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Numero do processo: 14367.000284/2008-55
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 84 /2 00 8- 55 Fl. 232DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (efls. 206 a 217) em face do Acórdão nº 2403001.504, proferido na Sessão de 11 de julho de 2012 (fls. 194 a 205) e que deu provimento parcial ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao Fl. 233DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 3 3 contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. O recurso visa rediscutir a retroatividade benigna das multas em razão da mudança legislativa introduzida pela MP/449 (cesta de multas). O Presidente da 4ª Câmara, da 2ª Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de Admissibilidade de efls. 219 a 222. Em seu apelo a Fazenda Nacional aduz que o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido; que esta lei, ao mesmo tempo em que alterou a redação do art. 35 da lei nº 8.212, de 1991, introduziu o art. 35 A pelo qual instituiu uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais, adotando a mesma sistemática da aplicada aos demais tributos; que à semelhança do que acontece com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento dos tributos devidos e não declarou na GFIP todos os dados relacionados aos fatos geradores, cumpre à Fiscalização aplica a multa prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996; que a incidência da multa de mora deve ocorrer naqueles casos expressos no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Sustenta a Fazenda Nacional que: “...no lançamento de ofício, diante da falta de pagamento ou recolhimento do tributo e/ou falta de declaração ou declaração inexata é exigido, além do principal e dos juros moratórios, os valores relativos às penalidades pecuniárias que no caso consistirá na multa de ofício. A multa de ofício será aplicada quando realizado o lançamento para a constituição do crédito tributário. A incidência da multa de mora, por sua vez, ficará reservada para aqueles casos nos quais o sujeito passivo, extemporaneamente, realiza o pagamento ou o recolhimento antes do procedimento de oficio (ou seja, espontaneamente – o que não foi o caso). Essa mesma sistemática deverá ser aplicada às contribuições previdenciárias, em razão do advento da MP nº 449 de 2008, posteriormente convertida da Lei nº 11.941/09. É o que se percebe pela simples leitura do art. 35A da Lei nº 8.212,...” E acrescenta à guisa de conclusão: Nessa esteira, não há como se adotar outro entendimento senão o de que a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade. Fl. 234DF CARF MF 4 Como conclusão, para se averiguar sobre a ocorrência da retroatividade benigna no caso concreto, a comparação entre normas deve ser feita entre o art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) e o art. 35A da LOPS. Cientificado do Acórdão nº 2403001.504, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento, a Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme se atestou no Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial de efls. 219 a 222, o qual não merece reparos. Conheço, portanto do recurso. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à definição da(s) penalidade(s) aplicável(eis) no caso de lançamento de ofício quando se apure infrações relacionadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, após as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, em razão da aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir reproduzido: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Antes das alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 449, de 2008, a Lei nº 8.212, de 1991 previa, para os casos de lançamento de ofício de contribuições sociais de que trata as alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único, do art. 11, a incidência de uma penalidade para o caso de falta de declaração em GFIP de verba tributável (art. 32, § 5º) e outra penalidade pelo recolhimento insuficiente (art. 35, II). Eis a redação dos referidos dispositivos, antes da MP n° 449, de 2008: Art. 32. A empresa é também obrigada a: § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do Fl. 235DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 4 5 valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. [...] Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: [...] II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Incidiam, portanto, duas penalidades para duas infrações materialmente distintas: a falta de declaração de verba tributável e o recolhimento insuficiente do tributo. A partir da vigência da Medida Provisória nº 449, de 2008, essas duas penalidades foram substituídas por uma só: a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Vejamos: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, prescreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 236DF CARF MF 6 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO). Para aferir qual a penalidade mais benigna, se a prevista anteriormente à Medida Provisória nº 449, de 2008 ou a posterior à mudança legal, devemos sopesar, consideradas as naturezas materiais das infrações previstas, isto é, a relação entre as condutas e as infrações previstas, aquela menos onerosa para o infrator, conforme entendimento consolidado nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016): AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 5 7 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. Como, para as duas condutas: a falta de declaração e o pagamento insuficiente, para as quais a legislação anterior previa a incidência de duas penalidades, cumulativamente, a nova legislação prevê apenas a incidência de uma única penalidade, na aplicação da retroatividade benigna, devese comparar a soma das multas previstas anteriormente (arts. 35, II, e 32, § 5o, da Lei n° 8.212, de 1991) à multa prevista na nova legislação (art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991). Mais especificamente, como a nova legislação prevê multa de 75%, na ausência de evidente intuito de fraude, haverá retroatividade benigna se a penalidade aplicável, segundo a legislação vigente à época do lançamento, ultrapassar esse percentual. No caso de incidência das multa previstas nos §§ 4º e 5º, do art. 32 e do art. 35, ambos da Lei nº 8.212, de 1991, na redação anterior à MP nº 449, de 2008, se a soma das duas penalidades for superior a 75%. No caso de aplicação, por qualquer razão, de apenas uma das penalidades, a comparação deve ser feita com o valor desta. Esse é o entendimento compatível com a posição da Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, segundo entendimento também consolidada deste Colegiado, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: Fl. 238DF CARF MF 8 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a Fl. 239DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 6 9 estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma Fl. 240DF CARF MF 10 forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. A citada Portaria 14, de 2009, que, vale ressaltar, está em perfeita consonância com a jurisprudência do CARF, é clara quanto aos procedimentos a serem observados para aplicação, em cada caso, da retroatividade benigna. Vejamos: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 241DF CARF MF Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 9202007.041 CSRFT2 Fl. 7 11 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, que se reporta à aplicação Fl. 242DF CARF MF 12 do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Em face ao exposto, conheço do recurso e doulhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como lançado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 14755.000145/2006-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 06/05/2002
DRAWBACK NECESSIDADE DE PROVA DO CUMPRIMENTO DO REGIME
Para que seja considerado adimplido o Regime Aduaneiro Especial denominado Drawback é necessário que o contribuinte prove que a mercadoria foi exportada ou devidamente utilizada no processo produtivo.
DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação.
Numero da decisão: 3302-005.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões entendendo pela necessidade de vinculação do ato concessório ao Registro de Exportação no momento previsto pela legislação. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède fará as razões da conclusões.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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DRAWBACK SUSPENSÃO. ATO CONCESSÓRIO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. VINCULAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Conforme disposição regulamentar, para fins de comprovação do adimplemento das condições exigidas para exoneração tributária decorrente da concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, é obrigatória a anotação do número do Ato Concessório no Registro de Exportação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araújo, Vinícius Guimarães, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Jr e Paulo Guilherme Déroulède votaram pelas conclusões entendendo pela necessidade de vinculação do ato concessório ao Registro de Exportação no momento previsto pela legislação. O Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède fará as razões da conclusões. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 5. 00 01 45 /2 00 6- 96 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 3 2 Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de processo administrativo por meio do qual se exige da Recorrente valores relativos ao descumprimento de obrigações relativas ao Regime Aduaneiro Drawback. No caso concreto, à Recorrente é imputado o fato de não haver vinculado os registros de exportação por meio dos quais teria sido exportada a mercadoria industrializada com os produtos extrangeiros. Por bem redigir os fatos de forma sintética, transcrevese o relatório da DRJ. "Em desfavor da pessoa jurídica NORFIL S/A INDUSTRIA TÊXTIL, foi lavrado auto de infração no intuito de promover a cobrança de imposto de importação, juros de mora e multa de ofício que, somados, perfazem R$ 607.125,68. Conforme consignado em relatório de Auditoria Fiscal que é parte integrante do auto de infração, a autuada beneficiouse de regime de drawback, na modalidade suspensão e, segundo consignado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão responsável pela concessão do regime, teria inadimplido integralmente os compromissos assumidos, na medida em que deixara de comprovar a realização das exportações. Esclarece, ainda a mesma autoridade que a comprovação das exportações somente será admitida mediante a apresentação de registros de exportação que preencham as formalidades fixadas pela Portaria Secex nº 14, de 2004. Nesse sentido, observa que os Registros de Exportação (RE) apresentados pelo sujeito passivo em cumprimento à intimação recebida quando do início do procedimento fiscal descumpriram tais exigências, seja porque foram alvo de solicitação de retificação intempestiva, seja porque se encontravam vinculadas a outro tipo de operação. Aponta que, em consulta ao Sistema Integrado do Comércio Exterior Siscomex módulo Drawback Eletrônico, confirmouse que a Secex não considerara qualquer dos RE para efeito de cumprimento do regime, em face de que todos teriam sido enquadrados em operações diversas do Drawback. Após regular ciência pela via postal, comparece o sujeito passivo ao processo para, por meio de seu representante, arguir, em síntese, que: a) Obteve autorização para utilizar o regime de drawback, instituído pelo Decretolei nº 37/66, mediante o qual lhe foi Fl. 373DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 4 3 autorizado importar, com suspensão dos impostos incidentes, mil toneladas de plumas de algodão, desde que cumprisse o compromisso de exportar seiscentas e cinqüenta e duas toneladas de fio de algodão no prazo determinado, compromisso que cumprira fielmente; b) O auto de infração, apesar de reconhecer tal cumprimento, aponta o descumprimento de obrigação de natureza acessória, consistente na não atualização, no sistema Siscomex, das informações constantes do RE; c) O regime de Drawback é um incentivo à exportação e sob esse prisma deverá ser avaliado seu cumprimento. Assim sendo, uma vez demonstradas a industrialização e exportação assumidas, elementos essenciais, não haveria como descaracterizar o benefício em razão de aspectos formais; d) As alegadas irregularidades diriam respeito a ato normativo posterior às importações e exportações e, portanto, além de não se revelarem como lei em sentido formal, seriam inaplicáveis; e) A legislação tributária deve ser interpretada de forma sistemática e em observância aos princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade, buscandose a adequação da lei à sua finalidade, no caso, a de garantir ao produtor e exportador os benefícios do regime. Cita jurisprudência do STF acerca da aplicação dos referidos princípios. É o Relatório" A DRJ do Recife negou provimento à Impugnação sob o argumento de que, em síntese, não caberia a ela, enquanto administração, deixar de cumprir as normas expedidas pelo legislador. "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 06/05/2002 DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. CONDIÇÕES. A concessão do regime de Drawback na modalidade suspensão condicionase ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento. O descumprimento das obrigações pertinentes à averbação do Ato Concessório e à utilização do regime nos Registro de Exportação, implica a descaracterização do regime e a exigência dos tributos suspensos." Irresignada, a Recorrente insurgiuse contra o Acórdão proferido pela DRJ, apresentando Recurso Voluntário ao CARF, no qual alega que cumpriu o Regime, deixando tão somente de desvencilharse de algumas obrigações acessórias que, segundo ele, não interfeririam na relação tributária. O processo foi submetido ao CARF que, por meio da Resolução n. 3303 000.392 resolveu baixar o processo em diligência para que: Fl. 374DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 5 4 a) solicite à SECEX, informações em relação ao ato concessório 20020056079, verificando os Registros de Exportação (RE), vinculados ao referido Ato concessório, independente da data de vinculação, e informando se as exportações neles registradas contemplam quantidade e qualidade de produtos equivalentes às obrigações assumidas pela recorrente; b) informe se as noticiadas retificações de vinculação foram efetuadas antes do inicio de qualquer ato fiscalizatório por parte da receita federal; e, c) traga aos autos outras informações que entenda relevantes ao deslinde da questão. Às fls. 353 foi juntado aos autos a manifestação lavrada pela Inspetoria da Receita Federal em Cabedelo que assim consigna: Escrevo em razão da diligência do Processo Administrativo Fiscal nº. 14755.000145/200696 relativo a empresa Norfil S/A Industrial Textil. A diligência foi realizada, obtendose por meio do Ofício nº. 489/2014/DECEX/SECEX, de 28/07/2014, a seguinte resposta: “1. (...) que na ótica desta SECEX, houve descumprimento total do compromisso consignado no Ato, uma vez que, à data do vencimento do Ato Concessório, 05/05/2003, não havia qualquer Registro de Exportação (RE) em condições de comprovar o cumprimento do mesmo.” “2. Reiteramos que a competência legalmente atribuída à SECEX na administração dos Atos Concessórios de Drawback Suspensão encerrase com a baixa dos referidos Atos, o que ocorreu, para o Ato em tela, em 01/08/2005, quando foi declarado seu inadimplemento total.” Posteriormente, às fls. 354 foi acostada aos autos a manifestação do Departamento de Operações de Comércio Exterior CoordenaçãoGeral de Exportação e Drawback, afirmando que, à ótica da SECEX houve descumprimento total do compromisso consignado no referido Ato, uma vez que, à data do vencimento do Ato Concessório, 05.05.2003, não havia qualquer registro de Exportação em condições de comprovar o cumprimento do mesmo. Finalmente, às fls. 358 há manifestação da Recorrente no sentido de que o processo fosse redistribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 6 5 O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação e a matéria é de competência deste colegiado. O presente recurso gravita em torno da análise do cumprimento, ou não, por parte da Recorrente, das condições impostas quando da adesão ao regime aduaneiro especial. Tratavase da importação de plumas de algodão que seriam posteriormente reexportadas em forma de fios. Efetivamente, pela leitura dos autos foi possível constatar que o sujeito passivo deixou de vincular os registros de exportação por meio dos quais teria sido exportada a mercadoria supostamente produzida ao amparo do regime ao respectivo ato concessório e pretende que o fisco reconheça o adimplemento do regime, à vista da apresentação dos referidos registros de exportação. A exigência básica do referido Drawback é a de que a matéria prima seja importada e, no prazo de quatro anos, sejam exportada mercadoria na qual tal matéria prima tenha sido utilizada no processo produtivo. Para a demonstração de tais fatos são impostos deveres jurídicos instrumentais. A própria decisão que concluiu pela diligência o CARF (fls. 342 e seguintes) ressaltou que a jurisprudência deste colegiado admite a relativização da exigência dos deveres jurídicos instrumentais quando, em última análise, o objetivo do regime é satisfeito. " Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/03/1993 (...) DRAWBACK. SUSPENSÃO. ERRO PREENCHIMENTO. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. O mero erro no preenchimento do registro de exportação não caracteriza desvinculação das exportações ao Ato Concessório. A exigência dos tributos deve, impreterivelmente, apoiarse em elementos materiais do descumprimento do compromisso de exportação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. (Processo 10314.000.536/9950. Acórdão 3101001.043. Sessão de 16 de fevereiro de 2012. Relator Luiz Roberto Domingo). Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 12/08/1997, 25108/1997 Ementa: DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Comprovado o cumprimento integral do regime em diligência pela administração tributária, resta adimplido o compromisso de drawback assumido, a despeito do erro cometido pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 7 6 ACORDAM os membros da 2a Câmara /1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Processo 10209.000.421/200228. Acórdão 3201000.990. Sessão de 23/05/2012. Relator Luciano Lopes de Almeida Moraes.)" Contudo, no caso concreto a diligência foi efetuada no sentido de vincular os registros de exportação ao ato concessório, independente da data, bem como se as retificações foram realizadas antes de qualquer ato fiscalizatório. Às fls. 65 há demonstrativo de que a Recorrente exportou centenas de toneladas de fios de algodão, contudo tais informações não são suficientes para correlacionar a exportação à importação pois a Recorrente não se desincumbiu de trazer aos autos informações mais detalhadas acerca das operações da empresa, as quantidades que importou, a procedência, as quantidades que exportou e uma mínima correlação entre estas operações, correlações estas aptas a gerar indícios, mais ou menos robustos, de que as mercadorias exportadas corresponderiam às importações por ela realizadas. Como tratase de uma prova que deveria ter sido realizada pela Recorrente a partir de sua documentação operacional, entendese que deveria ter sido trazida aos autos quando da impugnação ou mesmo juntamente como Recurso Voluntário. Todavia, a maioria do colegiado acompanhou este relator pelas conclusões, entendendo pela necessidade de vinculação do ato concessório no registro de exportação no momento previsto na legislação. Assim, nos termos do §8º1 do artigo 63 do Anexo II do RICARF, passo a transcrever as razões adotadas pela maioria do colegiado: "Ressaltase que a vinculação do RE ao ato concessório para efeito de comprovação do adimplemento do compromisso é requisito essencial, conforme previsto na Portaria SECEX nº 4/1997, que assim dispunha em seu artigo 37, inserido dentro da item VII COMPROVAÇÃO: Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) devidamente vinculado a Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor. Do mesmo modo, o Comunicado DECEX nº 21/1997 dispunha em seu Capítulo V COMPROVAÇÕES: CAPÍTULO V COMPROVAÇÕES TÍTULO 19 MODALIDADE SUSPENSÃO 19.1. Para comprovação do Regime de Drawback, modalidade suspensão, os documentos utilizados na importação e na exportação deverão abranger apenas um Ato Concessório de Drawback, bem como não poderão estar vinculados à comprovação de outros Regimes Aduaneiros ou incentivos à exportação. 1 § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 8 7 [...] 19.3. Somente serão aceitos Declaração de Importação e Registro de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback. No mesmo sentido a Portaria SECEX nº 14/2004: Seção III Modalidade Suspensão Art. 139. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. [...] Art. 141. As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório em processo de comprovação. Salientase que, por se tratar de suspensão de crédito tributário que se resolve em isenção (ou isenção condicionada), os dispositivos legais sobre Drawbacksuspensão devem ser interpretados literalmente, a teor do artigo 1112 do CTN. Ademais, a vinculação do RE ao AC permite à autoridade aduaneira conhecer que se trata de uma exportação destinada à cumprir um regime de benefício fiscal isentivo, permitindo a adoção de medidas de controle aduaneiro adequadas, de modo a possibilitar eventual controle do emprego e destinação dos bens objeto do regime de Drawback. Ressalta se, ainda, que a falta de vinculação de um RE a um AC possibilita sua utilização em diversos atos, impossibilitando o controle aduaneiro efetivo. Neste sentido, citamse os Acórdão nº 9303000.544 e 9303004.139, proferido pela CSRF, cujas ementas seguem abaixo: Acórdão nº 9303000.544: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 1993, 1994 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II. DRAWBACKSUSPENSÃO. Registros de exportação não vinculados ao ato concessório não são aceitos pela Receita Federal do Brasil, para fins de comprovação do regime de drawback. 2 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 9 8 A vinculação de registros de exportação ao ato concessório após o início do procedimento fiscal, momento em que se encontra excluída a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores, não pode ser considerada para fins de descaracterização de infrações já consumadas. Recurso Especial da Fazenda provido. Recurso Especial do Contribuinte negado. Acórdão nº 9303004.139: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 23/01/2007 a 12/12/2007 DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. O excerto do voto vencedor elaborado neste último é esclarecedor, conforme a seguir: "A modalidade de drawback objeto da lide – drawback suspensão – como a própria denominação permite antever, contempla a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outro produto a ser exportado. Nesse diapasão, os produtos importados pelo beneficiário deverão ser efetivamente àqueles utilizados nas mercadorias exportadas, obrigatoriedade esta que caracteriza o denominado princípio da vinculação física, exigido, em regra, em todas as modalidades de drawback. Com efeito, referido princípio está embasado, historicamente, nos artigos 314, 315 e 317 do Regulamento Aduaneiro de 1985 – RA/85 (aprovado pelo Decreto nº 91.030/85) – vigente à época dos fatos –, nos artigos 335, 336, 341, 342, 345, 346 e 349 do já revogado Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto nº 4.543/2002), assim como nos artigos 171, 383, 384, 389, 390, 393, 394 e 397 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto nº 6.759, de 05/02/2009). Fl. 379DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 10 9 [...] A necessária observação do princípio da vinculação física traz como consequência a obrigatoriedade de serem adotadas medidas de controle de estoque compatíveis com a efetiva demonstração de que os insumos adquiridos no mercado externo foram realmente empregados nos produtos exportados sob a guarida do regime em apreço. Com efeito, o inciso II do art. 78 do DecretoLei n° 37/66, raiz legal do art. 314, inciso I, do RA/85, bem como do artigo 335, inciso I, do RA/2002, e do artigo 383, inciso I, do RA/2009, ao estabelecer que referida modalidade envolve a “suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada” (grifos nossos), exige que as mercadorias exportadas estejam acondicionadas, contenham ou tenham sido elaboradas com os insumos efetivamente importados para tal fim. E não poderia ser de outra forma, posto que a não utilização dos insumos importados nos produtos compromissados a exportar representaria desvio de finalidade do incentivo, com prejuízos para a Fazenda Pública e à livre concorrência nacional, retratada na aquisição de mercadorias do exterior, pelo beneficiário do incentivo, em condições bem mais favoráveis que a concorrência, pois sobre tais mercadorias não haveria a incidência normal de tributos sobre os bens importados. Exatamente por tais razões é que, no regime aduaneiro especial de drawback, deve ser observado o princípio da vinculação física. Sobre essa questão, o Parecer Normativo CST n° 126/72, ao se reportar ao art. 78, inciso II, do Decretolei n° 37/66, afirma, em seu item 10, que “[...] somente a mercadoria importada na modalidade constante do inciso II, do texto legal em referência [drawback suspensão], é que tem destinação específica, devendo ser exportada numa das formas previstas, sob pena de tornarem se exigíveis as obrigações tributárias anteriormente suspensas”. Ressaltese que o item 9 do parecer em tela, ao abordar a sistemática do drawback isenção, assevera que, na referida modalidade, “[...] a mercadoria é importada com isenção tributária em substituição a uma outra igualmente importada que, em quantidade e qualidade equivalente, foi utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado”. Posteriormente, o Parecer Normativo CST n° 12, de 12/03/1979 (DOU de 19/03/1979) – citado no voto recorrido como justificativa à flexibilização da vinculação física no drawback suspensão (fls. 327) –, embora tendo se reportado a outra matéria (hipóteses de isenção do II e do IPI para empresas fabricantes de produtos manufaturados que tiveram Programa Especial de Exportação nos termos do art. 1° do Decretolei n° 1.219, de 15/05/1972), abordou, justamente, a questão relativa à necessidade de observação da vinculação física, tanto no Fl. 380DF CARF MF Processo nº 14755.000145/200696 Acórdão n.º 3302005.607 S3C3T2 Fl. 11 10 drawback suspensão como no drawback isenção, conforme excertos do citado parecer, abaixo reproduzidos: " Defluise, assim, que a vinculação do RE ao ato concessório é requisito essencial e sua ausência impede a realização do controle aduaneiro apropriado, não havendo que se falar em cumprimento do compromisso de exportação." Por estas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.919493/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.919481/2012-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Winderley Morais Pereira Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento indevido ou a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 19 49 3/ 20 12 -4 7 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que a constituição do crédito tributário é feita pela apresentação da DCTF e que não existe vedação à retificação da declaração. Discorre sobre o direito à retificação da DCTF sempre que os valores apurados não tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa e não houver alteração da periodicidade da declaração anteriormente apresentada. Em relação aos fatos, informa que foi realizado pagamento em relação ao período de apuração em análise e que o despacho decisório determinou o não reconhecimento do direito creditório da Manifestante em virtude de suposta utilização dos pagamentos encontrados para o Darf. Defende que ao débito apurado para o mesmo período de apuração do Darf não foi vinculado nenhum crédito, assim o pagamento efetuado mediante Darf está totalmente disponível. Pede a reforma do despacho decisório com a homologação integral da compensação e o cancelamento da cobrança dos débitos remanescentes. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que, basicamente, repete os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.925, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.919481/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.925): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de homologação parcial de compensação de créditos da COFINS com débitos tributários federais. A DRF de origem alegou que não havia crédito suficiente. Do Despacho Decisório (fl. 73) e PER/DCOMP auditada (fls. 66 a 71) e das cópias anexadas às peças de defesa de DCTF (retificadora), DACON (original e retificadora) e guia de pagamento (fls. 2 a 64 e 88 a 136), extraio o seguinte: 1) Em setembro de 2007, foi pago o montante de R$ 225.172,22 (fl. 51), a título de COFINS do período de apuração (PA) agosto de 2007. O valor devido foi declarado no DACON original (fls. 129). Não há cópia da respectiva DCTF. 2) Em 26/03/11, foi transmitida a DCTF retificadora do mês de agosto de 2007, por meio da qual alterou o valor da COFINS devida, que passou a R$ 172.020,11 (fl. 55). o DACON também foi retificado (fl. 137). Na DCTF retificadora o débito de R$ 172.020,11 figura como se estivesse em aberto, isto é, sem crédito (pagamento ou compensação) vinculado. Em seu recurso, informou que adotou tal procedimento, pois desejava incluir o débito de R$ 172.020,11 em parcelamento. 3) Em 26/03/11, foi entregue o PER/DCOMP auditado (fls. 66 a 71), utilizando a totalidade dos R$ 225.172,02 para liquidar outros débitos tributários federais. 4) O Despacho Decisório (fl. 73) confirma o pagamento de R$ 225.172,22 e o novo valor devido da COFINS de agosto de 2007 de 172.020,11. Contudo, ao contrário do que consta na cópia da DCTF retificadora (fl. 55), vincula parte do pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11. Em síntese, as questões que este colegiado são as seguintes: a) Pode o contribuinte retificar a DCTF para, concomitantemente, reduzir o valor devido e desvinculálo do pagamento originariamente efetuado? b) Teria a RFB poderes para, a despeito do que foi consignado pelo contribuinte na DCTF retificadora, vincular o pagamento de R$ 225.172,22 ao débito de R$ 172.020,11? Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 5 4 Ao meu ver, a resposta à primeira pergunta é sim. É possível retificar, para alterar a vinculação de créditos. Senão vejamos (IN RFB n° 1.110/10 em vigor na data da retificação da DCTF): "Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. (. . .)" Por outro lado, à segunda, entendo que é não. Quando muito, identificado um crédito derivado de tributo pago a maior, poderia o Fisco realizar uma compensação de ofício. Contudo, o contribuinte teria de ser previamente consultado e, inclusive, dela poderia discordar (art. 49 da IN RFB 900/08, em vigor na data do Despacho Decisório). Contudo, não há notícia nos autos de que houve compensação de ofício. Estaria pronto para votar pelo provimento do recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório de R$ 225.172,02, caso não tivesse identificado duas informações contraditórias: no Despacho Decisório (fl. 73), consta que os R$ 225.172,02 teriam sido vinculados ao débito de R$ 172.020,11, enquanto que na cópia da DCTF retificadora, anexa à manifestação de inconformidade (fl. 55), não consta vinculação alguma. Assim sendo, proponho que o julgamento seja convertido em diligência, para que a unidade de origem verifique na DCTF "ativa" de agosto de 2007 se o crédito de R$ 225.172,02 foi ou não vinculado ao débito de R$ 172.020,11. Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência a fim de que a Unidade de Origem verifique na DCTF "ativa" do respectivo período de apuração se o crédito informado no PER/DCOMP foi ou não vinculado ao débito constante no Despacho Decisório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10680.919493/201247 Resolução nº 3301000.933 S3C3T1 Fl. 6 5 Deve ser elaborado relatório conclusivo e aberto prazo de trinta dias para manifestação das partes. Findo este prazo, os autos devem retornar conclusos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925312/2016-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2015
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 12 /2 01 6- 45 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.518. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10680.925312/201645 Acórdão n.º 3301004.937 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 279DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901246/2009-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84.
Súmula CARF 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Restando comprovado na DCTF que o crédito tributário foi constituído em valor menor do que o valor recolhido, é de se considerar suficiente a documentação apresentada como comprobatória do indébito. Cabe às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo.
Numero da decisão: 1401-002.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se a compensação pleiteada.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO-CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. Súmula CARF 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Restando comprovado na DCTF que o crédito tributário foi constituído em valor menor do que o valor recolhido, é de se considerar suficiente a documentação apresentada como comprobatória do indébito. Cabe às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologando-se a compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1703; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.901246/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.930 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS Recorrente LET´S RENT A CAR LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. SÚMULA CARF 84. Súmula CARF 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Restando comprovado na DCTF que o crédito tributário foi constituído em valor menor do que o valor recolhido, é de se considerar suficiente a documentação apresentada como comprobatória do indébito. Cabe às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade de Camerano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 12 46 /2 00 9- 78 Fl. 81DF CARF MF 2 Relatório Tratase de pedido de compensação por meio do qual a contribuinte pretendeu compensar débito de IRPJ com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo. O despacho decisório não reconheceu o direito creditório ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário. Recebi o processo em distribuição realizada em 25 de julho de 2018. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.916, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13851.900928/2009 63, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.916): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. O despacho decisório, assim como a decisão recorrida, entenderam que os recolhimentos mensais por estimativa a maior efetuados durante o anocalendário não são pagamentos passíveis de compensação em cada mês, pois não representam créditos líquidos e certos. Ocorre que este CARF tem entendimento diverso, consolidado no enunciado da Súmula CARF nº 84, de seguinte teor: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, a compensação não pode ser negada sob tal fundamento, devendo ser analisado se de fato houve pagamento indevido no mês em questão. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13851.901246/200978 Acórdão n.º 1401002.930 S1C4T1 Fl. 3 3 Pois bem. Sustenta a Recorrente que o crédito originouse de um pagamento indevido ou a maior de tributo referente a um mês específico, conforme constou de sua DCTF. Isso porque o tributo efetivamente devido no mês foi inferior, daí resultando o crédito da diferença. A Recorrente aponta, ademais, que é certo que o valor do crédito não foi utilizado na composição do saldo negativo do anocalendário, já que ela não apurou saldo negativo de IRPJ, conforme demonstra a sua DIPJ. Analisando as informações constantes dos autos, percebo que o valor do recolhimento realizado é superior ao montante de tributo autolançado no mês em questão. Em um cenário como este, não vejo razão para que se pretenda investigar se a base de cálculo do mês em questão está correta, já que mesmo que estivesse equivocada caberia às autoridades fiscais efetuar o devido lançamento como pressuposto para a cobrança de qualquer diferença de tributo. Assim, considero que as informações constantes dos autos são suficientes para concluir que resta devidamente comprovado o pagamento a maior, devendo ser homologada a compensação em questão. Dispositivo Ante o exposto, oriento meu voto para julgar procedente o recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário, homologandose a compensação pleiteada, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001767/2007-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração.
IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. EXCESSO DE DESTINAÇÃO. REGULARIDADE FISCAL.
O excesso de destinação ao incentivo fiscal regional foi constituído pela inexistência de regularidade fiscal da contribuinte, demonstrada durante o processo administrativo, conforme admitido pela Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 1201-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
RAFAEL GASPARELLO LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada). Ausente, justificadamente, Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração. IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. EXCESSO DE DESTINAÇÃO. REGULARIDADE FISCAL. O excesso de destinação ao incentivo fiscal regional foi constituído pela inexistência de regularidade fiscal da contribuinte, demonstrada durante o processo administrativo, conforme admitido pela Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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OMISSÃO. Não há omissão do acórdão, ocasionando a rejeição dos Embargos de Declaração. IRPJ. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. EXCESSO DE DESTINAÇÃO. REGULARIDADE FISCAL. O excesso de destinação ao incentivo fiscal regional foi constituído pela inexistência de regularidade fiscal da contribuinte, demonstrada durante o processo administrativo, conforme admitido pela Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Presidente em exercício. (assinado digitalmente) RAFAEL GASPARELLO LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los (presidente em exercício), Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada). Ausente, justificadamente, Ester Marques Lins de Sousa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 67 /2 00 7- 98 Fl. 620DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, argumentando a Fazenda Nacional, ora Embargante, uma omissão no acórdão nº 110100.663, a seguir ementado: IRPJ — INCENTIVOS FISCAIS — PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Sendo o único óbice apontado pela autoridade administrativa para o indeferimento a existência de débito inscrito na PFN, afastado o óbice mediante apresentação de certidão positiva com efeito de negativa, impõe se o deferimento do PERC. SÚMULA CARF n° 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, foi DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. A Embargante afirma que o acórdão embargado foi omisso quanto à regularidade indispensável para o deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), conforme a seguinte exposição (efl. 595): A União (Fazenda Nacional), por sua procuradora, com amparo no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, vem apresentar EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, pelos motivos a seguir aduzidos: Pela análise do Acórdão 110100.663, verificase que a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao Recurso Voluntário fundamentando sua conclusão na tese de que o momento em que deve ser comprovada a regularidade pelo sujeito passivo, com vistas ao deferimento do PERC é a data da apresentação da DIRPJ. A citada Turma considerou que o contribuinte comprovou sua regularidade fiscal com a juntada da certidão de fls. 554. No entanto, somente esse documento não atesta que na data da apresentação da DIRPJ, havia a regularidade indispensável para o deferimento do PERC, já que haveria a necessidade também da juntada do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal (art. 27 da Lei nº 8.036/90) e da Certidão Negativa emitida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (art. 18, parágrafo único da Norma de Execução SRF/COSAR/n° 06, de 30/04/98). Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso para que haja pronunciamento sobre a necessidade dos referidos documentos para demonstrar a regularidade fiscal. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 16327.001767/200798 Acórdão n.º 1201002.292 S1C2T1 Fl. 605 3 Em despacho da presidência da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, existiu a admissibilidade dos Embargos de Declaração, identificando o pressuposto da omissão no acórdão recorrido (efls. 601 a 603): A situação de omissão está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, para se comprovar av regularidade fiscal indispensável para o deferimento do PERC há necessidade da juntada do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal (art. 27 da Lei nº 8.036, de 1990) e da Certidão Negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (art. 18, parágrafo único da Norma de Execução SRF/COSAR n° 06, de 30.04.1998). Considerando a extinção da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, mediante novo sorteio, fui designado relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos, com admissibilidade reconhecida, portanto, deles tomo conhecimento. Em acórdão embargado, restringiuse a controvérsia sobre o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC) do contribuinte pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras de São Paulo, mediante o respectivo Despacho Decisório: A irregularidade fiscal, mencionada no Despacho Decisório, foi saneada nos termos da Súmula nº 37 deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, resultando no provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte: Fl. 622DF CARF MF 4 Todavia, a Embargante diverge da regularidade fiscal constatada no acórdão embargado, "já que haveria a necessidade também da juntada do Certificado de Regularidade do FGTS, fornecido pela Caixa Econômica Federal (art. 27 da Lei nº 8.036/90) e da Certidão Negativa emitida pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (art. 18, parágrafo único da Norma de Execução SRF/COSAR/n° 06, de 30/04/98)". Primeiramente, notase que a regularidade perante à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, ratificada pela Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União (efl. 586). Adicionalmente, embora não indicada no Despacho Decisório como impedimento para concessão do incentivo pretendido e, assim, não integrante da presente lide, identificase a Certidão de Regularidade do FGTS nos autos (efl. 537). Logo, concluise pela inexistência da omissão, suscitada pela Embargante. Isto posto, REJEITO os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 623DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.720666/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999.
Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999.
Numero da decisão: 2301-005.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo utilizada, os valores comprovados de bolsas de estágio e de aviso-prévio indenizado.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhece-se do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedou-se preclusa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999. Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo utilizada, os valores comprovados de bolsas de estágio e de aviso-prévio indenizado. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior - Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
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PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSA DE ESTÁGIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não integra o salário de contribuição os valores pagos em razão de estágio de estudantes, atendidos os critérios legais. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AVISO PRÉVIO INDENIZADO. NÃO INCIDÊNCIA. DECRETO Nº 3.048, de 1999. Para fatos geradores anteriores ao Decreto nº 6.727, de 2009, o aviso prévio indenizado não integra o salário de contribuição, em razão do que constava do Decreto nº 3.048, de 1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (a) não conhecer das questões atinentes: (a.1) à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e Gfip e (a.2) à concomitância entre a multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado; (b) no mérito, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir, da base de cálculo utilizada, os valores comprovados de bolsas de estágio e de avisoprévio indenizado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 06 66 /2 01 0- 66 Fl. 627DF CARF MF 2 João Bellini Júnior Presidente. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de auto infração, lavrado em 23/04/2010 (efl. 145), Debcad nº 37.242.0419, para exigência de multa por não declarar, em Gfip, integral ou corretamente, as informações relativas às contribuições previdenciárias devidas. Em 23/12/2009, com a ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (efls. 2 a 4), deuse início à ação fiscal em face da Recorrente que resultaria no lançamento de contribuições previdenciárias e consectários. Por bem descrever o que consta dos autos, reproduzo parte do relatório que acompanha o acórdão recorrido, Acórdão nº12 60.618 (efls. 453 a 459): 2.2. A empresa foi intimada a justificar a origem da divergência de valores encontrados entre as remunerações dos segurados empregados declaradas em GFIP e as informadas na DIPJ. Todavia não o fez, justificandose, desta forma, ter a fiscalização concluído pela omissão das remunerações. 2.3. Dessa forma, a fiscalização usou o procedimento de aferição indireta para apurar a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas pelo sujeito passivo, utilizandose, para tanto, dos valores declarados como ordenados, salários, gratificações e outras remunerações aos empregados, nas fichas 05 A Despesas Operacionais nas Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ dos anosbase 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008. 2.4. Constatado ter a autuada deixado de informar na GFIP parte da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que lhe prestaram serviços, apurada através do confronto de valores informados nas DIPJ, anos calendário 2006 e 2007, exercícios 2007 e 2008, inseridas nas fichas 05ADespesas Operacionais – Atividades em Geral – Ordenados, salários, gratificações, e os valores declarados nas GFIP dos exercícios 2006 e 2007, conforme demonstrativos de fls. 18 a 19. 3. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa de fls. 21 a 28 aduz, em síntese, o seguinte: 3.1. A multa a ser aplicada em decorrência da infração, descrita no Relatório Fiscal da Infração encontrase prevista no art. 32, § 5º da Lei nº 8.212/91 e art. 284, inciso II e art. 373 do Decreto nº 3.048/99, atualizada pela Portaria Interministerial MF nº 350, Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 628 3 de 30/12/2009, publicada no DOU em 31/12/2009, correspondente a R$ 148.132,95. 3.2. O cálculo da multa é feito por ocorrência. Entendese por ocorrência cada competência em que se deu a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 3.3. A multa corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo estabelecido, em função do número de segurados da empresa. 3.4. A partir de 31/12/2009, o valor mínimo da multa por infração à legislação previdenciária é de R$ 1.410,79, de acordo com o art. 8º, iinciso V, da Portaria Interministerial nº 350, de 31/12/2009. Para os exercícios de 2006 e 2007, o número de segurados da empresa esteve situado entre 1001 a 5000, o que conduz a um enquadramento correspondente a 35 vezes o valor mínimo, ou seja, R$ 49.377,65. 3.5. O número de segurados empregados por competência foi extraído das GFIP, quantitativo este utilizado inclusive para valoração da multa. 3.6. As bases de cálculo apuradas nos meses de 04/2007 a 06/2007 foram obtidas do confronto entre os valores constantes da DIPJ, ano calendário 2007, exercício 2008 e dos declarados nas GFIP, conforme quadro de fls. 22. 3.7. Foi aplicada a multa mais benéfica ao contribuinte, conforme quadro de fls. 24 a 26. 3.8. Logo, apesar da infração objeto deste Auto ter sido observada em todas as competências fiscalizadas (01/2006 a 12/2007), o presente Auto só se refere às competências 04/2007 a 06/2007, pois as penalidades existentes à época da entrega das GFIP com omissões é mais benéfica ao contribuinte em relação às novas penalidades introduzidas pela MP 449/2008. Na impugnação, essencialmente a empresa alegou que os valores informados nas DIPJ corresponderam aos que constam da Contabilidade e, uma vez excluídas as parcelas que não comporiam a base de cálculo de contribuições previdenciárias e confrontando o resultado com o que foi declarado em Gfip, constatariase que a empresa efetuou recolhimentos para a Seguridade Slocial em valor superior ao que efetivamente deveria ter recolhido (efl. 157, in fine). A impugnação foi julgada improcedente e o crédito tributário, por conseguinte, foi mantido sob os seguintes fundamentos: 14. Tendo dado azo à aferição indireta, é ônus da Impugnante fazer prova em contrário, significa dizer que deve demonstrar que o lançamento está equivocado, assim, além da planilha, deve relacionar cada valor indicado ao documento que o comprova, não basta a mera juntada. No caso em tela, a Impugnante Fl. 629DF CARF MF 4 preparou uma planilha, mas negligenciou a demonstrar a sua procedência. 15. Sequer foram juntados os documentos indicados pela fiscalização como motivadores da aferição indireta. A Impugnante juntou documentos sintéticos, mas não os analíticos, que permitiriam à fiscalização ou ao órgão de julgamento verificar a procedência de suas alegações. Sendo assim, restou mantido o lançamento efetuado através do levantamento AF e AF1, dos AI n° 37.242.0451 e 37.242.0460. DA PENALIDADE APLICADA 16. Considerando que foram julgadas devidas as contribuições apuradas nos AI n° 37.242.0451 e 37.242.0460, as mesmas deveriam ter sido declaradas em GFIP, mas não foram, de maneira que é procedente a aplicação da penalidade pela sua omissão no instrumento declaratório, somente das competências 04 a 06/2007, por ter resultado mais benéfica ao contribuinte, conforme explicitado no item 7 do relatório fiscal. A Recorrente, então, apresentou recurso voluntário (efls. 466 a 623) em que alegou, em síntese, que a aferição indireta não poderia subsistir porquanto não teria havido negativa de atendimento às intimações fiscais. Alegou, também, que a) o arbitramento não poderia se dar com base nas informações da DIPJ, pois ali há valores que não comporiam a base de cálculo da contribuição previdenciária; b) que é permitida a apresentação de documentos mesmo na fase recursal, e c) que não incidiria multa por descumprimento de obrigação acessória quando já se exige a penalidade pela ausência de recolhimento da obrigação principal (bis in idem). É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital Relator. O recurso é tempestivo. Sobre a utilização da aferição indireta, a matéria não restou questionada na impugnação. A então Impugnante limitouse a informar que dos valores usados pela autoridade fiscal para o arbitramento, provenientes da DIPJ, deveriam ser excluídas as parcelas que não integrariam a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Porém, aquele colegiado entendeu que não foram apresentadas provas de que os valores utilizados estariam incorretos. Portanto, a utilização do critério de arbitramento não foi objeto de contestação. O mesmo ocorre em relação à questão relativa à concomitância da multa isolada, por descumprimento de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado. Tratase de matéria que não foi objeto de impugnação e, portanto, não compõe a lide. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 629 5 Como já se manifestou esta turma, unanimemente, no Acórdão nº 2301 005.165, não se conhece de matéria não impugnada: Não é possível conhecer da matéria porque não foi questionada pela recorrente na impugnação e, consoante o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. É a impugnação, ao instaurar a fase litigiosa, que delimita a lide. Não suscitada a matéria na fase própria, precluso estará o direito de fazêlo em outro momento processual. Nesse sentido, há vários precedentes no Carf (por exemplo, os acórdãos nºs 3302004.356, 3402004.318, 2402 005.903, 2402005.808 e 9101002.719). Portanto, não conheço do recurso em relação à impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e GFIP e, também, em relação à concomitância das multas. Registrese que não houve questionamento, na impugnação ou no recurso voluntário, do método de cálculo da multa aplicada, tampouco quanto à retroação benigna da legislação, nos termos do lançamento. Cingese, a controvérsia, pois, aos valores de base de cálculo utilizada no lançamento, única matéria que se admite neste recurso. A Recorrente alegou que nos valores utilizados para arbitramento da base de cálculo, provenientes da DIPJ, conteriam parcelas isentas ou não incidentes. Pugnou pelo seguinte: Reformar a decisão de primeira instância para se julgar improcedente a penalidade lançada, consagrando o Princípio da Verdade Material para se reconhecer que a integralidade dos valores declarados em DIPJ não compõe a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas nos anos de 2006 e 2007, de forma que as GFIP foram apresentadas de forma correta, não devendo ser aplicada penalidade porque não houve descumprimento de qualquer obrigação. (Sem grifo no original.) Observese que o critério de apuração, com base na aferição indireta, deve ser mantido, porquanto amparado na lei, mas pode, entretanto, ser ajustado a vista de eventuais provas em contrário aduzidas após o lançamento. Com efeito, a Recorrente alega que os valores constantes das DIPJ incluem parcelas sobre as quais não incidiam contribuição previdenciária e, portanto, em relação a essas parcelas, a base de cálculo deverá ser recomposta. A Recorrente alegou, no recurso voluntário, que, nos valores constantes do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ, utilizado como base de cálculo, constariam as seguintes parcelas que não deveriam compor a base de lançamento: a) vale refeição, multas trabalhistas, 13º salário indenizado, férias indenizadas, exame admissional e valetransporte; b) desconto salarial por faltas; Fl. 631DF CARF MF 6 c) parcelas de 2005 referentes a 13º salário, férias, gratificação, horasextras e salários; d) aviso prévio, indenizações, assistência educacional e bolsaestágio. Antes de discorrer sobre a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre cada uma das verbas alegadas pela Recorrente, devese, preliminarmente, verificar se tais verbas estavam contidas na base de cálculo utilizada pela Autoridade Lançadora. De pronto, constatase que, ao consultar as orientações para o preenchimento do Quadro 05A da DIPJ, algumas verbas informadas pela Recorrente não estão contidas na linha 02, que foi utilizada para a aferição indireta, e, portanto, sequer fizeram parte do lançamento: a) a alimentação do trabalhador, como valesrefeição, é informada na Linha 05A/10 Alimentação do Trabalhador; b) as multas trabalhistas são informadas na Linha 05A/19 Multas; c) o 13º salário, assim como as férias, devem ser devidamente provisionados e informados na Linha 05A/22 Provisões para Férias e 13º Salário de Empregados; d) as despesas com saúde, inclusive exames admissionais, bem como as despesas correspondentes a salários, ordenados, gratificações e outras remunerações referentes à área de saúde, tais como assistência médica, odontológica e farmacêutica, são informadas na Linha 05A/28 Assistência Médica, Odontológica e Farmacêutica a Empregados, e e) o valetransporte é informado na Linha 05A/31 Outras Despesas Operacionais. Portanto, não há que se excluir, da base de cálculo, os valores de vale refeição, multas trabalhistas, 13º salário indenizado, férias indenizadas, exame admissional e valetransporte porque eles não constam do montante indicado no Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ. Sobre os descontos salariais por faltas, há que se considerar que os balancetes apresentados (efls. 241 a 329) são demasiadamente sintéticos e não se prestam a comprovar a composição das contas ali dispostas. Por exemplo, a conta 5.2.4.9901 Ordenados deve registrar o saldo dos valores de salários, já descontadas as deduções por faltas porque não correspondem a salários devidos ou pagos. Deste modo, aquela conta seria composta por, pelos menos, uma conta analítica indicativa dos valores brutos de salários, de saldo devedor, e uma respectiva conta redutora analítica, de saldo credor, a corrigir o saldo da conta devedora, contendo as parcelas de salário não devidas em razão de eventuais ausências dos empregados. Se o balancete houvesse sido apresentado na forma mais analítica permitida pelo plano de contas da empresa, e presumindo que a empresa faz sua escrituração com observância das normas e princípios contábeis, deveria seguir a seguinte disposição: 5.2.4.9901 Ordenados 5.2.4.9901XX Salários Brutos 5.2.4.9901YY () Desconto por faltas Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 630 7 A Recorrente, em sua impugnação, bem demonstrou que os valores declarados no Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ contêm o saldo da conta 5.2.4.9901 Ordenados. Deste modo, os valores informados na DIPJ, sem prova em contrário, devem ser entendidos como já deduzidos das faltas dos empregados e, portanto, não integraram a base de cálculo. Quanto às verbas que a Recorrente alega serem referentes a 2005, mas que estariam contidas na base de cálculo utilizada pelo Fisco, não assiste razão à Recorrente, pois na DIPJ, como se sabe, as informações obedecem ao regime de competência, e não ao regime de caixa. Portanto, os dados do Quadro 05A/02 Ordenados, Salários, Gratificações e Outras Remunerações a Empregados das DIPJ relativos ao primeiro trimestre de 2006 não podem se referir a fatos contábeis ocorridos em 2005. Ora, considerando que o art. 431 da Lei nº 8.212, de 1991, não deixa dúvidas de que as contribuições previdenciárias também obedecem ao regime de competência, na medida em têm como fato gerador a prestação do serviço, e não o seu pagamento, não subsiste a alegação de que as parcelas de 12/2005 e 13/2005 estariam contidas na referida informação da DIPJ do anocalendário de 2006, pois comporiam, isso sim, os valores declarados no 4º trimestre da DIPJ relativa ao anocalendário de 2005. Excluídas, pois, as verbas que, ao contrário do afirmado pela Recorrente, não compuseram a base de cálculo, verificase que os valores provenientes das DIPJ poderiam conter montantes relativos a indenizações, assistência educacional bolsaestágio e aviso prévio. Portanto, é necessário verificar, em cada um dos casos, se os requisitos para a exclusão da base de cálculo estão presentes. Quanto às indenizações, a Recorrente não logrou juntar provas suficientes de que se tratavam de parcelas inalcançadas pela contribuição previdenciária, limitandose a alegar, apontar valores e apresentar as folhas de pagamento do período e balancetes, sem que comprovasse, individualmente, a que tipo de indenização se referiam os valores informados. É certo que nem todas as parcelas indenizatórias estão imunes ou isentas da contribuição para a previdência social, o que torna imprescindível que fossem analisadas cada uma das indenizações para verificar a incidência. Não havendo prova suficiente em contrário, há que se manter o lançamento inalterado neste ponto. Quanto à assistência educacional, para que não integre o salário de contribuição, é preciso que sejam cumpridos os requisitos da alínea t e seus itens 1 e 2, do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991. Porém, a Recorrente não juntou qualquer elemento a comprovar a natureza dessa parcela e sua adequação aos requisitos legais. Por essa razão, deve se manter o lançamento por ausência de prova contestatória hábil a afastálo. A respeito das bolsasestágio, a alínea i do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991 determina são isentas desde que o pagamento seja feito nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977 (revogada pela Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008). As informações sobre pagamento de bolsa estágio contidas nas folhas de pagamento e balancetes juntados não coadunam com os termos de compromisso apresentados. A mera informação contábil ou o registro em folha não são suficientes para se constatar a aderência do estágio aos requisitos da lei, que assim estabelece: 1 Art. 43. ............................................................... § 2o Considerase ocorrido o fato gerador das contribuições sociais na data da prestação do serviço. Fl. 633DF CARF MF 8 Art. 3o O estágio, tanto na hipótese do § 1o do art. 2o desta Lei quanto na prevista no § 2o do mesmo dispositivo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, observados os seguintes requisitos: I – matrícula e freqüência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1o O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7o desta Lei e por menção de aprovação final. § 2o O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária.. (Sem grifo no original.) Portanto, não se pode admitir como exclusão da base de cálculo as bolsas para as quais não se comprovou a adequação as exigências legais. Entretanto, a Recorrente juntou uma relação de estagiários contratados (efl. 587) e alguns termos de compromisso de estágio (efls. 556 a 586). Para os casos em que há o termo de estágio ou o aditivo, entendo que assiste razão à Recorrente e os respectivos valores devem ser excluídos da base de cálculo utilizada na aferição indireta e calculados os reflexo no valor da multa lançada. Apesar de estarem listados na relação, não consta dos autos termos de compromisso para os estagiários Ana, Cynara, Édson, Eduardo, Ilda e Rebbeka. Para a estagiária Flávia, embora não haja o termo de compromisso juntado, há um termo aditivo de prorrogação do estágio. Dos termos de estágio acostados, deriva o seguinte: Tabela 1 Relação dos estagiários com termo de compromisso nos autos Estagiário Bolsa Início do estágio Fim do estágio Thyago R$ 550,00 01/12/2005 01/06/2006 Denevaldo R$ 550,00 09/12/2005 09/06/2006 Emilia R$ 550,00 23/12/2005 23/12/2006 Sylvia R$ 550,00 23/12/2005 23/06/2006 Joyce R$ 275,00 01/02/2006 01/02/2007 Ludmila R$ 275,00 13/03/2006 13/09/2006 Bruna R$ 550,00 10/04/2006 10/04/2007 Flávia R$ 550,00 24/06/2006 24/06/2007 Pedro R$ 275,00 01/03/2007 01/09/2007 Bruno R$ 1.411,67 16/07/2007 16/07/2008 Karine R$ 250,00 18/07/2007 18/07/2008 Sammara R$ 380,00 03/09/2007 03/09/2008 Andreia R$ 550,00 10/09/2007 10/09/2008 Cleythianne R$ 550,00 10/09/2007 10/09/2008 Diloa R$ 380,00 19/11/2007 19/11/2008 Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10480.720666/201066 Acórdão n.º 2301005.504 S2C3T1 Fl. 631 9 Fazendo os cálculos pro rata dos períodos de cada estagiário, a partir dos dados constantes nos termos de compromisso, temse os valores a serem deduzidos da base de cálculo nos períodos a que se referem o presente lançamento: Tabela 2 Cálculos das bolsas de estágio Bolsas de estágio comprovadas Mês 2006 2007 abr R$ 3.135,00 R$ 1.008,33 mai R$ 3.300,00 R$ 825,00 jun R$ 2.768,33 R$ 715,00 Acerca do aviso prévio indenizado, a redação do Decreto nº 3.048, de 1999, vigente à época dos fatos geradores das contribuições sob análise, anos de 2006 e 2007, estabelecia, claramente, que não integravam o saláriodecontribuição as importâncias recebidas àquele título: Art. 214. .......................................................................................... §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: V as importâncias recebidas a título de: f) aviso prévio indenizado; A disposição regulamentar somente veio a ser revogada com o advento do Decreto nº 6.727, de 2009, ocasião em que aqueles valores passaram a compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, neste ponto assiste razão à Recorrente e os valores correspondentes devem ser excluídos da base de cálculo utilizada para a aferição indireta e calculados os reflexo no valor da multa lançada. Das provas trazidas aos autos, concluise que a base de cálculo deverá ser corrigida deduzindose os seguintes valores, a título de avisoprévio indenizado: Tabela 3 Cálculos dos avisos prévios indenizados Aviso Prévio Indenizado Mês 2006 2007 abr R$ 467,42 R$ 9.075,08 mai R$ 6.768,27 R$ 14.715,62 jun R$ 3.592,13 R$ 27.482,66 Destaquese que, mesmo que se exclua, das bases de cálculo mensais, os valores das tabelas 1 e 2, nenhum reflexo haverá sobre o valor lançado, porquanto, refazendo se os cálculos, permanece mais benéfico à Recorrente, nos períodos de abril, maio e junho de 2007, a aplicação do critério de multas adotado pela Autoridade Lançadora (cesta de multas) e que resultou no presente lançamento. No caso, a exação foi limitada ao valor de R$ 49.377,65 por mês, em razão da quantidade de segurados, e as modificações nas bases de cálculo não reduzem as multas a patamares menores do que esse teto, como facilmente se observa na tabela constante do relatório fiscal (efl. 22). Conclusões Voto no sentido de não conhecer, por ausência de prequestionamento, da matéria acerca da impossibilidade de aplicação da aferição indireta em face de divergências entre DIPJ e GFIP e da questão relativa à concomitância da multa isolada, por descumprimento Fl. 635DF CARF MF 10 de obrigação acessória, e a multa vinculada ao crédito tributário lançado. No mérito, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para que se exclua, das bases de cálculo, os valores relativos a bolsa de estágio e aviso prévio indenizado. (assinado digitalmente) João Maurício Vital Relator. Fl. 636DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.906243/2012-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38.
É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999.
COMPENSAÇÃO.
Ultrapassa-se o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação.
Numero da decisão: 1301-003.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. COMPENSAÇÃO. Ultrapassase o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 62 43 /2 01 2- 22 Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/REC, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, considerá la improcedente, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação declarada. Tratase de Dcomp que visou a compensar crédito decorrente de pagamento indevido/maior de IRPJ, no período especificado. Referida compensação não foi homologada, via Despacho Decisório eletrônico, à razão de que, dadas as características do Darf discriminado naquela Dcomp, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação do débito nela declarado. Na manifestação de inconformidade, é aduzido, em síntese, que constituiu e pagou PIS e COFINS que não eram devidos, com amparo em legislação que reduziu a zero as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da execução de industrialização por encomenda de produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal; quando percebeu o erro, já havia pago as contribuições, surgindose crédito de pagamento indevido/a maior; e, que aproveitou o crédito em Dcomp, porém olvidou a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Naquela oportunidade, a r.turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade apresentada, ratificando a decisão recorrida, vez que o contribuinte não trouxe aos autos argumentos para defender a existência do crédito pleiteado. Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, acompanhado de documentos, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.306, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13819.906236/2012 21, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.306): "O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais de admissibilidade, portanto, dele conheço. Da Juntada de Novos Documentos em sede de Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram juntados quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Em que pese existir entendimento pela não admissão destes documentos com fulcro no dispositivo citado, penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindoo de apresentar provas em sua defesa, sob pena de ferir o princípio da verdade material, princípio da formalidade moderada, entre outros, e por isso, deve estes princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, pois podem revestirse de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do direito creditório pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Fl. 341DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 6 5 Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas consequências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 7 6 independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça regra atribuindo o efeito de preclusão a respeito de prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base em outros princípios contemplados no processo administrativo fiscal, em especial princípio da verdade material e formalidade moderada, além da própria disposição contida no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos apresentados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente em sede de recurso devem ser admitidos e apreciados. Da Análise do Recurso Voluntário Inferese dos autos que a discussão se reporta a direito creditório proveniente de suposto recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, efetuado no anocalendário de 2010, via DARF, apresentado através de Dcomp. Em suas razões de recurso, discorre o contribuinte que não se trata de crédito oriundo de pagamento indevido de PIS e COFINS e sim de recolhimento indevido ou a maior de IRPJ, tal como declarado em sua Dcomp. Pontua que promoveu o pagamento do PIS e da COFINS pelo regime cumulativo, antes de realizar a opção pelo lucro real quando do pagamento do imposto de renda e da contribuição social, situação essa que lhe causou dúvida sobre o acerto de sua opção. Em face disso, apresentou Consulta Administrativa ao órgão competente, solucionada, nos termos a seguir transcritos: a) a entrega espontânea da DCTF onde informa que o regime de apuração é pelo lucro presumido, combinado com as informações referentes às contribuições ao Fl. 343DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 8 7 Pis/Pasep e a Cofins bem como seus respectivos pagamentos pelo regime cumulativo, também informados na Dacon, constituem opção pelo lucro presumido sendo tal opção definitiva para todo o ano calendário. b) Eventuais diferenças dos tributos e contribuições recolhidos no regime de lucro real, caso sejam estes (IRPJ, CSLL, Pis/Pasep e Cofins) inferiores aos valores apurados pelo lucro presumido, poderão ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, de acordo com art. 14 da Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007. Ou seja, entendeu a RFB, através de Solução de Consulta (documento se encontra nos autos e apresentado juntamente com o recurso voluntário) que o contribuinte fez a opção pelo lucro presumido, quando da entrega da DCTF e quando realizou os pagamentos das contribuições ao PIS e a COFINS pelo regime cumulativo, sendo esta opção definitiva para todo o anocalendário, dizendo ainda que eventuais diferenças deveriam ser recolhidas até o trigésimo dia seguinte ao da ciência da referida Solução de Consulta, sem aplicação de multa e de juros de mora, nos termos da legislação vigente. Porém, de acordo com o contribuinte, não havia pagamento a menor e sim, pagamento a maior por ter efetuado o recolhimento erroneamente na forma de tributação pelo lucro real quando deveria ter sido apurado na forma presumida, o que lhe daria o direito de pleitear a compensação desse montante. Apresentada a Dcomp, a mesma foi indeferida, sob a alegação de que o recolhimento encontravase inteiramente alocado, não havendo saldo para compensação. O motivo para que o cotejo de dados não tenha resultado em favor do contribuinte, pelo que se vê, é que não houve a retificação dos valores informados como devidos ao fisco na declaração do imposto de renda do período. Como se sabe, descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base do lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. Nada podendo apresentar a declaração retificadora porque o sistema eletrônico da Secretaria da Receita Federal não permite, devese, ao meu ver, ultrapassar esse obstáculo, permitindo ao contribuinte provar a existência do alegado direito creditório, através de documentos hábeis e idôneos, para análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda em razão do que decidido na Solução de Consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13819.906243/201222 Acórdão n.º 1301003.314 S1C3T1 Fl. 9 8 processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar parcial provimento ao recurso do contribuinte para ultrapassar o obstáculo da impossibilidade de retificação da declaração de imposto de renda, em razão do decidido em solução de consulta, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da liquidez e certeza do crédito pretendido em compensação, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual, oportunizando, ainda, ao contribuinte a possibilidade de apresentação de documentos ou esclarecimentos que entender necessários, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 345DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000696/2008-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2004, 2005.
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA.
Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecê-la.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 1302-000.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio. Ausente momentaneamente a conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira
Junqueira.
Nome do relator: Guilherme Pollastri Gomes da Silva
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2004, 2005. Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA. Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecê-la. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. INÉPCIA. Se a peça de defesa não abriga contestação às razões de decidir do ato tido como recorrido, descabe conhecêla. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário pela inexistência de litígio. Ausente momentaneamente a conselheira Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. (assinado digitalmente) Marcos Rodrigues Mello Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues Mello. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 2 2 Relatório O presente processo teve origem no auto de infração de fls. 103/106, que alterou a Base de Cálculo do IRPJ, reduzindo o prejuízo apurado pela interessada nos AC 2003 e 2004, respectivamente, de R$ 105.954,83 e R$ 16.383,70, para R$ 89.651,67 e R$ 80,54. Segundo a descrição dos fatos o ajuste decorreu da falta de realização mínima do lucro Inflacionário acumulado naquele período, equivalentes à 12/120 ou 10% do saldo de Lucro Inflacionário Acumulado existente constante do Demonstrativo de Lucro Inflacionário (SAPLI). O lançamento teve como enquadramento legal os artigos 249, inciso I e 419 do RIR/1999. Inconformada com o lançamento, a interessada apresentou impugnação, tempestiva, juntando os documentos de fls. 118/237, afirmando que nos anos calendários de 2003 e 2004 apurou resultados negativos, tornando indevido o IRPJ uma vez que houve prejuízos fiscais naqueles anos. Junta seu Lalur ajustado com a realização do Lucro Inflacionário, protestando que a falta da realização do lucro configuraria no máximo irregularidade formal, sendo inaplicável, qualquer infração ou penalidade com base no art. 957, inciso I, do RIR/99. Encerra pedindo a extinção do crédito tributário exigido em cada período, tanto a titulo de infração, como de penalidade. A 5ª Turma da DRJ/RJ negou provimento a impugnação alegando em síntese em síntese o seguinte: que a impugnação da interessada se restringe a protestar contra a exigência de crédito tributário de IRPJ e multa de oficio no percentual de 75%, por ter a interessada em tais períodosbase apurado prejuízos fiscais, cabendo, desta forma, no máximo a retificação de tais prejuízos, no seu Lalur, reduzindo os prejuízos apurados nos mesmos valores das realizações mínimas de lucro inflacionário. que foi exatamente com fulcro no § 10 do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/98 que o auto de infração foi lavrado, para mera exigência de ajuste nos prejuízos apurados pela interessada nos períodosbase autuados. conclui inexistir qualquer pleito da interessada a ser apreciado, e nega provimento à impugnação e mantém o ajuste na base de cálculo do IRPJ reduzindo os prejuízos fiscais da interessada para os valores de R$ 89.651,67 e R$ 80,54, respectivamente nos anos calendário de 2004 e 2003. Intimado da decisão em 15/12/2010 a interessada apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, em 06/01/2011 alegando basicamente o seguinte: que o ajustamento efetuado na base de cálculo do IRPJ da Recorrente está assentado em premissa totalmente inconsistente, motivo por que o lançamento em questão é de todo insubsistente. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 3 3 que a decisão ora guerreada encontrase carente da devida fundamentação, o que aliás, enseja sua nulidade. Isto porque, a autoridade fiscal não demonstrou de maneira detalhada quais foram os parâmetros adotados para se chegar a este valor e esta informação é vital para o exercício do direito de defesa da Recorrente. que nos referidos períodos a Recorrente apurou resultados negativos, de R$ 281.696,51 em 2003 e R$ 309.559,60 em 2004. dessa sorte, a ausência de realização mínima do lucro inflacionário não afeta em nada o IR que, no caso, é indevido, diante dos prejuízos acumulados nos 02 (dois) períodos fiscalizados. que por isso inexistia razão para a lavratura do discutido auto de infração, uma vez que sabido que o montante daqueles é mais do que suficiente para absorver as parcelas do lucro inflacionário sem afetar o crédito do imposto. que juntou ainda com a Impugnação cópia da retificação do LALUR relativo aos 02 (dois) períodos fiscalizados, demonstrando que mesmo com a redução não foi reduzido nem afetado qualquer imposto à pagar. pela mesma razão, inaplicável ao caso qualquer penalidade. Este é o relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. No que diz respeito às acusações que pairam sobre o acórdão vergastado, tenhoas por totalmente despropositadas. A recorrente adjetiva o acórdão de uma decisão sem fundamentação e sem a menor legitimidade. Porém o que se vê nos autos é que em nenhum momento a turma julgadora age como mera chanceladora do lançamento fiscal, enfrenta as razões de defesa da recorrente com fundamentação pertinente, embora decida em seu desfavor. O enfrentamento das questões nas peças de defesa, denotam perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício e a decisão guerreada. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A interessada em seu recurso se restringir à protestar contra a exigência do ajuste do prejuízo em períodos posteriores em razão da não realização mínima do lucro inflacionário e da multa de oficio de 75%, por ter a interessada em tais períodos apurado prejuízo, desta forma, cabendo no máximo à retificação no seu Lalur. Ocorre que foi com fulcro no § 1º do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 77/98 que o auto de infração, objeto do presente processo foi lavrado, para exigência, não de crédito tributário, quão menos.da multa de oficio, mas sim, do ajuste nos prejuízos apurados pela interessada nos períodosbase autuados, ajustes estes que a mesma assente, conforme expressamente transcrito em seu arrazoado e cópias do seu Lalur. IN 77/98: “Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. (Redação dada pela IN SRF nº 14/00, de 14/02/2000) § 1° Quando da alteração dos dados informados nas declarações das pessoas físicas ou jurídicas e do ITR, ou na DCTF, resultar apenas a redução do imposto a compensar ou a restituir ou de prejuízo fiscal, as irregularidades serão objeto de auto de infração, sem o acréscimo de multa. “ Portanto, agiu corretamente a fiscalização procedendo, de oficio, a recomposição do saldo negativo, com a realização da parcela mínima de 10% do saldo de lucro Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 5 5 inflacionário, fazendo o ajuste na base de cálculo do IRPJ reduzindo os prejuízos fiscais da interessada para os valores de R$ 89.651,67 e R$ 80,54, respectivamente nos anos calendário de 2004 e 2003. Consoante explicitado no relatório do aresto combatido, as infrações tributárias verificadas na revisão de malha fiscal, são simples. Parcela mínima do saldo do lucro inflacionário não realizada nos anoscalendários de 2003 e 2004 A Recorrente diz que apresentou documentos retificadores que cessariam a infração. Sobre o aspecto temporal da possibilidade jurídica da retificação de declarações , o Código Tributário Nacional (CTN) prevê: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Por seu turno o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, ordena: Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; [...] § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 33, que é de adoção obrigatória e determina que “A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. A entrega de documento retificador depois do início da ação fiscal não ilide o lançamento de ofício face à perda da espontaneidade pelo sujeito passivo. Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por inexistência de litígio. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO Processo nº 15563000696/200831 Acórdão n.º 1302000.773 S1C3T2 Fl. 6 6 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA S, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por MARCOS RODRIG UES DE MELLO
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Numero do processo: 10166.731500/2014-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR.
Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizam-se como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO.
Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência.
PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS.
A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO AO PIS.
Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adota-se igual orientação decisória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizam-se como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adota-se igual orientação decisória. Recurso Voluntário Negado
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BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizamse como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 73 15 00 /2 01 4- 61 Fl. 932DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 922 2 Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 878 a 913) interposto pelo Contribuinte, em 20 de dezembro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1057.475 (fls. 849 a 865), de 29 de setembro de 2016, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 364 a 396), mantendo a totalidade do crédito tributário lançado. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 850 a 857): Tratase de impugnação de lançamentos de créditos tributários lavrados através de Autos de Infração (fls. 333 a 359) contra o contribuinte em epígrafe, referentes a PIS e COFINS, nos valores de, respectivamente, R$ 223.849,50 e R$ 1.031.063,97, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora, em decorrência de insuficiência de recolhimento desses tributos no período de 01/2011 a 12/2012. A ação fiscal teve início em 18/12/2013, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fls. 02/04), com propósito de verificar o cumprimento das obrigações tributarias de PIS e COFINS, relativos aos anoscalendários de 2011 e2012. Fl. 933DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 923 3 No procedimento de fiscalização levado a efeito no contribuinte, a fiscalização verificou registros contábeis escriturados na contabilidade referentes a bônus recebidos de montadoras de veículos. Esses registros aparecem no ativo circulante, em valores a receber da fábrica, nas contas (1.1.3.1.04.002) bônus de veículos, (1.1.3.1.04.003) chave de ouro e (1.1.3.1.04.004) bônus de peças. Juntamente às contas de custo, aparecem algumas contas de bônus, como recuperação de despesas de diversas fábricas, subcontas da conta (4.1.1.3) redução de custos fábrica. Dessa conta, em 2011 e 2012, respectivamente 3.906.926,94 e 2.761.889,38 foram levados ao resultado no encerramento do exercício. O contribuinte foi intimado (fl. 10) para explicar a movimentação contábil da conta 4.1.1.3 Redução de Custos Fábrica, apresentando a seguinte justificativa: Os valores lançados no grupo de contas 4.1.1.3.01, referese ao realinhamento de preço junto a fabricante (montadora), como os veículos já saem de fábrica com um preço de venda definido, conhecido com preço público, onde todos os impostos são calculado em cima desse preço definido (por substituição tributária), e o fabricante (montadora) durante o decorrer do mês, pode alinhar estes preços para melhorar as vendas de acordo com o mercado, este alinhamento pode ocorrer variações no decorrer de meses. Onde a fabricante faz uma composição, compensando mês a mês a diferença, se existente, até abater os valores recolhidos acima do preço inicialmente definido, conforme faz prova a documentação acostada à presente por amostragem. O Termo de Verificação Fiscal assim relatou: Na relação comercial descrita, o incentivo de venda auferido pela concessionária possui natureza jurídica de receita, denominado bônus ou bonificações, pois se trata de entrada de recurso financeiro definitivo no patrimônio da pessoa jurídica, sendo irrelevante o fato de que seu pagamento visa corrigir o custo de aquisição do veículo. Além do mais, decorre, diretamente, da atividade fim da empresa (revenda de automóveis), consistindo em receita operacional. Esse bônus ou incentivo de venda não é desconto incondicional e, portanto, não pode ser excluído da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse incentivo não foi dado diretamente na nota fiscal de fábrica, como desconto incondicional, mas sim como um incentivo dado após a entrada das mercadorias em estoque. Cabe lembrar que, nos termos dos artigos 1 o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, as contribuições para o financiamento do PIS e da Seguridade Social incidem sobre o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Ademais, nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão de créditos tributários, o que inocorre no presente caso, já que a legislação específica atinente à matéria (Leis 9.718/98, 10.833/03 e Fl. 934DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 924 4 10.637/02) elenca as receitas que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, rol taxativo este que não inclui a situação pretendida pelas empresas autoras. Especificamente sobre a matéria tratada, julgados no Tribunal Regional Federal da 4 a Região ditam que não se podem deduzir da base de cálculo do PIS/COFINS as despesas referentes às receitas de incentivos sobre venda: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. BÔNUS SOBRE VENDAS. 'HOLD BACK'. Estão previstas nas Leis 10.637/02 e 10.833/2003, no seu art. 1.°, as hipóteses de receitas que não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS e da COFINS, não estando incluídos em tais dispositivos legais os bônus sobre vendas e Hold Back, não se admitindo a extensão a essas verbas em razão da determinação de interpretação restritiva e literal prevista no art. 111, I, do CTN. Mantida a sentença no que considera que os incentivos sobre vendas e os hold backs são receitas que integram a base de cálculo da COFINS e da contribuição para o PIS. (TRF da 4 a Região, Apelação Cível 501484514.2012.404.7200/SC, 1 a Turma, Julgado em 23.10.2013). TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR N° 118/05. PIS E COFINS. BÔNUS SOBRE VENDAS. FATURAMENTO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. 1. Conforme já decidiu o egrégio STF, por ocasião do julgamento do RE n° 566.621/RS, para as ações ajuizadas após o término da vacatio legis da Lei Complementar n° 118/05, ou seja, após 08 062005, o prazo para repetição do indébito é quinquenal. Assim, tendo o mandamus sido ajuizado em 12092012, encontrase fulminada a pretensão da impetrante de discutir os recolhimentos efetuados antes de 12092007. 2. Os valores creditados pelos fabricantes de veículos em favor dos comerciantes varejistas a título de bônus ou incentivo de vendas constituem receita operacional, a qual integra a base de cálculo das contribuições PIS e COFINS. (TRF4, APELAÇÃO CÍVEL N° 5008213 48.2012.404.7110, 2a. Turma, Des. Federal OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, POR UNANIMIDADE, JUNTADO AOS AUTOS EM 06/06/2013) Concluise, portanto, que os valores referentes aos incentivos de venda compõem a receita bruta, razão pela qual afigurase plenamente legal e legítima a incidência do PIS/COFINS sobre tais parcelas. Assim, após exame da escrituração contábil, em 2011 e 2012, das contas 4.1.1.3.01 Redução de Custos Veículos Novos GMB, 4.1.1.3.06 Redução de Custos Peças e Outros, com a devida exclusão dos estornos registrados nessas contas e sem o cômputo de ajustes de inventário e créditos de Icms, os valores a pagar do PIS/PASEP e COFINS foram objeto do presente lançamento de ofício, conforme Tabelas 1 e 2. (fls. 20/315). A ciência do lançamento foi dada, via postal, em 11/02/2015 (fls. 360/361). Na data de 12/03/2015, o sujeito passivo apresentou impugnação. Após breve relato dos fatos, em síntese, a impugnante faz as seguintes alegações: DA IMPROCEDÊNCIA DA AUTUAÇÃO Fl. 935DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 925 5 Alega que a autoridade fiscal, de forma equivocada ilegal e arbitrária, considerou as bonificações recebidas pela impugnante da fabricante como receita, determinando a incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre tais rubricas. Para melhor aclarar a matéria, a impugnante pretende explicar a origem da bonificação concedida pela montadora, afirmando que as concessionárias de veículos novos nem sempre vendem os estoques pelo valor sugerido pela montadora, conhecido como preço público, por adversidades diversas de mercado, tais como: concorrência entre uma concessionária e outra, flutuação de mercado, tempo de mercadoria em estoque etc. Que, dessa maneira, visando a não paralisação de mercadorias em estoque, a montadora concede à concessionária incentivos de venda que visam reduzir o valor do veículo para aquisição do consumidor final. Que esses incentivos, distintamente do desconto incondicional vinculado à nota fiscal, são denominados de bônus ou bonificações. Que, entretanto, ainda assim esses bônus possuem caráter de desconto, ou seja, nada mais são do que um desconto a posteriori à emissão da nota fiscal de fábrica. Que esses descontos, apesar de não serem incondicionais, são redutores do preço final. Que não se trata de recurso financeiro definitivo entrando no patrimônio da concessionária. Que os valores respectivos aos bônus, dados pela montadora em cada venda, são abatidos em uma conta corrente vinculada à montadora, em que são lançados os débitos e créditos de cada revendedor da marca. Que esses valores lançados na conta corrente não são restituídos ao concessionário, ficando depositados para serem utilizados em compra de peças, pagamento de publicidades feitas pela montadora, repasse de contribuição à ABRAC (Associação Brasileira de Concessionárias Chevrolet), entre outros lançamentos. Que os valores presentes nas contas correntes junto à montadora nunca poderão ser utilizados para compra de outros veículos, que deverão ser adquiridos pela concessionária através de pagamento monetário. Que a montadora e a concessionária mantêm esse sistema de bonificação em razão de se afigurar impossível o cancelamento da nota fiscal emitida no momento da saída do veículo dos pátios da fábrica. Que os veículos que entram no estoque da concessionária não são vendidos de imediato, sendo assim, alguns modelos, ficam mais tempo em estoque do que outros, o que não é vantajoso nem para concessionária nem para montadora, pois a mercadoria não circula no mercado. Em razão disso, a montadora bonifica determinados veículos, reduzindo o seu valor final para que a concessionária possa vendêlos em menor tempo. Após a venda do veículo pelo varejista, este tem até três dias para pagar o valor do carro à montadora, sendo levado em consideração o valor da nota fiscal emitida na saída do veículo da fábrica, ou seja, o preço público (preço cheio). Que na venda do veículo por valor aquém do habitual, a concessionária sairia prejudicada nessa operação, caso pagasse o preço público, pois não estaria obtendo lucro e, portanto, sua atividade comercial seria prejudicada. Que nesse momento, do pagamento da nota fiscal pela concessionária, a montadora abate do preço cheio do veículo o bônus concedido à venda, ou seja, recebe valor inferior ao que foi impresso na nota fiscal, porém o valor sobressalente, valor Fl. 936DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 926 6 respectivo ao bônus, continua sobre a detenção da montadora e então é transferido para conta corrente junto à concessionária. Que, assim, os valores recebidos pela concessionária em razão dos incentivos de venda são retidos pela montadora, gerando um crédito dentro de uma conta corrente a fim de abater/compensar valores entre o varejista e a montadora, tendo natureza jurídica de receita operacional. Cita jurisprudência dministrativa que lhe entende favorável. Afirma que, no entender da Fiscalização, para que as bonificações possam ser excluídas da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, há de serem caracterizadas como os descontos incondicionais concedidos e assim definidos na IN SRF n° 51, de 1978, isto é, atenderem a duas condições: a primeira, de que constem da nota fiscal de venda dos bens; e. a segunda, de que não dependam de evento posterior à emissão desse documento. Alega que desses entendimentos acima citados, podemse atingir as seguintes conclusões: a. Bonificações podem se caracterizar por concessões de vantagens dadas pelo vendedor ao comprador mediante diminuição do preço da coisa vendida ou entrega de quantidade maior de produtos que aquela estipulada. Ou seja, pode darse em abatimento de preço (a), em moeda enquanto "rebaixe de preço" (b), ou em mercadorias (c); b, Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, e não depender de evento futuro e incerto, estarseá diante de "desconto incondicional"; c. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador não estiver consignada no documento fiscal no próprio ato da venda, estarseá diante de desconto condicional"; d. Se a concessão da vantagem comercial do vendedor ao comprador, estando ou não consignado no documento fiscal no próprio ato da venda, mas depender de evento futuro ou incerto, estarse á diante de "desconto condicional". A única ressalva que a impugnante faz quanto às conclusões acima, é que se houver documento fiscal relativo apenas à bonificação, como exigem alguns Estados da Federação ou ainda por ajuste entre as partes, mas esta bonificação estiver vinculada/atrelada à uma venda específica, se poderá estar diante de um "desconto incondicional", ainda que em documentos distintos. Cita decisão do CARF nesse sentido. De todo modo, afirma que as bonificações, sejam elas veiculadas mediante abatimento de preço, em moeda com objetivo de "rebaixe de preço" ou em mercadoria, serão sempre descontos condicionais ou incondicionais. Ou seja, têm sempre natureza jurídica de desconto, e como tal deve ser tratada pelo Direito, seja Privado seja Tributário. A impugnante passa, então, a aprofundar a investigação do conceito, conteúdo e alcance do que venha a ser bonificação ou desconto, e os correspondentes tratamentos determinados pelo ordenamento pátrio, para se aquilatar os efeitos tributários que deles devam emanar. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 927 7 Cita pronunciamentos técnicos contábeis, aprovados pela Comissão de Valores Mobiliários, que lhes entende favoráveis, sobre como devem ser registradas as bonificações e os descontos comerciais por parte dos compradores. Cita também doutrina sobre o tema. A impugnante alega, baseada em tais regras contábeis, restar claro que as bonificações e descontos comerciais obtidos têm tratamento contábil de redução de custos e não podem ser reconhecidas como receita pelo vendedor, assim como não são custos pelo comprador. Cita doutrina com referência ao conceito de receita para fins tributários, concluindo a partir disse que o conteúdo e o alcance do instituto “receita”, que tipicamente é uma grandeza de natureza “econômica”, amplamente utilizada na contabilidade para organizar as demonstrações contábeis, deve ser interpretada segundo as regras que lhe são próprias, não podendo ser alteradas em sua essência para atender aos fins únicos da incidência tributária. E afirma que compete ao Direito Privado dar a definição do que venha a ser “receita” das empresas, estas quais servirão a diversos fins (societários, de crédito e também tributários). Alega que a leitura do preceito legal contido no art. 177, da Lei nº 6.404/76 permite concluir que o Direito Privado (legislação comercial ou societária), expressamente se utilizou dos “Princípios Contábeis Geralmente Aceitos” para interpretação e delineamento dos elementos das demonstrações financeiras que decorrem da “escrituração societária”. Sustenta que, na esteira dos arts. 109 e 110, do CTN, e considerando as Deliberações da CVM, as bonificações e/ou os descontos comerciais obtidos pela entidade não compõem a receita da pessoa jurídica, mas antes devem ser dela deduzidas, para fins de composição de suas demonstrações financeiras. Que, no entanto, para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS, as legislações que regulam as suas bases de cálculo, elegeram a “totalidade das receitas” da pessoa jurídica, independentemente de sua classificação contábil. (Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003). Afirmam que a menção contida nos arts. 1º, das Leis no 10.637/02 e 10.833/03, que a incidência se dará sobre a receita, independentemente da “denominação ou classificação contábil” quer inibir ou coibir fraudes que pudessem ser praticadas pelos contribuintes, mas não podem permitir que haja incidência sobre uma grandeza que efetivamente não seja definida pela Lei Comercial como algo que não efetivamente “receita”. Que não se poderiam classificar como receita todos os registros contábeis lançados a crédito no resultado do exercício, como, por exemplo, as recuperações de despesa ou custo que nada mais são do que lançamentos que não representam ingresso de recursos novos para a sociedade, mas mera recomposição patrimonial. Que o importante é a análise jurídica de cada lançamento, de sorte a verificar se a mesma é ou não receita. Alega que a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF vem enfrentando o tema, e que embora seja uma questão que esteja longe de estar pacificada, cita decisão que lhe entende favorável. Afirma que, embora os precedentes citados se tratem de “bonificação em mercadorias”, o regime jurídico das bonificações e a dos descontos comerciais são rigorosamente os mesmos. Fl. 938DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 928 8 Questiona ainda, para que não haja a menor hipótese de eventualmente se interpretar que tais “descontos obtidos” seriam receitas o que destoaria da legislação comercial, e, consequentemente, tributária, se os descontos compreenderiam, para fins tributários, as receitas financeiras, e, como tal, estariam sujeitas à alíquota zero das contribuições ao PIS e à COFINS. Cita os termos do que preceitua o art. 373 do RIR/99 e o art. 9o da Lei no 9.718/98, para assim concluir o que não só os juros, mas também os descontos são considerados como sendo “receitas financeiras”, de modo que, para aqueles que entendam que os “descontos obtidos” sejam “receitas” se deveria qualificar tais abatimentos recebidos como sendo “receitas financeiras”, e, como tal, efetivamente sujeitos à alíquota zero das contribuições, por força do Decreto n° 5.146/2004. Neste sentido, cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Tribunal Regional da Primeira Região. Alega ainda que, de acordo com a Lei Complementar no 70, de 30.12.1991, que instituiu a COFINS e de acordo com a Lei Complementar no 07/70, que instituiu o PIS, as bonificações não entram no conceito de receita bruta e nem de faturamento, posto se cuidar de ingresso de mercadoria no estoque e não representar fato gerador das contribuições em análise. Que o fato gerador do PIS e da Cofins é a receita bruta da empresa, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Dessa maneira, os valores recebidos pela concessionária, ora impugnante, em caráter de incentivos concedidos pela montadora, não configuram receita auferida pelo varejista. Que o que ocorre é apenas a transferência desse valor para uso em outras finalidades, sendo um crédito para com a montadora, não podendo o valor ser sacado ou transferido pela concessionária. Que os incentivos concedidos pela montadora não geram receita à concessionária, dessa forma, não há faturamento pelo varejista, não havendo, pois, a ocorrência do fato gerador do PIS/CONFIS. Finaliza afirmando que, ausente o fato gerador da obrigação tributária, impõese o afastamento da exação questionada, razão pela qual o auto de infração deverá ser anulado, com a consequente desconstituição do respectivo crédito tributário e as multas dele decorrentes. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO A impugnante alega que merece ser afastada, ou ao menos reduzida, a multa de ofício aplicada à empresa. Que ausente o fato gerador das contribuições PIS/PASEP e COFINS, afigurandose ilegal a multa de oficio no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) do tributo a pagar. Que não se pode coadunar com a aplicação de multa cujo percentual é manifestamente excessivo e desproporcional. Cita doutrina. Que a multa não pode ter caráter confiscatório, sendo perfeitamente cabível a sua redução quando verificado seu valor excessivo como ocorre no caso ora em exame sob pena de violação ao princípio da vedação do confisco (art. 150, IV, da CF) também aplicável às infrações bem como aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Cita decisões judiciais. Fl. 939DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 929 9 Requer o afastamento da multa de oficio, em razão de seu caráter manifestamente confiscatório, ou, ao menos, a sua redução para o percentual de 20% (vinte por cento), nos termos dos precedentes jurisprudenciais colacionados. Requer, ao final, seja julgado improcedente o lançamento em todos os seus termos, desconstituindose o crédito dele originado, afastandose ou reduzindose a multa de ofício excessivamente aplicada, bem como afastandose as penalidades decorrentes dos autos de infração lavrados por alegado descumprimento de obrigação acessória, por ser da mais inteira Justiça. Por fim, em homenagem ao princípio da verdade material, requerem, desde já, a juntada posterior de documentos que comprovem os fatos ora alegados. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão e declarado improcedente o Auto de Infração, afastando a multa aplicada ou, se isso não for possível, fixala no seu patamar mínimo. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1057.475, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 BASE DE CÁLCULO. BÔNUS PAGOS POR FORNECEDOR. Os bônus e incentivos de vendas, concedidos pelas montadoras de automóveis aos seus concessionários, em função de vendas realizadas sob determinadas condições, caracterizamse como receitas destes últimos e, como tais, estão sujeitos à incidências das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, devendo compor sua base de cálculo. COFINS. RECEITA. CONCEITO. O conceito de receita, tanto no direito privado, como no direito público, é o de totalidade dos recebimentos, não importando a que título foram contabilizados, estando a universalidade deste conceito confirmada em legislação própria, fundamento para a determinação da base de cálculo da contribuição. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. EFEITO CONFISCATÓRIO. Fl. 940DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 930 10 Ocorrida a infração, correta a aplicação da multa punitiva de 75% estabelecida em lei, uma vez que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PROTESTO PELA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2012 CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Sendo o lançamento de Contribuição ao PIS decorrente dos mesmos fatos que ensejaram o lançamento de COFINS, adotase igual orientação decisória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte repisa os argumentos já expostos quando da Impugnação. Reforça que as bonificações ou incentivos de vendas recebidas dos fabricantes de automóveis não podem integrar a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, visto que esses valores não configurariam receita, afastandose assim a multa de ofício de 75%, ou subsidiariamente, que a multa seja reduzida a 20%, pois, no seu entender, a multa de ofício nesse percentual tem caráter confiscatório e violaria os princípios da vedação de confisco, razoabilidade e da proporcionalidade. Requer ainda que, em nome da verdade material, seja possibilitado a juntada de documentos após a apresentação da Impugnação. Por sua vez a autoridade fazendária entende que essas bonificações ou incentivos de vendas recebidas dos fabricantes de automóveis não são descontos incondicionais, portanto, integrariam a base de cálculo das contribuições, sendo que a aplicação da multa de ofício está prevista na legislação e que o princípio da vedação ao confisco é endereçado ao legislador e não ao aplicador da lei que a ela deve obediência. Entende ainda que a prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação precluindo o direito de fazêlo em momento processual posterior. Para enfrentar a questão principal acerca se essas bonificações ou incentivos incluemse ou não na base de cálculo das contribuições, se são descontos condicionais ou incondicionais, se faz necessário por primeiro verificar a legislação pertinente à matéria. Neste sentido a Lei n° 9.718 de 27 de novembro de 1998 estabelece: Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. Fl. 941DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 931 11 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014). (grifouse). Já a Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 estabelece em relação a cobrança nãocumulativa do PIS/PASEP no que tange às receitas e os descontos incondicionados: Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 2o A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (grifou se). Por sua vez a Lei n° 10.833 de dezembro de 2003 trata da cobrança não cumulativa da COFINS nestes termos sobre receita e descontos incondicionados: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) § 2o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) Fl. 942DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 932 12 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: (...) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; (grifouse). Por segundo há que se entender que as discussões acerca da base de cálculo do PIS e COFINS nãocumulativo envolve necessariamente o conceito de receitas, pois da leitura da legislação percebese claramente que a base de cálculo é o total das receitas auferidas pelo Contribuinte de direito. É um acordo semântico bastante controvertido em relação ao que se entende por receita, mas como denominador comum, a receita pode ser considerada uma entrada ou ingresso efetivo e que passa a pertencer ao sujeito da atividade econômica no sentido de uma variação positiva do seu patrimônio. Com o advento da Lei nº 11.638/2007, o Brasil passou a adotar como padrão normativo contábil as normas internacionais conhecidas como International Financial Reporting Standarts – IFRS que estabeleceu uma nova norma global para receita de aplicação obrigatória para as sociedades anônimas de empresas de grande porte. Assim “Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários”1 A questão é de se saber se os descontos ou incentivos obtidos dos fabricantes de automóveis implicam ou não em um ingresso efetivo e variação positiva de seu patrimônio, e, neste contexto, se os descontos podem ou não ser considerados “descontos incondicionais concedidos” e, portanto, que estes valores integrem ou não a base de cálculo do PIS e COFINS. Se for considerado que esses descontos são incondicionais poderá o Contribuinte subtrair esses valores da base de cálculo, caso contrário, no entendimento que não são incondicionais, integrarão esses valores a base de cálculo. A Instrução Normativa n° 51, de 3 de novembro de 1978, disciplinando os procedimentos para apuração da receita de vendas e serviços para tributação das pessoas jurídicas estabeleceu o seguinte em relação aos descontos incondicionados: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) (...), (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) (...) 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. (grifouse). Entendese que para que se possa caracterizar que essas bonificações são descontos incondicionais é necessário que se atenda as duas condições. A primeira é que constem da nota fiscal de venda dos bens, e, a segunda, que não dependam de evento posterior à emissão da nota fiscal. O próprio Contribuinte admite que (fls. 883): 1Disponível em: http://www.cpc.org.br/CPC/DocumentosEmitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=61. Acesso: 22/01/2016. Fl. 943DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 933 13 Esses incentivos, distintamente do desconto incondicional vinculado à nota fiscal, são denominados de bônus ou bonificações. Entretanto, ainda assim, esses bônus possuem carácter de desconto, ou seja, nada mais são do que um desconto a posteriori a emissão da nota fiscal de fábrica. Como os descontos incondicionais são redutores do preço das mercadorias e se realizam no momento da emissão da nota fiscal (e não em momento posterior), qualquer desconto concedido pelos fornecedores de bens após a realização da operação de compra e venda significa uma despesa para o fornecedor e uma receita para o adquirente, sendo assim não podem ser consideradas no conceito de descontos incondicionais. Percebese que no caso em exame do PIS e da COFINS não cumulativos a base de cálculo é o valor da receita de venda do bem constante na nota fiscal feita pelo fornecedor do bem e adquirida pelo Contribuinte (de direito). Sobre o valor deste bem constante na nota fiscal, o Contribuinte adquirente apura os créditos do PIS e da COFINS não cumulativos, assim o contribuinte adquirente se credita do PIS e da COFINS suportado a montante, por ele considerado, “descontos incondicionais”. Assim, em síntese: se os descontos objeto da autuação fossem de fato considerados descontos incondicionais, a mesma não se creditaria visto que sobre esses descontos não incidiria o PIS e a COFINS. Portanto, como nesses descontos não incidiu essas contribuições e o Contribuinte adquirente se creditou não há que se falar que esses descontos são incondicionais. Com isso, os descontos que não deveriam integrar a receita passível de incidência do PIS e da COFINS não cumulativos, inclusive e de acordo com o conceito posto por IFRS, devem compor a receita pelo fato de que esses descontos foram objeto de creditamento por parte do Contribuinte. Com esse creditamento temse de forma contundente que é receita, pois ocorreu o ingresso de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias do Contribuinte de direito que resultaram no aumento do seu patrimônio líquido. Para reforçar os argumentos, cito trechos do voto ora recorrido que colaboram para as razões de decidir (fls. 861 e 862) (...) Como se vê, a bonificação, desde que vinculada a uma operação de venda e registrada na respectiva nota fiscal, corresponde a um desconto incondicional fornecido pelo vendedor ao comprador. No entanto, não é essa a situação trazida à colação nesse processo. Os chamados bônus são, na verdade, valores pagos pela montadora à concessionária, em virtude do atingimento de certas metas de vendas, definidas previamente pela fabricante dos veículos, de acordo com sua política comercial. Os documentos constantes nos autos (fls. 21/316) comprovam que todos esses “bônus” consistem, na realidade, de valores repassados às concessionárias, em razão do atingimento de metas de comercialização de certos tipos e modelos, em período determinado de tempo. Por conseguinte, tais valores não se traduzem como redução de custos, mas, na verdade, são estímulos dados pelas montadoras para que as concessionárias efetuem vendas aos consumidores finais, de forma mais rápida. Além disso, não cabe falar em redução de custos, ou mesmo descontos, porquanto a concessão dos citados bônus ocorre em momento posterior à operação de venda entre concessionária e montadora. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 934 14 Em resumo, tais abatimentos não se confundem com descontos incondicionais, pois estes são concedidos no momento da venda e constam dos documentos fiscais. Salientese que, na sistemática nãocumulativa, as compras, notas fiscais, servem de base para a apuração de créditos a serem descontados do valor da contribuição apurado com base na receita bruta. (...) Diante disso, no presente caso, as bonificações ou incentivos obtidos pelo Contribuinte juntos aos fabricantes de automóveis, devem ser considerados receitas, e, portanto, integrar a base de cálculo para a incidência do PIS e COFINS. Visto que não são descontos incondicionais de acordo com a legislação vigente. Sendo assim, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. Requer também o Contribuinte que se afaste a multa de ofício de 75%, ou subsidiariamente, que a multa seja reduzida a 20%, pois, no seu entender, a multa de ofício nesse percentual tem caráter confiscatório e violaria os princípios da vedação de confisco, razoabilidade e da proporcionalidade (fls. 910). O lançamento da multa de ofício se deu de acordo com o previsto na legislação, no caso a Lei nº 9.430/1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007), que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Acerca deste ponto já se manifestou o Acórdão ora recorrido da DRJ/POA no seguinte trecho que cito como razões para decidir (fls. 862 e 863): A multa de lançamento de ofício, que tem caráter punitivo e não meramente moratório, aplicada sobre o valor das contribuições cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, no âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios puramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Observado o caráter vinculado da atividade fiscal, considerações sobre a gradação da penalidade não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Nesse sentido, quaisquer pedidos ou alegações que ultrapassem a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes somente podem ser reconhecidos pela via competente: o Poder Judiciário. Esclareça se, também, que os princípios constitucionais têm por destinatário o legislador ordinário, que os deve considerar quando da elaboração das disposições normativas, e não o mero aplicador da lei, que a ela deve obediência. Nesse sentido, a multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada em função da infração cometida, não estando amparada pelo inciso XXII do art. 5º e inciso IV do art. 150 da CF, que ao tratar das limitações ao poder de tributar, proibiram o legislador de utilizar tributo com efeito confiscatório. Desse modo, em se tratando de lançamento de oficio, deve ser mantida a multa de igual natureza, de 75%, que tem previsão expressa e especifica na legislação tributária, não podendo o julgador administrativo vinculado à lei vigente e às normas regulamentares, deixar de aplicála sob alegação de ofensa a quaisquer princípios jurídicos (vedação constitucional ao confisco, razoabilidade, etc) Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 935 15 Assim sendo, voto por negar provimento no tocante ao afastamento da multa ou a sua redução, mantendo a multa de ofício. Requer por fim, em nome da verdade material, seja possibilitado a juntada de documentos que comprovem o alegado após a apresentação da Impugnação. A legislação que regula a juntada de material comprobatório esta definida no Decreto nº 70.235 de 1972, e estabelece que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Impugnação e caso não seja o direito acaba precluso. Há exceções a esta regra, mas nenhuma delas se enquadra nos fatos ocorridos neste processo. Cabe transcrever abaixo os artigos do Decreto nº 70.235/1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifouse). No entender da maioria dos Conselheiros da presente Turma existe a possibilidade, de forma excepcional, de juntada de documentos probatórios, inclusive, na fase da interposição do Recurso Voluntário, desde que se demonstre de forma contundente algum motivo relacionado a legislação acima citada. No presente processo não se verifica motivação suficiente, portanto, voto por negar provimento no presente ponto. Portanto, de acordo com a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, mantendo o entendimento da decisão ora recorrida. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 946DF CARF MF Processo nº 10166.731500/201461 Acórdão n.º 3301004.810 S3C3T1 Fl. 936 16 Fl. 947DF CARF MF
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