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8160331 #
Numero do processo: 13819.002214/96-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão.
Numero da decisão: 3302-008.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: WALKER ARAUJO

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1994 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, impõe- se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar a obscuridade, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente (documento assinado digitalmente) Walker Araujo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Denise Madalena Green. Ausente o conselheiro Corintho Oliveira Machado. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte em face do acórdão nº 3302-006.036 que, deu parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência dos lançamentos realizados no período de maio/94, junho/94, julho/94 e 1º e 2º decêndios de outubro/94, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano-calendário: 1994 DECADÊNCIA OCORRÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Aplica-se o § 4º do Art. 150 do Código Tributário Nacional CTN, aos impostos lançados por homologação, quando constatado pagamento parcial e não evidenciado casos de dolo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 22 14 /9 6- 54 Fl. 982DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.170 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.002214/96-54 fraude ou simulação. Ultrapassado o prazo quinquenal extingue-se o crédito tributário, sendo irregular a formalização de lançamento tributário após o termo ad quem. Segundo a Embargante, a obscuridade consiste no fato de que o colegiado declarou a ocorrência da decadência até o 2º decêndio de outubro de 1994, mas a apuração dos débitos lançados de ofício foi feita mensalmente. Desse modo, é necessário que o Acórdão decline o critério que a fiscalização deverá utilizar para excluir os valores lançados até o 2º decêndio de outubro de 1994. Caso o colegiado conclua que não há um critério apto a guiar os cálculos, uma vez que o lançamento foi erroneamente lançado em bases mensais, solicita a declaração da decadência de todo o período de outubro de 1994, com base no art. 112 do CTN. Nos termos do despacho de fls. 974-975, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a obscuridade alegada pela Embargante. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo, Relator. Os Embargos de Declaração é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, o vício alegado pela Embargante diz respeito a obscuridade do julgado consubstanciado no fato de que o Colegiado declarou a ocorrência da decadência até o 2º decêndio de outubro de 1994, mas a apuração dos débitos lançados de ofício foi feita mensalmente. O despacho de admissibilidade agiu corretamente em sua decisão, merecendo, assim, ser sanada a obscuridade suscitada pela Embargante. Pois bem. Dispõe o artigo 2º, da Lei nº 8.850/1994, que alterou os artigos 52 e 53 da Lei nº 8.383/91: Art. 2° Os arts. 52 e 53 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 52. Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir de 1º de novembro de 1993, os pagamentos dos impostos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos: I - Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI: a) até o terceiro dia útil do decêndio subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores, no caso dos produtos classificados no Capítulo 2 e nos Códigos 2402.20.9900 e 2402.90.0399 da Tabela de Incidência do IPI/TIPI; b) até o último dia útil do decêndio subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores, no caso dos demais produtos; II - Imposto de Renda na Fonte – IRF: a) até o último dia útil do mês subseqüente ao de ocorrência do fato gerador ou na data da remessa, quando esta for efetuada antes, no caso de lucro de filiais, sucursais, agências ou representações, no País, de pessoas jurídicas com sede no exterior; b) na data da ocorrência do fato gerador, nos casos dos demais rendimentos atribuídos a residentes ou domiciliados no exterior; c) até o último dia útil do mês subseqüente ao da distribuição automática dos lucros, no caso de que trata o art. 1° do Decreto-Lei n° 2.397, de 21 de dezembro de 1987; Fl. 983DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8383.htm#art52 Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.170 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13819.002214/96-54 d) até o terceiro dia útil da quinzena subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores, nos demais casos; III - imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários – IOF: a) até o terceiro dia útil da quinzena subseqüente à de ocorrência dos fatos geradores, no caso de aquisição de ouro, ativo financeiro, bem assim nos de que tratam os incisos II a IV do art. 1° da Lei n° 8.033, de 12 de abril de 1990; b) até o terceiro dia útil do decêndio subseqüente ao de cobrança ou registro contábil do imposto, nos demais casos; IV - contribuição para financiamento da Seguridade Social – COFINS, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, e contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP), até o quinto dia útil do mês subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores. § 1° O imposto incidente sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos (Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 18) deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que os ganhos houverem sido percebidos. § 2° O imposto, apurado mensalmente, sobre os ganhos líquidos auferidos em operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, será pago até o último dia útil do mês subseqüente em que os ganhos houverem sido percebidos. Do que se extrai do referido dispositivo, é que o legislador elegeu para apuração do IPI bases decendiais e não mensais, devendo, no entendimento deste relator, a contagem de prazo decadencial considerar esse critério, independentemente da fiscalização ter calculado o crédito tributário de forma mensal. Assim, definido o critério com fundamento da legislação que rege a matéria, entendo que fiscalização deverá recalcular, com base na escrituração, o valor lançado em outubro de 1994, excluindo da auditoria de produção os valores dos 1º e 2º decêndios de outubro de 1994. Diante do exposto, voto por conhecer dos Embargos de Declaração para sanar o vício de obscuridade, sem atribuir-lhes efeitos infringentes. É como voto. (documento assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 984DF CARF MF Documento nato-digital

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8185442 #
Numero do processo: 13629.721411/2015-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-002.880
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13811.726461/2015-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 72 14 11 /2 01 5- 91 Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-002.880 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721411/2015-91 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário com os argumentos a seguir sintetizados. - Alega a ocorrência de denúncia espontânea, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Aduz que a multa em exame deveria observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. - Sustenta que não houve intimação do contribuinte omisso, como determina expressamente o art. 32-A da Lei 8.212/91, nem tampouco a imposição da multa no momento do recebimento da GFIP em atraso ou nos anos seguintes, tendo o fisco efetuado o lançamento nos estertores da decadência tributária. - Entende que a suposta infração de natureza acessória alcançou seu objetivo de forma plena e eficaz ante o pagamento integral do tributo consignado na GFIP antes de qualquer iniciativa fiscal. - Expõe que, ainda que tenha obedecido à regra da competência legislativa e tenha respeitado o processo legislativo, a lei será inconstitucional se atentar contra o princípio da razoabilidade. - Suscita o caráter confiscatório da multa aplicada. - Afirma que houve violação ao art. 146 do CTN. - Ressalta que não houve prejuízo ao erário, considerando que os encargos foram devidamente recolhidos. - Assevera que as multas aplicadas contrariam a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-002.880 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721411/2015-91 Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-002.426, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação prévia somente será realizada quando for necessária, ou seja, quando a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Relativamente à alegação de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações haja vista o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que a mesma poderia ser afastada em razão do pagamento integral do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. A exigência da penalidade independe de sua capacidade financeira ou da existência de danos causados à Fazenda Pública. Também não há que se falar em alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa e violação do art. 146 do Código Tributário Nacional - CTN. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-002.880 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13629.721411/2015-91 8.212/91 pela Lei 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Vale lembrar que, segundo o art. 142 do CTN, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicação das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Quanto aos questionamentos acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, importa reproduzir o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cabe mencionar, por fim, que as decisões trazidas pelo recorrente somente vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital

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8178726 #
Numero do processo: 18186.732266/2015-44
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Sun Mar 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2002-004.001
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13686.720154/2015-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13686.720154/2015-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 22 66 /2 01 5- 44 Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732266/2015-44 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.873, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Defende que, para a aplicação das multas elencadas no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, faz-se necessária intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração. - Aduz que, se a GFIP foi entregue espontaneamente e o tributo confessado foi pago, a própria obrigação principal está extinta. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega que a motivação do Auto de Infração é inadequada, uma vez que contrária à lei que prevê a necessidade de intimação do contribuinte antes da aplicação das penalidades. - Afirma que a autuada é uma microempresa e que faz jus aos benefícios previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123/06. - Discorre sobre o caráter confiscatório da multa aplicada. - Indica a existência do Projeto de Lei nº 7.512/14, que propõe a anistia da cobrança de multas geradas pela falta ou atraso na entrega da GFIP. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.873, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732266/2015-44 No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, impõe-se observar o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o que estabelece a Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que esta poderia ser afastada em razão do pagamento do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei nº 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento, ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. Também não pode ser acolhida a alegação de que faz jus ao tratamento diferenciado previsto no art. 55 da Lei Complementar nº 123/2006, haja vista que este dispositivo refere-se “aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança, de relações de consumo e de uso e ocupação do solo das microempresas e das empresas de pequeno porte”, como disposto em seu caput, e não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Vale lembrar que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional - CTN. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Importa registrar nesse ponto que o Projeto de Lei nº 7.512/14 mencionado no Recurso permanece em tramitação no Congresso Nacional, não se tratando, portanto, de norma vigente. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, cabe reproduzir o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória no julgamento dos Recursos: Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-004.001 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.732266/2015-44 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 17933.720908/2012-57
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 PRELIMINAR - NULIDADE - VÍCIO DO AUTO DE INFRAÇÃO O auto de infração lavrado em face do contribuinte respeita todos os requisitos elencados no Decreto nº 70.235/72. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-003.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 PRELIMINAR - NULIDADE - VÍCIO DO AUTO DE INFRAÇÃO O auto de infração lavrado em face do contribuinte respeita todos os requisitos elencados no Decreto nº 70.235/72. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni.

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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 93 3. 72 09 08 /2 01 2- 57 Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 06 a 11), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.189,80, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às e-fls. 02 a 14 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: - que apresentou os recibos que comprovam o pagamento dos honorários médicos, bem como as declarações dos profissionais para confirmar a prestação dos serviços e o recebimento dos honorários pelos serviços médicos prestados; - que os serviços efetuados com os profissionais foram em benefício próprio e de seus dependentes. Acrescenta que o tratamento fisioterápico é realizado há mais de cinco anos em decorrência de uma cirurgia no calcanhar; - que os pagamentos foram realizados em espécie e os recibos apresentados são provas de recebimento por parte dos profissionais; - que é impossível apresentar cópias de cheque, tendo em vista que os pagamentos foram realizados em dinheiro; - que confirma o recebimento de todos os rendimentos pela rede bancária, mediante depósito direto na conta corrente, mas o fisco deixou de analisar o saldo que foi informado na Declaração. - que o saldo em conta corrente, conforme informado na Declaração, é uma prova incontestável dos saques efetuados nas contas movimentadas; - que as deduções estão em conformidade com o art. 80 do Decreto nº 3.000/1999; - que as deduções não podem ser consideradas exageradas, uma vez que foi submetido junto com seus dependentes a tratamento médico; Traz à colação jurisprudência administrativa e judicial a seu favor. Requer acolhida a presente impugnação. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 18/11/2014, no acórdão 03-64.786, às e-fls. 33 a 38, julgou a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às e-fls. 44 a 49, alegando, em síntese:  preliminarmente, que o lançamento é nulo, pois contrário aos ditames legais;  que todas as despesas médicas estão comprovadas pelos recibos e extratos bancários juntados aos autos. Fl. 87DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 Diligência Na sessão do dia 25 de fevereiro de 2019 o processo foi baixado em diligencia, nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que junte aos autos todos os documentos apresentados pelo contribuinte quando da intimação fiscal, às e-fls. 27. A diligência foi cumprida conforme e-fls. 59 e seguintes. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/12/2014, e-fls. 42, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 07/01/2015, e-fls. 53, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas:  Maria Cristina Soares de Castro (R$ 10.000,00);  Rodriguo Lopes Vieira Breijao (R$ 7.000,00);  Humberto Nazareth Costa Júnior (R$1.872,00). Cumpre destacar que a glosa das despesas médicas foi mantida pela falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme decisão da DRJ: Em sede de impugnação, reiterou a alegação de que os pagamentos foram realizados em espécie. Além disso, afirmou que os seus rendimentos eram depositados em conta corrente, mas que os saldos em conta corrente informados na Declaração de Ajuste Anual comprovam que foram efetuados saques para pagamento de suas despesas. Entretanto, os saques efetuados na conta corrente do contribuinte não comprovam que foram necessariamente para o pagamento das despesas médicas glosadas. Desta feita, caberia ao contribuinte trazer aos autos a comprovação da efetividade dos pagamentos das despesas médicas através dos extratos bancários que atestassem a coincidência das datas e valores com as despesas supostamente incorridas, conforme já mencionado na Notificação de Lançamento. Preliminar - nulidade do auto de infração O processo administrativo fiscal é garantia constitucional do contribuinte, de forma que não é exigido qualquer valor pecuniário para discutir matéria no âmbito do Poder Público. Como reza a CRFB/88: Fl. 88DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) O lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituir o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Para instrumentalizar o lançamento fiscal, lavra-se auto de infração, cujos requisitos estão presentes no artigo 10, do decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além dos requisitos supracitados, para que o auto de infração padeça de nulidade, há de verificar a ocorrência de alguma hipótese elencada no artigo 59 do mesmo diploma legal: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 89DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Assim, atendidos os requisitos do auto de infração, afasto a preliminar suscitada. Das despesas médicas As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) Fl. 90DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valer-se de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boa-fé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001-000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocando-o na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecê-lo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente Fl. 91DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Some-se a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazê-lo daquela forma." Ainda, há jurisprudência deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/2009-23 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 2202-01.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Fl. 92DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Feitas estas considerações, às e-fls. 73 há recibo emitido por Humberto Nazareth Costa Júnior no valor de R$1.872,00. Já às e-fls. 74 a 76 já recibos de Rodrigo Lopes Vieira Breijão, no importe de R$ 7.000,00. Por fim, às e-fls. 77 e 78 há recibos de Maria Cristina Soares de Castro no valor de $ 10.000,00. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para afastar a preliminar suscitada e, no mérito, dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas em litígio. Do exame dos autos verifica-se que, apesar da exigência de comprovação do efetivo pagamento apontada pela autoridade lançadora (e-fls. 08/09, 27), o interessado não apresentou nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência entre as suas movimentações financeiras e os recibos por ele acostados, não merecendo reforma a decisão recorrida. Impõe-se observar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos e declarações emitidos pelos profissionais, é lícito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressalte-se que tal exigência não está relacionada à constatação de Fl. 93DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº 9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº 9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº 2401-004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Sendo a dedução de despesas médicas um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe uma forma de pagamento em detrimento de outra. Não obstante, para comprová-los caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que a disponibilidade financeira do interessado, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sendo necessária a vinculação entre as movimentações sucedidas e os recibos por ele apresentados. Fl. 94DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2002-003.212 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 17933.720908/2012-57 Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 95DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 18470.732210/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
Numero da decisão: 2402-008.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos.
Nome do relator: RAFAEL MAZZER DE OLIVEIRA RAMOS

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-02-25T12:32:54Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-02-25T12:32:54Z; Last-Modified: 2020-02-25T12:32:54Z; dcterms:modified: 2020-02-25T12:32:54Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-02-25T12:32:54Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.3.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-02-25T12:32:54Z; meta:save-date: 2020-02-25T12:32:54Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-02-25T12:32:54Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-02-25T12:32:54Z; created: 2020-02-25T12:32:54Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2020-02-25T12:32:54Z; pdf:charsPerPage: 1777; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-02-25T12:32:54Z | Conteúdo => S2-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 18470.732210/2012-31 Recurso Voluntário Acórdão nº 2402-008.158 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de fevereiro de 2020 Recorrente LENISE MARIA VIANNA SECCHIN Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2009 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n° 9.430/96, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente), Márcio Augusto Sekeff Sallem, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Relatório Tratou-se a ação fiscal desenvolvida junto à Lenise Maria Vianna Secchin, ora Contribuinte Recorrente, referente ao ano-calendário 2008, exercício 2009, que resultou no Auto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 22 10 /2 01 2- 31 Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-008.158 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.732210/2012-31 de Infração de fls. 27 a 33, exigindo R$ 147.859,64 de imposto, R$ 110.894,73 de multa proporcional (passível de redução) e R$ 50.656,71 de juros de mora (calculados até 11/2012). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal - TVF (fls. 15 a 21), a Recorrente mantinha conta em conjunto com Roberto Luiz Martins Pereira e Souza, alvo de procedimento fiscal, no qual restou constatada omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, para os quais os cotitulares, regularmente intimados, não comprovaram, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No caso, foi atribuído 50% do montante tido por omitido a cada um dos cotitulares da conta fiscalizada (c/c 8004-7, ag. 2761) - vide tabela de fl. 22. Cientificada do lançamento em 26/11/2012 (AR de fl. 35), a Recorrente autuada, através de seu representante (docs. fls. 45 a 48), apresentou a impugnação de fls. 40 a 44, tempestivamente. A DRJ, quando do julgamento (fls. 162-169), entendeu pela manutenção do lançamento, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2009 SIGILO BANCÁRIO. PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. QUEBRA. SIGILO FISCAL. A legislação em vigor autoriza o Fisco a solicitar diretamente às instituições financeiras informações referentes à movimentação bancária de seus clientes mediante a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, desde que haja procedimento de fiscalização em curso e esta seja precedida de intimação ao sujeito passivo, sendo desnecessária a autorização judicial prévia. Ademais, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei 9.430/96, a partir de 1/1/1997, passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, de forma inconteste, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Insatisfeita, a Contribuinte interpôs recurso voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Relator. Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-008.158 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.732210/2012-31 Da Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Das Alegações Recursais Da Preliminar de Sobrestamento Em recurso, a Contribuinte Recorrente alega que o fundamento do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, é tema de repercussão geral 842, no RE no 855.649-1. Neste caso, não merece acato tal pedido, visto que de acordo com o artigo 62, § 2º, do RICARF (Regimento Interno do CARF), a aplicação se dará quando das decisões definitivas de mérito, o que não ocorreu ainda no mencionado feito acima: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973 - Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ainda, o artigo 62-A, do mesmo diploma, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Neste sentido, voto por não acatar a preliminar e o sobrestamento alegado. Do Mérito O lançamento com base em depósitos ou créditos bancários, que tem como fundamento legal o artigo 42, da Lei n° 9.430 de 1996, consiste numa presunção de omissão de rendimentos contra o Contribuinte titular da conta que não lograr comprovar a origem destes créditos. A citada norma, que embasou o lançamento, assim dispõe acerca da presunção de omissão de rendimentos relativos aos valores depositados em conta cuja origem não seja comprovada: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-008.158 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.732210/2012-31 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A partir da entrada em vigor desta lei, estabeleceu-se uma presunção de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A existência do fato jurídico (depósito bancário) foi comprovada pela fiscalização através dos dados bancários da Contribuinte. Portanto, não há presunção. O que a autoridade fiscal presume, com base em lei e em razão do contribuinte não se desincumbir de seu ônus, é a natureza de tal fato, ou seja, presumir que tal fato (o fato cuja ocorrência foi provada) seja gerador de rendimentos ou proventos de qualquer natureza. Conclui-se, por conseguinte, que a presunção legal de renda, caracterizada por depósitos bancários, é do tipo juris tantum (relativa), ou seja, cabe ao contribuinte a comprovação da origem dos ingressos ocorridos em contas correntes. É a própria lei quem define como omissão de rendimentos esta lacuna probatória em face dos créditos em conta. Deste modo, ocorrendo os dois antecedentes da norma: créditos em conta e a não comprovação da origem quando o contribuinte tiver sido intimado a fazê-lo; o consequente é a presunção da omissão. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar a titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações, esclarecimentos, com vista à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é ônus do contribuinte. Utilizando as palavras de José Luiz Bulhões Pedreira, “(...) o efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” (Imposto sobre a Renda - Pessoas Jurídicas - JUSTEC-RJ-1979 - pág. 806). Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-008.158 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.732210/2012-31 O texto acima reproduzido traduz com clareza os preceitos definidos pelo artigo 36, da Lei n° 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. A comprovação de origem, nos termos do disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430 de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Destaca-se que há necessidade, por parte do contribuinte, de que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não cabendo a “comprovação” feita de forma genérica. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente tão-somente a inquestionável observância do diploma legal. Frise-se que não se trata de considerar os depósitos bancários como fato gerador do imposto de renda, que se traduz na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (artigo 43 do CTN), mas a desproporcionalidade entre o seu valor e o dos rendimentos declarados constitui indício de omissão de rendimentos e, estando o contribuinte obrigado a comprovar a origem dos recursos nele aplicados, ao deixar de fazê-lo, dá ensejo à transformação do indício em presunção. Nesse contexto, pode-se afirmar que os depósitos bancários são utilizados como instrumento de determinação dos rendimentos presumidamente omitidos, não se constituindo, em si, objeto de tributação. O contribuinte deve fazer prova de suas alegações, sob pena de ensejar-se a aplicação do aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito já destacada acima, prevista no artigo 36, da Lei nº 9.784/99. No presente caso, a Contribuinte afirmou em impugnação (fl. 43), enfatizando em recurso, que a movimentação atípica se deu em razão “de um processo trabalhista n.º 00366600- 23.1991.5.01.0021 (Doc. n.º 03) movido por ex-funcionários demitidos por justa-causa contra a sociedade Rio Star Indústria e Comércio Ltda, a conta bancária da referida sociedade estava sob restrições, levando seus sócios a utilizarem suas contas bancárias particulares: uma de titularidade exclusiva do esposo da Impugnante (Bradesco, agência 2761-2, conta-corrente 10700-0) e outra de co-titularidade da Impugnante e de seu esposo (Bradesco, agência 2761-2, conta-corrente 8004-7. A utilização das contas correntes particulares foi a única alternativa encontrada por seus sócios, para possibilitar que a sociedade empresária Rio Star Indústria e Comércio Ltda. pudesse continuar exercendo seu objeto social, além de arcar com as obrigações tributárias”. Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-008.158 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.732210/2012-31 Tentou comprovar as movimentações atípicas apontadas pelo Fisco através de justificativas, ou em alguns casos, com documentos sem qualquer força probatória, tal como destacou a decisão atacada: Às fls. 66 a 69, a contribuinte elaborou planilhas, na qual lista os depósitos questionados pela fiscalização (data e valor), expondo uma justificativa para cada um e indicando, na grande maioria das vezes, documento(s) comprobatório(s) - recibos/notas fiscais, emitidos pela Rio Star (fls. 70 a 84), bem como a indicação do lançamento contábil correspondente à operação no Livro Razão. De pronto, vale ressaltar a fragilidade das justificativas pautadas em recibos assinados tão-somente pelo cotitular da conta fiscalizada, na qualidade de representante da empresa Rio Star. Ora os recibos são documentos particulares e como tais, no contorno jurídico, dão notícias apenas dos fatos e da forma como esses possivelmente teriam ocorrido, mas não fazem prova da efetividade de sua ocorrência (NCPC art. 408), presumem-se verdadeiros apenas em relação aos signatários (NCPC art. 408 e Código Civil art. 219) e valem somente entre as partes neles consignadas, não em relação a terceiros, estranhos ao ato (Código Civil art. 221). No caso em pauta, em que pese a menção de "contrato firmado" em todos os recibos (fls. 70 a 82), a contribuinte não carreou aos autos nenhum desses supostos contratos formalizados com a empresa Servicetech Indústria e Comércio Ltda, que, segundo a impugnante, teria sido responsável por diversos créditos nas contas analisadas. (...) Ao buscar na tabela de fls. 23 a 26, parte anexa do TVF, temos as seguintes descrições das operações: 08/02 - "DEP TRF AUTOAT"; 11/02 - "TRANSF AG CHEQ"; 13/02 - "TED-T ELET EDUARDO DE SOUZA RAMOS"; 25/02 - " TED-T ELET EDUARDO DE SOUZA RAMOS"; 26/02 - "TRANSF AG DINH MARCO ANTONIO PEREIRA A". Vê-se, pois, que a contribuinte busca justificar com um recibo, assinado apenas pelo cotitular da conta, como representante da mencionada empresa, créditos que na tabela de fls. 23 a 26 não têm a identificação do remetente ou tem um remetente sem vinculação aparente com a Servicetech. Ao que parece, são apenas créditos aleatórios, juntados em um único recibo, que nada efetivamente comprova. Vale destacar também que a análise das planilhas juntadas à defesa revela que embora haja correspondência de datas e de valores entre parte das justificativas de origem e os lançamentos do Livro Razão, o mesmo não ocorre em relação às notas fiscais emitidas pela empresa Rio Star. Conforme análise realizada no Processo nº 18470.732208/2012- 62, em nome de Roberto Luiz Martins Pereira e Souza, a conclusão relativa às notas fiscais de fls. 83/84 é a que se segue: (...) À vista do exposto, mesmo que se admitisse a ocorrência da situação narrada na defesa, os elementos juntados aos autos não são suficientes para afirmar com a necessária certeza de que os créditos/depósitos que resultaram na presunção de omissão de rendimentos pertencem à citada pessoa jurídica. No caso, repise-se, não conseguiu a contribuinte demonstrar de forma individualizada a origem dos créditos/depósitos, como requer a legislação. Neste sentido, as alegações da Contribuinte resumem-se a afirmações vagas, que se encontram despidas de qualquer documento de suporte, resumindo-se a declarações unilaterais, as quais não tem força probatória suficiente para serem opostas ao fisco. Em casos semelhantes, esta Turma tem o entendimento pacificado, conforme ementa abaixo: Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-008.158 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 18470.732210/2012-31 Numero do processo: 10882.003385/2010-12 Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 05 23:00:00 BRT 2019 Data da publicação: Tue Dec 17 23:00:00 BRT 2019 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) Ano-calendário: 2006 SIGILO BANCÁRIO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A partir de 10 de janeiro de 1997, com a entrada em vigor da Lei n.° 9.430 de 1996, consideram-se rendimentos omitidos autorizando o lançamento do imposto correspondente os depósitos junto a instituições financeiras quando o contribuinte, após regularmente intimado, não lograr êxito em comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Numero da decisão: 2402-007.823 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (documento assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Paulo Sérgio da Silva, Ana Cláudia Borges de Oliveira, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini e Rafael Mazzer de Oliveira Ramos. Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR Assim, resta claro que a Contribuinte não logrou êxito em comprovar com documentação idônea a origem dos recursos detectados em suas contas, é de se manter o lançamento na forma corno realizado. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Rafael Mazzer de Oliveira Ramos Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10835.002099/2004-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/1970 a 31/07/1990 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. OBRIGAÇÕES DA ELETROBRÁS. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete à 1ª Seção do CARF julgar os recursos voluntários de decisão de primeira instância sobre indeferimento de pedidos de restituição e de compensação de valores pagos a título de empréstimo compulsório, referentes a Obrigações da Eletrobrás. Declinada a competência para julgamento em favor da 1ª Seção do CARF.
Numero da decisão: 3202-000.111
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para julgamento em favor da 1ª Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres

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Numero do processo: 15956.720144/2018-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. PRECLUSÃO. Em procedimento de exigência fiscal o contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que delineia especificamente a matéria a ser tornada controvertida, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de matéria nova não apresentada para enfrentamento por ocasião da impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso voluntário neste particular. ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS. PROCESSUAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE AUTORIZATIVA ARROLADA NAS ALÍNEAS DO § 4.º DO ART. 16 DO DECRETO 70.235 QUE SÃO INTERPRETADAS COMO NORMAS GERAIS DO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DO ADITAMENTO. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235 combinado com o art. 33 do mesmo diploma legal. Neste sentido, somente se autoriza a inovação recursal, isto é, o aditamento do recurso voluntário, dentro das situações expressamente autorizadas pelas alíneas do § 4.º do art. 16 do mesmo diploma processual administrativo, que são normas gerais do processo fiscal. Não estando demonstrada situação autorizativa, não se conhece do aditamento ao recurso voluntário da parte, sendo, portanto, conhecido em parte o recurso, pela não admissibilidade do aditamento com efeito integrativo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. DEVER DE OFÍCIO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo. Se o Relatório Fiscal e os demais elementos probatórios dos autos demonstram de forma precisa a origem dos elementos da regra-matriz de incidência das contribuições previdenciárias e de Terceiros, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, nem em lançamento fiscal insubsistente. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. Inteligência do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. SÚMULA CARF N.º 101. O lançamento é efetuado de ofício pela Administração tributária quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicada a primeira parte do § 4.º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. O reconhecimento de condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, enseja a aplicação da regra decadencial encartada no inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” correspondendo, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PAGAMENTOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTENTE COM A COLABORAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS AOS SEGURADOS COM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. ANUÊNCIA DA COMPANHIA AUTUADA. CESSÃO DE CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COM DENOMINAÇÃO DISTINTA DA EFETIVA NATUREZA. VERBA INTITULADA NA CONTA CONTÁBIL DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) OU EM OUTRA SITUAÇÃO VERBA ALEGADA COMO SENDO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E EM OUTRA OCASIÃO DE VERBA DE INDENIZAÇÃO POR DESLIGAMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TAIS VERBAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. No caso dos autos, da análise das razões da Administração Tributária, conjugada com a documentação trazida à colação, restou comprovada/demonstrada a existência de verbas de natureza remuneratória e distinta da natureza inserida nas notas fiscais inidôneas de prestação de serviços e distinta da natureza como escriturada em conta contábil da Companhia. A parcela paga ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, a título de PLR ou de bônus de contratação, intermediada por interposta pessoa jurídica, suportada por notas fiscais inidôneas de prestação de serviços, com crédito cedido pela suposta prestadora do serviço para recebimento direto pelo segurado com anuência da Companhia autuada, intitulada a verba em conta contábil como participação nos lucros ou resultados, possui natureza remuneratória integrando o salário-de-contribuição. A Lei 10.101 não autoriza o pagamento da denominada PLR com intermédio de interposta pessoa jurídica. Verbas pagas em desacordo com a lei específica integram o salário-de-contribuição. Não caracteriza bônus de contratação, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga com intermédio de interposta pessoa jurídica e, ademais, escriturada em conta contábil de PLR e efetivada no curso da relação de trabalho. Não caracteriza indenização por desligamento, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga por liberalidade, inclusive com intermédio de interposta pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE OBJETIVA. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAR PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E CESSÃO DE CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária, ademais a multa deve ser qualificada, fixando-a, em definitivo, em 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, mantém-se a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADORES DIRETORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA RESPONSABILIDADE. Evidenciado um conjunto fático-probatório de atos tendentes a impedir, retardar, total ou parcialmente, excluir ou modificar o preciso conhecimento da regra-matriz de incidência tributária, ou a correta formação da matéria tributável, com prejuízo à Fazenda Pública, isso configura a prática de atos com violação aos limites da lei e aos limites estatutários ou contratuais de sua atuação, a teor do inciso III do artigo 135 do CTN, devendo-se investigar caso-a-caso a participação de cada Administrador, sendo individual a análise. Cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores diretores da Companhia autuada que, consciente e voluntariamente, de forma individualmente comprovada, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. Observando-se que para um dos diretores não é possível, face ao conjunto probatório dos autos, imputar-lhe a responsabilidade, exonera-se unicamente àquele para quem não há provas do cometimento dos ilícitos. Para os demais, que foram identificadas as condutas específicas e individualizadas apontadas pela fiscalização, mantém-se a responsabilidade.
Numero da decisão: 2202-006.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, vencido o conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS

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Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso voluntário neste particular. ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS. PROCESSUAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE AUTORIZATIVA ARROLADA NAS ALÍNEAS DO § 4.º DO ART. 16 DO DECRETO 70.235 QUE SÃO INTERPRETADAS COMO NORMAS GERAIS DO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DO ADITAMENTO. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235 combinado com o art. 33 do mesmo diploma legal. Neste sentido, somente se autoriza a inovação recursal, isto é, o aditamento do recurso voluntário, dentro das situações expressamente autorizadas pelas alíneas do § 4.º do art. 16 do mesmo diploma processual administrativo, que são normas gerais do processo fiscal. Não estando demonstrada situação autorizativa, não se conhece do aditamento ao recurso voluntário da parte, sendo, portanto, conhecido em parte o recurso, pela não admissibilidade do aditamento com efeito integrativo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. DEVER DE OFÍCIO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo. Se o Relatório Fiscal e os demais elementos probatórios dos autos demonstram de forma precisa a origem dos elementos da regra-matriz de incidência das contribuições previdenciárias e de Terceiros, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, nem em lançamento fiscal insubsistente. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. Inteligência do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. 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INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. No caso dos autos, da análise das razões da Administração Tributária, conjugada com a documentação trazida à colação, restou comprovada/demonstrada a existência de verbas de natureza remuneratória e distinta da natureza inserida nas notas fiscais inidôneas de prestação de serviços e distinta da natureza como escriturada em conta contábil da Companhia. A parcela paga ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, a título de PLR ou de bônus de contratação, intermediada por interposta pessoa jurídica, suportada por notas fiscais inidôneas de prestação de serviços, com crédito cedido pela suposta prestadora do serviço para recebimento direto pelo segurado com anuência da Companhia autuada, intitulada a verba em conta contábil como participação nos lucros ou resultados, possui natureza remuneratória integrando o salário-de-contribuição. A Lei 10.101 não autoriza o pagamento da denominada PLR com intermédio de interposta pessoa jurídica. Verbas pagas em desacordo com a lei específica integram o salário-de-contribuição. Não caracteriza bônus de contratação, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga com intermédio de interposta pessoa jurídica e, ademais, escriturada em conta contábil de PLR e efetivada no curso da relação de trabalho. Não caracteriza indenização por desligamento, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga por liberalidade, inclusive com intermédio de interposta pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE OBJETIVA. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAR PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E CESSÃO DE CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária, ademais a multa deve ser qualificada, fixando-a, em definitivo, em 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, mantém-se a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADORES DIRETORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA RESPONSABILIDADE. 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RECURSO VOLUNTÁRIO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. PRECLUSÃO. Em procedimento de exigência fiscal o contencioso administrativo instaura-se com a impugnação, que delineia especificamente a matéria a ser tornada controvertida, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso voluntário de matéria nova não apresentada para enfrentamento por ocasião da impugnação. Nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso voluntário neste particular. ADITAMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SOLIDÁRIOS. PROCESSUAL. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE HIPÓTESE AUTORIZATIVA ARROLADA NAS ALÍNEAS DO § 4.º DO ART. 16 DO DECRETO 70.235 QUE SÃO INTERPRETADAS COMO NORMAS GERAIS DO PROCESSO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE DO ADITAMENTO. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235 combinado com o art. 33 do mesmo diploma legal. Neste sentido, somente se autoriza a inovação recursal, isto é, o aditamento do recurso voluntário, dentro das situações expressamente autorizadas pelas alíneas do § 4.º do art. 16 do mesmo diploma processual administrativo, que são normas gerais do processo fiscal. Não estando demonstrada situação autorizativa, não se conhece do aditamento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 44 /2 01 8- 00 Fl. 10018DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 recurso voluntário da parte, sendo, portanto, conhecido em parte o recurso, pela não admissibilidade do aditamento com efeito integrativo. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI DE CUSTEIO DA SEGURIDADE SOCIAL. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. LANÇAMENTO. CONFIGURAÇÃO DO FATO GERADOR. DEVER DE OFÍCIO DA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade administrativa, competindo-lhe privativamente constituir o crédito tributário. Observando hipótese sujeita ao lançamento de ofício, fica obrigado a efetivá-lo. Se o Relatório Fiscal e os demais elementos probatórios dos autos demonstram de forma precisa a origem dos elementos da regra-matriz de incidência das contribuições previdenciárias e de Terceiros, não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal, nem em lançamento fiscal insubsistente. Não há que se falar em nulidade quando a autoridade lançadora indicou expressamente a infração imputada ao sujeito passivo e propôs a aplicação da penalidade cabível, efetivando o lançamento com base na legislação tributária aplicável. Inteligência do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto 70.235, de 1972. ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE DETERMINADA QUESTÃO. DESNECESSIDADE. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. CONTAGEM A PARTIR DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA SER EFETUADO. SÚMULA CARF N.º 101. O lançamento é efetuado de ofício pela Administração tributária quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. No caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicada a primeira parte do § 4.º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I, ambos do CTN. Fl. 10019DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 O reconhecimento de condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, enseja a aplicação da regra decadencial encartada no inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial é o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” correspondendo, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016 PAGAMENTOS REALIZADOS POR INTERMÉDIO DE CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INEXISTENTE COM A COLABORAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS JURÍDICAS VINCULADAS AOS SEGURADOS COM EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. ANUÊNCIA DA COMPANHIA AUTUADA. CESSÃO DE CRÉDITOS. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL COM DENOMINAÇÃO DISTINTA DA EFETIVA NATUREZA. VERBA INTITULADA NA CONTA CONTÁBIL DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS (PLR) OU EM OUTRA SITUAÇÃO VERBA ALEGADA COMO SENDO BÔNUS DE CONTRATAÇÃO E EM OUTRA OCASIÃO DE VERBA DE INDENIZAÇÃO POR DESLIGAMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TAIS VERBAS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS E DE TERCEIROS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. No caso dos autos, da análise das razões da Administração Tributária, conjugada com a documentação trazida à colação, restou comprovada/demonstrada a existência de verbas de natureza remuneratória e distinta da natureza inserida nas notas fiscais inidôneas de prestação de serviços e distinta da natureza como escriturada em conta contábil da Companhia. A parcela paga ao segurado empregado ou ao contribuinte individual, a título de PLR ou de bônus de contratação, intermediada por interposta pessoa jurídica, suportada por notas fiscais inidôneas de prestação de serviços, com crédito cedido pela suposta prestadora do serviço para recebimento direto pelo segurado com anuência da Companhia autuada, intitulada a verba em conta contábil como participação nos lucros ou resultados, possui natureza remuneratória integrando o salário-de-contribuição. A Lei 10.101 não autoriza o pagamento da denominada PLR com intermédio de interposta pessoa jurídica. Verbas pagas em desacordo com a lei específica integram o salário-de-contribuição. Não caracteriza bônus de contratação, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga com intermédio de interposta pessoa jurídica e, ademais, escriturada em conta contábil de PLR e efetivada no curso da relação de trabalho. Fl. 10020DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Não caracteriza indenização por desligamento, caracterizando-se como verba remuneratória e integrando o salário-de-contribuição, a parcela paga por liberalidade, inclusive com intermédio de interposta pessoa jurídica. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. OCORRÊNCIA DE SONEGAÇÃO, SIMULAÇÃO E FRAUDE OBJETIVA. PRESENÇA DE INTERPOSTA PESSOA JURÍDICA PARA REALIZAR PAGAMENTOS DE RENDIMENTOS. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS E CESSÃO DE CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. É cabível, por expressa disposição legal, a aplicação da multa decorrente do lançamento de ofício quando formalizada a exigência de crédito tributário pela Administração Tributária, ademais a multa deve ser qualificada, fixando-a, em definitivo, em 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se nas hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502, de 1964. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, mantém-se a qualificação da multa. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF N.º 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. SUJEIÇÃO PASSIVA. ART. 135, III, DO CTN. ADMINISTRADORES DIRETORES. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ANÁLISE INDIVIDUAL DE CADA RESPONSABILIDADE. Evidenciado um conjunto fático-probatório de atos tendentes a impedir, retardar, total ou parcialmente, excluir ou modificar o preciso conhecimento da regra-matriz de incidência tributária, ou a correta formação da matéria tributável, com prejuízo à Fazenda Pública, isso configura a prática de atos com violação aos limites da lei e aos limites estatutários ou contratuais de sua atuação, a teor do inciso III do artigo 135 do CTN, devendo-se investigar caso- a-caso a participação de cada Administrador, sendo individual a análise. Cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores diretores da Companhia autuada que, consciente e voluntariamente, de forma individualmente comprovada, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. Observando-se que para um dos diretores não é possível, face ao conjunto probatório dos autos, imputar-lhe a responsabilidade, exonera-se unicamente àquele para quem não há provas do cometimento dos ilícitos. Para os demais, que foram identificadas as condutas específicas e individualizadas apontadas pela fiscalização, mantém-se a responsabilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 10021DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, vencido o conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Leonam Rocha de Medeiros, Juliano Fernandes Ayres e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário do contribuinte (e-fls. 9.758/9.802) e de Recurso Voluntário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), tendo os Solidários aditado o recurso voluntário deles (e-fls. 9.866/9.890) com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interpostos pelos recorrentes, devidamente qualificados nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (e-fls. 9.603/9.638), proferida em sessão de 30/04/2019, consubstanciada no Acórdão n.º 03-084.570, da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente às impugnações do contribuinte e dos solidários (e-fls. 9.441/9.469 – Contribuinte; e-fls. 9.516/9.548 – Solidários), mantendo-se o crédito tributário originalmente lançado no valor de R$ 122.451.777,52 (e-fls. 9.411/9.412) decorrente de fiscalização referente às contribuições destinadas à Seguridade Social da parte da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e das Outras Entidades e Fundos (Terceiros), cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2016. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. APLICAÇÃO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Na ocorrência de simulação ou de fraude tributária aplica-se a regra decadencial do inciso I do art. 173 do CTN, que prevê o prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. No tocante à relação previdenciária, os fatos devem prevalecer sobre a aparência que, formal ou documentalmente, possam oferecer. Fl. 10022DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. RECLASSIFICAÇÃO DA RELAÇÃO JURÍDICA. PEJOTIZAÇÃO DOS RENDIMENTOS. FRAUDE OBJETIVA. SIMULAÇÃO. O lançamento é efetuado de ofício pelo Fisco quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, simulação ou fraude objetiva por meio do fenômeno da pejotização dos rendimentos (interposição de pessoa jurídica) pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO EM DESACORDO COM A LEI. INCIDÊNCIA. As verbas a título de Participação nos Lucros e Resultados, pagas em desacordo com as regras fixadas pela legislação, pertinente integram o salário de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias e de terceiros. BÔNUS DE CONTRATAÇÃO. PARCELA DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. O pagamento do bônus de contratação ocorre como forma a retribuir os trabalhos prestados na empresa contratante, com determinação contratual de que o mesmo substitui e engloba todas as vantagens que o segurado empregado poderia auferir no exercício de suas funções junto ao contratante, é de se reconhecer à natureza remuneratória da verba, devendo compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias lançadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SONEGAÇÃO OU FRAUDE OBJETIVA. PREVISÃO LEGAL. É aplicável a multa de ofício qualificada (150%) quando caracterizada a prática de sonegação ou fraude objetiva, com o propósito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LEGALIDADE. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ADMINISTRADORES. OCORRÊNCIA. CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. Diante do conjunto fático-probatório evidenciado nos autos, cabe à responsabilização solidária/pessoal dos administradores e diretores da empresa autuada que, consciente e voluntariamente, permitiram ou toleram práticas de ilicitude tributária dentro da empresa, ora com fraude objetiva, ora com sonegação de informações da relação jurídica estabelecida no pagamento de parcela dos rendimentos dos segurados, por meio de interposta pessoa jurídica, para obter os resultados decorrentes do fato gerador sonegado. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Os avisos, intimações e notificações ao contribuinte devem ser efetuados no domicílio tributário do sujeito passivo, que corresponde ao endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do lançamento fiscal O lançamento, em sua essência e circunstância, no Procedimento Fiscal n.º 0816500.2017.01144, tangenciado pela Equipe Especial de Fiscalização 201512 (Operação Lava Jato), para fatos geradores ocorridos nos períodos de apuração de 01/01/2013 a 31/12/2016, com procedimento iniciado em 11/12/2017 (e-fl. 5), com auto de infração juntamente com as peças integrativas devidamente lavrado (e-fls. 9.060/9.077 – Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incluindo GILRAT; e-fls. 9.079/9.112 – Contribuição para Outras Entidades e Fundos, Terceiros), contendo responsáveis tributários conforme demonstrativo de responsabilidade solidária (art. 135, CTN) por excesso de poderes, infração de lei e Estatuto (e- Fl. 10023DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 fls. 9.062/9.063 – Contribuição Previdenciária da Empresa e do Empregador, incluindo GILRAT; e-fls. 9.082/9.083 – Contribuição para Outras Entidades e Fundos, Terceiros), com Relatório Fiscal – Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos (e-fls. 9.116/9.409), com Termo de ciência de lançamentos e encerramento total do procedimento fiscal (e-fls. 9.411/9.412), tendo o contribuinte sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.431), com Termo de ciência de lançamentos e encerramento total do procedimento fiscal – Responsabilidade Tributária lavrado na mesma data do relativo ao da empresa e com mesmo valor de crédito tributário lançado (e-fls. 9.414/9.416 – Wesley Mendonça Batista; e-fls. 9.418/9.420 – Eliseo Santiago Perez Fernandez; e-fls. 9.422/9.424 – Jeremiah Alphonsus O’Callaghan; e-fls. 9.426/9.4228 – Francisco de Assis e Silva), tendo o solidário Wesley Mendonça Batista sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.437, o solidário Eliseo Santiago Perez Fernandez sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.436), o solidário Francisco de Assis e Silva sido notificado em 30/11/2018 (e-fl. 9.435), o solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan sido notificado em 18/12/2018 (e-fls. 9.434 e 9.438/9.439, após transcurso de edital), foi bem delineado e sumariado no relatório do acórdão objeto da irresignação (e-fls. 9.603/9.638), pelo que passo a adotá-lo: Trata-se de lançamento de crédito efetuado por meio de Autos de Infração por descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições destinadas à Seguridade Social, parte patronal (Empresa/empregador) e à parcela do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT/FAP) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como as contribuições destinadas a outras Entidades e Fundos (Terceiros), consolidados em 28/11/2018, como segue. Tributo Período Valor (R$) Contribuição Previdenciária Patronal (Empresa/Empregador) 01/2013 a 12/2016 97.257.269,77 Contribuição Risco Ambiental SAT/GILRAT/FAP 01/2013 a 12/2016 4.396.860,08 Contribuição destinada a outras Entidades e Fundos (Terceiros) 01/2013 a 12/2016 25.194.507,75 Total do Tributado Lançado 126.848.637,60 Do Termo de Verificação Fiscal (TVF) Informa o TVF acerca da origem, natureza e bases de cálculos das contribuições apuradas, o que segue. Relata a fiscalização que a JBS S/A pagou aos seus segurados empregados, celetistas, diretores e gerentes, assim como aos segurados contribuintes individuais, remunerações por meio de contratos simulados com Pessoas Jurídicas vinculadas a estes segurados, de forma a fraudar e sonegar o pagamento correto de suas obrigações previdenciárias. E com o intuito de disfarçar, simular tais pagamentos lançou os valores na sua contabilidade em uma conta contábil com a denominação de PLR – programa de Participação nos Lucros e Resultados. Todavia esses pagamentos não têm qualquer conexão com a verdadeira natureza da rubrica PLR. A JBS simulava contratos de prestação de serviços com empresas vinculadas a seus segurados empregados e contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a esses segurados. Esses pagamentos com a denominação de PLR – programa de Participação nos Lucros e Resultados realizados por meio de contratos simulados com Pessoas Jurídicas vinculadas aos segurados empregados e contribuintes individuais da JBS S/A foram realizados a margem da legislação que rege a PLR (Lei n.º 10.101/2000). Fl. 10024DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Os registros contábeis simulando verbas de Participação nos Lucros e Resultados têm a finalidade de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias, acobertados por uma falsa aparência de normalidade, porque na essência os valores pagos correspondem à remuneração definida como salários de contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias, na forma do art. 22, incisos I, II e III da Lei n.º 8.212/91. Durante o procedimento fiscal, em resposta apresentada pela JBS, a própria empresa admitiu a irregularidade, qual seja, a simulação dos pagamentos efetuados a seus segurados empregados e contribuintes individuais por meio de PJ, “supostas” prestadoras de serviços. Registra que apesar de a JBS S/A utilizar o termo “programa de Participação nos Lucros e Resultados” o recebimento dos valores objeto deste lançamento não encontra respaldo nas normas que regulamentam o Pagamento de Lucros e Resultados para segurados empregados e não há dispositivo legal que ampare pagamento de PLR a contribuintes individuais. Acrescenta que a própria JBS S/A dispõe de um programa de Pagamento de Lucros e Resultados no qual estes mesmos funcionários listados no TVF foram beneficiados, com contabilização correta, declaração em DIRF, recolhimentos do imposto de renda retido na fonte e lançamento nas folhas de pagamento destas rubricas. Conforme discriminado no TVF, as bases de cálculo foram apuradas a partir dos valores das notas fiscais de prestação de serviços emitidas pelas pessoas jurídicas que se relacionaram de forma simulada com a empresa autuada, conforme conta contábil com a denominação de PLR – programa de Participação nos Lucros e Resultados. A JBS apresentou 3 (três) Acordos Coletivos de Trabalho – Programa de Participação nos Resultados referentes aos anos-calendário 2012 e 2013; 2014 e 2015; e 2016 celebrados entre o Sindicato dos Empregados em empresa de Industrialização Alimentícia de São Paulo e Região, para sustentar a alegação de que o pagamento feito a seus diretores, gerentes, administradores aqui relacionados foi a título de PLR. Verificou-se que a JBS pagou a estes segurados empregados, dentro do programa estipulado pelos acordos com o sindicato acima estabelecido, verbas a título de PLR, diretamente pela JBS, sem a intermediação de pessoas jurídicas, e também contabilizado e tributado pela JBS como PLR. Esses valores, por sua vez, também foram informados e corretamente tributados como rendimentos tributáveis nas correspondentes DIRPF, destes segurados e não são objeto deste lançamento. Já os valores pagos pela JBS S/A para as pessoas jurídicas indicadas pelos seus segurados empregados não sofreram a tributação relacionada como pagamento a pessoas físicas, e mais, estes segurados informaram os valores recebidos em suas DIRPF como Lucros e Dividendos distribuídos, e alguns casos, nem informaram estes recebimentos. A JBS também encaminhou 06 (seis) arquivos referentes à apresentação “Programa de Participação nos Resultados – Liderança” (2011 a 2016), programa que teve como característica principal o pagamento ilícito através de contratos simulados com pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados. As apresentações supracitadas tratam, em suma, do objetivo, elegibilidade, regras gerais e metas do programa de cada ano. Ressalta-se que as referidas apresentações fazem menção a BÔNUS e não a PLR. No TVF (item 5 e subitens 5.1 a 5.49), a fiscalização discorreu individualmente sobre os pagamentos efetuados pela JBS a cada um de seus segurados empregados (diretores e gerentes) simulando verbas de Participação nos Lucros e Resultados que, na verdade, são salários de contribuição. Foram listados: nome do segurado empregado, cargo que ocupa na JBS e a pessoa jurídica (e CNPJ) vinculada a cada segurado e os valores pagos. A fiscalização individualizou também a situação de cada segurado contribuinte individual (item 6 do TVF), discorrendo sobre os pagamentos efetuados pela JBS a cada um deles simulando verbas de participação nos lucros e resultados. No Auto de Infração foi aplicada a multa de ofício qualificada (150%), em relação aos pagamentos de PLR intermediados por outras pessoas jurídicas, na forma do art. 35-A da Lei 8.212/1991 c/c o § 1.º do art. 44 da Lei 9.430/1996. Fl. 10025DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Foi imputada responsabilidade solidária e pessoal aos diretores/administradores da empresa autuada Srs. Wesley Mendonça Batista (CPF 364.873.921-20), Eliseo Santiago Perez Fernandez (CPF 412.811.954-72), Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (CPF 012.266.188-55) e Francisco de Assis e Silva (CPF 545.102.019-15), nos termos do inciso III do art. 135 do CTN, por atos praticados por excesso de poderes ou infração de leis. Houve a elaboração de Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP), pela ocorrência, em tese, do delito de sonegação fiscal de contribuição social, capitulado no art. 337-A, inciso III, do Código Penal Brasileiro (com a redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000). Da Ciência do Lançamento Fiscal. O sujeito passivo autuado tomou ciência do lançamento em 30/11/2018, por meio de sua Caixa Postal (fls. 9.432). As pessoas físicas qualificadas como responsáveis solidárias foram cientificados do lançamento e dos respectivos termos de sujeição passiva solidária, via postal, em 30/11/2018: Eliseo Santiago Perez Fernandez; Wesley Mendonça Batista; Francisco de Assis e Silva. Já Sr. Jeremiah Alphonsus O’Callaghan, tomou ciência em 18/12/2018. Da Impugnação ao lançamento A impugnação, que instaurou o contencioso administrativo fiscal, dando início e delimitando os contornos da lide, foi apresentada pelo contribuinte em 26/12/2018 (e-fls. 9.441/9.469) e pelos solidários, estes de forma conjunta (Wesley Mendonça Batista, Francisco de Assis e Silva, Jeremiah Alphonsus O’Callaghan e Eliseo Santiago Perez Fernandez), em 28/12/2018 (e-fls. 9.516/9.548). Em suma, controverteu-se, contribuinte e solidários, na forma apresentada nas respectivas razões de inconformismo (e-fls. 9.441/9.469 – Contribuinte; e-fls. 9.516/9.548 – Solidários), conforme bem relatado na decisão vergastada (e-fls. 9.603/9.638), pelo que peço vênia para reproduzir: Das Impugnações Em 26/12/2018, foi apresentada impugnação da empresa autuada (fls. 9.443/9.469). Em 28/12/2018, foi apresentada impugnação conjunta dos responsáveis solidários, instrumento de fls. 9.516/9.566. As impugnações aduzem, em síntese, o que segue. Impugnação da Empresa JBS S/A Importa registrar que, em essência, no tocante aos tópicos a seguir, tem-se argumentos comuns nas razões e fundamentos das impugnações apresentadas pela empresa JBS S/A e pelos responsáveis solidários. Da Preliminar Da Alegada Afronta ao art. 142 do CTN e Não Incidência de Contribuições Previdenciárias Alegam que os lançamentos são insubsistentes por clara afronta ao artigo 142 do CTN e, portanto, devem ser cancelados. Discorrem sobre o princípio da “prevalência da essência sobre a forma” e concluem que, para fins de tributação, devem ser alcançados os fatos efetivamente praticados pelo contribuinte (ou seja, a “realidade fática” ou a “verdade material”), e não os que “aparentam” terem sido praticados. E, no caso concreto, dizem que [...] (i) na essência, os pagamentos foram efetuados pela Impugnante a título de PLR para segurados empregados e contribuintes individuais, e (ii) que a fiscalização não questionou o programa de Participação nos Lucros e Resultados da Impugnante, de modo que a conclusão é peremptória e categórica: não deve ser admitida a tributação pretendida pelo auto de infração em discussão. Fl. 10026DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Acrescentam que o suposto "ilícito" indicado no Termo de Verificação Fiscal, por si só, não constitui motivação adequada e suficiente para afastar a isenção legal prevista para a PLR e fundamentar a exigência de contribuições previdenciárias, de modo que o auto de infração afronta o disposto no artigo 142 do CTN. Seguem, argumentando que, em homenagem aos princípios da "prevalência da essência sobre a forma" e da "verdade material", a "forma" adotada pela JBS S/A para o pagamento de parte da PLR é absolutamente irrelevante. Pedem que sejam providas as impugnações para cancelar integralmente os autos de infração lavrados. Do Mérito Da Inexigibilidade de Contribuições Previdenciárias sobre a PLR paga pela JBS Sustentam que a natureza jurídica de todos os pagamentos, embora intermediados por outras pessoas jurídicas, é de PLR e, em relação às pessoas físicas cujos CPFs foram listados nas peças de defesa, o pagamento ocorreu uma única vez nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016 (ou receberam um valor inicial mais um complemento) observando as regras da Lei n.º 10.101/00, de modo que deve ser cancelada a exigência de contribuições previdenciárias. Dizem que os pagamentos efetuados a título de PLR pela JBS S/A foram um só, tendo uma parte sido paga diretamente pela autuada (a parte que foi informada na folha de salários) e a parte remanescente intermediada por outras pessoas jurídicas. Aduzem que mesmo no caso em que os pagamentos foram integralmente intermediadas por outras pessoas jurídicas, as pessoas físicas receberam participação nos lucros e resultados apenas em um único mês dos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016. E, uma vez demonstrado que a parcela representativa dos pagamentos observou a periodicidade e o limite previstos na Lei n.º 10.101/00, deve ser reconhecida à isenção prevista na alínea “j” do § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91. Alegam que em todos os casos foram observadas as regras da Lei n.º 10.101/00, de modo que [...] (i) os pagamentos foram efetuados a título de PLR; (ii) o programa de PLR da Impugnante não foi questionado pela fiscalização; e (iii) as referidas pessoas físicas receberam uma única PLR nos anos de 2013, 2014, 2015 e 2016 (valor inicial + complemento), deve ser cancelada a exigência de contribuições previdenciárias. Da PLR Paga aos Contribuintes Individuais Em relação aos 04 contribuintes individuais, alegam que as pessoas físicas (CPF’s ns.º 601.694.359-20, 273.208.668-11, 048.516.828-67 e 024.961.187-24), receberam Participação nos Lucros e Resultados apenas em um único mês do ano de 2014, tendo sido integralmente intermediada por pessoas jurídicas. Sustentam que, embora os pagamentos tenham sido intermediados por pessoas jurídicas, o pagamento da PLR observou as regras da Lei n.° 10.101/00 o que afasta a incidência de contribuições previdenciárias. Argumentam que a PLR paga a contribuintes individuais também está amparada pela regra de isenção prevista na alínea “j” do § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91, porque não há qualquer restrição ou limitação no artigo 7.º da Constituição Federal de 1988 e na Lei n.º 10.101/00. Da Não Incidência de Contribuições Previdenciárias Sobre Bônus de Contratação e Indenização por Desligamento Postulam o afastamento da incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos diretamente pela JBS S/A, uma única vez em 2014, às pessoas físicas: CPF n.º 818.019.639-91, que recebeu diretamente da autuada bônus de contratação e CPF n.º 195.530.718-05, que recebeu indenização pelo seu desligamento da empresa. Para fundamentar tal pretensão, afirmam que tais pagamentos não têm natureza remuneratória do trabalho, os valores pagos a esses segurados não se referem à Participação nos Lucros e Resultados e não foram pagos de forma habitual, de modo que a exigência da contribuição previdenciária deve ser afastada. Dizem que tanto o bônus de contratação, quanto à indenização pelo desligamento, não são frutos de contrato que os relacione com a contraprestação do exercício do trabalho. Informam que [...] o Bônus de contratação é a indenização oferecida pela empresa a um empregado que ela tenha interesse de contratar, pelo abandono que este empregado teria de expectativa de ganhos na atividade anterior. Representa um convite Fl. 10027DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 de risco com prévia indenização para que este empregado aceite a contratação já previamente indenizado, justamente em razão do aceite desse risco, de largar algo estável e certo, ou até mesmo sua autonomia por algo novo (relação de emprego). Em conclusão, dizem que em razão da ausência de habitualidade e por não configurar remuneração advinda do exercício de um trabalho, a CLT não trata do bônus de contratação e o § 9.º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não determina que o bônus de contratação e a indenização pelo desligamento devam compor o salário-de-contribuição. Da Multa de Ofício Qualificada em 150% Alegam a ausência de prova, nos autos, dos fatos necessários para ensejar a qualificação da multa de ofício em 150%. Dizem que a conduta da JBS S/A em assumir a existência de pagamentos efetuados a título de PLR por intermédio de outras pessoas jurídicas e prontamente disponibilizar à fiscalização todas as informações e documentos necessários para a lavratura do auto de infração, não se enquadra nos tipos penais previstos nos artigos 71 (sonegação), 72 (fraude) e 73 (conluio) da Lei n.º 4.502/64. Seguem argumentando que o suposto ilícito, apontado pela fiscalização, não tem impacto no recolhimento de contribuições previdenciárias e não constitui motivação adequada e suficiente para a lavratura de auto de infração, e, com mais razão, para a qualificação da multa de ofício em 150%, a qual deve cancelada. Traz jurisprudência do CARF sobre a matéria. Pedem que seja cancelada a qualificação da multa de ofício em 150%. Da Decadência As Impugnantes afirmam que promoveram o recolhimento de contribuições previdenciárias sobre a folha de salários de modo que os autos de infração estão a exigir supostas diferenças. E, uma vez afastada a acusação fiscal de prática de condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, impõe-se a observância do § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, já que se trata de tributo sujeito ao lançamento por homologação, com pagamento antecipado. Reforçam seus argumentos aduzindo que [...] (i) com o cancelamento da qualificação da multa de ofício em 150%; (ii) havendo pagamento antecipado, nos termos exigidos pela Súmula CARF n.º 99, e (iii) tendo em vista que o auto de infração foi lavrado em 30/11/2018, e tem por objeto supostos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro de 2013, deve ser aplicada a regra do § 4.º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, reconhecendo-se parcialmente a extinção dos créditos tributários pela decadência. Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício Sustentam que não tem fundamento legal a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício quando esta for exigida em conjunto com o tributo supostamente devido (e não isoladamente). Asseguram que, a considerar a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício, quando exigida em conjunto com o tributo, seria admitir contradição aos próprios termos do artigo 161 do Código Tributário Nacional, pois este dispositivo, em sua parte final, além da cobrança dos juros de mora sobre o crédito inadimplido, resguarda a "imposição das penalidades cabíveis" sobre este crédito inadimplido. Frisam que, como parte do crédito tributário autuado versa sobre a cobrança de multa de ofício, é certo que sobre esta penalidade pecuniária não devem ser exigidos os juros de mora, ante a inexistência de dispositivo legal neste sentido. Dos Pedidos Requerem o recebimento e provimento das Impugnações, para cancelar integralmente os autos de infração lavrados. Requerem ainda que, durante todo o curso do presente processo, todas as publicações e intimações sejam realizadas em nome de FABIO AUGUSTO CHILO, OAB/SP 221.616, com escritório profissional sito à Avenida Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguara, São Paulo/SP, CEP 05.118-100. Impugnação dos Responsáveis Solidários (art. 135, inciso III do CTN) Os Srs. Wesley Mendonça Batista, Eliseo Santiago Perez Fernandez, Jeremiah Alphonsus O’Callaghan e Francisco de Assis e Silva, qualificados, nos autos, como Fl. 10028DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 responsáveis solidários, apresentaram impugnação em conjunto, por meio da qual alegam que não pode prosperar a responsabilidade solidária a eles imputada pela Fiscalização, haja vista que não há provas de que os Impugnantes teriam praticado atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, de modo que não há que se falar em obrigação tributária resultante de “seus atos”, o que afasta a responsabilidade preconizada no inciso III do art. 135 do CTN. Seguem argumentando que é indevida a responsabilidade solidária a eles imputada (inciso III do art. 135, do Código Tributário Nacional) porque não há provas, nos autos, de que eles teriam praticado os fatos alegados pela Fiscalização, de modo que não devem ser responsabilizados pelo crédito tributário formalizado contra a pessoa jurídica. Afirmam que não houve qualquer descrição individual e específica das condutas de cada administrador que pudesse caracterizar quaisquer das hipóteses descritas no art. 135 do CTN; que não restou demonstrada de forma clara e precisa a participação efetiva, exclusiva e dolosa dos Impugnantes no sentido de agir pessoalmente/individualmente para a prática das condutas elencadas no relatório; que o não pagamento de tributo não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal dos administradores. Trazem julgados do STJ e do CARF sobre a matéria. Seguem argumentando que para responsabilizar aqueles que exercem administração da sociedade, nos termos do dispositivo supracitado, é necessária a comprovação de que tenha efetivamente praticado atos com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que não ocorreu no caso concreto. Pedem que seja dado provimento a Impugnação para determinar a exclusão dos impugnantes do polo passivo como devedores solidários. Dos Pedidos Requerem o recebimento e provimento da Impugnação para cancelar integralmente o auto de infração lavrado. Também requerem que, durante todo o curso do presente feito, todas as publicações e intimações sejam realizadas em nome de FABIO AUGUSTO CHILO, OAB/SP 221.616, com escritório profissional sito à Avenida Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaguara, São Paulo/SP, CEP 05118-100. Do Acórdão de Impugnação As teses da defesa não foram acolhidas pela DRJ (e-fls. 9.603/9.638), primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram refutadas cada uma das insurgências do contribuinte e dos solidários por meio de razões baseadas nos seguintes tópicos: a) Preliminar de Decadência; b) Preliminar de Afronta ao art. 142 do CTN e Não Incidência de Contribuições Previdenciárias; c) Do Lançamento Relativo aos Segurados Empregados e Contribuintes Individuais; d) Da PLR paga aos Segurados Empregados; e) Da PLR paga aos Contribuintes Individuais; f) Dos Pagamentos Realizados a Título de Bônus de Contratação e Indenização por Desligamento. Alegação de não Incidência de Contribuições Previdenciárias; g) Da Multa de Ofício Qualificada em 150%; h) Da Incidência de Juros de Mora sobre a Multa de Ofício; i) Da Sujeição Passiva Solidária (art. 135, inciso III do CTN); e j) Das intimações. Encaminhamento. Ao final, consignou-se que votava no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, em julgar Improcedentes as Impugnações do contribuinte (JBS S.A.) e dos responsáveis solidários, mantendo-se o crédito tributário exigido e a sujeição passiva solidária imputada aos administradores (inciso III do art. 135 do CTN). Do Recurso Voluntário do Contribuinte No recurso voluntário do Contribuinte, interposto em 05/06/2019 (e-fls. 9.758/9.802), o sujeito passivo reitera termos da impugnação e postula, primeiro, a nulidade da Fl. 10029DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 decisão de piso. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar os autos de infração. Na peça recursal aborda os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Da preliminar de nulidade da decisão por cerceamento do direito de defesa – Ausência de apreciação de argumentos do contribuinte (afronta ao inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972); b) Da insubsistência do lançamento tributário – Afronta ao artigo 142 do CTN; c) Da PLR paga pela recorrente aos segurados empregados; d) Da PLR observância de periodicidade e limite previstos na Lei n.º 10.101, de 2000 (Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, sendo uma parcela informada na folha de salários e a parcela remanescente foi intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, tendo sido integralmente intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR em um determinado mês e o valor complementar em mês subsequente; Pessoas físicas receberam duas vezes PLR, observando o prazo de três meses; PLR paga a contribuintes individuais); e) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre bônus de contratação (Hiring Bonus) e indenização por desligamento; f) Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros – Art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981; g) Improcedência da qualificação da multa de ofício em 150%; h) Da decadência; e i) Subsidiariamente, não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Do Recurso Voluntário dos Solidários No recurso voluntário apresentado em conjunto pelos Solidários, interposto em 06/06/2019 (e-fls. 9.805/9.858), os responsáveis tributários reiteram termos da impugnação e postulam, primeiro, a nulidade da decisão de piso. Subsidiariamente, a reforma da decisão de primeira instância, a fim de cancelar os autos de infração. Na peça recursal abordam os seguintes capítulos para devolução da matéria ao CARF: a) Da ausência de prova dos requisitos necessários para aplicação do art. 135, III, do CTN; b) Da insubsistência do lançamento tributário – Afronta ao artigo 142 do CTN; c) Da PLR paga pela JBS aos segurados empregados; d) Da PLR observância de periodicidade e limite previstos na Lei n.º 10.101, de 2000 (Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, sendo uma parcela informada na folha de salários e a parcela remanescente foi intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR apenas em um único mês, tendo sido integralmente intermediada por PJ; Pessoas físicas receberam PLR em um determinado mês e o valor complementar em mês subsequente; Pessoas físicas receberam duas vezes PLR, observando o prazo de três meses; PLR paga a contribuintes individuais); e) Não incidência de contribuições previdenciárias sobre bônus de contratação (Hiring Bonus) e indenização por desligamento; f) Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros – Art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981; g) Improcedência da qualificação da multa de ofício em 150%; h) Da decadência; e i) Subsidiariamente, não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Do Aditamento do Recurso Voluntário dos Solidários No Aditamento do recurso voluntário (e-fls. 9.866/9.890), apresentado em conjunto pelos Solidários, com documentos (e-fls. 9.893/9.990), em 10/07/2019, os responsáveis tributários alegam questões de ordem pública e o esclarecimento da verdade material. Requerem o reconhecimento da(s) nulidade(s) e a aplicação do REsp Repetitivo n.º 1.101.728 para reconhecer que a responsabilidade veiculada no art. 135 do CTN é subsidiária e não solidária. Fl. 10030DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Superadas as preliminares, reconhecer que os recorrentes não possuíam competência para deliberar sobre pagamentos ou forma de pagamento. Subsidiariamente, se necessário, considerando que os documentos estão na posse da empresa, converter o julgamento em diligência para apurar a realidade dos fatos. Subsidiariamente, afastar, ao menos, o lançamento relativo a contribuintes individuais. Na peça de Aditamento abordam os seguintes capítulos: a) Do cabimento do aditamento; b) Preliminar de nulidade por indevida inovação do critério jurídico da autuação fiscal na decisão da DRJ; c) Preliminar de nulidade por falta de indicação de conduta específica; d) Preliminar de nulidade por incorreto enquadramento da natureza da responsabilidade prevista no art. 135, III, do CTN; e) Improcedência dos argumentos da DRJ – Impossibilidade de imputação de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, indivíduos que não poderiam deliberar sobre a forma de pagamento do PLR; f) Os pagamentos de PLR para empregados; e g) Os pagamentos de PLR para contribuintes individuais. Demais atos do processo e encaminhamento ao CARF Estes autos estão sendo julgados na mesma sessão de julgamento do Processo n.º 15956.720241/2017-11, que decorre do mesmo procedimento fiscal (0816500.2017.01144), tendo sido juntado no caderno processual o Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Parcial daquele procedimento fiscal (e-fls. 6/7). Consta nos autos Termo de Apensação deste feito ao Processo n.º 15956.720145/2018-46 (e-fl. 9.433), Representação Fiscal para Fins Penais. Consta nos autos informação sobre não ter havido requisição dos autos para apresentação de contrarrazões pela PGFN, conforme dossiê 10040.000014/1016-22 (e-fl. 9.991). Em 28/02/2020, próximo ao julgamento, o recorrente principal requereu a juntada aos autos de “parecer” técnico jurídico, tendo sido deferida a juntada. Desde logo, consigno que o parecer será entendido como memoriais. Nele são reiterados os termos da defesa. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo distribuído por sorteio público e eletrônico para este Conselheiro Relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando, primeiramente, o juízo de admissibilidade e, se superado este, o juízo de mérito para, posteriormente, finalizar com o dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator. Admissibilidade do Recurso Voluntário do Contribuinte O Recurso Voluntário não atende a todos os pressupostos de admissibilidade. Fl. 10031DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 O recurso é tempestivo (notificação do Contribuinte em 07/05/2019, e-fl. 9.750, protocolo recursal em 05/06/2019, e-fls. 9.758/9.760, e despacho de encaminhamento, e-fl. 9.860), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. Todavia, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo à preclusão consumativa que se operou quanto à matéria não apresentada na impugnação, não controvertida tempestivamente nos autos e constante como inovação no recurso voluntário, qual seja, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. É que na impugnação essa temática não é questionada. Não há uma só linha tratando do assunto e a DRJ não se pronunciou sobre a matéria. Ora, os arts. 14, 16 e 17 do Decreto n.º 70.235, de 1972, dispõem que: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a impugnação contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo com as matérias julgadas, não se admitindo conhecer de inovação em sede de recurso. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscreve-se ao julgamento de “recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não julgada para enfrentamento em sede de revisão. Se determinada matéria não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, tornando inviável aventá-la em sede de recurso voluntário como uma inovação e, por isso mesmo, a DRJ não se pronunciou sobre tema não suscitado. Sendo assim, conheço em parte do recurso voluntário (e-fls. 9.758/9.802), deixando de apreciar, se necessário for, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. Fl. 10032DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Admissibilidade do Recurso Voluntário dos Solidários, integrado por Aditamento O Recurso Voluntário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), integrado por aditamento (e-fls. 9.866/9.890), não atende a todos os pressupostos de admissibilidade. O recurso voluntário principal dos solidários (e-fls. 9.805/9.858) é tempestivo (notificação do Solidário Eliseo Santiago Perez Fernandez em 09/05/2019, e-fl. 9.752, do Solidário Wesley Mendonça Batista em 10/05/2019, e-fl. 9.757, do Solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan em 04/06/2019, e-fls. 9.753/9.756, do Solidário Francisco de Assis e Silva em 10/06/2019, e-fl. 9.863, protocolo recursal em 06/06/2019, e-fl. 9.805, e despacho de encaminhamento, e-fl. 9.860), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal, bem como resta adequada a representação processual, inclusive contando com advogado regularmente habilitado, de toda sorte, anoto que, conforme a Súmula CARF n.º 110, no processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo, sendo a intimação destinada ao contribuinte. No entanto, o ADITAMENTO (e-fls. 9.866/9.890) apresentado em conjunto pelos Solidários não deve ser admitido, tendo em vista a preclusão consumativa que decorreu da interposição do recurso voluntário originariamente interposto pelos solidários (e-fls. 9.805/9.858). Veja-se que a Súmula CARF n.º 71 permite que todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação possam recorrer, no entanto, se o exercício já foi exercido por um deles, então, para este, opera-se a preclusão consumativa. Neste sentido, conferir: Acórdão n.º 1302-003.356, datado de 23/01/2019 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2007 OMISSÃO – FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA DESCONSIDERAÇÃO DE TESE TRAZIDA COMO ADITAMENTO À RECURSO VOLUNTÁRIO. A falta de declinação dos motivos de fato e direito encerra o acolhimento de embargos de declaração a fim de se construir a respectiva fundamentação e assim sanar a omissão apontada. PROCESSUAL – PRECLUSÃO CONSUMATIVA – INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR APÓS A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DAS HIPÓTESES DO ART. 16, § 4.º, DO DECRETO 70.235 – IMPOSSIBILIDADE. O pedido deve ser compreendido, e limitado, pela causa de pedir efetivamente deduzida pelo contribuinte na primeira oportunidade legalmente prevista, conforme previsão contida no art. 17 do Decreto 70.235, somente se autorizando a inovar dentro das situações expressamente autorizadas pelo art. 16 do mesmo diploma processual administrativo. A despeito de alegar que o aditamento traria exclusivamente questões de ordem pública e temas pertinentes a fatos, no escopo de aclarar a verdade material, os tópicos do aditamento demonstram (conferir parte específica do relatório delineado em linhas pretéritas) que o objetivo do recorrente, através de novo patrono e banca de advocacia, é “reapresentar” o recurso em substituição ao originalmente interposto. Fl. 10033DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Demais disto, para o recurso voluntário originalmente apresentado pelos solidários (e-fls. 9.805/9.858), existe fato extintivo do poder de recorrer relativo à preclusão consumativa que se operou quanto à matéria não apresentada na impugnação dos solidários, não controvertida tempestivamente nos autos e constante como inovação no recurso voluntário dos solidários, qual seja, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. É que na impugnação dos solidários essa temática não é questionada. Não há uma só linha tratando do assunto e a DRJ não se pronunciou sobre a matéria. Sendo assim, conheço em parte do recurso voluntário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), deixando de conhecer do aditamento (e-fls. 9.866/9.890) e deixando de apreciar, se necessário for, a alegação relativa ao pedido subsidiário, caso mantido o lançamento, “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros (art. 4.º, § 1.º, da Lei n.º 6.950, de 1981)”. De toda sorte, eventuais verdadeiras questões efetivamente de ordem pública ou matérias exclusivamente de fato, serão enfrentadas naturalmente na análise do recurso voluntário originário dos solidários (e-fls. 9.805/9.858), assim como se analisará eventual aplicação do Recurso Repetitivo REsp 1.101.728. Apreciação de preliminar antecedente a análise do mérito em relação ao Recurso Voluntário do Contribuinte e dos Solidários - Preliminar de nulidade do lançamento por vício material insanável (Da insubsistência do lançamento tributário – Afronta ao artigo 142 do CTN) Observo que a recorrente e os solidários requereram o cancelamento integral dos autos de infração lavrados, sob o argumento de que os fatos apontados pela fiscalização não seriam suficientes para legitimar e provar a acusação fiscal, isto porque os lançamentos seriam manifestamente insubsistentes por afronta ao art. 142 do CTN. Em suma, entendo que se postulou, em realidade, seja reconhecida a nulidade e cancelados os lançamentos. Alega a defesa, de forma mais direta, invocando o princípio da “prevalência da essência sobre a forma” e da “verdade material”, que o suposto ilícito não constitui motivação adequada e suficiente para afastar a isenção [imunidade] legal prevista para a PLR e fundamentar a exigência de contribuições previdenciárias. Assevera que a autuação se deu por pagamentos efetuados pela JBS (e questionados pela fiscalização), os quais foram intermediados por pessoas jurídicas interpostas. Diz a JBS que: “Na essência, a Recorrente efetuou o pagamento de uma parte da PLR sem o desconto do IRRF. Por isso, o pagamento de parte da PLR foi formalizada e documentada por intermédio de outras pessoas jurídicas.” (e-fl. 9.772; e e-fl. 9.824, solidários) Acrescenta a JBS que (e-fl. 9.773; e e-fl. 9.824, solidários): [O] que precisa ficar absolutamente claro é que, tanto os pagamentos que foram informados nas folhas de salários (e igualmente não tributados pelas contribuições previdenciárias), quanto os pagamentos que, apenas para formalização e documentação, foram intermediados por outras pessoas jurídicas, têm a mesma natureza jurídica e estão Fl. 10034DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 inseridos no mesmo programa de participação nos lucros e resultados mantido pela JBS S/A. Assim, indaga-se: Por qual motivo os pagamentos a título de PLR informados nas folhas de salários estariam sujeitos à isenção de contribuições previdenciárias (como reconhecido pela fiscalização), e os pagamentos a título de PLR que, apenas para fins de formalização e documentação, foram intermediados por outras pessoas jurídicas, não estariam sujeitos à regra de isenção prevista na alínea “j” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91? As ilações indicadas pela fiscalização (e encampadas na r. decisão recorrida) não respondem essa indagação de forma convincente e suficiente. Continua, ainda, sustentando que (e-fl. 9.776; e e-fl. 9.827, solidários): [E]m homenagem aos princípios da “prevalência da essência sobre a forma” e da “verdade material”, a “forma” adotada pela Recorrente para o pagamento de parte da PLR é absolutamente irrelevante e também não encontra óbice na Lei n.º 10.101. Além disso, a conduta consistente na formalização e documentação de parte da PLR por intermédio de outras pessoas jurídicas, quando muito, teria implicado o não recolhimento de IRRF e, desse modo, deve repercutir nas pessoas físicas, não constituindo, portanto, causa suficiente para exigência de contribuições previdenciárias da Recorrente, até porque, repita-se, o programa de participação nos lucros e resultados mantido pela Recorrente não foi questionado pela fiscalização. Cabe repetir que a Recorrente tem notícia de que as pessoas físicas sofreram a lavratura de autos de infração (o que, aliás, pode ser confirmado pela própria Receita Federal do Brasil), justamente para formalizar a exigência do IRPF sobre a parte da PLR intermediada por outras pessoas jurídicas, inclusive acrescida da multa de ofício qualificada em 150% e dos juros de mora. Se assim é, o suposto “ilícito” já teria sido reparado mediante a lavratura de autos de infração contra as pessoas físicas e a exigência do único imposto que incidia nos pagamentos efetuados a título de PLR pela Recorrente. Pois bem. Inicialmente, afirmo que a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa”, regulamentada atualmente pela Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, é de vital importância à integração entre capital e trabalho. A referida verba denominada abreviadamente de PLR tem nascedouro, inclusive, antes mesmo da Constituição de 1988. Aliás, no momento antecedente a sua regulamentação, a partir da Medida Provisória n.º 794, de 1994, inexistia não incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba 1 , de toda sorte, o constituinte originário, objetivando incentivar ainda mais a prática pelos empregadores, previu a possibilidade de lei regulamentadora instituir a benesse aos empregados com não incidência da contribuição previdenciária. Dito isto, afirmo que a fiscalização constatou (e o fato não é negado pela defesa) que alguns segurados empregados e alguns segurados contribuintes individuais receberam “pagamentos” via pessoas jurídicas interpostas e tais valores tiveram suas saídas escrituradas contabilmente na escrita da JBS como PLR, ainda que suportadas em notas fiscais das interpostas pessoas. 1 Deveras, o Supremo Tribunal Federal, no RE n.º 569.441 (Tema 344 da Repercussão Geral/STF), confirmou a eficácia limitando ao consolidar o entendimento da não incidência da contribuição previdenciária sobre a referida verba somente após a regulamentação do artigo 7.º, inciso XI, da Constituição Federal, o que se deu após o advento da MP n.º 794, de 1994, a qual, após sucessivas reedições, inclusive com mudança de numeração, foi, finalmente, convertida na Lei n.º 10.101, de 2000, atualmente em vigor. Foi firmada a tese: "Tema 344 da Repercussão Geral/STF. Incide contribuição previdenciária sobre as parcelas pagas a título de participação nos lucros no período que antecede a entrada em vigor da Medida Provisória 794/1994, que regulamentou o art. 7.º, XI, da Constituição Federal de 1988." Fl. 10035DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Tais pagamentos de PLR ocorreram via pessoas jurídicas interpostas (chamadas pela fiscalização de “noteiras”), as quais emitiam notas fiscais de prestação de serviços (que não ocorreram e não tinham suporte em qualquer contrato) 2 tendo a JBS (Recorrente) como tomadora dos serviços e esta efetuava os pagamentos para os segurados (empregados ou contribuintes individuais) por “suposta conta e ordem das noteiras”, uma vez que “era apresentado para o setor financeiro da JBS” um “instrumento particular de cessão de direitos creditícios”, firmado entre o segurado e a respectiva noteira relacionada, tudo com anuência da JBS (da sua Administração). Mesmo o caso do suposto pagamento de Bônus de Contratação (Hiring Bonus), que a defesa diz estar correto e ser igualmente objeto do lançamento, a resposta dá conta também do pagamento da tal PLR intermediado por interposta pessoa jurídica para o segurado recebedor do dito bônus (e-fls. 5.981/6.001, 6.006/6.007 e 6.019/6.020 – Segurado “Gilmar Schumacher”) e o tal bônus foi contabilmente escriturado na conta contábil destinado aos tais pagamentos de PLR. Diante de tais apontamentos e face aos autos de infração com a descrição dos fatos relacionados à apontada infração, substanciados por seus elementos integrativos, como, por exemplo, o fundamento legal, o demonstrativo de apuração, o demonstrativo de multa e juros de mora, o demonstrativo dos responsáveis tributários (solidários) e o relatório fiscal, além dos documentos colacionados, entendo que inexiste nulidade. É que estando à fiscalização, em procedimento administrativo regular, convencida da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária (pagamentos que a autoridade administrativa entende serem sujeitas à incidência de contribuições) e tendo, a partir desta ótica, determinado a matéria tributável, calculado o montante do tributo devido, identificado o sujeito passivo e os responsáveis e proposto a aplicação da penalidade cabível, então agiu conforme lhe ordena a lei na sua atividade privativa, vinculada e obrigatória, aliás, se não o fizesse, estaria sujeita a pena de responsabilidade funcional. Se o lançamento deve ser cancelado, ou não, é caso de análise meritória a ser enfrentado em breve no decorrer deste voto. De mais a mais, obiter dictum, não há que se falar em nulidade ou mesmo em cerceamento ou preterição do direito de defesa quando a autoridade lançadora indicou expressamente as infrações imputadas ao sujeito passivo e observou todos os demais requisitos constantes do art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, reputadas ausentes às causas previstas no art. 59 do mesmo diploma legal, ainda mais quando, efetivamente, mensurou motivadamente os fatos que indicou para imputação, estando determinada a matéria tributável, tendo identificado o “fato imponível”. O relatório fiscal, em conjunto com os documentos acostados, atendeu plenamente aos requisitos estabelecidos pelo art. 142, do CTN, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal (Decreto n.º 70.235/1972), pois descreve os fatos que deram ensejo à constituição do apontado crédito tributário, caracterizando-os como fatos geradores e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento. 2 Simulação de serviços. Fl. 10036DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Ou, em outras palavras, o auto de infração está revestido de todos os requisitos legais, uma vez que o fato gerador foi minuciosamente explicitado no relatório fiscal, a base legal do lançamento foi demonstrada e todos os demais dados necessários à correta compreensão da exigência fiscal e de sua mensuração constam dos diversos discriminativos que integram a autuação. Além disto, houve a devida apuração do quantum exigido, indicando-se os respectivos critérios que sinalizam os parâmetros para evolução do crédito constituído. A fundamentação legal está posta e compreendida pelo autuado e pelos responsáveis, tanto que exerceram seus respectivos direitos de defesa bem debatendo o mérito do lançamento. A autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum quanto às provas que identificam a subsunção do caso concreto à norma tributante, estando os autos bem instruídos e substanciados para dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Os fundamentos estão postos, foram compreendidos e a recorrente e os solidários exerceram claramente o direito de defesa rebatendo-os, a tempo e modo, em extenso arrazoado para o bom e respeitado debate. Discordar dos fundamentos, das razões do lançamento, não torna o ato nulo, mas sim passível de enfrentamento das razões recursais no mérito. Em suma, não é acertado afirmar que houve violação ao art. 142 do CTN, tampouco é razoável alegar que não há motivação adequada e suficiente ao apontar os fatos geradores indicados nos autos de infração. Além disto, não resta comprovado nos autos qualquer prejuízo para a defesa. Sendo assim, rejeito a preliminar de nulidade. - Preliminar de nulidade da decisão por cerceamento de defesa – Ausência de apreciação de argumentos do contribuinte (afronta ao inciso II do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972) Observo que a defesa requer a declaração da nulidade do acórdão de piso, sob alegação de cerceamento de defesa, por não enfrentamento de supostas todas questões postas ao debate. Diz que comprovou a observância da Lei 10.101 e a periodicidade, assim como a ausência de habitualidade e não teria havido pronunciamento sobre os tópicos específicos. Pois bem. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Primeiro, eventual erro no julgamento, na interpretação do direito, seria caso, se efetivamente existisse, de reforma da decisão, não de nulidade, sendo tema de mérito. Segundo, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão, tendo encontrado motivo suficiente para a posição adotada. Aliás, lendo o Termo de Verificação Fiscal juntado aos autos, bem como a impugnação e confrontando-se eles e os demais elementos dos autos com a decisão de piso, constato que, diante do litígio instaurado, a decisão hostilizada enfrentou todas as questões postas a sua apreciação externando as suas razões para firmar sua livre convicção e tecer seu dispositivo. Aliás, entendeu-se que os pagamentos realizados não tem natureza jurídica de PLR, apesar da alegada natureza. Fl. 10037DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Não observo error in procedendo do julgador de piso ou mesmo da fiscalização no ato de efetivar o lançamento, aliás a fiscalização bem fundamentou o ato exarado e a decisão de piso apreciou a lide nos pontos fundamentais para tecer seu julgamento. Quando muito, as alegações do recorrente estão ligadas a um suposto error in iudicando da decisão de piso, no que seria um possível equívoco no interpretar o direito positivo face as provas coligidas no caderno processual, portanto não é caso de nulidade da decisão de primeira instância, mas sim, se for a hipótese, de reforma da decisão. Nesta toada, o eventual error in iudicando é enfrentado no debate traçado quanto ao mérito recursal, frente aos argumentos de mérito delineados pela defesa no seu recurso voluntário bem concatenado com muitas laudas de exposição argumentativa. Outrossim, registro que, conforme lição da jurisprudência uníssona do STJ, o julgador não está "obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão." (AgInt no REsp 1662345/RJ, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/06/2017, DJe 21/06/2017). Isto é, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma questão, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado para a questão enfrentada. Ou, em outras palavras, o julgador não está obrigado a responder, um a um, a todos os argumentos apresentados pelo interessado, contanto que se baseie em motivo suficiente para fundamentar a decisão da respectiva questão. Veja-se que a matéria controvertida foi totalmente julgada pelo juízo a quo, inexistindo, inclusive, qualquer omissão. Eventual inconformismo é caso de debate no mérito. O fato é que inexiste nulidade, não há cerceamento de defesa ou violação ao devido processo legal. Aliás, a autuação e o acórdão de impugnação convergem para aspecto comum interpretativo quanto as provas analisadas, estando os autos bem instruídos e substanciados para a dá lastro a subsunção jurídica efetivada. Em suma, não observo preterição ao direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Não constato qualquer nulidade, pois verifico, isto sim, que, pela motivação consignada na decisão recorrida, é possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas. Depreende-se do acórdão que houve o pronunciamento de forma adequada e suficiente sobre as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na impugnação, adotando-se decisão bem delineada quanto as suas conclusões. Portanto, trata-se de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Entendeu-se que sequer natureza de PLR possuíam os pagamentos, tampouco natureza de hiring bonus ou de indenização por desligamento. Este é o ponto com o qual não quer se conformar a defesa. De acordo com a peça recursal, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão. Não há error in procedendo, eis a conclusão preliminar. Sem razão o recorrente neste capítulo, rejeito a preliminar. Doravante, passo a analisar o mérito e capitular os temas de enfrentamento, a meu modo, sem prejuízo ao enfrentamento de todas as questões necessárias ao julgamento. Fl. 10038DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 22 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Mérito em relação ao Recurso Voluntário do Contribuinte e dos Solidários Quanto ao juízo de mérito, passo a apreciá-lo. Inicialmente, conheço da temática envolvendo a decadência, por ser uma prejudicial de mérito. - Decadência A defesa advoga que se operou a decadência. Informa-se que os autos de infração foram lavrados em 30/11/2018 e tem no incluso objeto da autuação supostos fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro de 2013. Alega-se que deve ser aplicado ao caso concreto o § 4.º do art. 150 do CTN 3 , pois houve pagamento antecipado e o tributo é sujeito a lançamento por homologação, não podendo se reconhecer condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. Especificamente, relato que a JBS foi notificada em 30/11/2018 (e-fl. 9.431), os solidários Wesley Mendonça Batista, Eliseo Santiago Perez Fernandez e Francisco de Assis e Silva foram notificados em 30/11/2018 (e-fls. 9.437; 9.436; 9.435; respectivamente) e o solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan foi notificado em 18/12/2018 (e-fls. 9.434 e 9.438/9.439, após transcurso de edital). Os fatos imponíveis são das competências 01/2013 a 12/2016. A tese da decadência é alegada para englobar apenas as competências 01/2013 a 12/2013. Pois bem. Conforme se lê na preliminar exposta em linhas pretéritas, que, doravante, deve ser parte integrante deste capítulo, observa-se que a JBS ordenou a segurados com ela relacionados (empregados e contribuintes individuais) que obtivessem “notas fiscais” junto a interpostas pessoas jurídicas (terceiras) relacionadas a eles (segurados empregados e contribuintes individuais), a fim de “efetu[ar] o pagamento de uma parte da PLR sem o desconto do IRRF. Por isso, o pagamento de parte da PLR foi formalizada e documentada por intermédio de outras pessoas jurídicas.” (e-fl. 9.772; e e-fl. 9.824, solidários) Por conseguinte, a própria JBS reconhece que os pagamentos efetivados, que denomina de PLR, foram formalizados e documentados por intermédio de outras pessoas jurídicas. Some-se a este fato a circunstância da JBS admitir ser a “tomadora dos serviços” em tais “notas fiscais” e anuir com a suposta ordem das “noteiras” para efetuar o pagamento do valor diretamente as partes relacionadas com a JBS (seus empregados e contribuintes individuais), por força de vários contratos denominados de “instrumento particular de cessão de direitos creditícios”, firmado este entre o segurado (empregados e contribuintes individuais ligados a JBS) e a respectiva noteira relacionada. Com a devida vênia, tais anatematizados procedimentos, sempre adotados com anuência e determinação da JBS, apresentam-se dentro dos contornos das normas que se nega a incidência (arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964). 3 Art. 150, § 4.º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 10039DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Veja-se, durante a fiscalização, a quase totalidade dos segurados instados a se manifestar confirmaram que recebiam a tal “PLR” por intermédio de terceiras pessoas jurídicas (conferir como exemplo da referida resposta às e-fls. 5.565/5.566 e 5.579/5.581 – resposta de um dos administradores da JBS, Francisco de Assis e Silva, arrolado como responsável solidário, inclusive, que, também, recebia tal rubrica sob o referido impróprio procedimento) e a maior parte afirmou que o ocorrido se deu por diretriz da JBS e que não se sabe o motivo da Companhia ter tomado tal decisão (e-fls. 4.049/4.050; 4.153/4.154; 4.307/4.308; 4.319/4.321; 4.369/4.370; 4.470/4.471; 4.554/4.555; 4.659/4.660; 5.244/5.245; dentre diversas outras respostas com igual ou similar conteúdo). Na parte da suposta indenização de desligamento, o beneficiado também fez uso de terceiras pessoas jurídicas e diz ter sido por ordem da JBS (e-fls. 4.269/4.270; 4.276/4.279). Para mera exemplificação, veja-se o teor das seguintes respostas: e-fls. 5.565/5.566: e-fls. 5.244/5.245: Fl. 10040DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Houve quem respondesse que a JBS reconhecerá em seus assentamentos tratar-se de PLR pagos por atingimento de metas e que retificará a DIRF, bem como recolherá ou compensará o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com juros e multa (75%) e que a pessoa jurídica interposta retificará sua apuração, excluindo os lançamentos contábeis relativos às notas fiscais de serviços não efetivamente prestados e retificará as obrigações acessórias e, ao seu turno, o segurado pessoa física retificará a Declaração de Ajuste Anual, conforme novo informe de rendimentos a ser disponibilizado pela JBS (conferir como exemplo da referida resposta às e-fls. 5.270/5.271 – resposta de um dos administradores da JBS, Eliseo Santiago Perez Fernandez, arrolado como responsável solidário, inclusive, que, também, recebia tal rubrica sob o referido impróprio procedimento). Interessante observar uma das respostas dada para a fiscalização, por uma das empresas noteira (e-fls. 5.708/5.709), leia-se, verbo ad verbum: Item 01: Cópia em meio digital, arquivo em PDF, do Contrato Social e respectivas Alterações; Item 02: Esclarece que não houve serviços prestados a JBS S/A; Item 2.1: Cópia em meio digital, arquivo em PDF de notas fiscais emitidas pela empresa conforme discriminado abaixo: NF n. Data Valor R$ Destinatário CNPJ 142 31/03/2012 50.000,00 JBS S/A 02.916.265/0109-80 143 04/04/2012 45.000,00 JBS S/A 02.916.265/0109-80 144 04/04/2012 45.000,00 JBS S/A 02.916.265/0109-80 466 30/04/2013 100.000,00 JBS S/A 02.916.265/0027-07 Item 2.2: Não existe contrato de prestação de serviços; Item 2.3: Como não houve prestação de serviços não temos descrição detalhada de serviços; Item 2.4: Não tendo sido contratados os serviços, não há relação por serviços, também não temos profissionais da JBS S/A responsáveis pela contração e nem o recebimento por serviços prestados; Item 2.5: Não há relação de valores recebidos, pois os serviços não foram prestados; Item 2.6: Não há documentos que comprovem o ingresso, pois os serviços não foram prestados e os valores não foram recebidos; A empresa desde sua abertura em 11/07/1988 nunca emitiu um só documento que não tenha respaldo em serviços prestados, com exceção a estes acima relacionados a pedido do SR. GERSON ANTONIO BALENA, CPF 460.218.339-53, com o qual foi firmado INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE CRÉDITO (não temos cópia) para o mesmo receber o valor correspondente junto a JBS S/A, tendo o mesmo reembolsado os custos dos impostos devidamente recolhidos referente a emissão das Notas Fiscais. Grifo adicionado Como alhures asseverado, mesmo o caso do suposto pagamento de Hiring Bonus, que a defesa pondera ser acertado, a resposta dada para a fiscalização informa o pagamento da tal PLR intermediado por interposta pessoa jurídica para o segurado recebedor do mencionado bônus (e-fls. 5.981/6.001, 6.006/6.007 e 6.019/6.020 – Segurado “Gilmar Schumacher”) e o chamado “bônus de contratação” foi escriturado na conta contábil dos pagamentos de PLR, o que destoa de um “bônus de contratação”. Por conseguinte, o escrutínio efetivado demonstra que as notas fiscais inidôneas, emitidas pelas interpostas pessoas jurídicas prestadoras de serviços, não se coadunam com a Fl. 10041DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 25 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 mens legis e tampouco podem ser desconsideradas. Tais documentos fiscais foram, de modo bastante evidente, lançados dolosamente, pretendendo dissimular rendimentos de trabalho assalariado (segurados empregados) ou pagamentos para pessoas físicas sem vínculo empregatício (segurados contribuintes individuais), tendo simulado a prestação de serviços por várias empresas, a fim de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador ou o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Observa-se que, enquanto a escrita fiscal da JBS, apontava o pagamento efetivado nas condições acima como “PLR”, a documentação fiscal anuída pela Companhia e que dava lastro a efetivar a escrituração contábil e fiscal informava a prestação de serviços para interpostas pessoas jurídicas, sem que qualquer serviço tivesse sido tomado, pagando-se aos segurados empregados e contribuintes individuais por força dos denominados “instrumento particular de cessão de direitos creditícios”. Disfarçava-se o recebimento das pessoas físicas por supostos e inexistentes serviços prestados por pessoas jurídicas e, também, disfarçava-se a tributação dos pagamentos para as pessoas físicas com a escrituração em conta contábil denominada de “PLR”, invocando-se condição de não incidência pela suposta natureza da verba escriturada. Por conseguinte, é acertada a conclusão da fiscalização ao apontar simulação, fraude e sonegação, bem como a decisão vergastada ao atestar a correção da autoridade fazendária, de modo que, para fins de decadência, aplica-se o art. 173, I 4 , combinado com a parte final do § 4.º do art. 150 do CTN (relativo à ressalva “salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”). Neste sentido, inexiste decadência em relação à JBS, notificada em 30/11/2018 (e-fl. 9.431), bem como no que tange aos solidários Wesley Mendonça Batista, Eliseo Santiago Perez Fernandez e Francisco de Assis e Silva, notificados em 30/11/2018 (e-fls. 9.437; 9.436; 9.435; respectivamente), assim como para o solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan notificado em 18/12/2018 (e-fls. 9.434 e 9.438/9.439, após transcurso de edital), haja vista que, se os fatos geradores são das competências 01/2013 em diante e como é aplicado o art. 173, I, do CTN, não houve atingimento pela decadência. Isto porque, conforme disciplina o Recurso Repetitivo n.º 973.733 (Tema Repetitivo 163) 5 , que interpretou as normas acima apontadas, “[o] dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. Inclusive, este é o entendimento consolidado na Súmula CARF n.º 101, na qual se observa como uns dos Precedentes o Acórdão n.º 9202-003.067, que cuida de contribuições sociais previdenciárias. Eis o teor do enunciado da Súmula CARF n.º 101, verbis: “Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 5 O Tema Repetitivo 163 do STJ fixou a tese jurídica: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Fl. 10042DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Vinculante, conforme Portaria MF n.º 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Logo, se o fato imponível mais antigo é relativo à competência fiscal 01/2013 (fato gerador considerado efetivado em 31/01/2013), o termo a quo é 1.º de janeiro de 2014 e o termo ad quem, para constituir o lançamento de ofício relativo a tal competência, é 31/12/2018 6 . Por conseguinte, não há decadência alguma. Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Inexigibilidade de contribuições previdenciárias sobre a PLR paga aos segurados da contribuinte recorrente. Periodicidade e Limites da Lei 10.101 A defesa sustenta que os pagamentos efetuados, por intermédio de interpostas (terceiras) pessoas jurídicas, são, em verdade, PLR paga aos seus segurados. Invoca os princípios da “prevalência da essência sobre a forma” e da “verdade material”. Justifica que, independentemente da “forma utilizada”, os pagamentos têm a natureza jurídica de PLR. Argumenta que pessoas físicas apresentadas em tabela (e-fls. 9.783/9.784) receberam PLR apenas em um único mês de 2013, de 2014, de 2015 e de 2016, sendo uma parcela informada na folha de salários e a parcela remanescente foi intermediada por pessoa jurídica interposta, de modo que houve um único pagamento no ano de referência, estando respeitada a Lei n.º 10.101, de 2000. Sustenta que a parcela em folha não foi contestada pela fiscalização, de modo que a parcela intermediada por terceiros deveria ser aceita de igual modo, pois tem a mesma natureza jurídica, sendo isso que importa. Pondera que o pagamento realizado uma única vez pode ser considerado ganho eventual, o que, também, fundamenta o afastamento da tributação em espécie. Continua asseverando que pessoas físicas listadas em tabela (e-fl. 9.785) receberam PLR apenas em um único mês intermediadas por interposta pessoa jurídica, de modo que houve um único pagamento no ano de 2013, de 2014, de 2015 e de 2016, estando respeitada a Lei n.º 10.101, de 2000. Sustenta que, na essência e muito embora intermediados por outras pessoas jurídicas, os pagamentos foram efetuados a título de PLR, e que o seu programa de PLR não foi questionado pela fiscalização. Reitera que o pagamento realizado uma única vez pode ser considerado ganho eventual, o que, também, fundamenta o afastamento da tributação em espécie. Prossegue comentando que outras pessoas físicas listadas em tabela (e-fls. 9.785/9.786) receberam PLR em um determinado mês e em mês subsequente complementou o valor da PLR, intermediado através de pessoa jurídica, nos anos de 2013, de 2014, de 2015 e de 2016, deste modo não se pode alegar inobservância de periodicidade mínima de 3 (três) meses entre os pagamentos. O que teria ocorrido seria o pagamento da PLR em um determinado mês e o complemento do seu valor em mês subsequente, tendo em vista reapuração realizada. Sustenta que, na essência e muito embora intermediados por outras pessoas jurídicas, os pagamentos 6 Importante anotar que o ano fiscal, pela legislação, coincide com o ano-base ou com o exercício social ou exercício financeiro, que começa no dia 1.º de janeiro e termina no dia 31 de dezembro de cada ano. Por isso, o prazo fatal do lustro decadencial não é 1.º de janeiro de 2018, mas sim 31/12/2017 (na referida data encerra-se a contagem do quinto ano-fiscal). A contagem é por ano-fiscal e não por ano-civil em matéria tributária. Fl. 10043DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 foram efetuados a título de PLR, e que o seu programa de PLR não foi questionado pela fiscalização. Reitera que o pagamento realizado uma única vez pode ser considerado ganho eventual, o que, também, fundamenta o afastamento da tributação. Aduz que pessoas físicas listadas em tabela (e-fls. 9.787) receberam duas vezes PLR nos anos de 2013, de 2014 e de 2015 intermediado por pessoa jurídica, observando, no entanto, o prazo de três meses entre os pagamentos, de modo que, igualmente, observou a Lei n.º 10.101. No mais, reitera as conclusões das colocações antecedentes. Por último, em relação aos pagamentos efetivados aos 4 (quatros) contribuintes individuais 7 , via interpostas pessoas jurídicas, mas com natureza jurídica alegada de PLR, advoga que a Lei n.º 10.101 não exclui os contribuintes individuais e que a regra da isenção da alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, de igual modo, também não o fez. A Constituição não teria feito qualquer diferença entre o segurado empregado e o contribuinte individual. Diz que não deveria haver discriminação. Pois bem. Como consignei alhures, a “participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa”, regulamentada atualmente pela Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, é essencial à integração entre capital e trabalho. A citada rubrica “PLR” teve origem antes mesmo da Carta Política de 1988 e, na época do seu nascedouro, não gozava da benesse da não incidência da contribuição previdenciária, de toda sorte, a Constituição Cidadã, pretendendo incentivar a prática pelos empregadores, prescreveu a possibilidade de lei regulamentadora instituir a benesse aos empregados com a não incidência da tributação sobre os valores pagos a tal título. Tenho que afirmar, inclusive, que a regra de imunidade tornada eficaz na combinação da alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212 com a lei específica, que disciplina a PLR, é somente a Lei n.º 10.101. Após tal digressão, cabe ponderar que a lei regulamentadora, a específica Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, em nenhum momento admitiu o pagamento de PLR via pessoas jurídicas interpostas, denominadas pela fiscalização de “noteiras”, numa “estranha” sistemática de “pejotização”, não sendo o pagamento, formalmente, efetivado pelo empregador, mas pela pessoa jurídica interposta, que emitia nota fiscal inidônea e cedia o crédito com anuência da JBS, procedimento com cariz mendaz e incompreensível se for concebido a autuada como Companhia listada na B3 (Bolsa de Valores), tendo suas ações integrando o Índice Bovespa, fato que é público e notório. Ademais, a Lei regulamentadora da PLR, também, não admitiu o pagamento para segurados contribuintes individuais, haja vista que o art. 2.º do referido diploma legal prescreveu negociação apenas entre empresa e seus empregados, não compreendendo os segurados contribuintes individuais. Vale dizer, na eleição de seus beneficiários o art. 2.º do referido diploma legal determinou a celebração dos planos via negociação entre dois polos distintos "empresa" x "empregados". Decerto, neste contexto, não se aplica o benefício para contribuintes individuais, ainda que sejam partes relacionadas com os empregadores. 7 CPF’s ns.º 601.694.359-20, 273.208.668-11, 048.516.828-67 e 024.961.187-24. Fl. 10044DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Entendo, portanto, que não assiste razão a defesa, uma vez que, a despeito dos argumentos, não concordo com a tese de que a “natureza jurídica” de tais pagamentos, intermediados por interpostas pessoas jurídicas, seja de PLR ou que os segurados contribuintes individuais, ou mesmo os segurados empregados, tenham recebido um verdadeiro PLR no âmbito do objeto da autuação. Não visualizo no escopo da Lei n.º 10.101, de 2000, com suas alterações, essa permissão (de recebimento de PLR via interpostas pessoas jurídicas). Ao meu olhar, o modal deôntico para tal conduta é proibitório, inclusive ao se substanciar das demais normas integrativas do sistema jurídico tributário pátrio. O princípio da essência sobre a forma ou da verdade material, a meu sentir, não são aplicados para subsidiarem situações contrárias à boa-fé objetiva ou ao sistema jurídico. Tais princípios objetivam garantir a prevalência da boa-fé e da correta aplicação das normas. Não pode haver distorção para com base neles se pretender “criar” uma situação “cômoda” para o violador de regras e normas jurídicas tributárias. Permissa venia, não posso compreender que a emissão de notas fiscais inidôneas, que lastrearam o constatado nefasto procedimento, tenham o condão de substanciarem, ao ser retirado o seu véu e, com isso, serem “desvendados os atos” e afastada qualquer possibilidade de denúncia espontânea, uma natureza jurídica de PLR aos pagamentos efetivados nesta perfídia sistemática operacional. A pretensão dos recorrentes ao seu alvedrio argumentativo, em minha análise, com a devida vênia, não se mostra crível. Não é verossímil. Não posso compreender, respeitosamente, diante da Lei n.º 10.101, bem como face as normas jurídicas tributárias válidas e vigentes, que a importante verba da PLR seja desvirtuada a tal ponto. Neste sentido, não posso compreender como plausível empregar natureza jurídica de PLR a tais infaustos pagamentos. En passant, pode-se afirmar que tal conduta de realizar os pagamentos dos segurados por meio de simulação com notas fiscais inidôneas de serviços demonstra que o direito foi exercido em desconformidade com as normas jurídicas vigentes, especialmente o art. 32 da Lei 8.212, de 1991, e incisos I e XII do art. 216 do Decreto 3.048, de 1999. Argumentar (e até “confessar”) que o pagamento feito sob tal procedimento objetivava evitar o desconto do IRRF e que, por isso, o formalizou e o documentou por intermédio de outras pessoas jurídicas não dão margem para aceitar a tese de que a natureza jurídica do dispêndio, efetivado por interpostas pessoas e lastreado em notas fiscais inidôneas, é de uma “verdadeira PLR”, na forma regulamentada pela Lei n.º 10.101. Por isso, entendo que não se aplica a alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991. Aliás, a Lei n.º 10.101 não prevê a possibilidade de não se efetivar o desconto do IRRF, na forma dos §§ 5.º e 8.º do seu artigo 3.º. Logo, se o objetivo (até declarado em recurso) foi evitar o desconto do IRRF, então, verdadeiramente, mostra-se, de modo muito translúcido, que a Lei n.º 10.101 não foi observada. Além de tudo isto, o fato das pessoas físicas eventualmente terem sofrido autuações próprias, como afirmam os recorrentes, por conta do não recolhimento do IRPF sobre a verba paga, não afasta a autuação ora debatida por serem de naturezas distintas, já que, pelo não atendimento da Lei n.º 10.101 e considerando o contexto remuneratório de citados pagamentos, tais verbas são consideradas salário-de-contribuição. Fl. 10045DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Afinal, não é possível compreender que essa forma de efetivar o dispêndio seja isento à contribuição social previdenciária, por supostamente ser um “gasto eventual” (ganho não habitual), ainda mais quando os pagamentos foram baseados em interpostas pessoas jurídicas e substanciados em notas fiscais inidôneas e estão compreendidos dentro do contexto remuneratório das pessoas físicas relacionadas com a contribuinte recorrente, não sendo demonstrado pelos recorrentes que os pagamentos sejam realmente eventuais e desvinculados da remuneração. Demais disto, a despeito dos recorrentes alegarem que os dispêndios em xeque são PLR, não se apresentou qualquer comprovação das supostas metas cumpridas pelos recebedores, limitando-se a sustentar que a fiscalização não teria criticado o programa de participação nos lucros e resultados da Companhia. Efetivamente, a fiscalização atestou que a Companhia possui programa de participação nos lucros e resultados e, inclusive, o que foi, realmente, pago, sob o seu espectro, foi aceito, não sendo objeto da autuação. Não há lide sobre isso. A questão é que os pagamentos apontados na autuação não estão no campo de propagação do prisma do verdadeiro programa de participação nos lucros e resultados da Companhia, conforme situação já vastamente exposta neste voto. Sendo assim, se os recorrentes quisessem insistir com a tese suscitada (de que os pagamentos autuados se tratam de PLR) deveriam apresentar, pormenorizadamente, exemplos e demonstrações, ao menos amostrais, de que os pagamentos “casariam” com o programa de participação nos lucros e resultados vigente na Companhia, o que não se fez. O lançamento demonstrou os fatos geradores apresentando detalhadamente as circunstâncias que o cercam e expôs as provas de sua convicção. Ademais, no Termo de Verificação Fiscal está claro que a JBS pagou supostas verbas como PLR sem que a Administração Tributária as compreenda desta forma e, ainda que se concebessem como verdadeiros PLR, a fiscalização entendeu não cumprir a legislação da PLR. Doravante, se os recorrentes pretendem desconstituir o lançamento, alegando que se tratam de PLR, deveriam apresentar as provas de que os pagamentos se coadunam com o programa de participação nos lucros e resultados vigente na Companhia, o que não se fez. O fato da fiscalização não questionar o programa de PLR existente não significa que considera os pagamentos objeto da autuação como PLR ou que a fiscalização tivesse que rebater o programa de PLR existente para poder autuar. Ora, a fiscalização demonstrou que os pagamentos efetivados, objeto do lançamento, não se coadunam com um verdadeiro programa de PLR da Companhia, pelo que os entendeu como salário-de-contribuição. Se os recorrentes, sob a ótica da essência sobre a forma, pretendem o reconhecimento de que são verdadeiras PLR, então lhes cabe fazer a demonstração, por meio de provas idôneas que lhes sejam permitidas. Acontece que a prova não é produzida com a defesa. Os recorrentes não apresentam qualquer cotejo analítico para comprovar o que afirmam. Por exemplo, não mencionam uma eventual meta cumprida, de quaisquer dos segurados, não citam uma eventual cláusula que explique como se calcula o PLR e tampouco Fl. 10046DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 confronta o trinômio “cláusula-meta-cálculo” para demonstrar uma validade dos pagamentos autuados, por supostamente se substanciarem como um verdadeiro PLR, na forma em que ao talante da defesa se sustenta a tese recursal. A autuação num corte epistemológico que se estabeleça pontuou que as verbas pagas, via interpostas pessoas, são remuneratórias por não se substanciarem em PLR ao se formalizar via notas fiscais inidôneas. Este é o ponto nodal de onde se prossegue a título complementar no Termo de Verificação Fiscal. Lembre-se que o Relatório Fiscal (e-fls. 9.116/9.409) informa que a empresa autuada se utilizou do expediente de pagar a seus segurados empregados, celetistas, diretores e gerentes, assim como a três contribuintes individuais, remunerações por meio de instrumento contratual com pessoas Jurídicas vinculadas a estes segurados, de forma a esconder o pagamento correto de suas obrigações previdenciárias. Subsidiariamente, a fiscalização pontua que, ainda que se considerasse PLR, face a escrituração da conta contábil, a Lei n.º 10.101 não foi observada, pois a lei específica não admite o procedimento praticado. Neste diapasão, já seguindo para a conclusão, importante consignar que a discussão pretendida pela defesa, quanto a periodicidade dos pagamentos, que se coadunaria com a Lei n.º 10.101, como se este fosse o único motivo para conclusão de que os pagamentos não são PLR, é secundária no contexto da autuação, pois, em primeiro momento, não restou demonstrado que se cuida de verdadeiro PLR por força da prática de se pagar via interpostas pessoas e com notas fiscais inidôneas e cessão de crédito. Logo, não vejo sequer necessidade de apreciar a questão das periodicidades dos pagamentos efetivados, objetos da autuação, vez que há argumento independente e suficiente a atestar as verbas pagas com semblante remuneratório. Afinal, a decisão administrativa não precisa rebater, um a um, todos os argumentos trazidos na peça recursal, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão sobre as questões controvertidas no processo, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. De mais a mais, inexistindo novos elementos entre o recurso voluntário e a impugnação, assim como estando este julgador, diante do conjunto probatório conferido nos fólios processuais, confortável com as razões de decidir da primeira instância, passo a adotar, doravante, como meus, o seguinte trecho dos fundamentos da decisão de piso, com fulcro no § 1.º do art. 50, da Lei n.º 9.784, de 1999, e no § 3.º do artigo 57 do Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 2015, que instituiu o Regimento Interno do CARF (RICARF), verbis: No caso em foco, ao contrário das alegações de defesa, a JBS S/A não observou a legislação de regência quanto aos pagamentos em questão. Consoante relata o TVF, ditos pagamentos foram realizados com a simulação de contratos de prestação de serviços entre duas pessoas jurídicas, portanto, em total desconformidade com as regras do art. 2.º da Lei 10.101/2010. Esse conjunto fático-probatório caracteriza a fraude objetiva na maneira de realizar o pagamento da remuneração dos segurados empregados em decorrência do fenômeno da “pejotização” dos rendimentos. Os fatos contábeis mencionados no TVF evidenciam que a JBS S/A pagava aos empregados e contribuintes individuais verba salarial intermediada por pessoas jurídicas, com emissão de notas fiscais de prestação de serviços, e disfarçava a natureza desses pagamentos contabilizando em conta contábil com a denominação de PLR. Mencione-se que a legislação tributária expressamente confere atribuição à autoridade fiscal (Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil) para impor “sanções” Fl. 10047DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 31 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 sobre os atos ilícitos tributários verificados no sujeito passivo, permitindo a aplicação da norma tributária material, ainda que alheia à formalidade da situação encontrada, a teor dos artigos 142 e 149, incisos I e VII, ambos do CTN. Nesse contexto, ao contrário das alegações de defesa, impõe-se reconhecer a natureza remuneratória dos valores apurados nos autos de infração para fins de incidência de contribuições previdenciários e de terceiros, na forma prevista no art. 28 da Lei n.º 8.212/91 (já transcrito neste voto). Portanto, o lançamento encontra-se correto e deve ser mantido. Por fim, retornando a questão dos contribuintes individuais, a título ilustrativo, veja-se a seguir posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao interpretar o direito infraconstitucional e analisar um caso em que se estava diante de “contribuintes individuais” e de PLR paga para tais segurados e no qual se invocava a tese de não incidência de contribuições sobre os pagamentos, ocasião em que o Colendo STJ estabeleceu que a imunidade contempla apenas a PLR paga nos moldes da Lei 10.101, isto é, compreende unicamente os segurados empregados por serem estes os contemplados na forma do art. 2.º da citada lei específica, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. LEI 10.101/2000. 1. A jurisprudência do STJ é de que a parcela que não sofre a incidência de contribuição previdenciária, no que se refere aos valores pagos a título de participação nos lucros, é aquela paga nos moldes da Lei 10.101/2000. Nesse sentido: REsp 1.216.838/RS, Rel. Ministro Castro Meira, DJe 19/12/2011. 2. Na jurisprudência invocada para rejeitar a pretensão da empresa, o voto condutor do acórdão hostilizado afirma que o simples pagamento de parcela remuneratória, em favor de diretores estatutários, de parcela denominada "participação nos lucros", feito nos termos do art. 152 da Lei 6.404/1976, é insuficiente para comprovar que a empresa tenha adotado uma política efetiva de implantação de participação nos lucros por parte de todos os seus empregados, o que somente poderia ser feito mediante o regime instituído pela Lei 10.101/2000. 3. Recurso Especial não provido. (REsp 1.650.783/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/09/2017, DJe 19/12/2017) Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Não incidência de contribuições previdenciárias sobre bônus de contratação (Hiring Bonus) e indenização por desligamento A defesa sustenta que uma pessoa física 8 recebeu diretamente da recorrente, e uma única vez em 2013 e outra em 2014, bônus de contratação, e não participação nos lucros e resultados, pelo que o valor não teria natureza remuneratória do trabalho e não seria habitual, de modo que a exigência da contribuição deve ser afastada. Trata da natureza do hiring bonus. Pondera que no Recurso Extraordinário n.º 565.160 o Supremo Tribunal Federal definiu, em sede de repercussão geral, que apenas os ganhos habituais devem sofrer a incidência de contribuições. Afirma que o bônus de contratação não é fruto de contrato que o relacione com a contraprestação do exercício do trabalho, nem sequer com o cumprimento de metas advindas da contratação, quanto menos há compensação desta verba com o salário percebido após o início da relação de emprego. 8 CPF n.º 818.019.639-91. Fl. 10048DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 32 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Diz, ainda, que um outro empregado 9 recebeu indenização por seu desligamento e tal valor, igualmente, não é tributável pelas contribuições previdenciárias e de Terceiros. A fiscalização afirmou no Termo de Verificação Fiscal (TVF) que a conclusão, após efetivação do procedimento, é de que os valores repassados diretamente, sob alegação de gratificação por contratação, são rendimentos do trabalho assalariado constituindo-se num salário-de-contribuição. De igual modo, afirmou que a suposta indenização por desligamento não tem essa efetiva natureza, sendo remuneratória e paga por liberalidade. Pois bem. A despeito de ter um pensamento, em certa medida, convergente com a defesa no que se relaciona especificamente a natureza do bônus de contratação 10 (a natureza de um “verídico e comprovado” hiring bonus), conforme externei, por exemplo, neste Colegiado, no julgamento do Acórdão n.º 2202-005.193, em sessão de 08/05/2019, entendo, pelo escrutínio efetivado neste caderno processual eletrônico, que o pagamento ora analisado, relativo ao pagamento efetivado pela recorrente, não é comprovadamente um “bônus de contratação”, remanescendo, portanto, como verba remuneratória, na forma alegada pela autuação. Ora, primeiro, o pagamento vindicado como bônus de contratação não foi informado em folha de pagamento. Segundo, não foi declarado em GFIP. Terceiro, não há documento ou contrato colacionado aos autos que atestem a suposta natureza jurídica de bônus de contratação para objetivar afastar, de forma mais efetiva, a natureza remuneratória indicada pela fiscalização; a caracterização como bônus de contratação é uma mera afirmativa. Quarto, a escrituração lançada na contabilidade da Companhia foi efetivada em conta contábil de PLR pago (e não de bônus de contratação), mas, como PLR escriturado, não se coadunou com a Lei n.º 10.101 (e, em realidade, não tem natureza de PLR; a própria parte vindica outra natureza). Quinto, os pagamentos realizados pela empresa, a partir da conta contábil de PLR, foram efetivados diretamente, mas tinham por base notas fiscais inidôneas de serviços tomados pela JBS e cujo pagamento ocorreu diretamente para os segurados em razão de cessão do crédito entre o suposto prestador (título do crédito na nota fiscal) e o segurado (recebedor direto do crédito), tudo com anuência da JBS. Sexto, o pagamento foi efetivado após o início da relação laboral e sem a comprovação documental do motivo do pagamento, excetuada as notas fiscais inidôneas. Destarte, a meu sentir, pelos elementos de prova, trata-se de verba remuneratória. Retorne-se, por fim, a afirmativa delineada alhures de que num corte epistemológico que se estabeleça a fiscalização consignou que as verbas pagas, inclusive o suposto hiring bonus, ou a indenização de desligamento, são remuneratórias por terem sido formalizadas em procedimento não autorizado pela legislação (interpostas pessoas jurídicas e notas fiscais inidôneas, além das cessões de crédito com anuência da JBS). Desta maneira, a discussão pretendida pela defesa, quanto a periodicidade única do pagamento agora em final de análise, como se este fosse o único motivo da autuação, é secundária. Em momento antecedente, não restou demonstrado que se cuida de verdadeiro bônus de contratação (a fiscalização não o aceitou, em momento primeiro, como hiring bonus) ou, no outro caso, indenização de desligamento. Apenas secundariamente, a 9 CPF 195.530.718-05. 10 Também denominado de hiring bonus, signing bonus, sign-on bonus, luvas, bônus de atração, bônus de permanência, bônus de retenção, bônus de garantia de permanência etc. Fl. 10049DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 33 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 fiscalização rebate que se o fosse não lhe imprimiria o feito pretendido pela contribuinte, pelo que, partindo do momento inaugural da constatação, concordo com a autuação. Ora, o Diretor de Logística (Sr. Gilmar Schumacher) chegou a receber valores diretamente das pessoas jurídicas GILMAR SCHUMACHER SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS LTDA ME (CNPJ 22.339.818/0001-76) e M J P CONTABILISTAS E ASSOCIADOS EIRELI EPP (CNPJ 12.669.470/0001-21), todas vinculadas ao segurado empregado em referência. Por sua vez, o Diretor Jurídico (Sr. Alexandre Tadeu Seguim) chegou a receber valores diretamente da pessoa jurídica interposta Seguim Consultoria Empresarial Ltda (CNPJ 03.166-863/0001-21), vinculada ao segurado empregado, o que afasta o alegado caráter indenizatório, apresentando-se como verba paga por mera liberalidade, com aspecto integrante da remuneração. Neste último caso, adoto, em acréscimo, as razões da decisão de piso, nestes termos: De acordo com o TVF, item 5.4: [...] Na resposta apresentada pela JBS fica claro a fraude envolvendo o pagamento simulado de uma prestação de serviços, para um empregado celetista, SR. ALEXANDRE, através de uma empresa controlada por ele, a SEGUIM. A JBS intimada não apresentou um só documento que comprove a prestação de serviços por parte da SEGUIM. Dos fatos apurados como resultado da diligência fiscal realizada junto ao Sr. Alexandre e à empresa Seguim, na resposta protocolada pela SEGUIM, a fiscalização apresentou as seguintes conclusões: a inexistência de contrato de prestação de serviços e a não apresentação de documentos que poderiam comprovar esta suposta operação; que os valores recebidos da JBS no valor de R$ 2.500.000,00 se referem ao pagamento de verbas rescisórias atreladas ao contrato de trabalho do SR. ALEXANDRE; que a JBS montou e exigiu a formatação desta operação nestes termos, que o intuito da JBS era sonegar o pagamento das contribuições previdenciárias e trabalhistas; e que tal valor não tem natureza de participação nos lucros ou resultados, mas sim de verbas rescisórias. O que se vê, nesse caso concreto, à luz da legislação trabalhista e previdenciária, é que não procede a alegação de que essa verba seja de natureza indenizatória. Registre-se que não foram apresentadas folhas de cálculo preenchidas pelo empregador ou pela Justiça do Trabalho, discriminando os rendimentos auferidos. Com efeito, uma verba não é indenizatória ou salarial simplesmente pela convenção das partes. Do mesmo modo, pouco adianta orientar-se pelo conceito de verba indenizatória ou salarial (da parcela percebida pelo trabalhador) para definir se determinada verba pode ou não ser tributada, isto porque, verbas indenizatórias são somente aquelas listadas no § 9.º, art. 28 da Lei 8.212/91. A Lei n.º 8.212, de 1991, que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui o seu Plano de Custeio, por sua vez, conceitua, no art. 28, incisos I e III, o salário-de-contribuição para os segurados empregados e contribuintes individuais, sobre o qual há incidência das contribuições sociais previdenciárias. Por sua vez, o § 9.º do artigo antes citado, combinado com o § 9.º do art. 214 do Decreto n.º 3.048, de 1999, enumeram, de forma exaustiva, as parcelas que não integram o salário-de-contribuição. Como se observa, a legislação aplicável à espécie estabelece, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total do trabalhador; somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência dessas exações. Por se tratar de exceção à regra, a interpretação do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212, de 1991, combinado com o § 9.º do art. 214 do Decreto n.º 3.048, de 1999, deve ser feita de maneira restritiva, de sorte que, para que determinada verba decorrente da Fl. 10050DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 34 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 relação laboral não componha o salário-de-contribuição respectivo, há a necessidade de expressa previsão legal. Registre-se que em qualquer acordo trabalhista ou decorrente da relação de trabalho, a discriminação da natureza jurídica da verba deverá observar o previsto no § 9.º do artigo 28 da Lei 8.212/91. É preciso que seja discriminada a parcela que está sendo paga, e daí apontar nos termos do § 9.º do art. 28 da Lei 8.212/91, qual parcela é indenizatória e qual é parcela salarial para então apurar o valor da contribuição previdenciária. O artigo 43, § 1.º, da Lei n.º 8.212/91 prevê a incidência da contribuição previdenciária sobre o valor total do acordo homologado judicialmente quando não houver discriminação das parcelas constantes deste. (...) Não se presume, nem se convenciona que as parcelas objeto de um acordo sejam de natureza indenizatória. Portanto, nesse caso concreto, o pacto entre as partes definindo a natureza indenizatória das verbas pagas não encontra qualquer respaldo na legislação que rege a matéria. Como não foi apresentada memória de cálculos preenchida pelo ex-empregador ou pela Justiça do Trabalho, discriminando, por espécie, os rendimentos auferidos, tem- se que os pagamentos efetuados a título de verbas indenizatórias em desacordo com a legislação, na verdade são rendimentos do trabalho assalariado e constituem-se em base de incidência de contribuições previdenciárias, nos termos do art. 28, inciso I, da Lei n.º 8.212/91. Desta feita, uma vez demonstrado que os valores pagos, ao contrário do que pretendem os impugnantes, integram o salário-de-contribuição eles estão sujeitos à incidência de contribuições sociais previdenciárias e de terceiros. Nesse contexto, não há como acatar as alegações de defesa. Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Improcedência da qualificação da multa de ofício em 150% Observo que a fiscalização aplicou multa de 150% com base no art. 44, inciso I, § 1.º, da Lei n.º 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n.º 11.488, de 2007, sustentando a prática de atos enquadrados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964. Veja-se o que consigna a fiscalização (e-fls. 9.401/9.403): A qualificação da multa de ofício decorre da prática de sonegação, fraude e/ou conluio, ou seja, ações ilícitas definidas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1964. À luz do que dispõe o art. 71, sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. A fraude, conceituada no art. 72, se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utilizam subterfúgios para escamotear a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. O conluio, previsto no art. 73, não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas e/ou jurídicas). No que tange à caracterização do dolo, o art. 18, inciso I, do Código Penal (Decreto-Lei n.º 2.848, de 07/12/1940), define que uma conduta é dolosa "quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo". Notemos que a norma penal Fl. 10051DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 35 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 traz duas espécies de dolo, o dolo direto, quando o agente quis o resultado e o dolo indireto, quando o agente assumiu o risco de produzir o ilícito. Portanto, o dolo é elemento específico da sonegação e da fraude, diferenciando-os da mera falta de pagamento do tributo ou do simples erro escusável. As irregularidades apuradas pela fiscalização, corroboradas por vasto e robusto conjunto de provas carreadas para os autos, comprovam, de forma incontestável, que a JBS incorreu na prática de sonegação e fraude, previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, mediante adoção de conduta dolosa, executada com o evidente intuito de fraude, a fim de impedir o conhecimento da ocorrência do fato gerador pelo Fisco, pois, os valores das notas fiscais emitidas de forma inidônea pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços aqui citadas, se referem, na realidade, a rendimentos de trabalho assalariado (segurados empregados), tendo simulado a prestação de serviços por estas empresas. Nota-se que o rendimento descrito como “PLR – Programa de Participação nos Lucros e Resultados” foi informado para os casos nos quais houve recebimentos por pessoas físicas (segurados empregados) disfarçados de serviços prestados em nome de pessoas jurídicas, conforme alegado pela própria JBS e muitas vezes pelos segurados. Diante dos fatos relatados acima, verificou-se que os valores das notas fiscais emitidas de forma inidônea pelas pessoas jurídicas prestadoras de serviços aqui citadas, se referem, na realidade, ou a rendimentos de trabalho assalariado (segurados empregados) ou a valores auferidos a trabalhadores sem vínculo empregatício pessoas físicas (segurados contribuintes individuais), tendo simulado a prestação de serviços por estas empresas. Nota-se que o rendimento descrito como “PLR – Programa de Participação nos Lucros e Resultados” foi informado para os casos nos quais houve recebimentos por pessoas físicas (segurados empregados ou contribuintes individuais) disfarçados de serviços prestados em nome de pessoas jurídicas, conforme alegado pela própria JBS e muitas vezes pelos segurados. A ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, justifica a multa qualificada. Assim, como neste caso, há evidência nos autos deste processo de que a autuada utilizou um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados empregados. Apesar da JBS utilizar do termo “programa de participação nos lucros e resultados” o recebimento destes valores não encontra respaldo nas normas que regulamentam o pagamento de lucros e resultados para segurados empregados. Ressalta-se que tal operação só foi possível graças a um acordo prévio entre o recebedor e o repassador do recurso. De fato, sem um conluio, que é “o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando produzir os efeitos referidos nos artigos 71 e 72 da Lei n.º 4.502, de 30/11/1964”, ou seja, a sonegação e a fraude, entre a direção da JBS e seus diretores, para através de pessoas jurídicas vinculadas a estas pessoas físicas obter as notas fiscais para acobertar o pagamento destas remunerações. Portanto, em face de todos os fatos revelados nos autos que implicaram a prática, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária, e tendo em vista ainda o parágrafo 1.º, inciso I, do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, a multa de ofício apurada será qualificada (majorada) para 150%. A defesa, em suma, diz que não houve qualquer tentativa de escamotear ou sonegar informações e documentos à fiscalização, pois, logo no início do procedimento, informou a sistemática que adotava. Diz, inclusive, que “no curso da fiscalização, e já na resposta à primeira intimação sobre o tema, de forma absolutamente transparente, colaborativa e até mesmo de Fl. 10052DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 36 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 boa-fé, informou a Recorrente que efetuou pagamentos à título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), por atingimento de metas, a segurados empregados e contribuintes individuais, mas que, apenas para fins de formalização e documentação, parte dos referidos pagamentos foi intermediada por outras pessoas jurídicas.” Pondera que se, hipoteticamente, houve algum ilícito, quando muito, isso resultou apenas no não recolhimento do IRRF e que a PLR atende a Lei n.º 10.101, logo não há motivação adequada para a multa de 150% sobre situação que não causa impacto no recolhimento de contribuições. Comunica que as pessoas físicas suportaram autuações do IRPF, o que contorna a problemática do IRRF. Por isso, suas condutas estariam longe da sonegação (art. 71), da fraude (art. 72) e do conluio (art. 73). Assevera que o CARF tem entendimentos em favor de sua tese e pede seja cancelada a qualificação. Pois bem. Com respeito a posições em contrário e as afirmações da defesa, não assiste razão aos recorrentes neste capítulo, uma vez que restou demonstrado o intuito doloso do procedimento adotado pela Companhia, contrário ao direito e a boa-fé objetiva, objetivando, especialmente, em suas palavras, deixar de reter o IRRF, o que não se coaduna com a Lei 10.101, não sendo possível pretender a vindicada natureza de PLR. Ora, adotou-se prática ardil, com utilização de interpostas pessoas jurídicas, com emissão de notas fiscais inidôneas, posteriormente objeto de cessão de créditos, decerto também inidônea, com anuência da mendaz tomadora do inexistente serviço, deixando-se, ainda, de informar fatos em GFIP e/ou em folha de pagamentos, escriturou-se verbas em conta contábil denominada de PLR, que não tinham essa verdadeira natureza conforme exposto neste voto, objetivando-se não recolher as contribuições ao escriturar como tal, deixou-se de reter o IRRF (e confessa esse fato), de modo que, após a prática de todos estes atos, ainda que tenha colaborado com a fiscalização, a qual se iniciou, exatamente, para averiguar o cumprimento da legislação tributária, a partir da análise da ECD (Escrituração Contábil Digital) do ano-calendário de 2012 11 a 2016, apresentada pela JBS no sistema SPED (Sistema Público de Escrituração Digital) e pelas GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), não é possível concluir que não tenha ocorrido a prática dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, muito menos, pelo só fato do contribuinte ter sido colaborativo com a fiscalização e ter aberto ou descortinado o véu que acobertava a situação. A colaboração com a fiscalização não afasta o contexto dos atos praticados, tampouco lhe retira a característica própria. O ato jurídico já se perfectibilizou e foi constituído com práticas e medidas da contribuinte. Veja-se que os atos narrados se enquadram no teor dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, demais disto, uma vez atingido o propósito que a norma sancionadora pretende proibir, não é possível pretender aplicação de intelecção de “essência sobre a forma”, pois a forma pretendida foi, exatamente, a vedada em lei. Cite-se os enunciados prescritivos de clareza solar ao contexto descortinado, litteris: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: 11 Ano-calendário 2012 teve lançamento parcial no Processo n.º 15956.720241/2017-11, anexo a estes autos e julgado na mesma sessão. Fl. 10053DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 37 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Somado a isto, a Lei n.º 4.729, de 1965, em seu art. 1.º, inciso I, aclarou ainda mais o conceito de sonegação fiscal ao prescrever: “Art. 1.º Constitui crime de sonegação fiscal: I - prestar declaração falsa ou omitir, total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes das pessoas jurídicas de direito público interno, com a intenção de eximir-se, total ou parcialmente, do pagamento de tributos, taxas e quaisquer adicionais devidos por lei; II - inserir elementos inexatos ou omitir, rendimentos ou operações de qualquer natureza em documentos ou livros exigidos pelas leis fiscais, com a intenção de exonerar-se do pagamento de tributos devidos à Fazenda Pública”. Ora, ao praticar os atos que praticou ou omitir as informações que omitiu cometeu sonegação e fraude, ademais o conluio esteve presente no contexto das notas fiscais inidôneas e das anuências, inclusive na aceitação das “cessões de crédito”. Neste contexto, entendo que deve ser mantida a multa qualificada de 150% por restar demonstrado e bastante aclarado o evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. - Subsidiariamente, não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício A defesa, subsidiariamente, sustenta não incidência de juros sobre multa de ofício. Pois bem. A matéria há muito foi superada pelo STJ ao uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional, conforme segue: " ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010." (AgRg no REsp 1.335.688/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/12/2012) As razões, com as quais concordo, são que o crédito tributário (prestação pecuniária devida ao ente tributante) tem concepção mais ampla do que o conceito de tributo, inclusive a disciplina do art. 113, caput e parágrafos, do CTN, enuncia prescritivamente um regime único de cobrança para as exações e as penalidades pecuniárias fiscais, o que é extremamente necessário para a arrecadação e administração fiscal, deste modo a multa, por constituir crédito tributário, sendo dotada dos mesmos mecanismos e procedimentos aplicados aos tributos, inclusive quanto aos consectários legais, sujeita-se à incidência de juros de mora. Fl. 10054DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 38 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3.º, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a penalidade imposta devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. Por fim, este Colendo Conselho já sumulou o assunto, nestes termos: Súmula CARF n.º 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. (Vinculante, conforme Portaria ME n.º 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Sendo assim, sem razão os recorrentes neste capítulo. Mérito em relação exclusivamente ao ponto específico individualizado do Recurso Voluntário dos Solidários O recurso voluntário dos solidários é bem semelhante ao do contribuinte recorrente, tendo sido enfrentados os seus capítulos em conjunto com o recurso do contribuinte nas linhas pretéritas, inclusive sendo mantida a multa qualificada de 150%, no entanto a temática a seguir é distinta e merece apreciação particularizada. - Da inaplicabilidade do art. 135, III, do CTN – Da ausência de prova dos requisitos necessários para aplicação do dispositivo em referência A defesa, na sua contraposição, argumenta que não há provas de que os solidários recorrentes tenham praticado os fatos apontados pela fiscalização para imputação de responsabilidade solidária. Diz que não há individualização de condutas realizadas e que não identificou os atos praticados por cada administrador. Advoga que é “necessária a comprovação de que os atos praticados por eles foram realizados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, sendo certo afirmar, que a questão da responsabilidade não é simplesmente objetiva, exigindo a comprovação do ato doloso ou culposo a fim de conduzir à responsabilidade pessoal daqueles que exercem a administração da sociedade.” Assevera que os fatos alegados pela fiscalização não estavam nem mesmo relacionados aos cargos desempenhados pelos solidários recorrentes na JBS e eles não seriam os responsáveis pelas políticas de PLR da Companhia, e muito menos pela forma adotada para pagamento da PLR e respectivo registro contábil. A responsabilidade estaria sendo imputada unicamente por terem exercido cargos executivos e baseado apenas no suposto inadimplemento. Pondera que o não pagamento de tributo não é suficiente para ensejar responsabilidade pessoal aos diretores. Tal tese vindicada é objeto, hodiernamente, do Recurso Repetitivo n.º 1.101.728 (Tema 97 do STJ). Pois bem. Entendo que assiste parcial razão a tese de defesa, mas unicamente em relação a um dos solidários, a despeito da defesa conjunta por todos eles. Explico. Fl. 10055DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 39 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 Durante o Termo de Verificação Fiscal foram anotadas as práticas violadoras das normas jurídicas, como, por exemplo, pagamentos intermediados com interpostas pessoas jurídicas, com suporte em nota fiscal inidônea e cessão de crédito, escopo de não descontar o IRRF etc. Todos estes atos foram praticados pela Companhia e as respostas as intimações fiscais dão conta de que a JBS os ordenou. Então, quem foram as pessoas físicas que se envolveram e determinaram os atos? A fiscalização apontou trechos do capítulo do Estatuto Social da empresa que tratam dos órgãos da Administração da Companhia para demonstrar o escopo e quem estava à frente da Administração e, de modo resumido, ponderou que, tendo em vista as ações ilícitas praticadas pelo sujeito passivo descritas no relatório fiscal, especificava as seguintes condutas dos responsáveis (e-fl. 9.405), que se soma a todo o relato constante na exposição da fiscalização: - WESLEY MENDONÇA BATISTA, CPF nº 364.873.921-20, eleito PRESIDENTE EXECUTIVO em 09/02/2011 cargo que ocupou até 05/10/2017. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. - ELISEO SANTIAGO PEREZ FERNANDEZ, CPF nº 412.811.954-72, eleito DIRETOR EXECUTIVO DE ADMINISTRAÇÃO em 24/11/2010 cargo que ocupa até o presente momento. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. - JEREMIAH ALPHONSUS O’CALLAGHAN, CPF nº 012.266.188-55, eleito DIRETOR DE RELAÇÕES COM INVESTIDORES em 22/05/2009 cargo que ocupa até o presente momento. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. - FRANCISCO DE ASSIS E SILVA, CPF nº 545.102.019-15, eleito DIRETOR EXECUTIVO DE RELAÇÕES INSTITUCIONAIS em 12/02/2007 cargo que ocupou até 03/08/2017. Responsável como administrador da JBS em operacionalizar um esquema de prestação de serviços simulados, através de pessoas jurídicas vinculadas a seus segurados empregados ou contribuintes individuais, ou diretamente como sócios, ou como empresas de aluguel, que cediam os direitos creditícios dos valores pagos pela JBS a estes segurados. No decorrer do Termo de Verificação Fiscal (e-fls. 9.116/9.409) observa-se, outrossim, que foram detalhadas outras condutas específicas em torno do Diretor Francisco de Assis e Silva (e-fls. 5.565/5.566 e 5.579/5.581) e do Diretor Eliseo Santiago Perez Fernandez (e- fls. 5.270/5.271), basicamente delineando que os mesmos também receberam pagamentos via interpostas pessoas jurídicas, a título de remuneração disfarçada de PLR, que, na verdade, se tratam de rendimentos do trabalho assalariado, vinculado ao contrato de trabalho (conferir em complemento capítulo acerca da “decadência”, em linhas pretéritas). Neste norte, entendo que a responsabilidade solidária dos Administradores Francisco de Assis e Silva (Diretor de Relações Institucionais) e Eliseo Santiago Perez Fernandez (Diretor de Administração) resta mais do que comprovada, assim como a Fl. 10056DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 40 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 responsabilidade do Administrador Wesley Mendonça Batista (Diretor Presidente), a quem, em última medida, cabia o comando geral da JBS, some-se a isto o fato de constar nos autos a seguinte prova declaratória (e-fl. 9.024, resposta dada por uma das empresas noteiras e por um dos empregados da JBS): “A Requerente informa os profissionais responsáveis pela sua contratação são: (i) Sr. Francisco de Assis; (ii) Sr. Wesley Batista; e (iii) Sr. Eliseu Perez.” Logo, para tais administradores há especificação de condutas violadoras da lei e são as praticadas pela JBS, enquanto ente não personificado fisicamente, sendo eles os detentores do comando, além de dois deles terem, inclusive, recebido a verba via procedimento irregular. Para eles há a mesma circunstância de fato. Mas, no que tange ao Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores) não observo, inclusive pelos poderes dados no Estatuto Social da Companhia para o cargo diretivo, específico poder para ordenar ou concordar com tais práticas. O Estatuto Social no art. 24 estabelece competências para tal figura diretiva que não dão margem para compreensão de sua responsabilidade, veja-se: “Artigo 24 Compete ao Diretor de Relações com Investidores: (i) coordenar, administrar, dirigir e supervisionar a área de relações com investidores da Companhia; (ii) representar a Companhia perante acionistas, investidores, analistas de mercado, a Comissão de Valores Mobiliário, as Bolsas de Valores, o Banco Central do Brasil e os demais órgãos de controle e demais instituições relacionados às atividades desenvolvidas no mercado de capitais, no Brasil e no exterior; e (iii) outras atribuições que lhe forem, de tempos em tempos, determinadas pelo Diretor Presidente.” Por conseguinte, em minha análise, pelo conjunto probatório e elementos da autuação, as circunstâncias de fato não são as mesmas entre o Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores) e, doutro lado, os Administradores Wesley Mendonça Batista (Diretor Presidente), Francisco de Assis e Silva (Diretor de Relações Institucionais) e Eliseo Santiago Perez Fernandez (Diretor de Administração). Não me parece que estejam na mesma balança, ao menos, dentro do exame minucioso das provas e elementos da autuação. Sendo assim, com parcial razão a tese de defesa, unicamente no que se refere a afastar a responsabilidade solidária do Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores), mantendo-se a responsabilidade solidária dos demais administradores. Conclusão quanto aos Recursos Voluntários De livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, em resumo, conheço em parte do recurso do contribuinte e do recurso voluntário dos solidários, não conhecendo o aditamento integrativo do recurso dos solidários e deixando de conhecer, em ambos os recursos, o tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”, rejeito a preliminar e a prejudicial de decadência. No mérito, na parte conhecida dos recursos, nego provimento ao recurso do contribuinte e, quanto a parte conhecida do recurso voluntário dos solidários, dou provimento parcial ao recurso para afastar exclusivamente a responsabilidade do Administrador Jeremiah Alphonsus O’Callaghan (Diretor de Relações com Investidores). Fl. 10057DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 41 do Acórdão n.º 2202-006.087 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15956.720144/2018-00 No mais, mantenho íntegra a decisão recorrida. Alfim, finalizo em sintético dispositivo. Dispositivo Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso do contribuinte e dos solidários, não conhecendo do aditamento integrativo do recurso dos solidários e não conhecendo, em ambos os recursos, do tema “Da limitação das contribuições previdenciárias devidas aos Terceiros”; quanto à parte conhecida, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso dos solidários para afastar a responsabilidade do sujeito passivo solidário Jeremiah Alphonsus O’Callaghan. É como Voto. (documento assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Fl. 10058DF CARF MF Documento nato-digital

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8178775 #
Numero do processo: 10166.725885/2017-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Sun Mar 29 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2002-003.874
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13686.720154/2015-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13686.720154/2015-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 58 85 /2 01 7- 71 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.874 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.725885/2017-71 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.873, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Defende que, para a aplicação das multas elencadas no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, faz-se necessária intimação do contribuinte para prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração. - Aduz que, se a GFIP foi entregue espontaneamente e o tributo confessado foi pago, a própria obrigação principal está extinta. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega que a motivação do Auto de Infração é inadequada, uma vez que contrária à lei que prevê a necessidade de intimação do contribuinte antes da aplicação das penalidades. - Afirma que a autuada é uma microempresa e que faz jus aos benefícios previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123/06. - Discorre sobre o caráter confiscatório da multa aplicada. - Indica a existência do Projeto de Lei nº 7.512/14, que propõe a anistia da cobrança de multas geradas pela falta ou atraso na entrega da GFIP. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.873, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à ausência de intimação prévia ao lançamento, impõe-se observar o disposto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.874 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.725885/2017-71 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O previsto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o que estabelece a Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Quanto à infração apurada, equivoca-se o recorrente ao entender que esta poderia ser afastada em razão do pagamento do tributo consignado na GFIP. De acordo com o art. 32-A, II, da Lei nº 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento, ainda que tenham sido integralmente pagas pelo contribuinte. Também não pode ser acolhida a alegação de que faz jus ao tratamento diferenciado previsto no art. 55 da Lei Complementar nº 123/2006, haja vista que este dispositivo refere-se “aos aspectos trabalhista, metrológico, sanitário, ambiental, de segurança, de relações de consumo e de uso e ocupação do solo das microempresas e das empresas de pequeno porte”, como disposto em seu caput, e não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos, conforme explicitado em seu §4º. Vale lembrar que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional - CTN. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Importa registrar nesse ponto que o Projeto de Lei nº 7.512/14 mencionado no Recurso permanece em tramitação no Congresso Nacional, não se tratando, portanto, de norma vigente. Quanto à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, cabe reproduzir o entendimento consolidado na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória no julgamento dos Recursos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.874 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.725885/2017-71 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital

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8169708 #
Numero do processo: 10280.902417/2011-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 IRRF. COMPENSAÇÃO Para fins de determinação do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que as receitas correspondentes tenham sido computadas na determinação do lucro real e ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto no período correspondente.
Numero da decisão: 1001-001.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves.
Nome do relator: SERGIO ABELSON

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 IRRF. COMPENSAÇÃO Para fins de determinação do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que as receitas correspondentes tenham sido computadas na determinação do lucro real e ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto no período correspondente.

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COMPENSAÇÃO Para fins de determinação do saldo do imposto de renda a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido o valor do imposto pago ou retido na fonte, desde que as receitas correspondentes tenham sido computadas na determinação do lucro real e ficar comprovado, mediante documentação hábil e idônea, que o contribuinte sofreu a retenção deste imposto no período correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson (Presidente), José Roberto Adelino da Silva, Andréa Machado Millan e André Severo Chaves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 24 17 /2 01 1- 24 Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-001.689 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.902417/2011-24 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão de primeira instância (folhas 151/156) que julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade apresentada contra o despacho decisório às folhas 46/51, que homologou parcialmente a compensação constante da DCOMP 37647.01305.261206.1.3.02-4208 e não homologou a compensação constante das DCOMP 35027.41455.150107.1.3.02-2032, 10062.94251.091007.1.7.02-3500 e 37514.93542.290107.1.3.02-2027, de crédito correspondente a saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2005 informado na DCOMP 22773.86459.231106.1.3.02-0857 no montante de R$ 108.539,41 e reconhecido no valor de R$ 35.617,63, tendo em vista a não confirmação de Imposto de Renda Retido na Fonte informado como retido no montante de R$ 70.468,45 e de estimativa informada como compensada no valor de R$ 2.453,31. Em sua manifestação de inconformidade (folhas 54/56), a contribuinte alegou, em síntese do necessário, que compete ao tomador do serviço efetuar o recolhimento do valor retido e proceder às informações cabíveis, anexando os comprovantes de arrecadação às folhas 57 a 138. No acórdão a quo, foi reconhecido crédito adicional correspondente a imposto de renda retido na fonte informado em DIRF no valor de R$ 10.902,93, tendo em vista, em síntese do necessário, que os documentos acostados pelo sujeito passivo às folhas 57 a 68 referem-se aos Darf cujos recolhimentos foram confirmados no Despacho Decisório (folhas 48/49); os documentos de folhas 69 a 80 são comprovantes de arrecadação de CSLL, não abarcada no processo ora sob julgamento; os documentos de folhas 81 a 138 não substituem o informe de rendimentos a que se refere o § 2º do art. 943, Decreto nº 3.000/1999, não se prestando a excluir as glosas realizadas. Ciência do acórdão DRJ em 07/12/2018 (folha 167). Recurso voluntário apresentado em 28/12/2018 (folha 161). A recorrente, às folhas 163/165, em síntese do necessário, reitera que a documentação acostada à manifestação de inconformidade é suficiente para comprovar as retenções que restaram não confirmadas e que compete ao tomador do serviço efetuar o recolhimento do valor retido e proceder às informações cabíveis, não podendo a peticionante ser prejudicada por eventual omissão, seja no recolhimento, seja na prestação de informações na DIRF, cabendo à Receita Federal diligenciar junto àqueles que efetuaram a retenção na fonte, com fins de apurar o ocorrido. É o relatório. Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-001.689 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.902417/2011-24 Voto Conselheiro Sérgio Abelson, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Analisando a documentação comprobatória acostada aos autos, observa-se que os documentos acostados pelo sujeito passivo às folhas 57 a 68 correspondem a comprovantes de arrecadação relativos a pagamentos de estimativas confirmados no Despacho Decisório (folhas 48/49). Os documentos de folhas 69 a 80 são comprovantes de arrecadação de CSLL, e aqueles às folhas 136/138 são comprovantes de arrecadação relativos ao ano calendário 2006, não abarcados no processo ora sob julgamento. Os documentos de folhas 81 a 135 correspondem a comprovantes de arrecadação em nome da recorrente, relativos ao ano calendário 2005, de código de receita 8045. Referem-se a recolhimentos por ela efetuados na qualidade de responsável, como fonte pagadora de rendimentos a prestadores de serviço, não apresentando nenhuma relação com o crédito informado na DCOMP, de mesmo código de receita, mas relativo a imposto de renda retido e recolhido por fontes pagadoras de rendimentos, tomadoras de serviço prestados pela recorrente. Na ausência de informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, a recorrente poderia apresentar notas fiscais relativas aos serviços por ela prestados a tais fontes pagadoras, acompanhadas da comprovação de recebimento dos valores relativos a tais serviços descontados das alegadas retenções de imposto. Conforme art. 373, inciso I, do novo Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 13.105/2015), que reproduz o art. 333, I, do antigo CPC, ao autor incumbe o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito. E de acordo com o art. 967 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/2018 (Decreto nº 9.580/2018), que reproduz o art. 923 do antigo RIR/1999, a escrituração mantida em observância às disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição ou compensação também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de n° 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-001.689 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10280.902417/2011-24 A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550-SC, Rei. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. Restaria saber, ainda, caso as referidas retenções de imposto tivessem sido comprovadas, se os rendimentos a elas relativos foram regularmente oferecidos à tributação, mediante demonstração dos valores informados em DIPJ, para que as retenções pudessem ser deduzidas do resultado do período, conforme determina a Súmula CARF nº 80: Súmula CARF nº 80 Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Na ausência de documentação comprobatória, mantém-se, portanto, não reconhecido o alegado direito creditório remanescente em lide, no valor original de R$ 59.565,52. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson Fl. 174DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10120.729769/2015-95
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2002-003.087
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603.722580/2015-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 97 69 /2 01 5- 95 Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.729769/2015-95 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Auto de Infração lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, onde se apurou a Multa por Atraso na Entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Cientificado do acórdão de primeira instância, o interessado ingressou com Recurso Voluntário contendo os argumentos a seguir sintetizados. - Suscita a nulidade do presente processo uma vez que não foi assegurado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa. - Afirma que não foi intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar a declaração, como determina o art. 32-A da Lei nº 8.212/91. - Aponta a ocorrência de denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, conforme entendimento da Receita Federal constante da IN 971/09 e do Manual da GFIP/SEFIP. - Alega a modificação do critério jurídico do lançamento e a impossibilidade de se exigir tributo e multa de forma retroativa. - Defende que, conforme jurisprudência do CARF, as multas por falta de entrega de GFIP à Previdência devem seguir o rito previsto na Lei nº 11.941/09 ainda que os fatos a que se refiram sejam anteriores à vigência da norma. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.084, de 29 de janeiro de 2020, paradigma desta decisão. O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Impõe-se observar incialmente que o lançamento foi constituído por autoridade competente e preenche todas as exigências formais previstas Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.729769/2015-95 na legislação de regência. O sujeito passivo, a descrição dos fatos, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicada foram corretamente identificados no Auto de Infração, não havendo vício que enseje a sua nulidade. Cumpre ressaltar que somente a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto 70.235/72, não havendo cerceamento do direito de defesa do contribuinte quando lhe é dada a oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos para tentar afastar a tributação contestada. Quanto à ausência de intimação prévia ao lançamento, aplica-se o previsto na Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212/91 não contraria este entendimento. A intimação somente será realizada se for necessária, ou seja, se a autoridade fiscal não dispuser de elementos suficientes para efetuar o lançamento, o que não se verifica no caso em tela, uma vez que se trata de multa pelo atraso na entrega de GFIP sem apuração de incorreções em seu conteúdo. Importante salientar que a ausência de intimação prévia não causou prejuízo e não impediu o exercício do direito de defesa do interessado, uma vez que este apresentou Impugnação e Recurso Voluntário demonstrando ter pleno conhecimento das infrações que lhe foram imputadas. Sobre a ocorrência de denúncia espontânea, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista o disposto na Súmula CARF n° 49, também vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Da mesma forma, não há que se falar em modificação do critério jurídico adotado no lançamento. A alteração na sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP ocorreu com a inclusão do art.32-A da Lei nº 8.212/91 pela Lei nº 11.941/09, ou seja, anteriormente ao ano calendário que aqui se examina. Cabe ressaltar nesse ponto que a multa aplicada no caso em tela é justamente a prevista no art.32-A da Lei nº 8.212/91 e não a indicada em seu art. 35-A como sugere o recorrente. Vale mencionar, por fim, que a responsabilidade por infrações da legislação tributária é objetiva, não dependendo da intenção do agente e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Além disso, segundo o art. 142 do mesmo diploma legal, a atividade administrativa de lançamento é Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10120.729769/2015-95 vinculada e obrigatória, não cabendo discussão sobre a aplicabilidade ou não das determinações legais vigentes por parte das autoridades fiscais. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 86DF CARF MF Documento nato-digital

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