIPJ referente ao ano de 1997, em que se apurou um saldo credor de R$ 182.924,67. Ressaltese que, a despeito de tratarse de Pedido de Restituição, durante a tramitação deste verificouse que o contribuinte, por diversas vezes, realizou Pedidos de Compensação (fls. 136, 169, 171, 185, 202, 217 e 229), inclusive de créditos com débitos de Terceiros (sucessora/sucedida – fls. 151 e 246). Outrossim, merece ser aclarado que o presente Processo Administrativo iniciouse tendo como interessada a empresa Duratex Madeira Industrializada S.A.. Contudo, por questão de reorganização societária, esta foi incorporada pela Duratex Comercial Exportadora S.A., a qual incorporou também a empresa Duratex Nordeste S.A. Ultrapassados estes pontos iniciais, passamos à relatoria do Despacho Decisório (fls.304/306) proferido pela divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, no qual se constatou que o saldo negativo do IRPJ verificado para o ano calendário de 1996 (DIRPJ/97 – fls. 264) decorreu de apuração de prejuízo fiscal, uma vez deduzidos valores de IRRF e de pagamentos por estimativa. A despeito disso, alega não ter sido possível confirmar pelo sistema da SRF “que a interessada tenha efetuado no decorrer de 1996 os recolhimentos do IRPJ por estimativa em conformidade com o demonstrado em declaração, sendo que os pagamentos encontrados sob o código 2362 (estimativa/IRPJ, consulta às fls. 269 e 270/273) não guardam relação com o s valores declarados de IR mensal a pagar (fls. 265/268)”. Ato contínuo, alegou a autoridade administrativa, em relação ao ano calendário de 1997, que a consulta da DIPJ/98 apontou saldo negativo de IRPJ decorrente de apuração de crédito tributário a menor que o IRRF e o IR mensal pago por estimativa. Assim, entendeu a DRJ/SP pela coerência com o informado em DIRFs. Neste sentido, em seu Despacho Decisório a DRJ/SP deferiu parcialmente o pedido de Restituição para reconhecer o direito creditório do contribuinte no montante de R$ 117.809,83. Devidamente cientificado da supramencionada decisão, o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 321/326, na qual alegou, em síntese, que a autoridade não considerou “a possibilidade da quitação ter se dado por outros meios (o que de fato ocorreu) ou mesmo ter ocorrido de forma parcial (o que não ocorreu). No caso, o valor declarado pela requerente foi integralmente quitado com os (a) DARFs apresentados (e Fl. 698DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 10 3 neste ato reapresentados em anexo), (b) com créditos que mantinha de períodos anteriores, e (c) ‘créditos’ temporários em decorrência de medida judicial que a desobrigava parcialmente a pagamentos de parcela devida”. Face à Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte e, principalmente, por conta de sua alegação da existência de medida judicial que o desobrigava parcialmente ao pagamento de parcelas devidas de IRPJ, requereu a DRJ/SP a realização de diligência, a qual culminou no Termo de Informação Fiscal de fls. 583/588, pelo qual se se constatou, de forma resumida, que a Medida Cautelar nº 9433718 e a Ação Ordinária nº 9434662, movidas pelo contribuinte, visaram à obtenção de amparo judicial para a aplicação integral do IPC para efeitos de cálculo do IRPJ e CSLL, no balanço relativo ao período de 1989. Portanto, segundo resultado da diligência realizada tais ações não produziram efeitos nos resultados declarados relativamente aos anoscalendários de 1996 e 1997 (os quais ora se discutem). Ademais, verificouse a existência de Mandado de Segurança nº 970021115, que visava afastar a aplicação do art. 1º da Lei nº 9.316/99, pelo qual o valor da CSLL não pode ser deduzido para efeitos de determinação do Lucro Real e nem mesmo de sua própria base de cálculo. Em razão da decisão desfavorável ao contribuinte (TRF 3ª Região), que reconheceu a legalidade do supramencionado artigo, este efetuou o recolhimento dos tributos objetos do processo (DARFs – Fls. 530/535). Posto isso, a situação até o momento em comento se deu da seguinte forma: AnoCalendário Exercício Origem: Valor em R$ Pagamentos efetuados(DARF) 1.087.238,00 Créditos de Exercícios anteriores 590.383,00 Créditos decorrentes de decisão judicial (*) 1.201.343,05 Total informado em DIPJ 2.878.964,05 Restituição não requerida (*) 1.201.343,05 Total requerido via presente PA 1.677.621,00 1996 1997 Valor da restituição já deferida Valor não compensado do IRRF sobre Aplic. Financeira (**) 117.809,83 Recolhimentos a maior 65.114,83 1997 1998 Total requerido via presente PA 182.924,66 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 11 4 Valor da restituição já deferida (**) 117.809,83 Com base no exposto, a DRJ/SP proferiu sua decisão (fls. 603/609), cuja ementa segue abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1996, 1997 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA RECOLHIMENTOS EM DARF Se a contribuinte comprova haver recolhido estimativas de IRPJ, ainda que parcialmente, é de se reconhecer como crédito os valores recolhidos, quando não há imposto a pagar resultante da apuração anual de IRPJ. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF – EMPRESA INCORPORADA Tem direito a empresa sucessora ao IRRF retido em favor de empresa incorporada se os rendimentos creditados e retenção de IRRF foram feitos após a incorporação da empresa e o IRRF foi aproveitado no mesmo anocalendário de sua retenção. Manifestação de Inconformidade Procedente em Part. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Por tal decisão reconheceu a DRJ/SP parcialmente procedente a Manifestação de Inconformidade para reconhecer o valor creditório de R$ 1.103.820,82 relativo ao saldo credor de IRPJ do anocalendário 1996 e R$ 65.114,83 como saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1997, além do que já havia sido reconhecido pelo Despacho Decisório anterior. Apenas para aclarar, notese que os R$ 1.103.820,82 relativo ao saldo credor de IRPJ do anocalendário 1996 são compostos de R$ 1.087.238,00 pagos por DARF, acrescidos de R$ 16.582,82 relativo ao IRRF proveniente de rendimentos pagos à empresa Duratex Nordeste S.A., após sua incorporação (fls. 608). Assim, apenas restaram não homologados os valores supostamente provenientes de “créditos de anos anteriores utilizados no anocalendário de 1996”, objeto da presente controvérsia. Por tal razão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário (fls. 612/615), pelo qual buscou comprovar a origem destes supostos créditos e, para tanto, acostou aos autos a documentação de fls. 647/684 consistente na DIPJ relativa ao ano de 1995 e uma série de comprovantes de arrecadação. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 12 5 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise dos argumentos trazidos pelo Recorrente. Tendo em vista que a documentação apresentada pelo Recorrente em sede de Recurso Voluntário (fls. 647/684) se faz essencial à verificação do direito pleiteado e, principalmente, em respeito ao princípio da Verdade Material, norteador do Processo Administrativo Fiscal, entendo pela possibilidade de sua juntada, mesmo que em sede recursal, pois restringemse a dirimir o único ponto pendente da controvérsia, qual seja, a não homologação dos valores supostamente provenientes de “créditos de anos anteriores utilizados no anocalendário de 1996”,. Tal possibilidade encontra respaldo, conforme já mencionado, no princípio da Verdade Material, sobre o qual já manifestou seu entendimento a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Recurso negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma, Acórdão nº 40304194 do Processo 103200017059835, Data: 09/11/2004.) Diante do exposto, admitida a documentação comprobatória ora anexada e após sua minuciosa análise, há que se concluir que restou comprovado o saldo anterior alegado. Conforme se verifica às fls. 628, no ano calendário de 1995 o contribuinte apurou IRPJ negativo em R$ 543.216,05. Entretanto, a despeito disto, por conta da apuração do IRPJ com base em estimativas mensais, recolheu, por meio de DARFs (fls. 647/654), R$ 890.913,62 aos cofres públicos. Buscando aclarar a situação, valese a presente tabela: Data de Pagamento Valor em R$ Fls. 20.02.1995 202.189,34 647 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 13 6 20.03.1995 87.610,88 648 28.04.1995 82.629,18 649 31.05.1995 205.010,60 650 30.06.1995 96.360,78 651 30.11.1995 58.105,84 652 28.12.1995 157.201,00 653 31.01.1996 1.806,00 654 Total: 890.913,62 Soma O valor supramencionado foi acrescido, ainda, de atualização monetária, consubstanciandose da seguinte forma: R$ 890.913,62 somados à R$ 87.022,40, perfazendo um total R$ 977.936,02 (fl. 656). Ora, tendo o contribuinte recolhido, com os devidos acréscimos, R$ 977.936,02 quando apurou prejuízo de R$ 543.216,05, resta, ao que parece, configurado o crédito pleiteado referente ao período anterior. Portanto, tendo por base tais informações e documentos apresentados há que ser admitido o direito creditório pleiteado pela Recorrente, em sentido análogo ao já decidido por este colegiado. Vejamos: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2000 SALDO NEGATIVO. DIREITO CREDITÓRIO REMANESCENTE. APROVEITAMENTO NÃO INTEGRAL EM COMPENSAÇÕES ANTERIORES. Reconhecese direito creditório remanescente de saldo negativo, quando comprovado que o seu aproveitamento, em compensações de débitos de períodos anteriores à apresentação da correspondente Declaração de Compensação, não foi integral. (Acórdão nº 1803001.785; Processo nº 13056.000253/200331; Data 06/08/2013) Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao presente Recurso Voluntário reconhecendo o crédito pleiteado. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 702DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 14 7 Declaração de Voto VOTO VENCEDOR Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Em que se considere a exposição analítica bem construída, com base nos elementos constantes do autos, e com referência a aplicabilidade do princípio da busca da verdade material, ele não pode, a meu ver, sem interpretado em termos absolutos, nesta fase recursal, mesmo no decurso do processo administrativo fiscal em comento. Ou seja, necessário ponderar e analisar todos os demais elementos probantes, assim como os atos praticados pela fiscalização e pela autoridade diligenciante, a fim de, efetivamente, verificar‐se o cumprimento desse desiderato de fiel a verdade dos fatos ora relatados. No caso em comento, como relatado, a autoridade julgadora de primeira instância houve por bem baixar o processo em diligência, intimando o Recorrente para oferecer os elementos probantes necessários aquele julgamento. E isso foi feito, tendo o contribuinte apresentado informações e documentos que justificaram o tratamento dado pelo mérito da decisão da DRJ. Por essa circunstância relevante, uma vez que o ônus de provar suposto direito é de quem alega, caberia a Recorrente, naquela oportunidade juntar, em sede DRJ, depois de intimada, todos os elementos que suportassem o invocado direito creditório ou composição do mesmo, para instruir completamente estes autos. Todavia, quedou‐se sem juntar os elementos justificadores, o que fez em sede recursal. Diante dessa peculiaridade do andamento processual, entendo que a Recorrente não pode se valer da própria desídia, alegando busca da verdade material, para juntar documentos nessa fase recursal, em total inobservância ao disposto no art. 16, parágrafo 4º do Decreto nº 70.235/72, posto também que a Recorrente não demonstrou a impossibilidade de fazer a juntada por motivo de força maior, ou qualquer das hipóteses descritas nas alíneas do citado $4º do dispositivo normativo citado. Por essas razões, sou por não conhecer os documentos juntados na fase recursal. Quanto ao mérito. Como relatado pelo conselheiro Geraldo Valentim Neto, acima, ao asseverar: Assim, apenas restaram não homologados os valores supostamente provenientes de “créditos de anos anteriores utilizados no anocalendário de 1996”, objeto da presente controvérsia. Por tal razão, o contribuinte apresentou o presente Recurso Voluntário (fls. 612/615), pelo qual buscou comprovar a origem destes supostos créditos e, para tanto, acostou aos autos a documentação de fls. 647/684 Fl. 703DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10880.004637/9929 Acórdão n.º 1202001.115 S1C2T2 Fl. 15 8 consistente na DIPJ relativa ao ano de 1995 e uma série de comprovantes de arrecadação. Desta feita, exatamente a documentação oferecida em sede recursal diz respeito a situação não resolvida em sede de DRJ, por falta desses supostos elementos probantes, para demonstrar a origem do suposto direito creditório. Como asseverado anteriormente, não se conhecem os documentos juntados com o Recurso Voluntário, e à análise do mérito, portanto, diretamente relacionada a documentação pretendida, como dito pelo relator, resta prejudicada, ficando, pois sem consistência probante as alegações construída na peça de defesa recursal. Assim, pedindo vênia para adotar os fundamentos das razões de decidir empregadas pela DRJ, mais o entendimento que inviabiliza a prova documental sem justificativa nessa fase recursal, e sendo essa supostamente pertinente ao deslinde do mérito, é de se concluir insustentável em provas suficientes para suportar a origem dos créditos e configurar remanescente direitos creditórios ,sobre anos anteriores a 1996. Com tudo isso, é se negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 704DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 16 /06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO , Assinado digitalmente em 20/05/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Numero do processo: 10680.901866/2012-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186.
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Acompanhou o julgamento o advogado Valter de Souza Lobato, OAB/MG nº 61.186. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 01 86 6/ 20 12 -2 3 Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 1.208 ___________ Relatório A SAMARCO MINERAÇÃO S/A apresentou recurso voluntário contra Acórdão nº 0246.018, de 8 de julho de 2013, proferido pela 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a manifestação de inconformidade, de sorte a: · Cancelar as glosas efetuadas em relação às despesas com transmissão de energia elétrica, recompondo o crédito, nos valores constantes na planilha nº 15 da fiscalização (fl. 894); e · Cancelar em parte as glosas efetuadas em relação aos bens do ativo imobilizado, recompondo o crédito, nos valores constantes na coluna “Crédito com o Imobilizado” do demonstrativo constante do aditamento da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte; · Ressaltar que a DRF de origem deverá, ainda: (1) proceder à verificação dos pagamentos efetuados, relativos às glosas sobre as quais não houve litígio, conforme item 2 do aditamento apresentado pela reclamante, e efetuar os procedimentos necessários à extinção dos respectivos débitos; e (2) Proceder à recomposição dos créditos passíveis de ressarcimento/compensação, conforme planilhas nºs 26 e 27 da fiscalização, homologando as DCOMPs apresentadas até o limite dos créditos apurados. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: “A contribuinte acima identificada apresentou Pedido de Ressarcimento – PER – de crédito de PIS nãocumulativo – Exportação, relativo ao 4º trimestre de 2008, no valor de R$ 9.365.319,30, com posterior encaminhamento de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp – relativa(s) ao mesmo crédito. Os documentos tiveram processamento eletrônico, com intervenção manual do Serviço de Fiscalização da DRF/Belo Horizonte, que procedeu a auditoria para verificação quanto à procedência dos créditos. O crédito foi reconhecido parcialmente, no valor de R$ 7.532.757,20, em face das glosas efetuadas pelo fisco, por entender que tais créditos não estavam em consonância com o disposto na legislação que rege a matéria. Os dispositivos legais Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.209 3 infringidos constam no Relatório Fiscal relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06101002011.014270 (fls. 978/998). Em conseqüência, houve homologação parcial de sua(s) Dcomp, conforme Despacho Decisório com nº de rastreamento 022394361, emitido em 04.05.2012 (fl. 434), do qual a contribuinte tomou ciência em 14.05.2012, conforme tela acostada à fl. 1000. Em 13.06.2012, foi protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 02/53 (anexos às fls. 55/433), contendo os elementos que se seguem. TEMPESTIVIDADE Informa sobre as datas de ciência do Despacho Decisório e da apresentação da Manifestação de Inconformidade no prazo de 30 dias. 2. OS PONTOS DISCORDANTES QUANTO AOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS. BREVE RELATO DOS FATOS. Nesse item, foram levantados os pontos de discordância em relação ao Relatório da Fiscalização, a seguir sintetizados: a) Que a fiscalização demonstra contradição entre a própria autuação e a sua descrição do objeto social da empresa, posto que diversos créditos glosados são oriundos de autênticos insumos para as atividades ali relacionadas; b) Que a fiscalização deu ao conceito de insumos a mesma interpretação restritiva do IPI, a qual, além de ultrapassada, não consta em lei e ainda fere o princípio da confiança, já que havia uma promessa de que os contribuintes poderiam creditarse de toda despesa e todo custo necessários à sua produção e ao exercício de sua atividade; c) Que alguns produtos foram glosados sob o argumento de que deveriam ter sido contabilizados como bens do ativo imobilizado; d) Que foram glosados produtos adquiridos com alíquota zero, o que, egundo o fisco, estaria impedido pelo § 2º do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003; e) Que a fiscalização entende que a empresa não poderia se creditar dos dispêndios com o uso dos sistemas de conexão e de distribuição de energia, mas apenas com a compra de energia, o que a contribuinte considera um absurdo, já que não se pode dissociar uma coisa da outra e, além disso, segundo ele, haveria dispositivo expresso determinando o creditamento sobre o custo de tal energia; f) Que, apesar de a contribuição para o PIS e a Cofins terem como base a totalidade das receitas, a fiscalização não reconhece a contrapartida (despesas e custos necessários à consecução das atividades), usando o argumento de que “nem Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.210 4 todos os custos, despesas ou encargos incorridos para a consecução do faturamento da empresa geram direitos a créditos, (...)”, glosando itens diversos. Sobre esses itens, discorre, de forma individual, a saber: f.1) Insumos e Serviços Utilizados no Mineroduto – que a fiscalização entende que não se enquadram como insumos os gastos nele empregados, e que se trata de transporte de produto em fase de elaboração, efetuado pela própria empresa, entre seus estabelecimentos, não gerando direito a créditos. Sobre esse entendimento, a contribuinte entende estarem indo de encontro à intenção contida no sistema de não cumulatividade. f.2) Demais Serviços – que os créditos foram glosados por referiremse a gastos com serviços utilizados indiretamente na produção do minério, não se enquadrando no conceito de insumo e que a fiscalização elenca alguns desses serviços, “a título exemplificativo”, conforme se segue: f.2.1) Aluguel de Veículos – que, segundo a fiscalização, não se encontra listado no art. 3º do inciso IV das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Por outro lado, a contribuinte alega que os créditos se referem a equipamentos e máquinas empregados em seu processo produtivo. f.2.2) Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários – que a fiscalização desconsiderou a atividade de administração do porto, constante no objeto social da empresa. Além disso, segundo a reclamante, as dragas são utilizadas na mineração. f.2.3) Serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos – segundo a reclamante, faltaram motivo e motivação para a glosa, cuja fundamentação foi apenas no sentido de não se constituírem insumos. Além disso, alega que tal serviço busca o reaproveitamento do minério e está inserido diretamente no processo produtivo. f.2.4) Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas – que, segundo a fiscalização, são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo. A contribuinte, por outro lado, entende que são empregadas ao longo do processo. Além disso, alega que há exigência da legislação ambiental para a contratação desses serviços. f.2.5) Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das usinas hidrelétricas próprias – que as glosas também foram motivadas com base no conceito de insumo – do qual a reclamante discorda – e devido ao entendimento de que não se tratam de bens e serviços em contato direto com o produto final f.3) Obras de Construção Civil – que as glosas foram efetuadas por não se amoldarem Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.211 5 ao conceito de insumo. Por sua vez, a reclamante sustenta que tais obras se referem a manutenção das barragens, e, portanto, essenciais e intrínsecas ao seu processo produtivo. Resumindo o seu relato, a contribuinte infere que a fiscalização não detalhou os produtos e serviços glosados, nem motivou suas glosas, ferindo o seu direito de defesa. 3. RECONHECIMENTO PARCIAL DA GLOSA. PRODUTOS SUJEITOS A ALÍQUOTA ZERO. EQUÍVOCO GERADO PELO SISTEMA. PAGAMENTO. No que diz respeito às glosas efetuadas sobre produtos adquiridos com alíquota zero, a contribuinte admite que se creditou indevidamente, informando que já procedeu à recomposição da conta gráfica, e que iria recolher o valor devido. 4. DA AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. INSUBSISTÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE CANCELAMENTO DA AUTUAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO SEM DILIGÊNCIAS IN LOCO. Seguindo em sua explanação, a contribuinte afirma que o lançamento está eivado de nulidades, uma vez que a fiscalização se baseou em arquivos eletrônicos, sem proceder a inspeção in loco, e, nesse sentido, segue argumentando sobre a falta de motivação e da apresentação de provas por parte do fisco, e requer a declaração de nulidade do lançamento fiscal. 5. NOTAS INTRODUTÓRIAS. A ATIVIDADE DA REQUERENTE E SEU OBJETO SOCIAL. A PECULIARIDADE DA SUA PLANTA, DESDE A SUA CONCEPÇÃO. No item 5 de sua manifestação de inconformidade, a reclamante faz uma detalhada descrição do objeto social da empresa, do seu processo produtivo e da sua planta integrada. Sobre o seu objeto social, destacase que envolve a pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação, para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionista ou quotista. Sobre seu processo produtivo, explica que é integrado, da mina ao porto, sendo essa a concepção desde sua origem. Descreve esse processo, desde a lavra, que se dá na unidade de Germano, em Mariana e Ouro Preto (MG), passando pelos processos de separação do rejeito, moagem, deslamagem, flotação, até o seu transporte, como polpa, para a unidade de Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.212 6 Ubu, em Anchieta (ES), por meio de minerodutos, terminando na etapa de pelotização, citando inclusive os diversos produtos utilizados como agentes nesse processo, explicando sua ação. E sobre sua planta integrada, discorre sobre a sua concepção, ressaltando que não se trata de apenas uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai minério e agrega valor ao produto, além de o exportar, daí a necessidade da total integração do seu processo produtivo. Acrescenta, ainda, os efeitos dessa integração nos resultados alcançados pela empresa, ressaltando a sua importância. 6. MÉRITO. NÃO CUMULATIVIDADE PIS/COFINS. A CORRETA INTERPRETAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS E OS EQUÍVOCOS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO. Nesse item, a manifestante inicia com uma longa explanação sobre a legislação relativa ao tema, desde o texto constitucional até a jurisprudência sobre o assunto, incluindose a relação com as legislações do IRPJ e do IPI. A seguir, adentra na questão da interpretação do conceito de insumos, defendendo, a partir dos dispositivos constitucionais e legais, que todo bem ou serviço, que seja necessário à obtenção de receitas pela empresa, deve ser admitido como gerador de crédito de PIS e Cofins. Alega, ainda, em resumo: que a Constituição Federal reservou à lei apenas a definição do setor econômico ao qual se destinaria a nãocumulatividade; que não se pode utilizar, para a nãocumulatividade do PIS e da Cofins, o conceito de insumo que serve para o IPI, dadas as diferenças entre tais tributos, inclusive no que diz respeito aos serviços, não incluídos neste (nesse sentido, cita decisões judiciais que consideram a essencialidade como a condição a ser observada na determinação do conceito); e que, devido às semelhanças do PIS e a Cofins com o IRPJ, o conceito a ser adotado seria o mesmo adotado para esse imposto (citando decisões judiciais e Acórdão do CARF nesse sentido). Cita alguns exemplos do que classifica como “equívocos cometidos pela fiscalização quanto ao conceito de insumos”, qual o dos créditos relativos a gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos, e os relativos a óleos combustíveis utilizados nos caminhões que transitam na Mina, solicitando que esta DRJ considere insubsistentes a glosas efetuadas ou, caso assim não entenda, que considere os insumos constantes de sua planilha anexa ou, em última instância, que seja feita prova pericial, a fim de demonstrar que todos os créditos glosados se referem a produtos e serviços essenciais à atividade da empresa e, portanto, legítimos. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.213 7 A partir de então, procede à argumentação sobre a improcedência da glosa para cada tipo de crédito, conforme se segue, de forma resumida. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – ATIVO IMOBILIZADO: Em relação às glosas efetuadas por terem sido considerados créditos relativos a bens destinados ao ativo imobilizado, mais uma vez a reclamante alega falta de motivação do lançamento, pela fiscalização. Acusa, ainda, a falta de manifestação da fiscalização sobre a possibilidade de se creditar pro rata, nos termos do inciso VI do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, caso se considere o bem como parte integrante do ativo imobilizado. De acordo com o seu entendimento, se a fiscalização, ao recompor a conta gráfica da empresa, não considerou as parcelas já devidas com base na depreciação, o crédito tributário resultante das glosas caracterizase insubsistente. Em última instância, entende que tal recomposição deva ser feita pela fiscalização, caso não se considere o crédito integralmente. CRÉDITO SOBRE DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA: Sobre os créditos sobre despesas com energia elétrica, a reclamante insurge contra as glosas efetuadas sobre os insumos e serviços relativos às usinas próprias da empresa e sobre os custos com transmissão e distribuição de energia (encargos denominados TUSD). No caso dos gastos empregados em suas usinas, argumenta que não haveria sentido em a aquisição de energia das concessionárias gerar mais créditos que a autoprodução, uma vez que o Governo Federal incentiva os investimentos com produção de energia elétrica. Acrescenta que a energia elétrica é essencial ao processo produtivo da empresa e ressalta que a nãocumulatividade não é benefício fiscal, mas apenas cumprimento de preceito constitucional, conforme já defendido antes. Quanto aos gastos empregados nos encargos de distribuição, segundo o entendimento da reclamante, estão contidos nos custos incorridos com energia elétrica, nos termos do inciso IX do art. 3º da lei nº 10.637/2002 e do inciso III do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Em defesa do seu entendimento, explica em detalhes o modelo do setor elétrico brasileiro, concluindo que o fato de os custos relativos à distribuição de energia serem cobrados separadamente dos custos com a compra, como é o caso da contribuinte, que se encontra na categoria de consumidor livre, é irrelevante para a sua classificação como créditos de PIS e Cofins passíveis de aproveitamento. CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.214 8 Sobre as glosas dos créditos relativos a serviços, a reclamante contesta, de forma geral, a sua falta de enquadramento, pela fiscalização, do conceito de insumo, e, a seguir, contesta alguns pontos do relatório em relação a cada serviço. Serviços prestados no mineroduto: Em relação aos serviços prestados no mineroduto, insiste no conceito de planta única de produção, na qual o mineroduto seria apenas uma das etapas, a saber, o ponto de ligação entre os dois estabelecimentos da empresa. Reforça seu entendimento sobre a possibilidade de creditamento desses serviços, com o questionamento “o tributo plurifásico não cumulativo não deve ser neutro? Ora, se a planta de MG pertencesse a uma empresa, o mineroduto a outra e a planta do ES a uma terceira, os custos da primeira planta e do mineroduto seriam passíveis de creditamento pela planta do ES, certo? Se assim o é, a requerente tem direito aos créditos ora vindicados.”. Nesse sentido, segundo afirma, versa Acórdão do CARF, que também transcreve. Aluguel de veículos: Sobre o creditamento dos gastos com aluguel de veículos, argumenta que o contrato também prevê a locação de equipamentos, como caminhões e tratores utilizados na mineração, cujos créditos são os únicos tomados pela empresa e, portanto, dentro da previsão do inciso IV do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Locação de dragas e reboque, serviço de rebocador, serviços portuários: O mesmo argumento é utilizado em relação aos créditos relativos à locação de dragas e reboque e aos serviços de rebocador e portuários. Acrescenta que, nesse item, a legislação sequer fala em insumos, mas simplesmente exige que tais máquinas e equipamentos sejam “aplicados nas atividades da empresa”. Explica a natureza do afretamento, concluindo que nada mais são, em sua essência, que contratos de locação de embarcação, sendo que algumas modalidades (afretamento por viagem e por tempo) possuem um caráter híbrido, pois, nesses casos, está incutido um misto de locação e de prestação de serviço, já que os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, etc, correm por conta do fretador e não do contratante (afretador). No sentido de firmar esse entendimento, cita decisão do STJ e consulta à Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF da 8ª RF, versando sobre créditos de aluguéis. Por fim, alega que a própria fiscalização mencionara a administração do porto como uma das atividades da empresa, onde seriam empregadas as dragas cujo crédito fora glosado, e acrescenta que tais dragas também são utilizadas na atividade de mineração, como provam as notas Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.215 9 fiscais que listam serviços realizados na unidade de Mariana/MG, de forma que requer a insubsistência das alegações fiscais quanto a este item. Serviços de limpeza. Recolhimento e transporte de rejeitos: Sobre os créditos relativos a serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos, a reclamante afirma que faltou motivo e motivação para as respectivas glosas, uma vez que, segundo afirma, a fiscalização nada diz sobre esses serviços. Assim, entende que poderá ser feita prova pericial, a fim de se comprovar que tais serviços não se tratam de simples limpeza, mas de reaproveitamento de rejeitos, e em obediência aos ditamos ambientais, intrínseco, portanto, ao processo produtivo. Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises físicas e químicas: Em relação aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem e análises físicas e químicas, a reclamante, juntando notas fiscais como prova, afirma que mais uma vez a fiscalização teria cometido equívoco, ao afirmar que tais serviços são empregados em etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo propriamente dito. Cita Acórdão, em que o CARF se pronuncia sobre os serviços de terraplanagem, e decisões sobre o entendimento do que seja considerado o processo produtivo, para efeito de beneficiamento do ICMS, argumentando que está pacificado o entendimento de que deva prevalecer o critério da essencialidade na definição dos valores que podem ser creditados. Serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias: No que diz respeito aos créditos relativos a serviços empregados nas usinas hidrelétricas próprias, o argumento é no sentido de que os insumos utilizados na autoprodução de energia também integram o produto final, na mesma linha do que já foi longamente abordado. Obras de construção civil: E, sobre os créditos decorrentes dos serviços denominados “obras de construção civil”, afirma que tais obras se referem a manutenção das barragens essenciais, intrínsecas ao processo produtivo, anexando notas fiscais que, segundo ela, comprovam a natureza dos serviços. Insiste que faltou uma análise in loco, pela fiscalização, e que a simples análise dos contratos já permite se verificar que os serviços cujo crédito fora glosado são imprescindíveis ao processo produtivo da mineração. 7. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.216 10 Após todos os seus apontamentos e argumentações sobre a improcedência das glosas efetuadas, conforme acima sintetizado, a contribuinte aborda a necessidade de se proceder a prova pericial, dada a complexidade e o volume de informações apresentadas e tendo em vista que as discussões travadas no presente processo dizem respeito à análise do processo produtivo da empresa e aos gastos vinculados à sua atividade, em confronto com os fatos levantados pela autoridade administrativa. Nesse sentido, elenca diversos pontos que, a seu ver, deverão ser resolvidos pela prova pericial, que vão desde a concepção da empresa, em sua origem, até o detalhamento do bens que tiveram seus créditos glosados, indicando, inclusive, um assistente técnico para a solicitada perícia. Entre os pontos levantados, a reclamante questiona: sobre as atividades realizadas pela empresa e sobre como a empresa foi concebida, em sua origem; sobre a existência ou não do direito a determinados créditos; sobre a composição do crédito levantado pela fiscalização; sobre o enquadramento dos encargos de energia elétrica glosados pela fiscalização no conceito de custo da energia; sobre a essencialidade de determinados serviços no processo produtivo da empresa; sobre a abrangência de determinadas rubricas que tiveram seus créditos glosados. Pede, ainda, que sejam relacionados (em planilhas) os itens glosados (bens e serviços), com informações diversas relativas ao produto, sua essencialidade para as atividades da empresa e sobre a possibilidade de dedução de seu custo, para fins de IRPJ e CSLL. 8. DO PEDIDO. Conclui sua manifestação de inconformidade, pedindo que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos. Requer, ainda, a juntada posterior dos documentos faltantes da manifestação de inconformidade. 9. ADITAMENTO. Posteriormente, em 17.07.2012, a contribuinte juntou novos documentos (fls. 448/517), solicitando que fossem tomados como “aditamento” às razões apresentadas anteriormente. Inicialmente, faz um breve relato dos fatos, resumindo os pontos de discordância em relação às glosas efetuadas, já longamente abordados na manifestação de inconformidade original. Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.217 11 Sobre a parte da glosa relacionada a produtos sujeitos a alíquota zero, a qual já havia reconhecido inicialmente como devida, acrescenta planilhas, demonstrando os valores em relação ao total do crédito glosado, por trimestre, e detalhando os valores recolhidos com seus acréscimos moratórios, bem como os respectivos comprovantes de pagamento. Quanto aos créditos relativos a aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado, repete as alegações iniciais sobre a possibilidade de se creditar parte dos valores, relativa à depreciação dos bens, nos termos § 1º, III e § 14 do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, insistindo no fato de que a fiscalização deveria ter considerado tais créditos e recomposto sua conta, já que procedeu a lançamento tributário. Acrescentou planilhas demonstrativas dos créditos inicialmente aproveitados em relação aos créditos devidos sobre o ativo imobilizado, com as respectivas diferenças apuradas, as quais, segundo entende, devem substituir as glosas efetuadas, além de outros documentos, no sentido de comprovar a procedência desses valores. Embora não conste na manifestação inicial, a reclamante se insurge aqui contra as glosas efetuadas sobre os créditos relativos a óleo combustível. Segundo afirma, esses óleos seriam utilizados tanto para alimentar os fornos de pelotização do minério, quanto para abastecer os caminhões utilizados na mina. Cita Solução de Consulta da SRRF da 10ª RF e decisão do Conselho de Contribuintes de Minas Gerais – CCMG, relativa ao ICMS. Defende que esta DRJ deve julgar “insubsistente o lançamento”, tendo em vista a impossibilidade de se analisar todos os produtos glosados, e deferir a prova pericial, para análise dos julgadores. Conclui, pedindo, mais uma vez, que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a conseqüente homologação da compensação efetuada e a extinção dos respectivos débitos, além de requerer a reformulação do crédito tributário cobrado, considerandose o pagamento parcial, conforme comprovado. E, mais uma vez, requer a juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários ao julgamento. 10. DILIGÊNCIA. Em 11.03.2013, esta DRJ emitiu Resolução, convertendo o julgamento em diligência, a fim de que fossem verificadas a origem e as utilizações das máquinas e equipamentos que tiveram seus créditos glosados, e a conseqüente possibilidade de descontos dos créditos relativos aos respectivos encargos com depreciação. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.218 12 Para a realização da diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF de Belo Horizonte procedeu à abertura do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610100.2013 004204, intimando a contribuinte, em 16.04.2013, a apresentar a documentação necessária, a qual foi apresentada em 07.05.2013. Após a análise da documentação apresentada, a Fiscalização emitiu, em 20.05.2013, Relatório Fiscal, com as conclusões abaixo transcritas, em resposta aos questionamentos desta DRJ: 1. As máquinas e equipamentos foram adquiridos de pessoas jurídicas e foram utilizadas na produção de bens destinados à venda e/ou prestação de serviços, conforme determinam a legislação de regência; 2. Ratificamos a veracidade dos cálculos juntados aos autos na manifestação de inconformidade de 17/07/2012, relativamente aos valores de créditos do PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos calculados sobre os encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado que foram objetos de glosas por esta fiscalização, conforme determinado nos dispositivos legais pertinentes à matéria (art. 3º, § 14, art. 15 II, da Lei nº 10.833/2003, cujo § 14 foi incluído pelo art. 21 da Lei nº 10.865/2004; art. 1º da Lei nº 11.774/2008). Em 22.05.2013, a contribuinte tomou ciência do Relatório Fiscal, com o resultado da diligência, não apresentando, no prazo que lhe foi facultado, quaisquer outros questionamentos. É o relatório.” A DRJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento tributário em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ATIVO IMOBILIZADO. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os encargos de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos de pessoa jurídica e utilizados na produção de bens destinados à venda. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À USINA. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.219 13 relacionados à manutenção de máquinas e equipamentos da usina, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, incluindose os gastos com transmissão e distribuição de energia elétrica produzida pelo contribuinte ou adquirida de terceiros. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. MINERODUTO. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços relacionados a mineroduto, por não se classificarem como insumos na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE DRAGAS, LOCAÇÃO DE REBOQUE, SERVIÇO DE REBOCADOR, SERVIÇOS PORTUÁRIOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com locações, por falta de previsão legal, nem os serviços relacionados ao porto, que não sejam comprovadamente empregados na atividade de navegação, por não se classificarem como insumos na produção de minério. Não se pode considerar o simples fato de uma determinada atividade constar no objeto social da empresa suficiente para que todo e qualquer serviço relacionado diretamente a essa atividade tenha seus créditos descontados do valor devido pela empresa. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE LIMPEZA, RECOLHIMENTO E TRANSPORTE DE REJEITOS. Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.220 14 Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são comprovadamente empregados diretamente na produção de minério. SERVIÇOS DE TOPOGRAFIA, OPERAÇÕES DE EFLUENTES, SERVIÇOS DE DRENAGEM, ANÁLISES FÍSICAS E QUÍMICAS Não geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. SERVIÇOS RELACIONADOS À MANUTENÇÃO CIVIL. Os gastos com serviços empregados em edificações somente podem gerar crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins, apuradas de forma nãocumulativa, em relação aos respectivos encargos com depreciação e amortização. Não se enquadram como insumo, para efeito de gerarem direito a crédito, os gastos com serviços que não são empregados diretamente na produção de minério. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. COMBUSTÍVEIS. Na apuração da Contribuição para o PIS e da Cofins nãocumulativas, podem ser descontados créditos relativos aos gastos com combustível consumido nos fornos no processo produtivo, mas não podem ser descontados os relativos ao combustível consumido nos veículos utilizados na mina. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Cientificado do referido acórdão em 4 de outubro de 2013, a interessada apresentou recurso voluntário em 17 de outubro de 2013, pleiteando o provimento integral do presente recurso, a fim de que seja parcialmente reformado o acórdão da DRJ para, de forma sucessiva: · Decretar a insubsistência do despacho decisório, porque não houve inspeção in loco para constatar se os produtos e serviços se aplicam no processo produtivo da Recorrente; o ato administrativo do lançamento não tem a correta motivação, o que impede o direito de defesa pela recorrente e não pode a Fiscalização elencar os produtos e serviços Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.221 15 apenas de maneira exemplificativa, pois novamente fere o direito de defesa da recorrente; · Ad argumentandum, se assim não entender, devem os autos serem baixados em diligência para que a Receita Federal do Brasil informe, detalhadamente, como se deu a reformulação do crédito tributário, uma vez que a ausência da memória de cálculo impede que a recorrente verifique a exatidão dos números apontados como remanescentes do crédito tributário. Além disso, deverão ser descontados todos os combustíveis que participam do processo produtivo (com base na planilha elaborada pela fiscalização) a fim de que se dê efetividade à decisão da DRJ. · Ainda de forma sucessiva, a decisão recorrida merece ser anulada, retornando os autos à origem para elaboração da prova pericial ou, se assim não entender, que esta prova se realize por determinação da segunda instância administrativa. Ad argumentandum, se por absurdo o CARF não entender pela nulidade da decisão recorrida pela não realização da prova pericial ou pela impossibilidade de realização desta, por estarem os autos em segunda instância administrativa, requer sejam os autos baixados em diligência para que a fiscalização responda aos quesitos acima mencionados, concedendo vista a recorrente para que também se manifeste sobre a apuração da fiscalização; · No mérito, merece ser reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório ora recorrido, com a reforma parcial da decisão recorrida e conseqüente homologação da compensação ora pleiteada e extinção dos débitos fiscais nelas compensados, pois todos os produtos elencados são consumidos no processo produtivo, sendo essencial a este; todos os serviços são utilizados diretamente no processo produtivo, assim, em homenagem a não cumulatividade e aos precedentes administrativos e judiciais existentes, o creditamento deve ser mantido. É o relatório. Voto Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.222 16 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 4 de outubro de 2013, apresentando a recorrente recurso voluntário em 17 de outubro de 2013. Depreendendose da análise dos processos vêse que a lide em comento envolve a liquidez e a certeza do crédito de PIS e COFINS constituído pela recorrente decorrente de vários eventos. Quanto ao conceito de Insumos, primeiramente, descreve a recorrente as atividades vinculadas ao seu objeto social, trazendo, entre outros, o objeto que consta de seu estatuto social: “[...] pesquisa, lavra de minério em todo o território nacional, industrialização e comercialização de minérios, transporte e navegação no interior do porto, inclusive para terceiros, importação para seu uso, de equipamentos, peças sobressalentes e matérias primas, produção e distribuição de energia elétrica e comercialização de carvão, podendo ainda participar do capital de outras empresas como acionistas ou quotista.” Descreve, assim, que a Samarco, quanto: 1. ao Objeto Social: · Detém a tecnologia e as instalações necessárias à extração de minério, seu beneficiamento, pelotização e embarque; · Por meio de permanente evolução técnica, extrai minério de baixo teor de ferro e o converte em produto de alta qualidade para a siderurgia, de forma rentável e competitiva; · O principal produto da empresa é a pelota de minério de ferro; Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.223 17 · Para atender às exigências dos clientes em escala global, produz e comercializa um número considerável de diferentes tipos de pelotas; · Esta flexibilidade engloba demandas específicas, conforme o tipo de tecnologia de redução adotada pelo cliente, seja altoforno ou redução direta; · A pelota de minério de ferro, dentre as matériasprimas utilizadas na fabricação do aço, é um dos insumos de qualidade bem determinada, que garante aos processos de redução direta e altoforno elevada produtividade e estabilidade; 2. Ao Processo Produtivo da Samarco: · Executa três atividades principais, quais sejam, extração do minério de ferro (lavra), beneficiamento e pelotização do minério e exportação das pelotas; Sendo: 1ª Etapa – processo de tratamento de minério bruto (objeto da lavra): o minério lavrado passa por uma instalação de peneiramento e britagem a seco. Esse minério alimenta os prémoinhos que alimentarão os moinhos primários. 2ª Etapa – processo de concentração do teor do minério de ferro: Após esta etapa, a polpa é deslamada na ciclonagem. O material é alimentado no circuito de flotação em coluna. Posteriormente, a polpa alimenta os espessadores. 3ª Etapa – processo de bombeamento do concentrado para a Usina: A polpa é transferida para os tanques de estocagem para, então, ser bombeada pelo mineroduto até as usinas de pelotização em Ubu. 4ª Etapa – processo de preparação do minério concentrado: A polpa recebida passa por diversas etapas de preparação do minério, sendo elas: torre de recebimento, espessamento, tanques homogeneidade, filtragem, roller press e área de insumos (mistura). 5ª Etapa – processo de adição de insumos e formação das pelotas: Após receber as adições de insumos (carvão, calcário e aglomerante) o minério segue para os discos pelotizadores, onde se inicia Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.224 18 a formação das pelotas cruas. Ao serem descarregadas dos discos, as pelotas cruas passam por um processo de classificação nas mesas de rolos, sendo posteriormente reclassificadas na alimentação do forno de endurecimento. 6ª Etapa – processo de separação das pelotas e embarque para exportação: após a etapa de queima das pelotas, as mesmas passam por um conjunto de peneiras que separam as pelotas. As pelotas são empilhadas no pátio e posteriormente recuperada para o embarque. 3. À concepção de planta integrada: · Possui um processo de produção integrado, da mina ao porto, que garante alta eficiência produtiva e baixos custos operacionais; · A planta demonstra que a Samarco foi concebida para ser não somente uma empresa de mineração, mas uma empresa que extrai o minério, passando este por um processo produtivo que agrega valor ao produto, uma empresa exportadora – o que justifica o processo produtivo ser integrado – de Minas Gerais (onde está a matéria prima) ao Espírito Santo (onde se encontra o porto); · A integração das plantas de MG e do ES busca maximizar o processo produtivo, agregar valor ao minério e deixar o produto pronto para ser exportado; · A existência de atividades portuárias visa exatamente dar cabo da última etapa de sua concepção de sua atividade: a exportação. Descritas todas as etapas de produção e justificação da adoção da planta para observância do objeto social da Samarco, passa a discorrer sobre o conceito de insumos. O que, quanto a esse tema, traz a recorrente que: · O texto constitucional não trouxe qualquer condicionante para aplicação da não cumulatividade; · Mesmo que se aceite as limitações constantes nos textos legais, o conceito de insumo não poderia ser amesquinhado com a analogia ao IPI, posto que as contribuições têm espectro amplo; Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.225 19 · A Fiscalização desconsiderou o conceito restritivo trazido pela própria RFB. Com efeito, traz que com o advento da EC 42/2003, a faceta exclusiva da não cumulatividade aos tributos plurifásicos foi modificada, tendo sido acrescentado o parágrafo 12 ao art. 195 da CF/88: “Art. 195(...) § 12 A Lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b, e IV do caput serão não cumulativas.” Aduz que o § 12 do art. 195 da CF, não obstante tenha deixado ao alvedrio do legislador ordinário definir quais seriam os setores abrangidos pela não cumulatividade, nada dispôs sobre os contornos desta sistemática não cumulativa imposta (extensão e efeitos do creditamento), sendo certo que a definição da não cumulatividade aplicável defluiria da própria natureza do fato imponível destas contribuições, em muito divergente da materialidade dos demais tributos não cumulativos. Em face da amplitude da materialidade dos tributos incidentes sobre a receita, desenvolve a recorrente que o cumprimento da não cumulatividade deveria necessariamente partir da premissa de que a efetiva depuração da base de cálculo das contribuições ocorre tão somente quando creditadas todas as despesas incorridas para a formação da receita, sempre que tais despesas forem efetivamente suportadas pelo contribuinte e se mostrarem necessárias à atividade produtiva do contribuinte. Assim, define a recorrente que certo é que a Constituição não outorgou poderes ao legislador infraconstitucional para definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, conclui que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte. Sempre que estas se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Neste sentido, a recorrente destaca o duplo caráter da essencialidade discutida de natureza ontológica e jurídica. Traz ainda: Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.226 20 · as premissas que devem ser fixadas para a análise da repercussão da não cumulatividade sobre a apuração da base tributável do PIS e a COFINS; · que a não cumulatividade estabelecida para o PIS e a COFINS possui suas bases nos art. 195 e foi instituída de forma ampla, visando o afastamento da sobreposição tributária; · que, assim, a observância ao preceito da não cumulatividade deve levar em consideração a própria natureza do fato gerador da obrigação tributária e a amplitude da base de incidência econômica de modo a possibilitar a efetiva depuração de base, afastando a incidência em cascata da tributação, premissa maior da adoção da sistemática não cumulativa em qualquer espécie tributária; o que, portanto, devese reconhecer a possibilidade de creditamento de todas as despesas que se mostrem necessárias à atividade produtiva do contribuinte e que tenham constituído receita de outras pessoas jurídicas em razão do produto ou serviços adquiridos, evitandose a sobreposição tributária; · a impossibilidade de se aplicar, por analogia, as regras atinentes à não cumulatividade dos demais tributos plurifásicos (IPI e ICMS) ao regime de não cumulatividade imposto pela CF ao PIS e a COFINS – o que afasta a possibilidade de se restringir o direito de creditamento ao que, na sistemática dos impostos, denominase crédito físico, pois as despesas que afetam a receita tributável do contribuinte não necessariamente se relacionam ou integram o produto final no processo produtivo; · as disposições das Leis 10.637/02 e 10.833/03 regulam a sistemática do creditamento do PIS e da COFINS; Não obstante a posterior constitucionalização da não cumulatividade atrelada as contribuições e a amplitude do alcance do texto constitucional, a RFB passou a adotar uma interpretação restritiva das legislações, entendendo que o conceito de insumos deveria buscar o conceito do IPI; · O que, enfatiza que, de acordo com a RFB, a CF teria conferido a lei ordinária poderes para delimitar os contornos de uma não cumulatividade que a própria CF não limitou. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.227 21 Dessa forma, conclui a recorrente que se torna necessário afastar qualquer espécie de interpretação que vislumbre o estabelecimento de critério restritivo para apuração de créditos e extensivo para apuração da base de cálculo das contribuições, pelo que, em face da elevação da não cumulatividade do PIS e da Cofins à esfera constitucional, não restam dúvidas de que o rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, possui caráter meramente exemplificativo, sendo restritivas apenas as vedações expressamente estabelecidas por lei. Continuando, manifesta que houve equívocos cometidos pela Fiscalização quanto ao conceito de insumos, em relação a glosa de produtos que participam do processo produtivo da Empresa, tendo em vista que adotando um critério mais restritivo a fiscalização tomou como base uma planilha informativa, na qual constavam dois questionamentos – quais sejam, se o produto é desgastado no processo produtivo e se tinha contato físico com o minério e sempre que a resposta à última coluna (contato físico com o produto) fosse “não”, glosava o crédito. Assim, traz que a fiscalização ignorou que nessa mesma planilha também constava expressamente a pergunta “usa no processo”. Dos produtos utilizados no processo produtivo Para a recorrente, os créditos de combustíveis já foram restabelecidos pela decisão da DRJ na fundamentação, pois seguindo o entendimento fiscal, deveriam ter sido glosados somente os lubrificantes que não participassem do processo produtivo – o que não foi feito, pois os lubrificantes que muito embora participassem do processo produtivo não entravam em contato direto com o minério, foram glosados pela fiscalização, mas mantidos pela DRJ. O que, entende a recorrente que merece ser restabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência fiscal consoante entendimento administrativo sobre o assunto e, acima de tudo, em respeito a assentada decisão. Para tanto, cita alguns produtos glosados pela Fiscalização e que são diretamente utilizados no processo produtivo, tais como: Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.228 22 · Soda Caustica líquida – insumo utilizado para regular o pH do minério e para gelatinizar o amido; · MONOAMINA – coletor utilizado no processo de flotação para separar as partículas minerais de seus contaminantes (sílica). Do combustível utilizado nos caminhões fora de estrada Para o pedido de consideração desses combustíveis para fins de creditamento das r. contribuições, argumenta a recorrente que este CARF acata os insumos imprescindíveis ao processo produtivo, mas a fiscalização glosou créditos de gases e combustíveis que a empresa utiliza nos fornos. Etapa primordial e nuclear de seu processo produtivo na pelotização do minério e, que, por sua vez, foi considerado como gerador de crédito pela DRJ ainda que não seja aplicado diretamente no produto, mas nos fornos que são utilizados na produção do minério. Dos serviços utilizados como insumos Quanto aos créditos sobre serviços utilizados como insumos, manifesta a recorrente que a fiscalização glosou serviços essenciais e intrinsecamente ligados à atividade produtiva da empresa, tais como: · Serviços prestados no mineroduto; · Aluguel de veículos; · Locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários; · Serviço de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; · Serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; · Consorcio UHE GuilmanAmorim, operação, Manutenção e Conservação UHE Muniz Freire; · Obras de Construção Civil. Contesta, portanto, os serviços glosados, trazendo defesa para cada serviço. O que passo a discorrer: Fl. 1228DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.229 23 Do Serviços prestados no mineroduto Menciona a recorrente que o processo produtivo iniciase em Germano e finaliza com a exportação das pelotas de minério de ferro em UBU, sendo: · a extração de minério e a remoção de material estéril realizadas utilizando frota de equipamentos móveis de grande porte, aliada ao uso de sistema de correias transportadoras; · a polpa de minério concentrado transportada da unidade de Germano até a unidade de UBU pelos minerodutos; · quando a polpa chega a UBU, no município de Anchieta, começa a etapa da pelotização; · Posteriormente, os produtos são exportados. Descreve a recorrente que a fiscalização entendeu que todos os insumos e serviços alocados no centro de custo do mineroduto não podem gerar o direito ao creditamento, pois os atos normativos impõem como requisito indispensável para ser considerado como insumo que o bem ou serviço seja aplicado ou consumido diretamente na produção ou fabricação de bens destinados a venda. Do aluguel de veículos equipamentos Especificamente a essa questão, ao citar o art. 3º, IV das Leis 10.637/02 e 10.833/03, a Fiscalização entende que o dispositivo não citou aluguel de veículos, o que conclui que a intenção do legislador era outorgar o direito a tal crédito. Não obstante, observa que a empresa não toma o crédito com o transporte de pessoas, mas apenas a locação de equipamentos. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade, afirmando que, muito embora a locação tenha sido de máquinas e equipamentos, e não aluguel de veículos, não restou comprovado que os equipamentos são diretamente empregados no seu processo produtivo. Quanto à locação de dragas, locação de reboque, serviço de rebocador, serviços portuários, a recorrente traz a mesma literalidade do item anterior, posto que as leis Fl. 1229DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.230 24 10.637/02 e 10.833/03, em seu art. 3º, inciso IV autorizam o creditamento dos valores de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa. Traz que não se mencionam processo produtivo, insumos, nada disso. O único critério é que os prédios, as máquinas e os equipamentos locados sejam aplicados nas atividades da empresa. Aduz que a decisão da DRJ afastase da literalidade da lei na medida em que insistente que as atividades glosadas não servem à extração/industrialização do minério, mas seriam somente de transporte. A premissa trazida pela DRJ se traduz que muito embora a atividade portuária esteja prevista no objeto social da empresa – o que caracterizaria os serviços e locações como atividade da empresa, a recorrente não demonstrou que tais atividades foram praticadas durante o período fiscalizado. Entende o fisco que somente é devido o crédito da contribuição para o PIS e da Cofins incidente sobre as despesas, caso os serviços tenham sido aplicados ou consumidos na prestação de serviços portuários. Continua: “ Essa condição, contudo, não foi comprovada, ou seja, não foram apresentados elementos capazes de afastar que as despesas incorridas foram empregadas na atividade de transporte e navegação no interior do porto ou nas atividades de escoagem do minério produzido pela própria empresa.” Quanto aos contratos de afretamento de embarcações, temse que há três espécies diferentes de contrato de afretamento: · Afretamento a casco nu: contrato de aluguel. O afretador recebe o navio e será responsável por providenciar tripulação, manutenção, abastecimento, etc. · Afretamento por viagem: o navio é contratado pelo afretador para uma única viagem, com destino e carga préestipulados. Todos os custos com tripulação, manutenção, abastecimento, correrão por conta do afretador; Fl. 1230DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.231 25 · Afretamento por tempo – nesse caso, o fretador disponibiliza do tempo. Assim como nos afretamento por viagem, os custos permanecem nas mãos do fretador; Quanto à locação de dragas, a recorrente traz que além de serem utilizadas nas atividades do porto, atividade da empresa frente ao objeto que consta de seu objeto social, também é utilizada na mineração. Quando a locação de dragas foi feita no porto, traz a contribuinte que se trata de locação de equipamentos para uma atividade da empresa – sendo essencial ao processo produtivo e sua atividade. Quanto aos serviços de limpeza, descreve a recorrente que a fiscalização apenas trouxe que não se tratam de insumos, não esclarecendo o motivo para tal entendimento. Traz também que, apesar da nomenclatura dos serviços, não se tratam especificamente de serviços de limpeza com o intuito de manter a higiene do local do serviço, mas para reaproveitamento de resíduos e rejeitos. E que tal reaproveitamento foi comprovado através de laudo técnico preparado pela área responsável, explicitando passo a passo como se dá o reaproveitamento de rejeitos no sistema produtivo. Quanto ao pedido da recorrente, caso não fosse acatado tal prova, solicita a baixa dos autos em diligência ou a produção de prova pericial para que então se esclareça o teor de cada uma destas atividades. Quanto aos serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagem, análises e químicas, aduz a contribuinte que a fiscalização entende que se tratam de etapas posteriores ou anteriores ao processo produtivo e, por isso, a lei não assegura o creditamento. Fl. 1231DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.232 26 Porém, a DRJ reconhece a imprescindibilidade dos serviços: “nenhum dos serviços aqui tratados, como ensaios químicos e análises minerológicas, (...) são empregados diretamente na produção do minério, embora não se possa negar a sua importância para o melhor desempenho dessa atividade.” A recorrente manifesta também, porém, que as análises físicas e químicas são realizadas ao longo do processo, pois sem a composição correta do produto em elaboração, o produto final estaria comprometido. Relativamente ao Tratamento de efluentes, traz que a despesa incorrida daria direito ao crédito, por conta de uma exigibilidade disposta em legislação ambiental. Quanto aos serviços e insumos utilizados na operação, manutenção e conservação das Usinas Hidrelétricas próprias, insurge que o relatório fiscal glosa parte das despesas com energia elétrica especialmente os insumos e serviços utilizados nas Usinas próprias da empresa, os custos com a transmissão e distribuição de energia. A DRJ quanto a transmissão de energia e sua distribuição entendeu pela procedência da manifestação de inconformidade, uma vez que a contratação do uso dos sistemas de transmissão e distribuição de energia é necessária para este tipo de consumidor e, nos termos da legislação setorial, obrigatória, as despesas realizadas a título de Encargo de Uso da Rede Elétrica (...) não podem ser dissociadas da energia propriamente dita, consumida na produção da empresa”. Concluiu a DRJ que “independentemente das despesas efetuadas com a transmissão de energia elétrica serem relativas à energia produzida pela contribuinte ou à energia adquirida de terceiros, são passíveis de creditamento, podendo ser descontadas da contribuição para o PIS ou da Cofins não cumulativa apurada”. Quanto aos insumos utilizados nas Usinas da empresa, entendeu a fiscalização que os serviços empregados na Usina dizem respeito à operação, manutenção, limpeza e conservação. Fl. 1232DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.233 27 Quanto às obras de construção civil, a recorrente menciona que, diferentemente do que seria de fato, a DRJ diz que a barragem não se confunde com a atividade de produção de minério, não podendo os serviços nela empregados serem considerados insumos. Quanto aos serviços glosados, tais como desassoreamento, manutenção mecânica, paradas de pátio, a recorrente traz que somente consta da manifestação de inconformidade que os serviços não estão intrinsecamente ligados ao processo produtivo da empresa. Sendo assim, em vista de todo o exposto e depreendendose da análise dos documentos acostados, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, bem como para fins de clarear o anoitecer do processo produtivo, serviços e produto que aqui transitam, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Intime a Recorrente a apresentar laudo de renomada instituição que descreva detalhadamente o seu processo produtivo, apontando a utilização dos insumos, despesas, custos ora glosados na produção do referido bem destinado à exportação, ou na prestação de serviços vinculados ao processo produtivo e ao seu objeto social; Considerando também que tal laudo deverá, entre outros: o demonstrar a função de cada bem que pretende o reconhecimento como insumo e o motivo pelo qual ele é indispensável ao processo produtivo; o esclarecer o teor de cada uma das atividades exercidas pela recorrente vinculando ao processo produtivo ou ao seu objeto social. · Cientifique a fiscalização para se manifestar sobre o resultado da diligência, se houver interesse e caso entenda ser necessário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para que, se assim desejar, apresente no prazo legal de 30 (trinta) dias, manifestação, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; Fl. 1233DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10680.901866/201223 Resolução nº 3202000.227 S3C2T2 Fl. 1.234 28 · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1234DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 16/06/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 10580.724309/2011-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
SIGILO BANCÁRIO.
O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL.
A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2).
Numero da decisão: 1301-001.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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O ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. A partir da edição da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONFISCO. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (SÚMULA CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 43 09 /2 01 1- 20 Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.245 2 Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.246 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2008, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada. Por bem sintetizar os fatos apurados e as razões de defesa trazidas pela autuada em sede de impugnação, reproduzo relato feito em primeira instância. [...] Consoante descrição dos fatos constante do Auto de Infração do IRPJ (fl. 05), foi efetuado o arbitramento do lucro, referente aos quatro trimestres do ano calendário de 2008, com base no art. 530, inciso III, do Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), tendo em vista que o contribuinte, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termos de Intimação em anexo, deixou de apresentálos. O lucro arbitrado foi determinado com base na receita bruta conhecida, representada pelos depósitos bancários cuja origem dos recursos utilizados o contribuinte, regularmente intimado, não logrou comprovar, conforme descrito no Temo de Intimação e Verificação Fiscal em anexo, parte integrante do Auto de Infração, tendo sido capitulados no enquadramento legal o art. 27, inciso I, e 42 da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996 e os art. 530, inciso III, 532 e 537, do RIR/1999. Em decorrência, foram efetuados os lançamentos de PIS, Cofins e CSLL, conforme Autos de Infração às fls. 11/35. O Termo de Intimação e Verificação Fiscal, às fls. 35 a 39, subscrito pela Autoridade Tributária, registrou os seguintes fatos: QUALIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – de acordo com as informações contidas na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), no anocalendário objeto da fiscalização (2008), o sujeito passivo desempenhou atividades técnicas relacionadas à engenharia e arquitetura. Adicionalmente, conforme informações contidas em seu Contrato Social e alterações, no referido anocalendário, o contribuinte atuou no ramo de assessoria, planejamento e execução de projetos nas áreas de saneamento básico, ambiental, serviços de limpeza pública, coleta, tratamento e disposição final de efluentes líquidos, além de prestar serviços de transporte de cargas e de passageiros e praticar comércio de sucatas ferrosas e resíduos industriais, dentre outras atividades descritas no Contrato Social consolidado, datado de 04/12/2008, registrado em 17/12/2008 (cópia do documento juntada ao processo administrativo fiscal); Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.247 4 – a DIPJ apresentada, referente ao anocalendário de 2008, exercício de 2009, embora tenha sido entregue zerada, sem nenhum valor declarado, informou que o sujeito passivo optou pelo Lucro Presumido como forma de tributação do IRPJ e o regime de caixa como regime de reconhecimento das receitas; DESCRIÇÃO DOS FATOS HISTÓRICO – o Contribuinte foi intimado, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal lavrado em 14/01/2011, a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, os livros Razão e Diário, ou livro Caixa; extratos bancários e cópia do contrato social e alterações; – esse Termo foi recepcionado no domicílio fiscal do Contribuinte, no dia 17/01/2011, conforme consta do respectivo Aviso de Recebimento (AR), porém sem atendimento no prazo legal estabelecido; – diante da ausência de reposta por parte do Contribuinte, e com esteio nas determinações constantes do art. 6º da lei Complementar nº 105 de 2001 e art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, foram expedidas as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) nº 05.1.01.002011000088, 05.1.01.002011000118, 05.1.01002011000100 e nº 05.1.01.002011000096 às instituições bancárias Banco do Brasil S/A, Banco Itaú S/A, Banco do Nordeste do Brasil S/A e HSBC Bank Brasil S/A – Banco Múltiplo, respectivamente, em 16/02/2011, o que se justificou como o único meio legal e possível para se dar andamento aos trabalhos de auditoria fiscal em curso; – diante da ausência de resposta do Sujeito Passivo, lavrouse Termo de Intimação Fiscal em 17/02/2011, por meio do qual foram requeridos novamente os livros Caixa ou Diário e Razão, bem como cópia do Contrato Social e Alterações posteriores. Para tanto, foi concedido o prazo de 5 (cinco) dias; – em 01/03/2011, em atendimento ao referido Termo de intimação, cuja ciência ocorreu em 21/02/2011, o Contribuinte formalizou documento solicitando a dilação do prazo para cumprimento do quanto requerido, em 20 (vinte) dias, tendo sido prontamente atendido, embora o Fisco entendesse que os livros contábeis e fiscais, em tese, já deveriam estar devidamente escriturados e à disposição da Autoridade Fazendária; – em decorrência de mais uma ausência de resposta, no prazo estabelecido, foi lavrado Termo de Reintimação Fiscal em 22/03/2011, cuja ciência se deu em 23/03/3011, tendo sido concedido mais um prazo de 5 (cinco) dias para que o contribuinte apresentasse os seus livros devidamente escriturados, além de cópia do Contrato social e alterações. Novamente o fiscalizado abstevese de atender; – em paralelo a tais tentativas de obter os documentos necessários ao andamento natural do procedimento de auditoriafiscal em curso, foi empreendido trabalho de análise dos extratos bancários fornecidos pelas instituições bancárias oficiadas, cuja conclusão foi formalizada no Termo de Solicitação de Esclarecimentos lavrado em 29/03/2011, cuja ciência ocorreu em 31/03/2011, por meio do qual o Sujeito Passivo foi intimado a, no prazo de 20 (vinte) dias, justificar/comprovar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, sendo anexada uma planilha com a relação dos créditos a comprovar, extraídos dos extratos bancários apresentados, após a devida conciliação dos valores. Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.248 5 Além disso, novamente, e pela 4ª vez, fora intimado a apresentar os livros Caixa ou Diário e Razão; – em 19/04/2011, no último dia do prazo para atendimento, o fiscalizado apresentou resposta em que informa que a sua escrita contábil encontrase extraviada e que, em função disso, achase impossibilitado de atender aos termos da referida intimação; INFRAÇÕES DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – em conformidade com o art. 42 da Li nº 9.430 de 1996 (transcrito), a infração decorreu da não comprovação pelo sujeito passivo, mesmo após regularmente intimado, da origem dos valores creditados nas suas contas bancárias, conforme anexo do Termo de Solicitação de Esclarecimentos, caracterizandose como omissão de receita; – tendo em vista a não manifestação do sujeito passivo, foi elaborado o demonstrativo denominado de Demonstrativo de Depósitos Bancários de Origem NãoComprovada Consolidação Mensal (AC 2008), no qual estão explicitados os valores creditados nas contas correntes do fiscalizado, cujas origens não foram comprovadas, totalizados mensalmente. Estes valores foram considerados como receitas auferidas quando creditados nas respectivas contas, conforme determina a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42; LUCRO ARBITRADO – conforme já mencionado neste relato, suportado pelos documentos acostados ao processo, o sujeito passivo foi intimado inúmeras vezes a apresentar seus livros contábeis ou o livro Caixa. Por três vezes não deu qualquer satisfação e, na última intimação, no último dia para atendimento, apresentou documento informando não possuir a escrita contábil e se declarando impossibilitado de atender aos termos da respectiva intimação, que também requereu a comprovação da origem dos créditos bancários relacionados, não restando alternativa à fiscalização a não ser a de promover o arbitramento do lucro do período, com fulcro no art. 530, inciso III, do RIR/1999 (transcrito); – tendo em vista a impossibilidade de identificação de qual atividade exercida pelo fiscalizado, dentro do rol descrito no item 2 do presente Termo, estaria relacionada com a omissão de receitas caracterizada no curso do procedimento fiscal, adotouse o coeficiente de 38,4% (coeficiente relacionado com prestação de serviços em geral), em consonância com o disposto no art. 24, § 1º, da Lei nº 9.249, de 1995 (transcrito); CSLL, PIS E COFINS EM APURAÇÃO REFLEXA – em decorrência da infração apurada no IRPJ, em apuração reflexa, foi constituído de ofício o PIS, a CSLL e a Cofins, de acordo com o disposto no art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995 (transcrito). Em 25/05/2011, a Contribuinte, por sua procuradora, devidamente constituída (instrumento de mandato à fl. 507), apresentou a impugnação de fls. 482 a 506, sob os argumentos a seguir: DOS FATOS Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.249 6 – a fiscalização, iniciada a partir de prova obtida por meio ilícito, através da quebra do sigilo bancário, pela via extrajudicial, passou dos limites, desrespeitando o direito à intimidade e sigilo de informações bancárias do Impetrante, constitucionalmente assegurado, relegando, integralmente, o entendimento doutrinário e jurisprudencial, sobretudo aquele exteriorizado pela Corte Superior, o STF, no sentido de que a matéria relativa ao sigilo de dados e operações financeiras (incluindose, uma vez acessado o seu conteúdo, a circulação das informações entre os órgãos da Administração para fins diversos daqueles para os quais foram originalmente obtidos), possui estatura constitucional inserta no rol das garantias individuais, de modo que a sua flexibilização excepcional, em se tratando da Administração Pública, inclusive tributária, só pode ocorrer mediante ordem judicial, em cada caso concreto e sempre devidamente fundamentada (cita doutrina); – a eliminação da participação do Poder Judiciário na apreciação da existência concreta de causa provável que legitime a medida excepcional da quebra do sigilo de informações, dados bancários e operações financeiras em favor da Administração Pública, importa em gravíssima vulneração de cláusulas pétreas, precisamente, o art. 5º, caput e incisos X, XII, XXXV, LIV e LV e ainda, o § 1º do art. 145, todos da Constituição Federal, que se propugna estancar com o acolhimento da presente ação direta de inconstitucionalidade; DO DIREITO DA PRELIMINAR DE NULIDADE – pugna pela nulidade do processo administrativo fiscal em lide, visto ser totalmente fundamentado em prova obtida por meio ilícito, através da quebra do seu sigilo bancário; – é sabido que a expressão “processo instaurado” possui o significado de processo judicial, em razão de estar o interesse do Fisco em pólo oposto ao do direito à privacidade e, para a resolução da questão, é necessária a “prévia autorização da autoridade judicial competente para que sejam franqueadas ao Poder Tributante as informações bancárias atinentes ao contribuinte”. Uma vez atropelado o entendimento do STF da necessidade de autorização judicial para obter informações bancárias, todo o lançamento baseado por meio ilícito deve ser considerado nulo; QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO – INCONSTITUCIONALIDADE – em que pese a importância da atividade fiscal, não se pode passar por cima do preceito constitucional do inciso XII do art. 5º da Constituição Federal, segundo o qual “é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal”; – a Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, em seus dispositivos, prevê a hipótese de as autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, examinarem livros e registros de instituições financeiras. Porém, esta previsão não tem força para afastar preceito constitucional, o que significa dizer que para o exercício desta prerrogativa, prevalece a necessidade de autorização judicial (cita jurisprudência); – o conteúdo da Lei Complementar nº 105/01 não autoriza à Administração Pública a invadir a base de dados, informações e operações financeiras das pessoas, Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.250 7 mas muito pior, promove por si só e de forma geral, rotineira, ininterrupta e irrestrita, a quebra automática do sigilo destes dados e informações, determinando às instituições financeiras que, independentemente de indícios, suspeitas ou qualquer outro fundamento, forneçam, periodicamente, o registro de todas as operações efetuadas pelos usuários de seus serviços, como de fato ocorreu com o Impetrante; – a consumação da violação à garantia da privacidade não se vincula, pois, a um ato a ser executado a posteriori consectário de mero permissivo legal. In casu, o próprio dispositivo legal ordena o descortino imediato de integralidade dos dados de todas as pessoas; – o § 4º desta famigerada Lei (transcrito) reforça essa assertiva ao frisar que é a partir do acesso incondicional e sem controle dos dados sigilosos dos usuários, que a autoridade administrativa verificará a possível existência de indícios de falhas , incorreções, ou de cometimento de ilícito fiscal; – deparase com uma inconcebível subversão de valores protegidos pelo Direito e pela vontade do legislador constituinte. Primeiro, o Estado viola o direito individual, para só depois apurar se existe alguma falha ou irregularidade que possa afetar a esfera de ação do Poder Público; – não se pretende querer obstar a atividade do Fisco, mas este não pode se furtar de dar cumprimento aos preceitos legais, mormente os insculpidos na Carta Magna, até porque a administração pública deve sempre voltarse para legalidade, que constitui sua condição de agir, segundo dispõe o caput do art. 37 da CF/88; – como a fiscalização que culminou no lançamento do débito teve como fundamento tais dispositivos legais, é possível a declaração de inconstitucionalidade incidenter tantun, haja vista os efeitos concretos e individuais que tais dispositivos legais podem ocasionar, com uma constrição vultuosa em seu patrimônio, que se consubstanciará com a cobrança, inscrição no Cadin e na propositura de uma posterior execução fiscal; VIOLAÇÃO DA GARANTIA À LIBERDADE, À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA (ART. 5º, CAPUT E INCISO X) – já por diversas ocasiões, a mais Alta Corte manifestou convicção de ver o sigilo de dados de operações financeiras como desdobramento do direito à privacidade assegurado no inciso X do art. 5º da Constituição Federal, que constitui ainda uma das formas de expressão da liberdade prestigiada no caput do citado artigo 5º, só é passível de flexibilização pela Administração Pública ou pelo Ministério Público através de ordem judicial (transcreve jurisprudência do STF e doutrina); – o sigilo de dados bancários e operações financeiras constituindo, pois, uma espécie de direito à intimidade, jamais admitiria ruptura sem a provocação do Judiciário e na forma incondicional proclamada nos dispositivos indicados da Lei Complementar 105/01, tanto mais quando se constata, repitase, que estes desencadeiam ato contínuo a quebra do sigilo, à margem de qualquer motivação, suspeita ou indícios, obrigando às instituições financeiras transmitir à Administração, periodicamente, a integralidade dos dados da vida bancária e financeira dos seus usuários; – é pacífico na doutrina e na jurisprudência que não existem direitos absolutos contra o interesse público. Todavia, o interesse público não pode ser confundido com o interesse da Fazenda Pública; Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.251 8 – o Estado, que na preservação do interesse público verdadeira pugna, precipuamente, pela observância erga omnes da inviolabilidade das garantias e dos direitos individuais, aqui aparece, ele mesmo, como agente violador, na pessoa da indigitada autoridade coatora (traz doutrina); – o § 1º, do art. 145, da Constituição Federal (transcrito) antepõe, expressamente, ao dever do Estado de fiscalizar, o respeito aos direitos e garantias individuais. Dessa forma, não se pode dispensar a demonstração de circunstâncias fundamentadas e concretas, em cada caso, que denotem um interesse público prevalente na devassa das operações financeiras das pessoas físicas ou jurídicas, nem tampouco dispensar que a presença efetiva desses elementos seja apreciada por um órgão terceiro, independente e autônomo, que é o judiciário; – com a vigência dos dispositivos guerreados, constantes da Lei Complementar 105/01, foi que a autoridade coatora violou o direito de intimidade do impetrante, consubstanciado em suas informações bancárias e financeiras devassadas à margem e fundamentação, suspeita ou indício, constituindo assim crédito tributário contra o mesmo, razão pela qual insurgese o impugnante contra tais dispositivos; – a infringência do ato praticado pela autoridade coatora, tomando como fundamento os dispositivos da LC 105/01, ao inciso X do art. 5º da C. F. exsurge, enfim, de modo cristalino e indubitável; VIOLAÇÃO DA GARANTIA AO SIGILO DE DADOS (ART. 5º, INCISO XII DA CF/88) – acresçase à violação antes explanada, de fato impetrada, o desrespeito a um dos requisitos expressamente impostos pelo inciso XII do art. 5º da CF/88 (transcrito) para permitir e legitimar a violação de dados da pessoa: a Ordem Judicial (cita jurisprudência do STF e doutrina); – de tudo isso, resulta que o direito individual ao sigilo de dados reservados da vida financeira e bancária das pessoas nem sempre pode se opor ao interesse público, mas sua quebra só pode advir de determinação judicial, estampando, em decorrência, a inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei Complementar nº 105/01 relacionados, por afronta ao inciso XII do art. 5º (cita jurisprudência do STF e doutrina); – no processo fiscal em curso, a quebra do sigilo não foi fundamentalmente deferida em requerimento específico, dirigido ao Poder Judiciário, como prevê a garantia constitucional, razão pela qual tornase imperioso o trancamento de toda a ação fiscal e nulidade do lançamento por ela perpetrado, pois iniciado de forma ilegal, tomando por base prova obtida por meio ilícito (traz jurisprudência); OS DIREITOS E GARANTIAS INDIVIDUAIS – se uma emenda constitucional, que na cadeia hierárquica encontrase abaixo apenas da Constituição Federal, não pode deliberar sobre as garantias e direitos fundamentais, nunca poderia um ato normativo de nível legal anular a garantia constitucional ao sigilo bancário, como de fato o fez a indigitada Lei, que chegou ao ponto de praticamente extinguir, pasme, uma garantia constitucional, se interpretada nos ditames estritos dos arreios que quer o Fisco; – neste sentido é que a melhor interpretação é aquela que não exclui a autorização judicial para se proceder a quebra do sigilo bancário, como de fato vem Fl. 1251DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.252 9 fazendo os Tribunais do País, conforme demonstrado nos multicitados acórdãos (transcreve jurisprudência e doutrina); VIOLAÇÃO À GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO LEGAL, DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA (ART. 5º INCISOS LIV E LV) – a quebra automática do sigilo de dados de operações financeiras despida de justa causa, sequer da existência de indícios ou suspeita, e sem que tenha sido instaurado o devido processo legal, sobretudo sem que a pessoa tenha tido oportunidade de formular defesa ou recurso, efetivada na fiscalização ora guerreada, que culminou no lançamento de débito contra o Impetrante, consubstancia ato de privação de algumas das formas de liberdade das pessoas: direito à privacidade, intimidade e ao sigilo de dados, as quais para serem afastadas, anuncia o legislador constitucional, só mediante o devido processo legal, com observância do contraditório e da ampla defesa, garantias constantes do inciso LIV e LV do art. 5º da C. F.; DO MÉRITO DO LUCRO ARBITRADO – a legislação tributária permite o arbitramento do lucro quando a escrituração contábil da pessoa jurídica apresentarse inútil para os fins de apuração do lucro real. Havendo omissão do sujeito passivo, irregularidade nas declarações, ou documentos utilizados para o cálculo do tributo, o lucro deve ser arbitrado, como se verifica no artigo 530, III, do RIR/1999; – ainda que o sujeito passivo deixe de realizar atividades operacionais, não pode o Fisco unilateralmente ignorar o objeto social da pessoa jurídica para considerar receitas não operacionais como se operacionais fossem; – se observadas as atividades constantes no contrato social, corretamente descritas no item 02 do termo de fiscalização e verificação fiscal, o lucro arbitrado apurado pelo Fisco não resultaria da aplicação de uma alíquota (38,4%) sobre todas as receitas, claro está que no cálculo supra citado o lucro arbitrado é muito maior, pois corresponde ao total daquelas receitas sem considerar a alíquota correta nem as despesas; MULTAS E A PROIBIÇÃO CONSTITUCIONAL DO CONFISCO – a multa no processo em tela é um confisco, e como tal é repudiada pelo inciso IV do art. 150, da Constituição Federal (cita doutrina e jurisprudência); Estão anexados à impugnação os seguintes documentos: notas fiscais e contratos de serviços prestados no período fiscalizado; Contrato Social e última alteração; Procuração; documentos de identificação dos sócios responsáveis e da procuradora. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Salvador, Bahia, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 1530.185, de 21 de março de 2012, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: NULIDADE. Fl. 1252DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.253 10 Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que regem o Processo Administrativo Fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de questionamentos relacionados à ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram receitas omitidas os valores correspondentes aos valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. Correta a tributação com base no lucro arbitrado, tendo em vista que a Contribuinte regularmente intimada não apresentou os livros contábeis e fiscais solicitados pela Autoridade Fiscal. ARBITRAMENTO. BASE DE CÁLCULO. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação do coeficiente previsto em lei, em função da atividade, acrescido de vinte por cento, e em se tratando de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado. LANÇAMENTOS DECORRENTES Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Em se tratando de tributação decorrente, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que todas as exigências tiveram o mesmo suporte fático. MULTA DE OFÍCIO. Nos caso de lançamento de ofício, é cabível a aplicação da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 1.210/1.230, por meio do qual renovou a argumentação expendida na peça impugnatória. O presente processo teve o julgamento da lide nele tratada sobrestado, em obediência às disposições dos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno (Anexo II), conforme Despacho de fls. 1.237/1.243. Fl. 1253DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.254 11 Entretanto, em virtude da edição da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou tais dispositivos, desapareceu o motivo que impedia a apreciação da controvérsia. É o Relatório. Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.255 12 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuida o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos, relativas ao anocalendário de 2008, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada. Os lançamentos tributários referentes ao IRPJ e à CSLL foram efetuados com base no lucro arbitrado, vez que a contribuinte, embora reiteradamente intimada, não apresentou os livros de escrituração obrigatória. A Turma Julgadora de primeira instância, apreciando a impugnação interposta pela contribuinte autuada, manteve parcialmente as exigências tributárias relativas ao IRPJ e à CSLL, em virtude de ter constatado a existência de nota fiscal relativa à venda de mercadoria, circunstância que exige a aplicação dos percentuais de 9,6% (IRPJ) e 12% (CSLL) para fins de determinação da base arbitrada. O montante de crédito tributário exonerado em primeira instância não ultrapassou o limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008, motivo pelo qual não houve interposição de recurso de ofício. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente, renovando os argumentos expendidos na peça impugnatória, apresenta extensas considerações acerca da nulidade do procedimento fiscal, pois, para ela, ele foi fundado em provas ilícitas. Nessa linha, adita argumentos no sentido de que, no caso, houve “atropelamento” do entendimento do Supremo Tribunal Federal, que, em apreciação de Recurso Extraordinário, afastou a possibilidade de a Receita Federal ter acesso a dados bancários dos contribuintes. Sustenta que, em razão do disposto no art. 62 do seu Regimento Interno, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pode aplicar decisões do plenário do Supremo Tribunal Federal que considerem normas inconstitucionais. Adiante, afirma que “a tributação oriunda da quebra do sigilo bancário nada mais é do que tributação por presunção júris tantum, que por ser relativa poderá ser objeto de prova em contrário”. Reproduzindo pronunciamentos do Poder Judiciário, ataca a Lei Complementar nº 105, de 2001, e traz argumentos acerca da violação de preceitos constitucionais. De início, não merece acolhimento a alegação da Recorrente acerca da possibilidade de este Colegiado, amparado nas disposições do art. 62 do seu Regimento Interno (anexo II), aplicar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca da possibilidade de a Administração Tributária acessar a movimentação bancária dos contribuintes, eis que inexiste decisão definitiva da referida corte sobre tal questão. Não devem ser recepcionadas, também, considerações trazidas pela autuada sobre eventuais inconstitucionalidades de leis tributárias, vez que, nos termos da súmula nº 2, “o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.256 13 Não assiste razão à Recorrente, também, quando afirma que o acesso às informações bancárias por parte da administração tributária dependeria de autorização judicial. Com efeito, não há que se falar em ilicitude na apuração do tributo com base em extratos bancários fornecidos por instituição financeira em atendimento à requisição específica, que atendeu aos mandamentos legais pertinentes, pois se trata, apenas, da utilização de novo meio de fiscalização. Os atos praticados pela Fiscalização no sentido de acessar a movimentação bancária da Recorrente, encontramse expressamente autorizados pelo artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, sendo, portanto, equivocado o entendimento de que as autoridades fiscais somente poderiam ter acesso à movimentação bancária dos contribuintes com base em autorização judicial. Esclareçase, por relevante, que o citado art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, foi regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, que, estabelecendo requisitos a serem observados pela autoridade fiscal, resguarda o sigilo das informações recepcionadas. É certo, pois, que o ordenamento jurídico vigente autoriza a Administração Tributária, observados os requisitos legais que disciplinam a matéria (Lei Complementar nº 105, de 2001, e Decreto nº 3.724, também de 2001), acessar e usar as informações referentes a operações e serviços das instituições financeiras. Portanto, aqui, não identificamos violação a dispositivo de lei capaz de contaminar os feitos fiscais. Penso que seja importante destacar que, no caso de utilização de informações colhidas junto às instituições financeiras, revelase impróprio falar em “quebra de sigilo”, visto que o que efetivamente ocorre é a transferência e a alteração da natureza do sigilo. Enquanto mantidas sob a guarda das instituições financeiras, as informações encontramse abrigadas pelo apropriadamente denominado sigilo bancário. Ao serem transferidas, com base na lei, para a Administração Tributária, referidas informações continuam protegidas por sigilo, só que, a parti daí, pelo chamado sigilo fiscal. A consideração acima é facilmente extraída da Lei Complementar nº 105, de 2001, senão vejamos: LEI COMPLEMENTAR Nº 105, DE 10 DE JANEIRO DE 2001. Dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras e dá outras providências. [...] Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. [...] § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.257 14 Vêse, assim, que revelase inadequado dizer que estamos diante de QUEBRA DE SIGILO nas situações em que Administração Tributária acessa a movimentação bancária do contribuinte. Tratase, na verdade, de mera transferência de sigilo (da instituição financeira para a Administração Tributária), que, do ponto de vista estritamente tributário, possibilita uma melhor visualização da capacidade contributiva do contribuinte, o que dá efetividade ao princípio constitucional insculpido no parágrafo 1º do art. 145 da Carta Constitucional e, sem sombra de dúvida, torna mais justa a tributação, eis que remove obstáculo incessantemente utilizado por aqueles que têm a intenção de “esconder” a sua verdadeira capacidade de contribuição. Não é demais anotar que, nos termos do disposto na norma regulamentadora da transferência de sigilo autorizada pela Lei Complementar nº 105 (Decreto nº 3.724, de 2001), o servidor que divulgar, revelar ou facilitar a divulgação ou revelação de qualquer informação sobre a movimentação financeira do contribuinte, com infração ao disposto no art. 198 do Código Tributário Nacional, ou no art. 116, inciso IX da Lei nº 8.112, de 1991, ficará sujeito à penalidade de demissão, sem prejuízo das sanções civis e penais cabíveis. Correta a assertiva da Recorrente de que a tributação que tem por suporte a movimentação bancária do contribuinte é de natureza relativa (júris tantum), isto é, admite prova em contrário. Contudo, no caso vertente, embora reiteradamente intimada a fazêlo, ela não aportou ao processo documentos hábeis e idôneos capazes de elidir a aplicação da citada presunção. Como é cediço, o lançamento efetuado com base em depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos, tem amparo em norma legal. O art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.258 15 somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Tratase, assim, de presunção prevista em lei, em que cabe ao contribuinte trazer aos autos elementos capazes de impedir a sua aplicação, providência que, é bom que se ressalte, não foi adotada integralmente pela Recorrente. A Recorrente também apresenta alegações acerca do arbitramento do lucro. Nesse diapasão, sustenta que, uma vez observadas as atividades constantes no contrato social, o lucro arbitrado pela autoridade autuante não resultaria da aplicação de uma “alíquota” de 38,40% sobre todas as receitas. Diz que, no caso, não foi considerada a “alíquota” correta e também não foram levadas em conta as despesas. Equivocase a Recorrente. A autoridade julgadora de primeira instância identificou uma única nota fiscal representativa da comercialização de mercadorias, e, em razão disso, reduziu o montante tributável, vez que fez incidir sobre a receita correspondente os percentuais de 9,6% (IRPJ) e 12% (CSLL), ao invés de 38,4% e 32% aplicados pela autoridade autuante. Na medida em que na peça recursal a contribuinte limitase a repisar a argumentação esposada na peça impugnatória, não vislumbro correção a ser feita na matéria tributável mantida em primeira instância. Enganase também a Recorrente ao afirmar que, na tributação objeto de questionamento, não foram levadas em conta as despesas eventualmente incorridas por ela, pois, como é cediço, no arbitramento, a base tributável (LUCRO ARBITRADO) resulta da aplicação de percentual sobre a receita conhecida (IRPJ e CSLL), restando claro, portanto, que o montante submetido à incidência tributária representa apenas parcela das receitas auferidas, sendo a outra parte (a não tributada) considerada como representativa de custos e despesas incorridos. À evidência, descabe falar em cômputo de despesas na tributação do PIS e da COFINS. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10580.724309/201120 Acórdão n.º 1301001.426 S1C3T1 Fl. 1.259 16 Por fim, a Recorrente contesta a multa de ofício aplicada. Alega que restou caracterizado o confisco, sendo que tal prática é repudiada pelo inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Como já dito, nos termos do disposto na súmula CARF nº 2, abaixo transcrita, este Colegiado não tem competência para apreciar supostas inconstitucionalidades. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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