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Numero do processo: 13819.004290/2002-68
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2001
Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA
FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo
pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras
Informações".
Numero da decisão: 1802-000.355
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Ester Marques Lins de Sousa
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2001 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras Informações".
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA• ••. . •••• CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • . PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13819.004290/2002-68 Recurso n° 168.538 Voluntário 1 Acórdão n° 1802-00355 — r Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2010 Matéria IRPJ ; Recorrente MORGANITE BRASIL LTDA Recorrida 4a.Turtna/DRI/Campinas/SP Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2001 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — NOVA FORMALIZAÇÃO DO PEDIDO - Desnecessária a formalização de novo pedido de compensação quando o formulário apresentado evidencia os dados da incorporada independente do preenchimento do campo "Outras Informações". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ESTERtIiRQUES LINS D -44 I A — Presid- - e Relatora. EDITADO EM: MiÀ R 201, Participaram da sessão de gatnento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José 1 Oliveira Ferraz Corrêa, Natanael Vieira dos Santos (Suplente Convocado), Nelso Ki • - (Suplente Convocado), Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianco (Vice Presidente da Turma). Ausente justificadarnente o conselheiro Leonardo Lobo De Almeida. Processo n°13819.004290/2002-68 51-TE02 Acórdão n.° 1802-00.355 Fl. 2 Relatório Em 14/11/2002, a interessada protocolizou Declaração de Compensação (fl. 01/02), objetivando compensar crédito de saldo negativo de IRPJ dos anos calendário de 1998, 1999 e 2001 no valor de RS 105.041,18, com vistas à quitação de débitos de sua responsabilidade. Em 22/08/2007, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo exarou o Despacho Decisório de fls. 89/91, indeferindo o pedido da interessada e não homologando a compensação declarada, sob as alegações seguintes: 1) para o ano calendário de 1998 não há saldo negativo declarado de IRPJ (17s.47/54); 2) para o ano calendário de 1999 também não havia saldo negativo de IRRI quando da protocolização deste pedido (/ls.55/62), já em declaração reuficadora transmitida em 27/01/2004 (11s.63/70), o interessado apurou um saldo negativo de IRPJ de R$ 249.466,89, porém este valor foi inteiramente utilizado em compensações no processo administrativo n° 13819.003213/2002-91, o qual foi indeferido pelo SEORT desta DRF através do despacho decisório n° 099, de 15 de março de 2007 (fls.77/88) e cuja manifestação de inconformidade encontra-se em análise na DRJ de Campinas, ficando assim, impossível a análise do pleito deste período em dois processos administrativos. 3) para o ano calendário de 2001 temos a mesma situação do item 1, não há saldo negativo declarado de IRPJ (lis. 71/76). Cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade explicando que referidos saldos negativos provêm da incorporada, Morganite Cadinhos e Refratários Ltda. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DAI/Campinas/SP) proferiu decisão negando a solicitação do pleito, pelos seguintes motivos: 1) Da análise dos documentos em sede de primeira instância constatou a autoridade julgadora à fl.363-v, que da Declaração de Compensação apresentada (fl6.01/02), não observou o preenchimento correto, equivocando-se, na defesa, ao dizer da não existência de campo próprio, no formulário aprovado, para indicação dos créditos advindos de eventual incorporação. Que devem ser informados os dados da pessoa jurídica titular do crédito apontado, existindo campo específico para a indicação do CNPJ referente ao débito a ser compensado, nos casos de incorporação. 2) Consta da decisão recorrida que, o preenchimento da Declaração de Compensação, como implementado, permite concluir que o saldo negativo apontado como origem do crédito a ser utilizado em compensação é da própria contribuinte, e não da incorporada como alega a defesa. Concluiu afinal que o erro cometido não é mais passível de reparação, após a decisão da autoridade preparadora, no caso, DRF/São Bernardo do Campo, consistindo por ora da defesa ? apresentada novo pedido, sujeito a apresentação de nova declaração de compensação, para nova análise pelo Delegado da Receita Federal de jurisdição da interessada, haja vista a competência originária para sua apreciação, conforme previsto na legislação vigente. 2 Processo.? 13819.004290/200248 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.355 Fl. 3 A empresa foi cientificada da decisão prolatada mediante o Acórdão n° 05-23.064 de 01/09/2008, fls. 362/364, conforme o Aviso de Recebimento (AR), fl.367, em 24/09/2008, e, interpôs recurso ao Conselho de Contribuintes em 06/10/2008 (fls.361/382). Preliminarmente, fls.370/372, a recorrente insurge-se contra a cobrança dos débitos não compensados, por entender ser obrigatória a formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, a teor do art.142 do CTN, nos casos em que não homologada a compensação. Em seguida ratifica serem os créditos (saldos negativos dos anos calendário de 1998, 1999 e 2001) originados da empresa Morganite Cadinhos incorporada pela Recorrente em 23/08/2001, que, em razão do art.132 do CTN passaram a ser de sua propriedade. Impõe-se contra as conclusões do despacho decisório que se limitou a analisar as DIPJ da Recorrente, desconsiderando as DIPJ da Morganite Cadinhos (incorporada). Discorda das posições firmadas na decisão recorrida, afirmando seu direito na qualidade de sucessora e, ainda que se admita equivoco no preenchimento do formulário de compensação, alega que a realidade dos fatos deve prevalecer sobre meros equívocos, já que os créditos da Morganite Cadinhos passaram a ser de titularidade da recorrente. Sobre os procedimentos para a elaboração da Declaração de Compensação, alega a Recorrente que, a despeito de o CNPJ e a razão social da Morganite Cadinhos não terem sido indicados no item 4, coluna "outras informações" da declaração, tais informações foram indicadas em campo diverso (item 1 do anexo "Saldo Negativo de IRPJ e CSLL"), o que permite a conclusão de que os créditos compensados tiveram origem na Morganite Cadinhos. E ainda, que, se considere um erro formal a não indicação do CNPJ, conforme acima mencionado, os documentos nós 6 a 13, discriminados à fl.379, "afastam qualquer dúvida sobre a realidade dos fatos. Por último, diz que os registros contábeis da recorrente e da incorporada (Morganie Cadinhos), fazem prova em seu favor e, finalmente requer seja o recurso voluntário integramente provido, para também cancelar a cobrança inclusive os juros e a multa aplicados. É o relatório. 3 Processo n°13819004290/2002-68 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00355 Fl. 4 3/43203 Conselheira ESTER MARQUES UNS DE SOUSA, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes no Decreto n°70.235/1972. Dele conheço. O litígio decorre da decisão administrativa que indeferiu o direito creditório a que alude o interessado, e, por conseqüência a não homologação da compensação pleiteada à f1.01. Quanto a preliminar suscitada pela recorrente ao se insurgir contra a cobrança dos débitos não compensados, por entender ser obrigatória a formalização do crédito por meio de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, a questão se resolve sob o manto do § do art.74 da Lei n°9430/96, que assim dispõe: "Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(1ncluido pela Lei n°10.833, de 2003)". Assim, no caso de débitos confessados, em instrumentos próprios (DCTF), desnecessário se faz o lançamento de oficio desses mesmos débitos, e, a cobrança será efetuada de acordo com a legislação tributária que determina os acréscimos legais, salvo se houver manifestação de inconformidade que suspende a exigibilidade dos créditos tributários. Portanto não merece acolhida aos argumentos da recorrente. Sobre a Declaração de Compensação em comento, o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 que dispõe sobre a restituição e compensação de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, prescreve no § 14 que compete à Secretaria da Receita Federal disciplinar o disposto neste artigo, de modo que ao dispor sobre os formulários mediante os quais o interessado formulará o seu pleito cabe ao mesmo utilizá-los como estabelecido nos atos normativos expedidos pela Receita Federal. Considerado que não tendo o interessado preenchido corretamente a Declaração de Compensação (fi.01/02), a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo, órgão competente para se manifestar sobre o pleito, analisou tal documento à luz das informações efetuadas pelo interessado, ou seja verificou a situação da empresa requerente sem a analise dos saldos negativos da incorporada, fato somente conhecido por ocasião da manifestação de inconformidade. Não se discutiu nos autos, ser ou não ser a recorrente sucessora dos créditos pleiteados. No que tange ao aspecto formal, entendo desnecessário o novo pedido tendo em vista que o formulário (f1.02) evidencia na quadrícula n° 1, os dados da incorporadora e incorporada para que assim, a Delegacia da Receita Federal de São Bernardo do Campo pudesse efetivamente analisar a Declaração de Compensação independente do preenchimento do campo "Outras Informações". 4 Processo n° 13819.004290/2002-68 51-1t02 Acórdão n.° 1802-00355 Fl. 5 Assim, verifica-se que aliado aos esclarecimentos prestados, a autoridade preparadora deverá analisar a Declaração de Compensação (f1.01/02) à luz da documentação juntada aos autos, podendo se for o caso intimar a interessada a apresentar os documentos contábeis que entender necessários. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para que o Pedido de Compensação seja apreciado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de São Bernardo do Campo/SP, em respeito à competência originária, conforme disposto no § r do art.74 da Lei n°9430/96. 26 de janeiro de 2010 - - LRefatora ESTER MARQUES UNS DE SO)kA ,/ , a MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo : 13819.004290/2002-68 Recurso : 168538 Acórdão : 1802-00.355 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do artigo 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 259/2009), intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, a tomar ciência do inteiro ter do Acórdão n° 1802-00.355. Brasilia - DF, em 10 de março de 2010 ,/ o; e; aa-tó Ft aiier.." Secretári da Câmara da Primeira Seção 7 r CARF Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional , 1 1
score : 1.0
Numero do processo: 10930.903625/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 19/08/2005
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.595
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 19/08/2005 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 25 /2 01 2- 20 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.967, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903625/201220 Acórdão n.º 3402003.595 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004264/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECADÊNCIA. AFASTADA.
Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso - art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002.
IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1302-001.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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AFASTADA. Independentemente da regra decadencial aplicável ao caso art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. IRPJ SOBRE BASES ESTIMADAS. LANÇAMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 42 64 /2 00 7- 45 Fl. 659DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 2 . Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1617.876 da 4ª Turma da DRJ/SP1, o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. IRPJ SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. INEXISTÊNCIA DE DUPLO LANÇAMENTO. FUNDAMENTO DIFERENTE. Não há duplicidade de lançamento sobre o mesmo fato e o mesmo período se o fundamento da autuação e outro. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. IRPJ SOBRE O LUCRO INFLACIONÁRIO. Sendo o lançamento datado de 20/12/2007, decaiu o direito de lançar o IRPJ sobre o lucro inflacionário em relação aos meses anteriores a dezembro de 2002. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 INCENTIVO FISCAL. OPÇÃO POR MEIO DE DARF ESPECÍFICO. DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. SUBSCRIÇÃO VOLUNTÁRIA. EXCESSO DE APLICAÇÃO EM DETRIMENTO DO IMPOSTO. PERC NÃO APRESENTADO A falta da certidão negativa da PGFN permite atribuir plena validade as pendências fiscais apontadas pelos sistemas da RFB, que impedem a concessão do incentivo. TAXA SELIC. MULTA. Não compete a instância administrativa a discussão sobre a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da legislação tributária, inclusive no tocante a juros de mora e multa de ofício. Não foram lançados juros sobre a multa de ofício. Lançamento Procedente em Parte”. Quanto ao recurso de ofício, vale a transcrição dos seguintes trechos do relatório e voto do acórdão recorrido: O interessado foi autuado no IRPJ, em 20/12/2007, em conformidade com o Decreto n.° 70.235/72 e suas alterações, tendo sido exigido o crédito tributário total de R$ 13.420.183,10, incluindo imposto, multa de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2007, com base no art. 601, § 7° do RIR/99, art. 27 alinea "c", da Lei n.° 8.036/90, art. 13, § 7°, da MP n.° 2.058/2000 e reedições, art. 60 da Lei n.° 9.069/95, art. 44 da Lei n.° 9.430/96 e art. 4°, §§ 6° e 7° da Lei n.° 9.532/97, por excesso de aplicação em fundo de investimento incentivado em detrimento do imposto, em vista de ter sido considerada subscrição voluntária a diferença de R$ 5.337.542,50 entre o total de R$ Fl. 660DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 660 3 11.325.734,40 recolhido por meio DARF's específicos (codigo 9032) e o valor do saldo negativo, de RS 5.988.191,90 (fls. l a 63). O Termo de Constatação da conta de que o procedimento fiscal decorre de auditoria de revisão da declaração do anocalendário 2002, conforme processo em apenso de n.° 16143.000335/200718, de fls. 1 a 71, na qual foram apuradas pendências fiscais, de forma que o incentivo pleiteado não foi reconhecido com base no art. 60 da Lei n. 9.069/95 e no art. 27, alinea "c" da Lei n.° 8.036/1990 (fls. 2 e 3). O processo em apenso de n.° 16143.000335/200718 detalha pendências a fl. 25. O auto de infração consta a fls. 57 a 63. (...) O lançamento foi efetuado em 20/12/2007, de forma que a Fazenda decaiu do direito de lancar em relação ao período de 11/2002 e anteriores, devendo ser exonerada essa parte do lançamento. Preliminar deferida. (...) Portanto, VOTO pela manutencao do lancamento referente ao mes de dezembro, conforme o demonstrative a seguir. EXIGIDO EXONERADO MANTIDO PRINCIPAL MULTA PRINCIPAL MULTA PRINCIPAL MULTA 5.337.542,50 4.003.156,87 4.393.731,30 3.295.298,47 943.811.20 707.858,40 A recorrente, cientificada do Acórdão nº 1617.876, conforme AR a fls. 553, no qual não consta a data de recebimento, interpôs, em 27/03/2009 (vide carimbo da Derat/SP a fls. 554), recurso voluntário (doc. a fls. 554 e segs.), no qual aduz, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: “4. O Termo de Constatação anexo ao Auto de Infração demonstra que a D. Fiscalização Federal entendeu indevida a destinação ao FINAM do imposto de renda sobre o lucro inflacionário no período de Janeiro a dezembro do ano calendário de 2002 (no valor de R$ 11.325.734,40) e excluiu daquele montante o valor alocado no item 18 da Ficha 12 A (Cálculo do IR sobre o Lucro Real Imposto de Renda a Pagar) da DIPJ 2003 R$ 5.988.191,90, que fora considerado como um crédito de antecipação de IRPJ da Recorrente. Nesse sentido, e cobrado o montante de R$ 5.337.542,20, a título de IRPJ a pagar, acrescentado de imposição de multa de ofício de 75% e juros de mora. Referido Termo de Constatação alega que o incentivo fiscal não foi reconhecido com base na alegada existência de pendências fiscais e na falta de apresentação de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais ("PERC") pela Recorrente. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 4 5. Não podendo concordar com a lavratura do referido Auto de Infração, a Recorrente apresentou Impugnação para demonstrar a improcedência da exigência fiscal formulada. Tal Impugnação argumenta que a exigência fiscal formalizada pela D. Fiscalização Federal não encontra qualquer respaldo jurídico na medida em que, além de restringir um direito expressamente assegurado ao contribuinte pela legislação que rege os incentivos fiscais, o Auto de Infração pecou também por constituir créditos tributários já extintos pela ocorrência da decadência, e que já são objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515002934/200616. (...) 9. O presente Auto de Infração constitui créditos tributários, relativos às parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram destinados ao FINAM, no anocalendario de 2002, que já são objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515.002934/200616!!! 10. O Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 formalizou exigência de crédito tributário no montante de R$ 97.930.699,42 (noventa e sete milhões novecentos e trinta mil seiscentos e noventa e nove reais e quarenta e dois centavos) com imposição de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativo as parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram aplicados no FINAM, nos meses de Janeiro do anocalendário de 2001 até novembro do anocalendário de 2004. Note que referido Auto de Infração compreende o mesmo período ora em discussão (dezembro do ano calendário de 2002). Referido Auto de Infração e objeto de discussão no Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 e atualmente pende julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 11. Contrariamente ao alegado no Acordão recorrido, independentemente de o fundamento da autuação ser outro, a duplicidade no lançamento e verificada quando o lançamento busca o mesmo crédito tributário! Isso porque a dupla cobrança de um mesmo crédito tributário, mesmo que sob argumentos diferentes, e o que leva a cobrança indevida, caracterizando o confisco. Ou seja, em ambos os processos administrativos estão sendo exigidas parcelas equivalentes a 18% do imposto de renda sobre o lucro inflacionário que foram destinados ao FINAM no anocalendario de 2002. (...) 15. Ademais, o Auto de Infração em questão é claramente ilegal, pois contraria, frontalmente, o disposto na legislação. O artigo 906 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.3.1999 ("RIR/99"), prevê, expressamente, que: (...) 16. Assim sendo, conforme o dispositivo transcrito anteriormente, um segundo exame e, consequentemente, um segundo Auto de Infração, só seria possível, se houvesse uma ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, o que, no caso em tela, não ocorreu. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 661 5 (...) 17. Ademais, o artigo 149 do Código Tributário Nacional ("CTN") prevê os casos em que o lançamento e efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. No caso específico, não se trata de revisão de lançamento e, "ad argumentandum", ainda que fosse, o caso em tela não estaria enquadrado em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. (...) 19. Fato é que não se pode admitir de forma alguma, a exigência de tributo em duplicidade, sob pena de incorrer em ilegalidade e confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de incorrer no bis in idem. Portanto, resta claro que o Auto de Infração em tela deve ser cancelado, pelas razões acima e a seguir aduzidas. (...) 22. Ad argumentandum, mesmo admitindo que o lançamento em duplicidade fosse possível, e ainda mais, que fosse possível o absurdo deste encontrar a sua fundamentação na existência do lançamento anterior, o próprio Acordão recorrido corretamente atesta que "os valores do imposto de renda sobre o lucro inflacionário dos arts. 454 e 455 podem ser, sim, adicionados a base de cálculo do incentivo". Posicionamento que está em linha com a recente jurisprudência do Egrégio Conselho de Contribuintes. (...) 24. O Acórdão ora recorrido afirma que ‘a falta de certidão negativa da PGFN permite atribuir plena validade as pendências fiscais apontadas pelos sistemas da RFB, que impedem a concessão do incentivo’. Ora, a Recorrente tem como requisito para exercer regularmente suas atividades a comprovação da quitação de tributos e contribuições federais, uma vez que para participar de licitações e necessária a certidão de regularidade fiscal. Nesse sentido, a alegação de existência de pendências fiscais e inverídica e não pode prosperar. 25. O meio hábil para comprovar a regularidade fiscal e a apresentação de Certidão Negativa de Débito ou de Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa: (...) 27. Nesse sentido, a Recorrente demonstrou por meio das certidões negativas da Secretaria da Receita Federal e da Procuradoria Geral da Fazenda Naeional, anexas aos autos (doc. n° 3) sua regularidade fiscal no momento em que optou pela destinação dos recursos! A existência de débitos surgidos após a referida destinação apenas poderiam influenciar a concessão de benefícios em anos subsequentes. 28. Ad argumentandum, mesmo que se admitisse que a existência de pendências fiscais surgidas após o momento da opção, não seria possível alegar a existência destas em nome da Recorrente. Nesse sentido, segue anexa Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Fl. 663DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 6 Negativa (doc. n° 4) que comprova a regularidade fiscal atual da Recorrente. (...) 29. Como já demonstrado acima, a falta de apresentação de PERC pela Recorrente não poderia sustentar um lançamento em duplicidade, fundamentado na própria existência de um Auto de Infração anterior sobre o mesmo período e baseado em fato inverídico (no caso, a falta de regularidade fiscal da Recorrente). Entretanto, admitindo, apenas para fins de argumentação, que a lavratura do presente Auto de Infração fosse possível, a ora Recorrente vem demonstrar a impossibilidade de se alegar a falta de apresentação de PERC. 30. Após analisar as cópias do Processo Administrativo n° 16143.000335/200718 mencionado no Termo de Constatação do presente Auto de Infração, a Recorrente verificou que a de intimação com o Extrato de Destinação nunca foi recebida por preposto e/ou representante legal! Portanto, sem o recebimento do Extrato de Destinação apontando irregularidade na sua destinação, a Recorrente não teria qualquer motivo para apresentação de PERC. 31. O Egrégio Conselho de Contribuintes e os Tribunais Regionais Federais reconhecem a nulidade de intimações entregues a pessoas que não são representantes legais do contribuinte. Confirase: (...) 32. O fato de a suposta intimação ter sido entregue a terceiro desconhecido pela Recorrente viola inclusive o artigo 37 da Constituição Federal, que exige a publicidade dos atos praticados pela Administração Pública. 33. Portanto, os precedentes citados demonstram que a alegação de nulidade de intimação formulada pela Recorrente tem respaldo em entendimentos adotados tanto pelo Conselho de Contribuintes, quanto pelos tribunals Regionais Federais. (...) 34. Ademais, cumpre notar que, conforme já decidido pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, inexiste norma expressa que fixe qualquer prazo para o exercício do direito do contribuinte para pleitear a revisão dos valores de incentivos fiscais pretendidos. (...) 38. Ora, resta claro que o prazo para contestar ou requerer o Certificado de Incentivos Fiscais, que não foi recebido pela ora Recorrente é de cinco anos a contar da data da entrega da declaração de rendimentos. 39. O presente Auto de Infração trata de informações constantes da declaração de rendimentos do ano de 2003, anocalendário 2002. A DIPJ/2003, referente ao anocalendário de 2002 foi entregue pela Recorrente no dia 30.6.2003 (doc. n° 5). Nesse sentido, a Recorrente poderia requerer a emissão do Certificado de Incentivos Fiscais até 30.6.2008 o que lhe foi negado com a lavratura do presente Auto de Infração. Fl. 664DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 662 7 40. Diante do exposto, restou suficientemente demonstrada a necessidade de reformar o Acórdao ora recorrido e CANCELADO o Auto de Infracao ora em comento, uma vez que: (i) tratase de lançamento em duplicidade, já que o Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 constitui o mesmo crédito tributário no mesmo período (anocalendario de 2002, exercício de 2003). Diferentemente do alegado no Acórdão em discussão, a duplicidade no lançamento é verificada quando o lançamento busca o mesmo crédito tributário, como e no caso em tela. Nesse sentido, não se pode admitir de forma alguma, a exigência de tributo em duplicidade, sob pena de incorrer em ilegalidade e confisco, o que é vedado pela Constituição Federal, além de incorrer no bis in idem; (ii) a Recorrente demonstrou sua regularidade fiscal atual e no momento em que optou pela destinação dos recursos; (in) a intimação referida no processo administrativo n° 16143.000335/200718 nunca foi recebida por preposto e/ou representante legal da Recorrente e a falta de contestação pela Recorrente não pode ser utilizado como base para o Auto de Infração em referenda; e (iv) o prazo para contestar ou requerer o Certificado de Incentivos Fiscais, que não foi recebido pela ora Recorrente é de cinco anos a contar da data da entrega da declaração de rendimentos e a Recorrente poderia requerer a emissão do Certificado de Incentivos Fiscais ate 30.6.2008, o que ficou superado diante da lavratura do presente Auto de Infração. 41. Dessa forma, a Recorrente requer seja conhecido e integralmente provido o presente Recurso Voluntario, para o fim de que seja reformado o Acórdão recorrido no que lhe foi desfavorável, sendo reeonhecida a total improcedência da exigência fiscal formulada por meio do Auto de Infração e Imposição de Multa objeto deste processo administrativo.”. É o relatório. Voto O recurso de ofício atende ao disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. A decisão de primeira instância é bastante lacônica, pois não desenvolve as razão pelas quais considerou decaído, restringindose a afirmar que “lançamento foi efetuado em 20/12/2007, de forma que a Fazenda decaiu do direito de lançar em relação ao período de 11/2002”. Ora, a recorrente optou pelo lucro real anual no AC 2002, conforme DIPJ/2003 a fls. 9, logo, independentemente da regra decadencial aplicável ao caso – art. 150, § 4º, ou art. 173, ambas do CTN, não há que se falar que, em 20/12/2007, já tivesse ocorrido a decadência do direito de o Fisco efetuar lançamento relativo ao lucro real anual de 2002. O equívoco do julgador de primeira instância, ao que parece, derivou da Fl. 665DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO 8 absurda tese esposada na impugnação, segundo a qual o fato gerador do IRPJ seria mensal, com base na Lei 8.541/95. Olvidouse o patrono e o julgador que, em 2002, já vigorava a Lei 9.430/96, pela qual, o lucro real é, em regra, trimestral e, por opção, como no presente caso, anual. Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso de ofício. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatários com poderes para tal, conforme procuração a fls. 569, razão pela qual voto pelo seu conhecimento. Em preliminar, alega a recorrente que a Fiscalização não observou o art. 906 do RIR, o qual assim versa: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, § 2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34).”. A nãoobservância do art. 906 do RIR/99, em caso de revisitação pela Fiscalização de fato gerador já auditado, pode gerar duas posições diametralmente opostas, uma pela nulidade do auto de infração e outra que entenda que tal inobservância não macula o lançamento feito pelo AuditorFiscal, autoridade competente para o lançamento. Não obstante, tenho suportado que a inobservância do art. 906 em caso de revisitação de período já auditado gera a nulidade do lançamento, porém, como a norma não prevê uma forma para este ato, esta autorização pode se dar inclusive por meio de MPF. Ora, o procedimento teve início com o MPF 08.1.90.00207031113, o qual não se encontra nos autos, razão pela qual se faria necessário a conversão do julgamento em diligência, para que fosse juntado o referido MPF a estes autos, pelo menos, para aqueles que compartilham do mesmo entendimento por mim suportado. Não obstante, deixo de propor o aprofundamento da investigação com relação a essa preliminar de nulidade, em observância ao princípio da primazia da decisão de mérito, uma vez que, ao meu juízo, o mérito da questão posta em julgamento é favorável justamente à parte que alega e que se beneficiaria com o acolhimento da preliminar de nulidade, se não vejamos o que se segue. A recorrente alega, também, que há lançamento em duplicidade, pois o Processo Administrativo n° 19515.002934/200616 teria constituído o mesmo crédito tributário no mesmo período (anocalendário de 2002, exercício de 2003). As únicas peças do referido processo que constam destes autos é o Acórdão 0322.280 da DRJ/BSA e o Acórdão nº 130100.221 da 3ª Câm./1ªTO/1ª Sejul (a fls. 646), dos quais se conclui que a autuação ali em tela versa sobre a interpretação do art. 593 do RIR/99, pois a recorrente teria destinado parte do valor do IR sobre o lucro inflacionário do AC 2002 (e de outros AC também) para incentivos fiscais e recolhido sobre o código de receita 6692. Vale ressaltar que o CARF deu provimento ao recurso voluntário e cancelou o auto de infração. Por sua vez, o objeto deste processo é apenas o auto de infração a fls. 127 e segs, no qual a infração está assim descrita: “Valor do imposto de renda recolhido a menor em decorrência de excesso na destinação feita ao FINOR, FINAM ou FUNRES, conforme apurado no Termo de Constatação lavrado nesta data, que passa a fazer parte integrante deste como se nele transcrito fosse.” Os recolhimento a menor de que a descrição dos fatos tratam, são na verdade IRPJ sobre estimativas mensais, pois, no AC 2002, a recorrente apurou Prejuízo Fiscal no montante de R$ 106.060.048,39, conforme DIPJ a fls, 15. Ademais, no Termo de Constatação a fls. 4, consta a relação dos recolhimentos feitos através de DARF específicos com o código 9032 Finam – Estimativa – Pessoa Jurídica que atenda às condições. Assim, não há que se falar em lançamento em duplicidade, já que temos Fl. 666DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 19515.004264/200745 Acórdão n.º 1302001.981 S1C3T2 Fl. 663 9 infrações diferentes, pois uma versava sobre a destinação a incentivos fiscais do IR sobre lucro inflacionário e a outra sobre o IR sobre bases estimadas. Por outro lado, aplicase na espécie a Súmula CARF nº 82, cujo verbete assim dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.” Por essas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar integralmente o auto de infração e, consequentemente, considerar prejudicado o julgamento do recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 667DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/0 9/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 19515.003708/2008-14
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9202-004.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 08 /2 00 8- 14 Fl. 259DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 435 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10552.000439/200724. Tratase de recurso especial interposto pelo sujeito passivo diante da divergência de entendimento entre turmas julgadoras do CARF acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso e requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro, Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.777, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10552.000439/200724, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.777): O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 436 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 437 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 438 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 439 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 440 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 441 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 442 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 9202004.786 CSRFT2 Fl. 443 10 Em face ao exposto, nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, mantendose incólume o Acórdão recorrido. É como voto. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento, mantendose incólume o Acórdão recorrido (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.904201/2009-38
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/06/2001
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente CRISTINA APARECIDA FREDERICH & CIA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/06/2001 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 42 01 /2 00 9- 38 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3303002.489, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 290DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 293DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.904201/200938 Acórdão n.º 9303004.068 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 296DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10980.905667/2011-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.725
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 56 67 /2 01 1- 29 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10980.905667/201129 Acórdão n.º 3402003.725 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722768/2013-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.533
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Márcio de Lacerda Martins
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MARCIO DE LACERDA MARTINS
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos converter o julgamento em diligência nos termos do voto da redatora designada, vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins (relator) que negava provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Julgado dia 20/09/2016 no período da tarde. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Marcio Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 76 8/ 20 13 -9 9 Fl. 76883DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.883 2 RELATÓRIO Da situação fiscal do Contribuinte: O quadro abaixo apresenta os dados, extraídos da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira Dimof de instituições bancárias e das declarações de ajuste anual do Contribuinte, (efls. 10 a 25)1 que evidenciam a incompatibilidade numérica relevante entre os rendimentos declarados do Contribuinte identificado em epígrafe e a sua movimentação financeira. Os dados coletados mostram que a movimentação financeira deste Contribuinte foi 3,4 e 14,5 vezes os rendimentos declarados nos exercícios 2009 e 2010, respectivamente, conforme quadro abaixo: RENDIMENTOS DECLARADOS (em Reais) EXERCÍCIOS Tributáveis Isentos e não tributáveis Tributação exclusiva Totais Movimentação Financeira (em Reais) 2009 120.575,93 8.076.439,67 690.351,65 8.887.367,25 30.370.668,24 2010 543.387,52 1.814.591,99 459.724,71 2.817.704,22 40.881.662,15 Da Intimação Inicial e Prorrogações de prazo: O Contribuinte foi cientificado do Termo de Início de Fiscalização em 05/03/2012 conforme doc. efls. 5 a 9. A pedido do Contribuinte, a fiscalização concedeu prorrogação de prazo para o atendimento da intimação inicial em 26/03/2012, efl. 26 a 50, em 17/04/2012, efl. 51 a 67, em 16/05/2012, efls. 68 a 117. Às efls. 118 a 271, consta correspondência do Contribuinte informando que exerce a advocacia e que atua no mercado de precatórios nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Alagoas. No exercício dessa atividade movimenta em suas contas correntes valores pertencentes a terceiros e que, portanto, não são de sua titularidade. Afirma tratar com uma grande quantidade de clientes e apresenta uma planilha com a movimentação relativa ao mês de janeiro de 2008, acompanhada de recibos e procurações públicas de cedentes. Da resposta do Contribuinte à Intimação Inicial: O Contribuinte informou que "as movimentações apontadas pela Receita Federal são oriundas da profissão do Contribuinte, pois o mesmo é advogado, figurando como procurador de inúmeros clientes". Juntou cópia de documentos que, segundo entende, comprovam "que o Contribuinte, a título de procurador, formaliza instrumento particular de cessão de crédito precatório, e habilita o cessionário nos autos da ação que originou o crédito". 1 Os números das folhas mencionados neste acórdão são da numeração digital do eprocesso. Fl. 76884DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.884 3 Informou ainda que "advoga na área tributária, especificamente com débitos de inúmeras empresas oriundos de ICMS, e como representante legal, atua como receptor das quantias despendidas das pessoas jurídicas repassando os numerários aos Cedentes" e que "no exercício de sua atividade profissional, representando empresas devidamente consolidadas, que tem interesse na aquisição de créditos consubstanciados em precatórios, intermedia negociação entre credores de precatórios e pessoas jurídicas". Da Constatação Fiscal: Termo de Constatação e Embaraço à Fiscalização, efls. 272 e 273, ciência em 13/06/2012, AR efl. 274, foi lavrado nos seguintes termos: (destaque do original) "[...] Assim, considerandose que: até a presente data a documentação requerida não foi exibida em sua integralidade, não obstante o prazo concedido ao contribuinte tenha sido mais que suficiente; nos termos fiscais lavrados anteriormente, o contribuinte já fora alertado que, na hipótese do contribuinte deixar de fornecer, dentro do prazo estipulado, as informações sobre sua movimentação financeira, bem como outros elementos, como definido no inciso I, do artigo 33 da Lei nº 9.430/96, configuraria embaraço à fiscalização e consequentemente permitiria o acesso às respectivas informações relacionadas com operações e serviços junto às instituições financeiras, conforme disposto no art. 3º, inc. VII, do decreto nº 3.724/01. Assim, não havendo justificativa RAZOÁVEL para esse procedimento por parte do contribuinte, o presente Termo formaliza o embaraço à fiscalização, nos termos da legislação anteriormente referenciada, por ser indispensável ao prosseguimento da ação fiscal.[...]" Da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF: A fiscalização visando a dar continuidade à auditoria, constatado o transcurso de mais de noventa dias da ciência do Contribuinte em relação à primeira intimação e, ainda, sem elementos comprobatórios da origem dos rendimentos que provocaram a relevante movimentação financeira supracitada, lavrou Termo de Embaraço e a RMF dirigida às instituições financeiras, responsáveis pelas informações relacionadas ao Contribuinte. Com fulcro nas disposições do Decreto nº 3.274, de 10 de janeiro de 2001, que regulamentou o artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, doc. efls. 275 a 287, foram requisitados extratos de contas correntes de titularidade do Contribuinte, seja de forma isolada ou conjunta. Da Intimação para comprovar a origem dos depósitos: O Contribuinte foi intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos depósitos/créditos registrados em contas correntes de sua titularidade na Caixa Econômica Federal, Nossa Caixa, Banco Safra, Itaú e Unibanco. A Srª Sandra Maria Gonçalves Victor, CPF 713.705.52815, foi intimada a comprovar/justificar a origem dos valores depositados nas contas correntes nº 450179, do Banco Itaú e Fl. 76885DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.885 4 n° 8202020, do Unibanco, uma vez indicada como cotitular nas fichas cadastrais e extratos dessas referidas contas, doc. efls. 251 a 296. Do Termo de Verificação Fiscal e Auto de Infração: Considerando insatisfatórios e insuficientes os documentos e os esclarecimentos prestados para comprovar a origem dos valores creditados em conta bancária do Contribuinte, a autoridade fiscal lavrou Termo de Verificação Fiscal de efls. 26.333 a 26.418. Neste termo, a autoridade fiscal relatou o desenvolvimento da auditoria, desde o início até o encerramento, e justificou a aplicação das determinações contidas no artigo 42, caput e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002. Assim, foram consignadas as infrações à legislação tributária, referentes aos exercícios 2009 e 2010, efls. 26.333 a 26.427, listadas na sequência: (grifei) 1 Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica – rendimentos pagos a sócio ou acionista de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, excedente ao valor escriturado, nos termos do art. 51 e parágrafos da Instrução Normativa SRF nº 11, de 1996, conforme descrição constante do Termo de Verificação Fiscal. Enquadramento legal: Artigos 654, 662 e 666 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 1999 e Artigo 1º da Lei nº 11.482, de 2007. 2 Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrição constante do Termo de Verificação Fiscal anexo. Enquadramento legal: Artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 Decreto nº 3.000, de 1999 e Artigo 1º da Lei nº 11.482, de 2007. Da Impugnação: O Contribuinte, por meio da Impugnação de efls. 26.442 a 26.486, questionou a validade do lançamento a partir das considerações que foram resumidas e listadas a seguir: 1. Em decorrência da ilegalidade da "quebra" do sigilo bancário, sem autorização judicial, que permitiu o lançamento com base nos depósitos nas contas correntes, requer que se reconheça a nulidade do lançamento; 2. Devido à impossibilidade de se presumir omissão de rendimentos com base unicamente na movimentação financeira, que seja cancelado o Auto de Infração; 3. A documentação apresentada não foi analisada como devido, pois comprovam que os depósitos foram repassados aos seus clientes, de forma que inexiste auferimento de renda sujeita à tributação; 4. Requer a realização de perícia a fim de apurar realmente a incidência ou não de tributação em suas movimentações financeiras; 5. Solicita a dilação de prazo para a localização e juntada de contratos e demais documentos que identifiquem especificamente todos os valores recebidos neste mesmo sentido; Fl. 76886DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.886 5 6. Requer a exclusão da responsabilidade da cotitular sobre os valores que transitaram pelas contas bancárias e sua movimentação financeira; 7. Questiona a aplicação da multa de ofício de 75% e sua base de cálculo; 8. Apresenta justificativas para diversos depósitos e movimentações referentes às cessões de crédito, e ainda as guias juntadas que demonstram os recolhimentos de custas de processos judiciais que são oriundas da atividade como profissional liberal; 9. Requer que se considere transferências de valores entre contas de sua titularidade; 10. Posteriormente à apresentação da impugnação, o Contribuinte juntou vasta documentação constante às fls. 26.631 a 76.394 dos autos. Do acórdão de impugnação: A decisão do acórdão 1275.892, efls. 76.397 a 76.488, foi assim resumida: "Acordam os membros da 1ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação, apurandose o Imposto Suplementar a seguir: Relativo ao anocalendário de 2008: R$ 4.928.256,37, mais Multa de Ofício e Juros de Mora. Relativo ao anocalendário de 2009: R$ 4.401.148,59, mais Multa de Ofício e Juros de Mora. Ressaltese que a parcela de R$ 154.000,00 do Imposto Suplementar correspondente ao anocalendário de 2008 se refere à matéria não impugnada e deve ser apartada para cobrança imediata. Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972. À Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para as providências necessárias ao cumprimento deste ato decisório." Este acórdão foi assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. PEDIDO DE PERÍCIA. Fl. 76887DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.887 6 Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência/produção de provas quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59, do Decreto n.º 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DECISÕES DE JULGADOS ADMINISTRATIVOS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais não constituem normas gerais, não podendo seus julgados serem aproveitados em qualquer outra ocorrência, senão naquela objeto da decisão. SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE DADOS PELA FISCALIZAÇÃO. É autorizada, nos termos da lei, a obtenção pela Fiscalização da movimentação financeira do contribuinte junto às instituições financeiras, com vistas a demonstrar a ocorrência de infração à legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprove, por meio de documentação hábil e idônea, suas origens, bem como a natureza de cada operação realizada. CONTA CONJUNTA. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IMPUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS. A não comprovação da origem dos depósitos, comprovação esta que pode ser feita por qualquer um dos cotitulares da conta bancária, resulta, por expressa determinação do § 6º, do art. 42, da Lei nº 9.430/96, na imputação da omissão de rendimentos a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. REGIME DE CAIXA. Desde a edição da Lei nº 7.713, de 1988, a apuração do imposto de renda das pessoas físicas passou a ser efetuada pelo “regime de caixa”, ou seja, os rendimentos são tributados na medida em que forem recebidos, o mesmo se aplicando às deduções da base cálculo do referido imposto, que somente poderão ser utilizadas na declaração de ajuste anual do ano calendário em que forem efetivamente realizadas as despesas correspondentes. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 76888DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.888 7 Do Recurso Voluntário: Com amparo no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o Contribuinte apresentou em 14/08/2015 o Recurso Voluntário, efls. 76.495 a 76.559, alegando, em síntese: 1. Insurgese com a glosa do valor de R$560.000,00 do montante total de R$2.560.000,00 recebidos de D'Avola e Bastos Sociedade de Advogados a título de lucros. A fiscalização não acatou este valor como lucro comprovado, tendo em vista que a pessoa jurídica informou na Dipj naquele ano somente R$2.000.000,00, como lucro distribuído. Alega que, contrariamente ao decidido pela 1ª instância administrativa, efetuou a impugnação desta glosa e reitera as razões da impugnação. 2. Do cerceamento de defesa: 2.1. Da falta de acesso aos autos: Afirma que, "só obteve cópias do 6º volume em diante no dia 11 de agosto de 2015, quando faltavam seis dias para o prazo fatal do recurso". E conclui requerendo a nulidade do haja vista a falta da disponibilização integral dos autos o que impede a ampla defesa e o contraditório nesta fase recursal. 2.2. Do indeferimento do pedido de perícia: O pedido de perícia foi indeferido sem fundamentação adequada pelos julgadores da DRJ e que é de rigor a nulidade do processo com a negativa de produção de tal prova. 2.3. Da falta de individualização dos depósitos: O lançamento com base em depósitos bancário de origem considerada não comprovada tem validade apenas com a individualização dos créditos para permitir a defesa do autuado. 2.4. Da desconsideração dos julgados administrativos e judiciais colacionados: A vinculação dos órgãos administrativos às decisões pacificadas nos Tribunais e às súmulas do CARF é imperativa e sua desobediência provoca a nulidade do processo. 3. Do entendimento pacificado no STF quanto à impossibilidade da quebra do sigilo bancário e a possibilidade de eventual sobrestamento do recurso. No julgamento do RE 389.808 o STF decidiu que o Fisco só pode quebrar o sigilo bancário se a Justiça o autorizar, sob pena de tornar nulo qualquer procedimento fiscal que infrinja tal decisão, conforme ainda decisão RE 387.604. 4. Da irregularidade na obtenção dos dados pela fiscalização. O acesso aos dados bancários do Recorrente não foi realizado com a observância dos requisitos legais sem que fosse provada a indispensabilidade da quebra do sigilo bancário. 5. Da decadência: Fl. 76889DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.889 8 O Recorrente alega que o período compreendido de janeiro a outubro de 2008 encontra se inexigível haja vista a configuração da decadência. 6. Da impossibilidade de depósito bancário constituir fato gerador do IR. Como já prevê inclusive súmula do TRF, a mera movimentação financeira não traduz o conceito de acréscimo patrimonial. Cita julgados do CARF que vazam entendimento sustentando que os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda CSRF/0102.741 e 10417.494. 7. Da impossibilidade da soma algébrica dos depósitos: A autuação é nula e totalmente improcedente pois calcada exclusivamente em depósitos bancários e estes não representam aquisição de disponibilidade econômica, conforme inúmeras decisões do próprio CARF como os acórdãos CSRF/0102.641; CSRF/0102.564; CSRF/0103.148 e outros. 8. Da aplicação da presunção de omissão de receitas. O Recorrente avoca a Súmula 182 do TRF que prescreve: "É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Cita trechos do voto condutor do acórdão nº 210200.683 que reforçam o entendimento que o suporte fático da tributação não pé o depósito bancário em si, mas sim o acréscimo patrimonial, a renda consumida ou o benefício de qualquer ordem, tal qual, o pagamento de uma obrigação, por exemplo. 9. Da análise individualizada dos depósitos realizada no acórdão da DRJ quando da análise da impugnação. O Recorrente enumera depósitos que foram analisados pela 1ª instância e contesta as justificativas utilizadas para não aceitarem a comprovação da origem desses valores. Reitera as justificativas. 10. Da eventual incidência da alíquota de ganho de capital. Na eventualidade do Auto de infração não ser integralmente afastado, seja pelas nulidades, seja pelo período abrangido pela decadência, seja pelas provas da origem de toda a movimentação financeira, aplicase as regras de tributação pelo ganho de capital pela realização de negócios jurídicos de compra e venda de créditos em precatórios. 11. Da autuação da cotitularidade. Aduz que a cotitular das contas não foi intimada até a presente data sobre o julgamento do processo 19515.722769/201333 que, segundo informação à fl. 76.471 será julgado em conjunto com o presente processo. Ao final da peça recursal, o Contribuinte reforça seus pedidos resumidos e listados na sequência: a) Nulidade do auto de infração e da imposição de multa por cerceamento ao direito de ampla defesa e pelos vícios que aponta; Fl. 76890DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.890 9 b) Nulidade do procedimento fiscal baseado em informações protegidas pelo sigilo bancário em flagrante desobediência às decisões do STF nos RE 389.806 e 387.604; c) Reconhecer a decadência do lançamento sobre período relativo ao ano calendário de 2008; d) Requer sobrestamento do feito até decisão definitiva do STF sobre a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001; e) Na hipótese de manutenção da decisão, requerse que seja acolhida a questão relativa a eventual incidência do imposto com base no ganho de capital, como amplamente explicitado nas razões recursais. É o relatório. Fl. 76891DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.891 10 VOTO VENCIDO Conselheiro Marcio de Lacerda Martins Relator Fiquei vencido quanto à necessidade da diligência constatado que o Contribuinte não se incumbiu de comprovar a origem dos depósitos bancários, relacionados pela fiscalização, com documentação que permita a vinculação dos valores e datas. (Assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins. Fl. 76892DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.892 11 VOTO VENCEDOR Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Redatora Designada Em que pese os doutos argumentos trazidos pelo Ilustre Conselheiro Relator, tomo a liberdade para dele divergir, para tanto, peço vênia para apontar alguns elementos fáticos, que formaram o meu convencimento. Tratamse de Autos de Infração lavrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 19/11/2013, em face de Rogério Mauro D’Avola e Sandra Maria Gonçalves Victor, respectivamente, para exigir valores a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, referente aos anoscalendário de 2008 e 2009, decorrentes de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A base legal do lançamento é o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. A fiscalização que originou o auto de infração, iniciouse em 05 março de 2012 com o pedido de apresentação dos extratos bancários de suas contas correntes. No dia 26 de março de 2012, o contribuinte apresentou parte da documentação requerida (termo de recepção de fls. 26 do pdf) e requereu prazo suplementar para a apresentação do restante dos documentos; em 17 de abril de 2012 apresentou novos documentos e requereu um novo prazo, juntando, dessa feita, cópia das cartas encaminhadas aos bancos com o pedido de fornecimento dos extratos (termo de recepção de fls. 51 do pdf e folhas seguintes). Notese que, mesmo antes da entrega de todos os extratos, o contribuinte informou à fiscalização que a origem dos valores ora em debate decorrem da compra e venda de precatórios e apresentando documentos a sustentar suas alegações, também apresentou uma relação de clientes adquirentes e cessionários dos precatórios e de processos e, ainda, uma planilha com a relação das entradas, saídas e origens do mês de janeiro de 2008 (fls. 120/271 do pdf). Às fls. 272/273, a fiscalização lavrou um “termo de constatação de embaraço à fiscalização” (13/06/2012), entendendo não ser razoável a falta de entrega total da documentação por parte do contribuinte a despeito dele ter apresentado justificativa para a demora e requisitou diretamente toda a movimentação aos bancos. Entretanto, esclareçase, não consta nos autos resposta das instituições financeiras. Em 22 de fevereiro de 2013, o contribuinte (fls. 317/880) apresentou os extratos que lhe foram entregues pelas instituições financeiras. No avançar desse procedimento, um ano após a entrega dos extratos (entrega em 09/08/2012, vide fls. 305, volume IV), a fiscalização intimou o contribuinte para comprovar a origem das movimentações listadas individualizadamente das fls. 881 até às fls. 949 (12/08/2013) AR de 15/08/2013 (anexado às fls. 950). Assim, por intermédio da petição de fls. 951 e seguintes, o contribuinte junta aos autos, documentos justificando os depósitos constantes das suas contas correntes. Fl. 76893DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.893 12 Na referida petição apresenta as informações, nos moldes conforme os exemplos a seguir: Às fls. 2.385, já aparentemente com o intuito de analisar a natureza da operação, a fiscalização intima a parte a apresentar os seguintes documentos: a) Apresentar os contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios; b) Quantificar a remuneração recebida pelos serviços prestados; em se tratando de remuneração para a pessoa jurídica da qual tenha participação societária apresentar recibos e escrituração contábil; c) Demonstrar com documentação hábil e idônea, o repasse dos recursos depositados aos vendedores dos precatórios; Intimado em 30 de setembro de 2013 (AR de fls. 2.386), o contribuinte junta em 21 de outubro de 2013, as informações para as quais presta os esclarecimentos (fls. 2.387 e seguintes do pdf). Fl. 76894DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.894 13 Os esclarecimentos referentes à operação de compra e venda de precatórios são prestadas, conforme assevera o próprio contribuinte às fls. 2.389, do seguinte modo: Na sequência da apresentação dessas planilhas, inicialmente juntadas às fls. 2.412/2.431, junta os seguintes documentos: 1) Cópia dos Contratos de Instrumento Particular com Identificação dos depositantes (indicados na coluna “B”), identificação dos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito precatório (indicados na coluna “D”); 2) Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado aos cedentes originários e advindos de processo judicial que originou o crédito o precatório (indicados na coluna “E”). 3) Cópia de recibo de pagamento e/ou comprovante de depósito realizado com desembolsos havidos (indicados na coluna “G); Nessa ordem separa cada valor e os respectivos documentos comprobatórios em 26 volumes juntados a partir das fls. 2.431. Fl. 76895DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.895 14 Cada operação (e correspondentes depósitos e despesas) é apontada separadamente — dividida com uma folha na qual consta o nome do depositante, por ex., fls. 2432 e seguintes, corresponde a “PELZER”, fls. 2446 e seguintes a 'NEW AGE' e assim na sequência, do seguinte modo: Quando a empresa adquirente dos precatórios faz mais de uma aquisição temse, na sequência, uma nova “capa” e os documentos relativos à nova operação, por ex., “NEW AGE” tem novos documentos, entre outros momentos, justificados às fls. 2887 e seguintes. Em todos os casos existem depósitos/recibos, etc. com as comissões pagas, conforme tabela e com datas compatíveis com os negócios realizados. Em 18 de novembro de 2013, às fls. 14.218 (5.069, vol. II) o contribuinte faz a juntada dos documentos complementares. É importante ressaltar que seis dias após a entrega de toda a documentação do modo supra mencionado, em 18 de novembro do 2013, às fls. 26.333 (fls. 7.755 do pdf, vol III), o auto de infração é lançado com base na presunção do art. 42 da Lei 9.430/96, sob a justificativa de que “Os documentos apresentados, sob alegação de intermediação na aquisição de precatórios, que justificariam os depósitos na conta corrente n° 8202020, uma vez que apenas apontam suposto depositante, mas não comprovam a origem dos depósitos, isto é, não permitem qualquer vinculação coincidente em data e valor de determinado crédito em conta corrente com a alegada prestação de serviço de intermediação na aquisição de precatório ou qualquer outro tipo de prestação de serviço. Nesse mesmo sentido, também o demonstrativo em planilha não restou suficiente. Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço (…).” É com base nos fatos descritos que formei o entendimento da minha divergência, salvo melhor juízo de entendimentos em contrário. Analisando a documentação apresentada, entendo que restou demonstrada a origem dos respectivos depósitos. Nesse descortino, discordo do entendimento exposado pela Autoridade Fiscal onde, para que ocorra prova da origem dos recursos, há necessidade de que a documentação demonstre a relação de cada valor e cada documento de modo biunívoco, ou seja, conforme constante do auto de infração que “para comprovação da origem, é necessária a vinculação de “cada crédito” a uma operação realizada” de modo que cada valor teria um “recibo” ou um contrato ao qual corresponda uma obrigação idêntica aos valores depositados até mesmo pela natureza do serviço prestado pelos Fl. 76896DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.896 15 Recorrentes, essa pretensão é impossível de se operar, já que comumente os precatórios possuem um valor de face e são comercializados com deságio. Nesse diapasão, notese ainda que, comprovar a origem do recurso, s.m.j, não obriga ao contribuinte a apresentar um recibo dos valores depositados em sua conta corrente, mesmo porque a prática geral é de se fornecer um recibo para quem paga e não para quem recebe. É importante evidenciar que, quando a lei expressa que se deve comprovar a origem dos recursos o faz para determinar ao sujeito passivo que demonstre a procedência ou a causa daquele depósito. Ressalto que adoto esse entendimento alicerçada nas seguintes premissas: primeiro porque o sentido da palavra origem é esse, conforme expresso no vernáculo – procedência ou causa; segundo porque se aceitarmos essa origem somente seja comprovada se houver uma correspondência exata de valores entre os depósitos e os documentos teríamos uma tal redução do direito de prova dos contribuintes que viria abaixo, por meio de presunção relativa, o direito constitucional da ampla defesa, transformada, nesse passo, em estreita defesa. Salientese que, essa obrigação, de fazer a comprovação coincidente em data e valor não consta na Lei, o que a lei expressa é a obrigação de comprovar a origem. No caso dos presentes autos, o Recorrente ao captar um cliente que possui direito de precatório, poderá comercializálo somente a posteriori, no entanto, a origem do recurso restará demonstrada, como restou da documentação colacionada aos autos. Nesse diapasão, entendo que o contribuinte demonstrou que para cada depósito havia um correspondente depositante, apresentou os seus respectivos CNPJ’s, mostrou que tinha um contrato de cessão de direitos creditórios no qual o Recorrente figurava como procurador por meio de uma procuração pública irrevogável e isenta de prestação de contas, firmado em data próxima do depósito; demonstrou pagamentos aos cedentes e apresentou outros instrumentos que demonstram que as relações havidas correspondem a compra e venda de direitos precatórios nos quais o Recorrente figura como adquirente por meio de procuração in rem suam e como vendedor, na qualidade de procurador do cedente, através do instrumento de cessão dos direitos . Não há como negar a admissibilidade e validade dessa documentação. Impende registrar que procuração em causa própria, não encerra uma mera outorga de mandato, até porque se trata de um verdadeiro negócio jurídico dispositivo, translativo de direitos, tanto que em regra é lavrado com caráter irrevogável e com isenção de prestação de contas e confere poderes especiais de livre disposição do bem, tudo isso no exclusivo interesse do mandatário. A compra e venda dos direitos resta demonstrada quando contrapostos os documentos. O Recorrente adquire os direitos e recebe por eles procurações públicas, por exemplo, no caso do valor cedido posteriormente para a empresa Pelzer System Ltda., conforme exemplificouse no próprio acórdão da DRJ, um recibo emitido em 29/03/2007 por Oscar Mernick, no valor de R$ 25.000,00, recebido de Rogério Mauro D’Avola, referente à cessão dos direitos creditórios oriundos do precatório alimentício de EP nº 06388/05, o correspondente comprovante de TED remetida por Rogério Mauro D’Avola, em 29/03/2007, no valor de R$ 25.000,00, em favor de Oscar Mernik e a procuração pública de 29/03/2007 outorgada por Oscar Mernick ao seu procurador Rogério Mauro D’Avola, para que este último tenha amplos poderes para ceder a quem quiser os direitos creditórios da totalidade de seus valores referentes ao precatório EP nº 06388/05; Demonstrando relação e datas coincidentes na aquisição dos precatórios e posteriormente a cessão desses precatórios através de Instrumento Particular Fl. 76897DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.897 16 de Cessão de Direitos Creditórios, devidamente registrado no qual Oscar Mernick (representado por Rogério Mauro D’Avola) cede esses precatórios para a empresa Pelzer System Ltda.. Por outro lado, não existe dúvida de que o depósito de R$298.954,89 (duzentos e noventa e oito mil novecentos e cinquenta e quatro reais e oitenta e nove centavos) foi originário da Pelzer System Ltda. isso porque é o que consta expressamente no extrato de fls. 317 (TED RECEBIDA ITAU PELZER SYSTEM LTDA 298.954,89 C). Supor que tais elementos não são suficientes para indiciar a prova que ilide a presunção do art. 42 é igualmente presumir que o contribuinte falseou a enormidade de documentos colacionados aos autos, a maioria deles com registro público e procurações lavradas por meio de escritura pública – isso implicaria, por outro lado, em atribuir a prática de crimes aos agentes públicos que fizeram os competentes instrumentos e registros. Repisese, não temos, pelo senso comum, como afastar as provas juntadas nos autos. “A presunção decorrente da conjugação de indícios coerentes, certos e convergentes é aceita, pela jurisprudência administrativa, como prova do fato jurídico tributário.” 2 A presunção arbitrária imposta pela fiscalização, inverte o ônus da prova e obriga ao contribuinte elidila, descaracterizando a função essencial da regra no Direito Tributário (praticabilidade e arrecadação), as presunções, como a presunção em discussão, permite que o fato possa ser indiretamente provado e que igualmente possa ser elidido. No exame dos extratos nos traz a certeza de quem são os inúmeros depositantes, por ex., RST Fabricação e Comércio de Artefatos de Papéis Ltda., Samar Comercial Importação e Exportação Ltda., Bentomar Indústria e Comércio de Minérios Ltda. e outros, expressamente identificados no extrato na supra citada fl. 317 e também constantes das documentações juntadas antes do auto de infração pelo Recorrente. O que se verifica é que, em exame ainda que superficial da relação apresentada pela DRJ no acórdão, a partir das fls. 76.422 (referente aos depósitos tributados), somente aumenta a incerteza quanto ao lançamento. Senão vejamos, logo no início, consta um valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) do dia 06/05/2008, creditado no Banco Safra, pelo que consta do extrato às fls. 611 referese à “Transferência da Conta Poupança”, logo a seguir aponta um crédito no valor de R$ 5.999,32 (cinco mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e dois centavos) em 27/02/2008 que conforme extrato de fls. 605/606 corresponde a um TED de Rogério Mauro D’Avola, ocorre que o extrato é horizontal e o valor é lançado no fim da fl. 605 do lado direito e a identificação do depositante está no começo da fl. 606 do lado esquerdo e sendo transferência eletrônica de uma conta para outra é certamente originária da conta do mesmo titular, o Recorrente. A mesma coisa ocorre no lançamento do valor seguinte de R$ 16.149,65 (dezesseis mil, cento e quarenta e nove reais e sessenta e cinco centavos) de 03/03/2008, ou seja, TED Eletrônico de Rogério Mauro D’Avola, conforme expresso no extrato às fls. 607 e correspondente ao seguinte recorte: 2 Acórdão n. 1401001.181, 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (voto vencedor), na sessão de 29 de julho de 2014. Fl. 76898DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.898 17 Se o contribuinte apresentou provas que tornaram incerta a presunção legal a ele atribuída, o auto de infração necessitaria, como ele próprio apontou, de melhor investigação, pois não pode haver incertezas no lançamento, as provas não podem deixar margem a dúvidas quanto à ocorrência do fato alegado. Em verdade, sabemos que os fatos presuntivos não fazem prova concludente e absoluta da ocorrência do fato jurídico, mas, seguramente, nos fornecem elementos de provas ou alguns indicativos que nos levam a crer no sucesso do fato jurídico, a depender do grau de verossimilhança ou probabilidade. Assim, dos fatos presuntivos devese induzir a idéia do fato jurídico em sentido estrito. De modo oposto, a regra comparece na forma de dedução, de maneira que do fato jurídico stricto sensu devemse deduzir os fatos presuntivos. Vejamos como o artigo em exame descreve a presunção: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A norma estabelece que a presunção de omissão de rendimentos somente se conformará se o contribuinte for regularmente intimado e não comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos a origem dos recursos, ou melhor, a presunção de omissão de receitas só é autorizada se o contribuinte não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. No presente caso, cumpre consignar, entendo ser hábil e idônea a comprovação da origem dos recursos, devendo cada documento acostado ser analisado pela autoridade fiscal, individualmente. Conjugandose o “caput” do artigo 42 da Lei 9.430/96, com o seu §2º, temos que ainda que se aplique a presunção legal de omissão de receita, para afastála basta a comprovação da procedência dos recursos; o que, em uma análise perfunctória, ocorreu no caso sub examine. O artigo 369 do Novo Código de Processo Civil, dispõe que: Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados Fl. 76899DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.899 18 neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Logo, aplicandose tal dispositivo subsidiariamente ao Processo Administrativo Tributário, temos que será admissível qualquer tipo de prova, desde que permitida em lei e moralmente legítima. Assim, quando o contribuinte comprova a procedência ou a pertinência das alegações de fato produzidas, caberá à Autoridade Fiscal, por sua vez, no mínimo fazer a contraprova dos fatos comprovados e trazidos pelo Contribuinte, caso opte por questionálas ou ignorálas, o que em momento algum, nos presentes autos ocorreu. Verificase que a lei dispõe que, sabida a origem dos recursos, caberá à autoridade lançar eventuais valores que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos com base nas normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, no presente caso, com base em eventual diferença de ganho de capital, o que não foi feito. Nessa esteira de entendimento, urge mencionar, por ser pertinente, parte do voto proferido pelo Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa no processo 11543.001046/200386: A DRJ/R10 DE JANEIRO/RJ II, não acolheu a alegação da defesa sob o fundamento de que os documentos apresentados pelo contribuinte comprovam apenas quem foi o depositante, mas não a natureza da operação que ensejou o depósito, requisito que considera essencial para caracterizar a comprovação da origem dos recursos, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Com a devida vênia, divirjo da decisão recorrida quanto a esse ponto. Primeiramente, não compartilho da interpretação de que o verbete "origem", constante do dispositivo legal, tenha ali outro significado senão o de procedência, fonte, de local de onde veio. A mim me parece claro que a legislação autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos quando o contribuinte não informa a origem, no sentido acima referido; sem tal informação, a lei autoriza a presunção de que tais depósitos são receitas ou rendimentos tributáveis omitidos, até porque não tem o Fisco elementos para averiguar a efetiva natureza dos recursos. Tal situação não ocorre, entretanto, quando se conhece a origem, a conta corrente de um parente, de uma pessoa física qualquer, de uma empresa da qual o contribuinte é sócio ou não, etc. Nesses exemplos, não há falar em presunção de omissão de rendimentos, mas de identificação da natureza da operação que ensejou a transferência do recurso e se, for o caso, da eventual incidência tributária. Penso que a leitura conjunta do caput do art. 42 com o seu § 2° conduz à interpretação de que, para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos basta a comprovação da procedência dos Fl. 76900DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.900 19 recursos. Conhecida esta, cumpre ao Fisco examinar a hipótese de eventual incidência tributária em face de legislação outra que não o próprio art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Imaginemos, por hipótese, que o presente lançamento não teve por base depósitos bancários, que a fiscalização simplesmente tivesse se deparado com a informação de que o Contribuinte recebera do mesmo sr. Celso Melro o dito cheque de R$ 13.000,00. Nesse caso, provavelmente, intimaria o Contribuinte a declarar e comprovar a natureza da operação que ensejou a transferência dos recursos e, se não justificada a operação, certamente procederia ao lançamento considerando a infração omissão de rendimentos recebidos de pessoa física. Ora, o fato de os recursos recebidos terem sido depositados em sua conta bancária não desnatura o fato de que os recebeu de pessoa física e, portanto, deve ser aplicada, no caso, a legislação especifica e não a presunção legal do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996, em obediência ao § 2° desse mesmo artigo. Os documentos trazidos aos autos, cópia de cheque coincidente em data e valor com o depósito bancário, por exemplo, não deixam dúvida quanto ao fato de que os recursos depositados na Conta do Recorrente são procedentes da conta do sr. Celso Melro, que declara lhe ter emprestado essa quantia. Esses dados são suficientes para comprovar a origem dos recursos creditados/depositados, nos termos apontados acima, embora a simples declaração do sr. Celso Melro seja frágil como comprovação de que houve o alegado empréstimo. Poderseia contraargumentar afirmando que, no presente caso, a fiscalização não teve acesso à informação da origem dos recursos e, portanto, procedeu corretamente ao lançamento, de conformidade com o comando do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 e, nessas condições, o lançamento não poderia ser desconstituído com a simples comprovação da origem dos recursos, já que a falta de comprovação da natureza da operação autorizaria, da mesma forma, o lançamento. Enfim, teria havido omissão de rendimentos de qualquer forma. (…) Por outro lado, se o julgador administrativo mantém a exigência, não mais pela falta de comprovação da origem dos recursos, mas porque, comprovada essa não restou comprovado, também, a natureza da operação, estaria, a meu juízo, operando uma modificação no fundamento da exigência. Vale dizer, estarseia transmudando o fundamento da exigência de uma presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos de origem não Fl. 76901DF CARF MF Processo nº 19515.722768/201399 Resolução nº 2401000.533 S2‐C4T1 Fl. 786.901 20 comprovada, para omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, pessoa jurídica, etc. No presente caso, o contribuinte comprovou os dois elementos, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como se viu, e a natureza da operação que a originou – a compra e venda de precatórios. No mais, resta demonstrado que o lançamento fiscal confundiu origem e natureza da receita, conforme pode se ver na justificativa que já havíamos apontado (fls. 26354/26355): “Vale dizer, para a comprovação da origem é indispensável a apresentação dos contratos de prestação de serviços firmados com os supostos adquirentes dos precatórios, de modo que seja possível concluir, inequivocamente, a relação “depósito/prestação de serviço, o que não foi objeto de atendimento pelo contribuinte, embora tenha sido sucessivamente intimado a fazêlo. Após a comprovação da origem – o que não ocorreu , ainda restaria a esta fiscalização a análise da natureza dos depósitos recebidos (se tributáveis ou não).” Para comprovar a origem é preciso apontar quem são os depositantes e para saber qual a natureza, indicar o negócio jurídico que implicou na respectiva receita de modo a alcançar o fato gerador da obrigação e se tributar conforme a legislação específica. A Fiscalização, s.m.j, errou ao exigir que a origem fosse comprovada por intermédio da natureza da operação, confundindo, os elementos caracterizadores da norma. Em conclusão, após a análise dos autos, entendo que deva ser realizada uma diligência fiscal para o fim de serem confrontados individualmente os documentos apresentados pelos Recorrentes, documentos esses que em sua grande maioria foram entregues ainda no curso da fiscalização e não obtiveram a detida análise que o caso requer por parte da fiscalização. PELO EXPOSTO, voto para BAIXAR OS AUTOS EM DILIGÊNCIA, para que sejam analisadas, individualmente, as operações comprovadas pelos documentos colacionados aos autos, os quais, s.m.j, estão aptos à demonstrar os dois elementos exigidos pela norma de regência, quais sejam, a origem – a maioria das vezes até apresentada no descritivo do extrato bancário como mencionado no voto, e a natureza da operação que a originou – compra e venda de precatórios, solicitando que a autoridade fiscal se manifeste sobre todos esses documentos trazidos pelo Recorrente, individualmente, e elaborando relatório circunstanciado sobre os referidos fatos, evidenciando ainda, com base em toda a documentação colacionada aos autos, se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pelo Recorrente. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 76902DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.726546/2014-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento.
Numero da decisão: 3401-003.247
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente).
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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INTERPOSIÇÃO. OCULTAÇÃO. Recorrente NEXT TRADE SERVIÇOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Não afastado o fato do recurso voluntário ser intempestivo, é legítimo o seu não conhecimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do recurso. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente). Relatório Este processo cuida de auto de infração que constituiu e exige a multa de 100% do valor aduaneiro estabelecida pelo inciso V do artigo 23 do Decretolei n. 1.455, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 65 46 /2 01 4- 28Fl. 1752DF CARF MF 2 1976, relativa as operações de importação realizadas e registradas pela NEXT TRADE LTDA (doravante denominada NEXT TRADE). Em síntese, a autuação fixa a penalidade é 100% do valor aduaneiro de mercadorias sujeita a pena de perdimento, não localizadas, consumidas ou revendidas, decorrente pela não comprovação da origem, transferência e disponibilidade dos recursos empregados nas operações de comércio exterior amparadas pelas declarações de importação. Segundo resumo elaborado pelo relator a quo, informa a auditoria em seu Relatório Fiscal (fls 09/59): Em diligência ao endereço onde foi declarado como da empresa NEXT TRADE identificou que: No local, placas identificam como sendo a empresa VENTURA MAR; Nos fundos do estabelecimento, identificouse uma sala onde estava a sócia administradora, Sra Silene, a qual informou da não existência de estoques de mercadorias, sendo estas enviadas diretamente aos compradores, sem armazenamento. A auditoria fiscal traz imagens do local, as fls. 15/16. A auditoria fiscal informa da lavratura a termo de esclarecimentos prestados por outro sócio, Sr. Júlio Ivo Albertoni, por meio do qual se constatou que as vendas eram "casadas" e realizada mediante antecipação de pagamentos, ou seja, as mercadorias já teriam encomendante definido e eram enviadas, depois do desembaraço, ao comprador. A auditoria fiscal informa das falhas dos registros contábeis relativos aos anos de 2009 e 2010 e uma melhor organização dos registros no ano de 2011. Conclui a auditoria fiscal que a contabilidade da NEXT TRADE não segue as regras legais, não apresenta confiabilidade de informações, logo não presta a fazer prova da origem dos recursos empregados nas atividades de comércio exterior realizadas pela empresa nos anos de 2009 a 2011 Informase da existência de importações registradas pela NEXT TRADE, por conta própria e por sua conta e ordem, tendo como importador identificado a empresa INTERCOM. Efetuada análise da origem, disponibilidade e transferência do recursos empregados na operações de comércio exterior de 37 DI, a auditoria informa que 14 não possuíam contratos de câmbio vinculados e que somente em 6 os valores dos contratos apresentados são correspondentes aos das importações. Verificado que grande parte dos recursos são provenientes de transferências efetuadas a conta da NEXT TRADE, por meio de TED, para os quais os volumes transacionados não são compatíveis com os das operações de importação. Informa a auditoria fiscal da existência de contratos de mútuo registrados na contabilidade da NEXT TRADE, celebrados com os reais adquirentes das mercadorias importadas, neste caso NEXT Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 12448.726546/201428 Acórdão n.º 3401003.247 S3C4T1 Fl. 3 3 BOATS, SAMAMBAIA, NEXT INDUSTRIA (TERRA & MAR), detalhando assim as operações realizadas entres estas e a autuada, para as quais houve lavratura auto de infração e lançamento de crédito tributário em outros processos, identificados na tabela exposta as fls 58/59, por meio dos quais estaria comprovada a antecipação de recursos por parte dessas empresas. Conclui assim, a auditoria fiscal, seu relatório as fls 56: "pela não comprovação da origem dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 228 de 2002. De acordo com o § 2° do Art 23 do Decreto Lei n° 1455/1976, presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados". Apresenta ainda a auditoria fiscal, um resumo de sua análise dos registros contábeis e comerciais da NEXT TRADE para fins de reforçar a sua tese de que não houve a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados: 1) Das 34 DI registradas, 12 não possuem vinculação com contratos de câmbio, porque os contratos não foram apresentados; 2) Em apenas 6 DI os valores dos contratos de câmbio são correspondentes aos valores das importações; 3) Os contratos de câmbio liquidados nos anos de 2009 a 2011 cobrem apenas parte das importações realizadas no mesmo período; 4) Poucas operações de comércio exterior possuem rastreabilidade financeira, para muitas das Declarações de Importação, as operações de câmbio não têm vinculação inequívoca; 5) A empresa não apresentou prova da integralização do capital social, nem do recebimento pela venda de imóvel do ativo, no valor de R$ 1.400.000,00; 6) O livro Diário Geral do ano calendário de 2009, contém os lançamentos individuais apenas do 1° trimestre do ano calendário; 7) O livro Diário do ano calendário de 2010 não foi entregue, no seu lugar foi apresentado a "listagem verificadora de lançamentos do ano de 2010"; 8) A contabilidade não descreve os lançamentos de maneira a identificálos individualmente, utilizando notações genéricas, como TED, transferência, recebimentos, depósito; Fl. 1754DF CARF MF 4 9) A contabilidade apresentada pela empresa, além de não apresentar o mínimo de formalidades legais, não apresenta confiabilidade das informações. Utilizando contas diversas nos anos calendários apresentados para o mesmo fato operacional, com saldos inicial e final incompatíveis; contas de transação entre Next Trade e ela mesma; várias transações contabilizadas sem contrapartida de lançamentos; 10) As operações de mútuo realizadas com as empresas Next Boats, Samambaia e Next indústria, são um vaievem de recursos, parecendo apenas operações de "fluxo de caixa", não podendo ser consideradas fontes de recursos; 11) As transferências oriundas do Banco Safra aparentemente têm por base a atividade operacional da empresa, contudo os valores transacionados cobrem apenas uma pequena parte das operações de importação realizadas. Além disto, os extratos bancários não foram apresentados pela empresa. Não podendo ser confirmada a efetiva transferência destes recursos, tornando impossível uma conclusão definitiva sobre o ingresso de recursos provenientes da atividade operacional da empresa. A NEXT TRADE apresentou sua impugnação. A respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Florianópolis, após apreciar esta Impugnação e demais atos e documentos que compõem este contraditório, por voto de qualidade quanto à preliminar de decadência e por unanimidade quanto ao mérito, decidiu pela improcedência do recurso e por manter o crédito. O Acórdão ficou assim ementado: Acórdão 0737.084 2a Turma da DRJ/FNS Sessão de 24 de abril de 2015 Processo 12448.726546/201428 Interessado NEXT TRADE SERVICOS DE APOIO ADMINISTRATIVO LTDA CNPJ/CPF 02.415.890/000128 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 DECADÊNCIA. LEI COMPLEMENTAR. HIPÓTESES DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA E SUBFATURAMENTO MEDIANTE FRAUDE. O instituto da decadência e da prescrição são matérias reservadas à lei complementar, nos termos do que dispõe o artigo 146, inciso III, alínea "b" da Constituição Federal de 1988. Nos casos de fraude, simulação ou dolo, tais como a interposição fraudulenta na importação e a ocorrência de subfaturamento mediante fraude, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos do artigo 173, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 CTN, tanto para o lançamento de tributos quanto para a imposição de penalidades. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM E DISPONIBILIDADE DOS RECURSOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO EXTERIOR. PROVAS. A não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de comércio exterior justifica a presunção de interposição fraudulenta, a qual, entretanto, é juris tantum, ou seja, admite prova em contrário. Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 12448.726546/201428 Acórdão n.º 3401003.247 S3C4T1 Fl. 4 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 09/01/2009 a 12/12/2011 NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica, revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. SOLICITAÇÃO. A solicitação para produção de provas deve estar acompanhada da devida motivação, nos termos da legislação em vigor impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros da 2a Turma de Julgamento, por voto de qualidade no tocante à preliminar de decadência e por unanimidade de votos quanto às demais questões, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Vencido em parte o relator originário e o julgador Evandro Moritz. Designado para redigir o voto vencedor, na parte discordante, o julgador Orlando Rutigliani Berri. A empresa NEXT TRADE ingressa com recurso voluntário contra esse Acórdão, reunindo as suas razões e argumentos por que entende devem ser revistas e reformadas a autuação e a decisão colegiada. No processo houve inserção de informação de que a empresa é autora da ação judicial 001546732.2015.4.01.3200 (Justiça Federal do Amazonas). É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Análise dos requisitos de admissibilidade: Tenho a obrigação de apontar minha primeira impressão de que o recurso voluntário é intempestivo. Explicome. Encontrei, nos autos, que a contribuinte tomou ciência do Acórdão do colegiado de 1º piso em 15/05/2015 (fls. 1.721), mas o Recurso Voluntário foi recebido em 03/07/2015. Em meu contar, o termo final da tempestividade seria 16/06/2015. Portanto, o recurso foi entregue além desse limite. Fl. 1756DF CARF MF 6 Por ser intempestivo, proponho a este colegiado não seja conhecido o recurso voluntário e seja mantido a autuação e a decisão de 1ª instância. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 1757DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.000534/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e converter o julgamento diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 84 .0 00 53 4/ 20 10 -6 0 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO O contribuinte sofreu Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativa ao ano calendário de 2006, exercício de 2007, para formalização de exigência e cobrança de restituição indevida a devolver, no valor de R$ 9.501,68 e seus acréscimos legais. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02, na qual requereu o cancelamento do débito fiscal, alegando que o imposto de renda a ser devolvido não foi de fato restituído, pois a declaração em questão teve várias retificações, tendo a última ocorrido em 23/02/2010, conforme documento em anexo, sendo que na mesma não consta imposto a ser restituído nem tampouco a pagar. A 19ª Turma da DRJ/SPO julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: RESTITUIÇÃO INDEVIDA A DEVOLVER. É correto o lançamento que exige a devolução de restituição indevida, em virtude da apresentação de declaração retificadora em que não resultou nenhum valor de imposto a restituir. No entender da DRJ: Na pesquisa efetuada aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil foi constatado que o contribuinte apresentou a declaração de imposto de renda pessoa física do exercício 2007 retificadora, em 14/08/2007, na qual informou rendimentos tributáveis de R$ 161.842,60 e imposto retido na fonte de R$ 42.228,36. O resultado dessa declaração foi imposto a restituir de R$ 9.501,68 que, acrescido de juros até 04/2008, perfez o total de R$ 10.535,46, do qual foi deduzido o débito de R$ 7.471,95, restando a diferença de R$ 3.063,51 que acrescida de juros até 05/2008 atingiu o valor de R$ 3.088,36, valor esse que foi resgatado no banco em 14/05/2008, conforme se vê na consulta abaixo: [...]Entretanto, em 23/02/2010, o contribuinte apresentou Declaração de Ajuste Anual retificadora do exercício 2007, com os valores zerados (fls. 08/12) e, conseqüentemente, foi emitida a Notificação de Lançamento, objeto da impugnação do presente processo, para exigência da restituição indevida a devolver no valor de R$ 9.501,68 e seus acréscimos legais. Sendo assim, encontrase correta a exigência da devolução da restituição, eis que restou comprovado o seu recebimento indevido, já que o contribuinte retificou a declaração que lhe deu origem e não apurou nenhum valor de imposto a restituir. O contribuinte foi intimado da decisão em 07/08/2014 (fl. 24) e interpôs recurso voluntário em 01/09/2014, no qual alega que a declaração retificadora apresentada em Fl. 40DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 4 3 23/02/2010 está equivocada, pois a única alteração que deveria ter sido feita seria a do seu endereço. Destarte, o recorrente pleiteia que seja validada a primeira declaração, requerendo, assim, o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 5 4 VOTO Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da provável existência de erro material É sabido que a declaração retificadora substitui a original, conforme consignado no acórdão nº 2402005.137, deste Colegiado, ex vi do art. 18 da MP 2.18949/20011. É sabido, igualmente, que não compete a este Conselho retificar a declaração prestada pelo sujeito passivo (vide acórdão nº 2402005.230). Portanto, poderseia acolher a afirmação de que seria correta a exigência, pois "o contribuinte retificou a declaração que lhe deu origem e não apurou nenhum valor de imposto a restituir". Ocorre, contudo, que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo pode ser alterado em virtude de iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos do art. 149 do CTN, conforme preleciona o seu art. 145, inc. III. Entre as hipóteses autorizadores da revisão de ofício, aplicáveis ao caso concreto, encontramse a comprovação do erro (art. 149, inc. IV) e a apreciação de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento (art. 149, inc. VIII). Vejase: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...] III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. .... Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; 1 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 13884.000534/201060 Resolução nº 2402000.572 S2C4T2 Fl. 6 5 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; [...] No caso vertente, o "Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte" (fl. 35) prova, aparentemente, a existência de erro de fato cometido pelo recorrente (fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento), o qual, por ocasião da apresentação da declaração retificadora, zerou os montantes que haviam sido originalmente declarados a título de rendimentos tributáveis, de contribuição previdenciária oficial e de imposto de renda retido, zerando, consequentemente, o saldo restituído apurado na declaração retificada. Do citado comprovante, destacase o seguinte quadro demonstrativo: Sendo assim, (i) diante do aparente erro de fato cometido pelo contribuinte; (ii) erro este não detectável quando do lançamento, sobretudo porque o comprovante de rendimentos somente foi apresentado em grau recursal; (iii) dando azo à constituição do crédito em questão; o julgamento deve ser convertido em diligência, para que a autoridade fiscal (i) se manifeste sobre o comprovante de rendimentos de fl. 35; (ii) sobre a provável existência de erro material na declaração retificadora, mormente se considerado o aludido comprovante; e (iii) sobre a subsistência ou insubsistência do crédito lançado em face do sujeito passivo. 3 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO DILIGÊNCIA, nos termos da fundamentação. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 43DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 6/09/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000069/2001-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Dec 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1994
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE FINSOCIAL COM DÉBITOS DA COFINS. CONVALIDAÇÃO. IN SRF Nº 32/97.
A convalidação da compensação do FINSOCIAL com a COFINS efetuada a pedido do contribuinte e com base na IN SRF nº 32/97 para aplicação de decisão judicial transitada em julgado é válida, ainda que os débitos provenientes da glosa da compensação já estivessem no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, inexistindo violação das Leis nº 9.430/96 e 9.784/99.
COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO. APLICAÇÃO DE ÍNDICES PLENOS. IMPOSSIBILIDADE EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE FIXOU OS ÍNDICES A SEREM APLICADOS.
Diante da norma individual e concreta revestida com a eficácia da coisa julgada estabelecendo que, no período anterior à instituição da UFIR, os créditos decorrentes do pagamento indevido do FINSOCIAL devem ser corrigidos pelos mesmos índices utilizados pela União na correção dos débitos do contribuinte, descabe a aplicação dos índices plenos de correção monetária.
COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DO INDÉBITO PELA TAXA SELIC.
Inexistindo saldo de crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996, descabe a aplicação da correção estabelecida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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CONVALIDAÇÃO. IN SRF Nº 32/97. A convalidação da compensação do FINSOCIAL com a COFINS efetuada a pedido do contribuinte e com base na IN SRF nº 32/97 para aplicação de decisão judicial transitada em julgado é válida, ainda que os débitos provenientes da glosa da compensação já estivessem no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional, inexistindo violação das Leis nº 9.430/96 e 9.784/99. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA DO INDÉBITO. APLICAÇÃO DE ÍNDICES PLENOS. IMPOSSIBILIDADE EM VIRTUDE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO QUE FIXOU OS ÍNDICES A SEREM APLICADOS. Diante da norma individual e concreta revestida com a eficácia da coisa julgada estabelecendo que, no período anterior à instituição da UFIR, os créditos decorrentes do pagamento indevido do FINSOCIAL devem ser corrigidos pelos mesmos índices utilizados pela União na correção dos débitos do contribuinte, descabe a aplicação dos índices plenos de correção monetária. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO DO INDÉBITO PELA TAXA SELIC. Inexistindo saldo de crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996, descabe a aplicação da correção estabelecida no art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 5. 00 00 69 /2 00 1- 65 Fl. 439DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido de restituição do FINSOCIAL no qual o contribuinte solicita restituição do indébito relativo a pagamentos efetuados no período compreendido entre setembro de 1989 a julho de 1990, com base em decisões judiciais transitadas em julgado. Alternativamente à restituição, o contribuinte requereu a compensação do indébito com parcelas vencidas e vincendas dos demais tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, inclusive débitos de terceiros e parcelas consolidadas no REFIS. Requereu a aplicação da correção monetária plena, sem os expurgos inflacionários dos planos econômicos. Segundo consta do despacho decisório de fls. 198/202, na ação 90.00.08932 8 o contribuinte obteve o reconhecimento do direito de não recolher o FINSOCIAL com alíquota superior a 0,5%, devendo sujeitarse à tributação da forma como fora originalmente instituída pelo Decretolei nº 1940/82. O Acórdão do TRF da 1ª Região transitou em julgado em 10/06/1994. Já na ação 95.00.111730, o contribuinte obteve o reconhecimento do direito de compensar os valores do FINSOCIAL efetuados a maior, com débitos vincendos da COFINS. O Judiciário decidiu que no período anterior à instituição da UFIR, o indébito deveria ser corrigido pelos mesmos índices utilizados pela União na cobrança de seus débitos e ser acrescido de juros de mora calculados nos termos do art. 167, parágrafo único, do CTN. O Acórdão do TRF da 1ª Região transitou em julgado em 18/10/1999. A autoridade administrativa processou o requerimento do contribuinte e decidiu o seguinte: a) Com relação aos pagamentos efetuados entre agosto de 1990 e março de 1992, houve depósito em juízo. Após o trânsito em julgado da decisão judicial, foi expedido alvará de levantamento (fl. 157 e 166/171) e os valores depositados que excederam a alíquota de 0,5% foram devolvidos ao contribuinte; b) Com relação à parcela de créditos do FINSOCIAL utilizada para a compensação de COFINS dos meses de julho a outubro de 1994, efetuada no processo 10680.011441/9602, os cálculos dessa compensação foram refeitos para contemplar a correção do indébito pelos índices da Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 08, de 27 de junho de 1997, tal como determinou a decisão judicial transitada em julgado (correção do indébito pelos mesmos índices usados pela Receita Federal na correção dos débitos do contribuinte). Após os novos cálculos, concluiuse que o valor do crédito de FINSOCIAL era Fl. 440DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 3 3 equivalente a 201.742,66 UFIR em janeiro de 1992. Esses créditos de FINSOCIAL foram mais do que suficientes para liquidar os débitos da COFINS daqueles períodos compensados no processo 10680.011441/9602, com sobra de crédito a favor do contribuinte no valor de Cr$ 1.154.170,45. Esse saldo, em outubro de 2006, equivale a R$ 57.097,33, disponível para restituição ao contribuinte neste processo administrativo (fls. 63/64 do vol. 1); c) Com relação ao valor remanescente de créditos em outubro de 2006, no montante de R$ 57.097,33, verificando seus sistemas, o Fisco descobriu que no período de janeiro a outubro de 2003 a empresa compensou PIS e COFINS vinculando os créditos de FINSOCIAL pleiteados neste processo. Esses débitos de PIS e COFINS estavam inscritos em dívida ativa porque as vinculações à compensação não foram validadas. Entretanto, considerando a existência de crédito de FINSOCIAL em valor original de Cr$ 1.154.170,45 em julho de 1990, a Administração efetuou a compensação vinculada à COFINS devida em janeiro de 2003, vencida em 14/02/2003. Nesses cálculos, ficou demonstrado que o saldo credor remanescente de FINSOCIAL foi totalmente absorvido, restando um débito remanescente da COFINS de janeiro de 2003 no montante de R$ 1.896,65 (cálculos de fls. 231/234) em relação ao qual prosseguiuse na cobrança; d) Considerando que os créditos de FINSOCIAL do contribuinte foram inteiramente consumidos nas amortizações das compensações informadas nos itens "b" e "c", não existe saldo de FINSOCIAL a ser restituído ao contribuinte. Regularmente notificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o seguinte: a) É credora do Fisco de valores recolhidos a maior a titulo de Finsocial, porquanto ajuizou a Ação Declaratória n° 90.00.089328 (fls. 29/59), julgada procedente e transitada em julgado em 10 de junho de 1994; b) No decorrer da ação parte dos valores foram objeto de depósito judicial (período de agosto de 1990 a março de 1992), os quais foram levantados mediante alvará após o trânsito em julgado; e a outra parte (período de setembro de 1989 a julho de 1990), que já havia sido recolhida aos cofres públicos, conforme comprovam os DARF de fls. 24/28, deve ser a ela restituída em espécie ou mediante compensação; c) Com o trânsito em julgado da Ação Declaratória, a recorrente promoveu a compensação dos créditos com débitos de Cofins referentes ao período de 07/1994 a 10/1994. Todavia, esta compensação foi glosada pela autoridade administrativa, que a considerou indevida. Isto ocasionou a remessa dos débitos para inscrição em divida ativa e o ajuizamento da Execução Fiscal n°199838.00.0346732, a qual foi distribuída perante a 10ª Vara da Justiça Federal de Belo Horizonte — MG (fls. 86/113); d) Tais débitos, objeto da execução fiscal mencionada, foram posteriormente incluídos no Refis pela recorrente, isto em 28 de abril de 2000 (fls. 114/119), o que fez com que o crédito buscado neste processo fosse restituído em sua integralidade ao contribuinte, uma vez que toda a compensação que fora anteriormente glosada foi devidamente paga; e) Com o objetivo de afastar os óbices para que a recorrente pudesse se valer da compensação administrativa para utilizar o crédito de Finsocial, esta ajuizou, em 21 de fevereiro de 1995, a Ação Ordinária n° 95.111730, que tramitou perante a Justiça Federal de Fl. 441DF CARF MF 4 Belo Horizonte — MG, da qual restou reconhecido o direito de compensar tais valores (trânsito em julgado em 18 de outubro de 1999); f) Diante da decisão judicial que lhe assegurou o direito de compensar o indébito de Finsocial, considerando, outrossim, a perda de objeto da compensação inicialmente pretendida (devido à glosa e inclusão dos débitos no Refis), a requerente, em 16 de março de 2001, protocolizou o presente pedido de restituição; g) Quando do protocolo do pedido, a recorrente apresentou planilha com os valores a serem restituídos devidamente atualizados, consoante os índices de correção monetária e expurgos contemplados pela Norma de Execução SRF/COSIT/COSAR n° 08/97 (fl. 18), bem como pela jurisprudência de nossos tribunais, sendo que à época do protocolo, o valor do indébito tributário alçava o montante aproximado de R$ 950.000,00 (novecentos e cinquenta mil reais); h) Posteriormente, considerando que, com a glosa das compensações, seu direito creditório foi restaurado por completo, a recorrente promoveu nova compensação administrativa dos indébitos de Finsocial, agora com débitos de Pis e de Cofins, relativos ao período de 01/2003 a 10/2003, a qual foi informada à RFB por meio das respectivas DCTFs, entregues tempestivamente; g) Passados quase 8 anos do protocolo do pedido de restituição e 6 das declarações de compensação, a autoridade administrativa resolveu analisar os fatos nele ocorridos, o que culminou no equivocado Despacho Decisório recorrido. A solução dada ao caso é ilegal e diverge da jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Requereu o seguinte: 1) O reconhecimento da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários de PIS e COFINS relativos ao período de janeiro a outubro de 2003, em razão da manifestação de inconformidade apresentada; 2) Seja declarado inválido o ato que convalidou as compensações de julho a outubro de1994, pois a convalidação ocorreu após o decurso do prazo de cinco anos estabelecido no art. 54 da Lei nº 9.430/96; 3) Seja o indébito acrescido de correção monetária plena, sem os índices expurgados da inflação não reconhecida nos planos econômicos, e também de juros com base na taxa Selic; 4) Seja assegurado o direito do contribuinte compensar o crédito de FINSOCIAL com quaisquer débitos de tributos administrados pela Receita Federal, não obstante a decisão judicial só tenha autorizado a compensação com a COFINS; 5) Na remota hipótese de não serem acolhidos os pedidos anteriores, que sejam extintos os débitos de PIS e COFINS do período de janeiro a outubro de 2003, em virtude da homologação tácita. Por meio do Acórdão nº 0927.156, de 18, de novembro de 2009, a 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora MG, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Ficou decidido o seguinte: a) No que tange à correção monetária, deve prevalecer o dispositivo da decisão judicial transitada em julgado, que mandou aplicar ao crédito os mesmos índices que o Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 4 5 Fisco utiliza na correção dos débitos do contribuinte, o que afasta a possibilidade de aplicação dos índices "cheios" da inflação expurgada pelos planos econômicos; b) No que tange às compensações do período de janeiro a outubro de 2003, o colegiado entendeu que contribuinte não apresentou as declarações de compensação às quais estava obrigado desde outubro de 2002, quando entrou em vigor o art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Desse modo, as supostas compensações não têm existência jurídica, não havendo que se falar em homologação tácita. Não há como se homologar uma compensação que não existe; c) Tendo em vista que os débitos de PIS e COFINS do período de janeiro a outubro de 2003 estão informados em DCTF e que estas se constituem em instrumento hábil para sua cobrança, não há que se falar em suspensão de exigibilidade com base na manifestação de inconformidade; d) O art. 54 da Lei nº 9.784/99 não se aplica ao caso, pois ele estabelece um prazo de decadência para a Administração anular atos favoráveis ao contribuinte. A convalidação da compensação realizada no período de julho a outubro de 1994 não desfez nenhum ato favorável ao contribuinte. A referida convalidação foi realizada para beneficiar o contribuinte, pois no cálculo original dos créditos não havia sido aplicada nenhuma correção monetária, posto que naquela época não existia a Norma de Execução Conjunta Cosit/Cosar nº 8/1997. E tal procedimento foi feito a pedido do contribuinte e não de ofício pela Administração. Sendo assim, foi negado o pedido de invalidação do ato que convalidou essas compensações. Regularmente notificado da decisão de primeira instância em 29/12/2009, o contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 296/317 em 27/01/2010 (fl. 408). Inicialmente informou que desistiu da compensação efetuada no período de janeiro a outubro de 2003, pois vai incluílos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Sendo assim desiste dos pedidos constantes dos itens "a" e "f" formulados à fl. 302 da manifestação de inconformidade, bem como do pedido de reconhecimento de homologação tácita dessas compensações. No mérito, insurgiuse contra a decisão recorrida na parte em que negou o pleito de anulação da convalidação das compensações efetuadas entre julho e outubro de 1994, sob os argumentos de decadência, violação do princípio da segurança jurídica e impossibilidade de efetuar a convalidação, em face das novas disposições do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Reafirmou seu direito à correção monetária plena do indébito, pois a decisão judicial não afastou seu direito aos índices cheios; a inclusão de tais índices não integrou os pedidos nas ações judiciais e, portanto, não se pode entender que foram afastados pelo Judiciário; a correção monetária plena é o único meio de fazer a Fazenda restituir o que ela obteve indevidamente. Reafirmou a necessidade de aplicar ao indébito a correção pela taxa Selic a partir de janeiro de 1996, na forma do art. 39 da Lei nº 9.430/96. Reafirmou a possibilidade de compensar o indébito com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal. Por meio da Resolução 3102000.231 de fls. 427/428 o julgamento foi convertido em diligência para que a repartição fiscal juntasse aos autos as cópias das peças principais dos processos judiciais onde ficasse demonstrada a data do trânsito em julgado das referidas ações. Por meio do despacho de fls. 434/435 o processo foi restituído ao CARF com a informação de que, embora o contribuinte não tenha respondido à intimação para apresentar as peças da ação judicial, todos os documentos solicitados na diligência já estão anexados ao Fl. 443DF CARF MF 6 processo. A autoridade administrativa elaborou uma espécie de índice, discriminando o documento e a respectiva folha do processo no qual ele se encontra. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Preliminarmente, cumpreme esclarecer ao colegiado que, ao contrário do que está consignado na informação prestada no despacho do retorno da diligência, não existe na versão digital do processo (que tramita pelo eprocesso) nenhuma peça dos processos judiciais. Os documentos existentes no processo digital que correspondem às folhas mencionadas no índice elaborado pela autoridade administrativa (fls. 434/435 do PDF), não correspondem aos documentos indicados pela referida autoridade. No processo que tramita pelo eprocesso não existe nenhum documento relativo aos processos judiciais. O que se tem são relatos do objeto e do conteúdo das decisões judiciais proferidas, bem como informação quanto às datas em que ocorreram os trânsitos em julgado. Entretanto, considero que a diligência solicitada foi desnecessária, pois a inexistência das peças dos processos judiciais não constitui óbice ao julgamento do recurso voluntário, uma vez que são fatos incontroversos no processo: a) a existência das duas ações judiciais; b) as datas em que ambas transitaram em julgado; c) o conteúdo da parte dispositiva que reconheceu o direito de o contribuinte efetuar a compensação dos créditos do FINSOCIAL com a COFINS; e d) a correção monetária do indébito pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional na correção de seus créditos, no período que antecedeu a instituição da UFIR. Por não existirem controvérsias quanto aos objetos das ações, quanto aos conteúdos das decisões e nem quanto às datas em que transitaram em julgado, não vejo nenhuma necessidade de que este colegiado devolva o processo à repartição de origem para a juntada dos documentos da ação judicial, mesmo porque nem mesmo o contribuinte respondeu a intimação para apresentar as referidas peças. No mérito, são três as questões postas no recurso voluntário a serem decididas por este colegiado: a) se o que o contribuinte chamou de "convalidação" das compensações do período de julho a outubro de 1994 violou as Leis nº 9.784/99 e 9.430/96; b) se é possível aplicar a correção monetária ao indébito pelos índices cheios, quando é incontroverso nos autos que o dispositivo transitado em julgado da ação judicial determinou a correção pelos mesmos índices utilizados pelo fisco na cobrança de seus créditos, no período anterior à instituição da UFIR, quando não havia previsão legal para a correção da restituição; e Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 5 7 c) se é possível o contribuinte compensar o crédito de FINSOCIAL com débitos de qualquer tributo administrado pela Receita Federal ou obter restituição, apesar da decisão judicial ter restringido o direito à compensação com débitos de COFINS. Relativamente à questão posta no item "c" acima, assim se pronunciou o acórdão de primeira instância (fl. 293), in verbis: "(...) (...)" Como se vê, a questão trazida a este colegiado já foi decidida favoravelmente ao contribuinte pelo acórdão de primeira instância e, por tal motivo, não será abordada neste voto. No que tange à impossibilidade de a Administração "convalidar" a compensação do crédito de FINSOCIAL com os débitos da COFINS dos meses de julho a outubro de 1994, a argumentação da defesa faz parecer que a autoridade administrativa reviu de ofício o ato de glosa da compensação, mas na verdade, tal revisão decorreu de pedido expresso do contribuinte, tal como se pode constatar na fl. 26, in verbis: "(...) Fl. 445DF CARF MF 8 Conforme se pode constatar, foi a própria recorrente quem solicitou a exclusão dos débitos de julho a outubro de 1994 da inscrição na dívida ativa, a fim de que fosse aplicada a convalidação estabelecida na IN SRF nº 32/97. Portanto, se foi o contribuinte quem solicitou a revisão dos cálculos a fim de que fosse reconhecido o direito já exercido de compensação do FINSOCIAL com a COFINS e a aplicação da decisão judicial que lhe beneficiava, não tem cabimento algum que ele venha argumentar com o art. 54 da Lei nº 9.784/99, que dispõe o seguinte: Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1oNo caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2oConsiderase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Como se vê, andou bem a decisão recorrida ao considerar esse dispositivo legal inaplicável ao caso concreto, pois a Administração não anulou por iniciativa própria um ato favorável ao contribuinte para substituílo por um desfavorável. Pelo contrário, a revisão efetuada aumentou o crédito de FINSOCIAL do contribuinte, pois a DRF aplicou ao indébito os mesmos índices de correção monetária que o fisco aplicava na correção dos valores que lhe eram devidos (NE COSIT/COSAR nº 08/1997) e tal alteração nos cálculos decorreu de pedido expresso do contribuinte. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 6 9 Também não tem aplicação alguma ao caso concreto o art. 55 da Lei nº 9.784/99. O referido dispositivo estabelece o seguinte: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Como se vê o citado artigo também não tem aplicação neste caso porque a revisão dos cálculos a pedido do contribuinte não acarretou lesão ao interesse público e nem prejuízo a terceiros. O interesse público não foi maculado, pois existe prova nos autos de que a revisão foi feita a pedido do contribuinte e que a correção monetária com base nos mesmos índices foi estabelecida por meio de decisão judicial transitada em julgado. Da mesma forma, a revisão dos cálculos não causou prejuízo a terceiros, pois na relação debito/crédito só existem dois interessados: a União e o contribuinte. Portanto, não há que se falar em decadência do direito de a Administração rever o despacho que não aceitou a compensação efetuada no processo nº 10680.011441/9602, pois tal revisão não foi feita de ofício e a referida revisão e aumentou o valor do crédito reconhecido na ação judicial, o qual foi utilizado para extinguir, por compensação, os débitos de COFINS do período de julho a outubro de 1994, cujo direito já havia sido exercido pelo contribuinte. Mas não é só. O contribuinte está se valendo do significado ambíguo do verbo "convalidar". Esse verbo foi empregado na Lei nº 9.784/99 com um sentido diferente daquele com que foi empregado na IN SRF nº 32/97. Na Lei nº 9.784/99 a "convalidação" se refere a um ato administrativo expedido com algum vício sanável. Ou seja, "convalidar" no contexto da Lei nº 9.784/99 significa tornar hígido um ato administrativo que não era hígido, por possuir algum defeito sanável. Já na IN SRF nº 32/97, "convalidar" significa aceitar as compensações de créditos de FINSOCIAL com débitos da COFINS, que haviam sido efetuadas pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, uma vez que a Administração Tributária não aceitava essa compensação, em virtude da interpretação literal que era dada ao art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/911. 1 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. § 4° O Departamento da Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Fl. 447DF CARF MF 10 Isso revela que não havia nenhum vício a ser "convalidado" no despacho original que não aceitou a compensação dos créditos de FINSOCIAL com os débitos da COFINS, pois ele estava conforme à literalidade do art. 66, § 1º da Lei nº 8.383/91, que só autorizava a compensação entre tributos da mesma espécie. Portanto, o reconhecimento do direito à compensação do crédito de FINSOCIAL com os débitos de COFINS do período de julho a outubro de 1994, efetuada no processo nº 10680.011441/9602, a pedido do contribuinte, não "convalidou" um ato administrativo inválido por estar eivado de algum vício sanável. O que ocorreu foi a aceitação por parte do Fisco de uma compensação que antes não era aceita, mesmo porque na ação judicial o contribuinte ganhou o mesmo direito reconhecido pela IN SRF nº 32/97. Com isso, ficam afastadas as alegações de que o fisco decaiu do direito de "convalidar" a compensação e de que a "convalidação" violou a proibição contida no art. 74, § 3º da Lei nº 9.430/96. O art. 74, § 3º da Lei nº 9.430/96, proíbe o contribuinte de incluir em declaração de compensação débitos que tenham sido encaminhados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em dívida ativa; débito que tenha sido incluído em processo de parcelamento; e débitos que tenham sido objeto de compensação não homologada, que se encontre pendente de decisão administrativa. Esse dispositivo legal é inaplicável ao caso porque o direito à compensação já havia sido exercido pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, com base no art. 66 da Lei nº 8.383/91. Desse modo, não há que se falar em violação da Lei nº 9.430/96, pois o procedimento da Administração Tributária foi efetuado a pedido do contribuinte e para cumprimento de decisão judicial, que reconheceu o direito à compensação do FINSOCIAL com a COFINS, com base no regime da do art. 66 da Lei nº 8.83/91. No mesmo sentido, são inaplicáveis ao caso concreto os Acórdãos transcritos no corpo do recurso, pois todos eles sopesaram situações fáticas completamente distintas do caso concreto. Aqui se trata de dar cumprimento a pedido do contribuinte a uma decisão judicial transitada em julgado que reconheceu o direito do autor a efetuar uma compensação que ele já havia efetuado no âmbito do lançamento por homologação. Nos acórdãos transcritos no recurso, a compensação ou foi efetuada com crédito resultante de decisão não transitada em julgado (20400.900); ou foi feita compensação de ofício (RESP 873.799), o que não é o caso dos autos. Sendo assim, permanece hígida a compensação efetuada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação e confirmada pela Administração, no processo 10680.011441/9602. Relativamente à correção monetária plena, também não assiste razão ao contribuinte, pois é incontroverso nos autos que a decisão judicial transitada em julgado estabeleceu que para períodos anteriores ao advento da UFIR, o crédito do contribuinte deveria ser corrigido pelos mesmos índices que corrigiram os créditos da Fazenda Nacional. A origem desse entendimento reside no fato de que antes da introdução do direito de compensação por meio do art. 66 da Lei nº 8.383/91 não havia previsão legal para a correção monetária dos créditos dos contribuintes. Após anos de demandas judiciais, consolidouse no Poder Judiciário o entendimento de que os indébitos originados em períodos anteriores à Lei nº 8.383/91, os Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13605.000069/200165 Acórdão n.º 3402003.666 S3C4T2 Fl. 7 11 indébitos deveriam sofrer correção monetária pelo mesmo critério que a Fazenda Nacional utilizava para corrigir os débitos dos contribuintes. E isso foi operacionalizado pelos índices estabelecidos na Norma de Execução Conjunta COSIT/COSAR nº 8/97. Como essa Norma de Execução satisfaz a exigência contida no dispositivo transitado em julgado, não existe nenhum reparo a fazer nos cálculos elaborados pela repartição fiscal de origem. Os argumentos deduzidos no recurso são irrelevantes para afastar a norma individual e concreta, revestida com a eficácia da coisa julgada. O fato de o contribuinte não ter pedido a correção monetária na petição inicial da ação, não significa que o juiz não afastou a sua pretensão. Se o juiz escreveu no dispositivo que anteriormente ao advento da UFIR o crédito do contribuinte deveria ser corrigido pelos mesmos índices aplicados aos créditos da Fazenda Nacional, não há como ampliar essa decisão em sede de julgamento administrativo para incluir os índices cheios. Por todos esses motivos, não podem ser aceitos os valores de crédito calculados pelo contribuinte que foram apresentados com a impugnação. O contribuinte pleiteou, ainda, a aplicação da Taxa Selic para a correção do indébito, com base no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.430/96. Ora, essa correção só pode ser aplicada a partir da vigência da Lei nº 9.430/96, e caso ainda reste indébito do contribuinte em relação aos pagamentos indevidamente efetuados contribuinte à época em que estava sujeito ao FINSOCIAL. Considerando que a autoridade administrativa demonstrou que com o cumprimento da decisão judicial transitada em julgado os créditos de FINSOCIAL foram absorvidos integralmente pelas compensações realizadas pelo contribuinte antes da publicação da Lei nº 9.430/96, não resta nenhum saldo de FINSOCIAL passível de ser corrigido pela aplicação da Taxa Selic. O contribuinte reclamou que nos cálculos de fls. 222 e 252/253, a autoridade administrativa violou o art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96 porque ela não aplicou a Taxa Selic para corrigir o indébito. Examinandose esses cálculos, constatase que eles foram efetuados para utilizar o crédito de FINSOCIAL do contribuinte para amortizar compensações efetuadas com débitos de COFINS vencidos antes do advento do art. 39, § 4º da Lei nº 9.430/96. Sendo assim, não havia mesmo como a autoridade administrativa aplicar a taxa Selic retroativamente àquele indébito. Somente se sobrasse crédito a favor do contribuinte em período posterior a janeiro de 1996 é que esse saldo seria passível de correção pela Taxa Selic. No caso concreto, conforme antes mencionado, o saldo de créditos de FINSOCIAL foi consumido inteiramente em compensações efetuadas antes de janeiro de 1996, inexistindo saldo passível de ser corrigido pela Taxa Selic. Com esses fundamentos, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 449DF CARF MF 12 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 450DF CARF MF
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