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Numero do processo: 10580.720674/2015-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os valores a menor declarados.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO CAIXA E OS DECLARADOS.
Caracteriza-se como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados ao fisco federal.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO.
A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no ano-calendário.
No caso da pessoa jurídica omitir receitas que, somadas, ultrapassem o limite da receita bruta no ano-calendário de 2011, correto o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão do Simples a partir do ano-calendário subseqüente.
Numero da decisão: 1201-002.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
EDITADO EM: 30/06/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada com base em omissão de receitas caracterizada pela diferença entre os valores informados no Livro Caixa entregue pelo próprio contribuinte e os valores a menor declarados. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. DIFERENÇA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO CAIXA E OS DECLARADOS. Caracterizase como omissão de receitas do Simples Nacional a diferença apurada entre os valores escriturados no Livro Caixa e os valores declarados ao fisco federal. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITAS. EXCLUSÃO. A legislação prevê a exclusão do Simples no caso de a pessoa jurídica auferir receita bruta superior ao limite legal no anocalendário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 06 74 /2 01 5- 99 Fl. 254DF CARF MF 2 No caso da pessoa jurídica omitir receitas que, somadas, ultrapassem o limite da receita bruta no anocalendário de 2011, correto o Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão do Simples a partir do anocalendário subseqüente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. EDITADO EM: 30/06/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo que propõe a exclusão do contribuinte do Simples Nacional a partir de 1o de janeiro de 2012. De acordo com a Representação de fls. 2/4: 1 – INTRODUÇÃO O contribuinte é optante pelo Simples Nacional. A ação fiscal foi programada para o período de janeiro de 2011 a dezembro de 2011 e foi motivado por movimentação financeira incompatível com a receita declarada. O contribuinte apresentou Declaração Retificadora Anual do Simples Nacional no ano calendário de 2011, DASN, cópia em anexo, ND 080214522011002, com receita bruta total de R$ 119.360,29, no período fiscalizado ano calendário de 2011.. 2 – HISTÓRICO: 1.1 – Procedimento de fiscalização Em 29/07/2014 o contribuinte foi devidamente intimado, através do Termo de Início de Ação Fiscal, e após inúmeras Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 3 3 prorrogações de prazo solicitadas e concedidas, ele entregou o Livro Caixa relativo ao anocalendário de 2011, onde foi constatado que o total da receita do Contribuinte para o ano calendário de 2011 foi de R$ 6.541.353,34. Foi lavrado o auto de infração em 02/02/2015, onde foram realizados os seguintes lançamentos: IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, CPP, e ICMS (Bahia) totalizando R$ 658.274,14, O valor total da multa foi de R$ 493.705,72 e o valor total dos juros de mora foi de R$ 206.149,45, totalizando R$ 1.358.129,31. 1.2 Da exclusão do Simples Nacional. Conforme previsto na Lei Complementar 123/2006 será excluído do SIMPLES NACIONAL o contribuinte que durante o ano calendário tiver auferido Receita superior ao limite máximo permitido. Conforme a Lei Complementar 123/2006 alterada pela Lei Complementar 139/2011 no seu Art. 3º transcrito a seguir; “Para os efeitos desta Lei Complementar, consideramse microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei n º 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: ... II no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais)” Foi proposta a exclusão de ofício do Contribuinte fiscalizado do Simples Nacional, em função do disposto no Art. 29, inciso I, combinado com o Art. 30 inciso II da Lei Complementar 123/06, uma vez que o contribuinte deveria solicitar a sua exclusão por excesso de Receita, e não o fez. Conforme o Art. 3º, parágrafo 9º da Lei Complementar 123/2006 a exclusão do SIMPLES NACIONAL surtirá efeito a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente. Desta forma, propomos ao Senhor Chefe do Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador a seguinte representação, no uso da competência delegada que lhe confere o artigo 4º, VIII, da Portaria DRF/SDR no 12, de 10 de fevereiro de 2014 – DOU de 12 de fevereiro de 2014, visando a exclusão do regime simplificado de pagamento de impostos e contribuições criados pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, do Contribuinte acima identificado, com a expedição do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional. A exclusão do SIMPLES NACIONAL produzirá efeitos a partir de 01 de janeiro de 2012. Fl. 256DF CARF MF 4 A empresa apresentou defesa tempestiva (fls. 178/196), questionando a proposta de exclusão do Simples formalizada através do Ato Declaratório Executivo DRF Salvador/SEFIS nº 0005, de 03 de fevereiro de 2015, fls. 18. Alega, em síntese, que o excesso de receita que teria dado azo à exclusão do Simples Nacional não atende aos requisitos técnicos e legais para que surta os efeitos desejados pelo Fisco Federal. Em seguida invoca os mesmos argumentos constantes da impugnação aos lançamentos dos tributos apurados sobre a receita omitida (processo nº 10580.720802/20015 02), quais sejam: (i) nulidade por falta de clareza de motivação e ausência de fundamentação legal específica; (ii) cerceamento de direito de defesa; (iii) violação aos princípios da capacidade contributiva, não confisco e tipicidade cerrada; e (iv) erros pontuais de valores que não deveriam ter sido incluídos na base de cálculo. Aduz, ainda, que a empresa teria sido induzida a cometer grande equívoco ao escriturar um novo Livro Caixa apresentado ao auditor com referenciada movimentação bancária. Nenhum outro exame fiscal foi feito compulsando a documentação da empresa com os valores da movimentação desses recursos; e considera que, se o auditor pretendia fundamentar seu lançamento na movimentação bancária da empresa, não teria que exigir da empresa que escriturasse o livro Caixa, mas sim, intimála à comprovação da origem e efetiva entrega dos recursos bancários, como previsto no artigo art. 42 da Lei 9.430 de 1996. Em Sessão de 25 de Janeiro de 2016, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou a defesa improcedente por meio de decisão (fls. 200/212) cuja ementa ora transcrevo: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Improcede a arguição de nulidade do auto de infração, por cerceamento do direito de defesa, quando a infração imputada ao contribuinte encontrase objetivamente descrita em termo de verificação que instrui a peça básica. ERRO NO ENQUADRAMENTO LEGAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. No caso de apuração de divergências entre a receita bruta escriturada no livrocaixa e a declarada por empresa optante pelo Simples Nacional, o enquadramento legal da infração cometida corresponde às disposições da legislação que tratam da obrigação tributária (definição da receita bruta, tributos abrangidos, determinação do valor devido, escrituração do livrocaixa e competência para fiscalização). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 4 5 Anocalendário: 2011 DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As disposições contidas no art. 42 da Lei nº 9.430/96 depósito bancário de origem não comprovada não se aplicam na hipótese de o lançamento ter se restringido às diferenças encontradas entre os valores escriturados no livrocaixa e os declarados pelo sujeito passivo. O contribuinte, após intimado, apresentou recurso voluntário (fls. 215/230), reiterando os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Nulidade e cerceamento do direito de defesa Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente basicamente se concentrou em argumentos de nulidade das autuações, sob diversas alegações: (i) falta de motivação da descrição da efetiva ocorrência do fato gerador e respectiva fundamentação legal; (ii) cerceamento do direito de defesa; e (iii) violação aos princípios da capacidade contributiva e tipicidade tributária cerrada. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; Fl. 258DF CARF MF 6 VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O ato de exclusão do Simples foi emitido com observância de seus requisitos essenciais e como determina a legislação de regência. Mais precisamente, a fiscalização verificou que a Recorrente deixou de possuir os requisitos necessários para se manter no referido regime tributário, tendo em vista que omitiu receitas escrituradas no LivroCaixa que, somadas, extrapolaram o limite legal. Os lançamentos têm como motivação a caracterização de omissão de receita apurada em face da diferença apurada entre o Livro Caixa escriturado e apresentado pela própria Recorrente durante a fiscalização e os valores declarados ao fisco em montante bem inferiores, omissão de receita esta que levou a Recorrente a ultrapassar os limites do regime simplificado. No tocante à fundamentação legal, consta do relatório de Representação Fiscal para Exclusão (fls. 02 a 04) a indicação do artigo 3º da Lei Complementar n. 123/2006, dispositivo este que justamente regulamenta os limites da receita bruta para fins de manutenção no Simples. A fiscalização ainda esclarece no termo que foi proposta a exclusão de ofício do Contribuinte fiscalizado do Simples Nacional, em função do disposto no Art. 29, inciso I, combinado com o Art. 30 inciso II da Lei Complementar 123/06, uma vez que o contribuinte deveria solicitar a sua exclusão por excesso de Receita, e não o fez. Em seguida relata que "conforme o Art. 3º, parágrafo 9º da Lei Complementar 123/2006 a exclusão do SIMPLES NACIONAL surtirá efeito a partir de 1º de janeiro do ano subseqüente". Diante desse cenário, a DRJ assim concluiu: Não existe, pois, qualquer incorreção na disposição legal infringida. Aliás, a infração apurada é tão simples e relatada com tal clareza que dispensaria consulta à legislação. Concordo com esse racional. O conjunto probatório acostado aos autos, somado a descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores da infração, demonstram que a Recorrente omitiu receitas escrituradas no seu LivroCaixa, receitas estas que ensejam sua exclusão no regime simplificado por ultrapassarem o teto estabelecido em lei. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 5 7 Ao contrário do que sustenta a Recorrente, a meu ver a motivação e a fundamentação do ato administrativo que propõe sua exclusão estão claras, explícitas e congruentes no TVF: omissão de receitas escrituradas no Livro Caixa e que extrapolaram o limite legal permitido, permitindo a perfeita compreensão da lide e exercício do contraditório. Rejeito, portanto, a preliminar de nulidade e de cerceamento de defesa. Inconstitucionalidade Quanto aos argumentos relacionados à violação de princípios constitucionais, tais como do não confisco, capacidade contributiva e tipicidade cerrada, cumpre ressaltar que, de acordo com a Súmula CARF n° 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, matéria cuja apreciação cabe tão somente ao Poder Judiciário. Livro Caixa No mérito, não é necessário grande esforço para concluir que o cerne da questão diz respeito à legitimidade ou não da proposta de exclusão do Simples em razão da Recorrente ter ultrapassado o limite legal em face da omissão de receitas escrituradas no próprio LivroCaixa. O LivroCaixa é um documento fiscal obrigatório para apurar a base de cálculo dos tributos, devendo registrar as receitas e a movimentação financeira, inclusive bancária, das empresas optantes pelo Simples Nacional. Tais empresas, apesar de estarem dispensadas perante o fisco de possuírem escrituração completa, estão sujeitas a algumas obrigações acessórias, tais como a de possuir o livrocaixa devidamente escriturado. Nesse sentido dispõe o artigo 26 da Lei Complementar nº 123/2006, verbis: Artigo 26 As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: I emitir documento fiscal de venda ou prestação de serviço, de acordo com instruções expedidas pelo Comitê Gestor; II manter em boa ordem e guarda os documentos que fundamentaram a apuração dos impostos e contribuições devidos e o cumprimento das obrigações acessórias a que se refere o art. 25 desta Lei Complementar enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes. § 1º O MEI fará a comprovação da receita bruta mediante apresentação do registro de vendas ou de prestação de serviços na forma estabelecida pelo CGSN, ficando dispensado da emissão do documento fiscal previsto no inciso I do caput, Fl. 260DF CARF MF 8 ressalvadas as hipóteses de emissão obrigatória previstas pelo referido Comitê. (...) § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Nesse contexto, e como bem observou a decisão recorrida, em um procedimento de auditoria a fiscalização deve tomar como referência exatamente os dados registrados no LivroCaixa e já com base neste registro verificar se o contribuinte está apto a permanecer no regime simplificado, sem prejuízo de emprego de outros meios de fiscalização. Conforme visto, há comando legal que determina que o contribuinte do Simples deve manter e apresentar o Livro Caixa, devendo as informações ali prestadas gerarem seus efeitos até que se comprove que não mereçam fé. Considerando que o fisco recebeu o LivroCaixa do contribuinte, e que este mostrouse compatível com os extratos bancários, a fiscalização corretamente reputou válidas as informações ali prestadas e daí comprovou que realmente a Recorrente auferiu receitas em montantes superiores aos declarados, a ponto de ensejar sua exclusão desta sistemática. Não há, nos autos, prova hábil trazida pela Recorrente que seja capaz de demonstrar a origem das receitas consideradas omitidas ou de eventual erro da diferença apurada por meio de seu Livro Caixa. A contribuinte chega a afirmar que o Livro Caixa conteria equívocos, mas não comprova, justifica ou indica que equívocos são esses. Cabe, aqui, lembrar do velho brocardo latino: "alegar e não provar é quase não alegar" (allegatio et non probatio quasi non allegatio) ou "alegar e não provar o alegado importa nada alegar" (niagara ilia et allegatum nom probare paria sunt). A Recorrente, pois, limitouse a questionar os lançamentos com base em razões de nulidade, cerceamento de defesa e outros genéricos, mas nunca foi “direto ao ponto”, contornando o cerne da questão acerca da divergência apurada e devidamente motivada pela fiscalização. Por fim, no que diz respeito aos questionamentos pontuais da Recorrente acerca da inclusão indevida de determinados valores na base de cálculo, vale ressaltar que a fiscalização não se valeu dos extratos bancários (quebra de sigilo), mas tomou como base o LivroCaixa. Caberia, portanto, ao contribuinte comprovar o equívoco de algum registro ou operação, o que não ocorreu. Dessa forma, uma vez demonstrado que a pessoa jurídica omitiu receitas que, somadas, ultrapassaram o limite da receita bruta no anocalendário de 2011, considero correto o Ato Declaratório Executivo DRFSalvador/SEFIS nº 0005, de 03 de fevereiro de 2015, fls. 18, que determina a exclusão da Recorrente do Simples a partir de 01.01.2012. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10580.720674/201599 Acórdão n.º 1201002.284 S1C2T1 Fl. 6 9 Conclusão Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.010535/2006-66
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2003, 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO.
Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Trata-se de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA.
Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS. Nos termos do art. 111 do CTN interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário.
Numero da decisão: 9303-007.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃO CUMULATIVO. Por força do art. 1º da Lei nº 10.637/2002, o crédito presumido do IPI integra a base de cálculo do PIS. Tratase de um benefício fiscal com natureza de subvenção de custeio, integrando a receita bruta do contribuinte. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. Não há como concluir que a receita decorrente do crédito presumido de IPI é decorrente de operação de exportação de mercadorias para o exterior. É um benefício fiscal instituído unilateralmente pelo Poder Público e decorre das operações internas com incidência de PIS. Nos termos do art. 111 do CTN interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão de crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 05 35 /2 00 6- 66 Fl. 300DF CARF MF 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo originado do auto de infração de efls. 10 e 11, lavrado contra a contribuinte em 30/11/2006, por ter a fiscalização constatado que a empresa deixou de incluir na base de cálculo do PIS nãocumulativo os valores referentes ao crédito presumido de IPI, no período de outubro a dezembro de 2003 (efl. 16). A contribuinte teve ciência do auto de infração em 01/12/2006 e o Relatório de Atividade Fiscal com a descrição das irregularidades verificadas encontrase às efls. 14 a 16. A contribuinte apresentou impugnação às efls. 76 a 88, em 02/01/2007, pleiteando o cancelamento do auto de infração, sob o argumento de que os créditos presumidos de IPI apropriados como redutores de seus custos de produção não se constituem em receitas, para fins de formação da base de cálculo do PIS, seja ele cumulativo ou não. A 2ª Turma da DRJ/POA, no acórdão nº 1015.702, prolatado em 13 de março de 2008, às efls. 120 a 122, considerou, por unanimidade, procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido. Intimada do acórdão da DRJ em 31/03/2008 (efl. 124), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 30/04/2008, às efls. 125 a 139. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) considera que os valores relativos ao crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 constituem um retificador ou redutor de custo, não constituindo receita, motivo pelo qual não podem ser incluídos na base de cálculo da contribuição para o PIS, independentemente de previsão normativa que preveja expressamente essa nãoinclusão; e b) pondera que a inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS dos valores referentes ao crédito presumido do IPI representaria um venire contra factum proprium, além de encontrar óbice no inciso I do §2º do art. 149 da CF e no inciso I do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, que vedam a incidência da contribuição para o PIS sobre receitas relativas a exportação. Ao final, requer o provimento do recurso para que seja julgado integralmente insubsistente o auto de infração. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 17 de março de 2010, resultando no acórdão nº 340100.605, às efls. 159 a 164, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2003 LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI DA BASE DE CÁLCULO DO PIS NÃOCUMULATIVO, POR NÃO EXISTIR PERMISSÃO LEGAL. O PIS incide sobre qualquer receita independentemente Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200666 Acórdão n.º 9303007.044 CSRFT3 Fl. 301 3 da classificação contábil, conforme consta no art. I o da Lei n°. 10.637, sendo possível apenas as exclusões previstas em lei. Recurso Negado. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça (Relator), Emanuel Carlos Dantas de Assis e Luciano Pontes Maya Gomes (Suplente). Designado o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte para regidir o voto vencedor. Embargos de declaração da contribuinte Intimada do acórdão nº 340100.605 em 16/08/2011 (efl. 170), a contribuinte apresentou embargos de declaração na mesma data (efls. 172 a 177), embasado em alegadas omissões no acórdão. Requer o saneamento dos vícios apontados, registrando que tal fato conduzirá a resultado diverso no julgamento do julgamento (efeitos infringentes). Os embargos foram analisados pelo então Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF nos termos do despacho às efls. 197 e 198, datado de 04/11/2011, nos termos dos arts. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, que entendeu por rejeitálo, definitivamente, em face da manifesta improcedência dos vícios apontados. Recurso especial da contribuinte A contribuinte foi intimada do despacho de admissibilidade de embargos (e fls. 197 e 198) em 06/11/2012 (efl. 203), e apresentou recurso especial em 21/11/2012 (efls. 205 a 230). Inicialmente, a contribuinte pede o sobrestamento do julgamento do recurso, por tratar de matéria com repercussão geral reconhecida pelo STF no Recurso Extraordinário nº 593.544RS. Em seguida, levanta divergência quanto ao entendimento do acórdão recorrido sobre a natureza jurídica do crédito presumido de IPI, concedido pela Lei nº 9.363/96, e em especial se possui ou não natureza de receita (paradigmas nº 180300.703 e 20218.135). Explica que o acórdão recorrido admitiu que o crédito de IPI constitui receita, e como tal sua exclusão da base de cálculo da contribuição dependeria de norma permissiva. Argumenta que o paradigma nº 180300.703, por outro lado, entendeu que o mesmo crédito não constitui receita da pessoa jurídica, e sim mera recomposição de custos. Destaca também que o paradigma nº 20218.135 considerou que, ainda que os valores relativos ao crédito presumido de IPI constituam receita, se trata de receita decorrente de exportação, sobre a qual é vedada a incidência de contribuição para o PIS. Fl. 302DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, repisa os argumentos apresentados anteriormente em seu recurso voluntário e nos embargos declaratórios. Ao final, requer o conhecimento e provimento do seu recurso especial, para que seja reformado o acórdão recorrido e julgado integralmente insubsistente o auto de infração. O então Presidente da 4ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF apreciou o recurso especial de divergência da contribuinte em 14/07/2015, no despacho de e fls. 277 a 279, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 2009, dando lhe seguimento. Contrarrazões da Procuradoria A Procuradoria da Fazenda Nacional foi cientificada do despacho de admissibilidade de efls. 277 a 279, em 06/08/2015 (efl. 280), e apresentou contrarrazões em 14/08/2015, às efls. 281 a 289. A representante da PGFN entende que, como o crédito presumido discutido nos autos se caracteriza como uma receita operacional e não se encontra compreendido entre as hipóteses de isenção ou exclusão, ele deve integrar a base de cálculo do PIS. Explica que, por falta de previsão legal que permita a exclusão da base de cálculo, os créditos ressarcidos de IPI devem integrar a receita bruta da pessoa jurídica (totalidade das receitas por ela auferidas, independente do tipo de atividade ou a classificação contábil adotada), para efeito da apuração da base de cálculo do PIS e também da COFINS, por se tratar de um conceito de abrangência genérica. Salienta que, mesmo se os valores provenientes do ressarcimento do crédito presumido de IPI forem considerados receita nãooperacional, tal fato não macula o lançamento, que se refere a fatos geradores posteriores ao advento da MP nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002. Pelas razões apresentadas, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do provimento do recurso especial do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da procuradoria é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e por isso dele conheço. A divergência trazida pela contribuinte se estabelece sobre o crédito presumido de IPI integrar ou não a base de cálculo das contribuições para o PIS sujeito à não cumulatividade, por duas razões: (a) tal crédito não constituiria receita e, ainda que receita fosse, (b) não haveria incidência da contribuição porque decorrente de exportação. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200666 Acórdão n.º 9303007.044 CSRFT3 Fl. 302 5 Inconteste a existência dos créditos de IPI neste processo, discutese a sua tributação, ou não, a título de receita em contribuição para o PIS, o que reduziria os créditos deste tributo que a contribuinte pretendeu utilizar para compensações. Inquestionável que a Lei nº 10.637 de 30/12/2002, ao estabelecer a contribuição da cobrança nãocumulativa para o PIS, em seu art. 1º1, tomou como seu fato gerador o total das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação fiscal, afastando apenas aquelas descritas no § 3º do mesmo artigo. Não há qualquer exclusão específica relativa ao crédito presumido de IPI. Estando esse crédito presumido definido na Lei nº 9.363 de 13/12/19962, há respeitáveis juristas a advogar que ele representa verdadeiro ressarcimento, oferecido ao contribuinte para compensar as despesas tidas com o recolhimento pretérito de PIS e de Cofins incidentes sobre as operações que a lei especifica. Contudo, filiome a outra corrente, que vislumbra no crédito presumido de IPI a natureza de subvenção de custeio, ofertada pelo Poder Público, mediante renúncia fiscal, para auxiliar o beneficiário a arcar com os gastos de sua atividade. Nesta linha de entendimento, os créditos em comento deveriam sempre ser adicionados ao resultado tributável. Para analisar a natureza de receita do crédito presumido de IPI, me apoio na Norma Brasileira de Contabilidade TG 30 Receitas, que em seus objetivos já traz a seguinte definição: A receita é definida na NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo desta Norma é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. 1 Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. (...) 2 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 304DF CARF MF 6 Me socorro ainda de excerto doutrinário sobre a matéria3, apud ao voto do i. conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no acórdão nº 3301002.395: (...) Não há qualquer impedimento à cobrança do tributo no regime não cumulativo, uma vez que a recuperação de custos integra a receita bruta da empresa. Afinal, se o conceito de receita compreende o acréscimo patrimonial líquido, não há motivos para afastar de seu âmbito de significação o incremento resultante do recebimento do crédito presumido do IPI. O patrimônio compreende não só os bens, mas os direitos de crédito e todas as demais relações jurídicas de conteúdo econômico titularizadas pelo sujeito de direitos. Por conseguinte, a receita pode ser auferida não apenas mediante recebimento de dinheiro, mas pela aquisição de qualquer direito susceptível de apreciação pecuniária. Por outro lado, embora a Lei nº 9.363/1996 faça referência a “ressarcimento”, devese ter presente que não se trata propriamente de uma indenização. A concessão do crédito constitui uma liberalidade, um ato unilateral do Poder Público, que não se confunde com as obrigações derivadas da responsabilidade extracontratual. Tampouco se trata de reembolso, porque este pressupõe a recomposição do patrimônio devida em razão de uma despesa realizada por conta e ordem de outrem. (...) Os créditos presumidos são benefícios fiscais concedidos unilateralmente pelo Poder Público, podendo apresentar natureza de subvenção de custeio (v.g. crédito presumido do IPI para ressarcimento de contribuições previsto na Lei nº 9.363/1996) ou de subvenção para investimentos (v.g. crédito presumido para incentivos da Lei nº 9.826/1999). No primeiro caso, as subvenções integram o resultado da pessoa jurídica e, nessa condição, têm natureza de receita bruta do sujeito passivo. Portanto, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, desde que se trate de contribuinte submetido ao regime não cumulativo... (...) (Negritei.) Concluindo que seja receita para fins de tributação pelo PIS, há que se constatar se essa receita seria passível de algum tipo de exclusão por decorrer de exportação, como argumenta a recorrente. Ora, a não incidência prevista no art. 5º da Lei nº 10.637/20024 é para as receitas decorrentes das operações de exportação e, conforme destacado acima, o crédito 3 Conselheiro Sólon Sehn no artigo denominado “Crédito Presumido de IPI e a Base de Cálculo de PIS e Cofins” publicado no volume 2 do livro “PIS e cofins à luz da Jurisprudência do CARF, fls. 519/537. 4 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; (...) Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11080.010535/200666 Acórdão n.º 9303007.044 CSRFT3 Fl. 303 7 presumido é um benefício fiscal, com natureza de subvenção de custeio, definido na Lei nº 9.363/1996, e não uma receita decorrente da exportação. Por fim, ainda na linha do voto do aresto vergastado, ao se tratar de interpretação da legislação tributária sobre exclusão de créditos dessa natureza, há que se aplicar o artigo 111 do CTN, que indica a interpretação literal para tais casos. Em se tratando de uma receita sujeita à contribuição para o PIS e inexistindo exclusão para incidência dessa tributação, correto o entendimento expresso no acórdão combatido e, por consequência, na redução dos créditos disponíveis para compensação pela contribuinte. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte para negarlhe provimento, mantendo a integralidade do crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.004086/2008-90
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN.
Numero da decisão: 2001-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Os rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual. Verificada a omissão de rendimentos, compete à fiscalização efetuar o lançamento, como prevê o art.142 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI e ao plano de saúde Golden Cross. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 8. 00 40 86 /2 00 8- 90 Fl. 123DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre despesas médicas, despesas com instrução e omissão de rendimentos, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados. Contribuinte apresentou recibos e agregou comprovantes financeiros de pagamento das despesas de plano de saúde. Argumentou que os pagamentos à APPAI referem se a serviços de saúde. Não apresentou argumentos nem documentos novos referentes a omissão de rendimentos. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Não trouxe documentos sobre despesas com instrução. Sobre a omissão de rendimentos não foram apresentados argumentos novos, e nem identificamos alguma questão não abordada pelo acórdão de impugnação. Concordamos com esse acórdão que assim dispôs sobre essa matéria: Por força da legislação tributária, cujos dispositivos foram especificados na Notificação de Lançamento / Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 14), o titular da Declaração de Ajuste Anual está obrigado informar o total dos rendimentos recebidos no anocalendário, por ele próprio e pelos dependentes declarados, efetuando o ajuste anual do imposto de renda. É dessa obrigação que trata o art. 787 do RIR/99, citado pela contribuinte. Na hipótese de não fazêlo de maneira completa, caracterizase omissão de rendimentos, com o lançamento de ofício do correspondente imposto devido. No presente caso, a omissão apurada foi mantida em sede de revisão do lançamento pela DRF, tendo em vista o confronto entre as informações prestadas pela fonte pagadora CAPEMI mediante DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte e os rendimentos informados pelo contribuinte em sua Declaração de Ajuste Anual. A DIRF é declaração de apresentação obrigatória, que se realiza sob a responsabilidade da fonte pagadora e tem força probatória que só poderia ser afastada mediante retificação. No presente caso, a informação não foi alterada pela fonte Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13708.004086/200890 Acórdão n.º 2001000.557 S2C0T1 Fl. 3 3 pagadora, como se verificou em consulta aos bancos de dados da Receita Federal do Brasil. A impugnante alega tratarse de pecúlio, rendimento isento de tributação. O art. 39, inciso XLIII, do RIR/99 dispõe: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XLIIIo capital das apólices de seguro ou pecúlio pago por morte do segurado, bem como os prêmios de seguro restituídos em qualquer caso, inclusive no de renúncia do contrato (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIII); Todavia, não apresenta documento comprobatório do fato alegado e não trouxe elementos que afastem a força probante da DIRF apresentada pela fonte pagadora. Impõese, assim, a manutenção do acréscimo ao total de rendimentos tributáveis auferidos pela contribuinte no anocalendário 2006. Em termos gerais, pede para que se reexamine, sem nominar, a impugnação. Examinamos todo o processo e entendemos que o acórdão de impugnação abordou corretamente a legislação, e os fatos. Em relação às despesas médicas pagas a plano de saúde, no ano específico, apresentou as guias de pagamento, e alguns comprovantes financeiros. Considerando que há continuidade da prestação do serviço; que houve a apresentação das guias; que a falta de pagamento gera cancelamento de plano; que a comprovação de parcial de alguns períodos indica a continuidade da prestação, que não houve nenhuma investigação, ou conferência junto ao plano de saúde sobre a matéria; e tendo em conta também que um procedimento de diligência, nessa altura do processo administrativo, tornase mais oneroso que a dedução pleiteada; assim, entendo pela aceitação das despesas referentes à Golden Cross. Os pagamentos à APPAI, já foram aceitos nos anoscalendários de 2003 e 2005, em Despachos Decisórios, em processos em exame por esse relator, como referentes a serviços médicos, entendemos como comprovadas, dessa forma, essas despesas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, aceitando as despesas médicas referentes a APPAI e plano de saúde Golden Cross. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 125DF CARF MF 4 Fl. 126DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000742/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 42 /2 01 0- 76 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 365DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 366DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 367DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 368DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 369DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15983.000742/201076 Acórdão n.º 9202006.796 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 371DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.904373/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 24/08/2005
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2401-005.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: JOSE LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 24/08/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO - DCOMP. DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de votar o conselheiro Matheus Soares Leite. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 43 73 /2 00 9- 51 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 138 2 José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado em substituição ao impedimento do conselheiro Matheus Soares Leite) e Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE Manifestação de Inconformidade apresentada contra Despacho Decisório que NÃO HOMOLOGOU compensação utilizando pretenso "Pagamento Indevido/a Maior" no valor de R$ 2.089,10 (cód 5273, PA 20/08/2005), veiculado na PER/DCOMP 32648.41044.141005.1.3.044672, em razão de o pagamento ter sido utilizado na extinção de débitos declarados em DCTF. A seguir, transcrevo alguns excertos do Acórdão de piso: (...) COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL As informações prestadas pelo sujeito passivo, até prova em contrário, são consideradas verdadeiras, e não podem ser desconsideradas mediante simples alegações; para que estas informações sejam alteradas, dando origem a um indébito, deverá o contribuinte comprovar inequivocadamente o alegado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para sua utilização. (...) Relatório (...) a manifestação de inconformidade (...) resumidamente alega: 4.1 A tempestividade (...). 4.2 O não reconhecimento do crédito utilizado é decorrente de “mero equívoco nas informações prestadas em DCTF”. Esclarece que “a impugnante quitou, a título de IRRF, a cifra de R$ 2.136,00, relativa à 3” semana de agosto de 2005”; acrescenta que posteriormente “constatou que o montante por ela recolhido a título de IRRF foi indevido”, utilizando o valor recolhido a maior na DCOMP em litígio neste processo. 4.2.1 Informa que o indébito não foi confirmado pelo fisco em decorrência das informações prestadas em DCTF e que "esse equívoco foi sanado pela impugnante via DCTF retificadora". Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 139 3 4.3 Defende a observância do princípio da verdade material, transcrevendo excertos de James Marins, Alberto Xavier e acórdão do Conselho de Contribuintes. 4.4 Para amparar sua argumentação anexa ao processo o DARF recolhido, a DCTF original e a DCTF retificadora, apresentada em 24/07/2009. 4.5 Por fim, propugna pela homologação da compensação. (...) Voto (...) 14. As informações acerca do IRF20/08/2005 foram prestadas pelo próprio contribuinte, tanto na DCTF original quando na DCTF retificadora. O crédito utilizado na DCOMP não foi reconhecido pela DRF em função das informações prestadas na DCTF original. O contribuinte retifica a informação apresentada somente em 24/07/2009 (fl. 56), após o recebimento do Despacho Decisório emitido pela DRF. 14.1 A IN RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008 vigente na data da apresentação da DCTFRetificadora assim prescreve, acerca da retificação da DCTF: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 14.2 Vale dizer, a declaração retificadora apresentada pelo contribuinte não produz os efeitos pretendidos, considerando o inciso III do § 2° do art. 11 acima transcrito. Contudo, ainda que assim seja, os dados constantes do presente documento poderiam ser acatados, desde que acompanhados da comprovação documental da alteração efetuada. Esta comprovação não foi apresentada pelo impugnante. (...) o contribuinte não apresentou qualquer comprovação da alteração efetuada, de modo que não há como validar o pretenso direito de crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP em litígio neste processo. (...)16. Considerando a inexistência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte, a princípio, não há como homologar a compensação em litígio neste processo. Cientificado do Acórdão em 26/08/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em 27/09/2010, alegando, em síntese: a) Tempestividade. Recepcionada a intimação postal em 26/08/2010 (quinta feira), o prazo para recurso se encerrar em 27/09/2010 (segundafeira) por força do art. 5 , parágrafo único, do Decreto n 70.235, de 1972. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 140 4 b) No período de apuração 20/08/2005, a Recorrente realizou o pagamento de R$ 2.136,00 a título de IRRF, quando nada era devido. Por equívoco, informou na DCTF originária R$ 2.136,00. Contudo, o erro restou sanado por DCTF retificadora (doc. 08 da Manifestação de Inconformidade). c) Nula a decisão que deixar de apreciar demonstrativos documentais relacionados com a matéria em discussão. d) Em face do princípio da verdade material, não há dúvida acerca da liquidez e certeza do direito creditório, devendo o Acórdão da DRJ ser reformado. Pesa sobre a Administração judicante, como conseqüência da legalidade tributária, o dever de busca da verdade material, para cuja estrutura processual é indispensável o princípio inquisitório. A doutrina e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes respaldam o imperativo de observância dos princípios da legalidade e da verdade material. e) Rechaça o entendimento constante do Acórdão de a DCTF retificadora apresentada posteriormente ao recebimento do Despacho Decisório não produzir efeitos. Isto porque, independentemente do momento da retificação da mencionada declaração, o direito da Recorrente à repetição do indébito tributário não pode ser comprometido: este, é cediço, nasce do (e no momento do) recolhimento indevido; não depende, para existir, do cumprimento de meras obrigações tributárias acessórias. Logo, devem ser apreciados os fatos e documentos constantes dos autos, a demonstrar a existência do crédito. e) Pedido. Requer o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário para a reforma integral do Acórdão atacado, com o consequente reconhecimento do crédito e a homologação integral da compensação. É o Relatório. Voto Conselheiro José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Tempestividade. O contribuinte sustenta a tempestividade do recurso. O recurso apresentado em 27/09/2010 (segundafeira), é tempestivo em face da intimação postal do Acórdão operada em 26/08/2010 (quintafeira) e do disposto no parágrafo único do art. 5 do Decreto n 70.235, de 1972. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Da preliminar. O contribuinte sustenta que a decisão de primeira instância administrativa deixou de apreciar os documentos carreados aos autos com a impugnação (DARF recolhido, DCTF original e DCTF retificadora). A simples leitura do Acórdão atacado revela que tais documentos foram considerados, mas não de modo a alicerçar as alegações do contribuinte. Logo, afastase a alegação de nulidade por não apreciação de tais documentos. Do mérito. O contribuinte sustenta que a decisão de primeira instância administrativa não observou os princípios inquisitório e da verdade material, decorrentes do princípio constitucional da legalidade, eis que teria desconsiderado os documentos carreados Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 141 5 aos autos com a impugnação, a demonstrar a liquidez e certeza do crédito. Além disso, argumenta ser irrelevante o momento da retificação da DCTF, pois a configuração do recolhimento indevido/a maior não dependeria de obrigação acessória. A DRJ não negou o recolhimento comprovado por DARF e nem a retificação da DCTF após a emissão do Despacho Decisório. Ponderou, contudo, que a simples retificação da DCTF não tem o condão de qualificar o recolhimento como indevido/a maior. Assim, invocando o disposto no art. 11, §2°, III, da IN RFB n° 903, de 2008, considerou que a retificação não produz efeitos quando tem por objetivo alterar débitos em relação ao qual exista procedimento fiscal, no caso a apreciação fiscal veiculada no Despacho Decisório, a demandar prova do cabimento da retificação, ônus do contribuinte. No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°)1. Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. Ao apresentar a DCTF retificadora após a emissão do Despacho Decisório, o contribuinte pretende corrigir pretenso erro de preenchimento da DCTF original, conforme expressamente consignado na manifestação de inconformidade e nas razões do recurso. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). 1 DecretoLei n° 2.124, de 1984. Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. 2 Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Lei n° 5.869, de 1973 Código de Processo Civil REVOGADO Art. 333. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Lei n° 13.105, de 2015 Código de Processo Civil VIGENTE Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente. Art. 373. O ônus da prova incumbe: II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 142 6 A jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais adota o entendimento aqui esposado, conforme revelam as seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Processo n° 15374.903703/200886; Acórdão nº 2201004.420 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 MERA ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCTF. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A alegação de que houve erro material no preenchimento da DCTF, mesmo que posteriormente retificada, e que determinado débito de IRRF teria sido pago a maior, não é suficiente para assegurar que tenha sido, de fato, maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, de modo a justificar a existência de direito creditório. É imprescindível a apresentação de prova cabal e inconteste do alegado erro material. (Processo n° 16327.910429/200919; Acórdão nº 2201004.442 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; Sessão de 04 de abril de 2018) Destarte, em procedimento de análise da compensação do crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. Não existe nos autos qualquer prova a demonstrar a efetiva ocorrência de erro na apuração que ensejou o pagamento constante de DARF e o preenchimento da DCTF original. A prova da retificação da DCTF após o Despacho Decisório não é indício suficiente para se justificar, com lastro nos princípios inquisitório (inquisitivo ou da majoração dos poderes do julgador) e da verdade material, a conversão do julgamento em diligência. Os princípios inquisitório e da verdade material não podem ser invocados para se afastar o dever de a empresa instruir a manifestação de inconformidade com provas documentais (Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, III e §4°; e Lei n° 9.430, art. 74, §11). Impõese, por conseguinte, a aplicação do ônus da prova, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade, da colaboração dos contribuintes e da duração razoável do processo. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13603.904373/200951 Acórdão n.º 2401005.621 S2C4T1 Fl. 143 7 Além disso, o presente colegiado é incompetente para declarar a inconstitucionalidade ou ilegalidade das normas aplicáveis ao caso concreto3 sob a alegação de ofensa a princípios constitucionais ou legais4. A doutrina e jurisprudência invocadas pelo recorrente não têm o condão de influir no presente julgamento, restando, por todo o exposto, não caracterizada a existência de liquidez e certeza do pretenso indébito utilizado pelo contribuinte, não havendo como se homologar a compensação pretendida. Isso posto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator 3 CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, 2015, arts. 15 e 373, II; Decreto n° 70.235, de 1972, art. 16, §4°; Lei n° 9.430, art. 74, §11; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III. 4 Decreto n° 70.235, de 1972, art. 32A; Portaria RFB n° 10.875, de 2007, art. 18; e Lei n° 9.430, art. 74, §11. Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.005179/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2007
PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUB-ROGAÇÃO.
A Cooperativa fica sub-rogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal.
Numero da decisão: 2401-005.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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CONTRIBUIÇÃO SUBSTITUTIVA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO. COOPERATIVA. SUBROGAÇÃO. A Cooperativa fica subrogada na obrigação do empregador rural pessoa física e do segurado especial, de que tratam, respectivamente, a alínea "a" do inciso V e o inciso VII do art. 12 desta Lei nº 8.212, de 1991, na condição de responsável, em relação à retenção e ao recolhimento da contribuição substitutiva, prevista no art. 25 do citado diploma legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro Matheus Soares Leite que dava provimento parcial para limitar a multa ao percentual de 20%. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 51 79 /2 00 9- 25 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 206 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Cleberson Alex Friess, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro e Matheus Soares Leite. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 182/186) interposto em face do Acórdão nº. 0336.835 (fls. 174/181) da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. Por bem circunstanciar os fatos, transcrevemse trechos do relatório da decisão do colegiado de primeira instância: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP 37.219.5989, emitido contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 1.594.336,98 (Um milhão, quinhentos e noventa e quatro mil trezentos e trinta e seis reais e noventa e oito reais), consolidado em 27/04/2009, referente as contribuições sociais destinadas a Seguridade Social (parte patronal) incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural in natura, realizada por produtores rurais pessoas físicas, em substituição à que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais e que, por força de lei, o adquirente se subroga na responsabilidade pelo recolhimento, no período compreendido entre as competências 08/2006 a 11/2007. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 39/44, o fato gerador que serviu de base para o cálculo das contribuições sociais lançadas nesta autuação é proveniente da aquisição de algodão realizada pela Cooperativa, situação em que, de acordo com a legislação, a autuada se subroga na obrigação de descontar as contribuições incidentes do produtor e recolher aos cofres públicos, mas não o efetuou, e consta dos seguintes levantamentos: Relata que a Cooperativa questionou na justiça a legalidade das contribuições objeto da presente autuação, primeiramente através de ação cautelar n° 2006.35.03.0028898, onde obteve decisão favorável em caráter preliminar para depósito judicial das contribuições. Em 17/02/2007, protocolou ação principal n° 2008.35.03.0019114, e em 25/01/2008, foi prolatada sentença indeferindo o pedido sem julgamento do mérito, por considerar que a cooperativa não possui legitimidade processual, sentença publicada em 22/02/2008. A autora impetrou recurso de apelação, que não foi recebido por intempestividade. Informa que os valores das contribuições constituídas através deste auto de infração foram depositadas no Banco do Brasil, com base na medida judicial citada e xerox dos comprovantes em anexo. In forma ainda que o fato gerador e as contribuições constituídas através do presente auto de infração não foram informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social — GFIP, sendo, então, emitido auto de infração. Tal omissão configura, em tese, o crime de sonegação de contribuição previdenciária — art. 337 — A, item II Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 207 3 do Código Penal Brasileiro — Decreto Lei IV 3.848, de 07/12/40, sendo emitida a respectiva Representação Fiscal para Fins Penais. • DA IMPUGNAÇÃO A empresa impetrou defesa tempestiva, As fls. 305/348, alegando, em apertada síntese: que a fiscalização lastreiase no art. 245 da Instrução Normativa MPS/SRP n" 03/2005, que estabelece a não incidência do Funrural apenas quando a produção rural for comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior. Todavia, no caso em tela, as operações realizadas são efetivamente operações diretas, visto que, pela natureza jurídica da ora impugnante, a sua participação não se caracteriza como intermediação, nem como operação mercantil, razão por que não efetuou o recolhimento do Funrural sobre as operações de exportações; tece um breve histórico do fenômeno do cooperativismo e da natureza jurídica das cooperativas para demonstrar a distinção destas e da sociedade de capital, cujo objetivo é fortalecer os seus cooperados para a obtenção, por parte deles, de vantagens econômicas. Cientificada da decisão de piso em 24/06/2010, a Cooperativa apresentou recurso voluntário com os seguintes argumentos de defesa: 1) No tocante aos fatos, diz que recebeu autuação sob a acusação de que não efetuou recolhimento de FUNRURAL sobre as operações de exportação. Informa que a fiscalização lastreouse no art. 245 da IN MPS/SRP nº 3, de 2005; 2) Afirma que as operações realizadas são efetivamente operações diretas, visto que, pela natureza jurídica da ora recorrente, a sua participação na operação não se caracteriza como intermediação, nem tampouco como operação mercantil; 3) Ressalta que a contribuição FUNRURAL foi declarada inconstitucional pelo STF, por ter como base de cálculo a receita bruta; 4) Discorre sobre as Cooperativas, fazendo menção ao fenômeno do cooperativismo e ainda de posição doutrinária sobre a matéria. Cita também artigos da Lei nº 5.764, de 1971; 5) Ao final requer: "... que seja o auto de infração ora questionado julgado improcedente, por ser de inteira justiça, visto que se exige dela contribuição por operação de exportação efetivamente ocorrida". É o relatório Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos, portanto, deve ser conhecido. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 208 4 Mérito AI DEBCAD nº 37.219.5989 (Levantamento: PR3 Produto Rural Algodão Depósito Judicial competências: 08/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2007). A matéria em discussão nos autos encontrase disciplinada pela Lei nº 8.212, de 1991, nos seguintes dispositivos (dispositivo vigente a época do lançamento): Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. [...] § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. [...] § 10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3o deste artigo, a receita proveniente: I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; [...] IV – do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra, qualquer que seja o motivo ou finalidade; e Art.30… [...] III a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatória ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 209 5 art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; A contribuição previdenciária, popularmente conhecida como "Funrural", incide sobre a produção rural. Como se observa dos dispositivos acima, a referida subrogação constituise da clássica figura do responsável pela obrigação tributária, que, nos termos do inciso II do art. 121 do Código Tributário Nacional, é considerado o sujeito passivo da obrigação principal que, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de expressa disposição legal. Alega a recorrente que a contribuição Funrural foi declarada inconstitucional pelo STF, e que, dessa forma, produtores rurais e frigoríficos estão livres do recolhimento da contribuição. Em relação aos questionamentos sobre a constitucionalidade da contribuição "Funrural", transcrevo excerto do voto no Acórdão nº 2301005.151, que de forma precisa sintetizou as demandas judiciais sobre a matéria: (i) no Recurso Extraordinário nº 363.852 (normal), Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 03/02/2010 (Frigorífico Mataboi), foi declarado inconstitucional o art. 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos art. 12, inc. V e VII, 25, inc. I e II, e 30, inc. IV, todos da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97; CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS –PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO–LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL –PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 –UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei no 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n. 8.540/92 e n. 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações. (ii) no Recurso Extraordinário nº 596.177 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 01/08/2011, em essência, foram dados os efeitos da repercussão geral ao julgamento do Recurso Extraordinário nº 363.852; vale registrar que somente em 17/10/2013, por ocasião do julgamento dos embargos de declaração, ficou definido os limites da declaração de inconstitucionalidade, sendo que “a constitucionalidade da tributação com base na Lei 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida”; CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 210 6 ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (iii) no Recurso Extraordinário nº 718.874 (repercussão geral), Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 30/03/2017, foi declarada a constitucionalidade material e formal do art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº10.256/01; (iv) no Recurso Extraordinário nº 761.263 (repercussão geral), Rel. Min. Alexandre de Moraes, aguardando julgamento, discutese se a base de cálculo erigida pelo art. 25 da Lei nº 8.212/91 (receita bruta proveniente da comercialização da produção) é compatível com a base de cálculo constante do art. 195, §8º da CF/88 (resultado da comercialização da produção). Ao que se percebe, até o presente julgamento, não há óbice constitucional para a exigência do Funrural, como base no art. 25 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 10.256/01, relativamente às competências ocorridas entre 2004 e 2007, como ocorre no presente processo administrativo. Outro ponto abordado pelo sujeito passivo diz respeito a natureza jurídica das Cooperativas. Fez um histórico sobre o cooperativismo, cita dispositivos da Lei nº 5.764, de 1971, que rege a política brasileira de cooperativismo e define o ato cooperativo, para concluir que não há relação mercantil entre o cooperado e a cooperativa. Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Em regra, entre a cooperativa e cooperado não há, consoante legislação, ato de comércio quando, por exemplo, entrega sua produção a essa entidade. Entretanto, estamos diante de uma situação (fato gerador comercialização da produção por intermédio da cooperativa) em que a recorrente é apenas responsável pela obrigação tributária, sendo contribuinte o produtor rural. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 211 7 Nos termos do art. 150, §7º, da CF/88 e do art. 128 do CTN, a cooperativa qualificase com responsável tributário pelo desconto e recolhimento dessa exação, por força da obrigação tributária acessória que lhe fora imposta pelos incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91. Do relatório do auto de infração AI nº 37.219.5989, retirase a motivação do lançamento em discussão (fls. 42/43): 2. ... referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural "in natura", realizadas por produtores rurais pessoas físicas(art. 25, incisos I e II da Lei 8.212/91), em substituição a que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais(art. 22, incisos I e II da Lei 8.212/91), e que por força legal o adquirente subroga na responsabilidade pelo recolhimento(art. 30, inciso IV, Lei 8.212/91), .... [...] 3. O fato gerador que serviu de base para calculo das contribuições que compõem o presente Auto de Infração é proveniente da aquisição de algodão realizadas pela Cooperativa, que de acordo com a legislação a autuada sub roga na obrigação de arrecadar do produtor as contribuições incidentes e recolher aos cofres público. [...] Em que pese a recorrente alegar que as operações referemse a exportações diretas, necessário esclarecer que referido levantamento (DEBCAD dos autos) corresponde ao PR3 Produto Rural Algodão Depósito Judicial competências: 08/2006 a 12/2006, 01/2007 a 11/2007). As operações de exportação referese ao levantamento PR2 (Processo nº 10120005177200936). Nesse ponto, reafirmase a decisão do colegiado de primeira instância, que assim concluiu: Em sua defesa, a impugnante se limita a afirmar categoricamente que realizava operações de exportações de forma direta. No entanto, a fiscalização descreve que, no levantamento PR2, encontramse discriminadas as aquisições relativas às competências: 09/2005 a 12/2005, 08/2006 a 12/2006, 07/2007 a 12/2007, que, de acordo com a escrituração fiscal e contábil da Cooperativa, tratamse de aquisição que teria como destino a exportação e esclarece ainda que, embora a Constituição Federal conceda imunidade em relação aos tributos incidentes sobre os produtos exportados, no caso presente, não se tratam de contribuições incidentes sobre exportações da Cooperativa para o exterior, mas sim de contribuições sobre a folha de pagamento dos empregados cio produtor rural pessoa física exigidas de forma substitutiva sobre o valor da comercialização da produção deste com a Cooperativa. Não procedem, portanto, as alegações da ora impugnante. Os argumentos da impugnante não atingiram o cerne da questão, pois não rebatem os elementos de fato e constituidores do lançamento fiscal, nem a improcedência do mesmo frente As normas previdenciárias vigentes, apesar de o Relatório Fiscal e anexos possibilitarem a compreensão da origem das Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10120.005179/200925 Acórdão n.º 2401005.600 S2C4T1 Fl. 212 8 exigências lançadas — comercialização da produção rural in natura, realizadas por produtores rurais pessoas físicas, em substituição A que incidiria sobre o total da remuneração dos empregados dos produtores rurais e que, por força de lei, o adquirente (Cooperativa) se subroga na responsabilidade pelo recolhimento. Portanto, sem razão a recorrente. Mantémse a decisão do colegiado de primeira instância. Ademais, em relação à ação judicial nº 2008.35.03.0019114 impende esclarecer que no caso foi prolatada a sentença judicial sem julgamento de mérito, considerandose que a Cooperativa não possui legitimidade processual. Conclusão Voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 213DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.000622/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005
VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005
REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR.
As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto-Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002.
DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA.
Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003.
Numero da decisão: 3401-005.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob os códigos NCM 9029.20.10, 8501.10.19 e 8413.70.80.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 VEDAÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO CONHECIMENTO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 REVISÃO ADUANEIRA. MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS. INOCORRÊNCIA. VERIFICAÇÃO DA EXATIDÃO DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO IMPORTADOR. As declarações de importação estão sujeitas ao procedimento de revisão aduaneira objetivando a verificação da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM INEXATIDÃO OU DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE 1% (UM POR CENTO) SOBRE O VALOR ADUANEIRO. INOCORRÊNCIA. Meras deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias que não impliquem declaração de forma incompleta, inexata ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação, não ensejam a aplicação da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro prevista no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 06 22 /2 00 8- 13 Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 416 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, dar provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob os códigos NCM 9029.20.10, 8501.10.19 e 8413.70.80. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase de auto de infração, situado às fls. 04 a 39, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, com fundamento no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003, referente aos períodos de apuração compreendidos entre 18/05/2005 (data de entrada da autuada no Recofautomotivo) e 31/12/2005, de maneira a totalizar o crédito tributário no valor histórico de R$ 108.102,05. 2. Em conformidade com a descrição dos fatos e enquadramentos legais, situada às fls. 05 a 15, a multa se refere aos despachos aduaneiros processados pelas 138 Declarações de Importação (DI), situadas às fls cujas Adições, objeto da autuação em tela, encontramse juntadas às fls. 54 a 201 (Volume 01) e 205 a 251 (Volume 2), de número: 05/05780776, 05/05818838, 05/05818854, 05/05859470, 05/05865461, 05/06034920, 05/06035756, 05/06103379, 05/06218788, 05/06323336, 05/06400187, 05/06400195, 05/06477180, 05/06538391, 05/06548761, 05/06590717, 05/06641028, 05/06719388, 05/06762755, 05/06775237, 05/06866283, 05/06866291, 05/06977832, 05/06977859, 05/06981023, 05/07106096, 05/07123683, 05/07216886, 05/07296375, 05/07318719, 05/07396779, 05/07457417, 05/07497834, 05/07565031, 05/07637164, 05/07637172, 05/07682763, 05/07751897, 05/07814708, 05/07848092, 05/08014144, 05/08058400, 05/08083456, 05/08085017, 05/08118993, 05/08290630, 05/08290648, 05/08300384, 05/08549498, 05/08564454, 05/08592326, 05/08653163, 05/08701044, 05/08849963, 05/08942718, 05/09123044, 05/09123109, 05/09130520, 05/09132949, 05/09132965, 05/09264721, 05/09387920, 05/09393394, 05/09556676, 05/09556706, 05/09556757, 05/09625503, 05/09719974, 05/09753536, 05/09753544, 05/09753579, 05/09807121, Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 417 3 05/09865172, 05/09965150, 05/09965177, 05/10036699, 05/10036826, 05/10263342, 05/10285400, 05/10325640, 05/10373369, 05/10382511, 05/10539100, 05/10543566, 05/10543574, 05/10601728, 05/10728582, 05/10892617, 05/10892625, 05/10975717, 05/10988312, 05/11008087, 05/11035696, 05/11035726, 05/11084204, 05/11181463, 05/11221082, 05/11221104, 05/11396958, 05/11407399, 05/11478512, 05/11523178, 05/11640930, 05/11701777, 05/11791318, 05/11802395, 05/11802425, 05/11870137, 05/11935093, 05/12037714, 05/12071580, 05/12274821, 05/12359509, 05/12379046, 05/12387103, 05/12420909, 05/12576038, 05/12623508, 05/12623516, 05/12623524, 05/12630512, 05/12812939, 05/12937820, 05/13067404, 05/13067897, 05/13067978, 05/13451786, 05/13473771, 05/13566613, 05/13678357, 05/13772221, 05/13814684, 05/13832054, 05/13852004, 05/13874571, 05/14020452, 05/14073530, e 05/14073602, em conformidade com a ficha "auditoria e outros procedimentos fiscais de importação", situada às fls. 252, registradas para permitir a fruição do regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, na modalidade RecofAutomotivo. 3. A contribuinte, apresentou impugnação, situada às fls. 254 a 269, na qual argumentou, em síntese, que: (i) houve alteração do critério jurídico em desobediência ao art. 146 do Código Tributário Nacional; (ii) a multa é descabida, uma vez que as informações apresentadas nas DI/Adições estão corretas, bastando observar as informações constantes da posições, subposições, itens e subitens em que as mercadorias foram posicionadas na NCM para se concluir pela suficiência da descrição do produto; (iii) a multa ofende os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, transbordando o limite de seu patrimônio, sobretudo tendo em vista que todos os tributos foram devidamente pagos e a irregularidade não importou alteração da carga tributária, requerendo, ao final, o cancelamento do auto de infração lavrado. 4. Em 22/05/2014, a 2ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) proferiu o Acórdão DRJ nº 0734.856, situado às fls. 352 a 366, de relatoria do AuditorFiscal Orlando Rutigliani Berri, entendeu, por maioria de votos, julgar procedente em parte a impugnação, rejeitando a preliminar suscitada e mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 57.994,13, sendo que o AuditorFiscal Juraci Garcia Ferreira votou pelo provimento integral da impugnação apresentada e improcedência do lançamento, com a conseqüente exoneração do crédito tributário, tendo apresentado declaração de voto. Restou assentada a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo incabível na espécie argüir mudança de critério jurídico. INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 418 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA. Não compete às instâncias administrativas de julgamento proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria, sob o pretexto de que o montante da multa aplicada é desproporcional à infração supostamente cometida, pois essa atividade compete exclusivamente ao Poder Judiciário. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 18/05/2005 a 31/12/2005 REGIME RECOF. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA INFORMADA COM DESCRIÇÃO INCOMPLETA. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO. O importador que descreve a mercadoria de forma incompleta ou insuficiente, para fins de classificação fiscal, na declaração de importação que trata do regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado impede ou dificulta a determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, razão pela qual incorre na multa de um por cento sobre o seu valor aduaneiro. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 5. O crédito mantido, no valor de R$ 57.994,13, encontrase descrito em planilha elaborada pela decisão recorrida, a seguir transposta: Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 419 5 Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 420 6 6. A contribuinte foi intimada em 18/06/2014 mediante abertura do arquivo contendo o inteiro teor da decisão no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, em conformidade com o termo de abertura de documento situado à fl. 381, e interpôs, em 10/07/2014, recurso voluntário, no qual reiterou as razões de sua impugnação e reiterou a possibilidade do controle de legalidade e de constitucionalidade na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 7. Antes mesmo do exame de admissibilidade do recurso, a matéria objeto de recalcitrância por parte da contribuinte, conforme se depreende da análise das razões vertidas em seu recurso voluntário, são: (i) constitucionalidade; (ii) alteração de critério jurídico; e (iii) exame de mérito do cabimento da multa. 8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais, mas merece ressalva quanto ao conhecimento da alegação de (i) falta de razoabilidade e proporcionalidade, bem como caráter confiscatório da multa de 1% (um por cento) sobre o valor aduaneiro, com fundamento no inciso I do art. 84 da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, combinado com os §§ 1º e 2º, III, do art. 69 da Lei nº 10.833/2003. 9. As alegações de inconstitucionalidade de leis, como a vedação insculpida no inciso IV do art. 150 da Constituição de 1988, referemse a matéria que não pode ser apreciada no âmbito do processo administrativo fiscal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235/1972: Decreto nº 70.235/1972 Art. 26. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) 10. Tal entendimento, ademais, encontrase consolidado neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme súmula aprovada pela Portaria nº 52, de 21 de dezembro de 2010: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 421 7 11. Assim, por incompetência material desta jurisdição administrativa, não conheço o recurso voluntário interposto neste particular. 12. Quanto aos demais argumentos, deve o recurso voluntário ser conhecido. 13. Quanto à alegação preliminar de (ii) alteração do critério jurídico, já conhecida por este colegiado nossa posição a respeito do convívio harmônico dos institutos da revisão fiscal e da revisão tributária do lançamento, como minudentemente externado, e.g., no Acórdão CARF nº 3401004.020, de nossa relatoria, proferido em sessão de 28/11/2017. 14. A revisão fiscal, ou aduaneira, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. 15. Diversa é a revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se reavalia são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 16. Assim, a revisão fiscal ou aduaneira prevista pelo art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, em uma relação de completa compatibilidade. Na dicção do decretolei, o Estado, no exercício da função aduaneira, deverá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, como norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos quanto ao entendimento firmado respeitante aos efeitos tributários dos fatos conhecidos e reputados como fidedignos pela autoridade fiscal. 17. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 422 8 decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. 18. No caso em apreço, o que se analisa é a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração, em estreita conformidade com o art. 54 do Decreto Lei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, normas especializadas, o que encontra seu símile de lex generali no inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional: a verificação de omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória. Não se cogita, portanto, de aplicação da barreira proibitiva insculpida pelo art. 146 da norma de estatura complementar. A análise acerca da exatidão ou não das informações prestadas deve ser transportada, portanto, ao campo da aplicação do direito material ou substancial, pois a decisão implicará, necessariamente, conhecimento de matéria de mérito, e jamais, no caso presente, nulidade do auto de infração lavrado, supedâneo da verificação retificativa que materializa o venire contra factum proprium. 19. Assim, conheço do recurso voluntário, mas voto pela sua improcedência neste particular. 20. Por fim, passandose à análise de mérito, quanto ao (iii) cabimento da multa aplicada, a autoridade fiscal fundamenta sua exigência na insuficiência de descrição de parte das mercadorias internadas ao amparo das DI, Quanto à descrição das mercadorias nas Declarações de Importação, a impugnante salienta que a fiscalização não constatou qualquer irregularidade que acarretasse a alteração da classificação por ela adotada, porém, afirmou que o detalhamento das mercadorias foi insuficiente para a sua identificação e, por isso, imputoulhe a penalidade em trato. Ocorre que as razões explicitadas no auto de infração não devem prosperar, porque as informações apresentadas nas DI/Adições estão corretas, pois basta observar informações constantes da posições, subposições, itens e subitens em que as mercadorias foram posicionadas na NCM para se concluir pela suficiência da descrição do produto, inclusive, para fins de controle aduaneiro e de tributação, evidenciando o descabimento da multa aplicada. 21. Entendeu a decisão objurgada que os produtos classificados nas NCM nº 8501.10.19 e 8501.10.11 estariam corretos, com informações em suficiência para a sua classificação, mas que, com relação aos demais produtos, compreendidos nas NCM nº (i) 9029.20.10, (ii) 8708.29.99, (iii) 8501.10.19 e (iv) 8413.70.80, as informações teriam sido apresentadas de maneira muito resumida ou genérica. Tais inconsistências merecem atenção uma a uma, como se passa a fazer. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 423 9 22. Para a insuficiência apontada pela autoridade fiscal quanto à (i) classificação NCM nº 9029.20.10, conforme tabela acima transposta, argumenta a contribuinte que: a própria classificação detalha, por si só, as informações do produto e quais instrumentos que o compõem; a simples afirmação de que "não diz os instrumentos" (sic) é vaga e imprecisa; partir da simples leitura da nomenclatura, é possível se apontar com clareza para os componentes da mercadoria, que se trata de um contador para veículos automotores classificado como indicador de velocidade e tacômetro, que não aqueles das posições 90.14 ou 90.15. São, portanto, os instrumentos que o compõem: indicador de velocidade e tacômetro. Ressentese a autuação de detalhamento sobre um instrumento específico que não tenha sido indicado na DI. 23. Para a insuficiência apontada pela autoridade fiscal quanto à (ii) classificação NCM nº 8708.29.99, conforme tabela acima transposta, argumenta a contribuinte que a classificação responde a dúvida levantada como "insuficiência na descrição": uma vez que a mercadoria foi classificada na categoria "partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 87.01 a 87.05", a peça seria utilizada em veículos automóveis. Entendemos que a argumentação da recorrente quanto a esta classificação específica não tem procedência, pois a Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 424 10 dúvida não é se a peça é ou não utilizada em veículos automotores, mas especificamente naqueles classificados nas posições em referência. 24. Para a insuficiência apontada pela autoridade fiscal quanto à (iii) classificação NCM nº 8501.10.19, conforme tabela acima transposta, argumenta a contribuinte que a insuficiência é improcedente, tendo em vista ter sido a mercadoria classificada na subposição "motores de potência não superior a 37,5W". A nomenclatura não exige, portanto, uma potência específica abaixo de 37,5W, mas simplesmente que a potência seja inferior a este limite, o que foi efetivamente declarado pela contribuinte. 25. Por fim, para a insuficiência apontada pela autoridade fiscal quanto à (iv) classificação NCM nº 8413.70.80, conforme tabela acima transposta, argumenta a contribuinte que a classificação responde, textualmente, a dúvida levantada como "inferior a 300 litros por minuto". De fato, novamente não se encontra exigência, para a classificação neste item, de uma vazão específica abaixo de 300 litros, mas simplesmente que a vazão seja inferior a este limite, o que foi efetivamente declarado pela contribuinte. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 425 11 26. Assim, apenas com base na análise acima, entendo que deveria ser mantida a multa apenas com relação aos produtos importados sob a (ii) classificação NCM nº 8708.29.99, merecendo provimento o recurso voluntário interposto quanto às demais classificações [(i) 9029.20.10, (iii) 8501.10.19 e (iv) 8413.70.80], uma vez que inexiste insuficiência na declaração prestada. No caso da (ii) classificação NCM nº 8708.29.99, a exigência é genérica e não há sequer como se compreender a qual informação faz referência a autoridade fiscal. Quanto às demais, a própria classificação aponta para a informação supostamente omitida ou prestada de maneira inexata ou incompleta pela recorrente. 27. No entanto, deve a análise prosseguir a partir da leitura dos fundamentos de validade da exação, abaixo transcritos: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 69 (...). § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. 28. Assim, evidentemente que falta de qualquer uma das informações constantes nos incisos I a IV do §2º ensejarão, objetivamente, a aplicação da multa, independentemente de prejuízo ao bem jurídico tutelado (controle aduaneiro). A autuação em disputa, por seu turno, toma por fundamento o inciso III da norma: "descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial". 29. A leitura do dispositivo de direito sancionador (sançãopunição) é suficiente para constatar que a mera deficiência na qualidade da prestação de informação no Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 426 12 campo descrição das mercadorias que não comprometa a sua classificação, ou outros atributos necessários ao controle aduaneiro, não é suficiente para justificar a cominação da multa tipificada nos preceptivos normativos em referência. Assim, é necessário que a acusação fiscal aponte, objetivamente, e de maneira fundamentada, qual foi a informação prestada de forma incompleta, inexata ou insuficiente que dificultou ou impossibilitou, no caso presente, a classificação fiscal da mercadoria. 30. A partir destes elementos que contextualizam a contenda, necessário se transcrever trecho da sólida e merecedora de encômios declaração de voto realizada pelo AuditorFiscal Juraci Garcia Ferreira: "Nesse caminho seguiu a auditoria fiscal, pois instalou o processo de revisão aduaneira, visando segundo sua informação “verificar a qualidade do despacho aduaneiro da SIEMENS”, e ali identificou nas declarações efetuados pelo contribuinte “insuficiência de descrição de mercadoria”, focando sua análise nos dados constantes do campo “descrição detalhada da mercadoria”, que faz parte do conjunto de informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Importação(DI) entregue a Receita Federal por ocasião de uma operação de importação. Para se inferir as alegações da auditoria fiscal, contrapostas pelas do autuado que alega ser a sua descrição das mercadorias completa ou suficiente, considerando nestas inclusive o texto que o sistema disponibiliza ao se escolher na tabela do Siscomex (fls. 264/267), o código NCM de cada mercadoria, é necessário analisar o caráter de todas as informações constantes da DI, pois a legislação, sobre a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte a Receita Federal, trata a declaração como um todo. A descrição da mercadoria, e sua maior parte, declarada na adição de uma DI é formada por um conjunto de informações, conforme se pode inferir do Anexo Único da IN SRF nº 680, de 2006, dentre as quais o campo “descrição da mercadoria” é parte. Contudo, a “descrição insuficiente” constatada pela auditoria fiscal fundase na análise do campo “descrição da mercadoria” nas adições das DI, estando ausente uma análise mais ampla das informações prestadas pelo contribuinte em sua declaração, ignorando o texto, aceito e declarado pelo contribuinte, que se apresenta nos extratos das adições das DI, à frente do código NCM, de acordo com os dados fornecidos pelo próprio sistema da Receita Federal, pois este também faz parte das declarações do importador. No preenchimento da adição d e uma DI, informado o código NCM, o sistema traz automaticamente um campo com a descrição genérica da natureza da mercadoria que ali se classifica, similar a encontrada na Tarifa Externa Comum(TEC) e, em concordando o contribuinte com a descrição ali dada, fica evidente que este Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 427 13 declara o produto de sua importação como sendo o ali descrito no momento do registro da DI, estando sujeito a aplicação da mesma multa de 1% por erro de classificação fiscal. Ao declarar aquele código, o contribuinte declara ao fisco que a sua mercadoria possui as características que se incluem no texto daquele código de classificação preenchida pelo próprio sistema da Receita Federal, diante da regras do Sistema Harmonizado de Classificação e Designação de Mercadorias (SH). Neste caso, a declaração do importador traz ao conhecimento do fisco as informações de forma completa para as mercadorias e suas NCM indicadas neste auto, as quais foram formalmente prestadas pelo contribuinte por ocasião do registro da DI, logo entendo que não há, nos termos da legislação em vigor, descrição incompleta. É inquestionável que o procedimento de revisão aduaneira aplicado pode ser realizado pelo fisco, dentro do prazo previsto na legislação, contudo, nos termos do art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, visa verificar aspectos de regularidade da operação, sejam tributários ou fiscais e também a exatidão das informações prestadas pelo contribuinte. Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. Neste caso, o processo de revisão não constatou, à luz dos seus objetivos, nos termos do art. 638 do Decreto nº 6.759, de 2009, inexatidão das informações prestadas pelo importador e irregularidades nas operações de importação, apenas encontrando algumas deficiências de qualidade de informação no campo descrição das mercadorias, logo concluo que a auditoria não conseguiu provar objetivamente que, à luz do previsto nos §1º e 2º do art. 69 da Lei nº 10.8323, de 2003, as informações sobre as mercadorias, prestadas pelo contribuinte para os despachos relacionados neste auto tenha sido prestadas de forma incompleta ou inexata , logo, não comprovou a conduta infracional identificada como realizada pela autuada" (seleção e grifos nossos). Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10314.000622/200813 Acórdão n.º 3401005.129 S3C4T1 Fl. 428 14 31. Assim, conheço do recurso voluntário e voto pela sua procedência neste particular para afastar a multa por inexistência da conduta infracional tipificada nos §§ 1º e 2º do art. 69 da Lei nº 10.833, de 2003, exceto no caso da classificação NCM nº 8708.29.99, pois, neste caso, a "insuficiência na descrição" dificulta ou mesmo impossibilita a classificação fiscal da mercadoria, uma vez que omite a recorrente se as "partes e acessórios dos veículos automóveis" de fato se encontram nas posições 87.01 a 87.05. Assim, conheço parcialmente do recurso voluntário interposto e, na parte conhecida, dou provimento parcial para afastar a multa aplicada sobre as DI que se referem a produtos importados sob os códigos NCM/SH nº 9029.20.10, 8501.10.19 e 8413.70.80. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901016/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
Numero da decisão: 1402-003.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido.
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RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. A transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 16 /2 01 2- 59 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10882.901016/201259 Acórdão n.º 1402003.147 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que indeferiu compensação. O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de IRPJ, decorrente de recolhimento com Darf. Constatouse, no Despacho Decisório, que, na data de transmissão do documento em análise, já estava extinto o direito de utilização do crédito, por terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP. Diante do exposto, a compensação declarada NÃO foi HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o DCOMP original com demonstrativo de crédito foi transmitido dentro do prazo de cinco anos para recuperação de pagamentos indevidos. Alegou, ainda, que, uma vez feita a declaração do crédito dentro do prazo legal, não se há de mencionar a extinção do direito de sua utilização. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Extraise do voto: A existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção. A declaração de compensação não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir restituição. O art. 42 da IN RFB n.º 1.300, de 2012, dispõe que o crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da “Declaração de Compensação” somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido mediante “Pedido de Restituição” ou “Pedido de Ressarcimento” formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 do Código Tributário Nacional (idêntica disposição se encontra no art. 27 da IN SRF n.º 460, de 2004, no art. 27 da IN SRF n.º 600, de 2006, e no art. 35 da IN RFB n.º 900, de 2008). Portanto, o fato de o crédito ser superior ao débito não altera a natureza da “Declaração de Compensação”, que não supre a falta do “Pedido de Restituição” do saldo remanescente. A legislação de regência, ao detalhar o direito de restituição de pagamentos indevidos ou maior que o devido, garantido pelo CTN, dentro do prazo de cinco anos contados do pagamento em questão (art. 168, I), no caso, o art. 42 da IN RFB 1300, de 2012 e, anteriormente, o art. 35 da IN RFB 900, de 2008, trazem a regra. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10882.901016/201259 Acórdão n.º 1402003.147 S1C4T2 Fl. 4 3 Vejase: Art. 35. O crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº20.910, de 6 de janeiro de 1932. Inconformado, o autuado interpôs Recurso Voluntário a esta Colenda Turma, requerendo:sejam acolhidas todas as razões de fato e de direito expendidas na peça recursal, homologandose, por decorrência, a compensação objeto da Declaração de Compensação que instrui o presente contencioso administrativo fiscal. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10882.901016/201259 Acórdão n.º 1402003.147 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.141, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10882.903770/200928, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 23/03/2000, por meio de DCOMP transmitida em 07/10/2005, para compensação de débitos próprios. No presente processo o contribuinte requer a compensação de débitos com a utilização de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 31/10/2003, por meio de DCOMP transmitida em 24/11/2009. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.141): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. Consignase, ainda, que o Recurso Voluntário em questão é representativo de controvérsia e, desta forma, foi designado para ser julgado sob o regime de recursos repetitivos. Em síntese, o contribuinte transmitiu PER/DCOMP no qual pretendia compensar recolhimento indevido e/ou maior que o devido, feito em DARF, com débitos de PIS e COFINS. A DRF de origem, em despacho decisório, não reconheceu o direito creditório, uma vez que havia transcorrido prazo maior do que 5 (cinco) anos entre a data de pagamento do DARF e a data de transmissão da PER/DCOMP. Apresentada manifestação de inconformidade, a DRJ competente consignou no v. acórdão recorrido que o contribuinte não tinha apresentado, antes do escoamento do prazo de 5 (cinco) anos contados do pagamento do DARF, pedido de restituição ou de ressarcimento de seus créditos. A transmissão de declaração de compensação, antes do final do prazo de 5 (cinco) anos da data de pagamento do DARF não tem o mesmo efeito de pedido de ressarcimento ou restituição, ou seja, não interrompe a contagem do prazo para extinção do direito de pedir a restituição. Em recurso voluntário, o contribuinte reitera que transmitiu PER/DCOMP antes de esgotado o prazo de 5 (cinco) anos para a utilização do pagamento indevido ou maior que o devido feito Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10882.901016/201259 Acórdão n.º 1402003.147 S1C4T2 Fl. 6 5 com DARF; que retificou essa PER/DCOMP original posteriormente ao prazo, bem como transmitiu outras PER/DCOMP, após o prazo de cinco anos, mas referentes ao crédito original, vinculado à primeira PER/DCOMP transmitida antes do decurso do prazo de cinco anos. Por inexistir preliminares, passo a análise de mérito. Ressaltase, inicialmente, que não há questionamentos quanto ao DARF que originou o crédito utilizado para fins de compensação. A data de seu pagamento é o termo a quo para a contagem do prazo decadencial de cinco anos para que o contribuinte exerça o seu direito à restituição do pagamento indevido ou maior do que o devido, nos termos do art. 168, I, do CTN. Antes de transcorrido o prazo decadencial de cinco anos, o contribuinte transmitiu uma DCOMP informando o seu crédito, bem como declarando a compensação com débitos próprios. Vejase cópia do documento originário de toda a controvérsia, em que se pode observar o "tipo do documento": [...] Adiante vejase o registro do crédito (R$ 17.604,89): [...] Agora vejase as mesmas telas, que o contribuinte chama de PER/DCOMP retificadora: [...] Finalmente, a tela relativa ao crédito informado: [...] Contudo, transcorrido o prazo de cinco anos da data do pagamento do DARF objeto dos créditos do contribuinte, este não fez, conforme relatado anteriormente, "pedido de restituição" do saldo restante de seus créditos. Em verdade, apresentou, posteriormente ao prazo, outras DCOMP, sendo que uma delas retificava a original e outras utilizavam o saldo do crédito em novas compensações declaradas. A questão controvertida a ser decidida, em sede de recurso repetitivo, é se as demais DCOMP, transmitidas após o prazo de cinco anos contados do pagamento indevido ou maior que o devido, sem prévio "pedido de restituição" dentro do prazo de cinco anos, seriam meios hábeis a permitir o exercício do direito de restituição garantido ao contribuinte pelo art. 168, I, do CTN, tomando por origem a DCOMP original, transmitida dentro do prazo decadencial. Vejase que as normas complementares não trazem a possibilidade de uma declaração de compensação ser utilizada para o exercício do direito de restituição nos moldes do art. 168, I, do CTN, demonstrando que, no caso concreto, a DCOMP Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10882.901016/201259 Acórdão n.º 1402003.147 S1C4T2 Fl. 7 6 transmitida antes do encerramento do prazo decadencial de cinco anos não garantiu ao contribuinte o direito de, posteriormente, utilizarse dos créditos remanescentes daquela primeira compensação, os quais restaram fulminados pela decadência. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, reconhecendo que a transmissão de declaração de compensação, antes de findo o prazo decadencial de cinco anos para a formalização de pedido de restituição, não tem o mesmo efeito atribuído a um pedido de restituição ou de ressarcimento, não se lhe aplicando a possibilidade de garantir a utilização de saldo de créditos em declarações de compensação transmitidas posteriormente ao prazo decadencial referido. É o voto" Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário em face de decadência. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.725381/2012-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008
IPI. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS.
Aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4o, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010, combinado com o entendimento consolidado pelo STJ no REsp no 973.733/SC.
IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS/ COM ALÍQUOTA ZERO. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA.
A sistemática de apuração não cumulativa do IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de produtos isentos e/ou com alíquota zero, ainda que provenientes da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.
IPI. ATUALIZAÇÃO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. TAXA SELIC. SÚMULA 411/STJ. REQUISITOS.
A atualização de créditos escriturais de IPI, efetuada por força do REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recurso repetitivos, e da Súmula/STJ 411, depende da existência de oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.
Numero da decisão: 3401-005.217
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a ocorrência de decadência em relação ao período de março a maio de 2007.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 IPI. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. Aplica-se a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4o, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010, combinado com o entendimento consolidado pelo STJ no REsp no 973.733/SC. IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS/ COM ALÍQUOTA ZERO. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de produtos isentos e/ou com alíquota zero, ainda que provenientes da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. IPI. ATUALIZAÇÃO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. TAXA SELIC. SÚMULA 411/STJ. REQUISITOS. A atualização de créditos escriturais de IPI, efetuada por força do REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recurso repetitivos, e da Súmula/STJ 411, depende da existência de oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a ocorrência de decadência em relação ao período de março a maio de 2007. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 909 1 908 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.725381/201266 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.217 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IPI INSUMOS ISENTOS (ZFM) Recorrente PLASTIPAK PACKAGING DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2007 a 31/12/2008 IPI. DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS. Aplicase a contagem do prazo decadencial previsto no artigo 150, § 4o, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010, combinado com o entendimento consolidado pelo STJ no REsp no 973.733/SC. IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS/ COM ALÍQUOTA ZERO. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de produtos isentos e/ou com alíquota zero, ainda que provenientes da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica. IPI. ATUALIZAÇÃO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. TAXA SELIC. SÚMULA 411/STJ. REQUISITOS. A atualização de créditos escriturais de IPI, efetuada por força do REsp nº 1.035.847, julgado na sistemática dos recurso repetitivos, e da Súmula/STJ 411, depende da existência de oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 53 81 /2 01 2- 66 Fl. 910DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a ocorrência de decadência em relação ao período de março a maio de 2007. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 2 a 171, lavrado em 24/08/2012, para exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), referente a falta de recolhimento/recolhimento a menor em função de utilização de créditos indevidos, no período de 31/03/2007 a 31/05/2007, e 29/02/2008 a 31/12/2008, no valor original de R$ 4.209.822,82, a sofrer ainda acréscimos de juros de mora e multa de ofício (75%), com detalhamento em Termo de Verificação Fiscal. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 18 a 40, narra a fiscalização que: (a) a empresa não recolheu IPI/recolheu IPI a menor nos meses de março/2007 a dezembro de 2008 (detalhamento à fl. 18), por se utilizar de créditos indevidos, com a rubrica “ENTRADAS ISENTAS MANAUS”, relativa a aquisição de materiais isentos de IPI provenientes da Zona Franca de Manaus (ZFM), sendo vedada a operação, visto que inexiste o destaque de IPI nas notas fiscais de entrada; (b) intimada a justificar a situação, a empresa informou que adquire na ZFM préformas classificadas na TIPI com o código 3923.30.01 (alíquota zero), apresentando decisões judiciais e administrativas nas quais não era parte (e que não existe pedido de consulta, ou ação administrativa/judicial sobre o tema); (c) foram ainda constatadas notas fiscais em duplicidade (detalhamento às fls. 19/20); (d) houve correção indevida de créditos escriturais; (e) a argumentação de que a aquisição de produtos com isenção gerariam créditos já está suplantada pelo STF (RE no 212.4842, RE no 356.6575, RE no 370.6829, Ag. Regim. no RE no 444.2671, e Ag. Regim. no RE no 372.0058), no sentido da impossibilidade de creditamento em relação a produtos não tributados, tributados à alíquota zero ou isentos, sendo o entendimento mais recentemente confirmado no RE no 566.819/RS, e a repercussão geral reconhecida no RE no 592.891 não afeta as decisões administrativas sobre o tema; (f) a empresa se utilizou ainda de créditos indevidos (detalhamento às fls. 34 a 36) que tratam de retornos ao Livro de créditos que haviam sido estornados em decorrência de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (PER/DCOMP); e (g) não tendo havido recolhimento de março a maio de 2007 (por existir saldo credor em tais períodos), a contagem do período decadencial segue a regra do art. 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). Ciente da autuação em 24/08/2012 (fl. 4), a empresa apresentou Impugnação em 24/09/2012 (fls. 717 a 740), argumentando, em síntese, que: (a) a empresa adquire pré formas da ZFM, sendo beneficiária de incentivo de isenção de IPI, previsto no art. 9o do 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10830.725381/201266 Acórdão n.º 3401005.217 S3C4T1 Fl. 910 3 DecretoLei no 288/1967, o que não obsta a geração de crédito, em função do princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI; (b) o art. 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988 endossa o tratamento especial e diferenciado dado à ZFM; (c) não se pode aplicar às aquisições da ZFM o tratamento geral do tema, presente nos precedentes citados pelo fisco, em função de haver discussão distinta e específica sobre ZFM em repercussão geral, no STF (RE no 592.891/SP), ensejando sobrestamento do julgamento, no CARF; (d) a atualização de créditos pela Taxa SELIC é correta, pois houve óbice ao creditamento, sendo o entendimento pacífico nos tribunais pátrios; e (e) houve decadência em relação ao período de março a maio de 2007, aplicandose ao caso o comando do art. 150, § 4o do CTN, não havendo dolo, fraude ou simulação. Enviado o processo à DRJ, a decisão de primeira instância foi proferida em 12/02/2014 (fls. 812 a 829), acordandose unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) não tendo havido pagamento, não há que se falar em homologação tácita, ou na aplicação do art. 150, § 4o do CTN para cômputo do prazo decadencial, conforme entendimento externado pelo STJ no REsp no 395.059/RS; (b) a não cumulatividade constitucionalmente estabelecida é perfeitamente compatível com limitações de ordem legal, como as estabelecidas no CTN e na Lei no 4.502/1964, não havendo que se falar em crédito sobre o que não foi efetivamente pago; (c) o raciocínio de que os precedentes colacionados pelo fisco não seriam aplicáveis às hipóteses de aquisição de insumos produzidos na ZFM é ilógico, pois o ponto fundamental da decisão que não admitiu o creditamento para aquisições de insumos isentos foi a ausência de incidência do imposto na fase anterior; (d) as préformas em questão são tributadas à alíquota zero, circunstância que se soma à isenção para atestar a impossibilidade de creditamento; e (e) a atualização dos créditos escriturais de IPI carece de fundamento legal. Ciente da decisão de piso em 13/03/2014 (cf. termo de fl. 834), a empresa apresentou recurso voluntário em 07/04/2014 (fls. 837 a 855), basicamente reiterando os argumentos expressos em sua impugnação (de que haveria necessidade de dolo, fraude ou simulação para aplicação do art. 173, I do CTN para cômputo do prazo decadencial; de que a nãocumulatividade do IPI, assegurada constitucionalmente, permite o creditamento; de que a ZFM tem tratamento constitucional diferenciado e benéfico; e de que se aplica a atualização pela Taxa SELIC aos créditos escriturais de IPI). Em relação à atualização pela Taxa SELIC, agrega o Enunciado STJ no 411, que estabelece que “[É] devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”, e o REsp no 1.035.847/RS, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. O processo foi encaminhado ao CARF pelo despacho de fl. 905, de 06/05/2014, que atestou a tempestividade da peça recursal, e distribuído a conselheiros que, posteriormente, renunciaram ao mandato, sendo a mim redistribuído, por sorteio, em fevereiro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator Fl. 912DF CARF MF 4 O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, dele se tomando conhecimento. A controvérsia reside, basicamente, em três temas: (a) regra aplicável, no caso, para o cômputo do prazo decadencial; (b) direito a crédito de IPI em aquisições de produtos isentos/ tributados à alíquota zero provenientes da ZFM; e (c) direito a atualização monetária de créditos escriturais. Não há contencioso instaurado, portanto, em relação a outros temas levantados na autuação, a exemplo da reconstituição da escrita e de notas em duplicidade, para os quais operou preclusão. Da decadência Entende a Fazenda ser aplicável ao caso a regra decadencial prevista no art. 173, I, do CTN: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” A recorrente, por seu turno, entende que a regra aplicável seria a do art. 150, § 4o, do mesmo CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4o Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tema recorrente nos tribunais, a discussão sobre o confronto entre esses dois cômputos de prazo encontrase, atualmente, assentada, no sentido de que, havendo pagamento, a regra decadencial aplicável é a constante no art. 150, § 4o, do mesmo CTN. Caso não haja pagamento, aplicase a disposição do art. 173, I, do CTN. É o que decidiu o STJ no REsp no 973.733/SC, na sistemática do artigo 543 C do antigo CPC (atual artigo 1036 do novo CPC, veiculado pela Lei no 13.105/2015), e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o artigo 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10830.725381/201266 Acórdão n.º 3401005.217 S3C4T1 Fl. 911 5 CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não Fl. 914DF CARF MF 6 restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifo nosso) Nesse sentido já decidiu, reiteradamente, este CARF: “(...) DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. ART. 173, I DO CTN. RESP N. 973.733/SC. Na ausência de pagamento, a regra decadencial aplicável é a do art. 173, I do CTN, conforme entendimento do STJ expresso no REsp no 973.733/SC, na sistemática do art. 543C do CPC, e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo, tendo em vista o art. 62A do Anexo II do RICARF.” (Acórdão no 3401004.472, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 17.abr.2018) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403003.106 e 107, no 3403 003.305, no 3101001.267, no 3302002.589, no 3403002.767, no 9202003.060, no 9303002.849 e no 9303002.857). No presente caso, afirma a fiscalização que não houve pagamento, porque os saldos eram credores (fl. 36), sem questionar sua legitimidade: Ocorre que, em relação ao IPI, a legislação considera “pagamento” o aproveitamento de saldo credor (desde que legítimo). Vejase o art. 124 do Regulamento do IPI/2002 (Decreto no 4.544/2002), aplicável ao caso: “Art. 124. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, no lançamento por homologação, aperfeiçoamse com o pagamento do imposto ou com a compensação do mesmo, nos termos dos arts. 207 e 208 e efetuados antes de qualquer procedimento de ofício da autoridade administrativa (Lei nº 5.172, de 1966, art. 150 e § 1º, Lei nº 9.430, de 1996, arts. 73 e 74, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49). Parágrafo único. Considerase pagamento: Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10830.725381/201266 Acórdão n.º 3401005.217 S3C4T1 Fl. 912 7 I o recolhimento do saldo devedor, após serem deduzidos os créditos admitidos dos débitos, no período de apuração do imposto; II o recolhimento do imposto não sujeito a apuração por períodos, haja ou não créditos a deduzir; ou III a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher.” Tal disposição está presente também no atual Regulamento do IPI (Decreto no 7.212/2010), no art. 183, e deve ser tomada em conta, ainda que de ofício, por se tratar de tema de ordem pública. Assim, diante da existência de ato que o Regulamento do IPI considera “pagamento”, e do julgado do STJ de observância obrigatória por este tribunal administrativo, temse que a regra decadencial aplicável é a do art. 150, § 4o, do CTN. Tal conclusão endossa posicionamento que vem sendo adotado unanimemente neste colegiado, de forma reiterada, inclusive recentemente: “DECADÊNCIA OCORRÊNCIA. Aplicase o § 4º, do artigo 150, do CTN, para o mês de março de 2005, já que o tributo é sujeito ao lançamento por homologação e houve pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inciso III, do RIPI/2010” (Acórdão no 3401005.037, Rel. Cons. Mara Cristina Sifuentes, unânime, sessão de 22.mai.2018) “DECADÊNCIA. PAGAMENTOS. DEDUÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. Aplicase a contagem do prazo decadencial previsto no § 4º, do artigo 150, do CTN, ao tributo sujeito ao lançamento por homologação, quando houver pagamentos, nos termos do art. 124, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2002, reproduzido no art. 183, parágrafo único, inc. III, do RIPI/2010.” (Acórdão no 3401004.009, Rel. Cons. Fenelon Moscoso de Almeida, unânime em relação ao tema, sessão de 28.set.2017) “DECADÊNCIA. PRAZO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS E DÉBITOS DE IPI NA ESCRITA FISCAL. EQUIVALE A PAGAMENTO. ARTIGOS 150, PARÁGRAFO 4º E ARTIGO 173, INCISO I, DO CTN. ARTIGO 124, INCISO III, DO DECRETO Nº 4.544/2002 (RIPI/2002). Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve ser aplicado o prazo do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, quando o contribuinte efetua algum pagamento, e o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do CTN, na inexistência de pagamento ou na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Para fins de IPI, ganha destaque o artigo 124, inciso III, do RIPI/2002, pelo qual considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher, hipótese que atrai a aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN.” (Acórdãos no 3401003.872 e 873, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, unânime em relação ao tema, sessão de 25.jul.2017) Fl. 916DF CARF MF 8 E, sendo, no caso em análise, a autuação cientificada ao sujeito passivo em 24/08/2012, resta decaído o lançamento no que se refere aos meses de março a maio de 2007. Do crédito de IPI em relação a aquisições da ZFM A fiscalização, após mencionar diversos precedentes judiciais, alguns vinculantes para este tribunal administrativo, no sentido de que não há direito de crédito de IPI nas aquisições de mercadorias isentas, não tributadas, ou, ainda, tributadas à alíquota zero, sustenta que a nãocumulatividade constitucionalmente estabelecida não assegura direito de crédito (a não ser presumido, sujeito a legislação específica) a operações nas quais não haja pagamento. Ou seja, que a legislação não prevê crédito básico de IPI (decorrente da não cumulatividade) em relação ao que sequer foi pago. Por seu turno, a recorrente sustenta que a Constituição Federal lhe assegura o crédito na aquisição de mercadorias isentas (préformas, sujeitas ainda à alíquota zero) provenientes da Zona Franca de Manaus, e que o tratamento especial e diferenciado outorgado a tal região distingue a discussão daquela travada no bojo de aquisições, em geral, tendo o STF reconhecido repercussão geral em relação à matéria, no RE no 592.891/SP, cabendo o sobrestamento do feito neste tribunal administrativo. A nãocumulatividade constitucionalmente estabelecida para o IPI figura no art. 153, § 3o, II, da Constituição Federal de 1988: “Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3o O imposto previsto no inciso IV: I será seletivo, em função da essencialidade do produto; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior.” (grifo nosso) Muito se discutiu, administrativa e judicialmente, sobre o sentido e a amplitude da palavra “cobrado”, que figura no inciso II, principalmente no que se refere a produtos isentos, tributados à alíquota zero e não tributados. Judicialmente, a matéria foi assentada pelo STF, com repercussão geral (e, portanto, de observância obrigatória por este tribunal administrativo) no RE no 398.365/RS: “Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10830.725381/201266 Acórdão n.º 3401005.217 S3C4T1 Fl. 913 9 Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência.” (RE 398365 RG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe188 DIVULG 2109 2015 PUBLIC 22092015) (grifo nosso) Aliás, este colegiado, analisou o tema, recentemente, acordando, de forma unânime: “IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAIS DE EMBALAGEM ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem desonerados (isenção, não tributação e alíquota zero) não asseguram crédito de IPI, como decidido pelo STF no RE 398.365/RS, julgado sob o rito da repercussão geral.” (Acórdão no 3401004.302, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 29.jan.2018) E, administrativamente, neste tribunal, no que se refere a aquisições de produtos com alíquota zero (é o caso das préformas de que trata o presente processo) o tema também já não comporta discussão, diante do teor da Súmula CARF no 18: “A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI”. Resta analisar, assim, somente, se o fato de as préformas, tributadas à alíquota zero em todo o território nacional, serem provenientes da Zona Franca de Manaus, tornaria diferente a análise. A Constituição Federal de 1988 trata da Zona Franca de Manaus somente em seu ADCT, art. 40 (cabendo salientar que o prazo ali indicado já foi prorrogado por duas vezes, pelas Emendas Constitucionais no 42/2003 e no 83/2014, que acrescentaram os arts. 92 e 92A ao referido ADCT): “Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus.” Não vislumbro em tal dispositivo nenhum estabelecimento de benefício fiscal, mas apenas a manutenção dos já existentes, e disciplinados em lei. Aliás, isso soa claro com a expressão “é mantida”. Fl. 918DF CARF MF 10 Entre os benefícios estabelecidos nas leis que regem a Zona Franca de Manaus (mormente o DecretoLei no 288/1967), não se encontra a garantia de crédito em aquisições isentas, ou a garanta de crédito em aquisições de produtos tributados à alíquota zero, que se somam à isenção prevista para mercadorias provenientes de tal zona. Os incentivos regionais previstos no referido DecretoLei não versam sobre créditos, sendo as únicas menções a “créditos” no corpo de seu texto referentes a “dotações orçamentárias e créditos adicionais” atribuídos à SUFRAMA, e a “operações de crédito” contratadas pela SUFRAMA. Judicialmente, caberá ao STF, no julgamento do RE no 592.891/SP, decidir se existe diferença de creditamento na aquisição de produtos isentos provenientes da ZFM em relação aos provenientes do restante do território nacional, assunto que figura com repercussão geral naquela corte (tema 322): “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. NÃOCUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” Administrativamente, já não há previsão regimental, no CARF, para o sobrestamento da matéria, pelo fato de o STF ainda não haver julgado o referido RE no 592.891/SP. Assim, cabe a este tribunal administrativo analisar a matéria, já sob o pressuposto de que não pode, com sua conclusão, afastar a aplicação de lei por inconstitucionalidade, diante da Súmula CARF no 2. Não vislumbro como o fato de os produtos serem provenientes da Zona Franca de Manaus viria a fazer com que sua aquisição no restante do território nacional estivesse sujeita a uma espécie de “crédito presumido” (pois atrelado a valor não pago na etapa anterior) que não encontra amparo em lei. Pelo exposto, entendo que o fato de as aquisições serem de produtos provenientes da Zona Franca de Manaus não enseja nenhuma alteração de circunstância ou de comando normativo específico que possa distinguir o caso daquele apreciado no bojo do RE no 398.365/RS. Aliás, assim vem entendendo este colegiado, em suas diversas turmas (inclusive esta), bem como a Câmara Superior de Recursos Fiscais: “IPI. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa imediatamente anterior, para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal que as aquisições isentas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, mesmo que oriundas da Zona Franca de Manaus, não garantem crédito de IPI, por ausência de previsão legal específica.” (Acórdão no 3401003.872, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, maioria – em relação ao tema, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, sessão de 25.jul.2017) Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10830.725381/201266 Acórdão n.º 3401005.217 S3C4T1 Fl. 914 11 “ISENÇÃO. CRÉDITOS. IPI. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do DecretoLei nº 288/67.” (Acórdão no 3402004.988, Rel. Cons. Waldir Navarro Bezerra, maioria, sessão de 21.mar. 2018) “INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O adquirente de produto isento e oriundo da Zona Franca de Manaus não possui direito ao crédito presumido.” (Acórdão no 3302005.225, Rel. Cons. Paulo Guilherme Déroulède, unânime, sessão de 26.fev. 2018) “ISENÇÃO. CREDITAMENTO DE AQUISIÇÕES DE MATÉRIAPRIMA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. Nas operações isentas, como não há cobrança de IPI na saída, então não há direito creditório a ser escriturado, sob pena de violação ao princípio da não cumulatividade, previsto no art. 153, § 3º, II, da CF/88, art. 49 do CTN, art. 25 da Lei nº 4.502/1964 e art. 11 da Lei nº 9.779/1999.” (Acórdão no 3301005.225, Rel. Cons. Semiramis De Oliveira Duro, unânime – em relação ao tema, sessão de 23.mai.2017) “CRÉDITOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. Inexistem amparos, constitucional e legal, para se calcular e aproveitar créditos fictos de IPI sobre os custos incorridos com insumos adquiridos, com a isenção prevista no art. 9º do Decretolei nº 288/1967.” (CSRF, Acórdão no 9303006.688, Rel. Cons. Rodrigo da Costa Pôssas, maioria, vencidos os Cons. Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 12.abr. 2018) Não merecem, assim, prosperar as razões de defesa em relação ao tema, devendo ser mantido o lançamento no que se refere a glosas de créditos relativos a aquisição de produtos isentos e/ou com alíquota zero provenientes da ZFM. Da atualização de créditos escriturais pela Taxa SELIC Sustenta a recorrente que deve haver atualização dos créditos escriturais à Taxa SELIC, no que encontra oposição da fiscalização. E agrega a defesa, em sede recursal, que lhe socorre o teor da Súmula no 411, do STJ, que estabelece que “[É] devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco”. Tal Súmula vem a endossar o teor do REsp nº 1.035.847, julgado, pelo STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos (igualmente vinculante para o CARF, em função de previsão regimental no tribunal administrativo): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO Fl. 920DF CARF MF 12 CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” No entanto, no presente processo não se demonstra de que forma houve a citada resistência ilegítima. De fato, o crédito não foi ilegitimamente negado, como se percebe no presente voto, e a única parcela aqui revertida se refere a decadência, o que não legitima o crédito, mas apenas impede a constituição mediante lançamento dos montantes correspondentes. Tal conclusão, igualmente, endossa posicionamento que vem sendo adotado de forma unânime neste colegiado, recentemente: “CORREÇÃO MONETARIA. NÃO APLICAVEL SÚMULA 411/STJ. Não atendidos os requisitos para aplicação da sumula STJ já que não houve oposição administrativa à utilização do crédito” (Acórdão no 3401005.037, Rel. Cons. Mara Cristina Sifuentes, unânime, sessão de 22.mai.2018) Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10830.725381/201266 Acórdão n.º 3401005.217 S3C4T1 Fl. 915 13 Portanto, não configurada a oposição estatal legítima, incabível falarse em atualização dos créditos escriturais pela Taxa SELIC. Das Considerações Finais – parte dispositiva Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a ocorrência de decadência em relação ao período de março a maio de 2007. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 922DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720003/2016-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
CONEXÃO. COMPETÊNCIA.
De acordo com o art. 6º, §1º, III do Anexo II do RICARF um processo é reflexo quando os processos foram formalizados em um mesmo procedimento fiscal; com base nos mesmos elementos de prova, e, que se referem a tributos distintos. Constatando-se esses requisitos é necessário declinar competência.
Numero da decisão: 3301-004.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a Primeira Seção do Carf
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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COMPETÊNCIA. De acordo com o art. 6º, §1º, III do Anexo II do RICARF um processo é reflexo quando os processos foram formalizados em um mesmo procedimento fiscal; com base nos mesmos elementos de prova, e, que se referem a tributos distintos. Constatandose esses requisitos é necessário declinar competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a Primeira Seção do Carf (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 00 03 /2 01 6- 90 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 388 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 331 a 350) interposto pelo Contribuinte, em 26 de outubro de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1462.536 (fls. 292 a 317), de 29 de agosto de 2016, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação (fls. 130 a 143) para manter o crédito tributário discutido no presente processo. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão (fls. 294 a 304): Trata o presente processo dos autos de infração, lavrados em 25/01/2016, para exigência das contribuições para o PIS e a COFINS, relativas aos anoscalendário 2011 e 2012, no valor total de R$ 41.905.714,17, incluindo multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 01/2016, em virtude da descaracterização da entidade como associação sem fins econômicos de que trata o art. 15 da Lei no 9.532, de 10/12/1997, resultando a exigência da Cofins e do Pis sobre o faturamento, porque afastada a isenção da Cofins, bem como a incidência do Pis sobre a folha de salários, de que tratam os arts. 13, inciso IV, e 14, inciso X, da Medida Provisória no 2.158 35, de 24/08/2001. As infrações foram discriminadas no Relatório Fiscal, efls. 23/31, a seguir parcialmente reproduzido: “3) O sujeito passivo se considera uma associação sem fins econômicos (vide Estatuto Social, em anexo) do tipo descrito no art. 15 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, fazendo jus, consequentemente, à contribuição para o PIS com base na folha de salários e à isenção da COFINS sobre as receitas relativas às suas atividades próprias, conforme o disposto nos arts. 13, inciso IV, e 14, inciso X, da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Conforme exposição a seguir, porém, não é esse o entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil no caso de clubes de futebol profissional, como o Santos Futebol Clube. Da Contribuição para o PIS/Pasep devida pelas associações civis sem fins lucrativos 4) A Lei no 9.715, de 25 de novembro de 1998, conversão da MP originária de no 1.212, de 28 de novembro de 1995, ao dispor sobre as contribuições para o PIS/Pasep, estabeleceu que “as entidades sem fins lucrativos definidas como empregadoras pela legislação trabalhista e as fundações” pagariam a contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários (art. 2o, inciso II). 5) O inciso II do art. 2o da Lei no 9.715 foi revogado, a partir de 28 de setembro de 1999, pelo art. 23, inciso I, da MP no 1.8586, de 29 de junho de 1999, hoje MP no 2.15835, não convertida em lei, mas em tramitação, por ser anterior à Emenda Constitucional de no 32, de 11/09/2001. Esta MP Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 389 3 redefiniu as regras da contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários e da isenção da COFINS, mas manteve o PIS/Pasep com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, para as associações civis sem fins lucrativos (a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532), conforme art. 13, inciso IV, da referida MP, que se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de 30 de setembro de 1999. Da COFINS devida pelas associações civis sem fins lucrativos 6) A Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991, que instituiu a COFINS, erigiu à condição de contribuinte não as empresas (públicas ou privadas), como o fez o Decretolei no 1.940, de 25 de maio de 1982, ao instituir a contribuição ao Finsocial, mas sim as pessoas jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda. Assim, não só as empresas mas todas as outras pessoas jurídicas passaram a ser contribuintes da COFINS. Somente por imunidade ou isenção é que estarão desobrigadas do pagamento da contribuição. 7) A Lei Complementar no 70 não concedeu isenção às “associações civis sem fins lucrativos”, mas às “entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”, reproduzindo o que já falara a Constituição de 1988, no § 7o do art. 195. 8) Apesar de serem as associações civis pessoas jurídicas, conforme argumentado acima, e consequentemente contribuintes da COFINS, o Parecer Normativo CST no 5, de 22 de abril de 1992, entendeu que extravagante à base de cálculo da contribuição (faturamento mensal) as receitas auferidas pelas associações, sindicatos, federações, confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas, destinadas ao custeio de suas atividades essenciais e fixadas por lei, assembléia ou estatuto, tais como as contribuições, anuidades ou mensalidades, assim estabelecidas. Tratarseia de não incidência tributária. Mas adverte o Parecer que, quando as entidades ali tratadas auferirem receitas decorrentes da prestação de serviços e/ou da venda de mercadorias, mesmo que exclusivamente para seus associados, incidirá a contribuição (COFINS) sobre essas receitas, posto que tais entidades não foram isentadas da exação. 9) Com o advento da Lei no 9.718, de 28 de novembro de 1998, o conceito de faturamento foi ampliado, passando a ser “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas” (art. 3o, § 1o). Também esta Lei, que dispôs sobre a COFINS e a contribuição para o PIS/Pasep, não isentou as associações civis das aludidas contribuições. Porém, a Medida Provisória no 1.8586, de 29 de junho de 1999, publicada no DOU de 30 de junho de 1999, hoje correspondente à MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, concedeu, em seu art. 14, inciso X, combinado com o art. 13, inciso IV, a isenção da COFINS em relação às receitas das atividades próprias das associações civis a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O tratamento do art. 14 da MP no 1.8586 se aplica aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o fevereiro de 1999. As associações a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532 são “as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 390 4 PIS e COFINS dos clubes de futebol profissional 10) A Lei no 9.615, de 24 de março de 1998, conhecida como Lei Pelé, em sua redação original, dispôs em seu art. 27, caput, que “as atividades relacionadas a competições de atletas profissionais são privativas de: I – sociedades civis de fins econômicos; II – sociedades comerciais admitidas na legislação em vigor; III – entidades de prática desportiva que constituírem sociedade comercial para administração das atividades de que trata este artigo.” 11) O art. 94 da mesma Lei (em sua redação original) concedeu o prazo de dois anos para as “entidades desportivas praticantes ou participantes de competições de atletas profissionais” se adaptarem ao disposto no art. 27 da mesma Lei, retromencionado. 12) Já o art. 18 da Lei no 9.615 assim dispôs: “Somente serão beneficiadas com isenções fiscais e repasses de recursos públicos federais da administração direta e indireta, nos termos do inciso II do art. 217 da Constituição Federal, as entidades do Sistema Nacional do Desporto que: .................................................................................... III – atendam aos demais requisitos estabelecidos em lei;” 13) Ao teor do art. 18, III, retrocitado, o descumprimento do disposto no art. 27 c/c o art. 94 da referida Lei tem implicações inclusive de natureza fiscal, não podendo tais entidades gozarem de isenções fiscais. Mas tendo dado a Lei o prazo de dois anos para as entidades se adaptarem ao disposto no art. 27, somente a partir da expiração do prazo é que se poderia cogitar de descumprimento do referido requisito legal. 14) A Lei no 9.615 foi publicada no DOU de 25 de março de 1998. Logo, o prazo dado pelo seu art. 94 expiraria em 25 de março de 2000. Acontece que, antes da ocorrência deste termo final, a Lei no 9.940, de 21 de dezembro de 1999, dando nova redação ao art. 94 da Lei no 9.615, ampliou o indigitado prazo para três anos, passando o seu termo final para 25 de março de 2001. 15) Ainda no curso deste novo prazo, a Lei no 9.981, de 14 de julho de 2000, publicada no DOU de 17 de julho de 2000, revogou expressamente, em seu art. 5o, a Lei no 9.940, que havia dado a prorrogação do prazo. A revogação desta Lei deuse, portanto, após o término do prazo inicialmente concedido pela redação original da Lei no 9.615, ou seja, já dentro do período de prorrogação dado pela Lei no 9.940. Concluise, então, que o prazo do art. 94 da Lei Pelé expirou, afinal, em 17 de julho de 2000, data de publicação da Lei no 9.981. Mas a Lei no 9.981, além de revogar a Lei no 9.940, alterou diversos dispositivos da Lei no 9.615, inclusive os citados arts. 27 e 94, que passaram a vigorar com a seguinte redação: “Art. 27. É facultado à entidade de prática desportiva participante de competições profissionais: Fl. 398DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 391 5 I – transformarse em sociedade civil de fins econômicos; II – transformarse em sociedade comercial; III – constituir ou contratar sociedade comercial para administrar suas atividades profissionais. § 1o (parágrafo único original) (Revogado). § 2o A entidade a que se refere este artigo não poderá utilizar seus bens patrimoniais, desportivos ou sociais para integralizar sua parcela de capital ou oferecêlos como garantia, salvo com a concordância da maioria absoluta da assembléia geral dos associados e na conformidade do respectivo estatuto. § 3o Em qualquer das hipóteses previstas no caput deste artigo, a entidade de prática desportiva deverá manter a propriedade de, no mínimo cinquenta e um por cento do capital com direito a voto e ter o efetivo poder de gestão da nova sociedade, sob pena de ficar impedida de participar de competições desportivas profissionais. § 4o A entidade de prática desportiva somente poderá assinar contrato ou firmar compromisso por dirigente com mandato eletivo. Art. 94. Os artigos 27, 27A, 28, 29, 30, 39, 43, 45 e o § 1o do art. 41 desta Lei serão obrigatórios exclusivamente para atletas e entidades de prática profissional da modalidade de futebol. Parágrafo único. É facultado às demais modalidades desportivas adotar os preceitos constantes dos dispositivos referidos no caput deste artigo.” 16) Da interpretação sistemática dos arts. 27 e 94 da Lei no 9.615, com a redação dada pela Lei no 9.981, apreendese que foi facultado à “entidade de prática desportiva participante de competições profissionais” a transformação em sociedade comercial ou civil de fins econômicos, com exceção para os clubes de futebol profissional, que ficariam obrigados à transformação. Esta é a interpretação possível para os dispositivos: o caput do art. 94 diz que o art. 27, dentre outros, é obrigatório exclusivamente para as entidades de prática profissional da modalidade de futebol, quando o comando do art. 27, caput, não é de obrigação, mas de faculdade. 17) Durante a vigência da Medida Provisória no 39, de 14 de junho de 2002, publicada no DOU de 17 de junho de 2002, o caput do art. 27 da Lei no 9.615 tomou a seguinte forma: “Em face do caráter eminentemente empresarial da gestão e exploração do desporto profissional, as entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais e as ligas em que se organizarem que não se constituírem em sociedade comercial ou não contratarem sociedade comercial para administrar suas atividades profissionais equiparamse, para todos os fins de direito, às sociedades de fato ou irregulares, na forma da lei comercial.” 18) Ou seja, as entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais que ainda continuassem organizadas como associações sem fins Fl. 399DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 392 6 lucrativos passavam a ser consideradas sociedades de fato, na forma da lei comercial. 19) A MP no 39 foi rejeitada pelo Plenário da Câmara dos Deputados, tendo o despacho do Presidente daquela Casa sido publicado no DOU de 13 de novembro de 2002. 20) Em 27 de novembro de 2002, foi editada a MP no 79, que foi publicada no DOU de 28 de novembro de 2002. Esta MP trouxe dispositivos semelhantes aos da MP no 39, tendo o seu art. 2o disposto que “a exploração e gestão do desporto profissional constituem exercício profissional de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, inclusive para efeito do disposto no Livro II da Parte Especial da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Código Civil.” O Livro II da Parte Especial do novo Código Civil trata do Direito de Empresa. O exercício profissional de atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços é justamente a atividade do empresário, tal como definido no art. 966 do Código Civil. 21) O art. 7° desta MP assim dispôs: Art. 7o. É facultado às entidades desportivas constituíremse regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei no 10.406, de 2002 –Código Civil. Parágrafo único. Considerase entidade desportiva, para os fins desta Medida Provisória, as entidades de prática desportiva envolvidas em competições de atletas profissionais, as ligas em que se organizarem e as entidades de administração de desporto profissional.” 22) A faculdade do art. 7o há que ser entendida como direcionada à escolha do tipo societário dentre os previstos nos arts. 1.039 a 1.092 do Novo Código Civil. A transformação em sociedade, no entanto, é obrigatória. Não faria sentido o art. 2o da MP definir a exploração e gestão do desporto profissional como atividade empresarial e, em seguida, se facultar a constituição de uma sociedade empresária. Tanto é verdade que esta é a melhor exegese do art. 7o que o art. 9o prevê uma série de impedimentos às entidades desportivas que não se constituírem regularmente em sociedade empresária segundo o art. 7o. E o art. 10 instituiu diversas obrigações para as entidades desportivas, tais como a elaboração de demonstrações financeiras, próprias das sociedades empresárias, cujo descumprimento está sujeito a penalidades, inclusive o impedimento do gozo de qualquer benefício fiscal de âmbito federal. 23) Ora, tendo a MP no 79 afirmado que a exploração e a gestão do desporto profissional constitui atividade empresarial e tendo ainda obrigado as entidades desportivas a se constituírem regularmente em sociedade empresária, segundo um dos tipos societários previstos nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei no 10.406, fica descaracterizada, na vigência desta MP e na vigência da MP no 39, a natureza de associação civil sem fins lucrativos para as tais entidades. Em consequência, não se aplica a elas, nas vigências destas MPs, as disposições do art. 13, inciso IV, e do art. 14, inciso X, da MP no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Irrelevante que a MP no 79 não tenha disposto expressamente sobre as implicações de natureza fiscal para o descumprimento da exigência legal. Basta a descaracterização de Fl. 400DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 393 7 “associação civil sem fins lucrativos”, perpetrada por esta MP e pela MP no 39, para afastar a subsunção aos dispositivos da MP no 2.15835 e submeter estas entidades às incidências da Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS sobre o faturamento, tal como definido pelo art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998. 24) A MP no 79 foi convertida na Lei no 10.672, de 15 de maio de 2003, mas com nova redação, adotando a técnica legislativa da alteração expressa dos dispositivos da Lei no 9.615. Desta forma, incluiu o parágrafo único ao art. 2o da Lei no 9.615, reproduzindo o que já se dissera na MP no 79, para dizer que “a exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica”, sujeitandose à observância de determinados princípios que elenca. Dando nova redação ao art. 27 da Lei no 9.615, acrescentou vários parágrafos, dentre os quais os §§ 9o e 10, que facultaram às entidades desportivas a escolha do tipo societário, reproduzindo a dicção do art. 7o e parágrafo único da MP no 79, já comentados. O § 13, assim acrescentado ao art. 27 da Lei no 9.615, assim dispôs: “Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de prática desportiva, das entidades de administração de desporto e das ligas desportivas, independentemente da forma jurídica como estas estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias, notadamente para efeitos tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos.” Esta Lei entrou em vigor na data de sua publicação, no DOU de 16 de maio de 2003. Logo a Lei no 10.672 manteve, para as entidades desportivas, a equiparação à sociedade empresária, inclusive para efeitos tributários, dando continuidade ao tratamento da MP no 79. 25) A Lei no 12.395, de 16 de março de 2011, alterou mais uma vez o § 13, do art. 27, da Lei Pelé, dandolhe a seguinte redação: “Para os fins de fiscalização e controle do disposto nesta Lei, as atividades profissionais das entidades de que trata o caput deste artigo, independentemente da forma jurídica sob a qual estejam constituídas, equiparamse às das sociedades empresárias.” 26) Portanto, na redação atual da Lei Pelé, está mantida a equiparação das entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais às sociedades empresárias. 27) A Lei no 11.345, de 14 de setembro de 2006, publicada no DOU de 15 de setembro de 2006, criou a Timemania e deu nova oportunidade aos clubes de futebol profissional de usufruírem, por cinco anos, da isenção de PIS e COFINS sobre o faturamento, conforme a redação de seu art. 13, abaixo reproduzido: “Fica assegurado, por 5 (cinco) anos contados a partir da publicação desta Lei, o regime de que tratam o art. 15 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e os arts. 13 e 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, às entidades desportivas da modalidade futebol cujas atividades profissionais sejam administradas por pessoa jurídica regularmente constituída, segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil.” Fl. 401DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 394 8 28) Claro está, portanto, que o benefício acima não alcança as associações civis que administram diretamente o futebol profissional. Mesmo aquelas cujas atividades profissionais da modalidade futebol sejam administradas por pessoa jurídica nos termos da Lei viram o benefício se extinguir em 15 de setembro de 2011. 29) Por tudo o que foi exposto, fica bem estabelecido que clubes de futebol profissional, organizados sob qualquer natureza jurídica, não gozam de isenção de PIS e COFINS sobre o faturamento. Apuração dos débitos de PIS e COFINS do sujeito passivo 30) Como já mencionado, o sujeito passivo recolheu a contribuição para o PIS sobre a folha de salários e nada recolheu a título de COFINS. 31) Para apuração das bases de cálculo das duas contribuições, foi solicitado ao contribuinte o fornecimento, em meio digital, de sua escrituração contábil referente aos anos de 2011 e 2012, a qual foi entregue conforme recibo em anexo. 32) O sujeito passivo declarouse isento nas DIPJs de 2011 e 2012. Não obstante, com a escrituração contábil em mãos, a auditoria tem os elementos necessários para apurar o IRPJ e a CSLL sobre o lucro real, que é a forma de tributação a ser utilizada quando o sujeito passivo não opta ou não pode optar por outra forma. Consequentemente, PIS e COFINS foram calculados pelo regime de incidência nãocumulativa. 33) Com base nas contas de resultado da escrituração contábil foram preparadas duas planilhas, que constituem os anexos A e B deste relatório. Os lucros contábeis apurados através dessas duas planilhas estão de acordo com os superávites divulgados pelo Santos Futebol Clube nas demonstrações de resultado de 2011 e 2012 (em anexo). 34) Na legislação do PIS e da COFINS nãocumulativos, nem toda receita é base de cálculo e nem toda despesa ou custo gera crédito. A partir das planilhas que constituem os anexos A e B foram elaboradas novas planilhas em que as contas de resultado que compõem a base de cálculo ou que constituem crédito estão destacadas em cinza claro (anexos C e D). 35) Por fim, os anexos E e F apresentam os cálculos do PIS e da COFINS não cumulativos. Como sobre base de cálculo e sobre crédito foram aplicadas as mesmas alíquotas (1,65%, no caso do PIS, conforme Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 7,6%, no caso da COFINS, conforme Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003), a soma, em cada mês, das parcelas da base de cálculo, às quais foi atribuído valor positivo, com as parcelas do crédito, às quais foi atribuído valor negativo, multiplicada pela alíquota correspondente fornece o valor devido de PIS ou de COFINS no mês. Os recolhimentos de PIS sobre a folha de salários que o sujeito passivo havia realizado foram abatidos do valor apurado de PIS nãocumulativo para gerar os valores de PIS a lançar. Os valores de COFINS a lançar resultam diretamente do cálculo acima descrito. 36) Os valores de PIS e COFINS a lançar das planilhas que constituem os anexos E e F são exatamente iguais aos valores que constam dos Autos de Infração cujos lançamentos são detalhados por este relatório.” Fl. 402DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 395 9 A interessada, por intermédio de seu representante legal, tomou ciência dos autos de infração em 29/01/2016. Inconformada, a contribuinte legalmente representada apresentou, em 26/02/2016, impugnação, acompanhada de documentos. Após breve resumo dos fatos, inicia discorrendo acerca do direito da associação civil sem fins lucrativos, ao qual julga estar submetida, razão porque entende ser isenta de Cofins, gozando do direito de recolher o Pis com base na folha de salários. Acusa que a fiscalização pretende dar nova interpretação à redação do art. 7o (sic) da Lei no 9.615, de 24/03/1998, reconhecendo a equiparação das entidades de prática desportiva participantes de competições profissionais às sociedades empresárias, inclusive para fins tributários. E que o Fisco assevera ter sido revogado automaticamente, em 15/09/2011, o benefício da Timemania (criado pela Lei no 11.345, de 2006), que deu nova oportunidade aos clubes de futebol profissional de usufruírem, por cinco anos, da isenção de Pis e Cofins sobre o faturamento; bem como que a Lei Pelé (Lei no 9.615, de 1998) declara, expressamente, constituir atividade econômica a exploração e a gestão do desporto profissional (art. 3o, parágrafo único), não sendo compatível tal atividade por associação sem fins lucrativos. Entende ser preciso distinguir os termos “fins” e “atividades”. Alega inexistir impedimento para uma organização sem fins econômicos desenvolver atividades econômicas para geração de renda, desde que não partilhe os resultados decorrentes entre os associados, destinandoos integralmente à consecução do seu objetivo social, sendo esta condição o que distingue as associações das sociedades, conforme arts. 53 e 981 do novo Código Civil. Afirma estar vedada qualquer partilha de resultados, mas sem proibição para a realização de atividades econômicas, pois não se pode confundir finalidade com atividade, conceitos presentes, simultaneamente, no aludido art. 981 do novo Código Civil, que define sociedade: “Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha entre si, dos resultados.” E conclui, em suas palavras: “Como se vê, na sociedade os sócios exploram uma atividade econômica com fins de obtenção e partilha de lucros (resultados). Assim, o que verdadeiramente diferencia uma sociedade de uma associação civil é a possibilidade de os sócios dividirem ou não – o resultado da atividade explorada, e não a natureza da atividade exercida. Nas palavras de Maria Helena Diniz, “não perde a categoria de associação mesmo que realize negócios para manter ou aumentar o seu patrimônio, sem, contudo, proporcionar ganhos aos associados”. A Lei 10.672/2003 que previu equiparação para fins tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos, foi revogada pela Lei 12.395/2011, que limitou tal equiparação apenas para fins de fiscalização e controle no tocante à responsabilização de dirigentes e administradores em consonância com o caput do artigo. Verifiquese as alterações no quadro comparativo abaixo: Fl. 403DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 396 10 Dos dispositivos acima resulta que a equiparação ocorre apenas para fins de responsabilização de dirigentes e administradores, não havendo equiparação para fins tributários, fiscais, previdenciários, financeiros, contábeis e administrativos. Nesses termos, tanto a isenção como uma das hipóteses para a exclusão do crédito tributário, por esse motivo afasta a exigibilidade da contribuição destinada à COFINS, vez que tratase o impugnante de é ENTIDADE ESPORTIVA SEM FINS LUCRATIVOS, NOS TERMOS DA LEI, quanto faz este jus a alíquota especial de 1% sobre a folha de salários a título de PIS/Pasep.” Voltase à redação dos arts. 13, incisos IV e V, e 14, inciso X, da MP no 2.15835, de 24/08/2001, vigente na forma do art. 2o da EC no 32, de 2001, última reedição da MP no 1.8586, de 29/06/1999; bem como à redação do art. 15 da Lei no 9.532, de 1997, para concluir que no nosso ordenamento jurídico não se pode fugir, em tema Fl. 404DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 397 11 isenção, da aplicação do princípio da legalidade, sob pena de se dar tratamento díspar aos contribuintes, com flagrante ofensa ao princípio constitucional da igualdade. Acrescenta que, ademais, em matéria tributária, a hipótese de incidência deve se adequar ao fato para fins de exclusão do crédito tributário. Entende que a isenção nada mais faz que excepcionar determinado fato ou situação da incidência tributária, desde que cumpridos os requisitos legais, tendo eficácia imediata conforme, aliás, já se posicionou o Supremo Tribunal Federal a respeito. Afirma ser isenta da contribuição à Cofins, fazendo jus à alíquota especial de Pis desde 01/02/1999, nos termos dos arts. 13, inciso IV, e 14 da MP no 2.15835, de 2001. Esclarece ser “uma associação civil, sem fins lucrativos e com personalidade jurídica própria, tendo por objetivos cultivar, praticar e desenvolver atividades sociais, educacionais, recreativas, culturais, cívicas, assistenciais, de benemerência, esportivas e de educação física, em todas sua modalidades, podendo exercer outras atividades cuja renda reverta em benefício dos seus objetivos sociais”, conforme previsto em seu Estatuto Social (art. 1o). Cita jurisprudência nesse sentido. E requer seja afastado o débito tributário da Cofins, pois se refere ao período de 2011 e 2012, ou seja, posterior à edição da MP no 2.15835, de 2001, sendo contemplada pela isenção; bem como seja referendado o recolhimento do Pis/Pasep sobre a folha de salários. Em caráter sucessivo, acerca da base de cálculo, da alíquota e da multa aplicada, diz que os encargos tributários devem incidir apenas sobre as receitas decorrentes do futebol profissional, permanecendo isentas as receitas próprias das atividades do clube social. Nesses termos, julga que a base de cálculo das contribuições, no regime não cumulativo, é o valor do faturamento mensal, nos termos do art. 1o, §§ 1o a 3o, das Leis no 10.637, de 2002, e no 10.833, de 2003, devendo ser abatidos os créditos decorrentes de: a) bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; b) custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; e c) encargos de depreciação e amortização de bens adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. Ainda, requer a compensação dos valores já recolhidos pelo Clube no período questionado, depois de feita a efetiva atualização do valor pago à época para os dias de hoje. Quanto à multa no percentual de 75%, diz ser desproporcional e que “a imputação de penalidades com fundamento em presunção de fraude viola os princípios da Legalidade e da Tipicidade Tributária”. Acusa ser bastante fácil e confortável para a fiscalização “descuidada” a adoção da “estratégia da presunção”, sendo inaplicável a multa, haja vista o Clube apenas ter observado a interpretação direta da Lei, não se furtando ao pagamento, apenas se enquadrando nos termos da MP no 2.15835, de 2001. Diz ser “incompatível a presunção adotada com o agravamento praticado, pois aquela revela impossibilidade de provar, quando o agravamento demanda prova do intuito”. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 398 12 E que “no caso de lançamento tributário fulcrado em suposta omissão, e para que a multa de ofício qualificada possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio”, o que não teria ocorrido no caso em tela, sequer inexistindo intimação para esse fim. Alega não ter existido embaraço à fiscalização, sendo inadmissível a qualificação da multa de ofício sobre a falta de recolhimento das contribuições, devendo a multa aplicada ser prontamente afastada. Em caráter sucessivo, novamente requer, acaso superadas as teses de defesa apresentadas, o deferimento de compensação dos valores já pagos no período e a consideração de alíquotas, deduções e abatimentos da base de cálculo conforme critérios acima expostos, bem como o pronto cancelamento da multa de 75%. Encerra com o seguinte pedido: “Pelo exposto, requer a V. Sa. que seja ANULADO O LANÇAMENTO EM EPÍGRAFE, notadamente por ser o impugnante associação civil SEM FINS LUCRATIVOS, nos termos artigos 13, incisos IV e V, e 14, inciso X, da MP n° 2.15835, de 24.08.01, que concedem ISENÇÃO DA COFINS E DETERMINAM O RECOLHIMENTO DE PIS/PASEP NA ALÍQUOTA ESPECIAL DE 1% SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. Em caráter sucessivo, se eventualmente superadas as teses de defesa antes articuladas, o deferimento de compensação dos valores já pagos no período questionado e a consideração de alíquotas, deduções e abatimentos da base de cálculo, bem como a anulação do lançamento da multa de ofício, conforme critérios acima expostos.” (destaques do original) Em 04/03/2016 a interessada novamente se manifesta nos autos, em atendimento à intimação fiscal, para fins de relacionar imóvel de sua propriedade; e em 14/03/2016, também em atendimento à intimação fiscal, a contribuinte apresenta documento em comprovação de seu representante legal. Tendo em vista a decisão consubstanciada no Acórdão ora recorrido o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário para que seja reformada a referida decisão. Por sua vez, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou, em 21 de dezembro de 2016, contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 364 a 385), requerendo o desprovimento do referido Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1462.536, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 399 13 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbram nos autos quaisquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada em procedimento fiscal a falta de declaração e/ou recolhimento e a declaração inexata de tributo e/ou contribuição é cabível a aplicação da multa de 75%. Não tendo sido imputado o embaraço e/ou a presunção do evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio, hipóteses as quais ensejariam o agravamento e/ou a qualificação da penalidade, perdem objeto as razões de defesa apresentadas nesse sentido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011, 2012 ENTIDADE DESPORTIVA DE FUTEBOL PROFISSIONAL. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. NÃO CABIMENTO. As entidades desportivas profissionais dedicadas à prática do futebol são obrigadas a se transformarem em sociedades empresárias, nos termos da legislação vigente, sujeitandose ao recolhimento do Pis sobre o faturamento, à vista da descaracterização da natureza de Associação Civil sem Fins Lucrativos. Já tendo sido computados os recolhimentos efetuados sobre a folha de salários e tendo sido observadas as regras para a exigência da contribuição no regime não cumulativo, com a admissão de créditos, inclusive, perdem objeto as razões de defesa apresentadas nesse sentido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011, 2012 ENTIDADE DESPORTIVA DE FUTEBOL PROFISSIONAL. ASSOCIAÇÃO CIVIL SEM FINS LUCRATIVOS. NÃO CABIMENTO. As entidades desportivas profissionais dedicadas à prática do futebol são obrigadas a se transformarem em sociedades empresárias, nos termos da legislação vigente, Fl. 407DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 400 14 sujeitandose ao recolhimento da Cofins sobre o faturamento, à vista da descaracterização da natureza de Associação Civil sem Fins Lucrativos. Tendo sido observadas as regras para a exigência da contribuição no regime não cumulativo, com a admissão de créditos, inclusive, perdem objeto as razões de defesa apresentadas nesse sentido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Uma questão de ordem pública, a ser avaliada por primeiro, antes da apreciação do Recurso Voluntário, é a questão da competência desta Turma pertencente a Terceira Seção do CARF para julgar o presente feito. No relatório acima, quando da citação de trechos do Relatório Fiscal, verificase o seguinte: 32) O sujeito passivo declarouse isento nas DIPJs de 2011 e 2012. Não obstante, com a escrituração contábil em mãos, a auditoria tem os elementos necessários para apurar o IRPJ e a CSLL sobre o lucro real, que é a forma de tributação a ser utilizada quando o sujeito passivo não opta ou não pode optar por outra forma. Consequentemente, PIS e COFINS foram calculados pelo regime de incidência não cumulativa. Na leitura da decisão ora recorrida, Acórdão nº 1462.536, quando o julgador enfrenta alegações do Contribuinte acerca da existência de decisões judiciais e administrativas que dão guarida ao seu pleito, assim se pronuncia ( fls. 358 e seguintes): Advirtase que resultam improfícuos os julgados administrativos referidos pela contribuinte, porque tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, eis que somente se aplicam sobre a questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. (...) De toda forma, à vista da jurisprudência trazida na impugnação, impõese informar a lavratura de auto de infração para exigência do IRPJ e da CSLL na sistemática do lucro real (diante da suspensão da imunidade), nos anoscalendário em apreço, conforme Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 15983.720004/201634, decorrente da mesma ação fiscal (ainda pendente de julgamento definitivo), o que justifica a presente exigência das contribuições para o Pis e a Cofins no regime da não cumulatividade. Por pertinente, é importante observar que foi suspensa, desde 27/08/1998, a aplicação da alínea “f” do § 2º e o § 1º do art. 12, bem como o caput do art. 13 e o art. 14 da Lei nº 9.532, de 1997, em sede de Medida Cautelar na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 1.8023/DF, pendente de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), fato o qual implicou, de igual maneira, a suspensão dos procedimentos previstos no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, justificando o lançamento direto na hipótese do descumprimento dos requisitos para fruição da imunidade, conforme reconhecido no Parecer PGFNCAT nº 768/2010. (grifouse). Constatase que existem dois processos envolvendo o mesmo procedimento fiscal, ou seja, o presente processo e o processo nº 15983.720004/201634 que se encontra distribuído na Primeira Seção de Julgamento do CARF, referente a auto de infração para a Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 401 15 exigência de IRPJ e CSLL na sistemática do lucro real diante da suspensão da imunidade, e este é o tema central no presente feito no que concerne a contribuição para a Cofins e PIS. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) estabelece no Anexo II a competência, a estrutura e funcionamento dos colegiados do CARF desta forma: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...) Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (grifouse). Diante da legislação percebese que um processo é vinculado a outro por três razões: 1) conexão, 2) decorrência, e, 3) reflexo. . Entendese pela leitura do art. 6º, §1º, III do Anexo II do RICARF que um processo é reflexo quando: a) os processos foram formalizados em um mesmo procedimento fiscal, b) com base nos mesmos elementos de prova, e, c) que se referem a tributos distintos. Verificase que no presente caso atendese os três requisitos acima, portanto, o processo está vinculado por ser reflexo e neste caso é de se declinar competência. Com isso, diante da legislação vigente, voto por declinar da competência para julgar o presente processo para que seja redistribuído para a Primeira Seção de Julgamento. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 15983.720003/201690 Acórdão n.º 3301004.667 S3C3T1 Fl. 402 16 Valcir Gassen Relator Fl. 410DF CARF MF
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