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Numero do processo: 10735.001518/2005-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000
DECADÊNCIA. PAGAMENTO NÃO IDENTIFICADO.APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN
Uma vez que a CPMF não foi retida ou recolhida pelo banco ou paga pelo contribuinte, o prazo decadencial é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN.
Numero da decisão: 3301-004.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. PAGAMENTO NÃO IDENTIFICADO.APLICAÇÃO DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN Uma vez que a CPMF não foi retida ou recolhida pelo banco ou paga pelo contribuinte, o prazo decadencial é o previsto no inciso I do art. 173 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos opostos pela PGFN, com efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 15 18 /2 00 5- 42 Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 268 2 Relatório Adoto o relatório constante do Acórdão embargado: "CROYDONMAQ INDUSTRIAL LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 100/114, contra o Acórdão n° 12 17.273, de 30/11/2007, prolatado pela DRJ no Rio de Janeiro — RJ, DRJ/RJOI, fls. 82/97, que julgou procedente o auto de infração de fls. 32/36, pela falta de recolhimento da CPMF, referente a fatos geradores ocorridos entre 01/09/1999 a 27/12/2000, cuja ciência ocorreu em 30/06/2005 (fl. 42). Conforme Termo de Verificação Fiscal TVF fls. 16/17, e documento de fl. 7, o lançamento se originou pela falta de recolhimento de CPMF decorrente de medida judicial, cujos valores foram apurados através das informações apresentadas pelas instituições financeiras com as devidas correções, conforme planilha de fl. 8. junto a qual a contribuinte foi titular de conta corrente. Irresignada, em 01/08/2005, a contribuinte apresentou impugnação de fls. 43/52, acrescida dos documentos de fls. 53/79, com as seguintes alegações: 1. decadência em relação ao período de 01/09/1999 a 28/06/2000, com fulcro no art. 150, § 4° do CTN; 2. nulidade do auto de infração, vez que a responsabilidade pela retenção e recolhimento é da instituição financeira, consoante Lei n° 9.311/96, art. 5°, I; 3. ajuizou MS n° 99.00164334 tendo obtido liminar posteriormente revogada, a qual havia suspendido a exigibilidade da CPMF. Consoante IN SRF n° 42/01, art. 16, caberia à instituição financeira promover a retenção e o recolhimento da CPMF que deixou de ser recolhida durante a vigência da referida medida judicial, visto que não se manifestou, em momento algum, contrariamente à retenção e recolhimento da contribuição que havia deixado de ser paga durante a vigência da mencionada medida liminar; 4. ainda que este não seja o entendimento, o auto de infração não se sustenta, face a existência de erro material grosseiro em sua apuração, conforme disposto na planilha de fl. 76; Por fim, requer que seja julgada inteiramente improcedente a presente autuação fiscal. A DRJ, por maioria de votos, julgou procedente o lançamento cujo acórdão restou assim ementado: 'Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 NULIDADE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não há que se cogitar em Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 269 3 nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos a contribuições sociais extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Exercício: 1999, 2000 RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA SUPLETIVA. LEGITIMIDADE DO CONTRIBUINTE. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pelo substituto tributário, a exigência dessa exação fiscal recai sobre o contribuinte, em face da responsabilidade tributária supletiva. Lançamento Procedente' Inconformada, a contribuinte apresentou tempestivamente, em 13/03/2008, recurso voluntário de fls. 100/114, no qual reitera suas alegações, ou seja: a) ocorrência de decadência, nos termos do art. 150, § 4° do CTN; b) ilegitimidade passiva da recorrente; c) a exigência fiscal encontrase fulminada por erro material grosseiro devendo, através de diligência serem revistos e corrigidos os valores lançados. Alfim, requer o cancelamento do lançamento efetuado a titulo de CPMF, multa e juros. Alternativamente requer baixa em diligência visando a correta determinação dos valores supostamente devidos. É o Relatório." O recurso voluntário foi julgado parcialmente procedente e o Acórdão n° 330100.441 (fls. 241 a 246) foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1999, 2000 DECADÊNCIA. Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante n° 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n° 8.212/91, há que se reconhecer a decadência em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 270 4 Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente CPMF decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4°, vez que houve antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação. CPMF. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. FALTA DE RETENÇÃO. Por expressa determinação legal, a supletividade existirá no caso de não ocorrer a retenção por parte da entidade financeira, cabendo ao contribuinte original o dever de recolher a contribuição. MULTA DE OFÍCIO. Havendo lançamento de oficio em decorrência da falta de recolhimento de imposto ou contribuição, sobre estes deve incidir a multa de oficio, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Ê jurídica a exigência dos juros de mora com base na taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte." A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) opôs embargos de declaração (fls. 253 a 259), pois teria identificado contradição entre os fundamentos da decisão e os fatos. Segundo a PGFN, a decisão embargada consignou que havia decaído o direito de o Fisco lançar a CPMF relativa a fatos de geradores ocorridos no período de 01/01/99 a 30/06/00. E apresentou como base legal o § 4° do art. 150 do CTN, afastando a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, em função de que instituições financeiras teriam retido e recolhido CPMF. Contudo, conforme consta dos autos, a instituição financeira que administrava a conta cuja movimentação financeira gerou o lançamento de ofício não reteve e/ou recolheu a CPMF. E tampouco o contribuinte. O Presidente da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção admitiu os embargos (Despacho nas fls. 261 a 264), cuja conclusão abaixo reproduzo: "(. . .) A decisão embargada entendeu que a existência de recolhimentos da contribuição atrairia a aplicação do instituto da decadência com fulcro no art. 150, §4º do CTN. Contudo, como bem ressaltado nos embargos analisados, os recolhimentos havidos não guardam relação com os fatos geradores apreciados nos autos, não se prestando a servir como antecipação de pagamento hábil a permitir a aplicação da norma retrocitada, somente aplicável, individualmente, a cada fato gerador e seu respectivo recolhimento. Com essas considerações, admito os embargos de declaração, por constatada contradição na decisão embargada. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 271 5 (. . .)" É o relatório. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 272 6 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Os embargos de declaração (fls. 253 a 259) foram opostos pela PGFN e admitidos pelo Presidente da 1 TO/3C/3S (fls. 261 a 264). No período 01/09/99 a 27/12/00, a interessada mantinha conta corrente no Banco Bandeirantes S/A, posteriormente sucedido pelo Banco Itaú S/A. Por força de medida liminar então vigente, e posteriormente revogada, o banco não efetuou as devidas retenções e recolhimentos da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira (CPMF) no citado período e tampouco posteriormente. Nestes casos, ao dispor sobre a responsabilidade pelo recolhimento da CPMF, com base no § ° do art. 5° da Lei n° 9.311/96 e IN SRF n° 89/00, assim decidiu o Acórdão embargado (trecho da ementa): "(. . .) CPMF. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA. FALTA DE RETENÇÃO. Por expressa determinação legal, a supletividade existirá no caso de não ocorrer a retenção por parte da entidade financeira, cabendo ao contribuinte original o dever de recolher a contribuição. (. . .)" Como a interessada também não recolheu a CPMF, foi lavrado auto de infração, cuja ciência pelo contribuinte se deu em 30/06/05. Contudo, ao examinar preliminar sobre decadência suscitada pela então recorrente, o colegiado concluiu estar diante de hipótese de aplicação do § 4° do art. 150 do CTN prazo decadencial contado a partir da ocorrência do fato gerador e não do inciso I do art. 173 do CTN prazo decadencial contado a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o lançamento poderia ser efetuado , pois constava nos autos que outras instituições financeiras, que não o Banco Bandeirantes/Banco Itaú S/A, teriam retido e recolhido CPMF, após a revogação da liminar. Teria havido pagamentos de CPMF a justificar a adoção do primeiro e não do segundo dispositivo do CTN. Com isto, o acórdão embargado determinou o cancelamento dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos no período de 01/09/99 a 28/06/00. A meu ver, a PGFN está correta e com precisão apontou a contradição entre os fundamentos legais e os fatos, como segue Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 273 7 "(. . .) Ocorre que o presente feito cuida apenas dos fatos geradores decorrentes da movimentação financeira em conta administrada pelo Banco Data (LEIASE, BANCO ITAÚ) (sucessor do Banco Bandeirantes) (fls. 03/05 e 16/17), sendo certo que o fato gerador desta Contribuição instantâneo, conforme se depreende do art. 2° da Lei n° 9.311/96, verbis: Art. 2° O fato gerador da contribuição I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial c de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n°5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; ii o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; III a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, que não tenham sido creditados, em nome do beneficiário, nas contas referidas nos incisos anteriores; IV o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V a liquidação de operação contratadas nos mercados organizados de liquidação futura; VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizála. Portanto, cada lançamento, cada movimentação financeira, que se subsuma à norma, dá origem a um fato gerador isolado. A antecipação de pagamento deve ser analisada com base em cada um em sua individualidade. Se não houve pagamento relativo ao fato gerador decorrente da movimentação financeira do dia "x", para esse credito especifico há de ser aplicado o art. 173, I, do CTN. Decerto, o art. 150, §4°, do CTN, aplicado pelo acórdão, prescreve que o termo inicial da decadência é a ocorrência do fato gerador. Ao que se vê, considera se cada fato gerador em sua individualidade, sendo contraditório com o fundamento apresentado a consideração de outros fatos geradores supostamente ocorridos em movimentações financeiras geridas por terceiras instituições financeiras. Com efeito, a antecipação do pagamento, como requisito para a aplicação do art. 150, §4°, do CTN, é aquela referente ao credito tributário relacionado a um especifico fato gerador do qual ele decorre. Descabe, por flagrante contradição, a tese adotada, considerar eventuais pagamentos atrelados a fatos geradores alheios. No presente caso, suprida a contradição apontada, deve ser aplicada a regra do art. 173, I, do CTN, afinal não houve pagamento relativo a quaisquer dos fatos geradores descritos no Auto de Infração. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10735.001518/200542 Acórdão n.º 3301004.639 S3C3T1 Fl. 274 8 (. . .)" (inserção n.) Concluise, portanto, que o relator do acórdão embargado justificou a aplicação da regra de decadência prevista no § 4° do art. 150 do CTN com pagamentos estranhos aos fatos geradores objetos da autuação. E, nos autos, restou incontroverso que não houve retenção ou pagamento por parte do Banco Itaú S/a e nem pelo contribuinte. E, não tendo ocorrido pagamento, há que se adotar o previsto no inciso I do art. 173 do CTN, conforme decidido pelo STJ, em sede do REsp nº 973.733/SC, recurso representativo de controvérsia (art. 543C do CPC), que vincula este colegiado (§ 2° do art. 62 da Portaria 343/15 RICARF). Assim, contandose o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado, terseá como fulminados pela decadência apenas a CPMF incidente sobre fatos geradores ocorridos no período de 01/09/99 a 31/12/99 e não de 01/09/99 a 30/06/00, como havia sido decidido pelo acórdão embargado. Isto posto, acolho os embargos opostos pela PGFN e confirolhes efeitos infringentes, para alterar o período cujo direito do Fisco de lançar CPMF já havia decaído de 01/09/99 a 30/06/00 para 01/09/99 a 31/12/99. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 272DF CARF MF
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Numero do processo: 18088.000006/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COFINS. AÇÕES JUDICIAIS. MATÉRIA DIVERSA DA AUTUADA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em lançamento para prevenção da decadência se eventuais ações judiciais interpostas pela empresa ou por terceiro, em caráter geral, não possuem relação direta com a matéria autuada.
Numero da decisão: 3401-005.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COFINS. AÇÕES JUDICIAIS. MATÉRIA DIVERSA DA AUTUADA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em lançamento para prevenção da decadência se eventuais ações judiciais interpostas pela empresa ou por terceiro, em caráter geral, não possuem relação direta com a matéria autuada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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AÇÕES JUDICIAIS. MATÉRIA DIVERSA DA AUTUADA. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em lançamento para prevenção da decadência se eventuais ações judiciais interpostas pela empresa ou por terceiro, em caráter geral, não possuem relação direta com a matéria autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 00 06 /2 00 7- 12 Fl. 4526DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração, lavrado em 24/01/2007 (fls. 8 a 17, com ciência ainda em 29/01/2007 fl. 13)1 para exigência de COFINS, de janeiro a dezembro de 2002, acrescida de juros de mora e multa de 75%, perfazendo total de R$ 10.116.240,46, decorrente de falta/insuficiência de recolhimento, conforme Relatório de Descrição dos Fatos (RDF). No RDF (fls. 18 a 63), narrase que; (a) a fiscalizada, conforme se percebe dos documentos apresentados à fiscalização, não recolheu COFINS, nem a informou em DCTF, no ano calendário de 2002, sob alegação de amparo em imunidade que é restrita a impostos, havendo, para fruição de isenção em relação a entidades de assistência social, que se atestar o cumprimento de determinados requisitos; (b) a isenção prevista na Medida Provisória no 2.15835/2001, arts. 13 e 14, aplicase somente a instituições de educação e de assistência social, em relação a atividades próprias, assim entendidas (cf. IN SRF no 247/2002, art. 47, § 2o) “...aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais”; e (c) no caso em análise, de todas as receitas da entidade fiscalizada (receitas hospitalares, receitas de serviços administrativos, receitas de doações, receitas de subvenções e outras receitas), apenas as receitas de doações são isentas da COFINS, sendo excluídas da isenção as receitas de cunho contraprestacional direto (tabela às fls. 45 a 53, com detalhamento das subvenções às fls. 54/55). A autuada apresenta impugnação à autuação em 28/02/2007 (fls. 4278 a 4298), alegando, basicamente, que: (a) é entidade filantrópica, de assistência social e beneficente, a cumpre os requisitos para ser considerada de utilidade pública, devendo ser a ela reconhecida a imunidade constitucionalmente prevista, não havendo que se falar em receitas próprias e nãopróprias, porque nem mesmo o legislador ordinário tem a faculdade de restringir o benefício, previsto no art. 195, § 7o, da Constituição Federal brasileira; (b) a entidade cumpre os requisitos do art. 14 do Código Tributário Nacional, e possui o CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social); (c) não existe vedação legal acerca da prestação de serviços remunerados por entidade de assistência social, e o STF já decidiu, liminarmente, em ADin interposta pela Confederação Nacional da Saúde, Hospitais, Estabelecimentos da Saúde (no 2.0285), que “a circunstancia da entidade, diante, até mesmo, do principio isonômico, mesclar a prestação de serviços, fazendoo gratuitamente aos menos favorecidos e de forma onerosa aos afortunados pela sorte, não a descaracteriza, não lhe retira a condição de beneficente”; e (d) a jurisprudência pátria confirma o direito da entidade. Pede, por fim, a suspensão da imposição de qualquer penalidade até o trânsito em julgado da Ação Declaratória que visa ao reconhecimento de sua imunidade constitucional relativa à COFINS. Às fls. 4415 a 4419, são juntadas peças de ação judicial (Mandado de Segurança no 7.897/DF, no qual é deferida, no STJ, liminar contra despacho publicado no D.O.U. de 30 de maio de 2001, que cancelou o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos CEFF – da entidade). Em 10/05/2007, é proferida a decisão de primeira instância administrativa (fls. 4420 a 4430), pela procedência parcial da impugnação, “cancelando a multa de lançamento de oficio e suspendendo a exigibilidade da contribuição lançada enquanto 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 4527DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.498 3 perdurarem os efeitos da medida concedida pelo STF na Adin 2.028 ou da liminar deferida no Mandado de Segurança MS7897/DF (registro: 2001/01064462) pelo STJ”, sendo o voto substancialmente fundamentado em transcrições do Acórdão no 20178.490 (fls. 4422 a 4429), no sentido de que: (a) a Medida Provisória no 2.15835/2001 estendeu a isenção da COFINS às entidades relacionadas nos arts. 12 (imunes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro) e 15 (isentas do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro) da Lei no 9.532/1997, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do art. 195, § 7o, da Constituição Federal de 1988; (b) portanto, as entidades beneficentes de assistência social que satisfaçam as exigências legais (art. 55 da Lei no 8.212, de 1991) são imunes às contribuições sociais; (c) já as instituições de assistência social que satisfaçam as exigências legais (art. 12 da Lei no 9.532/1997) são isentas da COFINS, somente em relação às receitas próprias da atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade; (d) a “isenção” a que se refere o art. 17 da Medida Provisória no 2.15835/2001, é, na realidade, a imunidade do art. 195, § 7o, da Constituição Federal, e, portanto, o art. 17 não se refere à isenção do art. 14, mas à imunidade do art. 195, § 7o, da Constituição Federal; (e) daí ser necessário saber se a autuada é “entidade beneficente de assistência social" ou meramente "instituição de assistência social" ou ainda "instituição de caráter filantrópico"; (f) as questões relacionadas à obrigatoriedade da gratuidade na prestação de serviços foram submetidas ao exame do Supremo Tribunal Federal (STF) em duas ações diretas de inconstitucionalidade: ADin no 2.028 e ADin no 2.036, tendo o STF se manifestado no julgamento de medida cautelar na primeira delas, no sentido de suspender a eficácia dos dispositivos impugnados (disposições da Lei no 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei no 8.212/1991); e (g) a decisão do STF eliminou virtualmente as distinções que poderiam ser feitas, relativamente às duas situações analisadas, no que tange gratuidade dos serviços (instituição de assistência social, isenta da Cofins, relativamente às receitas de atividades próprias; entidade beneficente de assistência social, imune COFINS), permanecendo apenas os demais requisitos exigidos pela Lei no 8.212/1991. Após referendar o entendimento externado no referido acórdão, o relator do julgamento de piso redige de próprio punho as duas páginas finais da decisão, nas quais conclui que: (a) a Medida Provisória no 2.15835/2001 não atinge as entidades beneficentes de assistência social a que alude a Constituição Federal, art. 195, § 7o, em sua imunidade, mesmo que elas prestem serviços remunerados, mas, se o STF decidir pela constitucionalidade da obrigação de gratuidade instituída pela Lei no 9.732 para as referidas entidades beneficentes, a COFINS aqui lançada será exigível; (b) a documentação dos autos permite inferir que a entidade se enquadra nas condições do referido art. 55 (sem as alterações da Lei no 9.732, por óbvio); (c) como constam das “Notas explicativas da administração às demonstrações financeiras” do ano de 2005, a entidade teve seu CEBAS cassado pelo Ministro da Previdência, em 2001, o que implicaria em descumprimento de uma das condições para fruição da imunidade constitucional e a possibilidade de exigência da COFINS, nos termos da Medida Provisória em apreço, mas a entidade impetrou o Mandado de Segurança (MS) no 7.897/DF junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que concedeu liminar, ainda vigente à época, para suspender o ato ministerial; e (d) a exigência da COFINS, assim, é procedente, apenas para prevenção da decadência (tornandose em decorrência disso indevida a multa de ofício lançada), pois se o STJ denegar a ordem, a contribuição será devida por descumprimento de requisito previsto no art. 55 da Lei no 8.212/1991. Ciente da decisão de piso em 06/06/2007 (AR à fl. 4443), não consta ter a entidade apresentado recurso voluntário em relação à parcela mantida da autuação (ainda que com suspensão da exigibilidade). Fl. 4528DF CARF MF 4 Às fls. 4465 a 4469, percebese que, no MS no 7.897/DF, a segurança foi deferida pelo STJ, diante da intempestividade do recurso apresentado pelo INSS, no seguinte sentido: “Ante o exposto, concedo a segurança para tornar sem efeito o ato coator impugnado nos autos, ficando assegurada à Administração Pública a prerrogativa de reavaliar, oportunamente, a manutenção do certificado emitido em favorecida impetrante”. Em 21/05/2014, o recurso de ofício foi encaminhado ao CARF, para julgamento, sendo sorteado, em 12/12/2014, a conselheira que, em 26/06/2015, pediu dispensa do mandato, com submissão do processo a novo sorteio de relatoria. Em 30/11/2017, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Tendo em conta que o valor da multa excluída pela DRJ corresponde originariamente a R$ 3.043.346,18, o recurso de ofício apresentado atende os requisitos de admissibilidade (mormente a alçada, atualmente fixada em R$ 2.500.000,00, pela Portaria MF no 63/2017, com o entendimento assentado na Súmula CARF no 103), e, portanto, dele se toma conhecimento. É preciso recordar, já de início, que não houve recurso voluntário em relação à manutenção da exigência de COFINS, ainda que com exigibilidade suspensa, em função da ADin no 2.028 e da liminar deferida no MS no 7.897/DF. Assim, tudo o que resta a discutir nesta instância administrativa é o cabimento da multa de ofício lançada pela fiscalização, e que entendeu a DRJ destinarse a prevenção da decadência. Sobre a lavratura de multa de ofício para prevenção de decadência, matéria constante do recurso de ofício, assim dispõe o art. 63 da Lei no 9.430/1996, já na redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1o O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2 o A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” (grifo nosso) Fl. 4529DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.499 5 Cabe verificar, então, se as medidas suspensivas elencadas pela DRJ estão contempladas no art. 63 da referida lei, de modo a inviabilizar a constituição da multa de ofício. A fiscalização foi iniciada em 19/09/2006, conforme registrado no RDF (fl. 18). Em 18/10/2006, foi expedida a intimação fiscal no 024 (fl. 1844), com ciência em 24/10/2006, na qual se solicitou: Em resposta, informou a empresa que seu direito estava constitucionalmente previsto, não possuindo ação judicial para demandálo (fl. 1865): Daí certamente decorre o lançamento da multa de ofício, com fundamento no art. 44 da Lei no 9.430/1996. Por outro lado, a DRJ percebe a existência de ações judiciais não visualizadas pelo autuante, que se contentou com a resposta negativa em relação a ações específicas da entidade autuada, e encontra, nos autos, entre os documentos apresentados com a impugnação, menção a mandado de segurança interposto (fls. 4343 a 4352), cabendo trazer à colação o item 5 do parecer de auditores independentes (fl. 4354): Fl. 4530DF CARF MF 6 Daí ter o julgador de piso acrescentado pesquisa sobre andamento do MS no 7.897/DF (fls. 4414 a 4417) e cópia de decisão do STJ no Agravo Regimental no referido MS (fl. 4419), deferindo a liminar. Embora o descumprimento de tal requisito sequer tenha sido suscitado especificamente na autuação, entendese aqui que a DRJ, ultrapassando eventual negativa geral presente no lançamento, verificaria, para fruição do benefício, o preenchimento de tal requisito. Em decorrência da argumentação de defesa, trouxe ainda aos autos o julgador de piso a ADin no 2.028, na qual havia tutela antecipada concedida, e cuja matéria acabou decidida no seguinte sentido, ainda em 1999: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a "lei" para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei" sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, "c", da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II ("Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar"), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação Fl. 4531DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.500 7 jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a "lei", sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta. (ADI 2028 MC, Relator(a): Min. MOREIRA ALVES, Tribunal Pleno, julgado em 11/11/1999, DJ 16062000 PP 00030 EMENT VOL0199501 PP00113) Decisão O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1°, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n° 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei n° 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Fl. 4532DF CARF MF 8 Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99.” (grifo nosso) Vejase, aqui também, que a fiscalização não imputa à autuada explicitamente eventual descumprimento de requisito inserido ao art. 55 da Lei no 8.212/1991 pela Lei no 9.732/1998, embora relacione a Lei no 8.212/1991 entre os fundamentos da autuação, no RDF. O RDF, que contém a fundamentação da autuação, invoca os seguintes dispositivos normativos: (a) Constituição Federal (CF) de 1988, art. 195 (fls. 21 a 24), e, por exclusão, o art. 150 da mesma CF (fls. 24/25); (b) Código Tributário Nacional, arts. 9o e 14 (fls. 25/26); (c) Lei no 9.532/1997, art. 12 e 15 (fls. 26 a 28); (d) Lei Complementar no 70/91, arts. 6o, III (fl. 29); (e) Medida Provisória no 1.8566/1999 (posteriormente Medida Provisória no 2.15835/2001), arts. 13, 14 e 17 (fls. 29 a 32, e 36/37); (f) Instrução Normativa SRF no 247/2002, arts. 9o e 47 (fls. 33 e 37/38); e (g) Lei no 8.212/1991, arts. 23 e 55 (fls. 34 e 35). Como exposto, a ADin no 2.028 afastou eficácia do art. 1o da Lei no 9.732/1998, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei no 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os §§ 3o a 5o, entre outros. Vejamos o que dizem tais dispositivos, hoje revogados pela Lei no 12.101/2009): “Art. 55. (...) (...) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (...) § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5o Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento.” O autuante, ao que tudo indica, partiu do pressuposto de que a limitação do art. 55 da Lei no 8.212/1991 foi mitigada pela Medida Provisória no 2.15835/2001, como se depreende da argumentação do fisco após a transcrição do referido art. 55 (fl. 36): Fl. 4533DF CARF MF Processo nº 18088.000006/200712 Acórdão n.º 3401005.087 S3C4T1 Fl. 4.501 9 Ao que parece, assim, a autuação superou a restrição de gratuidade presente no art. 55 da Lei no 8.212/1991, assim como sequer imputou descumprimento de requisito ali presente. Imputou, sim, explicitamente, o descumprimento do art. 14, X da Medida Provisória no 2.15835/2001, no que se refere a “atividades próprias”, e que teria sido disciplinado pela IN SRF no 247/2002. É o que se depreende do relatório fiscal (fl. 38): Assim, parece o julgador de piso apreciar razões distintas daquelas alegadas pelo autuante ao considerar que o mérito da autuação estaria pendente de decisão judicial. Os fatores que o julgador de piso condicionou à ADin no 2.028 e ao MS no 7.897/DF, a nosso ver, eram irrelevantes para o autuante, como aqui exposto. Não entendo, assim, que exista, propriamente, uma lavratura de autuação para prevenir decadência, seja porque a matéria autuada não é especificamente discutida perante o Poder Judiciário, seja porque não estão presentes, no caso, as circunstâncias exigidas pelo art. 63 da Lei no 9.430/1996, transcrito ao início deste voto (medida liminar em relação à matéria discutida nos autos, antes de procedimento de ofício). A título de complemento, entendo que o desfecho do referido MS (por intempestividade) e da ADin, com julgamento em 2017, dificilmente serão suficientes para execução do acórdão condicional de piso, pois a matéria autuada, como exposto, é distinta da julgada pela DRJ. No entanto, cabe à unidade preparadora da RFB, se necessário, com esclarecimentos da própria DRJ, verificar de que forma a decisão de piso afastaria (após ambas as decisões judiciais), total ou parcialmente, a autuação. Fl. 4534DF CARF MF 10 No que se refere à multa aplicada, entendo que deve ser mantida, não havendo que se falar, no presente processo, em prevenção de decadência. Por certo que ao se manter, nesta instância, a aplicação da multa, seguese caminho distinto do adotado na decisão de piso (que já esclarecemos que, a nosso ver, entendeu incorretamente a imputação efetuada na autuação), mas não se poder aqui rever matéria que sequer foi objeto de recurso voluntário pela autuada, limitandose, como exposto de início, nossa análise, ao recurso de ofício. Devem, assim, ambas as decisões, conviver harmonicamente, da seguinte forma: mantémse aqui a multa de ofício aplicada, obviamente em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento (porque 75% de “zero” seria indubitavelmente “zero”), de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício, para manter a multa de ofício aplicada, em patamar compatível com os tributos a serem eventualmente mantidos no lançamento, de acordo com a decisão condicional da DRJ, a ser liquidada pela unidade preparadora com o encerramento dos processos judiciais nela mencionados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 4535DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000909/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVO FISCAL - PERC - FINAM
Requisitos legais. Devidamente demonstrado que a recorrente preenche os requisitos legais para a concessão do benefício, esse deve ser reconhecido.
Numero da decisão: 1401-002.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Devidamente demonstrado que a recorrente preenche os requisitos legais para a concessão do benefício, esse deve ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 09 /2 00 6- 19 Fl. 495DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1651.513, da 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo 1/SP. Por pertinente, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, relativo ao ano calendário de 2002, exercício de 2003, protocolizado em 30/06/2006 pela contribuinte acima identificada (fls. 4). Conforme dados constantes da ficha 29 Aplicações em Incentivos Fiscais da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ 2003 retificadora entregue em 20/10/2004 (fls. 8), a contribuinte optou por destinar parcela do imposto de renda para aplicação no FINAM e no FINOR, nos valores de R$493.751,83 e R$211.607,93, respectivamente. Todavia, no processamento eletrônico da DIPJ 2003, não foi reconhecido o direito ao incentivo fiscal, tendo sido apontadas duas ocorrências, a saber: "11 contribuinte com débitos de tributos e contribuições federais (art. 60 da Lei 9069/95)" e "15 sem efeito a opção em DIPJ/DARF onde não se enquadram no art. 9° da Lei 8167/91, conforme MP 219.914, de 24/08/2001" (fls. 5). A contribuinte apresentou o PERC, que foi indeferido por meio do despacho decisório de fls. 45 a 47, em razão de irregularidades da contribuinte perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB (fls. 35). Cientificada da decisão por via postal em 05/06/2007 (fls. 49), a contribuinte protocolizou, em 04/07/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 50 a 60, subscrita por seus procuradores, acompanhada dos documentos de fls. 61 a 117, na qual alega nulidade do despacho decisório por cerceamento do direto de defesa e, no mérito, alega que estava em situação de regularidade fiscal, devendo ser reconhecido o direito ao incentivo fiscal. Em 18/08/2008, esta 10a Turma da DRJ/SP1 proferiu o acórdão n° 1618.117 (fls. 119 a 123), por meio do qual foi indeferido o pedido contido na manifestação de inconformidade. Tendo tomado ciência da decisão em 29/08/2008, a contribuinte apresentou em 26/09/2008 o recurso voluntário de fls. 126 a 139, acompanhado dos documentos de fls. 140 a 217, no qual reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Em 04/08/2011, a 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu o acórdão n° 1401000.628 (Ps. 220 a 226), dando provimento ao recurso voluntário e determinando o retorno dos autos à Deinf/SPO para análise do mérito do PERC. A autoridade a quo relata que solicitou à CoordenaçãoGeral de arrecadação e Cobrança Codac da RFB informações sobre a participação, ou não, da contribuinte em epígrafe em projeto próprio nas áreas incentivadas pelo FINAM e pelo FINOR 'Is. 238). Acrescenta que, por meio do Memorando RFB/Codac/Cobra/Dipej n° 329/2012 (fls. 239 e 240), recebeu a informação de que a interessada participa de projeto em área incentivada pelo FINOR e não participa de projeto em área incentivada pelo FINAM. Fl. 496DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 496 3 Assim, em 10/07/2012, a Deinf/SPO proferiu novo despacho decisório nos seguintes termos (fls. 241 a 243): "Diante do exposto, no exercício da competência conferida pelo art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, aprovado pela Portaria/MFn°125, de 04/03/2009 (DOU 06/03/2009) c/c art.l°,VII, "a", e da Portaria DEINF/SPO de 01/02/2012, DECIDO: A. RECONHECER o direito do interessado de aplicação no montante de R$211.607,93 do incentivo fiscal no FINOR, pois ele está enquadrado no art. 9° da Lei 8167/91. B. NÃO RECONHECER o direito do interessado de aplicação no montante de R$493.751,83 do incentivo fiscal no FINAM, pois ele não está enquadrado no art. 9° da Lei 8.167/91. C. DETERMINAR a expedição da Ordem de Emissão de Incentivo Fiscal OEA. D. DETERMINAR a expedição de comunicado ao interessado, para que tome ciência deste despacho e fica facultado a apresentação de manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no prazo de 30 dias,contados a partir da ciência deste. " (destaques do original) Cientificada da decisão em 20/07/2012, a contribuinte apresentou, em 21/08/2012, a manifestação de inconformidade de fls. 248 a 260, acompanhada dos documentos de fls. 261 a 284. A requerente alega que sua opção pelo FINAM atende ao disposto no art. 9°, §§ 4° e 7°, da Lei n° 8.167/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.19914/2001, in verbis: "Art. 9° As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1º, inciso I (...) §4° Relativamente aos projetos de infraestrutura, conforme definição constante do caput do art. 1º da Lei no 9.808, de 20 de julho de 1999, bem como aos considerados estruturadores para o desenvolvimento regional, assim definidos pelo Poder Executivo, tomando como base os planos estaduais e regionais de desenvolvimento, o limite de que trata o § 2o deste artigo será de cinco por cento. (...) Fl. 497DF CARF MF 4 §7° Consideramse empresas coligadas, para fins do disposto neste artigo, aquelas cuja maioria do capital votante seja controlada, direta ou indiretamente, pela mesma pessoa física ou jurídica, compreendida também, esta última, como integrante do grupo." Sustenta que exerceu a opção pelo incentivo fiscal na qualidade de integrante do Grupo Santander, do qual também faz parte o Banco Banespa que, por sua vez, detinha 5% das ações com direito a voto da Evadin Indústrias Amazônia S.A., adquiridas por meio de contrato de mútuo de ações ordinárias nominativas celebrado em 10/02/2000 (Doc. 04). Alega que a Evadin Indústrias Amazônia S.A. é sociedade titular de empreendimento nos termos do art. 9° da Lei n° 8.167/91, conforme atesta a Resolução SUDAM n° 9.268, de 14/12/1999. Acrescenta que o projeto foi reconhecido pela SUDAM como estruturador para o desenvolvimento regional, enquadrandose portanto no §4° do art. 9° da Lei n° 8.167/91. A requerente sustenta que, em conjunto com a Evadin Holding Ltda., o Banespa detinha mais de 51% do capital votante da Evadin Indústrias Amazônia S/A., visto que a Evadin Holding possuía 60% das ações com direito a voto, como comprova o acordo entre acionistas da Evadin Indústrias Amazônia S.A. (Doc. 05). Acrescenta que, nos termos do §7° do art. 9° da Lei n° 8.167/91, caracteriza se como empresa coligada ao Banespa, de acordo com o organograma do Grupo Santander Banespa, visto que ambas eram controladas (direta ou indiretamente) pelo Banco Santander Central Hispano S/A, pois: (i) o Banco Santander Central Hispano S/A detinha 99,99% da Santander Investiment S/A que, por sua vez, detinha 99,99% da Ablasa, a qual detinha 98,98% da requerente; e (ii) o Banco Santander Central Hispano S/A detinha 96,71% do Banco Santander S/A, o qual detinha 98,71% do capital votante do Banespa. A requerente salienta que sua interpretação do art. 9° da Lei n° 8.167/91 está em consonância com o Parecer Normativo CST n° 54/75, que definiu o alcance da expressão "participação conjunta de empresas coligadas" referida no art. 18 do antigo DecretoLei n° 1.376/74, que criou os fundos de investimentos regionais. Assim, conclui restar comprovado seu enquadramento no disposto no art. 9° da Lei n° 8.167/91, o que impõe o reconhecimento do direito ao incentivo fiscal. A requerente também alega que o Memorando RFB/Codac/Cobra/Dipej n° 329/2012 apenas informa sua participação em projeto próprio na área incentivada pelo FINOR, não se manifestando acerca da participação em projeto em área incentivada pelo FINAM, sendo infundada a decisão da autoridade a quo nesse aspecto. Subsidiariamente, a requerente alega que também se enquadraria no disposto no art. 1° da Lei n° 9.808/96, visto que a Evadin Indústrias Amazônia S.A. dedicase à produção de telefones celulares, o que pode ser considerado como empreendimento de infra estrutura na área de telecomunicações. Assim, também por essa razão, seria aplicado o limite individual de participação de 5% no capital votante da empresa titular do empreendimento previsto no §4° do art. 9° da Lei n° 8.167/91, estando a requerente apta a receber o incentivo fiscal. Fl. 498DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 497 5 Ante o exposto, a interessada requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, determinandose a expedição da Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais. Foram juntadas cópias dos seguintes documentos à manifestação de inconformidade: Doc. 01 documento de identificação dos advogados que subscrevem a manifestação; Doc. 02 despacho decisório e comprovante da data de ciência; Doc. 03 organograma do grupo Santander Banespa; Doc. 04 contrato de mútuo de ações ordinárias nominativas da Evadin Indústrias Amazônia S.A. celebrado em 10/02/2000 e aditamento firmado em 27/12/2001; Doc. 05 acordo entre acionistas da Evadin Indústrias Amazônia S.A. firmado em 10/02/2000. A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERC. INCENTIVOS FISCAIS. FINAM. CONDIÇÕES PARA RECONHECIMENTO. A partir de 02/05/2001, a opção pelo incentivo fiscal é permitida às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinquenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional. Nos casos de participação conjunta, deve ser obedecido o limite mínimo de vinte por cento do capital votante para cada pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas, a ser integralizado com recursos próprios. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Quando do julgamento do recurso voluntário, foram baixos os autos por resolução para se verificar se a empresa fazia ou não jus aos incentivos ficais da FINOR, nos seguintes termos: Fl. 499DF CARF MF 6 “Em função desse contexto, por precaução e para que se evite qualquer cerceamento do direito de defesa, tornase necessário a conversão do julgamento em diligência, para que esclarecida de vez essa questão, onde o setor competente responda de forma explícita se a empresa participa de projeto incentivado pelo FINAM, com as restrições impostas pelo artigo 9º, da lei nº 8.167/91. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento.” A diligência foi respondida nos seguintes termos: Conforme Resolução nº 1401000305 (fls. 451/460) da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, temse a seguinte solicitação: “Em função desse contexto, por precaução e para que se evite qualquer cerceamento do direito de defesa, tornase necessário a conversão do julgamento em diligência, para que esclarecida de vez essa questão, onde o setor competente responda de forma explícita se a empresa participa de projeto incentivado pelo FINOR, com as restrições impostas pelo artigo 9º, da lei nº 8.167/91. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento.” Lendose o referido acórdão em sua totalidade, é possível constatar que o relator Antônio Bezerra Neto equivocouse nos parágrafos finais ao referirse ao FINOR ao invés do FINAM. Analisandose os documentos acostados aos autos, podese relatar que, conforme informação (fl. 473) enviada em 03/02/2016, via email, pelo Sr. José Guilherme Alves Vieira (Economista/DFRP/GRB), apesar das inúmeras ressalvas, “não se localizaram registros que atestem que a empresa Santander Seguros S/A CNPJ nº 87.376.109/000106 tenha feito opção de recursos do FINAM na forma do art. 9º da Lei 8.167/91 e destinado a projetos aprovados pela extinta Autarquia, ou seja, não se localizou “Declaração de Opção” em favor de projetos/SUDAM.” Através do Ofício nº 124/SFRI/DFRP/CGAC (fl. 470/471), datado de 10/02/2016, expedido e assinado pela Sra. Marina Servato Ferreira (Coordenadora da Coordenação Geral de Acompanhamento, Avaliação e Análise do Departamento Financeiro e de Recuperação de Projetos da Secretaria de Fl. 500DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 498 7 Fundos Regionais e Incentivos Fiscais do Ministério da Integração Nacional), apesar de suas ressalvas, é possível constatar que :“conforme informação prestada pelo Banco da Amazônia (anexo), e ratificada pela Gerência Regional de Belém – GRB, a referida empresa não participou de projetos incentivados pelo FINAM na modalidade e período mencionado acima”, ou seja, na modalidade do art. 9º da Lei nº 8.167/91 e no exercício 2003. Por fim, através do Memo nº 036/2016 RFB/Codac/Cobra/Dipej (fl. 469), datado de 19/02/2016, expedido e assinado pelo Sr. Diogo de Paula Moreira (Chefe da Divisão de Cobrança de Pessoa Jurídica – DIPEJ da Coordenação de Cobrança – Cobra da CoordenaçãoGeral de Arrecadação e Cobrança – CODAC da Secretaria da Receita Federal), “o contribuinte ZURICH SANTANDER SEGUROS E PREVIDÊNCIA S/A, ex SANTANDER SEGUROS S/A, inscrito no CNPJ nº 87.376.109/000106, não participa de projeto incentivado pelo FINAM, referente ao exercício 2003, na modalidade do art. 9º da Lei nº 8.167/91.” É o que tenho a informar em atendimento à solicitação do egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sobre a diligência, foi concedida à contribuinte vista dos autos que alegou em suma: Que o que foi afirmado no Relatório Fiscal é que a empresa não participou de nenhum programa incentivado pelo FINAM por projeto próprio, mas que qualquer coligada ou controlada do grupo a que pertence a empresa tem o direito de optar em favor de projetos incentivados. Nesse sentido defende que uma das coligadas possuía projeto que legitima o programa. Por fim, reiterou os termos do Recurso Voluntário e o seu provimento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A recorrente exerceu a "Opção" de destinar parte do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado na DIPJ do anocalendário de 2002, ao Fundo de Investimento do Nordeste (FINOR) e ao Fundo de Investimentos da Amazônia (FINAM), eis por integrar o grupo econômico do qual faz parte o Banco do Estado de São Paulo BANESPA (Grupo de Empresas Coligadas Santander"), que detinha a participação de: Fl. 501DF CARF MF 8 a) 10,03% do capital votante de Primo Schincariol Inústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A (Primo Schincariol Nordeste) e, em conjunto com Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes S/A (Primo Schincariol S/A), detem mais de 51% de Primo Schincariol Nordeste; b) 5% na Evadin Indústria Amazônia S/A (Evadin S/A) sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerada, pelo Poder Executivo prioritário para o desenvolvimento regional em conjunto com Evadin Holding Ltda., possuindo, em conjunto, mais de 51% da Evadin Indústria Amazônia S/A. Pois bem, a questão do FINOR já se encontra definitivamente julgada, tendo em vista que a DRJ, quando do segundo julgamento dos autos desse processo, reconheceu o direito da Contribuinte. Portanto, para a delimitação exata da lide, cumpre destacar que nesses autos estão apenas em julgamento a questão relativa ao FINAM. Nesse sentido, impende destacar, quais seriam as condições para usufruir de tais benefícios e se o conjunto probatório dos autos permite ao julgador chegar a uma conclusão satisfatória. A Lei 8.167/91, em seu artigo 9º estabelecia que: Art. 9o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o, inciso I. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) Vide Decreto nº 2.259, de 1997 § 1o Na hipótese de que trata este artigo, serão obedecidos os limites de incentivos fiscais constantes do esquema financeiro aprovado para o projeto, o qual, além de ajustado ao orçamento anual dos Fundos, não incluirá qualquer parcela de recursos para aplicação na conformidade do art. 5o desta Lei. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 2o Nos casos de participação conjunta, será obedecido o limite mínimo de vinte por cento do capital votante para cada pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas, a ser integralizado com recursos próprios. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.19914, de 2001) § 3º O limite mínimo de que trata o parágrafo anterior será exigido para as opções que forem realizadas a partir do exercício seguinte ao da entrada em vigor desta lei. §4º Relativamente aos projetos de infraestrutura, conforme definição constante do caput do art. 1º da Lei nº 9.808, de 20 de julho de 1999, bem como aos considerados estruturadores para o desenvolvimento regional, assim definidos pelo Poder Executivo tomando como base os planos estaduais e regionais de desenvolvimento, o limite de que se trata o §2º deste artigo, será de cinco por cento. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 16327.000909/200619 Acórdão n.º 1401002.679 S1C4T1 Fl. 499 9 Pois bem, tendo em vista que a regularidade fiscal da recorrente à época estava devidamente comprovada, conforme decisão da DRJ e, ainda, que a resolução SUDAM abaixo reconhecia que a EVADIN INDUSTRIA AMAZONIA S/A era empresa "coligada" e tinha direito ao benefício, necessário demonstrar que a recorrente com relação à participação societária, preenchia os requisitos legais. Com relação a participação societária, tendo em vista que a recorrente juntou aos autos a comprovação de que era acionista das empresas citadas acima, conduzo meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto no sentido DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 503DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13747.000139/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO.
Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se o não provimento ao recurso.
CONDIÇÕES PESSOAIS. EQUIDADE. INAPLICABILIDADE.
A falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados.
Numero da decisão: 2401-005.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõe-se o não provimento ao recurso. CONDIÇÕES PESSOAIS. EQUIDADE. INAPLICABILIDADE. A falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados.
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DEDUÇÃO. DESPESAS DE LIVROCAIXA Recorrente PAULO DOS SANTOS ROSSI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROVA. PRESSUPOSTO DE FATO. Não tendo a prova apresentada pelo contribuinte o condão de afastar os pressupostos de fato do lançamento, impõese o não provimento ao recurso. CONDIÇÕES PESSOAIS. EQUIDADE. INAPLICABILIDADE. A falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 7. 00 01 39 /2 01 0- 51 Fl. 261DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 262 2 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Thiago Duca Amoni (suplente convocado), Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte Impugnação apresentada contra Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física, anocalendário 2008, tendo sido apurada Dedução Indevida de Despesas de LivroCaixa em razão da declaração de despesas em valor superior ao total dos rendimentos declarados que permitem essa dedução: Glosa de R$ 181.364,45 Multa de 75% O contribuinte apresentou impugnação parcial, considerada tempestiva, alegando, em síntese: a) Conforme DIRPF Retificadora em anexo, informou rendimentos de trabalho assalariado de R$ 8.248,44, e rendimentos de trabalho sem vínculo de R$ 212.135,94, como prestador de serviços autônomo de serralheria em que tem de arcar com despesas de material necessárias à percepção dos rendimentos. Logo, todo o valor recebido não poderia ser integralmente tributado. b) Mais de 96% dos rendimentos declarados se referem a trabalho não assalariado, sendo que o único rendimento de trabalho assalariado é o do Governo do Rio de Janeiro. Errou ao não ter informado como ocupação principal o código 11 (profissional liberal sem vínculo de emprego) e não 31 (membro ou servidor público da administração direta estadual), tendo passado a constar na declaração anobase 2009. c) O pagamento é impossível por ser pessoa que exerce a humilde atividade de serralheiro. Do Acórdão prolatado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em síntese, se extrai: a) O contribuinte apresentou com a impugnação o livro caixa escriturado (fls. 17/39) bem como as notas fiscais por ele emitidas comprovando os rendimentos auferidos pela prestação de serviços sem vínculo empregatício (fls. 40/84) e os comprovantes das despesas (fls. 87/174). O impugnante comprovou a sua atividade de prestador de serviço autônomo, conforme o Documento de Atualização de Dados Cadastrais/Atividade – Pessoa Física (fls. 85) e Cartão de Inscrição junto à Prefeitura Municipal de Mangaratiba (fls. 86). Neles constou que a atividade exercida pelo contribuinte é a de serralheiro. O montante dos rendimentos auferidos na atividade de prestação de serviços sem vínculo empregatício, informado na DIRPF/2009, foi corroborado pelo livrocaixa e pelas notas fiscais emitidos pelo impugnante. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 263 3 b) No entanto, quanto às despesas escrituradas no livrocaixa, o impugnante não logrou comproválas, com documentos, a sua totalidade. Algumas notas de compra de materiais não foram anexadas aos autos, bem como os comprovantes de retenção do ISS e dos pagamentos de pessoas físicas. c) Assim, diante da farta documentação comprobatória, pode ser restabelecida nessa instância parte da dedução glosada pela Fiscalização, ou seja, do montante glosado de R$ 185.064,45, deve ser restabelecido o valor de R$ 96.140,92. Intimado em 14/12/2011, o contribuinte interpôs em 12/01/2012 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não foram deduzidos os pagamentos efetuados a pessoas físicas, notas fiscais de compras, como também ISS retido, despesas estas que foram comprovadas através de cópia xerografada e lançamentos no livro caixa. Analisando a Planilha de Despesas (anexo), temos, por exemplo, o mês de janeiro/2008: Livro Caixa (RS 12.047,50) subtraindo as não comprovadas (RS 4.542,50) terá o saldo (RS 7505,00). Portanto não foram consideradas as despesas: ISS (RS 526,50), adicionada as despesas com pessoas físicas (RS 3.691,00), adicionada as pequenas despesas (RS 324,98), totalizam o valor escriturado no livro caixa (RS 4.542,48). Como podem ser observadas, tais despesas não foram consideradas durante todo o ano de 2008. b) A atividade de serralheiro deixa o contribuinte com as roupas sujas de ferrugem, pó de ferro, olhos queimados e corpo chamuscado. No ano de 2008, foi contemplado com serviços que raramente irão se repetir. Logo, cumpriu sua obrigação quitando as parcelas do imposto declarado, inexistindo má fé e sim falta de informação, estando hoje pela expectativa da decisão patente a falta de tranquilidade e nervosismo pelo elevado imposto acrescido de multa e juros, a tornar impossível o recolhimento do valor apurado. c) Protesta com a apresentação de comprovantes juntados, como: cópia do livrocaixa, notas fiscais n° 2762 e 3030, cópia de recibos de pagamentos a pessoas físicas, cópias das guias de retenções de iss e cópia da planilha de despesas. d) Contando com um espírito de humanismo e compreensão, pede a procedência da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Fl. 263DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 264 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. De imediato, passo a analisar a documentação apresentada com o recurso voluntário tendente a comprovar despesas escrituradas no livrocaixa. Dentre os documentos carreados com o recurso voluntário, não localizei qualquer nota fiscal. Logo, as notas fiscais n° 2762 e 3030 referidas nas razões recursais não restaram apresentadas com o recurso. Os recibos de pagamentos a pessoas físicas têm por objeto prestação de trabalho autônomo de serralheiro, mesma atividade do contribuinte. Logo, não veiculam despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, III), mas de pagamento pelo exercício da própria atividade geradora de receita, hipótese em que só se admite a dedução da remuneração paga para empregado (Lei n° 8.134, de 1990, art. 6°, I). Os Documentos de Arrecadação Municipal DAM com especificação da receita ISS não estão acompanhados de recibo de pagamento ou de autenticação bancária (fls. 200, 205, 206, 2012, 222,228, 233, 238 e 242). O carimbo neles afixado com os dizeres "quitação em branco" não prova quando se efetivou o pagamento e nem me gera convicção acerca de que o mesmo tenha ocorrido. Em Relação ao DAM de fls. 195 em que há autenticação bancária dando conta do recolhimento de R$ 315,00 em 24/01/2008, o constante do campo "ESPECIFICAÇÃO DA RECEITA" é ilegível. Além disso, o valor em tela não foi escriturado no livrocaixa (fls. 17 e 194), não podendo ser deduzido em face da expressa exigência constante do § 2° do art. 6° da Lei n° 8.34, de 1990. Os recibos de ISS retidos na fonte têm o campo "Nome e assinatura do responsável:" em branco (fls. 218, 248 e 254). Está em branco o campo "Autenticação Mecânica" do documento ISS Movimento Econômico (fls. 243). Não merece reparo a apreciação das provas empreendida pelo Acórdão de piso. Além disso, o contribuinte não apresentou com as razões recursais alegação ou prova capaz de ensejar a reforma do referido Acórdão. A decisão recorrida não apreciou a alegação de o contribuinte exercer atividade humide e, por conseguinte, estar impossibilitado de efetuar o pagamento dos valores lançados. Nas razões recursais, o argumento foi reiterado e melhor detalhado, inclusive acrescentandose a alegação de não ter o recorrente agido de má fé e sim com falta de informação. Estando o processo em condições de imediato julgamento, julgo o pedido não apreciado em primeira instância (Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013, § 3°, III). De fato, não vislumbro má fé. Logo, correta a aplicação do art. 44, I, da Lei n° 9.430, de 1996. Além disso, a falta de informação, a condição econômica e ser a atividade do contribuinte humilde são circunstâncias juridicamente irrelevantes, ou seja, não são fundamento jurídico válido para se desconstituir o lançamento ou para se isentar o pagamento dos valores lançados (Decretolei n° 4.657, de 1942, art. 3°; e Lei n° 5.172, de 1966, art. 108, § 2°). Fl. 264DF CARF MF Processo nº 13747.000139/201051 Acórdão n.º 2401005.686 S2C4T1 Fl. 265 5 Isso posto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000406/2005-04
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 03/06/2005
PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91.
Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
Numero da decisão: 9303-007.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 03/06/2005 PIS. TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contando-se a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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TERMO A QUO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. TRIBUNAIS SUPERIORES. NECESSIDADE DE REPRODUÇÃO DAS DECISÕES PELO CARF (ART. 62, § 2º, Anexo II, DO RICARF). IRRETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91. Em conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da LC 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos, in casu, formulado anteriormente à vigência de aludida Lei Complementar, o prazo a ser observado é de 10 anos (tese dos 5 + 5), contandose a partir do pagamento indevido, pois o pedido foi formulado anteriormente a 9.6.05. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 06 /2 00 5- 04 Fl. 291DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos à Unidade de Origem. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 20403.652 da 4ª Câmara do 2º Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 03106/2005 NORMAS PROCESSUAIS. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição de pagamentos indevidos ou a maior decai em cinco anos contados da data de extinção da obrigação tributária pelo pagamento, sejam quais forem os motivos determinantes e mesmo nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, consoante arts. 165, I e 168, I ambos do CTN, e Lei Complementar n° 118/2005. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 292 3 · Na decisão ora recorrida ficou estampado que se extingue após o transcurso do prazo 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que devido; · Ocorre que o CTN prevê o lapso temporal de 5 cinco anos para ocorrer a homologação do pagamento e a consequente extinção do crédito tributário (Art. 150, § 1° e 40 do CTN ), mais 5 anos da data da extinção do crédito tributário para que o sujeito passivo possa requerer a restituição dos valores (artigo 168, I do CTN). Em Despacho às fls. 284 a 286, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Não foram apresentadas Contrarrazões pelas razões expostas em ofício emitido pela PGFN: “UNIÃO (Fazenda Nacional), por seu procurador, informa que tomou ciência do recurso especial interposto pelo contribuinte em face do acórdão n. º 20403.652, mas que não haverá contrarrazões (art. 62A do RICARF art. 543B da Lei nº. 5869/73; RE nº. 566.621/RS). Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. BrasíliaDF, 21 de setembro de 2015. PAULO RENATO GONZÁLEZ NARDELLI Procurador da Fazenda Nacional” É o relatório. Voto Fl. 293DF CARF MF 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67, § 12, inciso II, do RICARF/2015. O que concordo com o exame de admissibilidade. Ventiladas tais considerações, passo as razões. No que tange à discussão acerca do termo inicial a ser considerado para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria havia sido objeto de decisão do STJ em sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). O que peço licença para transcrever a ementa (Grifos meus): “Ementa: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009 AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, Fl. 294DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 293 5 julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008". (Resp nº 1110578/SP, Rel. Min. Luiz Fux, data do julgamento 12052010, DJe de 21/05/2010; RT vol. 900 p. 204) (Negritos acrescentados)” Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito da LC 118 – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos Fl. 295DF CARF MF 6 repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis o decidido: “RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para Fl. 296DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 294 7 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Fl. 297DF CARF MF 8 Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Eis a Súmula 91: “Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.” Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 3.6.05 referente ao período de fevereiro/98 a janeiro/99. Sendo assim, considerando que o pedido foi apresentado antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, dar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, com retorno para a unidade de origem para analisar o direito ao crédito. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 298DF CARF MF Processo nº 13502.000406/200504 Acórdão n.º 9303007.002 CSRFT3 Fl. 295 9 Fl. 299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001382/2004-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
OPÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. REFRIGERANTE.
Não é permitida a permanência no Simples de empresa que exerce a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI - TIPI,
Numero da decisão: 1001-000.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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EST. DE ARAGUARI IND. COM. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 OPÇÃO. INDUSTRIALIZAÇÃO. REFRIGERANTE. Não é permitida a permanência no Simples de empresa que exerce a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Ato Declaratório DRF/UBE, n° 425551. de 07 de agosto de 2003. (efl. 19), através do qual o contribuinte referenciado foi excluído do SIMPLES FEDERAL em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 13 82 /2 00 4- 41 Fl. 36DF CARF MF 2 razão de constatação de situação incluída nas hipóteses de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, por força do artigo 9°, inciso XIX, da Lei 9.317/96. A contribuinte apresentou sua inconformidade argumentando que fabricação de refrigerante não está classificada no capítulo 22 da TIPI e que o ato de exclusão fere princípios constitucionais, em especial o do direito adquirido. A decisão de primeira instância (efls. 24/25) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que refrigerante está classificado no capítulo 2202.10.00 da TIPI, sendo, portanto, improcedente o alegado pela defesa. E quanto a ofensa a princípios constitucionais e legais, afirmou a decisão de primeira instância que a matéria de natureza constitucional e de legalidade não pode ser oposta na esfera administrativa, dado que cabe ao Judiciário apreciar a constitucionalidade e/ou legalidade das normas jurídicas. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/10/2008 (efl. 26) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 30/10/2008 (efl. 27), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo. Dele conheço. Conforme já destacado pela decisão de primeira instância a recorrente incide na hipótese de vedação à opção pela sistemática tributária em questão, por força do artigo 9°, inciso XIX, da Lei 9.317/96. Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIX que exerça a atividade de industrialização, por conta própria ou por encomenda, dos produtos classificados nos Capítulos 22 e 24 da Tabela de Incidência do IPI TIPI, sujeitos ao regime de tributação de que trata a Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. A Recorrente concorda que exerce a atividade de fabricação de refrigerantes. Mas contesta que esta atividade esteja classificada no capítulo 22 da TIPI, mas sim no capítulo 21. Mas a própria TIPI, em seu capítulo 21 explica como classificar refrigerante (22) e extrato de refrigerante (21): TIPI 2106.90.10 Preparações compostas, não alcoólicas (extratos concentrados ou sabores concentrados), para elaboração de bebida refrigerante do Capítulo 22, com capacidade de diluição de até 10 partes da bebida para cada parte do concentrado Observo que a disposição legal acima (da Lei 9.317/96) garante que devem ser mantidas, até 31 de dezembro de 2000, as opções já exercidas. Ou seja, após esta data as empresas que não estiverem de acordo com o art. 9°, XIX deveriam ser excluídas. Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10675.001382/200441 Acórdão n.º 1001000.734 S1C0T1 Fl. 37 3 Ressaltese que alegações de excesso inconstitucional do legislador ordinário deve ser levado a apreciação do Poder Judiciário, a quem cabe a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 38DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13118.000211/2006-71
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1514; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13118.000211/200671 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.004 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 07 de agosto de 2018 Assunto PER/DCOMP INCIDENTE DE CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA Recorrente HUMBERTO GARCEZ LIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Tratase de exame do recurso voluntário em face do Acórdão nº 0320.311, de 29/03/2007, da 4ª Turma DRJ/BSA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Através da Representação nº 022/2006 ARF/CTL, verificouse que a Recorrente informou nas declarações PJSimples relativas aos períodos de agosto a dezembro (calendário 2001), janeiro a dezembro (calendário 2002), janeiro a março e outubro a dezembro (calendário 2003) e janeiro a julho (calendário 2004), que partes dos saldos de Simples a pagar RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 31 18 .0 00 21 1/ 20 06 -7 1 Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 3 2 foram extintos por compensações com processos. Como a ARF/CTL não localizou pedidos de compensação em nome da Recorrente, enviou intimação para que a mesma informasse a origem dos créditos. Em resposta à intimação, a Recorrente informa que não realizou nenhuma compensação de valores administrados pela Receita Federal, e que compensou créditos que existiam com o Instituto Nacional de Seguridade Social com débitos com aquela autarquia. Aos, 27 de novembro de 2006, foi proferido Despacho Decisório DRF/GOI nº 481 que não homologou a compensação, conforme ementa abaixo: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das • Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: agosto a dezembro (calendário 2001); janeiro a dezembro (calendário 2002); janeiro a março e outubro a dezembro (calendário 2003); janeiro a julho (calendário 2004). Ementa: Pedido/Declaração de Compensação. Tanto o Pedido quanto à Declaração de Compensação de débitos devem ser apresentados à Secretaria da Receita Federal na forma estabelecida pela legislação. É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, com créditos não administrados pela Secretaria da Receita Federal. Compensação não Homologada Por descordar da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, cujas alegações extraise do Relatório do acórdão recorrido: Como membro afiliado à Associação Comercial de Catalão, detém crédito daquela contribuição previdenciária obtido em Acórdão do TRF da i a Região, transitado em julgado, como também obteve naquela mesma decisão judicial o direito de compensálo com débitos vencidos ou vincendos; A adesão ao Simples não inviabiliza a compensação na sistemática do art. 66 da Lei 8.383/1991, desde que observado, a cada mês, o percentual que, nos termos do art. 23 da Lei 9.317/1996, é destinado ao INSS. Este é o entendimento nos autos do Mandado de Segurança 1998.38.02.0016040/MG, e da mesma forma também já decidiram o Tribunal Regional Federal da 4a Região e o Superior Tribunal de Justiça. A diferença encontrada pela Receita Federal, entre o valor a recolher e o valor recolhido, é exatamente aquele consistente nos créditos compensados e destinados ao INSS, não havendo nenhum recolhimento inferior ao apurado para os demais tributos, como se pode verificar das Declarações Simplificadas e dos DarfSimples, em anexo. Assim, em sendo a compensação efetivada regular e legal, requer seja reformada a decisão proferida, homologando a citada compensação.(relatório constante no acórdão da DRJ) Fl. 361DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 4 3 A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos moldes da ementa abaixo: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de Apuração: 31/08/2001 a 31/07/2004 Ementa: Compensação — Contribuições da Seguridade Social (INSS) — Impossibilidade O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Solicitação Indeferida Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou recurso voluntário com os seguintes fundamentos: (i) "É incontroversa no processo a origem dos créditos, que são de natureza previdenciária e que foram reconhecidos judicialmente através do Mandado de Segurança número 1999.35.00.0209199, que tramitou perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com trânsito em julgado"; (ii) "Toda a legislação invocada pelo despacho decisório e pelo acórdão da Delegacia da Receita Federal de julgamento se refere, expressamente, a CRÉDITOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL e não pelos créditos do caso dos autos"; (iii) "Não há nenhuma norma que determine a forma de realizar tal compensação. Há sim, repitase, normas que determinam a forma de compensar os créditos administrados pela Receita Federal. Não de créditos administrados pelo INSS (previdenciários)"; (iv) "O caso é de aplicação da Lei 8.383/91, e não da Lei 9.430/96, vez que, como dito, não se trata de crédito administrado pela Receita Federal"; (v) "Desenganadamente, a Recorrente compensou do recolhimento feito através do sistema SIMPLES, única e exclusivamente o valor destinado ao INSS, obedecendo as alíquotas determinas pela então Lei 9.317/96, não deixando de recolher os tributos administrados pela SRF". Por fim, requereu que seja admitida a compensação das contribuições previdenciárias no sistema de arrecadação pelo Simples. Às fls. 348 a 353 foi juntado despacho proveniente da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Fiscal no qual o processo é remetido para esta 1ª Seção, visto ter o Conselheiro Relator entendido não ser a matéria dos autos de competência da 2ª Seção. Em 11/08/2015 os autos foram encaminhados. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 5 4 Aos 02/03/2016, foi apensado aos presentes autos o Processo de nº 13118.000010/200754, o qual, segundo a Delegacia da Receita Federal em Goiania (DRF/GOI), possui o mesmo objeto dos presentes autos e, no processo de n º 13118.000010/200754, a contribuinte teve seu pleito atendido parcialmente, havendo comprovação de parcelamento do débito. É o Relatório. VOTO Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Inicialmente cabe examinar a competência da 1ª Seção/CARF para o julgamento do recurso voluntário da matéria tratado no presente processo. Consta no Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, a seguinte determinação: Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; [...] Art. 7º Incluise na competência das Seções o recurso voluntário interposto contra decisão de 1ª (primeira) instância, em processo administrativo de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. A Recorrente compensou dos pagamentos realizados através do Simples, créditos adquiridos através de ação judicial na qual foi reconhecido o recolhimento indevido a título de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração para aos administradores/empresários, trabalhadores avulsos e autônomos, matéria normatizada na Lei nº 7.787/1989 e na Lei nº 8.212/1991, discutida no Mandado de Segurança nº 1999.35.00.0209199 do Tribunal regional Federal da 1ª Região. Embora a Recorrente seja optante pelo Simples, o reconhecimento do crédito pleiteado oriundo de ação judicial se refere à Contribuição Previdenciária, cuja competência de análise do litígio é da 2ª Seção/CARF e assim a 1ª Seção/CARF deve declinar da competência para o julgamento do recurso voluntário no processo administrativo de controle de legalidade do ato administrativo. Contudo, em despacho realizado pela 2ª Seção de Julgamento (4ª Câmara/ 3ª Turma Ordinária), o Ilmo. Conselheiro Relator declinou da competência para a 1ª Seção. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 13118.000211/200671 Resolução nº 1003000.004 S1C0T3 Fl. 6 5 Em que pese o respeito pelo entendimento do ilustre Conselheiro, para o julgamento da presente ação, fazse necessário avaliar se o procedimento escolhido pela Recorrente para a compensação das contribuições previdenciárias é o adequado, como também se o valor compensado corresponde com o recolhimento indevido reconhecido na via judicial. Sendo assim, entendo que se trata de processo cuja competência deve ser definida em razão do crédito em discussão e, por conseguinte, competência da 2ª Seção. Ainda que seja para não conhecer do Recurso voluntário em razão de possível perda de objeto. Considerando o despacho realizado pelo Conselheiro da 2ª Seção, entendese existir nos presentes autos conflito de competência. O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal (Portaria MF 343/2015), em seu Anexo II, determina, em casos como o ora em análise, que caberá ao Presidente do CARF decidir sobre a questão, vide abaixo: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (...) § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. Art. 20. Além de outras atribuições previstas neste Regimento Interno, ao Presidente do CARF incumbe, ainda: (...) IX dirimir conflitos de competência entre as Seções e entre as turmas da CSRF, bem como, controvérsias sobre interpretação e alcance de normas procedimentais aplicáveis no âmbito do CARF Assim, em razão do conflito negativo de competência entre as 1ª e 2ª Seções, incumbe à Presidente do CARF dirimilo e por conseguinte pronunciarse acerca da matéria. Em face do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para encaminhamento do processo à Presidente do CARF para dirimir o conflito de competência apontado nos presentes autos. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.973292/2012-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima), Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Luis Fabiano Alves Penteado, Rafael Gasparello Lima e Luis Henrique Marotti Toselli. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 29 2/ 20 12 -3 9 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: “1. Trata o presente processo de Despacho Decisório (DD) de nº [...], emanado pela Autoridade Administrativa que analisou a DCOMP nº [...] e não deferiu a compensação declarada, em razão da localização de um ou mais pagamentos integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando, quanto ao DARF apresentado, crédito disponível a ser aproveitado na presente DCOMP. O referido DARF, conforme os sistemas da Receita Federal do Brasil RFB possui: período de apuração – 30/06/2010; data de arrecadação – 29/09/2010; código de receita – 2089 (IRPJ LUCRO PRESUMIDO) e valor original utilizado R$ 65.747,05. 1.1. A transmissão da DCOMP ocorreu em 25/10/2011. 2. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, [...] alegando, em síntese, que: (...) I DOS FATOS A empresa tem sua tributação baseada na sistemática do lucro presumido. No segundo e terceiro trimestres do ano civil de 2010, apurou receitas em duas modalidades: prestação de serviços e venda de imóveis. Na apuração do imposto de renda (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) dos referidos trimestres, foram consideradas as duas modalidades de receita como sendo somente de prestação de serviço. Isto posto, as receitas de vendas de imóveis tiveram suas bases de redução calculadas à alíquota de 32% ao invés de 8% para fins de IRPJ, e no caso da CSLL à alíquota de 32% ao invés de 12%. (...) Em razão desses créditos fiscais, a partir de maio de 2011 foram solicitados pedidos de compensações, através de PER/DCOMPs para quitação de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL vincendos a partir daquela data que estão sendo objetos de questionamento de Despachos Decisórios. Lamentavelmente, quando da elaboração e apresentação da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), não foram configurados os referidos créditos fiscais na ficha 14A linha 07 e 18A linha 03, correspondente à apuração do IRPJ e da Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 4 3 CSLL do segundo e terceiro trimestres de 2010, uma vez que as cifras ficaram apresentadas na linha 07 da ficha 14A (IRPJ) receita bruta sujeita ao percentual de 32% e linha 03 ficha 18A (CSLL) receita bruta sujeita ao percentual de 32%, ao invés da segregação entre as receitas sujeitas ao percentual de 32% e aquelas sujeitas ao percentual de 8%, para fins de IRPJ, e sujeitas ao percentual de 12% para fins de CSLL. Com isto, os saldos a pagar de IRPJ, bem como o da CSLL, ficaram idênticos aos valores recolhidos através de DARF não configurando a demonstração do crédito, pois se os valores apresentados na DIPJ como saldos a pagar fossem efetivamente menores do que os recolhidos, ficaria evidente o direito de crédito por recolhimento a maior. II – DO DIREITO (...) II. 2 DO MÉRITO Conforme explicado anteriormente, a empresa agiu de boa fé, utilizando os preceitos e fundamentos legais para denunciar o seu crédito e a respectiva utilização através dos instrumentos de compensação, e, em sendo assim, a empresa não pode ter o seu direito cerceado pelo equívoco que cometeu no preenchimento da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), e dessa forma não ter a homologação através de Despacho Decisório de seus créditos fiscais legítimos por recolhimento a maior. III DOCUMENTOS ANEXADOS Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (...) 8. Razão contábil do segundo e terceiro trimestres de 2010 das receitas de vendas de imóveis (Contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010). (...) 11. Controle de utilização dos créditos fiscais. IV DO PEDIDO À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do Despacho Decisório, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade para revisão da decisão e consequente cancelamento do Despacho Decisório rastreamento n° [...], consideração da existência do crédito fiscal e a homologação para compensação/quitação do débito no valor de [...]." 2. Em sessão de 26 de agosto de 2014, a 4ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela ausência dos elementos de prova capazes de atestar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação, conforme Acórdão nº 1660.826, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 5 4 Anocalendário: 2010 DCOMP. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. A alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos cabais de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” 3. A DRJ/SPO não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Embora a Recorrente tenha juntado cópias do razão contábil e planilha própria de utilização dos créditos fiscais, ambas referentes aos segundo e terceiro trimestres de 2010, constatou que a) as cópias do Livro Razão não estão acompanhadas dos respectivos documentos de respaldo (contrato de venda e compra do imóvel; comprovante de recebimento da respectiva receita, etc); b) também não estão acompanhadas de cópias dos lançamentos correspondentes no Livro Diário, devidamente registrado na Junta Comercial. Portanto, o direito creditório pleiteado não pode ser considerado líquido e certo. 3.2. Sustenta que, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a Manifestação de Inconformidade, sob pena de precluir o direito da Recorrente fazêlo em outro momento processual. 4 Cientificada da decisão em 01/10/2015 , a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 14/10/2015, reiterando as razões já expostas em sede de Manifestação de Inconformidade e reforçando que a prova documental produzida nos autos já seria suficiente para comprovar seu direito creditório, mas, para que não pairem dúvidas, juntou a seguinte documentação complementar: (i) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02); (ii) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03); (iii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04); (iv) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05); e (v) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06). 5. Ao final, requer seja acolhido o Recurso Voluntário para o fim de receber os documentos complementares anexos e converter o julgamento em diligência baixando os autos para que a autoridade preparadora examine os documentos novos juntados que complementam a prova do crédito da Recorrente utilizado nessa DCOMP, ou dignese acolher o recurso para o fim de homologar a presente declaração de compensação. É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.425, de 16/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658130/201273, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.425): " 6. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. 7. Em primeiro lugar, há de se ressaltar a plausibilidade jurídica do pleito da Recorrente acerca da juntada de documentação complementar em sede de Recurso Voluntário. 8. Alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo, mas deve buscar a verdade material. 9. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter baixado os autos em diligência para esclarecimentos dos fatos e análise de provas. Tal iniciativa cooperativa, inclusive, traria maior celeridade e eficiência processual, bem como teria otimizado o custo deste processo para o Estado1. 10. No mais, de acordo com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, é possível a juntada de provas complementares para contrapor às 1 Em consonância com os seguintes dispositivos: Lei nº 13.105/2015 "Art. 5º Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportarse de acordo com a boafé. Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." Lei nº 9.784/1999 "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." "Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo." Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 7 6 razões do julgamento de primeira instância à luz dos princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório efetivo, verbis: " (...) PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual.Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1a instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos.E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo. (...)" (Processo nº 16327.001040/200891, Acórdão nº 1102000.940, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 08.10.2013, Relator: José Evande Carvalho Araujo) 11. Notese que, cabe a autoridade julgadora verificar a necessidade e a utilidade do recebimento da prova de forma a harmonizar valores e princípios constitucionais e processuais, verbis: " PRINCÍPIOS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. OFICIALIDADE. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO DAS PROVAS. CONSIDERAÇÃO. O direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. (...)" (Processo nº 10880.008207/200611), Acórdão nº 2801003.682, 1ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 09.09.2014, Relator: Carlos César Quadros Pierre) 12. Portanto, acolho o pedido da Recorrente no sentido de admitir as provas acostadas em sede de Recurso Voluntário por considerálas úteis e necessárias para devida apreciação do processo. 13. No mais, considero que assiste razão a contribuinte quando sustenta que meros erros no preenchimento de declarações não são suficientes para motivar o não reconhecimento do seu direito creditório. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 8 7 14. Contudo, em linha com a jurisprudência deste E. Conselho, é imprescindível que tais erros sejam claramente demonstrados por meio de documentação hábil e idônea, em especial com base na análise de registros contábeis e fiscais e da documentação que lhe serve de suporte, a qual necessariamente deve ser mantida pelo contribuinte enquanto se pretender obter os efeitos fiscais correspondentes, nos termos do artigo 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN e dos artigos 264 e 923 do RIR/99. 15. Reforçando essas diretrizes, transcrevo a seguinte ementa: "ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DCTF. DECLARAÇÕES RETIFICADORAS. COMPROVAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO. Comprovado que o débito confessado em estava equivocado mediante apresentação de declaração retificadora, DIPJ e elementos da escrituração contábil que corroboram o valor declarado/confessado nessa declaração retificadora, reconhecese o direito de crédito homologandose as compensações pleiteadas até esse limite." (Processo nº 13971.901692/201131, Acórdão nº 1402002.379, 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 26.01.2017, Relator: Fernando Brasil de Oliveira Pinto)(grifos nossos) 16. O direito creditório do contribuinte só pode ser obstado diante de três hipóteses (i) se reconhecida decadência do direito pleiteado; (ii) se os valores já tiverem sido compensados; e (iii) quando a documentação suporte é insuficiente para demonstrar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos. 17. Logo, somente diante da comprovação pela autoridade fiscal de uma dessas três hipóteses é que o direito creditório não deve ser reconhecido. 18. Tendo essas premissas em mente, passamos à análise do caso concreto. 19. A Recorrente exerce a atividade de compra e venda de imóveis próprios, bem como a locação de imóveis próprios. 20. Como é sabido, na venda de imóveis próprios a alíquota de presunção do lucro é de 8% (IRPJ) e 12% de CSLL, sendo que na locação, esta alíquota é de 32% 21. Entre abril de 2010 e setembro de 2010 a Recorrente vendeu um imóvel próprio e apurou IRPJ e a CSLL como locação. Portanto, tributou à alíquota de 32% ao invés de 8% (IRPJ) e 12% (CSLL), daí a origem do direito creditório em exame, pagamento a maior de IRPJ e CSLL no segundo e terceiro trimestres do anocalendário de 2010. 22. No presente caso, não há controvérsia acerca do preenchimento dos requisitos (i) e (ii) constantes do item 16, mas do (iii). A DRJ [...] considerou que as provas apresentadas em sede de Manifestação de Inconformidade [...] não foram suficientes para que o crédito pleiteado fosse considerado líquido e certo. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 9 8 23. Ocorre que, a ora Recorrente tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto, complementarmente, em seu Recurso Voluntário [...], apresentou vasta documentação probatória hábil a demonstrar a ocorrência do suposto erro na apuração da base de cálculo, tais como: (i) doze DARFs de recolhimento de IRPJ e da CSLL referente ao segundo e terceiro trimestre de 2010 [...]); (ii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Original [...]; (iii) fichas 14A e 18A do segundo e terceiro trimestre de 2010 da DIPJ Retificadora transmitida em 21/11/2012 e seu recibo [...]; (iv) razão contábil do segundo e terceiro trimestre de 2010 das receitas de vendas de imóveis (contas contábeis 3.1.02.01.0004 abril/2010 e 310301001 de maio a setembro de 2010,[...]); (v) escritura pública definitiva de compra e venda do imóvel (doc. 02, [...]); (vi) matrícula do imóvel de nº 179.301, do 4º Cartório de Registro de Imóveis de São Paulo (doc. 03, [...]); (vii) cópia das DCTFS retificadoras (doc. 04, [...]); (viii) cópia do livro diários correspondente aos referidos lançamentos (doc. 05, [...]); e (ix) comprovante de recebimento da receita de venda do imóvel (doc. 06, [...]). 24. A priori, a documentação fiscal e contábil trazida pela Recorrente cumpre o disposto no artigo 923 do RIR2 e é capaz de viabilizar o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. 25.Contudo, deve ser verificada, à luz da documentação contábil, fiscal e demais provas suporte, a liquidez e certeza dos créditos constantes dos pedidos de compensação nos períodos em análise. 26. Em face do exposto, diante de toda a documentação acostada aos autos, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da Receita Federal da circunscrição da contribuinte: (i) verifique as DCTFs retificadoras apresentadas, efetuando a apuração do crédito relativo aos períodos sob apreciação; (ii) faça o cotejamento desses créditos com as Dcomps relativas a pagamento a maior de IRPJ e CSLL, anocalendário 2010, procedendo à valoração para fins de verificação de suficiência destes, considerandose, inclusive, alguma Dcomp porventura já homologada. 27. Para fins dessa verificação, a contribuinte poderá ser intimada a apresentar livros e documentos. 28. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. 2 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais." Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.973292/201239 Resolução nº 1201000.444 S1C2T1 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 151DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.721158/2012-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO.
Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção.
Numero da decisão: 1001-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 11 58 /2 01 2- 61 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 105 a 117) interposto contra o Acórdão nº 0359.288, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 97 a 101), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2012 OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS. INDEFERIMENTO. Consoante o artigo 17, inciso V, da Lei nº 123, de 2006, é cabível o indeferimento da opção pelo Simples Nacional formulado pelas pessoas jurídicas que tenham débitos, sem exigibilidades suspensas, junto ao INSS ou, junto às Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, na data limite estipulada para formular a opção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do indeferimento, constante do “Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional” de fls. 31/32 (data de registro em 15/02/2012), que não acatou a solicitação de opção pelo Simples Nacional formalizado pelo contribuinte em 24/01/2012. A opção foi indeferida em virtude de existirem os débitos abaixo relacionados, os quais não se encontravam com as exigibilidades suspensa; com fundamento no inciso V, artigo 17 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: débito de natureza previdenciária de nº 398230927; débitos de natureza não previdenciária constantes do processo administrativo nº 10855.450489/200400 a título de SIMPLES (código 6106), de IRPJ (código 2089), de CSLL (código 2484), COFINS (código 2172) e de PIS (código 8109) e, constantes do processo administrativo nº 18208.644414/200769 a título de SIMPLES (código 6106) e; débito de SIMPLES inscrito em Dívida Ativa da União (Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN) de nº 8040511757231 (processo administrativo nº 10855.205363/200555). Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 4 3 Cientificada desses débitos a pessoa jurídica interessada ingressou em 23/03/2012, por intermédio de procurador regularmente constituído (instrumento de mandato de fls. 19/20), com a manifestação de inconformidade de fls. 02/03 alegando, em síntese, que parcelou todos os débitos. Junta documentos visando fazer prova de suas alegações e solicita o enquadramento no Simples Nacional." Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sustentando que quitou todos os débitos regularmente, portanto faria jus à Opção pelo Simples. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De início, a própria Recorrente admite que na época dos fatos não tinha condições financeiras para quitar todos os seus débitos, tendo tentado parcelar os valores, porém tal parcelamento foi recusado. Outrossim, a informação fiscal de fl. 95, escorada nos documentos de fls. 38 a 94, corroboram a circunstância de que a Contribuinte não havia parcelado todos os seus débitos dentro do prazo para a opção. Ora, diante desta singela constatação, resta evidente que os débitos apontados pela decisão de piso não se encontravam quitados, tampouco com exigibilidade suspensa, na data final para a opção ao Simples no referido anocalendário. Por conseguinte, cai por terra toda a argumentação trazida pela Recorrente, não havendo que se falar em reforma do decisum. Assim, por economia processual, peço licença para adotar e transcrever os fundamentos já exarados na decisão de primeira instância: "(...) O litígio é decorrente do ato de indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2012 em virtude da existência de débitos que a interessada contesta, alegando que foram parcelados. Não assiste razão à manifestante. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 5 4 A Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece em seu artigo 17, inciso V, condição impeditiva para recolher tributos na sistemática do Simples Nacional a existência de débitos: Lei Complementar nº 123/2006 Das Vedações ao Ingresso no Simples Nacional Art.17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) (grifos acrescidos) Consoante o que dispõe a Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, tal impedimento era passível de regularização, desde que tal regularização se desse no mesmo prazo concedido para fazer a opção pelo Simples Nacional: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) §1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) §2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (...) (grifos acrescidos) No caso em exame, a ‘Informação Fiscal’ de fl. 95, elaborada pela Delegacia de jurisdição do contribuinte, esclarece com precisão o litígio presente nos autos apontando que alguns débitos relacionados no Termo de Indeferimento não foram devidamente regularizados conforme determina a legislação que rege o Simples Nacional: Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 6 5 O interessado alega que parcelou os débitos que impediram o ingresso no Regime Especial dentro do prazo de opção, todavia, foi verificado que o parcelamento noticiado na petição foi improfícuo (fls. 4194). Ocorre que o contribuinte apresentou pedido de “Parcelamento Simplificado” de contribuições previdenciárias, que não abrange os demais débitos débitos não previdenciários e débitos inscritos em DAU – elencados no “Termo de Indeferimento”. Cabe ressaltar que os débitos de natureza não previdenciária, notadamente Cofins e Simples Federal, em cobrança no processo administrativo nº 10855.450489/200400, assim como, os débitos de Simples Federal constantes do processo administrativo nº 18208.644414/200769, não estavam com exigibilidade suspensa à data de opção pelo Regime Especial, sendo, posteriormente, inscritos em DAU. Frisese, ainda, o que processo administrativo nº 10855.205363/200555, em cobrança pela PGFN, foi objeto de “Pedido de Reparcelamento”, contudo este foi solicitado em 09/02/2012, após o prazo para regularização das pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional. De fato, analisando as telas anexadas aos autos às fls. 42 a 48 pela autoridade preparadora constatase que na data da consulta em 17/04/2012, portanto após a data limite de 31/01/2012 permitida pela legislação do Simples Nacional para o contribuinte regularizar as pendências que impediram a sua inclusão nessa sistemática de apuração, o débito previdenciário de nº 398230927 encontravase ainda como devedor na situação de “AGUARD. REG. APÓS EXPIRAÇÃO PRAZO LDCG”. Por sua vez pelas telas de fl. 55, de fls. 58 a 67 e de fls. 71 a 79 constatase que em 17/04/2012 os débitos não previdenciários a título de SIMPLES (código 6106) constantes dos processos administrativos de nº 10855.450489/200400 e de nº 18208.644414/200769 encontravamse inscritos na PGFN como devedores na situação de “ATIVA EM COBRANÇA”. Ademais, pelas telas de fls. 85 a 94 constatase que somente em 09/02/2012 a pessoa jurídica manifestante efetivamente requereu junto à PGFN o parcelamento do débito de SIMPLES inscrito em Dívida Ativa da União de nº 8040511757231 constante do processo administrativo nº 10855.205363/200555. Dessa forma, uma vez que efetivamente nem todos os débitos que motivaram o indeferimento da opção pelo Simples Nacional para o ano de 2012 foram regularizados pela pessoa jurídica interessada até a data limite permitida pela legislação, correto o indeferimento do seu pedido de inclusão nessa sistemática de apuração. (...)" Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10855.721158/201261 Acórdão n.º 1001000.574 S1C0T1 Fl. 7 6 Conforme apontando, havia débitos sem exigibilidade suspensa, ao final do prazo legal, que justificaram o Indeferimento da Opção pelo Simples. Desta forma, deve ser confirmado o ato praticado pela autoridade administrativa. Em face a todo o exposto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 127DF CARF MF
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Numero do processo: 15540.720003/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
Créditos Básicos. Operações não Comprovadas. Documentação Fiscal Inidônea. Glosa.
É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação.
Intuito de Fraude. Multa Qualificada.
Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõe-se a qualificação da multa.
Numero da decisão: 1301-003.229
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: Roberto Silva Junior
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006 Créditos Básicos. Operações não Comprovadas. Documentação Fiscal Inidônea. Glosa. É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação. Intuito de Fraude. Multa Qualificada. Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõe-se a qualificação da multa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 CRÉDITOS BÁSICOS. OPERAÇÕES NÃO COMPROVADAS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL INIDÔNEA. GLOSA. É cabível a glosa de créditos básicos de IPI quando o documento fiscal for inidôneo e não houver prova efetiva da operação. INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Demonstrado o dolo na apropriação de créditos básicos gerados de operações inexistentes e acobertados por documentação fiscal inidônea, impõese a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 03 /2 01 2- 75 Fl. 5340DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.341 2 Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de recurso interposto por IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0940.835, da 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora, que, negando provimento à impugnação da recorrente, manteve contra ela o lançamento que exigia crédito tributário no montante de R$ 909.683,33, relativo a IPI acrescido de multa e juros de mora. O fato foi assim descrito no auto de infração: O estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu ou recolheu a menor o imposto sobre produtos industrializados, por ter se utilizado de crédito básico indevido de notas fiscais inidôneas, e após intimado e reintimado para apresentar o seu Livro de Registro de Apuração de IPI a fim de verificar a apuração de saldo e eventual reconstituição da escrita, o contribuinte não o apresentou, sendo, portanto, efetuada a glosa dos valores constantes nas notas fiscais consideradas inidôneas, conforme descrito e demonstrado no Relatório Fiscal, anexo, e parte integrante deste auto. (fl. 2.647) Consta do Relatório Fiscal (fls. 2.649 a 2.662) que os trabalhos se iniciaram na empresa Metalan Indústria e Comércio de Metais Ltda. Constatou a Fiscalização que a empresa não tinha existência de fato. A DIPJ do ano base 2006 foi apresentada em branco. A Fiscalização constatou também que as duas pessoas que figuravam como sócias da Metalan já haviam falecido antes da constituição da sociedade empresária. Para registrar os atos constitutivos da sociedade e burlar órgãos públicos, houve falsificação de documento dos sócios. Posteriormente, os sócios foram substituídos por outras pessoas, sem capacidade econômica para ingressar no quadro societário da empresa. O relatório dá notícia de que a maioria das notas fiscais emitidas pela Metalan tinha como destinatária a recorrente, que teria sido a principal beneficiária do esquema fraudulento. Eis os termos do relatório fiscal: 10. Verificouse que praticamente todas as notas fiscais de emissão da empresa METALAN tiveram como beneficiárias as empresas do irmão do Sr. Lindoro, quais sejam: IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763.623/000295) e INDÚSTRIA DE CABOS ELÉTRICOS PAULISTA LTDA. (CNPJ 69.232.163/000104); 11. Desta forma, foram solicitados, inicialmente, abertura de RPF vinculados à ação fiscal principal, a fim de viabilizar as diligências necessárias nas empresas beneficiárias das notas fiscais, sendo que, apesar de várias oportunidades em intimações e reintimações, as empresas não comprovaram a efetividade das Fl. 5341DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.342 3 operações, a idoneidade das mesmas, nem tampouco o recebimento e a utilização das supostas mercadorias constantes nas notas fiscais, limitandose a acusar a fiscalização de fazer as mesmas solicitações, e tentando desviarse das intimações através de alegações vazias e sem fundamentos, inclusive entregando os livros LALUR e Registro de Apuração de IPI somente em 13/12/2011. Além disso, não atendeu a intimação para apresentar a Relação de Bens e Direitos para confecção do arrolamento. Não obstante isso, as notas fiscais foram utilizadas como custos, reduzindo significativamente e de forma fraudulenta os tributos devidos naquelas empresas, já que estas foram tributadas na modalidade de Lucro REAL, com aproveitamento indevido das notas fiscais de favor, objetivo primordial da empresa METALAN, como veremos adiante; 12. O somatório das notas fiscais emitidas pela METALAN e utilizadas para reduzir indevidamente o lucro real, bem como as compensações indevidas do IPI na empresa IPCE (CNPJ 03.763.623/000104 e 03.763/000295), utilizando o regime de competência, apenas durante os anoscalendário de 2006 e 2007, somaram respectivamente R$ 11.357.846.60 e R$ 13.496.825,40, conforme pode ser visualizado nos quadros abaixo: (fl. 2.653) (...) 13. Após a regular quebra do sigilo bancário da empresa METALAN, verificamos em seus extratos de contascorrentes que a maioria dos valores nelas creditados referiamse a transferências através de TED efetuadas pela IPCE ou depósitos efetuados por factorings. Estranhounos, no entanto, o fato de a quase totalidade dos cheques emitidos pela METALAN serem de compensação nacional, ou seja, foram compensados em outros estados, em sua maioria, no Estado de São Paulo; (fl. 2.657) (...) 16. Analisando, ainda, as cópias dos cheques de emissão da METALAN, podemos observar que no verso de grande parte deles consta a informação do Banco de confirmação de sua emissão junto ao Sr. LINDORO, irmão do Sr. ADHEMAR CAMARDELLA, dono da IPCE. Verificase, também, em muitos deles, a inscrição "IPCE", à caneta, no verso, não obstante terem como favorecidos diversas outras empresas. Tudo leva a crer que os pagamentos efetuados pela METALAN, em sua maioria, eram por conta e ordem da IPCE, que, por sua vez efetuava pagamentos sem causa através de transferências para as contas da METALAN ou de terceiros, acobertados pela emissão de notas fiscais fraudulentas desta empresa tendo a IPCE como beneficiária; 17. As quantidades das mercadorias e os respectivos valores constantes das notas fiscais de vendas de emissão da METALAN em favor da IPCE são totalmente incompatíveis com as mercadorias e os valores de compras constantes nas notas fiscais de entrada da METALAN. Além disso, não há nenhuma comprovação do transporte, recebimento, entrada no estoque ou utilização na produção pela IPCE das mercadorias constantes nas notas fiscais oriundas da METALAN; 18. A IPCE, por diversas vezes intimada e reintimada a comprovar a efetividade das operações com a METALAN, limitouse a fornecer as cópias das notas fiscais e dos pagamentos efetuados, sendo a maioria destes pagamentos através de depósitos realizados diretamente em contas de terceiros. Em nenhum momento logrou comprovar o efetivo transporte, recebimento ou a utilização dos materiais constantes das notas fiscais da METALAN, e nem haveria como comprovar, já que a METALAN era constituída somente no papel, inicialmente com dois sócios Fl. 5342DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.343 4 falecidos, e posteriormente sendo um deles substituído por um "laranja", o qual também foi substituído por outro "laranja"; (fl. 2.659) (...) 21. De tudo que se apurou no decorrer da fiscalização na empresa METALAN, nas diligências realizadas, não apenas na IPCE, mas também em outras empresas que receberam cheques de emissão da METALAN, além das diversas declarações de dois dos sócios de direito e da contadora da empresa, até o presente momento, nos permite concluir que a empresa METALAN não exercia atividades econômicas de fato, tendo sido formalizada apenas para subsidiar a emissão de "notas fiscais de favor", não dispondo de patrimônio nem capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive não havendo nenhum indício de que o capital social fora integralizado, já que até os 2 únicos sócios que faziam parte do quadro social da empresa já estavam mortos na época da constituição da mesma; 22. Não restam dúvidas de que a empresa METALAN INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA., foi constituída apenas no papel, e ainda assim, de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (falsificação de documentos públicos e privados, falsidade ideológica, falsificação de assinaturas, sonegação fiscal, conluio, simulação de atos, etc), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes; 23. Fica evidente, a essa altura, que os principais beneficiários de toda a trama urdida através da realização de diversas práticas dolosas, foram os responsáveis pela empresa IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA.; (fl. 2.661) Contra o lançamento foi apresentada impugnação, à qual a DRJ JFA negou provimento em decisão assim resumida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006. 2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Cumpridos os requisitos previstos no Decreto n° 70.235/1972 para a lavratura do auto de infração e observados os procedimentos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, não há que se falar em nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006. 2007 CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO. GLOSA DE CUSTOS DE COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. Comprovado que a contribuinte escriturou custos lastreados em notas fiscais emitidas por sociedade empresária, cuja inscrição no CNPJ foi declarada nula por constatação de vício no ato cadastral, mantémse o lançamento, inclusive em razão da não apresentação de prova documental, ônus da contribuinte, que pudesse ilidilo, ou elidilo. MULTA QUALIFICADA Fl. 5343DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.344 5 No caso de evidente intuito de fraude, simulação ou conluio, aplicase multa de 150% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não resignada com a decisão, IPCE FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA. interpôs recurso. Alegou que a empresa Metalan tinha sido cadastrada como fornecedora da recorrente e, nessa oportunidade, Metalan preenchera todos os requisitos, apresentando a documentação necessária para o cadastramento. A documentação não suscitava qualquer dúvida quanto à idoneidade da empresa. A recorrente ressaltou que não tinha poderes para verificar a situação da Metalan perante o Fisco ou qualquer outro órgão público. Além disso, só dispunha de documentos da Metalan do ano de 2006. Os problemas internos da fornecedora eram desconhecidos da recorrente, que não poderia duvidar da existência da Metalan no local indicado nos documentos, tendo em vista a inscrição na Receita Federal, na Secretaria de Fazenda do Estado do Rio de Janeiro e no Município. Disse, por outro lado, ser mera presunção a assertiva de que a maioria das notas fiscais da Metalan foi destinada à recorrente. Quanto aos elevados valores consignados das notas fiscais, assegurou que as mercadorias eram cotadas em moeda americana, de acordo com o mercado internacional. Por outro lado, negou a recorrente que tenha deixado de atender a qualquer intimação do Fisco. Assim, só não foram apresentados os documentos que haviam sido furtados. Quanto à infração, disse que, ao contrário do que alega a autoridade fiscal, em momento algum houve creditamento indevido de IPI, apurado com base em notas fiscais inidôneas. O trabalho da Fiscalização baseouse em meras suposições e indícios. Ademais, o Fisco só concluiu pela suposta inidoneidade da empresa Metalan em 28/11/2011, quando publicado o Ato Declaratório Executivo n° 100/2011, declarando nula a inscrição no CNPJ, por vício no ato de cadastramento. Em 2006 e 2007, quando a recorrente realizou operações comerciais com Metalan, ela estava com situação ativa e habilitada no CNPJ e no Sintegra respectivamente, não gerando dúvida acerca de sua existência. Somente em 22/07/2008 a Metalan foi baixada. A declaração de inidoneidade de uma empresa só produz efeitos após a sua publicação. Insiste a recorrente em que as operações comerciais efetivamente teriam ocorrido. O Fisco, por sua vez, não logrou provar a inexistência das transações entre a recorrente e Metalan. Os documentos fiscais comprovam a entrada de mercadorias no estabelecimento da recorrente, oriunda de empresa com existência real e inscrita na repartição fiscal competente, na data da operação. O que impediria o crédito de IPI é a inexistência das operações. No que se refere à não localização da empresa vendedora, o fato não descaracteriza sua personalidade jurídica, pois estava legalmente inscrita na Junta Comercial. Fl. 5344DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.345 6 Assim, se a empresa vendedora utiliza documento fiscal de que conste endereço incorreto, isso não pode prejudicar a empresa compradora. Por último, falou do não cabimento da multa de 150%, em face da ausência de máfé, além de ressaltar que havia atendido a todas as intimações recebidas. No mais, essa multa seria inconstitucional. Com esses fundamentos, pugnou pela improcedência da autuação. Os autos foram remetidos à 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que, pelo Acórdão nº 3403003.532 (fls. 5.333 a 5.337), declinou da competência em favor da 1ª Seção, alegando vínculo com o auto de infração de IRPJ, do qual o presente processo seria reflexo, em razão da identidade dos fundamentos, a saber, a emissão de notas fiscais inidôneas. Esse fato estaria na origem de ambas as autuações. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade. Glosa de créditos básicos de IPI A glosa de créditos básicos de IPI foi motivada pela falta de comprovação das operações que deram origem aos créditos. Os documentos fiscais relativos a tais operações apresentavam fortes indícios de inidoneidade, tendo em vista a inexistência de fato da empresa. A recorrente foi intimada reiteradas vezes a demonstrar a efetiva ocorrência das operações que deram ensejo ao crédito de IPI. Todavia não demonstrou a existência das operações, como também não comprovou o ingresso das mercadorias em seu estabelecimento. As notas fiscais supostamente emitidas pela Metalan para a recorrente não identificam o transportador, nem o veículo em que as mercadorias foram transportadas. Não se vê, no corpo das notas fiscais, qualquer carimbo dos postos de fiscalização de ICMS existentes ao longo do trajeto. Além do mais, não foram apresentados os respectivos conhecimentos de transporte de carga, a fim de comprovar a remessa das mercadorias da Metalan, no Rio de Janeiro, para a recorrente em São Paulo. Fl. 5345DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.346 7 O Relatório Fiscal, por outro lado, aponta a existência de vínculo de parentesco entre a pessoa que criou a Metalan e o sócio da recorrente (colaterais em segundo grau). A par desse fato, a Fiscalização ainda constatou expressiva movimentação financeira envolvendo a recorrente e Metalan, empresa aparentemente de fachada. A glosa dos créditos, portanto, é cabível. Observese que, examinando o processo nº 15540.720002/201221, que tem por objeto o IRPJ, mas que recai sobre a mesma matéria fática, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF, no Acórdão nº 1101001.041, chegou à idêntica conclusão quanto aos fatos. Do voto condutor da decisão, da lavra dam Conselheira Edeli Pereira Bessa, podese extrair o seguinte trecho: A glosa de custos, diante deste contexto, é inteiramente procedente, inclusive no que tange à aplicação da multa qualificada, porque a autuada não logrou desconstituir o robusto conjunto de indícios que somente autorizam a conclusão de que METALAN foi constituída formalmente por LINDORO, sem nunca ter exercido atividades econômicas de fato, prestandose apenas à emissão de “notas fiscais de favor”, destinadas principalmente a empresa de propriedade de seu irmão, aqui autuada. Como dito pela Fiscalização, METALAN foi constituída de forma fraudulenta, utilizandose os seus mentores de vários artifícios dolosos (...), com o intuito de sonegar impostos e fraudar o fisco, deixando de recolher ou reduzindo os tributos devidos, quer pelo não pagamento dos tributos destacados, quer através da redução dos valores a serem pagos utilizandose de custos e compensações que sabia indevidas, ou até mesmo gerando eventuais restituições inexistentes. Ainda, porque tais custos foram vinculados a pagamentos que teriam beneficiado METALAN, sua inexistência de fato impõe, necessariamente, a conclusão de que os pagamentos restaram sem causa. Em conseqüência, os pagamentos promovidos pela autuada acabaram por beneficiar terceiros injustificadamente, o que impede o Fisco de verificar se tais valores foram submetidos a regular tributação por seus beneficiários. Daí a correta exigência do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981/95, e a conseqüente imputação de multa qualificada em razão da utilização de notas fiscais emitidas fraudulentamente pela METALAN para ocultar seus reais beneficiários e causa. Por fim, para que todas as alegações de defesa sejam consideradas, cumpre consignar que: A habilitação do fornecedor junto ao SINTEGRA, sua inscrição no CNPJ e na Fazenda Estadual a suposição de que foi feita diligência no local do estabelecimento pela Fazenda Estadual e o registro de autorização de impressão de documentos fiscais no rodapé das notas fiscais emitidas nada provam em favor da interessada, na medida em que a Fiscalização, dentre outros aspectos, demonstra que a inscrição estadual de METALAN foi desativada de ofício com efeitos retroativos; O fato de a autuada adotar procedimentos para cadastramento de fornecedores em nada lhe favorece se demonstrada a falsidade na formalização dos atos constitutivos e contrato de locação de METALAN e se os mencionados compromissos assumidos pelos fornecedores não são documentalmente provados; Irrelevante a data em que a autoridade fiscal diligenciou no estabelecimento de METALAN, se as constatações produzidas não são refutadas mediante demonstração de efetivos contatos entre a autuada e o fornecedor, que lhe permitiriam acreditar que o fornecedor existia de fato; Fl. 5346DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.347 8 A ausência de registro de empregados por METALAN é indício que opera, juntamente com as demais evidências, em favor de sua inexistência de fato, e a possibilidade de declarações daquela empresa não terem sido processadas, ou o fato de ela ter promovido recolhimentos de contribuições previdenciárias, são aspectos insuficientes para invalidar o conjunto probatório reunido pela Fiscalização, mormente se a adquirente não evidencia ter mantido contato com qualquer pessoa que prestasse serviços para METALAN, se inexiste qualquer registro neste sentido no transporte das mercadorias correspondentes aos custos glosados, e se uma das interpostas pessoas que figuraram no quadro social de METALAN informa que foram feitos recolhimentos previdenciários em seu favor por aquela pessoa jurídica; A apresentação de DIPJ sem movimento é fato que não pode ser dissociado das declarações prestadas pela contadora Kelly Malaquias da Silva, que vinculam LINDORO, irmão do sócio da autuada, à produção das formalidades que resultaram na constituição e manutenção da METALAN para emissão das notas fiscais que ensejaram os custos glosados; O fato de as irregularidades na constituição de METALAN terem se verificado antes dos fornecimentos que ensejaram os custos glosados não é suficiente para desmerecer os indícios reunidos pela Fiscalização, na medida em que subsiste o vínculo destas irregularidades com o irmão do sócio da autuada, bem como a ausência de qualquer demonstração acerca da normalidade das contratações feitas pela autuada com tal fornecedor; Subsistem as declarações de que METALAN seria uma empresa de fachada, na medida em que são meras alegações as afirmações da recorrente de que constatou, na época das transações por intermédio do seu antigo comprador que sempre vistoriou os produtos adquiridos no local do estabelecimento seja da Metalan ou de qualquer outro fornecedor para evitar dúvidas sobre os produtos. Nenhuma prova neste sentido, ou em favor do efetivo ingresso das mercadorias no estabelecimento da autuada, foi por ela produzida; Inexiste qualquer demonstração de que a contribuinte teria sido submetida a auditorias semestrais pelo INMETRO, ou confirmação de que ela estaria efetuando corretamente os procedimentos constantes de sua certificação. Os problemas de relacionamento entre LINDORO e seu irmão, sócio da autuada, são meras alegações, e as referências às questões familiares de LINDORO são irrelevantes para o litígio. Quanto à semelhança entre depoimentos colhidos das pessoas que figuraram como interpostas pessoas no quadro social de METALAN, mais do que aparentar algo orquestrado pela Fiscalização, evidencia que LINDORO procedeu de forma semelhante em relação a duas pessoas de seu círculo de relacionamentos, para fazer figurar naquela pessoa jurídica ao menos uma pessoa viva, que pudesse assinar documentos e cheques sem a recorrente falsidade verificada nos procedimentos de constituição e alteração do contrato social de METALAN; O despacho produzido por agente fiscal da Inspetoria da Fazenda Estadual em São Gonçalo/RJ não se presta a contradizer as irregularidades apontadas no depoimento de Eloy José Ramos de Barros, na medida em que não é declarada diligência no estabelecimento de METALAN, mas apenas a realização de procedimento fiscal indeterminado que autorizaria a baixa de METALAN sem prejuízo de documentos antes emitido, a qual não se confirmou, verificandose o cancelamento da inscrição estadual com efeitos retroativos, como demonstrado pela Fiscalização; Fl. 5347DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.348 9 As dúvidas de Eloy José Ramos de Barros acerca dos remetentes de correspondências a LINDORO, e a assinatura de cheques em branco são justificáveis em razão do tempo decorrido e de sua função de caseiro. De outro lado, considerando o tempo que esta pessoa trabalhou para LINDORO, não se pode negar valor às referências por ele feitas à autuada e à intermediação, por terceiros, para movimentação formal dos documentos vinculados à IPCE, mormente tendo em conta que esta nada prova acerca da efetividade das operações questionadas; Irrelevantes, para a presente exigência, os questionamentos acerca de temas periféricos, como a visita de Eloy José Ramos de Barros a São Paulo, os serviços prestados por este no ano da morte de LINDORO, ou o real proprietário da casa em Búzios/RJ. O mesmo se diga acerca de cobranças feitas por José Nonato Lima ao sócio da autuada em razão de serviços prestados a LINDORO e de despesas deste, anteriores à sua morte; A autoridade fiscal demonstra que a quase totalidade das notas fiscais emitidas por METALAN beneficiaram a autuada, reforçando os indícios de que ela foi constituída com esta finalidade. A existência de pequena parcela de notas fiscais em favor de outros beneficiários não desqualifica o procedimento fiscal consistente na demonstração da inexistência de fato do fornecedor: A falta de apresentação de documentos e esclarecimentos exigidos pela Fiscalização está evidenciada no relato das intimações e das respostas apresentadas pela autuada, assim como está demonstrada a inconsistência da alegação de que os documentos não apresentados poderiam estar em veículo furtado. Recordese, ainda, que a recorrente observa que o veículo foi recuperado, com vidros abertos, e os documentos, embora molhados, lhe teriam sido restituídos; Dificuldades financeiras e mudança de estabelecimento não são justificativas válidas para afastar o dever de guarda da escrituração e da documentação de suporte de seus registros fiscais e contábeis, expresso no art. 264 do RIR/99, como bem observado na decisão recorrida, inclusive no que tange ás obrigações impostas aos sujeitos passivos em caso de extravio, deterioração ou destruição de livros e documentos: A forma de pagamento adotada pela contribuinte, com alegado recurso a factoring, em nada lhe favorece, porque tais circunstâncias, associadas às evidências de inexistência de fato do fornecedor, confirmam a inviabilidade de se identificar os reais beneficiários dos pagamentos promovidos, justificando a exigência do IRRF como aqui formulado; A intervenção de LINDORO em cheques emitidos por METALAN é apenas mais um indício que reforça a convicção extraída das demais evidências de que ele constituiu formalmente a METALAN apenas para emissão de notas fiscais em favor da autuada, ensejando o aumento de seus custos. Assim, nada provam as suposições erigidas pela recorrente no sentido de tentar associar esta atuação de LINDORO a outras operações; Justificar o pagamento fracionado das notas fiscais a partir do alto valor das aquisições e do volume de mercadorias adquiridas é contraditório com as alegações da recorrente no sentido de que as mercadorias seriam visadas para roubo, pois em tais circunstâncias o fornecedor não concederia prazos alargados para pagamento. Em verdade, a divisão em várias parcelas do valor devido, e a inexistência de qualquer evidência de movimentação física dos produtos, corroboram a conclusão de que as compras efetivamente não existiram e os pagamentos destinaramse a outros fins, inclusive de forma pulverizada; Fl. 5348DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.349 10 Irrelevantes as inferências acerca da conduta pessoal de LINDORO e da possibilidade de ele ter tentado ajudar as pessoas da METALAN, uma vez demonstrado que seus sócios originais eram falecidos e que as interpostas pessoas colocadas ao lado destes no quadro social eram pessoas que prestavam serviços como taxista e caseiro de LINDORO, que desconheciam qualquer atividade da METALAN; Irrelevantes as contestações contra declarações de Kelly Malaquias da Silva, na medida em que confirmadas as referências ao cancelamento da inscrição estadual da METALAN com efeitos retroativos ao seu cadastramento; As certidões forenses cíveis e criminais obtidas pela autuada em 2011 nada provam contra as evidências de inexistência de fato da METALAN, constatada naquele mesmo ano pela Fiscalização; As referências à intervenção de pessoa de nome Reinaldo nas operações entre METALAN e a autuada constam apenas de declaração colhida pela Fiscalização, sem maior especificidade, e pouco representam nas conclusões fiscais, de modo que são irrelevantes as negativas apresentadas pela recorrente acerca dos fatos a ela vinculados; A ausência de bens ou de outras posses por parte de LINDORO no momento de sua morte não afasta as constatações fiscais acerca de sua intervenção nas fraudes aqui evidenciadas; A retirada do sócio da autuada do quadro social da Indústria de Cabos Elétricos Paulista Ltda. em 2004 em nada altera as constatações acerca das operações entre METALAN e a autuada em 2006 e 2007; A existência de outro procedimento fiscal realizado pela DRF/Guarulhos, do qual poderia ter resultado exigência de IPI em duplicidade, em nada afeta a exigência objeto do presente processo administrativo, a qual não veicula créditos tributários de IPI; A baixa de METALAN em 2008 não autoriza a presunção de que todas as suas operações teriam sido conferidas pela Receita Federal, mormente tendo em conta o ato declaratório de cancelamento de seu CNPJ emitido no curso do procedimento fiscal, mas com efeitos desde a sua inscrição. Por sua vez, os efeitos do REsp n° 1.148.444/MG, bem como o art. 82, parágrafo único da Lei n° 9.430/96, restringemse aos adquirentes de boafé, quais sejam, aqueles que demonstram a veracidade da compra e venda efetuada, o que não logrou fazer a autuada; Os registros no Livro Razão, dissociados dos documentos que lhes dão suporte, são insuficientes para demonstrar o efetivo ingresso das mercadorias e sua aplicação no processo produtivo, mormente tratandose de uma indústria sujeita a controle de custos e exigências decorrentes da alegada certificação de qualidade que teria de observar; A acusação fiscal não se limita a declarar a inexistência do fornecedor em seu estabelecimento, ou a demonstrar declaração falsa de estabelecimento de origem, mas sim evidencia robusto conjunto de indícios em favor da falsidade na constituição formal do fornecedor, e da sua inexistência física, bem como do trânsito das mercadorias que teriam ensejado os custos glosados nestes autos; Não houve precipitação por parte da autoridade fiscal, mas sim inércia da contribuinte quando intimada a comprovar os elementos que, agora, aventa como Fl. 5349DF CARF MF Processo nº 15540.720003/201275 Acórdão n.º 1301003.229 S1C3T1 Fl. 5.350 11 necessários para fins de um levantamento fiscal específico de suas variações de estoque. Esta omissão, associada às demais evidências de inexistência do fornecedor das mercadorias, é suficiente para autorizar a glosa dos custos, a exigência do IRRF e a qualificação da penalidade. Em suma, se as notas fiscais não se prestam a comprovar as deduções para fins de IRPJ e CSLL, tampouco servem para dar respaldo à apropriação de créditos básicos de IPI. Portanto, deve ser mantida a autuação. Multa qualificada Aplicase multa qualificada quando ficar caracterizada a intenção de fraudar o Fisco. No caso concreto, o dolo está presente na utilização de créditos básicos de IPI fundados em documentação fiscal inidônea, emitida por entidade empresarial que não tinha existência de fato. Quanto à alegação de inconstitucionalidade da multa, tratase de matéria cuja apreciação foge à competência do CARF (Súmula CARF nº 2). Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 5350DF CARF MF
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