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Numero do processo: 13888.003010/2008-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2401-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .0 03 01 0/ 20 08 -7 6 Fl. 84DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 76 ___________ Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão 1425.499 (fls. 47/53) da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2007 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELA INTEGRANTE. ABONO SALARIAL. Integra o salário de contribuição os abonos salariais concedidos a segurados empregados quando, não expressamente desvinculados do salário por força de lei. DECADÊNCIA. PRAZO. PREVISÃO EM LEI ORDINÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. O artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é inconstitucional, consoante súmula vinculante n° 8 do STF. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. PRAZO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existindo antecipação do pagamento, ainda que parcial, a decadência operase com o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, mediante aplicação do artigo 150, §4° do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente em Parte Às fls. 2 e seguintes, consta Auto de Infração (DEBCAD n° 37.135.0514) lavrado para constituição do crédito tributário, dos estabelecimento CNPJ's 000150; 000665 e 000908, no valor de R$ 8.494,40 (oito mil quatrocentos e noventa e quatro reais e quarenta centavos), referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pelos segurados. Os fatos geradores das contribuições lançadas foram as remunerações pagas ou creditadas pela empresa autuada a segurados empregados a título de abonos salariais, por força de Convenção Coletiva de Trabalho, nas seguintes competências a) CNPJ 54.365.317/000150 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2003, 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004, 01/2006, 01/2007; b) CNPJ 54.365.317/000665 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2003, 02/2004, 03/2004, 04/2004; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13888.003010/200876 Resolução nº 2401000.641 S2C4T1 Fl. 77 3 c) CNPJ 54.365.317/000908 01/2003, 02/2003, 03/2003, 04/2003, 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004. Do relatório da decisão de piso, extraemse, em resumo, os principais argumentos de sua peça impugnatória: Os pagamentos dos abonos salariais aos empregados foram feitos em cumprimento a Acordo Coletivo de Trabalho, que dispõe expressamente que não haverá incidência de encargos sociais sobre tais pagamentos. A empresa apenas obedeceu a essa determinação. A empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e qualquer outro lançamento neste período está abrangido pela decadência, a teor do artigo 174 do Código Tributário Nacional CTN. No item 8° do Relatório Fiscal faz uma declaração destituída de fundamento jurídico. A representação só pode ser efetuada após o crédito tributário estiver definitivamente constituído, conforme disposto no artigo 60 da Lei n. 9.430/91. Requer a procedência da impugnação. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/08/2010 (fls. 66), apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2010. Do qual transcrevo o seu inteiro teor: Weiser Veículos S/A. já qualificada no processo acima, vem com o devido respeito, por seu procurador abaixo, apresentar recurso voluntário, contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pelos seguintes motivos de fato e de direito: 1. Na realidade, foram lavrados 19 (dezenove) autos de infração, tendo por base os mesmos fatos geradores. Alguns, com infração regulamentar simplesmente, e apenas dois com cobrança de contribuição social ao INSS. Os valores foram extraídos de lançamentos que não estavam os pagamentos, sujeitos a essa contribuição social. 2. Salienta ainda, que a empresa foi fiscalizada em 2003 e 2004 e outros lançamentos nesse período, ou somente em relação a 2003, estão abrangidos pela decadência, a teor do artigo 174 de C.T.N. porque os autos são de 2008. 3. A frondosa legislação transcrita nos autos dificulta sobremaneira a impugnação, como reconhecido pela autoridade julgadora. 4. Reitera, que não houve falta de pagamento de qualquer contribuição, pois os arquivos, documentos e livros estiveram à disposição do fiscal autuante, muitos documentos nem foram verificados, tal o volume apresentado. 5. Quanto à multa aplicada e a retroatividade benigna reconhecida no julgamento, deve ser retificado o auto de infração e não como foi decidido, prolongando “essa providência para a ocasião do pagamento. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13888.003010/200876 Resolução nº 2401000.641 S2C4T1 Fl. 78 4 Reitera todos os temas da Impugnação, comprovada por documentos. Enfim, são autos destituídos de fundamento, aleatórios e por essa razão requer a sua insubstituência, como medida de inteira Justiça. É o relatório Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13888.003010/200876 Resolução nº 2401000.641 S2C4T1 Fl. 79 5 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese na natureza dos valores pagos aos trabalhadores a título de abonos salariais, serem considerados ou não salário de contribuição, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondente a parte devida pelos segurados. Em regra, os abonos são adiantamentos salariais ou um valor adicional concedido ao trabalhador e incorporado ao seu salário. Sua natureza remuneratória é inequívoca, o que acarreta a incidência de contribuição. Assim, fazem parte do salário de contribuição, a menos que a lei, expressamente, retirelhes a natureza salarial. Na definição de salário de contribuição, o legislador adotou o conceito bem mais amplo de remuneração para efeitos de apuração da contribuição previdenciária, abrangendo o salário, com todos os componentes, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. Por outro lado, as exceções ao disposto no art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, estão dispostas no §9º, que especifica no item 7 da alínea "e" que as importâncias recebidas a título de abonos expressamente desvinculados do salário não integram o salário de contribuição. Neste sentido, também são as disposições do art. 214, §9º, V, do Decreto nº 3.048, de 1999, " j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999)". Veja que o normativo é claro no sentido de que os abanos não compõem a base de cálculo, para efeitos de apuração das contribuições previdenciárias, quando desvinculados do salário em função de lei. Em que pese a força dos Acordo e Convenções Coletivas, como garantia constitucional que asseguram os direitos trabalhistas entre as categorias dos empregadores e empregados, os mesmos não podem ser opostos ao fisco para estabelecer uma regra de não incidência das contribuições previdenciárias, pois são desprovidos de força normativa, lei em sentido formal. Entretanto, uma questão essencial ao mérito em discussão deverá ser esclarecido quanto aos valores pagos pelo empregador aos seus empregados, no caso, se corresponde a um abono único. Haja vista o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 de 20/12/2011, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda em 7/12/2011, conforme despacho publicado no Diário Oficial da União DOU, em 9/12/2011, Seção 1, página 58, dispõe que a contribuição previdenciária não Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13888.003010/200876 Resolução nº 2401000.641 S2C4T1 Fl. 80 6 incide sobre os valores pagos pelo empregador aos seus empregados a título de abono único concedido por meio de Convenção Coletiva de Trabalho. Posteriormente, foi elaborado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN o Ato Declaratório nº 16 de 20/12/2011, que dispõe: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:"nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/ 11/ 2007). Nos termos da Lei 10.522/02, artigo 19, §§ 4º e 5º, a lavratura de ato declaratório também possui o condão de impedir a constituição do crédito tributário pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, obrigandoa, inclusive, a rever, de ofício, os lançamentos já efetuados. Sendo assim, sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Em complemento, a IN RFB nº 1.453/2014, que alterou a IN RFB nº 971/2009, dispõe que o abono único previsto em Convenção Coletiva não integra a base de cálculo para fins de incidência de contribuições: Seção V Das Parcelas NãoIntegrantes da Base de Cálculo Art. 58. Não integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuições: [...] XXX o abono único previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desde que desvinculado do salário e pago sem habitualidade. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1453, de 24 de fevereiro de 2014) (grifo nosso) Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13888.003010/200876 Resolução nº 2401000.641 S2C4T1 Fl. 81 7 Conclusão Diante do acima exposto, considerando que nos autos faltam elementos para se concluir que os valores dos pagamentos nas referidas competência decorrem de abono único, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que a unidade da Secretaria da Receita Federal de jurisdição esclareça se as remunerações pagas ou creditadas a título de abonos salariais, por força de Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho, tem a natureza de Abono Único, bem assim prestar outras informações que se fizerem necessários. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.728017/2015-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra, que entenderam não ser necessária a diligência.Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra, que entenderam não ser necessária a diligência.Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1450; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.783 1 1.782 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.728017/201530 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.369 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de maio de 2018 Assunto IPI Recorrente AVON INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula (relatora), Pedro Sousa Bispo e Waldir Navarro Bezerra, que entenderam não ser necessária a diligência.Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 14 .7 28 01 7/ 20 15 -3 0 Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 10314.728017/201530 Resolução nº 3402001.369 S3C4T2 Fl. 1.784 2 Versa o processo sobre auto de infração para a exigência de IPI, no valor total de R$ 7.056.685,08, relativo aos períodos de apuração do ano de 2011, por falta de declaração e recolhimento de IPI e utilização indevida de créditos relativos à devolução de vendas. A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: 1. Que a impugnação apresentada se refere tão somente aos débitos relacionados ao suposto creditamento indevido, conforme itens 21 e 22 de sua peça de defesa; 2. Que o lançamento é nulo ante a impossibilidade de utilização de presunção; 3. Que há falta de fundamentação para desconsideração das notas fiscais de devolução; 4. Que a impugnante agiu corretamente segundo o Art. 434, IX do RIPI/10; 5. Que a fiscalização não observou a regra prevista no artigo 112 do CTN; 6. Requer diligência para esclarecimento de fato e produção de prova, item 63 de sua Impugnação; 7. Que a taxa SELIC não pode incidir sobre a multa; 8. Que a taxa SELIC é imprópria para atualizar débitos tributários; 9. Que a multa de ofício aplicada é abusiva e desproporcional; A Delegacia de Julgamento não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos principais: A própria Impugnante reconhece, no item 26 de sua peça, que "as mercadorias em questão jamais terem sido enviadas ao destinatário". Como se pode considerar a existência de "retorno de remessa", se não houve remessa? O fato apontado pela fiscalização é concreto: glosa de crédito de IPI em razão da emissão de nota fiscal de entrada em desacordo com a legislação tributária. Verifico, portanto, que o motivo da glosa não decorre de um raciocínio inferido, pressuposto ou deduzido. Nulidade afastada. O fato alegado pela Impugnante, qual seja, a substituição de software contábil/fiscal que teria identificado a emissão de nota fiscal de saída sem uma efetiva saída de produtos de seu estabelecimento, na hipótese de sua comprovação, ensejaria a repetição de indébito, em havendo pagamento do imposto, mas não justifica, isto sim, a emissão de nota fiscal de entrada. Não há previsão regulamentar ou legal que autorize a emissão e creditamento do imposto na situação apontada nos autos. A Impugnante desistiu, expressamente, de impugnar o lançamento quanto a matéria de falta de declaração e recolhimento do IPI em virtude de divergência entre a DCTF e as notas fiscais emitidas, conforme itens 21 e 22 de sua impugnação. Assim, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, tais questões não podem ser mais abordadas em momento processual posterior. Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10314.728017/201530 Resolução nº 3402001.369 S3C4T2 Fl. 1.785 3 Cientificada dessa decisão em 07/04/2017, a interessada interpôs recurso voluntário em 05/05/2017, alegando e requerendo, em síntese: Há questões prejudiciais à validade da autuação e da decisão recorrida, quais sejam: (i) a necessidade de análise, pela DRJ/RPO, dos documentos que comprovam a regularidade das operações e procedimentos adotados; (ii) a impossibilidade de exigência fiscal baseada em mera presunção; (iii) os erros cometidos na apuração do imposto supostamente devido; e (iv) a falta de fundamentação para desconsideração das notas fiscais de devolução. A Recorrente agiu corretamente ao emitir as notas fiscais com base no artigo 434, inciso IX, do RIPI e também no artigo 136, inciso I, alínea ‘e’ do Regulamento do ICMS, no Estado de São Paulo (RICMS/SP). As mercadorias jamais foram entregues à empresa adquirente. A Recorrente realizou operações de saída de mercadorias (doc. no 5 da Impugnação) — recolheu todos os tributos devidos — e, quando verificou que as mercadorias não foram entregues à “empresa adquirente” (AVON COSMÉTICOS), emitiu as notas fiscais de entrada de devolução (vide docs. n°s 6 e 11 da Impugnação). O RIPI não prevê qualquer prazo para a emissão da nota fiscal de entrada prevista no artigo 434, inciso IX. A Fiscalização e o Acórdão recorrido não observaram a regra prevista no artigo 112 do CTN e não apresentaram qualquer comprovação de suas suposições de que os documentos apresentados pela Recorrente seriam inaptos para comprovar que as vendas questionadas não teriam sido realizadas, nem que as mercadorias não teriam dado entrada nos estoques da AVON COSMÉTICOS. O direito da Recorrente aos créditos de imposto destacados nas notas fiscais de entrada é decorrente da própria sistemática de apuração do IPI, e negálos seria imputar à Recorrente uma penalidade não prevista em lei, ainda mais quando se considera que, na verdade, tudo não passou de um problema nos sistemas informatizados da Recorrente, ao invés de uma efetiva infração à legislação tributária. É incabível a incidência da taxa Selic sobre a multa, cabendo lembrar que a jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da taxa Selic aos créditos tributários, uma vez que essa taxa não foi criada por lei para fins tributários. A Recorrente demonstrou que agiu em conformidade com a legislação fiscal em vigor, de forma que não seria justo atribuirlhe uma penalidade de 75% sobre o valor do suposto crédito tributário ora discutido, que ultrapassa os limites da razoabilidade e proporcionalidade, devendo ser prontamente reduzida. Requer a Recorrente a intimação para realização de sustentação oral, bem como que seja determinada a realização de diligência para uma efetiva análise dos documentos juntados aos autos na Impugnação, bem como para a confirmação do quanto alegado acerca da não ocorrência das operações de remessa à AVON COSMÉTICOS. Eis o relatório apresentado pela Relatora do caso, em sessão de julgamento ocorrida em 23 de maio de 2018. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 10314.728017/201530 Resolução nº 3402001.369 S3C4T2 Fl. 1.786 4 Resolução Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, Redatora designada. Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange ao procedimento adotado pela Recorrente para o cancelamento de vendas não entregues ao destinatário por erros de parametrização nos sistemas informatizados. Como esclarece a Recorrente, o caso dos autos trata de uma hipótese na qual determinadas notas fiscais foram emitidas erroneamente, por um problema nos sistemas informatizados da empresa, dado que tais notas indicaram saídas de mercadorias em favor da empresa AVON COSMÉTICOS LTDA. que nunca ocorreram de fato. Tais "operações de saída” foram registradas nos livros fiscais e devidamente tributadas, mas as correspondentes mercadorias jamais saíram fisicamente do estabelecimento da Recorrente. Após ter constatado que essas mercadorias não foram entregues à empresa adquirente (AVON COSMÉTICOS), a Recorrente emitiu notas fiscais de entrada de devolução dessas mercadorias, em linha com o que prevê o artigo 434, inciso IX, do RIPI. 1 Para comprovar tais alegações, a Recorrente trouxe aos autos provas que, ao meu sentir, devem ser avaliadas antes do prosseguimento do julgamento. Afinal, se comprovadas suas alegações, restará evidente que, por mais que o procedimento padrão de cancelamento de notas fiscais não tenha sido promovido pela Recorrente, a forma adotada não possui impedimento legal, além de que não haveria dano algum ao Erário a ser solucionado pelo auto de infração ora sob análise. Pois bem. Com relação à alegação de que as mercadorias jamais entraram na empresa adquirente (AVON COSMÉTICOS), no Recurso voluntário a Contribuinte busca sua comprovação pela comparação entre as notas fiscais de saída da Recorrente relacionadas com a presente autuação (doc. n. 11 da Impugnacão) e os registros fiscais de entrada da AVON COSMÉTICOS no período (doc. no 12 da Impugnação); bem como pelas informações constantes do SPED da empresa. Complementando as provas anteriormente trazidas aos autos, a Recorrente trouxe aos autos laudo emitido por empresa de auditoria independente (fls. 1770 a 1782), no qual foram analisadas 2.472 notas fiscais supostamente decorrentes das falhas nos sistemas informatizados da empresa, com a seguinte metodologia: • Cruzamento eletrônico entre as notas fiscais emitidas pela AVON INDUSTRIAL, mencionadas no Auto de Infração, e o SPED Fiscal da AVON COSMÉTICOS; • Análise de informações prestadas pelas transportadoras registradas nas notas fiscais de saída, no que diz respeito a ocorrência do serviço de transporte. Entretanto, a maioria do Colegiado entendeu que os elementos constantes nos autos não são suficientes para ter segurança acerca da situação aventada pela Recorrente. 1 Emissão na Entrada de Produtos Art. 434. A nota fiscal, modelo 1 ou 1A, será emitida sempre que no estabelecimento entrarem, real ou simbolicamente, produtos: (...) IX no retorno de remessas que deixarem de ser entregues aos seus destinatários; (...) Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10314.728017/201530 Resolução nº 3402001.369 S3C4T2 Fl. 1.787 5 Portanto, ressalvando a futura decisão de mérito a ser proferida por este Colegiado, com base no artigo 18 do Decreto 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência para solicitar à fiscalização de origem: 1. intimar a Recorrente para, complementando o laudo de fls 1770 a 1782, fazer prova cabal de sua alegação de inocorrência das operações de venda para a AVON COSMÉTICOS, dando especial ênfase aos registros do seu controle de estoque (prova vinculada ao Livro Controle da produção e do estoque modelo 3, ou controle similar conforme previsto na legislação do IPI); 2. com base na prova produzida nesses termos pela Contribuinte, reconstituir a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindo os créditos indevidamente glosados porque relacionados às notas fiscais de devolução em apreço, independentemente de eventual discordância da fiscalização sobre o procedimento adotado pela Recorrente; 3. repercutir a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; 4. dar ciência desse parecer ao autuado, abrindolhe o prazo regulamentar de 30 dias para manifestação, e; 5. devolver o processo para esta Turma para prosseguimento do julgamento. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 1787DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16542.000244/2003-56
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/11/2000
SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO.
Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto à Fazenda Pública Federal.
Excluído do Simples por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, tem-se o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, contados a partir da ciência da comunicação. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consuma-se, em definitivo, a exclusão.
Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal observará o disposto na legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.205
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/11/2000 SIMPLES. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto à Fazenda Pública Federal. Excluído do Simples por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, tem-se o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, contados a partir da ciência da comunicação. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consuma-se, em definitivo, a exclusão. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal observará o disposto na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS SEM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. EXCLUSÃO. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando da existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto à Fazenda Pública Federal. Excluído do Simples por existência de débitos, sem exigibilidades suspensas, temse o prazo de trinta dias para regularização e permanência da pessoa jurídica como optante do Regime Especial, contados a partir da ciência da comunicação. Ultrapassado o mencionado prazo de regularização, consuma se, em definitivo, a exclusão. Os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal observará o disposto na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 54 2. 00 02 44 /2 00 3- 56 Fl. 84DF CARF MF 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 73/74) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 31/08/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0322.180 (efls. 67/68), da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF (DRJ/BSA), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação (efls. 55/56), que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE), do ano de 2000, que visava a exclusão da contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), Simples Federal, com fulcro no artigo 14, inciso I, da Lei nº 9.317, de 1996, por débitos na PGFN (art. 9°, inciso XV, da Lei nº 9.317, de 1996; e artigo 33, inciso I, combinado com o artigo 12, inciso XV, da IN SRF nº 74, de 24 de dezembro de 1996), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 Ementa: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. Solicitação indeferida. Em despacho decisório (efls. 51/52) foi consignado que o contribuinte havia sido indicado para exclusão do SIMPLES por pendência junto à PGFN, através do ADE, do ano de 2000. Acerca do referido ADE, o sujeito passivo foi intimado, conforme Aviso de Recebimento (AR), em 16/10/2000 (efl. 50), deixando passar in albis o prazo de questionamento. De toda sorte, somente foi excluído da base CNPJ após o trintídio legal. Aliás, só foi excluída em 24/02/2001, com efeitos a partir de 01/11/2000 código de evento 303, na forma do extrato colacionado no eprocesso (efl. 46). Intimada para apresentar manifestação, relativamente ao procedimento acima, por meio de Solicitação de Revisão da Vedação ou da Exclusão da Opção pelo SIMPLES SRS, assegurandolhe o contraditório e a ampla defesa, o que ensejaria sua permanência no sistema, desde que as pendências junto à PGFN fossem resolvidas, o sujeito passivo não Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16542.000244/200356 Acórdão n.º 1002000.205 S1C0T2 Fl. 85 3 apresentou sua inconformidade. De toda sorte, a extinção foi lançada somente em 19/05/2003, consoante se vê no eprocesso (efl. 48). Na sequência, a contribuinte foi intimada do despacho decisório (efls. 51/54), ocasião em que apresentou impugnação para a DRJ (efls. 55/56) Na impugnação alegase, em suma, que a administração tributária, na data de 17/07/1997, inscreveu o sujeito passivo em dívida ativa por pequenas diferenças de contribuição social competência 92/93, recolhidas na época da ufir. As guias teriam sido pagas diferentes do Imposto de Renda entregue, entretanto as diferenças teriam sido recolhidas em 27/11/1996. Haveria pagamento em duplicidade. Desta forma, questiona a problemática e discorda da inscrição e exigibilidade do crédito para fins de exclusão do Simples. Pondera, ainda, que a Receita Federal deveria ter informado a contribuinte de forma tempestiva acerca da exigibilidade do crédito tributário, inscrito na dívida ativa, para que pudesse realizar o pagamento. Suscita, também, que a representante legal não teria assinado o AR informando sobre a inscrição na Dívida Ativa, com concessão de prazo de 30 (trinta) dias para regularização. Ao final, requereu o reenquadramento no Simples desde a data em que foi excluída. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ (efls. 67/68), tendo ponderado que o "argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantêla na sistemática do Simples, visto que se encontra em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso XV do art. 9º da Lei 9.317/1996 (que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa)." A DRJ diz ainda que não procede a alegação da contribuinte de que "não tomou ciência do ato, tendo em vista que dos autos consta AR, e quanto ao pagamento em duplicidade não comprova." O recurso voluntário (efls. 73/74), inconformado com a decisão a quo, restringese a reiterar termos e fundamentos presentes na impugnação. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário apresentase tempestivo (efls. 70/74), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque, apesar de tratar de exclusão do Simples, por existência de débito com exigibilidade não suspensa, o crédito tributário não é exigido nestes autos, a vinculação a ele é indireta e não há vinculação entre os processos, para fins do art. 6.º, § 1.º, do Anexo II, do RICARF. Fl. 86DF CARF MF 4 Sendo assim, a competência é desta Colenda Turma Extraordinária por cuidar os autos de exclusão do Simples, desvinculado de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao mérito, entendo que não assiste razão a recorrente. Vejase. A contribuinte foi excluída do Simples em virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa (Períodos de Apuração 1993/1994), condição vedada pelo artigo 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/1996, legislação vigente à época, cuja redação dispõe que: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XV que tenha débito inscrito em Dívida Ativa da União ou do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...). Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando da existência de débitos tributários ou nãotributários sem exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 14, inciso I, combinado com o artigo 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/1996; e artigo 33, inciso I, combinado com o artigo 12, inciso XV, da IN SRF nº 74, de 24 de dezembro de 1996, cumprindo ao contribuinte o ônus de comprovar que regularizou tempestivamente o débito que deu origem à exclusão, o que não o fez. No mais, como dito pela DRJ, não procede a alegação da contribuinte de que "não tomou ciência do ato, tendo em vista que dos autos consta AR, e quanto ao pagamento em duplicidade não comprova." Aliás, algumas etapas passaram in albis pela recorrente. Demais disto, a quitação dos débitos inscritos em Dívida Ativa da União, que motivaram a exclusão em comento, habilitariam a contribuinte para fazer nova opção para viger a partir do primeiro dia do anocalendário subsequente, nos termos dos §§ 1° e 2° do art. 8° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996. O ato consumado de exclusão não pode ser desfeito, uma vez perfectibilizado como ato jurídico perfeito, ainda mais quando no controle de legalidade não se observa reparos a fazer no ato administrativo. De mais a mais, pela leitura atenta dos fólios eletrônicos, verificase que o contribuinte questiona a justiça de sua inscrição negativa, por entender, primeiro, que a Receita Federal não deveria ter inscrito na Dívida Ativa as contribuições sociais devidas na competência de 1993, e, sim, intimado a recorrente para saldálas no prazo legal. Defende, ademais, que nunca foi regularmente intimada da inscrição na Dívida Ativa. Constato que o AR incluso nestes autos (efl. 50) foi devidamente assinado e foi enviado para o endereço de cadastro da contribuinte, inexistindo razões relevantes para informar a higidez do procedimento notificatório. De seu turno, a recorrente não traz qualquer prova capaz de desconstituir a notificação. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 16542.000244/200356 Acórdão n.º 1002000.205 S1C0T2 Fl. 86 5 A par da regularidade da notificação, percebo que a exclusão da recorrente atendeu os critérios legais vigentes à época, sendo os argumentos deduzidos no recurso incapazes de modificar o entendimento consolidado pelo Juízo a quo. Com efeito, no momento em que a fiscalização constata que a contribuinte está enquadrada em uma das condições elencadas nos incisos do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, é consectário lógico da atividade fiscalizatória atentarse para a realidade concreta dos fatos, no dever que possui em sua atividade vinculada. Demais disto, a ninguém é permitido alegar o desconhecimento da lei, o descumprimento das condições para enquadramento no Simples enseja a exclusão de ofício, nos termos do artigo 14, inciso I, combinado com o artigo 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/1996; e artigo 33, inciso I, combinado com o artigo 12, inciso XV, da Instrução Normativa SRF nº 74, de 24 de dezembro de 1996. Nessa esteira, os efeitos da citada exclusão devem retroagir à data em que o contribuinte não se apresentava em condições de permanecer no regime diferenciado, dada a natureza declaratória do ato de exclusão do Simples. Nesse sentido, cito o Acórdão nº 1301001.523, da 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária deste CARF, sessão de 08 de maio de 2014, assim ementado: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EFEITOS. IRRETROATIVIDADE. ATO DECLARATÓRIO. O ato de exclusão do Simples possui natureza declaratória, que atesta que o contribuinte já não preenchia os requisitos de ingresso no regime desde data pretérita, efeito esse que não guarda nenhuma relação com o princípio da irretroatividade, que se aplica a litígios envolvendo confrontos entre vigência da lei e data dos fatos. Com igual posicionamento, destaco: Acórdãos ns.º 2202003.552, da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 20/10/16; 1302002070, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 21/03/17; 1201001.843, da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 15/08/2017. Destarte, à luz da documentação constante nos autos e conforme afirmativas da contribuinte em sua própria impugnação, resta demonstrado que o sujeito passivo, por ocasião de sua exclusão, na forma do ADE em referência, de fato se encontrava com débitos sem exigibilidade suspensa, circunstância que resulta na correta exclusão nos termos do artigo 14, inciso I, combinado com o artigo 9º, inciso XV, da Lei nº 9.317/1996; e artigo 33, inciso I, combinado com o artigo 12, inciso XV, da IN SRF nº 74, de 24 de dezembro de 1996. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Registro, todavia, a possibilidade de nova inclusão na sistemática do SIMPLES a partir da suspensão da exigibilidade dos débitos, embora o assunto deva ser tratado por meio próprio. Nestes autos cabe exercer o controle de legalidade do ADE e não vejo reparos no ato administrativo, pelo que a exclusão se consumou a tempo e modo, sendo ato juridicamente perfeito, aplicouse adequadamente o direito para o fato observado. Fl. 88DF CARF MF 6 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913818/2012-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.521, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 30/11/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 8/ 20 12 -8 8 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913818/201288 Resolução nº 1302000.562 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913818/201288 Resolução nº 1302000.562 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913818/201288 Resolução nº 1302000.562 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003974/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - FALTA DE DESEMBOLSO PARA PAGAMENTO DO VALOR PRINCIPAL E DO ÁGIO - IMPOSSIBILIDADE
Inexistindo provas de que o investidor tenha despendido valores para pagar o valor da participação e, principalmente, do ágio demonstrado em laudo a que alude o § 1º do art. 385 do RIR, deixa-se de preencher pressuposto essencial à validação das amortizações pretendidas.
Numero da decisão: 1302-002.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO - FALTA DE DESEMBOLSO PARA PAGAMENTO DO VALOR PRINCIPAL E DO ÁGIO - IMPOSSIBILIDADE Inexistindo provas de que o investidor tenha despendido valores para pagar o valor da participação e, principalmente, do ágio demonstrado em laudo a que alude o § 1º do art. 385 do RIR, deixa-se de preencher pressuposto essencial à validação das amortizações pretendidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO FALTA DE DESEMBOLSO PARA PAGAMENTO DO VALOR PRINCIPAL E DO ÁGIO IMPOSSIBILIDADE Inexistindo provas de que o investidor tenha despendido valores para pagar o valor da participação e, principalmente, do ágio demonstrado em laudo a que alude o § 1º do art. 385 do RIR, deixase de preencher pressuposto essencial à validação das amortizações pretendidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos César Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 39 74 /2 00 7- 58 Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.787 2 Cuidase de recurso voluntário interposto por Fotóptica Ltda. contra decisão da DRJ/SPOI (Acórdão nº 1624.412) que havia julgado improcedente a impugnação originariamente oposta, mantendose, na íntegra, o auto de infração lavrado em face do contribuinte e cuja a ementa reproduzo a seguir: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICAIRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO ECONÔMICA DE PESSOA JURÍDICA INCORPORADA. RENTABILIDADE FUTURA. É indispensável, para a aceitação do relatório, a apresentação dos elementos que deram suporte a avaliação apresentada. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA DO MESMO GRUPO. CUSTO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. Não é aceita, para fins fiscais, a amortização de ágio obtido com a integralização de capital através de crédito relativo a suprimento de numerário realizado entre empresas do mesmo grupo. Não há como reconhecer ágio com base em rentabilidade futura, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. AUTO REFLEXO CSLL. O decidido, no mérito do IRPJ, repercute na tributação reflexa. SALDO DE BASE NEGATIVA DA CSLL. Deve ser provada a existência de saldo de bases negativas de exercícios anteriores, através da apresentação do LALUR, para poder ser considerada na apuração da base tributável da CSLL. Mantido o lançamento realizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Pelo que se dessume dos fatos descritos nos autos, a D. Auditoria Fiscal teria promovido a glosa de despesas com amortização de ágio, surgido na aquisição de investimento pela recorrente, nos idos de 2002 a 2004, sustentando, em apertada síntese: a) que laudo lavrado para apurar o valor da investida conforme metodologia de fluxo de caixa descontado restara lastreado em critérios não demonstrados ao longo do aludido estudo, reforçando a sua conclusão pela alegação de que os valores ali descritos não teriam se concretizado nos exercícios subsequentes; b) que, lado outro, "como a incorporada Alta Vista Ltda era controladora da sociedade incorporada Óticas Grande Visão Ltda, não se justificando, a incorporação da controladora pelo valor do patrimônio liquido e a controlada pela rentabilidade futura, tendo em vista que o patrimônio da controlada deve refletir no patrimônio da controladora pela equivalência patrimonial, não se justificando também por este motivo o ágio na aquisição da controlada". Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.788 3 Tal qual se observa da ementa do acórdão da DRJ supra transcrita, aquele colegiado introduziu um terceiro fundamento para a glosa das despesas, sustentando, a par do que disse a fiscalização, que o ágio em questão teria surgido a partir de operações realizadas num mesmo grupo econômico. Intimada do resultado do julgamento em 31/05/2010 (AR de efls. 1.438), a recorrente interpôs seu recurso voluntário (à efls.1.446) em 29/06/2010, sustentando, resumidamente, que: a) tanto a Fiscalização como a DRJ teriam incorrido em erro de premissas, ao considerar o surgimento do ágio em 2002, quando da incorporação da sociedade "Alta Vista" (e, por conseguinte, de sua controlada, Óticas Grande Visão); em verdade, afirma, a predita mais valia teria ocorrido por ocasião da aquisição do investimento pela subscrição de 10.000.000 de cotas, na empresa "Alta Vista" nos idos de 2001, mediante dação em pagamento de créditos cedidos pela empresa Companhia de Participações Alpha. Informa, ainda, que durante este período promoveu o aumento do capital social da Alta Vista no montante de R$ R$ 86.224.714,00 (que, consoante explicita, não faria parte do ágio objeto desta demanda fiscal); b) a citada Companhia de Participações Alpha não seria controladora da sociedade "Alta Vista"; c) o Laudo de Avaliação por expectativa de rentabilidade futura calcado no critério de fluxo de caixa descontado teria por objeto a empresa "Óticas Grande Visão", único ativo da sociedade "Alta Vista" e estaria substancialmente fundamentado, sendo certo que o fato das previsões ali descritas não terem sido alcançadas nos períodos posteriores não seria suficiente para lhe desacreditar. Mais que isso, afirma, que, caso a Fiscalização realmente entendesse que o critério utilizado (fluxo de caixa descontado) não fosse o correto para avaliar as preditas sociedades, lhe competiria, então, dizer qual seria o critério mais adequado. Após discorrer sobre a regularidade e, consequente, legalidade das amortizações intentadas, ao fim, e sucessivamente, requereu que, caso mantidas as glosas efetivadas pela D. Fiscalização, fosse o lançamento anulado em decorrência de erro de cálculo dos valores concernentes à CSLL, mormente porque desconsiderado, pela D. Auditoria, saldos de bases de cálculo negativas apuradas em anos anteriores, o quais deveriam ter sido objeto de compensação, observado o limite percentual legal. O processo foi remetido a este colegiado, aos cuidados do então relator, Conselheiro, Alberto Pinto Júnior, que, de imediato, votou por converter em diligência o julgamento (Resolução 1302000.367 efls 1.471/1.478) a fim de apurar os seguintes fatos: a) considerando que o contribuinte afirmara que o ágio teria surgido quando da subscrição de 10 milhões de reais do capital da empresa "Alta Vista", que se comprovasse, por documentos idôneos o respectivo pagamento de R$ 62.450.126,62, apresentando, na oportunidade, o laudo em que restaria fundamentado o predito ágio; a,1) levando em conta, ainda, a premissa acima, que se comprovasse o registro contábil da "reserva de capital (ágio na subscrição) no mesmo valor, no patrimônio líquido da Alta Vista", justificandose, na oportunidade, o motivo pelo qual a DIPJ AC 2001 da Alta Vista (efl. 1.026) não teria informado saldo nessa conta (reserva de capital); Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.789 4 b) em função do pedido sucessivo apresentado pelo contribuinte, que a DEFIC/SP informasse o valor do saldo de base de cálculo negativa de CSLL existentes tanto na época dos fatos geradores tratados neste feito, como na data do lançamento (data da lavratura do auto de infração) e, ainda, na data presente. Em atendimento às intimações efetivadas em decorrência da determinação constante da resolução supra, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: (i) cópia do Livro Geral da Alta Vista S.A.; (ii) cópia do Balancete da Alta Vista S.A. (maio/2001); (iii) cópia da conciliação de contas da operação; (iv) cópia do recibo de integralização de capital no valor de R$ 10.000.000,00; (v) cópia do Laudo que fundamentou a operação de subscrição com ágio em questão; e (vi) cópia da página do Livro Razão da Peticionária, de maio de 2001, onde consta tal integralização com ágio. (vii) cópia da DIPJ anocalendário 2001 da peticionária, de onde se denota a correta informação acerca do ágio (doc. 01); (viii) cópia dos balancetes dos anos de 1999 e 2000 da Óticas Grande Visão Ltda., empresa detida pela Alta Vista S.A. e em razão da qual foi constituído o ágio com fundamento em rentabilidade futura (doc. 02); (ix) cópia da ficha 44 da DIPJ da Alta Vista S.A., anocalendário 2001, mostrando que o valor da empresa Óticas Grande Visão Ltda, por equivalência patrimonial era de R$ 26.637.688,16 (doc. 03); (x) cópia do Balancete da Peticionária, de dezembro de 2001, demonstrando a devida contabilização da participação na empresa e do respectivo ágio (doc. 04); (xi) cópia do Livro Diário da Peticionária, de maio de 2001, onde se verifica a correta contabilização dos 02 (dois) investimentos havidos na Alta Vista S.A., nos valores de R$ 10.000.000,00 em 15/05/2001, e de R$ 86.224.714,00 em 27/05/2001, com a formação do ágio de R$ 62.450.126,62 (valor referente à rentabilidade futura da empresa Óticas Grande Visão Ltda. , conforme laudo) (doc. 05); (xii) cópias das Atas da Assembléia Geral referentes às subscrições em referência (doc. 06). Além disso, nesta ocasião, o contribuinte teceu as suas considerações sobre os documentos apresentados afirmando, inclusive, que os mesmos dariam lastro às conclusões exaradas no Laudo de Avaliação lavrado para mensurar a empresa Alta Vista e, principalmente, a empresa Óticas Grande Visão (objeto, propriamente, do aludido estudo dado que, pelo que afirmara o contribuinte, era o único ativo daquela primeira empresa). Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.790 5 Esclareceu, por fim, que não constara da DIPJ AC2001 da empresa Alta Vista o registro da reserva de capital tratada pela resolução porque a aludida empresa teria incorrido em erro de contabilização ao escriturar a "totalidade na conta de capital" dos valores do investimento "em vez de dividilo entre capital e reserva de ágio, o que de forma alguma causou qualquer prejuízo ao erário". Por ultimo, apresentou nova manifestação por meio da qual premeu pela apresentação das demonstrações financeiras da empresa Óticas Grande Visão, datadas de 31 de dezembro de 2000 e 2001, acompanhadas de parecer de auditoria independente, além dos originais dos Livros Razão de 2000 e 2001 da empresa "Alta Vista". Alega ter solicitado à Junta do Comércio de São Paulo das cópias das vias dos recibos de integralização de capital noticiada linhas acima, sem sucesso até então. Através de nova resolução (1302000.414 efls. 1681 e segs.), o então relator determinou nova diligência para que fosse cumprida a solicitação descrita no item "b" da citada decisão que fora apenas parcialmente atendida pela Unidade de Origem (apresentou se apenas o valor dos saldos negativos havidos pela empresa antes dos fatos geradores); como resultado disso, foi prolatada uma terceira resolução, desta vez, de nº 1302000.483 (efls. 1.704/1.715) para que a solicitação supra fosse integralmente cumprida. Desta vez, à efls. 1.738, a Unidade de Origem apresentou a informação completa que, somada aquela constante dos demonstrativos de efls. 1.698, representaria a seguinte realidade: Saldos de BC Negativa dos períodos solicitados pelo então Relator (2002 a 2004, 2007 e 2013) AC 2002 (R$) AC 2003 (R$) AC 2004 (R$) AC 2007 (07/12/2007) (R$) AC 2013 (31/12/2013) (R$) 18.249.732,42 18.249.732,42 18.249.732,42 44.465.982,81 178.526.665,43 A Autoridade Fiscal afirmou não ter identificado qualquer compensação anterior e, mais, não ter localizado registros no SPEDECF para os anoscalendários ulteriores (2014 e ss). Os autos então retornaram a este Conselho, tendo sido redistribuídos à minha relatoria. Este, o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é, como já reconhecido, por três vezes, pelo Conselheiro Alberto Pinto Júnior, tempestivo e preenche todos os pressupostos de cabimento, pelo que, dele conheço. I Preliminarmente. Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.791 6 Tal qual se extrai dos autos, observase que o contribuinte não foi formalmente intimado de nenhum dos relatórios de diligência apresentados no feito. É certo que, em especial, quanto às requisições constantes dos itens "a" e "a.1", semelhante intimação seria, até mesmo, despicienda, já que não revolveu qualquer ato específico da parte da Unidade de Origem que impusesse novas apurações; ali, restou limitada a atividade da predita Unidade à intimação do contribuinte para apresentar novos documentos e informações, ocasião em que o recorrente teve, inclusive, a oportunidade de elaborar suas respostas quase que como aditivas ao seu recurso (não havendo, por isso mesmo, prejuízos à sua defesa ou violação ao contraditório). Quanto a solicitação descrita em "b", e reiterada nas resoluções subsequentes, era de prudente alvitre que ao recorrente fosse dada ciência, quiçá, para que tivesse conhecimento dos valores identificados pela Unidade de Origem. A falta de intimação, neste passo, encerraria, a meu sentir, a obrigação de conversão do julgamento numa nova (e quarta) diligência, evitandose, assim, eventual nulidade. Ocorre, entretanto, que, conforme se extrai do documento de efls. 1.744, o contribuinte, por meio de procurador regularmente constituído por meio da procuração de efls. 1.783 (in casu, a Sra. Thais Gimenes França), requereu e teve deferida vista dos autos para obtenção de cópias das peças que lhe fossem de interesse. Vale dizer que o aludido instrumento conferia poderes amplos, a seus procuradores, para o representar "perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil e Procuradoria da Fazenda Nacional, nos autos do processo n 19515.003974/200758, podendo apresentar requerimentos e petições de quaisquer espécies, obter vista e cópia integral de processos administrativos, bem como solicitar quaisquer tipos de certidões, relatórios ou outras informações protegidas por sigilo fiscal, firmar acordos de parcelamentos e confessar a legitimidade de débitos". Considerandose, neste particular, que a despeito da ausência de intimação o contribuinte compareceu espontaneamente ao feito, invocase, aqui, inclusive, o art. 239, § 1º, do CPC , que, nada obstante tratar das "citações", me parece, seria aplicável também à hipótese das intimações como vem, aliás, reconhecendo o Superior Tribunal de Justiça: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LOCAÇÃO. DECISÃO MANTIDA PORSEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DA PARTE.CIÊNCIA INEQUÍVOCA DOS TERMOS DO DECISUM. NULIDADE DE INTIMAÇÃO DA SENTENÇA NÃO RECONHECIDA. PRECEDENTES. 1. Supre a falta de intimação o comparecimento espontâneo da parte,representada por advogada, que, como tal, se apresenta, deixando patente o pleno conhecimento dos termos da sentença. Precedentes desta Corte. 2. Agravo regimental a que se nega provimento (STJ AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL AgRg no REsp 968486 PR 2007/01653900 (STJ.) Data de publicação: 09/03/2011) Assim, ainda que não formalmente intimado do resultado das diligências propostas neste feito, o comparecimento espontâneo do recorrente supriria esta "omissão", sendo desnecessárias providencias adicionais. Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.792 7 II Da inversão do silogismo. Questões fáticas que devem ser dirimidas de imediato. Tenho como praxe a elaboração de meus votos seguindo, à risca, a construção lógica de meu raciocínio, tentando, dentro do possível, estruturálo na forma de um silogismo, tratando, primeiramente, das premissas maiores do caso (o direito aplicável) para, em seguida, abordar as premissas menores (os fatos que conformam a lide), apresentando, ao final, as minhas conclusões. O caso em testilha, todavia, detém questões que impõem uma inversão deste raciocínio, notadamente porque, não obstante tratar de aproveitamento de ágio (matéria que, via de regra, revolve teses jurídicas que sobrepujam as premissas fáticas normalmente aventadas), as operações em análise são substancialmente simples... em verdade, a demanda em análise não contempla sucessões de operações societárias complexas; não trata da análise econômica das operações engendradas (com a perquirição do intento negocial do contribuinte), nem revolve atos típicos de semelhante discussão como o uso de empresas veículo ou pagamento mediante troca de ações (por isso mesmo, destaquese, não foi, nem mesmo, aplicada multa qualificada ao caso). Não por outra razão, diferentemente do que usualmente faço em processos tais, não me ocupei da representação gráfica das operações com a demonstração, detalhada, de suas etapas. Aqui, vejam bem, houve uma aquisição em 2001, pela recorrente, da empresa Alta Vista que, por sua vez, detinha participação na empresa Óticas Grande Visão (alvo, efetivo, da recorrente). Neste momento, teria surgido o ágio no valor de R$ 62.000.000,00 (aproximadamente). Passo seguinte, em 2002, teria ocorrido a extinção deste investimento com a confusão patrimonial do contribuinte com as empresas investidas a partir de uma incorporação. A análise rasa desta operação, tal qual aqui retratada, permitiria a conclusão, apressada, de que estaríamos diante de exemplo claro e típico de operação societária a autorizar, na forma do art. 386 do RIR (arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97) a amortização fiscal do ágio. O que preocupou, todavia, a fiscalização, e culminou, ao fim e ao cabo, com a lavratura do auto de infração ora polemizado, foram fatos identificados pela D. Auditoria que, a seu ver, não permitiriam a tipificação completa das hipóteses tratadas pelo citados arts. 7º e 8º da Lei 9.532/97, a saber: a) o laudo apresentado pelo contribuinte para justificar o ágio não estaria calcado em provas suficientes a demonstrar os valores por ele contemplados; b) finalmente que, como a Alta Vista era controladora da empresa Óticas Grande Visão, não se justificaria "a incorporação da controladora pelo valor do patrimônio liquido e a controlada pela rentabilidade futura, tendo em vista que o patrimônio da controlada deve refletir no patrimônio da controladora pela equivalência patrimonial, não se justificando também por este motivo o ágio na aquisição da controlada". A DRJ/SPOI, de outra ponta, inova a discussão (consoante exposto no relatório acima) e afirma, outrossim, que a operação teria se dado entre empresas pertencentes Fl. 1792DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.793 8 a um mesmo grupo (a fiscalização afirma, e o recorrente, contesta, que a empresa Companhia de Participações Alpha seria controladora da incorporadora recorrente e, também, da incorporada), trazendo, no acórdão, a discussão relativa ao aproveitamento, ou não, do ágio gerado em operações intragrupos. A despeito de quaisquer ilações adicionais estes fatos são prementes e qualquer tese jurídica que se queira sustentar dependerá, incontendivelmente, da verificação da acuidade das conclusões fiscais sobre eles. Daí, a necessidade de analisálos, desde logo, para, se for o caso, aprofundar a análise do feito sob o prisma técnicoteórico que a matéria potencialmente encerra. II.1 Ágio interno? Não obstante minhas ressalvas quanto a inovação incorrida pela DRJ/SPOI, já que, como dito, a ocorrência de operações intragurpos não foi abordada pela auditoria fiscal, verdade seja dita que, mesmo admitida tal inovação, a conclusão a que se chega é de que não houve, objetivamente, transação entre empresas interdependentes. De fato, tal qual se dessume do documento de efls. 107 (Ata de Assembléia de Constituição e quadro societário da Alta Vista S/A), datada de 09 de junho de 1998, a citada companhia possuía como únicos sócios uma sociedade estrangeira (Grand Vision, com 999 cotas) e o Sr. Luiz Augusto de Oliveira Cunha (1 cota). Entre esta data e a Ata de Assembléia Extraordinária, ocorrida em 16 de maio de 2001 (efls 126), não há notícias ou documentos que atestem, até então, que qualquer outra empresa, incluindose a recorrente ou a sua controladora, participavam de qualquer sorte da Alta Vista S/A. E, como a existência de ágio interno não foi tomada como pressuposto para a glosa pela fiscalização, não houve, efetivamente, um aprofundamento no tema. Em linhas gerais, pelos dados que constam dos autos, o fato é que a Alta Vista foi adquirida pelo contribuinte apenas por ocasião da citada AGE, aliás como se extrai do Livro Diário da companhia à efls. 1.500; neste mesmo documento, vale dizer, também consta a transferência de cotas ao Sr. Marcelo Marques de Oliveira, sócio da recorrente e, também, de sua controladora, Companhia de Participações Alpha... ou seja, até a data da ocorrência do fato relevante, que, efetivamente, gerou o ágio ora polemizado, a empresa Alta Vista S/A não mantinha com a recorrente ou sua controladora, qualquer vinculo ou relação societária. É verdade que o documento de efls. 142 demonstra que a empresa Óticas Grande Visão tinha seu capital divido entre a sociedade Alta Vista (aqui, já sob a forma de sociedade de responsabilidade limitada) e o Sr. Marcelo (proprietário da empresa Alpha). Tal realidade, no entanto, remonta à data de novembro de 2001 e, portanto, muito depois das operações realizadas para a aquisição da Alta Vista. Mais uma vez, insistase, não há provas, documentos, indícios e quejandos que possam demonstrar a composição societária da Óticas Grande Visão em data anterior à retratada em sua 40ª Alteração Contratual (e vale destacar que ônus probandi, aqui, era e é do fisco, a teor dos preceitos do art. 142 do CTN). A mim não parecem haver dúvidas razoáveis de que as operações aqui tratadas foram realizadas por empresas totalmente independentes, não recaindo sobre esta operação, as orientações (me recuso em reconhecêlas de outra forma) contidas na Resolução CFC 1.110/2007, invocada pela DRJ, ou, mesmo no CPC 27 ou, ainda, no Oficio Circular/CVM/SNC/SEP n° O1/2007, de 14 de fevereiro de 2007. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.794 9 II.2 Do laudo. As críticas ao laudo lavrado para avaliar a empresa Óticas Grande Visão podem ser resumidas partir do trecho a seguir transcrito, constante do TVF: O Relatório de Avaliação Econômica da incorporada Óticas Grande Visão Ltda,efetuada pela própria fiscalizada, pretendeu efetuar a avaliação econômicafinanceira de 100% das quotas baseada na metodologia da Rentabilidade Futura com base em fluxos de caixa descontados, não informando os critérios utilizados para os cálculos das mesmas, nem tão pouco outros elementos solicitados por esta fiscalização, não havendo sequer o valor final da avaliação adotada para a incorporação, tampouco se concretizou as previsões consideradas para a rentabilidade futura, pois, logo a partir do primeiro ano não houve apuração dos resultados esperados, isto é não houve apuração de lucros, conforme consta nos quadros referentes às Declarações de IRPJ. Do termo de intimação juntado à efls. 84, houve, realmente, uma intimação do contribuinte para esclarecer como o laudo teria chegado "aos valores de ágio (R$62.450.l26,62) contabilizados na incorporação das pessoas jurídicas Alta Vista Ltda, cnpj 02.652.578/000158 e Óticas Grande Visão Ltda, cnpj 02.547.945/000153", determinando, mais, à empresa, que exibisse "elementos comprobatórios dos critérios utilizados para projeção de rentabilidade futuras, tais como: projeção do balanço patrimonial, projeção do fluxo de caixa descontado, análise de sensibilidade das variáveis de risco do fluxo de caixa, premissa utilizada para o cálculo da taxa de desconto etc.". Nada obstante, venia concessa, entendo que a Fiscalização deveria ter se aprofundado mais no exame do citado laudo (bastando dizerse, neste particular, que o TVF tem apenas 3 laudas, das quais, apenas 1 trata do objeto da autuação); mais que isso, deveria ter sido mais precisa quanto ao requisição das informações, não bastando, a solicitação, até certa forma, genérica de "elementos comprobatórios" deste ou daquele critério inespecífico... era, até pela importância econômica do caso, esperado que a D. Auditoria apontasse, quando menos, quais dados constantes do laudo mereceriam reprimendas e maiores explicações. Meus pares sabem da minha rigidez quanto ao cumprimento dos requisitos formais exigidos pela legislação de regência; inclusive para que não recaia sobre este julgador a pecha de "incoerente", vale destacar que recentemente, quando do julgamento do PA de nº 10830.721270/201442, fiz críticas à laudo lavrado a partir de informações desprovidas de provas e indicações de fontes de consulta ou, quiçá, fórmulas que permitissem a sua verificação; naquele feito, todavia, a própria fiscalização apontou, desde logo, quais os pontos do aludido estudo que careceriam de atenção e, mais, demandariam comprovação... e, mesmo assim, tal qual afirmei lá, reafirmo aqui: não basta criticar os critérios; é preciso que a fiscalização apresente a sua "contraprova" ou, no mínimo, as fontes que nos permitiriam alcançar conclusões diferentes daquelas atingidas pela empresa (insisto; o mister de demonstrar o fato infracionário é da Fiscalização, pena de subversão das regras encartadas no art. 142 do CTN). Enfim... a inespecificidade da intimação noticiada anteriormente, inclusive, resultou na própria inação do contribuinte que, digase, não ajudou muito ao deixar de apresentar explicações, mesmo que por amostragem, de parte das conclusões do laudo. Nada Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.795 10 obstante, quando corretamente instada, e depois de tomar ciência das conclusões fiscais, aí sim, cuidou de esclarecer boa parte das conclusões exaradas pela auditoria independente, como se depreende da resposta à intimação fiscal, decorrente da primeira diligência determinada por este Colegiado (efls. 1.559/1.562): Com relação aos Balancetes mencionados no item (viii), cumpre ressaltar que foram os que deram origem aos estudos efetuados em razão dos investimentos na empresa Alta Vista, com se verifica de seu simples confronto com a planilha constante do laudo então elaborado, ora novamente anexado para facilitação das análises (doc. 07); Como se nota, a receita bruta da empresa Óticas Grande Visão Ltda. foi de, aproximadamente, R$ 27.395.000,00 em 1999 e de R$ 29.498.000,00 em 2000, demonstrando um crescimento real na ordem de 8,4%, que projetados para os próximos 10 anos resultou na expectativa de rentabilidade futura do o ágio sob discussão. É de se ressaltar, ainda, que antes da negociação em pauta, mas já almejando expandir, houve grande investimento estrutural e de modernização e expansão na empresa Óticas Grande Visão Ltda., como se comprova pela análise dos valores dos gastos préoperacionais constantes de seus balancetes (aproximadamente R$ 50.000.000,00 em 1999 e R$ 43.000.000,00 em 2000), fato que corrobora a expectativa de rentabilidade futura criada entre as partes, já que nenhuma empresa realiza tais investimentos préoperacionais se não almejando expandir! Há, de fato, variáveis apontadas no laudo cuja origem é, grosso modo, nebulosa; citese, v.g., o citado "custo do capital do acionista" utilizado como um dos elementos da fórmula fixada para o cálculo da taxa de desconto; neste caso, este "custo" leva em consideração determinados indicadores cuja origem, e valores, não são explicados pela consultoria dentre eles o "beta" e o "prêmio de mercado" descritos à efls. 268. Mas, como dito, a fiscalização não aprofunda a sua análise; não identifica os dados que seriam subjetivos e que, por isso mesmo, imporiam explicações mais pormenorizadas (objetivamente, não nos é dado saber até mesmo quais informações constantes do aludido laudo careceriam, de acordo com a Auditoria, de outras provas que não as constantes do próprio laudo); e, mais que isso, não aponta dados "paradigmas" para serem contrapostos aos valores apurados pela citada auditoria. E, por isso mesmo, pelas justificativas apresentadas no TVF, não vejo máculas no estudo utilizado para lastrear a operação que deu origem ao ágio aqui tratado. Cabe, ainda, mais uma observação; o fato de, no ano subsequente, a Fotóptica não ter observado os resultados apontados no laudo de expectativa por rentabilidade futura, não revela, nem mesmo, indício de incorreção do estudo; a demonstração embasada na hipótese tratada no art. 20, § 2º, "b", do DecretoLei 1.598/77 revolve, justamente, uma expectativa. Não se trata de uma previsão profética ou de uma certeza... esperase alcançar aqueles valores caso as condições verificadas na data do estudo permaneçam as mesmas ou evoluam como esperado. Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.796 11 III Demais aspectos do caso. III.1 O fato das duas empresas incorporadas manterem relação de controle aventado pela fiscalização. O outro ponto de discórdia sustentado pela D. Auditoria se centra em trecho do TVF já reproduzido no relatório mas que, peço vênia, transcrevo novamente: (...) como a incorporada Alta Vista Ltda era controladora da sociedade incorporada Óticas Grande Visão Ltda, não se justificando, a incorporação da controladora pelo valor do patrimônio liquido e a controlada pela rentabilidade futura, tendo em vista que o patrimônio da controlada deve refletir no patrimônio da controladora pela equivalência patrimonial, não se justificando também por este motivo o ágio na aquisição da controlada. Permissa venia, mas tive muitas dificuldades para entender semelhante interjeição... o que pretendia, a D. Auditoria, Fiscal? Que as demonstrações não justificariam o valor atribuído pela recorrente para a aquisição da Alta Vista? Que bastaria a incorporação isolada desta última, sendo equivocada a informação constante do Protocolo de Justificação, que atesta a absorção das duas empresas? Lembremse que até o advento da Lei 12.975, não se exigia "laudo" propriamente para justificar o ágio, bastando, neste particular, a existência de "demonstrações" que o legitime... assim, como a Alta Vista não possuía outras participações societárias (informação que se atesta, inclusive, pelo Diário e Balancetes trazidos pela recorrente), a avaliação desta com base apenas no PL da Óticas Grande Visão (esta, sim, dotada de diversos ativos, incluindose lojas distribuídas por todo o país) pela rentabilidade futura, me pareceu, verdade seja dita, lógica. O MEP, digase, reflete apenas o valor paradigma para justamente apontar a formação do ágio, como, aliás, pontua o art. 385 do RIR: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. Ou seja, a demonstração do valor do patrimônio líquido da Alta Vista se prestou, inclusive, ao registro do investimento pela recorrida na forma do preceito supra transcrito, valendose da avaliação da empresa Óticas Grande Visão para efetivamente comprovar a mais valia. Neste passo, não se sustentam as críticas intentadas pela fiscalização à metodologia adotada pelo recorrente. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.797 12 III.2 Dos resultados das diligências. Por fim, quanto as diligências determinadas por este colegiado, vale uma análise dos documentos acostados ao feito, pelo recorrente, para responder as dúvidas surgidas quando da prolação da resolução de nº 1302000.367. Transcrevo a seguir, os exatos termos do fundamento daquela decisão e da própria requisição realizada pelo então Relator, Alberto Pinto Junior, constante da aludida resolução, para a exata compreensão do caso: Por sua vez, a recorrente quando alega que as autoridades fiscais se equivocaram, pois afirma que o ágio em tela não foi contabilizado no momento das incorporações, mas por ocasião da aquisição do investimento pela Recorrente na sociedade Alta Vista, em maio de 2001, mediante a subscrição de capital no valor de R$ 10.000.000,00 e que bastaria que o l. Auditor Fiscal analisasse: (i) o nome da conta do razão contábil n. 1300102 (Ágio em Investimento Alta Vista Ltda. p. 86 do Processo Administrativo) e (ii) a DIPJ referente ao ano calendário 2002 (p. 196 do Processo Administrativo), para constatar que o valor do ágio (R$ 62.450.126,62) já existia no ano calendário de 2001. Ao se compulsar os autos, entretanto, não se encontra documentos comprobatórios da subscrição de capital alegada pela recorrente. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) a recorrente seja intimada a: a.1) comprovar, com documentos idôneos, a subscrição de capital, em maio de 2001, na Alta Vista S.A., no valor de R$ 10 milhões, com pagamento de ágio no montante de R$ 62.450.126,62, apresentando o laudo que o fundamentou o ágio. Pois bem, quanto a comprovação do valor efetivamente pago em decorrência da aquisição da empresa Alta Vista, o contribuinte apresentou o documento de efls. 1.511 (cópia simples) do qual se extrai a seguinte informação: Alta Vista S.A. (...) declara estar recebendo nesta data [15 de maio de 2001] da FOTÓPTICA LTDA. (...) a quantia total de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), provenientes de créditos decorrentes da conversão parcial dos valores do Contrato de Suprimento de Caixa celebrado, originariamente, entre a Companhia de Participações Alpha e a Sociedade em 31 de julho de 1998, e que fora cedido pela credora de Participações à Fotóptica Ltda em 28.04.2001, a título de integralização de 10.000.000 (dez milhões) de ações da Sociedade, conforme ata de Assembléias Gerais (...). Aos meus pares eu pergunto: onde, neste documento, se vê o pagamento de R$ 62.450.126,62 que justificaria a amortização glosada pela Fiscalização? Este recibo, vejam bem, comprova o pagamento de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) pela subscrição e integralização de 10.000.000,00 (dez milhões) de ações... Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.798 13 Notem, que pelas informações prestadas pelo próprio contribuinte, o valor total do crédito cedido (e utilizado para pagar as ações da empresa Alta Vista) alça a monta de R$ 96.224.714,80; como descrito no próprio recibo acima, e, ainda, do Livro Diário Geral da Alta Vista (também trazido pelo recorrente), deste valor foram utilizados apenas R$ 10.000.000,00! O saldo remanescente R$ 86.224.714,80 foi utilizado integralmente para integralizar as novas ações emitidas por ocasião do aumento de capital da Alta Vista (o que se comprova pelo lançamento constante de efls. 1.501), que, tal qual afirma o próprio contribuinte, não compôs o ágio ora polemizado: De se registrar que, posteriormente, houve um novo aumento de capital por parte da Recorrente na sociedade Alta vista, no valor de R$ 86.224.714,00 (p. 124 a 135 do Processo Administrativo), mas que não integra o valor do ágio em referência (R$ 62.450.126,62). Ora, onde se encontra a prova (exigida pela Resolução acima tratada), de que o contribuinte pagou, pelo investimento, o montante de R$ 62.000.000,00? Notem que na DIPJ AC2001, constante de efls. 1.026, não há qualquer registro, menção ou informação sobre ganho de capital porque a Alta Vista teria que registrar tal ganho no campo destinado à reserva de capital (já que a recorrente adquiriu, apenas, a participação societária). Daí o questionamento do então Relator, lançada no item a.2 da resolução 1302000.367 e que, a meu ver, não foi suficientemente justificado pelo recorrente. Não consegui localizar na predita DIPJ nada que pudesse, nem mesmo aproximadamente, apontar para o registro do citado valor (R$ 62.000.000,00), seja em reserva de capital, seja, como dito pelo contribuinte, na própria Linha 26 do Balanço reproduzido na aludida declaração. Notem, que o contribuinte lançou, ali, um valor correspondente à R$ 97.846.479,78 (efls. 1.026). Considerandose que o próprio recorrente afirma que no ano de 2001 houve um aumento de capital à ordem R$ 86.224.714,00 que não compôs o ágio ora analisado, a alegação de que houve mero erro de contabilização ecoa no vazio... o valor das cotas e respectivo ágio não foram, pura e simplesmente, considerados pela empresa porque o pagamento, pelos documentos ora acostados, o foi no importe de, apenas, R$ 10.000.000,00. O art. 385 do RIR, quando trata da aquisição de investimento e determina o desdobramento de seu custo de compra, por certo, pressupõe o pagamento efetivo do valor principal da participação e, como consentâneo lógico, do ágio incorrido na operação. Não adianta, neste passo, que a sociedade despenda apenas o valor equivalente ao montante contábil da participação; é imperioso que haja a prova do desembolso, também, da mais valia apurada nas demonstrações a que alude o §1 º do art. 385. Neste sentido, vale transcrição de trecho do voto proferido pelo Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, no acórdão de nº 9101002.470, da Primeira Turma do Câmara Superior deste Conselho: Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio) (grifos no original). Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.799 14 E, destaquese, a mera contabilização do ágio pela investidora não satisfaz, em absoluto, o requisito em testilha; em não havendo desembolso (de qualquer natureza) sobre o valor do ágio, nem mesmo a sua contabilização seria admissível. Em linhas gerais, e a despeito de tudo o que expus nos tópicos anteriores, inclusive para validar as operações e o laudo, severamente criticados pela Fiscalização e pela DRJ, o recorrente deixou de demonstrar e comprovar o mais singelo pressuposto legal para legitimar a amortização do ágio: o efetivo pagamento da mais valia. E nem se diga que estaríamos inovando a matéria e violando, neste passo, a ampla defesa e o contraditório... além do julgador não estar adstrito às alegações da parte (art. 371 do CPC) podendo formar seu convencimento a partir de qualquer prova constante dos autos, o fato é que o então Relator, Alberto Pinto Júnior, cuidou de ofertar ao recorrente a oportunidade de provar o fato verificado no feito e justificar eventuais discrepâncias já identificadas na própria Resolução. A análise desta questão, vejam bem, não inova o lançamento, e, por isso mesmo, não impede o seu conhecimento nesta instância, mormente quando surgida a partir de elementos já constantes dos autos. E, nesta esteira, não tenho alternativa senão negar provimento, nesta parte ao recurso voluntário. IV Dos saldos negativos de Base de Cálculo da CSLL. Em relação a esta questão, o retorno das diligências comprova, efetivamente, que o contribuinte possuía saldos de BC Negativa passíveis de compensação na forma do art. 16 da Lei 9.065/95. Assim, deve ser dado parcial provimento ao recurso voluntário a fim de que se promova a citada compensação, respeitados os limites legais. Valem, apenas, duas observações: a) a falta de compensação não encerra, como pretendido pelo recorrente, a nulidade do auto de infração, já que o seu reconhecimento posterior não importará em alteração da matéria tributável; b) o fato de não se ter identificado informações quanto a períodos posteriores à 2013, a meu sentir, é irrelevante para este processo, podendo, quando muito, impactar eventuais lançamentos futuros. V Conclusão. Por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário apenas para que seja efetivada a compensação da base de cálculo negativa demonstrada no relatório de diligência, existente à época da lavratura do auto de infração em análise. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.003974/200758 Acórdão n.º 1302002.723 S1C3T2 Fl. 1.800 15 Fl. 1800DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012055/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Tratase de auto de infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 2 a 13), no valor total de R$ 1.499.498,94, já incluídos multa e juros. A infração imputada ao sujeito passivo foi a falta de recolhimento da Cofins, relativamente aos anos de 2004 e 2005, incidente sobre a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 12 05 5/ 20 08 -5 4 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10380.012055/200854 Resolução nº 3201001.337 S3C2T1 Fl. 3 2 receita bruta, apurada com base nos balancetes mensais e Livro Razão do contribuinte. A infração foi capitulada no art. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02. Ciente do lançamento, pessoalmente, no Auto de Infração (fl. 04), o contribuinte apresentou impugnação em 18/09/2008 (fls. 149 a 159), alegando, em síntese, que: • não há nos documentos entregues à impugnante fundamentação suficiente para o lançamento, tendo isso como conseqüência sua nulidade por cerceamento do direito defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72; • consta a existência de Termo de Verificação Fiscal, do qual jamais foi notificado, que veio a ser lavrado após a ciência do auto de infração, de tal modo que o conhecimento a posteriori desse documento violou o direito de defesa; • cumpria ao agente do lançamento assegurar à fiscalizada o direito de recolher o débito fiscal nos primeiros 20 dias após o início da ação fiscal, sem as multas de ofício, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.430/96; • por se tratar a impugnante de ente estatal federal, não estaria sujeita à aplicação de multa pela Receita Federal; • tem direito à isenção da Cofins, nos termos do art. 6º, Inciso III, da Lei Complementar nº 70/91, combinado com os artigos 246 e 195 da CF. A DRJ/Fortaleza/CE – 4ª Turma, por meio do Acórdão 08023.957, de 4/09/2012, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: CERCEAMENTO DA DEFESA. IMPRECISÕES NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. Eventuais imprecisões na descrição dos fatos no auto de infração não são suficientes para determinar a nulidade do lançamento, quando o conjunto dos elementos dos autos é claramente suficiente para permitir ao autuado a perfeita compreensão do conteúdo da imputação. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. CIÊNCIA POSTERIOR AO AUTO DE INFRAÇÃO. A ciência do Termo de Verificação Fiscal, mesmo posteriormente ao auto de infração, mas dentro do prazo de impugnação, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando o contribuinte demonstra seu conhecimento pleno no exercício da impugnação. COFINS. ISENÇÃO. ASSOCIAÇÃO CIVIL EDUCACIONAL. A isenção de Cofins prevista no art. 46, II do Decreto nº 4.524/2002 destinase às entidades de educação de caráter beneficente, portadoras Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10380.012055/200854 Resolução nº 3201001.337 S3C2T1 Fl. 4 3 de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, expedido pelo órgão competente. No Recurso Voluntário, a recorrente reitera sua defesa quanto à nulidade do lançamento e quanto à isenção de Cofins de suas receitas, entendendo as receitas contraprestacionais aos serviços de educação como receitas próprias, admitidas no art. 14, X, da MP 2.15835/2001. É o relatório. Voto O recurso é tempestivo, porém não está pronto para ser julgado. É que, conforme noticia o Termo de Verificação Fiscal (fl. 14), a recorrente ajuizou ação em que discute a tributação pela Cofins, a Ação Ordinária com Pedido de Tutela Antecipada 2003.81.0083534. Todavia, não há, nos autos, qualquer outra referência a esta ação judicial, que pode estar julgando, ou já ter julgado, a mesma matéria aqui em litígio, o que ensejaria a aplicação da Súmula Carf nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Desse modo, voto por converter o julgamento em diligência, para que a origem providencie a juntada de certidão de objeto e pé da referida ação judicial. Marcelo Giovani Vieira, relator. Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002172/2010-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF.
A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
Numero da decisão: 2201-004.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 31/10/1998 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade.
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NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. ENUNCIADO Nº 103 DA SÚMULA CARF. A norma que fixa o limite de alçada para fins de recurso de ofício tem natureza processual, razão pela qual deve ser aplicada imediatamente aos processos pendentes de julgamento. Não deve ser conhecido o recurso de ofício de decisão que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa de valor inferior ao limite de alçada em vigor na data do exame de sua admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 72 /2 01 0- 26 Fl. 214DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 19515.002149/201031, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de recurso de ofício apresentado em face da decisão de primeiro grau, pela qual se deu integral provimento à impugnação do sujeito passivo ao auto de infração que constituiu crédito tributário relativo à contribuição a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho (SAT) apuradas com base nas remunerações paga aos segurados empregados de empresa prestadora de serviços. De acordo com o relatório da fiscalização, tratase de constituição de crédito tributário visando restabelecer a exigência realizada anteriormente através de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, referente a contribuições apuradas com base no instituto da solidariedade, que foi anulada por vício formal. A exigência foi impugnada pelo sujeito passivo, o que rendeu ensejo ao Acórdão recorrido, pelo qual se reconheceu a decadência do direito de lançar do fisco, uma vez que entre a data que declarou a nulidade por vício formal do lançamento anterior e aquela em que o novo crédito foi constituído transcorreuse prazo superior a cinco anos. Segundo a decisão recorrida, o valor total do crédito constituído na ação fiscal superou o limite de alçada previsto na Portaria MF nº 3, de 2008, de RS 1.000.000,00. Considerando esse somatório, foi apresentado recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para esta conselheira. É o que havia para ser relatado." Fl. 215DF CARF MF Processo nº 19515.002172/201026 Acórdão n.º 2201004.182 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018, proferido no julgamento do processo n° 19515.002149/201031, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 06 de março de 2018: Acórdão nº 2201004.162 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conforme se extrai do relatório, este processo compõe um conjunto de processos decorrentes da mesma ação fiscal e julgados na mesma sessão, com um total de crédito tributário afastado superior a R$ 1.000.000,00, limite previsto na Portaria MF nº 03, de 2008, o que justificou que a autoridade julgadora de primeira instância administrativa recorresse de ofício. Ocorre, porém, que a análise da admissibilidade do recurso de ofício deve ser realizada em vista do limite de alçada vigente na data em que ele é apreciado. É o que preceitua, sem embargo, o enunciado nº 103 da Súmula de jurisprudência deste CARF: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Os fundamentos das decisões que serviram de paradigma para este enunciado são bem explicitados pelo trecho que abaixo se transcreve do Acórdão nº 9202003.027, relator o Conselheiro Marcelo Oliveira: Em síntese, o cerne da questão versa sobre o conhecimento, ou não, de recurso de ofício quando há elevação do valor de alçada, entre o julgamento em primeira instância e o julgamento pelo CARF. Como é cediço, as normas processuais têm aplicação imediata, conforme determinação o Código de Processo Civil (CPC): CPC: “Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes.” Fl. 216DF CARF MF 4 Para a recorrente, entretanto, a norma posterior não pode prejudicar seu direito ao recurso, pois, em síntese, cercearia seu direito à defesa. Com todo respeito, não concordamos com a recorrente. Há uma diferença, relevante, que não pode ser deixada de lado nesta análise: uma das partes (União) foi quem emitiu a norma posterior que fundamentou o não conhecimento do recurso de ofício. No processo civil as norma processuais não são de iniciativa das partes. Ao contrário, a eventual norma processual atinge ambas as partes, beneficiandoas ou as prejudicando, a depender da fase em que se encontre o processo, daí a necessidade de garantia de direitos. Já no processo administrativo fiscal a norma é conseqüência do poder que goza a Administração Pública, o que permite que esta enquanto sujeito processual representado pela Fazenda Nacional, possa criar normas abrindo mão de seus próprios direitos. Esse é o raciocínio presente em acórdãos já proferidos por este Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício contra decisão de primeira instância que exonerou o contribuinte do pagamento de tributo e/ou multa no valor inferior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais), nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c o artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a qual, por tratarse norma processual, é aplicada imediatamente, em detrimento à legislação vigente à época da interposição do recurso, que estabelecia limite de alçada inferior ao hodierno. (Acórdão: 9202002.652 – CSRF. Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira). ... ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO EQUIVOCADO NULIDADE. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 19515.002172/201026 Acórdão n.º 2201004.182 S2C2T1 Fl. 4 5 A verificação do limite de alçada, para efeitos de conhecimento do recurso de ofício pelo Colegiado ad quem, é levada a efeito com base nas normas jurídicas vigentes na data do julgamento desse recurso. Não tendo o Colegiado ad quem observado o novo limite de alçada para o recurso de ofício. Tal julgamento é nulo, de pleno direito, visto que, a competência do órgão julgador, no caso concreto, é conferida pela devolutividade do recurso. Processo Anulado. (Acórdão: 9303002.165 – CSRF. Relator: Henrique Pinheiro Torres). ... REEXAME NECESSÁRIO — LIMITE DE ALÇADA — AMPLIAÇÃO — CASOS PENDENTES Aplicase aos casos não definitivamente julgados o novo limite de alçada para reexame necessário, estabelecido pela Portaria MF n° 03, de 03/01/2008 (DOU de 07/01/2008). (Acórdão: CSRF/0400.965. Relatora: Maria Helena Cotta Cardozo) A criação e elevação do limite de alçada para recursos de ofício tem como um de seus objetivos dar celeridade à solução do processo no âmbito administrativo fiscal, pela diminuição de julgamentos pela segunda instância em processos em que a própria parte (União) demonstra ausência de interesse na continuidade do litígio. Atualmente, o limite de alçada se encontra fixado pelo art. 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Pelos parâmetros estabelecidos nesta Portaria, o recurso de ofício será cabível sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), valor este que deverá ser verificado por processo. Fl. 218DF CARF MF 6 O crédito tributário exonerado no processo em análise não atende a esses pressupostos, de forma que o recurso de ofício não preenche os requisitos necessários para que seja conhecido. Conclusão Com base no exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício. Dione Jesabel Wasilewski – Relatora" Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Fl. 219DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.000118/2004-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade.
PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE.
Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório.
REP Negado e REC Negado
Numero da decisão: 9303-006.378
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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RESSARCIMENTO. Recorrentes VITAPELLI LTDA. EM RECUPERACAO JUDICIAL E FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES. IMPOSSIBILIDADE. Correta a glosa dos créditos quando a fiscalização comprova a inexistência de fato das pessoas jurídicas e, além disso, demonstra com efetividade a inexistência da relação negocial de aquisição das mercadorias, ante a falta de comprovação dos pagamentos. Cumpre à pessoa jurídica comprovar de maneira inequívoca o seu direito creditório. REP Negado e REC Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 01 18 /2 00 4- 19 Fl. 3247DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pelo sujeito passivo e pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3102001.472, da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 EMPRESA INAPTA. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei n° 9.430/96. Não comprovada a eletiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN n° 200 de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte em que houve reconhecimento pelo Colegiado a quo da não incidência de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, defendendo que o crédito presumido de IPI não possui natureza de receita. Fl. 3248DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 4 3 Insatisfeito, o sujeito passivo também interpôs Recurso Especial contra o acórdão nº 3102001.472 na parte desfavorável, requerendo o afastamento das glosas de créditos das contribuições relativos às aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato e a correção dos créditos pela Selic. Mediante Despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, apenas quanto à discussão acerca das aquisições perante fornecedores inexistentes de fato. O Despacho de Reexame de Admissibilidade manteve, na íntegra, o Despacho do Presidente de Câmara. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, requerendo que seja negado provimento ao recurso do contribuinte, mantendose a decisão recorrida nesse ponto. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.324, de 20/02/2018, proferido no julgamento do processo 10835.000067/200689, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.324): Da Admissibilidade "Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos – eis que atendidos, para tanto, os pressupostos constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar, importante recordar que, quanto ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, houve insurgência da discussão acerca da incidência ou não de PIS/Cofins sobre as receitas referentes a crédito presumido de IPI. O acórdão recorrido entendeu que o crédito presumido do IPI não integra a base de cálculo da contribuição, por não ter natureza de receita, mas de recuperação de custos. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma decidiu que “o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363/96, receita que é, inclui se naquela base”. Fl. 3249DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 5 4 Sendo assim, no que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, vez que comprovada a divergência suscitada. Quanto ao recurso interposto pelo sujeito passivo que, por sua vez, suscitou divergências em relação às aquisições perante fornecedores inexistentes de fato, vêse que o acórdão recorrido considerou como não comprovada a operação de aquisição de insumos junto as empresas inaptas por inexistência de fato. Argumenta que os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002. Enquanto, o acórdão indicado como paradigma firma entendimento diverso, ao tratar das aquisições junto as pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato, considerando que a inidoneidade de documentos fiscais, originadores de créditos, emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas, com fundamento na inexistência de fato, nas circunstâncias presentes, geraria efeitos a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo. Em vista do exposto, é de se conhecer o recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Do Mérito Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre a discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – qual seja, sobre a incidência ou não de PIS/Cofins sobre o crédito presumido de IPI. Em relação a essa discussão, antecipo meu entendimento de que tais créditos não conferem a natureza de receita. Para melhor elucidar, importante trazer os ensinamentos de ALIOMAR BALEEIRO no livro “Uma introdução é Ciência das Finanças” ao tratar o conceito de receita: "Receita pública é a entrada que, integrandose no patrimônio público sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, MI, acrescer o seu vulto, como elemento novo e positivo.” Frisese também o entendimento de Aires Barreto em seu artigo “A nova Cofins: primeiros apontamentos” contemplado na saudosa Revista Dialética de Direito Tributário: "receita é [...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo”. Cabe trazer que em consonância com o entendimento de que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, além do referido precedente do STF – firmado sob a sistemática do artigo 543B do CPC – a jurisprudência pacífica de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça, como inclusive ressaltado pelos Ministros Teori Albino Zavascki e Luiz Fux ao proferirem seus votos (Grifos meus): “CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 3250DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 6 5 I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita – do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido.” (Grifouse) (RESP nº 1.025.833 / RS, 1ª Turma do STJ, Rel. Min. Francisco Falcão, Publicado no DJe do dia 17.11.2008)” Consoante esse entendimento, disse o Ministro Luiz Galloti no julgamento do RE 71.758: “Se a lei pudesse chamar de compra e venda o que não é compra, de exportação o que não é exportação, de renda o que não é renda, ruiria todo o sistema tributário inscrito na Constituição”. Sendo assim, temse claro que o conceito de receita bruta independe do que está classificado contabilmente como receita, se subvenção ou recuperação de custo. A discussão, de per si, gira em torno da abrangência dos conceitos de receita e faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS e, no caso dos créditos presumidos de IPI. Para melhor compreensão e por não considerar tal crédito presumido como receita, podese ainda aproveitar para decompor a norma tributária que trata da incidência do PIS e da Cofins, invocando a Regra Matriz de Incidência Tributária: 1. 1ª Regra Matriz – relação obrigacional Autoridade Fazendária/Contribuinte: 1.1. Hipótese: Fl. 3251DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 7 6 Critério Material: auferir receita. Critério Espacial: perímetro nacional; Critério temporal: mensal 1.2. Consequente: Critério Pessoal: (i) sujeito ativo, Estado – via “autoridade fazendária”; (ii) sujeito passivo – quem aufere receita bruta. Critério Quantitativo: alíquota de 3,65% sobre a receita bruta 2. 2ª Regra Matriz – dever de lançamento pela Administração: Hipótese: Critério Material: ser autoridade fazendária Critério Espacial: perímetro nacional; Critério Temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Consequente: Critério Pessoal: Estado – autoridade fazendária Critério Prestacional: realizar o lançamento 3. 3ª Regra matriz: sancionadora do não pagamento Hipótese: Critério material: não pagar a importância devida; Critério Espacial: perímetro nacional Critério temporal: até o último dia útil da primeira quinzena subsequente ao de ocorrência dos correspondentes fatos geradores Consequente: Critério pessoal: Estado – autoridade fazendária e pessoa jurídica que aufere receita bruta Critério Prestacional: pagar com multa e juros de mora. Depreendendose da análise da regra matriz de incidência, é possível identificar que o critério material constante da 1ª Regra Matriz de Incidência Tributária somente se satisfaz para quem efetivamente aufere receita. Portanto, crucial afastar o r. crédito da tributação das contribuições, pois não se configura juridicamente como tal, independentemente do registro contábil adotado ou adotável. O que, na hipótese dos autos não se deve chegar ao questionamento de que a lei não previu sua exclusão e que, portanto, deverseia tributar o referido crédito pelo PIS e Cofins pois de receita auferida não se trata, tampouco de um ingresso que configuraria recomposição do patrimônio, até então decomposto pelo custo arcado com o pagamento do tributo. Indiscutível que seu efeito econômico não caracteriza nova riqueza, comportando somente a recomposição do patrimônio anteriormente desfalcado ou recomposição da mesma disponibilidade preexistente. Sendo assim, o crédito presumido de IPI não ostenta natureza de receita ou faturamento, mas mera recomposição do patrimônio, não integrando, portanto, a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Vêse que a operação de obtenção dos créditos, considerando até mesmo a essência contábil e sua primazia, deve ocorrer com a escrituração na contabilidade da empresa para posterior utilização. O que, por consequência, constatase que os créditos não utilizados se constituem em meros direitos. Fl. 3252DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 8 7 E, em respeito à Regra Matriz de incidência das contribuições ao PIS e Cofins, bem como a análise da essência do r. crédito, não há que se falar em tributação, pois forçoso se tributar tais direitos pelas r. contribuições. Nesse ínterim, é de se ressurgir com o conceito trazido pelo CPC 30: “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. ” O que, por conseguinte, facilmente constatável que contabilmente tais créditos também não conferem natureza de receita. Frisese ainda tal entendimento o acórdão 9303005.495 de nossa turma, que consignou a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pela Cofins no regime da não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 30/04/2004 a 31/12/2006 PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. O direito correspondente ao crédito presumido instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, não se constitui em receita do contribuinte e, portanto, não é tributável pelo PIS no regime da não cumulatividade. ” O que, para melhor elucidar o entendimento desse Colegiado acerca da matéria, peço licença para transcrever parte do voto vencedor escrito pelo ilustre ex Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas: [...] No mérito, entendo que o crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. O motivo da existência do crédito decorre dos insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os quais devem ser devolvidos ao industrial exportador. A exigência do Fisco centrase no argumento de que a Lei nº 9.718/98 ampliou a base de cálculo de ambas as contribuições, constituindo regra a inclusão de qualquer receita auferida, inclusive os valores em questão, considerados como outras receitas operacionais, e exceção apenas as exclusões expressamente previstas na Lei. Assevera que, apesar de o crédito instituído pela Lei nº 9.363/96 ter como objetivo o ressarcimento do PIS e da COFINS incidentes sobre matérias Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 9 8 primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos exportados, o ressarcimento em si é meramente presumido, não havendo como assemelhálo a uma restituição de tributos, porque não houve pagamento indevido de PIS e COFINS. Conclui afirmando que o crédito é receita nova, decorrente de benefício concedido, e não recuperação de custos. Em relação ao crédito presumido, o legislador, dentro da máxima econômica de que 'não se exportam tributos, buscou dar incentivo às exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e COFINS, embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, concebendo um benefício fiscal consubstanciado no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Ou seja, o produtorexportador se apropria de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Entretanto, a seguir a dicção da Lei, o incentivo não se direciona precipuamente ao imposto em comento, senão que o intento primeiro foi exonerar o pagamento das exações previstas nas Leis Complementares nº 7 e 8/70 e 70/91. Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, da dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. Do ponto de vista econômicofinanceiro e contábil, o incentivo instituído pela Lei nº 9.363/96, na verdade, não constitui receita, mas um valor retificador de custo. O que efetivamente gera o crédito presumido são os insumos comprados pelo industrial, em cujo preço foram adicionados os valores do PIS e COFINS, de forma cumulativa. Se a legislação oferecesse a esses tributos o mesmo tratamento jurídico dado ao IPI, a conta de insumos refletiria apenas o custo efetivo da matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem, pois dele seriam expungidas as contribuições ao PIS e à COFINS, cujos valores seriam lançados na conta contábil pertinente, para posterior recuperação. Logo, ainda que o PIS e a COFINS a recuperar constituíssem um direito da empresa contra o Fisco, não representam ingresso de receita, seja na acepção contábil, seja na econômicofinanceira. Cumpre assinalar que esse raciocínio fundase na teleologia da norma inserta na Lei nº 9.363/96, uma vez que não há que falar, obviamente, em nãocumulatividade de PIS e COFINS, antes do advento da Lei nº 10.637/2002. Há que terse em vista a finalidade a ser atingida pelo incentivo às exportações. Se o crédito presumido receber o mesmo tratamento jurídico de rendimentos obtidos em aplicações financeiras, por exemplo, a empresa, na prática, pagará PIS e COFINS sobre os insumos consumidos no processo de industrialização, os quais são a causa da existência do crédito. Concordo que o crédito presumido não se equipara a restituição de tributos, mas também não entendo que seja equiparado a uma receita de venda, para fins contábeis e tributários. Na análise contábil, se a aquisição do insumo utilizado na industrialização de produtos exportados não estivesse onerada de PIS e COFINS, o valor lançado à conta de "Estoque de MatériaPrima" estaria livre de tributos e, consequentemente, o valor apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" seria menor. Fl. 3254DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 10 9 Melhor explicando, o valor do crédito presumido apurado, dentro do mês de competência a que se referem as exportações, não transitaria por conta de resultado a título de receita, mas sim como recuperação de custo, creditandose o valor do crédito presumido apurado na conta "Custo dos Produtos Vendidos" e debitandose na conta "IPI a recuperar". Lançamento: IPI a Recuperar a Custo dos Produtos Vendidos Supondose, no entanto, que os contribuintes devessem incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS sobre o faturamento o valor do crédito presumido em questão, então, estarseia pagando PIS e COFINS sobre insumos aplicados no processo industrial de fabricação dos produtos exportados, quando foi justamente esta a razão da criação deste crédito: desonerar o custo de produção dos produtos exportados. De qualquer modo, o referido crédito presumido é ressarcimento de custo e ressarcimento de custo não é receita. Desse modo, se o objetivo da norma é desonerar as exportações, é irracional qualquer pretensão de exigir tais contribuições justamente sobre o benefício fiscal instituído para incentivar tais operações. O acórdão recorrido também traz que as próprias Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, ao disporem no §3º sobre as receitas que integram a base de cálculo, conferem natureza de receita às reversões de provisões e às recuperações de crédito baixados como perda, que foram expressamente excluídas da base, indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. Também não concordo com tais argumentos, pois só haveria sentido que as Leis citadas previssem expressamente a exclusão do crédito presumido do conceito de receita se, em algum momento de todo o histórico normativo sobre o tema, as normas tivessem o considerado como receita, o que não me parece ter ocorrido.” Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional." (...)1 "Com a devida venia à ilustre conselheira relatora, mas divirjo do seu entendimento nas matérias relativas a ambos recursos. Porém fui designado para redigir o voto vencedor somente em relação ao recurso especial interposto pelo contribuinte, já que restei vencido quanto ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria do recurso especial do contribuinte referese à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS, da não cumulatividade, nas aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato. Antes de adentrar o mérito, é importante registrar que o contribuinte obteve provimento judicial em agravo de instrumento nos seguintes termos, conforme noticia os documentos de efls. 4345/4431: 1 Deixouse de transcrever, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que tratou das glosas dos créditos de aquisições efetuadas perante fornecedores inexistentes de fato, pois seu entendimento foi vencido, não se aplicando na solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto encontrase no Acórdão 9303006.324 (processo 10835.000067/200689 paradigma). Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) Ante o exposto, julgo prejudicado o agravo interno e, com fulcro no art. 932, V, "b", do Código de Processo Civil, dou provimento ao agravo de instrumento, para reformar a r. decisão agravada e determinar à parte agravada que aprecie no prazo máximo de 30 dias os processos de ressarcimento de PIS e COFINS protocolados há mais de 360 dias pela agravante, bem como que o faça com observância do decidido pelo E. STJ no REsp repetitivo n° 1.148.444/MG. (efl. 4353) (...) Portanto, transcrevese abaixo a ementa do que foi decidido pelo STJ no REsp nº 1.148.444/MG: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NAO CUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (Precedentes das Turmas de Direito Público: EDcl nos EDcl no REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 11.03.2008, DJe 10.04.2008; REsp 737.135/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 14.08.2007, DJ 23.08.2007; REsp 623.335/PR , Rel. Ministra Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 07.08.2007, DJ 10.09.2007; REsp 246.134/MG , Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 06.12.2005, DJ 13.03.2006; REsp 556.850/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.04.2005, DJ 23.05.2005; REsp 176.270/MG , Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 27.03.2001, DJ 04.06.2001; REsp 112.313/SP , Rel. Ministro Francisco Peçanha Martins, Segunda Turma, julgado em 16.11.1999, DJ 17.12.1999; REsp 196.581/MG , Rel. Ministro Garcia Vieira, Primeira Turma, julgado em 04.03.1999, DJ 03.05.1999; e REsp 89.706/SP , Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 24.03.1998, DJ 06.04.1998). 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136, do CTN, segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu , ao alienante). 3. In casu , o Tribunal de origem consignou que: "(...) os demais atos de declaração de inidoneidade foram publicados após a realização das operações (f. 272/282), sendo que as notas fiscais declaradas inidôneas têm aparência de regularidade, havendo o destaque do ICMS devido, tendo sido escrituradas no livro de registro de entradas (f. 35/162). No que toca à prova do pagamento, há, nos autos, comprovantes de pagamento às empresas cujas notas fiscais foram declaradas inidôneas (f. 163, 182, 183, 191, 204), sendo a matéria incontroversa, como admite o fisco e entende o Conselho de Contribuintes ." Fl. 3256DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 12 11 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. 5. O óbice da Súmula 7/STJ não incide à espécie, uma vez que a insurgência especial fazendária reside na tese de que o reconhecimento, na seara administrativa, da inidoneidade das notas fiscais opera efeitos ex tunc , o que afastaria a boafé do terceiro adquirente, máxime tendo em vista o teor do artigo 136, do CTN. 6. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Como percebese tal decisão segue o rito dos recursos repetitivos previstos no art. 543C, do CPC, e, seu entendimento deve ser obrigatoriamente seguido no âmbito dos julgamentos deste colegiado. Portanto era desnecessário o contribuinte ter obtido provimento judicial neste sentido. O que necessitamos então é verificar se a situação fática do presente processo encaixase ao ditame do que foi decidido no âmbito do citado repetitivo. Observemos então que a tese firmada pelo próprio STJ em relação a este julgamento é a seguinte: O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da não cumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação.(Tema 272 do STJ) Na minha avaliação, a tese firmada pelo STJ é perfeita e visa proteger o adquirente de boa fé, que adquire a mercadoria e comprova a veracidade da compra e venda efetuada. Mas, com a devida venia, os fatos minuciosamente levantados pela fiscalização no presente processo demonstram que o contribuinte, além de não agir de boa fé, não comprovou a veracidade da compra e venda efetuada. Penso que tal situação está inequivocamente demonstrada nos presentes autos. Referida fiscalização teve início em 16/01/2006, para análise dos créditos relativos ao período de outubro/2002 a junho/2007. Importante registrar que no TVF a justificativa para as glosas não foram a existência de Atos Declaratórios de Inaptidão da Pessoa Jurídica, mas sim as diligências realizadas nos supostos fornecedores, as quais comprovaram a impossibilidade de ter havido a transação comercial, quer pela inexistência destes, quer pela falta de comprovação do pagamento. Podese ver que no item "10. Das Glosas", efl. 1933, seu item "10.1 Diligências a empresas fornecedoras" seu conteúdo demonstra que a razão das glosas foram as diligências realizadas pela fiscalização. Transcrevo abaixo excertos retirados do Termo de Verificação Fiscal TVF (efls. 1916/1949), no qual consta todas as evidências que justificaram a glosa dos referidos créditos: (...) Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federai do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretaria da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. As empresas que se encontram nesta situação estão relacionadas abaixo: Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 13 12 (...) Tal fato demonstra que a fiscalização somente emitiu os ADE DE INAPTIDÃO após comprovar a inexistência das pessoas jurídicas, ou seja, ditos atos declaratórios não foram o ponto de partida para a glosa. Seguimos com mais excertos do TVF: (...) No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato contínuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais. (...) Também efetuamos glosas de créditos do PIS/COFINS referentes a aquisições de empresas representadas pela Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente), relacionadas através de Ofício proveniente do Delegado Regional Tributário. As empresas, bem como os motivos para a glosa, estão relacionadas abaixo: a) Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA, CNPJ n° 02.987.722/000107. A data de início da situação é 03/10/2002. Os motivos descritos na representação são: Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais. Portanto, podese concluir pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002, glosando os créditos solicitados a partir desta data. Além disso, houve diligência à referida empresa, conforme item 10.1. b) Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda, CNPJ n° 04.842.983/000164. O motivo da representação é a inidoneidade de documentos fiscais. No presente caso, a empresa estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999. Portanto, não estava autorizada a emitir notas fiscais a partir da data em tela. A glosa dos créditos deverá ocorrer a partir das notas fiscais emitidas posteriormente à data em questão. (...) A empresa Vitapelli Ltda em vez de efetuar pagamento diretamente ao fornecedor efetuou pagamentos para outras empresas através de Cessão de Créditos a terceiros com autorização do fornecedor. Para subsidiar a fiscalização foram selecionadas, por amostragem, algumas empresas abaixo relacionadas, que receberam tais créditos, e estas foram intimadas a responderem alguns quesitos, conforme abaixo, in verbis: (...) Após esse trecho segue o relato da investigação em diversos cessionários de crédito e não se conseguiu comprovar a operação de pagamento. Os que a fiscalização obteve êxito em encontrálos, todos negaram relação negocial com o contribuinte. Alguns que não foram encontrados comprovouse que sequer tinham movimentação bancária no período como no exemplo a seguir: (...) 11.2. Fábio Benvindo Freitas Maia Fl. 3258DF CARF MF Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 9303006.378 CSRFT3 Fl. 14 13 A pesquisa no sistema Dossiê Integrado da SRF revela que a referida empresa não apresentou nenhuma movimentação financeira nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, e apresentou DIPJ na condição de "INATIVA" nos anoscalendário de 2002 a 2005. (...) Em conclusão, a razão principal das glosas não foi em decorrência de procedimentos formais nos quais a inexistência da relação comercial dáse por presunção, como são os casos decorrentes da simples existência de atos declaratórios de inaptidão da pessoa jurídica. Ao contrário, como visto, a fiscalização efetuou um minucioso trabalho de investigação e demonstrou a inexistência de relação negocial entre o contribuinte e vários de seus supostos fornecedores. Tal fato, afasta todo o argumento do voto vencido e do contribuinte de que as glosas só poderiam realizarse a partir da data de emissão dos atos declaratórios de inaptidão das pessoas jurídicas. Cumpre destacar que o contribuinte teve todo direito de defesa, com apresentação de impugnação, recurso voluntário e agora o presente recurso especial. Poderia ter se dedicado mais a descontruir as provas da fiscalização, comprovando de forma inequívoca a regularidade de seus créditos. Porém não obteve sucesso e tenta afastar as glosas utilizando, a meu ver, indevidamente, com apego a aspectos meramente formais, o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp 1148444, definitivamente não aplicável ao presente caso. Além de tudo o que já foi exposto, é importante ressaltar que estamos diante de um pedido de ressarcimento decorrentes de créditos de PIS e Cofins, no qual cumpre ao contribuinte, de maneira inequívoca, comprovar a certeza e liquidez do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN, abaixo transcrito: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, os recursos especiais da Fazenda Nacional e do contribuinte foram conhecidos e, no mérito, o colegiado negoulhes provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 3259DF CARF MF
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Numero do processo: 13963.001456/2007-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO.
A ausência de contestação no Recurso Voluntário da problemática da responsabilidade tributária torna definitiva a decisão exarada pela instância a quo a respeito da matéria.
INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
A Denúncia Espontânea e demais argumentos não suscitados em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
Numero da decisão: 1002-000.157
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. A ausência de contestação no Recurso Voluntário da problemática da responsabilidade tributária torna definitiva a decisão exarada pela instância a quo a respeito da matéria. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. A Denúncia Espontânea e demais argumentos não suscitados em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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DEFINITIVIDADE DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. A ausência de contestação no Recurso Voluntário da problemática da responsabilidade tributária torna definitiva a decisão exarada pela instância a quo a respeito da matéria. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. A Denúncia Espontânea e demais argumentos não suscitados em sede de impugnação constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 3. 00 14 56 /2 00 7- 35 Fl. 38DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 18 à 25) interposto contra o Acórdão n° 0715.566, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS (efls. 13 à 14), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente. Por economia processual, peço vênia para transcrever e adotar o relatório produzido pela instância a quo no acórdão de impugnação ( efl. 13/14): "Versa o presente processo sobre Auto de Infração Multa por atraso na entrega da DCTF/2005 no valor de RS 3.624,98, correspondente ao 2° semestre, conforme Auto de infração de fl.04. Inconformada, a autuada interpôs impugnação, fl.01, onde alegou que '[...] a responsabilidade pelo atraso na entrega da respectiva DCTF, deve ser imputada ao Contador, conforme Contrato de Prestação de Serviços, celebrado entre as partes...' ” Irresignado, o Recorrente invoca o direito ao instituto da Denúncia Espontânea previsto no artigo 138 do CTN, fundado no fato de que a entrega da declaração relativa ao períodobase da autuação ocorreu antes do início de qualquer procedimento fiscal. É o Relatório. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva Relator Embora tempestivo, o presente Recurso Voluntário não pode ser conhecido por este colegiado por desatendimento de pressupostos de admissibilidade, consubstanciados na inovação da tese recursal e na ausência de contestação da matéria decidida em sede de impugnação, conforme será demonstrado. Primeiramente, verifico que o único argumento apresentado em sede de impugnação pelo contribuinte é a ausência de responsabilidade pelo atraso no envio da DCTF, conforme indica o seguinte trecho sumarizado, daquela extraído: Em suma, a responsabilidade do contador fica clara e ele pode responder inclusive ao Fisco, como nesse caso do atraso da Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13963.001456/200735 Acórdão n.º 1002000.157 S1C0T2 Fl. 3 3 entrega da DCTF, não podendo o Contribuinte ser penalizado por um ato de irresponsabilidade da qual não deu causa . Esse argumento foi fundamentalmente afastado no acórdão de impugnação exarado pela DRJ/FNL, pelo que peço vênia para reproduzir o trecho do referido acórdão no qual consta essa análise: A alegação de que a responsabilidade pelo atraso deve ser imputada ao escritório de contabilidade, responsável, ao que parece, pelo preenchimento e transmissão da declaração não serve para elidir a exigência, posto que o sujeito passivo da obrigação acessória objeto do lançamento é a interessada, e não há como transferir, para fins fiscais, a responsabilidade do pagamento da multa para outrem. De se lembrar o disposto no art.123 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário. as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Posteriormente, em sede de Recurso Voluntário, verifico que o Recorrente não contesta a decisão da instância a quo relativa à problemática da responsabilidade tributária e, além disso, agrega o tema da Denúncia Espontânea prevista no artigo 138 do CTN como matéria nova aos autos, não apresentada em sede de impugnação. Tal matéria não pode ser analisada por este colegiado por falta de prequestionamento, em razão de não ter sido contestada no momento processual oportuno, caracterizandose como matéria preclusa, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Assim, considerando que não houve contestação à decisão da DRJ quanto à problemática da responsabilidade tributária e que o tema da Denúncia Espontânea é totalmente novo em relação aos argumentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação, o Fl. 40DF CARF MF 4 recurso voluntário não pode ser conhecido, eis que não cabe a esta instância recursal o exame de matéria não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. Aduzo que, ainda que fosse possível ao colegiado o conhecimento do recurso melhor sorte não assistiria ao Recorrente, eis que há enunciado sumular a reger a matéria no âmbito do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário e mantenho a decisão de origem. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 41DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.913813/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.516, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 30/06/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 3/ 20 12 -5 5 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.557 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.557 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913813/201255 Resolução nº 1302000.557 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
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