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Numero do processo: 10880.914769/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 76 9/ 20 08 -6 8 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.914769/200868 Resolução nº 3401001.526 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.914769/200868 Resolução nº 3401001.526 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.914769/200868 Resolução nº 3401001.526 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.914769/200868 Resolução nº 3401001.526 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.914769/200868 Resolução nº 3401001.526 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.914769/200868 Resolução nº 3401001.526 S3C4T1 Fl. 126 7 existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721209/2015-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/11/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Tendo sido caracterizada omissão no acórdão embargado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração.
RECURSO ADMISSÍVEL. NÃO CONHECIMENTO. ACÓRDÃO EMBARGADO. SANEAMENTO.
Em saneamento à omissão apontada, o recurso que atende aos requisitos de admissibilidade deve ser conhecido no julgamento dos embargos de declaração quando não o foi no Acórdão embargado.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. ARTS. 94 E 95 DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
Em matéria de infrações administrativas no âmbito aduaneiro, a pessoa física ou jurídica pode ser punida como agente direto da infração, que praticou a ação ilícita ou incorreu na omissão ilícita, ou como responsável pela infração, nos termos dos arts. 94 e 95 do Decreto-lei nº 37/66.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO. DOCUMENTOS ORIGINAIS. NÃO APRESENTAÇÃO. MULTA. INCIDÊNCIA.
O art. 70, II, "b", "1" da Lei nº 10.833/2003 tipifica as condutas infracionais de descumprimento do dever de guarda e de apresentação à fiscalização dos documentos originais de instrução obrigatória da Declaração de Importação, sendo que a apresentação de cópias desses documentos não supre a exigência legal.
Não há que se falar em ausência de finalidade, razoabilidade ou proporcionalidade diante da verificação, in concreto, do cometimento de infração tipificada em lei, à qual o agente administrativo está vinculado.
Embargos acolhidos parcialmente
Crédito Tributário mantido
Numero da decisão: 3402-005.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração, acolhendo-os parcialmente, para suprir as omissões apontadas. No mérito, para integrar as razões exaradas no acórdão embargado da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI - EPP quanto às alegações contidas nos seus itens 2.5 e 2.7; (ii) por maioria de votos, para conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil. Vencidos os conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos que davam provimento neste item.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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OMISSÃO. Tendo sido caracterizada omissão no acórdão embargado, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração. RECURSO ADMISSÍVEL. NÃO CONHECIMENTO. ACÓRDÃO EMBARGADO. SANEAMENTO. Em saneamento à omissão apontada, o recurso que atende aos requisitos de admissibilidade deve ser conhecido no julgamento dos embargos de declaração quando não o foi no Acórdão embargado. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. ARTS. 94 E 95 DO DECRETOLEI Nº 37/66. Em matéria de infrações administrativas no âmbito aduaneiro, a pessoa física ou jurídica pode ser punida como agente direto da infração, que praticou a ação ilícita ou incorreu na omissão ilícita, ou como responsável pela infração, nos termos dos arts. 94 e 95 do Decretolei nº 37/66. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INSTRUÇÃO. DOCUMENTOS ORIGINAIS. NÃO APRESENTAÇÃO. MULTA. INCIDÊNCIA. O art. 70, II, "b", "1" da Lei nº 10.833/2003 tipifica as condutas infracionais de descumprimento do dever de guarda e de apresentação à fiscalização dos documentos originais de instrução obrigatória da Declaração de Importação, sendo que a apresentação de cópias desses documentos não supre a exigência legal. Não há que se falar em ausência de finalidade, razoabilidade ou proporcionalidade diante da verificação, in concreto, do cometimento de infração tipificada em lei, à qual o agente administrativo está vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 12 09 /2 01 5- 25 Fl. 2592DF CARF MF 2 Embargos acolhidos parcialmente Crédito Tributário mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer os Embargos de Declaração, acolhendoos parcialmente, para suprir as omissões apontadas. No mérito, para integrar as razões exaradas no acórdão embargado da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado pela SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP quanto às alegações contidas nos seus itens 2.5 e 2.7; (ii) por maioria de votos, para conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil. Vencidos os conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos que davam provimento neste item. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado em substituição a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz). Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos conjuntamente pela SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP e por JULIANO VANHONI SIL em 09/10/2017 em face do Acórdão nº 3402004.347 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 29 de agosto de 2017, do qual foram formalmente cientificados, respectivamente, em 9 e 2 de outubro de 2017. Sustentam os embargantes que teria ocorrido omissão no Acórdão embargado sob os seguintes pontos: a) Deixou de apreciar esta Turma a integralidade do Recurso Voluntário tempestivamente apresentado pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil, em 26/04/2016 (comprovante anexo), juntado aos autos com a denominação “Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável – Peticao”, à fl. 2531. Assim, entendese que esta Turma incorreu em omissão, mais especificamente, quanto aos seguintes pontos, suscitados de forma exclusiva pelo então Recorrente Juliano: (a.1) Nulidade do Acórdão por incompetência da DRJ/SPO; e (a.2) Nulidade do AI originário em relação ao Recorrente, em razão de sua ilegitimidade, que foi tratada (e afastada pelo voto vencedor) apenas como matéria de ofício, sem se atentar aos argumentos de defesa propriamente arrazoados. b) Outrossim, quanto ao Recurso Voluntário apresentado pela empresa Spread, entendese ter havido omissão quanto (b.1) às questões de fato que demonstram a regularidade da operação de importação e não configuração do tipo infracional; (b.2) Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10909.721209/201525 Acórdão n.º 3402005.792 S3C4T2 Fl. 2.593 3 à ilegalidade da multa substitutiva da pena de perdimento, sem tentativa de localização das mercadorias; e (b.3) à apresentação das cópias dos documentos relacionados à DI n. 11/21869612, que impedem a aplicação da multa de 5%, sob o aspecto da proporcionalidade e finalidade. Os embargos foram admitidos pelo então Presidente deste Colegiado, nos seguintes termos: O voto vencedor, a seu turno, negou conhecimento às alegações tendentes à excluir do pólo passivo os responsáveis que não formularam recurso voluntário. Todavia, o Termo de Solicitação de Juntada de fls. 2.529 dá conta de que, em data de 26/04/2016, Juliano Vanhoni Sil formulou recurso voluntário contra o Acórdão embargado (cfe. Termo de Anexação de Arquivo Nãopaginável, fls. 2.530). A decisão embargada, no entanto, aparentemente sobre ele não se manifestou. A omissão reclama colmatação, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Os embargantes ainda reclamam de que a decisão embargada não teria abordado as questões de fato que demonstrariam a regularidade da operação de importação e a não configuração do tipo infracional; a argüição de ilegalidade da multa substitutiva da pena de perdimento. sem tentativa de localização das mercadorias, e; a apresentação das cópias dos documentos relacionados à Dl n° 11/21869612, que impediriam a aplicação da multa de 5%, sob o aspecto da proporcionalidade e da finalidade. (...) O resultado do julgamento, já transcrito neste Despacho, dá conta de que o voto do relator foi integralmente vencido. O voto vencedor, no entanto, centrouse no que concerne ao cabimento da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro (itens 4, 5 6 e 7 do recurso voluntário de Spread) e à impossibilidade de exclusão das responsabilidades tributárias e aduaneiras, reconhecida de ofício pelo voto vencido, sem se deter sobre os pontos tidos como omitidos pelos embargantes. O voto vencedor lacunoso merece ser complementado. Os autos retornaram a esta Conselheira na condição de Redatora designada do Acórdão embargado. Tendo sido intimada para manifestação em face dos embargos interpostos pela contribuinte, a Fazenda Nacional declarouse ciente do despacho de admissibilidade dos embargos e pugnou pela sua rejeição. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – Ricarf, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser opostos, mediante petição fundamentada, no prazo de 5 (cinco) dias contados da ciência do acórdão. Fl. 2594DF CARF MF 4 Os embargos atendem aos requisitos de admissibilidade e foram admitidos pelo então Presidente deste Colegiado, razão pela qual deles se toma conhecimento. Quanto ao recurso voluntário apresentado pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil, observase que, de fato, não houve menção a ele no Acórdão embargado, conforme demonstram os seus trechos abaixo: 8. Diante deste quadro, apenas as empresas New Nobreza e Spread apresentaram, respectivamente, os recursos voluntários de fls. 2.491/2.495 e fls. 2.508/2.527. 9. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 10. Os Recursos Voluntários interpostos preenchem os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Consta nas fls. 2529/2532, o recurso interposto pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil em 26/04/2016, na forma de "Arquivo nãopaginável", e por isso, provavelmente, não pode ser visualizado pelo Colegiado. Assim, em saneamento da omissão apontada, tomase conhecimento do recurso voluntário apresentado tempestivamente pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil, que havia sido cientificado do Acórdão da DRJ em 28/03/2016, para que a sua análise integre o Acórdão embargado. Sustentou o recorrente Sr. Juliano Vanhoni Sil a nulidade do Acórdão da DRJ/SPO por incompetência do órgão prolator e não enfrentamento das questões levantadas na impugnação, bem como a nulidade do auto de infração em face de ilegitimidade passiva do recorrente. Sobre a verificação da legitimidade passiva do recorrente Sr. Juliano Vanhoni Sil houve os seguintes pronunciamentos no Acórdão embargado: (...) Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Ribeiro (Relator), Thais De Laurentiis, Maysa Pittondo e Carlos Daniel Neto. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (...) VOTO VENCIDO (...) (iii.i) Das pessoas físicas imputadas como responsáveis 36. Antes, todavia, de seguir adiante na análise da questão da responsabilidade das pessoas físicas indicadas na presente autuação, mister se faz reiterar que se está diante de uma exigência aduaneira e não tributária, haja vista que a sanção aqui imposta é, exclusivamente, a aplicação de multa decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadoria importada mediante interposição fraudulenta. Nesse sentido, a exigência aqui tratada apresenta um regime jurídico próprio, i.e., aduaneiro, e não tributário. 37. Logo, em se tratando de responsabilidade para fins de exigência da sanção aqui tratada, o fundamento legal a ser invocado é o art. 95, inciso I do Decretolei n. 37/661. 1 " Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...)." Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10909.721209/201525 Acórdão n.º 3402005.792 S3C4T2 Fl. 2.594 5 38. Acontece que, ao se analisar os termos de sujeição passiva destinados às pessoas físicas, é possível observar que o fiscal fundamenta tal responsabilidade nos seguintes termos, v.g. (fl. 2.088): (...) A pessoa física ora cientificada era sóciaadministradora do contribuinte por ocasião dos fatos. Dita o art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66) que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei. No caso em questão, houve a constituição de crédito tributário decorrente de interposição fraudulenta, que somente se perfectibilizou mediante simulação, incluindo a inserção de informações falsas em documentos instrutivos do despacho. Tais condutas somente se realizaram mediante INTUITO DOLOSO por parte dos RESPONSÁVEIS PELAS PESSOAS JURÍDICAS INTERESSADAS, caracterizado pela consciência e vontade dos administradores de obter vantagens ilícitas por meio de infrações à legislação aduaneira. A condução de operações fraudulentas não decorrem da realização das atividades normais das sociedades previstas em seus estatutos. Os fatos que dão ensejo às atuações caraterizam infrações de lei, tanto que constituem hipóteses passíveis de aplicação de pena de perdimento, a qual, no presente caso, redundou na aplicação de multa, haja vista a impossibilidade de localização das mercadorias. Diante disso, face ao disposto no art. 135, caput e inciso III, do CTN, há responsabilidade pessoal pelo crédito tributário, no presente caso, por ter resultado de infração de lei, praticada por aqueles que detinham o efetivo comando, a administração da sociedade. Além disso, conforme art. 124, inciso I, do mesmo, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (...) (g.n.). 39. Percebese, pois, que o fiscal ignora essa distinção de regimes jurídicos e trata o presente caso como se tributário fosse, convocando, por conseguinte, para fins de responsabilização, os artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN. Ao assim fazer, a fiscalização incorre em notório erro de direito, exatamente como já discorrido no presente voto no tópico imediatamente anterior. 40. Em suma, a fiscalização apurou adequadamente o fato imputado aos responsáveis, mas o qualificou juridicamente de forma indevida, o que enseja o reconhecimento quanto a ilegitimidade passiva de todos os responsáveis solidários pessoas físicas. (...) 64. Ex positis, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto pela Recorrente no sentido de: (...) (ii) em relação às pessoas físicas responsabilizadas, reconhecer de ofício a ilegitimidade passiva de todas elas para a pena de perdimento convertida em multa, haja vista que a imputação de responsabilidade perpetrada em concreto incorreu em erro de tipo, já que a exigência aqui é exclusivamente aduaneira, mas ainda sim a responsabilidade foi pautada no disposto nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN, em vez de fundamentarse no prescrito no art. 95, inciso I do Decretolei n. 37/66; (...) VOTO VENCEDOR (...) No que concerne à exclusão de ofício da responsabilidade das pessoas físicas ou jurídicas revéis, proposta no Voto do Relator, entendo que este Colegiado carece de competência para fazêla. Fl. 2596DF CARF MF 6 A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é o julgamento de toda a matéria envolvida num processo administrativo fiscal, estando estritamente delimitada no art. 1º do Anexo I da Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, que aprovou o Regimento Interno do CARF, na seguinte forma: Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). [negritei] Nessa esteira, não cabe a este Colegiado apreciar matéria que não seja atinente a um recurso de ofício ou a um recurso voluntário. Mais especificamente, no presente caso, a responsabilidade de pessoas que não interpuseram recurso voluntário não está inserida na competência regimental das Turmas Ordinárias do CARF. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Como se observa acima, o Colegiado, por voto de qualidade, divergindo do voto do Conselheiro Relator, entendeu que não deveria ser analisada de ofício a legitimidade passiva das pessoas físicas que não tinham recorrido, dentre elas, a do ora embargante Sr. Juliano Vanhoni Sil. Ocorre que, como exposto neste Voto, esse responsável solidário, na verdade, não foi revel no âmbito do julgamento no CARF. Em matéria de infrações administrativas no âmbito aduaneiro, a pessoa física ou jurídica pode ser punida como agente direto da infração, que praticou a ação ilícita ou incorreu na omissão ilícita ou como "responsável" pela infração, em conformidade com o disposto nos arts. 94 e 95 do Decretolei nº 37/66, abaixo transcritos: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) No caso, no Relatório Fiscal, a responsabilização das pessoas físicas deuse como se vê abaixo: Nos termos do art. 95, incisos I, IV, V e IV, do Decretolei nº 37/6626, respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...) Por sua vez, o Código Tributário Nacional, sem seu art. 124, inciso I, dita que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. (...) Além disso, dita o art. 135 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66): Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10909.721209/201525 Acórdão n.º 3402005.792 S3C4T2 Fl. 2.595 7 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.(grifei) No caso presente, temos a constituição de créditos tributários decorrentes de interposição fraudulenta, que somente se perfectibilizou mediante simulação, incluindo a inserção de informações falsas, caracterizando falsidade ideológica, em documentos instrutivos do despacho. Por tal motivo, no curso do procedimento fiscal, a fim de obstaculizar a apuração dos fatos e a verificação da integridade dos documentos que representariam o negócio jurídico de compra e venda internacional, houve negativa de apresentação, inclusive, dos documentos originais instrutivos do despachos, os únicos que, segundo a importadora, teriam sido emitidos para formalizar o negócio. Tais condutas somente se realizaram mediante INTUITO DOLOSO por parte dos RESPONSÁVEIS PELAS PESSOAS JURÍDICAS INTERESSADAS, caracterizado pela consciência e vontade dos administradores de obter vantagens ilícitas por meio de infrações à legislação aduaneira. A condução de operações fraudulentas não decorre da realização das atividades normais das sociedades previstas em seus estatutos. Os fatos que dão ensejo às atuações caraterizam infrações de lei, tanto que constituem hipóteses passíveis de aplicação de pena de perdimento, a qual, no presente caso, redundou na aplicação de multa, haja vista a impossibilidade de localização das mercadorias. Diante disso, face ao disposto no art. 135, caput e inciso III, do CTN, há responsabilidade pessoal pelo crédito tributário, no presente caso, por ter resultado de infração de lei, praticada por aqueles que detinham o efetivo comando, a administração das empresas. Tratase de responsabilidade solidária, nos termos do já mencionado art. 124, inciso I. (...) Não se trata, portanto, de hipótese de aplicação do art. 137 do CTN, como alega o recorrente, que trata da responsabilidade por infrações tributárias, mas da aplicação do art. 95, I do Decretolei nº 37/66, específico para as infrações aduaneiras. Assim, a ilegitimidade passiva do recorrente Sr. Juliano Vanhoni Sil deve ser mantida, eis que eles exercia poder de gerência na contribuinte por ocasião dos fatos, tendo sido responsável pelas negociações comerciais efetivadas com infração à lei, sendo considerado, assim, responsável pela multa, nos termos do art. 95, I do Decretolei nº 37/66, complementado pelos arts 124, I e 135, III do CTN. Alega também esse recorrente a incompetência da DRJ de São Paulo para proferir a decisão de primeira instância, a qual se encontra vinculada a outra Região Fiscal, que não a do local do procedimento fiscalizatório ou do domicílio do contribuinte. A Portaria RFB 453/2013, publicada em 17/04/2013, instituiu o programa de Gestão Virtual do Acervo de Processos Administrativos Fiscais em contencioso administrativo de primeira instância, com o objetivo de centralizar em um único ambiente virtual os referidos processos, possibilitando uma melhor triagem e posterior distribuição otimizada para julgamento. Nessa esteira é que o presente processo foi encaminhado para a DRJRibeirão Preto, conforme determinado no art. 2º dessa Portaria, para triagem e depois distribuição otimizada, no caso, para a DRJSão Paulo. Fl. 2598DF CARF MF 8 Assim, não houve qualquer irregularidade na triagem, determinada por regra vigente na Receita Federal, e posterior julgamento pela DRJSão Paulo, que também tem competência material para o julgamento de processos relativos a tributos e multas no âmbito do comércio exterior. Também não prosperam as alegações do recorrente no sentido de que o Acórdão da DRJ teria deixado de apreciar argumentos por ele levantados na impugnação. No caso da responsabilidade do recorrente, a não desconsideração dos argumentos apresentados foi devidamente justificada pelo julgador a quo, nesses termos: O impugnante traz na impugnação extensos argumentos quanto à solidariedade passiva tributária, o interesse jurídico e aos efeitos da solidariedade tributária; Todavia, esses argumentos são impertinentes porque se prestam a lidar com crédito tributário oriundo de uma relação jurídica tributária, que tem por gênese a prática de um determinado fato gerador. Como visto, a multa equivalente ao valor aduaneiro, aqui exigida, decorre de uma infração aduaneira cujo cometimento implica na aplicação da pena de perdimento, consequentemente substituída pela multa em comento. Quanto ao excesso de prazo, também houve pronunciamento por parte do julgador a quo, embora não tenha sido da maneira desejada pelo recorrente, conforme já analisado pelo Conselheiro Relator do Acórdão embargado, em apreciação desses argumentos por parte de outros recorrentes. No que concerne às alegações de nulidade da autuação por ter se baseado em suposições e presunções é tratase de matéria de mérito, o qual foi também analisado pela DRJ. Tampouco houve omissão no acórdão da DRJ quanto à alegação de ausência de intimação específica para a DI nº 11/21869612, que foi nele devidamente justificada2. Assim, os presentes embargos devem ser acolhidos nessa parte para conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil. Passase agora à análise dos vícios apontados pelos embargantes no que se refere ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP. Inicialmente deve ser esclarecido que, ao contrário do que constou no despacho de admissibilidade, o voto do relator não foi "integralmente vencido", mas apenas parcialmente vencido, conforme se verifica nos trechos abaixo do Acórdão embargado: VOTO VENCEDOR Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora Designada Na sessão de julgamento ousei divergir parcialmente do Ilustre Conselheiro Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, razão pela qual apresento abaixo as razões do voto vencedor no que concerne ao cabimento da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro e à impossibilidade de exclusão das responsabilidades tributárias e aduaneiras. 2 Em decorrência da necessidade de desdobramento da ação fiscal, conforme referido na introdução, foi expedido o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) n° 09278002015 001851: · tendo por objeto específico a DI n° 11/21869612, de 18/11/2011. Em decorrência, foi enviado à SPREAD o Termo de Início respectivo, do qual a empresa foi cientificada em 07/05/2015. A importadora não foi intimada novamente a apresentar documentos e esclarecimentos haja vista já ter sido anteriormente intimada e reintimada, tendo contado com duas oportunidades para apresentar a documentação requerida e, portanto, pode promover a apresentação da documentação que julgou conveniente. Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10909.721209/201525 Acórdão n.º 3402005.792 S3C4T2 Fl. 2.596 9 No caso presente não há discordância entre os membros do Colegiado, que acompanharam o Conselheiro Relator nesta parte, quanto ao cometimento da infração de interposição fraudulenta. No entanto, não assiste razão à recorrente na tese, acatada pelo Relator, de que a sanção cabível seria a multa por cessão de nome, estabelecida pelo art. 33 da lei n. 11.488/07, ao invés da multa equivalente ao perdimento. (...) [negritei no julgamento dos presentes Embargos] Alegam os embargantes que o Colegiado não teria apreciado os seguintes itens do recurso voluntário apresentado pela SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP: 2.4. NULIDADE MATERIAL DO AI QUANTO À INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, FACE À REGULARIDADE DAS OPERAÇÕES E A NÃO CONFIGURAÇÃO DO TIPO INFRACIONAL (...) Pelo que foi acima exposto, é forçoso concluir pela necessidade de reforma de decisum, no tocante à inocorrência da infração de interposição fraudulenta, haja vista a regularidade da operação perpetrada pela recorrente, o não preenchimento do tipo infracional, face à obrigatória presunção da sua boafé e à impossibilidade de imposição da pena substitutiva do perdimento com base em meras suposições e indícios. Não devese olvidar que, nas infrações dolosas por natureza, como é o caso, o DOLO precisaria estar devidamente comprovado, através das ações cometidas pelos envolvidos, o que não ocorreu in casu, não satisfazendose, portanto, um elemento essencial do tipo. 2.5. ILEGALIDADE DA MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO SEM A TENTATIVA DE LOCALIZAÇÃO DAS MERCADORIAS A aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro, constante no AI, tem como premissa a não localização das mercadorias ou a prova de que as mesmas foram consumidas ou revendidas. Vejase: (...) No presente caso, então, o agente fazendário presumiu a ocorrência do fato, com propósito arrecadatório, o que merece censura, dada sua antijuridicidade. A penalidade deveria ter se ajustado à realidade fática, de conformidade com o tipo infracional. Porém, isso não ocorreu, em inobservância ao princípio da tipicidade fechada e às expressas disposições do DL nº 1.455/1976 (art. 23, § 3º) e do RA (art. 689, § 1º), acarretando à necessidade de reforma da decisão recorrida e reconhecimento da nulidade material do AI. (...) 2.7. MANIFESTA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM RELAÇÃO À MULTA DE 5%, COM BASE NOS PRINCÍPIOS DA FINALIDADE, DA PROPORCIONALIDADE E DO NON BIS IN IDEM (...) Na mesma linha de raciocínio, reputase desproporcional a penalidade de 5% pela mera formalidade, se não houve qualquer prejuízo material, tampouco qualquer óbice à fiscalização, e ainda mais porque já imposta a multa de 100% do valor aduaneiro. Acreditase, respeitosamente, que no contexto do presente caso, à luz dos princípios da finalidade, proporcionalidade, razoabilidade e do non bis in idem, deve ser afastada a multa. Acontece que o item 2.4 do recurso voluntário foi analisado no Acórdão embargado juntamente com o mérito, conforme se vê abaixo: Fl. 2600DF CARF MF 10 22. Não obstante, a outra nulidade aventada, i.e., ausência de intimação específica da recorrente para prestar esclarecimento quanto à DI 11/21869612, se confunde com a questão de mérito, motivo pelo qual será enfrentada em tópicos subsequentes do presente voto. O mesmo vale para as alegações de que a presente autuação se pautou apenas em presunções. II. Do mérito (i) Da interposição fraudulenta comprovada 23. Em relação ao mérito, as recorrentes alegam que as acusações aqui tratadas baseiamse em meras presunções, insuficientes para implicar a drástica pena de perdimento, convertida em multa. 24. Antes, todavia, de tratar do caso em si considerado, mister se faz fixar algumas premissas a respeito da prova, de modo a afastar alguns equívocos corriqueiros existentes a respeito desta temática. (...) 29. Feitas tais considerações, é possível retomar o caso decidendo, em especial as provas desenvolvidas pela fiscalização para sustentar a presente exigência fiscal. Nesse sentido, convém repisar que os fatos e provas invocados pela fiscalização que atestariam a infração aqui tratada seriam os seguintes: (...) (iv) acontece que, ainda segundo a fiscalização, em 18/11/2011, o citado pedido de alteração da habilitação ainda não havia sido analisado, o que teria suscitado a empresa New Nobreza utilizar o nome da empresa Spread para nacionalizar a mercadoria que se encontrava no regime tributário suspensivo, procedimento permitido pela legislação em vigor, desde que o terceiro no caso a empresa Spread adquirisse as mercadorias entrepostadas; (v) assim, segundo a fiscalização, a empresa Spread teria apenas cedido seu nome à empresa New Nobreza para desembaraçar as mercadorias importadas, as quais, por sua vez, teriam como reais destinatários as empresas Grande Nobreza e Nova Nobreza; (vi) por seu turno, a relação existente entre as empresas Grande Nobreza e Nova Nobreza com a empresa New Nobreza seria, aos olhos da fiscalização, decorrente de (a) todas as pessoas jurídicas ostentarem o signo "Nobreza" em sua razão social, (b) possuírem endereços próximos na cidade de São Paulo, no bairro do Bom Retiro (com distâncias inferiores a 200 metros), (c) todas possuírem sócios chineses com exceção de Mônica Zhang Qiong, e, ainda, (d) haver uma relação de parentesco entre uma das sócias da empresa Nova Nobreza com uma das sócias da Grande Nobreza (Wang Dan é filha de Mônica Zhang Qiong); (vii) que documentos fiscais (DIPJ's e DIMOF's) referentes às empresas Grande Nobreza e Nova Nobreza atestam que no ano de 2012 a única operação empresarial perpetrada por tais pessoas jurídicas seriam aquelas referentes ao recebimento das mercadorias retratadas na DI aqui fiscalizada, o que levaria a conclusão de que tais bens foram adquiridos por tais empresas para, em última análise, atender interesses econômicos da empresa New Nobreza; (viii) entre a internação das mercadorias no Brasil pela Spread e a sua remessa para as reais destinatárias teria ocorrido um curto prazo de tempo o que, somado a incapacidade física da empresa Spread em armazenar bens e, ainda, informações obtidas no seu "site", o qual atestaria que a empresa não seria uma comercial importadora, mas sim uma prestadora de serviço no comércio exterior, o que, inclusive, seria referendado pelo seu alvará de funcionamento (fls. 1.392), que tem como atividade principal a de "comissão de despachos", atestariam que a atividade da Spread seria de prestação de serviços no comércio exterior e não de comercial importadora; e, por fim (ix) que o balanço patrimonial da Spread, por apresentar um patrimônio líquido negativo, atestaria a sua incapacidade financeira de operar no comércio exterior com recursos próprios. 30. A análise isolada de alguns itens daqueles acima indicados, tais como o item "vi", poderia suscitar a alegação de que a fiscalização em tela teria pautadose Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10909.721209/201525 Acórdão n.º 3402005.792 S3C4T2 Fl. 2.597 11 em presunções fracas, o que, por conseguinte, afastaria a presente exigência aduaneira. 31. Acontece que tal indício é um dentro de um robusto acervo de fatos provados que, quando lidos conjuntamente, são suficientes para demonstrar a existência da interposição fraudulenta aqui tratada. Neste sentido, convém destacar os seguintes fatos: (i) a importação das mercadorias aqui tratadas pela New Nobreza foi realizada a regime de entreposto aduaneiro; (ii) a New Nobreza era incapaz de internar tais bens sem ultrapassar seu limite de RADAR; (iii) havia uma proximidade física das empresas New Nobreza, Grande Nobreza e Nova Nobreza, bem como uma relação de parentesco entre sócias de algumas dessas empresas, (iv) ficou provado a existência de operações empresariais por parte da Grande Nobreza e da Nova Nobreza no ano de 2012 apenas para adquirir e revender os bens importados pela DI nº 11/19602990; (v) também restou provada a apresentação e formatação jurídica da empresa Spread como prestadora de serviço no comércio exterior, e, ainda, (vi) está positivado nos autos a incapacidade financeira da empresa Spread em suportar a operação em apreço. Todos esses fatos, quando conjugados, constituem um acervo probatório apto para demonstrar que efetivamente houve uma interposição fraudulenta devidamente provada pela fiscalização. 32. Logo, a questão da suspensão do RADAR da empresa Spread e, a partir disso, o início da fiscalização com a revisão das importações até então feitas, não é o motivo, por si só, para a exigência em apreço, o que afasta a nulidade aventada pela recorrente de que esta suspensão teria ensejado, per saltum, a imposição da multa aduaneira aqui tratada. 33. Neste mesmo diapasão, também afastase a alegação dos contribuintes de que eles não teriam sido intimados para questionar a alegação de interposição fraudulenta da DI n. 11/19602990 de forma específica, ou seja, de que a acusação teria sido genérica e pautada pela suspensão do RADAR da recorrente Spread. A leitura do Relatório Fiscal deixa claro que, partindo desta apuração de caráter geral, chegouse a conclusão de que a DI 11/19602990 tinha sido objeto de interposição fraudulenta, com provas, inclusive, pertinentes a tal DI em particular. Um exemplo disso é o seguinte trecho do Relatório Fiscal (fl. 2.063): (...) 34. Conforme se observa, a empresa Spread foi intimada e apresentou os conhecimentos de transportes referentes à venda dos bens importados pela DI n. 11/19602990 para as empresas Grande Nobreza e Nova Nobreza o que, digase de passagem, serviu para provar que tais mercadorias foram recepcionadas em seu destino por uma única pessoa, o que reforçaria o vínculo existente entre as empresas Grande Nobreza e Nova Nobreza. 35. Diante deste quadro, comprovada a interposição fraudulenta, deve ser mantida a pena de perdimento convertida em multa, cabendo agora verificar a quem essa sanção se destina. Como se vê, os argumentos contidos no item 2.4 do recurso voluntário não foram acolhidos no Acórdão embargado, no qual se entendeu que os indícios apurados pela fiscalização, quando lidos conjuntamente, seriam suficientes para afastar a alegada regularidade das operações e caracterizar o cometimento da infração de interposição fraudulenta. Dessa forma, improcede a alegação dos embargantes de omissão quanto ao item 2.4 do recurso voluntário da contribuinte. Fl. 2602DF CARF MF 12 Com relação ao item 2.5, no entanto, houve omissão no acórdão embargado acerca da alegação de falta de comprovação de revenda das mercadorias objeto da DI nº 11/21869612, o que demanda saneamento no julgamento dos presentes embargos. Com efeito, ao contrário do alegado pela então recorrente, constou nos autos a comprovação de revenda das mercadorias importadas no mercado interno, não havendo a ilegalidade suscitada no item 2.5, como se observa no Relatório Fiscal: 4. DA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO RELATIVA À DI Nº 11/21869612 Em 18/11/2011, a SPREAD promoveu o registro da DI nº 11/21869612 (fls. 838847), declarando promover importação por conta própria de relógios de pulso e pulseiras para relógios. O despacho aduaneiro foi instruído com a fatura comercial nº HK0057A (fls. 848849), de 11/11/2011, com valor total CFR de US$ 80.837,60, tendo por exportador declarado HONG KONG REAL TRADE CO. LIMITED, estabelecido em Hong Kong. A DI foi desembaraçada em 23/01/2012. No dia 25/01/2012, a SPREAD emitiu a nota fiscal (NF) de entrada nº 172 (fl. 19271928). Na mesma data, emitiu duas NFs de venda, de nºs. 173 e 174 (fls. 19291932), cada uma compreendendo a metade da mercadoria importada, destinandoa a duas pessoas jurídicas. (...) (...) Por fim, relativamente ao item 2.7 do recurso voluntário da contribuinte o Colegiado assim se manifestou: (iv) Da multa por não apresentação dos documentos originais instrutivos do despacho aduaneiro 57. Por fim, a decisão recorrida manteve a sanção imposta pelo art. 70, inciso II, alínea “b”, item 1 da lei nº 10.833/03, qual seja, de 5% sobre o valor aduaneiro pela não apresentação dos documentos originais que instruíram da DI n. 11/19602990, o que fez em prejuízo apenas da empresa Spread e de todos os seus sócios. 58. Em relação aos sócios da empresa Spread, tal responsabilização é indevida, haja vista tudo que já fora exposto no item "III.iii.i" do presente voto. 59. Já em relação à empresa em si considerada entendo que a exigência é devida, não configurando em um bis in idem. Isso porque, para que houvesse o bis in idem, seria necessário a existência de um único fato albergado no antecedente normativo de plúrimas normas infracionais a ensejar diferentes sanções. Não é esse, todavia, o caso dos autos. 60. Aqui, o primeiro fato passível de sanção é a interposição fraudulenta, a qual, em relação à Spread, foi indevidamente sancionada com a pena de perdimento convertida em multa e deveria, em verdade, ser apenada pela multa por cessão de nome. Ocorre que, mesmo que a fiscalização tivesse sancionado adequadamente a recorrente (multa por cessão de nome), o pressuposto fático para o ilícito seria o mesmo: interposição fraudulenta. 61. Por sua vez, o pressuposto fático para a aplicação do disposto no art. 70, inciso II, alínea “b”, item 1 da lei nº 10.833/03 é outro, qual seja, a não manutenção em boa guarda e ordem de documentos relativos às transações no comércio exterior. 62. Percebese, pois, que são fatos distintos e que, por isso, podem ser sancionados também de forma singular. 63. Assim, em relação à empresa Spread, mantenho a exigência da multa oriunda do disposto no art. 70, inciso II, alínea “b”, item 1 da lei nº 10.833/03. Como se verifica acima, no Acórdão embargado não se analisou os outros argumentos da então recorrente do item 2.7 no que diz respeito à alegação de ausência de finalidade e proporcionalidade para imposição da multa de 5% do valor aduaneiro. A ausência de finalidade foi assim argumentada pela então recorrente: Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10909.721209/201525 Acórdão n.º 3402005.792 S3C4T2 Fl. 2.598 13 Nesse quesito, calha registrar que após a expedição do TDPF que redundou no presente AI, a empresa forneceu à RFB os originais dos documentos instrutivos das 99 DI’s objeto da revisão aduaneira. Embora não tenha localizado parte dos originais relacionadas, especificamente, à DI no 11/21869612, apresentou cópia assinada pelo seu representante legal. Cumpre informar, ainda, os ditos documentos ficaram retidos com o despachante aduaneiro, conforme já salientado por escrito à autoridade fiscal. Nada obstante, diante desse cenário, entendese que a imposição da multa em referência se apresenta demasiada, uma vez que as cópias dos referidos documentos foram devidamente apresentadas antes da autuação, e que não foi suscitada a falsidade material dos mesmos, no AI. Ausente, assim, a finalidade para a imposição da sanção, no entendimento da ora recorrente. Ocorre que a infração prevista no art. 70, II, "b", "1" da Lei nº 10.833/2003 tipifica as condutas de descumprimento do dever de guarda e de apresentação à fiscalização dos documentos originais de instrução obrigatória da Declaração de Importação. Certamente que a apresentação de cópias desses documentos não supre a exigência legal. Não há que se falar em ausência de finalidade, razoabilidade ou proporcionalidade diante da verificação, in concreto, do cometimento de infração tipificada em lei, à qual o agente administrativo está vinculado. Dessa forma, no que concerne ao recurso voluntário apresentado pela contribuinte acolhese as alegações de omissão no Acórdão embargado no que concerne aos itens 2.5 e 2.7 do recurso voluntário, suprindoas com as análises acima, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pela SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP. Assim, pelo exposto, voto no sentido de conhecer os embargos de declaração, acolhendoos parcialmente, para suprir as omissões apontadas com a integração das razões acima exaradas, na seguinte forma: i) conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo Sr. Juliano Vanhoni Sil; e ii) negar provimento ao recurso voluntário apresentado pela SPREAD ASSESSORIA EMPRESARIAL EIRELI EPP quanto às alegações contidas nos seus itens 2.5 e 2.7. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 2604DF CARF MF 14 Fl. 2605DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.021580/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EMPREGADO. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL.
Integra o salário de contribuição o valor pago a título de bolsa de estudo quando não comprovado que o curso de capacitação e qualificação profissional possui vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento.
AUSÊNCIA DE NULIDADE
O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.Período de apuração: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Numero da decisão: 2401-005.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EMPREGADO. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL. Integra o salário de contribuição o valor pago a título de bolsa de estudo quando não comprovado que o curso de capacitação e qualificação profissional possui vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.Período de apuração: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.021580/200861 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.712 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de setembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CASCAVEL COUROS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. EMPREGADO. BOLSA DE ESTUDO. CURSO DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL. Integra o salário de contribuição o valor pago a título de bolsa de estudo quando não comprovado que o curso de capacitação e qualificação profissional possui vinculação com as atividades desenvolvidas pela empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Contribuinte apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento. AUSÊNCIA DE NULIDADE O Auto de Infração apresentou todos os fundamentos necessários para a caracterização do lançamento, não havendo que se falar em nulidade.Período de apuração: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luciana Matos Pereira Barbosa (relatora), Andrea Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Matheus Soares Leite, que davam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 15 80 /2 00 8- 61 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 3 2 provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Redatora Designada (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite, Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD 37.183.9610 (fls. 2), que apurou o crédito tributário no montante de R$ 9.084,30 (nove mil e oitenta e quatro reais e trinta centavos), referente à contribuição da empresa sobre a remuneração de empregados, devidas à Seguridade Social, através do pagamento de bolsas de estudo de curso superior aos empregados, relativo ao período de 01/2004 a 12/2004. De acordo com o Relatório do Auto de Infração (fls. 29/33), o débito foi apurado com base nas folhas de pagamento, livro diário e razão, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS, bem como na escrituração contábil, fornecidos pela própria empresa recorrente. Registra o Fisco, que o sujeito passivo disponibilizou, para alguns empregados da empresa, bolsas de estudo relativas a curso superior, de acordo com o observado pela auditoria fiscal nas contas contábeis de códigos: 91509000014 — Cursos e Treinamentos Indireta e 91503000026 — Cursos e Treinamentos Direta. O Fisco, via auditoria, pode constatar através da citada documentação analisada, portanto, que o empregado efetua o pagamento das mensalidade à Instituição de Ensino e posteriormente a empresa recorrente promove o reembolso de 50% do valor adimplido pelo empregado, o que caracteriza o fato gerador da autuação. Os fatos geradores foram identificados nos seguintes levantamentos: Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 4 3 Levantamento Descrição Fatos Geradores BOL Bolsas Educação Empregados Remuneração paga aos empregados da empresa, a título de Bolsas de Estudo de curso superior. BOL Bolsas Educação Empregados, neste levantamento estão lançadas as contribuições, parte empresa, incidentes sobre a remuneração paga aos empregados da empresa, a titulo de Bolsas de Estudo de curso superior. Como elementos de prova, a Fiscalização anexou aos autos cópias de parte dos Livros Diários e Razão Analítico das contas contábeis utilizadas na apuração dos fatos geradores e documentos que indicam o valor pago (a restituir) a título de “Auxílio Faculdade” de parte dos meses apurados (fls. 102/134). Devidamente cientificado do lançamento em 22/12/2008 (fl. 136), o Interessado apresentou impugnação tempestiva em 16/01/2009 (fls. 138/153), alegando, em síntese: (i) A previsão do direito à defesa. Defende o direito de 15 (quinze) dias para apresentação da sua Impugnação; (ii) Preliminar de litispendência em razão da existência de autos de infração que traduzem o mesmo período e fundamento, com imposição de nulidade de um deles; Defende que os autos de infração nº 37.183.9629, revelam os mesmos fatos e fundamentos do presente Auto, motivo pelo qual não pode nem deve o contribuinte responder duas vezes pelo mesmo fato gerador, sob pena de se tornar confiscatória a autuação. (iii) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (iv) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (v) A não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa de educação concedida ao trabalhador. Discorre acerca do salário contribuição, tipificado na Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e §9º, “t”. Afirma que não devem incidir contribuições previdenciárias sobre as bolsas, pois estas dizem respeito à capacitação profissional de vinculação à atividade desenvolvida pela empresa. Que tais pagamentos não são utilizados para substituir parcela salarial e todos os empregados e dirigentes tem acesso ao benefício. (vi) Desatendimento pelo Fisco do que dispõe os artigos 194 e 195 da CF – fornecimento gratuito de utilidades destinadas a melhorar as condições sociais dos trabalhadores. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 5 4 Defende que são inconstitucionais as pretensas incidências sobre o fornecimento de cestas básicas, conforme atestam as inclusas NF aos autos. Continua discorrendo sobre a matéria, alegando que quando a empresa fornece utilidades de benefício social, por estar complementando e auxiliando o Estado, poderia atuar diretamente, proporcionando ao trabalhador o direito de melhoria de sua condição social, ao passo em que é dever do empregador de participar deste desiderato. Que por tal razão houve excesso normativo, invocando o princípio da proporcionalidade para se que a autuação seja revista. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre o tema. Por fim, neste ponto, invoca a definição de salário de contribuição previsto na Lei nº 8.212/91, em seu artigo 28, pelo que o relatório fiscal não poderia ser aceito nos itens que descreve como fatos geradores da infração o pagamento com a descrição “DIVERSOS”, sem constar qualquer identificação dos segurados empregados. (vii) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (viii) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (ix) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (x) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 6 5 Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; Por fim, requereu: a) o recebimento da defesa, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) o acolhimento da litispendência, em relação aos autos de infração 37.183.9637 e 37.183.9629, em razão de serem os fatos iguais, não permitindo que um contribuinte possa ser autuado duas vezes pelo mesmo motivo; c) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar declarar improcedência do lançamento, em razão da previsão excetuativa constante na alínea “t”, inciso I do §9º do artigo 28 ad Lei nº 8.212/91, por não integrarem o salário contribuição; d) protesta provar o alegado, por todos os meios de prova em Direito admitidos, especialmente diligências a serem realizadas no curso do processo administrativo tributário, juntada posterior de documentos, perícia a ser realizada nas unidades da empresa, ficando tudo de logo requerido; e) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora lavrou Decisão Administrativa contextualizada no Acórdão nº 0936.128 da 5ª Turma da DRJ/JFA, às fls. 194/202, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendose o crédito tributário. Recorde se: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/12/2004 DEBCAD. 37.183.9610 CUSTEIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA PATRONAL. REEMBOLSO MENSALIDADE PAGA A INSTITUIÇÃO DE ENSINO. VERBA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social incide sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais. 0 valor relativo ao reembolso de parte de mensalidade escolar, integra o saláriodecontribuição, quando não caracterizada a existência de um plano educacional, que tenha como finalidade o estimulo à educação básica ou Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 7 6 cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCRIÇÃO DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. Restando evidenciado, que a descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse suficientemente claros para propiciar o entendimento das infrações imputadas, descabe acolher alegação de nulidade do auto de infração. SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha indicação de quesitos e do perito. PEDIDO DE INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PROCURADOR DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. E descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao patrono da impugnante, pois a intimação da autuada se faz no seu domicilio tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão exarada pelo órgão julgador a quo, após ser devidamente cientificada às fls. 207 em 14/06/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 209/223, não inovando, mas repisando todos os argumentos já lançados em impugnação: (i) Preliminar de litispendência em razão da existência de autos de infração que traduzem o mesmo período e fundamento, com imposição de nulidade de um deles; Defende que os autos de infração nº 37.183.9629, revelam os mesmos fatos e fundamentos do presente Auto, motivo pelo qual não pode nem deve o contribuinte responder duas vezes pelo mesmo fato gerador, sob pena de se tornar confiscatória a autuação. (ii) Referese à notificação fiscal de lançamento do débito, transcrevendo trecho da fiscalização quanto ao período apurado; (iii) Inconsistência da caracterização do fato gerador; (iv) A não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa de educação concedida ao trabalhador. Discorre acerca do salário contribuição, tipificado na Lei nº 8.212/91, artigo 28, I e §8º, “t”. Afirma que não devem incidir contribuições previdenciárias sobre as bolsas, pois estas dizem respeito à capacitação profissional de vinculação à atividade desenvolvida pela empresa. Que tais pagamentos não são utilizados para substituir parcela salarial e todos os empregados e dirigentes tem acesso ao benefício. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 8 7 (v) Desatendimento pelo Fisco do que dispõe os artigos 194 e 195 da CF – fornecimento gratuito de utilidades destinadas a melhorar as condições sociais dos trabalhadores. Defende que são inconstitucionais as pretensas incidências sobre o fornecimento de cestas básicas, conforme atestam as inclusas NF aos autos. Continua discorrendo sobre a matéria, alegando que quando a empresa fornece utilidades de benefício social, por estar complementando e auxiliando o Estado, poderia atuar diretamente, proporcionando ao trabalhador o direito de melhoria de sua condição social, ao passo em que é dever do empregador de participar deste desiderato. Que por tal razão houve excesso normativo, invocando o princípio da proporcionalidade para se que a autuação seja revista. Colaciona doutrina e jurisprudência sobre o tema. Por fim, neste ponto, invoca a definição de salário de contribuição previsto na Lei nº 8.212/91, em seu artigo 28, pelo que o relatório fiscal não poderia ser aceito nos itens que descreve como fatos geradores da infração o pagamento com a descrição “DIVERSOS”, sem constar qualquer identificação dos segurados empregados. (vi) Das inconsistências da notificação. Reclama a existência de inconsistências na notificação, no tocante fundamentação descrita no Relatório Fiscal da Infração que cita o artigo 32, inciso IV, §6° da Lei nº 8.212/1991, em face da impossibilidade de se declarar em GFIP informações tidas pela impugnante como não integrantes da remuneração de seus funcionários, bem como não ficou esclarecida a circunstância que evidencie a emissão do auto. (vii) Ilegalidade do ato por malferimento a direito fundamental de aplicabilidade imediata – precedentes legais e jurisprudenciais. Defende que as exigências descritas no Relatório da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito oculta os dispositivos legais a facilitarem o direito de ampla defesa, pois contém fundamentação genérica, posto que a motivação é indispensável ao Auto de Infração. Que a omissão de evidências e não sopesamento dos atos, tornariam irrito o ato, tornando viciado formalmente a emissão do mesmo. Discorre sobre a legalidade de ato administrativo e cita jurisprudências, de modo a defender a ideia de revogação do ato por reconhecimento da irregularidade que entende existir. (viii) Dispositivos assecuratórios da defesa administrativa. Traz argumentações acerca do direito de defesa; (ix) Da inexistência de previsão legal que determine o recolhimento da contribuição devida pelo segurado quando o mesmo não encontrase identificado. Alega que no Discriminativo Analítico do Débito, revelase que a fiscalização aplicou ainda a cobrança de Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 9 8 8% sobre os pretensos valores devidos, como se fosse obrigação da empresa recolher a contribuição devida pelo obreiro na circunstância do lançamento fiscal, sem sequer existir a individuação do segurado empregado, o que inviabiliza pela via reflexa, a emissão de qualquer GFIP, caso subsista a notificação, visando dar cumprimento a obrigação acessória. Ainda, reclama que há nulidade frente a aplicação da multa, vez que não ocorreram os necessários esclarecimentos quanto à aplicação e a mesma esta em dissonância com os dispositivos legais; Por fim, repete idênticos pedidos da Impugnação: a) o recebimento do Recurso Voluntário, pela confluência de seus pressupostos processuais, e seu conhecimento nos termos do Art. 37 Lei Federal nº 8.212/91; b) o acolhimento da litispendência, em relação aos autos de infração 37.183.9637 e 37.183.9629, em razão de serem os fatos iguais, não permitindo que um contribuinte possa ser autuado duas vezes pelo mesmo motivo; c) no mérito que a impugnação seja conhecida e provida, para considerar declarar improcedência do lançamento, em razão da previsão excetuativa constante na alínea “t”, inciso I do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, por não integrarem o salário contribuição; d) requer que as intimações relativas ao julgamento da presente impugnação seja enviada ao endereço dos procuradores descrito na procuração juntada, especialmente visando possibilitar a interposição de recursos para o CONSELHO DE RECURSO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL ou para o CONSELHO DE CONTRIBUINTES, em face da nova legislação pertinente à matéria, garantindo assim a ampla defesa do contribuinte; É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE A Recorrente foi cientificada da r. decisão em debate no dia 14/06/2012 conforme AR juntado às fl. 207, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/07/2012, às fls. 209/233, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DA PRELIMINAR 2.1 Litispendência. Alega a Recorrente, em sede preliminar, litispendência em razão de existência de autos de infração que traduzem o mesmo período e fundamento, requerendo a imposição de nulidade de um deles. Afirma que os autos de infração nº 37.183.9629, revelam Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 10 9 os mesmos fatos e fundamentos do presente Auto, motivo pelo qual asseverou que não poderia responder duas vezes pelo mesmo fato gerador, sob pena de se tornar confiscatória a autuação. Contudo, tal preliminar deve ser rejeitada de plano. Como bem frisado já em sede de julgamento de Impugnação (fls. 198), os autos do DEBCAD 37.183.9629, de fato, tratam do mesmo fato gerador, contudo, não se tratam de “mesmo período e fundamento”, posto que no DEBCAD retro citado, se discute a contribuição cobrada sobre a parte descontada dos segurados, e nos presentes autos se cobra a parte patronal devida, a obrigação principal. Portanto, fica afastada a preliminar aventada, não havendo que se falar em litispendência, posto que não são idênticos os processos indicados. 3. DO MÉRITO 3.1 Da alegada não incidência de contribuições previdenciárias sobre bolsa educação concedida ao trabalhador. Dos valores pagos a título de bolsa de estudos. Aduz a Recorrente que os valores pagos a título de bolsa de estudos a seus empregados foram indevidamente computados na base de cálculo da contribuição previdenciária, quando da fiscalização, já que não integram o saláriodecontribuição, fundamentando a argumentação na alínea “t” do §9º do inciso I do artigo 28 da Lei 8.212/91. Afirmou que o referido pagamento não seria utilizado para substituir parcela salarial, bem como que todos os funcionários e dirigentes tem acesso a tal benefício e visam capacitar os profissionais vinculados às atividades da Recorrente. O artigo 28 da Lei nº 8.212/91 estabelece como regra a tributação da totalidade do rendimento do trabalho, especificando certas hipóteses de não incidência, tal como o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, bem como aos cursos de capacitação e qualificação de profissionais vinculados às atividades empresariais do contribuinte, não podendo ser utilizado como substituição de parcela salarial e que esteja disponível à todos empregados e dirigentes. Porém, como se pode observar, em que pese o entendimento prolatado pela i. DRJ/JFA, às fls. 194/202, julgando improcedente a impugnação, de que não teriam sido observados os critérios do § 9º e alínea “t” do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, com a devida vênia, de fato a jurisprudência do C. STJ sobre a matéria é unanime no sentido de que, independente da natureza do curso, não há incidência destes valores na base de cálculo do salário contribuição, desde que o curso realizado esteja vinculado aos fins da empresa. Vejase: “PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 11 10 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. Recurso Especial provido. (STJ, 2ª Turma, REsp 1666066/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 06/06/2017, DJe 30/06/2017).” Da detida análise dos autos, não é possível encontrar menção a que as bolsas de estudos fossem restritas a apenas alguns funcionários, pelo que se pode deduzir que todos tinham acesso. Tal afirmação pode ser verificada às fls. 128/134 (extrato de pagamento de auxílio faculdade juntado pela autoridade fiscalizadora), quando se constata haver variação de nomes e quantidade de beneficiários, bem como diversidade de cursos. Portanto, não se percebe restrição à educação fornecida e podese entender que uma vez cumpridos os demais requisitos legais, não há que se falar em incidência de tributação sobre bolsas de estudos concedidas a empregados. No presente caso, então, é incontroverso nos autos que os cursos ofertados aos funcionários guardam correlação às atividades empresariais e funções exercidas pelos beneficiários na empresa, bem como com o ramo de atividade da empresa, se enquadrando, portanto, no próprio conceito utilizado pela C. Superior. Inobstante não haver vinculação das decisões judiciais no âmbito administrativo, não se pode olvidar a necessária homogeneidade das decisões em todas as esferas, a fim de que prevaleça o comando constitucional da segurança jurídica. Da mesma forma, cumpre destacar que calcado neste entendimento também tem sido as decisões adotadas nesta esfera, como se verifica abaixo: “[...] SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO DESTINADO AOS EMPREGADOS. NÍVEL SUPERIOR. CURSOS DE CAPACITAÇÃO E QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE DE ENQUADRAMENTO. A descrição prevista no art. 28, § 9º, "t" da lei 8212/91, admite a interpretação de que a educação superior estaria abrangida nos cursos de capacitação ou mesmo qualificação profissional até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o dispositivo, devendo a autoridade fiscal, apresentar o descumprimento da extensão a todos ou da desvinculação das atividades na empresa para respaldar o lançamento. [...]” (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, 2ª Turma, Acórdão nº 9202 005.970, Relatora Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Data da Sessão 26/09/2017). Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 12 11 “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2007 EMPREGADO. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. CURSOS DE PÓS GRADUAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. O art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.711/98, observados os critérios legais, excluiu da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional dos seus empregados, a qual, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), engloba o plano de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. TRABALHADOR AUTÔNOMO E EVENTUAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista no art. 28 § 9º, “t” da Lei 8.212/91 não se estende ao auxílio educação pago aos trabalhadores autônomos e eventuais que prestam serviço à empresa. Recurso Voluntário Provido em Parte” (CARF, Segunda Seção de Julgamento, 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, Acórdão nº 2301004.391, Relatora Conselheira Luciana de Souza Espindola Reis, Data da Sessão 09/12/2015). Segundo os entendimentos acima consignados, data vênia ao quanto consignado anteriormente, desde que sejam respeitados os critérios legais, excluise da tributação o valor alocado pelo empregador na qualificação profissional de seus empregados, estando englobados no conceito de educação profissional destinado à formação inicial e à aprendizagem permanente do trabalhador por meio de capacitação, aperfeiçoamento, especialização e atualização, em todos os níveis de escolaridade. Da mesma forma, não restou verificado que era vedada a concessão da bolsa aos outros empregados, valendo destacar que a bolsa em questão tem fato gerador próprio (curso na área de atuação da empresa), não sendo o caso de concessão a todos os empregados sem análise prévia do preenchimento dos requisitos elencados pelo próprio art. 28 da Lei nº 8.212/91. Assim, não havendo demonstração pelo fisco de que os critérios foram desrespeitados, não há que se falar em incidência na base de cálculo do salário contribuição parcela indenizatória destinada ao aperfeiçoamento do profissional. Portanto, merece reforma a respeitável decisão a quo no ponto, a fim de que seja desconsiderada a infração no que tange à não inclusão na base de cálculo do salário contribuição dos valores pagos a título de bolsa de estudos. 3.2 Da alegada inconsistência da notificação e ilegalidade do ato. Ausência de infringência ao direito de ampla defesa. Da legalidade do ato administrativo. Compulsando os autos, verificase que o Auto de Infração está devidamente motivado por meio de elementos examinados durante a auditoria na empresa autuada, bem Fl. 270DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 13 12 como contém o discriminativo de todos os fundamentos legais que suportam o débito, não havendo que se cogitar de nulidade. Isso porque, o lançamento foi originado a partir de uma fiscalização regular, onde se constatou valores devidos pela Recorrente a título de contribuições sociais. Nesse diapasão, o Auto de Infração apresenta de forma discriminada todos os fundamentos que deram origem ao débito apurado em desfavor da Recorrente, não havendo que se falar em nulidade do presente procedimento por ausência de motivação do lançamento. Nesse passo, os fatos geradores das contribuições cobradas no presente processo tiveram sua ocorrência constatada quando do regular exame da contabilidade da empresa disponibilizada à fiscalização, tendo sido fornecido pela Recorrente e verificado os Livros Diários e Razão Analítico das contas contábeis utilizadas na apuração dos fatos geradores e documentos que indicam o valor pago (a restituir) a título de “Auxílio Faculdade”. Diante disso, se entendido pela autoridade administrativa a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a mesma tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do artigo 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. Confirase: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Além disso, o auditorfiscal enquadrase como servidor público. Por efeito, seus atos têm presunções de veracidade e legitimidade, pela fé pública que lhe é conferida. Ainda, por consequência, os autos de infração e os relatórios de fiscalização, confeccionados alcançam as mesmas presunções. No caso em tela, pela leitura dos Fundamentos Legais do Débito (fls. 25/26) e pelo Relatório Fiscal (fls. 29/33), notase claramente que o Auto de Infração se encontra dentro das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com a legislação vigente. Isso suficiente não fora, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa por falta de motivação quando a autoridade lançadora descreve minuciosamente o procedimento fiscal, a fundamentação legal e lógica do lançamento, e ainda por cima a Recorrente apresenta defesa apta e específica demonstrando ter compreensão das razões do lançamento, razão pela qual afasto a alegada nulidade. 3. CONCLUSÃO: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 14 13 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO, declarando a improcedência do lançamento, e determinando a exclusão dos valores incidentes sobre as bolsas de estudos, em razão da exceção constante no artigo 28 da Lei nº 8.212/91, inciso I do §9º, alínea “t”, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier – Redatora Designada A discordância do voto da relatora foi apenas quanto à incidência de contribuições sociais sobre valores pagos a título de bolsa de estudo curso superior. Para o segurado do RGPS, qualquer parcela destinada a retribuir o seu trabalho integra o salário de contribuição, conforme Lei 8.212/1991, artigo 28, inciso I: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Entretanto, a Lei 8.212/91, no art. 28, § 9º, exclui algumas rubricas da base de incidência das contribuições previdenciárias, contudo para que tais rubricas sejam excluídas, elas devem estar previstas no citado dispositivo legal e devem ser pagas dentro dos ditames da lei. Na lição de Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro, São Paulo: Saraiva, 2011), a isenção é técnica por meio da qual a lei tributária, ao descrever o gênero de situações sobre as quais impõe o tributo, pinça uma ou diversas espécies e as declara isentas, ou seja, excepcionadas da norma de incidência. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 15 14 Nos termos do § 6º do artigo 150 da Constituição Federal de 1988, é necessário que exista lei específica para a definição de qualquer isenção relativa a impostos, taxas ou contribuições. A relação de que trata art. 28, § 9º é exaustiva (“Não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente”). Dessa forma, apenas as parcelas expressamente incluídas nessa relação estão fora da incidência das contribuições. Quanto à bolsa de estudos, o art. 28, § 9º, 't', na redação vigente à época dos fatos geradores, dispõe que: Art. 28 [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos doart. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; Portanto, para que o valor pago a título de bolsa de estudos não integre o salário de contribuição, ou o plano educacional deve visar à educação básica ou a curso de capacitação, sendo necessário, nesse caso, o atendimento aos seguintes requisitos, cumulativamente: a) o curso deve ser de capacitação e qualificação profissional; b) deve estar vinculado à atividade desenvolvida pela empresa; c) o valor pago não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e d) todos os empregados e dirigentes tenham acesso. Conforme Relatório Fiscal, os valores pagos foram considerados como fato gerador: A Entidade gira sob a denominação de "BRACOL INDÚSTRIA DE COUROS LTDA", com sede e foro jurídico no município de CascaveICE, e tem como objeto social a industrialização, comercialização, exportação e importação de couros, peles e Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 16 15 seus derivados, sua preparação e acabamento, industrialização de estofamento e outros artefatos de couros. (grifo nosso) [...] 3.3 Após o exame de sua escrituração contábil, verificouse que a empresa disponibilizou, para alguns empregados da empresa, bolsas de estudo relativas a curso superior, conforme foi observado pela auditoria fiscal nas contas contábeis 91509000014 —Cursos e Treinamentos Indireta e 91503000026 —Cursos e Treinamentos Direta. 3.4 Ressaltase que a auditoria fiscal considerou como fato gerador, apenas os valores de bolsas relativas a curso superior, pois segundo a legislação o valor destinado ao pagamento de curso superior para empregado da empresa, integra o salário decontribuição. Isso se deve ao fato de que o plano educacional, a que se refere a alínea t inciso I do artigo 28 da Lei n° 8.212/91 restringese à educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e a curso de capacitação e qualificação profissional vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa. Consta dos autos, fls. 128/134, quadros com a relação dos beneficiários das bolsas de estudo, curso e valores pagos. Afirma a relatora que: No presente caso, então, é incontroverso nos autos que os cursos ofertados aos funcionários guardam correlação às atividades empresariais e funções exercidas pelos beneficiários na empresa, bem como com o ramo de atividade da empresa, se enquadrando, portanto, no próprio conceito utilizado pela C. Superior. (grifo nosso) Neste ponto, divirjo da relatora, pois entendo que não restou comprovado nos autos que os cursos frequentados pelos beneficiários guardam relação com as atividades desenvolvidas pela empresa e funções exercidas pelos beneficiários na empresa, ou ainda, com o ramo de atividade da empresa: preparação e acabamento, industrialização de estofamento e outros artefatos de couros. Logo, não se configurando a hipótese determinante para o benefício da isenção, os valores pagos a título de bolsa de estudo são considerados salário de contribuição, nos termos do citado art. 28, I. Ademais, entende esta conselheira e o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro que os cursos de capacitação e qualificação profissional não englobam curso superior. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 17 16 A Lei 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispõe que: Art. 21. A educação escolar compõese de: I educação básica, formada pela educação infantil, ensino fundamental e ensino médio; II educação superior. A educação superior é tratada no Capítulo IV da mesma lei, já a educação profissional é tratada no Capitulo III, que na redação vigente à época dos fatos geradores, estabelecia em seus artigos 39 a 42: Art. 39. A educação profissional, integrada às diferentes formas de educação, ao trabalho, à ciência e à tecnologia, conduz ao permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. Parágrafo único. O aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador em geral, jovem ou adulto, contará com a possibilidade de acesso à educação profissionaL Art. 40. A educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular ou por diferentes estratégias de educação continuada, em instituições especializadas ou no ambiente de trabalho. Art. 41. O conhecimento adquirido na educação profissional, inclusive no trabalho, poderá ser objeto de avaliação, reconhecimento e certificação para prosseguimento ou conclusão de estudos. Parágrafo único. Os diplomas de cursos de educação profissional de nível médio, quando registrados, terão validade nacional. Art. 42. As escolas técnicas e profissionais, além dos seus cursos regulares, oferecerão cursos especiais, abertos à comunidade, condicionada a matricula ir capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível de escolaridade. Portanto, educação profissional e educação superior possuem conceitos distintos, não devendo ser confundida uma com outra. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10380.021580/200861 Acórdão n.º 2401005.712 S2C4T1 Fl. 18 17 Nos termos acima estabelecidos, a educação profissional será desenvolvida em articulação com o ensino regular (educação básica ou superior), devendo conduzir ao desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva, podendo ter acesso o aluno matriculado ou egresso do ensino fundamental, médio e superior, bem como o trabalhador, e pode ser desenvolvida no ambiente de trabalho ou em instituições especializadas. Sendo assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Redatora designada Fl. 276DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722107/2017-32
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Os valores recebidos de pensão alimentícia do contribuinte devem ser declarados e tributados conforme o Regulamento de Imposto de Renda - RIR/99.
Numero da decisão: 2002-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. Os valores recebidos de pensão alimentícia do contribuinte devem ser declarados e tributados conforme o Regulamento de Imposto de Renda RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 21 07 /2 01 7- 32 Fl. 47DF CARF MF 2 Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 05 a 09), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de pessoa física alugueis e outros. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 5.857,37, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 03 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 3. Cientificada do lançamento em 01/03/2017, conforme documento "AR Digital" de folha 11, a interessada ingressou com a impugnação de folha 2, em 28/03/2017, informando que não concorda com essa infração, pois "o rendimento referese a pensão alimentícia declarada no CPF do EXESPOSO e a Dirf foi informada no CNPJ da empresa, no caso da FADERGS e INSS, sendo que o INSS foi englobado a pensão e aposentadoria". 4. Ao finalizar sua defesa, a Impugnante requereu prioridade na análise da sua impugnação, de acordo com a previsão contida no art. 69A, inciso I, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 18/07/2017, no acórdão 06059.790, às efls. 29 a 32, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 06/09/2017 às efls. 39 a 43 no qual alega, em síntese, que os valores recebidos de pensão alimentícia recebidos de seu excônjuge são isentos e não tributáveis, já que não constituem acréscimo patrimonial. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Fl. 48DF CARF MF Processo nº 11080.722107/201732 Acórdão n.º 2002000.411 S2C0T2 Fl. 48 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/08/2017, efls. 37, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 06/09/2017, efls. 40, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme a decisão da DRJ, o lançamento tributário foi baseado nos seguintes termos: 7. A autoridade fiscal informa, à folha 7, que as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras INSS e FAPERGS demonstram que foram descontados dos rendimentos recebidos pelo alimentante, Sr. José Mauro da Silva Cachapuz, CPF nº 125.503.53072, a título de pensão alimentícia em benefício da Impugnante, R$ 17.566,76 + R$ 1.470,35 sobre o 13º salário (INSS) e R$ 25.921,60 + R$ 2.273,16 de abono (FAPERGS). Tais valores totalizam R$ 47.231,86, no entanto, a Impugnante declarou tão somente o valor de R$ 25.391,28 como decorrente da pensão alimentícia recebida, portanto, foi lançado como omissão de rendimentos recebidos de pessoa física o valor de R$ 21.840,58 (R$ 47.231,87 R$ 25.391,28). Qualquer rendimento auferido pela pessoa física, salvo exceções legalmente previstas, seja oriundo do trabalho, do capital ou da combinação de ambos, entra na base de cálculo para incidência do imposto de renda, como se vê pela redação do artigo 37 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR/99 Decreto nº 3.000/99): Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de Fl. 49DF CARF MF 4 recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Ainda, conforme jurisprudência deste CARF: IMPOSTO DE RENDA DAS PESSOAS FÍSICAS — São rendimentos da pessoa física para fins de tributação do Imposto de Renda aqueles provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos, funções e quaisquer proventos ou vantagens percebidos tais como salários, ordenados, vantagens, gratificações, honorários, entre outras denominações. (Acórdão n°: 9202 002.451 – 08/11/2012) Aquele que recebe pensão alimentícia tem que declarar o rendimento na aba Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Física, vez que tributável, quando da apresentação da DAA. Ainda, deve ser preenchido carnêleão mês a mês do recebimento. Em seu Recurso Voluntário a contribuinte alega que os rendimentos recebidos de pensão alimentícia são isentos e não tributáveis, o que não é verdade analisando o nosso ordenamento jurídico. Ainda, alega que a pensão alimentícia não configura renda. A regra, como mencionado, é que qualquer rendimento, seja proveniente do salário, do capital e da conjunção de ambos, deve ser levado à tributação. Apenas em algumas hipóteses o legislador, mediante lei em sentido estrito, entendeu por bem isentar determinados rendimentos, de forma taxativa. Contudo, não é o caso da pensão alimentícia, salvo se o alimentante for portador de moléstia grave, também determinada por lei. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.902755/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2011
RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DATA DO FATO GERADOR: 31/10/2011 RESTITUIÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 27 55 /2 01 4- 52 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10480.902755/201452 Acórdão n.º 3301005.209 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Restituição (PER) da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude de o pagamento informado encontrarse totalmente alocado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou aos autos DCTF mensal original e retificadora e comprovante de pagamento como provas do recolhimento indevido. Sustentou que o Pedido de Restituição havia sido negado por falta de retificação da DCTF, contendo os valores devidos, anteriormente à data da análise do pedido de crédito. Por fim, destacou que a empresa procedera ao pedido de restituição da contribuição por se tratar de tributo com alíquota zero, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 02069.462, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando o pleito por falta de comprovação do direito creditório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade, destacando que agira de acordo com orientações recebidas de funcionários da Receita Federal e que não lhe fora informado da necessidade de retificação prévia do Dacon. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10480.902755/201452 Acórdão n.º 3301005.209 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.202, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10480.902751/201474, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3301005.202): O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente pleiteia a restituição do PIS, nos termos do art. 28 da Lei nº 10.865/2004: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: Todavia, a empresa não indicou o inciso do dispositivo. Entendo como provável o “III produtos hortícolas e frutas, classificados nos Capítulos 7 e 8, e ovos, classificados na posição 04.07, todos da TIPI”, de acordo com os atos constitutivos da Lázaro Frutas. Todavia, a decisão de piso não merece reforma, porquanto nestes autos não há suporte documental comprobatório do direito creditório requerido, o que afasta a sua certeza e liquidez. É certo que incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A Recorrente trouxe aos autos a DCTF mensal original e retificadora, a DACON retificadora e DARF, por entender como suficientes para demonstrar que o recolhimento foi indevido. Entretanto, não foram trazidos aos autos a escrituração contábil fiscal da Recorrente, esclarecimentos do porquê o recolhimento foi indevido, planilha de apuração do PIS ou notas fiscais (art. 26 a 27 do Decreto n° 7.574/2011). Entendo que as declarações retificadas devem estar acompanhadas de outros documentos que demonstrem cabalmente o recolhimento indevido. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10480.902755/201452 Acórdão n.º 3301005.209 S3C3T1 Fl. 5 4 CPC/2015 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Assim, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. Enfim, estáse diante da ausência de liquidez e certeza quanto ao suposto crédito pleiteado, devendo ser mantido o Despacho Decisório proferido pela DRF de origem. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 79DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903426/2015-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011
DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior.
PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO.
Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ.
Numero da decisão: 1302-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13888.903415/2015-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 DCTF. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada que a retificação da DCTF encontra respaldo na contabilidade, há que se reconhecer o pagamento indevido ou a maior. PROVA. MOMENTO DA APRESENTAÇÃO. Não tendo havido expressa manifestação no Despacho Decisório Eletrônico relativa à necessidade de retificação de DCTF, tampouco à comprovação desta retificação, considerando, ainda, o princípio da verdade material, é facultada ao Contribuinte a apresentação da referida prova por ocasião do Recurso Voluntário, fulcro no artigo 16, § 4º, alínea "c" do Decreto nº 70.235/72, uma vez que o fundamento da falta de comprovação veio à tona no acórdão da DRJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Maria Lúcia Miceli e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca solicitaram a apresentação de declaração de voto. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13888.903415/201535, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Como foram propostas 3 soluções distintas, foi observado o procedimento do art. 60 do Ricarf, sendo que, em primeira votação venceu a proposta de conversão em diligência, apresentada pela conselheira Maria Lúcia Miceli contra a de negar provimento ao recurso, vencidos nesta votação os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 34 26 /2 01 5- 15 Fl. 212DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação utilizandose de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) relativo ao 2º trimestre de 2011 para extinguir sob condição resolutória débitos próprios. Despacho Decisório (DD) eletrônico considerou inexistente o crédito, uma vez que o valor do DARF estava totalmente vinculado ao débito de IRPJ trimestral (código 2089) daquele período, não homologando a compensação pleiteada na DComp. Em sua manifestação de inconformidade, a Empresa diz que reconheceu, após a notificação do DD, o erro cometido pela contabilidade, uma vez que não retificou a DCTF de junho/2011, sendo que o valor da DCTF original não correspondia ao valor constatado e declarado em DIPJ, sendo este último o valor considerado correto. Assim retificou a DCTF e pediu o anulação do DD e a homologação da compensação requerida. A 4ª Turma da DRJ de Recife proferiu acórdão considerando improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO VIA DIPJ. SEM FORÇA PROBATÓRIA. A DIPJ não é suficiente, por si só, para comprovar erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo necessário trazer provas documentais outras suficientes, tais como livros fiscais e contábeis, e, conforme o caso, documentos fiscais, para que o julgador administrativo possa verificar se o tributo apurado naquela declaração corresponde ao montante escriturado. Em sede de recurso voluntário, a Empresa busca demonstrar seu direito creditório, acostando: a DCTF retificadora; o DARF com recolhimento a maior; a DIPJ 2012; Diário Geral de 2011; Razão Analítico contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; balancete de verificação relativo a junho de 2011. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.903426/201515 Acórdão n.º 1302003.256 S1C3T2 Fl. 3 3 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.239, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13888.903415/2015 35, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.239): "O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 25 de julho de 2016, tendo apresentado o recurso em 12 de agosto de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de mandato. Conheço do recurso voluntário. Como sói acontecer estamos tratando de declaração de compensação por pagamento a maior sem que a Requerente tenha retificado a DCTF correspondente. Assim, nos batimentos do Sistema de Controle de Créditos (SCC) o valor é negado. Não consta do processo que a Empresa tenha sido intimada em momento anterior à emissão do DD, e há que se fazer registro que, caso a retificação apontada tivesse ocorrido, o despacho eletrônico de nãohomologação não teria sido expedido. Então, retificando posteriormente a citada declaração, a Recorrente requer, em manifestação de inconformidade, que a DRJ considere o erro e reconheça o valor corrigido de IRPJ, com base em sua DIPJ, o que não acontece por falta de comprovação lastreada em documentos e livros contábeis e fiscais. Estamos tratando de empresa administradora de bens, tributada pelo lucro presumido, com objeto de compra e venda de bens imóveis (fl. 11). Na receita do 2ª trimestre de 2011 consta parcela significativa de venda de bens imóveis (R$11.110.500,00) oferecida no percentual de presunção de 8% e outra parte relativa a prestação de serviços, embora não conste do seu objeto social (R$52.100,35), o que entendo não prejudicar seu direito, oferecida no percentual de 32% (fls. 199 e 201), esta última com pequena diferença de 50 reais a menor. Inicialmente, entendo que as provas apresentadas nesta oportunidade devem ser aceitas, ante uma escalada que começa pela determinação de que a DCTF teria que ser retificada (DD); com a apresentação da respectiva retificação, esta deixa de ser aceita por falta de provas (Acórdão DRJ); e, finalmente, sendo apresentadas as provas relativas à retificação, vem o processo à apreciação desta turma. A questão está centrada na retificação da DCTF: caso fosse feita antes do DD, nada do que está em análise teria ocorrido; como foi feita depois do DD, exigese prova de que a retificação está conforme a escrita contábil e fiscal. Fl. 214DF CARF MF 4 Então, entendo ser compreensível a apresentação em sede de manifestação de inconformidade apenas da DCTF retificadora, haja vista que a prova de sua correção é dedução, não é requerida expressamente, se não somente depois do acórdão recorrido. Noutras palavras, a fundamentação do indeferimento do pleito na falta de comprovação só veio a tona com o acórdão recorrido. Sem adentrar no questionamento sobre se a dedução referida seria exigível ou não, haja vista que ainda temos que considerar e sopesar, também, o princípio da verdade material, entendo que a aceitação, conforme apontei até agora, teria respaldo no artigo 16 § 4º alínea "c" do Decreto nº 70.235, de 1972. Conhecidas as provas juntadas pelo Recorrente, entendo que são suficientes para demonstrar a correção de seus cálculos e, consequentemente, da DCTF retificadora apresentada, fazendo jus ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$3.578,12, conforme declaração de compensação ora em julgamento. Assim, a decisão deste processo, limitado que está à Declaração de Compensação, seria o provimento do recurso voluntário, com o reconhecimento do direito creditório requerido de R$3.578,12 e homologando a compensação requerida na DComp 09584.08284.290415.1.3.046505. Todavia, este processo é paradigma para os de nº 13888.903416/201580, 13888.903417/201524, 13888.903418/201579, 13888.903419/201513, 13888.903420/201548, 13888.903421/201592, 13888.903422/201537, 13888.903423/201581, 13888.903424/201526, 13888.903425/201571, 13888.903426/201515, 13888.903427/201560, 13888.903428/201512, 13888.903431/201528, 13888.903432/201572, 13888.903433/201517, 13888.903434/201561, 13888.903435/201514, 13888.903436/201551, 13888.903437/201503, 13888.903438/201540, 13888.903439/201594, 13888.903440/201519, 13888.903441/201563, 13888.903442/201516, 13888.903443/201552, 13888.903444/201505 e 13888.903445/201541, conforme previsto no artigo 47, § 1º do Anexo II do RICARF, abaixo transcrito: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, será formado lote de recursos repetitivos e, dentre esses, definido como paradigma o recurso mais representativo Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.903426/201515 Acórdão n.º 1302003.256 S1C3T2 Fl. 4 5 da controvérsia. (Redação dada pela Portaria MF nº 153, de 2018) Assim, todos os processos citados tratam de declarações de compensação, tendo como crédito o pagamento a maior relativo ao 2º trimestre de 2011, lucro presumido, cuja análise se procedeu nestes autos. A Empresa comprova o valor total de crédito de R$51.260,05, que, na sistemática de repetitivos, limita o valor total a ser utilizado nos demais processos conjuntamente com este. Feitas estas considerações, dou provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório pleiteado na DComp, e homologando a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, a despeito da posição deste relator no julgamento do recurso paradigma, impõese dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Declaração de Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Peço vênia para divergir da decisão do Relator, fundamentada na busca pela verdade material, um dos princípios que informam o processo administrativo fiscal. É que, conforme o art. 170 do CTN, a legislação que permite a compensação de créditos tributários exige a liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo. Assim, na hipótese de apresentação de Declaração de Compensação (DComp) por parte do sujeito passivo é ônus deste a demonstração de tais requisitos em relação ao seu direito creditório. Fl. 216DF CARF MF 6 No caso da análise eletrônica e automática como a que gerou o Despacho Decisório que não homologou a compensação de que tratam estes autos, a liquidez e certeza é aferida pela administração tributária, via de regra, pelo mero cruzamento das informações disponíveis em seu banco de dados, fornecidas seja pelo próprio sujeito passivo seja por terceiros. Incumbe, então, ao sujeito passivo a responsabilidade para que as informações por ele fornecidas à administração tributária sejam compatíveis com o direito creditório invocado. Nos presentes autos, a Recorrente apresentou a DComp compensando suposto direito creditório proveniente de pagamento indevido ou a maior, mas as informações confessadas por ela própria em sua DCTF demonstravam a inexistência do alegado direito. Por esta razão, a compensação não foi homologada pelo Despacho Decisório proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba/SP. Com a apresentação da Manifestação de Inconformidade, e instauração do contencioso administrativo, a análise da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado passa a outro nível, sendo ônus do sujeito passivo comprovála cabalmente, por meio da adequada instrução documental. O art. 16, §§4º a 6º, do Decreto nº 70.235, de 1972, de aplicação ao presente processo, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe acerca do momento para a apresentação das referidas provas: " Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13888.903426/201515 Acórdão n.º 1302003.256 S1C3T2 Fl. 5 7 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" (Destacouse) A Recorrente, como relatado, quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, limitouse a apresentar cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) retificada para compatibilizar o valor do débito confessado ao informado na, também retificada, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), e que alega ser o correto. Deste modo, deve ser considerada irretocável a decisão de primeira instância, para quem: "20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto do IRPJ apurado haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado." Os parcos elementos de prova juntados pelo sujeito passivo, de fato, não demonstram de modo algum que o novo valor de débito confessado na DCTF é o montante efetivamente devido, e não aquele confessado na primeira DCTF apresentada e informado na DIPJ original. Cabia ao sujeito passivo instruir a sua manifestação de inconformidade com todos os elementos necessários para a demonstração inconteste do seu suposto crédito. Era seu totalmente o ônus da prova. Não se desincumbindo de tal mister, operase a preclusão consumativa, sobre a qual Fredie Didier Jr (Curso de Direito Processual Civil, 18a ed, Salvador: Ed. Juspodium, 2016. Vol. 1, p. 432) assim leciona: "A preclusão consumativa consiste na perda de faculdade/poder processual, em razão de essa faculdade ou esse poder já ter sido Fl. 218DF CARF MF 8 exercido, pouco importa se bem ou mal. Já se praticou o ato processual pretendido, não sendo possível corrigilo, melhorálo ou repetilo. A consumação do exercício do poder o extingue. Perdese o poder pelo exercício dele." As questões que se põem, neste instante, são três: 1) as novas provas trazidas aos autos apenas com o Recurso Voluntário devem ser admitidas? 2) se admitidas, as novas provas são suficientes para comprovar a liquidez e certeza do crédito compensado? 3) se admitidas as provas e não sendo suficientes, há a necessidade de realização de alguma diligência para suprir eventual dúvida remanescente com estes novos elementos? Entendo que o limite temporal previsto no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito, não pode ser excepcionado a não ser nas hipóteses que se enquadrem nas suas alíneas. Não estou só neste posicionamento, cabendo citar a Professora Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2011): "Em tais situações, e apenas nelas, autorizase a juntada de novos documentos até mesmo em instante posterior ao ato decisório de primeira instância, sendo apreciados pelo órgão julgador de segundo grau, caso seja interposto recurso. O direito de contraporse à exigência fiscal e de produzir provas dos seus argumentos é regrado pelo ordenamento, que, não admitindo a instabilidade das relações jurídicas, fixa termos dentro dos quais as atividades hão de ser realizadas. Assim ocorre com a instrução probatória. Pertinente é a crítica de James Marins à prática adotada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, consistente em apreciar provas em grau de recurso, independentemente do preenchimento dos pressupostos legais. O direito à produção probatória implica observância aos limites temporais à sua realização, além, é claro, do atendimento ao requisito de sua obtenção por meio lícito." Tratando acerca da possibilidade de flexibilização de tais regras, Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 2016, pp. 6465) é categórica, mas prevê o que entende ser uma nova hipótese de exceção: "Entendemos que o limite temporal é inflexível. Tal inflexibilidade contempla, entretanto, o recebimento de provas após a impugnação, nas duas e somente duas, situações a seguir: (i) Se a prova não tiver sido juntada antes pelas razões previstas nas alíneas a,b e c do §4º acima. (ii) Pela impossibilidade de o sujeito passivo defenderse de forma plena, considerando a complexidade da autuação versus o tempo que lhe foi legalmente conferido para apresentação da defesa. Tratase, nessa medida, de comprovada impossibilidade material de se defender no prazo legal." No meu julgar, a hipótese veiculada pela doutrinadora, na verdade, já é albergada pela alínea "a" do §4º, na medida em que poderia ser entendido como um acontecimento inevitável e para o qual o sujeito passivo não concorreu ainda que culposamente, para contemplar os requisitos previstos por Maria Helena Diniz para a força maior (Código Civil Comentado, 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997, pp. 747748). Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.903426/201515 Acórdão n.º 1302003.256 S1C3T2 Fl. 6 9 De outra parte, para afastar a alegação de que o não acolhimento de documentos extemporâneos, na ausência de configuração das hipóteses de exceção previstas no texto legal, configuraria ofensa à ampla defesa, valhome da lição de Maria Teresa Martínez Lopes e Marcela Cheffer Bianchini (Aspectos polêmicos sobre o momento de apresentação da prova no processo administrativo fiscal federal in: A prova no processo tributário, São Paulo: Dialética, 2010, p. 48): "Devese observar que a justificativa apresentada para o entendimento que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação é de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do artigo 16 do PAF, devese alegar sua inconstitucionalidade, mas é vedado por lei aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." No caso dos autos, não há alegação da Recorrente de qualquer motivo que a impediu de trazer aos autos as novas provas, nem ainda estas se referem a fato ou direito superveniente, de modo que se afastam das hipóteses das alíneas "a" e "b" do referido §4º. Apenas com muito "contorcionismo hermenêutico" se poderia entender que o caso se enquadra na alínea "c" do citado dispositivo. É que não é possível admitir que o sujeito passivo foi surpreendido com a insuficiência dos elementos de prova apresentados com a Manifestação de Inconformidade. Em que a comprovação de que apresentou uma DCTF retificadora, reduzindo o débito confessado; a comprovação de que o débito anteriormente confessado em DCTF tinha um valor superior; a comprovação de que o débito informado em DIPJ retificadora corresponde ao novo valor confessado; e a comprovação de que efetuou pagamento em montante equivalente ao débito inicialmente confessado poderia atestar a liquidez e certeza do crédito tributário invocado? É óbvio que seria necessário demonstrar com a escrituração contábil e fiscal, bem como com os elementos que a embasaram, que os valores que conduzem ao novo débito confessado tem suporte fático e não são mera criação do sujeito passivo, de modo a conferir ao crédito pleiteado a certeza e liquidez exigida pela legislação. Assim, entendo que não devem ser conhecidos os novos documentos apresentados, uma vez que a Manifestação de Inconformidade era o momento adequado para a comprovação do crédito tributário. Decidir em sentido diverso, ainda que visando à busca da verdade material significa contrariar a expressa disposição legal do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Reconheço que há julgados, inclusive da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que adotam a chamada "formalidade moderada", para, com base no art. 38 da Lei nº 9.784, de 1999, bem como no critério da adequação entre meios e fins (previsto para o processo administrativo no art. 2º, inciso VI, daquela mesma norma), acatar a juntada de provas fora das regras prescritas no PAF. Fl. 220DF CARF MF 10 Com a devida vênia, entendo que tal corrente não observa que a própria disciplina trazida pelo Decreto nº 70.235, de 1972, já adota uma "formalidade moderada", quando prevê hipóteses razoáveis em que se pode mitigar o formalismo de se exigir que as provas sejam apresentadas no momento da Impugnação. Não há uma formalidade irrestrita ou exacerbada no dispositivo em questão, mas um regramento, adequado e necessário a meu ver, para o saudável funcionamento do processo administrativo, sem margens a chicanas, máfé processual ou indevida protelação. Válida mais uma vez a lição da Professora Professora Fabiana Del Padre Tomé (Op. cit.): "A doutrina costuma distinguir verdade material e verdade formal, definindo a primeira como a efetiva correspondência entre proposição e acontecimento, ao passo que a segunda seria uma verdade verificada no interior de determinado jogo, mas susceptível de destoar da ocorrência concreta, ou seja, da verdade real. Com base em tais argumentos, é comum identificar o processo administrativo tributário com a busca pela verdade material, e o processo judicial tributário com a realização da verdade formal. Nesse sentido posicionamse Alberto Xavier, Paulo Celso B. Bonilha e James Marins, dentro outros, considerando a busca pela verdade material um princípio de observância indeclinável da administração tributária, em oposição ao princípio da verdade formal que preside o processo civil e prioriza a formalidade processual probatória. Essa corrente doutrinária proclama o abandono da formalidade, na esfera administrativa, em prol da produção de prova e contraprova, para, com isso, alcançar a verdade material. Tal conclusão, entretanto, não procede. O que se consegue, em qualquer processo, é a verdade lógica, obtida em conformidade com as regras de cada sistema. Conquanto nos processos administrativos sejam dispensadas certas formalidades, isso não implica a possibilidade de serem apresentadas provas ou argumentos a qualquer instante, independentemente da espécie e forma. É imprescindível a observância do procedimento estabelecido em lei, ainda que esse rito dê certa margem de liberdade aos litigantes." Observase, portanto, que esta busca pela verdade material, bem como o atendimento ao citado critério da adequação entre meios e fins, não pode ser algo que passe ao largo dos procedimentos estabelecidos, e tolere que o administrado vá apresentando as provas "a contagotas", mesmo que em momento processual posterior ao adequado. Lembrese que o art 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, como acima destacado, impõe ao sujeito passivo a apresentação na Impugnação das "provas que possuir", sob pena, inclusive de representar a supressão da instância, com a consequente violação do devido processo legal, posto que a conduta do sujeito passivo subtrairia ao julgador de primeira instância a possibilidade de apreciar as provas juntadas em momento posterior, que seriam examinadas, exclusivamente, pelo julgador do CARF. Tal fato, inclusive, é constatado pela Recorrente, que apresenta pedido subsidiário para que os autos sejam baixados à autoridade julgadora a quo, para que esta possa se pronunciar sobre os novos elementos de prova. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.903426/201515 Acórdão n.º 1302003.256 S1C3T2 Fl. 7 11 Ora, se a regra processual foi originalmente prevista para os procedimentos de constituição do crédito tributário, quanto mais válida será para os procedimentos de restituição e compensação, em que o ônus de provar a existência do direito creditório recai exclusivamente sobre o sujeito passivo. Ressalvo, apenas para demonstrar a ausência de zelo do sujeito passivo na busca de comprovar o direito creditório que invoca, que, ainda que fossem acatados os novos documentos apresentados, nada trariam de prova inconteste do referido crédito. É que os elementos em questão se limitam a cópias simples do Diário Geral de 2011; do Razão Analítico das contas "Prestação de Serviços" e "Vendas de Mercadorias"; e do balancete de verificação relativo a junho de 2011. É óbvio que tais elementos são um começo de prova em favor do direito creditório do sujeito passivo, mas estão longe de conferir a liquidez e certeza necessária. Se o sujeito passivo confessou, à época dos fatos geradores, um valor de débito e o quitou por recolhimento; se o sujeito, tempos depois, informou este mesmo valor em sua DIPJ, qual a razão para, agora, afirmar que tal valor está incorreto? É imprescindível que ele explicite o erro cometido e como chegou ao novo valor. Assim, mesmo que se acatem os novos documentos (decisão da maioria dos meus pares), terseia a mesma situação em que se encontrou a DRJ, ou seja, elementos de prova insuficientes, sendo que a realização de diligência para a complementação documental não significaria mero esclarecimento de dúvida para a formação do convencimento do julgador, mas o suprimento da ineficiência da instrução probatória realizada pelo sujeito passivo. Os novos elementos apresentados em nada esclarecem qual foi o erro que motivou o suposto pagamento a maior. Quais foram os valores alterados na nova apuração? Não se sabe. Onde estão as provas hábeis a comprovar o indébito? A Recorrente não as apresentou. Concluise, portanto, que o sujeito passivo não provou a liquidez e certeza do crédito utilizado na Dcomp de que tratam os presentes autos. Isto posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, com a manutenção da nãohomologação da compensação realizada na Dcomp apresentada. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Com a devida venia ao D. Relator mas, o caso vertente, conforme posição por mim adotada em diversos processos passados, o ônus probatório em procedimentos de compensação administrativa é, para além de dúvidas razoáveis, do contribuinte. Isto é, a luz dos preceitos do art. 170 do CTN, a liquidez e certeza do crédito cuja recuperação se postula Fl. 222DF CARF MF 12 deve ser demonstrada pelo contribuinte, quando assim for instado pelas autoridades competentes. E, para que não recaia sobre mim a pecha de incoerente, sustento, de fato, que pelo princípio da verdade material seja atribuível às autoridades administrativas o mister de, quando menos, declinar os motivos que as levaram a não reconhecer a mencionada liquidez e certeza do direito creditório postulado (de sorte que o contribuinte possa entender, quiçá, quais provas deva produzir). Na hipótese em exame, todavia, o recorrente transmitiu DCOMP, veiculando um crédito cujo valor, declinado em DARF que lhe dera origem, estava integralmente vinculado a um débito regularmente confessado, sem que se apurasse qualquer saldo a compensar... Em outras palavras, a autoridade administrativa, aqui, por uma limitação imposta pelo próprio postulante, apontou como "questão problema" apenas a inexistência de saldo compensável, desincumbindose, neste particular, do dever de indicar qualquer outro ponto de discórdia, até por ausência de dados suficientes para assim se proceder. Não me oponho, é verdade, a que o contribuinte apresente DCTF ou mesmo DIPJ retificadora, sob alegação de erro de preenchimento, mesmo que posteriormente à prolação do competente despacho decisório desde que, contudo, esta correção venha devidamente acompanhada dos documentos que lhe comprovem a lisura e acuidade (o ônus, insistase, é de que retifica a declaração). Até porque, por força dos preceitos do art. 373, I, do CPC, compete ao requerente a comprovação do "fato constitutivo de seu direito". Se o fato que constitui o direito é o erro de preenchimento de DCTF ou DIPJ, compete a quem o alega a sua demonstração e tal demonstração deve ser feita no momento oportuno, isto é, quando da apresentação de sua impugnação (art. 16 do Decreto 70.235/75). Assim, entendo, a apresentação extemporânea de documentos necessários ao cumprimento do dever definido nos mencionados preceitos legais (art. 371 do CPC e 16 do Decreto 70.235), impede o seu conhecimento nesta fase processual. O motivo que me levou, no entanto, a concordar com as conclusões do D. Relator, cinge ao fato da maioria de meus pares ter decidido por, justamente, conhecer dos documentos trazidos pelo recorrente por ocasião da interposição de suas razões de insurgência, a par das limitações do, por vezes invocado, art. 16 do Decreto 70.235. Ato contínuo, conhecidos os preditos documentos, a única conclusão que me resta é pela procedência das alegações trazidas pelo insurgente, e, assim, reconhecer o seu direito creditório conforme posto pelo voto vencedor. Por tais razões, e só por elas, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.915327/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO.
Na ausência de Declaração Retificadora e de registros contábeis que permitam verificar a apuração do crédito, não há como reconhecê-lo por ocasião do Julgamento do Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1401-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO. Na ausência de Declaração Retificadora e de registros contábeis que permitam verificar a apuração do crédito, não há como reconhecêlo por ocasião do Julgamento do Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia de Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 53 27 /2 01 2- 01 Fl. 252DF CARF MF 2 Relatório Diante da análise do processo e das consultas efetuadas aos sistemas de controle da RFB, verificouse que em 29/04/2011, a empresa efetuou o pagamento do DARF no valor de R$ 446.174,97 Código de receita – 3373 – IRPJ , período de apuração 31/03/2011. Em 18/05//2011, a empresa transmitiu DCTF ORIGINAL MENSAL Março/2011 – com um Débito Apurado do IRPJ no valor de R$ 447.348,58, fls. 51 a 57. Em 21/08/2012, a empresa transmitiu o PER/DCOMP, objeto da lide do presente processo, utilizandose respectivamente dos valores apontados na tabela abaixo para quitação valor de R$ 446.174,97, citado acima, para compensação dos débitos nela indicados para o primeiro trimestre de 2011. Os Per/Decomps não homologados, seus respectivos valores e processos administrativos de cobrança, são os seguintes: processo Tributo período Per Dcomp valor originário 11080.915322/201271 IRPJ 31/03/2011 37274.19310.300512.1.3.048772 R$2.004,04 11080.915326/201259 IRPJ 31/03/2011 10626.20282.250912.1.3.043870 R$ 1.303,74 11080.915323/201215 IRPJ 31/03/2011 04554.76710.290612.1.3.048707 R$ 1330,98 11080.915321/201226 IRPJ 31/03/2011 11627.08751.070512.1.7.041105 R$ 16.871,14 11080.917014/201280 IRPJ 31/03/2011 15626.60096.231112.1.3.040942 R$ 1.314,55 11080.915324/201260 IRPJ 31/03/2011 32185.30771.170712.1.3.049931 R$ 1.216,81 11080.915327/201201 IRPJ 31/03/2011 11639.43635.171012.1.3.044604 R$ 1.004,78 11080.915320/201281 IRPJ 31/03/2011 15589.11951.070512.1.7.045401 R$ 2.832,83 11080.915325/201212 IRPJ 31/03/2011 30005.88638.210812.1.3.047058 R$ 1.290,11 Em 03/01/2013, a DRF/Porto Alegre – MG. emitiu Despachos Decisórios Eletrônicos não homologando a compensação declarada na PER/DCOMP, em cada um dos processos acima relacionados sob o argumento de que o pagamento fora totalmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP pleiteado. Pretendendo obter a reforma do julgado, a Recorrente ingressou com as repectivas Manifestações de Inconformidade, todas julgadas improcedentes, mantendose todos os Despachos Decisórios integralmente, sob o argumento de que pedido de retificação de DCTF, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da Fl. 253DF CARF MF Processo nº 11080.915327/201201 Acórdão n.º 1401002.973 S1C4T1 Fl. 253 3 coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que as DRJs limitamse a analisar a correção do despacho decisório, efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. Assim, mesmo o contribuinte tivesse apresentando a DCTF RETIFICADORA, qualquer alegação de erro no preenchimento desta, deveria vir acompanhada dos livros e documentos que indicassem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior, ante a falta de liquidez e certeza do crédito pleiteado, a não homologação foi mantida. Inconformada, no dia 08 de julho de 2015, interpôs recurso voluntário com vistas a obter a reforma do julgado, reproduzindo em suma os argumentos trazidos na impugnação, acrescidos de pedido de acolhimento e apreciação de provas produzidas em momento posterior a elaboração do Despacho Decisório. Com o objetivo de apressar o julgamento de seus recursos impetrou Mandado de Segurança feito 18012318270609900000004193447, 4a Vara Federal Cível da SJDF, cuja liminar foi concedida em 19 de janeiro de 2018, com o seguinte teor: "Diante do exposto, DEFIRO LIMINARMENTE O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para determinar à autoridade coatora que pratique todos os atos de sua atribuição tendentes a apreciar e julgar imediatamente os recursos voluntários interpostos pela autora , no prazo de 90 (noventa) ) dias, desde que seja apenas caso de mora administrativa e não haja outras exigências técnicas". Intimação ao CARF registrada em 25/01/2018. Vindos os autos para julgamento, entendeu a Turma por bem, converter os autos em diligência para que autoridade fiscal promovesse a aferição do real valor devido do IRPJ do primeiro trimestre de 2011 referente ao pagamento do DARF, objeto do pedido de homologação e se os valores apontados como crédito (reproduzir quadro) haviam sido utilizados para quitar algum outro débito. E ao final, a autoridade fiscal elaborasse relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Sobreveio relatório de diligência fiscal, na qual concluiuse que o valor de apuração devido a título de IRPJ consiste em 381.572,70, constante da DIPJ e da apuração do lucro real apresentada, sendo o valor informado em DCTF referente à provisão para imposto de renda, no valor de R$ 447.348,58 e o DARF recolhido no valor de R$ 446.174,97, constando ainda a informação de compensação de R$ 1.173,61, por meio de PER/DECOMP 02649.18284.290411.1.3.024381 (com informação no SIEF de homologação total), de modo que o valor do pagamento resulta em R$ 65.775,87 Considerandose as declarações de compensação que utilizaram o direito creditório atinente a esse pagamento a maior com os Recursos Voluntários interpostos, o Fl. 254DF CARF MF 4 relatório de diligência trouxe o seguinte demonstrativo de utilização do crédito de acordo com os PER/DECOMPS entregues pela Recorrente: PER/DECOMP VALOR TOTAL DO CRÉDITO VALOR CRÉDITO DT TRANSMITIDO TOTAL DÉBITO/VALOR PER SALDO REMANESCENTE 15589.11951.070512.1.7.045401 65.775,87 65.775,87 2.832,83 62.943,04 11627.08751.070512.1.7.041105 65.775,87 63.205,71 16.871,14 46.071,90 37274.19310.300512.1.3.048772 65.775,87 48.011,96 2.004,04 44.067,86 04554.76710.290612.1.3.048707 65.775,87 46.218,64 1.330,98 42.736,88 32185.30771.170712.1.3.049931 65.775,87 45.035,44 1.216,81 41.520,07 30005.88638.210812.1.3.047058 65.775,87 43.959,85 1.290,11 40.229,96 10626.20282.250912.1.3.043870 65.775,87 42.826,29 1.303,74 38.926,22 11639.43635.171012.1.3.044604 65.775,87 41.687,65 1.040,78 37.885,44 15626.60096.231112.1.3.040942 65.775,87 40.782,94 1.314,55 36.570,89 Intimado sobre o resultado da diligência, a Recorrente manifestouse favoravelmente às conclusões do relatório fiscal. É o relatório do essencial. Voto Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. O recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele conheço. Conforme já esclarecido pela decisão de piso, os pedidos de compensação não foram homologados, pois as referidas decisões adotaram como fundamento o fato de ter o DARF emitido para o pagamento do IRPJ apurado no primeiro trimestre de 2011 , contemplado a totalidade dos valores anteriormente declarados mediante DCTF, ou seja, o DARF estava em consonância com o valor originalmente declarado pela empresa, a qual ainda não havia procedido as retificações das aludidas declarações, a fim de reduzir o débito anteriormente declarado. Como consequência do não reconhecimento do crédito da recorrente, constituiuse saldo devedor correspondente aos débitos cuja compensação restou frustrada. Isto porque, segundo a decisão recorrida verificouse que o pagamento que daria origem ao crédito informado na PER/DCOMP pela interessada e apontado no Despacho Decisório, teria sido integralmente utilizado pela Receita Federal para quitação do Débito Declarado pelo contribuinte através da DCTF original do mês de março/2011 (entregue em 18/05/2011), correspondente ao mesmo período de apuração (31/03/2011). Ao análisar esse contexto, no que diz respeito a constituição do próprio crédito o Relatório Circunstanciado da diligência fiscal consigna que: Fl. 255DF CARF MF Processo nº 11080.915327/201201 Acórdão n.º 1401002.973 S1C4T1 Fl. 254 5 Admito que a Recorrente trouxe anexou ao seu Recurso Voluntário documentos suficientes a demonstrar o recolhimento ao maior do valor de R$ 65.775,87, conforme concluído inclusive pelo resultado da diligência fiscal, no entanto, entendo que para o reconhecimento do crédito era necessário um passo além, por parte dela, que embora venha sustentando a existência de erro no preenchimento da DIPJ e, por consequencia, na Decomp, em nenhum momento tomou a iniciativa de retificálas, requerendo que tal providência seja implementada por este colegiado caso reconheça a possibilidade da compensação pleiteada. Neste momento entendo pela impossibilidade de reconhecimento do crédito pleiteado pela Recorrente, sem que tenha havido no mínimo a retificação por parte dela dos erros materiais existentes em suas declarações, não vejo a possibilidade de promover tal retificação de ofício, uma vez que tal providência é exclusiva do contribuinte. Já houve casos em que reconheci inclusive a possibilidade de retificação de declaração por parte do contribuinte em momento posterior inclusive ao Despacho Decisório, como por exemplo no Acórdão n. 1401002.702, contudo, na ausência de Declaração Retificadora que constitua o crédito pleiteado, não vejo como reconhecêlo. Por estas razões, nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Fl. 256DF CARF MF 6 Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723995/2016-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR, é condição de dedutibilidade, quando comprovado que os profissionais que assinam os recibos, estão ativos no seu órgão de fiscalização.
Numero da decisão: 2002-000.429
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do RIR, é condição de dedutibilidade, quando comprovado que os profissionais que assinam os recibos, estão ativos no seu órgão de fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 39 95 /2 01 6- 85 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 18470.723995/201685 Acórdão n.º 2002000.429 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.89/95) contra decisão de primeira instância (fls.72/79), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: O processo trata de impugnação contra a Notificação de Lançamento, fls. 4/10. Da glosa procedida pela Autoridade Fiscal resultou um Imposto Suplementar de R$ 6.983,26, que, com os devidos acréscimos legais, totalizou R$ 13.129,22. O contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento, fl. 49, apresentando impugnação tempestivamente, fls. 2/3. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PROVAS. Somente são dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Para fins tributários, não basta que a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente assinalem o tema da pensão alimentícia, devendo para fins de despesa dedutível, estar fixado o valor da pensão alimentícia ou o percentual que incidirá, a este título, sobre os rendimentos do alimentante. E indispensável que os elementos de prova anexados ao processo identifiquem de que forma o autuado efetuou os pagamentos da pensão alimentícia. Quanto apresentados documentos que comprovem as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, cabe a revisão da glosa procedida pela Autoridade Fiscal. DEDUÇÃO DE DESPESA MÉDICA. RECIBO. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 18470.723995/201685 Acórdão n.º 2002000.429 S2C0T2 Fl. 4 3 A apresentação de recibos com atendimento dos requisitos do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda é condição de dedutibilidade de despesa, mas não exclui a possibilidade de serem exigidos elementos comprobatórios adicionais, da efetiva prestação do serviço e de seu pagamento. Hipótese em que a comprovação exigida não restou satisfeita. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 26/04/2017 (fl.86); Recurso Voluntário protocolado em 23/05/2017 (fl.89), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o recorrente nestes autos, por ter feito Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e/ou por Escritura Pública. Além de ter deduzido indevidamente Despesas Médicas. A r. decisão de origem, entendeu que foi comprovado o pagamento da pensão alimentícia, cabendo a reversão da glosa, no valor de R$ 21.745,24 em favor do contribuinte. Quanto aos valores deduzidos indevidamente sob o título de despesas médicas, entendeu a r. decisão ser necessário a comprovação mediante documentação hábil e idônea da prestação dos serviços, bem como a efetividade das despesas, pagas aos profissionais Edilane de Araújo Cardoso e Luciana M. Vasconcelos. Pois bem, a r. decisão revisanda, fundamentou seu entendimento no art. 73 do RIR/99, que assim preconiza: “Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5844, de 1943, art. 11 §3º)”. O recorrente, em diversas oportunidades, poderia ter juntado provas do efetivo pagamento, quedandose inerte, juntando somente recibos elaborados pelos profissionais de saúde, assim como laudos médicos. Respectivamente às fls. 23/40, 42/48, repetindo os mesmos em sede de Recurso Voluntário. O parágrafo 1º do art. 73 do RIR, assim dispõe: Fl. 169DF CARF MF Processo nº 18470.723995/201685 Acórdão n.º 2002000.429 S2C0T2 Fl. 5 4 “Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º)”. A r. decisão de origem, em nenhum momento, diz que as deduções feitas pelo contribuinte foram exageradas. Em pesquisa feita por este relator, junto ao CREFITO 2, pude constatar que as duas profissionais, que assinam os recibos, estão devidamente ativas. Tudo isto em virtude da busca da verdade material. Ademais os recibos estão de acordo com a legislação pertinente. Assim sendo, este redator entende caber razão ao recorrente, afastando a glosa referente às despesas médicas efetuadas. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento ao mesmo. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13055.720030/2016-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1
Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
Numero da decisão: 2002-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, tendo em vista a concomitância nas esferas judicial e administrativa (aplicação Súmula CARF nº 1), vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto ao cancelamento da multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, tendo em vista a concomitância nas esferas judicial e administrativa (aplicação Súmula CARF nº 1), vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto ao cancelamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, tendo em vista a concomitância nas esferas judicial e administrativa (aplicação Súmula CARF nº 1), vencida a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que conheceu parcialmente do recurso, apenas quanto ao cancelamento da multa de ofício. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 5. 72 00 30 /2 01 6- 18 Fl. 86DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campelo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 44 a 53), relativa a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 8.156,26, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação às efls. 02 a 43 dos autos, no qual o contribuinte alega, de acordo com o relatório da DRJ, e fls. 69 e 72: Inconformado com a Notificação de Lançamento, o sujeito passivo protocolou impugnação em 04/03/2016 (fls. 03 16/18), na qual alega, em síntese, que os rendimentos omitidos corresponderiam a juros moratórios, isentos de imposto de renda, e que, por isso, ajuizou ação de Repetição de Indébito c/c Declaratória de Inexistência de Relação Jurídicotributária contra a União – Fazenda Nacional, que tramita sob o nº 5000014 80.2011.404.7107, na 3ª Vara Federal de Caxias do Sul – RS. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, em 30/01/2013, no acórdão 0440.764, às efls. 69 a 72, não conheceu da impugnação por concomitância de processo judicial e processo administrativo. Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, em 01/07/2016, apresentou recurso voluntário, às efls. 78 a 81, no qual alega, em resumo, que: § baseado no ajuizamento de ação em face União, sob número do processo nº 5000014 80.2011.404.7107, o lançamento tributário não deve subsistir; § exclusão da multa de ofício. É o relatório. Voto Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13055.720030/201618 Acórdão n.º 2002000.173 S2C0T2 Fl. 87 3 Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 28/03/2013, efls. 95, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 29/04/2013, também às efls. 100, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como mencionado, o presente processo de notificação de lançamento relativa a compensação omissão de rendimentos recebidos acumuladamente. De acordo com a decisão da DRJ: Tratase de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, no valor de R$ 116.563,93. Em sede de impugnação, a interessada argumenta que não omitiu rendimentos, por corresponderem a juros moratórios, isentos de imposto de renda. Alega, ainda, que Notificação de Lançamento trata de matéria objeto de discussão em ação judicial ajuizada em face da Fazenda Nacional na 3ª Vara Federal de Caxias do Sul – RS (Processo n° 5000014 80.2011.4.04.7107), na qual figura como parte, informação que foi confirmada em consulta ao sítio do TRF4 na internet: (...) Diante dessa informação, preliminarmente, impõese observar o Ato Declaratório Normativo (Cosit) n. 03, de 14 de fevereiro de 1996 (DOU 15/02/1996), que assim dispõe: (...) a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto , importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; (Grifos no original). Visto que a contribuinte impetrou ação judicial questionando a mesma exigência aqui tratada, fica configurada a identidade de objeto entre os processos administrativo e judicial. Nessa situação, deve ser declarada a definitividade da exigência, consoante itens “a”, acima já reproduzido, e “c”, do ADN nº 03/1996, que assim dispõe: (...) c) no caso da letra “a”, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; Fl. 88DF CARF MF 4 Após o trânsito em julgado da decisão judicial, caberá ao órgão lançador aplicar ao caso o entendimento ali proferido. Logo, face a concomitância de instâncias, aplico a súmula 1 do CARF, cuja redação é: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Diante do exposto, não conheço do presente Recurso por haver concomitância de processo judicial e administrativo, declarando a definitividade da exigência fiscal na instância administrativa. Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Thiago Duca Amoni Relator Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.977125/2016-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2014
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 25 /2 01 6- 91 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977125/201691 Acórdão n.º 1401002.609 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 30/06/2014, no valor de R$ 157.610,22, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2014 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977125/201691 Acórdão n.º 1401002.609 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977125/201691 Acórdão n.º 1401002.609 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
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