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Numero do processo: 10670.720048/2007-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. APRESENTAÇÃO DE ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DISPENSA.
Considera-se dispensável o protocolo do ADA - Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da Área de Interesse Ecológico da tributação do ITR, quando dita área ambiental é assim reconhecida por órgão credenciado junto ao Ibama.
Numero da decisão: 9202-005.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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APRESENTAÇÃO DE ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DISPENSA. Considerase dispensável o protocolo do ADA Ato Declaratório Ambiental, para exclusão da Área de Interesse Ecológico da tributação do ITR, quando dita área ambiental é assim reconhecida por órgão credenciado junto ao Ibama. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 48 /2 00 7- 83 Fl. 225DF CARF MF 2 Relatório Tratase de exigência de ITR – Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativa à Fazenda Cajueiro, NIRF nº 0.335.2064, localizado no Município de Matias Cardoso/MG. No julgamento em Primeira Instância o lançamento foi considerado procedente em parte, restabelecendose a Área de Interesse Ecológico e de Servidão Florestal de 5.945,0 ha, sendo que a área total é de 5.965,0 ha (fls. 98 a 105). A decisão foi assim ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 AREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA INTERESSE ECOLÓGICO. Cabe excluir de tributação á área do imóvel comprovadamente localizada dentro dos limites de Parque Estadual, nos termos da legislação de regência. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1 0/01/2004), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Lançamento procedente em parte" A fundamentação para a reversão da glosa foi assim registrada: "Apesar de a autoridade fiscal ter exigido a comprovação da protocolização, em tempo hábil, do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, para justificar a exclusão de tais áreas de tributação, entendo que tal exigência não se faz necessário, quando comprovado nos autos que a área ambiental em questão está localizado dentro dos limites de um Parque, seja ele Nacional, Estadual ou Municipal. Isto em razão das restrições de uso das terras localizadas dentro dos limites de tais unidades de conservação ambiental, impostas pelo poder público. No caso, são admitidas apenas as medidas necessárias à recuperação de seus sistemas alterados e as ações de manejo para recuperação e preservação do equilíbrio natural, a diversidade biológica e os processos naturais, conforme estabelecido em seu plano de manejo. Até mesmo as pesquisas científicas, quando autorizadas pelo órgão responsável pela sua administração, estão sujeitas às condições Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 226 3 e restrições determinadas por este, bem como ao que for definido em seu plano de manejo. É de ressaltar que o Conselho de Contribuintes tem esse mesmo entendimento, conforme manifestado no Acórdão n° 30236.980, Sessão de 10/08/2005, cuja ementa ora se transcreve: "DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA. Não é, cabível a exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental — ADA, para fins de exclusão do ITR, quando comprovado que as áreas estão localizadas dentro dos limites dos Parques Nacionais, Estaduais e Municipais". Para justificar a exclusão da área ora tratada da incidência do ITR foi apresentada a Certidão do Instituto Estadual de Florestas IEF, às fls. 11/12, e o Laudo da Comissão Especial Mista para Regularização Fundiária das Unidades de Conservação do Jaíba/MG, doc. de fls. 82/88, comprovando que a área total do imóvel Fazenda Cajueiro está incluída dentro dos limites do Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, (criado pelo Decreto Estadual 39.954, de 08 de novembro de 1998, doc. de fls. 89/92/110, portanto, antes da data do fato gerador do ITR12004), e reconhecendo essa área como de interesse ecológico exigência aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista no art. 10, § 1°, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.393/1996, a seguir transcrito: 'Art. 10 § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: II — área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: (...) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso prevista na alínea anterior'. (sublinhouse). Também consta dessa 'Certidão', de fls. 11/12, que a referida propriedade está sendo objeto de desapropriação administrativa, nos moldes do art. 10, do DecretoLei n° 3.365/41, conforme Decreto de Utilidade Pública, publicado no DO em 31/01/2007. Consta, ainda, que essa 'Certidão' possui fépública, vez que emanada do órgão estadual capaz e competente, conforme diretrizes constitucionais e estaduais instituídas, órgão este, credenciado junto ao IBAMA, conforme acordo de cooperação para Gestão Compartilhada entre esses dois órgãos ambientais (IEF e IBAMA). Especificamente no que se refere ao Instituto Estadual de Florestas (IEF), temse que tal entidade é uma autarquia estadual integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente, tendo por missão propor, coordenar e executar a política Fl. 227DF CARF MF 4 florestal no Estado de Minas Gerais, promovendo a preservação e a conservação da flora e da fauna, o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais renováveis, bem como a realização de pesquisas em biomassa e biodiversidade. Portanto, é inegável a competência do Instituto Estadual de Florestas (IEF) para emitir tal Certidão, certificando que o imóvel tratado nos autos, denominado 'Fazenda Cajueiro', está totalmente localizado dentro dos limites do referido Parque Estadual. Dessa forma, cabe acatar o pleito da requerente e restabelecer as áreas ambientais declaradas, 5.945,0 ha de interesse ecológico e servidão florestal." O crédito tributário exonerado acarretou Recurso de Ofício ao CARF, julgado em sessão plenária de 07/02/2012, prolatandose o Acórdão nº 220201.603 (fls. 113 a 120), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 EXCLUSÃO DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. NECESSIDADE DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para que o contribuinte possa excluir as áreas de utilização limitada da área total tributável para fins de ITR, é obrigatória a apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA correspondente." Cientificada do acórdão em 07/05/2012 (fls. 133), a Contribuinte opôs, por meio de correspondência postada em 10/05/2012 (envelope de fls. 159), os Embargos de Declaração de fls. 141 a 149, rejeitados conforme o despacho de fls. 165. Intimada da rejeição de seus Embargos de Declaração em 06/06/2013 (fls. 167), a Contribuinte interpôs, por meio de correspondência postada em 19/06/2013 (envelope de fls. 172), o Recurso Especial de fls. 169 a 211, visando a rediscussão da obrigatoriedade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para exclusão de Área de Interesse Ecológico localizada dentro de parque estadual, da tributação do ITR. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho de Admissibilidade de 16/10/2015 (fls. 213 a 215). No apelo, a Contribuinte alega, em síntese: a Lei n. 9.393, de 1996, que dispõe sobre o ITR, sequer menciona o ADA, muito menos impõe a obrigatoriedade de apresentação de tal documento para fixação das áreas não tributáveis; diante disso, interpretar o termo "declaração para fim de isenção de ITR" utilizado na parte inicial do art. 10, § 7o da Lei n. 9.393/96, como sendo a declaração feita pelo contribuinte na qual se baseia o ADA (conforme expresso no v. acórdão embargado), extrapola os limites da razoabilidade; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 227 5 com efeito, a regulamentação de aspectos homologatórios da declaração das áreas de preservação permanente e de reserva legal e sob o regime de servidão florestal ou ambiental foge totalmente ao objeto e à finalidade da Lei n. 9.393, de 1996; tais aspectos, quando da inserção do § 7o ao art. 10 da Lei n. 9.393/96, pela Medida Provisória n. 2.16667, de 2001, já eram inclusive regulamentados pelo IBAMA, inexistindo necessidade de novo dispositivo legal no mesmo sentido e com propósito idêntico; desta forma, a simples declaração do contribuinte, na própria DITR, é suficiente para determinação da área rural não tributável, ficando sujeito ao pagamento do imposto correspondente, com juros e multa, somente nos casos em que for comprovado que a declaração não é verdadeira, nos termos do art. 10, § 7º, da Lei n. 9.393, de 1996; por consequência lógica, como o próprio dispositivo não restringe a prova da veracidade das declarações à apresentação do ADA, são admitidos todos os meios legais de prova (cita o Acórdão nº 2201001.851); no caso específico, toda a área objeto da tributação situase em Parque Estadual, criado pelo Decreto Estadual nº 39.954, de 08/10/1998, para proteção e preservação permanente da área em razão dos excepcionais atributos da natureza (art. 2o do Decreto Estadual nº 21.724, de 23/11/981), conforme certidão expedida pelo Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais já juntada aos autos, órgão estadual responsável pela administração dos Parques Estaduais (art. 5o do Decreto Estadual n. 21.724, de 1981); além disso, para perfeita interpretação do art. 170, § 1º, da Lei nº 6.938, de 1981 (em que se fundamenta a suposta obrigatoriedade do ADA para redução do ITR) é necessário contextualizálo; de fato, o caput do art. 170, da Lei nº 6.938, de 1981, dispõe que:; "Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.9,60. de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." a simples leitura do dispositivo em questão permite concluir que existem hipóteses em que os proprietários rurais podem se beneficiar da redução do valor do ITR sem apresentação do ADA, o que demonstra, por si, que o ADA não é documento indispensável para determinação da área não tributável para fins de cálculo do ITR; assim, o art. 170, § 1º, da Lei n. 6.93, de 1981, referese muito mais à obrigatoriedade de apresentação do ADA, nos casos em que este foi solicitado ao órgão ambiental pelo contribuinte, do que propriamente sua imprescindibilidade para redução do ITR; de fato, sempre que solicitado o ADA, este deve obrigatoriamente servir como base para a redução do ITR, afastandose a possibilidade de obtenção de declaração equivalente em órgão estadual de competência concorrente, como autoriza a Lei n. 9.393, de 1996, o que não quer dizer que o ADA é o único documento apto a permitir a redução do ITR (cita o Acórdão nº 2201001.851) Fl. 229DF CARF MF 6 o Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, assim como as demais Unidades de Conservação, foi criado para preservar o ecossistema natural ainda existente naquela região, por ser de grande relevância ecológica, tanto é verdade que, desde sua criação em 1998, foi vedado o desmate de áreas de vegetação nativa (art. 6º do Decreto nº 39.954, de 1998) assim como a utilização econômica da área pelo proprietário (art. 12,1, do Decreto nº 21.724, de 1981); esse simples fato, na pior das hipóteses, gera a presunção legal de que as propriedades inseridas neste parque estadual são de "interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas" e, portanto, não integram a área tributável que serve de base de cálculo para o ITR (art. 10, II, b, da Lei nº 9.393, de 1996); sendo assim, não é cabível a exigência de ADA e esse é inclusive o entendimento do CARF (cita o Acórdão nº 30236.980); mais que a presunção legal, no caso concreto jamais houve questionamento quanto ao fato de que a área objeto da autuação encontrase efetivamente preservada e é de interesse ecológico, ou seja, não existe nenhum indício sequer de que a declaração feita pelo contribuinte, para recolhimento do ITR, não é verdadeira; as áreas englobadas pelas presentes fazendas são ainda, por força da letra b, inciso II, § Io do art. 10 da Lei Federal nº 9.393, de1996, cumulada com o art. 3o da lei federal 4.771, de 1965, isentas do recolhimerto do imposto territorial rural desde agosto de 1998, por ser área não tributável após a decretação da Unidade de Conservação, ou após a averbação de sua respectiva reserva legal; diante destas constatações, não é razoável penalizar o contribuinte pelo descumprimento de uma determinada formalidade, quando há documentação suficientemente apta a comprovar que as declarações por ele feitas são verdadeiras e que a integralidade de sua propriedade rural não é tributável pelo ITR, por ser de relevante interesse ecológico para a preservação do ecossistema em que se insere; com efeito, a não apresentação do ADA, por si, não altera o fato de que a área objeto da autuação realmente não deva compor a base de cálculo do ITR (cita o Acórdão nº 920201.901); por tudo isso, como não há dúvidas de que a Fazenda Cajueiro inserese integralmente em Unidade de Conservação Estadual Parque Estadual da Lagoa do Cajueiro, a totalidade de sua área não é tributável e, portanto, não compõem a base de cálculo do ITR, nos exatos termos do art. 10, II, b da Lei n. 9.393/96. Assim, a verdade material deve prevalecer sobre a mera formalidade de apresentação do ADA; o último ponto que merece atenção é o Grau de Utilização da Fazenda Cajueiro, isso porque em obediência ao princípio da função social da propriedade, as alíquotas do ITR são progressivas, variando entre 0,45% do VTNt e 20% do VTNt, dependendo do Grau de Utilização da área total; no caso concreto, a autuação fiscal utilizou a alíquota máxima para cálculo do ITR devido Como se sabe, o Grau de Utilização é a relação percentual entre área aproveitável do imóvel rural e a área efetivamente utilizada; de acordo com o art. 10. IV da Lei n. 9.393, de1996, a área aproveitável é toda aquela "que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, aquícola ou florestal", e no caso o imóvel se insere integralmente nos limites do Parque Estadual da Lagoa Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 228 7 do Cajueiro, não lhe sendo permitida qualquer forma de exploração das riquezas e dos recursos naturais, conforme determina o art. 12, I do Decreto n. 21.724, de 1981; em virtude disso, não há área aproveitável, segundo definição da própria Lei n. 9.393/96 e, por consequência lógica, na pior das hipóteses, a alíquota aplicável ao caso seria a de 0,45% do VTNt; com efeito, a progressividade das alíquotas do ITR visa punir os contribuintes que não respeitam a função social da propriedade e, muitas vezes, utilizam áreas para simples especulação imobiliária ou outro fins não produtivos, mas esse não é o caso, a Fazenda Cajueiro cumpre sua função social justamente por não utilizar as áreas de relevante interesse ecológico, assim declaradas pelo Decreto n. 39.954, de 1998 Ao final, a Contribuinte pede o provimento do recurso, ou que se determine a aplicação da alíquota de 0,45% do VTN. O processo foi encaminhado à PGFN em 19/10/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 216), e, em 22/10/2015 ofereceu as Contrarrazões de fls. 217 a 223 (Despacho de Encaminhamento de fls. 224). Em sede de Contrarrazões, a Fazenda Nacional reitera os argumentos contidos no acórdão recorrido e ao final pede o não provimento do recurso. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de provimento de Recurso de Ofício, restabelecendose a glosa da Área de Interesse Ecológico e de servidão florestal, por falta de apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental, ou do respectivo protocolo. Examinandose a legislação de regência, verificase que o direito à exclusão, da base de cálculo do ITR, das áreas ambientais em tela, está garantido na Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 10, com a redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 231DF CARF MF 8 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) as áreas sob regime de servidão florestal. (...)" (grifei) A Lei n° 4.771, de 1965, com a redação das Leis nºs 6.938, de 1981, e 10.165, de 2000, por sua vez, assim estabelecia, à época do fato gerador: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (...) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (...) Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 229 9 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. No presente caso, a única motivação para a glosa da área em questão foi a ausência do ADA, conforme o Auto de Infração (fls. 04): "Analisando a declaração de ITR de 2004, podese constatar que o contribuinte informa praticamente a totalidade da Área do imóvel como sendo área de interesse ecológico e de servidão florestal (5.945,0 ha). Para exclusão das áreas de interesse ecológico e de servidão florestal da incidência do ITR é necessário que o contribuinte apresente o ADA ao IBAMA, que as áreas sejam assim declaradas mediante ato do órgão competente, Federal ou Estadual, e que atendam ao disposto na legislação vigente. Verificando a documentação apresentada pelo contribuinte, nela não foi encontrada o ADA requerido pela legislação." (grifei) Embora a legislação efetivamente acoberte a exigência do ADA Ato Declaratório Ambiental, a Contribuinte apresenta documentação que, no entender desta Conselheira, supre a necessidade do citado ato, a exemplo do que ocorre com a averbação na matrícula do imóvel, no caso da Reserva Legal, considerado como suficiente para reconhecer o benefício. Tratase da Certidão de fls. 11/12, emitida pelo Instituto Estadual de Florestas: "A Diretoria de Pesca e Biodiversidade/DPB IEF/MG certifica para os fins específicos da declaração de I.T.R. (Imposto Territorial Rural), que se encontra inclusa dentro do PARQUE ESTADUAL LAGOA DO CAJUEIRO, criado pelo Decreto Estadual 39.954 de 08 de Novembro de 1998, com área aproximada de 20.500,00 ha, (vinte mil e quinhentos hectares) abarcando a totalidade da seguinte área: • Imóvel Rural com área registrada de 6.900,00ha. (seis mil e novecentos hectares) registrada sob o n.° M R08101 Lv. 2L, fls. 101, registrada no Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Manga Minas Gerais, de propriedade da empresa Agropecuária CHS S/A. • Ocorre que do referido imóvel após o processo de medição oficial, para fins de desapropriação e avaliação, realizado pelo Instituto de Terras de Minas Gerais fora apurada a área georreferenciada (com base na Lei Federal 10.267/00) de 6.053,25,85 ha (seis mil e cinqüenta e tits hectares, vinte e cinco ares e oitenta e cinco centiares).(destaque no original) O Instituto Estadual de Florestas certifica que a área total do imóvel está inserida na unidade de proteção integral acima exposta, e que a presente propriedade está sendo objeto de desapropriação administrativa, nos moldes do art. 10 do Decreto lei 3.365/41 conforme Decreto de Utilidade Pública sem número, Fl. 233DF CARF MF 10 publicado no Diário Oficial em 31/01/2007, já contendo laudo fundiário, mapa georreferenciado, memorial descritivo, laudo de avaliação oficial, certificação enquanto domínio e a posse do imóvel, havendo desde já, a aceitação prévia do proprietário à cerca dos valores avaliados para a propriedade. Da presente forma, as áreas englobadas pelas presentes fazendas são ainda, por força da letra b, inciso II, §1° do art. 10 da Lei Federal 9.393/96, cumulada com o art. 3° da lei federal 4771/65, isentas do recolhimento do imposto territorial rural, desde agosto de 1998, por ser área não tributável após a decretação da Unidade de Conservação, ou após a averbação de usa respectiva reserva legal. (destaquei) (...) O Instituto Estadual de Florestas vem ainda informar à Receita Federal que, a propriedade em tela cumpre a sua função ambiental constitucional, sendo de inteira relevância para proteção do Bioma de Mata Seca em estágio primário, possuindo inclusive proteção legal conforme disposto na lei federal 11.428/06. A presente certidão possui fépública, vez que emanada do órgão estatal capaz e competente, conforme diretrizes constitucionais e estaduais instituídas, órgão este, credenciado junto ao IBAMA, conforme acordo de cooperação para Gestão Compartilhada celebrado entre o D.D. Secretário Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável juntamente com o D.D. Presidente do IBAMA, publicado no Diário Oficial em 31 de agosto de 2004." Assim, tratandose de certidão emitida por órgão credenciado junto ao Ibama, atestando tratarse de Área de Preservação Permanente desde 1998, portanto antes do fato gerador, tornase dispensável a apresentação do ADA, que teria de ser protocolado junto ao Ibama. Ademais, foi apresentado laudo, também emitido pelo Instituto Estadual de Florestas, preparado pela Comissão Especial Mista para Regularização Fundiária das Unidades de Conservação do Jaíba/MG (fls. 82 a 88), comprovando que a área total do imóvel Fazenda Cajueiro encontrase dentro dos limites do Parque Estadual Lagoa do Cajueiro, criado pelo Decreto Estadual nº 39.954, de 1998. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10670.720048/200783 Acórdão n.º 9202005.119 CSRFT2 Fl. 230 11 Fl. 235DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.721756/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO.
Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-004.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(Assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE VIA APRESENTAÇÃO EM IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRIO. Apresentado pelo contribuinte PER/DCOMP a fim de justificar/embasar as suas razões recursais, este não pode gerar efeitos com relação à Notificação de Lançamento por decorrência de revisão da DIRPF do contribuinte. A análise do PER/DCOMP cabe à autoridade competente e não às instâncias julgadoras. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 17 56 /2 01 5- 16 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 69 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 70 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 8 a 11) no valor de R$ 20.701,40 referente à Imposto de Renda Retido na fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar do contribuinte, em razão de compensação indevida. Com esse lançamento, o imposto de renda a restituir pleiteado pelo contribuinte, no valor de R$ 11.256,70 foi ajustado para R$ 5.488,90. Inconformado com o teor da autuação o contribuinte apresentou impugnação administrativa (fl.. 2) alegando em síntese: Anexa documentos (fls 05 a 36) quais sejam: a notificação de lançamento, o protocolo de entrega PERDCOMP, declaração de IR ano calendário 2011, comprovante de rendimentos 2010, comprovante de rendimentos BASF complementar 2010 e demonstrativo de contribuições BASF complementar. Por fim, a 08ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo integralmente o crédito tributário exigido conforme inferese da ementa do Acórdão nº 1055.583 abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS PAGOS POR ENTIDADES DEPREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. IRRF. OPÇÃO PELA TABELAREGRESSIVA.TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA/DEFINITIVA. O imposto de renda retido na fonte de que trata o artigo 1° da Lei n° 11.053, de 29 de dezembro de 2004, será definitivo. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 71 4 Intimado da decisão no dia 08/09/2015 (fls. 54) o contribuinte protocolou no dia 08/10/2015 Recurso Voluntário (fls. 56/58), onde traz as mesmas alegações da impugnação, acrescentando o argumento de que não merece prosperar a negativa de seu direito creditório, eis que julgado por órgão não competente. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 72 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Inicialmente cumpre analisar a exegese contida na Instrução Normativa 1343/2013 consoante excerto abaixo transcrito: Art. 1º Esta Instrução Normativa estabelece normas e procedimentos relativos ao tratamento tributário a ser aplicado na apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) sobre os valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio em caso de extinção da entidade de previdência complementar, correspondentes às contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. (...) CAPÍTULO II DO TRATAMENTO A SER APLICADO AOS BENEFICIÁRIOS QUE SE APOSENTARAM ENTRE OS ANOS DE 2008 E 2012 Seção I Do Tratamento a Ser Aplicado aos Beneficiários sem Ação Judicial em Curso Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 73 6 forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) II observado o prazo decadencial, contado do dia 31 de dezembro do respectivo anocalendário, poderão retificar as DAA dos anoscalendário de 2008 a 2011, exercícios de 2009 a 2012, respectivamente, seguindose ordem cronológica, nas quais tenham sido incluídos os rendimentos de que trata o caput como tributáveis, procedendo da seguinte forma:(grifado) (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) a) excluir o montante, limitado ao valor das contribuições de que trata o caput, recebido a título de aposentadoria, da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular” ou da ficha “Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelos Dependentes”, se for o caso; b) informar o montante de que trata a alínea “a” na linha “outros (especifique)” da ficha “Rendimentos Isentos e Não Tributáveis”, com especificação da natureza do rendimento; e c) manter, na declaração retificadora, as demais informações constantes da declaração original que não sofreram alterações. (...) Pois bem. A partir da leitura do dispositivo acima, extraise que, poderia ser excluído o montante das contribuições efetuadas exclusivamente pelo beneficiário no período de 1° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 dos rendimentos tributáveis pagos ou creditados por entidade de previdência complementar informados na Declaração de Ajuste Anual – DAA. O contribuinte trouxe ao processo o documento apresentado pela Basf Sociedade de Previdência Complementar, informando o saldo atualizado das contribuições em 31/12/2009, no valor de R$ 43.341,12. (fls. 15/16) No mais, o documento informa a data do início do benefício – 01/10/2009 – bem como os valores recebidos de complementação de aposentadoria nos anoscalendário 2009 a 2012 sob o regime de tributação da tabela regressiva. (fl. 17) Em relação a tributação dos planos de benefícios de caráter previdenciário, assim dispõe a Lei n° 11.053 de 29 de dezembro de 2004: Art.1° É facultada aos participantes que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário, estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, das entidades de previdência complementar e das sociedades seguradoras, a opção por regime de tributação no qual os Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 74 7 valores pagos aos próprios participantes ou aos assistidos, a título de benefícios ou resgates de valores acumulados, sujeitamse à incidência de imposto de renda na fonte às seguintes alíquotas: I 35% (trinta e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação inferior ou igual a 2 (dois) anos; II 30% (trinta por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 2 (dois) anos e inferior ou igual a 4 (quatro) anos; III 25% (vinte e cinco por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 4 (quatro) anos e inferior ou igual a 6 (seis) anos; IV 20% (vinte por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 6 (seis) anos e inferior ou igual a 8 (oito) anos; V 15% (quinze por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 8 (oito) anos e inferior ou igual a 10 (dez) anos; e VI 10% (dez por cento), para recursos com prazo de acumulação superior a 10 (dez) anos. § 1o O disposto neste artigo aplicase: I aos quotistas que ingressarem em Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAPI a partir de 1o de janeiro de 2005; II aos segurados que ingressarem a partir de 1o de janeiro de 2005 em planos de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência em relação aos rendimentos recebidos a qualquer título pelo beneficiário. § 2 O imposto de renda retido na fonte de que trata o caput deste artigo será definitivo. (grifado) (...) Art. 2º É facultada aos participantes que ingressarem até 1o de janeiro de 2005 em planos de benefícios de caráter previdenciário estruturados nas modalidades de contribuição definida ou contribuição variável, a opção pelo regime de tributação de que trata o art. 1o desta Lei. (...) Deste modo, conforme documento apresentado pela entidade de previdência (fl. 17) sobressai a circunstância de que no anocalendário de 2010 foram pagos rendimentos tributáveis no valor total de R$ 82.805,54 e que o contribuinte optou pelo regime de tributação Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 75 8 pela tabela regressiva. Nesse tipo de tributação, a incidência de IR ocorre de forma definitiva e exclusiva na fonte, ou seja, não se sujeita a recálculo na declaração de ajuste anual. No mais, constatou a DRJ, através de pesquisa aos registros da Receita Federal do Brasil – RFB, que os valores foram informados pela Basf Sociedade de Previdência Complementar no código 5565 (tributação exclusiva na fonte) com os mesmos valores constantes do documento apresentado (fl. 17). O Comprovante de Rendimentos emitido (fl. 32) confirma, de fato, a informação de rendimentos sujeitos a tributação exclusiva no valor de R$ 62.104,14 (rendimento líquido). Na DAA Retificadora (fl. 43), o contribuinte, por sua vez, incluiu a informação da fonte pagadora Basf Sociedade de Previdência Complementar, CNPJ 56.995.624/000140, no campo de Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas pelo Titular, com rendimentos no valor de R$ 59.751,29 e com imposto de renda retido na fonte – IRRF, no valor de R$ 20.701,40. Como constatado pela DRJ, acertado o lançamento fiscal (fl 10) que excluiu o rendimento declarado de R$ 59.751,29 (sendo que havia R$ 82.805,58 de rendimento sujeito à tributação definitiva) reduzindo a base de cálculo do imposto de renda para R$ 51.339,72 e glosou a compensação do IRRF no valor de R$ 20.701,40, por se tratar de tributação exclusiva na fonte quando do recebimento dos benefícios ao anocalendário de 2010. Dessa forma, correto o procedimento do contribuinte ao apresentar Pedido de Restituição ou Ressarcimento (fl. 12/14) conforme prevê a Instrução Normativa RFB N° 1343/2013, que assim dispõe: Art. 3º Os beneficiários que se aposentaram no período de 1º de janeiro de 2008 a 31 de dezembro de 2012, que receberam rendimentos de que trata o art. 1º submetidos à incidência do imposto sobre a renda, e que não tenham ação judicial em curso, versando sobre a matéria de que trata esta Instrução Normativa, poderão pleitear o montante do imposto retido indevidamente da seguinte forma: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) (...) § 8º A restituição relativa ao abono anual pago a título de décimo terceiro salário e ao regime de que trata a Lei nº 11.053, de 29 de dezembro de 2004, no período a que se refere o caput, deverão ser pleiteadas por meio de apresentação do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, a ser protocolado na unidade do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1495, de 30 de setembro de 2014) Todavia, não cabe a este colegiado a apreciação do Pedido de Ressarcimento do ora recorrente, o qual deverá obedecer trâmite próprio e ser analisado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil competente. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI Processo nº 13819.721756/201516 Acórdão n.º 2401004.452 S2C4T1 Fl. 76 9 Assim, deve ser negado provimento ao recurso voluntário do recorrente, sem que a presente decisão incorra em prejuízos à análise do mencionado Pedido de Ressarcimento, o qual será objeto de análise e apreciação pelo órgão competente, não sendo possível a sua apreciação e/ou aplicação de efeitos no julgamento do recurso voluntário ora em análise. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário, e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO, sem prejuízo de futura análise do PER/DCOMP apresentado pelo contribuinte pela Delegacia de origem competente. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 09/09/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZA RINI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.008865/2007-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1999
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DE PREPARAR FOLHAS DE PAGAMENTO. CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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CFL 30. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91 submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 88 65 /2 00 7- 79 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008865/200779 Acórdão n.º 2402005.501 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 37.116.4532 (fls. 2/16), referente à obrigação tributária acessória de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos no art. 32, inciso I, da Lei n° 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso I e § 9°, do Decreto 3.048/99, do período de 04/1997 a 06/1999. A instância recorrida assim resumiu os termos do lançamento: De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 15/17), a empresa autuada não incluiu nas folhas de pagamento alguns segurados que lhe prestaram serviço, conforme descrito nos itens abaixo: a) foram encontrados recibos de pagamento de remuneração do Sr. Jair Alexandre Lopes, empregado registrado na empresa Mazana Ltda, do mesmo grupo econômico, por serviços prestados em shows na função de técnico de som e iluminação, nos meses de 09 e 11/1997, 11 e 12/1998, 03, 05 e 06/1999, não incluídos nas folhas de pagamento mensais e também não declarados nas GFIP. b) foram encontrados recibos de pagamento de salário do funcionário Sérgio Nepomuceno, relativos aos meses l 1/ 1998 e 2” parcela do 13° salário do mesmo ano, no cargo Segurança, sem inclusão em folha de pagamento. c) foram encontrados recibos de pagamento de remuneração de Erivaldo da Anunciação e Antônio Femando Neves, dos meses 03 e 06/1999, respectivamente, sendo que nos recibos assinados não há discriminação do tipo do serviço prestado. d) não há inclusão em folha de pagamento da parcela paga através do cheque 656702, no mês 01/1998, no valor de RS 50.000,00 (cinqüenta mil reais), decorrente do Acordo entre as partes nos autos da Reclamatória Trabalhista 0l2.97.198301, movida pelo empregado Carlos Alves. e) as remunerações mencionadas anteriormente, não incluídas em folhas de pagamento, não se encontram também escrituradas nos livros Diário dos respectivos Exercícios Sociais, e foram identificadas em recibos de pagamento e processos de reclamatória trabalhista. Í) os segurados autônomos Luís Assis, Marcelo Machado e Nildão perceberam remuneração por serviços prestados como backing vocal, técnico e produtor de discos, respectivamente, e não foram incluídos em folha de pagamento. As remunerações foram identificadas às folhas 08 e 15, do livro Diário 06; e n° 20, do livro Razão 06. Os pagamentos mensais dos segurados incluídos em folha são contabilizados a débito da conta Salários e Ordenados a pagar que, por sua vez, recebe os lançamentos dos valores líquidos das folhas cujas despesas são escrituradas nas contas salários e ordenados, férias, horas extras, adicional noturno. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 O contribuinte em sua impugnação alegou, em síntese (fls. 130/132): que a infração constatada não trouxe qualquer tipo de prejuízo à arrecadação e fiscalização do INSS, bem como os fatos articulados não ocorreram por culpa ou dolo da empresa na tentativa de evasão de recursos; que a autuação deveria ser apreciada concomitantemente ou após a decisão prolatada na NFLD nº 37.116.4516, uma vez que o julgamento do AI depende diretamente da análise dos fatos, provas e argumentações articuladas na impugnação da referida NFLD. que estava decaído o prazo para lançamento da infração. Mantida a exigência no julgamento de primeiro grau (fls. 147/156), o autuado interpôs recurso voluntário em 11/3/2008 (fls. 172/175), defendendo a nulidade do julgamento contestado dada a necessidade de apreciação conjunta com Notificação de Lançamento nº 37.116.4516, referente à obrigação principal, e reiterando, no mais, os argumentos da impugnação. Em petição protocolizada em 3/7/2008 (fls. 177/182), postula o recorrente, ainda, a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF ao caso vertente. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10580.008865/200779 Acórdão n.º 2402005.501 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Merece ser observado, de início, não prosperar no caso a alegação de necessidade de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Nesse compasso, contudo, deve ser reconhecido que quando o contribuinte foi, em 4/9/2007, cientificado dos termos do lançamento, já estava decaído o direito do Fisco de constituir o crédito tributário, pois os fatos que deram ensejo à multa aplicada referemse a períodos compreendidos entre os anoscalendário 1997 e 1999. Registrese, outrossim, que no processo 10580.008859/200711, foi declarada a decadência do DEBCAD nº 37.116.4516, relativo à obrigação principal. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e darlhe provimento, declarando a decadência do lançamento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 20/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 14/10/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 19/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720094/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE.
Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivando-se de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF.
MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS.
Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referem-se a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte.
MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento.
MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dá-se provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Cleci Coti Martins - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010, 2011 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE. Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivando-se de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF. MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS. Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referem-se a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dá-se provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindo-a ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
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NULIDADE POR AUSÊNCIA DE PROVAS. SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES E LANÇAMENTO ANTE A AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS RENDIMENTOS. LEGALIDADE. Não há nulidade do lançamento por ausência de provas quando o contribuinte é reiteradamente intimado e, esquivandose de atender às intimações da fiscalização, deixa de prestar esclarecimentos e provas acerca da natureza dos rendimentos declarados em DIRPF. MULTA AGRAVADA. Comprovado nos autos o descaso do contribuinte para com as intimações da autoridade fiscal, retardando o procedimento fiscal, cabível o agravamento da multa conforme par. 2 do art. 44 da Lei 9430/1996. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DAS OPERAÇÕES. OMISSÃO DE RECEITAS. Se declarado pelo contribuinte em DIRPF que recebeu rendimentos isentos de pessoa jurídica e, iniciada a fiscalização que solicite documentos e provas de que tais rendimentos efetivamente foram pagos e referemse a rendimentos isentos, não sendo apresentadas provas suficientes para comprovação do que declarado em DIRPF, deve ser mantido o lançamento e afastada a natureza de rendimentos isentos declarados pelo contribuinte. MÚTUO. COMPROVAÇÃO. A comprovação da existência do mútuo deve ser inequívoca e não comportar interpretações múltiplas. No caso dos autos, não há a comprovação inequívoca de que os recursos do indicado mutuante teriam sido entregues ao contribuinte. Tampouco o contrato de mútuo contém AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 94 /2 01 3- 01 Fl. 511DF CARF MF 2 qualquer indicação oficial inequívoca de que tenha sido produzido na data constante do documento. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITAS. AUSÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A simples omissão de receitas, como reconhecido pela própria fiscalização, não enseja a qualificação da multa de ofício (150%), nos exatos termos da Súmula CARF nº. 14. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade em conhecer do recurso de ofício e do recurso voluntário, para, no mérito: a) quanto ao rendimento recebido a título de dividendos, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário; b) quanto ao rendimento decorrente dos contratos de mútuo, por voto de qualidade, negar provimento recurso voluntário, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; c) por maioria, dar provimento ao recurso, para excluir a multa qualificada, vencidos os conselheiros Márcio de Lacerda Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini; d) por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto ao agravamento da multa, vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortaro (relator), Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa; e e) por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Assim, dáse provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a multa qualificada, reduzindoa ao percentual de 75%, agravada para 112,5%. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Cleci Coti Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratamse de recurso voluntário e de ofício em decorrência do acórdão nº. 0435.285 (410/428) da 3ª Turma da DRJ/CGE, que julgou parcialmente procedente a impugnação do ora recorrente, sendo proferido o acórdão assim ementado: COMPETÊNCIA PARA A LAVRATURA DO AUTO DE INRFAÇÃO É válido o auto de infração formalizado por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo. INTIMAÇÃO PESSOAL. Comprovado está que o contribuinte foi intimado por outros meios que não o pessoal. Não obstante, se a autoridade lançadora dispuser de todos os elementos necessários ao lançamento e entender dispensável a intimação para prestar esclarecimentos, o processo de lançamento de ofício será iniciado sem a ciência do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Cabe ao contribuinte a apresentação de documentos comprobatórios, idôneos e capazes, com a finalidade de comprovar a inocorrência de omissões de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, identificadas pela autoridade fiscal. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em parte Trata o presente lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (fl. 148/161) que, nos termos da DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL (fls. 150 a 152), assim disposto: Fl. 513DF CARF MF 4 Segundo o termo de verificação fiscal (fls. 162/184), temos que: Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 4 5 Fl. 515DF CARF MF 6 Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 5 7 Apresentada a impugnação (fls. 186/192), esta foi apreciada e foi proferido o acórdão nº. 0435.285 cuja ementa acima já reproduzimos e julgou parcialmente procedente a impugnação, apenas para afastar o lançamento como receita tributável o valor transitado em conta bancária do recorrente, por se tratar de valor de terceiros, tendo sido mantidas as demais. Fl. 517DF CARF MF 8 Notificado deste acórdão em 14/07/2014 (AR fl. 433), apresentou, tempestivamente, o seu recurso voluntário de fls. 435/455 em 11/08/2014, alegando, em síntese: a) ausência de prova das alegações quanto a omissão de receitas, por se tratar de presunção do AFRFB ante o não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos, o que teria o condão de invalidar todas as informações contidas nos documentos contábeis e fiscais do ora recorrente; b) foram desconsiderados os valores recebidos a título de empréstimo informados nas DIRPFs do recorrente (mutuário) e das mutuantes (Sra. Catarina de Souza e Sra. Nathalia Rudek de Souza); c) em todo o curso do procedimento fiscal e no conteúdo do Termo de Verificação Fiscal, o AFRFB não demonstra de fato que teriam ocorrido: simulações, erros nos cálculos dos tributos das empresas como dividendos e valores incongruentes entre o que foi declarado de mútuo pelos mutuantes e pelo mutuário; d) as DIRPFs das pessoas envolvidas (Souza Junior Auditoria e SR Comércio de Produtos de Informática e Serviços) e do Recorrente já demonstram claramento o quanto foi apurado de lucro, quanto foi o valor tributado sobre o mesmo e o quanto foi distribuído em cada período de 2007 a 2010; e) foram apresentados os DRE´s da empresa Souza Junior Auditoria dos anos 2007 a 2010 (docs. 02 a 05), onde são demonstradas as distribuições de lucro feitas por esta ao Recorrente após a devida tributação com base no lucro presumido; f) foram apresentadas as DREs da empresa SR Comércio de Produtos e Serviços que a empresa apurou lucro líquido nos 4 trimestres de 2007 e que justificam às distribuições de lucros; g) alega que não haveria simulação dos empréstimos recebidos para acobertamento de rendimentos tributáveis (mútuos entre a irmã e filha do recorrente para com o mesmo), conforme resta evidenciado pelos documentos comprobatórios das operações de mútuos realizadas entre o recorrente e as mutuantes; h) destaca que os contratos de mútuo atendem a todos os seus requisitos (fls. 494 e ss.), onde se evidencia: 1) os valores contratados; 2) as retiradas de lucros das empresas "SR Comercio" pelas sócias que seria repassada em moeda corrente ao recorrente; 3) o vencimento do contrato; 4) a forma de quitação dos mútuos via pagamento em moeda ou em despesas de responsabilidade das mutuantes; i) para comprovar as movimentações financeiras em seu favor, junta informe de rendimentos financeiros do anocalendário 2009 em seu nome, emitido pela Metropolitan Life Seguros e Previdência Privada S/A ("Met Life") e comprovantes de aporte no valor de R$ 150.200,00 (31/07/2009); R$ 80.000,00 e R$ 25.000,00 datados de (28/12/2009), o que confirma que a somatória dos mútuos no valor de R$ 480.000,00 foi aplicada pelo recorrente num Plano Vida Gerador de Benefícios Livres VGBL em tal instituição financeira; j) contesta a ausência de dolo, fraude ou máfé a justificar a aplicação da multa qualificada de 150% e o seu agravamento em 50%. É o relatório. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Da nulidade por ausência de provas para comprovação de omissão de receitas No ponto específico, entendo que não assiste razão ao recorrente quanto a alegação de que não deveria prosperar o Auto de Infração por ausência de comprovação da alegada omissão de receitas. O fato da AFRFB tentar diligenciar, diversas vezes, junto ao contribuinte para que esclarecesse os valores recebidos e declarados e, não obtendo respostas do contribuinte, não invalidam o lançamento. Tampouco entendo que o AFRFB tenha, pelo simples fato de não ter suas intimações respondidas, despendido força intelectual exacerbada para realizar o lançamento. O convencimento fiscal está claro (se certo ou errado, é outra questão) razão pela qual não o vejo que tenha sido realizado com exagero ou tampouco consubstanciado em documentos e provas que estejam contidas no processo, fazendo sobre tais, a sua valoração e aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso. Dos rendimentos recebidos a título de dividendos Alega o recorrente que as declarações de IRPJ das pessoas jurídicas envolvidas demonstram o seu lucro apurado, a tributação sobre tal e a sua distribuição nos períodos de 2007 a 2010. Traz, ainda, nas fls. 460 e ss. os documentos contábeis daquelas empresas que atestariam as suas razões. Entendo que, a partir do momento em que intimado o contribuinte para demonstrar e comprovar o efetivo recebimento de valores declarados em sua DIRPF, ainda que tais valores estejam mencionados nas declarações (somente declarações) das pessoas jurídicas tidas como aquelas que fizeram a distribuição de lucros, cabe a ele comprovar, ou apresentar elementos que levem a compreensão à comprovação, de que tais valores foram efetivamente distribuídos. No presente caso, traz em seu recurso voluntário os documentos que seriam a as comprovações contábeis que atestariam a referida distribuição dos lucros. Em que pese o esforço do contribuinte, entendo que os documentos de fls. 460 e ss. não são suficientes para atestar a veracidade dos fatos por ele alegados. Tais documentos (DRE´s, planilhas contábeis, Balancete Patrimonial) sequer se revestem de Fl. 519DF CARF MF 10 requisitos mínimos de validade, nos termos da legislação comercial, por exemplo no Código Civil: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1o Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2o Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. Assim, os documentos apresentados não estão sequer assinados pelo contabilista responsável, o que, digase, é o próprio recorrente. Nesse contexto, tratase de cotejar a seguinte situação: DECLARAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA E JURÍDICAS que atestam uma determinada realidade e, realidade esta, que não pode ser comprovada por meio de outros documentos, em especial os contábeis, nos termos da legislação de regência, que atestem a primeira situação. Isto posto, no tocante aos rendimentos declarados como isentos e recebidos de pessoa jurídica, entendo que o contribuinte não restou comproválos e, por isso, nego provimento ao recurso voluntário. Dos mútuos realizados Ainda segundo o recorrente, não há que se falar em simulação de empréstimos recebidos para acobertamento de rendimentos tributáveis, quais sejam, os mútuos entre a irmã e a filha do Recorrente para com o mesmo. Traz o recorrente os documentos comprobatórios que atestariam a realização dessas operações: a) Mútuo entre Recorrente e a Sra. Catarina de Souza, no valor de R$ 350.000,00; b) Mútuo entre o Recorrente e a Sra. Nathalia Rudeck de Souza, no valor de R$ 130.000,00. Os referidos contratos de mútuo encontramse às fls. 494 e ss. Para a comprovação da capacidade da Sra. Catarina de Souza repassar o montante de R$ 350.000,00 ao recorrente, traz à fl. 498 a Declaração do Portador Controle de Transação em Espécie do Banco Real, datada de 23/12/2009, onde a mencionada Sra. saca em Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 7 11 seu nome, pessoa física, valores de titularidade da empresa SR COMÉRCIO PRODUTOS INFORMÁTICA E SERVIÇOS LTDA, acompanhado do respectivo recibo de saque à fl. 499. Para corroborar o repasse do valor de R$ 130.000,00 pela sócia Sra. Nathalia Rudek de Souza, junta o extrato de conta corrente (fl. 500) do Banco Unibanco da empresa SR Comércio de Produtos e Serviços referente à movimentação financeira de 01 a 31 de julho de 2009, onde se verifica a compensação de cheque no valor de R$ 150.200,00 em 31/07/2009. Traz ainda às fls. 502 e ss. um Informe de Rendimentos Financeiros Ano Calendário 2009, em seu próprio nome, que comprovam aportes no valor de R$ 150.200,00 (datado de 31/07/2009) e outros nos valores de R$ 80.000,00 e R$ 25.000,00, datados de 28/12/2009 à "Met Life". Isto posto, ante o conjunto fático e documental probatório apresentado pelo recorrente, entendo que restou comprovada a efetiva realização dos empréstimos, consubstanciados e formalizados contratos a título de mútuo e que, por outros meios de prova, ainda (saques, transferências e investimentos) corroboram as alegações do contribuinte e fazem o convencimento deste relator para o fim de, quanto ao presente tópico, dar provimento ao recurso voluntário. Das multas qualificada e agravada A autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto de infração em comento entendeu que este deveria ser acompanhado da multa qualificada, nos termos do art. 44, I, § 1º e § 2º, da Lei nº. 9.430/96, no total de 225%. Segundo a fiscalização, a multa de ofício qualificada se aplica pela "prática de conduta tendente a reduzir ou suprimir tributo", e o agravamento da mesma pelo fato "do contribuinte não cumprir as obrigações que lhe foram impostas, mantendose em silêncio". Entendo que, restando claro pela fiscalização que a qualificação da multa (150%) se dá somente pela não comprovação das receitas declaradas como isentas e tidas como omitidas pela fiscalização, que não é cabível a aplicação da súmula pois, o fato concreto, amoldase claramente ao disposto na Súmula CARF nº. 14, assim disposta: Súmua CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autorizada a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Assim, não sendo comprovado qualquer intuito doloso de fraude NA PRÁTICA DE OMISSÃO DE RECEITAS, entendo que deve ser afastada a multa qualificada no presente caso. No tocante à multa agravada ante o não atendimento às obrigações que lhe foram impostas, entendo que faltou o AFRFB fazer a devida imputação do fato à norma, ou seja, a subsunção do fato ao dispositivo legal infringido. Vejase o que dispõe o parágrafo segundo do art. 44 da Lei nº. 9.430/96: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de Fl. 521DF CARF MF 12 não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. No Auto de Infração em epígrafe, eis a fundamentação legal do AFRFB (fl. 160): Assim, sem a identificação específica de qual o inciso violado, entendo que o agravamento da multa também deve ser afastado. Do Recurso de Ofício O recurso de ofício se fez necessário pela exclusão, pela DRJ, dos valores tido como omissão de receita por depósitos bancários, que não teriam sido comprovados pelo contribuinte. No presente caso, entendo que devem ser mantidas as razões da DRJ, com as quais concordo, ante que devidamente demonstrado pelo contribuinte a origem e a identidade dos numerários, os quais reproduzo: Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 8 13 Assim, ante o exposto, nego provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO e NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 523DF CARF MF 14 Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins – Redatora Designada Em que pese os argumentos apresentados pelo ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para discordar sobre a exoneração dos valores comprovados com supostos mútuos. Entendo que a matéria é de prova e o contribuinte não conseguiu se desincumbir da tarefa de demonstrar a existência do mútuo de forma inequívoca. O fato da parente do contribuinte ter um comprovante de saque bancário, de valor em espécie, não necessariamente comprova que tal valor fora depositado na conta corrente do contribuinte (tendo em vista que o objeto do lançamento é o depósito bancário cuja origem se está questionando). Pelo princípio da precaução, o contribuinte deveria ter adotado procedimentos que provassem, de forma definitiva, tanto a transferência do valor da conta do mutuante para a sua, quanto com relação a garantir a veracidade das operações de mútuo. No caso desta segunda possibilidade probatória, um documento sem qualquer registro oficial, que poderia ter sido produzido a qualquer tempo, se constitui numa prova muito frágil da alegação do contribuinte de que teria havido um mútuo naquele momento. Adicionalmente, conforme documentos dos autos, (como exemplo, a intimação à efl. 13), que provam de forma inconteste o embaraço à fiscalização, entendo que a penalidade de agravamento da multa de ofício deve ser mantida, conforme art. 44 da Lei 9430/96, a seguir transcrito. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10932.720094/201301 Acórdão n.º 2401004.523 S2C4T1 Fl. 9 15 de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifei) Desta forma, voto por negar provimento à exoneração dos valores cuja justificativa de origem seria o contrato de mútuo, e também para manter o agravamento da multa por estar comprovado nos autos o embaraço á fiscalização, oposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Cleci Coti Martins. Fl. 525DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.008207/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR.
O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do ano-calendário e oportunizando-lhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis.
Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a geração espontânea de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APD. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE CONDICIONADO À DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS DO ANO ANTERIOR. O Imposto de Renda das Pessoas Físicas tem fato gerador complexivo, compreendendo todos os fatos geradores ocorridos no ano civil, porém, apurado no ajuste anual, ocasião em que o Contribuinte deve oferecer à tributação, via DAA, toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do anocalendário e oportunizandolhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Somente poderá ser aproveitado no ano subsequente, o saldo de disponibilidade que constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreado em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem, de molde a impedir a “geração espontânea” de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 82 07 /2 00 6- 11 Fl. 2241DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 2242DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.242 3 Relatório Tratase de lançamento de ofício que resultou na constituição do crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Física, exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, relativo aos anos de apuração de 2001, 2002, 2003 e 2004, exercícios de 2002, 2003, 2004 e 2005, no valor de R$ 81.176,44, acrescido de multa proporcional de 150%, no valor de R$ 121.764,65, e mais juros de mora calculados com base na taxa SELIC. De acordo com o Termo de Conclusão Fiscal, a efls. 14/66, houvese por imputada em desfavor do Contribuinte as seguintes infrações: TERMO DE CONSTATAÇÃO DO CONTRIBUINTE CARLOS ALBERTO GONÇALVES DE CASTRO. Há relato, por parte da fiscalização, do conteúdo de todos os Termos de Intimações lavrados durante o procedimento fiscal e as diversas respostas enviadas pelo contribuinte, resultando nas seguintes conclusões: ALUGUÉIS PAGOS. Que, apesar de intimado e reintimado, o contribuinte não apresentou qualquer resposta em relação aos valores pagos a título de aluguel a Vilma Rudge Ortenblad. Assim, a fiscalização intimou o Escritório Imobiliário Adelino Alves Ltda (fls. 494), responsável pela administração do imóvel sito à Rua Pintassilgo, 185, apto 163, a apresentar relação dos valores brutos de aluguel, condomínio e impostos. Como respostas foram apresentados (fls. 501/503), além do instrumento de rescisão contratual, os valores pagos no período de janeiro de 2000 a fevereiro de 2002 (encaminhados por cópia ao contribuinte), conforme relação discriminada em fls. 21, cujos totais mensais foram lançados no fluxo financeiro elaborado pela fiscalização; DO INVESTIMENTO NA SCP VISCONDE DE ITAMARACÁ. Diz a fiscalização que, como o contribuinte também nada informara ao questionamento mencionado no item 5.5. do Termo de Constatação (a forma e as datas do aportes realizados no investimento Village de Itamaracá, município de' ValinhosSP), a fiscalização intimou a empresa Alfieri's Participações e Incorporações Ltda, CNPJ 04.950.107/000151, responsável pelo referido investimento (fl. 243). Em resposta, a empresa intimada apresentou as datas e os valores despendidos pelo fiscalizado, demonstrativo a fl. 22, os quais foram devidamente considerados no fluxo financeiro mensal elaborado; HSBC SEGUROS BRASIL E HSBC VIDA E PREVIDÊNCIA. Esclarece a fiscalização que, considerando ainda que os comprovantes apresentados pelo fiscalizado, referente a aportes em previdência privada/FAPI, junto às instituições citadas, de valores R$ 1.732,79 (fl. 269) e R$ 3.649,84 (fl. 270), respectivamente, não informavam a data de tal dispêndio, a Fl. 2243DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 fiscalização encaminhou em 15/08/2006, Solicitação Fiscal para obtenção desses dados (fls. 504). Em 30/08/2006, carta subscrita pela diretoria Técnica de Previdência e Capitalização da instituição (fls. 507/509) informou datas e valores de desembolsos, fl. 23, também lançados no fluxo financeiro do contribuinte; Observa, ainda, a fiscalização, nos extratos bancários do fiscalizado, que este realizou inúmeros saques de numerários nos terminais de auto atendimento do Banco do Brasil S/A, nos totais de R$ 2.100,00, R$ 29.500,05, R$ 59.979,00, R$ 24.100,00, respectivamente, nos anos de 2000, 2002, 2003 e 2004 (total geral de R$ 113.579,05), conforme demonstrativo de fls. 23 e 24. Que até a lavratura do Auto de Infração referidos saques não foram tratados como dispêndios, e deixaram de ser considerados nos fluxos financeiros mensais do contribuinte, uma vez que esta Fiscalização não logrou êxito em determinar onde e como se deu a aplicação desses valores; DO FLUXO FINANCEIRO MENSAL. Além das considerações feitas até aqui das origens e aplicações realizadas pelo fiscalizado, a fiscalização elaborou planilhas auxiliares denominadas "Aplicações Financeiras, "Débitos/Créditos Identificados", "Rendimento do Anocalendário...", "Planilhas de Saldos Bancários", "Gastos Cheques pagos/Compensados" com o objetivo de facilitar a compreensão. Em fls. 24 e 25 a fiscalização explica e localiza cada planilha mencionada; RESULTADOS LÍQUIDOS DO CÔNJUGE. Considerando que quando da fiscalização de contribuintes casados em comunhão total ou parcial de bens que declaram em separado, a variação patrimonial deve ser apurada num dos cônjuges, computandose os rendimentos líquidos, as aquisições e aplicações financeiras do outro cônjuge (nota Cosit/Cotir n° 617/99), e que na pessoa física da esposa do fiscalizado também se desenvolve fiscalização por determinação contida no MPF n° 0819000 2006004104 (fls. 516), os resultados apurados naquela fiscalização foram integralmente considerados no fluxo financeiro do contribuinte em epígrafe; Que, alocados todos os valores no fluxo financeiro, verificouse que o contribuinte apresentou gastos em montantes não respaldados pelos rendimentos tributáveis, isentos e não tributáveis ou de tributação exclusiva, em vários meses dos anoscalendário de 2001 a 2004, conforme demonstrativo de fl. 26; TERMO DE CONSTATAÇÃO DA CONTRIBUINTE ANA CRISTINA RIBEIRO DE CASTRO esposa. Há relato, por parte da fiscalização, do conteúdo de todos os Termos de Intimações lavrados durante o procedimento fiscal e as diversas respostas enviadas pela contribuinte, fls. 27 a 36, resultando as seguintes conclusões: DO IMÓVEL DA RUA DENTISTA BARRETO. Diz a fiscalização que, apesar de a fiscalizada haver declarado em sua DIRPF 2002 (fls. 798), a aquisição do imóvel onde atualmente reside (Rua Dentista Barreto, n° 310 casa 95 'Tipo E', Vila Carrão, nesta capital) pelo valor de R$ 180.000,00, mantendoo inalterado até a presente data, informações colhidas pela fiscalização indicam que tal informação não corresponde à realidade; Que à época da construção, a empresa Waled Incorporadora Ltda, responsável pelo empreendimento, Fl. 2244DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.243 5 anunciava em seu "site" http://www.grupowaled.com.br , imóveis do porte do adquirido pela fiscalizada e seu esposo (451,57m2) pelo valor de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) a "preço fechado"; Que, nesse valor encontrase embutida a margem de lucro da empreendedora, entretanto, sua discrepância para com o valor de R$ 180 mil declarado pela contribuinte ainda é gritante. Anexa em fls. 37 a 47 publicidade extraída do referido site acerca do Condomínio Colonial Granville, onde se situa a residência da fiscalizada; Que, dada a discrepância apurada pela fiscalização, esta efetuou diligência nas dependências da Waled Incorporadora Ltda (fl. 72) questionandoa acerca da alienação do referido imóvel. Em resposta de 28/09/2006 (fl. 724), complementada em 16/10/2006 (fl. 731, essa empresa afirma que o imóvel fora alienado inacabado, ficando sua conclusão a cargo dos adquirentes. Segundo a empresa, haviam sido executadas em blocos cerâmicos, lajes armadas preenchidas de concreto, revestimentos da alvenaria externa em argamassa areia e cimento, assentamento de tijolinhos à vista no embasamento externo e em detalhes das fachadas, contra piso interno em argamassa de areia e cimento nas salas, dormitórios, hall das escadas além de tubulações secas para instalações elétricas e hidráulicas, sem acabamentos. Com sua resposta vieram o Memorial Descritivo (fl. 729) e a Planta do Módulo E, aprovada pela Prefeitura do Município de SP (fl. 730); Que, como a contribuinte nada declara em suas DIRPF, além do valor de R$ 180.000,00, a fiscalização elaborou e encaminhou lhe, em 16/10/2006, o termo de Intimação fiscal n° 04 para que fossem apresentados "todos os recibos de pagamentos a profissionais e notas fiscais de aquisição de materiais/serviços, referentes aos custos/despesas efetuados" na edificação/conclusão do imóvel; DADOS OBTIDOS NO 9° CRI DE SÃO PAULO. A fiscalização, através do Ofício n° 032/2006 (fl. 701) também solicitou ao 9° Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo, os documentos arquivados naquela Serventia, acerca do Condomínio Granville. Em resposta de 22/09/2006 (fl. 702), foram apresentadas além de certidão atualizada da matrícula 127.377 (fls. 703/711), cópias dos Quadros I a VIII (fls. 712/721) relativamente à previsão dos custos globais e individuais dos imóveis do condomínio. Depreendese, da análise do documento, que os módulos (leiase: padrão "E", abstraindose o valor terreno, teriam custo de construção previsto de R$ 238.921,24. Ressalte se que esse não seria o valor para venda, mas, uma simples projeção, em 1997, de quando custaria para a incorporadora apenas a construção desse imóvel (sem terreno); LAUDO DE AVALIAÇÃO DA CEF. O Laudo de Avaliação elaborado pela Caixa Econômica Federal para imóvel do padrão/Tipo "E" do Condomínio Residencial Colonial Granville, tipo do adquirido pela fiscalizada e seu esposo, atribuilhe, para a data de 19/07/2006, o valor de mercado da ordem de R$ 1.580.000,00 (fls. 740/792). Esse documento além de dar Fl. 2245DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 confiabilidade aos valores constantes do "site" da Incoporadora Waled à época da comercialização dos imóveis, também se coaduna com as informações contidas em periódicos atuais sobre os valores dos imóveis daquele Condomínio. Em recente reportagem sobre discussão, o noticioso "proitaici", assim descreve os imóveis nele situados "mansões, avaliadas em mais de R$ 1,5 milhão cada uma" (fl. 739); DO ARBITRAMENTO DO CUSTO DA EDIFICAÇÃO/CONCLUSÃO DA OBRA. Conforme já alertado à contribuinte no Termo de Intimação Fiscal n° 04 e como não foram apresentados os documentos comprobatórios dos gastos na construção/conclusão do imóvel em comento, à fiscalização não restou alternativa senão o arbitramento de tal dispêndio com base nos índices publicados por entidades reconhecidas (SINDUSCON Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo). Os critérios e cálculos do arbitramento encontramse no Termo de Conclusão e seus resultados foram transportados para o fluxo financeiro da fiscalizada, resumo em fls. 49 e 50; DO FLUXO FINANCEIRO MENSAL. Além das considerações feitas até aqui das origens e aplicações realizadas pelo fiscalizado, a fiscalização elaborou planilhas auxiliares denominadas "Aplicações Financeiras", "Débitos/Créditos Identificados", "Rendimento do Anocalendário...", "Planilhas de Saldos Bancários", "Gastos Cheques pagos/Compensados" com o objetivo de facilitar a compreensão. Em fls. 51 e 52 a fiscalização explica e localiza cada planilha mencionada; RESULTADOS LÍQUIDOS DO CÔNJUGE. Considerando que quando da fiscalização de contribuintes casados em comunhão total ou parcial de bens que declaram em separado, a variação patrimonial deve ser apurada num dos cônjuges, computandose os rendimentos líquidos, as aquisições e aplicações financeiras do outro cônjuge (nota Cosit/Cotir n° 617/99), e que na pessoa física do esposo do fiscalizado também se desenvolve fiscalização por determinação contida no MPF n° 0819000 2006004090, os resultados apurados na presente fiscalização foram integralmente considerados no fluxo financeiro do esposo, linha 9 "rendimentos líquidos do cônjuge"; Inconformado com a exigência tributária, o Contribuinte ofereceu Impugnação Administrativa a fls. 1165/1332. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1724.117 – 7ª Turma da DRJ/SPOII, a efls. 1798/1863, julgando parcialmente procedente o lançamento e mantendo o Crédito Tributário na forma do Demonstrativo a efl. 1863. Devidamente intimado da Decisão de 1ª Instância, porém inconformado, o Sujeito Passivo interpôs Recurso Voluntário, a efls. 1873/2040, requerendo, ao fim, a reforma da decisão de 1ª Instância administrativa. O Colegiado da 4ª Turma Especial da 2ª SEJUL/CARF proferiu o Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, dando, por maioria de votos, provimento ao Recurso Voluntário (i) para reconhecer Fl. 2246DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.244 7 que os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, devem integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte; e (ii) para reconhecer que a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram que o preço de alienação foi o declarado, sendo descabido o lançamento de ofício com base em arbitramento, eis que inexistiu recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do Contribuinte, tampouco se houve por constatada irregularidade na escrita contábil da sociedade empresária alienante, consoante ementa que se vos segue: Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. DILIGÊNCIAS OU PERÍCIAS. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. REQUISIÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). A obtenção de dados e informações bancárias, sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei Complementar 105/2001, em dispositivo ainda em vigor. A Secretaria da Receita Federal é obrigada a resguardar o sigilo das informações, facultando sua utilização para seguir em procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se Fl. 2247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 constata que o mesmo conhece minuciosamente a matéria fática e legal e exerceu, com lógica e nos prazos devidos, o seu direito. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. PATRIMÔNIO COMUM DO CASAL. OBRIGAÇÃO SOLIDÁRIA QUE NÃO COMPORTA BENEFÍCIO DE ORDEM. CTN ART. 124. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O casal, nestes autos, enquadrase nessa situação, ambos interessados na aquisição de bem comum e no patrimônio, e sua variação, auferido na constância da sociedade conjugal. Na obrigação solidária, dessumese a unicidade da relação tributária em seu polo passivo, autorizando a autoridade administrativa a direcionarse contra qualquer dos coobrigados. Nestes casos, qualquer um dos sujeitos passivos elencados na norma respondem pela dívida integral. MOTIVAÇÃO PARA A ABERTURA DE FISCALIZAÇÃO. SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. QUESTÃO QUE EXTRAPOLA A LIDE TRIBUTÁRIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DE EXIGÊNCIA FISCAL. Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação. Os critérios e métodos adotados pela Receita Federal para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados não são oponíveis, no curso deste processo, para desconstituir crédito tributário. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O fato gerador do imposto de renda das pessoas físicas, sujeito ao ajuste anual, ocorre em 31 de dezembro do ano calendário, sendo o tributo sujeito a lançamento por homologação. O prazo decadencial contase a partir da ocorrência do fato gerador, quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN. Contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, inexistindo declaração prévia do débito, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Ocorrido o fato gerador periódico anual em 31 de dezembro de 2001 e regularmente cientificado do lançamento em 09 de dezembro de 2006, não há que se falar em decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. RATEIO MENSAL. O arbitramento dos rendimentos mensais, com a utilização de sistemática de distribuição, por rateio, pela qual os valores constantes da declaração de ajuste anual do contribuinte são distribuídos equitativamente pelos meses do ano, constitui presunção dos recursos a serem considerados em cada mês no cálculo do acréscimo patrimonial, quando o contribuinte, Fl. 2248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.245 9 regularmente intimado, não informa os valores mensais (RIR/99, art. 845, incisos I e II). (Acórdão 10421.615) ARBITRAMENTO DE PREÇO DE VENDA DE IMÓVEL. CRITÉRIOS. PROVAS. ESCRITURA. A Escritura goza de fé pública e deve ser considerada, salvo quando se verifica, através de evidências claras, que o negócio não transcorreu na forma ali prescrita. Não é o caso dos autos, em que se verifica a Impossibilidade de arbitramento quando a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram claramente que o preço de alienação foi o declarado. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO. APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um anocalendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. PLANILHAS DE FLUXO FINANCEIRO. ELABORAÇÃO. APURAÇÃO DE VARIAÇÃO PATRIMONIAL. Para apuração de variação patrimonial a descoberto devem ser elaboradas planilhas de fluxo financeiro mensal, considerando se as origens e aplicações de recursos existentes em cada mês, computandose os saldos positivos de um no mês seguinte. Deve o contribuinte fazer prova concreta em contrário para alterar as planilhas elaboradas pela Fiscalização a partir de documentos e da declaração de ajuste anual do mesmo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA ADMINISTRATIVA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA. COBRANÇA NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. E a razão é muito simples: como o devedor conhece a data em que a obrigação tributária deve ser cumprida, o inadimplemento ocorre no vencimento e os efeitos da mora a partir daí, de forma que a insurgência do sujeito passivo, em processo administrativo fiscal, não obsta a fluência dos juros incidentes sobre o crédito tributário constituído, sob pena de premiar os contribuintes que não honram seus débitos em época oportuna e utilizam o contencioso administrativo para procrastinar o pagamento de dívidas tributárias. (conforme Acórdão nº 2801003.544 1ª Turma Especial, de 14 de maio 2014) Fl. 2249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Marcio Henrique Sales Parada (Relator) e Marcelo Vasconcelos de Almeida que acolhiam a preliminar de diligência e, no mérito, davam provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Designado Redator do voto vencedor o Conselheiro Carlos César Quadros.“ Em desfavor do Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, insurgiuse a Fazenda Nacional interpondo Recurso Especial, a fls. 2153/2158, no qual alega contrariedade do acórdão recorrido com outras decisões do CARF, em dois aspectos: (a) no tocante à transferência de saldos entre anosbase e (b) no que se refere à validade da escritura de compra e venda de imóvel. O Recurso Especial interposto pela PGFN houvese por parcialmente admitido, pugnando pela rediscussão, no âmbito administrativo, tão somente, da matéria referente ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto: Saldo remanescente do ano anterior – ACT 106.074.008, sendo obstado o seguimento quanto à Validade da escritura de compra e venda de imóvel, consoante Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 30/06/2015, a fls. 2209/2218, ratificado pelo Despacho de Reexame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 01/07/2015, a fls. 2219/2220. As contrarrazões apresentadas pelo Contribuinte às fls. 2225/2230 destacam: · Eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização e utilizando os valores corretos de resgates de aplicações financeiras, inexiste variação patrimonial a descoberto, mesmo sem utilizar a transferência entre anos base. · Os acórdãos apresentados pela PGFN não são divergentes, mas apenas tratam de materias distintas. · Nos acórdãos paradigmas os contribuintes tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas pelos mesmos em suas DIRPF, enquanto que no recorrido não existem novas receitas trazidas ao conhecimento da fiscalização que já não estivessem declaradas na DIRPF. O que na verdade existe são despesas arbitradas pela fiscalização não reconhecidas pelo recorrido: despesas com construção, com cheques ao portador É o relatório. Fl. 2250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.246 11 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora RECURSO ESPECIAL INTERPOSTO PELA FAZENDA NACIONAL PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pelo Procurador é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial S/N, de 30/06/2015, a fls. 2209/2218. Temse em pauta Recurso Especial de Divergência, a fls. 2153/2158, interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, que, por maioria de votos, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário (i) para reconhecer que os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, devem integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte; e (ii) para reconhecer que a Escritura Pública de Compra e Venda registrada, o certificado de entrega das chaves, o resultado das diligências junto a empresa alienante, e as provas dos pagamentos do imóvel, merecem fé e demonstram que o preço de alienação foi o declarado, sendo descabido o lançamento de ofício com base em arbitramento, eis que inexistiu recusa ou sonegação de documentos e informações por parte do Contribuinte, tampouco se houve por constatada irregularidade na escrita contábil da sociedade empresária alienante. Contudo, ressaltese que apenas em relação a omissão de rendimentos APD saldo remanescente do ano anterior, ou seja, transferência de saldos de um ano para outro deuse seguimento ao recurso. Com relação ao conhecimento do recurso, merece apreciação dois pontos trazidos pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões: · Eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização e utilizando os valores corretos de resgates de aplicações financeiras, inexiste variação patrimonial a descoberto, mesmo sem utilizar a transferência entre anos base. · Os acórdãos apresentados pela PGFN não são divergentes, mas apenas tratam de matérias distintas. · Nos acórdãos paradigmas os contribuintes tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas pelos mesmos em suas DIRPF, enquanto que no recorrido não existem novas receitas trazidas ao conhecimento da fiscalização que já não estivessem declaradas na DIRPF. O que na verdade existe são Fl. 2251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 despesas arbitradas pela fiscalização não reconhecidas pelo recorrido: despesas com construção, com cheques ao portador Quanto à alegação de suposta perda de objeto, já que, segundo o sujeito passivo, eliminando o arbitramento realizado pela fiscalização, inexiste variação patrimonial a descoberto, entendo que não compete a este colegiado realizar a liquidação do julgado para que se confirme a inexistência da suposta variação. No caso, a competência restringese tão somente a apreciar se o resultado proferido encontrase em consonância com os dispositivos legais e a jurisprudência dominante deste Conselho em relação a matéria devolvida por meio do recurso especial. É seguindo essa mesma linha de raciocínio, que também não acato a alegação de impossibilidade de conhecimento, alegando que os paradigmas apresentados tratam de situação fática diversa. No caso, indica o sujeito passivo que o paradigma referese a casos que tentavam justificar as suas variações patrimoniais a descoberto, trazendo ao conhecimento da fiscalização novas receitas que não haviam sido declaradas. Essa argumentação, deixa claro que são situações similares. Entendo ser justamente esse a linha de raciocínio do redator do voto vencedor na decisão que deseja a recorrente (PGFN), ver reformada. Senão vejamos: Passo então a julgar a forma de apuração de recursos de um ano calendário para o subseqüente. Este Colegiado em diversas decisões tem manifestado o entendimento no sentido de que as disponibilidades do contribuinte no final do exercício devem ser expressas na declaração de bens e direitos, na forma de dinheiro, saldos bancários, investimentos, etc. No entanto, estas disponibilidades apenas se efetivamente comprovadas, devem ser consideradas como recursos para o exercício seguinte. Verificase que, no presente caso, a própria fiscalização apurou saldos positivos de recursos nos meses de dezembro dos anos calendários, os quais foram desconsiderados ao iniciar o exame do mês seguinte (janeiro dos anos calendários), pela simples mudança do ano calendário. Ocorre que não existe nenhuma regra jurídica e nem fundamento ou interpretação razoável a justificar a transferência de valores de um mês para o outro, dentro do ano calendário e não considerálos do mês de dezembro para o mês de janeiro. Vale registrar que outro não foi o entendimento da 2ª Turma da CSRF, conforme julgamento unânime referente ao Processo de nº 10825.000618/9636, Acórdão nº 920200.521, proferido em 09 de março de 2010: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO APURAÇÃO QUE SE ESTENDE POR MAIS DE UM ANOCALENDÁRIO SALDO POSITIVO NO MÊS DE DEZEMBRO APROVEITAMENTO NO FLUXO DE CAIXA DO ANO SEGUINTE. Quando a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto em período que se estende por mais de um ano calendário, o saldo positivo apurado no mês de dezembro deve ser transferido para o mês de janeiro do ano seguinte. Fl. 2252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.247 13 Assim, os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte. Ou seja, resta claro que a tese adotada pelo acórdão recorrido é que mesmo nos casos em que a fiscalização apura variação patrimonial a descoberto, em período que se estende por mais de um ano calendário, o saldo apurado em dezembro deveria ser transferido. Nesse sentido, vislumbro clara diferença entre a tese que fundamentou o acórdão recorrido e aquela adotada pelo acórdão paradigmático. Ao contrário do argumento do sujeito passivo, o fundamento para que se possa aproveitar as receitas do ano anterior, dado pelo redator, não foi o fato de que encontravamse já declaradas (como devidamente demonstrado na transcrição acima), mas que sempre seria cabível o seu aproveitamento. Assim, entendo encontrase correto o despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN. DO MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO: SALDO REMANESCENTE DO ANO ANTERIOR – ACT 106.074.008. Alega o Recorrente que o Acórdão Recorrido, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário para desconsiderar a existência de acréscimo patrimonial a descoberto. Aduz que o entendimento adotado pela 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF tem esteio na tese de que o saldo ao final do anobase não se presume consumido, podendo, assim, ser transferido ao anocalendário seguinte. Pondera a PGFN que a decisão aviada no Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF diverge da jurisprudência majoritária do CARF, conforme ilustrado no Acórdão Paradigma nº 104021.631 – 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Com efeito, o voto vencedor do Acórdão Recorrido encampou o entendimento de que “os valores referentes aos recursos disponíveis no final de dezembro de cada ano calendário, ou seja, no início de janeiro do ano seguinte, deve integrar a planilha de cálculo do fluxo de caixa do anocalendário seguinte.” Contudo, entendo não ser a interpretação dada pelo acórdão recorrido a melhor analisando os dispositivos legais que aplicamse ao caso. Com efeito, o inciso XIII do art. 55 do RIR/99 estatui que são também tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Regulamento do Imposto de Renda Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): [...] Fl. 2253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] A Legislação Tributária estabeleceu hipótese iuris tantum de omissão de rendimentos sempre que o acréscimo patrimonial declarado for superior à soma dos rendimentos líquidos. O Acréscimo Patrimonial a Descoberto – APD decorre, pois, de presunção lógica no sentido de que, se o patrimônio do Contribuinte aumentou em montante além dos rendimentos declarados ao Fisco, esse aumento decorreu, necessariamente, de rendimentos omitidos pelo Obrigado em sua Declaração de Ajuste Anual DAA. Registrese que outra não é a razão de ser da Declaração de Bens e Direitos integrante da DAA que não o controle, pelo Fisco, da situação patrimonial do Contribuinte Pessoa Física. É certo que, em muitos casos, a parcela do acréscimo patrimonial a descoberto é apenas aparente, eis que, em regra, decorrem de erros de preenchimento da Declaração de rendimentos ou da Declaração de Bens e Direitos integrantes da DAA, competindo ao Contribuinte a retificação da Declaração, no caso de erro de preenchimento da DAA, ou a comprovação da origem do patrimônio não declarado, mediante documentos hábeis e idôneos. Dessarte, para que os recursos disponíveis em moeda ao final de cada ano calendário (dezembro/XX) constituamse lastro para eventuais acréscimos patrimoniais no ano civil imediatamente seguinte (janeiro/XX+1), devem eles constar, de maneira precisa, já na Declaração de Bens e Direitos da DAA do AnoCalendário (XX) e, cumulativamente, como todos os dados ali declarados, ter a sua origem devidamente comprovada mediante documentos hábeis e idôneos com aptidão de fornecer o indispensável amparo jurídico. Não se prestam para tal fim supostas sobras decorrentes da confrontação entre rendimentos financeiros e aplicações declaradas, pois este hipotético saldo não se constitui prova cabal da efetiva posse do bem no último dia do anocalendário anterior. Assim, os recursos disponíveis no final de cada anocalendário só podem ser aproveitados no ano seguinte mediante prova inconteste de sua existência. A comprovação de existência e montante de recursos econômicos e financeiros no anocalendário anterior é de crucial importância para quem alega a posse/titularidade de tais haveres para fins de elisão de lançamento tributário por Acréscimo Patrimonial a Descoberto relativo ao ano subsequente, uma vez que a falta de apresentação de documentos comprobatórios esbarra, justamente, no óbice da presunção legal há pouco aludida, a qual impede a “geração espontânea” de patrimônio não antes reconhecido como havido pelo próprio Contribuinte em sua DAA. Registrese que o entendimento acima sufragado não obstaculiza o aproveitamento de eventuais saldos resultantes de uma competência para a seguinte, quando no horizonte temporal de um mesmo anocalendário, sem ultrapassalo, uma vez que inexiste obrigatoriedade de entrega de declaração mensal de bens, direitos e rendimentos, pelo Contribuinte ao Fisco. Fl. 2254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10880.008207/200611 Acórdão n.º 9202004.274 CSRFT2 Fl. 2.248 15 Ora, tratandose como de fato se trata de lançamento de ofício decorrente de Acréscimo Patrimonial a Descoberto APD, avulta que tal patrimônio tributável somente passa a ser do conhecimento da Administração Tributária quando da entrega pelo Contribuinte ao Fisco da competente Declaração de Ajuste Anual, ocasião em que a totalidade dos rendimentos auferidos pelo Obrigado são informados e se terão, então, calculados tanto a base de cálculo do tributo quanto o montante devido a título de Imposto de Renda. Tal situação decorre da circunstância de o fato gerador do Imposto de Renda da pessoa física qualificarse como espécie de fato gerador complexivo, apurado no ajuste anual, assim considerado aquele cujo aspecto material se completa após o transcurso de um determinado lapso de tempo, conglobando um conjunto de fatos jurígenos tributários e circunstâncias materiais que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Nesse contexto, a matéria tributável informada na DAA abrange toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida pelas pessoas físicas em determinado ciclo, o qual se completa no último dia do ano civil, considerandose nascida a obrigação tributária no dia imediatamente seguinte, 1º de janeiro. Nada obstante, por uma questão de política tributária, o fato jurídico tributário somente se considera consumado por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual, ainda que compreenda somente os rendimentos recebidos no anocalendário findo em 31 de dezembro e que o imposto seja devido à medida que os rendimentos forem percebidos e que as despesas tenham sido pagas no ano correspondente. Não por outra razão, o lançamento e/ou qualquer outro pronunciamento por parte da Fazenda Pública só poderão ocorrer após a data em que se instaure a possibilidade jurídica de assim se proceder, ou seja, após a efetiva entrega da Declaração de Ajuste Anual ou após o prazo limite estipulado para a sua entrega. Somente após esse prazo é que se tem como verificado o descumprimento da obrigação tributária principal, pressuposto jurídico para a lavratura do lançamento de ofício. Escapa, portanto, à lógica da estrutura jurídica montada pela Legislação Tributária a possibilidade de se exigir do Contribuinte o tributo supostamente devido antes da sua manifestação, via Declaração de Ajuste Anual, oferecendo à tributação toda a disponibilidade econômica ou jurídica adquirida no transcorrer do anocalendário e oportunizandolhe a dedução de eventuais despesas, bem como o gozo das isenções cabíveis. Dessarte, por não prever, a Legislação Tributária, a obrigação do Contribuinte de apresentar Declaração Mensal de Bens e Direitos, delimitando no horizonte temporal de cada mês.competência os contornos substanciais do patrimônio do Obrigado, a eventual sobra de disponibilidade econômica verificada em um determinado mês pode ser aproveitada no mês imediatamente seguinte, desde que, obviamente, não sejam ultrapassados os limites cronológicos do mesmo anocalendário. Por tais razões, entendo que somente poderão ser aproveitados no ano calendário subsequente os eventuais excedentes de disponibilidade econômica ou jurídica adquiridos pelas pessoas físicas que constar na Declaração de Bens e Direitos constantes na DAA do ano anterior, devidamente lastreados em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem. Caso seja correta a alegação do sujeito passivo de que após a exclusão dos valores apurados pela fiscalização, face a decisão da câmara a quo, só remanesceram os Fl. 2255DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 valores efetivamente declarados, a situação do caso concreto estará em perfeita consonância com o presente julgado. Por tais razões, pugnamos pela reforma, nesse específico particular, da decisão aviada no Acórdão nº 2801003.682 – 1ª Turma Especial/2ª SEJUL/CARF, de 09 de setembro de 2014, a fls. 2099/2150, restabelecendose o lançamento referente à parcela relativa ao Acréscimo Patrimonial a Descoberto, cujos fatos geradores consistirem no aproveitamento de sobras de disponibilidade econômica ou jurídica adquiridas pelo Sujeito Passivo, que não constar na Declaração de Bens e Direitos da DAA do ano anterior, devidamente lastreadas em documentação hábil e idônea com aptidão de lhe comprovar a origem. CONCLUSÃO Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Procurador para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2256DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 25/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 15/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10183.727783/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior
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DEPENDENTE. NÃO DECLARADO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas médicas, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos em prol de tratamento próprio ou de dependente. É dever do contribuinte realizar sua declaração na forma devida e comprovar as operações. Não se desincumbiu de suas obrigações, não comprovando que possui dependente. Inteligência do art. 80, § 1º, II, do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 77 83 /2 01 5- 10 Fl. 75DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10183.727783/201510 Acórdão n.º 2402005.539 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida , tratase de Notificação de Lançamento de fls. 11/15, resultante de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário de 2013, que considerou ausentes os requisitos para a dedução de Despesas Médicas, no valor de R$ 8.563,20. O contribuinte apresentou impugnação, fls. 04/05, trazendo o documento de fls. 09/10, afirmando ter declarado despesa médica com plano de saúde no total de R$ 17.024,44, sendo que do total deste valor, R$ 8.461,24 (referiamse a despesa própria, e o restante (R$ 8.563,20) despesa de seu cônjuge e dependente do plano de saúde. A decisão de primeira instância (fls. 44/46) julgou improcedente a impugnação, sob o argumento de que as despesas do cônjuge da contribuinte, Cristiano Jeová Campos, não podem ser deduzidas dos rendimentos tributáveis para apuração da base de cálculo do imposto devido, porquanto aquele não foi declarado na condição de dependente tributário da contribuinte. Cientificado da decisão de primeira instância em 28/04/2016 (fl. 49/50), o interessado interpôs, em 27/05/2016, o recurso de fls. 52/54. Nas razões recursais, a recorrente afirma que as despesas médicas realizadas em favor de seu marido podem ser por ela declaradas, pois o cônjuge pode figurar como dependente à luz da legislação tributária, sendo a certidão de casamento documento hábil para comprovar a relação de dependência. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. Sem contrarazões. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF 4 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 28/05/2016, interpôs recurso voluntário no dia 27/05/2016, atendendo também às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser CONHECIDO. DA DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Em analise ao caso, verificase que uma vez que o contribuinte declarou despesa com seu plano de saúde no valor de R$ 17.024,44, comprovou apenas parte mesma, procedendo a autoridade fazendária, corretamente, à glosa da diferença não comprovada, no valor de R$ 8.563,20. Alegou a contribuinte que o restante se trata de valores de seu dependente, entretanto, não consta dependentes em sua declaração (fls. 22/29). Ao exame da Declaração de Ajuste Anual, constatase que o senhor Cristiano Jeová Campos não foi informado como dependente, conforme havia sido explicitado pela DRJ. Assim, sabese que quanto a dedução de despesa médica dos rendimentos tributáveis para a apuração da base de cálculo do imposto devido, o art. 80, do Regulamento do Imposto de Renda/99 estabelece: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Entendo, na mesma linha que o julgador originário, que a despesa relativa a Cristiano Jeová Campos não pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis para apuração da base de cálculo do imposto devido, pois o art. 80, § 1º, inciso II, prevê a dedução das despesas médicas relativas aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para seu próprio tratamento e dos dependentes. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10183.727783/201510 Acórdão n.º 2402005.539 S2C4T2 Fl. 4 5 Como tal dependente não foi declarado na condição de dependente tributário a despesa a ele correspondente não é dedutível em razão da ausência de previsão legal. Firme no entendimento exposto, voto por CONHECER, mas NEGAR PROVIMENTO ao recurso de forma a manter o Crédito Tributário. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.005350/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL.
O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados.
INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreende-se não ter prejudicado a defesa.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO.
Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se ter sido alcançado, presta-se a comprovação do ilícito.
MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL.
O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados.
INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreende-se não ter prejudicado a defesa.
INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO.
Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstra-se ter sido alcançado, presta-se a comprovação do ilícito.
MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-003.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 30/09/2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreendese não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstrase ter sido alcançado, prestase a comprovação do ilícito. MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos. 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 53 50 /2 00 8- 31 Fl. 2662DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.663 2 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. REGRA GERAL. O prazo para a exigência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos casos de ocorrência de dolo, fraude ou simulação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual os tributos já poderiam ter sido lançados. INFRAÇÃO. BASE LEGAL. ENQUADRAMENTO. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não constitui preterição ao direito de defesa qualquer deficiência na indicação da base legal da infração cometida pela autuada quando da análise das peças de defesa depreendese não ter prejudicado a defesa. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPROVAÇÃO. QUADRO INDICIÁRIO. Todos os meios de prova são aptos a comprovar a infração acusada pela Fiscalização. Um quadro indiciário constituído de elementos que convergem um mesmo objetivo que, ao final, demonstrase ter sido alcançado, prestase a comprovação do ilícito. MULTA QUALIFICADA. A prática de sonegação, fraude ou conluio, tal como o definem os artigos 71, 72 e 73 da lei n° 4.502 /64, constitui infração apenável com multa qualificada. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Fl. 2663DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.664 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da r. decisão, vazado nos seguintes termos: Contra a empresa qualificada em epígrafe foram lavrados autos de infração de fls. 1025/1033 e 1034/1039, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins dos períodos de fevereiro de 2003 a setembro de 2004 e abril a setembro de 2004, respectivamente, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$1.241.644,82. O enquadramento legal encontrase às fls. 1028 e 1032, 1036 e 1038. Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 967/1054, a fiscalização apurou que a contribuinte, localizada em Rio das Pedras (SP), teria simulado operações comerciais com o produto denominado "Preparado Composto Não Alcoólico — PCNA", supostamente adquirido de fornecedores localizados em Manaus (AM), Paulínia (SP) e Botucatu (SP), apropriandose indevidamente de créditos de P1S/Pasep e Cofins gerados com as aquisições deste produto. Segundo o autuante, o esquema fraudulento funcionaria da seguinte forma: a) A empresa adquiria dos fornecedores Coema, Stratus e Nuvem de Prata, grande quantidade do referido PCNA, creditandose de IPI, ICMS, PIS/Pasep e Cofins. b) O PCNA não passaria de "solução aquosa inservível e imprestável como insumo intermediário destinado à fabricação de bebida refrigerante de guaraná, desprovido de utilidade econômica e de valor comercial". Tal fato teria sido constatado em exames laboratoriais promovidos a pedido do Fisco Estadual e também da Receita Federal. c) Por meio de vendas ao mercado externo, com imunidade de impostos e contribuições, os créditos eram mantidos e utilizados para dedução dos tributos incidentes sobre suas outras operações. Analisando a documentação e as justificativas apresentadas pela Interessada, o autuante descreve uma série de irregularidades: falta de comprovação das aquisições (ausência de comprovantes de pagamentos e conhecimentos de transporte); incoerências nos valores declarados pelos fornecedores; incapacidade de produção das empresas fornecedoras, declaração de inatividade em período coincidente com suposta venda à autuada; irregularidades das empresas fornecedoras de extrato de guaraná para os fornecedores de PCNA da contribuinte (divergência entre os valores declarados, empresas inativas, etc.); Fl. 2664DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.665 4 irregularidade quanto ao transporte do produto (transportadora "sem movimento", inativa, conforme declaração do contador com base em informação do próprio gerente, inexistência de pagamentos de frete para outra transportadora); movimentação financeira inexistente ou incompatível, de empresa fornecedora, enquanto a contribuinte registrou pagamento milionário em sua contabilidade; lapso temporal incompatível entre a saída do produto de fornecedor e sua entrada na autuada, considerando a distância entre as duas empresas; fornecedor com declaração de inaptidão, por inexistência de fato, em período coincidente às compras registradas pela contribuinte. Esse mesmo fornecedor foi flagrado, pela Receita Federal, tentando exportar PCNA, que ao final verificouse ser uma solução com 98% de água, sendo o produto apreendido por falsidade documental no documento instrutivo do despacho (superfaturamento); irregularidades quanto aos clientes da autuada (incompatibilidade entre a capacidade operacional com as transações declaradas venda com fim de exportação , práticas de fraude na exportação, vendas não confirmadas nos registros das clientes); falta de comprovação do recebimento de suas vendas, contratos de câmbio incompatíveis com as datas de exportação. Considerando o conjunto probatório, que inclui ainda auto de infração do Fisco Estadual, a fiscalização glosou os créditos referentes ao PCNA, constituindo o crédito tributário no qual se inclui multa de 150% por ter se configurado, em tese, crime contra a ordem tributária. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1043/1092. Nela, suscitou "nulidade do auto de infração pela abstrata capitulação legal", pois "o enquadramento legal citado nada tem que ver com o relatório fiscal e com as circunstância (sic) da autuação". Discorreu longamente sobre o tema, transcrevendo jurisprudência e doutrina, para concluir que houve prejuízo aos direitos de ampla defesa e do contraditório. Quanto ao "direito de crédito decorrente do PIS/Cofins", alegou que o autuante não observou os próprios dispositivos por ele elegidos para fundamentar o lançamento, dentre os quais o art. 5º, I e II, combinados com § 1°, I, da Lei n° 10.637, de 2002, que possibilitou à contribuinte a manutenção dos créditos no caso de vendas para o exterior ou com fim específico de exportação. Discorreu sobre decretosleis, citados no termo de verificação fiscal, que tratam do Imposto sobre Produtos Industrializados, concluindo que o autuante não comprovou que a empresa deixou de industrializar o produto e, por conseguinte, não faria jus ao crédito. Nesse tópico, escreveu sobre os conceitos de isenção e nãoincidência, contestando a argumentação do Fisco quanto à não incidência de imposto sobre produto isento e o condicionamento do direito de crédito ao efetivo recolhimento em fases anteriores. Fl. 2665DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.666 5 Alegou ter havido utilização de presunção e de prova emprestada com fundamento da autuação, violando o art. 42 do Código Tributário Nacional — CTN. O autuante teria adotado o mesmo relatório do auto de infração do Fisco Estadual, que ainda está sub judice. Argumentou não existir nenhuma perícia, e que "tampouco foram considerados os documentos oferecidos pela impugnante à fiscalização, tais como comprovantes de pagamento, de transporte, etc.". Aduziu que as operações efetivamente existiram, pois houve produção, transporte e pagamento, tudo dentro dos limites legais. O produto existe, está registrado no Ministério da Agricultura e "todos os lotes adquiridos pela IBP possuem certificação prévia, ou seja, foram inspecionados e liberados pelos órgãos competentes". Prosseguiu criticando o trabalho da fiscalização, que não teria apresentado comprovação de suas alegações, reiterando o uso indevido de prova emprestada, a propósito "um laudo (objeto de discussão judicial) produzido ilegalmente pelo Fisco do Estado de São Paulo", porquanto sem "observar o contraditório e a ampla defesa". Transcreveu jurisprudência que corroboraria sua argumentação. Dissertou sobre a "Teoria dos Motivos Determinantes" e o "ônus da prova em matéria fiscal", assentando que caberia ao Fisco a comprovação da afirmação de que o produto é imprestável e inservível. Refutando tal afirmação da fiscalização, citou nota técnica da Superintendência da Zona Franca de Manaus sobre a "Situação operacional das empresas do segmento de Concentrado na Zona Franca de Manaus", segundo a qual outras duas empresas lá sediadas teriam faturado, em 2006, cifras da ordem de R$ 480 milhões e R$ 2,43 bilhões com o PCNAA, o que comprova a falsidade da alegação do autuante. Alegou decadência do lançamento referente aos "meses de Fevereiro de 2003 até o primeiro decênio de Dezembro de 2003", a teor do art. 150, § 4° do CTN, uma vez que a ciência da autuação ocorreu em 12/12/2008. Ressaltou ser improcedente uma possível alegação de que o lançamento estaria amparado pela parte final do dispositivo citado, pois não há qualquer comprovação das alegações do Fisco. Também teria ocorrido violação ao art. 118 do CTN, pois o Fisco pretendeu desconstituir a ocorrência do fato gerador, conforme trecho que reproduziu à fl. 1071. Inaplicável ainda o art. 116, parágrafo único do mesmo Código, pois ele serve para casos de dissimulação. À pretensão do Fisco de desconstituir o fato gerador, indagou a impugnante: "O recolhimento efetuado ao Fisco do AM a título de PIS, Cofins, CSLL, IRRI o que representa? Os laudos emitidos pelo Ministério da Agricultura atestando a regularidade do produto, também serão desconstituídos pelo Fisco? O transporte do produto, nada representa?". Argumentou ter havido violação à legislação de regência, qual seja, a que trata dos critérios de padronização e estabelece competências específicas para os procedimentos de inspeção e fiscalização, todos relativos ao comércio de bebidas. Segundo tal i legislação, teria havido ilegalidades no procedimento do Fisco de São Paulo quando da I produção do laudo sobre o PCNA. Assim, sendo a prova emprestada utilizada na presente autuação ilícita, não poderia subsistir o lançamento. Fl. 2666DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.667 6 Contestou a aplicação da multa agravada, nos termos do inciso II do art. 80 da Lei n°4.502, de 1964, em razão da revogação do dispositivo pelo art. 13 da Lei n° 11.488, de 2007. Além disso, o dolo, elemento essencial do tipo conluio (citado pelo autuante), não se presume, deve ser provado e de forma convincente, o que não é o caso dos autos. Também não se pode falar em conluio, pois para sua ocorrência deve estar configurado um dos dois outros tipos previstos nos arts. 71 e 72 da Lei n°4.502, respectivamente sonegação e fraude; na falta de comprovação dos mesmos, não há que se falar em conluio. Reclamou a impossibilidade de arrolamento fiscal antes do término do processo administrativo, conforme fls. 108711089. Por fim, requereu perícia, formulando os quesitos de fl. 1090, bem como "diligências outras, em especial a oitiva dos agentes federais que realizam os exames em Manaus", para confirmarem "que o produto vendido pela Stratus é compatível com as normas federais", fazendo cair por terra as afirmações em contrário e o próprio lançamento. A DRJ/RPO julgou, em 06/03/2009, improcedente (fl. 1998/2007) a impugnação. Não resignada com a r. decisão, a autuada interpôs recurso voluntário (2016/2068), no qual, em suma, alega: 1 que houve um concerto entre os fiscos estadual de São Paulo (SP) e federal na consecução da exação sob exame, "notadamente no empréstimo ilegal de provas", consoante ofício, que transcreve (fl. 2018), do DRF Piracicaba ao Delegado Regional Tributário de Campinas/SP; 2 alega a nulidade do auto de infração porque o mesmo baseouse em "provas emprestadas e num abusivo trabalho fiscal realizado pela Fazenda Estadual". Acresce que o enquadramento legal é divergente com o relatório constante nos autos, e que por isso houve cerceio ao seu direito de defesa; 3 consigna que "adquiriu os produtos da Zona Franca de Manaus, os industrializou e em seguida os exportou", sendo que a manutenção dos créditos em sua escrita fiscal decorre da desoneração das receitas de exportação, com arrimo nas Leis 10.637/2003 e 10.833/2003; 4 que a autuação não reflete a verdade material dos fatos, porque houve a operação, houve pagamento, houve transporte, o produto existe e está registrado no Ministério da Agricultura. Tais fatos, argui, afasta a alegação fiscal da "imprestabilidade" do produto, e aduz que o laudo no qual se baseia esta afirmação "foi efetuado com o produto fora do prazo de validade e ainda à revelia da legislação de regência", discorrendo longamente sobre a legislação que trata da padronização das características físicoquímicas das bebidas, concluindo que a fiscalização não teria observado os procedimentos que dela constam. Em função disso, mais uma vez pugna pela nulidade do auto de infração, acrescendo que o produto não poderia ter sido periciado "em laboratório determinado pelos agentes fiscais de renda, que não é oficial nos termos do Decreto". Em sequência, discorre acerca de quem tem competência para proceder a fiscalização do produto e os métodos que devem ser utilizados, de modo a concluir que o laudo pericial apresentado pelo fisco paulista não pode produzir efeitos jurídicos, "posto que eivado de ilegalidade"; Fl. 2667DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.668 7 5 que o auto de infração está baseado na alegação de que o produto PCNA é inservível, mas não logrou o Fisco federal provar tal afirmação, pois teria se baseado em laudo produzido pelo fisco estadual, prova emprestada, o que, a seu juízo, seria ilegal. Acresce que a "utilização da prova emprestada neste caso não pode ser convalidada", pois careceria da observância do contraditório e ampla defesa. Sendo, continua, o laudo o fundamento do lançamento, pela teoria dos motivos determinantes, "não podendo ser convalidada a prova emprestada" vez que "a lavratura foi do fisco paulista sob o manto da assinatura do agente federal", o lançamento é inválido; 6 por fim, argui a decadência, alegando que sendo o auto de infração cientificado em 12/12/2008, incluindo os meses os períodos de fevereiro ao primeiro decênio de dezembro de 2003, este período estaria alcançado por aquela. Em seu entendimento, não demonstrada a fraude ou simulação, aplicase ao caso o art. 150, § 4º, do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. I OS FATOS Registrese, inicialmente, que a recorrente está cadastrada no CNPJ com o código CNAE 1111901 FABRICAÇÃO DE AGUARDENTE DE CANA DE AÇÚCAR, sendo a empresa, conforme consta nos autos, "fabricante e comercializadora da tradicional aguardente de cana marca "CANINHA DA ROÇA". O que fica patente nas peças de insurgência da autuada em relação ao lançamento, é que ela foge ao fatos, restringindose às questões de natureza processual. Ela em nenhum instante contraditou o consistente Termo de Verificação Fiscal (fls. 1657/1690), restringindo sua defesa à arguição de nulidade do lançamento como se este tivesse por único elemento o laudo produzido pelo Fisco paulista, o que falseia sobremaneira os fatos narrados no libelo fiscal. Por isso, passo a análise dos mesmos, resumindo o que consta do relato fiscal. O PCNAA ou PCNA, segundo a fiscalizada, seria submetido, em suas dependências industriais, de tal maneira a configurar um segredo industrial, a um “processo de industrialização” em que haveria a adição de xarope de açúcar invertido (gludex) – 0,0025 a 0,0035% – e corante de caramelo – 0,0002 a 0,00035%: um produto adquirido com um custo de cerca de R$ 100,00 por litro para o emprego como matéria prima na fabricação de refrigerantes com preço de varejo de R$ 1,00 o litro. A adição dos referidos ingredientes foi iniciada somente em 18/09/2004, consoante o controle contábil de estoque da empresa, e teria durado até 15/12/2004. Tratase, segundo o Fisco Estadual, de uma solução aquosa, sem utilidade econômica intrínseca e sem valor comercial, destinada à fabricação de refrigerantes e que não pode ser enquadrada nos parâmetros fixados pela legislação federal (Portaria nº 544, de 1998, do Ministério da Agricultura) no que concerne a “preparado ou concentrado líquido para refrescos ou refrigerantes”. O concentrado de guaraná legítimo, com código NCM/SH Fl. 2668DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.669 8 2106.90.10, não se caracteriza como insumo para a indústria de bebidas, mas um produto pronto para consumo, destinado à preparação de refrigerantes em máquinas “prémix” ou “postmix”. O PCNAA ou PCNA constante das notas fiscais emitidas não figura como produto pronto para consumo, mas destinado a ulterior processo industrial. Não é, pois, um produto adequado à mistura em máquinas próprias do qual resulte bebida refrigerante apta ao consumo imediato. “MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO GABINETE DO MINISTRO PORTARIA Nº. 544, DE 16 DE NOVEMBRO DE 1998. O MINISTRO DE ESTADO DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, e tendo em vista o disposto no art. 159, inciso I, alínea "a" e II do Regulamento da lei n° 8.918, de 14 de julho de 1994, aprovado pelo Decreto n° 2.314, de 4 de setembro de 1997, resolve: Art. 1° Aprovar os Regulamentos Técnicos para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade, para refresco, refrigerante, preparado ou concentrado líquido para refresco ou refrigerante, preparado sólido para refresco, xarope e chá pronto para o consumo, em anexo. Art. 2° Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. FRANCISCO SÉRGIO TURRA” No anexo, que traz, entre outros, o “Regulamento Técnico para Fixação dos Padrões de Identidade e Qualidade para Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante”, assim estão estabelecidos alguns tópicos de interesse: “1. ALCANCE 1.1. Objetivo: Fixar a identidade e as características mínimas de qualidade a que deverá obedecer o Preparado ou Concentrado Líquido Para Refresco ou Refrigerante. 1.2. Âmbito de Aplicação: O presente Regulamento se aplica ao Preparado ou Concentrado Líquido para Refresco ou Refrigerante. 2. DESCRIÇÃO 2.1. Definição 2.1.1. (...) 2.1.2. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante é a bebida que contiver suco de fruta, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...) 2.1.6. Preparado ou Concentrado Líquido para Refrigerante (sem açúcar) é a bebida que contiver suco, extrato vegetal ou de parte do vegetal de sua origem, açúcar e água Fl. 2669DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.670 9 potável, preparada através de processo tecnológico adequado, que assegure a sua apresentação e conservação até o momento de consumo. (...)”(g.m.) A Indústria de Bebidas Paris (IBP), indagada a respeito da composição química da substância PCNAA ou PCNA, informou a existência de segredo industrial e afiançou a respectiva conformidade com o art. 60 do Decreto nº 2.314, de 1997: “DECRETO Nº 2.314, DE 4 DE SETEMBRO DE 1997. Regulamenta a Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, DECRETA: Art. 1º Fica aprovado o Regulamento da Lei nº 8.918, de 14 de julho de 1994, que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas, que com este baixa. Art. 2º Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Ficam revogados os Decretos nº 73.267, de 6 de dezembro de 1973, 96.354, de 18 de julho de 1988, e 1.230, de 24 de agosto de 1994. Brasília, 4 de setembro 1997; 176º da Independência e 109º da República. FERNANDO HENRIQUE CARDOSO Arlindo Porto” O referido art. 60 é vazado nos seguintes termos: “Art. 60. Extrato de guaraná é o produto resultante da extração dos princípios ativos da semente de guaraná (gênero Paullinia), com ou sem casca, observados os limites de sua concentração previstos em ato administrativo próprio”. Nada esclarecido: a realidade é diversa da declarada, escamoteada nos meandros da legislação que dispõe sobre a padronização, a classificação, o registro, a inspeção, a produção e a fiscalização de bebidas. O produto em tela, nas aquisições (469.160 kg), foi contabilizado pela IBP como “preparo composto não alcoólico”. Com uma quebra contabilizada de 340 kg, uma parte da substância (180.950 kg) foi transferida para uma conta de estoque correspondente a “preparado não alcoólico padronizado”, e, sem a mediação de nenhuma operação industrial, outra parcela (174.660 kg) foi vendida a empresas do exterior, OU TAIVER e CINKOLL, por R$ 69,21/kg, em média, sendo as notas fiscais emitidas com o CFOP 7.101, que diz respeito a “venda de produto industrializado para o exterior”; o restante (113.210 kg) permaneceu registrado no estoque até o final do ano de 2004. Com o acréscimo de 649 kg, no total, de xarope de açúcar invertido (gludex) (420 kg), corante de caramelo (49 kg) e de água (180 litros), a maior parte (180.000 kg) da Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.671 10 substância “preparado não alcoólico padronizado” foi transferida para a conta de estoque correspondente a “preparo não alcoólico”, que teria sido destinado às empresas PROAD e SWISSFARMA à vista de notas fiscais com CFOP 6.502 (remessa de mercadoria adquirida de terceiros para exportação) ou CFOP 6.949 (outras saídas não especificadas), com um preço médio de R$ 68,58 por kg. Como se pode observar, tratase de vendas com indiscutível prejuízo: preço médio de R$ 90,00/kg nas compras e de R$ 68,50 nas vendas. A IBP alega que, considerados os créditos nas aquisições, haveria um lucro operacional bruto na faixa de 5%. Os ingredientes “gludex” e corante de caramelo são normalmente empregados na padronização de aguardente de cana industrializado pela IBP, o que explicaria a existência de notas fiscais de compra desses aditivos. Uma das supostas fornecedoras da substância para a IBP, a NUVEM DE PRATA, foi pilhada pela Receita Federal de Santos/SP tentando exportar água à guisa de “preparado composto não alcoólico”, com superfaturamento; um composto com diluição em 98% de água, com composição semelhante à dos preparados refrigerantes prontos para consumo, usuais no mercado, mas com o valor declarado em nota fiscal de cerca de R$ 76,92 por litro, bem acima do valor dos preparados existentes no mercado – R$ 1,00 por litro. A pretextada empresa fornecedora STRATUS, instalada em um galpão mal ajambrado, alugado de terceiros, em área degradada de Manaus, dotada de tanques obsoletos e com objetos acomodados no chão (bombonas, caixas, estrados, sacos e latas), preparava o refrigerante de guaraná (PCNAA) por meio de um processo artesanal (agregação de água filtrada e elementos químicos a extrato líquido de guaraná) e teria vendido à IBP, de junho de 2003 a novembro de 2004, 385.860 kg de PCNAA, no valor de R$ 34.302.954,00. Cerca de 80% do valor das compras teria sido pago no período de 2005 a 2008, sem que a fornecedora tivesse tomado providências de protesto contra a demora. O extrato de guaraná teria sido adquirido pela STRATUS, de maio de 2003 a agosto de 2004, do produtor rural João Pazini Filho por um preço entre R$ 13,10/l e R$ 33,10/l (sendo que o preço de mercado, em 2006, girava em torno de R$ 1,60/L). O preço médio de venda do PCNAA para a IBP teria sido de R$ 88,90. Vale dizer, uma diferença brutal para uma simples adição de água filtrada e elementos químicos. Além do mais, é de clareza hialina que o refrigerante de guaraná (PCNAA) vendido pela STRATUS, pronto para consumo em máquinas adequadas (“postmix” ou “prémix”), prescindiria totalmente de uma etapa intermediária, representada pela IBP, na qual seria produzido um “concentrado” especial com uma quantidade de água maior que a do extrato de guaraná, mas menor que a quantidade presente no produto final. Em 2 anos, somente com esse processo rudimentar, a STRATUS teria faturado R$ 247.000.000,00. São os seguintes os valores, de compras e de vendas de extrato de guaraná, respectivamente, declarados em DIPJ, pela STRATUS e por João Pazini: a) anocalendário de 2003: R$ 18.876.951,20 e R$ 376.949,83; b) anocalendário de 2004: R$ 11.425.840,64 e R$ 935.587,80. Diferenças avassaladoras, tendo sido o produtor rural João Pazini Filho o único fornecedor de extrato de guaraná da STRATUS em 2003 e o segundo maior em 2004. Em 2003, João Pazini Filho emitiu notas fiscais para a STRATUS totalizando 58.411 kg de extrato de guaraná, o que representaria uma produção de PCNAA pela STRATUS de 292.055 kg (sendo utilizado o extrato de guaraná na proporção 1:5). Contudo, a Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.672 11 produção da STRATUS sustentada pela documentação fiscal emitida teria sido de 405.762 kg de PCNAA. No ano de 2004, a STRATUS vendeu 1.142.973 kg de PCNAA, ao passo que teria condições de vender apenas 404.600 kg à luz das aquisições documentadas de extrato de guaraná. A principal fornecedora do extrato de guaraná para a STRATUS em 2004, a JRFF Comércio e Indústria Ltda., com R$ 24.187.075,19 em vendas, conforme o relatório, declarou inatividade no tocante ao anocalendário de 2004, com ausência de empregados ou autônomos a seu serviço em 2004, e com movimentação financeira desprezível no mesmo ano. Essa empresa, instalada em exíguo espaço, segundo diligência aludida pelo Fisco Estadual, teria permanecido com as portas fechadas durante todo o período de pagamento da locação do imóvel. A empresa transportadora, PB Transportes Ltda., incumbida dos fretes nas vendas para a IBP, segundo declaração prestada pela pessoa responsável pela respectiva contabilidade, não teria operado nos anos de 2003 e 2004. Com efeito, a despeito de que a aludida empresa tivesse efetuado o transporte de meia tonelada de PCNAA de Manaus até Rio das Pedras, SP, sede da IBP, não teve movimento em 2003 e declarou inatividade para o ano de 2004, e possuía apenas um empregado registrado de junho de 2004 a janeiro de 2005. Outra suposta fornecedora, a COEMA, com sede em Paulínia, SP, tinha como CNAEFiscal, no cadastro do sistema de processamento de dados relativo ao CNPJ da Receita Federal, o código 5154399, referente a “comércio atacadista de produtos químicos”, isto é, nada a ver com a atividade de comércio atacadista de bebidas, cujo CNAE é 46354. A COEMA teria vendido à IBP, de fevereiro a agosto de 2003, 63.300 kg de PCNA “Coema”, no valor de R$ 6.140.500,00, por um preço médio de R$ 97,01/kg, à vista de notas fiscais com IPI destacado no importe de R$ 1.657.935,00. Cerca de 60% do valor das compras teria permanecido sem pagamento no período de 2004 a 2007, sendo que, repentinamente, em março de 2007, teria sido quitada a dívida de R$ 4.549.553,30, conforme os registros contábeis da IBP. Todavia, apesar dos pagamentos parciais que teriam sido realizados de maio de 2003 a abril de 2004, a conta corrente do Banco Banespa teria sido movimentada somente até 2004, e, mesmo para o ano de 2004, com uma quitação no montante de R$ 589.051,44 de dívida com a IBP, a movimentação financeira teria sido de R$ 509.492,32. Com apenas um pagamento registrado de R$ 3.600,00 em fevereiro de 2003, conforme o relatório, a empresa ADAGA Transportes Ltda. teria efetuado os fretes para a IBP em prazos incompatíveis com a distância das cidades (Paulínia a Rio das Pedras, em SP: 100 km): 6 a 25 dias. A empresa, inativa em 2003, conforme DIPJ, não teria tido movimento desde 2002, nos termos do depoimento prestado pelo respectivo sócio. Mais outra empresa fornecedora, a NUVEM DE PRATA, de Botucatu, SP, foi declarada INAPTA, por inexistência de fato, em procedimento que culminou no Ato Declaratório Executivo nº 25, de 11/02/2007 (fl. 909), com efeitos operantes quanto aos fatos ocorridos desde 01/01/2003, sendo que, supostamente, teria vendido à IBP, de 25 a 28 de agosto de 2003, 20.000 kg de “Concentrado Não Alcoólico Nuvem de Prata – CNANP”, no importe de R$ 1.941.600, com preço médio de R$ 97,08 e IPI destacado nas notas fiscais de R$ 524.232,00. Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.673 12 As informações quanto ao pagamento pelas aquisições (apenas pouco mais de 30% do montante quitado), frete, DIPJ, remuneração de empregados ou autônomos, além do flagrante superfaturamento de exportação realizado pela Alfândega de Santos, sendo suficiente a declaração de inaptidão retroativa a janeiro de 2003 para a empresa em comentário ser reputada como “de fachada”. Todas as pretensas empresas fornecedoras do preparado ou concentrado não alcoólico, STRATUS, COEMA e NUVEM DE PRATA, têm como sócios alguém da família Hadad (Miguel Haddad, Antonio José Haddad Neto e Wady Haddad Neto). Uma das empresas que teria adquirido a substância revendida pela IBP, a SWISSFARMA, de Anápolis, GO, tem como CNAE Fiscal o código 211060, concernente a “fabricação de produtos farmoquímicos”, e foi declarada INAPTA por inexistência de fato (Ato Declaratório Executivo nº 09, de 17/04/2008). A aquisição de 60.000 kg da substância “preparo não alcoólico”, no valor de R$ 4.114.800,00, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI nas notas fiscais emitidas com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação” (vendas feitas em dezembro de 2004, com vencimento para abril de 2005, mas com os efetivos pagamentos efetuados somente de novembro de 2005 a maio de 2006, sem o protesto da credora). O detalhe é que a movimentação financeira registrada para a SWISSFARMA durante todo o ano de 2004 foi de R$ 4.534.056,86. A outra suposta empresa destinatária do “preparo não alcoólico”, a PROAD, com sede em Vitória, ES, tem atualmente a situação cadastral suspensa e o CNAEFiscal como 5102600, referente a “comércio atacadista de mercadorias não especificadas anteriormente”. A IBP adquiriu 120.000 kg daquela no montante de R$ 8.229.600, com preço médio de R$ 68,58/kg, sem destaque de IPI; tampouco, nas notas fiscais emitidas também com o CFOP 6.502, relativo a “remessa de mercadoria adquirida de terceiros, com o fim de exportação” As vendas à IBP foram feitas de setembro a novembro de 2004, com o recebimento referente a apenas menos da metade do total em 2005 e 2006, com o restante sem quitação até agora, e sem o protesto da credora, a recorrente. Na DIPJ de 2004, apenas o registro da aquisição de R$ 1.982.240,00 da substância e sem registro de empregados ou autônomos no ano de interesse. Em 03/07/2003, a IBP teria exportado 23.460 kg da substância PCNA para a empresa OU TAIVER, domiciliada na Estônia, com a emissão de uma nota fiscal no importe de R$ 1.579.475,00, com vencimento em 04/07/2003. Conforme o relatório, quase um ano depois foi recebido menos de um terço do valor e, em 2006, três anos depois da venda, menos de dois terços do valor da transação, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Como comprovantes, foram exibidos pela IBP contratos de câmbio no montante de R$ 317.263,11 celebrados três anos após a venda! A mercadoria supostamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à idêntica conta contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA. Ou seja, teria havido revenda e não industrialização. Custo unitário na venda (exportação): R$ 67,32; custo unitário das aquisições do “produto” das empresas COEMA e STRATUS (fevereiro a julho de 2003): R$ 93,42; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 600.000,00. Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.674 13 De setembro de 2003 a janeiro de 2004, a IBP teria exportado 151.200 kg da substância PCNA para a empresa CINKOLL, domiciliada no Uruguai, com a emissão de nove notas fiscais no montante total de R$ 10.508.664,00, com último vencimento em 22/07/2004. De dezembro de 2003 a julho de 2006, foi recebido cerca de 80% do valor, tendo sido o restante baixado como abatimento na contabilidade. Tendo ocorrido o último embarque em 28/01/2004, à guisa de comprovantes foram apresentados pela IBP contratos de câmbio, sendo o último de 12/07/2006. Da mesma forma, a mercadoria pretensamente exportada foi baixada, na contabilidade, diretamente do estoque de PCNA, referente à mesma rubrica contábil em que haviam sido contabilizadas as aquisições de PCNAA: ora, também, teria ocorrido revenda e não industrialização. Custo unitário nas vendas (exportações): R$ 69,50; custo unitário das aquisições do “produto” da empresa STRATUS: R$ 88,90; resultado: prejuízo comercial superior a R$ 3.000.000,00. Instada a esclarecer a razão para a apropriação dos créditos, a empresa invocou a isenção prevista no Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975, art. 6º, § 1º, no tocante às aquisições da STRATUS. Quanto aos fornecimentos de NUVEM DE PRATA e COEMA, foi suscitado o Decretolei nº 1.894, de 16 de dezembro de 1981, art. 1º, I, sendo que o direito ao crédito assegurado por este ato teria sido restabelecido pela Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, III. Até 18/09/2004, a IBP teria revendido diretamente, sem o acréscimo dos ingredientes (gludex e corante de caramelo), ou seja, sem o singelo “processo industrial”, 174.660 kg de PCNA com o direito ao crédito pelas entradas estribado no Decretolei nº 1.894, de 1981. Subsequentemente, até 15/12/2004, período em que teria acontecido o “processo produtivo”, as vendas foram promovidas com as notas fiscais emitidas sob o código CFOP 6.502, correspondente a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”, e com o direito ao crédito pelas aquisições arrimado no Decretolei nº 1.435, de 1975. Vale dizer, em todos os períodos teria havido simples revenda. Nos termos da resposta ao termo de intimação de fl. 99, as supostas vendas de PCNAA da STRATUS para a IBP teriam acontecido de junho de 2003 a novembro de 2004, com a invocação da isenção do Decretolei nº 1.435, de 1975; já, as vendas de PCNA da COEMA para a IBP teriam sido promovidas de fevereiro a agosto de 2003; e, por fim, as vendas do “concentrado” não alcoólico” da NUVEM DE PRATA para a imputada: agosto de 2003. Em ambos os últimos casos foi indicado o Decretolei nº 1.894, de 1981. Há uma discrepância ululante nesses dados: compras de “produto” de junho de 2003 a novembro de 2004 da STRATUS com o direito ao crédito vinculado a vendas realizadas de setembro a dezembro de 2004 de um “produto” que teria sofrido “processo industrial”, mas com notas fiscais emitidas com CFOP relativo a “remessa de mercadoria de terceiros para exportação”; e compras de “produto”, de 03/02/2003 a 20/08/2003, da COEMA, e, de 25 a 28/08/2003, da NUVEM DE PRATA, com o direito ao crédito jungido às vendas efetuadas de julho de 2003 a setembro de 2004. Em resumo: vendas pela IBP do “produto” submetido a “processo industrial”, de 19/09/2004 a 15/12/2004, com toneladas do “insumo” principal (PCNAA) adquirido da STRATUS desde junho de 2003 (mais de um ano antes !), com o necessário armazenamento; Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.675 14 revenda pela IBP, sob a denominação de PCNA, até 18/09/2004, do “preparado não alcoólico” ou “concentrado não alcoólico” adquiridos, também às toneladas, da COEMA e da NUVEM DE PRATA, somente até 28/08/2003 (também mais de uma ano antes!), igualmente com os imprescindíveis e adequados acondicionamento, estocagem e refrigeração de composto que seria bebida refrigerante pronta para o consumo (por período superior a um ano). Esses, em essência, são os fatos narrados e comprovados na peça fiscal. MÉRITO Ora, diante dessa verdadeira avalanche de informações detalhadamente coletadas pela fiscalização, criteriosamente examinadas, conformandose em um robusto quadro de elementos indiciários cuja dissociação remete ao inimaginável, não há como acolher as alegações vertidas no recurso voluntário no sentido de que “o dolo não se presume”, ou que não haja nos autos “além de meras suposições fantasiosas do fisco”. O fato é que a recorrente não apresentou nenhum elemento de prova sequer (documentos, pagamentos, recebimentos, fretes etc.) para alicerçar a argumentação vertida na peça de defesa” , deixando passar in albis a oportunidade para a ampla defesa representada pela apresentação das peças impugnatória e recursal. Neste mesmo diapasão devem ser consideradas as alegações tendentes a demonstrar que a análise laboratorial que prestouse à identificação do produto na autuação procedida pelo Fisco Estadual tenha sido feita com produto fora do prazo de validade. Tratase de uma questão acessória em um cenário repleto de elementos dando conta de operações simuladas com o fito de aproveitamento de créditos de PIS/COFINS de forma fraudulenta. Fosse constatado qualquer equívoco nas informações técnicas oferecidas pelo laudo pericial e isso não haveria de ter nenhum efeito na decisão final da lide. Dito isso, afasto, desde logo, a realização de qualquer tipo de perícia técnica com vistas a melhor instrução processual posto que absolutamente prescindível ao desfecho da lide. Demais disso, gizese que poderia a recorrente ter produzido prova técnica a seu favor, mas não o fez por evidente motivo. A fiscalização atesta que: A autuada recebeu amostras testemunhas, mas não se interessou em providenciar análises laboratoriais que pudessem afastar os resultados obtidos pelos exames procedidos pelo fisco. (...) A defesa não apresentou sequer um documento, laudo ou parecer técnico que pudesse fundamentar sua pretensão de desqualificar as análises laboratoriais promovidas pelo fisco. Quanto ao fato de o laudo ter sido produzido em função de solicitação Fisco estadual paulista, é questão de somenos importância. Primeiro, porque o laudo, ao contrário do que a defesa afirma inveridicamente, diante dos fatos acima arrolados e provados no curso da ação fiscal e sobre os quais a recorrente não os contraditou, é peça absolutamente prescindível para se concluir que estamos diante de uma fraude tosca. E, segundo, porque a anexação daquele a estes autos foi corretamente processualizada pois ela decorreu de correspondência do Delegado da RFB em Piracicaba ao Fisco paulista, com arrimo em convênio então vigente. Portanto, de acordo com os preceitos do art. 199 do CTN. De igual forma, o enquadramento legal foi escorreito, de forma alguma afrontando os termos do Decreto 70.235/72. Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 13888.005350/200831 Acórdão n.º 3402003.522 S3C4T2 Fl. 2.676 15 Assim, rechaço qualquer nulidade no procedimento fiscal e no consequente lançamento tributário, pois não houve qualquer ilegalidade na prova produzida, nem tampouco qualquer cerceio ao direito de defesa da recorrente. O robusto arsenal probatório e o criterioso, convergente e analítico trabalho fiscal me dão a plena convicção da fraude perpetrada. Aliás, fraude grotesca, com o flagrante intuito de sonegar tributos, em caso PIS/COFINS, e ainda produzir saldo credor para sair a compensarse com outros tributos, como dito pela fiscalização, embora fora da fronteira da exação sob comento. Portanto, concluindo pela fraude, afastase a postulada decadência, uma vez que presente aquela incide o art. 173, I, do CTN, pelo que não ocorreu a decadência. Da mesma forma, restando comprovado à exaustão o dolo específico de sonegar tributo, escorreita a multa aplicada no percentual de 150%. Em suma, sem reparos ao lançamento e à r. decisão. Forte em todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Jorge Olmiro Lock Freire relator. Fl. 2676DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720413/2011-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009, 2010
CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA.
Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fático-probatório.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO.
Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mão-de-obra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SÃO PAULO SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSPORTES ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2009, 2010 CONHECIMENTO. VALORAÇÃO DE PROVAS SUPOSTAMENTE DECORRENTES DA MESMA SITUAÇÃO FÁTICA. Em se tratando do acórdão recorrido e do(s) paradigmas de mesma situação fática com caracterizada identidade probatória, é de se conhecer do feito, sob pena de se possibilitar a manutenção de decisões definitivas conflitantes em sede administrativa diante de idêntico suporte fáticoprobatório. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DEOBRA. AUSÊNCIA DE PROVAS. CONCESSÃO DE SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSPORTE COLETIVO DE PASSAGEIROS. RETENÇÃO. Nos contratos administrativos de concessão de serviço público de transporte coletivo de passageiros o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, o serviço delegado. Assim, inexistindo provas de que a Administração Pública exercia qualquer interferência direta nos serviços desempenhados pelos trabalhadores contratados, descaracterizado está o conceito de cessão de mãodeobra para fins de aplicação da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra, que não o conheceram, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 04 13 /2 01 1- 90 Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Junior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício). Designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento o conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.085 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Município de São Paulo, por meio do qual exigese o recolhimento da Contribuição Previdenciária prevista no art. 31, §3º da Lei nº 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.711/98, c/c o art. 219, §2º, inciso XIX do regulamento da Previdência, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, caracterizada pela retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em razão da prestação de serviço de transporte público de passageiros. O entendimento do fiscal foi no sentido de os serviços prestados pelas empresas contratadas mediante contrato administrativo de concessão de serviço público, regido pelas Leis nº 8.666/93 e 8.987/95, caracterizam verdadeira cessão de mãodeobra em favor da municipalidade e como tal estariam sujeitos a retenção da citada contribuição. O lançamento foi lavrado também contra a concessionária prestadora do serviço, classificada como responsável solidária da obrigação tributária. Em sede de Impugnação a Prefeitura Municipal de São Paulo defende que no caso em tela inexiste cessão de mãodeobra. Estaríamos diante de prestação de serviço público de transporte à população por meio de concessionários, os quais recebem como contrapartida as tarifas pagas pelos usuários os verdadeiros tomadores do serviço, portanto não haveria fato gerador do tributo. Argumenta que se quer foi feita a verificação se houve o devido recolhimento da contribuição pela empresa prestadora do serviço. A empresa solidária, entre outros argumentos, reforça o entendimento de inexistir fato gerador ensejador da retenção, tece esclarecimentos acerca das diferenças de concessão de serviço público e mera prestação de serviço ao Poder Público, afirma ter efetuado o recolhimento da totalidade da Contribuição Previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários vinculados ao contrato administrativo, defende a inexistência de solidariedade e questiona a base de cálculo apurada. A Delegacia de Julgamento acolhendo os argumentos das Impugnantes julgou procedente as impugnações. Para o colegiado nos contratos de concessão de serviço publico nos moldes do ora discutido não há cessão de mãodeobra. Expôs, por meio de um verdadeiro tratado, que não tendo sido configurada a cessão de mãodeobra, assim entendida a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a sua atividade fim, não há que se falar em obrigação de reter e recolher à previdência social a importância correspondente a 11% do valor da nota fiscal ou fatura emitida pela empresa contratada. Afastou ainda, expressamente, ad argumentandum tantum, a solidariedade passiva. Em recurso de ofício o Colegiado a quo confirmou, sem qualquer ressalva a decisão da Delegacia de Julgamento. Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional citando acórdão paradigma que segundo ela trataria de situação fática exatamente idêntica a do acórdão recorrido, mudando apenas a empresa contratada. Naquela oportunidade o colegiado entendeu estar caracterizada a cessão de mão obra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Foram apresentadas contrarrazões reiterando os argumentos da peça de impugnação e requerendo a manutenção da decisão recorrida por seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.086 5 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Da delimitação da lide: Apenas à título de esclarecimento destaco que o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional insurgiuse apenas contra a parte da decisão que julgou o lançamento improcedente em razão da não caracterização da cessão de mãodeobra. Tanto a decisão da Delegacia de Julgamento quanto o acórdão recorrido, apesar de afastarem a ocorrência do fato gerador abordaram a questão da responsabilidade tributária e em ambas decisões concluise pela inaplicabilidade do instituto ao presente processo. Tal conclusão não foi objeto do recurso. Reforça as explicações acima o fato de o acórdão paradigma, apesar de ter concluído pela existência da cessão de mãodeobra, ter decido no sentido de inexistir solidariedade passiva entre a Prefeitura de São Paulo e a empresa cessionária do serviço de transporte. Também no entendimento daquele colegiado o "comando contido no inciso I do artigo 124 do CTN, que prevê a responsabilidade daqueles que têm interesse comum na ocorrência do fato gerador, não se aplica às hipóteses de contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, pois a lei é clara ao delimitar a responsabilidade exclusiva do contratante (art. 31 c.c. art. 33, § 5°, da Lei n° 8.212/91)". Do conhecimento do recurso: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e do acórdão apontado com paradigma, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso, afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra, divergiu do entendimento dado ao Acórdão nº 2302003.083 da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Para a recorrente "a situação fática trazida no acórdão paradigma é exatamente idêntica à do acórdão recorrido, qual seja, caracterização de cessão de mãodeobra na prestação de serviço de transporte urbano de passageiros no Município de São Paulo, mudando apenas a empresa contratada". Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 No presente caso, ambas decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, é cabível a retenção de 11% sobre o valor do documento fiscal emitido em contratos administrativos que envolvem transporte coletivo de passageiros desde que fique configura cessão de mãodeobra. Percebese, portanto, que o objetivo do recurso interposto é na verdade a realização da revisão do juízo de valor exercido pelos julgadores da turma a quo, fato que conforme já me manifestei em outras ocasiões deveria ser suficiente para ensejar o não conhecimento do recurso. De toda forma, conhecendo o entendimento majoritário deste colegiado faço também outro apontamento que a meu ver nos leva a mesma conclusão. Segundo se depreende do relatório do acórdão paradigma o contrato objeto daquele lançamento, apesar de possuir traços semelhantes com o contrato ora discutido, possui uma especificidade: tratase de contrato de prestação de serviço, não submetido a processo de licitação e firmado única e exclusivamente para atender demanda emergencial da Municipalidade. E para chegar a minha conclusão cito parte do voto do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, relator do acórdão paradigma: Compatibilidade entre Cessão de Mãodeobra e Concessão. Natureza Jurídica do Contrato. Nomen Iuris. Conceitos Doutrinários x Realidade dos Autos. Da análise dos autos, destacase, de largada, que importa muito pouco, para o presente voto, a forma de contratação dos serviços, se mediante delegação, nas suas formas de permissão e concessão; ou por intermédio de mero contrato administrativo de prestação de serviço. Importanos, muito mais, como, efetivamente, foram cumpridas as obrigações das partes, se mediante cessão de mão deobra ou não. (grifei) Ora, se nos dois processos estivéssemos diante de contratos administrativos de concessão de serviço público derivados do mesmo certame licitatório, poderíamos até supor que ambos seriam iguais, ou pelo menos semelhantes, não havendo qualquer variação substancial em suas cláusulas capaz de afastar o entendimento daquele colegiado caso o presente processo o fosse submetido. Ocorre que pelas circunstâncias fáticas que envolveram a celebração do contrato analisado pelo acórdão paradigma e a respectiva prestação do serviço (atendimento a uma situação emergencial), apesar da semelhança exposta pelo relatório, não tenho segurança em afirma que estamos diante de instrumentos com conteúdos análogos e cujos serviços foram prestados segundo as mesmas regras. Importante mencionar ainda o fato de (após o exame de admissibilidade) ter ocorrido a reforma do acórdão paradigma, tendo essa Câmara Superior em sua composição anterior e por unanimidade dos votos, concluído pela não configuração da "cessão de mãode obra determinada na Lei 8.212/1991 (colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços), mas sim a prestação de serviço determinado, em que o prestador assume o risco da atividade econômica, motivo do cancelamento do lançamento e do conseqüente provimento do recurso do contribuinte citado." Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.087 7 Do mérito: Vencida quanto ao conhecimento, passo a me manifestar quanto ao mérito do recurso o qual, conforme acima esclarecido, limitase a discutir se há nos autos elementos suficientes para caracterizar como cessão de mãodeobra a prestação de serviço público de transporte de passageiros contratado mediante contrato administrativo de concessão de serviço público. E neste aspecto comungo do entendimento externado pela decisão da Delegacia Fiscal e também do colegiado a quo para os quais inexiste provas quanto a ocorrência da cessão de mãodeobra haja vista a ausência de caracterização de um dos elementos essenciais: colocação do segurados empregados da contratada à disposição da contratante. A obrigação dos tomadores de serviços de cessão de mãodeobra de reterem 11% sobre as faturas e notas fiscais correspondentes está prevista no art. 31 da lei nº 8.212/91, com a seguinte redação: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mãodeobra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. § 2o Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. § 3o Para os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 III empreitada de mãodeobra; IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. § 5o O cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento distintas para cada contratante. § 6o Em se tratando de retenção e recolhimento realizados na forma do caput deste artigo, em nome de consórcio, de que tratam os arts. 278 e 279 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, aplicase o disposto em todo este artigo, observada a participação de cada uma das empresas consorciadas, na forma do respectivo ato constitutivo. No caso do serviços de transporte de passageiros a obrigatoriedade da retenção está prevista no art. 219, §2º, XIX do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99: Art.219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. §1º Exclusivamente para os fins deste Regulamento, entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, entre outros. §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: ... XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; ... A leitura dos dispositivos acima revelam que só estará obrigado à retenção aquele que contrata a cessão de mãodeobra. Assim, na prática, em cada contrato administrativo de prestação de serviços em favor do Poder Público, deve ser observado se há o elemento caracterizador da cessão de mãodeobra, qual seja, se os empregados do cedente são postos à disposição do tomador dos serviços, à semelhança do que ocorre em uma relação de emprego. Ora, como exaustivamente esclarecido na decisão de primeira instância e na decisão recorrida, estamos diante de contrato administrativo de concessão de serviço público de prestação de transporte coletivo de passageiros. Tal contrato é regido pelas leis 8.666/93 e 8.987/95 sendo que essa em seu art. 2º, II, conceitua concessão de serviço publico como sendo a delegação de funções essenciais do estado à pessoa jurídica ou consórcio de empresas que demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado: Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.088 9 O Doutrinador Hely Lopes Meirelles, na obra Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição, p. 370/371, esclarece que "serviços concedidos são todos aqueles que o particular executa em seu nome, por sua conta e risco, remunerados por tarifa, na forma regulamentar, mediante delegação contratual ou legal do Poder Público concedente. Serviço concedido é serviço do Poder Público, apenas executado por particular em razão da concessão". Os professores Roque Antonio Carrazza e Eduardo Domingos Bottallo (in Revista Dialética de Direito Tributária nº 169. p. 136), sintetizaram muito bem a diferença ora discutida: A cessão (ou locação) é espécie do gênero prestação de serviços e se configura quando esforço humano posto à disposição do contratante (tomador dos serviços) consiste na própria colocação da mãodeobra, para que este dela faça uso, segundo suas conveniências e necessidades. Por outro lado, pode haver a contratação de prestação de serviços mediante utilização de pessoal pertencente a quadro próprio do prestador, que se encarrega da respectiva execução, ou, em outras palavras, de dar cumprimento à assumida obrigação de fazer. Nestes casos, embora exista prestação de serviços, não há cessão de mãodeobra. Como vemos, o elemento diferenciador entre a prestação de serviço (gênero) e a cessão ou locação de mãodeobra (espécie) reside no seguinte: se não houver subordinação dos empregados ao contratante (tomador de serviços), não haverá cessão ou locação de mãodeobra, mas apenas prestação de serviço. Já pelo contrário, se a sujeição dos empregados às ordens do tomador do serviço for característica marcante do contrato, então, aí sim, haverá autêntica prestação de serviços mediante cessão ou locação de mãodeobra. Diante dessa premissa é possível afirmar com segurança que no caso concreto não houve cessão de mão de obra, afinal o objeto do contrato era exatamente a prestação de um serviço pelo particular e não a contratação de mão de obra pelo Município. Para Prefeitura de São Paulo não importava a forma como os segurados empregados da contratada iriam executar o serviço, esses trabalhavam sob a gerência da própria contratada, o que lhe importava era o produto final da prestação: transporte eficiente, contínuo e com segurança a todos os cidadãos. Na prática são poucos os contratos de concessão de serviço público celebrados pela Administração Pública em que esta interfere diretamente nos trabalhos desenvolvidos pelo particular contratado, na grande maioria dos casos o ente não exerce qualquer ato de coordenação direta sobre os trabalhos da empresa contratada. Em regra o Poder Público limitase a verificar o regular cumprimento do contrato nos termos em que fixado pelo edital e essa interferência indireta é decorrência lógica do fato de a concessão ser sempre feita no interesse da coletividade, e, assim sendo, o concessionário ter o dever de prestar o serviço em condições adequadas para o público. A própria Constituição Federal, art. 175, parágrafo único, prevê esse Poder Dever da Administração Pública de regulamentar e fiscalizar os contratos de concessão de serviços públicos, exigindo do legislador a edição de lei para dispor sobre (I) o regime das Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 empresas concessionárias e permissionárias de serviços públicos, o caráter especial de seu contrato e de sua prorrogação, bem como as condições de caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão; (II) os direitos dos usuários; (III) política tarifária; e (IV) a obrigação de manter serviço adequado. E aqui estamos falando da já citada Lei nº 8.987/95, cujo art. 23 traz quais são as cláusulas essenciais que devem constar dos contratos administrativos de concessão de serviço público: Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: I ao objeto, à área e ao prazo da concessão; II ao modo, forma e condições de prestação do serviço; III aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros definidores da qualidade do serviço; IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; V aos direitos, garantias e obrigações do poder concedente e da concessionária, inclusive os relacionados às previsíveis necessidades de futura alteração e expansão do serviço e conseqüente modernização, aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das instalações; VI aos direitos e deveres dos usuários para obtenção e utilização do serviço; VII à forma de fiscalização das instalações, dos equipamentos, dos métodos e práticas de execução do serviço, bem como a indicação dos órgãos competentes para exercêla; VIII às penalidades contratuais e administrativas a que se sujeita a concessionária e sua forma de aplicação; IX aos casos de extinção da concessão; X aos bens reversíveis; XI aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das indenizações devidas à concessionária, quando for o caso; XII às condições para prorrogação do contrato; XIII à obrigatoriedade, forma e periodicidade da prestação de contas da concessionária ao poder concedente; XIV à exigência da publicação de demonstrações financeiras periódicas da concessionária; e XV ao foro e ao modo amigável de solução das divergências contratuais. Mais uma vez tomando os ensinamentos do Administrativista Hely Lopes Meirelles (Direito Administrativo Brasileiro, 30ª edição p. 379/380) ressaltamos: a "fiscalização do serviço concedido cabe ao Poder Público concedente, que é o fiador da sua regularidade e boa execução perante os usuários. Já vimos que serviços públicos e serviços de Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.089 11 utilidade pública são sempre serviços para o público. Assim sendo, é dever do concedente exigir sua prestação em caráter geral, permanente, regular, eficiente e com tarifas módicas (art. 6º, §1º). Para assegurar esses requisitos, indispensáveis em todo serviço concedido, reconhecese à Administração Pública o direito de fiscalizar as empresas, com amplos poderes de verificação de sua administração, contabilidade, recursos técnicos, econômicos e financeiros, principalmente para conhecer a rentabilidade do serviço, fixar as tarifas e punir as infrações regulamentares e contratuais." A meu ver as cláusulas integrantes do contrato celebrado entre a Prefeitura de São Paulo, por meio de sua Secretaria Municipal de Transportes, e o particular prestador do serviço, que na visão da Fiscalização ajudaram a caracterizar a cessão de mão de obra, são cláusulas que visaram exclusivamente dar cumprimento a determinação legal. Vale citar: trajetos e horários das viagens, quantidade e qualidade dos recursos materiais e humanos empregados, forma de remuneração direta (tarifas) e indireta (receitas adicionais), entre outros. No mais, parece inexistir fundamento para a alegação de que teria ocorrido a cessão de mãodeobra pelo simples fato de que a empresa contratada deixou de contar com a força do labor dos profissionais 'cedidos', ou seja, esses não estariam disponíveis para realização de outro trabalho; por questão lógica uma mesma pessoa não pode, em um mesmo momento, desempenhar suas funções em dois locais distintos. Vale citar ainda, que inexistia no contrato qualquer cláusula de exclusividade de atuação de determinado funcionário. Portanto, não havia qualquer impedimento do trabalhador ser deslocado pelo particular para exercer outras funções, o que havia era o impedimento de que o serviço fosse interrompido, devendo a contratada diligenciar no sentido de haver a manutenção do número de funcionários suficientes para o seu fiel cumprimento do contrato. Destacase que entre cláusulas contratuais que tratavam de mãodeobra havia apenas a exigência de operar somente com pessoal devidamente capacitado e habilitado, mediante contratações regidas pelo direito provado e legislação trabalhista, assumindo todas as obrigações delas decorrentes, não se estabelecendo qualquer relação jurídica entre os terceiros contratados pelo operador e o Poder Público, e ainda a obrigação de apresentar, quando solicitado, a comprovação de regularidade das obrigações previdenciárias e para com o FGTS. O fato de haver previsão de serem estabelecidos critérios (cláusula 19.1.25) para realização dos descontos das parcelas da remuneração dos funcionários destinados ao pagamento do INSS, a meu ver, tratase de questões operacional necessária. Estamos diante de um mesmo serviço que visa atender usuários de todo o município, entretanto é prestado por pessoas jurídicas distintas. Para não haver tratamento desigual entre os funcionários contatados pelo particular, gerando conflitos que poderiam prejudicar a correta prestação do serviço em sua totalidade, era crível que se estabelecesse um tratamento padrão. No mais, importante citar que o art. 71 da Lei nº 8.666/93 deixa claro que a responsabilidade pelos 'encargos trabalhistas' é da empresa contratada, sendo o Poder Público solidário apenas nos casos do descumprimento das obrigações previdenciárias: Art. 71. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, previdenciários, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 § 1o A inadimplência do contratado, com referência aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à Administração Pública a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2o A Administração Pública responde solidariamente com o contratado pelos encargos previdenciários resultantes da execução do contrato, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. E aqui julgo pertinente fazer uma consideração sobre a remissão ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Por ora tenho dúvidas se a intenção do legislador foi a de exigir dos entes públicos a retenção dos 11% sobre a prestação do serviço. Isso porque a redação do art. 71 da Lei nº 8.666/93 foi dada pela Lei nº 9.032/95, sendo que nessa época a redação do art. 31 da Lei nº 8.212/95 não trazia qualquer previsão de retenção, na verdade apenas afirmava nos termos do parágrafo segundo que a Administração Pública era responsável solidária com os contratantes em relação aos débitos previdenciários. A obrigação da retenção surge a primeira vez apenas em 1998, com redação dada ao art. 31 pela Lei nº 9.711. Por fim, apesar de não ser esse o entendimento da maioria deste colegiado, manifestome que deve ser considerado o fato de que a retenção cobrada nada mais é do que uma antecipação do valor devido à título de contribuição correspondente aos 20% sobre a remuneração paga aos segurados. Assim, mesmo que tenha sido descumprida a obrigação e mesmo que haja a presunção de retenção nos termos do art. 33, §5º da Lei nº 8.212/91, a meu ver, essa regra não legitima a cobrança em duplicidade do crédito tributário, ou seja, havendo prova de que a empresa contratada pagou corretamente o débito (como ocorre nos autos), seria inviável exigirse o correlato crédito do Poder Público. Diante do exposto, ausente qualquer prova capaz de caracterizar cessão de mão de obra, nego provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 19311.720413/201190 Acórdão n.º 9202004.403 CSRFT2 Fl. 1.090 13 Voto Vencedor Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao conhecimento do pleito. Inicialmente, admito já ter me posicionado no sentido de não estar contemplada na cognição desta instância a solução de divergências decorrentes de exclusiva divergente valoração probatória na instância ordinária, a qual deveria ser resolvida através do instituto processual da conexão entre feitos (vide, a propósito, Declaração de Voto no âmbito do Acórdão CSRF 9202004.252, de 22 de junho de 2016). Todavia, vislumbro necessidade de rever o referido posicionamento, especificamente no caso em que haja identidade fáticoprobatória nítida entre Acórdão recorrido e paradigma, de forma a que, uma vez também não mais se devendo declarar conexos os processos (recomendável somente a conexão até o momento da distribuição, agora, em meu entendimento), caso não se conheça do Recurso, possa se estar a referendar decisões definitivas conflitantes em termos de critério jurídico aplicado em casos com nítida identidade fático probatória. Explico melhor. Há casos em que, repitase, temse: a) Identidade fático probatória caracterizada entre os feitos recorrido e paradigma(s); b) As decisões de piso são conflitantes em termos do critério jurídico aplicado aos dois cenários fáticoprobatórios (idênticos para fins de aplicação da solução jurídica) e c) Não é mais recomendável que se declare, a esta altura, a conexão entre os feitos, visto que um deles ou ambos já foi objeto de distribuição, de forma a que, assim, reste priorizado por este Órgão o princípio do juiz natural e garantida, desta forma, a completa imparcialidade deste Conselho, objetivonúcleo de tal princípio. Em tal cenário (e somente neste cenário, onde presentes as três condições acima, de forma cumulativa) entendo que, a fim de evitar a insegurança jurídica que adviria da prolação, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de duas soluções jurídicas distintas, de caráter definitivo, diante de idênticos arcabouços fáticoprobatórios, deva se debruçar também esta Câmara Superior, aqui, sobre o Recurso Especial admitido, buscandose, assim, que se tenha, no âmbito deste CARF, decisões jurídicas uniformes acerca de um mesmo tema, quando considerados idênticos cenários fáticoprobatórios. Feita tal digressão e atendome especificamente agora ao caso em concreto, novamente com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, vislumbro clara identidade entre as situações fáticas dos Acórdãos recorrido e paradigma e também entre os contratos utilizados para fins de contratação do transporte público de passageiros sob análise nos feitos recorrido e paradigmático, não interferindo, em meu entendimento, para fins de análise da caracterização ou não do instituto de cessão de mão de obra (cerne do caso em questão), nem o nomen juris do contrato e nem a modalidade sob o qual foi realizado (mesmo certame licitatório ou não), sendo relevante, sim, a meu ver, a coincidência entre as cláusulas contratuais de interesse para análise do instituto, de forma a ter restado caracterizada, assim, a identidade fáticoprobatória supramencionada. Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Destarte, diante de tal cenário, em que pese meu entendimento anteriormente manifestado acerca do limite de cognição desta Turma estar limitada a solução de divergências de natureza exclusivamente interpretativa, curvome, aqui, uma vez, repitase, caracterizada as divergentes decisões de piso em cenários fáticoprobatórios idênticos para fins de caracterização do instituto de cessão de mão de obra, e, também repetindo, uma vez não mais recomendável a reunião dos feitos por conexão a esta altura (há feito distribuído já em julgamento), à necessidade de se conhecer do pleito fazendário, sob pena de se estar a promover grave insegurança jurídica pela possibilidade de manutenção, por este CARF, de decisões administrativas definitivas conflitantes, sem que se caracterize, entre os diferentes casos, dessemelhança suficiente, seja quanto à situação fática, seja quanto aos elementos de prova relevantes para a decisão do feito. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 23/09/2016 por HEITO R DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 30/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.001626/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99.
Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação.
Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99.
PLR. NEGOCIAÇÃO. OPÇÃO LEGAL ENTRE CONVENÇÃO/ACORDO COLETIVO E COMISSÃO PARITÁRIA. ART. 616 DA CLT. ALCANCE.
É facultado à empresa e aos empregados negociarem a participação nos lucros ou resultados via (i) convenção / acordo coletivo (art. 8°, VI, da CF) ou por intermédio de (ii) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (art. 8°, III, da CF). Art. 2° da Lei n° 10.101/2000.
O art. 616 da CLT alude a procedimento a ser adotado pelo empregador quando da recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, não havendo previsão legal de tal exigência procedimental na hipótese de celebração de acordo de PLR por comissão paritária.
COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE SINDICAL.
Consta do art. 2°, I, da Lei n° 10.101/2000, a exigência legal de que o sindicato indique um representante para a comissão paritária de negociação da participação nos lucros ou resultados. Se a ausência de representante do sindicato ocorre a despeito da comunicação formal da realização das reuniões (local, data e horário), na qual se solicita a presença de um representante do sindicato, não podem empregados e empresa ser prejudicados, pois a ilicitude não foi perpetrada por eles, mas pelo sindicato, que deixou de cumprir sua função constitucionalmente prevista (art. 8°, III, da CF).
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PACTUAÇÃO PRÉVIA.
A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. A negociação e o estabelecimento das regras dela resultantes (índices, metas, resultados e prazos) somente têm sentido se concluídos previamente ao fim do período a que se referem os lucros ou resultados.
Em que pese a vagueza do texto normativo, tal imprecisão não pode significar a impossibilidade de atuação do intérprete na complementação da norma, sob pena de se reconhecer que lacunas inviabilizam a decisão do caso concreto e que todas os textos incompletos ou ambíguos serão, potencialmente, ineficazes. Também não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas de identificar onde e quando o Direito atribui ao aplicador a tarefa de definir os critérios diante do caso concreto, como, no caso, a definição da anterioridade da negociação, da pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical.
A negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical devem ocorrer antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos e em data distante do término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. A análise do caso concreto deve levar em consideração fatores como o tipo de meta ou resultado estabelecido, a comprovação da anterioridade das negociações, o ajuste de PLR, em anos anteriores, com características semelhantes (o que por si só gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a produtividade e, portanto, não desnaturar o pagamento), dentre outras peculiaridades que mereçam ser sopesadas.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS TANTO NA FORMULAÇÃO QUANTO NA EXECUÇÃO DO PLANO.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000.
Se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reporta-se ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. Todavia, se o plano de participação nos lucros é formulado com respeito a todos pressupostos legais, mas a sua execução é que se dá de forma indevida, somente os pagamentos que desrespeitarem o plano devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, havendo descumprimento dos pressupostos legais tanto na formulação quanto na execução do plano, há que se desconsiderar o plano como um todo.
ABONO ÚNICO. ATO DECLARATÓRIO N° 16/2011.
De acordo com o Ato Declaratório n° 16/2011 (baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011), não incidem contribuições previdenciárias osbre o "abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade".
INCIDÊNCIA OU NÃO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO IMEDIATA AO CONTRIBUINTE E NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Deve ser conhecido o recurso voluntário quanto ao questionamento específico da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que incidente a partir da impugnação ao lançamento apresentada pelo contribuinte, independente de ser verificada a sua cobrança no momento da exigência dos débitos após os julgamentos de primeira e segunda instância, ou mesmo ao final do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento ao direito de defesa e contraditório.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.
Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e Luciana Matos Pereira Barbosa, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor quanto ao conhecimento da matéria. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer a decadência de todas as competências até 11/2005, inclusive; (iii) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer a improcedência do lançamento a título de Abono Único; (iv) Por voto de qualidade, dar provimento parcial para reconhecer a improcedência dos lançamentos a título de participação nos lucros ou resultados das competências 02/2006 e 08/2006. Vencidos os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, tendo em vista que consideram que a periodicidade de pagamentos a título de PLR deve ser analisada plano a plano e não ano a ano. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva declarou-se suspeito (artigos 43 e 44 do RICARF), tendo sido substituído no julgamento pelo Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada.
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Carlos Alexandre Tortato Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóia-se na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atrai-se, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. PLR. NEGOCIAÇÃO. OPÇÃO LEGAL ENTRE CONVENÇÃO/ACORDO COLETIVO E COMISSÃO PARITÁRIA. ART. 616 DA CLT. ALCANCE. É facultado à empresa e aos empregados negociarem a participação nos lucros ou resultados via (i) convenção / acordo coletivo (art. 8°, VI, da CF) ou por intermédio de (ii) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (art. 8°, III, da CF). Art. 2° da Lei n° 10.101/2000. O art. 616 da CLT alude a procedimento a ser adotado pelo empregador quando da recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, não havendo previsão legal de tal exigência procedimental na hipótese de celebração de acordo de PLR por comissão paritária. COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE SINDICAL. Consta do art. 2°, I, da Lei n° 10.101/2000, a exigência legal de que o sindicato indique um representante para a comissão paritária de negociação da participação nos lucros ou resultados. Se a ausência de representante do sindicato ocorre a despeito da comunicação formal da realização das reuniões (local, data e horário), na qual se solicita a presença de um representante do sindicato, não podem empregados e empresa ser prejudicados, pois a ilicitude não foi perpetrada por eles, mas pelo sindicato, que deixou de cumprir sua função constitucionalmente prevista (art. 8°, III, da CF). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PACTUAÇÃO PRÉVIA. A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. A negociação e o estabelecimento das regras dela resultantes (índices, metas, resultados e prazos) somente têm sentido se concluídos previamente ao fim do período a que se referem os lucros ou resultados. Em que pese a vagueza do texto normativo, tal imprecisão não pode significar a impossibilidade de atuação do intérprete na complementação da norma, sob pena de se reconhecer que lacunas inviabilizam a decisão do caso concreto e que todas os textos incompletos ou ambíguos serão, potencialmente, ineficazes. Também não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas de identificar onde e quando o Direito atribui ao aplicador a tarefa de definir os critérios diante do caso concreto, como, no caso, a definição da anterioridade da negociação, da pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical. A negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical devem ocorrer antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos e em data distante do término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. A análise do caso concreto deve levar em consideração fatores como o tipo de meta ou resultado estabelecido, a comprovação da anterioridade das negociações, o ajuste de PLR, em anos anteriores, com características semelhantes (o que por si só gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a produtividade e, portanto, não desnaturar o pagamento), dentre outras peculiaridades que mereçam ser sopesadas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS TANTO NA FORMULAÇÃO QUANTO NA EXECUÇÃO DO PLANO. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. Se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reporta-se ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. Todavia, se o plano de participação nos lucros é formulado com respeito a todos pressupostos legais, mas a sua execução é que se dá de forma indevida, somente os pagamentos que desrespeitarem o plano devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, havendo descumprimento dos pressupostos legais tanto na formulação quanto na execução do plano, há que se desconsiderar o plano como um todo. ABONO ÚNICO. ATO DECLARATÓRIO N° 16/2011. De acordo com o Ato Declaratório n° 16/2011 (baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011), não incidem contribuições previdenciárias osbre o "abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade". INCIDÊNCIA OU NÃO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO IMEDIATA AO CONTRIBUINTE E NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Deve ser conhecido o recurso voluntário quanto ao questionamento específico da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que incidente a partir da impugnação ao lançamento apresentada pelo contribuinte, independente de ser verificada a sua cobrança no momento da exigência dos débitos após os julgamentos de primeira e segunda instância, ou mesmo ao final do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento ao direito de defesa e contraditório. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. ART. 150, § 4°, DO CTN. SÚMULA CARF Nº 99. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Súmula CARF nº 99. PLR. NEGOCIAÇÃO. OPÇÃO LEGAL ENTRE CONVENÇÃO/ACORDO COLETIVO E COMISSÃO PARITÁRIA. ART. 616 DA CLT. ALCANCE. É facultado à empresa e aos empregados negociarem a participação nos lucros ou resultados via (i) convenção / acordo coletivo (art. 8°, VI, da CF) ou por intermédio de (ii) comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, obrigatoriamente, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria (art. 8°, III, da CF). Art. 2° da Lei n° 10.101/2000. O art. 616 da CLT alude a procedimento a ser adotado pelo empregador quando da recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 16 26 /2 01 0- 71 Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 convenção coletiva, não havendo previsão legal de tal exigência procedimental na hipótese de celebração de acordo de PLR por comissão paritária. COMISSÃO ESCOLHIDA PELAS PARTES. PARTICIPAÇÃO DE REPRESENTANTE SINDICAL. Consta do art. 2°, I, da Lei n° 10.101/2000, a exigência legal de que o sindicato indique um representante para a comissão paritária de negociação da participação nos lucros ou resultados. Se a ausência de representante do sindicato ocorre a despeito da comunicação formal da realização das reuniões (local, data e horário), na qual se solicita a presença de um representante do sindicato, não podem empregados e empresa ser prejudicados, pois a ilicitude não foi perpetrada por eles, mas pelo sindicato, que deixou de cumprir sua função constitucionalmente prevista (art. 8°, III, da CF). PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PACTUAÇÃO PRÉVIA. A Lei n° 10.101/00 exige que haja negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. A negociação e o estabelecimento das regras dela resultantes (índices, metas, resultados e prazos) somente têm sentido se concluídos previamente ao fim do período a que se referem os lucros ou resultados. Em que pese a vagueza do texto normativo, tal imprecisão não pode significar a impossibilidade de atuação do intérprete na complementação da norma, sob pena de se reconhecer que lacunas inviabilizam a decisão do caso concreto e que todas os textos incompletos ou ambíguos serão, potencialmente, ineficazes. Também não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas de identificar onde e quando o Direito atribui ao aplicador a tarefa de definir os critérios diante do caso concreto, como, no caso, a definição da anterioridade da negociação, da pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical. A negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical devem ocorrer antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos e em data distante do término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. A análise do caso concreto deve levar em consideração fatores como o tipo de meta ou resultado estabelecido, a comprovação da anterioridade das negociações, o ajuste de PLR, em anos anteriores, com características semelhantes (o que por si só gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a produtividade e, portanto, não desnaturar o pagamento), dentre outras peculiaridades que mereçam ser sopesadas. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. DESCUMPRIMENTO DOS PRESSUPOSTOS LEGAIS TANTO NA FORMULAÇÃO QUANTO NA EXECUÇÃO DO PLANO. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O pagamento de PLR em mais de duas vezes no ano afronta o disposto na Lei n° 10.101/2000. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 816 3 Se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reportase ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. Todavia, se o plano de participação nos lucros é formulado com respeito a todos pressupostos legais, mas a sua execução é que se dá de forma indevida, somente os pagamentos que desrespeitarem o plano devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária. Sendo assim, havendo descumprimento dos pressupostos legais tanto na formulação quanto na execução do plano, há que se desconsiderar o plano como um todo. ABONO ÚNICO. ATO DECLARATÓRIO N° 16/2011. De acordo com o Ato Declaratório n° 16/2011 (baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011), não incidem contribuições previdenciárias osbre o "abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade". INCIDÊNCIA OU NÃO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO IMEDIATA AO CONTRIBUINTE E NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Deve ser conhecido o recurso voluntário quanto ao questionamento específico da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que incidente a partir da impugnação ao lançamento apresentada pelo contribuinte, independente de ser verificada a sua cobrança no momento da exigência dos débitos após os julgamentos de primeira e segunda instância, ou mesmo ao final do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento ao direito de defesa e contraditório. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e art. 62 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, conhecer do Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e Luciana Matos Pereira Barbosa, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor quanto ao conhecimento da matéria. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira e Carlos Alexandre Tortato, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer a decadência de todas as competências até 11/2005, inclusive; (iii) Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para reconhecer a improcedência do lançamento a título de Abono Único; (iv) Por voto de qualidade, dar provimento parcial para reconhecer a improcedência dos lançamentos a título de participação nos lucros ou resultados das competências 02/2006 e 08/2006. Vencidos os Conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão, tendo em vista que consideram que a periodicidade de pagamentos a título de PLR deve ser analisada plano a plano e não ano a ano. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva declarouse suspeito (artigos 43 e 44 do RICARF), tendo sido substituído no julgamento pelo Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada. André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Carlos Alexandre Tortato – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Márcio Henrique Sales Parada. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 817 5 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. O processo teve início com o AI Auto de Infração Debcad n° 37.271.7357, lavrado em 15/12/2010, com lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive o adicional de 2,5% previsto no parágrafo 1° do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, abrangendo o período de 01/2005 a 12/2006, no montante de R$ 229.734.709,94 (duzentos e vinte e nove milhões, setecentos e trinta e quatro mil, setecentos e nove reais e noventa e quatro centavos), consolidado em 10/12/2010. Consta do Relatório Fiscal / Termo de Verificação Fiscal de fls. 22 e seguintes que: 2. O débito teve como origem os valores das remunerações a título de Participação nos Lucros e/ou Resultados e Abono Único pagos e/ou creditados aos empregados e aos diretores empregados, apurados em folhas de pagamento e informações prestadas pelo sujeito passivo, e remunerações pagas através de cartão premiação, apuradas conforme Notas Fiscais e dados fornecidos pelo UNIBANCO. (...) (...) DO PLR (...) 7. A empresa distribui lucros através do Plano de Participação nos Resultados UNIBANCO PR nos anos de 2005 e 2006. 8. Os Planos próprios do UNIBANCO de Participação nos Resultados para os anos de 2003 e 2004 e 2005 e 2006 foram pactuados e assinados entre o UNIBANCO e a Comissão de Trabalhadores. Não houve a participação do Sindicato. (...) 11. O Plano de Participação nos Resultados referente ao ano de 2005 e 2006 foi assinado entre as Empresas UNIBANCO e a Comissão de Trabalhadores em 15 de agosto de 2006. Depois de encerrado o ano de 2005 que foi avaliado por este Plano. (...) 13. A partir do momento em que o acordo entre empresa e empregados é firmado em período posterior ao período que será avaliado perdese a característica de estímulo e, por conseguinte Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 de incentivo a produtividade, objetivo da Lei 10101/2000 explicita no art. 1°: Art. 1° Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. 14. A PLR foi distribuída, nos anos de 2005 e 2006, através das convenções coletivas de trabalho sobre Participação nos Lucros ou Resultados dos Bancos nos anos de 2004 e 2005, assinadas entre a FENABAN Federação Nacional dos Bancos e osrespectivos Sindicatos e Confederações representando os empregados. Esta distribuição está em desacordo com a legislação. 15. O UNIBANCO distribui lucros aos seus empregados em diversos meses dos anos de 2005 e 2006. Segundo informações do próprio, foram efetuados pagamentos nos meses de fevereiro de 2005 para distribuição da segunda parcela de PLR referente a 2004, em março de 2005, referente a segunda parcela de PR de 2004, em agosto e setembro de 2005 referente a antecipação de PR 2005 e ajustes e em outubro de 2005, referente a primeira parcela de PLR de 2005. Em 2006 foram efetuados pagamentos nos mesmos meses. Em fevereiro de 2006 referente à segunda parcela de PLR de 2005, em março de 2006 referente à segunda parcela de PR de 2005, em agosto e setembro referente à antecipação e ajustes de PR de 2006 e em outubro de 2006 referente a PLR de 2006. Para melhor visualização segue tabela: 16. Nos meses de janeiro, abril, maio, junho, julho, novembro e dezembro de 2005 e 2006 foram efetuados pagamentos de PLR e PR a empregados transferidos, licenciados ou desligados. (...) 18. O UNIBANCO distribuiu lucros aos seus empregados em várias competências no mesmo ano civil. A repetição de Fl. 848DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 818 7 recebimentos por parte dos empregados pode ser verificada nas planilhas entregues pelo sujeito passivo. (...) DO ABONO ÚNICO (...) 23. O Decreto 3.048/99 acrescentou a necessidade de previsão legal para a desvinculação de abonos ao salário, ou seja, determina que o abono seja expressamente desvinculado do salário por força de lei: (...) 24. Assim, a rubrica paga e/ou creditada ao segurado empregado a título de Abono, somente será desvinculada da remuneração se houver expressa previsão em Lei. 25. No caso em tela o Abono Único CCT, rubrica 103 da folha de pagamento foi pago aos empregados segundo Convenção Coletiva de Trabalho, sem desvinculação de remuneração expressa em lei. 26. Conforme já exposto, independentemente da habitualidade ou freqüência, por não ter sua desvinculação ao salário expressa em Lei, a rubrica Abono Único integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. DA REMUNERAÇÃO ATRAVÉS DE CARTÃO PREMIAÇÃO 27. Foram identificadas, através de informações internas, as remunerações pagas e ou creditadas sob a forma de cartão de premiação efetuada pelo UNIBANCO a colaboradores utilizandose das empresas SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA e MARK UP PARTICIP PROMOÇÕES LTDA. 28. Os dados para levantamento foram apurados conforme respostas do sujeito passivo às intimações 8 de 24/08/2010, 14 de 09/11/2010 e 19 de 18/11/2010 e as devidas notas fiscais emitidas pelas empresas intermediárias e pagas pelo UNIBANCO. 29. O UNIBANCO afirma que tais pagamentos de cartões de premiações foram efetuados a colaboradores de seus parceiros comerciais. Afirma também que não houve ocorrência de retenção e/ou pagamento de contribuição previdenciária e que não é possível identificar as datas de pagamentos e os valores de remuneração por beneficiário. 30. O artigo 28 da Lei 8212/91 define o que seja salário de contribuição: 1 para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, Fl. 849DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n" 9.528. de 10.12.97). III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5°; (Redação dada pela Lei n" 9.876, de 1999). 31. Nesse sentido os valores pagos a título de premiação, incentivo ou qualquer outro título é parte integrante do salário de contribuição. 32. No caso concreto, visto que não há vínculo empregatício, é remuneração a contribuintes individuais. Fica configurada a relação entre os contribuintes ora fiscalizados e os contribuintes individuais através da remuneração auferida através dos cartões de premiação. Após tomar ciência pessoal da autuação em 15/12/2010, fls. 02, a recorrente apresentou impugnação, fls. 304 e seguintes, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 12ª Turma da DRJ/São Paulo, no Acórdão de fls. 396/426, julgou o lançamento improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 11/08/2011, fls. 432. No recurso voluntário, apresentado em 12/09/2011, fls. 433, consta que: * o lançamento é parcialmente decadente (até novembro de 2005), visto que aplicável o artigo 150, § 4°, do CTN (ciência em 15/12/2010); * somente integra o conceito de remuneração as retribuições habituais, decorrentes do contrato de trabalho; * para que determinada verba possua natureza remuneratória, seu pagamento deve estar diretamente relacionado à realização do trabalho; * a PLR não ostenta natureza salarial porque não é habitual; * com relação à não participação do Sindicato, aduz que efetuou a convocação deste para participação nas negociações, conforme se verifica do telegrama anexo à impugnação (doc. 03), que demonstra que a recorrente atuou diligentemente ao comunicar a data da celebração do acordo ao Sindicato; * quanto à data de celebração, aduz que se esse fato fosse capaz de definir a tributação da PLR, o argumento somente seria válido para o ano de 2005; * no que tange aos pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, aduz que nos programas foram previstos pagamentos anuais e somente se no plano houvesse previsão de pagamento mais de duas vezes no ano é que poderia ser desqualificado. Ademais, se em alguns períodos e para determinadas pessoas, a recorrente realizou mais de dois pagamentos no mesmo ano civil, tal ocorreu porque um empregado poderia fazer jus ao Programa de Resultados Próprio (PR) e ao Programa nos Fl. 850DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 819 9 Lucros (PLR), disposto em Convenção Coletiva da Categoria. Explica que além dos programas próprios (acordo coletivo), a recorrente era obrigada, por força de Convenção Coletiva, a honrar Participação nos Lucros PLR disposta para toda a categoria bancária (baseado exclusivamente no lucro global da recorrente). * no que se refere ao abono único, reitera inexistir habitualidade e, consequentemente, a verba não se enquadra na definição de remuneração; * quanto ao cartão premiação, a recorrente reconhece que efetuou o pagamento do período autuado não decaído (a partir de dezembro de 2005, conforme DARF doc. 4 da impugnação); * inconstitucionalidade da alíquota adicional de 2,5% aplicável às instituições financeiras; * ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. O julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, a fim de que a unidade preparadora informasse se houve pedido de parcelamento especial em relação ao presente processo (fls. 779 e seguintes). Às fls. 812, consta a informação de que não houve localização de pedido de parcelamento especial em relação ao presente processo e que o contribuinte apresentou manifestação em que nega a informação sobre pedido de parcelamento do débito (fls. 791 e seguintes). É o relatório. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi Relator 1. Decadência. Alega a recorrente que o lançamento é parcialmente decadente (até novembro de 2005), visto que aplicável o artigo 150, § 4° do CTN (ciência em 15/12/2010). Analisando os autos, verifico que a autuação foi cientificada ao sujeito passivo em 15/12/2010 (fls. 2), e compreende as competências de 01/2005 a /2010. Como cediço, desde a publicação na imprensa oficial da Súmula Vinculante nº 08, do STF, os prazos decadenciais aplicáveis às contribuições previdenciárias são, indiscutivelmente, aqueles previstos no Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, I, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, §4º do CTN (data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No presente caso, tratase de lançamento de rubricas consideradas pela recorrente como fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias, mas é incontroverso que houve recolhimento sobre ao menos parte das demais parcelas integrantes da remuneração dos segurados. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Destarte, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Tal compreensão encontrase hoje estampada na Súmula CARF nº 99. Assim, como a notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 15/12/2010 (fls. 02) e a regra aplicável é aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, consideramse decadentes todas as competências até 11/2005, inclusive. Fl. 852DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 820 11 2. PLR. Em objetiva análise, verificase que a autoridade fiscal lançou os valores pagos a título de PLR por ter enxergado três infrações à legislação de regência: i) não participação do Sindicato nas negociações e na pactuação do acordo em comissão paritária (PR Plano de Participação nos Resultados / próprio); ii) data da assinatura dos acordos (PR Plano de Participação nos Resultados / próprio); iii) periodicidade dos pagamentos, tomando, nesse ponto, o somatório dos pagamentos a título de PR Plano de Participação nos Resultados e a título do que denominou de PL (pago com base nas convenções coletivas). Analisemos cada um dos argumentos fiscais isoladamente, para facilitar a compreensão do voto. 2.1. PLR. Participação dos Sindicatos. Demonstração da Solicitação de Participação na Avença. Como afirmado acima, um dos três argumentos para o lançamento a título de PLR foi que o Sindicato não foi parte na pactuação do PR. Da análise dos autos, verifico que, exclusivamente quanto ao PR de 2006, houve a convocação do Sindicato, em que pese ter se ausentado. Este Conselho, no acórdão nº 2302003.550, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, já havia decidido, por maioria de votos, que, se a ausência de representante do sindicato ocorre a despeito da comunicação formal da realização das reuniões (local, data e horário), não se pode prejudicar empregados e empresa. No caso, afastouse a exigência do procedimento previsto no art. 616 da CLT, pois este se refere à “recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva, não havendo previsão legal de tal exigência procedimental na hipótese de celebração de acordo de PLR por comissão paritária” (no mesmo sentido, o acordão nº 2401003.670). Notese que a Lei n° 10.101/2000 não obriga que a negociação entre empresa e empregados seja celebrada por acordo ou convenção coletiva, facultando como via opcional que a referida negociação seja feita por “comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria” e “por convenção ou acordo coletivo”. Vale dizer, no acordo de PLR, o sindicato pode figurar como parte do acordo ou convenção coletiva (art. 8°, VI, da CF); ou indicando um representante para integrar a comissão paritária (art. 8°, III, da CF). Portanto, são situações distintas, mas ambas contempladas pela Lei n° 10.101/2000. Essa argumentação é válida para se afastar a invocação do art. 616 da CLT, que alude a procedimento a ser adotado pelo empregador quando da recusa à negociação coletiva para fins de celebração de acordo ou convenção coletiva. Como no caso foi eleita a via de comissão paritária, entendemos que não tem incidência a hipótese prevista no aludido dispositivo. Assim, tendo sido solicitado formalmente ao sindicato que viabilizasse a presença de um representante do sindicato para as reuniões, devese considerar cumprido o requisito legal em comento. No presente caso, verifico que, exclusivamente quanto ao PR de 2006, o sindicato foi convocado para as negociações e para a celebração do PR Plano de Participação nos Resultados (plano próprio) em comissão paritária. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 Com efeito, relativamente ao PR de 2006, assinado entre as Empresas UNIBANCO e a Comissão de Trabalhadores em 15 de agosto de 2006, constam dois telegramas de idêntico teor (fls. 383 e seguintes): CONTEC Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito: entregue em 04/07/2006. CONTRAF Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro: entregue em 04/07/2006. Nas comunicações consta que: em referência à correspondência encaminhada no dia 28/06/2006 e recepcionada no dia 29/06/2006, as reuniões para negociação da PLR, as quais ocorreriam nos dias 3, 4 e 5 de julho de 2006, foram adiadas. Apesar de até o momento não recebermos a indicação de um representante desta Entidade, informamos as novas datas e horários das reuniões, e reiteramos o pedido para que V. Sa. indique o membro que comparecerá às reuniões, integrando a comissão de negociação, nos termos do art. 2°, I, da Lei n° 10.101/00. Data: 06 de junho Horário: 09:00 hs Local: Av. Eusébio Matoso, 891 (3° andar, salas 1 e 2) Data: 07 de julho Horário: 14:30 hs Local: Av. Eusébio Matoso, 891 (21° andar, salas 1 e 2) Atte: Wagner Enrique Supte. de Relações de Trabalho. Portanto, para a negociação e a celebração do PR de 2006, constato que o Sindicato foi convocado. Assim, do lançamento dos autos, consideramos que os pagamentos de 08/2006 ("antecipação PR") e 09/2006 ("ajustes antecipação PR") não podem prosperar com base no argumento da ausência sindical. É de se relembrar aqui que o pagamento de 02/2006 referese à 2ª parcela de PLR de 2005 (base em convenção coletiva); o pagamento de 03/2006 referese à 2ª parcela de PR de 2005 (para o qual não consta convocação sindical para negociação); e o pagamento de 10/2006 referese ao PLR de 2006 (1ª parcela base em convenção coletiva). Dessarte, o argumento da ausência de convocação Sindical é válido apenas para o pagamento de 03/2006, que se refere à 2ª parcela de PR de 2005 (para o qual não consta convocação sindical para negociação). 2.2. Data da assinatura dos acordos (PR Plano de Participação nos Resultados / próprio). No caso em comento, a questão crucial é saber se há exigência na Lei n° 10.101/00 da pactuação prévia de programa de metas, resultados e prazos. Vejamos o art. 2° da citada lei, que estabelece algum direcionamento: Art.2o Fl. 854DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 821 13 (...) § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) (destaques nossos) A leitura do dispositivo permitenos afirmar que a lei exige negociação entre empresa e trabalhadores, da qual deverão resultar regras claras e objetiva e os índices, as metas, os resultados e os prazos devem ser estabelecidos previamente, sendo que o instrumento será arquivado na entidade sindical. Ora, a lógica do cotidiano permite concluir, sem maiores esforços, que a negociação e o estabelecimento das regras dela resultantes (índices, metas, resultados e prazos) somente têm sentido se concluídos previamente ao fim do período a que se referem os lucros ou resultados. Mas, diante do silêncio da lei, cumpre indagar o quanto antes tais etapas precisam ser concluídas. Em que pese a vagueza da lei, entendemos que não se aplica o aforismo “onde a lei não distingue não pode o intérprete distinguir” (ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus), pois a aceitação da negociação, da pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical posteriormente à realização da meta (fim do período a que se referem os lucros ou resultados) resultaria na possibilidade de estabelecimento de condições que, de antemão, se saberia se seriam ou não atingidas, o que retira da PLR a sua própria essência enquanto “decorrência da função social da propriedade” que funciona como “instrumento de integração entre capital e trabalho, além de ser um incentivo à produtividade” (Curso de direito do trabalho. 7ª ed., São Paulo: LTr, 2011, p. 629). E tal ofende os artigos 4° e 5° da Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro LINDB e à boa hermenêutica jurídica: Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito. Art.5o Na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 Não bastasse o texto expresso da LINDB, é preciso relembrar que há distinção entre texto e norma, sendo que “o texto não carrega, de forma reificada, o seu sentido (a sua norma)” (STRECK, Lenio. Hermenêutica Jurídica. In: Vicente de Paulo Barretto. (Org.). Dicionário de Filosofia do Direito. Rio de Janeiro e São Leopoldo: Renovar e Unisinos, 2006, p. 432). Diante disso, podese afirmar que a imprecisão do texto não pode significar a impossibilidade de atuação do intérprete na complementação da norma, sob pena de se reconhecer que lacunas inviabilizam a decisão do caso concreto e que todas os textos incompletos ou ambíguos serão, potencialmente, ineficazes. Também não se trata de relativizar o princípio da legalidade, mas de identificar onde e quando o Direito atribui ao aplicador a tarefa de definir os critérios diante do caso concreto, como, no caso, a definição da anterioridade da negociação, da pactuação e do arquivamento do instrumento na entidade sindical. Portanto, diante de tais premissas, podese afirmar que, em que pese o silêncio da lei (texto), o legislador acabou por relegar ao intérprete a definição do que se possa entender como prévio (norma), não se tratando de criar distinção onde a lei não distingue (texto), mas sim de atender aos próprios fins sociais do instituto (norma). Não se deve olvidar também que as negociações coletivas, normalmente, se alongam durante meses, de sorte que seria de um rigor extremo exigir que a negociação, a pactuação e o arquivamento se dêem sempre antes do início do período a que se referem os lucros ou resultados, pois neste caso praticamente inviabilizamos o gozo da isenção, o que certamente não é também a mens legis. Assim, o critério mais adequado parece ser o de que a negociação, a pactuação e o arquivamento do instrumento na entidade sindical ocorram antes da conclusão das metas e/ou resultados estabelecidos, mas, claro, desde que tais etapas também não sejam concluídas tão próximas ao término do período a que se referem os lucros ou resultados, sob pena de se inviabilizar o próprio sentido de incentivo à produtividade. Não pretendemos anotar datas fixas, para evitarmos que conclusões futuras possam implicar em decisões pouco consentâneas com o próprio instituto, merecendo, pois, a análise do caso concreto, levar em consideração fatores como o tipo de meta ou resultado estabelecido, a comprovação da anterioridade das negociações, o ajuste de PLR, em anos anteriores, com características semelhantes (o que por si só gera expectativa no trabalhador, de sorte a já incentivar a produtividade e, portanto, não desnaturar o pagamento), dentre outras peculiaridades que mereçam ser sopesadas. Notese que não se trata de questionar ou afrontar a lei, e, portanto, de alguma espécie de decisionismo. Com efeito, não se trata de elaborar juízos de oportunidade opção efetuada entre indiferentes jurídicos, procedida subjetivamente pelo agente , mas de proceder a juízos de legalidade, que consistem numa atuação que, embora desenvolvida no campo da prudência, desenvolvese dentro dos parâmetros ofertados pelo texto normativo e pelos fatos. Nesse sentido: GRAU, Roberto Grau. Interpretação do Direito. In: Vicente de Paulo Barretto. (Org.). Dicionário de Filosofia do Direito. Rio de Janeiro e São Leopoldo: Renovar e Unisinos, 2006, p. 474). Com efeito, interpretação e aplicação do Direito são atualmente concebidas como uma só operação, um só processo, superpondose, razão pela qual parecenos inviável a fixação de datas em abstrato: O fato é que praticamos a interpretação do Direito não, ou não apenas, porque a linguagem jurídica seja ambígua e imprecisa, Fl. 856DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 822 15 mas porque interpretação e aplicação do Direito são uma só operação, de modo que interpretamos para aplicar o Direito e, ao fazêlo, não nos limitamos a interpretar [=compreender] os textos normativos, mas também compreendemos [=interpretamos] a realidade presente e os fatos do caso. O intérprete procede à interpretação dos textos normativos no quadro da realidade e, concomitantemente, dos fatos, de sorte que o modo sob o qual os acontecimentos que compõem o caso se apresentam vai também pesar de maneira determinante na produção da(s) norma(s) aplicável(eis) ao caso. (...) Sendo assim, o que deve aqui ser afirmado, a partir da exposição de Kelsen, que se refere a uma moldura da norma, é o fato de essa moldura ser, diversamente, moldura do texto, mas não apenas dele. Ela é, concomitantemente, moldura do texto e moldura do caso. O intérprete interpreta também os fatos do caso, necessariamente, além dos textos, ao empreender a produção prática do Direito. Inexistem soluções previamente estruturadas, como produtos semiindustrializados em uma linha de montagem para os problemas jurídicos. O trabalho jurídico de construção da norma aplicável a cada caso é trabalho artesanal. Cada solução jurídica, para cada caso, será sempre, renovadamente, uma nova solução. Por isso mesmo a interpretação do Direito se realiza não como mero exercício de leitura de textos normativos, para o que bastaria ao intérprete ser alfabetizado. (...) A interpretação do Direito é uma prudência – o saber prático, a phrónesis, a que refere Aristóteles. Cogitam, os que não são intérpretes autênticos, quando do Direito tratam, da júris prudentia e não de uma júris scientia. O intérprete autêntico, ao produzir normas jurídicas, pratica a juris prudentia e não júris scientia. A lógica jurídica é a da escolha entre várias possibilidades corretas. Interpretar um texto normativo significa escolher uma entre várias interpretações possíveis, de modo que a escolha seja apresentada como adequada. A norma não é objeto de demonstração, mas de justificação. Por isso a alternativa verdadeiro/falso é estranha ao Direito; no Direito há apenas o aceitável [justificável]. O sentido do justo comporta sempre mais de uma solução. A problematização dos textos normativos não se dá no campo da ciência: ela se opera no âmbito da prudência, expondo o intérprete autêntico ao desafio desta, e não daquela. São distintos um e outro: na ciência, o desafio de, no seu campo, existirem questões para as quais ela [a ciência] ainda não é capaz de conferir respostas; na prudência, não o desafio da ausência de respostas, mas da existência de múltiplas soluções corretas para uma mesma questão. (GRAU, Roberto Grau. Interpretação do Direito. In: Vicente de Paulo Barretto. (Org.). Dicionário de Filosofia do Direito. Rio de Fl. 857DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 Janeiro e São Leopoldo: Renovar e Unisinos, 2006, p. 471 a 473). Portanto, é recorrente que os textos normativos contenham aberturas, não só porque seria impossível preencher todas as possibilidades do mundo fenomênico, mas também porque é maneira com que o Direito permanece ao serviço da realidade, como afirma Eros Grau na obra supra citada (p. 474). Interpretações desta natureza certamente tem cabimento diante do silêncio da lei (texto), que exige, ao menos implicitamente, a anterioridade da negociação, da pactuação e do arquivamento, mas não a define precisamente (texto). Assim, devese interpretar o instituto circunstancialmente, de modo a buscar a sua melhor aplicação em cada caso (norma). No caso em apreço, como o lançamento encontrase mantido apenas para as competências de 2006, devem ser analisados os PR´s de 2005 e de 2006, que foram objeto de lançamento para 2006 e, portanto, não se encontram decadentes: PR de 2005: pagamento em 03/2006 (2ª parcela de PR de 2005); PR de 2006: pagamentos em 08/2006 ("antecipação PR" de 2006) e em 09/2006 ("ajustes antecipação PR" de 2006). Consta do Relatório Fiscal (fls. 26) e do documento de fls. 64 e seguintes, que o "Plano de Participação nos Resultados referente ao ano de 2005 e 2006 foi assinado entre as Empresas UNIBANCO e a Comissão de Trabalhadores em 15 de agosto de 2006. Depois de encerrado o ano de 2005 que foi avaliado por este Plano". Assim, embora se refira aos dois anos, foi celebrado apenas em agosto de 2006. Portanto, o pagamento de 03/2006 (2ª parcela de PR de 2005) foi efetuado antes mesmo da negociação e pactuação das condições para o pagamento. Já os pagamentos de 08/2006 e 09/2006 ocorreram logo antes ou logo após a celebração do pacto em 15 de agosto de 2006. Como não foi caracterizado o pacto prévio, a Fiscalização efetuou o lançamento, ora em análise. Estamos, portanto, diante de uma situação extrema, pois não se questiona que em 15 de agosto de 2006 as metas e resultados para 2005 já estavam comprometidas, inviabilizando qualquer possibilidade de se concluir a respeito da antecedência da pactuação. Quanto ao PR de 2006, é preciso verificar as condições de apuração dos resultados, mencionada no item 3 do pacto: 3. A apuração dos resultados das EMPRESAS e os pagamentos referentes à participação dos empregados nos resultados serão feitos semestral ou anualmente, conforme estipulado nos Anexos deste instrumento, sempre respeitandose o prazo legal do semestre civil, conforme disposto no artigo 3° , parágrafo 2° , da Lei n° 10.101/2000. Do anexo, verifico que os resultados são apurados anualmente, tanto que a PR de 2006 é dividida em "antecipação PR" de 2006 (pagamentos em 08/2006) e "ajustes antecipação PR" de 2006 (pagamentos em 09/2006). Nesse sentido, em que pese os pagamentos tenham ocorrido pouco antes ou pouco após a celebração do pacto, da pactuação (15 de agosto de 2006) ao termo para apuração Fl. 858DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 823 17 dos resultados (31 de dezembro de 2006), havia tempo suficiente para se vislumbrar incentivo à produtividade, razão maior do direito social à participação nos lucros e resultados, estando, portanto, em consonância com os ditames constitucionais e legais relativos à matéria. Ademais, ressaltese que a negociação iniciouse, ao menos, no início de julho de 2006, conforme comprovam às convocações ao Sindicato de fls. 383 e seguintes. Destarte, se quanto à convocação do Sindicato, os pagamentos de 08/2006 ("antecipação PR") e 09/2006 ("ajustes antecipação PR") não podem prosperar com base no argumento da ausência sindical, o mesmo podese dizer quanto ao argumento da pactuação prévia, visto que a negociação iniciouse ao menos em julho de 2006 e a pactuação ocorreu mais de quatro meses antes do encerramento do período a que se refere. Ressaltamos, novamente que os pagamentos de 02/2006 referemse à 2ª parcela de PLR de 2005 (base em convenção coletiva pactuada previamente conforme assertiva fiscal); o pagamento de 03/2006 referese à 2ª parcela de PR de 2005 (para o qual não consta convocação sindical para negociação e tampouco houve negociação ou pactuação prévia); e o pagamento de 10/2006 referese ao PLR de 2006 (1ª parcela base em convenção coletiva pactuada previamente conforme assertiva fiscal). Assim, o argumento da pactuação prévia remanesce válido exclusivamente quanto ao pagamento de 03/2006, que refere à 2ª parcela de PR de 2005 (para o qual não consta convocação sindical para negociação e tampouco houve negociação ou pactuação prévia). 2.3. Periodicidade dos Pagamentos. Por força do disposto no § 2º do art. 3º da Lei nº 10.101/00 (redação vigente à época dos fatos geradores), a PLR não deve ser paga em periodicidade inferior a um semestre civil mais de duas vezes no mesmo ano civil. Este Conselho, por sua 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento (acórdão nº 2302003.139) já havia firmado posição no sentido de que a inobservância da periodicidade de pagamentos prevista pelo art. 3º, §2º da Lei nº 10.101/00 acaba por violar “o espírito da PLR, que é o de não substituir salário”. No voto condutor, foi ressaltado que a obrigatoriedade de os pagamentos serem realizados com a periodicidade mínima de um semestre e no máximo duas vezes por ano foi instituída justamente visando a mitigar o risco de os empregadores pagarem PLR como forma de substituição ou complementação de salário. Especificamente quanto ao desrespeito à periodicidade legal, temos que o vício pode se reportar à formulação do plano, que prevê pagamentos, por exemplo, em três parcelas no mesmo ano civil, ou pode se referir à execução do plano, ou seja, a formulação atende à periodicidade legal, mas quando foi efetuado o pagamento, ele transgride o pacto e, consequentemente, a legislação. Pelo critério que temos utilizado na análise do PLR, imperioso esta distinção entre os vícios relativos à formulação do plano e os vícios referentes à sua execução, fazem total diferença. Vejamos. A legislação estabelece um conjunto de regras para que determinada rubrica seja considerada como participação nos lucros ou resultados para fins de não incidência de contribuição previdenciária. Somente em caso de cumprimento de todos os pressupostos legais é que se pode afirmar que a rubrica tem natureza jurídica de participação nos lucros (senão vira prêmio ou, trivialmente, salário). Repisese, a regra é o pagamento integrar a remuneração e Fl. 859DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 somente quando pertencente a um plano de participação nos lucros e resultados, inteiramente de acordo com a lei, nos termos do artigo 7°, XI, da CF, é que se pode atribuir a natureza excepcional de pagamento não integrante da remuneração. Assim, se há algum vício na formulação do plano, seja das regras relativas ao alcance do lucro ou do resultado, seja das condições relativas ao cálculo do valor devido a cada trabalhador e da periodicidade dos pagamentos, a descaracterização reportase ao somatório do plano e, portanto, a todos os pagamentos a que se refere. No caso em comento, não consta que o PLR (conveção) ou o PR previram pagamentos em mais de duas parcelas ou em periodicidade inferior a um semestre, de sorte que a formulação nos planos não foi o problema, mas sim a sua execução. Portanto, não devese desconsiderar integralmente o plano, formulado sob o enfoque da periodicidade, em respeito à legislação, mas apenas os pagamentos que transbordem as limitações legais. Até agora, temos que o pagamento de: 02/2006 (2ª parcela de PLR de 2005): pode ser mantido com base no argumento periodicidade (analisada no presente momento); 03/2006 (2ª parcela de PR de 2005): deve ser mantido com base na ausência de convocação sindical para negociação e ausência de negociação ou pactuação prévia); 08/2006 ("antecipação PR" 2006): não pode prosperar com base no argumento da ausência sindical, o mesmo podese dizer quanto ao argumento da pactuação prévia; 09/2006 ("ajustes antecipação PR" 2006): não pode prosperar com base no argumento da ausência sindical, o mesmo podese dizer quanto ao argumento da pactuação prévia; 10/2006 (1ª parcela do PLR de 2006): pode ser mantido com base no argumento periodicidade (analisada no presente momento); Quanto ao pagamento de 02/2006 (2ª parcela de PLR de 2005), não vejo como prosperar o argumento fiscal do descumprimento da periodicidade legal (único fundamento do lançamento), visto que foi o primeiro do ano, podendo ser aproveitado para fins de não incidência de contribuição previdenciária. Já o pagamento de 03/2006 (2ª parcela de PR de 2005), além de ter sido mantido com base na ausência de convocação sindical para negociação e na ausência de negociação ou pactuação prévia, também descumpre a periodidicade mínima, porque ocorreu no mês subsequente ao primeiro recebimento. Quanto à competência 08/2006 ("antecipação PR" 2006), além de o lançamento não poder prosperar com base no argumento da ausência sindical e na inexistência de pactuação prévia, vislumbro o interregno de seis meses entre o primeiro pagamento aceito a título de PLR (02/2006) e o segundo (08/2006). Sob o prisma da periodicidade, no entanto, esgotamse aqui as possibilidades de pagamento de PLR para 2006, seja porque os pagamentos de 09/2006 e 10/2006 não respeitam o limite anual de dois pagamentos, seja porque não obedecem ao comando legal de intervalo mínimo semestral. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 824 19 Sendo assim, devem ser mantidos no lançamento as competências 03/2006 (argumentos da participação sindical, da negociação/pactuação prévia e periodicidade legal); 09/2006 (desrespeito à periodicidade legal); e 10/2006 (desrespeito à periodicidade legal), excluindose os pagamentos de 02/2006 e 08/2006 que, sob o prisma analítico deste relator, estão de acordo com os requisitos legais questionados pela autoridade fiscal. 3. Abono Único. A autoridade fiscal lançou contribuições sobre "o Abono Único CCT, rubrica 103 da folha de pagamento", que "foi pago aos empregados segundo Convenção Coletiva de Trabalho, sem desvinculação de remuneração expressa em lei". Ocorre que, a despeito de discordamos das premissas contidas nas decisões que deram origem ao Ato Declaratório n° 16/2011 (baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011), em atenção ao princípio da eficiência da Administração Pública e tendo em vista o artigo 62 do RICARF, temos que nos curvar à sua aplicação, desde que preenchidas, cumulativamente, as condições para tal. Assim, o abono deve ter sido pago: (i) de maneira não habitual; (ii) fosse desvinculado do salário, no sentido de não representar um percentual deste (pagamento em valor único para todos os empregados, por exemplo); e (iii) estivesse previsto em norma coletiva. Consta da Convenção Coletiva de Trabalho 2005/2006 (assinada em 17 de outubro de 2005, pagina n° 19, Cláusula Quadragésima Oitava Abono Único) o aludido pagamento "desvinculado do salário e de caráter excepcional e transitório, no valor de R$ 1.700,00 (um mil e setecentos reais), a ser pago após 10 (dez) dias úteis da data da assinatura da convenção coletiva de trabalho". Efetivamente, o grosso do lançamento ocorreu em 10/2005, competência da celebração da Convenção Coletiva, como se constata às fls. 09. No entanto, para as competências que remanescem nos autos (12/2005 em diante), constam alguns pagamentos a tal título, como se constata na planilha de fls. 34 (que não inclui 12/2005): Esclareceu a recorrente que "os pagamentos de Abono Único nos meses de Maio, Junho, Novembro, Dezembro de 2005 e em diversas competências de 2006 referese a colaboradores desligados ou licenciados que retornaram após a data do pagamento estabelecido na CCT dos Bancários, conforme parágrafo primeiro da CCT de 2005/2006" (fls. 110). Fl. 861DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 Assim, em suma, não há prova nos autos de que o Abono Único foi pago de forma habitual; constatase que foi feito o pagamento com base em Convenção Coletiva de Trabalho; e não se encontra vinculado ao salário do trabalhador, sendo pago em parcela fixa individual, de sorte a atrair a aplicação do Ato Declaratório n° 16/2011 (baseado no Parecer PGFN/CRJ/N° 2114/2011): DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária. Portanto, não merece prosperar o lançamento a título de Abono Único. 4. Inconstitucionalidade. Adicional de 2,5%. Alega a recorrente a inconstitucionalidade da alíquota adicional de 2,5% aplicável às instituições financeiras. Ocorre que as teses levantadas baseiamse no aspecto da inconstitucionalidade das leis que dão supedâneo à exigência do referido adicional. Sendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais órgão do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A que é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Tal disposição é repetida em termos semelhantes no art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009. Outro fundamento para a impossibilidade de deferimento dos pleitos da recorrente é que a Súmula CARF n° 2 estabelece que o “CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, sendo que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado. Portanto, no foro administrativo, não merece prosperar a argumentação da recorrente. 5. Multa. Juros. Alega a recorrente ser indevida a incidência de juros sobre as multas. Ao contrário do que expõe a recorrente, não localizei no lançamento fiscal, inclusive nos fundamentos legais do crédito tributário, incidência de juros sobre multa de ofício, mas tão somente juros de mora sobre as contribuições exigidas, o que é devido e permissível por lei. Fl. 862DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 825 21 Em outras palavras, a eventual cobrança de juros de mora sobre multa punitiva não é matéria que compõe a autuação fiscal, o que resultaria, em meu ponto de vista, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. Todavia, quando da sessão de julgamento, acabei vencido nesse ponto específico. Uma vez conhecida a matéria pela Turma, passo a análise do mérito. Vejamos o que determina a legislação a respeito: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Lei n.º 9.430/96 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (destaques sempre nossos) É sabido que, no Direito, as relações jurídicas obrigacionais pressupõem a existência de credores e devedores (vide nomenclatura classicamente adotada pelos nossos Códigos Civis de 1916 e 2002). Portanto, podemos afirmar que, a cada obrigação, há um correspondente um crédito e um respectivo débito. No entanto, o Código Tributário Nacional e a legislação tributária em geral atribuem um sentido particular ao crédito tributário, de sorte que ele não surgiria concomitantemente à obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN), como se imaginaria em uma relação jurídica de qualquer outro ramo do direito, mas somente com a sua devida formalização, em regra pelo lançamento tributário (artigo 142 do CTN). Aqui cabe fazer algumas ressalvas. O fato de o Direito Tributário definir a constituição do crédito tributário como uma etapa evolutiva na formação da exigibilidade, liquidez e certeza da obrigação tributária, não impede que reconheçamos a existência de um crédito jurídico, na acepção comum do Direito, até porque não há obrigação sem crédito e débito correspondente, como afirmado anteriormente. Tal concepção apenas representa uma Fl. 863DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 posição garantista do legislador face a eventuais abusos do Estado, até porque o Estado é o único ente de nossa sociedade que pode constituir, unilateralmente, um crédito líquido, certo e, futuramente, exigível. Portanto, a estrutura normativa da obrigação tributária não é excludente do conceito vulgar de crédito (e de débito), apenas devemos estar atentos que este crédito é diferente daquele constituído na forma da legislação tributária. Pois bem. Estabelece o artigo 142 do CTN que a autoridade administrativa constitui o crédito tributário pelo lançamento e que este inclui a obrigação tributária principal e, ser for o caso, a “penalidade cabível”. Ora, a própria recorrente reconhece que a multa é penalidade. Portanto, é inequívoco que a multa de ofício faz parte do crédito tributário e, assim, incluise na referência que o artigo 161 do CTN faz à incidência de juros de mora. Quanto ao conceito de débito, referido pelo artigo 61 da Lei n. 9.430/96, podese afirmar, após a prévia incursão nos conceitos gerais do Direito, que o débito corresponderá à obrigação não paga no vencimento. Este inadimplemento, no Direito Tributário, pode ocorrer sem formalização da exigência pela autoridade administrativa (crédito jurídico na acepção geral do Direito ou mera obrigação tributária, como afirmado anteriormente); ou com a formalização da exigência, seja pela autoridade administrativa, seja por ato do contribuinte (crédito tributário constituído). Em ambos os casos, teremos o débito, sendo que na hipótese de formalização pela autoridade administrativa, o débito será integrado pelo tributo e também pela penalidade (multa de ofício), nos termos do já referido artigo 142 do CTN . Ademais, a previsão do caput do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é ampla, incluindo qualquer débito decorrente de tributos não recolhidos. Repetimos aqui o julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), mencionado na decisão a quo: Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007 JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. (...) Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. (...) Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. (...) Fl. 864DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 826 23 O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. (...) Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. (...) (grifos nossos) Outra não é a conclusão que se extrai da Súmula CARF n° 4, que também faz referência à incidência ampla, de todos os “débitos tributários”: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, é bom que se ressalte que a matéria encontrase pacificada no STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Fl. 865DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 Demonstrada a legalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, concluise ser improcedente o inconformismo da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo: (i) a decadência de todas as competências até 11/2005, inclusive; reconhecendo; (ii) a improcedência dos lançamentos a título de participação nos lucros ou resultados das competências 02/2006 e 08/2006; (iii) a improcedência do lançamento a título de Abono Único. André Luís Mársico Lombardi. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 827 25 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Redator designado Do conhecimento da matéria quanto à exclusão dos juros sobre a multa de ofício Dos debates emanados desta colenda turma, abri a divergência e fui designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento por este colegiado da matéria questionada pelo recorrente acerca da exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em que pese o bem fundamentado entendimento do douto relator, ouso divergir por entender que há, sim, repercussão prática no presente processo com relação à matéria suscitada. Portanto, esta deve ser objeto de apreciação pelos membros desse colegiado, posto que, caso assim não façamos, o contribuinte/recorrente somente poderá se socorrer do judiciário para debater a incidência dos juros (SELIC) sobre a multa de ofício, ao passo que esta já está incidindo sobre os débitos constituídos no presente processo administrativo fiscal a título de multa de oficio. Reconheço que no momento em que se instaura o contencioso administrativo, qual seja, na ciência do contribuinte da lavratura do auto de infração, não há incidência de juros sobre a multa. Tratase de conclusão óbvia, já que a multa de ofício nasce somente com a lavratura do auto de infração e dentro do prazo de 30 dias para impugnação e/ou pagamento o contribuinte ainda não se encontra em mora perante à Fazenda Nacional. Ocorre que, no momento em que apresentada a peça impugnatória suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, iniciase a incidência dos juros sobre o crédito tributário lançado (principal) bem como sobre a multa de ofício aplicada (a incidência ou não dos juros sobre a multa será tratada na declaração de voto apresentada, já que este conselheiro restou vencido acerca da referida incidência). Importante destacar, também, que não há descrição específica no Auto de Infração (neste e em qualquer outro processo a que já tive acesso) da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O que se tem, como sabido, é o arcabouço legal da incidência dos juros via taxa Selic. Na prática, a incidência dos juros sobre a multa será verificada no trânsito em julgado do processo administrativo, caso o débito tenha sido mantido, ainda que parcialmente, em face do contribuinte, no momento do cálculo do montante devido e a respectiva intimação para pagamento. Ressaltese que, ainda, é muito comum e de fácil verificação os casos em que o contribuinte tem a sua peça impugnatória julgada improcedente e, quando intimado da referida decisão acompanhada do DARF para pagamento do débito, no cômputo dos juros ali Fl. 867DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 incidentes já se verifica a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, cumulativamente com a incidência desta sobre o montante devido a título de principal. Assim, não há como se esquivar da referida discussão, trazida pelo contribuinte em seu recurso voluntário, já que desde que apresenta a sua peça impugnatória, bem como tendo sido esta julgada improcedente, os juros de mora estão incidindo também sobre o montante devido a título de multa de ofício, além, é claro, do débito a título de principal. Não restando dúvidas quanto a esta incidência, hão de ser reconhecidas as razões recursais do contribuinte e apreciada a matéria, sob o risco de se implicar em cerceamento ao direito de defesa e contraditório, já que estarseia deixando de apreciar matéria contestada pela recorrente e com repercussão econômica direta ao patrimônio daquela no curso do presente processo administrativo fiscal. Por essas razões, entendo que deve ser conhecido o recurso voluntário quanto à discussão acerca da incidência ou não dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que latente a verificação de incidência desta aos débitos em discussão no presente processo administrativo. Da exclusão dos juros sobre a multa de ofício Apresento os argumentos a seguir como declaração de voto, pois, abri divergência quanto ao ponto específico que, debatido pelos demais julgadores, restou vencido no julgamento do presente recurso voluntário quanto a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. A recorrente pleiteia a exclusão da incidência dos juros de mora (TAXA SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a recorrente tem razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O fundamento legal que supostamente dá abrigo à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 16327.001626/201071 Acórdão n.º 2401004.219 S2C4T1 Fl. 828 27 O caput do referido artigo é bastante claro: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, temse que entender ser esta “decorrente de tributos e contribuições”. Ora, as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, pois são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e b) falta de declaração e declaração inexata. Incorridas alguma dessas condutas, surge o direito da fiscalização de imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação atual): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Ainda, destacase que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional é frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o referido dispositivo legal não autoriza esta incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, quanto o art. 161, do CTN, não são fundamento legal apto a permitir tal incidência. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 869DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 10/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10980.934219/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.758
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Recorrente BRASILSAT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a juridicidade do crédito vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do montante compensado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 42 19 /2 00 9- 18 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratase de processo administrativo decorrente da apresentação de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não homologou compensação declarada pelo contribuinte. 2. Segundo consta dos autos, o contribuinte alega possuir um crédito tributário decorrente do pagamento a maior de COFINS, nos termos exigidos pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, o qual foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, por intermédio do RE n. 357.950, afetado por repercussão geral. 3. Referida manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJCuritiba nos termos do que se depreende da ementa abaixo transcrita, na parte de interesse ao presente julgamento: ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 4. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs recurso voluntário alegando, em suma, o que segue: (i) nulidade da decisão atacada, uma vez que ao pretexto de não poder analisar constitucionalidade de norma, a decisão vergastada deixou de analisar outros fundamentos jurídicos desenvolvidos pelo recorrente e que seriam autônomos e suficientes para a procedência do seu pleito; e, ainda (ii) que o crédito vindicado pelo contribuinte seria legítimo, nos termos da já citada decisão Pretoriana, a qual apresentaria caráter vinculativo para este CARF, conforme previsto no então vigente art. 62A do RICARF. 5. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.723, de 24 de janeiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.933424/200966, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.723): "6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. Da nulidade da decisão atacada 7. Não há nulidade da decisão atacada. Conforme se observa da própria manifestação de inconformidade do contribuinte, o pano de fundo a originar seu crédito para a contribuição em apreço é a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, reconhecida pelo STF. É o que se observa do seguinte trecho da sua manifestação: O contribuinte extinguiu o débito da COFINS, apurada conforme acima e declarada em DCTF, com DARF, período de apuração 28/02/2003, código de receita 2172, recolhido em 14/03/2003. Posteriormente, com a Declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98 surgiu para o contribuinte o crédito tributário oponível ao Fisco referente a COFINS incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$ 18.459,40. 8. A decisão recorrida, por sua vez, partiu do pressuposto que a questão em apreço tocava a análise quanto à (in)constitucionalidade de normas, o que não seria passível de apreciação na instância administrativa, nos exatos termos da Súmula CARF no 2. 9. Assim, uma vez reconhecida a sua incompetência para a questão de fundo e cuja análise seria essencial para o deslinde da questão debatida, a DRJ não poderia seguir adiante na análise da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte. 10. Todavia, ainda que se considere que a decisão recorrida apresenta uma mácula, o que se afirma aqui a título de obiter dicta, mesmo assim tal fato não seria impediente para a análise do recurso voluntário interposto, haja vista o disposto no art. 59, Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 4 §3º do Decreto m. 70.235/721, motivo pelo qual passo a análise de mérito do presente recurso. II. Do mérito da compensação perpetrada 11. Superada a questão preliminar, não há dúvida que, nos mérito, a juridicidade do crédito do contribuinte deve ser reconhecida, haja vista que a origem do citado crédito decorre da reconhecida inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, assim reconhecida pelo STF quando do julgamento do RE nº 357.950, afetado por repercussão geral, e que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP 00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) 1 "Art. 59. São nulos: (...). § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (...)." Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.934219/200918 Acórdão n.º 3402003.758 S3C4T2 Fl. 0 5 12. Referida decisão vincula este órgão julgador, nos termos art. 62, § 2º, do RICARF, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) 13. Assim, o crédito do contribuinte é juridicamente válido, cabendo à fiscalização tão somente apurar se o montante aproveitado pelo contribuinte efetivamente retrata o aludido crédito. Dispositivo 14. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, reconhecendo o direito ao crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a juridicidade do crédito por ele vindicado, de modo que a compensação apresentada pelo contribuinte seja analisada pela RFB apenas para fins de apuração quanto à exatidão do quantum compensado. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 52DF CARF MF
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