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Numero do processo: 16327.000643/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRPJ. PERDAS EM CESSÃO DE CRÉDITO. OPERAÇÕES ENTRE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E ENTIDADE NÃO-FINANCEIRA.
As perdas em cessão de crédito realizada entre instituição financeira e entidade não-financeira devem seguir o regramento legal determinado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, a fim de que possam ser consideradas como despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ.
ÔNUS DA PROVA. VALORES OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.
Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante.
DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente.
PRODUÇÃO DE PROVAS APÔS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1402-002.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(Assinado Digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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PERDAS EM CESSÃO DE CRÉDITO. OPERAÇÕES ENTRE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E ENTIDADE NÃOFINANCEIRA. As perdas em cessão de crédito realizada entre instituição financeira e entidade nãofinanceira devem seguir o regramento legal determinado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, a fim de que possam ser consideradas como despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. ÔNUS DA PROVA. VALORES OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. PRODUÇÃO DE PROVAS APÔS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 06 43 /2 00 7- 95 Fl. 504DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogerio Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200795 Acórdão n.º 1402002.673 S1C4T2 Fl. 488 3 Relatório Os Autos de Infração tratam de exigência de valores de IRPJ e CSLL relativos ao anocalendário de 2004, com multa de ofício e juros de mora. Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do v. acórdão recorrido proferido nos autos, abaixo transcrito: DA AUTUAÇÃO Conforme o Termo de Verificação de Infração — TVI n° 01 de fls.15/29, em fiscalização empreendida junto à empresa acima identificada, a Fiscalização verificou em síntese que: 1. No período de apuração de 2.004, a instituição financeira fiscalizada realizou operações de cessão de créditos com a empresa denominada ORBIS TRUST SECURITIZADORA DE CRÉDITOS FINANCEIROS S/A, conforme o Contrato de Cessão de Créditos n° 3119674, firmado em 24/03/2004 (fls.20/26 do Anexo I). 2. Dentre os créditos cedidos pela instituição financeira, constou o Contrato n° 1308796267, celebrado com a empresa PROLAN PARTICIPAÇÕES S/A (PROLAN), CNPJ 02.467.423/000114, em relação ao qual foram informados um valor cedido de R$10.995.142,63 e um valor de venda da cessão de R$252.888,28 (f1s.18/19 do Anexo I). 3. Intimada, a contribuinte apresentou o "Contrato de Confissão gW ida e Outras Avenças" celebrado entre a empresa e a devedora PROLAN (fls.59/66 o I), datado de 27/05/2003, cujo valor da dívida confessada foi de R$10.995.142,63. 3.1. Contudo, o referido contrato teve como origem o contrato principal denominado "Contrato de Opção de Compra e Opção de Venda de Ações pelo Unibanco" (fls.38/47 e 48/58 do Anexo I), por intermédio do qual a PROLAN outorgou à instituição financeira, a título gratuito, a opção de compra de ações representativas de 49% do capital total da empresa AMÉRICA LATINA TELECOMUNICAÇÕES AVANÇADAS S/A (ALTA), pelo preço de R$8.800.000,00, a ser exercida pelo prazo de um ano a contar da assinatura do contrato de opção. 3.2. No mesmo contrato de opção e outras avenças, a instituição financeira, a título de adiantamento, entregou recursos financeiros à PROLAN, no montante de R$8.800.000,00, a serem compensados com o exercício da opção de compra, caso a instituição financeira exercesse tal direito. O desembolso em questão ocorreu em 27/07/2001. Fl. 506DF CARF MF 4 3.3. Assim, a entrega dos recursos, no montante de R$8.800.000,00, ocorreu em 2001 e a confissão de dívida só veio a ocorrer em 2003. 4. Nos termos dos artigos 6, 7° e 8° da Resolução CMN/BACEN n° 2.836/2001, as instituições financeiras estão autorizadas a cederem seus créditos a entidades não financeiras. No entanto, esta autorização está condicionada à determinação da origem dos créditos cedidos, que devem ser provenientes de empréstimos, de financiamentos, de arrendamento mercantil, ou de direitos creditórios oriundos de exportação. 5. No caso em tela, todavia, a instituição financeira efetuou a cessão de um crédito que não teve por origem uma operação de empréstimo, financiamento, arrendamento mercantil ou aquisição de direitos creditórios de contratos de exportação. 6. Logo, a cessão de crédito ora em análise não está tutelada pelas normas das autoridades bancárias. 7. Ocorre que a dedutibilidade de despesas com cessão de crédito prevista no inciso `a.3', do art.29, da Lei n° 8.981/95 está condicionada à observação da regulamentação imposta pelo Banco Central do Brasil. 7.1. Sendo assim, não é qualquer negócio de cessão de crédito que possibilitará a dedutibilidade da perda, mesmo sendo o cedente uma instituição financeira. A instituição financeira só alcançaria tal dedutibilidade se a operação se conformasse à disciplina bancária imposta. A matéria em questão requer interpretação restritiva, tanto por ser uma regra especial, como por tratar de redução de base de cálculo de exação tributária. 8. Pelo exposto, ficou caracterizado o ilícito fiscal no âmbito das disposições do IRPJ e da CSLL, em razão de conduta contrária ao disposto no art.29, da Lei n° 8.981/95 c/c o art.57 do mesmo diploma legal, que teve a redação alterada pelo art. V, da Lei n° 9.065/95, sendo que o valor tributável para o IRPJ e para a CSLL é o custo da cessão do crédito, no valor de R$10.995.142,63, que foi reduzido das bases de cálculo de forma extra contábil. Em decorrência das constatações feitas pela Fiscalização, em 24/04/2007 foram lavrados Autos de Infração de IRPJ (fls.30/33) e CSLL (fls.34/37), com seguir discriminados: Demonstrativo do IRPJ Fl. 507DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200795 Acórdão n.º 1402002.673 S1C4T2 Fl. 489 5 Demonstrativo da CSLL DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou a impugnação de fls.44/61, protocolizada em 25/05/2007 e acompanhada dos documentos de fls.62/269, expondo, em síntese, que: 1. A contribuinte alega que não há regra geral que determine que as perdas nas cessões de créditos não são dedutíveis. Pelo contrário, sempre serão dedutíveis as despesas operacionais como as perdas na cessão do crédito, que são incorridas, necessárias e usuais para a atividade, nos termos do art.299 do RIR/99. 1.1. A operação feita entre a contribuinte e a empresa PROLAN, se vista como um contrato comercial comum, e a respectiva cessão, não precisam ser especificamente reguladas pelo Banco Central, a quem cabe a função específica de regular o exercício das atividades que só pode ser desempenhada por instituição financeira, como é o caso de operação de crédito bancário. Ainda assim, as perdas na cessão desse adiantamento são dedutíveis, porque são despesas operacionais usuais, assim como qualquer outra perda em crédito bancário. Fl. 508DF CARF MF 6 1.2. Nada é tributável ou indedutível a não ser que a lei assim disponha de forma específica, conforme o art.151 da CF e o art.97 do CTN. Como não há regra específica que exija a adição de perdas em cessão de crédito não bancário, o mesmo critério definido par garantir a dedutibilidade das perdas na cessão de crédito bancário deve ser adotado na dedução das perdas na cessão de crédito não bancário, porque a lei que rege o assunto é a mesma (compilada no art.299 do RIR/99). 2. A operação originária do crédito e a operação de cessão do crédito, cuja perda foi glosada, são contratos legítimos e regulares, estão em consonância com os interesses das partes contratantes e estão em ordem com o sistema jurídico brasileiro e com as normas do Banco Central do Brasil. 2.1. Sem o exercício das opções, é possível equiparar o adiantamento efetuado à PROLAN a um empréstimo bancário e também é possível interpretar que a contribuinte deve cuidar do adiantamento em questão como se fosse um empréstimo bancário e, então, aplicar todas as regras específicas do Banco Central para gerir e ceder esse ativo. Até por conta dessa visão mais conservadora, a contribuinte de fato seguiu todas essas regras. 2.2. Sendo ou não bancário o adiantamento, sua cessão seguiu as condições estabelecidas pelo Conselho Monetário e Banco Central do Brasil para a cessão de créditos bancários (Resoluções 283601, 284301 e 268600), portanto, foram regulares a cessão e dedutibilidade da perda. 2.3. Notese que a empresa PROLAN estava em concordata quando da cessão do crédito. 3. A Lei 8.981/95 apenas atesta que esse tipo de contrato de cessão, por ser usual para a instituição financeira, gera perdas operacionais, logo dedutíveis, o que é o caso da perda glosada indevidamente na presente discussão. 4. O Fisco efetuou a glosa integral do valor excluído no cálculo do IRPJ e da CSLL, no montante de R$10.995.142,63, valor composto do custo do capital adiantado à PROLAN de R$8.800.000,00, mais encargos financeiros de R$2.195.142,63, que sequer foram recebidos, mas já foram tributados antes. 4.1. Contudo, a perda de capital na cessão não é a que foi glosada, vez que a perda é a diferença entre o preço de venda e o custo de aquisição. Sendo assim, a perda é menor, de R$8.547.111,72, equivalente a R$8.800.000,00 de principal investido, menos os R$252.888,28, já tributados porque inseridos no resultado do exercício de 2004. 4.2. Não procede a dupla tributação de um valor que não se configura como acréscimo patrimonial, porque não foi realizado, qual seja, a soma do preço de venda, que foi uma recomposição do custo de aquisição glosado, e do valor dos juros que, sem terem sido recebidos, foram tributados antes. É necessária a retificação do lançamento, de acordo com o art.43 do CTN e o art.151 da CF. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200795 Acórdão n.º 1402002.673 S1C4T2 Fl. 490 7 5. Protesta a contribuinte pelo acolhimento de todos os meios de prova neste processo. Em seguida a DRJ julgou a impugnação, registrando a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURIDICA IRPJ Anocalendário: 2004 IRPJ. PERDAS EM CESSÃO DE CRÉDITO. OPERAÇÕES ENTRE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA E ENTIDADE NÃOFINANCEIRA. As perdas em cessão de crédito realizada entre instituição financeira e entidade nãofinanceira devem seguir o regramento legal determinado pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil, a fim de que possam ser consideradas como despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ. ÔNUS DA PROVA. VALORES OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que deem a elas força probante. DEMAIS TRIBUTOS. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fato gerador de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à real ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRODUÇÃO DE PROVAS APÔS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Inconformada, a Recorrente interpôs novamente Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 510DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por signatário devidamente legitimado e não contraria Súmula deste E. Tribunal, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Os documentos de fls.3 e 4 do Anexo I informam que o valor em questão fez parte de um montante de R$568.476.460,66, excluído pela contribuinte da parte A do LALUR em dezembro de 2004 sob a rubrica "Custo dos Créditos Cedidos". A Recorrente realizou a seguinte operação de crédito: 1 Realizou operações de cessão de crédito com a empresa denominada ORBIS S/A, conforme o Contrato de Cessão de Créditos n° 3119674, firmado em 24/03/2004 (fls.20/26 do Anexo I). 2 Dentre os créditos cedidos pelo Banco constou o Contrato n° 1308796267, celebrado com a empresa PROLAN PARTICIPAÇÕES S/A (PROLAN), sobre o qual foram informados um valor cedido de R$10.995.142,63 e um valor de venda da cessão de R$252.888,28 (f1s.18/19 do Anexo I). 3 Intimada, a Recorrente apresentou o "Contrato de Confissão de Dívida e Outras Avenças" celebrado entre a empresa ORBIS e a devedora PROLAN (fls.59/66 do Anexo I), datado de 27/05/2003, cujo valor da dívida confessada foi de R$10.995.142,63. Contudo, o referido contrato teve como origem o contrato principal denominado "Contrato de Opção de Compra e Opção de Venda de Ações pelo Unibanco" (fls.38/47 e 48/58 do Anexo I), por intermédio do qual a PROLAN outorgou à instituição financeira, a título gratuito, a opção de compra de ações representativas de 49% do capital total da empresa AMÉRICA LATINA TELECOMUNICAÇÕES AVANÇADAS S/A (ALTA), pelo preço de R$8.800.000,00, a ser exercida pelo prazo de um ano a contar da assinatura do contrato de opção. Neste mesmo ato, a Recorrente entregou para a PROLAN a título de adiantamento o montante de R$8.800.000,00, a serem compensados com o exercício da opção de compra, caso a instituição financeira exercesse tal direito. O desembolso em questão ocorreu em 27/07/2001 e a opção ocorreu em 2003. De acordo com a descrição das operações acima, constatase que Orbis Trust não é uma entidade financeira, uma vez que, embora as securitizadoras de crédito operem como um misto de empresa de factoring e instituição financeira, não são autorizadas a funcionar pelo Banco Central, devendo seguir as normas deste e da CVM como companhias de capital aberto. Seguindo meu raciocínio, como muito bem apontado pelo v. acórdão "a quo" a operação não respeitou as condições previstas nos artigos 6, 7 e 8 da Resolução do Conselho Fl. 511DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200795 Acórdão n.º 1402002.673 S1C4T2 Fl. 491 9 Nacional de Política Fazendária e as do Banco Central do Brasil da Resolução n° 2.836/2001, que tratam de cessão de créditos para instituições nãofinanceiras. Os dispositivos acima indicados restringem a cessão de créditos para entidades não financeiras apenas nas hipóteses de empréstimo, financiamento, arrendamento mercantil e contratos de exportação negociados no mercado interno. No caso dos autos, como descrito acima, restou claro que o contrato acima não é um contrato de exportação, ou de arrendamento mercantil ou de financiamento ou de empréstimo na acepção técnica de mútuo bancário. Inclusive, em relação ao mutuo bancário, como muito bem apontado pelo v. acórdão recorrido, o contrato que deu origem ao crédito em questão foi o contrato de opção de compra e opção de venda de ações pela Recorrente (fls.106/114). Tal contrato nitidamente foge da definição de mútuo bancário, por possuir a natureza de um contrato bilateral, por meio do qual foi outorgada a opção da compra de ações à contribuinte, em contrapartida do adiantamento do preço das ações na opção de compra. Observese que o referido contrato difere de um mútuo bancário, a ponto de haver inclusive a assunção de obrigação por parte da impugnante, conforme se depreende do item contratual 2.1 (fls.108): "2.1. O preço das Ações a ser pago pelo Unibanco, em caso do exercício da Opção de Compra prevista na Cláusula I deste Contrato será de R$ 8.800.000, 00 (oito milhões e oitocentos mil reais)." Sendo assim, como a operação não se enquadrou nas hipóteses previstas nos artigos 6, 7 e 8 da Resolução CMN/BACEN 2.836/2001, fica comprovado que a cessão de crédito em análise não pode ser considerada usual, regular e necessária, não sendo possível a aplicação do artigo 299 do RIR/99. Ademais, outro ponto importante que foi destacado pelo v. acórdão recorrido é que acerca do argumento de que a operação seria necessária e usual, é necessário observar a disparidade entre o valor cedido e o valor de venda da cessão, pois, de um valor original de R$10.995.142,63, a contribuinte aceitou receber a quantia de R$ 252.888,28, ou seja, a empresa considerou como necessário e usual receber somente 2,3% do valor original. Cabe notar que, de acordo com a listagem de fls.143/148, trazida aos autos pela Recorrente, o referido percentual de 2,3% foi também avençado entre a contribuinte e a Orbis Trust noutras operações de cessão de crédito. Desta forma, quanto à alegação da Recorrente, que vai no sentido de que as despesas são necessárias e usuais, nos termos do artigo 299 do RIR/99 e que a operação de cessão de crédito acima descrita se encontra dentro dos contornos das condições estabelecidas pelo Conselho Nacional de Política Fazendária e do Banco Central, o que tornaria as perdas dedutíveis em face do disposto na Lei 8.981/95, esta não deve prevalecer, conforme os argumentos acima apontados. Em relação ao valor glosado, vejamos. Fl. 512DF CARF MF 10 A Recorrente alega que o valor da glosa de R$ 10.995.142,63 está equivocado, eis que o lançamento incluiu (I) encargos financeiros de R$ 2.195.142,63, que sequer foram recebidos, mas já foram tributados antes, e (II) o preço de venda da cessão, no valor de R$ 252.888,28, já tributado, porque inserido no resultado do exercício de 2004. Após analisar os documentos, entendo que o v. acórdão recorrido também deve ser mantido em relação a estas alegações, eis que os documentos acostados pela Recorrente não provam que os valores acima indicados foram tributados. Os documentos juntados pela autuada de fls. 156/166 não provam que os valores apontados foram tributados. Para não me tornar repetitivo adoto os fundamentos do v. acórdão recorrido, os quais transcrevo abaixo. A contribuinte se insurge contra a glosa de R$10.995.142,63, por entender que este valor compreendeu (i) encargos financeiros de R$2.195.142,63, que sequer foram recebidos, mas já foram tributados antes, e (ii) o preço de venda da cessão, no valor de R$252.888,28, já tributado porque inserido no resultado do exercício de 2004. O argumento da impugnante parte da premissa de que ambos os valores já teriam sido objeto de tributação. Ocorre, contudo, que não há comprovação nos autos de que tais valores tenham sido efetivamente tributados antes do lançamento de ofício. Cabe notar que a contribuinte sequer discriminou as parcelas que compõem a importância de R$10.995.142,63, composta, segundo o "Contrato de Confissão de Dívida e outras Avenças", de: "valor do mútuo concedido a título de adiantamento previsto no Contrato, acrescido dos encargos, incluindo atualização monetária e juros moratórios, e despesas preliminares de cobrança acordadas entre as Partes"(f ls. 117). Da mesma forma, a contribuinte informou o valor de R$10.995.142,63 apenas de uma maneira consolidada no documento de fls.76 do Anexo I, sendo que a respectiva atualização foi apresentada com o valor zero (planilha do item 3). Com relação à documentação contábil apresentada pela contribuinte (fls. 156/166), cabe notar que houve a apresentação de: a) F1s.156/163: documentos que informam a transação bancária de transferência do valor de R$8.800.000,00 da contribuinte para a cliente PROLAN PARTICIPAÇÕES S/A (contacorrente 1034758; contrato 044.2376150); b) Es. 164/166: macro fluxo contábil das cessões de crédito — outubro/2004 (fls.164), lançamentos contábeis cessões do EV Outubro/04 (fls.165) e lançamento contábil recebimento das cessões — outubro/04 (fls.166). Fl. 513DF CARF MF Processo nº 16327.000643/200795 Acórdão n.º 1402002.673 S1C4T2 Fl. 492 11 Por intermédio da análise dos documentos acima relacionados, resta claro que a contribuinte não demonstrou, pelos registros contábeis trazidos aos autos, o oferecimento dos valores de R$2.195.142,63 e R$252.888,28 à tributação. Ademais, as provas trazidas pela contribuinte não corroboram a afirmação feita pela impugnante às fls.47 (item 9) de que os encargos financeiros de R$2.195.142,63 foram reconhecidos pela empresa como receita na conta contábil, compondo o lucro base de apuração de IRPJ e CSLL. De fato, o documento indicado pela impugnante para subsidiar tal alegação (doc.6 — fls.155/166), sequer faz menção ao valor de R$2.195.142,63. Pelo exposto, concluise que é infundada a afirmação da contribuinte de que os valores de R$2.195.142,63 e R$252.888,28 foram oferecidos à tributação. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento. (Assinado Digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 514DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001714/2004-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1401-000.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Trata o presente processo de Lançamento de auto de infração contra o contribuinte relativos à omissão de receitas por diferenças de estoques, ajustes de preços de transferência e glosa de despesas, além dos reflexos multa agravada. Seguem os trechos do relatório da Decisão de Piso sobre a autuação a a impugnação apresentada: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 71 4/ 20 04 -2 4 Fl. 18376DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.055 2 Fl. 18377DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.056 3 Fl. 18378DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.057 4 Fl. 18379DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.058 5 Fl. 18380DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.059 6 Fl. 18381DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.060 7 Fl. 18382DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.061 8 Fl. 18383DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.062 9 Após a decisão da DRJ que manteve parcialmente a autuação o contribuinte apresentou os seguintes argumentos em seu recurso: OMISSÃO DE RECEITAS Nulidade do Auto de Infração – Apuração da Omissão de receitas – Alega que a fiscalização não fez verificações na escrituração contábil da empresa nem em seu livro de inventário o que descumpriria a norma do art. 41, da Lei nº 9.430/96. Somente utilizou planilhas do excel. Esclarecimentos diferença de estoques – Alega que impugnou tudo. Diferenças de estoque mantidas após diligência – alega a ilegalidade da manutenção de diferenças na parte em que com base em novos documentos apresentados conseguese infirmar o lançamento mas mostrar outros que decorreram daqueles mesmos fatos. Omissão na apresentação de documentos – Alega que não houve omissão e que não os apresentou antes porque a autoridade fiscal não solicitou a sua escrituação contábil. Fl. 18384DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.063 10 Torpeza que gerou benefício – Alega que não se beneficiou da torpeza, mas sim a própria autoridade julgadora ao validar novos lançamentos sem as formalidades legais e inobediência da legalidade estrita. Abandono da fórmula legal de cálculo da omissão – Alega que foram indevidamente considerados entradas e saídas omitidas quando, com a correta utilização da fórmula apenas poderia decorrer uma das hipóteses. Notese o grande erro evidenciado pelo procedimento acima descrito: ao invés de se descobrir vendas não tributadas, a auditoria fiscal tributa vendas já tributadas. E, apenas para que não restem dúvidas a respeito da impossibilidade de glosa de vendas, a Recorrente propõe um raciocínio complementar: e se uma venda glosada (por ocasião da aplicação da presunção de omissão de recitas) não tivesse sido tributada na época própria? Nesse caso, tendo a venda sido regularmente declarada, cumpriria ao Fisco fiscalizála, e, se fosse o caso, exigir o tributo correspondente. Se o procedimento está errado, então ele deve ser retificado para todos os itens de estoque, de modo que se observe a fórmula legal, e, ao mesmo tempo, tomandose o cuidado para que a "glosa" de vendas não gere omissão de receitas, pois isso não faz qualquer sentido. Em seguida, cumpre verificar qual das seguintes situações se configura: (i) a diferença de estoque relacionase a um fato originalmente abrangido pelo Auto de Infração, e.g. o Auto de Infração apontava omissão de 10 entradas e a Diligência aponta a omissão de 5 entradas; ou (ii) a diferença de estoque relacionase a um fato novo, não abrangido pelo Auto de Infração, e.g. o Auto de Infração apontava omissão de 10 entradas e a Diligência aponta a omissão de 5 saídas. Se a situação (ii) se mostrar concretizada, então o lançamento deverá ser cancelado quanto ao item de estoque em questão, em razão da já citada vedação à revisão de lançamento. Outros Vícios no Lançamento: (i) Item de Estoque QPA164G — Item 1 do Relatório da Diligência: Alega que houve inovação no lançamento. Aponta erros nos cálculos. (ii) Item de Estoque NTZX1605 — Item 8 do Relatório da Diligência alega também inovação no lançamento e no cálculo. (iii) Item de Estoque A0784949 (NT4XE) — Itens 12 e 16 do Relatório da Diligência Na diligência foi verificada a inexistência e omissão nas saídas e que seriam de entradas. Alega ilegalidade da inovação (iv) Item de Estoque A0783934 (TN1X)— Item 13 do Relatório da Diligência: Idem acima (v) Item de Estoque NTRX26CB — Item 14 do Relatório da Diligência: Alega que ao contrário do que a DRJ informa, a empresa comprovou as entradas e saídas do item. Fl. 18385DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.064 11 (vi) Itens de Estoque A0790209, QMY717A e NTFN33HB — Itens 17, 20 e 21 do Relatório da Diligência: Alega não poder haver tributação tendo em vista que as diferenças apuradas foram de glosa de vendas. (vii) Item de Estoque A079756 (TN1C) — Itens 7 e 18 do Relatório da Diligência Novamente alega inovação do lançamento. (viii) Item de Estoque A0800890 (Filial) — Item 35A do Relatório da Diligência: Alega que não existe a diferença de estoque apontada. (ix) Item de Estoque A0732224— Item 22 do Relatório da Diligência Alega que este item é o mesmo do item 20 do relatório de diligência pois a referência QMY717A é apenas um nome atribuído ao código de mercadoria A0732224. (x) Item de Estoque NTCEO8DK— Item 26 do Relatório da Diligência Não haveria diferença porquanto o valor apurado do estoque final é o mesmo do apurado pela fiscalização. (xi) Item de Estoque NT2X70A— Item 28 do Relatório da Diligência Revisão ilegal. Omissão de compras não pode gerar omissão de receitas. (xii) Item de Estoque NTEX22CA— Item 34 do Relatório da Diligência: Inexiste omissão, pois com a aplicação da fórmula resulta estoque final zero. (xiii) Item de Estoque NT9X4OBB— Item 36 do Relatório da Diligência Alega que houve glosa de vendas e que esta não pode gerar cálculo de omissão de receitas. (xiv) Itens de Estoque NTEU4559, A0838161, NTEUllAA, NT6X50AB — Itens 11, 19, 27 e 29 do Relatório da Diligência Revisão ilegal da autuação e omissão de compras não gera omissão de receitas. 2.2.3. Diferenças de Estoque que não foram objeto da Diligência Protesta pelo cancelamento integral dos outros itens em razão de: Autoridade não examinou a escrituração legal da recorrente. Do procedimento incorreto que gerou uma autuação que foi cancelada em 85% pela DRJ. 2.2.4. Omissão de Entradas Alega, com base em precedentes deste CARF que a omissão de compras não gera lançamento pis seu efeito é neutralizado pelo não registro do respectivo custo no CMV para apuração do lucro tributável. Aplicabilidade do PIC Alega que efetuou opção pelo método CPL, inclusive informando na DIPJ. Alega que a autoridade fiscal desconsiderou o método e aplicou o PRL 20. Fl. 18386DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.065 12 Alega que apresentou a comprovação pelo método PIC na impugnação e que a DRJ informou não se aplicar aos anos de 1999 e 2000. Alega que deve prevalecer o melhor método. E que a administração tem o dever de apurar por outros métodos, conforme Lei nº 9.430/96, art. 18, § 4º. Alega que ao escolher um método a autoridade fiscal utilizou discricionariedade que a lei não lhe atribui. Alega que este mesmo dispositivo permite que a indicação de um método na DIPJ não vincula o contribuinte. Alega que o método originalmente apontado pelo contribuinte poderia ser alterado a qualquer tempo. Alega que somente após a edição da MP nº 478/2009 é que foi inserida a obrigação de que a opção não possa ser alterada pela empresa. Apuração do PIC Alega que apresentou na impugnação os preços parâmetro calculados com o método PIC e que deveriam ser cancelados os ajustes relativos a estes itens. Exclusão do valores relativos ao frete, seguro e tributos no cálculo do PRL. A DRJ alega que está correta a apuração com base no preço CIF. O contribuinte em sua impugnação alega que o cálculo deveria ser feito com base no valor FOB. Alega apresentar precedentes do CARF neste sentido. Alega que a neutralidade da norma somente se atinge se o frete, seguro e tributos sobre as importações não gerem qualquer adição ao lucro. Apresente extensa argumentação a justificar seu entendimento. Toda ela baseada no acórdão nº 10809763. Comparabilidade. Alega que a inclusão do frete e seguro para permitir a equivalência de grandezas comparáveis. Alega que a adoção da comparabilidade gera efeitos absurdos e que não é possível a adoção de soluções excepcionais. O primeiro passo prova do raciocínio que ora se propõe depende de se enfrentar a seguinte questão: qual a conseqüência da inclusão do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação no cálculo dos preços de transferência, na sistemática CPL (é bom lembrar que o referido § 6° estendese a qualquer método)? O preço parâmetro, apurado pelo método CPL, deveria, nesse caso, ser comparado com o custo do importador, incluídos o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Como o método CPL apura o preço parâmetro a partir do custo do exportador, acrescido de uma margem de 20%, dirseá que o custo do exportador, acrescido da margem de 20% deve ser equivalente ao preço pago pelo importador, acrescido do frete, do seguro e dos tributos incidentes na importação. Ora, como o custo do exportador não inclui o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação, significa dizer que na margem máxima de 20%, exigida do exportador, já deveriam estar incluídos o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Fl. 18387DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.066 13 Ou seja: a legislação brasileira exigiria que a margem bruta do exportador (lembrese que a margem de lucro, no CPL é bruta), limitada ao máximo de 20%, incluiria, além de todas as despesas do exportador, no exterior (não incluídas no custo) e seu lucro líquido, também o frete, o seguro e os tributos incidentes na importação. Ao fim de outras explicações protesta pela reforma da decisão combatida. 2.4. Glosa de Despesas Alega que o “services agreement” não é um simples contrato de serviços, mas sim compreende outro elemento: um direito. Este direito seria o de demandar a contratada a qualquer momento e corresponde à obrigação da contratada de ficar à disposição da contratanete sempre que chamada. Entende que este contrato seria do tipo aleatório posto que o seu objeto, ao contrário do contrato comutativo, não obriga a que as prestações sejam equivalentes. Seriam contratos de risco. Exemplifica com os contratos de planos de saúde. 2.4.2. Falta de emissão das notas fiscais relativas ao "Services Agreement" Alega que, conforme já mencionado durante a fiscalização, as notas foram emitidas pela Nortel Canadá contra a Nortel CALA e que esta sssumiu a dívida pela recorrente, passando a ser credora da mesma. Alega que a nota fiscal não é necessária à comprovação de despesas. E que o contrato seria prova da relação jurídica. 2.4.3. Possibilidade da celebração de contrato "a preço fechado". Efetividade a despesa. O contrato firmado englobaria inúmeras atividades. Que a efetividade, normalidade e usualidade das despesas são comprovados pelo contrato. Não existe ilegalidade na contratação a preço fechado. 2.4.4. Vinculação dos técnicos estrangeiros com os serviços prestados Alega que caso não seja suficiente a documentação já apresentada, a empresa apresenta novas informações e documentos que objetivam comprovar a presença de técnicos estrangeiros para a realização dos serviços elencados no “services agreement”. 2.5. Subsidiariamente, da exclusão da base de cálculo do IRPJ e CSLL os valores de PIS, COFINS e IPI exigidos Protesta que caso se entenda de manter a autuação, que os valores de PIS, COFINS, e IPI lançados, sejam excluídos das bases de cálculo do IRPJ. Apresenta acórdão neste sentido. 2.6. Ainda subsidiariamente, descabimento do agravamento da multa Entende que nenhuma intimação deixou de ser atendida e que assim descabe o agravamento da multa. 2.7. Finalmente, impossibilidade de cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício (artigos 161 do CTN e 61, § 3°, da Lei n°9.430/96) Sustenta a impossibilidade de cobrança de juros sobre a multa de ofício. Fl. 18388DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.067 14 Voto Durante a análise das razões de recurso e contrastando com os argumentos apresentados pela fiscalização, verificamos que um dos temas que é fundamental à solução do litígio decorre da constatação do fato de a fiscalização que solicitado, durante o curso do procedimento dos livros de registro de inventários e movimentação dos estoques da empresa. Neste ponto que se prende à verificação dos valores de omissão das receitas por saídas sem emissão de nota fiscal, que também provoca reflexos nos autos de infração de IPI, a recorrente suscita a nulidade do procedimento pelo fato de a fiscalização ter solicitado do contribuinte apenas o preenchimento de planilhas de suas movimentações de entrada e saída de materiais sem ter feito o confronto destas planilhas com os valores constantes no registro de inventário. Desta forma a não verificação de seus registros contábeis e de inventário implicaria contrariedade ao art. 41, da Lei nº 9.430/96. Por seu turno, a fiscalização, na apresentação de informações solicitadas pela DRJ quanto aos documentos apresentados pela defesa, trouxe os seguintes elementos: Acontece que compulsando as quase 20 mil páginas no presente processo não localizamos, pelos números do eprocesso as citadas folhas contendo as intimações referidas pela fiscalização. Realizamos então busca pelos números manuais grafados no processo antes de sua digitalização. Nesta busca constatamos que a numeração manual original chega até o número de fls. 2000, quando é acostada a folha de encerramento do volume 10 e retorna já no número 2.158. Ou seja, faltam ao processo as folhas numeradas manualmente de números 2001 a 2158, nas quais devem estar as intimações citadas pela fiscalização nas quais foi solicitada a apresentação dos livros de registro de inventário e de movimentação dos materiais. Além disso, em relação à análise dos outros pontos da autuação, fazemse necessários alguns esclarecimentos sobre os procedimentos adotados pela fiscalização e a análise dos documentos acostados ao processo como, por exemplo, a fórmula de cálculo das diferenças de estoques apuradas durante a fiscalização, quais os critérios adotados durante o recálculo destas diferenças após diligência determinada pela DRJ e os documentos de comprovantes de serviços apresentados pela empresa em relação ao services agreement. Tendo em vista que este ponto da discussão é o mais detalhado do processo e onde surgem diversas alegações de falhas, tanto por parte da acusação, quanto por parte da defesa, além de que o processo não pode conter páginas faltantes, VOTO no sentido de Fl. 18389DF CARF MF Processo nº 16327.001714/200424 Resolução nº 1401000.480 S1C4T1 Fl. 18.068 15 converter o julgamento em diligência a fim de se determinar o retorno do presente processo à delegacia de origem para: a) que seja diligenciado no sentido de se localizarem as fls. 2001 a 2158 da numeração manual do processo que não foram encontradas no processo e onde devem constar as intimações de número 01 a 09 do procedimento fiscal, para que as mesmas sejam digitalizadas e acostadas ao presente, de preferência na correta ordem cronológica como determinam as normas processuais; b) Seja informado o critério e forma de cálculo utilizada para a apuração das diferenças de estoques apuradas durante o procedimento de fiscalização; c) Seja informado quais os critérios foram utilizados na revisão das mesmas diferenças de estoque, levandose em consideração a redução significativa da autuação neste ponto d) Por fim, seja esclarecido se os documentos apresentados pela empresa quando da intimação de comprovação das despesas de services agreement foram também contabilizados como despesas da empresas, ou se os seus valores encontravamse incluídos no montante das despesas incorridas a título de services agreement Concluídas as diligências cientifiquese o contribuinte abrindolhe prazo para manifestação por 30 (trinta) dias e posterior retorno a este CARF para prosseguimento. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 18390DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.725063/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento de defesa em se tratando de auto de infração composto por documentos que descrevem, de forma clara e precisa, os fatos geradores e as bases de cálculo do lançamento, discriminando-os por estabelecimento e por competência, bem assim quando são indicados os fundamentos jurídicos que tenham dado suporte à autuação.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE FRETES PAGOS A TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo das contribuições sociais incidente sobre fretes pagos a transportadores autônomos (contribuintes individuais) corresponde a 20% (vinte por cento) do valor do recebido a esse título.
TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA.
As contribuições da empresa relativas a serviços prestados por transportares autônomos corresponde a 20% (vinte por cento) do frete ou carreto, na forma estabelecida em regulamento.
TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHADOR. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE
A responsabilidade pelo recolhimento da contribuição devida pelos transportadores autônomos é da empresa contratante dos serviços prestados por essa espécie de contribuintes individuais.
TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES A TERCEIROS.
O recolhimento das contribuições devidas por transportadores autônomos ao SEST e ao SENAT incumbe à empresa contratante dos serviços.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUB-ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE.
A empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidos na legislação previdenciária.
ISENÇÃO. DESCONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
Tendo a Fazenda Pública demonstrado a ocorrência do fato gerador de exação tributária, a arguição quanto ao enquadramento do contribuinte em regra isentiva deve vir acompanhada elementos de prova aptos a comprovar o alegado.
Numero da decisão: 2402-005.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de defesa em se tratando de auto de infração composto por documentos que descrevem, de forma clara e precisa, os fatos geradores e as bases de cálculo do lançamento, discriminandoos por estabelecimento e por competência, bem assim quando são indicados os fundamentos jurídicos que tenham dado suporte à autuação. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE FRETES PAGOS A TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições sociais incidente sobre fretes pagos a transportadores autônomos (contribuintes individuais) corresponde a 20% (vinte por cento) do valor do recebido a esse título. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. As contribuições da empresa relativas a serviços prestados por transportares autônomos corresponde a 20% (vinte por cento) do frete ou carreto, na forma estabelecida em regulamento. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES DO TRABALHADOR. RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE A responsabilidade pelo recolhimento da contribuição devida pelos transportadores autônomos é da empresa contratante dos serviços prestados por essa espécie de contribuintes individuais. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUIÇÕES A TERCEIROS. O recolhimento das contribuições devidas por transportadores autônomos ao SEST e ao SENAT incumbe à empresa contratante dos serviços. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 50 63 /2 01 2- 85 Fl. 720DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidos na legislação previdenciária. ISENÇÃO. DESCONSTITUIÇÃO DO LANÇAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Tendo a Fazenda Pública demonstrado a ocorrência do fato gerador de exação tributária, a arguição quanto ao enquadramento do contribuinte em regra isentiva deve vir acompanhada elementos de prova aptos a comprovar o alegado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DRJ/BSB (677/691) em face de autos de infração de obrigação Principal – AIOP a seguir enumerados: DEBCAD 37.379.2387, no valor de R$ 1.037.506,44 (um milhão trinta e sete mil quinhentos e seis reais e quarenta e quatro centavos), relativo às contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, DEBCAD 37.379.2395 , no valor de R$ 49.349,23 (quarenta e nove mil trezentos e quarenta e nove reais e vinte e três centavos), relativa à contribuição do segurado contribuinte individual de 11% sobre base de cálculo dos pagamentos de fretes; DEBCAD 37.379.24079, no valor de R$ 79.107,91 (setenta e nove mil cento e sete reais e noventa e um centavos) relativa à contribuição destinadas a Outras Entidades (SEST, SENAT e SENAR). As bases de cálculo dos AIOP referemse aos estabelecimentos da empresa que fizeram aquisição de produção rural com movimentação de trabalhadores no período fiscalizado. Quais sejam: Matriz: 72.600.190/000199, Filiais: 000431, 00512, 000601, 000784, 000946, 001160, 001403, 001675, 001918, 002051, 002132 e 002566. Por bem retratar o contexto em que se lavrou os Autos de Infração e as razões trazidas na impugnação (fls. 651/661), reproduzse os trechos correspondentes do Acórdão nº 0355.088, da 5ª Turma da DRJ/BSB: DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Da incidência de contribuições previdenciárias sobre fretes pagos a pessoa física e Prólabore Indireto (contribuintes individuais). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 53/73, o crédito tributário objeto do presente lançamento fiscal se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre a aquisição de produção rural do produtor pessoa física e pagamento a contribuinte individual inclusive fretes pagos a transportador autônomo não declaradas em GFIP. a) Fretes pagos a autônomos A fiscalização constatou que o contribuinte não inclui em folha de pagamento nem em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, tanto nos casos dos valores decorrentes de aquisição de produção rural, quanto em relação à categoria dos contribuintes individuais, conforme relação anexa, sem no entanto, identificar os descontos efetuados dos segurados. Registra ainda que além das contribuições devidas pela empresa, os referidos transportadores autônomos estão sujeitos ao pagamento da contribuição do segurado Fl. 722DF CARF MF 4 de 11% incidente sobre a referida base de cálculo dos fretes e contribuições devidas a outras entidades e fundos – no caso o SEST e SENAT. b) Prólabore Indireto Verificouse na contabilidade que o sócio Aroldo Silva Amorim Filho foi remunerado pela empresa de forma disfarçada, por meio de pagamento de despesas pessoais, tais como restaurantes em fins de semana, despesas diversas como de viagens, supermercado, combustível, etc, conforme relação contida no item 18 do Relatório Fiscal. Intimado, por meio de Termo de Intimação, a justificar a origem e natureza dos pagamentos efetuados o contribuinte não justificou de forma precisa as referidas despesas, especialmente as relacionadas aos sócios. Ademais não consta na folha de pagamento a rubrica prólabore em nenhum dos meses fiscalizados, embora o sócio Aroldo Silva Amorim Filho atue como gerente ou administrador. A justificativa verbal da contadora é a de que as despesas de restaurantes e de viagens deste são decorrentes de sua atividade de gerente. Mas de acordo com documentos fiscais e cartão de crédito apresentados (Anexo V), há clara evidência de que tais despesas estão mais vinculadas aos gastos pessoais, por se tratar de restaurantes de alto nível de Brasília, em finais de semana e próximos de sua residência, o que faz presumir que o não pagamento de prólabore regularmente e diretamente ao sócio atende o objetivo de reduzir o pagamento de tributos sobre os rendimentos tributáveis, tanto pela empresa como pelo próprio sócio, utilizandose de pagamentos indiretos por meio de suas despesas pessoais. Quanto aos pagamentos de fretes a transportadores autônomos e prólabore indireto pago ao sócio Aroldo Silva Amorim Filho, foram levados a tributação todos os valores pagos as pessoas e lançamentos contábeis identificados no Anexo III. Afirma que a integração à base de cálculo de contribuições previdenciárias dos valores pagos a sócios, ainda que por meio de utilidades, constitui remuneração a contribuinte individual, de acordo com o inciso III do art. 28, da Lei nº 8.212/91. Da incidência de contribuições previdenciárias sobre a aquisição de produção rural de pessoa física, no período de 06/2008 a 12/2008. Verificouse ainda que a empresa Asa Alimentos Ltda infringiu a legislação previdenciária ao não recolher as contribuições incidentes sobre a aquisição de produção rural de origem animal, proveniente de produtor pessoa física, sob a alegação de que tais produtos não integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias, conforme informações prestadas em atendimento ao termo de Intimação nº 08, por meio de carta resposta de 24/05/2012, Anexo III, em desacordo, portanto, com a Lei nº 11.718, de 20/06/2008, tendo em vista a revogação do §4º do art. 25, da Lei nº 8.212/91. Informa o contribuinte: “Que a diferença de bases de cálculos é devido às compras de produto animal destinado á reprodução ou criação pecuária e granjeira, que conforme legislação vigente na época não integra a base de cálculo da contribuição à produção rural que são deles:20251 Matrizes Suínas, 40062 Pinto de 1 dia, 40063 Suíno vivo (leitão) e 40064 Ovos Férteis. Da incidência de contribuições previdenciárias sobre a aquisição de produção rural de pessoa física, no período de 06/2007 a 05/2008. Para o período de 06/2007 a 05/2008, o citado §4º do art. 25, da Lei nº 8.212/91, concedia isenção na aquisição de produção rural, de origem animal, desde que a empresa apresentasse as seguintes destinações ou finalidades: Reprodução ou Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 4 5 criação pecuária ou granjeira; ou utilização de animais como cobaias para fins de pesquisas cientificas. Instado, por meio do Termo de Intimação nº 09, de 06/06/2012, a identificar a correta destinação da produção rural de origem animal, da qual afirmava tratarse de produção isenta, o contribuinte não atendeu a solicitação nos exatos termos acima. E da análise dos documentos apresentados, tais como cartas respostas, Notas Fiscais, Livros de Entrada de Mercadorias e outros demonstrativos, não se verificou que a aquisição de produção rural de origem animal tenha a destinação ou finalidade enquadrada na isenção contida no §4º do art. 25, da Lei nº 8.212/91. Registra que ficou constatado que o contribuinte não inclui em folha de pagamento nem em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciárias, por esta razão foi solicitado por meio de termo de intimação que o contribuinte identificasse de forma individualizada todos os pagamentos efetuados à prestadores de serviço pessoa física, tendo sido considerado a base de cálculo, em relação a aquisição de produção rural, todos os valores constantes, mensalmente, das planilhas do Anexo IV , apresentado com a segregação temporal dos fatos geradores, em face da alteração do art. 25, § 4º da Lei nº 8.212/91, em dois demonstrativos: Demonstrativo Pr Produção Rural Adquirida De Pessoa Física, no período de 06/2007 a 05/2008 e Demonstrativo Pr –Produção Rural Adquirida De Pessoa Física, no período de 06/2008 a 12/2008. Destaca ainda a fiscalização que além das contribuições previdenciárias a que se refere o art. 25 da Lei nº 8.212/91, é devido pelo sujeito passivo a contribuição de 0,2% a outras entidades e fundos Terceiros SENAR, de acordo com o art. 6º da Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, com redação da Lei nº 10.256, de 09 de julho de 2001. DA MULTA APLICADA Esclarece o autuante que, em razão das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e, tendo em vista o disposto no art. 106 do Código Tributário Nacional – CTN, a multa calculada na ação fiscal geradora destes autos foi a resultante do confronto entre a multa de ofício de 75% com as multas capituladas nos Códigos de Fundamentação Legal 68 (apresentar a empresa a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias), somada à multa de mora de 24%, prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, sobre as contribuições devidas e não recolhidas, resultando como mais benéfica ao sujeito passivo, a multa de oficio de 75% sobre o valor devido, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, conforme tabela de fls. 66/67. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL Dispõe que a situação acima descrita de redução de contribuição social mediante a não inclusão de segurados ou remunerações em folha de pagamento e/ou GFIP, em época própria, configuram, em tese, crime de sonegação de contribuição previdenciária, previsto no art. 337A do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 9983, de 14/07/2000, e, portanto, será objeto de Representação Fiscal Para Fins Penais, com comunicação à autoridade competente para providências cabíveis. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 724DF CARF MF 6 Tempestivamente, a autuada apresentou a impugnação de fls. 650/ 661, para todos os autos de infração lavrados nesta ação fiscal, inclusive os decorrentes de descumprimento de obrigação acessórias, juntando a documentação de fls. 662/666, que comprovam a capacidade postulatória dos advogados que a assinam, com as seguintes alegações, em apertada síntese: DAS PRELIMINARES Do Cerceamento de Defesa Aduz em preliminares que após análise dos autos (Discriminativo do Débito DD e anexos) verificou que alguns lançamentos não foram realizados de maneira clara e precisa quanto à base de cálculo dos lançamentos, prejudicando assim o contraditório por parte do contribuinte. Afirma que o lançamento fiscal deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como suas bases de cálculo, sob pena de cerceamento de defesa. E que no caso do presente auto pode constatar que os lançamentos foram realizados sem a demonstração do montante que compõe as bases de cálculo pertinentes. DO MÉRITO Incidência de Contribuição Previdenciária sobre Fretes pagos à Pessoa Física (Autônomos). Relata que o Anexo III do Auto de Infração embora relacione os autônomos não visualizados na folha de pagamento nas competências 06/2007 a 12/2008, constatase que os valores ali informados não encontram correspondência com os valores apurados, pelo autuante, no Discriminativo do Débito – DD, assim requer a desconsideração da exigência fiscal. Incidência de Contribuição Previdenciária Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física. Informa que conforme se depreende do esclarecimento prestado pela recorrente, a diferença das bases de cálculo sobre a aquisição de produção rural de pessoa física está relacionada com a isenção concedida pelo art. 25, §4º da Lei nº 8.212/91, revogado pelo art. 12 da Lei nº 11.718, de 23 de junho de 2008. Afirma que a empresa explora a atividade de pecuária, com engorda e abate de aves e suínos, iniciando o seu processo econômico com a reprodução do animal juvenil e sua engorda até o abate, que é realizado em estabelecimento de terceiros (integrado). Informa ainda que as aquisições de produtos animais são destinadas à reprodução e/ou criação pecuária ou granjeira, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. E que além disso não existe na legislação previdenciária qualquer disposição, no sentido de que o contribuinte tenha a obrigação de comprovar o disposto no texto legal, ou seja comprovar a destinação da aquisição do produto animal. Na sequência, aduz que tendo em vista que a publicação da Lei nº 11.718/08, ocorreu em 23/06/2008, em respeito ao princípio da anterioridade nonagenal (art. 195, §6º, CF/88) entende pela incidência da contribuição nas condições acima apenas a partir de 21/09/2008, sendo responsabilidade da Receita Federal do Brasil especificar a competência do fato gerador e a apuração da sua base de cálculo, de forma clara e precisa para fins do efetivo recolhimento previdenciário, de parcela relativa a período posterior, de 21/09/2008 a 31/12/2008, o que não foi realizado. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 5 7 Das Obrigações Acessórias A impugnante insurgese contra os autos de infração nos códigos de Fundamentação Legal CFL 30, 34 e 35, afirmando que no decorrer da defesa e da ação fiscal pode demonstrar o cumprimento das obrigações a ela inerentes, inclusive forneceu todas as informações solicitadas. Entretanto, a autoridade fiscal entendeu que a falta de apresentação de documentação se deu por não ter a recorrente instruído a relação de documentos, sem a informação do desconto do segurado contribuinte individual – Transportador Autônomo, o que obrigou a fiscalização a aferir em 11% os descontos do segurado transportador pessoa física. Entende a recorrente que apresentou as informações cadastrais, financeiras e contábeis como requerido pela lei, e que não é obrigada pelos artigos 32 e 225 a efetuar os cálculos que pretende a autoridade fiscal, sendo, portanto, improcedente a autuação. Ante o exposto e considerando serem indevidos os lançamentos relativos a obrigação principal restam prejudicadas as obrigações acessórias, não havendo que se falar em penalidade. Requer então a total improcedência dos créditos previdenciários ora lançados. A DRJ/BSB considerou a impugnação improcedente, conforme se extrai da ementa da decisão fustigada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2008 AIOP DEBCAD nº 37.379.2387 (Empresa) 37.379.2395 (Segurado) 37.379.2409 (Terceiros) CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DE TERCEIROS. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SUBROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. A empresa adquirente de produtos rurais fica subrogada nas obrigações da pessoa física produtora rural pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação previdenciária Decisão do STF com efeito inter partes, sem repercussão geral, não alcança os contribuintes que não são parte no processo. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, devese limitar a aplicála, não tendo competência para declarar norma inconstitucional. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 726DF CARF MF 8 São devidas pela empresa e equiparados as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, e recolher à Seguridade Social, as contribuições dos segurados a seu serviço, conforme previsto nas Leis nº 8.212/91 e nº 10.666/93. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições destinadas aos Terceiros, no mesmo prazo que a Lei 8.212/91 prescreve para as contribuições previdenciárias a seu cargo, bem como para as que, por imposição legal, devem ser arrecadadas dos segurados a seu serviço. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, na Autuação e seus anexos, os fatos geradores, as contribuições apuradas, bem assim a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, informações essas que possibilitam ao impugnante identificar, com precisão, os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual repisa as mesmas razões trazidas na peça impugnatória. Por fim, reitera pedidos apresentados na impugnação. É o relatório. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Questões Introdutórias Embora a contribuinte tenha apresentado contestação em relação ao descumprimento de obrigações acessórias no recurso objeto do presente processo (que trata exclusivamente de autuações decorrentes do anadimplemento de obrigações principais), os argumentos a esse respeito somente serão analisados no acórdão pertinente a essas obrigações acessórias, compreendido no Processo nº 10166.725182/201238. Preambularmente, cabe avaliar as seguintes asserções trazidas no apelo recursal: O auto de infração é um ato administrativo sempre regrado e vinculado (nunca discricionário ou arbitrário). Para merecer validade administrativa e eficácia jurídica deve preencher certos requisitos, tais como: 1º) Fundamentação fática, concreta e real, ocorrida e verificada, seja com a sua exteriorização, seja de sua materialização. Não cabe, portanto, o lançamento por mera diferença entre contas contábeis ou informes fiscais; 2º) Embasamento em motivos reais, idôneos e existentes, o que afasta qualquer obrigação tributária sem provas documentais e/ou periciais. Sobre o assunto, mesmo que a apelante não esclareça a finalidade de tais afirmações e não traga elementos que possam demonstrar quais os requisitos de validade lançamento teriam sido descumpridos, impende esclarecer que os documentos que integram os autos de infração: a) demonstram de forma clara e precisa os fundamentos jurídicos que levaram às autuações; e b) descrevem adequadamente a situação fática em que ocorreram as condutas infracionais. De mais a mais, os lançamentos encontramse devidamente motivados e estribados em elementos de prova aptos a lhes dar suporte. De todo modo, todas essas questões serão apreciadas no decorrer do presente voto, não cabendo aqui maiores digressões a seu respeito. Fl. 728DF CARF MF 10 Preliminar Cerceamento de Defesa Ao argumento de que o auto de infração deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias de forma clara e precisa, bem como suas bases de cálculo, alega a recorrente que seu direito de defesa teria sido cerceado em vista de alguns lançamentos não terem observado tais requisitos (clareza e precisão). Aduz que o Discriminativo do Débito – DD não teria demonstrado adequadamente a composição do crédito tributário, impossibilitando seu entendimento e prejudicando o exercício do contraditório. Para o exame dessas alegações é preciso analisar outros documentos que integram os Autos de Infração, além do Discriminativo do Débito – DD. O Relatório Fiscal (fls. 53/69) esclarece que o “crédito tributário objeto do presente lançamento fiscal referese às Contribuições previdências incidentes sobre: Aquisição de Produção Rural do Produtor Pessoa Física, e Pagamentos a contribuinte individual, inclusive fretes pagos a transportador autônomo, não declaradas em GFIP”. Em seguida, apresenta quadro em que detalha a sistemática de cálculo das contribuições apuradas em cada Auto de Infração, indicando, inclusive a base de cálculo sobre a qual incidiram as contribuições. Vejamos: DEBCAD DESCRIÇÃO 37.379.2387 a) Contribuições da empresa, de 2% incidentes sobre aquisição de produção rural, proveniente de produtor pessoa física; b) Contribuição da empresa, de 0,1% para Financiamento Risco Ambientais (RAT), incidente sobre aquisição produção rural; c) Contribuições da empresa de 20% incidentes sobre a base de cálculo referente a fretes pagos a transportadores autônomos; d) Contribuições da empresa de 20% sobre pagamento de despesas dos sócios, pró labore Indireto. 37.379.2395 e) Contribuições do segurado contribuinte individual de 11% sobre base de cálculo dos pagamentos de fretes; 37.379.2409 f) Contribuições da empresa, de 0,2% destinadas aos terceiros ( SENAR) incidentes sobre aquisição de produção rural; g) Contribuições de 2,5% destinadas aos terceiros (SEST e SENAT) incidentes sobre a base de cálculo dos valores pagos ou devidos a fretes de transportadores autônomos Na sequência do relato fiscal, apresentase outro quadro em que consta a descrição do fatos geradores omitidos em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com a indicação das fontes de informação que deram suporte ao lançamento: Categoria segurados Fatos Geradores de contribuições previdenciárias Identificação C on tr ib ui nt e In di vi d ua l a) Fretes pagos ou devidos ao transportador autônomo, pessoa física; b) Pagamento PróLabore Indireto ao Sócio Aroldo Silva Amorim Filho, CPF 183.825.68149 Escrituração contábil meio digital, e planilha em meio digital elaborada pelo contribuinte Sub rogação Aquisição de produção rural proveniente de Pessoa Física (art. 30, III, cc art. 25, §3°, da Lei 8.212/91 Livro entradas mercadorias e escrituração contábil em meio digital fornecida pelo contribuinte Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 7 11 Há ainda no Relatório Fiscal um extenso relato sobre os procedimentos adotados para a apuração das bases de cálculos das contribuições, onde é apontado que os fatos geradores e as respectivas bases de cálculos de das contribuições foram identificados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, além de demonstrativos elaborados pela própria contribuinte. Esclarece ainda o Relatório que foram consideradas para a composição das bases de cálculo: a) com relação à aquisição de produção rural, todos os valores constantes mensalmente das planilhas do ANEXO IV (fls. 216/230), com a segregação temporal dos fatos geradores em face da alteração do art 25, § 4º, da Lei 8.212/1991, em dois demonstrativos daquele anexo: Demonstrativo PR Produção Rural adquirida de pessoa física, período de 06/2007 a 05/2008 (fls. 216/224); e Demonstrativo PF – Produção Rural adquirida de Pessoa Física, período de 06/2008 a 12/2008 (225/230). b) quanto aos pagamentos de fretes a transportadores autônomos (208/215) e pro labore indireto (fl. 207) pago ao sócio Aroldo Filho, os valores encontramse relacionados no Anexo III (fls. 207/215), sendo que: a planilha de fl. 207 detalha o pro labore indireto pago ao sócio; e a planilha de fls. 208/215 relaciona os fretes a transportadores autônomos, vinculandoos a cada prestador de serviços. Para concluir o tópico do Relatório Fiscal que descreve os procedimentos para apuração das bases de cálculos das contribuições, a autoridade autuante informa que “os lançamento fiscais que agregam os valores, por mês de competência, encontramse contidos no Discriminativo de Débito (DD), integrante do presente auto de infração, e são identificados pelos códigos de levantamentos, de acordo com a natureza das contribuições previdenciárias:” Código Desc. Levantamento FA Frete Transp. Autônomo Contribuição empresa RT Frete Transp. Autônomo Contribuição segurado/ret 11% PF Produção Rural período 06/2007 a 05/2008 PR Produção Rural período 06/2008 a 12/2008 PI PróLabore Indireto Todos esses apontamentos deixam patente que os autos de infração e os documentos que os compõem descrevem, de forma absolutamente clara e precisa, os fatos geradores e as bases de cálculo do lançamento. Somente quem não se tenha dado ao trabalho de examinar, mesmo que superficialmente, as peças processuais pode chegar a conclusão diversa. É preciso que a recorrente tenha a compreensão de que o Discriminativo do Débito – DD não é o único documento que integra um auto de infração. Desse modo, para que se possa preparar impugnação ou recurso minimamente consistentes, seu representante deve examinar as peças processuais em seu conjunto, o que inclui o Relatório Fiscal e os demais anexos que integram os autos, e não simplesmente apresentar alegação genérica sem qualquer respaldo na verdade dos autos. Vejase que o sujeito passivo apegase a um único documento no intuito de demonstrar a existência de vício em todo o feito fiscal sob o quimérico argumento de que “a Sociedade restou impossibilitada de entender alguns valores dos Autos de Infração”, o que impõe rejeitar a presente preliminar. Fl. 730DF CARF MF 12 Mérito Incidência de Contribuição Previdenciária sobre Fretes pagos à Pessoa Física (Autônomos) Sobre esse ponto, infere a recorrente que a exigência fiscal deve ser desconsiderada, pois os valores informados no Anexo III (que relaciona as remunerações pagas em virtude de serviços prestados por autônomos não inseridos em folha de pagamento nas competências 06/2007 a 12/2008) não encontram correspondência com aqueles especificados no Discriminativo do Débito – DD. Para que se tenha uma melhor compreensão sobre a forma de calcular as contribuições incidentes sobre os valores pagos a contribuintes individuais incidentes sobre serviços de frete ou carreto, cumpre visitar a legislação afeta as esses tributos. De acordo com o inciso III do art. 22 da Lei nº 8.212/1991, a empresa contribuirá para a Previdência Social com 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas a contribuintes individuais a seu serviço. Confirase: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: [...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; O art. 21 da mesma lei estabelece que a contribuição previdenciária do próprio contribuinte individual será de 20% sobre o seu saláriodecontribuição, sendo que o § 26 do art. 216 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999 define que a alíquota da contribuição dos contribuintes individuais é de 11% (onze por cento) e será descontada pelas empresas tomadoras de serviços dessa espécie de segurado e repassadas à Previdência Social: Lei nº 8.212/ 1991. Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o respectivo saláriodecontribuição. Regulamento da Previdência Social – RPS Art.216. A arrecadação e o recolhimento das contribuições e de outras importâncias devidas à seguridade social, observado o que a respeito dispuserem o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal, obedecem às seguintes normas gerais: [...] § 26. A alíquota de contribuição a ser descontada pela empresa da remuneração paga, devida ou creditada ao contribuinte individual a seu serviço, observado o limite máximo do salário decontribuição, é de onze por cento no caso das empresas em geral e de vinte por cento quando se tratar de entidade beneficente de assistência social isenta das contribuições sociais patronais.(Incluído pelo Decreto nº 4.729, de 2003) Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 8 13 Com relação às contribuições para o Serviço Social do Transporte SEST, e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte – SENAT, a combinação do inciso II do art. 7º da Lei nº 8.706/1993 com as alíneas “b” dos incisos I e II do art. 1º do Decreto nº 1.007/1993 é que dá o contorno dessas exações, prescrevendo que o somatório de suas alíquotas totaliza 2,5% sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos, definido pelo inciso II do art. 2º do referido Decreto como sendo a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos em regulamento. Ainda sobre essas contribuições, a alínea do § 3º do art. 2º do Decreto nº 1.007/1993 atribui às empresas tomadoras de serviços de transporte de trabalhador autônomos a responsabilidade por seu recolhimento. Abaixo, a transcrição das disposições normativas referenciadas: Lei nº 8.706/1993. Art. 7º As rendas para manutenção do Sest e do Senat, a partir de 1º de janeiro de 1994, serão compostas: [...] II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; [...] § 2º As contribuições a que se referem os incisos I e II deste artigo ficam sujeitas às mesmas condições, prazos, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial, aplicáveis às contribuições para a Seguridade Social arrecadadas pelo INSS. Decreto nº 1.007/1993 Art. 1° As contribuições compulsórias previstas nos incisos I e II do art. 7° da Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, são devidas a partir de 1° de janeiro de 1994 às entidades e nos percentuais abaixo indicados: [...] II pela contribuição mensal compulsória dos transportadores autônomos equivalente a 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento), e 1,0% (um inteiro por cento), respectivamente, do salário de contribuição previdenciária; [...] b) 1,5% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos; [...] II ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat): Fl. 732DF CARF MF 14 [...] b) 1,0 % calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos. [...] Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: [...] II salário de contribuição do transportador autônomo: a parcela do frete, carreto ou transporte correspondente à remuneração paga ou creditada a transportador autônomo, nos termos definidos no § 4° do art. 25 do Decreto n° 612, de 21 de julho de 1992. [...] §3° As contribuições devidas pelos transportadores autônomos serão recolhidas diretamente: a) pelas pessoas jurídicas tomadoras dos seus serviços; [...] Sobre a base de cálculo das contribuições de condutores autônomos, o § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social assinala que essa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor relativo dos rendimentos resultantes desse tipo de serviço: Art.201. [...] [...] §4º A remuneração paga ou creditada a condutor autônomo de veículo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veículo rodoviário, em automóvel cedido em regime de colaboração, nos termos da Lei nº 6.094, de 30 de agosto de 1974, pelo frete, carreto ou transporte de passageiros, realizado por conta própria, corresponde a vinte por cento do rendimento bruto. Vale lembrar ainda que o art. 4º da Lei nº 10.666/2003 obriga as empresas a arrecadar as contribuições devidas pelos contribuintes individuais que lhe prestem serviços, aí incluídos, por óbvio, os transportadores autônomos. Além do mais, ao estabelecer que as contribuições ao SEST e ao SENAT gozam dos mesmos privilégios aplicáveis às contribuições previdenciárias, o § 2º do art. 7º da Lei nº 8.706/1993 estende essa obrigação (de recolher as contribuições previdenciárias dos condutores autônomos) às contribuições devidas ao SEST e ao SENAT. Retornando ao inconformismo trazido no recurso, e no intuito de facilitar a compreensão da recorrente acerca desse assunto, convém reproduzir o item 15 do Relatório Fiscal que, com base na legislação de regência, evidencia a base de cálculo da contribuição em relação a fretes e carretos: a) Fretes pago a Autônomos 15. De acordo com o art. 201, § 4°, do RPS, aprovado pelo decreto 3.048/99, o salário de contribuição do condutor autônomo de veículo rodoviário (inclusive taxista), operador de máquina, bem como do cooperado filiado a cooperativa de transportadores autônomos, corresponde a Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 9 15 20% (vinte por cento), sobre os totais pagos e esses prestadores de serviços, a titulo de fretes, carreto, transporte, não admitindo deduções de qualquer valor relativo as dispêndios com o veículo. Portanto, a base de cálculo das referidas contribuições será considerada o valor correspondente a 20% de todos os pagamentos de fretes, por mês de competência, constantes do ANEXO III. (Grifei) No mesmo intuito, reproduzse mais uma vez o quadro trazido no Relatório Fiscal (agora somente na parte relativa aos transportadores autônomos) que descreve como se deve calcular contribuição da empresa, do transportador autônomo (contribuinte individual) e a contribuição destinada a outras entidades ou fundos, denominados terceiros (SEST e SENAT): DEBCAD DESCRIÇÃO 37.379.2387 c) Contribuições da empresa de 20% incidentes sobre a base de cálculo referente a fretes pagos a transportadores autônomos; 37.379.2395 e) Contribuições do segurado contribuinte individual de 11% sobre base de cálculo dos pagamentos de fretes; 37.379.2409 g) Contribuições de 2,5% destinadas aos terceiros (SEST e SENAT) incidentes sobre a base de cálculo dos valores pagos ou devidos a fretes de transportadores autônomos Vejase que não é preciso empreender grandes esforços para concluir que a base de cálculo das contribuições de transportadores autônomos é determinada pela multiplicação dos valores pagos a título de frete por 20% (base de cálculo da contribuição = Valor do frete x 20%). Para o cálculo contribuição propriamente dita, multiplicase a base de cálculo pela alíquota da contribuição, conforme segue: a) contribuição devida pela empresa (alíquota de 20%) Þ ívalor do frete x 20%ý x í20%ý; b) contribuição devida pelo transportador (alíquota de 11%) Þ ívalor do frete x 20%ý x í11%ý; c) contribuição devida pela empresa a terceiros SEST e SENAT (alíquota de 2,5%) Þ ívalor do frete x 20%ý x í2,5%ý. Base de Cálculo Base de Cálculo Base de Cálculo Alíquota Alíquota Alíquota Fl. 734DF CARF MF 16 De modo a exemplificar a sistemática de cálculo empreendida para todas as situações abordadas nas autuações, vejamos os valores apurados para a competência 06/2007 a título de frete, em relação ao estabelecimento de CNPJ nº 72.600.190/000431 (Anexo III – fl. 208): Considerandose que o valor apurado na competência 06/2007 foi de R$ 69.240,08, temos que o cálculo das contribuições será efetuado da seguinte forma: a) contribuição devida pela empresa (alíquota de 20%): Þ í R$ 69.240,08 x 20%ý x í20%ý = 2.769,60; b) contribuição devida pelo transportador (alíquota de 11%): Þ í R$ 69.240,08 x 20%ý x í11%ý = 1.523,28; c) contribuição devida pela empresa a terceiros SEST e SENAT (alíquota de 2,5%) Þ Þ í R$ 69.240,08 x 20%ý x í2,5%ý = 346,20. Desse modo, para sabermos se o argumento da recorrente (de que valores informados no Anexo III ao Auto de Infração não encontram correspondência com aqueles especificados no Discriminativo do Débito – DD) tem ou não fundamento, vejamos o que consta de referido discriminativo (coluna “TOTAL LÍQUIDO”) para cada um dos autos de infração, também em relação à competência 06/2007: Base de Cálculo Base de Cálculo Base de Cálculo Alíquota Alíquota Alíquota Valor da contribuição Valor da contribuição Valor da contribuição Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 10 17 a) Debcad 37.379.2387 Contribuições da empresa de 20% incidentes sobre a base de cálculo referente a fretes pagos a transportadores autônomos: b) Debcad 37.379.2395 Contribuições do segurado contribuinte individual de 11% sobre base de cálculo dos pagamentos de fretes: c) Debcad 37.379.2409 Contribuições da empresa de 2,5% destinadas aos terceiros (SEST e SENAT) incidentes sobre a base de cálculo dos valores pagos ou devidos a fretes de transportadores autônomos: Apercebase que os valores os valores informados no Discriminativo do Débito – DD para a competência 06/2007 equivale exatamente ao das contribuições calculadas na forma da legislação aplicável, o mesmo ocorrendo em relação às demais competências e Fl. 736DF CARF MF 18 estabelecimento. Carece, portanto, de razão as assertivas insertas na peça recursal quanto a esse ponto, o que impõe negarlhe de provimento, neste ponto. Incidência de Contribuição Previdenciária Aquisição de Produção Rural de Pessoa Física A respeito dessa matéria, o principal argumento da recorrente é no sentido de que a diferença das bases de cálculo sobre a aquisição de produção rural de pessoa física está relacionada com a isenção concedida pelo art. 25, § 4º da Lei nº 8.212/91, revogado pelo art. 12 da Lei nº 11.718, de 23 de junho de 2008. Segundo informa, explora a atividade de pecuária, com engorda e abate de aves e suínos, iniciando o seu processo econômico com a reprodução do animal juvenil e sua engorda até o abate, que é realizado em estabelecimento de terceiros. Os produtos animais que adquire, infere, destinamse à reprodução e ou criação de pecuária ou granjeira, portanto, não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Finaliza expressando entendimento no sentido de que tendo em vista que a publicação da Lei nº 11.718/08 ocorreu em 23/06/2008, em respeito ao princípio da anterioridade nonagesimal (art. 195, § 6º, CF/88) a incidência da contribuição somente seria válida a partir de 21/09/2008. De fato, à época dos fatos geradores objeto dos lançamentos, vigorou, até o advento da Lei nº 11.718/2008 o § 4º do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, que isentava da contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre a receita bruta da comercialização de produtos rurais, a produção animal destinada a reprodução ou criação pecuária ou granjeira. Por certo, como a lei que revogou do benefício fiscal foi publicada em 23/06/2008, à luz do § 6º do art. 195 da Constituição, que estabelece que as contribuições destinadas à Seguridade Social somente poderão ser exigidas após decorridos noventa dias da data da publicação da lei que as houver instituído ou modificado, a comercialização dos produtos rurais compreendidos no § 4º do art. 25 da Lei 8.212/1991 somente será submetida a tributação pela contribuição previdenciária substitutiva a partir de 22/09/2008. Ocorre que embora afirme que os produtos animais adquiridos de empregadores pessoas físicas destinamse à reprodução e ou criação de pecuária ou granjeira, a recorrente não trouxe qualquer indício de prova nesse sentido. A esse respeito, vejamos o que consta do relato fiscal: IX. Da Incidência de Contribuições sobre aquisição de produção rural de pessoa física período 06/2007 a 05/2008: 27. Nos meses fiscalizados de 06/2007 a 05/2008, o art 25, § 4o, da Lei 8.212/91, concede isenção na aquisição de produção rural, de origem animal, desde que a mesma apresente as seguintes destinações ou finalidade: a) Reprodução ou criação pecuária ou granjeira; b) Ou Utilização de animais como cobaias para fins de pesq uisas cientificas. 28 Dessa forma, por meio do termo de Intimação 09, de 06/06/2012, solicitou se o fiscalizado a correta identificação e destinação da produção rural de origem animal, no qual afirmava tratarse de produção que não integrava a base de cálculo: 1) Identificar a correta finalidade ou destinação da aquisição da produção rural de origem animal discriminados na planilha do ANEXO I. Essa Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10166.725063/201285 Acórdão n.º 2402005.999 S2C4T2 Fl. 11 19 identificação deve ser individualizada para cada lançamento, no qual a empresa deverá assinalar a destinação ou finalidade da compra, com um dos enquadramentos a seguir: I) Reprodução/Criação ou Granjeira, no âmbito da própria empresa, inclusive em regime de parcerias devidamente comprovadas; ou II) Aquisição destinada à comercialização ou consumo 29. Decorrido o prazo assinalado acima, o sujeito passivo não atendeu a solicitação nos exatos termos acima. 30. Desse modo, a aquisição da produção rural, de origem animal, no período de 06/2007 a 12/2008, ANEXO IV Demonstrativo PF, será levada à tributação nos termos no art. 25, § 3o, da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001) (...) § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (Parágrafo acrescentado pela Lei n 0 8.540, de 22.12.92) 30. Observase que a contribuição incide, também, quando a aquisição da produção rural for destinada para fins diversos daqueles que asseguram a isenção. Assim, diante de o fato que o contribuinte não comprovou mediante suporte documental que tais destinações estavam em consonância com as atividades isentas mencionadas no dispositivo legal, a aquisição de produção rural constante do ANEXO IV Demonstrativo PF, constitui base de incidência das contribuições. 31. A isenção ou não incidência decorre sempre de Lei, na qual se indica expressamente os produtos ou atividades, objeto da isenção, gozando do beneficio tributário, portanto, somente quando o contribuinte demonstrar de forma inequívoca que os produtos e/ou atividades econômicas estão incluídos nos rol das isenções, o que não foi comprovado pela empresa fiscalizada. Diante do que fora evidenciado no Relatório de Fiscalização, o sujeito passivo justificou a falta de apresentação de documentos que pudessem comprovar seu mencionado direito a isenção, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário, com a inusitada assertiva de que, “da análise da Legislação Previdenciária, não há qualquer disposição no sentido de que o contribuinte tenha a obrigação o disposto no texto legal, ou seja, a destinação da aquisição do produto animal”. Extraise do art. 373 do novo Código de Processo Civil que: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 738DF CARF MF 20 II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No caso concreto, a Fazenda Pública logrou comprovar que a recorrente adquiriu produtos rurais de empregadores pessoas físicas, o que lhe gera o direito de exigir desta as contribuições sociais decorrentes desse tipo de operação. Por outro lado, mesmo após as inúmeras oportunidades que lhe foram ofertadas, a recorrente não apresentou qualquer traço de prova que pudesse desconstituir ou modificar o lançamento. Ademais, sobre esse ponto, não se pode deixar de fazer referência ao inciso III e ao § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, norma que regula o processo administrativo fiscal em âmbito federal, e impõe ao recorrente a apresentação de provas aptas a comprovar as alegações recursais, ainda na fase impugnatória. In verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [..] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Sem razão a recorrente também com relação à matéria ora analisada. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.928466/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.377
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 66 /2 00 9- 91 Fl. 693DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.275 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402004.377 S3C4T2 Fl. 112 3 Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.275), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos Fl. 695DF CARF MF 4 podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 562 a 573, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de junho de 2005, no total de R$ 4.889.638,25, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 14%, 12%, 14%, 12% e 31%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Fl. 696DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402004.377 S3C4T2 Fl. 113 5 Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 575 a 597, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Fl. 697DF CARF MF 6 Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 628 a 638, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 698DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402004.377 S3C4T2 Fl. 114 7 Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 699DF CARF MF 8 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua Fl. 700DF CARF MF Processo nº 11080.928466/200991 Acórdão n.º 3402004.377 S3C4T2 Fl. 115 9 apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 562 a 573). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 575 a 597), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 701DF CARF MF 10 deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 562 a 573) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 575 a 597), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 702DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720878/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/01/2010 a 31/12/2010
Ementa:
AUTUAÇÃO. CONCEITOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO NORMATIVA.
Deve a fiscalização calcar a autuação nos conceitos disponíveis nos dispositivos normativos vigentes que regem a matéria analisada, sob pena de improcedência.
Numero da decisão: 3401-003.908
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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CONCEITOS. NECESSIDADE DE FUNDAMENTAÇÃO NORMATIVA. Deve a fiscalização calcar a autuação nos conceitos disponíveis nos dispositivos normativos vigentes que regem a matéria analisada, sob pena de improcedência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 78 /2 01 4- 05 Fl. 18481DF CARF MF 2 Versa o presente sobre Autos de Infração de fls. 17574 a 17596, e 17597 a 176191, datados de 20/08/2014 (com ciência na mesma data – fls. 15575 e 15597), para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, referentes ao ano de 2010, nos valores originais de R$ 13.571.801,58 e R$ 65.147.049,23, respectivamente, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício (75 %), por insuficiência de recolhimento, detalhada em Termo de Verificação Fiscal (TVF). No TVF de fls. 15794 a 15818, narra a fiscalização que: (a) a recorrente é subsidiária da Jaguar Land Rover Exports Limited (nova denominação de Jaguar Cars Exports Limited) e da Jaguar Cars Limited, sociedades estrangeiras organizadas e existentes de acordo com as leis do Reino Unido e do País de Gales, e distribuidora, no Brasil, de veículos, autopeças e produtos das marcas Jaguar e Land Rover; (b) a recorrente adquire veículos para transporte de passageiros e cargas (posições NCM 8703 e 8704) importados “por encomenda”, por meio da empresa importadora “COTIA Vitória Serviços e Comércio S.A.” – trading company; (c) intimada a esclarecer a não tributação de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS nas receitas de vendas dos produtos enquadrados nas posições 8703 e 8704 da NCM, a recorrente informou que as operações ocorrem como previsto na Lei no 11.281/2006 e na IN SRF no 634/2006, que disciplinam as importações por encomenda, que a venda dos veículos feita à recorrente pela trading company fica sujeita à incidência dos tributos, e que a revenda, pela recorrente a terceiros, é tributada normalmente pelo IPI, mas as contribuições são tributadas segundo as regras do regime monofásico, incidindo somente na etapa anterior – venda à recorrente, pela trading company; (d) no contrato de compra e venda por encomenda (entre a recorrente, o exportador e a trading company), há compromisso de exclusividade na revenda, e cláusula de formação de preços; (e) dos termos da proposta de formação de preços, concluise que a trading company não realiza a encomenda no sentido pretendido e formalizado pela recorrente, agindo como verdadeira mandatária do encomendante (fls. 15799/15800), não havendo margem de lucro pela trading company (exemplo às fls. 15801/15802); (f) até a edição da Lei no 11.281/2006, que disciplinou a importação por encomenda, as empresas realizavam importações por conta e ordem (sendo a trading company mera prestadora de serviços, com incidência das contribuições apenas sobre os serviços prestados, e a adquirente contribuinte do IPI e responsável solidária em relação ao imposto de importação e às contribuições) e direta, com revenda (importação pela trading company company com venda de mercadoria nacionalizada, com pagamento de tributos, à recorrente); (g) nas operações de importação por encomenda, a encomendante é contribuinte do IPI, e responsável solidária pelo recolhimento imposto de importação, mas não das contribuições; (h) no caso em análise, houve flagrante redução dos valores devidos a título de contribuições, visto que a trading company vende veículos à recorrente pelo valor da aquisição acrescido de despesas de importação, nacionalização e financeiras, caracterizando um pagamento pela prestação de serviços executados; (i) o § 2o artigo 11 da Lei no 11.281/2006 dispõe que a operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos para importações por encomenda são presumidas por conta e ordem de terceiros; e (j) pelo exposto, a fiscalização considera que as importações deveriam ter sido efetuadas na modalidade “por conta e ordem”, constituindo os créditos referentes às contribuições, utilizando o valor da venda da recorrente às concessionárias, deduzindo os valores de IPI e ICMSSubstituição Tributária. Segue à descrição dos fatos do TVF argumentação geral sobre planejamento tributário (fls. 15807 a 15809) e descrição do valor tributável e da alíquota (fl. 15810), assim como do enquadramento legal (fls. 15810/15811). Ainda no mesmo TVF, a fiscalização imputa infração de falta de recolhimento das contribuições no que se refere a alíquotas diferenciadas para autopeças (fls. 15811 a 15815), sob os seguintes fundamentos: (k) 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 18482DF CARF MF Processo nº 19515.720878/201405 Acórdão n.º 3401003.908 S3C4T1 Fl. 18.482 3 há divergência entre DIPJ e DACON/DCTF (que informam exclusivamente alíquotas diferenciadas de 2,3% e 10,8%); (l) intimada, a recorrente informou haver erros de lançamento nas DIPJ, justificandoos, e que houve, também, erro nos DACON, que trataram a totalidade das operações com alíquotas diferenciadas, quando havia operações com alíquotas normais (1.65% e 7,6%); (m) com base em planilha apresentada pela recorrente, foram apurados valores das contribuições a recolher nos meses de fevereiro, abril e dezembro de 2010, sendo que, nos demais, os valores de créditos superam os apurados; (n) intimada a retificar DACON, a empresa apresentou arquivo segregando os produtos por alíquotas nãocumulativa e monofásica, restando diferença a recolher em abril de 2010; (o) para levantar os valores tributáveis, foram levadas em conta duas situações: (o1) crédito calculado no próprio período de ocorrência da infração, mas descontado em períodos posteriores; e (o2) crédito calculado em período de apuração anterior ao da ocorrência da infração e já descontado em período posterior ao mês da ocorrência da infração; e (p) em ambas as situações, efetuouse o aproveitamento de ofício do crédito, prioritariamente no próprio período de apuração, havendo necessidade de lançamento reflexo, em razão do deslocamento de créditos. Em 18/09/2014 (fl. 17627), foi apresentada a Impugnação de fls. 17629 a 17701, na qual se argumenta, em síntese, que: (a) a recorrente, desde o início de suas atividades no Brasil, por não possuir estrutura interna e experiência no país para operacionalizar as importações, optou por contratar trading company, a fim de que esta realizasse as importações; (b) até 2009, quem comercializava e importava tais veículos, no Brasil, era a “FORD”, por meio da mesma trading company, com estrutura e renome, e que permitia usufruir de benefício fiscal de ICMS, o FUNDAP/ES; (c) a legislação admite duas formas de importação via terceiros: a conta e ordem (necessariamente com recursos do adquirente) e a encomenda (com recursos da trading company e assunção de riscos), esta última instituída somente pela Lei no 11.281/2006, e regulada pela IN SRF no 634/2006; (d) as formas de importação são sujeitas a regimes contábeis e tributários distintos, no que se refere à propriedade dos veículos, e à habilitação para operar no SISCOMEX, e, no presente caso, houve claramente importações por encomenda, sendo que a própria fiscalização reconhece que nunca houve adiantamento por parte da recorrente à trading company; (e) a trading company assumiu todo o risco comercial, cambial e de crédito relativos ao negócio, e não apenas realizou a importação de veículos, mas também agregou a tais bens itens de segurança legalmente exigidos, com acréscimo de valor local, como mencionado no TVF; (f) para os veículos classificados nas posições 8703 e 8704 da NCM, a legislação que rege as contribuições estabelece tributação com alíquotas diferenciadas majoradas (2% e 9,6%), de acordo com a sistemática monofásica, com tributação em uma única fase da cadeia de fabricação e circulação, concentrada no importador ou fabricante; (g) foram cumpridos todos os requisitos para a importação por encomenda, no caso, e a fiscalização não aponta o descumprimento de nenhum de tais requisitos; (h) o artigo 11 da Lei no 11.281/2006 deixa claro que a importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior; (i) a própria fiscalização reconhece as operações como “por encomenda” as operações nas quais a trading company assume os riscos da operação, conforme Solução de Consulta no 332/2011, e não estabelece restrições à utilização em casos de tributação monofásica, conforme Solução de Consulta no 99/2011; (j) a circunstância de a pessoa jurídica encomendante e o exportador serem pessoas ligadas não impede nem invalida a realização de importações sob a modalidade de encomenda, e a legislação expressamente o reconhece ao tratar de regras de preços de transferência para importações por encomenda (artigo 14 da Lei no 11.281/2006); (k) ainda que não exista obrigatoriedade na legislação e que haja lucro pela trading company, o raciocínio de que não Fl. 18483DF CARF MF 4 haveria margem de lucro à trading company nas operações em análise, desenvolvido pela fiscalização, é tortuoso, e a planilha, exemplificativa, como reconhece o próprio fisco, não permite extrair conclusões gerais, visto que a trading company embute obviamente seu lucro nas rubricas referentes a custos, havendo lucro mesmo no exemplo citado pelo fiscal, como se demonstra à fl. 17654; (l) a especulação do fisco, mediante interpretação econômica, sobre o que poderia ser feito pela empresa não encontra guarida normativa, e não houve, no caso, planejamento tributário ou dissimulação, mas adoção legítima da sistemática de importação por encomenda; (m) a autuação é, portanto, carente de fundamento e avessa à legalidade estrita, à tipicidade cerrada e à reserva legal; (n) em casos semelhantes, o CARF cancelou a autuação (Acórdãos no 20313.027, e no 3402001.908 e no 3403002.519); e (o) ad argumentandum tantum, a autuação é insanavelmente nula, em decorrência da apuração incorreta da base de cálculo, por desconsideração de créditos das contribuições decorrentes da desconstituição da operação (que deveriam ter sido considerados, para evitar uma incidência monofásica duplicada). Sobre a incidência das contribuições em relação a vendas de autopeças, a recorrente sustenta que (p) as operações envolvendo autopeças por si só não geraram qualquer ausência de recolhimento ou recolhimento a menor das contribuições, decorrendo a exigência exclusivamente da circunstância de o fiscal ter considerado as vendas de veículos como sujeitas à incidência monofásica das contribuições, como se demonstra das planilhas de fls. 18383 e 18385 (anexos H e I da Impugnação). Por fim, sustenta a recorrente que (q) descabe a aplicação da Taxa SELIC sobre a multa de ofício lançada. A decisão de primeira instância, proferida em 14/04/2015 (fls. 18400 a 18425) foi, unanimemente, pela procedência da impugnação, cancelandose totalmente o lançamento, sob os fundamentos de que: (a) parcela substancial dos argumentos da fiscalização, de que a trading company não realizaria as importações no sentido formalizado pela autuada, queda irrelevante para efeito da reclassificação da modalidade de importação (reputandoa por conta e ordem, no lugar de por encomenda), na medida em que é incontroverso que foram as importações levadas a efeito integralmente com recursos da pessoa jurídica importadora – trading company, e não da encomendante predeterminada; (b) as modalidades de importação por conta própria, por conta e ordem e por encomenda são todas lícitas, sendo uma opção do importador atuar mediante uma ou outra, não podendo a fiscalização cercear tal opção, de modo a obrigar a prática de atos de modo a maximizar a tributação; (c) a alegação fiscal de ausência de lucro da trading company é limitada a análise superficial da chamada formação de preços de venda; (d) a fiscalização não comprova a existência de mecanismo abusivo ou artificioso que justificasse a autuação; e (e) no que se refere à suposta insuficiência de recolhimento em relação a autopeças, a despeito da reconhecida divergência entre DACON, DIPJ e escrituração fiscal (com destaque ao fato de que as receitas informadas por intermédio do DACON foram consideradas como se sujeitas fossem às alíquotas majoradas próprias do regime monofásico da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, respectivamente de 2,3% e 10,8%, enquanto existem montantes que deveriam ter sido submetidos às alíquotas do regime não cumulativo, de 1,65% e 7,6%), de se observar que as deduções pela autoridade fiscal acusadas nos respectivos demonstrativos de apuração das contribuições incidentes sobre o faturamento, correspondentes aos valores pagos/declarados a serem subtraídos das contribuições apuradas de forma a se obter as devidas, superam, em vista da exoneração da parcela atinente aos veículos classificados sob as posições 8703 e 8704, as importâncias remanescentes a título de referidas contribuições apuradas, frustrando, por conseguinte, a subsistência de eventual exigência a ser levada a efeito. A Fazenda Nacional, ciente da decisão de piso em 24/07/2015, apresenta Razões ao Recurso de Ofício em 17/09/2015 (fls. 18438 a 18453), traçando análise histórica das modalidades de importação, no Brasil, e defendendo, basicamente, que: (a) no caso, as características das operações realizadas entre as partes do processo (existência de único contrato, ao invés de dois contratos distintos; exclusividade na alienação; composição de preço Fl. 18484DF CARF MF Processo nº 19515.720878/201405 Acórdão n.º 3401003.908 S3C4T1 Fl. 18.483 5 atrelada apenas a custos; negociação entre exportador e “encomendante”/adquirente) permitem identificálas como importação por conta e ordem de terceiro, por se tratarem de prestação de serviços, e não por encomenda, como declarado pela autuada; (b) o fisco não está discutindo a possibilidade de a empresa se valer de determinada espécie de operação prevista em lei, mas apenas questiona é se a forma jurídica adotada efetivamente corresponde à realidade; e (c) no que diz respeito a origem dos recursos, a legislação admite, na importação por conta e ordem, que a trading realize os pagamentos ao fornecedor no exterior, e, ainda assim a importação será por conta da adquirente, que irá reembolsar a mandatária pelos gastos incorridos, exatamente como ocorreu nos autos. A recorrida, tendo ciência das razões apresentadas pela Fazenda Nacional (não consta a data de ciência nos autos), apresenta, em 19/10/2015 (fls. 18456 a 18475), Contrarrazões, no sentido de que o documento indevidamente apresentado pela Fazenda deve ser desconsiderado pelo CARF, por falta de previsão legal. No mais, reitera, em síntese, as razões de defesa expressas em sua impugnação, em oposição ao recurso de ofício. Em 22/07/2016 o processo foi a mim distribuído, por sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta nos meses novembro e dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. De fevereiro a junho de 2017 o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso de ofício foi interposto com respeito aos preceitos normativos que o regem, e, portanto, dele se toma conhecimento. As razões da Fazenda para apoiar o recurso de ofício, quase dois meses após a ciência pessoal do procurador, e as contrarrazões apresentadas pela recorrente (ambas exclusivamente em relação ao item 1 da autuação – referente a veículos) serão ainda tomadas em conta, aqui, a título esclarecedor, no que se refere a razões de direito, que nada inovam em relação ao já constante na autuação. Cabe, logo de início, reiterar que a autuação se desmembra em duas partes, uma referente a veículos e outra relativa a autopeças, ordem pela qual transcorrerá também o presente voto. No que se refere a veículos, a autuação demonstra mácompreensão ou discordância das definições normativamente estabelecidas para importações por encomenda. Fl. 18485DF CARF MF 6 Vejamse as esclarecedoras disposições da Lei no 11.281/2011, a começar pelo artigo 11, em sua redação original: “Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” (grifo nosso) (tais artigos tratam da responsabilidade solidária pelo imposto de importação – art. 77; da responsabilidade por infrações aduaneiras – art. 78; da equiparação a estabelecimento industrial – art. 79; do estabelecimento de requisitos e garantias pela SRF – art. 80; e das normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador – art. 81) Caso a fiscalização desejasse comprovar que a importação se deu na modalidade “por conta e ordem”, bastaria indicar, objetivamente, entre os requisitos e condições fixados pela própria RFB, na IN SRF no 634/2006, qual foi descumprido. Tal Instrução Normativa exige informação em campo próprio da Declaração de Importação, habilitação de ambas as partes envolvidas na importação para operar no SISCOMEX, manutenção de documentos em boa guarda e ordem e apresentação à fiscalização quando demandado, e atendimento de eventuais prestações de garantia. E esclarece ainda a IN, no parágrafo único de seu artigo 1o, que: “Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente”. Ou seja, pelo exposto na IN, bastaria comprovar que os recursos que financiaram a operação eram do encomendante, e não da trading company, para descaracterizar a operação da modalidade por encomenda, enquadrandoa como “por conta e ordem”. Mas não aponta o fisco, no caso concreto, nenhum descumprimento de requisito. Pelo contrário, endossa que a operação se reveste das características que a lei e a norma infralegal designam para as operações por encomenda. O referido artigo 11 da Lei recebeu um § 3o, em 2007, acrescentado pela Lei no 11.452, de modo a “pacificar a interpretação dada pela administração tributária federal às operações de importação de que trata o art. 11” (conforme parecer do relator, Deputado Neucimar Fraga/PLES, na conversão da MP no 328/2006 na Lei no 11.452, disponível em http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=430948&filename= PPP+1+MPV32806+%3D%3E+MPV+328/2006): Fl. 18486DF CARF MF Processo nº 19515.720878/201405 Acórdão n.º 3401003.908 S3C4T1 Fl. 18.484 7 “§ 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior.” (grifo nosso) Por certo que tal dispositivo foi inserido pelo parlamentar capixaba em prol das empresas daquela região que atuam com os benefícios do FUNDAP, para aclarar que as importações por encomenda não se descaracterizam pelo simples fato de haver participação do encomendante nas operações comerciais, mitigando autuações frequentes da RFB, à época, com entendimento diverso. Assim, é irrelevante, por si, a ligação entre a exportadora e a encomendante, ou a participação desta ou daquela na fixação de preços. Aliás, o artigo 14 da Lei no 11.281/2011, em sua redação original, afirma que são aplicáveis ao importador e ao encomendante as regras sobre preços de transferência, já prevendo eventual vinculação entre partes, e que esta não descaracterizaria, por si, a modalidade de importação por encomenda. Poderia a RFB ter manifestado oposição a tal parágrafo acrescentado, que figurou como artigo 18 da Lei no 11.452/2007, ou ainda poderia o Ministério da Fazenda ter vetado o dispositivo (como fez, na mesma lei, com os artigos 15, 16 e 17, geograficamente vizinhos). Aliás, poderia a RFB ter, na própria Lei no 11.281/2006, que resultou da conversão da MP no 267/2005, ter inserido dispositivo semelhante ao que incluiu na importação por conta e ordem – artigo 81 da MP no 2.15835/2001: “Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” (grifo nosso) Ambas as questões são de lege ferenda. Não pode a fiscalização agora, simplesmente discordar do dispositivo ou afirmar que a empresa está a praticar operação distinta com base em conceito de “conta e ordem” e “encomenda” que não encontram guarida na própria legislação. Ademais, a fiscalização sequer é conclusiva em apontar eventual fraude ou simulação, e aplica – recordese – multa não majorada, no percentual de 75%, ao caso. Nas palavras da fiscalização (fl. 15806): Fl. 18487DF CARF MF 8 Afirmar que não há risco no negócio, por serem as empresas vinculadas, descaracterizando a modalidade de importação, afronta os comandos legais que acabamos de analisar, e contemplam a vinculação entre exportador e encomendante dentro da modalidade de importação por encomenda. O autuante retira seus conceitos de importação por conta e ordem e importação por encomenda, atrelandoos a “ausência de risco no negócio”, que derivaria de vinculação entre as empresas exportadora e encomendante, sem indicar qual norma o dispõe. Por isso afirmamos de início que o autuante ou compreende mal, ou diverge dos comandos normativos de ordem legal e infralegal que regem a matéria. A afirmação de ausência de lucro é exemplificativa e especulativa, sem qualquer análise mais aprofundada por parte da fiscalização, que, como destacou o julgador de piso, foi superficial (fl. 18423): O fisco, detectando ausência de propósito negocial e operação dissimulada (conta e ordem travestida de encomenda), ainda assim parece não estar convencido do cometimento de qualquer fraude (até pelo percentual da multa de ofício aplicada – 75%). E conclui apenas que “considera que deveriam” as operações ser efetuadas na modalidade de importação por conta e ordem (fl. 15807): A inconclusividade das afirmações fiscais, mesclada à dissonância em relação aos comandos legais que regem a matéria, apontam exatamente para o caminho que a DRJ unanimemente adotou em sua decisum, de improcedência da autuação, no mérito. O julgador de piso, aliás, pareceu afastar a autuação não somente no mérito, mas também em virtude de nulidades, como se percebe de excerto do voto condutor (fl. 18414): Fl. 18488DF CARF MF Processo nº 19515.720878/201405 Acórdão n.º 3401003.908 S3C4T1 Fl. 18.485 9 De fato, a autuação, ao contrário da defesa, que adota linha uma (de que houve importação por encomenda, com incidência monofásica das contribuições, seguindo expressas disposições legais), a autuação opera linha dúplice (importação por conta e ordem, com incidência monofásica, seguida de nova incidência monofásica, sem qualquer fundamento normativo). Fosse apenas uma questão de recálculo, discordaríamos do julgador de piso, pois entendemos que este tribunal administrativo (assim como aquele) pode determinar à autoridade da RFB encarregada da execução do acórdão que expurgue determinadas parcelas do montante lançado, não sendo o simples erro de cálculo ou o erro na base de cálculo ensejador de nulidade. Sem embargo, no presente caso, haveria verdadeira necessidade de reapuração da base de cálculo (e não um simples recálculo), tomando em conta créditos que deveriam ter sido computados, e ainda deveriam ser objeto de análise em fiscalização diversa, o que implica a improcedência, e não a nulidade da autuação. Assim, apesar de discordarmos da DRJ no que se refere a haver nulidade no presente processo, com ela acordamos no sentido de que a autuação deve ser cancelada, seja pela carência de fundamentação normativa, seja pela equivocada metodologia de cálculo. Pelo exposto, e com as aparas aqui efetuadas, nego provimento ao recurso de ofício em relação a este item. No que se refere a importações de autopeças, o recurso de ofício tem por objetivo analisar o único parágrafo que a DRJ dedica ao tema, em sua decisão (fl. 18424): Percebase que a autuação, em tal item, apesar de nascer de fundamento diverso – divergência entre DACON/DIPJ e escrituração fiscal (valores e falta de discriminação dos produtos por alíquota das contribuições) – culmina na mesma problemática do item anterior, pois a metodologia de cálculo, ao fim e ao cabo, esbarra no que a autuação chama de “ocorrência da infração” (fl. 15815): Fl. 18489DF CARF MF 10 No caso das autopeças, até são descontados créditos, referentes à não cumulatividade. No entanto, seu valor é mitigado em função dos montantes apurados no item 1, referente a veículos. A improcedência em relação ao item 1 (veículos), assim, conspurca o resultado obtido no item 2 (autopeças). E, a exemplo do que dispusemos no item 1, não vemos na metodologia de cálculo equivocada motivo para nulidade, mas sim para improcedência da autuação. Assim, também neste item, com a apara efetuada, nego provimento ao recurso de ofício. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto. Rosaldo Trevisan Fl. 18490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.721802/2011-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA.
Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12-A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
Numero da decisão: 2401-004.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao ano-calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 18 02 /2 01 1- 27 Fl. 38DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por maioria, darlhe provimento parcial para determinar, em relação aos rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, relativos ao ano calendário 2009, o recálculo do imposto sobre a renda, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte (regime de competência). Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10730.721802/201127 Acórdão n.º 2401004.967 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Cuidase os presentes autos de Notificação de Lançamento (fls. 4/7) lavrada em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, anocalendário 2008, onde se constatou a Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação na Justiça Federal no valor de R$ 28.296,82. Na apuração do imposto devido não foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos. De conformidade com a Descrição dos Fatos e enquadramento legal, fl. 5, a apuração teve como base informação da Caixa Econômica Federal. Após a revisão, foi apurado o imposto suplementar de R$ 730,38 em detrimento do imposto a restituir de R$ 848, 82, declarado pelo sujeito passivo. O contribuinte foi cientificado do lançamento por aviso de recebimento postal, em 18/05/2011 (fl. 14), e apresentou impugnação em 31/05/2011 (fl. 02), com as seguintes considerações: a) Expõe que no ano 2002 propôs uma ação na Justiça Federal para revisar o benefício de sua aposentadoria sendo efetivado o pagamento em 31/01/2008; b) Aponta que por se tratar de aposentadoria e ter mais de 65 anos, teria direito a parcela de isenção a ser diluída pelo período o que acarretaria diferença nos valores a serem cobrados; c) Apresenta planilha de conta de liquidação. A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) julgou improcedente a impugnação (Acórdão 1251.584 – fls. 16/21), nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ¬ IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Os rendimentos recebidos em decorrência de decisão judicial devem ser oferecidos à tributação cumulativamente com os outros rendimentos tributáveis informados na Declaração de Ajuste Anual, excluindo¬se as verbas de natureza indenizatória. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 40DF CARF MF 4 Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fl. 29), nos seguintes termos: “I – Os fatos Em 17/02/2002 ingressou na Justiça Federal com ação de revisão de benefício da aposentadoria e que em 31/01/2008 foi efetivado esse pagamento. II.1 – Preliminar Por se tratar de diferença de aposentadoria e contribuinte com mais de 65 anos, a legislação permite valor a maior de isenção, como pode ser observado pela planilha em anexo os valores diluído o valor atribuído de imposto seria totalmente diferente do apresentado. II – Mérito Como pode ser observado na preliminar por se tratar de diferença de aposentadoria o mesmo teria que ser observado os limites de isenção para declarantes com mais de 65 anos, onde pode ser observado pela planilha de cálculo que foi objeto de sentença judicial em anexo. III – Conclusão À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado (...)” É o relatório. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10730.721802/201127 Acórdão n.º 2401004.967 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 21/01/2013, conforme fl. 25, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 04/02/2013 (fl.29). Do mérito DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O Recorrente foi notificado por omitir rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal que objetivou reajuste de benefícios previdenciários. Os rendimentos recebidos acumuladamente são tributáveis no mês de seu recebimento e na declaração de ajuste. Nos casos previstos no artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, disciplinado pelo disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.127, de 7 de fevereiro de 2011, esses rendimentos, a partir de 28 de julho de 2010, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. Nessa linha de entendimento, será utilizada “tabela progressiva resultante da multiplicação de quantidade de meses a que se refiram os rendimentos”, com o propósito de compatibilizar o regime ao entendimento pacificado pela Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS. Confirase: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Redação dada pela Lei nº 13.149, de 2015) § 1o O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 2o Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao Fl. 42DF CARF MF 6 seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3o A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) I – importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) II – contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1o e 3o. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 6o Na hipótese do § 5o, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 7o Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1o de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória no 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao anocalendário de 2010. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 8o (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) § 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010) Art. 12B. Os rendimentos recebidos acumuladamente, quando correspondentes ao anocalendário em curso, serão tributados, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Assim, por todo o exposto, e, em atenção a nova redação do artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 , do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10730.721802/201127 Acórdão n.º 2401004.967 S2C4T1 Fl. 5 7 recebido de forma acumulada pela Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acórdão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324 , rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.006621/2001-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, mediante o Acórdão nº 16 073.257 23ª Turma da DRJ/SPO, de 30 de maio de 2016, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 21/11/2001 Submetido à desembaraço aduaneiro o produto LUPRANAT M20 S, nome comercial LUPRANOL.2090 com classificação tarifária incorreta na posição NCM 2929.10.90 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 06 62 1/ 20 01 -7 6 Fl. 564DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 565 2 A classificação pretendida pela Fiscalização NCM 3824.90.90 se sustenta, pois passa a ser a posição residual para o caso de uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. Incidência da multa do controle administrativo. Embora conste o nome comercial, a descrição não contém todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, pois omite o fato de ser uma mistura de reação, elemento essencial para o correto enquadramento tarifário do produto. Incidência da multa de ofício (75%) no IPI. Uma vez que houve recolhimento a menor, devido a alteração de alíquota em função de classificação tributária errônea, cabe a incidência da multa de ofício (75%). Incidência da multa proporcional ao valor aduaneiro (1% do V.A.) por erro de classificação tributária. A argumentação de inconstitucionalidade não pode ser enfrentada no âmbito da Delegacia Regional de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre autos de infração para exigências de Imposto sobre a Importação (II), IPI, multa de ofício (multa proporcional), multa do controle administrativo por falta de Licenciamento de Importação, multa regulamentar de 1% do valor aduaneiro por classificação incorreta (art. 84, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001) e juros de mora, decorrentes de reclassificação fiscal da mercadoria importada, conforme demonstrativos abaixo relativamente ao II e ao IPI, respectivamente: A contribuinte importou mediante a Declaração de Importação (DI) nº 01/11331174, registrada em 21/11/2001, o produto descrito abaixo, classificandoo no código NCM 2929.10.90, com alíquotas de 4,5% para o II e de 0% para o IPI: LUPRANAT M20 S POLIOL POLIETER TRIFUNCIONAL HIDROXILA; 28 MG KOH/G NOME COMERCIAL: LUPRANOL 2090 QUALIDADE: INDUSTRIAL ESTADO FÍSICO: LÍQUIDO FINALIDADE: UTILIZADO NA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA, CONSTRUÇÃO CIVIL ETC. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 566 3 Por ocasião do despacho aduaneiro, foi retirada amostra do produto, a qual foi analisada em Laudo Técnico, que concluiu que o produto era uma mistura de reação a base de Isocianatos Aromáticos (Polimetileno Polifenil Poliisocianato), contendo 4,4' Diisocianato de Difenilmetano. Assim, a fiscalização entendeu que a classificação fiscal adequada seria no código NCM 3824.90.90, para a qual as alíquotas de II e IPI são 16,5% e 10%, respectivamente. A interessada impugnou a autuação, alegando, em essência, que: a) O Parecer Técnico nº 7071 do Instituto de Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT atesta que o produto LUPRANAT M20 S, de nome comercial LUPRANOL.2090, tem classificação tarifária na posição NCM 2929.10.90; b) O fato de ser uma mistura não desabona a classificação tarifária no Capítulo 29 da TEC, conforme nota explicativa 1b; c) A classificação tarifária empregada pela fiscalização é subsidiária; d) A luz da Regra 3 do Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, a posição adotada pelo importador deve prevalecer; e) Ante o disposto no Ato Declaratório COSIT 10/97, a multa do Imposto de Importação é incabível; f) A multa de controle administrativo também é inoportuna pois a impugnante não importou produto diverso do declarado; g) A aplicação da multa do Imposto de Produtos Industrializados não encontra respaldo legal no art. 80 da Lei 4.502/64; h) Enquanto discutível a questão através de Processo Administrativo Fiscal, incabível a exigência de juros moratórios; e i) A aplicação da Taxa Selic é inconstitucional. Mediante o Acórdão n° 1718.022, a 1ª Turma da Delegacia de Julgamento São Paulo II, julgou procedente o lançamento. O CARF converteu o julgamento em diligência, pela Resolução n° 310100.054 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 13 de agosto de 2009, para que fosse oficiado o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), para emissão de Laudo solucionador da controvérsia, ante as divergências apresentadas pelas partes litigantes, face a classificação da mercadoria, apoiadas em Laudo e Parecer Técnico conflitantes. No entanto, a recorrente solicitou a devolução dos autos ao CARF para uma nova apreciação, tendo em vista decisão favorável acerca do mesmo produto, nos autos do processo n° 11128.004010/200355, conforme Acórdão n° 1736.589 da 2° Turma da DRJ/SP2. Os autos retornaram ao CARF e, mediante o Acórdão n° 3302003.099, de 15 de março de 2016, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara deste CARF, a decisão de primeira instância foi declarada nula por preterição do direito de defesa. A Delegacia de Julgamento em São Paulo proferiu novo Acórdão, cuja ementa consta no início deste Relatório, mediante o qual não acatou as razões de defesa da impugnante, sob os seguintes fundamentos: Embora a Nota 1 “b” do capítulo 29 permita que nele se classifique uma mistura de isômeros de um mesmo produto, tanto a literatura técnica quanto as informações técnicas exaradas pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42% de 4,4´MDI (o produto puro), 3% de isômeros de 4,4´MDI e 51,5% de produtos oligoméricos ou oligômeros. Os oligômeros nada mais são que polímeros de poucos monômeros, não se confundindo, pois, com isômeros, que são substâncias que têm a mesma fórmula molecular, ou seja, os mesmos átomos nas mesmas quantidades, mas estruturas diferentes (os átomos, embora sejam os mesmos em cada isômero, se estruturam de maneira diferente em cada um deles). Considerando que a presença de isômeros do 4,4´MDI é de apenas 3%, é inconcebível aceitar a tese do impugnante de que o produto é uma simples mistura de isômeros. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 567 4 Tanto no Relatório do INT quanto na Informação Técnica do Labana demonstram que o produto identificado pela análise como PMDI (o Diisocianato de Difenilmetano polimérico) e o MDI (o produto puro, monomérico) têm propriedades físicoquímicas e registro no C.A.S. diferentes, o que prova serem duas substâncias de natureza diversas. Em outras palavras, os oligômeros identificados pela análise laboratorial, mudam a natureza físicoquímica do produto principal, razão por que não podem ser consideradas meras impurezas. Pelo Laudo Técnico de análise do produto puro 4,4´ Diisocianato de Difenilmetano, de nome comercial LUPRANAT MS, classificável no capítulo 29, fabricado pela própria BASF, depreendese que o LUPRANAT MS e o LUPRANAT M20S são substâncias distintas, o primeiro, de constituição química definida e isolado e o segundo, uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. O subitem 3824.90.3 é específico de Preparações para borracha ou plásticos, exceto as da posição 3812, e outras preparações para endurecer resinas sintéticas, colas, pinturas ou usos similares. Ora tanto o laudo do Labana quanto o do INT deixam claro que a mercadoria é uma mistura de reação (resultante do próprio processo de síntese para obtenção de uma dado produto) e não uma preparação (mistura intencional). Assim, embora também a Preparação seja uma mistura, ela não se confunde com uma mistura de reação. Portanto, a classificação pretendida pela fiscalização NCM 3824.90.90 se sustenta, pois passa a ser a posição residual para o caso de uma mistura de diversos elementos, com propriedades distintas do produto puro. A dispensa de licenciamento prevista na Portaria SECEX nº 14/2004, referida pela impugnante, foi introduzida na legislação aduaneira pela Portaria SECEX nº 17/2003, DOU de 02/12/03, posteriormente a ocorrência dos fatos sob exame. Quando da importação em questão, vigia a Portaria SECEX nº 21/96, que previa apenas dois tipos de licenciamento: o automático e o não automático. Portanto, a correta identificação da mercadoria, feita por meio de análise laboratorial, passou a exigir uma nova licença de importação, porque a licença obtida, ainda que automática, amparava a mercadoria que se encontrava nela descrita, mas não o produto que foi efetivamente importado. Embora conste o nome comercial, a descrição não contém todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, pois omite o fato de ser uma mistura de reação, elemento essencial para o correto enquadramento tarifário do produto. Assim, inaplicáveis os Atos Declaratórios Cosit nº 10 e 12/97. Considerações sobre a graduação da penalidade da multa de ofício não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Cientificada em 21/06/2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/07/2016, alegando, em síntese: PRELIMINARMENTE a) DA TEMPESTIVIDADE (...) b) DO JULGAMENTO FAVORÁVEL NOS AUTOS DO PROCESSO 11128.004010/ 200355 (...) Assim, o processo 11128.004010/200355 foi julgado favorável aos interesses da empresa peio que o crédito tributário do aludido Auto de Infração foi exonerado. E tal entendimento deve ser aplicado ao presente caso. (...) Fl. 567DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 568 5 III DO DIREITO (...) a) DO PRODUTO IMPORTADO E DA SUA CORRETA CLASSIFICAÇÃO FISCAL (NCM 2929.1090) (...) Deste modo Nobres Julgadores, pelo fato de o produto em questão se tratar de uma mistura de isômeros de isocianatos, não existe a menor possibilidade de enquadramento em posição diversa da adotado pela recorrente, posto que o produto "LUPRANAT M 20 S" se encaixa perfeitamente no Capítulo 29, mais especificamente na posição Outros isocianatos", qual seja a 2929.1.090. (...) Temse desse modo que a decisão recorrida merece reforma haja vista que a posição pretendida pelo Fisco e completamente residual e subsidiária, só se aplicando, destarte, aos produtos que não possuem posição mais especifica na tabela. De acordo ao quanto determina a própria TEC, a posição mais específica prevalece sobre a genérica, sendo forçoso reconhecer que a adoção adotada pela Recorrente é a correta sendo inadmissível a pretensa desclassificação. (...) Deste modo, importa destacar que a classificação do produto em questão, qual seja, o Lupranat M 20 S, já foi objeto de outro procedimento administrativo, com decisão favorável aos interesses da ora recorrente (Processo nº 11128.004010/200355). (...) b) DO PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO CONTRIBUINTE E DO PRINCÍPIO DO ATO VINCULADO (...) O artigo 112 do Código Tributário Nacional nos mostra o principio do in dubio pro contribuinte, in verbis: (...) O referido princípio mostra que em caso de dúvidas quanto à aplicação da norma tributária, esta deverá ser interpretada e aplicada de forma mais benéfica ao contribuinte. Assim como ocorre in casu. Caso não seja possível sustentar a classificação fiscal adotada peio contribuinte, o que se admite por amor aos debates, igualmente não se pode sustentar a classificação adotada pelo FISCO, que não logrou êxito em provar que a mercadoria deve ser enquadrada na posição tarifária 3824.9032. (...) Como exaustivamente exposto, o produto em questão jamais poderia ser classificado na NCM adotada pela autoridade fiscal. Nesse sentido, verificase afronta total e completa ao princípio do ato vinculado, plasmado no transcrito no artigo 142 do CTN, corolário do princípio da estrita legalidade dos atos públicos existentes no artigo 50 da Constituição Federal. Nesta esteira, é que merece ser integralmente desconstituído o lançamento em questão, o que desde logo se requer. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 569 6 c) DA MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO (...) Vejase que, in casu, o documento existe e foi apresentado, de tal forma a ser impossível a aplicação do artigo utilizandose de mera analogia, para equiparar suposto erro de descrição à falta de guia de importação. Ainda que se entenda possível esta aplicação analógica, o que se ventila ad argumentandum, não pode a referida multa ser aplicada ao caso, em decorrência do quanto determina o Ato Declaratório Normativo no 12 de 21/01/97 que dispõe o seguinte: (...) O LABANA em nenhum momento negou a presença de 4,4 DIFENIL MET1LDIISOCIANATO, e, portanto, nenhuma razão existe para que se mantenha a penalidade aplicada, que só deve ter lugar quando efetivamente o produto importado for fundamentalmente diferente do declarado. É forçoso reconhecer, portanto, que a multa em tela, por ter caráter administrativo e não tributário, exige, para que possa incidir, seja o produto importado substancialmente diverso do declarado, o que indubitavelmente não ocorreu. d) DA MULTA PELA CLASSIFICAÇÃO ERRÔNEA (...) Em vista do exposto acima, em estando a classificação fiscal correta, impossível a manutenção da multa aplicada com base no referido artigo, tendo em conta que a mercadoria importada não foi classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. (...) Ademais, a multa deste tipo jamais poderia ter sido instituída por intermédio de medida provisória, tendo em vista que ausentes se mostram as características de relevância e urgência constitucionalmente exigidas para que determinada matéria seja tratada diretamente pelo Poder Executivo. Em face deste quadro, ainda na teratológica possibilidade de manutenção da desclassificação tarifária procedida, impossível a manutenção da multa, tendo em conta que o veículo legislativo não é válido. e) DA MULTA DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO (...) Todavia, a multa aplicada com base legal no artigo 44, Inciso I da Lei no 9.430/96, não deve ser mantida, ante o disposto no ADI 13/2002, cujo trecho pedese vênia para transcrever: (...) Ora, uma vez tendo o produto sido corretamente descrito e não tendo a autoridade fiscalizadora logrado êxito em comprovar o intuito doloso ou a máfé da ora recorrente, estando a questão controvertida apenas e tão somente por entendimento diverso quanto a classificação do produto, é medida de salutar justiça que se cancele a multa em teia, independente de se declarar a insubsistência do auto. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 570 7 f) DA MULTA DO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Reza o artigo 80 da Lei 4.502/84, com as alterações da Lei nº 9.430/96: (...) Ocorre, entretanto, que a situação em baila não se enquadra em nenhum dos casos elencados pelo artigo retro, uma vez que não se pode pretender ter a Recorrente agido com dolo, ou cometido infração qualificada, apenas por entender estar o produto inserido em outra classificação fiscal, tendo, por conseguinte, recolhido o imposto conforme a alíquota por ela determinada. (...) É o relatório. VOTO Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Entende a contribuinte que a classificação fiscal do produto LUPRANAT M20 S seria no código NCM 2929.10.90, em conformidade com a composição dada pelo Parecer Técnico n.° 70711 do Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT e com a Nota 1b) da NESH do Capítulo 29, que assim dispõe: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: (...) b) As misturas de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo que contenham impurezas), com exclusão das misturas de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não (Capítulo 27); (...) De outra parte, o julgador de primeira instância2 rejeitou a tese da impugnante de que o produto seria uma simples mistura de isômeros, concluindo que o produto contém apenas 3% de isômeros do 4,4'MDI, sendo que os oligômeros, que integram o produto na proporção de 51,5%, não se confundem com os isômeros. Não obstante as conclusões obtidas pelo julgador a quo e pela autoridade fiscal acerca do Laudo Labana, no entender desta Relatora, leiga em química, carecem os autos de um pronunciamento técnico específico acerca da possibilidade de que o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo 1 "De acordo com as análises efetuadas, a amostra não possui uma constituição definida pois, provavelmente, é constituída de uma mistura de isômeros de diisocianatos de difenilmetano, de fórmula geral C15H10N202, a qual não está definida em nenhuma posição especifica. Como se trata de uma mistura de isocianatos cíclicos, ela deve ser classificada, de acordo com a Tarifa Externa Comm — TEC, na posição 2929. 10.90." 2 Tanto a literatura técnica quanto as informações técnicas exaradas pelo Labana analisam o produto como sendo composto de 42% de 4,4´MDI (o produto puro), 3% de isômeros de 4,4´MDI e 51,5% de produtos oligoméricos ou oligômeros. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 571 8 impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não. Além disso, no recurso voluntário, a recorrente requer a aplicação do mesmo resultado obtido no processo nº 11128.004010/200355, no qual o julgador de primeira instância, mediante o Acórdão nº 1736389 2ª Turma da DRJ/SP2, de 24 de novembro de 2009, assim decidiu: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 15/02/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. LUPRANAT M20S Tendo sido retificado o laudo técnico e identificado o produto em questão como uma resina amínica (Poli (Isocianato de Fenil Metano)), é incabível sua classificação no capítulo 38. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado (...) VOTO (...) A fiscalização baseou a autuação no laudo Labana 0454/2000 que identificou o produto em questão como sendo uma "mistura de reação a base de Isocianatos Aromáticos, contendo 4,4'Diisocianato de Difenilmetano", reclassificando a mercadoria na posição 3824 90.89, relativa aos "Outros produtos e preparações a base de compostos orgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições". Ao reformular a conclusão do laudo técnico, o Parecer 038/2009 identifica o produto importado como sendo uma resina Amínica (Poli (Isocianato de Fenil Metano)). A posição 3824.90.89 é relativa as preparações das indústrias químicas ou conexas que não estão especificados nem compreendidos em outras posições. No entanto, as resinas aminicas tem posição específica na TEC (30.09), sendo indevida sua reclassificação no capitulo 38 e, consequentemente, improcedente o feito fiscal. Dessa forma, conheço da impugnação por tempestiva para, no mérito, DEFERILA. Encaminhese este processo a repartição de origem para efetuar a ciência deste Acórdão ao contribuinte. Desta decisão deixo de recorrer de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por ser o Crédito Tributário exonerado inferior ao limite de alçada previsto no artigo 1° da Portaria MF 03 de 03/01/2008. (...) No entanto, a recorrente não juntou aos presentes autos o referido Parecer 038/2009, que teria reformulado a conclusão do Laudo Técnico anterior no processo nº 11128.004010/200355, o qual se encontra atualmente arquivado e não consta no sistema e processo. Nesse mesmo sentido foi a conclusão do Acórdão nº 3102002.180 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de março de 2014, sob a relatoria do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, no processo nº 11128.000246/200231, que sob amparo do Laudo de Análise nº 2411.01 Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 572 9 Funcamp Aditamento, concluiu pela impossibilidade de classificação em qualquer desdobramento da Posição 2929, bem como no código NCM proposto pela fiscalização, nestes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/09/2001 LUPRANAT M20S. LAUDO PERICIAL. IDENTIFICAÇÃO. POLI (ISOCIANATO DE FENIL METILENO). NOTAS EXPLICATIVAS NESH. APLICAÇÃO. O Produto identificado pela Perícia Técnica como Poli (isocianato de fenil metileno), descrito na importação como Lupranat M20S, classificase na Posição 3909 e não na Posição 3824, pela aplicação das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH, Atualizações nºs 05 e 06, Instrução Normativa nº 509/05. Recurso Voluntário Provido (...) Sobre os laudos ou pareceres no processo administrativo fiscal, assim dispõe o art. 30 do Decreto nº 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. § 2º A existência no processo de laudos ou pareceres técnicos não impede a autoridade julgadora de solicitar outros a qualquer dos órgãos referidos neste artigo. § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...)[negritei] Nessa esteira, em referência ao princípio da verdade material, e com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar à Alfândega do Porto de Santos o que se segue: a) Juntar aos autos cópias do Parecer 038/2009, que teria reformulado a conclusão do Laudo Técnico anterior no processo nº 11128.004010/200355; do Laudo de Análise nº 2411.01 Funcamp Aditamento constante no processo nº 11128.000246/200231; bem como das Declarações de Importação que ampararam as importações dos produtos analisados nesses processos; Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11128.006621/200176 Resolução nº 3402001.035 S3C4T2 Fl. 573 10 b) Verificar a possibilidade de, nos termos do art. 30, §3º, "a" do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito, atribuir eficácia no presente processo ao Parecer 038/2009 e ao Laudo de Análise nº 2411.01 Funcamp Aditamento; c) Em caso negativo (produtos analisados no Laudo e no Parecer com diferentes denominação, marca ou especificação do produto ora sob estudo no presente processo), solicitar a elaboração de Laudo Técnico Complementar com esclarecimentos acerca dos seguintes pontos: c.1) possibilidade de que o produto importado seja definido como uma mistura de isômeros de um mesmo composto orgânico (mesmo contendo impurezas), que não seja uma mistura de isômeros (exceto estereoisômeros) dos hidrocarbonetos acíclicos, saturados ou não; bem como c.2) possibilidade de o produto seja identificado como Poli (lsocianato de Fenil Metileno) ou resina amínica. d) Elaborar Relatório Conclusivo acerca dos dados coletados na diligência, acima solicitados, acrescentando outras informações que entender relevantes à solução da lide. c) Cientifique a recorrente desta Resolução, dos demais documentos juntados e do Relatório Conclusivo, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. d) Por fim, após decorrido o prazo de manifestação da interessada, devolva os autos a este Colegiado para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 573DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002451/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103.
Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
(Súmula Carf nº 103).
Numero da decisão: 2401-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. CONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 103. Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. (Súmula Carf nº 103). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 24 51 /2 00 8- 66 Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.133 2 Relatório Cuidase de recurso de ofício interposto pela Presidente da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), em face da decisão administrativa consubstanciada no Acórdão nº 1235.732, cujo dispositivo considerou a impugnação procedente em parte, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa desse Acórdão (fls. 1.084/1.100): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA.CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. Para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inciso I do CTN, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. REMESSA A DOMICILIADO NO EXTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO. A aplicação da alíquota zero de IRRF sobre receitas de fretes, auferidos por empresa domiciliada no exterior, provenientes de fontes situadas no País, depende da comprovação da natureza e motivação dos valores remetidos. BASE DE CÁLCULO. ERRO NA APURAÇÃO. INGRESSOS COMPUTADOS COMO REMESSAS DE VALORES. Incabível a tributação de transferências recebidas do exterior como se fossem remessas de valores para o exterior. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 2. Extraise do Auto de Infração, acostado às fls. 388/411, que o lançamento referese a crédito tributário apurado em decorrência da falta de recolhimento do Imposto sobre a Renda na Fonte, relativo a fatos geradores do anocalendário 2003, incidente sobre remessas de valores ao exterior. 3. A ciência da autuação se deu em 15/10/2008, por meio do procurador da pessoa jurídica, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 431/448). 4. O colegiado de primeira instância decidiu pela procedência parcial do lançamento fiscal, afastando a incidência da tributação sobre as transferências caracterizadas como recebidas pela pessoa jurídica, e não remetidas ao exterior. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.134 3 5. Em razão do valor exonerado ultrapassar o limite de alçada de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, a autoridade competente de primeira instância interpôs o recurso de ofício. 6. A empresa autuada foi cientificada da decisão de piso por edital em 13/04/2012, tendo em conta que infrutífera a intimação via postal (fls. 1.106/1.114). 7. Com relação à parte mantida na decisão de primeira instância, não consta manifestação do sujeito passivo, tendo sido transferido o respectivo crédito tributário para o Processo nº 12448.734699/201287 (fls. 1.124) É o relatório. Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.135 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 8. Diante da não apresentação de recurso voluntário, foi devolvido à apreciação deste órgão "ad quem" tão somente o recurso de ofício. 8.1 Formalizado na própria decisão, o recurso de ofício foi interposto pela autoridade de primeira instância em harmonia com as normas aplicáveis à matéria, dada que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de crédito tributário em valor superior ao limite estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. 9. Recentemente, no entanto, a Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União de 10/02/2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. 9.1 Segundo o novel ato administrativo, o recurso de ofício deverá ocorrer sempre que a decisão de primeira instância exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). 10. Sobre a aplicação do limite de alçada no tempo, por tratarse de norma processual, consolidouse o entendimento no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) da sua aplicação imediata aos processos em curso, em detrimento ao regramento vigente à época da interposição do recurso de ofício. Tal posição consta do enunciado da Súmula nº 103: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. 11. Compulsando os autos, verifico a seguinte configuração para o tributo lançado mais a multa de ofício proporcional, no percentual de 75%: Crédito Tributário Valor Original (R$) (fls. 388) Valor Mantido (R$) (fls. 1.096/1.097) Valor Desonerado (R$) Imposto 2.949.794,17 1.668.358,96 1.281.435,21 Multa Proporcional 2.212.345,43 1.251.268,96 961.076,47 Total 5.152.094,60 2.909.582,92 2.242.511,68 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 18471.002451/200866 Acórdão n.º 2401005.017 S2C4T1 Fl. 1.136 5 12. Como se observa, o valor desonerado pela decisão de piso, para fins de avaliação do juízo de admissibilidade do recurso de ofício, foi inferior ao patamar mínimo de R$ 2.500.000,00. 13. Logo, não conheço do recurso de ofício, por falta de previsão legal, tendo em conta o limite de alçada estabelecido na Portaria MF nº 63, de 2017. Conclusão Ante o exposto, NÃO CONHEÇO do recurso de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1136DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000174/2009-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2009
INFORMAÇÃO FISCAL PARA CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Após as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornou-se despicienda a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por perda de objeto.
Numero da decisão: 2401-004.996
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Após as alterações legislativas impostas pela Lei nº 12.101/2009 e pelo Decreto nº 7.237/2010, tornouse despicienda a lavratura de Informação Fiscal para cancelamento da isenção. Não deve ser conhecido o Recurso Voluntário por perda de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 01 74 /2 00 9- 67 Fl. 780DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 781DF CARF MF Processo nº 14120.000174/200967 Acórdão n.º 2401004.996 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Despacho Decisório (fl. 680), exarado pela DRF/CGEMS, com a publicação do Ato Declaratório Executivo nº 44 de 2009 (fls.681 e 683), que decidiu pelo "Cancelamento de Isenção de Contribuições Sociais" de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei no 8.212/1991, concedida à Recorrente. No presente processo, conforme narrado na Informação Fiscal de fls.02 a 08, foi proposto o Cancelamento da Isenção de Contribuições Previdenciárias em virtude de a Recorrente não ter atendido ao disposto nos incisos III a V do artigo 55, da Lei n° 8.212/1991 e nem ao requisito do Decreto 2.536/98 (aplicação de 20% da receita bruta em gratuidade). Ato contínuo foi emitida uma Representação Administrativa RA para o CNAS Conselho Nacional de Assistência Social por descumprimento das condições e dos requisitos previstos nos artigos 2° e 3° do Decreto n° 2.536, de 06/04/1998, que dispunha sobre a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, alterado pelo Decreto n° 3.504, de 13/06/2000 e, posteriormente, revogado pelo Decreto nº 7.237/2010. A Recorrente, cientificada em 07/07/2009 (fl. 143) da Informação Fiscal que propôs o cancelamento da isenção de contribuições previdenciárias, e em 22/07/2009 protocolou sua Impugnação de fls. 144 a 192 dirigida à DRF/CGEMS. A Seção de Fiscalização SAFIS da DRF/CGEMS emitiu Despacho Decisório (fl. 680) decidindo pelo "Cancelamento de Isenção de Contribuições Sociais", com publicação do Ato Declaratório Executivo nº 44/2009 (fl. 681) no Diário Oficial da União em 14/09/2009 (fl. 682). A Recorrente tomou ciência da Decisão em 22/09/2009 através do TERMO DE CIÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO enviado via Correio (AR fl. 684) e, em 21/10/2009 e, tempestivamente, apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 685/749) dirigido ao CARF, onde se insurge contra o cancelamento da isenção e pleiteia a anulação do ato administrativo que culminou com o Ato Declaratório Executivo n° 44/2009. No CARF, o Relator proferiu despacho (fls.763/764) devolvendo o processo à origem para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, conforme previsto no art. 45 do Decreto nº 7.237/2010. A Seção de Controle e Acompanhamento Tributário – SACAT da DRF/CGE MS recebeu os Autos e emitiu a Informação Fiscal nº 0234/2013 (fls.759/760), no sentido de que no âmbito da referida DRF todos os procedimentos pertinentes ao cumprimento do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, foram adotados. Os Autos foram encaminhados a DRJ/CGEMS para a continuidade do trâmite administrativo. Fl. 782DF CARF MF 4 Em 10/07/2014 a DRJ emitiu Despacho de Devolução (fls. 763/764) onde: diz que a matéria tratada nos presentes Autos foge à sua competência, uma vez que os trâmites seguem rito específico previsto no Decreto nº 3.048/1999, combinado com o art. 29, da Lei nº 11.457/2007; e sugeriu o retorno dos Autos à SACAT da DRF/CGEMS a fim de que este seja encaminhado ao presente ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. É o relatório. Fl. 783DF CARF MF Processo nº 14120.000174/200967 Acórdão n.º 2401004.996 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade A contribuinte apresentou Recurso Voluntário contra o Ato Declaratório Executivo n° 44/2009 que cancelou a isenção conforme publicação do Diário Oficial e Termo de Ciência (fls. 685/749). Conforme se destaca no Relatório, trata o presente processo de cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias, de acordo com o narrado na informação fiscal de fls. 02 a 08. Após ciência da Informação Fiscal, o sujeito passivo protocolou impugnação (fls.144 a 192), tendo sido emitido despacho decisório pela DRF/CGEMS pelo cancelamento da isenção (fls.674/680), com a publicação do ADE nº 44/09 (fls.681 e 682). Por ocasião do despacho nº 2401030, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 753/754), foi determinado o encaminhamento do presente processo à unidade de origem para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção. A Sacat da DRF/CGE recebeu os autos e emitiu a informação de fl.759, no sentido de que no âmbito da referida DRF todos os procedimentos pertinentes ao cumprimento do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, já teriam sido adotados, e remeteu os autos a esta DRJ para procedimentos da alçada desta. Em Despacho adunado às fls. 763/764, a DRJ/CGE entendeu que a matéria tratada nos presentes autos foge da competência da DRJ, tendo em vista o rito específico previsto no Decreto nº 3.048/1999. Após informação de fls. 766 o processo foi encaminhado ao CARF. Com efeito, a admissibilidade do Recurso Voluntário passa pela análise da mudança superveniente da legislação através de um breve levantamento cronológico dos fatos: · A Informação Fiscal IF propondo o cancelamento da isenção foi lavrada em 26/06/2009, sendo cientificada à Contribuinte em 07/07/2009 (fl. 143). · Foi apresentada impugnação à IF em 22/07/2009 (fls.144 a 192); · O cancelamento da isenção através do ADE nº 44/09 foi publicado no Diário Oficial em 14/09/2009; · O Recurso Voluntário foi protocolado em 21/10/2009; Fl. 784DF CARF MF 6 · Em 30/11/2009 foi publicada a Lei nº 12.101/2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212/1991, e estabeleceu o seguinte: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. · Em 21/11/2010 foi publicado o Decreto nº 7.237/2010, que regulamentou a Lei nº 12.101/2009, e foi posteriormente revogado pelo Decreto nº 8.242/2014 que assim dispõe: Art. 47. O direito à isenção das contribuições sociais somente poderá ser exercido pela entidade a partir da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da União, desde que atendidos cumulativamente os requisitos previstos na Lei no 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 48. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 46, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, com o relato dos fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contado de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 1972. (...) Art. 50. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados a sua unidade competente para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção, na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 785DF CARF MF Processo nº 14120.000174/200967 Acórdão n.º 2401004.996 S2C4T1 Fl. 5 7 Juntamente com a Informação Fiscal a autoridade fiscalizadora ainda lavrou os autos de infração de números 35.193.1622, 35.193.1630, 35.193.1649, 35.193.1657, através dos quais estão sendo discutidos a efetiva existência dos créditos tributários. O processo ora sob julgamento versa sobre a Informação Fiscal relacionada ao cancelamento da isenção da Contribuinte. No entanto, conquanto sua lavratura tenha sido adequada à época, com a mudança da legislação, e tendo em vista a regra insculpida no art. 144, §1º, do CTN, tornouse despicienda a sua propositura, tendo em vista que todos os fatos que justificam a constituição do crédito tributário deverão ser discutidos no bojo dos Autos de Infração correspondentes à exigência dos respectivos créditos, com amplo direito à defesa. Assim, tendo em vista o acima exposto, entendo que a Informação Fiscal perdeu seu objeto, uma vez que a análise do cancelamento da isenção deve ser perfectibilizada nos autos dos Processos Administrativos relacionados aos Autos de Infração, o que tem como consequência a perda de objeto do Recurso Voluntário que busca combatêla. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário por perda do objeto. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 786DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.004730/2005-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1402-002.618
Decisão:
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR COM A UTILIZAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Auto de Infração lavrado no mesmo período de apuração do saldo negativo pleiteado, se no momento da autuação a autoridade fiscal se utiliza do saldo negativo na apuração do imposto a lançar de ofício. O crédito relativo ao saldo negativo cobrado neste processo não pode ser compensado, sob pena de duplicidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 04 73 0/ 20 05 -2 5 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 219 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogerio Borges, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Evandro Correa Dias. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 220 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário , interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (fls.109/113) que negou provimento à Manifestação de Inconformidade do Contribuinte. A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 19542.92958.221203.1.3.023306, em 22.12.2003, fls. 1/5, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$ 67.375,42 do anocalendário de 2001, apurado pelo lucro real para fins de compensação do débito ali confessado. Em seguida, em outubro de 2006 foi lavrado Auto de Infração exigindo crédito relativo a 7 infrações, sendo que apenas as duas ultima infrações foram que influenciaram o presente processo de PER/DCOMP. Infração 1. Apropriação de despesa não dedutível de amortização de ágio pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Tem origem na aquisição de operadoras de telefonia em leilão de desestatização do serviço de telecomunicações promovido pela União Federal na década de 1990. Corresponde ao principal ponto dos lançamentos em questão, sendo as demais acusações (à exceção das infrações 5 e 6, adiante descritas) meros desdobramentos da glosa da despesa de ágio; Infração 2. Exclusão indevida de ágio (registrado no Lalur) pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 2000 a 2004). Envolve parcela do ágio amortizada contabilmente pela Bitel/1B2B antes da transferência do ágio da TNC para as operadoras.; Infração 3. Glosa de prejuízos e base negativa de períodos anteriores compensados indevidamente pelas empresas Telern (IRPJ e CSLL 2002 a 2004), Telpa (IRPJ e CSLL do ano base 2002) e Telpe (IRPJ 2002 a 2004 e CSLL 2002 e 2003). É mero reflexo das glosas descritas nos itens anteriores. Como resultado da glosa da amortização do ágio, houve a reversão parcial de prejuízos fiscais e bases negativas dos períodos em que incorridas e, por conseguinte, a exigência de crédito tributário em períodos subsequentes em que compensados (as compensações glosadas, como afirmou o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, serão objeto de Autos de Infração específicos do IRPJ e da CSLL); Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 221 4 Infração 4. Dedução a maior de incentivo fiscal de lucro da exploração pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2002, a 2004). A fiscalização concluiu que a reversão da Provisão para Manutenção da Integridade do Patrimônio Líquido (PMIPL), criada em razão da incorporação do patrimônio da empresa 1B2B pela TNC (por determinação da Instrução CVM 319/99), teria majorado o cálculo do lucro da exploração, por ter sido tratada como receita operacional, quando, em verdade, deveria ser qualificada como não operacional, o que reduziria o percentual do benefício; Infração 5. Glosa de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Na DIPJ/1999, anocalendário de 1998, da empresa Telepisa foi informado no ajuste anual o valor de R$ 539,87 a título de dedução de CSLL retida na fonte por órgão público. Entretanto a fiscalização constatou que tal valor já havia sido deduzido pela contribuinte no cálculo das estimativas mensais, razão pela qual, glosou a dedução indevida da CSLL; Infração 6. Deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas. Glosa de dedução de IRPJ e CSLL mensais pagos por estimativa. A fiscalização não conseguiu confirmar créditos informados em diversas DCOMP’s transmitidas pelas empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 2001 a 2004 e CSLL 1998 a 2004); e Infração 7. Multas isoladas por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidas por estimativa mensal. Em razão das infrações apuradas acima, sustenta a fiscalização que as empresas sucedidas teriam deixado de recolher (ou teriam recolhido a menor) os valores devidos pelas estimativas de IRPJ e CSLL, sujeitandose, portanto, à multa isolada de 50%. Envolve as empresas Telasa, Teleceará, Telern, Telepisa, Telpa e Telpe (IRPJ 4º trimestre de 2001, 2002 a 2004 e CSLL 1998 a 2004). Em março de 2007, Delegacia da Receita Federal de Recife intimou a contribuinte, apresentando um Relatório de Informação Fiscal onde informa que devido a uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual prevê metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, iriam excluir do Auto de Infração do processo n° 19647.009690/200699 certos valores, que passariam a ser tratados em processos específicos e objetos de cobrança espontânea, acrescidos de multa de mora e juros SELIC. Devido a tal exclusão, foram selecionados 30 processos de PER/DCOMP indicados as fls. 18/19 dos autos deste processo. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 222 5 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 223 6 Entre esses processos específicos está o presente processo de compensação, que teve por origem a existência de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica — IRPJ do ano de 2001, no valor de R$67.375,42. Por isso, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação — DCOMP, compensando esse valor com débito fiscal de IRPJ. Frente a tais fatos e a manutenção integral do item 6 do Auto de Infração em primeira instância, o pedido de compensação em epígrafe não foi homologado devido a falta de crédito (falta de saldo negativo de IRPJ, do anocalendário de 2001 (DIPJ/2002)). (Relatório de Informação Fiscal de fls. 8/9 e quadros de fls. 10/15). Em março de 2007, o Relatório de Informação Fiscal fundamento a não homologação da seguinte forma: I. DOS FATOS: 1. Consiste o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) impetrada pela empresa interessada, de supostos créditos de Saldo Negativo de 1RPJ do anocalendário de 2001 (DIPJ/2002) no valor de R$ 67.375,42, a saber: 2. Na(s) Declaração(Zies) de Compensação — DCOMP, constantes do Anexo III do processo N.° 19647.004738/200591, estão discriminado(s) o(s) débito(s) compensados com o referido crédito. 3. Pelo que cabe a esta fiscalização, buscamos diligenciar a contabilidade da empresa com vistas a informar no presente processo o montante do crédito a ser acatado pela SRF. 2. DAS ANALISES DOS FATOS: 4. Nesse sentido, foram procedidas as diligencias nos assentamentos contábeis e fiscais da empresa (livros Diários, Razões, Balancetes e LALUR) 1 ; nas suas Declarações de Informações Econômico Fiscais — UPI 2 ; nas suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF 3 ; nas Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF entregues à SRF pelas empresas pagadoras, tendo a diligenciada como beneficiária dos rendimentos 4, e nas próprias Declarações de Compensações. 5. Após as análises das peças trazidas aos autos foram elaborados por esta fiscalização os demonstrativos a seguir identificados, com o fim de confirmar ou não a existência do crédito pleiteado e o seu real valor relativo a este processo: Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 224 7 • Demonstrativo de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ; • Demonstrativo de Apuração do IRPJ e da Multa pelo Não Recolhimento da Estimativa Mensal por AnoCalendário; • Demonstrativo da Compensação do Crédito Saldo Negativo do IRPJ (partes A e B). 3. CONCLUSÃO: 6. Com base nos demonstrativos anteriormente citados, relativos ao ano calendário de 2001, em anexo, entendemos INEXISTENTE o direito creditório pleiteado pelo contribuinte para ser utilizado nas compensações dos seus débitos fiscais, informados na Declaração de Compensação, e discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Saldo Negativo do IRPJ do anocalendário de 2001 (partes A e B): 4. OBSERVACÕES FINAIS 7. Os documentos relacionados a este processo constam dos anexos I, II, HI, IV, V e VI juntados ao processo 19647.004738/200591. 8. Sendo essas as informações que prestamos, e entendemos suficientes para as soluções a serem dadas, propomos a NÃO HOMOLOGAÇÃO de todas as compensações discriminadas no demonstrativo acima mencionado, bem como o encaminhamento do presente ao Delegado da Receita Federal em Recife. Por conseqüência, seguindo o entendimento do Relatório Fiscal, foi proferido r. Despacho Decisório não homologando o pedido de compensação. (fls. 16) A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade refutando a decisão eis que entende que o procedimento adotado pela fiscalização não é o mais adequado e requer a compensação dos créditos, ou então que se espere a solução definitiva o processo do Auto de Infração para que se tenha certeza da existência do crédito que se pretende compensar. A DRJ, negou provimento a manifestação de inconformidade e não homologou as compensações devido a falta de certeza e liquidez dos créditos relativos ao anocalendário de 2002. A fundamentação do v. acórdão foi no seguinte sentido, conforme abaixo colacionado: [...] Inconformada com o v. acórdão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 225 8 O recurso foi posto em julgamento pela Terceira Turma Especial da Primeira Seção que proferiu Resolução por entender que o presente processo de compensação é conexo com o processo 19647.009690/200699, declinando a competência do julgamento para esta 2ª TO da 4ª Câmara da1ª Seção de Julgamento do E. CARF/MF. Restou também consignado que o que for decidido no processo do Auto de Infração irá repercutir neste processo de Compensação. Ou seja, entenderam, que o presente processo é decorrente do processo 19647.009690/200699. Após Embargos de Declaração, a C. Turma Especial decidiu manter a Resolução e remeter os autos para esta C. Turma Ordinária julgar conjuntamente o processo como o preâmbulo do Auto de Infração. O Recurso Voluntário do processo do Auto de Infração foi julgado da seguinte forma, conforme o resultado do julgamento abaixo colacionado. (Este processo encontrase em sede de Recurso Especial). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e acolher a argüição de decadência em relação à exigência da CSLL no anocalendário de 1998, 1999 e 2000. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto que votaram por negar provimento ao recurso. Vencidos preliminarmente em votações sucessivas: i) O Conselheiro Carlos Pelá que acolheu a argüição de decadência em relação à amortização do ágio ; ii) Os Conselheiros Paulo Roberto Cortez, Moises Giacomelli Nunes da Silva e Carlos Pelá que davam provimento parcial para afastar a glosa da amortização do ágio na base de cálculo do IRPJ e CSLL, restabelecer parcialmente os saldos de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativa da CSLL e cancelar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. Ou seja, pelo teor do resultado do julgamento, deuse parcial provimento no que diz respeito aos anoscalendário de 2001 a 2004, apenas para excluir a exigência de multa isolada. Como pode ser observado, o acórdão supracitado não anulou o lançamento, e reconheceu que de fato, há crédito tributário a ser exigido. Sendo assim, no presente processo em que se discute a compensação realizada, não haveria que se falar em crédito, mas sim em débito tributário. Quanto ao ajuste de valores que foram apartados do processo do AI de ágio nos termos da Solução de Consulta Interna n° 18 de 13/10/2006, consta a explicação mais detalhada às fls. 11/12 do v. acórdão do Recurso Voluntário do processo final 200699, com o tópico Revisão de Ofício do Lançamento. Vejamos. Em 13/12/2006, a fiscalização apresentou Relatório de Informação Fiscal às fls. 3024/3027 e 3628/3632 (2673/2076 e 3257/3261 papel), esclarecendo que por força da interpretação adotada pela Solução de Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 226 9 Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 e considerando o disposto no art. 10 da IN SRF n°. 600/2005, constatouse que a metodologia aplicada na elaboração de algumas planilhas de cálculo estavam em desacordo com o tratamento adequado e recomendado pela COSIT. A Solução de Consulta Interna n°. 18 de 13/10/2006 orienta no sentido de que no caso de compensação não homologada, os débitos de IRPJ ou CSLL estimativa não devem ser glosados para apuração do imposto a pagar no saldo de ajuste anual. Dessa forma, para assegurar a correta aplicação da Solução de Consulta mencionada e para observar a uniformidade de tratamento entre o critério adotado nos autos de infração e a metodologia a ser aplicada nos diversos processos de DCOMP em andamento, a fiscalização procedeu a revisão de ofício do lançamento, acatando as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL declaradas em DCOMP objeto de compensação não homologada para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL. Ou seja, as estimativas mensais de IRPJ e da CSLL declaradas em DCOMP, objeto de compensação não homologada e que por força da Solução de Consulta citada foram acatadas nesta revisão para efeitos de apuração do IRPJ e da CSLL, serão tratadas em processos específicos e objeto de cobrança espontânea. Os pagamentos de estimativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados nesta revisão para dedução, respectivamente, do IRPJ e da CSLL devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme disposto no art.10 da IN n°. 600/2005. Já os débitos declarados em DCOMP para compensação com tais créditos serão objeto de não homologação e também de cobrança espontânea. A revisão dos valores inicialmente lançados no tocante às infrações 6 e 7, implicou em crédito tributário inferior ao lançado inicialmente. Em manifestação, a autuada afirma que a revisão do lançamento confirma o que foi aduzido na peça impugnatória no sentido de que as exigências relacionadas aos itens 6 e 7 não possuíam adequada fundamentação e nem mesmo simples explicações que possibilitassem saber qual suas origens e motivo. Afirma que a diminuição dos valores deveria ser motivada pelo cancelamento definitivo das exigências e não por sua transposição para outros processos. Assevera a empresa que não tem condições de avaliar o efeito da transposição de valores, pois segundo o próprio Relatório de Ação Fiscal serão cerca de 160 processos ao todo, e que assim, não é possível inferir se ao final haverá aumento ou não do valor da exigência total. Se houver aumento, afirma que haverá violação aos artigos 145 e 149 do CTN e que nesse caso as novas exigências, constantes dos processos de compensação, deverão ser canceladas, homologandose as compensações então realizadas. Finaliza, reafirmando todas as considerações já efetuadas na impugnação. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 227 10 Insta informar que não consta juntado aos autos cópia do primeiro processo de compensação de número 19647.004738/200591, que foi citado no Relatório de Informação Fiscal. Pesquisando junto ao Comprot, este processo encontrase aguardando distribuição para ser relatado e julgado no CARF/MF. É o Relatório Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 228 11 Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator O Recursos Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse E. Colegiado. No processo 19647.009690/200699, objeto da motivação pelo não reconhecimento do crédito que se pretendia compensar (saldo negativo de IRPJ), restou consignado que esta C. Turma decidiu manter parcialmente o Auto de Infração, excluindo apenas exigência relativa a multa isolada do item 7. Pelo que pude constatar, nenhum dos 30 processos derivados da exclusão do crédito objeto do Auto de Infração foi julgado pelo E. CARF. Sendo que todos estão aguardando distribuição ou ainda não subiram para a instância "a quo". Entretanto, em relação ao crédito que poderia irradiar efeitos para estes 30 processos de compensação, o v. acórdão do Recurso Voluntário do processo do Auto de Infração número 19647.009690/200699, manteve integralmente o crédito em relação ao mérito, prejudicando o saldo negativo de IRPJ que se pretendia compensar nestes autos. Ou seja, em cumprimento a Solução de Consulta Interna 18/2006 e o art. 10 da IN SRF n°. 600/2005 a Fiscalização compensou de ofício créditos que se pretendi compensar aqui neste processo, no Auto de Infração de ágio, reduzindo a exigência do lançamento. Tal procedimento adotado pela Fiscalização, que utilizou o crédito que se pretendia compensar nesta DCOMP, acabou por configurar em débito a pagar, não homologando a compensação requerida, conforme exposto no Relatório de Informação Fiscal. Neste sentido, como os créditos que estavam sendo exigidos no Auto de Infração foram "retirados" compensados de ofício pela Fiscalização para serem exigidos e cobrados nos termos da Solução de Consulta Interna 18/2006 nos processos de compensação (DCOMPs), evitando assim a cobrança em duplicidade, entendo que o v. acórdão recorrido está correto, devendo ser mantido em seus termos. Assim, para por uma pá de cal neste assunto, conforme Demonstrativos colacionados no Relatório de Informação Fiscal, além de restar configurado que as estimativas não foram pagas, também restou configurado que não existe o crédito de saldo negativo de IRPJ que se pretendia usar para compensar com os débitos indicados na DCOMP e discriminados no Demonstrativo da Compensação do Crédito Saldo Negativo do CSLL do ano calendário de 2002 (partes A e B). Fl. 228DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 229 12 Por fim, para demonstrar que o procedimento adotado pela Fiscalização foi correto, colaciono a ementa da Solução de Consulta Cosite 18/2006 onde determina a cobrança de tais créditos nas DCOMPs não homologadas: “ Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estiativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) De resto, como entendo que o v. acórdão recorrido deve ser mantido em seus termos, colacionoo abaixo para fundamentar meu voto e analisar todas as alegações da Recorrente. 6. Em decorrência de ação fiscal de que foi alvo a contribuinte, efetuouse lançamento para exigirlhe crédito tributário, tendo sido formalizado o processo n° 19647.009690/200699. Motivou a lavratura do auto de infração, entre outras infrações, o irregular tratamento fiscal dado pela impugnante ao ágio havido sobre operações com empresas. 7. 0 lançamento, no tocante ás mencionadas infrações, foi mantido em julgamento proferido pela Quarta Turma desta delegacia através do Acórdão n°21.175, de 13 de dezembro de 2007. 8. Refeitos os cálculos do lucro real e da base de cálculo da CSLL, com o expurgo dos reflexos advindos das infrações, apurouse saldo a pagar, e não saldo negativo da contribuição, conforme demonstrativos de fls. 10/15, inexistindo, portanto, o direito creditório postulado no presente processo. 9. Frisese ser incabível, no âmbito destes autos, a discussão pretendida pela impugnante acerca do tratamento fiscal do ágio, questão que, como já visto, é objeto de demanda no processo n° 19647.009690/200699, já julgado nesta instância administrativa. No presente processo, a contenda está circunscrita ao reconhecimento do direito creditório advindo do saldo negativo da CSLL apurado no ano calendário 2001, a partir do qual reivindica a empresa a compensação com débitos seus. 0 que interessa, aqui, é saber se, A luz da legislação regente, configurouse como indiscutivelmente apurado o saldo negativo, de sorte a habilitalo a compensação. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 230 13 10. A resposta é negativa, haja vista que, desde o momento em que regularmente inaugurada a discussão sobre o saldo da CSLL, assentouse a circunstância de que o crédito aqui suplicado carece dos atributos de liquidez e certeza, em face do que não pode, A luz do art. 170 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN), 1 ser utilizado na compensação de débitos neste ou em qualquer outro processo. 11. Embora não o requeira expressamente, a impugnante parece pretender o sobrestamento da presente lide até o julgamento final do processo n° 19647.009690/200699. Esclareçase inexistir previsão legal que autorize a suspensão do trâmite processual, como também não há norma que estabeleça o julgamento conjunto dos processos. 12. Alega ainda a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. 0 argumento é equivocado, como passo a expor. 13. Naquele processo verificouse também, além das infrações relacionadas ao ágio , a dedução indevida das estimativas mensais do 1RPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em consequência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anoscalendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 14. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de divida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior A lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 15. Assim, é através do presente processo que o débito da estimativa não homologada será cobrado, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. 0 não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu da revisão de oficio havida no processo n° 19647.009690/2006, e o débito que será cobrado por via do presente processo é rigorosamente aquele espontaneamente declarado pela contribuinte na DCOMP. Não sofreu, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento, mantendo o v. acórdão recorrido em seus termos. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 19647.004730/200525 Resolução nº 1402002.618 S1C4T2 Fl. 231 14 A execução desta decisão deve aguardar a decisão definitiva do processo 19647.009690/200699. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 231DF CARF MF
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