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Numero do processo: 11128.723047/2015-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 15/02/2011
INFRAÇÃO ADUANEIRA. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração.
Numero da decisão: 3001-000.404
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento parcial para rejeitar o argumento de inexistência de infração, mas reconhecer a ocorrência da Denúncia Espontânea, cancelando, portanto, a multa. Sobre as demais matérias trazidas no recurso voluntário, considerar prejudicadas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o cumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informações ao Fisco, via sistema Siscomex, relativa a carga transportada, uma vez que tal fato configura a própria infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante, que lhe deram provimento parcial para rejeitar o argumento de inexistência de infração, mas reconhecer a ocorrência da Denúncia Espontânea, cancelando, portanto, a multa. Sobre as demais matérias trazidas no recurso voluntário, considerar prejudicadas. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Orlando Rutigliani Berri. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 30 47 /2 01 5- 10 Fl. 212DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Do texto agora apreciado, extraise, de sua extensão, trechos que merecem ser trazidos à tona em razão de demonstrar os fundamentos legais e o raciocínio jurídico empreendido para alcançar a devida aplicação das normas em debate. Como fundamento para a aplicação da multa, indica o Art. 107, inciso IV, alínea 'e' do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. Extraise destes autos o relato da ocorrência, em data de referência, 15/02/2011, que o Agente de Carga SANTOS PRIDE SERVICOS DE COMERCIO EXTERIOR LTDA. EPP, CNPJ Nº10487976000194, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105024692403 a destempo em/a partir de 15/02/2011 10:35, com atracação registrada em 17/02/2011 02:52 Para o caso concreto em análise, a perda de prazo se deu pela inclusão do conhecimento eletrônico house em referência em tempo inferior a quarenta e oito horas anteriores ao registro da atracação no porto de destino do conhecimento genérico. Destaquese ainda que o Conhecimento Eletrônico (CE) MBL 151105024692403 foi incluído em 12/02/2011 08:50, momento a partir do qual se tornou possível o registro do conhecimento eletrônico agregado. os extratos com o registro da conclusão da desconsolidação, verificase que figura como agente de carga transportador/representante do NVOCC embarcador, para o(s) Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105025879515, a empresa SANTOS PRIDE SERVICOS DE COMERCIO EXTERIOR LTDA IN 800/2007 SISCOMEX carga A legislação em referência estabelece que o controle de entrada e saída de embarcações e de movimentação de cargas e unidades destas em portos alfandegados será processado mediante o módulo chamado Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga Fl. 213DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 183 3 Sujeição Passiva A classificação do agente de carga como transportador e da abrangência do termo o agente de carga é legitimada pela IN RFB nº 800, de 2007, no seus arts. 2.º 3°, 4° e 5° Ainda, a fim de reforçar o argumento da viabilidade da sugeição passiva do autuado, o auto de infração faz menção ao conceito de intervenientes aduaneiros, presente no aritgo 76, parágrafo segundo Lei n° 10.833, de 2003, considerase o interveniente as pessoas físicas ou jurídicas citadas no art. 76, § 2° CONHECIMENTO ELETRÔNICO Crava importante conceito ao determinar a natureza jurídica do conhecimento eletrônico demontrando o respaldo regulamentar previsto no artigo 2.º , XI da Normativa RFB n. 800/07. PRAZO PARA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO Conforme a norma estatuiu, o prazo mínimo permitido é de 48 horas anteriores à atracação no porto de destino, via de regra, considerando também prazos excepcionais estabelecidos para algumas rotas. O agente de carga, classificado pela norma RFB em exame como transportador, está obrigado a prestar informação sobre as cargas, informação esta lançada nos documentos eletrônicos gerados a partir da desconsolidação do conhecimento eletrônico máster (submaster), o que as faz pela inclusão dos conhecimentos eletrônicos house no sistema de controle. A realização da desconsolidação deve ser feita, via de regra, até o limite das quarenta e oito horas que antecedem ao registro da atracação no porto de destino, considerando prazos inferiores estabelecidos em rotas de exceção, pois é o porto de referência para este tipo de operação. Se realizada após, o próprio sistema está programado para promover o bloqueio, impedindose o prosseguimento das operações de despacho aduaneiro Impugnação Em sua defesa a recorrente levanta a existência de ação judicial da impossibilidade de aplicação da pena – ordem judicial Ação coletiva proposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) em face da União Federal, sob o n.º 000523886.2015.4.03.6100, cujo feito tramita perante a 14ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo. o reconhecimento judicial da impossibilidade de aplicação de penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação) aos agentes de carga associados à ACTC pelo atraso na prestação ou na retificação de informações nos moldes da IN RFB 800/2007, bem como da possibilidade da aplicação da denúncia espontânea, nos termos do artigo 102, §2º, do DecretoLei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010. Fl. 214DF CARF MF 4 Sujeição passiva Em preliminar, argumenta que o responsável é o transportador, prestadora de serviço de transporte expresso e ou agente de carga. Ainda, que inexiste previsão de solidariedade entre agente marítimo e a empresa de transporte internacional A Impugnante não figurou no presente caso como agente de carga, mas como mera representante (subagente) da empresa DELFIN GROUP BRASIL LTDA., de modo que a Impugnante não pode ser qualificada como sujeito passivo da obrigação tributária acessória estabelecida pelo artigo 22, inciso III, da Instrução Normativa 800/2007. Inexistência de Infraçao No mérito, argumenta em seu favor que não se subsume ao descrito na norma legal impostiva da multa, uma vez que não deixou de prestar as informações necessárias sobre a carga. Teve, apenas que posteriormente, retificar alguma das informações. Não poderia persistir, então. a alegação que foram prestadas intempestivamente ao SISCOMEX Alega que houve cumprimento da obrigação acessória Da Denúncia Espontânea legislador presidencial, sensível à divergência doutrinária sobre o tema e visando facilitar as operações de importação e exportação nos portos brasileiros, baixou a Medida Provisória 497/2010, convertida na Lei 12.350/2010, alterando a redação do artigo 102, §2º, do DecretoLei n.º 37/1966, passando a permitir, no âmbito aduaneiro, a exclusão da responsabilidade pela denúncia espontânea da infração em casos de descumprimento de obrigações acessórias, administrativas ou instrumentais. Com a nova redação dada ao mencionado dispositivo, concluise que a denúncia espontânea da infração, no caso de descumprimento de obrigações acessórias ou meramente instrumentais, tem o condão de afastar a responsabilidade atribuída ao respectivo sujeito passivo, afastando a aplicação de qualquer penalidade, inclusive multas entende a Recorrente que, prestadas as informações antes de qualquer fiscalização pela Receita Federal do Brasil, restou caracterizada a denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 102, §2º, do DecretoLei n.º 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, não havendo que se falar, portanto, na aplicação de qualquer penalidade no presente caso. Proporcionalidade e Razoabilidade da multa DRJ/SPO A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1675.903 22ª Turma Fl. 215DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 184 5 Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 15/02/2011 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO INTEMPESTIVO DE CARGA. MULTA. O registro intempestivo do conhecimento de carga na chegada de veículo ao território nacional tipifica a multa prevista no artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei n° 37/1966 com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/2003. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Tratandose de obrigação acessória autônoma de natureza formal, a inobservância do prazo para seu cumprimento, por si só, consuma a infração, não havendo como ocorrer o arrependimento eficaz. INOBSERVÂNCIA DE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. O exame da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. O relatório da decisão de primeira instância, por representar de forma fidedigna os eventos ocorridos, merece ser transcrito: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em decorrência de prestação intempestiva de informação sobre veículo ou carga transportada. Segundo a fiscalização, o agente de carga SANTOS PRIDE SERVIÇOS DE COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. – EPP, CNPJ nº 10.487.976/000194, concluiu a desconsolidação do Conhecimento Eletrônico (MHBL) nº 151105024692403 de forma intempestiva em 15/02/2011, às 10:35 hrs, com registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico agregado (HBL) nº 151105025879515. A carga desconsolidada foi encaminhada ao Porto de Santos acondicionada em diversos containeres, no navio M/V XIN HAI KOU, na viagem AA589W, que atracou no dia 17/02/2011, às 02:52 hrs. De acordo com o previsto pelo inciso III, do artigo 22, da IN RFB nº 800/2007, a inclusão do referido Conhecimento Eletrônico agregado (HBL) deveria ter sido efetivada pela interessada quarenta e oito horas antes da atracação do navio no porto de destino da carga, o que não ocorreu, tendo sido essa a infração apontada pela fiscalização. Fl. 216DF CARF MF 6 Entendendo que houve descumprimento do prazo estabelecido pela referida norma legal, a fiscalização aplicou a multa do artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 5.000,00. Alegou a fiscalização que não cabe ao caso a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Intimada do Auto de Infração em 25/08/2015 (fl. 47), a interessada apresentou impugnação e documentos em 15/09/2015, juntados às fls. 50 a 110. Alegou que: 1. De início, apresentou um resumo sobre diversos aspectos da autuação, em particular, sobre os fundamentos e a base legal considerados pela fiscalização; Da inocorrência de sujeição passiva. 2. Não figurou no caso como agente de carga, mas como mera representante da empresa desconsolidadora, a DELFIN GROUP BRASIL LTDA., de modo que não pode ser qualificada como sujeito passivo da obrigação tributária acessória estabelecida pelo artigo 22, inciso III, da IN 800/2007; 3. A tela do Conhecimento Eletrônico house (HBL) nº 151105025879515 comprova sua alegação. Anexou documento à peça de impugnação; 4. Admitindose que o Conhecimento Eletrônico master (MBL) nº 151105024692403 foi desconsolidado fora do prazo estabelecido pelo artigo 22, inciso III, da IN 800/2007, eventual penalidade deverá ser aplicada ao real sujeito passivo da obrigação tributária cumprida extemporaneamente, e não a ora impugnante; 5. Da impossibilidade de aplicação da pena – ordem judicial. 6. A multa em questão não pode ser aplicada em função da decisão proferida em sede de tutela antecipada na Ação Coletiva n° 000523886.2015.4.03.6100, da 14ª Vara Federal da Subseção Judiciária de São Paulo, interposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC); 7. Referida Ação tem como objetivo o reconhecimento judicial da impossibilidade de aplicação de penalidades aos agentes de carga associados à ACTC pelo atraso na prestação ou retificação das informações, nos moldes da IN RFB 800/2007, bem como da possibilidade de aplicação da denúncia espontânea, nos termos do artigo 102, § 2°, do Decretolei n° 37/1966, com redação dada pela Lei nº 12.350/2010; 8. Extraise da mencionada decisão que a União Federal não poderá adotar quaisquer medidas tendentes a exigir o cumprimento de penalidades (multa, advertência, suspensão e cancelamento de habilitação) decorrentes do atraso na prestação de informações, nos moldes da IN RFB 800/2007, Fl. 217DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 185 7 desde que a empresa preste ou retifique tais informações no exercício do direito de denuncia espontânea; 9. Não seria possível sequer a lavratura de auto de infração para exigência de penalidades daqueles que exercem regularmente seu direito à denúncia espontânea, pouco importando se o atraso se deu antes ou depois da decisão em comento, nos termos da referida decisão; Do cumprimento da obrigação acessória. 10. Na condição de representante da agente de carga DELFIN GROUP BRASIL LTDA., munida da cópia do Conhecimento de Transporte Marítimo que lhe foi encaminhada, procedeu à desconsolidação do Conhecimento Eletrônico master (MBL) nº 151105024692403; 11. Os dados lançados no sistema decorrem das informações constantes dos Conhecimentos de Transporte Marítimo, bem como no aludido Conhecimento Eletrônico master (MBL), ao qual o Conhecimento Eletrônico house (HBL) nº 151105025879515 está vinculado; 12. Ao lançar as informações do aludido Conhecimento Eletrônico house (HBL), a impugnante utilizouse dos dados constantes no respectivo Conhecimento Eletrônico master (MBL), bem como na indicação apontada no Conhecimento de Transporte Marítimo; 13. O agente de navegação, representante do armador, promoveu em tempo hábil a inclusão de informações sobre as cargas transportadas, por meio do Manifesto Eletrônico nº 1511500285414, Conhecimento Eletrônico master (MBL) e Escala Eletrônica nº 11000036680; 14. Todos os prazos exigidos pela fiscalização foram cumpridos; 15. Assim sendo, impõemse a não aplicação da penalidade, sob pena de afronta aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, moralidade e, principalmente, da segurança jurídica, não somente albergados na Constituição Federal, mas também no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal; Da exclusão da penalidade pela denúncia espontânea. 16. A responsabilidade atribuída à impugnante foi excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional e artigo 102, § 1º e § 2º, do Decretolei nº 37/1966. Reproduziu doutrina e julgado do Poder Judiciário sobre o tema; Fl. 218DF CARF MF 8 17. O cumprimento extemporâneo de obrigação acessória, fora do prazo estabelecido na legislação tributária, afasta a responsabilidade atribuída ao sujeito passivo, pela incidência dos efeitos jurídicos do instituto da denúncia espontânea; 18. A redação atual do artigo 102, § 2º, do Decretolei n° 37/1966, inclui as penalidades de natureza tributária ou administrativa. Citou os artigos 40 e 47 da exposição de motivos da MP n° 497/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010, que alterou a redação do artigo 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966. Reproduziu julgado do Poder Judiciário e decisão administrativa sobre a multa aqui aplicada; 19. A impugnante, ao desconsolidar, em nome da agente de carga DELFIN GROUP BRASIL LTDA., o Conhecimento Eletrônico master (MBL) nº 151105024692403, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização, excluiu sua responsabilidade pelo descumprimento da obrigação acessória em razão dos efeitos jurídicos da denuncia espontânea da infração, razão pela qual a autuação fiscal não pode prosperar; Da proporcionalidade e da razoabilidade da multa imposta. 20. Se o sujeito passivo desconsolidar com atraso de minutos, horas, dias, semanas ou até mesmo meses determinado Conhecimento Eletrônico, a ele se impõe idêntica penalidade, sem determinar a lei que se observe qualquer critério de proporcionalidade; 21. Não é proporcional e tampouco razoável que o simples atraso na desconsolidação de determinado Conhecimento Eletrônico imponha a aplicação da multa em destaque, restando também ofendidos os princípios da capacidade contributiva e da vedação do confisco, insculpidos nos artigo 145, § 1º, e 150, incisos II e IV, ambos da Constituição Federal; 22. A sansão em destaque inviabiliza que os agentes de carga exerçam sua atividade econômica; 23. O artigo 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833/2003, é inconstitucional, na medida que ofende aos princípios acima mencionados, impondose a declaração de nulidade da exação imposta; Considerações finais. 24. Requer a impugnante sua notificação da data e horário em que ocorrerá a sessão de julgamento de sua impugnação, a fim de que possa sustentar oralmente as razoes de fato e de direito que justificam a improcedência do auto de infração em discussão; Fl. 219DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 186 9 25. Por fim, aguarda e confia que o auto de infração seja julgado improcedente, declarandose a nulidade ou a inexigibilidade do crédito tributário guerreado, ou que a penalidade imposta seja reduzida. Não obstante, quando da análise preliminar do auto de infração em questão, entendeuse pela necessidade de conversão do julgamento em diligência, nos termos do disposto pelo artigo 35 do Decreto 7.574/2011, para que a autuada apresentasse a cópia integral da Ação Coletiva nº 000523886.2015.4.03.6100, de autoria da Associação Nacional das Empresas Transitarias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), e todos os elementos de prova da sua condição de associada dessa entidade no momento do ajuizamento. A diligência em questão foi formalizada através do Despacho nº 16, de 01 de dezembro de 2015, de fls. 115 a 117. Em 11/02/2016, a SANTOS PRIDE SERVIÇOS DE COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. – EPP foi cientificada para dar cumprimento à diligência, no prazo de 05 (cinco) dias (fl. 123). Em 16/02/2016, a empresa solicitou a dilação do prazo por 20 (vinte) dias (fl. 130). Observando que a diligência não havia sido cumprida, a fiscalização encaminhou uma segunda intimação, cientificada pela interessada em 26/04/2016. Desta vez, o prazo concedido para atendimento foi de 30 (trinta) dias (fls. 134 a 137). Em 05/09/2016, a fiscalização registrou novamente o não atendimento da intimação pela interessada (fl. 138). Do relatório, seguiuse à leitura do voto que rebateu, individualmente, a inocorrência de sujeição passiva, mpossibilidade de aplicação da pena por ordem judicial, o desumprimento da obrigação acessória, a impossibilidade de exclusão da penalidade pela denúncia espontânea e a perfeii proporcionalidade e razoabilidade da multa imposta no presente caso. Recurso Voluntário O instrumento de defesa utilizado pela recorrente, trouxe ao conhecimento, argumentos a fim de reformar a decisão de primeira instância administrativa, sendo que, argumentou de forma inaugural, pela nulidade do lançamento. Nulidade do lançamento Atribui ao texto da lei 11.457 de 2007, mais especificamente em seu artigo 24, que todos os órgãos de julgamento da RFB estariam obrigados a promover seu processo decisório dentro de 360 dias. Desta frma, o principio da eficiência estaria sendo materializado. Neste caso em concreto, a impugnação, foi protocolizada em 15 de setembro de 2015 e julgada em 08 de fevereiro de 2017, ultrapassando, assim o prazo de 360 dias. inocorrência de sujeição passiva Fl. 220DF CARF MF 10 Impelese a recorrente contra a imposição da multa uma vez que não figurou como agente de cargas, mas sim, como representante ou subagente da empresa Delfin, não podendo ser listada como sujeito passivo da obrigação estipulada no artigo 22 III da IN 800/2007. Menciona, como prova de sua qualidade diversa da eleita com destinatário da multa, a tela de consulta de Conhecimento Eletrônico house (HBL) n.º 151.105.025.879.515, pois teria a ora Impugnante agido na qualidade de Representante / Desconsolidador. Repete os demais argumentos anteriormente expostos na Impugnação, quais sejam; Do cumprimento da obrigação acessória e Inexistência de infração, Da Denúncia Espontânea, Proporcionalidade e Razoabilidade da multa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso insurgese contra a imposição de multa no Conhecimento(s) Eletrônico(s) (CE) Agregado(s) HBL 151105025879515. A Receita Federal do Brasil alega o descumprimento do §1.º do art. 37 do DecretoLei 37/66 c/c art. 22, II, d, art. 23, III, art. 25, I, art. 27, §3º, art. 50, parágrafo único, II, da IN/RFB n° 800/2007 alterada pela IN/RFB n° 899/2008. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: Nulidade do lançamento, inocorrência de sujeição passiva, Do cumprimento da obrigação acessória, Inexistência de infração, Da Denúncia Espontânea, Proporcionalidade e Razoabilidade da multa. Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo. Sobre os argumentos trazidos no recurso, tomo conhecimento total. DOS FATOS CE 151105025879515 A Data inclusão no sistema foi dia 15/02/2011 às 10hrs35min36s. O navio atracou dia 17/02/2011 às 02hrs52min00s conforme escala 11000036680, conforme fls. 02 18, do e processo Fundamento Legal da Multa Fl. 221DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 187 11 A fim de tratar do delineamento do tema, se faz necessário, no presente caso, delimitar os fundamentos legais que lastreiam a imposição da multa discutida nestes autos. Bem se verá, que o artigo 107, IV, letra e, tipifica como conduta infracional a omissão caracterizada por deixar de prestar informação. A cobrança de multa prevista no artigo 107, IV, e, do DL 37/66. Seção V Multas Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga;: A multa, em específico, foi ensejada em decorrência de descumprir o dever de prestar informações ao sistema da RFB SISCOMEX Cargas, dentro do prazo mínimo de 48h (quarenta e oito horas) antes da chegada da embarcação, em consonância ao artigo 22 da IN 800/07.. O dever, portanto, que foi considerado desrespeitado, foi o previsto: Seção VIII Dos Prazos para a Prestação das Informações Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB I as relativas ao veículo e suas escalas, cinco dias antes da chegada da embarcação no porto; e II as correspondentes ao manifesto e seus CE, bem como para toda associação de CE a manifesto e de manifesto a escala d) quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação, para os manifestos de cargas estrangeiras com descarregamento em porto nacional, ou que permaneçam a bordo; Portanto, a prestação de informações deveria respeitar o prazo de 48 horas antes da chegada da embarção. As datas são verificadas nas Escalas e Extratos de CE. PRELIMINARES Foi mencionado, em favor da recorrente, preliminar objetivando a nulidade do auto de infração e a impossibilidade de a recorrente sujeitarse passivamente à cobrança de multa. Ausência de Concomitância Foi mencionado, em sede de impugnação, a existência da Ação coletiva proposta pela Associação Nacional das Empresas Transitárias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC) em face da União Federal, sob o n.º 000523886.2015.4.03.6100, cujo feito tramita perante a 14ª Vara Federal da Subseção Fl. 222DF CARF MF 12 Judiciária de São Paulo, e argumentada a impossibilidade de continuidade deste procedimento administrativo. Ao longo do contencioso administrativo a recorrente foi intimada para comprovar sua associação com a entidade ocupante do polo ativo da ação coletiva, mas não logrou satisfazêlo. Seguese ao trecho do acórdão de piso: Diante da apresentação desse argumento de defesa, a impugnante foi intimada, em sede de diligência, para apresentar a cópia integral da petição inicial da referida Ação Coletiva, de autoria da Associação Nacional das Empresas Transitarias, Agentes de Carga Aérea, Comissárias de Despachos e Operadores Intermodais (ACTC), e todos os elementos de prova da sua condição de associada dessa entidade no momento do ajuizamento, conforme documento de fls. 115 a 117, todavia, a mesma se manteve silente, mesmo tendo sido intimada em mais de uma oportunidade pela fiscalização, conforme detalhado no relatório deste acórdão. Decido Diante do exposto, REJEITO a preliminar de concomitância. Prazo de 01 ano para julgar Requereu a contribuinte a aplicação da lei 11.457/2007, mais especificamente em seu artigo 24, uma vez que entende estar todos os órgãos de julgamento da RFB obrigados a promover seu processo decisório dentro de 360 dias. Não assiste razão à requerente, uma vez que tal prazo não vem, na legislação, acompanhado de norma sancionatória. Segue ao entendimento, sobre a questão, já manifestada por este CARF: Acórdão nº 3402004.122 PAF. PRAZO PARA JULGAMENTO Não há na legislação tributária definição de penalidade pelo descumprimento do prazo e sabese que qualquer sanção deve estar prevista em Lei. E, cancelar o Auto de Infração por inobservância do prazo previsto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, seria, sem dúvida, uma sanção à Fazenda Pública. Ainda, compreendo que este tipo de norma, regraria, a seu turno, a possibilidade de ocorrência de prescrição intercorrente no processo administrativo, vedada pela súmula 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Decido Neste sentido, voto por REJEITAR o pedido de extinção do processo por decurso do prazo previsto na Lei 11.457;07. Segunda preliminar Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 188 13 Sujeição passiva Alega a recorrente a ocorrência de sujeição passiva inadequada aos fatos apresentados nas narrativas e versões descritas. Em especial, destacase argumentos da recorrente: Sendo descabida a pretensão do administrador de atingir os agentes marítimos, desconsolidador ou agente de carga. Isto por que, não há previsão legal para a aplicação da responsabilidade solidária pretendida pela autoridade fazendária. Entretanto, há equiparação do agente de cargas e dos agentes consolidadores e desconsolidadores, no caso prático, última figura, ao transportador, consoante a leitura do artigo 2.º, parágrafo 1.º, IV, da IN 800/2007: artigo 2.º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela consolidação da carga na origem; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela consolidação da carga na origem; d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíenas "a" e "b" , responsável pela desconsolidação da carga no destino; e d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; Decido Neste ponto, REJEITO a preliminar de sujeição passiva, vez que não assiste razão à recorrente. MÉRITO Do cumprimento da obrigação acessória Inexistência de infração Consoante se delinou acima, CE 151105025879515, a data de inclusão no sistema foi dia 15/02/2011 às 10hrs35min36s. Sendo que, o navio atracou dia 17/02/2011 às 02hrs52min00s, em conformida com os dados constates da escala n.ºº 11000036680. Fl. 224DF CARF MF 14 Desta feita, verificase que o prazo de 48 horas previsto no artigo 22, II, d, da IN 800/07 foi desrespeitado, em estrita consonância com a descrição efetivada no Auto de Infração. Decido Neste sentido, NEGO PROVIMENTO reconhecendo o atraso no envio das informações. Da Denúncia Espontânea O tema da denuncia espontânea foi objeto de Súmula no CARF 49, A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta. Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento Em análise ao repertório jurisprudencial deste conselho, deparase com o julgado da E. CSRF, na qual o colegiado superior determinou a impossibilidade de aplicação da denúncia espontânea em penalidades motivadas por descumprimento de prazos relativos à prestação de informações. O complexo tema foi objeto de debate, alcançandose o resultado, destaquese por voto de qualidade, conforme trechos transcritos a seguir: Acórdão nº 9303003.635 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, Ainda que haja a decisão da E. CSRF, entendo que o tema merece ser revisto, utilizando, em argumentos, o trecho do voto vencedor do Conselheiro Cassio Schappo, que, com sua costumeira habilidade, concatena os argumentos em prol da possibilidade de aplicação da denuncia espontânea em tema de obrigação acessória aduaneira. Acórdão nº 3801 005.339 Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 189 15 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, §2º do DecretoLei nº 37,66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Destaco, pela objetividade na exposição de argumentos, o voto vencedor do Conselheiro Cássio Schappo, em trechos que resume o conceito de denuncia espontânea e os meios como comprova sua aplicação para impedir a cobrança da multa por prestar informações a destempo: Por outro lado restaram os casos em que as informações sobre o embarque da mercadoria, ultrapassaram o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes de qualquer iniciativa do fisco para a lavratura do auto de infração. Neste caso, aplicase o instituto da denúncia espontânea, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN): Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações,mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, entendo que deva ser cancelada toda a parte remanescente do ato fiscal, correspondente aos casos em que foi ultrapassado o prazo de 7 (sete) dias, porém, antes da lavratura do presente auto de infração. Decido Com base nos precedentes anteriormente citados, DOU PROVIMENTO, reconhecendo a ocorrência de Denúncia Espontânea, no sentido de ser cancelada a multa constituída pelo auto de infração. Proporcionalidade e Razoabilidade da multa Considero a matéria prejudicada pelo enfrentamento do mérito. CONCLUSÃO Fl. 226DF CARF MF 16 Diante do exposto, CONHEÇO TOTALMENTE do recurso. Em sede de preliminares, REJEITO a concomitância, os argumentos em face da sujeição passiva, e a prescrição intercorrente. No mérito DOU PARCIAL PROVIMENTO, rejeitando o argumento de inexistência de infração, mas reconhecendo a ocorrência da Denúncia Espontânea, cancelando, portanto, a multa. Sobre as demais matérias trazidas no recurso voluntário, consideroas prejudicadas. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 190 17 Voto Vencedor Conselheiro Orlando Rutigliani Berri Redator Designado Preâmbulo Com a devida licença à bem fundamentada argumentação do Ilmo. Conselheiro Relator e concessa venia aos meus pares que entenderam em sentido contrário, esclareço que o presente prestase tão somente para expor meu entendimento acerca da impossibilidade jurídica de conhecerse aplicável ao caso dos autos o instituto da denúncia espontânea, conforme suscitada em sede de Recurso Voluntário. Entendem os conselheiros Renato Vieira de Avila (relator) e Francisco Martins Leite Cavalcante que "por força da redação dada pela Lei nº 12.350/2010 ao art. 102, § 2º do DecretoLei nº 37/66, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização", razão pela qual reconheceram "a ocorrência da Denúncia Espontânea, cancelando, portanto, a multa". Dos fatos A decisão recorrida Acórdão 1675.903, da 22ª Turma da DRJ/SPO, de 08.02.2017, analisando referido argumento concluiu que em se tratando de "obrigação acessória autônoma de natureza formal, a inobservância do prazo para seu cumprimento, por si só, consuma a infração, não havendo como ocorrer o arrependimento eficaz". Isto porque, é fato inconteste que "o agente de carga SANTOS PRIDE SERVIÇOS DE COMÉRCIO EXTERIOR LTDA. EPP, CNPJ nº 10.487.976/000194, concluiu a desconsolidação do Conhecimento Eletrônico (MHBL) nº 151105024692403 de forma intempestiva em 15/02/2011, às 10:35 hrs, com registro extemporâneo do Conhecimento Eletrônico agregado (HBL) nº 151105025879515. A carga desconsolidada foi encaminhada ao Porto de Santos acondicionada em diversos containeres, no navio M/V XIN HAI KOU, na viagem AA589W, que atracou no dia 17/02/2011, às 02:52 hrs". Não conformandose com a decisão de primeira instância, o recorrente, reafirmando o que advogou em sede de manifestação de inconformidade, assenta que "deve esse nobre Colegiado aceitar o fato de que a responsabilidade indevidamente atribuída à impugnante foi excluída pela denúncia espontânea da infração, nos termos do artigo 102, §§ 1º e 2º, do DecretoLei n.º 37, de 18 de novembro de 1.966", haja vista que "a Medida Provisória n.º 497/2010 (posteriormente convertida na Lei n.º 12.350/2010) criou uma exceção à regra da inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea da infração pelo descumprimento de obrigações acessórias, administrativas ou instrumentais", para concluir que "a agente de carga DELFIN GROUP BRASIL LTDA. (representada da Recorrente), ao desconsolidar o Conhecimento Eletrônico master (MBL) nº. 151.105.024.692.403, antes do início de qualquer procedimento de fiscalização da Receita Federal do Brasil, excluiu sua responsabilidade pelo descumprimento da obrigação acessória a si imposta em razão dos efeitos jurídicos da denúncia espontânea da infração, razão pela qual a Fl. 228DF CARF MF 18 autuação fiscal exarada contra a Recorrente não pode prosperar em face de sua manifesta insubsistência". Da denunciação espontânea da infração O recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a penalidade que lhe fora aplicada, sob o argumento de que com a alteração legislativa do parágrafo 2º do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, promovida pela Lei 12.350 de 20.12.2010, resultante da conversão da Medida Provisória 497 de 27.07.2010, passouse a reconhecer que a denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidade de natureza administrativa. Porém, entendo não assistirlhe razão, pois, como veremos, a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denunciação espontânea da infração em comento. A fim de justificar e, por conseguinte, fundamentar o motivo pelo qual a penalidade ora objetada não comportar a denúncia espontânea, conforme disposta no CTN, peço licença para colacionar trechos do voto da lavra do conselheiro José Fernandes do Nascimento, que restou consignado no Acórdão 3102002.187, exarado em 26.03.2014, verbis: (...) Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 191 19 administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. (...) De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. (...) Fl. 230DF CARF MF 20 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. (...) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, de 26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: (...) No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 192 21 Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Em reforço, cabe destacar que a presente situação envolve operações de exportação cujos dados foram obtidos junto ao SISCOMEXCARGA. Neste sentido, importa esclarecer que o Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX é o instrumento administrativo que integra as atividades de registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior, conforme artigo 2º do Decreto 660 de 25.09.1992. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, como um dos órgãos gestores do Siscomex é responsável pelas áreas aduaneira e tributária, assim, a fiscalização no âmbito de sua competência objete os dados junto ao referido sistema. Para contextualizar a situação fática, observese que toda mercadoria destinada ao exterior, inclusive a reexportada, está sujeita a despacho de exportação, com as exceções estabelecidas na legislação específica. (RA/2002, artigo 520) e (RA/2009, artigo 581). Em geral, o despacho de exportação será processado por meio de Declaração de Despacho de Exportação (DDE), registrada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), tendo a si vinculados um ou mais Registros de Exportação (RE). Portanto, sabedores que somos que tais processamentos de embarques são determinantes para propiciar o desembaraço aduaneiro das respectivas mercadorias e, por consequência, procede à conclusão dos despachos de exportação (DDE's), não há como prevalecer a hipótese do recorrente para adotarse a tese da denúncia espontânea da infração Fl. 232DF CARF MF 22 prevista no artigo 138 do CTN; pois, como já salientado, em se tratando de penalidade aduaneira, a denúncia espontânea possui tratamento específico. Reproduzse os preceitos dos artigos 612 do Decreto 4.543 de 26.12.2002 e 683 do Decreto 6.759 de 05.02.2009 Regulamento Aduaneiro à época vidente, verbis: Regulamento Aduaneiro/2002 Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decretolei no 37, de 1966, art. 102, § 1o, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Regulamento Aduaneiro/2009 Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1o Não se considera espontânea a denúncia apresentada (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 1o): I no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou (...) Da leitura dos enunciados normativos acima transcritos, verificase que, depois do ano de 2010, com o advento das novas redações do artigo 102 do Decretolei 37 de 1966, dadas pelo Decretolei 2.472 de 01.12.1988 e pela Lei 12.350 de 20.12.2010, em alguns casos a denúncia espontânea passou a alcançar também as multas de natureza administrativa. Entretanto, este mesmo regramento é taxativo em determinar, desde muito antes da ocorrência do fato gerador da infração que culminou na exigência da multa sob exame, que "não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria". E é justamente este o caso dos autos, tendo em vista que o recorrente prestou extemporaneamente as informações exigidas e, por óbvio, antes do desembaraço aduaneiro das mercadorias/cargas descritas nos respectivos despachos de exportação; isto porque tal procedimento desembaraço aduaneiro somente é passível de perfectibilizarse depois de prestadas as informações que estavam sob a responsabilidade do agente marítimo ora autuado. É como penso. Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11128.723047/201510 Acórdão n.º 3001000.404 S3C0T1 Fl. 193 23 Da conclusão Dessa forma, ao que concerne à matéria sobre apreço denúncia espontânea, restando demonstrada a infração praticada e a correta aplicação da penalidade dela decorrente, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto, para manter, nos exatos termos da decisão recorrida, o crédito tributário objurgado. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 234DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.907226/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 20/01/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
I - A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II - A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limita-se ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III - Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa.
Numero da decisão: 2401-005.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. I A manifestação de inconformidade instaura (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa. II A competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário contra decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II). III Não se conhece de recurso volutário que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e, por conseguinte, não submetidos à primeira instância administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 72 26 /2 00 9- 32 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 13603.907226/200932 Acórdão n.º 2401005.630 S2C4T1 Fl. 110 2 Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação utilizando pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 34.183,50 (cód 0561, PA 31/12/2008), veiculado na PER/DCOMP 03588.28174.120309.1.3.047768, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. Intimado do Despacho Decisório em 20/10/2009, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 19/11/2009 alegando, em síntese: a) Ao processar eletronicamente a declaração, sem qualquer diligência fiscal, intimação ou pedido de esclarecimentos, considerouse que o crédito não estaria disponível por ter sido utilizado integralmente na liquidação de débito de IRRF, a inviabilizar a presente compensação. O DARF em questão também ensejou as PER/DCOMPs 21203.33658.060309.1.3.047742 e 10992.03171.060309.1.3.047804, analisadas nos PTAs n. 13603.908377/200916 e 13603.907225/200998 e cuja apreciação conjunta se apresenta pertinente. Ocorre que, em 24/10/2009, a Requerente apresentou DCTF retificadora indicando que o débito de IRRF apurado seria de R$ 2.318.879,96 e não o valor de R$ 2.905.103,18 inicialmente declarado e considerado no Despacho Decisório. Para liquidar o débito de R$ 2.318.879,96, utilizouse compensação no valor total de R$ 927.319,52 e pagamentos no valor total R$ 1.391.560,44 (DARFs: R$ 117.212,89, R$ 156.110,01, R$ 270.165,19, R$ 420.344,41 e R$ 427.727,94). Logo, o DARF de R$ 265.696,55 deixou de estar vinculado ao débito de IRRF apurado na DCTF original, a restar comprovada a necessidade de reformulação do Despacho Decisório. b) A DCTF retificadora tem a mesma natureza da original e a substitui integralmente, não estando preenchido o suporte fático do § 2° do art. 11 da IN RFB n° 903, de 2008. Na DCTF referente a fevereiro de 2009, foi apontada a compensação declarada no PER/DCOMP, antes da emissão do Despacho Decisório. De todo modo, o princípio da verdade material exige a consideração da retificação e existência do crédito pleiteado, conforme ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa. Assim, comprovada a existência do crédito, não há como se negar a homologação da compensação, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. c) Pede o conhecimento e provimento da manifestação de inconformidade para se reformar o Despacho Decisório, sendo reconhecido o crédito de R$ 265.696,55 e homologada de forma integral a compensação do PER/DCOMP Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13603.907226/200932 Acórdão n.º 2401005.630 S2C4T1 Fl. 111 3 03588.28174.120309.1.3.047768 e indicadas em anterior PER/DCOMP. Subsidiariamente, requer diligência para obtenção de maiores esclarecimentos ou documentos. Requer ainda a apreciação conjunta dos PTAs n 13603.908377/200916 e 13603.907225/200998. Em 21/07/2010, foi prolatado Acórdão de primeira instância do qual, em síntese, se extrai: a) O crédito utilizado na DCOMP não foi reconhecido pela DRF em função das informações prestadas na DCTF original. b) Em face do disposto nos arts. 10 e 11 da IN RFB n° 903, de 2008, a declaração retificadora substitui integralmente a original, contudo os valores informados estão sujeitos à verificação do fisco, especialmente quando os valores alterados dão origem a possíveis créditos utilizados em DCOMP. A manifestação de inconformidade não apresentou qualquer comprovação da alteração efetuada. As DIRF's corroboram o valor do IRRF05561 informado na DCTF original. Além disso, tanto no período anterior novembro/2008, quanto no período posterior janeiro/2009, o valor do IRRF0561 informado pelo contribuinte na DCTF é inferior à soma dos valores retidos informados pelo contribuinte na DIRF correspondente. Concluise pela inexistência de pagamento indevido. c) Os demais processos mencionados pelo impugnante são analisados nesta mesma data. Indeferese protesto genérico para produção de provas em razão da preclusão e o pedido de diligência por ser tal providência desnecessária diante dos elementos constantes dos autos. Cientificado em 26/08/2010, o contribuinte interpôs em 27/09/2010 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) O Acórdão recorrido não reconheceu o direito à repetição do indébito em razão de a retificação da DCTF ter se dado após o procedimento fiscal. Esse entendimento se baseia em interpretação equivocada da sistemática da DCTF retificadora. b) Na DCTF original, apontouse o IRRF de R$ 2.905.103,18 liquidado por compensações no valor de R$ 927.319,52 e recolhimentos de R$ 1.977.783,66, a incluir o DARF de R$ 265.696,55. Na impugnação, demonstrouse o equívoco da inclusão desse DARF e já se indicou que a DCTF havia sido retificada para se liberar tal DARF. b1) Posteriormente, contudo, a recorrente verificou que havia desconsiderado em sua retificação outra compensação efetuada em 13/01/2009 e no valor de R$ 1.434.295,57 e processada por meio da PER/DCOMP 01609.50585.130109.1.3.015239. Assim, da nova DCTF retificadora passou a constar como devido a título de IRRF R$ 2.905.103,18 liquidado por duas compensações nos valores de R$ 927.319,52 e R$ 1.434.295,57 e pagamentos no valor total de R$ 543.488,09. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13603.907226/200932 Acórdão n.º 2401005.630 S2C4T1 Fl. 112 4 b2) Não obstante essa nova retificação, inegável que o pagamento do DARF de R$ 265.696,55 efetivamente apresentase como indevido. Essa situação já se verificava em janeiro de 2009, mas somente agora restou devidamente indicada em DCTF e por isso o apontou na PER/DCOMP 03588.28174.120309.1.3.047768. c) A DCTF retificadora tem a mesma natureza da original e a substitui integralmente. O princípio da verdade material exige a consideração da retificação e existência do crédito pleiteado, conforme ensinamentos doutrinários e jurisprudência administrativa. d) Pede a reforma da decisão recorrida para que seja reconhecido o direito à restituição de R$ 265.696,55 e homologada de forma integral a compensação indicada no PER/DCOMP. Requer ainda a apreciação conjunta dos PTA Requer ainda a apreciação conjunta dos PTAs n 13603.908377/200916 e 13603.907225/200998.. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro A confrontação entre a manifestação de inconformidade e as razões do recurso voluntário revela inovação dos motivos de fato e de direito e abandono dos pontos de discordância veiculados na manifestação de inconformidade. Segundo a manifestação de inconformidade, haveria recolhimento a maior em razão de o monante devido de IRRF0561PA31/12/2008 não ser de R$ 2.905.103,18, como constara da DCTF original, mas de R$ 2.318.879,96 conforme DCTF retificadora. O Acórdão da DRJ considerou que não foi apresentada prova alicerçando a retificação e que a DIRF corrobora o valor de R$ 2.905.103,18. Assim, sendo devido o valor de R$ 2.905.103,18, as razões apresentadas na manifestação de inconformidade para a configuração do recolhimento indevido não se sustentariam. No recurso, o contribuinte abandona o ponto de discordância de o valor devido de IRRF0561PA31/12/2008 não ser de R$ 2.905.103,18 e inova os motivos de fato e de direito presentes na manifestação de inconformidade ao sustentar que o recolhimento indevido decorre do fato de ter quitado parte substancial do débito de IRRF0561 PA31/12/2008 mediante compensação e que teria reconhecido tal situação fática em nova DCTF retificadora. Assim, substituiuse integralmente a causa de pedir ao se alegar que o indébito decorre da quitação por compensação não considerada e não em razão de o montante devido de IRRF0561PA31/12/2008 ser de R$ 2.318.879,96, ganhando relevo questões probatórias até então não cogitadas nos autos. Por exemplo, se houve ou não homologação da compensação em tela e cuja alegação e início de prova foram trazidos aos autos tão somente com as razões de recurso. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13603.907226/200932 Acórdão n.º 2401005.630 S2C4T1 Fl. 113 5 Notese ainda que, em relação a causa de pedir original, não foi apresentado qualquer inconformismo acerca da apreciação empreendida pelo Acórdão de piso. O contribuinte acabou por reconhecer o cabimento da rejeição integral da causa de pedir veiculada na inicial ao apresentar nas razões de recurso nova causa de pedir. Destaquese que o argumento de a DCTF retificadora ser dotada da mesma eficácia da original em razão de o princípio da verdade material determinar a prevalência dos fatos alegados e provados diante do conjunto probatório produzido no processo administrativo não autoriza a substituição em sede de recurso voluntário da causa de pedir veiculada na manifestação de inconformidade. A manifestação de inconformidade instaura (Lei n° 9.430, art. 74, §11; e Decreto n° 70.235, de 1972, art. 14) e delimita (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III, e 17) a lide administrativa e a competência do Conselho Administrativo de Recuros Fiscais limitase ao julgamento de recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 25, II), logo não há como se conhecer de recurso que pretenda a apreciação de motivos de fato e de direito, pontos de discordância e razões não mencionados na manifestação de inconformidade e não submetidos à primeira instância administrativa. Assim, operouse a preclusão consumativa e a apreciação por esse Conselho da matéria não deliberada pela DRJ ensejaria ofensa aos dispositivos legais citados em evidente supressão de instância1 e violação do princípio da congruência2. O entendimento aqui esposado alinhase à iterativa, notória e atual jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, como bem ilustram as seguintes ementas: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. (Processo n° 13942.720005/201478, Acórdão nº 1002000.193 – Turma Extraordinária / 2ª Turma / 1ª Seção de Julgamento, Sessão de 10 de maio de 2018) MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. 1 Lei n° 5.869, de 1973, art. 515; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 1.013. 2 Lei n° 5.869, de 1973, arts. 128, 183, 294 e 460; e Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15, 141, 223, 329 e 492. Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13603.907226/200932 Acórdão n.º 2401005.630 S2C4T1 Fl. 114 6 Conhecese do recurso voluntário apenas quanto a matérias impugnadas. Recurso não conhecido quanto a matéria não trazida na impugnação, porquanto não compõem a lide e quedouse preclusa. (Processo n° 10410.721335/201239, Acórdão nº 2301005.165 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de outubro de 2017) MATÉRIA ESTRANHA À LIDE OU SUSCITADA SOMENTE EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de matéria que não tenha qualquer tipo de relação com o auto de infração e nem daquelas que, mesmo relacionadas à lide tributária, não tenha sido objeto de impugnação e nem se preste a contrapor razões trazidas na decisão recorrida. (Processo n° 14485.000203/200871, Acórdão nº 2402006.121 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 2ª Seção de Julgamento, Sessão de 4 de abril de 2018) Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721447/2010-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.734
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 14 47 /2 01 0- 67 Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 1931DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1932DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 1933DF CARF MF Processo nº 10166.721447/201067 Acórdão n.º 9202006.734 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1934DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726324/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO
Acolhem-se os embargos declaratórios para sanar a omissão apontada com atribuição de efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2401-005.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhê-los, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão e contradição apontadas, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento".
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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OMISSÃO Acolhemse os embargos declaratórios para sanar a omissão apontada com atribuição de efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, acolhêlos, com efeitos infringentes, para, sanando a omissão e contradição apontadas, alterar o dispositivo do acórdão embargado para: "Por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento". (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Andréa Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 63 24 /2 01 4- 66 Fl. 262DF CARF MF 2 Relatório Tratase de expediente interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas/SP (fls. 232/243 e 255), recebidos como Embargos Inominados, em face de decisão prolatada no Acórdão nº 2401004.272 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), da lavra do Conselheiro Arlindo da Costa e Silva (fls. 203/213), em sessão de julgamento realizada em 13 de abril de 2016, que possui a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DATA DO FATO GERADOR. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, podendo ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Art. 12 da Lei nº 7.713/88. IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, concluído em 23 de outubro de 2014, conduzido sob o regime dos recursos repetitivos assentado no art. 543B do Código de Processo Civil, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA adotado pelo suso citado art. 12, representava transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Recurso Voluntário Provido em Parte A unidade preparadora aponta que, ao efetivar os cálculos na forma determinada pela decisão, chegase a um resultado mais prejudicial ao contribuinte do que na sistemática do artigo 12A da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, acrescido pela Medida Provisória nº 497, de 2010. Em despacho de admissibilidade de fls. 258/260, ocorreu admissão parcial dos embargos declaratórios, relativamente à análise da questão da forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, dada a opção do contribuinte pela tributação Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10830.726324/201466 Acórdão n.º 2401005.490 S2C4T1 Fl. 3 3 exclusiva na fonte, por ocasião da entrega da Declaração de Ajuste Anual, exercício 2011, ano calendário 2010. O processo foi redistribuído para a inclusão em pauta para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Juízo de admissibilidade Conheço dos embargos declaratórios, pois presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito A unidade preparadora, em expediente de fls. 232/242 e 255, recebida como embargos inominados, assevera que pela sistemática de apuração indicada pelo Acórdão de fls. 203/213, acarretaria uma situação claramente prejudicial ao contribuinte. Esclarece que em sede de Recurso Voluntário, através do acórdão nº 2401 004.272 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária de 13/04/2016, O CARF deu parcial provimento ao recurso “para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente, reproduzindose, assim, a decisão definitiva de mérito, proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, em atenção ao disposto no art. 62, §2º, do RICARF”. Continua explicitando a forma de cálculo do imposto e que apurações devem ser feitas conforme alíquota da época (de outubro/1990 a março/1995), mas a incidência do imposto deverá ser em 2010, exercício 2011, e que, após calcular os valores do IRPF devido nas épocas próprias, foi realinhada a Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2011 Aduz que a partir do exercício 2011, com o advento da Medida Provisória nº 497/2010 que revogou o artigo 12 e inseriu o artigo 12A na Lei nº 7.713/88 (e alterações posteriores), modificouse a forma de cálculo do IRPF incidente sobre Rendimentos Recebidos Acumuladamente que são tributados exclusivamente na fonte, aplicandose o valor total recebido na tabela progressiva anual com seus parâmetros multiplicados pelo número de meses a que se referem os rendimentos, demonstrando no item 6 dos embargos o cálculo pela sistemática do art. 12A (fls. 241/242). Com efeito, constatase que o Acórdão embargado (fls. 203/213) afirma de forma clara no item 2.2 (fl. 210), que o contribuinte não suscitou em razões de defesa, a forma de tributação deduzida pela decisão embargada que se apresentou prejudicial ao Recorrente. Compulsando os autos, verifico que o contribuinte informou os rendimentos recebidos acumuladamente na ficha própria de "Rendimentos Tributáveis de Pessoa Jurídica Fl. 264DF CARF MF 4 Recebidos Acumuladamente pelo Titular", demonstrando que ele fez a opção pela tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos, nos termos do artigo 12A da Lei nº 7.713, de 1988 (extrato da Declaração de Ajuste Anual fl. 185 e autuação). Como se verificou, a forma de cálculo pela sistemática do art. 12A se mostrou mais favorável ao contribuinte. Constatase que, na verdade, ocorreu um erro de fato no Acórdão recorrido ao determinar o comando da regra do Supremo. Ademais, pelo princípio do non reformatio in pejus, não há como determinar que seja elaborado o cálculo de maneira não requerida pelo Recorrente em claro prejuízo ao seu direito. O Código de Processo Civil contém várias normas que disciplinam a matéria: Art. 141. O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendolhe vedado conhecer de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte. Art. 492. É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado. Parágrafo único. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação jurídica condicional. Assim, deve ser acatado os embargos inominados, para reconhecer o erro de fato do Acórdão embargado, excluir a aplicação da sistemática de aferição do Supremo, em face da opção pela tributação exclusiva na fonte feita pelo contribuinte e, por conseguinte, negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Ante o exposto, conheço dos Embargos de Declaração e DOULHES PROVIMENTO, para sanar a omissão/contradição apontada, atribuindolhe efeitos modificativos para alterar o dispositivo do Acórdão embargado para reconhecer o erro de fato no Acórdão recorrido, excluir o comando da regra do Supremo e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 265DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001427/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO.
As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL.
IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO.
A imunidade das receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, alcança apenas as contribuições sociais que possuem como base de cálculo as receitas decorrentes de exportação, não alcançando a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na medida em que esta
incide sobre o lucro e não sobre a receita.
Numero da decisão: 1301-000.801
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Conselheiro Relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A imunidade das receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, alcança apenas as contribuições sociais que possuem como base de cálculo as receitas decorrentes de exportação, não alcançando a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na medida em que esta incide sobre o lucro e não sobre a receita.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001427/200819 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.801 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria CSLL/LUCRO DA EXPLORAÇÃO Recorrente WHIRLPOOL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A imunidade das receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, alcança apenas as contribuições sociais que possuem como base de cálculo as receitas decorrentes de exportação, não alcançando a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na medida em que esta incide sobre o lucro e não sobre a receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto proferidos pelo Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator.Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto de Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Diniz Raposo e Silva. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: “A contribuinte acima identificada foi autuada e notificada a recolher o crédito tributário, no valor de R$ 25.313.280,77, referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), multas e acréscimos legais. 2. Termo de Verificação CSLL (fls. 357 a 360) constata o seguinte: 2.1 A Empresa Brasileira de Compressores — Embraco foi incorporada pela Multibrás S/A Eletrodomésticos em 28/04/2006, passando a sucessora a denominarse Whirlpool. 2.2 A empresa sucedida apurou o resultado do anocalendário de 2003, exercício 2004 na forma do Lucro Real Anual. Com referência à CSLL, calculou o valor de R$ 3.736.870,67, que após as deduções legais resultou em saldo negativo no valor originário de R$ 424.025,85, compensado através de Declarações de Compensação — PER/DCOMP. 2.3 Do exame das informações da DIPJ/2004, constatouse que a empresa declarou no cálculo da CSLL, a título de Outras Exclusões ao Lucro Líquido, junto à ficha 17, linha 28 da DIPJ/2004, o valor de R$ 145.685.127,19. 2.4 A contribuinte foi intimada a demonstrar o valor informado a título de outras exclusões, com apresentação dos livros comerciais/fiscais e fundamentação legal das exclusões declaradas. 2.5 Em atendimento à intimação a empresa esclareceu que os valores declarados a título de Outras Exclusões ao Lucro Líquido referemse a reversões de provisões e exclusão da base de cálculo da CSLL do Lucro da Exploração, relativo às exportações do anocalendário de 2003.. 2.6 Apresentou as contas dos razões e Lalur demonstrando e justificando as reversões das provisões, apresentou a memória de cálculo do Lucro da Exploração e disponibilizou os Livros comerciais/fiscais. 2.7 Com relação ao Lucro da Exploração —EC 33/2001, no valor, de R$ 120.001.141,55 a contribuinte afirmou: "... Exclusão do lucro sobre exportações do ano calendário de 2003 da base de cálculo da Contribuição Social, com base na imunidade estabelecida pelo art. 1 ° da Emenda Constitucional n' 33 de 11 de dezembro de 2001 ". 2.8 Com a finalidade de esclarecer a improcedência da exclusão da base de cálculo da CSLL, do lucro da exploração é citado o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Joinvile/SC junto ao processo 10920.000083/200521, de interesse da Empresa de Compressores — Embraco: "... Temse que o lucro da exploração é o lucro das atividades relativas aos setores ou empreendimentos objeto de incentivo fiscal ou de tributação favorecida. O lucro da exploração corresponde ao lucro líquido do período de apuração, antes de deduzida a provisão para o Imposto de Renda, e ajustado pela exclusão dos valores estipulados no art. 19 do Fl. 495DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001427/200819 Acórdão n.º 1301000.801 S1C3T1 Fl. 2 3 Decretolei 1.598/77 e art. 2° da Lei 7.595/89. Relativamente à CSLL, não há nem nunca houve previsão de tributação diferenciada, não se cogitando na hipótese de exclusão do Lucro da Exploração de sua base de cálculo ". 2.9 A emenda constitucional mencionada pelo contribuinte, introduziu o inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal, que passou a ter a seguinte redação: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto no artigo 146, III, e artigo 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no artigo 195, § 6° relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2°As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação: II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; § 2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; 2.10 A CSLL de que trata a Lei 7.689/88 incluise no rol das contribuições sociais referidas no caput do art. 149 da Constituição Federal, consoante pacífico entendimento do Supremo Tribunal Federal, como marco inicial no acórdão exarado face ao Recurso Extraordinário n° 138.284CE. 2.11 Foi destacado, também, do Processo n° 10920.000083/200521, a seguinte informação: "... Conquanto definido que a CSLL incluise entre as contribuições sociais de que trata o art. 149 da CF, necessário se torna esclarecer se o comando exoneratório do inciso I do § 2° desse artigo, ao asseverar que tais contribuições sociais não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação, contempla a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O art. 195, inciso I, da Constituição Federal de 1988, desde a sua redação primeira, já fazia a separação das bases de cálculo das contribuições sociais, determinando a existência de contribuições absolutamente distintas, vinculadas ao financiamento da seguridade social. O texto em vigor do inciso I do art. 195, editado pela Emenda Constitucional n°20, de 15/12/1998, expõe de maneira inequívoca o rol de bases de cálculo das contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social, como a seguir transcrito: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa fisica que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; " 2.12 Conforme se verifica, a redação atual distingue, didaticamente, a contribuição social incidente sobre a receita da incidente sobre o lucro, mantendo, dessa forma, ambas as espécies de contribuições sem confundilas. 2.13 Concluiuse que a imunidade prevista no inciso I do § 2° do art. 149 da Constituição Federal, trata das receitas de exportação na apuração da base de cálculo da Cofins, já abrangidas pela isenção conforme art. 14, incisos II e III e § 1° da MP 2.15835 de 2001, não alcançando a Contribuição Social incidente sobre o lucro, na forma do art. 195, inciso I, item "c" da CF/1988, editado pela Emenda Constitucional n° 20 de 15/12/1998, instituída pela Lei 7.689/88, alterada pela Lei 7.856/89. 2.14 Dessa forma, foi constatado que o valor informado a título de lucro da exploração relativo às exportações do anocalendário de 2003, foi indevidamente excluído do Lucro Líquido, na apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 2.15 O enquadramento legal da autuação é o artigo 2° e seus parágrafos da Lei n° 7.689/1988; artigo 7° da Lei n° 7.856/1989; artigo 28 da Lei n° 9.430/1996 e artigo 37 da Lei n° 10.673/2002. 3. Sob o fundamento legal citado, foi lavrado, em 28/04/2008, auto de infração da CSLL (fls. 363 e 364). 4. Em 28/05/2008 a empresa apresentou, por seus procuradores, impugnação (fls. 367 a 375), alegando, em síntese: 4.1 que é equivocado o entendimento do Fisco no que diz respeito às exclusões efetuadas pela autuada na apuração da CSLL do anocalendário de 2003, relativas à imunidade desta contribuição sobre o lucro das receitas de exportações, prevista no inciso I do § 2° do art. 149 da CF, introduzido por meio da EC n° 33/01; 4.2 que o AuditorFiscal exige da Impugnante valores a título de CSLL sobre exportação, sob o argumento de que a inovação jurídica promovida pela EC n° 33/01, não abarcou as contribuições sociais incidentes sobre o lucro, mas sim, e tãosomente, sobre aquelas aplicáveis às receitas de exportação; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001427/200819 Acórdão n.º 1301000.801 S1C3T1 Fl. 3 5 4.3 que esse entendimento, todavia, está equivocado, já que na realidade a referida exclusão encontra sim amparo na imunidade estabelecida pelo art. 10 da Emenda Constitucional n° 33/2001; 4.4 que, primeiramente, convém analisar, a norma constitucional que outorgou competência à União Federal para a instituição de contribuições sociais ao tratar do Sistema Tributário Nacional, a CF reservou a Seção I, do Capítulo I, do Título IV, aos princípios gerais da ordem tributária. Nesse contexto, dispõe acerca das normas gerais aplicáveis aos impostos (artigo 145, I), taxas (artigo 145, II), contribuições de melhoria (artigo 145, III), empréstimos compulsórios (artigo 148) e, por fim, às contribuições especiais (artigo 149); 4.5 que a redação de tal dispositivo permite, afirmar que a Constituição Federal outorgou competência à União Federal para a instituição de três espécies de contribuições, quais sejam, (i) sociais; (ii) de intervenção no domínio econômico; e (iii) de interesse das categorias profissionais ou econômica. Referidas contribuições deverão observar as diretrizes gerais do Sistema Tributário Nacional, tais como o princípio da estrita legalidade, da anterioridade e da irretroatividade da lei instituidora da exação; 4.6 que o Título VIII da CF/88, por sua vez, tratou da Ordem Social nesse contexto, previu no artigo 195 que a Seguridade Social será financiada por toda a sociedade, de forma direta ou indireta, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União Federal, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, por intermédio do produto da arrecadação de contribuições sociais (i) a cargo do empregador; (ii) do trabalhador; e (iii) sobre a receita de concursos de prognósticos; 4.7 que a interpretação sistemática dos artigos 149 e 195 da CF/88 conclusão de que o artigo 149 estipula os preceitos gerais para a instituição de contribuições, dentre as se encontram as sociais. O artigo 195, por seu turno, delimita as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, mas sem se afastar das diretrizes impostas pelo artigo 149 da CF; 4.8 que a intenção do constituinte de estipular regras gerais no artigo 149 não foi em vão e deverá orientar a sistemática de instituição e exigência de todas as. contribuições (social, de intervenção no domínio econômico e corporativas); 4.9 que ademais, o artigo 149 ainda faz clara menção em seu caput às contribuições delineadas no artigo 195, reafirmando o entendimento de que são espécies do gênero previsto naquele dispositivo; 4.10 que, diante de todo o exposto e da doutrina e jurisprudência citada, o artigo 149 da CF/88 estabelece regras gerais para as contribuições (i) sociais; (ii) de intervenção no domínio econômico; e (iii) de interesse das categorias profissionais; 4.11 que, portanto, deve ser afastada, totalmente, a presente exigência fiscal visto seu descabimento, tendo em vista que a Contribuição Social sobre Fl. 498DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 o Lucro Líquido foi abrangida pela norma constitucional de imunidade prevista no art. 149, § 2o. inciso I, CF/88; 4.12 que a interpretação das autoridades fiscais se baseia no fato de que, muito embora a CSLL estivesse inclusa no rol das contribuições sociais referidas no caput do art. 149 da Constituição, o comando exoneratório previsto no inciso I do § 2° desse artigo teria somente garantido a desoneração das exportações relativamente às contribuições sociais incidentes sobre a receita (PIS e COFINS), mantendose intacta a tributação sobre o lucro, abrangendo esta, a CSLL; 4.13 que neste contexto, cumpre demonstrar que tal interpretação acaba por fazer restrições que o próprio legislador constitucional não fez; 4.14 que a EC n° 33/01 promoveu significativas alterações na CF/88 incluiu ao artigo 149 os parágrafos 2o., 3o. e 4o. 4.15 que o parágrafo 2° do artigo 149 da CF/88, instituído pela EC n° 33/01, estabelece a imunidade das receitas de exportação em relação às "contribuições sociais (...) de que trata o caput deste artigo ". Com base no entendimento esposado acima, "as contribuições sociais tratadas no caput do artigo 149" são (i) todas aquelas delineadas na própria CF/88, tais como as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, bem como (ii) aquelas que poderão ser instituídas, sob a alcunha de contribuição social, por lei complementar, em observância ao inciso III do artigo 146 da CF/88 (i.e. contribuições sociais instituídas pela Lei Complementar n° 110); 4.16 que sob esse entendimento, mediante a interpretação conjunta da nova redação dos artigos 149 e 195 da CF/88, concluise que o legislador constituinte derivado desonerou as receitas provenientes das exportações da incidência das contribuições sociais, dentre elas, as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, tal como a contribuição social sobre o lucro, prevista na alínea c, do inciso I do artigo 195 da CF/88; 4.17 que significa dizer que, em relação às despesas incorridas com a exportação, há o direito à dedutibilidade da base de cálculo da CSLL, na medida em que representam despesas operacionais da Impugnante (artigo 299 Ao RIR/99): Notese que a dedutibilidade das despesas não decorre do fato de as receitas serem imunes à tributação, mas sim de previsão legal, anterior à EC n° 33/01; 4.18 que a limitação da imunidade ora em análise, somente às contribuições que possuem a receita como base de cálculo resultaria em descumprimento do propósito da norma constitucional, na medida em que o cômputo das receitas de exportação no momento da apuração da base de cálculo da CSLL evidentemente implicaria tributação de tais valores, ao arrepio da EC n° 33/01; 4.19 que a imunidade estabelecida pelo art. 149, § 2o. I, da CF/88 não está pautada nos fatos geradores das diversas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, mas simplesmente proíbe em bloco, que incidam sobre receitas de exportação. 4.20 que se a receita de exportação, que é base para apuração de eventual resultado positivo, é imune às contribuições previstas no caput do Fl. 499DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001427/200819 Acórdão n.º 1301000.801 S1C3T1 Fl. 4 7 art. 149 da Magna Carta de 1988, logo o lucro dela decorrente não poderá sofrer a incidência da CSLL; 4.21 que tornase ilógico conceber a idéia de que o legislador buscou imunizar, tão somente, as contribuições incidentes sobre receita de exportação, quais sejam o PIS e a COFINS, deixando de incluir, também, o lucro, evento contábil que leva em consideração tais receitas para sua configuração; 4.22 que, portanto, não pode a Impugnante concordar com o entendimento das autoridades fiscais de que a pretensão da mesma não encontra respaldo na legislação pátria, uma vez que é cediço que a imunidade contida no art. 149, § 2% inciso I, CF/88, inclui, também, o lucro de exploração para a realização do cálculo da parcela da CSLL incidente nas exportações, devendo o presente auto de infração ser, integralmente, cancelado; 4.23 que, ante o exposto, requer o acolhimento da presente impugnação, julgandoa totalmente procedente, tendo em vista a correta postura adotada pela autuada em afastar os valores de receita do lucro da exploração no exterior da incidência da CSLL, seja pelo fato do legislador constitucional abranger todas as contribuições na norma de exclusão (art. 149, § 2o. inciso I, CF/88), seja pela total incoerência no critério de interpretação do Fisco no sentido de que referida norma abarcou, tão somente, as contribuições do PIS e da COFINS, devendo, portanto, ser cancelado o presente auto de infração, extinguindo o crédito tributário nos termos do art. 156, CTN, com o conseqüente arquivamento dos autos.” A autoridade de primeira instancia decidiu a matéria por meio do acórdão DRJ/SPO I (1617.878, de 24/07/2008), julgando procedente o lançamento, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LíQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. IMUNIDADE. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A imunidade das receitas decorrentes de exportação, relativamente às contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, alcança apenas as contribuições sociais que possuem como base de cálculo as receitas decorrentes de exportação, não alcançando a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na medida em que esta incide sobre o lucro e não sobre a receita. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. O litígio resumese da constatação pela fiscalização de que a empresa em sua DIPJ/2004 (ficha 17, linha 28) declarou no cálculo da CSLL, a título de Outras Exclusões ao Lucro Líquido, o valor de R$ 145.685.127,19, esclarecendo, posteriormente, que tais valores referemse a reversões de provisões e exclusão da base de cálculo da CSLL, incluindo o valor de R$ 120.001.141,55 do Lucro da Exploração, relativo às exportações do anocalendário de 2003 (fls. 12/13), em conseqüência foi lavrado auto de infração de fls. 357/364. Por pertinente transcrevo trechos dos fundamentos da decisão de primeira instância: “A insurgência da contribuinte se restringe à interpretação que se dá ao inciso I do parágrafo 2° do artigo 149 da Constituição Federal de 1988, ou seja, se as receitas decorrentes de exportação podem ou não ser excluídas da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 7. Sobre o assunto, o § 2° do art. 149 da Constituição Federal, acrescentado pela Emenda Constitucional n.° 33, de 2001, assim dispõe: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6° relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 2° As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; 8. Claramente, o inciso I do § 2° desse dispositivo concede imunidade às "receitas decorrentes de exportação', relativamente às "contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico". 9. Como a CSLL incluise entre as contribuições sociais de que trata o art. 149 da Constituição Federal, para a solução da questão é mister, ainda, esclarecer se o comando exoneratório do inciso I do § 2° desse artigo contempla a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 10. O novo texto do inciso I do art. 195, editado pela Emenda Constitucional n.° 20, de 15 de dezembro de 1998 estabelece: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: Fl. 501DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001427/200819 Acórdão n.º 1301000.801 S1C3T1 Fl. 5 9 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; 11. Conforme se depreende da leitura dos comandos constitucionais acima transcritos, o art. 195 da Carta Magna prevê bases de cálculo absolutamente distintas para a apuração de contribuições também distintas destinadas ao financiamento da seguridade social. Assim sendo, o referido dispositivo constitucional distingue a contribuição social incidente, sobre a receita daquela incidente sobre o lucro. Em outras palavras, garantese a desoneração das exportações, mas somente no que toca às contribuições sociais incidentes sobre a receita, mantendose a tributação sobre o lucro.” Por outro lado, nesta fase recursal, a interessada repete as argumentações trazidas anteriormente da qual transcrevo fragmentos: “Como se observa, a Receita Federal do Brasil está a exigir da ora Recorrente valores a título de CSLL sobre exportação, sob o argumento de que a alteração no texto constitucional promovida pela Emenda Constitucional (EC) n° 33/01, não teria abrangido as contribuições sociais incidentes sobre o lucro, mas sim, e tão somente, aquelas aplicáveis às receitas de exportação. Esse entendimento, contudo, está inteiramente equivocado. Ao tratar do Sistema Tributário Nacional, a CF reservou a Seção I, do Capítulo I, do Título IV, aos princípios gerais da ordem tributária. 14. Nesse contexto, dispõe acerca das normas gerais aplicáveis aos impostos (artigo 145, I), taxas (artigo 145, II), contribuições de melhoria (artigo 145, III), empréstimos compulsórios (artigo 148) e, por fim, às contribuições especiais (artigo 149). 0 artigo 149 da CF/88 prevê: "Artigo 149 Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos artigos 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no artigo 195, § 6o., relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. ( ... )" (g.n.) 15. A redação de tal dispositivo permite afirmar que a Constituição Federal outorgou competência à União Federal para a instituição de três espécies de contribuições, quais sejam, (i) sociais; (H) de intervenção no domínio econômico; e (iii) de interesse das categorias profissionais ou econômica. Verificase, portanto, que a intenção do Constituinte de estipular regras gerais no art. 149, CF não foi em vão e deverá orientar á sistemática de instituirão e exigência de todas as contribuições : sociais, de intervenção no domínio econômico , e corporativas. Não é demais afirmar que a introdução do referido § 2o. no artigo 149 da CF faz parte da estratégia política brasileira de desonerar as exportações, estimulandoas para favorecer a balança comercial do país. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Desse modo, o § 2o., do art. 149, CF/88 dispõe que todas as contribuições (profissionais, sociais e de intervenção no domínio econômico) tratadas naquele artigo NÃO incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação. Ora, a imunidade estabelecida pelo art. 149, § 2 0, I, CF/88 não esta pautada nos fatos geradores das diversas contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, mas simplesmente proíbe em bloco, que incidam sobre receitas de exportação.” Cita, ainda, que o Plenário do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, por ocasião do julgamento da constitucionalidade da CSLL , também já discorreu acerca da correlação existente entre os artigos 149 e 195 da CF/88. Transcreve trecho do voto do Ministro Carlos Velloso. Da leitura dos dispositivos legais concluo que a Constituição, no seu artigo 195, inciso I, contém a previsão para a instituição de contribuições das empresas, para o financiamento da seguridade social, conforme dispositivo acima transcrito. Assim, há previsão constitucional para instituição de contribuição social das empresas, incidindo sobre o lucro (alínea "c" do inciso I do art. 195) e sobre a receita ou faturamento (alínea "b" do inciso Ido art. 195). A Emenda Constitucional n° 33, de 2001, ao dispor que as contribuições sociais não incidiriam sobre a receita de exportação, alcança apenas as contribuições instituídas com base na alínea "b" do inciso I do art. 195, que são as que incidem sobre a receita ou faturamento (por exemplo, PIS e COFINS), não alcançando a CSLL, que incide sobre o lucro. Ocorre que esta matéria já foi julgada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 56413/SC, cuja ementa e decisão transcrevo abaixo: RE 564413/SC SANTA CATARINA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 12/08/2010 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa IMUNIDADE – CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE – EXPORTAÇÃO – RECEITA – LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO – CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Anteriormente, ressaltese, de plano, que a posição acerca da questão foi dirimida em sede administrativa, por meio da Solução de Consulta Interna n.º 33, de 02/12/2003, que restou assim ementada: O inciso I do § 2º do art. 149 da CF, introduzido por meio da EC nº 33, de 2001, prescreve imunidade com fim de aliviar as receitas decorrentes de exportação da incidência das contribuições sociais cuja hipótese de incidência seja a receita. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta Fl. 503DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.001427/200819 Acórdão n.º 1301000.801 S1C3T1 Fl. 6 11 para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, tendo em vista tratarse de contribuição incidente sobre o lucro. Do mesmo modo a questão já foi objeto de diversas decisões deste Conselho, todas desfavoráveis a tese do contribuinte, a exemplo dos acórdãos 10197.077, 10323524, 10195.858, 10323.178, 10196.207, inclusive pleito da própria contribuinte (PAF: 10920.001580/200466), decidido por esta Sessão de julgamento (4a. Câmara/2a.TO), em 30/06/2011, Acórdão 140200.594, cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2002 Ementa: CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. As receitas decorrentes de exportação integram a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. Recurso voluntário Negado. Em sessão do dia 23/11/2011 a recorrente apresenta memorial e laudo do qual, por pertinente, transcrevo os trechos a seguir: “Muito embora a matéria (imunidade das receitas de exportação para a CSLL) já tenha sido definitivamente apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre ressaltar que o presente processo exige valores que também são objeto de cobrança nos processos que discutem a compensação dos créditos de CSLL decorrentes de receita de exportação. Além disso, se não fosse somente esse o equívoco, também se mostra ilíquido o valor exigido, pois, ainda que fosse possível calcular aCSLL sem que fosse realizada a recomposição, no mínimo deveria ser desconsiderado o valor de R$ 424.025,85 (valor original) que correspondeu ao saldo negativo de CSLL apurado em 2003, em decorrência da exclusão dos R$ 120.001.141,55 acima mencionados, e que foi compensado com a CSLL devida em junho e julho de 2004. Esse valor de R$ 424.025,85 acumulou um total compensado de R$ 459.516,82 (atualizado pela Selic) que não foi homologado conforme PA 10920.000083/200521, já julgado pelo CARF, restando mantida a cobrança desse crédito tributário. Portanto se presente processo for aplicada a alíquota da CSLL diretamente sobre a glosa das receitas de exportação, sem que seja desconsiderado o saldo negativo da CSLL que havia sido apurado em 2003, cuja compensação foi homologada, estarseá cobrando em duplicidade o crédito correspondente aos R$ 459.516,82. Primeiramente no processo 10920.000083/200521 e também neste processo 19515.001427/200819, ora em julgamento.” Neste ponto, cabe esclarecer, que cumpre à unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte evitar a cobrança em duplicidade de quaisquer tributos, haja vista, que no caso, foram formalizados diversos processos que tratam da compensação do direito creditório conforme pleiteado e não reconhecido. Da mesma forma, cabe atentar para o refazimento dos cálculos da CSLL (saldo negativo) levandose em conta os ajustes em sua base de cálculo. Finalizando, visto que o STF, assim como a RFB e este Conselho confirmou a incidência da CSLL sobre os resultados com exportação, forçoso concluir, diante de todo o exposto, por votar no sentido de negar provimento ao recurso. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 505DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/ 02/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10380.723325/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103.
A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observando-se a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando-se o limite de alçada então vigente.
Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância".
In casu, aplica-se o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O Relatório Fiscal e os anexos do AI oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento.
PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. LIMITE DO ART. 9° DA LEI N° 9.249/95. NÃO DESVIRTUA A NATUREZA JURÍDICA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A inobservância do limite previsto no caput do art. 9º da Lei 9.249/1995 não desvirtua a natureza dos Juros sobre o Capital Próprio, ou seja, não gera uma presunção de pagamento de pró-labora, não sendo possível a incidência de contribuições.
DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. LIBERDADE DE PACTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA DA DESCONSTITUIÇÃO DA CONTABILIDADE. DIVIDENDOS EFETIVADOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
Havendo contabilidade que cumpre com as formalidades intrínsecas e extrínsecas e sendo a apuração de lucro regular e contabilizada, não há que se falar em tributação dos valores distribuídos como lucro. A legislação previdenciária não considera o lucro regular como base de incidência de contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2401-005.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que conheciam parcialmente do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de JCP à Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. VERIFICAÇÃO VIGENTE NA DATA DO JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PREJUDICIAL DE ADMISSIBILIDADE. PORTARIA MF N° 63. SÚMULA CARF Nº 103. A verificação do limite de alçada, para fins de Recurso de Ofício, ocorre em dois momentos: primeiro quando da prolação de decisão favorável ao contribuinte pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para fins de interposição de Recurso de Ofício, observandose a legislação da época e segundo quando da apreciação do recurso pelo CARF, em Preliminar de Admissibilidade, para fins de seu conhecimento, aplicando se o limite de alçada então vigente. Entendimento que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103: "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". In casu, aplicase o limite instituído pela Portaria MF n° 63 que alterou o valor para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os anexos do AI oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. LIMITE DO ART. 9° DA LEI N° 9.249/95. NÃO DESVIRTUA A NATUREZA JURÍDICA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A inobservância do limite previsto no caput do art. 9º da Lei 9.249/1995 não desvirtua a natureza dos Juros sobre o Capital Próprio, ou seja, não gera uma AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 33 25 /2 01 3- 13 Fl. 627DF CARF MF 2 presunção de pagamento de prólabora, não sendo possível a incidência de contribuições. DISTRIBUIÇÃO DE DIVIDENDOS DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. LIBERDADE DE PACTUAÇÃO. INEXISTÊNCIA DA DESCONSTITUIÇÃO DA CONTABILIDADE. DIVIDENDOS EFETIVADOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Havendo contabilidade que cumpre com as formalidades intrínsecas e extrínsecas e sendo a apuração de lucro regular e contabilizada, não há que se falar em tributação dos valores distribuídos como lucro. A legislação previdenciária não considera o lucro regular como base de incidência de contribuições previdenciárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que conheciam parcialmente do recurso de ofício. Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário. Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro e Miriam Denise Xavier, que davam provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de JCP à Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão. Manifestou intenção de fazer declaração de voto o conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório EMPRESA NACIONAL DE PARTICIPAÇÕES S.A., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0357.150/2013, às fls. 481/501, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal, relativo às contribuições sociais destinadas ao INSS parte patronal e contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, não descontadas pela empresa, além das infrações por descumprimento de obrigações, em relação às competências 01/2009 a 12/2010, conforme Relatório Fiscal, às e fls.28/43 e demais documentos que instruem o processo. Os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) de que trata o processo abrangem o período de débito de 01/03/2009 a 31/12/2010, conforme abaixo: a) DEBCAD nº 51.041.1614, relativo a contribuições destinadas à Seguridade Social, parte patronal. b) DEBCAD nº 51.041.1622, relativo a contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais, não descontadas pela empresa das respectivas remunerações. De acordo com o Relatório Fiscal os créditos constituídos são relativos às contribuições patronais e dos segurados que não foram declaradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), nem recolhidas. O fato gerador dessas contribuições é o recebimento de prólabore indireto por dirigentes da empresa, a título de dividendos e de Juros sobre o Capital Próprio (JCP), em percentuais desproporcionais em relação às participações societárias e, além disso, houve a distribuição de JCP sem respeitar os limites previstos no art. 9o da Lei 9.249/95. A Autoridade Lançadora considerou que o valor excedente ao que dispõe a legislação é considerado salário de contribuição, uma vez que, se não existe pagamento sem causa e a causa deste não é a remuneração do capital, forçosamente deve ser a remuneração do trabalho. Acrescenta que, segundo informado pela própria empresa no documento “Organograma”, esta detém participação em diversas outras empresas, além de possuir o controle acionário de quatro destas empresas. Ademais, os acionistas da empresa ora fiscalizada também são acionistas ou sócios das outras empresas das quais a empresa fiscalizada detém o controle acionário. Desta forma, restou demonstrada a existência de grupo econômico do qual participam além da empresa fiscalizada as seguintes empresas: Galvão Investimentos S/A, CNPJ 09.374.865/000192, Galvão Participações S/A, CNPJ 11.284.210/000175, Galvão Recebíveis S/A, CNPJ 09.374.971/000176, Enpackplass Embalagens LTDA, CNPJ 66.618.612/000150. Como conseqüência, atraise a norma do art. 30, IX da Lei 8.212/1991, e estendese a responsabilidade passiva deste crédito a estas outras empresas citadas, exceto à última, por estar com a inscrição suspensa por solicitação de baixa indeferida. Fl. 629DF CARF MF 4 Por fim, ressalta que a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 foi agravada de metade, em razão do não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado em intimação, da apresentação dos arquivos digitais relativos à folha de pagamento pois, embora a empresa afirme que não possui empregados nem remunera seus acionistas por prólabore, deveria ter elaborado a folha de pagamento, em razão de que a fiscalização apurou a existência de prólabore indireto. Já os Autos de Infração por Descumprimento de Obrigações Acessórias – AIOA lavrados na ação fiscal foram lançados de acordo com a natureza da infração cometida: a). DEBCAD 51.041.1630 (CFL 30), por deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. b) DEBCAD 51.041.1649 (CFL 34), por deixar de lançar em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. c) DEBCAD 51.041.1657 (CFL 59), por deixar de arrecadar, mediante desconto da remuneração dos segurados, as contribuições previdenciárias. d) DEBCAD 51.041.1711 (CFL 77), por deixar de apresentar ou apresentar fora do prazo a GFIP. A contribuinte e os responsáveis solidários foram regularmente cientificados, e apresentaram impugnações, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 5ª Turma da DRJ em Brasília/DF entendeu por bem julgar parcialmente procedente o lançamento, exonerando parte do crédito tributário, reduzindo a multa de ofício de 112,5% para o patamar base de 75% e excluindo a responsabilidade solidária por entender não haver caracterizado o grupo econômico, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão já mencionado, sintetizados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PRÓLABORE INDIRETO. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. Os juros sobre o capital próprio e dividendos creditados aos sócios em percentuais que não guardam conformidade com o disciplinado na legislação constituem pagamento de prólabore indireto. Na existência de lucros no período devese observar os limites impostos na Lei n° 9.249/1995 para o cálculo dos juros sobre o capital próprio. VERDADE MATERIAL. A busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 4 5 DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. PUBLICAÇÕES E COMUNICAÇÕES ENDEREÇADAS AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal fornecido pelo próprio contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais ou eletrônico autorizado. Dada a inexistência de previsão legal, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. As provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4º do PAF. GRUPO ECONÔMICO. Para a configuração de grupo econômico há necessidade de convergência de vários indícios e elementos fáticos. A mera participação societária majoritária de uma empresa em outra não é capaz, por si só, de ensejar a constituição do grupo. A partir do exame da documentação contida nos autos, insubsistente a configuração de grupo econômico e conseqüentemente, a responsabilização da entidade arrolada como solidária, excluindoa do pólo passivo do lançamento. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 02/07/2013 FOLHAS DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM O REGULAMENTO.(CFL 30) Constitui infração à Legislação Previdenciária deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Previdência Social. Tendo a empresa sido punida pela não elaboração da folha de pagamento, não poderá a Autoridade Lançadora, para o mesmo período, punila pela não apresentação deste documento. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.(CFL 34) Determina a lavratura de auto de infração deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Fl. 631DF CARF MF 6 AUSÊNCIA DE DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. (CFL 59) Determina a lavratura de auto de infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR DECLARAÇÃO GFIPDESCUMPRIMENTO. (CFL 77) Determina a lavratura de auto de infração deixar a empresa de informar mensalmente à Receita Federal do Brasil, por meio da GFIP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da Previdência Social. A multa aplicada pela conduta de "ausência de declaração" não pode ser cumulada, em relação a um mesmo fato gerador, com a multa de ofício prevista no art. 44, I, da Lei n 9.430/1996 (Parecer PGFN/CAT nº 433/2009, itens 28 a 35). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em observância ao disposto no artigo 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, c/c artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Regularmente intimada e inconformada com a parte mantida pela Decisão recorrida, a autuada apresentou Recurso Voluntário, às efls. 517/577, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade do lançamento, uma vez que houve presunção simples, ao ser afirmado pela fiscalização que os valores pagos a título de JCP e dividendos seriam, obrigatoriamente, remuneração indireta. A possibilidade de terceiras hipóteses não foi excluída pela fiscalização. Deveria a Autoridade Fiscal ter demonstrado a existência do trabalho e o nexo de causalidade entre este e os pagamentos efetuados pela recorrente. Quando há dúvidas sobre a natureza ou as circunstâncias materiais do fato deve prevalecer a interpretação mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 112 do CTN. Em relação ao mérito, afirma que havia saldo para pagamento de JCP, mesmo que se entenda que o cálculo deva ser feito com base no ano do efetivo pagamento. Alega que não houve pagamentos de JCP desproporcionais, apenas pagamentos retroativos não pagos em exercícios anteriores. Esclarece ter sido o montante atribuído a cada um dos acionistas muito inferior ao lucro passível de distribuição e, que eventual distribuição desproporcional não causou prejuízo ao fisco. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 5 7 Explicita que Holding patrimonial não necessita de direção ostensiva, sendo que os sócios, ainda que exerçam cargos de direção, não exercem trabalho gerencial que justifique recebimento de prólabore nos montantes considerados pela fiscalização. Insurgese quanto a aplicação da multa de ofício por ter a autoridade fiscal utilizadose de presunção para efetuar o lançamento. Pugna pela manutenção da parte excluída pela decisão de piso, além de acrescentar ser necessária a anulação do lançamento em vista disto. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para decretar a nulidade dos Autos de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. As responsáveis solidárias interpuseram manifestação requerendo o transito e julgado da decisão de primeira instância nos seguintes termos: A responsabilidade solidária não possui valor intrínseco, não podendo ser objeto de Recurso de Ofício. As requerentes entendem não possuírem interesse recursal, já que a Decisão de piso afastou sua responsabilidade. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao Recurso Voluntário, aduzindo o que segue: a) A validade do lançamento, sendo incabível a sua anulação. b) Da inaplicabilidade do art. 112 do CTN. c) Da manutenção do lançamento em relação ao juros sobre capital próprio e dos dividendos. É o relatório. Fl. 633DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator RECURSO DE OFÍCIO Preliminar de Admissibilidade Á época da interposição do recurso vigia a Portaria MF nº 3/2008, que estabelecia o valor de alçada em R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Entretanto, em 10 de fevereiro de 2017 foi publicada a Portaria MF nº 63 que alterou o valor limite para interposição de Recurso de Ofício para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), vejamos: Portaria MF nº 63/07 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). A verificação do "limite de alçada", em face de Decisão da DRJ favorável ao contribuinte, ocorre em dois momentos: primeiro na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ),para fins de interposição de Recurso de Ofício, no momento da prolação de decisão favorável ao contribuinte, observandose a legislação da época, e segundo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), para fins de conhecimento do Recurso de Ofício, quando da apreciação do recurso, em Preliminar de Admissibilidade, aplicandose o limite de alçada então vigente. É o que está sedimentado pela Súmula Carf nº 103, assim ementada: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, depreendese que o limite de alçada a ser definitivamente considerado será aquele vigente no momento da apreciação, pelo Conselho, do respectivo Recurso de Ofício. vinculada pela Súmula Carf nº 103, encimada. Tendo em vista que o crédito tributário exonerado pela primeira instância não alcança o limite de alçada, hoje de R$ 2.500.000,00, não levado a efeito os juros. No presente caso, o montante de crédito Tributário exonerado foi abaixo do novo limite de alçada, vigente na data do presente julgamento, junho de 2018. Ademais, a Portaria MF n° 3 de 2008, fundamento para o recurso de ofício ora em debate, constava apenas o artigo 1° que versa sobre o valor exonerado para interposição do mesmo. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 6 9 Dito isto, uma vez que no momento da interposição deste recurso, a fundamentação foi o valor exonerado, inexistindo qualquer previsão legal quanto a responsabilidade solidária, não devemos conhecer deste. Nesse diapasão, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO, em face de o montante de crédito Tributário exonerado situarse abaixo do limite de alçada vigente, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE A contribuinte preliminarmente pugna pela nulidade do lançamento, uma vez que houve presunção simples, ao ser afirmado pela fiscalização que os valores pagos a título de JCP e dividendos seriam, obrigatoriamente, remuneração indireta. A possibilidade de terceiras hipóteses não foi excluída pela fiscalização. Deveria a Autoridade Fiscal ter demonstrado a existência do trabalho e o nexo de causalidade entre este e os pagamentos efetuados pela recorrente. Quando há dúvidas sobre a natureza ou as circunstâncias materiais do fato deve prevalecer a interpretação mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 112 do CTN. Em que pesem as razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com o presente lançamento. O anexo do AI denominado "FLD — Fundamentos Legais do Débito" contém, no caso, a indicação Fl. 635DF CARF MF 10 detalhada de todos os dispositivos legais aplicados, pela fiscalização, no presente lançamento, discriminados por período. E de se destacar que não há indicação genérica das normas aplicadas, mas sim apontamento individualizado dos artigos, incisos e alíneas, com referência ao diploma legal e regulamentar que os contem. Em nenhum momento, foram arroladas leis por inteiro, sendo sempre indicado o dispositivo especificamente aplicado. Se são muitos os dispositivos mencionados, isso decorre da complexidade que é própria da matéria previdenciária e tributária, a qual é objeto de constantes mudanças legislativas. O ato administrativo consubstanciado neste AI possui motivo legal, tendo sido praticado em conformidade ao legalmente estipulado, e estando os seus fundamentos legais discriminados no anexo FLD, no Discriminativo do Débito e no Relatório Fiscal. E possui, também, motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato, e estando os fatos imponíveis discriminados no Relatório Fiscal e em planilha elaborada pela fiscalização anexada ao AI. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Quanto ao nexo causal e pagamento,, assim como a verdade material. Convém destacar que a busca da verdade material pressupõe a observância, pelo sujeito passivo, do seu dever de colaboração para com a Fiscalização, no sentido de lhe proporcionar condições de apurar a verdade dos fatos. No caso concreto, a recorrente deixou de informar a motivação de ter distribuído lucros de maneira desproporcional. De acordo com o Termo de Intimação Fiscal nº 02 (fls. 55), a fiscalização intimou a empresa a justificar a distribuição desproporcional de dividendos. Em resposta (fls. 137) a empresa informa que a distribuição foi realizada de acordo com as atas das assembléias geral ordinária e atas de reunião de diretoria, inexistindo qualquer infração à legislação tributária. Ou seja, a empresa não esclarece a motivação de ter havido a distribuição desproporcional. Dessa forma, o contribuinte faltou com o seu dever de colaboração, haja vista ter deixado de apresentar as justificativas solicitadas pela fiscalização. Quando não há condições de se buscar a fundo a verdade material, em razão do descumprimento pelo sujeito passivo de sua obrigação de colaborar com a Autoridade Fiscal, não pode esta ser impedida de constituir o crédito tributário. Atento a essa problemática, e tendo em vista o interesse público de que o Fisco não se veja impedido de constituir o crédito tributário pela opção do contribuinte de não colaborar com a Fiscalização, o legislador ordinário previu, no artigo 33, § 3º, da Lei 8.212/91, que: Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 7 11 Vêse, portanto, que o princípio da verdade material não foi transgredido no presente caso, eis que houve a inversão do ônus da prova, em razão de que o contribuinte deixou de prestar a informação solicitada, ou a apresentou de maneira deficiente. Mais a mais, a exemplo da defesa inaugural, a contribuinte não trouxe qualquer elemento de prova capaz de comprovar que os lançamentos encontramse maculados por vício em sua formalidade, escorando seu pleito em simples arrazoado desprovido de demonstração do sustentado. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na eleição da base de cálculo, custo de aquisição e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, não ensejando em nulidade Dito isto, afasto a preliminar suscitada. MÉRITO JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Em relação ao mérito, afirma que havia saldo para pagamento de JCP, mesmo que se entenda que o cálculo deva ser feito com base no ano do efetivo pagamento. Alega que não houve pagamentos de JCP desproporcionais, apenas pagamentos retroativos não pagos em exercícios anteriores. Esclarece ter sido o montante atribuído a cada um dos acionistas muito inferior ao lucro passível de distribuição e, que eventual distribuição desproporcional não causou prejuízo ao fisco. Explicita que Holding patrimonial não necessita de direção ostensiva, sendo que os sócios, ainda que exerçam cargos de direção, não exercem trabalho gerencial que justifique recebimento de prólabore nos montantes considerados pela fiscalização. Pois bem! O Fisco descaracterizou os pagamentos (excedentes) efetuados a título JSCP em razão da verba haver sido distribuída aos sócios sem respeitar a proporcionalidade da participação dos mesmos no capital social. Portanto, para a solução da presente lide, esse órgão de julgamento terá que dizer se tal procedimento efetivamente transmuda a natureza jurídica da verba paga a título JSCP em remuneração pelo trabalho. Considerandose que o motivo tomado pela auditoria para considerar os JSCP como remuneração decorreu de seu pagamento sem respeitar a participação de cada sócio no capital da empresa, a pesquisa sobre a natureza jurídica da verba ganha relevo, uma vez que caso se conclua que a verba corresponde a dividendo não haveria tributação, haja vista que o Código Civil1 permite a distribuição de resultados das empresas em proporção diferente daquela verificada na composição do capital social. Todavia, caso se considere que os JSCP Fl. 637DF CARF MF 12 como despesa financeira da entidade empresarial e receita para o beneficiário, o seu pagamento obrigatoriamente teria que se dar na proporção direta da participação de cada sócio. Os JSCP foram introduzidos na Legislação Brasileira pela Lei n. 9.249/1996, como forma alternativa de remuneração pelo capital investido, os quais poderiam ser deduzidos como custo ou despesa operacional para fins de apuração do lucro real. Eis os termos do normativo citado: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. § 3º O imposto retido na fonte será considerado: I antecipação do devido na declaração de rendimentos, no caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real; II tributação definitiva, no caso de beneficiário pessoa física ou pessoa jurídica não tributada com base no lucro real, inclusive isenta, ressalvado o disposto no § 4º; (...) § 6º No caso de beneficiário pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto de que trata o § 2º poderá ainda ser compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 7º O valor dos juros pagos ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo do disposto no § 2º. (...) Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. À empresa, então, caberia verificar qual a forma de pagamento seria mais vantajosa do ponto de vista de economia tributária, pagar dividendos aos sócios sem incidência Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 8 13 de imposto de renda, ou remunerálos mediante os JCP, dedutíveis como despesas operacionais para fins de apuração do lucro real. Vejo que os JSCP, ao contrário do que afirma a recorrente, diferenciamse dos dividendos, posto que, embora ambos sejam rendimentos do capital, o tratamento fiscal é diversos em relação aos dois tipos de distribuição dos resultados. Os JSCP são considerados despesas financeiras para a empresa e receitas para o beneficiário, que tem como teto para fins de cálculo a variação da TJLP. O seu pagamento decorre da compensação aos sócios/acionistas pela decisão de optar por aplicar os seus recursos na empresa. A doutrina, ao tratar do JPC, diverge quanto a sua natureza jurídica. Para alguns os dividendos e o Juros sobre Capital Próprio apresentam pressupostos distintos e outros entendem, assim como a Recorrente, que ambos possuem o mesmo pressuposto essencial. De acordo com FABIO ULHÔA COÊLHO: "no plano conceitual, cada espécie remunera o investimento por motivos próprios. Enquanto os juros remuneram o investidor pela indisponibilidade do recurso, os dividendos remuneramno pelo os dividendos remuneramnos pelo particular sucesso do empreendimento social. (...) A limitação dos juros sobre capital próprio a TJLP, estabelecida pelo legislador tributário (Lei.nº 9.249/95,art. 9º, caput), estabelece uma equivalência genérica entre a remuneração do acionista e a que ele normalmente encontraria no mercado, caso destinasse o mesmo recurso a investimento diversos. Os dividendos, representam, por sua vez, a remuneração prestada pelo investimento, pelo sucesso da empresa explorada pela Companhia. (COELHO, Fabio Ulhôa Curso de Direito Comercial, 9ª edição, São Paulo, Saraiva, 2006, vol.2, p. 342343) Para outros, como NELSON EIZIRIK, os Juros sobre o Capital Próprio possuem a mesma natureza jurídica de dividendos pois: "o pagamento de juros sobre o capital próprio e a distribuição de dividendos apresentam o mesmo pressupostos essencial, qual seja, a existência de lucros distribuíveis pela sociedade. Isso significa que os juros sobre o capital próprio e os dividendos possuem a mesma natureza jurídica, qual seja, a distribuição de resultados auferidos pela companhia a seus acionistas. Com efeito, caso os juros sobre o capital próprio não tivessem essa natureza , poderiam ser pagos havendo ou não lucro. (EIZIRIK, Nelson A Lei das S/A Comentada, São Paulo: Quartier Latin, 2011, vol. 4, p. 104) Todavia, independente das discussões doutrinárias sobre o tema, a questão da natureza jurídica dos Juros sobre o Capital Próprio JCP foi analisada pela 1 ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, publicado em 22/02/2016 e submetido à sistemática do artigo 543C. O Recurso recebeu a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO Fl. 639DF CARF MF 14 CPC. PIS/PASEP E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO JCP. 1. A jurisprudência deste STJ já está pacificada no sentido de que não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003, permitindo tal benesse apenas para a vigência da Lei n. 9.718/98. Precedentes da Primeira Turma: AgRg nos EDcl no REsp 983066 / RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 01.03.2011; AgRg no Ag 1209804 / RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 16.12.2010; REsp 1018013 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 08.04.2008; REsp 952566 / SC, Rel. Min. José Delgado, julgado em 18.12.2007; REsp 921269 / RS, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 22.05.2007. Precedentes da Segunda Turma: REsp 1212976 / RS, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 9.11.2010; AgRg no Ag 1330134 / SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 19.10.2010; REsp 956615 / RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 13.10.2009; AgRg no REsp 964411 / SC, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 22.09.2009. 2. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "não são dedutíveis da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor destinado aos acionistas a título de juros sobre o capital próprio, na vigência da Lei n. 10.637/2002 e da Lei n. 10.833/2003". 3. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Embora a ementa não trate da natureza jurídica do JCP verificase que a ratio decidendi do referido recurso é a distinção entre a natureza jurídica do JCP e dos dividendos. Conforme relata o Ministro Mauro Campbell: No caso concreto pretende a REFINARIA DE PETRÓLEO IPIRANGA S/A deduzir da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS o valor que destina a seus acionistas a título de juros sobre o capital próprio, invocando: a) o emprego por analogia do art. 9º caput da Lein. 9.249/95, que permite a dedução de tais valores da base de cálculo do lucro real; b)que a natureza jurídica desses valores seria a de lucro e dividendos, o que permitiria a incidência do art. 1º, §3º , V, "b", da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, que retiraram da base de cálculo do PIS e da COFINS as receitas referentes a lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição. Verificase, assim, que a causa de pedir do referido recurso, era a natureza jurídica do Juros sobre o Capital Próprio JCP que restou assim definida pelo Ministro Mauro Campbell: Ora, em que pese os juros sobre o capital próprio, a exemplo dos lucros ou dividendos, serem destinações do lucro líquido, para fins tributários sua semelhança acaba aí, havendo uma série de tratamentos distintos na legislação que evidencia a diferença de sua natureza jurídica, a saber: Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 9 15 (...) Desse modo, ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis, de modo que não incidem o art. 1º, §3º, V, "b", da Lei n. 10.637∕2002 e o mesmo dispositivo da Lei n. 10.833∕2003. Sendo assim, uma vez que o STJ entendeu que os Juros sobre Capital Próprio não tem a natureza jurídica de dividendo, não seria possível aplicar a norma do artigo 1007 do Código Civil que estabelece a distribuição de lucros de forma desproporcional. De fato, não há como se acolher a tese de que alguém aplique na empresa um determinado capital e receba juros em valor superior a outro que investiu um montante maior. Partindose, assim, da premissa de que os JCP são despesas financeiras para entidade, decorrentes de retribuição pelos aportes realizados pelos sócios/acionistas, não se justifica que a sua distribuição não obedeça a proporção existente no seu capital social. Não há de se considerar o argumento de que haveria deliberação da sociedade prevendo a distribuição dos JSCP em percentual diverso da participação dos sócios no capital social, haja vista que, embora seja prevista pelo Código Civil a possibilidade de participação dos sócios nos lucros sem respeitar a proporcionalidade presente na composição das quotas, no caso em tela cuidase de pagamento de parcela de natureza jurídica diversa. Nesse sentido, a deliberação adotada não tem poder de contrariar a legislação tributária, nos termos do art. 123 do CTN. Assim, há de se concluir que, embora o sujeito passivo tenha adotado a denominação de Juros Sobre Capital Próprio – JSCP para a verba em destaque, a mesma possui outra natureza jurídica de remuneração uma vez que paga a administradores da empresa sem que se considerasse a participação de cada um no capital social. Mesmo em se tratando de holding patrimonial, cujo objeto consiste na gestão de participações societárias e que não exerce atividade produtiva ou comercial, nada impede que exista administradores/gestores que administrem tal entidade, o que os leva a perceber remuneração pelo trabalho desempenhado, conforme verificamos do estatuto social da contribuinte, senão vejamos: CAPÍTULO III DA ADMINISTRAÇÃO Artigo 8° A sociedade será administrada por uma Diretoria constituída de no mínimo, 2 (dois), e de, no máximo, 5 (cinco) diretores, acionistas ou não, mas todos residentes no País, eleitos pela Assembléia Geral Ordinária. Os Diretores não terão designação específica. Artigo 9° O mandato da Diretoria será de 3 (três ) anos, de uma a outra Assembléia Geral Ordinária. Todos os diretores deverão permanecer em exercício até a investidura de seus sucessores, podendo ser reeleitos. §1° A remuneração dos diretores será estabelecida pela assembléia geral que os eleger. (g.n) Fl. 641DF CARF MF 16 Não há dúvida que nos termos do inciso III do art. 22 da Lei n. 8.212/19913 a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, categoria da qual faz parte os sócios/diretores, como veremos, somente pode alcançar os valores decorrentes do trabalho prestado ao sujeito passivo, não sendo legítima a exação sobre valores decorrentes do retorno do capital investido. A propósito da matéria, dissertou com muita propriedade o ilustre Conselheiro Dr. Kleber Ferreira de Araújo no Acórdão nº 240102.151, exarado nos autos do processo nº 10380.005040/200759, com a mesma matéria fática, conforme se verifica da ementa e do excerto de suas alegações abaixo transcritas, in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA.INADMISSIBILIDADE. Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos. Recurso Voluntário Negado. (...) Voto (...) Nesse sentido, considerando a existência de trabalho prestados por essas pessoas físicas na gestão da empresa, o que se verifica ainda hoje da cláusula 7.ª do Contrato Social acostado, fl. 206, há de se concluir que os valores pagos de JSCP que excederam o que lhes seria devido pela participação de cada um no capital social, deve ser considerado saláriodecontribuição. Outro não foi o entendimento levado a efeito nos autos do processo nº 10380.723988/201338, igualmente da mesma matéria fática, consoante se positiva do Acórdão nº 2202003.610, com sua ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2009 a 31/12/2010 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 10 17 PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. DESATENDIMENTO. Considerase não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. ASSUNTO: DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPOCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL. De acordo com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, submetido à sistemática do art. 543 C do CPC/73, "ainda que se diga que os juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificalos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis." Os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Fl. 643DF CARF MF 18 A divergência na qualificação jurídica do fato não pode ser equiparado ao evidente intuito de fraude para efeito de aplicação da multa agravada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. (grifo nosso) A fazer prevalecer esse entendimento, mister citar, ainda, o Acórdão nº 2402 004.215, contemplando matéria análoga. Restando claro o entendimento deste Conselheiro, adentremos ao caso concreto. In casu, ao verificar o Relatório Fiscal, constatase que a autuação pelo pagamento de maneira desproporcional as quotas sociais foi realizado em face do recebimento da Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão. No entanto o lançamento não deve prosperar, tendo em vista que a Sr. Gláucia não exerce cargo de direção na empresa, não justificando, portanto, o recebimento de prólabore/remuneração. Os demais valores lançados a título de JCP, diz respeito a não observância do limite previsto no caput do art. 9º da Lei 9.249/1995. Contudo, tal inobservância não desvirtua a natureza dos Juros sobre o Capital Próprio, ou seja, não gera uma presunção de pagamento de prólabora, como é o caso do pagamento desproporcional. O limite imposto pelo artigo acima mencionado, diz respeito a possibilidade da pessoa jurídica deduzir os JCP, para efeitos de apuração do lucro. Em nada descaracterizando sua natureza societária ou gerando presunção de prólabore/remuneração. Neste diapasão, tendo os pagamentos efetuados em 30/06/2009 e 30/09/2009 obedecido a proporcionalidade da participação de cada sócio, devese também, ser afastada a tributação acerca desses pagamentos. DIVIDENDOS No que concerne à distribuição de dividendos ter se dado de forma desproporcional ao capital investido por cada sócio, não há de ser considerado plausível para o caso em questão. Primeiramente, não há qualquer limitação na legislação para distribuição de lucros a partir do capital social. Os lucros serão repartidos conforme as disposições societárias e contábeis, se ele ocorreu em determinado período e os sócios desejam sua repartição. Como visto no tópico anterior, ao instituto da distribuição de dividendos, é cabível sua distribuição desproporcional, de acordo com o que dispõe o art. 1007 do Código Civil, senão vejamos: Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Em se tratando de S.A., a legislação versa no mesmo sentido, de acordo com o artigo 202 da Lei n° 6.404/76, senão vejamos: Art. 202. Os acionistas têm direito de receber como dividendo obrigatório, em cada exercício, a parcela dos lucros estabelecida no estatuto ou, se este for omisso, a importância determinada de acordo com as seguintes normas Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 11 19 (...) § 1º O estatuto poderá estabelecer o dividendo como porcentagem do lucro ou do capital social, ou fixar outros critérios para determinálo, desde que sejam regulados com precisão e minúcia e não sujeitem os acionistas minoritários ao arbítrio dos órgãos de administração ou da maioria.(g.n) Sendo assim, existindo escrituração contábil regular (uma vez que não foi descaracterizada pela auditoria fiscal e, muito menos, apontado ato simulado), que demonstre e discrimine a distribuição de dividendos que se deu a partir de critério idôneo previsto no estatuto social e Atas, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre a verba paga. Diante da improcedência da obrigação principal, cai por terra os autos de obrigação acessória. Da mesma forma que resta prejudicada a analise das demais questões de mérito. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração, sub examine, em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE: a) NÃO CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO; b) CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e direito acima expostos. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Declaração de Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Recurso de ofício. Admissibilidade. Em relação ao devedor principal, o Acórdão recorrido exonerou R$ 1.909.420,39 (qualificadora sobre a multa de ofício e multa CFL 77). Em relação a cada um dos sujeitos passivos solidários sem benefício de ordem, houve exoneração da responsabilidade pelo pagamento de tributo e encargos de multa no valor total de R$ 10.831.323,88 e não apenas de R$ 1.909.420,39. Assim, ao tempo do recurso de ofício, o valor de alçada de R$ 1.000.000,00 (Portaria MF nº 3, de 2008) foi observado, ainda que se considere para os solidários o montante da exoneração pertinente ao contribuinte (R$ 1.909.420,39) e não a pertinente ao próprio sujeito passivo solidário (R$ 10.831.323,88). Fl. 645DF CARF MF 20 Atualmente (Decreto nº 7.574, de 2011, art. 70, caput e § 2°; e Portaria MF nº 63, de 2017), o limite de alçada passou a ser de R$ 2.500.000,00 e não mais se exige qualquer valor de alçada para a decisão que excluir da lide sujeito passivo (limite passou a ser zero). Portanto, em relação à exclusão da qualificadora e da multa CFL 77, o atual limite de alçada impõe o não conhecimento do recurso de ofício (Súmula CARF n° 103). Contudo, em relação à exclusão da responsabilidade solidária, o limite de alçada foi observado ao tempo do recurso de ofício e resta também observado na presente data (Súmula CARF n° 103), eis que não mais se cogita de limite para se conhecer de recurso de ofício veiculando tal matéria. Logo, voto por conhecer parcialmente do recurso de oficio para apreciar a exclusão da responsabilidade solidária empreendida pela decisão de primeira instância. Recurso voluntário. Admissibilidade e Preliminares. Em relação ao recurso voluntário, acompanho o relator no que toca ao conhecimento e às preliminares. Recurso voluntário. Mérito. Três considerações iniciais. Primeiro, a empresa reconheceu não ter empregados e não pagar pro labore aos seus diretores (fls. 138). Segundo, não havendo dúvida acerca da interpretação da legislação, não resta preenchido o suporte fático do art. 112 do CTN. Terceiro, não há sociedade sem trabalho de administrador, ainda que se trate de holding patrimonial. Nos autos, constam diversos atos praticados pelos diretores como administradores da empresa, por exemplo: Atas de Reunião de Diretoria (fls 105/112), procurações e Relatórios da Diretoria (fls. 154/159). Portanto, há serviços a serem remunerados. Doação, o objeto social da Companhia não ampara (Estatuto Social, art. 3°; fls. 215) e não consta dos autos irregular deliberação de Assembléia Geral nesse sentido. As deliberações da Assembléia Geral constantes dos autos dão conta de se tratar formalmente de pagamentos a título de JCP e de dividendos. Nelas não há qualquer referência ou indício de que se trate de antecipação de recebíveis ou de distribuição de JCP de anos anteriores. Ao reconhece a faculdade de se remunerar o capital investido na empresa mediante o pagamento de juros dedutíveis da base de cálculo do IRPJ, o art. 9º da Lei n° 9.249, de 1995, introduziu no ordenamento a original figura jurídica dos juros sobre o capital próprio, atrelando sua validade não apenas tributária à observância das condições legais traçadas. Logo, sua inobservância não apenas impede a dedução, mas também inviabiliza a caracterização dos valores excedentes como JCP. Para uma melhor compreensão do tema, colacionase1: Em princípio não existem normas que proíbam que os sócios ou acionistas deliberem o pagamento de juros tendo como base de cálculo o patrimônio líquido de outro exercício já encerrado, ou sobre a movimentação do patrimônio líquido para adotar a expressão acima utilizada. Todavia, o fato de tomar como parâmetro um fator do passado não significa que a decisão retroage a esse passado para fazer com que os juros fossem devidos desde então. O ato jurídico que delibera sobre o pagamento dos juros outorga ao beneficiário um direito 1 ANDRADE FILHO, Edmar Oliveira. In: http://www.fisosoft.com.br, IRPJ e CSLL: Juros sobre o capital próprio calculado sobre a movimentação do patrimônio líquido, e Imposto de Renda das empresas, 8 ed., São Paulo, Atlas, 2011. Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 12 21 subjetivo que nasce com ele próprio, salvo se houver convalidação de ato anterior produzido por erro ou com defeito jurídico de qualquer natureza. Sem aquele ato jurídico não existe relação jurídica válida, isto é, não há o direito subjetivo do beneficiário e, em contrapartida, não há obrigação para a sociedade. Se, em determinado exercício social passado, não foram pagos ou creditados juros sobre o capital e se as demonstrações contábeis já tiverem sido aprovadas pelos acionistas, é lícito inferir que eles deliberaram pelo não pagamento ou crédito dos juros. Se as pessoas que detinham competência para deliberar sobre o pagamento dos juros não o fizeram e aprovaram as demonstrações financeiras sem que tal obrigação fosse considerada, parece fora de dúvida que elas renunciaram à faculdade prevista em lei. Em decorrência dessa renúncia e considerando que demonstrações contábeis, depois de aprovadas pelos sócios ou acionistas, são consideradas "ato jurídico perfeito", impõese a conclusão de que elas só podem ser modificadas em caso de erro, dolo ou simulação. Portanto, lógica e juridicamente, não há como imputar a exercícios passados os efeitos de deliberação societária (sujeita a uma disciplina jurídica específica) tomada no presente. Essa imputação só poderá ocorrer se o Balanço vier a ser retificado por determinação dos sócios ou acionistas, mas tal retificação só poderia ser juridicamente justificada se demonstrada a anterior ocorrência de erro, dolo ou simulação. As ementas invocadas pela empresa, dando conta da admissibilidade da dedução em relação a exercícios anteriores, não se alinham com a iterativa, notória e atual jurisprudência do CARF, como podemos verificar: DESPESAS. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. PERÍODOS ANTERIORES. REGIME DE COMPETÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. As despesas com juros sobre o capital próprio (JCP) se submetem às regras gerais de contabilização de despesas, obedecendo o regime de competência: somente podem incorrer no mesmo exercício social em que as receitas correlacionadas geradas com o uso do capital que os JCP remuneram se produzem, formando o resultado daquele exercício. Não se admite a dedução de JCP calculados sobre as contas do patrimônio líquido de exercícios anteriores. Precedentes recentes na 1ª Turma da CSRF. Acórdãos nº 9101002.180, 9101002.181, 9101002.182, 9101003.064, 9101003.065, 9101003.066 e 9101003.067. (Acórdão nº 9101003.570 – 1ª Turma da CSRF, Processo 10980.725765/201001, Sessão de 08 de maio de 2018) JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. FACULDADE SUJEITA AO REGIME DE COMPETÊNCIA E A CRITÉRIOS TEMPORAIS. DEDUÇÃO EM EXERCÍCIOS POSTERIORES. VEDAÇÃO. 1 O pagamento ou crédito de juros sobre capital próprio a acionista ou sócio representa faculdade concedida em lei, que deve ser exercida em razão do regime de competência. Incabível Fl. 647DF CARF MF 22 a deliberação de juros sobre capital próprio em relação a exercícios anteriores ao da deliberação, posto que os princípios contábeis, a legislação tributária e a societária rejeitam tal procedimento, seja pela ofensa ao regime de competência, seja pela apropriação de despesas em exercício distinto daquele que as ensejou. 2 As despesas de Juros com Capital Próprio devem ser confrontadas com as receitas que formam o lucro do período, ou seja, tem que estar correlacionadas com as receitas obtidas no período que se deu a utilização do capital dos sócios, no período em que esse capital permaneceu investido na sociedade. 3 A aplicação de uma taxa de juros que é definida para um determinado período de um determinado ano, e seu rateio proporcional ao número de dias que o capital dos sócios ficou em poder da empresa, configuram importante referencial para a identificação do período a que corresponde a despesa de juros, e, conseqüentemente, para o registro dessa despesa pelo regime de competência, 4 Não existe a possibilidade de uma conta de despesa ou de receita conservar seus saldos para exercícios futuros. Em outros termos, apurado o resultado, o que era receita deixa de sêlo e também o que era despesa deixa de sêlo. Apenas as contas patrimoniais mantém seus saldos de um ano para outro. os JCPs podem passar de um exercício para o outro, desde que devidamente incorrida e escriturada a despesa dos JCPs no exercício em que o capital dos sócios foi utilizado pela empresa, com a constituição do passivo correspondente. (Acórdão nº 9101003.161 – 1ª Turma da CSRF, Processo 10880.722396/201368, Sessão de 04 de outubro de 2017) Assim, aflora que a proporcionalidade deve ser efetuada em função do termo inicial e final do período de investimento, que são, respectivamente, o início do período de apuração e o momento da deliberação dentro do mesmo período, pelo pagamento ou crédito. Por conseguinte, não há como se observar um limite anual com compensações entre os trimestres do ano de 2009. As Atas das Assembléias Gerais pertinentes revelam a deliberação da distribuição de R$ 9.051.108,20 e de R$ 9.358.974,00 a título de lucros de 2009 e 2010, respectivamente, e esses montantes, como bem demonstrou a fiscalização, foram distribuídos sem respeitar a proporção de cada sócio no capital social da empresa, sendo irrelevante que, em tese, poderia ter sido distribuído um valor maior. O Estatuto Social e a Assembléia Geral não podem privar o acionista do direito de participar dos lucros sociais e nem de conferir para as ações de uma mesma classe direitos iguais aos seus titulares (Lei nº 6.404, de 1976, art. 109, I e § 1º). Diante dessa regra específica da lei especial, não se aplica para a sociedade anônima o regramento do art. 1.007 do Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002, art. 1.089). Mesmo nas hipóteses do art. 202 da Lei nº 6.404, de 1976, deve ser observada a regra do art. 109, I e § 1º, da Lei nº 6.404, de 1976. Logo, não é relevante a existência de consenso entre todos os acionistas e nem é relevante a circunstância de a deliberação social não ter sido atacada por acionista. A suposta inocorrência de prejuízo não tem o condão de afastar o regramento legal acerca do que deva ser entendido por dividendos e nem as decorrentes consequências tributárias. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10380.723325/201313 Acórdão n.º 2401005.592 S2C4T1 Fl. 13 23 Descartada juridicamente a possibilidade de se caracterizar os pagamentos debatidos como JCP e dividendos, resta a constatação de que se trata de pro labore, eis que não há como se admitir a existência de trabalho humano no âmbito de uma sociedade empresarial sem retribuição, sob pena de violação do princípio constitucional da valorização social do trabalho. Além disso, há previsão no Estatuto Social de que caberia à Assembléia Geral que eleger os diretores fixar sua remuneração. No caso concreto, reiterese a empresa nada pagou formalmente a título de pro labore. Os Relatórios da Diretoria constantes dos autos, revelam que os montantes considerados pela fiscalização como pro labore são compatíveis com a dimensão econômica da empresa no período de apuração. Assim, deve ser reconhecida a existência de correspondência entre o trabalho realizado, inerente a Holding patrimonial, e o ganho econômico imputado pela fiscalização. A inexistência de documentação formalizando o pro labore (coincidência de datas e valores, questionada nas razões recursais) decorre justamente da ocultação de tal verba mediante a constituição de prova tendente a demonstrar o pagamento de JCP e de dividendos. Impõese, entretanto, a prevalência da realidade e da qualificação jurídica dela decorrente; realidade a ser comprovada por qualquer meio de prova em direito admitido. A jurisprudência do CARF ampara a caracterização em questão: JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO PAGOS A SÓCIOGERENTE. PARCELA EXCEDENTE AO LIMITE LEGAL. PRO LABORE. FATO GERADOR DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O pagamento aos sóciosgerentes de juros sobre capital próprio, na parcela excedente ao limite superior previsto em lei, qualificamse como remuneração de segurados contribuintes individuais a título de pro labore, transferindo para a empresa o ônus da prova em contrário. (Acórdão nº 230201.035 – 2ª Seção / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 11 de maio de 2011) JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO, NATUREZA JURÍDICA DE DESPESA FINANCEIRA. PAGAMENTO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL IMPOSSIBILIDADE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOBRE O EXCESSO. A natureza jurídica dos Juros Sobre Capital Próprio é de despesa financeira para a empresa e de receita para o sócio beneficiário Os valores pagos ou creditados aos sócios a título de Juros Sobre Capital Próprio, além do que lhes seria devido pela aplicação do percentual correspondente a participação de cada um no capital social, devem sofrer a incidência de contribuição previdenciária, por representar prólabore indireto. (Acórdão n° 240101.504 2ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 01 de dezembro de 2010) DISTRIBUIÇÃO DO JCP DESPROPOCIONAL À PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL. De acordo com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1.200.492RS, submetido à sistemática do art. 543 C do CPC/73, "ainda que se diga que os Fl. 649DF CARF MF 24 juros sobre o capital próprio não constituam receitas financeiras, não é possível simplesmente classificálos para fins tributários como “lucros e dividendos” em razão da diferença de regimes aplicáveis." Os pagamentos efetuados aos sócios no percentual que extrapola sua participação societária, deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social. (Acórdão nº 2202003.610 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 18 de janeiro de 2017) A fiscalização considerou que a Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão era diretora, conforme consta do Relatório de Vínculos (fls. 5). Notese que não se alegou o exercício de fato da administração, mas simplesmente se incluiu a sócia Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão ao lado dos demais diretores sem maiores esclarecimentos. A prova constante dos autos, contudo, demonstra que, em face das deliberações da Assembléia Geral (fls. 210/212) e do Estatuto Social (fls. 215/228), a Sra Gláucia não era diretora/administradora. Além disso, há nos autos documentos que revelam que, em conformidade com o deliberado pela Assembléia Geral, apenas Luciana Galvão de Andrade, Dario de Queiroz Galvão Filho, Mário de Queiroz Galvão e Eduardo de Queiroz Galvão exerceram a administração da empresa nas competências dos débitos lançados, conforme Atas de Reunião da Diretoria (fls. 105/112) e Relatórios da Diretoria (fls. 154/159). Diante disso, não subsiste a premissa de haver trabalho a ser remunerado por pro labore em relação à Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão. Impõese, portanto, a exclusão da base de cálculo pertinente à Sra Gláucia Vasconcelos Galvão de todos os lançamentos. Subsistindo lançamento de ofício, inexistindo dúvida e não se podendo declarar inconstitucionalidade (Súmula CARF n° 2), deve ser aplicada a correspondente multa e ofício, em face da legislação de regência constante dos autos de infração. Subsistindo lançamento de ofício, afastase a alegação de insubsistência reflexa das multas por descumprimento de obrigação acessória. Isso posto, voto por conhecer e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas a título de JCP à Sra. Gláucia Vasconcelos Galvão. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro. Fl. 650DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.660448/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 3401-004.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 04 48 /2 01 2- 14 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10880.660448/201214 Acórdão n.º 3401004.849 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Cássio Schappo, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antônio Souza Soares, Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra não homologação de compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a um crédito de Cofins, que teria sido recolhido a maior no período de apuração. O Despacho Decisório da DERAT/SÃO PAULO, não homologou o pedido de compensação, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. A DRJ Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação por unanimidade de votos, mantendo o crédito tributário devido. A empresa apresentou recurso voluntário onde somente alega que apesar de ter protestado em sede de impugnação pela falta de motivação do indeferimento no despacho decisório, o acórdão recorrido não demonstrou a motivação, que os atos administrativos devem ser motivados para não ter cerceado seu direito de defesa, não apresentando provas do seu direito. É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10880.660448/201214 Acórdão n.º 3401004.849 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.681, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.660277/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.681): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. A recorrente protesta pela falta de motivação do despacho decisório que indeferiu o seu pedido de compensação. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele está inscrito o enquadramento legal da autuação: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Também nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o crédito indicado foi localizado, mas já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a 4.812,66. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Entendo que o prejuízo, se havido, foi provocado pelo próprio contribuinte que deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, o crédito já havia sido utilizado e alocado, e apesar de ser o único DARF pago pela empresa no ano de 2012, o mesmo foi utilizado em 193 pedidos de compensação. Esse procedimento utilizado pelo contribuinte, de alocar o mesmo crédito a várias Dcomps enseja a cominação de prestação de informação falsa à RFB já Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.660448/201214 Acórdão n.º 3401004.849 S3C4T1 Fl. 5 4 que há um campo na PER/DCOMP onde é perguntado se aquele crédito já foi informado em outro PER/DCOMP e o contribuinte respondeu “NÃO” em todas as declarações. Por ser extremamente didático, reproduzo o acórdão recorrido, em sua íntegra, para que não haja dúvidas quanto as suas conclusões que acompanho: Em preliminar, não merece acolhida a alegação de nulidade do Despacho Decisório, vez que o mesmo apresenta de forma clara e precisa o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na DCOMP. O Despacho Decisório preenche todos os requisitos formais e materiais para sua validade, contendo todos os elementos necessários ao exercício do direito de defesa do contribuinte, trazendo em seu bojo, ainda que de forma sintética, a fundamentação legal, a identificação da declaração de compensação enviada pela empresa, a data da transmissão, o tipo de crédito, as características do DARF apontado pela empresa na DCOMP, bem como o período de apuração a que se refere. Por outro lado, os motivos da nãohomologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pela contribuinte. Estas são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo, não podendo a interessada alegar que os desconhecia. Importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Não confirmadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte declarou um débito e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Assim, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.660448/201214 Acórdão n.º 3401004.849 S3C4T1 Fl. 6 5 contribuinte pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. O débito declarado e pago encontrase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Assim sendo, na data da transmissão do PER/ DCOMP a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo o interessado trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. O extrato abaixo é a DCTF retificadora ativa da contribuinte, referente ao tributo e período em análise. Repare que a contribuinte declara um débito de COFINS em junho de 2012 no valor de R$ 29.148,73 e vincula ao débito um pagamento de R$4.985,20. No quadro abaixo, podemos verificar que o referido pagamento vem de um DARF de R$5.083,90, composto de um valor principal (R$4.985,20) mais multa por atraso (R$98,70). Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.660448/201214 Acórdão n.º 3401004.849 S3C4T1 Fl. 7 6 Por sinal, esse foi o único DARF de Cofins pago em 2012 pela empresa, conforme demonstra o extrato abaixo. Impende salientar que, sobre esse alegado crédito de R$ 5.083,90, a contribuinte solicita a homologação de nada menos que 193 pedidos de compensação, todos do mesmo período (2º trimestre de 2012), com mesmo vencimento em 31/07/2012 que, somados, resultam em um valor de R$ 948.369,76, conforme relação abaixo dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF. .... Agrava o fato de tentar utilizar mais de uma vez o mesmo crédito a prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que o contribuinte respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração ao inciso II do § 1º do art. 45 da IN/SRF 1.300, de 20 de novembro de 2012. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e no mérito por negarlhe provimento. Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.660448/201214 Acórdão n.º 3401004.849 S3C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000454/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 1997
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL
A lei prevê como hipótese excludente do Simples a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Diante do texto e contexto, as interpretações finalística e sistemática conduzem à exegese de que a hipótese compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica.
INTERPOSTA PESSOA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.
Conquanto a interposição de pessoas não possa ser deduzida de um único indício, o conjunto destes (indícios) pode demonstrar a existência da causa simulandi a comunicar o fio condutor quanto à ocorrência de simulação subjetiva.
Vê-se que a recorrente outorgou ilimitados poderes a pessoas físicas, sócias de outra pessoa jurídica que, como restou comprovado, é a real gestora de suas atividades
Numero da decisão: 1301-001.074
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 1997 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL A lei prevê como hipótese excludente do Simples a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Diante do texto e contexto, as interpretações finalística e sistemática conduzem à exegese de que a hipótese compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica. INTERPOSTA PESSOA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. Conquanto a interposição de pessoas não possa ser deduzida de um único indício, o conjunto destes (indícios) pode demonstrar a existência da causa simulandi a comunicar o fio condutor quanto à ocorrência de simulação subjetiva. Vê-se que a recorrente outorgou ilimitados poderes a pessoas físicas, sócias de outra pessoa jurídica que, como restou comprovado, é a real gestora de suas atividades
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL A lei prevê como hipótese excludente do Simples a constituição da pessoa jurídica por interpostas pessoas que não sejam os verdadeiros sócios ou acionistas. Diante do texto e contexto, as interpretações finalística e sistemática conduzem à exegese de que a hipótese compreende não só o nascimento da pessoa jurídica como as demais etapas da vida da pessoa jurídica. INTERPOSTA PESSOA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. Conquanto a interposição de pessoas não possa ser deduzida de um único indício, o conjunto destes (indícios) pode demonstrar a existência da causa simulandi a comunicar o fio condutor quanto à ocorrência de simulação subjetiva. Vêse que a recorrente outorgou ilimitados poderes a pessoas físicas, sócias de outra pessoa jurídica que, como restou comprovado, é a real gestora de suas atividades Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 04 54 /2 00 6- 49 Fl. 433DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.000454/200649 Acórdão n.º 1301001.074 S1C3T1 Fl. 2.632 3 Relatório Trata o presente processo de exclusão de empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) pelo Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 62, de 7 de maio de 2009, por ter incorrido nas hipóteses de vedação previstas no art. 14, incisos II e IV, da Lei n° 9.317/96 (embaraço a fiscalização e constituição de pessoa jurídica por interposto pessoa), com produção dos efeitos a partir de 01/01/1997, de acordo com o art. 15, V, da Lei n° 9.317/96. A fiscalização decorreu em virtude de representação de agentes fiscais da Previdência Social e da Receita Federal. Inconformada com o despacho decisório que a excluiu Simples, a Carisma apresentou manifestação de inconformidade, apresentando as seguintes razões: 1 A FISCALIZAÇÃO NÃO LOGROU ÊXITO EM COMPROVAR QUE HOUVE CONSTITUIÇÃO DA CARISMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA. POR INTERPOSTA PESSOA Alega que a Carisma e seus sócios são totalmente distintos e desvinculados da empresa Cativa Têxtil, possuindo a empresa Carisma total independência e autonomia, tendo apenas relação puramente comercial com a Cativa Têxtil. Assegura que corre por sua conta os custos de locação, telefone, dentre outros. Afirma que as pessoas integrantes do seu quadro social, integralizaram os valores de capital por sua própria conta. Ademais não consta dos trabalhos da fiscalização fazendária nenhuma prova em sentido contrário. Destaca que a Carisma possui quadro de empregados devidamente por esta contratados e registrados, cujos salários e encargos pagos correm às expensas desta. Aduz que o auditor baseiase somente em indícios e documentos da Cativa Têxtil Ltda, encontrados na sede desta, deixando de analisar detidamente as operações da representada. Ressalta que seus bens, quando não são próprios, são respaldados em contratos. Argumenta que não há nenhum tipo de confusão entre os livros, registros, documentos, contas bancárias, movimentação de recursos, etc. entre a Carisma e a Cativa Têxtil. Assevera que as movimentações de produtos entre a Cativa e a Carisma são sempre acompanhadas dos devidos documentos fiscais. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Por fim, conclui que inexistem elementos que autorizem o auditor a desconsiderar os registros contábeis acima mencionados e entender pela existência de suposta constituição de empresa por interposta pessoa, ou que a empresa representada tratase de filial da Cativa Têxtil. II REPRESENTAÇÃO DA EXCLUSÃO FUNDADA EM MERA • PRESUNÇÃO DE CONSTITUIÇÃO DE EMPRESA POR INTERPOSTA PESSOA – DA AUSÊNCIA DE PROVAS E DE FUNDAMENTO LEGAL AFRONTA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Alega que caberia à fiscalização, realizar diligência e analisar detidamente os livros e documentos da Representada, para somente após, fundado em elementos precisos e consistentes, provar que houve a constituição de empresa por interposta pessoa. Segundo a defendente, a fiscalização fazendária pretendeu descaracterizar o legítimo processo de terceirização, valendose de meras presunções e conjecturas totalmente distantes da realidade e prática comercial e industrial atuais. Considera que o despacho decisório já elencado fere o princípio da legalidade previsto na Constituição e no CTN, posto que não há fundamentação legal capaz de dar respaldo ao entendimento da fiscalização fazendária, bem como às presunções adotadas e à desconsideração da personalidade jurídica da representada, caracterizandoa como mera filial da Cativa. III DA NULIDADE DO ATO DE EXCLUSÃO EM VISTA DA INDEVIDA DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA DA REPRESENTADA E DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PATRIMONIAL DA PESSOA JURÍDICA Declara que os sócios constantes de seu quadro social realmente exercem suas funções e que, ao considerar a representada como mera Filial da Cativa Têxtil, a fiscalização está desconsiderando indevidamente a pessoa jurídica da empresa Carisma. Salienta que, além da distinção entre a pessoa jurídica e seus sócios, há a distinção patrimonial, ou seja, os bens de uns e outros não se confundem. Assim, não cabe à fiscalização fazendária determinar a anulação ou desconsideração da personalidade jurídica da Carisma. Argumenta que não consta nos autos prova quanto à utilização fraudulenta ou abusiva da empresa representada, necessária para desconsiderar a autonomia patrimonial da mesma. Destaca ainda que se impõe percorrer a via judicial para descaracterizar a personalidade jurídica. IV DO PROCESSO REGULAR DE TERCEIRIZAÇÃO ENVOLVENDO A CARISMA E SEUS CLIENTES Afirma que representada participou de legítimo processo de terceirização de serviços e que, a fim de manter o padrão de qualidade da contratante, há a busca de uma estreita ligação entre as empresas. Entretanto, considera que, embora relação possa gerar uma certa confusão por parte de alguns colaboradores, jamais pode ser entendida como constituição de empresa por interposta pessoa. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.000454/200649 Acórdão n.º 1301001.074 S1C3T1 Fl. 2.633 5 V DA INFLUÊNCIA DO MATERIAL PUBLICITÁRIO DA CATIVA TÊXTIL PARA A EXCLUSÃO DA REPRESENTADA DO SIMPLES E DA INCOMPREENSÃO DA FISCALIZAÇÃO FAZENDÁRIA SOBRE A ESTRATÉGIA DE MARKETING DA CATIVA Esclarece que a adoção da expressão grupo Cativa, inclusive em catálogos traduzidos para o idioma inglês, é uma estratégia de marketing, sendo importante na medida em que seus exigentes clientes estrangeiros, ao visitaros estabelecimentos da Cativa e seus terceirizados, tenham a visão de todo o aparelhamento, demonstrando a capacidade de atender às suas demandas. Consoante a defendente, esta estratégia do setor de marketing não configura nenhuma ilegalidade, até porque as empresas parceiras terceirizadas são pessoas jurídicas legalmente constituídas, sujeitas de direito e obrigações, que não se confundem com a Cativa Têxtil. VI DAS ILAÇÕES DA FISCALIZAÇÃO FAZENDÁRIA EM TORNO DAS PROPOSTAS DE TRABALHO E DAS AÇÕES TRABALHISTAS CITADAS NA REPRESENTAÇÃO Alega que o fato de constar em demandas trabalhistas menções à CATIVA TÊXTIL e a seus colaboradores não são suficientes para a exigência pretendida, pois é comum nas ações trabalhistas que envolvem terceirização, o autor indicar como integrante do pólo passivo, bem como referirse tanto à empresa empregadora como ao tomador dos serviços terceirizados. Pondera que a contratação dos empregados da representada é por esta realizada e formalizada, que estes exercem seu labor na sede da Carisma e estão submetidos à subordinação desta, que é quem paga seus salários e que a Cativa somente exerce rigoroso controle de qualidade sobre peças confeccionadas. VII DA AUSÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO Assevera que o embaraço à fiscalização não foi considerado para fins de efeitos de exclusão da empresa do Simples, tendo em vista ter se configurado em momento posterior ao alegado motivo de constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa. Todavia, ressalta que mesmo que a Representação considerasse tal argumento, o mesmo não poderia prosperar, pois, conforme se pode inferir do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF, a fiscalização teve acesso a vários livros documentos fornecidos pela Representada, tais como: livro de registros de empregados, folha de pagamento, comprovantes de recolhimento, dentre outros. VIII DA OBRIGAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO EM BUSCAR A VERDADE MATERIAL Discorda do fato de a fiscalização basearse somente em presunções desprovidas de amparo técnico necessário, desprezando o princípio da verdade material. IX DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA MORALIDADE DOS ATOS PÚBLICOS Fl. 437DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Conclui que, ao desprezar o princípio da verdade material e a realidade dos fatos, a fiscalização fazendária acaba também por ofender o princípio da moralidade administrativa, insculpido no artigo 37 da Constituição Federal. X DA OFENSA AO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA, PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Segundo a defendente, o entendimento da fiscalização não está amparado por provas robustas e não há fundamentação legal para as presunções adotadas, assim como para a desconsideração da personalidade jurídica da Representada, caracterizandoa como mera filial da Cativa. Agindo desse modo, ofende o princípio da legalidade, da segurança jurídica, da proporcionalidade e da razoabilidade. XI DA INEQUÍVOCA OFENSA À LEI N° 9.784/99 Considera também, em virtude das razões expostas na manifestação de inconformidade, que o despacho decisório atacado encontrase eivado de ilegalidades, já que ofende o preceituado pelo artigo 2°, § único, inciso X e 56 da Lei n° 9.784/99, que preceitua • que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Estes princípios têm o sentido imediato de que todos os direitos devem ser exercitados de modo razoável. Por ser assim, entende que não é razoável a exclusão da defendente do Simples, fundado em presunção de constituição de pessoa jurídica por interposta pessoa que não seja verdadeiro sócio e de formação de suposto grupo econômico, sem prova cabal neste sentido. XII DO PEDIDO Por fim, requer, dentre outros pedidos, que todas as intimações sejam dirigidas aos advogados subscrevem a peça de defesa, cujo endereço para correspondência consta no rodapé da manifestação de inconformidade. Com o intuito de comprovar o alegado, junta aos autos: (1) contrato de locação, recibo e comprovante de pagamento de telefone; (2) contrato social e alterações; (3) DIRF do Sócio; (4) holerites, folhas de pagamento e resumos; (5) extrato bancário da representada; (6) CNDs da representada; (7 comprovante da sistemática de remessas de produtos para industrialização; e (8) TEAF. A autoridade julgadora de primeira instância (FNS/SC) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0718.157, de 27/11/2009 (fls. 367), tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 438DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.000454/200649 Acórdão n.º 1301001.074 S1C3T1 Fl. 2.634 7 Sem Crédito em Litígio É o relatório. Passo ao voto. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Para melhor elucidação da matéria em lide transcrevo excertos do voto combatido: “Dos contratos sociais e alterações, verificase que os sócios da Cativa, do início de sua atividade até a data de encerramento da fiscalização, são: Gilmar Rogério Sprung e Valci Márcia Sprung Kreutzfeld, os quais são irmãos. Já quanto à Carisma, constam como únicas sócias durante o período fiscalizado: Cátia Maria Sprung e Harien Hansen Sprung. É de se considerar que ambas são irmãs do sócio da Cativa (Gilmar), sendo que a primeira trabalha na Cativa na função de Gerente de Produção e Marketing desde 17/04/2001 e é sócia de outra empresa do grupo (Conquista). Portanto, é de se registrar o forte vínculo familiar existente entre os sócios da Cativa e os da Carisma. Observo também que é no mínimo fora do comum o fato de sócia de sociedade que chega a faturar mais de R$ 1.000.000,00 no ano (fl. 10) ser empregado de tomadora de serviços de sua empresa, a qual pertence a familiares próximos, abrindo mão de se dedicar, de forma exclusiva, à sociedade da qual é proprietária. Nas páginas da internet da Cativa (fls. 112 e 113), consta a relação de seus diretores. Dentre eles está Catia Sprung, que, conforme já qualificada, é sócia da Carisma e da Conquista. Também nelas estava anotado que a Cativa possui cinco parques fabris, contando com mais de 1.200 colaboradores. Ora, a Cativa possui cerca de 500 funcionários, não condizendo com as informações retiradas da internet e do regulamento interno da Cativa. Isso me remete à conclusão de que os estabelecimentos referenciados são os localizados em Pomerode (Cativa), Carisma (Rio dos Cedros), Rio dos Cedros (Capture), Mafra (Conduta) e Ascurra (Conquista), cujos números de colaboradores somados alcançam a quantidade indicada pela Cativa em sua página eletrônica e em seu regulamento interno. Esta informação é confirmada pelo próprio Manual Cativa (fl. 116), que se constitui no regulamento interno da sociedade, que destaca: "...e hoje, com mais 1.100 colaboradores diretos distribuídos em cinco parques fabris, a Cativa é destaque em modernização...". Dos Termos de Verificação Físcal (fls. 128 a 145) nas unidades representadas, consta que alguns entrevistados fazem referência ao Sr. Gilmar e à Sra. Valci (sócios da Cativa) como donos desta (Carisma) . Portanto, por mais uma vez, há um forte indício de que os proprietários da Cativa são, na verdade, também proprietários das sociedades excluídas do Simples. (...) Pois bem, percebase que, além de selecionar os empregados, a Cativa ainda estipula as condições contratuais, fazendose valer de seu poder de decisão sobre a representada. Outra situação constatada pela fiscalização é o fato de que nas propostas de trabalho preenchidas por candidatos ao preenchimento de vagas no quadro de Fl. 440DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.000454/200649 Acórdão n.º 1301001.074 S1C3T1 Fl. 2.635 9 empregados das representadas consta o logotipo da Cativa, sugerindo, mais uma vez, que quem faz a seleção do pessoal das empresas envolvida é a Cativa Têxtil, que centraliza essas atividades na cidade de Pomerode (sede da Cativa). (...) Além das provas apresentadas, o Auditor ainda fez uma análise da relação dos faturamentos das empresas envolvidas na representação e dos os gastos com folha de pagamentos, a partir do que verifica que as receitas dessas sociedades mal são suficientes para cobrir suas despesas de pessoal, denotandose que somente com o aporte de recursos da Cativa, revestido na forma de adiantamento a faccionistas, conforme constatado na contabilidade da repassadora desses recursos (fl. 10), chegando no caso da Carisma em 31/05/2005 a um saldo de R$ 1.420.005,62, é que as empresas subsistiriam. De todo o exposto, observese: Primeiramente, temse que a constituição da Carisma foi realizada por familiares dos donos da Cativa, um desses abdica de administrar sua sociedade, a qual possui um faturamento considerável, para trabalhar como empregado da Cativa. Depois, vem a comprovação de que não são esses mesmos "sócios" que selecionam seus colaboradores e os contratam, deixando a cargo da Cativa essa função. Quem representa as prestadoras de serviço em juízo são empregados da Cativa, isto é, o direito de representação da sociedade externamente, que é atribuída aos sócios ou a quem eles autorizarem, é efetivado por pessoas estranhas à sociedade, não indicadas formalmente por eles. Por outro lado, no que diz respeito ao capital social da sociedade, verifico, por meio do contrato social presente nos autos, que perfaz o montante de R$ 6.107,60. Este é o valor investido pelos sócios na constituição da empresa, considerado baixo em relação a seu porte, haja vista que já suas receitas atualmente somam mais de R$ 1.000.000,00 anuais. (...) Em se falando de faturamento, constato que os valores que estão registrados como tal não são capazes de cobrir suas despesas, sendo as insuficiências de caixa supridas pela Cativa, denotandose uma dependência financeira da tomadora. Percebase a situação: enquanto os sócios "integralizam" R$ 6.107,60 para constituir a sociedade, a Cativa disponibiliza R$ 1.420.005,62 para garantir o seu funcionamento. Desse modo, não há como não deduzir que quem em verdade financiou a constituição da Carisma e a sua manutenção foram certamente os sócios da Cativa, que transferiram parte de sua sociedade para a pessoa jurídica instituída. Sabese também que é direito dos sócios, conforme estabelecido no contrato social, exercerem a administração da sociedade. No caso em que se analisa, ficou acordado, conforme contrato social e alterações (fl. 70), que as sócias exerceriam, em conjunto ou isoladamente, a gerência da sociedade de acordo com a seu artigo 13. (...) Apesar dessas disposições contratuais, o que se verifica é que a Cativa é quem realiza os atos de gestão da sociedade, em conformidade com os elementos que compõem os autos. Assim sendo, os sócios, em confronto com o estabelecido no Fl. 441DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 contrato social da empresa, permitiram injustificadamente a interferência da Cativa em suas negociações. Isso, juntamente com os demais fatos comprovados no processo, levame a crer como certo que as pessoas físicas listadas no contrato social não são os verdadeiros constituidores da empresa, mas apenas pessoas nele incluídas para revestir de aparente legalidade do ato, que são manipuladas conforme orientações da Cativa. Pois bem, após todas explanações acerca das provas carreadas aos autos e outras situações encontradas na contabilidade e documentos fiscais da Cativa, não há como concluir de forma diversa do auditor, vale dizer, de que a Carisma foi constituída pela Cativa, por meio de interpostas pessoas, a fim de aumentar a sua produção e desviar da vedação ao ingresso do Simples. Aliás, por inúmeras vezes, ficou provado que a própria Cativa reconhece esse fato, seja em seu regimento interno, página da internet ou em seu jornal "ComuniCativa". (...) Em se tratando da ponderação a respeito de descaracterização da terceirização e da personalidade jurídica da representada, é de se assinalar que isso não ocorre no presente caso, que tratou apenas de configurar a hipótese de constituição de empresa por interpostas pessoas, a qual é motivo ensejador de exclusão do regime simplificado de tributação. Não vislumbro ainda que os conteúdos divulgados na internet e Manual Cativa foram utilizados como estratégia de marketing, como aduz a interessada, uma vez que o regimento, o jornal e a nota de agradecimento às pessoas que receberam a cesta básica, que continham as referências no mesmo sentido, são meios de comunicação de circulação restrita ao âmbito interno, não sendo, portanto, dirigidos ao público externo. Além disso, os mesmos dados foram ratificados por colaboradores da representada, quando em entrevistas a que foram submetidos. Com relação às demandas trabalhistas, constato que em nenhuma delas a Cativa constituiu o pólo passivo, conforme afirma a defesa, logo não haveria motivos para empregados seus estarem presentes às audiências. Ante isto, com base em tudo que foi exposto, infiro que ficou devidamente demonstrado que a Carisma Indústria e Comércio de Malhas Ltda. foi constituída por interpostas pessoas, incorrendo, desse modo, em hipótese impeditiva de ingresso no regime simplificado e beneficiado do Simples. Quanto à outra hipótese de exclusão incorrida pela Carisma: não apresentação injustificada de livros e documentos a que estaria obrigada, é de se esclarecer que, conquanto a representada tenha disponibilizado folhas de pagamento, livros de registro de empregados e outros elementos, conforme assinalado no TEAF (fl. 364), estes não suprem a ausência dos livros e documentos requisitados, necessários ao exercício da fiscalização. Assim, em vista do exposto, considero que houve também a ocorrência de motivo de exclusão previsto no art. 14, II, da Lei n° 9.317/96, embora tenha se configurado posteriormente à constituição da empresa por interpostas pessoas, haja vista que ambos podem coexistir.” Por outro lado em sua peça de defesa a ora recorrente reiterou genericamente as argumentações iniciais, aduzindo, em síntese, que: “É de se destacar, primeiramente, que, ao contrário do que procura fazer crer o r. julgador, os referidos documentos não se mostram suficientes para amparar a pretensão fazendária, ao passo que, não comprovam que as pessoas que constam no Fl. 442DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.000454/200649 Acórdão n.º 1301001.074 S1C3T1 Fl. 2.636 11 Contrato Social da Carisma não são os verdadeiros sócios, conforme preceitua o inciso IV do art. 14 da Lei no 9.317/96. Destaquese que a empresa Carisma e sócios são totalmente distintos e desvinculados da empresa Cativa Têxtil, possuindo a empresa CARISMA, ora Recorrente, total independência e autonomia, tendo apenas relação puramente comercial com a Cativa Têxtil, pois sua cliente de maior representatividade. Valese a autoridade fazendária de meras presunções. Inobserva que a empresa Recorrente, Carisma, é pessoa jurídica autônoma e independente da empresa para qual presta serviços de facção.” Pois bem, principio com a apreciação da irresignação da recorrente quanto à sua exclusão de ofício do regime do Simples Federal. Como visto alega a recorrente, repitase: “Aduz a recorrente que a autoridade fazendária se baseia em meras presunções. Inobserva que a empresa Recorrente, Carisma, é pessoa jurídica autônoma e independente da empresa para qual presta serviços de facção (Cativa Têxtil) e, mais, que a interposição de pessoas não se caracteriza por indícios.” Discordo desse raciocínio. Conquanto a interposição de pessoas não possa realmente ser deduzida de um único indício, entendo que o conjunto de indícios pode sim demonstrar a existência da causa simulandi a comunicar ou estabelecer o fio condutor quanto à ocorrência de simulação subjetiva. Aliás, a comprovação de simulação, em geral, se dá por provas indiretas, sendo raro se projetar através de provas diretas. Avaliando os autos, verificase que a fiscalização não se pautou por isolados indícios, mas empreendeu uma série de diligências e análises, as quais, em seu conjunto, demonstram que a recorrente (Carisma), de fato, foi constituída pela Cativa, por meio de interpostas pessoas. Repisese, uma partícula da conclusão do Auditor Fiscal: “Portanto, é de se registrar o forte vínculo familiar existente entre os sócios da Cativa e os da Carisma. Observo também que é no mínimo fora do comum o fato de sócia de sociedade que chega a faturar mais de R$ 1.000.000,00 no ano (fl. 10) ser empregado de tomadora de serviços de sua empresa, a qual pertence a familiares próximos, abrindo mão de se dedicar, de forma exclusiva, à sociedade da qual é proprietária.” E não é o fato dos sócios da empresa recorrente serem parentes ou manterem qualquer espécie de vínculo com os sócios da Cativa a que se chegou à conclusão referenciada. Consta dos Termos de Verificação Fiscal (fls. 128 a 145) que nas unidades representadas pela fiscalização previdenciária, alguns entrevistados fazem referência ao Sr. Gilmar e à Sra. Valci (sócios da Cativa) como donos destas. Portanto, por mais uma vez, há um forte indício de que os proprietários da Cativa são, na verdade, também proprietários das sociedades excluídas do Simples. E, mais: Apesar das disposições estabelecidas no contrato social da Carisma no sentido de que a gerência da sociedade será exercida pelas sócias Cátia Maria Sprung e Fl. 443DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Hariem Harnsem Sprung, o que se verifica é que a Cativa é quem realiza os atos de gestão da sociedade, em conformidade com os elementos que compõem os autos. Diante disso, juntamente com os demais fatos comprovados no processo, é certo que as pessoas físicas listadas no contrato social não são as verdadeiras constituidoras da empresa, mas apenas pessoas nele (contrato social) incluídas para revestir de aparente legalidade o ato, que são manipuladas conforme orientações da Cativa. Verificase na auditoria fiscal, que o capital social integralizado pelos sócios na Carisma (recorrente) totaliza a importância de R$ 6.107,60 e, também, que seu faturamento contabilizado não é suficiente para cobrir suas despesas. Tanto que constatouse que a Cativa disponibilizou recursos para insuficiências de caixa no valor de R$ 1.420.005,62, o que, registrese, denotase evidente dependência financeira. Não por acaso que o fundamento principal para exclusão da ora recorrente do Simples Federal foi a constituição da empresa por interpostas pessoas que não são os sócios constantes do contrato social. Como bem assentado no voto condutor, não prospera a afirmativa da recorrente que os conteúdos divulgados na internet e no Manual Cativa foram utilizados como estratégia de marketing, vez que o regimento, o jornal e a nota de agradecimento às pessoas que receberam a cesta básica, que continham as referências no mesmo sentido, são meios de comunicação de circulação restrita ao âmbito interno, não sendo, portanto, dirigidos ao público externo. Da mesma forma, com relação às demandas trabalhistas da Carisma, constatouse que em nenhuma delas a Cativa constituiu o mesmo pólo passivo, conforme afirma a defesa, logo não haveria motivos para empregados seus (Cativa) estarem presentes às audiências da pessoa jurídica ora recorrente. Do conjunto dos fatos não vislumbro afronta aos princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade, moralidade e da segurança jurídica, conforme alega a recorrente, visto que, no presente caso, a exclusão do Simples conforme configurada a hipótese de constituição de empresa por interpostas pessoas, resta devidamente comprovada por meio dos documentos idôneos e hábeis. Por derradeiro, com relação ao item “Embaraço à Fiscalização”, outra hipótese de exclusão incorrida pela ora recorrente, concordo com a fiscalização ao afirmar que: conquanto a representada tenha disponibilizado folhas de pagamento, livros de registro de empregados e outros elementos, conforme assinalado no TEAF (fl. 364), estes não suprem a ausência dos livros e documentos de uso obrigatórios pela fiscalizada e, que requisitados por necessários ao exercício da fiscalização os mesmo injustificadamente não foram apresentados. Por essa ordem de considerações e juízo, voto por negar provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 444DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.000454/200649 Acórdão n.º 1301001.074 S1C3T1 Fl. 2.637 13 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10875.901016/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 14/11/2007
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 3402-005.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 14/11/2007 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1441; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 75 1 74 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.901016/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.484 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria IPI Recorrente ITALBRONZE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/11/2007 ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 10 16 /2 01 2- 48 Fl. 75DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos aqui debatidos, utilizo como meu o relatório desenvolvido pela DRJ de Ribeirão Preto (acórdão n. 1444.369 fls. 62/64), o que faço nos seguintes termos: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o Despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, em razão de constar nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Tempestivamente o interessado manifestou sua inconformidade tecendo várias alegações de nulidade, na medida que o Despacho denegatório não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e cerceado sua defesa No mérito, afirma que foi desrespeitado o princípio da verdade material e que seu direito creditório estaria amparado em declaração de inconstitucionalidade, cuja ação teria transitado em julgado. (...). 2. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo sobredito acórdão, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/11/2007 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. 3. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 70/72, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria em cerceamento de defesa por parte do recorrente. 4. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10875.901016/201248 Acórdão n.º 3402005.484 S3C4T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O Recurso Voluntário interposto preenche os pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. Como visto ao longo do recurso voluntário interposto, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que redundou na não homologação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Assim, mister se faz neste instante destacar a motivação do aludido despacho, a qual segue abaixo transcrita: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito apontado pelo contribuinte teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido utilizado para o pagamento de n. 4191420071, com código n. 5123, referente a processo administrativo apresentado em 31/10/2007. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, resta claro que ele atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em justifica em concreto a recusa da compensação perpetrada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já Fl. 77DF CARF MF 4 decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118 ) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste Tribunal administrativo, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático probatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10875.901016/201248 Acórdão n.º 3402005.484 S3C4T2 Fl. 77 5 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201 002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. 11. Convém lembrar que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 12. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. Dispositivo 13. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Fl. 79DF CARF MF 6 14. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Fl. 80DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.016374/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Fenelon Moscoso Almeida. Designado o Conselheiro Diego Weis Júnior para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado, vencidos os Conselheiros Walker Araújo e Fenelon Moscoso Almeida. Designado o Conselheiro Diego Weis Júnior para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Redator Designado. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Fenelon Moscoso de Almeida, Vinícius Guimarães, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 1.6181.630: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 16 37 4/ 20 10 -1 6 Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.032 2 Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados os autos de infração de fls. 15/28 (a numeração referese à da versão digitalizada dos autos – eprocesso) que formalizaram exigência fiscal relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e ao Programa de Integração Social (PIS). O feito, relativo a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008, constituiu crédito tributário nos montantes de R$ 492.520,70 e R$ 98.415,07 relativos, respectivamente, à Cofins e ao PIS, incluídos principal, multa de ofício e juros de mora calculados até a data da lavratura. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 06/13, a autoridade autuante, depois de detalhar como foi conduzida a ação fiscal, descreve que a motivação do lançamento em pauta foi a constatação de diferenças na apuração dos valores devidos das contribuições, diferenças essas que, segundo o termo fiscal, seriam decorrentes da dedução de valores retidos na fonte em montantes maiores que aqueles declarados pelas fontes pagadoras em suas respectivas Declarações de Imposto na Fonte (DIRF) e os constantes dos comprovantes de retenção apresentados pela contribuinte. Em tabela inclusa no documento, fl. 10 do eprocesso, o responsável pela auditoria apresenta quadro consolidando os valores apropriados a maior pela contribuinte a título de retenções de fonte na apuração da COFINS e do PIS: O auditor fiscal justifica a necessidade de constituição do crédito tributário que restou em aberto: Ao se apropriar de crédito da Contribuição ao PIS e COFINS, em montante superior àqueles constantes dos comprovantes hábeis (Comprovantes mensais de retenção e DIRF) emitidos pelas fontes pagadoras, a apuração do contribuinte acabou por refletir contribuição a pagar menor do que a devida. A diferença entre a contribuição apurada pelo contribuinte e a efetivamente devida tem exatamente o mesmo valor da parcela de crédito indevidamente apropriado, porém com o sinal inverso. [...]Como fundamento legal, a autoridade fiscal relaciona o art. 3º da Lei nº 10.845, de 2002 e o art. 45 da Instrução Normativa nº 584, de 2005. Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.033 3 Notificada da autuação em 02/12/2010, em 03/01/2011 a interessada apresentou impugnação (fls. 337/357) na qual contesta os lançamentos alegando o que segue. Inicialmente, identificase como empresa que vende mercadorias a diversos fabricantes de veículos automotores, estando a receita correspondente às vendas sujeita à retenção da contribuição ao PIS e da Cofins pelas fontes pagadoras, nos termos dispostos na Lei nº 10.485, de 2002. Informa que a retenção das contribuições pode ser verificada pelo exame das notas fiscais, que possuem o destaque dos valores retidos pelas fontes pagadoras, no caso, mas montadoras de veículos automotores. Os valores das retenções, continua, devem ser informados pelas montadoras por meio de Comprovante Mensal de Retenção de Contribuição para o PIS/PASEP e Cofins e também declaradas em DIRF. E prossegue: Ocorre que, por equívoco cometido pelas fontes pagadoras, referidos informes contêm erros no preenchimento dos valores por elas efetivamente [sic] e das contribuições retidas, frente aos valores efetivamente quitados destas notas fiscais com desconto das contribuições retidas, divergindo, assim, das DCTF's e DACON's (doc. 05) apresentadas pela Impugnante. Frisese, estas obrigações foram cumpridas pela Impugnante com base nos valores das notas fiscais emitidas, valores efetivamente pagos e respectivas retenções, as quais estão sumarizadas nas planilhas apresentadas à fiscalização e que continham todas as informações mencionadas devidamente consolidadas, dado que se está a tratar de mais de 25.000 documentos anualmente! Referidas planilhas, denominada "Retenções feitas pelos Clientes 2008" (doc. 06), apresentadas à fiscalização e ora anexadas à presente Impugnação, contêm a consolidação mensal do anocalendário de 2008 com o discriminativo relacionado aos clientes, notas fiscais emitidas, data de emissão, valor faturado, valor de PIS, valor de Cofins, valor efetivamente baixado do contas a receber. [...]Da análise das planilhas apresentadas, podese constatar no quadro de consolidação do total anual, que os valores apropriados como diferenças e que ensejaram a lavratura dos Autos de Infração são exatamente aquelas verificadas pela Impugnante. Em outras palavras, as retenções efetivamente efetuadas (e que podem ser constatadas, não apenas pelo sistema, mas também a partir do cotejo da quitação das notas fiscais com os extratos bancários), divergem das informações prestadas pelas fontes pagadoras, por equívoco exclusivo destas [...]A impugnante defende que as planilhas mencionadas, que estariam escoradas nos registros contábeis, nas notas fiscais emitidas e nas DCTFs e nos DACON apresentados, apontam não ter havido apropriação a maior de valores de retenção na composição dos valores devidos das contribuições. No entanto, prossegue, a fiscalização teria ignorado esse conjunto de provas reunido pela empresa. A seu ver, os documentos se afiguram como livros auxiliares à contabilidade, constituem instrumentos contábeis previstos na legislação e não poderiam ser desconsiderados pela auditoria, porque representariam, em última análise, documentação legal válida que retrata a efetiva realidade dos fatos e somente poderiam ser desqualificados pelas autoridades fiscais mediante prova de sua inveracidade. E avança a defesa (as maiúsculas são do original): AO SE CONFRONTAR, POR AMOSTRAGEM, AS INFORMAÇÕES LANÇADAS NO DEMONSTRATIVO CONSTANTE DA ABERTURA MENSAL POR CLIENTES (QUE CONTEM TODAS AS NOTAS FISCAIS LIQUIDADAS NO MÊS DE APURAÇÃO), EM RELAÇÃO ÁS OPERAÇÕES COM A FORD MOTOR COMPANY Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.034 4 BRASIL LTDA., É POSSÍVEL VERIFICAR O VALOR RECEBIDO (INFORMADO NA COLUNA DA PLANILHA DENOMINADA "CONTAS A RECEBER") FOI DE FATO INFERIOR AO VALOR BRUTO DA OPERAÇÃO E CORRESPONDE AQUELE CONSTANTE DO EXTRATO BANCÁRIO!!!! (doc. 07) Neste ponto, vale esclarecer que a própria FORD MOTOR COMPANY BRASIL LTDA. encaminha planilha de controle que demonstra a composição dos valores por ela liquidados mensalmente em favor da Impugnante (doc. 08) e que correspondem aos valores verificados nos Extratos Bancários emitidos pelo Banco do Brasil. Ainda, com o intuito de comprovar a exatidão dos valores informados na planilha, é juntada Cópia do Livro Registro de Saídas referente aos meses de Fevereiro e Junho da Unidade de Camaçari (responsável pelas operações realizadas com Ford) doc. 09. Da análise das informações lançadas no Livro Registro de Saídas e as informações constantes das planilhas dos meses de março e julho, é possível constatar que não há qualquer divergência entre as informações. O texto da impugnação prossegue com a apresentação de tabela (fls. 346/347) preparada pela contribuinte onde a interessada toma como exemplo algumas operações de venda e compila os valores brutos constantes das notas fiscais e os compara com as cifras efetivamente recebidas de acordo com os extratos bancários. A diferença entre os valores de face das notas fiscais e os efetivamente recebidos, segundo a planilha, corresponderia à soma dos valores das retenções do PIS e da Cofins. O texto da defesa continua: O objetivo principal está, portanto, atingido: todas as retenções são demonstradas, evidenciadas e devidamente escrituradas por meio de livro auxiliar, sendo este, inclusive, o posicionamento do anterior E. Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: IRPJ IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE COMPENSAÇÃO AUSÊNCIA DE COMPROVANTES DE RETENÇÃO GLOSA IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO Constatado pela diligência requerida pelo Colegiado que a Recorrente comprovou, por meio de registros contábeis idôneos, que os pagamentos recebidos pelos serviços prestados realmente sofreram a retenção do imposto devido na fonte, é plenamente cabível a compensação desses valores na sua declaração de rendas. Não é cabível, portanto, a sua glosa a pretexto de o contribuinte não possuir comprovantes de retenção emitidos em seu nome pelas fontes pagadoras de rendimentos, mormente diante da circunstância de que a própria administração, em seus sistemas informatizados e em face de DIRF's entregues pelos tomadores de serviços, tem condições de fazer competentes averiguações. (Acórdão n° 107 07.829. Relator Natanael Martins. Sessão do dia 21/10/2004) [...]Ora, uma vez que a Impugnante comprova a realização efetiva da retenção por meio do confronto entre os valores brutos (faturados contra o cliente) e os valores efetivamente recebidos, a despeito dos indícios (divergências nos informes de rendimento) apontarem inicialmente para a apropriação em valor superior ao devido, não merece prosperar o lançamento. Reitera que os documentos que acompanham a impugnação gozam de presunção de veracidade, nos termos do art. 923, do RIR/99 e deixar de considerálos corresponderia ofensa ao Princípio da Busca da Verdade Material que deve orientar o processo administrativo fiscal. Entende, dessa forma, que as autoridades fiscais poderiam diligenciar perante as fontes pagadoras a fim de verificar a razão das divergências entre as informações por elas prestadas e pela contribuinte. Acrescenta que Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.035 5 não teria como exigir das fontes pagadoras a retificação das informações por elas prestadas já que não está munida de poder de polícia, próprio da fiscalização federal. Erro no método empregado pela autoridade fiscal na apuração do crédito tributário é apontado pela defesa na sequência da impugnação. Na visão do sujeito passivo, o auditor não teria observado o disposto no art. 46 da IN SRF nº 594, de 2005: Como se depreende da leitura do Termo de Verificação, o i. Agente Fiscal, ao apurar os valores objeto da cobrança ora combatida, levou em consideração única e exclusivamente as diferenças apuradas entre os informes de rendimento entregues pelos clientes da Impugnante e os valores informados pela Impugnante em seus DACONs. Ora, partindo das mesmas premissas do i. Agente Fiscal, é possível constatar que houve períodos em que os valores informados pelos clientes da Impugnante superaram os valores informados nos DACONs, devendo, assim, ser utilizados para fins de abatimento dos meses subsequentes. Entretanto, em total inconsistência lógica, tal situação foi ignorada pelo i. Agente Fiscal. O erro apontado não se trataria de mero erro aritmético, mas equívoco na eleição da forma de apuração do tributo, atingindo o ato em sua essência, não sendo passível de correção, já que isto implicaria a retomada do procedimento fiscalizatório. Ao fim, postula seja julgada procedente a impugnação com o consequente cancelamento do auto de infração. Em 29 de setembro de 2014, a Delegacia Regional de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação do contribuinte para manter integralmente a exigência do crédito tributário. Cientificada da decisão recorrida em 11.11.2014 (fls. 1.636), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 11.12.2014 (fls.1.6391.668), reproduzindo, em linhas gerais, os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 23.05.2016 (fls.2.712) e protocolou Recurso Voluntário em 21.06.2016 (fls. 2.7152.741) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito O procedimento fiscal consistiu em promover as denominadas verificações obrigatórias, tendo a fiscalização identificado divergências na apuração dos valores devidos das 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.036 6 contribuições, diferenças essas que, segundo o termo fiscal, seriam decorrentes da dedução de valores retidos na fonte em montantes maiores que aqueles declarados pelas fontes pagadoras em suas respectivas Declarações de Imposto na Fonte (DIRF) e os constantes dos comprovantes de retenção apresentados pela contribuinte. Em face das divergências identificadas, a autoridade fiscal intimou a contribuinte a se manifestar acerca das diferenças apuradas "mediante esclarecimentos por escrito, devidamente acompanhados dos documentos comprobatórios e de tabelas explicativas, as diferenças verificadas entre os valores declarados nas DCTF referentes ao ano de 2008 e os valores informados na contabilidade, quanto aos tributos e respectivos períodos de apuração, conforme relacionados na tabela ( ...)". Em resposta, o contribuinte apresentou duas planilhas de conciliação (fls. 37 a 44), em que constam, diversos ajustes contábeis promovidos, incluídos valores da COFINS e PIS retidas por fabricantes de veículos automotores, referentes a alguns meses, que foram contabilizados posteriormente. Por meio do Termo lavrado em 08 de novembro (fls. 47 e 48), foi exigida a apresentação dos Comprovantes das retenções mensais do PIS e COFINS, nos termos do § 3º do artigo 3° da Lei 10.485/2002, emitidos pela empresas montadoras de veículos automotores, relativos ao ano de 2008, em que constasse, como beneficiário do pagamento, o contribuinte acima identificado. Contudo, em resposta intimação referido, o contribuinte apresentou apenas uma relação denominada "Retenções feitas pelos Clientes" (fls. 49 a 60), de sua própria emissão. Em sede de impugnação, a Recorrente deixou de carrear aos autos os comprovantes de retenções mensais do PIS e COFINS, defendendo que seu direito esta amparado em planilhas escoradas nos registros contábeis, notas fiscais com indicação do valor retido e nas DCTF´s e nos DACON. Assevera, por fim, que os documentos se afiguram como livros auxiliares à contabilidade, constituem instrumentos contábeis previstos na legislação e não poderiam ser desconsiderados pela auditoria, porque representariam, em última análise, documentação legal válida que retrata a efetiva realidade dos fatos e somente poderiam ser desqualificados pelas autoridades fiscais mediante prova de sua inveracidade. Pois bem. Como visto, o ponto central da discussão é a efetiva comprovação da retenção dos tributos (PIS/COFINs) nas operações de venda de mercadorias a diversos fabricantes de veículos automotores. Quanto à retenção na fonte informada pela Recorrente, verificase que não houve apresentação do comprovante de retenção na fonte, sendo este o motivo que justificou a manutenção do débito por parte da fiscalização. A Recorrente apresentou desde a fase impugnatória planilhas escoradas nos registros contábeis, notas fiscais com indicação do valor retido e nas DCTF´s e nos DACON. Entretanto, ainda que referidos documentos demonstrem os valores transacionados entre a Recorrente e seus clientes, não comprovam o efetivo valor retido pelas fontes pagadoras, sendo, assim, não se prestam à esclarecer as divergências apuradas pela fiscalização. Fl. 2036DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.037 7 Com efeito, a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a efetividade da famigerada retenção dos tributos, o que em relação ao período aqui discutido não foi realizado (art.26 Dec.7574/20112). Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Concluise, assim, que a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais a superar os fatos apurados e explicados pela autoridade julgadora na decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente deveria demonstrar que houve efetivamente retenção dos tributos pela fonte pagadora nos exatos valores registrados em sua contabilidade, para, assim, infirmar, os valores declarados pelas fontes pagadoras em suas respectivas Declarações de Imposto na Fonte (DIRF) e os constantes dos comprovantes de retenção apresentados pela contribuinte. Deste modo, verificase que a Recorrente não trouxe aos autos cópia dos documentos de arrecadação dos tributos para demonstram que os valores declarados pelas fontes pagadoras em suas respectivas Declarações de Imposto na Fonte (DIRF) e os constantes dos comprovantes de retenção apresentados pela contribuinte estavam totalmente incorretos. Ressaltase, por oportuno, que a Recorrente fora intimada à fornecer os comprovantes de retenção que compuseram os valores registrados em sua contabilidade, todavia, não atendeu a solicitação realizada pela fiscalização e deixou de comprovar seu pretenso direito. 2 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 2037DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.038 8 Não se pode esquecer, finalmente, que a busca da verdade material, como é cediço, pressupõe a apresentação de elementos que viabilizem tal tarefa, o que não foi realizado no presente caso. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Voto Vencedor Conselheiro Diego Weis Júnior Redator Designado O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. No TVF é alegado que foram encontradas diferenças de COFINS e PIS a pagar em razão de ter o contribuinte deduzido valores de retenções dessas contribuições em montante superior aos informados pelas fontes pagadoras nos comprovantes mensais ou anuais de retenção. A fiscalização entendeu que o contribuinte não comprovou parte das deduções efetuadas referentes à Contribuição ao PIS e COFINS retidas por fabricantes de veículos, e que ao se apropriar de crédito superior àqueles constantes dos comprovantes hábeis emitidos pelas fontes pagadoras, a apuração do contribuinte acabou por refletir contribuição a pagar menor do que a devida. Foi efetuado lançamento de ofício para a cobrança dessas diferenças. Ainda em sede de impugnação o contribuinte apresentou planilha analítica das retenções por ele alegadas (fls. 934 a 1.434), cujos subtotais mensais dos valores retidos ao PIS e a COFINS são equivalentes aos valores de retenção declarados nas fichas 15B e 25B das DACONS (fls. 662 a 928). Também junto à impugnação, o contribuinte trouxe cópias de extratos bancários (fls. 1.436 a 1.545), complementados quando da apresentação do recurso voluntário (fls. 1.686 a 1.874). O cotejo por amostragem das notas fiscais relacionadas nas planilhas de fls 934 a 1.434, com os extratos bancários de fls. 1.436 a 1.545 e 1.686 a 1.874, apresentam indícios de que as retenções informadas na planilha foram efetivamente sofridas quando do pagamento realizado pelas fontes pagadoras. No processo administrativo tem aplicação o princípio do formalismo moderado e da verdade material, segundo os quais deve se primar pela busca da realidade dos fatos, desprezandose presunções ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal. Fl. 2038DF CARF MF Processo nº 10830.016374/201016 Resolução nº 3302000.758 S3C3T2 Fl. 2.039 9 Segundo inteligência do art. 29 do PAF, a autoridade julgadora poderá determinar as diligências que entender necessárias para formar sua convicção a respeito da realidade dos fatos. Assim, entendo que o caso em tela merece melhor esclarecimento das provas e alegações trazidas aos autos pelo sujeito passivo, não se podendo fundar as razões de decidir tão somente nos comprovantes de retenção apresentados pelas fontes pagadoras, principalmente quando há indícios de que tais comprovantes podem não refletir a realidade das retenções efetivamente sofridas. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: i) realize conferência dos valores faturados (bruto), retenções de PIS e COFINS, e valores do contas a receber (líquido) relacionados na planilha de fls de nº 934 a 1434 com as respectivas notas fiscais, registros contábeis e extratos bancários de fls. 1436 a 1545 e 1686 a 1874, ou outros documentos que entender necessário, a fim de atestar a veracidade dos dados da planilha; ii) Caso persista dúvida por parte da fiscalização, diligenciar a fonte pagadora para verificar se os valores escriturados na contabilidade ou livros fiscais estão compatíveis com os valores das notas fiscais e das retenções alegadas como sofridas, inclusive, mediante a verificação de extratos bancários e demais documentos, se entender necessário. iii) com base no cotejamento mencionado nos itens anteriores, elabore tabela resumo com o total das retenções do PIS e da COFINS efetivamente sofridas em cada mês de apuração; iv) elabore parecer conclusivo sobre a adequação entre os totais das retenções sofridas, encontrados conforme os itens acima, e aquelas declaradas pelo contribuinte em suas DACONs, apontando eventuais divergências mensais nas compensações das retenções de cada contribuição. v) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que este, querendo, manifestese sobre o seu conteúdo. Na sequência, retornem os autos ao CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Fl. 2039DF CARF MF
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